Microfilamentos
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Microfilamentos


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Microfilamentos
Ao final desta aula, você deverá se capaz de:
\u2022 caracterizar os microfilamentos e sua proteína 
formadora, a actina;
\u2022 descrever a dinâmica de polimerização dos 
microfilamentos;
\u2022 listar e definir os principais tipos de movimentos 
celulares;
\u2022 caracterizar as principais estruturas celulares 
formadas por microfilamentos;
\u2022 relacionar as principais proteínas acessórias da actina 
a suas funções específicas;
\u2022 relacionar as principais drogas que interagem com a 
actina e seus efeitos.
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Como vimos na aula 21, todos os microfilamentos são formados pela proteína 
actina. Os microfilamentos estão associados a vários fenômenos celulares. O 
mais conhecido talvez seja a contração muscular, mas também dependem 
destes filamentos a adesão das células à matriz extracelular ou a substratos, 
a separação das células-filhas ao final da divisão celular, a preservação da 
estrutura das microvilosidades intestinais, os movimentos amebóides e muitos 
outros processos celulares (Figura 24.1).
Figura 24.1: Filamentos 
de actina participam na 
separação de (a) células em 
divisão, (b) no preenchi-
mento de microvilosidades 
intestinais e (c) na adesão 
de células.
CARACTERÍSTICAS DA ACTINA
A actina está presente em todas as células eucariontes, sendo 
uma proteína muito conservada, isto é, sua seqüência de aminoácidos 
é muito semelhante em organismos filogeneticamente bem distantes, 
como fungos e animais. De acordo com o tipo celular, a actina pode 
corresponder a até 20% do peso seco da célula, como é o caso das 
células musculares. Eucariontes mais simples, como as LEVEDURAS, 
possuem apenas um gene para actina. Já os mamíferos possuem 
vários genes para actina e ainda produzem várias ISOFORMAS dessa 
molécula. Pelo menos seis formas de actina já foram descritas. As mais 
importantes são a actina \u3b1, presente em células musculares, e a actina 
\u3b2, encontrada em células não musculares. Além dessas ainda existe a 
actina \u3b3, também em células não musculares.
INTRODUÇÃO
LEVEDURA
Forma do ciclo 
de vida de alguns 
fungos. O fermento 
de pão e a Candida 
albicans, causadora 
do \u201csapinho\u201d, são 
leveduras.
 
ISOFORMA
Pequenas variações 
de uma molécula 
que podem resultar 
de modificações 
sutis na cadeia 
primária, como a 
substituição de um 
aminoácido, ou o 
acréscimo de um 
grupamento, como 
um acetil ou um 
metil.
microvilosidades
anel contrátil
fibras de 
tensão
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ESTRUTURA DOS MICROFILAMENTOS
Seguindo a \u201cestratégia\u201d fundamental 
para formação de filamentos, os microfilamentos 
são formados pela ligação de várias moléculas 
de actina, formando longos filamentos de 
8nm de espessura (Figura 24.2), ou seja os 
microfilamentos também são polímeros. A 
actina no seu estado monomérico é chamada de 
actina G (de globular) e, quando incorporada 
ao microfilamento, de actina F (de filamentosa). 
Dois monômeros de actina só se encaixam em 
uma determinada posição. O resultado disso é 
que o filamento de actina se torna polarizado, 
isto é, as extremidades são diferentes. 
Figura 24.2: (a) Embora a 
actina G seja uma proteína 
globular, ela aprisiona a 
molécula de ATP numa 
região específica. (b) Con-
forme os monômeros de 
actina G se ligam, forma-
se um fi lamento. Cada 
monômero é adicionado 
sempre na mesma posição, 
conferindo uma polaridade 
específica ao fi lamento. 
A extremidade oposta à 
molécula de ATP é a extremi-
dade positiva ou plus.
Novos monômeros podem ser 
adicionados (ou removidos) de qualquer 
uma das extremidades do filamento, desde 
que na posição correta, mas existe maior 
probabilidade de incorporação de novos 
monômeros a uma das extremidades, 
que é chamada de positiva, ou plus. Esta 
extremidade de crescimento está, em geral, 
voltada para a membrana plasmática. 
Como você também pode observar na 
Figura 24.3, cada molécula de actina G possui 
em seu interior uma molécula de ATP. Ela é 
importante para a manutenção da estrutura da 
molécula. Sem o ATP em seu interior, a actina 
se desnatura (perde a forma característica da 
molécula) rapidamente. Quando a actina G 
se incorpora ao filamento, hidrolisa o ATP, 
formando ADP, que fica \u201caprisionado\u201d no 
filamento (Figura 24.2).
Filamento polarizado \u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2\u21d2
Filamento não polarizado \u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4\u21d4
Quando um filamento é polarizado, ele possui uma \u201cdireção\u201d. 
Figura 24.3: Estrutura da molécula de actina 
baseada em análise de difração por raios X 
(A). No centro da molécula (seta) está o sítio 
de ligação do ATP. 
lado minus
lado plus
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A POLIMERIZAÇÃO DINÂMICA
Comparada, em termos quantitativos, à maioria das proteínas 
citoplasmáticas, a actina é uma das principais proteínas celulares. Parte 
dessa actina se encontra na forma não polimerizada (actina G) e a outra 
parte, na forma de microfilamentos (actina F). 
É necessária uma concentração citoplasmática mínima de 
moléculas de actina G, chamada concentração crítica, para que os 
microfilamentos se formem. Um novo microfilamento tem início pela 
formação de um núcleo. Para que esse núcleo se forme são necessárias 
pelo menos duas outras proteínas relacionadas à actina, as ARPs (actin 
related proteins) do tipo 2 e do tipo 3. Essas moléculas são relativamente 
parecidas com a actina e se associam formando um complexo ARP 2-3 
ao qual moléculas de actina G passam a se associar, formando um novo 
filamento (Figura 24.4).
PA R A D I N H A ES P E R T A
Nesta altura, você deve estar achando que microfilamentos e 
microtúbulos compartilham muitas características. De fato, ambos 
resultam da polimerização de proteínas e formam filamentos 
polarizados e dinâmicos. Embora a estratégia de formação de 
ambos seja semelhante, tubulina e actina são proteínas comple-
tamente distintas e os filamentos por elas formados possuem 
características de flexibilidade e resistência muito diferentes.
Complexo 
Arp 2-3 
Figura 24.4: O microfilamento se forma a 
partir do complexo formado pela Arp 2 e 
pela Arp 3. O filamento cresce na direção 
da extremidade plus, pela incorporação de 
novos monômeros de actina.
Complexo Arp 2 - 3
Monômeros incorporados 
ao núcleo formado por 
Arp2 e Arp3
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Normalmente a concentração citoplas-
mática de actina G é muitas vezes superior 
à concentração crítica (necessária para dar 
início a um novo microfilamento). Isto, em 
tese, poderia acarretar a total polimerização 
da actina da célula. Entretanto, isto não ocorre, 
poque a actina citoplasmática fica protegida 
por uma pequena proteína, a timosina que se 
mantém ligada aos monômeros, impedindo 
sua incorporação à extremidade positiva do 
filamento (Figura 24.5).
Figura 24.5: A timosina impede 
que o monômero a ela ligado se 
incorpore a um microfilamento.
Já a profilina é outra proteína que se liga ao monômero de actina, 
competindo com a timosina, mas tem características diferentes dela: a 
profilina se liga à região da molécula oposta ao ATP (Figura 24.6) e é 
capaz de responder a estímulos de sinalização, como a picos de AMPc, 
por exemplo. A actina