Prévia do material em texto
Obstetrícia Prof.ª Caroline Marinho de Araujo Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima Prof.ª Iara Costa Silvano Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio técnicas de instrumentaçãO cirúrgica em urOlOgia, ginecOlOgia e Indaial – 2022 1a Edição Impresso por: Elaboração: Prof.ª Caroline Marinho de Araujo Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima Prof.ª Iara Costa Silvano Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI. Núcleo de Educação a Distância. ARAUJO, Caroline Marinho de. Técnicas de Instrumentação Cirúrgica em Urologia, Ginecologia e Obstetrícia. Caroline Marinho de Araujo; Emmanoela de Almeida Paulino Lima; Iara Costa Silvano; Patrícia Santos Prudêncio. Indaial - SC: UNIASSELVI, 2022. 232 p. ISBN 978-65-5466-188-1 ISBN Digital 978-65-5466-184-3 “Graduação - EaD”. 1. Urologia 2. Ginecologia 3. Obstetrícia CDD 617.9 Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Olá, acadêmico! Na disciplina Técnicas de Instrumentação Cirúrgica em Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, iremos conhecer e desenvolver habilidades e competências relativas à instrumentação cirúrgica, pretendemos formar um profissional com capacidade técnica e responsabilidade, dada a importância dessa profissão para o progresso dos procedimentos anestésicos cirúrgicos, além de aprender toda dinâmica do bloco cirúrgico, bem como os conceitos gerais de cirurgia urológica, obstétrica e ginecológica. Na Unidade 1, serão abordadas as atribuições e a importância da equipe multiprofissional no centro cirúrgico. Estudaremos o poder da comunicação assertiva para o bom relacionamento interpessoal, além de traçarmos um perfil do que seria um profissional capacitado para atuar como instrumentador cirúrgico. No decorrer dos tópicos, ainda será possível conhecer um pouco do universo cirúrgico e como se desenvolve o trabalho nessa unidade de saúde. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos as técnicas de instrumentação cirúrgi- ca em urologia, os tipos e a complexidade das cirurgias urológicas, os instrumentos uti- lizados nos procedimentos urológicos, bem como a paramentação cirúrgica individual e de equipe, além da montagem da mesa, do posicionamento adequado do instrumenta- dor e dos tipos de nós e suturas. Ainda, será possível compreender a operacionalização da instrumentação cirúrgica urológica. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos as técnicas de instrumentação cirúrgica em ginecologia e obstetrícia, os tipos de cirurgias ginecológicas e obstétricas, a paramentarão cirúrgica para esses procedimentos, o instrumental a ser utilizado e o posicionamento adequado do instrumentador. Também veremos a composição e as atribuições dos membros da equipe multiprofissional, além de compreender as fases das cirurgias, os tempos cirúrgicos e os portes de cirurgias ginecológicas e obstétricas. Esperamos que o material possa consolidar seu aprendizado, elucidar suas dúvidas e enriquecer suas práticas profissionais. Para tanto, é necessário o seu envolvimento e compromisso enquanto estudante, sendo o agente transformador da sua aprendizagem. Bons estudos! Prof.ª Caroline Marinho de Araujo Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima Prof.ª Iara Costa Silvano Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio APRESENTAÇÃO GIO Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! QR CODE SUMÁRIO UNIDADE 1 — A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA A INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA .......................................................1 TÓPICO 1 — COMPOSIÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CENTRO CIRÚRGICO ........................................................................... 3 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3 2 CENTRO CIRÚRGICO ............................................................................................4 2.1 CLASSIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO ...................................................... 8 3 NOMENCLATURA CIRÚRGICA ............................................................................11 4 POSIÇÕES CIRÚRGICAS .................................................................................... 12 5 EQUIPE CIRÚRGICA ........................................................................................... 15 5.1 EQUIPE MÉDICA ................................................................................................................. 17 6 EQUIPE DE ENFERMAGEM ................................................................................ 21 RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................26AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 27 TÓPICO 2 — COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE ...................................................29 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................29 2 CONCEITOS DE COMUNICAÇÃO .......................................................................30 2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO .................................................................................................31 3 COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS .........................................32 3.1 BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO ..................................................................................... 33 4 COMUNICAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE ...............................................................35 4.1 COMUNICAÇÃO NO CENTRO CIRÚRGICO .................................................................... 37 RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 40 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 41 TÓPICO 3 — CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A ATUAÇÃO COMO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO ......................................................45 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................45 2 HISTÓRIA DA INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA ................................................ 47 2.1 RESPONSABILIDADES DO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO .................................... 49 2.2 RECOMENDAÇÕES PARA A EXCELÊNCIA DO PROFISSIONAL INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO ....................................................................................50 2.3 ÉTICA PROFISSIONAL .....................................................................................................50 3 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA .......52 3.1 MANEJO DE INSTRUMENTOS PERFUROCORTANTES ............................................. 53 LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................55 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................... 61 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................62 REFERÊNCIAS .......................................................................................................65 UNIDADE 2 — TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM UROLOGIA .....69 TÓPICO 1 — CIRURGIA UROLÓGICA ......................................................................71 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................71 2 TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS .................................................................71 2.1 RESGATE HISTÓRICO .........................................................................................................72 2.2 CIRURGIA SEGURA ............................................................................................................74 3 DEFINIÇÃO DOS TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS .................................... 75 3.1 ENDOSCOPIA UROLÓGICA ...............................................................................................75 3.1.1 Nefrolitotomia percutânea .......................................................................................76 3.1.2 Ureteroscopia ........................................................................................................... 78 3.2 CISTECTOMIA ......................................................................................................................79 3.2.1 Cistectomia parcial ..................................................................................................80 3.2.2 Cistectomia radical .................................................................................................80 3.3 LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA (LECO) .......................................................................81 3.4 NEFRECTOMIA ...................................................................................................................82 3.5 CISTOSTOMIA .....................................................................................................................82 3.6 NEFROSTOMIA ...................................................................................................................83 3.7 CIRURGIAS NA PRÓSTATA ...............................................................................................84 3.7.1 Ressecção transuretral de tumor de próstata (RTU de próstata) .................85 3.7.2 Prostatectomia aberta ............................................................................................86 3.7.3 Prostatectomia perineal ........................................................................................86 3.7.4 Prostatectomia radical ...........................................................................................86 3.7.5 Plasma ........................................................................................................................88 4 PARAMENTAÇÃO EM CIRURGIA UROLÓGICA .................................................88 RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................93 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................94 TÓPICO 2 — INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS ........................................................ 97 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 97 2 EQUIPAMENTO ...................................................................................................98 3 OBJETOS PERFUROCORTANTES ................................................................... 101 3.1 OUTROS INSTRUMENTAIS ............................................................................................ 104 4 TÉCNICAS DE SUTURAS ................................................................................. 107 5 NÓS CIRÚRGICOS ............................................................................................108 RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 111 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 112 TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA UROLÓGICA .....................................................................................115 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................115 2 MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA EM UROLOGIA ..........................................115 2.1 INSTRUMENTOS BÁSICOS E SUA MONTAGEM NA MESA CIRÚRGICA ................. 118 2.1.1 Pinças de preensão ................................................................................................. 118 2.1.2 Bisturis e tesouras ................................................................................................. 119 2.1.3 Pinças hemostáticas ............................................................................................. 120 2.1.4 Pinças de dissecção .............................................................................................. 120 2.1.5 Afastadores .............................................................................................................. 121 2.1.6 Agulhas e porta agulhas ........................................................................................122 2.2 INSTRUMENTAL LAPAROSCÓPICO ..............................................................................123 3 POSICIONAMENTO DO PACIENTE EM CIRURGIA UROLÓGICA .....................124 4 POSICIONAMENTO DO INSTRUMENTADORCIRÚRGICO ............................... 127 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 132 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................138 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 139 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 141 UNIDADE 3 — TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA .........................................................145 TÓPICO 1 — INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA ................................................................................... 147 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 147 2 TIPOS DE CIRURGIAS GINECOLÓGICAS.........................................................148 2.1 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ............................................................................. 148 2.2 TIPOS DE CIRURGIAS ..................................................................................................... 153 2.2.1 Histerectomia .......................................................................................................... 154 2.2.2 Laqueadura ............................................................................................................. 156 2.2.3 Traquelectomia ....................................................................................................... 156 2.2.4 Ooforectomia .......................................................................................................... 156 2.2.5 Salpingectomia .......................................................................................................157 2.2.6 Mastectomia ........................................................................................................... 158 3 TIPOS DE CIRURGIAS OBSTÉTRICAS ............................................................. 159 3.1 CESÁREA ............................................................................................................................ 161 3.2 LAPAROTOMIA DE EMERGÊNCIA ................................................................................ 162 3.3 CIRURGIA FETAL ............................................................................................................. 163 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 167 AUTOATIVIDADE .................................................................................................168 TÓPICO 2 — PARAMENTAÇÃO .............................................................................171 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................171 2 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM GINECOLOGIA ............................................. 174 2.1 PASSOS DA ESCOVAÇÃO E PARAMENTAÇÃO ...........................................................174 2.2 ANTISSEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO .....................................................................179 3 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM OBSTETRÍCIA ..............................................180 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................185 AUTOATIVIDADE .................................................................................................186 TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA ......................................189 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................189 2 INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS UTILIZADOS EM CIRURGIA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA ......................................................................189 2.1 TEMPOS CIRÚRGICOS .................................................................................................... 190 2.1.1 Antissepsia da pele do paciente ........................................................................... 191 2.1.2 Colocação de campos operatórios .....................................................................192 2.1.3 Diérese ...................................................................................................................... 195 2.1.4 Cirurgia propriamente dita ................................................................................... 196 2.1.5 Síntese ...................................................................................................................... 201 2.2 MONTAGEM DA MESA DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS ....................................203 2.3 MANUSEIO DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS ........................................................205 2.3.1 Instrumentais em cirurgia robótica ...................................................................207 3 POSICIONAMENTOS NA CIRURGIA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA .......... 208 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 216 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 221 AUTOATIVIDADE ................................................................................................ 222 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 225 1 UNIDADE 1 — A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA A INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer os profissionais que atuam na equipe cirúrgica e suas atribuições específicas; • compreender a importância da composição adequada da equipe multiprofissional na instrumentação cirúrgica; • entender a importância da comunicação assertiva entre os membros da equipe; • compreender o processo do trabalho do instrumentador cirúrgico nas dimensões técnicas, éticas e científicas. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – COMPOSIÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CENTRO CIRÚRGICO TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE TÓPICO 3 – CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A ATUAÇÃO COMO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 COMPOSIÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CENTRO CIRÚRGICO TÓPICO 1 — UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O centro cirúrgico é um ambiente complexo. É uma área restrita da unidade hospitalar por ser um local no qual são realizadas intervenções cirúrgicas, e, assim, o controle asséptico precisa ser rigoroso. Trata-se de um setor em que várias áreas se interligam para possibilitar a realização dos procedimentos anestésicos cirúrgicos com segurança, tanto para o paciente quanto para a equipe que o atende. Ademais, nesse ambiente, diversas especialidades profissionais se disponibilizam para atender aos pacientes que necessitam se submeter a uma cirurgia. O centro cirúrgico, além de ser o local adequado para realizar os procedimentos cirúrgicos, também tem como finalidades servir como campo de estágio para a formação e o desenvolvimento profissional, bem como para a promoção de programas e projetos de pesquisas científicas, com o intuito de melhorar e inovar as técnicas cirúrgicas e assépticas. Os procedimentos cirúrgicos são, hoje, muito aplicados para o diagnóstico e tratamento de diversas doenças. Para tanto, a sala cirúrgica é composta por um grande aparato tecnológico e de padrões de segurança preconizados pela legislação vigente, sendo que a equipe que trabalha nesse ambiente precisa estar capacitada e trabalhar de formaharmoniosa para atender à dinâmica do setor e promover a segurança e o conforto do paciente. Cada membro da equipe tem sua função e importância. O trabalho em conjunto favorece o ato operatório, para que tudo seja desenvolvido com o menor risco possível. Frente a isso, todo profissional deve conhecer e ter habilidades relacionadas às suas atribuições especificas no centro cirúrgico, além de ter aptidão para trabalhar em equipe, equilíbrio emocional e discernimento para a resolução de conflitos. A partir de agora, você entrará no universo cirúrgico e conhecerá mais profun- damente quais profissionais compõem a equipe cirúrgica e as atribuições de cada um na sala de operação. 4 2 CENTRO CIRÚRGICO O centro cirúrgico é uma parte extremamente importante da estrutura hos- pitalar, o qual é destinado a realizar intervenções anestésico-cirúrgicas. Para tanto, é necessário que tenha infraestrutura, recursos materiais e humanos adequados e dis- poníveis para o desenvolvimento do processo de assistência perioperatória, conforme Carvalho e Bianchi (2016). Carvalho e Bianchi (2016) reiteram que as finalidades e os objetivos do centro cirúrgico são: • assistir, de forma integral, o paciente submetido à intervenção cirúrgica em todo o período perioperatório; • realizar os procedimentos anestésico-cirúrgicos com a devida segurança; • garantir o retorno do paciente a sua unidade de internamento em condições estáveis de saúde. Além disso, como mencionamos, tem como finalidade o desenvolvimento profissional por meio do estágio para a formação e o aprimoramento da assistência no perioperatório, a fim de promover o avanço científico e tecnológico com programas e projetos de pesquisas. Geralmente, o bloco cirúrgico está dividido em salas de operação (SO), salas de recuperação pós-anestésica (SRPA) e centros de material e esterilização (CME). Esses, por sua vez, estão subdivididos em áreas especificas, como lavabos, vestuários, sala de guarda de materiais e equipamentos, corredores, sala de espera, recepção, sala de repouso, copa, dentre outras que venham a ser necessárias, conforme a Sobecc (2017). Diante de sua complexidade, para que o bloco cirúrgico possa operacionalizar a assistência ao paciente cirúrgico, também é necessário o apoio de outras áreas e serviços hospitalares, como laboratórios, farmácia, radiologia, banco de sangue, serviço de anatomia patológica, limpeza, suprimentos de almoxarifado e transporte. Ainda, alguns serviços podem ser terceirizados, de acordo com Carvalho e Bianchi (2016), a exemplo de lavanderia, fornecedores, manutenção de equipamentos e materiais esterilizados por métodos específicos. 5 Figura 1 – Sala de operação Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/interior-of-operation-room-with-different-medical--ASV83XX. Acesso em: 11 set. 2022. A sala operatória (SO) é o local onde as equipes desenvolvem diretamente o seu trabalho. Ela deve ser equipada e preparada para realizar vários tipos de procedi- mentos anestésico-cirúrgicos. Assim, o tamanho físico dessa sala pode variar de acordo com a instituição e os tipos de procedimentos realizados dentro dela, de acordo com Possari (2011). É relevante citar, conforme o mesmo autor, que se tornou imprescindível, com o advento tecnológico na área da robótica e a popularização de cirurgias minimamente invasivas, que as salas operatórias ou de operações tenham espaços e dimensões adequados para os equipamentos que serão utilizados nos procedimentos, assim como para que a equipe e o paciente se sintam confortáveis, a fim de que a cirurgia possa ser realizada com segurança. É recomendável, segundo Carvalho e Bianchi (2016), que, para cada 50 leitos comuns, encontremos ao menos duas salas cirúrgicas na unidade hospitalar. Além disso, para cada 15 leitos cirúrgicos, deve- -se ter duas salas de operação. INTERESSANTE 6 Para Carvalho e Bianchi (2016), todas as salas operatórias devem conter equi- pamentos e aparelhos fixos: carrinho de anestesia com monitor multiparamétrico; mesa cirúrgica mecânica ou elétrica; seus acessórios (extensor de comprimento, perneiras, braçadeiras e apoio de cabeça); mesa de instrumentais; focos de luz; computadores para registro no prontuário eletrônico; dentre outros que podem ser necessários. Ainda segundo os autores, também devem estar à disposição alguns materiais e equipamentos para serem utilizados caso haja necessidade durante o procedimento. Eles são considerados equipamentos móveis, como: bisturi elétrico e outros tipos de bisturis; máquina de circulação extracorpórea; equipamento para videolaparoscopia; e aspiradores. Tais materiais permanecem na sala de guarda e são deslocados para a SO quando solicitados. A sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), por sua vez, é uma zona crí- tica, pois é o local para onde o paciente é levado logo após o procedimento cirúrgico, no pós-operatório imediato, para se recuperar hemodinamicamente. Lá, ele deve ser monitorado e observado intensivamente, até ser levado para sua unidade de internação. Desse modo, preconiza-se que seja anexa à sala de operação, para facilitar o transporte do paciente ou no caso de precisar de uma reabordagem cirúrgica de emergência. Já o centro de material e esterilização (CME) é um ambiente destinado à lim- peza, à desinfecção, ao preparo, à esterilização, ao armazenamento e à distribuição de ma- teriais e instrumentos utilizados em uma unidade hospitalar, de acordo com Possari (2011). O CME, a depender da estrutura hospitalar, normalmente fica anexo ao centro cirúrgico devido à necessidade constante de materiais esterilizados. No entanto, nas novas estruturas, esse setor tem se desvinculado do centro cirúrgico, pois todos os setores do hospital precisam de materiais processados na CME, segundo Carvalho e Bianchi (2016). Figura 2 – Centro de material e esterilização Fonte: https://bit.ly/3z9SUk6. Acesso em: 12 set. 2022. 7 Segundo a Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recupe- ração Anestésica e Centro de Material e Esterilização, a CME tem como missão fornecer produtos para a saúde a todas as unidades assistenciais e de diagnóstico, de forma segura e em número e qualidade de processamento adequadas. Sendo assim, esse setor, mesmo localizado em qualquer área da unidade hospitalar, precisa de sistemas de comunicação ativos e disponíveis para prover as unidades consumidoras, quando necessário, sem prejuízo à assistência. A Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) foi criada em setembro de 1991, com a missão de “colaborar com o desenvolvimento técnico-científico e divulgar as melhores práticas para atuação da enfer- magem perioperatória, além de propor recomendações referentes às áreas de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização” (SOBECC, s. d., s. p.). Essa entidade tem publicações a cada três meses, e, periodicamente, nos traz revisões atualizadas sobre as boas práticas de enfermagem no perioperatório. IMPORTANTE Segundo a SOBECC (2017), o bloco cirúrgico é dividido em três áreas assépti- cas, devido a sua complexidade, o tipo de procedimento realizado e o maior risco de infecção: “as técnicas assépticas padronizadas têm o objetivo de proporcionar maior controle do ambiente operatório, diminuindo os riscos de contaminação ao paciente” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 11). Essas áreas são restrita, semirrestrita e não restrita. Conforme a mesma associação, são características de cada área: • Área restrita: a circulação de pessoas e equipamentos é restrita, mantendo uma rotina asséptica, com o intuito de controlar e conservar a assepsia do local. Os profis- sionais devem usar roupas privativas nesse ambiente, bem como máscara cobrindo boca e nariz. Temos, como exemplos, salas cirúrgicas, corredores internose lavabos. • Área semirrestrita: é permitida a circulação de pessoal e equipamentos, desde que não interfira no controle e na conservação da assepsia cirúrgica. Nesses locais, os pro- fissionais devem usar roupas privativas e apropriadas ou calçados adequados. Temos, como exemplos, secretaria, copa e salas de conforto e de guarda de equipamentos. • Área não restrita: a circulação de pessoas é liberada, não havendo a necessidade de roupas privativas. Temos, como exemplos, vestuários, elevadores, corredores ex- ternos e local de transferência de macas. Ainda, o centro cirúrgico deve estar localizado em uma área do hospital distante de ruido, poeira e de grande circulação de pessoas, garantindo a segurança da técnica asséptica. Da mesma forma, para facilitar o fluxo de pacientes, é necessário que o bloco cirúrgico fique próximo às emergências, unidades de terapia intensiva e unidades de internamento, para o caso de uma intervenção imediata, conforme Possari (2011). 8 Alguns termos devem ser sempre lembrados dentro de um centro cirúrgico, a saber: • assepsia: são precauções que usamos para evitar a contami- nação por micro-organismos em um ambiente ou materiais e equipamentos. Desse modo, um ambiente asséptico é aquele que está livre de contaminação; • antissepsia: é a técnica que usamos para evitar o crescimento de mi- cro-organismos ou para removê-los de determinado ambiente, podendo haver a destruição ou redução dos agentes microbianos. Para tanto, uti- lizamos antissépticos ou desinfetantes; • técnica asséptica: é uma expressão dos métodos utilizados para a assepsia; • antisséptico: diz respeito a produtos químicos utilizados para des- truir ou reduzir micro-organismos de tecidos vivos. ATENÇÃO 2.1 CLASSIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO Os procedimentos anestésicos cirúrgicos podem ser classificados quanto ao momento operatório, a finalidade, o risco cardiológico, o potencial de contaminação e o tempo de duração. Na figura a seguir, podemos entender um pouco mais sobre a classificação das cirurgias e outras especificidades relacionadas a ela, às quais devemos ter atenção. Figura 3 – Classificação de cirurgias Fonte: a autora 9 O momento operatório é a primeira classificação, pois define o grau de urgência que o procedimento operatório requer. Segundo Possari (2011), esse momento pode ser classificado em cirurgia de emergência, de urgência ou eletiva: • Emergência: pelo estado de gravidade e risco eminente de vida, o procedimento ci- rúrgico deve ser imediato, como ferimento por arma de folgo ou branca, hemorragias, perfuração de vísceras, dentre outras. • Urgência: o procedimento deve ser realizado o mais breve possível, podendo aguardar de 24 a 28 horas, sob observação clínica, como apendicectomia, abdome agudo, dentre outros. • Eletiva: é a cirurgia que, mesmo sendo indicada, pode aguardar para ser agendada em momento posterior. Não traz risco eminente de vida, como mamoplastia, hérnia inguinal, dentre outras. Carvalho e Bianchi (2016, p. 10) reiteram que “alguns autores classificam certos tipos de tratamentos cirúrgicos eletivos como optativos, ou seja, a cirurgia é feita por solicitação do paciente, como nos casos de cirurgias plásticas com fins estéticos”. Conforme Possari (2011), quanto à finalidade cirúrgica, termos as seguintes opções: • paliativas: procedimentos realizados para melhorar a qualidade de vida do paciente, como aliviar a dor, porém, sem finalidade curativa. Alguns exemplos são retirada de tumores e traqueostomia; • radical: procedimento realizado para a retirada total ou parcial de órgão, como nefrectomia, histerectomia e apendicectomia; • plástica: procedimento realizado com intuito estético corretivo. É optativo para o paciente. Alguns exemplos são abdominoplastia e rinoplastia; • diagnóstica: procedimento cirúrgico realizado para diagnosticar alguma patologia. Geralmente, é feita a busca por meio da laparotomia exploratória ou com a retirada de fragmentos ou líquidos para análises microscópicas (biópsias); • reconstrutora: procedimento realizado para reconstruir órgão ou tecido lesionado que perdeu sua funcionalidade, como cirurgia reconstructiva de válvula aórtica e cirurgia reconstrutiva pélvica; • transplante: procedimento realizado para substituir órgãos que perderam sua funcionalidade, como transplante de rim, córnea e fígado. Temos, ainda, a consideração de risco cardiológico, o qual é dividido, conforme Possari (2011), da seguinte maneira: • cirurgia de grande porte: procedimento com provável perda de fluidos e sangue de grande proporção, com risco de comprometimento cardiológico, como cirurgias vasculares, grandes traumas, aneurismas e transplantes; 10 • cirurgia de médio porte: procedimento com provável perda de fluidos e sangue de média proporção, com risco de comprometimento cardiológico, como cirurgias orto- pédicas e histerectomia; • cirurgia de pequeno porte: procedimento com pequeno risco de perda de fluidos e sangue de grande proporção, com risco de comprometimento cardiológico. Quanto ao potencial de contaminação, as cirurgias limpas dizem respeito a procedimentos que são “realizados em tecidos estéreis ou passíveis de descontamina- ção, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local” (POSSARI, 2011, p. 98). De modo geral, essas cirurgias são eletivas e não ocorre penetração nos tratos digestório, respiratório e urinário. Podemos citar, como exemplos, as cirurgias cardíacas e neuroló- gicas, além das monoplastias, conforme Possari (2011). Já as cirurgias potencialmente contaminadas são procedimentos realiza- dos em “tecidos colonizados por flora microbiana residente pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 11). Podem ser re- alizadas nos tratos digestório, respiratório e urinário, desde que não haja contamina- ção importante nessa área. Também podem ser classificadas assim as cirurgias em que ocorreu pequena falha na técnica no transoperatório. São exemplos: histerectomia ab- dominal, gastrectomia e colecistectomia, conforme Carvalho e Bianchi (2016). As cirurgias contaminadas equivalem a procedimentos realizados em “te- cidos traumatizados recentemente e abertos ou em tecidos colonizados por flo- ra bacteriana abundante, cuja descontaminação é difícil ou impossível” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 11). Cirurgias que tiveram falhas grosseiras nas técnicas assépticas também podem ser caracterizadas como contaminadas. Temos, como exemplos, obs- trução biliar ou urinária, cirurgias dentárias e amigdalectomia, de acordo com Carvalho e Bianchi (2016). Finalmente, as cirurgias infectadas são procedimentos realizados em “qualquer tecido ou órgão, na presença de processo infeccioso com supuração local, tecido necrótico ou corpo estranho” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 11). Conforme Carvalho e Bianchi (2016), temos, como exemplos, as cirurgias de reto e ânus, limpezas cirúrgicas em tecidos necróticos e amputação de pé diabético. Para finalizar, segundo Possari (2011), ainda podemos classificar as cirurgias quanto ao tempo de duração, em: porte I: procedimentos cirúrgicos com tempo de duração de até 2 horas; porte II: procedimentos cirúrgicos com tempo de duração de 2 a 4 horas; porte III: procedimentos cirúrgicos com tempo de duração de 4 a 6 horas; porte IV: procedimentos cirúrgicos com tempo de duração acima de 6 horas. 11 3 NOMENCLATURA CIRÚRGICA É imprescindível que os profissionais de saúde saibam a terminologia cirúrgica, que nada mais é do que o nome científico dado aos procedimentos e às técnicas de cirurgia. Esses termos seguem a regra gramatical de formação de palavras: as palavras são compostas por raiz, que é a parte básica da estru- tura da palavra, e por afixos, prefixos e sufixos, que são acrescidos, respectivamente, antes e após a raiz. A nomenclatura cirúrgica se- gue essemesmo padrão, onde a raiz representa o segmento ana- tômico relacionado à intervenção cirúrgica, e os afixos determinam o diagnóstico ou o tratamento cirúrgico a ser realizado (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 133). Figura 4 – Exemplos de nomenclatura cirúrgica Fonte: adaptada de Possari (2011) Portanto, a terminologia cirúrgica é um termo gramaticalmente composto, padro- nizado e essencial para a assistência perioperatória. Tem como finalidade a identificação do procedimento a ser realizado, tanto de forma verbal quanto escrita, a fim de preparar a sala operatória, bem como os instrumentais e equipamentos a serem utilizados. 12 4 POSIÇÕES CIRÚRGICAS A posição cirúrgica é aquela posição em que o paciente será colocado para realizar o procedimento cirúrgico, devendo o sítio cirúrgico ficar exposto para facilitar as manobras cirúrgicas. Temos inúmeras variações para as posições, mas, segundo Possari (2011), é necessário estar atento ao conforto e à segurança do paciente: o posicionamento dos pacientes no centro cirúrgico deve ser encarado como um procedimento de grande complexidade, que envolve sérios riscos que, se não observados com responsabilidade e competência, podem comprometer definitivamente a saúde física e mental do paciente. Em decorrência disso, deve ser individualizado e adaptado às necessidades de cada pessoa e aos procedimentos previstos (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 162). Para posicionar o paciente, é necessário conhecer o procedimento cirúrgico e ter habilidade para não lesionar o indivíduo, tendo em vista que essa atividade é feita logo após a indução anestésica, ou seja, o paciente não estará sensível à dor. O mau po- sicionamento pode acarretar riscos como paresia pós-cirúrgica, lombalgia, hipotensão, traumas e entorses, conforme Possari (2011). Carvalho e Bianchi (2016) mencionam que, para realizar o posicionamento adequado, é importante que o profissional tenha o entendimento de que o conforto e a segurança são pontos centrais do procedimento, sendo que a prevenção de eventos adversos ao posicionamento cirúrgico é primordial para o desenvolvimento da assistência de qualidade. Frente a isso, a equipe cirúrgica deve conhecer as posições cirúrgicas mais utilizadas. Para conhecer mais detalhes sobre as posições cirúrgicas, o vídeo in- dicado a seguir nos mostra as posições convencionais e as variações que podem ser feitas a partir delas. Assista à produção completa por este link: https://www.youtube.com/watch?v=xqlbCTGte3c. DICA Uma das posições mais utilizadas é a posição de decúbito dorsal, pois é a que menos causa eventos adversos. Nessa posição, o paciente fica deitado com a coluna vertebral apoiada na maca cirúrgica, e os membros inferiores e superiores são estendidos e apoiados em braçadeiras. Pode ser utilizada em cirurgias abdominais, torácicas e vasculares, conforme Possari (2011). 13 Figura 5 – Posição de decúbito dorsal Fonte: Possari (2011, p. 131) Na posição de decúbito ventral, o paciente fica com o abdome sobre a mesa cirúrgica, e os braços são estendidos à frente, apoiados em braçadeiras. Para Possari (2011), é uma posição utilizada em cirurgias na coluna vertebral, na região lombar, occipital ou sacra. Figura 6 – Posição de decúbito ventral Fonte: Possari (2011, p. 132) Já na posição Fowler, o paciente fica sentado na mesa cirúrgica. De modo geral, ela só é utilizada quando o paciente apresenta um quadro de dispneia após algum procedimento em posição de decúbito dorsal. Segundo Possari (2011), é importante não deixar os braços dos pacientes soltos, pois pode ocasionar hipertensão nos ombros. Figura 7 – Posição de Fowler Fonte: Possari (2011, p. 132) 14 Na posição litotômica ou ginecológica, o paciente fica em decúbito dorsal so- bre a mesa cirúrgica, com os membros superiores estendidos, apoiados em braçadei- ras, e os membros inferiores flexionados, apoiados em perneiras confortáveis. Segundo Possari (2011), é uma posição utilizada em procedimentos ginecológicos ou prostáticos. Figura 8 – Posição litotômica ou ginecológica Fonte: Possari (2011, p. 133) De acordo com Possari (2011), essa posição apresenta mais facilidade de provocar lesão muscular pelo seu modelo não anatômico. Sendo assim, é necessário ter cuidados especiais ao movimentar os membros inferiores do paciente, como movimentá-los simultaneamente, para evitar lesão neuromuscular. Temos, também, a posição jakknife ou canivete, em que “os membros inferiores, o tórax e os membros superiores são abaixados, de modo que o corpo fique fletido sobre a mesa, mantendo-se a região a ser operada em plano mais elevado” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 179). Geralmente, é uma posição utilizada em cirurgias proctológicas ou na região dorsal. Aliás, nesse caso, é necessário fazer uso de suportes adicionais para o tórax, os membros inferiores e os superiores, para evitar lesões neuromusculares. Figura 9 – Posição jakknife ou canivete Fonte: Possari (2011, p. 133) 15 Na posição lateral ou SIMS, o paciente fica deitado lateralmente, com a perna superior flexionada e apoiada confortavelmente em coxins. Já a perna inferior é estendida sobre a mesa cirúrgica, com os membros superiores estendidos e fixados em um arco de proteção. Essa posição é utilizada, basicamente, em cirurgias renais, conforme Possari (2011). Figura 10 – Posição lateral ou SIMS Fonte: Possari (2011, p. 133) Para finalizar, na posição trendelenburg, o paciente fica em decúbito dorsal, com os membros inferiores elevados e a parte superior do tronco inclinada para baixo. Ela é utilizada para a realização de cirurgias abdominais, pois permite uma melhor visualização dos órgãos pélvicos, levantando a parte superior do intestino, segundo Possari (2011). Figura 11 – Posição trendelenburg Fonte: Possari (2011, p. 133) Nessa posição, é importante que, ao voltar o paciente para a posição de decú- bito dorsal, o movimento seja feito muito lentamente, para evitar hipotensão arterial. 5 EQUIPE CIRÚRGICA A equipe cirúrgica tem como principal objetivo prestar assistência ininterrupta ao paciente em todo o período transoperatório, oferecendo um cuidado de qualidade, com segurança e conforto, possibilitando o sucesso do procedimento anestésico- cirúrgico. 16 De acordo com a SOBECC (2017) e Carvalho e Bianchi (2016), os procedimentos ope- ratórios são divididos em quatro períodos. O período pré-operatório, por exemplo, é dividido em duas fases: 1. pré-operatório mediato, que começa com a decisão de fazer a cirurgia e se estende por até 24 horas de sua realização; 2. pré-operatório imediato, que começa 24 horas antes da cirurgia até a entrada do paciente no centro cirúrgico. Já o período transoperatório se refere ao momento em que o paciente é recebido no centro cirúrgico até o momento de sua transferência para a unidade de recuperação anestésica. Depois, temos o período intraoperatório, que inicia com o procedimento anestésico e se estende até o final do procedimento. Esse período se insere dentro do período transoperatório. O período pós-operatório é dividido em quatro fases: 1. recuperação anestésica, que se inicia com a chegada do paciente na sala de recuperação pós-anestésica e finaliza com a sua saída para a unidade de internação; 2. pós-operatório imediato, que corresponde às primeiras 24 horas após o procedimento cirúrgico; 3. pós-operatório mediato, que se inicia 24 horas após o fim do procedi- mento cirúrgico e finaliza com a alta hospitalar do paciente; 4. pós-operatório tardio, que pode variar de acordo como o tipo de cirurgia, podendo ser 15 dias até um ano após o procedimento cirúrgico. INTERESSANTE Os profissionais devem estar focados no bem-estar do paciente, trabalhando em equipe e respeitando o espaço e as habilidades de cadaum, de forma a visar à eficácia do ato cirúrgico. A equipe cirúrgica, geralmente, é dividida em três grupos: equipe de médicos cirurgiões, equipe de médicos anestesiologistas e equipe de enfermagem, conforme a Figura 12: 17 Figura 12 – Equipe cirúrgica Fonte: a autora Existem vários outros profissionais que prestam assistência no centro cirúrgico, como: auxiliar de serviço gerais; técnicos de raio X; técnicos de laboratórios; biomédi- cos. No entanto, neste estudo, vamos nos deter às três principais equipes, ressaltando que todas as funções desempenhadas pelos integrantes estão de acordo com as com- petências que lhe são exigidas e embasadas nos respectivos códigos de lei do exercício profissional, conforme Carvalho e Bianchi (2016). 5.1 EQUIPE MÉDICA A equipe médica é formada por profissionais médicos cirurgiões, seus assisten- tes e auxiliares e por médicos anestesiologistas. O médico cirurgião ou cirurgião titular é o profissional responsável pelo ato cirúrgico e pela composição da equipe, pela técnica cirúrgica empregada e por direcionar o procedimento e a equipe. Sua relação com os demais profissionais envolvidos no procedimento deve ser baseada no respeito mútuo e na ética profissional, considerando a liberdade das profissões e o bem-estar do paciente. Segundo Carvalho e Bianchi (2016), as atribuições do cirurgião são: • participar da equipe cirúrgica com outros médicos e outros profissionais da equipe, a exemplo de instrumentadores cirúrgicos ou, ainda, acadêmicos de Medicina; • estar ciente da qualificação do médico assistente para o caso de, porventura, necessitar ser substituído no ato cirúrgico; • assegurar-se das condições de segurança do ambiente hospitalar e somente realizar o procedimento se tudo estiver adequado; 18 • colaborar com a realização do checklist cirúrgico nas seguintes ocasiões: antes do início da cirurgia/incisão na pele e ao término da cirurgia, antes de o paciente sair da SO; • responsabilizar-se, integralmente, pelo ato operatório; • assumir, diretamente, todas as consequências decorrentes do ato cirúrgico; • planejar, executar e comandar a cirurgia, mantendo a ordem no campo operatório; • coordenar a intervenção cirúrgica e proceder as técnicas básicas da cirurgia: realizar diérese nas estruturas, fazer a hemostasia e a síntese dos tecidos, do início ao fim do procedimento; • manter a organização, a disciplina e a harmonia durante o ato operatório. O cirurgião assistente é o profissional médico habilitado para realizar o procedimento cirúrgico. A sua principal função é auxiliar o médico titular durante a cirurgia e substituí-lo quando necessário (por essa razão, precisa ser um cirurgião que conheça as técnicas cirúrgicas). Em cirurgias de grande porte, pode haver mais de um cirurgião assistente. Segundo Carvalho e Bianchi (2016), as atribuições do cirurgião assistente são: • garantir que o prontuário do paciente esteja completo, com todos os exames realiza- dos pelo antes da cirurgia, sendo encaminho ao centro cirúrgico junto do paciente; • acompanhar o paciente na sua entrada na SO, verificar a necessidade de procedi- mentos no pré-operatório imediato e providenciá-los, como punção venosa, catete- rismo vesical de demora, sondagem nasogástrica etc; • auxiliar a equipe no posicionamento adequado do paciente, de acordo com o procedimento cirúrgico a ser realizado; • auxiliar o instrumentador na montagem da mesa e na solicitação de materiais ao circulante de sala; • cooperar na realização do checklist cirúrgico nos momentos necessários; • fazer a antissepsia da pele do paciente junto do cirurgião; • exercer as atividades delegadas pelo cirurgião titular durante o ato cirúrgico; • estar preparado para substituir o cirurgião titular em caso de necessidade; • auxiliar o cirurgião titular abrindo o campo operatório, expondo as vísceras para facilitar as manobras cirúrgicas; • ajudar na transferência do paciente para SRPA, bem como acompanhá-lo na transferência. Diérese diz respeito a corte, divisão, secção dos tecidos. Hemostasia, por sua vez, é a contenção de sangramento e hemorragias. Já a exérese é a remoção cirúrgica de tecido ou órgão debilitado. Por fim, a síntese é o fechamento dos tecidos seccionas com suturas, segundo Possari (2011). NOTA 19 De acordo com Possari (2011), a Antiguidade, o corpo humano não era totalmente co- nhecido, e os médicos preferiam tratar seus pacientes clinicamente, pois temiam rea- lizar procedimentos. Assim, os cirurgiões não se formavam nas universidades, tendo apenas ensinamentos práticos que, geralmente, eram repassados pelos familiares que já praticavam as cirurgias. Inclusive, eles acreditavam que os procedimentos cirúrgicos precisavam unicamente de habilidades ma- nuais. Nessa época, os cirurgiões eram chamados de “cirurgiões barbei- ros” e eram considerados parte de uma categoria inferior aos médicos formados da universidade, devido às características mecânicas do seu trabalho. Por volta de 1978, após uma convenção dos cirurgiões trei- nados por aprendizagem prática, foi desfeita a associação dos cirur- giões aos barbeiros. Com isso, os cirurgiões passaram a apresentar status de médicos e começaram a defender a cirurgia como um braço da Medicina. INTERESSANTE No Brasil, somente o profissional médico anestesiologista pode realizar o procedimento anestésico. Em alguns países, como os Estados Unidos, essa prática pode ser realizada por uma enfermeira anestesista. De acordo com Rothrock (2007), o anestesista é o responsável por controlar as funções clínicas do paciente durante todo o período operatório, ou seja, deve avaliar os sinais vitais, bem como as funções sensoriais e cerebrais do indivíduo. A anestesia é caracteriza pela perda de sensibilidade dolorosa, que pode ser acompanhada ou não pela perda de consciência. Tem como objetivos “extirpar a sensibi- lidade dolorosa durante a cirurgia, promover relaxamento muscular e proporcionar condi- ções ideais para a atuação da equipe cirúrgica” (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 189). Segundo Possari (2011), as anestesias são divididas em duas classes, de acordo com a inibição dolorosa que elas provocam: anestesia geral, em que o paciente perde a consciência da dor; anestesia regional, com a perda da sensibilidade de algumas partes do corpo. A anestesia já existe há muitos séculos, mesmo que para servir apenas como analgesia. Na Antiguidade, as primeiras substâncias utilizadas para realizar anestesia foram os chás mandrágoras misturados ao vinho. Além desses, o extrato de ópio também foi usado. Inúmeras outras substâncias foram testadas e conhecidas até chegar às drogas que temos hoje. Se quiser conhecer mais sobre a história da anestesia, indicamos que leia o capítulo a seguir, disponível neste link: https://books.scielo.org/ id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-11.pdf. DICA 20 Seguindo a Resolução CFM n. 2.147/2016 (CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2016), são estabelecidas como atribuições do médico anestesiologista: • conhecer as condições clínicas do paciente antes da realização de qualquer anestesia, salvo nas situações de urgência e emergência; • decidir sobre a realização ou não do ato anestésico; • realizar a consulta pré-anestésica para procedimentos eletivos, recomendando-se que seja feita em consultório médico, antes do internamento na unidade hospitalar; • proceder à avaliação pré-anestésica do paciente quando a consulta pré-anestésica não for realizada em tempo hábil, antes da admissão no centro cirúrgico; • permanecer dentro da sala de procedimento, monitorando e assistindo ao paciente até o fim do ato anestésico, para conduzir as anestesias gerais ou regionais com segurança; • prescrever, obrigatoriamente em prontuários, como fonte de documentos, todas as informações relativas à avaliação e prescriçãopré-anestésicas, bem como evolução clínica e tratamentos intra e pós-anestésico; • averiguar, antes do procedimento cirúrgico, as condições de segurança do ambiente para a prática da anestesia. De acordo com a mesma Resolução, é vedada a realização de anestesias simultâneas em pacientes distintos pelo mesmo profissional, ao mesmo tempo, ainda que seja no mesmo ambiente cirúrgico. ATENÇÃO Ainda sobre as atribuições dos anestesistas, Carvalho e Bianchi (2016) reforçam: • antes do procedimento anestésico, é imprescindível a verificação do funcionamento adequado de todos os equipamentos que serão utilizados para a sua realização; • deve-se monitorizar os sinais vitais do paciente em ficha própria durante a anestesia; • é preciso responder diretamente por todas as consequências decorrentes do ato anestésico; • deve-se colaborar com a execução do checklist cirúrgico antes da indução anestésica; • é preciso se responsabilizar pelo encaminhamento dos pacientes para a SRPA após a cirurgia, até a sua alta para a unidade de internamento. Segundo as autoras, o papel do anestesista no centro cirúrgico engloba inú- meros procedimentos que devem ser realizados exclusivamente por esse profissional. É extremamente importante que o médico anestesista permaneça ao lado do paciente durante todo o procedimento cirúrgico, prestando assistência e garantindo a segurança do paciente. 21 O Protocolo de Cirurgia Segura é implementado a partir de uma lista de verificação de segurança cirúrgica, que chamamos de “checklist cirúrgico”. Ela é utilizada para identificar, comparar e verificar o cumprimento às etapas críticas de segurança e, assim, minimizar os riscos evitáveis mais comuns, os quais colocam em risco a vida e o bem-estar dos clientes cirúrgicos. Esse protocolo deve ser feito antes da indução anestésica, antes do início da cirurgia/incisão na pele e ao término da cirurgia, antes de o paciente sair da SO. Os dez objetivos essenciais para a cirurgia segura são: 1. certificar-se de que é o paciente e o sítio cirúrgico corretos; 2. proteger o paciente da dor, minimizando os riscos da anestesia; 3. ter capacidade para reconhecer dificuldades respiratórias e um plano de ação pronto; 4. preparar-se para identificar e agir em caso de grande perda sanguínea; 5. evitar induzir reações alérgicas ou à medicação que tragam riscos ao paciente; 6. usar métodos para minimizar o risco de infecções de sítio cirúrgico; 7. evitar a retenção de compressas ou instrumentos em feridas cirúrgicas; 8. identificar, de maneira precisa, todos os espécimes cirúrgicos; 9. comunicar e trocar informações críticas sobre o paciente; 10. estabelecer vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos. IMPORTANTE 6 EQUIPE DE ENFERMAGEM A história da cirurgia retrata, há muito tempo, a participação da enfermagem nos procedimentos cirúrgicos. Esses profissionais sempre estiveram presentes, proporcionando um espaço limpo, adequado e seguro, propício para a realização da cirurgia. No entanto, a sua atuação se resumia a esse trabalho. Atualmente, no entanto, com as evoluções tecnológica e científicas na saúde, graças aos cursos de enfermagem, esses profissionais estão a cada vez mais desenvolvendo competências para oferecer uma assistência no perioperatório de forma integral, individualizada e segura, conforme Carvalho e Bianchi (2016). Segundo a SOBECC (2017), a enfermagem, como parte da equipe multiprofissio- nal no centro cirúrgico, desenvolve uma assistência curativa e sistematizada, atuando de forma coletiva para promover uma melhor interação entre equipe, paciente e família. Para tanto, é de suma importância que os cuidados de enfermagem sejam realizados por profissionais capacitados para realizar procedimentos específicos e, às vezes, até de alta complexidade. A equipe de enfermagem se subdivide em enfermeiros, técnicos de enferma- gem, auxiliares de enfermagem e instrumentadores cirúrgicos. 22 Segundo a SOBECC (2017), o enfermeiro é o profissional habilitado e capaci- tado para desenvolver ações de gerenciamento e assistência de enfermagem em todas as etapas do ato anestésico-cirúrgico. Em algumas instituições, a função do enfermeiro é dividida em: • coordenação de enfermagem, que cuida da parte administrativa; • enfermeiro assistencial, que presta cuidados diretos ao paciente no procedimento cirúrgico. Em outros casos, apenas um profissional realiza as duas funções. Logo, exige maior organização do profissional e a priorização das atividades mais urgentes. Carvalho e Bianchi (2016) reiteram que o enfermeiro, de forma geral, tem suas atribuições voltadas para a coordenação, o ensino, a assistência e a pesquisa, mas, para atuar no centro cirúrgico, deve ter experiência e especialização na área, além de um bom relacionamento interpessoal e estabilidade emocional para desenvolver a assis- tência e habilidades em gerência de enfermagem. Segundo a SOBECC (2017), as principais atribuições dos enfermeiros assis- tenciais são: • realizar a sistematização da assistência de enfermagem perioperatória; • supervisionar as ações dos profissionais da equipe de enfermagem; • responsabilizar-se pelo provimento de recursos humanos necessários para o atendi- mento na SO, bem como do dimensionamento das atividades dos funcionários; • planejar antecipadamente a programação cirúrgica e providenciar os materiais ne- cessários para a realização dos procedimentos, além de checar peças implantáveis, quando necessário; • direcionar a montagem e desmontagem dos materiais e equipamentos na SO, bem como dar o encaminhamento a materiais para os locais adequados; • classificar a ordem dos procedimentos de acordo com o grau de complexidade clínica e cirúrgica dos pacientes; • gerenciar a manutenção de um ambiente livre de contaminação; • realizar as visitas pré e pós-operatórias, sendo que, quando não for possível, deverá recepcionar o paciente no centro cirúrgico; • conferir o preenchimento dos impressos e exames no prontuário, bem como a pulseira de identificação do paciente; • realizar o checklist cirúrgico em três momentos: antes da indução anestésica, antes do início da cirurgia/incisão na pele e ao término da cirurgia, antes de o paciente sair da SO; • auxiliar o anestesiologista durante o início do ato anestésico, caso a instituição não disponha de auxiliar de anestesia; • executar procedimentos de enfermagem, como cateterismo vesical, acesso venoso periférico, passagem de sonda gástrica e curativos ao fim ato cirúrgico; 23 • verificar o posicionamento correto de dispositivos como sondas, drenos, cateteres, placa dispersiva do bisturi elétrico, dentre outros; • prestar assistência ao paciente e à equipe, antes, durante e após o ato anestésico- cirúrgico; • checar resultados de exames laboratoriais quando realizados no período transopera- tório; • conferir e orientar ao circulante de sala o acondicionamento da peça cirúrgica e seu registro adequado; • participar da transferência do paciente da mesa cirúrgica para a maca e observar possíveis eventos adversos; • registrar todas as intercorrências e a evolução de enfermagem no prontuário do paciente; • auxiliar no encaminhamento do paciente para a SRPA ou outra unidade específica, quando houver necessidade; • cumprir as normas e rotinas institucionais. O enfermeiro coordenador, por sua vez, exerce atividades de gerenciamento no bloco cirúrgico, como planejar, organizar, dirigir, executar e avaliar os cuidados de enfermagem realizados nesse setor. A SOBECC (2017) classifica a assistência prestada pelo gerente de enfermagem em atividades relacionadas ao funcionamento da unidade, atividades técnico-administrativas, atividades assistenciais e atividades administrati- vas de pessoal. Segundo a SOBECC (2017), as atribuições do enfermeiro coordenador relacionadas ao funcionamento da unidade são: • contribuir coma elaboração de normas, rotinas e procedimentos do setor; • verificar a necessidade de materiais, equipamentos e instrumental cirúrgico, solicitando tais insumos para o setor; • contribuir com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e orientar para que sejam cumpridas as normas por toda a equipe; • elaborar escalas mensais e diárias de atividades dos funcionários; • resolver situações administrativas e assistenciais com respaldo científico. Já com relação às atividades técnico-administrativas e de pessoal, segundo a SOBECC (2017), as atribuições do enfermeiro coordenador são: • avaliar o desempenho da equipe; • estabelecer o perfil do profissional do centro cirúrgico; • planejar e participar de treinamentos de novos funcionários e dos já existentes; • dispor da educação permanente em saúde; • prover recursos humanos para realizar o ato anestésico-cirúrgico; • promover a qualidade da assistência. 24 Ainda sobre as atribuições do enfermeiro coordenador, com relação às atividades assistenciais, a SOBECC (2017) cita as seguintes: • conferir o agendamento de cirurgias; • direcionar a montagem da SO; • supervisionar o relacionamento interpessoal da equipe de enfermagem; • reconhecer os problemas e propor soluções; • notificar ocorrências e providenciar que todos os impressos sejam preenchidos corretamente. Os técnicos ou auxiliares de enfermagem trabalham em parceria e sob supervisão do enfermeiro. As atividades desenvolvidas por esses profissionais são consideradas de maior complexidade, no entanto, no centro cirúrgico, elas podem ser realizadas tanto pelo técnico como pelo auxiliar de enfermagem, conforme Carvalho e Bianchi (2016). Dentre as principais atividades realizadas pelos técnicos de enfermagem no centro cirúrgico, podemos mencionar a de circulante de sala. De acordo com as autoras, as atribuições dos técnicos ou auxiliares em enfermagem, como circulantes de sala, são as seguintes: • informar-se das cirurgias que estarão sob sua responsabilidade; • implementar o plano assistencial descrito pelo enfermeiro; • organizar materiais e equipamentos para serem utilizados no ato anestésico- cirúrgico; • receber o plantão conforme a rotina da instituição e se responsabilizar pela circulação da SO sob sua responsabilidade; • verificar a temperatura e iluminação da SO; • montar a SO de acordo com a programação cirúrgica; • recepcionar o paciente na entrada da SO; • realizar o encaminhamento do paciente com segurança para a SO; • ajudar na transferência do paciente da maca para a mesa cirúrgica, atentando-se para o posicionamento correto, mantendo a privacidade do paciente e a permeabilidade de cateteres e sondas, bem como a colocação da placa dispersiva do bisturi elétrico; • requisitar a manutenção de temperatura ideal em SO, considerando as necessidades individuais do paciente e da equipe cirúrgica; • abrir corretamente os materiais estéreis, utilizando as técnicas assépticas; • participar da realização do checklist cirúrgico; • auxiliar o anestesiologista na indução e reversão do procedimento anestésico; • solicitar a presença do enfermeiro assistencial responsável pela SO quando em situações imprevistas ou emergenciais; • não se ausentar da SO, a não ser que seja estritamente necessário; • quando necessário, verificar pacotes de gazes e compressas; • fazer o controle de materiais utilizados em SO para posterior reposição; 25 • identificar e encaminhar devidamente as peças cirúrgicas e os materiais para análise no decorrer da cirurgia; • auxiliar a transferência do paciente para a unidade recomendada; • registrar todas as informações no prontuário do paciente; • realizar à desmontagem da SO ao término do procedimento cirúrgico; • encaminhar os materiais contaminados à CME; • solicitar a equipe de higiene a limpeza da SO; • organizar o ambiente de trabalho, colaborando para manter boas condições de segurança ambiental para o paciente e para a equipe; • estar atento à realização das limpezas específicas da SO (preparatória, operatória, concorrente e terminal) segundo rotina institucional e normas da CCIH; • participar de treinamentos e programas de aperfeiçoamento oferecidos pela instituição. Segundo a SOBECC (2017), é recomendado que a assistência de enfermagem no perioperatório seja realizada pelo enfermeiro assistencial. Porém, quando não for possível, o técnico de enfermagem possui habilitação técnico-cientifica para desenvol- ver essa assistência. Dentre os tipos de limpeza do centro cirúrgico, de acordo com Carvalho e Bianchi (2016), temos: • preparatória: é a limpeza realizada antes do primeiro procedimento do dia, devendo ser precedida da retirada do pó das superfícies horizontais da SO, com o auxílio de tecido limpo embebido por um produto desinfetante indicado pela CCIH da instituição; • operatória: deve ser realizada imediatamente à ocorrência da sujidade, como no derramamento de substâncias acidentalmente no chão da sala. Para essa limpeza, deverá ser utilizado um pano de tecido ou não tecido descartável, limpo e umedecido; • concorrente: deve ser realizada após cada procedimento cirúrgico para remover toda a sujidade visível da SO, bem como organizar a sala. Essa limpeza envolve o descarte do material descartável, a retirada de materiais contaminados, além de piso e mobiliário utilizados na cirurgia, se tiver sujidade visível; • terminal: é a limpeza realizada ao fim de todos os procedimentos eletivos, diariamente. Deve ser completa e incluir pisos, paredes, equipamentos, móveis, leitos, macas, colchões, janelas, portas, pei- toris, varandas, grades do ar-condicionado, luminárias, teto, dentre outros equipamentos ou materiais utilizados. INTERESSANTE 26 Neste tópico, você aprendeu: • O centro cirúrgico é o ambiente destinado para realizar procedimentos anestésico- cirúrgicos. Deve estar localizado dentro da estrutura hospitalar, próximo às unidades de emergências e de terapia intensiva. De modo geral, seu ambiente interno deve conter salas de operação, sala de recuperação pós-anestésica e centro de material e esterilização. • As áreas do CC podem ser classificadas de acordo com o grau de assepsia, podendo ser restrita, semirrestrita e não restrita. As cirurgias podem ser classificadas quanto ao momento operatório, finalidade, risco cardiológico, potencial de contaminação e porte cirúrgico. A nomenclatura cirúrgica é definida pelo órgão que vai ser operado, juntando com procedimento a ser realizado (raiz + sufixo). É extremamente importan- te que os profissionais saibam os nomes dos procedimentos cirúrgicos. • Vários profissionais prestam assistência no centro cirúrgico: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, além de outros profissionais, como profissionais da lim- peza, técnicos de raio-x, técnicos de laboratórios e biomédicos. A equipe cirúrgica propriamente dita é composta basicamente por cirurgião, auxiliar do cirurgião, anes- tesista, instrumentador cirúrgico e circulante de sala. • Na equipe cirúrgica, o cirurgião titular é o principal responsável pelo procedimen- to realizado. O enfermeiro pode atuar como gerente de unidade ou enfermeiro as- sistencial. De modo geral, os técnicos de enfermagem desenvolvem as funções de circulante ou, ainda, de instrumentador cirúrgico, e o médico anestesiologista é o responsável direto pelo procedimento anestésico. RESUMO DO TÓPICO 1 27 AUTOATIVIDADE 1 A assistência ao paciente no perioperatório deve ser realizada por uma equipe capacitada e comprometida com bem-estar e a segurança do paciente. A equipe de enfermagem desenvolve suas atividades na equipe cirúrgica de várias maneiras, podendo, ainda, desempenhar as funções de circulante de sala e de instrumentação cirúrgica. SOBECC. Diretrizes de práticas em enfermagem cirúrgica e processamento de produtos para a saúde. 7.ed. São Paulo: SOBECC, 2017. Sobre as atribuições do circulante de sala, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Verificar a temperatura e iluminação da SO. ( ) Realizar a programação diária de cirurgias. ( ) Responsabilizar-se diretamente pelo procedimento anestésico. ( ) Checar o funcionamento do sistema de gases, equipamentos e materiais a serem utilizados nos procedimentos anestésico-cirúrgicos sob sua responsabilidade. ( ) Seguir o agendamento cirúrgico e a programação feita pelo enfermeiro. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V – V – V. b) ( ) V – F – F – V – V. c) ( ) F – V – V – V – F. d) ( ) F – F – V – F – F. 2 A equipe cirúrgica geralmente está dividida em três grupos: equipe de médicos cirurgiões, equipe de médicos anestesiologistas e equipe de enfermagem. A equipe precisa desenvolver suas atividades no sentido de promover a segurança do paciente e o êxito no procedimento cirúrgico. Sobre a equipe médica, analise as sentenças a seguir: I- O médico cirurgião ou cirurgião titular é o profissional responsável pelo ato cirúrgico e pela composição da equipe, pela técnica cirúrgica empregada e por direcionar o procedimento e a equipe. II- O cirurgião titular não precisa, nem deve colaborar com a realização do checklist cirúrgico. III- O anestesista é o responsável por controlar as funções clínicas do paciente durante todo o período operatório. IV- O anestesista pode realizar vários procedimentos anestésicos simultaneamente. 28 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças II e IV estão corretas. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 As posições cirúrgicas são as diversas maneiras das quais o paciente pode ser colocado para realizar a intervenção cirúrgica. Esse posicionamento deve favorecer a execução do procedimento. No entanto, é de suma importância estar atento ao conforto do paciente, para não provocar lesões musculares ou ortopédicas. Considerando as posições cirúrgicas, analise as sentenças a seguir: I- A posição de decúbito ventral é utilizada nas cirurgias de coluna vertebral. II- A posição de Fowler favorece a oxigenação do paciente, podendo ser utilizada quando o paciente apresentar dispneia durante o procedimento cirúrgico. III- Na posição de trendelenburg, a parte superior do tronco fica inclinada para baixo. Essa posição é recomendada para cirurgias abdominais, pois facilita a visualização dos órgãos pélvicos. IV- A posição de SIMS é a recomendada para as cirurgias renais. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença IV está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. 4 O centro cirúrgico é um ambiente da estrutura hospitalar regido por normas assépticas rigorosas. Portanto, os profissionais que atuam nessa unidade precisam respeitar as normas estabelecidas, para não ocasionar quebra da assepsia cirúrgica. Uma das normas ressalta que a circulação de pessoas e equipamentos deve ser restrita. Considerando tais informações, descreva as áreas assépticas do bloco cirúrgico. 5 O centro cirúrgico é o local apropriado para a realização de intervenções cirúrgicas, na atualidade os procedimentos cirúrgicos estão cada vez mais sendo utilizado para diagnóstico e tratamento de doenças. A unidade cirúrgica deve estar interligada com outras unidades hospitalares, como emergência e unidades de terapia intensiva, para facilitar o transporte dos pacientes. A estrutura interna do CC apresenta três setores, que são essenciais a assistência perioperatória, descreva-os enfatizando suas características. 29 COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, abordaremos a importância da comunicação entre os componen- tes de uma equipe, iniciando com os conceitos de comunicação, para entendermos me- lhor como se dá esse processo em todos os ambientes e, principalmente, no trabalho. É importante reconhecermos que, na área da saúde, precisamos interagir com várias pessoas, como colegas de profissão, pacientes, familiares e demais sujeitos que circundam nosso mundo de trabalho. Frente a isso, precisamos desenvolver interações que nos permitam trocas construtivas e transformadoras, melhorando cada vez mais a maneira como nos socializamos. É por meio da comunicação que as pessoas influenciam umas as outras. Sem ela, as inovações não seriam possíveis, assim como também não haveria socialização. Portanto, a comunicação é a essência humana, uma vez que é por meio dela que conseguimos construir conhecimentos e desenvolver o processo criativo. De acordo com Dolzan (2021), nas organizações, uma comunicação assertiva é vital e indispensável para o processo de trabalho, abrindo espaço para socialização inteligentes e inovadoras. Além disso, precisamos estabelecer conexões, relações cordiais e respeitosas em todos os ambientes em que convivemos, visto que uma boa comunicação nos possibilita oportunidades de desenvolvimento humano e constante aprendizado. Mas o que seria uma comunicação efetiva? E quanto à comunicação assertiva? Alguns podem pensar que, por saber falar, ter voz ou saber Língua Brasileira de Sinais (Libras), certamente, sabe-se comunicar. Não estaria errado, mas pode ser que essa comunicação não seja suficiente para se fazer entender de forma eficiente ou, ainda, ser eficaz na resolução de um conflito. Logo, a partir de agora, vamos compreender o processo de comunicação entre as pessoas no trabalho e, principalmente, como melhorar a forma de nos comunicarmos. 30 2 CONCEITOS DE COMUNICAÇÃO A comunicação é conceituada, segundo Dolzan (2021), como um ato de transmitir e receber uma mensagem. Pode ser, ainda, um aviso ou uma informação. A comunicação também pode ser considerada uma necessidade humana básica, pois nós, seres humanos, precisamos nos comunicar para vivermos em sociedade. Nesse sentido, a comunicação é primordial para as relações humanas, podendo ser realizada de diversas maneiras. No entanto, ela só é considerada efetiva quando a mensagem é recebida e entendida plenamente. De acordo com Weiss et al. (2018), a comunicação e a linguagem se entrelaçam, considerando que essa última é um conjunto de sistema de sinais estabelecidos que nos possibilita realizar ações de comunicação. Os autores, ainda, completam que existem várias linguagens e comunicações, como a Libras, a nossa fala, os sinais de trânsito – em resumo, as linguagens verbais e as linguagens não verbais. A linguagem verbal é aquela em que utilizamos palavras para nos comunicar- mos, podendo ser de forma oral ou escrita: caracterizada pelo uso de palavras, é composta por dois tipos: - comunicação oral, realizada por meio de sinais orais e fala – caso de palavras, choro, risada, grito, dentre outros; - comunicação escrita, que é realizada por códigos escritos – letras, símbolos gráficos, logotipos fazem parte deste tipo de comunicação (DOLZAN, 2021, p. 41). Já a linguagem não verbal é aquela que não utiliza palavras para se comuni- car. Ela ocorre por meio de gestos, sons, cores, imagens, dentre outras possibilidades. Esse tipo de linguagem também serve para incrementar o que falamos. Como exemplos da linguagem não verbal, temos os sinais de trânsito, em que a mensagem é repassada pelas cores; e a Libras, que se efetiva por gestos, conforme Weiss et al. (2018). Para Menezes e Feitosa (2015), a Libras é uma língua natural utilizada pela maioria dos surdos do Brasil para se comunicar. É uma língua pronunciada pelo corpo e percebida pela visão. Logo, para aprender Libras, é necessário atenção visual,agilidade manual e expressão facial e corporal. Ela não é uma língua universal, mas, no Brasil, teve como referência a Língua de Sinais Francesa. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional. NOTA 31 2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO De acordo com Weiss et al. (2018), são quatro os tipos de comunicação: • Comunicação formal: é o tipo de comunicação oficial, geralmente utilizada por em- presas, instituições e repartições públicas. Quase sempre é por escrito, em lingua- gem culta. Como exemplos, podemos citar ofícios, circulares, formulários, cartas. • Comunicação informal: é a comunicação simples, espontânea, sem formalidades. De modo geral, é uma maneira de expressar opiniões e conceitos com retorno rápi- do a questionamentos, não sendo considerada organizativa pelas instituições. Como exemplos, podemos citar ligações telefônicas, conversas entre colegas de trabalho, troca de mensagens via celular. • Comunicação unilateral: é aquela em que apenas uma pessoa transmite a mensa- gem. Pode ser somente para uma pessoa ou para várias pessoas ao mesmo tempo. Como exemplos, temos as palestras e os programas de rádio e televisão. • Comunicação bilateral: é aquela em que existe uma troca de mensagens entre duas ou mais pessoas, como em uma conversa ou entrevista com perguntas e respostas. De acordo com Dolzan (2021), também temos outros tipos de comunicação: • Comunicação interpessoal: é quando nos comunicamos com nós mesmos, por meio de pensamentos, anotações espontâneas ou em um processo criativo. • Comunicação intragrupal e intergrupal: a intragrupal é aquela realizada entre grupos em comum, como grupos de trabalho de uma sala de aula. Já a intergrupal é quando os grupos em comum se comunicam com outros tipos de grupo, como os grupos de uma sala de aula se comunicando com grupos de outra sala de aula, da mesma escola. • Comunicação em massa: é quando a mensagem de uma pessoa chega a uma quantidade maciça de pessoas. • Comunicação visual, auditiva, olfativa, tátil ou gustativa: é quando utilizamos os sentidos para transmitir e receber mensagens, como ouvir uma música, comunicar- se em Libras, experimentar o gosto de uma comida, dentre outros. • Comunicação telefônica ou virtual: é aquela feita por telefones, smartphones, computadores, linha telefônica ou internet. • Comunicação televisiva ou cinematográfica: dá-se por meio dos aparelhos de televisão, dos cinemas e de telas grandes. • Comunicação publicitária: tem por objetivo divulgar uma marca, um produto ou um serviço. • Comunicação jornalística: tem a finalidade de transmitir mensagens que se relacionam com os fatos e acontecimentos do cotidiano das pessoas. • Comunicação educacional: tem como finalidade transmitir mensagens que possam educar, promover ensinamentos, desenvolver as habilidades e competências dos indivíduos. • Comunicação política: tem como objetivo transmitir mensagens que construam posicionamentos políticos em seus expectadores. 32 • Comunicação vertical ou horizontal: é utilizada quando existem hierarquias, como nas instituições de trabalho, a exemplo do líder ou gerente mandando uma mensagem para sua equipe ou vice-versa. Já a horizontal diz respeito a pessoas do mesmo nível trocando informações, como colegas de trabalho de um mesmo setor. Considerando os vários tipos de comunicação, como vimos, cada modalidade representa uma maneira de expressar e passar informações. Algumas vezes, a men- sagem não chega de forma adequada ao receptor, muito provavelmente pela escolha errada do tipo de comunicação ou do meio que foi utilizado para transmitir a mensagem. 3 COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS O indivíduo se desenvolve a partir de sua convivência com outras pessoas, sendo que o relacionamento com os seres que nos cercam nos permite adquirir uma nova forma de pensar ou agir. É com o convívio e a observação que vamos construindo nossos preceitos e nossas opiniões. Esse processo pode ser chamado de comunicação, conforme Fonseca et al. (2016). De acordo com Weiss et al. (2018), a comunicação é uma troca entre os indi- víduos, na qual informações, sentimentos ou experiências são transmitidos de modo a alcançar uma sinergia dentro de um grupo ou uma organização, a partir de trocas e atitudes afins, que podem se unir em um processo de cooperação mútua, permitindo o alcance de objetivos em comum. Nesse caso, podemos citar, como exemplo, o trabalho em equipe nas organizações. Os autores ainda reiteram que, “quando nos comunica- mos, partilhamos algo e, por esse ato de compartilhar ou comunicar, conhecemos e somos conhecidos” (WEISS et al., 2018, p. 20). Nesse sentido, podemos afirmar que, quando conseguimos nos comunicar de forma efetiva, estamos sendo conhecidos e entendidos. Por isso, a qualidade da nossa existência humana depende de nossos relacionamentos: a comunicação nas relações interpessoais pode ser entendida, de uma forma mais simplificada, como sendo uma atividade caracterizada pela transmissão e recepção de informações entre indivíduos ou, ainda, como o modo pelo qual se constroem e se interpretam significados a partir das trocas de experiências. Enfim, o processo de comunicação é marcado por um procedimento resultante de uma interação social (WEISS et al., 2018, p. 20-21). Dolzan (2021) concorda com Weiss et al. (2018) quanto a ser necessário enten- der que a comunicação tem responsabilidade na troca de experiências, dados e infor- mações. Ela está sustentada no compartilhamento, na comunhão, no promover algo entre os indivíduos. Desse modo, sempre que houver troca de informações e experiên- cias, com o entendimento da mensagem transmitida, fazendo com que as relações se estreitem, temos uma comunicação. 33 De acordo com Weiss et al. (2018), os elementos da comunicação são componentes que estão presentes no desenvolvimento da comunicação. Por exemplo, o emissor é aquele que envia a mensagem. Pode ser uma pessoa ou um grupo, um órgão, uma empresa, um canal de televisão, um site na internet, dentre outras possibilidades. Já o receptor é a pessoa que vai receber a mensagem. Pode ser para uma pessoa ou um público-alvo. A mensagem em si é o objeto da comunicação, ou seja, o assunto de que é tratado. Para tanto, temos o canal da comunicação, que é meio pelo qual a mensagem será circulada até chegar ao seu destinatário. Podemos citar, como exemplos, o jornal, a revista, a televisão, o rádio, o folheto, o folder, o outdoor e o próprio ar. Temos, ainda, o código, que é o meio por meio do qual a mensagem é transmitida, ou seja, pela fala, pela escrita, pelos gestos ou pelas imagens. Por fim, o referente é o contexto ou a situação na qual a mensagem está sendo transmitida ou, ainda, em que emissor e receptor estão inseridos. Desse modo, a linguagem pode apresentar diversas funções, como emocionar, informar, persuadir, fazer refletir. INTERESSANTE Assim, ao conceituarmos a comunicação em vários aspectos, compreendemos que, nas relações interpessoais, é imprescindível que possamos desenvolver formas inteligentes de nos comunicarmos, entender e conhecer os indivíduos que nos cercam, bem como deixar que as outras pessoas nos conheçam também. Contudo, vale men- cionar que essa comunicação pode sofrer algumas barreiras. 3.1 BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO As barreiras de comunicação são fatores que impossibilitam o recebimento ou entendimento da mensagem, apresentando-se como um obstáculo à comunicação. Nesses casos, a mensagem não chega de forma original ao receptor e sofre distorções, podendo causar equívocos e desentendimentos, conforme Abreu e Bazoni (2016). Para Weiss et al. (2018), a comunicação entre pessoas próximas, com quem construímos laços afetivos, nem sempre é fácil e carece que tenhamos tolerância, paciência e cuidado com o que vai ser falado ou ouvido. Nas instituiçõesem que os laços afetivos quase não existem, esse processo se torna mais complicado ainda. Weiss et al. (2018) consideram que, muitas vezes, as barreiras de comunicação desencadeiam situações que, geralmente, não são percebidas por quem a faz, ocor- rendo de forma involuntária, por uma questão de hábitos adquiridos ou por referências culturais e familiares. Portanto, “é imprescindível pensar bem antes de falar, agir e ter 34 sempre em mente que, em uma empresa ou instituição, as opiniões e percepções serão sempre suscetíveis a discussões e confusão, principalmente quando se trabalha com grupos heterogêneos” (WEISS et al., 2018, p. 27). Abreu e Bazoni (2016) citam exemplos de fatores que podem ser considera- dos barreiras na comunicação: falta de atenção, desinteresse, preconceitos, impaciên- cia, negativismo, uso de vocabulário técnico, falar muito, ataques pessoais. Além disso, acrescentam que esses fatores são considerados ruídos. Weiss et al. (2018), corroboran- do o conceito, explicam que ruído é tudo que interfere na transmissão da mensagem, podendo ser voz baixa, nervosismo, desatenção ou, até mesmo, falta de energia elétrica ou uma mancha no papel que contém a informação. Todas essas possibilidades podem ser barreiras de comunicação. Weiss et al. (2018), ainda, exemplificam algumas características das barreiras de comunicação, como quando o emissor acredita que receptor já tenha conhecimento do assunto a ser exposto, quando, na verdade, não sabe nada sobre o assunto. Caracte- rizamos essa barreira como uma presunção não enunciada. Também consideramos barreiras: a desorganização ao expor um assunto, como falta de coerência e credibilida- de; a distância física; quando adotamos uma postura defensiva em relação ao emissor, não permitido a compressão da mensagem; e, ainda, quando o receptor não tem instru- ção suficiente para entender o assunto, sendo que essa questão pode estar relacionada ao “grau cultural ou a forma de encarar situações e os interesses que temos, isso limita a capacidade de entender o que é proposto” (WEISS et al., 2018, p. 27). Diante desse contexto, a comunicação e a capacidade de nos comunicarmos depende de vários fatores externos e ambientais, assim como fatores intrapessoais. De acordo com Weiss et al. (2018), algumas dicas de como se comunicar de forma eficaz, para diminuir os ruídos e favorecer o entendimento da mensagem, são: utilizar uma linguagem apropriada e objetiva, ser claro e fornecer informações completas, utilizar vários canais para motivar o receptor, tentar sempre olhar nos olhos das pessoas com quem está falando, ouvir ativamente e, por fim, praticar a empatia. A comunicação assertiva é extremamente importante nas orga- nizações de trabalho. Este estudo mostra que entre as principais barreiras de comunicação são: a falta de entrosamento; a falta de clareza de objetivos; hábitos de linguagem; diferença de status; e sobrecarga de informação. Se quiser aprender mais sobre como superar as barreiras da comunicação, acesse o texto disponível em: https://periodicos.utfpr.edu.br/de/article/view/4078/3496. DICA 35 4 COMUNICAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE A comunicação eficiente e o trabalho em equipe são essenciais na qualidade da assistência ao paciente, pois representam a intensidade da interação e o vínculo entre a equipe interdisciplinar e o indivíduo assistido. Nesse sentido, é imprescindível que os profissionais da área da saúde mantenham relações amistosas para que possam alcançar objetivos comuns e uma dinâmica de trabalho harmoniosa, conforme Santos et al. (2019). Figura 13 – Comunicação entre equipes de saúde Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/three-contemporary-professional-medical-workers-in-xqscvr2. Acesso em: 14 set. 2022. Com o advento dos protocolos de segurança do paciente, pesquisas realizadas por comissões da OMS pontuam a importância da comunicação e do trabalho da equipe interdisciplinar de saúde como determinante da qualidade e segurança na prestação de cuidados aos indivíduos. Contudo, as mesmas pesquisas, com Nogueira e Rodrigues (2015), afirmam que os principais fatores que contribuem para a diminuição da quali- dade do cuidado, dos erros médicos e dos eventos adversos nas instituições de saúde são as falhas no trabalho em equipe e na comunicação entre os profissionais de saúde. Nogueira e Rodrigues (2015) mencionam que, dentre os principais desafios encontrados para a comunicação efetiva no trabalho da equipe de saúde, estão: diversidade multiprofissional e de formação (nível médio e superior); e falta de treinamento para comunicação assertiva e hierarquia entre as profissões, pois, em algumas instituições, o médico ocupa uma posição de maior autoridade, o que pode inibir os demais membros da equipe interdisciplinar. 36 Moreira et al. (2019), por sua vez, reiteram que, quando esses comportamentos são permitidos, a satisfação no trabalho é afetada, de forma que os profissionais aca- bam sendo silenciados. Esse silêncio leva à submissão, à falta de autonomia, à perda de criatividade e de iniciativa, diminuindo o interesse pelo trabalho. O resultado disso é uma maior ocorrência de incidentes no cuidado prestado. Portanto, é necessário estabelecer uma comunicação eficaz no ambiente de trabalho, principalmente naquele em que são prestados serviços de saúde. Desse modo, algumas ações são essenciais e inerentes à pessoa humana e podem favorecer o desenvolvimento da comunicação assertiva, segundo Nogueira e Rodrigues (2015), como: contato olho no olho; escuta ativa; confirmação da compreensão da mensagem; liderança clara; envolvimento de todos os membros da equipe; e discussões saudáveis de informações pertinentes. Conforme Moreira et al. (2019), para existir uma comunicação efetiva, é neces- sário desenvolver comportamentos assertivos, como transmitir, receber e interpretar informações com clareza e respeito mútuo, utilizar uma linguagem objetiva e não acu- satória, promover a comunicação e relações respeitosas pelos líderes da instituição. Além disso, para Nogueira e Rodrigues (2015), as instituições de saúde podem desenvolver estratégias para melhorar a comunicação, o trabalho em equipe e as re- lações interpessoais, realizando treinamentos, simulações multidisciplinares, reuniões com equipes multiprofissionais, padronizando a comunicação, estimulando o estreita- mento das relações de trabalho etc. De acordo com Camargo (2019), uma comunicação assertiva é aquela que consegue passar as informações com clareza, dinâmica e respeito, obtendo o retorno esperado. Quando funciona bem, cria um canal aberto que permite o diálogo entre as partes e maior intercolaboração. Algumas dicas para aprender a se comunicar assertivamente em qualquer ambiente e com todos os tipos de pessoas são: • aprender a entender o outro: observe o modo como as pessoas a sua volta se comunicam, como elas interagem com os outros; • aprender a ouvir na essência: a comunicação humana também é feita de forma não verbal, podendo ser realizada por meio de gestos, olhares e postura corporal. Portanto, é importante estar atento a esses sinais para se adequar e manter a comunicação assertiva; • ter atenção à fala: esteja atento ao modo como você se expressa, ao seu tom de voz, às palavras que usa, suas expressões físicas e faciais... Tudo isso pode estar pas- sando uma mensagem contrária a que deseja; • ser claro e objetivo: evite trocar a ordem das palavras para parecerem mais rebuscadas. Foque no conteúdo que deseja transmitir e o faça de forma concisa, sem ser grosseiro; DICA 37 • acertar o momento: observe o momento oportuno de falar. Ainda que seja um fato importante, se o momento escolhido for errado, você poderá se comprometer ou acabar comprometendo outras pessoas; • ter embasamento: ter conhecimento técnico, boas leituras e domínio da língua falada e escrita conferem embasamento e maior capacidadede argumentação e diálogo, fortalecendo sua comunicação assertiva; • se ocorrer de ser pego desprevenido: seja humilde. Se não souber responder, é preferível falar que não possui conhecimento e que estudará sobre o assunto. Se o ouvinte souber mais sobre o tema, você pode, inclusive, pedir sugestões para aprender; • ser um bom intermediador: caso as pessoas ao seu redor tenham dificuldades de expressar, você pode encorajá-las a praticar as melhores formas de comunicação; • buscar evolução contínua: trabalhar para manter sua capacidade de comunicação é essencial para obter bons resultados e garantir o andamento de suas relações interpessoais. Por fim, concluímos que a comunicação na saúde é essencial para o cuidado seguro ao paciente e para a promoção de um serviço de excelência. Mas e dentro do centro cirúrgico? 4.1 COMUNICAÇÃO NO CENTRO CIRÚRGICO O centro cirúrgico, como citado anteriormente, é um setor da unidade hospitalar considerado de grande complexidade e alta capacidade tecnológica. Devido a isso e por ser um setor restrito, os profissionais que atuam nessa unidade estão constantemente expostos ao estresse e a conflitos. Desse modo, segundo Santos et al. (2019), o ambiente de trabalho pode ser tenso e desgastante, o que induz a dificuldades relacionais entre a equipe. A comunicação oral é essencial para a redução de erros no centro cirúrgico e promove uma maior satisfação no trabalho. Quando temos uma equipe comprometida e entusiasmada, os profissionais interagem melhor uns com os outros, sentem-se à vontade para se expressar e, consequentemente, diminuem-se os riscos da assistência, segundo Porteous e Bäuerle (2013). Para Jacomossi (2017, p. 38), a comunicação é uma manifestação da natureza humana e deve ser desenvolvida de forma adequada por todos os profissionais de saúde envolvidos com o atendimento dos pacientes e sua rede de apoio. A boa comunicação busca a transmissão e o entendimento de informações que beneficiem as relações, um fenômeno que pode envolver duas ou mais pessoas em seu processo. A mensagem deve ser passada e sempre que possível deve ser feita a verificação da compreensão, já que os interlocutores podem apresentar dificuldades de apreender o que está sendo transmitido. 38 Trajano et al. (2017) consideram que, no centro cirúrgico, pode existir afeto, apego e zelo, o que possibilita um convívio harmonioso e prazeroso, sendo permitida a liberdade de expressão, melhorando a cooperação entre as equipes, a credibilidade e as condições de trabalho. No entanto, a assistência ao paciente e a interação social geralmente são restritas, tendo em vista as características do ambiente, que pode ser tenso e conflituoso, o que acaba favorecendo as dificuldades de relacionamento entre os envolvidos. Para Santos et al. (2019), algumas possíveis causas para a comunicação deficiente e os conflitos gerados no centro cirúrgico são as diferenças individuais de cada profissional, o dimensionamento inadequado de trabalhadores para a demanda de atividades e funções, a rotina desgastante do setor, o corporativismo, a cultura organizacional vertical e a sobrecarga de trabalho. Trajano et al. (2017), ainda, destacam que as dificuldades de relações e comunicações no ambiente de trabalho estão ligadas às hierarquias entre as diferentes categorias profissionais de saúde, o que resulta em sentimento de desvalorização profissional, além da situação precária de trabalho, remuneração inadequada, acúmulo de escalas de serviço e aumento da jornada de trabalho. Esses fatores, além de refletirem nas relações entre as equipes, também resultam em danos à assistência prestada ao paciente e à saúde mental dos profissionais. Nesse contexto, é extremamente necessário que os profissionais de saúde, principalmente os que trabalham no centro cirúrgico, encontrem estratégias para o desenvolvimento de uma comunicação eficaz. O Ministério da Saúde propõe, por meio da Portaria n. 529, de 1 de abril de 2013, como uma das metas de segurança do paciente, a comunicação efetiva. Nessa vertente, para que exista uma comunicação de qualidade, é necessária a prática de alguns elementos fundamentais, como olhar diretamente ao receptor, escutar, compreender a mensagem, ter a união de todos os membros da equipe e trocar informações essenciais para garantir uma assistência de qualidade. Santos et al. (2019) reiteram que a comunicação, independentemente da forma, se verbal ou não verbal, é um elo importante entre as equipes, devendo haver colabora- ção entre emissor e receptor na busca por soluções, possibilitando entendimento, mu- danças de comportamento e melhora nas relações interpessoais. Logo, a comunicação, além de necessária para a segurança do paciente, passa a ter a função de promover o relacionamento entre as pessoas. Algumas ações que podem contribuir para a melhora na qualidade das rela- ções interpessoais estabelecidas no ambiente de trabalho são a escuta qualificada e o diálogo, as reuniões participativas periódicas, as oficinas de integração, a definição de estratégias de resolução dos problemas de forma coletiva, assim como as atividades de educação permanente, que estimulam as potencialidades do capital humano, do modo de se relacionar e conviver no ambiente de trabalho, conforme Trajano et al. (2017). 39 Outra vertente de comunicação no centro cirúrgico é entre equipe cirúrgica, família e paciente, que também perpassa as nuances das comunicações deficientes. Balbino et al. (2021, p. 2) afirmam que “desenvolver um bom relacionamento entre a equipe de saúde, familiares e acompanhantes é benéfico, pois envolver a família no cuidado melhora a interação entre familiares e equipe de saúde e contribui para qualificar a assistência”. Sendo assim, também é extremamente necessário ter uma boa comunicação com os familiares dos pacientes que passam por procedimentos cirúrgicos. Quando os pacientes se encontram no período perioperatório, seus parentes aguardam ansiosos por notícias. Logo, segundo Balbino et al. (2021), se as informações chegam de forma correta a essas pessoas, sensações como medo, angústia e ansiedade são diminuídas. Concluindo, é importante compreendermos que a comunicação assertiva, de fato, contribui para o fortalecimento das relações interpessoais entre a equipe multiprofissional, havendo maior comprometimento com o serviço prestado, o que diminui os riscos e eventos adversos na assistência, promovendo maior segurança até para o paciente. 40 Neste tópico, você aprendeu: • Para vivermos em sociedade, é necessário nos comunicarmos. A comunicação é uma necessidade humana básica, que existe quando enviamos e recebemos uma mensagem. • Existem vários tipos de comunicação. No entanto, para que o ato de se comunicar seja eficaz, é necessário que os elementos da comunicação estejam presentes. São eles: emissor, receptor, mensagem, canal da comunicação, código e referência. Além disso, podem existir fatores que impeçam a comunicação, descritos como barreiras ou ruídos de comunicação. • Nas instituições de saúde, para que haja uma assistência de qualidade ao paciente, é extremamente necessária uma comunicação eficiente, além do trabalho em equipe, o que possibilita a interação entre equipe e paciente e um cuidado livre de riscos. • Os profissionais que atuam na unidade cirúrgica estão constantemente expostos ao estresse e a conflitos. Por ser uma unidade fechada, com acesso restrito, o ambiente de trabalho se torna tenso e desgastante, o que induz a dificuldades de relacionamento entre a equipe. • Para consolidar uma das metas de segurança do paciente, é necessário estabelecer a comunicação efetiva. Portanto, é necessário, na prática diária, que os profissionais desenvolvam ações para melhorar a qualidade dacomunicação no serviço. Podemos citar algumas delas: olhar diretamente para o colega que está falando, escutar atentamente, compreender a mensagem. • É importante compreendermos que a comunicação assertiva e a troca de informações são essenciais para garantir uma assistência de qualidade e, ainda, contribuem para o fortalecimento das relações interpessoais entre a equipe multiprofissional. Isso possibilita um maior comprometimento com o serviço prestado, o que diminui os riscos e eventos adversos na assistência e promove maior segurança para o paciente. RESUMO DO TÓPICO 2 41 AUTOATIVIDADE 1 A comunicação é essencial para estabelecer relações entre as pessoas. Ela pode ser realizada de várias maneiras, mas nem sempre nos comunicamos de forma eficiente. A comunicação só pode considerada efetiva quando a mensagem é recebida e entendida claramente. Para tanto, podemos usufruir de inúmeros canais de comunicação, a fim de atingirmos o objetivo da mensagem. Com relação aos conceitos de comunicação, analise as sentenças a seguir: I- A comunicação é conceituada como um ato de transmitir e receber uma mensagem. Também podemos classificá-la como um aviso ou uma informação. II- A comunicação e a linguagem se entrelaçam, mas, considerando que a linguagem é um conjunto de sistema de sinais, não nos possibilita realizar ações de comunicação. III- A comunicação também pode ser considerada uma necessidade humana básica, pois precisamos nos comunicar para vivermos em sociedade. IV- A Libras é uma língua pronunciada pelo corpo e percebida pela visão, logo, para aprendê-la, é necessário ter atenção visual, agilidade manual e expressão facial e corporal. Contudo, a Libras não é uma forma de comunicação. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 2 A comunicação pode ser estabelecida por meio da linguagem que usamos. Podemos caracterizar as linguagens como verbais e não verbais, sendo as verbais quando utilizamos a escrita ou a fala, e as não verbais, quando utilizamos nosso corpo para transmitir uma mensagem. A Libras pode ser exemplo de comunicação não verbal, pois dispõe de um sistema de sinais que possibilita a comunicação. WEISS, C. S. et al. Comunicação e linguagem. Indaial: Uniasselvi, 2018. Sobre os tipos de comunicação, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Comunicação formal. II- Comunicação informal. III- Comunicação em massa. IV- Comunicação publicitária. V- Comunicação interpessoal. 42 ( ) É quando a mensagem chega a uma quantidade maciça de pessoas. ( ) É quando nos comunicamos com nós mesmos por pensamentos, anotações espontâneas ou em um processo criativo. ( ) É o tipo de comunicação oficial geralmente utilizada por empresas, instituições e repartições públicas. Quase sempre, é feita por escrito, em linguagem culta. ( ) Tem por objetivo divulgar uma marca, um produto ou um serviço. ( ) É a comunicação simples, espontânea, sem formalidades. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) I – V – II – IV – III. b) ( ) III – V – I – IV – II. c) ( ) II – III – I – IV – V. d) ( ) III – IV – V – I – II. 3 Quando interagimos com outras pessoas, podemos desenvolver novas maneiras de pensar e agir. Esse fato só se torna possível quando praticamos uma comunicação assertiva. Contudo, para que haja uma comunicação eficiente, é necessário que existam os elementos característicos da comunicação, que são a mensagem, o emissor, o receptor, o canal, o código e o referente. Fonte: https://docplayer.com.br/36444138-Relacionamento- interpessoal-trabalho-em-equipe-impactos-num-ambiente- organizacional.html. Acesso em: 20 set. 2022. Sobre os tipos de comunicação, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Na comunicação verbal, utilizamos apenas a fala para nos comunicarmos. ( ) A comunicação jornalística tem a finalidade de transmitir mensagens que se relacionam com os fatos e acontecimentos do cotidiano das pessoas. ( ) Na comunicação não verbal, utilizamos nosso corpo para nos comunicar, podendo ser por meio de gestos e expressões. ( ) A comunicação educacional tem como finalidade transmitir mensagens que possam educar, promover ensinamentos, desenvolver as habilidades e competências dos indivíduos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – V. b) ( ) F – V – F – F. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) V – F – F – F. 43 4 Quando o processo de transmissão de mensagens e informações não acontece de forma efetiva, a mensagem pode chegar distorcida ao receptor, o que pode gerar equívocos e desentendimentos. Quando existem circunstâncias que alterem ou impeçam a chegada e a compreensão da mensagem original, chamamos de barreiras de comunicação. Nesse contexto, apresente algumas características das barreiras na comunicação. 5 Com o advento dos protocolos de segurança do paciente a comunicação e do trabalho em equipe são fundamentais para qualidade e segurança na prestação de cuidados aos indivíduos. Contudo, a comunicação nos erviços de saúde ainda é deficitária o que contribui para a diminuição da qualidade do cuidado, possibilitando erros médicos e dos eventos adversos. Sendo assim, explique quais ações os profissionais e as instituições podem realizar para minimizar essa situação. 44 45 TÓPICO 3 — CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A ATUAÇÃO COMO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A instrumentação cirúrgica é uma técnica utilizada por um profissional da equipe cirúrgica para instrumentalizar o procedimento cirúrgico. O integrante da equipe é aquele que se responsabiliza pelo preparo da mesa de instrumentais, fornecendo-os com segu- rança e precisão ao cirurgião e acompanhando a sequência lógica de cada tempo cirúrgi- co diante de cada tipo de procedimento, conforme Carvalho e Bianchi (2016). A profissão de instrumentador cirúrgico ainda não está regulamentada no Brasil, mas é considerada, pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), uma especialidade/ qualificação a ser desenvolvida por profissionais com formação básica na área da saúde: o Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Lei n. 3.268/1998, decidiu, entre outros aspectos, que a equipe cirúrgica deve ser composta exclusivamente por profissionais de saúde altamente qualificados e que é lícito o concurso de acadêmico de medicina na qualidade de auxiliar e de instrumentador cirúrgico de unidades devidamente credenciadas pelo seu aparelho formador e de profissional de enfermagem regularmente inscrito no Conselho de origem na condição de instrumentador, e este concurso pode ser estendido também aos estudantes de enfermagem (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 59). A SOBECC (2017) recomenda que a atividade seja desenvolvida pela enferma- gem, baseada na Resolução n. 214/1998 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que considera a instrumentação cirúrgica uma atividade de enfermagem, porém, que não é privativa à classe. 46 Figura 14 – Mesa de instrumentais Fonte: https://bit.ly/3Ddfr0w. Acesso em: 14 set. 2022. O instrumentador cirúrgico pode e deve fazer parte da equipe cirúrgica, poden- do ser contratado pelo cirurgião titular. Quando essa situação ocorre, o instrumentador está subordinado ao cirurgião que o contratou. Outra possibilidade de contratação do instrumentador cirúrgico é pela instituição hospitalar, fazendo parte da equipe de en- fermagem e, portanto, subordinado ao enfermeiro responsável pelo centro cirúrgico. Ainda, pode ser contratado como instrumentador terceirizado, ou seja, funcionáriode uma empresa fornecedora de utilização de seu produto, que atua como instrumentador, conforme Carvalho e Bianchi (2016). De modo geral, principalmente, em instituições governamentais, a instrumentação cirúrgica é realizada pelos profissionais da enfermagem, os quais são contratados pelas próprias instituições. NOTA Assim, a partir de agora, aprenderemos como surgiu a instrumentação cirúrgica, como se dá o processo de formação, além dos aspectos legais e técnicos relacionados ao desenvolvimento da profissão. Acompanhe! 47 2 HISTÓRIA DA INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA A instrumentação cirúrgica é uma técnica utilizada por um profissional habili- tado para prover os instrumentos cirúrgicos para o cirurgião e seus auxiliares durante o procedimento cirúrgico. Sendo assim, participa diretamente do centro cirúrgico, sendo responsável pelo preparo da mesa, fornecendo com segurança e precisão os instru- mentais ao cirurgião, acompanhando a sequência de cada tempo cirúrgico durante o ato operatório. Assim, esse profissional deve estar sempre atento, ser ágil, organizado, respeitoso e perspicaz, de acordo com Souza e Coutinho (2014). O início da instrumentação cirúrgica como profissão teve origem na Idade Mé- dia. Nessa época, os profissionais desenvolviam tarefas como a confecção, o aperfei- çoamento, o transporte e a guarda dos instrumentos necessários para a realização das cirurgias: o primeiro registro da atuação de um instrumentador cirúrgico data de 1859, durante a Batalha de Solíerino, quando o mestre Jean Henri Dumont, com o intuito de agilizar os procedimentos cirúrgicos e amenizar o sofrimento dos feridos, exerceu essa função (BRONZATTI; FERRETI; PONTELI, 2007, p. 23). Conforme Veras et al. (2007), a profissão de instrumentador surgiu da neces- sidade dos avanços e desenvolvimentos das cirurgias. Com isso, muitos instrumentais foram criados para realizar as manobras cirúrgicas e facilitar os procedimentos, tornan- do os instrumentais indispensáveis nas cirurgias. Relatos datados do século XX citam que, na época, houve um enorme crescimento dos procedimentos cirúrgicos, sendo que os cirurgiões necessitavam de ajuda qualificada com os materiais que eram utilizados nas operações. Desse modo, começaram a surgir as escolas de técnicos em instrumentais cirúrgicos em Nice, na França, em 1954. As escolas tinham como objetivo preparar os profissionais para a evolução cirúrgica, ou seja, os tempos cirúrgicos, considerando os materiais adequados para cada especialidade, dentre outras atividades cirúrgicas. A partir de então, os instrumentais cirúrgicos foram sendo criados pelos cirurgiões para melhorar o acesso à área operatória e realizar um refinamento das manobras cirúrgicas. Uma variedade e quantidade enorme de artigos começou a ser utilizada nos procedimentos operatórios desde essa época, segundo Possari (2011). Com a globalização, o advento tecnológico e a evolução das técnicas cirúrgicas no século XXI, os computadores e a robótica passaram a participar dos procedimentos cirúrgicos, requisitando cada vez mais capacitação e habilidade por parte dos profissio- nais, além de aprimoramento e desenvolvimento profissional contínuo, conforme Bron- zatti, Ferreti e Ponteli (2007). 48 Figura 15 – Instrumentais cirúrgicos Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/tray-with-surgical-equipment-msljkyp. Acesso em: 14 set. 2022. O COFEN, por meio da Resolução n. 214/1998, considera que, mesmo a instru- mentação sendo uma matéria regularmente ministrada na grade curricular dos cursos de graduação em Enfermagem, não existe lei que regulamente tal atividade como ação privativa de qualquer profissão da área da saúde. Na mesma resolução, o COFEN ainda estabelece que “a instrumentação cirúrgica é uma atividade de enfermagem, não sen- do, entretanto, ato privativo da enfermagem” (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 1998). O profissional de enfermagem que atua como instrumentador cirúrgico, desen- volvendo o exercício da enfermagem, deve ser supervisionado exclusivamente ao res- ponsável técnico pela unidade, que porventura deve ser enfermeiro: está tramitando, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei n. 642/2007, que dispõe sobre a Regulamentação da Profissão de Instrumentador. Em abril de 2010, tal projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, porém, aguarda deliberação da Mesa Diretora da Câmara dos Depu- tados e posterior votação no Senado, para que possa ter força de lei. O Projeto estabelece que o exercício da profissão seja privativo aos que tenham concluído curso de instrumentação cirúrgica minis- trado no Brasil, por escola reconhecida pelo Governo Federal, ou no exterior, desde que o diploma seja revalidado no Brasil; podem tam- bém exercer a instrumentação aqueles que atuam na profissão há pelo menos dois anos, contados da data em que a lei entrar em vigor (CARVALHO; BIANCHI, 2016, p. 60). Segundo a Associação Nacional de Instrumentadores Cirúrgicos (s. d.), exis- te uma luta árdua da categoria há mais de 25 anos, mas que continua ativa, visando à regulamentação da profissão do instrumentador cirúrgico. Atualmente, o projeto se encontra na fase final de tramitação no Senado Federal. Essa associação ainda reitera que a regulamentação do exercício da profissão de instrumentador cirúrgico proporcio- nará melhores condições de trabalho a todos os atuantes na área, além de promover melhores qualificações desses profissionais, atendendo às expectativas das equipes de saúde em centro cirúrgico e afirmando a cada vez mais a categoria como um elemento indispensável ao ato operatório. https://elements.envato.com/pt-br/tray-with-surgical-equipment-msljkyp 49 2.1 RESPONSABILIDADES DO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO Segundo Carvalho e Bianchi (2016), dentre as atribuições do instrumentador cirúrgico, podemos mencionar as seguintes: • organizar os instrumentais, materiais e equipamentos que serão utilizados no proce- dimento cirúrgico; • paramentar-se antes dos outros membros da equipe; • dispor, sobre a mesa de instrumentais, os instrumentos, de acordo com os tempos cirúrgicos, bem como fios e agulhas de sutura; • estar atento à manutenção da assepsia dos instrumentais durante todo o procedimento; • auxiliar os outros membros da equipe a se paramentarem; • solicitar material extra ao circulante, se houver necessidade; • auxiliar na colocação dos campos cirúrgicos, delimitando o local cirúrgico; • realizar a entrega de instrumentais com atenção, de acordo com a solicitação do cirurgião, bem como recebê-los de volta, garantindo que não fiquem no local cirúrgico; • estar atento ao uso de perfurocortantes e ao seu descarte adequado; • conferir e contabilizar o material e instrumental após o término do procedimento, bem como gazes e compressas, encaminhando-os ao CME. Da agilidade e do completo equilíbrio entre o instrumentador e a equipe cirúrgica, depende todo o andamento da cirurgia. Portanto, segundo Zuza et al. (2015), o trabalho como instrumentador requer destreza, habilidade manual, conhecimento sobre esterilização, técnicas assépticas e sincronização dos tempos cirúrgicos. A base da consciência profissional do instrumentador é a responsabilidade, a qual deve ser constantemente aprimorada para que as suas ações sejam corretas. Logo, segundo Veras et al. (2007), o instrumentador deverá seguir as normas de conduta pertinente a sua posição, bem como guardar sigilo profissional, assim como qualquer um dos elementos da equipe. Veras et al. (2007) também afirmam que é extremamente importante que o instrumentador tenha conhecimento e aplique os princípios de técnica asséptica. Ele precisa estar atento à manutenção da assepsia de toda a equipe cirúrgica, sendo imprescindível que tenha uma atenção especial ao espaço da mesa de instrumentais, para evitar contaminação por movimentos repentinos ou inesperados dequalquer membro da equipe cirúrgica. 50 2.2 RECOMENDAÇÕES PARA A EXCELÊNCIA DO PROFISSIONAL INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO De acordo com pesquisas de Veras et al. (2007), para ser um bom instrumen- tador, fazem-se necessárias algumas ações que qualificam seu trabalho, como a or- ganização, pois o instrumentador deve organizar a mesa de instrumentais para que não ocorra quebra da técnica asséptica, dispondo os materiais conforme os tempos cirúrgicos. Deve estar atento para que, caso falte algum insumo no transoperatório, seja solicitado imediatamente ao circulante de sala. Ademais, segundo Veras et al. (2007), o instrumentador cirúrgico bem qualifi- cado, dentro de suas funções, tem a agilidade na entrega de materiais durante o pro- cesso cirúrgico. Ele desenvolve seu trabalho com atenção e presteza, está atento às necessidades da equipe e colabora para que a intervenção cirúrgica ocorra no menor tempo possível, favorecendo a dinâmica cirúrgica e a recuperação do paciente. 2.3 ÉTICA PROFISSIONAL A ética estabelece regras e condutas morais válidas para todos os membros de determinada sociedade. Para o exercício da profissão, o profissional deve ter caracterís- ticas essenciais, como conhecimento, compromisso, habilidade, estratégia, altruísmo, jus- tiça, competência, sigilo, prudência, coragem, perseverança, com- preensão, humildade, imparcialidade e otimismo. Além disso, precisa desempenhar suas atribuições com responsabilidade, lealdade e ini- ciativa (BRONZATTI; FERRETI; PONTELI, 2007, p. 23). A Resolução n. 280/2003 dispõe sobre a proibição de profissional de enfermagem em auxiliar procedimentos cirúrgicos. Portanto, é vedado ao profissional de enfermagem auxiliar procedimentos cirúrgicos em substituição ao cirurgião auxiliar. Para saber mais sobre o assunto, leia a resolução na íntegra, disponível em http:// www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2802003_4316.html. IMPORTANTE 51 O profissional instrumentador deve buscar conhecimento e ter consciência das leis do exercício profissional de Enfermagem e da Medicina, pois esse conhecimento faz diferença na assistência prestada. Ainda, reitera-se que “o conhecimento e o domínio das áreas que envolvem a profissão proporcionam ao instrumentador a conquista e a manutenção de seu espaço e de sua importância no âmbito hospitalar” (BRONZATTI; FERRETI; PONTELI, 2007, p. 23). A Associação Nacional de Instrumentadores Cirúrgicos apresenta 11 preceitos que foram aprovados como código de ética para os profissionais que trabalham na instrumentação cirúrgica. O código foi aprovado em sua Assembleia Geral Ordinária, em São Paulo, no dia 26 de setembro de 1986 (BRASIL, 1986): • O instrumentador cirúrgico defenderá, com todas as suas forças e em todas as circunstâncias, o direito fundamental da vida humana. • O instrumentador cirúrgico dedicará atenção especial ao doente, prescindindo de raça, nacionalidade e religião. • O instrumentador cirúrgico procurará se familiarizar com os vários aspectos organi- zacionais e administrativos do hospital e com a dinâmica do bloco operatório, objeti- vando uma integração adequada no seu ambiente de trabalho. • O instrumentador cirúrgico, ciente de que o desempenho de sua função requer formação aprimorada, procurará ampliar e atualizar seus conhecimentos técnicos, científicos e do desenvolvimento da própria profissão. • O instrumentador cirúrgico executará, com rigor e presteza, as orientações do cirurgião, com vista ao pleno sucesso do ato cirúrgico. • O instrumentador cirúrgico evitará abandonar o paciente em meio ao ato operatório, sem justa causa e sem garantia de solução de continuidade de sua atividade. • O instrumentador cirúrgico negará sua participação em pesquisas que violem os direitos inalienáveis da pessoa humana. • O instrumentador cirúrgico procurará manter relações cordiais, espírito de colabora- ção e integração com todos os membros da equipe cirúrgica. • O instrumentador cirúrgico guardará segredo sobre fatos que tenha conhecimento no exercício de sua profissão. • O instrumentador cirúrgico fará valer seu direito, com remuneração compatível com o trabalho realizado e com dignidade da profissão. • O instrumentador cirúrgico colocará seus serviços profissionais à disposição da co- munidade em casos de urgência, independentemente de qualquer proveito pessoal. Em suma, Bronzatti, Ferreti e Ponteli (2007) ressaltam que o instrumentador cirúrgico deve atuar seguindo a conduta ética que visa à dignidade humana e à construção do bem-estar no contexto sociocultural em que exerce sua profissão. 52 3 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA Como já caracterizamos em parágrafos anteriores, queremos reforçar que um instrumentador profissional presta uma grande participação para diminuir o tempo ci- rúrgico, trabalha em equipe, além de ter total controle na prática da assepsia, melhoran- do a saúde do paciente e reduzindo os riscos de complicações, como infecções do local cirúrgico, conforme Porteous e Bäuerle (2013). Os autores ainda trazem algumas práticas que favorecem ao desempenho de um bom profissional, a saber: • uso correto e boa manutenção de instrumentos, cuidados esses que aumentam significativamente a vida útil de cada item; • se houver tempo suficiente, é recomendado que os instrumentos sejam limpos conforme ocorre a operação. Isso simplifica o processo de descontaminação posterior e garante o bom funcionamento dos instrumentos; • os instrumentos danificados devem ser separados do conjunto e identificados para posterior ajuste; • ao fim do procedimento, o instrumentador deve remover todos os itens perfurocortantes e colocá-los em um recipiente especial, para ser desprezado; • materiais descartáveis devem ser jogados fora; • todos os instrumentos precisam ser devolvidos para seu conjunto correto e coloca- dos em embalagens fechadas para transporte; • os instrumentos devem ser desmontados e abertos, para facilitar o processo de descontaminação; • ao empilhar vários conjuntos, deve-se prestar atenção aos instrumentos individuais. Bandejas e instrumentos pesados devem ser colocados embaixo, enquanto os mais leves devem ficar em cima; • é necessário tomar cuidado para não esmagar objetos ópticos delicados, cabos de luz ou cabos eletrocirúrgicos; • o material estéril não utilizado pode ser retornado para seu local de armazenamento se sua integridade não tiver sido comprometida. Portanto, segundo os autores, o instrumentador deve ser capaz de raciocinar e agir sempre um passo à frente do cirurgião, antecipando suas necessidades. Nesse sentido, é essencial que esse profissional tenha concentração, disciplina e conheci- mento sistemático do procedimento cirúrgico que está realizando, bem como de suas possíveis complicações. 53 3.1 MANEJO DE INSTRUMENTOS PERFUROCORTANTES Todos os instrumentos perfurocortantes devem ser descartados em embala- gens especiais, resistentes a perfurações e vazamentos, com rótulo vermelho ou ama- relo, com indicativo de risco biológico. As embalagens devem ser lacradas e substituídas quando atingirem três quartos de sua capacidade, segundo Porteous e Bäuerle (2013). Os autores citam que, durante um procedimento cirúrgico, algumas precauções deverão ser tomadas no manejo de todo e qualquer instrumento perfurocortante, como: • não dobrar agulhas, nem recolocar sua capa de proteção; • não tocar instrumentos perfurocortantes (como agulhas ou lâminas) com as mãos se estiveram em contato com sangue ou outros fluidos corporais; • abrir ampolas de medicamentos utilizando abridor de ampolas ou gaze; • pequenos instrumentos perfurocortantes (como lâminas, agulhas e outros) devem ser deixados na mesa de instrumentos estéreis, em uma “zona neutra”, acordada previamente com a equipe médica. Para Porteous e Bäuerle(2013), o cirurgião deverá pegar os itens perfurocortantes colocados na área neutra pelo instrumentador da equipe. Isso evita o risco de lesão associada à passagem de instrumentos de mão em mão. Apenas um instrumento perfurocortante deve estar na zona neutra de cada vez, sendo que os itens deverão ser colocados nesse local para facilitar que o cirurgião os pegue com a mão dominante. Uma alternativa é o instrumentador passar esses itens para o cirurgião em uma pequena bandeja. IMPORTANTE Os autores ainda sugerem uma lista de verificação para assistência segura durante procedimentos estéreis, a saber: • evitar manuseio de agulhas; • nunca segurar um bisturi ou qualquer outro objeto cortante com a mesma mão, ao mesmo tempo em que segura outros objetos; • usar alerta verbal para anunciar a transferência de instrumento perfurocortante; • utilizar suturas ou equipamentos de segurança removíveis para facilitar a remoção da agulha; • evitar contato dos dedos com tecidos a serem cortados ou suturados; • ficar atento a todos os instrumentos perfurocortantes em uso, até que sejam devolvidos à zona neutra; 54 • recolocar a proteção na ponta de um dreno ou trocarte, utilizando um instrumento, não os dedos; • quando necessário, encher novamente uma seringa para aumentar a dose injetada. A agulha pode ser mantida no tecido, sendo que se remove a seringa, a qual, após o preenchimento, é reconectada à agulha; • ao remover a agulha de uma sutura, deve-se colocá-la em local seguro ou proteger a ponta com o protetor. Para Porteous e Bäuerle (2013), a maioria das lesões (56%) ocorre com enfermeiros e equipe cirúrgica. Mais de 80% dos incidentes de conta- minação envolvem ferimento penetrante com instrumento perfurocor- tante, sendo que prevalecem perfurações com agulhas, que, com frequência, não são relatadas. Cerca de 30% das lesões com agulhas são provocadas pelo próprio indivíduo que a manuseia. Além disso, estima-se que 39% das lesões sejam com lâminas, sendo que algumas ocorrem quando a lâmina está sendo passa- da de uma pessoa para a outra. Mais de 30% dos casos de hepa- tite B são transmitidos por lesões com agulhas, taxa seis vezes mais frequente do que na infecção pelo HIV. INTERESSANTE Em suma, entendemos que, para um bom desempenho de membro da equipe cirúrgica, é extremamente necessário o desenvolvimento de vários fatores, como: co- municação, trabalho em equipe; conhecimento técnico-científico; e habilidades técni- cas para auxiliar na atividade cirúrgica. Contudo, vale ressaltar que é muito importante que o profissional procure se qualificar, para estar cada vez mais apto a desenvolver sua função, sendo que as instituições devem lançar mão de estratégias para promover o equilíbrio e bem-estar entre as equipes multiprofissionais e, consequentemente, a melhoria da assistência ao paciente. 55 LEITURA COMPLEMENTAR DEGERMAÇÃO E PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA: TÉCNICA E RELEVÂNCIA NA PREVENÇÃO DA INFECÇÃO HOSPITALAR NO BRASIL Rafael Kiyoshi Sakane Dall Olio Cristiane Souza Teixeira 1 INTRODUÇÃO A infecção proveniente da cirurgia é um agravo que apresenta múltiplos fatores envolvidos. Entretanto, para reduzir e controlar sua incidência, é necessária a aplicação de medidas preventivas, educacionais e de controle. Elas visam controlar, por meio de um processo de conscientização coletiva, as taxas de infecção em limites aceitáveis para cada tipo de procedimento cirúrgico realizado nos hospitais. Algumas infecções hospitalares são evitáveis e outras não. Infecções prevení- veis são aquelas em que se pode interferir na cadeia de transmissão dos microrganis- mos. A interrupção dessa cadeia pode ser realizada por meio de medidas reconhecida- mente eficazes, como a lavagem das mãos, o processamento dos artigos e superfícies, a utilização dos equipamentos de proteção individual, no caso do risco laboral, e a ob- servação das medidas de assepsia. Infecções não preveníveis são aquelas que ocorrem a despeito de todas as precauções adotadas, como se pode constatar em pacientes imunologicamente comprometidos, e são originárias da sua microbiota. Os procedimentos de degermação e paramentação cirúrgica visam diminuir o risco de o paciente cirúrgico contrair infecção hospitalar, além de garantir a segurança dos profissionais que atuam no campo operatório. As infecções hospitalares representam um problema tanto no Brasil quanto no mundo e constituem um risco à saúde dos usuários dos serviços hospitalares. As infecções pós-operatórias, denominadas atualmente como infecções do sítio cirúrgico (ISC), constituem uma parcela significativa no total de todas essas infecções, sendo considerada a segunda principal causa dessas infecções. Sua prevenção e controle dependem da adesão dos profissionais da área da saúde às medidas preventivas. 56 2 DISCUSSÃO No Brasil, a preocupação com o controle das infecções hospitalares (IH) se iniciou apenas a partir da década de 1950, apontando como causas a má esterilização de materiais, o uso indiscriminado de antibióticos e o surgimento de microrganismos resistentes. Somente em 1983, o Ministério da Saúde (MS) publicou a primeira Portaria Ministerial nº 196, referente a essa área. Atualmente, ainda em vigor, a Portaria n. 2.616, de 12 de maio de 1998, define Infecção Hospitalar (IH) como “aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. São também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, realizados durante este período”. Nos dias atuais, refere-se às IH como Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Entre elas, as Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC) estão entre as principais IH no Brasil, sendo que, entre as infecções encontradas em pacientes hospitalizados, 14% a 16% são infecções de sítio cirúrgico, ocupando, assim, a terceira posição entre todas as infecções em serviços de saúde. Dentre as dificuldades da prevenção de IH mais comuns ocorridas dentro de um Centro Cirúrgico, os seguintes são mais citados como riscos de contaminação: escovação feita sem a técnica correta; uso inadequado ou falta da paramentação; uso de instrumentos oxidados. A escovação, que consiste em fazer a assepsia das mãos, incluindo-se a reti- rada de cordões, anéis, pulseiras etc., reduz a contaminação por parte desses objetos. Outro procedimento essencial e amplamente utilizado é a lavagem das mãos e antebra- ços, utilizando a solução antisséptica adequada e a técnica correta. A paramentação adequada é essencial, a fim de evitar que os profissionais entrem em contato direto com sangue e secreções e contaminem sua roupa privativa. Geralmente, constitui-se de touca, óculos, máscara, uniforme privativo, avental e propé. Esses cuidados devem ser tomados rigorosamente, principalmente em cirurgias contaminadas, como é o caso da cirurgia de cólon, debridamento de queimaduras, cirurgias das vias biliares, entre outras. O procedimento que se recomenda, portanto, é trocar a paramentação toda ao término de cada cirurgia. A paramentação adequada deve seguir as especificações e normas técnicas de biossegurança do hospital, tanto em sua confecção como em suas formas, tamanhos, tipos de tecidos, se reprocessadas ou descartáveis. Seu uso inicia-se pela correta sequência de sua colocação, até sua retirada adequada10,11. Todo o hospital, além da necessidade de ter as condições físicas adequadas – limpeza, sistema de ventilação etc. –, deveria ter como rotina a preparação de suas equipes, acompanhando de perto suas ações, a fim de evitar ou reduzir ao máximo as infecções. 57 O fato de aproximadamente 30% das infecções serem evitáveisexige da equipe de saúde e das instituições responsabilidade ética, técnica e social, no sentido de pro- ver os serviços e os profissionais de condições de prevenção, revelando-se em um dos pontos fundamentais no controle de infecção de sítio cirúrgico. Os padrões de comportamento expressados principalmente pela equipe médica (membros mais estáveis dentro do ambiente) influenciam todo o meio, no caso o centro cirúrgico, sendo que a grande maioria dos demais profissionais, sejam eles também da equipe médica, tendem a reproduzir seus comportamentos por imitação. As ações de prevenção e controle do risco de infecções do sítio cirúrgico devem ser vividas por todos os participantes da equipe multiprofissional devendo iniciar desde a formação acadêmica. Observa-se também a necessidade de uma parceria entre as categorias no sentido de uma atuação conjunta na adoção de medidas de prevenção e controle destas infecções. A equipe médica é chave fundamental na luta para o controle de infecção devido ao papel formador de opinião e tendo seu comportamento como espelho para os demais membros da equipe de saúde. Dessa maneira, a criação de um clima institucional que vise à segurança do paciente especificamente na redução do ris- co de infecção do sítio cirúrgico só será possível por medidas de ensino-aprendizagem desde a graduação dos profissionais de saúde, aliadas a mudanças de comportamen- tos vigentes, resultando em melhor adesão as medidas de prevenção de infecção do sítio cirúrgico. 2.1 PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA Faz-se necessário reforçar medidas básicas de prevenção de infecção e para- mentação cirúrgica, cuja principal finalidade é prevenir a transferência de microrganis- mos da pele da equipe cirúrgica e do próprio paciente para a ferida operatória, formando uma barreira física. Dessa forma, podemos considerar corretos os seguintes usos: • Touca ou gorro cirúrgico: tem o intuito de evitar a contaminação do campo cirúrgico por cabelos ou de sua microbiota. Deve cobrir todo o cabelo, de forma que não existam fios de cabelo expostos, que possam vir a se soltar durante a cirurgia. • Máscara: deve cobrir o nariz e a boca durante o procedimento cirúrgico e ficar bem ajustada, a fim de evitar o escape de gotículas salivares pelas bordas laterais. Devem ser trocadas quando molhadas ou sujas ou após quatro horas de uso, quando dimi- nuem sua eficácia de proteção, e nunca devem ficar dependuradas no pescoço ou guardadas em bolsos para reutilização. • Protetor ocular: são recomendados especialmente para a proteção do profissional contra o contato com sangue, secreções e fluidos dos pacientes. • Uniforme privativo: são constituídos de jaleco e calça, geralmente confeccionados com tecido de algodão, não esterilizados e reprocessáveis. Seu uso e restrito ao interior do CC e devem ser trocados pelos profissionais em operações com tempo prolongado. 58 • Avental: uma das formas extrínsecas de se prevenir a contaminação dentro da sala operatória é o uso de avental cirúrgico, que forma uma barreira entre a equipe e a ferida operatória, prevenindo a contaminação. • Propés: a recomendação vigente estabelece o uso de sapato fechado e restrito, prevenindo assim acidentes com perfurocortantes ou contaminação por líquidos corpóreos. O uso do propé diminui a veiculação de microrganismos. • Luvas: devem ser usadas pela equipe cirúrgica para sua proteção contra sangue e fluidos contaminados e do paciente contra microrganismos liberados pela equipe cirúrgica. • Remoção de adornos: atualmente, as instituições de saúde, atendendo à legislação vigente, vetam o uso de adornos, tanto para a equipe de saúde quanto para a equipe de limpeza. • Unhas: o uso de unhas compridas eleva o risco de rasgar a luva durante a operação. 2.2 DEGERMAÇÃO DAS MÃOS A adequada higiene das mãos é a medida preventiva mais importante na prevenção das infecções do sítio cirúrgico. Dentre as práticas para a prevenção dessas infecções, a degermação das mãos e antebraços da equipe cirúrgica, como preparo pré-operatório, teve sua origem quando Ignaz Semmelweis, em 1847, preconizou o uso de germicida para a lavagem das mãos antes de examinar as parturientes. Por volta de 1860, Joseph Lister introduziu os princípios da assepsia na prática dos procedimentos cirúrgicos, diminuindo substancialmente a morbidade nos pacientes em período pós-operatório. O cuidado com a degermação cirúrgica das mãos e antebraços é justificado pela taxa de perfuração das luvas ao final da cirurgia de 18%, sendo que, em mais de 35% dos casos, essas perfurações não são percebidas pelos cirurgiões, além do fato de algumas luvas serem permeáveis a bactérias. Para os integrantes da equipe cirúrgica que irão atuar no campo operatório, a degermação das mãos e antebraços constitui etapa fundamental do preparo da paramentação. A degermação é realizada através da escovação com solução antisséptica, utilizando-se escova de cerdas firmes e macias para não causar trauma ou irritação na pele. As escovas são descartáveis e podem já vir embebidas em solução antisséptica, ou o líquido pode estar disponível em dispensador de plástico fixo na parede com acionamento de ejeção por pedal, deixando as mãos livres e sem contato com ele. 59 A técnica deve seguir o seguinte padrão, bilateralmente: • Abre-se a torneira do lavabo. • Molham-se as mãos e antebraços, com água escorrendo das mãos. • Com a mão dominante, pega-se a escova, e, com a parte mais macia (espuma), en- saboa-se toda a área de pele a ser degermada. • Caso o local ainda utilize escovas secas, ensaboa-se com a outra mão toda a área de pele a ser degermada utilizando o antisséptico do dispensador. • Utilizando o lado com cerdas da escova, inicia-se a escovação esfregando na seguinte sequência: 30 vezes a palma da mão (inclusive os dedos); 30 vezes a lateral da palma da mão e do dedo mínimo; 30 vezes cada região interdigital, iniciando pelo dedo mínimo; 30 vezes a lateral da palma da mão e do polegar; 30 vezes o dorso da mão; 40 vezes a região sub-ungueal, ou seja, os vãos embaixo das unhas dos dedos; 30 vezes cada face do antebraço 30 vezes, de forma circular, o cúbito. • Mantém-se a escova na mão dominante e enxagua-se, a fim de remover a espuma proveniente das áreas degermadas anteriormente. • Passe a escova para a mão não dominante e, com a parte mais macia, ensaboe toda a área de pele a ser degermada, ou seja, da ponta dos dedos até o cúbito, porém, sem jamais voltar com a esponja para as áreas ensaboadas anteriormente. • Enxagua-se as mãos, antebraços e cúbitos para retirar a espuma do líquido antisséptico, respeitando o sentido para o escoamento da água (enxágue primeiro a mão, depois antebraço e, finalmente, cúbito) e as posição das mãos (acima do nível do cúbito, portanto, em “L”). • Ao final do processo, fecha-se a torneira com o cúbito (caso seu fechamento não seja automático ou através de botões acionados com o pé), poupando as mãos de tocarem qualquer objeto não esterilizado. • Com as mãos em “L” e a água escorrendo pelos cúbitos, adentra-se a sala de operações abrindo a porta com o dorso do corpo e cuidando para não contaminar nenhuma área degermada. • Aproxima-se da mesa onde encontram-se esterilizados os campos, os aventais e as compressas para enxugar as mãos. • Pega-se uma compressa pela ponta, abre-a e joga-a sobre uma das mãos, a qual irá enxugar sem fricção, descendo (em movimento helicoidal) até dois terços do antebraço (o último terço do antebraço e o cúbito não deverão ser enxugados). • Não se pode enxugar o outro membro com essa face da compressa já utilizada. Portanto, a compressa segurada ainda pela mesma mão é virada, ajeitada e passada à mão já enxuta; • Enxuga-se a mão e repete o movimento helicoidal do punho para baixo até dois terçosdo antebraço. • Então, joga-se a compressa no “hamper”. 60 3 CONCLUSÃO A infecção hospitalar constitui um dos grandes problemas enfrentados pelos pacientes e profissionais da saúde no Brasil. Cabe a nós, instrumentadores cirúrgicos, sermos conscientes e sinceros diante de qualquer eventualidade que possa pôr em risco o paciente e a equipe, sobretudo a não contaminação. Realizar a escovação e paramentação corretamente, passo a passo, é de fundamental importância para o sucesso final do procedimento, mantendo o paciente livre de infecção do sítio cirúrgico. Podemos concluir com esta revisão que, se houver a disseminação das práticas corretas, haverá a diminuição gradativa da infecção hospitalar e contaminação dos profissionais envolvidos, impactando positivamente todo o segmento. Fonte: adaptada de https://storage.builderall.com/franquias/2/6258596/editor-html/8638484.pdf. Acesso em: 20 set. 2022. https://storage.builderall.com/franquias/2/6258596/editor-html/8638484.pdf 61 Neste tópico, você aprendeu: • A instrumentação cirúrgica consiste em entregar de forma sistematizada o instru- mental necessário em um procedimento cirúrgico para o cirurgião. Para tanto, é im- prescindível que o profissional seja habilitado e conheça as técnicas de instrumen- tação cirúrgica. Além disso, o instrumentador é responsável pelo preparo da mesa de instrumentais, bem como controla e organiza-os durante as cirurgias. • A instrumentação cirúrgica é conhecida desde a Idade Média. Os cirurgiões sempre precisaram de alguém que os ajudasse nos procedimentos. Nessa época, os profis- sionais desenvolviam tarefas como a confecção, o aperfeiçoamento, o transporte e a guarda dos instrumentos necessários para a realização das cirurgias. • O instrumentador cirúrgico precisa trabalhar em sincronia com a equipe cirúrgica. É indispensável que esse profissional seja ágil, tenha equilíbrio emocional e uma comunicação eficiente, pois participa diretamente do ato cirúrgico. O instrumentador também precisa desenvolver competências como destreza e habilidade manual, além de ter conhecimento sobre esterilização, técnicas assépticas e sincronização dos tempos cirúrgicos. RESUMO DO TÓPICO 3 62 AUTOATIVIDADE 1 O instrumentador cirúrgico deve agir com ética e responsabilidade, garantido organização do material cirúrgico, entregando ao cirurgião de forma correta. Para desenvolver a instrumentação, o instrumentador deve conhecer e identificar os tempos cirúrgicos. Quanto às ações do instrumentador, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O instrumentador cirúrgico deve zelar pelo perfeito funcionamento do instrumental e dos equipamentos usados pelo cirurgião e assistente. ( ) O instrumentador deve estar atento aos movimentos da equipe cirúrgica, tendo, sob seu controle, a quantidade exata de compressas, gazes, agulhas e demais objetos, que não podem ser perdidos ou esquecidos no campo operatório. ( ) Deve se preparar para a cirurgia depois que todos da equipe estejam paramentados. ( ) Não é da responsabilidade do instrumentador a manutenção da assepsia de toda a equipe cirúrgica. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) F – V – F – F. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) V – V – F – F. 2 Bronzatti, Ferreti e Ponteli (2007) ressaltam que o instrumentador cirúrgico deve atu- ar seguindo a conduta ética que visa à dignidade humana e à construção do bem- -estar humano, no contexto sociocultural em que exerce sua profissão. É importante que o instrumentador conheça o código de ética da profissão, bem como a dos pro- fissionais com quem trabalha. Fonte: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/ view/344/347. Acesso em: 20 set. 2022. Sobre os preceitos da ética estabelecidos pela Associação Nacional dos Instrumentado- res Cirúrgicos, analise as sentenças a seguir: I- O instrumentador cirúrgico deve se familiarizar com os vários aspectos organizacio- nais e administrativos do hospital e com a dinâmica do bloco operatório, objetivan- do uma integração adequada no seu ambiente de trabalho. II- O instrumentador cirúrgico deve executar com rigor e presteza as orientações do cirurgião, com vista ao pleno sucesso do ato cirúrgico. 63 III- O instrumentador cirúrgico deve manter relações cordiais, espírito de colaboração e integração com todos os membros da equipe cirúrgica. IV- O instrumentador cirúrgico deverá guardar segredo sobre fatos que tenha conhecimento no exercício de sua profissão. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. 3 Durante o procedimento cirúrgico, é necessário que o instrumentador tenha uma atenção especial aos perfurocortantes utilizados, bem como aos instrumentais pontiagudos. Esses materiais devem ser descartados de forma segura em embalagens especiais, resistentes a perfurações e vazamentos. Fonte: PORTEOUS, M.; BÄUERLE, S. Manual AO de princípios e técnicas em centro cirúrgico. Porto Alegre: Artmed, 2013. Sobre essas precauções, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Não se deve dobrar agulhas, nem recolocar sua capa de proteção. b) ( ) Pequenos instrumentos perfurocortantes devem ser deixados na mesa de instrumentos estéreis, em qualquer lugar, pois a equipe médica não precisa saber onde estão. c) ( ) Não se deve segurar um bisturi ou qualquer outro objeto cortante com a mesma mão, ao mesmo tempo em que se segura outros objetos. d) ( ) Deve-se usar alerta verbal para anunciar a transferência de instrumento perfurocortante. 4 Veras et al. (2007) afirmam que é extremamente importante que o instrumentador tenha conhecimento e aplique os princípios de técnica asséptica, estando atento à manutenção da assepsia de toda a equipe cirúrgica. Além disso, para ser um bom instrumentador, fazem-se necessárias algumas ações que qualificam seu trabalho. Comente sobre essas ações qualificadoras. Fonte: http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf. Acesso em: 20 set. 2022. 5 Vimos, neste tópico, os conceitos, responsabilidades, técnicas e recomendações para que o instrumentador desenvolva um processo de trabalho qualificado. O instrumentador deve buscar o conhecimento para desenvolver com êxito o seu trabalho, que sempre deve ser pautado na ética e responsabilidade. Sendo assim, conceitue o perfil do instrumentador cirúrgico. http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf 64 65 REFERÊNCIAS ABREU, T. M. B; BAZONI, M. C. Como superar barreiras na comunicação nas organizações. Revista Dito Efeito, Curitiba, v. 7, n. 11, p. 74-94, jul./dez. 2016. Disponível em: https://periodicos.utfpr.edu.br/de/article/view/4078/3496. Acesso em: 20 set. 2022. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE INSTRUMENTADORES CIRÚRGICOS. Ética. São Paulo. Disponível em: https://anic.com.br/etica. Acesso em: 03 set. 2022. BALBINO, J. C. S. et al. Comunicação da equipe do centro cirúrgico com os familiares e acompanhantes de pacientes. Global Academic Nursing Journal, v. 2, n. 2, p. 1-6, maio 2021. Disponível em: https://www.globalacademicnursing.com/index.php/ globacadnurs/article/view/160/357. Acesso em: 20 set. 2022. BRASIL. Lei n. 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1986. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7498.htm. Acesso em: 3 set. 2022. BRONZATTI, J. A. G; FERRETI, H. H; PONTELI, S. R. C. A visão da equipe de enfermagem sobre o instrumentadorcirúrgico. Revista SOBECC, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 22- 26, jan./mar. 2007. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/ view/344/347. Acesso em: 20 set. 2022. CAMARGO, R. Comunicação assertiva: 7 dicas certeiras para desenvolver essa habilidade. Robson Camargo, 2019. Disponível em: https://robsoncamargo.com.br/ blog/Comunicacao-assertiva. Acesso em: 2 set. 2022. CARVALHO, R; BIANCHI, E. R. F. Enfermagem em centro cirúrgico e recuperação. 2. ed. Barueri: Manole, 2016. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM n. 2.147, de 27 de outubro de 2016. Estabelece normas sobre a responsabilidade, atribuições e direitos de diretores técnicos, diretores clínicos e chefias de serviço em ambientes médicos. Brasília: Conselho Federal de Medicina, 2016. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/ normas/visualizar/resolucoes/BR/2016/2147. Acesso em: 3 set. 2022. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN n. 214, de 10 de novembro de 1998. Dispõe sobre a instrumentação cirúrgica. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Enfermagem, 1998. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/ resoluocofen2141998_4261.html. Acesso em: 3 set. 2022. https://periodicos.utfpr.edu.br/de/article/view/4078/3496 https://www.globalacademicnursing.com/index.php/globacadnurs/article/view/160/357 https://www.globalacademicnursing.com/index.php/globacadnurs/article/view/160/357 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7498.htm https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/344/347 https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/344/347 https://robsoncamargo.com.br/blog/Comunicacao-assertiva https://robsoncamargo.com.br/blog/Comunicacao-assertiva https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2016/2147 https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2016/2147 http://www.cofen.gov.br/resoluocofen2141998_4261.html http://www.cofen.gov.br/resoluocofen2141998_4261.html 66 DOLZAN, J. E. Comunicação e endomarketing. Indaial: Uniasselvi, 2021. FONSECA, L. et al. Relacionamento interpessoal e trabalho em equipe: impactos num ambiente organizacional. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 3., 2016, Rio de Janeiro. Anais […]. Rio de Janeiro: CNEG – INOVARSE, 2016. Disponível em: https://docplayer.com.br/36444138-Relacionamento-interpessoal-trabalho-em- equipe-impactos-num-ambiente-organizacional.html. Acesso em: 20 set. 2022. JACOMOSSI, L. V. A. Indicativos para o desenvolvimento de uma tecnologia para comunicação com acompanhantes de pacientes no centro cirúrgico. 2017. Dissertação (Mestrado em Gestão do Cuidado em Enfermagem) – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2017. Disponível em: https://repositorio.ufsc. br/bitstream/handle/123456789/188761/PGCF0085-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y. Acesso em: 20 set. 2022. MENEZES, J. E. S. A; FEITOSA, C. R. S. Língua Brasileira de Sinais (Libras). 2. ed. Fortaleza: EdUECE, 2015. MOREIRA, F. T. L. S. et al. Estratégias de comunicação efetiva no gerenciamento de comportamentos destrutivos e promoção da segurança do paciente. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 40, n. 1, p. 1-9, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ rgenf/a/nWLsXWpWyYyhnCmF8J6KvbJ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 set. 2022. NOGUEIRA, J. W. S; RODRIGUES, M. C. S. Comunicação efetiva no trabalho em equipe em saúde: desafio para a segurança do paciente. Cogitare Enfermagem, Brasília, v. 3, n. 20, p. 636-640, jul./set. 2015. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/ article/view/40016/26245. Acesso em: 20 set. 2022. NOSSA história. SOBECC. Disponível em: https://sobecc.org.br/nossa-historia. Acesso em: 20 set. 2022. PORTEOUS, M; BÄUERLE, S. Manual AO de princípios e técnicas em centro cirúrgico. Porto Alegre: Artmed, 2013. POSSARI, J. F. Centro cirúrgico: planejamento, organização e gestão. 5. ed. São Paulo: Iátria, 2011. ROTHROCK, J. C. Alexander: cuidados de enfermagem ao paciente cirúrgico. 13. ed. São Paulo: Guanabara, 2007. https://docplayer.com.br/36444138-Relacionamento-interpessoal-trabalho-em-equipe-impactos-num-ambiente-organizacional.html https://docplayer.com.br/36444138-Relacionamento-interpessoal-trabalho-em-equipe-impactos-num-ambiente-organizacional.html https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/188761/PGCF0085-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/188761/PGCF0085-D.pdf?sequence=-1&isAllowed=y https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/40016/26245 https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/40016/26245 https://sobecc.org.br/nossa-historia 67 SANTOS, K. C. B. et al. Comunicação e relacionamento interpessoal no centro cirúrgico: aplicação da metodologia da problematização. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 698, p. 1-7, jun. 2019. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/ saude/article/view/698/490. Acesso em: 20 set. 2022. SOBECC. Diretrizes de práticas em enfermagem cirúrgica e processamento de produtos para a saúde. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. SOUZA, E. B; COUTINHO, I. H. I. L. S. Manual básico de metodização cirúrgica. Palmas: EdUFT, 2014. TRAJANO, M. F. C. et al. Relações interpessoais no centro cirúrgico sob a ótica da enfermagem: estudo exploratório. Online Brazilian Journal of Nursing, v. 16, n. 1, p. 159-169, mar. 2017. Disponível em: https://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/ article/view/5530/pdf_2. Acesso em: 2 set. 2022. VERAS, A. D. et al. Instrumentação cirúrgica: opiniões da equipe cirúrgica. In: ENCONTRO DE EXTENSÃO, 10., 2007, Paraíba. Anais […]. Paraíba: UFPB-PRAC, 2007. Disponível em: http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/ Area6/6CCSETSOUT02.pdf. Acesso em: 20 set. 2022. WEISS, C. S. et al. Comunicação e linguagem. Indaial: Uniasselvi, 2018. ZUZA, E. V. et al. Instrumentação cirúrgica e fatores que interferem na prática dos graduandos de enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE, Recife, v. 9, n. 12, p. 1264-1272, dez. 2015. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/ revistaenfermagem/article/view/10833/12032. Acesso em: 20 set. 2022. https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/698/490 https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/698/490 https://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5530/pdf_2 https://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5530/pdf_2 http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10833/12032 https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10833/12032 68 69 TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM UROLOGIA UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a operacionalização da instrumentação cirúrgica urológica; • reconhecer os instrumentos cirúrgicos utilizados nas cirurgias urológicas; • reconhecer a composição e as atribuições dos membros da equipe multiprofissional nas cirurgias urológicas; • compreender os tipos de cirurgias urológicas, os tempos cirúrgicos e a complexidade das cirurgias urológicas; • aprender a realização da montagem da mesa cirúrgica em Urologia. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 - CIRURGIA UROLÓGICA TÓPICO 2 - INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS TÓPICO 3 - INSTRMENTADOR E MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA UROLÓGICA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 70 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 71 TÓPICO 1 — CIRURGIA UROLÓGICA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A cirurgia é uma parte da Medicina focada em lesões externas e processos manuais que preveem a cura ou intervenção eficiente, tornando possível o tratamento de causas internas. Lembrandoque as cirurgias são classificadas quanto à urgência, ao tempo cirúrgico, ao potencial de contaminação e a sua finalidade. Dentre os variados tipos de cirurgias, sua classificação depende, também, do órgão em que a patologia está inserida. Nesse sentido, a Urologia envolve todo o complexo renal e urinário do ser hu- mano, responsável por ações essenciais, como o equilíbrio hidroeletrolítico, o equilíbrio ácido básico e o controle da pressão arterial. Assim, neste tópico, abordaremos todo o arcabouço que envolve os tipos de cirurgias urológicas e as cirurgias mais prevalentes que são atendidas nos centros de internações hospitalares. Como as cirurgias urológicas trazem suas especificidades no que se refere à técnica e ao objetivo a ser alcançado do tratamento cirúrgico, aprofundaremos nossos conhecimentos sobre os tempos cirúrgicos e a complexidade das cirurgias urológicas, bem como sobre os cuidados para com a paramentação da equipe na sala de cirurgia. Você receberá muitas informações acerca dessa temática, mas não se preocu- pe, pois iremos contextualizar e demonstrar toda a parte cirúrgica que envolve o pro- fissional instrumentador diretamente com a equipe. Ademais, a era tecnológica foi um grande propulsor das cirurgias urológicas com o surgimento de equipamentos por meio da robótica, cirurgias menos invasivas, recuperação rápida do paciente, menor tempo de internação e menos complicação pós-operatória. A ciência evolui muito rápido e pre- cisamos estar sempre nos atualizando, a fim de executar nossas ações com qualidade. 2 TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS Com o passar dos anos, as cirurgias foram se redescobrindo e ampliando seus recursos graças ao desenvolvimento das tecnologias e da Ciência. Na Urologia não seria diferente. Todo o desenvolvimento por meio de tecnologia nos grandes centros cirúrgicos trouxe maior qualidade e segurança, tanto para os pacientes quanto para os profissionais da saúde envolvidos nos processos. Essas novas tecnologias trazem menos risco de sangramento, menor tempo de internação e são constantemente utilizadas em remoção de tumores renais, remoção da próstata e, até mesmo, remoção da bexiga devido à expansão do câncer. 72 2.1 RESGATE HISTÓRICO Antes de iniciarmos, vamos a um pequeno resgate histórico de como tudo se desenvolveu tão rápido e pensando sempre no paciente? Há muito tempo, entre os séculos XVI e XVII, a especialidade da Urologia era primitiva e não especializada, em que apenas se analisavam patologias sintomáticas e se realizava a análise de urina por meio da uroscopia. Fazia-se, ainda, pequenos pro- cedimentos, como cirurgia de hérnia, sondagem de bexiga e litotomia vesical (MARIANO et al., 2007). Em meados do século XIX, foram desenvolvidas as primeiras instrumentações para procedimentos na uretra e na litotrícia vesical, dando início à era da endoscopia da uretra e da bexiga. Essa instrumentação ocorria por meio de introdução de sondas maciças e ocas para fazer a dilatação (utilizando velas, dilatadores), a fim de ser possível realizar a drenagem (por meio de cateteres), de forma rígida (metálicas) ou flexível (NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010). A Urologia foi uma das primeiras cirurgias a sair do hall das cirurgias gerais, no início do século XX, com a realização da primeira cistostomia e, logo depois, abrindo espaço para outros pesquisadores com o surgimento do raio X e da urodinâmica. Com o passar dos anos, toda a instrumentação cirúrgica precisou ser atualizada e adaptada frente aos avanços tecnológicos (MARIANO et al., 2007). Entretanto, outros equipamentos tecnológicos serviram de auxílio para os diagnósticos e maior precisão às equipes cirúrgicas durante os procedimentos, como ultrassonografia, tomografia, ressonância, angiografia, dentre outros. Como aliados aos procedimentos cirúrgicos na Urologia, também temos os exames complementares, como imuno-histoquímica e antígeno específico da próstata (PSA). Concluindo nosso raciocínio e retomando ao nome central deste tópico, as cirurgias urológicas têm como objetivo corrigir e/ou tratar as patologias no aparelho geniturinário (envolvendo desde a formação da urina nos rins até a sua eliminação). Esse procedimento pode ocorrer de forma aberta ou endoscópica, por via transuretral. Este último, como já mencionamos, é mais recente na área urológica, menos invasivo e mais utilizado atualmente. 73 Figura 1 – Incisão em cirurgia urológica aberta Fonte: https://shutr.bz/3CIUgDc. Acesso em: 19 set. 2022. Com os avanços tecnológicos, as cirurgias abertas ficaram para trás e se passou a utilizar procedimentos menos invasivos, como as microcirurgias, a implantação de cateteres e próteses, além da utilização da robótica, com um progresso na cirurgia re- paradora e melhor controle de infecção na manipulação do trato urinário e seus anexos. Figura 2 – Laparoscopia renal Fonte:https://shutr.bz/3EVz938. Acesso em: 19 set. 2022. 74 2.2 CIRURGIA SEGURA Ao tratarmos do surgimento das cirurgias urológicas, não podemos deixar de abordar também os protocolos que foram sendo criados, juntamente com a evolução das técnicas cirúrgicas. Dentre os mais importantes, temos o protocolo da cirurgia segura. Entre 2007 e 2008 foi escolhido, como desafio global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a criação da área de Segurança da Assistência Cirúrgica, com o objetivo de aumentar os padrões de qualidade na assistência cirúrgica em todo o mundo. Esse movimento se deu pelos altos índices de erros cirúrgicos, em que, a cada quatro intervenções cirúrgicas, pelo menos uma apresentava complicações pós-operatórias dos mais variados tipos, levando até o paciente a óbito (OMS, 2009). Segundo a OMS (2009), quase 50% dos eventos adversos que ocorriam nas unida- des hospitalares estavam relacionadas à assistência cirúrgica, em que metade dos casos cirúrgicos eram interpretados como eventos evitáveis. Assim, foi instituído o protocolo de cirurgia segura, a fim de minimizar os efeitos deletérios dos erros cirúrgicos, bem como para oferecer mais segurança tanto para o paciente quanto para a equipe cirúrgica. • A OMS (2009) traz os seguintes requisitos da cirúrgica: • a equipe deve operar o local correto do paciente correto; • a equipe deve utilizar métodos conhecidos para evitar danos pela administração de agentes anestésicos, garantindo, ao mesmo tempo, analgesia correta ao paciente; • a equipe deve reconhecer e se preparar para o risco de perda da via aérea ou depressão das funções respiratórias; • a equipe deve reconhecer e se preparar para o risco de perda sanguínea elevada; • a equipe deve conhecer o perfil de alergias ou reações adversas significativas do paciente; • a equipe deve utilizar métodos conhecidos e firmados em protocolos, a fim de minimizar os riscos de infecção do sítio cirúrgico; • a equipe deve ter atenção aos instrumentos e às compressas retidas das feridas operatórias; • a equipe deve conhecer, garantir e identificar, com precisão, os instrumentais cirúrgicos utilizados no procedimento cirúrgico; • a equipe deve manter uma comunicação efetiva durante o procedimento cirúrgico, para garantir informações corretas na condução da cirurgia; • as unidades hospitalares e os sistemas de saúde devem estabelecer protocolos de vigilância e controle dos procedimentos cirúrgicos, bem como os resultados dos procedimentos. Além disso, o protocolo de cirúrgica segura possui quatro objetivos-chave, a saber: prevenir infecções de sitio cirúrgico, promover o ato anestésico seguro, fortalecer as equipes para que trabalhem de forma segura e utilizar indicadores de assistência cirúrgica para um melhor acompanhamento dos procedimentos cirúrgicos. 75 3 DEFINIÇÃO DOS TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS Como estudado em Anatomia, o aparelho urinário pode apresentar alterações, desdeas vias renais (rins, glomérulos) até as vias urinárias (ureter, bexiga e uretra), porém, o fator idade conta muito para a definição específica de alguns procedimentos cirúrgicos na Urologia. Que tal retomar os estudos da Anatomia do Sistema Geniturinário? Será de grande importância para você entender todo o mecanismo do órgão (formato, localização, função) diante dos tipos de cirurgias urológicas que abordaremos a partir de agora! DICA O ser humano, desde o seu nascimento, fica suscetível a malformações de cau- sas inespecíficas, levando a infecções urinárias repetitivas, ou, até mesmo, por falta de cuidados de higiene. As patologias por malformação devem ser corrigidas o mais preco- ce possível, para não levarem a infecções maiores ou formação de tumores. Na fase infantil, as cirurgias mais prevalentes são a postectomia, a correção hipospádia, a extrofia de bexiga, as pieloplastias, as operações antirrefluxos e a orquido- pexia. Com o passar dos anos, a vida adulta, com suas rotinas e seu estilo de vida, pode fazer desenvolver patologias diversas, até a formação tumoral. Tais patologias podem estar localizadas em vias vesicais, prostáticas ou renais. As cirurgias mais prevalentes nessa idade são a litotomia (vesical, piélica ou renal), a uretrotomia, as pieloplastias, a uretrovesicopexia e a vasectomia. Já na terceira idade, os maiores achados se dão devido à hipertrofia prostática ou a tumores vesicais, bem como patologias próprias da idade (infecção de trato urinário e incontinência urinária), ocasionando cirurgias como cistectomia, cistostomia, nefrectomia, nefropexia, prostatectomia, postectomia e ureterolitotomia. 3.1 ENDOSCOPIA UROLÓGICA A endourologia é uma especialidade em que o médico urologista utiliza méto- dos minimamente invasivos, por meio endoscópico, nas vias urinárias, a fim de corrigir e tratar a famosa pedra nos rins (litíase urinária). Mais conhecida como endoscopia urológica, esse procedimento está relacionado a um aparelho microscópico inserido no trato urinário por meio de um cateter rígido e flexível, atingindo o ureter. 76 Como todo procedimento, suas vantagens envolvem a redução das taxas de infecção e dor, menos tempo de internação e rápida recuperação aos pacientes, ao contrário da cirurgia aberta convencional, com maior tempo de exposição do paciente e de internação. Apesar da cirurgia laparoscópica ter surgido para melhorar vários fatores, ela também envolve uma série de efeitos renais no paciente. Devido à diminuição do fluxo sanguíneo renal e alteração na perfusão renal, leva-se ao quadro de oligúria, que ocorre pela redução da filtração glomerular, do débito urinário e da excreção de sódio. Essa diminuição no fluxo sanguíneo se dá devido ao posicionamento do paciente e do pneumoperitônio, em que há um aumento da pressão intra-abdominal e, consequentemente, um aumento da pressão do parênquima abdominal, comprimindo as artérias e veias renais. Nesse sentido, o controle urinário deve ser rigoroso durante e após as intervenções cirúrgicas (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). Smeltzer (2020) salienta que outras alterações que podem ocorrer, decorrentes do pneumoperitônio, envolvem: pneumotórax, enfisema subcutâneo, embolia gasosa e aumento da pressão pleural; além de alterações circulatórias, como a diminuição do débito cardíaco, a dificuldade de retorno venoso dos membros inferiores, o aumento da pressão intracraniana, o aumento do fluxo sanguíneo cerebral e outras alterações significativas. 3.1.1 Nefrolitotomia percutânea Com a formação dos cálculos renais, muitas vezes, eles não são eliminados naturalmente pelo corpo. Desse modo, os pacientes com essa patologia referem muita dor, a qual piora ainda mais quando o cálculo tenta descer pelo ureter. Eis que, então, com a avaliação do urologista e dos demais exames, indica-se a nefrolitotomia percutânea. Tal técnica é utilizada para destruir cálculos renais com mais de 2 cm ou complexos e, também, para tratar alguns tumores localizados em vias excretoras. O procedimento é realizado dentro do bloco cirúrgico e com anestesia geral (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). Inicialmente, coloca-se um cateter no ureter com o cistoscópio, que servirá para a injeção de contraste no rim, para melhor identificação do cálculo e melhor visualização da anatomia do órgão. Diante disso, pode-se realizar o raio X ou o ultrassom. Após a anestesia, realiza-se uma pequena incisão na região lombar, com uma agulha fina (agulha de Veress), introduzindo um fio guia e os dilatadores. Logo, introduz-se o nefroscópio (com 1 cm de lúmen), conectado a uma câmera, a qual permite a visualização dos cálculos internos. Quando encontrados e visualizados, faz- se a destruição desses cálculos utilizando o litotriptor ultrassônico. Este é uma espécie 77 de broca que quebra a pedra e aspira os fragmentos. Logo, é realizada a retirada dos fragmentos para realizar limpeza total do rim (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020). Figura 3 – Nefrolitotomia percutânea Fonte: https://shutr.bz/3gj8ymt. Acesso em: 19 set. 2022. Quando o cálculo é muito grande ou não se consegue fazer a destruição completa, é necessário fazer mais uma punção no rim. Assim que os fragmentos são retirados e é avaliado o procedimento, o cirurgião e a equipe definem se haverá a necessidade de drenagens com sondas e cateteres. Um dos cateteres mais utilizados é o duplo J, que funciona como um dreno interno, para impedir a obstrução do canal do ureter devido à formação de coágulos ou restos de fragmentos do cálculo. Além disso, outra alternativa é a sonda de nefrostomia, que pode ser introduzida em vias renais, na área de abordagem cirúrgica, para drenagem da urina e dos fragmentos. Há, também, a sonda vesical, por via uretral. A escolha vai depender da avaliação do cirurgião e das condições hemodinâmicas do paciente (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020). Em alguns casos, ainda é possível utilizar um mininefroscópio a partir de uma incisão menor nas costas, o que reduz a dor e o sangramento no paciente, ao mesmo tempo que mantém a eficiência do procedimento. Em situações mais complexas, com múltiplos cálculos grandes ou espalhados nas vias renais, o tratamento pode ser combinado com a nefrolitotripsia percutânea e a ureteroscopia flexível, conhecida como cirurgia endoscópica combinada intrarrenal. 78 A vantagem dessa combinação é aumentar a limpeza do rim com um menor nú- mero de incisões, porém, como todo procedimento invasivo, mesmo que minimamen- te invasivo, ele tem suas complicações, podendo ocorrer formação de fístula urinária, urossepse, formação de abcessos, perfuração uretral, infecções ou obstrução, seguidos de comprometimento renal. Infecção em procedimentos invasivos pode apresentar sinas e sintomas em até 48 horas após o procedimento realizado. Assim, devemos sempre realizar o procedimento invasivo em técnica asséptica e acompanhar de perto o paciente no pós-operatório. ATENÇÃO 3.1.2 Ureteroscopia A ureteroscopia é um procedimento para tratar cálculos que se formam no nível do ureter. Nessa técnica, o ureteroscópio é introduzido pela uretra e consiste na remoção dos cálculos localizados no ureter. O procedimento permite visualizar o trato urinário e a entrada de pequenos cateteres para a destruição e retirada dos cálculos. Trata-se de um procedimento realizado com anestesia regional (na coluna) ou sob anestesia geral. O aparelho ureteroscópico pode ser semirrígido, utilizado para o tratamento de cálculos no ureter; ou flexível, utilizado nas porções mais altas do ureter e dentro das vias renais. Esse aparelho possui uma câmerade alta definição, delicada e fina, capaz de ser introduzida dentro do ureter, sem comprometer as estruturas dos órgãos adjacentes (bexiga e uretra), por onde faz passagem (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). O ureter é um canal longo e tortuoso, estreito e delicado, o que pode dificultar, em muitos casos, a passagem do ureteroscópio, podendo não se alcançar o cálculo. Assim, durante o procedimento é realizado um raio X intraoperatório para estabelecer com mais critério o local do cálculo. Quando ocorre de não o alcançar, é instalado o cateter duplo J no ureter. O paciente fica alguns dias com o cateter para que o procedimento possa ser realizado em outro momento, com maior segurança ou, até mesmo, considerando a saída do cálculo (dependendo do tamanho) pelo cateter, sendo eliminado pela urina (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020). 79 Figura 4 – Ureteroscopia Fonte: https://shutr.bz/3VBxSEm. Acesso em: 19 set. 2022. Depois da introdução do aparelho e de encontrado o cálculo no ureter ou no rim, introduz-se um aparelho com fibra de laser pelo cateter, que irá proceder com a fragmentação do cálculo. Os pequenos pedaços de fragmento são capturados por uma pequena cesta e por meio do ureteroscópio, enquanto outra parte desse fragmento poderá ser eliminada espontaneamente pelas vias urinárias dentro de alguns dias (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020). Que tal assistirmos a um vídeo sobre essa técnica cirúrgica? No vídeo a seguir é possível assistir a uma animação de todo o processo invasivo da ureteroscopia, qual caminho ela percorre, como alcança o cálculo renal e como se dá a eliminação deste. Acesse na íntegra no link: https://youtu.be/PmB0uFZrOPs. DICA 3.2 CISTECTOMIA A cistectomia, por sua vez, consiste no padrão ouro quando utilizada para o tratamento de câncer de bexiga e tumores recorrentes. Com a evolução da robótica, esse procedimento tem sido muito bem reconhecido por apresentar uma visão tridi- mensional e uma melhor curvatura na visualização interna da bexiga. https://youtu.be/PmB0uFZrOPs 80 Ela pode ser classificada como radical ou parcial, a depender do quão o tumor invadiu o órgão e pela opção médica após uma minuciosa avaliação clínica. De qualquer modo, em ambas, são retirados os gânglios linfáticos regionais. 3.2.1 Cistectomia parcial A cistectomia parcial consiste na retirada parcial da bexiga por comprometi- mento apenas da musculatura, de forma bem localizada. Sua principal vantagem é a manutenção e conservação da bexiga, sem a necessidade de reconstrução. Contudo, deve-se orientar o paciente sobre a capacidade limitante, futuramente, da bexiga. Mariano et al. (2007) destacam que esse procedimento é contraindicado nos casos de tumores vesicais múltiplos ou na presença de carcinoma. Deve ser, preferen- cialmente, utilizado em pacientes que evoluem bem na quimioterapia ou radioterapia e que possuem a possibilidade de manter uma boa capacidade da bexiga para seu fun- cionamento após o procedimento. Tais requisitos diminuem a chance de o procedimen- to ser feito com frequência, havendo pouca literatura a respeito da sua eficácia. 3.2.2 Cistectomia radical A cistectomia radical consiste no tratamento de escolha quando se refere ao carcinoma vesical invasivo ou tumor superficial, quando há comprometimento de toda a bexiga. O procedimento possui dados que comprovam a redução da morbimortalidade por câncer de bexiga, há menos risco de sangramento, melhor visualização e preser- vação do feixe neurovascular, bem como é menos invasiva e com incisão de pequenos pontos (MARIANO et al., 2007). Conforme Smeltzer (2020), em muitos casos, nesse procedimento, ocorre de ser removida a próstata nos homens e, nas mulheres, o ovário, a trompa de Falópio e o útero. Na cistectomia radical, é criada uma nova “bexiga” ou um reservatório interno para depósito urinário, utilizando, geralmente, o intestino delgado sem peristalse e, logo, reimplantando os ureteres das vias renais, conforme podemos observar na figura a seguir (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). As vantagens na escolha dessa técnica cirúrgica são: menor perda sanguínea, menor taxa de transfusão, menos uso de analgésicos e recuperação mais rápida. Porém, quanto às desvantagens, podemos enumerar o tempo operatório mais longo, o custo mais elevado e a falta de resultados a longo prazo. 81 Que tal nos aprofundarmos mais sobre a litíase renal? O artigo a seguir se trata de uma revisão bibliográfica para melhor compreensão sobre os aspectos que envolvem a litíase renal, bem como os procedimentos conservadores e cirúrgicos que cercam essa patologia. Acesse a produção na íntegra no link: https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/ article/view/49321/pdf. DICA 3.3 LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA (LECO) Outro tratamento moderno é a litotripsia extracorpórea, também conhecida como LECO, que é menos invasivo, porém possui certas restrições. É utilizado para a quebra dos cálculos formados no nível dos rins com até 2 cm de diâmetro (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). Nesse método, o paciente não precisa ser anestesiado, sendo que o aparelho emite ondas de choque em direção ao cálculo. Após a aplicação do choque, os frag- mentos do cálculo são eliminados pela urina. Vejamos a figura a seguir. Figura 5 – Litotripsia extracorpórea Fonte: https://shutr.bz/3yYPUXD. Acesso em: 19 set. 2022. Caso ainda permaneçam maiores, podem obstruir a passagem de urina na bexiga, por isso, a indicação é para cálculos de até 2 cm. https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf 82 3.4 NEFRECTOMIA Nos casos de carcinoma de células renais, os cirurgiões recomendam a nefrec- tomia parcial. Esta consiste na retirada de parte do rim, tentando-se preservar o pa- rênquima renal funcionando. Aliás, é importante essa preservação porque, futuramente, o paciente pode apresentar piora do quadro renal devido a outras causas. Já a nefrectomia radical ocorre nos casos de tratamento de carcinomas localizados ou metastáticos. Também ocorre a retirada das glândulas suprarrenais e gânglios, mas o procedimento, por ser mais radical, pode apresentar complicações, como hemorragia secundária, infecção, insuficiência renal aguda e/ou crônica, bem como hérnia incisional (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). O planejamento pré-operatório, com o auxílio de exames de imagem ou, até mesmo, a reconstrução 3D das imagens, ajuda na cirurgia para torná-la menos invasiva e livre de complicações pós-operatórias. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, com o paciente posicionado lateral- mente para melhor acesso ao órgão. Após a incisão de pequenos pontos cirúrgicos, introduz-se os cateteres para acesso das pinças laparoscópicas. Realiza-se, depois da dissecção do rim acometido e já preparado para a extração do órgão. Graças à robótica, consegue-se individualizar os vasos renais em segurança e, quando necessário, reali- zar o clampeamento temporário a fim de evitar extravasamento de sangue dentro da cavidade abdominal (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020). Depois de retirada a lesão tumoral, sutura-se o rim e se mantém, a todo tempo, o controle rigoroso do sangramento. O tumor retirado deve ser colocado em recipiente estéril, identificado e enviado para realizar exame anatomopatológico. 3.5 CISTOSTOMIA A cistostomia é um procedimento comumente utilizado em casos de obstruções no canal uretral. Trata-se de uma técnica invasiva, que pode ser realizada à beira leito de internação, em casos emergenciais, mas o recomendado é dentro do centro cirúrgico. Esse procedimento cirúrgico permite realizar um desvio urinário por meio da implantação deum cateter em região supra púbica, permitindo, assim, a passagem de urina da bexiga, nos casos de estenose uretral, trauma vesical e/ou uretral, assim como pós-operatório de outras cirurgias urológicas. A cistostomia é realizada por meio de anestesia local ou geral (a depender do paciente), em que se realiza uma incisão em região supra púbica a, mais ou menos, 10 cm abaixo do umbigo (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). Após a incisão, introduz-se o trocarte de cistostomia, para permitir a inserção do cateter de drenagem. Vejamos a figura a seguir. 83 Figura 6 – Cistostomia Fonte: https://shutr.bz/3eKHmMY. Acesso em: 19 set. 2022. O cateter de drenagem pode ser a sonda Folley, mas a opção mais reconhecida é o cateter específico de cistostomia de silicone, pois possui maior durabilidade, melhor aderência ao orifício e menos risco de contaminação, uma vez que a sonda Folley pode apresentar extravasamento de urina pela parede abdominal e seu balonete pode desinflar. Dentre as complicações que se podem apresentar, temos a infecção urinária, a infecção local, a obstrução do cateter implantado, a perfuração do peritônio e o extravasamento de urina no tecido perivesical (SMELTZER, 2020). 3.6 NEFROSTOMIA Outra cirurgia próxima à cistostomia é a nefrostomia, indicada nos casos em que a drenagem de urina não ocorre pelas vias renais, seja por obstrução, seja por perda de função renal. No procedimento, é realizada uma incisão com o trocarte localizado no flanco (direito ou esquerdo, local do rim afetado), diferentemente da cistostomia. Após a incisão, introduz-se um cateter dilatador por meio da pelve renal, até o interior do rim, quando se passa o guia e, depois, é colocado o cateter de drenagem. O cateter utilizado para nefrostomia possui fino calibre e comprimento maior do que o cateter de cistostomia, podendo chegar até 25 cm de comprimento e 21 mm de calibre, sendo chamado de sonda de Malecot (SMELTZER, 2020). 84 Figura 7 – Nefrostomia Fonte: https://shutr.bz/3yXLy33. Acesso em: 19 set. 2022. Vale lembrar-se de que se trata de um desvio temporário, até o restabeleci- mento das funções vitais do órgão. A permanência prologada desse cateter pode levar à infecção e possível perda do rim. Temos sempre que recordar de educar o paciente quanto ao cuidado no manuseio, na limpeza e no curativo, desprezando o débito uriná- rio e se atentando para os sinais de infecção. Para um melhor aproveitamento do conteúdo, a seguir temos um vídeo que demonstra a colocação do cateter na nefrostomia guiada por ultrassom. Assista à produção na íntegra para entender melhor como funciona o processo. Acesse o link: https://youtu.be/ c15OORmd5Oo. DICA 3.7 CIRURGIAS NA PRÓSTATA Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o número de pacientes com câncer de próstata está na casa dos 65.000 casos, isso entre os anos de 2020 e 2022, ocupando a primeira posição em todo o território brasileiro (INCA, 2022). O câncer de próstata está presente nos homens, representando quase 30% dos casos de tumores no sexo masculino, dos quais possui exames precisos para um diagnóstico precoce, porém com pouca procura nos consultórios urológicos. https://youtu.be/c15OORmd5Oo https://youtu.be/c15OORmd5Oo 85 Apesar da eficácia do resultado das cirurgias de próstata, o paciente pode vir a apresentar algumas complicações, como incontinência urinária, disfunção erétil, infer- tilidade e reincidência tumoral. Assim, é importante sempre comunicar ao paciente as possibilidades de complicação, pois ele mesmo auxiliará nas informações relacionadas a sinais e sintomas (SMELTZER, 2020). 3.7.1 Ressecção transuretral de tumor de próstata (RTU de próstata) A Ressecção transuretral de tumor de próstata é um procedimento realizado nos casos de hiperplasia prostática benigna, sendo minimamente invasivo e pro- porcionando agilidade e segurança ao paciente. Essa hiperplasia ocasiona compres- são da uretra e relaxamento vesical insuficiente, interferindo diretamente no fluxo de eliminação da urina, ocasionando, por consequência, retenção urinária. Quando se faz a avaliação precoce, o sucesso da cirurgia é garantido, uma vez que se trata de tumor benigno (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATE, et al., 2009; SMELTZER, 2020). Quanto ao modo como ocorre essa cirurgia, o cirurgião faz a inserção do endoscópio (chamado de ressectoscópio) pela uretra, com o paciente sob anestesia. Dentro do endoscópio, introduz um cabo com corte para a retirada do tecido prostático. Essa ressecção se dá para preservar a comunicação da bexiga e uretra, com a cápsula prostática, tentando ao máximo preservar as funções dos órgãos adjacentes (uretra e bexiga) (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATEL et al., 2009; SMELTZER, 2020). Figura 8 – Ressecção transuretral de tumor de próstata Fonte: https://shutr.bz/3yZlW5A. Acesso em: 19 set. 2022. 86 O retorno do fluxo urinário eficiente ocorre em, mais ou menos, 80% dos casos em um ano. O paciente tem que estar muito atendo às possíveis complicações, como falha na micção, infecção urinária e incontinência urinária. 3.7.2 Prostatectomia aberta Quando falamos em prostatectomia aberta, estamos diante de um dos procedi- mentos pioneiros na Urologia, quando se descobriu o câncer de próstata. Ainda comu- mente utilizado, esse procedimento visa, basicamente, eliminar a doença, preservando a continência urinária e, em muitos casos, a função erétil. A técnica ocorre com uma única incisão, abaixo do umbigo até o púbis. Depois, faz-se a retirada da próstata e tecidos adjacentes (vesículas seminais), bexiga e ure- tra são conectadas por meio de pontos. Após o procedimento, é realizada a passagem de sonda pelo pênis para auxiliar na cicatrização, devendo ser removida em sete dias (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010). 3.7.3 Prostatectomia perineal A prostatectomia perineal é um procedimento de escolha dos pacientes obesos ou que passaram por reconstrução abdominal ou transplante renal. Na técnica, realiza- -se uma incisão no períneo, localizado entre o escroto e o ânus. Para Mariano (2007), ao contrário da prostatectomia aberta, a prostatectomia perineal permite uma melhor visualização da próstata e rápida recuperação. No entanto, a visualização nervo-erétil é mais difícil, podendo haver dificuldade em sua preservação. No vídeo a seguir, você pode conhecer o caso de um paciente de 54 anos, com diagnóstico de alteração dos exames de rastreio, seguida da confirmação de câncer de próstata. Assista à produção na íntegra no link: https://youtu.be/4VfPLyTZ9Hg. DICA 3.7.4 Prostatectomia radical A prostatectomia radical é um procedimento minimamente invasivo, realizado dentro do centro cirúrgico e sob anestesia geral. É feita por meio de equipamentos da robótica e monitorização mais avançada, a fim de garantir sedoanalgesia mais profunda e imobilidade completa do paciente durante o procedimento cirúrgico. https://youtu.be/4VfPLyTZ9Hg 87 Após a anestesia e o posicionamento adequado do paciente, é realizada a incisão de pequenos orifícios na região abdominal, por onde serão introduzidos os instrumentais cirúrgicos, o cabo óptico e os cateteres. Depois da introdução dos instrumentais, inicia- se a abertura entre a bexiga e a próstata no nível do colo vesical, desconectando os dois do tecido que os unem. Logo, as vesículas seminais são identificadas, bem como os canais deferentes para realizar a remoção. Em seguida, o cirurgião se atenta, minuciosamente, para a preservação dos nervos responsáveis pela ereção, por isso, a utilização do equipamento que lhe permite melhor visualização e dissecção delicada das estruturas (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATEL et al., 2009; SMELTZER, 2020). Segundo Patel et al. (2009), o local de acesso é irrigado por artérias, as quais são ligadas com clipes e cortadas,evitando extravasamento de sangue e melhor acesso para a retirada da próstata. Também é necessário o controle do complexo de veias acima da próstata para a preservação dos músculos e ligamentos que sustentam a uretra, a fim de não ter problemas futuros com a eliminação urinária. Após a dissecção minuciosa da uretra, a próstata é totalmente removida e extraída. Faz-se uma revisão dos pontos de sangramento na área cirúrgica e se inicia o processo de reconstrução: ligamento da uretra com a bexiga. Tal ligação deve ser cautelosa para evitar uma costura mais fechada, pois pode ocorrer estreitamento no canal futuramente, impedindo a eliminação urinária (SMELTZER, 2020). Figura 9 – Alteração na próstata Caso o cirurgião opte por realizar uma linfadenectomia, ela poderá ser realizada antes ou após a prostatectomia. Alguns cirurgiões avaliam a necessidade de colocação de drenos, mas a sonda vesical deve ser colocada por até sete dias. Fonte: https://shutr.bz/3goXhBh. Acesso em: 19 set. 2022. 88 3.7.5 Plasma O plasma é uma técnica cirúrgica utilizada em casos de câncer de próstata. Trata-se de um tipo de energia bipolar mais seguro, com monopolar tradicional, haven- do menos danos térmicos e sangramentos durante o procedimento de ressecção de tumor, logo, consequentemente, há menos dor, desconfortos e infecções pós-operató- rias. Com a facilidade de acesso e menor risco, o paciente também terá menos tempo de internação. Com essa técnica, é possível realizar apenas vaporização do tecido em casos de próstatas obstrutivas e menores. Nesta última situação, pode-se fazer a enucleação de todo tecido prostático, garantindo uma melhor desobstrução das vias urinárias e menos complicações posteriores. Em vista do procedimento e de sua qualidade, a gravidade de sintomas relacionados ao crescimento da próstata melhora permanentemente, não mais precisando das medicações via orais (SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). A técnica de plasma é realizada dentro do centro cirúrgico, podendo ser com anestesia geral ou bloqueio anestésico. O aparelho endoscópico é introduzido pela uretra, a fim de inspecionar a bexiga e a uretra. Com o dispositivo, o plasma é usado para remover o tecido da próstata que está impedindo o canal urinário de eliminar urina. O dispositivo desliza sobre o tecido, vaporizando-o, sem corte. Quando há necessidade de ressecção da próstata, é possível utilizar o plasma, fragmentando-o em pequenas porções, com pequenos sangramentos. Ao final, coloca-se uma sonda vesical para auxiliar na drenagem da urina (SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). 4 PARAMENTAÇÃO EM CIRURGIA UROLÓGICA Após aprendermos melhor sobre as cirurgias urológicas, precisamos abordar um assunto de extrema importância e de grandes questionamentos. Isso porque quem vivencia a área hospitalar observa muitos profissionais negligenciando a paramentação correta, sendo que esse malcuidado reflete direto no paciente. Nesse sentido, a paramentação não é só uma exigência das unidades hospitalares, mas, também, uma forma de segurança tanto aos pacientes, por minimizar os riscos de contaminação do sítio cirúrgico; quanto aos profissionais, para que estes não entrem em contato com sangue e fluidos corporais do paciente (PEIXOTO, 2019; POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). A paramentação diz respeito a um conjunto de ações que visa criar uma barreira, impedindo que microrganismos invadam o sítio cirúrgico. Para uma boa paramentação, o profissional deve seguir alguns critérios que minimizem qualquer risco de infecção ou contaminação que vá comprometer o paciente. Tratam-se, especificamente, de ações padronizadas e habilidades para com a vestimenta. 89 Antes de se preparar para realizar a paramentação, o profissional deve seguir os protocolos de biossegurança na utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), estando de cabelo preso (se for o caso) e em uso de gorro, máscara cirúrgica, máscara N95 (em caso de patologias transmissíveis por via respiratória), prope e sem qualquer tipo de adorno (anéis, colares, pulseira, brincos, gravata e cordão de crachá). A utilização de óculos de proteção ou viseiras também se faz necessária, a fim de evitar a contaminação de fluidos corporais direto nas mucosas oculares (OMS, 2009; PEIXOTO 2019; POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). A utilização dos EPIs tem sido resistente por parte dos profissionais por diminuírem a acuidade visual do cirurgião, bem como embaçar durante o procedimento cirúrgico devido ao escape de ar da narina ao respirar. Contudo, ainda assim, deve-se insistir pelo uso para proteger a equipe contra qualquer tipo de contaminação. Após a conferência dos requisitos anteriores, antes de entrar na sala operatória, realiza-se a degermação das mãos, sempre enxugando-as com compressa estéril. De- pois da correta degermação das mãos é preciso vestir corretamente o avental (capote) e calçar as luvas em técnica asséptica. A degermação das mãos deve ser realizada com escova, torneiras de pressão e clorexidina degermante. Deve-se ter muito cuidado, sempre degermando em sentido unidirecional, para evitar contaminação do local já escovado, com a secagem da mesma forma. ATENÇÃO Contudo, quem deve se paramentar no bloco cirúrgico? Todos os envolvidos no procedimento cirúrgico devem respeitar os protocolos de paramentação. Quanto menor a possibilidade de risco de contaminação, melhor para o paciente. A paramentação adequada deve seguir as normas e rotinas de biossegurança da unidade hospitalar, envolvendo, também, o tamanho e o tipo de tecido da vestimenta de paramentação, se será reprocessada ou descartável. A equipe realiza a paramentação em parceria com os envolvidos, pois, enquanto um se veste, o outro auxilia no fechamento da vestimenta, sempre tomando os devidos cuidados de não esbarrar em nada a sua volta. Também é importante toda a equipe ser respeitosa entre si, alertando sobre alguma ação equivocada que pode ser corrigida. 90 O avental cirúrgico (capote), por exemplo, deverá ser de manga longa e cobrir até o pescoço, possuir punhos ajustados e comprimento abaixo dos joelhos. Ele já vem dobrado em duas pontas, por onde o profissional cirurgião deverá pegar. O restante irá se desdobrar por ação da gravidade, ficando o cirurgião de costas para o instrumentador cirúrgico. O cirurgião, então, deve vestir o avental com as duas mãos, sem contato com a parte externa do capote, enquanto o instrumentador deve auxiliá-lo para tracionar as mangas, segurando pelo lado interno do capote (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). Figura 10 – Paramentação da equipe cirúrgica Fonte: https://shutr.bz/3eLRYeF. Acesso em: 19 set. 2022. Após firmar os braços e confirmar a posição adequada do capote nos membros superiores e no tórax, o instrumentador inicia a amarração dos diversos cordões nas costas do cirurgião (no nível da cervical e cintura), finalizando com os cordões à frente do capote. As pontas desses cordões passam a não ser mais estéreis, por isso a atenção redobrada ao esbarrar nas mesas auxiliares. Quando for fazer a amarração, deve-se estar a uma distância favorável, justamente para que não haja contaminação (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). Para a não contaminação dos cordões, existem os aventais envolventes, em que o próprio cirurgião faz sua amarração e possui uma margem maior de segurança do que o convencional. Apesar desse tipo de capote favorecer o individualismo, necessita que o instrumentador auxilie na vestimenta para encaixe perfeito da manga e amarração no nível da cervical (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). 91 Figura 11 – Paramentação individual Fonte: https://shutr.bz/3TmhwOk. Acesso em: 19 set. 2022. As mangas dos aventais cirúrgicos devem possuir punhos mais firmes e com prendedor em polegar, a fim de evitar que a manga se recolha durante o procedimento cirúrgico e para que a luva seja calçada por cima do punho, depois do capote, lembran- do da técnica correta,de forma estéril e segura. O manejo com a luva estéril deve ser dotado de prática e atenção (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). Em muitas unidades, o capote já em uso demasiado faz com que as tramas do tecido relaxem ou apareçam furos, não oferecendo segurança na paramentação. IMPORTANTE Após a vestimenta de toda a equipe de cirurgia e de anestesia, o instrumentador se paramenta com o auxílio do técnico de enfermagem circulante ou do enfermeiro da sala. Lembrando que se trata de um procedimento cirúrgico no qual toda a equipe dentro da sala cirúrgica deve estar devidamente paramentada para que a cirurgia ocorra de forma segura (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). Vamos ler mais um pouco sobre evidências científicas no que se refere à importância da paramentação correta? Acesse o artigo, pois ele trata de uma avaliação realizada em uma equipe de profissionais a respeito dos critérios do uso adequado da paramentação cirúrgica. O texto pode ser encontrado na íntegra no link: https://www.scielo.br/j/ reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt. DICA https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt 92 No caso específico do capote estar com a face externa para dentro, temos uma técnica para vestir o capote cirúrgico, usada pelo instrumentador. Primeiro, ele deve pe- gar o capote na técnica de duas pontas, atentando-se para o lado da dobra do capote. Depois, o instrumentador desenrola o capote e introduz seus braços dentro das mangas, com um movimento para cima, evitando tocar a parte externa com suas mãos desnudas. O movimento para cima visa facilitar que as mangas desçam pelo braço (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). Com as mãos por dentro da manga, o instrumentador pode ir se arrastando por dentro do capote até a saída das mãos pelas mangas. Caso esse passo não seja eficaz, a circulante de sala auxilia o instrumentador a alcançar a parte interna do capote e puxa pela abertura das mangas. Na sequência, a circulante de sala auxilia na amarração das tiras do capote na parte de cima, no nível do pescoço e da cintura, tracionando bem a amarração para não ficar frouxa e desamarrar durante a cirurgia (SOBECC, 2017). Por fim, dependendo do estilo do capote, o instrumentador pode calçar a luva estéril e, depois, proceder com a amarração do capote, lembrando sempre do cuidado de não encostar em áreas corporais que não estejam estéreis. 93 Neste tópico, você aprendeu: • A cirurgia urológica foi se aperfeiçoando com o passar dos anos e acompanhando, lado a lado, os avanços tecnológicos e, hoje, as cirurgias podem ser realizadas de modo menos invasivo e com mais precisão. As cirurgias minimamente invasivas surgiram para oferecer maior segurança, conforto e qualidade aos pacientes. • As cirurgias urológicas se dividem em subespecialidades, a fim de atender à deman- da das afecções que ocorrem no aparelho geniturinário. Dentre elas, pudemos co- nhecer mais sobre nefrolitotomia, ureteroscopia, cistectomia, litotripsia, nefrectomia, cistostomia e prostatectomia. Cada uma das especialidades cirúrgicas trouxe seu arcabouço de como é realizado o procedimento, bem como suas complicações. • Cada uma das especialidades cirúrgicas, dentro da Urologia, tem sua abordagem cirúrgica específica, a fim de minimizar qualquer evento adverso e riscos de con- taminação, assim como garantir melhor qualidade de recuperação ao paciente uro- lógico, levando a ele menor tempo de internação e minimização de sangramentos e complicações advindos das afecções cirúrgicas. • A paramentação da equipe é um passo muito importante dentro do ambiente cirúrgico, pois ela é realizada em uma sequência coordenada de toda a equipe, com observação rigorosa dos princípios de controle de infecção. • A paramentação adequada deve seguir as normas e rotinas de biossegurança da unidade hospitalar, envolvendo, também, o tamanho e o tipo de tecido da vestimenta de paramentação, se será reprocessada ou descartável. RESUMO DO TÓPICO 1 94 AUTOATIVIDADE 1 A Urologia envolve todo o complexo renal e urinário do ser humano, responsável por ações essenciais no nosso corpo, como equilíbrio hidroeletrolítico, equilíbrio ácido básico e controle da pressão arterial. As cirurgias urológicas, com o passar dos anos, foram se aperfeiçoando e acompanhando a era tecnológica. Os instrumentais cirúrgicos tiveram que sofrer modificações, a fim de dar mais agilidade, segurança e conforto ao cirurgião. Diante o exposto, quanto ao equipamento que tem sido referência nas cirurgias urológicas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Bisturi ultrassônico. b) ( ) Cirurgia aberta convencional. c) ( ) Endoscopia urológica. d) ( ) Laserterapia. 2 Para realizar uma cirurgia laparoscópica, o cirurgião e a equipe criam um mundo vir- tual com a finalidade de melhor visualizar o campo operatório e ter cuidados minu- ciosos com os órgãos adjacentes. Esse tipo de procedimento minimamente invasivo trouxe aos pacientes maior segurança e confiabilidade no desfecho das cirurgias, menos tempo de internação, menos complicações e menos infecções. Dentre as ci- rurgias urológicas, analise as sentenças a seguir: I- Nas cirurgias de próstata, o resultado demonstra redução na incidência de incontinência urinária, na disfunção erétil e nos casos de metástase. II- Na endoscopia urológica utilizam-se métodos minimamente invasivos, por meio endoscópico, atingindo as vias urinárias a fim de corrigir e tratar a litíase urinária, esteja ela localizada na altura dos néfrons ou na uretra. III- Nos casos de cistostomia, as complicações são mínimas, e a cirurgia impede que ocorra infecção urinária, infecção local, obstrução do cateter implantado, perfura- ção do peritônio e extravasamento de urina no tecido perivesical. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 A infecção de sítio cirúrgico prolonga a internação do paciente, gera a necessidade de utilização de antimicrobianos, prolonga o tempo que o paciente permanece afastado do trabalho e pode levar a danos permanentes à saúde. Para minimizar 95 as infecções a que o paciente fica exposto durante o procedimento cirúrgico, são necessárias algumas condutas da equipe antes de entrar para o campo operatório. De acordo com normas de biossegurança dentro do centro cirúrgico, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Todos os envolvidos na cirurgia urológica devem realizar degermação das mãos com clorexidina degermante. Usualmente, as pias devem ser de pressão (evitando contato). A sequência da degermação é das pontas dos dedos até o punho e o enxágue deve ser unidirecional. ( ) Após realizar a degermação das mãos, deve-se sempre enxugar as mãos com compressa estéril, não esquecendo do avental antes da degermação das mãos. ( ) A preparação das mãos e dos antebraços antes da cirurgia é um procedimento que comprova eficácia no controle de infecção cruzada, visa à remoção da flora transitória, das células descamativas, do suor, da oleosidade e da diminuição da flora residente. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 O campo da cirurgia urológica é bastante diversificado, com proposta de cirurgias abertas mais invasivas até menos invasivas, por meio da laparoscopia. Descrevemos alguns tipos de cirurgia que mais ocorrem atualmente e pudemos perceber o quão importante é a especificidade de cada cirurgia. Podemos ter a mesma patologia, mas com estratégias cirúrgicas diferentes, sempre baseadas na particularidade de cada paciente. Diante disso, quais são as cirurgias que podem ser realizadas para litíase renal? Explique a diferença entre cada uma. 5 A paramentaçãoda equipe cirúrgica é de fundamental importância para uma cirurgia segura. Estamos falando de uma das barreiras primárias no que se refere ao campo cirúrgico. Essa barreira se faz essencial para evitar a passagem de microrganismos para o sítio cirúrgico. A paramentação não é só uma exigência das unidades hospita- lares, mas, também, uma forma de segurança tanto para os pacientes, por minimizar os riscos de contaminação do sítio cirúrgico; quanto para os profissionais a fim de que estes não entrem em contato com sangue e fluidos corporais do paciente. Mas, para que ocorra a paramentação correta, devem ser seguidos alguns cuidados específi- cos. Quais são esses cuidados? 96 97 INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO Com os avanços tecnológicos, o arsenal de instrumentais cirúrgicos precisou so- frer modificações para melhor se adaptar ao procedimento, aliando-se à era tecnológica. Esses avanços vieram para tornar as cirurgias minimamente invasivas, mas com o obje- tivo de levar conforto e qualidade ao paciente, bem como segurança aos profissionais. Como citamos anteriormente, as cirurgias endoscópicas são as mais utilizadas quando se trata de cirurgia urológica devido ao menor risco de complicação e melhor acesso ao órgão-alvo. Nesse sentido, um termo surge e causa dúvidas: laparoscopia. O que é isso, afinal? A laparoscopia é o instrumental mais utilizado nas cirurgias urológicas e foi se aperfeiçoando com o passar dos anos, desafiando as cirurgias abertas convencionais, passando de procedimentos simples para ser utilizada nas mais complexas patologias. Dentre os diversos materiais, podemos encontrar nesse aparelho fontes de energia mais potentes, bisturi ultrassônico e selantes vasculares, o que não impede a utilização das pinças convencionais, com menor custo. No entanto, junto a esses equipamentos, precisamos de profissionais treinados e qualificados para o seu manuseio, pois exigem total atenção do cirurgião e do instru- mentador cirúrgico pela alta precisão e, ao mesmo tempo, fragilidade. Assim, neste tópico, podemos nos familiarizar com toda a parte que envolve a cirurgia urológica, desde equipamentos modernos, uso da robótica na Urologia, instrumentais cirúrgicos adaptados às cirurgias laparoscópicas até técnicas de suturas e nós. Lembrando que os instrumentais cirúrgicos são divididos conforme sua finalidade e equipamentos específicos que vão auxiliar no procedimento cirúrgico. Tais equipamentos visam garantir um melhor acesso ao campo operatório e devem levar segurança ao paciente. 98 Vamos relembrar alguns termos importantes para este tópico? Você se lembra de que, durante o procedimento cirúrgico, existem os chamados “tempos cirúrgicos”? Então, vamos recordar essas classificações: • primeiro tempo = preparo da área: limpeza e assepsia da pele do paciente pelo cirurgião (pinça Cheron com gazes e cuba); • segundo tempo = delimitação da área operatória: colocação dos campos estéreis (presos com a pinça Backaus); • terceiro tempo = incisão cirúrgica: corte da pele do paciente para acesso à área operatória (com bisturi); • quarto tempo = hemostasia: depois do corte, é realizada a homeostasia com pinças hemostáticas (Kelly, Halsted, dentre outras); • quinto tempo = cirurgia propriamente dita: instrumentos específicos; • sexto tempo = sutura da incisão: fechamento (porta agulha e fios); • sétimo tempo = curativo. DICA 2 EQUIPAMENTO O laparoscópico é um equipamento que permite uma melhor visualização do campo operatório e minimiza os eventos adversos que podem ocorrer durante a cirurgia. Antigamente, essa técnica era utilizada apenas em cirurgias ginecológicas e em colecistectomia. Nos últimos anos, ela foi ganhando espaço em várias especialidades, especificamente na Urologia. De acordo com Mariano (2007), na cirurgia aberta o cirurgião realiza somente uma incisão na parede abdominal para acesso ao órgão operatório. Na laparoscopia, realizam-se incisões pequenas (0,5 cm a 1 cm) para, assim, proceder com o procedimento cirúrgico. Cada incisão realizada por laparoscopia é chamada de “portal”, pois é onde o trocarte é inserido para acessar o campo operatório. Vamos, então, desmembrar esse equipamento para entender cada estrutura que o compõe e como se dá seu manuseio? Isso porque o conhecimento e o uso correto dos instrumentais são essenciais para a execução do procedimento cirúrgico! Diante disso, o laparoscópico é subdivido em: • sistema óptico: óptica, sistema de câmera/vídeo e fonte de luz; • sistema de insuflação: gás, insuflador e agulha de insuflação; • trocartes: descartáveis ou permanentes; • instrumentais: preensão, incisão, afastadores, porta-agulha, escorregadores de nós, sistema de remoção de tecidos, sistema de aspiração, irrigação, bisturi e laser. 99 Figura 12 – Laparoscopia Fonte: https://shutr.bz/3gpfrCW. Acesso em: 19 set. 2022. O monitor do aparelho de laparoscopia possui uma imagem de alta resolução, que permite a visualização detalhista do campo operatório. Ele possui um sistema óptico, no qual são integrados a câmera e o cabo de fibra ótica. Este último possui uma fonte de luz para guiar na parte interna do campo operatório (MARIANO et al., 2007). As câmeras do sistema óptico possuem lentes anguladas (30 a 45) que favorecem o manuseio interno durante o procedimento cirúrgico, levando mais conforto e segurança à equipe de cirurgiões e possibilidade de investigação nas estruturas adjacentes ao campo operatório. INTERESSANTE O sistema óptico deve estar em perfeito estado. Como qualquer aparelho na unidade hospitalar, é necessário que o instrumentador ou enfermeiro do centro cirúrgico realize os testes antes do procedimento cirúrgico, verificando os instrumentais e a qualidade da imagem. Outro cuidado importante é para com a limpeza do equipamento e esterilização das pinças permanentes do aparelho de laparoscopia (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). 100 Figura 13 – Pneumoperitônio Fonte: https://shutr.bz/3CP1HZt. Acesso em: 19 set. 2022. A formação do pneumoperitônio é de grande importância para que o procedimento cirúrgico ocorra de forma segura, porém essa técnica também pode ocasionar algumas complicações. Situações como baixo débito cardíaco, hipercapnia refratária, pressão inspiratória > 35 mmHg, hipoxemia refratária e embolia pelo CO2 devem, imediatamente, ser motivos para interromper o sistema de insuflação. Em todas essas intercorrências, o anestesista deve estar atento e agir rápido e precocemente, para que o paciente não evolua com gravidade (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007). Vamos conhecer como é a técnica utilizada para punção do laparoscópico? Acesse o vídeo a seguir e entenda os sistemas existentes nesse equipamento, os tipos de punções realizadas em laparoscopia e os trocartes utilizados. Disponível no link: https://youtu.be/N6AZIa2RIOI. DICA O sistema de insuflação possui uma função primordial quando insere o laparoscópico na parede abdominal. Esse sistema mantém a pressão adequada do pneumoperitônio, provocando uma distensão abdominal favorável para a manipulação do campo operatório interno (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007). A primeira punção a ser realizada é a instalação do sistema de insuflação por meio da agulha de Veress. A ferramenta utilizada visa equilibrar a oferta de CO2 e, ao mesmo tempo, controlar a pressão intra-abdominal, favorável ao procedimento cirúrgico (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007). https://youtu.be/N6AZIa2RIOI 101 3 OBJETOS PERFUROCORTANTES Os objetos perfurocortantes ou instrumentais perfurocortantes são utilizados a todo tempo cirúrgico, desde a abertura até o fechamento da cirurgia. Nas cirurgias laparoscópicas, temos alguns detalhes no instrumental. A princípio, antes de realizar o acesso ao órgão operatório, é necessário abrir o espaço para que haja mobilidade dos instrumentais na cavidade interna do paciente. A issochamamos de sistema de insuflação. Para realizar o sistema de insuflação, é necessário fazer uma primeira incisão, no caso da agulha, uma primeira punção, em que utilizamos a agulha de Veress. Ela é introduzida em meio a cegas, pois não se tem, ainda, visualização da parte interna do peritônio. A introdução dessa agulha deve ser cautelosa e possui mandril com ponta romba, a fim de evitar danos lesivos à cavidade interna ao ser introduzida (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Como toda agulha que conhecemos, ela é de uso único e descartável, podendo ser encontrada de vários tamanhos. A escolha do tamanho dependerá do porte do paciente e deve ser comunicada com antecedência, a fim de não haver improvisos no momento cirúrgico. Figura 14 – Agulha de Veress Fonte: Azevedo (2006, p. 16) 102 Como vimos na figura anterior, a agulha possui dois tubos, um dentro do outro, sendo que o de fora é mais curto e laminado, enquanto o de dentro possui a ponta rom- ba. Na lateral do tubo interno, há alguns orifícios para que o CO2 transite com facilidade durante a insuflação peritoneal (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007). Assim, é muito importante que o instrumentador tenha conhecimento, também, quanto às cânulas e ao trocarte, pois o mercado oferece vários tipos e tamanhos, conforme a necessidade do cirurgião e a particularidade de cada paciente (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). O trocarte, por exemplo, trata-se de um instrumento com mecanismo tubular, utilizado para o acesso intraoperatório, seja na região peritoneal, seja na região retrope- ritoneal. Ele possui um obturador interno que permite a passagem pelo tecido (AZEVE- DO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). A figura a seguir nos mostra claramente todas as partes do trocarte para entendermos seu mecanismo de funcionamento. O sistema fornece maior precisão no procedimento e mais segurança na manutenção do pneumoperitônio (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Figura 15 – Trocarte Fonte: https://shutr.bz/3SfaHNb. Acesso em: 19 set. 2022. Os trocartes podem ser permanentes ou descartáveis, porém cada um apre- senta suas vantagens e desvantagens. Os descartáveis têm a garantia de estarem em primeiro uso e oferecer uma melhor afiação e menos força na penetração peritoneal. Já os permanentes ou reutilizáveis têm o melhor custo, porém, com o tempo, sua lâmina pode ir perdendo a afiação. Ambos possuem características comuns, como indicador de segurança, torneira lateral para insuflação e abertura para desinsuflação (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 103 Figura 16 - Trocartes permanentes (A) e Trocartes descartáveis (B) Fonte: Mariano et al. (2007, p. 56) Já a cânula é como uma “manga”, utilizada para um melhor deslizamento do trocarte no campo cirúrgico. Ela possui uma válvula que impede o vazamento de gás e evita a perda do pneumoperitônio durante o período de insuflação (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Existem cânulas de vários calibres, desde 3 mm até 20 mm, sendo que as mais utilizadas são as de 5 mm e de 10 mm. A escolha do calibre é fundamental para o procedimento cirúrgico, pois um erro pode impedir a passagem do material nela. Para a penetração no tecido, os obturadores possuem formatos específicos para cada tipo de penetração, sendo de extrema importância conhecer e saber como e onde eles serão utilizados, principalmente por parte do instrumentador cirúrgico. Maria- no (2007) relata que os tipos de obturadores são: • cegos: utilizados em técnica aberta ou reposição de cânula removida; • cônicos: possuem a ponta menos traumática, porém é preciso utilizar mais força, podendo provocar lesão visceral; • duplo gume: possuem uma haste metálica com dois gumes de secção, proporcio- nando uma secção de tecido simples e sem a necessidade de rotação; • piramidais: mais comumente utilizados, possuem uma haste com três linhas de secção que se unem em um vértice, formando uma pirâmide. Esta é introduzida por meio de rotação associada à pressão. Os trocartes possuem acessórios que asseguram sua função contínua no mecanismo de retenção. Um deles têm formato de rosca, laminado e oblíquo, que enrosca e trava contra a parede abdominal, o que promove a homeostase. Junto a esse mesmo sistema de retenção, podem ser utilizados balões ou suturas para realizar essa homeostase (AZEVEDO, 2006; MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 104 Antes de continuarmos, vale relembrar outros termos importantes para este tópico. Por exemplo, dentro da classificação dos instrumentais cirúrgicos, eles podem ser divididos quanto a sua finalidade e tempo cirúrgico. Então, vamos recordar esses instrumentais: • grupo 1 = diérese: bisturi e tesoura; • grupo 2 = hemostasia: pinças hemostáticas e fios; • grupo 3 = síntese: agulhas, porta agulhas e fios; • grupo 4 = auxiliares: pinças anatômicas; • grupo 5 = especiais: específicos de cada cirurgia. NOTA 3.1 OUTROS INSTRUMENTAIS Segundo Mariano (2007), nas cirurgias urológicas, mais especificamente nas técnicas laparoscópicas, podem, ainda, ser utilizados instrumentais como ganchos en- doscópicos para dissecção, sucção/irrigação, retratores ou afastadores e material vas- cular. Ademais, nas cirurgias urológicas, temos, usualmente, pinças, tesouras e cabos de bisturi, aplicados em outras especialidades cirúrgicas que são de suma importância nas cirurgias abertas ou laparoscópicas. Figura 17 – Cabo utilizado nas cirurgias laparoscópicas Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/laparoscopic-tools-on-sterile-table-564649132. Acesso em: 19 set. 2022. Nas técnicas de laparoscopia, os instrumentais foram adaptados para conexão aos cabos do trocarte. Assim, os cirurgiões necessitaram de intensivos cursos para o manuseio do cabo para cada mobilidade das pinças. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/laparoscopic-tools-on-sterile-table-564649132 105 Figura 18 – Mobilidade das pinças laparoscópicas Fonte: https://shutr.bz/3eQxEc0. Acesso em: 19 set. 2022. O uso dos braços robóticos ou cabos proporcionam giros e rotações que tornam mais maleável a técnica e, também, fornecem maior precisão dos movimentos. De acordo com a SOBECC (2017), dentro dos outros instrumentais, temos, especificamente nas cirurgias laparoscópicas, as pinças de dissecção (curvas ou retas) e preensão (fenestradas ou fechadas). Esse tipo de instrumental pode ser traumático até certo ponto, principalmente, os que possuem dentes e garras, os quais permitem segurar com mais precisão os tecidos. Sua estrutura possui eixo rotatório a fim de melhorar o ângulo de manipulação e acesso ao órgão operatório, com diferentes tamanhos, podendo variar de 20 a 50 cm de comprimento e 3 a 10 mm de diâmetro (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Esse ins- trumental possui um recurso para mantê-lo fechado com o auxílio de uma cremalheira, pode ser usada junto com eletrocautério, ajudando na hemostasia e cauterização. Os instrumentais de sucção/irrigação possuem duas funções em um único instrumental, em que há uma parte de sucção (tubo de metal ou plástico controlado por uma válvula) e outro canal de irrigação operado também por uma válvula (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Esse sistema de irrigação possui uma conexão que melhor auxilia o cirurgião na regulação da pressão da irrigação ou da sucção, porém só é encontrado em equipamentos mais sofisticados. Ao contrário, popularmente é observada uma cinta adaptada ao soro de irrigação, acoplada a um manguito de pressão. 106 Muitos desses instrumentais possuem a parte interna da cânula em formato de gancho ou agulha. Nesse caso, deve-se ter cautela no uso em cirurgias urológicas devido à manipulação do aparelho urinário ficar próximo da veia renal, da veia cava e de outros vasos, podendo traumatizar os tecidos e vasos. Já as tesouras têm variados tipos, mas,normalmente, utiliza-se uma seme- lhante a Metzenbaum, com conexão para eletrocirurgia, podendo ser reta ou curva, com lâminas lisas ou dentadas. Ainda, vale mencionar que podem ser descartáveis ou reutili- záveis, sendo que as descartáveis são mais frágeis, porém possuem um ponto de corte melhor (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Outra adaptação importante diz respeito às pinças hemostáticas, que necessita- ram ser sofisticadas para melhorar o controle vascular, passando a ser monopolares ou bipolares, permitindo corte, coagulação ou ambos (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Figura 19 – Pinças para homeostase Fonte: https://shutr.bz/3sy5vKd. Acesso em: 19 set. 2022. Nos hemostáticos monopolares, a corrente elétrica se inicia no equipamento, vai até a placa (posicionada no paciente em local de maior extensão muscular) e retorna ao equipamento, apresentando potencial risco de queimadura no indivíduo. Já nos bipolares, a corrente elétrica sai pela extremidade das pinças e em períodos curtos, não permitindo choque elétrico (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 107 4 TÉCNICAS DE SUTURAS Da mesma forma que as pinças se adaptaram à era da robótica, não foi diferen- te com o porta agulhas e os fios de sutura. Os cirurgiões tiveram que se intensificar no domínio e manuseio dos fios de sutura para facilitar a homeostasia com o uso de cabos. A área de tecnologia se preocupou em desenvolver materiais com clips metálicos, laser, grampeadores, eletrocautério, câmeras de terceira dimensão e colas biológicas que fa- cilitassem a abordagem cirúrgica (MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Apesar dos avanços, os cirurgiões tiveram dificuldade no manuseio devido à estrutura não estar em suas mãos, mas, sim, sendo manuseadas por cabos e com uma visão bidimensional do plano operatório. A destreza no manuseio só se dá com muito treinamento e domínio das técnicas, de acordo com cada material. Os materiais utilizados para a realização de nós e suturas é de suma importância já no início do ato cirúrgico, quando se precisa ter em mãos porta agulhas e fios específicos. O porta agulhas deve garantir firmeza em agulhas retas ou curvas. Foi desen- volvido para agulhas com precisão, como Semm, Cook e Sharp Endo-Assist, específico para cada tipo de agulha. Vejamos alguns exemplos que a SOBECC (2017) traz: • o porta agulha de Semm é específico para agulhas retas; • o porta agulha de Cook é específico para as curvas que se encaixam de maneira perpendicular, porém com a possibilidade de corte fácil do fio; • o porta agulha de Sharp Endo-Assist é mais utilizado na Urologia por acoplar bem a agulha curva perpendicular e possuir maior precisão em sua força de apreensão no momento da sutura. Já o fio utilizado em cirurgia urológica é o Vicryl, com agulha curva de, aproxi- madamente, 15 cm. Nas suturas absorvíveis, podem-se utilizar fios de vários compostos, a depender da necessidade do período de permanência dele no órgão-alvo (MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Como dissemos anteriormente, o cirurgião deve ter destreza em manusear esse tipo de sutura por via endoscópica, dessa forma, os fios são introduzidos na válvula do trocarte por meio do porta agulha. Quando introduzido, o cirurgião deve utilizar outra pinça auxiliar para servir de apoio na manobra de sutura. Ao realizar a sutura, deve-se manter uma visão focada a fim de evitar perfuração ou laceração de órgãos adjacentes (MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). A sutura é realizada a partir do ponto simples e com nó verdadeiro e firme, utilizando o fio agulhado inferior a 15 cm, apreendido com o porta agulha e introduzido pela válvula do trocarte. Essa base deve ser firme e segura, para que haja sustentação na transfixação e execução do nó. 108 O instrumentador deve posicionar a agulha ao porta agulha e entregar ao cirur- gião. Este, por sua vez, em posição perpendicular, manobra a agulha com um instru- mento de auxílio e traciona o fio com o porta agulha para, assim, a agulha girar no senti- do desejado. Depois, ocorre a transfixação da agulha pelo tecido e, com instrumento de auxílio, segura-se a agulha do outro lado, dando continuidade à sutura (MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Figura 20 – Sutura contínua com fechamento em nó verdadeiro Fonte: Mariano et al. (2007, p. 62) A cada transfixação deve-se manter tensão no fio para que ele não afrouxe e, no encerramento da sutura, faz-se uma alça da última passada do fio, realizando o nó verdadeiro para desfecho da sutura, como podemos observar na figura anterior (MARIANO et al., 2007). 5 NÓS CIRÚRGICOS A base para a realização de um nó cirúrgico, em Urologia, parte do princípio da cirurgia convencional, realizando a primeira laçada que aperta e outra que fixa, impedindo o afrouxamento, bem como outras laçadas de nós no mesmo local. Para a realização de nós extracorpóreos, utilizamos a técnica de nós deslizantes, aplicados em estruturas seccionadas e de baixo risco, para melhor resistência do ponto (MARIANO et al., 2007). 109 Figura 21 – Nó extracorpóreo Fonte: Mariano et al. (2007, p. 63) Já os nós intracorpóreos são utilizados com porta agulha ou pinça como apoios e, com a segunda, faz-se uma lançada simples ou dupla, apreende-se a extre- midade livre do fio, tracionam-se as duas extremidades e, assim, fecha-se a primeira laçada (MARIANO et al., 2007). Figura 22 – Nó intracorpóreo Fonte: Mariano et al. (2007, p. 63) 110 Quando se faz sucessivas laçadas contrárias umas às outras, completa-se o nó verdadeiro. Essa técnica pode ser utilizada tanto para fios agulhados quanto para não agulhados, apesar dos fios agulhados darem maior segurança e firmeza na laçada. Vamos nos atualizar um pouco mais sobre nós e suturas? O artigo a seguir traz atualizações a respeito dos tipos de nós e suturas em videocirurgias. O artigo é bem específico em suas colocações e auxiliará no conhecimento sobre fios, nós e suturas, conforme cirurgia específica. O texto está disponível na íntegra no link: https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC. GIO Com os avanços tecnológicos, surgiram outras possibilidades de justapor os te- cidos, permitindo abreviar o tempo cirúrgico, controlar hemorragias e auxiliar o cirurgião na fase de síntese cirúrgica. Estamos nos referindo à inovação das colas biológicas, que vêm sendo utilizadas com frequência pela sua potencialidade de justapor tecidos em cirurgias como a nefrectomia parcial (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Outro avanço que surgiu foram os grampeadores com grampos metálicos em cirurgias que envolvem a reconstrução da bexiga, mas ainda são pouco utilizados por não apresentarem muitas evidências em sua utilização (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Por fim, temos os eletrocautérios, como o bisturi ultrassônico, com função de cauterizar e selar vasos calibrosos. Essas técnicas fazem com que o tempo cirúrgico seja menor e haja maior segurança na reconstrução dos vasos (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC 111 Neste tópico, você aprendeu: • No laparoscópico, fazem parte fontes de energia mais potentes, bisturi ultrassônico e selantes vasculares, mas isso não impede a utilização das pinças convencionais, com menor custo. É um equipamento que exige total atenção do cirurgião e do instrumentador cirúrgico pela alta precisão e, ao mesmo tempo, pela fragilidade. • Cada parte envolvida na utilização dos instrumentais específicos do laparoscópico, como sistema óptico, sistema de insuflação, trocartes e demais instrumentais. Entendemos, também, que cada componente tem sua função e é uma junção de técnicas que leva à eficiência do procedimento cirúrgico. • O quão é importante o manuseio dos cabos, pois além de eles serem minimamente invasivos, os braços robóticos ou cabos proporcionam giros e rotaçõespara tornar mais maleável a técnica e oferecer maior precisão dos movimentos cirúrgicos. No manuseio desses equipamentos, precisamos de profissionais treinados e qualificados. • Sobre nós e suturas, com suas variedades de tamanhos e tipos, sempre lembrando que a escolha deve ser pautada no perfil do paciente, conforme o que o cirurgião entender que é a melhor opção para o caso que está tratando. RESUMO DO TÓPICO 2 112 AUTOATIVIDADE 1 O monitor do aparelho de laparoscopia possui uma imagem de alta resolução, permitindo uma visualização detalhista do campo operatório. Seus sistemas são integrados, como uma engrenagem, unindo sistema óptico com câmeras e cabo de fibra ótica (fonte de luz), que permite guiar na parte interna do campo operatório. Aliado a esse sistema, temos uma vasta estrutura de instrumentais que foram modificados para o alcance do campo operatório. Sobre esses instrumentais, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As pinças de apreensão são utilizadas para homeostasia. b) ( ) As pinças de dissecção são instrumentais de corte, podendo ser retas ou curvas. c) ( ) As pinças de síntese são instrumentais de homeostasia, utilizadas para finalizar o procedimento cirúrgico. d) ( ) Para homeostasia, não podemos utilizar as pinças bipolares devido ao risco de queimadura no paciente. 2 Os materiais utilizados para a realização de nós e suturas é de suma importância já no início do ato cirúrgico, quanto é preciso ter em mãos porta agulha e fios específicos. O porta agulha deve garantir firmeza em agulhas retas ou curvas. A escolha das agulhas e dos fios a serem usados em uma cirurgia é de competência exclusiva do cirurgião, uma vez que essa escolha vai depender de fatores como o tipo de cirurgia, a técnica empregada e o tipo de tecido. Sobre a realização de nós e suturas, analise as sentenças a seguir: I- Para a realização do nó, geralmente, são necessárias duas pinças, dois porta agulhas ou um porta agulha e uma pinça. II- A tensão exagerada na sutura e a finalização do nó se fazem importantes para firmar o órgão ou os tecidos operatórios. III- A primeira amarração é a mais importante, pois, se ficar frouxa, as outras não terão a configuração correta e, consequentemente, a sutura ficará inadequada, com possibilidade de erro cirúrgico. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 113 3 A técnica de insuflação do peritônio proporciona uma dimensão interna do abdominal para tornar viável a manipulação dos instrumentais, chamada “pneumoperitônio”. Porém, é uma manobra mais crítica da videolaparoscopia. Essa técnica é realizada mediante punção com agulha de Veress, mas, muitas vezes, sua localização depende do conhecimento da anatomia por parte do cirurgião, pois um erro na punção acarretará intercorrências ao paciente. Assim, sobre a agulha de Veress, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A agulha de Veress é utilizada para primeira punção da técnica laparoscópica, necessitando ser guiada por ultrassom a fim de evitar ruptura de vasos abdominais. ( ) O manuseio incorreto da agulha de Veress pode apresentar vazamento de CO2 da técnica de insuflação. ( ) Na ausência da agulha de Veress é possível realizar a laparoscopia por meio da técnica da cirurgia convencional aberta. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - V - V. 4 A evolução das cirurgias laparoscópicas se deve aos avanços tecnológicos aliados à sofisticação dos instrumentais. Sua utilização permite uma cirurgia segura e minimamente invasiva, com menor tempo cirúrgico e rápida recuperação do paciente. Assim, disserte sobre as partes principais do laparoscópico e qual função de cada parte no contexto da cirurgia urológica. 5 Diversos materiais diferentes podem ser empregados na laparoscopia urológica, com fontes de energia mais potentes, como o bisturi ultrassônico e selantes vasculares. O trocarte é um instrumento da laparoscopia que possui uma variedade de formatos e tamanhos, pois permite a visualização intraparenquimatosa do abdômen, tornando o campo cirúrgico visível e de fácil acesso. Assim, defina, em poucas palavras, as partes do trocarte e quais complicações podem se apresentar caso esse instrumento não seja acoplado corretamente no abdômen do paciente. 114 115 TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA UROLÓGICA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Como em qualquer outro procedimento cirúrgico, a equipe em campo opera- tório deve ser bem dividida, de acordo com suas funções, a fim de trabalhar como uma engrenagem, na qual um operador depende do outro para a conclusão do ato cirúrgico com segurança e qualidade. Diante disso, é importante que cada personagem dessa história saiba quais são as suas funções e limitações, para não interferir na função do outro, sempre com respeito e saberes, para lidar adequadamente com profissionais, paciente e equipamentos de alta tecnologia. O instrumentador é a chave dessa engrenagem, podendo, muitas vezes, exer- cer o papel de circulante e auxiliar ao mesmo tempo. Suas ações envolvem a montagem da mesa, a solicitação de materiais, a habilidade técnica para as ações em campo ope- ratório e, por fim e mais importante, prever as ações do cirurgião. O conhecimento do instrumentador deve ser profundo com relação às cirurgias urológicas para sua instrumentação, afinal, seu papel visa prever ações antes mesmo do cirurgião solicitar, saber lidar com intercorrências durante o ato cirúrgico, bem como possibilitar ações de escolha diante de uma discussão cirúrgica. Ele está em uma posição de importância em meio à cirurgia. Neste último tópico, será abordada, então, toda a funcionalidade e as atitudes do instrumentador cirúrgico diante das cirurgias urológicas, especificamente, no manu- seio e no auxílio do laparoscópico. Isso porque é fundamental entender o quão impor- tante é estar posicionado no local e momento corretos, estar focado nas solicitações do cirurgião durante todo o procedimento cirúrgico, ter uma boa comunicação e pensa- mento rápido diante de ações inesperadas. 2 MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA EM UROLOGIA As cirurgias urológicas apresentam etapas comuns a todos os outros procedi- mentos cirúrgicos. Dessa forma, a montagem da mesa cirúrgica deve dispor de mate- riais em ordem cronológica quanto a como ocorrerá o procedimento, determinando as finalidades, ações e particularidades de cada cirurgião. 116 A montagem adequada da mesa tem como objetivo racionalizar tempo e custo, antecipar ações e tornar o trabalho de a toda equipe mais eficiente. INTERESSANTE A função do instrumentador em ser responsável pela montagem da mesa é acompanhar o cirurgião, com foco na prestação de assistência direta, antecipando seu trabalho e auxiliando em alguns procedimentos. Frente a isso, o instrumentador não pode ficar desatento, pois será um fator limitante das ações de toda a equipe durante o ato cirúrgico (SOBECC, 2017). Primeiramente, o instrumentador deve escolher onde será montada a mesa, selecionando um dos lados da sala cirúrgica com menos movimento de pessoas circulantes e, ali posicionar a mesa próxima da parede e de frente para toda a sala. Sempre que necessário será montada uma mesa auxiliar, caso os materiais dispostos sejam em grande quantidade. Acima da mesa, coloca-se uma manta emborrachada, para promover amorteci- mento dos instrumentais com o tampo em mental e, também, impermeabilizar a mesa, caso derrame algum líquido sobre o instrumental. Se ocorrer de o tecido molhar, quebra-se a barreira antibacteriana do campo, ou seja, a manta emborrachada também possui a função de impedir contaminação dosinstrumentais dispostos na mesa (SOBECC, 2017). O campo acima da manta será colocado por um membro da equipe, já para- mentado, para dar início ao posicionamento dos outros materiais. O campo colocado deve cobrir completamente as laterais da mesa, livrando o centro de qualquer conta- minação. Por conseguinte, o circulante da sala abre cuidadosamente outro pacote de campo para, assim, o instrumentador, já paramentado, abrir esse último campo, cobrin- do novamente o tampo da mesa e suas laterais (SOBECC, 2017). Figura 23 – Disposição para abertura do campo estéril Fonte: https://shutr.bz/3eRmjZk. Acesso em: 19 set. 2022. 117 Com a mesa já posicionada e tecnicamente estéril, ela está pronta para receber os instrumentais. A quantidade de mesas utilizada dependerá da quantidade de material que será utilizado também, lembrando que é melhor trabalhar com o quantitativo necessário de material e sempre manter a organização. O auxiliar, então, aproxima-se com a caixa de instrumentais sob uma mesinha auxiliar, para o instrumentador fazer o devido posicionamento dos seus instrumentais. Esse auxiliar não precisa, necessariamente, estar paramentado, mas com gorro, más- cara e luva de procedimento. Na montagem das mesas existem algumas regras para facilitar o manuseio e o acesso aos instrumentais pelo instrumentador e pelo auxiliar, quando este estiver presente. Vejamos! A primeira regra é que as montagens seguem um padrão de setorização para facilidade de acesso ao instrumento que será necessário, sem se perder durante o procedimento cirúrgico. Na segunda regra, todos os instrumentais devem ser montados com os anéis para baixo, no sentido que, ao entregar ao cirurgião, este empunhará o instrumental já na posição a ser usada (SOBECC, 2017). Figura 24 – Técnica de entrega de instrumental Fonte: https://shutr.bz/3DhmwOE. Acesso em: 19 set. 2022. A terceira regra diz respeito à conferência dos materiais, conforme mapa cirúrgico e funcionalidade dos itens. Já na quarta regra, indica-se que materiais de reserva devem ser colocados em uma mesa auxiliar, necessitando ser montada da mesma forma que a mesa principal. Por fim, na quinta regra, menciona-se que o instrumentador deve se atentar ao fato de que, fora do ambiente da caixa de instrumentais, temos um ambiente considerado crítico por favorecer contaminação, como a tampa e a borda da caixa (SOBECC, 2017). 118 Figura 25 – Disposição dos instrumentais em técnica laparoscópica Fonte: Mariano et al. (2007, p. 70) Nas cirurgias urológicas há os instrumentais específicos e de maior uso, dessa forma, a figura anterior demonstra toda a organização dos instrumentais, a fim de man- ter uma sequência e melhor atenção. Vale reforçar, também, que todos os instrumentais da Urologia devem obedecer à ordem do tempo cirúrgico. 2.1 INSTRUMENTOS BÁSICOS E SUA MONTAGEM NA MESA CIRÚRGICA Os instrumentais básicos ou comuns são aqueles que, em qualquer cirurgia, serão utilizados, devendo estar presente em todo o procedimento cirúrgico, indepen- dentemente da especialidade. Com isso em mente, o instrumentador deve conhecer todo o arsenal cirúrgico, bem como as funções de cada um deles. Assim, nas cirurgias urológicas abertas, por exemplo, os itens serão mais comuns por não utilizar o laparoscópio. O que vai diferenciar em cirurgias laparoscópicas serão os cabos, em que as pinças estarão adaptadas (MARIANO et al., 2007). 2.1.1 Pinças de preensão As pinças de preensão têm a finalidade de prender tecidos e órgãos ou, até mesmo, prender gazes ou compressas durante o procedimento. As mais utilizadas são as pinças Foerster, utilizadas para prender a gaze e realizar a antissepsia da pele do paciente. Outras pinças, como o grupo das pinças Allis, as pinças Babcock, a pinça Collin e a pinça Duval, usualmente, são utilizadas para prender órgãos ou tecidos. 119 As pinças de campo são, também, instrumentais auxiliares destinados à fixa- ção de campos para delimitar a área operatória. As chamadas “pinças Backhaus” são as mais utilizadas. Esse instrumental é utilizado no início da cirurgia, para segurar os campos em volta do campo operatório. Depois, seu espaço na mesa de instrumentais é substituído por outras pinças que serão utilizadas. Assim, essa pinça deve estar posicionada próxima ao instrumentador, pois será uma das primeiras pinças a ser ofertadas ao cirurgião, a fim de realizar a antissepsia do campo operatório, juntamente com a clorexidina degermante e alcoólica (SOBECC, 2017). 2.1.2 Bisturis e tesouras Enquanto instrumentos de diérese, os bisturis se apresentam em tamanhos e tipos variados. Possuem em sua extensão o cabo, também de tamanho variável e, em sua extremidade, o local de acoplar a lâmina móvel, variando de formato e tamanho. É um instrumental comumente utilizado no início do procedimento, devendo estar posicionado na parte próxima ao instrumentador, sempre com a ponta voltada para ele, no intuito de entregar ao cirurgião já em posição de uso. O instrumentador deve entregar o bisturi já com a lâmina acoplada e o cabo direcionado a ele, em posição de corte (diérese). Figura 26 – Bisturi e tesouras Fonte: https://shutr.bz/3F3Mqac. Acesso em: 19 set. 2022. Outro instrumental de diérese diz respeito às tesouras, possuindo vários forma- tos e tamanhos. Elas são organizadas na mesa com a ponta voltada para o instrumen- tador para facilitar a entrega ao cirurgião, sempre em posição aberta. 120 2.1.3 Pinças hemostáticas As pinças hemostáticas envolvem os instrumentais de hemostasia, as quais são utilizadas para pinçar vasos, com a finalidade de impedir sangramentos. Elas podem ser de tamanhos variados e retas ou curvas. As pinças hemostáticas são conhecidas pelos nomes de seus criadores, como Kelly, Kocher, Crile, Halstead, Rochester e Mixter. Figura 27 – Pinças hemostáticas Fonte: https://shutr.bz/3MOytyE. Acesso em: 19 set. 2022. Na mesa de instrumentais, as pinças hemostáticas são dispostas pelo instru- mentador cirúrgico em grupos do mesmo tipo e em ordem de tamanho, seguindo a ordem da direita para a esquerda. O objetivo dessa disposição é facilitar a visibilidade das pinças comparados ao procedimento sendo executado. Isso porque, muitas vezes, deve-se ter uma pinça menor para alcançar um local de menor visão, como pequenos vasos (SOBECC, 2017). 2.1.4 Pinças de dissecção As pinças de dissecção são auxiliares e servem de apoio ao procedimento cirúrgico. Também apresenta uma variedade de tamanhos e formas específicas, com dentes ou não em sua ponta. As pinças com dentes são chamadas de “dentes de rato”, isso se deve ao seu formato em forma de dente em sua ponta Figura 28 – Pinças de dissecção Fonte: https://shutr.bz/3SofEmS. Acesso em: 19 set. 2022. 121 Essas pinças ficam posicionadas ao lado das hemostáticas e das diéreses por serem de apoio para o cirurgião realizar a técnica desejada no procedimento, auxiliando na pega de algum tecido para tornar mais preciso o corte ou a sutura ou, até mesmo, para auxiliar na captura de algum vaso, a fim de prosseguir com a oclusão. 2.1.5 Afastadores Os afastadores são instrumentais também de âmbito auxiliar, utilizados para promover a exposição do campo cirúrgico. Variam quanto ao formato, tamanho e manu- seio, podendo ser manuais ou autoestáticos por permitirem afastar os tecidos por si só. Para a utilização dos afastadores, o cirurgião precisará das mãos do médico assistente ou do próprio instrumentador, que deve auxiliar na firmeza do instrumental a fim de ficar estático para um melhor ato operatório. Figura 29 – Afastador para laparotomia Fonte: https://shutr.bz/3TJJJ1B. Acesso em: 19 set. 2022. Os afastadores devem ser colocados na mesa de instrumentais, ordenados por tamanho e pela ordem de sequência de finalidades, pois, para cada abertura de tecido, exige-se um afastador de tamanho diferente. Os menores são usados em planos superficiais das camadas finas dos tecidos,de acordo com o paciente, ao contrário dos maiores, que são utilizados depois, para afastamento de estruturas mais profundas, permitindo afastar todos os tecidos e músculos para uma melhor visualização do campo operatório (PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 122 2.1.6 Agulhas e porta agulhas Conhecidas como instrumentais de síntese, as agulhas são utilizadas para con- duzir o fio de sutura por meio dos tecidos e fazer suas justaposições. Suas especifica- ções variam quanto a serem retas, semirretas ou curvas, sendo essa curvatura vari- ável para cada tipo de alcance da sutura: pequena ou grande, de ponta triangular ou cortante, de acordo com o objetivo, se será em pele, tecidos finos, músculos e outros (PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). A maioria dos fios já vem agulhado, por ser algo prático e produzir menor trauma nos tecidos do que com a opção de fundo falso, quando é preciso colocar a agulha. A escolha da agulha e dos fios é de inteira responsabilidade do cirurgião, uma vez que dependerá do tipo de cirurgia, da técnica cirúrgica e do tipo de tecido. Figura 30 – Porta agulha em laparoscopia Fonte: https://shutr.bz/3TFxkeR. Acesso em: 19 set. 2022. Na mesa de instrumentais, as agulhas devem estar dispostas em ordem cres- cente para melhor visualização e identificação pelo instrumentador. Junto aos fios deve ficar o porta agulha, pois é nele que serão presas as agulhas para realizar a sutura (sínte- se). Possui diferentes tamanhos e formatos, sendo que os porta agulhas mais utilizados são Mayo-Hegar e de Mathieu (PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). Diferentemente dos demais, esse instrumental deve ficar com o cabo voltado para o instrumentador na mesa de instrumentais, pois o primeiro a utilizá-lo será o instrumentador, para acoplar o fio agulhado no instrumental. 123 Que tal aprimorar sua técnica e assistir a um vídeo explicativo sobre como o instrumentador deve passar os instrumentais ao cirurgião? Cada pinça traz suas particularidades e funções em seu manejo. O vídeo também mostra quais são os instrumentais e suas funções em cada etapa cirúrgica. Acesse no link: https:// youtu.be/_TZSULYdaA4. DICA 2.2 INSTRUMENTAL LAPAROSCÓPICO Como já citamos, considerando todos os instrumentais que envolvem a técnica laparoscópica, a composição da mesa é peça-chave, pois deve apresentar um bom desempenho durante o ato cirúrgico. Desta maneira, esse aparelho também deve estar posicionado e necessita de uma atenção com relação aos seus componentes: • monitor de alta resolução; • fonte de luz; • aparelho de vídeo câmera; • insuflador de CO2; • agulha de Veress; • sistema óptico; • trocartes de tamanhos diferentes; • clipadores; • grampeadores; • pinças variadas. O monitor laparoscópico deve ficar posicionado ao contrário do cirurgião, permitindo uma melhor visualização das imagens intraperitoneais. As cirurgias laparoscópicas são bem-sucedidas quando toda a equipe entende e sabe manipular o equipamento. Então, vamos compreender mais um pouco quanto a como funciona o equipa- mento de laparoscopia? O vídeo a seguir explica cada detalhe do aparelho, incluindo câmera, cabo óptico e, principalmente, a parte de sistema de insuflação. Este último é bem explicado quanto ao uso do CO2 e o que fazer quando tiver alguma intercorrência. As- sista no link: https://youtu.be/WUbyf3qpvQQ. DICA https://youtu.be/_TZSULYdaA4 https://youtu.be/_TZSULYdaA4 https://youtu.be/WUbyf3qpvQQ 124 3 POSICIONAMENTO DO PACIENTE EM CIRURGIA UROLÓGICA Não podíamos deixar de falar, também, sobre como o paciente deve ser posi- cionado durante a cirurgia. O posicionamento adequado em cama cirúrgica é o apoio do procedimento cirúrgico, pois a posição vai determinar o alcance do órgão-alvo. Nas cirurgias urológicas existem as posições de abordagem em abdômen superior (rins, lin- fonodos e adrenais) e parte pélvica (próstata, bexiga e ureter). Outro ponto importante é o cateterismo vesical do paciente antes do procedi- mento cirúrgico, para monitorizar o débito urinário no pré, intra e pós-operatório, bem como a instalação de cateter a nível gástrico, para esvaziamento estomacal, permitin- do um maior espaço e mais mobilidade intracavitário, caso seja necessário (ANGELO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). Antes de falarmos das posições, vale lembrar que sempre quando formos posicionar o paciente, não devemos deixar que as pernas fiquem cruzadas, a fim de evitar trauma muscular ou nos nervos devido à compressão prolongada. A colocação de coxins abaixo do joelho ou na curvatura do dorso favorece a circulação e evita tensões musculares nos pacientes (SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). Nas cirurgias urológicas por via endoscópica, a posição deve permitir acesso às vias urinárias. A mais adequada é a de litotomia ou ginecológica, em que o paciente, em decúbito dorsal, apoia os pés, mantendo as pernas separadas. Ao contrário das cirurgias abertas, em que a posição é a dorsal e, quando necessário, apoiam-se as pernas separadas (MARIANO et al., 2007). Figura 31 – Posição de litotomia ou ginecológica Fonte: Sobecc (2017, p. 223) 125 Em alguns procedimentos, há a necessidade de movimentar a cama cirúrgica a fim de melhor posicionar o paciente para acesso ao órgão-alvo, combinando posições de declive ou proclive. Nesse caso, toda a equipe cirúrgica deve ter total atenção na fixação do paciente à cama cirúrgica por risco de queda. Devido a essa manipulação, deve- se colocar uma fixação ao nível do quadril do paciente, permitindo maior segurança quando for necessário mudar a posição (ANGELO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). Figura 32 – Posição de declive ou proclive Fonte: Sobecc (2017, p. 223) Essa posição, também chamada de “treendelenburg”, pode provocar várias al- terações na pressão arterial devido à elevação do fluxo sanguíneo e ao aumento do re- torno venoso quando está em declive. Outras alterações nessa mesma posição podem vir a provocar desde a alteração no fluxo sanguíneo cerebral, dificuldade respiratória, congestão facial, obstrução nasal e lacrimal (ANGELO et al., 2007; MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). Os efeitos do treendelenburg em declive ocasionam diminuição de 20% do volume pulmonar, além de reduzir 15% da capacidade residual. Junto a essa posição, o paciente ainda tem o pneumoperitônio da cavidade abdominal e os efeitos anestésicos, o que pode alavancar para complicações intra e pós-operatórias. Isso leva à intubação eletiva, edema facial, trombose venosa e elevação da pressão intracraniana (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020) Deve-se manter o paciente em constante avaliação hemodinâmica e o anestesista deve ficar atento a qualquer alteração dos sinais vitais, procurando saber se o paciente não tem algum comprometimento neurológico, cardíaco ou respiratório, o que pode acelerar as complicações. ATENÇÃO 126 Além disso, é preciso se atentar quando o paciente referenciar dor ou apresentar face de dor devido à posição, pois, após o efeito anestésico, as queixas diminuirão e as posições podem provocar pressões em tempo prolongado, levando à lesão por pressão. Outro ponto importante no posicionamento é a segurança do paciente quanto a quedas devido à grande movimentação que pode ocorrer durante o procedimento cirúrgico, necessitando de coxim de apoio ou contensões. Figura 33 – Posição lateral Fonte: Sobecc (2017, p. 223) Portanto, a posição correta será aquela que favorecerá a posição do cirurgião, a visualização do órgão-alvo e, claro, uma melhor posição ao paciente. Lembrando sem- pre de manter o alinhamento corporal, padrão respiratório e circulatório preservados, integridade da pele, possibilitar punção venosa e acesso aos equipamentos cirúrgicos. Ao término da cirurgia, devemos nos atentar ao retorno da posição dorsal desse paciente, seguindo algumas recomendações importantes(ANGELO et al., 2007; MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018): • movimentar o paciente lentamente e com firmeza, lembrando que ele ainda está em plano anestésico e que qualquer movimentação brusca pode fazer descompensação hemodinâmica ou, até mesmo, pode haver risco de cair da maca; • caso seja necessário e possível, a movimentação em bloco dá mais segurança e coordenação na movimentação do paciente; • na posição de litotomia, deve-se retirar com cuidado as pernas do paciente do suporte para não comprometer o fluxo vascular dos membros inferiores; • no cuidado pós-anestésico, é preciso manter a cabeça lateralizada do paciente para evitar broncoaspiração; 127 • manter atenção às respostas e reações do paciente após a movimentação na cama cirúrgica; • realizar uma vistoria no paciente antes de movimentá-lo, a fim de observar se não ficou alguma pinça ou lâmina em cima do paciente. Durante o procedimento cirúrgico, toda a equipe deve ficar atenta à hemo- dinâmica do paciente, bem como estar minimamente monitorizado para intervir em qualquer alteração que possa ocorrer. O paciente da Urologia deve estar sempre com monitorização da sua pressão arterial (de preferência invasiva), leitura em monitor do eletrocardiograma, oxímetro de pulso, temperatura, capnógrafo, diurese e gasometria. Também é necessário ter atenção aos exames laboratoriais e, principalmente, no fator de coagulação (SMELTZER, 2020; SOBECC, 2017; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). Toda e qualquer alteração que possa ocorrer com o paciente em campo opera- tório deve ser priorizada a resolução da intercorrência. Nesse momento, o cirurgião co- manda todas as ações e, se precisar fechar a sutura, o fará para evitar ressangramentos e maiores complicações. Vale mencionar que a posição em que o paciente se encontra em procedimento cirúrgico conta muito para possíveis complicações! ATENÇÃO 4 POSICIONAMENTO DO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO A equipe cirúrgica é formada, basicamente, por cirurgião, auxiliar ou assistente, instrumentador, anestesista e circulante. Para um bom fluxo durante a cirurgia, cada profissional deve estar bem posicionado, para não inferir no trabalho do outro ou, até mesmo, impedir a execução completa e, muitas vezes, ter que fazer manobras desnecessárias durante o procedimento. Quaisquer que sejam as barreiras encontradas, até de pessoas, corre-se o risco de contaminação do ato cirúrgico. Todo o sistema de circulação dentro da sala operatória deve estar conforme os tempos cirúrgicos e o ato anestésico, além das condições clínicas e a gravidade do paciente. Dependendo da complexidade cirúrgica, o número de profissionais pode até dobrar, respeitando sempre os princípios de biossegurança para não haver risco de contaminação (FIGUEIREDO; LEITE; MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). Durante a divisão da equipe e o posicionamento de cada um em suas funções específicas, deve-se atentar sempre para o melhor campo de visão do profissional, de acordo com suas funções. O instrumentador é o profissional que precisa ter o melhor 128 campo de visão, pois sua posição deve favorecer para suas ações serem bem executadas. As áreas mais livres e com materiais não estéreis devem ficar por conta do circulante e anestesista (FIGUEIREDO; LEITE, MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). O instrumentador é responsável por prever os passos do cirurgião, com agilidade, rapidez e destreza. Cabe a ele realizar um mapa geral da sala, juntamente com o cirurgião, para definir melhor em qual posição devem estar, uma vez que isso depende muito do tipo de cirurgia, do biotipo do paciente e da composição da equipe. O instrumentador deve estar preparado para suas funções e, em muitos casos, pode ocorrer de ter que fazer a função de segundo auxiliar, como segurar alguma pinça fixada ao órgão, auxiliar na sutura ou diérese. É o profissional de apoio do cirurgião em todos os tempos cirúrgicos, ou seja, a pessoa na qual ele tem que ter confiança e respeito (FIGUEIREDO; LEITE; MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). As responsabilidades do instrumentador são infinitas durante todo o percurso cirúrgico, por isso, vale ressaltar o quanto é importante esclarecer as dúvidas existentes antes do início dos procedimentos. Quando posicionado, o instrumentador deve se manter frente a um ângulo de 90 graus, formado entre sua mesa e a mesa cirúrgica. Dessa forma, tem alcance de visão dos seus três campos de atuação: instrumentais, cirurgião e campo operatório. Assim, com um simples rodar da cabeça, pode-se estar atento na ausculta da comuni- cação com o cirurgião, pegar o instrumento e passá-lo ao cirurgião, sem pressa e com segurança (SOBECC, 2017). Essa posição deve prevalecer até o final do procedimento, salve exceções nos casos em que precisará auxiliar o cirurgião em algum suporte operatório (segurar uma pinça, afastar algum tecido, auxiliar no fio de sutura, dentre outros). Durante a entrega dos instrumentais, deve-se evitar movimentos desneces- sários, como trocar o instrumental para outra mão, deixar o instrumental cair ou fa- zer movimentos rotacionais com o corpo. Isso passa insegurança ao cirurgião e menos confiabilidade de suas ações. Outra regra simples é sempre segurar um instrumental de cada vez, pois, caso ocorra um imprevisto e necessite de outro instrumento, deve-se ter agilidade e destreza para buscar e levar até a mão do cirurgião, assim, sempre se deve individualizar cada instrumento em suas mãos. Da mesma forma, se deve evitar ficar segurando gazes e compressas, as quais devem ser utilizadas apenas quando solicitadas, para enxugar o campo operatório (SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). Além disso, ainda é preciso se atentar para os instrumentais mais perigosos, como lâminas de bisturi, tesouras e porta agulhas montadas, devendo ter cautela ao manuseá-los, a fim de evitar qualquer tipo de acidente com esses perfurocortantes. 129 Figura 34 – Disposição da equipe em nefrectomia por via laparoscópica Fonte: Mariano et al. (2007, p. 191) Outro ponto de grande importância é a comunicação do instrumentador com todos da sala cirúrgica. Apesar da comunicação ser bem restrita devido ao momento de concentração, o cirurgião, muitas vezes, utiliza da comunicação não verbal, por meio de gestos, ao solicitar o instrumental. A sinalização manual é recorrente dentro do centro cirúrgico, contando com uma série de códigos e sinais, que já são de conhecimento da equipe. Esses sinais são direcionados ao instrumentador, sendo que todos são movimentos característicos do uso de cada um dos instrumentais cirúrgicos. Com a prática e o acompanhamento direto do cirurgião, o instrumentador prevê suas necessidades com mais facilidade pelos sinais que já aprendeu (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). • Normalmente, os cirurgiões fazem os sinais com base no conhecimento dos protoco- los sequenciais de todo o instrumental, conforme as etapas do procedimento cirúr- gico. Alguns exemplos estão elencados a seguir e, no cotidiano, podemos presenciar situações semelhantes: • quando o cirurgião utiliza os instrumentais de diérese, o instrumentador já lhe oferece, automaticamente, as pinças hemostáticas; 130 Quadro 1 – Materiais e equipe durante a nefrectomia Fonte: Adaptado de Mariano et al. (2007) • quando o cirurgião utiliza bisturi, tesouras ou porta agulhas, o instrumentador já lhe oferece a pinça auxiliar; • quando o cirurgião devolve os instrumentos de diérese e auxiliares, o instrumentador, prontamente, já lhe entrega o porta agulhas com fio agulhado; • quando cirurgião está finalizando a sutura, o instrumentador lhe passa a tesoura reta.Frente a isso, o instrumentador deve estar a postos para prever, atender e suge- rir, muitas vezes, os instrumentais ao cirurgião. No fator comunicação, o instrumentador é dito como os olhos e ouvidos de toda a equipe. No quadro a seguir, temos o exemplo de um mesmo procedimento em diferen- tes posições, devido à particularidade de melhor acesso ao campo cirúrgico. Contudo, observe que não houve necessidade de mudança de posição da composição da equipe. Temos sempre que pensar na melhor visualização do campo operatório, assim, há uma delimitação de espaço melhor para cada componente da equipe. 131 As cirurgias urológicas modificam algumas especialidades cirúrgicas devido ao posicionamento do paciente na cama cirúrgica. Lembrando sempre que a posição do paciente favorece a visualização do campo operatório. Ao término do procedimento cirúrgico, o qual consiste no fechamento do último nó, todos permanecem na sala. A desmontagem desta só ocorre após a saída do paciente. Contudo, no passo da fase de sutura, o instrumentador já inicia a contagem dos seus materiais e a conferência dos instrumentais utilizados (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). Essa conferência é de suma importância para não haver risco de “esquecer” algum instrumental no paciente, principalmente, agulhas, compressas e pinças pequenas. Logo, temos a desparamentação da equipe, que também segue os protocolos institucionais, impedindo a contaminação dos fluidos existentes na vestimenta com a parte corporal do profissional. É de suma importância saber se desparamentar e sempre pedir auxílio para tal rotina (SOBECC, 2017). Deste modo, algumas instituições hospitalares podem apresentar rotinas a mais do que é recomendado, mas obedecendo à estrutura organizacional do local a fim de proporcionar um ambiente adequado e seguro ao paciente. 132 LEITURA COMPLEMENTAR EFETIVIDADE DO PROTOCOLO PREVENÇÃO DE LESÕES DE PELE EM CIRURGIAS UROLÓGICAS ROBÓTICAS Cecilia da Silva Angelo Catharina Ferreira de Meira Pachioni Eduardo Henrique Giroud Joaquim Erica Adriana Lima da Silva Gilmar Gomes dos Santos Isabel Miranda Bonfim Gustavo Cardoso Guimarães Raquel Marcondes Bussolotti INTRODUÇÃO Pesquisas nacionais recentes estimam para os anos de 2016 e 2017 aproxima- damente 600 mil casos novos de câncer (CA). Nos homens, o câncer mais frequente será o de próstata (28,6%). Atualmente, existem diversas técnicas cirúrgicas que podem ser empregadas para o tratamento oncológico do câncer de próstata, e a mais moderna e inovadora contempla uma abordagem minimamente invasiva e videolaparoscópica com o uso de robôs. A videocirurgia surgiu no fim da década de 1980 e teve início após o primeiro endoscópio desenvolvido por Philipp Bozzini, médico alemão, e, posteriormente, depois do aperfeiçoamento do laparoscópico por outros médicos. A cirurgia assistida pelo robô é definida como “um manipulador controlado por computador com sensores artificiais, que pode ser reprogramado para mover e posicionar instrumentos cirúrgicos, visando realizar tarefas cirúrgicas”, segundo Robot Institute of America. Além disso, o sistema robótico melhora a visualização, a exposição e a dissecção das estruturas nobres num espaço reduzido, eventualmente diminuindo o risco de complicações, trauma cirúrgico, dor e o período de internação hospitalar. Ao submeter-se a um procedimento cirúrgico, o paciente é exposto a diversas situações que poderão comprometer sua integridade física e psicoemocional durante o período perioperatório. Entre elas, podemos destacar o posicionamento cirúrgico uroló- 133 gico robótico, pois a posição cirúrgica deve garantir ao paciente conforto, segurança e respeito aos seus limites anatômicos e fisiológicos. Faz-se necessário que o enfermeiro apresente aptidão técnica e científica, para atuação nesses procedimentos, alinhado à equipe multiprofissional para posicionar o paciente, minimizando os riscos de desenvol- ver lesão de pele (LP) por posicionamento cirúrgico. O posicionamento cirúrgico ade- quado garante eficiência e segurança durante todo o procedimento, sendo um dos prin- cipais indicadores de qualidade do cuidado na assistência perioperatória. Ele é capaz de manter o alinhamento corporal, evidenciando o local a ser operado, reduzindo a tensão/ pressão sobre os tecidos, preservando funções circulatórias e respiratórias, evitando possíveis efeitos danosos decorrentes da posição cirúrgica por períodos prolongados. Pacientes cirúrgicos no período intraoperatório estão suscetíveis a inúmeros riscos e ao desenvolvimento de várias complicações por agentes químicos, queimaduras elétricas e lesão por pressão, as mais comumente encontradas. A lesão por pressão pode ser definida como uma LP e/ou no tecido ou estrutura subjacente, mais evidente em proeminências ósseas, ocasionada por pressão isolada ou combinada à fricção e/ ou a cisalhamento durante a transferência para o leito, podendo estar associada às comorbidades significativas do paciente. Estudos recentes destacaram vários fatores de risco associados à LP em pa- cientes cirúrgicos, e tais fatores são divididos em dois grupos: intrínsecos, como idade, peso corporal, estado nutricional e doenças crônicas como diabetes mellitus, vasculo- patias, neuropatias, hipertensão e anemia; e extrínsecos, por exemplo, tipo e tempo de cirurgia, anestesia, posições cirúrgicas e posicionamento. A intensidade desses fatores e a duração do procedimento anestésico-cirúrgico evidenciam o maior ou menor risco de desenvolvimento de LP, que pode ser observada após o término do procedimento e se potencializar rapidamente. Os locais mais comuns para desenvolvimento de LP por posicionamento cirúrgico são: região sacral, calcâneos, região mentoniana, trocânteres. Dessa forma, a base para garantir a segurança do paciente no intraoperató- rio de cirurgias robóticas deve-se a uma avaliação precoce de riscos cirúrgicos, para implementar estratégias de melhoria e minimizar eventos adversos, tal como LP por posicionamento cirúrgico, mediante mecanismos de suporte e prevenção. Estratégias de melhoria podem ser desenvolvidas por intermédio de ações educativas nos treina- mentos de aprimoramento profissional, tal como a simulação. Segundo os guidelines da Association of Perioperative Registered Nurses (AORN, 2017), o posicionamento cirúrgico do paciente permite avaliar a qualidade da assistência prestada. Com os indicadores de qualidade, é possível monitorar as ocor- rências de eventos adversos durante o período intraoperatório, pois esses eventos po- dem estar associados ao nível de aprendizado dos profissionais de enfermagem. Esse aprendizado, por sua vez, vem ao encontro das ações educativas implementadas para garantir a segurança do paciente cirúrgico e a redução dos riscos de LP por posiciona- mento cirúrgico. 134 Nessa situação, o profissional de enfermagem tem a oportunidade de desenvol- ver competências e habilidades com foco no paciente cirúrgico e suas reais necessida- des. Logo, as simulações robóticas proporcionam melhor interação da equipe interdis- ciplinar, assegurando o sucesso do posicionamento cirúrgico. OBJETIVOS Verificar a efetividade do Protocolo Prevenção de LP, por meio do levantamen- to de ocorrências causadas pelo posicionamento cirúrgico em pacientes oncológicos submetidos às cirurgias urológicas robóticas, e demonstrar a importância da simulação como estratégia educativa no treinamento da equipe de enfermagem. MÉTODO O delineamento da pesquisa é documental, retrospectivo, com análise quantitativa dos dados. O estudo foi desenvolvido em um hospital oncológico de abrangência nacional com 361 leitos.O Centro Cirúrgico (CC) possui 14 salas operatórias, e o volume cirúrgico situa-se em torno de 1.000 procedimentos ao mês (pacientes ambulatoriais, internados, urgências e emergências). Desses 1.000 procedimentos, cerca de 40 cirurgias são realizadas com tecnologia robótica e 85% delas são cirurgias urológicas. O protocolo analisa as variáveis: idade, gênero, presença ou não de LP por posicionamento cirúrgico, local da LP, tipo de posicionamento cirúrgico, tempo de duração da cirurgia, tempo em que o paciente ficou posicionado, tempo em que o paciente permaneceu anestesiado, tipo de procedimento cirúrgico, tempo em que o cirurgião permaneceu no console e lateralidade. Os critérios de inclusão foram: pacientes adultos (ambos os gêneros) submeti- dos a cirurgias eletivas urológicas robóticas, nos quais foi aplicado o Protocolo Preven- ção de LP. Critérios de exclusão: pacientes submetidos a cirurgias de emergência, que apresentaram LP associada a outros eventos e aqueles submetidos a outras especialidades de cirurgia robótica. Foram coletados dados de todos os pacientes submetidos às cirurgias urológicas robóticas no ano de 2015, totalizando 359 cirurgias. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição sede do estudo, segundo parecer nº 2.278/16. Os dados foram coletados por intermédio da criação de um instrumento de- nominado de Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória Robótica (SAEP Robótica), armazenado no banco de dados MV2000. Logo, o instrumento destaca as variáveis conforme previsto no protocolo e, com base em suas análises, será possível representação gráfica. 135 No campo “intercorrências” os enfermeiros relataram a presença ou não de LP pelo posicionamento cirúrgico conforme aplicação do Protocolo Prevenção de LP, o qual faz referência a todos os tipos de posicionamento cirúrgico, incluindo cirurgias robóticas. Baseando-se nesses dados, foram construídas figuras para representar o perfil dos pacientes oncológicos submetidos a cirurgias urológicas robóticas e sua associa- ção com LP. TREINAMENTO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DO CENTRO CIRÚRGICO O treinamento da equipe de enfermagem é realizado sob o modelo de simu- lação realística. Os cenários de simulação aproximam o profissional da realidade, va- lorizando-se a oportunidade de prever os erros que podem ser evitados em situações semelhantes no futuro, aumentando a segurança do profissional e do paciente cirúrgico oncológico, prevenindo assim eventos e danos ao paciente na data da cirurgia. Nesse tipo de treinamento é possível praticar habilidades técnicas e desenvol- ver raciocínio crítico para avaliar a melhor conduta a ser tomada, de acordo com as particularidades e especificidades dos procedimentos cirúrgicos e de cada paciente. A simulação de posicionamento cirúrgico é realizada previamente ao proce- dimento, sendo convocados os enfermeiros, técnicos de enfermagem, cirurgiões e anestesiologistas para participar do treinamento. Nesse momento, um dos profissionais elege-se para ser modelo vivo, e então é aplicado o Protocolo de Prevenção de LP com envolvimento da equipe interdisciplinar e multiprofissional, de acordo com a proposta cirúrgica e o caso clínico do paciente cirúrgico. Assim, a ausência de LP por posicionamento cirúrgico reflete a atuação inte- grada da equipe interdisciplinar e multiprofissional, a qual aprimora suas habilidades e competências por intermédio da prática baseada em evidência, garantindo a segurança do paciente durante o período intraoperatório. PROTOCOLO PREVENÇÃO DE LP: CENTRO CIRÚRGICO Ao chegar ao CC, o paciente é admitido pelo enfermeiro mediante o documento denominado de periadmissão, isto é, uma das etapas da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP). Nesse documento há um campo específico para prescrição dos riscos cirúrgicos intraoperatórios, destacando-se o risco de lesão por posicionamento perioperatório. Após levantamento dos fatores de risco, o enfermeiro direciona os cuidados a serem prestados no intraoperatório. É aplicado o Protocolo Prevenção de LP conforme avaliação institucional de risco cirúrgico, a qual avalia o tempo em que o paciente foi submetido ao procedimento cirúrgico. A avaliação de risco institucional é composta de quatro classificações: baixo risco, risco moderado, risco alto e risco alto especial. 136 Na classificação baixo risco estarão disponíveis para o posicionamento cirúrgico: posicionadores (cabeça, dorso, braços, corpo inteiro e calcâneos), colchão viscoelástico, colchão piramidal e travesseiros. Já nas classificações de risco moderado, risco alto e risco alto especial estarão disponíveis para o posicionamento cirúrgico: posicionadores (cabeça, dorso, braços, corpo inteiro e calcâneos), colchão viscoelástico, colchão pira- midal, travesseiros e películas protetoras tamanho 15 × 20 cm e sacra específicas, de acordo com a avaliação do enfermeiro na periadmissão. Dessa forma, a avaliação de risco vai nortear quais tipos de materiais e subsí- dios serão necessários ao posicionamento cirúrgico, minimizando potenciais riscos de lesões. Portanto, conforme o tipo de risco exposto atrelado ao procedimento cirúrgico proposto, serão disponibilizados posicionadores, colchão viscoelástico, colchão pirami- dal, travesseiros e películas protetoras tamanho 15 × 20 cm e sacra específicas. As películas protetoras são impermeáveis, ou seja, à prova de umidade e bactérias, sendo possíveis sua colocação e recolocação inúmeras vezes sem alterar sua capacidade de aderência à pele do paciente cirúrgico oncológico. Além disso, na falta da película protetora tamanho 15 × 20 cm, deverá ser aplicada a película tamanho 15 × 15 cm, conforme avaliação criteriosa do enfermeiro na periadmissão. Dessa forma, os locais destinados para a colocação das películas foram destacados no manual de bolso para todos os colaboradores de enfermagem. A seguir poderão ser observados os locais para colocação dessas películas protetoras, conforme o tipo de posicionamento cirúrgico, por meio de um manual de bolso disponibilizado a todos os colaboradores do CC. POSICIONAMENTOS CIRÚRGICOS • Decúbito dorsal ou posição supina: posição natural do corpo em que o dorso e a coluna vertebral do paciente estão repousando sobre o colchão da mesa operatória. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: região occipital, escapular, sacro- coccígea, cotovelos e calcâneos. Observado principalmente em: cirurgias de cabeça e pescoço, cirurgias torácicas, cirurgias pélvico-abdominais, cirurgias mastológicas, cirurgias reparadoras, cirurgias da radiologia intervencionista, cirurgias endoscópi- cas, cirurgias urológicas, cirurgias ortopédicas, cirurgias cardiovasculares e vascula- res, cirurgias para controle álgico, cirurgias da oncologia cutânea, cirurgias estoma- tológicas, transplantes hepáticos e neurocirurgia. • Decúbito ventral ou prona: nessa posição o ventre ou o abdome do paciente entra em contato com o colchão da mesa operatória. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões periauricular, parietal, mandibular, torácica e patelar, genitália e dorso dos pés. Observado principalmente em: neurocirurgias, cirurgias ortopédicas e cirurgias pélvicas. 137 • Decúbito lateral: nesse posicionamento o paciente é anestesiado na posição supi- na e, posteriormente, realocado em posição lateral torácica, ou posição lateral renal. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões trocantérica, dos calcâneos, parietal, maleolar, toracolateral, periauricular e condilopatelar.Observado, principal- mente em: cirurgias torácicas, cirurgias ortopédicas e cirurgias urológicas. • Posição litotômica ou ginecológica: posição em que o paciente é anestesiado na posição supina e realocado até a dobra inferior da mesa operatória, de modo que a região glútea fique alinhada à “quebra da mesa”, para posteriormente colocação das perneiras. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, es- capular e sacrococcígea, panturrilhas, calcâneos e planta dos pés. Observado princi- palmente em: cirurgias ginecológicas, cirurgias pélvicas e cirurgias proctológicas. • Posição de Fowler modificada: comumente conhecida como posição de “cadeira de praia”, permitindo que o paciente permaneça sentado em ângulos de 30 a 90º aci- ma do plano horizontal. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões es- capular, glútea, sacrococcígea e poplítea, calcâneos e plantas dos pés. Observado principalmente em: cirurgias ortopédicas e neurocirurgias. • Posição de Trendelenburg: essa posição é uma variação do decúbito dorsal, em que a parte superior do dorso é abaixada e os pés são elevados. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, escapular, sacrococcígea, dos cotovelos e dos calcâneos. Observado principalmente em: cirurgias vasculares e cirurgias abdo- minais de via baixa. • Posição de Trendelenburg reversa ou proclive: nesse posicionamento o paciente é colocado na posição dorsal de maneira que a cabeça fique em um nível mais ele- vado que os pés. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, escapular, sacrococcígea e dos calcâneos. Observado principalmente em: cirurgias abdominais de via alta e cirurgias de cabeça e pescoço. • Posição de canivete ou Kraske: posição modificada do decúbito ventral. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões parietal, periauricular, torácica, da geni- tália, patelar e da face anterior do tornozelo. Observado principalmente em: cirurgias ortopédicas e cirurgias pélvicas/proctológicas. • Posição robótica: nesse decúbito o paciente permanece posicionado em Trende- lenburg acentuado juntamente com a posição litotômica. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, escapular, sacrococcígea, das panturrilhas, dos calcâneos e da planta dos pés. Observado principalmente em: cirurgias robóticas urológicas. Nesse posicionamento será realizado um x de colchão perfilado no tórax de forma que o perfilado não fique diretamente em contato com a pele do paciente. Ou seja, ele fica em contato direto com as películas protetoras aderidas à região torá- cica anterior, sendo fixado o colchão protetor de perfilado com esparadrapo. E, ainda, será colocado salva-pés de perfilado nas mãos do paciente, para garantia da sua proteção e segurança. FONTE: ANGELO, C. S. et al. Prevenção de lesões de pele em cirurgias urológicas robóticas. Revista SOBECC, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 152-160, jul./set. 2017. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/ sobecc/article/view/221/pdf. Acesso em: 30 ago. 2022. 138 Neste tópico, você aprendeu: • Nas cirurgias urológicas, o instrumentador não só realiza a montagem da mesa ci- rúrgica, mas, também, a posição do videolaparoscópio e seus instrumentais na sala operatória, permitindo boa visualização e manuseio do equipamento. • Os instrumentais, na Urologia, possuem certa especificidade, conforme o procedi- mento necessita, evolvendo instrumentais específicos e que garantem pleno funcio- namento durante o procedimento. • A posição do paciente deve ser aquela que permite melhor visibilidade do campo operatório, assim, para cada cirurgia, temos uma posição específica que irá melhor expor o órgão. O cuidado em acomodar o paciente na melhor posição é de extrema importância, evitando complicações hemodinâmicas ou contraturas musculares. • O instrumentador, dentro da sala cirúrgica, é peça fundamental em todo o procedi- mento. Ele deve ficar bem posicionado entre a sua mesa de instrumentais e o campo operatório, à frente do cirurgião, evitando movimentos desnecessários, prevendo o instrumental a ser utilizado e servindo sempre de apoio ao cirurgião. RESUMO DO TÓPICO 3 139 AUTOATIVIDADE 1 A laparoscopia surgiu em meados do século XX e, na época, era utilizada apenas para fins diagnósticos. Com o tempo foi se aperfeiçoando, criando novas técnicas de abor- dagem e seu instrumental se tornou mais robotizado. As modificações estruturais dos equipamentos fizeram com que a equipe cirúrgica também tivesse que passar por novos treinamentos para manuseio e montagem das salas operatórias. Para a montagem da mesa cirúrgica, o instrumentador deve estar atento a vários requisitos para que, no transcorrer do procedimento, tudo saia nas mais perfeitas condições. Considerando isso e sobre a montagem da sala operatória, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Na montagem da mesa cirúrgica, o instrumentador deve esperar o cirurgião especificar quais instrumentais ele precisa. b) ( ) O instrumentador deve escolher montar sua mesa no canto da sala cirúrgica e posicionar de frente para a parede, para evitar contaminação dos instrumentais. c) ( ) Na sala operatória, a montagem dos equipamentos de videolaparoscopia é de responsabilidade da manutenção, que faz o calibre do equipamento. d) ( ) Na mesa dos instrumentais, é necessário colocar uma manta emborrachada para amortecer a queda dos instrumentais e servir de barreira em caso de molhar os tecidos estéreis. 2 O posicionamento adequado do paciente em cama cirúrgica é o apoio do procedi- mento cirúrgico, pois a posição vai determinar o alcance do órgão-alvo. Nas cirur- gias urológicas, há posições de abordagem em abdômen superior (rins, linfonodos e adrenais) e parte pélvica (próstata, bexiga e ureter). Nas cirurgias urológicas por via endoscópica, a posição deve permitir acesso às vias urinárias. No que se refere ao posicionamento adequado do paciente nas cirurgias urológicas, analise as sentenças a seguir: I- Em determinadas posições, o paciente pode apresentar alterações no retorno venoso dos membros inferiores, o que ocorre nas posições em que é necessário realizar declive. II- A colocação do paciente na posição correta depende do seu estado clínico, da patologia e da técnica a ser utilizada pelo cirurgião. III- Deve-se movimentar o paciente lentamente e com firmeza, lembrando que ele ainda está em plano anestésico e que qualquer movimentação brusca pode fazer descompensação hemodinâmica ou, até mesmo, haver risco de cair da maca. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. 140 c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 No preparo das cirurgias urológicas há os instrumentais específicos e de maior uso. A composição da mesa de instrumentais deve obedecer à ordem dos tempos cirúrgi- cos a fim de trazer mais segurança ao instrumentador durante o procedimento. Para que isso ocorra, é necessário revisar o mapa cirúrgico e conhecer os instrumentais disponíveis. Para que a montagem da mesa seja eficiente e organizada, temos que saber onde fica cada instrumental. Assim, no que diz respeito às especificidades das cirurgias urológicas, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Os instrumentais utilizados na Urologia diferem dos demais procedimentos quanto ao uso de afastadores específicos, que devem ser em tamanho menor do que os comumente utilizados. ( ) Gazes, cubas e seringas são materiais descartáveis, podendo ser colocados em outra mesa, mais distante, pois não há tanto uso no início da cirurgia. ( ) É primordial manter os trocartes de vários tamanhos na mesa, pois algum com calibre menor pode impedir a passagem de alguma pinça. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V.c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 A montagem das mesas cirúrgicas urológicas apresenta etapas comuns a todas as outras cirurgias. Sendo assim, a montagem da mesa deve dispor de materiais em ordem cronológica de como ocorrerá o procedimento. O instrumentador deve manter atenção, pois o que determinam uma mesa adequada são as finalidades dos instrumentais e as particularidades de cada cirurgião. A montagem adequada tem o objetivo de racionalizar tempo e custo, antecipar ações e tornar o trabalho de toda a equipe mais eficiente. Diante disso, para que a montagem ocorra, ela deve seguir alguns critérios básicos. Quais são eles? Explique. 5 Quando falamos de dimensionamento dentro da sala, devemos entender que cada profissional tem suas responsabilidades e que sua posição diante o campo operatório é de grande importância. Na estruturação da equipe e adequação dos profissionais dentro do centro cirúrgico é primordial que o instrumentador esteja em uma visão privilegiada do campo operatório. A responsabilidade do instrumentador é acompanhar o cirurgião, com foco na prestação de assistência direta, antecipando seu trabalho e auxiliando em alguns procedimentos. Dessa forma, o instrumentador não pode ficar desatento, pois será um fator limitante das ações de toda a equipe durante o ato cirúrgico. Nesse sentido, quais cuidados o instrumentador deve ter com relação a sua posição na sala cirúrgica? Explique. 141 REFERÊNCIAS ANGELO, C. S. et al. Prevenção de lesões de pele em cirurgias urológicas robóticas. Revista SOBECC, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 152-160, jul./set. 2017. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/221/pdf. Acesso: 30 ago. 2022. ALEXANDER, M. Cuidados de enfermagem ao paciente cirúrgico. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. AZEVEDO, O. C. de. Punção no hipocôndrio esquerdo na criação do pneumoperitônio: valor diagnóstico das provas de posicionamento da agulha de Veress, das pressões intraperitoneais e dos volumes injetados durante a insuflação. 2006. 75 f. Tese (Doutorado em Ciências) - Escola Paulista de Medicina, São Paulo, 2006. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/xmlui/bitstream/ handle/11600/21405/Publico-21405.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 15 set. 2022. CIRURGIA de prostatectomia radical. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal MEDICAL TV. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4VfPLyTZ9Hg. Acesso em: 15 set. 2022. COMO passar os instrumentais cirúrgicos de forma correta ao cirurgião. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (7 min). Publicado pelo canal Instrumentação Henry Dunant. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_TZSULYdaA4. Acesso em: 16 set. 2022. CURSO de TOCE - 06 - Disposição da equipe cirúrgica. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal labTOCE UFSC. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=WJ4cmnsUewc. Acesso em: 16 set. 2022. FIGUEIREDO, N. M. A.; LEITE, J. L.; MACHADO, W. C. A. Centro cirúrgico: atuação, intervenção e cuidados de enfermagem. 2. ed. São Caetano do Sul: Yendis, 2009. INCA - INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Tabagismo passivo. Gov.br, ago. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do- cancer/tabagismo/tabagismo-passivo. Acesso em: 15 set. 2022. KIT CATETER nefrostomia percutânea. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal Marcos Saponara. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=c15OORmd5Oo. Acesso em: 15 set. 2022. https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/221/pdf https://www.youtube.com/watch?v=4VfPLyTZ9Hg https://www.youtube.com/watch?v=_TZSULYdaA4 https://www.youtube.com/watch?v=WJ4cmnsUewc https://www.youtube.com/watch?v=WJ4cmnsUewc https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/tabagismo/tabagismo-passivo https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/tabagismo/tabagismo-passivo https://www.youtube.com/watch?v=c15OORmd5Oo 142 LEONARDI, P. C. et al. Nós e suturas em vídeo-cirurgia: orientações práticas e técnicas. ABCD - Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 200-205, set. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abcd/a/ x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC. Acesso em: 16 set. 2022. MARIANO, M. B. et al. Videocirurgia em Urologia: técnicas e resultados. São Paulo: Rocca, 2007. MARQUES, L. M. S.; PEPE, C. M. S. Instrumentação cirúrgica: teoria e técnica. 3. ed. São Paulo: Rocca, 2001. NARDOZZA JR., A.; ZERATI FILHO, M.; REIS, R. B. dos. (eds.). Urologia fundamental. São Paulo: Planmark, 2010. Disponível em: https://sbu-sp.org.br/admin/upload/ os1688-completo-Urologiafundamental-09-09-10.pdf. Acesso em: 15 set. 2022. OMS - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Segundo desafio global para a segurança do paciente. Manual cirurgias seguras salvam vidas. Rio de Janeiro: Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ seguranca_paciente_cirurgias_seguras_guia.pdf. Acesso em: 19 set. 2022. PARRA, O. M.; SAAD, W. A. Instrumentação cirúrgica: guia de instrumentação cirúrgica e de auxílio técnico ao cirurgião. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2005. PARRA, O. M.; SAAD, W. A.; FARIA, P. B. N. Instrumentação cirúrgica. São Paulo: Centro São Camilo de Desenvolvimento em Administração da Saúde, Medicus Mundi Holanda, 1993. PATEL, V. R. et al. Periurethral suspension stich during robot-assisted laparoscopic radical prostatectomy: description of the technique and continence outcomes. European Urology, v. 56, n. 3, p. 472-478, set. 2009. Disponível em: https://pubmed. ncbi.nlm.nih.gov/19560260/. Acesso em: 15 set. 2022. PAZ, M. S. de O. et al. Paramentação cirúrgica: avaliação de sua adequação para a prevenção de riscos biológicos em cirurgias. Parte I: a utilização durante as cirurgias. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 108-117, mar. 2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/ Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 set. 2022. PEIXOTO, G. A.; MORENO, R.; WAISBERG, J. Cirurgia geral: especialidades cirúrgicas. Rio de Janeiro: Atheneu, 2019. POSSARI, J. F. Centro cirúrgico: planejamento, organização e gestão. São Paulo: Iátria, 2009. https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC https://sbu-sp.org.br/admin/upload/os1688-completo-urologiafundamental-09-09-10.pdf https://sbu-sp.org.br/admin/upload/os1688-completo-urologiafundamental-09-09-10.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_cirurgias_seguras_guia.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_cirurgias_seguras_guia.pdf https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19560260/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19560260/ https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?format=pdf&lang=pt 143 ROSA, M. T. L. Manual de instrumentação cirúrgica. 3. ed. São Paulo: Rideel, 2006. SERTORI, A. W. T.; TONELLI, S. R. Centro cirúrgico: aspectos gerais - Guia para a prática da instrumentação cirúrgica. São Paulo: Andreoli, 2011. SMELTZER, S. C. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem medicocirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. SOBECC - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO. Diretrizes de práticas em enfermagem cirúrgica e processamento de produtos para a saúde. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. SOUZA, C. S.; BISPO, D. M.; ACUNÃ, A. A. Criação de um manual para posicionamento cirúrgico: relato de experiência. Revista SOBECC, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 169-175, jul./set. 2018. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/400/ pdf_1. Acesso em: 16 set. 2022. STROHER, C. et al. Abordagens cirúrgicas na litíase renal: revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 5, n. 3, p. 11319-11336,maio/jun. 2022. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/ view/49321/pdf. Acesso em: 19 set. 2022. TÉCNICAS de videolaparoscopia: trocáteres ep. 5 - Videocirurgia. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (5 min). Publicado pelo canal Instituto Simutec. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=N6AZIa2RIOI. Acesso em: 16 set. 2022. TORRE de videolaparoscopia - Como testar. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (10 min). Publicado pelo canal MS Medical Systems. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=WUbyf3qpvQQ. Acesso em: 16 set. 2022. VEJA como é feita a ureteroscopia. [S. l.], [s. d.]. 1 vídeo (1 min). Publicado pelo canal UROBH - Urologia Minimamente Invasiva. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=PmB0uFZrOPs. Acesso em: 15 set. 2022. VELTHOVEN, R. F. V. et al. Technique for laparoscopic running urethrovesical anastomosis: the single knot method. Urology, [s. l.], v. 61, n. 4, p. 699-702, abr. 2003. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12670546/. Acesso em: 15 set. 2022. https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/400/pdf_1 https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/400/pdf_1 https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf https://www.youtube.com/watch?v=N6AZIa2RIOI https://www.youtube.com/watch?v=N6AZIa2RIOI https://www.youtube.com/watch?v=WUbyf3qpvQQ https://www.youtube.com/watch?v=WUbyf3qpvQQ https://www.youtube.com/watch?v=PmB0uFZrOPs https://www.youtube.com/watch?v=PmB0uFZrOPs https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12670546/ 144 145 TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a operacionalização da instrumentação cirúrgica ginecológica e obstétrica; • reconhecer os instrumentos cirúrgicos utilizados nas cirurgias ginecológicas e obstétricas; • reconhecer a composição e as atribuições dos membros da equipe multiprofissional nas cirurgias ginecológicas e obstétricas; • compreender as fases das cirurgias ginecológicas e obstétricas, os tempos cirúrgicos e os portes de cirurgias. A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA TÓPICO 2 – PARAMENTAÇÃO TÓPICO 3 – INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 146 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 147 TÓPICO 1 — INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO As cirurgias ginecológicas e obstétricas são aquelas realizadas nos órgãos do aparelho reprodutor feminino com objetivos diversos, como diagnóstico e tratamento de doenças e lesões, preservação ou interrupção da fertilidade ou cesárea. Elas repre- sentam 26,5% de todos os procedimentos cirúrgicos realizados em mulheres adultas (AORN, 2021). As doenças do aparelho genitourinário são responsáveis por um elevado núme- ro de procedimentos cirúrgicos em todo o mundo. De acordo com Farquhar e Steiner (2002), a histerectomia é a cirurgia ginecológica mais frequentemente realizada nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, estima-se uma incidência de 1:461 mulhe- res, o que corresponde a cerca de 600.000 histerectomias por ano (WRIGHT et al., 2013). Já a cirurgia obstétrica mais comum é a cesárea. Nesse caso, é uma cirurgia que deveria ser realizada apenas em casos específicos, como via de solução do parto vaginal, em situações como sofrimento fetal, desproporção do tamanho do bebê em re- lação à pelve, dentre outros. Contudo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de cesariana continua crescendo mundialmente, respondendo por mais de um em cada cinco (21%) partos (OMS, 2021). Embora a cesariana possa ser uma cirurgia essencial e que salva vidas, ela pode colocar mulheres e bebês em risco desnecessário quanto a problemas de saúde em curto e longo prazos, se realizada quando não há necessidade médica. Frente a isso, com o avanço das tecnologias médica e cirúrgica, a utilização de novos equipamentos, os adventos como a cirurgia robótica, dentre outros, tornam a cada dia os procedimentos mais complexos. Assim, os profissionais envolvidos no procedimento anestésico-cirúrgico precisam estar aptos e atualizados para garantir a segurança da paciente e o sucesso do procedimento. Além disso, apesar de todas as precauções e da tecnologia envolvida, toda cirurgia ginecológica e obstétrica oferece riscos, possibilidades de intercorrências, eventos adversos e até complicações relacio- nadas ao posicionamento da mulher para a cirurgia. 148 Nesse sentido, neste tópico, você compreenderá a fundamentação científica para o desenvolvimento da técnica de instrumentação cirúrgica em ginecologia e obs- tetrícia, as especificidades de cada procedimento, os instrumentos mais utilizados, o posicionamento da paciente, a posição do instrumentador em cada procedimento, bem como o cuidado que o instrumentador – como parte da equipe assistencial – deve ter para com a paciente, estando sempre atento às possibilidades de complicação, tendo o conhecimento para antever eventos adversos evitáveis, auxiliando no desenvolvimento do procedimento. 2 TIPOS DE CIRURGIAS GINECOLÓGICAS A cirurgia ginecológica consiste no procedimento cirúrgico relacionado aos ór- gãos do sistema reprodutor feminino: grandes e pequenos lábios, clitóris, monte pu- biano, vagina, útero, ovários e trompas, além de incluir as mamas. Diz respeito a um procedimento comum e muito frequente em todo o mundo. Assim, tamanha sua relevância, é imprescindível ao instrumentador cirúrgico dominar os aspectos estruturais e anatômicos dos órgãos da especialidade que irá desempenhar suas atividades, para que possa contribuir com o conhecimento técnico- científico no cuidado para com a paciente cirúrgica na prática clínica. 2.1 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO É salutar ao instrumentador que atua em cirurgia ginecológica e obstétrica o conhecimento da anatomia dos órgãos que compõem o sistema reprodutor feminino. 149 Fi gu ra 1 – Si st em a re pr od ut or fe m in in o Fo nt e: a a ut or a 150 Esse sistema orgânico é dividido em órgãos externos e internos. Os órgãos externos compreendem o conjunto de estruturas localizadas no períneo: • monte pubiano; • grandes lábios; • pequenos lábios; • clitóris; • vestíbulo; • bulbo vestibular; • glândulas vestibulares. Figura 2 – Órgãos externos do sistema reprodutor feminino Fonte: a autora O monte pubiano, localizado na parede anterior da sínfise púbica, é composto por tecido subcutâneo e recoberto por pelos pubianos. Os grandes lábios, por sua vez, são estruturas formadas pelas dobras cutâneas longitudinais mais externas da vulva. Dentro deles, localizam-se os pequenos lábios, que se iniciam no clitóris, e, mais internamente, a saída da uretra e a entrada da vagina. O clitóris é o órgão responsável pelas sensações sexuais, similar ao órgão sexual masculino (pênis). Localiza-se na parte superior da vulva e é composto por três partes: base, corpo e glande. 151 Dentre os pequenos lábios, localiza-se o vestíbulo. Nessa região, encontram-se a saída da uretra e o orifício vaginal. No vestíbulo, também se localizam algumas glândulas: • glândula de Bartholin; • glândulas bulbouretrais; • glândulas vestibulares menores. A genitália externa é irrigada pelas artérias pudendas (internas e externas), que são ramos das artérias ilíacas internas e das artérias femorais, respectivamente. A drenagem venosa é realizada pelas veias pudendas internas e externas. A região anterior da vulva recebe inervação de sensibilidade dos nervos ilioin- guinale genitofemoral, sendo que a parte posterior é conectada pelo nervo pudendo cutâneo. O bulbo vestibular e o clitóris recebem inervação do sistema parassimpático do plexo uterovaginal. Já os órgãos internos compreendem o conjunto de órgãos reprodutores femininos que estão localizados dentro da cavidade pélvica, a saber: • vagina; • útero; • tubas uterinas (também chamadas de trompas de Falópio); • ovários. A vagina é o órgão interno mais superficial, que se estende do útero à vulva. É o canal de comunicação que viabiliza a passagem do sangramento correspondente à menstruação, propicia a relação sexual e, também, é por onde ocorre a saída do bebê durante o parto. A região mais profunda da vagina está ligada ao colo do útero. O canal vaginal, em algumas mulheres, pode conter uma membrana chamada hímen. NOTA A vagina é irrigada pela artéria ilíaca interna, que equivale às artérias uterina, vaginal e pudenda interna. O fluxo venoso da vagina é realizado pelas veias vaginais, que drenam para as veias ilíacas internas. O plexo hipogástrico inferior é responsável pela inervação da vagina, sendo que as fibras simpáticas e parassimpáticas são conectadas pelos nervos toracolombar (localizadas entre T12-L1) e esplâncnico pélvico (localizadas entre S2-S4). 152 O útero é um órgão muscular oco localizado no abdômen, anteriormente ao reto e atrás e acima da bexiga urinária. Pode estar em posição de anteversão e anteflexão. Internamente, o útero é revestido pelo tecido endometrial, que é aumentado para receber o embrião todos os meses. Quando a fertilização não ocorre, temos a descamação do endométrio e o sangramento correspondente à menstruação. O órgão uterino é dividido em três partes: • corpo: parte principal que se conecta às tubas uterinas. É composto de fundo e cavidade uterina; • istmo: liga o corpo ao colo do útero; • colo: parte inferior do útero que se conecta ao canal vaginal. Compreende orifícios interno e externo e o canal cervical. Uma porção do útero é revestida pelo peritônio e ligamentos peritoneais o sustentam, em que temos o ligamento largo, o ligamento redondo, o ligamento cardinal, o ligamento uterossacro e o ligamento pubocervical. A irrigação arterial do útero é realizada pela artéria uterina, advinda da artéria ilíaca interna, enquanto o retorno venoso do útero se dá por meio do plexo venoso uterino para a veia ilíaca interna. Além disso, o útero é inervado pelo plexo hipogástrico inferior, por meio do plexo nervoso uterovaginal, de forma similar à vagina. Os ovários, por sua vez, são os órgãos que participam da regulação hormonal feminina e, também, armazenam e liberam os óvulos para serem fecundados. Eles se localizam intraperitonealmente, em região bilateral, adjacentes ao útero. São sustentados em sua posição pelo ligamento suspensor do ovário e ligamento do ovário e mesovário. Os ovários são irrigados pelas artérias ovarianas, advindas da aorta abdominal, e o retorno venoso é realizado pelo plexo pampiniforme. Esses vasos se fundem para formar as veias ovarianas. Ademais, os ovários recebem inervação do plexo nervoso ovariano, sendo que fibras simpáticas são advindas dos nervos esplâncnicos menores (T10-T11). A inervação parassimpática é proveniente dos nervos esplâncnicos pélvicos (S2-S4). Já as tubas interligam os ovários ao corpo do útero. Por meio delas, normal- mente, ocorre a fecundação do óvulo e, posteriormente, o transporte do óvulo fecun- dado (zigoto) até o endométrio, localizado no interior do corpo do útero. Elas são sus- tentadas pelo ligamento largo do útero chamado “mesosalpinge”. São constituídas por quatro partes: 1. infundíbulo: parte distal que se abre para a cavidade peritoneal pelo óstio abdominal. Contém projeções “fímbrias”, que se estendem sobre a superfície medial dos ovários; 153 2. ampola: parte mais longa e larga da tuba uterina. É o local mais comum de fertilização; 3. istmo: parte mais estreita e alongada da tuba; 4. parte intramural (uterina): comunicação com a cavidade uterina pelo óstio uterino. As tubas uterinas são irrigadas pelas artérias uterina e ovariana, e o retorno ve- noso é realizado pelas veias tubárias. São inervadas pelo nervo simpático hipogástrico (T10-L2), e a inervação parassimpática é advinda dos nervos esplâncnicos pélvicos e do nervo vago. 2.2 TIPOS DE CIRURGIAS É imprescindível ao instrumentador cirúrgico entender e dominar a anatomia e fisiologia dos sistemas orgânicos para uma ótima atuação como membro da equipe cirúrgica, pois, com esse conhecimento, é possível selecionar os instrumentos considerando o tamanho de cada estrutura, a delicadeza ou, até mesmo, a localização, que influenciarão na forma de acesso. Desse modo, pode-se antecipar situações e facilitar ao cirurgião seu desempenho nos seus procedimentos cirúrgicos. Obstetrícia e Ginecologia é uma área de especialidade na qual a equipe de enfermagem pode influenciar positivamente na saúde da mulher e nos resultados operatórios. As mulheres procuram ou necessitam de cuidados cirúrgicos especializados em ginecologia por vários motivos, como procedimentos de infertilidade, cirurgia fetal, cesariana, esterilização, histerectomia, miomectomia, exoneração de câncer e reconstrução de órgãos pélvicos. Frente a isso, fornecer cuidados centrados no paciente com advocacia, cuidado e tomada de decisão compartilhada é vital para as mulheres em todas essas situações. Logo, cientes das especificidades das estruturas e dos órgãos que compõem o sistema reprodutor feminino, iniciaremos a discussão sobre as especificidades das cirurgias ginecológicas. Nesse sentido, as principais cirurgias ginecológicas são: • histerectomia: retirada parcial ou total do corpo e do colo do útero; • laqueadura: procedimento voluntário de esterilização definitiva; • reversão de laqueadura: reversão da esterilização; • traquelectomia: retirada de parte do colo do útero; • ooforectomia: retirada dos ovários; • salpingectomia: retirada das trompas uterinas; • anexectomia: retirada dos ovários e das trompas; • mastectomia: retirada das mamas. Vamos conhecer melhor cada um desses procedimentos! 154 2.2.1 Histerectomia Como já explanado, a histerectomia é a cirurgia ginecológica mais frequente- mente realizada nos países desenvolvidos. A partir da descrição de Reich et al. (1989), consideramos que existem três principais vias de abordagem para a histerectomia: 1. vaginal; 2. abdominal; 3. laparoscópica. Na via abdominal, é feita uma incisão chamada “laparotomia”. Atualmente, com o avanço da tecnologia em diversas especialidades cirúrgi- cas, também temos o advento da cirurgia robótica em ginecologia. Contudo, para com- preensão e aprofundamento nesse tipo de procedimento, é necessário o treinamento em equipamento específico, que, muitas vezes, é realizado com uma equipe de cirurgi- ões para o manuseio do item, e uma equipe de enfermagem para o posicionamento e cuidado da paciente. Além das diferenças nas técnicas cirúrgicas, em cada uma dessas vias de abordagem da histerectomia, há especificidades relacionadas ao posicionamento da paciente para promover o acesso ao sitio cirúr- gico, tornando-se de fácil visualização para a equipe, bem como são distintos os instrumentais e o posicionamento do instrumentador e da mesa de instrumentos. ESTUDOS FUTUROS Segundo Smeltzer e Bare (2009), a histerectomia ainda pode ser classificada em: • histerectomia total: retirada do útero, do colo e dos ovários; • histerectomia radical: retirada do útero, do colo e dos ovários, assim como da vagina e dos linfonodos bilaterais. A histerectomia total pode ser realizada por via abdominal ou vaginal. A via ab- dominal é realizada com a paciente em posição supina, ao passo que a via vaginal é realizada com a paciente em posição litotômica. Já a histerectomia radical é um trata- mento cirúrgico mais agressivo, que pode ocorrer por via abdominal ou vaginal. É um procedimento mais comum em casos oncológicos.O tipo de posicionamento da pa- ciente para a cirurgia, nesse caso, depende da via de abordagem, sendo corresponden- te à histerectomia total. 155 A histerectomia por via laparoscópica também é muito utilizada, com excelen- tes resultados e recuperação rápida. Nesse caso, a cirurgia é visualizada por meio de um vídeo, e os instrumentos utilizados são introduzidos por meio de trocartes, sendo necessário insuflar um gás abaixo do peritônio para permitir a colocação de uma ótica com luz e câmera, para que a equipe consiga visualizar os órgãos internos. O posicionamento cirúrgico da paciente para a laparoscopia, em geral, é a posição supina. A depender da técnica cirúrgica utilizada e do posicionamento da equipe, também pode ser realizada a posição litotômica, combinada com trendelenburg. Após a realização da cirurgia videolaparoscópica, é realizada a sucção do gás, e a paciente permanece com pequenas incisões na pele, região em que são aplicados os curativos oclusivos. Figura 3 – Curativo em incisões de cirurgia por videolaparoscopia Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/caucasian-model-demonstrates-abdomen-after-laparos-87VL6D7. Acesso em: 30 set. 2022 A anestesia para a histerectomia, normalmente, é a regional (raqui ou peridural), mas, dependendo da paciente, pode ser geral ou combinada. Para a assistência às mulheres que se submetem a procedimentos e cirurgias ginecológicas, é importante considerar que elas têm um impacto além do físico. No caso da histerectomia, após a retirada do principal órgão do aparelho reprodutivo, deve ser considerada a manutenção do bem-estar psíquico e social da mulher. INTERESSANTE 156 2.2.2 Laqueadura A laqueadura é o procedimento de interrupção da função das tubas uterinas. Como vimos anteriormente, é na tuba uterina que ocorre a fecundação, sendo a responsável por conduzir o óvulo fecundado até o interior do corpo do útero. A laqueadura pode ser realizada por meio do corte, fazendo uma incisão e su- tura, ou com a colocação de dispositivos, como anéis, que farão a isquemia da região e, consequentemente, impedirão o fluxo interno dentro da tuba, impedindo uma futura gravidez. O procedimento é realizado, normalmente, via abdominal, com a paciente em posição supina, considerando anestesia geral, regional ou combinada. É um procedimento que pode ser revertido futuramente. A reversão é possível restabelecendo o fluxo interno da tuba uterina, em que, em geral, retira-se a isquemia formada na cicatrização da cirurgia anterior e faz-se a anastomose da região. 2.2.3 Traquelectomia A traquelectomia é a retirada do colo do útero. Normalmente, é realizada para a exérese de lesões ou carcinomas na região. Em algumas situações, são realizados procedimentos de retirada parciais no colo do útero, chamados de “conização”. Essa cirurgia, normalmente, é realizada por via vaginal, com a paciente em posição litotômica. A anestesia, na maior parte dos casos, é regional (raquidiana ou peridural). 2.2.4 Ooforectomia A ooforectomia é a retirada dos ovários, que, geralmente, ocorre quando eles têm seu tamanho alterado por afecções, cistos ou tumores. Mesmo sendo órgãos pe- quenos, a ooforectomia pode ser um procedimento agressivo, a depender do tamanho das peças a serem retiradas. Um exemplo de caso em que pode requerer o procedimen- to é quando há ovário policístico. 157 Figura 4 – Ovário policístico Fonte: https://shutr.bz/3TCXmiS. Acesso em: 30 set. 2022. A retirada do ovário influenciará na produção dos hormônios femininos da paciente, em especial, se for realizada bilateralmente. Em algumas situações, quando a ooforectomia é realizada unilateralmente, há a preservação da produção hormonal. A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma causa frequente da cirurgia de ooforectomia. Suas características principais são: menstruação irregular, provocada pelos ciclos em que não ocorre a ovulação; infertilidade; obesidade; aumento dos pelos; e acne. INTERESSANTE A via cirúrgica é abdominal ou por videolaparoscopia. O posicionamento cirúrgi- co é a posição supina. Já a anestesia pode ser geral, regional ou combinada. 2.2.5 Salpingectomia A cirurgia de salpingectomia é a remoção cirúrgica das trompas de Falópio ou tubas uterinas. Ela pode ser realizada: unilateralmente, quando apenas uma tuba é removida; ou bilateralmente, quando as duas tubas são removidas. Quando ocorre a salpingectomia unilateral, a mulher ainda consegue conduzir o óvulo de um dos ovários para o útero, sendo possível a ocorrência da gravidez. 158 A salpingectomia pode ser realizada devido a várias questões, como: • tratamento da gravidez ectópica, quando ocorre a inserção do óvulo fecundado na tuba em vez da inserção no endométrio do útero; • infecção de uma ou das duas tubas, denominada “salpingite”; • em casos de endometriose. Algumas doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e clamídia, também podem provocar salpingite, assim como algumas condições específicas que podem ocorrer durante o parto, aborto ou na inserção de dispositivos intrauterinos (DIU) também têm sido associadas à evolução da salpingite e, consequentemente, levam à salpingectomia. A via cirúrgica da salpingectomia pode ser abdominal ou por videolaparoscopia. O posicionamento cirúrgico da paciente é a posição supina. A retirada em conjunto das tubas e dos ovários é denominada “anexectomia”. Nesse caso, o posicionamento para a cirurgia é o mesmo: posição supina. A anestesia pode ser regional (raquidiana ou peridural) e/ou geral, a depender do caso e motivo cirúrgico de cada paciente. ATENÇÃO 2.2.6 Mastectomia A cirurgia de mastectomia é para retirada das mamas e ocorre, na maioria das vezes, devido à neoplasia de mamas. Na mastectomia, pode-se remover uma mama ou ambas (mastectomia lateral ou bilateral), um setor da mama (setorectomia), um quadrante da mama (quadrantectomia) ou mastectomia radical, com a exérese da mama e dos linfonodos adjacentes. A mastectomia, geralmente, inclui a remoção do mamilo e da aréola, mas algumas técnicas especiais já preveem a reconstituição da mama e, com isso, pode-se preservar a pele da mama ou o mamilo e a aréola da paciente. Os músculos do peito (peitorais) sob a mama não são manipulados na maior parte dos casos, a menos que o câncer esteja próximo ou tocando os músculos. Nesses casos, a cirurgia é bem mais agressiva e pode envolver a equipe de cirurgia torácica. 159 O papel do instrumentador é garantir que o procedimento seja facilitado, e, por isso, ele deve estar atento às etapas e aos tempos operatórios, para garantir a antecipação da entrega dos instrumentos. É expressamente proibido deixar instrumentos sobre o corpo de qualquer paciente, devendo permanecer em mesa auxiliar. Assim que o instrumento foi utilizado, ele deve ser limpo com uma compressa estéril embebida em soro estéril e recolocado na sua posição na organização original na mesa de instrumentos. IMPORTANTE O posicionamento da paciente na mesa operatória para a cirurgia de mama é, em geral, a posição supina, com os braços posicionados ao longo do corpo. Quando os braços da paciente ficam abertos, deve-se ter o cuidado para não ultrapassar a angulação de abertura de 90º, pois pode haver a compressão do plexo braquial. A anestesia é a geral, podendo ser utilizada a local, mais sedação, em alguns casos. De acordo com o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP), em 2019, foi realizado um ranking das especialidades cirúrgicas que mais ocorre na retenção de itens cirúrgicos (em % de objetos esquecidos). Na lista, a especialidade de Obstetrícia e Ginecologia lidera o ranking, com 26% do total de objetos esquecidos. Saiba mais lendo o artigo disponível em: https://bit.ly/3ePOCr3. ATENÇÃO 3 TIPOS DE CIRURGIAS OBSTÉTRICAS As cirurgias obstétricas são realizadas durante a gestação e podem ser decorrentes de complicações, questões relacionadas ao bebê, para interromper a gravidezou realização da cesárea. De acordo com o Ministério da Saúde, a identificação tardia de uma complicação durante a gestação faz com que se perca a oportunidade de intervir quando ainda é possível salvar a vida da mãe. Do pré-natal ao parto, é imprescindível a assistência e vigilância para a diminuição de procedimentos de emergência, sendo responsabilidade 160 dos serviços e profissionais de saúde a preparação ao parto e detecção de possíveis intercorrências, informando à gestante sobre qual o serviço a ser procurado em situações de emergência, no parto e pós-parto (BRASIL, 2010). As urgências e emergências maternas, quando identificadas, favorecem a opor- tunidade de interrupção do processo. Por esse motivo, são imprescindíveis o pronto-a- tendimento e a avaliação da situação, indicando alternativas de suporte disponíveis na unidade assistencial de saúde. As cirurgias intra-abdominais durante a gestação aumentam os riscos de trabalho de parto prematuro e morte fetal. Todavia, são bem tole- radas pelas gestantes e pelo bebê, quando a assistência e o cuidado relacionado aos seus parâmetros vitais (em especial, a pressão arterial e a oxigenação), bem como o suporte anestésico, são conduzidos de forma adequada. Assim, a cirurgia de emergência, quando necessária, não deve ser postergada em razão da gestação. NOTA As cirurgias obstétricas mais comuns são cesárea, laparotomia de emergência, cirurgia fetal e todos os procedimentos cirúrgicos de emergência indicados à mulher no período de gestação. Os procedimentos cirúrgicos obstétricos na gestante devem ser priorizados, pois as altas taxas de mortalidade materna representam um desafio à saúde pública no país. Dessa forma, é salutar garantir o acesso seguro a qualquer evento de saúde durante a maternidade (BRASIL, 2000). Para saber mais sobre as recomendações e diretrizes do Ministério da Saúde quanto à assistência obstétrica segura, incluindo as práticas re- comendadas no contexto operatório, importantes aos profissionais que compõem a equipe operatória e que objetiva contribuir para a garantia de uma assistência mais efetiva à gestante, recomendamos a leitura do Guia de Urgências e Emergências Maternas, disponível no link a seguir: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0105urgencias.pdf. DICA https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0105urgencias.pdf 161 3.1 CESÁREA No Brasil, assim como em todo o mundo, práticas de parto vêm se transforman- do intensamente, sendo que o investimento no desenvolvimento da técnica e da prática da cesárea acabou por favorecer a ampliação de seu uso (NAKANO et al., 2016). Desde a década de 1970, as taxas de cesariana aumentaram progressivamente, chegando a 55% do total de nascimentos em 2013 (BRASIL, 2016a). Conforme Carbone (2009), o aumento mundial da utilização da cesariana tem sido relacionado a um conjunto de fatores, clínicos e não clínicos, dentre os quais estão a dependência das inovações tecnológicas para as práticas em saúde, o valor atribuído a essas inovações, a demanda das mulheres pelo procedimento e questões médico- legais. É importante ressaltar que a cesárea se tornou um componente essencial da assistência obstétrica e contribuiu para a redução das taxas de mortalidades materna e neonatal (LEAL et al., 2012). Contudo, o aumento dessas taxas, em especial sem a indicação adequada, tem sido uma preocupação mundial. Na América Latina e no Caribe, as taxas chegam a quatro em cada dez nascimentos, o equivalente a 43%. Ainda, em muitos países, as cesarianas, agora, superam os partos normais. Esse número tende aumentar na próxima década, com quase um terço (29%) de todos os partos ocorrendo por cesariana até 2030 (BRANDÃO, RATTNER, 2021). Dessa forma, recomenda-se o acompanhamento e a orientação da gestante durante todo o período pré-natal até o parto, para que a indicação e escolha dessa via de parto seja a mais segura e que favoreça a saúde da mãe e do bebê (BRASIL, 2010). De acordo com o Ministério da Saúde, a indicação da cesárea eletiva deve ser individualizada e, normalmente, dá-se devido aos seguintes fatores: • placenta prévia; • duas ou mais cesáreas anteriores; • apresentação pélvica/córmica; • gemelaridade, primeiro gemelar; • não-cefálico ou gestação monoamniótica; • infecção por HIV; • infecção por HSV; • macrossomia fetal. 162 A cirurgia cesariana é um procedimento que ocorre por via abdominal, em que são seccionados todos os tecidos até o útero, incluindo pele, tecido subcutâneo, fáscia muscular e músculo, peritônio parietal (aderido sob o músculo), peritônio visceral (re- veste a parede do útero) e o útero. Após o acesso à cavidade intrauterina, é realizada a amniotomia (incisão e rutura da bolsa amniótica), para retirada do bebê. Figura 5 – Cesárea Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/newborn-baby-labor-room-553701571. Acesso em: 30 set. 2022. A cesárea, em geral, ocorre com a paciente em posição supina, sendo que, normalmente, a anestesia de escolha é a regional (raquianestesia). 3.2 LAPAROTOMIA DE EMERGÊNCIA A laparotomia de emergência ocorre em situações graves e deve ser escolhida para salvar a vida da mãe e/ou do bebê. Ela é indicada em casos como presença de massas anexiais, suspeita de perfuração uterina, gangrena uterina (infecção do tecido muscular com risco de vida), sepse ou na falha das medidas clínicas convencionais. A opção pela solução cirúrgica deve considerar a possibilidade de realizar histerectomia total com ou sem anexectomia bilateral. A evolução de quadros graves (não resposta terapêutica, piora clínica significativa, choque e evidência de necrose uterina) é melhor após histerectomia. Em cirurgias via laparotomia, é necessário avaliar o risco ou desenvolvimento de trombose de veias uterinas e ovarianas. Se ocorrer abscesso cavitário, deve-se considerar a avaliação hematológica, com necessidade de procedimentos cirúrgicos mais complexos, envolvendo outros órgãos abdominais. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/newborn-baby-labor-room-553701571 163 A cirurgia obstétrica de emergência por meio da laparotomia pode ser indicada em casos de infecção intra-abdominal em paciente com distúrbio de coagulação, impe- rando deixar o sítio cirúrgico com drenagem por meio de drenos de penrose ou a vácuo. O fechamento da cavidade abdominal deverá considerar as condições físicas e clínicas da paciente, bem como o sucesso da cirurgia e as possíveis complicações envolvidas. Vale mencionar que a cesárea de emergência é o procedimento por laparotomia que deve ser escolhido para evitar a morte materna e neonatal. De acordo com o Ministério da Saúde, deverá ser escolhida nas seguintes situações: • eclâmpsia: quadro hipertensivo que pode ocorrer na gravidez, sendo a principal causa de morte materna. Nessa situação, desenvolvem-se convulsões tônico- clônicas generalizadas e/ou coma, tendo manifestação cerebral na pré-eclâmpsia grave, não associada a nenhuma outra condição de saúde. A cesárea de emergência é realizada quando ocorre hematoma subcapsular hepático, sinais de choque, sofrimento fetal agudo, suspeita ou confirmação de sangramento neurológico e qualquer outra contraindicação ao parto vaginal; • descolamento prematuro da placenta: ocorre quando a placenta está implantada e há uma separação abrupta desta antes da data do parto, a partir da 22ª semana de gestação; • atonia uterina: perda da capacidade de contração do útero após o parto, o que aumenta o risco de hemorragia pós-parto, colocando em risco a vida da mulher. É obrigatória a disponibilidade de hemocomponentes, e a equipe cirúrgica deve ficar atenta com a hemostasia, considerando maior cuidado do obstetra com a técnica operatória e com os cuidados posteriores ou relacionados. Nesse caso, pode ser necessária a drenagem de cavidade abdominal, podem ocorrer alterações de coagulação e a pressão arterial pode subir, facilitando o início de sangramento nas estruturas seccionadas.Assim, o curativo compressivo é fundamental para a melhor hemostasia de parede. O instrumentador cirúrgico, como parte da equipe cirúrgica, deve se atentar para possível retenção de objetos, em especial, compressas cirúrgicas na cavidade abdominal da paciente. NOTA 3.3 CIRURGIA FETAL A cirurgia fetal é aquela realizada no bebê ainda dentro do útero, para auxiliar na adequação de condições que favoreçam a saúde e o desenvolvimento do feto. É um tipo de cirurgia realizada em centros especializados e com equipes capacitadas para isso, sendo indicada em situações como: 164 A cirurgia fetal consiste em procedimentos extremamente com- plexos e necessita de uma equipe anestésico-cirúrgica multidis- ciplinar, incluindo obstetras, anestesiologistas, neurocirurgiões, cardiologistas, pediatras e enfermeiros muito bem treinados e integrados. Por esse motivo, ainda é pouco realizada no Brasil. NOTA Um ponto importante relacionado a esse tipo de procedimento cirúrgico é a anestesia. Existem diferentes modalidades de anestesia para cirurgia fetal, indicadas de acordo com o tipo de procedimento a ser realizado, sendo o objetivo principal a se- gurança materna e do bebê, com a garantia da estabilidade hemodinâmica, monitora- mento do fluxo sanguíneo útero-placentário, essencial para a nutrição e oxigenação do feto, diminuindo o risco de trabalho de parto prematuro. As possibilidades de anestesia vão desde sedação até anestesia regional ou ge- ral. Dessa forma, além da capacitação e experiência em anestesia obstétrica, assim como pediátrica, é imprescindível que o anestesiologista envolvido no caso tenha per- feita integração com toda a equipe multidisciplinar que estará cuidando da cirurgia. O planejamento de uma intervenção intrauterina de sucesso envolve o envol- vimento com imersão plena de inúmeros profissionais, pois a abordagem envolve dois ou mais pacientes • transfusões intrauterinas; • correção de defeitos na coluna ou no coração fetal; • correção de malformações graves antes do nascimento; • separação da placenta em gravidez gemelar (quando existe alterações e comprome- timento da circulação sanguínea entre as crianças). Há pouco tempo, essas discussões e indicações de procedimento eram pouco exploradas, e as gestantes recebiam informação extremamente insuficiente com relação às possibilidades de tomada de decisão em diversas condições e alterações, na solução de problemas de saúde do bebê ainda dentro do útero. Atualmente, faz-se o rastreamento precoce de doenças de ambos (mãe e bebê), sendo possível orientar as gestantes e propor medidas de prevenção e tratamento. Do mesmo modo, é possível métodos de avaliação da saúde fetal, fornecendo informações seguras e precisas, favorecendo a segurança física e psicológica tanto da gestante quanto do bebê. Frente a isso, o desenvolvimento da medicina fetal, além de ser capaz de cor- rigir malformações graves antes mesmo do nascimento da criança, pode salvar vidas e evitar várias complicações de saúde e desenvolvimento. 165 A cirurgia intrauterina do bebê pode aumentar a chance de sobrevi- vência em até 80%, em situações que, anteriormente, eram solucio- nadas até com abortos. Em algumas condições, como gravidez de gê- meos com placenta única, pode-se realizar uma transfusão de sangue entre eles; ou em casos de bebês com falhas de desenvolvimento do fechamento da coluna, a cirurgia fetal pode melhorar a qualidade de vida dessas crianças. INTERESSANTE Dentre as diferentes técnicas para o desenvolvimento de cirurgia fetal, pode- mos citar: • cirurgia fetal endoscópica: pode ser indicada em diversos casos (tratamentos de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal, hérnia diafragmática congênita, anemia fetal, problemas cardíacos ou urinário e até mielomeningocele); • cirurgia fetal por laparotomia: consiste na abertura do útero para abordagem direta em regiões específicas do feto. É muito útil na maioria dos casos de correção da mielomeningocele ou em casos de exérese de tumores fetais; • cirurgia EXIT (Ex-Utero Intrapartum Treatment): abordagem do bebê durante o parto, antes da secção do cordão umbilical, sendo indicada nos casos em que o bebê não consegue respirar sozinho logo após o nascimento, como em tumores cervicais; • cirurgia robótica: é uma realidade nos dias atuais em alguns lugares do mundo, podendo ser indicada para uma variedade de questões. Figura 6 – Exemplo de cirurgia laparoscópica fetal Fonte: Helal (2019, p. 46) 166 Em todas as técnicas cirúrgicas, para correções em que se expõe o útero, é imprescindível a administração de anestesia geral na mãe, com ampla monitorização hemodinâmica, com possibilidade de associação de anestesia peridural por cateter para controle da dor no período pós-operatório. Além disso, o bebê também é anestesiado por meio de injeção intramuscular. Em casos de cirurgia fetal minimamente invasiva, é possível a sedação materna. Alguns procedimentos realizados com essa técnica necessitam de anestesia fetal por via intramuscular. A anestesia regional, raquidiana ou peridural é, geralmente, indicada em pro- cedimentos de laparoscopia fetal, em especial quando a anestesia local associada à sedação não for indicada para a mãe. Como já dito, a anestesia fetal é feita por via in- tramuscular. A punção do músculo para a injeção do anestésico é guiada por ultrassom no abdome da mãe. 167 Neste tópico, você aprendeu: • As especificidades anatômicas dos órgãos reprodutores femininos. Para uma ótima instrumentação cirúrgica, o instrumentador deve ter o conhecimento das estruturas e dos órgãos do corpo humano, para poder escolher e disponibilizar os instrumentos adequados a cada região e, dessa forma, estar integrado à equipe anestésico- cirúrgica para auxiliar no melhor sucesso da cirurgia. • Os tipos de cirurgias ginecológicas, as vias de abordagem cirúrgica, as etapas ci- rúrgicas e as técnicas nos procedimentos ginecológicos mais comuns, bem como o posicionamento cirúrgico da paciente e o tipo de anestesia em cada procedimento. • Os tipos de cirurgias obstétricas, as vias de abordagem cirúrgica, as emergências e as indicações desse tipo de procedimento, além das etapas cirúrgicas e técnicas, o posicionamento cirúrgico do paciente e a anestesia em cada procedimento. • Todas as especificidades, os cuidados e a atenção que devem ser dispendidos em cada procedimento e, até mesmo, as novas tecnologias a cada via de abordagem, para garantir a segurança da mãe e do bebê. RESUMO DO TÓPICO 1 168 AUTOATIVIDADE 1 Os procedimentos obstétricos necessitam ser compreendidos e bem indicados pelos profissionais de saúde, para garantir a segurança da paciente. As cirurgias obstétricas são realizadas durante a gestação e podem ser decorrentes de complicações, questões relacionadas ao bebê, dentre outros fatores. Quanto aos principais procedimentos cirúrgicos obstétricos, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Ooforectomia, cesárea, procedimentos cirúrgicos indicados à mulher durante o período de gestação. b) ( ) Cesárea, laparotomia de emergência e cirurgia fetal. c) ( ) Laparoscopia, laparotomia, histerectomia e parto vaginal. d) ( ) Litotomia, cesárea, histerectomia e cirurgia de mamas. 2 A cesárea de emergência é o procedimento cirúrgico obstétrico realizado por meio de laparotomia (técnica cirúrgica invasiva que envolve uma incisão no abdômen para acessar órgãos internos) que deve ser escolhido para evitar a morte materna e neonatal. Quanto às situações em que esse procedimento deve ser indicado, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Todos os procedimentos cirúrgicos de emergência durante o período de gestação. b) ( ) Cirurgia fetal e infecções. c) ( ) Eclampsia, descolamento prematuro da placenta e atonia uterina. d) ( ) Diminuição motilidade fetal, defeitos na formação fetal e vontade da mãe. 3 A cirurgia fetal é aquela realizada no bebê ainda dentro do útero, para auxiliar na adequação de condições que favoreçama saúde e o desenvolvimento do feto. É um tipo de cirurgia realizada em centros especializados e com equipes capacitadas para isso. Diante disso, sobre os casos em que a cirurgia fetal é indicada, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Transfusões intrauterinas, correção de malformações graves antes do nasci- mento e separação da placenta em gravidez gemelar. b) ( ) Correção de defeitos na coluna ou coração fetal. c) ( ) Separação da placenta em gravidez gemelar. d) ( ) Diminuição da motilidade fetal e defeitos na formação fetal. 169 4 As cirurgias ginecológicas e obstétricas são realizadas nos órgãos do aparelho re- produtor feminino e possuem objetivos diversos, como diagnóstico e tratamento de doenças e lesões, preservação ou interrupção da fertilidade e, até mesmo, o parto. Nesse sentido, descreva quais são as estruturas e os órgãos que envolvem o apare- lho reprodutor feminino. 5 Os profissionais envolvidos no procedimento anestésico-cirúrgico precisam estar aptos e atualizados para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedi- mento. Com relação à cirurgia ginecológica, as mulheres procuram ou necessitam de cuidados cirúrgicos especializados em ginecologia por vários motivos. Dessa forma, descreva os principais procedimentos cirúrgicos dessa especialidade. 170 171 PARAMENTAÇÃO UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 1 INTRODUÇÃO A unidade de centro cirúrgico é uma área crítica, e, por isso, todos os profissio- nais que adentram suas dependências devem fazê-lo por meio de vestiário de barreira. Aliás, é sempre muito importante relembrar que, com relação ao grau de contaminação, o centro cirúrgico é uma unidade complexa, dividido em áreas específicas pelo grau de criticidade, de acordo com o risco de transmissão de infecções, em virtude dos procedimentos ali realizados. Dessa forma, as áreas do centro cirúrgico são classificadas em: • áreas não críticas: são aquelas cuja circulação de pessoas é livre, não exigindo cuidados especiais, nem uso de uniforme privativo, como elevadores, corredores externos que levam ao centro cirúrgico, vestiários e local de transferência de macas; • áreas semicríticas: permitem a circulação de pessoal e equipamentos, de modo a não interferir no controle e na manutenção da assepsia cirúrgica. Nesses locais, é necessário o uso de uniforme privativo e calçados adequados. Alguns exemplos são a área administrativa, a sala de guarda de equipamentos, a farmácia-satélite, a copa e a sala de conforto; • áreas críticas: são as que possuem limites definidos para circulação de pessoal e equipamentos, devendo-se estabelecer rotinas próprias para controlar e manter a assepsia local. Nessas áreas, é obrigatório, além do uniforme privativo, o uso de máscara, cobrindo a boca e o nariz. Exemplos são o corredor interno, os lavabos e as salas cirúrgicas. Assim, no vestiário de barreira, o profissional deve retirar toda a sua roupa, acondicioná-la em armário individual com chave, juntamente com seus pertences, e colocar o uniforme privativo da instituição. Tal uniforme deve ter sido reprocessado na lavanderia hospitalar. Além do uniforme privativo, composto por calça e blusa, deve-se colocar toucas (de modo a prender todo o cabelo do profissional) e máscara (de modo a cobrir nariz e boca); ainda, deve-se calçar o sapato privativo para uso dentro do centro cirúrgico. • O sapato privativo pode ser fornecido pela instituição ou adquirido pelo próprio fun- cionário. Recomenda-se que tenha as seguintes características: • deve cobrir todo o pé; • não pode ter furos e deve ser impermeável; 172 • deve ser antiderrapante; • deve ser lavável; • deve ser utilizado somente dentro das dependências do centro cirúrgico, sendo retirado e substituído em qualquer situação em que o funcionário tenha que deixar a unidade. No caso de a instituição não fornecer um sapato privativo individual aos seus funcionários, pode-se optar pela utilização de propés. Estes dizem respeito a coberturas descartáveis que impedem que a sujidade do sapato do profissional entre em contato com o chão do centro cirúrgico. É imprescindível lavar as mãos imediatamente após a colocação dos sapatos privativos e propés, para evitar a contaminação das mãos do profissional com a sujidade das solas dos pés. ATENÇÃO De acordo com o Art. 32 da Norma Regulamentadora n. 32, de 2005, atualizada pela Portaria MTP n. 806, de 13 de abril de 2022, ela “tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral” (BRASIL, 2005). Dessa maneira, é implícita a todos os profissionais que adentrarem o centro cirúrgico a obrigatoriedade de retirar adornos e armazená-los em armários, levando apenas o que for imprescindível para o desempenho de sua função dentro da unidade. Após a colocação do uniforme privativo, o instrumentador adentrará o centro cirúrgico para desempenhar suas atividades. O instrumentador é um dos profissionais mais importantes para garantir o êxito do procedimento anestésico-cirúrgico e como profissional que integra a equipe cirúrgica. Segundo as diretrizes nacionais da Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material de Esterilização (SOBECC, 2021), protocolos internacionais (AORN, 2019), conforme a legislação vigente, as atividades do instrumentador cirúrgico são: • conferência de materiais, equipamentos e instrumental cirúrgico necessários ao ato cirúrgico; • paramentação antes do início da cirurgia; • conhecimento do instrumental cirúrgico, dos tempos operatórios e das particularida- des dos instrumentos de cada procedimento cirúrgico; 173 • organização dos instrumentais na mesa, de acordo com sua utilização; • preparo de agulhas e fios de sutura, de acordo com o tipo de procedimento, o tecido e as preferências do cirurgião; • auxílio da equipe cirúrgica (cirurgião, assistentes etc.) durante a paramentação cirúrgica, na colocação dos campos estéreis e durante todo o procedimento, até a sua finalização; • solicitação do material complementar ao circulante de sala, antevendo as situações e a necessidade dos itens; • responsabilidade sobre a organização, limpeza e garantia de estabelecimento de técnica asséptica no uso de todo o material, equipamento e instrumental cirúrgico durante a cirurgia; • atenção ao procedimento e antecipação da deliberação do instrumental cirúrgico ao cirurgião e aos assistentes, com habilidade e presteza, de acordo com a necessidade; • disponibilidade para atender a todas as solicitações da equipe cirúrgica e às necessi- dades do paciente durante todo o procedimento; • atenção à retenção de itens, realizando constantemente a contagem de instrumentos, compressas, gazes e agulhas em colaboração com o circulante, quando indicado; • após a finalização do procedimento, garantir adequadamente o destino do material contaminado e os perfurocortantes; • auxílio no fechamento e curativo da incisão cirúrgica; • auxílio no encaminhamento do paciente à unidade de recuperação anestésica e outros, quando solicitado; • conferência de todo o material após o uso; • remoção do material até o expurgo do centro cirúrgico, para encaminhamento ao Central de Material Esterilizado (CME); • desparamentação com a técnica adequada. O conhecimento do instrumentador cirúrgico sobre suas funções e a garantia da manutenção do campo operatório estéril, organizado e seguro, é uma obrigação de todos os profissionais que adentram o campo e atuam no cuidado ao paciente cirúrgico. Para compreender melhor o trabalho do instrumentador cirúrgico, recomendamos a leitura do artigo: A prática do enfermeiro como ins- trumentador cirúrgico. Trata-se de um relato de experiência, no qual poderemos ler a descrição da atuação de enfermeiros como instru-mentadores cirúrgicos como integrante da equipe multiprofissional, compartilhando conhecimentos e habilidades para a melhoria da qualidade da assistência prestada ao paciente cirúrgico. Disponível neste link: https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a- -pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget. DICA https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a-pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a-pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget 174 2 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM GINECOLOGIA Conforme vimos anteriormente, após adentrar o centro cirúrgico, colocando uniforme privativo, touca, máscara e sapato privativo ou propé, o instrumentador irá se certificar dos procedimentos em que irá atuar, conferir materiais, equipamentos e ins- trumental cirúrgico necessários ao ato cirúrgico em sala operatória e, aproximadamente 15 minutos antes do procedimento cirúrgico, iniciará a escovação e paramentação com técnica asséptica, para entrar em campo operatório estéril. A infecção hospitalar, em especial a Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC), é um im- portante problema que coloca em risco o sucesso do procedimento cirúrgico. Evidên- cias demonstram que a maioria das ISCs são de origem endógena, sendo que a segunda fonte principal de transmissão é a equipe cirúrgica, especialmente pela contaminação veiculada, principalmente, pelas vias aéreas superiores e pelas mãos dos profissionais (APECIH, 2008). Nesse sentido, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda várias atitudes por parte dos profissionais para a prevenção da ISC, em especial, aque- las relacionadas à paramentação adequada da equipe cirúrgica (NOBRE et al., 2001; LACERDA, 1992). Assim, revisaremos, a seguir, os passos e as especificidades da paramentação e os procedimentos anteriores ao início da cirurgia ginecológica. É importante lembrar que o maior intuito da realização de todos os procedimentos que listaremos é garantir a técnica cirúrgica asséptica e contribuir na prevenção de infecções. 2.1 PASSOS DA ESCOVAÇÃO E PARAMENTAÇÃO De acordo com o que foi estudado, compreendemos que o instrumentador é essencial na conferência do material e organização da sala operatória. Antes de se paramentar, ele deve conferir se toda a equipe e o paciente já estão dentro das dependências do centro cirúrgico, para evitar que o material estéril fique aberto por muito tempo. Com a sinalização da enfermagem do centro cirúrgico de que a cirurgia ocorrerá no horário programado, o instrumentador se direciona para a sala operatória. Assim, deve seguir os passos: 1. certificar-se de que todo o material e os equipamentos estão disponíveis e prontos para uso; 2. organizar a posição das mesas auxiliares; 3. posicionar o pacote de campos e aventais, bem como as caixas de instrumentação cirúrgica; 175 4. realizar a abertura dos itens juntamente com o circulante de sala, com técnica asséptica; 5. direcionar-se à área de escovação cirúrgica. A abertura das caixas de instrumentais para a cirurgia deve ser realizada com a técnica asséptica adequada, para garantir a esterilidade do material. O instrumentador deve ter extrema atenção e contribuir com os circulantes de sala na organização e aber- tura dos itens antes de realizar a sua paramentação. Dessa forma, conforme nos explica Mendes (2022), as embalagens devem ser abertas seguindo algumas orientações, a saber: • o profissional deve segurar o material embalado longe de seu corpo; • deve-se retirar todas as fitas e etiquetas das embalagens e dos pacotes: ◦ verificar as fitas indicadores de esterilidade Classe I (fita zebrada); ◦ as fitas devem ter coloração que indique a passagem pelo método de esterilização; ◦ em caso negativo de coloração indicativa de passagem pela esterilização, deve- se reencaminhar o material à CME para reprocessamento e abrir outro material correspondente que tenha a certificação do processo de esterilização. • inicia-se a abertura pela aba da embalagem que estiver mais distante do corpo do profissional, finalizando com a aba mais próxima do corpo do profissional: ◦ atenta-se para a mão e o braço não tocarem em nenhuma parte do interior do invólucro que foi exposto. • abrir a aba esquerda; • abrir a aba direita; • abrir a aba próxima ao seu corpo; • segurar a embalagem de modo que as pontas já contaminadas não toquem no material estéril; • depositar com cuidado o material em superfície estéril: ◦ no caso de caixas operatórias maiores, essas já devem ser abertas sobre a mesa auxiliar. Assim, o profissional de instrumentação poderá realizar a escovação das mãos e dos antebraços, após a abertura e conferência de todo o material e da garantia da execução do procedimento com tudo disponível. Para a escovação, o instrumentador deverá se direcionar ao lavabo localizado próximo à sala operatória, local onde o procedimento será desenvolvido. A escovação cirúrgica das mãos e dos antebraços é realizada pelos profissionais que entrarão no campo operatório estéril. Para realizá-la e, posterior, fazer a paramentação, é necessário verificar: • se os cabelos estão bem presos na touca; • se óculos e outros acessórios necessários ao desempenho do trabalho como instrumentador estão bem fixos e seguros (para não correr o risco de cair no campo operatório); • se as máscaras estão cobrindo nariz e boca, garantindo a vedação nas laterais do rosto em contato com o item. 176 O instrumentador, então, deve se direcionar à área de escovação do centro cirúr- gico, que é o lavabo. Ela se localiza, normalmente, entre duas salas de cirurgia e contém: • pias fundas; • torneiras com acionamento sem toque manual; • dispensadores de antissépticos; • local para armazenamento das escovas descartáveis estéreis; • lixo para desprezar as escovas utilizadas. A degermação ou escovação das mãos e dos antebraços é uma importante es- tratégia que contribui para a prevenção de ISC. Dessa forma, o objetivo da degermação cirúrgica é eliminar os micro-organismos e o biofilme existentes na pele do profissional, a fim de impedir que estejam presentes no campo operatório e contaminem o paciente. Figura 7 – Escovação das mãos e dos antebraços Fonte: https://shutr.bz/3FiEC4a. Acesso em: 30 set. 2022. As escovas estéreis devem ser descartáveis, sendo que, muitas vezes, já vêm impregnadas com o antisséptico necessário à escovação, mas podem se apresentar secas e serem molhadas com o auxílio de dispenseres de antissépticos para degermação sem contato manual. As escovas são compostas por cerdas macias e esponja, respectivamente, de cada um de seus lados. Ao realizar a escovação, é terminantemente proibido ao instrumentador ou a qualquer profissional que desempenhe a escovação que toque no rosto ou em qualquer parte do corpo, bem como na pia, na torneira, na parede e nas adjacências da área de escovação. As diretrizes de práticas em enfermagem perioperatória da SOBECC (2021) recomendam a degermação cirúrgica das mãos mediante a sequência a seguir: 177 • acionar a torneira de água e molhar mãos; • manter os braços em sentido unidirecional, com os cotovelos apontando para baixo e com as mãos apontadas para o teto, longe do corpo; • pegar a escova estéril e abrir; • aplicar antisséptico, se necessário (caso ela já esteja impregnada com antisséptico, não precisa); • iniciar a escovação pelas pontas dos dedos, escovando o leito ungueal, em movi- mentos de vai e vem, repetindo o processo, no mínimo, 20 vezes; • realizar os movimentos de vai e vem, no mínimo, 20 vezes, em todas as partes das mãos e dos antebraços: ◦ escovar a lateral de cada um dos dedos; ◦ escovar o dorso das mãos; ◦ escovar a palma das mãos; ◦ escovar cada um dos lados do antebraço (frente, lateral, dorso e região medial), desde o punho até o cotovelo, mantendo este apontado para baixo, longe do corpo. • realizar movimentos de escovação circulares nos cotovelos, repetindoo processo, no mínimo, 20 vezes; • acionar a água para enxaguar: ◦ lembre-se de que a água deve percorrer um sentido unidirecional, da ponta dos dedos em sentido aos cotovelos. • deve-se afastar os braços molhados do corpo: ◦ manter os cotovelos a 90º, com as pontas dos dedos apontando para cima. • dirigir-se para a sala de operação com cuidado para não molhar o uniforme privativo; • na sala de operação, pegar uma compressa estéril com cuidado para não molhar as áreas adjacentes em que essa se localiza; • realizar a secagem das mãos e dos antebraços: ◦ abrir a compressa com a ponta dos dedos; ◦ utilizar um lado para cada mão; ◦ iniciar a secagem pelos dedos, secando cuidadosamente cada um deles, para garantir a secagem correta; ◦ secar o punho com um movimento circular da compressa; ◦ fazer círculos ao redor de todo o antebraço, até a finalização no cotovelo; ◦ virar a compressa, de modo a utilizar o outro lado, e proceder com o mesmo procedimento, agora com a mão e o antebraço opostos. • após a secagem, deve-se pegar um avental com a ponta dos dedos; • pela parte da gola do avental, abri-lo, esticando os braços para cima, de modo a entender onde estão as mangas; • vestir as mangas, uma de cada vez, com cuidado e atenção, para não tocar em partes não estéreis com o avental, evitando a contaminação; • solicitar para o circulante realizar a amarração das costas do avental; • com o avental corretamente amarrado, solicitar as luvas ao circulante, atentando-se ao tamanho adequado; • proceder com a colocação das luvas estéreis, com técnica asséptica. 178 Figura 8 – Paramentação de profissionais Fonte: https://shutr.bz/3zaWudv. Acesso em: 30 set. 2022. Em alguns tipos de cirurgias, pode-se optar por colocar a OPA em vez do aven- tal, que nada mais é do que um avental com uma parte a mais, que vem amarrada na lateral. Essa parte a mais é desamarrada somente após a amarração convencional do avental pelo circulante e depois da colocação das luvas estéreis. Assim, o próprio profis- sional que está paramentado e já estéril pode desamarrar essa parte e realizar a rotação do corpo, de modo a cobrir a parte das costas que foi tocada pelo circulante ou por outra pessoa não paramentada. A vantagem de utilizar a OPA é que o profissional fica todo estéril, tanto à frente do avental como ao dorso. Dessa forma, seu uso é indicado quando existe o risco de contaminação. É desejável que a opção de escolha seja a OPA quando muitos profissionais forem entrar em campo operatório, evitando o contato das costas (que poderiam estar contaminadas com o avental comum) com outros membros da equipe. Já para a colocação de luvas estéreis, deve-se: • abrir a primeira embalagem, • ter o cuidado com a dobradura de papel estéril que recobre as luvas; • abrir as dobras do papel seguindo a indicação desenhada na embalagem, de modo a abri-lo com segurança e sem tocar nas luvas estéreis, presentes em seu interior; • com as luvas estéreis expostas, tocá-las pela área dobrada nos punhos (área considerada contaminada porque ficará em contato com a pele das mãos); • introduzir uma mão de cada vez, da seguinte forma: ◦ colocar os quatro dedos e as mãos com cuidado, sem sacudir as partes da luva, para que estas não toquem em áreas não estéreis; ◦ por último, introduza o primeiro dedo (dedão) e cubra a região do punho recoberta pelo avental estéril. 179 Uma das atribuições do instrumentador após se paramentar é auxiliar o cirurgião e os assistentes durante suas respectivas paramentações, em especial, se eles forem colocar as OPAs em vez do avental e, posteriormente, na antissepsia da pele do paciente já posicionado e na colocação dos campos estéreis (SOBECC, 2021). IMPORTANTE Após a colocação das luvas estéreis, o profissional paramentado está pronto para tocar no material estéril e organizar as mesas de instrumentos. É o momento de organizá-los nas mesas auxiliares, de acordo com os tempos cirúrgicos. Concomitan- temente, a equipe de cirurgia estará realizando a antissepsia do sítio a ser operado e, após, realizará a colocação dos campos operatórios estéreis sob o corpo do paciente e a mesa operatória, a fim de isolar as partes não estéreis destes do contato com a equipe. Tanto para a cirurgia de especialidade em Ginecologia quanto na especialida- de de Obstetrícia, a paramentação é realizada da mesma forma. A opção por colocar o avental ou a OPA (avental que tem a parte das costas coberta) é da equipe, de acordo com a rotina da instituição. 2.2 ANTISSEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO Existem muitas estratégias a serem utilizadas pela equipe perioperatória para prevenir ISCs. Dentre elas, podemos mencionar as seguintes: • uso racional de antibióticos profiláticos; • tricotomia realizada o mais próximo do campo a ser operado, por meio de tricotomi- zador, o mais próximo do horário da incisão da cirurgia; • escovação e paramentação adequada da equipe; • uso de materiais estéreis com os testes de limpeza certificados; • manutenção da técnica asséptica durante todo o procedimento; • manutenção da temperatura corporal; • controle glicêmico; • boa oxigenação. Todas as estratégias podem reduzir a incidência de ISC. Embora a causa dessa seja multifatorial, os momentos iniciais do procedimento, como lavagem das mãos e antissepsia do sítio cirúrgico, têm sido apontados como fatores mais importantes no combate. 180 A antissepsia do campo operatório é realizada com antisséptico degermante e, posteriormente, na sua versão alcoólica. Esses produtos são colocados pelo circulante de sala, que está fora de campo, em cubas estéreis, que estarão dispostas pelo instrumentador em mesa operatória (o circulante não deve tocar na cuba e, também, não deve encostar na embalagem do antisséptico na cuba). São utilizadas pinças de preensão longas específicas para se poder realizar toda a antissepsia do sítio a ser operado, de maneira ampliada, de modo que o profissional paramentado não toque nas partes não estéreis do paciente. Caso o profissional que esteja realizando a antissepsia do campo operatório toque em alguma região não estéril, deverá retirar suas luvas e sua paramentação, proceder com nova escovação e se paramentar novamente. ATENÇÃO 3 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM OBSTETRÍCIA A paramentação em cirurgia obstétrica segue a mesma sequência de prepara- ção, entrada no centro cirúrgico, ciência dos procedimentos, conferência de material, organização da sala, escovação cirúrgica de mãos e antebraços e colocação de aventais e luvas estéreis. Contudo, uma particularidade em obstetrícia é a questão dos san- gramentos e de possíveis contatos com líquidos corporais da paciente. Dessa forma, durante a paramentação para a cirurgia obstétrica, eletiva ou de urgência e emergên- cia, é imprescindível a paramentação impermeável ser considerada, justamente para a proteção dos profissionais. Nesse sentido, é importante entender sobre os tipos de materiais e aventais, bem como rever os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que são recomendados para proteger os profissionais em campo do contato e da contaminação com sangue, dentre outros líquidos corporais da paciente (TRISTÃO; MOURA, 2015). A paramentação da equipe cirúrgica tem como objetivo formar uma barreira mecânica contra a entrada de micro-organismos no sítio cirúrgico do paciente, os quais podem estar contidos no biofilme presente na pele dos profissionais ou na superfície de materiais, equipamentos ou estar presente no ar da sala operatória. Os itens da paramentação cirúrgica dos profissionais são: • aventais: tem o objetivo de reduzir a dispersão das bactérias contidas no ar, além de evitar o contato da pele da equipe com líquidos corporais e a própria pele do paciente. O CDC recomenda troca quando o avental estiver visivelmente sujo ou molhado com sangue ou outras substâncias infectantes; 181 • luvas: tem o objetivo de proteger a equipe cirúrgica, bem como o paciente do contato com micro-organismos,sangue, fluidos corpóreos, dentre outros que possam causar infeção. Em algumas situações, a equipe opta por colocar mais de uma luva, pois evi- dências demonstram o risco de elas conterem furos. Contudo, a tecnologia disponível no mercado atualmente garante a produção de luvas com materiais de alta qualida- de e, até mesmo, com impregnação de agentes antimicrobianos, que conferem maior proteção à equipe. É necessário sempre avaliar o custo benefício desses itens; • máscaras: tem o objetivo de impedir a disseminação de micro-organismos advindos da boca e do nariz do profissional. Estes são fontes de propagação de micro- organismos e fluidos corpóreos quando falamos, tossimos e respiramos. Dessa forma, a máscara deve ficar bem ajustada ao rosto, impedindo frestas para a entrada ou saída de gotículas contaminadas. O material da máscara deve ser composto por tecido impermeável. Existem, no mercado, inúmeros tipos de máscaras que protegem o rosto, a mucosa da boca e do nariz dos profissionais, mas todas devem ser avaliadas com relação à recomendação do fabricante e ao tempo de uso, pois, após o tempo indicado, podem perder a capacidade de filtro. A Occupational Safety and Health Administration (OSHA), a Association of Perioperative Registered Nurses (AORN) e a SOBECC determinam que todos os profissionais que atuam em campo operatório devem utilizar máscaras cirúrgicas ao entrarem na sala de operação, quando materiais e equipamentos estéreis estiverem abertos. Aqueles que atuarem dentro do campo operatório devem utilizar máscaras com maior proteção de filtro, para impedir a aspiração da fumaça cirúrgica e proteger o profissional durante todo o tempo em que estiver atuando em campo operatório. As máscaras devem ser descartadas após o uso, sendo recomendado tocar somente nos elásticos ou nas tiras utilizados para fixar a máscara no rosto do paciente. As máscaras não devem e não podem ficar penduradas no pescoço para serem reutilizadas; Você sabia que a inalação da fumaça cirúrgica advinda do bisturi elétrico, equipamento muito utilizado na maioria dos procedimentos cirúrgicos, pode ser muito prejudicial para o profissional que atua dentro da sala operatória? Em especial, para os profissionais que estão em campo operatório? Para entender mais sobre o assunto, recomendamos a leitura do artigo a seguir, publicado na Revista SO- BECC, no ano de 2021, por profissionais especialistas no assunto. Acesse na íntegra em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/ view/772/720. DICA • propés: têm o objetivo de impedir que a sujidade da sola dos sapatos do profissional adentre as dependências do centro cirúrgico e, dependendo do material, podem proteger a equipe à exposição de sangue e outros contaminantes e fluidos corporais do paciente. Contudo, seu uso é controverso, pois, quando o profissional não lava as mãos após sua colocação, a sujidade da sola dos sapatos pode passar para as mãos. https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/772/720 https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/772/720 182 Seguindo esse raciocínio, é recomendado o uso de sapatos privativos impermeáveis ou botas impermeáveis de cano longo, que realmente sejam utilizados somente dentro das dependências do centro cirúrgico. Assim, protegeremos o profissional e garantindo a diminuição da sujidade dentro do ambiente e, consequentemente, o risco de infecção do paciente; • toucas/gorros: têm o objetivo de evitar a contaminação do sítio cirúrgico pela queda de cabelo ou de qualquer substância ou micro-organismo advinda do couro cabeludo do paciente. A touca deve ser de tamanho adequado e cobrir totalmente o cabelo. O uso de gorros pode ser permitido para pessoas com cabelos curtos, se realmente cumprirem com o objetivo de cobrir toda a parte da cabeça que contiver cabelos. No caso das cirurgias obstétricas, não é recomendada a utilização de propé sobre o sapato convencional do profissional, pelo risco que pode ter de ser molhado e contaminado durante o procedimento. Afinal, em geral, os propés são descartáveis e compostos de tecido não tecido fino, que não atendem à característica de serem imper- meáveis e não promovem a proteção necessária para esses profissionais. Nesse sentido, o uso de botas impermeáveis oferece maior, tendo estas as mesmas características do sapato privativo, adicionadas com canos longos, o que oferece uma maior proteção. Muitos profissionais utilizam toucas de tecido colorido ou divertidas, com nomes e funções descritas. O uso destas é permitido desde que a touca cumpra com o objetivo de cobrir todo o cabelo. Quando contém nomes e funções, contribuem para a melhor identificação dos profissionais. Contudo, o profissional deve ter a responsabilidade de trocar as toucas diariamente. INTERESSANTE Ressaltamos, ainda, que, devido a inúmeras doenças transmissíveis, incluindo a recente COVID-19, bem como o risco de contaminação por micro-organismos advindos do organismo do paciente (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, hepatite B, dentre outros), recomenda-se fortemente a adição do uso de óculos protetores ou máscaras com viseiras para proteção da região dos olhos, como componentes da paramentação cirúrgica. O uso dos óculos é indicado para proteção do profissional, pois impede o conta- to direto dos olhos com fluidos corporais do paciente. Para a seleção dos óculos, pode ser considerada a presença de viseiras largas de acrílico ou vidro e protetores da face contra fluidos (FREIBERGER et al., 2011). O uniforme privativo, os aventais e os campos operatórios, em muitos hospitais, são reprocessados, sendo constituídos de tecido de algodão duplo com gramatura mínima de 400 gramas por m2 (ABNT, 1996). 183 No entanto, é importante considerar que, mesmo atendendo às especificações e normas para a garantia da esterilidade e constituição de uma barreira física asséptica durante procedimentos operatórios, os aventais e campos de compostos por algodão não são impermeáveis a líquidos, sendo necessária a troca em casos de contaminação, umidade ou sujidade. Sem um equipamento de proteção impermeável do tipo avental, a equipe pode se molhar e se contaminar. ATENÇÃO Nesse sentido, temos disponível no mercado uma grande variedade de materiais e roupas hospitalares, constituídos de material descartável (de uso único), que também obedecem a normas e regras para a garantia da barreira física asséptica e, ao mesmo tempo, alguns ainda apresentam a proteção impermeável. Essa solução pode facilitar a paramentação da equipe no sentido de garantir a impermeabilidade a sangue e fluidos corporais da paciente, sem a necessidade de incluir outros itens na paramentação. Os aventais, os campos operatórios e as embalagens das caixas de cirurgia, de uso único, em geral, são confeccionados com Spunbonbed, Meltblown, Spunbonbed (SMS), ou seja, tecido não tecido, de uso único, que contém três camadas de polipropileno. Estas proporcionam a barreira física impermeável a micro-organismos e a permeabilidade necessária ao agente esterilizante. Figura 9 – Características das camadas do material SMS Fonte: https://bit.ly/3TxjYlf. Acesso em: 9 out. 2022. 184 Assim, é recomendada a escolha de aventais e campos descartáveis compostos com proteção impermeável para os procedimentos cirúrgicos da área de Ginecologia, permitindo uma melhor proteção dos profissionais que atuam no campo operatório. Para saber mais sobre as especificidades da paramentação, as quais são importantes para a prevenção de ISC, recomendamos a leitura do artigo O preparo da equipe cirúrgica: aspecto relevante no controle da contaminação ambiental, disponível na íntegra em: https://www. scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt. Ele aborda o controle da contaminação ambiental, que tem sido considerado como medida racional para a prevenção da infecção do sítio cirúrgico. DICA Com relação ao tamanho, consideram-se adequados aventais que garantama cobertura completa do tronco, desde o pescoço, membros superiores até os punhos e membros inferiores até os joelhos, com livre movimentação, evitando áreas expostas não estéreis (JESUS et al., 2020). A compreensão e o uso correto da paramentação cirúrgica é salutar a todos os profissionais que atuam em campo operatório, em especial ao instrumentador cirúrgico, dada sua capacidade de formar uma barreira física contra micro-organismos no sítio cirúrgico do paciente, bem como na proteção desse profissional. Para complementar a discussão, recomendamos a leitura do artigo disponibilizado a seguir, publicado na Revista SOBECC em 2020, que ressalta aspectos importantes da paramentação. Acesse o texto na integra pelo link: https://revista.sobecc.org.br/ sobecc/article/view/560/pdf. INTERESSANTE https://www.scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt https://www.scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/560/pdf https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/560/pdf 185 Neste tópico, você aprendeu: • A importância sobre a paramentação da equipe cirúrgica nos procedimentos de ginecologia e obstetrícia, na prevenção e no controle de infecção de sítio cirúrgico, compreendendo o papel da barreira contra micro-organismos que esse processo proporciona. • As etapas para preparação, organização da sala operatória e, posteriormente as especificidades da escovação e suas etapas, bem como a paramentação salutar a todos os profissionais que atuam em campo operatório. • A especificidade da cirurgia obstétrica no que diz respeito à contaminação dos profissionais em campo, ao risco de contaminação ocupacional, à utilização adequada dos EPIs e às estratégias necessárias durante a paramentação. • As características dos materiais que são utilizados na confecção dos aventais e campos operatórios, as recomendações adequadas para a constituição da barreira asséptica e para o bom desempenho do profissional devidamente protegido. RESUMO DO TÓPICO 2 186 AUTOATIVIDADE 1 O centro cirúrgico é uma unidade constituinte do bloco operatório que envolve a assistência de pacientes em diferentes níveis de complexidade, com as definições dos ambientes e das áreas hospitalares no que diz respeito ao grau de criticidade da assistência. Assim, sobre a classificação correta da unidade de centro cirúrgico, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Áreas não críticas são aquelas cuja circulação de pessoas é livre, não exigindo cuidados especiais, nem uso de uniforme privativo. b) ( ) Áreas semicríticas permitem a circulação de pessoal e equipamentos, de modo a não interferir no controle e na manutenção da assepsia cirúrgica. Nesses locais, é necessário o uso de uniforme privativo e calçados adequados. c) ( ) Áreas críticas possuem limites definidos para circulação de pessoal e equipamentos, onde se deve estabelecer rotinas próprias para controlar e manter a assepsia local. É obrigatório, além do uniforme privativo, o uso de máscara, cobrindo a boca e o nariz. d) ( ) Áreas semirrestritas correspondem àquelas que têm limites definidos para a circulação de pessoal e de equipamentos, e que são destinadas ao uso privativo do pessoal vestido com a indumentária cirúrgica completa, com rígido controle de trânsito e de assepsia. 2 Ao adentrar as dependências do centro cirúrgico por meio do vestiário de barreira, o profissional precisa colocar o uniforme privativo, o gorro, a máscara e o sapato privativo. Esse último pode ser fornecido pela instituição ou pode ser adquirido pelo próprio funcionário. Sobre o sapato privativo, quanto às suas características, analise as sentenças a seguir: I- Deve cobrir todo o pé e ser antiderrapante. II- Não deve ter furos e deve ser impermeável. III- Deve ser lavável e ser utilizado somente dentro das dependências do centro cirúrgico, sendo retirado e substituído em qualquer situação em que o funcionário tenha que deixar a unidade. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença III está correta. b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 187 3 Antes de iniciar a paramentação adequada, cirurgiões e instrumentadores realizam escovação cirúrgica nas mãos. Ambas exigem, da equipe cirúrgica, a realização de procedimentos específicos, executados em passos padronizados e com observação rigorosa dos princípios científicos. Com relação à escovação e paramentação do profissional, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É necessário verificar se os cabelos estão bem presos na touca, se óculos e outros acessórios necessários ao desempenho do trabalho como instrumentador estão bem fixos e seguros e as máscaras devem estar cobrindo nariz e boca. b) ( ) A escovação cirúrgica das mãos e dos antebraços é realizada somente pelo cirurgião que adentrará campo operatório estéril. O instrumentador, então, deve se direcionar ao lavabo do centro cirúrgico, área onde é possível inspecionar a escovação do cirurgião. c) ( ) Após a escovação e secagem das mãos e dos antebraços, para se paramentar, o instrumentador deve pegar um avental com a ponta dos dedos, pela parte da meio do avental, abri-lo, e vestir as mangas com cuidado para não tocar em partes não estéreis com o avental. d) ( ) Quando optar pela colocação da OPA, depois de vestir a parte da frente do avental, deve-se calçar as luvas estéreis, realizar o desamarre da parte das costas da OPA e pedir para o circulante de sala amarrá-lo para não contaminar. 4 O instrumentador é salutar no contexto cirúrgico e como profissional componente da equipe cirúrgica. Sua tarefa é de extrema importância e alta responsabilidade. Ele é o profissional responsável por auxiliar a equipe médica durante a realização de um ato cirúrgico. Esse profissional é um dos maiores aliados do cirurgião durante um procedimento operatório. De acordo com as atuais recomendações internacionais e nacionais de órgãos que regulamenta a profissão, disserte sobre as responsabilida- des do instrumentador. 5 O profissional que atua como Instrumentador Cirúrgico tem como um de seus pré-requisitos ter um amplo conhecimento acerca do ambiente cirúrgico, seus instrumentos e procedimentos. O trabalho do instrumentador cirúrgico também é capaz de reduzir o tempo de uma operação e, até mesmo, diminuir riscos de contaminação e infecções pós-operatórias. Relembrando as atividades e a rotina diária do instrumentador, descreva os passos desde o momento em que ele chega ao centro cirúrgico até o encerramento das atividades da cirurgia. 188 189 TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, abordaremos questões imprescindíveis ao trabalho do instrumen- tador. Discutiremos questões de sua rotina diária, relacionadas ao momento intraopera- tório, com todas as atividades que antecedem o início da cirurgia, como a organização e a montagem das mesas de instrumentos, as especificidades dos instrumentos das cirurgias ginecológicas e obstétricas, o posicionamento do paciente e o respectivo po- sicionamento das mesas de instrumentos adjacentes à mesa operatória até o momento de desmontagem da sala e encaminhamento do material sujo. A assistência composta pela diversidade dos profissionais que atuam nos pro- cedimentos anestésico-cirúrgicos, bem como sua tomada de decisão, considerando sua formação e seu conhecimento, são essenciais para garantir a segurança do paciente. Em todos os procedimentos cirúrgicos, é imprescindível a assistência embasa- da em evidência, logo, os profissionais elaboram planos de cuidado com maior respon- sabilidade para não deixar que eventos adversos ocorram. Nesse contexto, o papel do instrumentador é salutar, em especial por se ante- cipar às situações cirúrgicas, agilizando o procedimento de entrega de instrumentose outros materiais necessários ao procedimento e, sobretudo, agindo como agente de prevenção de eventos adversos, como lesões e infecção de sítio cirúrgico, evitando que instrumentos permaneçam sobre o corpo do paciente, realizando a conferência e con- tagem constante de instrumentos e compressas cirúrgicas (para que nenhum material seja esquecido) e garantindo a prevenção e organização constante das mesas opera- tórias. Para isso, é imprescindível que o instrumentador esteja sempre atento para que possa contribuir com seu conhecimento e sua atitude com a equipe multiprofissional, a fim de garantir um resultado do procedimento cirúrgico de excelência. 2 INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS UTILIZADOS EM CIRURGIA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA A cirurgia ginecológica pode ser realizada de várias vias. De acordo com a via cirúrgica utilizada, se abdominal a céu aberto, se vaginal, se laparoscópica e, até mesmo, por meio de cirurgia robótica, a organização dos materiais será diferente. Assim, o instrumentador cirúrgico é um profissional de extrema importância ao período intraoperatório, devendo estar atento durante toda a cirurgia, antecipando cada passo do cirurgião, para deixar todos os instrumentos e materiais preparados para cada momento. 190 O instrumentador é indispensável para a organização e o cuidado, bem como o entendimento nominal e funcional dos instrumentos cirúrgicos. Esse profissional deverá estar apto técnica e cientificamente, comprometido com a ética, responsabilidade ao paciente e procedimento, assim como estar atento para evitar eventos adversos. Logo, é essencial ter a capacidade de resolver problemas, tomar decisões, trabalhar em equipe e ter facilidade em se comunicar, permeando um ótimo trabalho na instrumentação cirúrgica (SOBECC, 2021). O instrumentador é o grande responsável por garantir o uso adequado do ins- trumental cirúrgico. É de sua responsabilidade o estudo continuado, de acordo com a especialidade cirúrgica em que atua, o conhecimento dos tempos operatórios e o co- nhecimento aprofundado dos instrumentos específicos de cada tipo de procedimento cirúrgico. Adicionalmente, é importante a sua interação com a equipe cirúrgica, no sentido de facilitar o trabalho de todos. Dessa forma, é possível antecipar situações que envolvam a utilização de materiais e equipamentos e, assim, garantir a agilidade do procedimento e o desenvolvimento tranquilo deste, sem intercorrências (CARVALHO, 2002). 2.1 TEMPOS CIRÚRGICOS A montagem das mesas de instrumentais é vinculada aos tempos cirúrgicos. Como já vimos, para facilitar o trabalho do instrumentador cirúrgico, é de extrema im- portância o conhecimento dos tempos cirúrgicos. Dessa forma, a organização dos ins- trumentos agilizará na localização destes quando solicitados, bem como proporcionará, em muitas situações, a antecipação da entrega de instrumentos, antes mesmo que o cirurgião e a equipe os solicitem. Cada procedimento cirúrgico é único. Mesmo que a equipe de profissionais esteja 100% alinhada e sempre utilize a mesma rotina e técnica operatória, pode ser necessário utilizar materiais e instrumentos diferentes, a depender da necessidade e situação. Frente a isso, a atenção extrema à anatomia dos órgãos manipulados em cada procedimento e aos acontecimentos de cada situação cirúrgica, proporciona facilidade no raciocínio e na atitude do instrumentador, sendo possível atender às etapas sequenciais que todos os procedimentos cirúrgicos. Os tempos da cirurgia e seus respectivos exemplos de instrumentos utiliza- dos são: • antissepsia; • colocação de campos operatórios; • diérese; • cirurgia propriamente dita; • síntese. 191 Também é necessário compreender que existem grupos de instrumentos que reúnem características de sua função. Em cada tempo cirúrgico, é utilizado um ou mais grupos de instrumentos para se garantir a função desejada para o momento. Os grupos de instrumentais cirúrgicos se dividem em diérese, hemostasia, preensão, separação, síntese e especiais. Vamos conhecê-los melhor a seguir! 2.1.1 Antissepsia da pele do paciente Como vimos, o primeiro tempo cirúrgico é a antissepsia ou degermação do campo operatório. É importante ressaltar que, para o início das atividades desse momento cirúrgico, o paciente precisa estar posicionado em mesa operatória, fixo e seguro, expondo a área a ser operada de maneira correta. Nesse raciocínio, antes do cirurgião iniciar a cirurgia, a pele, no local em que será realizada a incisão cirúrgica, deverá ser cuidadosamente limpa. Essa “limpeza”, normalmente, é realizada com produtos antissépticos. Um produto antisséptico é aquele que reduz a taxa de micro-organismos ou biofilme existentes na pele. Os produtos antissépticos aprovados no Brasil são a base de clorexedina, PVPI (polivinilpolividona) e álcool, sendo que os dois primeiros deixam ação residual na pele, fato que permite a eliminação de micro-organismos por algumas horas após a sua utilização. A degermação ou antissepsia do campo operatório é um dos itens que favorecem a redução do risco de infecção de sítio cirúrgico e dá garantia a um procedimento seguro. Uma revisão sistemática da biblioteca Cochrane, de 2015, avaliou se a antissepsia pré-operatória da pele, imediatamente antes da incisão cirúrgica em cirurgia limpa, evita a infecção do sítio cirúrgico e avalia a efetividade comparativa de diferentes antissépticos. Assim, encontrou evidência de que a preparação pré-operatória da pele com clorexidina a 0,5% em álcool metílico está associada a menores taxas de infecção cirúrgica após a cirurgia limpa, em comparação à tintura de iodopovidona à base de álcool. No entanto, os pesquisadores da revisão recomendam que a equipe cirúrgica, ao selecionar o tipo de solução antisséptica que será utilizada, deve, também, considerar os custos e possíveis efeitos colaterais. Leia a pesquisa na íntegra acessando o link: https://www.cochrane.org/pt/ CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para- evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa. DICA https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa 192 Para a realização da degermação ou antissepsia do sítio cirúrgico, é necessária a utilização de instrumentos especiais específicos e/ou instrumentos de preensão longos, que permitam uma distância entre profissional e paciente. O instrumento utilizado nesse procedimento tem a função de “prender” a gaze, para que seja possível umidecê-la em antisséptico degermante e, posteriormente, tópico, para ser utilizada na pele contaminada do paciente. Como o profissional que está fazendo a degermação está paramentado e estéril, ele não pode se aproximar do paciente que está sem a cobertura de campos estéreis, para não se contaminar. Dessa forma, é necessário que o instrumento seja longo. Algu- mas pinças têm essa característica, como Pean, Pean Murphy, Cheron, dentre outras. Você sabia que antes de fazer a antissepsia do campo operatório, se a região contiver muitos pelos, é necessário retirá-los? O procedimento de retirada dos pelos se chama “tricotomia” e deve ser realizada com tricotomizador (aparelho próprio para isso), na região estritamente necessária, para permitir a incisão cirúrgica, em momento mais próximo possível do horário da incisão, de preferência com o paciente em sala operatória. Para entender mais sobre o procedimento de tricotomia, recomendamos a leitura do manual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), disponível em: https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/ manuais/criterios_nacionais_isc.pdf. INTERESSANTE2.1.2 Colocação de campos operatórios Após a antissepsia do campo operatório, é o momento de realizar a colocação dos campos operatórios estéreis sobre o corpo do paciente, no intuito de isolar e impedir o contato com as regiões do corpo deste consideradas não estéreis, deixando somente exposto o sítio a ser operado. As pinças utilizadas para a colocação dos campos estéreis são aquelas que têm a função de prender, para que possam segurar firme os campos e impedir que caiam durante o procedimento. Existem vários modelos de pinças para prender campos, com tamanhos variados que permitem a flexibilidade dessa função, de acordo com a localização e o tamanho do campo a ser operado. São pinças especiais, com função de preensão. No caso da cirurgia ginecológica, devido ao posicionamento, a colocação de campos pode ser diferente. Os posicionamentos cirúrgicos mais comuns para a cirurgia ginecológica são: https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/criterios_nacionais_isc.pdf https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/criterios_nacionais_isc.pdf 193 • posição litotômica; • posição supina. Na posição litotômica, é colocado um campo operatório duplo grande sobre cada perna, que está posicionada sobre perneiras; um campo sobre o tronco da paciente; um campo logo abaixo da região sacra (evita o contato do cirurgião com a mesa operatória); e, dependendo do tipo de cirurgia e da técnica do cirurgião, pode ser adicionado um campo fenestrado expondo a região pubiana). Também é colocado um campo para isolar o rosto e o trabalho do anestesiologista (normalmente é colocado fixo a suportes adjacentes à mesa operatória, formando uma espécie de barraca para o paciente e o anestesiologista). A colocação de campos deve ser treinada para garantir a execução correta. O instrumentador deve ter atenção ao tamanho do campo e a posição correta para segurá-lo e não contaminar durante sua colocação. Para ver um exemplo de colocação de campos estéreis descartáveis em paciente na posição litotômica, assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=x8RdANkeRoU&t=28s. DICA A maioria das cirurgias obstétricas por via abdominal é realizada com o paciente na posição supina. Nesse caso, é colocado um campo operatório grande em cada uma das laterais do corpo do paciente, um sobre os membros inferiores, um sobre o tronco e outro, quando necessário, para formar a “barraca” na face do paciente e do anestesiologista. As cirurgias laparoscópicas, normalmente, utilizam a posição supina, mas algumas técnicas ou preferências de posicionamento do cirurgião e da equipe, associadas às necessidades do paciente, indicam que pode ser utilizada a posição litotômica mais trendelenburg (posição supina com inclinação da mesa, no sentido de a cabeça ficar mais baixa). Lembrando que é imprescindível a utilização dos campos estéreis para garantir a técnica asséptica durante o procedimento cirúrgico e que, du- rante a colocação dos campos, é necessário atentar-se para a melhor forma de colocação de acordo com o posicionamento cirúrgico do pa- ciente. Recomendamos, para complementar seu aprendizado, o vídeo que contempla um exemplo de colocação de campos estéreis descartá- veis em paciente na posição supina, para uma cirurgia de laparoscopia. Assista: https://www.youtube.com/watch?v=_j55rxkeu1k. DICA https://www.youtube.com/watch?v=x8RdANkeRoU&t=28s https://www.youtube.com/watch?v=_j55rxkeu1k 194 Lembrando que, em todas as cirurgias que irão utilizar equipamentos, de vídeo ou robótica, todos os materiais e equipamentos devem estar estéreis. Na impossibi- lidade de esterilizar o equipamento inteiro, como o robô e seus braços, toda a parte dessa tecnologia que ficará em campo operatório, em contato com o paciente e o sítio cirúrgico, deverá estar “paramentada”, ou seja, deverá ser colocada uma cobertura es- téril específica para aquele equipamento/instrumento. No caso da cirurgia robótica, é necessário um treinamento específico tanto para a instrumentação quanto para a colo- cação das superfícies plásticas estéreis que recobrem cada área. Voltando ao raciocínio da colocação de campos, no caso da cirurgia robótica e da técnica e do posicionamento escolhidos, os campos operatórios estéreis são colocados seguindo o mesmo princípio de isolar as partes não estéreis do paciente, da mesa e dos equipamentos. Nesse contexto, os instrumentos para prender campos serão utilizados entre um campo e outro, com o objetivo de fixar e não deixar o campo se deslocar durante o procedimento cirúrgico. Alguns campos descartáveis de SMS têm adesivos e orientação para fixar um campo no outro, dispensando a utilização de instrumentos. Já os campos de algodão duplo necessitam desses instrumentos estéreis para poder permanecer na posição desejada. Figura 10 – Instrumentos especiais para preensão de campos Fonte: a autora Os instrumentos para prender campos, como o backaus, têm como caracte- rística serem pontiagudos em suas extremidades, para conseguirem furar e prender o campo de algodão. 195 2.1.3 Diérese A próxima etapa é a diérese, fase em que o cirurgião faz a abertura do local a ser operado para acessar os órgãos internos ou proceder com o procedimento cirúrgico, conforme o tipo. Portanto, nessa fase são utilizados instrumentos de corte, como cabo de bisturi, lâminas de bisturi, tesouras etc. Existem modelos de cabo de bisturi comuns a vários tipos de procedimento cirúrgico: • cabo de bisturi n. 3 (encaixa lâminas menores); • cabo de bisturi n. 4 (encaixa lâminas mais grosseiras); • cabo de bisturi n. 7 (tem o corpo fino e alongado, encaixando as mesmas lâminas de encaixe do cabo n. 3). Figura 11 – Ilustração de cabos de bisturi e tamanhos de lâminas Fonte: a autora As tesouras cirúrgicas também são instrumentos do grupo de diérese. Existe uma infinidade de tipos e modelos, cada uma com uma peculiaridade ou indicação de uso. Figura 12 – Pontas e angulações de tesouras Fonte: a autora 196 A característica mais importante de entender sobre as tesouras é que as apresentações no modelo de tesouras curvas servem para cortar tecidos do corpo do paciente, ao passo que as apresentações no modelo de tesouras retas servem para cortar, por exemplo, fios cirúrgicos. Quando o cirurgião principal pede uma tesoura ao instrumentador, ele sempre irá cortar um tecido. Logo, o instrumentador deverá en- tregar uma tesoura curva. NOTA As pontas das tesouras também têm especificidades: temos tesouras com pontas rombas, tesouras com ponta, tesouras ponta-romba etc. 2.1.4 Cirurgia propriamente dita Ao realizar o corte, o cirurgião começa a acessar as estruturas internas e inicia a cirurgia propriamente dita, fato que provoca sangramento, mesmo que, em um primeiro momento sejam vasos da pele e, depois, temos acesso a vasos mais calibro- sos. Dessa forma, para interromper o sangramento, utilizamos as pinças hemostáticas menores e mais delicadas. Figura 13 – Pinças hemostáticas delicadas Fonte: a autora 197 Já as pinças hemostáticas longas são utilizadas para o acesso a vasos mais profundos. Inclusive, estas têm a característica de terem serrilhas diferenciadas, justamente para não provocarem danos no vaso sanguíneo. Figura 14 – Pinças hemostáticas longas e diferentes tipos de serrilhas Fonte: a autora As pinças hemostáticas estão presentes em todas as caixas de instrumentos de quase todas as especialidades. Elas variam por tipo e tamanho e, como consequência, têm diferentes nomenclaturas, normalmente relacionadas ao profissional que a inventou. O acesso às estruturas mais internas é permitido com a abertura da cavidade ou estrutura que se está operando. Para isso, utilizamos instrumentos específicos que compõem o grupo chamado afastadores. Estes existem com uma enorme variedade de formatos e tamanhos, que são adaptados a cada necessidade de visualização inter- na do corpo do paciente por parte do cirurgião e da equipe. De acordo com a localização eo tamanho da estrutura que que se deseja visualizar, bem como a consideração do tempo que esta necessita ficar aberta em cada tipo de procedimento cirúrgico, existe a possibilidade de os afastadores serem autostáticos ou manuais. Afastadores autostáticos são aqueles que têm a possibilidade de ficarem abertos e fixos, sem que alguém fique segurando suas partes. Já os afastadores manuais são aqueles que dependem da manipulação do cirurgião e/ou auxiliar. 198 Figura 15 – Afastadores autostáticos Fonte: a autora Nas cirurgias ginecológicas e obstétricas de abordagem abdominal, com laparotomia, é muito importante constar na caixa de instrumentos os afastadores manuais como Farabeuf, valva reta, valva suprapúbica etc. Ainda, de acordo com a necessidade do cirurgião e do tipo do paciente, podem ser oferecidos afastadores maiores e autostáticos (Gosset, Balford), embalados de forma avulsa e colocados na mesa de instrumentos. 199 Figura 16 – Afastadores manuais Farabeuf e valva reta ou Doyen Fonte: a autora Durante todo o desenvolvimento do tempo cirúrgico, é necessário que a equipe cirúrgica segure as estruturas para realizar o objetivo da cirurgia. Dessa forma, instrumentos para cortar, prender e separar são muito utilizados. Alguns instrumentos de preensão também são usados como instrumental de apoio à ação desejada durante o procedimento cirúrgico. Em sua maioria, eles têm cremalheira, estrutura que possibilita fixar a pinça na pressão desejada para prender a estrutura. O manuseio de instrumentos com cremalheira deve ser treinado exaustivamen- te pelo instrumentador. Este deve sempre entregar o instrumento travado e segurá-lo pelo corpo, batendo os anéis do instrumento na mão do cirurgião ou membro da equipe que requisitou tal instrumento. A habilidade de abrir e fechar a cremalheira da pinça deve ser treinada sempre, para que o instrumentador possa testar os instrumentos com relação a sua funcionalidade. Figura 17 – Detalhe de uma cremalheira de instrumental cirúrgico Fonte: a autora Nas cirurgias ginecológicas e obstétricas, também é comum o uso de pinças de preensão do tipo Collin (Collin coração, Collin triangular, Collin redonda, dentre outras). Também pode haver pinças maiores para a retirada de órgãos, como a pinça Dartigues. 200 Figura 18 – Pinças do tipo Collin coração e Dartigues Fonte: a autora Em todos os tipos de caixas de cirurgias ginecológicas e obstétricas, ainda é importante a inclusão de pinças de disseção. Estas são pinças de preensão com a função de apoiar e servem para utilização em momentos diversos no intraoperatório, como segurar um tecido que se deseja cortar ou suturar. Com uma mão, o cirurgião segura o tecido com a pinça de dissecção e, com a outra mão, ele corta com a tesoura ou manuseia o porta-agulha para suturar. Figura 19 – Pinças de dissecção Fonte: a autora 201 Ademais, dependendo da estrutura que se deseja segurar, as pinças do grupo de preensão variam em formato no que diz respeito à parte utilizada para segurar a estrutura, a depender da estrutura que se deseja segurar. Figura 20 – Pinças do grupo de preensão Fonte: a autora No próximo item, confira os instrumentos utilizados para finalizar procedimen- tos cirúrgicos. Esta etapa é chamada de Síntese. 2.1.5 Síntese Para finalizar o procedimento cirúrgico ou o tempo da cirurgia propriamente dita, o próximo tempo cirúrgico é correspondente ao fechamento ou “rafia” dos tecidos e da incisão cirúrgica. Esse tempo é denominado “síntese”. No tempo cirúrgico corres- pondente à síntese, utilizamos os instrumentos que favorecem o fechamento, como porta-agulhas, agulhas e fios, além de materiais que possibilitarão a sutura. 202 Figura 21 – Porta-agulha Fonte: a autora Os porta-agulhas são instrumentos que seguram as agulhas para poder introduzi-las dentro dos tecidos. Eles têm a superfície feita para segurar a agulha, de forma a favorecer a sua preensão de maneira segura e firme, sem escorregar. Para isso, os porta-agulhas têm em sua superfície de preensão uma região com serrilhas delicadas. Estas são responsáveis por fazer o atrito necessário para que a agulha fique fixa e não escorregue durante a sua utilização. Assim, alguns modelos de porta-agulha têm em suas pontas estruturas chamadas wídeas, parte da peça que é formada por serrilhas diagonais transversas delicadas, as quais podem substituídas caso fiquem gastas. Figura 22 – Wídea em porta-agulha Fonte: a autora Nas cirurgias ginecológicas com abordagem abdominal, é muito importante lembrar que são acessados vários tecidos no momento da síntese, quando é realizada a rafia (anastomose, fechamento) desses tecidos de maneira independente. Para a 203 separação dos tecidos, podem ser utilizados instrumentos maleáveis ou rígidos, que são finos, para serem introduzidos abaixo de cada tecido que será suturado. Eles vão sendo retirados de acordo com o fechamento da cavidade. Um exemplo desse tipo de instrumento, que auxilia no momento da síntese, é a espátula Reverdin baioneta, também chamada de “sapata”. Figura 23 – Espátula reverdin baioneta “sapata” Fonte: a autora A síntese cirúrgica e sutura da incisão e das estruturas manipuladas na cirurgia são determinados pela técnica cirúrgica. A escolha de material, como fios e agulhas, é de responsabilidade do cirurgião. Atualmente, temos no mercado uma infinidade de fios e materiais para fecha- mento das estruturas internas e da incisão cirúrgica. Nesse sentido, é de incumbência do cirurgião o conhecimento dos fios, das agulhas e dos materiais de síntese, bem como de suas propriedades e indicações para a escolha mais adequada. 2.2 MONTAGEM DA MESA DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS Conforme já aprendemos, a montagem da mesa de instrumentais cirúrgicos faz uso das caixas que contêm os instrumentos correspondentes ao procedimento cirúrgico. Essas caixas devem ser levadas do arsenal cirúrgico (local onde ficam armazenados as caixas e os materiais cirúrgicos estéreis, dentro do centro cirúrgico) para a sala de cirurgia, pelo instrumentador. Antes de montar a mesa de instrumentos, o instrumentador deve verificar a limpeza das mesas e, depois, lavar as mãos, proceder com a localização dos materiais a serem utilizados e deixá-los prontos a serem abertos e disponibilizados para a montagem, após a paramentação do instrumentador. Este, então, procederá com a escovação cirúrgica das mãos e dos antebraços em lavado, realizará a secagem das mãos, a paramentação e a colocação de luvas estéreis. Depois de paramentado e de frente à mesa onde serão organizados os instrumentos: 204 • é necessário colocar um campo impermeável estéril sobre a mesa: ◦ o circulante de sala faz a abertura da embalagem externa, e o instrumentador, pa- ramentado e de luvas estéreis, retira de dentro da embalagem – com cuidado, para não tocar nas partes não estéreis – o plástico impermeável do tamanho adequado para a mesa. • acima do plástico impermeável, será colocado um campo de algodão duplo ou campo SMS aberto para cobrir o máximo da estrutura da mesa auxiliar: ◦ o objetivo desse campo é impedir a contaminação da superfície metálica da mesa para o instrumental. • acima do campo, deve ser colocado um campo de algodão duplo dobrado ao meio: ◦ o objetivo é impedir que tudo se molhe e/ou suje, caso algum líquido seja derrama- do na mesa. Com a mesa pronta, o instrumentador pode se dirigir até as caixas de instru- mentos, que já estarão abertas pelo circulante de sala e deve retirar os testes químicos de seu interior, para fixação em prontuário do paciente. Para a organização dos instrumentos, existem várias formas de se montar a mesa, sendo que a grande dica, nesse contexto, é montá-la de forma que os instrumen- tos estejam organizados de acordo com a necessidade do procedimento, da técnica e da dinâmica da equipe, com facilidade para pegá-los e para dispensá-los ao cirurgião e auxiliar.