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RESUMI 01 PSICOLOGIA ATENDIMENTO NUTRICIONAL

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RESUMO PSICOLOGIA NA NUTRIÇÃO 
 
Resumo: Perspectiva e Zeitgeist na Psicologia 
Leonardo Boff afirma que todo ponto de vista depende do lugar de onde se olha, ou 
seja, nossas interpretações são influenciadas por nossa vivência, cultura e posição social. 
Isso significa que compreender algo é sempre interpretar, e a leitura é sempre uma 
releitura, baseada em quem somos e onde estamos. 
Na Psicologia, essa ideia se relaciona ao conceito de Zeitgeist (espírito do tempo), ou 
seja, o contexto histórico, cultural, intelectual e tecnológico de uma época. Nenhuma ciência 
se desenvolve isoladamente, mas sim com base nas perguntas e nos recursos do seu 
tempo. 
Por isso, não podemos julgar o passado com a mente do presente. É preciso 
compreender o contexto em que teorias surgiram, mesmo aquelas que hoje consideramos 
ultrapassadas ou erradas, como a Frenologia (que acreditava ser possível medir 
características mentais pelo formato do crânio). Embora essa teoria tenha sido descartada, 
ela contribuiu para o desenvolvimento posterior da neurociência. 
A ciência avança com acertos e erros, e ambos são importantes. A Psicologia, como 
ciência, passou por equívocos históricos, como defender a eugenia ou considerar a 
homossexualidade uma doença, mas superou essas visões por meio de pesquisa, reflexão 
crítica e evidência científica. 
Hoje, a Psicologia atua em diversas áreas: educação, saúde mental, gestão de pessoas, e 
busca sempre a inclusão, o bem-estar e os direitos humanos. Para isso, é essencial 
compreender seu passado, aprendendo com ele para não repetir erros e construir um 
futuro mais ético e humano. 
 
 
Psicologia, Perspectiva e Zeitgeist 
● Perspectiva (Leonardo Boff): Toda compreensão depende de quem somos, onde 
estamos e como vemos o mundo. Interpretamos a realidade com base em nossas 
experiências. 
 
● Zeitgeist: As ideias científicas são frutos do seu tempo. A Psicologia, como qualquer 
ciência, foi influenciada pelo contexto histórico, cultural e tecnológico em que surgiu. 
 
● Erro e acerto na ciência: Teorias ultrapassadas, como a Frenologia, foram 
importantes para o avanço da Psicologia. Na ciência, até os erros contribuem para o 
progresso. 
 
● Evitar julgamentos anacrônicos: Não devemos julgar o passado com os valores 
atuais. É necessário entender o contexto em que certas ideias surgiram. 
 
● Psicologia hoje: Atua de forma mais ética e humanizada, promovendo inclusão, 
saúde mental, direitos humanos e compreensão das diferenças. 
 
● Importância da história: Conhecer o passado da Psicologia ajuda a evitar erros, 
entender o presente e construir um futuro melhor. 
Influência da Filosofia 
● A Psicologia nasceu dentro da Filosofia, buscando entender a mente, o 
conhecimento e a verdade por meio da razão e da lógica. 
 
● A Filosofia desenvolveu métodos de argumentação e também o combate às 
falácias, que ainda hoje ajudam a formar o pensamento crítico. 
 
● O pensamento filosófico é essencial para evitar o obscurantismo e desenvolver a 
consciência crítica. 
 
🧠 Principais Filósofos e Suas Contribuições 
● René Descartes (racionalista): Defendia a razão como base do conhecimento. 
 
● John Locke (empirista): Via a mente como uma tabula rasa (folha em branco), 
moldada pelas experiências sensoriais. 
 
● Immanuel Kant: Uniu razão e experiência, reconhecendo limites e possibilidades do 
conhecimento. 
 
● Hegel: Criou a dialética (tese, antítese, síntese), explicando como o conhecimento 
se transforma historicamente. 
 
🧬 Influência de Charles Darwin 
● Sua teoria da evolução das espécies influenciou a Psicologia ao destacar o papel 
adaptativo do comportamento humano, baseando o funcionalismo. 
 
● Ajudou a aproximar o ser humano de outras espécies em termos de sobrevivência 
e evolução. 
 
⚗ Influência da Psicofísica 
● Marca a transição da Filosofia para uma Psicologia científica, usando o método 
experimental. 
 
● Psicofísicos estudaram sensações e percepções de forma mensurável, com dados 
empíricos e reprodutíveis. 
 
● Essa abordagem levou à criação do primeiro laboratório de Psicologia em 1879, 
por Wilhelm Wundt, na Alemanha. 
 
🧪 Zeitgeist do século XIX 
● Forte influência do positivismo, da ciência empírica e da tecnologia emergente. 
 
● A Psicologia teve que se alinhar ao rigor científico da época para ser reconhecida 
como ciência. 
 
📊 Quadro Comparativo: Principais Influências na Psicologia 
Pensador/Movimento Contribuição Principal Impacto na Psicologia 
René Descartes 
(1596–1650) 
Racionalismo: razão como fonte 
do conhecimento. Dualismo 
mente-corpo. 
Influenciou o estudo da 
mente separada do corpo 
físico. 
John Locke 
(1632–1704) 
Empirismo: mente como tabula 
rasa, moldada pelas experiências 
sensoriais. 
Base para teorias 
associacionistas e 
aprendizagem. 
Immanuel Kant 
(1724–1804) 
Síntese entre razão e 
experiência. Crítica da razão 
pura. 
Fundamentação filosófica 
para os limites do 
conhecimento. 
G. W. Leibniz Razão inata: nem tudo vem da 
experiência. 
Antecipou ideias sobre 
estruturas mentais inatas. 
Georg Hegel 
(1770–1831) 
Dialética: tese → antítese → 
síntese (processo histórico e 
social do conhecimento). 
Explicação da mudança e 
construção do pensamento 
humano. 
Charles Darwin 
(1809–1882) 
Teoria da evolução e seleção 
natural. 
Base para o funcionalismo e 
psicologia evolucionista. 
Psicofísica (Weber, 
Fechner) 
Uso do método experimental 
para estudar percepção 
sensorial. 
Primeira aplicação de 
métodos científicos à 
Psicologia. 
Zeitgeist do século 
XIX 
Positivismo, cientificismo e 
avanços tecnológicos. 
Pressão para que a 
Psicologia se tornasse 
ciência experimental. 
 
 
Origens e Cientistas da Psicologia Científica 
📍 Início da Psicologia Científica 
● A Psicologia moderna surgiu no século XIX, inicialmente influenciada pela 
Fisiologia e pela Filosofia. 
 
● No início, as medições eram psicofísicas (sensações e percepções), e não ainda 
psicológicas no sentido atual. 
 
 
🔬 Principais Cientistas e Contribuições 
Nome Contribuições Principais 
Wilhelm Wundt 
(1832–1920) 
Criou o 1º laboratório de Psicologia (1879 – Leipzig). Definiu a 
consciência como objeto de estudo e usou a introspecção 
como método. 
Ernst Weber 
(1795–1878) 
Estudou o limiar de percepção tátil (dois pontos). 
Fundamentos da relação entre estímulo físico e percepção. 
Gustav Fechner 
(1801–1887) 
Criou a Psicofísica. Propôs o paralelismo psicofísico: mente e 
corpo são aspectos de uma mesma realidade. 
Hermann von 
Helmholtz 
(1821–1894) 
Mediu a velocidade do impulso nervoso. Mostrou que há um 
tempo mensurável entre pensamento e ação. 
Hermann 
Ebbinghaus 
(1850–1909) 
Estudou memória e aprendizagem, contrariando Wundt ao 
explorar funções mentais superiores. 
Franz Brentano 
(1838–1917) 
Diferenciou conteúdo mental e atividade mental. Influenciou 
abordagens fenomenológicas. 
 
🏫 Escolas Psicológicas Iniciais 
● Estruturalismo: focado na estrutura da mente (influência de Wundt). 
 
● Funcionalismo: interessado nas funções e propósitos da mente (influência do 
darwinismo). 
 
 
🔎 Observação Importante 
● A Psicologia não rompeu com a Filosofia, mas evoluiu ao aplicar o método 
experimental, fundamentando-se em evidências e medições objetivas. 
 
● Esses avanços foram possíveis graças ao Zeitgeist do século XIX, marcado pelo 
positivismo, avanço tecnológico e valorização da ciência. 
 
 Movimentos da Psicologia 
📌 Estruturalismo 
● Principal nome: Edward B. Titchener (discípulo de Wundt) 
 
● Objetivo: Identificar os elementos básicos da consciência, como se fossem os 
"átomos do pensamento". 
 
● Método: Introspecção experimental sistemática, com observadores treinados 
para descrever estados conscientes, e não os estímulos em si. 
 
● Características dos elementos conscientes: Qualidade, intensidade, duração, 
nitidez. 
 
● Influência do Zeitgeist: Alinhamento com o positivismo e o espírito das ciências 
naturais. 
 
● Crítica: Reducionismoexcessivo, foco limitado no conteúdo da mente, pouca 
atenção às funções e contextos. 
 
 
📌 Funcionalismo 
● Principal nome: William James (EUA) 
 
● Obra marcante: Princípios da Psicologia (1890) 
 
● Objetivo: Entender a função da consciência e do comportamento em contextos 
reais — como servem à adaptação do indivíduo. 
 
● Enfoque: Experiência direta e fenômenos (emoções, hábitos, adaptação). 
 
● Teoria famosa: Teoria James-Lange das emoções — a emoção resulta de 
alterações fisiológicas corporais. 
 
● Influência: Teoria da evolução de Darwin — adaptação ao meio. 
 
● Diferencial: Interesse prático, utilitário e aplicado ao cotidiano. 
 
 
⚖ Comparação Resumida 
Característica Estruturalismo Funcionalismo 
Foco Estrutura da mente (conteúdo) Função da mente (para que serve) 
Método Introspecção experimental Observação, introspecção, aplicação 
prática 
Influência Wundt, ciências naturais, 
positivismo 
Darwin, pragmatismo, biologia 
evolutiva 
Principal nome Edward Titchener William James 
Visão da 
emoção 
Pouco desenvolvida Emoção como reação fisiológica 
(James-Lange) 
Crítica principal Redutivo e teórico Mais aberto e aplicado 
A história em perspectiva 
Nesse pequeno espaço, é difícil contar tudo o que acontecia na Europa e nos Estados 
Unidos, pois existiam intercâmbios e influência mútua, mas é uma escolha didática destacar 
aquilo que era mais evidente nessas localidades. 
 
A marcha da humanidade, David Alfaro Siqueiros, 1971. 
Igualmente difícil é narrar todas as influências, as perspectivas e os acontecimentos que 
tiveram impacto na formação da Psicologia como ciência entre 1879 e o fim do século XX, 
pois a proposta deste estudo é dar uma visão panorâmica. 
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. 
(BOFF, 1999, p. 4) 
Antes de prosseguirmos, vamos analisar o que se desenvolveu ao longo do século XX, por 
influência da Psicologia do século XIX. 
 
Uma história à parte 
A Psicanálise é uma história à parte da Psicologia, mas que exerce grande influência nos 
psicólogos, pedagogos, médicos psiquiatras, neurocientistas, entre outros interessados no 
estudo das funções psicológicas humanas. 
 
Sigmund S. Freud 
Erros de tradução colocam Sigmund S. Freud (1856-1939), em certos livros, como um 
teórico do instinto, mas isso está equivocado. A palavra instinto não se aplica a Freud, pois 
ele não usou o termo instinkt (instinto, em alemão). Para os seres humanos, ele usou trieb, 
traduzido como impulso ou pulsão. Freud também apresenta sua teoria sobre o 
desenvolvimento psicossexual (fase oral, anal, fálica, período de latência, genital). 
Lembra-se de quando abordamos o tópico perspectiva e Zeitgeist? Nesse aspecto, do 
desenvolvimento psicossexual, a Psicanálise é mal compreendida por leigos e pelo senso 
comum. 
Atenção 
Não reproduza esses enganos, mas busque compreender a perspectiva do autor. 
De maneira geral, uma teoria do impulso, como compreensão do funcionamento humano, 
concentra-se em explicar como o nosso comportamento mantém o organismo em equilíbrio. 
A experiência psicológica de um desequilíbrio interno seria um impulso, ou seja, o 
“energizador” do comportamento. 
Exemplo 
A sede é um desconforto psicológico para a necessidade de ingestão de líquidos. 
As teorias do impulso explicam comportamentos e são focadas nas causas, em nosso 
funcionamento interno, na fisiologia e/ou na estrutura da nossa mente. Não é incomum 
compararmos a proposta libidinal (energia mental) de Freud com um sistema hidráulico. 
Imagine uma caixa de água sendo abastecida: se a boia da caixa falhar, a água escorrerá 
por um mecanismo de escape para fora da casa, um meio simples de segurança para sua 
casa não ser inundada pela água. 
Vamos descrever com essa analogia o funcionamento da mente humana na perspectiva 
desse autor: à medida que os impulsos corporais acumulam energia (por analogia, a água 
de nosso sistema hidráulico), a experiência psicológica resultante é um aumento da 
ansiedade, um desconforto psíquico. Então, é preciso proteger, por meio de um mecanismo 
de escape (como aquele presente na caixa-d’água), nossa saúde física e mental (para 
evitar a inundação de nossa residência). 
Freud descreverá minuciosamente esses mecanismos de defesa. Ele elenca três estruturas 
do aparato psicológico humano que vivem em uma interação dinâmica e, digamos, medindo 
forças: 
 
Id 
 
Evita a dor e maximiza o prazer. 
 
A girafa ardente, Salvador Dalí. 
 
Ego 
 
O aspecto racional da personalidade. 
Figura Clássica e Cabeça (inacabada), Salvador Dalí. 
 
Superego 
 
Introjeção da moral da sociedade na estrutura de personalidade. 
A Madonna de Port Lligat, Salvador Dalí. 
O Id, como uma estrutura psíquica inata, é regido pelo princípio do prazer e pela busca da 
satisfação imediata; representa, por analogia, a pressão da água que chega à nossa caixa. 
Essa pressão é constante e buscamos objetos que sejam capazes de satisfazer o 
desconforto psíquico. Como não podemos atender às pressões mais primitivas em busca do 
prazer, devido à ação do Superego e dos mecanismos de defesa, eventualmente, 
adoecemos, pois não podemos buscar os objetos que, de fato, desejamos. Esse 
adoecimento, muitas vezes, não apresenta os motivos para consciência (para o Ego). 
A produção intelectual da Psicanálise, inicialmente, foi direcionada para a saúde mental e 
para o tratamento clínico de enfermidades mentais. Uma inovação para a época. Durante o 
século XX, a Psicanálise foi empregada de maneira mais ampla para compreender diversas 
manifestações humanas, uma vez que se constitui como uma teoria da personalidade e do 
desenvolvimento humano. Pode ser aplicada na psicopedagogia, na psicoterapia, na 
educação, na saúde e nas práticas institucionais e comunitárias. 
 
Carl Gustav Jung. 
A Psicanálise sofreu algumas variações, ao longo do século XX, nas mãos de outros 
autores que discordaram de certos aspectos da abordagem de Freud e/ou ampliaram algo 
que anteriormente não tinha sido abordado ou aprofundado. 
 
Para encerrar esse tópico, falaremos sobre Carl Gustav Jung (1875-1961), cuja teoria dos 
tipos psicológicos é amplamente utilizada como orientação profissional, no levantamento do 
estilo de aprendizagem de uma pessoa e dos seus interesses; isso pode ser utilizado no 
planejamento de projetos educacionais, bem como na seleção de pessoas em recursos 
humanos. 
Jung foi um discípulo de Freud, mas romperam relações por divergências teóricas. O seu 
sistema é conhecido como Psicologia Analítica, que é aplicada na psicoterapia, em saúde 
mental e na avaliação da personalidade. A tipologia de Myers-Briggs (classificação 
tipológica de Myers-Briggs) é um instrumento padrão-ouro para avaliação da personalidade 
(MBTI). Outro teste que é amplamente utilizado no Brasil é o questionário de avaliação 
tipológica (QUATI). Ambos os recursos são de uso restrito do psicólogo e da psicóloga. 
 
Sigmund Freud, Stanley Hall, Carl Gustav Jung, Abraham Arden Brill, Ernest Jones e 
Sándor Ferenczi em fotografia de 1909. 
No Brasil, o uso e a comercialização de testes psicológicos são restritos aos profissionais 
da Psicologia com inscrição ativa em um conselho regional de Psicologia. Existem questões 
técnicas e psicométricas delicadas para garantir a correta utilização e fazer inferências 
corretas sobre a população brasileira. 
Behaviorismo – Resumo 
📌 Definição: 
O behaviorismo (ou comportamentalismo) é uma abordagem da Psicologia que estuda o 
comportamento observável de humanos e animais. Foca nos fatores externos que 
instalam, mantêm ou modificam comportamentos, desconsiderando processos mentais 
internos (como pensamentos ou sentimentos), por serem não observáveis diretamente. 
 
🧪 Origem: 
● Ano-chave: 1913 
 
● Fundador: John B. Watson 
 
https://conteudo.ensineme.com.br/hu/00820/intro?brand=estacio#
● Obra marcante: "A Psicologia como o behaviorista a vê" 
 
🔍 Watson defendia que: 
● A Psicologia deve estudar comportamentos observáveis, não estadosmentais 
subjetivos. 
 
● A introspecção (usada por estruturalistas e funcionalistas) é não confiável. 
 
● O comportamento pode ser explicado por relações de causa e efeito entre 
estímulos e respostas (estímulo → resposta). 
 
● A mente é desnecessária como explicação científica. 
 
 
📚 Conceitos-chave: 
● Comportamento: Tudo que pode ser observado e medido. 
 
● Contingência: Relação de dependência entre eventos — por exemplo, a 
probabilidade de um comportamento ocorrer em função de uma condição 
ambiental. 
 
 
󰞲 B. F. Skinner – Behaviorismo Radical 
● Inspirado por Watson e Thorndike. 
 
● Introduziu a distinção entre: 
 
○ Behaviorismo metodológico: ignora eventos mentais. 
 
○ Behaviorismo radical: aceita eventos privados (pensamentos, sentimentos), 
desde que tratados como comportamentos internos, sujeitos às mesmas 
leis que os externos. 
 
🔁 Aprendizagem por contingência: 
● O comportamento é moldado por suas consequências: 
 
○ Reforço: aumenta a chance de o comportamento ocorrer novamente. 
 
○ Punição: diminui essa chance. 
 
🧠 Ideias de Skinner: 
"O comportamento é selecionado por suas consequências." 
 "A personalidade é um conjunto de comportamentos moldados pelas 
contingências vividas." 
 
🏫 Aplicações do Behaviorismo: 
● Educação (reforço positivo na sala de aula) 
 
● Psicologia organizacional (modificação de comportamentos) 
 
● Terapia comportamental 
 
● Análise do comportamento aplicada (ABA), especialmente no autismo 
 
Psicologia Humanista – Resumo 
📌 Origem: 
● Surgiu na década de 1960 como uma reação às visões limitadas do Behaviorismo 
(foco no comportamento) e da Psicanálise (foco no inconsciente). 
 
● É conhecida como a “terceira força” da Psicologia, após essas duas escolas. 
 
 
🧠 Características principais: 
● Fundamenta-se no livre-arbítrio (e não no determinismo). 
 
● Defende que o ser humano é capaz de tomar decisões conscientes, se 
desenvolver e buscar a autorrealização. 
 
● Valoriza os interesses, valores, sentimentos e potencial humano. 
 
● Rejeita o mecanicismo e materialismo da Psicologia tradicional. 
 
 
👥 Principais representantes: 
● Gordon Allport: pioneiro no uso do termo "humanismo", destacou-se com o livro A 
natureza do preconceito (1954). 
 
● Abraham Maslow: desenvolveu a famosa Pirâmide de Necessidades, defendendo 
a tendência natural do ser humano à autorrealização. 
 
● Carl Rogers: criou a Abordagem Centrada na Pessoa, destacando a empatia, 
escuta ativa e o respeito à experiência subjetiva do cliente. 
 
● Kenneth B. Clark: militante dos direitos civis, influente no contexto cultural do 
movimento. 
 
 
🏗 Pirâmide de Maslow – Hierarquia de necessidades: 
De baixo para cima: 
1. Fisiológicas: comida, água, sono, sexo, etc. 
 
2. Segurança: saúde, emprego, moradia, proteção. 
 
3. Relacionamento: amor, amizade, intimidade. 
 
4. Estima: autoestima, reconhecimento, respeito. 
 
5. Autorrealização: moralidade, criatividade, propósito. 
 
⚠ Observação: A hierarquia é criticada, e estudos sugerem que talvez seja 
mais realista dividir em dois grandes grupos: 
● Necessidades por deficiência 
 
● Necessidades por crescimento 
 
 
💡 Enfoque do Humanismo: 
● Desenvolvimento pessoal 
 
● Potencial humano 
 
● Relações interpessoais saudáveis 
 
● Sentido e propósito da vida 
 
Psicologia do Senso Comum x Psicologia Científica (Cognitiva) 
📌 Psicologia do Senso Comum 
● Baseada em crenças populares, opiniões e experiências pessoais. 
 
● Costuma tratar problemas psicológicos como "frescura" ou "falta de força de 
vontade". 
 
● Exemplo: dizer que algo "é psicológico" como sinônimo de que "não é real" ou "é 
fácil de superar". 
 
 
🔬 Psicologia Científica (Cognitiva) 
● Estuda o comportamento humano com base em método científico, buscando 
evidências. 
 
● Tudo é psicológico porque tudo envolve cognição — percepções, emoções, 
pensamentos, decisões. 
 
● Analisa como o cérebro e as funções cognitivas (atenção, memória, linguagem, 
percepção etc.) influenciam o comportamento. 
 
 
🧩 Exemplos analisados: 
● Tensão pré-menstrual: por que afeta o humor de algumas pessoas e de outras 
não? 
 
● Depressão pós-parto: por que algumas mulheres têm e outras não? 
 
● Felicidade e bem-estar: por que algumas pessoas se sentem bem mesmo em 
ambientes difíceis, e outras não? 
 
➡ A Psicologia Científica investiga esses fenômenos de forma profunda e 
individualizada, considerando múltiplas variáveis (biológicas, cognitivas, emocionais e 
sociais). 
 
✅ Conclusão: 
A Psicologia Científica não se baseia em achismos, mas sim em pesquisa, testes e 
análise crítica. Já o senso comum pode levar a interpretações erradas e preconceituosas 
sobre saúde mental. 
Psicologia Cognitiva – Conceito e Princípios 
✅ Definição 
A Psicologia Cognitiva estuda como as pessoas percebem, aprendem, memorizam, 
pensam e tomam decisões, com base nos processos mentais e na atividade cerebral. 
Analisa como interpretamos o mundo e escolhemos agir, considerando fatores internos 
(fisiológicos) e externos (culturais). 
 
🔍 Processos Cognitivos Investigados 
● Atenção 
 
● Percepção 
 
● Aprendizagem 
 
● Memória 
 
● Motivação 
 
● Linguagem 
 
● Resolução de problemas 
 
● Raciocínio 
 
● Pensamento (principal foco clínico) 
 
 
🧩 Aplicação Clínica 
● Utilizada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). 
 
● Foco em reestruturação cognitiva: mudar padrões de pensamento desadaptativos 
sobre si mesmo, o mundo e o futuro (Tríade Cognitiva – Aaron Beck). 
 
● Busca maior qualidade de vida e bem-estar por meio de pensamentos mais 
adaptativos. 
 
 
🧬 Determinismo e Vulnerabilidade 
● A Psicologia Cognitiva parte do determinismo: eventos da vida moldam nosso 
comportamento e cognição. 
 
● O modelo diátese-estresse mostra que vulnerabilidades inatas + gatilhos 
ambientais = risco maior de desenvolver transtornos. 
 
 
🧒 Infância e Esquemas Cognitivos 
● Falta de necessidades emocionais básicas na infância pode gerar esquemas 
cognitivos disfuncionais. 
 
● Ex.: falta de vínculos seguros, liberdade de expressão ou limites realistas afeta o 
comportamento e as emoções no futuro. 
 
 
🧠 Plasticidade Neural 
● Psicoterapia e medicação regulam o funcionamento cerebral. 
 
● Ambas promovem plasticidade neural: mudanças no cérebro provocadas por 
experiências, comportamentos e aprendizados. 
 
 
🔄 Visão Integrada 
● Psicologia Cognitiva adota uma visão monista: mente, cérebro e comportamento 
são uma única realidade observada sob ângulos diferentes. 
 
● Integra saberes da Psicologia, Neurociência, Ciências da Saúde e Ciências Sociais. 
 
 
📊 Três Níveis de Análise do Comportamento 
1. Físico: funcionamento neurológico. 
 
2. Psicológico: emoções, pensamentos, atenção etc. 
 
3. Ambiental: cultura, sociedade, economia. 
 
⚠ Importante: essas divisões são didáticas — a pessoa é única e 
indivisível. 
 
🧷 Influências sobre quem somos 
● Eventos gestacionais (hormônios, estresse) 
 
● Exposição ao ambiente (como a luz solar) 
 
● Experiências de vida (relações, traumas, cultura) 
 
 
🧾 Conclusão 
A Psicologia Cognitiva busca compreender como interpretamos e reagimos à realidade. 
Tudo é psicológico — e pode ser transformado, dentro dos limites do indivíduo, por meio do 
conhecimento, terapia e autoconsciência. 
Ciência Cognitiva e Psicologia Cognitiva 
● A Ciência Cognitiva é interdisciplinar, englobando: 
 
○ Psicologia Cognitiva 
 
○ Neuropsicologia 
 
○ Neurociências 
 
○ Ciência Cognitiva Computacional 
 
● Cada área tem métodos e interesses específicos, mas se complementam. 
 
 
2. Neurociências 
● Estudam como diferentes áreas do cérebro interagem para gerar cognição. 
 
● Uso de técnicas de neuroimagem para observar atividade cerebral durante tarefas 
cognitivas. 
 
● Sistema nervoso funciona com ativação (sim) e inibição (não). 
 
● Sistemas de ativação/inibição influenciam comportamentos e características de 
personalidade(ex: extroversão, neuroticismo). 
 
● Temperamento e respostas emocionais podem variar com o desenvolvimento 
(plasticidade). 
 
● Exemplos: córtex pré-frontal esquerdo (aproximação), direito (evitação), amígdala 
(emoções). 
 
 
3. Psicologia Cognitiva – Pesquisa Básica 
● Utiliza métodos como a cronometria mental para estudar o tempo de 
processamento da informação. 
 
● Investiga se o processamento é serial (etapas sequenciais) ou paralelo (processos 
simultâneos). 
 
● Testes clássicos: 
 
○ Efeito Stroop (nomear cores versus leitura da palavra) 
 
○ Efeito Simon (compatibilidade estímulo-resposta) 
 
● Objetivo: entender como percebemos, alocamos atenção, processamos e 
respondemos a estímulos. 
 
 
4. Psicologia Cognitiva – Aplicada (Terapia Cognitivo-Comportamental) 
● Foca na relação entre pensamento, emoção e comportamento. 
 
● Premissas: 
 I. Pensamentos disfuncionais influenciam emoções e comportamentos. 
 II. Pensamentos automáticos são fruto do sistema de crenças. 
 III. Sistema de crenças pode ser funcional ou distorcido. 
 IV. Distorções cognitivas estão na base de transtornos psicológicos. 
 
● Terapia visa reestruturação cognitiva: modificar interpretações disfuncionais para 
melhorar a qualidade de vida. 
 
● Também utiliza técnicas comportamentais, como treino de habilidades sociais. 
 
 
5. Neuropsicologia 
● Especialidade reconhecida que investiga a relação entre cognição, emoções, 
comportamento e funcionamento cerebral. 
 
● Atua no diagnóstico, acompanhamento, tratamento e pesquisa. 
 
● Envolve avaliação psicológica e reabilitação cognitiva. 
 
● Integra conhecimentos teóricos das Neurociências com prática clínica. 
 
 
Resumo Geral 
● A cognição é estudada por diversas abordagens que vão da atividade cerebral 
(Neurociências) ao comportamento e pensamento (Psicologia Cognitiva). 
 
● Métodos variam de tecnologia avançada (neuroimagem) a tarefas comportamentais 
(cronometria mental) e intervenções clínicas (TCC, Neuropsicologia). 
 
● O foco é compreender como processamos informações, reagimos ao ambiente e 
podemos modificar nossos padrões cognitivos para uma melhor saúde mental. 
Premissas e Conceitos Fundamentais da Psicologia Cognitiva 
● Pensamento e motivação: 
 A Psicologia Cognitiva foca em entender as bases cognitivas do pensamento 
relacionadas à vontade, otimismo, autoeficácia, metas, planejamento, criatividade, 
crenças, valores, desempenho e outros aspectos motivacionais. 
 
● Crítica à “força de vontade”: 
 A ideia de força de vontade como motor do comportamento motivado é considerada 
simplista e associada ao senso comum, não à Psicologia Cognitiva científica. Por 
exemplo, em dependentes químicos, a reabilitação não se baseia na força de 
vontade, mas na análise da tríade cognitiva (pensamentos sobre si, o mundo e o 
futuro). 
 
● Histórico dos modelos motivacionais: 
 
○ Século XVII: Força de vontade (Descartes) 
 
○ Século XIX: Instintos (Darwin) 
 
○ Século XX: Impulsos (Freud e Hull) 
 
○ Desde os anos 1950: Cognitivismo, que investiga bases cognitivas da 
motivação, além de instintos e impulsos. 
 
● Limitações das Neurociências: 
 Embora possam mostrar áreas cerebrais ativas durante processos como 
criatividade, ainda não explicam completamente como esses processos ocorrem. 
 
● Atenção e processos cognitivos: 
 Não há conexão clara e direta entre áreas cerebrais específicas e processos 
cognitivos complexos, como crenças e avaliações emocionais. 
 
● Avaliação cognitiva das emoções: 
 Emoções não são causadas diretamente pelos eventos, mas pela interpretação que 
o indivíduo faz deles. Dois indivíduos podem reagir emocionalmente de forma muito 
diferente ao mesmo ambiente estressante, dependendo de suas avaliações 
cognitivas. 
 
● Exemplo prático no ambiente de trabalho: 
 
○ Pessoa 1: interpreta eventos negativamente, sente emoções negativas 
constantes (raiva, medo, tristeza), prejudica produtividade e autoestima. 
 
○ Pessoa 2: interpreta eventos de forma resiliente, mantém emoções positivas, 
produtividade e atitude proativa. 
 
● Reestruturação cognitiva: 
 É possível mudar as avaliações cognitivas dos eventos para alterar emoções e 
comportamentos, embora esse processo nem sempre seja fácil. 
Psicologia no Século XXI — Resumo 
● Evolução histórica do pensamento psicológico: 
 A Psicologia se desenvolveu desde a Grécia Antiga, passando pela Filosofia 
medieval, períodos moderno e contemporâneo, sempre buscando entender a 
natureza humana, o pensamento, a motivação e o comportamento. 
 
● Influência da tecnologia: 
 O avanço tecnológico impulsionou a Psicologia como ciência e profissão, desde o 
domínio do fogo e agricultura até os smartphones e futuros robôs. O 
desenvolvimento do pensamento humano e da tecnologia está interligado, e analisar 
essa evolução ajuda a entender o presente e projetar o futuro (ex.: impacto da 
inteligência artificial e automação). 
 
● Marcos históricos da Psicologia: 
 
○ 1879: foco na consciência e uso da introspecção. 
 
○ 1913: abandono do estudo da consciência para foco no comportamento por 
observação. 
 
○ 1950: retorno ao estudo da consciência junto com comportamento; 
surgimento da Psicologia Cognitiva. 
 A tecnologia, o modelo computacional e as Neurociências foram grandes 
impulsionadores. 
 
● Desenvolvimento paralelo da Psicanálise: 
 Tentativas contínuas de entender e tratar o sofrimento psíquico. 
 
● Humanismo nos anos 1960: 
 Crítica à Psicanálise e ao Behaviorismo, foco na personalidade humana, potencial 
criativo e aprimoramento do ego. Defendia que a personalidade é moldada pelo 
presente consciente, não apenas por experiências infantis ou ambiente. 
 
● Coexistência das escolas: 
 Novas abordagens não eliminam as anteriores; várias escolas coexistem ou se 
transformam, como Gestalt, testagens psicológicas, entre outras. 
 
● Questão atual: 
 Surge a dúvida se no século XXI a Psicologia apresentou uma proposta realmente 
nova. 
Psicologia Positiva — Resumo 
● Origem e influência: 
 A Psicologia Positiva surge na transição do século XX para o XXI, influenciada pelo 
Humanismo, mas com uma abordagem mais científica. Ela busca preencher 
lacunas, criticar e inovar dentro da Psicologia. 
 
● Diferença em relação ao Humanismo: 
 Ambos focam nos aspectos positivos do desenvolvimento humano, mas a 
Psicologia Positiva supera as limitações metodológicas do Humanismo ao buscar 
maior cientificidade. 
 
● Martin Seligman e sua contribuição: 
 Psicólogo norte-americano, conhecido pela teoria do desamparo aprendido e por 
promover a Psicologia Positiva. Junto com Christopher Peterson, publicou Character, 
Strengths and Virtues, contraponto ao DSM, focando em virtudes e forças de caráter 
para o desenvolvimento pessoal. 
 
● Inovação da Psicologia Positiva: 
 Sistemática das forças de caráter e virtudes, assim como manuais diagnósticos 
sistematizam doenças. Busca não só entender indivíduos, mas também criar 
instituições que fomentem ambientes positivos. 
 
● Relação com Neurociências: 
 Não refuta as Neurociências, reconhece a importância das redes neurais e 
processos biológicos, mas também investiga fenômenos da consciência e 
interpretações humanas. 
 
● Forças de caráter propostas por Seligman: 
 
○ Sabedoria e conhecimento (criatividade, curiosidade) 
 
○ Coragem (honestidade, perseverança) 
 
○ Humanidade (bondade, amor, habilidades sociais) 
 
○ Justiça (liderança, integridade) 
 
○ Temperança (equilíbrio, humildade, autorregulação) 
 
○ Transcendência (gratidão, espiritualidade, bom humor) 
 
● Projeto para o século XXI: 
 Romper com discursos tradicionais, desenvolver práticas para avaliar e fortalecer 
virtudes e forças de caráter em pessoas, organizações e instituições, mantendo rigor 
científico. 
 
● Atenção às práticas no mercado: 
 Alerta contra usos comerciais superficiais da Psicologia Positiva, como coaching 
que não promove mudanças reais. Importância do acompanhamento por psicólogos 
formados e registrados.● Avaliação integral: 
 Psicologia Positiva valoriza tanto pontos fortes quanto vulnerabilidades, 
promovendo um desenvolvimento sustentável e equilibrado. 
 
● Psicologia e orientações profissionais: 
 Evolução da orientação vocacional para orientação de carreira em contexto das 
mudanças sociais e revoluções industriais, especialmente a 4ª Revolução Industrial 
(indústria 4.0), marcada pela tecnologia, IA e automação. 
 
● Mudanças demográficas e culturais: 
 Cada geração (Baby Boomers, Geração X, Y, Z, Alpha) tem características e forças 
próprias moldadas pelo contexto histórico e cultural. A Psicologia ajuda a 
compreender e apoiar essas diferenças. 
 
● Psicologia como profissão do futuro: 
 Ciência e profissão que evoluem com a história, focando no desenvolvimento de 
virtudes, soft skills e cuidados emocionais personalizados, com ética, tecnicidade e 
cientificidade. 
 
Dicotomia Mente e Corpo e Suas Repercussões na Prática Profissional 
de Saúde 
O problema da relação entre mente e corpo tem suas raízes na filosofia, onde duas grandes 
concepções se destacam: o dualismo e o monismo. 
Dualismo 
● Defende que mente e corpo são entidades separadas, distintas e incompatíveis. 
 
● Apesar disso, mente e corpo podem interagir, mas a mente pode existir após a morte 
do corpo. 
 
● Platão: via a alma (mente) como imortal e pertencente ao mundo das ideias, 
enquanto o corpo é material e sensível. Usou o mito da caverna para ilustrar essa 
separação entre mundo material e mundo das ideias. 
 
● Descartes: afirmava que mente (res cogitans) e corpo (res extensa) são substâncias 
diferentes. A mente não tem extensão física e sobrevive à morte do corpo. A 
glândula pineal seria o ponto de interação entre os dois. Também afirmou “penso, 
logo existo”, destacando a certeza da existência da mente. 
 
Monismo 
● Defende que mente e corpo não são substâncias distintas, mas partes integradas de 
um único princípio. 
 
● Considera mente e corpo intrinsecamente ligados e inseparáveis. 
 
● Muitos filósofos e a ciência contemporânea adotam essa visão, pois a mente não 
pode ser estudada separadamente do corpo usando métodos científicos. 
 
● Hegel e Spinoza oferecem variações do monismo, considerando a unidade do 
espírito e da natureza. 
 
● A psicologia moderna, especialmente desde William Wundt (fundador da psicologia 
experimental), tende a adotar o monismo para estudar o comportamento humano 
cientificamente. 
 
Repercussão na prática profissional de saúde 
● A visão adotada sobre mente e corpo influencia o cuidado e o atendimento. 
 
● O dualismo pode levar a tratar mente e corpo separadamente. 
 
● O monismo incentiva uma abordagem integrada, considerando aspectos físicos e 
psicológicos simultaneamente no tratamento do paciente. 
: O Curioso Caso de Phineas Gage e a Dicotomia Mente-Corpo 
O caso de Phineas Gage (1823-1860) é emblemático para ilustrar a visão monista da 
relação mente-corpo, que entende ambos como uma única substância integrada. 
● Em 1848, Gage sofreu um grave acidente ao ter uma barra de ferro atravessando 
seu crânio e cérebro. 
 
● Apesar de sobreviver e manter suas funções intelectuais básicas, sua personalidade 
mudou drasticamente, tornando-se irresponsável e grosseiro. 
 
● Pesquisas modernas indicam que o dano ocorreu no córtex pré-frontal, área 
responsável por funções complexas como emoções, autocontrole e tomada de 
decisões. 
 
Esse caso evidencia que alterações físicas no cérebro (corpo) afetam diretamente a mente, 
indicando que mente e corpo são inseparáveis — ideia central do monismo. 
A psicossomática, que considera a influência mútua entre mente e corpo (psíquico afetando 
o físico e vice-versa), também segue essa linha monista, valorizando o ser humano como 
um todo integral. 
Por outro lado, o dualismo reconhece a interação entre mente e corpo, mas acredita que a 
mente (alma) pode existir independentemente do corpo, como defendido por Descartes. 
No contexto da saúde, profissionais precisam compreender essa conexão para oferecer um 
cuidado mais completo. Exemplos mostram que olhar apenas para o corpo ou apenas para 
a mente pode atrasar diagnósticos e tratamentos efetivos, como em casos onde sintomas 
físicos podem estar mascarando transtornos psicológicos, ou vice-versa. 
A Histeria e a Psicanálise 
No século XIX e início do XX, médicos como Charcot, Janet, Breuer e Freud estudaram 
casos de pessoas — principalmente mulheres — que apresentavam sintomas físicos 
variados (cegueira, paralisias, dores, amnésia), sem causa orgânica aparente. Esses casos 
ficaram conhecidos como histeria, termo derivado do grego hystera (útero), por sua 
predominância em mulheres. 
Os sintomas eram reais para os pacientes, mas os exames médicos não identificavam 
lesões físicas. Inicialmente, muitos médicos desconsideravam essas pacientes, acreditando 
que seus sintomas eram “teatrais” ou simulados, enquanto outros reconheciam os sintomas, 
mas não sabiam como tratá-los. 
Freud e a psicanálise ajudaram a entender que a histeria era expressão de conflitos 
psíquicos inconscientes manifestados no corpo. Esse entendimento contribuiu para a 
origem da psicossomática, que hoje busca integrar corpo, mente e contexto social no 
diagnóstico e tratamento. 
Atualmente, entende-se o ser humano como um ser biopsicossocial — formado por 
aspectos biológicos, psíquicos e sociais — e que as doenças devem ser tratadas 
considerando essas três dimensões. 
Porém, transtornos psicológicos, como a histeria e a depressão, ainda sofrem preconceito e 
desvalorização por não apresentarem sinais físicos evidentes em exames médicos, o que 
dificulta o reconhecimento e o tratamento adequado. 
 O Conceito de Psicossomática 
Psicossomática é o estudo da relação entre mente (psique) e corpo (soma) na produção de 
doenças, investigando como conflitos psíquicos, muitas vezes inconscientes, podem 
provocar sintomas físicos. O termo vem do grego: psykhé (alma/mente) e sôma (corpo). 
A psicossomática, cuja origem remonta à Medicina de Hipócrates, reconhece que a mente 
influencia as doenças corporais. Heinroth foi quem formalizou o termo e também criou o 
conceito de somatopsíquico, que estuda o impacto psicológico causado por doenças 
físicas. 
Esses dois conceitos — psicossomática (mente que afeta o corpo) e somatopsíquico (corpo 
que afeta a mente) — podem coexistir simultaneamente. Um exemplo é a fibromialgia, onde 
o sofrimento psicológico influencia a dor, e o sofrimento físico gera ansiedade. 
Assim, a visão atual supera a ideia de dualidade mente-corpo, entendendo-os como um 
sistema integrado. 
As Três Fases da Psicossomática 
A psicossomática surgiu para superar a visão dualista da doença, propondo um olhar 
integrado entre mente, corpo e ambiente, considerando a origem psicológica das doenças 
físicas e os efeitos psicológicos das doenças físicas. 
1. Fase Psicanalítica 
 Fundada por Freud, que explicou que conflitos psíquicos inconscientes podem se 
manifestar como sintomas físicos (conversão), como na histeria. A psicossomática 
aqui relaciona sintomas físicos a processos inconscientes, mesmo quando há 
alterações reais nos órgãos. 
 
2. Fase Behaviorista 
 Essa fase busca uma abordagem científica e objetiva, focando no comportamento e 
no ambiente, sem estudar diretamente a mente, considerada inacessível. Doenças 
psicossomáticas são entendidas como respostas condicionadas a ambientes 
estressantes ou adversos, que geram sintomas físicos por meio de processos de 
condicionamento. 
 
3. Fase Multidisciplinar 
 A psicossomática atual é uma abordagem integrada e colaborativa entre diferentes 
profissionais (médicos, psicólogos, nutricionistas etc.), tratando o paciente como um 
ser biopsicossocial — com mente, corpo e relações sociais interligados. O foco é no 
tratamento do indivíduo como um todo, não apenas da doença. 
DSM e Psicossomática 
Doenças psicossomáticas são sintomas físicos causados ou agravados por fatores 
psicológicos, especialmente estresse.O diagnóstico é complexo e feito por exclusão. 
No DSM-V, esses casos estão no capítulo de sintomas somáticos e incluem três transtornos 
principais: 
● Transtorno de ansiedade de doença: medo exagerado de ter uma doença grave. 
 
● Transtorno factício: simulação consciente de sintomas para assumir o papel de 
doente. 
 
● Transtorno conversivo: sintomas físicos sem causa orgânica, ligados a conflitos 
psicológicos. 
Psicologia da Saúde 
A Psicologia da Saúde estuda a interação entre mente e corpo, considerando o ser humano 
como biopsicossocial. Ela aborda a dimensão psicológica da doença, a importância da 
relação médico-paciente para a recuperação e a necessidade de procedimentos 
terapêuticos que considerem o indivíduo em sua totalidade. 
O campo surgiu oficialmente com grupos de trabalho na APA, destacando a importância da 
atuação do psicólogo em hospitais e instituições de saúde. 
Segundo Matarazzo (1980), Psicologia da Saúde é o conjunto de contribuições da 
Psicologia para promoção, manutenção da saúde, prevenção e tratamento de doenças, 
além do diagnóstico e formulação de políticas de saúde. 
No Brasil, as leis 8080/90 e 8142/90 ampliam o conceito de saúde, incluindo dimensões 
físicas, socioeconômicas e culturais, garantindo o direito universal à saúde e a participação 
da comunidade no SUS. 
Atenção básica envolve ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento em nível 
individual e coletivo, sendo parte da atenção primária, que é o primeiro contato com o 
sistema de saúde e garante continuidade e coordenação do cuidado. 
A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é um modelo atual que prioriza a atenção básica 
centrada na comunidade e na pessoa. 
Psicologia Hospitalar 
A Psicologia Hospitalar é uma área da Psicologia da Saúde focada no atendimento 
psicológico de pacientes, familiares, equipe multiprofissional e comunidade dentro do 
ambiente hospitalar, lidando com os aspectos psicológicos relacionados a qualquer doença, 
não apenas as de origem psíquica. 
Função principal: entender e tratar os aspectos emocionais ligados ao adoecimento, 
considerando a subjetividade de cada paciente. 
Exemplos: 
● Carlos André, médico diagnosticado com HIV, vive ansiedade intensa e preocupação 
com impactos pessoais e profissionais, sem uma rede de apoio. 
 
● Henrique, jovem diagnosticado com HIV, enfrenta o diagnóstico com ansiedade 
inicial, mas conta com apoio familiar, o que facilita a adaptação e a qualidade de 
vida. 
 
O mesmo diagnóstico pode afetar pessoas de maneiras diferentes, dependendo do contexto 
e suporte emocional. 
Diferenças entre áreas da Psicologia: 
● Psicologia Clínica: atua na promoção da saúde mental em todos os níveis de 
atenção (primário, secundário, terciário). 
 
● Psicologia da Saúde: atua nos níveis de atenção, voltada para os aspectos 
psicológicos da saúde e doença em geral. 
 
● Psicologia Hospitalar: uma subárea da Psicologia da Saúde, que atua 
especificamente em ambiente hospitalar, principalmente nos níveis secundário e 
terciário. 
 
O texto destaca a importância de superar a visão tradicional mente-corpo separada, 
compreendendo o paciente em sua totalidade, pois a doença é uma nova dimensão da vida, 
e o atendimento deve considerar a subjetividade do sujeito e não só os aspectos físicos da 
doença. 
 
	Resumo: Perspectiva e Zeitgeist na Psicologia 
	Psicologia, Perspectiva e Zeitgeist 
	Influência da Filosofia 
	🧠 Principais Filósofos e Suas Contribuições 
	🧬 Influência de Charles Darwin 
	⚗️ Influência da Psicofísica 
	🧪 Zeitgeist do século XIX 
	📊 Quadro Comparativo: Principais Influências na Psicologia 
	📍 Início da Psicologia Científica 
	🔬 Principais Cientistas e Contribuições 
	🏫 Escolas Psicológicas Iniciais 
	🔎 Observação Importante 
	 Movimentos da Psicologia 
	📌 Estruturalismo 
	📌 Funcionalismo 
	⚖️ Comparação Resumida 
	A história em perspectiva 
	Atenção 
	Exemplo 
	Behaviorismo – Resumo 
	📌 Definição: 
	🧪 Origem: 
	🔍 Watson defendia que: 
	📚 Conceitos-chave: 
	👨‍🔬 B. F. Skinner – Behaviorismo Radical 
	🔁 Aprendizagem por contingência: 
	🧠 Ideias de Skinner: 
	🏫 Aplicações do Behaviorismo: 
	Psicologia Humanista – Resumo 
	📌 Origem: 
	🧠 Características principais: 
	👥 Principais representantes: 
	🏗️ Pirâmide de Maslow – Hierarquia de necessidades: 
	💡 Enfoque do Humanismo: 
	Psicologia do Senso Comum x Psicologia Científica (Cognitiva) 
	📌 Psicologia do Senso Comum 
	🔬 Psicologia Científica (Cognitiva) 
	🧩 Exemplos analisados: 
	✅ Conclusão: 
	Psicologia Cognitiva – Conceito e Princípios 
	✅ Definição 
	🔍 Processos Cognitivos Investigados 
	🧩 Aplicação Clínica 
	🧬 Determinismo e Vulnerabilidade 
	🧒 Infância e Esquemas Cognitivos 
	🧠 Plasticidade Neural 
	🔄 Visão Integrada 
	📊 Três Níveis de Análise do Comportamento 
	🧷 Influências sobre quem somos 
	🧾 Conclusão 
	Ciência Cognitiva e Psicologia Cognitiva 
	2. Neurociências 
	3. Psicologia Cognitiva – Pesquisa Básica 
	4. Psicologia Cognitiva – Aplicada (Terapia Cognitivo-Comportamental) 
	5. Neuropsicologia 
	Resumo Geral 
	Premissas e Conceitos Fundamentais da Psicologia Cognitiva 
	Psicologia no Século XXI — Resumo 
	Psicologia Positiva — Resumo 
	Dicotomia Mente e Corpo e Suas Repercussões na Prática Profissional de Saúde 
	Dualismo 
	Monismo 
	Repercussão na prática profissional de saúde 
	: O Curioso Caso de Phineas Gage e a Dicotomia Mente-Corpo 
	A Histeria e a Psicanálise 
	 O Conceito de Psicossomática 
	As Três Fases da Psicossomática

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