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Pâncrea� Endócrin� CLAUDIA DE M. G. BUSNARDO ❖ Introdução ➢ Produtor da insulina e glucagon ■ Insulina: permite utilização da glicose pelas células ➢ Não é regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise⇒ regulado diretamente pelo SNC ■ O que regula é o nível de glicose no sangue ❖ Pâncreas: ➢ É tanto um órgão do sistema digestivo quanto endócrino, subdividido em cabeça, corpo e cauda ➢ Funções: ■ Exócrina: suco pancreático ■ Endócrina: insulina, glucagon, somatostatina e polipeptídeo pancreático ● Tipos de células das ilhotas pancreáticas: A ou alfa: 15-20% ⇒ glucagon; B ou beta: 50-80% ⇒ insulina; D: 3-10% ⇒ somatostatina (modula secreção de insulina e glucagon e inibe a secreção de somatotropina ou GH); F: 1%⇒ polipeptídeo pancreático (antagonista da colecistoquinina) ❖ Insulina: ➢ Formada por duas cadeias peptídicas: A (21 AAs) e B (30 AAs) ligadas por duas pontes dissulfeto ➢ Resíduos hidrofóbicos na região C-terminal da cadeia B C e N-terminais da cadeia A ➢ Aumenta proporcionalmente a ingesta alimentar⇒ controla o pico de glicemia ■ O glucagon tem efeito inverso da insulina ⇒ estimula a saída de glicose da célula para secreção na corrente sanguínea (glicogenólise) ➢ Hormônio anabólico ➢ Síntese da Insulina: ■ Ambas as cadeias são sintetizadas juntas e posteriormente fragmentadas⇒ as pontes de dissulfeto vão mantê-las interligadas ⇒ isso da a necessidade de um aminoácido sulfurado (cisteína, por ex) para que a ponte dissulfeto se ligue. ■ A insulina é sintetizada a partir do seu pré-pró-hormônio (pré-pró-insulina) ⇒ transportada para o RER onde há remoção de um fragmento sinalizador por uma peptidase ⇒se transforma em pró-insulina ⇒ o peptídeo C é removido no complexo de golgi por uma endopeptidase e resta apenas as cadeias peptídicas A e B que irão se unir por pontes dissulfeto⇒ formação da insulina madura ➢ O peptídeo C: ■ Hormônio capaz de ativar vias de sinalização ⇒ Ativa proteína quinase C, Na+/K+ - ATPase, estimula a óxido nítrico sintase e ativa MAPK e ERK quinase ■ Serve para avaliar a funcionalidade da célula beta pancreática do indivíduo ➢ Secreção de Insulina: ■ Determinada pela presença de glicose no sangue ■ Refeição ⇒ transporte de glicose para o interior da célula pelo GLUT-2 (independe da insulina) ⇒ transformada em glicose-6-fosfato ⇒ passa pelo metabolismo da glicose (glicólise + ciclo de Krebs + cadeia respiratória) ⇒ aumenta a razão ATP/ADP ⇒ gera despolarização dos canais de potássio sensíveis ao ATP e abertura dos canais de cálcio ⇒ causa secreção de insulina na CS por sistema de microtúbulos e miofilamentos das células Beta ■ Aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina)⇒ atuam estimulando a secreção tardia de insulina (dura até 2hs) ❖ Transportadores de Glicose: ➢ GLUT-2: não dependente de insulina (difusão passiva, já está na membrana plasmática) ■ Atua transportando a glicose para dentro da célula⇒ não há um controle dessa entrada ■ Quem controla a entrada de glicose na célula é a hexoquinase IV (baixa afinidade pela glicose)⇒ atua no pâncreas e fígado⇒ não é inibida pelo excesso de glicose-6-fosfato ● Pode ser regulada diretamente pelo nível de glicose no sangue ⇒ só atinge metade da saturação à concentração de 10mM de glicose ● É inibida por uma proteína reguladora ativada pela frutose-6-fosfato (diminuição da glicemia⇒ proteína reguladora + hexoquinase IV geram afastamento desta enzima das demais da via glicolítica no fígado) ➢ GLUT-4: depende da insulina ■ Controlado pela hexoquinase I e III no músculo esquelético e tecido adiposo. ● A Hexoquinase I-III são inibidas pelo excesso de glicose-6-fosfato e não são reguladas pelo nível de glicose plasmática ❖ Ação Geral da Insulina: ➢ Cascata de reações que atua amplificando um sinal (cascata MAPKs, ptns quinases ativadas por mitógenos)⇒ gera alteração de atividade enzimática e/ou modulação da expressão gênica (síntese de enzimas) ➢ Efeito na expressão gênica: ■ Insulina se liga a subunidade alfa do seu receptor tetramérico na célula ⇒ gera mudança conformacional e expõe o sítio catalítico da subunidade beta e gera fosforilação do receptor ● Subunidades beta são fosforiladas em resíduo de tirosina ■ Esse receptor se auto fosforila e atrai uma proteína IRS-1 e também a fosforila a tirosina⇒ Resíduo de tirosina do IRS-1 se liga a RAS por uma ponte de Grb2 e Sos⇒ a proteína RAS troca o GDP pelo GTP e é ativada, ligando-se a Raf-1 ⇒ Raf-1 fosforila a MEK em dois resíduos de serina, a ativando. ⇒ MEK fosforila a ERK em resíduo de tirosina e a ativa, chegando ao núcleo celular e gerando alteração gênica ➢ Efeito na qualidade enzimática: ■ O substrato é novamente fosforilado em resíduos de tirosina ⇒ este fosforila a PI-3K (fosfoinositídeo-3-quinase) ⇒ PI3K atua na membrana plasmática da célula usando fosfolipídio pré-existente como substrato ⇒ atua convertendo PIP2 em PIP3⇒ PIP3 ativa outra quinase a partir do aumento da sua concentração ⇒ PKB é ativada e estimula a célula a síntese de glicogênio e estimula o movimento do transportador de glicose GLUT-4 de vesículas membranosas internas para a membrana plasmática, aumentando a captação de glicose ● PKB também fosforila a GSK3 e a inativa, impedindo que a glicogênio sintase seja fosforilada e portanto gerando a síntese de glicogênio (GS também está inativa quando fosforilada) ➢ Funções Metabólicas da Insulina: ■ Normalizar a glicemia do indivíduo frente a situações de hiperglicemia ⇒ aumento da captação de glicose sanguínea por diferentes tecidos ● Essa glicose é convertida em: energia (50%, glicólise), gordura (30-40%, triglicerídeos, lipogênese) e glicogênio (10%, glicogênese) ■ Tecido muscular e adiposo: ● Relacionada ao deslocamento de vesículas ricas em GLUT4 ■ Tecido hepático: atividade e síntese da enzima glicoquinase ❖ Vias metabólicas influenciadas pela insulina: ➢ Glicólise: ■ Aumenta a atividade e síntese das enzimas glicoquinase, fosfofrutoquinase e piruvato quinase. ➢ Glicogênese: ■ Aumenta a atividade da glicogênio sintase, mantendo-a ativa ➢ Glicogenólise: ■ Diminui a atividade da glicogênio fosforilase. ■ Aumenta a atividade e síntese da fosfodiesterase, diminuindo a concentração de AMPc pela degradação dele. ● O glucagon aumenta a [AMPc] dentro da célula ativando a glicogênio fosforilase⇒ degradação do glicogênio ➢ Gliconeogênese: ■ Diminui a síntese da enzima fosfoenolpiruvato carboxiquinase (PEPCK)⇒ repressão da gliconeogênese ➢ Lipogênese: ■ No fígado aumenta a transcrição de diferentes fatores responsáveis pela homeostase de lipídeos, promovendo a síntese de ácidos graxos mediado pelo SREBP-1c ■ No tecido adiposo aumenta a síntese de triglicerídeos (acetil-CoA carboxilase e aumenta glicerogênese) ■ Inibe a lipólise ➢ Síntese de proteínas: ■ Diminui a gliconeogênese ■ Estimula a absorção de aminoácidos neutros pelo músculo esquelético ■ Tradução de moléculas de mRNA. ❖ Glucagon: ➢ Efeito inverso no metabolismo dos carboidratos ■ Age na falta de glicose na corrente sanguínea ➢ Promove a glicogenólise⇒ estimula a atividade da glicogênio fosforilase ■ Receptor de membrana plasmática através do sistema de AMPc ⇒ muda a qualidade da enzima pré existente. ➢ No fígado: ■ Glucagon se liga⇒ quebra o glicogênio⇒ glicose-6-fosfato⇒ glicose sanguínea ■ Diminui a glicólise e aumenta a gliconeogênese ➢ No músculo: ■ A atuação da adrenalina degrada o glicogênio ⇒ glicose-6-fosfato ⇒ produção de ATP para contração muscular. ■ Aumenta a glicólise ■ Não tem receptor para glucagon no músculo ❖ Efeito Anabólico x Catabólico ➢ Insulina: anabólico⇒ Relacionado ao estado pós prandial ➢ Glucagon: catabólico⇒ imagem ❖ Alteração na sensibilidade à insulina: ➢ Causas: ■ Defeito no receptor (anticorpos anti-receptor, raro) ■ Defeito na translocação do GLUT-4 ■ Defeito na transdução do sinal (mais provável) ➢ Resistência à insulina no tecido adiposo: ■ Síntese de citocinas pró-inflamatórias ■ Ativação de proteínas quinases específicas como JNK (subgrupo de ptns quinases ativadas por mitógenos) e IKKBeta (proteínaquinase ativadora de NF-KB)⇒ ativam fatores de transcrição ➢ Ativação de proteínas quinases específicas: ■ Aumento da fosforilação do IRS-1 em resíduos de serina e treonina e diminuição da fosforilação em resíduos de tirosina ■ TNF-alfa: regulação negativa da expressão gênica de GLUT-4. ➢ No tecido muscular: ■ Aumento da [] de ácidos graxos saturados não esterificados ou livres no sangue (lipotoxicidade) ■ Aumento da síntese de triglicerídeos e acúmulo de metabólitos lipídicos (ceramidas e glicerol) no meio intracelular ■ Ativação da pKC-teta (serina quinase) ⇒ aumento da fosforilação do IRS-1 em resíduos de serina e diminuição da fosforilação em resíduos de tirosina ■ Diminuição da ativação da fosfatidilinositol 3-quinase ➢ No tecido hepático: ■ Aumento da [] de ácidos graxos saturados não esterificados no sangue⇒ lipotoxicidade ■ Aumento da síntese de triglicerídeos e acúmulo de metabólitos lipídicos ■ Ativação da PKC-teta, diminuição da ativação e síntese da hexoquinase e diminuição da capacidade de supressão de glicogenólise e da gliconeogênese. ■ Aumento da incorporação de ácidos graxos saturados aos fosfolipídeos de membrana ⇒ diminuindo a fluidez e afetando a função de receptor de insulina. ❖ Diabetes Mellitus: ➢ É uma síndrome clínica heterogênea caracterizada por anormalidades endócrino-metabólicas que alteram a homeostase do organismo. ➢ Principais tipos: ■ Tipo 1 (insulino-dependente): destruição de células beta pancreáticas com deficiência absoluta de insulina (auto imune ou idiopática) ■ Tipo 2 (não insulino-dependente): predominância de resistência insulínica com relativa deficiência de insulina ■ MODY: produção de insulina insuficiente ou alteração na síntese e/ou atividade da glicoquinase. ➢ Outros tipos específicos de diabetes: defeitos genéticos nas células beta, na ação da insulina, doenças do pâncreas, endocrinopatias (síndrome de Cushing), indução por fármacos e agentes químicos, infecções, diabetes gestacional, etc. ➢ Diagnóstico: ■ Análise laboratorial e monitoramento da diabetes ■ Glicemia em jejum de 8 hrs > 126mg/dL e casual >200 mg/dL ■ TTOG: > 200 mg/dL em 2 horas ■ Glicosúria e cetonúria. ■ HbA1c: 6,1-7,0% ➢ Síndrome Metabólica: ■ Presença de no mín. 3 ou + anormalidades: obesidade abdominal, HAS, hiperglicemia, hipertrigliceridemia, níveis reduzidos de HDL-c. Medul� d� Glândul� Adrena�: ❖ Medula adrenal: ➢ Não é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise ➢ Não tem axônios nos corpos celulares e descarregam catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) diretamente na corrente sanguínea⇒ neurotransmissores adrenérgicos ■ + parte da produção de adrenalina ou epinefrina (80%) e o restante de noradrenalina ❖ Síntese de catecolaminas: ➢ Tirosina hidroxilase faz a hidroxilação do anel formando a L-DOPA, por atuação de uma coenzima ■ Enzima limitante, regula a velocidade de biossíntese de catecolaminas⇒ retroinibição pelo aumento da [] de catecolaminas ➢ L-DOPA é convertia em dopamina pela DOPA descarboxilase ➢ Dopamina beta-hidroxilase converte dopamina em norepinefrina e a feniletanolamina N-metil-transferase (PNMT) a converte em epinefrina. ■ PNMT tem atividade estimulada por glicocorticóides ■ Em momentos de estresse crônico há picos de adrenalina devido a essa influência. ❖ Receptores de membrana plasmática de catecolaminas (glicoptns): ➢ Alfa e beta ⇒ Epinefrina tem maior afinidade por receptores beta e norepinefrina por receptores alfa ➢ A potência e a função das catecolaminas varia de acordo com o receptor ❖ Transporte e excreção das catecolaminas: ➢ Circulam no sangue ligadas à proteínas plasmáticas (50%) mas também livremente ➢ Tem vida útil curta, de 2-3 minutos e excreção urinária ➢ Meia vida de minutos em circulação no sangue e são degradadas por reação de metilação (catecol-O-metiltransferase, COMT) ou desaminação (monoamino oxidases, MAO) ❖ Funções da Adrenalina no metabolismo intermediário: ➢ Gera ativação do glicogênio fosforilase e inativação da glicogênio sintase por fosforilação (dependente de AMPc)⇒ Remove resíduos de glicose das extremidades não redutoras pela glicogênio fosforilase (fosforólise das ligações alfa-1,4)⇒ Inibe a glicogênio sintase pela sua fosforilação ➢ ↑ glicólise e ↑ a [] de frutose 1,6 bifosfato (ativador alostérico da fosfofrutocinase-1) ➢ ↑ a mobilização de gordura no tecido adiposo (ativação da lipase sensível a hormônio por fosforilação, dependente de AMPc) ➢ Estimulação da secreção de glucagon e inibição da secreção de insulina (efeito catabólico) ■ Obs.: não ocorre gliconeogênese no músculo, apenas no fígado.