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Direito Processual Penal - Princípios Processuais Penais
Legislação
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes
conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes
de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2o, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17);
V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF nº 130
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando
as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso.
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados
sob a vigência da lei anterior.
Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o
suplemento dos princípios gerais de direito.
Comentários
Noções básicas
No estudo do direito processual penal pode-se elencar como fontes principais, além da doutrina e da
jurisprudência, a Constituição Federal, o CPP, as leis processuais esparsas e os tratados
internacionais em matéria criminal.
A importância do direito internacional no estudo do processo penal tem ficado evidente, mormente
após a edição da emenda 45/2004 que provocou verdadeira releitura na hierarquia das normas. Tal
tendência foi confirmada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Desse modo se pode
visualizar a hierarquia das normas e a nova pirâmide jurídica na visão do STF da seguinte forma:
No topo da pirâmide que hierarquiza o ordenamento jurídico brasileiro está a Constituição Federal
(CF), as Emendas Constitucionais (EC) e os Tratados Internacionais que tratam de Direitos Humando
(TIDH) que passaram pelo procedimento das emendas constitucionais (Art. 5°, § 3° da CF).
No segundo patamar estão os Tratados Internacionais de Direito Humanos (TIDH) que não passaram
pelo procedimento de Emenda Constitucional, pois, segundo o Supremo Tribunal Federal, atualmente,
os mesmos tem o status de norma supralegal (estão acima das Leis e abaixo da Constituição).
Exemplo importante de Tratado internacional de direitos humanos que interessa ao processo penal é o
Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos).
No terceiro patamar estão as Leis Ordinárias, Leis Complementares, Leis Delegadas, Resoluções,
Decretos Legislativos, Tratados Internacionais que não tratem de direitos humanos, Medidas
Provisórias.
Na base da pirâmide estão os Decretos, Portarias e demais atos infralegais.
O CPP é Lei Ordinária Federal.
- Finalidade do Direito:Pacificar as relações e conflitos sociais.
- Finalidade do Direito Penal: Proteção dos bens jurídicos mais relevantes por ser o mais violento
ramo do direito.
- Finalidade do Processo Penal:Aplicar o direito material nos conflitos penais. Conceito de lide é
problemático.
O que seria um Processo Penal Justo?
É aquele que consegue conciliar o Princípio Instrumental Punitivo com o Princípio Instrumental
Garantista.
Princípio Instrumental Punitivo = reconhecimento de que o processo é um instrumento de punição.
"Você só perde a liberdade através do processo".
Princípio Instrumental Garantista = processo faz com que a punição seja proporcional. Garante os
direitos do réu por já deixar expresso na legislação a punição prevista para cada crime (caráter,
inclusive, informativo).
Pilares do Garantismo no Processo Penal:
1) Jurisdicionalidade:
"Não existe culpa sem jurisdição". Jurisdição é a única função que tem o poder de decidir o caso
concreto com definitividade.
2) Acusatoriedade:
"Não há jurisdição sem ação (sem acusação)".
3) Ônus da prova:
"Não há acusação sem prova".
4) Contraditório e Defesa:
"Não há prova sem contraditório e ampla defesa".
3. Princípios do Processo Penal
Princípio do Devido Processo Legal (art. 5º, LIV, CF).
Art. 5º, LIV, CF: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.
significados:
- o do art. 5º no inciso transcrito acima; e
- Segurança Jurídica ("Fair Trail") = "saber a regra antes do jogo".
Aplicação da lei processual é IMEDIATA (não retroagindo mesmo que beneficie o réu -
diferentemente da lei penal).
Normas que regulam recurso => Majoritariamente de natureza processual, tendo aplicação imediata,
logo, a lei que regula o recurso é a que está em vigor na data da publicação da sentença.
Minoritariamente => Defende-se que a natureza é híbrida, podendo retroagir para benefício do réu.
Outro raciocínio ainda possível sustenta que pelo princípio do Devido Processo Legal e pelo "Fair
Trail", a data a ser considerada para questões de recurso é a data do fato (protegendo, portanto, a
segurança jurídica).
Princípio da Igualdade ou da Paridade de Armas:
As partes que formam a relação triangular podem usar todos os recursos disponíveis para assegurar a
igualdade processual.
Sendo que o autor pode ser o MP, nas ações penais públicas, ou o ofendido, nas ações penais
privadas.
Às partes deve ser assegurada a igualdade material, além da formal.
Deflui desse princípio a idéia do "Favor rei" = "In dubio pro reo" processual. A doutrina costuma
relacionar o presente princípio com o Contraditório.
Princípio do "Favor rei" (a favor do réu; art. 386, VI, CPP e art. 615, par. 1º, CPP).
“VI - Se estiver comprovada a inexistência do crime ou quando HOUVER FUNDADA DÚVIDA
SOBRE SUA EXISTÊNCIA” (acrescentada pela reforma a relação com o Princípio da Presunção de
Inocência).
Art. 386, “caput”, CPP: “O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde
que reconheça:”
“VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26
e § 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência”.
Art. 615, § 1º, CPP: “Art. 615. O tribunal decidirá por maioria de votos:”
“§1º: Havendo empate de votos no julgamento de recursos, se o presidente do tribunal, câmara ou
turma, não tiver tomado parte na votação, proferirá o voto de desempate; no caso contrário,
prevalecerá a decisão mais favorável ao réu”.
Princípio da Demanda:
Um juiz não pode iniciar o processo penal "ex officio", porque cabe ao MP, privativamente, propor a
ação penal. Tem relação com o PILAR DA ACUSATORIEDADE.
Princípio Acusatório (Sistema processual):
Distribui as funções do processo em sujeitos diversos (diferentemente do Princípio Inquisitório, onde
se reunia em uma só pessoa todas as funções do processo). Tem como fundamento constitucional a
Separação dos Poderes (art. 60, §4º, CF).
Finalidade do Acusatório é garantir a imparcialidade do julgador.
Art. 129, I, CF -> compete privativamente ao MP iniciar a ação penal (o que é dito contraditoriamente
no art. 26, CPP; dessa forma, percebe-se que, apesar do art. 26 ser vigente, não é válido). Alguns
dizem que não foi recepcionado pela nova CF, outros dizem que foi revogado.
Art. 26 = INCONSTITUCIONAL.
Art. 129, “caput”, CF: “São funções institucionais do Ministério Público:”
“I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei”.
Art. 26, CPP: “A ação penal, nas contravenções, será iniciada com o auto de prisão em flagrante ou
por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial”.
Sistema acusatório no Brasil é flexível, pois o juiz brasileiro tem o poder de iniciativa
complementar de produção de provas (art. 156, I e II, CPP). O inciso I veio a reforçar a idéia de
acusatório FLEXÍVEL (iniciativa originária). O juiz deve ficar o mais distante possível das partes, mas
pode, diante da desídia das partes,ter iniciativa probatória. Entendimento majoritário.
Art. 156, I e II, CPP: “A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz
de ofício:”
“I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida”;
“II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante”.
Sistema processual adotado no Brasil => Sistema Acusatório.
Princípio da Oficialidade da Ação Penal Pública:
A ação penal pública só pode ser promovida por órgãos oficiais (MP – art. 129, I, CF).
A oficialidade também se aplica na fase preliminar de investigação => assim, a investigação será
promovida por órgãos oficiais (polícias judiciárias). Sabemos que, geralmente, quem faz a
investigação são as Polícias Judiciárias (civis e federais), sendo que as polícias administrativas não
detêm tal atribuição (com exceção do Inquérito Policial Militar).
Tecnicamente, a investigação particular é ilegal, constituindo Usurpação da Função Pública, crime
previsto no CP (Hidejalma Muccio).
Nesse assunto é possível sustentar que, com base no art. 144, §1º, IV, CF, SOMENTE A POLÍCIA
JUDICIÁRIA poderia investigar.
Entretanto, há quem sustente que esse inciso, juntamente com o §4º, denota que há diferença entre
POLÍCIA JUDICIÁRIA e INVESTIGATIVA, sendo que, somente aquela, seria uma
função EXCLUSIVA da polícia, tendo em vista que a CF não utiliza palavras inúteis. Tal distinção se
torna relevante para o debate a respeito da (im)possibilidade do Ministério Público presidir
investigação criminal.
O entendimento que tende a prevalecer é o de que o MP pode investigar por causa da: TEORIA DOS
PODERES IMPLÍCITOS, uma vez que se o MP tem o poder de exercer o controle externo da atividade
policial, pode também investigar, já que as atividades de controle envolvem a realização de atos de
investigação.
Ainda segundo o art. 129, CF, se indaga: Se o MP pode averiguar atos de improbidade administrativa,
presidindo o inquérito civil, por que não poderia investigar?
Por outro lado, se entende que é justamente porque o MP realiza o controle externo, investigando a
polícia, que ele não poderia realizar a investigação, em respeito à Separação dos Poderes (evitando a
concentração de poder nas mãos de um único órgão – Montesquieu).
Inquérito policial não é a única forma de investigação. É o único expresso no CPP.
Princípio da Oficiosidade da Ação Penal Pública:
MP e polícia devem atuar independentemente de requerimento.
“Ex officio” => em razão do ofício.
Princípio da Obrigatoriedade da Ação Penal Pública (Princípio da Compulsoriedade) art. 24,
CPP:
O MP quando se depara com um crime de Ação Penal Pública é OBRIGADO a instaurar Ação Penal
desde que tenha:
Não pode fazer um acordo com o autor do delito deixando de promover a ação penal. No
Brasil, NÃO é aplicado o sistema do “Plea Bargaing”.
Exceção: Transação Penal (Juizados Especiais Criminais). Uma das formas alternativas que o MP
tem para agir. MP propõe uma aplicação imediata de pena não privativa de liberdade. Caso haja
descumprimento da Transação Penal, o MP oferece a denúncia.
Transação é uma mitigação. Alguns autores chamam de exceção. Dessa forma, o Princípio da
Obrigatoriedade não é absoluto, pois a exceção ou mitigação seria a transação penal.
Princípio da Indisponibilidade da Ação Penal Pública:
Uma vez proposta a Ação Penal, o MP não pode desistir da mesma. Art. 42.
Se o MP perceber que o réu não é autor do crime, não desiste da Ação Penal. Prossegue, mas pede
ABSOLVIÇÃO do réu. É mitigada na possibilidade da Suspensão Condicional do Processo (art. 89,
9099/95).
Princípio da Inadmissibilidade da Persecução Penal Múltipla (princípio do “Ne bis in idem”
processual):
Ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.
Quem prevê este princípio não é a CF, mas sim o pacto de São José da Costa Rica (cláusula 8ª, item
4, do decreto 678/92).
Princípio da Ampla Defesa (art. 5º, LV, CF):
Art. 5°, LV, CF: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:”
LV: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados
o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
Seria a soma de duas defesas: Da Auto Defesa e da Defesa Técnica.
Auto defesa: realizada pelo próprio réu. Ex: interrogatório.
Defesa técnica: realizada por pessoa que tem capacidade postulatória. Exs: Advogado e Defensor
Público.
A única defesa DISPONÍVEL é a AUTO DEFESA, pois o réu pode confessar ou permanecer em
silêncio.
Existe revelia (ausência do réu em juízo) no Processo Penal? Existe.
PORÉM, a revelia no processo penal somente produz o efeito processual.
Lembre-se que a revelia, modo geral, produziria os seguintes efeitos:
Material: juiz considerar os fatos alegados pelo autor como verdadeiros. No Processo Penal NÃO há
produção desse efeito.
Processual: O réu não será mais intimado dos demais atos processuais (o processo segue sem a
presença do réu, mas sempre com o advogado).
Direitos decorrentes da ampla defesa:
Direito de a defesa falar por ÚLTIMO.
Direito de não auto-incriminar-se (“nemo tenetur se detegere” ou “nemo tenetur se ipsum accusare”).
Direito ao silêncio decorre da ampla defesa.
Direito de não confessar;
art. 577, CPP. Permite ao RÉU recorrer (reforço da auto defesa). Se juiz entender cabível irá intimar o
advogado para apresentar razões.
Como se resolve o conflito entre a vontade decorrente da defesa técnica e vontade decorrente da auto
defesa? São duas as posições referentes ao tema:
1ª) Por ser a defesa técnica a única indisponível, deve prevalecer a vontade do advogado (é a que
prevalece). Súmula 705, STF[1].
2ª) Quem sofre os eventuais prejuízos da condenação é o réu. Logo, a vontade dele deveria
prevalecer (minoritário).
A melhor interpretação seria no seguinte sentido: Prevalece a vontade que favorecer o recurso (Pró-
recurso -> garante, de forma mais eficiente, a AMPLA DEFESA).
Súmula 523, STF: “No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua
deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”.
Princípio do Contraditório:
Conceito de Aury Lopes Jr.: “Contraditório é o direito de participar, de manter uma contraposição em
relação à acusação e de estar informado de todos os atos do processo”.
Dinamarco afirma que o Contraditório deve ser enxergado no seguinte binômio:
Informação
+
Reação
CONTRADITÓRIO:
• Garante o direito de participação (enquanto a Ampla Defesa requer que essa participação seja
efetiva, sob pena de nulidade);
• Busca o equilíbrio;
• Demanda a paridade de armas (Pacelli) – deve-se analisar as duas partes envolvidas, porque
sempre há ponderação a ser realizada entre SEGURANÇA PÚBLICA e LIBERDADE.
Processo: Finalidade punitiva.
Procedimento: Finalidade apuratória.
Sendo assim, pode-se perceber que o Inquérito Policial é procedimento administrativo e, em sendo
um procedimento, não há contraditório e ampla defesa (a pessoa ainda não é acusada, mas
sim, indiciada).
Diante desse contexto, pergunta-se: A Súmula vinculante 14 trouxe o contraditório para o Inquérito
Policial? Resposta: NÃO!
A Súmula só ratificou o direito à INFORMAÇÃO aos autos do inquérito policial (que já estava previsto
no Estatuto da OAB) e não o de REAÇÃO. Dessa forma, estar-se-ia garantindo uma parte do binômio
estabelecido por Dinamarco como estruturante do contraditório.
Súmula Vinculante 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter amplo acesso aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competênciade polícia judiciária, digam respeito ao direito de defesa”.
Espécies de contraditório:
1) Contraditório imediato (ou direto): Aquele que ocorre no ato. É a regra. Ex: Prova testemunhal.
2) Contraditório mediato (diferido, postergado ou protelado): Ocorre mais à frente. Ex: Prova
pericial (só é concedido durante o processo e não no inquérito, onde a prova foi produzida).
Como se justifica a condenação de alguém com base na prova pericial, produzida no inquérito, já que
não existe ali contraditório? Nesse caso, o CONTRADITÓRIO existe, mas ele é MEDIATO.
Princípio da Verdade Real[2] (ou verdade material):
O princípio da verdade real afirma o dever do magistrado de superar a desidiosa (descuidada,
desatenta) iniciativa das partes na colheita do material probatório, visando alcançar a verdade das
alegações das partes.
Juiz pode ir atrás das provas se as partes não as trouxerem (confronta o princípio do acusatório –
baseado na separação dos poderes, para garantir a imparcialidade do magistrado).
É permitido porque o bem jurídico tutelado é a liberdade e somente quando houver dúvida de ponto
relevante de prova apresentada.
Obs: Cuidado com o novo art. 156, I, CPP, que inclui a possibilidade de o juiz ordenar a produção
antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a NECESSIDADE,
ADEQUAÇÃO E PROPORCIONALIDADE DA MEDIDA (basicamente, o Princípio da
Proporcionalidade). Pacelli defende a inconstitucionalidade desse artigo:
Art. 156, I, CPP: “A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de
ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para
dirimir dúvida sobre ponto relevante.”
Princípio da Presunção de Inocência (ou da não culpabilidade ou do estado de inocência):
1ª regra: Probatória (provoca uma releitura do ônus da prova, colocando uma carga maior nos
“ombros do MP”).
Fatos incontroversos no Processo Penal PRECISAM ser provados.
Não se operam, no Processo Penal, os efeitos materiais da revelia (ou seja, não se presumirão como
verdadeiros os fatos alegados pelo MP).
Existe confissão ficta (quando o réu fica calado) no Processo Penal? NÃO! Confissão tem que ser
expressa, clara e concisa.
2ª regra: Tratamento. Réu não pode ser tratado como culpado até o trânsito em julgado da sentença
penal condenatória. Porém, presunção de inocência (direito de ser tratado como inocente) como
qualquer outro direito fundamental não é absoluto. Assim, em alguns casos excepcionais, podem
ocorrer as prisões cautelares.
Obs: O art. 393, CPP foi revogado em virtude da violação que provocava no princípio da Presunção
de Inocência.
Art. 393, I e II, CPP: “São efeitos da sentença condenatória recorrível:”
“I - ser o réu preso ou conservado na prisão, assim nas infrações inafiançáveis, como nas afiançáveis
enquanto não prestar fiança”;
“II - ser o nome do réu lançado no rol dos culpados”.
O Inquérito Policial, por si só, gera maus antecedentes? Teoricamente não, já que é procedimento
administrativo. Súmula 444, STJ: “É vedada a utilização de Inquéritos Policiais e Ações Penais em
curso para agravar a pena base”.
[1] Súmula 705, STF: “A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestadas sem assistência do
defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta”.
[2] Aos poucos a doutrina tem promovido uma releitura desse princípio, substituindo o mesmo pelo
conceito de verdade processual, mais adequado ao estado garantista, haja vista que o magistrado
deve pautar sua decisão em elementos carreado aos autos, ou seja, o conceito de verdade para o
processo depende do contexto probatório e tal verdade não necessariamente irá coincidir com a
verdade do mundo físico.