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Anatomia Breve histórico Os primeiros estudos anatômicos descritos datam de cerca de 3400 a.C. e foram grafados em papiros (papel de junco), segundo Persaud (I984). Na Grécia, a anatomia foi ensinada por Hipócrates (460-377 a.C.), que é considerado o fundador dessa ciência e pai da Medicina. Estudiosos como Aristóteles (384-322 a.C.), considerado o pai da anatomia comparativa, Herófílo (355-280 a.C.), Erasistrato (320?-280 a.C.), considerado o pai da fisiologia, deram sua contribuição para o desenvolvimento das ciências. Na Idade Média (453-I453 d.C.), devido a sacralização do corpo, as dissecações foram proibidas. Com o Renascimento (séc. XIV- XVI), o estudo de anatomia difundiu-se rapidamente e as dissecações tornaram-se parte integrante do currículo médico, aumentando o interesse pela anatomia. Leonardo da Vinci (I452-I5I9) participava de dissecações quando jovem e, em suas ilustrações, preocupava-se com a precisão. A contribuição de Andreas Vesálius (I5 I 4- I 564) foi imensurável Com apenas 28 anos completou sua obra-prima, De Humani Corporis Fabrica, na qual vários sistemas e órgãos são belissimamente ilustrados e descritos, marcando uma nova era na história da anatomia. No final do século XIX, ganhou impulso a padronização da nomenclatura anatômica (terminologia anatômica); outro fato importantíssimo foi a descoberta dos raios X (Roentgen, I895), promovendo uma grande inovação no estudo da anatomia (através de imagens), área que vem se aprimorando de maneira muito intensa atualmente. Definição Anatomia é a ciência que estuda as estruturas que compõem um organismo e as relações entre as partes dessas estruturas. A origem da palavra (etimologia) é grega e provém de ana em partes e tomé = corte; o termo correspondente em latim é dissecare = dissecar. Descrita mais recentemente como ramo da Morfologia (que envolve também a Embriologia, a Citologia e a Histologia), a anatomia humana se restringe ao estudo macroscópico do corpo. Estuda, portanto, a olho nu ou com lente manual de pequeno aumento, nossa conformação (morfologia) corpórea desde o princípio da ciência, com o recurso da dissecação de cadáveres e, mais recentemente, com o importante incremento do estudo no vivente através de imagens (raios X, tomografia, ultrassonografia e ressonância nuclear magnética). Maneiras de estudar anatomia Pode-se estudar anatomia de várias maneiras, sob vários aspectos e utilizando vários métodos, a saber: Anatomia sistêmica ou descritiva: Método de estudo do corpo que descreve os órgãos que participam de funções comuns, dispondo-os em sistemas (exemplo: sistema circulatórios coração, artérias, veias, vasos linfáticos e órgãos Linfoides). Anatomia topográfica ou regional: estudo feito através da descrição dos órgãos (tegumento, vasos, nervos, músculos, ossos) de diferentes sistemas de uma determinada região do corpo (exemplo: pescoço, tórax e abdome). Anatomia de superfícies estudo da anatomia através da observação ou palpação das saliências e depressões na superfície (pele) do corpo (exemplo: espinha da escápula; processos espinhosos das vértebras). Anatomia da imagens estudo realizado através de exames especializados (exemplo: tomografia computadorizada; ressonância nuclear magnética), em que as imagens das estruturas são geralmente impressas em filmes e podem ser observadas, inclusive em três dimensões. Terminologia anatômica Terminologia anatômica É o conjunto de termos utilizados para descrever o organismo ou suas partes. Com o desenvolvimento da anatomia e a falta de critério norteador do uso de termos anatômicos, existia no final do século XIX uma lista com cerca de 20.000 a 50.000 nomes, muitas vezes aplicados arbitrariamente. Tornou-se necessário, então, uma padronização o que ocorreu através de reuniões sucessivas com tal objetivo. Podemos destacar o primeiro encontro com esse intuito que ocorreu na cidade de Basileia, na Suíça, em I895. Outros encontros importantes aconteceram em 1936 em Yena, na Alemanha, e em Paris, em I955, sendo neste último aprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica (PNA – Paris Nomina Anatômica). Revisões aconteceram e em 2001 foi. publicada no Brasil a Terminologia Anatômica Internacional. Os termos empregados neste capítulo seguem essa nomenclatura. Posição anatômica Sabendo que o corpo humano pode permanecer em diferentes posições no espaço, foi definida uma posição padrão para descrever as estruturas anatômicas. Portanto, a descrição de qualquer estrutura anatômica deve considerar sempre o indivíduo na seguinte posição ereto, com a face voltada para frente (olhar no horizonte), os membros superiores pendentes ao longo do corpo, com as palmas das mãos voltadas para frente, polegares abduzidos e os demais dedos estendidos. Os membros inferiores dispostos um ao lado do outro, com os dedos dos pés dirigidos para frente. Planos de secção do corpo humano Para descrever as estruturas anatômicas, nos baseamos em três planos de secção (imaginários) que perpassam o corpo, considerado sempre na posição anatômica. Podemos imaginar o corpo dentro de uma caixa (por exemplo, embalagem de papelão de uma geladeira), com seis faces (lados), delimitando o corpo. Teremos então uma face anterior vertical, encostada na frente do corpo e outra posterior também vertical, passando atrás corpo. Todos os planos de secção paralelos situados entre essas duas faces são chamados planos frontais. Outras duas faces, uma superior horizontal que se encontra encostada na calvária (região superior da cabeça) e outra inferior também horizontai, em contato com a planta do pé. Todos os planos de secção paralelos e contidos entre essas duas faces são chamados planos horizontais. Ainda teremos outras duas faces verticais - lateral direita e lateral esquerda - que passam, respectivamente, ao lado direito e esquerdo do corpo. Os planos de secção paralelos e contidos entre essas duas faces são chamados planos sagitais. O plano sagital que passa exatamente pelo meio do corpo, dividindo-o em duas metades, direita e esquerda, chama-se plano mediano. Esses planos de secção são referenciais imprescindíveis ao estudo da anatomia, tanto sistêmica como topográfica e, mais recentemente, para o estudo através de imagens. Termos de posição São termos organizados a partir da posição anatômica, pares em sua grande maioria e com significados opostos. O termo mediano refere-se a uma estrutura situada ao longo do plano mediano. O termo medial indica uma estrutura mais próxima ao plano mediano enquanto lateral indica que a estrutura está mais afastada do plano mediano. Intermédio é utilizado para designar que uma estrutura encontra-se entre lateral e medial. Cranial Caudal Superior (cranial) refere-se a uma estrutura próxima ou voltada para a região mais alta da cabeça (calvária), enquanto inferior (caudal) refere-se a uma estrutura mais próxima da planta do pé. Os termos interno e externo referem-se, respectivamente, a estruturas situadas por dentro e por fora de uma cavidade. Anterior (ventral) indica o que está mais próximo da frente do corpo, enquanto posterior (dorsal) refere- se ao que está em direção ao dorso (costas). Proximal indica uma estrutura situada mais próxima da região de implantação do membro (raiz) ao tronco e distal significa mais distante da raiz do membro. Médio(a) é um termo complexo, usado mais frequentemente para designar o que está entre uma estrutura proximal e outra distal; também pode ser utilizado para designar estruturas situadas entre anterior e posterior, superior e inferior e interna e externa. Os termos superficial e profundodescrevem estruturas situadas mais próximas ou mais afastadas da pele, levando em consideração a fáscia muscular. Normal e variações em anatomia Conceito de normal é um conceito estatístico e funcional. Normal em anatomia ocorre quando uma estrutura aparece mais frequentemente e encontra-se apta para a função (por exemplo, ápice do coração, dirigido para o lado esquerdo). Variação é o termo que indica uma estrutura que se apresenta com pouca frequência, porém, encontra-se apta para a função (por exemplo, músculo piramidal). Já anomalia é uma situação onde uma estrutura é pouco frequente e não apta para a função (por exemplo, dedos e costelas supranumerárias). O termo monstruosidade descreve uma situação em que, em geral, a estrutura apresenta anomalias severas que tornam a vida incompatível (por exemplo, anencefalia). Fatores gerais de variação Os fatores que influenciam o aparecimento de variações no ser humano são os seguintes; idade medicações anatômicas influenciadas pela idade (por exemplo, timo, laringe); Sexo; além do evidente dimorfismo sexual (caracteres sexuais com o sexo (por exemplo, tamanho de determinado órgão); Grupo étnico brancos, negros e amarelos podem apresentar variações relacionadas ao seu grupo étnico, por exemplo, músculo piramidal no abdome é mais comum em brancos; biotipo - a forma de determinados órgãos pode estar relacionada ao biotipo (por exemplo, estômago); Lado; podem aparecer diferenças de trajeto de algumas estruturas em função do lado (por exemplo, nervo Laríngeo recorrente no pescoço); Evolução; diante de sucessivas mudanças na civilização podem surgir novas adaptações anatomofuncionais; Meio ambiente - clima, alimentação, altitude, etc. podem também ser condicionantes de variações. Sistema esquelético Apesar de sua aparência simples, o osso é um órgão complexo e dinâmico, formado por vários tecidos que funcionam juntos. O esqueleto é composto de ossos e cartilagens, e o estudo da estrutura dos ossos é chamada “osteologia". O tecido ósseo e o sistema esquelético têm como funções básicas: Proteção e sustentação de órgãos os ossos protegem muitos órgãos internos contra lesões, por exemplo, o cérebro, a medula espinal, etc. Também funcionam como arcabouço estrutural para o corpo, sustentando os tecidos moles e fixando os tendões da maioria dos músculos esqueléticos. Conformação geral do corpo São os ossos que dão forma ao nosso corpo por suportarem uma massa de músculos, vasos, nervos e órgãos que podem pesar até cinco vezes mais que eles próprios. Postura, locomoção e movimento: os ossos atuam como alavancas quando os músculos contraem e provocam o movimento do corpo. Armazenamento de íons de Ca e P: O tecido ósseo armazena vários minerais, especialmente cálcio e fósforo que contribuem para seu fortalecimento. Os ossos podem liberar minerais na corrente sanguínea para distribuí-os para outros órgãos, produção de células sanguíneas o processo formador de células sanguíneas (hematopoese) ocorre na medula óssea vermelha, localizada internamente em alguns ossos. Esse processo produz glóbulos vermelhos, Leucócitos e plaquetas. O sistema esquelético adulto consiste em aproximadamente 206 ossos. Há diferenças no número exato de ossos de uma pessoa para outra, dependendo da idade, de fatores genéticos e dos critérios de contagem empregados na infância, por exemplo, existem mais ossos porque muitos deles ainda não estão totalmente ossificados e, portanto são compostos por duas ou três partes contadas separadamente (por exemplo, o osso do quadril na infância é composto por três partes ílio, ísquio e púbis). Durante a adolescência, porém, o número de ossos diminui à medida que os ossos separados gradualmente vão se fundindo. Tipos de ossos Os ossos podem ser classificados morfologicamente da seguinte maneira; Ossos longos - são aqueles em que o comprimento predomina sobre a largura e funcionam como alavancas. São encontrados em sua maioria nos membros superiores e inferiores (por exemplo, fêmur úmero e tíbia Esse tipo de osso possui uma terminologia descritiva próprias o corpo é chamado de diáfise, um cilindro ósseo compacto que envolve uma cavidade central chamada cavidade medular No adulto, a cavidade medular contém a medula óssea amarela, assim chamada por conter uma grande quantidade de tecido adiposo (gordura). As extremidades do osso longo são denominadas epífise proximal e epífise distal, constituídas por osso esponjoso envolvido por uma camada de osso compacto. Nas epífises, encontramos no interior das cavidades porosas do osso esponjoso a medula óssea vermelha, onde ocorre a hematopoese. Entre a diáfise e a epífise encontra-se a metáfise (lâmina epifísial) que é responsável pelo crescimento do osso em comprimento Ossos curtos são ossos sem predomínio de qualquer dimensão, encontrados comumente no punho e no tornozelo. Eles são compostos por osso esponjoso, exceto na sua superfície onde há fina camada de osso compacto. Por exemplo, escafoide, semilunar, cuneiformes, cuboide. Ossos planos Ossos nos quais há o predomínio da largura. Apresentam uma superfície larga, são geralmente delgados e compostos por duas lâminas paralelas de tecido ósseo compacto, com uma camada de osso esponjoso entre elas (díploe). Por exemplo, parietais, frontal, occipital, escápula. Ossos irregulares São aqueles de forma complexa (não geométrica) e variável, apresentando várias superfícies para inserções musculares e articulações. Por exemplo, vértebras, esfenoide. Tipos especiais de ossos - Ossos pneumáticos - São ossos que contêm em seu interior cavidades aéreas (seios). São encontrados no crânio e face. Exemplos: frontal, esfenoide, etmoide e maxilar. b) Ossos sesamoides Ossos que estão presentes no interior de alguns tendões. São intratendíneos e periarticulares. Eles podem variar de tamanho e número de um indivíduo para outro, medindo geralmente poucos milímetros de diâmetro. Exemplos: patela, c) Ossos supranumerários Alguns adultos têm ossos supranumerários no interior das articulações do crânio, chamadas de suturas. Esses ossos chamados suturais variam muito em número de um indivíduo para outro. Divisão do esqueleto Os ossos são divididos em dois grupos principais: o esqueleto axial: formação mediana que inclui os ossos da cabeça (crânio e face), pescoço e tronco. (Quadro I) O esqueleto apendicular: formação pênsil que inclui os ossos dos membros superiores e inferiores, incluindo o cíngulo do membro superior (escápula e clavícula) e o cíngulo do membro inferior (osso do quadril). (Quadro 2) Acidentes ósseos São características das superfícies ósseas que aparecem onde os tendões, ligamentos e fáscias estejam inseridos ou onde as artérias se situam adjacentes aos ossos ou neles penetram. Crânio - Constituído de oito ossos que se articulam firmemente para proteger o encéfalo, a saber: Frontal - Osso que forma a parte anterior do teto do crânio, o teto da cavidade nasal e os arcos superiores das órbitas. Nele se encontra o seio frontal, cavidade com importância clínica nos casos de sinusite. Parietais - Ossos que formam as partes laterais superiores e o teto do crânio. Temporais - Ossos que formam as partes laterais inferiores do crânio. Três pequenos pares de ossos chamados ossículos da audição estão localizados no interior da cavidade da orelha média, na parte petrosa do osso temporal: martelo, bigorna e estribo. No osso temporal encontramos, por exemplo, o processo mastoide, local de inserção do músculo esternoclidomastoideo, o canal do nervo facial, o canalcarótico, por onde a artéria carótida interna penetra no crânio, o processo estiloide, que dá fixação ao osso hioide, o meato acústico externo, que liga a orelha externa com a orelha média, a fossa mandibular, local de articulação da mandíbulas com o crânio e o arco zigomático, ponte óssea entre os ossos zigomático e temporal. No osso temporal encontramos, por exemplo, o processo mastoide, local de inserção do músculo esternoclidomastoideo, o canal do nervo facial, o canal carótico, por onde a artéria carótida interna penetra no crânio, o processo estiloide, que dá fixação ao osso hioide, o meato acústico externo, que liga a orelha externa com a orelha média, a fossa mandibular, local de articulação da mandíbulas com o crânio e o arco zigomático, ponte óssea entre os ossos zigomático e temporal. Occipital - Osso que forma a parte posterior e a maior parte da base do crânio. Esfenoide - Constitui parte da base anterior do crânio, podendo ser visto lateral e inferiormente. Esse osso lembra a forma de uma borboleta. Nele encontramos uma cavidade aérea, o seio esfenoidal, a sela turca importante estrutura que abriga a glândula hipófise, a asa maior e a asa menor, o canal óptico por onde passa o nervo óptico, o forame oval (para o ramo mandibular do nervo trigêmeo), o forame redondo (para o ramo maxilar do nervo trigêmeo), o forame espinhoso (para os vasos meníngeos médios) e o processo pterigoide, que dá origem aos músculos pterigoideos (medial e lateral). Etmoide - Localizado na parte anterior do soalho do crânio entre as órbitas, formando o teto da cavidade nasal. Neste osso encontramos cavidades aéreas denominadas células etmoidais, uma crista que serve de fixação para as meninges do encéfalo chamada crista etmoidal, a lâmina cribriforme, por onde passam os filamentos do nervo olfatório, a lâmina perpendiculan que contribui na formação do septo nasal, e as conchas nasais (suprema, superior e média) presentes na parede lateral da cavidade nasal. Face Constituída de I4 ossos que não entram em contato com o encéfalo. Dão a forma da face de um indivíduo. Maxilas - As duas maxilas se unem na linha mediana contendo os dentes superiores nos processos alveolares. Contribuem na formação do palato duro por meio dos processos palatinos. Em seu interior há uma cavidade denominada seio maxilar Palatinos - Constituem o terço posterior do palato duro, parte da órbita e parte da cavidade nasal Zigomáticos - Formam os contornos laterais da face. Lacrimais - Ossos delicados que formam a parte anterior da parede medial de cada órbita. Nasais Pequenos e retangulares unem-se na linha mediana para formar o dorso do nariz. Conchas nasais inferiores - Frágeis ossos em espiral localizados nas paredes laterais da cavidade nasal. Vômer - Osso delgado e plano que forma a maior parte do septo nasal ósseo. Mandíbula - Maior e único osso móvel da face. Contém os dentes inferiores em seus processos alveolares. Possui um corpo e um ramo cujo encontro forma o ângulo da mandíbula. A proeminência anterior do corpo chama-se protuberância mentual. O acidente ósseo da mandíbula que se encaixa no crânio é o processo condilan Ossículos da audição São três os ossículos, presentes na cavidade da orelha média em cada orelha que servem para transmitir impulsos sonoros: martelo, bigorna e estribo. Pescoço Osso hioide - É o único osso que não se liga diretamente a nenhum outro osso. Localiza-se inferiormente à mandíbula. O osso hioide tem um corpo, dois cornos menores e dois cornos maiores. Ele sustenta a língua e proporciona inserção para alguns de seus músculos. Coluna vertebral A coluna vertebral é constituída de 33 vértebras, algumas das quais são fundidas, a saber 7 vértebras cervicais, I2 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, o sacro (3 a 5 vértebras) e o cóccix (3 a 4 vértebras). Ela sustenta a cabeça e os membros superiores, capacita a posição bípede, dá fixação a vários músculos e protege a medula espinal dando também passagem aos nervos espinais. Uma vértebra típica consiste em um corpo situado anteriormente em contato superior e inferiormente com os discos intervertebrais, um arco vertebral formado por dois pedículos do arco vertebral e duas lâminas do arco vertebral. O espaço entre o arco vertebral e o corpo é o forame vertebral através do qual passa a medula espinal. Originam-se do arco vertebral os processos transversos, os processos articulares superiores e inferiores e o processo espinhoso. As diferentes regiões da coluna têm vértebras semelhantes, porém, cada região tem suas particularidades. Tórax – formado pelo osso esterno, pelas costelas e pelas cartilagens costais. Esterno Osso plano que ocupa a parte mediana e anterior do tórax. Apresenta três partes: manúbrio do esterno, corpo do esterno e processo xifoide. Na parte superior do manúbrio encontra-se a incisura jugular Costelas São I2 pares de ossos alongados em forma de arco, que se dirigem para frente e para baixo. A cabeça da costela articula-se com a fóvea costal. O tubérculo da costela está a curta distância da cabeça e, entre os dois, está o colo da costela. Curvando-se anteriormente a partir do colo está o corpo da costela. As sete primeiras costelas são chamadas costelas verdadeiras e articulam-se com as vértebras torácicas e anteriormente com o esterno, através das cartilagens costais. Do 8° ao 10° par são chamadas costelas falsas. A 11° e a I2° costelas não se articulam anteriormente e são chamadas costelas flutuantes Cíngulos do membro superior É a região composta pela escápula e clavícula, formando a raiz do membro superior Clavícula - é um osso par, situado na parte superior, anterior e lateral do tórax. Apresenta um corpo com dupla curvatura (forma de “S"). A extremidade esternal é arredondada e articula-se com o osso esterno, enquanto a extremidade acromial é achatada. Escápulas - é um osso par, situado na parte posterior do tórax. Tem forma triangular Apresenta três margens: margem superior margem lateral e margem medial. As extremidades das margens, medial e lateral unem-se para formar o ângulo inferior. As extremidades das margens, superior e medial, unem-se para formar o ângulo superior; A junção entre as margens, superior e lateral, forma o ângulo lateral. A cavidade glenoidal é uma depressão rasa no ângulo lateraI. O tubérculo supraglenoidal é uma elevação pouco demarcada logo acima da cavidade glenoidal. Parte livre do membro superior- Braço Úmero: osso par, sendo o maior osso do membro superior e o único osso do braço. Sua região proximal apresenta a cabeça do úmero, que é lisa e arredondada e articula-se com a cavidade glenoidal da escápula (articulação do ombro). O colo anatômico é uma leve depressão ao redor da cabeça. O tubérculo maior é uma projeção, lateralmente a cabeça do Úmero, enquanto o tubérculo menor encontra-se medialmente ao tubérculo maior. Entre os tubérculos está o sulco intertubercular O colo cirúrgico é a região estreitada abaixo dos tubérculos. A região distal do úmero é achatada e apresenta duas proeminências, o epicôndilo medial e o epicôndilo lateral. Entre os epicôndilos, anteriormente, estão duas superfícies articulares. A superfície lateral é o capítulo, que se articula com o rádio e a superfície medial, a tróclea, que se articula com a ulna. A fossa radial é uma depressão rasa, acima do capítulo, enquanto a fossa coronóidea é uma pequena depressão, acima da tróclea, ambas anteriormente. Posteriormente, logo acima da tróclea, encontra-se uma depressão profunda, a fossa do olécrano. Antebraço Ulna: osso par que está medialmente no antebraço e apresentadois processos na extremidade proximal volumosa, que se articula como úmero o maior está posteriormente e denomina-se olécrano e o menor anteriormente, chamado processo coronoide. Na superfície anterior do olécrano encontra-se uma superfície côncava, a incisura troclear que se articula com a tróclea do úmero. A incisura radial da ulna está lateralmente ao processo coronoide e articula-se com o rádio. Na extremidade distal encontramos a cabeça da ulna que é arredondada de onde se destaca o processo estiloide, mediaI e posteriormente. Rádio: Osso par que se encontra lateralmente à ulna e apresenta, em contraste com a ulna, a extremidade proximal menor e a distal mais volumosa. A extremidade proximal, cilíndrica, é chamada cabeça do rádio, que se articula com o capítulo do úmero e com a incisura radial da ulna. Inferiormente à cabeça está o colo do rádio e logo abaixo encontra-se a tuberosidade do rádio. A extremidade distal é alargada, articula-se medialmente com a ulna através da incisura ulnar do rádio e distalmente com os ossos carpais. Apresenta assim como a ulna um processo estiloide. Mão O esqueleto da mão compreende os ossos carpais, metacarpais e as falanges. Os oito ossos Carpais são ossos curtos, dispostos em duas fiIeiras transversais. Os ossos da fileira proximal descritos de lateral para medial são: l) Escafoide 2) Semilunar 3) Piramidal 4) Pisiforme (não aparece na visão dorsal) Os ossos da fileira distal, também descritos de latera para medial, são: 5) Trapézio 6) Trapezoide 7) Capitato 8) Hamato Os ossos metacarpais formam o esqueletoda palma da mão e são numerados em I, Il, III, IV e V, de Iateral (polegar) para mediaI. Cada metacarpal é um osso longo, sua extremidade proximaI é denominada base, sua parte média é o corpo e sua extremidade distal é a cabeça. As falanges constituem o esqueleto dos dedos. O polegar apresenta duas falanges, proximal e distal enquanto os dedos, indicador médio, anular e mínimo, apresentam três falanges, proximal, média e distal. Cíngulo do membro inferior O cíngulo do membro inferior é formado por um par de ossos do quadril. O osso do quadril é achatado, volumoso e tem forma de hélice. Os dois ossos do quadril articulam-se posteriormente ao osso sacro e anteriormente, articulam-se entre si, constituindo a sínfise púbica. Cada osso do quadril é formado pela fusão de três ossos embrionários. O ílio, situado superior e lateralmente, o ísquio, inferior e posteriormente, e o púbis anteriormente. Na região lateral onde os três ossos se encontram há uma cavidade articular em forma de taça, o acetábulo, que se articula com a cabeça do fêmur Abaixo do acetábulo está situado o forame obturado. Ílio: Porção expandida do osso do quadril acima do acetábulo. Sua borda superior é chamada crista ilíaca. A crista ilíaca termina anteriormente na espinha ilíaca anterossuperior e, logo abaixo desta, encontramos a espinha ilíaca anteroinferior Posteriormente, a crista ilíaca termina na espinha ilíaca posterossuperior e logo abaixo dela está a espinha ilíaca posteroinferior Ísquio: porção posteroinferior do osso do quadril. Apresenta um corpo e um ramo. O um corpo contém o túber isquiático, superfície rugosa que recebe o peso do corpo na posição sentada. O ramo projeta-se anteriormente ao túber isquiática e une-se ao ramo inferior do púbis para formar a borda inferior do forame obturado. Abaixo da incisura isquiática maior está a espinha isquiática. A incisura isquiática menor está abaixo da espinha isquiática Púbis: Parte anterior do osso do quadril e consiste em um corpo, o ramo superior e o ramo inferior do osso púbis. O tubérculo púbico é uma projeção do ramo superior, lateralmente à sínfise púbica, que é formada pela união dos ossos púbis, medialmente. Diferenças da pelve masculina e feminina A pelve óssea (ossos do quadril articulados com o osso sacro) possui diferenças sexuais bem marcadas. Na mulher os ossos são mais leves e delgados, e a musculatura que se fixa na região não é tão proeminente. A cavidade é menos afunilada. As distâncias entre as espinhas isquiáticas e entre os túberes isquiáticas são maiores e a incisura isquiática maior é mais ampla. O ângulo subpúbico aproxima-se de um ângulo reto na mulher e é mais agudo nos homens. No homem as espinhas isquiáticas são mais fortes que as femininas e se projetam bem no inferior da cavidade pélvica. Parte livre do membro inferior – Coxa Fêmur: é o osso mais longo do corpo. A região proximal apresenta a cabeça do fêmur, que é esférica e articula-se com o acetábulo e apresenta uma pequena depressão, a fóvea da cabeça do fêmur. Um estreitamento, o colo do fêmur, une a cabeça ao corpo do fêmur. Na região onde o colo e o corpo se encontram há dois grandes processos, tocante maior que se encontra lateralmente, e o trocantes menor projetado medial e posteriormente. A crista intertrocantérica une os trocanteres posteriormente, enquanto linha intertrocantérica conecta-se aos trocanteres, anteriormente. A extremidade distal é alargada, formando o côndilo medial e o côndilo Iateral. Lateralmente ao côndilo lateral está o epicôndilo lateral e medialmente ao côndilo medial está o epicôndilo medial. Entre os côndilos, na face posterior encontra-se a fossa intercondilar e anteriormente está a face patelar. Patela: a patela é um osso sesamoide, com forma triangular situado na região anterior do joelho, preso ao tendão do músculo quadríceps femoral e ao ligamento da patela. Articula-se com o fêmur através da face patelar, apresenta uma face anterior a base superiormente e o ápice inferiormente. Perna Tíbia: osso medial e mais volumoso da perna. Possui na extremidade proximal duas saliências, os côndilos lateral e medial, cujas superfícies artículares se articulam com os côndilos femurais. Entre as superfícies articulares encontra- se a eminência intercondilar. O corpo, de forma triangularz apresenta anterior e superiormente a tuberosidade da tíbia. A extremidade distal possui o maIéoIo mediaI. Fíbulaz osso afilado, situado lateralmente à tíbia, não se articula diretamente com o fêmur. Sua extremidade proximal possui a cabega da fíbula, que se articula com a superfície articular do côndilo lateral da tíbia. O corpo tem formato trianguIar e a extremidade distal possui o maIéoIo IateraI, que se articu!a com o tálus e forma junto com o maIéoIo medial a articulação talocruraL Pé O esqueleto do pé consiste de ossos tarsais, metatarsais e falanges. A porção proximal do pé é formada por sete ossos: l) Tálus 2) Calcâneo 3) Cuboide 4) Navicular 5) Cuneiforme medial 6) Cuneiforme intermédio 7) Cuneiforme lateral Os dois ossos mais volumosos e sobrepostos, tálus e calcâneo, formam a fileira proximal. Anteriormente ao tálus, o navicular ocupa posição medial e juntamente com os cuneiformes mediaI, intermédio e l ateral e o cuboide constituem a füeira distaI do tarso. Os ossos metatarsais são ossos longos, numerados em I, II, III, IV, V, de medial (hálux) para IateraI, formando o esqueleto da região média do pé. A extremidade proximaI é denominada base, a região média é o corpo e a sua extremidade distal é a cabeça. As falanges constituem os ossos dos cinco dedos do pé e reproduzem a disposição das falanges dos dedos das mãos, isto é, duas para o primeiro dedo, o háIux, e três para os demais: falange proximal, média e distal.