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Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
1 
 
PÂNCREAS ENDÓCRINO 
- É uma glândula mista que desempenha papel importante 
na digestão e no metabolismo, na utilização e no 
armazenamento dos substratos energéticos; 
- A manutenção da homeostasia da glicose no corpo envolve 
um equilíbrio regulado entre a liberação hepática da glicose 
(a partir da degradação de glicogênio e gliconeogênese), 
absorção dietética da glicose, e sua captação e 
processamento pelo músculo esquelético e tecido adiposo; 
ANATOMIA 
- O pâncreas é uma glândula retroperitoneal, localizada 
abaixo do estômago e próxima ao duodeno, dividida em 
cabeça, corpo e cauda; 
- A maior parte do pâncreas é exócrina (98-99%), constituída 
por células exócrinas agrupadas em lóbulos (ácinos); 
- A parte endócrina (1-2%) é representada pelas ilhotas de 
Langerhans, pequenos grupos de células endócrinas 
altamente vascularizados, que estão mergulhados no 
interior dos ácinos; 
- As células endócrinas presentes nas ilhotas de Langerhans 
são: 
o Células β → secretam insulina; 
o Células α → secretam glucagon; 
o Células δ → secretam somatostatina; 
o Células PP → secretam polipeptídeo pancreático; 
- A localização desses tipos celulares dentro das ilhotas exibe 
um padrão, com as células β localizadas centralmente, 
circundadas pelas células α e δ: 
 
Suprimento sanguíneo 
- O suprimento sanguíneo arterial do pâncreas deriva da 
artéria esplênica e das artérias pancreático-duodenais 
superior e inferior; 
- As ilhotas recebem cerca de 10 a 15% do fluxo sanguíneo 
pancreático, e essa rica vascularização por capilares 
fenestrados possibilita um acesso rápido à circulação dos 
hormônios secretados pelas ilhotas; 
- O sangue venoso do pâncreas drena na veia porta hepática 
(logo, o fígado, que é o principal órgão-alvo dos hormônios 
pancreáticos, é exposto a maiores concentrações) – após o 
metabolismo hepático de primeira passagem, os hormônios 
vão para a circulação sistêmica; 
Inervação 
- Os nervos parassimpáticos, simpáticos e sensoriais inervam 
ricamente as ilhotas pancreáticas, pois exercem efeitos 
reguladores importantes sobre a liberação hormonal 
pancreáticas; 
Parassimpático → libera a ACh, o polipeptídeo intestinal 
vasoativo, o polipeptídeo de ativação da adenilato-ciclase da 
hipófise e o peptídeo de liberação da gastrina. Estimula (+) a 
ação da insulina; 
Simpático → libera a NA, a galanina e o neuropeptídeo Y. A 
estimulação simpática inibe (-) a secreção de insulina basal 
estimulada pela glicose e de somatostatina, e estimula a 
secreção do glucagon e do polipeptídeo pancreático; 
Obs: a ativação do nervo vago estimula a secreção de 
insulina, glucagon, somatostatina e polipeptídeo 
pancreático; 
INSULINA 
❖ Síntese 
- É um hormônio polipeptídico formado por duas cadeias 
peptídicas (α e β) ligadas por pontes de sulfeto; 
1. O RNAm orienta a síntese ribossômica de pré-pró-
insulina, com quatro peptídeos: o peptídeo de sinalização, 
as cadeias α e β de insulina e o peptídeo de conexão 
(peptídeo C); 
2. O peptídeo de sinalização é clivado, produzindo a pró-
insulina. Esta é levada ao RER, o peptídeo C está ligando as 
cadeias α e β de insulina. A ligação das 2 cadeias possibilita 
o dobramento da molécula e a formação de pontes de 
dissulfeto entre as cadeias; 
3. No RER, o peptídeo C é clivado, expondo a extremidade da 
cadeia de insulina que interage com o seu receptor, gerando 
a forma ativa do hormônio; 
4. A insulina e o peptídeo C são empacotados em grânulos 
secretores no complexo de Golgi; 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
2 
 
 
❖ Armazenamento, liberação e degradação 
- Os grânulos se acumulam no citoplasma em dois 
reservatórios: um de liberação rápida (5%) e um de 
armazenamento dos grânulos (> 95%); 
- Quando estimuladas, as células β liberam insulina de modo 
bifásico: inicialmente do reservatório de liberação rápida, 
seguido pelo reservatório de armazenamento dos grânulos 
(que sofrem reações preparatórias, incluindo mobilização 
para a membrana plasmática); 
 
- Apenas uma pequena fração das reservas celulares de 
insulina é liberada, mesmo em condições de estimulação 
máxima; 
- A insulina circula em sua forma livre, com meia-vida de 3 a 
8 min; 
- É degradada predominantemente pelo fígado (com 
degradação de > 50% em sua primeira passagem). Ocorre 
degradação adicional nos rins, bem como em tecidos-alvo, 
por proteases da insulina, que rompem a ligações 
dissulfeto; 
- A liberação de insulina durante o dia é pulsátil e rítmica. A 
liberação pulsátil é importante para a obtenção de efeitos 
fisiológicos máximos; 
- Acredita-se que as células β se comunicam entre si para 
sincronizar a liberação de insulina por meio de junções 
comunicantes (gap), possibilitando a passagem e íons e de 
pequenas moléculas, e a propagação da despolarização da 
mebrana; 
- A secreção de insulina aumenta após uma refeição, em 
resposta ao ↑ dos níveis plasmáticos de glicose e 
aminoácidos. A secreção aumentada resulta de uma 
combinação de aumento da quantidade total de insulina 
liberada em cada surto secretor e de um aumento da 
frequência dos pulsos de magnitude, sendo resultado de 
uma maior frequência e amplitude de sua liberação pulsátil; 
PEPTÍDEO C: a exocitose do conteúdo dos grânulos 
secretores resulta na liberação de quantidades equimolares 
de insulina e de peptídeo C na circulação porta do fígado. A 
importância do peptídeo C é que, diferente da insulina, ele 
não é logo degradado no fígado. Devido a sua meia-vida 
mais longa (35 min), sua liberação é usada como índice da 
capacidade secretora do pâncreas endócrino. Por isso, a 
secreção do peptídeo C é a base do teste para a função das 
células β em pessoas com DM tipo I, que estão sob 
tratamento com injeções de insulina exógena. Além disso, o 
peptídeo C pode ter alguma ação biológica, pois há 
evidências de que sua reposição melhora a função renal e a 
disfunção nervosa em pacientes com DM tipo 1; 
❖ Regulação da liberação de insulina 
- A célula β do pâncreas atua como integrador 
neuroendócrino, que responde a alterações nos níveis 
plasmáticos de substratos energéticos (glicose, aminoácidos 
e ácidos graxos livres), hormônios (insulina, peptídeo 
semelhante ao glucagon, somatostatina e adrenalina) e 
neurotransmissores (NA e ACh), ↑ ou ↓ a liberação de 
insulina; 
- A glicose é o principal estímulo para a liberação de insulina 
pelas células β; 
- A glicose entra nas células β por meio do transportador de 
glicose 2 (GLUT 2) ligado à MP e sofre fosforilação imediata 
pela enzima glicoquinase, gerando glicose-6-fosfato → A 
glicose-6-fosfato sofre oxidação, gerando ATP. O ↑ da razão 
entre ATP e ADP inibe os canais de K+ sensíveis aos ATP 
(KATP) na célula β, ↓ o efluxo de K+ → despolarização → 
abertura dos canais de Ca+ dependentes de voltagem e ↑ 
do influxo de Ca+2 → exocitose dos grânulos secretores de 
insulina; 
Obs: a regulação dos canais de K+ pelo ATP é mediada pelo 
receptor de sulfonilureia, que constitui a base para o uso 
terapêutico dos fármacos sulfonilureias (tolbutamida, 
gliburida) no tratamento do DM tipo 2. Assim, eles fecham 
os canais de K+ dependentes de ATP, despolarizando a MP e 
mimetizando a despolarização induzida por glicose; 
Fatores que afetam a secreção de insulina 
Amplificadores 
- Os fatores que amplificam a liberação de insulina em 
resposta à glicose são: ACH, colecistocinina, peptídeo 
gastrintestinal (polipeptídeo insulinotrófico dependente de 
glicose) e peptídeo semelhante ao glucagon (GLP 1); 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
3 
 
- Todas essas substâncias se ligam a receptores de superfície 
celular e desencadeiam mecanismos de sinalização distais 
que controlam a liberação de insulina, como: 
1. A ACh e a colecistocinina promovem a degradação do 
fosfoinositídeo, mobilizando Ca2+ a partir das reservas 
intracelulares, influxo de Ca2+através da membrana e 
ativação da proteína-quinase C; 
2. O GLP 1 ↑ os níveis de AMPc e ativa a proteína-quinase 
A(PKA). A geração de AMPc, de IP3, de diacilglicerol e de 
ácido araquidônico e a ativação de proteína-quinase C 
amplificam o sinal do Ca2+, diminuindo a captação de Ca2+ 
pelas reservas celulares e promovendo tanto a fosforilação 
quanto a ativação das proteínas que desencadeiam a 
exocitose da insulina; 
Inibidores 
- As catecolaminas e a somatostatina inibem a secreção de 
insulina pelos mecanismos de receptores acoplados à 
proteína G, por inibição da adenilato-ciclase e modificação 
dos canais de Ca+2 e K+; 
 
- A regulação a curto prazo da liberação de insulina é 
mediada pela modificação da tradução do RNAm da pró-
insulina. Ao longo de períodos mais extensos, a glicose 
também aumenta o conteúdo de mRNA da pró-insulina pela 
estimulação da transcrição do gene da pró-insulina e pela 
estabilização do mRNA; 
- A resposta bifásica à glicose é importante na liberação de 
insulina estimulada pela glicose: a 1ª fase ocorre em alguns 
minutos, com liberação rápida de insulina pré-formada; a 2ª 
fase se estende por uma hora ou mais, com a liberação mais 
sustentada de insulina recém-sintetizada; 
❖ Receptor de insulina 
- O receptor de insulina pertence à família dos receptores de 
insulina, que inclui o receptor do fator de crescimento 
semelhante à insulina; 
- O receptor de insulina é um receptor de membrana 
glicoproteico heterotetramérico, composto de 2 
subunidades α e 2 subunidades β ligadas por pontes de 
dissulfeto; 
1. A cadeia α extracelular é o local de ligação da insulina, 
enquanto o segmento intracelular da cadeia β tem atividade 
de tirosina-quinase intrínseca, que, com a ligação da 
insulina, sofre autofosforilação dos resíduos de tirosina no 
meio intracelular; 
2. O receptor ativado fosforila resíduos de tirosina de 
proteínas conhecidas como substrato do receptor de 
insulina 1 a 4 (IRS1 a 4), facilitando a interação do receptor 
de insulina com substratos intracelulares; 
3. O resultado disso é o acoplamento do receptor de insulina 
com vias de sinalização, que são: 
o Via da fosfatidilinositol-3-quinase (PI3K); 
o Via da proteína-quinase ativada por mitógeno 
(MAPK); 
- A via da PI3K envolve a fosforilação dos fosfolipídeos de 
Inositol, bem como a geração de 3,4,5-trifosfato de 
fosfatidilinositol e 3,4-bifosfato de fosfatidilinositol. Esses 
produtos atraem serina-quinases para a membrana 
plasmática, incluindo a quinase dependente de 
fosfoinositídeo e diferentes isoformas da proteína-quinase 
B, que catalisam alguns efeitos celulares da insulina. Essa via 
está envolvida na mediação dos efeitos metabólicos do 
hormônio (como o transporte de glicose, a glicólise e a 
síntese de glicogênio) e no crescimento celular (transmite 
um sinal antiapoptótico e ↑ a sobrevida das células); 
- A via da MAPK participa na mediação dos efeitos 
proliferativos e de diferenciação induzidos pela insulina; 
- A transdução de sinais pelo receptor de insulina não se 
limita a sua ativação na superfície celular, pois o complexo 
ligante-receptor pode ser internalizado em endossomas*. 
Quando o endossoma fica ácido, a insulina se dissocia do 
receptor, interrompendo os efeitos mediado pelo complexo 
hormônio-receptor e degradando a insulina por proteases 
(como a insulinase ácida). O receptor dissociado pode ser 
reciclado na superfície celular para se ligar novamente à 
insulina; 
*Acredita-se que a endocitose dos receptores ativados 
aumente a atividade de tirosina-quinase do receptor de 
insulina em substratos distantes da MP; 
IPC: o nº de receptores de insulina disponíveis é modulado 
pelo exercício, dieta, insulina e outros hormônios → A 
exposição crônica à níveis elevados de insulina, a obesidade 
e o excesso de GH levam a um downregulation dos 
receptores de insulina. Já o exercício e a inanição podem 
levar ao upregulation, melhorando a responsividade à 
insulina; 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
4 
 
 
EFEITOS DA INSULINA 
- A insulina exerce variados efeitos, que incluem os 
imediatos (em segundos), como a modulação do transporte 
de K+ e de glicose nas células; precoces (em poucos 
minutos), como a regulação da atividade enzimática 
metabólica; moderados (em vários minutos a horas), como 
a modulação da síntese das enzimas, e tardios (em várias 
horas a dias), como os efeitos sobre o crescimento e a 
diferenciação celular; 
- De forma geral, as ações da insulina nos órgãos-alvo são 
anabólicas, ↑ a síntese de carboidratos, lipídeos e 
proteínas; 
❖ Efeitos precoces 
- A insulina controle cerca de 40% do processamento de 
glicose pelo corpo, cuja maior parte (80 a 90%) ocorre no 
músculo esquelético; 
- A entrada de glicose dentro da célula é mediada por GLUTs, 
que possuem sua própria distribuição tecidual peculiar → o 
transporte de glicose estimulado pela insulina é mediado 
pelo GLUT 4; 
- A ligação da insulina ao receptor causa o recrutamento 
ativo de GLUT 4, armazenado em vesículas intracelulares, 
por meio de exocitose direcionada e ↓ da sua taxa de 
endocitose*; 
*Esse processo é o mecanismo subjacente pelo qual a 
insulina estimula o transporte de glicose nos adipócitos e nos 
miócitos; 
❖ Efeitos intermediários 
- Esses efeitos são mediados pela modulação da fosforilação 
de enzimas envolvidas no metabolismo do músculo, no 
tecido adiposo e no fígado; 
Tecido adiposo → a insulina inibe a lipólise e a cetogênese 
ao desfosforilar a lipase sensível ao hormônio (pois inibe a 
degradação dos triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol → 
↓ a qtd. de substrato para a cetogênese) e estimula a 
lipogênese pela ativação da acetil-CoA. A insulina antagoniza 
a lipólise induzida por catecolaminas por meio da 
fosfodiesterase → ↓ AMPc e ↓ na atividade da PKA. Logo, 
no tecido adiposo, a insulina: 
o ↑ lipogênese, ↓ lipólise e ↓ cetogênese; 
o ↑ captura de glicose; 
Resumo: o efeito global de insulina, no metabolismo de 
gordura, é o de inibir a mobilização e a oxidação dos ácidos 
graxos e, simultaneamente, aumentar seu armazenamento. 
Assim, a insulina diminui os níveis circulantes de ácidos 
graxos e, logo, de cetoácidos. No tecido adiposo, a insulina 
estimula a deposição de gordura e inibe a lipólise. 
Fígado → a insulina estimula a expressão gênica de enzimas 
envolvidas na utilização da glicose (ex: glicoquinase, 
piruvato-quinase) e das enzimas lipogênicas e inibe a 
expressão gênica das enzimas que produzem glicose. A 
insulina estimula a síntese de glicogênio por um aumento na 
atv. da fosfatase, levando à desfosforilação da glicogênio-
fosforilase e da glicogênio-sintase. Além disso, a 
desfosforilação dos sítios inibitórios na acetil-CoA-
carboxilase hepática aumenta a produção de 
malonilcoenzima A (malonil-CoA) e diminui a taxa de entrada 
dos ácidos graxos nas mitocôndrias hepáticas para oxidação 
e produção de corpos cetônicos; 
o ↑ glicogênese; 
o ↓ glicólise; 
Músculo → a insulina estimula a captação de glicose e 
favorece a síntese de proteínas por meio da fosforilação de 
uma serina/treonina proteína-quinase, a mTOR (alvo de 
rapamicina de mamíferos). Também estimula o 
armazenamento de lipídeos no músculo e no tecido 
adiposo; 
o ↑ captura de glicose; 
o ↑ captura de aminoácidos; 
o ↑ síntese de proteína; 
o ↑ glicogênese; 
o ↑ glicólise; 
Obs: por isso, a deficiência de insulina leva ao acúmulo de 
glicose no sangue, ↓ do armazenamento de lipídeos e perda 
de proteína, resultando em balanço nitorgenado negativo e 
consunção muscular; 
❖ Efeitos a longo prazo 
- A estimulação sustentada da insulina ↑ a síntese de 
enzimas lipogênicas e a repressão de enzimas 
gliconeogênicas. Os efeitos da insulina na promoção do 
crescimento e os efeitos mitogênicos são respostas a longo 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
5 
 
prazo mediadas pela via da MAPK. A ativação crônica da viada MAPK leva a um crescimento celular excessivo, e 
acredita-se que essa via participa das consequências 
fisiopatológicas das elevações crônicas de insulina; 
- Os níveis de insulina estão altos (que significa uma 
resistência a ela) no desenvolvimento e estágios iniciais do 
DM tipo 2; 
- As condições que produzem a elevação dos níveis de 
insulina incluem grande circunferência da cintura, excesso 
de gordura visceral, razão elevada entre circunferência da 
cintura e quadril, elevado índice de massa corporal, estilo de 
vida sedentário e alta ingestão; 
A hiperinsulinemia crônica tem sido ligada a um risco 
aumentado de câncer (CA de endométrio, de mama pós-
menopausa, de colo e de rim). Além disso, a hiperinsulinemia 
crônica pode influenciar as células musculares lisas, que tem 
papel na patogenia de várias doenças, como HAS, 
aterosclerose, doença cardiovascular e dislipidemia, que 
são muito associadas a uma resistência à insulina e 
hiperinsulinemia; 
GLUCAGON 
❖ Síntese 
- O glucagon é um hormônio polipeptídico de 29 
aminoácidos secretado pelas células α das ilhotas de 
Langerhans; 
- Tem importante papel na homeostasia da glicose, pois 
produz efeitos antagonistas sobre a ação da insulina; 
- O glucagon é sintetizado como pré-pró-glucagon; → o 
peptídeo de sinalização e outras sequências peptídicas são 
removidos, formando pró-glucagon, para a produção do 
glucagon; → depois é armazenado em grânulos densos, até 
ser secretado pelas células α; 
- O pró-hormônio proglucagon é expresso não só no 
pâncreas, mas também nas células enteroendócrinas no 
trato intestinal e no cérebro. Porém, o processamento do 
pró-hormônio difere entre os tecidos; 
- Os dois principais produtos do processamento do 
proglucagon são o glucagon, nas células α do pâncreas, e o 
GLP 1* nas células intestinais, que é produzido em resposta 
a uma concentração alta de glicose no intestino; 
*O GLP 1 é conhecido como incretina, um mediador que 
amplifica a liberação de insulina das células β em resposta a 
uma carga de glicose; 
- A glicose, a insulina e a somatostatina inibem a síntese do 
glucagon; 
- O glucagon é transportado de forma livre e tem meia-vida 
curta (5 a 10 minutos) e é degrado principalmente no fígado; 
❖ Regulação da liberação 
- O principal fator estimulante da secreção de glucagon é a 
↓ da concentração de glicose no sangue (hipoglicemia)*. A 
liberação de glucagon é inibida pela hiperglicemia; 
*Logo, a secreção de glucagon é estimulada nos períodos de 
jejum. Por isso, é chamado de hormônio da fome; 
Ex: uma refeição rica em carboidratos suprime a liberação de 
glucagon e estimula a liberação de insulina pelas células β 
por meio da liberação intestinal de GLP 1; 
- A secreção de glucagon também é estimulada pela ingestão 
de proteínas (especificamente, aa arginina e alanina); 
- A adrenalina estimula a ação de glucagon por um 
mecanismo o β2 -adrenérgico (enquanto suprime a 
liberação de insulina das células β por um mecanismo α2-
adrenérgico). Ademais, a estimulação vagal 
(parassimpática), que libera ACh, também ↑ sua secreção; 
 
❖ Receptores 
- Os receptores peptídicos de glucagon e GLP 1 pertencem a 
uma família de receptores acoplados à proteína G que inclui 
os receptores de secretina, calcitonina, polipeptídeo 
intestinal vasoativo, paratormônio etc.; 
- São expressos no fígado, nas células β do pâncreas, nos rins, 
no tecido adiposo, no coração, nos tecidos vasculares, no 
cérebro, no estômago e nas glândulas adrenais. Porém, o 
glucagon é secretado em quantidades mais baixas que as de 
insulina, e quando passa pelo fígado (principal órgão-alvo) e 
é degradado, sobra pouco glucagon para atuar em outras 
áreas; 
- O receptor de glucagon é acoplado à proteína Gs, que ativa 
adenilato-ciclase → ↑ AMPc, mobilização do Ca+2 
intracelular, ativação da PKA e fosforilação de proteínas 
efetoras; 
- O complexo glucagon-receptor sofre endocitose em 
vesículas intracelulares, onde o glucagon é degradado; 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
6 
 
EFEITOS DO GLUCAGON 
Fígado → o fígado é o principal tecido-alvo do glucagon. O 
principal efeito desse hormônio é ↑ as concentrações 
plasmáticas de glicose, estimulando a produção hepática de 
glicose (gliconeogênese) e pela degradação de glicogênio 
(glicogenólise), além de diminuir a glicólise; 
Tecido adiposo → o glucagon ativa a enzima envolvida na 
degradação de triglicerídeos (gordura armazenada) em 
diacilglicerol e ácidos graxos livres. O diacilglicerol pode ser 
utilizado no fígado para gliconeogênese ou reesterificação; 
já os ácidos graxos livres são fonte de energia para outros 
tecidos, sobretudo fígado e músculo esquelético; 
No fígado, os ácidos graxos livres são usados para 
reesterificação ou podem sofrer β-oxidação e conversão em 
corpos cetônicos. Por conseguinte, a cetogênese é regulada 
pelo equilíbrio entre os efeitos do glucagon e os da insulina 
em seus órgãos-alvo. Além disso, o glucagon inibe a 
conversão de Acetil-CoA em Manolil-CoA, que seria 
responsável por sintetizar ácidos graxos. Com isso, inibe a 
síntese de ácidos graxos e estimula o transporte de ácidos 
graxos para a mitocôndria, onde serão oxidados em corpos 
cetônicos. Os corpos cetônicos vão para a corrente 
sanguínea, servindo como fonte de energia para outros 
tecidos; 
- De forma geral, essas ações neutralizam os efeitos da 
insulina. Todos os mecanismos do glucagon aumentam a 
glicose na célula hepática, que passa por difusão facilitada 
via GLUT 2 para o meio extracelular (↑ glicemia); 
 
SOMATOSTATINA 
- Hormônio peptídico de 14 aminoácidos produzidos por 
células δ do pâncreas. Sua liberação é estimulada por 
refeições ricas em gordura, carboidratos e proteínas, sendo 
inibida pela insulina; 
- A somatostatina tem efeito inibitório generalizado em 
quase todas as funções gastrintestinais e do pâncreas 
exócrino e endócrino; 
Obs: a administração exógena de somatostatina suprime de 
modo efetivo a liberação de insulina e glicose, sendo usada 
para o tratamento de tumores produtores de insulina ou de 
glucagon; 
POLIPEPTÍDEO PANCREÁTICO 
- Hormônio peptídico de 36 aminoácidos, sendo liberado na 
circulação após a ingestão de alimento, exercício e 
estimulação vagal; 
- Seus efeitos inibem a secreção pancreática exócrina, 
contração da vesícula biliar, modulação da secreção de ácido 
gástrico e motilidade gastrintestinal; 
AMILINA 
- A amilina, ou polipeptídeo amiloide das ilhotas, é um 
hormônio peptídico de 37 aminoácidos que pertence à 
família da calcitonina; 
- É armazenada em grânulos β e é liberada com a insulina e 
o peptídeo C; 
- Parece atuar com a insulina na regulação dos níveis de 
glicose, na supressão da secreção pós-prandial de glucagon 
e na ↓ da velocidade de esvaziamento do suco gástrico; 
- No músculo, ativa a glicogenólise e a glicólise, aumentando 
a produção de lactato; 
Obs: a amilina está aumentada na obesidade, na HAS e no 
diabetes gestacional, mostrando-se baixa ou ausente no DM 
tipo 1; 
CONCEITOS 
Lipólise → quebra da gordura; 
Lipogênese → formação de gordura; 
Gliconeogênese → síntese de glicose a partir de substratos 
não-glicídicos, como lactato, piruvato, glicerol e 
aminoácidos; 
Glicólise → quebra da glicose para extrair energia para o 
metabolismo celular. Pode ser definido como uma via 
metabólica na qual uma molécula de glicose é quebrada em 
duas moléculas de ácido pirúvico; 
Glicogênese → síntese de glicogênio (ocorre principalmente 
no fígado e nos músculos). Processo bioquímico que 
transforma a glicose em glicogênio; 
Glicogenólise → quebra do glicogênio em glicose. Ocorre em 
momentos em que o corpo precisa de energia (ex: jejum e 
atividade física); 
Laíse Weis ;) Problema 3 – Módulo 10 
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DIABETES MELLITUS 
TIPO 1 
- A DM tipo 1 (diabetes mellitus insulino-dependente), 
resulta da destruição das células β, frequentemente, devido 
a umprocesso autoimune. Representada α-glicosidase → retardam a absorção 
intestinal dos carboidratos pela inibição das enzimas da 
borda em escova que hidrolisam polissacarídeos em glicose; 
Tiazolidinedionas → ↓ a resistência à insulina no músculo 
esquelético pela ativação da isoforma gama do receptor 
ativado por proliferação peroxissomal no núcleo, afetando a 
transcrição de vários genes envolvidos no metabolismo da 
glicose e dos lipídeos, bem como no balanço energético. 
Entre os genes afetados, encontram-se os que codificam a 
lipoproteína lipase, a proteína transportadora de ácidos 
graxos, a proteína de ligação dos ácidos graxos do adipócito, 
a sintase de ácido graxo acetil-CoA, a enzima málica, a 
glicoquinase e o GLUT 4; 
Peptídeo semelhante ao glugagon (GLP 1) → ↑ a liberação 
de insulina induzida pela glicose, pois ↑ a síntese de insulina 
e a expressão do gene da insulina, além de exercer efeitos 
tópicos e antiapoptóticos sobre as células β. O GLP 1 
também ↓ a liberação de glucagon, a produção hepática de 
glicose, o esvaziamento gástrico e a ingestão de alimento; 
Octeto da Fisiopatologia do DM2 
 
Obesidade e resistência à insulina 
- A obesidade, sobretudo a central (gordura abdominal), está 
relacionada com a resistência à insulina de várias formas: 
o Excesso de AGLs → o nível de triglicerídeos 
intracelulares está aumentado nos músculos e no 
fígado de pessoas obesas, pois excesso de AGLs 
circulante é absorvido por esses órgãos. Esses 
triglicerídeos intracelulares e os produtos do 
metabolismo de AGLs são inibidores da sinalização 
de insulina, causando uma resistência à insulina 
adquirida; 
 
o Adipocinas → as adipocinas são proteínas 
secretadas pelo tecido adiposo. Algumas delas 
podem ↑ a glicemia, e outras ↓ (como a leptina e 
a adiponectina). A adiponectina está reduzida na 
obesidade, contribuindo, assim, para a resistência à 
insulina; 
 
o Inflamação → um meio inflamatório (mediado por 
citocinas pró-inflamatórias que são secretadas em 
resposta a excesso de nutrientes, como AGLs) causa 
resistência periférica à insulina e disfunção das 
células β. O excesso de AGLs dentro do macrófago 
e células β pode ativar o inflamassoma, que secreta 
IL-1. IL-1 e outras citocinas ↑ a resistência à 
insulina; 
Assim, o excesso de AGLs pode impedir a sinalização de 
insulina diretamente e indiretamente (pelas citocinas);

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