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Contextualização
A castração de leitões é uma prática comum na suinocultura, realizada com o objetivo de melhorar a qualidade da carne e controlar o comportamento dos machos. Sabia que, sem a castração, o cheiro forte e a agressividade dos machos podem prejudicar a convivência no rebanho, além de impactar a qualidade da carne? A prática ajuda não só na saúde dos animais, mas também nos cuidados com o ambiente em que vivem! 
Além disso, essa técnica reduz o risco de doenças e faz com que os leitões possam se desenvolver de maneira mais saudável e tranquila. 
Portanto, entender como realizar esse procedimento, respeitando o bem-estar dos animais, é essencial para qualquer pessoa que deseje atuar na área. A responsabilidade e o conhecimento são chaves que abrem portas para um manejo mais eficiente. Por último, vamos considerar que a castração também faz parte de um manejo ético e consciente.
O bem-estar animal é um tema cada vez mais debatido, e, ao aprender sobre a castração, vocês estarão contribuindo para um futuro mais sustentável e respeitoso com todos os seres vivos. Então, vamos nos aprofundar nesse universo de cuidados e respeito?
Castração
Para a castração cirúrgica de machos reprodutores, sempre lançar mão de uma contenção adequada (cordas) associada ao uso de anestésico indicado por médico veterinário (ex.: Zolazepam). O local deve estar devidamente preparado (limpo, sem partes que possam ferir o animal ao se movimentar ou estar deitado após anestesia) e o responsável ser devidamente capacitado. Para o pós-operatório, fazer uso de anti-inflamatórios e/ou antibióticos prescritos por médico veterinário.
Ambiência
Além dos dejetos das porcas e dos leitões que precisam ser removidos constantemente, existem também os restos placentários e outros resíduos biológicos (umbigo, rabo, testículos, natimortos e mumificados etc.). Imediatamente após o parto e após os procedimentos de preparação dos leitões (secagem, corte de umbigo e cauda) e castração, todos os restos devem ser retirados. Em especial para os leitões, a ausência de sujeira (dejetos) e umidade leva a um menor desafio sanitário (epidermite, artrites, diarreias etc.). O piso das instalações deste setor (baia, gaiola, escamoteador) deve proporcionar o máximo de conforto aos suínos e não causar ferimentos nem nas porcas (cascos, sobreunha, tetas, vulva) nem nos leitões (cascos, membros).
Castração de leitões 
A castração cirúrgica dos leitões deve ser feita o mais precoce possível (até o sétimo dia de vida). Todos os cuidados (antisepsia, materiais específicos, contenção adequada) devem ser tomados para evitar hemorragias e infecções futuras. Quando possível (depende se o mercado que compra os cevados de abate poder receber – segundo legislação – os machos inteiros), pode-se lançar mão da castração imunológica (aplicação intramuscular de produto específico na fase de terminação). Dessa forma, suprime-se a castração cirúrgica na fase de maternidade.
Observação: o corte da cauda, o desgaste dos dentes, a identificação, a redução de hérnias e a castração de leitões somente devem ser realizados por pessoa capacitada por médico veterinário, com utensílios e instrumentos específicos e em perfeitas condições de uso. O procedimento deve ser realizado no menor tempo possível.
Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1045866/1/original8101.pdf
Por que chamar isso de Castração “Física”?
A castração do suíno macho refere-se à remoção dos testículos. Isso geralmente é feito com uma faca ou bisturi não esterilizados e no estábulo (não em uma sala cirúrgica). O procedimento é rápido e pode ser realizado em um grande número de animais por dia por técnicos veterinários qualificados. 
A castração rotineira de suínos não é realizada com alívio da dor, nem em campo estéril, utilizando instrumentos esterilizados. A castração é realizada em uma unidade de produção comercial. A castração típica não pode ser considerada um procedimento cirúrgico. Mas é um método físico de remoção dos testículos.
Como é feita a castração?
A castração é realizada primeiro contendo o leitão de alguma forma. Em seguida, um bisturi (ou faca) corta a pele do escroto. Em seguida, a pessoa afasta os testículos do corpo. Ela pode cortar o cordão espermático ou separá-lo com o bisturi, usando um movimento serrilhado. Em seguida, a ferida aberta é normalmente borrifada com um desinfetante, como iodo.
O porco sente dor e sofrimento associados a: manuseio, corte do escroto e dos cordões espermáticos, e dor pós-cirúrgica associada à cicatrização. A dor pós-procedimento dura cerca de 2 horas em leitões e mais tempo em machos mais velhos.
A Ciência da Dor da Castração
O primeiro artigo científico sobre a dor da castração foi publicado em 1988. Neste trabalho, McGlone e Hellman castraram leitões (3 dias de idade) ou leitões em idade de creche (7 semanas de idade) com e sem anestesia local ou geral. Os autores mediram o comportamento, o crescimento e a mortalidade.
A Figura 1 apresenta um resumo dos efeitos da anestesia local no comportamento de amamentação em leitões. A castração reduziu o comportamento de amamentação. Esse efeito foi parcialmente revertido pelo uso de anestésico local. Isso evidencia que a castração é dolorosa durante o período de 3 horas após a castração.
A anestesia local alivia a dor do procedimento, mas quando ela passa, em cerca de 30 a 60 minutos, a dor retorna. Diversos estudos foram publicados sobre o uso de diferentes agentes anestésicos (para aliviar a dor do procedimento) e analgésicos (para tentar aliviar a dor pós-procedimento). 
Anestésicos locais são eficazes se os porcos forem manuseados para administrar o medicamento (o que é estressante) e, em seguida, o manipulador tiver que esperar que o anestésico local faça efeito. Em seguida, os porcos são manuseados novamente (outro estresse) e o procedimento é realizado (com menos dor). Esse manuseio duplo e o estresse de injetar anestésico local nos testículos e no escroto tornam essa opção pouco desejável.
Anestésicos gerais são eficazes, mas em leitões muito jovens, podem ser mal tolerados. Leitões podem morrer por causa de anestésicos gerais que, de outra forma, seriam seguros para leitões adultos.
Além dos problemas mencionados com anestésicos, nenhum deles é aprovado para uso em animais destinados à alimentação animal nos EUA. Se a FDA ou o USDA encontrassem resíduos de medicamentos não aprovados em suínos, isso não seria bom para o produtor ou para a indústria, muito menos para os consumidores.
Um produto de imunocastração é aprovado para suínos (Improvest, da Pfizer Saúde Animal).
A abordagem de imunocastração utiliza o próprio sistema imunológico do porco para controlar as substâncias que causam odores desagradáveis. Trata-se de um composto proteico que funciona como uma imunização.
A imunocastração é aprovada em outros 60 países ao redor do mundo, incluindo a União Europeia, Austrália e Japão, sob as marcas IMPROVAC e IMPROVEST. 
Improvest é um produto de imunocastração aprovado pela FDA que reduz o odor de macho inteiro. IMPROVEST não é um hormônio ou promotor de crescimento. Não é adicionado à ração nem geneticamente modificado. E não é castração química. É um composto proteico que cria uma resposta imunológica temporária para controlar os aromas desagradáveis.
O que os ativistas e a indústria dizem sobre a castração?
Visões ativistas
Ativistas criticam a castração de suínos porque envolve um procedimento doloroso e não há alívio da dor. Frequentemente, os ativistas misturam alojamento de porcas, castração e corte de cauda. 
Exemplos (entre muitos) de posições de ativistas podem ser encontrados aqui:
A Mercy for Animals afirma ter documentado: “trabalhadores arrancando os testículos de leitões conscientes com o uso de analgésicos”.
Em 2012, a HSUS entrou com uma queixa legal contra o National Pork Producers Council, afirmando, entre outras coisas, que: "...o que os produtores chamam de processamento de leitões e a HSUS chama de mutilações — corte de cauda, ​​castração,corte de dentes com agulhas — que "essas práticas abusivas permitidas pelos programas We Care e PQA Plus são fundamentalmente inconsistentes com as alegações públicas da NPPC". A HSUS aponta seus vídeos como documentação de práticas que a maioria dos consumidores não considera humanas".
As informações objetivas fornecidas pelos ativistas são obscurecidas pelo sensacionalismo (por exemplo, "arrancar os testículos"). Analgésicos, embora sejam uma boa ideia, não demonstraram ser eficazes para esse tipo de dor e a maioria não é aprovada pela FDA para uso em animais destinados à alimentação.
Visões da indústria
A indústria afirma, corretamente, que os porcos machos são castrados principalmente para evitar o odor de macho inteiro.
A Ciência
A verdade é que a ciência está aí para dizer que (a) a castração dói, (b) analgésicos não estão disponíveis nem são totalmente eficazes e (c) alternativas estão disponíveis. O objetivo desta informação não é defender nenhum caminho específico, mas fornecer informações objetivas e baseadas em ciência.
Filosofia geral sobre a castração como uma questão de bem-estar animal
O tópico mais quente sobre Bem-Estar Animal neste momento na indústria suína dos EUA é A castração física de suínos é uma questão real de bem-estar animal – para o porco. E poucas pessoas argumentam que o porco não sofre quando castrado na atual situação dos EUA.
Disponível em: https://www.depts.ttu.edu/animalwelfare/research/pigcastration/
Complicações decorrentes de procedimentos de rotina
Alguns procedimentos dolorosos ou potencialmente dolorosos, como castração cirúrgica, caudectomia, polimento ou corte de dentes, corte das presas, identificação, destrompe do focinho e casqueamento, são realizados para facilitar o manejo, para atender às exigências de mercado ou do meio ambiente, melhorar a segurança dos tratadores ou para proteger o bem-estar dos animais.
No entanto, se esses procedimentos não forem aplicados adequadamente, eles podem comprometer desnecessariamente a saúde e o bem-estar dos animais.
Os indicadores de problemas associados a esses procedimentos podem incluir:
• Edema e infecção após o procedimento,
• Claudicação após o procedimento,
• Comportamento indicando dor, medo, estresse ou sofrimento,
• Aumento das taxas de morbidade, mortalidade e de descarte,
• Ingestão reduzida de ração e água,
• Condição corporal e perda de peso após o procedimento.
Recomendações
Garantir um bom nível de bem-estar dos suínos depende de vários fatores de manejo, entre eles o desenho do sistema, a gestão do ambiente e as boas práticas agropecuárias que incluem a criação responsável e a administração de cuidados adequados. Se um ou mais desses elementos estiverem faltando, podem surgir problemas sérios em qualquer sistema.
Treinamento de pessoal
Os suínos devem estar sob os cuidados de um número suficiente de pessoas, que possuam coletivamente a habilidade, o conhecimento e a competência necessária para manter o bem-estar e a saúde dos animais.
Através de treinamento formal ou experiência prática, todos os responsáveis pelos suínos devem ter a competência necessária de acordo com suas responsabilidades. Isto inclui compreender e ter a habilidade de manejar os animais, ter conhecimento sobre nutrição, técnicas de manejo reprodutivo, comportamento, biosseguridade, sinais de doença e indicadores de pobre bem-estar animal, tais como estresse, dor e desconforto, e as medidas para aliviá-los.
Critérios (ou variáveis mensuráveis) baseados no animal: respostas ao manejo, aspecto físico, comportamento, mudança de peso, condição corporal, eficiência reprodutiva, claudicação e taxa de morbidade, mortalidade e de descarte e complicações resultantes de procedimentos de rotina.
Procedimentos dolorosos
Em suínos, alguns procedimentos podem ser utilizadas na criação, tais como castração cirúrgica, caudectomia, polimento ou corte de dentes, corte de presas, identificação, destrompe. Estas intervenções devem ser realizadas exclusivamente por pessoal capacitado, quando necessário para facilitar o manejo, atender aos requisitos de mercado ou do meio ambiente, melhorar a segurança humana ou proteger o bem-estar animal.
Estes procedimentos são dolorosos ou potencialmente dolorosos e devem ser realizadas somente quando necessário, a fim de minimizar qualquer dor, diestresse ou sofrimento do animal.
Entre as opções para melhorar o bem-estar animal em relação a esses procedimentos está a regra internacionalmente reconhecida como "três Rs" que prevê a reposição (por exemplo, usando machos adultos não castrados ou imunocastrados em vez de machos castrados cirurgicamente), redução (por exemplo, caudectomia ou corte de presas somente quando necessário) e refinamento (por exemplo, fornecimento de analgesia ou anestesia sob a recomendação ou supervisão veterinária).
Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/producao-animal/arquivos/Captulo7.13emPortugus2020.pdf
Imunocastração de suínos: você conhece esse procedimento?
“A imunocastração consiste na castração química do suíno na fase de terminação com a finalidade de impedir que o odor e gosto desagradáveis da carne suína cheguem ao paladar do consumidor”, explica Mariana Costa Fausto, Médica Veterinária e Professora Mestre em Medicina Veterinária e Doutora em Medicina Veterinária Preventiva – Saúde Animal e Programas Sanitários.
Esquema de protocolo de imunocastração de suínos na fase terminal.
Vantagens da imunocastração:
Melhor rendimento de carcaça.
Menor índice de mortalidade devido às infecções causadas pela castração cirúrgica.
Atende á demanda por bem-estar animal.
Elimina com eficácia o “cheiro de macho” da carne.
Uniformização dos lotes em termos de peso para o animal.
Após a imunocastração, os animais são abatidos com 170 dias.
Disponível em: https://www.vetprofissional.com.br/artigos/imunocastracao-de-suinos-voce-conhece-esse-procedimento
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