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DIREITO CIVIL - REAIS
Posse: Elemento e Teorias
Aula 3
• Propriedade -> Direito
• Posse -> Fato que aparenta estar amparado pelo direito
Posse x Propriedade
> Posse - fundada em uma relação de fato
(natureza fática)
> Propriedade - fundada em uma relação de direito 
(natureza jurídica)
Posse – abordagem inicial
Origem da Proteção Jurídica da Posse
Teoria de Niebuhr (adotada por Savigny)
• Surgiu da distribuição de terras conquistadas pelos romanos
• Parte das terras loteadas (possessiones) e cedidas aos cidadãos
• Por não serem proprietários não tinham ação reivindicatória contra 
invasões
• Surgimento de processo especial (interdito possessório) para 
proteger esse estado de fato
Origem da Proteção Jurídica da Posse
Teoria de Ihering
• Surgiu como medida adotada pelo pretor outorgando 
discricionariamente a um dos litigantes em ação reivindicatória a 
guarda provisória da coisa
• Situação provisória acabava por consolidar-se.
• Processo preliminar da ação reivindicatória foi se transformando 
em processo declaratório da situação de fato
Posse
• Presunção de propriedade.
=> garantia da situação de fato
Segurança jurídica e pacificação social.
• Propriedade subordinada à função social da propriedade
(CF. arts. 5º, inc. XXIII; 182, §§ 2º e 4º; 184 e 186, etc)
• Posse (ou propriedade social)
=> previsão constitucional da usucapião (arts. 183, 191 CF/88).
CONCEITO DE POSSE
“situação fática, de caráter potestativo, decorrente de
uma relação sócio-econômica entre o sujeito e a coisa, e
que gera efeitos no mundo jurídico.”
(FIUZA, Ricardo. Novo Código Civil Comentado. São Paulo: Saraiva, 2003).
=> Exercício de fato, em nome próprio, de um dos
poderes inerentes ao domínio.
7
TEORIAS SOBRE A POSSE
Duas grandes teorias:
Teoria Subjetiva – Savigny (1803);
Teoria Objetiva (Simplificada) – Ihering (1868).
Teoria Subjetiva de Savigny
o Possibilidade de alguém dispor fisicamente de uma coisa com
intenção de considerá-la sua, afastada igual possibilidade por
parte de outrem, salvo com sua autorização.
o Possuidor pode defender sua posse contra toda ação estranha.
o Posse -> poder de fato.
(Friedrich Karl Von Savigny)
Teoria Subjetiva de Savigny
➢ Elementos para caracterização da posse:
a) Corpus
> poder físico sobre a coisa, não implicando em apreensão física
da coisa, mas em poder de dominação
b) Animus
> componente voluntário com propósito de manter objeto
como se fosse dono.
o Detentor de objeto, na condição de representante, não tem
posse, mas simples detenção, pois estaria destituído do
elemento animus.
JWA 10
Detentor da coisa, pode exercê-la de 2 formas:
Intenção de exercer o direito de propriedade do outro
* DETENÇÃO NÃO GERA POSSE
Intenção de exercer um direito de propriedade próprio.
* DETENÇÃO GERA POSSE
(animus possidendi semelhante a animus domini).
Teoria Objetiva de Ihering
(Rudolf Von Ihering)
o Entendia posse como o exercício de algum dos direitos
inerentes à propriedade, independentemente da intenção do
possuidor.
o Posse -> exteriorização da propriedade.
o Diferentemente de Savigny que entendia posse como poder
de fato e não como o exercício de um direito.
o Proteção da propriedade, para ser eficaz, pressupõe a da
posse, que é a sua exteriorização.
GJFF, modificado por JWA 12
• Crítica obra de Savigny.
• Analisa posse nos seus elementos, corpus e animus,
oferecendo visão completamente diferente.
Corpus (elemento físico)
• Relação exterior que há normalmente entre proprietário e
coisa, ou aparência da propriedade.
• Conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação
semelhante a que é exercida pelo proprietário;
Animus (elemento psíquico)
• Vontade de proceder como habitualmente o proprietário o faz.
(affectio tenendi).
13
Denominada OBJETIVA por dispensar a intenção,
POSSE É A VISIBILIDADE DO DOMÍNIO.
Pressuposto de Ihering:
Em regra o possuidor é o proprietário.
“Estatisticamente, essa exterioridade coincide com a propriedade 
real. Quase sempre o possuidor é ao mesmo tempo o 
proprietário, sendo diminutos os casos em que não é”.
Teorias Sociológicas da Posse
o Posse não é meramente um apêndice da propriedade.
o Posse interpretada de acordo com os valores sociais nela
impregnados.
o Poder fático de ingerência socioeconômica sobre
determinado bem da vida, mediante a utilização concreta da
coisa.
Posse
Teorias de Posse e o Código Civil:
o Teoria objetiva de Ihering consagrada pelo Código Civil (art. 1.196).
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício,
pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
o Elementos da teoria de Savigny no Código Civil, com
referências ao animus domini, em
> “possuir como seu”(art. 1.238, CC)
> “possuir coisa móvel como sua” (art. 1.260, CC)
> teorias sociológicas (Exs. Art. 1.238, § ú., Art. 1.240 CC).
16
POSSE 
PROPRIEDADE
PODER DE FATO
PODER DE DIREITO
• Posse protegida para evitar violência e assegurar paz social.
• Situação de fato aparenta ser situação de direito
Ius possidendi => direito de posse e propriedade 
Ius possessionis => fundado unicamente na posse, conforme 
aspecto externo da relação da pessoa com a coisa),
17
Natureza Jurídica da Posse
Fato ou Direito?
1ª Corrente (Savigny,...)
• Natureza dupla: fato e direito
• Considerada em si mesmo é um fato;
• Considerada pelos efeitos que gera é um direito (usucapião,
interditos possessórios)
2ª Corrente (Ihering, ...)
• É um direito (interesses juridicamente protegidos)
• Exteriorização do direito real de propriedade
(não há propriedade sem posse)
Natureza jurídica da posse
o Savigny
➢ Posse é ao mesmo tempo um fato e um direito, uma vez que
independeria do ordenamento jurídico, uma vez que pode nascer
até da violência.
o Ihering
➢ Situa a posse não como fato, mas como direito real.
o Posse não configura direito real, mas “pessoal”, pois não incluída
no elenco dos direitos reais (art. 1.225 CC).
o Alguns doutrinadores consideram como direito sui generis.
Natureza jurídica da posse
GJFF 20
Posse x Propriedade x Detenção
Posse
• Exercício do poder de fato em nome próprio, exteriorizando a 
propriedade e fazendo uso econômico da coisa (animus tenendi
– intenção de usar a coisa tal qual o proprietário)
Propriedade (art. 1228, § 1º CC)
• Direito real sobre coisa própria
Detenção
• Estado de fato que não corresponde a nenhum direito (art 1198) 
• Aquele que, achando-se em relação de dependência para com 
outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de 
ordens ou instruções suas.
JWA 21
Art. 1.198 - Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em
cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve
este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que
prove o contrário.
Situação em que uma pessoa, mesmo exercendo poderes de
fato sobre uma coisa, não é considerada possuidora.
Detenção ou Fâmulo da Posse ou Posse Natural
GJFF 22
Função Social da Posse x Função Social da Propriedade
Abordagem diferenciada entre ambas
Função Social da Propriedade (art. 1228, § 1º CC)
• Sanciona conduta ilegítima de um proprietário que não é 
solidário perante a coletividade
Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o 
direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou 
utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.
Função Social da Posse
• Estimula o direito à moradia como dto fundamental de índole 
existencial, à luz do princípio da dignidade humana
• Acesso à posse como instrumento de redução de 
desigualdades sociais e justiça distributiva
GJFF 23
Objeto da Posse
• Coisas corpóreas
• Apenas bens que tenham materialidade -> possível exteriorizar 
um poderfático
• Não há visibilidade de atuação possessória sobre bens imateriais 
e intangíveis (ex: Dtos autorais, patentes e software)
Súmula 228 STJ
“É inadmissível o interdito proibitório para a proteção de direito 
autoral.”
24
Desdobramento (Classificação) da Posse
Posse Plena = Posse
Posse Direta
Posse Indireta
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder,
temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a (posse)
indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a
sua posse contra o (possuidor) indireto.
*parênteses meu
GJFF 25
Desdobramento da Posse
• Possuidor direto que recebe o bem, em razão de direito real ou
contratual.
Ex. Usufruto > usufrutuário tem uso e gozo da coisa.
• Detém materialmente -> utiliza como faria o proprietário.
POSSE DIRETA
GJFF 26
• Posse do proprietário que cede uso do bem a outrem.
Ex: No usufruto, o proprietário tem posse indireta, porque
concedeu ao usufrutuário o direito de possuir, conservando apenas
a nua propriedade.
• Posse de quem temporariamente concedeu a outrem (possuidor
direto) o exercício do direito de possuir a coisa, enquanto durar a
relação jurídica.
• Extinta relação jurídica, possuidor indireto readquire posse plena.
POSSE INDIRETA
27
NUA PROPRIEDADE
• Designa propriedade que não é plena, em referência ao
proprietário que está despojado (despido) do gozo da coisa.
• Titular da nua propriedade -> nu-proprietário
Classificação da Posse quanto aos vícios
Posse justa:
➢Posse desprovida dos vícios específicos (art. 1.200, CC).
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou
precária.
➢Posse justa é mansa, pacífica, pública e adquirida sem
violência.
Classificação da Posse quanto aos vícios
Posse injusta
• Posse maculada por um dos vícios da posse.
❖Posse violenta
> Adquirida através do emprego de violência contra a
pessoa.
❖Posse clandestina
> Adquirida às escondidas.
❖Posse precária
> Decorrente da violação da obrigação de restituir.
(abuso de confiança).
Classificação da Posse quanto aos vícios
➢ Posse injusta não deve ser considerada posse jurídica
➢ Não produz efeitos contra legítimo possuidor (para quem
esta situação jurídica não passa de detenção)
➢ Possuidor injusto pode usar dos interditos possessórios
contra atos de terceiros.
INTERVERSÃO OU INVERSÃO
DO CARÁTER DA POSSE
Continuidade do caráter da posse (art. 1.203, CC)
• Posse que inicia justa permanece justa.
• Posse que inicia injusta, permanece injusta ao longo do tempo, a
menos que se opere a inversão do caráter da posse.
Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter
com que foi adquirida
Alteração do caráter da posse
• Violência e clandestinidade -> vícios relativos,
• Precariedade -> vício absoluto.
• Inversão do caráter da posse pode ocorrer quando posse for violenta
ou clandestina.
• Cessada violência ou clandestinidade, a posse deixa de ser injusta e
passa a ser justa.
Classificação da Posse quanto à Subjetividade
Posse de boa-fé
• Consciência da aquisição da coisa por meios legítimos.
• Conceito com base em critério subjetivo.
• Presunção da boa-fé para quem possui justo título.
• Posse de boa-fé caracterizada pela crença do possuidor de estar em
situação legítima.
• Posse de boa-fé > ignora existência de vício na aquisição da posse
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o
obstáculo que impede a aquisição da coisa.
Posse de má-fé
➢ Posse de quem, por erro inescusável ou ignorância grosseira,
desconhece vício que macula sua posse.
➢ Boa-fé x Má-fé
+> relevante para usucapião, disputa dos frutos e benfeitorias da
coisa possuída ou para definição da responsabilidade pela perda ou
deterioração.
➢ Posse de boa-fé pode mudar paraposse de má-fé (art. 1.202 CC).
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento
em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui
indevidamente.
CLASSIFICAÇÃO DA POSSE QUANTO À SUBJETIVIDADE
CLASSIFICAÇÃO DA POSSE
Posse originária e posse derivada
Posse Originária
• Não há vínculo entre o sucessor e o antecessor da posse,
• Causa da posse não é negocial.
Posse Derivada
• Há ato de transferência (da posse, e não necessariamente da propriedade)
entre antecessor e sucessor.
• Sempre haverá tradição na posse derivada.
Posse ad interdicta x ad usucapionem
Ad interdicta:
- Posse protegida pelos interditos possessórios.
Ad usucapionem:
- Posse que pode ser pressuposto de usucapião
Composse
x 
Posse Exclusiva
x 
Posses Paralelas
Posse Exclusiva x Composse
• Posse de um único possuidor.
• Posse exclusiva se contrapõe a Composse
• Pessoa tem sobre a coisa -> posse plena, direta ou indireta.
• Desdobramento da posse em direta e indireta não é incompatível
com a exclusividade.
37
COMPOSSE
• Quando 2 ou mais pessoas se tornam possuidoras do mesmo
bem, em virtude de contrato ou herança.
• Cada possuidor exerce a posse, por quota ideal, sem
embaraçar a da outra.
Ex: herdeiros antes da partilha.
• Compossuidor
=> pode usar proteção possessória, isolada ou conjuntamente, 
contra terceiro ou contra outro compossuidor que perturbar 
sua posse. 
GJFF 38
Pressupostos da posse comum ou compossessão:
➢ Pluralidade de sujeitos
➢ Coisa indivisa
Art. 1.199 - Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa,
poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto
que não excluam os dos outros compossuidores.
EFEITO: Copossuidores exercem direito sobre o TODO,
independentemente de sua quota parte.
GJFF 39
1) Cada possuidor pode se defender contra terceiro; Cada
possuidor pode se defender contra o outro copossuidor.
(Resp 537.363/RS)
2) Não é possível usucapião da coisa copossuida por um dos
copossuidores contra os demais porque todos exercem os
seus poderes sobre o TODO.
Exceção
1) Se for estabelecida POSSE COM EXCLUSIVIDADE, afastando os
demais do exercício da posse. (STJ, Resp 10978/RJ)
2) Usucapião conjugal
• Posses múltiplas.
•É a concorrência de posses
• Existência de posses de natureza diversa sobre a mesma
coisa.
• Desdobramento da Posse em Direta e Indireta
Posses Paralelas
Posse pro diviso x Posse pro indiviso
Posse pro indiviso
• Compossuidor tem posse somente de partes ideais da coisa 
objeto de composse.
Posse pro diviso
• Cada um dos possuidores se localiza em partes determinadas do 
imóvel, estabelecendo uma divisão de fato.
• É a posse materialmente localizada dentro da composse.
• É uma “posse individual” dentro da composse.
• Cada compossuidor poderá mover ação possessória contra outro 
compossuidor que afete o exercício de seus direitos, nascidos 
daquela situação de fato
Efeito Processual da Composse
Novo CPC
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para 
propor ação que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando 
casados sob o regime de separação absoluta de bens.
§ 1o Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação:
I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob 
o regime de separação absoluta de bens;
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou 
do réu somente é indispensável nas hipóteses de composse ou de ato 
por ambos praticado.
Em 05Mai2005, Aloísio adquiriu uma casa de 500 m²
registrada em nome de Bruno, que lhe vendeu o imóvel a preço
de mercado. A escritura e o registro foram realizados de maneira
usual. Em 05Set2005, o imóvel foi alugado, e Aloísio passou a
receber mensalmente o valor de R$ 3 mil pela locação, por um
período de 6 anos. Em 10Out2009, Aloísio é citado em uma ação
reivindicatória movida por Elisabeth, que pleiteia a retomada do
imóvel e a devolução de todos os valores recebidos por Aloísio a
título de locação, desde o momento da sua celebração. Uma vez
que Elisabeth é judicialmente reconhecida como a verdadeira
proprietária do imóvel em 10Out2011, pergunta-se: é correta a
pretensãoda autora ao recebimento de todos os aluguéis
recebidos por Aloísio?
Situação problema
À vista de todos e sem o emprego de qualquer tipo de violência, o 
pequeno agricultor Joventino adentra terreno vazio, constrói ali sua 
moradia e uma pequena horta para seu sustento, mesmo sabendo 
que o terreno é de propriedade de terceiros. Sem ser incomodado, 
exerce posse mansa e pacífica por 2 (dois) anos, quando é expulso por 
um grupo armado comandado por Clodoaldo, proprietário do terreno, 
que só tomou conhecimento da presença de Joventino no imóvel no 
dia anterior à retomada. Levando em consideração os dados 
apresentados e o entendimento dominante dos tribunais superiores 
brasileiros, é possível determinar que Joventino pode ajuizar ação 
possessória contra Clodoaldo? Explique e fundamente.
Estudo de Caso

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