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Apostila de Prática Jurídica Civil e Empresarial I sobre respostas do réu, abordando contestação e reconvenção, petições incidentais (réplica, rol de testemunhas), audiência de conciliação e mediação, objetivos e orientações de estudo e aspectos da defesa processual e de mérito (CPC arts. 335–343, 336, 337).

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Prática Jurídica 
Civil e Empresarial I
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª M.ª Christiane Cavalcante Marcellos
Revisão Textual:
Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin
Respostas do Réu
Respostas do Réu
 
 
• Atuação na defesa do jurisdicionado, utilizando toda a técnica necessária disponível no Direito;
• Redação jurídica pautada na ética, no conhecimento da Lei, da doutrina e da jurisprudência.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• Contestação;
• Reconvenção;
• Outras Petições Incidentais Importantes;
• Da Audiência de Conciliação e Mediação.
UNIDADE Respostas do Réu
Introdução
O momento agora é o da defesa!
Figura 1 – Advogada estudando o Processo
Fonte: Getty Images
Defender-se é exercer o Direito Fundamental ao Contraditório e Ampla Defesa, previsto 
no Art. 5º, LV da Constituição Federal.
Seguindo o comando maior, o Código de Processo Civil dispõe que “O juiz não pode 
decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se 
tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre 
a qual deva decidir de ofício” (Art. 10).
O tema “resposta do réu” encontra-se disciplinado no CPC, do Artigo 335 até o 
343, que estabelece a Contestação e a Reconvenção como meios de resposta do réu no 
Processo de Conhecimento.
Além da resposta do réu, nesta Unidade, iremos estudar outras Petições Incidentais 
importantes, como a Réplica e o Rol de Testemunhas.
Para fechar com chave de ouro, falaremos sobre a Audiência de Conciliação e a 
Mediação.
Boa aula!
Contestação
Para Barroso e Lettiere (2019, p. 123), a Contestação ”é o instrumento pelo qual o 
réu se defende contra a pretensão do autor (pedido e causa de pedir), além de permitir 
a defesa processual”.
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Figura 2 – Redigindo a Contestação
Fonte: Getty Images
Na Contestação, o réu deve se defender de forma ampla, ou seja, “Incumbe ao réu 
alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito 
com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir” 
(Art. 336).
A Contestação pode ser dividida em duas partes, defesa processual (também chamada 
de preliminar) e defesa de mérito (direta e indireta).
Em rápidas palavras, na defesa de mérito direta, o réu ataca os fatos alegados pelo 
autor e ou a fundamentação jurídica. Na defesa de mérito indireta, o réu não nega as 
alegações do autor, mas apresenta fato novo (extintivo, modificativo ou impeditivo).
A Defesa Processual refere-se às questões processuais do Processo, deve ser alegada 
antes de discutir o mérito, conforme Art. 337 do CPC.
São elas: I – inexistência ou nulidade da citação; II – incompetência absoluta e relativa; 
III – incorreção do valor da causa; IV – inépcia da petição inicial; V – perempção; VI – li-
tispendência; VII – coisa julgada; VIII – conexão; IX – incapacidade da parte, defeito de 
representação ou falta de autorização; X – convenção de arbitragem; XI – ausência de 
legitimidade ou de interesse processual; XII – falta de caução ou de outra prestação que a 
lei exige como preliminar; XIII – indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.
Na Contestação, o advogado deve tomar muito cuidado para não esquecer de se 
manifestar sobre todas as alegações de fato constantes da Petição Inicial, aquelas não 
impugnadas presumem-se verdadeiras, salvo se: “I – não for admissível, a seu respeito, 
a confissão; II – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei con-
siderar da substância do ato; III – estiverem em contradição com a defesa, considerada 
em seu conjunto”, lembrando-se de que “O ônus da impugnação especificada dos fatos 
não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial” (Parágrafo 
Único do Art. 341).
9
UNIDADE Respostas do Réu
Mas o que significa dizer que o réu tem o dever de impugnar especificamente todos os 
pontos da Inicial?
O ordenamento processual prevê que é ônus do réu impugnar os fatos narrados pelo autor, 
sob pena de, ao deixar de se manifestar sobre algum deles, ocorrer a presunção de veracida-
de, salvo se o fato depender da prova por instrumento público e o autor deixou de exibir tal 
documento na petição inicial. Trata-se de direito indisponível que não comporta confissão, 
ou, ainda, quando a interpretação do conjunto da contestação permitir a conclusão de que 
todos os fatos estão impugnados” (BARROSO; LETTIERE, 2019, p. 126).
O réu tem o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar a Contestação. Se apresentar 
no 5º dia, por exemplo, não pode mais apresentar até o vencimento, pois ocorreu a 
chamada preclusão consumativa.
Depois da Contestação, segundo o Art. 342, “só é lícito ao réu deduzir novas alega-
ções quando: I – relativas a direito ou a fato superveniente; II – competir ao juiz conhecer 
delas de ofício; III – por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer 
tempo e grau de jurisdição”.
Importante!
Não deixe de contestar!
“A ausência de contestação acarreta a revelia” (CPC/2015, Art. 344). Em regra, são graves os 
efeitos da revelia: (1) presumem-se verdadeiras as alegações dos fatos formuladas pelo autor 
na petição inicial (CPC/2015, Art. 344); (ii) se não houver advogado constituído nos autos, os 
prazos correm independentemente de intimação, bastando que haja a publicação no diário 
oficial (CPC/2015, Art. 346); (iii) é possível o julgamento antecipado do mérito (Art. 335, II) ou 
o julgamento antecipado parcial do mérito (Art. 356, II) (TARTUCE, 2020, p. 208).
Chacon apresenta o que ele chama de “quadro facilitador” para a elaboração da 
Contestação.
Achei o quadro bem interessante, e por isso o trouxe para você.
Veja a seguir:
Tabela 1
Endereçamento ao juiz da causa
Preâmbulo com qualificação resumida das partes
Resumo da petição inicial
Preliminares
Mérito da Contestação
Fatos e fundamentos jurídicos da Reconvenção 
Pedido de improcedência da ação + preliminares + pedido 
de procedência da Reconvenção e requerimentos
Protesto por provas
Fechamento 
Fonte: Adaptada de CHACON, 2021, p. 68
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Como se vê, a Contestação tem forma simples e você não terá dificuldade, mas sugiro 
alguns cuidados:
• Leia com atenção a Petição Inicial e os documentos juntados;
• Agende uma reunião com seu cliente;
• Estude a Lei, a doutrina e a jurisprudência sobre o caso.
Prazo de 15 Dias para Contestar
Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 
15 (quinze) dias, cujo termo inicial será a data:
I – da audiência de conciliação ou de Mediação, ou da última sessão de 
conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, 
não houver autocomposição;
II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação 
ou de Mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do Art. 
334, § 4º, inciso I;
III – prevista no Art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, 
nos demais casos.
Enunciado 122 da II Jornada de Direito Processual Civil (CJF)
“O prazo de contestação é contado a partir do primeiro dia útil seguinte à 
realização da audiência de conciliação ou Mediação, ou da última sessão 
de conciliação ou Mediação, na hipótese de incidência do Art. 335, inc. I, 
do CPC”.
Na segunda fase do XVI Exame de Ordem Unificado, aplicada em 17/05/2015, a 
Peça Processual pedida foi uma Contestação.
Para melhor compreensão do tema, peço que leia o enunciado e o gabarito comentado, 
na íntegra, apresentados a seguir.
Depois disso, já pode começar a fazer!
Exame OAB – Contestação
(XVI Exame de Ordem Unificado – Prova Prático-Profissional – Aplicada em 
17/05/2015)
Enunciado
João andava pela calçada da rua onde morava, no Rio de Janeiro, quando foi atingido 
na cabeça por um pote de vidro lançado da janela do apartamento 601 do edifício do 
Condomínio Bosque das Araras, cujo síndico é o Sr. Marcelo Rodrigues.
João desmaiou com o impacto, sendo socorrido por transeuntes que contataram o 
Corpo de Bombeiros, que o transferiu, de imediato,via ambulância, para o Hospital 
Municipal X. Lá chegando, João foi internado e submetido a exames e, em seguida, 
a uma cirurgia para estagnar a hemorragia interna sofrida.
João, caminhoneiro autônomo que tem como principal fonte de renda a contrata-
ção de fretes, permaneceu internado por 30 dias, deixando de executar contratos já 
negociados. A internação de João, nesse período, causou uma perda de R$ 20 mil.
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UNIDADE Respostas do Réu
Após sua alta, ele retomou sua função como caminhoneiro, realizando novos fre-
tes. Contudo, 20 dias após seu retorno às atividades laborais, João, sentindo-se mal, 
voltou ao Hospital X. Foi constatada a necessidade de realização de nova cirurgia, 
em decorrência de uma infecção no crânio causada por uma gaze cirúrgica deixada 
no seu corpo por ocasião da primeira cirurgia. João ficou mais 30 dias internado, 
deixando de realizar outros contratos. A internação de João, por este novo período, 
causou uma perda de R$ 10 mil.
João ingressa com ação indenizatória perante a 2ª Vara Cível da Comarca da Capital 
contra o Condomínio Bosque das Araras, requerendo a compensação dos danos sofri-
dos, alegando que a integralidade dos danos é consequência da queda do pote de 
vidro do condomínio, no valor total de R$ 30 mil, a título de lucros cessantes, e 50 
salários mínimos a título de danos morais, pela violação de sua integridade física.
Citado, o Condomínio Bosque das Araras, por meio de seu síndico, procura você para 
que, na qualidade de advogado(a), busque a tutela adequada de seu direito.
Elabore a peça processual cabível no caso, indicando os seus requisitos e fundamentos, 
nos termos da legislação vigente (Valor: 5,00).
Responda justificadamente, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso.
Gabarito Comentado
A peça a ser formulada é uma Contestação à ação indenizatória proposta por João.
O Condomínio deverá defender a sua ilegitimidade passiva pelo fato de, em relação à 
queda do pote de vidro, ser identificado o condômino e, com relação ao erro médico, 
ser responsabilidade do Hospital Municipal X.
O Condomínio deverá arguir improcedência do pedido de indenização em relação à 
primeira cirurgia, tendo em vista que o pote de vidro foi lançado de apartamento in-
dividualizado – 601 –, isto é, de unidade autônoma reconhecida. De acordo com o 
Art. 938 do Código Civil, “aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano 
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido”. Assim, 
o habitante (proprietário, locatário, comodatário, usufrutuário ou mero possuidor) da 
unidade autônoma é o responsável pela prática do ato danoso, e não o Condomínio.
Outrossim, deverá o Condomínio arguir que não há obrigação de indenizar de sua 
parte em relação aos danos decorrentes da segunda cirurgia sofrida por João, na 
medida em que o dano é resultado de erro médico cometido pela equipe cirúrgica 
do Hospital Municipal X, não da queda do pote de vidro. Ainda que materialmente 
relacionado ao evento, a queda do pote de vidro do edifício somente se pode atribuir 
a consequências danosas do primeiro evento, de acordo com o Art. 403 do CC: ”Ainda 
que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os preju-
ízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do 
disposto na lei processual”.
Por fim, deverá defender a inexistência de danos morais a serem indenizados e, caso 
seja diferente o entendimento do juízo, que o valor a ser fixado a título de indenização 
seja inferior àquele pedido pelo autor.
Fonte: https://bit.ly/3zaUeQK
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Reconvenção
Segundo o Art. 343 do CPC, “Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção 
para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento 
da defesa”.
Figura 3 – Acidente de trânsito
Fonte: Getty Images
A Reconvenção nada mais é do que um contra-ataque, feito na própria Contestação 
(mesma peça).
No CPC antigo, a Reconvenção era apresentada simultaneamente à Contestação, em 
peça autônoma.
Para entender melhor a Contestação e a Reconvenção, Chacon (2021, p. 71) faz uma 
 comparação inteligente:
Imagine uma arena de luta romana. O soldado, gladiador, empunha uma 
espada e um escudo. Quando ele é atacado por seu oponente, ficando 
numa posição defensiva e levanta o escudo para se defender dos golpes 
do adversário, está usando a ”Contestação” como método único de defe-
sa de mérito. Mas, quando ele percebe que pode contra-atacar e golpeia 
o adversário com sua espada, usa a ”Reconvenção”, tudo na mesma luta. 
Essas são as duas principais e mais comuns respostas do réu no processo 
e devem ser feitas na mesma petição: a defesa propriamente dita e ao 
contra-ataque (Reconvenção).
Proposta a Reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para 
apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias (§1º do Art. 343).
13
UNIDADE Respostas do Réu
Podem ser partes contrárias na Reconvenção o autor e terceiro (§3º do Art. 343). 
O réu pode propor Reconvenção independentemente de oferecer Contestação (§ 6º do 
Art. 343).
Ademais, a desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame 
de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à Reconvenção (§ 2º do 
Art. 343).
Na segunda fase do XXVIII Exame de Ordem Unificado, aplicada em 05/05/2019, 
a Peça Processual pedida foi uma Contestação com Reconvenção.
Muito interessante o caso trazido pela OAB. Leia o enunciado e já pode fazer a peça.
Você irá acertar!
Exame OAB – Contestação Com Reconvenção
(XXVIII Exame de Ordem Unificado – Prova Prático-Profissional – Aplicada em 
05/05/2019)
Enunciado
Julia dirigia seu veículo na Rua 001, na cidade do Rio de Janeiro, quando sofreu uma 
batida, na qual também se envolveu o veículo de Marcos. O acidente lhe gerou danos 
materiais estimados em R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), equivalentes ao conserto 
de seu automóvel. Marcos, por sua vez, também teve parte de seu carro destruído, 
gastando R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para o conserto.
Diante do ocorrido, Julia pagou as custas pertinentes e ajuizou ação condenatória 
em face de Marcos, autuada sob o nº 11111111111 e distribuída para a 8ª Vara Cível 
da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de obter indeni-
zação pelo valor equivalente ao conserto de seu automóvel, alegando que Marcos 
teria sido responsável pelo acidente, por dirigir acima da velocidade permitida. Julia 
informou, em sua petição inicial, que não tinha interesse na designação de audiência 
de conciliação, inclusive porque já havia feito contato extrajudicial com Marcos, sem 
obter êxito nas negociações. Julia deu à causa o valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais).
Marcos recebeu a carta de citação do processo pelo correio, no qual fora dispensada 
a audiência inicial de conciliação, e procurou um advogado para representar seus 
interesses, dado que entende que a responsabilidade pelo acidente foi de Julia, que 
estava dirigindo embriagada, como atestou o boletim de ocorrência, e que ultra-
passou o sinal vermelho. Entende que, no pior cenário, ambos concorreram para o 
acidente, porque, apesar de estar 5% acima do limite de velocidade, Julia teve maior 
responsabilidade, pelos motivos expostos.
Aproveitando a oportunidade, Marcos pretende obter de Julia indenização em valor 
equivalente ao que dispendeu pelo conserto do veículo. Marcos não tem interesse 
na realização de conciliação.
Na qualidade de advogado(a) de Marcos, elabore a peça processual cabível para de-
fender seus interesses, indicando seus requisitos e fundamentos, nos termos da legis-
lação vigente. Considere que o aviso de recebimento da carta de citação de Marcos foi 
juntado aos autos no dia 04/02/2019 (segunda-feira), e que não há feriados no mês 
de fevereiro (Valor: 5,00).
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Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utiliza-
dos para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcriçãodo dispositivo 
legal não confere pontuação.
Gabarito Comentado
A peça processual cabível é uma Contestação (Art. 335 do CPC), com Reconvenção
(Art. 343 do CPC), apresentada no prazo de 15 dias úteis (Art. 219 do CPC) a partir da 
juntada do AR relativo à carta de citação (Art. 335 e Art. 231, inciso I, ambos do CPC) 
ou seja, até 25/02/2019.
O examinando deverá apresentar a Contestação dirigida ao processo nº 11111111111, 
para a 8ª Vara Cível da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
Na Contestação, deverá alegar, em preliminar, incorreção do valor da causa, que deve 
corresponder ao proveito econômico pretendido por Julia, nos termos do Art. 292, 
inciso I, do CPC (ou seja, R$ 40.000,00), requerendo a correção e sua intimação para 
recolher as custas complementares (Art. 292, § 3º, do CPC).
No mérito da Contestação, deverá indicar como os fatos ocorreram, defendendo a 
ausência de responsabilidade pelo acidente, porque não praticou ilícito (Art. 927 e 
Art. 186 do Código Civil), imputando à Julia a responsabilidade exclusiva pelo aci-
dente. Subsidiariamente, deve defender a responsabilidade concorrente de Julia 
(Art. 945 do CC).
Na Reconvenção, deverá reiterar a responsabilidade de Julia, e demonstrar os pre-
juízos sofridos com o conserto de seu veículo, comprovando-o com notas fiscais e 
comprovantes de pagamento dos R$ 30.000,00, para comprovar a extensão do dano 
(Art. 944 do Código Civil).
Ao final, deve requerer a improcedência do pedido de Julia, ou subsidiariamente, o 
reconhecimento de culpa concorrente, reduzindo-se o valor da indenização. Deve 
requerer também a procedência do pedido reconvencional.
Fonte: https://bit.ly/3nyBKaA
Outras Petições Incidentais Importantes
Além de estudar a Petição Inicial, a Contestação e a Reconvenção, seria interessante 
que você estudasse outras duas Petições: a Réplica e o Rol de Testemunhas.
A Réplica é a manifestação do autor sobre as alegações do réu.
Ensina Tartuce (2020, p. 264) que:
Se na Contestação o réu trouxe defesas processuais ou novos argumen-
tos quanto ao mérito, preveem os arts. 350 e 351 do CPC/2015, em 
atenção à ampla defesa, a possibilidade de o autor se manifestar sobre 
tais alegações.
A petição em que o autor poderá expor seus argumentos é denominada, 
na praxe forense e na doutrina, “réplica”.
Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este será 
ouvido no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova (Art. 350).
15
UNIDADE Respostas do Réu
Da mesma forma, se o réu alegar qualquer defesa processual (Art. 337), o juiz de-
terminará a oitiva do autor no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe a produção de 
prova (Art. 351).
Já faz um tempinho que a réplica caiu no Exame de Ordem. Foi na Prova Prático-Pro-
fissional, Direito Civil, Exame de Ordem 2010/1, Cespe/UnB, aplicada em 25/07/2010.
Vamos fazer?
Pode começar!
Prova OAB – Réplica
Prova Prático-Profissional, Direito Civil, Exame de Ordem 2010/1, Cespe/UnB, apli-
cada em 25/07/2010
Enunciado
Júlia ajuizou ação sob o rito ordinário, distribuída à 34.ª Vara de Família de São 
Paulo – SP, com o objetivo de ver declarada a existência de união estável que alega 
ter mantido, de 1989 a 2005, com Jonas, já falecido. Arrolou a autora, no polo passi-
vo da lide, o nome dos herdeiros de Jonas, que, devidamente citados, apresentaram 
Contestação no prazo legal.
Preliminarmente, os réus alegaram que:
• O pedido seria juridicamente impossível, sob o argumento de que Jonas, apesar 
de não viver mais com sua esposa havia vinte anos, ainda era casado com ela, 
mãe dos réus, quando falecera, algo que inviabilizaria a declaração da união 
estável, por ser inaceitável admiti-la com pessoa casada;
• A autora não teria interesse de agir, sob o argumento de que Jonas não deixará 
pensão de qualquer origem, sendo inútil a ela a simples declaração;
• O pedido encontraria óbice na coisa julgada, sob o fundamento de que, em opor-
tunidade anterior, a autora ajuizara, contra os réus, ação possessória na qual, 
alegando ter sido companheira do falecido, pretendia ser mantida na posse de 
imóvel pertencente ao último, tendo sido o julgamento dessa ação desfavorável 
a ela, sob a fundamentação de que não teria ocorrido a união estável;
• Haveria litispendência, sob o argumento de que já tramitava, na 1.ª Vara de Órfãos 
e Sucessões de São Paulo – SP, ação de inventário dos bens deixados pelo falecido, 
devendo necessariamente ser discutido naquela sede qualquer tema relativo a 
interesse do espólio, visto que o juízo do inventário atrai os processos em que o 
espólio é réu.
No mérito, os réus aduziram que Jonas era homem dado a vários relacionamentos 
e, apesar de ter convivido com a autora sob o mesmo teto, tinha uma namorada em 
cidade vizinha, com a qual se encontrava, regularmente, uma vez por semana, no 
período da tarde.
Considerando as matérias suscitadas na defesa, o juiz conferiu à autora, mediante 
intimação feita em 21/9/20XX (segunda-feira), prazo para manifestação.
Disponível em: https://bit.ly/3hxOJWj
16
17
Gabarito Comentado
Deve-se redigir uma réplica, com argumentos jurídicos capazes de levar à rejeição 
das alegações aduzidas pelos réus em Contestação.
A Peça
Réplica endereçada ao juiz da 34.ª Vara de Família de São Paulo – SP.
Data: 1.º de outubro de 20XX (CPC, Art. 327).
Relato da situação fática.
Preliminares
A separação de fato entre o falecido e sua esposa, ocorrida há mais de vinte anos, 
não serve de óbice à possibilidade jurídica do pedido (Código Civil, Art. 1.723, § 1.º), 
verificando-se a possibilidade jurídica do pedido quando este é admitido pelo orde-
namento jurídico, ou não é vedado.
Estabelece o Código Civil:
Art. 1.521. Não podem casar:
(...)
VI − as pessoas casadas;
(...)
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mu-
lher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o obje-
tivo de constituição de família.
§ 1º. A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do Art. 1.521, não 
se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato 
ou judicialmente.
Existe interesse de agir mesmo na simples declaração da união estável sem que haja 
pensão. A convivência duradoura entre duas pessoas é um fato, sendo a união estável 
um conceito jurídico que poderá ou não definir tal relação. A lei prevê a possibilidade 
de ser declarada a existência de relação jurídica (CPC, Art. 4.º, I). Ademais, conside-
rando-se que há ação de inventário em curso, o falecido deixou bens, podendo algum 
deles ter sido adquirido na constância da união estável.
Não ocorre litispendência, pois os elementos das ações não são coincidentes. Para 
que ocorra a litispendência, deverá ser repetida ação em curso. De fato, uma ação é 
idêntica a outra quando ambas têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o 
mesmo pedido (CPC, Art. 301, §§ 1.º e 2.º).
A atração exercida pelo inventário não se põe de tal modo a determinar que o pedido 
de reconhecimento da união estável de quem não é herdeira precise necessariamente 
ser processado nos autos do inventário. O reconhecimento de união estável é de com-
petência da vara de família. Foi respeitada a competência do foro, visto que a ação 
declaratória foi proposta no foro do domicílio do autor da herança (CPC, Art. 96).
Não ocorre, na hipótese, coisa julgada, pois o pedido é diferente nas duas ações. 
Ademais, os fundamentos de uma sentença não transitam em julgado de modo a 
impedir novo pronunciamento judicial acerca da matéria já discutida em momento 
anterior (CPC, Art. 301, §§ 1.º e 3.º).
17
UNIDADE Respostas do Réu
Mérito
A existência de relacionamento não estável não serve de empecilho ao reconheci-
mento da união estável da autora com o falecido, visto que, conforme informação da 
própria Contestação, o suposto relacionamento não tinha os atributos de união es-
tável nos termos da lei civil, de acordo com o que dispõeo Art. 1.723 do Código Civil:
“É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, 
configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o obje-
tivo de constituição de família”.
Requerimento Final
Deve ser requerida ao juiz a rejeição das preliminares alegadas, da causa de extinção 
do processo, com a procedência do pedido inicial.
Observação para a correção
Atribuir pontuação integral às respostas em que esteja expresso o conteúdo do dis-
positivo legal, ainda que não seja citado, expressamente, o número do Artigo.
Disponível em: https://bit.ly/2XkpxLP
Observação
A prova foi aplicada antes da vigência do novo CPC. Sendo assim:
• Art. 327, atual Art. 351;
• Art. 4º, I, atual Art. 19, I;
• Art. 301, §1º e § 2º, atual Art. 337, § 1º e § 2º;
• Art. 96, atual Art. 48.
Figura 4 – Oitiva de testemunha
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Vamos falar um pouco da Prova Testemunhal.
Muito comum no Processo é a Prova Testemunhal, que sempre é possível, não dispondo 
a Lei de modo diverso (Art. 442).
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O CPC (Art. 443) permite que o juiz indefira a Prova Testemunhal sobre fatos “I – já 
provados por documento ou confissão da parte; II – que só por documento ou por exa-
me pericial puderem ser provados”.
Caso tenha sido determinada a produção de Prova Testemunhal, o juiz fixará prazo 
comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemu-
nhas (§ 4º do Art. 357).
O rol de testemunhas deve conter, sempre que possível, ”o nome, a profissão, o estado 
civil, a idade, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, o número de registro 
de identidade e o endereço completo da residência e do local de trabalho” (Art. 450).
Uma vez apresentado o rol, não pode mais ser alterado, sendo permitido a substituição 
das testemunhas quando a testemunha arrolada falecer, se estiver enferma, sem condi-
ções de depor ou, ainda, caso tenha mudado o endereço e não for encontrada (Art. 451).
Importante salientar que o “juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: 
I – já provados por documento ou confissão da parte; II – que só por documento ou por 
exame pericial puderem ser provados” (Art. 443).
Trata-se de uma Petição simples, endereçada do Juiz da causa, devendo a parte infor-
mar a forma como a testemunha será intimada (Art. 455, § 4º, I) e os dados de cada 
uma, individualmente, conforme Art. 450.
Da Audiência de Conciliação e Mediação
Ensina Tartuce (2020, p. 142):
Na audiência de Mediação ou conciliação, o terceiro facilitador buscará, 
inicialmente, a restauração da comunicação entre as partes, fator que po-
derá contribuir para celebrar acordos (transações) proveitosos para elas, 
caso estas assim o desejam.
Como se percebe, tal audiência representa importante momento proces-
sual; se bem que engendrada, poderá ensejar excelentes oportunidades 
para os litigantes e seus advogados.
Segundo o Art. 334 do CPC:
Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso 
de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de con-
ciliação ou de Mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, 
devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência.
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UNIDADE Respostas do Réu
Figura 5 – Audiência de Conciliação
Fonte: Getty Images
Lembre-se de que a intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu 
advogado (§ 3º do Art. 334).
A regra é pela audiência, que somente não será realizada: “I – se ambas as partes 
manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II – quando não 
se admitir a autocomposição” (§ 4º do Art. 334).
O autor deve manifestar seu desinteresse na Petição Inicial, e o réu, por Petição, 
apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência (§ 5º. do 
Art. 334).
Salienta-se, ainda, que:
[...] o não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência 
de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será 
sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pre-
tendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. 
(§ 8º do Art. 334)
Lembrando-se, por fim, de que as partes devem estar acompanhadas por seus advo-
gados ou defensores públicos (§9º do Art. 334) e que a parte poderá constituir represen-
tante, por meio de procuração específica, com poderes para negociar e transigir (§ 10 
do Art. 334).
Enunciado 121 da II Jornada de Direito Processual Civil: não cabe aplicar multa a quem, com-
parecendo à Audiência do Art. 334 do CPC, apenas manifesta desinteresse na realização de 
Acordo, salvo se a sessão foi designada unicamente por requerimento seu e não houver 
justificativa para a alteração de posição.
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Prática no processo civil
ARAÚJO JÚNIOR, G. C. Prática no processo civil. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2020. 
O autor apresenta diversos modelos de Peças Processuais, a obra irá ajudar você a se pre-
parar para redigir sua própria petição. (e-book)
 Vídeos
Português Jurídico – Aula 1
Aula sobre “Português Jurídico”, ministrada pelo Professor Marcelo Paiva, Programa Saber 
Jurídico, transmitido pela TV Justiça. A aula é dada de modo simples e com ótima didática, 
o que permite ao aluno ampliar seus conhecimentos na Linguagem Jurídica.
https://youtu.be/fU5Kr-fzv1s
Saber Direito – Direito Processual Civil – Aula 1
Aula sobre Direito Processual Civil, ministrada pelo Professor Daniel Viana, Programa 
Saber Direito, transmitido pela TV Justiça. A aula irá ajudar você a revisar os principais 
temas sobre o procedimento comum.
https://youtu.be/VFNTyUGIRxg
 Leitura
Recurso Especial n.º 1940016 – PR, (021/0102946-0)
Julgamento, na íntegra, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, sobre Contestação 
e Reconvenção (REsp 1940016/PR, Resp 2021/0102946-0, Relator(a) Ministro Ricardo 
Villas Bôas Cueva, 3ª Turma, Data do Julgamento 22/06/2021, DJe 30/06/2021).
https://bit.ly/397Xb9W
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UNIDADE Respostas do Réu
Referências
ARAÚJO JÚNIOR, G. C. Prática de Contestação no processo civil: Contestação, Re-
convenção, Exceções, Impugnações. 6. ed. rev. atual. ampl. São Paulo: Atlas, 2020. (e-book)
________. Prática no processo civil. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2020. (e-book)
BARROSO, D.; LETTIERE, J. F. Prática no processo civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 
2019. (e-book)
CHACON, L. F. R. Manual de prática forense civil. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. 
(e-book)
TARTUCE, F. D. L. Manual de prática civil. 16. ed. rev. atual. São Paulo: Método, 
2021. (e-book)
THEODORO JÚNIOR, H. Código de Processo Civil Anotado. 23. ed. Rio de Janeiro: 
Forense, 2020. (e-book)
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