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SITES DE ALTA PERFORMANCE
Profª Maura Oliveira Martins
AULA 2 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, falaremos mais especificamente sobre os buscadores 
utilizados pelos usuários quando navegam na internet, desenvolvendo uma 
discussão sobre a sua pertinência na elaboração de estratégias do marketing 
digital. Em seguida, falaremos com mais profundidade sobre o Google, 
refletindo sobre como funcionam os seus algoritmos de busca e indexação de 
páginas. Isso servirá para entendermos por que há a necessidade de se ter um 
bom ranqueamento de um site dentro do Google. 
TEMA 1 – A IMPORTÂNCIA E O PODER DOS BUSCADORES 
O ser humano sempre precisou descobrir coisas a todo instante. Um 
exemplo concreto: caso você seja um imigrante digital (como já explicamos 
anteriormente, um indivíduo que aprendeu a usar a internet, ao invés de já 
nascer em uma realidade regida por ela), deve lembrar de como os estudantes 
faziam trabalhos escolares mais ou menos até os anos 1990. Sempre que se 
precisava pesquisar algo, era preciso ir à biblioteca e procurar livros sobre 
determinados assuntos. Era muito comum, aliás, que se consultasse as 
enciclopédias, que são as coleções de livros organizados em ordem alfabética 
e que reuniam verbetes explicativos dos mais diversos temas. Quando estava 
com alguma dúvida, o estudante procurava uma palavra específica e lia o que 
estava escrito dentro daquele verbete, o que possivelmente o levava, ao final 
da leitura, a outra palavra que seria procurada em outra enciclopédia, e assim 
sucessivamente – até que a dúvida fosse sanada e a busca cessasse. 
Se você prestou atenção no exemplo, possivelmente já captou que, em 
sua estrutura, este é o uso mais básico que nós fazemos da internet: quando 
queremos saber algo, acessamos algum mecanismo de busca, digitamos 
alguma palavra-chave que nos leva a certos links, que por sua vez nos levarão 
a outros, até que, por fim, a consulta cesse. Apenas a título de conhecimento, é 
este o processo de leitura que executamos cada vez que fazemos uma leitura 
em ambiente digital: acessamos um site, lemos seu conteúdo e este nos leva a 
vários outros locais. Ou seja, não lemos um texto específico, mas 
 
 
3 
“construímos” um texto multilinear, cumulativo dentre as diversas leituras feitas. 
A este processo chamamos de hipertexto. 
Figura 1 – Ilustração visual de um hipertexto 
 
Créditos: Geralt/Pixabay. 
Por isso, as buscas que fazemos na internet, bem no fundo, se diferem 
pouco das que fazíamos em um mundo exclusivamente off-line. Lucia Santaella 
(2004) define esse leitor preparado para navegar no ciberespaço como um 
leitor imersivo, o qual define assim: 
É obrigatoriamente mais livre na medida em que, sem a liberdade de 
escolha entre nexos e sem a iniciativa de busca de direções e rotas, a 
leitura imersiva não se realiza [...] é um leitor que navega numa tela, 
programando leituras, num universo de signos evanescentes e 
eternamente disponíveis, contanto que não se perca a rota que leva a 
eles. (Lucia Santaella, 2004, p. 33) 
Sendo assim, precisamos iniciar dessa convicção de que hoje vivemos 
na era da informação, e que estamos imersos em um mundo em que o digital 
prevalece. Por esta razão, boa parte das consultas que fazemos são mediadas 
pelos computadores e outros dispositivos com acesso à internet que usamos. E 
esta navegação, conforme pontuado por Santaella (ibid), é delimitada por 
alguns elementos importantes: 
• A liberdade de escolhermos quais caminhos queremos seguir (quais 
links iremos clicar e quais não, por exemplo); 
 
 
4 
• O fato de que a rota a ser trilhada (ou seja, o caminho a seguir quando 
buscar alguma coisa) está sob a responsabilidade do usuário, e não de 
quem produziu o conteúdo; 
• O fato de que estamos diante de signos eternamente disponíveis (a 
internet, por não ter materialidade, está acessível para sempre – mesmo 
que se apague um site, por exemplo, os “rastros” dele permanecem para 
quem souber procurar); 
• O fato de que é preciso manter o foco na rota escolhida (caso contrário, 
o usuário irá se perder – ou seja, chegará a outro resultado que não o 
pretendido inicialmente). 
Em suma, o ambiente digital, diferente do analógico, nos traz uma 
imensa liberdade que, por outro lado, acarreta uma tomada crescente de 
responsabilidades. O volume de informação que é armazenado neste espaço 
potencialmente infinito da internet cresce a cada segundo que passa. Para nós, 
usuários comuns, isso nem sempre é positivo, uma vez que acarreta uma 
angústia permanente de termos de lidar com um volume muito grande de 
informações. 
O jeito que encontramos de lidar com isso, como sabemos, é o uso de 
mecanismos de busca, ou search engines, que são “um sistema de 
recuperação de informações que tem a finalidade específica de auxiliar na 
busca de informações armazenadas em ambientes computacionais” (Gabriel, 
2010, p. 210). Em outras palavras, “buscadores são sistemas designados para 
buscar a informação desejada e, portanto, quanto mais adequado for o 
resultado apresentado pelo buscador e quanto mais rapidamente ele trouxer 
esse resultado, mais útil se tornará para quem faz a busca” (Gabriel, 2010, p. 
210). 
Usamos mecanismos de busca pelo menos desde 1994, quando houve 
o surgimento do Yahoo!. Na sequência, muitos apareceram e desapareceram, 
até o surgimento do Google, em 1998 (Gabriel, 2010, p. 210), que reina 
absoluto desde então – conforme falamos em outro momento de nossos 
estudos, mais de 90% dos usuários utilizam apenas esse mecanismo em suas 
pesquisas. 
 
 
 
 
5 
Há, claro, outros buscadores importantes, como: 
• O Bing, buscador da Microsoft, que tem um público razoável em especial 
nos Estados Unidos, e é o segundo buscador mais usado no Brasil1; 
• O DuckDuckGo, buscador que tem como diferencial uma atenção sobre 
a privacidade e a coleta de seus dados2; 
• O próprio Yahoo!, que segue existindo; 
• As redes sociais como Twitter, LinkedIn e Facebook, que têm sistemas 
de busca inseridos e costumam ser fonte de consulta para os usuários 
dessas redes. 
Saiba mais 
Neste site você encontra um infográfico bem interessante que conta a 
história dos buscadores da internet. Disponível em: . Acesso em: 01 abr. 2021. 
Independente de qual seja o buscador usado, a verdade é que estes 
mecanismos se tornaram tão aprimorados que viraram quase “adivinhos” dos 
desejos dos usuários. Você certamente já notou que, quando digitamos alguma 
coisa na caixa de texto do Google, ela automaticamente auto-preenche com 
sugestões que podem ser úteis. 
Por mais que os buscadores pareçam hoje grandes “oráculos” que nos 
conhecem quase melhor que nós mesmos, é claro que isso não acontece por 
mágica: é, na verdade, inteligência artificial programada em robôs altamente 
sofisticados. Começaremos a entender isso no próximo tópico. 
TEMA 2 – O FUNCIONAMENTO DOS ALGORITMOS DO GOOGLE E 
GOOGLE BOT 
Como explicamos anteriormente, todos os buscadores operam por meio 
de regras e mecanismos específicos, com algumas semelhanças e diferenças. 
No entanto, em nossos estudos, vamos nos atentar com mais detalhes ao 
funcionamento do Google, pela razão específica de que este é o buscador mais 
utilizado pela população mundial, como esclarecemos anteriormente. Deste 
 
1Disponível em: . Acesso 
em: 01 abr. 2021. 
2 Falaremos mais sobre a questão de coleta de dados do usuário ao longo do curso. 
 
 
6 
modo, no que diz respeito à estratégia a ser aprendida, vale mais a pena 
aprofundar-se nos estudos dos mecanismos dessa plataforma. 
Basicamente, por meio dos seus algoritmos internos, um buscador irá 
selecionar, filtrar e categorizar um conteúdo existente na internet. Os critérios 
usados dentro desses buscadores visam hierarquizar a relevância máxima de 
um conteúdo ou página –, ou seja,possibilitar que apenas os materiais mais 
importantes apareçam como resultados que serão ofertados aos seus usuários. 
E como funcionam estes algoritmos? No caso específico do Google, 
esses operam por meio de um sistema interno chamado GoogleBot, ou o “robô” 
do Google – um computador da página que faz o trabalho de rastrear toda 
página pública que está na internet, para depois indexar seus links no Google. 
Em uma breve explicação, este robô é programado para analisar 
diversas informações contidas nessa página (por exemplo, o link URL3, o 
conteúdo em texto no site, o título e o alt text4, dentre outras). Após o 
levantamento destes dados, vários algoritmos simultâneos são acionados para 
cruzar tais informações e estabelecer uma lista de resultados. 
É importante ressaltar que o Google tem mais de 200 critérios diferentes 
em seus algoritmos e que, além disso, eles mudam constantemente. Por isso, 
é preciso conhecermos os principais parâmetros que serão escrutinados pela 
ferramenta. Vejamos quais são: 
• Palavra-chave: é a palavra principal (ou conjunto de palavras) que será 
mencionada dentro de um site. 
No que diz respeito a esse quesito, o Bot do Google analisa dois pontos: 
a qualidade da presença dessa palavra-chave ou a quantidade de vezes. Um 
exemplo: digamos que você tenha uma loja de chocolates, e quer ser 
encontrado pelos seus clientes no Google. Em uma estratégia, você definirá 
quais as palavras-chave que usará para indexar seu site. Apenas “chocolate” 
talvez seja muito genérica (os resultados encontrados pelo robô serão 
incontáveis); é possível que você decida por usar “presentes de chocolate”, 
“loja de chocolate”, ou quem sabe “onde encontrar chocolate na cidade X”. 
 
3 No termo original, uniform resource locator. Significa o endereço na rede em que tal página 
pode ser acessada, por exemplo: . 
4 Um texto que se coloca em um site e que, na ausência da imagem (por problema de servidor, 
por exemplo), o texto aparece, descrevendo aquilo que está nela. 
 
 
7 
• Domínio: é o endereço do site, aquilo que você digita no navegador 
quando pretende entrar em uma página. 
Por exemplo, digamos que você quer encontrar o site das lojas 
Americanas. Caso digite “Americanas” no Google, certamente um dos 
primeiros resultados que aparecerá será o endereço URL da loja 
. Simplesmente porque o próprio domínio é um fator 
forte para a indexação. 
Uma informação importante a se ter em mente no que diz respeito ao 
domínio é que a “idade” da página também conta para sua indexação: quanto 
mais tempo ela tiver, maior a chance de ser encontrada. 
• Metatags: envolve o conjunto de tags presentes nas páginas. São 
marcadores em formato de texto, como pequenas “etiquetas”, que 
ajudarão o Google a encontrar um site. 
As tags, bem como as palavras-chave, servem para otimizar a procura 
do Google de todo o conteúdo que está na internet. Em relação às palavras-
chave, as metatags serão ampliadas em mais palavras. Exemplo: digamos que, 
conforme o exemplo anterior, você usou a palavra-chave “onde encontrar 
chocolate na cidade X”. Já nas tags, você pode ampliar a palavras adjacentes, 
como “brownie”, “brigadeiro”, e quais mais forem adequadas à busca. 
As tags podem ser colocadas facilmente em publicadores como 
Wordpress, em um espaço separado para isso no template do site, no local 
onde se posta novos conteúdos. 
• Imagens: os signos visuais usados num site e que são indexados no 
Google Images. 
Recomenda-se sempre lembrar de: nomear uma imagem com termos 
fáceis de serem encontrados (exemplo: usar Americanas.jpg ao invés de 
3849506.jpg); usar textos nas imagens, legendas e alt text (a descrição da 
imagem, como já explicamos). 
• Link building e linkagem entre páginas: o quanto seu site é 
referenciado por outros sites e direciona para páginas relevantes. 
O Google tende a valorizar quando um site traz links para páginas 
interessantes, significando que ele poderá ser útil para o usuário que chega até 
 
 
8 
ele. Da mesma forma, quanto mais outros sites disponibilizarem links para as 
páginas do seu site, maior será o ranqueamento neste quesito. Por isso é 
fundamental priorizar pela produção de conteúdos de qualidade. 
• Tempo de permanência na página: o tempo que os usuários 
permanecem no seu site quando o acessam. 
Este fator é bastante relevante, e por isso é importante pensar em 
estratégias criativas para fazer o usuário dentro do seu site quando chega nele. 
Por exemplo, se alguém acha sua página no Google, clica nela e fica apenas 2 
segundos antes de fechar a aba, isso contará negativamente como taxa de 
rejeição5. 
• Velocidade de carregamento: os sites precisam ser leves e carregar 
rapidamente. 
Como regra, o site deve carregar em no máximo 2 segundos quando um 
usuário entre nele. Páginas pesadas, com muitos plug-ins ou imagens com alta 
definição, que demoram para “abrir”, tendem a ser penalizadas pelo algoritmo. 
Conforme já dissemos, estes são apenas alguns parâmetros usados 
pelo robô do Google, mas tendem a ser vistos como os mais importantes 
quando se busca pensar em uma estratégia para que uma página apareça 
dentro deste sistema. Ocorre, no entanto, que não basta estar no Google: é 
preciso estar bem ranqueado, aparecer nos primeiros resultados para um 
usuário que faz consulta sobre algum termo. Por que isso é tão importante? 
Discutiremos a seguir. 
TEMA 3 – EXISTE VIDA ALÉM DA PRIMEIRA PÁGINA DO GOOGLE? 
Intuitivamente, todos nós conseguimos notar que o Google, com sua 
capacidade de mapear praticamente todas as páginas públicas que estão 
disponíveis na internet, traz a qualquer sujeito que o utiliza uma quantidade 
imensurável de resultados, muito maior do que qualquer ser humano consegue 
consultar. Por isso, o grande serviço prestado pelo Google não é exatamente a 
captura, mas o filtro – ou seja, a hierarquização, apresentando os resultados 
mais importantes no começo e deixando para depois os menos importantes. 
 
5 Falaremos mais sobre taxa de rejeição ao longo desta disciplina. 
 
 
9 
Por óbvio que, como explicamos, essa categorização entre o que é mais 
ou menos importante não é feito de forma “manual”, mas sim automática, pelo 
GoogleBot, pelos critérios que abordamos. O que todo site deseja, por fim, é 
que apareça logo nos primeiros resultados – se possível, logo na primeira 
página de resultados do Google. 
Vejamos um exemplo: fizemos uma busca utilizando as palavras-chave 
“pet shop em Curitiba”. Os resultados dessa pesquisa, conforme vemos na 
imagem a seguir, resulta em mais de 9 milhões de resultados. 
Figura 2 – Reprodução de tela do Google 
 
Fonte: Google. 
Caso desçamos a barra de rolagem até o fim desta primeira interface 
que exibe os resultados, veremos que o Google indexa uma quantidade muito 
ampla de páginas, as quais o usuário poderá (ou não) clicar em busca que 
mais lhe interessa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Figura 3 – Reprodução de tela do Google 
 
Fonte: Google. 
É claro que não há qualquer possibilidade de que algum indivíduo 
consulte todos os 9 milhões de links. Pesquisas mostram, inclusive, que nem 
sempre os usuários passam da primeira página de resultados do Google. 
Gabriel (2010) traz dados impactantes: 90% clicam nos links da primeira página 
dos resultados; 68% abandonam a busca depois da primeira página; 90% não 
vão além da terceira página de resultados. 
Por isso, talvez pudéssemos dizer que vivemos dentro do que Gabriel 
(2010, p. 216) chama de ditadura dos top 10: é preciso sempre tentar ficar 
entre os 10 primeiros resultados de uma pesquisa pois, caso contrário, as 
chances de ser “encontrado” se reduzem significativamente. Para conseguir 
isso, é preciso aprender a usar uma série de estratégias que têm o intuito de 
fazer um site ser categorizado entre as primeiras posições do Google dentro de 
uma pesquisa específica6.Antes de chegarmos à apresentação destas estratégias, as quais são 
denominadas, de forma corrente, como SEO, falaremos um pouco sobre uma 
questão que talvez passe em sua mente: como pode o Google saber tanto 
sobre mim? 
 
 
6 Nas próximas aulas, começaremos a discutir essas estratégias. 
 
 
11 
TEMA 4 – COMO O GOOGLE SABE TANTO SOBRE NÓS? 
Certamente você já observou algumas coisas curiosas (para não dizer 
estranhas) quando você acessa não apenas o Google, mas também as suas 
redes sociais: é comum notar que estas plataformas parecem nos conhecem 
talvez melhor até que nós mesmos. Por exemplo, por vezes, temos a 
impressão de que os anúncios que aparecem para nós oferecem produtos que 
são exatamente dentro de nossos gostos. Às vezes, fazemos uma pesquisa e 
em seguida parece que o Google começa a otimizar os resultados de acordo 
com os sites de nossa preferência. Há quem diga, inclusive, que nem chegou a 
digitar algo no celular, mas apenas conversou sobre tal assunto, e logo mais 
um determinado produto começou a aparecer em sua timeline com bastante 
frequência. 
Como isso é possível? Como já explicamos anteriormente, não trata de 
adivinhação, mas sim de inteligência artificial: os algoritmos do Google e 
demais sites (como Facebook e Instagram) são programados para “aprender” o 
tempo todo sobre os seus usuários. E isso ocorre em diversas maneiras, pois 
toda vez que navegamos na internet estamos produzindo “rastros” e “pistas” 
sobre nós. Apenas para ilustrar, vejamos aqui alguns exemplos de informações 
que são mapeadas pelo Google: 
• Os dados básicos de um usuário: gênero, idade, localização, data de 
nascimento, números de telefone e endereços de e-mail; 
• Para quem usa Gmail, o Google é capaz de identificar quais as palavras 
mais frequentes que um usuário emprega em seus e-mails – tanto os 
enviados quanto os recebidos; 
• O horário em que um usuário costuma acessar mais a internet; 
• Os usuários do navegador Google Chrome que sincronizam sua conta 
Google têm seu histórico de navegação na internet vigiado pela 
empresa7; 
• Ao usar o Gmail, o Google é capaz de registrar o histórico de compras 
de um usuário; 
 
7Disponível em: . Acesso em: 01 abr. 2021. 
 
 
12 
• O Google consegue visualizar o histórico de vídeos assistidos no 
Youtube; 
• O Google Maps é capaz de armazenar o histórico de localização de um 
usuário, obtido por meio do GPS dos celulares. 
As razões pelas quais o Google usa a tecnologia para levantar todas 
essas informações são bastante óbvias: para poder negociar publicidade 
direcionada e mais efetiva. Por exemplo: se o Google sabe que você é uma 
pessoa na faixa dos 20-30 anos, que está estudando, que mora em 
determinada cidade e está interessado em certos assuntos, ficará muito mais 
fácil direcionar anúncios de empresas que tenham o seu perfil como público-
alvo. 
Também é importante apontar que toda essa coleta é feita de uma forma 
totalmente legal, uma vez que nós costumamos autorizar o acesso aos nossos 
dados. Sempre que entramos pela primeira vez em um site com determinados 
comandos ou criamos um login dentro de uma página ou aplicativo no celular, 
costuma aparecer para nós os termos de concordância com as condições do 
serviço – os quais, quase sempre, assinamos sem ao menos ler. 
Saiba mais 
• Vale lembrar que o Google não é a única empresa que coleta dados dos 
seus usuários. Recentemente, em 2014, o Facebook foi alvo de um escândalo 
de venda de dados para a empresa Cambridge Analytica. Tais informações 
teriam sido usadas para manipular a opinião de eleitores em diversos países – 
em especial nos Estados Unidos, pois um dos donos da empresa, Steve 
Bannon, foi o articulador político da eleição de Donald Trump. 
Sobre este tema, sugerimos o documentário Privacidade Hackeada, de 
2019, disponível na Netflix, que explica melhor este escândalo. 
• Por mais que o Google recorra ao escrutínio de todas as informações 
listadas anteriormente, o usuário tem o direito de desativar essa coleta, caso 
assim o deseje. Saiba mais sobre isso nesta matéria do portal TechTudo. 
Disponível em: . Acesso em: 01 abr. 
2021. 
 
 
13 
• No episódio Seu cérebro no Insta, do podcast Rádio Escafandro, você 
recebe informações sobre como operam os algoritmos do Facebook para obter 
dados de seus usuários. Disponível em: 
. Acesso 
em: 01 abr. 2021. 
Até o momento, abordamos aqui a questão da coleta de dados pelo lado 
do usuário. É necessário, então, olhar este panorama sob a ótica de uma 
marca ou empresa, que tem em mãos uma situação extremamente vantajosa 
no que diz respeito à publicidade: pode, agora, conversar diretamente com o 
seu público e chegar em pessoas que talvez, em outros momentos, jamais 
chegaria. Este alcance altamente direcionado pode ser obtido prioritariamente 
por duas maneiras: pelo investimento em anúncios (que, quando feitos 
diretamente no Google, é o que chamamos de Google Ads) ou pela otimização 
(gratuita) de uma página de forma que ela seja mais facilmente encontrada 
pelas pessoas que utilizam o Google. Falaremos sobre isso em breve. 
TEMA 5 – O QUE MUDA COM A LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS? 
Em vigor desde 16 de agosto de 2020, a Lei Geral de Proteção de 
Dados estabelece uma série de regras às empresas quanto à coleta de dados 
dos usuários da internet. Sancionada em 2018 pelo então presidente Michel 
Temer, ela dispõe normas a respeito dos seguintes elementos: 
• A coleta de dados dos usuários: quais dados podem ser garimpados e 
como isso deve ser feito; 
• O armazenamento desses dados: como devem ser guardadas essas 
informações e por quanto tempo; 
• O tratamento feito dessas informações; 
• O compartilhamento adequado dessas informações: para quem as 
empresas podem repassar essas informações e quais as limitações 
(lembre-se, por exemplo, que o escândalo da Cambridge Analytica 
envolvia o compartilhando indevido de dados). 
Esta Lei (comumente chamada de LGPD) é considerada um grande 
ganho à população brasileira, uma vez que estabelece uma legislação mais 
clara, exequível e passível de punição a quem não a cumpre. Deste modo, ela 
 
 
14 
visa retirar o entendimento de que a internet seria uma grande “terra de 
ninguém”, e desta forma torná-la um ambiente em que os sujeitos são cidadãos 
que merecem ter seus direitos respeitados. Neste contexto, vale lembrar 
também que há um novo ditado que diz que “os dados dos usuários são o novo 
petróleo”, o que quer dizer, em outras palavras, que essas informações 
deixadas por cada indivíduo em seus usos cotidianos das redes são muito 
valiosas. 
Com a homologação da LGPD, que cobre os direitos de todos os 
residentes do Brasil, algumas mudanças foram estabelecidas e precisam ser 
cumpridas por todas as empresas. A seguir, falaremos de algumas delas: 
• A empresa que coleta dados (por exemplo: uma farmácia que pede o 
CPF de um cliente) precisa informar com muita clareza qual o intuito 
daquela coleta, e não pode utilizá-lo para qualquer outro fim; 
• A empresa deve informar ao usuário caso haja algum vazamento dos 
seus dados; 
• A empresa precisa permitir permissão com clareza cada vez que for 
coletar algum dado; 
• A empresa precisa ter um responsável por responder interna e 
externamente sobre a questão dos dados; 
• A empresa precisa educar seus funcionários sobre todas essas 
questões; 
• Os usuários precisam ter fácil acesso à correção de seus dados; 
• Os usuários precisam ter o direito de revogar essa concessão, e isso 
deve aparecer de forma clara; 
• Os usuários precisam ser informados com clareza sobre as 
consequências denão fornecer tais dados. 
A LGPD, por ser uma lei, prevê ainda a concessão de punições, como 
multas, caso fique comprovado que uma empresa descumpriu algum dos 
critérios listados acima. 
Agora que você já possui uma clara ideia do funcionamento do Google e 
das razões pelas quais é preciso estar bem posicionado nele, nas próximas 
aulas começaremos a discutir sobre como conseguir isso. Até lá! 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
GABRIEL, M. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec Editora, 2010. 
PATEL, N. Aprenda como aparecer nos primeiros resultados do Google em 
pouco tempo. Neil Patel, [S.d.]. Disponível em: 
. Acesso em: 01 abr. 2021. 
SANTAELLA, L. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. 
São Paulo: Paulus, 2004.

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