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FEEVALE 
Disciplina: Direito das Coisas: 
Texto: 3 
Professor: Luis Augusto Stumpf Luz 
 
POSSE (continuação) 
Principais classificações da posse: 
1- Quanto à relação pessoa-coisa ou quanto ao desdobramento da posse 
(art. 1.197, CCB): 
*Posse direta ou imediata: aquela exercida por quem tem a coisa materialmente, 
isto é, por quem efetivamente tem o poder de fato (fático) sobre a coisa (pessoa x coisa). Ex.: 
locatário, comodatário, depositário. 
*Posse indireta ou mediata: exercida por meio de outra pessoa, havendo 
exercício de direito, geralmente decorrente da propriedade. A pessoa tem a posse em razão de 
um direito de ser possuidor, mas, por determinado lapso de tempo, deixa de exercer o poder 
fático sobre a coisa, propriamente dito. No caso, o poder fático sobre a coisa é exercido por 
quem tem a posse direta. Ex.: locador, comodante, depositante. 
Posse direta = posse fática 
Posse indireta = posse jurídica. 
Importante: Art. 1.197, CCB combinado com o Enunciado 76: tanto o possuidor 
direto quanto o indireto podem invocar a proteção possessória, um contra o outro, e também 
contra terceiros (o conteúdo da proteção possessória, ou seja, das ações possessórias, será 
objeto de estudo por meio do texto nº 4, a seguir). 
2 - Quanto à presença de vícios objetivos (art. 1.200 do CCB): 
*Posse justa: não apresenta os vícios da violência, da clandestinidade e da 
precariedade. 
*Posse injusta: adquirida por meio de ato de violência, de clandestinidade, de 
precariedade. 
- posse violenta: é obtida por meio do esbulho, de força física ou violência moral. 
(associada ao crime de roubo); 
- posse clandestina: é obtida às escondidas, de forma oculta. (associada ao crime 
de furto); 
- posse precária: é obtida com abuso de confiança ou de direito. (associada ao 
crime de estelionato ou ao de apropriação indébita, sendo também denominada de esbulho 
pacífico). 
A posse, mesmo que injusta, ainda é posse e pode ser defendida por ações do 
juízo possessório, não contra aquele de quem se tirou a coisa, mas sim em face de terceiros. 
Isso porque a posse é viciada em relação a uma determinada pessoa (inter partes), não tendo o 
vício efeitos contra todos (erga omnes). 
Segundo a visão clássica, e pelo que consta do art. 1.208, segunda parte, do 
CCB, as posses injustas por violência ou clandestinidade podem ser convalidadas, o que não se 
aplicaria à posse injusta por precariedade. Conciliando-se o art. 1.208 com o Código de 
Processo Civil, é correto afirmar que, após um ano e um dia do ato de violência ou de 
clandestinidade, a posse deixa de ser injusta e passa a ser justa (o conteúdo desta afirmativa 
será estudado no próximo texto). 
3 - Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional (art. 1.201 do CCB): 
*Posse de boa-fé: presente quando o possuidor ignora os vícios ou obstáculos 
que lhe impedem a aquisição da coisa ou quando tem um justo título que fundamenta a sua 
posse. 
Orlando Gomes a divide em posse de boa-fé real quando a convicção do 
possuidor se apoia em elementos objetivos tão evidentes que nenhuma dúvida pode ser 
suscitada quanto à legitimidade de sua aquisição, e posse de boa-fé presumida quando o 
possuidor tem justo título. 
Quanto à posse de boa-fé fundada em justo título, cite-se um contrato que 
fundamenta a posse do locatário ou do comodatário. Enunciado 302: “Pode ser considerado 
justo título, para a posse de boa-fé, o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, 
observado o disposto no art. 113 do CCB” (Ex.: contrato de compromisso de compra e venda 
registrado ou não na matrícula do imóvel). 
Enunciado 303: “Considera-se justo título para a presunção relativa da boa-fé do 
possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não 
materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da função 
social da posse”. 
*Posse de má-fé: situação em que alguém sabe do vício que acomete a coisa, 
mas, mesmo assim, pretende exercer o domínio fático sobre esta. Ainda que de má-fé, esse 
possuidor não perde o direito de ajuizar a ação possessória competente, para proteger-se de um 
ataque de terceiro. 
Conforme Orlando Gomes, não há coincidência necessária entre a posse justa e a 
posse de boa-fé. Assim, por exemplo, a posse injusta, mas de boa-fé é o caso da compra de um 
bem roubado (ou furtado), sem que se saiba que o bem foi retirado de outrem. A posse justa, 
mas de má-fé, seria a do locatário que pretende adquirir o bem locado por usucapião e, para tal, 
elabora plano em que, no futuro, seria o proprietário da coisa. 
A posse justa e a injusta geram efeitos quanto às ações possessórias e quanto à 
usucapião. Já a posse de boa-fé e de má-fé geram efeitos quanto aos frutos, às benfeitorias e 
às responsabilidades dos envolvidos. Ambos efeitos serão estudados na disciplina de Direito das 
Coisas, a posteriori. 
4 - Quanto à presença de título: 
*Posse com título: há uma causa representativa da transmissão da posse, 
instrumentaliza em documento escrito. Ex.: contrato escrito de locação, escritura de compra e 
venda, contrato de promessa de compra e venda, declaração escrita de empréstimo de bem 
móvel ou imóvel. 
*Posse sem título: não há causa representativa, pelo menos aparente, da 
transmissão do domínio. Ex.: contrato verbal de locação, contrato verbal de empréstimo de coisa 
móvel ou imóvel, contrato verbal de depósito de coisa móvel entre depositante e depositário. 
5 - Quanto ao tempo: 
*Posse nova: conta com menos de um ano e um dia (até 1 ano). 
*Posse velha: conta com pelo menos um ano e um dia. 
A classificação da posse quanto ao tempo é fundamental para a questão 
processual, relativa às ações possessórias, conforme previsões no CPC (o próximo texto, de nº 
4, analisará a questão do tempo da posse). 
6 - Quanto aos efeitos: 
*Posse ad interdicta: é a posse que pode ser defendida pelas ações 
possessórias. Não necessariamente induz à usucapião. Lembra-se que as ações possessórias 
serão analisadas no texto seguinte, de nº 4. 
*Posse ad usucapionem: é a que se prolonga por determinado lapso de tempo 
previsto na lei, permitindo-se a aquisição da propriedade. A posse deve ser mansa, pacífica, 
duradoura por lapso temporal previsto em lei, ininterrupta e, em conformidade com algumas 
espécies de usucapião, ainda caracterizada com a intenção de dono (animus domini – conceito 
de Savigny, conforme estudado no texto anterior – nº 2).

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