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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA 
“JULIO DE MESQUITA FILHO” 
FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU 
UNESP 
 
DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA E PSIQUIATRIA 
DISCIPLINA DE PSIQUIATRIA 
- 1995 - 
 
PROPEDÊUTICA PSIQUIÁTRICA 
 
 A entrevista é o momento inicial sobre o qual se baseia toda a semiologia médica. Os 
antigos professores de semiologia costumavam afirmar que uma anamnese “bem feita” já fornece 
50% do diagnóstico. No que diz respeito aos pacientes com transtornos psíquicos, a entrevista é um 
instrumento utilizado para: 
 
1- Obter dados que nos conduzam ao diagnóstico e à conduta terapêutica; 
2- Observar o paciente em situação de interação; 
3- Analisar o paciente quanto ao seu contexto sócio-cultural; 
 4- Intervir terapeuticamente (estabelecendo relação médico-paciente adequada que favoreça a 
adesão ao tratamento, orientação e apoio). 
 
 Na abordagem do paciente com transtorno mental estes objetivos parecem mais 
óbvios, porém deveríamos tentar alcançá-los em qualquer atendimento médico. A entrevista - 
instrumento fundamental na propedêutica direta em psiquiatria - pode ser dividida em 2 momentos: 
coleta de dados (anamnese ou história clínica) e, realização do exame psíquico ou avaliação do 
estado mental. Na prática, não se faz esta distinção rígida e enquanto se colhem as informações, já 
se observa o estado mental do paciente. Há apenas alguns tópicos do exame que precisam ser 
pesquisados diretamente, como veremos abaixo. 
 Além da propedêutica direta (história clínica e exame psíquico), há ainda a 
propedêutica indireta ou armada. De interesse podemos destacar: exames laboratoriais (alterações 
de função tireoidiana, por exemplo, podem causar sintomas psiquiátricos), análises do líquido 
cefaloraquidiano, eletroencefalograma, tomografia axial computadorizada de crânio, ressonância 
magnética e testes psicológicos. 
 Completando a propedêutica psiquiátrica, pode-se dispor das informações dos demais 
membros da equipe de saúde mental (Assistente Social, Enfermeiro, Psicólogo, Terapeuta 
Ocupacional, entre outros), tanto para pacientes internados como para pacientes ambulatoriais. 
 Assim a avaliação psiquiátrica completa inclui: 
 - História Clínica 
 - Exame Psíquico 
 - Exame Físico 
 - Exames Complementares (quando indicados) 
 - Avaliação de outros profissionais da equipe. 
 
 A coleta de dados não deve ser transformada num inquérito rígido de respostas 
fechadas com total direcionamento do profissional, nem tampouco num discurso do paciente sem 
qualquer intervenção. O entrevistador deve buscar o “meio-termo”, ou seja, o 
 curso da entrevista dependerá do que o paciente diz, mas o profissional não deverá perder o 
direcionamento da mesma. 
 A seguir, há roteiros de história clínica e exame psíquico que devem ser tomados 
como roteiros guias, e não como formulários a serem preenchidos mecanicamente. 
 
 
 
ROTEIRO DE HISTÓRIA CLÍNICA1 
 
 A história deve ser obtida tanto do paciente como de um ou mais informantes (quando 
necessário). Por vezes a entrevista terá que ser conjunta e só excepcionalmente o informante será 
entrevistado antes do paciente. O relato do informante não apenas ampliará o relatório do paciente 
com relação a pormenores factuais, mas também lançará luz sobre as relações do paciente dentro e 
fora da família. As informações obtidas do paciente e dos diferentes informantes devem ser mantidas 
separadas. Muitas vezes os relatos do paciente e informante são completamente diferentes, apesar 
de poderem ser complementares. Especifique o nome do informante, relação com o paciente, grau 
de intimidade e duração do conhecimento. Registre também sua impressão da fidedignidade do 
informante e de suas atitudes em relação ao paciente e à doença, particularmente durante o 
atendimento. (pode ser útil registrar nomes, endereços, telefones de outros informantes em 
potencial). As áreas de informação abaixo devem ser cobertas em cada caso, embora pormenores 
em cada uma das seções possa variar de um caso para outro. A ordem na qual estes vários tópicos 
são apresentados é a ordem na qual eles devem aparecer no registro clínico, porém pode ser mais 
adequado proceder de forma diferente ao se obter a informação, ou ao se ler a história a alguém que 
a desconheça. Neste último caso é sempre útil dar um resumo de duas ou três frases antes de iniciar 
a apresentação pormenorizada. 
 
MOTIVOS DA CONSULTA: 
 
 Uma frase curta sobre porque e como o paciente veio à consulta. 
 
QUEIXAS: 
 
 Relatadas pelo paciente com suas próprias palavras (não limitadas às queixas 
principais), e a duração de cada queixa. 
 
HISTÓRICO DA MOLÉSTIA ATUAL: 
 
 Um relato pormenorizado da queixa desde o seu início, do momento em que se notou 
uma modificação até o momento da consulta. Deve-se colocar a data aproximada da sequência de 
aparecimento dos vários sintomas. Registre a situação vital e a reação do paciente à doença, em 
todas as épocas relevantes no curso da evolução. Descreva tratamentos prévios da doença atual e 
seus resultados (fatores de evolução). 
 
 OBS: Há condições que são consideradas potencialmente causadoras de “stress”. 
Podem estar relacionadas a circunstâncias duradouras (pobreza, por ex.) ou a eventos agudos 
(enchentes, por ex.). Na coleta dos dados é importante investigar a existência de acontecimentos 
relacionados no início dos sintomas - ainda que a relação pareça ser apenas “coincidência 
cronológica”. 
 A seguir, transcrevemos uma lista com alguns exemplos de condições consideradas 
estressoras e seu nível de gravidade segundo o DSM-III-R.2(1) 
 
 
 
 
 
ESCALA DE GRAVIDADE DOS ESTRESSORES PSICOSSOCIAIS: ADULTOS 
 
 
1 Traduzido de “Notes on Eliciting and Recording Clinical Information” London, Oxford University Press, 1973 
por José Manoel Bertolote. (modificado). 
 
 2 Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM- III- R (American Psychiatric Association, 1987). 
 
 Exemplos de Estressores 
 
 Gravidade Acontecimentos Agudos Circunstâncias Duradouras 
 
 Leve Rompimento com o namorado Discussões de família; insa- 
 ou namorada; começando ou tisfação no emprego; resi- 
 diplomado na escola; filho dência em vizinhança de 
 que deixou o lar. alta criminalidade. 
 
 Moderada Casamento; separação con- Discórdia conjugal; sérios 
 jugal; perda de emprego; problemas financeiros; 
 aposentadoria, fracasso dificuldades com o chefe 
 
 Grave Divórcio, nascimento do Desemprego; pobreza. 
 primeiro filho 
 
 Extrema Morte do cônjuge; doença Doença crônica grave em 
 física séria diagnosticada; si mesmo ou em filho; 
 vítima de estupro. Continuado abuso físico 
 ou sexual. 
 
 Catastrófica Morte de filho; suicídio Cativeiro como refém, ex- 
 do cônjuge; desastre natu- periência em campo de con- 
 ral devastador. centração. 
 
Perturbações Associadas: 
 
 Descreva as modificações das relações do paciente com outras pessoas no 
casamento, na vida social e sexual, e no trabalho. Modificações do sono, hábitos alimentares, peso, 
funções excretórias e hábitos de bebida e fumo; modificações em sua capacidade de tomar 
decisões, assumir responsabilidades e comunicar-se com os outros. 
 
 ANTECEDENTES FAMILIARES: 
 
 (No caso de adoção da criança o registro deve incluir os dados relativos à família 
biológica e social). 
 
 Mãe: 
 
 Idade; se falecida, causa da morte e idade do paciente por ocasião da morte dela 
reação do paciente. Ocupação; doenças físicas e mentais; personalidade, relação do paciente com 
ela na infância e subsequentemente. Período de separação na infância; duração e circunstâncias. 
 
 Pai: 
 Os mesmos dados que os coletados para a mãe. Registre sempre pormenores de sua 
ocupação. 
 
 
Irmãos: 
 
 Enumere-os em ordem cronológica de nascimento, com os primeiros nomes, idades, 
estado civil, ocupação, doenças significantes (inclua abortose natimortos). Relacionamento prévio e 
atual do paciente com eles. 
 
 
 Outros Parentes: 
 
 Doenças familiares semelhantes à do paciente, alcoolismo, personalidades anormais, 
doença mental, epilepsia (convulsões podem ser consequência de anos de ingestão alcoólica, deste 
modo investigar se sua ocorrência foi precedida de uso abusivo de álcool). Registre o local e época 
de tratamento psiquiátrico recebido pelos membros da família. 
 
Antecedentes Familiares na Infância: 
 
 Acontecimentos relevantes que afetaram os pais durante a infância do paciente. 
Relacionamento emocional dentro da família. “Stress” originados por causa emocional, incluindo 
morte ou separação de parentes próximos e idade do paciente nessa época. 
 
ANTECEDENTES PESSOAIS: 
 
Desenvolvimento Inicial 
 
 Data e local de nascimento, peso ao nascer. Anormalidade durante a gravidez e parto. 
Dificuldades alimentares. Dificuldade na amamentação. Bebê frágil ou saudável, precoce ou 
retardado (por ex: para falar e andar). Dificuldades de treinamento de hábitos. Atitudes da mãe em 
relação ao desenvolvimento inicial. 
 
Comportamento durante a infância 
 
 Dificuldades persistentes do sono, enurese noturna, gagueira, tiques ou maneirismos. 
Dores abdominais recorrentes, medos, períodos de sofrimento, timidez, passividade excessiva. 
Hiperatividade, comportamento cruel, brigas freqüentes, fanfarronice, delinqüência. Brincadeiras e 
“faz-de-conta”. Capacidade de estabelecer e manter amizades. Atitudes em relação aos irmãos, à 
separação dos pais, às dificuldades fami- 
liares. Saúde durante a infância. 
 
Escolaridade 
 
 Idade de início e término. Tipos de escolas (particular, pública, religiosa). Aprovações 
e reprovações. Ausências prolongadas da escola, dificuldades específicas (por exemplo: de leitura). 
Razões para abandono (não tinha escola no sítio, precisava trabalhar, mau aproveitamento, 
desinteresse, etc) 
 
Conduta na escola 
 
 Briguento, comportado, bagunceiro, etc. Atitudes em relação aos colegas e 
professores. 
 
Ocupações 
 
 Idade ao se iniciar no trabalho. Empregos que já teve, em ordem cronológica. Razões 
porque mudou de empregos. Satisfação no trabalho ou razões de insatisfação. Competência. 
Ambição e perspectivas futuras. Relações com outros no trabalho. Serviço militar. Estabilidade sob 
“stress”. Procure descrever a função, possível contato com substâncias (agrotóxicos, por ex.), 
condições de trabalho. 
 
 
 
Adolescência 
 
 Atitude em relação ao crescimento, companheirismo, família e autoridade. 
Comportamento rebelde. Ingestão de drogas. Períodos de depressão ou isolamento. 
 
Antecedentes Sexuais 
 
 Idade de início da puberdade (mudança de voz, aparecimento de barba, menarca), 
como reagiu ao início da puberdade. Masturbação: idade, fantasias e ansiedades associadas. 
Fantasias homossexuais e heterossexuais, inclinações e experiências fora do casamento. 
Disfunções sexuais: impotência, frigidez e outras dificuldades. Descreva qualquer alteração ou 
distúrbio. Atividade sexual atual: conjugal e extraconjugal. Técnicas anticoncepcionais. Satisfação. 
 
Antecedentes Conjugais 
 
 Número e duração de namoros e noivados, circunstâncias associadas. Idade ao se 
casar (de cada um dos casamentos). Idade, ocupação, saúde (presente e passada) e personalidade 
do cônjuge. Relacionamento conjugal e problemas do passado e do presente. Casamento forçado 
por gravidez. Fidelidade dos cônjuges. Sempre que couber, data das mortes dos cônjuges, divórcios 
ou separações. 
 
Filhos: 
 
 Lista cronológica das gestações incluindo abortos espontâneos e induzidos. Idades e 
nomes das crianças, sua saúde física e mental no passado e no presente. Anote o local e épocas de 
tratamento psiquiátrico recebido pelas crianças. Atitudes em relação aos filhos. 
 
Antecedentes Mórbidos 
 
 Doenças, operações, traumatismos cranianos, acidentes, hospitalizações (em ordem 
cronológica). Reações do paciente. 
 
Antecedentes Psiquiátricos 
 
 Pormenores de todas as condições psiquiátricas que tenham recebido tratamento, 
anotando data e duração da doença e natureza do tratamento. Especifique os nomes dos hospitais e 
médicos, se possível. Pormenores de todas as perturbações psiquiátricas para as quais não recebeu 
tratamento (por exemplo: distúrbios do comportamento, uso excessivo de álcool ou drogas, 
preocupações com funções corporais, insônia, oscilações do humor, distúrbios psicofisiológicos, 
sintomas de ansiedade, etc). Descreva em cada caso a situação vital existente na época. 
 
Uso e abuso de álcool, fumo e outras drogas 
 
 Hábitos de fumar e beber, incluindo uma estimativa das quantidades envolvidas 
recentemente (e também no passado, se for diferente da atual). Tentativas de abandonar e seus 
resultados. Evidências de efeitos na saúde, no relacionamento com outros, na capacidade de 
trabalho e na situação financeira. Anote também uso excessivo de aspirina ou outros medicamentos 
e dependência de hipnóticos ou tranquilizantes, seja por receita médica ou não. 
 Em função da dificuldade que alguns pacientes apresentam em detalhar a ingestão de 
álcool, foi elaborado um questionário com algumas perguntas-chave que seriam feitos aos usuários 
onde pode estar havendo uso abusivo. São elas: 
 
- (C) Alguma vez o Sr. sentiu que deveria diminuir (“cut down”) a quantidade de bebida ou parar 
de beber? 
- (A) As pessoas o aborrecem (“annoyed”) porque criticam o seu modo de beber? 
- (G) O Sr. se sente culpado (“guilty”) (chateado com o Sr. mesmo) pela maneira com que costuma 
beber? 
- (E) O Sr. costuma beber pela manhã (“eye-opener”) para diminuir o nervosismo ou a ressaca? 
 
 Entre parênteses estão as principais palavras destas questões (em inglês) que dão 
origem ao acróstico CAGE(1), que é o nome como nos referimos a este questionário. O C.A.G.E. foi 
desenvolvido em 1974 por Mayfield e cols e validado para uso no Brasil por Masur e Monteiro em 
1983. 
 Quanto ao uso de outras drogas, questionar quais o paciente conhece, quais já 
experimentou, com qual freqüência as utiliza, se tem por hábito associá-las. Investigar o uso de 
drogas ilícitas (maconha, cocaína, heroína, etc) e também o uso de drogas lícitas (calmantes, 
xaropes, anfetaminas, derivados de morfina, solventes, etc). 
 
 
 Comportamento Anti-social 
 
 Delinqüência ou infrações criminosas, processos aos quais está respondendo, mesmo 
que nunca tenha sido preso. Períodos na prisão, casa de detenção, reformatórios, abrigos de 
menores e períodos de liberdade condicional. Anote qualquer informação sobre violência ou 
agressão e jogo excessivo. 
 
Lazer 
 
 Descreva as atividades que o paciente aponta como atividades de lazer: esporte, 
trabalhos manuais, ver TV, viajar, trabalho doméstico (mesmo que para o entrevistador possa causar 
estranheza, é importante descrever o que é lazer para o paciente), etc. 
 
Religião 
 
 Descrever a religião que professa, há quanto tempo, se tem relação com o início do quadro 
ou não, se o paciente se considera praticante ou não. 
 
Condições de vida atuais 
 
 Descrição da família do paciente, sua casa, circunstâncias sociais, de trabalho e 
financeiras. Satisfações e insatisfações com estas. Composição familiar. Dificuldades com os 
vizinhos. Outras reações significantes e atitudes do paciente em relação aos vizinhos. Evidência de 
conflito emocional na família ou nas relações sexuais ou de trabalho, “stress” recentes, sofrimentos, 
perda ou desapontamentos e as reações do paciente a cada um deles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ROTEIRO DO EXAME PSÍQUICO 
 
 A descrição do estado mental do paciente deve registrar dados comportamentais 
diretamente observados e dados psicológicos inferidos (verbais e não-verbais, em ambos os casos) 
pelo examinador durante a entrevista. Evidentemente muitas inferências são feitas, já que não se 
pode observar diretamente os sentimento do paciente, apenas podemos supô-los a partir do que o 
paciente diz. É extremamente importanteser o mais preciso possível, de tal forma que outro 
examinador avaliando o mesmo paciente, na mesma entrevista, obtenha o mesmo resultado. 
 Poucos tópicos do exame psíquico exigem um interrogatório específico. A maior parte 
das informações sobre o estado mental já são obtidos durante a coleta da história clínica. Todas 
estas informações devem ser registradas de forma a permanecerem como documentação do estado 
mental do paciente no momento daquela entrevista. Esta documentação servirá ainda, não apenas 
para estabelecimento do diagnóstico, como também para avaliação da evolução do paciente. 
 O registro do estado mental do paciente deve ser discursivo, devendo porém cobrir, 
pelo menos, os tópicos constantes do roteiro abaixo. Treze categorias de observação (algumas delas 
consideradas como funções psíquicas) incluem vários tópicos de observação (ou sinais e sintomas). 
Estes tópicos deverão ser avaliados sempre, em cada paciente. A divisão em categorias e tópicos 
tem uma finalidade primariamente didática e a ordem de apresentação não deve ser tomada 
necessariamente como a ordem em que devem ser investigadas. 
 
1- Aspecto 
 Descrição minuciosa e completa de como o paciente se apresenta do ponto de vista 
da compostura de sua figura e de seus trajes (por exemplo: descuidado, despenteado, trajes em 
desalinho, sujos ou atípicos, características físicas incomuns). 
 
2 - Postura 
 Qual é a postura básica do paciente? Consegue manter-se de pé; sentado; necessita 
de apoio? (por exemplo: flácida, rígida, tensa, inadequada, bizarra). 
 
3 - Movimentação 
 Descreva gestos, mímica e outras expressões motoras. A movimentação está 
aumentada ou diminuída? Acelerada ou lentificada? Há inquietação, agitação, estupor, tics, 
tremores, estereotipias?. A movimentação varia durante a entrevista? Espontaneamente ou o que 
provoca a variação? Se inativo: resiste passivamente à movimentação ou obedece ordens? 
 
4 - Nível de consciência 
 Como está o contacto do paciente com o mundo exterior? Responde à voz falada, 
gritada, após ser sacudido, espetado com agulha ou apenas após pressão esternal? (Há sonolência, 
torpor ou coma?). Há evidências de realização de atos automáticos sem participação da plena 
consciência? (Há turvação ou estreitamento?). 
 
5- Estado cognitivo 
 5.1. Orientação- Registre as respostas do paciente a questões sobre seu próprio nome e 
identidade, local onde se encontra, data e período do dia (desorientação em relação a si mesmo, ao 
tempo e ao espaço). 
 5.2. Atenção- É fácil despertar e manter sua atenção? Consegue se concentrar? Distrai-se 
com facilidade? Para testar sua concentração e atenção, peça-lhe para dizer os dias da semana ou 
meses do ano em ordem inversa, ou peça-lhe para fazer subtrações seriadas seguidas (por exemplo: 
subtrações de 7 a partir de 100 ou de 3 a partir de 20, anotando as respostas e o tempo gasto). 
 5.3. Memória- Compare o relato do paciente com o de outros informantes e busque 
evidências intrínsecas de falhas ou incongruências no próprio relato do paciente. Observe 
especialmente a memória para eventos recentes. Anote com pormenores as falhas seletivas de 
memória para incidentes especiais particulares, acontecimentos recentes ou remotas (memória de 
evocação), bem como a atitude do pacientes diante de seu esquecimento e da matéria esquecida. 
Há evidências de confabulações ou falsas recordações? Espontâneas ou provocadas? Diante de 
suspeita ou lesão de memória, registre literalmente as tentativas de repetir um nome, um endereço e 
uma série de cinco algarismos, imediatamente após terem sido fornecidos e cinco minutos após 
(memória de fixação). 
 5.4. Inteligência- Deve ser inferida de sua história, conhecimentos gerais, desempenhos 
escolar e ocupacional, bem como de dados obtidos no exame (aplique testes elementares de 
compreensão, abstração, cálculos e avalie seus interesses e experiência). Quando houver prejuízo, 
avalie o grau: leve, moderado, grave. 
 
6- Fala/Discurso 
 Considere aqui a forma e não o conteúdo da produção verbal do paciente e descreva-
a minuciosamente. Fala muito ou pouco, espontaneamente ou só quando interrogado, rápida ou 
lentamente? É uma fala hesitante ou decidida, objetiva ou não, é coerente, é desagregada? Há 
silêncios e interrupções súbitos, muda freqüentemente de assunto, comenta eventos concomitantes, 
usa palavras e sintaxe estranhas, rimas, trocadilhos? Inclua nas anotações transcrições literais do 
discurso do paciente sempre que houver alguma anormalidade formal. Exemplos de alterações: fuga 
de idéias, desagregação, bloqueios, mutismo, tartamudez, prolixidade, perseverações, 
verbigerações, ecolalia, etc. 
 
7- Pensamento 
 Inclua aqui o conteúdo do discurso do paciente e suas preocupações. Existem 
preocupações com sua situação de vida atual, com o passado, com o futuro, com a própria 
segurança, com a de outros? Estas preocupações interferem com o seu desempenho, com a sua 
concentração, com o sono? Há evidências ou suspeitas de idéias, desejos, temores ou planos 
suicidas? Há fobias, idéias ou ruminações obsessivas? Há evidências ou suspeitas de crenças e 
interpretações anormais de eventos relacionados ao meio ambiente ou a si mesmo? Qual o seu 
conteúdo, modo de início, grau de convicção? (Ex: idéias delirantes e deliróides). 
 
8- Senso-percepção 
 Descreva as vivências (senso-perceptivas) anormais em relação ao ambiente (por 
exemplo: ilusões ou alucinações interessando qualquer dos órgãos dos sentidos; sentimentos de 
estranheza, de familiaridade, de desrealização, “déjà vu”) ou em relação a si mesmo (por exemplo: 
sensação de estar morto, alucinações somáticas, despersonalização). Anote a fonte, o conteúdo, o 
grau de realidade e a intensidade destas vivências, bem como a ocasião em que ocorreram (por 
exemplo: ao adormecer, ao acordar, quando só, à noite, etc...) 
 
9- Afetividade 
 O aspecto, a postura, a movimentação, o comportamento geral enfim, já descritos 
podem dar uma indicação do humor do paciente. Anote sempre suas respostas a questões sobre 
“Como se sente?” ou similares. Interrogue especificamente sobre idéias de suicídio e atitudes em 
relação ao futuro, sempre que suspeitar de humor deprimido. Muitas variantes do humor podem estar 
presentes, não apenas felicidade ou tristeza, por exemplo: ansiedade, medo, desconfiança, 
exaltação, perplexidade, raiva, hostilidade, ambivalência, etc. Observe a estabilidade do humor 
durante a entrevista (está lábil?), as circunstâncias que o modificam, e sua adequação em relação ao 
conteúdo do pensamento e à forma do discurso. Repare se há evidências de embotamento afetivo e 
indique especificamente sempre que suspeitar de que o paciente está escondendo seus verdadeiros 
sentimentos. 
 
10- Pragmatismo e Psicomotricidade 
 Há alteração da volição? (hipobulia, hiperbulia, abulia). Há atos impulsivos ou rituais 
compulsivos? Compreende ordens simples e as executa? Nega-se a executar tarefas simples? 
Consegue administrar sua própria vida, seus negócios, seus atos cotidianos, ou precisa de 
assistência de alguém? Consegue tomar decisões adequadas, no tempo adequado? São exemplos 
dessas alterações: obediência automática, negativismo, ecopraxia, ambitendência, etc. 
 
 
11- Juízo crítico 
 Avalie as dificuldades ou o exagêro em admitir a existência de problemas psicológicos. 
Acha que está doente ou que tem algum problema? Qual é a causa ou origem deles? Algo interno, 
consequência de atos seus, ou algo que vem de fora, que lhe fizeram? 
 
12- Atitudes diante do entrevistador 
 Descreva a atitude básica do paciente durante a maior parte da entrevista. Parece 
estar à vontade ou mostra-se constrangido, ou mesmo desconfiado? Seu comportamento em geral é 
o que se espera de um paciente numa entrevista ou tem atitudes inadequadas? Em que medida 
facilita ou dificulta a entrevista? Tem uma atitude de submissão? provocação? hostilidade? sedução? 
dominação? 
 
13- Reações do entrevistador 
 Descreva detalhadamente seus sentimentos(positivos ou negativos), atitudes e 
reações básicas ao paciente e à entrevista. Conseguiu mantê-los apenas para si ou o paciente 
chegou a percebê-las? Que mecanismos empregou para controlar-se?

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