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Resumo todos slides Slide 1 Introdução ● A biossegurança tem um papel muito importante na vida do profissional da saúde. ● Consiste em um conjunto de normas cujo objetivo é garantir a segurança do trabalhador, dos pacientes e do meio ambiente. ● Uma série de princípios de biossegurança são aplicados para uma prática profissional mais segura. ● Apesar de ser muito discutida e valorizada, o número de acidentes ainda é bastante elevado. Perguntas norteadoras: ● O que é biossegurança? ● Que tipo de biossegurança estamos falando? Biossegurança ● Bio (raiz grega) = vida ● Segurança = estado, qualidade ou condição de quem ou do que está livre de perigos e incertezas. BIOSSEGURANÇA = SEGURANÇA DA VIDA Conceito de Biossegurança Biossegurança é o conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, diminuir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, em virtude da adoção de novas tecnologias e fatores de risco a que estamos expostos. Sendo assim, Biossegurança configura as normas que garantem a proteção e a segurança. “É um campo do conhecimento interdisciplinar, com uma forte base filosófica, como a ética e a bioética, com múltiplos recortes e interfaces, cujos limites são amplos e estão em constante construção (Rosenvald, 2008)” Duas Vertentes da Biossegurança 1. Legal: ○ Trata das questões envolvendo manipulação de DNA e pesquisas com células-tronco embrionárias. ○ Baseada na Lei nº 11.105 (Lei de Biossegurança) . 2. Praticada: ○ Desenvolvida principalmente nas instituições de saúde. ○ Envolve riscos por agentes químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais. ○ Relacionada à segurança ocupacional . Símbolo da Biossegurança ● Representa risco biológico . ● Desenvolvido em 1966 por C harles Baldwin (engenheiro da Dow Chemical) , a pedido do CDC (Center for Disease Control). ● Criado para garantir: ○ Visibilidade independente da posição da embalagem; ○ Padronização da identificação de agentes biológicos de risco. ● Cor de fundo: laranja ou vermelho alaranjado. ● Reconhecido internacionalmente . Medidas de Biossegurança “Conjunto de procedimentos, ações, técnicas, metodologias, equipamentos e dispositivos capazes de ELIMINAR OU MINIMIZAR RISCOS inerentes às atividades profissionais que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos.” Locais onde se aplica: ● Hospitais ● Laboratórios ● Universidades ● UBS ● Clínicas ● Indústrias Histórico da Biossegurança Lívia Francisco T28 1 ● A definição de biossegurança para Rosenvald (2007) teve sua construção no início da década de 70, após o surgimento da engenharia genética." 👉 Segundo o autor Rosenvald, a ideia do que é biossegurança começou a ser construída nos anos 1970, quado surgiram as primeiras técnicas de engenharia genética , ou seja, quando os cientistas passaram a modificar os genes de seres vivos. ● O procedimento inicial e marco na ciência foi a utilização de técnicas de engenharia genética, resultando na transferência do gene da insulina para a bactéria Escherichia coli." 👉 Um dos primeiros e mais importantes experimentos da engenharia genética foi colocar o gene que produz insulina (um hormônio humano) dentro da bactéria Escherichia coli , fazendo com que ela passasse a produzir insulina também. ● Essa primeira experiência, em 1973, provocou forte reação da comunidade mundial de ciência, resultando na Conferência de Asilomar, na Califórnia, em 1974." 👉 Esse experimento foi tão impactante que causou preocupação entre os cientistas do mundo todo. Por isso, em 1974, foi feita a Conferência de Asilomar , nos EUA, para discutir os riscos e regras de segurança ao lidar com engenharia genética. Datas ● 1862: Pasteur elabora a teoria microbiana das doenças. 👉 Em 1862, Louis Pasteur descobriu que microrganismos causam doenças , criando a teoria microbiana . A partir daí, as pessoas começaram a se preocupar mais com higiene e proteção contra esses microrganismos. ● 1941: Meyer e Eddie — 74 casos de brucelose em profissionais de saúde. 👉 Em 1941, dois cientistas, Meyer e Eddie, identificaram 74 casos de brucelose (doença infecciosa) em profissionais da saúde, mostrando que trabalhar com pacientes ou amostras pode ser perigoso . ● 1951: Sulkin e Pike — 1.342 casos de infecção em 5.000 laboratórios (apenas 16% como acidente de trabalho; 3% de mortalidade). 👉 Em 1951, Sulkin e Pike estudaram 5 mil laboratórios e descobriram 1.342 casos de infecções ligadas ao trabalho. Mas só 1/3 dos casos foram registrados oficialmente , e apenas 16% reconhecidos como acidentes de trabalho , com 3% das pessoas morrendo por causa disso. ● 1973: Primeira experiência com engenharia genética — gene da insulina transferido para E. coli . ● 1974: Conferência de Asilomar, Califórnia. ● 1974: Skinholj — hepatite: 3 casos / 1.000 funcionários. 👉 Um estudo de 1974 mostrou que, numa clínica, a hepatite era 7 vezes mais comum em profissionais da saúde do que em outras pessoas, e a tuberculose era 5 vezes mais comum , mostrando o alto risco dessas profissões. ● 1981: Surgimento da AIDS — aumento da preocupação com biossegurança. ● 1984: 1º Workshop de Biossegurança (Fiocruz). 👉 Em 1984, foi feito o primeiro evento oficial (workshop) sobre biossegurança em laboratórios , realizado pela Fiocruz , que é uma importante instituição de saúde no Brasil. ● 1986: 1º levantamento de riscos em laboratórios na Fiocruz — INCQS. 👉 Em 1986, foi feito o primeiro estudo detalhado sobre os riscos nos laboratórios , também pela Fiocruz , através do INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde) . ● 1990s: Foco em DNA recombinante — criação do Núcleo de Biossegurança (Ministério da Saúde). 👉 Nos anos 90, a biossegurança passou a se focar mais em técnicas modernas , como o DNA recombinante (modificar o DNA dos seres vivos). O Ministério da Saúde criou um núcleo especial para cuidar da biossegurança no país. ● 1994: Primeiro caso de contaminação ocupacional por HIV no Brasil (auxiliar de enfermagem, São Paulo). ● 1995: Lei brasileira de Biossegurança — Lei nº 8974/95. 👉 Em 1995, o Brasil criou uma lei específica para regulamentar a biossegurança , chamada Lei 8.974/95 . ● 1999: Fundação da Associação Nacional de Biossegurança — ANBio. 👉 Em 1999, foi criada a ANBio , uma associação nacional que ajuda a divulgar, orientar e fiscalizar a biossegurança no Brasil. Fontes e Instituições Importantes Depois da Conferência de Asilomar , os EUA criaram normas oficiais de biossegurança ● National Institute of Health (EUA): originou as normas de biossegurança após Asilomar. 👉 No final dos anos 1800, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já estava começando a definir o que é biossegurança , mostrando que a preocupação é antiga. ● Organização Mundial da Saúde: conceitua biossegurança no fim do século XIX. ● Brasil: estruturação da biossegurança na década de 80, devido ao aumento de infecções laboratoriais. Lívia Francisco T28 2 ● **Em 1981, com o surgimento da aids e o primeiro registro de contágio acidental em um profissional da saúde, surgiu, novamente, uma maior preocupação com a biossegurança. (**Em 1981, com o aparecimento da AIDS e o primeiro caso de um profissional de saúde infectado acidentalmente , as pessoas voltaram a se preocupar ainda mais com a segurança no trabalho) ● O primeiro caso de contaminação acidental de HIV em um trabalhador no Brasil foi em 1994, em SãoPaulo, quando um auxiliar de enfermagem sofreu um acidente ocupacional com uma agulha contaminada pelo sangue de um paciente soropositivo. Princípios da Biossegurança ● Análise de riscos; ● Uso de equipamentos de segurança; ● Técnicas e práticas de laboratório; ● Estrutura física dos ambientes de trabalho; ● Descarte apropriado de resíduos; ● Gestão administrativa dos locais de trabalho em saúde. Risco x Perigo na Saúde A principal diferença entre risco e perigo é que o perigo é a fonte potencial de dano, enquanto o risco é a probabilidade de esse dano ocorrer . Em outras palavras, o perigo é a situação ou condição que pode causar danos, e o risco é a chance de que esses danos realmente aconteçam. ● Risco: “Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação vulnerável, afetando sua integridade física e psíquica.” ○ Atividades de risco: capazes de causar dano, doença ou morte. ● Perigo: ○ Presente em substâncias ou práticas (ex.: químicos e biológicos). ○ O risco pode ser baixo se houver uso correto de EPIs e cuidados adequados . Risco na Saúde é a chance de algo ruim acontecer quando lidamos, por exemplo, com produtos químicos ou biológicos. Perigo é o que pode causar o dano (como o produto químico). Mas o risco pode ser baixo se a pessoa usar os equipamentos corretos (como luvas, máscaras) e seguir as regras de segurança certinhas. 👉 Exemplo: ● O produto químico é um perigo . ● Se você usar luvas, máscara e seguir as normas, o risco de se machucar é pequeno . Análise de Riscos na Biossegurança “A análise de riscos é um aspecto fundamental, pois só após entender os riscos da prática clínica é possível adotar as medidas de biossegurança adequadas.” Introdução ● O ser humano vive em sociedade, convive com outros seres humanos e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?” ● Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Bioética ● O termo foi criado em 1971 por Van Renssealer Potter , no livro “Bioethics, bridge to the future” , referindo-se a uma nova disciplina que deveria permitir a passagem para uma melhor qualidade de vida. ● Trata-se de um estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e do cuidado da saúde, quando esta conduta se examina à luz dos valores e princípios morais. (Enciclopédia de Bioética – 1978) ● “Um dos problemas mais importantes que se propõem em todo o mundo reside em que as ciências sociais e as do comportamento não Lívia Francisco T28 3 progrediram no mesmo ritmo das ciências naturais e biológicas. Disso resultou que seus efeitos na reflexão filosófica e moral, incluídos códigos religiosos, éticos e civis ficam limitados.” ○ Explicação Um grande problema no mundo é que as ciências que estudam o ser humano, como a psicologia e a sociologia, não evoluíram tão rápido quanto as ciências que estudam a natureza e o corpo, como a biologia e a medicina. Por isso, os avanços científicos (como novas tecnologias, tratamentos, cirurgias) aconteceram muito rápido , mas as reflexões sobre o que é certo ou errado (ética, moral, religião e leis) não acompanharam esse ritmo Resultado: ficamos com poucas respostas ou regras claras para lidar com essas novidades da ciência de forma justa e humana. ● (Colóquio da UNESCO – 1975) ● Bioética é o ramo da filosofia moral que estuda as dimensões morais e sociais das técnicas resultantes do avanço do conhecimento nas ciências biológicas. ● “Ética da vida” . ● O termo tem origem grega : ○ bios (vida) ○ ética (costumes, valores de uma determinada sociedade em algum momento histórico) ● Objetiva alcançar benefícios e assegurar a integridade dos seres humanos, defendendo o princípio da dignidade humana . (OLIVEIRA, 2004) Definições ÉTICA ● “Estudo do juízo de apreciação que se refere à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.” (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira) ○ Explicação da frase A ética é o estudo sobre como julgamos as ações das pessoas, ou seja, se elas são certas ou erradas , boas ou más . Esse julgamento pode depender dos valores de uma sociedade (por exemplo, o que é certo em um lugar pode não ser em outro) ou pode ser visto de forma mais geral e universal (o que seria certo ou errado em qualquer situação ou lugar). ● “A ciência do moral.” (Caldas Aulete) ● “Teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.” (Adolpho Sanchéz Vázquez) ● "Ética é um conjunto de princípios ligados à ação das pessoas que define quais ações podem ser consideradas corretas ou incorretas, dizendo o que é o certo e o errado." ● Ética é definida como sendo: a) A ciência da conduta humana perante o ser e seus semelhantes. (Dicionário Houaiss, 2004) ○ Procede do termo grego ETHOS . ○ Estudo geral do que é bom ou mau. ○ Um dos objetivos da Ética é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. ○ Mas ela é diferente de ambas, pois não estabelece regras . ○ Esta reflexão sobre a ação humana é que a caracteriza. ● 🤔 Mas qual a diferença? ○ A moral e o direito realmente criam regras para dizer o que pode ou não pode fazer. Exemplo: “Não matar”, “respeitar os mais velhos”, “usar cinto de segurança”. ○ Já a ética não impõe regras , ela reflete sobre elas . Ela pergunta: Lívia Francisco T28 4 👉 “Por que essa regra existe?” 👉 “Essa regra é justa?” 👉 “Ela vale para todos?” ETHOS ● Compreende os comportamentos que caracterizam uma cultura, um grupo profissional, enquanto faz uso de alguns valores e de uma escala deles. ● Exemplo : Ethos do fisioterapeuta, enfermeiro, médico, advogado, militar... ● Portanto, Ethos é a tradição e a experiência comum de um grupo , baseadas numa hierarquia de valores. ÉTICA ● “A pessoa não nasce ética.” ● Sua estruturação ética vai ocorrendo juntamente com seu desenvolvimento. ● A humanização (socialização) constrói a ética individual. Ser ético ● Significa a capacidade de percepção dos conflitos entre o que o coração diz e o que a cabeça pensa. ➡ Às vezes, o coração (emoção) quer uma coisa… ➡ …mas a cabeça (razão) pensa diferente. Ser ético é reconhecer esse conflito e tentar encontrar o ponto de equilíbrio entre o que você sente e o que você acha certo pensar ou fazer. ● Pode-se percorrer o caminho entre a emoção e a razão, posicionando-se na parte desse percurso que se considere mais adequada. ● “Por esse motivo muitos autores consideram problemas éticos como conflitos que devem ser vivenciados pessoalmente , dependendo da “cabeça” do indivíduo, fruto de conceitos e ideias sociais internalizados e processados ao longo da vida.” Porque cada pessoa tem sua própria história, experiências e valores. Ou seja, a forma como alguém entende o que é certo ou errado vem do que aprendeu com a família, a sociedade, a escola, a religião, etc. Por isso, os dilemas éticos são pessoais : 👉 cada um vai viver e sentir esse conflito de um jeito, 👉 e a escolha depende do que a pessoa carrega dentro de si . MORAL ● “Parte da filosofia que trata dos costumes, deveres e do modo de proceder dos homens para com outros homens.” (Caldas Aulete) ● “Sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade.” (Adolpho Sanchéz Vázquez) ● Origem no latim “morus” , significandoos usos e costumes. ● Para Godim (2000) , é o conjunto das normas para o agir específico ou concreto. ○ A moral está contida nos códigos que tendem a regulamentar o agir das pessoas. ● Segundo Piaget , toda moral é um sistema de regras e a essência de toda a moralidade consiste no respeito que o indivíduo sente por tais regras . ● Na concepção de Godim (2000) : ○ A moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem viver. ○ Independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. Lívia Francisco T28 5 ○ É normativa , baseada em valores, proibições e tabus impostos por política, religião, costumes sociais ou ideologias. ● A moral é mutável e está diretamente relacionada com práticas culturais. ○ Exemplo : o homem ter mais de uma esposa é moral em algumas sociedades, mas em outras não. Entendendo... ● No meio, está a AÇÃO , ou seja, o que a pessoa faz . ● Essa ação pode ser analisada de três formas: 1. ÉTICA ➔ é quando você justifica a sua ação, pensando no que é certo ou errado por você mesmo . É uma reflexão pessoal. ➡ Exemplo: Você ajuda alguém porque sente que é o certo. 2. MORAL ➔ são regras voluntárias , baseadas nos costumes da sociedade. Você escolhe seguir para ser aceito ou agir como acredita que deve. ➡ Exemplo: Cumprimentar as pessoas com respeito. 3. DIREITO ➔ são regras obrigatórias , que vêm da lei. Se você não cumprir , pode ser punido. ➡ Exemplo: Usar cinto de segurança no carro é obrigatório por lei. BIOÉTICA ● As condutas humanas são dependentes das normas morais que existem na consciência de cada um. ● Como consequência, diferentes pontos de vista determinam as diversas respostas das pessoas frente aos semelhantes. ● A existência dessas normas morais sempre esteve presente na vida das pessoas, orientando a análise dos problemas. ● Através de conselhos, ordens, obrigações e proibições recebidas desde pequenos, aprendemos a orientar nossa conduta posteriormente. ● A diversidade dos sistemas morais, pelo pluralismo, permite que um mesmo ato seja visto como correto para alguns e imoral para outros. ● A liberdade humana não é totalmente real, pois os indivíduos são condicionados por pressões sociais, culturais ou laborativas . ● Considerando-se a ética e a moral como campos que permitem à pessoa atuar com base em um critério individual, os problemas surgem na incompatibilidade entre a liberdade humana e as normas morais , ou seja, entre o ser e o dever ser . ● O nascimento da bioética tem suas raízes nas ruínas da 2ª Guerra Mundial , com o estímulo à reflexão sobre a necessidade de uma fronteira entre ética e comportamento . ● Passou-se a exigir uma ética no campo biomédico, baseada na razão e nos valores objetivos da vida e da pessoa. PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA ● A corrente principialista iniciou-se com o Relatório Belmont (1979) , apresentando quatro princípios: 1. Princípio do respeito à autonomia ○ Respeito às pessoas por suas opiniões e escolhas, segundo valores e crenças pessoais. ○ Direito soberano que possui, uma vez de posse de todos os elementos relacionados com uma ou mais possibilidades ou propostas terapêuticas, de decidir livremente se aceita ou não o tratamento e a prerrogativa do profissional. 2. Princípio da beneficência ○ Obrigação de não causar dano e de extremar os benefícios e minimizar os riscos. ○ O profissional deve ter em mente que toda e qualquer ação deve obrigatoriamente trazer benefícios ao paciente 3. Princípio da não-maleficência ○ Obrigatoriedade de não causar mal ao outro. ○ É o dever do profissional, além de ajudar, também não causar danos ao paciente. 4. Princípio da justiça Lívia Francisco T28 6 ● Imparcialidade na distribuição dos riscos e benefícios, não podendo uma pessoa ser tratada de maneira distinta de outra, salvo se houver alguma diferença relevante. FUNÇÕES DA BIOÉTICA 1. Função descritiva ○ Analisar e compreender, de maneira racional e imparcial, os conflitos morais. Serve para entender e analisar os conflitos morais (por exemplo, decisões difíceis na área da saúde) de forma racional e sem tomar partido . 2. Função normativa ○ Ponderar os conflitos e propor soluções razoáveis e aceitáveis pelos atores dos conflitos, prescrevendo os comportamentos corretos e proscrevendo os incorretos. ○ Ajuda a avaliar esses conflitos e propor soluções justas , dizendo o que seria o comportamento certo ou errado. 3. Função protetora ○ Cuidar dos indivíduos e populações humanas em seus contextos. 4. Tem como objetivo cuidar das pessoas e das comunidades , levando em conta seu contexto (cultura, situação social, etc). Refletindo... ● O principialismo é uma das formas mais utilizadas da bioética. ● Atualmente busca-se uma visão mais global e, ao mesmo tempo, mais específica, analisando cada caso conforme seu contexto social, econômico e cultural. ● Bioética refere-se ao estudo sistemático da conduta humana à luz dos valores e princípios morais . ● É um braço da ética geral , que aplica os princípios éticos ao campo da vida e da saúde , especialmente aos novos problemas que estão surgindo. Topico 3 - SLIDE 3 🌟 1. Relação entre Ética, Moral, Valores e Deontologia ● Ética : é o estudo do que é certo ou errado no comportamento humano. São princípios universais, como respeito, justiça, honestidade. ● Moral : são as regras que seguimos no dia a dia, baseadas na cultura, religião, família. Ex: ser fiel, ajudar o próximo. ● Valores : são ideias que consideramos importantes, como a vida, a liberdade, a saúde. ● Deontologia : é o conjunto de regras e deveres da profissão. Ex: o Código de Ética do Enfermeiro, do Fisioterapeuta, etc. 🔎 Resumo prático : ● Ética = reflexão sobre o certo. ● Moral = costumes e regras. ● Valores = o que a gente acredita. ● Deontologia = deveres profissionais. 💬 Perguntas para refletir (autoconhecimento profissional) ● Quando me sinto um bom profissional? ● Quando eu falho? ● O que é mais importante ao cuidar de um paciente? ● Qual o principal direito do paciente? ● Qual a principal qualidade de um bom profissional? 🔍 Essas perguntas servem para pensar sobre sua postura profissional e ética . ⚖ Situação-problema: Blitz e atropelamento Seu amigo comete dois erros graves: suborna um policial e dirige sem carteira, depois atropela uma gestante. Você é testemunha e é chamada para depor: vai protegê-lo ou dizer a verdade? 💡 Reflexão ética : Falar a verdade, mesmo sendo difícil, é o certo. A justiça, a responsabilidade e a vida vêm antes da amizade nesse caso. 🌍 Bioética e Leis Internacionais Lívia Francisco T28 7 A Bioética cuida do respeito à vida e à dignidade humana. Ela aparece em leis e documentos internacionais como: ● Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) : todos têm direito à dignidade, liberdade, justiça e paz. ● Pactos Internacionais (1966) : ○ Direitos civis e políticos. ○ Direitos econômicos, sociais e culturais (ex: saúde, cultura, ciência). ● Declaração sobre o Genoma Humano (1997) : ○ O DNA é patrimônio da humanidade. ○ A pessoa tem direito de saber (ou não saber) os resultados de testes genéticos. 💛 Bioética e Dignidade Humana O Direito e a Bioética se preocupam com: ● A vida do nascimento até a morte. ● Respeito à identidade, escolhas e integridade da pessoa. ● O bem-estar humano deve estar acima dos interesses da ciência ouda sociedade . 📜 Frases éticas conhecidas (“A Lei de Ouro”): ● “Não faças aos outros o que não queres que façam contigo.” → (Confúcio, Rabi Hillel, Jesus Cristo – todos dizem isso de formas parecidas!) 🧠 Lição : Trate as pessoas como você gostaria de ser tratado. 🔍 Bioética - Guia para agir bem Perguntas que ajudam a agir com ética: 1. O quê? → O que está sendo feito? 2. Com quem? → Quem está envolvido? 3. Quando? → Em qual momento isso acontece? 4. Onde? → Em qual lugar? 5. Por quê? → Qual a causa? 6. Como? → De que forma? 7. Para quê? → Qual a intenção/finalidade? ✅ RESUMÃO FINAL Termo Significado Fácil Ética Princípios do que é certo ou errado Moral Regras que seguimos pela cultura ou religião Valores Ideias importantes pra cada pessoa Deontolo gia Regras e deveres da profissão Bioética Cuida da vida, dignidade, saúde e direitos humanos Legislaçã o Leis que protegem a vida e os direitos de todos 📚 O que é Ética Profissional? ● É o conjunto de normas e deveres que guiam a conduta de um profissional dentro da sua área de atuação. ● Vai além de saber fazer: envolve agir corretamente , respeitando o próximo e a profissão. 📌 O que é Deontologia? ● Deon (do grego): significa "dever" . ● Deontologia = Ética Profissional = “Como devo agir como profissional?” ● Ela mostra regras específicas de cada profissão: o que pode e o que não pode ser feito. 🔎 Exemplo: Na saúde, não é só saber aplicar uma injeção, mas saber respeitar o paciente , guardar sigilo , e tratar com dignidade . 🧾 Código de Ética ● É um documento oficial , com normas e princípios que orientam como um profissional deve agir. ● Todo profissional tem o dever de conhecer e respeitar esse código. ● Ajuda a garantir: ○ Segurança e qualidade no atendimento. ○ Relações justas com colegas, pacientes e sociedade. Lívia Francisco T28 8 ⚖ O Código de Ética regula: ● Condutas éticas/morais : preserva o caráter e dignidade do profissional. ● Normas jurídicas e administrativas : garante qualidade técnica e responsabilidade. 🎯 Objetivos do Código e das Normas ● Valorizar a profissão. ● Proteger o paciente/cliente. ● Oferecer segurança para a sociedade. ● As normas são: ○ Consensuais (todos concordam com elas) ○ De fácil entendimento e cumprimento ○ Podem gerar punições (advertência, suspensão etc.) se forem desrespeitadas. 🧠 Reflexão Ética – Perguntas para pensar: ● Já copiou algo sem citar a fonte? ● Já furou fila? ● Já mentiu para proteger alguém? ● Denunciaria um amigo que cometeu um erro grave? 👉 Essas perguntas mostram como a ética aparece no dia a dia e nos ajudam a pensar como nossas ações afetam os outros . 👤 História de Vida e Profissão Cada pessoa tem: ● Valores pessoais, religiosos e culturais ● Crenças e experiências ● E isso influencia como ela age profissionalmente. 👔 Profissão X Profissionalismo ● Profissão : trabalho habitual e especializado (ex: ser nutricionista, enfermeira...). ● Profissionalismo : é como você se comporta no exercício da sua profissão. ✔ Inclui: ● Conhecimento técnico e científico. ● Habilidades e competência. ● Comprometimento e responsabilidade. ● Respeito às leis e à segurança. ● Dedicação, qualidade e ética. 🧠 Experimentação com Seres Humanos e Biossegurança Internacional 🌍 1. Contexto Histórico – Primeira e Segunda Guerra Mundial 🪖 Primeira Guerra Mundial (1914-1918): ● Alemanha saiu derrotada e teve que pagar indenizações a outros países. ● A situação no país era desigual : ○ Pobres: passavam fome . ○ Ricos: viviam bem . ⚠ Consequência: Nazismo e Eugenia ● Hitler culpava os judeus pela situação. ● Passou a defender a eugenia . 🧬 2. O que é Eugenia? É uma filosofia que tenta "melhorar a raça humana", eliminando ou modificando pessoas consideradas "anormais". ✳ Definições: ● "Ciência que estuda as condições ideais para reprodução humana." ● "Filosofia de aperfeiçoar a genética da sociedade." ⚠ Como Hitler usava isso: ● Queria "purificar a raça humana" . ● Eliminava: ○ Alcoólatras Lívia Francisco T28 9 ○ Deficientes ○ Crianças pobres, cegas ou surdas ○ Desempregados ○ Pessoas consideradas sem futuro Chamava essas pessoas de: “Bocas inúteis”, “Indesejáveis”, “Não humanos”. 🗓 3. Segunda Guerra Mundial (1939-1945) 🧨 Conferência de Wannsee – 1942 ● Reunião nazista que decidiu exterminar os judeus . ● Resultado: ○ Cerca de 10 a 12 milhões de judeus mortos. ○ 200 a 300 mil ciganos . ○ Aproximadamente 16,2 milhões de vítimas no total . ⚰ 4. Atrocidades e Experimentações Médicas Durante a guerra, médicos nazistas fizeram experimentos cruéis em humanos nos campos de concentração. Exemplos de Experimentos: ● Sobrevivência no frio extremo . ● Testes com pressão e água do mar . ● Contágio com tuberculose . ● Injeção de venenos . ● Testes em gêmeos . 🧑⚕️ Mais de 200 médicos estavam envolvidos. ⚖ 5. Julgamentos e Tipos de Crimes Após a guerra, os responsáveis foram julgados em Nuremberg (1947) : Tipos de Crimes: ● Crimes de guerra: Tortura, abusos em guerra, desrespeito às leis humanitárias. ● Crimes contra a paz: Iniciar guerras sem justificativa . ● Crimes contra a humanidade: Genocídio, tortura e extermínio, mesmo fora de tempo de guerra . 📜 6. O Código de Nuremberg (1947) Primeira regra ética internacional para experimentos com seres humanos. 🧾 Os 10 Princípios Básicos: 1. Consentimento voluntário do participante. 2. O experimento deve trazer benefícios reais . 3. Precisa ter sido testado antes em animais . 4. Evitar sofrimento e dor desnecessária . 5. Não fazer se houver risco de morte ou invalidez grave . 6. Risco só se justifica por grande importância para a humanidade . 7. Ter medidas para reduzir riscos . 8. Ser feito por profissionais qualificados . 9. O participante pode sair a qualquer momento . 10. O pesquisador deve interromper o experimento se houver riscos sérios. ✅ Resumo Final para Memorizar: Tema Pontos-Chave Guerras Mundiais Nazismo cresceu após a 1ª Guerra. Judeus foram culpados. Eugenia Ideia de "melhorar a raça". Eliminavam os considerados "imperfeitos". Atrocidades Médicas Testes cruéis em humanos nos campos nazistas. Crimes de Guerra Julgamentos em Nuremberg puniram médicos nazistas. Lívia Francisco T28 10 Código de Nuremberg Criado para proteger pessoas em pesquisas. 10 regras éticas. 🧪 Declaração de Helsinki – 1964 ● O que é? Um conjunto de princípios éticos para orientar pesquisas com seres humanos . ● Quem criou? Associação Médica Mundial (na 18ª Assembleia). ● Objetivo principal: Proteger a saúde, bem-estar e direitos dos participantes da pesquisa. ⚖ Princípios gerais: ● A vida, dignidade, integridade, privacidade e direito à autodeterminação devem ser preservados. ● O progresso da medicina depende de pesquisas com humanos , mas os direitos dos participantes são prioridade . ● Pesquisas devem ser feitas por profissionais qualificados . ● Participantes prejudicados devem ter tratamento ou compensação . ⚠ Riscos e Benefícios: ● Os riscos devem ser minimizados e os benefícios avaliados constantemente . ● A pesquisa pode ser interrompida, modificada ou continuada com base nos resultados. 📘 Boas Práticas Clínicas – FDA (1977) ● Criou normas para garantir: ○ Qualidade dos dados obtidos. ○ Segurança dos participantes. ● Complementa a Declaração de Helsinkie o Código de Nüremberg . 📜 Informe de Belmont – 1978 (EUA) Base para a ética em pesquisa nos EUA. 4 princípios éticos principais: 1. Respeito às pessoas → valoriza a autonomia e protege os vulneráveis . 2. Não maleficência → evitar danos previsíveis . 3. Beneficência → busca do máximo benefício com mínimos riscos . 4. Justiça → pesquisa deve trazer benefícios sociais e tratar todos de forma justa. 🇧🇷 Resolução 196/1996 – CNS/CONEP/MS (Brasil) ● Regula pesquisas com seres humanos no Brasil . ● Criou o CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e os CEP (Comitês de Ética em Pesquisa) . ● Aplica-se a qualquer pesquisa que envolva o ser humano, direta ou indiretamente . Baseada em documentos internacionais: ● Código de Nüremberg ● Declaração Universal dos Direitos Humanos ● Declaração de Helsinki ● Diretrizes da OMS e CIOMS ● Acordos internacionais da ONU Base legal no Brasil: ● Constituição de 1988 ● Código Civil e Penal ● Estatuto da Criança e do Adolescente ● Lei Orgânica da Saúde ● Leis e decretos ligados ao SUS 📚 Resolução 510/2016 – CNS/CONEP/MS ● Voltada para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais . ● Define regras sobre: ○ Consentimento e assentimento . ○ Pesquisas que não precisam ser analisadas por CEP. ○ Pesquisa encoberta (quando o participante não sabe que está sendo estudado, usada em casos muito específicos). ● Reforça que a ética é histórica, social e cultural . ● Garante dignidade e proteção aos participantes . Lívia Francisco T28 11 👥 Sujeito da Pesquisa ● É a pessoa que participa voluntariamente da pesquisa. ● É proibido oferecer pagamento. 🧑⚖️ CEP – Comitê de Ética em Pesquisa ● Grupos formados por profissionais de várias áreas. ● Avaliam e aprovam pesquisas. ● Garantem que os participantes sejam respeitados e protegidos . ⚠ Conceitos Importantes: Termo Explicação Simples Risco da pesquisa Possibilidade de causar dano físico, emocional, social ou espiritual ao participante. Dano decorrente da pesquisa Problema que de fato aconteceu , causado direta ou indiretamente pela pesquisa. Vulnerabilidad e Quando a pessoa tem sua capacidade de decidir diminuída (ex: criança, doente). Incapacidade Pessoa que legalmente não pode decidir sozinha , precisa de responsável. 📑 Outras Resoluções Importantes: Reso luçã o A n o Conteúdo 251 19 9 7 Pesquisa com novos medicamentos, vacinas e testes. 292 19 9 9 Pesquisa com participação estrangeira ou envio de material biológico para fora do Brasil. 303 2 0 Pesquisa sobre reprodução humana. 0 0 304 2 0 0 0 Pesquisa com populações indígenas. Importante: Exposições ocupacionais referem-se à situação em que um trabalhador é exposto a agentes perigosos no ambiente de trabalho que podem prejudicar a sua saúde . Esses agentes podem ser químicos, físicos, biológicos ou de natureza ergonômica, e a exposição pode ser aguda (episódio único de alta concentração) ou crônica (exposição prolongada a baixas concentrações). 🧪 1. Introdução Profissionais da saúde e outros trabalhadores estão expostos a materiais biológicos contaminados , o que representa um alto risco de infecção por vírus perigosos , como: ● HIV (vírus da imunodeficiência humana) ● HBV (hepatite B) ● HCV (hepatite C) ⚠ Por que é perigoso? O contato com agulhas e materiais perfurocortantes (como bisturis ou cacos de vidro) pode causar ferimentos que servem como porta de entrada para vírus e outros agentes infecciosos. 🧍♂️ 2. Quem está em risco? Além dos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, técnicos), o risco também existe para: ● Estagiários ● Bombeiros ● Socorristas ● Garis ● Trabalhadores de serviços de saúde hospitalar, ambulatorial, domiciliar ou pré-hospitalar ● Todos os trabalhadores que atuam onde há risco de exposição ao sangue e a outros materiais biologicos. Lívia Francisco T28 12 ⚡ 3. Tipos de Exposição Ocupacional a Material Biológico 1. Exposição Percutânea (por perfuração da pele) 👉 O que é? Quando o trabalhador sofre um ferimento na pele com objeto perfurocortante , como: ● Agulha com lumen ou sem ● Bisturi ● Lâmina/Lanceta ● Caco de vidro ● Ferramentas contaminadas ● Instrumentos Cirúrgicos/ Odontologicos 👉 Exemplo real: Um enfermeiro sofre uma picada com agulha após aplicar uma injeção em um paciente HIV+. 👉 Risco: ✅ ALTO RISCO – Principal via de transmissão do HIV, HBV e HCV. 2. Exposição em Mucosas (mucocutânea) 👉 O que é? Contato de material biológico com mucosa: ● Olhos ● Boca ● Nariz ● Região genital/anal 👉 Exemplo real: Durante uma intubação, sangue espirra nos olhos de um técnico de enfermagem. 👉 Risco: ⚠ MÉDIO RISCO – A mucosa é uma via de entrada para vírus, especialmente se o contato for com grande volume ou tempo de exposição. 3. Contato com Pele Não Íntegra 👉 O que é? Quando o material biológico entra em contato com pele lesionada , como: ● Cortes ● Feridas ● Dermatites ● Escoriações 👉 Exemplo real: Um auxiliar de limpeza, com uma ferida na mão, limpa uma maca suja de sangue sem luvas . 👉 Risco: ⚠ MÉDIO RISCO – Existe porta de entrada para os vírus por meio da lesão. 4. Contato com Pele Íntegra (saudável, sem feridas) 👉 O que é? Contato do material biológico com pele sem feridas, sem cortes, sem lesões . 👉 Exemplo real:ghj Um enfermeiro encosta acidentalmente em sangue usando apenas touca e máscara, mas sem luvas , e não tem feridas na mão. 👉 Risco: 🔻 BAIXO RISCO – A pele íntegra é uma barreira natural contra infecções. Porém, se houver grande volume ou contato prolongado, ainda há risco mínimo . 🎯 Resumo Comparativo dos Riscos Tipo de Exposição Risco de Contaminaç ão Observação Percutâne a 🔴 ALTO Principal causa de infecção Mucosa 🟠 MÉDIO Olhos, boca e genitais Lívia Francisco T28 13 Pele não íntegra 🟠 MÉDIO Feridas abertas aumentam risco Pele íntegra 🟢 BAIXO Contato rápido e sem ferida = risco quase nulo 🩸 4. Tipos de Material Biológico com Risco de Contaminação ● Sangue (principal risco) ● Fluido organico com sangue/ Fluido organico infectante ● Secreções: vaginal, sêmen ● Fluídos: amniótico, pleural, pericárdico, peritoneal, sinovial (articular), líquor ● Plasma e soro ● Importante : Urina, saliva, suor, fezes e lágrimas só oferecem risco se estiverem visivelmente contaminados com sangue . 🦠 5. Agentes Biológicos Mais Comuns ● HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) ● Hepatite B (HBV) ● Hepatite C (HCV) ● HTLV ( vírus linfotrópico de células T humanas ) 🔬 6. Risco de Transmissão: O que aumenta o perigo? ● Tipo de exposição: percutânea (maior risco) > mucosa > pele não íntegra ● Lesão Pericutanea > Tamanho e Gravidade da lesão (profundidade, sangramento) > Agente causador da lesão pericutânea **(agulha com lúmen = mais perigosa >agulha sem lúmen > instrumentos >) >**Presença e Volume de sangue no agente causador da lesão Pericutanea ● Condições clínicas e sorologicas do paciente-fonte ● Se o acidentado usou profilaxia (PPE) corretamente ● Acompanhamento médico após o acidente. 📋 7. O que fazer na hora do acidente? (Condutas iniciais) 🧼 1. Lavar o local: ● Exposição cutanêa ou pericutaneas: lavar com água e sabão. ● Mucosas (olhos, boca, genitais): lavar exaustivamente com soro fisiológico ou água abundante . ● Não há evidência de que o uso de antissépticos ou a expressãodo loca l do ferimento reduzam o risco de transmissão, entretanto, o uso de antisséptico não é contra-indicado; ● Não usar substâncias irritantes (éter, hipoclorito, álcool, glutaraldeídeo etc.). 🚫 Evitar: ● Cortar ou espremer o local do ferimento. ● Injeções locais. 🧾 8. Avaliação do Acidente Profissionais devem identificar: 1. Material biológico envolvido: É preciso identificar com o que houve contato durante o acidente. Isso ajuda a saber se há risco de transmissão de doenças. ○ Potencialmente infectantes: São fluidos que podem transmitir doenças , como: ■ Sangue ■ Sêmen ■ Secreção vaginal ■ Liquor (líquido da medula e cérebro) ■ Líquido sinovial (das articulações) ■ Líquido pleural (dos pulmões) ■ Peritoneal (do abdômen) ■ Pericárdico (do coração) ■ Amniótico (envolve o bebê na gravidez) Lívia Francisco T28 14 ○ Potencialmente não-infectantes: Normalmente não transmitem doenças , a menos que estejam misturados com sangue : ■ Suor ■ Lágrima ■ Fezes ■ Urina ■ Saliva 1. Tipo de acidente: Avalia como aconteceu o contato com o material : ○ Perfurocortante: agulhas, bisturis, cacos de vidro etc. (maior risco!) ○ Contato com mucosa: olhos, boca ou genitais. ○ Contato com pele lesionada: quando há feridas abertas, cortes ou rachaduras . 1. Conhecimento da fonte: Tenta identificar quem era a pessoa ou material de onde veio o fluido : ○ Fonte conhecida infectada: Ex: uma pessoa com HIV. ○ Fonte exposta a risco: Ex: alguém que teve comportamento de risco (sem proteção, uso de drogas etc.). ○ Fonte desconhecida: Não se sabe de onde veio o material (ex: agulha jogada no lixo). 📢 9. Notificação Obrigatória Todo acidente deve ser registrado por: ● CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) ● SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) 🧑⚕️ 10. Orientações e Aconselhamento ao Acidentado Após um acidente, é essencial oferecer informações claras, apoio emocional e acompanhamento médico . O objetivo é: ● Reduzir o risco de infecção ● Garantir o acompanhamento adequado ● Prevenir transmissão a terceiros ● Minimizar o impacto emocional do acidente ✅ 1. Avaliação do risco e possível uso de quimioprofilaxia ● O profissional de saúde deve avaliar o tipo de acidente , o volume de exposição , o material envolvido e o estado sorológico da fonte (se conhecido). ● Se o risco for considerado moderado a alto (ex: perfurocortante com sangue HIV+), pode ser indicado o início de quimioprofilaxia , como: ○ PEP para HIV : idealmente iniciada até 2 horas após a exposição (máximo 72h). ○ Imunoglobulina e vacina para Hepatite B , se o acidentado for não vacinado ou resposta vacinal for desconhecida. 🧪 2. Consentimento para realização de exames sorológicos ● O acidentado deve ser informado e consentir a coleta de exames para HIV, Hepatite B e C. ● Esses exames são necessários para: ○ Avaliar o estado sorológico basal (antes da exposição causar soroconversão) ○ Monitorar a possível soroconversão ao longo dos meses seguintes 📅 3. Compromisso com o acompanhamento por 6 meses ● O acidentado deve se comprometer a realizar o acompanhamento clínico e laboratorial por até 6 meses , pois: Lívia Francisco T28 15 ○ Esse é o tempo necessário para verificar se houve soroconversão (especialmente para HIV e Hepatite C) ○ Exames de controle são feitos em: 30 dias , 90 dias e 180 dias 🚫 4. Prevenção da transmissão secundária Durante o período de risco (especialmente nos primeiros 3 meses ), o acidentado deve evitar situações que possam transmitir infecções caso tenha ocorrido contaminação, como: ● Relações sexuais sem preservativo ● Doação de sangue ● Compartilhamento de objetos cortantes ou de higiene pessoal ● Amamentação (se aplicável) ❤ 5. Suporte emocional ● O acidente pode gerar ansiedade, medo e estresse , especialmente se a fonte for positiva para HIV ou HBV. ● É importante oferecer apoio psicológico ou encaminhamento ao serviço de saúde mental , se necessário. 🚨 6. Sinais de alerta: sintomas sugestivos de soroconversão aguda O acidentado deve ser orientado a relatar imediatamente qualquer sintoma como: ● Febre ● Dor de garganta ● Rash cutâneo (manchas pelo corpo) ● Linfoadenopatia (A linfadenopatia é caracterizada pelo aumento de volume de um ou mais gânglios linfáticos, que são estruturas do sistema linfático responsáveis pela filtragem de líquidos e células) (ínguas, especialmente no pescoço) ● Sintomas gripais (mal-estar, fadiga, dores musculares) Esses sintomas podem surgir 2 a 4 semanas após o contato e são típicos da fase aguda da infecção pelo HIV . 🧤 7. Reforço das práticas de biossegurança ● Relembrar o acidentado (e a equipe em geral) sobre a importância de: ○ Uso correto de EPIs (luvas, máscaras, óculos) ○ Descarte adequado de materiais perfurocortantes ○ Adotar precauções padrão em todos os atendimentos ● Isso ajuda a prevenir novos acidentes e melhora a cultura de segurança no serviço de saúde. 🧪 11. Status Sorológico da Fonte (Origem do Acidente) ✅ 1. Quando a fonte é conhecida: Ou seja, quando se sabe quem é o paciente de onde veio o sangue ou fluido contaminado (ex: paciente em atendimento). a) Fonte conhecida, mas sem exames sorológicos disponíveis: ● É necessário orientar a equipe (ou responsável legal, quando aplicável) para que o paciente realize os seguintes exames: Exame Finalidade HBsAg Detecta infecção ativa por Hepatite B Anti-HBc Indica infecção atual ou passada por Hepatite B Anti-HCV Detecta exposição ao vírus da Hepatite C Anti-HIV Detecta presença de anticorpos contra o HIV ● Teste rápido para HIV deve ser feito, sempre que disponível , para dar um resultado imediato e orientar a conduta quanto à profilaxia. b) Se houver recusa ou impossibilidade de testagem da fonte: Lívia Francisco T28 16 ● Nesses casos, é necessário avaliar o risco baseado em dados clínicos e epidemiológicos , como: ○ Histórico médico da fonte ○ Presença de sintomas sugestivos de infecção ○ Comportamentos de risco conhecidos (uso de drogas, múltiplos parceiros sexuais, etc.) ⚠ Importante: ● Exames de detecção viral direta (como PCR para HIV, HBV ou HCV) não são recomendados como triagem inicial , porque são caros, demoram e não substituem os exames sorológicos padrão nesse contexto. ❓ 2. Quando a fonte é desconhecida: Exemplo: agulha encontrada no lixo hospitalar, ou perfurocortante descartado em local inadequado sem identificação da origem. Conduta nesses casos: Avaliar a probabilidade de infecção da fonte com base em: ● Local onde o acidente ocorreu : ○ Risco maior: Bloco cirúrgico, UTI, Hemodiálise, Pronto-Socorro ● Tipo de material : ○ Se estava visivelmente contaminado com sangue ○ Se era um perfurocortante reutilizável ● Procedimento relacionado : ○ Cirurgias, procedimentos invasivos, coleta de sangue = risco maior ● Prevalência local de HIV, HBV e HCV na população atendida Se o risco for considerado moderado ou alto , pode-se indicar profilaxia mesmo sem saber o status da fonte . 🧍♀️🧍♂️ Status Sorológico do Acidentado A avaliação do profissional acidentado é tão importante quanto a da fonte: a) Hepatite B: ● Verificar se foi vacinado contra hepatite B ● Se possível, comprovar imunidade com o exame Anti-HBs : ○ Resultado ≥ 10 mUI/mL = protegido ○ Resultadopara: Vírus Exame HIV Anti-HIV Hepatite B HBsAg, Anti-HBc, Anti-HBs Hepatite C Anti-HCV Esses exames serão a linha de base para comparação em exames futuros e verificação de soroconversão , caso ocorra. 🩺 12. Acompanhamento Médico Consultas obrigatórias após o acidente: 1. Imediata (na hora do acidente) 2. Após 7-10 dias (reação a medicamentos, resultados iniciais) 3. 15 dias (controle) 4. 45 dias (repetição de exames) 5. 3 meses 6. 6 meses 🧬 13. Consultas previstas após um acidente com exposição a material biológico Essas consultas fazem parte de um protocolo clínico estruturado para: ● Avaliar o risco da exposição ● Detectar precocemente possíveis infecções (HIV, Hepatites B e C) ● Acompanhar efeitos adversos de medicamentos (se for iniciado tratamento) Lívia Francisco T28 17 ● Garantir o bem-estar do profissional de saúde exposto 🧾 Resumo das etapas de atendimento e exames: 🕐 1. Primeiro atendimento (IMEDIATO, logo após o acidente) Objetivos: ● Avaliar o risco da exposição (tipo de material, presença de sangue, profundidade, etc.) ● Registrar o acidente (como, onde e com que tipo de material ocorreu) ● Iniciar profilaxia, se necessário (ex: antirretrovirais para HIV, vacina ou imunoglobulina para Hepatite B) Exames solicitados nesse momento: 🧪 Para o paciente-fonte (se conhecido): Exame Objetivo Teste rápido para HIV Resultado imediato, guia conduta HBsAg Detecta infecção ativa por Hepatite B Anti-HBc IgM Detecta infecção recente por Hepatite B Anti-HCV Avalia se já teve contato com Hepatite C Anti-HIV (convencional – ELISA) Confirma presença de HIV com maior sensibilidade 🧪 Para o acidentado (profissional): 1. Se ele já tiver comprovação de imunidade contra Hepatite B (Anti-HBs ≥ 10 UI/L): ○ Anti-HCV – para avaliar contato prévio com Hepatite C ○ TGP/ALT – enzimas hepáticas (avalia função do fígado) ○ Anti-HIV – linha de base para futura comparação 2. Se ele não sabe, não foi vacinado, ou não tem comprovação de proteção contra Hepatite B: ○ HBsAg ○ Anti-HBc IgM ○ Anti-HBs ○ Anti-HCV ○ Anti-HIV ○ TGP/ALT 📅 2. Segundo atendimento 📍 Quando? Alguns dias depois do primeiro atendimento (geralmente em até 7 dias) 📍 Objetivos: ● Avaliar se houve reação adversa aos antirretrovirais (ARV) , caso estejam sendo usados ● Informar os resultados dos exames iniciais da fonte e do acidentado ● Decidir se encerrar o seguimento (se o caso for de baixo risco), ou manter o acompanhamento 📆 3. Terceiro atendimento: após 15 dias 📍 Objetivo principal: ● Recolher nova amostra de bioquímica hepática (ex: TGP/ALT), para verificar se os medicamentos da profilaxia (especialmente antirretrovirais) estão prejudicando o fígado 📅 4. Quarto atendimento: 45 dias 📍 Objetivo: ● Realizar novos exames sorológicos para detectar infecção por HIV ou hepatites que possa estar em fase inicial (antes da soroconversão completa) 📅 5. Quinto atendimento: 3 meses (90 dias) 📍 Objetivo: ● Monitoramento mais avançado: sorologias de controle para HIV, HBV, HCV ● Verificar se houve soroconversão (infecção adquirida e detectável no sangue) Lívia Francisco T28 18 📅 6. Sexto atendimento: 6 meses 📍 Objetivo: ● Última etapa do acompanhamento ● Realizar sorologias finais para confirmar que não houve infecção tardia ● Encerrar o protocolo de acompanhamento com segurança 📋 Registro do Acidente de Trabalho Todo acidente deve ser formalmente documentado, preferencialmente com uma ficha de notificação ou sistema da instituição. Deve conter: 1. Condições do acidente : onde, como ocorreu, tipo de material, se havia sangue, etc. 2. Dados do paciente-fonte : se conhecido, incluir exames e histórico clínico 3. Dados do profissional de saúde : nome, função, setor, tempo de exposição 4. Conduta adotada : se houve uso de profilaxia, quais exames foram realizados, e o cronograma de acompanhamento 5. Responsável pelo caso : nome do profissional que conduziu o atendimento e seguirá o caso Se quiser, posso montar isso em uma tabela de acompanhamento simplificada , ou um fluxograma visual para facilitar seus estudos. Deseja? 💊 14. Profilaxia Pós-Exposição (PPE) ao HIV Esquemas indicados pelo Ministério da Saúde: Tipo de Esquema Medicamentos Básico Zidovudina (AZT) + Lamivudina (3TC) Alternati vo Tenofovir + Lamivudina (TDF + 3TC) ou Estavudina + Lamivudina (d4T + 3TC) Ampliad o AZT + 3TC + Lopinavir/Ritonavir ou AZT + 3TC + Tenofovir Outro alternati vo Tenofovir + Lamivudina + Lopinavir/Ritonavir 📝 15. Registro Final Todo acidente precisa ter documentação completa , contendo: 1. Dados sobre o acidente 2. Informações do paciente-fonte 3. Dados do trabalhador acidentado 4. Condutas tomadas e quem está acompanhando o caso ✅ Resumo Rápido Etapa Ação Acidente Lavar imediatamente Avaliação Tipo de exposição, material, paciente-fonte Notificação CAT e SINAN Exames Fonte e acidentado Profilaxia Se indicada, iniciar em até 2h (ideal), no máximo 72h Acompanha mento 6 meses com exames periódicos Slide 7 🧪 Biossegurança em Laboratórios ✅ 1. Princípios da Biossegurança 🔒 Contenção ● O que é? : Conjunto de métodos de segurança usados ao lidar com materiais infecciosos no laboratório. Lívia Francisco T28 19 ● Objetivo : Evitar que pessoas, o ambiente e a comunidade entrem em contato com agentes perigosos. 🛡 Tipos de contenção: ● Primária : ○ Técnicas corretas de microbiologia ○ Equipamentos de segurança (como EPIs) ○ Uso de vacinas, se necessário ● Secundária : ○ Projeto adequado das instalações do laboratório ○ Práticas operacionais seguras (regras de trabalho) ⚠ 2. Por que existem Níveis de Biossegurança (NB)? ● Porque nem todos os lugares apresentam o mesmo risco . ● Um restaurante é menos perigoso que um hospital, que por sua vez é menos perigoso que um laboratório com vírus perigosos. ● A ANVISA classifica os ambientes por níveis de biossegurança , que vão do NB-1 ao NB-4 , conforme o risco envolvido. ● Quanto maior o número, maior a segurança necessária . 🔹 3. Níveis de Biossegurança (NB) 🟢 NB-1: Básico ● Agentes de Risco: Classe I (não causam doenças em humanos) ● Exemplos de uso: Aulas práticas com microrganismos inofensivos. ● Instalação: Não precisa ser separada de outros ambientes. ● Cuidados necessários: ○ Boas práticas laboratoriais ○ Uso de EPIs (luvas, jaleco etc.) ○ Pia no local ○ Treinamento básico e supervisão ● Risco: Muito baixo 🟡 NB-2: Moderado ● Agentes de Risco: Classe II (podem causar doenças moderadas) ● Exemplos: Laboratórios de hospitais e universidades que lidam com sangue, urina etc. ● Instalação: Requer: ○ Autoclave (para esterilizar materiais) ○ Cabines de segurança biológica (Classe I ou II) ● Cuidados adicionais: ○ Atenção com objetos cortantes (agulhas, lâminas) ○ Treinamento específico ○ Supervisão constante ● Risco: Moderado para pessoas e meio ambiente 🟠 NB-3: Alto ● Agentes de Risco: Classe III (podem causar doenças graves ou fatais) ● Exemplos: Laboratórios que trabalham com tuberculose, vírus da febre amarela etc. ● Instalação: Acesso controlado ○ Trabalhos devem ser feitos em cabines com filtros HEPA ○ Uso de roupa de proteção especial ● Cuidados: ○ Regras e práticas mais rígidas ○ Profissionais avisados sobre os riscos ○ Treinamento rigoroso ● Risco: Alto risco individual, mas baixo risco para a comunidade (porquenão se espalham fácil) 🔴 NB-4: Máximo ● Agentes de Risco: Classe IV (doenças fatais e altamente contagiosas) ● Exemplos: Vírus Ebola, Marburg ● Instalação: ○ Prédio separado ou área controlada ○ Cabines de segurança Classe III ○ Roupas com pressão positiva (evitam entrada de ar contaminado) ● Controle de acesso: Só entra quem tem autorização especial ● Cuidados extras: ○ Treinamento completo e contínuo ○ Monitoramento constante ○ Funcionamento sob controle das autoridades sanitárias ● Risco: Máximo risco individual e para a comunidade Lívia Francisco T28 20 📌 Resumo geral N ív el Clas se de Risc o Tipo de Agente Exemplo de Local Tipo de Proteção N B -1 Clas se I Não causam doenças Laboratório s escolares Boas práticas e EPIs N B - 2 Clas se II Moderado (causam doenças tratáveis) Hospitais, faculdades Cabines, autoclave, EPIs N B - 3 Clas se III Alto (doenças graves) Lab. diagnóstico /pesquisa Cabine com filtro HEPA, roupa especial N B - 4 Clas se IV Máximo (doenças fatais) Lab. de vírus perigosos Estrutura especial, roupa com pressão positiva ✅ 1. Classificação das Áreas Hospitalares 🔴 Área Crítica: ● Onde há maior risco de transmissão de infecção . ● Exemplos: ○ UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ○ Centro cirúrgico ○ Laboratórios ○ Banco de sangue 🟡 Área Semi Crítica: ● Pacientes com doenças infecciosas de baixa transmissão ou não infecciosas . ● Exemplos: ○ Enfermarias ○ Ambulatório 🟢 Área Não Crítica: ● Sem contato direto com pacientes . ● Realiza atividades administrativas . ● Exemplo: ○ Almoxarifado ✅ 2. O que são IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde)? ● São infecções adquiridas no ambiente de saúde (hospital, clínica) durante a internação. ● Não estavam presentes nem em incubação quando o paciente foi internado. ● Aparecem, geralmente, após 72 horas de internação. ● Também podem surgir antes de 72 horas , se forem causadas por procedimentos hospitalares (ex.: cirurgia, exame invasivo). ✅ 3. Dados Importantes sobre IRAS ● São consideradas uma epidemia silenciosa (OMS). ● No mundo: ○ 234 milhões de cirurgias/ano ○ 1 milhão morre por infecção hospitalar ○ 7 milhões têm complicações ● No Brasil: ○ Estima-se que 14% a 15,5% das internações resultem em IRAS. ✅ 4. Portaria 2.616/1998 – MS ● Define IRAS como qualquer infecção adquirida após a entrada do paciente no hospital, ou até mesmo após a alta , se estiver relacionada com o procedimento hospitalar. ✅ 5. Diagnóstico de IRAS ● Feito por: ○ Observação direta do paciente ou ○ Prontuário médico e exames laboratoriais. ● Casos especiais: ○ Paciente transferido já infectado: infecção é do hospital de origem. Lívia Francisco T28 21 ○ RN (Recém-nascido): infecção hospitalar, exceto se transmitida pela placenta ou bolsa rota > 24h antes do parto. ✅ 6. Fontes de Infecção ● Exógena : vem de fora do corpo (ex.: ambiente, outros pacientes, profissionais). ● Endógena : vem do próprio paciente (de outro local do corpo). ✅ 7. Observações Importantes ● Algumas infecções só aparecem depois da alta , dificultando o diagnóstico. ● A alta precoce (por economia) pode fazer com que as IRAS passem despercebidas. ● Por outro lado, menos tempo internado pode reduzir o risco de infecção. ✅ 8. Tipos Mais Comuns de IRAS 1. Infecção urinária 2. Infecção de ferida cirúrgica 3. Infecção respiratória 4. Bacteremia (infecção no sangue) ○ Primária : quando o microrganismo entra direto na corrente sanguínea (ex.: cateter, agulhas). ○ Secundária : vem de outras infecções (ex.: infecção urinária ou pulmonar). ✅ 9. Causas (Etiologia) das IRAS ● Bactérias (mais comuns) ● Fungos ● Vírus (podem causar surtos entre pacientes e funcionários) 📌 Evolução histórica: ● Antes dos antibióticos : predominavam Staphylococcus aureus , Streptococcus pyogenes , Escherichia coli , Pseudomonas . ● Depois dos antibióticos (a partir da década de 40): começaram a surgir bactérias mais resistentes . ✅ 10. Fontes e Vias de Disseminação 🔹 Fontes humanas: ● Pacientes , visitantes e profissionais da saúde . ● Pessoas doentes ou até mesmo assintomáticas (sem sintomas). ● Portadores sadios : têm o microrganismo, mas não adoecem. 🔹 Transmissão: ● Pode acontecer pelo manuseio de materiais contaminados , gotículas de saliva, secreções. ● Pode passar: ○ Para outros pacientes ○ Para outros profissionais ○ Para a comunidade (fora do hospital) ✅ 11. Consequências das IRAS ● Prejudicam o paciente e também toda a comunidade . ● Impacto na saúde pública : ○ Prolongam a internação ○ Aumentam o uso de medicamentos ○ Aumentam os custos ○ Podem levar à morte Lívia Francisco T28 22