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Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 1 PÂNCREAS ENDÓCRINO - É uma glândula mista que desempenha papel importante na digestão e no metabolismo, na utilização e no armazenamento dos substratos energéticos; - A manutenção da homeostasia da glicose no corpo envolve um equilíbrio regulado entre a liberação hepática da glicose (a partir da degradação de glicogênio e gliconeogênese), absorção dietética da glicose, e sua captação e processamento pelo músculo esquelético e tecido adiposo; ANATOMIA - O pâncreas é uma glândula retroperitoneal, localizada abaixo do estômago e próxima ao duodeno, dividida em cabeça, corpo e cauda; - A maior parte do pâncreas é exócrina (98-99%), constituída por células exócrinas agrupadas em lóbulos (ácinos); - A parte endócrina (1-2%) é representada pelas ilhotas de Langerhans, pequenos grupos de células endócrinas altamente vascularizados, que estão mergulhados no interior dos ácinos; - As células endócrinas presentes nas ilhotas de Langerhans são: o Células β → secretam insulina; o Células α → secretam glucagon; o Células δ → secretam somatostatina; o Células PP → secretam polipeptídeo pancreático; - A localização desses tipos celulares dentro das ilhotas exibe um padrão, com as células β localizadas centralmente, circundadas pelas células α e δ: Suprimento sanguíneo - O suprimento sanguíneo arterial do pâncreas deriva da artéria esplênica e das artérias pancreático-duodenais superior e inferior; - As ilhotas recebem cerca de 10 a 15% do fluxo sanguíneo pancreático, e essa rica vascularização por capilares fenestrados possibilita um acesso rápido à circulação dos hormônios secretados pelas ilhotas; - O sangue venoso do pâncreas drena na veia porta hepática (logo, o fígado, que é o principal órgão-alvo dos hormônios pancreáticos, é exposto a maiores concentrações) – após o metabolismo hepático de primeira passagem, os hormônios vão para a circulação sistêmica; Inervação - Os nervos parassimpáticos, simpáticos e sensoriais inervam ricamente as ilhotas pancreáticas, pois exercem efeitos reguladores importantes sobre a liberação hormonal pancreáticas; Parassimpático → libera a ACh, o polipeptídeo intestinal vasoativo, o polipeptídeo de ativação da adenilato-ciclase da hipófise e o peptídeo de liberação da gastrina. Estimula (+) a ação da insulina; Simpático → libera a NA, a galanina e o neuropeptídeo Y. A estimulação simpática inibe (-) a secreção de insulina basal estimulada pela glicose e de somatostatina, e estimula a secreção do glucagon e do polipeptídeo pancreático; Obs: a ativação do nervo vago estimula a secreção de insulina, glucagon, somatostatina e polipeptídeo pancreático; INSULINA ❖ Síntese - É um hormônio polipeptídico formado por duas cadeias peptídicas (α e β) ligadas por pontes de sulfeto; 1. O RNAm orienta a síntese ribossômica de pré-pró- insulina, com quatro peptídeos: o peptídeo de sinalização, as cadeias α e β de insulina e o peptídeo de conexão (peptídeo C); 2. O peptídeo de sinalização é clivado, produzindo a pró- insulina. Esta é levada ao RER, o peptídeo C está ligando as cadeias α e β de insulina. A ligação das 2 cadeias possibilita o dobramento da molécula e a formação de pontes de dissulfeto entre as cadeias; 3. No RER, o peptídeo C é clivado, expondo a extremidade da cadeia de insulina que interage com o seu receptor, gerando a forma ativa do hormônio; 4. A insulina e o peptídeo C são empacotados em grânulos secretores no complexo de Golgi; Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 2 ❖ Armazenamento, liberação e degradação - Os grânulos se acumulam no citoplasma em dois reservatórios: um de liberação rápida (5%) e um de armazenamento dos grânulos (> 95%); - Quando estimuladas, as células β liberam insulina de modo bifásico: inicialmente do reservatório de liberação rápida, seguido pelo reservatório de armazenamento dos grânulos (que sofrem reações preparatórias, incluindo mobilização para a membrana plasmática); - Apenas uma pequena fração das reservas celulares de insulina é liberada, mesmo em condições de estimulação máxima; - A insulina circula em sua forma livre, com meia-vida de 3 a 8 min; - É degradada predominantemente pelo fígado (com degradação de > 50% em sua primeira passagem). Ocorre degradação adicional nos rins, bem como em tecidos-alvo, por proteases da insulina, que rompem a ligações dissulfeto; - A liberação de insulina durante o dia é pulsátil e rítmica. A liberação pulsátil é importante para a obtenção de efeitos fisiológicos máximos; - Acredita-se que as células β se comunicam entre si para sincronizar a liberação de insulina por meio de junções comunicantes (gap), possibilitando a passagem e íons e de pequenas moléculas, e a propagação da despolarização da mebrana; - A secreção de insulina aumenta após uma refeição, em resposta ao ↑ dos níveis plasmáticos de glicose e aminoácidos. A secreção aumentada resulta de uma combinação de aumento da quantidade total de insulina liberada em cada surto secretor e de um aumento da frequência dos pulsos de magnitude, sendo resultado de uma maior frequência e amplitude de sua liberação pulsátil; PEPTÍDEO C: a exocitose do conteúdo dos grânulos secretores resulta na liberação de quantidades equimolares de insulina e de peptídeo C na circulação porta do fígado. A importância do peptídeo C é que, diferente da insulina, ele não é logo degradado no fígado. Devido a sua meia-vida mais longa (35 min), sua liberação é usada como índice da capacidade secretora do pâncreas endócrino. Por isso, a secreção do peptídeo C é a base do teste para a função das células β em pessoas com DM tipo I, que estão sob tratamento com injeções de insulina exógena. Além disso, o peptídeo C pode ter alguma ação biológica, pois há evidências de que sua reposição melhora a função renal e a disfunção nervosa em pacientes com DM tipo 1; ❖ Regulação da liberação de insulina - A célula β do pâncreas atua como integrador neuroendócrino, que responde a alterações nos níveis plasmáticos de substratos energéticos (glicose, aminoácidos e ácidos graxos livres), hormônios (insulina, peptídeo semelhante ao glucagon, somatostatina e adrenalina) e neurotransmissores (NA e ACh), ↑ ou ↓ a liberação de insulina; - A glicose é o principal estímulo para a liberação de insulina pelas células β; - A glicose entra nas células β por meio do transportador de glicose 2 (GLUT 2) ligado à MP e sofre fosforilação imediata pela enzima glicoquinase, gerando glicose-6-fosfato → A glicose-6-fosfato sofre oxidação, gerando ATP. O ↑ da razão entre ATP e ADP inibe os canais de K+ sensíveis aos ATP (KATP) na célula β, ↓ o efluxo de K+ → despolarização → abertura dos canais de Ca+ dependentes de voltagem e ↑ do influxo de Ca+2 → exocitose dos grânulos secretores de insulina; Obs: a regulação dos canais de K+ pelo ATP é mediada pelo receptor de sulfonilureia, que constitui a base para o uso terapêutico dos fármacos sulfonilureias (tolbutamida, gliburida) no tratamento do DM tipo 2. Assim, eles fecham os canais de K+ dependentes de ATP, despolarizando a MP e mimetizando a despolarização induzida por glicose; Fatores que afetam a secreção de insulina Amplificadores - Os fatores que amplificam a liberação de insulina em resposta à glicose são: ACH, colecistocinina, peptídeo gastrintestinal (polipeptídeo insulinotrófico dependente de glicose) e peptídeo semelhante ao glucagon (GLP 1); Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 3 - Todas essas substâncias se ligam a receptores de superfície celular e desencadeiam mecanismos de sinalização distais que controlam a liberação de insulina, como: 1. A ACh e a colecistocinina promovem a degradação do fosfoinositídeo, mobilizando Ca2+ a partir das reservas intracelulares, influxo de Ca2+através da membrana e ativação da proteína-quinase C; 2. O GLP 1 ↑ os níveis de AMPc e ativa a proteína-quinase A(PKA). A geração de AMPc, de IP3, de diacilglicerol e de ácido araquidônico e a ativação de proteína-quinase C amplificam o sinal do Ca2+, diminuindo a captação de Ca2+ pelas reservas celulares e promovendo tanto a fosforilação quanto a ativação das proteínas que desencadeiam a exocitose da insulina; Inibidores - As catecolaminas e a somatostatina inibem a secreção de insulina pelos mecanismos de receptores acoplados à proteína G, por inibição da adenilato-ciclase e modificação dos canais de Ca+2 e K+; - A regulação a curto prazo da liberação de insulina é mediada pela modificação da tradução do RNAm da pró- insulina. Ao longo de períodos mais extensos, a glicose também aumenta o conteúdo de mRNA da pró-insulina pela estimulação da transcrição do gene da pró-insulina e pela estabilização do mRNA; - A resposta bifásica à glicose é importante na liberação de insulina estimulada pela glicose: a 1ª fase ocorre em alguns minutos, com liberação rápida de insulina pré-formada; a 2ª fase se estende por uma hora ou mais, com a liberação mais sustentada de insulina recém-sintetizada; ❖ Receptor de insulina - O receptor de insulina pertence à família dos receptores de insulina, que inclui o receptor do fator de crescimento semelhante à insulina; - O receptor de insulina é um receptor de membrana glicoproteico heterotetramérico, composto de 2 subunidades α e 2 subunidades β ligadas por pontes de dissulfeto; 1. A cadeia α extracelular é o local de ligação da insulina, enquanto o segmento intracelular da cadeia β tem atividade de tirosina-quinase intrínseca, que, com a ligação da insulina, sofre autofosforilação dos resíduos de tirosina no meio intracelular; 2. O receptor ativado fosforila resíduos de tirosina de proteínas conhecidas como substrato do receptor de insulina 1 a 4 (IRS1 a 4), facilitando a interação do receptor de insulina com substratos intracelulares; 3. O resultado disso é o acoplamento do receptor de insulina com vias de sinalização, que são: o Via da fosfatidilinositol-3-quinase (PI3K); o Via da proteína-quinase ativada por mitógeno (MAPK); - A via da PI3K envolve a fosforilação dos fosfolipídeos de Inositol, bem como a geração de 3,4,5-trifosfato de fosfatidilinositol e 3,4-bifosfato de fosfatidilinositol. Esses produtos atraem serina-quinases para a membrana plasmática, incluindo a quinase dependente de fosfoinositídeo e diferentes isoformas da proteína-quinase B, que catalisam alguns efeitos celulares da insulina. Essa via está envolvida na mediação dos efeitos metabólicos do hormônio (como o transporte de glicose, a glicólise e a síntese de glicogênio) e no crescimento celular (transmite um sinal antiapoptótico e ↑ a sobrevida das células); - A via da MAPK participa na mediação dos efeitos proliferativos e de diferenciação induzidos pela insulina; - A transdução de sinais pelo receptor de insulina não se limita a sua ativação na superfície celular, pois o complexo ligante-receptor pode ser internalizado em endossomas*. Quando o endossoma fica ácido, a insulina se dissocia do receptor, interrompendo os efeitos mediado pelo complexo hormônio-receptor e degradando a insulina por proteases (como a insulinase ácida). O receptor dissociado pode ser reciclado na superfície celular para se ligar novamente à insulina; *Acredita-se que a endocitose dos receptores ativados aumente a atividade de tirosina-quinase do receptor de insulina em substratos distantes da MP; IPC: o nº de receptores de insulina disponíveis é modulado pelo exercício, dieta, insulina e outros hormônios → A exposição crônica à níveis elevados de insulina, a obesidade e o excesso de GH levam a um downregulation dos receptores de insulina. Já o exercício e a inanição podem levar ao upregulation, melhorando a responsividade à insulina; Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 4 EFEITOS DA INSULINA - A insulina exerce variados efeitos, que incluem os imediatos (em segundos), como a modulação do transporte de K+ e de glicose nas células; precoces (em poucos minutos), como a regulação da atividade enzimática metabólica; moderados (em vários minutos a horas), como a modulação da síntese das enzimas, e tardios (em várias horas a dias), como os efeitos sobre o crescimento e a diferenciação celular; - De forma geral, as ações da insulina nos órgãos-alvo são anabólicas, ↑ a síntese de carboidratos, lipídeos e proteínas; ❖ Efeitos precoces - A insulina controle cerca de 40% do processamento de glicose pelo corpo, cuja maior parte (80 a 90%) ocorre no músculo esquelético; - A entrada de glicose dentro da célula é mediada por GLUTs, que possuem sua própria distribuição tecidual peculiar → o transporte de glicose estimulado pela insulina é mediado pelo GLUT 4; - A ligação da insulina ao receptor causa o recrutamento ativo de GLUT 4, armazenado em vesículas intracelulares, por meio de exocitose direcionada e ↓ da sua taxa de endocitose*; *Esse processo é o mecanismo subjacente pelo qual a insulina estimula o transporte de glicose nos adipócitos e nos miócitos; ❖ Efeitos intermediários - Esses efeitos são mediados pela modulação da fosforilação de enzimas envolvidas no metabolismo do músculo, no tecido adiposo e no fígado; Tecido adiposo → a insulina inibe a lipólise e a cetogênese ao desfosforilar a lipase sensível ao hormônio (pois inibe a degradação dos triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol → ↓ a qtd. de substrato para a cetogênese) e estimula a lipogênese pela ativação da acetil-CoA. A insulina antagoniza a lipólise induzida por catecolaminas por meio da fosfodiesterase → ↓ AMPc e ↓ na atividade da PKA. Logo, no tecido adiposo, a insulina: o ↑ lipogênese, ↓ lipólise e ↓ cetogênese; o ↑ captura de glicose; Resumo: o efeito global de insulina, no metabolismo de gordura, é o de inibir a mobilização e a oxidação dos ácidos graxos e, simultaneamente, aumentar seu armazenamento. Assim, a insulina diminui os níveis circulantes de ácidos graxos e, logo, de cetoácidos. No tecido adiposo, a insulina estimula a deposição de gordura e inibe a lipólise. Fígado → a insulina estimula a expressão gênica de enzimas envolvidas na utilização da glicose (ex: glicoquinase, piruvato-quinase) e das enzimas lipogênicas e inibe a expressão gênica das enzimas que produzem glicose. A insulina estimula a síntese de glicogênio por um aumento na atv. da fosfatase, levando à desfosforilação da glicogênio- fosforilase e da glicogênio-sintase. Além disso, a desfosforilação dos sítios inibitórios na acetil-CoA- carboxilase hepática aumenta a produção de malonilcoenzima A (malonil-CoA) e diminui a taxa de entrada dos ácidos graxos nas mitocôndrias hepáticas para oxidação e produção de corpos cetônicos; o ↑ glicogênese; o ↓ glicólise; Músculo → a insulina estimula a captação de glicose e favorece a síntese de proteínas por meio da fosforilação de uma serina/treonina proteína-quinase, a mTOR (alvo de rapamicina de mamíferos). Também estimula o armazenamento de lipídeos no músculo e no tecido adiposo; o ↑ captura de glicose; o ↑ captura de aminoácidos; o ↑ síntese de proteína; o ↑ glicogênese; o ↑ glicólise; Obs: por isso, a deficiência de insulina leva ao acúmulo de glicose no sangue, ↓ do armazenamento de lipídeos e perda de proteína, resultando em balanço nitorgenado negativo e consunção muscular; ❖ Efeitos a longo prazo - A estimulação sustentada da insulina ↑ a síntese de enzimas lipogênicas e a repressão de enzimas gliconeogênicas. Os efeitos da insulina na promoção do crescimento e os efeitos mitogênicos são respostas a longo Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 5 prazo mediadas pela via da MAPK. A ativação crônica da viada MAPK leva a um crescimento celular excessivo, e acredita-se que essa via participa das consequências fisiopatológicas das elevações crônicas de insulina; - Os níveis de insulina estão altos (que significa uma resistência a ela) no desenvolvimento e estágios iniciais do DM tipo 2; - As condições que produzem a elevação dos níveis de insulina incluem grande circunferência da cintura, excesso de gordura visceral, razão elevada entre circunferência da cintura e quadril, elevado índice de massa corporal, estilo de vida sedentário e alta ingestão; A hiperinsulinemia crônica tem sido ligada a um risco aumentado de câncer (CA de endométrio, de mama pós- menopausa, de colo e de rim). Além disso, a hiperinsulinemia crônica pode influenciar as células musculares lisas, que tem papel na patogenia de várias doenças, como HAS, aterosclerose, doença cardiovascular e dislipidemia, que são muito associadas a uma resistência à insulina e hiperinsulinemia; GLUCAGON ❖ Síntese - O glucagon é um hormônio polipeptídico de 29 aminoácidos secretado pelas células α das ilhotas de Langerhans; - Tem importante papel na homeostasia da glicose, pois produz efeitos antagonistas sobre a ação da insulina; - O glucagon é sintetizado como pré-pró-glucagon; → o peptídeo de sinalização e outras sequências peptídicas são removidos, formando pró-glucagon, para a produção do glucagon; → depois é armazenado em grânulos densos, até ser secretado pelas células α; - O pró-hormônio proglucagon é expresso não só no pâncreas, mas também nas células enteroendócrinas no trato intestinal e no cérebro. Porém, o processamento do pró-hormônio difere entre os tecidos; - Os dois principais produtos do processamento do proglucagon são o glucagon, nas células α do pâncreas, e o GLP 1* nas células intestinais, que é produzido em resposta a uma concentração alta de glicose no intestino; *O GLP 1 é conhecido como incretina, um mediador que amplifica a liberação de insulina das células β em resposta a uma carga de glicose; - A glicose, a insulina e a somatostatina inibem a síntese do glucagon; - O glucagon é transportado de forma livre e tem meia-vida curta (5 a 10 minutos) e é degrado principalmente no fígado; ❖ Regulação da liberação - O principal fator estimulante da secreção de glucagon é a ↓ da concentração de glicose no sangue (hipoglicemia)*. A liberação de glucagon é inibida pela hiperglicemia; *Logo, a secreção de glucagon é estimulada nos períodos de jejum. Por isso, é chamado de hormônio da fome; Ex: uma refeição rica em carboidratos suprime a liberação de glucagon e estimula a liberação de insulina pelas células β por meio da liberação intestinal de GLP 1; - A secreção de glucagon também é estimulada pela ingestão de proteínas (especificamente, aa arginina e alanina); - A adrenalina estimula a ação de glucagon por um mecanismo o β2 -adrenérgico (enquanto suprime a liberação de insulina das células β por um mecanismo α2- adrenérgico). Ademais, a estimulação vagal (parassimpática), que libera ACh, também ↑ sua secreção; ❖ Receptores - Os receptores peptídicos de glucagon e GLP 1 pertencem a uma família de receptores acoplados à proteína G que inclui os receptores de secretina, calcitonina, polipeptídeo intestinal vasoativo, paratormônio etc.; - São expressos no fígado, nas células β do pâncreas, nos rins, no tecido adiposo, no coração, nos tecidos vasculares, no cérebro, no estômago e nas glândulas adrenais. Porém, o glucagon é secretado em quantidades mais baixas que as de insulina, e quando passa pelo fígado (principal órgão-alvo) e é degradado, sobra pouco glucagon para atuar em outras áreas; - O receptor de glucagon é acoplado à proteína Gs, que ativa adenilato-ciclase → ↑ AMPc, mobilização do Ca+2 intracelular, ativação da PKA e fosforilação de proteínas efetoras; - O complexo glucagon-receptor sofre endocitose em vesículas intracelulares, onde o glucagon é degradado; Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 6 EFEITOS DO GLUCAGON Fígado → o fígado é o principal tecido-alvo do glucagon. O principal efeito desse hormônio é ↑ as concentrações plasmáticas de glicose, estimulando a produção hepática de glicose (gliconeogênese) e pela degradação de glicogênio (glicogenólise), além de diminuir a glicólise; Tecido adiposo → o glucagon ativa a enzima envolvida na degradação de triglicerídeos (gordura armazenada) em diacilglicerol e ácidos graxos livres. O diacilglicerol pode ser utilizado no fígado para gliconeogênese ou reesterificação; já os ácidos graxos livres são fonte de energia para outros tecidos, sobretudo fígado e músculo esquelético; No fígado, os ácidos graxos livres são usados para reesterificação ou podem sofrer β-oxidação e conversão em corpos cetônicos. Por conseguinte, a cetogênese é regulada pelo equilíbrio entre os efeitos do glucagon e os da insulina em seus órgãos-alvo. Além disso, o glucagon inibe a conversão de Acetil-CoA em Manolil-CoA, que seria responsável por sintetizar ácidos graxos. Com isso, inibe a síntese de ácidos graxos e estimula o transporte de ácidos graxos para a mitocôndria, onde serão oxidados em corpos cetônicos. Os corpos cetônicos vão para a corrente sanguínea, servindo como fonte de energia para outros tecidos; - De forma geral, essas ações neutralizam os efeitos da insulina. Todos os mecanismos do glucagon aumentam a glicose na célula hepática, que passa por difusão facilitada via GLUT 2 para o meio extracelular (↑ glicemia); SOMATOSTATINA - Hormônio peptídico de 14 aminoácidos produzidos por células δ do pâncreas. Sua liberação é estimulada por refeições ricas em gordura, carboidratos e proteínas, sendo inibida pela insulina; - A somatostatina tem efeito inibitório generalizado em quase todas as funções gastrintestinais e do pâncreas exócrino e endócrino; Obs: a administração exógena de somatostatina suprime de modo efetivo a liberação de insulina e glicose, sendo usada para o tratamento de tumores produtores de insulina ou de glucagon; POLIPEPTÍDEO PANCREÁTICO - Hormônio peptídico de 36 aminoácidos, sendo liberado na circulação após a ingestão de alimento, exercício e estimulação vagal; - Seus efeitos inibem a secreção pancreática exócrina, contração da vesícula biliar, modulação da secreção de ácido gástrico e motilidade gastrintestinal; AMILINA - A amilina, ou polipeptídeo amiloide das ilhotas, é um hormônio peptídico de 37 aminoácidos que pertence à família da calcitonina; - É armazenada em grânulos β e é liberada com a insulina e o peptídeo C; - Parece atuar com a insulina na regulação dos níveis de glicose, na supressão da secreção pós-prandial de glucagon e na ↓ da velocidade de esvaziamento do suco gástrico; - No músculo, ativa a glicogenólise e a glicólise, aumentando a produção de lactato; Obs: a amilina está aumentada na obesidade, na HAS e no diabetes gestacional, mostrando-se baixa ou ausente no DM tipo 1; CONCEITOS Lipólise → quebra da gordura; Lipogênese → formação de gordura; Gliconeogênese → síntese de glicose a partir de substratos não-glicídicos, como lactato, piruvato, glicerol e aminoácidos; Glicólise → quebra da glicose para extrair energia para o metabolismo celular. Pode ser definido como uma via metabólica na qual uma molécula de glicose é quebrada em duas moléculas de ácido pirúvico; Glicogênese → síntese de glicogênio (ocorre principalmente no fígado e nos músculos). Processo bioquímico que transforma a glicose em glicogênio; Glicogenólise → quebra do glicogênio em glicose. Ocorre em momentos em que o corpo precisa de energia (ex: jejum e atividade física); Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 7 DIABETES MELLITUS TIPO 1 - A DM tipo 1 (diabetes mellitus insulino-dependente), resulta da destruição das células β, frequentemente, devido a umprocesso autoimune. Representada α-glicosidase → retardam a absorção intestinal dos carboidratos pela inibição das enzimas da borda em escova que hidrolisam polissacarídeos em glicose; Tiazolidinedionas → ↓ a resistência à insulina no músculo esquelético pela ativação da isoforma gama do receptor ativado por proliferação peroxissomal no núcleo, afetando a transcrição de vários genes envolvidos no metabolismo da glicose e dos lipídeos, bem como no balanço energético. Entre os genes afetados, encontram-se os que codificam a lipoproteína lipase, a proteína transportadora de ácidos graxos, a proteína de ligação dos ácidos graxos do adipócito, a sintase de ácido graxo acetil-CoA, a enzima málica, a glicoquinase e o GLUT 4; Peptídeo semelhante ao glugagon (GLP 1) → ↑ a liberação de insulina induzida pela glicose, pois ↑ a síntese de insulina e a expressão do gene da insulina, além de exercer efeitos tópicos e antiapoptóticos sobre as células β. O GLP 1 também ↓ a liberação de glucagon, a produção hepática de glicose, o esvaziamento gástrico e a ingestão de alimento; Octeto da Fisiopatologia do DM2 Obesidade e resistência à insulina - A obesidade, sobretudo a central (gordura abdominal), está relacionada com a resistência à insulina de várias formas: o Excesso de AGLs → o nível de triglicerídeos intracelulares está aumentado nos músculos e no fígado de pessoas obesas, pois excesso de AGLs circulante é absorvido por esses órgãos. Esses triglicerídeos intracelulares e os produtos do metabolismo de AGLs são inibidores da sinalização de insulina, causando uma resistência à insulina adquirida; o Adipocinas → as adipocinas são proteínas secretadas pelo tecido adiposo. Algumas delas podem ↑ a glicemia, e outras ↓ (como a leptina e a adiponectina). A adiponectina está reduzida na obesidade, contribuindo, assim, para a resistência à insulina; o Inflamação → um meio inflamatório (mediado por citocinas pró-inflamatórias que são secretadas em resposta a excesso de nutrientes, como AGLs) causa resistência periférica à insulina e disfunção das células β. O excesso de AGLs dentro do macrófago e células β pode ativar o inflamassoma, que secreta IL-1. IL-1 e outras citocinas ↑ a resistência à insulina; Assim, o excesso de AGLs pode impedir a sinalização de insulina diretamente e indiretamente (pelas citocinas);