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Introdução
Um dos principais tópicos estudados nesta disciplina é, sem dúvida, o que veremos a
seguir: o Planejamento Pedagógico. Você vai perceber que toda e qualquer ação
pedagógica é embasada através do que chamamos de intencionalidade pedagógica,
ou seja: o que se pretende com determinada atividade, como será feita e de que
forma será avaliada. Para isto, todo educador dispõe de uma ferramenta
denominada: Plano de Aula. Trata-se do documento que efetiva as atividades
propostas pelo professor, que irá detalhar como acontecerão suas práticas,
mediações e a avaliação formativa. Além disso, vamos conhecer quais são os 4 Pilares
da Educação propostos pela UNESCO bem como as nossas atividades de campo,
como problematizamos e investigamos a realidade no cotidiano da sala de aula.
Portanto, daqui para frente você já sabe, tudo o que acontece na sala de aula
demanda planejamento e reflexão. Pronto para navegar neste conteúdo? Vamos
juntos!
Unidade 3 - Intencionalidade da
Ação Educativa
Fernanda Mendes Arantes
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1. Plano de Aula
O Plano de Aula é uma ferramenta essencial ao trabalho do educador. Nela, o
professor estabelece quais serão seus os objetivos (geral e específicos), conteúdos,
metodologias, avaliação e a partir de quais referências aquela atividade foi
estruturada. Vamos detalhar um pouco melhor para que você conheça o Plano de
Aula em sua totalidade.
Sabemos que a Educação é um processo complexo, que demanda conhecimento e
planejamento, mas, não é somente isto. Dentro deste macroprocesso existem
algumas unidades que a constituem, a saber: conhecimento, análise, compreensão,
aplicação, síntese e avaliação. Estas unidades foram delimitadas na Taxonomia de
Bloom, que você conhecerá mais profundamente na próxima Unidade. Agora, vamos
conhecer minimamente cada uma delas para favorecer o entendimento da sua
necessidade no trabalho com o planejamento:
Conhecimento: Agora é hora do professor se perguntar: como meu aluno
constrói seu conhecimento? E a resposta é: a partir dos seus conhecimentos
prévios, aliado à mediação docente e aos conhecimentos que serão construídos
na escola e na vida
Análise: A análise acontece a partir dos conhecimentos que se recebe do meio
externo e da mediação interna, mobilizando as estruturas cognitivas que
compõe a inteligência humana.
Compreensão: A compreensão decorre da inter-relação que se estabelece entre
os dois processos anteriores: conhecimento e análise. Portanto, só posso
afirmar que o conteúdo foi efetivamente compreendido por meu aluno quando
este conteúdo “faz sentido”. Se o conhecimento é apenas memorizado e
reproduzido, a compreensão não aconteceu.
Aplicação: é a experimentação do conhecimento. Seja um conteúdo de
Matemática, Língua Portuguesa, Ciências… Ou seja, a aplicação decorre da
compreensão do conhecimento, é o momento onde a teoria é aplicada na
prática.
Síntese: A síntese é estabelecida cognitivamente para que possamos organizar o
processo educativo de maneira intencional e partirmos para um novo
conhecimento.
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Avaliação: Quando falamos em avaliação não estamos nos referindo
necessariamente às provas escritas tradicionais. A avaliação deve acontecer ao
longo do processo para a aprendizagem do aluno e também pelos professores, e
serve para mensurar a efetividade do processo de ensino aprendizagem, ou
seja, indicar em que medida a aprendizagem está de fato ocorrendo.
Pois bem, estes elementos estão envolvidos no seu cotidiano enquanto professor, e o
planejamento de suas aulas necessita da articulação destes componentes. O
planejamento é macro quando nos referimos ao ato de planejar um semestre ou ano
letivo, e é micro quando nos referimos à um plano de aula. O plano de aula pode
fazer parte de uma sequência didática, ou pode acontecer de maneira isolada. Vamos
conhecer um pouco mais a respeito dessa ferramenta pedagógica. Haydt (2001)
afirma que: “(...) o planejamento é um processo mental que envolve análise, reflexão
e previsão”.
Para elaborar um plano de aula, é necessário estudar, refletir, prever o que pode
acontecer e em qual medida de tempo e espaço. Libâneo (1994) afirma que: “os
planos devem ser como um guia de orientação e devem apresentar uma ordem
sequencial, objetividade, coerência e flexibilidade”.
Vamos imaginar que você é um professor de Educação Infantil atuando com crianças
na faixa de 3 a 4 anos de idade e deseja auxiliar as crianças na  construção de sua
identidade. Para isto, você precisa estabelecer um planejamento.
Nossa sugestão aqui é trabalhar com uma sequência didática, ou seja, vários planos
de aula em sequência. Neste exemplo prático, nossa ideia é trabalhar o conteúdo em
três aulas, ou seja, três momentos de situações de aprendizagem. Como as crianças
são pequenas o tempo destinado ao foco e atenção é pequeno, portanto, o educador
tem que ser lúdico e criativo. Para iniciarmos qualquer temática em sala de aula,
partimos sempre do conhecimento prévio do estudante, portanto no Plano de Aula 1
nossa atividade inicial sugerida é a Roda de Conversa.
A estruturação deste item dentro do Plano de Aula é estabelecida desta forma:
Tema: Construção da Identidade
Duração : 20 min.
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Objetivos: auxiliar a criança a desenvolver noções de pertencimento de si
próprio enquanto indivíduo no mundo.  Favorecer o reconhecimento de si e dos
colegas da turma e demais pessoas do seu convívio.
Conteúdo: Quem sou eu? Quem são as pessoas da minha família? Quem são
meus colegas de turma? Como posso reconhecê-los?
Metodologia: Roda de Conversa, Diálogo.
Recursos: Não há.
Avaliação: Participação e envolvimento.
Os itens acima elencados (Tema, Objetivos, Conteúdo, Metodologia, Recursos e
Avaliação) são comuns na maioria dos planos de aula e isto quer dizer que, para toda
e qualquer atividade em sala de aula, estes itens aparecem e compõe seu
planejamento.
A Roda de Conversa é apenas a 1ª atividade, do 1º plano de aula, dentro da sequência
didática que sugerimos de 3 planos, certo?
Em seguida, você pode propor outras atividades, como por exemplo: cada criança faz
um desenho de si mesma ou, peça aos familiares da criança que enviem uma foto de
rosto da criança para que vocês possam montar juntos um “carômetro” (mural feito
com fotos, imagens ou desenhos das crianças que fica a disposição na sala de aula,
na altura da criança, para que todos possam se reconhecer; serve também para o
professor realizar uma lista de presença diária de maneira lúdica). Para a elaboração
do “carômetro”, você também precisará realizar o planejamento, dentro do seu Plano
de Aula. Pronto! Já temos o primeiro plano de aulas elaborado. Agora, vamos
aumentar o grau de complexidade no 2º Plano de Aula.
Nesta segunda aula, você trará conhecimentos mais complexos ao seu aluno. Por
exemplo: criar uma música ou se apropriar de alguma já existente onde o aluno
tenha que falar o seu nome e de mais um colega, o aluno seguinte fala o seu e dos
dois anteriores, e assim por diante. Esta é uma forma da turma começar a se
reconhecer e a compreender que cada um tem um nome, suas características
próprias, seus desejos e individualidades. Novamente, para esta atividade, siga os
itens elencados anteriormente (Tema, Objetivos, Conteúdo, Metodologia, Recursos e
Avaliação) e perceba como eles acontecem no processo, durante a atividade em sala.
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Para última aula, sugerimos sempre que toda e qualquer sequênciadidática ou
projeto seja finalizado com a elaboração de um produto final que, neste caso, pode
ser: um mural da turma completa, um desenho coletivo, desenhos individuais de si e
do colega, dentre outras possibilidades.  Aqui também será necessário trabalhar os
itens já mencionados para a formalização da atividade dentro do Plano de Aula. É
importante frisar que um plano de aula pode ser composto por várias atividades, isto
vai depender da idade de seus alunos, do grau de maturidade e concentração deles,
de seus conhecimentos, dentre outros fatores. Somente após conhecê-los mais
profundamente é que você terá a real dimensão das atividades adequadas ao grupo
e também da duração máxima de cada uma delas.
1.1. A Intencionalidade da Ação Educativa
Começamos a trabalhar com você, futuro professor, no item anterior o conceito de
Intencionalidade da Ação Educativa ou Intencionalidade Pedagógica. Agora, vamos
delimitar um pouco mais esta temática, recorrendo a artigos científicos recentes que
abordam esta questão.
De acordo com Gladcheff (2016, p. 5) a Intencionalidade Pedagógica pressupõe:
(...) o aluno precisa participar ativamente, o que permitirá sua transformação e esta “não
permanece apenas no ato de ensinar/aprender, mas por toda vida do indivíduo” ( RIGON;
ASBAHR; MORETTI; 2010, p.32 ). No entanto, isso é possível somente quando há
intencionalidade e organização das atividades de ensino do professor. Entendemos que a
prática educativa deve ser orientada pela intencionalidade de formar sujeitos na direção social
de formação humana que possui o coletivo como referência.
Portanto, a intencionalidade da Ação Educativa não tem seus limites somente nos
itens que elencamos no item anterior, mas na constituição do sujeito e da sua
formação humana, dentro e fora da escola. A atividade docente dentro da sala de
aula pressupõe estudo, planejamento, reflexão e avaliação. Entenda que não
estamos falando de planos de aulas fixos e estanques. Isto nos remeteria à uma
prática utilizada no Ensino Tradicional. O plano de aula deve ser feito antes da
atividade em sala, mas pode ser transformado e adaptado no decorrer do processo.
Lembra que comentamos que você deve conhecer seus alunos para poder realizar
seu planejamento? Pois bem, isto quer dizer que você irá elaborar alguns conteúdos
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e planos previamente, no entanto, após conhecê-los, poderá alterá-los em virtude de
diversos fatores, tais como: tempo de concentração e atenção dos seus alunos,
interação da turma, interesses coletivos e individuais, fatores ambientais e materiais,
dentre outros.
Uma vez estabelecido, o plano de aula não tem a intenção de ser seguido à risca,
como uma receita de bolo. Uma aula só acontece a partir da interação entre todos os
envolvidos. Assim, seus alunos podem (e devem!) traçar novas propostas, modificar o
trajeto, elaborar hipóteses, testar suas hipóteses, desconstruir sua ideia prévia,
construir novas ideias, dentre outras possibilidades. Portanto, aqui vai uma dica a
você, futuro educador: tenha sempre uma “carta” (leia-se atividade planejada) na
manga. Isto porque a atividade que você planejou que teria (por exemplo 20 minutos
de duração) pode acontecer em 5 minutos ou pode não acontecer.
E neste momento você irá se perguntar: o que faço agora? É nesta hora que se você
tiver uma atividade planejada em reserva, os objetivos de suas aulas serão mantidos.
Um exemplo desta situação é quando, na turma acima de 3 anos, planejamos uma
pintura ao ar livre (os professores se encarregam de trazer os recursos : tintas, papeis
para forrar o chão, pincéis, camisetas de artes, dentre outros objetos), elaboram e
planejam a atividade, qual o objetivo deste momento e assim por diante. E, neste dia,
chove! Ah, simples (você pode pensar) faço a atividade em sala de aula. Mas será que
teria a mesma efetividade? Será que aconteceria da mesma forma como você havia
planejado? Será que todos cabem na sala de aula, com suas tintas, pincéis e
travessuras?
Provavelmente, não. Até por isso, esta atividade havia sido planejada para acontecer
ao ar livre. Portanto, se você não tiver uma outra atividade (planejada previamente),
todo o seu esforço estará perdido. Gladcheff (2016) contribui com nossa formação
lembrando que, toda intencionalidade pedagógica deve ser precedida de uma
situação desencadeadora de aprendizagem. Este termo refere-se ao planejamento de
uma situação a partir de temas de interesse das crianças que façam com que elas
interajam e articulem entre si, construam e testem hipóteses, apropriem-se de
conceitos, conteúdos, procedimentos e atitudes, trabalhem com situações-problema,
atribuam sentido, tornem-se sujeitos da atividade pedagógica participando
ativamente e intencionalmente da apropriação do conteúdo trabalhado, socializem e
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sintetizem suas ideias, avaliem o percurso individualmente ou em conjunto com os
professores (autoavaliação).
1.2. Formas de Mediação e a Avaliação
Formativa
Atualmente, não temos mais como pensar no professor como transmissor de
conhecimento conhecimento, como sempre foi feito na Educação Tradicional (ou
Ensino Bancário). O aluno não é mais um ser passivo que simplesmente recebe o que
foi transmitido. O professor atual é o mediador do processo de ensino aprendizagem,
ou seja, aproxima o aluno do conhecimento e cria as possibilidades para que este
aluno se aproprie dele.
Vygotsky (1995) afirma que o ser humano se constitui a partir das relações de
interação e mediação proporcionando, assim, aproximação com a cultura de cada ser
vivo. Segundo o autor:
O educador começa a compreender agora que quando a criança adentra na cultura, não
somente toma algo dela, não somente assimila e se enriquece com o que está fora dela, mas
que a própria cultura reelabora em profundidade a composição natural de sua conduta e dá
uma orientação completamente nova a todo o curso de seu desenvolvimento ( p. 305,
tradução da língua espanhola ).
Portanto, entendemos que a mediação é fator primordial na constituição do sujeito.
Na prática, o que se entende por mediar? Trata-se da atividade docente em sala de
aula que pressupõe por parte do professor: planejamento, execução e avaliação. O
professor não pode mediar um conhecimento que não seja de sua competência, ou
seja, é necessário planejamento e conhecimento mínimo do tema a ser trabalhado
para que seja possível auxiliar os alunos na construção de pontes para o
conhecimento.  Cardoso e Toscano (2011), analisando a obra de Vygotsky esclarecem:
(...) a mediação pedagógica favorece um modo de interação entre o mundo interior e o exterior
do sujeito de forma que esse indivíduo possa desenvolver e ampliar suas capacidades. O
professor, nesse processo, será o propositor de atividades que agregam diferentes
instrumentos, saberes culturais e ambientes diferenciados oferecendo uma possibilidade de
maior desenvolvimento humano. A ele é dada a tarefa de, através da interação em sala de
aula, despertar no aluno o interesse de resolver os desafios de cada nova etapa de seu
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aprendizado e ir aproximando-se cada vez mais de um nível mais elevado de aculturamento. (
p. 13470 ).
A Mediação Pedagógica não compreende somente a atuação junto aos conteúdos
escolares, proporciona desenvolvimento também para o mundo exterior,
favorecendo seu desenvolvimento pleno. O docente favorece o aprendizado através
da mediação e da disponibilidade de ambientes e saberes que proporcionem a
resolução e desenvolvimento de desafios.
Esta ideia de que o desenvolvimento dos alunos acontecea todo momento e ao
longo de todo o processo de aprendizagem, leva-nos a outra questão importante.
Como vamos saber se os alunos estão realmente progredindo em seus
conhecimentos e habilidades? Nossa resposta é que sua avaliação deverá estender-
se também ao longo de todo o processo, e não poderá restringir-se à prova ou
exame final. Então,  vamos falar um pouco a respeito da Avaliação Formativa, uma
terminologia bastante utilizada em nossa área de formação e que vai ajudar você a
responder sobre o progresso dos seus alunos.
A avaliação formativa tem sido muito discutida e seus caminhos ressignificados na
história recente da Didática. Entendemos que existem dois princípios centrais na
avaliação feita a partir deste modelo, a saber:
1. Diagnóstico do progresso do aluno; e,
2. Orientação do processo cognitivo do aluno a partir da arte do encorajamento e
do fornecimento de feedbacks positivos que orientem o seu desenvolvimento.
Após extenso trabalho de pesquisa,  Grego (2013) recomenda que os instrumentos
de avaliação devem ser construídos juntamente com os alunos. A nova proposta de
avaliação formativa é essencial para a construção do processo de ensino
aprendizagem entre alunos e professores, de maneira conjunta. Assim, são
ccaracterísticas essenciais de uma boa avaliação formativa:
1. Integração da avaliação formativa em cada atividade de ensino, significando que a
avaliação se insere na interação professor- aluno-conhecimento e nas interações entre os
alunos, a orientar um processo de diferenciação do ensino e de diferenciação da
aprendizagem;
2. A avaliação visa tornar o aluno autor de sua própria aprendizagem, no sentido de estimulá-
lo a se envolver em um processo de autorregulação, de desenvolvimento de suas capacidades
metacognitivas, em um constante processo interativo com o professor e com seus pares;
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3. Adoção do conceito de regulação das aprendizagens, que envolve feedback e adaptação do
ensino e da aprendizagem (em contraposição ao conceito de recuperação das dificuldades de
aprendizagem – feedback mais correção);
4. Ressignificação do conceito de regulação, que passa a compreender tanto formas de
avaliação para diagnóstico e acompanhamento dos alunos como formas de intervenção para
orientar o pensamento dos alunos na construção de sua aprendizagem ( p. 6 ).
Entendemos a partir da citação acima de Grego (2013) que, ao participar do processo
avaliativo, o aluno passa a se compreender como elemento fundamental na dinâmica
de ensino aprendizagem, bem como a verificar e analisar como ele aprende
(metacognição). Em uma avaliação formativa, a avaliação não deve ser feita somente
a partir de testes e provas ao final do semestre ou ano letivo. Ela é contínua,
sistemática e processual, servindo para diagnóstico, acompanhamento, mudança de
rota, intervenção.
Para finalizar, é fundamental que você compreenda quais são as cinco estratégias
chaves para uma avaliação formativa, de acordo com GREGO (2013):
1. Clarificar e compartilhar as intenções e os critérios para o sucesso na
aprendizagem;
2. Coordenar discussões efetivas em sala de aula e outras tarefas de aprendizagem
que estimulem o surgimento de evidências da compreensão dos estudantes;
3. Providenciar feedback que leve o aprendiz a progredir na aprendizagem;
4. Envolver os estudantes para que atuem como recursos de aprendizagem para
outros estudantes; e,
5. Envolver os estudantes como autores de sua própria aprendizagem.
Agora, podemos começar a delimitar melhor o próximo tema que está diretamente
ligado à avaliação formativa: os 4 pilares da Educação.
2. Educação por competência:
uma forma de operacionalizar
os 4 pilares da Educação
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Atualmente, temos visto diversos debates acerca da educação por competências.
Este termo foi inserido na Lei de Diretrizes e Bases de 1996, e continua valendo na
Base Nacional das Diretrizes Curriculares de 2017, que trata do ensino a partir do
desenvolvimento de competências. Se você buscar pela definição do conceito de
competência, provavelmente encontrará diversos autores trabalhando significados
diferenciados. Aqui, nos interessa a definição utilizada por Delors (1996), organizador
da obra “Educação – um tesouro a descobrir” – UNESCO. Esta obra apresenta os
chamados 4 pilares da Educação, a saber: aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a ser, aprender a conviver. Para Jacques Delors: “Uma pessoa é competente
quando é capaz de saber, saber-fazer e saber-ser”.
Quadro 1 – Quatro Pilares da Educação
Fonte: elaborado pela autora, 2019.
Algumas críticas são feitas à noção de competência pois entende-se que esta estaria
diretamente ligada à ideia do saber-fazer algo, uma concepção que lembra o período
tecnicista da Educação, deixando de lado o conhecimento propriamente dito. A
seguir a descrição do autor para os 4 pilares.
1. Aprender a conhecer - combinando uma cultura geral, suficientemente ampla, com a
possibilidade de estudar, em profundidade, um número reduzido de assuntos, ou seja:
aprender a aprender, para beneficiar -se das oportunidades oferecidas pela   educação ao
longo da vida.
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2. Aprender a fazer - a fim de adquirir   não só uma qualificação profissional, mas, de uma
maneira mais abrangente, a competência que torna a pessoa apta a enfrentar numerosas
situações e a trabalhar em equipe. Além disso, aprender a fazer no âmbito das diversas
experiências sociais ou de trabalho, oferecidas aos jovens e adolescentes, seja
espontaneamente na sequência do contexto local ou nacional, seja formalmente, graças ao
desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.
3. Aprender a conviver - , desenvolvendo a compreensão do outro e a percep ção das
interdependências – realizar projetos comuns e preparar- se para gerenciar conflitos – no
respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.
4. Aprender a ser - para desenvolver, o melhor possível, a personalidade e estar em condições
de agir com uma capacidade cada vez maior de auto nomia, discernimento e responsabilidade
pessoal. Com essa finalidade, a educação deve levar em consideração todas as potencialidades
de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para
comunicar- se. ( DELORS, 1996, p. 31 )
Analisando a proposta dos pilares, Dutra et all (2006, p.5) acreditam que na proposta
 “pode-se associar o saber-conhecer com o conhecimento, o saber-fazer com as
habilidades e o saber-ser e saber conviver com as atitudes”.  Portanto, a definição de
Delors está ligada aos conceitos de conteúdos (conhecimentos), habilidades e
atitudes - CHA, que conheceremos melhor a seguir.
CHA é a sigla que denomina, de maneira resumida, conteúdos, habilidades e atitudes
que se pretende desenvolver no indivíduo para analisarmos se este pode ser
considerado competente ou não em determinado ramo ou atividade. C onteúdo
pode ser traduzido como o conhecimento adquirido na escola, no trabalho ou na
sociedade; H abilidade é saber fazer algo a partir do conteúdo ou conhecimento
adquirido; A titude é o querer fazer algo, a partir dos conteúdos e habilidades
adquiridos anteriormente. Os três elementos devem caminhar de maneira conjunta a
proporcionar o desenvolvimento do aluno ou profissional, tornando-se efetivamente
um processo de autoconhecimento.
2.1. Planejamento da observação da
realidade educativa
O professor é um dos elementos constituintes da realidade educativa. Utilizamos o
termo observação participante para caracterizar o professor como atuante neste
processo e não somente umobservador distanciado do objeto de sua atuação; ao
observarmos nossa realidade educativa, podemos aliar teoria e prática, em busca da
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práxis pedagógica. A práxis se constitui efetivamente na intersecção entre teoria e
prática, é o momento (ação) do professor que irá refletir sobre o conhecimento
adquirido para torná-lo factível. De acordo com Freire (1992):
Observar uma situação pedagógica é olhá-la, fitá-la, mirá-la, admirá-la, para ser iluminado
por ela. Observar uma situação pedagógica não é vigiá-la, mas sim fazer vigília por ela, isto é,
estar e permanecer acordado por ela na cumplicidade pedagógica ( p. 14 ).
Entendemos que, para observar uma prática pedagógica, não é possível nos
distanciarmos dela, nem mesmo estabelecermos um período para que isso aconteça.
Estamos inseridos na situação, envolvidos assim como os alunos, mas precisamos de
um olhar diferenciado para avaliarmos o percurso.
Observar é analisar a prática vivida, permitindo uma análise sobre os elementos
constituintes do processo, bem como eventuais problemas e desafios que possam
aparecer. A observação leva à reflexão. O professor deve ser essencialmente
reflexivo, e com isto, queremos dizer que se trata de um profissional que se analisa,
busca verificar suas fragilidades e potencialidades no sentido de favorecer o
desenvolvimento de seu aluno mediante os conhecimentos, habilidades e atitudes
trabalhados conjuntamente. Para isto, existem várias possibilidades, todas elas
logicamente, distantes da metodologia de ensino tradicional. Quando utilizamos
metodologias chamadas ativas, podemos problematizar a realidade dentro e fora da
escola, no sentido da construção do conhecimento verdadeiramente significativo;
esta problematização pode acontecer por diferentes caminhos: estudo de campo,
pedagogia de projetos, sala de aula invertida, aprendizagem baseada em problemas,
situações-problema, dentre outros. Vamos conhecer algumas destas possibilidades a
seguir.
3. Atividade de campo
Existem diversas possibilidades didáticas que podem ser utilizadas pelo professor na
escola, visando a atender os diferentes alunos que recebemos na sala de aula; uma
delas é a atividade de campo. Segundo Zoratto (2014):
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(...) além de aproximar a teoria da realidade, vincula a leitura e a observação, situações e
ações que, associadas à problematização e à contextualização encaminhadas pelo docente,
ampliam a construção do conhecimento pelo aluno. Essas possibilidades permitem ao discente
experimentar e desenvolver outras inteligências que nem sempre são contempladas e
incentivadas na sala de aula. ( p. 3 ).
A ferramenta pedagógica intitulada atividade de campo é fundamental na
aproximação da teoria-prática. É o tipo de atividade que fará com que o aluno possa
perceber em que medida o conhecimento construído será necessário e como será
aplicado.
Em Geografia por exemplo, através das citações encontradas em Zoratto (2014),
podemos trabalhar a aproximação e diferenças entre cidade e campo. Neste caso
específico, podemos trabalhar situações pré-campo; campo e pós-campo. É
importante frisar que toda e qualquer atividade prática deve ser precedida de
fundamentação teórica. Você, enquanto futuro professor, pode e deve estudar,
realizar um levantamento bibliográfico prévio, anterior aos conteúdos ou práticas
que for realizar com seus alunos.
São contribuições da aula-campo no processo de ensino aprendizagem de acordo
com as pesquisas realizadas por Zoratto (2014):
1. Instigar os alunos à observação e comparação;
2. Associação entre teoria e prática;
3. Favorecimento junto à contextualização de conteúdos;
4. Estímulo à análise interdisciplinar;
5. Favorecimento da construção de um vínculo de qualidade entre professor e
aluno.
3.1. Investigação e problematização da
realidade
Um dos itens elencados anteriormente, refere-se à atividade de observação e
comparação realizada pelos alunos a partir do incentivo feito pelo docente. Vamos
analisar um pouco mais detalhadamente este item pois em um espectro mais amplo,
irá favorecer a investigação e problematização da realidade por parte do aluno.
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Na atividade de campo, são inúmeros os benefícios observados desde que seja
previamente planejada para não se confundir com uma aula passeio. No exemplo
citado anteriormente, quando nos referimos a atividade feita dentro do conteúdo de
Geografia. Neste caso, ao realizarmos uma atividade de campo comparando o campo
com a cidade, pode-se levar os alunos à uma fazenda próxima da escola para que
estes possam observar, ter contato com os animais analisando sua criação e
alimentação. Poderão ainda analisar as formas de vida no campo e na cidade, bem
como aspectos ligados ao trabalho, à escola, à sociedade e ao consumo de uma
forma geral.
As perguntas norteadoras do docente devem ser: o que se quer pesquisar, porque se
quer pesquisar determinado tema, e como se analisa os resultados obtidos a partir
desta pesquisa. Ou seja, não basta somente observar e investigar, deve-se buscar as
motivações intrínsecas para tal atividade, bem como um olhar crítico a respeito dos
resultados obtidos.
Ao utilizarmos a problematização da realidade, o aluno assume um papel de
protagonista na atividade, tendo seu professor como um orientador do processo que
irá atuar na definição do problema de estudo juntamente com os alunos, bem como
uma possível intervenção nesta realidade, favorecendo sua transformação. Segundo
Castro et all (2017):
O estudante vai tomar um recorte da realidade como ponto de partida e de chegada em seu
estudo, reconhecer a constante relação entre teoria e prática ao longo do percurso em cada
estudo; considerar a realidade concreta para aprender com ela e para nela intervir, em busca
de soluções para seus problemas; conscientizar-se da complexidade dos fenômenos sociais;
entre outras ( p. 20227 ).
A metodologia da problematização está estruturada em cinco etapas, a saber:
Observação da realidade
Pontos-chave
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Teorização
Hipóteses de solução
Aplicação à realidade (prática)
Portanto, estas são as etapas básicas para a realização de uma metodologia baseada
na problematização. É importante que fique claro que quando trabalhamos com
problematização partimos, necessariamente, de uma questão observada em nossa
realidade, dentro e fora da escola. Um exemplo prático desta metodologia aconteceu,
por exemplo, no início do ano de 2019, quando o país foi invadido pela questão
ambiental que aconteceu em Brumadinho – Minas Gerais. A maioria das escolas
provavelmente não iria começar o ano letivo tratando de questões ambientais, no
entanto, mediante a tragédia social que se abateu, grande parte das escolas em
nosso país iniciou o ano letivo abordando esse acontecimento. Portanto, partindo de
um problema real, os alunos buscaram possíveis hipóteses, a partir da compreensão
dos pontos-chave, bem como da teoria a este respeito.
Este é um exemplo do trabalho que pode ser feito a partir da metodologia da
problematização.
3.2. Delimitação da temática do projeto:
contrato didático
Neste momento vamos compreender a expressão contrato didático que permeia as
relações estabelecidas dentro e fora da sala de aula. É fundamental, antes de
adentrarmos à explanação de como o contrato didático se estabelece, que possamos
conhecer a origem desta expressão. A conceituação de contrato didático advém da
ideia de Brousseau (1986) evamos conhecê-la agora:
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A noção de contrato didático, a qual, descrita por Brousseau (1986), refere-se ao estudo das
regras e das condições que condicionam o funcionamento da educação escolar, quer seja no
contexto de uma sala de aula, no espaço intermediário da instituição escolar quer seja na
dimensão mais ampla do sistema educativo. ( PABIS apud BROUSSEAU, 2001, p.77 )
Portanto, a ideia de contrato didático está diretamente relacionada às condições que
se estabelecem na prática da sala de aula, ou mais especificamente no contexto
didático; contexto este que não está restrito à sala de aula, mas sim, nas redes de
relacionamento que envolvem o saber. O contexto pressupõe os comportamentos
esperados dos alunos, os comportamentos que os alunos esperam do professor, os
comportamentos que regulam a sala de aula bem como a relação professor-aluno-
saber, definindo assim que faz o quê, como, quais os objetivos, metodologias e
resultados esperados.
Quando falamos em contrato entenda que existem itens/combinados/ cláusulas que
devem ser cumpridas por uma parte do contrato e por outra, neste caso, professor e
aluno. O contrato está implícito no dia a dia da sala de aula e só é percebido
efetivamente, quando há o descumprimento de alguma cláusula ou regra por uma
das partes envolvidas:
(...) em muitos casos é preciso que haja a ruptura e renegociação do mesmo (contrato) para o
avanço do aprendizado. Um exemplo bastante elucidativo de ruptura do contrato didático,
nesta situação, é o caso em que o professor pretende introduzir um conceito novo por meio
não de uma aula expositiva (definição, propriedades, exemplos, lista de exercícios), mas de
atividades em que os alunos, partindo de uma situação-problema, resolvem questões
trabalhando individualmente ou em dupla e, no final, o professor faz com toda a classe o
fechamento, visando a institucionalização do conceito que se pretende construir. (...)
Observamos que nesta prática pedagógica o contrato do aluno tem semelhança com o
contrato de um pesquisador e que sua ruptura não é mais necessária para avançar o
aprendizado ( SILVA, 2008, p. 47-48 ).
Quando trabalhamos fora da aula expositiva convencional, muitas vezes os alunos
não sabem como agir, visto que fomos treinados, desde a chegada dos jesuítas, em
concebermos o professor como o detentor do saber e o aluno seu receptor passivo.
Quando trabalhamos com projetos, por exemplo, como vimos no início desta
unidade, o centro do processo educativo está voltado ao aluno e não ao professor,
por isso, este contrato irá prever a progressão do saber e não a transgressão de
regras. Até porque o contrato didático é delimitado a partir da metodologia utilizada
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pelo professor, a saber: aula expositiva, aula dialogada, projetos, trabalhos em duplas
ou trios, sala de aula invertida, situações-problema, dentre outros.
É importante frisar que, segundo Silva (2008), o professor não deve se entender
como um transmissor de atividades ou conceitos facilitados, e sim um facilitador do
processo. Não podemos menosprezar o potencial de nossos alunos pensando que
“determinado conteúdo ele não entende”, o avanço cognitivo do aluno só acontece a
partir dos desafios propostos durante o processo de ensino-aprendizagem:
Quanto mais o professor cede às solicitações do aluno, desvendando aquilo que almeja,
quanto mais ele diz precisamente aquilo que o aluno deve fazer, mais arrisca perder suas
chances de obter e de constatar objetivamente a aprendizagem que ele realmente deve visar (
p. 62 ).
Em outras palavras, o professor não deve facilitar o conhecimento, do contrário
estará induzindo respostas e não desenvolvendo o raciocínio de seu grupo de alunos.
Para este processo, é fundamental que o professor se compreenda como um
instrumento que contribuirá para o desenvolvimento de seu aluno, realizando
sempre o processo: ação-reflexão-ação. Em outras palavras, deve agir, refletir sobre o
ato educativo, refletir, pesquisar, corrigir a rota e agir novamente em busca do
entendimento do processo educativo como um todo.
4. Diagnóstico da Realidade
Por fim, é importante que você saiba que para o professor desenvolver um
planejamento, ele precisa fazer um diagnóstico da realidade (da turma, dos alunos
individualmente, do processo educativo). De acordo com Pabis (2012, p. 3):
“diagnosticar é obter um conjunto de elementos que orientam uma tomada de
decisão”. Sabemos que todo e qualquer planejamento deve ser feito previamente.
Isto quer dizer que, antes de iniciar o ano letivo, o professor provisiona uma
quantidade específica de atividades, planos de aula, sequências didáticas e projetos.
No entanto, como planejar se este professor ainda não conhece a realidade de seus
alunos? Este professor irá se informar junto à sua Coordenação ou Direção sobre
quem são seus alunos, obtendo dados básicos tais como: idade, tempo de
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escolarização e tempo de vínculo com a escola atual, condição social, composição
familiar, e até mesmo dados com os professores de séries anteriores deste aluno, ou
seja, se o aluno está indo para o 3º ano do Ensino Fundamental I por exemplo, este
professor deverá obrigatoriamente ter contato com seu professor no 2º ano, e assim
por diante.
Desta forma, o professor já terá acesso a uma quantidade razoável de dados para
conhecer minimamente sua turma, tomando cuidado para não se contaminar com
pré-avaliações realizadas por seus colegas professores. Após o início das aulas,
obviamente, este diagnóstico será acrescido de dados e informações que o professor
só obtém a partir do contato presencial com seus alunos. Este diagnóstico inclui
também as experiências prévias de situações de vida de seus alunos, das relações
pessoais e do conhecimento adquirido de uma forma geral.
Figura 1 - Conhecer a realidade é vencer o desafio de se aproximardos alunos e conhecer seus saberes e suas
dificuldades. Fonte: Creative Commons, 2019
Diagnosticar a realidade dos alunos também quer dizer que o professor pode e deve
conhecer seus interesses e necessidades, de acordo com Pabis (2012):
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(...) identificação de problemas ou temas relevantes para os alunos é fator importante na
definição do material a ser estudado no decorrer do processo de ensino. Reforçando a ideia da
importância do planejamento e do diagnóstico a autora assim se refere o resultado desse
primeiro momento do planejamento seria um diagnóstico sincero da realidade concreta do
aluno, elaborado de forma consciente e comprometida com seus interesses e necessidades ( p.
4 ).
Portanto, entenda a importância do diagnóstico para a sua atuação em sala de aula,
bem como para o bom andamento do processo educativo. Em seguida ao
diagnóstico, o professor irá proceder ao planejamento, item que veremos a seguir.
4.1. Planejamento
Planejar está entre as tarefas primordiais do professor. Vimos no decorrer desta
unidade sua importância, bem como algumas formas de fazê-lo.  De acordo com
Pabis (2012, p. 4): “(...) o planejamento, voltado para ação pedagógica crítica e
transformadora, oferecerá mais segurança para se lidar com a situação que ocorre
na escola e em sala de aula”. Você já sabe que, para planejar o professor deve
conhecer os condicionantes determinantes da atuação do aluno na escola, isto quer
dizer que deve conhecer minimamente a realidade social e cultural do aluno, suas
influências culturais, sociais e materiais bemcomo o ambiente em que vivem e a
linguagem utilizada por ele, Pabis (2012), continua:
(...) o conhecimento dos condicionantes sociais constitui-se em ponto de apoio pedagógico
para a ação docente. O professor precisa estar disponível para aprender com a realidade,
extrair dos alunos informações sobre a vida cotidiana de forma que confrontam os seus
próprios conhecimentos com os conteúdos escolares. Ao mencionar que o aluno deve
confrontar o seu próprio conhecimento com os conhecimentos escolares, deixa claro que o
professor na condição de orientador do processo de ensino deve ter clareza dos
conhecimentos que o aluno possui, embora não faça referência ao tipo de conhecimento que
deve ser trabalhado, o que supõe que envolve todos os conhecimentos do aluno ( p. 4 )
É importante que fique claro a você, futuro educador, que todos possuímos
conhecimentos, até mesmo os bebês. O conhecimento prévio do aluno advém das
relações que ele estabelece desde o seu nascimento, com seus cuidadores e com as
respostas que obtém a partir de suas necessidades, dentre outros aspectos.
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A seguir, apresentamos itens obtidos a partir de pesquisa feita por Pabis (2012) na
literatura científica a respeito da definição e objetivos de um bom planejamento feito
pelo professor:
Quadro 2 - Elementos intrínsecos ao planejamento.
Fonte: Elaborado pela autora, 2019
Se você analisar detalhadamente o quadro acima, verá que existe um elemento
comum em quase todos os itens elencados: a realidade do aluno, por isto mesmo,
iniciamos este tópico falando a respeito da análise e diagnóstico da realidade de
nosso aluno.
Desta forma, para finalizarmos esta unidade, é fundamental que você saiba que o
planejamento realizado em 2018 não servirá para sua turma em 2019, e assim por
diante. As turmas são diferentes, os alunos, as condições socioculturais, emocionais,
cognitivas, mesmo sendo alunos da mesma região física e condição socioeconômica,
isto porque, de acordo com Pabis (2012, p. 7): “Ao considerar a realidade como
produto da interação humana, conclui-se que ela não é algo estático, acabado,
imutável. Ela é construída pelo homem e está em constante processo de construção”.
Entenda que estamos falando de diagnóstico da realidade e planejamento de uma
forma ampla, porém, para cada etapa da Educação (Infantil, Fundamental, Médio e
Superior), as condições são diferenciadas, bem como o contexto sociocultural,
econômico e cognitivo de nossos alunos. Portanto, o planejamento feito para
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crianças pequenas não será o mesmo para crianças maiores, nem tão pouco para
adolescentes e adultos.
Síntese
Esta unidade apresentou a você aspectos que permeiam a prática educativa na
escola. Você pode conhecer o que está por trás da Intencionalidade da Ação
Educativa ou Intencionalidade Pedagógica. Trata-se de um amplo trabalho por parte
do professor que precede a atuação em sala propriamente dita. No início da unidade
tratamos sobre o Plano de Aula, ferramenta essencial presente no cotidiano do
professor. Você percebeu quais itens são fundamentais neste documento e como
pensar cada um deles.
Em seguida falamos a respeito dos 4 pilares da Educação estabelecidos por Jacques
Delors no documento da Unesco e a sua contribuição para o processo educacional
Brasileiro. Caminhamos apresentando a você algumas possibilidades de trabalho
didático como a atividade de campo, a investigação e o problematização da realidade,
o contrato pedagógico. Em seguida, você conheceu um pouco mais a respeito da
importância do diagnóstico da realidade para o planejamento feito pelo professor.
São conteúdos densos que devem ser explorados de maneira completa por você,
acessando as referências bibliográficas disponibilizadas ao final da unidade.
Bons estudos!
Download do PDF da unidade
Bibliografia
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