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Formação e Gestão de Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil CEPED/UFSC | Florianópolis, 2023 1ª edição | atualizado em novembro de 2023 CEPED/UFSC FLORIANÓPOLIS, 2023 1ª edição - atualizado em novembro de 2023 Formação e Gestão de Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil Ficha Institucional REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente da República) MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL – MIDR Waldez Góes (Ministro) SECRETARIA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL – SEDEC Wolnei Aparecido Wolff Barreiros (Secretário) DEPARTAMENTO DE ARTICULAÇÃO E GESTÃO – DAG Karine da Silva Lopes (Diretora) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC Prof. Irineu Manoel de Souza, Dr. (Reitor) CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM ENGENHARIA E DEFESA CIVIL – CEPED Profa. Ana Maria Bencciveni Franzoni, Dra. (Coordenadora-Geral e do Projeto) Rafael Schadeck (Coordenador Técnico) FUNDAÇÃO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOCIOECONÔMICOS – FEPESE Prof. Mauro dos Santos Fiuza (Presidente) Abreviaturas e siglas Cemaden Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais Compdec Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil CONPDEC Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil DIRD Década Internacional para Redução dos Desastres Naturais DCM Defesa Civil Municipal ERRD Educação para Redução de Riscos de Desastres EVG Escola Virtual de Governo GRD Gestão de Riscos de Desastres MCTI Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações MIDR Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional Nudecs Núcleos Comunitários de Defesa Civil Nupdecs Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil NAC Núcleos de Alerta de Chuva ONU Organização das Nações Unidas ONG Organização não Governamental RRD Redução de Riscos de Desastres Sedec Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil Semdec Secretaria Municipal da Defesa Social e da Cidadania SGB/CPRM Serviço Geológico Brasileiro SINPDEC Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil Plancon Plano de Contingência Municipal PMRR Plano Municipal de Redução de Riscos PNDC Política Nacional de Defesa Civil PNPDEC Política Nacional de Proteção e Defesa Civil PDCE Projeto Defesa Civil nas Escolas P&DC Proteção e Defesa Civil Apresentação 6 O que se espera Desenvolver competências necessárias e ampliar o conhecimento sobre mobilização, tanto para a população em geral quanto para o aperfeiçoamento de agentes de Proteção e Defesa Civil, relacionado com a formação e manutenção de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs). Para quem será Essa capacitação destina-se a: Δ Comunidades expostas a riscos de desastres; Δ Sociedade civil e interessados na temática de gestão de riscos e de desastres; e Δ Agentes de proteção e defesa civil dos municípios. Como o curso está dividido? Neste curso serão abordadas as competências necessárias para que a comunidade e os agentes municipais de Proteção e Defesa Civil (P&DC) sejam capazes de formar e manter Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs), considerando as especificidades existentes em seu município. Nesse sentido, esta capacitação está estruturada em três módulos. Confira a seguir: Apresentação 7 No 1º módulo você conhecerá um breve histórico do Sistema de Proteção e Defesa Civil no Brasil e no mundo, os conceitos e a estruturação básica da Defesa Civil Municipal (DCM), assim como a legislação relacionada com o tema. Além disso, será apresentada a importância da existência de uma sociedade civil organizada e participativa nas ações de P&DC e um breve relato sobre o processo de formação e manutenção dos Nupdecs no Brasil. Módulo 1. Já no 2º módulo será englobado todo o processo de formação de um Nupdec de forma detalhada, abordando o passo a passo conforme o fluxograma exposto no primeiro módulo. Com isso serão apresentadas as ações de preparação, assim como serão detalhados os passos para a formação e capacitação do Nupdec, e para a elaboração do Plano de Ações correspondente às atividades desenvolvidas pelo núcleo. Módulo 2. No 3º módulo você entenderá como ocorre a mobilização dos voluntários para a formação do Nupdec, bem como o processo de formalização e o plano de gestão de um Nupdec para a sua manutenção e permanência em períodos de normalidade. Você também conhecerá alguns exemplos práticos desenvolvidos em diferentes realidades nos municípios brasileiros. Módulo 3. Agora que você já sabe o que irá estudar neste curso, siga para os próximos módulos! Sumário Os Nupdecs e a Participação Social na P&DC 11 O Sistema de P&DC Municipal 12 Contexto histórico 12 Conceitos e estrutura 22 A Participação Social e a P&DC 29 Organização social e a P&DC 33 Comunicação social 37 Lideranças comunitárias e agentes formadores 41 Formação e Manutenção de um Nupdec 44 Contextualização 46 Formação de Nupdecs 49 Manutenção de Nupdecs 57 Referências 60 Módulo 1 Sumário Formação de um Nupdec 66 Ações de Preparação 67 O Sistema de Proteção e Defesa Civil e os Nupdecs 67 Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco 72 Formação e Capacitação do Nupdec 82 Passo 1 – Formação e Capacitação 82 Mobilização da comunidade 82 Capacitação dos membros do Nupdec 84 Plano de Ação e Voluntariado 92 Passo 2 – Ações 92 Plano de Ações 92 Capacitação e Treinamento 101 Referências 112 Módulo 2 Sumário O Nupdec como Instrumento Permanente de GRD 114 Atuação do Voluntariado 115 Mobilização de voluntariado 117 Desenvolvimento de atividades voluntárias 122 Formalização e continuidade do Nupdec 130 Regimento interno 131 Plano de gestão do Nupdec 133 Boas práticas 136 Referências 148 Módulo 3 Módulo 1. Os Nupdecs e a Participação Social na P&DC Para começarmos o curso, inicialmente, é necessário compreender a atuação do Sistema de Proteção e Defesa Civil e sua estrutura, principalmente no âmbito municipal, bem como entender a importância dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil e quais são os princípios básicos que envolvem sua formação e manutenção. Com isso, este módulo encontra-se dividido nas seguintes unidades: • Unidade 1. O Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal • Unidade 2. A Participação Social e a P&DC • Unidade 3. Formação e Manutenção de um Nupdec É hora de começar! Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 12 O Sistema de P&DC Municipal A Proteção e Defesa Civil desempenha um papel fundamental na garantia da segurança e bem-estar das comunidades frente aos riscos de desastres. No âmbito municipal, o Sistema de Proteção e Defesa Civil é responsável por coordenar e implementar ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de eventos adversos. Compreender a atuação desse sistema é essencial para capacitar agentes municipais e fortalecer a resiliência das comunidades. Contexto histórico O Sistema de Proteção e Defesa Civil, tanto no Brasil como no mundo, tem sido construído majoritariamente de forma reativa à ocorrência de desastres catastróficos, ou seja, aprendendo com o erro. Durante o período de 1960 a 1969, o mundo enfrentou inúmeros desastres de alto impacto, como o terremoto Buyin-Zara (1962), o terremoto em Skoplje (1963) e o Furacão Flora (1963), entre outros. Em decorrência disso, a Organizações das Nações Unidas (ONU), por meio de sua Assembleia Geral, iniciou a publicação de resoluções relacionadas com a assistência aos atingidos por desastres naturais. Fonte: ReproduçãoTerremoto em Skoplje (1963) Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 13 Somente na década de 80, também marcada pela ocorrência de inúmeros desastres catastróficos (inundações no Sudão e Bangladesh, tufões nas Filipinas, furacões na América Latina e no Caribe, infestações de gafanhotos na África, secas no Afeganistão e na Etiópia, entre outros), a Assembleia Geral da ONU reconheceu a necessidade de reduzir o impacto dos desastres naturais e os pedidos para desenvolver ume definição de questões públicas Formulação: Diagnóstico e monitoramento Definição de soluções: sobre questões públicas e comunitárias Implementação: execução de soluções Referências 61 Referências ANDREATTI, J. B. Criação de um plano de ação com o NUPDEC. Espírito Santo: Defesa Civil do Espírito Santo, [s. d.]. ANDREATTI, J. B. Mobilizando a comunidade para o Nupdec. Espírito Santo: Defesa Civil do Espírito Santo, [s. d.]. ANDREATTI, J. B. Implantação e funcionamento do núcleo comunitário de proteção e defesa civil (NUPDEC). Espírito Santo: Defesa Civil do Espírito Santo, [s. d.]. BANDEIRA, Wendell Lima. Organização social e as redes sociais para o desenvolvimento local: o caso da coopazçu na região do Zé Açu, município de Parintins/AM. 2021. Dissertação (Mestrado) - Políticas Públicas e Desenvolvimento, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Foz do Iguaçu, 2021. Disponível em: https://dspace.unila.edu.br/bitstream/ handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20 as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20 o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20 Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/ AM?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 fev. 2023. BEPPLER, Cleonice Maria. Manual mobilização comunitária para NUPDEC. Adaptação de apostila sobre implantação e operacionalização de COMDEC. Camboriú: Instituto Federal Catarinense, 2018. BRASIL. Decreto nº 9.775/1946. Dispõe sôbre as atribuições do Conselho de Segurança Nacional e de seus órgãos complementares e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1946. Disponível em: https://www.planalto. gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del9775.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://dspace.unila.edu.br/bitstream/handle/123456789/6236/Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Social%20e%20as%20Redes%20Sociais%20para%20o%20Desenvolvimento%20Local%3A%20o%20Caso%20da%20COOPAZ%C3%87U%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20Z%C3%A9%20A%C3%A7u%2C%20Munic%C3%ADpio%20de%20Parintins/AM?sequence=1&isAllowed=y https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del9775.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del9775.htm 62 Referências BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. BRASIL. Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. BRASIL. Decreto nº 5.376, de 17 de fevereiro de 2005. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC e o Conselho Nacional de Defesa Civil, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5376.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. BRASIL. Decreto nº 7.257, de 4 de agosto de 2010. Regulamenta a Medida Provisória no 494 de 2 de julho de 2010, para dispor sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC, sobre o reconhecimento de situação de emergência e estado de calamidade pública, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7257.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. BRASIL. Lei Federal nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1º de dezembro de 2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5376.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7257.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7257.htm 63 Referências de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras providências. Brasilia, DF: Presidencia da Republica, 2012. Disponivel em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. CARTAGENA, Sarah Marcela Chinchilla. Participação social e políticas públicas na gestão de risco de desastre: dos aspectos legais às práticas dos gestores públicos catarinenses. 2015. Dissertação (Mestrado) Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental - Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Florianópolis, 2015. Disponível em: https://www.faed.udesc.br/arquivos/ id_submenu/1962/sarah_marcela_chinchilla_cartagena.pdf. Acesso em: 16 fev. 2023. CARTAGENA, Sarah; FREITAS, Mário Jorge C. C. Guia de orientação. Comunicação de Risco para Gestores Municipais. Defesa Civil de Santa Catarina; Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc): Florianópolis, 2017. DAGNINO, Evelina. Construção democrática, neoliberalismo e participação: os dilemas da confluência perversa. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 3, n. 5, p. 139 - 164, outubro, 2004. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ politica/article/view/1983/1732. Acesso em: 8 ago. 2023. DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. São Paulo: Brasiliense, 1984. DEFESA CIVIL DE ARACAJU. Formação e implementação dos núcleos comunitários de proteção e defesa civil - NUPDECS. Aracaju: [s. n.], [s. d.]. DEFESA CIVIL DE SANTA LEOPOLDINA. NUPDEC: núcleo de voluntários em DC. Santa Leopoldina: [s. n.], [s. d.]. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm https://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1962/sarah_marcela_chinchilla_cartagena.pdf https://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1962/sarah_marcela_chinchilla_cartagena.pdf https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1983/1732https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1983/1732 64 Referências JESUS, Simone Aparecida Marcelino de. Os núcleos comunitários de proteção e defesa civil: estudo de caso dos municípios de Botuverá e Brusque. Dissertação (Mestrado) – Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Florianópolis, 2014. Disponível em: http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1167/simone_aparecida_ marcelino_de_ jesus.pdf. Acesso em: 16 fev. 2023. LUCENA, Rejane. Manual de formação de NUDECs. [s. l.]: [s. n.], 2005. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/ publicacoes/manual_nudec.pdf. Acesso em: 16 fev. 2023. MATOS, Aécio Gomes de. Organização social de base: reflexões sobre significados e métodos. Brasília: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – NEAD / Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável / Ministério do Desenvolvimento Agrário, Editorial Abaré, 2003. Disponível em: https://www.inesul.edu.br/site/documentos/organizacao_social_base.pdf. Acesso em: 16 fev. 2023. TWIGG, John. Guidance notes on participation and accountability. [s. l.]: [s. n.], 2001. Disponível em: https://www.academia.edu/6998062/Guidance_Note_on_ Participation_and_Accountability_in_Disaster_Reduction. Acesso em: 8 ago. 2023. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC). Centro Universitário de Pesquisa e Estudos Sobre Desastres. Capacitação básica em Defesa Civil. Florianópolis: CAD/UFSC, 2013. Disponível em: https://www.ceped.ufsc.br/wp- content/uploads/2012/01/Capacita%C3%A7%C3%A3o-B%C3%A1sica-em- Defesa-Civil-livro-texto.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023. http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1167/simone_aparecida_marcelino_de_jesus.pdf http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1167/simone_aparecida_marcelino_de_jesus.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf https://www.inesul.edu.br/site/documentos/organizacao_social_base.pdf https://www.academia.edu/6998062/Guidance_Note_on_Participation_and_Accountability_in_Disaster_Reduction https://www.academia.edu/6998062/Guidance_Note_on_Participation_and_Accountability_in_Disaster_Reduction https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2012/01/Capacita%C3%A7%C3%A3o-B%C3%A1sica-em-Defesa-Civil-livro-texto.pdf https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2012/01/Capacita%C3%A7%C3%A3o-B%C3%A1sica-em-Defesa-Civil-livro-texto.pdf https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2012/01/Capacita%C3%A7%C3%A3o-B%C3%A1sica-em-Defesa-Civil-livro-texto.pdf 65 Referências UNITED NATIONS OFFICE FOR DISASTER RISK REDUCTION (UNDRR). Construindo Cidades Resilientes (MCR2030). [s. l.]: [s. n.], 2020. Disponível em: https://mcr2030.undrr.org/sites/default/files/2021-04/MCR2030%20in%20 Portuguese%20ver.2%20%2820210323%29.pdf. Acesso em: 05 abr. 2023. UNITED NATIONS (UN). General Assembly (1989). International Framework of action for the International Decade for Natural Disaster Reduction. [s. l.]: ONU, 1989. Disponível em: https://digitallibrary.un.org/record/82536. Acesso em: 17 jun. 2023. UNITED NATIONS (UN). Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015 – 2030. Sendai: United Nations, 2015. Disponível em: https://www.preventionweb. net/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030. Acesso em: 8 ago. 2023. UNITED NATIONS (UN). Resolução 69/284. Resolution adopted by the General Assembly on 3 June 2015. Sendai: United Nations, 2015. Disponível em: https:// www.preventionweb.net/files/resolutions/N1516723.pdf. Acesso em: 8 ago. 2023. UNDRR. United Nations Office For Disaster Risk Reduction. Sendai Framework Terminology on Disaster Risk Reduction. [s. l.]: [s. n.], 2017. Disponível em: https:// www.undrr.org/terminology. Acesso em: 05 abr. 2023. https://mcr2030.undrr.org/sites/default/files/2021-04/MCR2030%20in%20Portuguese%20ver.2%20%2820210323%29.pdf https://mcr2030.undrr.org/sites/default/files/2021-04/MCR2030%20in%20Portuguese%20ver.2%20%2820210323%29.pdf https://digitallibrary.un.org/record/82536 https://www.preventionweb.net/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030 https://www.preventionweb.net/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030 https://www.preventionweb.net/files/resolutions/N1516723.pdf https://www.preventionweb.net/files/resolutions/N1516723.pdf https://www.undrr.org/terminology https://www.undrr.org/terminology Módulo 2. Formação de um Nupdec Agora que já iniciamos nossos estudos com um panorama sobre a importância e atuação dos Nupdecs no Brasil, vamos estudar o processo de formação dos núcleos. Apesar de ser apresentada uma sugestão de passo a passo a ser seguida, cabe ressaltar que cada comunidade tem suas características específicas e, em função disso, é importante que cada ação seja adaptada para a realidade local, considerando tanto suas demandas como sua capacidade de gestão e de organização e mobilização social. Com esse objetivo, seguiremos três unidades principais, conforme apresentado a seguir: • Unidade 1. Ações de Preparação • Unidade 2. Formação e Capacitação do Nupdec • Unidade 3. Plano de Ação e Voluntariado É hora de começar! Módulo 2. 67Formação e Gestão de Nupdec Ações de Preparação Já vimos, introdutoriamente, no primeiro módulo deste curso, os processos necessários para implantação de Nupdecs. A partir daqui vamos aprofundar os estudos sobre o tema. Nesta unidade iremos aprender sobre a relação do Sistema de Proteção e Defesa Civil das esferas municipal e estadual com os Nupdecs, e o conhecimento inicial necessário à formação de um núcleo. Com isso, vamos iniciar nossos estudos pela estrutura da gestão municipal e estadual, discorrendo sobre a importância da consolidação das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil. Em um segundo momento iremos aprender como se dá a construção da percepção de risco no município, tanto dos agentes públicos como da comunidade. O Sistema de Proteção e Defesa Civil e os Nupdecs Conforme estudamos no primeiro módulo, sabemos que na estrutura do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil a atuação municipal se dá por meio das Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil, conhecidas como Compdecs. Já no âmbito estadual, tem-se as Secretarias de Estado da Proteção e Defesa Civil. É importante ressaltar que para a formação de um Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil não há como exigência a existência de nenhuma das estruturas de P&DC, nem municipal e nem estadual. No entanto, ter o acompanhamento de agentes de Proteção e Defesa Civil é muito importante para um pleno desenvolvimento dos objetivos de um Nupdec. Módulo 2. 68Formação e Gestão de Nupdec Apesar disso, é importante afirmar a responsabilidade da gestão pública em relação ao tema. Conforme definido pela Lei nº 12.608/2012, compete aos estados e aos municípios a execução da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) em seu âmbito territorial. O Nupdec é um tipo de organização do sistema municipal, portanto é coordenado e apoiado pela Compdec e não subordinado a ela. Para se aprofundar mais no tema da estrutura do SINPDEC, a Sedec/MIDR disponibiliza a Capacitação em Proteção e Defesa Civil, com os cursos listados a seguir. Curso 1: Proteção e Defesa Civil - Introdução à Política Nacional Curso 2: Proteção e Defesa Civil - Atuação no Âmbito Municipal Curso 3: Proteção e Defesa Civil - Gestão de Risco Curso 4: Proteção e Defesa Civil - Gestão de Desastre Clique aqui para ter acesso a esses e aos demais cursos oferecidos pela Sedec/MIDR. Assim, para que a gestão municipal exerça, na íntegra, as ações de proteção e defesa civil, é essencial a existência de uma Compdec articulada com a estrutura da administração municipal, com estreita relação comos demais órgãos bem como com as diversas comunidades. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm https://www.escolavirtual.gov.br/catalogo?query=&carga_horaria=&conteudistas%5B%5D=11 Módulo 2. 69Formação e Gestão de Nupdec Vale lembrar que a Compdec atua em todas as etapas do ciclo de gestão em proteção e defesa civil, ou seja, na prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Portanto, embora não exista uma regra para sua constituição, o dimensionamento para consolidação da Compdec precisa considerar a organização do órgão e suas principais características funcionais, quais sejam: Δ conhecimento permanente das ameaças e riscos; Δ atuação preventiva em todas as fases da defesa civil; Δ preparação para enfrentamento dos desastres; Δ gestão aproximada com as instituições públicas e cidades vizinhas; Δ interação permanente com a comunidade; Δ educação para convivência com o risco; e Δ visibilidade institucional. Veja, a seguir, um pouco sobre a articulação da Compdec com outros órgãos setoriais e sua relação com os Nupdecs. Essa articulação torna-se possível por meio de uma atuação permanente e integral, independentemente da existência ou não de evento adverso. Módulo 2. 70Formação e Gestão de Nupdec Órgãos setoriais e de apoio para articulação da Compdec Os setores de articulação da Compdec são constituídos por órgãos e entidades da Administração Pública Municipal, Estadual e Federal sediados no município, os quais se responsabilizam pelas ações integradas do SINPDEC que se fizerem necessárias, sob a coordenação da Compdec. A distribuição das atividades obedece à lógica do órgão mais vocacionado para desempenhar de forma mais eficaz as ações que lhes são atribuídas. Por sua vez, os órgãos de apoio são os órgãos e entidades públicas e privadas, associações de voluntários, clubes de serviços, organizações não governamentais, associações de classe e comunitárias que apoiam os demais órgãos integrantes do SINPDEC, também sob a coordenação da Compdec. É desejável que os órgãos setoriais e de apoio ao SINPDEC no município sejam amplamente diversificados, permitindo uma amplitude multidisciplinar que abranja as seguintes áreas setoriais: Δ Saúde Pública, Assistencial, Mental, Emergencial e Atendimento Pré-Hospitalar; Δ Bombeiros; Δ Guarda Municipal, Polícia Rodoviária, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal; Δ Forças Armadas do Exército, Marinha e Aeronáutica; Δ Educação, Ciência e Tecnologia e Esportes; Δ Obras Públicas, Habitação e Saneamento Básico; Módulo 2. 71Formação e Gestão de Nupdec Δ Assistência Social e Promoção Social; Δ Trabalho e Previdência social; Δ Agricultura e Abastecimento; Δ Transporte; Δ Minas e Energia; Δ Comunicações; Δ Meio Ambiente; Δ Economia e Finanças; e Δ Justiça. Nesse contexto, os Nupdecs terão importante contribuição para que as Compdecs possam se aproximar das populações de áreas de risco e ampliar suas ações de redução de riscos de desastres (RRD), podendo estar organizados em diferentes grupos comunitários que constituem os distritos, vilas, povoados, bairros, quarteirões, edificações de grande porte, escolas e distritos industriais. Funcionam, portanto, como elos entre a comunidade e o governo municipal com o objetivo de reduzir desastres e de promover a segurança da população. Com isso, quanto mais ampla for a atuação do Nupdec, mais sólida será a estrutura municipal de proteção e defesa civil e a relação de parceria que se estabelece com as comunidades. Módulo 2. 72Formação e Gestão de Nupdec Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco Agora que compreendemos melhor a atuação do Nupdec e sua relação com o Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal, vamos estudar o passo a passo de formação de um núcleo. Para isso, vamos iniciar nossos estudos relembrando do fluxograma apresentado no início do curso. Cabe ressaltar que os passos aqui apresentados são sugestões para orientar o processo de formação dos Nupdecs, sendo fundamental sua adaptação à realidade local considerando as especificidades, tanto da comunidade como da estrutura, e a capacidade da gestão municipal. Fonte: Rovena Rosa/Agência Brasil Treinamento, na comunidade Jardim Nair, em São Paulo, simulou vazamento de diesel Módulo 2. 73Formação e Gestão de Nupdec Iniciativa Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco Estudo por meio do qual serão identificados os principais riscos e definidas as áreas prioritárias de atuação na comunidade ou no município como um todo. Passo 1 – Formação e Capacitação Processo de formação e capacitação que deve envolver todos os interessados na constituição do Nupdec. Ao término da capacitação, estará formado um grupo sólido, com disponibilidade de tempo para atuação direta nas ações do núcleo. Passo 2 – Ações Elaboração do Plano de Ações de curto, médio e longo prazo, que devem englobar treinamentos periódicos e ações de Redução de Risco de Desastres junto com a comunidade. Comunidade A comunidade interessada em construir um Nupdec busca pelo agente municipal, levando suas ideias e demandas. Gestor Público O gestor define quais as comunidades prioritárias para formação do Nupdecs, fazendo o contato inicial com a comunidade. Módulo 2. 74Formação e Gestão de Nupdec Iniciativa: Gestor Público Considerando a iniciativa pelo gestor público, inicialmente é necessário identificar quais comunidades do município têm maior urgência pela implementação de um Nupdec. Dessa forma, cabe ao gestor analisar as áreas de risco de todo o município, podendo classificá-las por níveis e intensidade de risco e prioridade de atuação. Conforme a realidade de cada local, existem fontes de dados secundários que podem ser consultadas para iniciar o desenvolvimento da identificação das áreas de risco no município. Os dados disponíveis irão definir como poderão ser analisadas as áreas de risco de todo o território municipal. Atualmente a principal fonte de dados relacionados ao tema no Brasil é o Serviço Geológico Brasileiro (SGB/CPRM). Por meio do setor de Prevenção de Desastres é possível acessar diversos materiais, como setorização de risco, cartas de perigo, cartas geotécnicas, entre outros. A seguir é apresentado um fluxograma que pode ser seguido para que os agentes de Proteção e Defesa Civil desenvolvam a avaliação de risco em seu município, identificando, classificando e mapeando as áreas de risco. Como o tema não é o foco central deste curso, as atividades a serem desenvolvidas em cada etapa não serão aprofundadas. 3. Diagnóstico das Capacidades 2. Análise dos Fatores de Risco Avaliação de Risco 4. Definição das Intervenções 1. Relatório Diagnóstico http://www.sgb.gov.br/publique/Gestao-Territorial/Prevencao-de-Desastres-38 Módulo 2. 75Formação e Gestão de Nupdec 1 Relatório Diagnóstico: identificar e descrever as principais ameaças de desastres existentes na área de interesse. 2 Análise dos Fatores de Risco: analisar a ameaça, exposição e vulnerabilidade, definindo a relação entre a probabilidade de determinado evento ocorrer e o impacto decorrente provável. 3 Diagnóstico das Capacidades: realizar o diagnóstico situacional do sistema de P&DC e da atuação intersetorial dos órgãos de defesa civil na área de interesse. 4 Definição das Intervenções: proposição de intervenções estruturais e não estruturais para prevenir e mitigar o risco de desastres. Uma vez que o gestor tem as informações sobre as áreas de risco do município, sugere-se a criação de uma tabela identificando as comunidades em dois níveis de risco: amarelo e vermelho, como no exemplo que segue: Nível de Risco (amarelo e vermelho) Comunidade A Amarelo Comunidade B Vermelho Comunidade C Vermelho Comunidade D Amarelo Comunidade E Amarelo Comunidade F Vermelho Módulo 2. 76Formação e Gestão de Nupdec Em seguida, o gestor deve realizar um levantamento sobres as característicasde mobilização comunitária com base nas informações já trabalhadas no Módulo 1, ou seja, suas lideranças formais e informais, a existência de organizações e associações ativas, bem como o interesse da comunidade nos assuntos de RRD. Essas informações devem completar a tabela: NÍVEL DE RISCO CARACTERÍSTICAS DAS COMUNIDADES (amarelo e vermelho) Interesse na temática de RRD Mobilização e organizações ativas Comunidade A (Amarelo) X X Comunidade B (Vermelho) X X Comunidade C (Vermelho) X Comunidade D (Amarelo) X Comunidade E (Amarelo) X Comunidade F (Vermelho) X Por fim, será preciso priorizar as comunidades com base nas informações coletadas e sistematizadas. Para tanto, considera-se que quanto mais interesse as comunidades tenham, mais chances de um Nupdec manter-se em funcionamento, sendo a existência de mobilização e organizações ativas um facilitador do trabalho de implantação e manutenção de um Nupdec. Módulo 2. 77Formação e Gestão de Nupdec Identificadas então, quais comunidades possuem maior interesse e mobilização, o gestor público deverá iniciar o trabalho pelas primeiras de sua lista, tomando o cuidado de dimensioná-lo de acordo com suas capacidades. Mais vale uma única comunidade com um Nupdec forte e bem constituído, cuja atuação a equipe da Compdec consiga acompanhar e apoiar, do que muitas comunidades com Nupdecs que logo se desmobilizam por falta de apoio e acompanhamento. Prioridade Comunidade Características 1 Comunidade B Interesse e mobilização 2 Comunidade C Interesse 3 Comunidade A Interesse e mobilização 4 Comunidade D Interesse 5 Comunidade F Mobilização 6 Comunidade E Mobilização Nesse sentido, considerando as características e o nível de risco de cada comunidade, a ordem de prioridade para implementação de Nupdecs é sugerida conforme apresentado a seguir: Módulo 2. 78Formação e Gestão de Nupdec É preciso considerar que este resultado se refere a um contexto em que não haja comunidades com iniciativa própria para constituição de Nupdecs. Se, a qualquer momento, uma comunidade apresentar ao poder público sua disposição para constituição de um Nupdec, ela pode ser posicionada como de primeira prioridade na lista, sem prejuízo aos trabalhos que já tenham sido iniciados em outras comunidades. Iniciativa: Comunidade Conforme vimos anteriormente, a demanda de criação de um Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil pode surgir por meio da iniciativa da comunidade. De modo geral, quando essa demanda é organizada e repassada para o gestor público, significa que já existe algum nível de interesse e mobilização por meio da comunidade, facilitando o processo de criação do Nupdec. No entanto, para os casos em que não exista um Órgão de Proteção e Defesa Civil Municipal ou por falta de capacidade por parte do mesmo, o Nupdec pode se organizar e se constituir com o apoio do Órgão de Proteção e Defesa Civil Estadual. Quando a iniciativa parte da comunidade, não se faz necessária a avaliação de risco de todo o município, pois já está definido o local de implementação do núcleo. No entanto, a criação de um núcleo gera demandas tanto para a população quanto para o poder público, sendo necessário buscar o apoio dos órgãos responsáveis e da comunidade para garantir que o Nupdec será continuado após sua formação. Conforme definido pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC (Lei nº 12.608/2012), é competência dos municípios a identificação e mapeamento das áreas de risco de desastres, assim como a adoção de medidas necessárias à redução dos riscos de desastres, promovendo o desenvolvimento sustentável. Módulo 2. 79Formação e Gestão de Nupdec No entanto, é fundamental que o gestor público repasse, por meio de oficinas, cursos e encontros presenciais, o que se espera por meio da implementação de um Nupdec, quais as atividades a serem desenvolvidas pelos voluntários e a importância da atuação conjunta da comunidade para a efetividades das ações desenvolvidas. Com a definição da(s) comunidade(s) alvo para criação do(s) Nupdec(s), tem início o trabalho conjunto entre a equipe de proteção e defesa civil e a população, com identificação detalhada das demandas e caracterização dos riscos presentes localmente. Tais informações podem ser organizadas a partir dos seguintes itens: Δ lista de lideranças formais; Δ lista de lideranças informais; Δ lista de multiplicadores; Δ lista de demandas/expectativas da comunidade; Δ características do meio físico e biótico (clima, relevo, solo, recursos hídricos, vegetação, fauna, entre outros); Δ características do meio antrópico (perspectiva histórica da dinâmica populacional, atividade econômica, infraestrutura, uso e ocupação da terra, organização social, entre outros); Δ histórico de desastres; Δ principais vulnerabilidades; Δ principais ameaças; e Δ diagnóstico das capacidades. Módulo 2. 80Formação e Gestão de Nupdec Para prosseguir com a caracterização das comunidades, é necessário que os agentes públicos desenvolvam e fortaleçam o primeiro contato. Para as situações em que não existe uma organização social já estabelecida e fortalecida, indica-se que sejam identificadas as lideranças comunitárias para que o contato seja realizado apenas com elas. Posteriormente, após o conhecimento da dinâmica social local, é que serão convidados e definidos os voluntários do núcleo. Esse processo de caracterização das comunidades pode ser feito em duas etapas. Uma etapa preliminar, conduzida pela equipe do Órgão de Proteção e Defesa Civil, para balizar sua atuação e sua forma de trabalho. E uma etapa detalhada e de validação, conduzida em conjunto com a população dentro do processo de formação e capacitação. A primeira etapa pode ser elaborada com base no tratamento dos dados de histórico de desastres, dados socioeconômicos de características geográficas e da comunidade. A análise preliminar permite a definição dos principais pontos a serem visitados na etapa seguinte. Exemplo de folder de apresentação pré-formação do Nupdec utilizado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Aracaju/SE. Módulo 2. 81Formação e Gestão de Nupdec Para entender melhor a seleção das áreas prioritárias no município e a delimitação das áreas de risco de forma conjunta com a comunidade, assista a videoaula a seguir. Com as principais áreas de risco da comunidade identificadas (considerando a ameaça, exposição e vulnerabilidade), inicia-se a segunda etapa de caracterização. Para esse momento, destaca-se a importância do acompanhamento das lideranças comunitárias e dos voluntários que irão compor o Nupdec. Em conjunto com esses atores, os agentes públicos definem uma agenda de visitas em campo na comunidade com o objetivo de levantar as características das áreas de risco, para que seja possível planejar quais serão as principais ações de RRD a serem aplicadas em cada área. Nesse momento é necessário levantar as características construtivas e de ocupação e uso do solo, assim como dados relacionados às pessoas que residem ou utilizam as áreas visitadas, considerando, principalmente, questões de vulnerabilidade social e de capacidade de enfrentamento aos riscos presentes no local, tornando-se primordial a criação de um canal de comunicação com essas famílias. Somente após o mapeamento de risco da comunidade e o levantamento dessas informações é que será possível prosseguir para o desenvolvimento das capacitações e do plano de ação do Nupdec. Siga para a próxima unidade para compreender melhor a próxima etapa do processo: a formação e capacitação dos integrantes do Nupdec. Videoaula 03 O Processo de Seleção das Áreas Prioritárias https://youtu.be/D_JiwDllDUk Módulo 2. 82Formação e Gestão de Nupdec Formação e Capacitação do Nupdec Nesta unidade vamos aprofundar o conteúdo sobre o processo de formação dos Nupdecs a fim de apoiar os trabalhos nos municípios e comunidades. Além disso,iremos estudar o processo de mobilização inicial da comunidade, que envolve sua sensibilização acerca da importância da sua participação ativa nas ações locais de proteção e defesa civil. Ainda, veremos o processo de capacitação dos integrantes do Nupdec. Passo 1 – Formação e Capacitação Para melhor compreender o Passo 1, vamos dividi-lo em duas etapas que estudaremos a seguir: Mobilização da comunidade e Capacitação dos membros. Indica-se a duração de, pelo menos, um ano para todo esse processo. Mobilização da comunidade Inicialmente, é necessário saber que os membros do Nupdec têm a importante função de serem os olhos da Defesa Civil no dia a dia da comunidade, além de ser um grupo capacitado de atuação essencial em momentos de desastres. Vale ressaltar que o grupo que compõe o Nupdec é composto majoritariamente por voluntários. Dessa forma, só é possível ter um Nupdec eficaz se seus membros estiverem engajados, ativos e se reconhecerem como peças-chaves nas Políticas de Proteção e Defesa Civil. Módulo 2. 83Formação e Gestão de Nupdec Tendo isso em mente, a mobilização comunitária focada na proteção e defesa civil apresenta dois objetivos principais: sensibilizar a comunidade quanto às ações de redução de riscos de desastres e mostrar que a população pode e deve ser um agente atuante sobre o tema. Ainda, a mobilização comunitária contribui para a integração da comunidade, fortalecendo os canais de comunicação local, que são essenciais para o gerenciamento dos momentos de crise. Entretanto, as ações de mobilização estruturadas pelos agentes públicos devem sempre levar em consideração a realidade do local onde o Nupdec está inserido. Dessa forma, para o desenvolvimento de ações de mobilização das comunidades é necessário considerar quatro itens fundamentais. 1 A leitura da realidade. 2 O planejamento participativo e integrado. 3 A participação social. 4 A valorização dos saberes. Para entender melhor sobre a aplicação desses itens no planejamento da mobilização comunitária e ver alguns exemplos de ferramentas que podem ser utilizadas ao longo desse processo, assista a videoaula a seguir. Videoaula 04 Ferramentas de Engajamento na Formação de Nupdecs https://youtu.be/77-O5s5j_5Q Módulo 2. 84Formação e Gestão de Nupdec Capacitação dos membros do Nupdec O processo de capacitação dos membros do Nupdec é constituido de reuniões periódicas com os objetivos de: Δ alinhar conhecimento entre todos os envolvidos; Δ fortalecer a motivação de participação dos voluntários no núcleo; Δ preparar os integrantes do Nupdec para sua atuação. É previsto que essa etapa ocorra, em média, ao longo do primeiro ano de formação do Nupdec, com encontros mensais ou quinzenais, de forma a facilitar que os integrantes voluntários tenham tempo de assimilar o conteúdo, fazer relações com seu dia a dia e firmar o compromisso de encontros periódicos para continuação do núcleo. No entanto, a formação dos voluntários deve continuar posteriormente, como forma de manutenção do conhecimento do núcleo, renovação da equipe de voluntários e também com o objetivo de atualizar o mapeamento de risco da comunidade. Iremos estudar melhor sobre as atividades de continuidade do Nupdec na próxima unidade deste curso. Para a capacitação dos integrantes do núcleo, a equipe responsável deve conduzir um conteúdo que aborde temas dentro da área de proteção e defesa civil, além de saídas de campo e atividades práticas. Algumas sugestões serão apresentadas no fim deste tópico, sendo necessário sempre avaliar as demandas e a realidade local para definir quais são as necessidades de formação dos membros do Nupdec para atuação naquela comunidade. O local de realização das capacitações pode ser um imóvel do próprio participante, em uma estrutura do estado, em associações ou entidades diversas. O importante é que ele seja de fácil acesso a todos os integrantes. Módulo 2. 85Formação e Gestão de Nupdec Em razão de muitas vezes os interessados possuírem compromissos de trabalho em horário comercial, é comum que as formações ocorram fora desses horários, podendo ser distribuídas ao longo da semana ou de forma intensiva durante todo um dia. É preciso também que seja realizado levantamento dos materiais e do suporte necessário para realização da capacitação, prevendo itens como caneta, bloco de notas, classificador, disponibilidade de água, projetor, notebook, lanche (caso ocorram duas ou mais aulas consecutivas) e algum método de avaliação da aula. Para o material previsto para os cursistas, poderão ser utilizados folders com as orientações passadas ao fim de cada aula e um certificado de formação no final do curso. O Levantamento realizado a partir da formação de 10 Nupdecs na cidade de Aracaju/SE, conforme dados fornecidos pelo Coordenador Geral da Defesa Civil Municipal, Robson Rabelo de Santana, demonstra que, em média, foram formados 17 voluntários em cada turma. Os locais onde foram realizados os cursos são: O mesmo levantamento mostra que todas as visitas em campo foram realizadas durante o dia, entretanto as aulas teóricas foram realizadas nos seguintes turnos: 4 durante a semana no período da noite; 6 à tarde em horário comercial; 1 no sábado em forma de intensivo; e 1 no domingo em forma de intensivo. Centros de Referências de Assistência Social – CRAS 4 Associações e centro sociais 4 Prédios ligados a igrejas 2 Casa de morador 1 Instituição pública federal 8,3% 1 8,3% 16,7% 33,3%33,3% Módulo 2. 86Formação e Gestão de Nupdec Antes da aula de cada dia é importante realizar uma dinâmica de grupo, que demonstre a importância do trabalho voluntário. A dinâmica tem a função de incentivar a interação entre os participantes e o envolvimento durante as aulas. Assim, deve-se pensar nos materiais a serem utilizados durante a dinâmica de grupo, que podem ser cartolinas, giz, canetas etc. Para os trabalhos de campo deve-se pensar no suporte necessário e caso o local seja distante deve-se providenciar transporte. Lembre-se que o curso tem objetivo de ser inclusivo, no qual todos os voluntários são importantes para a resiliência da comunidade. De forma geral, as aulas devem ser: Participativas O instrutor e os agentes de Defesa Civil devem ter ciência de que ninguém conhece mais a comunidade do que quem vive nela. Que tão importante quanto passar o conteúdo é aprender com aquela comunidade. Visuais Ao considerar a possibilidade de uma comunidade ser heterogênea quanto ao nível de instrução, a utilização de dispositivo visual com fotos da comunidade é importante tanto para a compreensão do conteúdo como para que os voluntários se sintam inseridos no contexto da aula. Assim, havendo formação em mais de uma comunidade as apresentações deverão ser ajustadas com imagens de cada comunidade. Práticas É importante que o agente faça um levantamento dos riscos daquele local, com incidentes já ocorridos e fotos das áreas, para que seus exemplos práticos considerem a realidade local. Módulo 2. 87Formação e Gestão de Nupdec Temáticas e técnicas desenvolvidas na capacitação Veja a seguir um modelo de planejamento de encontros para o processo de capacitação dos integrantes do Nupdec, adaptado de Lucena (2005) e CARE Brasil (2012). Apresentação, objetivos e compromissos Conteúdos que alinhem as expectativas de todos os participantes. Definição dos objetivos dos encontros e compromissos que devem ser assumidos por todos. Dinâmicas de apresentação de cada participante. Agenda de encontros e conteúdo. A construção participativa do Nupdec Conteúdos sobre as razões para os participantes estarem ali reunidos, o que é um Nupdec e seus objetivos. Estímulo ao sentimento de pertencimento, de construção coletiva, de unidade. Foco na importância e responsabilidade de se envolver na busca de soluções para riscos e desastres. Condução da caracterização da comunidade (conforme itens já mencionados).Importância da comunicação entre o Nupdec e atores externos Conteúdos que tratam sobre a importância de cada um dos participantes, fortalecendo o sentimento de grupo. A comunicação como ferramenta para lidar com demandas importantes e soluções criativas e alternativas para a redução de riscos de desastres da comunidade. Orientações sobre o processo de construção de novos hábitos comprometidos com o meio ambiente local e sensibilização para o desenvolvimento de práticas que estimulem uma melhor convivência das comunidades. Introdução aos estudos de riscos Por meio de aulas expositivas, conversas ou discussões, abordar temas que demonstrem a importância da percepção da comunidade sobre como suas ações corriqueiras, consideradas banais, praticadas no cotidiano são provocadoras e agravadoras de riscos e desastres. 1 2 3 4 Módulo 2. 88Formação e Gestão de Nupdec Conteúdos avançados em riscos e desastres Conteúdos sobre Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil; percepção de risco e resiliência; aspectos ambientais e planejamento do território; sistemas de alerta e alarme que possibilitem comunicação e ação rápida em períodos emergenciais; e mapeamento de riscos. Trabalho de campo Realização de uma atividade de campo que coloque a teoria em prática, especialmente no que se refere à identificação de riscos e às questões ambientais. Refletir sobre as ações individuais e coletivas no bairro, fazendo uma reflexão do ambiente local e global. Identificação e mapas de riscos locais Conteúdos sobre a percepção dos riscos, conceitos de RRD e construção de um mapa de risco local, pelo olhar dos moradores, para que o grupo possa visualizar concretamente todas as falas sobre o assunto. Dessa forma o grupo tem a oportunidade de consolidar cada vez mais a sua importância e a do Nupdec na construção, planejamento e resolução dos problemas. O papel do Nupdec Conteúdos que tratam sobre a construção coletiva na orientação da comunidade para as questões relativas à degradação ambiental, ameaças, riscos e desastres. Além disso, baseado na lei do voluntariado levantar aspectos importantes no desenvolvimento do trabalho voluntário. Planejamento de ações dos Nupdecs Conteúdos sobre estabelecimento de diretrizes na implementação de planos preventivos e de contingências. Planejamento de ações que possam subsidiar o desenvolvimento das atividades, desde o diagnóstico da realidade à implementação de processos educativos na comunidade. 9 5 6 7 8 Módulo 2. 89Formação e Gestão de Nupdec Trabalho de campo Condução de um simulado de forma a promover dinâmicas que favoreçam a inter-relação do que foi assimilado durante as capacitações com as situações que possam ser vivenciadas no cotidiano. Autoproteção e primeira resposta Capacitar os voluntários para atuar – com eficiência – durante uma situação emergencial, orientando-os para o tipo de atitude que se deve tomar num evento adverso, enquanto aguardam a intervenção dos órgãos responsáveis acionados. Práticas sobre primeiros socorros. Regras de funcionamento de um Nupdec Conteúdos que tratam sobre as regras de formação, avaliar necessidade de ajustes e verificar a permanência ou desistência de algum membro. Promover a coesão do grupo e o trabalho em equipe, despertando para soluções criativas e de acordo com seus recursos. 10 11 12 A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) disponibiliza diversos cursos online que também podem ser realizados pelos integrantes dos Nupdecs. Os cursos podem ser acessados pela plataforma da Escola Virtual de Governo (EVG) ou por meio da página de capacitações da Sedec. Fo nt e: A da pt ad o de F re ep ik https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/capacitacoes/cursos-em-andamento Módulo 2. 90Formação e Gestão de Nupdec Capacitação Conteúdo programático Proteção e Defesa Civil Capacitação composta por 4 cursos: Curso 1: Proteção e Defesa Civil - Introdução à Política Nacional Curso 2: Proteção e Defesa Civil - Atuação no Âmbito Municipal Curso 3: Proteção e Defesa Civil - Gestão de Risco Curso 4: Proteção e Defesa Civil - Gestão de Desastre Gestão Integrada de Riscos e Desastres Capacitação composta por 4 módulos: Módulo 1: Perspectivas sobre a Gestão de Riscos e Desastres Módulo 2: Visão de Futuro e Cenários de Riscos no Brasil Módulo 3: Redução de Riscos e Desastres Módulo 4: Ações Integradas e Colaboração na Gestão de Riscos Elaboração de Plano de Contingência Capacitação composta por 3 cursos: Curso 1: Elaboração do Plano de Contingência para Riscos de Desastres Curso 2: Elaboração do Plano de Contingência para Riscos de Desastres de Movimento de Massa Curso 3: Elaboração do Plano de Contingência para os Riscos Decorrentes de Barragens Sistema Integrado de Informações sobre Desastres – S2iD Capacitação composta por diversos cursos voltados para a utilização do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres considerando as diferentes atuações dos perfis do sistema: Usuário Municipal, Usuário Estadual, Usuário Federal e Plantonista Módulo 2. 91Formação e Gestão de Nupdec Após a conclusão dos encontros de capacitação pode-se pensar em um encontro de formatura, em que os participantes assumem o compromisso com a constituição do Nupdec e definem a condução do plano de ação, próxima etapa para a consolidação do núcleo. Veja, na videoaula a seguir, um pouco mais sobre o processo de capacitação de um Nupdec e sua importância. Videoaula 05 Formação dos Integrantes do Nupdec Capacitação Conteúdo programático Monitoramento e Alerta Capacitação composta por 4 cursos: Curso 1: Uso da Interface de Divulgação de Alertas Públicos Curso 2: Metodologia de Concepção do Alerta: da Teoria à Prática Curso 3: Sistemas de Monitoramento e Alerta como Suporte à Gestão Local de Riscos e Desastres Curso 4: Aspectos Técnicos dos Extremos Geo-Hidrológicos no País e as Diferenças Regionais Agora que você estudou sobre o processo de capacitação dos integrantes e a formação de um Nupdec, siga para a próxima unidade para aprofundar seu conhecimento sobre o desenvolvimento do Plano de Ações do núcleo. https://youtu.be/Y_pjwX_Pw2g Módulo 2. 92Formação e Gestão de Nupdec Plano de Ação e Voluntariado Nesta unidade daremos sequência ao conteúdo sobre a constituição dos Nupdecs, detalhando todo o processo de elaboração do Plano de Ações e, a partir daí, a condução dos trabalhos do Nupdec seguindo a premissa de que a capacitação deve ser um processo contínuo. Plano de Ações Encerramos a unidade anterior com a conclusão do processo de formação dos integrantes da comunidade que possuem interesse em atuar como voluntários em um Nupdec. O último encontro da formação trabalhou aspectos relacionados ao funcionamento do núcleo e a permanência ou desistência dos membros. Pode-se então considerar que a partir deste momento o Nupdec está formalmente constituído e deve iniciar suas atividades. Para tanto, as equipes de proteção e defesa civil farão a orientação e o acompanhamento do grupo na elaboração de seu primeiro Plano de Ações, no qual constará, pelo menos, os seguintes itens: 1 Funções de cada integrante do Nupdec. 2 Rotina de atividades. Passo 2 – Ações O Plano de Ações deve conter as atividades necessárias para atingir os objetivos definidos para o Nupdec nos passos anteriores. Como o processo de capacitação é contínuo, o tema foi dividido em um tópico específico. Veja a seguir. Módulo 2. 93Formação e Gestão de Nupdec 3 Planejamento de treinamentos. 4 Avaliação das atividades. 5 Periodicidade de atualização do Plano de Ações. Vejamos mais detalhes a seguir. Comecemos retomando os objetivos e funções de um Nupdec para então seguir com a orientação ao plano. Objetivos Funções Ser um grupo representativo de cidadãos e lideranças; ser uma instância intermediária entrecomunidade e gestão pública; ser multiplicador da redução de risco de desastres; e ser espaço de motivação para ações de prevenção, mitigação, preparação e resposta. Preparar cidadãos e lideranças para resiliência; sugerir e promover atividades de redução de risco de desastres na comunidade; e promover treinamento de cidadãos e lideranças nas temáticas de proteção e defesa civil. Sabendo disso, integrantes do Nupdec devem ser orientados pelas equipes de proteção e defesa civil a construir um Plano de Ações para iniciar seus trabalhos. Orienta-se que o plano tenha uma primeira parte de definições gerais, e em seguida cronogramas de atividades de curto, médio e longo prazo. Definições gerais Δ Nome dos integrantes e responsabilidades (secretaria, financeiro, comunicação e mídias sociais, atividades de campo, mobilização comunitária etc.). Δ Nome da pessoa de contato direto na Compdec. Δ Definição do processo de tomada de decisões relacionado às ações do núcleo (por consenso, maioria ou outro). Módulo 2. 94Formação e Gestão de Nupdec Δ Definição sobre reuniões ordinárias (definir periodicidade de reuniões para acompanhamentos dos trabalhos, planejamento de ações e avaliação de resultados). Δ Regras gerais do Nupdec. Cronograma O cronograma nada mais é do que uma tabela que registra as atividades a serem realizadas, o período correspondente a cada uma, a forma de realização, seus responsáveis e a forma de avaliação. Veja um exemplo: Atividade Duração Datas de início e fim Recursos Responsável Avaliação Pessoas envolvidas (veja lista de possíveis atividades na sequência) horas Início dd/m/aa Fim dd/m/aa Materiais Nome do integrante do Nupdec Definir modo de avaliação, se por relatório, questionário, etc. Lista de pessoas envolvidas do Nupdec e de outras instituições, se necessário dias Humanos meses Financeiros É importante que a ampliação das atividades praticadas pelo Nupdec ocorra gradualmente a partir da experiência adquirida. Nesse momento, de identificação de quais atividades serão incluídas no plano de ação, é possível realizar reuniões por meio das quais vão ser identificadas as demandas das comunidades e priorizadas as ações. Módulo 2. 95Formação e Gestão de Nupdec Vale considerar, também, que as atividades podem ser divididas entre atividades dos períodos de normalidade (associadas às fases de prevenção, mitigação e preparação) e atividades em períodos de anormalidade (associadas às fases de resposta e recuperação). Prevenção Preparação Mitigação Gestão de Risco e o Gerencimaneto de desastres Resposta Recuperação Fonte: Adaptado de Decreto nº 10.593 (BRASIL, 2020). Módulo 2. 96Formação e Gestão de Nupdec Apoiar os órgãos de Proteção e Defesa Civil Na organização de simulados; nas ações de mapeamento e monitoramento das áreas de risco; nas ações de preparação para emergências e desastres; e no planejamento e seleção de locais apropriados para abrigos provisórios e acampamentos emergenciais. Comunicação com a comunidade Criar e desenvolver conteúdo para mídias e redes sociais; desenvolver atividades amplas, eficientes e contínuas de informação e divulgação sobre a gravidade dos desastres para as autoridades, áreas setoriais, lideranças comunitárias e população; preparar material impresso (cartazes, folhetos etc.) para temática específica. Educação para RRD Realizar atividades lúdicas com as escolas em datas comemorativas como dia da árvore, dos povos indígenas (ressaltando seus modos de vida), do meio ambiente, entre outros; preparar moradores sobre primeiros socorros e uso de equipamentos; organizar concursos e atividades recreativas com a comunidade; desenvolver campanhas públicas educativas: a) de motivação básica, b) especializadas e c) emergenciais; divulgar o Sistema de Alerta e Alarme aos moradores da comunidade; estudar as principais ameaças da comunidade e seus aspectos de vulnerabilidade; realizar treinamentos periódicos fornecidos diretamente pelos profissionais de proteção e defesa civil do município ou intermediados em forma de parcerias com outros órgãos e instituições; selecionar, organizar e realizar treinamento para voluntários; e realizar visitas de campo com especialistas. Alguns exemplos de ações são: Períodos de Normalidade Módulo 2. 97Formação e Gestão de Nupdec Interação entre comunidades Organizar visitas e excursões; realizar encontros com outros Nupdecs; e visitar outros municípios com o objetivo de conhecer outras realidades de enfrentamento a desastres. Ações de RRD Promover mutirões para limpeza de ruas, praias e rios; realizar palestras e reuniões, sempre escutando as demandas da comunidade; desenvolver e instalar equipamentos comunitários de monitoramento; mapear as indústrias e agendar visitas para conhecê-las e tratar da necessidade de empresas apoiarem a iniciativa dos núcleos bem como da importância das medidas preventivas no bairro; elaborar Plano de Contingência comunitário; e trabalhar projetos para reposição da mata ciliar. Fortalecer a P&DC Fomentar ações que estimulem os integrantes dos Nupdecs a permanecer sempre atuantes; buscar apoio de empresas e comércio local (com objetivo tanto de apresentar o Nupdec e destacar sua importância como agente preventivo, quanto criar vínculos para futuros apoios); realizar visitas em escolas (com objetivo de apresentar o núcleo, compartilhar experiências e tratar da importância para a comunidade e a importância da participação de todos); visitar a Compdec, quando houver (com objetivo de conhecer a estrutura do município: orçamento, capacidade de resposta, sistemas de monitoramento e também fortalecer os laços com o sistema municipal). Módulo 2. 98Formação e Gestão de Nupdec Períodos de Anormalidade Δ Apoiar a chamada geral de pessoal e voluntários. Δ Apoiar as ações de assistência aos desabrigados. Δ Apoiar as equipes de assistência social para triagem socioeconômica e cadastramento de famílias e pessoas atingidas. Δ Apoiar na identificação de estruturas danificadas (pontes, estradas etc.) e serviços públicos essenciais prejudicados. Δ Apoiar na identificação dos locais em que haja necessidade de busca e salvamento. Δ Apoiar na operacionalização de abrigos provisórios e montagem de acampamentos emergenciais. Δ Informar o Órgão de Proteção e Defesa Civil responsável sobre demandas para suprimento de água potável, alimentos e material para sobrevivência (cobertores, colchonetes, agasalhos, medicamentos essenciais etc.). Δ Intermediar os processos de relocação da população e construção de moradias seguras e de baixo custo para populações de baixa renda. Δ Realizar atendimentos de autoproteção e primeiros socorros. Certamente, além de todas as ações aqui listadas, cada Nupdec terá suas próprias demandas e capacidade de identificação de ações que atendam a realidade local. Assista a videoaula a seguir para compreender melhor a importância do Plano de Ação para um Nupdec e as atividades envolvidas na sua elaboração. Módulo 2. 99Formação e Gestão de Nupdec Como vimos na videoaula, o Plano de Ações é uma ferramenta muito importante para o Nupdec, pois ajuda na construção dos objetivos e na definição das etapas que virão após a consolidação do núcleo. Entretanto, recomenda-se que uma das ações seja a elaboração de um Plano Preventivo para a comunidade. Atividade que será apresentada em detalhes na sequência. Nesse sentido um plano preventivo comunitário deve conter (USAID/ OFDA, 2019): Δ histórico do Núcleo Comunitário – quem fomentou, quando, em que situação; Δ ligação do Plano Preventivo com o Plano de Contingência; Δ principais eventos adversos que já ocorreram no bairro; e Videoaula 06 Desenvolvimento de Treinamento para os Envolvidos no Plano de Ação Um Plano Preventivo Comunitário tem a finalidade de consolidaras medidas de redução de riscos de desastres que podem ser desenvolvidas localmente, seja de maneira alinhada às políticas públicas conduzidas pela Compdec, seja por iniciativa própria no Nupdec. Nele também é possível propor medidas de resposta para determinadas áreas do bairro de acordo com os riscos existentes. https://youtu.be/AGeK9yZXFlg Módulo 2. 100Formação e Gestão de Nupdec Δ planejamento por área afetada, neste quesito está incluída a hierarquização das áreas, o nível de emergência de resposta e as equipes de atuação responsáveis no bairro. É recomendável que todo plano preventivo esteja alinhado a um Plano de Contingência. Entretanto, a não existência de um plano de contingência municipal, não inviabiliza sua elaboração comunitária. Para elaboração do plano preventivo, prevê-se: Identificação do histórico de desastres Buscar informação em registros e pessoas que possam identificar datas, intensidade dos eventos adversos, danos causados e demais evidências de desastres ocorridos no passado em sua comunidade. Identificação de ruas e pontos mais afetados Conhecer pontos específicos que sejam mais afetados e, portanto, demandem mais atenção, tanto nas ações de RRD quanto na preparação para resposta. Agenda de ações de prevenção e preparação para desastres Com base nas informações coletadas será possível elaborar uma agenda que foque no atendimento às necessidades dos moradores dos pontos de maior risco na comunidade, seja buscando viabilizar ações públicas de prevenção, seja apoiando a Compdec nas ações de preparação para desastres. Monitoramento do Plano Preventivo Objetiva rever o plano periodicamente para verificar se as áreas são as mesmas ou se é necessário alteração, inclusão ou exclusão de alguma ação. Além da elaboração do Plano Preventivo Comunitário, é necessário prever a realização de capacitações e treinamentos periódicos. A seguir, veremos mais informações específicas sobre esse item do Plano de Ações. Módulo 2. 101Formação e Gestão de Nupdec Capacitação e Treinamento As capacitações internas previstas no Plano de Ações fazem referência aos anos posteriores à formação do Nupdec. Com isso, elas têm como objetivo a manutenção do conhecimento dos voluntários do núcleo bem como a capacitação de novos voluntários que possam vir a compor a equipe. Ainda, as capacitações externas estão relacionadas com a passagem de conhecimento para a comunidade. Nesses casos, recomenda-se que a formação seja realizada na própria comunidade e em horário que abranja a maior quantidade de pessoas possível, de forma a ser representativa dentro da comunidade. O desenvolvimento de treinamentos e capacitações com os envolvidos nas ações dos Nupdecs é fundamental para garantir uma atualização Fonte: André Moreira, Defesa Civil de Aracaju/SE Reunião do Núcleo Comunitário de Defesa Civil de Jabotiana Módulo 2. 102Formação e Gestão de Nupdec Por exemplo, quando houver conteúdos sobre acidentes domésticos e noções de primeiros socorros deve-se mobilizar os bombeiros; ou em conteúdos sobre avaliação de risco de colapso estrutural e deslizamento de terra é possível buscar profissionais que atuam nas áreas de engenharia ou geologia, e assim por diante. Sugere-se que o Nupdec faça parcerias com a Compdec (se houver), com outras secretarias e equipes da prefeitura, bem como com órgãos setoriais para que as capacitações sejam conduzidas por especialistas em cada temática a ser trabalhada. constante sobre as temáticas de redução de riscos de desastres e também sobre temáticas correlatas. O gestor de proteção e defesa civil, assim como os próprios integrantes dos Nupdecs, pode buscar parcerias para realização de treinamentos e capacitações com universidades, profissionais autônomos, ONGs e instituições privadas atuantes no município e nas comunidades. Há ainda muitas opções de cursos online gratuitos, sendo possível estabelecer uma agenda de formação continuada com periodicidade pré-definida. Nesse sentido, consolidamos aqui temáticas a serem consideradas na capacitação com base em publicações brasileiras anteriores. Ressalta-se que o conteúdo aqui apresentado funciona como sugestão e cada equipe de proteção e defesa civil precisa adaptá-lo à sua realidade considerando: Δ nível de informação sobre RRD e proteção e defesa civil do grupo; Δ tempo disponível para os encontros; Δ nível de mobilização da comunidade; e Δ equipes disponíveis para conduzir a formação. Módulo 2. 103Formação e Gestão de Nupdec Atuação da COMPDEC Noções de prevenção a acidentes domésticos e incêndio Defesa Civil na Escola e Educação ambiental Avaliação e mapeamento de áreas de risco Combate ao Aedys Aegypt Plano de Contingência (PLANCON) e realização de simulados Descarte de resíduo Curso de instalação de abrigo temporário Redução de risco e preparação para ações de resposta Veja, a seguir, algumas sugestões de temas a serem abordados conforme a necessidade da comunidade: Podemos ainda nos pautar em boas práticas para pensar nos processos de treinamento e capacitação continuada a serem desenvolvidos com os integrantes dos Nupdecs. Inicialmente destacamos a importância das iniciativas de educação ambiental, que representam grandes contribuições envolvendo os sujeitos sociais na construção de valores sociais, conhecimentos, Módulo 2. 104Formação e Gestão de Nupdec habilidades, hábitos e competências voltadas à sustentabilidade local. Portanto a educação ambiental pode ser aprendida como uma forma de contribuição, visando estimular a participação destas populações em processos decisórios voltados para a RRD. A primeira boa prática destaca a Campanha #AprenderParaPrevenir, uma iniciativa do Programa Cemaden Educação, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Outra boa prática que podemos tomar como exemplo são os conteúdos para capacitação e treinamento oferecidos pela Secretaria Municipal de Defesa Civil de Niterói, município do estado do Rio de Janeiro, conforme apresentado a seguir. Entre 2016 e 2021, foram realizadas seis edições com abordagens educativas voltadas à temática de educação para RRD e visando o desenvolvimento de intervenções e o estabelecimento de espaços de diálogo na construção de conhecimentos na área. Trata-se de uma iniciativa que pode ser replicada na capacitação e treinamento de integrantes de Nupdecs, integrando temas de mobilização comunitária e educação ambiental. Módulo 2. 105Formação e Gestão de Nupdec O setor de minimização ensino e pesquisa tem desenvolvido projetos com o objetivo de criar e fortalecer a rede de apoio no município, de forma a atender às demandas e expectativas da comunidade. Nesse contexto o município oferece, por meio da Defesa Civil, cursos de formação voltados para a população, com a finalidade principal de formar novos voluntários que possam atuar na rede de Proteção e Defesa Civil local. Os cursos oferecidos são: Nudec Comunidades Carga horária: 12 horas Conteúdo programático: • Noções Básicas de Proteção e Defesa Civil; • Política e Gestão do Serviço Voluntário; • Noções Básicas de Meio Ambiente; • Noções Básicas de Meteorologia e o Sistema de Alerta e Alarme; • Noções Básicas de Análise de Riscos Geológicos e Estruturais; • Noções Básicas de Prevenção e Extinção do Incêndio; • Suporte Básico de Vida e Prevenção aos Acidentes Domésticos; e • Aula de Campo – Praticando Defesa Civil na Comunidade. Nudec contra Queimadas Carga horária total: 43 horas Módulo I • Noções Básicas de Proteção e Defesa Civil; • Ações Preventivas e Aspectos do Serviço Voluntário; • Primeiros Socorros I – (Teoria e Prática); • Noções Básicas de Meio Ambiente; • Geografia de Niterói; • Meteorologia aplicada às Queimadas; • Aspectos Nocivos das Queimadas e Incêndios; • Operações do Corpo de Bombeiros nas Queimadas; e • Aula Prática I. Módulo 2. 106Formação eGestão de Nupdec Nudec contra Queimadas Módulo II • Plano de Contingência para Queimadas; • Combate ao Incêndio (Teoria e Prática); • Primeiros Socorros II (Teoria e Prática); • Preservação do Meio Ambiente; • Atuação da Polícia Militar em Situações de Queimadas; • Orientação Cartográfica e Utilização de Bússola; e • Aula Prática II. Nudec Condomínios Carga horária: 12h Conteúdo programático: • Noções Básicas de Proteção e Defesa Civil; • Política e Gestão do Serviço Voluntário; • Segurança Patrimonial; • Zoonoses; • Emergências com Elevadores; • Eventos Meteorológicos Extremos (Tempestades e Vendavais): Monitoramento e Alertas; • Primeiros Socorros e Acidentes Domésticos; • Lei de Autovistoria; • Segurança em Piscina Coletiva; • Incêndio: Prevenção e Combate; • Código de Segurança contra Incêndio e Pânico; • Protocolos de Emergência; e • Tipos de Abastecimento de Gás Inflamável e seus Cuidados. O conteúdo detalhado dos cursos e os formulários de inscrição estão disponibilizados no site da Secretaria Municipal de Defesa Civil de Niterói. https://www.defesacivil.niteroi.rj.gov.br/minimiza%C3%A7%C3%A3o-de-desastres https://www.defesacivil.niteroi.rj.gov.br/minimiza%C3%A7%C3%A3o-de-desastres Módulo 2. 107Formação e Gestão de Nupdec Por fim, merece ser mencionado o trabalho realizado pela CARE Brasil na região serrana do Rio de Janeiro com facilitação para implantação de Nupdecs no início da década de 2010 e um manual produzido a partir dessa experiência. O manual foi sistematizado pela equipe de resposta humanitária da CARE Brasil, registrando conteúdos, dicas e instrumentos que podem ser utilizados tanto por lideranças e organizações comunitárias quanto por administrações públicas. O material destaca ainda a importância do espírito participativo da formação, responsável pelo empoderamento dos participantes que desenvolveram um forte sentimento de pertencimento em relação aos seus núcleos e às suas comunidades. Organizado em cinco capítulos o manual apresenta o seguinte conteúdo: Δ Capítulo 1 – Mobilização comunitária, com checklist dos preparativos Δ Capítulo 2 – Formações iniciais, com detalhe dos seis encontros Δ Capítulo 3 – E agora?, com descrição das ações de planejamento, formação técnica e articulação Δ Capítulo 4 – Folhetos de apoio, com reprodução do material utilizado em campo Módulo 2. 108Formação e Gestão de Nupdec Δ Capítulo 5 – Informação adicional, com outras fontes e referências Especialmente os capítulos 2 e 3 podem servir de inspiração para gestores e lideranças comunitárias. O segundo capítulo aborda as formações iniciais e traz conteúdo bastante relevante para a organização e planejamento das formações, apoiando gestores públicos a partir do modelo de estrutura da formação assim organizado: Δ tema do encontro; Δ objetivo (o que se pretende); Δ tempo total; Δ checklist de materiais e equipamentos necessários; e Δ programa de formação (detalha para cada tópico da formação o objetivo, o material necessário e o tempo, bem como a ementa do conteúdo); Por sua vez o terceiro capítulo apresenta uma descrição de treinamentos e capacitações conduzidos ou planejados pela CARE Brasil para serem oferecidos às equipes dos Nupdecs. Δ Equipes Comunitárias de Resposta a Emergência - conteúdo de 20 horas que aborda temas como combate a pequenos focos de incêndio, busca e salvamento, triagem, primeiros socorros, manejo de produtos perigosos; Δ Oficina de Elaboração de Projetos e Planejamento - conteúdo sobre planejamento de ações dos Nupdecs; Δ Gestão de Abrigos - procedimentos para recebimento de famílias atingidas por eventos severos (planejamento, acionamento, mobilização, gerenciamento e desmobilização). Direitos sociais, atenção psicossocial e Módulo 2. 109Formação e Gestão de Nupdec atenção à saúde das vítimas; Δ Comunicação Não-Violenta (CNV) - condução de diálogos compassivos e potencialmente transformadores; Δ Resolução de Conflitos - princípios de uma negociação eficaz, separação das pessoas dos problemas, investigação dos interesses, a geração de opções de ganhos mútuos, utilização de critérios objetivos e mediação de conflitos; Δ Captação de Fundos - visando à sustentabilidade institucional dos Nupdecs, trabalha conteúdos sobre prospecção, formatação de projetos, negociação e fidelização de parceiros; Δ Relações Públicas - dado que vários membros dos Nupdecs acabam dando entrevistas e tornando-se fontes de informação sobre questões de RRD; Δ Reciclagem - práticas sustentáveis e a importância da separação correta dos resíduos até a transformação de materiais recicláveis em novos produtos, com geração de renda para cooperativas e catadores; Δ Mudanças Climáticas - desenvolvimento de habilidades para assimilar informação, calcular riscos, adaptar-se, bem como preparação e recuperação de seus efeitos. Clique aqui para acessar o Manual de Formação de Núcleos Comunitários de Defesa Civil, desenvolvido pela CARE Brasil. Agora que terminamos de estudar o processo de formação do Nupdec, relembre do processo completo por meio do fluxograma apresentado no início deste módulo. http://repositorio.londrina.pr.gov.br/index.php/menu-defesa-civil/atribuicoes/1098-manual-de-formacao-nudec/file Módulo 2. 110Formação e Gestão de Nupdec Iniciativa Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco Estudo por meio do qual serão identificados os principais riscos e definidas as áreas prioritárias de atuação na comunidade ou no município como um todo. Passo 1 – Formação e Capacitação Processo de formação e capacitação que deve envolver todos os interessados na constituição do Nupdec. Ao término da capacitação, estará formado um grupo sólido, com disponibilidade de tempo para atuação direta nas ações do núcleo. Passo 2 – Ações Elaboração do Plano de Ações de curto, médio e longo prazo, que devem englobar treinamentos periódicos e ações de Redução de Risco de Desastres junto com a comunidade. Comunidade A comunidade interessada em construir um Nupdec busca pelo agente municipal, levando suas ideias e demandas. Gestor Público O gestor define quais as comunidades prioritárias para formação do Nupdecs, fazendo o contato inicial com a comunidade. Módulo 2. 111Formação e Gestão de Nupdec Siga com o curso para conhecer algumas ferramentas de manutenção dos núcleos já formados em seu município. Bons estudos! Referências 113 Referências BEPPLER, Cleonice Maria. Manual mobilização comunitária para NUPDEC. Adaptação de apostila sobre implantação e operacionalização de COMDEC. Camboriú: Instituto Federal Catarinense, 2018. Disponível em: https://sig.ifc.edu.br/ sigaa/verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47. Acesso em: 14 jun. 2023. DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO (CAD UFSC). Capacitação básica em Defesa Civil. 3. edição. Florianópolis: UFSC, 2013. Acesso em: jun. 2023. Disponível em: https://www.defesacivil.pr.gov.br/sites/defesa-civil/arquivos_restritos/ files/documento/2018-12/LivroDefesaCivil3Ed2013.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023. CARE BRASIL. Formação de Núcleos Comunitários de Defesa Civil (NUDECs). [Manual]. [S. l.]: Care Brasil, 2012. Disponível em: https://ufsclabtrans.sharepoint. com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp- hRXfA?e=RRFG5d. Acesso em: 14 jun. 2023. LUCENA, Rejane. Manual de formação de NUDECs. [s. l.]: [s. n.], 2005. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/ publicacoes/manual_nudec.pdf. Acesso em: 16 fev. 2023. NITERÓI. Secretaria Municipal de Defesa Civil de Niterói. Projeto praticando defesa civil – curso de formação de Nudec. [S. l.]: [s. n.], 2017. Disponível em: https://www.unisdr.org/campaign/resilientcities/uploads/city/ attachments/5463-11576.pdf. Acesso em: 24 jun. 2023. UNITED STATES AGENCY FOR INTERNATIONAL DEVELOPMENT’S OFFICE OF U.S. FOREIGN DISASTER ASSISTANCE- USAID/OFDA. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil – Sedec/MI. Curso de Formação de Núcleos Comunitários de Defesa Civil. [Manual do Participante]. Programa de Capacitação da USAID/OFDA para América Latina e Caribe. Florianópolis: jun. 2019. https://sig.ifc.edu.br/sigaa/verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47 https://sig.ifc.edu.br/sigaa/verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47 https://www.defesacivil.pr.gov.br/sites/defesa-civil/arquivos_restritos/files/documento/2018-12/LivroDefesaCivil3Ed2013.pdf https://www.defesacivil.pr.gov.br/sites/defesa-civil/arquivos_restritos/files/documento/2018-12/LivroDefesaCivil3Ed2013.pdf https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf https://www.unisdr.org/campaign/resilientcities/uploads/city/attachments/5463-11576.pdf https://www.unisdr.org/campaign/resilientcities/uploads/city/attachments/5463-11576.pdf Módulo 3. O Nupdec como Instrumento Permanente de GRD Para começarmos o Módulo 3, inicialmente, é necessário entender como pode ocorrer o processo de mobilização dos voluntários para a formação do Nupdec, bem como conhecer o processo de formalização e o plano de gestão de um Nupdec. Com isso, este módulo encontra-se dividido nas seguintes unidades: • Unidade 1. Atuação do Voluntariado • Unidade 2. Formalização e Continuidade do Nupdec É hora de começar! 115Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Atuação do Voluntariado Conforme vimos ao longo dos primeiros módulos deste curso, um Nupdec é formado, principalmente, por voluntários da comunidade a qual pertence. No entanto, é necessário que os agentes de Proteção e Defesa Civil orientem sua atuação, de modo a entenderem as ações executadas, tanto em situações de desastres como nos períodos de normalidade, com foco na resposta aos desastres, nas ações de redução de riscos e na própria manutenção do Nupdec. A ação voluntária, seja em momentos de normalidade ou de desastres, pode ser apenas uma ajuda informal realizada por um vizinho ou por qualquer outra pessoa que esteja interessada no bem maior de uma comunidade, ou uma ajuda formal por meio de serviços sociais organizados. Segundo a Associação Internacional de Esforços Voluntários (International Association for Volunteer Efforts – IAVE), “estima-se que 1 bilhão de pessoas em todo o mundo que se voluntariam a cada ano criam uma expressão coletiva de engajamento cívico que cria coesão e resiliência na comunidade, fundamentais para fazer uma vida melhor” (2023). Ainda, de acordo com o Relatório sobre o Estado do Voluntariado Mundial (SWVR 2022), publicado em 2022 por meio do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), existem quatro mensagens principais acerca da contribuição do trabalho voluntário para a sociedade atual: https://swvr2022.unv.org/wp-content/uploads/2022/04/UNV_SWVR_2022.pdf https://swvr2022.unv.org/wp-content/uploads/2022/04/UNV_SWVR_2022.pdf 116Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. O voluntariado pode ajudar a construir uma cultura de tomada de decisão colaborativa O voluntariado oferece diversos caminhos para atividades que correspondem aos seus interesses e prioridades O voluntariado pode alterar as relações de poder desiguais Voluntários constroem pontes intermediando o relacionamento entre provedores de serviços e beneficiários O relatório cita também que “o voluntariado desempenha papel central no fortalecimento das relações entre o povo e o Estado, promove melhor governança, ajuda a construir sociedades mais igualitárias e inclusivas, além de promover estabilidade”. No Brasil, conforme definido pela Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, o serviço voluntário é considerado como: A atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa, sendo o serviço voluntário exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade e o prestador do serviço voluntário. (BRASIL, 1998). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm 117Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Mobilização de voluntariado Inicialmente, é necessário que o Nupdec tenha bem estruturado e definido seu corpo de voluntariado, para depois planejar sua mobilização. Conforme vimos anteriormente, durante o primeiro ano de formação e estruturação do núcleo é necessário realizar a capacitação de seus integrantes, para depois ser possível planejar sua atuação. Para essa próxima etapa, a da mobilização, considera-se que os voluntários já passaram por uma capacitação básica e sabem as funções e a forma de atuação que serão demandadas a eles por meio do Nupdec. Com isso, iniciamos a estruturação e a efetivação do corpo de voluntariado do Nupdec. O primeiro passo é a oficialização dos voluntários por meio da celebração do termo de adesão, conforme definido pela Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. O termo de adesão tem como objetivo formalizar a relação de serviço voluntário, sem vínculos empregatícios, entre a entidade e o prestador de serviço, especificando o objeto e as condições de seu exercício. A seguir, apresentamos um exemplo de um termo de adesão utilizado para os Nupdecs do município de Aracaju/SE. Com isso, a Defesa Civil passou a ter responsabilidade e a necessidade de se organizar em torno do serviço voluntário. Nesse contexto, e considerando que, para um Nupdec, a maior parte de seus integrantes são voluntários da comunidade, vamos estudar a seguir como é desenvolvido o processo de mobilização e quais são as principais atividades a serem desenvolvidas pelo voluntariado de um Nupdec. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm 118Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Fonte: Defesa Civil de Aracaju/SE ([s. d.]). Paralelo ao termo de adesão, indica-se a realização do cadastro do voluntário, levantando informações como: dados pessoais, formas de contato (e-mail; número de telefone), capacitações realizadas na área de Proteção e Defesa Civil, formas de atuação possíveis para o Nupdec, localização da sua moradia e/ou trabalho dentro da comunidade, atuação profissional, necessidades especiais, entre outras. Somente após a capacitação dos integrantes e a formalização do corpo de voluntariado é que será possível iniciar as atividades de forma efetiva do Nupdec. Para isso, é necessário saber quais são as diferentes atividades propostas para o núcleo, para entender qual a melhor forma de mobilização dos voluntários para cada uma delas. Os tipos de atividades serão mais aprofundados no próximo tópico do curso. Para entender como realizar a mobilização dos voluntários, dividiu-se as atividades em três categorias principais: 119Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Δ Preparação e resposta aos desastres; Δ Capacitações internas; Δ Atividades com a comunidade. Para compreender o que envolve cada categoria e as demandas para mobilização, vamos estudar individualmente cada uma delas. Preparação e resposta aos desastres As atividades que englobam a preparação e resposta aos desastres envolvem a atuação específica e precisa dos voluntários, sendo necessário identificar quais integrantes apresentam as capacidades necessárias para desenvolver determinadas atividades frente ao desastre no qual pretende-se atuar. Esse tipo de atuação não ocorre de forma periódica, mas simquadro de ação. Com isso, em 1989, foi criado o Dia Internacional para Redução de Risco de Desastres (13 de outubro). Ainda no mesmo ano, foi definido por meio da Resolução nº 44/236 que o ano de 1990 marcaria o início da Década Internacional para Redução dos Desastres Naturais (DIRD). Seu principal objetivo era: Fonte: Freepik [...] reduzir, por meio de uma ação internacional planejada, especialmente nos países em desenvolvimento, a perda de vidas, os danos à propriedade e as perturbações sociais e econômicas causadas por desastres naturais. UN. GENERAL ASSEMBLY, 1989 Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 15 A partir disso, foram desenvolvidos movimentos internacionais relacionados ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, como o Protocolo de Quioto (2005-2012) e a Estratégia e Plano de Ação de Yokohama para um Mundo Mais Seguro (1994). Cabe destacar que, apesar de não ser seu principal objetivo, o movimento de manutenção do clima global apoia indiretamente as ações de Redução de Riscos de Desastres (RRD) no mundo. Nesse mesmo sentido, materializado por meio do Marco de Sendai 2015- 2030, iniciou-se um movimento de mudança de foco, pelo qual busca- se cada vez mais o fortalecimento das ações de RRD e da resiliência nas cidades. Essa característica pode ser observada nas quatro prioridades de ação definidas por meio do Marco de Sendai, apresentadas a seguir, que são majoritariamente focadas na redução do risco de desastres. Prioridade 4. Aumentar a preparação para desastres para uma resposta eficaz e “reconstruir melhor” na recuperação, reabilitação e reconstrução Prioridade 3. Investir na redução do risco de desastres para resiliência Prioridade 2. Fortalecimento da governança de risco de desastres para gerenciar o risco de desastres Prioridade 1. Compreendendo o risco de desastres https://www.preventionweb.net/sendai-framework/sendai-framework-for-disaster-risk-reduction https://www.preventionweb.net/sendai-framework/sendai-framework-for-disaster-risk-reduction Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 16 Além disso, é importante mencionar a Iniciativa Cidades Resilientes (Making Cities Resilient - MCR2030). Por meio dela é definido um roteiro programático de três etapas para auxiliar os gestores municipais a melhorar a resiliência local a desastres, conforme apresentado a seguir. Etapas Definição A. Cidades entendem melhor Melhorar a compreensão das cidades sobre redução de riscos e resiliência, aumentando a conscientização sobre RRD e resiliência e trazendo atores relevantes da cidade e o público a bordo com os planos da cidade para a RRD e resiliência. B. Cidades planejam melhor Melhorar as capacidades das cidades em redução de risco estratégico e planejamento de resiliência aumentando o alinhamento entre as estratégias locais com as estratégias nacionais e regionais, e melhorando as estratégias e políticas da etapa inicial. C. Cidades implementam melhor A última etapa se concentra no apoio às cidades na implementação de ações de redução de risco e resiliência, que estarão focadas em melhorar sua estrutura de governança intersetorial, aumentando sua capacidade de acessar financiamento, projetar e fornecer infraestrutura resiliente, desenvolver soluções baseadas na natureza e melhorar a inclusão. Cada etapa está dividida em áreas temáticas para auxiliar a atuação dos gestores municipais na busca por uma cidade resiliente. Para mais informações, acesse o guia Construindo Cidades Resilientes (MCR30). Já no contexto brasileiro, o início da construção de estruturas de resposta à desastres ocorreu entre o período da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. O objetivo principal era proteger a população dos riscos de ataques militares e de grandes desastres. Para alcançar esse objetivo, o Conselho de Segurança Nacional foi estabelecido através do Decreto nº 9.775/1946. https://mcr2030.undrr.org/ https://mcr2030.undrr.org/ https://mcr2030.undrr.org/sites/default/files/2021-04/MCR2030%20in%20Portuguese%20ver.2%20%2820210323%29.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del9775.htm#:~:text=DECRETO%2DLEI%20N%C2%BA%209.775%2C%20DE%206%20DE%20SETEMBRO%20DE%201946.&text=Disp%C3%B5e%20s%C3%B4bre%20as%20atribui%C3%A7%C3%B5es%20do,complementares%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del9775.htm#:~:text=DECRETO%2DLEI%20N%C2%BA%209.775%2C%20DE%206%20DE%20SETEMBRO%20DE%201946.&text=Disp%C3%B5e%20s%C3%B4bre%20as%20atribui%C3%A7%C3%B5es%20do,complementares%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 17 Acompanhando a movimentação internacional, o Brasil elaborou, no fim da década de 1990, sua primeira Política Nacional de Defesa Civil, conhecida como PNDC. Ela continha metas e programas construídos com base nos quatro pilares de prevenção, preparação, resposta e reconstrução. Durante a década de 2000, desastres de alto impacto atingiram o território brasileiro. Em 2008, ocorreram inundações no estado de Santa Catarina, seguidas por inundações em Alagoas e Pernambuco, em 2010, e deslizamentos no estado do Rio de Janeiro, no início de 2011. Para uma melhor compreensão desses desastres, veja a linha do tempo a seguir. Fonte: Neiva Daltrozo, Secom-SC, 2008 Inundações no Vale do Itajaí (SC) Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 18 2010 2011 2008 Inundações no Vale do Itajaí (SC) Municípios afetados: 37 Pessoas afetadas: 559.959 Desabrigados e desalojados: 107.455 Número de óbitos: 135 Danos e prejuízos: R$ 4 bilhões Inundações em Alagoas Municípios afetados: 35 Pessoas afetadas: 76.485 Desabrigados e desalojados: 69.379 Número de óbitos: 25 Danos e prejuízos: R$ 441 milhões Inundações em Pernambuco Municípios afetados: 67 Pessoas afetadas: 740.001 Desabrigados e desalojados: 105.984 Número de óbitos: 20 Danos e prejuízos: R$ 3,4 bilhões Deslizamento na Região Serrana (RJ) Municípios afetados: 16 Pessoas afetadas: 319.696 Desabrigados e desalojados: 300.000 Número de óbitos: 1.192 Danos e prejuízos: R$ 4,78 bilhões Fonte: Ceped/UFSC (2023). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 19 Associada com a movimentação internacional sobre o tema, a comoção gerada em decorrência desses eventos resultou na realização das 1ª e 2ª Conferências Nacionais de Proteção e Defesa Civil, organizadas em 2010 e 2013, respectivamente. As diretrizes da primeira conferência culminaram no primeiro ato legal em proteção e defesa civil brasileiro oriundo do poder legislativo, resultando na publicação da Lei Federal nº 12.608, de 10 de abril de 2012, sendo, dentre outros itens, responsável por: 1 Instituir a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC); 2 Dispor sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil (CONPDEC); 3 Autorizar a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres. Além disso, essa lei alinhou o Sistema e a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil ao contexto internacional e passou a definir com maior rigor as responsabilidades dos entes federados, reforçando a orientação de dar prioridade às ações de prevenção e mitigação, e de determinar uma integração de políticas públicas. No entanto, mesmo com a existência de um órgão responsável pela proteção e defesa civil, quando da ocorrência de um desastre, o aparato estatal sozinho pode não conseguir responder a essas ocorrências, necessitando de voluntários para apoiar os órgãos competentes. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a participação popular passou a ser um dos pilares da democracia brasileira, tendo respaldo no seguinte: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 20 Dessa forma, com a Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, o serviço voluntárioconforme a situação climática pela qual o município está passando. Por exemplo, para regiões que sofrem com eventos hidrológicos, a previsão de períodos de chuva faz com que seja necessário o acionamento dos voluntários. Com isso, exige-se uma preparação prévia dos integrantes do núcleo para que eles estejam prontos para agir quando for necessário. A mobilização dos voluntários para as atividades de preparação e resposta aos desastres é iniciada com os alertas recebidos pela Defesa Civil e com parâmetros estabelecidos no Plano de Contingência. Para esse período é importante que seja realizado um acompanhamento intenso dos voluntários na comunidade, principalmente nas áreas de risco. Compreende-se que nem todos os integrantes estarão disponíveis para estar em alerta, com isso torna-se essencial o desenvolvimento de ações em conjunto com a comunidade para que todos estejam preparados sobre como agir. 120Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Uma vez concretizada a ocorrência do desastre, é importante reconhecer que os voluntários do Nupdec têm uma maior proximidade com a comunidade. Dessa forma, a probabilidade de eles estarem mais rapidamente no local atingido é muito maior do que os agentes da Defesa Civil. Por isso, para essas situações, é comum que o fluxo de informações aconteça de forma simultânea e se modifique, deixando de ser um aviso dos agentes para os voluntários para ser dos voluntários atualizando as informações aos agentes. Assim, é importante incentivar o monitoramento constante da comunidade pelos voluntários. Para o pleno funcionamento das atividades de preparação e resposta, além da capacitação dos voluntários, é importante o estabelecimento dos canais de comunicação. Eles podem ser construídos de diversas formas, utilizando redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas, entre outros. No entanto, o essencial é que seja utilizada a ferramenta que permita uma comunicação eficaz, assertiva e que alcance o maior número de pessoas possíveis. Para isso, cabe considerar a necessidade ou não do uso de meios de comunicação (internet, telefonia fixa, rede móvel de celular), visto que, diante de uma situação de desastre, é possível que haja interrupção na transmissão de sinal. Atividades internas As atividades internas a serem desenvolvidas nos Nupdecs estão relacionadas com a capacitação do corpo de voluntários, que inclui o planejamento da atuação durante as emergências, a manutenção do próprio Nupdec, bem como ações locais como a atualização do mapeamento de risco. Para esse tipo de ação é possível realizar um planejamento prévio, definindo datas, horários e as demandas com antecedência. O canal de comunicação continua sendo essencial, no entanto, para esse 121Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. momento, o mais importante é que a mensagem a ser passada alcance todos os envolvidos. É importante destacar que a manutenção do Nupdec deve ser desenvolvida sempre, realizando reuniões periódicas entre o grupo e que os voluntários precisam estar cientes do tempo que disponibilizarão antes de se comprometer com a participação no núcleo. Atividades com a comunidade As atividades com a comunidade, assim como as internas, devem ser planejadas com antecedência e com o objetivo de serem desenvolvidas para atingir o maior número de pessoas possível. Dentre as ações existentes, estão incluídos simulados, campanhas de conscientização, capacitações com a população e, também, encontros e trocas de experiências com outros Nupdecs. Para seu planejamento, é necessário existir um canal de comunicação com a comunidade, que pode, inclusive, ser gerenciado pelos próprios voluntários do Nupdec. Como essas atividades apresentam planejamento prévio, a mobilização dos envolvidos ocorre com a definição das tarefas e demandas que cada um deverá desempenhar, considerando a capacidade e disponibilidade de cada voluntário e garantindo a realização da atividade e o cumprimento dos objetivos definidos. Agora que já vimos exemplos de como deve ocorrer a mobilização dos voluntários do Nupdec, siga para o próximo tópico para ver mais sobre quais atividades o Nupdec pode desenvolver dentro do contexto da Proteção e Defesa Civil. 122Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Desenvolvimento de atividades voluntárias A atuação de um Nupdec e, consequentemente, de seus voluntários ocorre em dois momentos principais: no período de normalidade, no qual, apesar da existência do risco, não está ocorrendo nunhum desastre, e na gestão do desastre, no período de resposta, quando há ocorrência de um evento. Dentre as cinco principais fases de atuação, o grupo de voluntariado do Nupdec apresenta atividades a serem desenvolvidas na Prevenção, Mitigação, Preparação e Resposta, não sendo, normalmente, solicitado nas ações de Recuperação. Prevenção PreparaçãoMitigação Resposta Recuperação Fases de atuação do voluntariado do Nupdec Normalidade Gestão do desastre Fonte: Ceped/UFSC (2023). As ações a serem desenvolvidas em cada um desses períodos são distintas e específicas. Veja a seguir os principais objetivos da atuação do Nupdec em cada fase. Normalidade Prevenção e Mitigação: desenvolvimento de atividades que tem por objetivo reduzir, limitar ou evitar a incidência dos desastres e seus efeitos adversos; Preparação: ações voltadas para a preparação da Compdec e da comunidade para atuação na resposta aos desastres, minimizando os danos e prejuízos consequentes. Baseado em Beppler (2018). 123Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Período de Normalidade Vamos iniciar o estudo das ações do Nupdec pelo período de normalidade. Conforme vimos, nesse momento o objetivo está relacionado à prevenção e mitigação dos riscos e à preparação para resposta aos desastres. Vale destacar que, em locais em que os investimentos em infraestrutura básica estão longe do desejável, dificilmente se veem investimentos em obras estruturais preventivas e mitigatórias aos desastres. Por isso, as medidas de caráter não estrutural acabam servindo como únicas alternativas aplicáveis (ABREU, 2015, p. 122). Vejamos a seguir algumas das atividades a serem desenvolvidas e seus objetivos. Gestão do desastre Resposta: medidas de caráter emergencial, executadas durante ou após a ocorrência do desastre, destinadas a socorrer e assistir a população atingida e restabelecer os serviços essenciais. (BRASIL, 2020). Considerando esses dois períodos de atuação, vamos ver, a seguir, algumas opções de atividades a serem desenvolvidas pelo Nupdec e seu corpo de voluntários. Lembrando que as atividades aqui citadas servem apenas para fomentar ideias a serem aplicadas em cada núcleo. No entanto, é necessário que as necessidades, demandas e capacidades da comunidade sejam levantadas para a definição das melhores ações a serem desenvolvidas. 124Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Atualização do mapeamento de risco Apesar de ter sido desenvolvida a avaliação e mapeamento de risco da comunidade ao longo do processo de formação do Nupdec, é necessário atualizar o estudo. Esse trabalho, que deve ocorrer de forma permanente e acompanhado de agentes de Proteção e Defesa Civil, permite identificar as áreas prioritárias para ações na comunidade, além de possibilitar a análise sobre a efetividade das ações implementadas pelo Nupdec para redução dos riscos de desastres. Cadastro de Risco Paralelo ao mapeamento, manter atualizado o cadastro das famílias nas áreas de risco é essencial para garantir a efetividade dos canais de comunicação entre a comunidade e a Compdec para o envio de alertas e alarmes no momento da ocorrência de um desastre. Desenvolvimento de campanhas públicas educativas As campanhas comunitárias acerca dos riscos e de todo o sistema de proteção e defesa civil do município devem ocorrer de forma permanente para fortalecer a percepção de risco local e manter a comunicação com a comunidade, tanto como objetivo de mitigar os riscos como para aproximação da atuação do Nupdec com a população. As campanhas podem ser desenvolvidas de diversas formas, dependendo do objetivo e da realidade local: ações nas escolas, de panfletagem, de reunião com a comunidade, entre outras. Capacitação dos voluntários A capacitação dos voluntários do Nupdec deve ser desenvolvida partindo de três objetivos principais: • Manutenção e fortalecimento do núcleo; • Capacitação dos voluntários para serem agentes transformadores, possibilitando a independência de atuação na comunidade; • Desenvolvimento de capacidades para atuação dos voluntários nas ações do Nupdec. Para atingi-los, é necessário que sejam consideradas as especificidades de organização e mobilização social da comunidade e dos próprios voluntários do núcleo, bem como as ações e intervenções que são objetivo do Nupdec para atender as demandas da comunidade à qual pertence. 125Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Realização de simulados nas áreas de risco Os simulados desenvolvidos são essenciais para o treinamento da atuação dos voluntários e da comunidade no momento de ocorrência de um desastre. Deve-se considerar os tipos de riscos relevantes e também sua classificação, conforme levantado no mapeamento de risco local. A partir disso, é possível desenvolver dois tipos principais de simulados: • Simulado de atuação do Nupdec: considera o treinamento específico dos voluntários do núcleo; • Simulado da comunidade: envolvendo tanto os atores do Nupdec como a comunidade. Para o desenvolvimento dessa atividade deve-se considerar a existência de outros documentos de planejamento do sistema de Proteção e Defesa Civil do município, como o Plano de Contingência Municipal (Plancon). Acompanhamento das intervenções estruturais e não estruturais Para as comunidades ou municípios que apresentarem um Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), é possível fazer o acompanhamento das intervenções definidas por meio do plano para a sua comunidade. Dentro desse contexto, os voluntários acompanham e apresentam para a comunidade as ações realizadas, como os processos de instalação de sistemas de monitoramento e alarme e seu funcionamento, serviços de limpeza e recuperação de áreas verdes, entre outros. Ainda, para PMRRs que preveem o desenvolvimento de campanhas de conscientização e capacitação da população, o Nupdec representa um importante veículo para o desenvolvimento dessas atividades. Além das atividades citadas, destacamos um exemplo da atividade desenvolvida na cidade de Aracaju/SE, que possui atualmente 10 Nupdecs ativos, e que sempre realiza encontros entre todos os seus Nupdecs. O encontro entre os núcleos permite a troca de experiências e boas práticas 126Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. entre os integrantes dos Nupdecs, fortalecendo a relação dos voluntários de um mesmo núcleo e estabelecendo um canal de comunicação entre núcleos, que pode ser essencial para momentos de ocorrência de desastres, visto que um único evento pode atingir mais de uma comunidade. Fonte: Ascom Semdec – Aracaju/SE (2022) Atualmente, a DCM organiza os encontros de forma anual, sendo definido um tema central a ser tratado durante o encontro. A prática tem apresentado resultados importantes na manutenção dos núcleos e na definição das ações que estão sendo realizadas em cada um deles. Período de Gestão do Desastre Para a gestão do desastre, as atividades desenvolvidas pelos voluntários do Nupdec estão essencialmente relacionadas com o período de resposta, com as ações de socorro e assistência, podendo, em alguns casos, envolver também a fase de restabelecimento. Nesse período, a atuação dos voluntários ocorre de forma específica em cada instante do desastre, podendo ser separada em quatro momentos principais (BEPPLER, 2018): 127Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. 1 Período de Alerta; 2 Período de Socorro; 3 Período de Assistência; 4 Período de Restabelecimento. As principais atividades desenvolvidas em cada período estão listadas a seguir (adaptado de BEPPLER, 2018). Período de Alerta Δ Organização do Posto de Comando. Δ Mobilização do Sistema de Comunicações. Δ Chamada geral de pessoal e voluntários. Δ Formação das brigadas e equipes, por áreas de atuação. Δ Prontidão nos serviços de saúde – ambulâncias e hospitais. Período de Socorro Δ Mobilização das brigadas ou equipes de: a) Combate a ocorrências. b) Resgate de feridos e mortos. c) Busca e salvamento. d) Primeiros socorros. e) Atendimento pré-hospitalar. 128Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Período de Assistência Δ Suprimento de água potável, alimentos e material para sobrevivência (cobertores, colchonetes, agasalhos, medicamentos essenciais etc). Δ Operacionalização de abrigos provisórios e montagem de acampamentos emergenciais. Δ Mobilização das brigadas ou equipes de Segurança Pública e Manejo de Trânsito (rotas de fuga). Δ Mobilização das equipes de Assistência Social para triagem socioeconômica e cadastramento de famílias e pessoas atingidas. Δ Vigilância sanitária da água, de alimentos, das condições de saneamento dos ambientes, águas servidas, dejetos etc. Δ Vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis, desnutrição, doenças cardiovasculares e transtornos como estresse pós-traumático, entre outros. Período de Reabilitação Δ Avaliação de danos e elaboração de laudos técnicos. Δ Mobilização das brigadas ou equipes de demolição e remoção de escombros. Δ Serviços essenciais: energia elétrica, água potável, comunicações, rede de esgotos, coleta de lixo, suprimento de alimentos, combustíveis etc. Δ Limpeza, descontaminação, desinfecção, desinfestação de escolas, prédios públicos, casas e logradouros públicos (mercados, cinemas, igrejas etc). 129Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. É importante ressaltar que, mesmo com o preparo e treinamento da equipe de voluntários, é essencial o acompanhamento das atividades por agentes de proteção e defesa civil do município. Agora que você já estudou sobre o processo de mobilização e o desenvolvimento de atividades com os voluntários integrantes do Nupdec, veja a videoaula a seguir para entender o processo de atuação do voluntariado aplicado pela Defesa Civil Municipal de Aracaju/SE. Para compreender melhor o processo de manutenção de um Nupdec, siga para a próxima unidade para estudar a elaboração do regimento interno e do plano de ações do núcleo. Videoaula 07 Mobilização e Voluntariado com a população https://youtu.be/vGz7D66akGc 130Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Formalização e continuidade do Nupdec Fazer com que um Nupdec permaneça ativo e estruturado após sua formação, principalmente nos períodos em que não existe a ocorrência de um desastre, é um dos maiores desafios relacionados a todas as atividades que envolvem um núcleo comunitário. Nesse sentido, é imprescindível reconhecer que sua continuidade depende da motivação e participação dos voluntários que o compõem. Ainda, é essencial que o Nupdec trabalhe de forma intersetorial, possibilitando um melhor resultado quanto aos objetivos traçados, e que, sempre que possível, esteja vinculado ao órgão de Proteção e Defesa Civil, caso o município possuir. No entanto, não existe uma estrutura organizacional definida para um Nupdec. Apesar disso, alguns materiais apresentam orientações e exemplos acerca do tema, como o Manual de formação de Nupdecs, elaborado por Rejane Lucena, e o Manual de Formação em Núcleos Comunitários de Defesa Civil, elaborado pela ONG CARE Brasil. Cabe lembrar que é essencial a análise tanto da comunidade como da Compdec para definir a melhor estrutura a ser seguida. Nesse contexto, visando a continuidade do núcleo e sua formalização, indica-se o desenvolvimento do Regimento Interno e do Plano de Gestão do Nupdec. Esses dois documentos são elaborados deforma a oficializar a estrutura organizacional do núcleo e fazer o acompanhamento das atividades desenvolvidas e da equipe responsável. Vejamos, a seguir, o objetivo e algumas orientações acerca da elaboração de cada um deles. https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf http://repositorio.londrina.pr.gov.br/index.php/menu-defesa-civil/atribuicoes/1098-manual-de-formacao-nudec/file http://repositorio.londrina.pr.gov.br/index.php/menu-defesa-civil/atribuicoes/1098-manual-de-formacao-nudec/file 131Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Regimento interno O Regimento Interno tem o objetivo de regulamentar as regras do funcionamento de um Nupdec, desde as situações simples, no período de normalidade, como nas situações mais adversas, como o período de gestão de um desastre. Apesar de sua importância para a manutenção do Nupdec, o Regimento Interno não está previsto por lei. Dessa forma, não existe uma estrutura pré-definida para o documento, sendo necessário que cada núcleo identifique suas principais necessidades e elaborem a estrutura que mais se adequa à sua realidade. A seguir iremos apresentar alguns tópicos importantes de serem tratados no Regimento Interno de um Nupdec. Conceito Definição Identificação Informações como o nome do Nupdec, endereço, data de criação e abrangência territorial. Finalidade/Objetivos Objetivos, missão, visão e valores do núcleo, quais as demandas importantes e as soluções e alternativas de RRD na comunidade. Estrutura Funcional Diretoria, integrantes, comissões, agentes de Proteção e Defesa Civil, integrantes voluntários e os direitos e deveres de cada um. 132Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Conceito Definição Funcionamento Atividades a serem realizadas no período de normalidade (prevenção, mitigação e preparação) e no período de gestão de desastres (resposta). Plano de ação Como será o seu plano de ação, quem fará parte da gestão e como ela será. Disposições gerais Demais informações importantes, como a frequência das reuniões, material de divulgação, previsão de capacitações, entre outras. Os itens apresentados anteriormente representam a estrutura básica para o desenvolvimento de um Regimento Interno. No entanto, sempre é necessário conhecer a estrutura e a organização da comunidade e da Compdec para definir quais são as demandas a serem planejadas para a formalização do núcleo. Nesse contexto, veja, a seguir, um exemplo do Regimento Interno elaborado para o Nupdec do bairro América, do município de Aracaju/SE. 133Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Regimento Interno do Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil América Cabe ressaltar que o Regimento Interno, além de trazer as regulamentações sobre o funcionamento e quadro organizacional do Nupdec, é a ferramenta de oficialização do núcleo, trazendo credibilidade das suas ações não só para a comunidade, mas também para os membros integrantes. Plano de gestão do Nupdec O Plano de Gestão do Nupdec é uma ferramenta que serve para estabelecer e acompanhar as atividades do núcleo, garantindo que os objetivos e as ações previstas sejam cumpridos, mantendo os voluntários ativos e unidos. Para isso, é importante frisar que os líderes responsáveis pelo desenvolvimento do plano apresentem conhecimento acerca dos seguintes temas: Δ Associativismo e gestão de grupo; Δ Tomada de decisão, por consenso ou maioria ou outro sistema; Δ Resolução de conflitos; https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/001_boaspraticas_nupdecs_formacao_implementacao_nupdecs_aracaju_se_fev2022.pdf 134Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Δ Planejamento operacional; Δ Planejamento estratégico; Δ Prestação de contas; Δ Comunicação, entre outros. O entendimento desses temas servirá de base para um plano de gestão mais estruturado e efetivo, dando uma maior segurança aos responsáveis e voluntários do Nupdec e o fortalecimento do órgão. Para o desenvolvimento do Plano de Gestão do Nupdec, sugere-se que ele deva incluir informações sobre: Δ Equipe de agentes de Proteção e Defesa Civil; Δ Equipe de integrantes voluntários; Δ Relatório resumido do diagnóstico comunitário, incluindo os riscos de desastres pertinentes e os planos municipais existentes relacionados à P&DC; Δ Calendário de ações; Δ Atividades periódicas do núcleo e responsáveis. O Plano de Gestão será responsável por orientar e garantir que as atividades previstas no Plano de Ação do Nupdec aconteçam. Por meio dele serão definidas as responsabilidades de cada integrante bem como será acompanhado o desenvolvimento das atividades previstas para o núcleo. É importante que esse documento seja acompanhado e atualizado por um agente de Proteção e Defesa Civil e, pelo menos, por um integrante da comunidade que atue como voluntário no Nupdec. 135Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Além disso, é necessário que a elaboração do Plano de Gestão seja feita de forma participativa, garantindo que todos os integrantes que assumirem alguma responsabilidade saibam do objetivo da sua função, como colocá-la em prática e dos prazos a serem cumpridos. Ressalta-se que é fundamental definir o líder comunitário que terá o papel de motivar o grupo a desenvolver as atividades permanentes que, de modo geral, envolvem a prevenção de riscos e a mitigação de desastres. Ainda, apesar da definição do calendário de ações e do estabelecimento de prazos e tarefas a serem realizadas, é necessário compreender a necessidade de flexibilização das atividades diante do não cumprimento das metas, tendo em vista que é mais importante realizar as ações de forma a manter a união e coesão do núcleo do que cumprir os prazos definidos. Nesse sentido, cabe ressaltar a importância da validação coletiva das atividades realizadas pelos voluntários e também o reconhecimento da comunidade diante das ações do Nupdec, mantendo a motivação dos integrantes do núcleo e destacando a importância e os objetivos da existência do Nupdec. É importante incentivar a autonomia de atuação dos voluntários, estabelecendo uma troca de informações e escuta de forma horizontal entre os integrantes do Nupdec. Portanto, é fundamental que os agentes de Proteção e Defesa Civil entendam que os voluntários têm maior proximidade com a comunidade, pois eles conhecem melhor a Líderes voluntários, sejam eles indivíduos ou organizações, são fundamentais para apoiar, valorizar e desenvolver o voluntariado nos níveis local e social, gerando agentes de mudança. 136Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. dinâmica e estrutura social local. No entanto, é imprescindível que o Plano de Gestão e o Plano de Ação do Nupdec estejam alinhados com as ações e o funcionamento da Compdec, caso houver no município, e com as atividades de Proteção e Defesa Civil municipal. Em relação ao Plano de Gestão, é fundamental uma revisão periódica do documento, que deve ser realizada de forma participativa, assim como sua elaboração inicial. A revisão deve passar por todos os integrantes do Nupdec, e deve acompanhar as ações do núcleo como a atualização do mapeamento de risco da comunidade, alteração no corpo de integrantes do núcleo, bem como o surgimento de novas demandas ou alterações na forma de gestão do município. Boas práticas O Banco de Boas Práticas em P&DC da Sedec está regulamentado pela Portaria MIDR nº 1.745, de 19 de maio de 2023, que define sua finalidade como: Boas Práticas em Ações de Proteção e Defesa Civil são medidas eficazes de Proteção e Defesa Civil, voltadas para ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, que gerem resultados consistentes, satisfatórios e inovadores, sejam replicáveis e adaptáveis a novas realidades, de baixo orçamento e reconhecidos no âmbito de aplicabilidade. (BRASIL, 2023). A Sedec mantém em seu site um Banco de Boas Práticas em Proteção e Defesa Civil emque estados e municípios têm a oportunidade de compartilhar suas experiências e contribuir para que outras localidades se inspirem, aprimorem e apliquem essas práticas de gestão de riscos e desastres. https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-1.745-de-19-de-maio-de-2023-485306428 https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas 137Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. O Banco de Boas Práticas está dividido por eixos temáticos, conforme apresentado a seguir: 1 Capacitação em Proteção e Defesa Civil; 2 Defesa Civil na Escola; 3 Iniciativas para as Comunidades; 4 Gestão Sistêmica; 5 Mapeamento de Áreas de Risco; 6 Monitoramento e alerta; 7 Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil; e 8 Planos de Contingência. Vale ressaltar que outros eixos temáticos foram criados para avaliação de novas Boas Práticas, tais como: Ações de enfrentamento à seca e estiagem, Estoques Estratégicos e Estruturação de Órgão de Defesa Civil. Como exemplo dessas práticas, no que tange ao eixo “Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil”, apresentaremos algumas das experiências a seguir. 138Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Belo Horizonte/MG Atualmente, na cidade de Belo Horizonte/MG, há 46 Núcleos de Alerta de Chuva para áreas de inundação e alagamento (NAC) e 56 Núcleos de Proteção e Defesa Civil para áreas de deslizamentos de terra (Nupdec). Os Nupdecs são formados majoritariamente por cidadãos que, por meio do trabalho voluntário, contribuem com ações preventivas nas áreas de risco geológico, além de orientar e prestar socorro imediato em caso de emergência. Já o NAC é formado por moradores e pessoas que trabalham em áreas de risco de alagamento e inundação, e tem um papel importante no monitoramento e orientação em caso de chuvas fortes. Fotos: Urbel, Defesa Civil de Belo Horizonte/MG 139Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. A atuação continuada de prevenção e preparação dos núcleos nas comunidades ao longo dos anos demonstra resultados positivos no que diz respeito à salvaguarda dos moradores. Entre 2004 e 2019 no município não foi registrada nenhuma vítima de deslizamento. As ocorrências de inundação são muito frequentes e graves, porém o número de vítimas, quando há, é bastante baixo, explicitando uma consciência da população referente ao risco existente. Com a prática de mobilização comunitária em áreas de risco de inundação e de deslizamento, a cidade realizou a formação e capacitação de voluntários para atuação preventiva nessas áreas, com a realização de: Δ Visita técnica em áreas de inundação em parceria com diversos órgãos da Prefeitura de Belo Horizonte; Δ Supervisão social capacitando novos voluntários; Δ Diálogo com a comunidade antes da chegada do período chuvoso para intensificação dos serviços de manutenção da Prefeitura; Δ Vistoria de moradias de famílias residentes em área de risco; Δ Treinamento para enfrentamento do período chuvoso na Academia de Corpo de Bombeiros Militar, com oficinas de primeiros socorros, nós e amarrações, veículos em enchentes, dentre outras. https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/002_boaspraticas_nupdecs_mobilizacao_comunitaria_belo_horizonte_mg_fev2022.pdf 140Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Jaboatão dos Guararapes/PE O município de Jaboatão dos Guararapes/PE mantém um projeto contínuo com o objetivo de desenvolver ações relacionadas à educação ambiental integrada à educação para redução de riscos de desastres (ERRD) no cotidiano, evidenciando a necessidade de se criar estímulos para a educação e participação com o olhar na construção da resiliência comunitária. Nesse sentido, esta experiência relata as atividades e práticas de educação para empoderamento no que se refere à ERRD, vivenciadas por crianças e jovens da comunidade do Retiro. Ao todo, 60 crianças e adolescentes já participaram das etapas do projeto, que teve 10 oficinas realizadas ao longo de cada ano, desde 2018. Sua realização resultou na mudança de hábitos e comportamentos frente aos problemas de risco de desastres observados no dia a dia da comunidade. Ao longo do projeto, as ações adotadas foram sendo implementadas e melhoradas considerando as demandas e especificidades que surgiram no percurso. O projeto resultou no Prêmio de Mérito da 4ª (2019) e 5ª (2020) Campanhas #AprenderParaPrevenir, em parceria com o Cemaden, com o projeto Revegetando o Morro e Turminha do Nupdec, respectivamente. Foto: Defesa Civil do Jaboatão dos Guararapes/PE https://educacao.cemaden.gov.br/?s=aprender+para+prevenir 141Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Recife/PE Recife/PE realiza o projeto do Nupdec e simulados em escolas municipais, que é uma proposta de ação educativa, prevista na PNPDC que visa a integração da Defesa civil com a comunidade e tem como objetivo desenvolver uma orientação à comunidade escolar, enfatizando a prevenção e diminuição de riscos e desastres nas localidades. O Nupdec oportuniza a relação entre a Defesa Civil e a educação para redução de riscos de desastres por meio da construção pela comunidade escolar de uma cultura de prevenção. Para isso são realizadas oficinas Fotos: Regional Noroeste/SEDEC https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/002_boaspraticas_nupdecs_mobilizacao_comunitaria_belo_horizonte_mg_fev2022.pdf https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/002_boaspraticas_nupdecs_mobilizacao_comunitaria_belo_horizonte_mg_fev2022.pdf 142Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. de: Proteção e Defesa Civil, desastre e percepção de risco, mudanças climáticas, uso e ocupação do solo, práticas seguras e cidade resiliente, primeiros socorros e produtos perigosos e simulado de preparação nas escolas. O projeto traz a construção de novos hábitos, estimulando o protagonismo social por meio da mudança de cultura de risco para cultura de prevenção, na perspectiva do desenvolvimento de boas práticas por meio da autoproteção e o aumento da capacidade de resiliência educacional e local, o que resultou na instalação de 24 Nupdecs nas Escolas Municipais nos anos de 2018 e 2019, com o total de 720 alunos capacitados. Esse projeto une duas ações importantes: o Nupdec e o Simulado de Preparação para Desastres. Com isso, ele se volta a prevenção do risco, por meio de atividades em sala de aula, no contexto comunitário e da observação prática com a utilização de métodos educacionais e lúdicos. Foto: Regional Noroeste/SEDEC 143Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Salvador/BA Desde o ano de 2021, a cidade de Salvador/BA realiza o projeto Nupdec Mirim, com crianças de 7 a 13 anos de idade, com o objetivo de sensibilizar e capacitar crianças e adolescentes de áreas de risco por meio da valorização de comportamentos solidários e participativos, que favoreçam efetivamente uma compreensão do que é a problemática do risco e as mudanças de hábito necessárias para a redução de desastres. O projeto desenvolve-se por meio de métodos pautados no desenvolvimento educacional, social e ambiental do público infanto- juvenil, tornando-o uma voz ativa e conhecedora da sua comunidade, multiplicando as ações elencadas e aprendidas ao longo da realização do Núcleo. Por se tratar de um processo de aprendizado em ambiente não formal e por um curto período de tempo, o projeto deve criar condições de aprendizagem em que o sujeito incorpore a integração da redução de risco de desastres nas práticas cotidianas, para fomentar uma cultura de prevenção e de promoção da resiliência. O Nupdec Mirim permite trabalhar com grupos da mesma comunidade que compartilham dos mesmos riscos e realidade, sem que eles tenham que estudar necessariamente em uma mesma escola que esteja sendo contemplada por um Projeto Defesa Civil nas Escolas (PDCE). Fotos: Defesa Civil de Salvador (Codesal)https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/005_boaspraticas_nupdecs_nupdec_mirim_salvador_ba_fev2022.pdf https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/005_boaspraticas_nupdecs_nupdec_mirim_salvador_ba_fev2022.pdf 144Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Itu/SP – Fazenda Chocolate O Município de Itu/SP possui uma área rural extensa onde o poder público não consegue estar presente em todos os lugares, principalmente fora da área central. Por esse motivo, a sociedade civil se mobilizou e se organizou para cuidar dos próprios interesses e de seus circunvizinhos, criando o Nupdec Fazenda Chocolate. O projeto Nupdec Fazenda Chocolate tem como objetivo a capacitação da comunidade e formação de brigadistas. Ele foi criado a partir de uma parceria com o Poder Público Municipal, principalmente com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, em treinamentos e nas atuações em ocorrências de fogo em mata, de forma coordenada e respeitando as regras de segurança e distribuição de materiais. O Nupdec atua em diversos tipos de ocorrências e incidentes, desde corte de árvores para liberar vias, procura por desaparecidos e principalmente em ocorrências de combate ao fogo em mata, sendo esta a sua principal função. Foto: Reprodução https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/FormulrioNupdecFazendadeChocolate.pdf 145Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Aracaju/SE A cidade de Aracaju/SE possui, atualmente, 10 Nupdecs. No ano de 2017, quando compartilhou sua experiência, o município possuía 40 áreas de risco alto e muito alto para movimento massa, 54 áreas de risco de alagamento e 17 áreas de risco de inundação. Assim, a criação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil foi uma ação necessária tanto para a conscientização da população para a redução de risco de desastres, assim como para auxiliar a Defesa Civil nas ações de prevenção, mitigação e resposta. Foto: Semdec Foto: Morgana Barbosa, Semdec 146Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. O objetivo geral do projeto era contribuir para a redução dos impactos provocados pelos eventos adversos nas comunidades residentes em áreas de risco. Nesse contexto, a formação dos núcleos visava à capacitação das comunidades acerca da identificação dos riscos existentes, a multiplicação de conhecimentos sobre os planos de contingências específicos e a ampliação da noção da preservação do meio ambiente como caminho para redução dos riscos de desastres. A inovação da prática deu-se por meio da criação dos Nupdecs de forma específica, visto que cada comunidade possui demandas próprias. Ao longo de todo o processo, destaca-se a visita com a comunidade aos pontos identificados por eles como áreas de risco, visto que torna mais realista as demandas elencadas no curso. Outras ações inovadoras na relação Compdec/Comunidade apresentadas são o canal de comunicação estabelecido entre a Defesa Civil e os Núcleos, as campanhas comunitárias de conscientização e os cursos de preparação desenvolvidos. Veja a videoaula a seguir com o relato do Coordenador Geral da Defesa Civil Municipal de Aracaju, Robson Rabelo de Santana, para entender um pouco mais sobre o projeto. Videoaula 08 Boas Práticas Aracaju/SE https://youtu.be/8f1Iklnl4Qs 147Formação e Gestão de Nupdec Módulo 3. Depois de conhecer alguns exemplos de Boas Práticas acerca da atuação dos Nupdecs, veja a videoaula a seguir com o relato da especialista Rejane Lucena, para compreender um pouco mais sobre o processo de formação e manutenção de um Nupdec na prática. Videoaula 09 Boas Práticas na Formação e Manutenção de um Nupdec Agora que você já estudou as principais questões relacionadas à formação e manutenção de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs), revise todo o material e não esqueça de responder às atividades de avaliação para finalizar a capacitação! Bons estudos e agradecemos por participar desta capacitação! Defesa Civil somos todos nós! Fonte: Ceped/UFSC (2023) https://youtu.be/PDZ7DTWLEUc Referências 149 Referências ABREU, José Luiz Ferreira de. Proposta Metodológica para Gestão Comunitária de Risco e Desastres Socioambientais: o núcleo comunitário de Defesa Civil do Morro da Mariquinha, Florianópolis - SC. 2015. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/ handle/123456789/158782/336971.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em 23 mai. 2023. BEPPLER, Cleonice Maria. Manual mobilização comunitária para NUPDEC. Adaptação de apostila sobre implantação e operacionalização de COMDEC. Camboriú: Instituto Federal Catarinense, 2018. Disponível em: https://sig.ifc.edu.br/sigaa/ verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47. Acesso em: 04 jul. 2023. BRASIL. Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. BRASIL. Lei Federal nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1º de dezembro de 2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras providências. Brasilia, DF: Presidencia da Republica, 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm. Acesso em: 8 ago. 2023. https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/158782/336971.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/158782/336971.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://sig.ifc.edu.br/sigaa/verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47 https://sig.ifc.edu.br/sigaa/verArquivo?idArquivo=260262&key=047e5adb70f28378862fca47f33d9e47 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm 150 Referências BRASIL. Decreto nº 10.593, de 24 de dezembro de 2020. Dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e do Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil e sobre o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil e o Sistema Nacional de Informações sobre Desastres. Brasília, DF: Presidência da República. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/ en/web/dou/-/decreto-n-10.593-de-24-de-dezembro-de-2020-296427343. Acesso em: 8 ago. 2023. BRAUN, Armin. A Análise do trabalho voluntariado no Sistema Nacional de Defesa Civil. Monografia (Especialização em Planejamento e Gestão em Defesa Civil). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. Disponível em: https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2014/09/Monografia_Armin. pdf. Acesso em: 8 ago. 2023. CARE BRASIL. Formação de Núcleos Comunitários de Defesa Civil (NUDECs). [Manual]. [S. l.]: Care Brasil, 2012. Disponível em: https://ufsclabtrans.sharepoint. com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp- hRXfA?e=RRFG5d. Acesso em: 8 ago. 2023. DEFESA CIVIL DE ARACAJU. Termo de Adesão ao Serviço Voluntário. Aracaju: [s. n.], [s. d.]. IAVE. International Association for Volunteer Efforts. Washington, EUA, [2023]. Disponível em: https://www.iave.org/. Acesso em: 14 jun. 2023. LUCENA, Rejane. Manual de formação de NUDECs. [s. l.]: [s. n.], 2005. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/ publicacoes/manual_nudec.pdf.Acesso em: 17 jun. 2023. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.593-de-24-de-dezembro-de-2020-296427343 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.593-de-24-de-dezembro-de-2020-296427343 https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2014/09/Monografia_Armin.pdf https://www.ceped.ufsc.br/wp-content/uploads/2014/09/Monografia_Armin.pdf https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://ufsclabtrans.sharepoint.com/:b:/s/CEPED/ETY6s6BRysZHmhq-DalcNp0BOuH26rWb9ddSkeWp-hRXfA?e=RRFG5d https://www.iave.org/ https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosDefesaCivil/ArquivosPDF/publicacoes/manual_nudec.pdf 151 Referências MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL. Portaria nº 1.745, de 19 de maio de 2023. Aprova o Regulamento Técnico para o Banco de Boas Práticas em Ações de Proteção e Defesa Civil da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-1.745- de-19-de-maio-de-2023-485306428. Acesso em: 17 ago. 2023. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL. Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Boas Práticas em Proteção e Defesa Civil. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, [2023]. Disponível em: https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas- praticas. Acesso em 29 jun. 2023. NUDEC América. Formulário de boas práticas. Aracaju: NUDEC América, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa- civil/boas-praticas/001_boaspraticas_nupdecs_formacao_implementacao_ nupdecs_aracaju_se_fev2022.pdf. Acesso em: 17 ago. 2023. UNITED NATIONS VOLUNTEERS (UNV). State of the World’s Volunteerism Report: Building Equal and Inclusive Societies. [s.l.]: UNV, 2022. Disponível em: https://swvr2022.unv.org/wp-content/uploads/2022/04/UNV_SWVR_2022.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023. https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-1.745-de-19-de-maio-de-2023-485306428 https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-1.745-de-19-de-maio-de-2023-485306428 https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/001_boaspraticas_nupdecs_formacao_implementacao_nupdecs_aracaju_se_fev2022.pdf https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/001_boaspraticas_nupdecs_formacao_implementacao_nupdecs_aracaju_se_fev2022.pdf https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/boas-praticas/001_boaspraticas_nupdecs_formacao_implementacao_nupdecs_aracaju_se_fev2022.pdf https://swvr2022.unv.org/wp-content/uploads/2022/04/UNV_SWVR_2022.pdf Ficha Técnica Equipe Técnica Alexandre Ladvig Danielle Alves de Oliveira Tabosa Delma Cristiane Morari Diego Borges da Silva Fabio Hermógenes Fernanda Luisa da Costa França Flávia Ramponi Serrão Feres George Rodrigues Guilherme Salm Duarte Jalize Pinheiro Medeiros Leticia Dalpaz de Azevedo Lucas Santos Carmo Cabral Maria Luiza Kovalski da Luz Paust Rafael Schadeck Sarah Marcela Chinchilla Cartagena Vinicius Borges de Souza Vinícius Augusto Bressan Ferreira Revisão Técnica Bruno Luiz Leite Martins Cinthia Soares de Araújo Gonçalves de Oliveira Felipe Azevedo de Araújo Reis Lidiane Natalie de Souza Lucas Mikosz Nélison Luís dos Santos Brandão Reinaldo Soares Estelles, Me. Rejane Lucena Robson Rabelo de Santana Silvio Leonardo Vieira Prado Realização: CEPED/UFSC (2023) Os Nupdecs e a Participação Social na P&DC O Sistema de P&DC Municipal Contexto histórico Conceitos e estrutura A Participação Social e a P&DC Organização social e a P&DC Comunicação social Lideranças comunitárias e agentes formadores Formação e Manutenção de um Nupdec Contextualização Formação de Nupdecs Manutenção de Nupdecs Referênciasfoi regulamentado, deixando mais claro o que é e quais os limites desse trabalho. Foi somente no ano de 2005 que os Núcleos Comunitários de Defesa Civil, conhecidos como Nudecs e atualmente chamados de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs), passaram a ser regulamentados. O Decreto nº 5.376, de 17 de fevereiro de 2005, no art. 14, afirmava que: Art. 14. Os NUDECs, ou entidades correspondentes, funcionam como centros de reuniões e debates entre a COMDEC e as comunidades locais e planejam, promovem e coordenam atividades de defesa civil, com destaque para: Artigo 1º, inciso II Esse artigo é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito e estabelece a cidadania como um pilar da democracia brasileira. É como se fosse um convite para que todos exerçam seus direitos e deveres como cidadãos engajados. Artigo 29, inciso XII Esse artigo trata da organização dos municípios e destaca que eles devem reger-se por lei orgânica (cada município tem suas próprias regras), seguindo o preceito da cooperação das associações representativas no planejamento municipal. Artigo 193, parágrafo único Esse artigo aborda a função de planejamento das políticas sociais pelo Estado e assegura, por meio da lei, a participação da sociedade nos processos de formulação, monitoramento, controle e avaliação dessas políticas. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5376.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%205.376%20DE%2017%20DE%20FEVEREIRO%20DE%202005.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20o%20Sistema%20Nacional,vista%20o%20disposto%20no%20art Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 21 I - a avaliação de riscos de desastres e a preparação de mapas temáticos relacionados com as ameaças, as vulnerabilidades dos cenários e com as áreas de riscos intensificados; II - a promoção de medidas preventivas estruturais e não- estruturais, com o objetivo de reduzir os riscos de desastres; III - a elaboração de planos de contingência e de operações, objetivando a resposta aos desastres e de exercícios simulados, para aperfeiçoá-los; IV - o treinamento de voluntários e de equipes técnicas para atuarem em circunstâncias de desastres; V - a articulação com órgãos de monitorização, alerta e alarme, com o objetivo de otimizar a previsão de desastres; e VI - a organização de planos de chamadas, com o objetivo de otimizar o estado de alerta na iminência de desastres. (BRASIL, 2005). No entanto, ele foi revogado pelo Decreto nº 7.257, de 4 de agosto de 2010, e nenhuma outra legislação regulamentou ou descreveu mais especificamente sobre os Nupdecs. Veja, a seguir, um resumo do histórico da legislação acerca do tema. 1988 1998 A Constituição Federal estabelece a participação popular como um pilar da democracia brasileira, incluindo a cidadania como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. A Lei nº 9.608 regulamenta o serviço voluntário, definindo os limites e características desse trabalho. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7257.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7257.htm Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 22 2005 2010 Os Nupdecs passam a ser regulamentados pelo Decreto nº 5.376, com o objetivo de promover ações de proteção e defesa civil, incluindo avaliação de riscos, medidas preventivas, planos de contingência, treinamento de voluntários e articulação com órgãos de monitoramento e alerta. O Decreto nº 7.257 revogou o Decreto nº 5.376, deixando sem regulamentação específica os Nupdecs. Agora que você já conhece um resumo do histórico do Sistema de Proteção e Defesa Civil no Brasil e no mundo, siga para o próximo tópico para estudar os principais conceitos relacionados com a atuação e a estrutura da Defesa Civil Municipal. Conceitos e estrutura A partir do conhecimento apresentado do panorama internacional e seguindo o objetivo deste curso, centrado na Defesa Civil Municipal, iremos estudar, a seguir, os conceitos atuais da P&DC no Brasil, com foco principal na atuação e estrutura municipais. Conforme o Decreto nº 10.593 de 24 de dezembro de 2020, o Sistema de Proteção e Defesa Civil, para qualquer um dos âmbitos (federal, estadual e municipal), é o: Conjunto de órgãos e entidades da administração pública responsáveis pela execução das ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação e das ações de gerenciamento de riscos e de desastres. (BRASIL, 2020). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Decreto/D10593.htm#art42 Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 23 Segundo definido pela Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012, a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) tem como diretriz o desenvolvimento de uma atuação articulada entre os diferentes âmbitos, tanto para ações preventivas de Redução de Riscos de Desastres como para o apoio às comunidades atingidas. Dessa forma, sua finalidade está associada à uma abordagem sistêmica que engloba as ações do ciclo de Gestão de Risco e o Gerenciamento de Desastres, conforme pode ser observado clicando na imagem a seguir. Prevenção Preparação Mitigação Gestão de Risco e o Gerencimaneto de desastres Resposta Recuperação Fonte: Adaptado de Decreto nº 10.593 (BRASIL, 2020). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 24 Δ Prevenção: medidas prioritárias destinadas a evitar a conversão de risco em desastre ou a instalação de vulnerabilidades. Δ Mitigação: medidas destinadas a reduzir, limitar ou evitar o risco de desastre. Δ Preparação: medidas destinadas a otimizar as ações de resposta e minimizar os danos e as perdas decorrentes do desastre. Δ Resposta: medidas de caráter emergencial, executadas durante ou após a ocorrência do desastre, destinadas a socorrer e assistir a população atingida e restabelecer os serviços essenciais. Δ Recuperação: medidas desenvolvidas após a ocorrência do desastre destinadas a restabelecer a normalidade social que abrangem a reconstrução de infraestrutura danificada ou destruída e a recuperação do meio ambiente e da economia. Fonte: Adaptado de Decreto nº 10.593 (BRASIL, 2020). Destaca-se, ainda, que sua atuação deve ter como prioridade as ações de minimização de desastres, evitando que impactos decorrentes de eventos climáticos ou tecnológicos atinjam comunidades e a população civil. Em vista disso, a P&DC está associada com uma atuação pautada na articulação de: Δ Setores: público, privado, não governamental e comunitário. Δ Níveis: municipal, estadual e federal. Δ Fases: antes, durante e após o desastre. Δ Políticas públicas: planejamento urbano, saúde, educação, ambiente, saneamento, infraestrutura, entre outras. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 25 Para isso, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas e estudos relacionados com as áreas de risco além da participação conjunta da sociedade civil no planejamento e na geração de conhecimento relacionado às comunidades que compõem as cidades do país. A estrutura da Defesa Civil Municipal (DMC) é elemento essencial para a atuação e implementação de políticas públicas relacionadas à P&DC no país, visto que somente a partir do conhecimento local e de suas especificidades é possível desenvolver ações efetivas para a redução dos riscos e o gerenciamento dos desastres. Nesse sentido, conforme determinado pela legislação atual, a estrutura da DCM compõe-se essencialmente conforme o esquema apresentado a seguir. Δ Compdec - Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. Tem papel executivo e articulador e é o principal elo de conexão do município com o Sinpdec. Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal Órgãos de apoio Compdec Órgãos setoriais Nupdecs Fonte: Ceped/UFSC (2023). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 26 Δ Nupdec - Núcleos Comunitários de Proteção e DefesaCivil. Representam o elo entre a comunidade e o governo municipal. Δ Órgãos setoriais. Órgãos e entidades da Administração Pública Municipal, Estadual e Federal sediados no município. Ex.: Secretarias, ministérios, entre outros. Δ Órgãos de apoio. Órgãos e entidades públicas e privadas, associações de voluntários, clubes de serviços, organizações não governamentais, associações de classe e comunitárias, entre outros. É importante destacar que, além da estrutura apresentada anteriormente, o Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal é composto por três pilares essenciais: 1 Comunidade acadêmica; 2 População em geral; 3 Setor privado. Conforme a estrutura apresentada, é possível perceber que a Coordenadoria Municipal de P&DC não concentra todas as atribuições da Gestão de Risco e de Desastres, mas atua com a articulação e planejamento dos processos a serem desenvolvidos. Com isso, torna-se necessário que os gestores públicos estabeleçam estratégias e ações prioritárias articuladas entre os diferentes setores, respeitando os princípios e as diretrizes da PNPDEC. Nesse contexto, o Decreto nº 10.593, de 24 de dezembro de 2020, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, define que o órgão de proteção e defesa civil municipal é responsável por executar a PNPDEC de forma articulada com as entidades integrantes do sistema municipal. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.593-de-24-de-dezembro-de-2020-296427343 Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 27 Além da integração entre os diferentes setores municipais, é importante que a gestão seja desenvolvida de forma articulada com municípios vizinhos, visto que existe a possibilidade de um mesmo desastre atingir mais de um município. Dentro dessa estrutura, os Nupdecs têm a função de aproximar a atuação do Sistema Municipal de P&DC da comunidade, tornando-a participativa e organizada por meio de um processo orientativo e de formação dos seus membros. Com o objetivo de prevenir e mitigar a ocorrência de desastres das comunidades mais vulneráveis, o Nupdec desenvolve, principalmente, as seguintes atividades: Δ A avaliação dos riscos de desastres e a preparação de mapas temáticos relacionados com as ameaças, as vulnerabilidades dos cenários e com as áreas de riscos intensificados; Δ A promoção de medidas preventivas estruturais e não estruturais, que são desenvolvidas com o objetivo de reduzir os riscos de desastres; Δ A elaboração de planos de contingência para responder às hipóteses de desastres e de exercícios simulados para aperfeiçoar esses planos; Δ O treinamento de voluntários e de equipes técnicas operacionais, para atuarem em circunstâncias de desastres; Δ A organização de um plano de chamada, com o objetivo de otimizar o estado de prontidão, na iminência de desastres (UFSC, 2013). Assim sendo, o órgão municipal de P&DC possui a responsabilidade de realizar o planejamento, a articulação, a coordenação, a mobilização e a gestão das ações locais de redução de riscos e gerenciamento de desastres de forma integrada com as demais estruturas de gestão do município. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 28 Assista à videoaula a seguir sobre o Sistema de Proteção e Defesa Civil, que oferece uma visão clara sobre a organização e estrutura do órgão municipal responsável por essa área. Você descobrirá a importância fundamental da atuação da Proteção e Defesa Civil Municipal na implementação de políticas públicas que visam a redução de riscos e o eficiente gerenciamento de desastres. Ressalta-se que os Nupdecs são compostos principalmente por voluntários da comunidade local, o que contribui nas ações preventivas em áreas de risco, além de orientar e prestar socorro mais imediato em situações de calamidades e emergência. Agora que você já conheceu a estrutura municipal de P&DC, siga para a próxima unidade do curso para estudar sobre a importância da participação e atuação social no Sistema de Proteção e Defesa Civil. Videoaula 01 O Sistema de Proteção e Defesa Civil https://youtu.be/jj-1-u6Rlv0 Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 29 A Participação Social e a P&DC Nesta unidade, você vai estudar a importância da participação social nas ações do Sistema de Proteção e Defesa Civil, principalmente na atuação local. Além disso, serão vistos os principais mecanismos para se trabalhar a organização social ou comunitária, com o objetivo de incentivar e ampliar os processos participativos dentro do município. Antes de iniciarmos o conteúdo da unidade, vamos ver o que é e quais são os fatores desencadeantes do risco, para, a partir disso, ter uma melhor compreensão do material que será estudado posteriormente. O Risco de Desastre é definido como “a perda potencial de vidas, lesões ou bens destruídos ou danificados que podem ocorrer a um sistema, sociedade ou comunidade em um período de tempo específico, determinado probabilisticamente em função da ameaça, exposição, vulnerabilidade e capacidade” (UNDRR, 2017). Nesse contexto, os fatores que influenciam a instauração do risco de desastre podem ser definidos conforme a terminologia estabelecida pela Assembleia Geral da ONU, de acordo com o descrito em sua Resolução nº 69/284. Veja na imagem a seguir a definição de cada termo. https://www.undrr.org/quick/11605 https://www.undrr.org/quick/11605 Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 30 Conceito Definição Ameaça Um processo, fenômeno ou atividade humana que pode causar perda de vidas, ferimentos ou outros impactos à saúde, danos à propriedade, perturbações sociais e econômicas ou degradação ambiental. Exposição A situação das pessoas, infraestrutura, habitação, capacidades de produção e outros ativos humanos tangíveis localizados em áreas propensas a riscos. Vulnerabilidade As condições determinadas por fatores ou processos físicos, sociais, econômicos e ambientais que aumentam a suscetibilidade de um indivíduo, uma comunidade, ativos ou sistemas aos impactos de perigos. Capacidade A combinação de todos os pontos fortes, atributos e recursos disponíveis dentro de uma organização, comunidade ou sociedade para gerenciar e reduzir os riscos de desastres e fortalecer a resiliência. Agora que você já leu sobre as definições e os fatores que envolvem a existência do risco de desastre, vamos iniciar o conteúdo desta unidade. A ideia de participação social no contexto da Proteção e Defesa Civil está intrinsecamente ligada ao conceito de produção social do risco. É a partir dessa concepção que se compreende a importância da participação na redução de riscos de desastres. Dentro dessa temática, podemos afirmar que a produção social do risco aborda aspectos históricos de ocupação dos territórios e problemas de desenvolvimento. É necessário, portanto, compreender os fatores que geram as circunstâncias de risco para atuar na sua redução. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 31 Isto é, localmente, cabe ao gestor de proteção e defesa civil entender quais são as áreas de risco, o motivo histórico pelo qual elas se formaram e quais as políticas públicas que, em conjunto, tendem a reverter tal situação. Seu olhar ampliado de causalidade deve sobrepor- se a uma atuação meramente paliativa, ciente de que todo risco é resultado de um processo social e nunca decorrente somente de circunstâncias naturais. A atuação nos fatores geradores do risco passa, então, por uma ampla análise de gestão pública que integre diferentes políticas públicas, a partir de uma visão sistêmica focada em soluções, como a erradicação da pobreza, redução da desigualdade social, adoção de práticas responsáveis de uso e ocupação do solo, bem como a adaptação às mudanças climáticas, entre outras medidas. Cabe ao gestor público municipal, portanto, perceber-se parte de um todo, exercendo o papel de articulador ao mesmo tempo em que tenha a compreensão de que uma atuação isolada nãoreflete em resultados permanentes. Fonte: Ceped/UFSC (2023). Risco instaurado Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 32 Assim, considerando questões como pobreza e ocupação urbana inadequada, surge o desafio de superar as características que foram historicamente construídas e que ainda hoje estão presentes no processo de formação de áreas de risco, principalmente em espaços decisórios e de participação social. A redução da ameaça, da vulnerabilidade e o aumento da resiliência devem ser construídos em conjunto por toda a sociedade, praticando a concepção de que “Defesa civil somos todos nós”. Nesse cenário de desafios, a participação social deve ser encarada como parte dos planejamentos para gestão de riscos, evitando as relações hierarquizadas, inflexíveis e fechadas a mudanças. Uma gestão que não valoriza o diálogo e a participação compartilha uma cultura de dependência e desconfiança por parte das comunidades. Por outro lado, quando a comunidade participa do processo de gestão de risco, ela absorve a necessidade de se autoproteger e se apropria de seu território, protegendo-o. A Constituição Federal de 1988 garantiu a participação da sociedade na gestão de políticas e programas promovidos pelo Governo Federal – é o chamado controle social. Além disso, ela estabeleceu sistemas de gestão democrática em vários campos de atuação da Administração Pública, como o planejamento participativo, por meio da cooperação das associações representativas no planejamento municipal, como preceito a ser observado pelos municípios (Art. 29, XII). Definir participação social implica entender as múltiplas ações que diferentes forças sociais desenvolvem com o objetivo de “influenciar a formação, execução, fiscalização e avaliação de políticas públicas na área social (saúde, educação, habitação, transporte, entre outros)”. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 33 Nesse sentido, os Nupdecs podem desempenhar um papel imprescindível de ação direta, pois representam uma forma de organização da comunidade em parceria com a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil para o trabalho de redução de riscos. Organização social e a P&DC Tendo compreendido o que é a participação social no contexto da Proteção e Defesa Civil, podemos agora compreender sobre sua importância e os principais mecanismos para trabalhar a organização social ou organização comunitária, com o objetivo de incentivar e ampliar os processos participativos dentro do município. Assim, para a redução de riscos de desastres ocorrer de maneira plena, é imprescindível promover o entendimento da população sobre os mecanismos de redução de risco. No entanto, mais do que isso, é necessário que a população esteja envolvida na gestão de riscos, a fim de se apropriar dos processos correspondentes. Essa apropriação ocorre principalmente quando a população se percebe parte do processo, com espaços de escuta, fala e ação adequados. Daí a importância da participação social, que se dá adaptada às diferentes configurações de organização social de cada localidade. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 34 Quando se fala em organização social, está se referindo à maneira como a sociedade se organiza para se manter em funcionamento, incluindo aspectos políticos, econômicos e sociais. Essa organização social pode estar representada em três segmentos: Tipo Conceito Organização de massa “O fator central de organização é a identificação com uma causa ou objetivo comum, quase sempre com uma atuação determinante de líderes nos quais se projetam as idealizações coletivas e em quem se depositam coletivamente poderes para dirigir e orientar a massa.” Organização institucional “Se estrutura sistematicamente com base em contratos sociais mais ou menos formais, nos quais se ordenam normas funcionais para a sociedade, os papéis, direitos e deveres que regulam as relações sociais.” Organização de base “Onde se pratica uma democracia direta, onde os indivíduos podem falar por si mesmos em pequenos coletivos locais. Em última instância, a base se constitui nos núcleos comunitários, nas relações de vizinhança, nos coletivos de interesse em comum, nos grupos de trabalho, nas lutas conjuntas, onde as pessoas se conhecem mutuamente, se relacionam diretamente, umas com as outras e não por intermédio de representantes.” Fonte: Matos (2003). Nessa configuração, os segmentos institucional e de massa funcionam em constante dialética, em que o lado institucional, como o próprio nome revela, institui políticas públicas e legais; e a massa, como lado instituído, opera movimentos de mudanças quando os percebe como necessários. Por sua vez, o segmento de base opera a essência da participação social, onde são construídas “reflexões sobre as demandas e especificidades de cada território, relacionando-se com outros sujeitos e autoridades instituídas de distintos segmentos da sociedade” (BANDEIRA, 2021). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 35 Nesse contexto, para o gestor público que busca ampliar os espaços participativos em seu município, é importante que seja compreendida a organização social de cada comunidade com a qual precisa trabalhar, em especial a organização de base que inclui: Δ Organizações presentes na comunidade: escolas, igrejas, associações, cooperativas, entre outras. Δ Lideranças atuantes: tanto formais quanto informais. Δ Histórico de relacionamento entre poder público e população: parcerias e conflitos. Δ Espaços participativos já existentes localmente: reuniões, eventos, orçamento participativo, consultas e audiências públicas, capacitações, treinamentos, envolvimento com plano diretor, comitês de bacia, e assim por diante. Por sua vez, para a população que busca ampliar sua participação na gestão de riscos municipal é importante identificar como sua organização social pode contribuir para alavancar políticas públicas e condicionar o desenvolvimento local, por meio da constituição de espaços de participação para tratativas de demandas locais e dos processos de autoproteção. Desenvolvimento local Autoproteção Trata-se das dinâmicas que se estabelecem em determinado território, caracterizado por sua especificidade cultural, social, política e econômica. É um desenvolvimento que parte da base, incluindo, portanto, o protagonismo dos atores sociais locais nos processos de fomento e da ampliação da qualidade de vida local. Conjunto de práticas desenvolvidas pela própria comunidade de áreas de risco que correspondem a ações individuais capazes tanto de minimizar riscos como de operar ações de primeira resposta na ocorrência de desastres. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 36 Para tanto, é essencial que a população compreenda claramente sobre: Portanto, para obter melhores resultados, é necessário unir as forças da sociedade, uma vez que a complexidade e a variedade das demandas locais nem sempre são supridas pela capacidade de resolução do poder público isoladamente. Quando as parcerias são estabelecidas antes do desastre, durante o período de normalidade, as ações de prevenção, mitigação e preparação são capazes de reduzir consideravelmente os danos e prejuízos causados pelos desastres. Atribuições dos órgãos de proteção e defesa civil Δ Saber dos limites legais de atuação, bem como das demandas específicas possíveis de serem atendidas pelo órgão municipal. Processo de gestão de risco Δ Compreender o ciclo de prevenção, mitigação, resposta, recuperação e reconstrução. Políticas públicas correlatas à P&DC Δ Compreender de forma prática, quais políticas públicas devem ser acionadas para o atendimento de suas demandas: ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, saúde, assistência social, meio ambiente, mudanças climáticas, gestão de recursos hídricos, geologia, infraestrutura, educação, ciência e tecnologia, entre outras. Espaços adequados de escuta, fala e açãoΔ Estabelecer espaços adequados que permitam a participação efetiva da comunidade. Esses espaços podem incluir reuniões, eventos, orçamento participativo, consultas e audiências públicas, capacitações, treinamentos, envolvimento com plano diretor, comitês de bacia, e outras iniciativas que promovam a interação e engajamento da população. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 37 Comunicação social O processo de comunicação para formação de Nupdecs envolve diversos aspectos e perspectivas, desde a comunicação dos agentes de proteção e defesa civil com a comunidade, até a comunicação que se efetiva entre a própria comunidade, principalmente nas ações dos agentes formadores. Tais aspectos influenciam diretamente na capacidade de enfrentamento aos desastres e na redução de risco. Assim, por serem complexos e desafiadores, os processos de comunicação precisam ser conduzidos a partir de uma aplicação criteriosa de instrumentos e mecanismos de comunicação social que favoreçam a efetividade da ação. Nesse sentido, alguns pressupostos básicos precisam ser observados, como a valorização do conhecimento local e empírico, e a garantia da diversidade de representação popular. É importante considerar também que pela complexidade do processo, é recomendável que o órgão de proteção e defesa civil envolva as áreas de educação, assistência social e assessoria de imprensa nas ações de comunicação e participação social. Para os gestores públicos que irão conduzir os processos de comunicação e participação, é importante ter noção de que a efetividade da comunicação e da participação social se dá pela sua continuidade, e requer atenção aos seguintes fatores: “A existência de espaços efetivamente públicos só se garante pela efetiva pluralidade e diversidade de seus participantes, pela equivalência de seus recursos de informação, conhecimento e poder.” (DAGNINO, 2004, p. 161). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 38 Fatores Definição Variedade e frequência Processos de participação efetivam-se pela somatória de ações de curto, médio e longo prazo, que incluam abordagens informativas, consultivas, deliberativas, de controle e de partilha de poder. Espaços formais e informais Vinculado à condição de variedade e frequência, um processo efetivo de participação é fortalecido a partir da multiplicação de espaços informais, consolidados pelos espaços formais de diálogo. Garantia de diálogo Todos os que integram processos de partilha de poder devem ter a mesma oportunidade de manifestar-se. Transparência Os processos de participação são necessariamente públicos e, portanto, devem garantir o acesso à informação incondicionalmente. Adequação à realidade local Não é possível criar modelos de participação, mas apenas referências e boas práticas. Qualificação profissional Sempre que possível, os espaços de diálogo e os processos de participação devem ser orientados por profissionais capacitados. Fonte: Cartagena; Freitas (2017). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 39 M an ip ul aç ão C on su lt a D el eg aç ão d e po de r In fo rm aç ão Pa rc er ia A te nd im en to p si co ss oc ia l Pa ci fi ca çã o C on tr ol e ci da dã o 2 3 4 5 6 7 8 1 Não participação Pseudoparticipação Fazer alguma coisa apenas para mostrar que segue-se normas ou que se faz o que se espera Controle cidadão Participação nas ações de comunicação Podemos considerar que as ações de comunicação podem ocorrer de forma gradativa, isto é, os vínculos se fortalecem à medida em que se estabelece o processo de comunicação. Isso é ilustrado pela escala de participação a seguir, em que os dois primeiros degraus correspondem a processos não participativos. Fonte: Ceped/UFSC (2023). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 40 O modelo demonstra como a participação pode ser mascarada se todo o processo não for concluído. Com exceção da manipulação, todos os outros níveis podem ser considerados como etapas da participação. No entanto, é importante ter cuidado para não considerar uma única ação isolada como gestão participativa (CARTAGENA, 2015). Por fim, vale registrar que os processos de comunicação e participação são também, e consequentemente, um processo de mudança cultural e não simplesmente de capacitação. Seus resultados são perenes, mas lentos. Portanto, as metas para alcançar os resultados devem ser pensadas a partir dessa condição, bem como o planejamento para mobilização, formação e manutenção de Nupdecs. Na videoaula, exploraremos os conceitos fundamentais relacionados aos processos de comunicação, destacando sua aplicação em práticas e espaços de participação social. Para começar, analisaremos a diferença entre a comunicação do nosso dia a dia e a comunicação como ciência e atividade profissional. É essencial compreender essa distinção para obter uma compreensão mais aprofundada da atividade de Comunicação de Risco. Então, vamos mergulhar no mundo da comunicação social e descobrir como seus princípios e estruturas podem contribuir para uma participação mais efetiva e consciente na sociedade. Vamos começar! Videoaula 02 Processo de Comunicação Social e sua Estrutura https://youtu.be/EH9addIKkPw Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 41 Lideranças comunitárias e agentes formadores As lideranças comunitárias são o ponto de encontro entre os gestores públicos e as comunidades, atuando tanto como organizadoras das demandas comunitárias para repasse à administração pública, como multiplicadoras das orientações recebidas pelos gestores de proteção e defesa civil. Estão presentes em distintos espaços comunitários e há que identificá-las tanto do ponto de vista formal como informal. Lideranças formais Lideranças informais Representantes de organizações comunitárias, como lideranças religiosas (pastores, rabinos, padres, mães e pais de santo, reverendos, etc.), presidentes de associação de bairro, conselheiros comunitários, agentes de saúde, diretores de escola, gestores de ONGs, entre outros. Correspondem a referências que moradores possuem em determinadas pessoas que não ocupam uma representação formal na localidade. São pessoas proprietárias de comércio local ou prestadoras de serviços (costura e marmita, por exemplo), moradores antigos, entre outros. Ambos os tipos de lideranças são fundamentais para o trabalho de participação social e formação de Nupdecs nas comunidades, sendo necessário identificar ainda eventuais conflitos ou diferentes grupos de interesse em uma comunidade, para incluir todos nas ações participativas de proteção e defesa civil. A partir do reconhecimento das lideranças, há que se identificar quais delas têm potencial para tornarem-se agentes formadores, uma vez que não necessariamente todas as lideranças são agentes formadores. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 42 Os agentes formadores precisam, necessariamente, estar dispostos a atuar na temática de redução de riscos de desastres e ter interesse em aprender e aprofundar seu conhecimento em assuntos como autoproteção, percepção de risco e identificação de soluções comunitárias para redução de riscos de desastres. Além disso, precisam ter aptidão para, posteriormente, multiplicar informações e mobilizar mais atores sociais. Assim, a formação de Núcleos Comunitários de Proteção de Defesa Civil vai envolver lideranças comunitárias e agentes formadores, e podem se formar tanto por indução dos gestores públicos, como por iniciativa das próprias comunidades. Normalmente são três as possibilidades de organização dos Nupdecs: Em todos os casos os Nupdecs funcionam como fóruns de debate sobre redução de riscos de desastres, com atuação em atividades diversas, como por exemplo: Fonte: Ceped/UFSC (2023). Comunitário Jovem Escolar Organizado e mantido por integrantes de toda a comunidade; Organizado e mantido por integrantes de grupos de jovensda comunidade; Organizado e mantido por integrantes de escolas (estudantes, professores e funcionários). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 43 Δ Avaliação dos riscos de desastres e a preparação de mapas temáticos relacionados com as ameaças, com as vulnerabilidades dos cenários e com as áreas de riscos; Δ Promoção de medidas preventivas estruturais e não-estruturais, que são desenvolvidas com o objetivo de reduzir os riscos de desastres; Δ Participação na elaboração de planos de contingência para responder às hipóteses de desastres e exercícios simulados para aperfeiçoá-los; Δ Apoio no treinamento de voluntários para atuarem em circunstâncias de desastres; Δ Organização de um plano de chamada, com o objetivo de otimizar o estado de prontidão, na iminência de desastres (BLEPPER, 2018). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 44 Formação e Manutenção de um Nupdec Nesta unidade vamos trabalhar, de maneira introdutória, os aspectos relacionados à formação e manutenção de um Nupdec a partir do entendimento de um processo complexo e dinâmico, que exige ampla participação tanto de agentes de proteção e defesa civil como da comunidade. O processo é complexo principalmente porque os Nupdecs, apesar de seu potencial, criam uma demanda aos órgãos de Proteção e Defesa Civil, que precisam estar preparados para gerir, acompanhar e se responsabilizar, a partir de sua própria instrumentalização, capacitação e busca por outras formas de articulação para o sucesso do Nupdec (JESUS, 2014). É preciso, então, que os gestores percebam que os Nupdecs não são como um ente para que se delegue funções; ao contrário: os Nupdecs certamente irão gerar demanda aos gestores públicos. No entanto, a dimensão dos problemas que levam à formação de áreas de risco supera largamente a capacidade de resolução do poder público a curto prazo. Daí que as políticas públicas pensadas a longo prazo, somadas às ações de participação social, tendem a ampliar o alcance e o sucesso das ações de redução de riscos de desastres. Assim, os Nupdecs são um meio para interação entre os órgãos do governo e a comunidade, especialmente por intermédio da Compdec. Esse elo formal favorece a cogestão no planejamento e execução das ações, e dissemina o princípio da prevenção no tocante às áreas de risco (ANDREATTI, [s.d.]). Nesse sentido, a importância dos Nupdecs se dá ao: Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 45 Δ Promover a interação entre a Proteção e Defesa Civil e a comunidade, aproximando e estimulando a população para participação e construção de uma cultura voltada à prevenção de riscos. Δ Possibilitar um planejamento participativo, estimulando a socialização de experiências, bem como o acesso da comunidade às ações desenvolvidas pela Proteção e Defesa Civil. Δ Viabilizar espaços participativos e democráticos na comunidade, articulando os diversos atores sociais para a consolidação de um plano que vise a construção de princípios para uma melhor convivência com o meio ambiente local. Δ Favorecer no indivíduo seu crescimento como ser humano e a sua integração, consciente e atuante, na comunidade em que vive. Δ Envolver a comunidade no sentido de acreditar numa mudança quanto à realidade local, promovendo espaço para uma construção coletiva, assegurando a ampliação dos espaços de discussão, e tendo como perspectiva a prevenção e redução dos riscos e desastres (LUCENA, 2005). Posto isso, o trabalho da Compdec deve qualificar as demandas, de modo que elas sejam oportunas, factíveis de solução e execução, e aplicadas em parceria com as comunidades. Veja abaixo o quadro comparativo entre um Nupdec e uma Compdec. Nupdec Compdec Organização Não-governamental Governamental Membros Voluntários Servidores Abrangência Bairro, comunidade Gestão municipal Ações Segurança; mobilização comunitária; conscientização proativa; ação local, rápida e eficaz Coordena ações de P&DC em todo o município (respaldo legal) Fonte: Adaptado de Andreatti - Defesa Civil do Espírito Santo [s.d.]. 3). Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 46 É esse, inclusive, um dos fatores de maior contribuição do Nupdec, que está inserido nas comunidades e capta sua dinâmica e seus movimentos à medida que eles acontecem, o que é inviável para o gestor público. Tendo em mente a importância e o papel social dos Nupdecs nas ações de Proteção e Defesa Civil, vamos estudar, a seguir, a formação e manutenção dos núcleos de forma a visualizar todo o processo, seu contexto e os desafios encontrados no caminho. Esse processo da Compdec é dinâmico, pois ocorre inserido em comunidades vivas, cujas lideranças naturalmente se alteram, as demandas se modificam e a perenidade da mobilização deve ser trabalhada constantemente. Contextualização Anteriormente, estudamos sobre a participação popular e a organização social no contexto da Proteção e Defesa Civil. No entanto, para compreender melhor a formação e o funcionamento do Nupdec, também é preciso entender o início da luta pelo direito social e as conquistas sociais frente à participação social. Nesse contexto, os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa civil possuem um histórico de atuação no país marcado pela formação junto a comunidades em áreas de risco, quer pelo incentivo de gestores públicos, ONGs e projetos sociais, ou pela iniciativa da própria comunidade. Considerando o histórico de participação social e o surgimento dos Nupdecs nas ações de P&DC, podemos considerar a linha do tempo apresentada a seguir. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 47 1970 a 1980 1984 1988 1998 Direitos sociais foram estabelecidos como resultado de um longo e conflituoso processo de mobilização social e política. Buscou-se ampliar o envolvimento dos atores da sociedade nos processos de decisão e implementação das políticas sociais, respondendo a demandas em torno da descentralização e da democratização do Estado brasileiro. Dallari (1984) conclui que quando são afetados os interesses fundamentais de um indivíduo ou de um grupo social, todo o conjunto da sociedade sofre consequências de alguma espécie, e por esse motivo pode-se afirmar que os problemas resultantes de tais circunstâncias são problemas políticos, pois afetam toda uma organização, funcionamento e os objetivos da sociedade. A Constituição Federal institui a participação social como um dos pilares da democracia brasileira (ver arts. 1, II, 29, XII, e 193). Segundo Marcondes (2003), até o ano de 1997, o entendimento era de que voluntário era o indivíduo que procedia espontaneamente, prestando um trabalho cooperativo para qualquer fim. Com a promulgação da Lei Federal 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, o termo voluntário passou a ter uma nova conotação. Conforme prescreve a lei, em seu artigo 2º, “o serviço ou trabalho voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade e o prestador do serviço voluntário” (BRASIL, 1998). Tal preocupação do legislador visa assegurar à entidade a garantia da inexistência do vínculo trabalhista com obrigações de natureza trabalhista, previdenciária ou afins. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 48 2005 2012 Por meio do Decreto nº 5.376/2005, posteriormente revogado pelo Decreto nº 7.257, de 2010, definiu-se que os Nudecs (atuais Nupdecs) “funcionam como centros de reuniões e debates entre a COMDEC e as comunidades locais e planejam, promovem e coordenam atividades de defesa civil” (BRASIL, 2005). Ainda, definiu-se que seria competência da Comdec a promoção da “mobilização comunitária e a implantação de Nudecs, ou entidades correspondentes, especialmente nas escolas de nível fundamental e médio e em áreas de riscos intensificados e, ainda, implantar programas de treinamento de voluntário”(BRASIL, 2005). Foi instituída a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) por meio da Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Dentre as competências municipais definidas, destaca-se “estimular a participação de entidades privadas, associações de voluntários, clubes de serviços, organizações não governamentais e associações de classe e comunitárias nas ações do SINPDEC e promover o treinamento de associações de voluntários para atuação conjunta com as comunidades apoiadas” (BRASIL, 2012). Ainda, foram considerados agentes de Proteção e Defesa Civil os “voluntários, vinculados a entidades privadas ou prestadores de serviços voluntários que exercem, em caráter suplementar, serviços relacionados à proteção e defesa civil” (BRASIL, 2012). Compreendendo o histórico de fortalecimento da participação social e o papel dos Nupdecs, tem-se que um dos principais desafios enfrentados nesse contexto diz respeito à dificuldade de continuidade dos trabalhos, fruto da desmotivação e desmobilização das comunidades. Para evitar que novos núcleos sejam formados e desmobilizados, é importante que os gestores públicos compreendam duas categorias sobre a participação social: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5376.htm#:~:text=DECRETO%20N%C2%BA%205.376%20DE%2017%20DE%20FEVEREIRO%20DE%202005.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20o%20Sistema%20Nacional,vista%20o%20disposto%20no%20art https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 49 Participação guiada ou participação instrumental Δ Quando um agente externo à comunidade implanta um projeto fechado, que não atende às especificidades locais. Participação centrada nas pessoas ou participação transformativa Δ Quando os projetos de participação, ainda que de iniciativa de agentes externos, são construídos conjuntamente, sem relações hierarquizadas. Acredita-se que a participação efetiva se enquadra na segunda categoria, alertando para o cuidado de garantir que os processos participativos sejam conduzidos com respeito às peculiaridades de cada contexto e a permanente consideração de aspectos locais, sem que haja um padrão rígido de atuação. Isso significa que cada Nupdec terá sua própria história de formação e mobilização, e que os modelos apresentados aqui não são fechados. É possível construir variações, devendo ser adaptadas à realidade de cada localidade. Além disso, cabe ressaltar que processos participativos são necessariamente de atuação continuada e de longo prazo. Formação de Nupdecs Nesse tópico iremos estudar brevemente sobre o processo de formação de Nupdecs, observando um panorama das possibilidades e dos diversos caminhos a serem adotados ao longo desse processo. A formação de Nupdecs tem duas possibilidades de origem, mas suas tratativas, objetivos e resultados devem ser os mesmos. São elas: Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 50 Quando uma comunidade – ou dentro dela, uma ou mais lideranças – visualiza a possibilidade de formação de um Nupdec, um primeiro e importante passo já foi dado, que é o da motivação. A comunidade interessada em construir um Nupdec deve buscar pelo responsável do órgão de proteção e defesa civil (municipal ou estadual), levar suas ideias e demandas e discutir o processo de formação e manutenção do seu núcleo. Quando a iniciativa da formação do núcleo vem a partir da sugestão do gestor público, é necessário que ele defina quais as comunidades prioritárias para formação de Nupdecs, fazendo o contato inicial com a comunidade, por meio de suas lideranças. Lembrando que as lideranças podem ser formais e informais. Há ainda a possibilidade de fazer um convite ampliado, favorecendo que qualquer morador possa participar do processo. Assim, além do contato direto com lideranças é possível lançar convites por meio de carros de som, panfletos, redes sociais, entre outros. Posteriormente ao contato inicial, devem ser agendadas reuniões que detalhem a proposta à comunidade e em que o convite à formação do Nupdec seja formalmente apresentado. O quadro a seguir detalha as atribuições de cada agente conforme a origem da iniciativa de formação do núcleo. Δ Origem por iniciativa da própria comunidade; Δ Origem por iniciativa de gestores públicos ou outros agentes externos. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 51 A partir do momento em que fica definida a criação do Nupdec, deve ser construída uma agenda de treinamentos, dando continuidade ao processo de formação do núcleo. O gestor público deve conduzir o processo de formação, avaliando a situação de risco da comunidade e dando sequência às tratativas, que são as mesmas para quando a inciativa é sua ou trazida pela comunidade. Vejamos então uma sugestão desse passo a passo, que pode e deve ser adaptada à realidade de cada município e comunidade. Comunidade Gestor Público C om un id ad e Δ Buscar pelo responsável do órgão de proteção e defesa civil; Δ Levar suas ideias e demandas; Δ Discutir o processo de formação e manutenção do seu núcleo. Δ Mobilizar e organizar a comunidade, identificando as lideranças; Δ Levantar as demandas; Δ Discutir o processo de formação e manutenção do seu núcleo. G es to r p úb lic o Δ Avaliar a situação de risco da comunidade; Δ Levantar as necessidades da comunidade; Δ Conduzir o processo de formação. Δ Definir quais as comunidades prioritárias para formação de Nupdecs; Δ Fazer o contato inicial com a comunidade por meio de suas lideranças; Δ Detalhar a proposta à comunidade e fazer o convite à formação do Nupdec; Δ Conduzir o processo de formação. ORIGEM A Ç Õ ES Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 52 Iniciativa Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco Estudo por meio do qual serão identificados os principais riscos e definidas as áreas prioritárias de atuação na comunidade ou no município como um todo. Passo 1 – Formação e Capacitação Processo de formação e capacitação que deve envolver todos os interessados na constituição do Nupdec. Ao término da capacitação, estará formado um grupo sólido, com disponibilidade de tempo para atuação direta nas ações do núcleo. Passo 2 – Ações Elaboração do Plano de Ações de curto, médio e longo prazo, que devem englobar treinamentos periódicos e ações de Redução de Risco de Desastres junto com a comunidade. Comunidade A comunidade interessada em construir um Nupdec busca pelo agente municipal, levando suas ideias e demandas. Gestor Público O gestor define quais as comunidades prioritárias para formação do Nupdecs, fazendo o contato inicial com a comunidade. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 53 Passo 0 – Conhecimento das áreas de risco do município Denominamos de “passo 0” porque se trata de uma tarefa que todo órgão de proteção e defesa civil deve realizar, independente das necessidades de criação de Nupdecs. No caso específico da formação de um novo Nupdec, as ações a serem tomadas variam de acordo com a iniciativa para a formação do núcleo. Iniciativa pelo gestor público Quando o gestor está analisando seu município para iniciar a implementação de Nupdecs, inicialmente é necessário identificar e mapear as áreas de risco de todo o município, para que seja possível definir as comunidades prioritárias para criação de um Nupdec. Ainda, como a permanência do núcleo depende da existência de uma comunidade organizada e ativa, torna-se interessante identificar quais são as associações e organizações comunitárias que já estão estruturadas e ativas no município, e quais áreas elas englobam. Iniciativa pela comunidade Quando a iniciativa é pelas demandas trazidas pela comunidade, não há necessidade de o gestor identificar o local de instalação do Nupdec. No entanto, cabe lembrar que a criação de um núcleo gera novas demandas de gestão, então é fundamental que o gestor conheça as necessidadesdo município e escute as demandas apresentadas pela comunidade para definir sobre a urgência de instalação de um Nupdec. Após definida a comunidade para a qual será criada um Nupdec, é necessário desenvolver um mapeamento de risco local, considerando toda a área que será influenciada pelas ações do núcleo. Para essa etapa, independente de quem teve a iniciativa, é necessário existir envolvimento tanto dos gestores, como da comunidade. Esse conhecimento auxilia o processo de identificação da intensidade e os tipos de riscos aos quais a comunidade está exposta. A participação Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 54 da população residente torna-se fundamental para levantamento das necessidades diárias que o local apresenta e melhor entendimento da dinâmica da comunidade frente à ocorrência de um desastre. Passo 1 – Formação e Capacitação O processo de formação e capacitação deve envolver todos os interessados na constituição do Nupdec, considerando que muitas vezes há desistências no meio do caminho. O conteúdo deve abordar diversos temas dentro da área de proteção e defesa civil, incluindo ainda saídas de campo e atividades práticas. É fundamental que o processo de formação tenha uma duração distribuída ao longo de semanas ou mesmo meses. Isso facilita que as pessoas envolvidas tenham tempo de assimilar o conteúdo, fazer relações com seu dia a dia e firmar o compromisso de encontros periódicos para a formação do Nupdec. Ao término da capacitação, estará formado um grupo sólido, com disponibilidade de tempo para atuação direta nas ações do núcleo. É importante destacar que, caso não exista uma comunidade organizada e ativa na área escolhida para instalação do núcleo, é necessário fortalecer as estruturas sociais e ressaltar a importância da comunidade nas ações que serão desenvolvidas por meio do Nupdec. Fonte: Ceped/UFSC (2023). Mapeamento de risco da área Seleção da área Avaliação do município Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 55 Passo 2 – Ações As ações do Nupdec devem incluir reuniões ordinárias, onde se realizam o planejamento de diagnósticos e se elaboram planos de ação de curto, médio e longo prazo. Além disso, entre as ações, também devem constar treinamentos periódicos fornecidos diretamente pelos profissionais de proteção e defesa civil do município ou intermediados em forma de parcerias com outros órgãos e instituições. Em complemento aos passos apresentados, destacamos que há importantes aspectos a serem considerados nesse processo, quais sejam (DEFESA CIVIL DE ARACAJU, [s. d.]): Δ Atribuir a um agente de proteção e defesa civil a comunicação com os Nupdecs; Δ Ter uma agenda constante de reuniões, ações, e escuta das demandas; Δ Garantir a constituição de um grupo politicamente heterogêneo; Δ Estar atento às demandas de cada integrante, orientando sobre demandas que não são de proteção e defesa civil; Δ Envolver os integrantes nas ações de mapeamento e monitoramento das áreas de risco; Δ Fomentar ações que estimulem os integrantes a permanecer sempre atuantes. Em resumo, podemos definir como objetivos, funções e atividades possíveis de um Nupdec os seguintes itens: Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 56 Objetivos Δ Ser um grupo representativo de cidadãos e lideranças; Δ Ser uma instância intermediária entre comunidade e gestão pública; Δ Ser multiplicador da redução de risco de desastres; Δ Ser espaço de motivação para ações de prevenção, mitigação, preparação e resposta. Funções Δ Preparar cidadãos e lideranças para resiliência; Δ Sugerir e promover atividades de redução de risco de desastres na comunidade; Δ Promover treinamento de cidadãos e lideranças nas temáticas de P&DC. Exemplo de atividades Δ Preparação de material impresso (cartazes, folhetos...); Δ Realização de palestras e reuniões; Δ Organização de concursos e atividades recreativas; Δ Organização de visitas e excursões; Δ Promoção de treinamentos e debates; Δ Apoio na organização de simulados; Δ Preparação para primeiros socorros e uso de equipamentos; Δ Apoio às ações de assistência aos desabrigados. Fonte: Adaptado de Defesa Civil de Leopoldina [s.d.]. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 57 Manutenção de Nupdecs As ações para manter a motivação para formação de Nupdecs não devem ser consideradas finalizadas após a formalização do núcleo. A longo prazo, ainda existem muitos desafios a vencer e talvez o principal deles seja a prossecução dos Nupdecs. Dessa forma, cabe às equipes de proteção de defesa civil dos municípios conhecer os principais desafios pelos quais passam os Nupdecs ao longo de sua atuação, e as principais formas de manter o processo de forma continuada. É importante destacar que o processo de manutenção dos Nupdecs não é linear, sendo necessário regularmente identificar as demandas e necessidades do núcleo para garantir sua continuidade. Por fim, lembramos que os espaços para criação dos Nupdecs podem ser identificados a partir de outros espaços já atuantes nas comunidades. São escolas, grupos de jovens, grupos de mães, associação de moradores, grupos religiosos, centros de saúde, entre outros. Um Nupdec instalado em um grupo já mobilizado, terá mais chances de se manter a longo prazo. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 58 Veremos em detalhes as estratégias para continuidade dos Nupdecs no terceiro módulo deste curso, além de discutir quais os principais desafios e dificuldades relacionados ao tema, e por que as equipes de proteção e defesa civil precisam acompanhar de perto suas atividades mesmo após a conclusão da formação dos Nupdecs. Para o momento, elencamos entre os principais desafios e dificuldades: Δ Tentativas de desvio das finalidades do grupo, seja por desconhecimento ou descumprimento de seus objetivos, tornando-o um fórum político- partidário; Δ Ingerência política no município com relação às decisões definidas pelos voluntários; Δ Apatia ou falta de motivação por parte do grupo; Δ Ausência de respostas quanto às demandas identificadas junto à comunidade; Δ Divergências acentuadas de concepções entre os componentes do grupo; Δ Tentativa de utilização do Nupdec para angariar benefícios particulares desrespeitando o princípio de coletividade; Δ Dificuldade de articular técnicos e especialistas (voluntários e/ou governamentais) com o propósito de contribuir para as ações específicas; Δ Baixa participação efetiva do grupo em atividades concretas na comunidade. (ANDREATTI, [s.d.]). Percebe-se a importância em estar atento às dificuldades enfrentadas por cada Nupdec e apoiar seu processo de superação. A permanência de um Nupdec está diretamente ligada ao trabalho também permanente dos agentes de proteção e defesa civil no seu acompanhamento. Formação e Gestão de Nupdec Módulo 1. 59 Planejamento de monitoramento e avaliação Registra-se ainda que aos desafios e dificuldades aqui apresentados podem ser somadas outras circunstâncias observadas localmente a partir da particularidade de cada Nupdec, comunidade e equipe de proteção e defesa civil. Agora que você já viu um panorama da estrutura da defesa civil municipal, estudou sobre a importância da comunicação e organização social e pôde aprender de forma geral a importância e o processo de formação e manutenção dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, siga para o próximo módulo do nosso curso para aprofundar seus conhecimentos acerca do processo de formação de um Nupdec. Bons estudos! Fonte: Ceped/UFSC (2023). Caberá, portanto, ao órgão de proteção e defesa civil ter um planejamento de monitoramento e avaliação periódica de cada um de seus Nupdecs para garantir sua manutenção. Esse planejamento é visto como um ciclo de permanente mobilização, como representa a imagem: 5 1 2 4 3 Avaliação: análise dos resultados e impactos. Decisão sobre continuidade e reinício do ciclo Definição de Agenda: percepção