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, ÉTICA
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IA
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STEN
TÁV
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Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-65-5821-035-1
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 3 5 1
Código Logístico
I000168
Liderança, Cidadania, 
Ética e Tecnologia 
Sustentável 
Claudia Christ
IESDE BRASIL
2022
© 2022 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Illus_man/deepadesigns/Shutterstock/Shutterstock
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C479L
Christ, Claudia
Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável / Claudia Christ. - 
1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2021. 
114 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5821-035-1
1. Desenvolvimento sustentável. 2. Ecologia. 3. Energia - Fontes alter-
nativas. 4. Materiais - Inovações tecnológicas. I. Título.
21-71226 CDD: 363.7
CDU: 502.131.1
Claudia Christ Possui MBA em Gestão da Tecnologia da Informação, 
pelo Centro Universitário FIAP, e especialização em 
Psicopedagogia, pela Universidade São Marcos. 
Graduada em Pedagogia, trabalhando como professora 
de graduação e pós-graduação. Coautora de dois livros 
e de uma coleção didático-pedagógica pela editora FTD. 
Atua, também, capacitando professores para trabalhar 
com tecnologia como uma aliada à educação, dando 
consultoria por todo o Brasil. É, ainda, produtora de 
conteúdos e revisora para algumas instituições.
SUMÁRIO
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
Em alguns dispositivos é necessário ter instalado 
um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
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SUMÁRIO
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1 Sustentabilidade 9
1.1 Sustentabilidade ambiental e energia 9
1.2 Matrizes energéticas 13
2 TI sustentável e TI insustentável 21
2.1 Reuso e descarte 21
2.2 Nova mentalidade sustentável 23
2.3 Lixo eletrônico 27
3 Diversidade e tecnologia 39
3.1 Empresas e cotidiano 39
3.2 Cultura organizacional e social 45
3.3 Dilemas éticos 54
4 Sociedade da Informação 62
4.1 Sociedade da Informação 62
4.2 Experiências internacionais 67
5 Mercado de TI 88
5.1 Carreiras de TI 88
5.2 Tendências futuras 99
6 Resolução das atividades 111
Neste livro, em geral, abordaremos a questão da 
sustentabilidade atrelada à tecnologia da informação (TI).
No primeiro capítulo, iniciaremos com o questionamento 
sobre o que é sustentabilidade em si e a origem da palavra 
sustentável. Depois, passaremos para a questão econômica e 
como o meio ambiente está ligado ao avanço econômico do 
planeta. É essencial se lembrar de pontos como conhecimento, 
participação, atitudes e habilidades, para que os profissionais de 
TI percebam como atuar em seu trabalho, pensando no meio 
ambiente. Para essas elucidações, falaremos sobre matrizes 
energéticas e os tipos de energia que podem ser usadas a fim de 
diminuir a agressão à natureza.
No Capítulo 2, falaremos de TI sustentável e Ti insustentável, 
abordando o reuso e descarte mais consciente por parte das 
empresas. É importante realçar o processo do CEDIR como 
um grande exemplo para o descarte correto dos componentes 
eletrônicos. Vale a pena ressaltar, ainda, o claud computing, o 
home office e, principalmente, o não uso de papel excessivo nas 
empresas como medidas econômicas e sustentáveis. Ademais, 
a questão do desemprego, causado pela TI, é um aspecto 
importante, até mesmo para que as pessoas entendam que 
novos empregos serão gerados e que a tecnologia deve ser 
encarada como uma coisa positiva, e não negativa.
No Capítulo 3, será abordada a questão da diversidade. 
Nesse sentido, os profissionais de tecnologia devem ser éticos 
e respeitar a diversidade. Ainda, as empresas devem ter 
políticas internas justas e éticas e trabalhar muito a questão da 
responsabilidade social com os colaboradores. Serão lembradas, 
no Capítulo 3, também, a questão étnica e a história dos direitos 
civis junto à tecnologia.
APRESENTAÇÃO
Vídeo
No Capítulo 4, o tema será Sociedade da Informação. Com a leitura desse 
capítulo, será possível compreender a importância da agenda tecnológica 
em conjunto com a educação e entender como funciona a Sociedade da 
Informação em outros países e continentes, fazendo um paralelo com o Brasil.
Por fim, o Capítulo 5 nos trará um termômetro sobre o mercado de TI. O 
deficit profissional, os cursos adequados para se trabalhar na área, os rankings 
de cargos e salários e a atual situação sobre as condições de trabalho foram 
abordados ao longo desse capítulo.
Assim, ao final do livro, teremos um entendimento das possibilidades 
gerais para se trabalhar em TI, de modo a conseguir diminuir a emissão 
de carbono, economizar energia e o uso de papel nas empresas e, ainda, 
melhorar o meio ambiente.
Sustentabilidade 9
1
Sustentabilidade
Ao final do estudo deste capítulo, você será capaz de:
 • conhecer os conceitos de sustentabilidade;
 • distinguir as energias renováveis das não renováveis;
 • entender como tornar o mundo mais sustentável por meio 
de suas ações.
Objetivos de aprendizagem
1.1 Sustentabilidade ambiental e energia 
Vídeo Iniciamos o nosso estudo com um questionamento: o que 
é sustentabilidade?
Sustentabilidade é a capacidade de dar amparo ou sustentar algu-
ma condição, para alguém ou em algo. Trata-se, então, de dar condi-
ções para que um processo exista e permaneça em um nível aceitável, 
dentro de um certo período.
A palavra sustentável tem origem do latim sustentare, que significa 
sustentar, apoiar ou conservar. Nos dias atuais, o termo sustentabili-
dade está relacionado à capacidade de preservar o meio ambiente, ou 
seja, de suprir as necessidades energéticas, produtivas e econômicas 
da geração atual, sem, no entanto, comprometer o futuro das novas 
gerações. Por isso, a sustentabilidade deve ser pensada no longo prazo.
Dessa forma, a sustentabilidade é algo complexo, pois deve consi-
derar e integrar os quesitos que levam a reflexões sobre a economia, o 
meio ambiente, as energias e as questões sociais. 
10 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
O respeito ao ser 
humano deve vir em 
primeiro lugar. Se ele 
se sentir respeitado, 
vai, consequentemente, 
preservar melhor o 
meio ambiente.
A energia é essencial para o 
desenvolvimento da economia. 
Sem uma economia em 
desenvolvimento, a situação e 
a capacidade de bem-estar das 
pessoas perdem sua qualidade. 
A energia precisa ser gerada.
Se o meio ambiente 
for degradado, o ser 
humano abreviará sua 
expectativa de vida e a 
economia não crescerá. 
Com isso, o futuro 
ficará insustentável.
Questão social Questão energética Questão ambiental
Os princípios da sustentabilidade são aplicáveis em um único em-
preendimento, uma pequena comunidade, países, continentes – e, por 
que não, no planeta inteiro?
Alinhado a essas questões, conclui-se que um empreendimento 
pode ser considerado sustentável, se incentivar ideias que resolvam 
problemas ambientais.
Sustentabilidade ambiental como política econômica
Depois de uma reunião em Estocolmo,a todos os interessados. A interatividade e a liberdade de 
expressão sofisticam a diversidade como se entendia até então, e o FIAT 
Mio antecipava, naquele momento, o potencial atual das redes sociais.
Recentemente, a fim de antecipar o lançamento do modelo FIAT 
Línea, antes da campanha na mídia, a empresa voltou a usar o Creative 
Commons. Para isso, um blog visando apoiar o lançamento do mode-
lo por meio de entrevistas com executivos, engenheiros, funcionários 
e responsáveis foi disponibilizado. Na mesma campanha, a empresa 
enfatizou as contribuições do caso FIAT Mio para a nova cultura de co-
laboração entre empresa, clientes e interessados no desenvolvimento 
da indústria automobilística.
A diversidade dos desejos dos clientes expressa também o cuidado 
que se deve ter com as totalizações. É necessário construir filtros para 
que as equipes de análise possam retirar desses desejos interpreta-
ções concisas. Além disso, as equipes precisam ser rápidas. Vale dizer 
que precisam ter acesso confiável à informação por meio de platafor-
Diversidade e tecnologia 41
mas tecnológicas adequadas, consultar documentação dos projetos 
dos carros, saber justificar a recusa de modo convincente e totalizar as 
sugestões pelo seu conteúdo.
Números contabilizados em tempo real (08/04/2013)
2.313.914 – visitantes únicos
17.768 – comentários postados
33.808 – ideias enviadas
29.058 – participantes cadastrados
Figura 1
Números do projeto
Fonte: Godoy (2013).
3.1.1 As empresas
O título acima, no plural, expressa o fato de que existem diferenças 
(diversidades) entre as empresas no que diz respeito a como abordar 
os meios de comunicação com o cliente nas suas estratégias e dese-
nhos de negócios.
Três pesquisas pioneiras de Tapscott e Willians (2007) já antecipa-
vam tendências de colaboração em massa, denominada Wikinomics1, 
como novas formas de organização de negócios. Em comum, nessas 
pesquisas foi identificada a substituição crescente dos modelos com 
base na hierarquia para modelos colaborativos, auto-organizados e 
comunitários. A adoção de novas e amplas formas de comunicação 
por meio de blogs e chat rooms tem sido cada vez mais frequente para 
exercitar o diálogo desde os primeiros protótipos.
O consumidor deixa de ser o receptor de um produto ou de um 
serviço e se converte no que se denomina prosumers, ou seja, consumi-
dores que produzem bens em conjunto, além de produtos e serviços 
com as empresas por meio de vários canais de comunicação.
Ainda segundo os autores, o termo colaboração deixou de ser pes-
soal, passando a se referir a redes de negócio e de inovação. Incorpo-
rou novos sentidos, como: peer production, que fortalece habilidades, 
engenhosidade e inteligência para pensar além de cumprir tarefas 
42 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
preestabelecidas. A rede de voluntários (outro ângulo da diversidade) 
para a colaboração massiva permite exemplos inesperados: quando 
houve o ataque aos trens de Londres, em 2005, após 18 minutos da 
explosão tudo havia sido postado na Wikipedia.
O peer production gera ainda uma série de vantagens. Sendo que 
a colaboração permite que as empresas poupem dinheiro. A IBM es-
timava economizar 900 milhões de dólares com as contribuições das 
comunidades de clientes ao redor do mundo que apontam defeitos, 
melhores formas de operar softwares e outras sugestões. As empresas 
também aproveitam para recolher ideias de produtos complementares.
Mas, para praticar o peer production externamente, é necessário 
saber praticá-lo internamente, cotidianamente, por meio de regras 
claras, transparência e governança no acesso a informações. Os gru-
pos de trabalho devem ter a coragem de olhar para as ineficiências 
da empresa e buscar novas soluções. Isso pressupõe relatórios claros, 
entendimento dos produtos realmente disponíveis para o mercado e 
a seleção de empresas parceiras capazes de comercializar ideias ainda 
não implementadas. Afinal, esses projetos são investimento em capi-
tal intelectual e a sua venda contribui para novos projetos. A empresa 
compradora ganha tempo em pesquisa e desenvolvimento.
Citaremos o exemplo da Procter & Gamble (empresa do setor far-
macêutico) que utilizou a empresa yet2.com ao descobrir que apenas 
10% das suas patentes eram convertidas em produtos. Ao todo, eram 
27.000 patentes depositadas com um custo de 1,5 bilhão de dólares em 
pesquisa e desenvolvimento (P&D). A empresa refez também a sua filo-
sofia de investimento em pesquisa. Outro exemplo é a IBM, que obteve 
1 bilhão de dólares com o licenciamento de tecnologias.
A empresa deve olhar para os seus colaboradores como seu público 
interno dentro de uma visão estratégica para praticar o raciocínio com-
plexo com o cliente externo. Dito de outra forma: só é possível atender 
bem ao cliente se o público interno também for bem atendido.
Por exemplo a 3M, que desenvolveu diversos mecanismos de atra-
ção dos seus colaboradores como: ambiente de trabalho, equipamen-
to, salários, benefícios e a possibilidade de desenvolver pesquisas 
próprias, empregando até 15% do seu tempo por meio de projetos 
aprovados pelos comitês técnicos.
Diversidade e tecnologia 43
O sucesso obtido pela empresa demonstra as vantagens de um 
plano de desenvolvimento bem definido para a comunidade técnica e 
negociado com os seus membros por meio de regras claras de projeto.
Vale a pena destacar que a negociação é mais um dos aspectos da 
diversidade. Nessa direção, a empresa também valoriza os reconheci-
mentos interno e externo para os membros do seu corpo técnico. Prê-
mios internos e externos são divulgados amplamente e usados como 
critério de promoção e financiamento de projetos.
As métricas de avaliação de projetos obedecem a dois critérios 
básicos:
1. New Product Introdution (que descreve como o pesquisador deve 
organizar o projeto),
2. NPVI New Product Vitality Index (que mede a porcentagem de 
vendas dos produtos lançados nos últimos cinco anos). 
Esse último reflete a importância de considerar o lançamento de 
produtos (inovação) como base para a rentabilidade da empresa. A ca-
pacidade de lançar produtos é o critério de promoção para os profissio-
nais técnicos na empresa que, no mais alto escalão, assumem a direção 
das plataformas tecnológicas.
De acordo com Serafim (2011), a 3M adota outra prática típica do ra-
ciocínio complexo: a interação entre pesquisadores direcionados para 
o mercado e clientes visitando a organização. Uma via de mão dupla 
para manter as redes de comunicação atualizadas ao apresentar a ino-
vação e todos os públicos da organização.
Podemos encontrar diversos exemplos de aplicação do Creative 
Commons em andamento nas empresas. Em todos eles, novas so-
luções do que é denominado Creative People também estão sendo 
feitas. O desafio não está na aceitação do conceito anterior, mas na 
sua aplicação ao cotidiano das empresas. Nele, diversos preconceitos 
devem ser rompidos, não por modismo (outro preconceito), mas por 
necessidade. As pessoas que atuam na área de TI não atuam apenas 
para as formas tradicionais de hardware e software, como a compra de 
equipamentos, redes e outros, elas são consideradas também para ati-
vidades estratégicas que englobam a gestão de contratos e indicadores 
de qualidade dos serviços.
44 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
3.1.2 A ética e a cidadania nas empresas
As empresas são instituições econômicas e possuem uma função 
social, sendo assim, têm obrigação de ser éticas e cumprir normas e 
leis, respeitando seus colaboradores em sua totalidade. Todos os co-
laboradores devem ser tratados conforme mandam os direitos hu-
manos, sem que haja tratamento diferente para quaisquer pessoas, 
independentemente de gênero, etnia, ou classe social.
As instituições além de terem propostas políticas, sociais, jurídicas e 
éticas, apresentam também a consciência social com os clientes e com 
a sociedade como um todo. Dessa forma, os desafios surgem em forma 
de missão,sendo que a missão moral das empresas é um compêndio 
de valores e normas que deve ser seguido. Já a ética nas empresas se 
torna visível por meio da missão e é essa ética que traz credibilidade e 
bons clientes.
Sendo assim, a empresa com uma boa reputação terá mais vendas 
e consequentemente bons lucros, acarretando um sucesso duradouro. 
A responsabilidade social corporativa vem sendo trabalhada desde 
a década de 1970. Nessa época, surgiu a necessidade de se produzir 
instrumentos teóricos que pudessem ser aplicados no meio. Inicial-
mente essas questões causaram muitas dúvidas sobre quais obriga-
ções sociais deveriam ser debatidas.
Marx, Kant e outros pensadores já discutiam os temas abordados 
aqui, como a responsabilidade social, a qual é uma questão bastan-
te antiga, assim como a ética, mas que demorou para se tornar tema 
vigente no Brasil. Os governos demoraram para tomar iniciativas que 
priorizassem o tema e contribuíssem com a evolução da gestão das 
empresas.
O pensamento ético como prática no meio corporativo vem cres-
cendo resultando em uma preocupação maior com as pessoas. Nos 
dias atuais, há uma maior precaução com o indivíduo e o estudo do 
comportamento do ser humano, que envolve toda a organização de 
uma empresa, trazendo à tona a discussão pela ética a todo momento.
Deve haver um equilíbrio entre lucros e ética para que a sociedade 
cresça como consumidora de produtos que agregam valor aos clientes.
Os consumidores e empresários americanos por exemplo, já discu-
tem as questões éticas há muito tempo, desde a revolução industrial.
Diversidade e tecnologia 45
Em 2020, o ECI (Ethics and compliance iniciative) publicou uma pes-
quisa global denominada Pressão no local de trabalho: possíveis fatores 
de risco e pessoas em risco. Essa pesquisa leva em conta a pressão para 
desconsiderar os padrões de conformidade dos trabalhadores, a iden-
tificação de situações de risco intensivo e a orientação sobre como 
conduzir seus efeitos. Discute-se o número de horas de trabalho do 
colaborador, o quanto ele deve ficar na empresa, o quanto pode traba-
lhar de casa e a proporção em que tudo isso afeta sua saúde. 
Aqui estamos evoluindo bastante nesse sentido, mas ainda é neces-
sário ficarmos atentos para que os governantes invistam em políticas 
públicas as quais incentivem empresas que atuam eticamente, priori-
zando os seres humanos e sua cidadania.
3.2 Cultura organizacional e social 
Vídeo Manter a mente aberta para reconhecer as vantagens da diversi-
dade no cotidiano é fundamental. A diversidade não é um problema, 
mas pode ser o início das soluções se for adequadamente entendida 
na organização.
Primeiro ponto – relacionar tecnologia e pessoas não como fonte 
de problemas, mas como fontes de soluções (exatamente no plural). 
Se a empresa se organiza para ouvir o cliente, por que não pode fazer 
o mesmo com os seus colaboradores? Durante muito tempo, acredita-
va-se que somente a análise de requisitos deveria ser suficiente para 
evitar erros de interpretação e evitar as expectativas (requisitos não 
definidos) do cliente. O papel do colaborador era mais limitado, deveria 
seguir passos, cumprir tarefas e se limitar ao desempenho esperado.
O Creative Commons, no caso do FIAT Mio, repensou esse papel 
em diversos níveis. Novas tecnologias permitem tratar grandes volu-
mes de dados, transformando-os em informações sobre tendências de 
maneira clara. Os analistas podem tirar melhor proveito de inovação, 
ao estabelecer relações inéditas entre as propostas. No plano técnico, 
as novas ferramentas de relatórios permitiram que as soluções mos-
trassem que as pessoas já desejavam um carro pequeno com muita 
eletrônica embarcada, ergonomia e desenho inovador. Os clientes im-
punham à gestão de marketing uma revisão dos conceitos, pois, até 
então, se pensava que o cliente de um carro pequeno não se preocu-
46 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
pava com tecnologia. Tecnologia e marketing criavam um caminho de 
inovação, rompendo com uma visão que lembrava o carro popular dos 
anos 1990, um carro barato com poucos recursos.
Segundo ponto – é necessário se antecipar, pois preconceitos custam 
para a empresa, induzindo a decisões incorretas. Preconceitos raciais e de 
gênero significam a perda de bons profissionais por aspectos irrelevan-
tes, como cor da pele, gênero e outros. O Creative Commons valoriza a 
capacidade de pensamento de criação, de compartilhar e de desenvolver.
Os critérios de recrutamento, seleção e promoção devem ser públi-
cos para valorizar o raciocínio complexo na organização, o envolvimento 
de todos e o mérito. Não é por acaso que diversas empresas têm es-
timulado políticas de igualdade de direitos em seus ambientes, sendo 
que os resultados, após algum tempo, começam a aparecer de modo 
consistente, ou seja, há um aumento da produtividade. O crescimento 
de executivas, inclusive na área de tecnologia, é um bom exemplo dos 
efeitos e do número de empresas que adotam esses programas.
Terceiro ponto – o executivo desempenha papéis crescentes no 
Creative Commons. Ele assume novas responsabilidades de desenvol-
vimento próprio e da sua equipe. As atividades de supervisão direta 
ainda se mantêm, mas a elas foram agregadas novas dimensões estra-
tégicas de antecipar mudanças no mercado, no emprego das tecnolo-
gias e nos novos desenhos de responsabilidades da equipe.
Quarto ponto – as soluções de tecnologia e de gestão não vêm com 
data de validade predefinida. As equipes devem se revezar para pen-
sar além dos relatórios e se antecipar ao menor sinal de mudança de 
humores do mercado. Nesse ponto, a experiência de gestão das dife-
renças é fundamental, pois os clientes dão pistas claras, às vezes rapi-
damente, de que não estão contentes e devem mudar de fornecedor.
Quinto ponto – parceria implica em comprometimento e respon-
sabilidade, oportunizando que se enxergue além dos relatórios. Isso 
resulta em canais de comunicação e em pessoas comprometidas com 
a agilidade de mudanças e preservação do cliente. Nas parcerias não 
basta estabelecer canais, é necessário saber quem são os formadores e 
multiplicadores de opinião e ações. Esse é um dos lados da governança 
corporativa entre as organizações, quem decide, de modo claro, em 
quais canais e como as decisões são comunicadas, feitas e avaliadas. 
Assim é possível estabelecer riscos e responsabilidades para a rede de 
negócios como um todo.
Diversidade e tecnologia 47
Sexto ponto – as mudanças devem ser feitas quando necessárias. 
Outra forma mais conhecida de colocar esse ponto é: realizar, sem 
medo de errar.
A diferença aqui se refere ao conjunto de informações técnicas e geren-
ciais que comandam a iniciativa de tomada de decisões nas horas certas, 
tanto internamente para a empresa quanto externamente para os parcei-
ros e os fornecedores. Afinal, o tempo é o recurso mais difícil de recuperar.
3.2.1 O cotidiano das diferenças
Fortalecer nossas conexões uns com os outros e com a natureza na 
vida cotidiana pode nos ajudar a encontrar maior significado e felicida-
de. Quando a diversidade está presente em nossa experiência diária, 
essas conexões mais profundas também podem ajudar a neutralizar 
as crescentes divisões sociais em nosso país e as ameaças ao meio am-
biente. Experimentar a diversidade humana nos lugares em que vive-
mos pode ser um antídoto para o preconceito e o preconceito negativo 
para com os outros. Com a presença da natureza e da biodiversidade 
locais, podemos ver mais regularmente a natureza como parte de nós 
e nós mesmos como parte da natureza.
Quando experimentamos a natureza, ficamos maravilhados com 
sua complexidade. Em qualquer parcela da natureza selvagem, existem 
centenas, senão milhares de espécies, de micro-organismos, de plan-
tas, de pássaros e outros animais, todos dependentes uns dos outros 
e contribuindo para o ecossistema mais amplo. Quando não vemos ou 
não experimentamos a natureza em nossa vida diária, podemos nos 
desligarde como precisamos da biodiversidade para a sobrevivência 
de nossa espécie e de todas as outras. Já quando temos a biodiversida-
de como nossa guia, podemos pensar sobre como nossas comunida-
des também precisam da diversidade humana. 
Precisamos buscar, cultivar e abraçar a diversidade na qual vivemos 
todos os dias. Devemos nos transportar, sempre que possível, de uma 
forma que nos leve para fora, com outras pessoas, fazer isso fora de 
carros particulares, pode ser um ponto de partida. Passar mais tem-
po no espaço público, como parques, praças ou até bairros, é outra 
abordagem possível, pois o espaço público pode ser mais utilizado para 
promover o diálogo e a compreensão. Também é necessário defender 
e apoiar o desenvolvimento de nossas empresas para que se tornem 
48 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
mais diversificadas. Tanto empresas relacionadas à TI quanto qualquer 
outras empresas irão ganhar com a diversidade. Aprender a olhar o 
outro garante que haja uma melhor qualidade no produto em que se 
está trabalhando, valorizando, assim, cada detalhe.
3.2.2 O outro lado da diversidade: um breve 
histórico da cultura da informalidade
Vamos falar sobre as influências indígenas e negras no que se refere 
à chamada cultura da informalidade. Tal cultura está muito relacionada 
à estratégia de adaptação permanente à escassez de indígenas e ne-
gros em trabalhos qualificados, herdada desde a escravidão desses e, 
portanto, à necessidade de sujeição a todo tipo de trabalho informal e 
desqualificado de curto prazo para sobreviver. Uma sociedade marca-
da pela rígida hierarquia e sobreposição de interesses.
A administração colonial incentivava a informalidade como estraté-
gia de centralização de informação (muitas vezes a sua eliminação) e 
poder, característica do patrimonialismo. Sendo assim, o Estado, que 
não tem distinções entre os interesses dos recursos públicos e os dos 
recursos privados, sobrepõe esse último ao primeiro. Logo, a informali-
dade se revelou uma estratégia de desenvolver e ocultar relações entre 
famílias e grupos privilegiados para manter o poder, resultando na se-
guinte dinâmica: de um lado, os trabalhadores que sobrevivem como 
podem, do outro, a elite escondendo suas intenções e objetivos. 
Após a década de 1920, com a indústria crescendo, a precarieda-
de de empregos em algumas regiões foi sendo substituída aos poucos 
pelo trabalho assalariado e regular, o que gerou um novo cenário: a 
demanda por qualificação, mais uma dificuldade para muitos traba-
lhadores semianalfabetos, levando a uma série de alternativas de re-
lacionamento pessoal para aprender as operações mais simples de 
produção fabril. Em diversas ocasiões, na ausência de manuais de ope-
rações para grandes máquinas, trabalhadores desenvolviam soluções 
próprias, como o ruído das máquinas como critério para manutenção 
preventiva. Claro, essas práticas geravam conflitos com os gestores, 
principalmente quando os trabalhadores estavam certos.
Vale ressaltar que não está sendo dito aqui que todo o processo de 
aprendizagem no Brasil teve origens informais. Muitas empresas inves-
tiram em métodos de gestão nos anos 1920-1930, que criaram o Insti-
Diversidade e tecnologia 49
tuto de organização racional do trabalho (IDORT). Essa organização se 
formou no modelo da Taylor Society, norte-americano, difundindo no 
Brasil o modo racionalista de trabalho, baseado nas ideias de Frederick 
W. Taylor. Destacaram-se entre os membros desse instituto: Armando 
de Salles Oliveira e o professor Roberto Mange. O IDORT estimulava a 
gestão de empresas com base na definição racional de cargos, treina-
mento, especialização e gerenciamento formal. Em outras palavras, o 
oposto da cultura de informalidade.
Os conflitos entre formalidade e informalidade ficaram marcados 
no cotidiano das empresas no Brasil. Um dos exemplos mais marcan-
tes foi a pesquisa de Afonso Celso Fleury, que localizou um ponto im-
portante: até a década de 1980, o enfoque nas organizações brasileiras 
estava mais orientado para o controle do que para a eficiência, isso 
evidencia que o patrimonialismo persiste de diferentes formas. Logo, a 
implantação da administração não resolveu os conflitos entre formali-
dade e informalidade como muitos imaginavam. Esses acontecimentos 
começam a ser combatidos no fim do século XX.
3.2.3 Cultura, gestão e sistemas
O desenvolvimento de sistemas no Brasil recebeu a herança da in-
formalidade e do patrimonialismo. Que gestor de tecnologia não se 
recorda das dificuldades com a documentação das empresas, os im-
pactos das redes de poder, e a centralização excessiva que muitas ve-
zes não aparecia no organograma? Ainda hoje, os efeitos são sentidos. 
Entretanto, saber lidar com as resistências por meio da sensibilidade 
para origens étnicas dos trabalhadores foi uma das táticas que os pro-
fissionais de treinamento usaram nos anos 1980. Uma das oportuni-
dades desse período foram os programas de qualidade que exigiam 
o envolvimento de todos, a atenuação da separação entre planejar e 
executar, e a integração da inspeção com a execução do trabalho.
Os bens deixavam de ser vistos como produtos e passavam a ser 
vistos como processos. A produção não seria mais orientada pela ênfa-
se quantitativa, mas pela necessidade de aprimoramento, redução de 
erros, melhor desenho, redução de custos e conhecimento. A produção 
enxuta chegava lentamente ao Brasil. Nas fábricas, os lotes de produ-
ção passaram a ser menores para uma variedade maior de produtos. 
Em vez de produzir um lote de 500 televisores, produziam-se 10 lotes 
50 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
com 50 aparelhos, com as variações desejadas pelos clientes. Os tra-
balhadores tornaram-se multifuncionais, passaram a conhecer outras 
tarefas além das suas e a operar mais de uma única máquina.
Conhecer o que e como produzir, para quem e com qual expecta-
tiva de ciclo de vida passou a orientar o esforço de planejamento das 
empresas. A visão de processos de produção se impôs como a mais 
adequada para este novo cenário. Descrever em detalhes as atividades, 
o que se esperava de cada uma delas do ponto de vista de resultados, 
desenvolver relatório de erros pormenorizados e produzir relatórios de 
totalização exigiram a integração com as áreas de sistemas.
No mesmo período (anos 1980), assiste-se à implantação de redes 
de computadores substituindo os mainframes. Tal substituição muda 
o perfil do gestor de tecnologia, que deixa de ser o responsável apenas 
pelo processamento de registro de transações e aplicações contábeis 
para se envolver com os sistemas de apoio ao usuário final e os grupos 
de trabalho. O responsável pela tecnologia precisava conhecer os pro-
cessos de trabalho, suas respectivas necessidades de automação e os 
riscos de implantação de sistemas na mudança de atribuições de tra-
balho. Além disso, deveria ser capaz de totalizar os diversos relatórios 
operacionais em produtos e serviços gerenciais.
A tecnologia deixava de ser o produto, os relatórios e os registros para 
se transformar em um processo de constante checagem para implantar 
melhorias. A ênfase deixa de ser o processamento de dados, para se 
converter em inteligência em transações digitais e no comércio on-line.
O cliente passa a ser visto em todos os processos sob a forma de 
relatórios de erro ou relatórios de não conformidade.
 O profissional de sistemas de informação passa a se relacionar com 
os efeitos da cultura da informalidade, principalmente nos projetos e 
nas ações que envolviam a modelagem de processos. Devemos recor-
dar aqui, brevemente, que a modelagem traz para as áreas técnicas as 
métricas e os modelos de negócio que orientam a programação. Novas 
necessidades, como perfil de liderança, começam a compor o cotidiano 
desse profissional.
O desafio, nesse cenário, para todos os executivos de sistemas de in-
formação e gestores mais tradicionais, passou a ser: como responder às 
crescentes demandas daglobalização e não mais a uma rápida adapta-
ção ao patrimonialismo. O que não quer dizer que todos os problemas 
Diversidade e tecnologia 51
tenham sido resolvidos. Implantar sistemas ainda não é fácil, exige mais 
planejamento e cuidado atualmente. Mas um fato importante deve ser 
sublinhado, a gestão da empresa e de sistemas de informação está cada 
vez mais relacionada com recursos humanos, e também com a inclusão 
da diversidade. A consciência desse desafio tem levado as empresas a 
inovar em um campo que seria considerado impossível há algumas dé-
cadas: responsabilidade socioambiental e direitos civis.
3.2.4 Direitos civis, etnia e tecnologia
Já nos anos 1990, muitas empresas começam a verificar que a inclu-
são de diferentes minorias e da própria diversidade passou a melhorar 
a produtividade, a inclusão de mulheres, negros, pessoas da comunida-
de LGBTI+ e de outras orientações culturais também passou a gerar um 
clima de respeito e liberdade fundamental para a dedicação ao traba-
lho. Nesse mesmo período, difundiam-se no país os comitês internos 
de ética voltados para a resolução de problemas nesse sentido.
Essas iniciativas traduzem movimentos mais amplos que percor-
riam toda a sociedade com o emprego da tecnologia. Um dos exemplos 
mais ilustrativos foi a inclusão do site Change, por Barak Obama, nas 
eleições americanas. O então candidato abriu o seu programa eleito-
ral para sugestões de qualquer pessoa, isso quando o Facebook não 
era ainda tão disseminado. Na época, Barak Obama recebeu bastante 
sugestões, as quais foram utilizadas na sua campanha, aumentando, 
assim, a sua credibilidade.
A capacidade de gerar um programa a partir das bases mudou ra-
pidamente os rumos da eleição americana. Primeiro no partido demo-
crata, ainda abalado pela derrota para os republicanos após o governo 
de Bill Clinton. Depois no país como um todo, as comunidades negras, 
que tinham reduzido percentualmente os números de sua votação, se 
engajaram na campanha. Vale lembrar aqui que o voto nos Estados 
Unidos não é obrigatório.
Outro ponto relevante foi o enfrentamento da visão segregacionista 
de algumas regiões do país. O emprego das redes permitiu localizar 
grupos de eleitores e militantes em várias partes controladas majorita-
riamente por adeptos de políticas racistas.
Embora se reconheça o enorme progresso que as sociedades fi-
zeram desde o estabelecimento da Declaração Universal dos Direitos 
52 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Humanos em 1948, os avanços tecnológicos têm, inevitavelmente, im-
plicações profundas para a estrutura dos direitos humanos.
De uma perspectiva prática, a tecnologia pode ajudar a levar adian-
te a agenda dos direitos humanos. Por exemplo: o uso de dados de 
satélite pode monitorar o fluxo de pessoas deslocadas; a inteligência 
artificial pode auxiliar no reconhecimento de imagem para coletar da-
dos sobre violações de direitos; e o uso de tecnologia forense pode 
reconstruir cenas de crime e responsabilizar os perpetradores. Ainda 
assim, para as inúmeras áreas nas quais as tecnologias emergentes 
avançam na agenda dos direitos humanos, os desenvolvimentos tec-
nológicos têm igual capacidade de minar os esforços. 
 De estados autoritários, que monitoram dissidentes políticos 
por meio de tecnologias de vigilância, ao fenômeno dos chamados 
deepfakes, que desestabilizam a esfera pública democrática, implica-
ções éticas e políticas devem ser levadas em consideração com o de-
senvolvimento de inovações tecnológicas
Os avanços tecnológicos também introduzem novos atores na es-
trutura dos direitos humanos. O movimento historicamente enfoca o 
papel do Estado na garantia de direitos e justiça. Hoje, os avanços tec-
nológicos e a ascensão da inteligência artificial e do aprendizado de 
máquina, em particular, requerem interação, colaboração e coordena-
ção com líderes de negócios e tecnologia, além do governo.
No Brasil, um dos momentos de intenso debate sobre direitos civis 
com o emprego de redes sociais foi a chamada Lei das Cotas (Lei n. 
12.711, de 29 de agosto de 2012). Essa lei, que teve seu início em 30 
de agosto de 2016, postula que as universidades, institutos e centros 
federais devem reservar cotas (50% das vagas oferecidas anualmente). 
O Instituto Ethos tem sublinhado que tais ações de reconhecimento da 
diversidade e do debate sobre cotas não foram homogêneas, nem mes-
mo entre a comunidade negra que já possuía um histórico do emprego 
de tecnologias para a defesa de direitos civis, como com as redes de mo-
nitoramento com base na Lei n. 9459/97 (redes que acompanhavam ca-
sos de racismo na imprensa e nas comunidades carentes). Mas um ponto 
positivo deve ser ressaltado: pela primeira vez, os interessados estavam 
debatendo entre si. A ideia que circulava nas redes sociais era muito clara: 
recuperar pela educação a dívida social para com os afrodescendentes.
Diversidade e tecnologia 53
De forma geral, os grupos aparentemente concordavam que o re-
torno da dívida social por meio da educação era o mais adequado para 
garantir também a recuperação da diversidade cultural da comunidade 
negra, suas raízes, história e língua.
Como reflexo de todo esse ambiente de debate ao redor dos direi-
tos da diversidade, outras iniciativas de respeito à diversidade ganha-
ram espaço, como a da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho 
do Governo do Estado de São Paulo, que garantiu o Selo Paulista de 
Diversidade, em 22 de agosto de 2007, pelo Decreto 52.080, com o 
objetivo de estimular as organizações públicas, particulares e a so-
ciedade como um todo a instituir esse tema na gestão de recursos 
humanos. Esse movimento se reflete também no número de eventos 
promovidos para discutir os efeitos dessas práticas. 
Esse tipo de iniciativa é muito benéfica, pois a valorização de et-
nia e de gênero aumenta a produtividade, gera o comprometimento 
do trabalhador com a organização e a valorização da marca pelos 
clientes. A diversidade, assim descrita, já é valorizada em diversas 
áreas das empresas, incluindo as de gestão de tecnologia, devido 
aos seus reflexos positivos em recursos humanos.
Dessa forma, integramos o debate sobre as questões raciais e a tecno-
logia de diversas formas na empresa e nas redes de monitoramento como 
uma tendência que se consolida, valendo a pena alertar aos estudantes 
e aos futuros executivos sobre a sua importância para as suas carreiras.
3.2.5 História da África negra e conhecimento
Um dos pontos mais interessantes sobre a questão étnica, proposi-
talmente deixada para o final, refere-se à recuperação da importância 
e do aporte da África para a matemática e as ciências exatas. Influên-
cias de conhecimento nas áreas técnicas estão presentes desde o an-
tigo Egito e no reino de Napata Meroe, localizado ao Sul. Por motivos 
óbvios, toda essa história foi esquecida, as contribuições das univer-
sidades islâmicas do Norte do continente africano para a matemática 
foram praticamente desprezadas. O estudo da filosofia, inclusive dos 
clássicos gregos, foi mantido nessas universidades durante a Idade Mé-
dia europeia. Acrescente-se o desenvolvimento da arquitetura e enge-
nharia desses países que contribuíram para soluções criativas.
54 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cul-
tura) se dedicou ao resgate da história desse continente revendo cri-
ticamente como os interesses de colonizadores interferiram sobre 
o desenvolvimento dele. A revisão da história em escala continental 
constitui-se em um ponto relevante para consolidar de vez a proposta 
de superar o racismo pela educação. Vale, portanto, retomar a impor-
tância da educação proposta pelas redes de debate às cotas. A educa-
ção tem que acontecer para todos, somente o conhecimento pode ser 
a melhor arma contra o preconceito e o racismo.
3.3 Dilemas éticos 
Vídeo Mas o que é a ética? 
De acordo com o dicionário Aurélio (MINI AURÉLIO, 2005), podemos 
afirmarque ética é um conjunto dos juízos de avaliação relativos à con-
duta das pessoas, levando em conta o bem e o mal. Ou ainda, um com-
pêndio de normas e atitudes que permeiam a boa conduta das pessoas.
Quando se fala em ética, pensamos em convivência, pois ela deter-
mina a fronteira das relações entre as pessoas. Todos os relacionamen-
tos humanos são regidos por princípios e valores.
De acordo com Cortella (2009), ética é uma série de princípios e va-
lores que usamos como resposta a três perguntas da vida humana: 
Quero? Devo? Posso? Segundo o autor, vivemos muitas vezes dilemas 
éticos, pois existem coisas que queremos, mas não devemos. Existem 
coisas que devemos mas não podemos e ainda há coisas que podemos 
mas não queremos.
Dessa forma, os conflitos surgem quando o que queremos não de-
vemos e/ou não podemos, tornando-se um dilema, sendo que quanto 
maior os princípios, mais fácil é de se lidar com os dilemas. E mesmo a 
decisão sendo individual, as consequências podem chegar rapidamen-
te às pessoas.
Por exemplo, a questão da água. Todos sabemos que a escassez de 
água no planeta torna-se evidente como uma preocupação mundial. 
Sabendo disso, posso desperdiçar água? Não devo, não posso e não 
posso querer. Tenho que saber que todos os meus atos irão repercutir 
e afetar muitas outras pessoas.
Diversidade e tecnologia 55
Existe um entendimento de que a ética está relacionada ao com-
portamento humano ditado por regras e valores para se conviver em 
sociedade e que ele dependerá da época e do cenário em que o indiví-
duo vive. As atitudes são ditadas pelo tempo histórico, pela localidade e 
pela sociedade onde se vive. Dessa forma, o que é dito como ético hoje 
pode não o ter sido ontem ou não será futuramente e o chamado de 
certo em um lugar pode não o ser em outro.
Álvaro Valls (2000) costuma dizer que ética é algo maior, entenden-
do-a como hábitos e comportamentos “corretos” em algum espaço de 
tempo e em determinado local, concordando com hábitos vigentes 
considerados morais por grande parte da sociedade, afirmando a con-
dição situacional da ética.
Um exemplo de que a ética varia de acordo com o tempo é o adul-
tério, que foi considerado uma falta grave no passado e hoje é tolerado 
pelo meio social. Da mesma forma, podemos mencionar a escravidão, 
a qual era aceitável até o final do século XIX e hoje é vista como uma 
prática odiosa.
Como exemplo de mudança de acordo com a região, podemos citar 
as muitas sociedades tribais que aceitam o nudismo como fato normal, 
enquanto na sociedade ocidental, caso alguém saia nu pelas ruas, po-
derá ser preso por atentado ao pudor.
É essencial notar que, para se viver em sociedade, é vital ser ético, já 
que é por meio da ética que se pratica o respeito nas relações humanas.
3.3.1 A ética profissional
O comportamento ético dos funcionários de uma empresa é deter-
minado pela cultura que predomina na organização. Dessa forma, a 
ética está totalmente ligada a questões morais do comportamento da 
sociedade. A ética profissional é a forma moral de se agir no mundo 
administrativo e na condução de situação de negócios. Assim, adminis-
tradores e funcionários de instituições devem seguir padrões de ética e 
de conduta socialmente responsáveis.
De acordo com Baltzan e Phillips (2012), a Inovant, empresa que 
opera a tecnologia da Visa, age com um rígido padrão de ética, proibin-
do a utilização de informações de clientes para qualquer coisa que não 
seja o faturamento. Essas informações são muito interessantes a qual-
56 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
quer departamento de vendas ou de marketing, pois detalham como 
as pessoas estão gastando dinheiro, em quais lojas, em quais dias e até 
em qual momento do dia. Poderiam ser utilizadas, por exemplo, em 
programas de fidelidade ou mercados-alvo.
É difícil afirmar que o uso antiético das informações não vai ocorrer, 
pois pode acontecer até mesmo de maneira involuntária. Por exemplo, 
primeiro, a informação é recolhida e armazenada por algum motivo, 
como atualização cadastral ou de faturamento, em seguida, um funcio-
nário descobre uma outra maneira de usar a informação internamente, 
compartilhando com parceiros ou vendendo a um terceiro confiável. E, 
assim, a informação é utilizada sem querer para outros fins.
Para se chegar ao auge profissional, não é o bastante ter conheci-
mentos técnicos, qualidades, habilidades e capacidades avançadas, é 
necessário, além disso tudo, uma postura ética profissional, andando 
ao lado de padrões e valores, tanto normais da sociedade quanto da 
própria empresa.
Além de acompanhar os padrões éticos da sociedade, os profissio-
nais devem seguir as normas e os procedimentos internos das em-
presas em que atuam. Por exemplo, as informações sigilosas que lhe 
forem confiadas não devem ser divulgadas, pois isso pode ocasionar 
prejuízos para um produto. O profissional deve sempre manter uma 
postura coerente com a sua instituição.
A ética no meio profissional auxilia o colaborador na tomada de de-
cisões, o que é muito importante para que não seja reconhecido ape-
nas pelo seu trabalho, mas também por sua postura ética.
Segundo Mattos (2007), ser ético não é uma opção nos dias de hoje, 
mas sim uma questão de sobrevivência. Atualmente, as transformações 
ocorrem vertiginosamente, portanto, há a necessidade de um alinha-
mento na tomada de decisões com mais rapidez para que se preservem 
valores importantes, como marca, imagem, prestígio e confiabilidade. 
Além disso, as empresas precisam estimular a reflexão sobre as questões 
éticas, uma vez que atitudes inadequadas podem afetar a sua reputação.
Algumas classes sociais e políticas estão se afastando da ética e 
muitos valores estão se perdendo em proveito do individualismo. Já 
há muito tempo, o bem comum deu lugar à Lei de Gérson, segundo a 
qual se algo der errado, pode-se da um jeitinho de fazer parecer cor-
Diversidade e tecnologia 57
reto. Gérson de Oliveira levou a fama pela frase que traduz o jeitinho 
brasileiro, mas na verdade muitas pessoas já se beneficiaram com isso.
A Lei de Gérson se iniciou em um comercial feito por ele, um dos 
melhores jogadores da história do futebol brasileiro. A partir disso, ins-
titucionalizou-se esse jeitinho brasileiro.
É importante ressaltar que o estudo da ética não se norteia em ditar 
o certo ou o errado, mas visa trazer a consciência aos indivíduos da di-
versidade moral frente às escolhas, não só no mundo corporativo, mas 
também em todas as ações cotidianas.
3.3.2 Ética digital
De acordo com O’Brien (2001), a tecnologia da informação aumen-
tou demasiadamente nossa condição para obter, manejar, armazenar 
e transmitir informações, facilitando a forma de se comunicar, traba-
lhar em conjunto, dividir recursos e tomar decisões, tudo de modo 
eletrônico. A TI também possibilitou o compromisso eletrônico em prá-
ticas empresariais éticas ou antiéticas no mundo todo, sendo que a sua 
utilização em negócios causa impactos sobre a sociedade e, com isso, 
traz à tona muitas considerações éticas.
Podemos citar alguns questionamentos para ilustrar os dilemas que 
envolvem uma decisão ética e que podem afetar o convívio humano, 
tanto na consciência individual quanto na coletiva:
• As organizações podem monitorar eletronicamente as atividades dos seus 
funcionários?
• Um país pode determinar o que será vendido, comprado e consumido por 
outros países?
• Um povo tem o direito de impedir outros de desenvolverem sua própria 
tecnologia limpa porque poderão, um dia, ser possíveis concorrentes?
O forte crescimento econômico dos principais países em desenvol-
vimento estabeleceu também um aumento no volume de transações 
por meio de pagamentos digitais. Toda vez que um consumidor realiza 
uma transação digital, ele fornece seus dados e espera que as referên-
cias pessoais fiquem seguras e sejam usadas da forma correta.
58 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Pelo fato da ética digital não ser uma exigêncialegal, cada empresa 
deve estabelecer a maneira como os dados serão utilizados por clien-
tes e colaboradores. Ela deve levar em conta seus próprios clientes e 
estabelecer o que aceitam como um uso viável dos dados e tecnologias 
para garantir produtos e serviços. O esperado é uma variação de acor-
do com cada país, cidade ou estado.
Existem três maiores preocupações sobre a maneira como as ins-
tituições estão utilizando informações pessoais dos clientes que são: 
Envio 
de e-mails 
ou ligações com 
finalidade de 
marketing sem 
permissão. 
Venda de 
informações 
pessoais a 
terceiros.
Ausência de 
sistemas de 
segurança.
Um grande ponto de discussão hoje em dia é a privacidade, principal-
mente relacionada às informações divulgadas na internet. Notamos isso 
quando grandes quantidades de dados pessoais são obtidos diariamen-
te pelas empresas ao acessarmos as redes sociais e cupons de desconto 
aparecem a partir de encomendas que fazemos. Sendo assim, precisamos 
pensar sobre os tipos de informações que devemos passar e manter. 
A internet e o comércio eletrônico demonstram o impacto ético causa-
do pelas empresas digitais. Devido à facilidade de compartilhar informa-
ções, a preocupação com os dados de clientes e a proteção da privacidade 
pessoal e intelectual aumentou. Devemos pensar nas consequências que 
um Sistema de Informação pode causar, por isso, ele deve ter um padrão 
de qualidade que proteja a segurança do indivíduo e da sociedade, preser-
vando valores e instituições essenciais à qualidade de vida.
Dilemas éticos
O avanço exponencial da tecnologia está levantando vários di-
lemas éticos que deverão acontecer nos próximos anos. Há vários 
questionamentos a serem feitos em relação a alguns assuntos, 
como a vigilância em vídeo em tempo real. Empresas como Planet 
Labs, Skybox Imaging, Digital Globe e o próprio Google estão cada 
vez mais próximas de ter o poder de permitir as imagens acessí-
veis a todos ou de transformar em dados e vender a corporações. 
Diversidade e tecnologia 59
Tudo seria filmado e nossa sociedade seria como no livro 1984, de 
George Orwell.
A obra 1984 é um romance, publicado em 1949 pelo autor inglês 
George Orwell, que se passa em um mundo de guerra perpétua, vigi-
lância governamental onipresente e manipulação pública e histórica. O 
governo não permite a liberdade de expressão, controlando tudo o que 
ocorre, inclusive, o pensamento das pessoas.
Novas tecnologias como relógios inteligentes, aplicativos que mos-
tram batimentos cardíacos, Google glass são o início, logo aparecerão 
novos dispositivos que analisarão, em tempo real, detalhes do corpo 
humano. Além disso, eles permitirão que pessoas gravem e fotografem 
tudo o tempo todo. E, novamente, a privacidade fica comprometida. Ins-
tituições coletarão os dados dos indivíduos dizendo ser necessário para 
a melhora na saúde, mas fica a questão se teremos regras para proibir 
pessoas de gravarem conversas ou filmarem na rua, por exemplo.
Também podemos pensar no uso de tecnologia na guerra. A utili-
zação de drones pode causar efeitos devastadores. Além disso, há a 
possibilidade haver erros e pessoas inocentes podem acabar feridas ou 
mesmo mortas, sem que os controladores tenham conhecimento dis-
so e não se sintam responsáveis por essas mortes, uma vez que tudo 
acontece a distância e por meio de uma tela.
Além disso temos a ciberguerra contra o Estado Ataque de um país 
por um grupo de hackers. E aí surgem diversas questões éticas: se um 
país poderia revidar um ataque individual de hackers, haveria um limite 
para essa retaliação, entre outras.
E não menos importante os limites da impressão 3D. Os ativistas do 
armamento veem na tecnologia a possibilidade de qualquer um poder 
criar seus meios de defesa. Já quem acredita no desarmamento vê aí 
uma perigosa forma de aumentar assassinatos e ataques terroristas.
O livro Progresso e 
desenvolvimento humano 
– Teorias e indicadores de 
riqueza, qualidade de vida, 
felicidade e desigualdade 
aborda aspectos como 
medidas de produto 
agregado, procedimentos 
metodológicos do IDH, 
indicadores como bem-
-estar, crescimento eco-
nômico, desenvolvimento 
humano e desenvolvimen-
to sustentável. Tudo isso 
com a ética como espinha 
dorsal e os impactos eco-
nômicos que acarretam a 
desigualdade social.
MARIANO, E. B. São Paulo: Editora 
Alta Books, 2019. 
Livro
CONCLUSÃO
O caso FIAT Mio iniciou o modo de se relacionar com clientes, que 
pode desenhar um novo modelo por meio de propostas. As ferramentas 
técnicas e as equipes de gestão foram capazes de dar consistência a dife-
rentes tipos de sugestões.
60 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Para implantar o Creative Commons em relação ao público externo, é 
necessário saber fazê-lo também em relação aos colaboradores. Para tal 
fim, cinco pontos foram propostos desde os mais conceituais até o último 
que enfatiza a decisão.
O outro lado da diversidade aborda o lado étnico do Brasil.
O debate sobre etnia está apenas começando no Brasil. As empresas 
aprenderam que ações de respeito às origens étnicas, raciais e de gênero 
contribuem para melhorar o clima e o desempenho dos colaboradores. 
Para atingir esse momento, foi necessário superar diversas influências 
como o patrimonialismo, que não separa os interesses públicos e priva-
dos, as práticas de cultura da informalidade, adaptações individuais para 
aprender a conviver com a desqualificação e a ênfase de produzir tirando 
o foco em qualidade..
O movimento pela qualidade nos anos 1980 representou a oportuni-
dade de alterar o cotidiano das empresas, principalmente devido às prá-
ticas de gestão de processos que exigiam compartilhar o conhecimento 
e a melhoria contínua de como produzir. Essa necessidade contribui não 
apenas para treinar os colaboradores, mas também para empregar novas 
estratégias, como a motivação, o comprometimento e a liderança para 
ampliar ainda mais o desempenho da empresa como um todo.
No mesmo período, os profissionais de informática incorporam no-
vas responsabilidades, além do processamento e registro de transações e 
aplicações contábeis para se envolver com os sistemas de apoio ao usuá-
rio final e dos grupos de trabalho. 
O aprimoramento dos processos tornou-se vigente, e a responsabi-
lidade de contribuir para soluções de aumento de desempenho e maior 
proximidade com desafios de gestão em geral, incluindo as relacionadas 
com motivação e aspectos culturais dos colaboradores.
Esse movimento nas empresas reflete o cenário nacional que, embora 
apresente diversas particularidades locais, aponta para tendências de mo-
bilização pela defesa de direitos de cidadania, os chamados direitos civis. Os 
direitos civis revelam o emprego da tecnologia por outro ângulo, as redes 
sociais de monitoramento contra a discriminação racial. Tais redes apare-
cem também no debate sobre a lei de cotas, cujo emprego reflete igual-
mente tendências internacionais como o site Change de Barack Obama.
Por toda a trajetória desenvolvida, a percepção pelo estudante de tec-
nologia e de gestão do tema refina as suas possibilidades de comunica-
ção, gerenciamento de equipes e a sua própria formação pessoal.
Diversidade e tecnologia 61
Também concluímos que a ética é primordial nas empresas e na so-
ciedade como um todo. A ética deve ser a espinha dorsal para que as 
pessoas tenham um ambiente de trabalho saudável.
A ética deve ser utilizada na segurança dos dados e na privacidade das 
pessoas.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique como a falta de ética pode prejudicar as empresas hoje 
em dia.
_____________________________________________________________________________ 
 
_____________________________________________________________________________
REFERÊNCIAS
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62 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
4
Sociedade da Informação
Ao final do estudo deste capítulo, você será capaz de:
 • compreender a importância da agenda tecnológica jun-
to à educação;
 • entender e relacionar a Sociedade de Informação de outros 
países com a do Brasil, fazendo conexões.
Objetivos de aprendizagem
4.1 Sociedade da Informação 
Vídeo A Sociedade da Informação (SI) é praticamente uma agência pública, 
no sentido de que é mantida por fundos públicos, porém independente 
dos interesses imediatos do governo. Ao mesmo tempo, gera fortes 
consequências no setor privado, que é estimulado pela qualidade de 
suas pesquisas, ao investir em setores de ponta.
A missão dessas agências tem sido gerenciar, de maneira isenta, 
uma agenda complexa, que antecipa de diversas formas as tendências 
tecnológicas e de negócios para a sociedade como um todo. O desen-
volvimento do conhecimento se transforma, na prática, em uma nova 
política pública, a qual coordena várias ações estratégicas, táticas e 
operacionais, em diferentes organizações, simultaneamente. Os rela-
tórios dessas agências, combinados com os fundos de fomento, esti-
mulam as grandes empresas a investir nas tecnologias, nos produtos e 
nos serviços mais promissores, ao mesmo tempo que contratam pes-
quisadores e empresas intensivas em tecnologia e renovam todas as 
bases de produção da sociedade.
Os relatórios das agências de SI também merecem ênfase em outro 
lado, que é no gerenciamento de esforços da sociedade. Assim, esses 
relatórios são organizados por equipes multidisciplinares de diferen-
Sociedade da Informação 63
tes áreas de governo, empresas, educação e outros que integram os 
conhecimentos disponíveis. Cada um é avaliado pelos seus efeitos e 
resultados obtidos pelos diferentes setores.
A divulgação dos relatórios justifica, ainda, os seus custos, sob a for-
ma de impostos pagos, arrecadados de diferentes jeitos, conforme as 
necessidades de cada país. A transparência consolida o caráter de polí-
tica pública que a gestão da informação assume nos países ricos. Dessa 
maneira, os reflexos para a educação têm início neste ponto: demons-
trar para a sociedade a importância do conhecimento e a necessidade 
da dedicação de todos.
Em alguns países, percebe-se nitidamente a missão mais estratégi-
ca da área educativa, presente nos relatórios e projetos desenvolvidos: 
incentivar a junção de capital humano com educação. Quanto mais 
cedo os estudantes perceberem a importância do conhecimento, me-
lhor será para o país. 
Dois exemplos muito explorados são: o programa de identificação 
de crianças de quociente intelectual elevado, em Israel, e os progra-
mas de ensino de Ciências, em Singapura. Essas duas experiências têm 
início muito cedo e traduzem uma era de inovação para o dia a dia da 
escola. Assim, nesses países, a educação não se limita a programas ou 
à aplicação de recursos de tecnologia na sala de aula, envolvendo tam-
bém a valorização da inovação e da capacidade de responder a proble-
mas de modo mais amplo.
Outra experiência que vale a pena ressaltar é o programa de inserção 
digital para categorias de risco da Coreia, que visa incorporar as experiên-
cias profissionais dos mais idosos e evitar o desemprego antes da apo-
sentadoria. Essa experiência fez muito sentido, devido ao crescimento 
da qualidade da educação nesse país nos anos 1980 e 1990, se comparar 
com a geração do pós-guerra, a qual precisou enfrentar muitas dificul-
dades para estudar e se qualificar. Após a invasão japonesa (1895-1945), 
por exemplo, foi proibido falar o idioma coreano; além disso, durante a 
guerra da Coreia (1950-1954), as escolas foram destruídas.
Outro exemplo muito citado é o dos Estados Unidos da América 
(EUA). Nele, as universidades participam do consórcio de desenvolvi-
mento de novas tecnologias, com a missão de elaborar aspectos mais 
práticos das ciências básicas. Com isso, o papel das empresas é o de 
desenvolver os produtos e serviços demandados pela economia de mer-
64 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
cado; o Estado, então, gerencia as políticas de estímulo, por meio de seus 
requisitos de compras.
Um dos casos mais citados se refere às inovações desenvolvidas pela 
política de aquisição da Força Aérea, com relação à propagação da ino-
vação no setor aeronáutico. Os EUA não possuem uma agência específi-
ca, como o Japão e a Coreia, mas uma rede de articulações, com base na 
capacidade de antecipar cenários do National Science Foundation (NSF) 
e de outras áreas, como a NASA e a Força Aérea.
As agências da SI, atuando de diferentes formas para cada país, são 
as responsáveis pelo modo como a ciência de ponta se transforma em 
patentes, produtos e serviços nos países desenvolvidos (OECD) . Po-
rém, a consequência muito relevante para a educação é o seu papel de 
difusora de uma cultura de inovação, para o conjunto da sociedade em 
diversos níveis, principalmente para pequenos e médios fornecedores.
4.1.1 Sociedade da Informação, agenda 
tecnológica e educação
O título acima vai direto ao assunto: a gestão estratégica de tecno-
logia, por meio de agenda clara para a sociedade, e a educação são 
partes fundamentais do desenvolvimento econômico no mundo glo-
balizado. Não precisa disfarçar. Ao ler o título, você, provavelmente, se 
perguntou: o que isso tem a ver comigo? Saiba, sem dúvida, que muito.
Para entender o porquê dessa importância, vamos relembrar como 
esses aspectos já estão presentes nas experiências de atmosferas de 
desenvolvimento de tecnologia em grande escala. Para esse fim, são 
criadas as agências de SI, que desenvolvem toda a inteligência das ino-
vações tecnológicas e as divulgam para a sociedade como um todo, sob 
a forma de uma agenda, que antecipa os principais produtos, serviços 
e sistemas – saiba que existem propostas que cobrem países inteiros, 
como a Coreia, o Japão e os da Europa. A integração do Estado, das 
empresas e das universidades presentes nesses projetos é chamada de 
integração dos três principais atores da Sociedade da Informação. Com-
por um ambiente de desenvolvimento assim exige novos desenhos de 
redes de colaboração de diversas formas, combinando responsabilida-
des e tarefas entre os setores público e particular, bem como entre 
laboratórios e startups de tecnologia.
Organização para a 
Cooperação e Desenvol-
vimento Econômico ou 
Económico; é uma orga-
nização econômica inter-
governamental, com 37 
países membros, fundada 
em 1961, paraestimular o 
progresso econômico e o 
comércio mundial.
1
1
Sociedade da Informação 65
O passo inicial dessas redes é inovar não apenas em produtos e ser-
viços isoladamente, mas nos padrões ou nas gerações tecnológicas que 
garantam um novo patamar de competitividade. Um exemplo relevan-
te está na forma como as redes foram empregadas para a constituição 
de produtos e serviços, com base na convergência digital. Na última dé-
cada do século XX, várias dessas redes, estimuladas por agências espe-
cialmente criadas para esse fim, antecipavam um novo cenário, no qual 
haveria a integração entre dados, imagem e voz em diversos níveis, em 
tempo real e em poucos produtos – como os celulares inteligentes, um 
dos produtos típicos da convergência tecnológica proposta. Com isso, 
cada país organizou o desenvolvimento das tecnologias necessárias de 
hardware e software, para gerar produtos e serviços competitivos, com 
uma velocidade, até então, inédita.
Foi, então, a primeira vez que algumas dessas agências na Coreia 
(Kisdi) e no Japão (Soumu) e o portal da União Europeia (europa.eu) 
divulgaram agendas de setores tecnológicos de maneira mais ampla, 
a fim de incentivar investidores e articulá-los com o desenvolvimento 
da pesquisa de base nas universidades. Mas por que o primeiro passo 
ocorreu dessa forma? O mundo se tornava mais competitivo e a missão 
do empreendedor ficava mais complexa, pois este deveria se preparar 
para desenvolver e, principalmente, competir em ambientes de negó-
cios mais agressivos e estruturados.
Assim, a origem dessas agências tem uma história pouco conheci-
da, que afeta diversos negócios e merece, aqui, ser brevemente recu-
perada. Ao citarmos os anos 1980 e 1990, reconhecemos a expressão 
empresas de garagem e outras que enfatizam a liberdade de criação e o 
talento para negócios. Porém, a realidade era outra. Desde o término da 
década de 1990, o empreendedor individual enfrenta ações integradas 
de redes de grandes empresas que sabem preservar os seus interesses 
em diversos níveis. Temos, como exemplo, as leis de proteção de pa-
tentes, demonstrando a integração de vários interesses de Estados dos 
países ricos e de grandes corporações. Nesse sentido, os grandes con-
glomerados de software monitoram o uso de suas licenças. Para isso, 
eles constituíram escritórios jurídicos dentro e fora do país, para com-
bater o que consideravam pirataria, e articularam poderosos grupos 
de pressão, como o Departamento de Comércio dos EUA. Portanto, o 
ato de inovar exigia, desde então, muitos cuidados com os direitos de 
origem de tecnologias básicas, empregadas para o desenvolvimento de 
66 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
soluções e o risco de sanções. Vários países – e, até mesmo, empresas 
americanas – foram acusados de não respeitar o direito de patente, 
pois reproduziam cópias sem pagar pelos seus direitos.
Esse ambiente tornava claro que os países que pretendiam atingir um 
determinado grau de desenvolvimento autônomo deveriam investir seria-
mente na sua independência tecnológica. Países com projetos próprios, 
como Coreia, Taiwan e Japão, se dedicaram à constituição dessas agên-
cias, com o intuito de não sofrer com as imposições do setor de comércio 
dos EUA e outras barreiras de entrada, por parte dos países ricos.
A Coreia iniciou o seu esforço por meio da construção de fábricas de 
chips, o que permitiu a ela desenvolver a sua autonomia em relação a toda 
a cadeia de telecomunicações, desde equipamentos, torres e softwares 
de compressão até aparelhos celulares. A década de 1990 mostra outros 
tipos de saída dessa condição de dependência das grandes corporações, 
como software livre, compartilhamento de arquivos, entre outros, que 
geraram muitas situações polêmicas, inclusive no interior dos EUA.
As estratégias de competitividade, assim definidas, passaram a mar-
car o mundo atual, de modo a integrar tecnologia e inovação em diver-
sos níveis, a fim de construir barreiras de entrada a novos competidores, 
com base em conhecimento. Além dos países citados, outros, como 
Índia e China, descobrem nichos de mercado e neles se consolidam. A 
capacidade de inovação passa, então, a interagir com as propostas de 
educação, bem como a repensar, de maneira mais ampla, a necessidade 
de criar pessoas qualificadas para ciclos de desenvolvimento cada vez 
mais rápidos, que se antecipam às ofensivas da concorrência, tanto no 
plano comercial como no político e no diplomático.
Entendido o cenário de desenvolvimento, o talento para negócios 
de tecnologia se converteu em um ativo disputado e, com isso, vem exi-
gindo novas competências, como: saber lidar com investidores na fase 
inicial da empresa; constituir empresas parceiras; saber superar criati-
vamente a escassez de recursos; e gerenciar diversos tipos de pressão. 
Muitas dessas competências passaram a ser aprimoradas ao integrar 
as seguintes experiências: cursos formais de graduação; experiência em 
empresas; cursos de especialização; grupos de trabalho em empresas; 
grupos de projetos; e grupos de gestão de plataformas de pesquisa.
Saber o momento de inovar radicalmente tem sido questão de so-
brevivência para diversas empresas. Aumenta-se, dessa maneira, a im-
Sociedade da Informação 67
portância das áreas de desenvolvimento e de formação de executivos 
em relação à educação tradicional.
Nesse contexto, crescem também as referências ao executivo esta-
dista do final dos anos 1990, o qual concebe a sua organização no longo 
prazo, interage com ações de grupos de pressão, desenvolve práticas 
de responsabilidade social (fundações) e atua nos órgãos públicos para 
difundir os seus interesses. Esse executivo já possui plena consciência 
da disputa acirrada pelos pontos de nicho de mercado, que pode levar 
a disputas judiciais longas e custosas. Portanto, ao lado de sofisticada 
formação técnica, será necessário integrar outros aspectos, como eco-
nomia, gestão, política e finanças. Além disso, essa perspectiva de edu-
cação objetiva ajudou a instalar uma tendência chamada de educação 
para toda a vida, incorporando o debate sobre multidisciplinaridade, que 
estava sendo feito nas ciências exatas e biológicas. 
Desse modo, os primeiros grandes nomes do nicho de informática, 
como Bill Gates e Steve Jobs, demonstraram uma capacidade de articu-
lação com setores públicos e privados, para defender os seus interesses.
4.2 Experiências internacionais 
Vídeo Os EUA foram os primeiros a desenvolver o computador, duran-
te a Segunda Guerra Mundial, e os primeiros a elaborar os negócios 
relacionados à informática e ao software. Por esse motivo, o país se 
transformou em um dos principais referenciais para os projetos de SI 
e para os modelos do negócio nesses segmentos. Para o pesquisador 
James Cortada (2002), desde o século XVII, a SI representa um momen-
to histórico singular, que precede o desenvolvimento tecnológico e, 
em particular, o computador. Nesse sentido, a tecnologia não pode ser 
desvinculada dos valores, dos interesses e de todo um contexto social. 
Para ele, a experiência dos EUA pode ser explicada em três partes:
1. Era do papel
A era do papel tem esse nome devido às pesquisas que os peregri-
nos realizaram para viajar da Inglaterra aos EUA. Eles procuraram mapas 
e documentaram, em detalhes, os preparativos para a jornada ao novo 
mundo. Nasceu, então, um dos principais valores da Administração Pú-
blica americana: o governo legal, referenciado em informações escritas e 
68 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
publicadas. A Guerra da Independência já traduzia a resposta para a coa-
ção de se alterar a liberdade de informação dos cidadãos da Inglaterra, 
além das questões econômicas mais conhecidas, como os impostos so-
bre alimentos. Desde a fundação das primeiras colônias, o conhecimento 
era diretamente relacionado com as pessoas. Na metade do século XVIII, 
as profissões caracterizavam o cidadão bem-informado e o valor do co-
nhecimento práticopara a sociedade americana. Os alicerces da informa-
ção moravam no conhecimento impresso, nas plantas, nos contratos, nos 
mapas e nos acordos que sustentavam as ações cotidianas dos negócios.
Assim, o conhecimento entendido como prática da sociedade podia 
avançar mais. De fato, logo após a independência, o país organiza o 
primeiro censo, em 1790, para conhecer e atuar sobre as suas necessi-
dades, tendo como exemplo o relacionamento da difusão do conheci-
mento com a educação.
Nesse mesmo período, o escritor Noah Webster sugeriu uma grade 
voltada para o conhecimento prático, para aplicação nas escolas públi-
cas, com as disciplinas de Ética, Princípios de Leis, Comércio, Finanças e 
Governo. Aliás, uma proposta muito diferente da visão de educação no 
Brasil Colônia, a qual, além de escassa e restrita para as elites, estava 
direcionada para o ensino de latim, religião e oratória.
Um grupo de famosos líderes de 26 Estados, em 1836, propiciou à 
sociedade americana a disseminação do conhecimento útil, a fim de 
divulgar conhecimentos aplicáveis para o cotidiano e o trabalho.
A alfabetização crescente permitiu a constituição de bibliotecas pú-
blicas, imprensa, correios, telégrafo, sistema legal de proteção para a 
defesa dos direitos autorais e um conjunto de leis de proteção às enco-
mendas enviadas pelo correio. Do ponto de vista comercial, saber ler e 
escrever sustentou o crescimento do sistema de catálogos e compras 
a distância – responsável pela constituição de empresas como a Sears, 
que, no futuro, se transformou em uma rede de lojas de departamentos.
Além disso, o uso do telégrafo nas ferrovias pode ser considerado 
um exemplo da capacidade de inovação associada à aplicação prática do 
conhecimento. Os europeus construíram ferrovias no mesmo período 
que os americanos, porém não utilizaram o telégrafo como instrumento 
de troca de informações e controle para aprimorar os comandos sobre 
rotas, segurança de cargas, distribuição de cargas, entregas e, por ex-
tensão, lucratividade. O uso de informações pelos americanos foi mais 
Sociedade da Informação 69
eficiente, gerencialmente, e difundiu informações por toda a socieda-
de. Logo, os EUA investiram e construíram uma vasta rede de ferrovias 
transcontinentais, em 1870, que permitia a circulação de toda uma in-
dústria cultural – jornais, revistas, livros, periódicos, documentos públi-
cos e, posteriormente, o cinema.
A rede de coleta de informações desenvolvida, durante a Guerra de 
Secessão (1861-1865), contribuiu para a já existente cultura de valori-
zação dos registros. Essa cultura serviu de base para as empresas e ge-
rou a cultura de acompanhamento do conjunto de inovações. Nasceu, 
assim, a infraestrutura de pesquisa tecnológica, que permitiria aos EUA 
algumas das invenções mais importantes do século XIX, protegidas por 
patentes, como: as máquinas de escrever e de somar; a leitura de car-
tões (IBM); o cinema; entre outros, que garantiam o crescimento da 
economia americana no século XX.
2. Era da comunicação de massa
O sistema de patentes permitiu que as empresas investissem em ino-
vações relacionadas à eletricidade, a saber: fonógrafo, telefone, luz elé-
trica, televisores e eletrodomésticos – todos esses aceleravam o acesso à 
informação. Da mesma forma, a indústria automobilística, os aviões, os 
antibióticos e a indústria química consolidam novas formas de negócios, 
relacionadas ao crescimento da investigação nas empresas. Nesse senti-
do, os processos de P&D substituem a figura do inventor individual pela 
equipe do laboratório de pesquisas.
Algumas dessas inovações aceleram outros negócios, como o tele-
fone, a máquina de somar, as máquinas de ferramentas, as máquinas 
de leitura de cartão e outros, que começavam a dar uma face contem-
porânea aos escritórios e às empresas. As comunicações originaram 
grandes empresas de telefonia, como a American Telegraph Telephone 
(AT&T), Bell etc. Logo, elas foram vistas como exemplos do poder da es-
cala crescente da indústria de consumo americana, especialmente devi-
do à capacidade de inovação, transmissão de informação e marketing. 
A indústria americana ocupa, desde esse período, uma posição de lide-
rança mundial, com base na gestão de informações, e conquista mer-
cados de produtos de massa, tanto dentro do país quanto fora dele.
A indústria da comunicação de massas nos EUA cresce simultanea-
mente com a de telecomunicações, rádio, televisão, cinema e lazer. 
Essas indústrias difundiam grandes quantidades de informação, com 
70 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
rapidez e intensidade inéditas. As inovações interligaram, também, di-
versas empresas das áreas eletrônica, química e ótica, para desenvolver 
a indústria audiovisual. Em 1947, os EUA tinham 20 emissoras de tele-
visão que transmitiam esportes e filmes do gênero westerns. Por trás 
dessa programação, valores americanos estavam sendo difundidos. 
Nesse âmbito, o jornalismo começava a crescer com os programas de 
entrevistas, desenvolvendo-os com conteúdos adequados à televisão 
não apenas como tecnologia, mas como forma de comunicação.
3. Era do computador
O desenvolvimento do computador abriu uma nova era de gestão do 
conhecimento e desenvolvimento de inovações, marcando a década de 
1920. Na época, os conceitos básicos já permitiam o desenvolvimento 
do computador, porém estavam isolados em universidades, institutos 
de pesquisa privados, laboratórios de pesquisas e disciplinas científicas, 
como Matemática, Física e Engenharia. Esse isolamento refletia a falta de 
uma ação integradora, que só foi possível na Segunda Grande Guerra.
A guerra exigiu esforços de integração de áreas de conhecimento 
para o desenvolvimento de novas tecnologias, com o objetivo de deci-
frar códigos, rotas de viagem sobre grandes extensões (como o oceano 
pacífico), logísticas de abastecimento de peças, bem como munições e 
suprimentos para frentes de lutas em rápidas mudanças. As encomen-
das do governo organizaram todos esses negócios. Assim, ao final da 
guerra, estavam sendo desenvolvidos, nos EUA, 12 grandes projetos de 
computadores, em parcerias com as universidades.
Os projetos militares foram os principais fundamentos da indústria 
da computação nos anos 1940 e 1950, sendo os responsáveis pelo pri-
meiro modelo de gestão de tecnologia da informação (TI), o qual re-
produzia o modelo de encomendas governamentais. Esse modelo foi 
caracterizado pela centralização, isto é, o Estado influenciava direta-
mente o produto final da pesquisa por ser o único comprador. Ela tam-
bém contribuiu para a implantação de uma nova indústria, pela rápida 
constituição de uma cadeia de fornecedores e de suporte.
Em 1950, aconteceu uma enorme modificação no modelo de ne-
gócio de tecnologia, com base no mercado, sendo assumida por essa 
indústria que identificou oportunidades nas empresas, nos escritórios, 
no financeiro e na contabilidade. Em 1952, a GM instala o primeiro com-
putador para controlar as operações comerciais. As aplicações para os 
Sociedade da Informação 71
computadores de grande porte, então, consolidam o segmento de soft-
ware nos anos 1950 e 1960, com uma velocidade inédita, e geram um 
novo negócio: o de comercializar tecnologias e softwares.
Nos anos 1960, sofisticam-se ainda mais os softwares destinados a 
fins específicos para finanças e produção. Novas formas de relaciona-
mento com os fornecedores de soluções respondem a um problema 
particular, relacionado a não ter como centralizar todo o processo de 
inovação em um só fornecedor, como era no passado. Com isso, o sis-
tema de encomendas, centralizado no pentágono, havia cedido lugar a 
vastas teias de negócios que integravam governo, empresas e labora-
tórios de pesquisa. Nesse contexto, começava a aparecer o rosto da SI, 
entendida como a difusão massiva de TI pela sociedade.
Há a constatação de que essa teia/cadeia de negócios levou os agen-
tes, com apoio do governo, a organizar a Advanced Research Projects 
AgencyNetwork (Arpanet), no final dos anos 1960, para conectar enge-
nheiros, cientistas, empresas e governo e aquecer o desenvolvimento 
de outras tecnologias. Os resultados, portanto, começam a aparecer 
de uma série de inovações ATM (banking), POS (point of sale) e auto-
mação. Outro ponto da Arpanet é a antecipação das redes de negócio, 
com base em redes digitais de troca de projetos, que caracterizariam, 
no futuro, as bases dos projetos de SI.
Figura 1
Arpanet
72 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Em 1971, quatro supercomputadores localizados nas universidades 
americanas permitiam que cientistas trocassem informações (Figura 1). 
No seu conjunto, essas inovações antecipavam uma nova cultura de 
desenvolvedores, usuários e consumidores de tecnologia. Em 1987, a 
NSF assume a responsabilidade de gerenciamento do backbone (es-
pinha dorsal) dessa rede. Com a experiência acumulada, uma nova 
revolução estava em curso: o sistema mundial WWW ampliava todo 
esse potencial para a rede em escala global, especialmente após 1993, 
quando a Universidade de Illinois desenvolveu o browser Mosaico, que 
tornou possível o acesso à internet.
O crescimento da internet gerou inovações na economia americana. 
A queda dos valores dos computadores, em torno de 26% ao ano, de 
1995 a 1999, contribuiu para o crescimento da produtividade, a ponto de 
reduzir a inflação e receber fortes investimentos por parte das empresas.
O conteúdo da internet foi um importante elemento no redesenho das 
empresas. O comércio eletrônico passou a influenciar diretamente deter-
minadas indústrias, como a automobilística – nessa, o consumidor passou 
a escolher e compor os acessórios do carro, conforme seu interesse.
Outra inovação foi o e-government, ou governo eletrônico, que dis-
ponibiliza informações, para o cidadão, de documentos, estatísticas e 
serviços em geral. Segundo Cortada (2002), o governo americano ge-
rou cerca de 20 milhões de documentos desde a sua constituição. Os 
grandes laboratórios de pesquisas, ao disponibilizar suas pesquisas e 
propor parcerias com empresas e governos, consolidaram um ambien-
te de intercâmbio digital. 
À medida que a indústria de TI se consolidava no mundo todo, 
pesquisas e trabalhos passaram a olhar para produtos e soluções es-
pecíficos, o que ampliou as pesquisas voltadas para as tecnologias e os 
fundamentos de negócios.
No final dos anos 1990, a experiência americana de SI já estava 
consolidada. Mesmo com algumas atitudes de determinadas agências 
governamentais e a posição do mercado emergente, depois da reorga-
nização produtiva dos anos 1980, foca-se as empresas, e o ambiente de 
negócios se organiza por meio disso.
Sendo assim, a visão americana valoriza as redes de negócios, com 
base em grandes empresas líderes que conhecem as necessidades de 
mercado e se financiam de diversas formas. Com relação à pesquisa bá-
Sociedade da Informação 73
sica, essas empresas desenvolvem parcerias com as universidades, inte-
grando-se a projetos que recebem fundos federais, e com os estados e as 
prefeituras que oferecem incentivos para atrair os fornecedores. Nesse 
ambiente, o conhecimento das necessidades do cliente é fundamental 
para readequar os produtos e serviços aos desejos dos consumidores.
A proposta americana para a tecnologia de ponta é que os forne-
cedores passem a investir em inovação, juntamente com as empresas 
líderes das cadeias de negócio, a fim de consolidar a sua posição no 
mercado. Nem todos os segmentos conseguiram fazer essa transição 
sem problemas; a indústria automobilística americana, por exemplo, 
ainda enfrenta problemas de custo, produtividade e cultura.
A produção de bens impalpáveis nos EUA, principalmente a de 
softwares, é feita por meio de políticas de estímulo (financiamento, com-
pras diretas e apoio a projetos), relativamente claras e acessíveis para os 
industriais e o governo. Quando uma grande empresa líder se instala em 
algum ponto dos EUA, leva em conta a teia de parcerias privadas e públi-
cas de cada região do país. O êxito dessa política chamou a atenção de 
diversos países, sendo tomado como base para outros projetos.
O crescimento da internet nos EUA influenciou diversos projetos e 
levou a OCDE a organizar vários congressos para debater a expansão 
da rede, os quais contribuíram para a constituição de visões diferentes 
sobre o seu papel e o do Estado e sobre como obter a formação do 
capital intelectual.
A experiência europeia reforça o papel das agendas como sendo 
fundamental para a SI; assim, foi desenvolvida como uma reação ao 
modelo americano. Diferentemente desse último, focado nas empre-
sas, os europeus reforçam a importância de uma organização pública 
e de políticas públicas a ela associada, que formulem a agenda de ma-
neira clara e acessível. A Europa se esforçou para organizar agências 
que disponibilizassem para o cidadão comum o que está sendo feito, o 
porquê e quais as consequências e benefícios ele teria. Mais do que a 
disponibilização dessas informações, a inovação presente nesses pro-
jetos foi a acessibilidade por meio da internet.
A transparência dos investimentos orienta o esforço de pesquisa e 
desenvolvimento para determinados pontos, inclusive com a informa-
ção de como obter recursos para os empresários. 
74 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
A agenda e-Europe, simultaneamente, ao criar a sua agenda de 10 
pontos (Quadro 1), elaborou o quinto plano marco, em conjunto com 
o Community Research Development Information Services (Cordis), de 
Luxemburgo. Destaca-se a integração de esforços nesse processo para 
combinar a visão social com o desenvolvimento tecnológico.
Quadro 1
10 pontos do documento e-Europe
10 pontos do documento e-Europe: Sociedade da Informação para todos 
Primeira Agenda Europeia de Sociedade da Informação (ano 2000)
1. Entrada da juventude na era digital.
2. Acesso mais barato à internet.
3. Aceleração do comércio eletrônico.
4. Internet rápida para investigadores e estudantes.
5. Cartões inteligentes para acesso eletrônico seguro.
6. Capital de risco para as pequenas e médias empresas de tecnologia.
7. Participação eletrônica para pessoas com deficiência.
8. Saúde em linha.
9. Transportes inteligentes.
10. Governos em linha.
Fonte: Elaborado pela autora com base em Takahashi, 2000.
Com o objetivo de concretizar essa agenda , adotou-se uma es-
tratégia de gestão de projetos, para desenvolver novas competências 
nas áreas de alta tecnologia. Dessa forma, as novas tecnologias foram 
organizadas por áreas-chave (Quadro 2) e por prioridades, dentro de 
uma visão estratégica de redução do tempo entre a descoberta e a sua 
conversão em produto.
Quadro 2
Áreas-chave da tecnologia
Projeto Marco V do Cordis
1. Sistemas e serviços para o cidadão.
2. Novos métodos de trabalho e comércio eletrônico.
3. Multimídia e ferramentas de conteúdo.
4. Tecnologias essenciais e infraestrutura.
5. Redes de pesquisa.
6. Tecnologias emergentes.
Fonte: Elaborado pela autora com base em EUR-Lex, 1999a.
A experiência japonesa é uma das primeiras a ser constituída e tem 
sido coordenada pelo Ministério de Negócios Internos e Comunicações 
O Conselho Europeu de 
Sevilha aprovou a Plano 
de Ação e-Europe em 
2005, elaborado pela 
Comissão. O eEurope 
visava tornar a União Eu-
ropeia na mais dinâmica e 
competitiva economia do 
conhecimento.
2
2
Sociedade da Informação 75
(Soumu). Desde 1973, divulga-se o relatório (White Paper) que orienta 
os investimentos, resultados e trabalhos comparativos entre mercados 
e empresas de países estrangeiros e do Japão.
Um dos projetos mais interessantes se refere à implantação da rede 
de ubiquidade em todo o país, que foi denominado de u-Japan, im-
plantado em 2005. A letra u representa ubiquidade, termo que significa 
acesso a qualquer conteúdo, por meio de qualquer plataforma e a qual-
quer momento. Essa proposta exigiu o investimento em novas infraes-
truturas de comunicação, novos equipamentos móveis,realizada em 1972, a 
Consciência Ambiental recebeu atenção especial de fóruns e nações, 
o que originou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA), gerando, ainda, em parceria com a Unesco, o Programa In-
ternacional de Educação Ambiental (PIEA), com a intenção de promover 
um intercâmbio de ideias entre as nações do mundo sobre o tema.
Em uma dessas oportunidades de intercâmbio de ideias, no 
Seminário Internacional sobre Educação Ambiental, que ocorreu em 
1975, foi aprovada a Carta de Belgrado, que falava sobre questões re-
ferentes à educação ambiental do ângulo da sustentabilidade.
Sustentabilidade 11
Os objetivos presentes nessa carta eram:
Conscientização 
Contribuir para que indivíduos e integrantes de educação formal, 
que envolve professores e alunos de todos os níveis, assim como 
da educação não formal, desenvolvam consciência com relação 
ao meio ambiente e a todas as questões relacionadas a ele.
CH
AR
TG
RA
PH
IC
/S
hu
tte
rs
to
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Habilidades 
Proporcionar condições para que grupos de indivíduos adquiram 
habilidades necessárias a essas participações ativas.
Atitudes 
Motivar uma participação ativa na proteção do meio ambiente.
Participação
Desenvolver, em grupos de indivíduos, um senso de urgência e 
responsabilidade às questões ambientais.
Conhecimento
Proporcionar o entendimento sobre as questões ambientais, em 
especial as que envolvem interações entre ser humano e meio.
Com o intuito de atingir esses objetivos, a Carta de Belgrado su-
gere que os programas de educação ambiental sejam regidos pelas 
seguintes diretrizes:
 • enxergar o meio ambiente como um todo, sendo ele natural e 
preservado pelo ser humano, levando em conta questões políti-
cas, culturais, econômicas, tecnológicas, entre outras;
 • considerar o ponto de vista ambiental nos processos de desen-
volvimento e crescimento;
 • possuir abordagens interdisciplinares;
 • compreender que as questões ambientais têm pontos de vistas 
locais e globais;
12 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
 • enfatizar a importância da participação ativa na precaução e na 
resolução das questões ambientais;
 • preocupar-se com as questões presentes e futuras;
 • compreender que educação ambiental é um processo contínuo, 
seja em ambiente acadêmico ou não; 
 • promover cooperações locais, regionais, nacionais e 
internacionais. 
A Carta de Belgrado recebeu muitas críticas por não oferecer propo-
sições concretas e por ter uma visão pouco realista. Entretanto, trata-se 
de uma carta de intenções, sem recomendações de como executá-las. 
Assim, tornou-se o documento mais importante quanto aos conceitos, 
aos princípios e às diretrizes da sustentabilidade ambiental.
Em 1977, a Conferência Intergovernamental de Educação Ambien-
tal, em Tbilisi, na Geórgia, gera um documento denominado Declaração 
de Tbilisi, que, na prática, ressalta o documento feito dois anos antes.
As recomendações referentes à educação, realizadas na conferên-
cia, foram consideradas em quase sua totalidade de programas da 
Agenda 21 – importante tratado sobre questões ambientais, aprovado 
pela Conferência das Nações Unidas, que ocorreu em 1992, no Rio de 
Janeiro, 15 anos depois. 
Além disso, há a Declaração de Jomtiem, que enfatiza o fato de a 
educação ambiental ser importantíssima a homens e mulheres de to-
das as idades e no mundo inteiro, contribuindo para tornar o mundo 
mais saudável, com melhor qualidade de vida a todos.
Portanto, esta disciplina de formação social, que você está acompa-
nhando neste momento, é uma iniciativa que visa cumprir as recomen-
dações realizadas nessas conferências ao longo das décadas.
Energia
A palavra energia se origina do grego enérgeia, que significa ativi-
dade. Com relação a ela, Goldemberg (2010, p. 6) relata: “usualmente 
relacionada com a realização de trabalho mecânico, deslocando, por 
exemplo, um objeto de uma posição para outra por meio de aplicação 
de uma força”. Logo, vivendo em um planeta cujas forças são tão pre-
sentes como a força gravitacional, bem como a própria ideia de nosso 
movimento, gerada pelos alimentos que ingerimos, esse conceito está 
intimamente ligado à nossa existência.
Sustentabilidade 13
Em uma definição ampla, energia é a competência de fabricar 
transformações em um sistema, sejam elas mecânicas, físicas, quími-
cas ou biológicas. Como exemplos, podemos citar a expansão de um 
gás, uma queda d’água, a combustão de um hidrocarboneto, como o 
petróleo, ou mesmo o uso de uma corrente elétrica.
Existem várias maneiras de a energia se manifestar. Vejamos algu-
mas delas:
 • energia de radiação;
 • energia química;
 • energia nuclear;
 • energia térmica;
 • energia mecânica;
 • energia elétrica;
 • energia magnética;
 • energia elástica.
Sabemos que a energia é essencial em nossa existência. Para efeitos 
comparativos, o ser humano primitivo, datado em um milhão de anos, 
antes da descoberta do fogo, contava apenas com a energia gerada 
pelos alimentos que ingeria, que era de aproximadamente 2 mil kcal 
(sendo 1 kcal = 1000 calorias). Comparando-o com um indivíduo agríco-
la avançado, este, em 1.400 d.C., possuía o carvão para aquecimento, 
a força da água e o vento, além do transporte animal, e necessitava 
de 20 mil kcal para a sua existência. Já o chamado ser humano tecno-
lógico, dos anos 2000, tem necessidades que vão além da alimentação 
– como moradia, comércio, indústria, agricultura, transporte, aqueci-
mento, resfriamento, iluminação, entre outras – e, assim, precisa de 
230 mil kcal para desempenhar suas atividades diárias.
É importante lembrar, 
também, que, há um 
milhão de anos, éramos 
menos de meio milhão de 
habitantes. Porém, hoje, 
somamos quase sete bi-
lhões de indivíduos, cerca 
de dez mil vezes mais, e 
cada um de nós consome, 
em média, 230 mil kcal 
para nossas atividades.
Importante
1.2 Matrizes energéticas 
Vídeo Até o fim da Idade Média, grande parte da energia utilizada provinha 
do uso da madeira em forma de lenha, resultando na quase total devas-
tação de muitas florestas, que cobriam, praticamente, toda a Europa.
Sendo assim, a necessidade energética, crescente no século XIX, 
como consequência da evolução natural do homem e da Revolução In-
dustrial, tornou o carvão mineral, usado como fonte de calor, a princi-
pal matriz energética daquele período.
Tempos depois, com o desenvolvimento de motores, o petróleo e 
seus derivados passaram a ser fontes de energia, acarretando a utili-
14 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
zação da eletricidade, inicialmente provida por usinas hidrelétricas e, 
posteriormente, por termelétricas.
Energias renováveis x energias não renováveis
No atual cenário das fontes energéticas, encontramos disponíveis 
as fontes não renováveis e renováveis. As fontes de energia renová-
veis são as que permanecem disponíveis mesmo após serem utiliza-
das, ou seja, não se esgotam. Por exemplo:
 • Energia dos vegetais (biomassa): gerada pela combustão de 
vegetais, como lenha, cana-de-açúcar, serragem, papel, galhos, 
folhas, casca de arroz, capim-elefante, entre outros. A sua combus-
tão gera alguns derivados, como: biogás, etanol, biodiesel, óleo ve-
getal etc. É considerada renovável porque é possível reflorestar ou 
replantar, porém é necessário ter cuidado para não comprometer 
a conservação do solo, causando mais desmatamento, além de ter 
cautela na queima desses biocombustíveis. No caso dos óleos, o 
combustível é produzido pela fermentação de óleos vegetais reti-
rados de caules, folhas ou até de carvão vegetal.
 • Energia hidráulica: realizada por meio da correnteza dos rios. An-
tes, essa energia cinética era aproveitada por moinhos de água, ou 
azenha, para moer grãos, irrigar grandes arrozais e drenar terras 
alagadas. Posteriormente, geradores elétricos foram adaptados 
para transformar essa energia hidráulica em elétrica, criando as usi-
nas hidrelétricas. No Brasil, temos várias usinas hidrelétricas, mas 
as principais são: Itaipu,novos hábitos 
de relacionamento entre grupos sociais, nova visão ambiental e novas 
soluções para problemas cotidianos, sintetizados na Figura 2.
O mesmo relatório antecipa para os empresários quais são as 
preferências de compra dos consumidores e o comportamento das 
empresas para entendê-los. Além disso, o relatório já antecipava o 
crescimento da internet nas residências e a perspectiva de outras ma-
neiras de relacionamento, como o avanço do comércio eletrônico.
Para facilitar o entendimento, na Figura 2, percebemos como o 
consumidor japonês decidia as suas compras. Pode-se observar, aqui, 
a preocupação sobre como se dá a satisfação dos usuários. Primei-
ramente, são agrupados os consumidores por PCs e por celulares. 
Depois, os principais motivos de uso dos consumidores. Mais do que 
uma pesquisa de mercado, o relatório estimula empresários e gesto-
res a encontrarem pontos de atuação, melhorias que poderiam ser 
desenvolvidas e novos serviços que poderiam ser oferecidos, como 
se vê na Figura 2.
A comparação entre celulares e computadores estimulava novas so-
luções de hardware e software para os desenvolvedores. Na época, os 
PCs apresentavam algumas vantagens, e o que hoje denominamos de 
mobilidade estava em processo de desenvolvimento. A grande mudan-
ça nos produtos e serviços trazem novas demandas estratégicas, como 
o ato de planejar formas de contratação on-line, a segurança para a 
concretização de negócios na internet, a responsabilidade civil na web, 
a credibilidade dos direitos do consumidor no comércio on-line e as 
relativas ao direito autoral e à propriedade intelectual.
76 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Figura 2
Desafios específicos futuros e exemplos de soluções usando redes onipresentes.
Residências amigáveis a idosos
Exemplo: disponibilização de 
monitoramento da localização e 
condições de um idoso ou criança 
pequena pelos pais/parentes, 
por meio de vários sensores e 
da checagem da condição de 
aparelhos domésticos elétricos.
Suporte ao estilo de vida
Participação social de pessoas 
jovens, de meia-idade e idosas
Equivalência entre as capacidades 
avaliadas e as ofertas de trabalho 
e a introdução de programas de 
desenvolvimento da capacidade, 
a fim de reinserir grupos de 
mulheres, pessoas de meia-idade 
e idosos no mercado de trabalho, 
assim como os jovens.
Suporte para mudanças 
de emprego, reinserção no 
mercado de trabalho etc.
Redução de acidentes e 
congestionamentos no trânsito
Exemplo: eliminação/controle de 
congestionamentos, por meio de 
informações sobre o tráfego e 
rotas e redução de acidentes de 
trânsito, utilizando automóveis 
com sistema autônomo, bem como 
comunicações entre veículos e 
entre veículos e rodovias.
Rede com base na assistência à 
direção
Alívio para as frustrações dos 
passageiros
Exemplo: permissão aos 
passageiros para obter informações 
em tempo real sobre a hora de 
chegada, os atrasos e os meios de 
transporte alternativos do sistema 
público de transportes.
Navegação de informações de 
transportes públicos
(Continua)
Sociedade da Informação 77
Acesso livre a conteúdos
Exemplo: permissão do uso de vários conteúdos em 
qualquer lugar e a qualquer hora, de qualquer terminal, 
pela realização da proteção de direitos autorais e 
usabilidade por meio do controle de meta- -dados 
(informações sobre atributos de conteúdo).
Distribuição de conteúdo onipresente
Expansão do aprendizado vitalício
Exemplo: revelação de conhecimento escondido na 
comunidade local, mediante permissão de que qualquer 
pessoa se torne um professor ou um aluno e ensine 
outros por meio de redes.
Redes com base em classes comunitárias
Diversificação de estilos de trabalho
Exemplo: permissão de que uma loja não muito cheia 
forneça serviço remoto a um cliente em outra loja, quando 
o serviço “cara a cara” não é exigido.
Serviços remotos entre lojas
Suporte para cooperação de trabalho entre empresários
Exemplo: permissão para que empresários em diferentes 
lugares virtualmente se encontrem e discutam, a fim 
de apoiarem planejamentos, deliberações e tomada de 
decisões da equipe administrativa.
Apoio cooperativo à equipe administrativa
Garantia de segurança na 
hora do desastre
Exemplo: permissão às vítimas 
e suas famílias de troca de 
informação necessária nos 
momentos de desastre, 
incluindo confirmação de 
segurança pessoal.
Confirmação de segurança 
de pessoas em momentos de 
desastre
Segurança alimentar
Exemplo: permissão aos 
consumidores de checagem 
fácil de dados de produção e 
registros de distribuição, por 
meio da anexação de etiquetas 
IRF aos alimentos (vegetais, 
carnes, peixes frescos, alimentos 
processados etc.).
Rastreamento de alimentos
Uso eficiente de informações 
clínicas
Exemplo: melhoramento 
da qualidade e eficiência 
da assistência médica e 
fornecimento de serviços 
médicos orientados aos 
pacientes, mediante facilitação 
de troca de dados médicos 
entre hospitais, em forma de 
gráficos médicos eletrônicos.
Rede de gráficos médicos 
eletrônicos 
Promoção de procedimentos 
administrativos on-line
Exemplo: uma vez que 
dados de cartões, registros 
de casamentos etc. sejam 
atualizados, todos os outros 
procedimentos também 
podem ser atualizados 
automaticamente.
Atualização automática 
de procedimentos 
administrativos
Melhoramento em eficiência 
nas compras
Exemplo: compras agradáveis 
e eficientes para clientes, pelo 
acesso fácil a informações, 
como localização e quantidade 
em estoque do produto 
desejado, por meio de um 
terminal.
Sistemas de compras com 
uso de terminais
Promoção de reciclagem e 
tratamento de lixo
Exemplo: melhoramento por 
meio da compreensão da 
quantidade de lixo coletado 
pelo tipo e pela certificação 
de reciclagem apropriada de 
domicílios e escritórios, depois 
separá-los pelo tipo de lixo.
Rastreamento de lixo e de 
recursos
Fonte: Ministry of Internal Affairs and Communications, 2005.
78 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
Ao mesmo tempo, explora novos canais de comercialização para 
produtos e serviços típicos da ubiquidade, como games, filmes, música, 
e notícias.
Consolidado o debate até aqui, o citado relatório (WHITE PAPER, 
2005) avança no debate da utilização de tecnologias digitais para uso tí-
pico de governos, como: prevenção de desastres, relacionamento com 
idosos, segurança alimentar e outros. Ao mesmo tempo, propõe novas 
soluções tecnológicas para o controle do orçamento e da rede, com 
aplicação de governo para governo (G2G), e sintetiza as experiências 
da informática pública e o seu papel no apoio aos programas sociais 
de inclusão digital e experiências locais, bem como a comparação com 
projetos internacionais nas áreas afins.
O relatório inovou, também, no que se refere à gestão das empre-
sas, com relação à eficiência do emprego das tecnologias de informa-
ção e comunicação (TIC). Um dos gráficos mais interessantes se refere 
a 10 pontos fundamentais de integração entre habilidades de gestão e 
de tecnologia. Nele, destaca-se a extensão da pesquisa, elaborada em 
escala nacional, para estimular as empresas a adotarem práticas de in-
tegração inovadoras, com governança corporativa transparente e estra-
tégia de investimento de longo prazo. Além disso, o papel da alta gestão 
aparece combinado com as TIC e o conhecimento dos trabalhadores.
Um dos objetivos estratégicos desse relatório é estimular as jovens 
empresas a aproveitar as oportunidades que os números deixavam 
ver, para a inovação, educação e melhoria da competitividade no país. 
Para esse fim, o relatório de 2005 apresentava as oportunidades e o 
grau de satisfação do consumidor, atuando como um guia de oportuni-
dade para aprimoramento de processos. Logo, a seguir, o mesmo rela-
tório analisa a situação de gestão das empresas japonesas em relação 
aos seus processos.
Assim, ao combinar tendências de negócios e aplicações em gestão, 
o u-Japan induz as empresas a projetos de intercâmbio de conhecimen-
to, à educação pelotrabalho e ao desenvolvimento de competências 
para consolidar o ambiente de desenvolvimento nas redes. As pesqui-
sas com usuários estimulam o cuidado obsessivo com o cliente e suas 
necessidades. Completa-se, assim, o ciclo de integração entre agentes, 
tendências, percepção de necessidades e interesses que sustentam a 
visão japonesa de SI.
Sociedade da Informação 79
Ainda, no que se refere aos objetivos estratégicos desse relatório, 
está a revisão da educação tradicional japonesa, com relação ao mer-
cado de trabalho. A ideia é estimular um novo tipo de profissional, 
voltado para revolucionar as tecnologias e não gerar adaptações e 
aplicações já conhecidas para as empresas. Além do mais, vale a pena 
relacionar o conteúdo desse relatório com o esforço da educação for-
mal no país. O papel das disciplinas na universidade não é mais o de 
gerar conteúdo de estudo e aplicação para o futuro engenheiro, mas 
sim de desenvolver startups e revitalizar o mercado de investimento 
em tecnologias. Muitos grupos de pesquisadores no Japão se recor-
dam de que o país imprimiu uma revolução na indústria eletrônica de 
consumo nos anos 1980. Assim, assumiu a liderança global e extinguiu 
a indústria americana.
Tanto as universidades como as empresas lutam para rever a tradi-
ção de senioridade no país, ou seja, as inovações são promovidas por 
gestores experientes, com mais idade. Não se trata somente de uma 
questão de idade, mas de aversão ao risco, que é a origem do proble-
ma – a senioridade é, então, uma das formas tradicionais de lidar com o 
problema. Embora o u-Japan tenha obtido resultados, existem críticas 
às relações com o financiamento público, bem como aversão aos ris-
cos, por parte das empresas japonesas.
É na Coreia que uma das experiências mais abrangentes de SI está 
em processo. Uma das agências mais atuantes dos países ricos é o 
Korean Information Society Development Institute (Kisdi), que dispõe 
de vários bancos de dados sobre as tendências tecnológicas em cur-
so, consumo de produtos de tecnologia de ponta e competitividade de 
empresas coreanas.
O Kisdi produz um relatório anual muito conceituado, o ICT Industry 
Outlook of Korea. O Ministry of Information and Communication (MIC) 
guia as empresas coreanas, antecipando cenários para a exportação. 
Juntamente com o MIC e o Informatization Promotion Committee (IPC), 
o Kisdi forma a rede de apoio à inovação privada no país. Essas orga-
nizações elaboram diversos planos: o Cyber Korea 21 (1999), para pre-
parar o país para entrar na vanguarda do século XXI; e o e-Korea Vision 
2006 (2002), voltado para a difusão do uso de informática e TI, a fim de 
ampliar a competitividade do país.
80 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
O plano atual u-Korea destaca o u de ubiquidade, como já explica-
do. As inovações tecnológicas na visão do país se dão, principalmen-
te, por meio da colaboração entre organizações (redes de negócios e 
de desenvolvimento de capital humano). Os coreanos veem a SI como 
o ponto em que se encontram várias tecnologias de ponta, identifica-
das em relatórios específicos, como os do Korea IT Industry Outlook, 
disponibilizados pelo Kisdi e financiados por agências públicas, com a 
contrapartida de gerar novas vantagens competitivas para as redes de 
negócios coreanas.
Cada projeto financiado desenvolve as inovações, o alcance das 
novas tecnologias, os riscos e as ações necessárias de maneira sim-
ples para que o conhecimento se converta na principal ferramenta de 
gestão nas organizações. Os paradigmas de administração são revistos 
com base nos moldes de distribuição de ideias e projetos, baseando-se 
em competências bem definidas entre fornecedores e parceiros.
Nesse ambiente, as empresas planejam com detalhes as políticas de 
cooperação e competição e analisam como tirar proveito das políticas 
de estímulo (inclusive as fiscais) para a alta tecnologia. 
O projeto Broad Band IT Korea Vision 2007 teve início em 2003, 
com o sentido de aumentar a renda per capita do país para mais de 
US$ 20 mil. Com base nessas experiências, o u-Korea 2007 se de-
dica a estimular as tecnologias, com base na ubiquidade (acesso de 
qualquer plataforma, a qualquer informação e em qualquer tempo), 
por meio de uma infraestrutura de TI, ligada ao desenvolvimento de 
produtos e serviços.
A mesma iniciativa ocorreu com o projeto IT 839, em 2010, que se 
dedicou a aumentar a renda per capita do país para US$ 30 mil. O pro-
jeto integrou oito serviços, três infraestruturas e nove equipamentos. 
O mais inovador nesse projeto foram as referências a três infraestrutu-
ras, que integravam desde as placas de rádio frequência e a banda lar-
ga até as redes domésticas. Mais do que a integração, o projeto visava 
revolucionar o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Um dos 
objetivos era manter a recém-conquistada liderança na eletrônica de 
consumo, em particular com os televisores digitais, os equipamentos 
móveis pós-PC e outros ligados às redes de alta velocidade. Essa forma 
de gestão parece dar conta de uma das limitações dos japoneses com 
relação à gestão: a aversão ao risco.
Sociedade da Informação 81
Outra experiência coreana de destaque é o Korea Online 
eProcurement System (Koneps), um sistema de compras eletrônicas que 
possibilitou uma economia de US$ 400 milhões na sua implantação. Essa 
experiência permitiu que a Coreia se transformasse em um dos países 
que mais empregam esse sistema no mundo. Além da economia, outros 
objetivos devem ser relacionados – por exemplo, facilitar a entrada de 
pequenas empresas, principalmente as intensivas em tecnologia.
Os coreanos parecem se dirigir ao caminho de elaborar meios para 
dividir os riscos de inovação entre empresas e governo. Assim, o país 
inteiro se transforma em um laboratório para integrar todos os pontos 
do projeto. Somente a experiência de mercado pode fornecer os ele-
mentos necessários para se lidar com o risco. Portanto, um projeto em 
escala nacional antecipa as dificuldades que diferentes mercados po-
dem colocar para as redes coreanas. Lidar com o risco, nesse ambiente 
e dessa forma, expressa um conceito de projeto amplo e sofisticado, 
que transforma a escala e o risco em fonte de aprendizagem e educa-
ção pela experiência do trabalho.
A inovação também se expressa na educação formal. Além da 
disciplina de estudo, a educação está orientada a saber inovar em 
projetos e na forma de gestão. Então, o estudante é estimulado a sa-
ber colocar a inovação como elemento de distinção. Desse modo, o 
espaço para startups tem crescido como instrumento para estimu-
lar o empreendedorismo e a competência técnica. Nesse ambiente, 
novas oportunidades aparecem e demonstram a mudança e a im-
portância dessa concepção de procedência tecnológica. As startups 
coreanas, especificamente, avançam para novos desenhos, refletindo 
uma geração de empreendedores.
A Coreia já detém uma rede estratégica de intercâmbio de conhe-
cimento entre empresas, a qual permite monitorar o desempenho de 
fornecedores até a entrega dos produtos e serviços contratados. As 
TIC, na era da onipresença, reduzem o ciclo de vida dos produtos – 
em termos mais práticos, a identificação, o desenvolvimento e o teste 
dos produtos precisam ser mais rápidos e competentes. Dito de outra 
forma, o ambiente de negócios, típico da ubiquidade, acelera a con-
vergência entre tecnologias e mercados, ampliando as demandas de 
inteligência e os serviços em tempo real.
Os projetos, agora, sublinham o desafio de gerir produtos e serviços 
nos cenários complexos que envolvem diversos grupos e estratégias 
82 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
de sustentação. Logo, não se trata apenas de desenvolver novos pro-
dutos isoladamente, mas de gerar um ambiente de colaboração entre 
os principais pontos da agenda do plano. Dentre eles se destacam: go-
vernança transparente, acessível por qualquer meio; uso inteligente do 
solo, por meio de logística e sistemas integrados detransportes; econo-
mia flexível; e TI aplicada ao meio ambiente. A capacidade de formular 
cenários, integrar os agentes, prever tendências e adequar a educação, 
pelo trabalho com as mudanças de mercado, demonstra a importância 
de uma agenda centralizada.
As experiências de projetos da SI acumularam experiências ino-
vadoras para a Coreia, com relação às jovens indústrias intensivas 
em tecnologia que têm sido integradas aos grandes conglomerados 
(chaebols) do país. Duas formas de integração têm sido praticadas: a 
assimilação direta (compra) ou a participação como parceiros ou forne-
cedores, com aporte financeiro.
A necessidade de inovação e de parcerias devidamente antenadas, 
com tendências tão diversificadas, pressupõe inovação tecnológica, 
cultural e gerencial. Uma rede de interesses tão complexa leva a diver-
sas articulações de grupos de pessoas e empresas. Parte dessas expe-
riências é desenvolvida na universidade, nos projetos e nas startups.
Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil
A SI no Brasil se iniciou por meio do Livro Verde, lançado no ano 
2000 (TAKAHASHI, 2000). Esse sofreu as influências das experiências 
americanas e europeias. Para tentar recuperar o atraso do país, pro-
pôs uma via própria de desenvolvimento de informática. Em 1991, a 
Rede Nacional de Pesquisa (RNP), filiada ao Ministério de Ciência e Tec-
nologia (MCT), criou o backbone e envolveu centros de investigação 
(FAPESP, FAPEPJ, FAPEMIG etc.), universidades e seus laboratórios.
Em 1994, a Embratel inicia o serviço experimental, com a finalidade 
de se aprofundar na internet. Apenas em 1995 isso foi possível, por 
uma decisão do Ministério das Telecomunicações e MCT, havendo uma 
abertura ao setor privado da internet, para análise comercial da popu-
lação do Brasil. A RNP ficou incumbida da estrutura básica de interco-
nexão em nível nacional, controlando o eixo central.
Em 1999, a Presidência da República lança o Programa Sociedade 
da Informação (Socinfo), sob a responsabilidade do MCT, com o in-
Sociedade da Informação 83
tuito maior de promover o avanço econômico e social ao acesso e 
uso das TIC.
O projeto, no ano 2000, reconhecia a importância da sociedade do 
conhecimento e da educação, bem como propunha a integração do 
governo e da sociedade, para que os benefícios da informatização al-
cançassem o país todo, pela universalização do acesso à internet. De 
maneira semelhante à proposta europeia, reconhecia a importância 
de promover a inclusão social (emprego), por meio da inclusão digital 
(qualificação). No caso do setor privado, assumiu formalmente a nova 
economia com base na abertura de mercado, globalização e comércio 
internacional, tomando isso como uma condição para o sucesso. Po-
rém, a estrutura organizacional não inclui o setor privado. Sublinha-se 
aqui uma mudança radical em relação às políticas dos anos 1980, 
marcadas pela reserva de mercado e por restrições à importação de 
equipamentos e softwares.
O Livro Verde acreditava que o crescimento da internet, articulado 
com as ações de políticas públicas de incentivo, poderia repetir no país 
o êxito das experiências de SI dos países da OCDE e da Europa, com 
sua visão de escala continental. Sem querer uma discussão política de 
reserva de mercado da informática dos anos 1980, o Livro Verde (2000) 
destaca que o sucesso relativo, nos aspectos críticos, para a formulação 
de um projeto de SI, já havia sido obtido: crescimento da internet e for-
mação de competências na universidade e no setor privado.
O relatório enfatiza, ainda, a privatização do setor de telecomuni-
cações, a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o 
governo eletrônico e a retomada dos investimentos em tecnologia das 
empresas brasileiras.
O documento brasileiro acompanha os diagnósticos dos demais 
projetos de SI, desenvolvidos pelos países ricos, ao propor 14 pontos 
de atuação, que constroem uma rede básica ao redor de pontos críti-
cos, os quais desenvolveriam novas áreas e fortaleceriam o conjunto, 
gerando saltos de qualidade para o país, no que diz respeito ao domí-
nio de tecnologia.
Cabe, aqui, esclarecer a importância do termo diagnóstico: ele está 
sendo empregado para diferenciar a agenda no sentido europeu, com 
metas definidas por prazos. Da mesma forma, há a proposta de uma 
sociedade em rede, que integraria o setor privado (que dispõe da 
84 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
maior capacidade de investimento), o governo (missão de disponibili-
zar acesso tanto universal quanto a serviços públicos), as universidades 
(com base científico-tecnológica e formação de recursos humanos) e a 
sociedade civil (ONGs), que não era definida em termos de responsabi-
lidades e tempos de execução. 
O Livro Verde incentivou progressos, principalmente em ações 
de governo eletrônico, internet para pesquisadores e crescimen-
to da população com acesso à internet, após a reestruturação dos 
meios de telecomunicações. 
Outros resultados que merecem ser destacados são: o crescimento 
de serviços digitais ao cidadão; a interligação de bibliotecas (cadastra-
mento para o Ministério da Cultura); o uso de arquiteturas abertas de 
software; o reconhecimento do papel das pequenas e médias empre-
sas intensivas em tecnologia; o início da constituição de mecanismos 
de articulação das TI no plano interno; e o governo eletrônico. Esse úl-
timo, que foi muito competente em algumas áreas, como a fiscalização 
do imposto de renda e a integração Detran/Denatran (Ministério dos 
Transportes), não foi tão eficiente para as políticas de saúde, tomando 
por base as ações da SI na Europa e no Japão.
O maior impacto sobre o projeto foram as pressões do chamado 
Custo Brasil nas empresas de tecnologia. Originalmente, o Custo Bra-
sil foi pensado para os setores produtivos, porém as experiências de 
sucesso ligam cada vez mais a tecnologia com o ambiente fiscal e ma-
croeconômico dos negócios, o que coloca, nas empresas de tecnologia, 
a necessidade de compreender as suas particularidades.
Os impostos, a cultura de relativo isolamento dos principais atores 
(Estado, universidades e empresas) e a burocracia fazem os custos de 
desenvolvimento aumentarem. Não é suficiente propor o estímulo às 
empresas de alta tecnologia de maneira vaga.
A inovação tecnológica pressupõe um leque de fornecedores e par-
ceiros, para demandas em formação que podem ou não se consolidar. 
A tendência é que as empresas líderes antecipem, desenhem o projeto 
e repassem, para as outras empresas da sua rede de negócios, parcelas 
cada vez mais complexas do projeto. Dito de outra forma, além do risco 
de mercado, essas organizações devem investir nas suas competências. 
Daí a importância de se entender o real ambiente de negócios no Brasil, 
Sociedade da Informação 85
bem como de a qualidade do projeto de SI passar pelo equacionamento 
das dificuldades reais da economia, em particular a cunha fiscal.
Desse modo, o Livro Verde influenciou algumas iniciativas locais. 
Embora com resultados pontuais, observa-se nelas a preocupação com 
relação ao conhecimento e à integração entre esforços da universida-
de, das empresas e do Estado. 
Assim, nessas iniciativas, há o Porto Digital em Recife, Tecnópole em 
Porto Alegre e Polo-RS, no Estado do Rio Grande do Sul. O primeiro com-
binou a recuperação de uma região histórica no centro do Recife com a 
reforma, por meio da instalação de cabos de fibra óptica, para incubar 
empresas de alta tecnologia. O segundo trabalha atraindo para o Rio 
Grande do Sul empresas de alta tecnologia, com base na sinergia dos 
três atores citados. Por fim, o terceiro destaca a importância da inclu-
são da abordagem de produção da SI para a compreensão dos mode-
los urbanos e a instalação das bases de produção, fundamentando-se 
na sociedade do conhecimento.
Os três refletem uma visão de desenvolvimento local que aponta 
para possibilidades de maior integração regional no futuro. Porém, 
persiste a dificuldade de integração regionale nacional, especialmente 
referente ao estímulo fiscal às empresas.
Dessa forma, as ações locais identificadas no Brasil precisam ganhar 
uma escala e um instrumento de integração; em outras palavras, é ne-
cessário ter uma agenda bem estruturada.
Com o acelerado avanço 
tecnológico, o capitalis-
mo, do final do século 
XX, se encontrava com 
problemas que acreditava 
ter terminado, como o 
desemprego. No livro 
Ética e poder na Sociedade 
da Informação, o autor faz 
uma análise da ética e do 
desenvolvimento econô-
mico da sociedade.
DUPAS, G. São Paulo: Unesp, 2000. 
Livro
CONCLUSÃO
A Sociedade da Informação (SI) é algo complexo, que traz à tona o 
debate de competitividade entre empresas, para a competição entre a ca-
pacidade de produção e a de inovação entre países. O comércio interna-
cional e a globalização estão diretamente relacionados com as iniciativas 
das agências de SI; basta ver o crescimento dos produtos intensivos em 
tecnologia nas balanças comerciais, bem como o de serviços dos países 
ricos, em oposição aos países pobres.
A SI modificou a visão de educação, revendo a educação formal, como 
no caso da Coreia e do Japão, ao estimular a disciplina de estudo para a 
implantação de startups e outras formas de aplicação. Ao mesmo tempo, 
desenvolve outras maneiras de educação pelas experiências de trabalho 
86 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
– como no caso coreano do IT 839, que envolve todo o país, como um 
laboratório de aprendizagem e superação.
Assim, construir ambientes estimulantes para ativos intangíveis e ca-
pital intelectual nos países ricos é hoje um dos maiores desafios para in-
tegrar as competências e vocações dos atores fundamentais, ou seja, das 
empresas, dos governos e das instituições de pesquisas.
As decisões estratégicas da competitividade de redes e do empenho 
cobrado dos parceiros já são realidade em países ricos e emergentes. 
Cresce, então, a abordagem proativa: não se trata de vender produtos iso-
ladamente, mas de desenvolver capacidades inéditas e de adaptar novas 
demandas a produtos e serviços intensivos em conhecimento, ampliando 
a inteligência sobre os mercados conquistados. Para isso, esses países 
criaram políticas de defesa dos seus interesses em diversos campos, in-
clusive nas negociações internacionais.
A inteligência da SI abrange várias políticas fiscais e de financiamento, 
para a atração intelectual das empresas e não apenas do seu parque pro-
dutivo, tendo como meta a integração do seu conhecimento às competên-
cias locais. Privilegia-se, estrategicamente, o capital intelectual, permitindo 
que os países que dispõem de uma mão de obra qualificada entrem em 
novos mercados com rapidez.
Enquanto isso, o Brasil sofre os efeitos do Custo Brasil na inovação. 
Impostos elevados, burocracia e conflitos de interesses no setor público 
reduzem a capacidade de desenvolver e atrair o capital intelectual, que é a 
base dos novos desenhos competitivos da economia, da TI e da SI. 
O cenário exposto ao longo do capítulo exige respostas inéditas: 
constituir e apoiar as redes de negócios, para transformar a inserção do 
país na globalização de maneira sustentável. Não se trata de melhorar 
indicadores isoladamente; a questão é formar competências e relacionar 
os principais atores (universidade, empresas e laboratórios de pesquisa), 
bem como incrementar parcerias com o setor privado, para aplicá-las na 
disputa por mercados, com maior conteúdo de conhecimento.
ATIVIDADES
Atividade 1
No final dos anos 1990, a experiência americana de Sociedade da 
Informação já estava consolidada. Faça um breve relato de como 
isso ocorreu.
Sociedade da Informação 87
Atividade 2
Qual é o papel das agendas na experiência europeia?
REFERÊNCIAS
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técnico. Brasília: Anprotec, 2012. Disponível em: https://anprotec.org.br/site/wp-content/
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https://www.faecpr.edu.br/site/documentos/sociedade_informacao_brasil.pdf
https://www.faecpr.edu.br/site/documentos/sociedade_informacao_brasil.pdf
88 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
5
Mercado de TI
Ao final do estudo deste capítulo, você será capaz de:
 • entender que a TI está presente em todas as áreas de negócio;
 • conhecer as tendências de mercado de TI, bem como os 
cargos da área.
Objetivos de aprendizagem
5.1 Carreiras de TI 
Vídeo Quando um ator é questionado sobre o que mais o atrai na pro-
fissão, ouve-se muito, como resposta, que,durante suas pesquisas 
para um determinado papel, o artista cênico tem contato com o coti-
diano de um médico, advogado, vendedor ou esportista, por exemplo. 
Ou seja, ele acessa uma realidade muito diferente da dele.
De certa maneira, é exatamente o que acontece quando falamos 
em TI. Ao aperfeiçoar um sistema de informação, para uma empresa 
de comércio exterior, deve-se saber o dia a dia dessa empresa como 
um todo, como os seus funcionários trabalham, quais processos eles 
devem seguir, as legislações da área, entre outros. Caso contrário, não 
seria viável desenvolver um sistema robusto, a ponto de acompanhar 
seus funcionários por todo o processo.
Por ser um mercado imprescindível e atual em tantos segmentos, a 
empregabilidade desse nicho é uma das que mais chamam atenção no 
momento, com dezenas de vagas surgindo todos os dias. Segundo um 
estudo sobre abertura de vagas de emprego, realizado pelo IPEA, entre 
2009 e 2012, 49 mil oportunidades de trabalho surgiram para a área de 
TI. Fazendo um comparativo, a cada 100 vagas existentes nesse perío-
do, 18 delas se vinculavam a essa área, tornando-a absoluta recordista 
(RENNER, 2013).
Mercado de TI 89
Embora a automação seja a culpada pela redução de vagas de trabalho 
desde a Revolução Industrial, muitas vagas especializadas têm sido criadas 
em seu lugar. Segundo uma pesquisa feita pela Microsoft, mostrada no 
Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), 80% dos brasileiros que fo-
ram abordados creem que a tecnologia abre oportunidades de emprego. 
Ainda, para 72% dos que foram ouvidos no país, ela também ajuda a redu-
zir diferenças econômicas, enquanto 84% dos que participaram do estudo 
acreditam que a tecnologia pessoal ocasiona inovação aos negócios e à 
vida pessoal (BRASSCOM, 2014). Além disso, ao se falar em inovação e em-
preendedorismo, 82% das pessoas consultadas no Brasil acreditam que a 
tecnologia aumenta a chance de um negócio novo. 
A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação 
e Comunicação (Brasscom), por meio de um estudo recente, verificou 
que instituições de ensino necessitariam formar 70 mil alunos anual-
mente para evitar um “apagão técnico”.
Um maior incentivo para faculdades de tecnologia e aumento de 
políticas públicas estudantis é necessário para ampliar a demanda de 
profissionais na área de TIC – a situação veio à tona pela Brasscom.
Existem 845 mil vagas no setor de TIC no Brasil, sendo que 42,9% 
se encontram em São Paulo. A procura por novos profissionais, prevista 
entre 2019 e 2024, fica em 70 mil profissionais. Porém, somente 46 mil 
pessoas se formam por ano no ensino superior, com as características 
necessárias para atender ao que pedem essas vagas.
Cursos superiores de tecnologia x bacharelado
Uma das medidas criadas, com o objetivo de reverter esse deficit, 
são os cursos superiores de tecnologia. Trata-se de cursos de gradua-
ção, com duração que varia entre dois a três anos, que têm como prin-
cipal característica a especialização profissional de uma das inúmeras 
áreas de atuação pertencentes ao mercado de TI.
O Conselho Nacional de Educação (CNE) esclarece que o curso supe-
rior de tecnologia é, especificamente, um curso de graduação, com ca-
racterísticas próprias, concordando com o respectivo perfil profissional 
de conclusão. Prossegue, ainda, afirmando que a constante relação dos 
cursos de tecnologia com o ambiente produtivo e com a necessidade 
da sociedade coloca as pessoas em uma ótima perspectiva de atualiza-
ção continuada, renovação e reestruturação própria (FATECSP, 2014).
90 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Sendo assim, o bacharelado em tecnologia forma especialis-
tas, tendo seu foco em um dos vários segmentos da TI, e é por essa 
razão que a sua duração é menor, se comparado com os cursos 
superiores tradicionais.
O curso superior de bacharel, por outro lado, tem o objetivo de 
formar uma pessoa completa na área, em todos os segmentos da TI; 
logo, é por esse motivo que possui uma duração maior. Depois, o pro-
fissional tem a oportunidade de se especializar no segmento que pre-
ferir, podendo até mesmo trabalhar em posições que relacionem dois 
segmentos ou mais – vagas nas quais um tecnólogo teria mais dificul-
dade em preencher os requisitos.
Rankings de cargos na área de TI
De acordo, ainda, com a pesquisa feita pela Brasscom, profissões 
como analista de desenvolvimento de sistemas, analista de suporte 
computacional, analista de redes e comunicação de dados, administra-
dor de rede, administrador de sistemas, gerente de projetos em TI e 
administrador de banco de dados são as mais procuradas no Brasil na 
área de TI (BRASSCOM, 2014).
O mercado relacionado a profissionais de tecnologia continua em 
alta. A pandemia não afetou em nada esse nicho, que continua crescen-
do, não faltando vagas para profissionais especializados. Com a falta de 
mão de obra especializada dentro desse setor e as estimativas de 250 mil 
vagas não preenchidas, uma oportunidade de se destacar é aberta.
 Ao pessoal da área, fica o aviso de zelar pelas habilidades compor-
tamentais e de atuar, proativamente, em grupos de trabalho, tentando 
agregar maior valor para a função que exercem, bem como para a área, 
os negócios e a instituição; fora isso, ainda se manter atualizado quan-
to aos avanços tecnológicos, diz Fernando Mantovani (GUIA..., 2019), 
diretor-geral da Robert Half.
 • Características dos talentos de TI em 2020:
De acordo com a Robert Half (GUIA..., 2019), em 2020 as empre-
sas irão procurar talentos proativos e independentes. O profissional de 
TI atual anseia pela conexão com as mais atuais fontes de tecnologia, 
sendo motivado devido às metas do negócio, podendo recusar cargos, 
apesar do salário, caso se utilizem de linguagens antigas. 
Mercado de TI 91
A empresa salienta, em seu guia salarial anual, algumas competên-
cias que estão em alta, como: segundo idioma fluente, principalmente 
o inglês; rapidez e agilidade; bons resultados rapidamente; proativida-
de saber se comunicar; e capacidade de atualização rápida.
Salários em TI
Os indivíduos que trabalham com big data/analytics devem conti-
nuar a ter o salário mais alto na área de tecnologia. Já aqueles que têm 
menos experiência no patamar de especialista podem começar com 
um valor de R$ 13.100,00, podendo chegar a R$ 26.700,00. Além disso, 
analistas júnior iniciam com um salário, em média, de R$ 3.850,00, que 
também pode aumentar até R$ 7.850,00.
Com relação aos desenvolvedores, inicialmente o salário seria de 
R$ 3.100,00, podendo chegar a R$ 6.300,00. Já os desenvolvedores 
Full-Stack Sênior (aqueles que entendem de todo o caráter do desen-
volvimento) chegarão a ganhar R$ 16.500,00 em 2020.
Quadro 1
Salários dos cargos de TI
CARGO (JOB TITLE) 25º 50º 75º 95º
Desenvolvimento 
Development
Desenvolvedor Mobile Sênior
Senior Mobile Applications Developer
7.700 10.000 12.950 15.750
Desenvolvedor Mobile Pleno
Mobile Applications Developer
4.650 6.000 7.750 9.450
Desenvolvedor Mobile Júnior
Junior Mobile Applications Developer 
3.100 4.000 5.150 6.300
Desenvolvedor Front-End Sênior
Senior Front-End Web Developer
7.750 10.000 12.950 15.750
Desenvolvedor Front-End Pleno
Front-End Web Developer
4.650 6.000 7.750 9.450
Desenvolvedor Front-End Júnior
Junior Front-End Web Developer 
3.100 4.000 5.150 6.300
Desenvolvedor Full-Stack Sênior
Senior Full-Stack Developer
8.100 10.500 13.550 16.500
Desenvolvedor Full-Stack Pleno
Full-Stack Developer 
5.000 6.500 8.400 10.200
Desenvolvedor Full-Stack Júnior
Junior Full-Stack Developer
3.100 4.000 5.150 6.300
(Continua)
92 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Desenvolvi-
mento 
Development
Desenvolvedor Back-End Sênior
Senior Back-End Developer
7.750 10.000 12.950 15.720
Desenvolvedor Back-End Pleno
Back-End Developer
4.650 6.000 7.750 9.432
Desenvolvedor Back-End Júnior
Junior Back-End Developer
3.100 4.000 5.150 6.288
Dono de Produto
Product Owner (PO)
7.750 10.000 12.950 15.720Gerente de Produto
Product Manager (PM)
12.350 16.000 20.650 25.152
Scrum Master 7.750 10.000 12.950 15.720
Fonte: Guia..., 2019.
A seguir, detalhamos algumas dessas vagas, relacionando-as aos 
conhecimentos e competências necessárias para preenchê-las.
Analista de desenvolvimento de sistemas
Profissional responsável por desenvolver, implantar e manter apli-
cações informatizadas, seguindo a metodologia e as técnicas adequa-
das, com o objetivo de chegar aos objetivos estabelecidos pelo cliente.
Competências necessárias:
 • pensar e instalar bancos de dados para sistemas de informação;
 • entender os atributos dos sistemas de informação que operam 
no meio das instituições;
 • examinar, analisar, efetuar e fazer valer sistemas de informação 
para as instituições; 
 • construir algoritmos com exemplos de qualidade e executá-los 
em linguagens de programação;
 • entender os princípios da programação procedural e orientada 
a objetos;
 • moldar sistemas de informação, com a utilização de Unified 
Modeling Language (UML).
Administrador de banco de dados
Pessoa encarregada de comandar, configurar e monitorar um modo 
que gerencie banco de dados.
Mercado de TI 93
Competências necessárias:
 • saber operar a linguagem estruturada, isto é, Structure Query 
Language (SQL);
 • entender sobre estrutura de banco de dados em modelo 
entidade relacional (MER);
 • conhecer sobre arquitetura de computadores e como funcionam 
os sistemas operacionais;
 • dominar SGBDs, como Microsoft SQL Server, PostgreSQL, MySQL, 
Oracle database e DB2.
Administrador de rede
O profissional deve ser responsável por planejar e manter uma rede de 
computadores em funcionamento, atuando como gerente da rede local, 
assim como dos meios computacionais relacionados a essa infraestrutura.
Competências necessárias:
 • colocar e fazer a manutenção da rede local, bem como de todos 
os equipamentos relacionados a ela (roteadores, switches, má-
quinas gateway, firewalls e proxies);
 • ter profundo conhecimento em redes e sistemas operacionais;
 • guiar e/ou ajudar os administradores das sub-redes na instala-
ção/ampliação da sub-rede e manter funcionando a rede local;
 • controlar e supervisionar a atuação da rede local e de sub-redes, 
bem como do maquinário e dos sistemas operacionais instalados;
 • impulsionar a utilização de conexão segura entre as pessoas do 
seu domínio.
Programador de sistemas
Pessoa encarregada de escrever o software concebido pelo analista 
de desenvolvimento de sistemas.
Competências necessárias:
 • montar algoritmos com padrões de qualidade e implantá-los em 
linguagens de programação;
 • entender os fundamentos da programação procedural e guiada 
a objetos;
94 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
 • compreender arquiteturas de sistemas de informação, documen-
tados segundo a UML, assim como MER;
 • ter conhecimentos profundos em uma linguagem de programa-
ção como C, C++, C#, Java, entre outras;
 • possuir bons conhecimentos em SQL.
Programador de sistemas web
Pessoa capacitada para escrever o software concebido pelo analista 
de desenvolvimento de sistemas para a web.
Competências necessárias:
 • ser bom comunicador, orador e articulador político;
 • criar algoritmos com padrões de qualidade e instalá-los;
 • entender os fundamentos da programação procedural e orienta-
da a objetos;
 • compreender arquiteturas de sistemas de informação, documen-
tados segundo a UML, bem como MER;
 • ter conhecimentos profundos em uma linguagem de programa-
ção como C#, ASP.NET, ASP, PHP, Java, JSP, Python, entre outras;
 • possuir bons conhecimentos em SQL;
 • conhecer profundamente as tecnologias específicas para a internet, 
como HTML, CSS e JavaScript, e frameworks, como jQuery.
Gerente de projetos
Pessoa capacitada para planejar e supervisionar a execução de pro-
jetos, para que sejam entregues de acordo com o prazo, o tempo e as 
especificações estipulados.
Competências necessárias:
 • ter perfil de liderança;
 • ser negociador e saber resolver conflitos;
 • possuir profundos conhecimentos em boas práticas de gerencia-
mento de projeto (PMBOK);
 • conhecer metodologias ágeis e frameworks de gerência de 
projetos (scrum).
Mercado de TI 95
Tendências do mercado de TI
O meio profissional de tecnologia é, sem dúvida, o mais dinâmico 
que existe. Tecnologias que estavam no topo do mercado dez anos 
atrás (podemos citar, aqui, a linguagem de programação Delphi), hoje, 
são consideradas ultrapassadas e desatualizadas.
Quais são as tecnologias de ponta para daqui três a cinco anos? E 
daqui dez anos? Pesquisas sobre tendências podem ajudar a indicar 
para onde esse mercado está rumando.
De acordo com análises feitas pela Gartner Group (CEARLY, 2014), em 
fevereiro de 2014, estas são as dez tecnologias estratégicas que mais impac-
tarão a vida de pessoas, organizações e empresas de TI nos próximos anos:
Figura 1
QR Code
A Internet das Coisas
Fruto de um trabalho realizado no Massachusetts Institute of 
Technology (MIT), a Internet das Coisas se refere a objetos singular-
mente identificáveis e suas representações virtuais em uma estru-
tura na internet. Os objetos podem receber identificadores únicos 
por radiofrequência (RFID), e estes serão localizados por meio de 
um equipamento que expõe e recebe radiofrequência.
Hoje, o conceito de marcação das coisas expandiu e pode ser 
alcançado por tecnologias, como Near Field Communication, códi-
gos de barras, QR Codes (Figura 1) e marcas d’água digital. Já exis-
tem geladeiras inteligentes nos EUA com essa tecnologia, capazes 
de fazer seu inventário em tempo real, e, pela internet, efetuar a 
compra dos produtos que estão faltando. Previsões indicam que te-
remos 26 bilhões de objetos marcados e identificáveis por Internet 
das Coisas até 2020. Produtos e, sobretudo, serviços que usam essa 
tecnologia poderão exceder 300 bilhões de dólares no período.
Fonte: Beaver, 2013.
96 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Máquinas inteligentes
É preciso analisar atentamente a premissa, a ameaça 
e os efeitos das máquinas inteligentes sobre os padrões 
de trabalho (colaboração homem-máquina), as mu-
danças de pessoal e as oportunidades de negócios da 
empresa (Figura 2).
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 2
Máquina de produção em 
grande escala
Impressoras 3D
Impressoras 3D estão transformando organizações, 
indústrias e mercados.
Faz-se necessário, portanto, aprender como aplicar 
as tendências de impressão 3D e como essas mudarão o 
modo de fazer negócios (Figura 3).
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 3
Impressora 3D
A era do Cloud pessoal
A necessidade de mobilidade criou uma tendência de 
mercado importante: as informações do usuário preci-
sam estar disponíveis em qualquer dispositivo, seja seu 
computador, smart tv, smartphone ou tablets. Cada vez 
mais, serviços como Google Drive, Microsoft One Drive, 
Dropbox, Ubuntu One e iCloud se tornam essenciais aos 
seus usuários.
A importância do Cloud pessoal cresceu, e as em-
presas precisam se flexibilizar e responder com novas 
técnicas, ferramentas e políticas de segurança, gerando 
oportunidades de mercado àqueles que quiserem resol-
ver essas questões (Figura 4).
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 4
Cloud pessoal
Mercado de TI 97
Tudo é definido pelo software
A virtualização de servidores é uma tecnologia que 
estabeleceu o conceito de que tudo é definido pelo 
software. Refere-se a uma tecnologia mega moderna, 
já que as quatro tendências (sociais, móvel, Cloud e in-
formação em larga escala) impulsionam a demanda por 
uma infraestrutura programável, que automatiza o cen-
tro de dados e demanda uma hiperescala (Figura 5).
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 5
Virtualização de servidores
Diversidade de dispositivos 
móveis e seu gerenciamento
As pessoas que trabalham em TI devem aprender a lidar 
e garantir um grande número de possibilidades de acesso 
móvel de diferentes fabricantes e modelos (Figura 6).
Além disso, as empresas estão atentasaos wearable 
devices – dispositivos eletrônicos inteligentes, que são 
parte do vestuário de seu usuário.
Liderados por empresas como Google e Samsung, 
muitos fabricantes estão criando produtos como esses, 
aplicando-lhes conceitos, como o da Internet das Coisas.
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 6
Diversidade de dispositivos móveis
Aplicações para celulares
A criação de aplicações para celulares é tida como 
uma maneira de agregar valor ao consumidor, resultan-
do em fortalecimento da marca e, até mesmo, venda de 
produtos (Figura 7).
A tendência é que os e-commerces concentrados em 
websites migrem para aplicações para celular, criando 
uma experiência de compra mais valiosa e enriquecedora.
Fonte: Beaver, 2013.
Figura 7
Aplicações para celulares
98 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
TI eeb escalável
Figura 8
Infraestrutura em Cloud
Empresas que possuem uma infraestrutura em 
Cloud tão gigantesca como Google, Amazon, Rackspace, 
Netflix e Facebook, que lhes permite atingir níveis de 
resposta de requisição e qualidade tão distantes dos 
concorrentes, têm o que chamamos de infraestrutura de 
TI web escalável.
Seis elementos fazem parte dessa receita: data 
centers industriais; arquiteturas orientadas à web; ge-
renciamento programável; processos ágeis; organização 
colaborativa; e cultura de aprendizado (Figura 8).Fonte: Beaver, 2013.
Arquiteturas cliente e servidor em Cloud
Fonte: Beaver, 2013.
Cloud híbrido
Figura 9
Cloud híbrido
Considerado o renascimento da antiga arquitetu-
ra cliente-servidor, as grandes empresas estão cada 
vez mais focadas no seguinte modelo: utilizar os 
smartphones e tablets, cada dia mais poderosos e com 
melhor conectividade com a rede, como clientes de apli-
cações hospedadas em servidores, em um ambiente de 
Cloud Computing, criando experiências melhores e dife-
renciadas para seus usuários, bem como uma possibili-
dade de atualizações rápidas para as empresas.
As soluções que associam a infraestrutura própria da 
empresa com a infraestrutura de um serviço externo con-
tratado (Cloud pública, como a Amazon), combinando-as 
como uma única estrutura, são chamadas de Cloud híbri-
do. Essa tendência deve ser observada, pois profissionais 
e softwares de gerenciamento que saibam lidar com esse 
ambiente serão necessários (Figura 9).
Fonte: Beaver, 2013.
Mercado de TI 99
5.2 Tendências futuras 
Vídeo O profissional de TI deve priorizar o comportamento, a experiência 
e a privacidade das pessoas, a fim de capacitar clientes e colaborado-
res. Assim, precisa criar uma estratégia digital com prioridade, sendo 
independente de local que utilize a malha de segurança cibernética, 
com uma estrutura de nuvem distribuída, de modo a facilitar as opera-
ções em qualquer lugar.
Dessa forma, o profissional dessa área tem que se responsabilizar 
para que a organização gire rapidamente, com componentes modula-
res, ajustáveis e autônomos, que são sustentados pela engenharia de 
IA e Hiperautomação.
Mudanças na era digital são comuns, mas poucos poderiam ter pre-
visto as que 2020 trouxe. Como CIO e líder de TI, o profissional deve 
criar o futuro para sua organização nesses tempos sem procedência.
No âmbito da pandemia de Covid-19, foram notadas algumas coisas 
novas. As mais importantes tendências e propensões estratégicas da 
Gartner para 2021, selecionadas pelos potenciais transformadores, se 
enquadram em três temas, são eles: centralização nas pessoas, inde-
pendência de localização e entrega resiliente (PANETTA, 2021).
Nesse sentido, no momento em que colaboradores de uma indústria 
retornaram ao local de trabalho, após terem permanecido fechados du-
rante a quarentena, foram designados a verificar e determinar que todos 
os funcionários lavassem sempre as mãos. Dentro desse sistema, a visão 
computacional informa se os colaboradores cumpriam os protocolos, 
principalmente quanto ao uso de máscaras; além disso, havia um alerta 
para as pessoas sobre o não cumprimento dos protocolos de segurança. 
Somando tudo isso, essas informações comportamentais são recolhi-
das e estudadas pelas organizações, para que estas possam intervir em 
como as pessoas devem se comportar no meio corporativo atualmente.
A captação e utilização desses dados para orientar e observar com-
portamentos são denominados de Internet of Behavior (IoB). À medida 
que as empresas melhoram não somente a parcela de informações 
que obtêm, mas também o modo como combinam esses dados de di-
ferentes lugares, a IoB continua a intervir na forma como essas empre-
sas se relacionam com todos. Uma das nove tendências de tecnologia 
do Gartner é a IoB, com relação a como usar os dados para mudar com-
100 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
portamentos. Os desafios econômicos de 2020 e 2021 requerem um 
jogo de cintura organizacional para reescrever e compor o futuro, disse 
Brian Burke, vice-presidente de pesquisa, durante o virtual Gartner IT 
Symposium/Xpo 2020 (PANETTA, 2021).
 Logo, os fatos que compõem as novas tendências pós-Covid-19 são:
1. Foco nas pessoas: a pandemia pode ter modificado o quadro 
de funcionários das empresas, mas, mesmo assim, algumas 
pessoas permanecem com os negócios centralizados e precisam 
de processos digitalizados para atuar no ambiente de hoje.
2. Localização independente: a situação de Covid-19 alterou o quadro 
no qual as pessoas, como fornecedores, clientes e instituições, 
existem fisicamente. A independência de localidade modifica o 
cenário tecnológico que rege essa nova forma de negócios.
3. Entrega resiliente: em qualquer momento difícil de uma 
sociedade, como pandemias ou crises econômicas, a variabilidade 
se encontra em todo o mundo. Desse modo, as instituições 
têm que se atualizar para se adaptar; assim, sobreviverão a 
qualquer intempérie.
Nesse contexto, as tendências tecnológicas não ocorrem de manei-
ra independente, e sim interligadas, sendo reforçadas umas com as ou-
tras. Portanto, a inovação combinatória é uma questão que se estende 
a todas as tendências de TI.
 • Internet de comportamentos:
De acordo com o que foi demonstrado pelo exemplo do monito-
ramento de protocolo de Covid-19, a IoB também atua para modificar 
comportamentos. Por meio de novas tecnologias, podemos analisar 
o comportamento das pessoas, especialmente utilizando os ciclos de 
feedback. Podemos citar o exemplo de montadoras de veículos comer-
ciais e telemática, que pode monitorar comportamentos de direção, fre-
nagem repentina e curvas agressivas. As empresas podem utilizar esses 
dados a fim de aumentar a segurança e a performance de um motorista. 
A IoB se refere a questões éticas e sociais, que variam quanto aos 
propósitos e resultados dos usos individuais; além disso, consegue 
pesquisar, juntar e classificar informações de várias origens, inclusive as 
comerciais de clientela, os dados de pessoas processadas pelo âmbito 
Mercado de TI 101
público e pelos setores governamentais, as mídias sociais, além do uso 
de reconhecimento facial em domínio público e do rastreio de localida-
de. Sendo assim, a tecnologia, cada vez mais desenvolvida, facilita o pro-
cesso de dados e auxilia na evolução dessa tendência. 
Dessa forma, a IoB tem os mesmos dispositivos que os planos de 
saúde possuem para ter informações sobre atividades físicas realiza-
das ou não por usuários ou, ainda, para observar a compra de artigos 
de alimentação e de alimentos que não fazem bem à saúde. As leis de 
privacidade, que variam de acordo com a localidade indicada, terão um 
grande impacto na adoção e escala da IoB.
 • Experiência total:
A experiência total faz uma junção de vários tipos de experiências 
para modificar o resultado do negócio. O propósito é aperfeiçoar essa 
experiência total, que proporciona o cruzamento de várias coisas, ini-
ciando na tecnologia e chegando nos colaboradores, usuários e clientes.
Vincular todas essas experiências, em vez de melhorar individual-
mente cada uma, diferencia o seu negócio da concorrência eé uma ma-
neira custosa de copiar, trazendo um benefício competitivo saudável. 
Essa ação faz com que as organizações tirem proveito da nova situação, 
diante da atual pandemia, inclusive com relação a trabalho on-line e 
móvel, bem como a clientes virtuais e distribuídos.
Podemos exemplificar com uma empresa de telecomunicações, que 
fez da experiência do consumidor uma maneira de melhorar a seguran-
ça e garantir o bem-estar desse indivíduo. Inicialmente, foi implantado 
um sistema de escolha, por meio de um aplicativo já existente. A clien-
tela que iniciou a interação chegava para o compromisso e permanecia 
a mais ou menos 25 metros da loja. Eles ganhavam duas coisas: 1) um 
aviso de orientação no momento do processo de check-in; e 2) um in-
forme sobre o tempo que levaria para que entrassem na loja, com a 
maior segurança possível, de modo a promover o distanciamento.
A instituição também alinhou seu trabalho para a criação de mais 
quiosques digitais e fez com que os colaboradores utilizassem seus 
tablets particulares para co-navegar pelos dispositivos dos clientes, 
sem precisar encostar fisicamente no hardware. Tudo isso resultou em 
uma ação mais segura, que integrou clientes e colaboradores.
102 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
 • Nuvem distribuída:
Nuvem distribuída é a forma de se distribuir a possibilidade de uso 
de nuvem em diferentes locais, mantendo a supervisão de toda a ope-
ração ao provedor de nuvem pública.
Deixar que instituições ofereçam esse tipo de serviço fisicamente 
ajuda muito em algumas localidades, diminuindo gastos e custos de 
dados e havendo, ainda, uma acomodação das leis que regem os da-
dos de uma determinada região geográfica. No entanto, significa que 
as empresas continuam utilizando a nuvem pública, agindo, assim, em 
benefício próprio, de modo a não gerenciar sua nuvem particular, o 
que pode ter um custo alto. A nuvem distribuída é o futuro da nuvem.
 • Operações em qualquer lugar:
O modo de operar em qualquer lugar será essencial para as empre-
sas aparecerem e se superarem, ultrapassando o momento de Covid-19 
com sucesso. Em seu íntimo, esse modelo operacional proporciona que 
os negócios sejam acessados, executados e habilitados em qualquer lu-
gar que a clientela possa acessar e que empregadores e parceiros de 
negócios possam, em ambientes fisicamente remotos, operar.
A maneira que proporciona operar em vários lugares é a denomi-
nada digital primeiro, remoto primeiro, como em bancos que utilizam 
somente dispositivos móveis e, ao mesmo tempo, trabalham com um 
pouco de tudo, desde a transferência de fundos até a abertura de con-
tas, sem necessidade de presença física. 
O normal do dia a dia deve se tornar digital a todo momento. Isso 
não significa que o espaço físico suma e não exista mais, e sim que 
deva existir um aprimoramento digital. Podemos exemplificar com um 
checkout em uma loja física, que independe de seus meios físicos ou 
digitais, mas deve ser entregue perfeitamente.
 • Malha de segurança cibernética:
A malha de segurança cibernética é uma perspectiva arquitetônica, 
atribuída como domínio de segurança cibernética escalável, flexível e 
confiável. Muitas coisas acontecem longe do âmbito de segurança nor-
mal. Assim, a malha de segurança cibernética permite, essencialmen-
te, que o raio de segurança fique estabelecido ao redor da identidade 
de uma pessoa ou coisa. Dessa maneira, há uma forma mais modular 
de abordagem de segurança responsiva e centralizada e a organização 
Mercado de TI 103
de políticas distribuídas. Conforme a proteção do perímetro se torna 
menor e menos significativa, a conduta referente à segurança de um 
ecossistema fechado pode evoluir e melhorar, com relação às necessi-
dades modernas.
 • Negócio inteligente combinável:
Uma transação inteligente composta é aquela que tem como se 
ajustar e, principalmente, se organizar com base na atualidade. À me-
dida que as empresas se apressam a um plano de negócios digitais, 
o qual possa alavancar uma transformação digital com rapidez, elas 
necessitam ser ágeis e ter tomadas de decisões rápidas, baseadas nos 
dados atuais existentes. 
Para que tudo isso seja bem-sucedido, as empresas podem garantir 
uma forma mais aperfeiçoada de acessar às informações, aumentar as 
informações, de modo que a visão melhore, e aprimorar a condição de 
responder rapidamente às situações dessa visão. Dessa maneira, há 
mais autonomia e uma redistribuição mais democrática na empresa, 
garantindo que partes das organizações reajam rapidamente, em vez 
de permanecerem em situações ruins.
 • Engenharia de IA:
Uma tática forte de engenharia de IA contribui para um melhor de-
sempenho, uma forma de interpretar e a confiança dos modos de IA, 
enquanto oferece o valor total dos investimentos em IA. Os projetos 
de IA, normalmente, encontram adversidades de manutenção, escala-
bilidade e governança, o que faz com que o desafio seja grande nas 
empresas e instituições. 
O futuro da TI e a ética
Cada vez mais os profissionais de TI deverão trabalhar em prol da 
segurança de dados. A área de cyber security é muito promissora, pois, 
a cada dia, as pessoas têm seus dados vazados na internet.
Os entraves éticos devem ser considerados, tentando resolver e aju-
dar a vida das pessoas, e não ser um problema para elas. Além disso, a 
ética referente à tecnologia deve, constantemente, estar mais presente 
em todos os aspectos.
Nesse contexto, vamos citar alguns exemplos que se referem a dile-
mas éticos que poderão surgir no futuro.
104 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
 • Problemas éticos devem atrasar a 
divulgação de carro autômato:
Validar um carro sem motorista, que tem o intuito de salvar vidas 
de pedestres ou de beneficiar, com maior segurança, os passagei-
ros que nele estarão, é uma discussão que pode atrasar a chegada 
desses veículos, revela uma pesquisa publicada pela revista científica 
americana Science (BONNEFON; SHARIFF; RAHWAN, 2016).
Esse tipo de carro, que já está sendo testado há um bom tempo, não 
está livre de diversos dilemas morais, principalmente o modelo criado 
pelo Google. Os responsáveis por esses testes dizem que, se utilizado 
genericamente, esse tipo de veículo autônomo pode acabar com até 
90% dos acidentes de trânsito provocados pelos humanos.
Achar o caminho de fazer equipamentos eticamente autônomos tal-
vez seja o maior desafio relacionado à IA na atualidade, mostra o estu-
do. A pesquisa está baseada em questões fincadas em um pilar de seis 
enquetes realizadas pela internet, no período de junho a novembro de 
2015, com 1.928 pessoas nos EUA.
As verificações mostraram, por um aspecto, que o público é, normal-
mente, favorável aos carros autônomos que diminuem a quantidade de 
óbitos e de lesões em ocasiões de muito periculosidade. Isso significa 
que o programa de informação, que faz o veículo funcionar, teria a 
opção de “trombar” em um muro ou uma árvore, colocando os passa-
geiros em perigo, para não atropelar um grupo de pessoas transeun-
tes. Dessa maneira, 76% dos indivíduos indagados acreditam que essa 
situação é moralmente mais apropriada para esses automóveis, dentro 
de várias situações circunstanciais.
Essa pesquisa, por sua conta, mostrou a má vontade dos abordados 
no momento de adquirir carros autônomos programados para salva-
guardar os transeuntes em função dos passageiros. Ao serem ques-
tionados se era eticamente viável viajar com os familiares em um 
automóvel cujo programa de informação espera sacrificar os passa-
geiros do veículo, a fim de salvaguardar a segurança de um grupo de 
transeuntes, as respostas afirmativas caíram 1/3.
A grande maioria de pessoas abordadas se declarou abertamente 
hostil à questão de se ter uma normatização sobre veículos autômatos, 
que faça com que a programação preserve a segurança de transeuntes 
em vez da dos passageiros.
Mercado de TI 105
Apenas 1/3 dos indivíduos consultados disse que provavelmente 
compraria um carro desses, aocontrário de uma maioria, que simpati-
za com a opção de um carro autônomo que possa ter sua programação 
alinhada com seu desejo.
Várias pessoas consideram os carros como muito seguros, com 
um menor número de mortos e feridos, afirmou Iyad Rahwan, 
professor-adjunto do Massachusetts Institute of Technology (MIT), 
um dos coautores do estudo (BONNEFON; SHARIFF; RAHWAN, 2016). 
Da mesma forma, muitos desejam que seu próprio carro os proteja 
a todo custo; acrescenta-se que, consequentemente, isso gera um di-
lema social, por meio do qual é criado um panorama mais inseguro 
para todos, com cada um trabalhando conforme seu interesse pes-
soal. Esse é um dos fatos sobre o qual as instituições que fabricam 
carros e os governantes deveriam pensar e discutir, disseram os pes-
quisadores – entre eles, Jean-François Bonnefon, da School of Econo-
mics, em Toulouse.
A questão é mais filosófica do que técnica. Anterior ao processo de 
programar valores morais nas máquinas, podemos tentar entendê-los 
e fazer com que se tornem coerentes com as verdades e reflexões refe-
rentes aos pensamentos morais do século 21, escreveu Joshua Greene 
(2016), psicólogo da Universidade de Harvard, em Massachusetts, em 
um editorial que mostra o estudo na Science.
Azim Shariff, professor de psicologia da Universidade de Oregon e 
um dos coautores do trabalho, afirma que existem muitos benefícios 
ao se utilizar carros autômatos (BONNEFON; SHARIFF; RAHWAN, 2016).
Hoje em dia, os veículos automotivos não são práticos. Além do 
mais, são caros, situando-se muito longe do alcance de pessoas idosas 
e de pessoas com deficiência, além de serem desconfortáveis, com re-
lação ao tamanho, fazendo com que utilizemos enormes espaços urba-
nos para estacionarmos.
O pesquisador destaca, ainda, que os acidentes de automóvel nos 
EUA causaram mais de 40 mil mortos e 4,5 milhões de feridos graves 
em 2015, tendo um custo de quase um bilhão de dólares.
Portanto, isso é um bom exemplo da relação cada vez mais presen-
te entre ética e tecnologia. É preciso, então, sempre ter em mente se 
aquilo que eu quero é aquilo que eu devo ou aquilo que eu posso.
106 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
 • Código de Ética dos Profissionais de TI:
O Código de Ética é um documento que visa trazer à tona a visão, a 
missão e os valores da empresa. É a maneira de declarar, formalmente, 
a expectativa de uma organização. Ainda, tem como objetivo dar rumo 
às ações de seus funcionários e deixar claro o pensamento da empresa 
para os diferentes públicos com os quais trabalha e interage.
Sendo assim, é um documento feito para dar parâmetro ao com-
portamento das pessoas que atuam na empresa, tornando visíveis 
as responsabilidades de cada colaborador; porém, pode sofrer ações 
disciplinares, caso haja violação de algum de seus artigos.
Cada organização deve saber o que é necessário realizar ou o que 
espera de cada colaborador para atuar no mercado de maneira ética. 
Por essa razão, o Código de Ética deve ser construído pela própria em-
presa, a fim de que exponha o pensamento dela.
No Brasil, não existe um Código de Ética específico para os cola-
boradores de TI, havendo apenas um Projeto de Lei (de 27 de abril de 
2016) em trâmite no Congresso Nacional, que apoia a criação de um 
Conselho Nacional, responsável pela elaboração de um Código de Ética 
destinado a essa área.
Dessa forma, compete a cada organização desenvolver uma política 
interna que abranja o comportamento dos colaboradores e seja pauta-
da na sua visão, missão e valores, cabendo-lhe, também, a verificação 
do cumprimento dessas normas.
A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) fez um pequeno 
Código de Conduta, mais conhecido como Os Dez Mandamentos para 
Ética na informática, que pode ser consultado. Nele, fala-se sobre a 
responsabilidade social, devendo os profissionais de TI incluir os seto-
res da sociedade, ter continuidade de estudos para não comprometer 
a atualização e os avanços na profissão, ter ética quanto ao sigilo de 
informações etc. 
A ética em Black Mirror
Black Mirror é um seriado de ficção científica da televisão britâni-
ca, criado por Charlie Brooker, que mostra a influência impactante da 
tecnologia no cotidiano das pessoas, com foco principal nas redes so-
ciais. A série é pautada em temas sombrios e satíricos, que expõem a 
Mercado de TI 107
sociedade moderna, principalmente no que diz respeito às consequên-
cias nem sempre esperadas do uso das novas tecnologias. O fio con-
dutor de todos os episódios é o uso da informação que circula entre as 
pessoas, sobretudo por meio da internet.
Assim, todo capítulo apresenta uma história completa, com perso-
nagens diferentes, abordando algum aspecto da tecnologia moderna 
de maneira exagerada, nos levando a refletir sobre a forma como utili-
zamos computadores, celulares, tablets e outros dispositivos. Em cada 
um deles, deparamo-nos com atitudes desprezíveis do ser humano, 
que são evidenciadas pela tecnologia.
Há muitos aspectos interessantes na série, mas nosso foco é anali-
sar as várias questões éticas que aparecem ao longo dos episódios, por 
exemplo, o uso excessivo da tecnologia, como ela afeta nossas vidas e 
até que ponto somos dependentes dela.
Os enredos de cada episódio expõem o quanto a vida pode ser arti-
ficialmente formatada por meio das redes virtuais. A essência dos pro-
blemas exibidos nos faz refletir para onde nosso modo de vida pode 
nos levar no futuro. Dessa forma, Black Mirror traz a tecnologia como 
uma coisa que pode ser usada para o bem ou para o mal, visto que al-
gumas pessoas abusam desse instrumento e acabam terminando com 
resultados nada bons.
Já há algum tempo, estamos conectados 24 horas por dia, quase 
eliminando a barreira entre o real e o virtual. Temos um desejo des-
controlado de entretenimento, a necessidade de contar a todos tudo o 
que estamos sentindo e, também, uma grande curiosidade sobre a vida 
alheia. Esses comportamentos existem desde sempre, mas a tecnolo-
gia nos ajudou a extrapolá-los.
Além de tudo o que traz à tona, a série fala sobre como a tecnologia 
pode modificar a estrutura da sociedade em que vivemos, acreditando 
que as maiores reflexões são sobre o que o ser humano é capaz de 
fazer se tiver oportunidade. 
Logo, ficam os questionamentos: não perdemos o limite quando 
ficamos muito dependentes de algo? Será que enaltecemos tanto a 
tecnologia, a ponto de ela ser prejudicial para nós e para os outros? 
As máquinas corrompem o ser humano ou são os humanos que as 
utilizam para finalidades maléficas?
108 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Em seguida, trazemos algumas sugestões de episódios.
 • White bear (urso branco):
Uma moça desperta sem saber quem é ou onde está. Depois disso, 
pessoas estranhas começam a persegui-la para matá-la. Levada pelo 
instinto, ela corre e pede socorro, mas todos que ela encontra se recu-
sam a ajudá-la e começam a gravar a perseguição com o celular.
Logo no início, há uma reflexão: será que estamos deixando de olhar 
a vida com os nossos olhos, para enxergar o mundo pela tela do celular?
 • Fifteen million merits (quinze milhões de méritos):
Em um mundo alternativo, as pessoas participam de um programa 
de televisão, em que precisam pedalar o dia inteiro. As pedaladas ren-
dem uma moeda virtual, que eles podem utilizar para comprar comida, 
diversão e acessórios virtuais.
Esse episódio critica a cultura dos reality shows e mostra como dei-
xamos de viver a nossa vida para viver a de outra pessoa, que conhece-
mos apenas por meio de uma tela.
 • Nosedive (perdedor):
Atenção, contém spoiler.
O episódio mostra uma sátira notável à sociedade atual. O reflexo 
retratado é o da aceitação e exclusão social, que resulta em um mundo 
de aparências, sendo um retrato de como as pessoas se comportam 
nas redes sociais.
Dessa forma, o comportamento humano é de fato deturpado e su-
perficial em todas as redes que usamos. A impressão que passamos é, 
na maioria das vezes, distanteda realidade. Vivemos aprovando com-
portamentos nas redes sociais e esperando receber uma aprovação de 
volta, por meio de likes e comentários.
Criamos, com isso, um mundo irreal, impossível de competir com 
a vida real. Estamos constantemente manipulando a imagem que as 
pessoas têm de nós, mas devemos refletir sobre as implicações que 
esse comportamento pode ter.
Mercado de TI 109
Recentemente, Zilla van den Born, uma designer gráfica holandesa 
de 25 anos, queria provar que nem tudo o que vemos no Facebook é 
verdadeiro e que a realidade pode ser distorcida. Por 42 dias, ficou sozi-
nha em sua casa, montou cenários e usou as melhores ferramentas do 
Photoshop para criar imagens de férias no Sudeste da Ásia. Tudo ficou 
tão convincente que conseguiu enganar sua família e amigos, fazendo-os 
acreditar que ela tinha realmente viajado. Seu objetivo foi expor à socie-
dade e às pessoas que podemos manipular o que postamos. 
Assim, no contexto da série, são as opiniões das outras pessoas a 
nosso respeito que irão determinar se somos bem-sucedidos e felizes 
ou fracassados e excluídos da sociedade. Logo, é um seriado que vale 
a pena ser visto, principalmente para se fazer uma reflexão sobre o 
quanto a tecnologia pode ser benéfica e qual o limite para utilizá-la 
eticamente e positivamente.
No livro Empresa, mercado 
e tecnologia, há uma 
análise sobre o mercado 
de trabalho na área de TI, 
as posturas e as atitudes 
nas empresas e a análise 
dessas posturas.
FRAZÃO, A.; CARVALHO, A. G. P. de. 
São Paulo: Fórum, 2019. 
Livro
CONCLUSÃO
A área de TI é extremamente promissora e gera muitos empregos a 
cada dia. A era pós-Covid-19 será ainda mais favorável a esse ramo, e vá-
rias novas colocações aparecerão.
Além disso, a ética deve estar presente no dia a dia de todos e, princi-
palmente, na vida profissional das pessoas que atuam em TI. É fundamen-
tal que a tecnologia seja utilizada para o bem, ajudando as pessoas em 
todas as áreas, como na saúde, no agronegócio, na educação, enfim, em 
tudo o que for possível.
ATIVIDADES
Atividade 1
A TI está presente em quais áreas de atuação nas empresas?
Atividade 2
Quais são as características que as empresas estão procurando 
nos profissionais de TI?
110 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
REFERÊNCIAS
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BONNEFON, J-F.; SHARIFF, A.; RAHWAN, I. The social dilemma of autonomous vehicles. 
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US$ 100 bilhões. Brasscom, 2012.
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KOHN, S. Saiba quanto ganham os profissionais de TI pelo Brasil. Olhar Digital, 2013.
LEITE, L. M. Tecnólogo x bacharel: tecnológico ou bacharelado? 2021.
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SOUZA, L. Déficit de profissionais de TI: 408 mil em 2020. Baguete, 17 out. 2013. Disponível 
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http://www.baguete.com.br/noticias/25/07/2013/ipea-ti-e-de-longe-a-que-mais-abre-vagas
https://www.baguete.com.br/noticias/17/10/2013/deficit-de-profissionais-de-ti-408-mil-em-2020
https://www.baguete.com.br/noticias/17/10/2013/deficit-de-profissionais-de-ti-408-mil-em-2020
resoluçÃo das atividades 111
RESOLUÇÃO DAS ATIVIDADES 
1 Sustentabilidade
1. Sustentabilidade é um grande lema mundial atualmente. Com esse 
conceito, cite meios simples para adaptá-la no dia a dia atual. 
Opções simples, mas eficazes, para essa adaptação são: planejar as 
próprias compras para evitar desperdícios; prestar mais atenção no 
seu próprio lixo; e aderir à reciclagem. Além disso, podem ser feitas 
adaptações simples, com relação aos materiais usados para higiene e 
ao uso de descartáveis.
2. Quais maneiras de se obter energia são as mais viáveis para o 
planeta e como as pessoas podem utilizá-las?
São as fontes de energias renováveis, a saber: solar, eólica, hidrelétrica, 
geotérmica e maremotriz. Seus meios de uso podem ser, por exemplo:
 • Utilizar energia solar nas casas, por meio de um investimento 
em placas solares que transformam a energia captada do sol em 
energia elétrica.
 • Usar a energia eólica, que ocorre pela captação dos ventos. Isso 
é possível em regiões de ventos abundantes, como no Nordeste. 
Assim, é feita a construção de moinhos de vento, que transformam 
essa energia em energia elétrica, por meio de grandes turbinas.
 • Aproveitar a energia hidrelétrica, que é captada pelos grandes volu-
mes de água e, em seguida, transformada em energia elétrica. Essa 
é a maneira mais utilizada em nosso país para se obter energia.
2 TI sustentável e TI insustentável
1. Sabemos que a exposição ao lixo eletrônico causa sérios danos à 
nossa saúde devido aos elementos tóxicos contidos nele. Quais são 
os principais elementos, e os mais sérios danos causados por eles?
Os principais elementos tóxicos são o mercúrio, chumbo, cádmio e 
berílio. Além disso, como danos à saúde podemos citar os problemas 
motores e sensitivos, as alterações genéticas, os tremores e o câncer 
de pulmão e de próstata.
112 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
3 Diversidade e tecnologia
1. Explique como a falta de ética pode prejudicar as empresas hoje 
em dia.
A falta de ética pode prejudicar as empresas hoje em dia, pois pode 
resultar na falta de credibilidade e de bons clientes, além de na má 
reputação dada a empresa, prejudicando seus lucros.
4 Sociedade da informação
1. No final dos anos 1990, a experiência americana de Sociedade da 
Informação já estava consolidada. Faça um breve relato de como 
isso ocorreu.
O desenvolvimento do computador abriu uma nova era de gestão 
do conhecimento e desenvolvimento de inovações, a qual marca 
a década de 1920. Os projetos militares foram os principais 
fundamentos da indústria da computação nos anos 1940 e 1950, 
sendo os responsáveis pelo primeiro modelo de gestão de tecnologiano Paraná; Belo Monte, no Pará; São Luiz 
do Tapajós (Pará); Tucuruí, também no Pará; e Santo Antônio, em 
Rondônia. A geografia da Região Norte propicia um número maior 
de hidrelétricas, o que auxilia na melhora econômica da região. 
 • Energia eólica: gerada pelos ventos. Anteriormente, era utilizada 
nos tradicionais moinhos de vento, com aplicações em moagem de 
cereais e elevação de água (por meio de um mecanismo chamado 
parafuso de arquimedes). Nos dias atuais, está presente nos gerado-
res eólicos, moinhos modernos, cujas pás acionam uma turbina que 
tem como objetivo transformar essa energia em energia elétrica.
 • Energia solar: painéis que contêm células fotovoltaicas, trans-
formando a energia luminosa em elétrica, ou sistemas de capta-
ção do calor dos raios do sol, utilizando-os para aquecimento de 
água, por exemplo. 
Sustentabilidade 15
 • Energia geotérmica: refere-se ao calor interno do planeta Ter-
ra, que é aproveitado pelos furos, que podem variar de 100 me-
tros até quilômetros de profundidade. Pode ser utilizada para 
aquecimento de água. Em casos raríssimos, os furos, chamados 
de vapor seco, podem ser descobertos, sendo sua pressão o su-
ficiente para movimentar turbinas e, consequentemente, gerar 
eletricidade. 
 • Energia maremotriz: geração de energia pela utilização da mo-
vimentação das águas de oceanos, provocada pelas marés. Exis-
tem centrais elétricas capazes de aproveitar desigualdades de 
cinco metros entre as marés alta e baixa.
 • Energia gerada por meio do hidrogênio: pesquisada por vários 
países ao redor do mundo, é considerada a energia renovável do 
futuro, assim que os obstáculos – como a sua separação (não é 
encontrado puro na natureza), armazenamento (para uso veicu-
lar, por exemplo) e viabilidade econômica e energética – forem 
vencidos.
Já as fontes de energia não renováveis são aquelas criadas na forma-
ção do Sistema Solar ou que precisam de uma escala de tempo geológica 
para serem geradas, o que nos leva a concluir que ficarão indisponíveis 
quando todas as reservas forem esgotadas. Vejamos alguns exemplos:
 • Petróleo e seus derivados: mistura de hidrocarbonetos (molécu-
las de carbono e hidrogênio), que se originam na decomposição 
de material orgânico, principalmente o plâncton (são microscó-
picos e vivem nas águas), provocada pelas bactérias em lugares 
com pouco teor de oxigênio devido à ação de milhões de anos. 
Da destilação fracionada, temos subprodutos como: éter de pe-
tróleo, benzina, nafta, gasolina, querosene, óleo diesel, óleos, 
lubrificantes, asfalto, piche, coque, parafina, vaselina e GLP (gás 
liquefeito de petróleo, conhecido como gás de cozinha, dos tradi-
cionais botijões).
 • Carvão mineral: um misto de ingredientes orgânicos que se tor-
naram fósseis com o decorrer dos milhões de anos. Algumas va-
riações ocorrem de acordo com o tipo e o estágio dos elementos 
orgânicos, mostrando sua qualidade.
 • Gás natural: combustível fóssil encontrado em estruturas geoló-
gicas sedimentares, expostas a altas temperaturas e à influência 
do tempo. Sua aplicabilidade inclui maçaricos, motores a explo-
16 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
são e alto-fornos, ou seja, é muito útil na produção industrial. En-
tretanto, pode ser encontrado para uso doméstico em fogões e 
aquecimento de água, ou mesmo para uso veicular, como o Gás 
Natural Veicular (GNV), já que, quando queimado, produz uma 
grande quantidade de energia. 
 • Fissão nuclear: energia liberada pela fissão de átomos em um rea-
tor nuclear. Embora haja vários tipos de reatores, o mais comum é o 
PWR de átomos de urânio enriquecido (isótopo 235U), que se frag-
mentam em pedaços menores, e estes, por sua vez, atingem outros 
núcleos. Essa reação em cadeia aquece a água pressurizada que, 
por meio da troca de calor, transfere a energia, aquecendo o ar de 
um sistema secundário, o qual é responsável por ligar uma turbina, 
fazendo com que se transforme em energia elétrica. Então, essa fis-
são gera lixo radioativo, que precisa ser devidamente estocado.
Matriz energética no Brasil e no mundo
Do modelo estabelecido no século XIX, com o uso do carvão mineral 
como principal fonte de energia e a descoberta da destilação do pe-
tróleo em derivados, no século XX, resultou-se uma matriz energética 
mundial, extremamente dependente de recursos não renováveis e po-
luentes, que causam danos – como o efeito estufa – ao meio ambiente. 
O nosso planeta tem diversas opções de fontes de energia não re-
nováveis, em uma matriz energética formada, principalmente, por car-
vão, gás natural e petróleo, conforme apresenta a figura a seguir.
Petróleo e derivados
Gás natural
Carvão mineral
Outros
Biomassa
Nuclear
31,5%
22,8%
26,9%
2%
9,3%
4,9%
Hidráulica
2,5%
Figura 1
Matriz energética de fontes não renováveis
 
Fonte: Adaptada de EPE, 2021.
Sustentabilidade 17
As fontes renováveis correspondem a 13,8%, somadas à geração hi-
dráulica em 2,5%, contra 31,5% de petróleo e 26,9% de carvão mineral, 
representando bem mais da metade da matriz mundial.
Além de subprodutos poluentes que prejudicam o meio ambiente 
de diferentes maneiras, o fato de se fazer uso de fontes energéticas 
não renováveis traz um outro problema. Por possuírem reservas fini-
tas, sua escassez resultaria em uma crise energética sem precedentes, 
que colocaria em risco o principal fator da sustentabilidade: a própria 
sobrevivência do ser humano.
Logo, enquanto esforços em investimento e pesquisa têm sido fei-
tos ao redor do mundo, visando tornar a matriz energética majorita-
riamente renovável, o Brasil vem sendo observado por outras nações 
do mundo que têm interesses a esse respeito. Isso porque a matriz 
energética brasileira é diversa e quase predominantemente renovável.
Ações por um mundo mais sustentável
Muito pode ser feito com relação à sustentabilidade, em prol das ge-
rações atuais e futuras – algumas em nível nacional e outras, ainda, po-
dem vir de pequenas mudanças individuais. Entre estas, podemos citar:
 • É necessário frear a exploração econômica de pequenas e gran-
des florestas e áreas verdes.
 • A população deve mudar a forma de consumir alimentos e passar 
a ingerir mais produtos orgânicos, fazendo com que a produção 
daqueles sem agrotóxico aumente, de modo a acarretar maior 
preservação ao meio ambiente e, consequentemente, melhor 
qualidade de vida a todos.
 • A exploração de recursos não renováveis deve ser controlada e 
fiscalizada com maior rigor. Assim, carvão mineral, derivados do 
petróleo e gás natural devem ser cada vez menos utilizados.
 • As pessoas devem consumir produtos de maneira mais consciente, 
ou seja, adquirir aqueles que gastem menos. Os eletrodomésti-
cos, por exemplo, podem ser produzidos para gastar bem menos 
energia do que se gastava há dez anos atrás. Além disso, todos 
devem ficar de olho nos selos informativos dos produtos.
 • Fontes de energias renováveis, como a biomassa, devem ter o 
seu uso incentivado, desde que sua reposição seja garantida. 
18 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Dessa forma, o plantio deve ser refeito em florestas e matas para 
que haja a renovação.
 • A água deve ser utilizada com mais consciência, tendo o seu con-
sumo controlado. Nesse sentido, empresas, edifícios e casas po-
dem utilizar, cada vez mais, água de reuso, sem desperdício.
 • É preciso despoluir rios já contaminados e evitar a poluição desde 
sempre. Toda a população deve ter acesso ao saneamento básico 
e as crianças à educação, para que contribuam com a preservação.
 • Maiores investimentos em fontes de energia limpas e renováveis 
devem ser realizados, como na eólica, geotérmica e hidráulica, 
diminuindo, com isso, a emissão de carbono.
 • Deve-se incentivar atitudes pessoais e empresariais para a reci-
clagem de resíduos sólidos, pois é necessário diminuir o volume 
de lixo no solo.
 • É preciso conscientizar as pessoas para que reciclem ainda mais. 
Os condomínios de moradia estão aderindo cadada informação.
2. Qual é o papel das agendas na experiência europeia?
A experiência europeia reforça o papel das agendas como sendo 
fundamental para a Sociedade da Informação; assim, foi desenvolvida 
como uma reação ao modelo americano. Diferentemente desse 
último, focado nas empresas, os europeus reforçam a importância de 
uma organização pública e de políticas públicas a ela associada, que 
formulem a agenda de maneira fácil e acessível.
Já na década de 1970, mais precisamente em 1971, quatro 
supercomputadores localizados nas universidades americanas 
permitiam que cientistas trocassem informações, avançando 
no processo. Depois, os grandes laboratórios de pesquisas, ao 
disponibilizarem suas pesquisas e proporem parcerias com empresas 
e governos, consolidaram um ambiente de intercâmbio digital, 
fazendo com que a experiência americana se tornasse consolidada 
no final dos anos de 1990.
resoluçÃo das atividades 113
5 Mercado de TI
1. A TI está presente em quais áreas de atuação nas empresas?
A TI está em todas as áreas profissionais e dispõe de sistemas que 
suportam empreendimentos, os quais vão desde uma banca de 
jornal até uma mega indústria. Assim, há necessidades de todos os 
tamanhos, que precisam de sistemas que os suportem e controlem, 
bancos de dados armazenando informações de maneira rápida e 
segura e uma infraestrutura que distribua essas informações por 
diferentes meios e distâncias.
2. Quais são as características que as empresas estão procurando 
nos profissionais de TI?
De acordo com a Robert Half, em 2020, as empresas irão procurar 
talentos proativos e independentes. O profissional de TI atual anseia 
pela conexão com as mais atuais fontes de tecnologia.
CLA
U
D
IA
 CH
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CLAUDIA CHRIST
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A
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A
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 SU
STEN
TÁV
EL
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-65-5821-035-1
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 3 5 1
Código Logístico
I000168
	Página em branco
	Página em brancovez mais a lixei-
ras seletivas, o que é possível, também, em casas e escritórios.
 • Torna-se necessário desenvolver a gestão das empresas, com 
o objetivo de reduzir o desperdício de matéria-prima. Para isso, 
pode-se supervisionar a necessidade de uso de papéis e outros 
materiais de escritório.
 • Empresas e pessoas físicas devem saber o lugar adequado para o 
descarte de produtos eletrônicos, pilhas e óleo de cozinha.
 • Plásticos e embalagens devem, cada vez mais, ser substituídos 
por materiais biodegradáveis.
A busca pela sustentabilidade é uma das modificações do mundo 
corporativo dos últimos tempos. Porém, o consumidor dos anos 2000 é 
mais consciente e engajado a enxergar como as empresas estão traba-
lhando as questões ambientais. Podemos dizer, então, que o consumo 
e a aquisição de produtos estão totalmente ligados à impressão que as 
pessoas têm sobre como as instituições lidam com o meio ambiente e 
as suas futuras consequências negativas.
Assim, todas essas questões fizeram com que a gestão de negócios 
se modificasse. O perfil das gestões deve estar encaixado nos novos pa-
râmetros estratégicos, a fim de modificar o comportamento de colabo-
radores com relação ao uso da energia elétrica e do consumo de água. 
Sustentabilidade 19
Fora isso, há métodos que estimulam os profissionais a economiza-
rem papel, utilizando menos documentos impressos. Em uma escola, 
por exemplo, não há mais necessidade de se enviar comunicados im-
pressos para a casa dos alunos, sendo disponibilizados comunicados 
digitais, no portal on-line, para os pais acessarem a qualquer momento. 
Portanto, basta haver uma reeducação, uma mudança de hábito.
Além disso, nas empresas, os memorandos já não existem mais. 
Com isso, os e-mails e as redes sociais se transformaram em um meio 
de comunicação e informação. Ou seja, as instituições se tornaram 
agentes de modificações e inovações, incentivando novas práticas, que 
tornam a economia mais eco-friendly. 
Dessa forma, os negócios necessitaram de atitudes mais sustentáveis 
e a tecnologia precisou se adaptar a isso. Essa tendência de se tornar 
mais sustentável e preservar o meio ambiente é chamada de TI Verde, 
que é uma maneira diferente de se enxergar o ramo de TI e os aparatos 
tecnológicos. As empresas que estão investindo na TI Verde procuram 
buscar um ecossistema de trabalho mais disruptivo e econômico. Nesse 
sentido, campanhas são realizadas para que os colaboradores dimi-
nuam o gasto de energia e até aumentem os lucros com essa postura.
Entre as ações que abrangem esse procedimento e proporcionam a 
ponte da tecnologia com a sustentabilidade, podemos apontar várias inicia-
tivas, como adotar máquinas virtuais e servidores que reduzam o consumo 
de energia, trocar aparelhos e dispositivos antigos por mais novos, reciclar 
papéis e controlar, por meio de monitoramento, o nível de carbono emitido. 
Sendo assim, pequenos gestos e novas rotinas permitem que a TI e 
a sustentabilidade caminhem juntas. Além disso, a empresa que assu-
mir essa postura terá uma rotina mais inteligente e otimizada. 
No livro Sustentabilidade: 
o que é - o que não é, 
o autor faz uma crítica so-
bre a relação do homem 
com o desenvolvimento 
sustentável, iniciando no 
século XVI e chegando aos 
dias de hoje.
BOFF, L. São Paulo: Vozes, 2012. 
Livro
CONCLUSÃO 
Precisamos repensar a maneira como lidamos com o planeta, para 
que nossos filhos e netos possam desfrutá-lo da melhor forma possível. 
A energia eólica, que é gerada pelos ventos, anteriormente usada nos 
tradicionais moinhos de vento, deve ser mais utilizada, principalmente nas 
regiões de grandes ventos. Já a solar, com painéis contendo células foto-
voltaicas, que transformam energia luminosa em elétrica, deve ser uma 
opção mais viável e barata para ser cada vez mais aproveitada. 
20 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
As pessoas devem, então, mudar o mindset – e isso deve vir da base, ou 
seja, da educação familiar e da formal. Desse modo, os pais devem educar 
as crianças com maior respeito ao meio ambiente, e as escolas devem 
endossar isso, por meio de trabalhos e iniciativas sustentáveis.
ATIVIDADES
Atividade 1
Sustentabilidade é um grande lema mundial atualmente. Com 
esse conceito, cite meios simples para adaptá-la no dia a dia 
atual.
Atividade 2
Quais maneiras de se obter energia são as mais viáveis para o 
planeta e como as pessoas podem utilizá-las?
REFERÊNCIAS
EPE. Matriz energética e elétrica. 2021. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/
matriz-energetica-e-eletrica. Acesso em: 11 maio 2021. 
GOLDEMBERG, J. Energia e desenvolvimento sustentável. São Paulo: Blücher, 2010.
https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica
https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica
TI sustentável e TI insustentável 21
2
TI sustentável e TI insustentável
Ao final do estudo deste capítulo, você será capaz de:
 • compreender a necessidade de reuso e descarte sustentá-
vel, acarretando a economia do dinheiro público e a preser-
vação do meio ambiente;
 • entender a necessidade da diminuição do uso de papel nas 
empresas e perceber a importância da diminuição do lixo 
eletrônico.
Objetivos de aprendizagem
2.1 Reuso e descarte 
Vídeo O descarte de equipamentos eletrônicos e a era do consumo são 
itens que merecem atenção nos dias de hoje.
A questão de políticas públicas para o incentivo de boas ações são 
primordiais para que possamos chegar a um nível de educação am-
biental superior ao que vivemos atualmente.
Neste capítulo, veremos algumas iniciativas importantes para que a 
preservação do meio ambiente seja respeitada e colocada como prio-
ridade pelas pessoas que trabalham com TI e pela sociedade em geral.
Em dezembro de 2009, foi inaugurado o Centro de Descarte e Reuso 
de Resíduos de Informática (CEDIR), sediado na Cidade Universitária que 
possui um galpão de 200 m2, com acesso para que resíduos sejam carre-
gados e descarregados, além de um galpão para agrupamento, seleção e 
encaminhamento de resíduos. Em média, são recebidas dez toneladas de 
lixo eletrônico por mês. De acordo com as diretrizes de sustentabilidade de-
terminadas pela ONU, cumpre normas ambientais, sociais e econômicas.
22 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Concebido inicialmente para atender apenas a escolas, faculda-
des e institutos do campus da Universidade de São Paulo (USP), o 
CEDIR, hoje, recebe lixo eletrônico de pessoas físicas e jurídicas que se 
dispõem a realizar o descarte adequado. Embora o foco do projeto seja 
descartes nas áreas de informática e telecomunicações, nesses cinco 
anos de existência, já recebeu os mais diversos tipos de eletrônicos, 
como câmeras fotográficas, filmadoras (como um V8 em funcionamen-
to), videocassetes e, até mesmo, máquinas de escrever, formando um 
acervo digno de um museu.
Etapas do processo do CEDIR segundo o PO
O processo do CEDIR conta com algumas etapas de operação:
Coleta e triagem
O procedimento se inicia com a entrada de peças e utensílios 
de informática. O objetivo inicial é considerar se há alguma 
chance de aproveitamento e reaproveitamento. Se sim, há o 
encaminhamento para projetos sociais e comunidades, com 
a condição de que esse objeto volte para o CEDIR e tenha 
um destino sustentável. O material reciclável que não puder 
ser reaproveitado pelos projetos sociais é encaminhado para a 
fase de categorização.
Categorização
Nessa etapa, é feita a pesagem dos equipamentos. Eles também 
são desmontados, reservados e classificados por tipo de material. 
Os resíduos pertencentes ao mesmo grupo são pesados, 
desmontados e separados (plásticos, metais, placas eletrônicas, 
cabos etc.). Os materiais do mesmo tipo são compactados, tendo 
o volume diminuído, para ser facilmente reaproveitados em outro 
ambiente e para diminuir o valor do transporte.
Reciclagem
Depois da categorização, os materiais são guardados até serem 
recolhidos por instituições de reciclagem.Essas instituições ou 
empresas são todas credenciadas pela USP e, geralmente, são 
especializadas em plástico, metais ou vidros.
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 G
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ph
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hu
tte
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Esse importante trabalho, além de oferecer uma grande economia 
para a Cidade Universitária, ajuda escolas públicas na cidade de São 
Paulo e no interior, e participa de projetos de inclusão social indígena, 
com seus empréstimos de equipamentos.
TI sustentável e TI insustentável 23
2.2 Nova mentalidade sustentável 
Vídeo A computação em nuvem (em inglês, Cloud Computing) é o conceito 
de se utilizar computação em grid (diversos computadores interligados, 
formando um ambiente único), fracionando esse poderoso ambiente 
computacional em diversas instâncias de máquinas virtuais (graças ao 
recurso da virtualização). Dessa maneira, tem-se um ambiente extre-
mamente escalonável, pois essas porções podem ser facilmente au-
mentadas ou diminuídas.
Além disso, a forma de cobrar o cliente mudou: agora é cobrado pelo 
seu consumo, como tempo de processamento, transferência de dados, 
entre outros, e não mais por um valor fixo por mês. Essa mudança de 
paradigma traz, além de benefícios na escalabilidade e, em alguns ca-
sos, no bolso das empresas, resultados positivos na sustentabilidade.
No modelo anterior, os servidores dedicados (e, em muitos casos, 
superestimados) apresentavam períodos de baixo processamento ou, 
até mesmo, ociosidade de alguns periféricos, o que ocasiona desper-
dício energético. Estudos da consultoria Accenture (2020) apontam 
que datacenters com grids inteligentes, aliados ao conceito de Cloud 
Computing, podem chegar a reduzir emissões de carbono em cerca de 
59 milhões de toneladas ao ano, o que seria como tirar o equivalente a 
22 milhões de automóveis das ruas.
Segundo estudos atuais da Microsoft, há uma grande empolga-
ção com relação aos resultados de serviços da Nuvem Microsoft, 
sendo mais eficaz com a questão energética e podendo ser também 
mais eficiente com relação à emissão de carbono, se comparada aos 
datacenters tradicionais.
Para entender melhor, caso apenas 20% de todo o mercado nos Es-
tados Unidos da América (EUA) fossem transferidos para essa nuvem, o 
resultado iria equivaler à redução das emissões de carbono em cidades 
como Seattle, em Washington (EUA), e Turim, na Itália. No cenário geral, 
inclusive se comparados com datacenters high end, a nuvem possibilita 
enormes benefícios, no que se refere à eficiência energética e diminui-
ção da taxa de emissão de CO2.
24 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Além disso, a Microsoft já anunciou um plano contando que a meta 
até 2030 é ser negativa em carbono, e que até 2050 todo o carbono 
emitido pela empresa, direta ou indiretamente, desde sua fundação 
em 1975, será retirado do ambiente.
Netflix: mudanças culturais que preservam a natureza
A Netflix é uma das líderes de mercado em streaming de conteúdo, 
como filmes e séries pela internet. A empresa começou com o seguinte 
modelo: locadora de vídeos com envio de DVDs pelo correio. A nova 
abordagem impactou culturalmente os americanos, que deixaram de 
se deslocar até as videolocadoras físicas em busca de entretenimento.
Em 2008, estudiosos já apontavam o novo modelo de aluguel como 
um amigo do meio ambiente. Se os associados da Netflix tivessem que 
se deslocar para realizar seus aluguéis de vídeos, consumiriam mais 
de 3 milhões de litros de gasolina, despejando mais de 2,2 milhões de 
toneladas de dióxido de carbono na atmosfera (WIRED..., 2008).
Já nessa época, a empresa começava a oferecer um novo modelo: 
distribuição de conteúdo pela internet, por meio de streaming. Com o 
intuito de se tornar global, a plataforma precisava de escalabilidade e, 
por essa razão, migrou para a líder de soluções em nuvem: a Amazon 
Web Services (AWS).
Para manter o alto nível de serviço, novas instâncias de servidores 
são ligadas para atender à demanda nos horários de pico e são desli-
gadas, automaticamente, nos chamados horários de vale, ao redor do 
mundo. Esse modelo propiciou uma economia de 87% nos custos, se 
comparados aos antigos datacenters da empresa, possibilitando a ela 
praticar um preço final extremamente competitivo.
Embora não tenham sido divulgados números a esse respeito, é se-
guro afirmar que boa parte da economia mencionada se traduz em 
economia energética, já que a solução da AWS utiliza Cloud Computing.
Um estudo afirma que o processo de negócio no modelo de 
streaming de vídeo emite 50% menos carbono que o anterior, que era 
o de envio de DVDs (WANG et al., 2014). Esse caso prova que os mo-
delos de negócio podem ser inovadores, impactando culturalmente as 
pessoas em âmbito mundial, sem, no entanto, representar um impacto 
ainda maior no meio ambiente.
TI sustentável e TI insustentável 25
Porém, é claro que o uso de streamings não anula a emissão de CO2 
no ambiente. Dessa forma, a energia consumida no uso de computado-
res, celulares e tablets ainda é um problema.
Diário da Justiça Eletrônico: poupando o 
dinheiro público e o meio ambiente
Com a possibilidade da digitação de documentos e a distribuição 
de informações pela internet, a tecnologia da informação (TI) evita a 
transmissão de informações pelo meio tradicional, ou seja, o físico.
O Diário da Justiça é um instrumento de comunicação, publicação e 
divulgação oficial dos atos processuais e administrativos, gerados e dis-
tribuídos pelo Poder Judiciário. No caso específico do Poder Judiciário 
de São Paulo (PJ-SP), composto por 272 comarcas, 45 foros distritais e 
13 foros regionais e respondendo por cerca de 49% do movimento judi-
ciário nacional, seu Diário da Justiça possui cinco cadernos, totalizando 
cerca de 10 mil páginas.
Nesse sentido, graças à Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006, 
os tribunais foram autorizados a criar o Diário da Justiça Eletrônico, to-
talmente gerado em meio digital e distribuído pela internet. Com a digi-
tação do Diário da Justiça, o PJ-SP apresenta alguns ganhos.
Home office como alternativa sustentável
O avanço tecnológico das últimas décadas, no que diz respeito 
às ferramentas de trabalho e comunicação, possibilitou uma nova 
modalidade de trabalho: o home office – ou seja, o trabalho remoto, 
realizado em casa.
O home office traz uma série de benefícios à sociedade moderna, 
que enfrenta transtornos de mobilidade urbana nas grandes cidades. 
Existe, também, uma preocupação com a segurança e baixa qualida-
de dos transportes públicos e, nesse sentido, o trabalho em casa pro-
porciona a diminuição do uso desse tipo de transporte. Dessa forma, 
a emissão de gases poluentes e os danos ao meio ambiente são di-
minuídos, sem contar o aumento de qualidade de vida das pessoas. 
Uma empresa que permite e incentiva essa prática de trabalho passa 
uma imagem de modernização, sustentabilidade e preocupação com o 
bem-estar de seus funcionários.
26 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Se, por um lado, a modalidade traz redução de custos para a em-
presa, bem como economia em energia elétrica, espaço físico, insumos 
etc., por outro lado, presume-se que pode elevar a conta elétrica resi-
dencial do funcionário em até 30%. Essa possibilidade, no entanto, não 
cabe a todos os tipos de profissionais, sendo adequada, por exemplo, 
para analistas especializados em internet e computadores.
Primeiramente, é preciso ter disciplina e concentração, para evitar 
as tentações que o aconchego do lar proporciona, ou, ao contrário, 
para não trabalhar mais tempo que o necessário, prejudicando a ima-
gem do lar como seu porto seguro. Também se faz necessário avaliar 
o perfil do profissional e a sua capacidade de trabalhar de modo iso-
lado, longe de desafios e dos prazeres do convívio com outros pro-
fissionais. Nesse aspecto, separar um cômodo na casa como local de 
trabalho é essencial.
Desse modo, o home office já se provou uma alternativa viável e 
uma tendência, em alguns ramos de mercado, para um futuro próspe-
ro e sustentável.Ensino a distância: conhecimento em direção ao aluno
O avanço tecnológico proporciona avanços educacionais. Se, no 
passado, o aluno era obrigado a se deslocar até uma sala de aula, em 
uma data e horário marcados, essa necessidade não existe para quem 
quer realmente aprender.
De acordo com a regulamentação do ensino a distância (EAD) no 
Brasil, faculdades, universidades, centros universitários e aqueles que 
pretendem proporcionar cursos de graduação devem se credenciar no 
Ministério da Educação (MEC). Depois de serem credenciados, conse-
guem a autorização para iniciar com os cursos que desejarem. 
Em seguida, o procedimento vai para a fase de análise na Secre-
taria de Educação Superior (SESU). Com isso, o curso é analisado por 
um grupo de especialistas da área e por especialistas em EAD. Na fase 
seguinte, o projeto é levado ao Conselho Nacional de Educação (CNE), 
para que finalmente seja validado. 
Em 2017, o Decreto n. 9.057 foi ajustado para aumentar a oferta de 
graduações EAD, além de:
https://www.cnedu.pt/pt/
http://portal.mec.gov.br/busca-geral/212-noticias/educacao-superior-1690610854/49321-mec-atualiza-legislacao-que-regulamenta-educacao-a-distancia-no-pais
TI sustentável e TI insustentável 27
 • aprimorar a capacidade do exercício de regulamentação do MEC 
na área;
 • melhorar os procedimentos;
 • facilitar os processos;
 • diminuir o período de estudo dos processos.
A melhoria do decreto possibilitou o início dos polos EAD, os quais 
representam novos caminhos para melhorar o Ambiente Virtual de 
Aprendizagem (AVA) e enriquecer o alicerce da educação a distância. 
Assim, essa modalidade de ensino traz diversas vantagens:
 • respeita o tempo em que ocorre a aprendizagem para cada aluno;
 • possibilita ao aluno estudar no horário que julgar mais viável;
 • leva o conhecimento a todos os pontos do mundo, sem distinção 
ou viabilidade financeira a ser considerada;
 • elimina a necessidade de deslocamento das pessoas, uma vez 
que elas estudam onde estiverem.
Logo, o EAD provê maior qualidade de vida aos seres humanos e, pela 
eliminação logística, poupa o meio ambiente, devido à redução da poluição.
2.3 Lixo eletrônico 
Vídeo A impressora é um periférico de saída em um sistema informatiza-
do, possibilitando a impressão de textos, gráficos ou qualquer outro 
resultado de uma aplicação. O computador não seria um substituto à 
altura das antigas máquinas de escrever sem ela.
Quando o microcomputador foi integrado à comunicação telefôni-
ca (por meio dos antigos modems), outra tecnologia foi enterrada: a 
máquina de fax. Essa grande praticidade, aliada à proliferação da im-
pressora de pequeno porte, gerou, no entanto, um problema: o cresci-
mento no consumo de papel nas empresas.
Segundo Ribeiro (apud BREMBATTI, 2012), especialista em gestão de 
processos, embora não haja um aprofundamento referente à forma de 
consumo de papel nas empresas no Brasil, pode-se afirmar que a falta 
de hábito de utilizar práticas inovadoras no dia a dia de trabalho gera 
desperdício. Estima-se que 45% dos documentos digitais acabam sen-
https://blog.eadplataforma.com/setor-ead/como-tornar-polo-ead/
https://blog.eadplataforma.com/setor-ead/o-que-e-ava/
https://blog.eadplataforma.com/setor-ead/o-que-e-ava/
https://blog.eadplataforma.com/empreendedor-ead/educacao-a-distancia-proprio-negocio/
28 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
do impressos, pois muitos funcionários preferem o concreto, ou seja, 
precisam pegar na mão para crer.
Ribeiro (apud BREMBATTI, 2012) enfatiza que o que emperra o 
processo de redução de uso de papel é o não conhecimento de no-
vas tecnologias. Em tempos remotos, o grande volume de impressos 
era justificado. As antigas telas CRT de monitores monocromáticos, ou 
mesmo as suas primeiras versões coloridas, tinham baixíssimas resolu-
ções, o que dificultava a leitura. Além disso, os notebooks não eram tão 
abundantes e as taxas de transmissão da internet eram baixas, logo a 
informação não era tão portável assim.
Atualmente, contamos com o Cloud pessoal. Serviços como 
Dropbox, Google Drive, OneDrive e iCloud tornam a informação dispo-
nível em qualquer lugar. Ainda, os dispositivos para leitura são os mais 
variados: microcomputadores, notebooks, tablets, smartphones ou 
leitores de e-book. Assim, as justificativas para imprimir informações 
digitais diminuem dia após dia.
Sabe-se que para produzir mil quilos de papel, são necessárias, em 
média, 11 árvores, além de vários produtos químicos. A reciclagem de 
papel no Brasil é realizada em apenas 37% do papel produzido. São uti-
lizados, também, 540 mil litros de água na confecção desses mil quilos 
de papel, fora o gasto com combustíveis, para transportar o produto.
Anualmente, 43 quilos de papel por pessoa, em média, são con-
sumidos no Brasil. Isso é praticamente uma árvore por habitante. Em 
comparação, nos EUA, são consumidos, por ano, aproximadamente 
290 quilos de papel por americano.
Empresas tradicionais tendem a pensar que as informações só es-
tão realmente seguras em arquivos de papel. Trata-se de um mito, pois, 
na verdade, assegurar informações digitais é um procedimento mais 
simples do que pelo meio físico. Isso porque, enquanto os sistemas de 
senha restringem o acesso à informação, impedindo acessos indeseja-
dos, e as estratégias de backups garantem a segurança da informação, 
os papéis estão sujeitos a incêndios e alagamentos.
A falta de conhecimento, que resulta na desconfiança do meio di-
gital, e o conformismo são os grandes culpados por um ambiente pro-
fissional menos sustentável. Entretanto, os obstáculos estão sendo, aos 
poucos, superados, e as gestões já começam a procurar especialistas 
para realizar medidas ecologicamente responsáveis.
TI sustentável e TI insustentável 29
Os órgãos públicos também se conscientizaram disso e estão na 
dianteira nesse processo de informatização. De acordo com Ribeiro 
(apud BREMBATTI, 2012), isso pode ser observado pela mudança das 
declarações do Imposto de Renda (IR), que trocou o formulário físico 
pelo digital. As notas fiscais e os processos judiciais passaram, da mes-
ma forma, a ser eletrônicos. 
Se a bandeira da sustentabilidade não for razão o bastante para 
justificar uma mudança radical nos processos da empresa, talvez a re-
dução de custos seja.
Algumas empresas, como a Amil, operadora de planos de saúde, 
mudou seu sistema de automação e de armazenamento digital e dimi-
nuiu o desperdício de papel, deixando de gastar mais de 6 milhões de 
reais em folhas de sulfite. Foram quase 73 milhões de papéis sulfite A4 
a menos, se comparado aos anos anteriores.
2.3.1 Responsabilidade das empresas 
e dos consumidores
Vamos fazer uma análise, pensando em uma suposta loja de depar-
tamento fictícia, sendo essa uma empresa que se comprometa com 
práticas sustentáveis.
Isso significa que essa loja irá obter alimentos, roupas, eletrônicos e 
outros produtos de fontes éticas. Além disso, não fará uso de mão de 
obra barata da China ou de Bangladesh, onde os indivíduos são obri-
gados a trabalhar por salários baixíssimos e em péssimas condições.
Essa empresa também deve se certificar de que as práticas am-
bientais estão em conformidade com os regulamentos. Por exemplo, 
precisa averiguar que não há despejo ilegal de produtos químicos em 
qualquer lago próximo, feito com o intuito de economizar dinheiro no 
descarte. Porém, se práticas insustentáveis forem encontradas na ca-
deia de abastecimento, ela deve fazer um plano para eliminar os pro-
dutos problemáticos e encontrar uma fonte de vida sustentável.
Deve haver, também, um dever para com suas partes interessadas e 
investidores, com relação a ser totalmente transparente com quais for-
necedores estão usando e para onde o seu dinheiro está indo, a fim de 
garantir que eles sejam responsabilizados e estejam realmente tentando 
ser mais sustentáveis.
30 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
É importante lembrar que a mudança leva tempo e, mesmoquando 
uma grande empresa anuncia que está fazendo mudanças em direção 
à sustentabilidade, ainda levará anos para que progrida e se torne to-
talmente sustentável.
Mas o que não é sustentável? Insustentável se refere a qualquer 
coisa que não possa e não deva continuar no ritmo atual. Esse termo 
se aplica a três itens: 
1. lucros (econômicos);
2. planeta (ambiental);
3. pessoas (social).
Um exemplo de insustentabilidade seria se a empresa em questão 
continuasse sua prática de terceirização de países que exercem mão de 
obra barata, com péssimas condições de trabalho e total desprezo pelo 
planeta e pelo meio ambiente.
O único elemento dos três itens citados acima que não seria afeta-
do de modo negativo imediatamente seria o lucro para a empresa. No 
entanto, com o tempo, quando os consumidores e defensores perce-
bessem o que está acontecendo – notando que os fornecedores estavam 
prejudicando o planeta, ao despejar seus resíduos em mares ou lagos, 
além de tratarem muito mal os funcionários, pagando-lhes mal e fazen-
do-os trabalhar em prédios inseguros –, eles iriam parar de comprar os 
produtos que essa empresa oferece, até que essa situação mudasse.
Com isso, a situação financeira dessa empresa seria afetada e ela 
seria obrigada a apresentar práticas mais transparentes e sustentáveis, 
recuperando a confiança dos consumidores.
Portanto, é dessa forma que as coisas devem acontecer em nossa 
sociedade, assim como já ocorrem em muitos outros países que se 
preocupam com a sustentabilidade há muito mais tempo.
Para que haja uma assimilação maior, vamos citar novamente al-
guns materiais sustentáveis: 
 • Bambu: cresce rapidamente e pode ser utilizado de várias formas.
 • Cortiça: deve ser utilizada da maneira correta, pois as árvores só 
podem ser cortadas de nove em nove anos. Aqui, no Brasil, por 
exemplo, quase não encontramos mais a casca do sobreiro, mas, 
em Portugal, há em abundância. Ela é facilmente reciclável, reuti-
lizável e, ainda, é biodegradável.
TI sustentável e TI insustentável 31
 • Madeira e aço reaproveitados: a prática de reciclar madeira 
e aço é sustentável, mesmo que a colheita original não seja. O 
reaproveitamento desses materiais os mantém fora dos aterros 
sanitários, sendo muito melhor ao meio ambiente do que usar 
materiais novos.
Sendo assim, esses materiais podem substituir o plástico, o isopor 
e vários outros produtos poluentes, que degradam o meio ambiente.
A era do lixo eletrônico
A informatização pode trazer inúmeros benefícios, mas também co-
bra um alto preço. De toda a quantidade de lixo gerado no mundo, o 
eletrônico é o que cresce mais rápido atualmente. Com base no mais 
recente estudo da United Nations University (UNU), no mundo todo, 
53 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas por ano, sendo 
formadas por diversos aparelhos, desde celulares a geladeiras ou, até 
mesmo, células fotovoltaicas. 
Além do altíssimo volume, o lixo eletrônico possui um agravante: 
não deve ter o descarte como lixo comum. Isso porque equipamentos 
eletrônicos contêm mais de 60 elementos diferentes, alguns valiosos 
(como ouro, prata e paládio) e outros tóxicos, os quais podem causar 
danos às pessoas.
Conforme diz a especialista em gestão ambiental do CEDIR, Neuci 
Bicov (apud BUZZO, 2012), qualquer produto que possua bateria, placa 
eletrônica ou fio dispõe de algum tipo de material contaminante. No 
caso dos computadores, os principais elementos tóxicos contidos são:
 • Mercúrio: provoca deteriorações ao sistema nervoso, problemas 
motores e sensitivos, demência e até tremores.
 • Chumbo: causa alterações genéticas, câncer e problemas ao sis-
tema nervoso, à medula óssea e aos rins.
 • Cádmio: pode originar câncer de pulmão e de próstata, 
osteoporose e anemia.
 • Berílio: ocasiona câncer de pulmão.
Ainda pior, a contaminação é acumulativa, ou seja, quanto maiores 
a quantidade e o tempo de exposição, maior o mal à saúde.
Um estudo feito por um pesquisador da Escola de Yale, do Centro 
de Ecologia Industrial do Meio Ambiente, verificou que a massa da to-
32 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
talidade de lixo eletrônico que os americanos geram está decrescendo 
desde 2015. Nos dias de hoje, em que a maioria das pessoas não pode 
imaginar viver sem os artefatos digitais, essa realidade é surpreenden-
te, trazendo uma reflexão na forma como pensamos tanto sobre o fu-
turo desse lixo quanto as leis que regulamentam a reciclagem de lixo 
eletrônico, segundo o autor (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021).
O grande motivo para essa diminuição é o fim das grandes e volu-
mosas televisões de tubos e de alguns tipos de monitores de computa-
dor das casas americanas, diz Callie Babbitt, professora do Rochester 
Institute of Technology. Desde 2011, os monitores CRT estão desapare-
cendo, auxiliando na liderança do declínio geral na massa total do lixo 
eletrônico (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021).
Esse declínio em telas mais volumosas significa que os regulamentos 
de lixo eletrônico devem ser repensados, afirma Babbitt. Segundo a auto-
ra, se olharmos as leis estaduais existentes em vários lugares para a reci-
clagem do lixo eletrônico, perceberemos que algumas determinam seus 
objetivos com base na massa de produto (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021).
Após o momento em que a massa geral de lixo eletrônico se torna 
escassa, chegar a essas metas se torna mais difícil. Fora isso, o maior 
objetivo dessas leis era continuar mantendo os eletrônicos com altos 
níveis de chumbo e mercúrio longe de aterros sanitários, que é onde 
eles podem, eventualmente, contaminar o meio ambiente.
Atualmente, uma precaução existente é como reaver elementos como 
cobalto (usado em baterias de íon ou lítio) ou índio (encontrado em telas 
planas). Esses elementos não são tão nocivos ao meio ambiente, mas es-
tão um pouco escassos no planeta; sendo assim, deixar de reavê-los para 
reutilização em novos aparelhos eletrônicos se torna um desperdício.
A forma de se reciclar lixo eletrônico é um tanto ultrapassada, diz 
Babbitt, que vem lutando para ficar alinhada com a constante mudança na 
área da eletrônica (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021). Shahana Althaf, autora 
principal do estudo e associada de pós-doutorado no Centro de Ecologia 
Industrial de Yale, diz que uma modificação no modo de reciclar esse tipo 
de lixo, para capturar mais esses elementos críticos, pode também ajudar 
os EUA a confirmar a distribuição dos ingredientes imprescindíveis para se 
fabricar dispositivos eletrônicos (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021).
TI sustentável e TI insustentável 33
As instabilidades geopolíticas representam ameaças ao que Althaf 
denomina de segurança mineral para os EUA. Assim, a autora afirma que 
a população está percebendo, aos poucos, a necessidade de se manter o 
fornecimento doméstico (ALTHAF; BABBITT; CHEN, 2021).
Medidas de combate ao lixo eletrônico
Algumas medidas devem ser colocadas em ação, para que haja uma 
diminuição de danos, por exemplo: não substituir o equipamento de 
maneira desnecessária, utilizando-o até o final de sua vida útil e, em 
caso de avaria, considerar a possibilidade de consertá-lo.
Quando falamos em computadores, algumas pessoas decidem 
substituí-los por modelos mais novos e velozes, por considerarem seu 
equipamento atual lento demais. É importante ressaltar que depen-
dendo do uso que essa pessoa faz de seu computador, trocá-lo por 
um modelo com um processador mais veloz não é garantia de obter 
uma melhor performance. Existem outros componentes que garantem 
a performance da máquina, como a memória RAM e o disco rígido. Se 
analisado o equipamento como um todo, na maioria das vezes, o seu 
gargalo atual de arquitetura é o I/O, ou seja, o procedimento de grava-
ção e leitura dos arquivos está presente no disco rígido. Nesse sentido, 
substituir o disco rígido magnético pelos Solid State Drive (SSDs) pode 
estender o tempo de uso de um computador.
Em caso de troca, considere vender seu antigo computador pela 
internet ou doá-lo– instituições de caridade e telecentros (como da 
Prefeitura de São Paulo) aceitam equipamentos antigos em bom esta-
do, ajudando, assim, o meio ambiente e o próximo.
No entanto, sem conserto, a melhor abordagem seria encaminhá-lo 
para reciclagem. Existem postos de coleta para reciclagem em vários 
pontos da cidade, mas, se não quiser se locomover até esses locais, há 
diversas empresas que coletam o lixo eletrônico direto da sua casa e 
de maneira gratuita.
Neuci Bicov do CEDIR diz que cerca de 80% de componentes utiliza-
dos em um computador são recicláveis, já que 68% de suas partes são 
feitas de ferro; 31% de um notebook é plástico; e os dois são recicláveis 
(apud BUZZO, 2012).
34 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Tecnologia da informação gerando desemprego
O economista britânico John Maynard Keynes, um dos pais da 
macroeconomia, escreveu, em 1930, um artigo chamado Economic 
Possibilities for our Grandchildren (em tradução livre: Possibilidades eco-
nômicas para nossos netos). Considerado extremamente otimista, ele 
imaginou um meio-termo entre a revolução e a estagnação que deixa-
ria os referidos netos muito mais ricos do que seus avós. Isso pode ter 
acontecido, embora não para todos os netos (KEYNES, 1932).
Uma das preocupações admitidas por Keynes (1932), com relação à 
economia da época, foi a epidemia do desemprego tecnológico, uma vez 
que os avanços tecnológicos promoveram a automação das tarefas, subs-
tituindo seres humanos por máquinas. Sabendo que a base da economia 
é o mecanismo do trabalho por salário, sem a opção de trabalhar para 
viver, o sistema econômico, como conhecemos, entraria em colapso.
O passar do tempo nos mostra alguns exemplos de desemprego 
tecnológico. Antigamente, a população mundial trabalhava majorita-
riamente na agricultura. Estima-se que 75% da população do Reino 
Unido trabalhava nesse ramo de atividade no século XVI, despencando 
para 35% apenas três séculos depois, graças aos avanços tecnológicos 
aplicados à lavoura. Atualmente, apenas 3% da população mundial tra-
balha em agricultura, embora a produção mundial tenha aumentado 
muito ao longo dos séculos.
Automações envolvendo TI podem ser observadas em todo territó-
rio nacional, como o bilhete único, o cartão BOM ou outras iniciativas. 
A automação do sistema de cobrança no transporte público teria gera-
do uma legião de cobradores desempregados em âmbito nacional, se 
não fosse pela ação dos sindicatos.
Contra a vontade dos sindicatos metroviários, a Linha 4 do Metrô de 
São Paulo foi privatizada para o consórcio ViaQuatro, que implemen-
tou um sistema de trens driverless, dispensando a necessidade de um 
condutor. O que, no entanto, poucas pessoas sabiam, é que essa auto-
mação, possível apenas pela aplicação de TI, já foi instaurada há anos 
nas outras quatro linhas paulistanas, nas quais o condutor só opera 
em casos de emergência. Além disso, há décadas, os bancários estão 
sendo substituídos por caixas eletrônicos e internet banking. 
TI sustentável e TI insustentável 35
Nesse sentido, alguns ramos de atividade têm maiores pontos per-
centuais de automação e, por consequência, maior risco de desapareci-
mento de vagas, como podemos ver no estudo de Frey e Osborne (2013), 
The Future of Employment: How Susceptible are Jobs to Computerisation?, 
como mostra a tabela a seguir.
Tabela 1
Probabilidade de a automação reduzir vagas por ramo de atividade.
Ramo de atividade Probabilidade
Telemarketing 99%
Contadores e auditores 94%
Vendedor de varejo 92%
Escritores técnicos 89%
Corretores de imóveis 86%
Processadores de texto e digitadores 81%
Maquinistas 65%
Pilotos comerciais 55%
Economistas 43%
Ramo de atividade Probabilidade
Tecnólogos na área da saúde 40%
Atores 37%
Bombeiros 17%
Editores 6%
Engenheiros químicos 2%
Clero 0,8%
Treinadores atléticos 0,7%
Dentistas 0,4%
Terapeutas recreacionais 0,3%
Fonte: Kambayashi, 2021. 
(Continua)
36 Liderança, cidadania, ética e tecnologia sustentável
Depois que Watson, o supercomputador de reconhecimento de pa-
drões da IBM, venceu os melhores competidores humanos no Jeopardy 
– o mais popular quiz show de conhecimentos gerais da América –, 
quais serão os limites para a informatização? Sem falarmos na geração 
de novos empregos, desenvolvendo novas colocações que ainda nem 
conhecemos, mas que, com certeza, surgirão.
Comércio eletrônico x comércio tradicional
O surgimento da internet revolucionou as comunicações no mundo 
todo. Essa mesma revolução mudou vários hábitos e costumes, entre 
eles os comerciais. O mercado de eletrônicos está se desenvolvendo 
rapidamente no Brasil, e podemos considerar como causas:
 • os problemas de segurança e mobilidade urbana nas 
grandes cidades;
 • um maior número de pessoas acessando a internet (4,1 bilhões 
de usuários a utilizam, sendo 53,6% da população mundial);
 • o crescimento expressivo do acesso de banda larga;
 • os brasileiros se sentirem cada vez mais confortáveis para realizar 
suas compras on-line – a grande adoção dos sistemas bancários 
pela internet, redes sociais e sites de compras coletivas denota a 
propensão para a adesão de novas tecnologias e costumes.
Em 2020, o e-commerce cresceu 73,88% no Brasil, representan-
do 14,4% do comércio de varejo, exceto por veículos, materiais de 
construção e peças. 
Se os shoppings tornaram a sobrevivência das lojas convencionais 
de rua cada vez mais difícil, a mudança nos novos hábitos de consumo, 
cada vez mais adotados pelas novas gerações, deve colocar essa moda-
lidade de comércio à beira da extinção nas próximas décadas. Isso sem 
falarmos, ainda, da pandemia de Covid-19, que contribuiu muito para 
que o comércio eletrônico crescesse. 
CONCLUSÃO 
Devemos ter a consciência de que os equipamentos eletrônicos po-
dem ter uma vida útil maior, bem como de que existe a possibilidade de 
consertarmos nosso equipamento, e não simplesmente descartá-lo.
O livro Sustentabilidade 
empresarial e mercado 
verde aborda a sustentabi-
lidade ambiental por meio 
de um embasamento 
teórico, fundamentado 
em boas iniciativas e 
atitudes inspiradoras 
sobre o tema. 
ALVES, R. R. São Paulo: Vozes, 2019. 
Livro
TI sustentável e TI insustentável 37
Outra reflexão que fica – não só para pensarmos, mas também para 
agirmos – é realizarmos o descarte corretamente, de modo a não prejudi-
car o meio ambiente.
Quando falamos em computadores, as pessoas optam por substituí-lo 
por modelos mais novos, considerando seu equipamento atual ultrapas-
sado. É importante frisar que, dependendo do uso que essa pessoa faz de 
seu equipamento, trocá-lo por um modelo com um processador mais veloz 
não é garantia de melhora. Sabemos que existem outros componentes que 
garantem a eficácia da máquina, como a memória RAM e o disco rígido. 
Além disso, em caso de troca, pense em vender seu antigo computa-
dor pela internet, ou doá-lo para instituições de caridade e telecentros 
(como da Prefeitura de São Paulo), os quais aceitam computadores anti-
gos em bom estado, contribuindo, assim, ao meio ambiente e ao próximo. 
Por fim, se seu equipamento não tiver conserto, a melhor conduta seria 
encaminhá-lo para reciclagem. 
Pudemos verificar, neste capítulo, também, que a tecnologia das au-
tomações geraram algum desemprego em algumas áreas. Porém, é im-
portante ressaltar novos empregos sendo criados. O comércio eletrônico 
cresceu muito, principalmente durante a pandemia; com isso, houve uma 
evolução com relação à sustentabilidade, pois, comprando on-line, as pes-
soas saem menos de carro e utilizam menos o transporte público.
ATIVIDADES
Atividade 1
Sabemos que a exposição ao lixo eletrônico causa sérios danos à 
nossa saúde devido aos elementos tóxicos contidos nele. Quais 
são os principais elementos, e os mais sérios danos causados por 
eles?
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to the cloud. WSP, 2010. Disponível em: https://download.microsoft.com/download/A/F/F/AFFEB671-FA27-45CF-9373-0655247751CF/Cloud%20Computing%20and%20
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http://none.cs.umass.edu/papers/pdf/green07q-seetharam.pdf
https://computerworld.com.br/acervo/ti-pode-fazer-muito-mais-pelo-meio-ambiente-acredita-greenpeace/
https://computerworld.com.br/acervo/ti-pode-fazer-muito-mais-pelo-meio-ambiente-acredita-greenpeace/
https://agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/2013JD020824
https://agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/2013JD020824
Diversidade e tecnologia 39
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Diversidade e tecnologia
Ao final do estudo deste capítulo, você será capaz de:
 • entender a influência negra e indígena em nossa cultura;
 • refletir sobre as questões étnicas, raciais e diversidade, re-
lacionando-as com a área de TI;
 • compreender a necessidade do uso da ética na área de TI.
Objetivos de aprendizagem
3.1 Empresas e cotidiano 
Vídeo A diversidade começa no cliente, sendo que as empresas valorizam 
a capacidade dos gestores de se antecipar às mudanças dos desejos 
dos consumidores.
Uma das experiências globais mais importantes sobre o tema é bra-
sileira: a do FIAT Mio, em 2010. A montadora criou um site para rece-
ber propostas de um novo carro que seria desenvolvido inteiramente 
pelos interessados, fossem eles clientes ou não. O projeto exigiu uma 
organização típica de raciocínio complexo por parte da empresa. Foi 
elaborada uma plataforma técnica de recepção, a qual recebeu 11.000 
propostas diferentes e selecionou as ideias mais relevantes que foram 
discutidas em times multidisciplinares até se chegar a um modelo coe-
rente. Desenho, motor, tecnologia embarcada, ergonomia e outros 
pontos foram sendo integrados em conjuntos de funcionalidades com 
sentido para a engenharia e produção.
Dito de outra forma, as equipes tiraram proveito das diversas pro-
postas recebidas, as quais apresentavam, às vezes, muitas diferenças 
entre si, mas que também apontavam para a necessidade de se repen-
sar velhas fórmulas de desenvolvimento de carros. A gestão da recep-
ção das sugestões exigiu também meios técnicos para protocolar a sua 
40 Liderança, Cidadania, Ética e Tecnologia Sustentável
entrada, a fim de cumprir o prazo de retorno da equipe de engenheiros 
e avaliadores. Foram organizados fóruns entre os interessados e os 
que enviaram ideias para aprimorar as sugestões e críticas. Mais uma 
vez o raciocínio complexo esteve presente.
Os resultados na imprensa, na imagem da marca e nos meios de 
comunicação foram impressionantes: mais de 3 milhões de visitas em 
160 países. O caso foi citado em pelo menos cinco livros e 100 revistas 
de 4 países diferentes. Em todo o mundo, blogs e imprensa se referi-
ram espontaneamente à experiência da montadora brasileira. Enfim, 
o sucesso de marketing foi enorme pela abertura aos interessados. 
Mais do que a experiência em si, o ponto mais importante é consolidar 
a visão do Creative Commons (criação coletiva), que permite comparti-
lhar livremente o conteúdo entre usuários.
O cliente queria mais e procurava um canal para dizer isto. Reconhecer 
esse ponto exigiu que o projeto praticasse a interatividade em uma esca-
la inédita e antecipasse o que alguns autores chamam de CRM social, que 
é a integração das redes dos clientes com as possibilidades de negócios. 
Nessa nova teia, os clientes ditam do seu jeito muitas das regras do negócio, 
como: o canal, o desenvolvimento compartilhado (clientes/empresa), o tem-
po e o ciclo de vida do produto. Da mesma forma, esse novo padrão exige 
grande capacidade de organização da empresa para entender e responder 
satisfatoriamente

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