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ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! INGRID COSTA BRAZ ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO CENTRO CIRÚRGICO Coordenador(a) de Conteúdo Barbara Mayer Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Nivaldo Vilela de Oliveira Junior Design Educacional Kátia Salvato Revisão Textual Cindy Luca Ilustração Eduardo Aparecido Alves Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. BRAZ, Ingrid Costa; Assistência de Enfermagem no Centro Cirúrgico / Ingrid Costa Braz. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 164 p. ISBN papel 978-65-6137-538-2 ISBN digital 978-65-6137-536-8 1. Assistência 2. Enfermagem 3. EaD. I. Título. CDD - 610.73 EXPEDIENTE FICHA CATALOGRÁFICA N964 03506815 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um con- teúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 4 111U N I D A D E 3 CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .112 CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO: CONCEITOS E EQUIPE QUE COMPÕE A UNIDADE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .130 VALIDAÇÃO DOS PROCESSOS NA CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .148 7U N I D A D E 1 CONCEITOS BÁSICOS EM CENTRO CIRÚRGICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 CENTRO CIRÚRGICO: CONCEITOS E ATIVIDADES REALIZADAS NA UNIDADE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 ASSISTÊNCIA EM CENTRO CIRÚRGICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 61U N I D A D E 2 CENTRO CIRÚRGICO: ESTRUTURA FÍSICA E EQUIPE DE ENFERMAGEM . . . . . . . . .62 SRPA, ÉTICA E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .78 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM E COMPLICAÇÕES NO PÓS- OPERATÓRIO IMEDIATO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .94 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 MINHAS METAS CONCEITOS BÁSICOS EM CENTRO CIRÚRGICO Compreender o que é centro cirúrgico. Conhecer os profissionais que atuam nesse setor. Entender a finalidade e os objetivos do centro cirúrgico. Aprender a estrutura física do centro cirúrgico. Conhecer a história dos procedimentos cirúrgicos. Compreender as atribuições da equipe de enfermagem. Saber a importância do enfermeiro que atua no centro cirúrgico. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA O enfermeiro que atua no centro cirúrgico deve ter espírito dinâmico, domí- nio sobre a equipe e deter o poder do dimensionamento das salas cirúrgicas de acordo com o mapa. É preciso sempre priorizar as urgências/emergências dos pacientes e saber lidar com os conflitos das equipes médicas. Frente a essa vivência, é possível perceber a importância da presença do enfer- meiro no setor do centro cirúrgico, na recuperação pós-anestésica e na central de materiais. Nesses locais, esse profissional atua como líder da equipe de enfermagem, gerenciador de problemas, pessoas e materiais e no cuidado direto com o paciente, visando à segurança e a uma assistência de excelência. Atuar em um setor complexo e que exige maiores responsabilidades, como o centro cirúrgico, fez, em um primeiro, momento, aflorar sentimentos de medo, insegurança e ansiedade. Isso proporcionou uma maior exigência em relação aos estudos, postura e conhecimentos. O conceito de enfermagem no centro cirúrgico é muito amplo, porque carac- teriza a real necessidade da assistência e do apoio em um dos setores e departa- mentos de maior importância no ramo hospitalar. E quando pensamos na relação do profissional com as práticas a serem executadas no período pós-operatório? Quais são as técnicas usadas? Quais diretrizes devem ser obedecidas? Quando analisamos o papel do enfermeiro no centro cirúrgico, devemos, pri- meiro, averiguar a fundo o quanto esse profissional é de suma importância para o andamento de todas as operações que visam ao bem-estar do paciente durante os períodos, pré, trans e pós-operatório. Tendo isso em mente, o papel do enfermeiro se torna algo além de uma simples função, afinal, assim como nós já estudamos, esse papel pode ser considerado uma especialização para quem o executa. O tema abordado no podcast nos mostrará os aspectos estruturais e funcionais de uma unidade cirúrgica. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CENTRO CIRÚRGICO É possível definir a cirurgia como a parte terapêutica empenhada no trata- mento de enfermidades usando processos operatórios manuais e instrumen- tais. Ela não se limita à operação, mas também se preocupa com a patologia, a clínica, a terapêutica cirúrgica, a conveniência e os cuidados pré, trans e pós-operatórios (SAMPAIO, 2018). Os cirurgiões aparecem na história como pessoas que dispunham de um conhecimento superior quanto às noções de anatomia. Essas noções eram aprendidas a partir da análise de animais comumente sacrificados em tempos antigos (SAMPAIO, 2018). O ambiente cirúrgico, muitas vezes, chamado de centro cirúrgico (CC), pode ser definido como o local onde são realizados os procedimentos anestésico- cirúrgicos, além de abranger a recuperação pós-anestésica e operatória imediata. De acordo com a organização hospitalar, há, também, a Central de Materiais e Esterilização (CME) (SAMPAIO, 2018). O CC constitui uma das unidades mais complexas do ambiente hospitalar por conta das próprias características e particularidades. Ele tem um conjunto de áreas e instalações que asseguram as melhores condições de segurança para o paciente na efetivação da cirurgia (SAMPAIO, 2018). VAMOS RECORDAR? Nós te convidamos a aprofundar os seus conhecimentos sobre o tema, ao ler o artigo denominado Centro cirúrgico: desafios e estratégias do enfermeiro nas atividades gerenciais.ser posicionados na mesa de instrumento e a superfície exposta da cor- tina é presa suavemente embaixo. A superfície inferior do campo exposta deve ser gentilmente segurada, e as pontas e, depois, os lados, devem ser desdobrados. Uma vez aberto o pano, pessoas não esterilizadas não devem tocá-lo (SAMPAIO, 2018). Após aberto o pacote de instrumentos, eles devem ser posicionados de modo que possam ser facilmente alcançados. A disposição dos instrumentos é geral- mente determinada pela preferência do cirurgião, mas agrupar os instrumentos similares (tesouras e afastadores, por exemplo) facilita o devido uso. Sempre que uma cavidade do corpo é aberta, os tampões devem ser contados no começo do procedimento (antes de a incisão ser feita) e, novamente, antes de se fechar a in- cisão, para garantir que nenhum tampão tenha sido inadvertidamente deixado na cavidade. Instrumentos contaminados e tampões sujos não devem ser colocados de volta na mesa de instrumentos (SOBECC, 2017; SAMPAIO, 2018). Os instrumentais cirúrgicos utilizados no ambiente hospitalar são tidos como recursos materiais e têm extrema importância dentro de uma instituição, seja com fins lucrativos, ou não, pois representam 75% do capital dos estabelecimen- tos de assistência à saúde. Portanto, a forma de administrá-los reflete diretamente nos custos hospitalares. O excesso de instrumentais processados e não utilizados pode resultar no aumento de custos, além da depreciação, da deterioração e do desperdício deles (SOBECC, 2017; SAMPAIO, 2018). 5 1 Um procedimento cirúrgico é uma prática médica que envolve uma interven- ção no corpo humano. Essa intervenção geralmente demanda cortes e o corpo. A partir disso, tudo é manipulado pelo cirurgião. Embora seja, de fato, um ato que causa um ferimento, tudo é controlado. Existem diversos cuidados adotados para que a prática seja segura e indolor (SAMPAIO, 2018). As características dos padrões de descrição para os instrumentais cirúrgicos foram definidas de acordo com cada tipo de instrumento. Os instrumentos cirúrgi- cos se enquadram na RDC n° 185, de 22 de outubro de 2001, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como “produto médico invasivo cirurgicamente – Produto médico invasivo que penetra no interior do corpo humano através da su- perfície corporal por meio ou no contexto de uma intervenção cirúrgica”, podendo ser também “produto médico de uso único – Qualquer produto médico destinado a ser usado na prevenção, diagnóstico, terapia, reabilitação ou anticoncepção, utilizá- vel somente uma vez, segundo especificado pelo fabricante” (BRASIL, 2001, p. 26). No universo de pinças, tesouras, bisturis, afastadores, curetas e tantos outros instrumentos, com diversos modelos, formatos de pontas e tamanhos, aplica- ções específicas e outras características, cada instrumental faz parte de uma determinada categoria (SAMPAIO, 2018). Os itens identificados como instrumentais cirúrgicos foram classificados considerando a tecnologia da cirurgia (convencionais, videocirurgia e instru- mentais para endoscopia, e materiais específicos para a cirurgia robótica) e o tipo de uso, isto é, se de uso único ou reutilizável. Foram nominados de instrumentos cirúrgicos convencionais aqueles que são utilizados em cirurgias abertas, con- servadoras (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). No que diz respeito aos instrumentos de diérese, os principais são, como já descritos, os bisturis, as tesouras, as serras e as agulhas, o trépano, as ruginas entre outros instrumentos capazes de separar os tecidos com fim operatório (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). Em relação aos instrumentos de hemostasia e preensão, a hemostasia é entendida como o controle ou a interrupção do fluxo sanguíneo. Ela pode ser classificada como temporária ou definitiva, além de preventiva ou corretiva (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). Os instrumentos de síntese são os responsáveis pelas manobras destinadas à reconstituição anatômica e/ou funcional. Para isso, são utilizadas agulhas e pinças especiais para conduzi-las, denominadas porta-agulhas. Eles são UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 fundamentais para a confecção das suturas, já que a maioria das agulhas são curvas e os espaços cirúrgicos são exíguos (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). Já os elementos mecânicos são usados para afastar os tecidos secciona- dos ou separados, expondo os planos anatômicos ou órgãos subjacentes. São classificados como estáticos (autofixantes) ou dinâmicos (manuais) (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). Os afastadores manuais são de posicionamento variado, que é alterado pela necessidade do momento operatório. Já os estáticos mantêm uma posição predeterminada durante todo o procedimento operatório, sendo de grande valia quando há um número reduzido de assistentes, que podem, então, assumir outros papéis dentro da cirurgia (BRASIL, 2003; SAMPAIO, 2018). ANATOMOPATOLÓGICO Anatomopatológico representa fragmentos de órgãos ou órgãos retirados du- rante o procedimento cirúrgico. O anatomopatológico que está sendo extraído da cirurgia deve ser acondicionado em um recipiente adequado. Deve-se perguntar ao cirurgião o nome da peça e o destino do material, e receber e acondicionar o material em um frasco estéril, imerso em solução de formol tamponado 10%. O volume ideal é 10 vezes o volume da peça. O frasco deve ter o tamanho ideal para o bom acondicionamento da peça. Os materiais que serão submetidos à cultura microbiana não devem ser submersos em formol tamponado 10%, devendo ser encaminhados, no prazo máximo de uma hora, para o laboratório de análises clínicas. Também é necessário identificar o recipiente com etiqueta contendo os dados do paciente, data e hora da coleta, nome do médico requisitante e nome da amostra/peça (SOBECC, 2017). A etiqueta deve ser colocada de maneira que seja possível visualizar a peça e não deve ser colocada na tampa. Também é preciso tampar o frasco de forma que fique bem vedado e realizar um teste para verificar o fechamento, evitando que ocorra extravasamento do líquido. Nos casos em que o ato cirúrgico originar mais de uma peça, elas precisam ser identificadas por números no recipiente e no pedido. Depois, é necessário encaminhar para local próprio, destinado para a guarda das peças, até que seja enviado ao laboratório acompanhado da solicitação e do pedido de exame anatomopatológico devidamente preenchido e de forma legível (SOBECC, 2017). 5 1 COMPLICAÇÕES INTRAOPERATÓRIAS A cirurgia é uma área extensa de cuidados e que inclui muitas técnicas diferentes. Em alguns procedimentos cirúrgicos, o tecido, como um abscesso ou um tumor, é remo- vido. Em outros, os bloqueios são abertos. Em outros procedimentos, ainda, artérias e veias são conectadas em novos locais para fornecer um fluxo sanguíneo adicional para as áreas que não o recebem em quantidade suficiente (SAMPAIO, 2018). Os riscos de uma cirurgia, ou seja, a probabilidade de a cirurgia levar à morte ou a um problema sério, dependem do tipo de cirurgia e das características da pessoa. Os riscos, normalmente, são mais altos entre idosos. No entanto, os riscos são determinados mais pela saúde geral do que pela idade. Distúrbios crônicos que aumentam o risco cirúrgico e outros distúrbios tratáveis, como desidratação, infecções e desequilíbrios nos líquidos e nos eletrólitos corporais, especialmente insuficiência cardíaca e angina, devem ser controlados com tratamento da me- lhor forma possível antes de uma cirurgia (SAMPAIO, 2018). As complicações no intraoperatório podem não ser passíveis de prevenção quando consideradas as características individuais de cada sujeito. Entretanto, todos os esforços precisam ser direcionados para que o evento, quando ocorrer, seja bem atendido, evitando dessa forma, complicações adicionais maiores (SOBECC, 2017). As complicações cirúrgicas ainda são um desafio no tratamento operatório dos pacientes. Elas constituem uma possibilidade real no dia a dia do cirurgião. Há diversos motivosrelacionados às causas das complicações. Mesmo que o cirurgião adote uma técnica cirúrgica adequada, a cirurgia não está livre das intercorrências. O risco de eventos adversos diminui muito com um cuidadoso processo de avaliação pré-operatória, o que inclui estado nutricional do paciente, condição pulmonar e cardíaca do doente e outras questões relacionadas a possí- veis comorbidades e medicações em uso (SOBECC, 2017). As complicações relacionadas à cirurgia, quando não controladas e revertidas imediatamente, podem gerar transtornos tanto para a equipe cuidadora quanto para o paciente, haja vista que pode aumentar o tempo de cirurgia e, consequen- temente, o tempo anestésico. A partir disso, são geradas outras complicações, como o risco aumentado de infecções pós-operatórias (SOBECC, 2017). No caso das complicações que podem ocorrer no período intraoperatório, toda a equipe precisa estar preparada para atender prontamente qualquer intercorrência, seja ela previsível, ou não, para o momento. Dessa forma, o papel do enfermeiro é UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 bastante evidente, haja vista que é o responsável pela qualidade do treinamento da equipe que assiste a sala operatória, que prevê e provê materiais de emergências e outros itens utilizados em cada procedimento cirúrgico específico (SOBECC, 2017). Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO NOVOS DESAFIOS À medida que nos aprofundamos nos temas relacionados à enfermagem perioperatória, é crucial refletirmos sobre a aplicação prática desses aprendizados em nosso futuro ambiente profissional. Os conhecimentos adquiridos até agora não são apenas teóricos, mas representam habilidades essenciais que moldarão o nosso desempenho no dinâmico cenário da saúde. Compreender a importância do Sistema de Assistência de Enfermagem Pe- rioperatória (SAEP) não apenas nos equipa com o entendimento das melhores práticas em assistência durante o período perioperatório, mas também reforça a nossa responsabilidade na promoção da segurança e do bem-estar do paciente. A realização de técnicas de paramentação cirúrgica não é apenas uma tarefa rotineira, mas uma demonstração de profissionalismo e comprometimento com a assepsia e a segurança no ambiente cirúrgico. Essa habilidade não apenas contribui para a prevenção de infecções, mas também ressalta a nossa dedicação em garantir procedimentos cirúrgicos seguros e eficientes. Ao abordar o preparo pré-operatório, estamos adquirindo a expertise neces- sária para organizar de maneira eficaz o ambiente cirúrgico, assegurando que todos os recursos estejam prontos para o procedimento. Isso não apenas otimiza o tempo no centro cirúrgico, mas também demonstra a nossa capacidade de antecipar e atender às necessidades do paciente e da equipe cirúrgica. 5 4 O conhecimento sobre a instrumentação cirúrgica e os instrumentais não é apenas uma competência técnica, mas uma ferramenta valiosa para a participa- ção efetiva em procedimentos cirúrgicos. Essa habilidade não somente impacta diretamente a qualidade do cuidado ao paciente, mas também contribui para a eficiência operacional no ambiente cirúrgico. A compreensão do fluxo do anatomopatológico é um aspecto crítico, pois destaca a importância da gestão adequada das amostras, garantindo as respec- tivas integridade e rastreabilidade. Esse conhecimento não só contribui para o diagnóstico preciso, mas também evidencia a nossa preocupação com a quali- dade e a segurança dos processos. Finalmente, a compreensão das complicações intraoperatórias não apenas nos prepara para enfrentar desafios imprevistos, mas também enfatiza a impor- tância da vigilância constante e da prontidão para uma ação rápida. Isso não apenas ressalta a nossa capacidade de pensar rapidamente em situações críticas, mas também destaca a nossa dedicação à segurança do paciente. Ao aplicar essas habilidades no ambiente profissional, esteja certo de que você está se preparando não apenas para atuar, mas para se destacar em um mercado de trabalho que exige profissionais capacitados, comprometidos e aptos a enfrentar os desafios do cenário de saúde atual. UNIASSELVI 5 5 1. O enfermeiro deve estar sempre avaliando o estado de saúde do paciente em todas as fases do tratamento. Assim, precisa considerar os aspectos fisiológicos e psicossociais para a realização da Sistematização da Assistência em Enfermagem. Considerando a fase perioperatória, assinale a alternativa correta: a) A fase perioperatória engloba 2 fases distintas, sendo trans e pós-operatória. b) A fase perioperatória engloba 3 fases distintas, sendo pré, trans e pós-operatória. c) A fase perioperatória engloba 1 fase, sendo transoperatório. d) A fase perioperatória engloba 1 fase, sendo pré-operatório. e) A fase perioperatória engloba 3 fases distintas, sendo pré, trans e alta hospitalar. 2. Com a evolução da cirurgia, o desafio é transformar o ato cirúrgico em uma atividade científica e em uma escolha terapêutica segura. Os enfermeiros que atuam no período perioperatório devem ter habilidades e competências para planejar um cuidado indivi- dualizado ao paciente cirúrgico. Considerando a fase perioperatória, analise as afirmativas a seguir: I - Consiste em três fases. II - O período perioperatório não possui fase. III - O período perioperatório não tem participação alguma da enfermagem. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 5 1 3. A assistência de enfermagem na SRPA tem o objetivo de assistir o paciente até que ele tenha se recuperado dos efeitos dos anestésicos por meio da observação dos sinais vi- tais. Objetiva-se que a consciência e as funções motoras e sensitivas retornem aos níveis normais. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - O enfermeiro deverá inspecionar prontamente o paciente, enquanto avalia o padrão respiratório. PORQUE II - Sem esse procedimento, não se saberá o grau de cura em que se encontra o paciente. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 5 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução-RDC nº 185, de 22 de outubro de 2001. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 138, n. 212, p. 25-29, 6 nov. 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Profissionalização de auxiliares de enfermagem. Cadernos do aluno. Saúde do adulto. Assistência cirúrgica/atendimento de emergência. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. FENGLER, F. C.; MEDEIROS, C. R. G. Sistematização da assistência de enfermagem no período perioperatório: análise de registros. Revista SOBECC, v. 25, n. 1, p. 50-57, 2020. SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 5 8 1. Opção B.A fase perioperatória engloba três fases distintas, sendo pré, trans e pós-operatória. 2. Opção A. 3. Opção C.A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. GABARITO 5 9 UNIDADE 2 MINHAS METAS CENTRO CIRÚRGICO: ESTRUTURA FÍSICA E EQUIPE DE ENFERMAGEM Conhecer a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Compreender o período pré-operatório imediato. Entender os cuidados ao paciente na SRPA. Compreender a escala de Aldrete e Kroulik. Analisar a estrutura física da unidade. Reconhecer o papel do enfermeiro na SRPA. Entendero papel da equipe de enfermagem no Centro Cirúrgico. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 1 INICIE SUA JORNADA A principal função de um enfermeiro no centro cirúrgico é prestar assistência ao paciente. Contudo, engana-se quem acredita que a atuação desse profissio- nal se restringe a isso. Além da assistência, o enfermeiro, no Centro Cirúrgico, também pode realizar atividades administrativas que contribuem para que o setor funcione perfeitamente e de forma eficaz. O enfermeiro é o profissional que conhece o paciente, avalia as condições físicas e emocionais dele e busca construir uma relação de confiança para identificar as principais necessidades a serem atendidas. É ele quem atua não apenas no atendimento direto ao paciente, mas também no preparo psicológico dele. É essencial que esse profissional tenha uma abordagem calma, otimista e compreensiva, principalmente para entender quais são as principais aflições do paciente e tomar as medidas necessárias para acalmá-lo. No pré-operatório, o enfermeiro também é o responsável pelo preparo físico do paciente. Além disso, o enfermeiro atua no cuidado do leito no qual o paciente será aco- modado, avaliando a limpeza e a esterilização tanto no pré quanto no pós-operatório. As atividades gerenciais do enfermeiro são ações feitas com a finalidade de assegurar a qualidade da assistência de enfermagem e o bom funcionamento da instituição. No Centro Cirúrgico (CC), temos a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Que tal conhecer mais a respeito dessa estrutura e da importância dela dentro do CC? Esse será o tema abordado em nosso podcast. Recursos de mídia disponí- veis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Descubra a vital importância do enfermeiro na Sala de Recuperação Pós- Anestésica (SRPA). Leia o artigo que destaca as intervenções cruciais realizadas pelo enfermeiro e explora as complicações que podem surgir nesse ambiente essencial para a recuperação pós-anestésica. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA (SRPA) O Centro Cirúrgico (CC) é um setor isolado e de grande complexidade dentro do ambiente hospitalar. Trata-se de um setor dinâmico, estressante e hostil. Ele apresenta um ambiente físico frio e fechado, o que estimula o silêncio e o distan- ciamento entre a equipe multidisciplinar e o paciente, transformando o cuidado em um trabalho mecânico e sem humanização na assistência. Dentro do Centro Cirúrgico, temos a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), que constitui uma parte do bloco cirúrgico, o que facilita o acesso da equipe. Na ocorrência de complicações pós-operatórias, o paciente poderá ser avaliado rapidamente e, caso seja necessário, poderá ser encaminhado novamente à Sala de Operações. Os objetivos da SRPA são proporcionar a recuperação dos pacientes e prevenir e detectar precocemente as complicações relacionadas ao procedimento anestésico- -cirúrgico. O foco da assistência de enfermagem na SRPA é assistir o paciente até que ele tenha se recuperado dos efeitos dos anestésicos e os sinais vitais, a consciência e as funções motoras e sensitivas dele retornem aos níveis pré-operatórios (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SOBECC, 2017). O enfermeiro que atua na SRPA precisa planejar o cuidado, visando res- tabelecer o equilíbrio fisiológico do paciente com o menor índice de compli- cações possível. Para o alcance desses objetivos, o enfermeiro deve identificar os diagnósticos de enfermagem e assistir o paciente de forma individualizada (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). A enfermagem no Centro Cirúrgico engloba as três fases: a pré, a trans e a pós-operatória. Essas fases ocorrem de forma sequencial, sendo necessárias, em cada fase, as intervenções para a enfermagem (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). Os principais objetivos da assistência de enfermagem no perioperatório são diminuir o risco cirúrgico, propiciando um ambiente seguro para o paciente, e promover a recuperação e a reabilitação no pós-operatório. A enfermagem pe- rioperatória atua em um contexto caracterizado por rápidas mudanças tecnoló- gicas, econômicas e culturais, as quais implicam adaptação contínua e requerem programas de educação permanente efetivos e atualizados. 1 4 A assistência de enfermagem ao paciente no perioperatório inclui o cuidado direto e o respectivo gerenciamento, bem como o constante questionamento, resultando na realização de pesquisas na área de enfermagem. A recuperação, a segurança e o bem-estar do paciente cirúrgico e da família dele constituem os principais resultados a serem alcançados pela equipe de enfermagem durante os períodos pré, trans e pós-operatório (CARVALHO; BIANCHI, 2016). O paciente deve ser encaminhado à SRPA logo após o término do procedi- mento anestésico-cirúrgico. Essa transferência deve ser realizada pelo enfermei- ro, técnico em enfermagem e/ou membro da equipe cirúrgica e pelo anestesista. A responsabilidade da transferência do paciente é do anestesiologista, que deve permanecer na cabeceira da cama/maca para a manutenção das vias aéreas. Essa fase é um momento que requer cuidado e atenção, pois o paciente está sob efeitos residuais de anestésicos e com os reflexos prejudicados, podendo apre- sentar dor, náuseas, frio, tremores e sentimentos de solidão e temor relacionados às expectativas diante dos resultados da cirurgia. O transporte deve proporcionar segurança e, para tanto, é preciso manter a cabeceira da cama/maca elevada, com as grades laterais elevadas, e promover o aquecimento térmico. Também se deve utilizar, quando necessário, suporte de oxigênio e oximetria de pulso (CARVA- LHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). O enfermeiro precisa avaliar o estado de saúde do paciente em todas as fases do tratamento dele, considerando os aspectos fisiológicos e psicossociais. Além disso, deve: ■ Estabelecer os diagnósticos de enfermagem e as respectivas intervenções. ■ Participar do ensino ao paciente e dos familiares dele. ■ Assegurar a implementação de medidas de prevenção e controle de in- fecções. ■ Estabelecer o cuidado de enfermagem. ■ Aplicar estratégias para tentar diminuir o medo e a ansiedade desenca- deados pelo procedimento cirúrgico, bem como avaliar os resultados. A assistência de enfermagem precisa estar organizada a partir de um método científico que contribua para a avaliação do paciente, a identificação dos diag- nósticos de enfermagem e o planejamento da assistência com base no Processo de Enfermagem (CARVALHO; BIANCHI, 2016). UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Para a avaliação e o plano de cuidado do paciente na SRPA, algumas escalas são utilizadas. No entanto, muitas foram elaboradas e validadas por médicos, como a escala de Aldrete e Kroulik. Essa escala é de 1970 e, nos dias atuais, ainda é a mais utilizada na SRA, mas não avalia complicações ou riscos. Até o momento, não existe um instrumento que atenda às necessidades dos cuidados de enfermagem, os quais são prestados em tempo integral ao paciente. A escala de Aldrete e Kroulik é utilizada, desde a criação, na avaliação e na evolução dos pacientes no período pós-anestésico mediante a análise da atividade muscular, da respiração, da circulação, da consciência e da saturação de oxigênio (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). Período pós-operatório imediato Os cuidados pós-operatórios têm início ao final da cirurgia e continuam na sala de recuperação e ao longo da internação até o período de alta (CARVALHO; BIANCHI, 2016). A fase pós-operatória é a terceira fase da experiência cirúrgica. Ela se en- contra didaticamente dividida em três etapas: 1 1 ■ 1) Imediata: corresponde às primeiras 12 ou 24 horas após o término da ci- rurgia. ■ 2) Mediata: inicia-se após as primeiras 24 horas e se desenvolve por um perío- do variávelaté o dia da alta hospitalar. ■ 3) Tardia: sucede a etapa anterior e se estende por um a dois meses, até a completa cicatrização das lesões (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). O período Pós-Operatório Imediato (POI) corresponde ao período em que o paciente está se recuperando da anestesia. Ele tem início na recepção do paciente na Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). As primeiras SRPA surgiram em 1800. No entanto, esse ambiente somente ficou amplamente estabelecido após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, o The Journal of The American Medical Association publicou um estudo que avaliou 306 óbitos ocorridos no pós-ope- ratório, identificando os seguintes fatores de risco: controle inadequado do pa- ciente, oxigenação insuficiente, administração excessiva de agente anestésico, erros de julgamento clínico, seleção inadequada do agente anestésico, supervisão inadequada, erros de técnica, problemas com sedação, obstrução de vias aéreas no período intraoperatório e laringoespasmo. Alguns desses fatores ainda ocor- rem nos dias atuais, mas com menor frequência, em decorrência dos avanços nas técnicas de anestesia e na tecnologia de monitoração, que possibilitam um maior controle dos sinais vitais (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). Com a modernização da anestesia, cresceu a demanda por um cuidado pós- -anestésico sistematizado. Ao mesmo tempo, houve uma maior oferta de tecno- logia, o que possibilitou a avaliação com maior precisão e rapidez do paciente no POI. Observaram-se, assim, uma redução da morbidade e da mortalidade dos pacientes e uma diminuição do período de hospitalização. Não se pode pre- ver com exatidão como será o futuro. Todavia, acredita-se que as SRPA e os enfermeiros continuarão desempenhando um importante papel para o sucesso da recuperação de pacientes submetidos a procedimentos anestésico-cirúrgicos (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). O paciente deve ser encaminhado à SRPA pelo circulante de sala e pelo anes- tesista responsável pelo ato anestésico. Eles devem transmitir as informações e as intercorrências do transoperatório ao profissional que atua na SRPA, o qual realiza a admissão do paciente, auxiliando no posicionamento dele de forma UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 confortável, promovendo aquecimento, realizando a monitorização, verificando a permeabilidade de acessos venosos, drenos, sondas e outros cateteres, man- tendo-os abertos ou fechados, conforme orientação do cirurgião. A partir disso, inicia-se a assistência pós-operatória imediata (SAMPAIO, 2018). Os cuidados de enfermagem ao paciente no Pós-Operatório Imediato (POI) começa com a avaliação do nível de consciência e a avaliação dos sinais. Os re- sultados dessas avaliações são comparados com os resultados apresentados no pré-operatório. Logo após, deve ser avaliado o padrão respiratório, em que se observa a expansibilidade do tórax, além da profundidade respiratória, utilizando a oximetria de pulso para a verificação de saturação de oxigênio do paciente. A frequência cardíaca e o ritmo do pulso também são avaliados utilizando o cardioscópio. Para a avaliação contínua dos pacientes, é necessário que as uni- dades de SRPA disponham de monitores multiparâmetros. Deve-se verificar a temperatura axilar, a presença de dor e os estados psicológico e emocional. Outra função que deve ser avaliada no momento da admissão do paciente é a mobili- dade dos membros inferiores, sobretudo, em pacientes submetidos à bloqueio espinhal ou peridural (SAMPAIO, 2018). As complicações que mais acontecem na SRPA são: hipotermia, hipoxemia, edema pulmonar, apneia, tremores, náuseas e vômitos, retenção urinária, altera- ções do ritmo cardíaco, hipertensão arterial, hipotensão, depressão respiratória, sangramento, dor e o próprio posicionamento cirúrgico como fator desencadeante de complicações no pós-operatório imediato (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Para a avaliação do estado fisiológico dos pacientes submetidos ao procedi- mento anestésico-cirúrgico, tem-se utilizado, na maioria das SRPA, o índice de Aldrete e Kroulik. Esse índice se baseia na avaliação dos sistemas cardiovas- cular, respiratório, nervoso central e muscular. Cada resposta referente a cada item recebe uma pontuação que varia de 0 a 2. Após a avaliação de cada item, somam-se os escores, obtendo-se um escore total, que subsidiará o julgamento de alta, ou não, do paciente da SRPA. Assim, a máxima pontuação no índice é de 10 pontos e considera-se que o paciente está apto a receber alta da SRPA quando atingir pontuação igual ou superior a 8 (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). 1 8 Com a mesma finalidade, o índice de Aldrete e Kroulik para pacientes ambu- latoriais abrange a avaliação dos sistemas cardiovascular, respiratório, nervoso central e muscular, adicionada aos parâmetros do curativo, dor, deambulação, alimentação e diurese. Cada resposta referente a cada item recebe uma pon- tuação que varia de 0 a 2. Após a avaliação de cada item, somam-se os escores, obtendo-se um escore total, o qual subsidiará o julgamento de alta, ou não, do paciente ambulatorial da SRPA. Assim, a máxima pontuação nesse índice é 20 e considera-se que o paciente está apto a receber alta da SRPA quando atingir pontuação igual ou superior a 18 (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Um aspecto de extrema importância na SRPA é a avaliação da função respi- ratória. O enfermeiro deverá estar atento ao padrão respiratório, principalmen- te se o paciente apresentar fatores de risco para complicações respiratórias no POI, como idade avançada, obesidade, tabagismo, doenças pulmonares prévias (como doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC), pós-operatório de cirur- gias abdominais e de cabeça/pescoço, pós-operatório de cirurgias de emergência, pós-operatório de cirurgias de longa duração (mais de três horas), pós-anestesia geral e uso de opioides e de bloqueadores neuromusculares. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Dentre os problemas respiratórios mais comuns e importantes no POI, está a hi- poxemia, definida como a diminuição da concentração de oxigênio no sangue. É uma complicação comum e potencialmente séria, dependendo do grau. A manei- ra mais fidedigna de identificar o grau da hipoxemia é mediante análise dos gases sanguíneos (gasometria), isto é, mediante a análise da pressão parcial de oxigênio (PaO2) e da pressão parcial de gás carbônico (PaCO2) presentes tanto no sangue arterial quanto no sangue venoso. A hipoxemia pode ser resultado da hipoventi- lação, da obstrução das vias aéreas, do broncoespasmo ou do laringoespasmo e das atelectasias, e tem, como fatores predisponentes, a anestesia geral, o tempo prolongado do procedimento anestésico e o tabagismo (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). APROFUNDANDO Os pacientes que recebem a anestesia regional sob sedação recuperam o nível de consciência minutos após deixarem a sala de cirurgia. Por outro lado, os pa- cientes submetidos à anestesia geral, normalmente, permanecem sonolentos em decorrência do uso de medicamentos hipnóticos e opioides, que deprimem o Sistema Nervoso Central, adicionado ao efeito residual dos relaxantes muscula- res, deixando-os mais suscetíveis à depressão respiratória. Outros fatores de risco adicionais para o aparecimento do diagnóstico de enfermagem são a idade avan- çada e a obesidade, considerando-se que os idosos já apresentam um somatório de alterações orgânicas e funcionais, além da solubilidade lipídica dos agentes anestésicos e dos relaxantes musculares, deixando-os mais suscetíveis à depressão respiratória (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Na assistência de enfermagem pós-operatória, além da observação dos sinais vitais, é importante considerar a existência de dispositivos utilizados para a manu- tenção e a preservação de funções vitais, como aqueles que são introduzidos duran- te o ato cirúrgicocom finalidades específicas (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Os drenos são artigos introduzidos em uma ferida ou cavidade e possuem a finalidade de facilitar a saída de fluidos ou ar para evitar acúmulos em espaços po- tenciais e drenar coleções e secreções, como hematomas, pus, seromas, em outras regiões nas quais não há possibilidade de exposição e limpeza. Os cateteres ou sondas são materiais semelhantes a tubos que podem ser constituídos por diferen- 1 1 tes tipos de materiais e têm diferentes calibres. Eles são introduzidos no organismo, com a finalidade de infundir e retirar líquidos ou, ainda, para dilatação e desobs- trução de órgãos ocos ou tubulares (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Os drenos e cateteres são dispositivos muito presentes nos pacientes em pós- -operatório, sendo importante que toda a equipe que atua nessa fase do período perioperatório tenha conhecimento do tipo de dispositivo e a finalidade dele, para que seja prestada uma assistência adequada e segura. Em certos casos, esses drenos e cateteres podem ser tracionados pela manipulação do paciente de for- ma inadequada, pela agitação psicomotora que ele venha a apresentar no POI e durante a reversão da anestesia ou, ainda, quando o paciente começa a acordar e retomar a consciência e percebe a presença do dispositivo e tenta retirá-lo (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). A equipe de enfermagem precisa estar atenta a essas possibilidades de intercor- rências relacionadas aos drenos e cateteres, para que as medidas preventivas e as intervenções para impedir tais situações sejam tomadas de forma ágil e rápida. Além disso, a equipe deve estar atenta à finalidade dos dispositivos instalados no paciente, como avaliar a quantidade de volume drenado e o aspecto da secreção, realizando o registro das informações e comunicando qualquer alteração ao enfermeiro e à equipe médica responsável pelo paciente (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Conforme as recomendações da SOBECC para atuação do enfermeiro no perioperatório, com base na análise dos registros de enfermagem, observou-se deficiência nos registros e na adesão à SAEP, considerando a alta tecnologia dis- ponível no mercado atualmente e as exigências da legislação (SOBECC, 2017). O enfermeiro é o responsável pelo gerenciamento do período transopera- tório do paciente, tendo ciência de que as intercorrências com instrumentais e demais equipamentos interferem diretamente na qualidade e na segurança assistencial, produzindo impacto na rotina de todos os profissionais envolvidos. Inseridos no contexto institucional, os profissionais do Centro Cirúrgico (CC) tornam-se dependentes da adequada provisão e disponibilidade de insumos necessários para a realização de uma assistência livre de riscos aos pacientes (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). O exercício das atividades gerenciais do enfermeiro no Centro Cirúrgico (CC) requer, de modo bastante peculiar, agilidade na tomada de decisões, co- nhecimento técnico-científico, organização e planejamento das atividades, ha- UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 bilidade no trabalho em equipe, flexibilidade e comunicação eficiente com os demais profissionais. As estratégias elencadas pelos enfermeiros convergiram ao desenvolvimento da habilidade gerencial, ao discutirem a própria atuação no Centro Cirúrgico (CARVALHO; BIANCHI, 2016; SAMPAIO, 2018). No Brasil, não há legislação específica sobre as atividades do enfermeiro no Centro Cirúrgico. As atividades do enfermeiro de Centro Cirúrgico (CC) no cenário brasileiro circundam predominantemente nas áreas gerenciais e assis- tenciais e, em menor proporção, na área de ensino (TREVILATO et al., 2023). Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO NOVOS DESAFIOS O campo de atuação de um enfermeiro é amplo. O enfermeiro de Centro Cirúrgi- co possui uma atuação que vai além do que costumam retratar os filmes de ficção. A função do enfermeiro se inicia antes da cirurgia e prossegue após a realização dos procedimentos. Esse profissional se dedica, inclusive, ao dimensionamento das salas operatórias. Leia, a seguir, um relato de caso encontrado na literatura. Enfermeira Cristina, que atua como gestora das unidades cirúrgicas de um hospital do interior, está atravessando um momento de mudanças e vem toman- do decisões para a resolução de situações relacionadas à equipe multiprofissional, à implantação de novos processos e protocolos e ao desenvolvimento do instru- mento de SAEP para aplicação nas unidades. No que diz respeito ao período transoperatório, surge uma questão relacionada ao posicionamento do paciente na mesa e à prevenção das complicações decorrentes dessa ação. Assim, como a enfermeira Cristina poderia avaliar e monitorar esses eventos adversos rela- cionados ao posicionamento do paciente na mesa cirúrgica? Essas informações deveriam estar contidas no instrumento de SAEP? 1 1 A enfermeira Cristina deverá envolver a equipe de enfermeiros para discutir a elaboração de indicadores de qualidade frente às complicações que comumente ocorrem, como queimaduras elétricas e lesões de pele provocadas pelo atrito com a mesa e o colchão durante o ato cirúrgico. A SAEP precisa ser elaborada de forma que as informações referentes ao posicionamento na mesa cirúrgica e à colocação de proteção, como coxins, locais de apoio e outras informações relevantes para o monitoramento, estejam contidas em registro (SAMPAIO, 2018; SILVA et al., 2020). UNIASSELVI 1 1 1. A equipe de enfermagem possui um papel fundamental na assistência ao paciente. Na Sala de Recuperação Anestésica, deve-se receber o plantão e o registro com as informações clínicas necessárias para realizar o planejamento da assistência no Pós-Operatório Imediato (POI) prescritas pelo enfermeiro. Considerando as equipes médica e de enfermagem, assinale a alternativa correta: a) As equipes médica e de enfermagem devem ser treinadas e habilitadas a prestar cui- dados de forma individualizada e de alta complexidade. b) As equipes médica e de enfermagem devem ser treinadas e habilitadas a prestar cuida- dos de forma ordenada e de baixa complexidade. c) As equipes médica e de enfermagem devem ser treinadas e habilitadas a prestar cuida- dos intensivos e de média complexidade. d) As equipes médica e de enfermagem devem ser treinadas e habilitadas a prestar cuida- dos sem complexidade e de menor riscos. e) As equipes médica e de enfermagem devem ser treinadas e habilitadas a prestar cuida- dos visando ao lucro para a instituição hospitalar. 2. Os primeiros Centros Cirúrgicos (CC) surgiram na Antiguidade, com a finalidade de facilitar o trabalho da equipe médica. Somente na era moderna houve a centralização das salas de cirurgia e de áreas comuns do CC, como lavabos, vestiários e laboratórios. Considerando os equipamentos básicos, analise as afirmativas a seguir: I - São fixos na parede acima da cabeceira de cada leito. II - São fixos no leito do paciente, facilitando o uso deles. III - Não são fixos e o acesso a eles se dá pela disponibilidade em uma maca próxima ao leito. IV - Os equipamentos básicos só podem ser encontrados no almoxarifado. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 4 3. O procedimento cirúrgico é, hoje, uma das modalidades terapêuticas mais utilizadas para o diagnóstico e o tratamento de inúmeras doenças. O ambiente do Centro Cirúrgico (CC) deve ter finalidades e objetivos claramente definidos dentro da estrutura hospitalar, a fim de gerar atendimento diferenciado, segurança e satisfação ao paciente atendido. Considerando os aspectos organizacionais da SRPA, e com base nas informações apresen- tadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Outro aspecto organizacional da SRPA que é importante e cada vez mais frequente na atualidade se tratada utilização de leitos de retaguarda para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). PORQUE II - Após o procedimento anestésico-cirúrgico, inicia-se um período considerado crítico para o paciente, que deve permanecer sob a observação e os cuidados constantes da equipe de enfermagem. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 5 REFERÊNCIAS CARVALHO, R. de; BIANCHI, E. R. F. (org.). Enfermagem em centro cirúrgico e recuperação. 2.ed. Barueri: Manole, 2016. SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. SILVA, A. R. S. da et al. Manual de Normas e Rotinas da CME. [S. l.]: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH); Universidade Federal do Vale do São Francisco; Hospital Universitário do Vale do São Francisco, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-u- niversitarios/regiao-nordeste/hu-univasf/acesso-a-informacao/normas/protocolos-institu- cionais/ManualdeNormaseRotinasdaCME.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. TREVILATO, D. D. et al. Atividades do enfermeiro de centro cirúrgico no cenário brasileiro: sco- ping review. Acta Paulista De Enfermagem, v. 36, 2023. 1 1 https://repositorio.usp.br/result.php?filter%5B%5D=author.person.name:%22Carvalho,%20Rachel%20de%22 https://repositorio.usp.br/result.php?filter%5B%5D=author.person.name:%22Bianchi,%20Estela%20Regina%20Ferraz%22 1. Opção A. 2. Opção A. 3. Opção A. GABARITO 1 1 MINHAS METAS SRPA, ÉTICA E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO Conhecer a SRPA e as escalas utilizadas. Estudar a escala de Aldrete e Kroulik. Compreender a importância da SAEP. Explorar o papel do enfermeiro na SRPA. Estudar a ética profissional. Entender a importância da humanização do cuidado. Compreender o papel do enfermeiro do Centro Cirúrgico (CC). T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 1 8 INICIE SUA JORNADA A partir do conhecimento, neste momento, adentraremos em uma nova etapa do saber. Assim, juntos, analisaremos a assistência de enfermagem no Centro Cirúrgico (CC). O que podemos entender desse tópico? Qual é a real necessidade e a importância de uma assistência de enfermagem no Centro Cirúrgico? Por que a implementação dessa assistência é tão importante dentro do setor hospitalar? Mediante análises e estudos, esperamos que você possa adquirir os requisitos necessários para verificar os tópicos que estudaremos. Olá, estudante! Esperamos que, nas próximas etapas, você possa adquirir todo o conhecimento específico sobre a assistência de enfermagem no Centro Cirúrgico (CC) e as respectivas características. Apanhe o seu caderno e uma caneta ou qualquer dispositivo para a realização de anotações. Esteja preparado para o nosso podcast! O tema será escala de Aldrete e Kroulik. Sinta-se à vontade! Esperamos que, ao final, você possa ter adquirido os requisitos e as qualificações necessários. Recursos de mídia disponíveis no con- teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Explore as últimas descobertas na área de cuidados paliativos no artigo Humanização no Centro Cirúrgico: a percepção do Técnico de Enfermagem. Aprofunde-se nas questões atuais e nos desafios enfrentados no campo dos cuidados paliativos. Não perca a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos nesse importante campo da saúde. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL SRPA E AS ESCALAS DO CUIDADO A equipe da Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) é composta por técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos anestesiologistas e outros pro- fissionais de saúde treinados em cuidados pós-ope- ratórios. Eles trabalham em conjunto para garantir a recuperação adequada e rápida dos pacientes. Na SRPA, temos, como escala de avaliação, o Ín- dice de Aldrete e Kroulik, que foi criado e validado em 1970. Em 1995, ele foi submetido a uma revisão pelos próprios autores. É utilizado, desde a criação, na avaliação e na evolução dos pacientes no período pós-anestésico pela análise da atividade muscular, da respiração, da circulação, da consciência e da saturação de oxigênio. A pontuação varia de 0 a 2 pontos para cada pa- râmetro: zero (0) indica condições de maior gravida- de; um (1) corresponde a um nível intermediário; e dois (2) representa as funções restabelecidas. Desde a criação, o Índice de Aldrete e Kroulik tem sido uti- lizado nos Estados Unidos, no México, na Colômbia, no Panamá, na Argentina, no Brasil e na Espanha, além de ter sido implantado em muitos hospitais de outros países (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). De acordo com o Índice de Aldrete e Kroulik, a maioria dos pacientes em SRPA atinge a pontuação máxima na avaliação dos parâmetros clínicos após duas horas de permanência na unidade. Contudo, a temperatura não é incluída na avaliação proposta por Aldrete e Kroulik (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). 8 1 No dia a dia na SRPA, observa-se empiricamente que, mesmo o paciente tendo recebido alta com 10 de pontuação conferido pelo índice de Aldrete e Kroulik, é possível que a hipotermia ainda esteja presente e persista durante o transporte do paciente, podendo se agravar até a chegada dele na unidade de origem e aumentar a possibilidade de intercorrências decorrentes desse quadro. Sendo assim, ques- tiona-se a relação entre a temperatura corporal do paciente e o indicativo de alta determinado pelo Índice de Aldrete e Kroulik (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). O paciente em pós-operatório imediato que se encontra em processo de regressão da anestesia pode apresentar algumas complicações que variam de intensidade. Elas podem se tornar graves quando não observadas e tratadas pre- cocemente. As principais complicações que ocorrem no pós-operatório imediato e requerem atenção da equipe que assiste o paciente são: SONOLÊNCIA: complicação frequente no paciente cirúrgico, principalmente naqueles submetidos à anestesia geral. Assim, a avaliação do nível de consciência desses pacientes precisa ser verificada a partir de estímulos. Qualquer alteração observada deve ser comunica- da imediatamente (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). SEDE: complicação comum decorrente, em geral, da utilização de atropina durante a anes- tesia, o que leva à diminuição das secreções e causa secura da mucosa oral. Como o paciente ainda não deve ingerir líquidos, pode-se utilizar uma compressa umedecida na região oral (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). DOR: essa complicação deve ser rigorosamente observada, pois pode estar relacionada a ou- tras intercorrências e complicações, principalmente quando o paciente está em uso de dispositivos, como drenos, sondas e cateteres. A dor, em geral, está localizada na região da incisão cirúrgica e deve evoluir para melhora de forma gradativa. A intensidade da dor também deve ser verificada continuamente (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 NÁUSEAS/VÔMITOS: complicação mais comum. Ela ocorre devido à ação dos anestésicos, que causam a diminuição do peristaltismo, e aos resíduos contidos no trato gastrointestinal. Devem ser observados de forma rigorosa, com o intuito de evitar a aspiração, que pode levar a uma complicação respiratória grave. RETENÇÃO URINÁRIA: complicação comum em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos pélvicos, abdominais e ortopédicos em membros superiores. É decorrente, em geral, da raquia- nestesia. Ocorre a incompetência de eliminar a urina. A bexiga, então, fica cheia, po- dendocausar dor e desconforto. Ela deve ser detectada precocemente e, nesse caso, será necessário realizar cateterismo vesical de alívio (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). DISTENSÃO ABDOMINAL: no pós-operatório imediato, pode ocorrer um aumento do volume do trato gastroin- testinal, devido ao acúmulo de gases e fezes (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). 8 1 ÉTICA PROFISSIONAL Para ser um bom profissional, é necessário, além de ter os conhecimentos ne- cessários, as habilidades técnicas e a experiência, trabalhar com base na ética. Independentemente da sua área, há posturas que precisam ser seguidas. A ética compreende a experiência da “morada humana”, que não significa um determinado espaço físico, mas uma teia de relações interpessoais ou in- terprofissionais de onde emergem as relações entre os moradores e os vizinhos. Essas relações acontecem segundo critérios de valores, crenças e visões de mundo que se fundam em princípios ou fundamentos, para que a convivência humana aconteça da forma mais harmoniosa possível (COFEN, 2017). COMPLICAÇÕES RESPIRATÓRIAS: podem ser consideradas as complicações mais graves no pós-operatório imediato e, portanto, requerem mais atenção, pois, quando não detectadas precocemente e trata- das, podem acarretar em danos permanentes e óbito. A hipóxia é uma delas: ela acon- tece quando há baixa oxigenação circulante do cérebro e pode ocorrer com a queda da língua decorrente do efeito anestésico. Outras complicações respiratórias incluem o broncoespasmo, que pode ocorrer durante o ato anestésico ou por obstrução das vias aéreas provocada pelo tubo endotraqueal ou presença de secreção brônquica e edemas de vias aéreas (glote) (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). COMPLICAÇÕES CARDIOVASCULARES: também podem ocorrer alterações e obstruções em veias e artérias de membros superiores, geralmente, em pós-operatório de procedimentos cirúrgicos pélvicos, or- topédicos, abdominais e cirurgias vasculares. Outra complicação importante que deve ser observada é a hemorragia, que se trata do extravasamento de sangue através de uma veia ou artéria. A hemorragia pode levar a complicações mais graves, como o hematoma, que acontece quando o extravasamento de sangue é local e permanece acumulado, causando obstruções e prejuízo na irrigação de órgãos e tecidos. Além dessas complicações, pode ocorrer o choque, complicação mais grave e que constitui uma situação de emergência decorrente da falta ou do fornecimento insuficiente de sangue ou oxigênio aos tecidos (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 No caso da ética na enfermagem, estamos falando de princípios que de- vem nortear a prática profissional, a relação com outros profissionais de saúde e instituições e, ainda, o atendimento a pacientes e familiares (COFEN, 2017). Há várias teorias éticas e modelos de análise teórica que podem orientar a nossa forma de ser e agir profissionalmente. Mesmo levando em consideração que referências filosóficas e teóricas nos ajudam a pensar criticamente, é sempre bom ter em mente que a aplicação rotineira de métodos nunca é um substituto satisfatório para a inteligência crítica (COFEN, 2017). Edgar Morin explica, em estudos sobre a ética, que esse imperativo se origina em uma fonte interior ao indivíduo, que o sente no espírito como a injunção de um dever. Ao mesmo tempo, provém de uma fonte externa, como a cultura, as crenças, as normas de uma comunidade. Cada um vive para si e para o outro em uma relação dialógica ao mesmo tempo, de forma complementar e antagônica. Portanto, ser sujeito é associar egoísmo e altruísmo. O autor assinala que é impor- tante reconhecer, nessa visão, o aspecto vital do egocentrismo e a potencialidade fundamental do desenvolvimento do altruísmo. É preciso reconhecer nesse contexto que o olhar sobre a ética deve levar em consideração o fato de que a exigência dela é vivida subjetivamente. O universalismo ético tem um componente racional e um componente místico justificado pela herança da ascendência religiosa que marcou o pensamento ético no decorrer dos tempos. A ética não propõe a soberania da razão. Ela é frágil. Permanece incerta e inacabada; nunca está pronta e deve incessantemente regenerar-se (COFEN, 2017). Pensar nos dilemas éticos do trabalho da enfermagem significa enfrentar situações embaraçosas, qualquer que seja o campo de atuação profissional. A verdade é que o dilema nos coloca diante da dificuldade de escolher a solução ideal diante de um raciocínio que parte de premissas contraditórias e mutua- mente excludentes em relação a uma determinada situação, ambas ingratas ou contrárias ao nosso sentir. Nesse contexto, surge a importância de construirmos uma cultura ética no co- tidiano do exercício profissional para não nos perdermos pelo viés do utilitarismo. Nesse viés, decidem aqueles que têm o poder de decisão, isto é, autonomia sobre os outros que vivem à margem, que terminam por serem penalizados. Na sociedade A ética não propõe a soberania da razão. Ela é frágil 8 4 em que vivemos, na qual há uma profunda desigualdade social, cresce e se fortalece um cenário desumano do descuido e do abandono. Assim, a ética do cuidar assume uma importância cada vez maior diante das fragilidades da vida (COFEN, 2017). No exercício cotidiano dos profissionais de saúde, são inúmeras as arbitrarie- dades registradas a cada novo dia, mesmo em se tratando de instituições que se destinam ao ensino e à pesquisa, ao campo de aprendizagem, portanto, a estudantes de diferentes cursos. Em decorrência disso, emerge a importância de haver uma parceria entre o ensino e o serviço dentro de um pacto ético envolvendo docentes e profissionais de saúde, com vistas a melhor direcionar e informar a ação discente no processo de aprendizagem. Essa experiência é marcante, podendo se tornar edi- ficante quando o fazer técnico e o comportamento ético se misturam e constituem uma unidade, ou seja, são entendidos como ações inseparáveis (COFEN, 2017). Na enfermagem, o cuidar representa a essência, embora outros profissio- nais igualmente cuidem. No entanto, é importante refletir sobre o sentido que conferimos à nossa atividade laboral. Sabemos que o trabalho não é um fim em si mesmo, e sim a vida, assim como nos lembra Comte-Sponville. Entretanto, como um meio, isto é, como uma necessidade de realização do ser humano, dá sentido às vidas de quem cuida e do ser cuidado. Portanto, são fundamentais a consciência e o envolvimento de quem o executa. É preciso buscar a interação entre o cuidador e aquele que recebe o cuidado (COFEN, 2017). HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO NO CENTRO CIRÚRGICO Humanização e cuidado são inseparáveis. Entende-se por humano a natureza hu- mana bondosa e humanitária, que tem o mesmo sentido de humanidade, no qual se inclui benevolência, clemência e compaixão. Humanizar é a prática do humano. Visto que somos humanos, o que realizamos é humano, sendo, portanto, próprio ao ser humano visar ao bem-estar da humanidade tanto individual como coletiva- mente. Esse é o verdadeiro sentido de humanizar (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). A humanização do cuidado foi interpretada como um processo que objetiva melhorar o atendimento ao cliente, proporcionando-lhe bem-estar e acolhimen- to, e que envolve a interação entre equipe e paciente. O acolhimento é traduzido UNIASSELVI 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 como o ato de dar proteção e guarida. Envolve ética, atendimento igualitário e in- dividualizado, responsabilização, cuidado e apoio ao paciente. Dentre as medidas de humanização adotadas, destacaram-se a atenção ao paciente nos momentos de admissão e o preenchimento da checklist de cirurgia segura. Esse grupo de profissionais considera importante a assistência humanizada, porém, na prática profissional, encontra dificuldades na efetiva implementação, devido à demanda de trabalho, em especial, o burocrático (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). O profissional da enfermagem possui um papel importante na equipede cui- dados à saúde durante todo o ciclo de vida e envolve ações técnicas e humanitárias. Dessa forma, na formação dos profissionais de saúde nos cuidados de fim de vida, o enfoque do preparo deve ir além da técnica (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). O cuidado integral no processo saúde-doença precisa ser ofertado de acordo com as necessidades individuais, focando no acolhimento e na clínica ampliada mediante um olhar holístico, sempre colocando o paciente como o protagonista e respeitando a autonomia dele. Essa forma de entender o processo saúde-doença vem sofrendo mudanças com o tempo, tendo em vista a necessidade de se olhar a multidimensionalidade envolvida nesse processo, e não apenas a patologia. Contudo, ainda se observa a dificuldade encontrada pelos profissionais de saúde em estabelecer relações para além da técnica (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). A assistência humanizada para as pessoas com doenças ameaçadoras da vida visa proporcionar conforto e prevenção de agravos e oferecer apoio emocional e social ao paciente e aos familiares, já que, nesse momento da finitude, surge a necessidade de receber apoio da equipe de saúde e apoio espiritual para auxiliar no enfrentamento desse processo e na busca de significados para o adoecimento (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). As comunicações verbal e não verbal, se prestadas de forma adequada, favorecem a promoção do cuidado efetivo e o alívio dos sintomas emocionais, como medos e inseguranças, que acompanham a fase do adoecimento (GUI- MARÃES; MAGNI, 2020). Cuidado é precaver o outro, aplicar o pensamento e algo a alguém. Envolve refletir, tratar, considerar e atender a nós e ao outro na saúde, na aparência e/ou na apresentação. Portanto, é inquietar-se por algo ou alguém. Se morrer o cuidado, morre, também, o ser (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). 8 1 A assistência humanizada na saúde é um direito de qualquer pessoa e é um dever de todo profissional, principalmente da equipe de en- fermagem, a qual assiste o paciente diariamente e passa a maior jornada de trabalho junto a ele. Assim, a assistência de enfermagem e de todos os profissionais da área de saúde deve ser hu- manizada (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). Na assistência, a humanização é vista como uma forma de incorporar o amor nas relações profissionais e interpessoais. É deixar de lado todos os tipos de ressentimentos, fortalecendo a capacidade de se colocar no lugar do outro, passando, assim, a realizar os cuidados ao pa- ciente com todo respeito e dignidade (GUI- MARÃES; MAGNI, 2020). A humanização na assistência deve estar voltada não apenas para as ciências biológicas, mas também para a compreensão e o desenvol- vimento de valores das ciências humanas. Isso direciona o profissional de saúde para que “olhe” a pessoa, e não apenas um organismo doente, procurando as causas desse adoecimento. O ensino e o conhecimento das ciências humanas ajudam a incorporar atitudes éticas e humanizadas no atendimento, as quais estão diretamente ligadas ao ato de cuidar, ou seja, à prática da enfermagem. Entretanto, muitos profissionais encontram situações complicadas no dia a dia devido a diversos fatores, como baixos salários, desvalorização da profissão pe- los outros profissionais e sobrecarga das ativi- dades, que acabam influenciando na qualidade da assistência (GUIMARÃES; MAGNI, 2020). UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 NOVOS DESAFIOS O enfermeiro deve estar preparado para todo tipo de cenário no âmbito hospi- talar. Todavia, deve sempre se lembrar de prestar uma assistência com qualidade e de forma humanizada. A enfermagem é uma profissão que surgiu com o passar do tempo e tem uma relação com a história da civilização. A enfermagem adquiriu um papel prepon- derante por ser uma profissão que procura promover o bem-estar do ser humano, considerando a liberdade, a unicidade e a dignidade dele, atuando na promoção da saúde, na prevenção de enfermidades, no transcurso de doenças e agravos, nas incapacidades e no processo de morrer. O enfermeiro também possui os papéis de líder da equipe técnica e mediador de conflitos, visando sempre à excelência na qualidade do trabalho ofertado. Na Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP) para aplicação nas unidades, todas as fases do período perioperatório são supervisio- nadas pelos enfermeiros. Além do mais, os pacientes são assistidos com um pla- nejamento de assistência individualizado e direcionado às próprias necessidades. No entanto, considere que foi observado pelos enfermeiros de uma unidade de Centro Cirúrgico que vêm ocorrendo alguns eventos adversos e falhas na assis- tência no pós-operatório imediato. Esses eventos estão gerando intercorrências na Sala de Recuperação Pós- -Anestésica (SRPA) decorrentes da transmissão de informações inadequadas e incompletas entre o circulante de sala e o profissional que atua na SRPA. Além disso, o anestesista responsável pelo ato anestésico e acompanhamento no in- traoperatório comumente não está presente no momento de transferência do paciente da sala cirúrgica para a SRPA. Dessa forma, como os enfermeiros devem agir? Como tornar a comunicação mais efetiva entre os profissionais e reduzir o impacto dessa falta na assistência? Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO 8 8 Os enfermeiros que atuam diretamente na assistência deverão acompanhar a troca de informações entre os profissionais e fazer uma abordagem acerca da importância da comunicação efetiva para minimizar falhas e eventos adversos. Também é pertinente a realização de um treinamento sobre complicações e in- tercorrências do pós-operatório imediato, incluindo a importância da detecção precoce delas e do tratamento imediato (SAMPAIO, 2018). UNIASSELVI 8 9 1. A SAEP é uma valiosa ferramenta para que o paciente seja assistido de forma integral, contínua, segura e humanizada pela enfermagem. Trata-se de um instrumento metodoló- gico que sistematiza a prática e proporciona percepção, interpretação e antecipação das respostas individuais às alterações de saúde. Antes de adentrar na SRPA, o paciente se recupera em um determinado período, que é: a) Período Pós-Operatório Imediato (POI). b) Período Pós-Operatório Mediato (POM). c) Período trans-operatório (PTO) d) O paciente se recupera na sala de recepção do CC. e) O paciente se recupera dentro do quarto. 2. A SAEP é fundamental para uma assistência de qualidade. Entretanto, não é um processo fácil para o enfermeiro e a equipe, requerendo que os profissionais tenham iniciativa e proatividade para superar os obstáculos evidenciados no Centro Cirúrgico. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - O Processo de Enfermagem (PE) é descrito como um método sistemático de prestação de cuidados humanizados. PORQUE II - Enfoca na obtenção de resultados para restaurar, manter e promover a saúde por meio de uma abordagem de solução de problemas. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 9 1 3. A utilização da SAEP auxiliará o paciente e a família a compreender e a se preparar para o tratamento anestésico-cirúrgico. Ela prevê e controla os recursos materiais e humanos, reduzindo ao máximo os riscos inerentes aos ambientes do Centro Cirúrgico e da sala de recuperação pós-operatória. Considerando as cinco fases encontradas no processo de enfermagem, analise as afirma- tivas a seguir: I - Coleta de dados. II - Diagnóstico de enfermagem. III - Planejamento da assistência. IV - Implementação da negociação.É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) II, III e IV, apenas. AUTOATIVIDADE 9 1 REFERÊNCIAS COFEN. Resolução COFEN nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. [S. l.]: COFEN, [2017]. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen- -no-5642017/. Acesso em: 18 jan. 2024. GUIMARÃES, T. B.; MAGNI, C. Reflexões sobre a humanização do cuidado na presença de uma doença ameaçadora da vida. Mudanças, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 43-48, jun. 2020. RIBEIRO, E.; FERRAZ, K. M. C.; DURAN, E. C. M. Atitudes dos enfermeiros de centro cirúrgico dian- te da sistematização da assistência de enfermagem perioperatória. Revista SOBECC, São Paulo, v. 22, n. 4, p. 201-207, out./dez. 2017. SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 9 1 1. Opção A. 2. Opção A. 3. Opção D. GABARITO 9 1 MINHAS METAS SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM E COMPLICAÇÕES NO PÓS- OPERATÓRIO IMEDIATO Entender os aspectos da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Conhecer a forma correta de prescrever a SAE. Saber prescrever a SAE de forma correta. Avaliar a efetividade da SAE frente ao paciente. Entender a importância da SAE na assistência em enfermagem. Refletir sobre as complicações do Pós-Operatório Imediato (POI). Conhecer os cuidados de enfermagem necessários no POI. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 9 4 INICIE SUA JORNADA Estudante, neste tema, você conhecerá a assistência a ser prestada no período pós-operatório como enfermeiro presente na unidade de Centro Cirúrgico (CC) responsável pela realização da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). A SAE garante que os procedimentos sejam realizados de forma padro- nizada, seguindo metodologias já testadas. A SAE ocorre desde Florence Nightingale, considerada a precursora da en- fermagem, quando, ao participar como voluntária na Guerra da Crimeia com outras 38 mulheres, em 1854, teria conseguido reduzir a mortalidade local de 40% para 2%. Nightingale sempre defendeu que as enfermeiras deveriam estar submetidas a uma forte organização disciplinar. Você também reconhecerá a importância da atuação do enfermeiro junto à equipe na execução das atividades relacionadas à assistência a ser prestada, à admissão do paciente em recuperação pós-anestésica e aos cuidados com drenos, sondas e cateteres. Não só, mas também conhecerá a importância da observa- ção contínua e da detecção precoce das possíveis intercorrências para realizar a intervenção de forma efetiva e adequada, evitando complicações potenciais. Explore os detalhes fascinantes da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em nosso podcast dedicado a esse tema essencial. Não perca a oportuni- dade de aprofundar os seus conhecimentos e adquirir insights valiosos sobre a prática da enfermagem. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Descubra a abordagem inovadora da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e o papel dela como um cuidado interativo, complementar e multiprofissional no artigo Sistematização da Assistência de Enfermagem: vislumbrando um cuidado interativo, complementar e multiprofissional. Não perca a chance de enriquecer a sua compreensão sobre a importância da SAE! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . UNIASSELVI 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM (SAE) O processo de enfermagem é um método utilizado para implantar, na prática profis- sional, uma teoria de Enfermagem. Após a escolha da teoria de Enfermagem, torna-se necessária a utilização de um método científico para que os conceitos da teoria sejam aplicados. A teoria deve ser fundamentada e escolhida de acordo com as condições do cliente, da instituição ou do profissional que a utilizará (BARRETO et al., 2020). No Brasil, Wanda de Aguiar Horta foi a primeira teórica a apresentar estudos sobre o tema. Horta propôs a sistematização das ações de enfermagem por inter- médio da aplicação do processo de enfermagem, o que contribuiu para o registro e a documentação de ocorrências e procedimentos realizados por integrantes da equipe de enfermagem para a análise e a organização do cuidado prestado e para o reconhecimento social da profissão (BARRETO et al., 2020). O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) considera que a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) contribui efetivamente para a melhoria da qualidade e deve ser aplicada em todos os clientes, com prioridade àqueles críticos. Deve ser utilizada por toda a instituição de saúde como atividade privativa do enfermeiro e em todos os setores hospitalares (BARRETO et al., 2020). Existem, atualmente, diferentes maneiras de sistematizar a assistência de en- fermagem. Dentre elas, pode-se mencionar os planos de cuidados, os protocolos, a padronização de procedimentos e o processo de enfermagem, visto que a SAE direciona a atuação do enfermeiro no exercício das atividades profissionais e faci- lita o desenvolvimento da assistência ao paciente. Nesse contexto, a implantação de um método para sistematizar a assistência de enfermagem deve ter como pre- missa um processo individualizado, holístico, planejado, contínuo, documentado e avaliado (BARRETO et al., 2020). A SAE é um valioso instrumento para a assistência do paciente de forma integralizada, contínua, segura e humanizada pela enfermagem. Ela é composta por cinco fases: visita pré-operatória de enfermagem, planejamento, implemen- tação, avaliação e reformulação da assistência a ser planejada. Nessa linha de pensamento, a SAE atua com o objetivo de conduzir e organizar o trabalho da equipe de enfermagem conforme os recursos humanos, os instrumentos e os métodos, facilitando o trabalho do enfermeiro. 9 1 Ainda, a SAE tem a própria definição calcada no planejamento e na ordena- ção da execução das atividades com enfoque coletivo e individual e de caráter privativo do enfermeiro. Nesse sentido, o processo de enfermagem se constitui como uma ação revestida de significados possível de ser utilizada pelos enfer- meiros como metodologia para a prestação de cuidados. Entretanto, apresenta desafios para a respectiva implementação. A enfermagem faz uso da sistematiza- ção da assistência de enfermagem como um modelo de processo de trabalho que possibilita sistematizar a assistência e direcionar o cuidado, contribuindo para a segurança do usuário e dos profissionais no sistema de saúde, especialmente, no Centro Cirúrgico (CC) (BARRETO et al., 2020). No hospital, o Centro Cirúrgico (CC) é o local onde acontece grande parte dos eventos adversos à saúde dos pacientes. A causa desses eventos é multifatorial e atribuída à complexidade dos procedimentos, à interação das equipes interdisciplinares e ao trabalho sob pressão, pois, apesar de as intervenções cirúrgicas integrarem a assistência à saúde, contribuindo para a prevenção de agravos à integridade física e à perda de vidas, elas estão associadas considera- velmente aos riscos de complicações (BARRETO et al., 2020). A participação do enfermeiro no Centro Cirúrgico (CC) tem merecido atenção por envolver especificidades e articulações indispensáveis à gerência do cuidado a pacientes com necessidades complexas, as quais requerem conheci- mento científico, manejo tecnológico e humanização extensiva a familiares em decorrência do impacto que o risco cirúrgico propicia (BARRETO et al., 2020). UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A checklist de cirurgias seguras foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também é chamada de lista de verificação. Ela tem a finalidade de auxiliar as equipes operatórias na reduçãoda ocorrência de erros e possíveis danos ao cliente, visando reforçar a segurança operatória com práticas corretas, promovendo uma melhor comunicação e trabalho em equipe. Como prática baseada em evidências, a checklist encontra-se dividida em três momentos: antes da indução anestésica, antes do início da incisão cirúrgica e antes de o paciente deixar a sala operatória, devendo ser coordenada por um elemento da equipe que atua na unidade de Centro Cirúrgico, que é composta por cirur- giões, anestesiologistas, enfermeiros, técnicos e demais profissionais envolvidos. Diante disso, é importante que essa equipe trabalhe interdisciplinarmente, uma vez que todos são os responsáveis pela segurança do cliente, cada qual no desempenho da própria função, garantindo o sucesso do procedimento cirúrgico (SAMPAIO, 2018; SILVA et al., 2020). Assim, ocorre a integração e a interação entre a equipe usando a checagem como um meio de comunicação interpessoal, o que facilita a assistência ao pa- ciente. O relacionamento interpessoal é o segundo item de estresse apontado pelos profissionais do Centro Cirúrgico, atrás somente da sobrecarga de trabalho. Logo, a utilização da checklist visa diminuir o atrito provocado por situações inesperadas. Além disso, a apresentação dos membros da equipe antes do proce- dimento melhora a segurança do paciente (SAMPAIO, 2018; SILVA et al., 2020). COMPLICAÇÕES NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO Após um procedimento anestésico-cirúrgico, o paciente precisa de um tempo de recuperação. O manejo dele inclui atividades de monitorização e tratamento, com atenção especial às condições hemodinâmicas e ventilatórias. Sendo assim, os centros cirúrgicos têm a chamada Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Todos os pa- cientes no pós-operatório imediato vão para essa sala e permanecem em observação e acompanhamento do médico anestesiologista responsável até que a consciência seja recuperada e os sinais vitais estejam estabilizados. Durante esse período, são analisados e monitorados o estado de consciência, a intensidade da dor, a respiração e a circulação desde a admissão até a alta (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). 9 8 O paciente deve ser encaminhado à SRPA pelo cir- culante de sala e pelo anestesista responsável pelo ato anestésico, que devem transmitir as informações e as intercorrências do transoperatório ao profissional que atua na SRPA, o qual faz a admissão do paciente e auxi- lia no posicionamento dele de forma confortável, pro- movendo aquecimento, realizando a monitorização e verificando a permeabilidade de acessos venosos, dre- nos, sondas e outros cateteres, mantendo-os abertos ou fechados, de acordo com a orientação do cirurgião. A partir disso, inicia-se a assistência pós-operatória imediata (SAMPAIO, 2018; SOBECC, 2017). Os cuidados de enfermagem ao paciente no Pós- -Operatório Imediato (POI) têm início com a avalia- ção do nível de consciência. Além disso, são avaliados os sinais, os quais são comparados com os resultados apresentados no pré-operatório. Em seguida, deve ser avaliado o padrão respiratório, em que se observa a expansibilidade do tórax, além da profundidade res- piratória. Utiliza-se, também, a oximetria de pulso para a verificação da saturação de oxigênio que o paciente apresenta. Da mesma forma, deve-se avaliar a frequência cardíaca e o ritmo do pulso utilizando o cardioscópio. É necessário que as unidades de SRPA disponham de monitores multiparamétricos para a avaliação contínua da evolução do paciente até a estabilidade dos sinais vitais. Dando continuidade à admissão do paciente e à assistência pós-operatória, deve-se veri- ficar a temperatura axilar, a presença de dor e os esta- dos psicológico e emocional. Outra função que deve ser avaliada no momento de admissão do paciente é a mobilidade dos membros inferiores, principalmente em pacientes submetidos à bloqueio espinhal ou pe- ridural (SAMPAIO, 2018). UNIASSELVI 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Quando o paciente está estável e bem adaptado psicologicamente, com os sistemas orgânicos funcionando perfeitamente de acordo as necessidades fisio- lógicas do organismo e com balanço hidreletrolítico, nutrição e balanço ácido- básico normais, comumente, ele tolera muito bem uma intervenção cirúrgica. Porém, todos os pacientes que são submetidos à uma cirurgia possuem risco de complicações pós-operatórias, principalmente aqueles previamente debili- tados. Os componentes fisiológicos e metabólicos que garantem a homeostasia do organismo sofrem modificações circunstanciais associadas a procedimentos cirúrgicos. Essas alterações podem variar de acordo com o biotipo do paciente e com o tipo de cirurgia. Além disso, em situações de trauma, são consideradas a gravidade e a extensão das lesões (SAMPAIO, 2018). É de fundamental importância o conhecimento do processo anestésico para o profissional enfermeiro que atua em Centro Cirúrgico e recuperação pós-anes- tésica, pois o paciente, ao ser submetido a um procedimento cirúrgico, também é submetido a um procedimento anestésico, ou seja, o processo que denominamos “ato anestésico-cirúrgico”. Assim, em todas as fases do período perioperatório, são avaliadas as condições clínicas do paciente cirúrgico não somente para a realização da cirurgia, mas também para a realização da anestesia. Na fase pré- -operatória, são realizados, além do exame físico, os procedimentos diagnósticos de imagem e os exames laboratoriais para a verificação das condições que podem causar intercorrências ao ato anestésico-cirúrgico (SAMPAIO, 2018). Em alguns países, a especialidade de enfermagem em anestesia é reconhecida. Entretanto, o profissional enfermeiro presta auxílio ao anestesiologista na execu- ção da indução anestésica e no preparo dos medicamentos e dos equipamentos, tendo participação mínima na avaliação do paciente e no desenvolvimento do plano anestésico devido aos órgãos governamentais e às sociedades médicas, que demonstram preocupação na valorização de outros profissionais não médicos, associada à má qualidade da assistência oferecida nos serviços de saúde. No Brasil, a prática da enfermagem em anestesia é muito reduzida: assim, a equipe de enfermagem atua somente como auxiliar. Isso prejudica a produção de trabalhos experimentais sobre o tema. Logo, podemos compreender que o en- fermeiro poderia atuar diretamente com o anestesiologista, pautando-se no co- nhecimento científico para uma assistência segura, eficiente e de qualidade, o que 1 1 1 definiria o papel do enfermeiro frente ao procedimento anestésico por meio de protocolos e orientação do plano de assistência. Isso permitiria determinar, além de outras ações, a importância desse profissional na sala operatória (SAMPAIO, 2018). Qualquer tipo de cirurgia causa uma significativa lesão tecidual e inflamação. Essa resposta inflamatória natural é ocasionada por uma cascata de citocinas, as quais são liberadas por macrófagos e por células endoteliais, que, uma vez na corrente sanguínea, agem no hipotálamo, elevando a produção de prostaglan- dina, que aumenta a temperatura média de termorregulação (SAMPAIO, 2018). O tipo de cirurgia, a presença de infecção sintomática ou subclínica, o uso de drogas, hemoderivados e dispositivos invasivos e as evidências de síndromes inflamatórias ou infecciosas são características que podem auxiliar na diferen- ciação de um evento febril fisiológico de uma condição patológica. Além disso, o tempo de aparecimento direciona o diagnóstico, porque a provável etiologia está relacionada ao número de dias decorridos desde a operação (SAMPAIO, 2018). A principal causa da febre nas primeiras 72 horas é a atelectasia pulmonar, estan- do relacionada à anestesia geral e às cirurgias abdominais altas. Atualmente, avalia-se a atelectasia como um evento que ocorre concomitantemente à febre. Depois de 72 horas e, em especial, do 5º ao 8º dia de pós-operatório, alerta-se para a possibilidade de eventos mais graves, geralmente,A leitura desse artigo proporcionará insights valiosos sobre o papel do enfermeiro nesse ambiente crucial da assistência à saúde. Acesse-o agora para enriquecer a sua compreensão sobre o assunto. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . 1 1 O centro cirúrgico tem como objetivos prestar assistência de forma integral aos pacientes submetidos aos atos operatórios e favorecer a prática de ensino e o desenvolvimento de pesquisas (SAMPAIO, 2018). O CC é constituído por um conjunto de áreas e instalações que permitem efetuar a cirurgia nas melhores condições de segurança para o paciente e pro- porcionem conforto para a equipe que o assiste. É uma área crítica, considerada um ambiente com potencial risco de infecção hospitalar e na qual são realizados procedimentos de risco (SAMPAIO, 2018). A unidade de CC, além do alto nível de complexidade, agrega fatores cau- sadores de estresse no trabalho, principalmente nas inter-relações setoriais e profissionais. Além disso, há que se lembrar que o centro cirúrgico expõe os funcionários do serviço, usuários e pacientes a uma infinidade de fatores que aumentam a probabilidade de riscos à saúde, como os gases inalatórios residuais liberados no ambiente (SAMPAIO, 2018). PROFISSIONAIS QUE ATUAM NESTE SETOR As especificidades das atividades desenvolvidas no centro cirúrgico exigem uma equipe capacitada, qualificada e que, principalmente, tenha consciência da im- portância do trabalho em equipe para alcançar os resultados e prestar uma assis- tência de qualidade e segura ao paciente. Em relação à organização e à gestão do centro cirúrgico, o desenvolvimento do trabalho em equipe é fundamental. Cada profissional que atua no setor deve ser habilitado para as atividades que desempe- nha, de acordo com as responsabilidades e as funções definidas (SOBECC, 2017). As principais equipes que atuam no centro cirúrgico são: ■ Equipe cirúrgica: composta por médico cirurgião, médico assistente e instrumentador cirúrgico. ■ Equipe de anestesiologia: composta pelo médico anestesista e auxiliar de anestesia. ■ Equipe de enfermagem: composta pelo enfermeiro coordenador da unidade, enfermeiro assistencial e técnico de enfermagem. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Além dessas equipes, podemos citar a equipe administrativa, composta por escriturário, secretária, recepcionista, e a equipe de limpeza. Também são co- muns, em alguns centros cirúrgicos, outros profissionais, como perfusionista, técnico em raios X, técnico de laboratório e outros que possam estar presentes na unidade para a realização de alguma atividade específica (SOBECC, 2017). A equipe cirúrgica é composta, na prática, por cirurgiões, auxiliares ou assistentes e instrumentadores. Entretanto, os papéis do anestesista, do enfermeiro assistencial e dos circulantes são indispensáveis na dinâmica cirúrgica (SAMPAIO, 2018). O cirurgião é o responsável integral pelo ato operatório. Ele deve manter o controle, a ordem e a harmonia na cirurgia, além da notificação dos procedi- mentos realizados durante a cirurgia (SAMPAIO, 2018). O enfermeiro assistencial é o responsável pelos procedimentos técnicos mais complexos, como a realização de cateterismos e outros procedimentos que são da competência dele. É prevista a presença de, pelo menos, um enfermeiro assistencial para cada quatro salas operatórias (SAMPAIO, 2018). O trabalho da enfermagem compreende quatro processos: cuidar/assistir, administrar/gerenciar, ensinar/educar e investigar/pesquisar. Para o processo ad- ministrar/gerenciar, ênfase deste tema, o trabalho do enfermeiro de CC abrange as seguintes ações: orientar e dirigir a equipe nas atividades assistenciais, buro- cráticas e tecnológicas (SAMPAIO, 2018). 1 1 ESTRUTURA FÍSICA DO CENTRO CIRÚRGICO Para acessar as dependências do centro cirúrgico, é necessária a utilização de roupa privativa, a qual deve ser usada somente nas dependências da unidade de cirurgia, e calçados fechados, sendo vedada a utilização deles nas demais depen- dências do hospital, assim como o uso de adornos, lentes de contato e acessó- rios durante qualquer procedimento cirúrgico e pelas dependências do centro cirúrgico (SAMPAIO, 2018). A entrada do pessoal técnico não lotado no setor na sala de cirurgia apenas será permitida com autorização prévia do cirurgião e do enfermeiro responsável pelo setor (SAMPAIO, 2018). Para que essa estrutura funcione adequadamente e atinja as metas a que se propõe, é vital a integração com as unidades que atuam como serviços de apoio ou de suporte à unidade de CC. Entre esses serviços, destacam-se: banco de sangue, laboratório, serviço de anatomia patológica, radiologia, farmácia, supri- mentos/almoxarifado, transporte, fornecedores e engenharia/manutenção. Além disso, são inclusos os serviços terceirizados, como esterilização por métodos específicos, limpeza e lavanderia (SAMPAIO, 2018). O centro cirúrgico é dividido em áreas específicas por ser um local crítico, com maior risco de transmissão de infecções em virtude dos procedimentos ali realizados. As técnicas assépticas padronizadas têm o objetivo de proporcionar maior controle do ambiente operatório, diminuindo os riscos de contaminação do paciente. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 As áreas irrestritas ou não restritas são aquelas cuja circulação de pessoas é livre, de modo que não exigem cuidados especiais, nem o uso de uniforme privativo. São exemplos: elevadores, corredores externos que levam ao centro cirúrgico, vestiários e local de transferência de macas. As áreas semirrestritas permitem a circulação de pessoal e de equipamentos, de modo que não interfira no controle e na manutenção da assepsia cirúrgica. Nesses locais, é necessário o uso de uniforme privativo e de propés ou calçados adequados. São exemplos: secretária, copa e salas de conforto e de guarda de equipamentos. As áreas restritas são aquelas que têm limites definidos para a circulação de pessoal e de equipamentos. Nelas, deve-se empregar rotinas próprias para controlar e manter a assepsia local. Além do uniforme privativo, é necessário o uso de máscaras que cubram a boca e o nariz. São exemplos: salas cirúrgicas, antessalas, lavabos e corredores internos (SAMPAIO, 2018). ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE ENFERMAGEM Sendo a equipe de enfermagem formada por profissionais diretamente ligados ao cuidado assistencial perioperatório, é fundamental o envolvimento dela na cons- trução dos indicadores de qualidade da assistência, além de mantê-la atualizada sobre os resultados e o processo de melhoria dessa qualidade. O bom gerencia- mento de uma unidade de centro cirúrgico é um elemento fundamental para a tomada de decisão. Nos últimos anos, o avanço tecnológico no centro cirúrgico e a complexidade da assistência de enfermagem perioperatória envolvem a revisão do processo de trabalho e dos resultados alcançados, levantando questões éticas e legais nunca antes confrontadas (SAMPAIO, 2018). A equipe de enfermagem deve buscar trabalhar e prestar assistência indivi- dualizada ao paciente, tendo em vista as particularidades de cada procedimento cirúrgico ao qual ele será exposto (SAMPAIO, 2018). A equipe de enfermagem é composta por enfermeiros (coordenador e as- sistente), técnicos e auxiliares de enfermagem e, em algumas instituições, pelo auxiliar administrativo, que está sob a responsabilidade do enfermeiro do CC. O enfermeiro é o profissional capacitado para exercer tanto a função de coordena- dor quanto a função assistencial, que envolve o ato anestésico-cirúrgico. Em algu- mas instituições de saúde, a organização das atividades do enfermeiro tem funções 1 4 bem definidas conforme a descrição de cargos que ele assume, seja voltado para as ações de coordenação, seja para as ações assistenciais. Em outras situações, o enfermeiro assume a responsabilidade por ambos os papéis, fato que exige maior organização para a priorização das tarefas (SAMPAIO,de origem infecciosa (SAMPAIO, 2018). As complicações da ferida operatória estão entre as mais comumente encontradas, sendo, nor- malmente, de fácil resolução e apresen- tando pouco impacto na morbi- mortalidade cirúrgica. Todavia, como exceção, alguns pacientes podem sofrer um processo in- feccioso profundo e com gra- ves repercussões sistêmicas. A sequência da incisão é pele, tecido celular subcutâneo, ca- UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 mada profunda (formada por aponeurose e músculos) e, por fim, cavidade. Ao final do procedimento, todas essas camadas são fechadas e fazem parte da ferida operatória. As complicações podem estar localizadas em um ou mais desses pla- nos (SAMPAIO, 2018). Os problemas são (SAMPAIO, 2018): ■ Os seromas: acúmulo de soro e de linfa no tecido celular subcutâneo. ■ Os hematomas: acúmulo de sangue e de coágulos sobre a ferida opera- tória no tecido subcutâneo. É decorrente da hemostasia inadequada, que pode ser resultado de falha na técnica cirúrgica ou de coagulopatia. ■ A deiscência: separação dos folhetos músculo-aponeuróticos no abdome. ■ Os processos infecciosos. As complicações gastrointestinais podem ser de três tipos: a deiscência de anas- tomose, as fístulas gastrointestinais e a obstrução intestinal (SAMPAIO, 2018). A deiscência de anastomose representa uma descontinuidade parcial em al- gum ponto de uma anastomose em uma cirurgia do aparelho digestivo. É uma das complicações mais graves, porque permite o extravasamento do conteúdo intraluminal do trato digestivo, que pode seguir trajetos distintos e ocasionar pe- ritonite difusa, levar ao surgimento de abscessos intra-abdominais ou promover o aparecimento de fístulas (SAMPAIO, 2018). Alguns fatores de risco para a deiscência são tensão excessiva na linha de sutura, suprimento sanguíneo insuficiente para as estruturas a serem anasto- mosadas, anastomoses pancreático-entéricas, doenças colorretais, cirurgias do esôfago, sepse, coleção de líquido próximo à anastomose, radioterapia prévia e doença de Crohn (SAMPAIO, 2018). As fístulas são definidas como uma comunicação entre duas superfícies epiteliais, sendo uma delas um órgão ou uma víscera oca. No trato digestivo, essa complicação pode ocorrer entre dois órgãos ou entre um órgão digestivo e outra estrutura não relacionada. As fístulas adquiridas mais frequentes são as do trato gastrointestinal, podendo ser traumáticas, espontâneas e pós-operatórias. Vale ressaltar que a deiscência anastomótica definida previamente é um caso importante de fístula (SAMPAIO, 2018). As respostas endócrina e metabólica ao trauma e à manipulação de alças podem contribuir para uma atonia intestinal do pós-operatório. A obstrução 1 1 1 intestinal precoce (primeiros 30 dias da cirurgia), que ocorre no pós-operatório, pode ser de caráter funcional ou mecânico (uma barreira física impede a pro- gressão do conteúdo intestinal) (SAMPAIO, 2018). Os casos funcionais são classificados em íleo pós-operatório e íleo adinâmi- co. Na apresentação pós-operatória, não há fator precipitante de importância e a adinamia do intestino se resolve em dois a quatro dias, sendo parte de uma resposta normal à agressão cirúrgico-anestésica. No íleo adinâmico ou paralítico, a obstrução intestinal se resolve mais tardiamente e são encontrados um ou mais distúrbios precipitantes (SAMPAIO, 2018). A obstrução mecânica no pós-operatório precoce é um evento raro e ocorre em menos de 1% dos casos, sendo as aderências a condição mais frequente. Embora sejam de pouca importância no pós-operatório, as aderências são a principal causa de obstrução intestinal do delgado fora desse período. Na presença de obstrução intestinal, encontramos vômitos, distensão abdominal e cólica (SAMPAIO, 2018). No âmbito respiratório, os sintomas leves podem incluir garganta inflama- da, tosse e dispneia, enquanto as complicações severas incluem ventilação me- cânica prolongada, hipoxemia grave, sepse e pneumonia. As complicações mais importantes e mórbidas são a atelectasia pulmonar, a insuficiência respiratória, a exacerbação de condições respiratórias preexistentes e o tromboembolismo pulmonar (SAMPAIO, 2018). A função pulmonar é alterada simplesmente pela realização de um procedimento cirúrgico. A capacidade funcional residual do pulmão pode ser reduzida em até 1,5 L em procedimentos com anestesia geral. A perda de tônus muscular promove a redução do volume e da capacidade de ventilação e da perfusão, sobretudo, na região basal dos pulmões, promovendo atelectasia e colapso alveolar (SAMPAIO, 2018). Qualquer procedimento cirúrgico causa uma significativa lesão tecidual e gera um processo inflamatório. Essa inflamação natural é ocasionada por uma cascata de citocinas liberadas por células endoteliais e macrófagos. Uma vez na corrente sanguínea, elas agem no hipotálamo, aumentando a produção de prosta- glandina, o que eleva a temperatura média de termorregulação (SAMPAIO, 2018). As complicações pós-operatórias também podem ser de três tipos dis- tintos: gerais, específicas ou especiais. A complicação geral é aquela que pode acontecer com qualquer paciente, independentemente do tipo de procedimento cirúrgico, sendo as mais comuns as hemorragias, a atelectasia pulmonar, a doença tromboembólica e a insuficiência renal aguda. As específicas têm relação direta UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 com o órgão operado, podendo variar a frequência e a ocorrência em função do tipo de anestesia, dos cuidados pós-cirúrgicos, das comorbidades associadas e do grau de injúria. Já as especiais acometem os pacientes que já possuem alguma condição clínica prévia à intervenção cirúrgica (SAMPAIO, 2018). O aparecimento de febre nos três primeiros dias pós-operatórios é, na maior parte dos casos, causado por atelectasia e pneumonite. Entre o terceiro e o sexto dia após a cirurgia, deve-se pensar em infecção urinária ou incisional, infecção de cateteres vasculares, tromboflebite de membros inferiores e peritonite localizada ou genera- lizada. Já entre o sexto e o décimo dia, surgem os abscessos incisionais e as coleções purulentas como complicações sépticas causadoras de febre (SAMPAIO, 2018). Nenhuma intervenção cirúrgica está livre de complicações. Após o trauma operatório, o organismo se encontra fragilizado e mais propenso a desenvolver doenças. As complicações pós-operatórias podem ocorrer ainda na sala de recupe- ração pós-anestésica e podem ser divididas quanto ao momento em que ocorrem em imediata, mediata e tardia. Dentre as complicações mais comuns, estão a febre, as relacionadas aos sistemas respiratório, cardiovascular e gastrointestinal, e as associadas à ferida operatória. As principais complicações pós-operatórias servem de alerta a todos os profissionais de saúde envolvidos em uma cirurgia quanto à importância do reconhecimento e do manejo precoces dessas complicações, a fim de minimizar a morbimortalidade relacionada ao procedimento (SAMPAIO,2018). Os profissionais, em sua maioria, acreditam que a SAEP é indispensável para um atendimento de qualidade aos pacientes. Contudo, enfrentam dificuldades para implantá-la. Essas dificuldades estão relacionadas à falta de tempo, à sobre- carga de trabalho e à equipe administrativa, que, por vezes, não compreende a im- portância da atuação do enfermeiro na assistência ao paciente no perioperatório, desviando o profissional da função assistencial para a gerência (SAMPAIO, 2018). No Brasil, mesmo com as recomendações da Associação Brasileira de En- fermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) e da Association of periOperative Registered Nurses (AORN) no que tange à adoção de um modelo de assistência, a fim de nortear as ações dos enfermeiros no Centro Cirúrgico (CC), a maior parte dos hospi- tais ainda não adotou um modelo formal. Utiliza-se o planejamento baseado na programação cirúrgica, em que o enfermeiro gerencia os recursosmateriais e humanos para a previsão e a provisão do ato anestésico-cirúrgico. 1 1 4 A maior crítica a esse modelo é a falta de registros, o que prejudica o plane- jamento da assistência individualizada e a adequação dos recursos humanos e materiais para a realização do procedimento anestésico-cirúrgico. Além disso, a falta de registros deslegitima o trabalho desenvolvido pela equipe de enfermagem e não respalda o enfermeiro em caso de ocorrências jurídicas (SAMPAIO, 2018). Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO NOVOS DESAFIOS O trabalho do enfermeiro de Centro Cirúrgico (CC) nasceu para atender às necessidades da equipe cirúrgica. Em outras palavras, houve a necessidade de desdobrar o trabalho médico, ao organizar uma unidade em que fossem reali- zadas as cirurgias e fosse realizado o preparo dos materiais e dos equipamentos indispensáveis ao procedimento cirúrgico. A SAE é um instrumento de trabalho essencial ao enfermeiro, porque ela o norteará na qualidade da assistência a ser prestada pela equipe. O enfermeiro ca- pacitado na própria área se destacará entre os demais. Leia, a seguir, um exemplo, na prática, das funções que o enfermeiro precisa exercer sobre a própria equipe. A enfermeira Cristina, gestora das unidades cirúrgicas de um hospital do interior, vem desenvolvendo, na própria gestão, várias mudanças e adequações de processos. Contudo, agora, depara-se com a seguinte situação: a Unidade de Centro Cirúrgi- co (CC) dispõe de um profissional técnico de enfermagem que realiza a função de auxiliar de anestesia. Entretanto, a Unidade de Cirurgia Ambulatorial não dispõe desse profissional nessa função. Assim, a equipe de médicos anestesiologista, por ser a mesma em ambas as unidades, solicita que esse funcionário atenda à demanda anes- tésica das cirurgias ambulatoriais. Como a enfermeira poderá resolver tal situação? Inicialmente, a enfermeira Cristina deverá realizar uma reunião com os enfer- meiros de ambas as unidades, solicitando-os a adequação das escalas, visando à dis- ponibilização de um técnico para a função de auxiliar de anestesia. UNIASSELVI 1 1 5 1. O enfermeiro lança mão de estratégias disponíveis na instituição, como o uso da comuni- cação via telefone e da rede computadorizada de informação, tanto para a obtenção de dados individualizados para o planejamento da assistência no período transoperatório quanto para a avaliação da assistência prestada. Considerando as frequências de avaliação, é necessário levar em consideração o estado de cada paciente, sendo sempre prioridade aqueles que se encontram: a) Instáveis. b) Estáveis. c) Críticos. d) Médios a graves. e) Graves. 2. A assistência de enfermagem perioperatória ao paciente consciente, ou não, deve propor- cionar respeito pelo indivíduo como proteção aos direitos humanos dele e à dignidade pes- soal, à satisfação das necessidades sentidas e à prevenção de acidentes e lesões passíveis de acontecer por negligência, imperícia ou omissão de estado de alerta. Considerando as avaliações a serem realizadas pelo enfermeiro com base na melhora do quadro do paciente, devem ser iniciadas as avaliações pelos níveis de: I - Consciência. II - Fala. III - Psicológico. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. Todos os pacientes no pós-operatório imediato vão para SRPA e permanecem em obser- vação e acompanhamento do médico anestesiologista responsável até que a consciência seja recuperada e os sinais vitais estejam estabilizados. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Pode-se destacar outros problemas relacionados ao sistema respiratório, como irritação da mucosa traqueal, muitas vezes, resultante da introdução do tubo endotraqueal, e pneumonia aspirativa, resultante da aspiração de conteúdo gástrico. PORQUE II - Os problemas relacionados ao sistema respiratório são resultados de práticas mal exe- cutadas pela equipe de enfermagem. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS BARRETO, M. da S. et al. Sistematização da assistência de enfermagem: a práxis do enfermeiro de hospital de pequeno porte. Escola Anna Nery, v. 24, n. 4, 2020. SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. SILVA, A. R. S. da et al. Manual de Normas e Rotinas da CME. [S. l.]: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH); Universidade Federal do Vale do São Francisco; Hospital Universitário do Vale do São Francisco, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-u- niversitarios/regiao-nordeste/hu-univasf/acesso-a-informacao/normas/protocolos-institu- cionais/ManualdeNormaseRotinasdaCME.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 1 1 8 1. Opção A. 2. Opção A. 3. Opção C. GABARITO 1 1 9 UNIDADE 3 MINHAS METAS CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO Entender o que é uma Central de Materiais e Esterilização (CME). Compreender a estrutura física da CME. Conhecer o fluxo dos materiais. Estudar os materiais que são processados nessa unidade. Analisar a dinâmica da unidade. Entender a importância da CME dentro de um hospital. Saber a importância do enfermeiro na CME. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 1 1 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante! Esperamos que, nas próximas etapas, você possa adquirir todo o conhecimento específico sobre a Central de Materiais e Esterilização (CME), incluindo as respectivas características e o papel do enfermeiro nessa unidade. A CME desempenha um papel vital na garantia da segurança e da qualidade dos materiais usados em procedimentos de saúde. As características fundamen- tais dela envolvem o recebimento, o processamento, a esterilização e a distribui- ção de instrumentos e equipamentos médicos. O enfermeiro, nessa unidade, assume um papel central na coordenação das atividades, garantindo que todos os processos sigam normas rigorosas, promo- vendo a segurança do paciente e a eficácia dos procedimentos clínicos. O conheci- mento técnico do enfermeiro é essencial para assegurar a correta esterilização dos materiais, contribuindo para um ambiente hospitalar seguro e livre de infecções. Você, como futuro enfermeiro, já parou para pensar no papel que desempe- nhará nessa unidade? Já teve a curiosidade de saber como ocorre a dinâmica do cuidado indireto dentro da enfermagem? Você está convidado a mergulhar no fascinante universo da CME por meio do nosso podcast. Descubra os segredos e as nuances dessa área essencial da saúde. Não perca essa oportunidade de conhecimento e sintonize agora mesmo! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Venha desbravar os bastidores da CME conosco! Assista aos vídeos indicados, pois eles são fascinantes e revelam o funcionamento e os desafios dessa unidade essencial. Não perca a oportunidade de conhecer ainda mais o universo hospitalar. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) A história da criação e do desenvolvimento da CME está diretamente ligada ao de- senvolvimento das técnicas cirúrgicas ao longo dos tempos. Inicialmente, as inter- venções cirúrgicas não despertavamo interesse dos praticantes da medicina, devido à divisão hierárquica que havia entre o saber e o fazer. Os pioneiros na realização de procedimentos cirúrgicos, considerados de categoria inferior, eram os “cirurgiões barbeiros” e os curandeiros (COSTA et al., 2020). A cirurgia começava a ser uma real demanda na evolução da medicina, e os profissionais viam-se forçados a criar novas técnicas cirúrgicas que lhes per- mitissem acessar as diversas estruturas do corpo humano. Para que isso fosse possível, todavia, era preciso criar instrumentais que viabilizassem a execução dos procedimentos. Dessa forma, foram criados diversos tipos de instrumentais que atendiam às mais diversas técnicas cirúrgicas sem, contudo, receberem um tratamento adequado quanto à limpeza e à conservação, já que, na época, a tec- nologia era escassa (COSTA et al., 2020). Além disso, o mais importante para os cirurgiões era evitar que aqueles instru- mentais pudessem servir de fonte de contaminação para os pacientes, já que os es- tudos de Pasteur e Kock, na época, demonstraram que os microrganismos eram os responsáveis pela transmissão de doenças aos seres humanos (COSTA et al., 2020). A descoberta de microrganismos patogênicos fez com que surgisse a necessi- dade de adoção de certas medidas preventivas, como a assepsia nos procedimen- tos cirúrgicos, a lavagem das mãos (instituída por Semmelweis), a separação dos pacientes feridos e infectados dos demais e o cuidado com as roupas e os artigos de uso direto nos pacientes, atitude que foi realizada por Florence Nightingale durante a Guerra da Criméia, 1853-1856 (COSTA et al., 2020). Em consequência das precárias condições com que as cirurgias eram reali- zadas, os índices de infecção eram altíssimos, tornando urgente a criação de um local próprio para preparar e processar os instrumentais utilizados nos diversos procedimentos. Assim, a preocupação com o material utilizado nos procedimen- tos invasivos e o ambiente surgiu em meados do século XIX, na chamada Era Bacteriológica (COSTA et al., 2020). 1 1 4 Nesse contexto, Joseph Lister conseguiu, a partir do tratamento dos fios de sutura e das compressas usados nos pacientes com solução de fenol, diminuir a mortali- dade pós-cirúrgica. Esse fato impulsionou a evolução das técnicas de esterilização de materiais médico-hospitalares (COSTA et al., 2020). Diante disso, surgiu a necessidade de se instalar, nas instituições hospitala- res, locais apropriados para o tratamento desses materiais. As primeiras CMEs tinham uma estrutura logística muito simples e eram carentes de uma sistema- tização técnico-administrativa (COSTA et al., 2020). Na estrutura hospitalar brasileira, até a década de 1940, não havia CMEs: todos os processos de preparo, esterilização e armazenamento de materiais eram feitos no centro cirúrgico. A partir dos anos de 1950, com o surgimento de novos métodos de limpeza e esterilização de materiais e o advento de instrumentos es- pecializados para cirurgias mais complexas, passou-se a destinar uma área própria para o preparo de materiais (COSTA et al., 2020). No início dos anos de 1970, alguns hospitais, especialmente os grandes e os universitários, iniciaram a implantação de setores destinados às atividades de lim- peza autônomas e independentes do Centro Cirúrgico (CC). Surgiu, desse modo, UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 a CME, a qual era chefiada por um enfermeiro e composta por algumas áreas, tais como recepção, expurgo, preparo, esterilização e guarda (armazenamento e distribuição de materiais) (COSTA et al., 2020). O desenvolvimento tecnológico ocorrido nas últimas décadas na área da saúde impulsionou as atividades desenvolvidas nas CMEs de forma vertiginosa, colocando-a como um setor de vital importância no ambiente hospitalar, dada a magnitude do trabalho ali desenvolvido (COSTA et al., 2020). O processo de esterilização foi proposto entre os anos de 1950 e 1960. O objetivo era garantir a qualidade dos processos que eram feitos ali e torná-los mais baratos. Naquele tempo, a CME se dedicava em garantir a qualidade dos proce- dimentos cirúrgicos. Além disso, a prevenção de infecções de sítio cirúrgico era o principal objetivo dela. Com o desenvolvimento da tecnologia médica e o aumento da complexidade da atenção prestada nos serviços de saúde, o uso de equipamentos limpos e desinfetados ou esterilizados passou a ser uma necessidade. Os equipa- mentos invasivos se multiplicaram e passaram a ser usados em outras áreas do hospital, cabendo à CME apoiar a prevenção de infecções, como pneumonia ou infecção urinária (SILVA et al., 2020). Por definição, entende-se que a CME é uma unidade funcional de apoio técnico às demais unidades dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). A unidade responde pelo processamento dos artigos médicos desde a etapa de limpeza até a esterilização, o que inclui o controle de qualidade do material no local de guarda do destinatário. Essa unidade a nível hospitalar se encontra na área dotada de infraestrutura física, recursos materiais e humanos e equi- pamentos para processar os artigos médicos a serem utilizados nos demais setores do hospital. Essa unidade também é conhecida como o “coração do hospital”. Costuma-se fazer essa analogia, porque, a exemplo do coração, que é o órgão motor da circula- ção e do oxigênio de todo o nosso organismo, a CME responde pelo suporte técnico e operacional de todos os setores que compõem um hospital (SILVA et al., 2020). O coração pulsa e a CME impulsiona e abastece, com materiais esterilizados (livres de microrganismos, bactérias, vírus e fungos), o CC, o berçário, a unidade de terapia intensiva, a unidade de internação, o pronto-socorro, a unidade de diagnóstico, entre outros (SILVA et al., 2020). 1 1 1 Ao aumentar a abrangência da CME, cresceu, também, a importância dela na garantia da qualidade do cuidado prestado ao paciente/cliente, o que vai muito além do eixo central de esterilização e do CC. O impacto daquilo que ocorre na CME é visível e tem garantido cirurgias e cuidados seguros a muitas pessoas. A falta de boas práticas tem sido relacionada a surtos de infecções e danos aos pa- cientes. Somente a implementação dessas boas práticas, as quais são baseadas em evidências, pode evitar que situações negativas ocorram, garantindo a qualidade e a segurança da assistência prestada. O uso de materiais esterilizados para a prevenção das infecções de sítio ci- rúrgico é a primeira recomendação e é, possivelmente, a de maior impacto na pre- venção dessas infecções. A limpeza e a esterilização do material cirúrgico são boas práticas inquestionáveis e fundamentais. Elas são tão essenciais que, por questões éticas, paradoxalmente, o impacto delas somente pode ser medido pela falta ou quebra desse processo, quando ocorrem surtos e infecções de sítio cirúrgico, e não pela presença dessas ações quando o desfecho é favorável ao paciente (SILVA et al., 2020). A CME é uma unidade destinada à limpeza, ao acondicionamento, à esterilização, à guarda e à distribuição dos produtos para as demais unidades de assistência à saúde (SILVA et al., 2020). A RDC nº 15, de 2012, dispõe sobre os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para a saúde. Assim, estabelece os requisitos de boas práticas para o funcionamento dos serviços que fazem o processamento de produtos para a saúde, visando à segurança do paciente e dos profissionais envolvidos (SILVA et al., 2020). As atividades desenvolvidas na CME são: receber, conferir, lavar, desinfetar e separar os artigos para a saúde, receber as roupas vindas da lavanderia, preparar os artigos e as roupas, esterilizar os artigos e as roupas mediante métodos químicos e/ou físi- cos, realizar o controle microbiológico, conferir o prazo de validade da esterilização desses produtos, acondicionar e distribuir os instrumentais e as roupas esterilizados, zelar pela segurança e proteção dos funcionários desse setor, estabelecerproto- colos de segurança e registrar os processos executados no setor (BRASIL, c2024). APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A CME é uma parte fundamental do contexto hospi- talar. Ela é o local responsável pelo expurgo, preparo, esterilização e distribuição dos materiais e dos equipa- mentos usados no centro cirúrgico e demais unidades de um hospital. A grande importância dela se deve às atividades nela desenvolvidas, as quais envolvem as ações de terceiros, médicos e outros profissionais de enfermagem em procedimentos críticos e semicríticos junto aos pacientes (SILVA et al., 2020). Considerada uma unidade vital, a CME necessita de funcionários preparados adequadamente para cada área e funções que assumam. Os administradores dos hospi- tais devem estar conscientes dessa necessidade, dando, portanto, maior atenção a esses profissionais, os quais, embora não estejam prestando assistência direta ao pa- ciente, executam atividades extremamente importantes (assistência indireta) (SILVA et al., 2020). Usar equipamentos ou instrumentos esterilizados e/ou desinfetados é sugerido em todos os manuais e publicações das instituições internacionais e nacionais para a prevenção de infecções que são transmitidas em serviços de saúde. Um bom exemplo é a desinfecção de artigos respiratórios, traqueias, tubos e equipamentos de assistência ventilatória, o que é essencial para a pre- venção de pneumonia. Outro exemplo é a utilização de cálices limpos e desinfetados, o que evita a colonização da bolsa coletora e reduz as chances de uma infecção urinária (SILVA et al., 2020). A quebra de técnica no processo de esterilização ou desinfecção foi descrita como a causa de vários surtos de infecção de sítio cirúrgico ou de infecções ocorridas depois de procedimentos endoscópicos. Todas essas infecções poderiam ter sido evitadas, mas, por não te- rem sido, acarretam um alto custo para os pacientes e o sistema de saúde. Alcançar a prestação de serviços de 1 1 8 saúde com segurança e qualidade depende da aplicação de processos e procedimentos seguros e baseados em evidência científica. A aplicação desses dois fatores exige dos profissionais uma leitura crítica e atenta de artigos científicos atuais e selecionados pela excelência (SILVA et al., 2020). A Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anesté- sica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) auxilia os profissionais nesse caminho do conhecimento, melhorando a qualidade e a segurança do trabalho que se realiza na CME por meio das informações e dos artigos publicados (SILVA et al., 2020). A CME é um setor destinado à recep- ção, ao expurgo, à limpeza, à descontami- nação, ao preparo, à esterilização, à guarda e à distribuição dos materiais utilizados no estabelecimento de saúde. Ela pode estar lo- calizada dentro ou fora da edificação usuá- ria dos materiais (SOBECC, 2017). Para isso, a CME deve ter, no mínimo: ■ Sala de recepção e limpeza. ■ Sala de desinfecção química, quando aplicável. ■ Sala de preparo e esterilização. ■ Área de monitoramento do processo de esterilização. ■ Sala de armazenamento e distribuição de materiais esterilizados. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Além do mais, deve haver uma separação física da área de recepção e limpeza das demais áreas. Não só, mas, obrigatoriamente, é preciso ter uma bancada que permita a conferência dos materiais, uma caixa para o descarte de materiais perfu- ro-cortantes e recipientes para o descarte de materiais biológicos (SOBECC, 2017). A área física deve permitir o fluxo contínuo e unidirecional, de modo a evi- tar o cruzamento de artigos sujos com os limpos e esterilizados e garantir que o profissional da área contaminada não transite pelas áreas limpas e vice-versa. O acesso do pessoal deve ser restrito apenas aos profissionais que trabalham no setor (SOBECC, 2017). O profissional da CME deve utilizar vestimenta privativa, o que inclui touca e calçado fechado em todas as áreas consideradas restritas. Nas áreas de descarga de secadoras e termodesinfectadoras e carga e descarga de autoclaves, a utilização de luvas de proteção térmica impermeável é imprescindível. Na sala de recepção e lim- peza, o protetor facial pode substituir o uso de máscara e óculos (SOBECC, 2017). A CME é um setor extremamente importante no hospital, pois, a partir do processamento de materiais, contribui para o combate às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), ao reduzir ou causar a morte microbiana que está contida nos artigos contaminados (SOBECC, 2017) A atuação do profissional da enfermagem nesse setor perpassa pelos pro- cessos de limpeza, desinfecção e esterilização, os quais devem ser bem conduzi- dos, porque são essenciais à prevenção e ao controle de IRAS, destacando, desse modo, a importância da CME nos serviços de saúde (SOBECC, 2017). O enfermeiro que assume a supervisão desse setor deve estar sempre atua- lizado e ter capacidade administrativa e de liderança. Além do mais, precisa, a partir da educação permanente, atualizar a equipe sobre o processo de trabalho para o bom funcionamento do setor (SOBECC, 2017). À medida que houve a necessidade de incorporar novos materiais e novas técnicas para tratá-los, exigiu-se dos profissionais o desenvolvimento de habilidades no que diz respeito à redução de custos, sem, no entanto, compro- meter a assistência. Para tanto, houve a necessidade de estabelecer modos de trabalho que se adequassem aos avanços tecnológicos da área (SILVA et al., 2020). No futuro das CMEs, é possível demarcar a crescente demanda por novos saberes e fazeres, além de dinâmicas mais adequadas à realidade das instituições de saúde, a fim de que esses setores não se tornem obsoletos e possam atender de maneira satis- fatória à demanda de serviços e à essência do próprio trabalho (SILVA et al., 2020). 1 1 1 IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NA CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) A CME garante que os instrumentos médicos dos hospitais ou das clínicas se- jam reutilizados com segurança, assegurando um atendimento de qualidade aos pacientes (COSTA et al., 2020). Na CME, é feito o recebimento dos materiais sujos e contaminados para des- contaminação, esterilização e, posteriormente, distribuição aos setores do hospital. A distribuição é feita não apenas ao centro cirúrgico, mas também às unidades de internação, ambulatório, emergência, dentre outros (COSTA et al., 2020). A manutenção e o controle de rotina dos métodos esterilizantes devem ser de responsabilidade do enfermeiro, de acordo com a norma vigente. A atuação do enfermeiro na CME é importante para garantir que todos os processos sejam realizados dentro das normas e dos processos de descontaminação e esterilização. O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), por meio de resoluções, norma- tiza que os profissionais de enfermagem sejam os responsáveis nas CMEs e nas empresas que prestam esse tipo de serviço (COSTA et al., 2020). A atuação do enfermeiro na CME garante que todos os processos sejam rea- lizados de maneira satisfatória. Esse profissional administrará e desenvolverá atividades técnico-assistenciais, além de gerir as pessoas (COSTA et al., 2020). Além disso, cabe a ele o processo de controle de infecção. Isso, porque o manu- seio dos produtos utilizados no processo sem conhecimento científico pode trazer sérios problemas à saúde da equipe da CME e dos pacientes (COSTA et al., 2020). O desenvolvimento da CME está relacionado com a transformação do hos- pital como local de intervenções no corpo biológico, principalmente as cirurgias, a partir da emergência do capitalismo. A compreensão do enfermeiro como res- ponsável pela CME pode ser buscada no papel que a enfermagem representou nessa transformação, o que foi dado pela organização do ambiente terapêutico (COSTA et al., 2020). Considerando que o trabalho na CME é parte constitutiva de uma estrutura maior da prática desaúde atualmente dominante, porém dotada de especificida- de, este estudo pretende, sob a vertente da percepção dos enfermeiros da CME, introduzir subsídios que possam ampliar a análise da realidade do trabalho desse profissional e do papel transformador que ele assume no cuidar da saúde em geral e pela enfermagem (COSTA et al., 2020). UNIASSELVI 1 1 1 http://www.cofen.gov.br/ TEMA DE APRENDIZAGEM 7 O processo de trabalho na CME coordenado pelo enfermeiro é bastante sis- tematizado. Ele apresenta fases distintas de produção e pouca possibilidade de variação. A lógica dele se aproxima antes da produção industrial do que da pro- dução de assistência direta aos clientes. No processo de trabalho da assistência direta, ainda que ele ocorra sob um mesmo modelo tecno-assistencial, o clínico, a tecnologia leve (relacional) está sempre presente, assim como existe a variabi- lidade do objeto de trabalho (o próprio homem) e, em consequência, distintos resultados ou produtos. Já pela própria natureza do processo de trabalho no centro do material, o que justamente não se deseja ou admite é a variabilidade dos produtos ou resultados (COSTA et al., 2020). Foi sob essa concepção que a enfermagem moderna se desenvolveu, assu- mindo ações de organização do ambiente terapêutico. Nesse caso, o trabalho na CME pode ser considerado um processo de cuidar, ao garantir segurança aos procedimentos de intervenção no corpo biológico por meio de tecnologias leve-duras e duras (COSTA et al., 2020). Independentemente das vertentes do cuidado, ele é amplamente considerado pela enfermagem como campo de ação específico. Autores de outras áreas, en- tretanto, não compartilham dessa prerrogativa, o que torna implícito que outros profissionais da saúde também cuidam (COSTA et al., 2020). O cuidado passou a ser social e politicamente valorizado a partir da impor- tância que começou a ser dada ao corpo na emergência do capitalismo. As ações iniciais e eminentemente preventivas, tendo, como instrumento, o saber da epide- miologia, foram introduzidas por Nightingale no hospital e possibilitaram a trans- formação dele, assim como o surgimento da enfermagem moderna e o primeiro significado de cuidado específico sobre o ambiente e o corpo (COSTA et al., 2020). Mesmo sendo um trabalho específico e tradicional do enfermeiro, ele não se reveste de um caráter identificador do cuidado de enfermagem, porque se dá como instrumento de trabalho de profissionais que realizam diretamente a assistência. A atividade dominante e a gerência do processamento de artigos mé- dico-hospitalares confirmam e reforçam a estrutura tradicional da prática atual da enfermagem, que é caracterizada pela divisão técnica e social do trabalho e dada a partir das necessidades do modelo clínico dominante. Em consequência disso, não há condições de participar diretamente de uma nova racionalidade para o cuidado de enfermagem pelo enfermeiro (COSTA et al., 2020). 1 1 1 O enfermeiro da CME não realiza um cuidado assistencial diretamente ao paciente, mas direciona o cuidado aos materiais que serão usados no cuidado aos pacientes. Contudo, a finalidade do processo de trabalho dos enfermeiros de CME se baseia na necessidade da produção de materiais em condições seguras de uso e, por conseguinte, está diretamente ligada à qualidade da assistência prestada (COSTA et al., 2020). A atuação da enfermagem na CME se dá prioritariamente com a presença desses profissionais como responsáveis técnicos pelo serviço. Sendo assim, é fundamental que o enfermeiro desenvolva habilidades técnicas, gerenciais e hu- manísticas para lidar com tamanha complexidade (COSTA et al., 2020). Para tanto, é aconselhável que o enfermeiro tenha embasamento teórico sobre os diferentes tipos de processamento de produtos, as substâncias mais indicadas para cada tarefa e como avaliar a efetividade das ações (COSTA et al., 2020). Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS O trabalho na CME é altamente complexo e, portanto, há muitos aspectos a serem estudados. Pesquisas futuras podem: ■ Investigar a qualidade da manutenção dos registros e do desenvolvimento de protocolos e procedimentos operacionais padronizados. ■ Avaliar as etapas de processamento na CME e em instalações terceirizadas. ■ Medir os efeitos do estresse ocupacional nos trabalhadores de enferma- gem na CME. ■ Explorar como o conflito de papéis influencia a efetividade do trabalho nessa unidade ■ Interpretar o histórico da relação entre a enfermagem e o processamento de produtos utilizados em cuidados à saúde antes e depois da centralização. UNIASSELVI 1 1 1 https://www.ceen.com.br/humanizacao-na-enfermagem/ https://www.ceen.com.br/humanizacao-na-enfermagem/ https://www.ceen.com.br/enfermeiro-de-sucesso/ TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A atenção à saúde não se constitui diretamente como objeto de trabalho de- senvolvido pela gerência, mas pode ser entendida como a finalidade indireta do trabalho gerencial em saúde. Para que a atenção à saúde seja alcançada, o profis- sional que exerce a gerência faz uso de instrumentos do trabalho administrativo, tais como o planejamento, a organização, a coordenação e o controle. A qualidade da assistência à saúde demanda a existência de recursos humanos qualificados e recursos materiais compatíveis/adequados com a oferta de cuidados orientada pelas necessidades de saúde. O gerenciamento realizado pelo enfermeiro resulta da composição histórica da força de trabalho em enfermagem, a qual sempre promoveu uma divisão técnica e social. Seja pelas vantagens obtidas ao ocupar espaços de poder mais elevados nessa cadeia hierárquica, seja pela cisão provocada entre o gerencia- mento e a execução desde os primórdios da Enfermagem Moderna, o processo de trabalho gerencial foi mantido como privativo do enfermeiro, reforçando o status quo dessa categoria profissional aliado à garantia da responsabilidade legal dela sobre a equipe. 1 1 4 1. As boas práticas para o processamento de produtos para saúde estabelecem os requisitos de boas práticas para o funcionamento dos serviços que realizam o processamento de produtos para a saúde, visando à segurança do paciente e dos profissionais envolvidos. Uma CME pode estar localizada dentro como fora do ambiente hospitalar. Essa informação está correta de acordo com a Portaria: a) Portaria nº 1884/94. b) Portaria nº 1999/80. c) Portaria nº 1034/56. d) Portaria nº 3029/77. e) Portaria nº 1999/95. 2. A Central de Material e Esterilização (CME) é uma unidade destinada à limpeza, ao acondi- cionamento, à esterilização, à guarda e à distribuição dos produtos para as demais unidades de assistência à saúde. É local de desenvolvimento das técnicas de tratamento dos artigos. Considerando os componentes presentes na CME, analise as afirmativas a seguir: I - Autoclave. II - Expurgo. III - Esterilização. IV - Farmácia. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 5 3. A Central de Materiais e Esterilização (CME) é uma unidade especializada e composta por vários setores onde são realizados procedimentos específicos e interdependentes que são de fundamental importância para a segurança do paciente. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - É desejável que a qualificação do responsável técnico da CME seja o enfermeiro especia- lista em Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização. PORQUE II - De acordo com as leis de diretrizes e bases, o programa pedagógico do currículo míni- mo da graduação e da pós-graduação contempla o processamento de produtos para saúde (recebimento, limpeza, desinfecção, inspeção, preparo, embalagem, esterilização, armazenamento e distribuição). Essas etapas devem ser supervisionadaspor profissionais competentes e qualificados. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS COSTA, R. da et al. Papel dos trabalhadores de enfermagem no centro de material e esteriliza- ção: revisão integrativa. Escola Anna Nery, v. 24, n. 3, 2020. SILVA, A. R. S. da et al. Manual de Normas e Rotinas da CME. [S. l.]: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH); Universidade Federal do Vale do São Francisco; Hospital Universitário do Vale do São Francisco, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-u- niversitarios/regiao-nordeste/hu-univasf/acesso-a-informacao/normas/protocolos-institu- cionais/ManualdeNormaseRotinasdaCME.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 1 1 1 1. Opção A. 2. Opção D. 3. Opção A. GABARITO 1 1 8 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 9 MINHAS METAS CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO: CONCEITOS E EQUIPE QUE COMPÕE A UNIDADE Estudar a equipe de enfermagem dentro da Central de Materiais e Esterilização (CME). Analisar o fluxo dos materiais dentro da CME. Conhecer o processo de limpeza. Compreender o processo de desinfecção. Aprender o processo de preparo dos materiais. Explorar o processo de esterilização. Entender a validação dos processos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 1 INICIE SUA JORNADA Neste tema, exploraremos a centralidade da Central de Materiais e Esterilização (CME) no cenário hospitalar, entendendo o papel vital desempenhado pela equi- pe de enfermagem nesse ambiente de assistência indireta ao paciente. A atuação dedicada nesse cuidado indireto não apenas previne Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), mas também desempenha um papel crucial na oti- mização de custos hospitalares. A CME emerge como o verdadeiro coração da instituição de saúde, uma vez que todas as demais unidades dependem dos materiais cuidadosamente prepa- rados nesse setor. Ao entendermos a relevância desse centro, evidenciamos não apenas a função logística dele, mas também a importante contribuição dele para a segurança e a eficácia do atendimento hospitalar. Aprofundaremos ainda mais esse universo, explorando os processos, os desafios e os avanços dessa unidade essencial para a excelência na prestação de cuidados de saúde. Você já se questionou sobre o intrínseco processo de esterilização e os objetivos dele no contexto cirúrgico? Você está convidado a mergulhar conosco nesse tema mediante o nosso podcast sobre esterilização. Descubra como esse processo es- sencial funciona e qual é o papel fundamental dele no ambiente cirúrgico. Esta- mos ansiosos para compartilhar esse conhecimento contigo! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Que tal explorar os métodos de esterilização de forma simples e prática? Não perca tempo e assista ao vídeo Métodos de Esterilização. Amplie os seus conhecimentos sobre esse tema essencial na área da saúde. Acesse agora e aproveite! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL EQUIPE DE ENFERMAGEM NA CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) A CME é o ambiente institucional em que ocorre o processamento necessário e altamente especializado de produtos para a saúde. Algumas funções dessa central incluem adquirir, receber, limpar, descontaminar, embalar, esterilizar e fornecer produtos reutilizáveis, processados e seguros nos procedimentos clínicos exe- cutados em unidades consumidoras, como enfermarias, centros de terapia in- tensiva, ambulatórios e centros cirúrgicos. Esses procedimentos exigem equipes qualificadas e bem treinadas e equipamentos especializados (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). No Brasil, a legislação relativa à CME é vasta e complexa, ao abarcar diferen- tes níveis de governança e áreas de especialização. Além das regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que fornecem diretrizes abrangentes sobre os procedimentos de esterilização e processamento de ma- teriais, as CMEs também precisam observar as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, as quais estabelecem os padrões para a saúde e a segurança no trabalho (BRASIL, c2024; SOBECC, 2017). De acordo com a RDC nº 15/2012, a equipe da CME deve ser composta por profissionais qualificados e capacitados, tais como enfermeiros, técnicos e auxi- liares de enfermagem. A RDC não especifica um número exato de profissionais para a equipe da CME, mas enfatiza a necessidade de garantir que haja recursos humanos suficientes para atender adequadamente à demanda dos serviços pres- tados (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Além disso, é importante que haja um enfermeiro responsável pela supervisão e coordenação das atividades da CME, garantindo a qualidade e a segurança dos processos e serviços. A RDC nº 15 estabelece que o enfermeiro responsável pela CME deve ter formação em enfermagem e experiência ou capacitação específica na área de processamento de produtos para saúde (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Apesar da fundamental importância do trabalho desenvolvido, há uma des- valorização desse setor pelos profissionais do hospital. Dentre os motivos, des- tacam se (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017): 1 1 1 ■ Historicamente, é um setor que recebia trabalhadores com algum pro- blema de saúde, problemas de comportamento, dificuldade de relacio- namento ou aqueles que não tinham domínio sobre os cuidados diretos aos pacientes. ■ É um setor fechado e isolado dos outros setores do hospital. ■ As atividades desenvolvidas se assemelham com o trabalho doméstico. Para além do conhecimento do processo de trabalho na CME, de forma a ga- rantir o adequado processamento dos materiais, é fundamental um programa de educação permanente em saúde que alcance todos os profissionais, de modo a contribuir para a atualização e para aprimorar as práticas de trabalho. Ao en- fermeiro da CME, figuram competências no que diz respeito à modernização do processo de trabalho, atualização e valorização da equipe. Ao pensar nos elementos do processo de trabalho na enfermagem, percebe-se que ela é uma profissão inserida e fundamental para o funcionamento da CME. O enfermeiro que assume a supervisão desse setor deve estar sempre atualizado e precisa ter capacidade administrativa e de liderança. Além disso, a partir da educação permanente, deve atualizar a equipe sobre o processo de trabalho para o bom funcionamento do setor (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). A atuação do profissional da enfermagem nesse setor perpassa pelos pro- cessos de limpeza, desinfecção e esterilização, que devem ser bem conduzidos, pois são essenciais à prevenção e controle de IRAS, destacando, desse modo, a importância da CME nos serviços de saúde (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Os trabalhadores de enfermagem de várias unidades hospitalares costuma- vam esterilizar os produtos utilizados nos cuidados à saúde antes de se tornar um serviço centralizado. À medida que os conhecimentos sobre limpeza, desinfecção e esterilização avançaram, o processamento de produtos para a saúde se tornou mais complexo, caro e demorado. Em muitos países, os serviços de esterilização centralizados, a escassez desses trabalhadores e os custos crescentes de mão de obra os levam a abandonar essas atividades, gerando a necessidade do cargo de técnico de CME. No entanto, em países subdesenvolvidos, esses profissionais continuam a processar os produtos em prolda saúde e a gerenciar os CME (SIL- VA et al., 2020; SOBECC, 2017). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 O trabalho na CME é altamente complexo e, por- tanto, há muitos aspectos a serem estudados. As pesqui- sas futuras podem (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017): ■ Investigar a qualidade da manutenção de regis- tros e o desenvolvimento de protocolos e proce- dimentos operacionais-padrão. ■ Avaliar as etapas de processamento na CME e em instalações terceirizadas. ■ Medir os efeitos do estresse ocupacional nos tra- balhadores de enfermagem na CME. ■ Explorar como o conflito de papéis influencia a efetividade do trabalho nessa unidade. ■ Interpretar o histórico da relação entre a en- fermagem e o processamento de produtos uti- lizados em cuidados à saúde antes e depois da centralização. A educação permanente é imprescindível para promo- ver atualizações acerca das novas tecnologias, pois o se- tor é caracterizado como crítico e de alta complexidade. Assim, a presença de profissionais incapacitados pode resultar em risco para a segurança do paciente e a quali- dade da assistência (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). A atuação da enfermagem na CME é de suma im- portância aos ambientes clínicos. Isso, porque, além de oferecer tratamento adequado para cada artigo que che- ga ao setor, contribui diretamente para a segurança do paciente (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Portanto, é essencial conhecer os tratamentos para cada material envolvido, coordenar os integrantes desse departamento, avaliar a qualidade das atividades exe- cutadas e prever alterações que possam comprometer o serviço (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). 1 1 4 O enfermeiro também deve se atualizar constantemente sobre as novas formas de contaminação microbiológica provenientes de fluidos corporais e agentes químicos que possam adentrar no ambiente hospitalar (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). A atuação da enfermagem na CME se dá prioritariamente com a presença desses profissionais como responsáveis técnicos pelo serviço. Sendo assim, é fun- damental que o enfermeiro desenvolva habilidades técnicas, gerenciais e humanís- ticas para lidar com tamanha complexidade (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Para tanto, é aconselhável que o enfermeiro tenha embasamento teórico sobre os diferentes tipos de processamento de produtos, as substâncias mais indicadas para cada tarefa e a avaliação da efetividade das ações (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). A rotina de uma CME é bastante complexa e exige a atuação frequente do enfermeiro em todas as etapas. Nesse contexto, ele trabalha com indicadores bioló- gicos que identificam contaminações nos processos (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Outro ponto fundamental é a qualificação das rotinas, principalmente aquelas que envolvem a solicitação, a entrega e a conferência dos itens. Trata-se de algo que depende de outros profissionais (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). O enfermeiro deve levantar as causas da ineficiência, apontar sugestões de melhorias e entrar em acordo com os supervisores de outros setores. Juntos, eles precisam traçar a opção mais racional (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). Portanto, é visível que a atuação da enfermagem na CME é complexa e de- manda profissionais cada vez mais preparados para lidar com essas atividades. É essencial que o enfermeiro tenha embasamento teórico, saiba trabalhar em equipe e busque sempre por melhorias nos serviços (SILVA et al., 2020; SOBECC, 2017). LIMPEZA A limpeza diz respeito ao processo de remoção de sujidades realizado pela apli- cação de energia mecânica (fricção), química (soluções detergentes, desincrus- tantes ou enzimáticas) ou térmica. A utilização associada de todas essas formas de energia aumenta a eficiência da limpeza. A matéria orgânica presente (óleo, gordura, sangue, pus e outras secreções) envolve os microrganismos, protegen- do-os da ação do agente esterilizante. UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Por essa razão, a limpeza constitui o núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene com os artigos e as áreas hospitalares, além de ser o primeiro passo nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. A limpeza dos artigos deve ser feita de maneira escrupulosa e meticulosa, procurando-se escolher, para cada tipo de material, a melhor maneira de executar essa tarefa (RAMOS et al., 2000). Quanto aos produtos de limpeza, temos: DETERGENTES: são produtos que contêm tensoativos na formulação, com a finalidade de limpar mediante a redução da tensão superficial, umectação, dispersão, suspensão e emulsi- ficação da sujeira (RAMOS et al., 2000). DETERGENTE ENZIMÁTICO: produto à base de enzimas e surfactantes, não-iônico, com pH neutro, destinado a dissolver e a digerir sangue, restos mucosos, fezes, vômito e outros restos orgânicos de instrumental cirúrgico, endoscópios e artigos em geral. As enzimas que promovem a quebra da matéria orgânica são basicamente de três tipos: • Proteases: decompõem as proteínas. • Amilases: decompõem os carbohidratos. • Lipases: decompõem as gorduras. 1 1 1 Depois do processo de limpeza, faz-se necessário avaliar as condições de limpe- za do artigo antes que ele seja encaminhado para a área de preparo. A inspeção deve ser rigorosa e pode ser auxiliada por meio de lentes de aumento ou outros recursos similares (SILVA et al., 2020). DESINFECÇÃO É o processo físico (radiação ultravioleta, pasteurização) ou químico (solução germicida) que elimina muitos ou todos os microrganismos na forma vegeta- tiva em objetos inanimados, com exceção de esporos bacterianos (RAMOS et al., 2000; COSTA et al., 2020). ALTO NÍVEL: ocorre quando a ação dos desinfetantes é eficaz sobre todas as bactérias nas formas vegetativas, micobactérias, fungos, vírus e alguns dos esporos bacterianos (RAMOS et al., 2000; SOBECC, 2017). NÍVEL INTERMEDIÁRIO: ocorre quando a ação dos desinfetantes é eficaz contra micobactérias, bactérias na forma vegetativa e maioria dos fungos e vírus, mas não é eficaz contra os esporos bacterianos (RAMOS et al., 2000). BAIXO NÍVEL: ocorre quando a ação dos desinfetantes é eficaz contra a maioria dos fungos, alguns vírus, mas não é eficaz contra microrganismos resistentes, como a micobactéria ou esporos bacterianos (RAMOS et al., 2000). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 ESTERILIZAÇÃO A esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, fungos, vírus, bactérias nas formas vegetativa e esporulada. Ela pode ser realizada por meios físicos, químicos e físico-químicos (RAMOS et al., 2000; COSTA et al., 2020). Dentre os processos físicos, encontram-se a esterilização por vapor saturado sob pressão e por calor seco-estufa de Pasteur (BRASIL, c2024). O processo de esterilização pelo vapor saturado sob pressão é realizado em autoclaves, ten- do, como princípio, a destruição dos microrganismos pela ação combinada de tempo, temperatura, pressão e umidade, promovendo a termo a coagulação e a desnaturação das proteínas da estrutura genética celular. Os tipos de autoclave são gravitacionais e pré-vácuo (RAMOS et al., 2000). A esterilização por calor seco é feita por meio de uma estufa que pode ser de convecção por gravidade ou de convecção mecânica. A estufa é um equipamento elétrico que propaga calor seco, tem baixo poder de penetração e realiza a este- rilização de forma irregular e lenta. A destruição dos microrganismos se dá por meio da oxidação e da dessecação celular (RAMOS et al., 2000). Dentre os equipamentos de esterilização, temos: • AUTOCLAVES A VAPOR: são câmaras de aço inox equipadas com uma ou duas portas dotadas de válvula de segurança, manômetros de pressão e indicador de temperatura, geralmente, locali- zado na linha de drenagem da câmara. Para que haja esterilização, é necessário que o vapor entre em contato com todos os artigos colocados na câmara e isso só ocorre quando o ar é removido adequadamente. As autoclaves podem ser divididasem dois tipos básicos: autoclave gravitacional (evacuação do ar por gravidade) e autoclave pré-vacuo (evacuação mecânica do ar). • AUTOCLAVE GRAVITACIONAL (EVACUAÇÃO DO AR POR GRAVIDADE): o ar frio, mais denso, tende a sair por um ralo colocado na parte inferior da câmara, quando o vapor é admitido. Esse processo é relativamente lento e permite a perma- nência de ar residual. A fase de secagem é limitada, pois não possui capacidade para a completa remoção do vapor, podendo apresentar umidade no material ao final do processo. Em geral, processos em autoclaves gravitacionais são adequados para a esterilização de materiais desempacotados (RAMOS et al., 2000). 1 1 8 AUTOCLAVE PRÉ-VÁCUO (EVACUAÇÃO MECÂNICA DO AR): nesse sistema, o ar é removido previamente para aformação de vácuo. Quando o vapor é admitido, ele penetra instantaneamente nos pacotes, com pouca chance de perma- nência de ar residual. Devido a esse mecanismo, o processo é mais rápido e eficiente. A bomba de sucção forma o vácuo num único pulso (alto vácuo) ou a partir de seguidas injeções e retiradas rápidas de vapor em temperatura ligeiramente inferior à do proces- so (pulsos de pressurização). O sistema mais eficiente é o de pulsos de pressurização, pois existe grande dificuldade em obter vácuo num único pulso (RAMOS et al., 2000). ESTERILIZAÇÃO POR CALOR SECO/ESTUFA: baseia-se na utilização do calor gerado por uma fonte. Requer o uso de altas tempera- turas e um longo tempo de exposição, pois, como o ar quente se propaga lentamente no material, a esterilização exige um aquecimento prolongado. A distribuição dele dentro da câmara não ocorre de maneira uniforme, sendo recomendado que não se utilize o centro da estufa, visto que ele concentra os chamados pontos frios. A carga deve ser o mais uniforme possível e as caixas devem conter uma quantidade limitada de instrumentais. O calor seco, por não ser tão penetrante quanto o vapor, deve ser uti- lizado somente quando não for possível usar a autoclavação, como nos casos de óleos e pós (RAMOS et al., 2000). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 VALIDAÇÃO DOS PROCESSOS DENTRO DA CME O controle do processo de esterilização se dá por intermédio de indicadores físicos, químicos e microbiológicos, os quais podem estar interligados a um sis- tema automatizado de gestão (RAMOS et al., 2000). Indicadores externos/ fita indicadora rolo/fita teste: são fitas autoadesi- vas utilizadas unicamente para diferenciar os pacotes processados dos não pro- cessados. Por serem um indicador visual, facilitam a detecção de problemas nos equipamentos e falhas do servidor responsável pela esterilização. A fita indicado- ra possui listras claras que se tornam escuras (marrom/grafite) após a passagem pelo calor, não deixa resíduo após autoclavagem e deve estar presente em todos os pacotes de materiais estéreis distribuídos pelo hospital (RAMOS et al., 2000). Teste de Bowie & Dick/Indicador de ar residual: é usado para determi- nar a eficácia do sistema de vácuo na autoclave de pré-vácuo. Foi desenvolvido para detectar bolhas de ar e avaliar a habilidade do equipamento em reduzir o ar residual da câmara a um nível suficiente para prevenir a compactação da carga quando o vapor é introduzido após a eliminação do ar. O teste deve ser feito dia- riamente no primeiro ciclo do dia, após o ciclo de aquecimento (antes da primeira carga processada), seguindo as orientações do fabricante da autoclave sobre o tempo, a temperatura e o uso correto do indicador. A folha indicadora deverá ser colocada no interior de um pacote a ser esterilizado sobre o dreno (purgador), com a câmara vazia. Esse pacote pode ser preparado utilizando campos lavados e dobrados, empilhados até a altura de 25 a 28 cm. Esse indicador mudará para a cor preta após completado o ciclo, evidenciando a ausência de bolhas de ar. A presença de áreas mais claras indica ar residual na câmara (RAMOS et al., 2000). Tira de indicador químico para vapor (Comply): é uma tira composta por substâncias químicas que reagem às condições do processo. Oferece resposta mediante uma nítida mudança de coloração: ( - ) grafite e ( + ) cinza claro/outros. Monitora a pressão do vapor saturado no interior do pacote e caixas, assegurando a exposição dos artigos às condições mínimas de tempo e temperatura. Usado em cada pacote, aponta problemas locais causados por falhas humanas ou avarias mecânicas na autoclave (RAMOS et al., 2000). Integrador químico para ciclo de vapor (Sterigage): é um dispositivo que indica se os materiais dentro do pacote foram expostos às três variáveis críticas: temperatura, tempo e presença de vapor saturado, condições necessárias para a 1 4 1 esterilização. Pode ser utilizado em todos os processos de esterilização a vapor. Aconselha-se colocar, no mínimo, um integrador por ciclo de esterilização e no interior de caixas e pacotes grandes. A leitura é fornecida de maneira precisa e é de fácil interpretação pela mudança de coloração (RAMOS et al., 2000). Indicador Biológico (Attest): é um sistema que contém a suspensão de es- poros dos tipos Bacillus stearothermophilus (autoclave) e Bacillus subtilis (estufa ou peróxido de hidrogênio). Representa uma preparação padronizada de esporos bacterianos, de modo a produzir suspensões contendo em torno de 106 esporos por unidade de papel filtro. É o único meio capaz de assegurar que todas as condições de esterilização estão adequadas, porque os microrganismos são testados quanto ao crescimento, ou não, após a aplicação do processo (RAMOS et al., 2000). Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO NOVOS DESAFIOS O processo de trabalho dos enfermeiros é teórico-prático, interdependente e complementar ao trabalho da saúde, caracterizado por um conjunto de elemen- tos (objeto, instrumentos e finalidade) adaptados às especificidades da profissão. Por isso, apresenta-se de modo próprio e peculiar. Os elementos se articulam à medida que as ações desenvolvidas atuam sobre um objeto por meio de instrumentos que trarão resultados a uma finalidade, o que de- pende de pessoas e das relações que elas estabelecem entre si e o ambiente de trabalho. Durante o processo de trabalho, os enfermeiros têm a possibilidade de atuar em diferentes dimensões práticas que envolvem “cuidar”, “educar”, “gerenciar” e “pesquisar”. Essas dimensões permitem-lhe atuar em organizações de saúde, ensino e pesquisa, as quais são compostas por vários setores, dentre os quais está a CME. UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Na CME, os elementos do processo de trabalho do enfermeiro são diferentes, pois eles se articulam para atender às especificidades do trabalho desenvolvido. O setor se caracteriza como uma área de atuação peculiar do enfermeiro que, no próprio cotidiano, utiliza uma gama de conhecimentos empíricos, científicos e tecnológicos para a coordenação do trabalho desenvolvido. A partir do exposto, destaca-se a importância de conhecer a prática do enfer- meiro na CME durante o processo de trabalho e os elementos que o compõem, a fim de compreender o que, para quem, como e por que as ações são realizadas. A abordagem do tema é fundamental devido à complexidade e à peculiaridade do trabalho do profissional no setor. A respeito das funções na CME, o enfermeiro revela competências exigidas que circundam a administração do setor, o desenvolvimento de atividades técni- co-assistenciais e a administração de recursos humanos. Para tanto, o profissional necessita somar, à estrutura física da CME, um conjunto de saberes estruturados que venham lhe conferir competência e responsabilidade pelo setor. Nesse en- tendimento, a competência é utilizada para empregar diferentes tecnologias de enfermagem sobre os próprios objetos de trabalho, com o intuito de transfor- má-los e, assim, alcançar as finalidades propostas para o processo de trabalho. A CME é essencial para o funcionamentode diversas áreas no hospital e funciona 24 horas todos os dias. Segundo a Resolução RDC nº 307, de 14 de no- vembro de 2002, ela é considerada uma unidade de apoio técnico, que assegura boas condições dos artigos para os atendimentos dos pacientes. É nessa unidade que acontece desde a inspeção dos materiais (instrumental, roupas cirúrgicas e outros) até a liberação deles. Manter uma CME no hospital significa ter um local específico para o pre- paro de materiais para a esterilização e a higienização dos equipamentos e dos suprimentos médicos. Trata-se de uma assistência indireta essencial, para que os pacientes estejam seguros e recebam um atendimento adequado. Com a CME, é possível que o equipamento de saúde tenha as devidas condi- ções para oferecer atendimento e assistência à saúde dos pacientes infectados por vírus e bactérias, além dos sadios. Sem esse cuidado, muitas pessoas, incluindo os próprios profissionais de saúde, poderiam se infectar. Assim, os profissionais de saúde que atuam na CME são tão importantes à biossegurança e ao cuidado com os pacientes quanto a equipe médica e de en- fermagem que atendem às pessoas diretamente. 1 4 1 1. A validação da esterilização depende de um conjunto de etapas denominadas “qualifica- ção”, com a certificação da adequabilidade dos parâmetros avaliados. A finalidade é garantir a inexistência de probabilidade de sobrevivência dos microrganismos. Considerando os processos encontrados na esterilização, assinale a alternativa correta: a) Físico. b) Geográfico. c) Térmico. d) Criogênico. e) Físico-químico. 2. A esterilização por vapor saturado sob pressão é o processo que oferece maior segurança ao meio hospitalar. Ele é o método preferencial para o processamento de um material termo-Resistente, ao destruir todas as formas de vida em temperaturas entre 121°C e 132°C. Considere as afirmativas que determinam a forma como age o agente químico: I - Por contato. II - Por indução. III - Por condução. IV - Por alquimia. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 4 1 3. O processamento de materiais na Central de Materiais e Esterilização (CME) é um processo meticuloso e complexo que envolve várias etapas críticas. O objetivo principal é garantir que todos os instrumentos e equipamentos sejam adequadamente limpos, desinfetados ou esterilizados para evitar a propagação de infecções. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Todo material, ao chegar na área de preparo e acondicionamento, deve ser inspecionado quanto à funcionalidade, limpeza e integridade. PORQUE II - Em seguida, os artigos são acondicionados em diferentes tipos de caixas e embalagens, de acordo com a padronização e métodos de esterilização existentes na instituição. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 4 4 REFERÊNCIAS COSTA, R. da et al. Papel dos trabalhadores de enfermagem no centro de material e esteriliza- ção: revisão integrativa. Escola Anna Nery, v. 24, n. 3, 2020. RAMOS, E. M. do N. M. et al. Central de Material e Esterilização – Manual Técnico. Brasília: Se- cretaria de Saúde (SES); Fundação Hospitalar do Distrito Federal (FHDF); Núcleo Normativo de Enfermagem (NNE); Departamento de Recursos Médico-Assistenciais (DRMA), 2000. Disponível em: https://portalidea.com.br/cursos/6867127331217061d06a4a67d8247a1d.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. SILVA, A. R. S. da et al. Manual de Normas e Rotinas da CME. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-uni- versitarios/regiao-nordeste/hu-univasf/acesso-a-informacao/normas/protocolos-institucio- nais/ManualdeNormaseRotinasdaCME.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 1 4 5 1. Opção E. 2. Opção A. 3. Opção A. GABARITO 1 4 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 4 1 MINHAS METAS VALIDAÇÃO DOS PROCESSOS NA CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) Compreender a legislação RDC nº 15/2012 Conhecer os testes que temos na Central de Materiais e Esterilização (CME). Entender o teste de Bowie Dick. Compreender o período de incubação de cada indicador. Entender o processo de leitura dos indicadores biológicos. Estudar os indicadores químicos. Raciocinar sobre a importância da fiscalização do enfermeiro nos processos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 4 8 INICIE SUA JORNADA O monitoramento da eficácia dos processos de esterilização na Central de Ma- teriais e Esterilização (CME), é fundamental para garantir a qualidade e a segu- rança dos materiais médico-cirúrgicos utilizados no atendimento aos pacientes. O monitoramento envolve o uso de indicadores físicos, químicos e biológicos para avaliar a eficácia dos processos de esterilização e identificar possíveis falhas. Você já se perguntou se, na CME, temos uma legislação que nos norteia? Você está convidado a conferir este podcast: o tema é a RDC nº 15./2012 Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? O indicador biológico é um teste de extrema importância a ser feito na CME. No vídeo a seguir, aprenderemos a realizar esse teste na prática. DESENVOLVA SEU POTENCIAL RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA (RDC) Nº 15 /2012 A CME possui um longo histórico que acompanha os profissionais de saúde e os procedimentos cirúrgicos. A função dela é zelar pelas melhores condições, para que os cirurgiões possam realizar procedimentos invasivos com o máximo de cuidado contra as infecções pós-cirúrgicas. A CME é um setor essencial para a unidade hospitalar, visto que prima pela segurança e maior qualidade, tendo, UNIASSELVI 1 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 como profissionais que atuam nesse ambiente, os enfermeiros e os técnicos em enfermagem, que são fundamentais para a complexidade que o setor possui. Eles atuam diante das tecnologias para manusear os equipamentos que se destinam a manter os equipamentos cirúrgicos com um padrão de esterilização que não possa proporcionar chances de contaminação ( SOBECC, 2017). A CME do tipo semicentralizada teve início na década de 1950. Nela, cada unidade tem a função de preparar os próprios materiais e os encaminha para que possam ser esterilizados em local único, que pode ser na própria unidade hospitalar ou em outro local. Vale destacar que a CME é o setor responsável pela biossegurança no âmbito hospitalar, tendo, como um dos termos principais, a contenção, que é utilizada para descrever os métodos de segurança utilizados na manipulação de materiais infecciosos no meio laboratorial onde estão sendo manuseados e/ou mantidos. O objetivo da contenção é eliminar ou reduzir a exposição da equipe de saúde aos riscos que o meio ambiente laboral proporcio- na, em geral, os agentes potencialmente perigosos, os quais podem influenciar a qualidade das cirurgias, por exemplo (SOBECC, 2017). Na CME, temos várias normas e rotinas a serem seguidas. A que merece destaque é a Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012, que dispõe a respeito dos requisitos relacionados às boas práticas para o devido processamento dos produtos disponíveis à saúde. A resolução cita, no Art. 3º, que ela se aplica a todas as CMEs que dispõem de seus serviços, seja na saúde pública ou privada, seja em instituições de cunho civil ou militar, seja em organizações voltadas para o processamento de todos os produtos que são necessários para a saúde (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017).A RDC nº 15 /2012 visa estabelecer os requisitos mínimos para as boas práti- cas dos processamentos dos produtos destinados à saúde nesse ambiente. Assim, faz exigências para a CME, tendo, como objetivo, a segurança dos pacientes e de todos os profissionais e colaboradores envolvidos nesse setor de grande impor- tância para a área da saúde (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). Assim, a RDC nº 15/2012 é uma norma regulamentadora que tem como principal função estabelecer e regulamentar os requisitos de boas práticas ao funcionamento dos serviços que realizam o processamento de produtos na área de saúde. A finalidade é a segurança do paciente e de todos os profissionais en- volvidos (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). 1 5 1 A RDC nº 15, de 2012, divide a CME em duas classes: ■ Classe I: realizará o processamento de produtos para a saúde não críti- cos, semicríticos e críticos de conformação não complexa, passíveis de processamento (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). ■ Classe II: realizará o processamento de produtos para a saúde não críti- cos, semicríticos e críticos de conformação complexa e não complexa, passíveis de processamento (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). Importante ressaltar que é possível a terceirização do processamento dos pro- dutos para saúde, desde que formalizado mediante contrato de prestação de serviço. No caso dos materiais complexos, a limpeza automatizada (em equi- pamento de eficiência comprovada) deve ser precedida de limpeza manual (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). Essa regulamentação se aplica às CMEs dos serviços de saúde públicos, pri- vados, civis e militares, além das empresas envolvidas no processamento de pro- dutos para a saúde (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). De acordo com a RDC nº 15 /2012, o processamento de materiais deve ser dividido por fases: limpeza, desinfecção e/ou esterilização. O objetivo é evi- tar a contaminação cruzada entre os materiais sujos e os já descontaminados (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Uma das principais áreas de foco da RDC nº 15 /2012 é a criação de um Plano de Manutenção objetivando a realização de manutenções preventivas e corretivas de acordo com a criticidade dos equipamentos. Além disso, a resolução define a necessidade de registro das manutenções realizadas e a rastreabilidade das peças utilizadas (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). A equipe que atua na CME deve ter treinamento da equipe responsável pela manutenção dos equipamentos, garantindo que eles tenham o conhecimento e as habilidades necessárias para executar e realizar as tarefas de maneira adequa- da e segura. A RDC nº 15 /2012 também estabelece critérios para a qualificação técnica dos fornecedores de serviços de manutenção e a importância de avaliar as competências dos técnicos envolvidos. Em resumo, a RDC nº 15 é um marco regulatório que molda os padrões de manutenção dos equipamentos hospitalares no Brasil (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). A RDC nº 15 garante que a manutenção seja realizada de acordo com nor- mas rigorosas, garantindo a qualidade e a segurança dos dispositivos médicos e contribuindo para a excelência dos cuidados de saúde. Ao compreenderem e aderirem a essa regulamentação, as instituições de saúde reforçam o compro- misso delas com a conformidade e a qualidade (BRASIL,2012; SOBECC, 2017). O descumprimento da RDC nº 15 /2012 é classificado como infração sani- tária, com penalidades nos âmbitos civil, administrativo e penal (BRASIL,2012 SOBECC, 2017). Esse delito significa infringir uma determinação do poder pú- blico que objetiva impedir a introdução ou a propagação de doença contagiosa. As infrações sanitárias podem ser classificadas em leves, graves e gravíssimas. Já as multas podem variar entre 2 mil reais para as infrações leves e 1 milhão e qui- nhentos para as infrações gravíssimas. Além do mais, nos casos de reincidência, as multas são aplicadas em dobro (BRASIL, 2012; SOBECC, 2017). Dentre as infrações, temos (SOBECC, 2017): ■ Leves: a instituição infratora é beneficiada por uma circunstância ate- nuante. ■ Graves: são verificadas quaisquer circunstâncias agravantes. ■ Gravíssimas: é averiguada a existência de duas ou mais circunstâncias agravantes. 1 5 1 INDICADORES BIOLÓGICOS Os indicadores biológicos têm a função de monitorar e verificar a eficácia dos processos de esterilização e desinfecção em ambientes onde a eliminação de microrganismos pa- togênicos é essencial para o cuidado a ser realizado (SOBECC, 2017). Eles são utilizados em várias áreas, como hospitais, clínicas odontológicas, indústrias farmacêuticas, laboratórios e outras instala- ções que requerem altos padrões de higiene e segurança (SOBECC, 2017). Nesses indicadores, encontramos mi- crorganismos específicos, como esporos bacterianos, que são considerados os mais resistentes aos processos de esterilização (SOBECC, 2017). Esses microrganismos são dispostos em locais estratégicos, podendo ser dentro de embalagens ou em dispositivos, com o objeti- vo de simular a presença de possíveis agentes contaminantes. Após a exposição aos agentes esterilizantes, os indicadores biológicos são analisados para determinar se os microrga- nismos foram efetivamente eliminados, ou não, comprovando a eficácia do processo de esterilização (SOBECC, 2017). UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 A principal função dos indicadores biológicos é fornecer uma avaliação direta e confiável sobre a eficácia do processo de esterilização ou desinfecção. Os resul- tados obtidos nos levam a garantir que os instrumentos médicos, os equipamen- tos ou os materiais utilizados não apresentam risco de infecção para pacientes, clientes ou usuários (SOBECC, 2017). O indicador biológico possui uma preparação padronizada de esporos bac- terianos projetada para produzir suspensões contendo dez esporos por unidade de papel-filtro. Para as autoclaves, utiliza-se, como bioindicadores, esporos de bacilos termófilos Bacillus stearothermophilus em um meio de cultura e com indicador de pH. O processo permite assegurar que o conjunto de todos os parâmetros críticos de esterilização encontram-se adequados, porque, após a aplicação do processo, os microrganismos são diretamente testados quanto ao crescimento, ou não (SOBECC, 2017). Devemos usar uma incubadora para colocar o indicador biológico. Ela é importante para garantir a validade e a precisão dos resultados obtidos após a esterilização ou a desinfecção de equipamentos, instrumentos ou materiais médicos (SOBECC, 2017). A incubadora fornece um ambiente controlado e favorável para o desenvolvi- mento e o crescimento dos microrganismos contidos nos indicadores biológicos, facilitando a avaliação correta da eficácia do processo de esterilização. Existem várias razões importantes para usar uma incubadora como indicador biológico. Dentre elas, podemos destacar: INCUBAÇÃO CONTROLADA: há uma atmosfera controlada, garantindo que as condições de temperatura, umidade e tempo de incubação sejam mantidas consistentes e adequadas para o crescimento dos microrganismos (SOBECC, 2017). TEMPO DE INCUBAÇÃO ADEQUADO: cada indicador biológico terá um tempo específico de incubação necessário para que os microrganismos possam se desenvolver e indicar se foram eliminados pelo processo de esterilização. A incubadora garante que esse tempo seja respeitado (SOBECC, 2017). 1 5 4 BOWIE & DICK A autoclave necessita passar por testes que mostram a eficiência e a eficácia delas no processo de esterilização. Os testes precisam ser realizados diariamente e há alguns pré-requisitos: ■ Retirar o maior volume possível de ar da câmara interna da autoclave e de dentro das cargas. ■ Esterilizar e combinar tempo, temperatura e pressão durante um determina- do tempo de acordo com as orientações da Norma Internacional e Nacional (NBR), realizando uma boa penetração do agente esterilizante na carga. Efetuados os testes, se o resultado for satisfatório, o equipamento estará pronto para o uso pretendido.2018). Atualmente, os hospitais estão trabalhando com técnicos de enfermagem em áreas em que há pacientes em condições críticas, assim como é o caso do CC. De acordo com o Decreto nº 94.406/1987, que regulamenta o exercício profis- sional, as atividades desenvolvidas pelos técnicos de enfermagem são consideradas de menor com- plexidade (BRASIL, 1987). O técnico/auxiliar de enfermagem trabalha em colaboração com o enfermeiro assistencial e as atividades dele no CC propriamente dito, geralmen- te, são as que ele desempenha como circulante de SO. A SOBECC recomenda que as atividades específicas e que envolvam procedimentos anestésico-cirúrgi- cos complexos sejam feitas preferencialmente pelo enfermeiro assistencial ou, na falta dele, pelo técnico de enfermagem, com conhecimentos técnico-cientí- ficos especializados para tais (SOBECC, 2017). O técnico de enfermagem tem a função de cir- culante de sala operatória. Dessa forma, é o respon- sável por verificar as condições de funcionamento dos aparelhos e solicitar a manutenção desses apa- relhos quando necessário. Além disso, deve realizar a checagem dos equipamentos que serão utilizados no procedimento cirúrgico antes do início, identi- ficar e encaminhar peças cirúrgicas, provisionar os recursos necessários ao paciente e às especificida- des de cada intervenção cirúrgica a ser realizada, UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 proceder a montagem e a desmontagem da sala operatória e auxiliar na para- mentação da equipe cirúrgica e do anestesiologista na indução e reversão do procedimento anestésico. Não só, mas também precisa fazer o registro de todas as informações referentes ao transoperatório no prontuário do paciente, reali- zar o controle de gastos dos materiais utilizados, encaminhar o paciente para a sala de recuperação anestésica, auxiliar o enfermeiro sempre que necessário e comunicar a ele situações imprevistas, solicitando a presença em casos de emergência (SAMPAIO, 2018). A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO QUE ATUA NO CENTRO CIRÚRGICO A caracterização do exercício profissional do enfermeiro pode ser desenvolvida a partir de “modelos teóricos do papel”, em uma abordagem interdisciplinar ou multidisciplinar, sob os pontos de vista intrapessoal e interpessoal, além do re- lacionamento do homem com o meio físico-sócio-cultural (SAMPAIO, 2018). No centro cirúrgico, o enfermeiro é o responsável por acompanhar o paciente desde a entrada no bloco até o período perioperatório, com o intuito de atender todas as necessidades do cliente. Existem dois tipos de classificação para o pro- fissional enfermeiro: o coordenador e o assistencial (SOBECC, 2017). É ele quem planeja, gerencia, administra e realiza as atividades e os proce- dimentos que ocorrem na unidade. Dessa forma, no que diz respeito ao geren- ciamento da unidade, o enfermeiro deve cada vez mais assumir a função de líder e coordenador do ambiente, visto que é da competência dele prever, prover, implementar, avaliar e controlar os recursos humanos e materiais. Assim, a qualidade e a eficiência da atuação do enfermeiro podem ser ava- liadas pelo transcorrer do ato anestésico-cirúrgico com o menor risco possível para o paciente e pela satisfação da equipe multidisciplinar em trabalhar nesse setor (SOBECC, 2017). A atuação do enfermeiro no centro cirúrgico é pautada em dois interesses: os técnicos e os práticos. As definições das atribuições desse profissional são emba- sadas no conhecimento por meio da atuação técnico-científica e da participação na organização. A busca pela segurança no período transoperatório tem se confi- 1 1 gurado uma importante atividade gerencial do enfermeiro. No entanto, ao avaliar a percepção dos profissionais de saúde sobre a cultura de segurança no CC de um hospital público, em uma pesquisa recente, observou-se um distanciamento entre os gestores e os demais profissionais, com condições precárias de trabalho e fragilidade na cultura de segurança (SOBECC, 2017). No Brasil, alguns trabalhos sobre a utilização de instrumentos para a promoção de segurança e a prevenção de eventos adversos no CC identificaram que a equipe de enfermagem contribui com registros indispensáveis para o desenvolvimento de ações seguras e cabe ao enfermeiro, enquanto líder, adotar e estimular tais iniciati- vas. Existe um caminho longo de aceitação da responsabilidade político-social que o enfermeiro desempenha no centro cirúrgico. O foco principal desse profissional é garantir a segurança ao paciente na execução dos procedimentos anestésicos-cirúr- gicos que serão realizados pelos diferentes membros da equipe cirúrgica. Sabe-se que ocorre variação na atuação do enfermeiro quando comparamos diferentes realidades e estabelecimentos de assistência à saúde (SOBECC, 2017). A responsabilidade desse profissional pela coordenação da assistência de en- fermagem prestada ao paciente deve ser considerada independentemente do tipo de organização em que ele atua: filantrópico, privado ou público. O conhecimento dos processos dentro do CC é dinâmico, haja vista a alta complexidade dos proces- sos e das relações de trabalho que contribuem para que o enfermeiro se desenvolva nessa unidade. Nesse contexto, é necessário que esse profissional busque captações para o desenvolvimento de novas práticas dentro das unidades de atendimento. Essas atualizações devem englobar, inclusive, formações a respeito das legislações vigentes nacionais e internacionais, de modo a garantir maior segurança ao pacien- te. A organização do trabalho do enfermeiro pode ser dividida em cinco etapas: coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, planejamento da assistência de enfer- magem, implementação da assistência, avaliação de enfermagem (SOBECC, 2017). Os enfermeiros do centro cirúrgico se afastam do cuidado direto ao paciente dando prioridade ao suprimento de materiais e de equipamentos para a unidade, e aos cuidados técnicos. É notável a importância de todos os procedimentos que cercam o centro cirúrgico, porém não se pode negar a necessidade de um cuidado diferenciado, especialmente no centro cirúrgico (SAMPAIO, 2018). Ao enfermeiro, é atribuída a responsabilidade de gerenciar a unidade com competência técnico-administrativa, estabelecer condutas éticas a toda equipe UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 do centro cirúrgico, manter um ambiente seguro e educar o paciente a respeito da própria doença, do tratamento, da promoção à saúde e do autocuidado, pro- movendo o cuidado ao paciente cirúrgico com qualidade (SAMPAIO, 2018). O enfermeiro, durante o desempenho do próprio papel administrativo, deve desenvolver o planejamento em todas as fases, sendo o responsável pela organi- zação, direção, liderança e controle dos processos. Na assistência, o enfermeiro tem o papel de promover um atendimento individualizado, qualificado e seguro, sendo o responsável pelo paciente durante o período perioperatório de forma integral, devendo todo o processo de enfermagem ser documentado em pron- tuário (SOBECC, 2017). Quanto ao ensino e à pesquisa, o enfermeiro não necessita ser precisamen- te um docente para exercer esse papel, pois o papel de educador é intrínseco a esse profissional. Assim, ele pode desenvolver programas de treinamento e capacitação à equipe e favorecer o processo ensino-aprendizagem por meio da colaboração com os alunos e docentes que possam passar por estágios práticos na unidade. Além disso, deve incentivar e estimular a pesquisa, aspecto de funda- mental importância para o desenvolvimento de novas tecnologias, participando de estudos e investigações e proporcionando um ambiente favorável para pro- moção desses estudos (SAMPAIO, 2018). O enfermeiro é um membro importante enquanto integrante da equipe multidisciplinar que atua no centro cirúrgico, já que as ações que desempe- nha são imprescindíveis para que os procedimentos sejam realizados de acordo com as condições ideais, técnicas e assépticas, o que possibilita que o processoÉ válido lembrar que, se o pacote está molhado, ele se encontra contaminado (SOBECC, 2017). O Teste de Bowie & Dick foi criado, em 1961, pelos doutores J. Bowie e Sr. J. Dick. Todavia, a conclusão desse trabalho foi publicada oficialmente, somente em 16 de março de 1963, no The Lancet British Medical Journal com o título The Bowie And Dick Autoclave Tape Test. O Teste de Bowie & Dick é um teste-pa- drão para testar autoclaves que se proponham a esterilizar cargas com alto grau de dificuldade na retirada de ar, causando uma boa penetração do vapor, sendo utilizado até os dias atuais (SOBECC, 2017). Vale recordar que, ao fecharmos a porta de uma autoclave, temos 100% de ar dentro da câmara interna e, ao não retirarmos esse ar e introduzirmos vapor, haverá a formação de muitas bolhas de ar que impedem a atuação da tempe- ratura e da pressão. Portanto onde houver ar, não haverá esterilização, motivo pelo qual o ar precisa ser eliminado de dentro da câmara interna durante todo o processo (SOBECC, 2017). O Teste de Bowie & Dick é uma folha-teste com indicador químico tipo 2 sem chumbo e sensível ao vapor. Ela é posicionada dentro de um pacote, entre várias camadas de papel. Esse “cenário” simula a situação real de uma carga com alto grau de dificuldade de penetração e esterilização. Portanto, opera com uma margem de segurança para a qualificação da eficiência da autoclave testada. O pacote-teste do tipo Bowie & Dick é colocado na bandeja sozinho o mais próximo UNIASSELVI 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 possível do dreno, dentro da câmara e inox, a fim de ser submetido ao processo de esterilização com três pré-vácuos, pressão de 2,3 kPa a 134 °C durante 3,5 minutos (SOBECC, 2017). Após ser submetido ao ciclo de esterilização, a qualificação só ocorre quando é constatada mudança uniforme de coloração, de acordo com a prescrição do fabricante do Teste do tipo Bowie & Dick. Caso se constatem áreas com man- chas de coloração mais claras e/ou esfumadas nas linhas escuras da folha-teste, isso indica falha no sistema de remoção do ar e falha na penetração do agente esterilizante (vapor). A autoclave não pode, nem deve ser utilizada, porque não estaria qualificada para o processo (SOBECC, 2017). INDICADORES QUÍMICOS Os indicadores químicos para monitorização do processo de esterilização são elaborados com componentes especiais que, devido à estrutura, reagem apenas na pre- sença integrada dos seguintes fatores: tempo, pressão e temperatura (SOBECC, 2017). Os Indicadores Químicos (IQ), assim como o próprio nome diz, monito- ram o processo de esterilização quimicamente. A tecnologia empregada nesse tipo de indicador faz com que ocorra uma reação entre o meio de esterilização e o indicador, podendo, assim, identificar o processo como aprovado apenas se ocorrer o meio ideal para esterilização (SOBECC, 2017). 1 5 1 Eles podem apontar uma falha potencial no ciclo de esterilização pela mudança na coloração ou por outros mecanismos, tais como a fusão de sólidos à tempe- ratura e ao tempo de exposição predeterminados. Os IQ comercialmente dis- poníveis oferecem informações diferenciadas. Alguns são capazes de avaliar a temperatura atingida pelo equipamento sem integrar com o tempo de exposição, enquanto outros respondem ao resultado da integração de todos os parâmetros essenciais para garantir a esterilização (SOBECC, 2017). Os IQ atualmente disponíveis são: INDICADOR QUÍMICO TIPO 1 é um indicador de processo conhecido como indicador externo de exposição. Há tintas termocrômicas impregnadas em fita adesiva (fita zebrada), em um sistema de barreira estéril, como papel grau cirúrgico e em etiquetas de identificação do material. Tem como objetivo identificar e diferenciar os produtos expostos à esterilização da- queles que não foram (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017). INDICADOR QUÍMICO TIPO 2 conhecido como teste de Bowie & Dick, é utilizado em testes específicos, somente em autoclave a vapor com sistema de vácuo. É especialmente útil para verificar a presença de gases não condensáveis que estão presentes quando ocorrem falhas na remoção do ar das autoclaves, na fase de acondicionamento, falha na vedação das portas e na presença de fissuras nas tubulações. A recomendação para a realização do teste de Bowie & Dick é diária, antes da primeira carga ser processada (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017). INDICADOR QUÍMICO TIPO 3 trata-se de um indicador de único parâmetro, reagindo apenas a uma variável crítica do processo de esterilização, como a temperatura atingida pela autoclave. Na prática, esse indicador não é utilizado e não está disponível para comercialização (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017). UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 INDICADOR QUÍMICO TIPO 4 é elaborado para reagir a duas ou mais variáveis críticas de esterilização, por exemplo, tempo e temperatura, e tem a intenção de indicar a exposição com valor declarado (VD) das variáveis, por exemplo, 134 ºC a 3 minutos (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017). INDICADOR QUÍMICO TIPO 5 (INTEGRADOR) atualmente é o mais indicado para monitoramento da esterilização de produtos para saúde em autoclave. Deve reagir a todas as variáveis críticas do processo de esteriliza- ção. Os VD são gerados para serem equivalentes ou excederem os requisitos de de- sempenho preconizados para o indicador biológico. Nas autoclaves, esse IQ monitora, além da temperatura e do tempo mínimo de exposição, a qualidade do vapor, que deve ter, pelo menos, 95% de umidade (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017). INDICADOR QUÍMICO TIPO 6 (EMULADOR) é um indicador emulador (simulador) designado para reagir a todas as variáveis críticas do processo de esterilização com ponto de viragem quando 95% do ciclo estiver concluído. O uso do IQ tipo 6 específico confere maior segurança aos ciclos expandi- dos, como os de 7, 12 e 18 minutos a 134 ºC. Nessas condições, a escolha do IQ tipo 6 (emulador) confere maior segurança quando comparado ao IQ tipo 5 (integrador), pois, em cerca de 2 minutos ou menos, o IQ tipo 5 (integrador) sinaliza condições satisfatórias com a viragem da cor da tinta termocrômica ou fusão da pastilha com derretimento, avançando até a faixa de aceitação (GRAZIANO, 2013; SOBECC, 2017; COSTA et al., 2020). Em conclusão, a utilização de Integradores Químicos (IQ) para o monitoramento do processo de esterilização representa um avanço crucial na garantia da eficácia desse procedimento vital em ambientes de saúde. Ao integrarem os fatores de tempo, pressão e temperatura, esses indicadores químicos desempenham um papel essencial na identificação de falhas potenciais nos ciclos de esterilização, proporcionando um monitoramento confiável e preciso. Os diversos tipos de IQ disponíveis, como os indicadores químicos do tipo 1, tipo 2, tipo 4, tipo 5 (integrador) e tipo 6 (emulador), oferecem opções especializa- das para atender às necessidades específicas de diferentes processos de esterilização. 1 5 8 Desde a identificação visual simples até a reação a múltiplas variáveis críticas, esses indicadores desempenham um papel crucial na segurança dos procedimentos. É evidente que, ao escolher o indicador químico apropriado, é possível for- talecer a eficácia do controle de esterilização, garantindo que os produtos para a saúde estejam livres de microrganismos patogênicos. Essa abordagem não apenas contribui para a segurança do paciente, mas também assegura a conformidade com as normas e as regulamentações, promovendo a qualidade e a excelência nos serviços de saúde. Em última análise, a implementação desses avanços tecnológicos na moni- torização da esterilização não apenas atende aos padrões exigidos, mas também eleva a confiabilidade e a eficiência dos processos, refletindo um compromisso contínuo com a segurança e o bem-estar dos pacientes. Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO UNIASSELVI 1 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM9 NOVOS DESAFIOS A CME é de suma importância, uma vez que garante que o equipamento de saúde esteja livre de agentes contaminantes causadores de infecções. Sem o cui- dado da CME, os pacientes e até mesmo os próprios profissionais de saúde ficam expostos e podem se infectar. Desse modo, os profissionais que atuam na CME têm grande importância para a biossegurança e o cuidado com os pacientes, bem como as equipes médicas e de enfermagem que atendem às pessoas diretamente. Diante do cenário atual, a CME passou a ser mais reconhecida. Os processos realizados na CME começaram a seguir normas estabelecidas pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, a fim de garantir que os produtos destinados ao uso ao paciente estejam seguros e livre de bactérias ou vírus. A assistência indireta que é prestada pela CME deve seguir um padrão de qualidade, garantindo a segurança ao paciente e da equipe envolvida nas ativi- dades do hospital. Sobre a prática profissional do enfermeiro da CME, é possível dizer que essa unidade tem como função primordial oferecer o suporte para o cuidado aos pacientes em diferentes situações de atendimento. Deste modo, trata-se de um trabalho específico, cuja atividade dominante é a gerência do processamento dos diferentes artigos médico-hospitalares (BARTOLOMEI; LACERDA, 2006). 1 1 1 1. A limpeza de um instrumental cirúrgico deve ser rigorosa, sendo uma das etapas mais importantes do processo de esterilização. Nessa etapa, deve ser removida toda a sujidade, pois as cargas microbianas formam barreiras e protegem os microrganismos, impedindo que os agentes esterilizantes penetrem nos artigos, tornando as etapas subsequentes ineficientes e comprometendo a esterilização. Quando encontrar o resultado positivo (+) do indicador biológico, o que isso significa? Assi- nale a alternativa correta: a) Presença de matéria. b) Falha no sistema. c) Presença de manutenção. d) A energia estiver escassa. e) A máquina está com problemas. 2. A incubadora fornece um ambiente controlado e favorável para o desenvolvimento e o crescimento dos microrganismos contidos nos indicadores biológicos, permitindo a ava- liação correta da eficácia do processo de esterilização. Considere o número das gerações dos indicadores biológicos nas afirmativas a seguir: I - 1° geração. II - 2° geração. III - 3° geração. IV - 4° geração. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. A leitura dos indicadores biológicos acontece para verificar se ocorreu crescimento bac- teriano. Se houver crescimento, isso indica uma falha no processo de esterilização, e me- didas corretivas devem ser tomadas antes do uso dos instrumentos ou dos equipamentos esterilizados. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - Todos os testes biológicos realizados nas autoclaves devem ser registrados em planilhas de controle da CME. PORQUE II - A finalidade é possibilitar o arquivamento, pois a documentação será útil para as avalia- ções da CCIH e da vigilância sanitária municipal e estadual. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS BARTOLOMEI, S. R. T.; LACERDA, R. A. Trabalho do enfermeiro no Centro de Material e seu lugar no processo de cuidar pela enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem Da USP, v. 40, n. 3, p. 412-417, 2006. BRASIL. Central de material e esterilização. c2024. 52 slides. Disponível em: https://www.ufpe. br/documents/40070/1837975/ABNT+NBR+6023+2018+%281%29.pdf/3021f721-5be8-4e6d- -951b-fa354dc490ed. Acesso em: 16 jan. 2024. COSTA, R. da et al. Papel dos trabalhadores de enfermagem no centro de material e esteriliza- ção: revisão integrativa. Escola Anna Nery, v. 24, n. 3, 2020. GRAZIANO, K. U. CME – Os 22 DESAFIOS em busca de segurança para o paciente. In: V Semi- nário de Prevenção e Controle de Infecção em Serviço de Saúde de Santa Catarina. Anais [...] Secretaria da Saúde de Santa Catarina, 2013. Disponível em: https://www.saude.sc.gov.br/index. php/informacoes-gerais-documentos/vigilancia-em-saude/ceciss/materiais-seminario-ce- ciss/palestras-v-seminario?format=html. Acesso em: 16 jan. 2024. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 1 1 1 1. Opção B. 2. Opção D. 3. Opção A. GABARITO 1 1 4 unidade 1 Conceitos básicos em centro cirúrgico Centro cirúrgico: conceitos e atividades realizadas na unidade Assistência em centro cirúrgico unidade 2 CENTRO CIRÚRGICO: ESTRUTURA FÍSICA E EQUIPE DE ENFERMAGEM SRPA, ÉTICA E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM E COMPLICAÇÕES NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO unidade 3 CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO: CONCEITOS E EQUIPE QUE COMPÕE A UNIDADE VALIDAÇÃO DOS PROCESSOS NA CENTRAL DE MATERIAIS E ESTERILIZAÇÃO (CME) Button 28: Forms - Uniasselvi:anestésico cirúrgico seja desempenhado com sucesso. Tendo o enfermeiro essa responsabilidade, cabe a ele identificar as atividades burocráticas e resolvê-las, assim como supervisionar o trabalho da equipe de enfermagem e o funciona- mento dos equipamentos, possibilitando não só a segurança do paciente, como também da equipe como um todo (SAMPAIO, 2018). As atribuições do enfermeiro de centro cirúrgico são bastante complexas, remetendo-se a diversas competências, dentre elas, a assistencial, a administra- tiva, o ensino e a pesquisa. O papel assistencial é de suma importância, visto que compete ao enfermeiro a assistência ao paciente e à família, sendo que a comu- nicação entre todos os indivíduos envolvidos é fundamental para a continuidade do cuidado de forma individualizada (SAMPAIO, 2018). 1 8 O enfermeiro elabora o levantamento de dados sobre o paciente, coleta e organiza os dados do paciente, estabelece o diagnóstico de enfermagem, desen- volve e implementa um plano de cuidados de enfermagem e avalia os cuidados em termos dos resultados alcançados pelo paciente. Entende-se que esse processo é utilizado, a fim de planejar e implementar a assistência ao paciente cirúrgico, possibilitando o andamento das demandas da unidade e favorecendo a realização dos cuidados de forma individualizada e integral. Isso promove a humanização da assistência de enfermagem. Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO NOVOS DESAFIOS O enfermeiro tem, em sua responsabilidade, o papel de executar tarefas que visem à melhoria contínua do paciente e ao respectivo bem-estar. Um profissional de en- fermagem, mesmo com experiência na área, necessita se familiarizar com o novo ambiente de trabalho e com as características específicas do setor em que atuará. A principal função do enfermeiro não é somente o desafio de cuidar, mas também o de inspecionar e observar todos os procedimentos aos quais ele(a) será responsabilizado. Lembre-se de que, para que o mercado de trabalho identifique como excelente o seu profissionalismo, tudo o que estudamos deve ser aplicado e executado de forma organizada e com zelo. Ao realizar todo procedimento nos mínimos detalhes, tenha a certeza de que o seu profissionalismo refletirá em muitas oportunidades de conquista dentro de sua área de atuação. UNIASSELVI 1 9 1. Para realização de qualquer procedimento cirúrgico, temos o período perioperatório, que é o tempo que envolve o ato cirúrgico. Ele está subdividido em três etapas. São elas: pré- -operatório, operatório e pós-operatório. Considerando um dos períodos perioperatórios, assinale a alternativa correta: a) Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que não será submetido ao tratamento cirúrgico até às 14 horas que antecedem a cirurgia. b) Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que será submetido ao tratamento cirúrgico até às 27 horas que antecedem a cirurgia. c) Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que será submetido ao tratamento cirúrgico até às 24 horas que antecedem a cirurgia. d) Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que será submetido ao tratamento cirúrgico até às 24 horas que antecedem a cirurgia. e) Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente não recebe a notícia de que será submetido ao tratamento cirúrgico. 2. O centro cirúrgico é considerado uma unidade especial do hospital. O objetivo dele é a realização de procedimentos cirúrgicos de qualquer especialidade. Os procedimentos realizados são os anestésico-cirúrgicos, os diagnósticos e os terapêuticos tanto em caráter eletivo quanto emergencial. A unidade de centro cirúrgico pode ser definida como: I - Uma das fases de uma cirurgia. II - Conjunto de elementos destinados à cirurgia e à recuperação. III - Lugar que possui uma ala de recuperação anestésica É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 1 3. O centro cirúrgico é uma unidade dentro do hospital responsável pela realização de procedimentos anestésico-cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos. As cirurgias ocorrem tanto de forma eletiva como emergencial. Trata-se de um local em que encontramos uma equipe multiprofissional que conduz o trabalho em equipe. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - O centro cirúrgico é um dos sistemas mais importantes em um sistema hospitalar. PORQUE II - Além da infraestrutura e dos recursos materiais e humanos, é necessária a integração com todas as outras áreas do hospital. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto no 94.406, de 8 de junho de 1987. Regulamenta a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1987]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decre- to/1980-1989/d94406.htm. Acesso em: 28 nov. 2023. SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. SOBECC. Práticas Recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. 1 1 1. Opção C. Período pré-operatório imediato: desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que será submetido ao tratamento cirúrgico até às 24 horas que antecedem a cirurgia. 2. Opção D. 3. Opção A. As asserções I e II são verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I. GABARITO 1 1 MINHAS METAS CENTRO CIRÚRGICO: CONCEITOS E ATIVIDADES REALIZADAS NA UNIDADE Compreender os termos e os tempos cirúrgicos. Estudar a montagem da sala cirúrgica. Conhecer a classificação das cirurgias quanto ao potencial de contaminação. Entender os cuidados da equipe de enfermagem no processo perioperatório. Estudar a prevenção e o controle das infecções em sítio cirúrgico. Compreender o protocolo de cirurgia segura. Aprender a fazer a abertura de forma estéril. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 4 INICIE SUA JORNADA No centro cirúrgico (CC), são realizados procedimentos cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos tanto em caráter eletivo quanto emergencial. Nesse local, ocorrem processos complexos, demandando alto investimento para implantação e fun- cionamento. O ambiente cirúrgico tem a dinâmica do cuidado de enfermagem voltado à objetividade das ações, cuja intervenção invasiva é de natureza técnica e de recursos materiais com alta complexidade, precisão e eficácia. Assim, são necessários profissionais habilitados para atender às interfaces atribuídas à di- nâmica de trabalho, visando à recuperação do paciente. Devido às particularidades do serviço, a interação social no cuidado, muitas vezes, é limitada. Diante desse contexto, os enfermeiros encontram-se com o de- safio de organizar as diferentes atribuições que compõem o próprio processo de trabalho, implicando no gerenciamento do cuidado de enfermagem no período transoperatório. Essa condição compreende a conexão entre as dimensões geren- cial e assistencial do enfermeiro, como o planejamento e a delegação de ações, na previsão e na provisão de recursos materiais e humanos e na capacitação da equipe de trabalho, objetivando a melhoria dos cuidados e a assistência segura ao paciente. Com o crescimento da Covid-19, os hospitais apresentaram um desgaste na estrutura deatendimento, com sobrecarga para os profissionais da saúde diante da elevada demanda emergencial e da crescente falta de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), expondo os sistemas de saúde públicos e privados a uma dimensão mais grave da crise sanitária brasileira: a do componente hospita- lar. A disposição da estrutura assistencial hospitalar, historicamente insuficiente, é impactada com a demanda por um grande número de leitos hospitalares desti- nados ao cuidado de vítimas do coronavírus, sobretudo, as mais graves. A pandemia de Covid-19 impôs mudanças na dinâmica da equipe e na organiza- ção da carga de trabalho, com o aumento dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e da preparação das instalações. No centro cirúrgico, foi necessário realizar mudanças quanto à dinâmica das cirurgias, ao uso de EPIs pelas equipes durante o procedimento cirúrgico e às orientações voltadas à limpeza correta da sala. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Você já se perguntou se a linguagem utilizada em nosso dia a dia é a mesma que os cirurgiões utilizam? O tema abordado neste podcast nos mostrará as termi- nologias utilizadas em uma unidade cirúrgica. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Você está convidado a assistir ao vídeo Posicionamento Seguro do Paciente Cirúrgico: Mais que uma Ação, uma Obrigação! para aprofundar os seus conhecimentos sobre práticas seguras no ambiente cirúrgico. Esse conteúdo aborda questões cruciais relacionadas ao cuidado e à segurança durante o posicionamento do paciente. Não perca a oportunidade de enriquecer a sua formação! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . DESENVOLVA SEU POTENCIAL TERMOS CIRÚRGICOS, POSICIONAMENTO E TEMPOS CIRÚRGICOS Terminologia cirúrgica é o conjunto de termos que expressam o segmento cor- póreo afetado e a intervenção feita para tratar a afecção. Ao utilizar uma termi- nologia correta, é possível ter a definição de termos cirúrgicos, mostrando os tipos de cirurgias. Isso facilita o preparo dos instrumentais e dos equipamentos que serão utilizados em cada tipo de cirurgia (SAMPAIO, 2018). São utilizados prefixos e sufixos em cirurgia, com destaque aos procedimentos e aos exames, com os sufixos: -ectomia, -tomia, -stomia, -pexia, -plastia, -rafia e -scopia, além de terminologia diversa e epônimos. O objetivo da terminologia é fornecer uma assistência segura e facilitar a comunicação entre os profissionais (SAMPAIO, 2018). 1 1 A terminologia cirúrgica também segue a regra gramatical apresentada. A raiz representa o segmento anatômico relacionado à intervenção cirúrgica, enquanto os afixos determinam o diagnóstico ou o tratamento cirúrgico a ser realizado (SAMPAIO, 2018). Tempos cirúrgicos Os tempos cirúrgicos são os procedimentos consecutivos realizados desde o início até o término da cirurgia. De modo geral, as intervenções cirúrgicas são realizadas em quatro tempos básicos, de acordo com a etapa do procedimento a ser realizada pelo cirurgião (SAMPAIO, 2018). Os tempos cirúrgicos podem ser divididos em quatro partes. São eles: DIÉRESE: consiste no tempo cirúrgico em que há a abertura de tecidos do corpo por planos. Nesse momento, são usadas lâminas de bisturi, serra, tesoura, rugina, cisalha, costóto- mo, bisturi elétrico, osteótomo e/ou goiva. HEMOSTASIA: consiste em impedir, deter ou prevenir o sangramento. EXÉRESE (CIRURGIA PROPRIAMENTE DITA): é realizado o procedimento de fixação, reparação ou extirpação de alguma parte do organismo. SÍNTESE: é realizada a aproximação final dos tecidos por planos seccionados, desde o foco da cirurgia até o tecido cutâneo. Neste tempo cirúrgico, utilizam-se agulhas, fios, porta agulhas, pinças e grampos (SAMPAIO, 2018). UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Na sala cirúrgica, existem três tipos de mesas cirúrgicas: a mesa do instrumen- tador, a mesa do primeiro auxiliar e a mesa auxiliar de Mayo. A mesa de Mayo tem dimensão de 50 cm x 35 cm e é exclusiva para uso do cirurgião. O objetivo da montagem dessa mesa é dinamizar e facilitar o trabalho do cirurgião, tornando o ato operatório mais eficiente. O material ali exposto depende da necessidade cirúrgica. Nessa mesa, os cabos dos instrumentos são voltados para o próprio assistente, pois ele fará o uso (SAMPAIO, 2018). Para a montagem da mesa, o instrumentador, já paramentado, escolherá o local da sala menos movimentado, iniciando sistematicamente a organização da mesa cirúrgica. Deverá ser colocado um campo impermeável e estéril sobre as mesas ins- trumentais para amortecer choques e criar uma barreira antibacteriana, o que impe- dirá a contaminação de instrumentos. Os instrumentos cirúrgicos são dispostos de maneira ordenada e lógica e acompanham os tempos da cirurgia (SAMPAIO, 2018). CLASSIFICAÇÃO DAS CIRURGIAS QUANTO AO POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO A classificação das cirurgias por potencial de contaminação leva em conta o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado. De acordo com o Ministério da Saúde, as cirurgias são classificadas em: 1 8 CUIDADOS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NO PROCESSO PERIOPERATÓRIO O enfermeiro é o profissional responsável pela realização da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP). Assim, no período transope- ratório, deve realizar o plano de cuidados, com a finalidade primordial de evitar complicações decorrentes do ato anestésico-cirúrgico. Além disso, deve prestar assistência ao paciente enquanto membro da equipe multiprofissional. Portanto, em conjunto com o cirurgião e o anestesista, pode ajudar a decidir a melhor ma- neira e auxiliar no posicionamento do paciente, de forma que as ações a serem feitas durante o ato anestésico-cirúrgico sejam facilitadas (SAMPAIO, 2018). LIMPAS: realizadas em tecidos estéreis ou de fácil descontaminação na ausência de um pro- cesso infeccioso local, sem penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário, em condições ideais de sala de cirurgia. Exemplo: cirurgia de ovário. POTENCIALMENTE CONTAMINADAS: realizadas em tecidos de difícil descontaminação na ausência de supuração local, com penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário, sem contaminação significati- va. Exemplo: redução de fratura exposta. CONTAMINADAS: realizadas em tecidos recentemente traumatizados e abertos, de difícil descontamina- ção, com processo inflamatório, mas sem supuração. Exemplo: apendicite supurada. INFECTADAS: realizadas em tecido com supuração local, tecido necrótico e feridas traumáticas sujas. Exemplo: cirurgia do reto e ânus com pus (SAMPAIO, 2018). UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Durante o posicionamento do paciente na mesa cirúrgica, deve-se considerar o tempo cirúrgico e os efeitos das drogas anestésicas, porque o procedimento pode ter uma longa duração, fazendo com que o paciente permaneça por um longo período na mesa cirúrgica e sob o efeito de relaxantes musculares, que podem causar distensões e dor, dependendo da posição a qual a técnica ope- ratória exige. O enfermeiro tem o papel de identificar os riscos relacionados ao posicionamento do paciente na mesa cirúrgica, para que possa realizar o plane- jamento de intervenções que minimizem as complicações e auxiliem no processo de recuperação (SAMPAIO, 2018). A assistência no período transoperatório envolve diferentes atividades. Entre- tanto, todas as ações visam à segurança e à promoção de cuidados adequados às necessidades individuais de cada paciente. Durante a realização do ato cirúrgico, é essencial que a equipe de enfermagem assista ao paciente, observando todas as reações que ele pode apresentar nessa fase que é tão importante e na qual o trata- mento cirúrgico proposto é efetivamente realizado. No período transoperatório, é necessária interação interpessoal entre os membros da equipe multiprofissional envolvida (SAMPAIO, 2018). Noato anestésico-cirúrgico e no embasamento técnico-científico para a exe- cução das ações necessárias, é preciso usar parâmetros biológicos e fisiológicos para a avaliação constante do paciente, substituindo o cuidado automatizado e mecânico pela promoção da humanização durante toda a assistência prestada na sala operatória (SAMPAIO, 2018). PREVENÇÃO E CONTROLE DAS INFECÇÕES EM SÍTIO CIRÚRGICO Atualmente, as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) estão inti- mamente relacionadas ao tema “segurança do paciente”, exercendo forte pressão sobre as organizações de assistência à saúde. São consideradas eventos adver- sos que geram várias consequências deletérias, como elevação dos custos da assistência, aumento do tempo de internação e crescimento da morbidade e da mortalidade. Diversas instituições públicas e privadas, internacionais e nacionais, somam esforços, ao publicarem orientações para a prevenção e o controle das in- fecções, norteando as ações básicas a serem adotadas pelos profissionais da saúde. 1 1 O Center for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, referência mundial, publica periodicamente guidelines que indicam medidas preventivas para o controle das infecções. No Brasil, a Agência Nacional de Vi- gilância Sanitária (Anvisa) segue as orientações do CDC, visto que os guidelines são atualizados com embasamento técnico-científico, trazendo recomendações de medidas preventivas categorizadas por grau de evidência. Em 2007, o CDC publicou o Guideline for Isolation Precaution, resultado da revisão e da atualiza- ção do Guideline for Isolation Precautions in Hospitals, de 1996, mantendo dois níveis de precauções para prevenir a transmissão de agentes infecciosos, a saber: as precauções-padrão e as precauções com base em transmissão. As precauções-padrão (PP) incluem um conjunto de medidas práticas para a prevenção da infecção que precisam ser aplicadas a todos os pacientes e em todos os contextos de assistência à saúde, independentemente da suspeita ou da confirmação da presença de um agente infeccioso. A implementação dessas precauções é a principal estratégia para a prevenção da transmissão dos agentes infecciosos associada aos cuidados de saúde entre pacientes e profissionais. O centro cirúrgico (CC), considerado uma área crítica, realiza inúmeros procedimentos complexos e invasivos para atendimento dos pacientes, motivo suficiente para preocupação e mobilização intensa com os riscos e o controle das infecções nesse ambiente, tanto em relação aos profissionais quanto em relação aos pacientes. Este tema exibe as recomendações das precauções-padrão atua- UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 lizadas do último Guideline for Isolation Precautions, publicado em 2007 pelo CDC. As precauções-padrão são entendidas como aquelas que devem ser aplicadas a todos os pacientes, particularizando-se a situação do transoperatório. Discute, também, as precauções baseadas na transmissão e as limitações das precauções-padrão no controle das Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC), ao considerar os pacientes como fontes de contaminação e de infecção na Sala de Operações (SO). Por fim, apresenta os fundamentos para direcionar o estabelecimento de rotinas práticas para o cuidado do ambiente da unidade de CC e das SO, especialmente a limpeza (SAMPAIO, 2018). Na Antiguidade, a presença de pus na incisão demarcava a ideia de sinal de saúde, isto é, remetia à melhora clínica. Com o passar dos anos, descobriu-se que o pus é um dos sinais de alerta para infecções (SAMPAIO, 2018). Segundo a Portaria do Ministério da Saúde nº 2616/98, a infecção hospitalar é adquirida após a admissão do pacien- te, manifesta-se durante a internação ou após a alta e está relacionada à internação ou aos procedimentos hospitalares. As infecções hospi- talares são problemas de saúde pública de primeira ordem em todos os hospitais do mundo e a instituição de medidas de controle pode auxiliar na diminuição delas (SAMPAIO, 2018). O controle da contaminação ambiental no centro cirúrgico é ne- cessário para reduzir a incidência da infecção hospitalar por meio da degermacão e da paramentação para a realização dos procedimen- tos cirúrgicos. A compreensão dos profissionais sobre a natureza das características dos principais microorganismos patogênicos e não patogênicos encontrados no ambiente hospitalar é extremamente importante (SAMPAIO, 2018). PROTOCOLO DE CIRURGIA SEGURA Os resultados cirúrgicos melhoraram de forma significativa e os pro- cedimentos cirúrgicos altamente complexos se tornaram rotineiros. Por outro lado, o avanço tecnológico tornou o ambiente cirúrgico mais inseguro (SAMPAIO, 2018). 1 1 São necessárias ações que objetivem reduzir essas ocorrências. Fomentar a cul- tura de segurança nas instituições de saúde, principalmente no centro cirúrgico, pode influenciar diretamente a diminuição dos eventos adversos e da mortali- dade, resultando em melhorias na qualidade da assistência à saúde dos pacientes (SAMPAIO, 2018). A intervenção cirúrgica integra os cuidados de saúde, e as complicações em procedimentos operatórios se tornaram importantes causas de morte e invalidez, trazendo implicações significativas à saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS), atenta ao problema relativo a segu- rança do paciente, criou o segundo desafio global para a segurança do paciente, o programa “Cirurgias Seguras Salvam Vidas”, propondo a implantação da Lista de Ve- rificação de Segurança Cirúrgica, conhecido por checklist, com diretrizes e critérios de identificação. O objetivo era garantir a segurança dos pacientes cirúrgicos, com vistas à redução da taxa das principais complicações cirúrgicas (SAMPAIO, 2018). UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 A OMS usou três princípios para desenvolver a checklist: simplicidade, ampla aplicabilidade e possibilidade de mensuração do impacto. Ele permite que as equipes, ao seguirem de forma eficiente as etapas críticas de segurança, possam minimizar os riscos evitáveis mais comuns e que colocam em risco as vidas e comprometem o bem-estar dos pacientes cirúrgicos (SAMPAIO, 2018). No ano de 2013, diante das ações da OMS, o Ministério da Saúde estabeleceu o Protocolo para Cirurgia Segura em anexo à RDC nº 36/2013. O Protocolo reforça a estratégia de utilizar a checklist de cirurgia segura como uma ferramenta para melhorar a segurança dos pacientes cirúrgicos e reduzir o risco de incidentes (SAMPAIO, 2018). A segurança do paciente assume importância primordial no centro cirúrgico por se tratar de um ambiente com particularidades. Nele, são realizadas técnicas específicas com grande diferenciação e estrutura singular que impactam os res- pectivos resultados (SAMPAIO, 2018). Ainda em 2013, o Ministério da Saúde do Brasil aderiu à campanha “Cirur- gias Seguras Salvam Vidas”, com o intuito de ampliar a adesão dos hospitais à lista elaborada por especialistas e, assim, contribuir com as equipes cirúrgicas na redução de erros e danos ao paciente (SAMPAIO, 2018). Para que um ambiente se torne seguro, são necessárias a elaboração e a implementação de estratégias e ferramentas, como protocolos, checklists, entre outros (SAMPAIO, 2018). Na tentativa de reduzir as complicações que levam à perda de vidas, a pro- posta inicial para a implantação da Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica (LVCS) preconizado pela OMS contempla 10 objetivos relacionados à segurança do paciente cirúrgico. São eles: 1- A equipe operará o paciente certo e o sítio cirúrgico certo. 2- A equipe usará métodos conhecidos para impedir danos na administração de anestésicos, enquanto protege o paciente da dor. 3- A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para a perda de via aérea ou de função respiratória que ameace a vida. 4- A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para o risco de grandes perdas sanguíneas. 5- A equipe evitará a indução de reação adversa a drogas ou reação alérgica sabidamentede risco ao paciente. 6- A equipe usará, de maneira sistemática, métodos conhecidos para mini- mizar o risco de infecção do sítio cirúrgico. 1 4 7- A equipe impedirá a retenção inadvertida de compressas ou de instrumen- tos nas feridas cirúrgicas. 8- A equipe manterá seguros e identificará precisamente todos os espécimes cirúrgicos. 9- A equipe se comunicará efetivamente e trocará informações críticas para a condução segura da operação. 10- Os hospitais e os sistemas de saúde pública estabelecerão vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos (SAMPAIO, 2018). Para o paciente que necessita realizar uma cirurgia, é fundamental que os proce- dimentos anestésicos e cirúrgicos ocorram com qualidade e que a cultura de se- gurança do paciente possibilite que os possíveis erros sejam minimizados a partir da aplicação do Protocolo para Cirurgia Segura da OMS (SAMPAIO, 2018). A equipe de enfermagem, sob supervisão legal do enfermeiro, pode em muito con- tribuir para esses processos. O preenchimento da lista de cirurgia segura é feito em maior parte pela equipe de enfermagem do que pelo restante da equipe. Além disso, a maioria dos estudos é coordenado pela enfermagem (SAMPAIO, 2018). A proposta da checklist de cirurgia segura é auxiliar as equipes cirúrgicas a seguir, de forma sistemática, os passos críticos de segurança em todos os procedimentos cirúrgicos de qualquer hospital do mundo, independentemente do grau de com- plexidade, melhorando os padrões de segurança da assistência. Após a aplicação da checklist em diferentes instituições hospitalares, os resultados apontaram uma redução dos eventos adversos, comprovando a eficácia na melhoria da segurança dos pacientes. A checklist de cirurgia segura possui os itens essenciais da assistência cirúrgica e serve como uma barreira para evitar falhas humanas (SAMPAIO, 2018). ABERTURA DE FORMA ESTÉRIL A abertura de forma estéril impede a contaminação do material esterilizado, garantindo que o procedimento invasivo ocorra de forma asséptica no que tange aos materiais utilizados no paciente. 1. Lave as mãos. 2. Coloque o pacote sobre uma superfície limpa e seca. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 3. Posicione o pacote de modo que a dobra de cima do invólucro fique de frente para você. Retire a fita adesiva. 4. Puxe a dobra de cima do pacote, abrindo de modo que a ponta se abra. Mantenha o seu braço fora das bordas externas do pacote aberto. 5. Abra as dobras laterais uma de cada vez. 6. Abra a dobra mais próxima de você por último. 7. O interior do invólucro é considerado estéril, podendo ser usado como base de campo esterilizado (SAMPAIO, 2018). Ao longo deste tema, exploramos conceitos fundamentais para a compreensão do ambiente cirúrgico. Você adquiriu conhecimentos sobre termos cirúrgicos, tem- pos cirúrgicos e montagem adequada da sala cirúrgica. Além disso, exploramos a classificação das cirurgias quanto ao potencial de contaminação e os cuidados essenciais da equipe de enfermagem no processo perioperatório. Focamos, também, na importância da prevenção e do controle de infecções em sítio cirúrgico, destacando o papel crucial da enfermagem nesse contexto. Ao abordarmos o protocolo de cirurgia segura, buscamos fortalecer a compreensão sobre as práticas que visam garantir a segurança do paciente. Por fim, discutimos a realização da abertura de forma estéril, destacando a re- levância desse procedimento para o sucesso da intervenção cirúrgica. Esperamos que esses conhecimentos contribuam para a sua formação e prática profissional. Confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO 1 1 NOVOS DESAFIOS O enfermeiro desempenha um papel fundamental no ambiente cirúrgico. Ele sempre deve estar realizando aprimorações técnicas e científicas, a fim de acom- panhar a evolução dos procedimentos cirúrgicos. Ao absorver os conhecimentos valiosos deste tema sobre enfermagem cirúrgica, você está dando passos signi- ficativos em direção a uma atuação profissional mais qualificada e responsável. Os conceitos de termos e tempos cirúrgicos, agora, são parte integrante da sua bagagem de conhecimento, fornecendo a base necessária para se comunicar de maneira eficaz no ambiente cirúrgico. A compreensão da montagem da sala cirúrgica é crucial, pois você se torna apto à contribuir para a preparação adequada do espaço, garantindo eficiência e segurança durante as intervenções. Conhecer a classificação das cirurgias quanto ao potencial de contaminação delas permite que você avalie os riscos envolvidos e implemente medidas preventivas com precisão. Os cuidados da equipe de enfermagem no processo perioperatório ganham destaque, dado que você aprendeu a desempenhar um papel essencial no suporte ao paciente antes, durante e após a cirurgia. A ênfase na prevenção e no controle de infecções em sítio cirúrgico ressalta a importância da sua contribuição para a segurança e o bem-estar dos pacientes. O entendimento do protocolo de cirurgia segura é uma habilidade valiosa para evitar erros e garantir práticas padronizadas. Ao aprender a realizar aber- turas de forma estéril, você está adquirindo uma competência técnica essencial para o sucesso das intervenções cirúrgicas. Essas habilidades e conhecimentos não são apenas requisitos acadêmicos, mas ferramentas práticas que moldarão a sua atuação no futuro ambiente profis- sional. O mercado de trabalho valoriza profissionais capacitados na enfermagem cirúrgica e as suas perspectivas são promissoras, ao aplicar, de forma competente, esses aprendizados em ambientes hospitalares e clínicas especializadas. Continue a investir no aprimoramento constante, pois cada conceito absor- vido aqui se traduzirá em práticas seguras e eficientes no cenário profissional. Estamos confiantes de que o seu desenvolvimento durante este curso contribuirá significativamente para a sua trajetória profissional de sucesso. UNIASSELVI 1 1 1. As Infecções em Sítio Cirúrgico (ISC) são as maiores fontes de morbidade e mortalidade entre os pacientes submetidos a cirurgias. As ISC estão entre as causas que prolongam o tempo de internação, em média, em mais de sete dias. Considerando o conceito de cirurgia limpa, assinale alternativa correta: a) Feridas abertas acidentalmente ou cirurgias com quebra importante de técnica asséptica ou grande contaminação do trato gastrintestinal. b) O sítio cirúrgico entra nos tratos respiratório, genital, gastrointestinal ou urinário em condições controladas e sem contaminação acidental. c) Lesões traumáticas antigas com tecido desvitalizado, corpo estranho, contaminação fecal, quando há perfuração inesperada de víscera. d) Sítio cirúrgico sem sinais de inflamação e sem contato com trato respiratório, alimentar, genital e urinário. e) Cirurgias em que ocorrem perfurações dos órgãos. 2. A equipe cirúrgica deve ter domínio técnico e científico, conhecendo cada tempo cirúrgico e os instrumentais que serão utilizados em cada cirurgia, para que ocorra a apresentação correta deles ao cirurgião, contribuindo, assim, para o sucesso da cirurgia. Considerando os tempos cirúrgicos, analise as afirmativas a seguir: I - Diérese é onde ocorre a separação de planos anatômicos ou tecidos. São realizados os processos de corte. II - Hemostasia é o processo de controlar a hemorragia durante o intraoperatório. III - Exérese é o ato cirúrgico propriamente dito. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 8 3. Dentro dos tempos cirúrgicos, temos a hemostasia, em que se estanca, temporária ou definitivamente, o sangramento dos vasos seccionados durante a diérese. Nesse tempo, usamos pinças de Halsted, de Kelly, de Crile, de Rochester e de Moynihan. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:I - O tamponamento compressivo é realizado mediante a colocação de gases cirúrgicas ou compressas posicionadas no sítio do sangramento. PORQUE II - O procedimento realizado dura cerca de 5 minutos, podendo melhorar as condições locais, facilitando a hemostasia definitiva, quando necessária. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 9 REFERÊNCIAS SAMPAIO, M. de O. Enfermagem em centro cirúrgico. Londrina: Editora e Distribuidora Educa- cional S.A., 2018. 4 1 1. Opção D. Sítio cirúrgico sem sinais de inflamação e sem contato com trato respiratório, alimentar, genital e urinário. 2. Opção E. 3. Opção A. As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. GABARITO 4 1 MINHAS METAS ASSISTÊNCIA EM CENTRO CIRÚRGICO Compreender importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP). Aprender técnicas de paramentação cirúrgica. Conhecer o preparo pré-operatório. Estudar a instrumentação cirúrgica. Conhecer determinados instrumentais. Entender o fluxo do anatomopatológico. Compreender as complicações intraoperatórias. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 4 1 INICIE SUA JORNADA Você, como enfermeiro responsável pelas unidades cirúrgicas de um hospital público do interior, realiza a gestão administrativa e assistencial e tem encontrado várias situações que necessitam de soluções rápidas. Além disso, muitas vezes, são necessárias tomadas de decisões compartilhadas com os enfermeiros assistenciais das Unidades de Centro Cirúrgico e de Cirurgia Ambulatorial. Você já teve que realizar a adequação e a organização das escalas da equipe de enfermagem, promover treinamento à equipe e, em conjunto com a equipe de residência médica, organizar protocolos de atendimento aos pacientes. Ago- ra, será necessário fazer a implantação do protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS), a checklist Cirurgias Seguras Salvam Vidas. Contudo, você encontra dificuldade de envolvimento das equipes cirúrgicas e de anestesiologia para a realização do processo. Diante do contexto apresentado, como envolver a equipe multiprofissional para a realização da ação em questão? Poderão ser compartilhadas ações com en- fermeiros e equipe de enfermagem, já que eles já têm conhecimento do protocolo e o estão aplicando? Você já teve a curiosidade de saber como se paramentar em uma cirurgia? O tema do podcast nos mostrará como devemos realizar a técnica correta de paramentação. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL IMPORTÂNCIA DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA (SAEP) A elaboração da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP) é feita usando os instrumentos e as ferramentas disponíveis desde o aten- dimento prestado no período pré-operatório. O planejamento da assistência de enfermagem deve ser realizado em conformidade com as necessidades indivi- duais de cada paciente e as especificidades do procedimento anestésico-cirúr- gico ao qual foi submetido. Assim, a sistematização da assistência precisa estar pautada na individualização e na humanização (FENGLER, 2020). A SAEP é um modelo que promove a assistência entre os períodos pré, trans e pós-operatório, possibilitando o planejamento e o controle em cada fase do desen- volvimento da assistência operatória. Ela abrange as ações de enfermagem no centro cirúrgico (CC), com o propósito de assistir o paciente e a família de forma integral, tendo em vista uma assistência de enfermagem de qualidade. Além disso, promove uma intervenção adequada, planejada e fundamentada, voltada aos problemas de cada paciente no perioperatório e à avaliação dos resultados (FENGLER, 2020). VOCÊ SABE RESPONDER? Você está convidado a explorar o artigo Enfermagem em Centro Cirúrgico: Trinta Anos Após a Criação do Sistema de Assistência de Enfermagem Perioperatória. Esse material oferece uma perspectiva única sobre o desenvolvimento e a evolução da enfermagem perioperatória ao longo das últimas três décadas. Ao mergulhar nesse conteúdo, você terá a oportunidade de compreender as transformações ocorridas nessa área crucial da enfermagem e identificar as práticas e as tendências que moldaram o cuidado cirúrgico ao longo do tempo. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . 4 4 A SAEP está diretamente ligada à implementação da enfermagem integral e contínua, diminuindo os riscos para o paciente, promovendo a segurança, de- terminando um serviço de qualidade e prevenindo e reduzindo a incidência de acontecimentos impróprios nos serviços de saúde. A partir da SAEP, ocorre o di- recionamento da atuação do enfermeiro no exercício das próprias atividades pro- fissionais e é simplificado o desenvolvimento da assistência (FENGLER, 2020). CHECKLIST PARA UMA CIRURGIA SEGURA A checklist para cirurgias seguras foi desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Também chamado de “lista de verificação”, tem a finalidade de auxiliar as equipes operatórias na redução da ocorrência de erros e de possí- veis danos ao cliente, objetivando reforçar a segurança operatória com práticas corretas, promovendo uma melhor comunicação e trabalho em equipe. Como prática baseada em evidências, a checklist encontra-se dividida em três momen- tos: antes da indução anestésica, antes do início da incisão cirúrgica e antes de o paciente deixar a sala operatória, devendo ser coordenado por um elemento da equipe que atua na unidade de centro cirúrgico, que é composta por cirurgiões, anestesiologistas, enfermeiros, técnicos e demais profissionais envolvidos. Assim, é importante que essa equipe trabalhe interdisciplinarmente, uma vez que todos são os responsáveis pela segurança do cliente, cada qual no desempenho da pró- pria função, garantindo o sucesso do procedimento cirúrgico (FENGLER, 2020). O rastreamento e o controle de eventos adversos podem caracterizar indi- cadores de qualidade da assistência em saúde, demonstrando a necessidade de investimento em treinamento, educação permanente e conscientização dos pro- fissionais. Acredita-se que, mediante a implementação da checklist da campanha de cirurgia segura da OMS, pode haver uma diminuição das complicações pós- -operatórias, dos erros e da mortalidade dos pacientes cirúrgicos. Dessa forma, podemos compreender que a melhoria da segurança na assis- tência cirúrgica acontecerá quando as instituições utilizarem a Lista de Verifi- cação de Segurança Cirúrgica da OMS ou realizarem verificações de segurança similares para a promoção de uma cirurgia segura, de maneira sistemática, estabelecendo a vigilância da rotina da capacidade, do volume e dos resultados (FENGLER, 2020). UNIASSELVI 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 O enfermeiro que atua na recuperação pós-anestésica necessita observar e avaliar constantemente, a fim de realizar a aplicação de ações permanentes, como: ■ Fazer técnicas complementares para o alívio da dor. ■ Promover o tratamento de ansiedade e outros distúrbios psicológicos. ■ Estar atento à permeabilidade de vias aéreas, realizando a desobstrução e a colocação de câ- nula orofaríngea, quando necessário. ■ Realizar a ausculta pulmonar e cardíaca. ■ Monitorar o débito cardíaco. ■ Avaliar uma eventual diminuição e relação com choque hemorrágico. ■ Monitorizar a frequência cardíaca. ■ Aferir possíveis arritmias e intercorrências. Os diagnósticos e as intervenções em re- cuperação pós-anestésica estão interliga-dos e quase sempre se repetem. Dessa forma, o enfermeiro deve estar capaci- tado e ter a prática embasada em co- nhecimento técnico e científico para fornecer uma assistência sistema- tizada no período pós-anestésico, com a garantia da qualidade e da se- gurança no atendimento prestado ao paciente sob a própria respon- sabilidade (FENGLER, 2020). O objetivo da Lista de Ve- rificação de Segurança Cirúrgica (checklist da OMS) não é prescrever uma abordagem única, mas assegurar que elementos-chave de segurança sejam incorporados dentro da rotina 4 1 da sala de operações. Isso maximizará a chance de obter melhores resultados para os pacientes sem que ocorra ônus indevido no sistema e nos prestadores. Entende-se que, em aproximadamente todos os cenários, os padrões representarão uma mu- dança nas rotinas. Entretanto, os padrões foram incluídos com base em evidências sólidas e/ou no consenso entre especialistas de que esses padrões poderiam levar a progressos tangíveis na assistência e poderiam salvar vidas em todos os ambientes, desde os mais ricos até os mais pobres (FENGLER, 2020). O enfermeiro deve direcionar as ações realizadas para a promoção de uma assistência humanizada e permitir ao paciente a melhor experiência pós-ci- rúrgica, fortalecendo e estimulando o trabalho em equipe na busca por um atendimento de qualidade (FENGLER, 2020). PREPARO PRÉ-OPERATÓRIO O paciente cirúrgico é aquele indivíduo que será submetido a um procedimento cirúrgico eletivo, ou seja, previamente agendado, que apresenta menos riscos. Contudo, também é aquele paciente submetido às intervenções imediatas, isto é, situações de urgência e emergência que podem gerar risco de morte. A partir do momento em que é indicada a intervenção cirúrgica, o paciente passará sucessivamente pelas fases pré-operatória, transoperatória e pós-operatória, que constituem o período perioperatório, sendo fundamental que a assistência pres- tada em cada uma dessas fases seja segura, de qualidade e adequada às necessi- dades individuais, com a finalidade de obter um resultado satisfatório em todo o processo e o sucesso do procedimento realizado (SAMPAIO, 2018). O período pré-operatório da cirurgia eletiva se inicia no momento em que o paciente toma a decisão de prosseguir com a intervenção cirúrgica e termina com a transferência dele para a mesa cirúrgica. Na atenção ao paciente no pré- -operatório, a equipe de enfermagem é a responsável pelo preparo dele, desen- volvendo alguns cuidados, tais como orientação, preparo físico e emocional e avaliação, com a finalidade de diminuir o risco cirúrgico, promover a recuperação e evitar as complicações no pós-operatório, uma vez que essas geralmente estão associadas a um preparo pré-operatório inadequado (SAMPAIO, 2018). A orientação para o paciente retirar esmalte, joias, piercing e dentadura, a qual é requerida aos participantes, encontra respaldo na literatura. A indicação UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 de retirar o esmalte das unhas se justifica pela necessidade de visualizar o retorno venoso das extremidades. Além disso, durante o intraoperatório, o paciente faz uso do oxímetro de pulso para o registro da saturação de oxigênio e frequência cardíaca. Alguns autores informam a existência de aspectos que alteram ou limi- tam a eficiência do uso do oxímetro, causando leituras incorretas, como anemia, vasoconstrição periférica, cor do esmalte de unha, luz fluorescente e movimen- tação do paciente (SOBECC, 2017; SAMPAIO, 2018). O procedimento cirúrgico é um processo que pode provocar incômodo, preocu- pação e até transtornos emocionais ao indivíduo e à família, geralmente, devido ao desconhecimento, ou seja, ao medo do desconhecido e à apreensão sobre o resultado e o sucesso da cirurgia. Por esse motivo, o pré-operatório compreende uma das fases mais importantes de todo o processo e pode direcionar a assistência de todo o período perioperatório para um resultado positivo e satisfatório (SAMPAIO, 2018). É nesse momento que o enfermeiro deve auxiliar o paciente e a família dele em relação aos anseios e às dúvidas, pois esses sentimentos podem gerar desconforto emocional e psicológico, causando impacto nas outras fases do pro- cesso. A ansiedade, por exemplo, é considerada responsável por intercorrências nas fases intra e pós-operatória, pois pode ocasionar problemas físicos e clínicos, tais como hipertensão, e consequente possibilidade de aumento de sangramento, dor no pós-operatório, além de outras situações relacionadas. Por essa razão, é fundamental que o enfermeiro exerça o papel de educador. Todas as dúvidas, os anseios e os medos devem ser sanados a partir de informa- ções que devem ser fornecidas de forma clara e objetiva tanto para o paciente quanto para o familiar que o acompanha, buscando reduzir a ansiedade e a preo- cupação (SAMPAIO, 2018). INSTRUMENTAIS O instrumental pode ser definido como o material utilizado na realização de procedimentos cirúrgicos, na retirada de pontos, nos exames, nos tratamentos e nos curativos. Em sua grande maioria, são feitos de aço inoxidável devido à maior durabilidade (SAMPAIO, 2018). 4 8 Cada tipo de instrumento cirúrgico é feito para um uso em particular e deve ser empregado apenas para esse propósito. A utilização de instrumentos em procedimentos para os quais eles não foram feitos não é permitida (SAMPAIO, 2018). Os instrumentos cirúrgicos são caros e carecem de cuidados especiais durante o manejo, a limpeza e o armazenamento. É necessária a atenção do instru- mentador para qualquer tipo de alteração do material cirúrgico, como a necessidade de limpeza, reparo ou rigidez das articulações (SOBECC, 2017). Os instrumentais especiais são utilizados somente em alguns tempos de determinadas cirurgias, ou seja, são instrumentais específicos. Os comuns são os instrumentais básicos, que compõem todas as caixas cirúrgicas e podem ser usados em qualquer tipo de intervenção. Eles têm as seguintes funções: diérese, como a lâmina de bisturi e as te- souras; hemostasia, como a pinça Kelly; preensão, como a pinça Allis e as pinças de campo ou Backhaus; separação, como os afastadores; e síntese, como os porta-agulha (SOBECC, 2017). Durante a cirurgia, os instrumentos devem estar em ordem. Instrumentos inutilizados no tempo cirúrgico não devem permanecer soltos pelo campo operatório, mas organizados para posterior necessidade. Todo o material usado na cirurgia que teve contato com o pa- ciente ou o campo estéril deve ser descontaminado após o procedimento cirúrgico (SOBECC, 2017). Deve ser selecionado um método de limpeza e descontaminação econômico e eficiente, com o ob- jetivo de evitar a contaminação cruzada para outros pacientes ou potencial exposição dos profissionais aos patógenos. Após a cirurgia, o instrumentador UNIASSELVI 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 fica responsável pelo recolhimento de todo instrumental utilizado nas mesas e pela destinação do material para a limpeza, de acordo com as normas do hospital (SAMPAIO, 2018). Depois de devidamente encaminhado o material para a limpeza, o instru- mentador pode retirar a vestimenta. Posteriormente, o material usado durante a cirurgia deve ser limpo completamente, primeiro, devido às sujidades aparentes por meio manual e, depois, mecânico. A limpeza segue com o processo de de- sinfecção do material para diminuir o risco de infecções hospitalares. Os instru- mentos são, diante disso, reunidos em conjuntos, empacotados e esterilizados para que possam ser utilizados em uma próxima cirurgia (SAMPAIO, 2018). As mesas de instrumento devem ter ajuste de altura para permitir que sejam posicionadas de acordo com cada um dos cirurgiões. A mesa de instrumento não deve ser aberta até o paciente ter sido posicionado na mesa cirúrgica e preparado com os panos de campo estéreis. Panos impermeáveis, grandes, devem cobrir toda a mesa de instrumento. Para abri-los, os panos de campo e o invólucro externo precisam