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Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT Campus Universitário do Araguaia – CUA Instituto de ciências exatas e da Terra – ICET Curso de Engenharia civil Prof.: Victor Hugo Peres INSTALAÇÕES PREDIAIS Sistema de distribuição Rede de distribuição Nos sistemas prediais de água fria, a rede de distribuição é constituída pelo conjunto de canalizações que interligam os pontos de consumo ao reservatório, sendo suas tubulações projetadas e instaladas tendo em vista as particularidades de cada tipo de material selecionado, observadas as respectivas normas de produto e aplicação. É sempre aconselhável que, para traçar uma rede de distribuição, os pontos de consumo sejam divididos, desta forma, os pontos de consumo do banheiro são alimentados por uma tubulação, enquanto os pontos da cozinha e da lavanderia, por exemplo, são alimentados por outra. Essa divisão se justifica por dois motivos: canalizações mais econômicas e uso não simultâneo. Rede de distribuição Visando possibilitar a manutenção de qualquer parte do sistema de distribuição, deve ser prevista setorização do sistema por meio da utilização de registros de fechamento, ou dispositivos que possuam a mesma finalidade. Segundo a NBR 5626:2020 (item 6.5.12.4) devem ser previstos registros de fechamento nos seguintes pontos: ◦ No barrilete, posicionado no trecho que alimenta o próprio barrilete (no caso de abastecimento indireto, posicionado em cada trecho que liga o barrilete ao reservatório); ◦ Na coluna de distribuição, a montante do primeiro ramal; ◦ No ramal, a montante do primeiro sub-ramal em ao menos um dos ambientes sanitários da unidade autônoma; ◦ Havendo medição individualizada, a montante do hidrômetro. Figura 1 – Colunas de distribuição. Rede de distribuição Como as tubulações são dimensionadas como condutos forçados, é necessário que sejam perfeitamente definidos, para cada trecho da canalização, os quatro parâmetros hidráulicos do escoamento: vazão, velocidade de escoamento, perda de carga e pressão. Para a determinação desses parâmetros, utiliza-se as fórmulas básicas da hidráulica, geralmente disponibilizadas em ábacos convenientes para facilitar os cálculos. Figura 2 – Parâmetros hidráulicos do escoamento (NBR 5626). Rede de distribuição É preciso que seja feita a compatibilização do sistema de distribuição com os projetos arquitetônico e estrutural, evitando a ocorrência de interferência física entre a tubulação e os elementos estruturais para que os componentes do sistema não fiquem solidários aos elementos estruturais e submetidos aos esforços provenientes deles (item 6.19.1.1). Quando a interferência física não puder ser evitada, devem ser previstas tubulações encamisadas ou alojadas, em passagens projetadas especialmente para esse fim e com espaçamento adequado, considerando variações dimensionais das tubulações e deslocamentos dos elementos estruturais. Rede de distribuição Quando for necessário atravessar elementos estruturais no sentido da sua espessura, deve ser prevista e adequadamente dimensionada a abertura necessária, sendo que em caso de necessidade de vedação, esta deve permitir a livre movimentação da tubulação (item 6.19.1.3). Quando as tubulações atravessarem paredes de alvenaria estrutural, devem ser recobertas por duto ou elemento construtivo especialmente projetado para este fim (item 6.19.1.4). Em nenhuma situação é permitida a travessia de tubulações no sentido longitudinal de elementos estruturais (item 6.19.1.2). Barrilete Definido como o conjunto de tubulações que se origina no reservatório e do qual se derivam as colunas de distribuição, podendo ser do tipo concentrado ou ramificado. ◦ Concentrado → em que as ramificações para cada coluna parte diretamente da tubulação que liga as saídas do reservatório, em um mesmo ponto. ◦ Possui a vantagem de abrigar os registros de operação em uma única área, facilitando a segurança e o controle do sistema, possibilitando a criação de um local fechado, embora de maiores dimensões; Figura 3 – Barrilete concentrado. Barrilete Definido como o conjunto de tubulações que se origina no reservatório e do qual se derivam as colunas de distribuição, podendo ser do tipo concentrado ou ramificado. ◦ Ramificado → em que da tubulação que liga as saídas do reservatório se derivam ramais, originando tubulações secundárias que alimentam as colunas. ◦ É mais econômico, possibilita uma quantidade menor de tubulações junto ao reservatório, os registros são mais espaçados e colocados antes do início das colunas de distribuição. Figura 3 – Barrilete ramificado. Colunas, ramais e sub-ramais As colunas de distribuição são as tubulações que derivam do barrilete, descem na posição vertical e alimentam os ramais nos pavimentos que, por sua vez, alimentam os sub-ramais das peças de utilização. Cada coluna deve sempre possuir um registro de gaveta (fechamento) posicionado a montante do primeiro ramal. Visando evitar interferência em outros pontos de utilização, é recomendado que sejam utilizadas colunas exclusivas para alimentar pontos que utilizem válvula de descarga. Na prática, é comum utilizar a mesma coluna para alimentar a válvula de descarga e os demais pontos de utilização, algo vetado pela normal no caso de alimentação de misturadores ou aquecedores de água (Item 6.10.4.1) Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo Segundo a NBR 5626:2020, devem ser tomadas medidas que impeçam o refluxo de água considerada servida, não potável ou de qualidade desconhecida, visando preservar a potabilidade da água (item 6.15.2.1). Em cada ponto de utilização e de suprimento de água, devem ser previstas proteções localizadas contra refluxo, constituídas de dispositivos de proteção instalados o mais próximo possível do ponto. Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo O recurso mais efetivo na prevenção do refluxo é a separação atmosférica padronizada, definida como a separação física entre o ponto de entrega e o nível de transbordamento e cujos valores mínimos são apresentados pela NBR 5626 em função do diâmetro da tubulação de entrada (item 6.15.2.3). d (mm) S (mm) ≤ 14 ≥ 20 14 41 ≥ 2 ∗ 𝑑𝑑 Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo Figura 4 – Separação atmosférica padronizada em reservatório superior. Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo Figura 5 – Separação atmosférica padronizada em reservatório inferior. Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo Ainda segundo a NBR 5626:2020 (item 6.15.2.4), nos edifícios de múltiplos pavimentos alimentados a partir de reservatório superior, além da separação atmosférica, é necessário ainda que cada coluna de distribuição disponha de meios capazes de admitir ar por ocasião de seu esvaziamento e de expulsar durante o enchimento, além de expulsar bolhas formadas naturalmente pelo sistema em operação. Em residências unifamiliares alimentadas a partir de reservatório superior, a proteção de todos os pontos de utilização pode ser obtida pela ventilação da rede de maneira análoga a citada anteriormente, sendo dispensável no caso de coluna que alimente exclusivamente válvula de descarga (item 6.15.2.5). Figura 6 – Ventilação de coluna de distribuição. Colunas, ramais e sub-ramais Proteção contra refluxo O ponto de junção da tubulação de ventilação, ou da válvula ventosa de duplo efeito, com a coluna de distribuição deve estar localizado a jusante do registro de fechamento da própria coluna. Em caso de utilização de sistema de abastecimento direto, deve ser instalado um dispositivo de prevenção ao refluxo junto à fonte de abastecimento. Se o abastecimento for feito pela rede pública, essa exigência fica a critério da concessionária. Materiais utilizados Atualmente, existem uma grande variedade de materiais disponíveis segundo os quais as tubulações podem ser fabricadas, sendo a escolha adequada do material utilizadouma condição básica para o bom funcionamento das instalações. Dentre os principais tipos utilizados, podemos citar: ◦ PVC; ◦ CPVC; ◦ Ferro galvanizado; ◦ Cobre; ◦ PEX. Materiais utilizados PVC (Policloreto de vinila) Material mais utilizadas na instalações de água fria, podendo ser soldável (marrom) ou roscável (branco). Vantagens: resistente a corrosão; leve; de fácil transporte e manuseio; apresentam um baixo custo e menores perdas de carga. Desvantagens: baixa resistência ao calor e degradação em por exposição prolongada ao sol. Materiais utilizados CPVC (Policloreto de vinila clorado) Possui características similares aos de PVC, sendo utilizados não só para água fria, mas também para água quente. Possui como principal vantagem sua alta resistência ao calor (de até 80 °C) e a capacidade de mantê-la sem a necessidade de revestimentos térmicos. Além disso, por permitir solda a frio, constitui sistemas mais práticos e rápidos de serem executados em comparação aos de cobre. Materiais utilizados Ferro galvanizado Geralmente, são utilizados em instalações aparentes e nos sistemas hidráulicos de combate a incêndio. As conexões são muito utilizadas em pontos de torneiras de jardim, pias e tanques, por serem mais resistentes. Materiais utilizados Cobre Tradicionalmente, são utilizadas nas instalações de água quente, porém, também podem ser utilizadas em instalações de água. As tubulações de cobre proporcionam menores diâmetros no dimensionamento, entretanto, possuem custo superior ao PVC. Materiais utilizados PEX Apresenta elevada resistência e durabilidade, além de serem de fácil e rápida instalação, motivo pelo qual vem sendo cada mais utilizado. É importante destacar, porém, que apesar de serem de fácil instalação, as conexões da linha são “crimpadas”, ou seja, precisam de ferramentas especiais para sua instalação. Dispositivos controladores de fluxo São definidos como os dispositivos destinados a controlar, interromper e estabelecer o fornecimento de água nas tubulações e nos aparelhos sanitários. Normalmente, são fabricados em bronze, ferro fundido, latão e PVC. Os dispositivos mais importantes utilizados nas instalações hidráulicas são as torneiras, os misturadores, os registros (gaveta e pressão) e as válvulas. Instalação de registros Os registros hidráulicos são componentes empregados nas instalações de água e quente dos sistemas hidráulicos prediais e são divididos em dois tipos: de gaveta e de pressão. O registro de gaveta deve ser utilizado com a finalidade de interromper o fluxo de água (para eventuais manutenções por exemplo) e como registro geral nos trechos de alimentação dos ambientes. Já o registro de pressão, possui a função de controlar a vazão que passa pela tubulação e é instalado no trecho da tubulação que alimenta um ponto de utilização, como o do chuveiro. A principal diferença entre este registro e o de gaveta, é que nele a passagem de água se dá por uma passagem reduzida, regulando a vazão sem que o registro seja danificado. Instalação de registros As principais características que devem ser analisadas na escolha dos registros hidráulicos, são: ◦ Diâmetro → deve ser sempre igual ao diâmetro da tubulação na qual está instalado; ◦ Temperatura de utilização → diz respeito ao tipo de instalação no qual será instalado (água fria ou quente); ◦ Tipo de acoplamento → divididos em soldável ou roscável, devendo ser utilizado o tipo compatível com a tubulação na qual será instalado; ◦ Tipo da instalação → pode ser bruta ou com acabamento e dependem da instalação ser aparente ou embutida. Instalação de registros Definido o modelo de registro adequado ao tipo de tubulação da instalação, deve-se atentar quanto ao posicionamento e a altura de cada registro dentro do compartimento. Para os registros de gaveta, a altura padrão de instalação é de 180 cm em relação ao piso acabado e o seu posicionamento na parede deve ser definido em função do detalhe isométrico de água fria e quente e da interfaces com o layout do ambiente. Para os registros de pressão de chuveiros, a altura de instalação utilizada deve estar compreendida entre 100 e 110cm em relação ao piso acabado. Para os demais pontos (como banheiras) a altura irá depender das dimensões especificadas pelo fabricante. Figura 7 – Posições possíveis para o registro geral. Peças de utilização e aparelhos sanitários São os componentes da instalação destinados ao uso da água ou ao recebimentos de dejetos líquidos ou sólidos. As peças de utilização, são todos os dispositivos ligados aos sub-ramais destinados a utilização de água, como torneiras, chuveiros, etc. Devem sempre estar locados de modo a atender as exigências do usuário quanto ao conforto e ao padrão da edificação, sendo importante também levar em consideração os aspectos ergonômicos e de segurança. Já os aparelhos sanitários, são aqueles cujos fins são higiênicos ou para receber dejetos e/ou águas servidas, como lavatórios, banheiras, tanques, pias, etc. Peças de utilização e aparelhos sanitários Em qualquer tipo de edifícios, é preciso que sejam previstas quantidades adequadas de pontos de utilização e aparelhos sanitários. Para isso, deve-se consultar o Código de Obras municipal, para saber as exigências locais. Caso essa informação não esteja disponível, podem ser utilizadas tabelas propostas pela literatura, que apresentam as instalações sanitárias mínimas em função do tipo de edifício e da ocupação. Figura 8 – Instalações mínimas (parte 1). Figura 9 – Instalações mínimas (parte 2). Instalação de aparelhos sanitários A definição e a localização dos aparelhos deve, obrigatoriamente, estar apresentada no projeto arquitetônico, devendo sempre se evitar a instalação dos aparelhos em paredes opostas a ambientes de longa permanência. Para a altura dos pontos de utilização, recomenda-se que as alturas em relação ao piso acabado adotadas atendam às exigências da NBR 16728-2:2019 e da NBR 16727-2:2019, além das exigências dos fabricantes. Instalação de aparelhos sanitários Na prática, as alturas mais utilizadas são: ◦ Bacia sanitária c/válvula → h = 33 cm; ◦ Bacia sanitária c/caixa acoplada → h = 20 cm; ◦ Ducha higiênica → h = 50 cm; ◦ Banheira → h = 30 cm; ◦ Chuveiro → h = 220 cm; ◦ Lavatório → h = 60 cm; ◦ Mictório → h = 105 cm; ◦ Máquina de lavar roupa → h = 90 cm; ◦ Pia → h = 110 cm; ◦ Tanque → h = 115 cm; ◦ Válvula de descarga → h = 110 cm. Figura 10 – Detalhe isométrico (banheiro). Figura 11 – Detalhe isométrico (cozinha). Figura 12 – Detalhe isométrico (área de serviço). Vazões Segundo a NBR 5626:2020 (item 6.7.1.1), o projeto dos sistemas prediais deve estabelecer e explicitar as vazões consideradas nos pontos de utilização para o dimensionamento do sistema de distribuição, quando um ou mais pontos estiverem em uso. No caso de funcionamento simultâneo, a redução temporária e eventual da vazão em qualquer um dos pontos não pode comprometer o desempenho do sistema. Nos pontos de suprimento de reservatório de água potável, a vazão a ser considerada deve ainda ser o suficiente para a reposição total do volume destinado ao consumo diário de água em até 6 horas ou, no caso de residências unifamiliares, até 3 horas (item 6.7.2). Velocidade máxima Segundo a NBR 5626:2020 (itens 6.8.1 e 6.8.3), as tubulações devem dimensionadas de modo a limitar a velocidade de escoamento a valores que evitem golpes de aríete com intensidades prejudiciais aos componentes do sistema e a geração e a propagação de ruídos em níveis que excedam os valores descritos na NBR 10152:2017. Nos casos em que a tubulação não estiver sujeita a golpes de aríete e for dotada de meios adequados de isolação acústica ou em alojada em local que minimize ou impeça a propagação de ruídos, a limitação da velocidade poderá ser ignorada (item 6.8.4). A norma destaca ainda que a adoção de um limite máximo de velocidade igual a 3 m/s não impede a ocorrência de golpesde aríete, mas limita a magnitude dos picos de sobrepressão. Velocidade máxima Segundo Azevedo Netto, a velocidade máxima nas tubulações de sistemas prediais devem ainda serem limitadas à valores que respeita a expressão: 𝑣𝑣 = 14 ∗ 𝑑𝑑 (eq. 1) Onde: ◦ 𝑣𝑣 = velocidade máxima (m/s); ◦ 𝑑𝑑 = diâmetro nominal (m). A partir de valores obtidos pela equação 1 e da equação da continuidade, são apresentados valores práticos tabelados de velocidades e vazões máximas em função do diâmetro nominal. Velocidade máxima Velocidades e vazões máximas Diâmetro nominal (mm) Velocidade máxima (m/s) Vazão máxima (L/s) 20 1,98 0,62 25 2,21 1,08 32 2,50 2,01 40 2,80 3,51 50 3,00 5,89 60 3,00 8,48 75 3,00 13,25 85 3,00 17,02 110 3,00 28,51 Pressões mínima e máxima Quando trabalhamos com os sistemas prediais de água, consideramos três tipos de pressões: ◦ Pressão estática → pressão exercida nos tubos pela água parada; ◦ Pressão dinâmica → pressão exercida nos tubos pela água em movimento, devendo sempre se dar em valores capazes de assegura vazão de projeto; ◦ Pressão de serviço → pressão máxima que pode ser exercida em tubos, conexões, válvulas ou outro dispositivo, quando em uso normal. Geralmente são medidas em kgf/cm² ou kPa (kN/m²), porém, existem outras formas de expressar as medidas de pressão, sendo que a mais usual em instalações de água fria é o m.c.a (obs.: 1 𝑘𝑘𝑘𝑘𝑘𝑘/𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 ≅ 10 𝑐𝑐. 𝑐𝑐.𝑎𝑎 e 1 𝑘𝑘𝑘𝑘𝑎𝑎 ≅ 0,1 𝑐𝑐. 𝑐𝑐. 𝑎𝑎). Pressões mínima e máxima Pressão estática Em relação a pressão estática, a norma diz, em seu item 6.9.4, que em instalações prediais, em qualquer ponto de utilização, a pressão estática não pode superar 400 kPa (40 m.c.a), o que significa dizer que a diferença entre a altura do reservatório superior e o ponto mais baixo da instalação não pode ser superior a 40 metros. Em pressões superiores à esse valor, ocorrerão ruídos, golpes de aríete e a necessidade de manutenção constante nas instalações, motivo pelo qual em edifícios com altura superior a 40 metros, são adotadas soluções que visem minimizar as pressões, como as válvulas redutoras de pressão (solução mais utilizada). Figura 13 – Pressão estática (sem escoamento). Pressões mínima e máxima Pressão dinâmica Segundo a NBR 5626:2020 (item 6.9.3), com exceção de trechos verticais de tomada d’água nas saídas de reservatórios elevados para os respectivos barriletes, em qualquer ponto da rede de distribuição, a pressão em regime de escoamento não deve ser inferior a 5 kPa (0,5 m.c.a). Nos trechos verticais, a pressão dinâmica mínima em cada ponto deve ser tomada como o desnível geométrico ao nível d’água de cota mais baixa no reservatório, descontada a perda de carga até o ponto considerado. Esse valor visa impedir que o ponto mais crítico da rede de distribuição, geralmente o encontro entre o barrilete e a coluna de distribuição, tenha pressões negativas. Pressões mínima e máxima Pressão dinâmica Em relação aos pontos de utilização, a norma diz que a pressão dinâmica requerida para o seu adequado funcionamento operando com vazão de projeto deve ser obtida junto ao fabricante ou segundo a especificação técnica do produto (item 6.9.2). Ainda segundo a norma, em nenhuma situação, a pressão dinâmica da água nos pontos de utilização pode ser inferior a 10 kPa (1 m.c.a). Obs.: a versão anterior da NBR 5626 apresentava uma pressão dinâmica mínima de 5 kPa (0,5 m.c.a) para vasos sanitários com caixa acoplada e de 15 kPa (1,5 m.c.a) para vasos sanitários com válvula de descarga. Ideal: pressões dinâmicas próximas aos valores mínimos requeridos. Pressões mínima e máxima Pressão dinâmica Uma alternativa sugerida pela norma, quando a pressão dinâmica requerida do aparelho for constante para a faixa operacional de vazões previstas, é a utilização da equação: 𝑄𝑄 = 𝑘𝑘 ∗ 𝑘𝑘 (eq. 2) Onde: ◦ 𝑄𝑄 = vazão da peça de utilização (L/s); ◦ 𝑘𝑘 = fator de vazão (L.s-1.kPa-0,5); ◦ 𝑘𝑘 = pressão dinâmica requerida (kPa), não podendo jamais ser menor do que 10 kPa (1 m.c.a). Figura 14 – Pressão dinâmica (com escoamento). Figura 15 – Pressões dinâmicas e estáticas nos pontos de utilização. Pressões mínima e máxima Pressão de serviço Segundo a NBR 5626 (item 6.9.6), no dimensionamento das tubulações, devemos ainda considerar a ocorrência de sobrepressões originadas por transientes hidráulicos (golpes de aríete), sendo admitidas sobretensões de até 200 kPa (20 m.c.a), em relação a pressão dinâmica prevista em projeto. Ou seja, a pressão de serviço não deve ultrapassar o valor de 600 kPa (60 m.c.a), pois é o resultado da máxima pressão estática (400 kPa ou 40 m.c.a) somada à máxima sobretensão (200 kPa ou 20 m.c.a). Pressões mínima e máxima Visando manter a pressão dentro desses limites aceitáveis, existem dispositivos que são utilizados com o propósito de elevar ou reduzir a pressão nos pontos de utilização: ◦ Pressurizadores → Utilizados para aumentar a pressão na rede de distribuição, devem ser instalados o mais distante possível de locais em que é necessário silêncio, como dormitórios ou escritórios. Além disso, visando reduzir a ocorrência de vibrações, deve-se evitar que sejam instalados diretamente sobre as lajes (quando não for possível, utilizar base provida de amortecedores); Pressões mínima e máxima Visando manter a pressão dentro desses limites aceitáveis, existem dispositivos que são utilizados com o propósito de elevar ou reduzir a pressão nos pontos de utilização: ◦ Válvulas redutoras de pressão → Possuem a finalidade de regular a pressão de saída da água, visando reduzir danos, ruídos, golpes de aríete ou consumo excessivo. São muito utilizadas em substituição aos reservatórios intermediários e devem ser utilizadas sempre em um conjunto paralelo de pelo menos duas válvulas, servindo uma de reserva no caso da retirada da outra para manutenção. Perdas de carga Quando um fluido escoa, existe um movimento relativo entre a suas partículas, resultando em um atrito entre elas e fazendo com que energia seja dissipada na forma de calor. Desta forma, a perda de carga em uma canalização pode ser entendia como a diferença entre a energia inicial e a energia final ao fim do escoamento, podendo ocorrer em dois tipos possíveis: ◦ Distribuída → Perda de carga ocasionada pelo escoamento da água ao longo dos tubos; ◦ Localizada → Perda de carga ocasionada por dispositivos presentes nas tubulações (conexões, válvulas, registros, etc.). Assim, quando maior for o comprimento das tubulações, o número de conexões e a rugosidade dos tubos e menor for o diâmetro da tubulação, maiores serão as perdas de carga. Figura 16 – Fatores determinantes para a perda de carga. Perdas de carga Para a determinação das perdas de carga nas tubulações e das pressões dinâmicas nos pontos de utilização, a norma recomenda a utilização da equação universal (Darcy-Weisbach). Porém, a norma permite a utilização de equações empíricas, desde que adotada a equação mais adequada para o material e o diâmetro do trecho em análise (item 6.14.4). Nas instalações prediais, as perdas de carga são definidas em termos de perda de carga unitária por metro de tubulação (m/m ou m.c.a/m) e podem ser calculadas por duas principais equações: ◦ Equação de Hazen-Williams → Recomendada para tubulações com diâmetros superiores a 50 mm; ◦ Equação de Fair-Whipple-Hsiao → Recomendada para tubulações com diâmetros inferiores a 50 mm. Perdas de carga Para o cálculo da perda de carga unitária em tubulações com diâmetro superior a 50 mm, utiliza-se a equação de Hazen-Williams: 𝐽𝐽 = 10,65 ∗ 1 𝑑𝑑4,87 ∗ 𝑄𝑄 𝐶𝐶 1,85 (eq. 3) Onde: ◦ 𝐽𝐽 = perda de carga unitária (m/m ou m.c.a/m); ◦ 𝑑𝑑 = diâmetro do tubo (m); ◦ 𝑄𝑄 = vazão (m³/s); ◦ 𝐶𝐶 = coeficiente de Hazen-Williams, obtido por tabelas apresentadas na literatura. Perdas de carga Os valores do coeficiente de Hazen-Williams, conforme proposto por Azevedo Netto, são apresentadosna tabela abaixo: Material C Material C Aço corrugado 60 Concreto com acabamento comum 120 Aço galvanizado 125 Ferro fundido novo 130 Aço rebitado novo 110 Ferro fundido de 15 a 20 anos de uso 100 Aço rebitado em uso 85 Ferro fundido usado 90 Aço soldado novo 130 Ferro fundido revestido de cimento 130 Aço soldado em uso 90 Latão 130 Aço soldado com revestimento especial 130 Manilha cerâmica vidrada 110 Chumbo 130 Plástico 140 Cimento Amianto 140 Tijolos bem executados 100 Cobre 130 Vidro 140 Perdas de carga Para o cálculo da perda de carga unitária em tubulações com diâmetro inferior a 50 mm, utiliza- se a equação de Fair-Whipple-Hsiao, que pode ser escrita de duas formas distintas dependendo do material e, consequentemente, da rugosidade do tubo: ◦ Tubos de aço carbono (rugosos) → 𝐽𝐽 = 20,2 ∗ 106 ∗ 𝑄𝑄 1,88 𝑑𝑑4,88 (eq. 4) ◦ Tubos de plástico, cobre ou liga de cobre (lisos) → 𝐽𝐽 = 8,69 ∗ 106 ∗ 𝑄𝑄 1,75 𝑑𝑑4,75 (eq. 5) Onde: ◦ 𝐽𝐽 = perda de carga unitária (kPa/m); ◦ 𝑑𝑑 = diâmetro do tubo (mm); ◦ 𝑄𝑄 = vazão (L/s). Perdas de carga As equações anteriores, também podem ser escritas na forma: ◦ Tubos de aço carbono (rugosos) → 𝐽𝐽 = 2,02 ∗ 10−3 ∗ 𝑄𝑄 1,88 𝑑𝑑4,88 (eq. 6) ◦ Tubos de plástico, cobre ou liga de cobre (lisos) → 𝐽𝐽 = 8,69 ∗ 10−4 ∗ 𝑄𝑄 1,75 𝑑𝑑4,75 (eq. 7) Onde: ◦ 𝐽𝐽 = perda de carga unitária (m/m); ◦ 𝑑𝑑 = diâmetro do tubo (m); ◦ 𝑄𝑄 = vazão (m³/s). Perdas de carga As perdas de carga podem ainda ser obtidas por meio de ábacos de Fair-Whipple-Hsioa, que representam graficamente as relações entre diâmetro, vazão, velocidade e perdas de carga. Os ábacos são divididos em dois gráficos distintos, em função do material das tubulações: 1. Tubulações de aço galvanizado e ferro fundido; 2. Tubulações de cobre e plástico. Para a sua utilização, marca-se ao menos duas informações nas colunas pertinentes e, passando uma reta que toca ambos os pontos marcados, encontra-se a informação desejada. Figura 17 – Ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubulações de aço galvanizado e ferro fundido. Figura 18 – Ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubulações de cobre e plástico. Figura 19 – Ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubulações de cobre e plástico (Exemplo). D = 50 mm Q = 2,36 l/s V = 1,08 m/s J = 0,025 m/m Perdas de carga Durante o escoamento por tubulações, são observadas ainda perdas de carga localizadas, originadas em conexões, registros e válvulas devido à elevação da turbulência da água nesses pontos. Nos projetos de instalações prediais, essas perdas de carga localizadas são obtidas por tabelas fornecidas pelos fabricantes de tubos e conexões, que fornecem a perda de carga localizada em termos de comprimento equivalente de canalização (𝐿𝐿𝑒𝑒𝑒𝑒). Assim, a perda de carga total do sistema pode ser calculada por meio da seguinte fórmula: ℎ𝑓𝑓 = 𝐽𝐽 ∗ 𝐿𝐿𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 (eq. 8) Onde: ◦ ℎ𝑓𝑓 = perda de carga total (m ou m.c.a); ◦ 𝐽𝐽 = perda de carga unitária (m/m ou m.c.a/m); ◦ 𝐿𝐿𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡𝑡 = comprimento total (m). Figura 20 – Perdas de carga localizadas (equivalência em metros de tubulação de PVC rígido). Perdas de carga Para os registros de pressão, a perda de carga é calculada pela expressão: ℎ𝑓𝑓 = 8 ∗ 106 ∗ 𝐾𝐾 ∗ 𝑄𝑄2 𝜋𝜋2∗𝑑𝑑4 (eq. 9) Onde: ◦ ℎ𝑓𝑓 = perda de carga no registro de pressão (kPa); ◦ 𝐾𝐾 = coeficiente de perda de carga do registro, tabelado e apresentado na NBR 15704-1:2009; ◦ 𝑄𝑄 = vazão estimada (L/s); ◦ 𝑑𝑑 = diâmetro interno da tubulação (mm). Perdas de carga No caso de hidrômetros individuais, a perda de carga é calculada pela expressão: ℎ𝑓𝑓 = 36∗𝑄𝑄 2 𝑄𝑄𝑚𝑚𝑚𝑚𝑚 2 (eq. 10) Onde: ◦ ℎ𝑓𝑓 = perda de carga no hidrômetro (kPa); ◦ 𝑄𝑄 = vazão estimada (L/s); ◦ 𝑄𝑄𝑚𝑚𝑚𝑚𝑚 = vazão máxima específica para o hidrômetro (m³/h); Perdas de carga Assim, conhecidas as perdas de carga de um determinado trecho, é possível que seja calculada a pressão dinâmica ao fim deste trecho por meio da expressão: 𝑘𝑘𝑓𝑓 = 𝑘𝑘𝑖𝑖 ± 𝐻𝐻 − ℎ𝑓𝑓 (eq. 11) Onde: ◦ 𝑘𝑘𝑓𝑓 = pressão dinâmica ao final do trecho considerado, expressa em termos de carga (m ou m.c.a); ◦ 𝑘𝑘𝑖𝑖 = pressão dinâmica no início do trecho considerado, expressa em termos de carga (m ou m.c.a); ◦ 𝐻𝐻 = desnível geométrico entre os pontos inicial e final do trecho considerado (m); ◦ ℎ𝑓𝑓 = perda de carga total do trecho considerado (m ou m.c.a). Perdas de carga Ex. 1: Calcular a pressão dinâmica disponível no ponto do chuveiro do esquema hidráulico representado na figura ao lado, sabendo-se que a perda de carga total entre o reservatório e o chuveiro é de 2,0 m.c.a (metros de coluna de água). Perdas de carga Ex. 2: Para o sistema ao lado, calcule qual será a pressão disponível, em termos de carga (mca), para o chuveiro. Dados: ◦ Tubulações de PVC rígido soldável; ◦ Demanda total do banheiro = 0,25 L/s; ◦ Demanda do chuveiro = 0,10 L/s. Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT�Campus Universitário do Araguaia – CUA�Instituto de ciências exatas e da Terra – ICET�Curso de Engenharia civil Rede de distribuição Rede de distribuição Número do slide 4 Rede de distribuição Rede de distribuição Rede de distribuição Barrilete Barrilete Colunas, ramais e sub-ramais Colunas, ramais e sub-ramais Colunas, ramais e sub-ramais Colunas, ramais e sub-ramais Colunas, ramais e sub-ramais Colunas, ramais e sub-ramais Número do slide 16 Colunas, ramais e sub-ramais Materiais utilizados Materiais utilizados Materiais utilizados Materiais utilizados Materiais utilizados Materiais utilizados Dispositivos controladores de fluxo Instalação de registros Instalação de registros Instalação de registros Número do slide 28 Peças de utilização e aparelhos sanitários Peças de utilização e aparelhos sanitários Número do slide 31 Número do slide 32 Instalação de aparelhos sanitários Instalação de aparelhos sanitários Número do slide 35 Número do slide 36 Número do slide 37 Vazões Velocidade máxima Velocidade máxima Velocidade máxima Pressões mínima e máxima Pressões mínima e máxima Número do slide 44 Pressões mínima e máxima Pressões mínima e máxima Pressões mínima e máxima Número do slide 48 Número do slide 49 Pressões mínima e máxima Pressões mínima e máxima Pressões mínima e máxima Perdas de carga Número do slide 54 Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Número do slide 61 Número do slide 62 Número do slide 63 Perdas de carga Número do slide 65 Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga Perdas de carga