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Obstetrícia
Prof.ª Caroline Marinho de Araujo 
Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima
Prof.ª Iara Costa Silvano
Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio
técnicas de 
instrumentaçãO 
cirúrgica em 
urOlOgia, 
ginecOlOgia e
Indaial – 2022
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof.ª Caroline Marinho de Araujo 
Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima
Prof.ª Iara Costa Silvano
Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. ARAUJO, Caroline Marinho de.
Técnicas de Instrumentação Cirúrgica em Urologia, Ginecologia e 
Obstetrícia. Caroline Marinho de Araujo; Emmanoela de Almeida Paulino Lima; 
Iara Costa Silvano; Patrícia Santos Prudêncio. Indaial - SC: UNIASSELVI, 2022.
232 p.
ISBN 978-65-5466-188-1
ISBN Digital 978-65-5466-184-3
“Graduação - EaD”.
1. Urologia 2. Ginecologia 3. Obstetrícia 
CDD 617.9
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Olá, acadêmico!
Na disciplina Técnicas de Instrumentação Cirúrgica em Urologia, Ginecologia 
e Obstetrícia, iremos conhecer e desenvolver habilidades e competências relativas 
à instrumentação cirúrgica, pretendemos formar um profissional com capacidade 
técnica e responsabilidade, dada a importância dessa profissão para o progresso 
dos procedimentos anestésicos cirúrgicos, além de aprender toda dinâmica do bloco 
cirúrgico, bem como os conceitos gerais de cirurgia urológica, obstétrica e ginecológica.
Na Unidade 1, serão abordadas as atribuições e a importância da equipe 
multiprofissional no centro cirúrgico. Estudaremos o poder da comunicação assertiva 
para o bom relacionamento interpessoal, além de traçarmos um perfil do que seria 
um profissional capacitado para atuar como instrumentador cirúrgico. No decorrer 
dos tópicos, ainda será possível conhecer um pouco do universo cirúrgico e como se 
desenvolve o trabalho nessa unidade de saúde.
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos as técnicas de instrumentação cirúrgi-
ca em urologia, os tipos e a complexidade das cirurgias urológicas, os instrumentos uti-
lizados nos procedimentos urológicos, bem como a paramentação cirúrgica individual e 
de equipe, além da montagem da mesa, do posicionamento adequado do instrumenta-
dor e dos tipos de nós e suturas. Ainda, será possível compreender a operacionalização 
da instrumentação cirúrgica urológica.
Por fim, na Unidade 3, aprenderemos as técnicas de instrumentação cirúrgica 
em ginecologia e obstetrícia, os tipos de cirurgias ginecológicas e obstétricas, a 
paramentarão cirúrgica para esses procedimentos, o instrumental a ser utilizado e o 
posicionamento adequado do instrumentador. Também veremos a composição e as 
atribuições dos membros da equipe multiprofissional, além de compreender as fases 
das cirurgias, os tempos cirúrgicos e os portes de cirurgias ginecológicas e obstétricas.
Esperamos que o material possa consolidar seu aprendizado, elucidar suas 
dúvidas e enriquecer suas práticas profissionais. Para tanto, é necessário o seu 
envolvimento e compromisso enquanto estudante, sendo o agente transformador da 
sua aprendizagem.
Bons estudos!
Prof.ª Caroline Marinho de Araujo 
Prof.ª Emmanoela de Almeida Paulino Lima
Prof.ª Iara Costa Silvano
Prof.ª Patrícia Santos Prudêncio
APRESENTAÇÃO
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA A 
INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA .......................................................1
TÓPICO 1 — COMPOSIÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO 
CENTRO CIRÚRGICO ........................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3
2 CENTRO CIRÚRGICO ............................................................................................4
2.1 CLASSIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO ...................................................... 8
3 NOMENCLATURA CIRÚRGICA ............................................................................11
4 POSIÇÕES CIRÚRGICAS .................................................................................... 12
5 EQUIPE CIRÚRGICA ........................................................................................... 15
5.1 EQUIPE MÉDICA ................................................................................................................. 17
6 EQUIPE DE ENFERMAGEM ................................................................................ 21
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................26AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 27
TÓPICO 2 — COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE ...................................................29
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................29
2 CONCEITOS DE COMUNICAÇÃO .......................................................................30
2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO .................................................................................................31
3 COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS .........................................32
3.1 BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO ..................................................................................... 33
4 COMUNICAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE ...............................................................35
4.1 COMUNICAÇÃO NO CENTRO CIRÚRGICO .................................................................... 37
RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 40
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 41
TÓPICO 3 — CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A ATUAÇÃO COMO 
INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO ......................................................45
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................45
2 HISTÓRIA DA INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA ................................................ 47
2.1 RESPONSABILIDADES DO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO .................................... 49
2.2 RECOMENDAÇÕES PARA A EXCELÊNCIA DO PROFISSIONAL 
INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO ....................................................................................50
2.3 ÉTICA PROFISSIONAL .....................................................................................................50
3 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA .......52
3.1 MANEJO DE INSTRUMENTOS PERFUROCORTANTES ............................................. 53
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................55
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................... 61
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................62
REFERÊNCIAS .......................................................................................................65
UNIDADE 2 — TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM UROLOGIA .....69
TÓPICO 1 — CIRURGIA UROLÓGICA ......................................................................71
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................71
2 TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS .................................................................71
2.1 RESGATE HISTÓRICO .........................................................................................................72
2.2 CIRURGIA SEGURA ............................................................................................................74
3 DEFINIÇÃO DOS TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS .................................... 75
3.1 ENDOSCOPIA UROLÓGICA ...............................................................................................75
3.1.1 Nefrolitotomia percutânea .......................................................................................76
3.1.2 Ureteroscopia ........................................................................................................... 78
3.2 CISTECTOMIA ......................................................................................................................79
3.2.1 Cistectomia parcial ..................................................................................................80
3.2.2 Cistectomia radical .................................................................................................80
3.3 LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA (LECO) .......................................................................81
3.4 NEFRECTOMIA ...................................................................................................................82
3.5 CISTOSTOMIA .....................................................................................................................82
3.6 NEFROSTOMIA ...................................................................................................................83
3.7 CIRURGIAS NA PRÓSTATA ...............................................................................................84
3.7.1 Ressecção transuretral de tumor de próstata (RTU de próstata) .................85
3.7.2 Prostatectomia aberta ............................................................................................86
3.7.3 Prostatectomia perineal ........................................................................................86
3.7.4 Prostatectomia radical ...........................................................................................86
3.7.5 Plasma ........................................................................................................................88
4 PARAMENTAÇÃO EM CIRURGIA UROLÓGICA .................................................88
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................93
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................94
TÓPICO 2 — INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS ........................................................ 97
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 97
2 EQUIPAMENTO ...................................................................................................98
3 OBJETOS PERFUROCORTANTES ................................................................... 101
3.1 OUTROS INSTRUMENTAIS ............................................................................................ 104
4 TÉCNICAS DE SUTURAS ................................................................................. 107
5 NÓS CIRÚRGICOS ............................................................................................108
RESUMO DO TÓPICO 2 ......................................................................................... 111
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 112
TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA 
UROLÓGICA .....................................................................................115
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................115
2 MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA EM UROLOGIA ..........................................115
2.1 INSTRUMENTOS BÁSICOS E SUA MONTAGEM NA MESA CIRÚRGICA ................. 118
2.1.1 Pinças de preensão ................................................................................................. 118
2.1.2 Bisturis e tesouras ................................................................................................. 119
2.1.3 Pinças hemostáticas ............................................................................................. 120
2.1.4 Pinças de dissecção .............................................................................................. 120
2.1.5 Afastadores .............................................................................................................. 121
2.1.6 Agulhas e porta agulhas ........................................................................................122
2.2 INSTRUMENTAL LAPAROSCÓPICO ..............................................................................123
3 POSICIONAMENTO DO PACIENTE EM CIRURGIA UROLÓGICA .....................124
4 POSICIONAMENTO DO INSTRUMENTADORCIRÚRGICO ............................... 127
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 132
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................138
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 139
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 141
UNIDADE 3 — TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA EM 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA .........................................................145
TÓPICO 1 — INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA GINECOLÓGICA E 
OBSTÉTRICA ................................................................................... 147
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 147
2 TIPOS DE CIRURGIAS GINECOLÓGICAS.........................................................148
2.1 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ............................................................................. 148
2.2 TIPOS DE CIRURGIAS ..................................................................................................... 153
2.2.1 Histerectomia .......................................................................................................... 154
2.2.2 Laqueadura ............................................................................................................. 156
2.2.3 Traquelectomia ....................................................................................................... 156
2.2.4 Ooforectomia .......................................................................................................... 156
2.2.5 Salpingectomia .......................................................................................................157
2.2.6 Mastectomia ........................................................................................................... 158
3 TIPOS DE CIRURGIAS OBSTÉTRICAS ............................................................. 159
3.1 CESÁREA ............................................................................................................................ 161
3.2 LAPAROTOMIA DE EMERGÊNCIA ................................................................................ 162
3.3 CIRURGIA FETAL ............................................................................................................. 163
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 167
AUTOATIVIDADE .................................................................................................168
TÓPICO 2 — PARAMENTAÇÃO .............................................................................171
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................171
2 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM GINECOLOGIA ............................................. 174
2.1 PASSOS DA ESCOVAÇÃO E PARAMENTAÇÃO ...........................................................174
2.2 ANTISSEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO .....................................................................179
3 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM OBSTETRÍCIA ..............................................180
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................185
AUTOATIVIDADE .................................................................................................186
TÓPICO 3 — INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA ......................................189
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................189
2 INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS UTILIZADOS EM CIRURGIA 
GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA ......................................................................189
2.1 TEMPOS CIRÚRGICOS .................................................................................................... 190
2.1.1 Antissepsia da pele do paciente ........................................................................... 191
2.1.2 Colocação de campos operatórios .....................................................................192
2.1.3 Diérese ...................................................................................................................... 195
2.1.4 Cirurgia propriamente dita ................................................................................... 196
2.1.5 Síntese ...................................................................................................................... 201
2.2 MONTAGEM DA MESA DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS ....................................203
2.3 MANUSEIO DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS ........................................................205
2.3.1 Instrumentais em cirurgia robótica ...................................................................207
3 POSICIONAMENTOS NA CIRURGIA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA .......... 208
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 216
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 221
AUTOATIVIDADE ................................................................................................ 222
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 225
1
UNIDADE 1 — 
A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE 
MULTIDISCIPLINAR PARA 
A INSTRUMENTAÇÃO 
CIRÚRGICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 conhecer	os	profissionais	que	atuam	na	equipe	cirúrgica	e	suas	atribuições	
específicas;
•	 compreender	a	importância	da	composição	adequada	da	equipe	multiprofissional	
na	instrumentação	cirúrgica;
•	 entender	a	importância	da	comunicação	assertiva	entre	os	membros	da	equipe;
•	 compreender	o	processo	do	trabalho	do	instrumentador	cirúrgico	nas	dimensões	
técnicas,	éticas	e	científicas.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO 1 – COMPOSIÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CENTRO CIRÚRGICO
TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE
TÓPICO 3 – CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A ATUAÇÃO COMO INSTRUMENTADOR 
CIRÚRGICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
COMPOSIÇÃO DA EQUIPE 
MULTIDISCIPLINAR NO 
CENTRO CIRÚRGICO
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
O	centro	cirúrgico	é	um	ambiente	complexo.	É	uma	área	 restrita	da	unidade	
hospitalar	por	ser	um	local	no	qual	são	realizadas	intervenções	cirúrgicas,	e,	assim,	o	
controle	asséptico	precisa	ser	 rigoroso.	Trata-se	de	um	setor	em	que	várias	áreas	se	
interligam	para	possibilitar	a	realização	dos	procedimentos	anestésicos	cirúrgicos	com	
segurança,	tanto	para	o	paciente	quanto	para	a	equipe	que	o	atende.	Ademais,	nesse	
ambiente,	 diversas	 especialidades	 profissionais	 se	 disponibilizam	 para	 atender	 aos	
pacientes	que	necessitam	se	submeter	a	uma	cirurgia.
O	centro	cirúrgico,	além	de	ser	o	 local	adequado	para	realizar	os	procedimentos	
cirúrgicos,	também	tem	como	finalidades	servir	como	campo	de	estágio	para	a	formação	
e	o	desenvolvimento	profissional,	bem	como	para	a	promoção	de	programas	e	projetos	
de	pesquisas	científicas,	 com	o	 intuito	de	melhorar	 e	 inovar	 as	 técnicas	cirúrgicas	e	
assépticas.
Os	procedimentos	 cirúrgicos	 são,	 hoje,	muito	 aplicados	para	 o	diagnóstico	 e	
tratamento	de	diversas	doenças.	Para	tanto,	a	sala	cirúrgica	é	composta	por	um	grande	
aparato	tecnológico	e	de	padrões	de	segurança	preconizados	pela	legislação	vigente,	
sendo	que	a	equipe	que	trabalha	nesse	ambiente	precisa	estar	capacitada	e	trabalhar	
de	formaharmoniosa	para	atender	à	dinâmica	do	setor	e	promover	a	segurança	e	o	
conforto	do	paciente.	Cada	membro	da	equipe	tem	sua	função	e	importância.	O	trabalho	
em	conjunto	favorece	o	ato	operatório,	para	que	tudo	seja	desenvolvido	com	o	menor	
risco	possível.
Frente	a	isso,	todo	profissional	deve	conhecer	e	ter	habilidades	relacionadas	às	
suas	atribuições	especificas	no	centro	cirúrgico,	além	de	ter	aptidão	para	trabalhar	em	
equipe,	equilíbrio	emocional	e	discernimento	para	a	resolução	de	conflitos.
A	partir	de	agora,	você	entrará	no	universo	cirúrgico	e	conhecerá	mais	profun-
damente	quais	profissionais	compõem	a	equipe	cirúrgica	e	as	atribuições	de	cada	um	
na	sala	de	operação.
4
2 CENTRO CIRÚRGICO
O	 centro	 cirúrgico	 é	 uma	 parte	 extremamente	 importante	 da	 estrutura	 hos-
pitalar,	o	qual	é	destinado	a	realizar	 intervenções	anestésico-cirúrgicas.	Para	tanto,	é	
necessário	que	tenha	infraestrutura,	recursos	materiais	e	humanos	adequados	e	dis-
poníveis	para	o	desenvolvimento	do	processo	de	assistência	perioperatória,	conforme	
Carvalho	e	Bianchi	(2016).
Carvalho	e	Bianchi	(2016)	reiteram	que	as	finalidades	e	os	objetivos	do	centro	
cirúrgico	são:
•	 assistir,	de	forma	integral,	o	paciente	submetido	à	intervenção	cirúrgica	em	todo	o	
período	perioperatório;
•	 realizar	os	procedimentos	anestésico-cirúrgicos	com	a	devida	segurança;
•	 garantir	o	retorno	do	paciente	a	sua	unidade	de	internamento	em	condições	estáveis	
de	saúde.
Além	 disso,	 como	 mencionamos,	 tem	 como	 finalidade	 o	 desenvolvimento	
profissional	por	meio	do	estágio	para	a	formação	e	o	aprimoramento	da	assistência	no	
perioperatório,	a	fim	de	promover	o	avanço	científico	e	tecnológico	com	programas	e	
projetos	de	pesquisas.
Geralmente,	o	bloco	cirúrgico	está	dividido	em	salas	de	operação	(SO),	salas	de	
recuperação	pós-anestésica	(SRPA)	e	centros	de	material	e	esterilização	(CME).	Esses,	
por	sua	vez,	estão	subdivididos	em	áreas	especificas,	como	 lavabos,	vestuários,	 sala	
de	guarda	de	materiais	e	equipamentos,	corredores,	sala	de	espera,	recepção,	sala	de	
repouso,	copa,	dentre	outras	que	venham	a	ser	necessárias,	conforme	a	Sobecc	(2017).
Diante	de	sua	complexidade,	para	que	o	bloco	cirúrgico	possa	operacionalizar	
a	 assistência	 ao	 paciente	 cirúrgico,	 também	é	necessário	 o	 apoio	 de	 outras	 áreas	 e	
serviços	hospitalares,	como	laboratórios,	farmácia,	radiologia,	banco	de	sangue,	serviço	
de	 anatomia	 patológica,	 limpeza,	 suprimentos	 de	 almoxarifado	 e	 transporte.	 Ainda,	
alguns	 serviços	 podem	 ser	 terceirizados,	 de	 acordo	 com	 Carvalho	 e	 Bianchi	 (2016),	
a	 exemplo	 de	 lavanderia,	 fornecedores,	 manutenção	 de	 equipamentos	 e	 materiais	
esterilizados	por	métodos	específicos.
5
Figura 1 – Sala de operação
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/interior-of-operation-room-with-different-medical--ASV83XX. 
Acesso em: 11 set. 2022.
A sala operatória	(SO)	é	o	local	onde	as	equipes	desenvolvem	diretamente	o	
seu	trabalho.	Ela	deve	ser	equipada	e	preparada	para	realizar	vários	tipos	de	procedi-
mentos	anestésico-cirúrgicos.	Assim,	o	tamanho	físico	dessa	sala	pode	variar	de	acordo	
com	a	instituição	e	os	tipos	de	procedimentos	realizados	dentro	dela,	de	acordo	com	 
Possari	(2011).
É	relevante	citar,	conforme	o	mesmo	autor,	que	se	tornou	imprescindível,	com	
o	advento	tecnológico	na	área	da	robótica	e	a	popularização	de	cirurgias	minimamente	
invasivas,	 que	 as	 salas	 operatórias	 ou	 de	 operações	 tenham	 espaços	 e	 dimensões	
adequados	para	os	equipamentos	que	serão	utilizados	nos	procedimentos,	assim	como	
para	que	a	equipe	e	o	paciente	se	sintam	confortáveis,	a	fim	de	que	a	cirurgia	possa	ser	
realizada	com	segurança.
É recomendável, segundo Carvalho e Bianchi (2016), que, para cada 
50 leitos comuns, encontremos ao menos duas salas cirúrgicas na 
unidade hospitalar. Além disso, para cada 15 leitos cirúrgicos, deve-
-se ter duas salas de operação.
INTERESSANTE
6
Para	Carvalho	e	Bianchi	(2016),	todas	as	salas	operatórias	devem	conter	equi-
pamentos	e	aparelhos	fixos:	carrinho	de	anestesia	com	monitor	multiparamétrico;	mesa	
cirúrgica	mecânica	ou	elétrica;	seus	acessórios	(extensor	de	comprimento,	perneiras,	
braçadeiras	e	apoio	de	cabeça);	mesa	de	 instrumentais;	 focos	de	 luz;	computadores	
para	registro	no	prontuário	eletrônico;	dentre	outros	que	podem	ser	necessários.
Ainda	segundo	os	autores,	também	devem	estar	à	disposição	alguns	materiais	
e	equipamentos	para	serem	utilizados	caso	haja	necessidade	durante	o	procedimento.	
Eles	são	considerados	equipamentos	móveis,	como:	bisturi	elétrico	e	outros	tipos	de	
bisturis;	máquina	de	circulação	extracorpórea;	equipamento	para	videolaparoscopia;	e	
aspiradores.	Tais	materiais	permanecem	na	sala	de	guarda	e	são	deslocados	para	a	SO	
quando	solicitados.
A sala de recuperação pós-anestésica (SRPA),	por	sua	vez,	é	uma	zona	crí-
tica,	pois	é	o	local	para	onde	o	paciente	é	levado	logo	após	o	procedimento	cirúrgico,	
no	pós-operatório	 imediato,	para	se	 recuperar	hemodinamicamente.	Lá,	ele	deve	ser	
monitorado	e	observado	intensivamente,	até	ser	levado	para	sua	unidade	de	internação.	
Desse	modo,	preconiza-se	que	seja	anexa	à	sala	de	operação,	para	facilitar	o	transporte	
do	paciente	ou	no	caso	de	precisar	de	uma	reabordagem	cirúrgica	de	emergência.
Já	o	centro de material e esterilização (CME)	é	um	ambiente	destinado	à	lim-
peza,	à	desinfecção,	ao	preparo,	à	esterilização,	ao	armazenamento	e	à	distribuição	de	ma-
teriais	e	instrumentos	utilizados	em	uma	unidade	hospitalar,	de	acordo	com	Possari	(2011).	
O	CME,	a	depender	da	estrutura	hospitalar,	normalmente	fica	anexo	ao	centro	
cirúrgico	devido	à	necessidade	constante	de	materiais	esterilizados.	No	entanto,	nas	
novas	 estruturas,	 esse	 setor	 tem	 se	desvinculado	do	 centro	 cirúrgico,	 pois	 todos	 os	
setores	do	hospital	precisam	de	materiais	processados	na	CME,	segundo	Carvalho	e	
Bianchi	(2016).
Figura 2 – Centro de material e esterilização
Fonte: https://bit.ly/3z9SUk6. Acesso em: 12 set. 2022.
7
Segundo	a	Associação	Brasileira	de	Enfermeiros	de	Centro	Cirúrgico,	Recupe-
ração	Anestésica	e	Centro	de	Material	e	Esterilização,	a	CME	tem	como	missão	fornecer	
produtos	para	a	saúde	a	todas	as	unidades	assistenciais	e	de	diagnóstico,	de	forma	
segura	 e	 em	número	 e	 qualidade	 de	 processamento	 adequadas.	 Sendo	 assim,	 esse	
setor,	mesmo	localizado	em	qualquer	área	da	unidade	hospitalar,	precisa	de	sistemas	
de	comunicação	ativos	e	disponíveis	para	prover	as	unidades	consumidoras,	quando	
necessário,	sem	prejuízo	à	assistência.	
A Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação 
Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) foi criada em 
setembro de 1991, com a missão de “colaborar com o desenvolvimento 
técnico-científico e divulgar as melhores práticas para atuação da enfer-
magem perioperatória, além de propor recomendações referentes às 
áreas de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material 
e Esterilização” (SOBECC, s. d., s. p.). Essa entidade tem publicações a 
cada três meses, e, periodicamente, nos traz revisões atualizadas sobre 
as boas práticas de enfermagem no perioperatório.
IMPORTANTE
Segundo	a	SOBECC	(2017),	o	bloco	cirúrgico	é	dividido	em	três	áreas	assépti-
cas,	devido	a	sua	complexidade,	o	tipo	de	procedimento	realizado	e	o	maior	risco	de	
infecção:	 “as	técnicas	assépticas	padronizadas	têm	o	objetivo	de	proporcionar	maior	
controle	do	ambiente	operatório,	diminuindo	os	riscos	de	contaminação	ao	paciente”	
(CARVALHO;	BIANCHI,	2016,	p.	11).	Essas	áreas	são	restrita,	semirrestrita	e	não	restrita.	
Conforme	a	mesma	associação,	são	características	de	cada	área:
• Área restrita: a	circulação	de	pessoas	e	equipamentos	é	restrita,	mantendo	uma	
rotina	asséptica,	com	o	intuito	de	controlar	e	conservar	a	assepsia	do	local.	Os	profis-
sionais	devem	usar	roupas	privativas	nesse	ambiente,	bem	como	máscara	cobrindo	
boca	e	nariz.	Temos,	como	exemplos,	salas	cirúrgicas,	corredores	internose	lavabos.
• Área semirrestrita:	é	permitida	a	circulação	de	pessoal	e	equipamentos,	desde	que	
não	interfira	no	controle	e	na	conservação	da	assepsia	cirúrgica.	Nesses	locais,	os	pro-
fissionais	devem	usar	roupas	privativas	e	apropriadas	ou	calçados	adequados.	Temos,	
como	exemplos,	secretaria,	copa	e	salas	de	conforto	e	de	guarda	de	equipamentos.
• Área não restrita: a	circulação	de	pessoas	é	liberada,	não	havendo	a	necessidade	
de	roupas	privativas.	Temos,	como	exemplos,	vestuários,	elevadores,	corredores	ex-
ternos	e	local	de	transferência	de	macas.
Ainda,	o	centro	cirúrgico	deve	estar	localizado	em	uma	área	do	hospital	distante	
de	ruido,	poeira	e	de	grande	circulação	de	pessoas,	garantindo	a	segurança	da	técnica	
asséptica.	Da	mesma	forma,	para	facilitar	o	fluxo	de	pacientes,	é	necessário	que	o	bloco	
cirúrgico	fique	próximo	às	emergências,	unidades	de	terapia	 intensiva	e	unidades	de	
internamento,	para	o	caso	de	uma	intervenção	imediata,	conforme	Possari	(2011).
8
Alguns termos devem ser sempre lembrados dentro de um centro cirúrgico, 
a saber:
• assepsia: são precauções que usamos para evitar a contami-
nação por micro-organismos em um ambiente ou materiais e 
equipamentos. Desse modo, um ambiente asséptico é aquele 
que está livre de contaminação;
• antissepsia: é a técnica que usamos para evitar o crescimento de mi-
cro-organismos ou para removê-los de determinado ambiente, podendo 
haver a destruição ou redução dos agentes microbianos. Para tanto, uti-
lizamos antissépticos ou desinfetantes;
• técnica asséptica: é uma expressão dos métodos utilizados para a 
assepsia;
• antisséptico: diz respeito a produtos químicos utilizados para des-
truir ou reduzir micro-organismos de tecidos vivos.
ATENÇÃO
2.1 CLASSIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
Os	 procedimentos	 anestésicos	 cirúrgicos	 podem	 ser	 classificados	 quanto	 ao	
momento	operatório,	a	finalidade,	o	risco	cardiológico,	o	potencial	de	contaminação	e	o	
tempo	de	duração.
Na	figura	a	seguir,	podemos	entender	um	pouco	mais	sobre	a	classificação	das	
cirurgias	e	outras	especificidades	relacionadas	a	ela,	às	quais	devemos	ter	atenção.
Figura 3 – Classificação de cirurgias
Fonte: a autora
9
O momento operatório	 é	 a	 primeira	 classificação,	 pois	 define	 o	 grau	 de	
urgência	que	o	procedimento	operatório	requer.	Segundo	Possari	(2011),	esse	momento	
pode	ser	classificado	em	cirurgia	de	emergência,	de	urgência	ou	eletiva:
• Emergência: pelo	estado	de	gravidade	e	risco	eminente	de	vida,	o	procedimento	ci-
rúrgico	deve	ser	imediato,	como	ferimento	por	arma	de	folgo	ou	branca,	hemorragias,	
perfuração	de	vísceras,	dentre	outras.
• Urgência:	 o	 procedimento	 deve	 ser	 realizado	 o	 mais	 breve	 possível,	 podendo	
aguardar	de	24	a	28	horas,	sob	observação	clínica,	como	apendicectomia,	abdome	
agudo,	dentre	outros.	
• Eletiva:	é	a	cirurgia	que,	mesmo	sendo	indicada,	pode	aguardar	para	ser	agendada	
em	momento	posterior.	Não	traz	risco	eminente	de	vida,	como	mamoplastia,	hérnia	
inguinal,	dentre	outras.
Carvalho	e	Bianchi	(2016,	p.	10)	reiteram	que	“alguns	autores	classificam	certos	
tipos	de	tratamentos	cirúrgicos	eletivos	como	optativos,	ou	seja,	a	cirurgia	é	feita	por	
solicitação	do	paciente,	como	nos	casos	de	cirurgias	plásticas	com	fins	estéticos”.
Conforme	Possari	(2011),	quanto	à	finalidade cirúrgica,	termos	as	seguintes	
opções:
• paliativas: procedimentos	realizados	para	melhorar	a	qualidade	de	vida	do	paciente,	
como	aliviar	a	dor,	porém,	sem	finalidade	curativa.	Alguns	exemplos	são	retirada	de	
tumores	e	traqueostomia;
• radical: procedimento	 realizado	 para	 a	 retirada	 total	 ou	 parcial	 de	 órgão,	 como	
nefrectomia,	histerectomia	e	apendicectomia;
• plástica: procedimento	 realizado	com	 intuito	estético	corretivo.	É	optativo	para	o	
paciente.	Alguns	exemplos	são	abdominoplastia	e	rinoplastia;
• diagnóstica: procedimento	cirúrgico	realizado	para	diagnosticar	alguma	patologia.	
Geralmente,	é	feita	a	busca	por	meio	da	laparotomia	exploratória	ou	com	a	retirada	de	
fragmentos	ou	líquidos	para	análises	microscópicas	(biópsias);
• reconstrutora: procedimento	realizado	para	reconstruir	órgão	ou	tecido	lesionado	
que	 perdeu	 sua	 funcionalidade,	 como	 cirurgia	 reconstructiva	 de	válvula	 aórtica	 e	
cirurgia	reconstrutiva	pélvica;
• transplante: procedimento	 realizado	 para	 substituir	 órgãos	 que	 perderam	 sua	
funcionalidade,	como	transplante	de	rim,	córnea	e	fígado.
Temos,	ainda,	a	consideração	de	risco cardiológico,	o	qual	é	dividido,	conforme	
Possari	(2011),	da	seguinte	maneira:
• cirurgia de grande porte: procedimento	com	provável	perda	de	fluidos	e	sangue	
de	grande	proporção,	com	risco	de	comprometimento	cardiológico,	como	cirurgias	
vasculares,	grandes	traumas,	aneurismas	e	transplantes;
10
• cirurgia de médio porte: procedimento	com	provável	perda	de	fluidos	e	sangue	de	
média	proporção,	com	risco	de	comprometimento	cardiológico,	como	cirurgias	orto-
pédicas	e	histerectomia;
• cirurgia de pequeno porte: procedimento	com	pequeno	risco	de	perda	de	fluidos	e	
sangue	de	grande	proporção,	com	risco	de	comprometimento	cardiológico.
 
Quanto	ao	potencial	de	contaminação,	as	cirurgias	 limpas dizem	respeito	a	
procedimentos	que	são	“realizados	em	tecidos	estéreis	ou	passíveis	de	descontamina-
ção,	na	ausência	de	processo	infeccioso	e	inflamatório	local”	(POSSARI,	2011,	p.	98).	De	
modo	geral,	essas	cirurgias	são	eletivas	e	não	ocorre	penetração	nos	tratos	digestório,	
respiratório	e	urinário.	Podemos	citar,	como	exemplos,	as	cirurgias	cardíacas	e	neuroló-
gicas,	além	das	monoplastias,	conforme	Possari	(2011).
Já	as	cirurgias potencialmente contaminadas são procedimentos	realiza-
dos	 em	 “tecidos	 colonizados	 por	flora	microbiana	 residente	 pouco	 numerosa	 ou	 em	
tecidos	de	difícil	descontaminação”	(CARVALHO;	BIANCHI,	2016,	p.	11).	Podem	ser	re-
alizadas	nos	tratos	digestório,	 respiratório	e	urinário,	desde	que	não	haja	contamina-
ção	importante	nessa	área.	Também	podem	ser	classificadas	assim	as	cirurgias	em	que	
ocorreu	pequena	falha	na	técnica	no	transoperatório.	São	exemplos:	histerectomia	ab-
dominal,	gastrectomia	e	colecistectomia,	conforme	Carvalho	e	Bianchi	(2016).	
As cirurgias contaminadas equivalem	a procedimentos	 realizados	 em	 “te-
cidos	 traumatizados	 recentemente	 e	 abertos	 ou	 em	 tecidos	 colonizados	 por	 flo-
ra	bacteriana	 abundante,	 cuja	 descontaminação	é	 difícil	 ou	 impossível”	 (CARVALHO;	
BIANCHI,	2016,	p.	11).	Cirurgias	que	tiveram	falhas	grosseiras	nas	técnicas	assépticas	
também	podem	ser	caracterizadas	como	contaminadas.	Temos,	como	exemplos,	obs-
trução	biliar	ou	urinária,	cirurgias	dentárias	e	amigdalectomia,	de	acordo	com	Carvalho	 
e	Bianchi	(2016).	
Finalmente,	 as	 cirurgias infectadas são procedimentos	 realizados	 em	
“qualquer	tecido	ou	órgão,	na	presença	de	processo	 infeccioso	com	supuração	 local,	
tecido	 necrótico	 ou	 corpo	 estranho”	 (CARVALHO;	 BIANCHI,	 2016,	 p.	 11).	 Conforme	
Carvalho	e	Bianchi	(2016),	temos,	como	exemplos,	as	cirurgias	de	reto	e	ânus,	limpezas	
cirúrgicas	em	tecidos	necróticos	e	amputação	de	pé	diabético.	
Para	 finalizar,	 segundo	 Possari	 (2011),	 ainda	 podemos	 classificar	 as	 cirurgias	
quanto	ao	tempo de duração,	em:	porte I: procedimentos	cirúrgicos	com	tempo	de	
duração	de	até	2	horas; porte II:	procedimentos	cirúrgicos	com	tempo	de	duração	de	
2	a	4	horas; porte III: procedimentos	cirúrgicos	com	tempo	de	duração	de	4	a	6	horas; 
porte IV: procedimentos	cirúrgicos	com	tempo	de	duração	acima	de	6	horas.
11
3 NOMENCLATURA CIRÚRGICA
É	imprescindível	que	os	profissionais	de	saúde	saibam	a	terminologia	cirúrgica,	
que	nada	mais	é	do	que	o	nome	científico	dado	aos	procedimentos	e	às	técnicas	de	
cirurgia.	Esses	termos	seguem	a	regra	gramatical	de	formação	de	palavras:
as	palavras	são	compostas	por	raiz,	que	é	a	parte	básica	da	estru-
tura	da	palavra,	e	por	afixos,	prefixos	e	sufixos,	que	são	acrescidos,	
respectivamente,	antes	e	após	a	raiz.	A	nomenclatura	cirúrgica	se-
gue	essemesmo	padrão,	onde	a	 raiz	 representa	o	segmento	ana-
tômico	relacionado	à	 intervenção	cirúrgica,	e	os	afixos	determinam	
o	diagnóstico	ou	o	tratamento	cirúrgico	a	ser	realizado	(CARVALHO;	 
BIANCHI,	2016,	p.	133).	
Figura 4 – Exemplos de nomenclatura cirúrgica
Fonte: adaptada de Possari (2011)
Portanto,	a	terminologia	cirúrgica	é	um	termo	gramaticalmente	composto,	padro-
nizado	e	essencial	para	a	assistência	perioperatória.	Tem	como	finalidade	a	 identificação	
do	procedimento	a	ser	realizado,	tanto	de	forma	verbal	quanto	escrita,	a	fim	de	preparar	a	 
sala	operatória,	bem	como	os	instrumentais	e	equipamentos	a	serem	utilizados.
12
4 POSIÇÕES CIRÚRGICAS
A	posição	 cirúrgica	 é	 aquela	 posição	 em	que	 o	 paciente	 será	 colocado	 para	
realizar	o	procedimento	cirúrgico,	devendo	o	sítio	cirúrgico	ficar	exposto	para	facilitar	
as	manobras	 cirúrgicas.	 Temos	 inúmeras	 variações	 para	 as	 posições,	mas,	 segundo	
Possari	(2011),	é	necessário	estar	atento	ao	conforto	e	à	segurança	do	paciente:
o	 posicionamento	 dos	 pacientes	 no	 centro	 cirúrgico	 deve	 ser	
encarado	 como	 um	 procedimento	 de	 grande	 complexidade,	 que	
envolve	 sérios	 riscos	 que,	 se	 não	 observados	 com	 responsabilidade	
e	 competência,	 podem	 comprometer	 definitivamente	 a	 saúde	 física	
e	mental	do	paciente.	Em	decorrência	disso,	deve	ser	 individualizado	
e	adaptado	às	necessidades	de	cada	pessoa	e	aos	procedimentos	
previstos	(CARVALHO;	BIANCHI,	2016,	p.	162).
Para	posicionar	o	paciente,	é	necessário	conhecer	o	procedimento	cirúrgico	e	
ter	habilidade	para	não	lesionar	o	indivíduo,	tendo	em	vista	que	essa	atividade	é	feita	
logo	após	a	indução	anestésica,	ou	seja,	o	paciente	não	estará	sensível	à	dor.	O	mau	po-
sicionamento	pode	acarretar	riscos	como	paresia	pós-cirúrgica,	lombalgia,	hipotensão,	
traumas	e	entorses,	conforme	Possari	(2011).
Carvalho	 e	 Bianchi	 (2016)	 mencionam	 que,	 para	 realizar	 o	 posicionamento	
adequado,	 é	 importante	que	o	profissional	 tenha	o	 entendimento	de	que	o	 conforto	
e	 a	 segurança	 são	 pontos	 centrais	 do	 procedimento,	 sendo	 que	 a	 prevenção	 de	
eventos	adversos	ao	posicionamento	cirúrgico	é	primordial	para	o	desenvolvimento	da	
assistência	de	qualidade.	Frente	a	isso,	a	equipe	cirúrgica	deve	conhecer	as	posições	
cirúrgicas	mais	utilizadas.
Para conhecer mais detalhes sobre as posições cirúrgicas, o vídeo in-
dicado a seguir nos mostra as posições convencionais e as variações 
que podem ser feitas a partir delas. Assista à produção completa por 
este link: https://www.youtube.com/watch?v=xqlbCTGte3c. 
DICA
Uma	 das	 posições	mais	 utilizadas	 é	 a	posição de decúbito dorsal,	 pois	 é	
a	que	menos	causa	eventos	adversos.	Nessa	posição,	o	paciente	fica	deitado	com	a	
coluna	vertebral	apoiada	na	maca	cirúrgica,	e	os	membros	inferiores	e	superiores	são	
estendidos	 e	 apoiados	 em	 braçadeiras.	 Pode	 ser	 utilizada	 em	 cirurgias	 abdominais,	
torácicas	e	vasculares,	conforme	Possari	(2011).
13
Figura 5 – Posição de decúbito dorsal
Fonte: Possari (2011, p. 131)
Na	posição de decúbito ventral,	o	paciente	fica	com	o	abdome	sobre	a	mesa	
cirúrgica,	e	os	braços	são	estendidos	à	frente,	apoiados	em	braçadeiras.	Para	Possari	
(2011),	 é	 uma	 posição	 utilizada	 em	 cirurgias	 na	 coluna	 vertebral,	 na	 região	 lombar,	
occipital	ou	sacra.
Figura 6 – Posição de decúbito ventral
Fonte: Possari (2011, p. 132)
Já	na	posição Fowler,	 o	paciente	fica	sentado	na	mesa	cirúrgica.	De	modo	
geral,	ela	só	é	utilizada	quando	o	paciente	apresenta	um	quadro	de	dispneia	após	algum	
procedimento	em	posição	de	decúbito	dorsal.	Segundo	Possari	(2011),	é	importante	não	
deixar	os	braços	dos	pacientes	soltos,	pois	pode	ocasionar	hipertensão	nos	ombros.
Figura 7 – Posição de Fowler
Fonte: Possari (2011, p. 132)
14
Na	posição litotômica ou ginecológica,	o	paciente	fica	em	decúbito	dorsal	so-
bre	a	mesa	cirúrgica,	com	os	membros	superiores	estendidos,	apoiados	em	braçadei-
ras,	e	os	membros	inferiores	flexionados,	apoiados	em	perneiras	confortáveis.	Segundo	 
Possari	(2011),	é	uma	posição	utilizada	em	procedimentos	ginecológicos	ou	prostáticos.
Figura 8 – Posição litotômica ou ginecológica
Fonte: Possari (2011, p. 133)
De	 acordo	 com	 Possari	 (2011),	 essa	 posição	 apresenta	 mais	 facilidade	 de	
provocar	 lesão	muscular	pelo	seu	modelo	não	anatômico.	Sendo	assim,	é	necessário	
ter	 cuidados	 especiais	 ao	 movimentar	 os	 membros	 inferiores	 do	 paciente,	 como	
movimentá-los	simultaneamente,	para	evitar	lesão	neuromuscular.
Temos,	 também,	 a	 posição jakknife	 ou canivete,	 em	 que	 “os	 membros	
inferiores,	o	tórax	e	os	membros	superiores	são	abaixados,	de	modo	que	o	corpo	fique	
fletido	 sobre	 a	mesa,	mantendo-se	 a	 região	 a	 ser	 operada	 em	 plano	mais	 elevado”	
(CARVALHO;	BIANCHI,	 2016,	 p.	 179).	 Geralmente,	 é	 uma	posição	utilizada	 em	cirurgias	
proctológicas	ou	na	região	dorsal.	Aliás,	nesse	caso,	é	necessário	fazer	uso	de	suportes	
adicionais	 para	 o	 tórax,	 os	 membros	 inferiores	 e	 os	 superiores,	 para	 evitar	 lesões	
neuromusculares.
Figura 9 – Posição jakknife ou canivete
Fonte: Possari (2011, p. 133)
15
Na	 posição lateral ou	 SIMS,	 o	 paciente	 fica	 deitado	 lateralmente,	 com	 a	
perna	superior	flexionada	e	apoiada	confortavelmente	em	coxins.	Já	a	perna	 inferior	
é	estendida	sobre	a	mesa	cirúrgica,	com	os	membros	superiores	estendidos	e	fixados	
em	um	arco	de	proteção.	Essa	posição	é	utilizada,	basicamente,	em	cirurgias	 renais,	
conforme	Possari	(2011).
Figura 10 – Posição lateral ou SIMS
Fonte: Possari (2011, p. 133)
Para	finalizar,	na	posição trendelenburg,	o	paciente	fica	em	decúbito	dorsal,	
com	os	membros	inferiores	elevados	e	a	parte	superior	do	tronco	inclinada	para	baixo.	
Ela	 é	 utilizada	 para	 a	 realização	 de	 cirurgias	 abdominais,	 pois	 permite	 uma	 melhor	
visualização	 dos	 órgãos	 pélvicos,	 levantando	 a	 parte	 superior	 do	 intestino,	 segundo	
Possari	(2011).
Figura 11 – Posição trendelenburg
Fonte: Possari (2011, p. 133)
Nessa	posição,	é	importante	que,	ao	voltar	o	paciente	para	a	posição	de	decú-
bito	dorsal,	o	movimento	seja	feito	muito	lentamente,	para	evitar	hipotensão	arterial.
5 EQUIPE CIRÚRGICA
A	equipe	cirúrgica	tem	como	principal	objetivo	prestar	assistência	ininterrupta	
ao	paciente	em	todo	o	período	transoperatório,	oferecendo	um	cuidado	de	qualidade,	
com	 segurança	 e	 conforto,	 possibilitando	 o	 sucesso	 do	 procedimento	 anestésico-
cirúrgico.	
16
De acordo com a SOBECC (2017) e Carvalho e Bianchi (2016), os procedimentos ope-
ratórios são divididos em quatro períodos. O período pré-operatório, por exemplo, é 
dividido em duas fases: 
1. pré-operatório mediato, que começa com a decisão de fazer a cirurgia e se estende 
por até 24 horas de sua realização;
2. pré-operatório imediato, que começa 24 horas antes da cirurgia até a entrada do 
paciente no centro cirúrgico.
Já o período transoperatório se refere ao momento em que o paciente é recebido no 
centro cirúrgico até o momento de sua transferência para a unidade de recuperação 
anestésica. Depois, temos o período intraoperatório, que inicia com o procedimento 
anestésico e se estende até o final do procedimento. Esse período se insere dentro do 
período transoperatório.
O período pós-operatório é dividido em quatro fases: 
1. recuperação anestésica, que se inicia com a chegada do paciente na 
sala de recuperação pós-anestésica e finaliza com a sua saída para a 
unidade de internação;
2. pós-operatório imediato, que corresponde às primeiras 24 horas 
após o procedimento cirúrgico;
3. pós-operatório mediato, que se inicia 24 horas após o fim do procedi-
mento cirúrgico e finaliza com a alta hospitalar do paciente;
4. pós-operatório tardio, que pode variar de acordo como o tipo de cirurgia, 
podendo ser 15 dias até um ano após o procedimento cirúrgico.
INTERESSANTE
Os	profissionais	devem	estar	focados	no	bem-estar	do	paciente,	trabalhando	
em	equipe	e	 respeitando	o	espaço	e	 as	habilidades	de	cadaum,	de	 forma	a	visar	 à	
eficácia	do	ato	cirúrgico.
A	equipe	cirúrgica,	geralmente,	é	dividida	em	três	grupos:	equipe	de	médicos	
cirurgiões,	equipe	de	médicos	anestesiologistas	e	equipe	de	enfermagem,	conforme	a	
Figura	12:
17
Figura 12 – Equipe cirúrgica
Fonte: a autora
Existem	vários	outros	profissionais	que	prestam	assistência	no	centro	cirúrgico,	
como:	auxiliar	de	serviço	gerais;	técnicos	de	raio	X;	técnicos	de	laboratórios;	biomédi-
cos.	No	entanto,	neste	estudo,	vamos	nos	deter	às	três	principais	equipes,	ressaltando	
que	todas	as	funções	desempenhadas	pelos	integrantes	estão	de	acordo	com	as	com-
petências	que	lhe	são	exigidas	e	embasadas	nos	respectivos	códigos	de	lei	do	exercício	
profissional,	conforme	Carvalho	e	Bianchi	(2016).
5.1 EQUIPE MÉDICA 
A	equipe	médica	é	formada	por	profissionais	médicos	cirurgiões,	seus	assisten-
tes	e	auxiliares	e	por	médicos	anestesiologistas.
O médico cirurgião	ou cirurgião titular	é	o	profissional	responsável	pelo	ato	
cirúrgico	e	pela	composição	da	equipe,	pela	técnica	cirúrgica	empregada	e	por	direcionar	
o	 procedimento	 e	 a	 equipe.	 Sua	 relação	 com	 os	 demais	 profissionais	 envolvidos	 no	
procedimento	deve	ser	baseada	no	respeito	mútuo	e	na	ética	profissional,	considerando	
a	 liberdade	 das	 profissões	 e	 o	 bem-estar	 do	 paciente.	 Segundo	 Carvalho	 e	 Bianchi	
(2016),	as	atribuições	do	cirurgião	são:
•	 participar	da	equipe	cirúrgica	com	outros	médicos	e	outros	profissionais	da	equipe,	a	
exemplo	de	instrumentadores	cirúrgicos	ou,	ainda,	acadêmicos	de	Medicina;
•	 estar	 ciente	 da	 qualificação	 do	 médico	 assistente	 para	 o	 caso	 de,	 porventura,	
necessitar	ser	substituído	no	ato	cirúrgico;
•	 assegurar-se	das	condições	de	segurança	do	ambiente	hospitalar	e	somente	realizar	
o	procedimento	se	tudo	estiver	adequado;
18
•	 colaborar	com	a	realização	do	checklist	cirúrgico	nas	seguintes	ocasiões:	antes	do	início	 
da	cirurgia/incisão	na	pele	e	ao	término	da	cirurgia,	antes	de	o	paciente	sair	da	SO;
•	 responsabilizar-se,	integralmente,	pelo	ato	operatório;
•	 assumir,	diretamente,	todas	as	consequências	decorrentes	do	ato	cirúrgico;
•	 planejar,	executar	e	comandar	a	cirurgia,	mantendo	a	ordem	no	campo	operatório;
•	 coordenar	a	intervenção	cirúrgica	e	proceder	as	técnicas	básicas	da	cirurgia:	realizar	
diérese	nas	estruturas,	fazer	a	hemostasia	e	a	síntese	dos	tecidos,	do	início	ao	fim	do	
procedimento;
•	 manter	a	organização,	a	disciplina	e	a	harmonia	durante	o	ato	operatório.
O cirurgião assistente	 é	 o	 profissional	 médico	 habilitado	 para	 realizar	 o	
procedimento	 cirúrgico.	 A	 sua	 principal	 função	 é	 auxiliar	 o	médico	 titular	 durante	 a	
cirurgia	e	substituí-lo	quando	necessário	(por	essa	razão,	precisa	ser	um	cirurgião	que	
conheça	as	técnicas	cirúrgicas).	Em	cirurgias	de	grande	porte,	pode	haver	mais	de	um	
cirurgião	 assistente.	 Segundo	 Carvalho	 e	 Bianchi	 (2016),	 as	 atribuições	 do	 cirurgião	
assistente	são:
•	 garantir	que	o	prontuário	do	paciente	esteja	completo,	com	todos	os	exames	realiza-
dos	pelo	antes	da	cirurgia,	sendo	encaminho	ao	centro	cirúrgico	junto	do	paciente;
•	 acompanhar	o	paciente	na	sua	entrada	na	SO,	verificar	a	necessidade	de	procedi-
mentos	no	pré-operatório	imediato	e	providenciá-los,	como	punção	venosa,	catete-
rismo	vesical	de	demora,	sondagem	nasogástrica	etc;
•	 auxiliar	 a	 equipe	 no	 posicionamento	 adequado	 do	 paciente,	 de	 acordo	 com	 o	
procedimento	cirúrgico	a	ser	realizado;
•	 auxiliar	 o	 instrumentador	 na	montagem	da	mesa	 e	na	 solicitação	de	materiais	 ao	
circulante	de	sala;
•	 cooperar	na	realização	do	checklist	cirúrgico	nos	momentos	necessários;
•	 fazer	a	antissepsia	da	pele	do	paciente	junto	do	cirurgião;
•	 exercer	as	atividades	delegadas	pelo	cirurgião	titular	durante	o	ato	cirúrgico;
•	 estar	preparado	para	substituir	o	cirurgião	titular	em	caso	de	necessidade;
•	 auxiliar	 o	 cirurgião	 titular	 abrindo	 o	 campo	 operatório,	 expondo	 as	 vísceras	 para	
facilitar	as	manobras	cirúrgicas;
•	 ajudar	 na	 transferência	 do	 paciente	 para	 SRPA,	 bem	 como	 acompanhá-lo	 na	
transferência.	
Diérese diz respeito a corte, divisão, secção dos tecidos. Hemostasia, por 
sua vez, é a contenção de sangramento e hemorragias. Já a exérese é 
a remoção cirúrgica de tecido ou órgão debilitado. Por fim, a 
síntese é o fechamento dos tecidos seccionas com suturas, 
segundo Possari (2011).
NOTA
19
De acordo com Possari (2011), a Antiguidade, o corpo humano não era totalmente co-
nhecido, e os médicos preferiam tratar seus pacientes clinicamente, pois temiam rea-
lizar procedimentos. Assim, os cirurgiões não se formavam nas universidades, tendo 
apenas ensinamentos práticos que, geralmente, eram repassados pelos 
familiares que já praticavam as cirurgias. Inclusive, eles acreditavam que 
os procedimentos cirúrgicos precisavam unicamente de habilidades ma-
nuais. Nessa época, os cirurgiões eram chamados de “cirurgiões barbei-
ros” e eram considerados parte de uma categoria inferior aos médicos 
formados da universidade, devido às características mecânicas do seu 
trabalho. Por volta de 1978, após uma convenção dos cirurgiões trei-
nados por aprendizagem prática, foi desfeita a associação dos cirur-
giões aos barbeiros. Com isso, os cirurgiões passaram a apresentar 
status de médicos e começaram a defender a cirurgia como um 
braço da Medicina.
INTERESSANTE
No	 Brasil,	 somente	 o	 profissional	médico anestesiologista	 pode	 realizar	 o	
procedimento	 anestésico.	 Em	 alguns	 países,	 como	 os	 Estados	 Unidos,	 essa	 prática	
pode	ser	realizada	por	uma	enfermeira	anestesista.	De	acordo	com	Rothrock	(2007),	o	
anestesista	é	o	responsável	por	controlar	as	funções	clínicas	do	paciente	durante	todo	
o	período	operatório,	ou	seja,	deve	avaliar	os	sinais	vitais,	bem	como	as	funções	sensoriais	
e	cerebrais	do	indivíduo.
A	 anestesia	 é	 caracteriza	 pela	 perda	 de	 sensibilidade	 dolorosa,	 que	 pode	 ser	
acompanhada	ou	não	pela	perda	de	consciência.	Tem	como	objetivos	“extirpar	a	sensibi-
lidade	dolorosa	durante	a	cirurgia,	promover	relaxamento	muscular	e	proporcionar	condi-
ções	ideais	para	a	atuação	da	equipe	cirúrgica”	(CARVALHO;	BIANCHI,	2016,	p.	189).
Segundo	Possari	(2011),	as	anestesias	são	divididas	em	duas	classes,	de	acordo	
com	a	inibição	dolorosa	que	elas	provocam:	anestesia	geral,	em	que	o	paciente	perde	a	
consciência	da	dor;	anestesia	regional,	com	a	perda	da	sensibilidade	de	algumas	partes	
do	corpo.
A anestesia já existe há muitos séculos, mesmo que para servir apenas 
como analgesia. Na Antiguidade, as primeiras substâncias utilizadas para 
realizar anestesia foram os chás mandrágoras misturados ao vinho. 
Além desses, o extrato de ópio também foi usado. Inúmeras outras 
substâncias foram testadas e conhecidas até chegar às drogas que 
temos hoje.
Se quiser conhecer mais sobre a história da anestesia, indicamos que 
leia o capítulo a seguir, disponível neste link: https://books.scielo.org/
id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-11.pdf. 
DICA
20
Seguindo	a	Resolução	CFM	n.	2.147/2016	(CONSELHO	FEDERAL	DE	MEDICINA,	
2016),	são	estabelecidas	como	atribuições	do	médico	anestesiologista:
•	 conhecer	as	condições	clínicas	do	paciente	antes	da	realização	de	qualquer	anestesia,	
salvo	nas	situações	de	urgência	e	emergência;
•	 decidir	sobre	a	realização	ou	não	do	ato	anestésico;
•	 realizar	a	consulta	pré-anestésica	para	procedimentos	eletivos,	 recomendando-se	
que	seja	feita	em	consultório	médico,	antes	do	internamento	na	unidade	hospitalar;
•	 proceder	à	avaliação	pré-anestésica	do	paciente	quando	a	consulta	pré-anestésica	
não	for	realizada	em	tempo	hábil,	antes	da	admissão	no	centro	cirúrgico;
•	 permanecer	dentro	da	sala	de	procedimento,	monitorando	e	assistindo	ao	paciente	
até	 o	fim	do	 ato	 anestésico,	 para	 conduzir	 as	 anestesias	 gerais	 ou	 regionais	 com	
segurança;
•	 prescrever,	obrigatoriamente	em	prontuários,	como	fonte	de	documentos,	todas	as	
informações	relativas	à	avaliação	e	prescriçãopré-anestésicas,	bem	como	evolução	
clínica	e	tratamentos	intra	e	pós-anestésico;
•	 averiguar,	antes	do	procedimento	cirúrgico,	as	condições	de	segurança	do	ambiente	
para	a	prática	da	anestesia.
De acordo com a mesma Resolução, é vedada a realização 
de anestesias simultâneas em pacientes distintos pelo 
mesmo profissional, ao mesmo tempo, ainda que seja no 
mesmo ambiente cirúrgico.
ATENÇÃO
Ainda	sobre	as	atribuições	dos	anestesistas,	Carvalho	e	Bianchi	(2016)	reforçam:
•	 antes	do	procedimento	anestésico,	é	 imprescindível	a	verificação	do	funcionamento	
adequado	de	todos	os	equipamentos	que	serão	utilizados	para	a	sua	realização;
•	 deve-se	monitorizar	os	sinais	vitais	do	paciente	em	ficha	própria	durante	a	anestesia;
•	 é	 preciso	 responder	 diretamente	 por	 todas	 as	 consequências	 decorrentes	 do	 ato	
anestésico;
•	 deve-se	colaborar	com	a	execução	do	checklist	cirúrgico	antes	da	indução	anestésica;
•	 é	preciso	se	responsabilizar	pelo	encaminhamento	dos	pacientes	para	a	SRPA	após	a	
cirurgia,	até	a	sua	alta	para	a	unidade	de	internamento.
Segundo	as	autoras,	o	papel	do	anestesista	no	centro	cirúrgico	engloba	 inú-
meros	procedimentos	que	devem	ser	realizados	exclusivamente	por	esse	profissional.	
É	extremamente	importante	que	o	médico	anestesista	permaneça	ao	lado	do	paciente	
durante	todo	o	procedimento	cirúrgico,	prestando	assistência	e	garantindo	a	segurança	
do	paciente.
21
O Protocolo de Cirurgia Segura é implementado a partir de uma lista de verificação de 
segurança cirúrgica, que chamamos de “checklist cirúrgico”. Ela é utilizada para identificar, 
comparar e verificar o cumprimento às etapas críticas de segurança e, assim, minimizar os 
riscos evitáveis mais comuns, os quais colocam em risco a vida e o bem-estar dos clientes 
cirúrgicos. Esse protocolo deve ser feito antes da indução anestésica, antes do início da 
cirurgia/incisão na pele e ao término da cirurgia, antes de o paciente sair da SO. 
Os dez objetivos essenciais para a cirurgia segura são:
1. certificar-se de que é o paciente e o sítio cirúrgico corretos;
2. proteger o paciente da dor, minimizando os riscos da anestesia;
3. ter capacidade para reconhecer dificuldades respiratórias e um plano de ação pronto;
4. preparar-se para identificar e agir em caso de grande perda sanguínea;
5. evitar induzir reações alérgicas ou à medicação que tragam riscos ao 
paciente;
6. usar métodos para minimizar o risco de infecções de sítio cirúrgico;
7. evitar a retenção de compressas ou instrumentos em feridas cirúrgicas;
8. identificar, de maneira precisa, todos os espécimes cirúrgicos;
9. comunicar e trocar informações críticas sobre o paciente;
10. estabelecer vigilância de rotina sobre a capacidade, o volume e os 
resultados cirúrgicos.
IMPORTANTE
6 EQUIPE DE ENFERMAGEM 
A	história	da	cirurgia	retrata,	há	muito	tempo,	a	participação	da	enfermagem	
nos	 procedimentos	 cirúrgicos.	 Esses	 profissionais	 sempre	 estiveram	 presentes,	
proporcionando	um	espaço	 limpo,	 adequado	 e	 seguro,	 propício	 para	 a	 realização	 da	
cirurgia.	No	entanto,	a	sua	atuação	se	resumia	a	esse	trabalho.	Atualmente,	no	entanto,	
com	as	evoluções	tecnológica	e	científicas	na	saúde,	graças	aos	cursos	de	enfermagem,	
esses	profissionais	estão	a	cada	vez	mais	desenvolvendo	competências	para	oferecer	
uma	assistência	no	perioperatório	de	forma	integral,	individualizada	e	segura,	conforme	
Carvalho	e	Bianchi	(2016).
Segundo	a	SOBECC	(2017),	a	enfermagem,	como	parte	da	equipe	multiprofissio-
nal	no	centro	cirúrgico,	desenvolve	uma	assistência	curativa	e	sistematizada,	atuando	
de	forma	coletiva	para	promover	uma	melhor	interação	entre	equipe,	paciente	e	família.	
Para	tanto,	é	de	suma	importância	que	os	cuidados	de	enfermagem	sejam	realizados	
por	profissionais	capacitados	para	realizar	procedimentos	específicos	e,	às	vezes,	até	de	
alta	complexidade.
A	equipe	de	enfermagem	se	subdivide	em	enfermeiros,	técnicos	de	enferma-
gem,	auxiliares	de	enfermagem	e	instrumentadores	cirúrgicos.
22
Segundo	a	SOBECC	(2017),	o	enfermeiro	é	o	profissional	habilitado	e	capaci-
tado	para	desenvolver	ações	de	gerenciamento	e	assistência	de	enfermagem	em	todas	
as	etapas	do	ato	anestésico-cirúrgico.	Em	algumas	instituições,	a	função	do	enfermeiro	
é	dividida	em:
•	 coordenação	de	enfermagem,	que	cuida	da	parte	administrativa;
•	 enfermeiro	assistencial,	que	presta	cuidados	diretos	ao	paciente	no	procedimento	
cirúrgico.
Em	outros	casos,	apenas	um	profissional	realiza	as	duas	funções.	Logo,	exige	
maior	organização	do	profissional	e	a	priorização	das	atividades	mais	urgentes.
Carvalho	e	Bianchi	(2016)	reiteram	que	o	enfermeiro,	de	forma	geral,	tem	suas	
atribuições	voltadas	para	a	coordenação,	o	ensino,	a	assistência	e	a	pesquisa,	mas,	para	
atuar	no	centro	cirúrgico,	deve	ter	experiência	e	especialização	na	área,	além	de	um	
bom	relacionamento	 interpessoal	e	estabilidade	emocional	para	desenvolver	a	assis-
tência	e	habilidades	em	gerência	de	enfermagem.
Segundo	a	SOBECC	(2017),	as	principais	atribuições	dos	enfermeiros assis-
tenciais	são:
•	 realizar	a	sistematização	da	assistência	de	enfermagem	perioperatória;
•	 supervisionar	as	ações	dos	profissionais	da	equipe	de	enfermagem;
•	 responsabilizar-se	pelo	provimento	de	recursos	humanos	necessários	para	o	atendi-
mento	na	SO,	bem	como	do	dimensionamento	das	atividades	dos	funcionários;
•	 planejar	antecipadamente	a	programação	cirúrgica	e	providenciar	os	materiais	ne-
cessários	para	a	realização	dos	procedimentos,	além	de	checar	peças	implantáveis,	
quando	necessário;
•	 direcionar	a	montagem	e	desmontagem	dos	materiais	e	equipamentos	na	SO,	bem	
como	dar	o	encaminhamento	a	materiais	para	os	locais	adequados;
•	 classificar	a	ordem	dos	procedimentos	de	acordo	com	o	grau	de	complexidade	clínica	
e	cirúrgica	dos	pacientes;
•	 gerenciar	a	manutenção	de	um	ambiente	livre	de	contaminação;
•	 realizar	as	visitas	pré	e	pós-operatórias,	sendo	que,	quando	não	for	possível,	deverá	
recepcionar	o	paciente	no	centro	cirúrgico;
•	 conferir	 o	 preenchimento	 dos	 impressos	 e	 exames	 no	 prontuário,	 bem	 como	 a	
pulseira	de	identificação	do	paciente;
•	 realizar	o	checklist	cirúrgico	em	três	momentos:	antes	da	indução	anestésica,	antes	
do	início	da	cirurgia/incisão	na	pele	e	ao	término	da	cirurgia,	antes	de	o	paciente	sair	
da	SO;
•	 auxiliar	o	anestesiologista	durante	o	início	do	ato	anestésico,	caso	a	instituição	não	
disponha	de	auxiliar	de	anestesia;
•	 executar	procedimentos	de	enfermagem,	como	cateterismo	vesical,	acesso	venoso	
periférico,	passagem	de	sonda	gástrica	e	curativos	ao	fim	ato	cirúrgico;
23
•	 verificar	o	posicionamento	correto	de	dispositivos	como	sondas,	drenos,	cateteres,	
placa	dispersiva	do	bisturi	elétrico,	dentre	outros;
•	 prestar	assistência	ao	paciente	e	à	equipe,	antes,	durante	e	após	o	ato	anestésico-
cirúrgico;
•	 checar	resultados	de	exames	laboratoriais	quando	realizados	no	período	transopera-
tório;
•	 conferir	e	orientar	ao	circulante	de	sala	o	acondicionamento	da	peça	cirúrgica	e	seu	
registro	adequado;
•	 participar	da	transferência	do	paciente	da	mesa	cirúrgica	para	a	maca	e	observar	
possíveis	eventos	adversos;
•	 registrar	 todas	 as	 intercorrências	 e	 a	 evolução	 de	 enfermagem	 no	 prontuário	 do	
paciente;
•	 auxiliar	no	encaminhamento	do	paciente	para	a	SRPA	ou	outra	unidade	específica,	
quando	houver	necessidade;
•	 cumprir	as	normas	e	rotinas	institucionais.
O enfermeiro coordenador,	por	sua	vez,	exerce	atividades	de	gerenciamento	
no	bloco	cirúrgico,	como	planejar,	organizar,	dirigir,	executar	e	avaliar	os	cuidados	de	
enfermagem	realizados	nesse	setor.	A	SOBECC	(2017)	classifica	a	assistência	prestada	
pelo	gerente	de	enfermagem	em	atividades	relacionadas	ao	funcionamento	da	unidade,	
atividades	técnico-administrativas,	atividades	assistenciais	e	atividades	administrati-
vas	de	pessoal.
Segundo	 a	 SOBECC	 (2017),	 as	 atribuições	 do	 enfermeiro	 coordenador	
relacionadas	ao	funcionamento	da	unidade	são:
•	 contribuir	coma	elaboração	de	normas,	rotinas	e	procedimentos	do	setor;
•	 verificar	 a	 necessidade	 de	 materiais,	 equipamentos	 e	 instrumental	 cirúrgico,	
solicitando	tais	insumos	para	o	setor;
•	 contribuir	com	a	Comissão	de	Controle	de	Infecção	Hospitalar	(CCIH)	e	orientar	para	
que	sejam	cumpridas	as	normas	por	toda	a	equipe;
•	 elaborar	escalas	mensais	e	diárias	de	atividades	dos	funcionários;
•	 resolver	situações	administrativas	e	assistenciais	com	respaldo	científico.
Já	com	relação	às	atividades	técnico-administrativas	e	de	pessoal,	segundo	a	
SOBECC	(2017),	as	atribuições	do	enfermeiro	coordenador	são:
•	 avaliar	o	desempenho	da	equipe;
•	 estabelecer	o	perfil	do	profissional	do	centro	cirúrgico;
•	 planejar	e	participar	de	treinamentos	de	novos	funcionários	e	dos	já	existentes;
•	 dispor	da	educação	permanente	em	saúde;
•	 prover	recursos	humanos	para	realizar	o	ato	anestésico-cirúrgico;
•	 promover	a	qualidade	da	assistência.
24
Ainda	sobre	as	atribuições	do	enfermeiro	coordenador,	com	relação	às	atividades	
assistenciais,	a	SOBECC	(2017)	cita	as	seguintes:
•	 conferir	o	agendamento	de	cirurgias;
•	 direcionar	a	montagem	da	SO;
•	 supervisionar	o	relacionamento	interpessoal	da	equipe	de	enfermagem;
•	 reconhecer	os	problemas	e	propor	soluções;
•	 notificar	 ocorrências	 e	 providenciar	 que	 todos	 os	 impressos	 sejam	 preenchidos	
corretamente.
Os técnicos ou	 auxiliares de enfermagem	 trabalham	 em	 parceria	 e	 sob	
supervisão	 do	 enfermeiro.	 As	 atividades	 desenvolvidas	 por	 esses	 profissionais	 são	
consideradas	de	maior	complexidade,	no	entanto,	no	centro	cirúrgico,	elas	podem	ser	
realizadas	tanto	pelo	técnico	como	pelo	auxiliar	de	enfermagem,	conforme	Carvalho	e	
Bianchi	(2016).
Dentre	 as	 principais	 atividades	 realizadas	 pelos	 técnicos	 de	 enfermagem	no	
centro	cirúrgico,	podemos	mencionar	a	de	circulante	de	sala.	De	acordo	com	as	autoras,	
as	atribuições	dos	técnicos	ou	auxiliares	em	enfermagem,	como	circulantes de sala,	
são	as	seguintes:
•	 informar-se	das	cirurgias	que	estarão	sob	sua	responsabilidade;
•	 implementar	o	plano	assistencial	descrito	pelo	enfermeiro;
•	 organizar	 materiais	 e	 equipamentos	 para	 serem	 utilizados	 no	 ato	 anestésico-
cirúrgico;
•	 receber	o	plantão	conforme	a	rotina	da	instituição	e	se	responsabilizar	pela	circulação	
da	SO	sob	sua	responsabilidade;
•	 verificar	a	temperatura	e	iluminação	da	SO;
•	 montar	a	SO	de	acordo	com	a	programação	cirúrgica;
•	 recepcionar	o	paciente	na	entrada	da	SO;
•	 realizar	o	encaminhamento	do	paciente	com	segurança	para	a	SO;
•	 ajudar	na	transferência	do	paciente	da	maca	para	a	mesa	cirúrgica,	atentando-se	para	
o	posicionamento	correto,	mantendo	a	privacidade	do	paciente	e	a	permeabilidade	
de	cateteres	e	sondas,	bem	como	a	colocação	da	placa	dispersiva	do	bisturi	elétrico;
•	 requisitar	a	manutenção	de	temperatura	ideal	em	SO,	considerando	as	necessidades	
individuais	do	paciente	e	da	equipe	cirúrgica;
•	 abrir	corretamente	os	materiais	estéreis,	utilizando	as	técnicas	assépticas;
•	 participar	da	realização	do	checklist	cirúrgico;
•	 auxiliar	o	anestesiologista	na	indução	e	reversão	do	procedimento	anestésico;
•	 solicitar	 a	 presença	 do	 enfermeiro	 assistencial	 responsável	 pela	 SO	 quando	 em	
situações	imprevistas	ou	emergenciais;
•	 não	se	ausentar	da	SO,	a	não	ser	que	seja	estritamente	necessário;
•	 quando	necessário,	verificar	pacotes	de	gazes	e	compressas;
•	 fazer	o	controle	de	materiais	utilizados	em	SO	para	posterior	reposição;
25
•	 identificar	e	encaminhar	devidamente	as	peças	cirúrgicas	e	os	materiais	para	análise	
no	decorrer	da	cirurgia;
•	 auxiliar	a	transferência	do	paciente	para	a	unidade	recomendada;
•	 registrar	todas	as	informações	no	prontuário	do	paciente;
•	 realizar	à	desmontagem	da	SO	ao	término	do	procedimento	cirúrgico;
•	 encaminhar	os	materiais	contaminados	à	CME;	
•	 solicitar	a	equipe	de	higiene	a	limpeza	da	SO;
•	 organizar	 o	 ambiente	 de	 trabalho,	 colaborando	 para	 manter	 boas	 condições	 de	
segurança	ambiental	para	o	paciente	e	para	a	equipe;
•	 estar	 atento	à	 realização	das	 limpezas	específicas	da	SO	 (preparatória,	 operatória,	
concorrente	e	terminal)	segundo	rotina	institucional	e	normas	da	CCIH;
•	 participar	 de	 treinamentos	 e	 programas	 de	 aperfeiçoamento	 oferecidos	 pela	
instituição.
Segundo	a	SOBECC	(2017),	é	recomendado	que	a	assistência	de	enfermagem	
no	perioperatório	 seja	 realizada	pelo	 enfermeiro	 assistencial.	 Porém,	 quando	não	 for	
possível,	o	técnico	de	enfermagem	possui	habilitação	técnico-cientifica	para	desenvol-
ver	essa	assistência.
Dentre os tipos de limpeza do centro cirúrgico, de acordo com Carvalho e Bianchi (2016), 
temos:
• preparatória: é a limpeza realizada antes do primeiro procedimento do dia, devendo 
ser precedida da retirada do pó das superfícies horizontais da SO, com o auxílio de 
tecido limpo embebido por um produto desinfetante indicado pela CCIH da instituição;
• operatória: deve ser realizada imediatamente à ocorrência da sujidade, como no 
derramamento de substâncias acidentalmente no chão da sala. Para essa limpeza, 
deverá ser utilizado um pano de tecido ou não tecido descartável, limpo e umedecido;
• concorrente: deve ser realizada após cada procedimento cirúrgico para remover toda 
a sujidade visível da SO, bem como organizar a sala. Essa limpeza envolve o descarte do 
material descartável, a retirada de materiais contaminados, além de piso e mobiliário 
utilizados na cirurgia, se tiver sujidade visível;
• terminal: é a limpeza realizada ao fim de todos os procedimentos 
eletivos, diariamente. Deve ser completa e incluir pisos, paredes, 
equipamentos, móveis, leitos, macas, colchões, janelas, portas, pei-
toris, varandas, grades do ar-condicionado, luminárias, teto, dentre 
outros equipamentos ou materiais utilizados. 
INTERESSANTE
26
Neste tópico, você aprendeu:
•	 O	centro	cirúrgico	é	o	ambiente	destinado	para	realizar	procedimentos	anestésico-
cirúrgicos.	Deve	estar	localizado	dentro	da	estrutura	hospitalar,	próximo	às	unidades	
de	emergências	e	de	terapia	 intensiva.	De	modo	geral,	seu	ambiente	 interno	deve	
conter	salas	de	operação,	sala	de	recuperação	pós-anestésica	e	centro	de	material	e	
esterilização.
•	 As	áreas	do	CC	podem	ser	classificadas	de	acordo	com	o	grau	de	assepsia,	podendo	
ser	restrita,	semirrestrita	e	não	restrita.	As	cirurgias	podem	ser	classificadas	quanto	
ao	momento	operatório,	finalidade,	risco	cardiológico,	potencial	de	contaminação	e	
porte	cirúrgico.	A	nomenclatura	cirúrgica	é	definida	pelo	órgão	que	vai	ser	operado,	
juntando	com	procedimento	a	ser	realizado	(raiz	+	sufixo).	É	extremamente	importan-
te	que	os	profissionais	saibam	os	nomes	dos	procedimentos	cirúrgicos.
•	 Vários	profissionais	prestam	assistência	no	centro	cirúrgico:	médicos,	enfermeiros,	
técnicos	de	enfermagem,	além	de	outros	profissionais,	 como	profissionais	da	 lim-
peza,	técnicos	de	raio-x,	técnicos	de	 laboratórios	e	biomédicos.	A	equipe	cirúrgica	
propriamente	dita	é	composta	basicamente	por	cirurgião,	auxiliar	do	cirurgião,	anes-
tesista,	instrumentador	cirúrgico	e	circulante	de	sala.
•	 Na	equipe	cirúrgica,	 o	cirurgião	titular	 é	o	principal	 responsável	pelo	procedimen-
to	realizado.	O	enfermeiro	pode	atuar	como	gerente	de	unidade	ou	enfermeiro	as-
sistencial.	De	modo	geral,	os	técnicos	de	enfermagem	desenvolvem	as	funções	de	
circulante	ou,	 ainda,	de	 instrumentador	cirúrgico,	 e	o	médico	anestesiologista	é	o	
responsável	direto	pelo	procedimento	anestésico.
RESUMO DO TÓPICO 1
27
AUTOATIVIDADE
1	 A	 assistência	 ao	 paciente	 no	 perioperatório	 deve	 ser	 realizada	 por	 uma	 equipe	
capacitada	e	 comprometida	 com	bem-estar	 e	 a	 segurança	do	paciente.	A	 equipe	
de	enfermagem	desenvolve	suas	atividades	na	equipe	cirúrgica	de	várias	maneiras,	
podendo,	ainda,	desempenhar	as	funções	de	circulante	de	sala	e	de	instrumentação	
cirúrgica.
SOBECC.	Diretrizes de práticas em enfermagem 
cirúrgica e processamento de produtos para a saúde.	7.ed.	São	Paulo:	SOBECC,	2017.
Sobre	as	atribuições	do	circulante	de	sala,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	
e	F	para	as	falsas:
(			)	Verificar	a	temperatura	e	iluminação	da	SO.
(			)	Realizar	a	programação	diária	de	cirurgias.
(			)	Responsabilizar-se	diretamente	pelo	procedimento	anestésico.
(			)	Checar	o	funcionamento	do	sistema	de	gases,	equipamentos	e	materiais	a	serem	
utilizados	nos	procedimentos	anestésico-cirúrgicos	sob	sua	responsabilidade.
(			)	Seguir	o	agendamento	cirúrgico	e	a	programação	feita	pelo	enfermeiro.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	V	–	V	–	V.
b)	 (			)	 V	–	F	–	F	–	V	–	V.
c)	 (			)	 F	–	V	–	V	–	V	–	F.
d)	 (			)	 F	–	F	–	V	–	F	–	F.
2	 A	 equipe	 cirúrgica	 geralmente	 está	 dividida	 em	 três	 grupos:	 equipe	 de	 médicos	
cirurgiões,	equipe	de	médicos	anestesiologistas	e	equipe	de	enfermagem.	A	equipe	
precisa	desenvolver	suas	atividades	no	sentido	de	promover	a	segurança	do	paciente	
e	o	êxito	no	procedimento	cirúrgico.	Sobre	a	equipe	médica,	analise	as	sentenças	a	
seguir:
I-	 O	médico	cirurgião	ou	cirurgião	titular	é	o	profissional	responsável	pelo	ato	cirúrgico	
e	pela	composição	da	equipe,	pela	técnica	cirúrgica	empregada	e	por	direcionar	o	
procedimento	e	a	equipe.
II-	 O	cirurgião	titular	não	precisa,	nem	deve	colaborar	com	a	 realização	do	checklist 
cirúrgico.
III-	 O	anestesista	é	o	responsável	por	controlar	as	funções	clínicas	do	paciente	durante	
todo	o	período	operatório.
IV-	 O	anestesista	pode	realizar	vários	procedimentos	anestésicos	simultaneamente.
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Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 As	sentenças	II	e	IV	estão	corretas.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 As	 posições	 cirúrgicas	 são	 as	 diversas	 maneiras	 das	 quais	 o	 paciente	 pode	 ser	
colocado	para	realizar	a	intervenção	cirúrgica.	Esse	posicionamento	deve	favorecer	
a	 execução	 do	 procedimento.	 No	 entanto,	 é	 de	 suma	 importância	 estar	 atento	
ao	 conforto	 do	 paciente,	 para	 não	 provocar	 lesões	 musculares	 ou	 ortopédicas.	
Considerando	as	posições	cirúrgicas,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	posição	de	decúbito	ventral	é	utilizada	nas	cirurgias	de	coluna	vertebral.
II-	 A	 posição	 de	 Fowler	 favorece	 a	 oxigenação	 do	 paciente,	 podendo	 ser	 utilizada	
quando	o	paciente	apresentar	dispneia	durante	o	procedimento	cirúrgico.	
III-	 Na	posição	de	trendelenburg,	a	parte	superior	do	tronco	fica	inclinada	para	baixo.	
Essa	posição	é	recomendada	para	cirurgias	abdominais,	pois	facilita	a	visualização	
dos	órgãos	pélvicos.
IV-	 A	posição	de	SIMS	é	a	recomendada	para	as	cirurgias	renais.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	IV	está	correta.
c)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
d)	 (			)	 As	sentenças	I,	II,	III	e	IV	estão	corretas.
4	 O	centro	cirúrgico	é	um	ambiente	da	estrutura	hospitalar	regido	por	normas	assépticas	
rigorosas.	 Portanto,	 os	 profissionais	 que	 atuam	 nessa	 unidade	 precisam	 respeitar	
as	 normas	 estabelecidas,	 para	 não	 ocasionar	 quebra	 da	 assepsia	 cirúrgica.	 Uma	
das	normas	ressalta	que	a	circulação	de	pessoas	e	equipamentos	deve	ser	restrita.	
Considerando	tais	informações,	descreva	as	áreas	assépticas	do	bloco	cirúrgico.
5	 O	centro	cirúrgico	é	o	local	apropriado	para	a	realização	de	intervenções	cirúrgicas,	
na	atualidade	os	procedimentos	cirúrgicos	estão	cada	vez	mais	sendo	utilizado	para	
diagnóstico	e	tratamento	de	doenças.	A	unidade	cirúrgica	deve	estar	interligada	com	
outras	 unidades	 hospitalares,	 como	 emergência	 e	 unidades	 de	 terapia	 intensiva,	
para	facilitar	o	transporte	dos	pacientes.	A	estrutura	 interna	do	CC	apresenta	três	
setores,	 que	 são	 essenciais	 a	 assistência	 perioperatória,	 descreva-os	 enfatizando	
suas	características.
29
COMUNICAÇÃO ENTRE A EQUIPE
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
Neste	tópico,	abordaremos	a	importância	da	comunicação	entre	os	componen-
tes	de	uma	equipe,	iniciando	com	os	conceitos	de	comunicação,	para	entendermos	me-
lhor	como	se	dá	esse	processo	em	todos	os	ambientes	e,	principalmente,	no	trabalho.	
É	importante	reconhecermos	que,	na	área	da	saúde,	precisamos	interagir	com	
várias	pessoas,	como	colegas	de	profissão,	pacientes,	familiares	e	demais	sujeitos	que	
circundam	nosso	mundo	de	trabalho.	Frente	a	isso,	precisamos	desenvolver	interações	
que	nos	permitam	trocas	construtivas	e	transformadoras,	melhorando	cada	vez	mais	a	
maneira	como	nos	socializamos.
É	por	meio	da	comunicação	que	as	pessoas	influenciam	umas	as	outras.	Sem	
ela,	as	inovações	não	seriam	possíveis,	assim	como	também	não	haveria	socialização.	
Portanto,	 a	 comunicação	 é	 a	 essência	 humana,	 uma	 vez	 que	 é	 por	 meio	 dela	 que	
conseguimos	construir	conhecimentos	e	desenvolver	o	processo	criativo.	
De	acordo	com	Dolzan	(2021),	nas	organizações,	uma	comunicação	assertiva	
é	vital	e	 indispensável	para	o	processo	de	trabalho,	abrindo	espaço	para	socialização	
inteligentes	 e	 inovadoras.	 Além	 disso,	 precisamos	 estabelecer	 conexões,	 relações	
cordiais	e	respeitosas	em	todos	os	ambientes	em	que	convivemos,	visto	que	uma	boa	
comunicação	nos	possibilita	oportunidades	de	desenvolvimento	humano	e	constante	
aprendizado.	 Mas	 o	 que	 seria	 uma	 comunicação	 efetiva?	 E	 quanto	 à	 comunicação	
assertiva?	
Alguns	podem	pensar	que,	por	saber	falar,	ter	voz	ou	saber	Língua	Brasileira	de	
Sinais	(Libras),	certamente,	sabe-se	comunicar.	Não	estaria	errado,	mas	pode	ser	que	
essa	 comunicação	não	 seja	 suficiente	para	 se	 fazer	 entender	 de	 forma	eficiente	 ou,	
ainda,	ser	eficaz	na	resolução	de	um	conflito.	Logo,	a	partir	de	agora,	vamos	compreender	
o	 processo	 de	 comunicação	 entre	 as	 pessoas	 no	 trabalho	 e,	 principalmente,	 como	
melhorar	a	forma	de	nos	comunicarmos.
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2 CONCEITOS DE COMUNICAÇÃO
A	 comunicação	 é	 conceituada,	 segundo	 Dolzan	 (2021),	 como	 um	 ato	 de	
transmitir	 e	 receber	uma	mensagem.	Pode	ser,	 ainda,	um	aviso	ou	uma	 informação.	
A	comunicação	também	pode	ser	considerada	uma	necessidade	humana	básica,	pois	
nós,	seres	humanos,	precisamos	nos	comunicar	para	vivermos	em	sociedade.	Nesse	
sentido,	a	comunicação	é	primordial	para	as	relações	humanas,	podendo	ser	realizada	
de	diversas	maneiras.	No	entanto,	ela	só	é	considerada	efetiva	quando	a	mensagem	é	
recebida	e	entendida	plenamente.
De	acordo	com	Weiss	et al.	(2018),	a	comunicação	e	a	linguagem	se	entrelaçam,	
considerando	que	essa	última	é	um	conjunto	de	sistema	de	sinais	estabelecidos	que	nos	
possibilita	realizar	ações	de	comunicação.	Os	autores,	ainda,	completam	que	existem	
várias	linguagens	e	comunicações,	como	a	Libras,	a	nossa	fala,	os	sinais	de	trânsito	–	
em	resumo,	as	linguagens	verbais	e	as	linguagens	não	verbais.
A linguagem verbal	é	aquela	em	que	utilizamos	palavras	para	nos	comunicar-
mos,	podendo	ser	de	forma	oral	ou	escrita:
caracterizada	pelo	uso	de	palavras,	é	composta	por	dois	tipos:	
-	 comunicação	oral,	realizada	por	meio	de	sinais	orais	e	fala	–	caso	
de	palavras,	choro,	risada,	grito,	dentre	outros;
-	 comunicação	escrita,	que	é	realizada	por	códigos	escritos	–	letras,	
símbolos	gráficos,	logotipos	fazem	parte	deste	tipo	de	comunicação	
(DOLZAN,	2021,	p.	41).
Já	a	linguagem não verbal	é	aquela	que	não	utiliza	palavras	para	se	comuni-
car.	Ela	ocorre	por	meio	de	gestos,	sons,	cores,	imagens,	dentre	outras	possibilidades.	
Esse	tipo	de	linguagem	também	serve	para	incrementar	o	que	falamos.	
Como	exemplos	da	linguagem	não	verbal,	temos	os	sinais	de	trânsito,	em	que	
a	mensagem	é	repassada	pelas	cores;	e	a	Libras,	que	se	efetiva	por	gestos,	conforme	
Weiss	et al.	(2018).
Para Menezes e Feitosa (2015), a Libras é uma língua natural 
utilizada pela maioria dos surdos do Brasil para se comunicar. 
É uma língua pronunciada pelo corpo e percebida pela visão. 
Logo, para aprender Libras, é necessário atenção visual,agilidade 
manual e expressão facial e corporal. Ela não é uma língua 
universal, mas, no Brasil, teve como referência a Língua de Sinais 
Francesa. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que 
sofre as influências da cultura nacional.
NOTA
31
2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO
De	acordo	com	Weiss	et al.	(2018),	são	quatro	os	tipos	de	comunicação:
• Comunicação formal:	é	o	tipo	de	comunicação	oficial,	geralmente	utilizada	por	em-
presas,	 instituições	e	repartições	públicas.	Quase	sempre	é	por	escrito,	em	lingua-
gem	culta.	Como	exemplos,	podemos	citar	ofícios,	circulares,	formulários,	cartas.
• Comunicação informal:	é	a	comunicação	simples,	espontânea,	sem	formalidades.	
De	modo	geral,	é	uma	maneira	de	expressar	opiniões	e	conceitos	com	retorno	rápi-
do	a	questionamentos,	não	sendo	considerada	organizativa	pelas	instituições.	Como	
exemplos,	podemos	citar	ligações	telefônicas,	conversas	entre	colegas	de	trabalho,	
troca	de	mensagens	via	celular.
• Comunicação unilateral:	é	aquela	em	que	apenas	uma	pessoa	transmite	a	mensa-
gem.	Pode	ser	somente	para	uma	pessoa	ou	para	várias	pessoas	ao	mesmo	tempo.	
Como	exemplos,	temos	as	palestras	e	os	programas	de	rádio	e	televisão.
• Comunicação bilateral:	é	aquela	em	que	existe	uma	troca	de	mensagens	entre	duas	
ou	mais	pessoas,	como	em	uma	conversa	ou	entrevista	com	perguntas	e	respostas.
De	acordo	com	Dolzan	(2021),	também	temos	outros	tipos	de	comunicação:
• Comunicação interpessoal:	 é	quando	nos	comunicamos	com	nós	mesmos,	por	
meio	de	pensamentos,	anotações	espontâneas	ou	em	um	processo	criativo.
• Comunicação intragrupal e intergrupal:	 a	 intragrupal	 é	 aquela	 realizada	 entre	
grupos	em	comum,	como	grupos	de	trabalho	de	uma	sala	de	aula.	Já	a	intergrupal	
é	quando	os	grupos	em	comum	se	comunicam	com	outros	tipos	de	grupo,	como	os	
grupos	de	uma	sala	de	aula	se	comunicando	com	grupos	de	outra	sala	de	aula,	da	
mesma	escola.
• Comunicação em massa:	 é	 quando	 a	mensagem	 de	 uma	 pessoa	 chega	 a	 uma	
quantidade	maciça	de	pessoas.
• Comunicação visual, auditiva, olfativa, tátil ou gustativa:	é	quando	utilizamos	os	
sentidos	para	transmitir	e	receber	mensagens,	como	ouvir	uma	música,	comunicar-
se	em	Libras,	experimentar	o	gosto	de	uma	comida,	dentre	outros.
• Comunicação telefônica ou virtual:	 é	 aquela	 feita	 por	 telefones,	 smartphones,	
computadores,	linha	telefônica	ou	internet.
• Comunicação televisiva ou cinematográfica:	dá-se	por	meio	dos	aparelhos	de	
televisão,	dos	cinemas	e	de	telas	grandes.
• Comunicação publicitária:	tem	por	objetivo	divulgar	uma	marca,	um	produto	ou	
um	serviço.
• Comunicação jornalística:	 tem	 a	 finalidade	 de	 transmitir	 mensagens	 que	 se	
relacionam	com	os	fatos	e	acontecimentos	do	cotidiano	das	pessoas.
• Comunicação educacional:	tem	como	finalidade	transmitir	mensagens	que	possam	
educar,	 promover	 ensinamentos,	 desenvolver	 as	 habilidades	 e	 competências	 dos	
indivíduos.
• Comunicação política:	 tem	como	objetivo	 transmitir	mensagens	que	construam	
posicionamentos	políticos	em	seus	expectadores.
32
• Comunicação vertical ou horizontal:	 é	 utilizada	 quando	 existem	 hierarquias,	
como	nas	 instituições	de	trabalho,	 a	exemplo	do	 líder	ou	gerente	mandando	uma	
mensagem	para	sua	equipe	ou	vice-versa.	Já	a	horizontal	diz	respeito	a	pessoas	do	
mesmo	nível	trocando	informações,	como	colegas	de	trabalho	de	um	mesmo	setor.
Considerando	os	vários	tipos	de	comunicação,	como	vimos,	cada	modalidade	
representa	uma	maneira	de	expressar	e	passar	 informações.	Algumas	vezes,	a	men-
sagem	não	chega	de	forma	adequada	ao	receptor,	muito	provavelmente	pela	escolha	
errada	do	tipo	de	comunicação	ou	do	meio	que	foi	utilizado	para	transmitir	a	mensagem.
3 COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
O	 indivíduo	 se	 desenvolve	 a	 partir	 de	 sua	 convivência	 com	 outras	 pessoas,	
sendo	que	o	relacionamento	com	os	seres	que	nos	cercam	nos	permite	adquirir	uma	
nova	forma	de	pensar	ou	agir.	É	com	o	convívio	e	a	observação	que	vamos	construindo	
nossos	preceitos	e	nossas	opiniões.	Esse	processo	pode	ser	chamado	de	comunicação,	
conforme	Fonseca	et al.	(2016).
De	acordo	com	Weiss	et al.	(2018),	a	comunicação	é	uma	troca	entre	os	indi-
víduos,	na	qual	 informações,	sentimentos	ou	experiências	são	transmitidos	de	modo	
a	alcançar	uma	sinergia	dentro	de	um	grupo	ou	uma	organização,	a	partir	de	trocas	e	
atitudes	afins,	que	podem	se	unir	em	um	processo	de	cooperação	mútua,	permitindo	o	
alcance	de	objetivos	em	comum.	Nesse	caso,	podemos	citar,	como	exemplo,	o	trabalho	
em	equipe	nas	organizações.	Os	autores	ainda	reiteram	que,	“quando	nos	comunica-
mos,	partilhamos	algo	e,	por	esse	ato	de	compartilhar	ou	comunicar,	 conhecemos	e	
somos	conhecidos”	(WEISS	et al.,	2018,	p.	20).	
Nesse	sentido,	podemos	afirmar	que,	quando	conseguimos	nos	comunicar	de	
forma	efetiva,	estamos	sendo	conhecidos	e	entendidos.	Por	isso,	a	qualidade	da	nossa	
existência	humana	depende	de	nossos	relacionamentos:
a	comunicação	nas	relações	interpessoais	pode	ser	entendida,	de	uma	
forma	mais	 simplificada,	 como	 sendo	 uma	 atividade	 caracterizada	
pela	 transmissão	 e	 recepção	 de	 informações	 entre	 indivíduos	
ou,	 ainda,	 como	o	modo	pelo	 qual	 se	 constroem	e	 se	 interpretam	
significados	 a	 partir	 das	 trocas	 de	 experiências.	 Enfim,	 o	 processo	
de	comunicação	é	marcado	por	um	procedimento	resultante	de	uma	
interação	social	(WEISS	et al.,	2018,	p.	20-21).
Dolzan	(2021)	concorda	com	Weiss	et al.	(2018)	quanto	a	ser	necessário	enten-
der	que	a	comunicação	tem	responsabilidade	na	troca	de	experiências,	dados	e	infor-
mações.	Ela	está	sustentada	no	compartilhamento,	na	comunhão,	no	promover	algo	
entre	os	indivíduos.	Desse	modo,	sempre	que	houver	troca	de	informações	e	experiên-
cias,	com	o	entendimento	da	mensagem	transmitida,	fazendo	com	que	as	relações	se	
estreitem,	temos	uma	comunicação.
33
De acordo com Weiss et al. (2018), os elementos da comunicação são componentes que 
estão presentes no desenvolvimento da comunicação. Por exemplo, o emissor é aquele 
que envia a mensagem. Pode ser uma pessoa ou um grupo, um órgão, uma empresa, 
um canal de televisão, um site na internet, dentre outras possibilidades. 
Já o receptor é a pessoa que vai receber a mensagem. Pode ser para 
uma pessoa ou um público-alvo. A mensagem em si é o objeto da 
comunicação, ou seja, o assunto de que é tratado. Para tanto, temos 
o canal da comunicação, que é meio pelo qual a mensagem será 
circulada até chegar ao seu destinatário. Podemos citar, como 
exemplos, o jornal, a revista, a televisão, o rádio, o folheto, o 
folder, o outdoor e o próprio ar. Temos, ainda, o código, que 
é o meio por meio do qual a mensagem é transmitida, ou seja, 
pela fala, pela escrita, pelos gestos ou pelas imagens. Por fim, o 
referente é o contexto ou a situação na qual a mensagem está 
sendo transmitida ou, ainda, em que emissor e receptor estão 
inseridos. Desse modo, a linguagem pode apresentar diversas 
funções, como emocionar, informar, persuadir, fazer refletir.
INTERESSANTE
Assim,	ao	conceituarmos	a	comunicação	em	vários	aspectos,	compreendemos	
que,	 nas	 relações	 interpessoais,	 é	 imprescindível	 que	 possamos	desenvolver	 formas	
inteligentes	de	nos	comunicarmos,	entender	e	conhecer	os	indivíduos	que	nos	cercam,	
bem	como	deixar	que	as	outras	pessoas	nos	conheçam	também.	Contudo,	vale	men-
cionar	que	essa	comunicação	pode	sofrer	algumas	barreiras.
3.1 BARREIRAS NA COMUNICAÇÃO
As	barreiras	de	comunicação	são	fatores	que	impossibilitam	o	recebimento	ou	
entendimento	 da	mensagem,	 apresentando-se	 como	 um	 obstáculo	 à	 comunicação.	
Nesses	casos,	a	mensagem	não	chega	de	forma	original	ao	receptor	e	sofre	distorções,	
podendo	causar	equívocos	e	desentendimentos,	conforme	Abreu	e	Bazoni	(2016).
Para	Weiss	et al.	 (2018),	 a	 comunicação	 entre	 pessoas	 próximas,	 com	quem	
construímos	 laços	 afetivos,	 nem	 sempre	 é	 fácil	 e	 carece	 que	 tenhamos	 tolerância,	
paciência	e	cuidado	com	o	que	vai	ser	falado	ou	ouvido.	Nas	 instituiçõesem	que	os	
laços	afetivos	quase	não	existem,	esse	processo	se	torna	mais	complicado	ainda.
Weiss	et al.	(2018)	consideram	que,	muitas	vezes,	as	barreiras	de	comunicação	
desencadeiam	situações	que,	geralmente,	não	são	percebidas	por	quem	a	faz,	ocor-
rendo	de	forma	involuntária,	por	uma	questão	de	hábitos	adquiridos	ou	por	referências	
culturais	e	familiares.	Portanto,	“é	imprescindível	pensar	bem	antes	de	falar,	agir	e	ter	
34
sempre	em	mente	que,	em	uma	empresa	ou	instituição,	as	opiniões	e	percepções	serão	
sempre	suscetíveis	a	discussões	e	confusão,	principalmente	quando	se	trabalha	com	
grupos	heterogêneos”	(WEISS	et al.,	2018,	p.	27).
Abreu	e	Bazoni	 (2016)	citam	exemplos	de	fatores	que	podem	ser	considera-
dos	barreiras	na	comunicação:	falta	de	atenção,	desinteresse,	preconceitos,	impaciên-
cia,	negativismo,	uso	de	vocabulário	técnico,	falar	muito,	ataques	pessoais.	Além	disso,	
acrescentam	que	esses	fatores	são	considerados	ruídos.	Weiss	et al.	(2018),	corroboran-
do	o	conceito,	explicam	que	ruído	é	tudo	que	interfere	na	transmissão	da	mensagem,	
podendo	ser	voz	baixa,	nervosismo,	desatenção	ou,	até	mesmo,	falta	de	energia	elétrica	
ou	uma	mancha	no	papel	que	contém	a	informação.	Todas	essas	possibilidades	podem	
ser	barreiras	de	comunicação.
Weiss	et al.	(2018),	ainda,	exemplificam	algumas	características	das	barreiras	de	
comunicação,	como	quando	o	emissor	acredita	que	receptor	já	tenha	conhecimento	do	
assunto	a	ser	exposto,	quando,	na	verdade,	não	sabe	nada	sobre	o	assunto.	Caracte-
rizamos	essa	barreira	como	uma	presunção não enunciada.	Também	consideramos	
barreiras:	a	desorganização	ao	expor	um	assunto,	como	falta	de	coerência	e	credibilida-
de;	a	distância	física;	quando	adotamos	uma	postura	defensiva	em	relação	ao	emissor,	
não	permitido	a	compressão	da	mensagem;	e,	ainda,	quando	o	receptor	não	tem	instru-
ção	suficiente	para	entender	o	assunto,	sendo	que	essa	questão	pode	estar	relacionada	
ao	“grau	cultural	ou	a	forma	de	encarar	situações	e	os	interesses	que	temos,	isso	limita	
a	capacidade	de	entender	o	que	é	proposto”	(WEISS	et al.,	2018,	p.	27).
Diante	desse	contexto,	a	comunicação	e	a	capacidade	de	nos	comunicarmos	
depende	de	vários	fatores	externos	e	ambientais,	assim	como	fatores	intrapessoais.	De	
acordo	com	Weiss	et al.	(2018),	algumas	dicas	de	como	se	comunicar	de	forma	eficaz,	
para	diminuir	 os	 ruídos	 e	 favorecer	 o	 entendimento	da	mensagem,	 são:	 utilizar	 uma	
linguagem	apropriada	e	objetiva,	 ser	claro	e	fornecer	 informações	completas,	utilizar	
vários	canais	para	motivar	o	receptor,	tentar	sempre	olhar	nos	olhos	das	pessoas	com	
quem	está	falando,	ouvir	ativamente	e,	por	fim,	praticar	a	empatia.
A comunicação assertiva é extremamente importante nas orga-
nizações de trabalho. Este estudo mostra que entre as principais 
barreiras de comunicação são: a falta de entrosamento; a falta de 
clareza de objetivos; hábitos de linguagem; diferença de status; e 
sobrecarga de informação. Se quiser aprender mais sobre como 
superar as barreiras da comunicação, acesse o texto disponível 
em: https://periodicos.utfpr.edu.br/de/article/view/4078/3496. 
DICA
35
4 COMUNICAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE
A	comunicação	eficiente	e	o	trabalho	em	equipe	são	essenciais	na	qualidade	
da	assistência	ao	paciente,	pois	 representam	a	 intensidade	da	 interação	e	o	vínculo	
entre	a	equipe	interdisciplinar	e	o	 indivíduo	assistido.	Nesse	sentido,	é	 imprescindível	
que	os	profissionais	da	área	da	saúde	mantenham	relações	amistosas	para	que	possam	
alcançar	objetivos	comuns	e	uma	dinâmica	de	trabalho	harmoniosa,	conforme	Santos	
et al.	(2019).
Figura 13 – Comunicação entre equipes de saúde
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/three-contemporary-professional-medical-workers-in-xqscvr2. 
Acesso em: 14 set. 2022.
Com	o	advento	dos	protocolos	de	segurança	do	paciente,	pesquisas	realizadas	
por	comissões	da	OMS	pontuam	a	importância	da	comunicação	e	do	trabalho	da	equipe	
interdisciplinar	de	saúde	como	determinante	da	qualidade	e	segurança	na	prestação	
de	cuidados	aos	indivíduos.	Contudo,	as	mesmas	pesquisas,	com	Nogueira	e	Rodrigues	
(2015),	afirmam	que	os	principais	fatores	que	contribuem	para	a	diminuição	da	quali-
dade	do	cuidado,	dos	erros	médicos	e	dos	eventos	adversos	nas	instituições	de	saúde	
são	as	falhas	no	trabalho	em	equipe	e	na	comunicação	entre	os	profissionais	de	saúde.
Nogueira	 e	 Rodrigues	 (2015)	 mencionam	 que,	 dentre	 os	 principais	 desafios	
encontrados	 para	 a	 comunicação	 efetiva	 no	 trabalho	 da	 equipe	 de	 saúde,	 estão:	
diversidade	 multiprofissional	 e	 de	 formação	 (nível	 médio	 e	 superior);	 e	 falta	 de	
treinamento	 para	 comunicação	 assertiva	 e	 hierarquia	 entre	 as	 profissões,	 pois,	 em	
algumas	 instituições,	o	médico	ocupa	uma	posição	de	maior	autoridade,	o	que	pode	
inibir	os	demais	membros	da	equipe	interdisciplinar.
36
Moreira	et al.	(2019),	por	sua	vez,	reiteram	que,	quando	esses	comportamentos	
são	permitidos,	a	satisfação	no	trabalho	é	afetada,	de	forma	que	os	profissionais	aca-
bam	sendo	silenciados.	Esse	silêncio	leva	à	submissão,	à	falta	de	autonomia,	à	perda	de	
criatividade	e	de	iniciativa,	diminuindo	o	interesse	pelo	trabalho.	O	resultado	disso	é	uma	
maior	ocorrência	de	incidentes	no	cuidado	prestado.
Portanto,	 é	necessário	estabelecer	uma	comunicação	eficaz	no	ambiente	de	
trabalho,	 principalmente	 naquele	 em	 que	 são	 prestados	 serviços	 de	 saúde.	 Desse	
modo,	algumas	ações	são	essenciais	e	inerentes	à	pessoa	humana	e	podem	favorecer	
o	desenvolvimento	da	comunicação	assertiva,	segundo	Nogueira	e	Rodrigues	 (2015),	
como:	contato	olho	no	olho;	escuta	ativa;	confirmação	da	compreensão	da	mensagem;	
liderança	clara;	envolvimento	de	todos	os	membros	da	equipe;	e	discussões	saudáveis	
de	informações	pertinentes.
Conforme	Moreira	et al.	(2019),	para	existir	uma	comunicação	efetiva,	é	neces-
sário	 desenvolver	 comportamentos	 assertivos,	 como	 transmitir,	 receber	 e	 interpretar	
informações	com	clareza	e	respeito	mútuo,	utilizar	uma	linguagem	objetiva	e	não	acu-
satória,	promover	a	comunicação	e	relações	respeitosas	pelos	líderes	da	instituição.
Além	disso,	para	Nogueira	e	Rodrigues	(2015),	as	instituições	de	saúde	podem	
desenvolver	estratégias	para	melhorar	a	comunicação,	o	trabalho	em	equipe	e	as	re-
lações	 interpessoais,	 realizando	treinamentos,	simulações	multidisciplinares,	reuniões	
com	equipes	multiprofissionais,	padronizando	a	comunicação,	estimulando	o	estreita-
mento	das	relações	de	trabalho	etc.
De acordo com Camargo (2019), uma comunicação assertiva é aquela que consegue 
passar as informações com clareza, dinâmica e respeito, obtendo o retorno esperado. 
Quando funciona bem, cria um canal aberto que permite o diálogo entre as partes e 
maior intercolaboração.
Algumas dicas para aprender a se comunicar assertivamente em qualquer ambiente e 
com todos os tipos de pessoas são:
• aprender a entender o outro: observe o modo como as pessoas a sua volta se 
comunicam, como elas interagem com os outros;
• aprender a ouvir na essência: a comunicação humana também é feita de forma 
não verbal, podendo ser realizada por meio de gestos, olhares e postura corporal. 
Portanto, é importante estar atento a esses sinais para se adequar e manter a 
comunicação assertiva;
• ter atenção à fala: esteja atento ao modo como você se expressa, ao seu tom de 
voz, às palavras que usa, suas expressões físicas e faciais... Tudo isso pode estar pas-
sando uma mensagem contrária a que deseja;
• ser claro e objetivo: evite trocar a ordem das palavras para parecerem mais 
rebuscadas. Foque no conteúdo que deseja transmitir e o faça de forma concisa, sem 
ser grosseiro;
DICA
37
• acertar o momento: observe o momento oportuno de falar. Ainda que seja um fato 
importante, se o momento escolhido for errado, você poderá se comprometer ou 
acabar comprometendo outras pessoas;
• ter embasamento: ter conhecimento técnico, boas leituras e domínio da língua 
falada e escrita conferem embasamento e maior capacidadede argumentação e 
diálogo, fortalecendo sua comunicação assertiva;
• se ocorrer de ser pego desprevenido: seja humilde. Se não souber 
responder, é preferível falar que não possui conhecimento e que 
estudará sobre o assunto. Se o ouvinte souber mais sobre o tema, 
você pode, inclusive, pedir sugestões para aprender;
• ser um bom intermediador: caso as pessoas ao seu redor tenham 
dificuldades de expressar, você pode encorajá-las a praticar as 
melhores formas de comunicação;
• buscar evolução contínua: trabalhar para manter sua capacidade 
de comunicação é essencial para obter bons resultados e garantir o 
andamento de suas relações interpessoais. 
Por	fim,	concluímos	que	a	comunicação	na	saúde	é	essencial	para	o	cuidado	
seguro	ao	paciente	e	para	a	promoção	de	um	serviço	de	excelência.	Mas	e	dentro	do	
centro	cirúrgico?
4.1 COMUNICAÇÃO NO CENTRO CIRÚRGICO
O	centro	cirúrgico,	como	citado	anteriormente,	é	um	setor	da	unidade	hospitalar	
considerado	de	grande	complexidade	e	alta	capacidade	tecnológica.	Devido	a	isso	e	por	
ser	um	setor	restrito,	os	profissionais	que	atuam	nessa	unidade	estão	constantemente	
expostos	ao	estresse	e	a	conflitos.	Desse	modo,	segundo	Santos	et al.	(2019),	o	ambiente	
de	trabalho	pode	ser	tenso	e	desgastante,	o	que	induz	a	dificuldades	relacionais	entre	
a	equipe.
A comunicação oral	é	essencial	para	a	redução	de	erros	no	centro	cirúrgico	e	
promove	uma	maior	satisfação	no	trabalho.	Quando	temos	uma	equipe	comprometida	
e	 entusiasmada,	 os	profissionais	 interagem	melhor	uns	 com	os	outros,	 sentem-se	à	
vontade	para	se	expressar	e,	consequentemente,	diminuem-se	os	riscos	da	assistência,	
segundo	Porteous	e	Bäuerle	(2013).	Para	Jacomossi	(2017,	p.	38),
a	 comunicação	 é	 uma	manifestação	 da	 natureza	 humana	 e	 deve	
ser	desenvolvida	de	 forma	adequada	por	 todos	os	profissionais	de	
saúde	envolvidos	com	o	atendimento	dos	pacientes	e	sua	rede	de	
apoio.	A	boa	 comunicação	busca	 a	 transmissão	e	 o	 entendimento	
de	informações	que	beneficiem	as	relações,	um	fenômeno	que	pode	
envolver	duas	ou	mais	pessoas	em	seu	processo.	A	mensagem	deve	
ser	 passada	 e	 sempre	que	possível	 deve	 ser	 feita	 a	verificação	da	
compreensão,	já	que	os	interlocutores	podem	apresentar	dificuldades	
de	apreender	o	que	está	sendo	transmitido.
38
Trajano	 et al.	 (2017)	 consideram	 que,	 no	 centro	 cirúrgico,	 pode	 existir	 afeto,	
apego	e	zelo,	o	que	possibilita	um	convívio	harmonioso	e	prazeroso,	sendo	permitida	
a	 liberdade	de	expressão,	melhorando	a	cooperação	entre	as	equipes,	a	credibilidade	
e	as	condições	de	trabalho.	No	entanto,	a	assistência	ao	paciente	e	a	interação	social	
geralmente	são	restritas,	tendo	em	vista	as	características	do	ambiente,	que	pode	ser	
tenso	e	conflituoso,	o	que	acaba	favorecendo	as	dificuldades	de	relacionamento	entre	
os	envolvidos.	
Para	 Santos	 et al.	 (2019),	 algumas	 possíveis	 causas	 para	 a	 comunicação	
deficiente	e	os	conflitos	gerados	no	centro	cirúrgico	são	as	diferenças	 individuais	de	
cada	profissional,	 o	dimensionamento	 inadequado	de	trabalhadores	para	a	demanda	
de	 atividades	 e	 funções,	 a	 rotina	 desgastante	 do	 setor,	 o	 corporativismo,	 a	 cultura	
organizacional	vertical	e	a	sobrecarga	de	trabalho.
Trajano	 et al.	 (2017),	 ainda,	 destacam	 que	 as	 dificuldades	 de	 relações	 e	
comunicações	no	ambiente	de	trabalho	estão	ligadas	às	hierarquias	entre	as	diferentes	
categorias	 profissionais	 de	 saúde,	 o	 que	 resulta	 em	 sentimento	 de	 desvalorização	
profissional,	além	da	situação	precária	de	trabalho,	remuneração	inadequada,	acúmulo	
de	escalas	de	serviço	e	aumento	da	jornada	de	trabalho.	Esses	fatores,	além	de	refletirem	
nas	relações	entre	as	equipes,	também	resultam	em	danos	à	assistência	prestada	ao	
paciente	e	à	saúde	mental	dos	profissionais.
Nesse	 contexto,	 é	 extremamente	 necessário	 que	 os	 profissionais	 de	 saúde,	
principalmente	 os	 que	 trabalham	 no	 centro	 cirúrgico,	 encontrem	 estratégias	 para	 o	
desenvolvimento	de	uma	comunicação	eficaz.	O	Ministério	da	Saúde	propõe,	por	meio	
da	Portaria	n.	529,	de	1	de	abril	de	2013,	como	uma	das	metas	de	segurança	do	paciente,	
a	comunicação	efetiva.	Nessa	vertente,	para	que	exista	uma	comunicação	de	qualidade,	
é	 necessária	 a	 prática	 de	 alguns	 elementos	 fundamentais,	 como	 olhar	 diretamente	
ao	receptor,	escutar,	compreender	a	mensagem,	ter	a	união	de	todos	os	membros	da	
equipe	e	trocar	informações	essenciais	para	garantir	uma	assistência	de	qualidade.
Santos	et al.	(2019)	reiteram	que	a	comunicação,	independentemente	da	forma,	
se	verbal	ou	não	verbal,	é	um	elo	importante	entre	as	equipes,	devendo	haver	colabora-
ção	entre	emissor	e	receptor	na	busca	por	soluções,	possibilitando	entendimento,	mu-
danças	de	comportamento	e	melhora	nas	relações	interpessoais.	Logo,	a	comunicação,	
além	de	necessária	para	a	segurança	do	paciente,	passa	a	ter	a	função	de	promover	o	
relacionamento	entre	as	pessoas.
Algumas	ações	que	podem	contribuir	para	a	melhora	na	qualidade	das	 rela-
ções	interpessoais	estabelecidas	no	ambiente	de	trabalho	são	a	escuta	qualificada	e	o	
diálogo,	as	reuniões	participativas	periódicas,	as	oficinas	de	integração,	a	definição	de	
estratégias	de	resolução	dos	problemas	de	forma	coletiva,	assim	como	as	atividades	de	
educação	permanente,	que	estimulam	as	potencialidades	do	capital	humano,	do	modo	
de	se	relacionar	e	conviver	no	ambiente	de	trabalho,	conforme	Trajano	et al.	(2017).
39
Outra	vertente	de	comunicação	no	centro	 cirúrgico	é	 entre	 equipe	cirúrgica,	
família	e	paciente,	que	também	perpassa	as	nuances	das	comunicações	deficientes.	
Balbino	et al.	 (2021,	p.	2)	afirmam	que	 “desenvolver	um	bom	 relacionamento	entre	a	
equipe	 de	 saúde,	 familiares	 e	 acompanhantes	 é	 benéfico,	 pois	 envolver	 a	 família	 no	
cuidado	melhora	a	interação	entre	familiares	e	equipe	de	saúde	e	contribui	para	qualificar	
a	assistência”.	
Sendo	assim,	também	é	extremamente	necessário	ter	uma	boa	comunicação	
com	os	familiares	dos	pacientes	que	passam	por	procedimentos	cirúrgicos.	Quando	os	
pacientes	se	encontram	no	período	perioperatório,	seus	parentes	aguardam	ansiosos	
por	notícias.	Logo,	segundo	Balbino	et al.	(2021),	se	as	informações	chegam	de	forma	
correta	a	essas	pessoas,	sensações	como	medo,	angústia	e	ansiedade	são	diminuídas.
Concluindo,	 é	 importante	 compreendermos	 que	 a	 comunicação	 assertiva,	
de	 fato,	 contribui	 para	 o	 fortalecimento	 das	 relações	 interpessoais	 entre	 a	 equipe	
multiprofissional,	 havendo	 maior	 comprometimento	 com	 o	 serviço	 prestado,	 o	 que	
diminui	os	riscos	e	eventos	adversos	na	assistência,	promovendo	maior	segurança	até	
para	o	paciente.
40
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Para	 vivermos	 em	 sociedade,	 é	 necessário	 nos	 comunicarmos.	 A	 comunicação	 é	
uma	necessidade	humana	básica,	que	existe	quando	enviamos	e	 recebemos	uma	
mensagem.
•	 Existem	vários	tipos	de	comunicação.	No	entanto,	para	que	o	ato	de	se	comunicar	
seja	eficaz,	é	necessário	que	os	elementos	da	comunicação	estejam	presentes.	São	
eles:	emissor,	receptor,	mensagem,	canal	da	comunicação,	código	e	referência.	Além	
disso,	podem	existir	fatores	que	 impeçam	a	comunicação,	descritos	como	barreiras	 
ou	ruídos	de	comunicação.
•	 Nas	instituições	de	saúde,	para	que	haja	uma	assistência	de	qualidade	ao	paciente,	é	
extremamente	necessária	uma	comunicação	eficiente,	além	do	trabalho	em	equipe,	
o	que	possibilita	a	interação	entre	equipe	e	paciente	e	um	cuidado	livre	de	riscos.
•	 Os	 profissionais	 que	 atuam	 na	 unidade	 cirúrgica	 estão	 constantemente	 expostos	
ao	 estresse	 e	 a	 conflitos.	 Por	 ser	 uma	 unidade	 fechada,	 com	 acesso	 restrito,	 o	
ambiente	de	trabalho	se	torna	tenso	e	desgastante,	o	que	 induz	a	dificuldades	de	
relacionamento	entre	a	equipe.
•	 Para	consolidar	uma	das	metas	de	segurança	do	paciente,	é	necessário	estabelecer	
a	comunicação	efetiva.	Portanto,	é	necessário,	na	prática	diária,	que	os	profissionais	
desenvolvam	ações	para	melhorar	a	qualidade	dacomunicação	no	serviço.	Podemos	
citar	 algumas	 delas:	 olhar	 diretamente	 para	 o	 colega	 que	 está	 falando,	 escutar	
atentamente,	compreender	a	mensagem.
•	 É	importante	compreendermos	que	a	comunicação	assertiva	e	a	troca	de	informações	
são	essenciais	para	garantir	uma	assistência	de	qualidade	e,	ainda,	contribuem	para	
o	 fortalecimento	 das	 relações	 interpessoais	 entre	 a	 equipe	 multiprofissional.	 Isso	
possibilita	 um	maior	 comprometimento	 com	o	 serviço	 prestado,	 o	 que	 diminui	 os	
riscos	e	eventos	adversos	na	assistência	e	promove	maior	segurança	para	o	paciente.
RESUMO DO TÓPICO 2
41
AUTOATIVIDADE
1	 A	 comunicação	 é	 essencial	 para	 estabelecer	 relações	 entre	 as	 pessoas.	 Ela	 pode	
ser	 realizada	 de	 várias	 maneiras,	 mas	 nem	 sempre	 nos	 comunicamos	 de	 forma	
eficiente.	 A	 comunicação	 só	 pode	 considerada	 efetiva	 quando	 a	 mensagem	 é	
recebida	e	entendida	claramente.	Para	tanto,	podemos	usufruir	de	inúmeros	canais	
de	 comunicação,	 a	 fim	 de	 atingirmos	 o	 objetivo	 da	mensagem.	 Com	 relação	 aos	
conceitos	de	comunicação,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	comunicação	é	conceituada	como	um	ato	de	transmitir	e	receber	uma	mensagem.	
Também	podemos	classificá-la	como	um	aviso	ou	uma	informação.
II-	 A	comunicação	e	a	linguagem	se	entrelaçam,	mas,	considerando	que	a	linguagem	é	
um	conjunto	de	sistema	de	sinais,	não	nos	possibilita	realizar	ações	de	comunicação.
III-	 A	comunicação	também	pode	ser	considerada	uma	necessidade	humana	básica,	
pois	precisamos	nos	comunicar	para	vivermos	em	sociedade.
IV-	 A	Libras	é	uma	 língua	pronunciada	pelo	corpo	e	percebida	pela	visão,	 logo,	para	
aprendê-la,	é	necessário	ter	atenção	visual,	agilidade	manual	e	expressão	facial	e	
corporal.	Contudo,	a	Libras	não	é	uma	forma	de	comunicação.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
2	 A	comunicação	pode	ser	estabelecida	por	meio	da	linguagem	que	usamos.	Podemos	
caracterizar	 as	 linguagens	 como	 verbais	 e	 não	 verbais,	 sendo	 as	 verbais	 quando	
utilizamos	a	escrita	ou	a	fala,	e	as	não	verbais,	quando	utilizamos	nosso	corpo	para	
transmitir	uma	mensagem.	A	Libras	pode	ser	exemplo	de	comunicação	não	verbal,	
pois	dispõe	de	um	sistema	de	sinais	que	possibilita	a	comunicação.	
WEISS,	C.	S.	et al.	Comunicação e linguagem.	Indaial:	
Uniasselvi,	2018.
Sobre	os	tipos	de	comunicação,	associe	os	itens,	utilizando	o	código	a	seguir:
I-	 Comunicação	formal.
II-	 Comunicação	informal.
III-	 Comunicação	em	massa.
IV-	 Comunicação	publicitária.	
V-	 Comunicação	interpessoal.
42
(			)	É	quando	a	mensagem	chega	a	uma	quantidade	maciça	de	pessoas.
(			)	É	 quando	 nos	 comunicamos	 com	 nós	 mesmos	 por	 pensamentos,	 anotações	
espontâneas	ou	em	um	processo	criativo.
(			)	É	o	tipo	de	comunicação	oficial	geralmente	utilizada	por	empresas,	 instituições	e	
repartições	públicas.	Quase	sempre,	é	feita	por	escrito,	em	linguagem	culta.	
(			)	 Tem	por	objetivo	divulgar	uma	marca,	um	produto	ou	um	serviço.	
(			)	É	a	comunicação	simples,	espontânea,	sem	formalidades.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 I	–	V	–	II	–	IV	–	III.
b)	 (			)	 III	–	V	–	I	–	IV	–	II.
c)	 (			)	 II	–	III	–	I	–	IV	–	V.
d)	 (			)	 III	–	IV	–	V	–	I	–	II.
3	 Quando	interagimos	com	outras	pessoas,	podemos	desenvolver	novas	maneiras	de	
pensar	e	agir.	Esse	fato	só	se	torna	possível	quando	praticamos	uma	comunicação	
assertiva.	 Contudo,	 para	 que	 haja	 uma	 comunicação	 eficiente,	 é	 necessário	 que	
existam	 os	 elementos	 característicos	 da	 comunicação,	 que	 são	 a	 mensagem,	 o	
emissor,	o	receptor,	o	canal,	o	código	e	o	referente.
Fonte:	https://docplayer.com.br/36444138-Relacionamento-
interpessoal-trabalho-em-equipe-impactos-num-ambiente-
organizacional.html.	Acesso	em:	20	set.	2022.
Sobre	os	tipos	de	comunicação,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	
falsas:
(			)	Na	comunicação	verbal,	utilizamos	apenas	a	fala	para	nos	comunicarmos.
(			)	A	 comunicação	 jornalística	 tem	 a	 finalidade	 de	 transmitir	 mensagens	 que	 se	
relacionam	com	os	fatos	e	acontecimentos	do	cotidiano	das	pessoas.
(			)	Na	comunicação	não	verbal,	utilizamos	nosso	corpo	para	nos	comunicar,	podendo	
ser	por	meio	de	gestos	e	expressões.	
(			)	A	comunicação	educacional	tem	como	finalidade	transmitir	mensagens	que	possam	
educar,	promover	ensinamentos,	desenvolver	as	habilidades	e	competências	dos	
indivíduos.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 F	–	V	–	V	–	V.
b)	 (			)	 F	–	V	–	F	–	F.	
c)	 (			)	 F	–	F	–	V	–	V.	
d)	 (			)	 V	–	F	–	F	–	F.	
43
4	 Quando	o	processo	de	transmissão	de	mensagens	e	informações	não	acontece	de	
forma	efetiva,	 a	mensagem	pode	chegar	distorcida	ao	 receptor,	o	que	pode	gerar	
equívocos	 e	 desentendimentos.	 Quando	 existem	 circunstâncias	 que	 alterem	 ou	
impeçam	a	chegada	e	a	compreensão	da	mensagem	original,	chamamos	de	barreiras	
de	comunicação.	Nesse	contexto,	apresente	algumas	características	das	barreiras	na	
comunicação.
5	 Com	o	advento	dos	protocolos	de	segurança	do	paciente	a	comunicação	e	do	trabalho	
em	equipe	são	fundamentais	para	qualidade	e	segurança	na	prestação	de	cuidados	
aos	 indivíduos.	 Contudo,	 a	 comunicação	 nos	 erviços	 de	 saúde	 ainda	 é	 deficitária	
o	 que	 contribui	 para	 a	 diminuição	 da	 qualidade	 do	 cuidado,	 possibilitando	 erros	
médicos	e	dos	eventos	adversos.	Sendo	assim,	explique	quais	ações	os	profissionais	
e	as	instituições	podem	realizar	para	minimizar	essa	situação.
44
45
TÓPICO 3 — 
CUIDADOS RECOMENDADOS PARA A 
ATUAÇÃO COMO INSTRUMENTADOR 
CIRÚRGICO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
A	instrumentação	cirúrgica	é	uma	técnica	utilizada	por	um	profissional	da	equipe	
cirúrgica	para	instrumentalizar	o	procedimento	cirúrgico.	O	integrante	da	equipe	é	aquele	
que	se	responsabiliza	pelo	preparo	da	mesa	de	instrumentais,	fornecendo-os	com	segu-
rança	e	precisão	ao	cirurgião	e	acompanhando	a	sequência	lógica	de	cada	tempo	cirúrgi-
co	diante	de	cada	tipo	de	procedimento,	conforme	Carvalho	e	Bianchi	(2016).
A	 profissão	 de	 instrumentador	 cirúrgico	 ainda	 não	 está	 regulamentada	 no	
Brasil,	mas	é	considerada,	pelo	Conselho	Nacional	de	Saúde	(CNS),	uma	especialidade/
qualificação	a	ser	desenvolvida	por	profissionais	com	formação	básica	na	área	da	saúde:
o	Conselho	Federal	de	Medicina	(CFM),	por	meio	da	Lei	n.	3.268/1998,	
decidiu,	 entre	 outros	 aspectos,	 que	 a	 equipe	 cirúrgica	 deve	 ser	
composta	 exclusivamente	 por	 profissionais	 de	 saúde	 altamente	
qualificados	 e	 que	 é	 lícito	 o	 concurso	 de	 acadêmico	 de	medicina	
na	qualidade	de	auxiliar	e	de	 instrumentador	cirúrgico	de	unidades	
devidamente	 credenciadas	 pelo	 seu	 aparelho	 formador	 e	 de	
profissional	 de	 enfermagem	 regularmente	 inscrito	 no	 Conselho	 de	
origem	 na	 condição	 de	 instrumentador,	 e	 este	 concurso	 pode	 ser	
estendido	 também	 aos	 estudantes	 de	 enfermagem	 (CARVALHO;	
BIANCHI,	2016,	p.	59).
A	SOBECC	(2017)	recomenda	que	a	atividade	seja	desenvolvida	pela	enferma-
gem,	baseada	na	Resolução	n.	214/1998	do	Conselho	Federal	de	Enfermagem	(COFEN),	
que	considera	a	instrumentação	cirúrgica	uma	atividade	de	enfermagem,	porém,	que	
não	é	privativa	à	classe.
46
Figura 14 – Mesa de instrumentais
Fonte: https://bit.ly/3Ddfr0w. Acesso em: 14 set. 2022.
O	instrumentador	cirúrgico	pode	e	deve	fazer	parte	da	equipe	cirúrgica,	poden-
do	ser	contratado	pelo	cirurgião	titular.	Quando	essa	situação	ocorre,	o	instrumentador	
está	subordinado	ao	cirurgião	que	o	contratou.	Outra	possibilidade	de	contratação	do	
instrumentador	cirúrgico	é	pela	instituição	hospitalar,	fazendo	parte	da	equipe	de	en-
fermagem	e,	 portanto,	 subordinado	ao	enfermeiro	 responsável	 pelo	 centro	 cirúrgico.	
Ainda,	pode	ser	contratado	como	instrumentador	terceirizado,	ou	seja,	funcionáriode	
uma	empresa	fornecedora	de	utilização	de	seu	produto,	que	atua	como	instrumentador,	
conforme	Carvalho	e	Bianchi	(2016).
De modo geral, principalmente, em instituições governamentais, 
a instrumentação cirúrgica é realizada pelos profissionais da 
enfermagem, os quais são contratados pelas próprias instituições. 
NOTA
Assim,	a	partir	de	agora,	aprenderemos	como	surgiu	a	instrumentação	cirúrgica,	
como	se	dá	o	processo	de	formação,	além	dos	aspectos	legais	e	técnicos	relacionados	
ao	desenvolvimento	da	profissão.	Acompanhe!
47
2 HISTÓRIA DA INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA
A	instrumentação	cirúrgica	é	uma	técnica	utilizada	por	um	profissional	habili-
tado	para	prover	os	instrumentos	cirúrgicos	para	o	cirurgião	e	seus	auxiliares	durante	o	
procedimento	cirúrgico.	Sendo	assim,	participa	diretamente	do	centro	cirúrgico,	sendo	
responsável	pelo	preparo	da	mesa,	fornecendo	com	segurança	e	precisão	os	 instru-
mentais	ao	cirurgião,	acompanhando	a	sequência	de	cada	tempo	cirúrgico	durante	o	
ato	operatório.	Assim,	esse	profissional	deve	estar	sempre	atento,	ser	ágil,	organizado,	
respeitoso	e	perspicaz,	de	acordo	com	Souza	e	Coutinho	(2014).
O	início	da	instrumentação	cirúrgica	como	profissão	teve	origem	na	Idade	Mé-
dia.	Nessa	época,	os	profissionais	desenvolviam	tarefas	como	a	confecção,	o	aperfei-
çoamento,	o	transporte	e	a	guarda	dos	instrumentos	necessários	para	a	realização	das	
cirurgias:
o	primeiro	registro	da	atuação	de	um	instrumentador	cirúrgico	data	
de	1859,	durante	a	Batalha	de	Solíerino,	quando	o	mestre	Jean	Henri	
Dumont,	 com	 o	 intuito	 de	 agilizar	 os	 procedimentos	 cirúrgicos	 e	
amenizar	o	sofrimento	dos	feridos,	exerceu	essa	função	(BRONZATTI;	
FERRETI;	PONTELI,	2007,	p.	23).
Conforme	Veras	et al.	(2007),	a	profissão	de	instrumentador	surgiu	da	neces-
sidade	dos	avanços	e	desenvolvimentos	das	cirurgias.	Com	isso,	muitos	instrumentais	
foram	criados	para	realizar	as	manobras	cirúrgicas	e	facilitar	os	procedimentos,	tornan-
do	os	instrumentais	indispensáveis	nas	cirurgias.
	 Relatos	 datados	 do	 século	 XX	 citam	 que,	 na	 época,	 houve	 um	 enorme	
crescimento	dos	procedimentos	cirúrgicos,	sendo	que	os	cirurgiões	necessitavam	de	
ajuda	qualificada	com	os	materiais	que	eram	utilizados	nas	operações.	Desse	modo,	
começaram	a	surgir	as	escolas	de	técnicos	em	 instrumentais	cirúrgicos	em	Nice,	na	
França,	 em	 1954.	 As	 escolas	 tinham	 como	 objetivo	 preparar	 os	 profissionais	 para	 a	
evolução	cirúrgica,	ou	seja,	os	tempos	cirúrgicos,	considerando	os	materiais	adequados	
para	 cada	 especialidade,	 dentre	 outras	 atividades	 cirúrgicas.	 A	 partir	 de	 então,	 os	
instrumentais	cirúrgicos	foram	sendo	criados	pelos	cirurgiões	para	melhorar	o	acesso	
à	área	operatória	e	realizar	um	refinamento	das	manobras	cirúrgicas.	Uma	variedade	e	
quantidade	enorme	de	artigos	começou	a	ser	utilizada	nos	procedimentos	operatórios	
desde	essa	época,	segundo	Possari	(2011).
	Com	a	globalização,	o	advento	tecnológico	e	a	evolução	das	técnicas	cirúrgicas	
no	século	XXI,	os	computadores	e	a	robótica	passaram	a	participar	dos	procedimentos	
cirúrgicos,	requisitando	cada	vez	mais	capacitação	e	habilidade	por	parte	dos	profissio-
nais,	além	de	aprimoramento	e	desenvolvimento	profissional	contínuo,	conforme	Bron-
zatti,	Ferreti	e	Ponteli	(2007).
48
Figura 15 – Instrumentais cirúrgicos
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/tray-with-surgical-equipment-msljkyp. Acesso em: 14 set. 2022.
O	COFEN,	por	meio	da	Resolução	n.	214/1998,	considera	que,	mesmo	a	instru-
mentação	sendo	uma	matéria	regularmente	ministrada	na	grade	curricular	dos	cursos	
de	graduação	em	Enfermagem,	não	existe	lei	que	regulamente	tal	atividade	como	ação	
privativa	de	qualquer	profissão	da	área	da	saúde.	Na	mesma	resolução,	o	COFEN	ainda	
estabelece	que	“a	instrumentação	cirúrgica	é	uma	atividade	de	enfermagem,	não	sen-
do,	entretanto,	ato	privativo	da	enfermagem”	(CONSELHO	FEDERAL	DE	ENFERMAGEM,	
1998).	O	profissional	de	enfermagem	que	atua	como	instrumentador	cirúrgico,	desen-
volvendo	o	exercício	da	enfermagem,	deve	ser	supervisionado	exclusivamente	ao	res-
ponsável	técnico	pela	unidade,	que	porventura	deve	ser	enfermeiro:
está	tramitando,	no	Congresso	Nacional,	o	Projeto	de	Lei	n.	642/2007,	
que	dispõe	sobre	a	Regulamentação	da	Profissão	de	Instrumentador.	
Em	abril	de	2010,	tal	projeto	foi	aprovado	na	Câmara	dos	Deputados,	
porém,	aguarda	deliberação	da	Mesa	Diretora	da	Câmara	dos	Depu-
tados	 e	posterior	votação	no	Senado,	 para	que	possa	 ter	 força	de	
lei.	O	Projeto	estabelece	que	o	exercício	da	profissão	seja	privativo	
aos	que	tenham	concluído	curso	de	instrumentação	cirúrgica	minis-
trado	no	Brasil,	por	escola	reconhecida	pelo	Governo	Federal,	ou	no	
exterior,	desde	que	o	diploma	seja	revalidado	no	Brasil;	podem	tam-
bém	exercer	a	 instrumentação	aqueles	que	atuam	na	profissão	há	
pelo	menos	dois	anos,	contados	da	data	em	que	a	lei	entrar	em	vigor	
(CARVALHO;	BIANCHI,	2016,	p.	60).
Segundo	 a	Associação	Nacional	 de	 Instrumentadores	Cirúrgicos	 (s.	 d.),	 exis-
te	uma	luta	árdua	da	categoria	há	mais	de	25	anos,	mas	que	continua	ativa,	visando	
à	regulamentação	da	profissão	do	 instrumentador	cirúrgico.	Atualmente,	o	projeto	se	
encontra	na	fase	final	de	tramitação	no	Senado	Federal.	Essa	associação	ainda	reitera	
que	a	regulamentação	do	exercício	da	profissão	de	instrumentador	cirúrgico	proporcio-
nará	melhores	condições	de	trabalho	a	todos	os	atuantes	na	área,	além	de	promover	
melhores	qualificações	desses	profissionais,	atendendo	às	expectativas	das	equipes	de	
saúde	em	centro	cirúrgico	e	afirmando	a	cada	vez	mais	a	categoria	como	um	elemento	
indispensável	ao	ato	operatório.
https://elements.envato.com/pt-br/tray-with-surgical-equipment-msljkyp
49
2.1 RESPONSABILIDADES DO INSTRUMENTADOR 
CIRÚRGICO 
Segundo	Carvalho	e	Bianchi	 (2016),	 dentre	 as	 atribuições	do	 instrumentador	
cirúrgico,	podemos	mencionar	as	seguintes:
•	 organizar	os	instrumentais,	materiais	e	equipamentos	que	serão	utilizados	no	proce-
dimento	cirúrgico;
•	 paramentar-se	antes	dos	outros	membros	da	equipe;
•	 dispor,	sobre	a	mesa	de	instrumentais,	os	instrumentos,	de	acordo	com	os	tempos	
cirúrgicos,	bem	como	fios	e	agulhas	de	sutura;
•	 estar	atento	à	manutenção	da	assepsia	dos	instrumentais	durante	todo	o	procedimento;
•	 auxiliar	os	outros	membros	da	equipe	a	se	paramentarem;
•	 solicitar	material	extra	ao	circulante,	se	houver	necessidade;
•	 auxiliar	na	colocação	dos	campos	cirúrgicos,	delimitando	o	local	cirúrgico;
•	 realizar	 a	 entrega	de	 instrumentais	 com	atenção,	 de	 acordo	 com	a	 solicitação	do	
cirurgião,	bem	como	recebê-los	de	volta,	garantindo	que	não	fiquem	no	local	cirúrgico;
•	 estar	atento	ao	uso	de	perfurocortantes	e	ao	seu	descarte	adequado;
•	 conferir	 e	 contabilizar	 o	material	 e	 instrumental	 após	 o	 término	do	procedimento,	
bem	como	gazes	e	compressas,	encaminhando-os	ao	CME.
Da	 agilidade	 e	 do	 completo	 equilíbrio	 entre	 o	 instrumentador	 e	 a	 equipe	
cirúrgica,	depende	todo	o	andamento	da	cirurgia.	Portanto,	segundo	Zuza	et al.	(2015),	
o	 trabalho	 como	 instrumentador	 requer	 destreza,	 habilidade	 manual,	 conhecimento	
sobre	esterilização,	técnicas	assépticas	e	sincronização	dos	tempos	cirúrgicos.
A	base	da	consciência	profissional	do	instrumentador	é	a	responsabilidade,	a	
qual	deve	ser	constantemente	aprimorada	para	que	as	suas	ações	sejam	corretas.	Logo,	
segundo	Veras	et al.	 (2007),	 o	 instrumentador	 deverá	 seguir	 as	 normas	 de	 conduta	
pertinente	a	sua	posição,	bem	como	guardar	sigilo	profissional,	assim	como	qualquer	
um	dos	elementos	da	equipe.
Veras	 et al.	 (2007)	 também	 afirmam	 que	 é	 extremamente	 importante	 que	 o	
instrumentador	 tenha	 conhecimento	 e	 aplique	 os	 princípios	 de	 técnica	 asséptica.	
Ele	precisa	estar	atento	à	manutenção	da	assepsia	de	toda	a	equipe	cirúrgica,	sendo	
imprescindível	que	tenha	uma	atenção	especial	ao	espaço	da	mesa	de	instrumentais,	
para	 evitar	 contaminação	 por	 movimentos	 repentinos	 ou	 inesperados	 dequalquer	
membro	da	equipe	cirúrgica.	
50
2.2 RECOMENDAÇÕES PARA A EXCELÊNCIA DO 
PROFISSIONAL INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO
De	acordo	com	pesquisas	de	Veras	et al.	(2007),	para	ser	um	bom	instrumen-
tador,	fazem-se	necessárias	algumas	ações	que	qualificam	seu	trabalho,	como	a	or-
ganização,	pois	o	 instrumentador	deve	organizar	a	mesa	de	 instrumentais	para	que	
não	ocorra	quebra	da	técnica	asséptica,	dispondo	os	materiais	 conforme	os	tempos	
cirúrgicos.	Deve	estar	atento	para	que,	caso	falte	algum	insumo	no	transoperatório,	seja	
solicitado	imediatamente	ao	circulante	de	sala.
Ademais,	segundo	Veras	et al.	(2007),	o	instrumentador	cirúrgico	bem	qualifi-
cado,	dentro	de	suas	funções,	tem	a	agilidade	na	entrega	de	materiais	durante	o	pro-
cesso	cirúrgico.	Ele	desenvolve	seu	trabalho	com	atenção e presteza,	está	atento	às	
necessidades	da	equipe	e	colabora	para	que	a	intervenção	cirúrgica	ocorra	no	menor	
tempo	possível,	favorecendo	a	dinâmica	cirúrgica	e	a	recuperação	do	paciente.
2.3 ÉTICA PROFISSIONAL 
A	ética	estabelece	regras	e	condutas	morais	válidas	para	todos	os	membros	de	
determinada	sociedade.	Para	o	exercício	da	profissão,	o	profissional	deve	ter	caracterís-
ticas	essenciais,	como	
conhecimento,	 compromisso,	habilidade,	estratégia,	 altruísmo,	 jus-
tiça,	 competência,	 sigilo,	 prudência,	 coragem,	 perseverança,	 com-
preensão,	humildade,	imparcialidade	e	otimismo.	Além	disso,	precisa	
desempenhar	suas	atribuições	com	responsabilidade,	lealdade	e	ini-
ciativa	(BRONZATTI;	FERRETI;	PONTELI,	2007,	p.	23).
A Resolução n. 280/2003 dispõe sobre a proibição de profissional 
de enfermagem em auxiliar procedimentos cirúrgicos. Portanto, 
é vedado ao profissional de enfermagem auxiliar procedimentos 
cirúrgicos em substituição ao cirurgião auxiliar. Para saber mais 
sobre o assunto, leia a resolução na íntegra, disponível em http://
www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2802003_4316.html. 
IMPORTANTE
51
O	profissional	instrumentador	deve	buscar	conhecimento	e	ter	consciência	das	
leis	do	exercício	profissional	de	Enfermagem	e	da	Medicina,	pois	esse	conhecimento	faz	
diferença	na	assistência	prestada.	Ainda,	reitera-se	que	“o	conhecimento	e	o	domínio	
das	áreas	que	envolvem	a	profissão	proporcionam	ao	instrumentador	a	conquista	e	a	
manutenção	de	seu	espaço	e	de	sua	 importância	no	âmbito	hospitalar”	 (BRONZATTI;	
FERRETI;	PONTELI,	2007,	p.	23).	
A	Associação	Nacional	de	Instrumentadores	Cirúrgicos	apresenta	11	preceitos	
que	 foram	 aprovados	 como	 código	 de	 ética	 para	 os	 profissionais	 que	 trabalham	 na	
instrumentação	cirúrgica.	O	código	foi	aprovado	em	sua	Assembleia	Geral	Ordinária,	em	
São	Paulo,	no	dia	26	de	setembro	de	1986	(BRASIL,	1986):
•	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 defenderá,	 com	 todas	 as	 suas	 forças	 e	 em	 todas	 as	
circunstâncias,	o	direito	fundamental	da	vida	humana.
•	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 dedicará	 atenção	 especial	 ao	 doente,	 prescindindo	 de	
raça,	nacionalidade	e	religião.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	procurará	se	familiarizar	com	os	vários	aspectos	organi-
zacionais	e	administrativos	do	hospital	e	com	a	dinâmica	do	bloco	operatório,	objeti-
vando	uma	integração	adequada	no	seu	ambiente	de	trabalho.
•	 O	 instrumentador	 cirúrgico,	 ciente	 de	 que	 o	 desempenho	 de	 sua	 função	 requer	
formação	aprimorada,	procurará	ampliar	e	atualizar	 seus	conhecimentos	técnicos,	
científicos	e	do	desenvolvimento	da	própria	profissão.
•	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 executará,	 com	 rigor	 e	 presteza,	 as	 orientações	 do	
cirurgião,	com	vista	ao	pleno	sucesso	do	ato	cirúrgico.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	evitará	abandonar	o	paciente	em	meio	ao	ato	operatório,	
sem	justa	causa	e	sem	garantia	de	solução	de	continuidade	de	sua	atividade.
•	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 negará	 sua	 participação	 em	 pesquisas	 que	 violem	 os	
direitos	inalienáveis	da	pessoa	humana.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	procurará	manter	relações	cordiais,	espírito	de	colabora-
ção	e	integração	com	todos	os	membros	da	equipe	cirúrgica.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	guardará	segredo	sobre	fatos	que	tenha	conhecimento	
no	exercício	de	sua	profissão.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	fará	valer	seu	direito,	com	remuneração	compatível	com	
o	trabalho	realizado	e	com	dignidade	da	profissão.
•	 O	instrumentador	cirúrgico	colocará	seus	serviços	profissionais	à	disposição	da	co-
munidade	em	casos	de	urgência,	independentemente	de	qualquer	proveito	pessoal.
Em	suma,	Bronzatti,	 Ferreti	 e	Ponteli	 (2007)	 ressaltam	que	o	 instrumentador	
cirúrgico	 deve	 atuar	 seguindo	 a	 conduta	 ética	 que	 visa	 à	 dignidade	 humana	 e	 à	
construção	do	bem-estar	no	contexto	sociocultural	em	que	exerce	sua	profissão.
52
3 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS PARA A 
INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA
Como	já	caracterizamos	em	parágrafos	anteriores,	queremos	reforçar	que	um	
instrumentador	profissional	presta	uma	grande	participação	para	diminuir	o	tempo	ci-
rúrgico,	trabalha	em	equipe,	além	de	ter	total	controle	na	prática	da	assepsia,	melhoran-
do	a	saúde	do	paciente	e	reduzindo	os	riscos	de	complicações,	como	infecções	do	local	
cirúrgico,	conforme	Porteous	e	Bäuerle	(2013).
Os	autores	ainda	trazem	algumas	práticas	que	favorecem	ao	desempenho	de	
um	bom	profissional,	a	saber:
•	 uso	 correto	 e	 boa	manutenção	 de	 instrumentos,	 cuidados	 esses	 que	 aumentam	
significativamente	a	vida	útil	de	cada	item;
•	 se	 houver	 tempo	 suficiente,	 é	 recomendado	 que	 os	 instrumentos	 sejam	 limpos	
conforme	ocorre	a	operação.	Isso	simplifica	o	processo	de	descontaminação	posterior	
e	garante	o	bom	funcionamento	dos	instrumentos;
•	 os	instrumentos	danificados	devem	ser	separados	do	conjunto	e	identificados	para	
posterior	ajuste;
•	 ao	 fim	 do	 procedimento,	 o	 instrumentador	 deve	 remover	 todos	 os	 itens	
perfurocortantes	e	colocá-los	em	um	recipiente	especial,	para	ser	desprezado;
•	 	materiais	descartáveis	devem	ser	jogados	fora;
•	 todos	os	instrumentos	precisam	ser	devolvidos	para	seu	conjunto	correto	e	coloca-
dos	em	embalagens	fechadas	para	transporte;
•	 os	 instrumentos	 devem	 ser	 desmontados	 e	 abertos,	 para	 facilitar	 o	 processo	 de	
descontaminação;
•	 ao	empilhar	vários	conjuntos,	deve-se	prestar	atenção	aos	instrumentos	individuais.	
Bandejas	e	instrumentos	pesados	devem	ser	colocados	embaixo,	enquanto	os	mais	
leves	devem	ficar	em	cima;
•	 é	necessário	tomar	cuidado	para	não	esmagar	objetos	ópticos	delicados,	cabos	de	
luz	ou	cabos	eletrocirúrgicos;
•	 o	material	estéril	não	utilizado	pode	ser	retornado	para	seu	local	de	armazenamento	
se	sua	integridade	não	tiver	sido	comprometida.
Portanto,	segundo	os	autores,	o	 instrumentador	deve	ser	capaz	de	raciocinar	
e	agir	sempre	um	passo	à	frente	do	cirurgião,	antecipando	suas	necessidades.	Nesse	
sentido,	 é	 essencial	 que	 esse	 profissional	 tenha	 concentração,	 disciplina	 e	 conheci-
mento	sistemático	do	procedimento	cirúrgico	que	está	realizando,	bem	como	de	suas	
possíveis	complicações.
53
3.1 MANEJO DE INSTRUMENTOS PERFUROCORTANTES 
Todos	os	 instrumentos	perfurocortantes	devem	ser	descartados	em	embala-
gens	especiais,	resistentes	a	perfurações	e	vazamentos,	com	rótulo	vermelho	ou	ama-
relo,	com	indicativo	de	risco	biológico.	As	embalagens	devem	ser	lacradas	e	substituídas	
quando	atingirem	três	quartos	de	sua	capacidade,	segundo	Porteous	e	Bäuerle	(2013).
Os	autores	citam	que,	durante	um	procedimento	cirúrgico,	algumas	precauções	
deverão	ser	tomadas	no	manejo	de	todo	e	qualquer	instrumento	perfurocortante,	como:
•	 não	dobrar	agulhas,	nem	recolocar	sua	capa	de	proteção;
•	 não	tocar	instrumentos	perfurocortantes	(como	agulhas	ou	lâminas)	com	as	mãos	se	
estiveram	em	contato	com	sangue	ou	outros	fluidos	corporais;
•	 abrir	ampolas	de	medicamentos	utilizando	abridor	de	ampolas	ou	gaze;
•	 pequenos	 instrumentos	perfurocortantes	 (como	 lâminas,	agulhas	e	outros)	devem	
ser	 deixados	 na	mesa	 de	 instrumentos	 estéreis,	 em	uma	 “zona	 neutra”,	 acordada	
previamente	com	a	equipe	médica.
Para Porteous e Bäuerle(2013), o cirurgião deverá pegar os itens 
perfurocortantes colocados na área neutra pelo instrumentador 
da equipe. Isso evita o risco de lesão associada à passagem 
de instrumentos de mão em mão. Apenas um instrumento 
perfurocortante deve estar na zona neutra de cada vez, sendo 
que os itens deverão ser colocados nesse local para facilitar que 
o cirurgião os pegue com a mão dominante. Uma alternativa é 
o instrumentador passar esses itens para o cirurgião em uma 
pequena bandeja.
IMPORTANTE
Os	 autores	 ainda	 sugerem	 uma	 lista	 de	 verificação	 para	 assistência	 segura	
durante	procedimentos	estéreis,	a	saber:
•	 evitar	manuseio	de	agulhas;
•	 nunca	segurar	um	bisturi	ou	qualquer	outro	objeto	cortante	com	a	mesma	mão,	ao	
mesmo	tempo	em	que	segura	outros	objetos;
•	 usar	alerta	verbal	para	anunciar	a	transferência	de	instrumento	perfurocortante;
•	 utilizar	suturas	ou	equipamentos	de	segurança	removíveis	para	facilitar	a	remoção	 
da	agulha;
•	 evitar	contato	dos	dedos	com	tecidos	a	serem	cortados	ou	suturados;
•	 ficar	 atento	 a	 todos	 os	 instrumentos	 perfurocortantes	 em	 uso,	 até	 que	 sejam	
devolvidos	à	zona	neutra;
54
•	 recolocar	a	proteção	na	ponta	de	um	dreno	ou	trocarte,	utilizando	um	instrumento,	
não	os	dedos;
•	 quando	necessário,	encher	novamente	uma	seringa	para	aumentar	a	dose	injetada.	
A	agulha	pode	ser	mantida	no	tecido,	sendo	que	se	remove	a	seringa,	a	qual,	após	o	
preenchimento,	é	reconectada	à	agulha;
•	 ao	remover	a	agulha	de	uma	sutura,	deve-se	colocá-la	em	local	seguro	ou	proteger	 
a	ponta	com	o	protetor.
Para Porteous e Bäuerle (2013), a maioria das lesões (56%) ocorre com 
enfermeiros e equipe cirúrgica. Mais de 80% dos incidentes de conta-
minação envolvem ferimento penetrante com instrumento perfurocor-
tante, sendo que prevalecem perfurações com agulhas, que, com 
frequência, não são relatadas. Cerca de 30% das lesões com 
agulhas são provocadas pelo próprio indivíduo que a manuseia. 
Além disso, estima-se que 39% das lesões sejam com lâminas, 
sendo que algumas ocorrem quando a lâmina está sendo passa-
da de uma pessoa para a outra. Mais de 30% dos casos de hepa-
tite B são transmitidos por lesões com agulhas, taxa seis vezes mais 
frequente do que na infecção pelo HIV.
INTERESSANTE
Em	suma,	entendemos	que,	para	um	bom	desempenho	de	membro	da	equipe	
cirúrgica,	é	extremamente	necessário	o	desenvolvimento	de	vários	fatores,	como:	co-
municação,	trabalho	em	equipe;	conhecimento	técnico-científico;	e	habilidades	técni-
cas	para	auxiliar	na	atividade	cirúrgica.	Contudo,	vale	ressaltar	que	é	muito	importante	
que	o	profissional	procure	se	qualificar,	para	estar	cada	vez	mais	apto	a	desenvolver	
sua	função,	sendo	que	as	instituições	devem	lançar	mão	de	estratégias	para	promover	
o	 equilíbrio	 e	 bem-estar	 entre	 as	 equipes	multiprofissionais	 e,	 consequentemente,	 a	 
melhoria	da	assistência	ao	paciente.
55
LEITURA
COMPLEMENTAR
DEGERMAÇÃO E PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA: TÉCNICA E RELEVÂNCIA NA 
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO HOSPITALAR NO BRASIL
Rafael	Kiyoshi	Sakane	Dall	Olio
Cristiane	Souza	Teixeira	
1 INTRODUÇÃO 
A	infecção	proveniente	da	cirurgia	é	um	agravo	que	apresenta	múltiplos	fatores	
envolvidos.	Entretanto,	para	reduzir	e	controlar	sua	incidência,	é	necessária	a	aplicação	
de	medidas	preventivas,	educacionais	e	de	controle.	Elas	visam	controlar,	por	meio	de	
um	processo	de	conscientização	coletiva,	as	taxas	de	 infecção	em	 limites	aceitáveis	
para	cada	tipo	de	procedimento	cirúrgico	realizado	nos	hospitais.
Algumas	infecções	hospitalares	são	evitáveis	e	outras	não.	Infecções	prevení-
veis	são	aquelas	em	que	se	pode	interferir	na	cadeia	de	transmissão	dos	microrganis-
mos.	A	interrupção	dessa	cadeia	pode	ser	realizada	por	meio	de	medidas	reconhecida-
mente	eficazes,	como	a	lavagem	das	mãos,	o	processamento	dos	artigos	e	superfícies,	
a	utilização	dos	equipamentos	de	proteção	individual,	no	caso	do	risco	laboral,	e	a	ob-
servação	das	medidas	de	assepsia.	Infecções	não	preveníveis	são	aquelas	que	ocorrem	
a	despeito	de	todas	as	precauções	adotadas,	como	se	pode	constatar	em	pacientes	
imunologicamente	comprometidos,	e	são	originárias	da	sua	microbiota.	
Os	procedimentos	de	degermação	e	paramentação	cirúrgica	visam	diminuir	o	
risco	de	o	paciente	cirúrgico	contrair	infecção	hospitalar,	além	de	garantir	a	segurança	
dos	profissionais	que	atuam	no	campo	operatório.	
As	 infecções	 hospitalares	 representam	 um	 problema	 tanto	 no	 Brasil	 quanto	
no	mundo	e	constituem	um	risco	à	saúde	dos	usuários	dos	serviços	hospitalares.	As	
infecções	pós-operatórias,	denominadas	atualmente	como	infecções	do	sítio	cirúrgico	
(ISC),	 constituem	uma	parcela	 significativa	no	 total	 de	 todas	essas	 infecções,	 sendo	
considerada	 a	 segunda	 principal	 causa	 dessas	 infecções.	 Sua	 prevenção	 e	 controle	
dependem	da	adesão	dos	profissionais	da	área	da	saúde	às	medidas	preventivas.
56
2 DISCUSSÃO
No	 Brasil,	 a	 preocupação	 com	 o	 controle	 das	 infecções	 hospitalares	 (IH)	 se	
iniciou	apenas	a	partir	da	década	de	1950,	apontando	como	causas	a	má	esterilização	
de	materiais,	o	uso	 indiscriminado	de	antibióticos	e	o	surgimento	de	microrganismos	
resistentes.	Somente	em	1983,	o	Ministério	da	Saúde	(MS)	publicou	a	primeira	Portaria	
Ministerial	nº	196,	referente	a	essa	área.	
Atualmente,	ainda	em	vigor,	a	Portaria	n.	2.616,	de	12	de	maio	de	1998,	define	
Infecção	Hospitalar	 (IH)	 como	 “aquela	 adquirida	 após	 a	 admissão	do	paciente	 e	que	
se	manifeste	durante	a	internação	ou	após	a	alta,	quando	puder	ser	relacionada	com	
a	 internação	ou	procedimentos	hospitalares.	São	também	convencionadas	 infecções	
hospitalares	aquelas	manifestadas	antes	de	72	horas	da	internação,	quando	associadas	
a	procedimentos	diagnósticos	e/ou	terapêuticos,	 realizados	durante	este	período”.	Nos	 
dias	atuais,	refere-se	às	IH	como	Infecções	Relacionadas	à	Assistência	à	Saúde	(IRAS).	
Entre	elas,	as	Infecções	de	Sítio	Cirúrgico	(ISC)	estão	entre	as	principais	IH	no	
Brasil,	sendo	que,	entre	as	infecções	encontradas	em	pacientes	hospitalizados,	14%	a	
16%	são	infecções	de	sítio	cirúrgico,	ocupando,	assim,	a	terceira	posição	entre	todas	as	
infecções	em	serviços	de	saúde.
Dentre	as	dificuldades	da	prevenção	de	 IH	mais	comuns	ocorridas	dentro	de	
um	 Centro	 Cirúrgico,	 os	 seguintes	 são	mais	 citados	 como	 riscos	 de	 contaminação:	
escovação	feita	sem	a	técnica	correta;	uso	inadequado	ou	falta	da	paramentação;	uso	
de	instrumentos	oxidados.	
A	escovação,	que	consiste	em	fazer	a	assepsia	das	mãos,	incluindo-se	a	reti-
rada	de	cordões,	anéis,	pulseiras	etc.,	reduz	a	contaminação	por	parte	desses	objetos.	
Outro	procedimento	essencial	e	amplamente	utilizado	é	a	lavagem	das	mãos	e	antebra-
ços,	utilizando	a	solução	antisséptica	adequada	e	a	técnica	correta.
A	 paramentação	 adequada	 é	 essencial,	 a	 fim	 de	 evitar	 que	 os	 profissionais	
entrem	em	contato	direto	com	sangue	e	secreções	e	contaminem	sua	roupa	privativa.	
Geralmente,	 constitui-se	 de	 touca,	 óculos,	 máscara,	 uniforme	 privativo,	 avental	 e	
propé.	Esses	cuidados	devem	ser	tomados	rigorosamente,	principalmente	em	cirurgias	
contaminadas,	 como	 é	 o	 caso	 da	 cirurgia	 de	 cólon,	 debridamento	 de	 queimaduras,	
cirurgias	das	vias	biliares,	entre	outras.	O	procedimento	que	se	recomenda,	portanto,	
é	trocar	a	paramentação	toda	ao	término	de	cada	cirurgia.	A	paramentação	adequada	
deve	seguir	as	especificações	e	normas	técnicas	de	biossegurança	do	hospital,	tanto	
em	sua	confecção	como	em	suas	formas,	tamanhos,	tipos	de	tecidos,	se	reprocessadas	
ou	descartáveis.	Seu	uso	 inicia-se	pela	correta	sequência	de	sua	colocação,	até	sua	
retirada	adequada10,11.	Todo	o	hospital,	além	da	necessidade	de	ter	as	condições	físicas	
adequadas	–	limpeza,	sistema	de	ventilação	etc.	–,	deveria	ter	como	rotina	a	preparação	
de	 suas	 equipes,	 acompanhando	de	 perto	 suas	 ações,	 a	 fim	de	 evitar	 ou	 reduzir	 ao	
máximo	as	infecções.
57
O	fato	de	aproximadamente	30%	das	infecções	serem	evitáveisexige	da	equipe	
de	saúde	e	das	instituições	responsabilidade	ética,	técnica	e	social,	no	sentido	de	pro-
ver	os	serviços	e	os	profissionais	de	condições	de	prevenção,	revelando-se	em	um	dos	
pontos	fundamentais	no	controle	de	infecção	de	sítio	cirúrgico.	
Os	padrões	de	comportamento	expressados	principalmente	pela	equipe	médica	
(membros	mais	estáveis	dentro	do	ambiente)	influenciam	todo	o	meio,	no	caso	o	centro	
cirúrgico,	sendo	que	a	grande	maioria	dos	demais	profissionais,	sejam	eles	também	da	
equipe	médica,	tendem	a	reproduzir	seus	comportamentos	por	imitação.	
As	ações	de	prevenção	e	controle	do	risco	de	infecções	do	sítio	cirúrgico	devem	
ser	vividas	por	todos	os	participantes	da	equipe	multiprofissional	devendo	iniciar	desde	
a	formação	acadêmica.	Observa-se	também	a	necessidade	de	uma	parceria	entre	as	
categorias	no	sentido	de	uma	atuação	conjunta	na	adoção	de	medidas	de	prevenção	e	
controle	destas	infecções.	A	equipe	médica	é	chave	fundamental	na	luta	para	o	controle	
de	 infecção	devido	ao	papel	formador	de	opinião	e	tendo	seu	comportamento	como	
espelho	para	os	demais	membros	da	equipe	de	saúde.	Dessa	maneira,	a	criação	de	um	
clima	institucional	que	vise	à	segurança	do	paciente	especificamente	na	redução	do	ris-
co	de	infecção	do	sítio	cirúrgico	só	será	possível	por	medidas	de	ensino-aprendizagem	
desde	a	graduação	dos	profissionais	de	saúde,	aliadas	a	mudanças	de	comportamen-
tos	vigentes,	resultando	em	melhor	adesão	as	medidas	de	prevenção	de	infecção	do	 
sítio	cirúrgico.
2.1	PARAMENTAÇÃO	CIRÚRGICA
Faz-se	necessário	reforçar	medidas	básicas	de	prevenção	de	infecção	e	para-
mentação	cirúrgica,	cuja	principal	finalidade	é	prevenir	a	transferência	de	microrganis-
mos	da	pele	da	equipe	cirúrgica	e	do	próprio	paciente	para	a	ferida	operatória,	formando	
uma	barreira	física.	Dessa	forma,	podemos	considerar	corretos	os	seguintes	usos:	
• Touca ou gorro cirúrgico:	 tem	 o	 intuito	 de	 evitar	 a	 contaminação	 do	 campo	
cirúrgico	por	cabelos	ou	de	sua	microbiota.	Deve	cobrir	todo	o	cabelo,	de	forma	que	
não	existam	fios	de	cabelo	expostos,	que	possam	vir	a	se	soltar	durante	a	cirurgia.
• Máscara:	deve	cobrir	o	nariz	e	a	boca	durante	o	procedimento	cirúrgico	e	ficar	bem	
ajustada,	a	fim	de	evitar	o	escape	de	gotículas	salivares	pelas	bordas	laterais.	Devem	
ser	trocadas	quando	molhadas	ou	sujas	ou	após	quatro	horas	de	uso,	quando	dimi-
nuem	sua	eficácia	de	proteção,	e	nunca	devem	ficar	dependuradas	no	pescoço	ou	
guardadas	em	bolsos	para	reutilização.
• Protetor ocular:	são	recomendados	especialmente	para	a	proteção	do	profissional	
contra	o	contato	com	sangue,	secreções	e	fluidos	dos	pacientes.
• Uniforme privativo:	 são	 constituídos	 de	 jaleco	 e	 calça,	 geralmente	 confeccionados	
com	tecido	de	algodão,	não	esterilizados	e	reprocessáveis.	Seu	uso	e	restrito	ao	interior	
do	CC	e	devem	ser	trocados	pelos	profissionais	em	operações	com	tempo	prolongado.
58
• Avental:	uma	das	formas	extrínsecas	de	se	prevenir	a	contaminação	dentro	da	sala	
operatória	é	o	uso	de	avental	cirúrgico,	que	forma	uma	barreira	entre	a	equipe	e	a	
ferida	operatória,	prevenindo	a	contaminação.
• Propés:	 a	 recomendação	vigente	 estabelece	 o	 uso	 de	 sapato	 fechado	 e	 restrito,	
prevenindo	 assim	 acidentes	 com	 perfurocortantes	 ou	 contaminação	 por	 líquidos	
corpóreos.	O	uso	do	propé	diminui	a	veiculação	de	microrganismos.
• Luvas:	 devem	ser	 usadas	pela	 equipe	 cirúrgica	para	 sua	proteção	 contra	 sangue	
e	fluidos	contaminados	e	do	paciente	contra	microrganismos	liberados	pela	equipe	
cirúrgica.
• Remoção de adornos:	atualmente,	as	instituições	de	saúde,	atendendo	à	legislação	
vigente,	vetam	o	uso	de	adornos,	tanto	para	a	equipe	de	saúde	quanto	para	a	equipe	
de	limpeza.
• Unhas:	o	uso	de	unhas	compridas	eleva	o	risco	de	rasgar	a	luva	durante	a	operação.
2.2	DEGERMAÇÃO	DAS	MÃOS
A	 adequada	 higiene	 das	 mãos	 é	 a	 medida	 preventiva	 mais	 importante	 na	
prevenção	das	infecções	do	sítio	cirúrgico.	
Dentre	as	práticas	para	a	prevenção	dessas	infecções,	a	degermação	das	mãos	
e	antebraços	da	equipe	cirúrgica,	como	preparo	pré-operatório,	teve	sua	origem	quando	
Ignaz	Semmelweis,	em	1847,	preconizou	o	uso	de	germicida	para	a	lavagem	das	mãos	
antes	de	examinar	as	parturientes.
	 Por	 volta	 de	 1860,	 Joseph	 Lister	 introduziu	 os	 princípios	 da	 assepsia	 na	
prática	dos	procedimentos	cirúrgicos,	diminuindo	substancialmente	a	morbidade	nos	
pacientes	em	período	pós-operatório.	O	cuidado	com	a	degermação	cirúrgica	das	mãos	
e	antebraços	é	justificado	pela	taxa	de	perfuração	das	luvas	ao	final	da	cirurgia	de	18%,	
sendo	que,	em	mais	de	35%	dos	casos,	essas	perfurações	não	são	percebidas	pelos	
cirurgiões,	além	do	fato	de	algumas	luvas	serem	permeáveis	a	bactérias.
Para	 os	 integrantes	 da	 equipe	 cirúrgica	 que	 irão	 atuar	 no	 campo	operatório,	
a	 degermação	 das	 mãos	 e	 antebraços	 constitui	 etapa	 fundamental	 do	 preparo	
da	 paramentação.	 A	 degermação	 é	 realizada	 através	 da	 escovação	 com	 solução	
antisséptica,	utilizando-se	escova	de	cerdas	firmes	e	macias	para	não	causar	trauma	
ou	irritação	na	pele.	As	escovas	são	descartáveis	e	podem	já	vir	embebidas	em	solução	
antisséptica,	ou	o	líquido	pode	estar	disponível	em	dispensador	de	plástico	fixo	na	parede	
com	acionamento	de	ejeção	por	pedal,	deixando	as	mãos	livres	e	sem	contato	com	ele.
59
A	técnica	deve	seguir	o	seguinte	padrão,	bilateralmente:
•	 Abre-se	a	torneira	do	lavabo.
•	 Molham-se	as	mãos	e	antebraços,	com	água	escorrendo	das	mãos.
•	 Com	a	mão	dominante,	pega-se	a	escova,	e,	com	a	parte	mais	macia	(espuma),	en-
saboa-se	toda	a	área	de	pele	a	ser	degermada.
•	 Caso	o	local	ainda	utilize	escovas	secas,	ensaboa-se	com	a	outra	mão	toda	a	área	 
de	pele	a	ser	degermada	utilizando	o	antisséptico	do	dispensador.
•	 Utilizando	 o	 lado	 com	 cerdas	 da	 escova,	 inicia-se	 a	 escovação	 esfregando	 na	
seguinte	sequência:	30	vezes	a	palma	da	mão	(inclusive	os	dedos);	30	vezes	a	lateral	
da	palma	da	mão	e	do	dedo	mínimo;	30	vezes	cada	região	interdigital,	iniciando	pelo	
dedo	mínimo;	30	vezes	a	lateral	da	palma	da	mão	e	do	polegar;	30	vezes	o	dorso	da	
mão;	40	vezes	a	região	sub-ungueal,	ou	seja,	os	vãos	embaixo	das	unhas	dos	dedos;	
30	vezes	cada	face	do	antebraço	30	vezes,	de	forma	circular,	o	cúbito.
•	 Mantém-se	a	escova	na	mão	dominante	e	enxagua-se,	a	fim	de	remover	a	espuma	
proveniente	das	áreas	degermadas	anteriormente.
•	 Passe	a	escova	para	a	mão	não	dominante	e,	com	a	parte	mais	macia,	ensaboe	toda	
a	área	de	pele	a	ser	degermada,	ou	seja,	da	ponta	dos	dedos	até	o	cúbito,	porém,	sem	
jamais	voltar	com	a	esponja	para	as	áreas	ensaboadas	anteriormente.
•	 Enxagua-se	 as	 mãos,	 antebraços	 e	 cúbitos	 para	 retirar	 a	 espuma	 do	 líquido	
antisséptico,	respeitando	o	sentido	para	o	escoamento	da	água	(enxágue	primeiro	a	
mão,	depois	antebraço	e,	finalmente,	cúbito)	e	as	posição	das	mãos	(acima	do	nível	
do	cúbito,	portanto,	em	“L”).
•	 Ao	final	do	processo,	fecha-se	a	torneira	com	o	cúbito	 (caso	seu	fechamento	não	
seja	automático	ou	através	de	botões	acionados	com	o	pé),	poupando	as	mãos	de	
tocarem	qualquer	objeto	não	esterilizado.	
•	 Com	 as	 mãos	 em	 “L”	 e	 a	 água	 escorrendo	 pelos	 cúbitos,	 adentra-se	 a	 sala	 de	
operações	abrindo	a	porta	com	o	dorso	do	corpo	e	cuidando	para	não	contaminar	
nenhuma	área	degermada.
•	 Aproxima-se	da	mesa	onde	encontram-se	esterilizados	os	campos,	os	aventais	e	as	
compressas	para	enxugar	as	mãos.
•	 Pega-se	uma	compressa	pela	ponta,	abre-a	e	 joga-a	sobre	uma	das	mãos,	a	qual	
irá	 enxugar	 sem	 fricção,	 descendo	 (em	movimento	 helicoidal)	 até	 dois	 terços	 do	
antebraço	(o	último	terço	do	antebraço	e	o	cúbito	não	deverão	ser	enxugados).
•	 Não	 se	 pode	 enxugar	 o	 outro	membro	 com	 essa	 face	 da	 compressa	 já	 utilizada.	
Portanto,	a	compressa	segurada	ainda	pela	mesma	mão	é	virada,	ajeitada	e	passada	
à	mão	já	enxuta;	
•	 Enxuga-se	 a	mão	 e	 repete	 o	movimento	 helicoidal	 do	 punho	 para	 baixo	 até	 dois	
terçosdo	antebraço.
•	 Então,	joga-se	a	compressa	no	“hamper”.
60
3 CONCLUSÃO
A	 infecção	hospitalar	constitui	um	dos	grandes	problemas	enfrentados	pelos	
pacientes	e	profissionais	da	saúde	no	Brasil.	
Cabe	a	nós,	instrumentadores	cirúrgicos,	sermos	conscientes	e	sinceros	diante	
de	qualquer	eventualidade	que	possa	pôr	em	risco	o	paciente	e	a	equipe,	sobretudo	
a	 não	 contaminação.	 Realizar	 a	 escovação	 e	 paramentação	 corretamente,	 passo	 a	
passo,	é	de	fundamental	importância	para	o	sucesso	final	do	procedimento,	mantendo	
o	paciente	livre	de	infecção	do	sítio	cirúrgico.
Podemos	concluir	com	esta	revisão	que,	se	houver	a	disseminação	das	práticas	
corretas,	 haverá	 a	 diminuição	 gradativa	 da	 infecção	 hospitalar	 e	 contaminação	 dos	
profissionais	envolvidos,	impactando	positivamente	todo	o	segmento.
Fonte: adaptada de https://storage.builderall.com/franquias/2/6258596/editor-html/8638484.pdf. 
Acesso em: 20 set. 2022.
https://storage.builderall.com/franquias/2/6258596/editor-html/8638484.pdf
61
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	 instrumentação	cirúrgica	consiste	em	entregar	de	forma	sistematizada	o	 instru-
mental	necessário	em	um	procedimento	cirúrgico	para	o	cirurgião.	Para	tanto,	é	im-
prescindível	que	o	profissional	seja	habilitado	e	conheça	as	técnicas	de	instrumen-
tação	cirúrgica.	Além	disso,	o	instrumentador	é	responsável	pelo	preparo	da	mesa	de	
instrumentais,	bem	como	controla	e	organiza-os	durante	as	cirurgias.
•	 A	instrumentação	cirúrgica	é	conhecida	desde	a	Idade	Média.	Os	cirurgiões	sempre	
precisaram	de	alguém	que	os	ajudasse	nos	procedimentos.	Nessa	época,	os	profis-
sionais	desenvolviam	tarefas	como	a	confecção,	o	aperfeiçoamento,	o	transporte	e	a	
guarda	dos	instrumentos	necessários	para	a	realização	das	cirurgias.
•	 O	 instrumentador	cirúrgico	precisa	 trabalhar	em	sincronia	com	a	equipe	cirúrgica.	
É	 indispensável	 que	 esse	 profissional	 seja	 ágil,	 tenha	 equilíbrio	 emocional	 e	 uma	
comunicação	eficiente,	pois	participa	diretamente	do	ato	cirúrgico.	O	instrumentador	
também	 precisa	 desenvolver	 competências	 como	 destreza	 e	 habilidade	 manual,	
além	de	ter	conhecimento	sobre	esterilização,	técnicas	assépticas	e	sincronização	
dos	tempos	cirúrgicos.
RESUMO DO TÓPICO 3
62
AUTOATIVIDADE
1	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 deve	 agir	 com	 ética	 e	 responsabilidade,	 garantido	
organização	do	material	 cirúrgico,	 entregando	 ao	 cirurgião	de	 forma	correta.	 Para	
desenvolver	 a	 instrumentação,	 o	 instrumentador	 deve	 conhecer	 e	 identificar	 os	
tempos	 cirúrgicos.	 Quanto	 às	 ações	 do	 instrumentador,	 classifique	 V	 para	 as	
sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	O	instrumentador	cirúrgico	deve	zelar	pelo	perfeito	funcionamento	do	instrumental	
e	dos	equipamentos	usados	pelo	cirurgião	e	assistente.
(			)	O	instrumentador	deve	estar	atento	aos	movimentos	da	equipe	cirúrgica,	tendo,	sob	
seu	controle,	a	quantidade	exata	de	compressas,	gazes,	agulhas	e	demais	objetos,	
que	não	podem	ser	perdidos	ou	esquecidos	no	campo	operatório.
(			)	Deve	se	preparar	para	a	cirurgia	depois	que	todos	da	equipe	estejam	paramentados.
(			)	Não	é	da	responsabilidade	do	instrumentador	a	manutenção	da	assepsia	de	toda	a	
equipe	cirúrgica.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	–	F	–	V	–	F.	
b)	 (			)	 F	–	V	–	F	–	F.	
c)	 (			)	 F	–	F	–	V	–	V.
d)	 (			)	 V	–	V	–	F	–	F.	
2	 Bronzatti,	Ferreti	e	Ponteli	(2007)	ressaltam	que	o	instrumentador	cirúrgico	deve	atu-
ar	seguindo	a	conduta	ética	que	visa	à	dignidade	humana	e	à	construção	do	bem-
-estar	humano,	no	contexto	sociocultural	em	que	exerce	sua	profissão.	É	importante	
que	o	instrumentador	conheça	o	código	de	ética	da	profissão,	bem	como	a	dos	pro-
fissionais	com	quem	trabalha.
Fonte:	https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/
view/344/347.	Acesso	em:	20	set.	2022.
Sobre	os	preceitos	da	ética	estabelecidos	pela	Associação	Nacional	dos	Instrumentado-
res	Cirúrgicos,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 O	instrumentador	cirúrgico	deve	se	familiarizar	com	os	vários	aspectos	organizacio-
nais	e	administrativos	do	hospital	e	com	a	dinâmica	do	bloco	operatório,	objetivan-
do	uma	integração	adequada	no	seu	ambiente	de	trabalho.
II-	 O	instrumentador	cirúrgico	deve	executar	com	rigor	e	presteza	as	orientações	do	
cirurgião,	com	vista	ao	pleno	sucesso	do	ato	cirúrgico.
63
III-	 O	instrumentador	cirúrgico	deve	manter	relações	cordiais,	espírito	de	colaboração	e	
integração	com	todos	os	membros	da	equipe	cirúrgica.
IV-	 O	 instrumentador	 cirúrgico	 deverá	 guardar	 segredo	 sobre	 fatos	 que	 tenha	
conhecimento	no	exercício	de	sua	profissão.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Somente	a	sentença	I	está	correta.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
d)	 (			)	 As	sentenças	I,	II,	III	e	IV	estão	corretas.
3	 Durante	 o	 procedimento	 cirúrgico,	 é	 necessário	 que	 o	 instrumentador	 tenha	uma	
atenção	 especial	 aos	 perfurocortantes	 utilizados,	 bem	 como	 aos	 instrumentais	
pontiagudos.	Esses	materiais	devem	ser	descartados	de	forma	segura	em	embalagens	
especiais,	resistentes	a	perfurações	e	vazamentos.
Fonte:	PORTEOUS,	M.;	BÄUERLE,	S.	Manual AO de 
princípios e técnicas em centro cirúrgico. Porto	Alegre: 
Artmed,	2013.
Sobre	essas	precauções,	assinale	a	alternativa	INCORRETA:
a)	 (			)	 Não	se	deve	dobrar	agulhas,	nem	recolocar	sua	capa	de	proteção.
b)	 (			)	 Pequenos	 instrumentos	 perfurocortantes	 devem	 ser	 deixados	 na	 mesa	 de	
instrumentos	 estéreis,	 em	 qualquer	 lugar,	 pois	 a	 equipe	 médica	 não	 precisa	
saber	onde	estão.
c)	 (			)	 Não	se	deve	segurar	um	bisturi	ou	qualquer	outro	objeto	cortante	com	a	mesma	
mão,	ao	mesmo	tempo	em	que	se	segura	outros	objetos.
d)	 (			)	 Deve-se	 usar	 alerta	 verbal	 para	 anunciar	 a	 transferência	 de	 instrumento	
perfurocortante.
4	 Veras et al.	 (2007)	afirmam	que	é	extremamente	importante	que	o	 instrumentador	
tenha	conhecimento	e	aplique	os	princípios	de	técnica	asséptica,	estando	atento	à	
manutenção	da	assepsia	de	toda	a	equipe	cirúrgica.	Além	disso,	para	ser	um	bom	
instrumentador,	fazem-se	necessárias	algumas	ações	que	qualificam	seu	trabalho.	
Comente	sobre	essas	ações	qualificadoras.
Fonte:	http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/
ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf.	Acesso	em:	20	set.	2022.
5	 Vimos,	 neste	 tópico,	 os	 conceitos,	 responsabilidades,	 técnicas	 e	 recomendações	
para	 que	 o	 instrumentador	 desenvolva	 um	 processo	 de	 trabalho	 qualificado.	 O	
instrumentador	 deve	 buscar	 o	 conhecimento	 para	 desenvolver	 com	 êxito	 o	 seu	
trabalho,	que	sempre	deve	ser	pautado	na	ética	e	 responsabilidade.	Sendo	assim,	
conceitue	o	perfil	do	instrumentador	cirúrgico.	
http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf
http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf
64
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revistaenfermagem/article/view/10833/12032.	Acesso	em:	20	set.	2022.
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/698/490
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https://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5530/pdf_2
https://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5530/pdf_2
http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf
http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/x_enex/ANAIS/Area6/6CCSETSOUT02.pdf
https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10833/12032
https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10833/12032
68
69
TÉCNICA DE 
INSTRUMENTAÇÃO 
CIRÚRGICA EM UROLOGIA
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a operacionalização da instrumentação cirúrgica urológica;
• reconhecer os instrumentos cirúrgicos utilizados nas cirurgias urológicas;
•	 reconhecer	a	composição	e	as	atribuições	dos	membros	da	equipe	multiprofissional	
nas cirurgias urológicas;
• compreender os tipos de cirurgias urológicas, os tempos cirúrgicos e a 
complexidade das cirurgias urológicas;
• aprender a realização da montagem da mesa cirúrgica em Urologia.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 - CIRURGIA UROLÓGICA
TÓPICO 2 - INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS
TÓPICO 3 - INSTRMENTADOR E MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA UROLÓGICA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
70
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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71
TÓPICO 1 — 
CIRURGIA UROLÓGICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
A cirurgia é uma parte da Medicina focada em lesões externas e processos 
manuais	que	preveem	a	cura	ou	intervenção	eficiente,	tornando	possível	o	tratamento	
de	causas	internas.	Lembrandoque	as	cirurgias	são	classificadas	quanto	à	urgência,	ao	
tempo	cirúrgico,	ao	potencial	de	contaminação	e	a	sua	finalidade.	Dentre	os	variados	
tipos	de	cirurgias,	 sua	classificação	depende,	 também,	do	órgão	em	que	a	patologia	
está inserida. 
Nesse sentido, a Urologia envolve todo o complexo renal e urinário do ser hu-
mano,	responsável	por	ações	essenciais,	como	o	equilíbrio	hidroeletrolítico,	o	equilíbrio	
ácido básico e o controle da pressão arterial. 
Assim, neste tópico, abordaremos todo o arcabouço que envolve os tipos de 
cirurgias urológicas e as cirurgias mais prevalentes que são atendidas nos centros de 
internações	 hospitalares.	 Como	 as	 cirurgias	 urológicas	 trazem	 suas	 especificidades	
no	 que	 se	 refere	 à	 técnica	 e	 ao	 objetivo	 a	 ser	 alcançado	 do	 tratamento	 cirúrgico,	
aprofundaremos nossos conhecimentos sobre os tempos cirúrgicos e a complexidade 
das cirurgias urológicas, bem como sobre os cuidados para com a paramentação da 
equipe na sala de cirurgia.
Você receberá muitas informações acerca dessa temática, mas não se preocu-
pe, pois iremos contextualizar e demonstrar toda a parte cirúrgica que envolve o pro-
fissional	instrumentador	diretamente	com	a	equipe.	Ademais,	a	era	tecnológica	foi	um	
grande propulsor das cirurgias urológicas com o surgimento de equipamentos por meio 
da robótica, cirurgias menos invasivas, recuperação rápida do paciente, menor tempo 
de internação e menos complicação pós-operatória. A ciência evolui muito rápido e pre-
cisamos	estar	sempre	nos	atualizando,	a	fim	de	executar	nossas	ações	com	qualidade.	
2 TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS 
Com o passar dos anos, as cirurgias foram se redescobrindo e ampliando seus 
recursos graças ao desenvolvimento das tecnologias e da Ciência. Na Urologia não 
seria diferente. Todo o desenvolvimento por meio de tecnologia nos grandes centros 
cirúrgicos trouxe maior qualidade e segurança, tanto para os pacientes quanto para 
os	profissionais	da	saúde	envolvidos	nos	processos.	Essas	novas	tecnologias	trazem	
menos risco de sangramento, menor tempo de internação e são constantemente 
utilizadas em remoção de tumores renais, remoção da próstata e, até mesmo, remoção 
da	bexiga	devido	à	expansão	do	câncer.	
72
2.1 RESGATE HISTÓRICO
Antes de iniciarmos, vamos a um pequeno resgate histórico de como tudo se 
desenvolveu tão rápido e pensando sempre no paciente? 
Há muito tempo, entre os séculos XVI e XVII, a especialidade da Urologia era 
primitiva e não especializada, em que apenas se analisavam patologias sintomáticas e 
se realizava a análise de urina por meio da uroscopia. Fazia-se, ainda, pequenos pro-
cedimentos, como cirurgia de hérnia, sondagem de bexiga e litotomia vesical (MARIANO 
et al., 2007). 
Em meados do século XIX, foram desenvolvidas as primeiras instrumentações 
para	 procedimentos	na	uretra	 e	 na	 litotrícia	vesical,	 dando	 início	 à	 era	 da	 endoscopia	
da uretra e da bexiga. Essa instrumentação ocorria por meio de introdução de sondas 
maciças	e	ocas	para	fazer	a	dilatação	(utilizando	velas,	dilatadores),	a	fim	de	ser	possível	
realizar	 a	 drenagem	 (por	 meio	 de	 cateteres),	 de	 forma	 rígida	 (metálicas)	 ou	 flexível	
(NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010). 
A Urologia foi uma das primeiras cirurgias a sair do hall das cirurgias gerais, no 
início	do	século	XX,	com	a	 realização	da	primeira	cistostomia	e,	 logo	depois,	abrindo	
espaço	para	outros	pesquisadores	com	o	surgimento	do	raio	X	e	da	urodinâmica.	Com	
o passar dos anos, toda a instrumentação cirúrgica precisou ser atualizada e adaptada 
frente aos avanços tecnológicos (MARIANO et al., 2007). 
Entretanto,	 outros	 equipamentos	 tecnológicos	 serviram	 de	 auxílio	 para	 os	
diagnósticos	e	maior	precisão	às	equipes	cirúrgicas	durante	os	procedimentos,	como	
ultrassonografia,	tomografia,	ressonância,	angiografia,	dentre	outros.	Como	aliados	aos	
procedimentos cirúrgicos na Urologia, também temos os exames complementares, 
como	imuno-histoquímica	e	antígeno	específico	da	próstata	(PSA).	
Concluindo	 nosso	 raciocínio	 e	 retomando	 ao	 nome	 central	 deste	 tópico,	 as	
cirurgias urológicas têm como objetivo corrigir e/ou tratar as patologias no aparelho 
geniturinário (envolvendo desde a formação da urina nos rins até a sua eliminação). 
Esse procedimento pode ocorrer de forma aberta ou endoscópica, por via transuretral. 
Este último, como já mencionamos, é mais recente na área urológica, menos invasivo e 
mais utilizado atualmente. 
73
Figura 1 – Incisão em cirurgia urológica aberta
Fonte: https://shutr.bz/3CIUgDc. Acesso em: 19 set. 2022.
Com	os	avanços	tecnológicos,	as	cirurgias	abertas	ficaram	para	trás	e	se	passou	
a utilizar procedimentos menos invasivos, como as microcirurgias, a implantação de 
cateteres e próteses, além da utilização da robótica, com um progresso na cirurgia re-
paradora e melhor controle de infecção na manipulação do trato urinário e seus anexos. 
Figura 2 – Laparoscopia renal
Fonte:https://shutr.bz/3EVz938. Acesso em: 19 set. 2022.
74
2.2 CIRURGIA SEGURA
Ao tratarmos do surgimento das cirurgias urológicas, não podemos deixar de 
abordar também os protocolos que foram sendo criados, juntamente com a evolução 
das técnicas cirúrgicas. Dentre os mais importantes, temos o protocolo da cirurgia 
segura. 
Entre	2007	e	2008	foi	escolhido,	como	desafio	global	pela	Organização	Mundial	
da Saúde (OMS), a criação da área de Segurança da Assistência Cirúrgica, com o objetivo 
de aumentar os padrões de qualidade na assistência cirúrgica em todo o mundo. Esse 
movimento	 se	 deu	 pelos	 altos	 índices	 de	 erros	 cirúrgicos,	 em	 que,	 a	 cada	 quatro	
intervenções cirúrgicas, pelo menos uma apresentava complicações pós-operatórias 
dos mais variados tipos, levando até o paciente a óbito (OMS, 2009). 
Segundo a OMS (2009), quase 50% dos eventos adversos que ocorriam nas unida-
des	hospitalares	estavam	relacionadas	à	assistência	cirúrgica,	em	que	metade	dos	casos	
cirúrgicos	eram	interpretados	como	eventos	evitáveis.	Assim,	foi	instituído	o	protocolo	de	
cirurgia	segura,	a	fim	de	minimizar	os	efeitos	deletérios	dos	erros	cirúrgicos,	bem	como	 
para oferecer mais segurança tanto para o paciente quanto para a equipe cirúrgica.
• A OMS (2009) traz os seguintes requisitos da cirúrgica: 
• a equipe deve operar o local correto do paciente correto;
• a equipe deve utilizar métodos conhecidos para evitar danos pela administração de 
agentes anestésicos, garantindo, ao mesmo tempo, analgesia correta ao paciente;
• a equipe deve reconhecer e se preparar para o risco de perda da via aérea ou 
depressão das funções respiratórias;
•	 a	equipe	deve	reconhecer	e	se	preparar	para	o	risco	de	perda	sanguínea	elevada;
•	 a	 equipe	 deve	 conhecer	 o	 perfil	 de	 alergias	 ou	 reações	 adversas	 significativas	 do	
paciente;
•	 a	 equipe	 deve	 utilizar	 métodos	 conhecidos	 e	 firmados	 em	 protocolos,	 a	 fim	 de	
minimizar	os	riscos	de	infecção	do	sítio	cirúrgico;
•	 a	 equipe	 deve	 ter	 atenção	 aos	 instrumentos	 e	 às	 compressas	 retidas	 das	 feridas	
operatórias; 
•	 a	 equipe	 deve	 conhecer,	 garantir	 e	 identificar,	 com	 precisão,	 os	 instrumentais	
cirúrgicos utilizados no procedimento cirúrgico;
• a equipe deve manter uma comunicação efetiva durante o procedimento cirúrgico, 
para garantir informações corretas na condução da cirurgia;
• as unidades hospitalares e os sistemas de saúde devem estabelecer protocolos de 
vigilância	 e	 controle	 dos	 procedimentos	 cirúrgicos,	 bem	 como	 os	 resultados	 dos	
procedimentos. 
Além disso, o protocolo de cirúrgica segura possui quatro objetivos-chave, a 
saber: prevenir infecções de sitio cirúrgico, promover o ato anestésico seguro, fortalecer 
as equipes para que trabalhem de forma segura e utilizar indicadores de assistência 
cirúrgica para um melhor acompanhamento dos procedimentos cirúrgicos. 
75
3 DEFINIÇÃO DOS TIPOS DE CIRURGIAS UROLÓGICAS 
Como estudado em Anatomia, o aparelho urinário pode apresentar alterações, 
desdeas vias renais (rins, glomérulos) até as vias urinárias (ureter, bexiga e uretra), 
porém,	o	fator	idade	conta	muito	para	a	definição	específica	de	alguns	procedimentos	
cirúrgicos na Urologia. 
Que tal retomar os estudos da Anatomia do Sistema Geniturinário? 
Será de grande importância para você entender todo o mecanismo 
do órgão (formato, localização, função) diante dos tipos de cirurgias 
urológicas que abordaremos a partir de agora!
DICA
O	ser	humano,	desde	o	seu	nascimento,	fica	suscetível	a	malformações	de	cau-
sas	inespecíficas,	levando	a	infecções	urinárias	repetitivas,	ou,	até	mesmo,	por	falta	de	
cuidados de higiene. As patologias por malformação devem ser corrigidas o mais preco-
ce	possível,	para	não	levarem	a	infecções	maiores	ou	formação	de	tumores.	
Na fase infantil, as cirurgias mais prevalentes são a postectomia, a correção 
hipospádia,	a	extrofia	de	bexiga,	as	pieloplastias,	as	operações	antirrefluxos	e	a	orquido-
pexia. Com o passar dos anos, a vida adulta, com suas rotinas e seu estilo de vida, pode 
fazer desenvolver patologias diversas, até a formação tumoral. Tais patologias podem 
estar localizadas em vias vesicais, prostáticas ou renais. As cirurgias mais prevalentes 
nessa idade são a litotomia (vesical, piélica ou renal), a uretrotomia, as pieloplastias, a 
uretrovesicopexia e a vasectomia. 
Já na terceira idade,	os	maiores	achados	se	dão	devido	à	hipertrofia	prostática	
ou a tumores vesicais, bem como patologias próprias da idade (infecção de trato 
urinário e incontinência urinária), ocasionando cirurgias como cistectomia, cistostomia, 
nefrectomia, nefropexia, prostatectomia, postectomia e ureterolitotomia. 
3.1 ENDOSCOPIA UROLÓGICA 
A endourologia é uma especialidade em que o médico urologista utiliza méto-
dos	minimamente	invasivos,	por	meio	endoscópico,	nas	vias	urinárias,	a	fim	de	corrigir	
e	tratar	a	famosa	pedra	nos	 rins	 (litíase	urinária).	Mais	conhecida	como	endoscopia 
urológica, esse procedimento está relacionado a um aparelho microscópico inserido 
no	trato	urinário	por	meio	de	um	cateter	rígido	e	flexível,	atingindo	o	ureter.	
76
Como todo procedimento, suas vantagens envolvem a redução das taxas de 
infecção e dor, menos tempo de internação e rápida recuperação aos pacientes, ao 
contrário da cirurgia aberta convencional, com maior tempo de exposição do paciente 
e de internação. 
Apesar da cirurgia laparoscópica ter surgido para melhorar vários fatores, ela 
também	envolve	uma	série	de	efeitos	renais	no	paciente.	Devido	à	diminuição	do	fluxo	
sanguíneo	renal	e	alteração	na	perfusão	renal,	leva-se	ao	quadro	de	oligúria,	que	ocorre	
pela	redução	da	filtração	glomerular,	do	débito	urinário	e	da	excreção	de	sódio.	
Essa	 diminuição	 no	 fluxo	 sanguíneo	 se	 dá	 devido	 ao	 posicionamento	 do	
paciente e do pneumoperitônio, em que há um aumento da pressão intra-abdominal e, 
consequentemente, um aumento da pressão do parênquima abdominal, comprimindo 
as artérias e veias renais. Nesse sentido, o controle urinário deve ser rigoroso durante e 
após as intervenções cirúrgicas (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020).
Smeltzer (2020) salienta que outras alterações que podem ocorrer, decorrentes 
do	pneumoperitônio,	 envolvem:	pneumotórax,	 enfisema	subcutâneo,	 embolia	gasosa	
e aumento da pressão pleural; além de alterações circulatórias, como a diminuição do 
débito	cardíaco,	a	dificuldade	de	 retorno	venoso	dos	membros	 inferiores,	o	aumento	
da	pressão	 intracraniana,	o	aumento	do	fluxo	sanguíneo	cerebral	e	outras	alterações	
significativas.	
3.1.1 Nefrolitotomia percutânea
Com a formação dos cálculos renais, muitas vezes, eles não são eliminados 
naturalmente pelo corpo. Desse modo, os pacientes com essa patologia referem 
muita dor, a qual piora ainda mais quando o cálculo tenta descer pelo ureter. Eis que, 
então, com a avaliação do urologista e dos demais exames, indica-se a nefrolitotomia 
percutânea.	Tal	técnica	é	utilizada	para	destruir	cálculos	renais	com	mais	de	2	cm	ou	
complexos e, também, para tratar alguns tumores localizados em vias excretoras. O 
procedimento é realizado dentro do bloco cirúrgico e com anestesia geral (MARIANO et 
al., 2007; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022).
Inicialmente, coloca-se um cateter no ureter com o cistoscópio, que servirá para 
a	injeção	de	contraste	no	rim,	para	melhor	identificação	do	cálculo	e	melhor	visualização	
da anatomia do órgão. Diante disso, pode-se realizar o raio X ou o ultrassom. 
Após a anestesia, realiza-se uma pequena incisão na região lombar, com 
uma	agulha	fina	 (agulha	de	Veress),	 introduzindo	um	fio	guia	 e	 os	dilatadores.	 Logo,	
introduz-se	 o	 nefroscópio	 (com	 1	 cm	 de	 lúmen),	 conectado	 a	 uma	 câmera,	 a	 qual	
permite a visualização dos cálculos internos. Quando encontrados e visualizados, faz-
se a destruição desses cálculos utilizando o litotriptor ultrassônico. Este é uma espécie 
77
de broca que quebra a pedra e aspira os fragmentos. Logo, é realizada a retirada dos 
fragmentos para realizar limpeza total do rim (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; 
ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020).
Figura 3 – Nefrolitotomia percutânea
Fonte: https://shutr.bz/3gj8ymt. Acesso em: 19 set. 2022.
Quando o cálculo é muito grande ou não se consegue fazer a destruição 
completa, é necessário fazer mais uma punção no rim. Assim que os fragmentos são 
retirados	 e	 é	 avaliado	 o	 procedimento,	 o	 cirurgião	 e	 a	 equipe	 definem	 se	 haverá	 a	
necessidade de drenagens com sondas e cateteres. Um dos cateteres mais utilizados é 
o duplo J, que funciona como um dreno interno, para impedir a obstrução do canal do 
ureter	devido	à	formação	de	coágulos	ou	restos	de	fragmentos	do	cálculo.	
Além disso, outra alternativa é a sonda de nefrostomia, que pode ser 
introduzida em vias renais, na área de abordagem cirúrgica, para drenagem da urina e 
dos fragmentos. Há, também, a sonda vesical, por via uretral. A escolha vai depender 
da	avaliação	do	cirurgião	e	das	condições	hemodinâmicas	do	paciente	(MARIANO	et al., 
2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020).
Em	alguns	casos,	ainda	é	possível	utilizar	um	mininefroscópio	a	partir	de	uma	
incisão menor nas costas, o que reduz a dor e o sangramento no paciente, ao mesmo 
tempo	 que	 mantém	 a	 eficiência	 do	 procedimento.	 Em	 situações	 mais	 complexas,	
com múltiplos cálculos grandes ou espalhados nas vias renais, o tratamento pode ser 
combinado	com	a	nefrolitotripsia	percutânea	e	a	ureteroscopia	flexível,	conhecida	como	
cirurgia endoscópica combinada intrarrenal. 
78
A vantagem dessa combinação é aumentar a limpeza do rim com um menor nú-
mero de incisões, porém, como todo procedimento invasivo, mesmo que minimamen-
te	invasivo,	ele	tem	suas	complicações,	podendo	ocorrer	formação	de	fístula	urinária,	
urossepse, formação de abcessos, perfuração uretral, infecções ou obstrução, seguidos 
de comprometimento renal. 
Infecção em procedimentos invasivos pode apresentar sinas e 
sintomas em até 48 horas após o procedimento realizado. Assim, 
devemos sempre realizar o procedimento invasivo em técnica 
asséptica e acompanhar de perto o paciente no pós-operatório. 
ATENÇÃO
3.1.2 Ureteroscopia 
A	ureteroscopia	é	um	procedimento	para	tratar	cálculos	que	se	formam	no	nível	
do ureter. Nessa técnica, o ureteroscópio é introduzido pela uretra e consiste na remoção 
dos cálculos localizados no ureter. O procedimento permite visualizar o trato urinário e 
a entrada de pequenos cateteres para a destruição e retirada dos cálculos. Trata-se de 
um procedimento realizado com anestesia regional (na coluna) ou sob anestesia geral. 
O	aparelho	ureteroscópico	pode	ser	semirrígido,	utilizado	para	o	tratamento	de	
cálculos	no	ureter;	ou	flexível,	utilizado	nas	porções	mais	altas	do	ureter	e	dentro	das	
vias	renais.	Esse	aparelho	possui	uma	câmerade	alta	definição,	delicada	e	fina,	capaz	de	
ser introduzida dentro do ureter, sem comprometer as estruturas dos órgãos adjacentes 
(bexiga e uretra), por onde faz passagem (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI 
FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022).
O	ureter	é	um	canal	longo	e	tortuoso,	estreito	e	delicado,	o	que	pode	dificultar,	em	
muitos casos, a passagem do ureteroscópio, podendo não se alcançar o cálculo. Assim, 
durante o procedimento é realizado um raio X intraoperatório para estabelecer com mais 
critério o local do cálculo. Quando ocorre de não o alcançar, é instalado o cateter duplo 
J	no	ureter.	O	paciente	fica	alguns	dias	com	o	cateter	para	que	o	procedimento	possa	
ser realizado em outro momento, com maior segurança ou, até mesmo, considerando 
a	saída	do	cálculo	(dependendo	do	tamanho)	pelo	cateter,	sendo	eliminado	pela	urina	
(MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020).
79
Figura 4 – Ureteroscopia
Fonte: https://shutr.bz/3VBxSEm. Acesso em: 19 set. 2022.
Depois da introdução do aparelho e de encontrado o cálculo no ureter ou no 
rim,	 introduz-se	um	aparelho	com	fibra	de	 laser	pelo	cateter,	que	 irá	proceder	com	a	
fragmentação do cálculo. Os pequenos pedaços de fragmento são capturados por uma 
pequena cesta e por meio do ureteroscópio, enquanto outra parte desse fragmento 
poderá ser eliminada espontaneamente pelas vias urinárias dentro de alguns dias 
(MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; SMELTZER, 2020).
Que tal assistirmos a um vídeo sobre essa técnica cirúrgica? 
No vídeo a seguir é possível assistir a uma animação de todo o 
processo invasivo da ureteroscopia, qual caminho ela percorre, 
como alcança o cálculo renal e como se dá a eliminação deste. 
Acesse na íntegra no link: https://youtu.be/PmB0uFZrOPs. 
DICA
3.2 CISTECTOMIA
A cistectomia, por sua vez, consiste no padrão ouro quando utilizada para o 
tratamento	de	câncer	de	bexiga	e	tumores	recorrentes.	Com	a	evolução	da	robótica,	
esse procedimento tem sido muito bem reconhecido por apresentar uma visão tridi-
mensional e uma melhor curvatura na visualização interna da bexiga. 
https://youtu.be/PmB0uFZrOPs
80
Ela	pode	ser	classificada	como	radical	ou	parcial,	a	depender	do	quão	o	tumor	
invadiu	o	órgão	e	pela	opção	médica	após	uma	minuciosa	avaliação	clínica.	De	qualquer	
modo,	em	ambas,	são	retirados	os	gânglios	linfáticos	regionais.
3.2.1 Cistectomia parcial
A cistectomia parcial consiste na retirada parcial da bexiga por comprometi-
mento apenas da musculatura, de forma bem localizada. Sua principal vantagem é a 
manutenção e conservação da bexiga, sem a necessidade de reconstrução. Contudo, 
deve-se orientar o paciente sobre a capacidade limitante, futuramente, da bexiga.
Mariano et al. (2007) destacam que esse procedimento é contraindicado nos 
casos de tumores vesicais múltiplos ou na presença de carcinoma. Deve ser, preferen-
cialmente, utilizado em pacientes que evoluem bem na quimioterapia ou radioterapia e 
que possuem a possibilidade de manter uma boa capacidade da bexiga para seu fun-
cionamento após o procedimento. Tais requisitos diminuem a chance de o procedimen-
to	ser	feito	com	frequência,	havendo	pouca	literatura	a	respeito	da	sua	eficácia.	
3.2.2 Cistectomia radical
A cistectomia radical consiste no tratamento de escolha quando se refere ao 
carcinoma	vesical	invasivo	ou	tumor	superficial,	quando	há	comprometimento	de	toda	a	
bexiga. O procedimento possui dados que comprovam a redução da morbimortalidade 
por	câncer	de	bexiga,	há	menos	risco	de	sangramento,	melhor	visualização	e	preser-
vação do feixe neurovascular, bem como é menos invasiva e com incisão de pequenos 
pontos (MARIANO et al., 2007).
Conforme Smeltzer (2020), em muitos casos, nesse procedimento, ocorre de 
ser removida a próstata nos homens e, nas mulheres, o ovário, a trompa de Falópio e 
o útero. Na cistectomia radical, é criada uma nova “bexiga” ou um reservatório interno 
para depósito urinário, utilizando, geralmente, o intestino delgado sem peristalse e, 
logo,	reimplantando	os	ureteres	das	vias	renais,	conforme	podemos	observar	na	figura	
a seguir (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020).
As	vantagens	na	escolha	dessa	técnica	cirúrgica	são:	menor	perda	sanguínea,	
menor taxa de transfusão, menos uso de analgésicos e recuperação mais rápida. Porém, 
quanto	às	desvantagens,	podemos	enumerar	o	tempo	operatório	mais	longo,	o	custo	
mais elevado e a falta de resultados a longo prazo. 
81
Que tal nos aprofundarmos mais sobre a litíase renal? O artigo a seguir 
se trata de uma revisão bibliográfica para melhor compreensão sobre 
os aspectos que envolvem a litíase renal, bem como os procedimentos 
conservadores e cirúrgicos que cercam essa patologia. Acesse a produção 
na íntegra no link: https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/
article/view/49321/pdf.
DICA
3.3 LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA (LECO)
Outro tratamento moderno é a litotripsia extracorpórea, também conhecida 
como LECO, que é menos invasivo, porém possui certas restrições. É utilizado para a 
quebra	dos	cálculos	formados	no	nível	dos	rins	com	até	2	cm	de	diâmetro	(MARIANO	et 
al., 2007; SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022).
Nesse método, o paciente não precisa ser anestesiado, sendo que o aparelho 
emite ondas de choque em direção ao cálculo. Após a aplicação do choque, os frag-
mentos	do	cálculo	são	eliminados	pela	urina.	Vejamos	a	figura	a	seguir.
Figura 5 – Litotripsia extracorpórea
Fonte: https://shutr.bz/3yYPUXD. Acesso em: 19 set. 2022.
Caso ainda permaneçam maiores, podem obstruir a passagem de urina na 
bexiga, por isso, a indicação é para cálculos de até 2 cm.
https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf
https://www.brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJHR/article/view/49321/pdf
82
3.4 NEFRECTOMIA
Nos casos de carcinoma de células renais, os cirurgiões recomendam a nefrec-
tomia parcial. Esta consiste na retirada de parte do rim, tentando-se preservar o pa-
rênquima renal funcionando. Aliás, é importante essa preservação porque, futuramente, 
o paciente pode apresentar piora do quadro renal devido a outras causas. 
Já a nefrectomia radical ocorre nos casos de tratamento de carcinomas 
localizados	 ou	metastáticos.	Também	ocorre	 a	 retirada	 das	 glândulas	 suprarrenais	 e	
gânglios,	 mas	 o	 procedimento,	 por	 ser	 mais	 radical,	 pode	 apresentar	 complicações,	
como	 hemorragia	 secundária,	 infecção,	 insuficiência	 renal	 aguda	 e/ou	 crônica,	 bem	
como hérnia incisional (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020).
O	planejamento	pré-operatório,	 com	o	auxílio	de	exames	de	 imagem	ou,	 até	
mesmo, a reconstrução 3D das imagens, ajuda na cirurgia para torná-la menos invasiva 
e livre de complicações pós-operatórias. 
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, com o paciente posicionado lateral-
mente para melhor acesso ao órgão. Após a incisão de pequenos pontos cirúrgicos, 
introduz-se os cateteres para acesso das pinças laparoscópicas. Realiza-se, depois da 
dissecção	do	rim	acometido	e	já	preparado	para	a	extração	do	órgão.	Graças	à	robótica,	
consegue-se individualizar os vasos renais em segurança e, quando necessário, reali-
zar	o	clampeamento	temporário	a	fim	de	evitar	extravasamento	de	sangue	dentro	da	
cavidade abdominal (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; 
SMELTZER, 2020). 
Depois de retirada a lesão tumoral, sutura-se o rim e se mantém, a todo tempo, 
o controle rigoroso do sangramento. O tumor retirado deve ser colocado em recipiente 
estéril,	identificado	e	enviado	para	realizar	exame	anatomopatológico.	
3.5 CISTOSTOMIA
A cistostomia é um procedimento comumente utilizado em casos de obstruções 
no	canal	uretral.	Trata-se	de	uma	técnica	invasiva,	que	pode	ser	realizada	à	beira	leito	de	
internação, em casos emergenciais, mas o recomendado é dentro do centro cirúrgico. 
Esse procedimento cirúrgico permite realizar um desvio urinário por meio da 
implantação deum cateter em região supra púbica, permitindo, assim, a passagem 
de urina da bexiga, nos casos de estenose uretral, trauma vesical e/ou uretral, assim 
como pós-operatório de outras cirurgias urológicas. A cistostomia é realizada por meio 
de anestesia local ou geral (a depender do paciente), em que se realiza uma incisão em 
região supra púbica a, mais ou menos, 10 cm abaixo do umbigo (MARIANO et al., 2007; 
SMELTZER, 2020). Após a incisão, introduz-se o trocarte de cistostomia, para permitir a 
inserção	do	cateter	de	drenagem.	Vejamos	a	figura	a	seguir.
83
Figura 6 – Cistostomia
Fonte: https://shutr.bz/3eKHmMY. Acesso em: 19 set. 2022.
O cateter de drenagem pode ser a sonda Folley, mas a opção mais reconhecida 
é o cateter específico de cistostomia de silicone, pois possui maior durabilidade, 
melhor	 aderência	 ao	 orifício	 e	menos	 risco	 de	 contaminação,	 uma	vez	 que	 a	 sonda	
Folley pode apresentar extravasamento de urina pela parede abdominal e seu balonete 
pode	desinflar.
Dentre as complicações que se podem apresentar, temos a infecção urinária, 
a infecção local, a obstrução do cateter implantado, a perfuração do peritônio e o 
extravasamento de urina no tecido perivesical (SMELTZER, 2020).
3.6 NEFROSTOMIA
Outra	cirurgia	próxima	à	cistostomia	é	a	nefrostomia,	 indicada	nos	casos	em	
que a drenagem de urina não ocorre pelas vias renais, seja por obstrução, seja por perda 
de função renal. 
No	procedimento,	é	realizada	uma	incisão	com	o	trocarte	localizado	no	flanco	
(direito ou esquerdo, local do rim afetado), diferentemente da cistostomia. Após a incisão, 
introduz-se um cateter dilatador por meio da pelve renal, até o interior do rim, quando 
se passa o guia e, depois, é colocado o cateter de drenagem. O cateter utilizado para 
nefrostomia	possui	fino	calibre	e	comprimento	maior	do	que	o	cateter	de	cistostomia,	
podendo chegar até 25 cm de comprimento e 21 mm de calibre, sendo chamado de 
sonda de Malecot (SMELTZER, 2020).
84
Figura 7 – Nefrostomia
Fonte: https://shutr.bz/3yXLy33. Acesso em: 19 set. 2022.
Vale lembrar-se de que se trata de um desvio temporário, até o restabeleci-
mento das funções vitais do órgão. A permanência prologada desse cateter pode levar 
à	infecção	e	possível	perda	do	rim.	Temos	sempre	que	recordar	de	educar	o	paciente	
quanto ao cuidado no manuseio, na limpeza e no curativo, desprezando o débito uriná-
rio e se atentando para os sinais de infecção. 
Para um melhor aproveitamento do conteúdo, a seguir temos 
um vídeo que demonstra a colocação do cateter na nefrostomia 
guiada por ultrassom. Assista à produção na íntegra para entender 
melhor como funciona o processo. Acesse o link: https://youtu.be/
c15OORmd5Oo.
DICA
3.7 CIRURGIAS NA PRÓSTATA
Segundo	dados	do	Instituto	Nacional	de	Câncer	(INCA),	o	número	de	pacientes	
com	câncer	de	próstata	está	na	casa	dos	65.000	casos,	isso	entre	os	anos	de	2020	e	
2022, ocupando a primeira posição em todo o território brasileiro (INCA, 2022).
O	 câncer	 de	 próstata	 está	 presente	 nos	 homens,	 representando	 quase	 30%	
dos casos de tumores no sexo masculino, dos quais possui exames precisos para um 
diagnóstico precoce, porém com pouca procura nos consultórios urológicos. 
https://youtu.be/c15OORmd5Oo
https://youtu.be/c15OORmd5Oo
85
Apesar	da	eficácia	do	resultado	das	cirurgias	de	próstata,	o	paciente	pode	vir	a	
apresentar algumas complicações, como incontinência urinária, disfunção erétil, infer-
tilidade e reincidência tumoral. Assim, é importante sempre comunicar ao paciente as 
possibilidades de complicação, pois ele mesmo auxiliará nas informações relacionadas 
a sinais e sintomas (SMELTZER, 2020). 
3.7.1 Ressecção transuretral de tumor de próstata (RTU de 
próstata)
A Ressecção transuretral de tumor de próstata é um procedimento realizado 
nos casos de hiperplasia prostática benigna, sendo minimamente invasivo e pro-
porcionando agilidade e segurança ao paciente. Essa hiperplasia ocasiona compres-
são	da	uretra	e	relaxamento	vesical	 insuficiente,	 interferindo	diretamente	no	fluxo	de	
eliminação da urina, ocasionando, por consequência, retenção urinária. Quando se faz 
a avaliação precoce, o sucesso da cirurgia é garantido, uma vez que se trata de tumor 
benigno (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATE, et al., 
2009; SMELTZER, 2020).
Quanto ao modo como ocorre essa cirurgia, o cirurgião faz a inserção do 
endoscópio (chamado de ressectoscópio) pela uretra, com o paciente sob anestesia. 
Dentro do endoscópio, introduz um cabo com corte para a retirada do tecido prostático. 
Essa ressecção se dá para preservar a comunicação da bexiga e uretra, com a cápsula 
prostática, tentando ao máximo preservar as funções dos órgãos adjacentes (uretra e 
bexiga) (MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATEL et al., 
2009; SMELTZER, 2020). 
Figura 8 – Ressecção transuretral de tumor de próstata
Fonte: https://shutr.bz/3yZlW5A. Acesso em: 19 set. 2022. 
86
O	retorno	do	fluxo	urinário	eficiente	ocorre	em,	mais	ou	menos,	80%	dos	casos	
em	um	ano.	O	paciente	tem	que	estar	muito	atendo	às	possíveis	complicações,	como	
falha na micção, infecção urinária e incontinência urinária. 
3.7.2 Prostatectomia aberta
Quando falamos em prostatectomia aberta, estamos diante de um dos procedi-
mentos	pioneiros	na	Urologia,	quando	se	descobriu	o	câncer	de	próstata.	Ainda	comu-
mente utilizado, esse procedimento visa, basicamente, eliminar a doença, preservando 
a continência urinária e, em muitos casos, a função erétil. 
 
A técnica ocorre com uma única incisão, abaixo do umbigo até o púbis. Depois, 
faz-se	a	retirada	da	próstata	e	tecidos	adjacentes	(vesículas	seminais),	bexiga	e	ure-
tra são conectadas por meio de pontos. Após o procedimento, é realizada a passagem 
de sonda pelo pênis para auxiliar na cicatrização, devendo ser removida em sete dias 
(MARIANO et al., 2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010).
3.7.3 Prostatectomia perineal 
A prostatectomia perineal é um procedimento de escolha dos pacientes obesos 
ou que passaram por reconstrução abdominal ou transplante renal. Na técnica, realiza-
-se	uma	incisão	no	períneo,	localizado	entre	o	escroto	e	o	ânus.
Para Mariano (2007), ao contrário da prostatectomia aberta, a prostatectomia 
perineal permite uma melhor visualização da próstata e rápida recuperação. No entanto, 
a	visualização	nervo-erétil	é	mais	difícil,	podendo	haver	dificuldade	em	sua	preservação.	
No vídeo a seguir, você pode conhecer o caso de um paciente de 
54 anos, com diagnóstico de alteração dos exames de rastreio, 
seguida da confirmação de câncer de próstata. Assista à produção 
na íntegra no link: https://youtu.be/4VfPLyTZ9Hg. 
DICA
3.7.4 Prostatectomia radical 
A prostatectomia radical é um procedimento minimamente invasivo, realizado 
dentro do centro cirúrgico e sob anestesia geral. É feita por meio de equipamentos da 
robótica	e	monitorização	mais	avançada,	a	fim	de	garantir	sedoanalgesia	mais	profunda	 
e imobilidade completa do paciente durante o procedimento cirúrgico. 
https://youtu.be/4VfPLyTZ9Hg
87
Após a anestesia e o posicionamento adequado do paciente, é realizada a incisão 
de	pequenos	orifícios	na	região	abdominal,	por	onde	serão	introduzidos	os	instrumentais	
cirúrgicos, o cabo óptico e os cateteres. Depois da introdução dos instrumentais, inicia-
se	a	abertura	entre	a	bexiga	e	a	próstata	no	nível	do	colo	vesical,	desconectando	os	dois	
do tecido que os unem.
Logo,	as	vesículas	seminais	são	 identificadas,	bem	como	os	canais	deferentes	
para realizar a remoção. Em seguida, o cirurgião se atenta, minuciosamente, para a 
preservação dos nervos responsáveis pela ereção, por isso, a utilização do equipamento 
que lhe permite melhor visualização e dissecção delicada das estruturas (MARIANO et al., 
2007; NARDOZZA JR.; ZERATI FILHO; REIS, 2010; PATEL et al., 2009; SMELTZER, 2020). 
Segundo Patel et al. (2009), o local de acesso é irrigado por artérias, as quais 
são ligadas com clipes e cortadas,evitando extravasamento de sangue e melhor acesso 
para a retirada da próstata. Também é necessário o controle do complexo de veias acima 
da próstata para a preservação dos músculos e ligamentos que sustentam a uretra, a 
fim	de	não	ter	problemas	futuros	com	a	eliminação	urinária.	
Após a dissecção minuciosa da uretra, a próstata é totalmente removida e 
extraída.	Faz-se	uma	revisão	dos	pontos	de	sangramento	na	área	cirúrgica	e	se	inicia	
o processo de reconstrução: ligamento da uretra com a bexiga. Tal ligação deve ser 
cautelosa para evitar uma costura mais fechada, pois pode ocorrer estreitamento no 
canal futuramente, impedindo a eliminação urinária (SMELTZER, 2020).
Figura 9 – Alteração na próstata
Caso o cirurgião opte por realizar uma linfadenectomia, ela poderá ser realizada 
antes ou após a prostatectomia. Alguns cirurgiões avaliam a necessidade de colocação 
de drenos, mas a sonda vesical deve ser colocada por até sete dias. 
Fonte: https://shutr.bz/3goXhBh. Acesso em: 19 set. 2022.
88
3.7.5 Plasma
O	plasma	é	uma	técnica	 cirúrgica	utilizada	em	casos	de	câncer	de	próstata.	
Trata-se de um tipo de energia bipolar mais seguro, com monopolar tradicional, haven-
do menos danos térmicos e sangramentos durante o procedimento de ressecção de 
tumor, logo, consequentemente, há menos dor, desconfortos e infecções pós-operató-
rias. Com a facilidade de acesso e menor risco, o paciente também terá menos tempo 
de internação.
Com	essa	técnica,	é	possível	realizar	apenas	vaporização	do	tecido	em	casos	de	
próstatas obstrutivas e menores. Nesta última situação, pode-se fazer a enucleação de 
todo tecido prostático, garantindo uma melhor desobstrução das vias urinárias e menos 
complicações posteriores. Em vista do procedimento e de sua qualidade, a gravidade 
de sintomas relacionados ao crescimento da próstata melhora permanentemente, não 
mais precisando das medicações via orais (SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). 
A técnica de plasma é realizada dentro do centro cirúrgico, podendo ser com 
anestesia geral ou bloqueio anestésico. O aparelho endoscópico é introduzido pela 
uretra,	a	fim	de	 inspecionar	a	bexiga	e	a	uretra.	Com	o	dispositivo,	o	plasma	é	usado	
para remover o tecido da próstata que está impedindo o canal urinário de eliminar urina. 
O dispositivo desliza sobre o tecido, vaporizando-o, sem corte. Quando há necessidade 
de	ressecção	da	próstata,	é	possível	utilizar	o	plasma,	fragmentando-o	em	pequenas	
porções,	 com	 pequenos	 sangramentos.	 Ao	 final,	 coloca-se	 uma	 sonda	 vesical	 para	
auxiliar na drenagem da urina (SMELTZER, 2020; STROHER et al., 2022). 
4 PARAMENTAÇÃO EM CIRURGIA UROLÓGICA 
Após aprendermos melhor sobre as cirurgias urológicas, precisamos abordar 
um	assunto	de	extrema	importância	e	de	grandes	questionamentos.	Isso	porque	quem	
vivencia	a	área	hospitalar	observa	muitos	profissionais	negligenciando	a	paramentação	
correta,	sendo	que	esse	malcuidado	reflete	direto	no	paciente.	
Nesse sentido, a paramentação não é só uma exigência das unidades 
hospitalares, mas, também, uma forma de segurança tanto aos pacientes, por minimizar 
os	riscos	de	contaminação	do	sítio	cirúrgico;	quanto	aos	profissionais,	para	que	estes	
não	entrem	em	contato	com	sangue	e	fluidos	corporais	do	paciente	 (PEIXOTO,	2019;	
POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). 
A paramentação diz respeito a um conjunto de ações que visa criar uma barreira, 
impedindo	que	microrganismos	invadam	o	sítio	cirúrgico.	Para	uma	boa	paramentação,	
o	profissional	deve	seguir	alguns	critérios	que	minimizem	qualquer	risco	de	infecção	ou	
contaminação	que	vá	comprometer	o	paciente.	Tratam-se,	especificamente,	de	ações	
padronizadas e habilidades para com a vestimenta. 
89
Antes	de	se	preparar	para	realizar	a	paramentação,	o	profissional	deve	seguir	
os protocolos de biossegurança na utilização dos Equipamentos de Proteção Individual 
(EPIs), estando de cabelo preso (se for o caso) e em uso de gorro, máscara cirúrgica, 
máscara	N95	(em	caso	de	patologias	transmissíveis	por	via	respiratória),	prope	e	sem	
qualquer tipo de adorno (anéis, colares, pulseira, brincos, gravata e cordão de crachá). 
A	utilização	de	óculos	de	proteção	ou	viseiras	também	se	faz	necessária,	a	fim	de	evitar	
a	contaminação	de	fluidos	corporais	direto	nas	mucosas	oculares	(OMS,	2009;	PEIXOTO	
2019; POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). 
A	 utilização	 dos	 EPIs	 tem	 sido	 resistente	 por	 parte	 dos	 profissionais	 por	
diminuírem	a	acuidade	visual	do	cirurgião,	bem	como	embaçar	durante	o	procedimento	
cirúrgico devido ao escape de ar da narina ao respirar. Contudo, ainda assim, deve-se 
insistir pelo uso para proteger a equipe contra qualquer tipo de contaminação. 
Após a conferência dos requisitos anteriores, antes de entrar na sala operatória, 
realiza-se a degermação das mãos, sempre enxugando-as com compressa estéril. De-
pois da correta degermação das mãos é preciso vestir corretamente o avental (capote) 
e calçar as luvas em técnica asséptica.
A degermação das mãos deve ser realizada com escova, torneiras de 
pressão e clorexidina degermante. Deve-se ter muito cuidado, sempre 
degermando em sentido unidirecional, para evitar contaminação do 
local já escovado, com a secagem da mesma forma. 
ATENÇÃO
Contudo, quem deve se paramentar no bloco cirúrgico? Todos os envolvidos no 
procedimento cirúrgico devem respeitar os protocolos de paramentação. Quanto menor 
a possibilidade de risco de contaminação, melhor para o paciente. 
A paramentação adequada deve seguir as normas e rotinas de biossegurança 
da unidade hospitalar, envolvendo, também, o tamanho e o tipo de tecido da vestimenta 
de paramentação, se será reprocessada ou descartável. 
 
A equipe realiza a paramentação em parceria com os envolvidos, pois, enquanto 
um se veste, o outro auxilia no fechamento da vestimenta, sempre tomando os devidos 
cuidados de não esbarrar em nada a sua volta. Também é importante toda a equipe ser 
respeitosa entre si, alertando sobre alguma ação equivocada que pode ser corrigida. 
90
O avental cirúrgico (capote), por exemplo, deverá ser de manga longa e cobrir 
até o pescoço, possuir punhos ajustados e comprimento abaixo dos joelhos. Ele já vem 
dobrado	em	duas	pontas,	por	onde	o	profissional	cirurgião	deverá	pegar.	O	restante	irá	
se	desdobrar	por	ação	da	gravidade,	ficando	o	cirurgião	de	costas	para	o	instrumentador	
cirúrgico. O cirurgião, então, deve vestir o avental com as duas mãos, sem contato com 
a parte externa do capote, enquanto o instrumentador deve auxiliá-lo para tracionar as 
mangas, segurando pelo lado interno do capote (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017).
Figura 10 – Paramentação da equipe cirúrgica 
Fonte: https://shutr.bz/3eLRYeF. Acesso em: 19 set. 2022.
Após	firmar	os	braços	e	confirmar	a	posição	adequada	do	capote	nos	membros	
superiores e no tórax, o instrumentador inicia a amarração dos diversos cordões nas 
costas	do	cirurgião	(no	nível	da	cervical	e	cintura),	finalizando	com	os	cordões	à	frente	
do capote. As pontas desses cordões passam a não ser mais estéreis, por isso a atenção 
redobrada ao esbarrar nas mesas auxiliares. Quando for fazer a amarração, deve-se 
estar	a	uma	distância	favorável,	justamente	para	que	não	haja	contaminação	(POSSARI,	
2009; SOBECC, 2017). 
Para a não contaminação dos cordões, existem os aventais envolventes, em que 
o próprio cirurgião faz sua amarração e possui uma margem maior de segurança do que 
o convencional. Apesar desse tipo de capote favorecer o individualismo, necessita que 
o instrumentador auxilie na vestimenta para encaixe perfeito da manga e amarração 
no	nível	da	cervical	(POSSARI,	2009;	SOBECC,	2017).		
91
Figura 11 – Paramentação individual
Fonte: https://shutr.bz/3TmhwOk. Acesso em: 19 set. 2022.
As	mangas	dos	aventais	cirúrgicos	devem	possuir	punhos	mais	firmes	e	com	
prendedor	em	polegar,	a	fim	de	evitar	que	a	manga	se	recolha	durante	o	procedimento	
cirúrgico e para que a luva seja calçada por cima do punho, depois do capote, lembran-
do da técnica correta,de forma estéril e segura. O manejo com a luva estéril deve ser 
dotado de prática e atenção (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). 
Em muitas unidades, o capote já em uso demasiado faz com que 
as tramas do tecido relaxem ou apareçam furos, não oferecendo 
segurança na paramentação.
IMPORTANTE
Após a vestimenta de toda a equipe de cirurgia e de anestesia, o instrumentador 
se	paramenta	 com	o	auxílio	 do	 técnico	de	enfermagem	circulante	ou	do	enfermeiro	
da sala. Lembrando que se trata de um procedimento cirúrgico no qual toda a equipe 
dentro da sala cirúrgica deve estar devidamente paramentada para que a cirurgia ocorra 
de forma segura (POSSARI, 2009; SOBECC, 2017).
Vamos ler mais um pouco sobre evidências científicas no que se 
refere à importância da paramentação correta? Acesse o artigo, pois 
ele trata de uma avaliação realizada em uma equipe de profissionais a 
respeito dos critérios do uso adequado da paramentação cirúrgica. O 
texto pode ser encontrado na íntegra no link: https://www.scielo.br/j/
reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt.
DICA
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Wq4wBYPTyD9sh7vMSZm8qJL/?lang=pt
92
No	caso	específico	do	capote	estar	com	a	face	externa	para	dentro,	temos	uma	
técnica para vestir o capote cirúrgico, usada pelo instrumentador. Primeiro, ele deve pe-
gar o capote na técnica de duas pontas, atentando-se para o lado da dobra do capote.
Depois, o instrumentador desenrola o capote e introduz seus braços dentro das 
mangas, com um movimento para cima, evitando tocar a parte externa com suas mãos 
desnudas. O movimento para cima visa facilitar que as mangas desçam pelo braço 
(POSSARI, 2009; SOBECC, 2017). 
Com as mãos por dentro da manga, o instrumentador pode ir se arrastando por 
dentro	do	capote	até	a	saída	das	mãos	pelas	mangas.	Caso	esse	passo	não	seja	eficaz,	
a circulante de sala auxilia o instrumentador a alcançar a parte interna do capote e puxa 
pela abertura das mangas.
Na sequência, a circulante de sala auxilia na amarração das tiras do capote na 
parte	de	cima,	no	nível	do	pescoço	e	da	cintura,	tracionando	bem	a	amarração	para	
não	ficar	frouxa	e	desamarrar	durante	a	cirurgia	(SOBECC,	2017).	Por	fim,	dependendo	
do estilo do capote, o instrumentador pode calçar a luva estéril e, depois, proceder 
com a amarração do capote, lembrando sempre do cuidado de não encostar em áreas 
corporais que não estejam estéreis. 
93
Neste tópico, você aprendeu:
• A cirurgia urológica foi se aperfeiçoando com o passar dos anos e acompanhando, 
lado a lado, os avanços tecnológicos e, hoje, as cirurgias podem ser realizadas de 
modo menos invasivo e com mais precisão. As cirurgias minimamente invasivas 
surgiram para oferecer maior segurança, conforto e qualidade aos pacientes.
•	 As	cirurgias	urológicas	se	dividem	em	subespecialidades,	a	fim	de	atender	à	deman-
da das afecções que ocorrem no aparelho geniturinário. Dentre elas, pudemos co-
nhecer mais sobre nefrolitotomia, ureteroscopia, cistectomia, litotripsia, nefrectomia, 
cistostomia e prostatectomia. Cada uma das especialidades cirúrgicas trouxe seu 
arcabouço de como é realizado o procedimento, bem como suas complicações.
• Cada uma das especialidades cirúrgicas, dentro da Urologia, tem sua abordagem 
cirúrgica	 específica,	 a	fim	de	minimizar	 qualquer	 evento	 adverso	 e	 riscos	de	 con-
taminação, assim como garantir melhor qualidade de recuperação ao paciente uro-
lógico, levando a ele menor tempo de internação e minimização de sangramentos e 
complicações advindos das afecções cirúrgicas.
• A paramentação da equipe é um passo muito importante dentro do ambiente 
cirúrgico, pois ela é realizada em uma sequência coordenada de toda a equipe, com 
observação	rigorosa	dos	princípios	de	controle	de	infecção.
• A paramentação adequada deve seguir as normas e rotinas de biossegurança da 
unidade hospitalar, envolvendo, também, o tamanho e o tipo de tecido da vestimenta 
de paramentação, se será reprocessada ou descartável.
RESUMO DO TÓPICO 1
94
AUTOATIVIDADE
1 A Urologia envolve todo o complexo renal e urinário do ser humano, responsável por 
ações	essenciais	 no	nosso	 corpo,	 como	equilíbrio	hidroeletrolítico,	 equilíbrio	 ácido	
básico e controle da pressão arterial. As cirurgias urológicas, com o passar dos 
anos, foram se aperfeiçoando e acompanhando a era tecnológica. Os instrumentais 
cirúrgicos	tiveram	que	sofrer	modificações,	a	fim	de	dar	mais	agilidade,	segurança	
e conforto ao cirurgião. Diante o exposto, quanto ao equipamento que tem sido 
referência nas cirurgias urológicas, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Bisturi ultrassônico. 
b) ( ) Cirurgia aberta convencional.
c) ( ) Endoscopia urológica.
d) ( ) Laserterapia.
2 Para realizar uma cirurgia laparoscópica, o cirurgião e a equipe criam um mundo vir-
tual	com	a	finalidade	de	melhor	visualizar	o	campo	operatório	e	ter	cuidados	minu-
ciosos com os órgãos adjacentes. Esse tipo de procedimento minimamente invasivo 
trouxe	 aos	pacientes	maior	 segurança	e	 confiabilidade	no	desfecho	das	 cirurgias,	
menos tempo de internação, menos complicações e menos infecções. Dentre as ci-
rurgias urológicas, analise as sentenças a seguir:
I- Nas cirurgias de próstata, o resultado demonstra redução na incidência de 
incontinência urinária, na disfunção erétil e nos casos de metástase. 
II- Na endoscopia urológica utilizam-se métodos minimamente invasivos, por meio 
endoscópico,	atingindo	as	vias	urinárias	a	fim	de	corrigir	e	tratar	a	 litíase	urinária,	
esteja ela localizada na altura dos néfrons ou na uretra.
III-	 Nos	casos	de	cistostomia,	as	complicações	são	mínimas,	e	a	cirurgia	impede	que	
ocorra infecção urinária, infecção local, obstrução do cateter implantado, perfura-
ção do peritônio e extravasamento de urina no tecido perivesical. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3	 A	infecção	de	sítio	cirúrgico	prolonga	a	internação	do	paciente,	gera	a	necessidade	
de utilização de antimicrobianos, prolonga o tempo que o paciente permanece 
afastado	 do	 trabalho	 e	 pode	 levar	 a	 danos	 permanentes	 à	 saúde.	 Para	minimizar	
95
as	 infecções	a	que	o	paciente	fica	exposto	durante	o	procedimento	cirúrgico,	 são	
necessárias algumas condutas da equipe antes de entrar para o campo operatório. 
De	acordo	com	normas	de	biossegurança	dentro	do	centro	cirúrgico,	classifique	V	
para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Todos os envolvidos na cirurgia urológica devem realizar degermação das mãos 
com clorexidina degermante. Usualmente, as pias devem ser de pressão (evitando 
contato). A sequência da degermação é das pontas dos dedos até o punho e o 
enxágue deve ser unidirecional. 
( ) Após realizar a degermação das mãos, deve-se sempre enxugar as mãos com 
compressa estéril, não esquecendo do avental antes da degermação das mãos.
( ) A preparação das mãos e dos antebraços antes da cirurgia é um procedimento 
que	comprova	eficácia	no	controle	de	 infecção	cruzada,	visa	à	 remoção	da	flora	
transitória, das células descamativas, do suor, da oleosidade e da diminuição da 
flora	residente.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4	 O	campo	da	cirurgia	urológica	é	bastante	diversificado,	com	proposta	de	cirurgias	
abertas mais invasivas até menos invasivas, por meio da laparoscopia. Descrevemos 
alguns tipos de cirurgia que mais ocorrem atualmente e pudemos perceber o quão 
importante	é	a	especificidade	de	cada	cirurgia.	Podemos	ter	a	mesma	patologia,	mas	
com estratégias cirúrgicas diferentes, sempre baseadas na particularidade de cada 
paciente.	Diante	disso,	quais	são	as	cirurgias	que	podem	ser	realizadas	para	litíase	
renal? Explique a diferença entre cada uma. 
5	 A	paramentaçãoda	equipe	cirúrgica	é	de	fundamental	importância	para	uma	cirurgia	
segura. Estamos falando de uma das barreiras primárias no que se refere ao campo 
cirúrgico. Essa barreira se faz essencial para evitar a passagem de microrganismos 
para	o	sítio	cirúrgico.	A	paramentação	não	é	só	uma	exigência	das	unidades	hospita-
lares, mas, também, uma forma de segurança tanto para os pacientes, por minimizar 
os	riscos	de	contaminação	do	sítio	cirúrgico;	quanto	para	os	profissionais	a	fim	de	que	
estes	não	entrem	em	contato	com	sangue	e	fluidos	corporais	do	paciente.	Mas,	para	
que	ocorra	a	paramentação	correta,	devem	ser	seguidos	alguns	cuidados	específi-
cos. Quais são esses cuidados?
96
97
INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
Com os avanços tecnológicos, o arsenal de instrumentais cirúrgicos precisou so-
frer	modificações	para	melhor	se	adaptar	ao	procedimento,	aliando-se	à	era	tecnológica.	
Esses avanços vieram para tornar as cirurgias minimamente invasivas, mas com o obje-
tivo	de	levar	conforto	e	qualidade	ao	paciente,	bem	como	segurança	aos	profissionais.	
Como citamos anteriormente, as cirurgias endoscópicas são as mais utilizadas 
quando se trata de cirurgia urológica devido ao menor risco de complicação e melhor 
acesso ao órgão-alvo. Nesse sentido, um termo surge e causa dúvidas: laparoscopia. O 
que	é	isso,	afinal?	
A laparoscopia é o instrumental mais utilizado nas cirurgias urológicas e foi se 
aperfeiçoando	com	o	passar	dos	anos,	desafiando	as	cirurgias	abertas	convencionais,	
passando de procedimentos simples para ser utilizada nas mais complexas patologias. 
Dentre os diversos materiais, podemos encontrar nesse aparelho fontes de energia mais 
potentes, bisturi ultrassônico e selantes vasculares, o que não impede a utilização das 
pinças convencionais, com menor custo. 
No	entanto,	junto	a	esses	equipamentos,	precisamos	de	profissionais	treinados	
e	qualificados	para	o	seu	manuseio,	pois	exigem	total	atenção	do	cirurgião	e	do	instru-
mentador cirúrgico pela alta precisão e, ao mesmo tempo, fragilidade. 
Assim, neste tópico, podemos nos familiarizar com toda a parte que envolve 
a cirurgia urológica, desde equipamentos modernos, uso da robótica na Urologia, 
instrumentais	 cirúrgicos	 adaptados	 às	 cirurgias	 laparoscópicas	 até	 técnicas	 de	
suturas e nós. Lembrando que os instrumentais cirúrgicos são divididos conforme sua 
finalidade	e	equipamentos	específicos	que	vão	auxiliar	no	procedimento	cirúrgico.	Tais	
equipamentos visam garantir um melhor acesso ao campo operatório e devem levar 
segurança ao paciente. 
98
Vamos relembrar alguns termos importantes para este tópico? Você se lembra de que, 
durante o procedimento cirúrgico, existem os chamados “tempos cirúrgicos”? Então, 
vamos recordar essas classificações:
• primeiro tempo = preparo da área: limpeza e assepsia da pele do 
paciente pelo cirurgião (pinça Cheron com gazes e cuba);
• segundo tempo = delimitação da área operatória: colocação dos 
campos estéreis (presos com a pinça Backaus);
• terceiro tempo = incisão cirúrgica: corte da pele do 
paciente para acesso à área operatória (com bisturi);
• quarto tempo = hemostasia: depois do corte, é realizada a 
homeostasia com pinças hemostáticas (Kelly, Halsted, dentre outras);
• quinto tempo = cirurgia propriamente dita: instrumentos específicos;
• sexto tempo = sutura da incisão: fechamento (porta agulha e fios);
• sétimo tempo = curativo.
DICA
2 EQUIPAMENTO
O laparoscópico é um equipamento que permite uma melhor visualização 
do campo operatório e minimiza os eventos adversos que podem ocorrer durante a 
cirurgia. Antigamente, essa técnica era utilizada apenas em cirurgias ginecológicas e em 
colecistectomia. Nos últimos anos, ela foi ganhando espaço em várias especialidades, 
especificamente	na	Urologia.	
De acordo com Mariano (2007), na cirurgia aberta o cirurgião realiza somente 
uma incisão na parede abdominal para acesso ao órgão operatório. Na laparoscopia, 
realizam-se incisões pequenas (0,5 cm a 1 cm) para, assim, proceder com o procedimento 
cirúrgico. Cada incisão realizada por laparoscopia é chamada de “portal”, pois é onde o 
trocarte é inserido para acessar o campo operatório. 
Vamos, então, desmembrar esse equipamento para entender cada estrutura 
que o compõe e como se dá seu manuseio? Isso porque o conhecimento e o uso correto 
dos instrumentais são essenciais para a execução do procedimento cirúrgico!
Diante disso, o laparoscópico é subdivido em:
• sistema óptico:	óptica,	sistema	de	câmera/vídeo	e	fonte	de	luz;
• sistema de insuflação:	gás,	insuflador	e	agulha	de	insuflação;
• trocartes: descartáveis ou permanentes;
• instrumentais: preensão, incisão, afastadores, porta-agulha, escorregadores de 
nós, sistema de remoção de tecidos, sistema de aspiração, irrigação, bisturi e laser.
99
Figura 12 – Laparoscopia
Fonte: https://shutr.bz/3gpfrCW. Acesso em: 19 set. 2022.
O monitor do aparelho de laparoscopia possui uma imagem de alta resolução, 
que permite a visualização detalhista do campo operatório. Ele possui um sistema 
óptico,	no	qual	são	integrados	a	câmera	e	o	cabo	de	fibra	ótica.	Este	último	possui	uma	
fonte de luz para guiar na parte interna do campo operatório (MARIANO et al., 2007). 
As câmeras do sistema óptico possuem lentes anguladas (30 a 45) que 
favorecem o manuseio interno durante o procedimento cirúrgico, levando 
mais conforto e segurança à equipe de cirurgiões e possibilidade de 
investigação nas estruturas adjacentes ao campo operatório. 
INTERESSANTE
O sistema óptico deve estar em perfeito estado. Como qualquer aparelho na 
unidade hospitalar, é necessário que o instrumentador ou enfermeiro do centro cirúrgico 
realize	 os	 testes	 antes	 do	 procedimento	 cirúrgico,	 verificando	 os	 instrumentais	 e	 a	
qualidade da imagem. Outro cuidado importante é para com a limpeza do equipamento 
e	esterilização	das	pinças	permanentes	do	aparelho	de	laparoscopia	(AZEVEDO,	2006;	
MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020).
100
Figura 13 – Pneumoperitônio
Fonte: https://shutr.bz/3CP1HZt. Acesso em: 19 set. 2022.
A	 formação	 do	 pneumoperitônio	 é	 de	 grande	 importância	 para	 que	 o	
procedimento cirúrgico ocorra de forma segura, porém essa técnica também pode 
ocasionar	algumas	complicações.	Situações	como	baixo	débito	cardíaco,	hipercapnia	
refratária, pressão inspiratória > 35 mmHg, hipoxemia refratária e embolia pelo CO2 
devem,	imediatamente,	ser	motivos	para	interromper	o	sistema	de	insuflação.	Em	todas	
essas intercorrências, o anestesista deve estar atento e agir rápido e precocemente, 
para	que	o	paciente	não	evolua	com	gravidade	(AZEVEDO,	2006;	MARIANO	et al., 2007).
Vamos conhecer como é a técnica utilizada para punção do 
laparoscópico? Acesse o vídeo a seguir e entenda os sistemas 
existentes nesse equipamento, os tipos de punções realizadas 
em laparoscopia e os trocartes utilizados. Disponível no link: 
https://youtu.be/N6AZIa2RIOI. 
DICA
O sistema de insuflação possui uma função primordial quando insere o 
laparoscópico na parede abdominal. Esse sistema mantém a pressão adequada do 
pneumoperitônio, provocando uma distensão abdominal favorável para a manipulação 
do	campo	operatório	interno	(AZEVEDO,	2006;	MARIANO	et al., 2007). 
A	primeira	punção	a	ser	realizada	é	a	instalação	do	sistema	de	insuflação	por	
meio da agulha de Veress. A ferramenta utilizada visa equilibrar a oferta de CO2 e, ao 
mesmo tempo, controlar a pressão intra-abdominal, favorável ao procedimento cirúrgico 
(AZEVEDO,	2006;	MARIANO	et al., 2007). 
https://youtu.be/N6AZIa2RIOI
101
3 OBJETOS PERFUROCORTANTES
Os objetos perfurocortantes ou instrumentais perfurocortantes são utilizados 
a todo tempo cirúrgico, desde a abertura até o fechamento da cirurgia. Nas cirurgias 
laparoscópicas,	 temos	alguns	detalhes	no	 instrumental.	A	princípio,	antes	de	 realizar	
o acesso ao órgão operatório, é necessário abrir o espaço para que haja mobilidade 
dos instrumentais na cavidade interna do paciente. A issochamamos de sistema de 
insuflação. 
Para	realizar	o	sistema	de	insuflação,	é	necessário	fazer	uma	primeira	incisão,	
no caso da agulha, uma primeira punção, em que utilizamos a agulha de Veress. Ela é 
introduzida em meio a cegas, pois não se tem, ainda, visualização da parte interna do 
peritônio. A introdução dessa agulha deve ser cautelosa e possui mandril com ponta 
romba,	a	fim	de	evitar	danos	lesivos	à	cavidade	interna	ao	ser	 introduzida	(AZEVEDO,	
2006;	MARIANO	et al., 2007; SOBECC, 2017). 
Como toda agulha que conhecemos, ela é de uso único e descartável, podendo 
ser encontrada de vários tamanhos. A escolha do tamanho dependerá do porte do 
paciente	e	deve	ser	comunicada	com	antecedência,	a	fim	de	não	haver	improvisos	no	
momento cirúrgico. 
Figura 14 – Agulha de Veress
Fonte: Azevedo (2006, p. 16)
102
Como	vimos	na	figura	anterior,	a	agulha	possui	dois	tubos,	um	dentro	do	outro,	
sendo que o de fora é mais curto e laminado, enquanto o de dentro possui a ponta rom-
ba.	Na	lateral	do	tubo	interno,	há	alguns	orifícios	para	que	o	CO2 transite com facilidade 
durante	a	insuflação	peritoneal	(AZEVEDO,	2006;	MARIANO	et al., 2007).
 
Assim, é muito importante que o instrumentador tenha conhecimento, também, 
quanto	às	cânulas e ao trocarte, pois o mercado oferece vários tipos e tamanhos, 
conforme a necessidade do cirurgião e a particularidade de cada paciente (AZEVEDO, 
2006;	MARIANO	et	al.,	2007;	SOBECC,	2017).	
O trocarte, por exemplo, trata-se de um instrumento com mecanismo tubular, 
utilizado para o acesso intraoperatório, seja na região peritoneal, seja na região retrope-
ritoneal. Ele possui um obturador interno que permite a passagem pelo tecido (AZEVE-
DO,	2006;	MARIANO	et al., 2007; SOBECC, 2017). 
A	 figura	 a	 seguir	 nos	 mostra	 claramente	 todas	 as	 partes	 do	 trocarte	 para	
entendermos seu mecanismo de funcionamento. O sistema fornece maior precisão no 
procedimento	e	mais	segurança	na	manutenção	do	pneumoperitônio	(AZEVEDO,	2006;	
MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 
Figura 15 – Trocarte
Fonte: https://shutr.bz/3SfaHNb. Acesso em: 19 set. 2022.
Os trocartes podem ser permanentes ou descartáveis, porém cada um apre-
senta suas vantagens e desvantagens. Os descartáveis têm a garantia de estarem em 
primeiro	uso	e	oferecer	uma	melhor	afiação	e	menos	força	na	penetração	peritoneal.	Já	
os permanentes	ou	reutilizáveis	têm	o	melhor	custo,	porém,	com	o	tempo,	sua	lâmina	
pode	 ir	perdendo	a	afiação.	Ambos	possuem	características	comuns,	como	 indicador	
de	segurança,	torneira	lateral	para	insuflação	e	abertura	para	desinsuflação	(AZEVEDO,	
2006;	MARIANO	et al., 2007; SOBECC, 2017). 
103
Figura 16 - Trocartes permanentes (A) e Trocartes descartáveis (B)
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 56)
Já a cânula é como uma “manga”, utilizada para um melhor deslizamento do 
trocarte no campo cirúrgico. Ela possui uma válvula que impede o vazamento de gás 
e	evita	a	perda	do	pneumoperitônio	durante	o	período	de	insuflação	(AZEVEDO,	2006;	
MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 
Existem	 cânulas	 de	 vários	 calibres,	 desde	 3	mm	 até	 20	mm,	 sendo	 que	 as	
mais utilizadas são as de 5 mm e de 10 mm. A escolha do calibre é fundamental para o 
procedimento cirúrgico, pois um erro pode impedir a passagem do material nela. 
Para	 a	 penetração	 no	 tecido,	 os	 obturadores	 possuem	 formatos	 específicos	
para	cada	tipo	de	penetração,	sendo	de	extrema	importância	conhecer	e	saber	como	e	
onde eles serão utilizados, principalmente por parte do instrumentador cirúrgico. Maria-
no (2007) relata que os tipos de obturadores são:
• cegos:	utilizados	em	técnica	aberta	ou	reposição	de	cânula	removida;
• cônicos: possuem a ponta menos traumática, porém é preciso utilizar mais força, 
podendo provocar lesão visceral;
• duplo gume: possuem uma haste metálica com dois gumes de secção, proporcio-
nando uma secção de tecido simples e sem a necessidade de rotação;
• piramidais: mais comumente utilizados, possuem uma haste com três linhas de 
secção	que	se	unem	em	um	vértice,	formando	uma	pirâmide.	Esta	é	introduzida	por	
meio	de	rotação	associada	à	pressão.
Os	 trocartes	 possuem	 acessórios	 que	 asseguram	 sua	 função	 contínua	 no	
mecanismo	 de	 retenção.	 Um	 deles	 têm	 formato	 de	 rosca,	 laminado	 e	 oblíquo,	 que	
enrosca e trava contra a parede abdominal, o que promove a homeostase. Junto a esse 
mesmo sistema de retenção, podem ser utilizados balões ou suturas para realizar essa 
homeostase	(AZEVEDO,	2006;	MARIANO	et al., 2007; SOBECC, 2017). 
104
Antes de continuarmos, vale relembrar outros termos importantes para 
este tópico. Por exemplo, dentro da classificação dos instrumentais 
cirúrgicos, eles podem ser divididos quanto a sua finalidade e tempo 
cirúrgico. Então, vamos recordar esses instrumentais:
• grupo 1 = diérese: bisturi e tesoura;
• grupo 2 = hemostasia: pinças hemostáticas e fios;
• grupo 3 = síntese: agulhas, porta agulhas e fios;
• grupo 4 = auxiliares: pinças anatômicas;
• grupo 5 = especiais: específicos de cada cirurgia.
NOTA
3.1 OUTROS INSTRUMENTAIS 
Segundo	Mariano	 (2007),	 nas	 cirurgias	 urológicas,	mais	 especificamente	 nas	
técnicas laparoscópicas, podem, ainda, ser utilizados instrumentais como ganchos en-
doscópicos para dissecção, sucção/irrigação, retratores ou afastadores e material vas-
cular. Ademais, nas cirurgias urológicas, temos, usualmente, pinças, tesouras e cabos 
de	bisturi,	aplicados	em	outras	especialidades	cirúrgicas	que	são	de	suma	importância	
nas cirurgias abertas ou laparoscópicas. 
Figura 17 – Cabo utilizado nas cirurgias laparoscópicas
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/laparoscopic-tools-on-sterile-table-564649132. 
Acesso em: 19 set. 2022.
Nas técnicas de laparoscopia, os instrumentais foram adaptados para conexão 
aos cabos do trocarte. Assim, os cirurgiões necessitaram de intensivos cursos para o 
manuseio do cabo para cada mobilidade das pinças. 
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/laparoscopic-tools-on-sterile-table-564649132
105
Figura 18 – Mobilidade das pinças laparoscópicas
Fonte: https://shutr.bz/3eQxEc0. Acesso em: 19 set. 2022.
O uso dos braços robóticos ou cabos proporcionam giros e rotações que tornam 
mais maleável a técnica e, também, fornecem maior precisão dos movimentos. 
De acordo com a SOBECC (2017), dentro dos outros instrumentais, temos, 
especificamente	nas	cirurgias	laparoscópicas,	as	pinças	de	dissecção (curvas ou retas) 
e preensão (fenestradas ou fechadas). Esse tipo de instrumental pode ser traumático 
até certo ponto, principalmente, os que possuem dentes e garras, os quais permitem 
segurar com mais precisão os tecidos.
Sua	estrutura	possui	eixo	rotatório	a	fim	de	melhorar	o	ângulo	de	manipulação	e	
acesso ao órgão operatório, com diferentes tamanhos, podendo variar de 20 a 50 cm de 
comprimento	e	3	a	10	mm	de	diâmetro	(MARIANO	et al., 2007; SOBECC, 2017). Esse ins-
trumental	possui	um	recurso	para	mantê-lo	fechado	com	o	auxílio	de	uma	cremalheira,	
pode ser usada junto com eletrocautério, ajudando na hemostasia e cauterização.
 
Os instrumentais de sucção/irrigação possuem duas funções em um único 
instrumental, em que há uma parte de sucção (tubo de metal ou plástico controlado por 
uma válvula) e outro canal de irrigação operado também por uma válvula (MARIANO et 
al., 2007; SOBECC, 2017). 
Esse sistema de irrigação possui uma conexão que melhor auxilia o cirurgião 
na regulação da pressão da irrigação ou da sucção, porém só é encontrado em 
equipamentos	mais	 sofisticados.	Ao	 contrário,	 popularmente	 é	 observada	 uma	 cinta	
adaptada ao soro de irrigação, acoplada a um manguito de pressão. 
106
Muitos	desses	 instrumentais	possuem	a	parte	 interna	da	cânula	em	formato	
de gancho ou agulha. Nesse caso, deve-se ter cautela no uso em cirurgias urológicas 
devido	à	manipulação	do	aparelho	urinário	ficar	próximo	da	veia	renal,	da	veia	cava	e	de	
outros vasos, podendo traumatizar os tecidos e vasos. 
Já as tesouras têm variados tipos, mas,normalmente, utiliza-se uma seme-
lhante a Metzenbaum, com conexão para eletrocirurgia, podendo ser reta ou curva, com 
lâminas	lisas	ou	dentadas.	Ainda,	vale	mencionar	que	podem	ser	descartáveis	ou	reutili-
záveis, sendo que as descartáveis são mais frágeis, porém possuem um ponto de corte 
melhor (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 
 
Outra	adaptação	importante	diz	respeito	às	pinças	hemostáticas,	que	necessita-
ram	ser	sofisticadas	para	melhorar	o	controle	vascular, passando a ser monopolares ou 
bipolares, permitindo corte, coagulação ou ambos (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 
Figura 19 – Pinças para homeostase
Fonte: https://shutr.bz/3sy5vKd. Acesso em: 19 set. 2022.
Nos hemostáticos monopolares, a corrente elétrica se inicia no equipamento, 
vai até a placa (posicionada no paciente em local de maior extensão muscular) e retorna 
ao	 equipamento,	 apresentando	 potencial	 risco	 de	 queimadura	 no	 indivíduo.	 Já	 nos	
bipolares,	a	corrente	elétrica	sai	pela	extremidade	das	pinças	e	em	períodos	curtos,	
não permitindo choque elétrico (MARIANO et al., 2007; SOBECC, 2017). 
107
4 TÉCNICAS DE SUTURAS 
Da	mesma	forma	que	as	pinças	se	adaptaram	à	era	da	robótica,	não	foi	diferen-
te	com	o	porta	agulhas	e	os	fios	de	sutura.	Os	cirurgiões	tiveram	que	se	intensificar	no	
domínio	e	manuseio	dos	fios	de	sutura	para	facilitar	a	homeostasia	com	o	uso	de	cabos.	
A área de tecnologia se preocupou em desenvolver materiais com clips metálicos, laser, 
grampeadores,	eletrocautério,	câmeras	de	terceira	dimensão	e	colas	biológicas	que	fa-
cilitassem a abordagem cirúrgica (MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
Apesar	 dos	 avanços,	 os	 cirurgiões	 tiveram	 dificuldade	 no	 manuseio	 devido	
à	estrutura	não	estar	em	suas	mãos,	mas,	sim,	sendo	manuseadas	por	cabos	e	com	
uma visão bidimensional do plano operatório. A destreza no manuseio só se dá com 
muito	treinamento	e	domínio	das	técnicas,	de	acordo	com	cada	material.	Os	materiais	
utilizados	para	a	realização	de	nós	e	suturas	é	de	suma	importância	já	no	início	do	ato	
cirúrgico,	quando	se	precisa	ter	em	mãos	porta	agulhas	e	fios	específicos.	
O porta agulhas	deve	garantir	firmeza	em	agulhas	retas	ou	curvas.	Foi	desen-
volvido para agulhas com precisão, como Semm, Cook e Sharp Endo-Assist,	específico	
para cada tipo de agulha. Vejamos alguns exemplos que a SOBECC (2017) traz:
•	 o	porta	agulha	de	Semm	é	específico	para	agulhas	retas;
•	 o	 porta	 agulha	de	Cook	é	 específico	para	 as	 curvas	que	 se	 encaixam	de	maneira	
perpendicular,	porém	com	a	possibilidade	de	corte	fácil	do	fio;
• o porta agulha de Sharp Endo-Assist é mais utilizado na Urologia por acoplar bem a 
agulha curva perpendicular e possuir maior precisão em sua força de apreensão no 
momento da sutura. 
Já o fio utilizado em cirurgia urológica é o Vicryl, com agulha curva de, aproxi-
madamente,	15	cm.	Nas	suturas	absorvíveis,	podem-se	utilizar	fios	de	vários	compostos,	
a	depender	da	necessidade	do	período	de	permanência	dele	no	órgão-alvo	(MARIANO	et 
al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
Como dissemos anteriormente, o cirurgião deve ter destreza em manusear esse 
tipo	de	sutura	por	via	endoscópica,	dessa	forma,	os	fios	são	introduzidos	na	válvula	do	
trocarte por meio do porta agulha. Quando introduzido, o cirurgião deve utilizar outra 
pinça auxiliar para servir de apoio na manobra de sutura. Ao realizar a sutura, deve-se 
manter	uma	visão	focada	a	fim	de	evitar	perfuração	ou	laceração	de	órgãos	adjacentes	
(MARIANO et al., 2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
A	 sutura	 é	 realizada	 a	 partir	 do	 ponto	 simples	 e	 com	 nó	verdadeiro	 e	 firme,	
utilizando	o	fio	agulhado	inferior	a	15	cm,	apreendido	com	o	porta	agulha	e	introduzido	
pela	válvula	do	trocarte.	Essa	base	deve	ser	firme	e	segura,	para	que	haja	sustentação	
na	transfixação	e	execução	do	nó.	
108
O instrumentador deve posicionar a agulha ao porta agulha e entregar ao cirur-
gião. Este, por sua vez, em posição perpendicular, manobra a agulha com um instru-
mento	de	auxílio	e	traciona	o	fio	com	o	porta	agulha	para,	assim,	a	agulha	girar	no	senti-
do	desejado.	Depois,	ocorre	a	transfixação	da	agulha	pelo	tecido	e,	com	instrumento	de	
auxílio,	segura-se	a	agulha	do	outro	lado,	dando	continuidade	à	sutura	(MARIANO	et al., 
2007; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
Figura 20 – Sutura contínua com fechamento em nó verdadeiro
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 62)
A	 cada	 transfixação	 deve-se	manter	 tensão	 no	 fio	 para	 que	 ele	 não	 afrouxe	
e,	 no	 encerramento	da	 sutura,	 faz-se	uma	alça	da	última	passada	do	fio,	 realizando	
o	nó	verdadeiro	para	desfecho	da	sutura,	como	podemos	observar	na	figura	anterior	
(MARIANO et al., 2007).
5 NÓS CIRÚRGICOS
A	base	para	a	 realização	de	um	nó	cirúrgico,	 em	Urologia,	parte	do	princípio	
da	 cirurgia	 convencional,	 realizando	 a	 primeira	 laçada	 que	 aperta	 e	 outra	 que	 fixa,	
impedindo o afrouxamento, bem como outras laçadas de nós no mesmo local. Para a 
realização de nós extracorpóreos, utilizamos a técnica de nós deslizantes, aplicados 
em estruturas seccionadas e de baixo risco, para melhor resistência do ponto (MARIANO 
et al., 2007). 
109
Figura 21 – Nó extracorpóreo
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 63)
Já os nós intracorpóreos são utilizados com porta agulha ou pinça como 
apoios e, com a segunda, faz-se uma lançada simples ou dupla, apreende-se a extre-
midade	livre	do	fio,	tracionam-se	as	duas	extremidades	e,	assim,	fecha-se	a	primeira	
laçada (MARIANO et al., 2007). 
Figura 22 – Nó intracorpóreo 
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 63)
110
Quando	se	faz	sucessivas	laçadas	contrárias	umas	às	outras,	completa-se	o	nó	
verdadeiro.	Essa	técnica	pode	ser	utilizada	tanto	para	fios	agulhados	quanto	para	não	
agulhados,	apesar	dos	fios	agulhados	darem	maior	segurança	e	firmeza	na	laçada.	
Vamos nos atualizar um pouco mais sobre nós e suturas? O artigo 
a seguir traz atualizações a respeito dos tipos de nós e suturas 
em videocirurgias. O artigo é bem específico em suas colocações 
e auxiliará no conhecimento sobre fios, nós e suturas, conforme 
cirurgia específica. O texto está disponível na íntegra no link: 
https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC.
GIO
Com os avanços tecnológicos, surgiram outras possibilidades de justapor os te-
cidos, permitindo abreviar o tempo cirúrgico, controlar hemorragias e auxiliar o cirurgião 
na	fase	de	síntese	cirúrgica.	Estamos	nos	referindo	à	inovação	das	colas biológicas, 
que vêm sendo utilizadas com frequência pela sua potencialidade de justapor tecidos 
em cirurgias como a nefrectomia parcial (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017).
Outro avanço que surgiu foram os grampeadores com grampos metálicos em 
cirurgias que envolvem a reconstrução da bexiga, mas ainda são pouco utilizados por 
não apresentarem muitas evidências em sua utilização (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
Por	fim,	temos	os	eletrocautérios, como o bisturi ultrassônico, com função de 
cauterizar e selar vasos calibrosos. Essas técnicas fazem com que o tempo cirúrgico seja 
menor e haja maior segurança na reconstrução dos vasos (SERTORI, 2011; SOBECC, 2017).
https://www.scielo.br/j/abcd/a/x8WqVFJKhP64KY6nrshDPjC
111
Neste tópico, você aprendeu:
• No laparoscópico, fazem parte fontes de energia mais potentes, bisturi ultrassônico 
e selantes vasculares, mas isso não impede a utilização das pinças convencionais, 
com menor custo. É um equipamento que exige total atenção do cirurgião e do 
instrumentador cirúrgico pela alta precisão e, ao mesmo tempo, pela fragilidade.
•	 Cada	parte	envolvida	na	utilização	dos	instrumentais	específicos	do	laparoscópico,	
como	 sistema	 óptico,	 sistema	 de	 insuflação,	 trocartes	 e	 demais	 instrumentais.	
Entendemos, também, que cada componente tem sua função e é uma junção de 
técnicas	que	leva	à	eficiência	do	procedimento	cirúrgico.
• O quão é importante o manuseio dos cabos, pois além de eles serem minimamente 
invasivos, os braços robóticos ou cabos proporcionam giros e rotaçõespara tornar 
mais maleável a técnica e oferecer maior precisão dos movimentos cirúrgicos. No 
manuseio	desses	equipamentos,	precisamos	de	profissionais	treinados	e	qualificados.
• Sobre nós e suturas, com suas variedades de tamanhos e tipos, sempre lembrando 
que	a	escolha	deve	ser	pautada	no	perfil	do	paciente,	conforme	o	que	o	cirurgião	
entender que é a melhor opção para o caso que está tratando.
RESUMO DO TÓPICO 2
112
AUTOATIVIDADE
1 O monitor do aparelho de laparoscopia possui uma imagem de alta resolução, 
permitindo uma visualização detalhista do campo operatório. Seus sistemas são 
integrados,	como	uma	engrenagem,	unindo	sistema	óptico	com	câmeras	e	cabo	de	
fibra	ótica	 (fonte	de	 luz),	que	permite	guiar	na	parte	 interna	do	campo	operatório.	
Aliado a esse sistema, temos uma vasta estrutura de instrumentais que foram 
modificados	para	o	alcance	do	campo	operatório.	Sobre	esses	instrumentais,	assinale	
a alternativa CORRETA:
a) ( ) As pinças de apreensão são utilizadas para homeostasia.
b) ( ) As pinças de dissecção são instrumentais de corte, podendo ser retas ou curvas. 
c)	 (			)	 As	pinças	de	síntese	são	instrumentais	de	homeostasia,	utilizadas	para	finalizar	
o procedimento cirúrgico.
d) ( ) Para homeostasia, não podemos utilizar as pinças bipolares devido ao risco de 
queimadura no paciente. 
2	 Os	materiais	utilizados	para	a	realização	de	nós	e	suturas	é	de	suma	importância	já	no	
início	do	ato	cirúrgico,	quanto	é	preciso	ter	em	mãos	porta	agulha	e	fios	específicos.	
O	 porta	 agulha	 deve	 garantir	 firmeza	 em	 agulhas	 retas	 ou	 curvas.	A	 escolha	 das	
agulhas	e	dos	fios	a	serem	usados	em	uma	cirurgia	é	de	competência	exclusiva	do	
cirurgião, uma vez que essa escolha vai depender de fatores como o tipo de cirurgia, 
a técnica empregada e o tipo de tecido. Sobre a realização de nós e suturas, analise 
as sentenças a seguir:
I- Para a realização do nó, geralmente, são necessárias duas pinças, dois porta agulhas 
ou um porta agulha e uma pinça. 
II-	 A	tensão	exagerada	na	sutura	e	a	finalização	do	nó	se	fazem	importantes	para	firmar	
o órgão ou os tecidos operatórios. 
III-	 A	primeira	amarração	é	a	mais	importante,	pois,	se	ficar	frouxa,	as	outras	não	terão	
a	 configuração	 correta	 e,	 consequentemente,	 a	 sutura	 ficará	 inadequada,	 com	
possibilidade de erro cirúrgico. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
113
3	 A	técnica	de	insuflação	do	peritônio	proporciona	uma	dimensão	interna	do	abdominal	
para tornar viável a manipulação dos instrumentais, chamada “pneumoperitônio”. 
Porém,	é	uma	manobra	mais	crítica	da	videolaparoscopia.	Essa	técnica	é	realizada	
mediante punção com agulha de Veress, mas, muitas vezes, sua localização depende 
do conhecimento da anatomia por parte do cirurgião, pois um erro na punção 
acarretará	intercorrências	ao	paciente.	Assim,	sobre	a	agulha	de	Veress,	classifique	V	
para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( 	 )	A	 agulha	 de	 Veress	 é	 utilizada	 para	 primeira	 punção	 da	 técnica	 laparoscópica,	
necessitando	ser	guiada	por	ultrassom	a	fim	de	evitar	ruptura	de	vasos	abdominais.	
(   )	O	manuseio	incorreto	da	agulha	de	Veress	pode	apresentar	vazamento	de	CO2 da 
técnica	de	insuflação.	
(   )	Na	 ausência	 da	 agulha	 de	Veress	 é	 possível	 realizar	 a	 laparoscopia	 por	meio	 da	
técnica da cirurgia convencional aberta.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - V - V.
4 A evolução das cirurgias laparoscópicas se deve aos avanços tecnológicos aliados 
à	 sofisticação	 dos	 instrumentais.	 Sua	 utilização	 permite	 uma	 cirurgia	 segura	 e	
minimamente invasiva, com menor tempo cirúrgico e rápida recuperação do paciente. 
Assim, disserte sobre as partes principais do laparoscópico e qual função de cada 
parte no contexto da cirurgia urológica.
5 Diversos materiais diferentes podem ser empregados na laparoscopia urológica, com 
fontes de energia mais potentes, como o bisturi ultrassônico e selantes vasculares. O 
trocarte é um instrumento da laparoscopia que possui uma variedade de formatos e 
tamanhos, pois permite a visualização intraparenquimatosa do abdômen, tornando o 
campo	cirúrgico	visível	e	de	fácil	acesso.	Assim,	defina,	em	poucas	palavras,	as	partes	
do trocarte e quais complicações podem se apresentar caso esse instrumento não 
seja acoplado corretamente no abdômen do paciente. 
114
115
TÓPICO 3 — 
INSTRUMENTADOR E MONTAGEM DA 
MESA CIRÚRGICA UROLÓGICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Como em qualquer outro procedimento cirúrgico, a equipe em campo opera-
tório	deve	ser	bem	dividida,	de	acordo	com	suas	funções,	a	fim	de	trabalhar	como	uma	
engrenagem, na qual um operador depende do outro para a conclusão do ato cirúrgico 
com segurança e qualidade. Diante disso, é importante que cada personagem dessa 
história saiba quais são as suas funções e limitações, para não interferir na função do 
outro,	 sempre	 com	 respeito	 e	 saberes,	 para	 lidar	 adequadamente	 com	profissionais,	 
paciente e equipamentos de alta tecnologia. 
O instrumentador é a chave dessa engrenagem, podendo, muitas vezes, exer-
cer o papel de circulante e auxiliar ao mesmo tempo. Suas ações envolvem a montagem 
da mesa, a solicitação de materiais, a habilidade técnica para as ações em campo ope-
ratório	e,	por	fim	e	mais	importante,	prever	as	ações	do	cirurgião.	
O	conhecimento	do	instrumentador	deve	ser	profundo	com	relação	às	cirurgias	
urológicas	para	sua	instrumentação,	afinal,	seu	papel	visa	prever	ações	antes	mesmo	
do cirurgião solicitar, saber lidar com intercorrências durante o ato cirúrgico, bem como 
possibilitar ações de escolha diante de uma discussão cirúrgica. Ele está em uma 
posição	de	importância	em	meio	à	cirurgia.	
Neste último tópico, será abordada, então, toda a funcionalidade e as atitudes 
do	instrumentador	cirúrgico	diante	das	cirurgias	urológicas,	especificamente,	no	manu-
seio	e	no	auxílio	do	laparoscópico.	Isso	porque	é	fundamental	entender	o	quão	impor-
tante é estar posicionado no local e momento corretos, estar focado nas solicitações do 
cirurgião durante todo o procedimento cirúrgico, ter uma boa comunicação e pensa-
mento rápido diante de ações inesperadas. 
2 MONTAGEM DA MESA CIRÚRGICA EM UROLOGIA
As cirurgias urológicas apresentam etapas comuns a todos os outros procedi-
mentos cirúrgicos. Dessa forma, a montagem da mesa cirúrgica deve dispor de mate-
riais em ordem cronológica quanto a como ocorrerá o procedimento, determinando as 
finalidades,	ações	e	particularidades	de	cada	cirurgião.	
116
A montagem adequada da mesa tem como objetivo racionalizar 
tempo e custo, antecipar ações e tornar o trabalho de a toda 
equipe mais eficiente. 
INTERESSANTE
A função do instrumentador em ser responsável pela montagem da mesa é 
acompanhar o cirurgião, com foco na prestação de assistência direta, antecipando seu 
trabalho e auxiliando em alguns procedimentos. Frente a isso, o instrumentador não 
pode	ficar	desatento,	pois	será	um	fator	limitante	das	ações	de	toda	a	equipe	durante	 
o ato cirúrgico (SOBECC, 2017).
Primeiramente, o instrumentador deve escolher onde será montada a mesa, 
selecionando um dos lados da sala cirúrgica com menos movimento de pessoas 
circulantes e, ali posicionar a mesa próxima da parede e de frente para toda a sala. 
Sempre que necessário será montada uma mesa auxiliar, caso os materiais dispostos 
sejam em grande quantidade. 
Acima da mesa, coloca-se uma manta emborrachada, para promover amorteci-
mento dos instrumentais com o tampo em mental e, também, impermeabilizar a mesa, caso 
derrame	algum	líquido	sobre	o	 instrumental.	Se	ocorrer	de	o	tecido	molhar,	quebra-se	a	
barreira antibacteriana do campo, ou seja, a manta emborrachada também possui a função 
de impedir contaminação dosinstrumentais dispostos na mesa (SOBECC, 2017). 
O campo acima da manta será colocado por um membro da equipe, já para-
mentado,	para	dar	 início	ao	posicionamento	dos	outros	materiais.	O	campo	colocado	
deve cobrir completamente as laterais da mesa, livrando o centro de qualquer conta-
minação. Por conseguinte, o circulante da sala abre cuidadosamente outro pacote de 
campo para, assim, o instrumentador, já paramentado, abrir esse último campo, cobrin-
do novamente o tampo da mesa e suas laterais (SOBECC, 2017). 
Figura 23 – Disposição para abertura do campo estéril
Fonte: https://shutr.bz/3eRmjZk. Acesso em: 19 set. 2022.
117
Com a mesa já posicionada e tecnicamente estéril, ela está pronta para receber 
os instrumentais. A quantidade de mesas utilizada dependerá da quantidade de material 
que será utilizado também, lembrando que é melhor trabalhar com o quantitativo 
necessário de material e sempre manter a organização. 
O auxiliar, então, aproxima-se com a caixa de instrumentais sob uma mesinha 
auxiliar, para o instrumentador fazer o devido posicionamento dos seus instrumentais. 
Esse auxiliar não precisa, necessariamente, estar paramentado, mas com gorro, más-
cara e luva de procedimento. Na montagem das mesas existem algumas regras para 
facilitar o manuseio e o acesso aos instrumentais pelo instrumentador e pelo auxiliar, 
quando este estiver presente. Vejamos!
A primeira regra é que as montagens seguem um padrão de setorização 
para facilidade de acesso ao instrumento que será necessário, sem se perder durante 
o procedimento cirúrgico. Na segunda regra, todos os instrumentais devem ser 
montados com os anéis para baixo, no sentido que, ao entregar ao cirurgião, este 
empunhará o instrumental já na posição a ser usada (SOBECC, 2017). 
Figura 24 – Técnica de entrega de instrumental
Fonte: https://shutr.bz/3DhmwOE. Acesso em: 19 set. 2022.
A terceira regra	 diz	 respeito	 à	 conferência	 dos	 materiais,	 conforme	mapa	
cirúrgico e funcionalidade dos itens. Já na quarta regra, indica-se que materiais de 
reserva devem ser colocados em uma mesa auxiliar, necessitando ser montada da 
mesma forma que a mesa principal. 
Por	fim,	na	quinta regra, menciona-se que o instrumentador deve se atentar 
ao fato de que, fora do ambiente da caixa de instrumentais, temos um ambiente 
considerado	 crítico	 por	 favorecer	 contaminação,	 como	 a	 tampa	 e	 a	 borda	 da	 caixa	
(SOBECC, 2017). 
118
Figura 25 – Disposição dos instrumentais em técnica laparoscópica
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 70)
Nas	cirurgias	urológicas	há	os	instrumentais	específicos	e	de	maior	uso,	dessa	
forma,	a	figura	anterior	demonstra	toda	a	organização	dos	instrumentais,	a	fim	de	man-
ter uma sequência e melhor atenção. Vale reforçar, também, que todos os instrumentais 
da	Urologia	devem	obedecer	à	ordem	do	tempo	cirúrgico.	
2.1 INSTRUMENTOS BÁSICOS E SUA MONTAGEM NA MESA 
CIRÚRGICA
Os instrumentais básicos ou comuns são aqueles que, em qualquer cirurgia, 
serão utilizados, devendo estar presente em todo o procedimento cirúrgico, indepen-
dentemente da especialidade. Com isso em mente, o instrumentador deve conhecer 
todo o arsenal cirúrgico, bem como as funções de cada um deles.
Assim, nas cirurgias urológicas abertas, por exemplo, os itens serão mais comuns 
por não utilizar o laparoscópio. O que vai diferenciar em cirurgias laparoscópicas serão 
os cabos, em que as pinças estarão adaptadas (MARIANO et al., 2007). 
2.1.1 Pinças de preensão
As	pinças	de	preensão	 têm	a	finalidade	de	prender	 tecidos	 e	 órgãos	 ou,	 até	
mesmo, prender gazes ou compressas durante o procedimento. As mais utilizadas são 
as pinças Foerster, utilizadas para prender a gaze e realizar a antissepsia da pele do 
paciente. Outras pinças, como o grupo das pinças Allis, as pinças Babcock, a pinça 
Collin e a pinça Duval, usualmente, são utilizadas para prender órgãos ou tecidos. 
119
As	pinças	de	campo	são,	também,	instrumentais	auxiliares	destinados	à	fixa-
ção de campos para delimitar a área operatória. As chamadas “pinças Backhaus” são 
as	mais	utilizadas.	Esse	 instrumental	é	utilizado	no	 início	da	cirurgia,	para	segurar	os	
campos em volta do campo operatório. Depois, seu espaço na mesa de instrumentais é 
substituído	por	outras	pinças	que	serão	utilizadas.	
Assim, essa pinça deve estar posicionada próxima ao instrumentador, pois será 
uma	das	primeiras	pinças	a	ser	ofertadas	ao	cirurgião,	a	fim	de	realizar	a	antissepsia	do	
campo operatório, juntamente com a clorexidina degermante e alcoólica (SOBECC, 2017). 
2.1.2 Bisturis e tesouras 
Enquanto instrumentos de diérese, os bisturis se apresentam em tamanhos e 
tipos variados. Possuem em sua extensão o cabo, também de tamanho variável e, em 
sua	extremidade,	o	local	de	acoplar	a	lâmina	móvel,	variando	de	formato	e	tamanho.	
É	um	 instrumental	comumente	utilizado	no	 início	do	procedimento,	devendo	
estar posicionado na parte próxima ao instrumentador, sempre com a ponta voltada 
para ele, no intuito de entregar ao cirurgião já em posição de uso. O instrumentador deve 
entregar	o	bisturi	já	com	a	lâmina	acoplada	e	o	cabo	direcionado	a	ele,	em	posição	de	
corte (diérese).
Figura 26 – Bisturi e tesouras
Fonte: https://shutr.bz/3F3Mqac. Acesso em: 19 set. 2022.
Outro	instrumental	de	diérese	diz	respeito	às	tesouras,	possuindo	vários	forma-
tos e tamanhos. Elas são organizadas na mesa com a ponta voltada para o instrumen-
tador para facilitar a entrega ao cirurgião, sempre em posição aberta. 
120
2.1.3 Pinças hemostáticas
As pinças hemostáticas envolvem os instrumentais de hemostasia, as quais são 
utilizadas	para	pinçar	vasos,	com	a	finalidade	de	impedir	sangramentos.	Elas	podem	ser	
de tamanhos variados e retas ou curvas. As pinças hemostáticas são conhecidas pelos 
nomes de seus criadores, como Kelly, Kocher, Crile, Halstead, Rochester e Mixter. 
Figura 27 – Pinças hemostáticas
Fonte: https://shutr.bz/3MOytyE. Acesso em: 19 set. 2022.
Na mesa de instrumentais, as pinças hemostáticas são dispostas pelo instru-
mentador cirúrgico em grupos do mesmo tipo e em ordem de tamanho, seguindo a 
ordem da direita para a esquerda. O objetivo dessa disposição é facilitar a visibilidade 
das pinças comparados ao procedimento sendo executado. Isso porque, muitas vezes, 
deve-se ter uma pinça menor para alcançar um local de menor visão, como pequenos 
vasos (SOBECC, 2017). 
2.1.4 Pinças de dissecção
As pinças de dissecção são auxiliares e servem de apoio ao procedimento 
cirúrgico.	Também	apresenta	uma	variedade	de	tamanhos	e	formas	específicas,	com	
dentes ou não em sua ponta. As pinças com dentes são chamadas de “dentes de rato”, 
isso se deve ao seu formato em forma de dente em sua ponta
Figura 28 – Pinças de dissecção
Fonte: https://shutr.bz/3SofEmS. Acesso em: 19 set. 2022.
121
Essas	pinças	ficam	posicionadas	ao	lado	das	hemostáticas	e	das	diéreses	por	
serem de apoio para o cirurgião realizar a técnica desejada no procedimento, auxiliando 
na pega de algum tecido para tornar mais preciso o corte ou a sutura ou, até mesmo, 
para	auxiliar	na	captura	de	algum	vaso,	a	fim	de	prosseguir	com	a	oclusão.	
2.1.5 Afastadores 
Os	afastadores	 são	 instrumentais	 também	de	 âmbito	 auxiliar,	 utilizados	para	
promover a exposição do campo cirúrgico. Variam quanto ao formato, tamanho e manu-
seio, podendo ser manuais ou autoestáticos por permitirem afastar os tecidos por si só. 
Para a utilização dos afastadores, o cirurgião precisará das mãos do médico 
assistente	ou	do	próprio	instrumentador,	que	deve	auxiliar	na	firmeza	do	instrumental	a	
fim	de	ficar	estático	para	um	melhor	ato	operatório.	
Figura 29 – Afastador para laparotomia
Fonte: https://shutr.bz/3TJJJ1B. Acesso em: 19 set. 2022.
Os afastadores devem ser colocados na mesa de instrumentais, ordenados 
por	 tamanho	e	pela	 ordem	de	 sequência	de	finalidades,	 pois,	 para	 cada	abertura	de	
tecido, exige-se um afastador de tamanho diferente. Os menores são usados em planos 
superficiais	das	camadas	finas	dos	tecidos,de	acordo	com	o	paciente,	ao	contrário	dos	
maiores, que são utilizados depois, para afastamento de estruturas mais profundas, 
permitindo afastar todos os tecidos e músculos para uma melhor visualização do campo 
operatório (PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017).
122
2.1.6 Agulhas e porta agulhas
Conhecidas	como	instrumentais	de	síntese,	as	agulhas	são	utilizadas	para	con-
duzir	o	fio	de	sutura	por	meio	dos	tecidos	e	fazer	suas	justaposições.	Suas	especifica-
ções variam quanto a serem retas, semirretas ou curvas, sendo essa curvatura vari-
ável para cada tipo de alcance da sutura: pequena ou grande, de ponta triangular ou 
cortante,	de	acordo	com	o	objetivo,	se	será	em	pele,	tecidos	finos,	músculos	e	outros	 
(PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
A	maioria	dos	fios	já	vem	agulhado,	por	ser	algo	prático	e	produzir	menor	trauma	
nos tecidos do que com a opção de fundo falso, quando é preciso colocar a agulha. A 
escolha	da	agulha	e	dos	fios	é	de	 inteira	 responsabilidade	do	cirurgião,	uma	vez	que	
dependerá do tipo de cirurgia, da técnica cirúrgica e do tipo de tecido. 
Figura 30 – Porta agulha em laparoscopia
Fonte: https://shutr.bz/3TFxkeR. Acesso em: 19 set. 2022.
Na mesa de instrumentais, as agulhas devem estar dispostas em ordem cres-
cente	para	melhor	visualização	e	identificação	pelo	instrumentador.	Junto	aos	fios	deve	
ficar	o	porta	agulha,	pois	é	nele	que	serão	presas	as	agulhas	para	realizar	a	sutura	(sínte-
se). Possui diferentes tamanhos e formatos, sendo que os porta agulhas mais utilizados 
são Mayo-Hegar e de Mathieu (PARRA; SAAD, 2005; SERTORI, 2011; SOBECC, 2017). 
Diferentemente	dos	demais,	esse	instrumental	deve	ficar	com	o	cabo	voltado	
para o instrumentador na mesa de instrumentais, pois o primeiro a utilizá-lo será o 
instrumentador,	para	acoplar	o	fio	agulhado	no	instrumental.	
123
Que tal aprimorar sua técnica e assistir a um vídeo explicativo 
sobre como o instrumentador deve passar os instrumentais ao 
cirurgião? Cada pinça traz suas particularidades e funções em 
seu manejo. O vídeo também mostra quais são os instrumentais 
e suas funções em cada etapa cirúrgica. Acesse no link: https://
youtu.be/_TZSULYdaA4. 
DICA
2.2 INSTRUMENTAL LAPAROSCÓPICO
Como já citamos, considerando todos os instrumentais que envolvem a técnica 
laparoscópica, a composição da mesa é peça-chave, pois deve apresentar um bom 
desempenho durante o ato cirúrgico. Desta maneira, esse aparelho também deve estar 
posicionado e necessita de uma atenção com relação aos seus componentes:
• monitor de alta resolução;
• fonte de luz;
•	 aparelho	de	vídeo	câmera;
•	 insuflador	de	CO2;
• agulha de Veress;
• sistema óptico;
• trocartes de tamanhos diferentes;
• clipadores;
• grampeadores;
• pinças variadas.
O	 monitor	 laparoscópico	 deve	 ficar	 posicionado	 ao	 contrário	 do	 cirurgião,	
permitindo uma melhor visualização das imagens intraperitoneais. 
As cirurgias laparoscópicas são bem-sucedidas quando toda a 
equipe entende e sabe manipular o equipamento. Então, vamos 
compreender mais um pouco quanto a como funciona o equipa-
mento de laparoscopia? O vídeo a seguir explica cada detalhe do 
aparelho, incluindo câmera, cabo óptico e, principalmente, a parte 
de sistema de insuflação. Este último é bem explicado quanto ao 
uso do CO2 e o que fazer quando tiver alguma intercorrência. As-
sista no link: https://youtu.be/WUbyf3qpvQQ. 
DICA
https://youtu.be/_TZSULYdaA4
https://youtu.be/_TZSULYdaA4
https://youtu.be/WUbyf3qpvQQ
124
3 POSICIONAMENTO DO PACIENTE EM CIRURGIA 
UROLÓGICA 
Não	podíamos	deixar	de	falar,	também,	sobre	como	o	paciente	deve	ser	posi-
cionado durante a cirurgia. O posicionamento adequado em cama cirúrgica é o apoio 
do procedimento cirúrgico, pois a posição vai determinar o alcance do órgão-alvo. Nas 
cirurgias urológicas existem as posições de abordagem em abdômen superior (rins, lin-
fonodos e adrenais) e parte pélvica (próstata, bexiga e ureter). 
Outro ponto importante é o cateterismo vesical do paciente antes do procedi-
mento cirúrgico, para monitorizar o débito urinário no pré, intra e pós-operatório, bem 
como	a	instalação	de	cateter	a	nível	gástrico,	para	esvaziamento	estomacal,	permitin-
do um maior espaço e mais mobilidade intracavitário, caso seja necessário (ANGELO 
et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). 
Antes de falarmos das posições, vale lembrar que sempre quando formos 
posicionar	o	paciente,	não	devemos	deixar	que	as	pernas	fiquem	cruzadas,	 a	fim	de	
evitar	trauma	muscular	ou	nos	nervos	devido	à	compressão	prolongada.	A	colocação	de	
coxins abaixo do joelho ou na curvatura do dorso favorece a circulação e evita tensões 
musculares nos pacientes (SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). 
Nas cirurgias urológicas por via endoscópica, a posição deve permitir acesso 
às	vias	urinárias.	A	mais	adequada	é	a	de	litotomia	ou	ginecológica,	em	que	o	paciente,	
em decúbito dorsal, apoia os pés, mantendo as pernas separadas. Ao contrário das 
cirurgias abertas, em que a posição é a dorsal e, quando necessário, apoiam-se as 
pernas separadas (MARIANO et al., 2007). 
Figura 31 – Posição de litotomia ou ginecológica
Fonte: Sobecc (2017, p. 223)
125
Em alguns procedimentos, há a necessidade de movimentar a cama cirúrgica a 
fim	de	melhor	posicionar	o	paciente	para	acesso	ao	órgão-alvo,	combinando	posições	de	
declive	ou	proclive.	Nesse	caso,	toda	a	equipe	cirúrgica	deve	ter	total	atenção	na	fixação	
do	paciente	à	cama	cirúrgica	por	 risco	de	queda.	Devido	a	essa	manipulação,	deve-
se	 colocar	 uma	fixação	 ao	nível	 do	quadril	 do	paciente,	 permitindo	maior	 segurança	
quando for necessário mudar a posição (ANGELO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; 
BISPO; ACUNÃ, 2018). 
Figura 32 – Posição de declive ou proclive
Fonte: Sobecc (2017, p. 223)
Essa posição, também chamada de “treendelenburg”, pode provocar várias al-
terações	na	pressão	arterial	devido	à	elevação	do	fluxo	sanguíneo	e	ao	aumento	do	re-
torno venoso quando está em declive. Outras alterações nessa mesma posição podem 
vir	a	provocar	desde	a	alteração	no	fluxo	sanguíneo	cerebral,	dificuldade	respiratória,	
congestão facial, obstrução nasal e lacrimal (ANGELO et al., 2007; MARIANO et al., 2007; 
SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018). 
Os efeitos do treendelenburg em declive ocasionam diminuição de 20% do 
volume pulmonar, além de reduzir 15% da capacidade residual. Junto a essa posição, o 
paciente ainda tem o pneumoperitônio da cavidade abdominal e os efeitos anestésicos, 
o	que	pode	alavancar	para	complicações	intra	e	pós-operatórias.	Isso	leva	à	intubação	
eletiva, edema facial, trombose venosa e elevação da pressão intracraniana (MARIANO 
et al., 2007; SMELTZER, 2020)
Deve-se manter o paciente em constante avaliação hemodinâmica 
e o anestesista deve ficar atento a qualquer alteração dos sinais 
vitais, procurando saber se o paciente não tem algum comprometimento 
neurológico, cardíaco ou respiratório, o que pode acelerar as complicações. 
ATENÇÃO
126
Além disso, é preciso se atentar quando o paciente referenciar dor ou apresentar 
face	de	dor	devido	à	posição,	pois,	após	o	efeito	anestésico,	as	queixas	diminuirão	e	as	
posições	podem	provocar	pressões	em	tempo	prolongado,	levando	à	lesão	por	pressão.	
Outro ponto importante no posicionamento é a segurança do paciente quanto 
a	quedas	devido	à	grande	movimentação	que	pode	ocorrer	durante	o	procedimento	
cirúrgico, necessitando de coxim de apoio ou contensões. 
Figura 33 – Posição lateral
Fonte: Sobecc (2017, p. 223)
Portanto, a posição correta será aquela que favorecerá a posição do cirurgião, a 
visualização do órgão-alvo e, claro, uma melhor posição ao paciente. Lembrando sem-
pre de manter o alinhamento corporal, padrão respiratório e circulatório preservados, 
integridade da pele, possibilitar punção venosa e acesso aos equipamentos cirúrgicos.
Ao término da cirurgia, devemos nos atentar ao retorno da posição dorsal 
desse paciente, seguindo algumas recomendações importantes(ANGELO et al., 2007; 
MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018):
•	 movimentar	o	paciente	lentamente	e	com	firmeza,	lembrando	que	ele	ainda	está	em	
plano anestésico e que qualquer movimentação brusca pode fazer descompensação 
hemodinâmica	ou,	até	mesmo,	pode	haver	risco	de	cair	da	maca;
•	 caso	 seja	 necessário	 e	 possível,	 a	movimentação	 em	 bloco	 dá	mais	 segurança	 e	
coordenação na movimentação do paciente;
• na posição de litotomia, deve-se retirar com cuidado as pernas do paciente do 
suporte	para	não	comprometer	o	fluxo	vascular	dos	membros	inferiores;
• no cuidado pós-anestésico, é preciso manter a cabeça lateralizada do paciente para 
evitar broncoaspiração;
127
•	 manter	atenção	às	respostas	e	reações	do	paciente	após	a	movimentação	na	cama	
cirúrgica; 
•	 realizar	uma	vistoria	no	paciente	antes	de	movimentá-lo,	a	fim	de	observar	se	não	
ficou	alguma	pinça	ou	lâmina	em	cima	do	paciente.
Durante	 o	 procedimento	 cirúrgico,	 toda	 a	 equipe	 deve	 ficar	 atenta	 à	 hemo-
dinâmica	 do	 paciente,	 bem	 como	 estar	minimamente	monitorizado	 para	 intervir	 em	
qualquer alteração que possa ocorrer. O paciente da Urologia deve estar sempre com 
monitorização da sua pressão arterial (de preferência invasiva), leitura em monitor do 
eletrocardiograma,	oxímetro	de	pulso,	temperatura,	capnógrafo,	diurese	e	gasometria.	
Também é necessário ter atenção aos exames laboratoriais e, principalmente, no fator 
de coagulação (SMELTZER, 2020; SOBECC, 2017; SOUZA; BISPO; ACUNÃ, 2018).
Toda e qualquer alteração que possa ocorrer com o paciente em campo opera-
tório deve ser priorizada a resolução da intercorrência. Nesse momento, o cirurgião co-
manda todas as ações e, se precisar fechar a sutura, o fará para evitar ressangramentos 
e maiores complicações. 
Vale mencionar que a posição em que o paciente se encontra em 
procedimento cirúrgico conta muito para possíveis complicações!
ATENÇÃO
4 POSICIONAMENTO DO INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO
A equipe cirúrgica é formada, basicamente, por cirurgião, auxiliar ou assistente, 
instrumentador,	anestesista	e	circulante.	Para	um	bom	fluxo	durante	a	cirurgia,	cada	
profissional	 deve	 estar	 bem	 posicionado,	 para	 não	 inferir	 no	 trabalho	 do	 outro	 ou,	
até mesmo, impedir a execução completa e, muitas vezes, ter que fazer manobras 
desnecessárias durante o procedimento. Quaisquer que sejam as barreiras encontradas, 
até de pessoas, corre-se o risco de contaminação do ato cirúrgico. 
Todo o sistema de circulação dentro da sala operatória deve estar conforme 
os	 tempos	 cirúrgicos	 e	 o	 ato	 anestésico,	 além	das	 condições	 clínicas	 e	 a	 gravidade	
do	paciente.	Dependendo	da	complexidade	cirúrgica,	o	número	de	profissionais	pode	
até	dobrar,	respeitando	sempre	os	princípios	de	biossegurança	para	não	haver	risco	de	
contaminação (FIGUEIREDO; LEITE; MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). 
Durante a divisão da equipe e o posicionamento de cada um em suas funções 
específicas,	deve-se	atentar	sempre	para	o	melhor	campo	de	visão	do	profissional,	de	
acordo	com	suas	 funções.	O	 instrumentador	é	o	profissional	que	precisa	 ter	o	melhor	
128
campo de visão, pois sua posição deve favorecer para suas ações serem bem executadas. 
As	áreas	mais	livres	e	com	materiais	não	estéreis	devem	ficar	por	conta	do	circulante	e	
anestesista (FIGUEIREDO; LEITE, MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). 
O instrumentador é responsável por prever os passos do cirurgião, com 
agilidade, rapidez e destreza. Cabe a ele realizar um mapa geral da sala, juntamente com 
o	cirurgião,	para	definir	melhor	em	qual	posição	devem	estar,	uma	vez	que	isso	depende	
muito do tipo de cirurgia, do biotipo do paciente e da composição da equipe. 
O instrumentador deve estar preparado para suas funções e, em muitos casos, 
pode ocorrer de ter que fazer a função de segundo auxiliar, como segurar alguma pinça 
fixada	 ao	 órgão,	 auxiliar	 na	 sutura	 ou	 diérese.	 É	 o	 profissional	 de	 apoio	 do	 cirurgião	
em	todos	os	tempos	cirúrgicos,	ou	seja,	a	pessoa	na	qual	ele	tem	que	ter	confiança	e	
respeito (FIGUEIREDO; LEITE; MACHADO, 2009; SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). 
As	 responsabilidades	 do	 instrumentador	 são	 infinitas	 durante	 todo	 o	 percurso	
cirúrgico, por isso, vale ressaltar o quanto é importante esclarecer as dúvidas existentes 
antes	do	início	dos	procedimentos.	
Quando	posicionado,	o	instrumentador	deve	se	manter	frente	a	um	ângulo	de	
90 graus, formado entre sua mesa e a mesa cirúrgica. Dessa forma, tem alcance de 
visão dos seus três campos de atuação: instrumentais, cirurgião e campo operatório. 
Assim, com um simples rodar da cabeça, pode-se estar atento na ausculta da comuni-
cação com o cirurgião, pegar o instrumento e passá-lo ao cirurgião, sem pressa e com 
segurança (SOBECC, 2017). 
Essa	posição	deve	prevalecer	até	o	final	do	procedimento,	salve	exceções	nos	
casos em que precisará auxiliar o cirurgião em algum suporte operatório (segurar uma 
pinça,	afastar	algum	tecido,	auxiliar	no	fio	de	sutura,	dentre	outros).	
Durante a entrega dos instrumentais, deve-se evitar movimentos desneces-
sários, como trocar o instrumental para outra mão, deixar o instrumental cair ou fa-
zer movimentos rotacionais com o corpo. Isso passa insegurança ao cirurgião e menos 
confiabilidade	de	suas	ações.
 
Outra regra simples é sempre segurar um instrumental de cada vez, pois, caso 
ocorra um imprevisto e necessite de outro instrumento, deve-se ter agilidade e destreza 
para buscar e levar até a mão do cirurgião, assim, sempre se deve individualizar cada 
instrumento	em	suas	mãos.	Da	mesma	forma,	se	deve	evitar	ficar	segurando	gazes	e	
compressas, as quais devem ser utilizadas apenas quando solicitadas, para enxugar o 
campo operatório (SOBECC, 2017; SMELTZER, 2020). 
Além disso, ainda é preciso se atentar para os instrumentais mais perigosos, 
como	lâminas	de	bisturi,	tesouras	e	porta	agulhas	montadas,	devendo	ter	cautela	ao	
manuseá-los,	a	fim	de	evitar	qualquer	tipo	de	acidente	com	esses	perfurocortantes.									
129
Figura 34 – Disposição da equipe em nefrectomia por via laparoscópica
Fonte: Mariano et al. (2007, p. 191)
Outro	ponto	de	grande	importância	é	a	comunicação	do	instrumentador	com	
todos da sala cirúrgica. Apesar da comunicação ser bem restrita devido ao momento de 
concentração, o cirurgião, muitas vezes, utiliza da comunicação não verbal, por meio de 
gestos, ao solicitar o instrumental. 
A sinalização manual é recorrente dentro do centro cirúrgico, contando com 
uma série de códigos e sinais, que já são de conhecimento da equipe. Esses sinais 
são	direcionados	ao	instrumentador,	sendo	que	todos	são	movimentos	característicos	
do uso de cada um dos instrumentais cirúrgicos. Com a prática e o acompanhamento 
direto do cirurgião, o instrumentador prevê suas necessidades com mais facilidade 
pelos sinais que já aprendeu (MARIANO et al., 2007; SMELTZER, 2020). 
• Normalmente, os cirurgiões fazem os sinais com base no conhecimento dos protoco-
los sequenciais de todo o instrumental, conforme as etapas do procedimento cirúr-
gico. Alguns exemplos estão elencados a seguir e, no cotidiano, podemos presenciar 
situações semelhantes:
• quando o cirurgião utiliza os instrumentais de diérese, o instrumentador já lhe oferece, 
automaticamente, as pinças hemostáticas;
130
Quadro 1 – Materiais e equipe durante a nefrectomia
Fonte: Adaptado de Mariano et al. (2007)
• quando o cirurgião utiliza bisturi, tesouras ou porta agulhas, o instrumentador já lhe 
oferece a pinça auxiliar;
• quando o cirurgião devolve os instrumentos de diérese e auxiliares, o instrumentador, 
prontamente,	já	lhe	entrega	o	porta	agulhas	com	fio	agulhado;
•	 quando	cirurgião	está	finalizando	a	sutura,	o	instrumentador	lhe	passa	a	tesoura	reta.Frente a isso, o instrumentador deve estar a postos para prever, atender e suge-
rir, muitas vezes, os instrumentais ao cirurgião. No fator comunicação, o instrumentador 
é dito como os olhos e ouvidos de toda a equipe. 
 No quadro a seguir, temos o exemplo de um mesmo procedimento em diferen-
tes	posições,	devido	à	particularidade	de	melhor	acesso	ao	campo	cirúrgico.	Contudo,	
observe que não houve necessidade de mudança de posição da composição da equipe. 
Temos sempre que pensar na melhor visualização do campo operatório, assim, há uma 
delimitação de espaço melhor para cada componente da equipe. 
131
As	cirurgias	urológicas	modificam	algumas	especialidades	cirúrgicas	devido	ao	
posicionamento do paciente na cama cirúrgica. Lembrando sempre que a posição do 
paciente favorece a visualização do campo operatório.
Ao término do procedimento cirúrgico, o qual consiste no fechamento do 
último	nó,	todos	permanecem	na	sala.	A	desmontagem	desta	só	ocorre	após	a	saída	do	
paciente. Contudo, no passo da fase de sutura, o instrumentador já inicia a contagem 
dos seus materiais e a conferência dos instrumentais utilizados (MARIANO et al., 
2007;	SOBECC,	2017).	Essa	conferência	é	de	suma	 importância	para	não	haver	 risco	
de “esquecer” algum instrumental no paciente, principalmente, agulhas, compressas e 
pinças pequenas. 
Logo, temos a desparamentação da equipe, que também segue os protocolos 
institucionais,	impedindo	a	contaminação	dos	fluidos	existentes	na	vestimenta	com	a	
parte	corporal	do	profissional.	É	de	suma	importância	saber	se	desparamentar	e	sempre	
pedir	auxílio	para	tal	rotina	(SOBECC,	2017).	
Deste modo, algumas instituições hospitalares podem apresentar rotinas a mais 
do	que	é	recomendado,	mas	obedecendo	à	estrutura	organizacional	do	local	a	fim	de	
proporcionar um ambiente adequado e seguro ao paciente. 
132
LEITURA
COMPLEMENTAR
EFETIVIDADE DO PROTOCOLO PREVENÇÃO DE LESÕES DE PELE 
EM CIRURGIAS UROLÓGICAS ROBÓTICAS
Cecilia da Silva Angelo
Catharina Ferreira de Meira Pachioni
Eduardo Henrique Giroud Joaquim
Erica Adriana Lima da Silva
Gilmar Gomes dos Santos
Isabel	Miranda	Bonfim
Gustavo Cardoso Guimarães
Raquel Marcondes Bussolotti
INTRODUÇÃO 
Pesquisas	nacionais	recentes	estimam	para	os	anos	de	2016	e	2017	aproxima-
damente	600	mil	casos	novos	de	câncer	(CA).	Nos	homens,	o	câncer	mais	frequente	
será	o	de	próstata	(28,6%).	
Atualmente, existem diversas técnicas cirúrgicas que podem ser empregadas 
para	o	 tratamento	oncológico	do	câncer	de	próstata,	 e	 a	mais	moderna	e	 inovadora	
contempla uma abordagem minimamente invasiva e videolaparoscópica com o uso de 
robôs.	A	videocirurgia	surgiu	no	fim	da	década	de	 1980	e	teve	 início	após	o	primeiro	
endoscópio desenvolvido por Philipp Bozzini, médico alemão, e, posteriormente, depois 
do aperfeiçoamento do laparoscópico por outros médicos.
A	 cirurgia	 assistida	 pelo	 robô	 é	 definida	 como	 “um	 manipulador	 controlado	
por	 computador	 com	 sensores	 artificiais,	 que	 pode	 ser	 reprogramado	 para	mover	 e	
posicionar instrumentos cirúrgicos, visando realizar tarefas cirúrgicas”, segundo Robot 
Institute of America. 
Além disso, o sistema robótico melhora a visualização, a exposição e a dissecção 
das estruturas nobres num espaço reduzido, eventualmente diminuindo o risco de 
complicações,	trauma	cirúrgico,	dor	e	o	período	de	internação	hospitalar.																																																																		
Ao submeter-se a um procedimento cirúrgico, o paciente é exposto a diversas 
situações	que	poderão	comprometer	sua	integridade	física	e	psicoemocional	durante	o	
período	perioperatório.	Entre	elas,	podemos	destacar	o	posicionamento	cirúrgico	uroló-
133
gico robótico, pois a posição cirúrgica deve garantir ao paciente conforto, segurança e 
respeito	aos	seus	limites	anatômicos	e	fisiológicos.	Faz-se	necessário	que	o	enfermeiro	
apresente	aptidão	técnica	e	científica,	para	atuação	nesses	procedimentos,	alinhado	à	
equipe	multiprofissional	para	posicionar	o	paciente,	minimizando	os	riscos	de	desenvol-
ver lesão de pele (LP) por posicionamento cirúrgico. O posicionamento cirúrgico ade-
quado	garante	eficiência	e	segurança	durante	todo	o	procedimento,	sendo	um	dos	prin-
cipais indicadores de qualidade do cuidado na assistência perioperatória. Ele é capaz de 
manter o alinhamento corporal, evidenciando o local a ser operado, reduzindo a tensão/
pressão sobre os tecidos, preservando funções circulatórias e respiratórias, evitando 
possíveis	efeitos	danosos	decorrentes	da	posição	cirúrgica	por	períodos	prolongados.		
 
Pacientes	 cirúrgicos	 no	 período	 intraoperatório	 estão	 suscetíveis	 a	 inúmeros	
riscos	e	ao	desenvolvimento	de	várias	complicações	por	agentes	químicos,	queimaduras	
elétricas e lesão por pressão, as mais comumente encontradas. A lesão por pressão 
pode	ser	definida	como	uma	LP	e/ou	no	tecido	ou	estrutura	subjacente,	mais	evidente	
em	proeminências	ósseas,	ocasionada	por	pressão	isolada	ou	combinada	à	fricção	e/
ou	 a	 cisalhamento	 durante	 a	 transferência	 para	 o	 leito,	 podendo	 estar	 associada	 às	
comorbidades	significativas	do	paciente.																																												
Estudos	recentes	destacaram	vários	fatores	de	risco	associados	à	LP	em	pa-
cientes	cirúrgicos,	e	tais	fatores	são	divididos	em	dois	grupos:	intrínsecos,	como	idade,	
peso corporal, estado nutricional e doenças crônicas como diabetes mellitus, vasculo-
patias,	neuropatias,	hipertensão	e	anemia;	e	extrínsecos,	por	exemplo,	tipo	e	tempo	de	
cirurgia, anestesia, posições cirúrgicas e posicionamento. A intensidade desses fatores 
e a duração do procedimento anestésico-cirúrgico evidenciam o maior ou menor risco 
de desenvolvimento de LP, que pode ser observada após o término do procedimento e 
se potencializar rapidamente. Os locais mais comuns para desenvolvimento de LP por 
posicionamento	cirúrgico	são:	região	sacral,	calcâneos,	região	mentoniana,	trocânteres.																																																																																																																
Dessa forma, a base para garantir a segurança do paciente no intraoperató-
rio de cirurgias robóticas deve-se a uma avaliação precoce de riscos cirúrgicos, para 
implementar estratégias de melhoria e minimizar eventos adversos, tal como LP por 
posicionamento cirúrgico, mediante mecanismos de suporte e prevenção. Estratégias 
de melhoria podem ser desenvolvidas por intermédio de ações educativas nos treina-
mentos	de	aprimoramento	profissional,	tal	como	a	simulação.
Segundo os guidelines da Association of Perioperative Registered Nurses 
(AORN, 2017), o posicionamento cirúrgico do paciente permite avaliar a qualidade da 
assistência	prestada.	Com	os	indicadores	de	qualidade,	é	possível	monitorar	as	ocor-
rências	de	eventos	adversos	durante	o	período	intraoperatório,	pois	esses	eventos	po-
dem	estar	associados	ao	nível	de	aprendizado	dos	profissionais	de	enfermagem.	Esse	
aprendizado, por sua vez, vem ao encontro das ações educativas implementadas para 
garantir a segurança do paciente cirúrgico e a redução dos riscos de LP por posiciona-
mento cirúrgico.
134
Nessa	situação,	o	profissional	de	enfermagem	tem	a	oportunidade	de	desenvol-
ver competências e habilidades com foco no paciente cirúrgico e suas reais necessida-
des. Logo, as simulações robóticas proporcionam melhor interação da equipe interdis-
ciplinar, assegurando o sucesso do posicionamento cirúrgico.
OBJETIVOS 
Verificar	a	efetividade	do	Protocolo	Prevenção	de	LP,	por	meio	do	levantamen-
to de ocorrências causadas pelo posicionamento cirúrgico em pacientes oncológicos 
submetidos	às	cirurgias	urológicas	robóticas,	e	demonstrar	a	importância	da	simulação	
como estratégia educativa no treinamento da equipe de enfermagem.
MÉTODO 
O delineamento da pesquisa é documental, retrospectivo, com análise 
quantitativa dos dados. O estudo foi desenvolvido em um hospital oncológico de 
abrangência	nacional	com	361	leitos.O	Centro	Cirúrgico	(CC)	possui	14	salas	operatórias,	
e o volume cirúrgico situa-se em torno de 1.000 procedimentos ao mês (pacientes 
ambulatoriais, internados, urgências e emergências). Desses 1.000 procedimentos, 
cerca de 40 cirurgias são realizadas com tecnologia robótica e 85% delas são cirurgias 
urológicas. 
O protocolo analisa as variáveis: idade, gênero, presença ou não de LP por 
posicionamento cirúrgico, local da LP, tipo de posicionamento cirúrgico, tempo de 
duração	 da	 cirurgia,	 tempo	 em	 que	 o	 paciente	 ficou	 posicionado,	 tempo	 em	 que	 o	
paciente permaneceu anestesiado, tipo de procedimento cirúrgico, tempo em que o 
cirurgião permaneceu no console e lateralidade. 
Os critérios de inclusão foram: pacientes adultos (ambos os gêneros) submeti-
dos a cirurgias eletivas urológicas robóticas, nos quais foi aplicado o Protocolo Preven-
ção de LP. 
Critérios de exclusão: pacientes submetidos a cirurgias de emergência, 
que apresentaram LP associada a outros eventos e aqueles submetidos a outras 
especialidades de cirurgia robótica. 
Foram	 coletados	 dados	 de	 todos	 os	 pacientes	 submetidos	 às	 cirurgias	
urológicas robóticas no ano de 2015, totalizando 359 cirurgias. Este estudo foi aprovado 
pelo	Comitê	de	Ética	da	instituição	sede	do	estudo,	segundo	parecer	nº	2.278/16.																																																																																		
Os dados foram coletados por intermédio da criação de um instrumento de-
nominado de Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória Robótica 
(SAEP Robótica), armazenado no banco de dados MV2000. Logo, o instrumento destaca 
as	variáveis	conforme	previsto	no	protocolo	e,	com	base	em	suas	análises,	será	possível	
representação	gráfica.	
135
No campo “intercorrências” os enfermeiros relataram a presença ou não de LP 
pelo posicionamento cirúrgico conforme aplicação do Protocolo Prevenção de LP, o qual 
faz referência a todos os tipos de posicionamento cirúrgico, incluindo cirurgias robóticas.
Baseando-se	nesses	dados,	foram	construídas	figuras	para	representar	o	perfil	
dos pacientes oncológicos submetidos a cirurgias urológicas robóticas e sua associa-
ção com LP. 
TREINAMENTO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DO CENTRO CIRÚRGICO 
O treinamento da equipe de enfermagem é realizado sob o modelo de simu-
lação	 realística.	Os	cenários	de	simulação	aproximam	o	profissional	da	 realidade,	va-
lorizando-se a oportunidade de prever os erros que podem ser evitados em situações 
semelhantes	no	futuro,	aumentando	a	segurança	do	profissional	e	do	paciente	cirúrgico	
oncológico, prevenindo assim eventos e danos ao paciente na data da cirurgia.
Nesse	tipo	de	treinamento	é	possível	praticar	habilidades	técnicas	e	desenvol-
ver	 raciocínio	 crítico	para	 avaliar	 a	melhor	 conduta	 a	 ser	 tomada,	 de	 acordo	com	as	
particularidades	e	especificidades	dos	procedimentos	cirúrgicos	e	de	cada	paciente.	
A simulação de posicionamento cirúrgico é realizada previamente ao proce-
dimento, sendo convocados os enfermeiros, técnicos de enfermagem, cirurgiões e 
anestesiologistas	para	participar	do	treinamento.	Nesse	momento,	um	dos	profissionais	
elege-se para ser modelo vivo, e então é aplicado o Protocolo de Prevenção de LP com 
envolvimento	da	equipe	interdisciplinar	e	multiprofissional,	de	acordo	com	a	proposta	
cirúrgica	e	o	caso	clínico	do	paciente	cirúrgico.	
Assim,	a	ausência	de	LP	por	posicionamento	cirúrgico	reflete	a	atuação	inte-
grada	da	equipe	interdisciplinar	e	multiprofissional,	a	qual	aprimora	suas	habilidades	e	
competências por intermédio da prática baseada em evidência, garantindo a segurança 
do	paciente	durante	o	período	intraoperatório.	
PROTOCOLO PREVENÇÃO DE LP: CENTRO CIRÚRGICO 
Ao chegar ao CC, o paciente é admitido pelo enfermeiro mediante o documento 
denominado de periadmissão, isto é, uma das etapas da Sistematização da Assistência 
de	Enfermagem	Perioperatória	(SAEP).	Nesse	documento	há	um	campo	específico	para	
prescrição dos riscos cirúrgicos intraoperatórios, destacando-se o risco de lesão por 
posicionamento perioperatório. 
Após levantamento dos fatores de risco, o enfermeiro direciona os cuidados a 
serem prestados no intraoperatório. É aplicado o Protocolo Prevenção de LP conforme 
avaliação institucional de risco cirúrgico, a qual avalia o tempo em que o paciente foi 
submetido ao procedimento cirúrgico. A avaliação de risco institucional é composta de 
quatro	classificações:	baixo	risco,	risco	moderado,	risco	alto	e	risco	alto	especial.																																																																																																											
136
Na	classificação	baixo	risco	estarão	disponíveis	para	o	posicionamento	cirúrgico:	
posicionadores	(cabeça,	dorso,	braços,	corpo	inteiro	e	calcâneos),	colchão	viscoelástico,	
colchão	piramidal	e	travesseiros.	Já	nas	classificações	de	risco	moderado,	risco	alto	e	
risco	alto	especial	estarão	disponíveis	para	o	posicionamento	cirúrgico:	posicionadores	
(cabeça,	dorso,	braços,	corpo	inteiro	e	calcâneos),	colchão	viscoelástico,	colchão	pira-
midal,	travesseiros	e	películas	protetoras	tamanho	15	×	20	cm	e	sacra	específicas,	de	
acordo com a avaliação do enfermeiro na periadmissão. 
Dessa	forma,	a	avaliação	de	risco	vai	nortear	quais	tipos	de	materiais	e	subsí-
dios serão necessários ao posicionamento cirúrgico, minimizando potenciais riscos de 
lesões. Portanto, conforme o tipo de risco exposto atrelado ao procedimento cirúrgico 
proposto, serão disponibilizados posicionadores, colchão viscoelástico, colchão pirami-
dal,	travesseiros	e	películas	protetoras	tamanho	15	×	20	cm	e	sacra	específicas.																																																																						
As	 películas	 protetoras	 são	 impermeáveis,	 ou	 seja,	 à	 prova	 de	 umidade	 e	
bactérias,	sendo	possíveis	sua	colocação	e	recolocação	inúmeras	vezes	sem	alterar	sua	
capacidade	de	aderência	à	pele	do	paciente	cirúrgico	oncológico.	Além	disso,	na	falta	
da	película	protetora	tamanho	15	×	20	cm,	deverá	ser	aplicada	a	película	tamanho	15	×	
15 cm, conforme avaliação criteriosa do enfermeiro na periadmissão. Dessa forma, os 
locais	destinados	para	a	colocação	das	películas	foram	destacados	no	manual	de	bolso	
para todos os colaboradores de enfermagem. 
A	 seguir	 poderão	 ser	 observados	 os	 locais	 para	 colocação	 dessas	 películas	
protetoras, conforme o tipo de posicionamento cirúrgico, por meio de um manual de 
bolso disponibilizado a todos os colaboradores do CC. 
POSICIONAMENTOS CIRÚRGICOS 
• Decúbito dorsal ou posição supina: posição natural do corpo em que o dorso e a 
coluna vertebral do paciente estão repousando sobre o colchão da mesa operatória. 
Destacam-se como áreas potenciais de pressão: região occipital, escapular, sacro-
coccígea,	cotovelos	e	calcâneos.	Observado	principalmente	em:	cirurgias	de	cabeça	
e pescoço, cirurgias torácicas, cirurgias pélvico-abdominais, cirurgias mastológicas, 
cirurgias reparadoras, cirurgias da radiologia intervencionista, cirurgias endoscópi-
cas, cirurgias urológicas, cirurgias ortopédicas, cirurgias cardiovasculares e vascula-
res,	cirurgias	para	controle	álgico,	cirurgias	da	oncologia	cutânea,	cirurgias	estoma-
tológicas, transplantes hepáticos e neurocirurgia.
• Decúbito ventral ou prona: nessa posição o ventre ou o abdome do paciente entra 
em contato com o colchão da mesa operatória. Destacam-se como áreas potenciais 
de pressão: regiões periauricular, parietal, mandibular, torácica e patelar, genitália e 
dorso dos pés. Observado principalmente em: neurocirurgias, cirurgias ortopédicas e 
cirurgias pélvicas.
137
• Decúbito lateral: nesse posicionamento o paciente é anestesiado na posição supi-
na e, posteriormente, realocado em posição lateral torácica, ou posição lateral renal. 
Destacam-se	como	áreas	potenciais	de	pressão:	regiões	trocantérica,	dos	calcâneos,	
parietal, maleolar, toracolateral, periauricular e condilopatelar.Observado, principal-
mente em: cirurgias torácicas, cirurgias ortopédicas e cirurgias urológicas.
• Posição litotômica ou ginecológica: posição em que o paciente é anestesiado na 
posição supina e realocado até a dobra inferior da mesa operatória, de modo que 
a	 região	glútea	fique	alinhada	à	 “quebra	da	mesa”,	para	posteriormente	colocação	
das perneiras. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, es-
capular	e	sacrococcígea,	panturrilhas,	calcâneos	e	planta	dos	pés.	Observado	princi-
palmente em: cirurgias ginecológicas, cirurgias pélvicas e cirurgias proctológicas. 
•	 Posição	de	Fowler	modificada:	comumente	conhecida	como	posição	de	“cadeira	de	
praia”,	permitindo	que	o	paciente	permaneça	sentado	em	ângulos	de	30	a	90º	aci-
ma do plano horizontal. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões es-
capular,	glútea,	sacrococcígea	e	poplítea,	calcâneos	e	plantas	dos	pés.	Observado	
principalmente em: cirurgias ortopédicas e neurocirurgias.
• Posição de Trendelenburg: essa posição é uma variação do decúbito dorsal, em que a 
parte superior do dorso é abaixada e os pés são elevados. Destacam-se como áreas 
potenciais	de	pressão:	 regiões	occipital,	escapular,	sacrococcígea,	dos	cotovelos	e	
dos	calcâneos.	Observado	principalmente	em:	cirurgias	vasculares	e	cirurgias	abdo-
minais de via baixa.
• Posição de Trendelenburg reversa ou proclive: nesse posicionamento o paciente é 
colocado	na	posição	dorsal	de	maneira	que	a	cabeça	fique	em	um	nível	mais	ele-
vado que os pés. Destacam-se como áreas potenciais de pressão: regiões occipital, 
escapular,	sacrococcígea	e	dos	calcâneos.	Observado	principalmente	em:	cirurgias	
abdominais de via alta e cirurgias de cabeça e pescoço.
•	 Posição	de	canivete	ou	Kraske:	posição	modificada	do	decúbito	ventral.	Destacam-se	
como áreas potenciais de pressão: regiões parietal, periauricular, torácica, da geni-
tália, patelar e da face anterior do tornozelo. Observado principalmente em: cirurgias 
ortopédicas e cirurgias pélvicas/proctológicas.
• Posição robótica: nesse decúbito o paciente permanece posicionado em Trende-
lenburg acentuado juntamente com a posição litotômica. Destacam-se como áreas 
potenciais	de	pressão:	regiões	occipital,	escapular,	sacrococcígea,	das	panturrilhas,	
dos	calcâneos	e	da	planta	dos	pés.	Observado	principalmente	em:	cirurgias	robóticas	
urológicas. Nesse posicionamento será realizado um x de	colchão	perfilado	no	tórax	
de	forma	que	o	perfilado	não	fique	diretamente	em	contato	com	a	pele	do	paciente.	
Ou	seja,	ele	fica	em	contato	direto	com	as	películas	protetoras	aderidas	à	região	torá-
cica	anterior,	sendo	fixado	o	colchão	protetor	de	perfilado	com	esparadrapo.	E,	ainda,	
será	 colocado	 salva-pés	de	perfilado	nas	mãos	do	paciente,	 para	garantia	da	 sua	
proteção e segurança.
FONTE: ANGELO, C. S. et al. Prevenção de lesões de pele em cirurgias urológicas robóticas. Revista 
SOBECC, São Paulo, v. 22, n. 3, p. 152-160, jul./set. 2017. Disponível em: https://revista.sobecc.org.br/
sobecc/article/view/221/pdf. Acesso em: 30 ago. 2022. 
138
Neste tópico, você aprendeu:
• Nas cirurgias urológicas, o instrumentador não só realiza a montagem da mesa ci-
rúrgica, mas, também, a posição do videolaparoscópio e seus instrumentais na sala 
operatória, permitindo boa visualização e manuseio do equipamento.
•	 Os	 instrumentais,	na	Urologia,	possuem	certa	especificidade,	conforme	o	procedi-
mento	necessita,	evolvendo	instrumentais	específicos	e	que	garantem	pleno	funcio-
namento durante o procedimento.
• A posição do paciente deve ser aquela que permite melhor visibilidade do campo 
operatório,	assim,	para	cada	cirurgia,	temos	uma	posição	específica	que	irá	melhor	
expor o órgão. O cuidado em acomodar o paciente na melhor posição é de extrema 
importância,	evitando	complicações	hemodinâmicas	ou	contraturas	musculares.
• O instrumentador, dentro da sala cirúrgica, é peça fundamental em todo o procedi-
mento.		Ele	deve	ficar	bem	posicionado	entre	a	sua	mesa	de	instrumentais	e	o	campo	
operatório,	à	frente	do	cirurgião,	evitando	movimentos	desnecessários,	prevendo	o	
instrumental a ser utilizado e servindo sempre de apoio ao cirurgião.
RESUMO DO TÓPICO 3
139
AUTOATIVIDADE
1 A laparoscopia surgiu em meados do século XX e, na época, era utilizada apenas para 
fins	diagnósticos.	Com	o	tempo	foi	se	aperfeiçoando,	criando	novas	técnicas	de	abor-
dagem	e	seu	 instrumental	 se	tornou	mais	 robotizado.	As	modificações	estruturais	
dos	equipamentos	fizeram	com	que	a	equipe	cirúrgica	também	tivesse	que	passar	
por novos treinamentos para manuseio e montagem das salas operatórias. Para a 
montagem da mesa cirúrgica, o instrumentador deve estar atento a vários requisitos 
para que, no transcorrer do procedimento, tudo saia nas mais perfeitas condições. 
Considerando isso e sobre a montagem da sala operatória, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) Na montagem da mesa cirúrgica, o instrumentador deve esperar o cirurgião 
especificar	quais	instrumentais	ele	precisa.
b) ( ) O instrumentador deve escolher montar sua mesa no canto da sala cirúrgica e 
posicionar de frente para a parede, para evitar contaminação dos instrumentais. 
c) ( ) Na sala operatória, a montagem dos equipamentos de videolaparoscopia é de 
responsabilidade da manutenção, que faz o calibre do equipamento. 
d) ( ) Na mesa dos instrumentais, é necessário colocar uma manta emborrachada para 
amortecer a queda dos instrumentais e servir de barreira em caso de molhar os 
tecidos estéreis.
2 O posicionamento adequado do paciente em cama cirúrgica é o apoio do procedi-
mento cirúrgico, pois a posição vai determinar o alcance do órgão-alvo. Nas cirur-
gias urológicas, há posições de abordagem em abdômen superior (rins, linfonodos e 
adrenais) e parte pélvica (próstata, bexiga e ureter). Nas cirurgias urológicas por via 
endoscópica,	a	posição	deve	permitir	acesso	às	vias	urinárias.	No	que	se	refere	ao	
posicionamento adequado do paciente nas cirurgias urológicas, analise as sentenças 
a seguir: 
I- Em determinadas posições, o paciente pode apresentar alterações no retorno 
venoso dos membros inferiores, o que ocorre nas posições em que é necessário 
realizar declive. 
II-	 A	 colocação	 do	 paciente	 na	 posição	 correta	 depende	 do	 seu	 estado	 clínico,	 da	
patologia e da técnica a ser utilizada pelo cirurgião. 
III-	 Deve-se	 movimentar	 o	 paciente	 lentamente	 e	 com	 firmeza,	 lembrando	 que	 ele	
ainda está em plano anestésico e que qualquer movimentação brusca pode fazer 
descompensação	hemodinâmica	ou,	até	mesmo,	haver	risco	de	cair	da	maca.	
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
140
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3	 No	preparo	das	cirurgias	urológicas	há	os	instrumentais	específicos	e	de	maior	uso.	A	
composição	da	mesa	de	instrumentais	deve	obedecer	à	ordem	dos	tempos	cirúrgi-
cos	a	fim	de	trazer	mais	segurança	ao	instrumentador	durante	o	procedimento.	Para	
que isso ocorra, é necessário revisar o mapa cirúrgico e conhecer os instrumentais 
disponíveis.	Para	que	a	montagem	da	mesa	seja	eficiente	e	organizada,	temos	que	
saber	onde	fica	cada	instrumental.	Assim,	no	que	diz	respeito	às	especificidades	das	
cirurgias	urológicas,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(   )	Os	instrumentais	utilizados	na	Urologia	diferem	dos	demais	procedimentos	quanto	
ao	uso	de	afastadores	específicos,	que	devem	ser	em	tamanho	menor	do	que	os	
comumente utilizados.
(   )	Gazes,	 cubas	 e	 seringas	 são	materiais	 descartáveis,	 podendo	 ser	 colocados	 em	
outra	mesa,	mais	distante,	pois	não	há	tanto	uso	no	início	da	cirurgia.
(   )	É	 primordial	manter	 os	 trocartes	 de	 vários	 tamanhos	 na	mesa,	 pois	 algum	 com	
calibre menor pode impedir a passagem de alguma pinça. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 A montagem das mesas cirúrgicas urológicas apresenta etapas comuns a todas 
as outras cirurgias. Sendo assim, a montagem da mesa deve dispor de materiais 
em ordem cronológica de como ocorrerá o procedimento. O instrumentador deve 
manter	atenção,	pois	o	que	determinam	uma	mesa	adequada	são	as	finalidades	dos	
instrumentais e as particularidades de cada cirurgião. A montagem adequada tem o 
objetivo de racionalizar tempo e custo, antecipar ações e tornar o trabalho de toda 
a	equipe	mais	eficiente.	Diante	disso,	para	que	a	montagem	ocorra,	ela	deve	seguir	
alguns critérios básicos. Quais são eles? Explique.
5 Quando falamos de dimensionamento dentro da sala, devemos entender que 
cada	 profissional	 tem	 suas	 responsabilidades	 e	 que	 sua	 posição	 diante	 o	 campo	
operatório	 é	 de	 grande	 importância.	 Na	 estruturação	 da	 equipe	 e	 adequação	 dos	
profissionais	dentro	do	centro	cirúrgico	é	primordial	que	o	instrumentador	esteja	em	
uma visão privilegiada do campo operatório. A responsabilidade do instrumentador é 
acompanhar o cirurgião, com foco na prestação de assistência direta, antecipando 
seu trabalho e auxiliando em alguns procedimentos. Dessa forma, o instrumentador 
não	pode	ficar	desatento,	pois	será	um	fator	 limitante	das	ações	de	toda	a	equipe	
durante o ato cirúrgico. Nesse sentido, quais cuidados o instrumentador deve ter com 
relação a sua posição na sala cirúrgica? Explique.
141
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https://www.youtube.com/watch?v=N6AZIa2RIOI
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https://www.youtube.com/watch?v=WUbyf3qpvQQ
https://www.youtube.com/watch?v=PmB0uFZrOPs
https://www.youtube.com/watch?v=PmB0uFZrOPs
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12670546/
144
145
TÉCNICA DE 
INSTRUMENTAÇÃO 
CIRÚRGICA EM GINECOLOGIA 
E OBSTETRÍCIA
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a operacionalização da instrumentação cirúrgica ginecológica e 
obstétrica;
• reconhecer os instrumentos cirúrgicos utilizados nas cirurgias ginecológicas e 
obstétricas;
•	 reconhecer	a	composição	e	as	atribuições	dos	membros	da	equipe	multiprofissional	
nas cirurgias ginecológicas e obstétricas;
• compreender as fases das cirurgias ginecológicas e obstétricas, os tempos 
cirúrgicos e os portes de cirurgias.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA
TÓPICO 2 – PARAMENTAÇÃO 
TÓPICO 3 – INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
146
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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147
TÓPICO 1 — 
INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA 
GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
As cirurgias ginecológicas e obstétricas são aquelas realizadas nos órgãos do 
aparelho reprodutor feminino com objetivos diversos, como diagnóstico e tratamento 
de doenças e lesões, preservação ou interrupção da fertilidade ou cesárea. Elas repre-
sentam 26,5% de todos os procedimentos cirúrgicos realizados em mulheres adultas 
(AORN, 2021).
As doenças do aparelho genitourinário são responsáveis por um elevado núme-
ro de procedimentos cirúrgicos em todo o mundo. De acordo com Farquhar e Steiner 
(2002), a histerectomia é a cirurgia ginecológica mais frequentemente realizada nos 
países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, estima-se uma incidência de 1:461 mulhe-
res, o que corresponde a cerca de 600.000 histerectomias por ano (WRIGHT et al., 2013).
Já a cirurgia obstétrica mais comum é a cesárea. Nesse caso, é uma cirurgia 
que	deveria	ser	realizada	apenas	em	casos	específicos,	como	via	de	solução	do	parto	
vaginal, em situações como sofrimento fetal, desproporção do tamanho do bebê em re-
lação à pelve, dentre outros. Contudo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde 
(OMS), o uso de cesariana continua crescendo mundialmente, respondendo por mais 
de um em cada cinco (21%) partos (OMS, 2021). 
Embora a cesariana possa ser uma cirurgia essencial e que salva vidas, ela pode 
colocar mulheres e bebês em risco desnecessário quanto a problemas de saúde em 
curto e longo prazos, se realizada quando não há necessidade médica.
Frente a isso, com o avanço das tecnologias médica e cirúrgica, a utilização 
de novos equipamentos, os adventos como a cirurgia robótica, dentre outros, tornam 
a	 cada	 dia	 os	 procedimentos	mais	 complexos.	Assim,	 os	 profissionais	 envolvidos	 no	
procedimento anestésico-cirúrgico precisam estar aptos e atualizados para garantir a 
segurança da paciente e o sucesso do procedimento. Além disso, apesar de todas as 
precauções e da tecnologia envolvida, toda cirurgia ginecológica e obstétrica oferece 
riscos, possibilidades de intercorrências, eventos adversos e até complicações relacio-
nadas ao posicionamento da mulher para a cirurgia. 
148
Nesse	 sentido,	 neste	 tópico,	você	 compreenderá	 a	 fundamentação	 científica	
para o desenvolvimento da técnica de instrumentação cirúrgica em ginecologia e obs-
tetrícia,	as	especificidades	de	cada	procedimento,	os	 instrumentos	mais	utilizados,	o	
posicionamento da paciente, a posição do instrumentador em cada procedimento, bem 
como o cuidado que o instrumentador – como parte da equipe assistencial – deve ter 
para com a paciente, estando sempre atento às possibilidades de complicação, tendo o 
conhecimento para antever eventos adversos evitáveis, auxiliando no desenvolvimento 
do procedimento.
2 TIPOS DE CIRURGIAS GINECOLÓGICAS
A cirurgia ginecológica consiste no procedimento cirúrgico relacionado aos ór-
gãos do sistema reprodutor feminino: grandes e pequenos lábios, clitóris, monte pu-
biano, vagina, útero, ovários e trompas, além de incluir as mamas. Diz respeito a um 
procedimento comum e muito frequente em todo o mundo. 
Assim, tamanha sua relevância, é imprescindível ao instrumentador cirúrgico 
dominar os aspectos estruturais e anatômicos dos órgãos da especialidade que irá 
desempenhar suas atividades, para que possa contribuir com o conhecimento técnico-
científico	no	cuidado	para	com	a	paciente	cirúrgica	na	prática	clínica.
2.1 SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
É salutar ao instrumentador que atua em cirurgia ginecológica e obstétrica o 
conhecimento da anatomia dos órgãos que compõem o sistema reprodutor feminino. 
149
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Si
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or
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150
Esse sistema orgânico é dividido em órgãos externos e internos. Os órgãos 
externos compreendem o conjunto de estruturas localizadas no períneo:
• monte pubiano;
• grandes lábios;
• pequenos lábios;
• clitóris;
• vestíbulo;
• bulbo vestibular;
• glândulas vestibulares.
Figura 2 – Órgãos externos do sistema reprodutor feminino
Fonte: a autora
O	monte	pubiano,	localizado	na	parede	anterior	da	sínfise	púbica,	é	composto	
por tecido subcutâneo e recoberto por pelos pubianos. 
Os grandes lábios, por sua vez, são estruturas formadas pelas dobras cutâneas 
longitudinais mais externas da vulva. Dentro deles, localizam-se os pequenos lábios, 
que se iniciam no clitóris, e, mais internamente, a saída da uretra e a entrada da vagina.
O clitóris é o órgão responsável pelas sensações sexuais, similar ao órgão sexual 
masculino (pênis). Localiza-se na parte superior da vulva e é composto por três partes: 
base, corpo e glande. 
151
Dentre os pequenos lábios, localiza-se o vestíbulo. Nessa região, encontram-se a 
saída da uretra e o orifício vaginal. No vestíbulo, também se localizam algumas glândulas: 
• glândula de Bartholin;
• glândulas bulbouretrais;
• glândulas vestibulares menores.
A genitália externa é irrigada pelas artérias pudendas (internas e externas), 
que são ramos das artérias ilíacas internas e das artérias femorais, respectivamente. A 
drenagem venosa é realizada pelas veias pudendas internas e externas.
A região anterior da vulva recebe inervação de sensibilidade dos nervos ilioin-
guinale genitofemoral, sendo que a parte posterior é conectada pelo nervo pudendo 
cutâneo. O bulbo vestibular e o clitóris recebem inervação do sistema parassimpático 
do plexo uterovaginal.
Já os órgãos internos compreendem o conjunto de órgãos reprodutores 
femininos que estão localizados dentro da cavidade pélvica, a saber: 
• vagina;
• útero;
• tubas uterinas (também chamadas de trompas de Falópio);
• ovários.
A vagina é	o	órgão	interno	mais	superficial,	que	se	estende	do útero à vulva. É 
o canal de comunicação que viabiliza a passagem do sangramento correspondente à 
menstruação, propicia a relação sexual e, também, é por onde ocorre a saída do bebê 
durante o parto. A região mais profunda da vagina está ligada ao colo do útero. 
O canal vaginal, em algumas mulheres, pode conter uma membrana 
chamada hímen. 
NOTA
A vagina é irrigada pela artéria ilíaca interna, que equivale às artérias uterina, 
vaginal	e	pudenda	interna.	O	fluxo	venoso	da	vagina	é	realizado	pelas	veias	vaginais,	que	
drenam para as veias ilíacas internas. O plexo hipogástrico inferior é responsável pela 
inervação	da	vagina,	sendo	que	as	fibras	simpáticas	e	parassimpáticas	são	conectadas	
pelos nervos toracolombar (localizadas entre T12-L1) e esplâncnico pélvico (localizadas 
entre S2-S4).
152
O útero é um órgão muscular oco localizado no abdômen, anteriormente ao reto 
e	atrás	e	acima	da	bexiga	urinária.	Pode	estar	em	posição	de	anteversão	e	anteflexão.	
Internamente, o útero é revestido pelo tecido endometrial, que é aumentado para receber 
o embrião todos os meses. Quando a fertilização não ocorre, temos a descamação do 
endométrio e o sangramento correspondente à menstruação.
O órgão uterino é dividido em três partes:
• corpo: parte principal que se conecta às tubas uterinas. É composto de fundo e 
cavidade uterina;
• istmo: liga o corpo ao colo do útero;
• colo: parte inferior do útero que se conecta ao canal vaginal. Compreende orifícios 
interno e externo e o canal cervical. 
Uma porção do útero é revestida pelo peritônio e ligamentos peritoneais o 
sustentam, em que temos o ligamento largo, o ligamento redondo, o ligamento cardinal, 
o ligamento uterossacro e o ligamento pubocervical.
A irrigação arterial do útero é realizada pela artéria uterina, advinda da artéria 
ilíaca interna, enquanto o retorno venoso do útero se dá por meio do plexo venoso 
uterino para a veia ilíaca interna. Além disso, o útero é inervado pelo plexo hipogástrico 
inferior, por meio do plexo nervoso uterovaginal, de forma similar à vagina. 
Os ovários, por sua vez, são os órgãos que participam da regulação hormonal 
feminina e, também, armazenam e liberam os óvulos para serem fecundados. Eles se 
localizam intraperitonealmente, em região bilateral, adjacentes ao útero. São sustentados 
em sua posição pelo ligamento suspensor do ovário e ligamento do ovário e mesovário.
Os ovários são irrigados pelas artérias ovarianas, advindas da aorta abdominal, 
e o retorno venoso é realizado pelo plexo pampiniforme. Esses vasos se fundem para 
formar as veias ovarianas. 
Ademais, os ovários recebem inervação do plexo nervoso ovariano, sendo que 
fibras	simpáticas	são	advindas	dos	nervos	esplâncnicos	menores	(T10-T11).	A	inervação	
parassimpática é proveniente dos nervos esplâncnicos pélvicos (S2-S4). 
Já as tubas interligam os ovários ao corpo do útero. Por meio delas, normal-
mente, ocorre a fecundação do óvulo e, posteriormente, o transporte do óvulo fecun-
dado (zigoto) até o endométrio, localizado no interior do corpo do útero. Elas são sus-
tentadas pelo ligamento largo do útero chamado “mesosalpinge”. São constituídas por 
quatro partes:
1. infundíbulo: parte distal que se abre para a cavidade peritoneal pelo óstio abdominal. 
Contém projeções “fímbrias”, que se estendem sobre a superfície medial dos ovários;
153
2. ampola: parte mais longa e larga da tuba uterina. É o local mais comum de fertilização;
3. istmo: parte mais estreita e alongada da tuba;
4. parte intramural (uterina): comunicação com a cavidade uterina pelo óstio uterino. 
As tubas uterinas são irrigadas pelas artérias uterina e ovariana, e o retorno ve-
noso é realizado pelas veias tubárias. São inervadas pelo nervo simpático hipogástrico 
(T10-L2), e a inervação parassimpática é advinda dos nervos esplâncnicos pélvicos e do 
nervo vago. 
2.2 TIPOS DE CIRURGIAS
É imprescindível ao instrumentador cirúrgico entender e dominar a anatomia 
e	fisiologia	dos	sistemas	orgânicos	para	uma	ótima	atuação	como	membro	da	equipe	
cirúrgica, pois, com esse conhecimento, é possível selecionar os instrumentos 
considerando o tamanho de cada estrutura, a delicadeza ou, até mesmo, a localização, 
que	 influenciarão	 na	 forma	 de	 acesso.	 Desse	modo,	 pode-se	 antecipar	 situações	 e	
facilitar ao cirurgião seu desempenho nos seus procedimentos cirúrgicos.
Obstetrícia e Ginecologia é uma área de especialidade na qual a equipe de 
enfermagem	 pode	 influenciar	 positivamente	 na	 saúde	 da	 mulher	 e	 nos	 resultados	
operatórios. 
As mulheres procuram ou necessitam de cuidados cirúrgicos especializados 
em ginecologia por vários motivos, como procedimentos de infertilidade, cirurgia 
fetal, cesariana, esterilização, histerectomia, miomectomia, exoneração de câncer e 
reconstrução de órgãos pélvicos. Frente a isso, fornecer cuidados centrados no paciente 
com advocacia, cuidado e tomada de decisão compartilhada é vital para as mulheres 
em todas essas situações.
Logo,	cientes	das	especificidades	das	estruturas	e	dos	órgãos	que	compõem	
o	sistema	 reprodutor	 feminino,	 iniciaremos	a	discussão	sobre	as	especificidades	das	
cirurgias ginecológicas. Nesse sentido, as principais cirurgias ginecológicas são:
• histerectomia: retirada parcial ou total do corpo e do colo do útero;
• laqueadura:	procedimento	voluntário	de	esterilização	definitiva;
• reversão de laqueadura: reversão da esterilização;
• traquelectomia: retirada de parte do colo do útero;
• ooforectomia: retirada dos ovários;
• salpingectomia: retirada das trompas uterinas;
• anexectomia: retirada dos ovários e das trompas;
• mastectomia: retirada das mamas.
Vamos conhecer melhor cada um desses procedimentos!
154
2.2.1 Histerectomia
Como já explanado, a histerectomia é a cirurgia ginecológica mais frequente-
mente realizada nos países desenvolvidos. A partir da descrição de Reich et al. (1989), 
consideramos que existem três principais vias de abordagem para a histerectomia: 
1. vaginal;
2. abdominal;
3. laparoscópica. 
Na via abdominal, é feita uma incisão chamada “laparotomia”.
Atualmente, com o avanço da tecnologia em diversas especialidades cirúrgi-
cas, também temos o advento da cirurgia robótica em ginecologia. Contudo, para com-
preensão e aprofundamento nesse tipo de procedimento, é necessário o treinamento 
em	equipamento	específico,	que,	muitas	vezes,	é	realizado	com	uma	equipe	de	cirurgi-
ões para o manuseio do item, e uma equipe de enfermagem para o posicionamento e 
cuidado da paciente.
Além das diferenças nas técnicas cirúrgicas, em cada uma dessas vias 
de abordagem da histerectomia, há especificidades relacionadas ao 
posicionamento da paciente para promover o acesso ao sitio cirúr-
gico, tornando-se de fácil visualização para a equipe, bem como são 
distintos os instrumentais e o posicionamento do instrumentador e 
da mesa de instrumentos.
ESTUDOS FUTUROS
Segundo	Smeltzer	e	Bare	(2009),	a	histerectomia	ainda	pode	ser	classificada	em:
• histerectomia total: retirada do útero, do colo e dos ovários;
• histerectomia radical: retirada do útero, do colo e dos ovários, assim como da 
vagina e dos linfonodos bilaterais.
A histerectomia total pode ser realizada por via abdominal ou vaginal. A via ab-
dominal é realizada com a paciente em posição supina, ao passo que a via vaginal é 
realizada com a paciente em posição litotômica. Já a histerectomia radical é um trata-
mento cirúrgico mais agressivo, que pode ocorrer por via abdominal ou vaginal. É um 
procedimento mais comum em casos oncológicos.O tipo de posicionamento da pa-
ciente para a cirurgia, nesse caso, depende da via de abordagem, sendo corresponden-
te à histerectomia total.
155
A histerectomia por via laparoscópica também é muito utilizada, com excelen-
tes resultados e recuperação rápida. Nesse caso, a cirurgia é visualizada por meio de 
um vídeo, e os instrumentos utilizados são introduzidos por meio de trocartes, sendo 
necessário	insuflar	um	gás	abaixo	do	peritônio	para	permitir	a	colocação	de	uma	ótica	
com luz e câmera, para que a equipe consiga visualizar os órgãos internos.
O posicionamento cirúrgico da paciente para a laparoscopia, em geral, é 
a posição supina. A depender da técnica cirúrgica utilizada e do posicionamento da 
equipe, também pode ser realizada a posição litotômica, combinada com trendelenburg. 
Após a realização da cirurgia videolaparoscópica, é realizada a sucção do gás, e 
a paciente permanece com pequenas incisões na pele, região em que são aplicados os 
curativos oclusivos.
Figura 3 – Curativo em incisões de cirurgia por videolaparoscopia
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/caucasian-model-demonstrates-abdomen-after-laparos-87VL6D7. 
Acesso em: 30 set. 2022
A anestesia para a histerectomia, normalmente, é a regional (raqui ou peridural), 
mas, dependendo da paciente, pode ser geral ou combinada.
Para a assistência às mulheres que se submetem a procedimentos 
e cirurgias ginecológicas, é importante considerar que elas têm um 
impacto além do físico. No caso da histerectomia, após a retirada 
do principal órgão do aparelho reprodutivo, deve ser considerada a 
manutenção do bem-estar psíquico e social da mulher. 
INTERESSANTE
156
2.2.2 Laqueadura
A laqueadura é o procedimento de interrupção da função das tubas uterinas. 
Como vimos anteriormente, é na tuba uterina que ocorre a fecundação, sendo a 
responsável por conduzir o óvulo fecundado até o interior do corpo do útero. 
A laqueadura pode ser realizada por meio do corte, fazendo uma incisão e su-
tura, ou com a colocação de dispositivos, como anéis, que farão a isquemia da região 
e,	consequentemente,	impedirão	o	fluxo	interno	dentro	da	tuba,	impedindo	uma	futura	
gravidez.
O procedimento é realizado, normalmente, via abdominal, com a paciente em 
posição supina, considerando anestesia geral, regional ou combinada. 
É um procedimento que pode ser revertido futuramente. A reversão é possível 
restabelecendo	o	fluxo	interno	da	tuba	uterina,	em	que,	em	geral,	retira-se	a	isquemia	
formada na cicatrização da cirurgia anterior e faz-se a anastomose da região.
2.2.3 Traquelectomia
A traquelectomia é a retirada do colo do útero. Normalmente, é realizada para 
a exérese de lesões ou carcinomas na região. Em algumas situações, são realizados 
procedimentos de retirada parciais no colo do útero, chamados de “conização”.
Essa cirurgia, normalmente, é realizada por via vaginal, com a paciente em 
posição litotômica. A anestesia, na maior parte dos casos, é regional (raquidiana ou 
peridural).
2.2.4 Ooforectomia
A ooforectomia é a retirada dos ovários, que, geralmente, ocorre quando eles 
têm seu tamanho alterado por afecções, cistos ou tumores. Mesmo sendo órgãos pe-
quenos, a ooforectomia pode ser um procedimento agressivo, a depender do tamanho 
das peças a serem retiradas. Um exemplo de caso em que pode requerer o procedimen-
to é quando há ovário policístico.
157
Figura 4 – Ovário policístico
Fonte: https://shutr.bz/3TCXmiS. Acesso em: 30 set. 2022.
A	 retirada	 do	 ovário	 influenciará	 na	 produção	 dos	 hormônios	 femininos	 da	
paciente, em especial, se for realizada bilateralmente. Em algumas situações, quando 
a ooforectomia é realizada unilateralmente, há a preservação da produção hormonal.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma causa frequente 
da cirurgia de ooforectomia. Suas características principais são: 
menstruação irregular, provocada pelos ciclos em que não ocorre 
a ovulação; infertilidade; obesidade; aumento dos pelos; e acne.
INTERESSANTE
A via cirúrgica é abdominal ou por videolaparoscopia. O posicionamento cirúrgi-
co é a posição supina. Já a anestesia pode ser geral, regional ou combinada.
2.2.5 Salpingectomia
A cirurgia de salpingectomia é a remoção cirúrgica das trompas de Falópio ou 
tubas uterinas. Ela pode ser realizada: unilateralmente, quando apenas uma tuba é 
removida; ou bilateralmente, quando as duas tubas são removidas. Quando ocorre a 
salpingectomia unilateral, a mulher ainda consegue conduzir o óvulo de um dos ovários 
para o útero, sendo possível a ocorrência da gravidez. 
158
A salpingectomia pode ser realizada devido a várias questões, como:
• tratamento da gravidez ectópica, quando ocorre a inserção do óvulo fecundado na 
tuba em vez da inserção no endométrio do útero;
• infecção de uma ou das duas tubas, denominada “salpingite”;
• em casos de endometriose.
Algumas	doenças	sexualmente	transmissíveis,	como	sífilis	e	clamídia,	também	
podem	 provocar	 salpingite,	 assim	 como	 algumas	 condições	 específicas	 que	 podem	
ocorrer durante o parto, aborto ou na inserção de dispositivos intrauterinos (DIU) 
também têm sido associadas à evolução da salpingite e, consequentemente, levam à 
salpingectomia.
A via cirúrgica da salpingectomia pode ser abdominal ou por videolaparoscopia. 
O posicionamento cirúrgico da paciente é a posição supina. 
A retirada em conjunto das tubas e dos ovários é denominada 
“anexectomia”. Nesse caso, o posicionamento para a cirurgia é o 
mesmo: posição supina. A anestesia pode ser regional (raquidiana 
ou peridural) e/ou geral, a depender do caso e motivo cirúrgico de 
cada paciente.
ATENÇÃO
2.2.6 Mastectomia
A cirurgia de mastectomia é para retirada das mamas e ocorre, na maioria das 
vezes, devido à neoplasia de mamas. Na mastectomia, pode-se remover uma mama 
ou ambas (mastectomia lateral ou bilateral), um setor da mama (setorectomia), um 
quadrante da mama (quadrantectomia) ou mastectomia radical, com a exérese da 
mama e dos linfonodos adjacentes. 
A mastectomia, geralmente, inclui a remoção do mamilo e da aréola, mas 
algumas técnicas especiais já preveem a reconstituição da mama e, com isso, pode-se 
preservar a pele da mama ou o mamilo e a aréola da paciente. 
Os músculos do peito (peitorais) sob a mama não são manipulados na maior 
parte dos casos, a menos que o câncer esteja próximo ou tocando os músculos. Nesses 
casos, a cirurgia é bem mais agressiva e pode envolver a equipe de cirurgia torácica.
159
O papel do instrumentador é garantir que o procedimento seja 
facilitado, e, por isso, ele deve estar atento às etapas e aos tempos 
operatórios, para garantir a antecipação da entrega dos instrumentos. 
É expressamente proibido deixar instrumentos sobre o corpo de 
qualquer paciente, devendo permanecer em mesa auxiliar. Assim que 
o instrumento foi utilizado, ele deve ser limpo com uma compressa 
estéril embebida em soro estéril e recolocado na sua posição na 
organização original na mesa de instrumentos. 
IMPORTANTE
O posicionamento da paciente na mesa operatória para a cirurgia de mama é, 
em geral, a posição supina, com os braços posicionados ao longo do corpo. Quando 
os	 braços	 da	 paciente	 ficam	 abertos,	 deve-se	 ter	 o	 cuidado	 para	 não	 ultrapassar	 a	
angulação de abertura de 90º, pois pode haver a compressão do plexo braquial.
A anestesia é a geral, podendo ser utilizada a local, mais sedação, em alguns casos.
De acordo com o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente 
(IBSP), em 2019, foi realizado um ranking das especialidades cirúrgicas 
que mais ocorre na retenção de itens cirúrgicos (em % de objetos 
esquecidos). Na lista, a especialidade de Obstetrícia e Ginecologia 
lidera o ranking, com 26% do total de objetos esquecidos. Saiba mais 
lendo o artigo disponível em: https://bit.ly/3ePOCr3. 
ATENÇÃO
3 TIPOS DE CIRURGIAS OBSTÉTRICAS
As cirurgias obstétricas são realizadas durante a gestação e podem ser 
decorrentes de complicações, questões relacionadas ao bebê, para interromper a 
gravidezou realização da cesárea. 
De	acordo	com	o	Ministério	da	Saúde,	a	identificação	tardia	de	uma	complicação	
durante a gestação faz com que se perca a oportunidade de intervir quando ainda é 
possível salvar a vida da mãe. Do pré-natal ao parto, é imprescindível a assistência e 
vigilância para a diminuição de procedimentos de emergência, sendo responsabilidade 
160
dos	serviços	e	profissionais	de	saúde	a	preparação	ao	parto	e	detecção	de	possíveis	
intercorrências, informando à gestante sobre qual o serviço a ser procurado em 
situações de emergência, no parto e pós-parto (BRASIL, 2010). 
As	urgências	e	emergências	maternas,	quando	identificadas,	favorecem	a	opor-
tunidade de interrupção do processo. Por esse motivo, são imprescindíveis o pronto-a-
tendimento e a avaliação da situação, indicando alternativas de suporte disponíveis na 
unidade assistencial de saúde. 
As cirurgias intra-abdominais durante a gestação aumentam os riscos 
de trabalho de parto prematuro e morte fetal. Todavia, são bem tole-
radas pelas gestantes e pelo bebê, quando a assistência e o cuidado 
relacionado aos seus parâmetros vitais (em especial, a pressão arterial 
e a oxigenação), bem como o suporte anestésico, são conduzidos de 
forma adequada. Assim, a cirurgia de emergência, quando necessária, 
não deve ser postergada em razão da gestação.
NOTA
As cirurgias obstétricas mais comuns são cesárea, laparotomia de emergência, 
cirurgia fetal e todos os procedimentos cirúrgicos de emergência indicados à mulher no 
período de gestação.
Os procedimentos cirúrgicos obstétricos na gestante devem ser priorizados, 
pois	as	altas	taxas	de	mortalidade	materna	 representam	um	desafio	à	saúde	pública	
no país. Dessa forma, é salutar garantir o acesso seguro a qualquer evento de saúde 
durante a maternidade (BRASIL, 2000).
Para saber mais sobre as recomendações e diretrizes do Ministério da 
Saúde quanto à assistência obstétrica segura, incluindo as práticas re-
comendadas no contexto operatório, importantes aos profissionais que 
compõem a equipe operatória e que objetiva contribuir para a garantia 
de uma assistência mais efetiva à gestante, recomendamos a leitura do 
Guia de Urgências e Emergências Maternas, disponível no link a seguir: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0105urgencias.pdf. 
DICA
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0105urgencias.pdf
161
3.1 CESÁREA
No Brasil, assim como em todo o mundo, práticas de parto vêm se transforman-
do intensamente, sendo que o investimento no desenvolvimento da técnica e da prática 
da cesárea acabou por favorecer a ampliação de seu uso (NAKANO et al., 2016). 
Desde a década de 1970, as taxas de cesariana aumentaram progressivamente, 
chegando a 55% do total de nascimentos em 2013 (BRASIL, 2016a). 
Conforme Carbone (2009), o aumento mundial da utilização da cesariana tem 
sido relacionado a um conjunto de fatores, clínicos e não clínicos, dentre os quais estão 
a dependência das inovações tecnológicas para as práticas em saúde, o valor atribuído 
a essas inovações, a demanda das mulheres pelo procedimento e questões médico-
legais.
É importante ressaltar que a cesárea se tornou um componente essencial da 
assistência obstétrica e contribuiu para a redução das taxas de mortalidades materna 
e neonatal (LEAL et al., 2012). Contudo, o aumento dessas taxas, em especial sem a 
indicação adequada, tem sido uma preocupação mundial. Na América Latina e no Caribe, 
as taxas chegam a quatro em cada dez nascimentos, o equivalente a 43%. Ainda, em 
muitos países, as cesarianas, agora, superam os partos normais. Esse número tende 
aumentar na próxima década, com quase um terço (29%) de todos os partos ocorrendo 
por cesariana até 2030 (BRANDÃO, RATTNER, 2021). 
Dessa forma, recomenda-se o acompanhamento e a orientação da gestante 
durante todo o período pré-natal até o parto, para que a indicação e escolha dessa via 
de parto seja a mais segura e que favoreça a saúde da mãe e do bebê (BRASIL, 2010).
De acordo com o Ministério da Saúde, a indicação da cesárea eletiva deve ser 
individualizada e, normalmente, dá-se devido aos seguintes fatores:
• placenta prévia; 
• duas ou mais cesáreas anteriores;
• apresentação pélvica/córmica;
• gemelaridade, primeiro gemelar;
• não-cefálico ou gestação monoamniótica;
• infecção por HIV;
• infecção por HSV; 
• macrossomia fetal.
162
A cirurgia cesariana é um procedimento que ocorre por via abdominal, em que 
são seccionados todos os tecidos até o útero, incluindo pele, tecido subcutâneo, fáscia 
muscular e músculo, peritônio parietal (aderido sob o músculo), peritônio visceral (re-
veste a parede do útero) e o útero. Após o acesso à cavidade intrauterina, é realizada a 
amniotomia (incisão e rutura da bolsa amniótica), para retirada do bebê.
Figura 5 – Cesárea
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/newborn-baby-labor-room-553701571. 
Acesso em: 30 set. 2022.
A cesárea, em geral, ocorre com a paciente em posição supina, sendo que, 
normalmente, a anestesia de escolha é a regional (raquianestesia). 
3.2 LAPAROTOMIA DE EMERGÊNCIA
A laparotomia de emergência ocorre em situações graves e deve ser escolhida 
para salvar a vida da mãe e/ou do bebê. Ela é indicada em casos como presença de 
massas anexiais, suspeita de perfuração uterina, gangrena uterina (infecção do tecido 
muscular com risco de vida), sepse ou na falha das medidas clínicas convencionais. 
A opção pela solução cirúrgica deve considerar a possibilidade de realizar 
histerectomia total com ou sem anexectomia bilateral. A evolução de quadros graves 
(não	 resposta	 terapêutica,	 piora	 clínica	 significativa,	 choque	 e	 evidência	 de	 necrose	
uterina) é melhor após histerectomia. 
Em cirurgias via laparotomia, é necessário avaliar o risco ou desenvolvimento 
de trombose de veias uterinas e ovarianas. Se ocorrer abscesso cavitário, deve-se 
considerar a avaliação hematológica, com necessidade de procedimentos cirúrgicos 
mais complexos, envolvendo outros órgãos abdominais.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/newborn-baby-labor-room-553701571
163
A cirurgia obstétrica de emergência por meio da laparotomia pode ser indicada 
em casos de infecção intra-abdominal em paciente com distúrbio de coagulação, impe-
rando deixar o sítio cirúrgico com drenagem por meio de drenos de penrose ou a vácuo. O 
fechamento da cavidade abdominal deverá considerar as condições físicas e clínicas da 
paciente, bem como o sucesso da cirurgia e as possíveis complicações envolvidas. 
Vale mencionar que a cesárea de emergência é o procedimento por laparotomia 
que deve ser escolhido para evitar a morte materna e neonatal. De acordo com o 
Ministério da Saúde, deverá ser escolhida nas seguintes situações:
• eclâmpsia: quadro hipertensivo que pode ocorrer na gravidez, sendo a principal 
causa de morte materna. Nessa situação, desenvolvem-se convulsões tônico-
clônicas generalizadas e/ou coma, tendo manifestação cerebral na pré-eclâmpsia 
grave, não associada a nenhuma outra condição de saúde. A cesárea de emergência 
é realizada quando ocorre hematoma subcapsular hepático, sinais de choque, 
sofrimento	 fetal	 agudo,	 suspeita	 ou	 confirmação	 de	 sangramento	 neurológico	 e	
qualquer outra contraindicação ao parto vaginal;
• descolamento prematuro da placenta: ocorre quando a placenta está implantada 
e há uma separação abrupta desta antes da data do parto, a partir da 22ª semana de 
gestação;
• atonia uterina: perda da capacidade de contração do útero após o parto, o que 
aumenta o risco de hemorragia pós-parto, colocando em risco a vida da mulher. É 
obrigatória	a	disponibilidade	de	hemocomponentes,	e	a	equipe	cirúrgica	deve	ficar	
atenta com a hemostasia, considerando maior cuidado do obstetra com a técnica 
operatória e com os cuidados posteriores ou relacionados. Nesse caso, pode ser 
necessária a drenagem de cavidade abdominal, podem ocorrer alterações de 
coagulação e a pressão arterial pode subir, facilitando o início de sangramento nas 
estruturas seccionadas.Assim, o curativo compressivo é fundamental para a melhor 
hemostasia de parede. 
O instrumentador cirúrgico, como parte da equipe cirúrgica, 
deve se atentar para possível retenção de objetos, em especial, 
compressas cirúrgicas na cavidade abdominal da paciente.
NOTA
3.3 CIRURGIA FETAL
A cirurgia fetal é aquela realizada no bebê ainda dentro do útero, para auxiliar 
na adequação de condições que favoreçam a saúde e o desenvolvimento do feto. É um 
tipo de cirurgia realizada em centros especializados e com equipes capacitadas para 
isso, sendo indicada em situações como: 
164
A cirurgia fetal consiste em procedimentos extremamente com-
plexos e necessita de uma equipe anestésico-cirúrgica multidis-
ciplinar, incluindo obstetras, anestesiologistas, neurocirurgiões, 
cardiologistas, pediatras e enfermeiros muito bem treinados e 
integrados. Por esse motivo, ainda é pouco realizada no Brasil.
NOTA
Um ponto importante relacionado a esse tipo de procedimento cirúrgico é a 
anestesia.	Existem	diferentes	modalidades	de anestesia	para	cirurgia	fetal,	 indicadas	
de acordo com o tipo de procedimento a ser realizado, sendo o objetivo principal a se-
gurança materna e do bebê, com a garantia da estabilidade hemodinâmica, monitora-
mento	do	fluxo	sanguíneo	útero-placentário,	essencial	para	a	nutrição	e	oxigenação	do	
feto, diminuindo	o	risco	de	trabalho	de	parto	prematuro.	
As	possibilidades	de	anestesia	vão	desde	sedação	até	anestesia	regional ou ge-
ral. Dessa forma, além da capacitação e experiência em anestesia obstétrica, assim 
como pediátrica, é imprescindível que o anestesiologista envolvido no caso tenha per-
feita integração com toda a equipe multidisciplinar que estará cuidando da cirurgia. 
O planejamento de uma intervenção intrauterina de sucesso envolve o envol-
vimento	com	imersão	plena	de	inúmeros	profissionais,	pois	a	abordagem	envolve	dois	
ou mais pacientes
• transfusões intrauterinas;
• correção de defeitos na coluna ou no coração fetal;
• correção de malformações graves antes do nascimento;
• separação da placenta em gravidez gemelar (quando existe alterações e comprome-
timento da circulação sanguínea entre as crianças).
Há pouco tempo, essas discussões e indicações de procedimento eram pouco 
exploradas,	 e	 as	 gestantes	 recebiam	 informação	 extremamente	 insuficiente	 com	
relação às possibilidades de tomada de decisão em diversas condições e alterações, 
na solução de problemas de saúde do bebê ainda dentro do útero. Atualmente, faz-se 
o rastreamento precoce de doenças de ambos (mãe e bebê), sendo possível orientar as 
gestantes e propor medidas de prevenção e tratamento. Do mesmo modo, é possível 
métodos de avaliação da saúde fetal, fornecendo informações seguras e precisas, 
favorecendo a segurança física e psicológica tanto da gestante quanto do bebê. 
Frente a isso, o desenvolvimento da medicina fetal, além de ser capaz de cor-
rigir malformações graves antes mesmo do nascimento da criança, pode salvar vidas e 
evitar várias complicações de saúde e desenvolvimento. 
165
A cirurgia intrauterina do bebê pode aumentar a chance de sobrevi-
vência em até 80%, em situações que, anteriormente, eram solucio-
nadas até com abortos. Em algumas condições, como gravidez de gê-
meos com placenta única, pode-se realizar uma transfusão de sangue 
entre eles; ou em casos de bebês com falhas de desenvolvimento do 
fechamento da coluna, a cirurgia fetal pode melhorar a qualidade de 
vida dessas crianças. 
INTERESSANTE
Dentre as diferentes técnicas para o desenvolvimento de cirurgia fetal, pode-
mos citar: 
• cirurgia fetal endoscópica: pode ser indicada em diversos casos (tratamentos de 
Síndrome de Transfusão Feto-Fetal, hérnia diafragmática congênita, anemia fetal, 
problemas cardíacos ou urinário e até mielomeningocele);
• cirurgia fetal por laparotomia: consiste na abertura do útero para abordagem 
direta	em	regiões	específicas	do	feto.	É	muito	útil	na	maioria	dos	casos	de	correção	
da mielomeningocele ou em casos de exérese de tumores fetais;
• cirurgia EXIT (Ex-Utero Intrapartum Treatment): abordagem do bebê durante o 
parto, antes da secção do cordão umbilical, sendo indicada nos casos em que o bebê 
não consegue respirar sozinho logo após o nascimento, como em tumores cervicais;
• cirurgia robótica: é uma realidade nos dias atuais em alguns lugares do mundo, 
podendo ser indicada para uma variedade de questões.
Figura 6 – Exemplo de cirurgia laparoscópica fetal
Fonte: Helal (2019, p. 46)
166
Em todas as técnicas cirúrgicas, para correções em que se expõe o útero, é 
imprescindível a administração de anestesia geral na mãe, com ampla monitorização 
hemodinâmica, com possibilidade de associação de anestesia peridural por cateter para 
controle da dor no período pós-operatório. Além disso, o bebê também é anestesiado 
por meio de injeção intramuscular.
Em	casos	de cirurgia	fetal minimamente	invasiva,	é	possível	a	sedação	materna.	
Alguns procedimentos realizados com essa técnica necessitam de anestesia fetal por 
via intramuscular. 
A anestesia	regional,	 raquidiana	ou	peridural	é,	geralmente,	 indicada	em	pro-
cedimentos de laparoscopia fetal, em especial quando a anestesia local associada à 
sedação não for indicada para a mãe. Como já dito, a anestesia fetal é feita por via in-
tramuscular. A punção do músculo para a injeção do anestésico é guiada por ultrassom 
no abdome da mãe. 
167
Neste tópico, você aprendeu:
•	 As	especificidades	anatômicas	dos	órgãos	 reprodutores	 femininos.	Para	uma	ótima	
instrumentação cirúrgica, o instrumentador deve ter o conhecimento das estruturas 
e dos órgãos do corpo humano, para poder escolher e disponibilizar os instrumentos 
adequados a cada região e, dessa forma, estar integrado à equipe anestésico-
cirúrgica para auxiliar no melhor sucesso da cirurgia.
• Os tipos de cirurgias ginecológicas, as vias de abordagem cirúrgica, as etapas ci-
rúrgicas e as técnicas nos procedimentos ginecológicos mais comuns, bem como o 
posicionamento cirúrgico da paciente e o tipo de anestesia em cada procedimento.
• Os tipos de cirurgias obstétricas, as vias de abordagem cirúrgica, as emergências e 
as indicações desse tipo de procedimento, além das etapas cirúrgicas e técnicas, o 
posicionamento cirúrgico do paciente e a anestesia em cada procedimento.
•	 Todas	as	especificidades,	os	cuidados	e	a	atenção	que	devem	ser	dispendidos	em	
cada procedimento e, até mesmo, as novas tecnologias a cada via de abordagem, 
para garantir a segurança da mãe e do bebê.
RESUMO DO TÓPICO 1
168
AUTOATIVIDADE
1 Os procedimentos obstétricos necessitam ser compreendidos e bem indicados pelos 
profissionais	de	saúde,	para	garantir	a	segurança	da	paciente.	As	cirurgias	obstétricas	
são realizadas durante a gestação e podem ser decorrentes de complicações, questões 
relacionadas ao bebê, dentre outros fatores. Quanto aos principais procedimentos 
cirúrgicos obstétricos, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Ooforectomia, cesárea, procedimentos cirúrgicos indicados à mulher durante o 
período de gestação.
b) ( ) Cesárea, laparotomia de emergência e cirurgia fetal.
c) ( ) Laparoscopia, laparotomia, histerectomia e parto vaginal.
d) ( ) Litotomia, cesárea, histerectomia e cirurgia de mamas. 
2 A cesárea de emergência é o procedimento cirúrgico obstétrico realizado por meio 
de laparotomia (técnica cirúrgica invasiva que envolve uma incisão no abdômen 
para acessar órgãos internos) que deve ser escolhido para evitar a morte materna e 
neonatal. Quanto às situações em que esse procedimento deve ser indicado, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) Todos os procedimentos cirúrgicos de emergência durante o período de gestação.
b) ( ) Cirurgia fetal e infecções.
c) ( ) Eclampsia, descolamento prematuro da placenta e atonia uterina.
d) ( ) Diminuição motilidade fetal, defeitos na formação fetal e vontade da mãe.
3 A cirurgia fetal é aquela realizada no bebê ainda dentro do útero, para auxiliar na 
adequação de condições que favoreçama saúde e o desenvolvimento do feto. É 
um tipo de cirurgia realizada em centros especializados e com equipes capacitadas 
para isso. Diante disso, sobre os casos em que a cirurgia fetal é indicada, assinale a 
alternativa INCORRETA:
a) ( ) Transfusões intrauterinas, correção de malformações graves antes do nasci-
mento e separação da placenta em gravidez gemelar.
b) ( ) Correção de defeitos na coluna ou coração fetal.
c) ( ) Separação da placenta em gravidez gemelar.
d) ( ) Diminuição da motilidade fetal e defeitos na formação fetal.
169
4 As cirurgias ginecológicas e obstétricas são realizadas nos órgãos do aparelho re-
produtor feminino e possuem objetivos diversos, como diagnóstico e tratamento de 
doenças e lesões, preservação ou interrupção da fertilidade e, até mesmo, o parto. 
Nesse sentido, descreva quais são as estruturas e os órgãos que envolvem o apare-
lho reprodutor feminino.
5	 Os	 profissionais	 envolvidos	 no	 procedimento	 anestésico-cirúrgico	 precisam	 estar	
aptos e atualizados para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedi-
mento. Com relação à cirurgia ginecológica, as mulheres procuram ou necessitam de 
cuidados cirúrgicos especializados em ginecologia por vários motivos. Dessa forma, 
descreva os principais procedimentos cirúrgicos dessa especialidade.
170
171
PARAMENTAÇÃO
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
A unidade de centro cirúrgico é uma área crítica,	e,	por	isso,	todos	os	profissio-
nais que adentram suas dependências devem fazê-lo por meio de vestiário de barreira. 
Aliás, é sempre muito importante relembrar que, com relação ao grau de 
contaminação,	o	centro	cirúrgico	é	uma	unidade	complexa,	dividido	em	áreas	específicas	
pelo grau de criticidade, de acordo com o risco de transmissão de infecções, em virtude 
dos procedimentos ali realizados. 
Dessa	forma,	as	áreas	do	centro	cirúrgico	são	classificadas	em:
• áreas não críticas: são aquelas cuja circulação de pessoas é livre, não exigindo 
cuidados especiais, nem uso de uniforme privativo, como elevadores, corredores 
externos que levam ao centro cirúrgico, vestiários e local de transferência de macas;
• áreas semicríticas: permitem a circulação de pessoal e equipamentos, de modo 
a não interferir no controle e na manutenção da assepsia cirúrgica. Nesses locais, é 
necessário o uso de uniforme privativo e calçados adequados. Alguns exemplos são 
a área administrativa, a sala de guarda de equipamentos, a farmácia-satélite, a copa 
e a sala de conforto;
• áreas críticas: são	 as	 que	 possuem	 limites	 definidos	 para	 circulação	 de	 pessoal	
e equipamentos, devendo-se estabelecer rotinas próprias para controlar e manter 
a assepsia local. Nessas áreas, é obrigatório, além do uniforme privativo, o uso de 
máscara, cobrindo a boca e o nariz. Exemplos são o corredor interno, os lavabos e as 
salas cirúrgicas. 
Assim,	 no	 vestiário	 de	 barreira,	 o	 profissional	 deve	 retirar	 toda	 a	 sua	 roupa,	
acondicioná-la em armário individual com chave, juntamente com seus pertences, e 
colocar o uniforme privativo da instituição. Tal uniforme deve ter sido reprocessado na 
lavanderia hospitalar. 
Além do uniforme privativo, composto por calça e blusa, deve-se colocar toucas 
(de	modo	a	prender	todo	o	cabelo	do	profissional)	e	máscara	(de	modo	a	cobrir	nariz	e	
boca); ainda, deve-se calçar o sapato privativo para uso dentro do centro cirúrgico. 
• O sapato privativo pode ser fornecido pela instituição ou adquirido pelo próprio fun-
cionário. Recomenda-se que tenha as seguintes características:
• deve cobrir todo o pé;
• não pode ter furos e deve ser impermeável;
172
• deve ser antiderrapante;
• deve ser lavável;
• deve ser utilizado somente dentro das dependências do centro cirúrgico, sendo retirado 
e substituído em qualquer situação em que o funcionário tenha que deixar a unidade.
No caso de a instituição não fornecer um sapato privativo individual aos seus 
funcionários, pode-se optar pela utilização de propés. Estes dizem respeito a coberturas 
descartáveis	que	 impedem	que	a	sujidade	do	sapato	do	profissional	entre	em	contato	
com o chão do centro cirúrgico.
É imprescindível lavar as mãos imediatamente após a colocação 
dos sapatos privativos e propés, para evitar a contaminação das 
mãos do profissional com a sujidade das solas dos pés.
ATENÇÃO
De acordo com o Art. 32 da Norma Regulamentadora n. 32, de 2005, atualizada 
pela	Portaria	MTP	n.	806,	de	13	de	abril	de	2022,	ela	“tem	por	finalidade	estabelecer	as	
diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde 
dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades 
de promoção e assistência à saúde em geral” (BRASIL, 2005). Dessa maneira, é implícita 
a	todos	os	profissionais	que	adentrarem	o	centro	cirúrgico	a	obrigatoriedade	de	retirar	
adornos e armazená-los em armários, levando apenas o que for imprescindível para o 
desempenho de sua função dentro da unidade.
Após a colocação do uniforme privativo, o instrumentador adentrará o centro 
cirúrgico para desempenhar suas atividades.
O	 instrumentador	 é	 um	 dos	 profissionais	 mais	 importantes	 para	 garantir	 o	
êxito	do	procedimento	anestésico-cirúrgico	e	como	profissional	que	 integra	a	equipe	
cirúrgica. Segundo as diretrizes nacionais da Associação Brasileira de Enfermeiros 
de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material de Esterilização 
(SOBECC, 2021), protocolos internacionais (AORN, 2019), conforme a legislação vigente, 
as atividades do instrumentador cirúrgico são:
• conferência de materiais, equipamentos e instrumental cirúrgico necessários ao ato 
cirúrgico;
• paramentação antes do início da cirurgia;
• conhecimento do instrumental cirúrgico, dos tempos operatórios e das particularida-
des dos instrumentos de cada procedimento cirúrgico;
173
• organização dos instrumentais na mesa, de acordo com sua utilização;
•	 preparo	de	agulhas	e	fios	de	sutura,	de	acordo	com	o	tipo	de	procedimento,	o	tecido	
e as preferências do cirurgião;
• auxílio da equipe cirúrgica (cirurgião, assistentes etc.) durante a paramentação 
cirúrgica, na colocação dos campos estéreis e durante todo o procedimento, até a 
sua	finalização;
• solicitação do material complementar ao circulante de sala, antevendo as situações 
e a necessidade dos itens;
• responsabilidade sobre a organização, limpeza e garantia de estabelecimento de 
técnica asséptica no uso de todo o material, equipamento e instrumental cirúrgico 
durante a cirurgia;
• atenção ao procedimento e antecipação da deliberação do instrumental cirúrgico ao 
cirurgião e aos assistentes, com habilidade e presteza, de acordo com a necessidade;
• disponibilidade para atender a todas as solicitações da equipe cirúrgica e às necessi-
dades do paciente durante todo o procedimento;
• atenção à retenção de itens, realizando constantemente a contagem de instrumentos, 
compressas, gazes e agulhas em colaboração com o circulante, quando indicado;
•	 após	a	finalização	do	procedimento,	garantir	adequadamente	o	destino	do	material	
contaminado e os perfurocortantes;
• auxílio no fechamento e curativo da incisão cirúrgica;
• auxílio no encaminhamento do paciente à unidade de recuperação anestésica e 
outros, quando solicitado;
• conferência de todo o material após o uso;
• remoção do material até o expurgo do centro cirúrgico, para encaminhamento ao 
Central de Material Esterilizado (CME);
• desparamentação com a técnica adequada.
O conhecimento do instrumentador cirúrgico sobre suas funções e a garantia 
da manutenção do campo operatório estéril, organizado e seguro, é uma obrigação de 
todos	os	profissionais	que	adentram	o	campo	e	atuam	no	cuidado	ao	paciente	cirúrgico.
Para compreender melhor o trabalho do instrumentador cirúrgico, 
recomendamos a leitura do artigo: A prática do enfermeiro como ins-
trumentador cirúrgico. Trata-se de um relato de experiência, no qual 
poderemos ler a descrição da atuação de enfermeiros como instru-mentadores cirúrgicos como integrante da equipe multiprofissional, 
compartilhando conhecimentos e habilidades para a melhoria da 
qualidade da assistência prestada ao paciente cirúrgico. Disponível 
neste link: https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a-
-pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget. 
DICA
https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a-pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget
https://www.yumpu.com/pt/document/read/12813822/a-pratica-do-enfermeiro-como-instrumentador-cirurgico-itarget
174
2 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM GINECOLOGIA 
Conforme vimos anteriormente, após adentrar o centro cirúrgico, colocando 
uniforme privativo, touca, máscara e sapato privativo ou propé, o instrumentador irá se 
certificar	dos	procedimentos	em	que	irá	atuar,	conferir	materiais,	equipamentos	e	ins-
trumental cirúrgico necessários ao ato cirúrgico em sala operatória e, aproximadamente 
15 minutos antes do procedimento cirúrgico, iniciará a escovação e paramentação com 
técnica asséptica, para entrar em campo operatório estéril.
A infecção hospitalar, em especial a Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC), é um im-
portante problema que coloca em risco o sucesso do procedimento cirúrgico. Evidên-
cias demonstram que a maioria das ISCs são de origem endógena, sendo que a segunda 
fonte principal de transmissão é a equipe cirúrgica, especialmente pela contaminação 
veiculada,	principalmente,	pelas	vias	aéreas	superiores	e	pelas	mãos	dos	profissionais	
(APECIH, 2008). 
Nesse sentido, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda 
várias	atitudes	por	parte	dos	profissionais	para	a	prevenção	da	ISC,	em	especial, aque-
las relacionadas à paramentação adequada da equipe cirúrgica (NOBRE et al., 2001; 
LACERDA, 1992).
Assim,	revisaremos,	a	seguir,	os	passos	e	as	especificidades	da	paramentação	
e os procedimentos anteriores ao início da cirurgia ginecológica. É importante lembrar 
que o maior intuito da realização de todos os procedimentos que listaremos é garantir a 
técnica cirúrgica asséptica e contribuir na prevenção de infecções.
2.1 PASSOS DA ESCOVAÇÃO E PARAMENTAÇÃO
De acordo com o que foi estudado, compreendemos que o instrumentador 
é essencial na conferência do material e organização da sala operatória. Antes de 
se paramentar, ele deve conferir se toda a equipe e o paciente já estão dentro das 
dependências	 do	 centro	 cirúrgico,	 para	 evitar	 que	 o	material	 estéril	 fique	 aberto	 por	
muito tempo. 
Com a sinalização da enfermagem do centro cirúrgico de que a cirurgia ocorrerá 
no horário programado, o instrumentador se direciona para a sala operatória. Assim, 
deve seguir os passos:
1.	 certificar-se	de	que	todo	o	material	e	os	equipamentos	estão	disponíveis	e	prontos	
para uso;
2. organizar a posição das mesas auxiliares;
3. posicionar o pacote de campos e aventais, bem como as caixas de instrumentação 
cirúrgica;
175
4. realizar a abertura dos itens juntamente com o circulante de sala, com técnica 
asséptica;
5. direcionar-se à área de escovação cirúrgica.
A abertura das caixas de instrumentais para a cirurgia deve ser realizada com a 
técnica asséptica adequada, para garantir a esterilidade do material. O instrumentador 
deve ter extrema atenção e contribuir com os circulantes de sala na organização e aber-
tura dos itens antes de realizar a sua paramentação. Dessa forma, conforme nos explica 
Mendes (2022), as embalagens devem ser abertas seguindo algumas orientações, a saber:
•	 o	profissional	deve	segurar	o	material	embalado	longe	de	seu	corpo;
•	 deve-se	retirar	todas	as	fitas	e	etiquetas	das	embalagens	e	dos	pacotes:
◦	 verificar	as	fitas	indicadores	de	esterilidade	Classe	I	(fita	zebrada);
◦	 as	fitas	devem	ter	coloração	que	indique	a	passagem	pelo	método	de	esterilização;
◦ em caso negativo de coloração indicativa de passagem pela esterilização, deve-
se reencaminhar o material à CME para reprocessamento e abrir outro material 
correspondente	que	tenha	a	certificação	do	processo	de	esterilização.
• inicia-se a abertura pela aba da embalagem que estiver mais distante do corpo do 
profissional,	finalizando	com	a	aba	mais	próxima	do	corpo	do	profissional:
◦ atenta-se para a mão e o braço não tocarem em nenhuma parte do interior do 
invólucro que foi exposto.
• abrir a aba esquerda; 
• abrir a aba direita;
• abrir a aba próxima ao seu corpo;
• segurar a embalagem de modo que as pontas já contaminadas não toquem no 
material estéril;
• depositar com cuidado o material em superfície estéril:
◦ no caso de caixas operatórias maiores, essas já devem ser abertas sobre a mesa 
auxiliar.
Assim,	o	profissional	de	instrumentação	poderá	realizar	a	escovação	das	mãos	
e dos antebraços, após a abertura e conferência de todo o material e da garantia da 
execução do procedimento com tudo disponível.
Para a escovação, o instrumentador deverá se direcionar ao lavabo localizado 
próximo à sala operatória, local onde o procedimento será desenvolvido. A escovação 
cirúrgica	das	mãos	e	dos	antebraços	é	realizada	pelos	profissionais	que	entrarão	no	campo	
operatório	estéril.	Para	realizá-la	e,	posterior,	fazer	a	paramentação,	é	necessário	verificar:
• se os cabelos estão bem presos na touca;
• se óculos e outros acessórios necessários ao desempenho do trabalho como 
instrumentador	estão	bem	fixos	e	seguros	(para	não	correr	o	risco	de	cair	no	campo	
operatório);
• se as máscaras estão cobrindo nariz e boca, garantindo a vedação nas laterais do 
rosto em contato com o item.
176
O instrumentador, então, deve se direcionar à área de escovação do centro cirúr-
gico, que é o lavabo. Ela se localiza, normalmente, entre duas salas de cirurgia e contém:
• pias fundas; 
• torneiras com acionamento sem toque manual;
• dispensadores de antissépticos;
• local para armazenamento das escovas descartáveis estéreis;
• lixo para desprezar as escovas utilizadas.
A degermação ou escovação das mãos e dos antebraços é uma importante es-
tratégia que contribui para a prevenção de ISC. Dessa forma, o objetivo da degermação 
cirúrgica	é	eliminar	os	micro-organismos	e	o	biofilme	existentes	na	pele	do	profissional,	
a	fim	de	impedir	que	estejam	presentes	no	campo	operatório	e	contaminem	o	paciente.	
Figura 7 – Escovação das mãos e dos antebraços
Fonte: https://shutr.bz/3FiEC4a. Acesso em: 30 set. 2022.
As escovas estéreis devem ser descartáveis, sendo que, muitas vezes, já vêm 
impregnadas com o antisséptico necessário à escovação, mas podem se apresentar 
secas e serem molhadas com o auxílio de dispenseres de antissépticos para degermação 
sem contato manual.
As escovas são compostas por cerdas macias e esponja, respectivamente, 
de cada um de seus lados. Ao realizar a escovação, é terminantemente proibido ao 
instrumentador	ou	a	qualquer	profissional	que	desempenhe	a	escovação	que	toque	no	
rosto ou em qualquer parte do corpo, bem como na pia, na torneira, na parede e nas 
adjacências da área de escovação.
As diretrizes de práticas em enfermagem perioperatória da SOBECC (2021) 
recomendam a degermação cirúrgica das mãos mediante a sequência a seguir:
177
• acionar a torneira de água e molhar mãos;
• manter os braços em sentido unidirecional, com os cotovelos apontando para baixo 
e com as mãos apontadas para o teto, longe do corpo;
• pegar a escova estéril e abrir;
• aplicar antisséptico, se necessário (caso ela já esteja impregnada com antisséptico, 
não precisa);
• iniciar a escovação pelas pontas dos dedos, escovando o leito ungueal, em movi-
mentos de vai e vem, repetindo o processo, no mínimo, 20 vezes;
• realizar os movimentos de vai e vem, no mínimo, 20 vezes, em todas as partes das 
mãos e dos antebraços:
◦ escovar a lateral de cada um dos dedos;
◦ escovar o dorso das mãos;
◦ escovar a palma das mãos;
◦ escovar cada um dos lados do antebraço (frente, lateral, dorso e região medial), 
desde o punho até o cotovelo, mantendo este apontado para baixo, longe do corpo.
• realizar movimentos de escovação circulares nos cotovelos, repetindoo processo, no 
mínimo, 20 vezes;
• acionar a água para enxaguar:
◦ lembre-se de que a água deve percorrer um sentido unidirecional, da ponta dos 
dedos em sentido aos cotovelos.
• deve-se afastar os braços molhados do corpo:
◦ manter os cotovelos a 90º, com as pontas dos dedos apontando para cima.
• dirigir-se para a sala de operação com cuidado para não molhar o uniforme privativo;
• na sala de operação, pegar uma compressa estéril com cuidado para não molhar as 
áreas adjacentes em que essa se localiza;
• realizar a secagem das mãos e dos antebraços:
◦ abrir a compressa com a ponta dos dedos;
◦ utilizar um lado para cada mão;
◦ iniciar a secagem pelos dedos, secando cuidadosamente cada um deles, para 
garantir a secagem correta;
◦ secar o punho com um movimento circular da compressa;
◦	 fazer	círculos	ao	redor	de	todo	o	antebraço,	até	a	finalização	no	cotovelo;
◦ virar a compressa, de modo a utilizar o outro lado, e proceder com o mesmo 
procedimento, agora com a mão e o antebraço opostos.
• após a secagem, deve-se pegar um avental com a ponta dos dedos;
• pela parte da gola do avental, abri-lo, esticando os braços para cima, de modo a 
entender onde estão as mangas;
• vestir as mangas, uma de cada vez, com cuidado e atenção, para não tocar em partes 
não estéreis com o avental, evitando a contaminação;
• solicitar para o circulante realizar a amarração das costas do avental;
• com o avental corretamente amarrado, solicitar as luvas ao circulante, atentando-se 
ao tamanho adequado;
• proceder com a colocação das luvas estéreis, com técnica asséptica.
178
Figura 8 – Paramentação de profissionais
Fonte: https://shutr.bz/3zaWudv. Acesso em: 30 set. 2022.
Em alguns tipos de cirurgias, pode-se optar por colocar a OPA em vez do aven-
tal, que nada mais é do que um avental com uma parte a mais, que vem amarrada na 
lateral. Essa parte a mais é desamarrada somente após a amarração convencional do 
avental	pelo	circulante	e	depois	da	colocação	das	luvas	estéreis.	Assim,	o	próprio	profis-
sional que está paramentado e já estéril pode desamarrar essa parte e realizar a rotação 
do corpo, de modo a cobrir a parte das costas que foi tocada pelo circulante ou por outra 
pessoa não paramentada. 
A	vantagem	de	utilizar	a	OPA	é	que	o	profissional	fica	todo	estéril,	tanto	à	frente	
do avental como ao dorso. Dessa forma, seu uso é indicado quando existe o risco de 
contaminação.
É	desejável	 que	 a	 opção	de	escolha	 seja	 a	OPA	quando	muitos	profissionais	
forem entrar em campo operatório, evitando o contato das costas (que poderiam estar 
contaminadas com o avental comum) com outros membros da equipe.
Já para a colocação de luvas estéreis, deve-se:
• abrir a primeira embalagem, 
• ter o cuidado com a dobradura de papel estéril que recobre as luvas;
• abrir as dobras do papel seguindo a indicação desenhada na embalagem, de modo a 
abri-lo com segurança e sem tocar nas luvas estéreis, presentes em seu interior;
• com as luvas estéreis expostas, tocá-las pela área dobrada nos punhos (área 
considerada	contaminada	porque	ficará	em	contato	com	a	pele	das	mãos);
• introduzir uma mão de cada vez, da seguinte forma:
◦ colocar os quatro dedos e as mãos com cuidado, sem sacudir as partes da luva, 
para que estas não toquem em áreas não estéreis;
◦ por último, introduza o primeiro dedo (dedão) e cubra a região do punho recoberta 
pelo avental estéril.
179
Uma das atribuições do instrumentador após se paramentar 
é auxiliar o cirurgião e os assistentes durante suas respectivas 
paramentações, em especial, se eles forem colocar as OPAs 
em vez do avental e, posteriormente, na antissepsia da pele do 
paciente já posicionado e na colocação dos campos estéreis 
(SOBECC, 2021).
IMPORTANTE
Após	a	colocação	das	 luvas	estéreis,	o	profissional	paramentado	está	pronto	
para tocar no material estéril e organizar as mesas de instrumentos. É o momento de 
organizá-los nas mesas auxiliares, de acordo com os tempos cirúrgicos. Concomitan-
temente, a equipe de cirurgia estará realizando a antissepsia do sítio a ser operado e, 
após, realizará a colocação dos campos operatórios estéreis sob o corpo do paciente e a 
mesa	operatória,	a	fim	de	isolar	as	partes	não	estéreis	destes	do	contato	com	a	equipe.
Tanto para a cirurgia de especialidade em Ginecologia quanto na especialida-
de de Obstetrícia, a paramentação é realizada da mesma forma. A opção por colocar o 
avental ou a OPA (avental que tem a parte das costas coberta) é da equipe, de acordo 
com a rotina da instituição.
2.2 ANTISSEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO
Existem muitas estratégias a serem utilizadas pela equipe perioperatória para 
prevenir ISCs. Dentre elas, podemos mencionar as seguintes:
•	 uso	racional	de	antibióticos	profiláticos;
• tricotomia realizada o mais próximo do campo a ser operado, por meio de tricotomi-
zador, o mais próximo do horário da incisão da cirurgia;
• escovação e paramentação adequada da equipe;
•	 uso	de	materiais	estéreis	com	os	testes	de	limpeza	certificados;
• manutenção da técnica asséptica durante todo o procedimento;
• manutenção da temperatura corporal;
• controle glicêmico;
• boa oxigenação.
Todas as estratégias podem reduzir a incidência de ISC. Embora a causa dessa 
seja multifatorial, os momentos iniciais do procedimento, como lavagem das mãos e 
antissepsia do sítio cirúrgico, têm sido apontados como fatores mais importantes no 
combate.
180
A antissepsia do campo operatório é realizada com antisséptico degermante e, 
posteriormente, na sua versão alcoólica. Esses produtos são colocados pelo circulante 
de sala, que está fora de campo, em cubas estéreis, que estarão dispostas pelo 
instrumentador em mesa operatória (o circulante não deve tocar na cuba e, também, 
não deve encostar na embalagem do antisséptico na cuba). São utilizadas pinças de 
preensão	 longas	 específicas	 para	 se	 poder	 realizar	 toda	 a	 antissepsia	 do	 sítio	 a	 ser	
operado,	de	maneira	ampliada,	de	modo	que	o	profissional	paramentado	não	toque	nas	
partes não estéreis do paciente.
Caso o profissional que esteja realizando a antissepsia do campo 
operatório toque em alguma região não estéril, deverá retirar 
suas luvas e sua paramentação, proceder com nova escovação e 
se paramentar novamente.
ATENÇÃO
3 ITENS DA PARAMENTAÇÃO EM OBSTETRÍCIA 
A paramentação em cirurgia obstétrica segue a mesma sequência de prepara-
ção, entrada no centro cirúrgico, ciência dos procedimentos, conferência de material, 
organização da sala, escovação cirúrgica de mãos e antebraços e colocação de aventais 
e luvas estéreis. Contudo, uma particularidade em obstetrícia é a questão dos san-
gramentos e de possíveis contatos com líquidos corporais da paciente. Dessa forma, 
durante a paramentação para a cirurgia obstétrica, eletiva ou de urgência e emergên-
cia, é imprescindível a paramentação impermeável ser considerada, justamente para a 
proteção	dos	profissionais.
Nesse sentido, é importante entender sobre os tipos de materiais e aventais, 
bem como rever os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que são recomendados 
para	proteger	os	profissionais	em	campo	do	contato	e	da	contaminação	com	sangue,	
dentre outros líquidos corporais da paciente (TRISTÃO; MOURA, 2015).
A paramentação da equipe cirúrgica tem como objetivo formar uma barreira 
mecânica contra a entrada de micro-organismos no sítio cirúrgico do paciente, os quais 
podem	estar	contidos	no	biofilme	presente	na	pele	dos	profissionais	ou	na	superfície	
de materiais, equipamentos ou estar presente no ar da sala operatória. Os itens da 
paramentação	cirúrgica	dos	profissionais	são:
• aventais: tem o objetivo de reduzir a dispersão das bactérias contidas no ar, além de 
evitar o contato da pele da equipe com líquidos corporais e a própria pele do paciente. 
O CDC recomenda troca quando o avental estiver visivelmente sujo ou molhado com 
sangue ou outras substâncias infectantes;
181
• luvas: tem o objetivo de proteger a equipe cirúrgica, bem como o paciente do contato 
com	micro-organismos,sangue,	fluidos	corpóreos,	dentre	outros	que	possam	causar	
infeção. Em algumas situações, a equipe opta por colocar mais de uma luva, pois evi-
dências demonstram o risco de elas conterem furos. Contudo, a tecnologia disponível 
no mercado atualmente garante a produção de luvas com materiais de alta qualida-
de e, até mesmo, com impregnação de agentes antimicrobianos, que conferem maior 
proteção à equipe. É necessário sempre avaliar o custo benefício desses itens;
• máscaras: tem o objetivo de impedir a disseminação de micro-organismos advindos 
da	 boca	 e	 do	 nariz	 do	 profissional.	 Estes	 são	 fontes	 de	 propagação	 de	 micro-
organismos	 e	 fluidos	 corpóreos	 quando	 falamos,	 tossimos	 e	 respiramos.	 Dessa	
forma,	a	máscara	deve	ficar	bem	ajustada	ao	rosto,	impedindo	frestas	para	a	entrada	
ou saída de gotículas contaminadas. O material da máscara deve ser composto 
por tecido impermeável. Existem, no mercado, inúmeros tipos de máscaras que 
protegem	o	rosto,	a	mucosa	da	boca	e	do	nariz	dos	profissionais,	mas	todas	devem	
ser avaliadas com relação à recomendação do fabricante e ao tempo de uso, pois, 
após	o	tempo	indicado,	podem	perder	a	capacidade	de	filtro.	A	Occupational	Safety	
and Health Administration (OSHA), a Association of Perioperative Registered Nurses 
(AORN)	e	a	SOBECC	determinam	que	todos	os	profissionais	que	atuam	em	campo	
operatório devem utilizar máscaras cirúrgicas ao entrarem na sala de operação, 
quando materiais e equipamentos estéreis estiverem abertos. Aqueles que atuarem 
dentro	do	campo	operatório	devem	utilizar	máscaras	com	maior	proteção	de	filtro,	
para	impedir	a	aspiração	da	fumaça	cirúrgica	e	proteger	o	profissional	durante	todo	
o tempo em que estiver atuando em campo operatório. As máscaras devem ser 
descartadas após o uso, sendo recomendado tocar somente nos elásticos ou nas 
tiras	utilizados	para	fixar	a	máscara	no	rosto	do	paciente.	As	máscaras	não	devem	e	
não	podem	ficar	penduradas	no	pescoço	para	serem	reutilizadas;
Você sabia que a inalação da fumaça cirúrgica advinda do bisturi 
elétrico, equipamento muito utilizado na maioria dos procedimentos 
cirúrgicos, pode ser muito prejudicial para o profissional que atua 
dentro da sala operatória? Em especial, para os profissionais que 
estão em campo operatório? Para entender mais sobre o assunto, 
recomendamos a leitura do artigo a seguir, publicado na Revista SO-
BECC, no ano de 2021, por profissionais especialistas no assunto. 
Acesse na íntegra em: https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/
view/772/720. 
DICA
• propés:	têm	o	objetivo	de	impedir	que	a	sujidade	da	sola	dos	sapatos	do	profissional	
adentre as dependências do centro cirúrgico e, dependendo do material, podem 
proteger	a	equipe	à	exposição	de	sangue	e	outros	contaminantes	e	fluidos	corporais	
do	paciente.	Contudo,	seu	uso	é	controverso,	pois,	quando	o	profissional	não	lava	as	
mãos após sua colocação, a sujidade da sola dos sapatos pode passar para as mãos. 
https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/772/720
https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/772/720
182
Seguindo esse raciocínio, é recomendado o uso de sapatos privativos impermeáveis 
ou botas impermeáveis de cano longo, que realmente sejam utilizados somente 
dentro	das	dependências	do	centro	cirúrgico.	Assim,	protegeremos	o	profissional	e	
garantindo a diminuição da sujidade dentro do ambiente e, consequentemente, o 
risco de infecção do paciente; 
• toucas/gorros: têm o objetivo de evitar a contaminação do sítio cirúrgico pela queda 
de cabelo ou de qualquer substância ou micro-organismo advinda do couro cabeludo 
do paciente. A touca deve ser de tamanho adequado e cobrir totalmente o cabelo. 
O uso de gorros pode ser permitido para pessoas com cabelos curtos, se realmente 
cumprirem com o objetivo de cobrir toda a parte da cabeça que contiver cabelos.
No caso das cirurgias obstétricas, não é recomendada a utilização de propé 
sobre	o	sapato	convencional	do	profissional,	pelo	risco	que	pode	ter	de	ser	molhado	e	
contaminado	 durante	 o	 procedimento.	Afinal,	 em	 geral,	 os	 propés	 são	 descartáveis	 e	
compostos	de	tecido	não	tecido	fino,	que	não	atendem	à	característica	de	serem	imper-
meáveis	e	não	promovem	a	proteção	necessária	para	esses	profissionais.	Nesse	sentido,	
o uso de botas impermeáveis oferece maior, tendo estas as mesmas características do 
sapato privativo, adicionadas com canos longos, o que oferece uma maior proteção.
Muitos profissionais utilizam toucas de tecido colorido ou divertidas, 
com nomes e funções descritas. O uso destas é permitido desde 
que a touca cumpra com o objetivo de cobrir todo o cabelo. Quando 
contém nomes e funções, contribuem para a melhor identificação dos 
profissionais. Contudo, o profissional deve ter a responsabilidade de 
trocar as toucas diariamente.
INTERESSANTE
Ressaltamos, ainda, que, devido a inúmeras doenças transmissíveis, incluindo a 
recente COVID-19, bem como o risco de contaminação por micro-organismos advindos do 
organismo	do	paciente	(Síndrome	da	Imunodeficiência	Adquirida,	hepatite	B,	dentre	outros),	
recomenda-se fortemente a adição do uso de óculos protetores ou máscaras com viseiras 
para proteção da região dos olhos, como componentes da paramentação cirúrgica.
O	uso	dos	óculos	é	indicado	para	proteção	do	profissional,	pois	impede	o	conta-
to	direto	dos	olhos	com	fluidos	corporais	do	paciente.	Para	a	seleção	dos	óculos,	pode	
ser considerada a presença de viseiras largas de acrílico ou vidro e protetores da face 
contra	fluidos	(FREIBERGER	et al., 2011).
O uniforme privativo, os aventais e os campos operatórios, em muitos hospitais, 
são reprocessados, sendo constituídos de tecido de algodão duplo com gramatura 
mínima de 400 gramas por m2 (ABNT, 1996). 
183
No	entanto,	é	importante	considerar	que,	mesmo	atendendo	às	especificações	
e normas para a garantia da esterilidade e constituição de uma barreira física asséptica 
durante procedimentos operatórios, os aventais e campos de compostos por algodão 
não são impermeáveis a líquidos, sendo necessária a troca em casos de contaminação, 
umidade ou sujidade. 
Sem um equipamento de proteção impermeável do tipo 
avental, a equipe pode se molhar e se contaminar.
ATENÇÃO
Nesse sentido, temos disponível no mercado uma grande variedade de materiais 
e roupas hospitalares, constituídos de material descartável (de uso único), que também 
obedecem a normas e regras para a garantia da barreira física asséptica e, ao mesmo 
tempo, alguns ainda apresentam a proteção impermeável. Essa solução pode facilitar a 
paramentação	da	equipe	no	sentido	de	garantir	a	impermeabilidade	a	sangue	e	fluidos	
corporais da paciente, sem a necessidade de incluir outros itens na paramentação.
Os aventais, os campos operatórios e as embalagens das caixas de cirurgia, de 
uso único, em geral, são confeccionados com Spunbonbed, Meltblown, Spunbonbed 
(SMS), ou seja, tecido não tecido, de uso único, que contém três camadas de 
polipropileno. Estas proporcionam a barreira física impermeável a micro-organismos e a 
permeabilidade necessária ao agente esterilizante. 
Figura 9 – Características das camadas do material SMS
Fonte: https://bit.ly/3TxjYlf. Acesso em: 9 out. 2022.
184
Assim, é recomendada a escolha de aventais e campos descartáveis compostos 
com proteção impermeável para os procedimentos cirúrgicos da área de Ginecologia, 
permitindo	uma	melhor	proteção	dos	profissionais	que	atuam	no	campo	operatório.
Para saber mais sobre as especificidades da paramentação, as quais 
são importantes para a prevenção de ISC, recomendamos a leitura 
do artigo O preparo da equipe cirúrgica: aspecto relevante no controle 
da contaminação ambiental, disponível na íntegra em: https://www.
scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt. Ele aborda o 
controle da contaminação ambiental, que tem sido considerado como 
medida racional para a prevenção da infecção do sítio cirúrgico. 
DICA
Com relação ao tamanho, consideram-se adequados aventais que garantama 
cobertura completa do tronco, desde o pescoço, membros superiores até os punhos e 
membros inferiores até os joelhos, com livre movimentação, evitando áreas expostas 
não estéreis (JESUS et al., 2020).
A compreensão e o uso correto da paramentação cirúrgica é salutar a todos os 
profissionais	que	atuam	em	campo	operatório,	em	especial	ao	instrumentador	cirúrgico,	
dada sua capacidade de formar uma barreira física contra micro-organismos no sítio 
cirúrgico	do	paciente,	bem	como	na	proteção	desse	profissional.
Para complementar a discussão, recomendamos a leitura do 
artigo disponibilizado a seguir, publicado na Revista SOBECC 
em 2020, que ressalta aspectos importantes da paramentação. 
Acesse o texto na integra pelo link: https://revista.sobecc.org.br/
sobecc/article/view/560/pdf.
INTERESSANTE
https://www.scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/rlae/a/mhtMvn7BSMJFq3QqVQ6zzkg/?lang=pt
https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/560/pdf
https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/560/pdf
185
Neste tópico, você aprendeu:
• A importância sobre a paramentação da equipe cirúrgica nos procedimentos de 
ginecologia e obstetrícia, na prevenção e no controle de infecção de sítio cirúrgico, 
compreendendo o papel da barreira contra micro-organismos que esse processo 
proporciona.
• As etapas para preparação, organização da sala operatória e, posteriormente as 
especificidades	da	escovação	e	suas	etapas,	bem	como	a	paramentação	salutar	a	
todos	os	profissionais	que	atuam	em	campo	operatório.
•	 A	 especificidade	 da	 cirurgia	 obstétrica	 no	 que	 diz	 respeito	 à	 contaminação	 dos	
profissionais	em	campo,	ao	risco	de	contaminação	ocupacional,	à	utilização	adequada	
dos EPIs e às estratégias necessárias durante a paramentação.
• As características dos materiais que são utilizados na confecção dos aventais e 
campos operatórios, as recomendações adequadas para a constituição da barreira 
asséptica	e	para	o	bom	desempenho	do	profissional	devidamente	protegido.
RESUMO DO TÓPICO 2
186
AUTOATIVIDADE
1 O centro cirúrgico é uma unidade constituinte do bloco operatório que envolve a 
assistência	de	pacientes	em	diferentes	níveis	de	complexidade,	com	as	definições	
dos ambientes e das áreas hospitalares no que diz respeito ao grau de criticidade 
da	assistência.	Assim,	sobre	a	classificação	correta	da	unidade	de	centro	cirúrgico,	
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Áreas não críticas são aquelas cuja circulação de pessoas é livre, não exigindo 
cuidados especiais, nem uso de uniforme privativo. 
b) ( ) Áreas semicríticas permitem a circulação de pessoal e equipamentos, de modo a 
não interferir no controle e na manutenção da assepsia cirúrgica. Nesses locais, 
é necessário o uso de uniforme privativo e calçados adequados. 
c)	 (			)	 Áreas	 críticas	 possuem	 limites	 definidos	 para	 circulação	 de	 pessoal	 e	
equipamentos, onde se deve estabelecer rotinas próprias para controlar e manter 
a assepsia local. É obrigatório, além do uniforme privativo, o uso de máscara, 
cobrindo a boca e o nariz. 
d)	 (			)	 Áreas	 semirrestritas	 correspondem	 àquelas	 que	 têm	 limites	 definidos	 para	 a	
circulação de pessoal e de equipamentos, e que são destinadas ao uso privativo 
do pessoal vestido com a indumentária cirúrgica completa, com rígido controle 
de trânsito e de assepsia.
2 Ao adentrar as dependências do centro cirúrgico por meio do vestiário de barreira, 
o	 profissional	 precisa	 colocar	 o	 uniforme	 privativo,	 o	 gorro,	 a	máscara	 e	 o	 sapato	
privativo. Esse último pode ser fornecido pela instituição ou pode ser adquirido pelo 
próprio funcionário. Sobre o sapato privativo, quanto às suas características, analise 
as sentenças a seguir:
I- Deve cobrir todo o pé e ser antiderrapante.
II- Não deve ter furos e deve ser impermeável.
III- Deve ser lavável e ser utilizado somente dentro das dependências do centro 
cirúrgico, sendo retirado e substituído em qualquer situação em que o funcionário 
tenha que deixar a unidade.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença III está correta.
b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença II está correta.
d) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
187
3 Antes de iniciar a paramentação adequada, cirurgiões e instrumentadores realizam 
escovação cirúrgica nas mãos. Ambas exigem, da equipe cirúrgica, a realização de 
procedimentos	específicos,	executados	em	passos	padronizados	e	com	observação	
rigorosa	 dos	 princípios	 científicos.	 Com	 relação	 à	 escovação	 e	 paramentação	 do	
profissional,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 É	necessário	verificar	se	os	cabelos	estão	bem	presos	na	touca,	se	óculos	e	outros	
acessórios necessários ao desempenho do trabalho como instrumentador estão 
bem	fixos	e	seguros	e	as	máscaras	devem	estar	cobrindo	nariz	e	boca.
b) ( ) A escovação cirúrgica das mãos e dos antebraços é realizada somente pelo 
cirurgião que adentrará campo operatório estéril. O instrumentador, então, deve 
se direcionar ao lavabo do centro cirúrgico, área onde é possível inspecionar a 
escovação do cirurgião.
c) ( ) Após a escovação e secagem das mãos e dos antebraços, para se paramentar, 
o instrumentador deve pegar um avental com a ponta dos dedos, pela parte 
da meio do avental, abri-lo, e vestir as mangas com cuidado para não tocar em 
partes não estéreis com o avental.
d) ( ) Quando optar pela colocação da OPA, depois de vestir a parte da frente do avental, 
deve-se calçar as luvas estéreis, realizar o desamarre da parte das costas da OPA 
e pedir para o circulante de sala amarrá-lo para não contaminar.
4	 O	 instrumentador	é	salutar	no	contexto	cirúrgico	e	como	profissional	componente	
da equipe cirúrgica. Sua tarefa é de extrema importância e alta responsabilidade. 
Ele	é	o	profissional	responsável	por	auxiliar	a	equipe	médica	durante	a	realização	de	
um	ato	cirúrgico.	Esse	profissional	é	um	dos	maiores	aliados	do	cirurgião	durante	um	
procedimento operatório. De acordo com as atuais recomendações internacionais e 
nacionais	de	órgãos	que	regulamenta	a	profissão,	disserte	sobre	as	responsabilida-
des do instrumentador.
5	 O	 profissional	 que	 atua	 como	 Instrumentador	 Cirúrgico	 tem	 como	 um	 de	 seus	
pré-requisitos ter um amplo conhecimento acerca do ambiente cirúrgico, seus 
instrumentos e procedimentos. O trabalho do instrumentador cirúrgico também 
é capaz de reduzir o tempo de uma operação e, até mesmo, diminuir riscos de 
contaminação e infecções pós-operatórias.
 Relembrando as atividades e a rotina diária do instrumentador, descreva os passos 
desde o momento em que ele chega ao centro cirúrgico até o encerramento das 
atividades da cirurgia.
188
189
TÓPICO 3 — 
INSTRUMENTADOR E MESA CIRÚRGICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, abordaremos questões imprescindíveis ao trabalho do instrumen-
tador. Discutiremos questões de sua rotina diária, relacionadas ao momento intraopera-
tório, com todas as atividades que antecedem o início da cirurgia, como a organização 
e	a	montagem	das	mesas	de	 instrumentos,	as	especificidades	dos	 instrumentos	das	
cirurgias ginecológicas e obstétricas, o posicionamento do paciente e o respectivo po-
sicionamento das mesas de instrumentos adjacentes à mesa operatória até o momento 
de desmontagem da sala e encaminhamento do material sujo. 
A	assistência	composta	pela	diversidade	dos	profissionais	que	atuam	nos	pro-
cedimentos anestésico-cirúrgicos, bem como sua tomada de decisão, considerando sua 
formação e seu conhecimento, são essenciais para garantir a segurança do paciente.
Em todos os procedimentos cirúrgicos, é imprescindível a assistência embasa-
da	em	evidência,	logo,	os	profissionais	elaboram	planos	de	cuidado	com	maior	respon-
sabilidade para não deixar que eventos adversos ocorram. 
Nesse contexto, o papel do instrumentador é salutar, em especial por se ante-
cipar às situações cirúrgicas, agilizando o procedimento de entrega de instrumentose 
outros materiais necessários ao procedimento e, sobretudo, agindo como agente de 
prevenção de eventos adversos, como lesões e infecção de sítio cirúrgico, evitando que 
instrumentos permaneçam sobre o corpo do paciente, realizando a conferência e con-
tagem constante de instrumentos e compressas cirúrgicas (para que nenhum material 
seja esquecido) e garantindo a prevenção e organização constante das mesas opera-
tórias. Para isso, é imprescindível que o instrumentador esteja sempre atento para que 
possa	contribuir	com	seu	conhecimento	e	sua	atitude	com	a	equipe	multiprofissional,	a	
fim	de	garantir	um	resultado	do	procedimento	cirúrgico	de	excelência.
2 INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS UTILIZADOS EM 
CIRURGIA GINECOLÓGICA E OBSTÉTRICA
A cirurgia ginecológica pode ser realizada de várias vias. De acordo com a 
via cirúrgica utilizada, se abdominal a céu aberto, se vaginal, se laparoscópica e, até 
mesmo, por meio de cirurgia robótica, a organização dos materiais será diferente. 
Assim,	o	instrumentador	cirúrgico	é	um	profissional	de	extrema	importância	ao	período	
intraoperatório, devendo estar atento durante toda a cirurgia, antecipando cada passo 
do cirurgião, para deixar todos os instrumentos e materiais preparados para cada 
momento. 
190
O instrumentador é indispensável para a organização e o cuidado, bem como o 
entendimento	nominal	e	funcional	dos	instrumentos	cirúrgicos.	Esse	profissional	deverá	
estar	apto	técnica	e	cientificamente,	comprometido	com	a	ética,	responsabilidade	ao	
paciente e procedimento, assim como estar atento para evitar eventos adversos. Logo, 
é essencial ter a capacidade de resolver problemas, tomar decisões, trabalhar em equipe 
e ter facilidade em se comunicar, permeando um ótimo trabalho na instrumentação 
cirúrgica (SOBECC, 2021).
O instrumentador é o grande responsável por garantir o uso adequado do ins-
trumental cirúrgico. É de sua responsabilidade o estudo continuado, de acordo com a 
especialidade cirúrgica em que atua, o conhecimento dos tempos operatórios e o co-
nhecimento	aprofundado	dos	instrumentos	específicos	de	cada	tipo	de	procedimento	
cirúrgico.
Adicionalmente, é importante a sua interação com a equipe cirúrgica, no sentido 
de facilitar o trabalho de todos. Dessa forma, é possível antecipar situações que envolvam 
a utilização de materiais e equipamentos e, assim, garantir a agilidade do procedimento e o 
desenvolvimento tranquilo deste, sem intercorrências (CARVALHO, 2002).
2.1 TEMPOS CIRÚRGICOS 
A montagem das mesas de instrumentais é vinculada aos tempos cirúrgicos. 
Como já vimos, para facilitar o trabalho do instrumentador cirúrgico, é de extrema im-
portância o conhecimento dos tempos cirúrgicos. Dessa forma, a organização dos ins-
trumentos agilizará na localização destes quando solicitados, bem como proporcionará, 
em muitas situações, a antecipação da entrega de instrumentos, antes mesmo que o 
cirurgião e a equipe os solicitem. 
Cada	 procedimento	 cirúrgico	 é	 único.	 Mesmo	 que	 a	 equipe	 de	 profissionais	
esteja 100% alinhada e sempre utilize a mesma rotina e técnica operatória, pode ser 
necessário utilizar materiais e instrumentos diferentes, a depender da necessidade e 
situação. Frente a isso, a atenção extrema à anatomia dos órgãos manipulados em cada 
procedimento e aos acontecimentos de cada situação cirúrgica, proporciona facilidade 
no raciocínio e na atitude do instrumentador, sendo possível atender às etapas 
sequenciais que todos os procedimentos cirúrgicos.
Os tempos da cirurgia e seus respectivos exemplos de instrumentos utiliza-
dos são:
• antissepsia;
• colocação de campos operatórios;
• diérese;
• cirurgia propriamente dita;
• síntese.
191
Também é necessário compreender que existem grupos de instrumentos que 
reúnem características de sua função. Em cada tempo cirúrgico, é utilizado um ou mais 
grupos de instrumentos para se garantir a função desejada para o momento. 
Os grupos de instrumentais cirúrgicos se dividem em diérese, hemostasia, 
preensão, separação, síntese e especiais. Vamos conhecê-los melhor a seguir!
2.1.1 Antissepsia da pele do paciente
Como vimos, o primeiro tempo cirúrgico é a antissepsia ou degermação 
do campo operatório. É importante ressaltar que, para o início das atividades desse 
momento	 cirúrgico,	 o	 paciente	 precisa	 estar	 posicionado	 em	mesa	 operatória,	 fixo	 e	
seguro, expondo a área a ser operada de maneira correta. Nesse raciocínio, antes do 
cirurgião iniciar a cirurgia, a pele, no local em que será realizada a incisão cirúrgica, 
deverá ser cuidadosamente limpa. Essa “limpeza”, normalmente, é realizada com 
produtos antissépticos. 
Um produto antisséptico é aquele que reduz a taxa de micro-organismos ou 
biofilme	existentes	na	pele.	Os	produtos	antissépticos	aprovados	no	Brasil	são	a	base	
de clorexedina, PVPI (polivinilpolividona) e álcool, sendo que os dois primeiros deixam 
ação residual na pele, fato que permite a eliminação de micro-organismos por algumas 
horas após a sua utilização.
A degermação ou antissepsia do campo operatório é um dos itens que favorecem 
a redução do risco de infecção de sítio cirúrgico e dá garantia a um procedimento seguro.
Uma revisão sistemática da biblioteca Cochrane, de 2015, avaliou 
se a antissepsia pré-operatória da pele, imediatamente antes da 
incisão cirúrgica em cirurgia limpa, evita a infecção do sítio cirúrgico 
e avalia a efetividade comparativa de diferentes antissépticos. 
Assim, encontrou evidência de que a preparação pré-operatória 
da pele com clorexidina a 0,5% em álcool metílico está associada 
a menores taxas de infecção cirúrgica após a cirurgia limpa, em 
comparação à tintura de iodopovidona à base de álcool. No entanto, 
os pesquisadores da revisão recomendam que a equipe cirúrgica, 
ao selecionar o tipo de solução antisséptica que será utilizada, deve, 
também, considerar os custos e possíveis efeitos colaterais. Leia a 
pesquisa na íntegra acessando o link: https://www.cochrane.org/pt/
CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-
evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa. 
DICA
https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa
https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa
https://www.cochrane.org/pt/CD003949/WOUNDS_antissepsia-da-pele-antes-da-cirurgia-para-evitar-infeccao-da-ferida-operatoria-apos-cirurgia-limpa
192
Para a realização da degermação ou antissepsia do sítio cirúrgico, é necessária 
a	 utilização	 de	 instrumentos	 especiais	 específicos	 e/ou	 instrumentos	 de	 preensão	
longos,	 que	 permitam	 uma	 distância	 entre	 profissional	 e	 paciente.	 O	 instrumento	
utilizado nesse procedimento tem a função de “prender” a gaze, para que seja possível 
umidecê-la em antisséptico degermante e, posteriormente, tópico, para ser utilizada na 
pele contaminada do paciente. 
Como	o	profissional	que	está	fazendo	a	degermação	está	paramentado	e	estéril,	
ele não pode se aproximar do paciente que está sem a cobertura de campos estéreis, 
para não se contaminar. Dessa forma, é necessário que o instrumento seja longo. Algu-
mas	pinças	têm	essa	característica,	como	Pean,	Pean	Murphy,	Cheron,	dentre	outras.
Você sabia que antes de fazer a antissepsia do campo operatório, 
se a região contiver muitos pelos, é necessário retirá-los? O 
procedimento de retirada dos pelos se chama “tricotomia” e deve 
ser realizada com tricotomizador (aparelho próprio para isso), na 
região estritamente necessária, para permitir a incisão cirúrgica, 
em momento mais próximo possível do horário da incisão, de 
preferência com o paciente em sala operatória. Para entender 
mais sobre o procedimento de tricotomia, recomendamos a 
leitura do manual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA), disponível em: https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/
manuais/criterios_nacionais_isc.pdf. 
INTERESSANTE2.1.2 Colocação de campos operatórios
Após a antissepsia do campo operatório, é o momento de realizar a colocação 
dos campos operatórios estéreis sobre o corpo do paciente, no intuito de isolar e 
impedir o contato com as regiões do corpo deste consideradas não estéreis, deixando 
somente exposto o sítio a ser operado.
 
As pinças utilizadas para a colocação dos campos estéreis são aquelas que 
têm	a	 função	 de	 prender,	 para	 que	 possam	 segurar	 firme	 os	 campos	 e	 impedir	 que	
caiam durante o procedimento. Existem vários modelos de pinças para prender campos, 
com	tamanhos	variados	que	permitem	a	flexibilidade	dessa	função,	de	acordo	com	a	
localização e o tamanho do campo a ser operado. São pinças especiais, com função de 
preensão.
No caso da cirurgia ginecológica, devido ao posicionamento, a colocação de 
campos pode ser diferente. Os posicionamentos cirúrgicos mais comuns para a cirurgia 
ginecológica são:
https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/criterios_nacionais_isc.pdf
https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/criterios_nacionais_isc.pdf
193
• posição litotômica;
• posição supina.
Na posição litotômica, é colocado um campo operatório duplo grande sobre 
cada perna, que está posicionada sobre perneiras; um campo sobre o tronco da 
paciente; um campo logo abaixo da região sacra (evita o contato do cirurgião com a 
mesa operatória); e, dependendo do tipo de cirurgia e da técnica do cirurgião, pode ser 
adicionado um campo fenestrado expondo a região pubiana). Também é colocado um 
campo para isolar o rosto e o trabalho do anestesiologista (normalmente é colocado 
fixo	a	suportes	adjacentes	à	mesa	operatória,	formando	uma	espécie	de	barraca	para	o	
paciente e o anestesiologista).
A colocação de campos deve ser treinada para garantir a execução 
correta. O instrumentador deve ter atenção ao tamanho do campo 
e a posição correta para segurá-lo e não contaminar durante sua 
colocação. Para ver um exemplo de colocação de campos estéreis 
descartáveis em paciente na posição litotômica, assista ao vídeo: 
https://www.youtube.com/watch?v=x8RdANkeRoU&t=28s.
DICA
A maioria das cirurgias obstétricas por via abdominal é realizada com o paciente na 
posição supina. Nesse caso, é colocado um campo operatório grande em cada uma das 
laterais do corpo do paciente, um sobre os membros inferiores, um sobre o tronco e outro, 
quando necessário, para formar a “barraca” na face do paciente e do anestesiologista.
As cirurgias laparoscópicas, normalmente, utilizam a posição supina, mas 
algumas técnicas ou preferências de posicionamento do cirurgião e da equipe, 
associadas às necessidades do paciente, indicam que pode ser utilizada a posição 
litotômica mais trendelenburg (posição supina com inclinação da mesa, no sentido 
de	a	cabeça	ficar	mais	baixa).	
Lembrando que é imprescindível a utilização dos campos estéreis para 
garantir a técnica asséptica durante o procedimento cirúrgico e que, du-
rante a colocação dos campos, é necessário atentar-se para a melhor 
forma de colocação de acordo com o posicionamento cirúrgico do pa-
ciente. Recomendamos, para complementar seu aprendizado, o vídeo 
que contempla um exemplo de colocação de campos estéreis descartá-
veis em paciente na posição supina, para uma cirurgia de laparoscopia. 
Assista: https://www.youtube.com/watch?v=_j55rxkeu1k.
DICA
https://www.youtube.com/watch?v=x8RdANkeRoU&t=28s
https://www.youtube.com/watch?v=_j55rxkeu1k
194
Lembrando que, em todas as cirurgias que irão utilizar equipamentos, de vídeo 
ou robótica, todos os materiais e equipamentos devem estar estéreis. Na impossibi-
lidade de esterilizar o equipamento inteiro, como o robô e seus braços, toda a parte 
dessa	tecnologia	que	ficará	em	campo	operatório,	em	contato	com	o	paciente	e	o	sítio	
cirúrgico, deverá estar “paramentada”, ou seja, deverá ser colocada uma cobertura es-
téril	específica	para	aquele	equipamento/instrumento.	No	caso	da	cirurgia	robótica,	é	
necessário	um	treinamento	específico	tanto	para	a	instrumentação	quanto	para	a	colo-
cação das superfícies plásticas estéreis que recobrem cada área.
Voltando ao raciocínio da colocação de campos, no caso da cirurgia robótica 
e da técnica e do posicionamento escolhidos, os campos operatórios estéreis são 
colocados seguindo o mesmo princípio de isolar as partes não estéreis do paciente, 
da mesa e dos equipamentos. Nesse contexto, os instrumentos para prender campos 
serão	utilizados	entre	um	campo	e	outro,	com	o	objetivo	de	fixar	e	não	deixar	o	campo	
se deslocar durante o procedimento cirúrgico. 
Alguns	campos	descartáveis	de	SMS	têm	adesivos	e	orientação	para	fixar	um	
campo no outro, dispensando a utilização de instrumentos. Já os campos de algodão 
duplo necessitam desses instrumentos estéreis para poder permanecer na posição 
desejada.
Figura 10 – Instrumentos especiais para preensão de campos
Fonte: a autora
Os instrumentos para prender campos, como o backaus, têm como caracte-
rística serem pontiagudos em suas extremidades, para conseguirem furar e prender o 
campo de algodão.
195
2.1.3 Diérese
A próxima etapa é a diérese, fase em que o cirurgião faz a abertura do local a 
ser operado para acessar os órgãos internos ou proceder com o procedimento cirúrgico, 
conforme o tipo. Portanto, nessa fase são utilizados instrumentos de corte, como cabo 
de bisturi, lâminas de bisturi, tesouras etc. Existem modelos de cabo de bisturi comuns 
a vários tipos de procedimento cirúrgico:
• cabo de bisturi n. 3 (encaixa lâminas menores);
• cabo de bisturi n. 4 (encaixa lâminas mais grosseiras);
•	 cabo	de	bisturi	n.	7	(tem	o	corpo	fino	e	alongado,	encaixando	as	mesmas	lâminas	de	
encaixe do cabo n. 3).
Figura 11 – Ilustração de cabos de bisturi e tamanhos de lâminas
Fonte: a autora
As tesouras cirúrgicas também são instrumentos do grupo de diérese. Existe uma 
infinidade	de	tipos	e	modelos,	cada	uma	com	uma	peculiaridade	ou	indicação	de	uso.	
Figura 12 – Pontas e angulações de tesouras
Fonte: a autora
196
A característica mais importante de entender sobre as tesouras é que as 
apresentações no modelo de tesouras curvas servem para cortar tecidos do corpo do 
paciente, ao passo que as apresentações no modelo de tesouras retas servem para 
cortar,	por	exemplo,	fios	cirúrgicos.	
Quando o cirurgião principal pede uma tesoura ao instrumentador, 
ele sempre irá cortar um tecido. Logo, o instrumentador deverá en-
tregar uma tesoura curva.
NOTA
As	 pontas	 das	 tesouras	 também	 têm	 especificidades:	 temos	 tesouras	 com	
pontas rombas, tesouras com ponta, tesouras ponta-romba etc.
2.1.4 Cirurgia propriamente dita
Ao realizar o corte, o cirurgião começa a acessar as estruturas internas e inicia 
a cirurgia propriamente dita, fato que provoca sangramento, mesmo que, em um 
primeiro momento sejam vasos da pele e, depois, temos acesso a vasos mais calibro-
sos. Dessa forma, para interromper o sangramento, utilizamos as pinças hemostáticas 
menores e mais delicadas.
Figura 13 – Pinças hemostáticas delicadas
Fonte: a autora
197
Já as pinças hemostáticas longas são utilizadas para o acesso a vasos mais 
profundos. Inclusive, estas têm a característica de terem serrilhas diferenciadas, 
justamente para não provocarem danos no vaso sanguíneo.
Figura 14 – Pinças hemostáticas longas e diferentes tipos de serrilhas
Fonte: a autora
As pinças hemostáticas estão presentes em todas as caixas de instrumentos de 
quase todas as especialidades. Elas variam por tipo e tamanho e, como consequência, têm 
diferentes	nomenclaturas,	normalmente	relacionadas	ao	profissional	que	a	inventou.
O acesso às estruturas mais internas é permitido com a abertura da cavidade 
ou	estrutura	que	se	está	operando.	Para	isso,	utilizamos	instrumentos	específicos	que	
compõem o grupo chamado afastadores. Estes existem com uma enorme variedade 
de formatos e tamanhos, que são adaptados a cada necessidade de visualização inter-
na do corpo do paciente por parte do cirurgião e da equipe. De acordo com a localização 
eo tamanho da estrutura que que se deseja visualizar, bem como a consideração do 
tempo	que	esta	necessita	ficar	aberta	em	cada	tipo	de	procedimento	cirúrgico,	existe	a	
possibilidade de os afastadores serem autostáticos ou manuais.
Afastadores autostáticos	 são	 aqueles	 que	 têm	 a	 possibilidade	 de	 ficarem	
abertos	 e	 fixos,	 sem	 que	 alguém	 fique	 segurando	 suas	 partes.	 Já	 os	 afastadores	
manuais são aqueles que dependem da manipulação do cirurgião e/ou auxiliar.
198
Figura 15 – Afastadores autostáticos
Fonte: a autora
Nas cirurgias ginecológicas e obstétricas de abordagem abdominal, com 
laparotomia, é muito importante constar na caixa de instrumentos os afastadores 
manuais como Farabeuf, valva reta, valva suprapúbica etc. Ainda, de acordo com 
a necessidade do cirurgião e do tipo do paciente, podem ser oferecidos afastadores 
maiores e autostáticos (Gosset, Balford), embalados de forma avulsa e colocados na 
mesa de instrumentos.
199
Figura 16 – Afastadores manuais Farabeuf e valva reta ou Doyen
Fonte: a autora
Durante todo o desenvolvimento do tempo cirúrgico, é necessário que a 
equipe cirúrgica segure as estruturas para realizar o objetivo da cirurgia. Dessa forma, 
instrumentos para cortar, prender e separar são muito utilizados. Alguns instrumentos 
de preensão também são usados como instrumental de apoio à ação desejada durante 
o procedimento cirúrgico. Em sua maioria, eles têm cremalheira, estrutura que possibilita 
fixar	a	pinça	na	pressão	desejada	para	prender	a	estrutura.	
O manuseio de instrumentos com cremalheira deve ser treinado exaustivamen-
te pelo instrumentador. Este deve sempre entregar o instrumento travado e segurá-lo 
pelo corpo, batendo os anéis do instrumento na mão do cirurgião ou membro da equipe 
que requisitou tal instrumento. A habilidade de abrir e fechar a cremalheira da pinça 
deve ser treinada sempre, para que o instrumentador possa testar os instrumentos com 
relação a sua funcionalidade.
Figura 17 – Detalhe de uma cremalheira de instrumental cirúrgico
Fonte: a autora
Nas cirurgias ginecológicas e obstétricas, também é comum o uso de pinças de 
preensão do tipo Collin (Collin coração, Collin triangular, Collin redonda, dentre outras). 
Também pode haver pinças maiores para a retirada de órgãos, como a pinça Dartigues.
200
Figura 18 – Pinças do tipo Collin coração e Dartigues
Fonte: a autora
Em todos os tipos de caixas de cirurgias ginecológicas e obstétricas, ainda é 
importante a inclusão de pinças de disseção. Estas são pinças de preensão com a 
função de apoiar e servem para utilização em momentos diversos no intraoperatório, 
como segurar um tecido que se deseja cortar ou suturar. Com uma mão, o cirurgião 
segura o tecido com a pinça de dissecção e, com a outra mão, ele corta com a tesoura 
ou manuseia o porta-agulha para suturar.
Figura 19 – Pinças de dissecção
Fonte: a autora
201
Ademais, dependendo da estrutura que se deseja segurar, as pinças do grupo 
de preensão variam em formato no que diz respeito à parte utilizada para segurar a 
estrutura, a depender da estrutura que se deseja segurar.
Figura 20 – Pinças do grupo de preensão
Fonte: a autora
No	próximo	item,	confira	os	instrumentos	utilizados	para	finalizar	procedimen-
tos cirúrgicos. Esta etapa é chamada de Síntese. 
2.1.5 Síntese
Para	 finalizar	 o	 procedimento	 cirúrgico	 ou	 o	 tempo	 da	 cirurgia	 propriamente	
dita,	o	próximo	tempo	cirúrgico	é	correspondente	ao	fechamento	ou	“rafia”	dos	tecidos	
e da incisão cirúrgica. Esse tempo é denominado “síntese”. No tempo cirúrgico corres-
pondente à síntese, utilizamos os instrumentos que favorecem o fechamento, como 
porta-agulhas,	agulhas	e	fios,	além	de	materiais	que	possibilitarão	a	sutura.
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Figura 21 – Porta-agulha 
Fonte: a autora
Os porta-agulhas são instrumentos que seguram as agulhas para poder 
introduzi-las dentro dos tecidos. Eles têm a superfície feita para segurar a agulha, de 
forma	 a	 favorecer	 a	 sua	 preensão	 de	maneira	 segura	 e	 firme,	 sem	 escorregar.	 Para	
isso, os porta-agulhas têm em sua superfície de preensão uma região com serrilhas 
delicadas.	Estas	são	responsáveis	por	fazer	o	atrito	necessário	para	que	a	agulha	fique	
fixa	e	não	escorregue	durante	a	sua	utilização.	
Assim, alguns modelos de porta-agulha têm em suas pontas estruturas 
chamadas wídeas, parte da peça que é formada por serrilhas diagonais transversas 
delicadas,	as	quais	podem	substituídas	caso	fiquem	gastas.
Figura 22 – Wídea em porta-agulha
Fonte: a autora
Nas cirurgias ginecológicas com abordagem abdominal, é muito importante 
lembrar que são acessados vários tecidos no momento da síntese, quando é realizada 
a	 rafia	 (anastomose,	 fechamento)	 desses	 tecidos	 de	 maneira	 independente.	 Para	 a	
203
separação dos tecidos, podem ser utilizados instrumentos maleáveis ou rígidos, que 
são	finos,	para	serem	introduzidos	abaixo	de	cada	tecido	que	será	suturado.	Eles	vão	
sendo retirados de acordo com o fechamento da cavidade. 
Um exemplo desse tipo de instrumento, que auxilia no momento da síntese, é a 
espátula Reverdin baioneta, também chamada de “sapata”.
Figura 23 – Espátula reverdin baioneta “sapata”
Fonte: a autora
A síntese cirúrgica e sutura da incisão e das estruturas manipuladas na cirurgia 
são	determinados	pela	técnica	cirúrgica.	A	escolha	de	material,	como	fios	e	agulhas,	é	
de responsabilidade do cirurgião. 
Atualmente,	temos	no	mercado	uma	infinidade	de	fios	e	materiais	para	fecha-
mento das estruturas internas e da incisão cirúrgica. Nesse sentido, é de incumbência 
do	cirurgião	o	conhecimento	dos	fios,	das	agulhas	e	dos	materiais	de	síntese,	bem	como	
de suas propriedades e indicações para a escolha mais adequada.
2.2 MONTAGEM DA MESA DE INSTRUMENTAIS CIRÚRGICOS
Conforme já aprendemos, a montagem da mesa de instrumentais cirúrgicos faz 
uso das caixas que contêm os instrumentos correspondentes ao procedimento cirúrgico. 
Essas	caixas	devem	ser	 levadas	do	arsenal	 cirúrgico	 (local	 onde	ficam	armazenados	
as caixas e os materiais cirúrgicos estéreis, dentro do centro cirúrgico) para a sala de 
cirurgia, pelo instrumentador.
Antes	 de	montar	 a	mesa	de	 instrumentos,	 o	 instrumentador	 deve	verificar	 a	
limpeza das mesas e, depois, lavar as mãos, proceder com a localização dos materiais 
a serem utilizados e deixá-los prontos a serem abertos e disponibilizados para a 
montagem, após a paramentação do instrumentador. Este, então, procederá com a 
escovação cirúrgica das mãos e dos antebraços em lavado, realizará a secagem das 
mãos, a paramentação e a colocação de luvas estéreis. Depois de paramentado e de 
frente à mesa onde serão organizados os instrumentos:
204
• é necessário colocar um campo impermeável estéril sobre a mesa: 
◦ o circulante de sala faz a abertura da embalagem externa, e o instrumentador, pa-
ramentado e de luvas estéreis, retira de dentro da embalagem – com cuidado, para 
não tocar nas partes não estéreis – o plástico impermeável do tamanho adequado 
para a mesa.
• acima do plástico impermeável, será colocado um campo de algodão duplo ou campo 
SMS aberto para cobrir o máximo da estrutura da mesa auxiliar:
◦ o objetivo desse campo é impedir a contaminação da superfície metálica da mesa 
para o instrumental.
• acima do campo, deve ser colocado um campo de algodão duplo dobrado ao meio:
◦ o objetivo é impedir que tudo se molhe e/ou suje, caso algum líquido seja derrama-
do na mesa.
 
Com a mesa pronta, o instrumentador pode se dirigir até as caixas de instru-
mentos, que já estarão abertas pelo circulante de sala e deve retirar os testes químicos 
de	seu	interior,	para	fixação	em	prontuário	do	paciente.
Para a organização dos instrumentos, existem várias formas de se montar a 
mesa, sendo que a grande dica, nesse contexto, é montá-la de forma que os instrumen-
tos estejam organizados de acordo com a necessidade do procedimento, da técnica e 
da dinâmica da equipe, com facilidade para pegá-los e para dispensá-los ao cirurgião 
e auxiliar.

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