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Movimentos da Psicologia no século xx
Fichamento Camila Oliveira Macedo matrícula 202502449658
Fichamento
História da Psicologia
 Capítulo 5
Professor: Alexandro Oliveira
Camila Oliveira Macedo 
 Universidade Estácio 
 Carapicuíba, 25 de abril de 2025.
Movimentos da Psicologia no século xx
Professor: Alexandro Oliveira
Perspectiva e Zeitgeist		 
Com uma citação de Leonardo Boff o texto trás inicio a uma reflexão sobre a perspectiva na psicologia para compreensão do conhecimento bem como a complexidade das pessoas, fenômenos humanos e eventos históricos. Tudo ira em torno da sua perspectiva. “cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam. Zeitgeist (palavra alemã que significa, espírito da época, espírito do tempo) a ciência não desconsidera o Zeitgeist pois a mesma se desenvolve usando a tecnologia da época para tentar dar as respostas as suas perguntas.
A tecnologia mais avançada no século XXI, permite a descobertas mais complexas da ciência jáá que possuímos muito mais conhecimento que os filósofos e cientistas do século XIX, “se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes”
Precisamos nos afastar de nossos sistemas de crenças e também do conhecimento adquirido e estudar o momento histórico que estiver estudando .
Na ciência tudo é investigado e evidenciado.
Na ciência errar é necessário para acertar, portanto os erros são tão relevantes quanto os acertos, prova disso é a frenologia uma pseudociência que acreditava que era possível estudar as aptidões mentais analisando o formato do crânio. Mas essa teoria foi descartada quando foi colocada à prova. Nos dias atuais precisamos ter cuidado com as pseudociências mascaradas como ciências, são embasadas em método cientifico mas continuam sendo pseudociência, a psicologia cientifica é autônoma e não se confunde com dogma religioso.
Leonardo Boff destaca que toda interpretação parte do olhar de quem observa. Cada pessoa lê e compreende o mundo a partir de sua própria realidade, experiências e contexto de vida. Isso significa que entender algo é, antes de tudo, interpretar, levando em conta o lugar social e a história de quem observa.
Quando olhamos para a Psicologia, também precisamos considerar essa perspectiva. Nenhum conhecimento surge isolado. A ciência, inclusive a Psicologia, nasce e se desenvolve dentro de um determinado contexto histórico, cultural e social — aquilo que se chama de Zeitgeist, o espírito da época.
Assim como hoje fazemos perguntas mais complexas porque temos acesso a mais conhecimentos e tecnologias, os pensadores do passado elaboraram suas teorias dentro dos limites e das possibilidades de seus tempos. Por isso, não faz sentido julgar teorias antigas com os olhos e os valores de hoje. É necessário se despir, momentaneamente, das crenças atuais e se posicionar no contexto histórico que se estuda.
Na ciência, nada é óbvio. Todo conhecimento precisa ser construído a partir de observação, testes e evidências. E o erro, longe de ser um fracasso, é parte fundamental do processo científico. São justamente os erros que impulsionam novas descobertas e aprimoram o conhecimento, contribuindo para o avanço da ciência e da sociedade.
Nos dias de hoje, a Frenologia é reconhecida como uma pseudociência. No entanto, no final do século XVIII, Franz Joseph Gall acreditava que era possível identificar as aptidões mentais e traços de personalidade analisando o formato e o tamanho do crânio. Na época, ele e outros seguidores consideravam seus próprios padrões físicos como modelos de excelência humana.
Por mais que hoje essa ideia pareça absurda, ela não foi descartada simplesmente por parecer errada. Na ciência, as hipóteses precisam ser testadas, questionadas e confrontadas com evidências. Foi justamente o processo de investigação e experimentação que permitiu derrubar a Frenologia.
Apesar de a base da Frenologia ter sido refutada, a ideia de que certas funções são localizadas em áreas específicas do cérebro acabou sendo confirmada por estudos posteriores na Neurociência. Isso mostra que, na ciência, aproveitamos aquilo que se sustenta nas evidências e descartamos o que não se comprova, sem ignorar o caminho percorrido — justamente para não repetir os mesmos erros.
A história da Psicologia está cheia de acertos e também de erros, o que é natural no processo científico. Errar faz parte do desenvolvimento do conhecimento, desde que não se permaneça no erro por teimosia ou ignorância. Inclusive, até hoje, é fundamental manter um olhar crítico, já que muitas informações ainda circulam travestidas de ciência, mas, na verdade, são pseudociências.
O desenvolvimento da Psicologia demonstra como é essencial testar, refletir e questionar. Foi por meio desse processo que ideias ultrapassadas, como a superioridade de raças ou o isolamento de pessoas com transtornos mentais, foram derrubadas com base em evidências robustas. Entendemos, com clareza, que ninguém é melhor do que ninguém e que há espaço no mundo tanto para pessoas extrovertidas quanto para introvertidas.
A Psicologia Científica se diferencia de dogmas e preconceitos. Ela se apoia na investigação, no debate ético e no compromisso com o bem-estar humano. Exemplos como a eugenia, que foi refutada por seus graves problemas éticos, e a compreensão de que a homossexualidade não é uma doença, mostram como a ciência avança a favor da dignidade humana.
É justamente através da reflexão crítica, fundamentada em estudos e evidências, que a Psicologia continua evoluindo, enfrentando os desafios da sociedade contemporânea e buscando promover qualidade de vida, respeito e inclusão para todos.
 
Caminhos e descaminhos da psicologia
A trajetória da Psicologia, marcada por acertos e também por desvios, nos mostra que muitos dos avanços atuais só foram possíveis após erros que, em seu tempo, trouxeram sofrimento e exclusão. Foi ao refletir sobre essas falhas que surgiram práticas mais éticas, humanizadas e alinhadas com a promoção do bem-estar e da inclusão.
Esse processo de amadurecimento da Psicologia reflete diretamente em áreas como a educação, onde hoje se busca um olhar mais individualizado, sem abrir mão da convivência com as diferenças. O objetivo é construir ambientes que acolham as singularidades, promovendo desenvolvimento e inclusão.
Na saúde mental, aprendemos que isolar os doentes mentais em instituições por longos períodos não traz benefícios. Atualmente, modelos como as comunidades terapêuticas são alternativas mais eficazes e humanizadas, priorizando a reinserção social e o cuidado integral.
Cada passo dado nessa construção, seja a partir de acertos ou de equívocos, contribuiu para desenvolver práticas que valorizam a tolerância, o respeito, a autocompaixão, a saúde mental e emocional. A busca por uma ciência ética e integradora só foi possível porque, em algum momento, também nos deparamos com práticas desumanas, que serviram de alerta sobre os caminhos que não deveríamos mais trilhar.
Embora ainda existam desafios e desigualdades, é fato que, como humanidade, avançamos muito em comparação com épocas anteriores. A Psicologia, enquanto ciência e profissão, tem se mostrado essencial em diversos campos da sociedade.
Na educação, contribui para que pedagogos e outros profissionais compreendam melhor o desenvolvimento humano e possam aplicar estratégias de ensino adaptadas às necessidades de cada aluno.
Nas organizações, auxilia na gestão de pessoas, na construção de ambientes mais saudáveis e produtivos.
Na saúde mental, promove tratamentos mais humanizados e práticas de cuidado que vão além da doença, considerando o indivíduo como um todo.
E na prática clínica, oferece ferramentas fundamentais para psicoterapia, avaliação psicológica, neuropsicologia e outras áreas que visam o desenvolvimento humano.
Estudar a história da Psicologia não é apenas revisitar o passado, mas entender como ele molda o presente e direciona nosso futuro. É um convite à reflexão sobre quem somos como sociedadee como profissionais. Essa história pertence a todos nós, e é com ela que seguimos construindo um caminho pautado na ética, na inclusão, no respeito e na valorização da diversidade humana.
Como bem lembra Leonardo Boff, “todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Por isso, compreender diferentes perspectivas é essencial para uma Psicologia mais justa, acolhedora e comprometida com a transformação social.
Influências na história da Psicologia
Influências Influências da filosofia
A história da Psicologia está profundamente ligada à história do desenvolvimento do pensamento humano e, consequentemente, à Filosofia. Por muito tempo, a própria história da Psicologia se confundiu com a história da tradição filosófica, desde os mitos gregos até os grandes pensadores da Grécia Antiga, como Tales de Mileto, Pitágoras, Heráclito, Parmênides, Sócrates, Platão, os Sofistas e Aristóteles.
A Filosofia sempre buscou compreender o mundo e o ser humano por meio da razão, da lógica e da argumentação, utilizando métodos como a dedução, a indução e a retórica. Esses recursos são fundamentais para refletir sobre o que é o conhecimento, como ele se constrói e o que pode ser considerado verdadeiro.
Além disso, a Filosofia cumpre um papel essencial: identificar e questionar as falácias — erros de raciocínio que, embora pareçam convincentes, são enganos que muitas vezes reforçam o senso comum e validam crenças sem base crítica.
Por isso, o pensamento filosófico é indispensável. Ele ajuda não só os psicólogos, mas também educadores, gestores e qualquer cidadão a desenvolver um olhar mais crítico, capaz de reconhecer discursos que parecem corretos, mas que na verdade escondem distorções. É uma ferramenta poderosa contra o obscurantismo e contra os erros que, muitas vezes, se disfarçam de verdades.
Influência de movimentos e estudos
Ao longo da história, diversos pensadores contribuíram para a construção do que hoje conhecemos como Psicologia. René Descartes, no século XVII, foi um dos principais representantes do racionalismo, defendendo que o conhecimento surge da razão. Sua obra Discurso sobre o método trouxe reflexões importantes sobre como conduzir o pensamento na busca pela verdade científica.
No caminho oposto, surgiram os empiristas, como John Locke, que defendia que a mente humana é como uma “tábula rasa”, ou seja, uma folha em branco, onde as experiências sensoriais deixam suas marcas. Para ele, todo conhecimento vem da experiência.
Por outro lado, pensadores como Descartes e Leibniz acreditavam que existem estruturas internas na mente, como a capacidade de raciocinar, perceber relações de causa e efeito, fazer inferências lógicas e compreender propósitos, que não se explicam apenas pela experiência.
No século XIX, Charles Darwin trouxe uma grande influência para a Psicologia ao apresentar a teoria da evolução em sua obra A origem das espécies. Ele mostrou como os seres humanos estão inseridos no processo evolutivo, compartilhando com outras espécies a luta pela adaptação e sobrevivência. Essa visão foi fundamental para o surgimento de correntes na Psicologia que passaram a estudar não só o que a mente é, mas qual é sua função adaptativa.
O pensamento filosófico também foi profundamente impactado pela visão dialética de Hegel, que defendia que o conhecimento e os conceitos não são fixos, mas estão em constante transformação. Segundo ele, vivemos ancorados em teses, que, ao serem confrontadas por ideias opostas (antíteses), geram uma síntese — algo novo, que se torna a nova base de pensamento, num ciclo que nunca se encerra.
Esse conjunto de ideias — racionalismo, empirismo, evolucionismo e dialética — construiu uma base essencial para o desenvolvimento da Psicologia como ciência, mostrando que ela é fruto de um longo processo de reflexão sobre o ser humano, suas experiências, seu pensamento e sua adaptação ao mundo.
 Influência da Psicofísica
A Psicofísica marca um momento importante na história da Psicologia, trazendo uma mudança na forma de estudar a mente humana. Diferente do que alguns pensam, a Psicologia não rompeu com a Filosofia em sua origem. Na verdade, toda ciência se apoia em bases filosóficas sólidas, que chamamos de epistemologia, ou seja, a reflexão sobre como se constrói o conhecimento.
A grande inovação dos psicofísicos foi aplicar o método experimental para investigar as relações entre os estímulos físicos e as sensações conscientes. Assim, a Psicologia começou a buscar dados concretos, mensuráveis e reproduzíveis, indo além das reflexões puramente filosóficas, sem abandoná-las.
Esse movimento foi fortemente influenciado pelo espírito científico do século XIX. A valorização dos métodos das ciências naturais, os avanços da Fisiologia Experimental, a influência do empirismo e o desenvolvimento de novas tecnologias criaram o cenário ideal para que Wilhelm Wundt fundasse, em 1879, na Alemanha, o primeiro laboratório de Psicologia. A partir desse momento, a Psicologia passou a se consolidar como uma ciência, focada em investigar, com rigor, as sensações, percepções e outros processos mentais.
 Origens e Cientistas
No século XIX, a Psicologia começou sua jornada como ciência utilizando medidas psicofísicas, focadas nos sentidos e na relação entre estímulos físicos e sensações mentais. A ideia era buscar padrões gerais do funcionamento humano, inspirados na Fisiologia.
Já no século XX, a Psicologia avançou para a mensuração de aspectos mais complexos, como inteligência, personalidade e desempenho, por meio dos testes psicológicos, buscando entender as diferenças individuais.
Principais nomes dessa trajetória:
Wilhelm Wundt (1832-1920)
É considerado o pai da Psicologia Científica. Em 1879, fundou o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig, na Alemanha. Seu objetivo era estudar a consciência através da introspecção controlada, analisando seus elementos básicos. Wundt acreditava que a Psicologia não poderia estudar funções mentais superiores, como memória ou raciocínio.
Ernst Weber (1795-1878)
Estudou as sensações táteis, desenvolvendo o conceito de limiar de dois pontos, que mede a menor distância em que percebemos dois estímulos como separados.
Gustav Fechner (1801-1887)
Considerado cofundador da Psicologia Experimental. Defendeu que mente e corpo estão conectados e podem ser estudados de forma quantitativa, o que deu origem à Psicofísica.
Hermann von Helmholtz (1821-1894)
Foi pioneiro em medir a velocidade do impulso nervoso, mostrando que há um tempo mensurável entre o pensamento e a ação.
Esses avanços abriram caminho para que Wundt estruturasse a Psicologia como uma nova ciência, com métodos próprios, além da Filosofia.
E depois de Wundt?
Alguns seguiram seus passos, enquanto outros propuseram novos caminhos:
Hermann Ebbinghaus (1850-1909)
Contrariando Wundt, estudou memória e aprendizagem, que são funções mentais superiores.
Franz Brentano (1838-1917)
Destacou a diferença entre o conteúdo mental (o que pensamos) e a atividade mental (o ato de pensar).
Essas contribuições foram fundamentais para o surgimento das duas primeiras grandes escolas da Psicologia: o Estruturalismo e o Funcionalismo, que marcaram a consolidação da Psicologia como ciência.
A Psicologia no Século XX
Estruturalismo
Na transição do século XIX para o XX, a Psicologia ganhou visibilidade nas universidades dos EUA e Europa, especialmente na Alemanha, sendo marcada pelos movimentos do estruturalismo e funcionalismo.
Edward B. Titchener, discípulo de Wundt, propôs uma versão do estruturalismo que identificava mais de 40 mil qualidades e sensações como elementos básicos da consciência, definidos por qualidade, intensidade, duração e nitidez.
Ele acreditava que todos os processos conscientes podiam ser reduzidos a esses “átomos do pensamento”. Para estudar a consciência, Titchener treinava observadores a usar a introspecção experimental sistemática, focando na descrição do estado consciente ao invés do estímulo externo.
Criticava o uso excessivo de instrumentos fisiológicos na Psicologia,valorizando o papel do observador treinado na investigação da mente.
Funcionalismo
William James (1842-1910), um importante psicólogo norte-americano, publicou em 1890 a obra Princípios da Psicologia, que fundamentou a escola do funcionalismo nos Estados Unidos no século XX. Ele se alinhava ao pragmatismo e ao funcionalismo, diferenciando-se do estruturalismo ao focar na experiência imediata que um objeto provoca na consciência — ou seja, o fenômeno — em vez de estudar os elementos básicos do pensamento.
James dedicou-se principalmente ao estudo das emoções, suas origens e funções, influenciando fortemente a Psicologia do século XX. Ele acreditava que uma alteração fisiológica no organismo desencadeava a emoção, ideia essa desenvolvida simultaneamente pelo fisiologista Carl G. Lange, da Dinamarca. Juntos, formularam a teoria James-Lange da emoção, que afirma que não sentimos uma emoção sem antes passar por uma mudança fisiológica no corpo.
Por exemplo, ao ouvir um barulho muito alto, como uma explosão, o corpo reage aumentando o ritmo cardíaco, provocando sudorese e acelerando a respiração; a percepção desses sinais físicos gera a experiência do medo.
Os funcionalistas, influenciados pela teoria da evolução das espécies, estavam mais interessados na função adaptativa da consciência, dos hábitos e das emoções, priorizando o entendimento do “porquê” dessas funções, ao contrário dos estruturalistas, que se preocupavam com a análise detalhada da estrutura da consciência.
Entre 1901 e 1913, a Psicologia norte-americana viveu um intenso debate, por vezes conflituoso, entre as escolas estruturalista e funcionalista. Na Europa, outras discussões filosóficas e científicas ocorriam paralelamente, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência.
A história em perspectiva
É complicado detalhar todos os acontecimentos e influências que moldaram a Psicologia na Europa e nos Estados Unidos entre o final do século XIX e o século XX, especialmente porque houve muita troca e influência mútua entre esses locais. Por isso, o estudo opta por destacar apenas os aspectos mais evidentes dessas regiões, oferecendo uma visão panorâmica.
Além disso, a formação da Psicologia enquanto ciência foi impactada por múltiplas perspectivas e acontecimentos que não cabem em um resumo breve.
A frase “A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam” (Boff, 1999) nos lembra que o pensamento está sempre ancorado em sua realidade concreta e histórica.
Agora, o foco será analisar os desenvolvimentos do século XX, partindo das influências que a Psicologia do século XIX proporcionou.
Uma História à parte
A Psicanálise é uma área à parte da Psicologia, mas que exerce grande influência em diversos campos como Psicologia, Pedagogia, Psiquiatria e Neurociência. Seu fundador, Sigmund Freud (1856-1939), utilizou o termo “pulsão” (trieb, em alemão) ao invés de “instinto”, para explicar o funcionamento humano, especialmente na teoria do desenvolvimento psicossexual (fases oral, anal, fálica, latência e genital).
Freud entende o comportamento humano como impulsionado por desequilíbrios internos — os impulsos são energizadores que buscam restabelecer o equilíbrio. A analogia do sistema hidráulico explica essa dinâmica: os impulsos acumulam energia (como a água numa caixa d’água) e, se não forem liberados, causam ansiedade (desconforto psíquico). Para proteger o organismo, atuam mecanismos de defesa que evitam “inundações” mentais.
Freud descreveu três estruturas psíquicas em constante interação:
· Id: A parte instintiva que busca prazer imediato e evita a dor.
· Ego: A parte racional, que media as demandas do Id e da realidade.
· Superego: A internalização da moral e regras sociais.
A repressão dos desejos do Id pelo Superego e os mecanismos de defesa podem levar a doenças psicológicas muitas vezes inconscientes ao Ego.
A Psicanálise surgiu para tratar doenças mentais e, no século XX, ampliou seu campo para a compreensão geral da personalidade e do desenvolvimento humano, sendo aplicada em psicoterapia, educação, saúde e contextos institucionais.
Outro destaque é Carl Gustav Jung (1875-1961), discípulo de Freud que rompeu com ele, desenvolvendo a Psicologia Analítica. Jung focou na tipologia psicológica, muito usada na orientação profissional e educacional, além da avaliação da personalidade. Instrumentos como o MBTI e o QUATI derivam dessa linha e são usados por psicólogos para auxiliar em seleção e desenvolvimento humano.
No Brasil, a aplicação e comercialização de testes psicológicos são restritas a profissionais registrados, devido à complexidade técnica e à necessidade de garantir a validade dos instrumentos para a população brasileira.
Behaviorismo (comportamentalismo)
O behaviorismo, ou comportamentalismo, é uma abordagem que estuda cientificamente o comportamento humano e animal. Seu foco é analisar as condições que levam à instalação de um comportamento e as formas de modificá-lo quando necessário. Assim, busca explicar por que uma pessoa age de determinada maneira, prever comportamentos futuros e possibilitar sua alteração. Essa perspectiva surgiu como um protesto contra a Psicologia de Wundt, que focava na consciência e usava a introspecção como método.
Origem do Behaviorismo 
 Em 1913, John B. Watson publicou o artigo “A Psicologia como um behaviorista a vê”, marcando oficialmente o nascimento do behaviorismo. Ele defendia que a Psicologia deveria ser uma ciência do comportamento observável, descartando a introspecção e os estudos da consciência, considerados subjetivos e pouco confiáveis. Para Watson, é possível observar ações como andar, comer e falar, mas não pensamentos e sentimentos.
Ele usava como exemplo o ato de comer: há um momento 1, de privação de alimento; um momento 2, com pensamentos ou sensações internas (como fome), que são subjetivos e não diretamente observáveis; e um momento 3, que é a ação de buscar e consumir comida. O behaviorismo desconsidera o momento 2 como causa direta, focando nas relações entre privação (estímulo) e ação (resposta).
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) expandiu o behaviorismo e introduziu o conceito de behaviorismo radical, que analisa o comportamento em função das contingências, ou seja, das relações entre eventos ambientais, comportamentos e suas consequências. Para Skinner, o comportamento — seja inato ou aprendido — é moldado e mantido pelas suas consequências. Assim, o cérebro é visto como um “depositário de contingências”, ou seja, um armazenador de padrões comportamentais baseados nas experiências.
Skinner foi fundamental na criação de técnicas para análise e modificação de comportamentos, com aplicações em escolas, empresas e no desenvolvimento de tecnologias comportamentais.
Psicologia da Gestalt
A Psicologia da Gestalt surgiu como uma crítica aos modelos anteriores, como a Psicologia Wundtiana, o behaviorismo (Lei do Efeito de Thorndike) e a Psicologia do Reflexo de Pavlov. Seus principais representantes foram Max Wertheimer (1880-1943), Kurt Koffka (1886-1941) e Wolfgang Köhler (1887-1967).
Esse movimento defendia que a consciência deveria ser estudada, mas não a partir da decomposição em elementos, como propunham os estruturalistas. Inspirada na Filosofia de Immanuel Kant, em Franz Brentano e na fenomenologia alemã, a Gestalt se opunha à visão atomista da percepção.
O marco inicial foi a descoberta do Movimento Phi, por Wertheimer, em 1912, que mostrou como percebemos um movimento que, na verdade, não existe fisicamente (movimento aparente). Isso provava que a percepção não é simplesmente o somatório de sensações isoladas, mas a organização de estímulos em um todo estruturado e significativo.
A ideia central da Gestalt é que “o todo é diferente da soma das partes”. Assim, a percepção acontece de forma imediata, com base na organização dos estímulos, e não depende de aprendizagem ou de processos mentais superiores.
A terceira força da psicologia: humanismo
Surgindo na década de 1960, o Humanismo na Psicologia se consolidou como uma resposta crítica às abordagenspredominantes da época, como o Behaviorismo e a Psicanálise. Enquanto essas correntes seguiam o determinismo — seja ambiental ou psíquico —, o Humanismo defende a autonomia do indivíduo, valorizando o livre-arbítrio e a capacidade de fazer escolhas conscientes, sem estar limitado por condicionamentos internos ou externos.
Diferente das outras abordagens, o foco do Humanismo está nos valores, interesses e potencialidades humanas, além de rejeitar a visão mecanicista e reducionista da época.
Entre os pioneiros dessa visão, destaca-se Gordon Allport, que já utilizava o termo “Humanismo” desde 1930. Outros nomes importantes são Kenneth B. Clark, Abraham Maslow e Carl Rogers — este último, junto a Maslow, sendo um dos maiores representantes da Psicologia Humanista.
Maslow ficou famoso por desenvolver a teoria das necessidades humanas, representada por uma pirâmide. Nela, ele defende que o ser humano busca sua realização pessoal à medida que atende, progressivamente, suas necessidades — que vão das mais básicas (como alimentação e segurança) até as mais elevadas (como autoestima e autorrealização). Apesar de ser muito utilizada em áreas como desenvolvimento pessoal e gestão, essa teoria é alvo de críticas por sua limitação em generalizar diferentes contextos culturais e sociais.
Pesquisas mais recentes indicam que, ao invés de cinco níveis rígidos, as necessidades humanas podem ser compreendidas de forma mais simples, agrupadas em dois grandes blocos: necessidades de carência (ligadas à sobrevivência) e necessidades de crescimento (relacionadas à realização e desenvolvimento pessoal).
A psicologia Cognitiva
Psicologia do Senso Comum e a Psicologia Científica
A Psicologia Cognitiva representa, de forma clara, a essência da Psicologia como ciência. Ao revisitar a trajetória dessa área, percebemos que, no fundo, tudo está relacionado à cognição — ou seja, aos processos mentais que moldam nossas experiências.
Muitas vezes, no senso comum, ouvimos que algo “é psicológico” como se fosse sinônimo de fraqueza, exagero ou algo que pode ser superado apenas com força de vontade. Essa visão é equivocada e não corresponde ao entendimento da Psicologia Científica.
Quando analisamos situações como a dor, a tensão pré-menstrual ou a depressão pós-parto, percebemos que não se trata de invenção ou fraqueza, mas de fenômenos reais, mediados por processos cognitivos e emocionais. Nem todas as pessoas vivenciam essas situações da mesma forma, o que nos leva a refletir sobre como nossos estilos cognitivos — a maneira como percebemos, interpretamos e reagimos aos acontecimentos — influenciam nosso bem-estar.
Por que, diante das mesmas circunstâncias, algumas pessoas mantêm o equilíbrio emocional e outras desenvolvem quadros de ansiedade ou depressão? O que define a sensação de felicidade e de qualidade de vida? A resposta está na compreensão dos processos cognitivos que operam por trás de nossos pensamentos, emoções e comportamentos.
Explorar a história da Psicologia nos permite entender que tudo o que vivemos, sentimos e pensamos passa, inevitavelmente, pela cognição.
Conceitos e princípios da psicologia cognitiva
A Psicologia Cognitiva é o ramo da Psicologia que busca compreender como as pessoas interpretam o mundo ao seu redor — tanto no aspecto interno (biológico) quanto externo (social e cultural) — e, a partir disso, tomam decisões e direcionam seus comportamentos. Esse campo investiga as funções mentais que estão por trás da percepção, do pensamento e das escolhas que fazemos.
Entre os processos analisados estão: atenção, percepção, memória, linguagem, aprendizagem, motivação, raciocínio, resolução de problemas e, principalmente, o pensamento — considerado o ponto central dessa abordagem, especialmente quando aplicada na prática clínica.
É importante entender que há uma diferença entre a Psicologia Cognitiva como teoria — que busca explicar como funciona a mente humana — e sua aplicação na clínica, que utiliza esses conhecimentos para promover mudanças no comportamento e no modo de pensar, visando mais bem-estar e qualidade de vida. Técnicas como a reestruturação cognitiva, muito usadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC), ajudam o paciente a interpretar de maneira mais funcional sua relação consigo, com o mundo e com o futuro — conceito que forma a chamada tríade cognitiva, elaborada por Aaron Beck.
Por trás dessa abordagem, está a compreensão de que tanto fatores biológicos quanto experiências de vida moldam nossos padrões de pensamento. A vulnerabilidade emocional pode ser herdada, mas também é profundamente influenciada por experiências desde a gestação, infância e adolescência, impactando na formação de esquemas cognitivos que podem ser saudáveis ou disfuncionais.
A Psicologia Cognitiva adota uma visão integrada do ser humano, onde mente e corpo não estão separados. Intervenções como psicoterapia e uso de medicamentos atuam no mesmo sistema — o cérebro — apenas por caminhos diferentes, ambos promovendo mudanças na sua estrutura e funcionamento, um fenômeno conhecido como plasticidade neural.
Esse modelo não separa o indivíduo em partes, mas utiliza uma divisão didática em três dimensões — física (neurológica), psicológica (processos mentais e emocionais) e ambiental (contexto sociocultural) — para entender como esses fatores se combinam e influenciam nosso desenvolvimento, nossos comportamentos e nossas escolhas ao longo da vida.
Em resumo, a Psicologia Cognitiva oferece uma visão completa do ser humano, considerando que nossas ações, pensamentos e emoções são resultado da interação entre cérebro, mente, experiências de vida e ambiente.
Marcos históricos relativos ao surgimento da psicologia cognitiva
Questionar como o cérebro ou a mente funciona e, fundamentalmente, o que motiva o comportamento está na base de nossa discussão. Podemos buscar esse entendimento na Filosofia e nas Ciências. As respostas que a Psicologia Cognitiva adota não são fruto de um único autor. Certamente, na Psicologia Cognitiva, há alguns marcos históricos, que podem ser antigos, modernos ou contemporâneos. Veja alguns desses marcos:
Ainda devemos compreender que existem duas modalidades de Psicologia Cognitiva, uma básica e outra aplicada. Veja a definição de cada modalidade:
Marcos Históricos O ano é 1956 
Esse foi um ano de grande relevância para coroar o movimento da Psicologia Cognitiva.
Noam Chomsky
O cientista cognitivo Noam Chomsky apresentou uma teoria sobre a linguagem (um processo cognitivo) no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Na mesma ocasião, George Miller (1920-2012) apresentou o que ficou conhecido como o mágico número 7 na memória de curto prazo (outro processo cognitivo). Já Newell (1927-1992) e Simon (1916-2001) expuseram seu modelo de solução de problemas, o General Problem Solver, precursor do desenvolvimento de programas de inteligência artificial.
Solução de problemas e tomada de decisões são duas grandes áreas de interesse dos cientistas cognitivos.
Pesquise sobre essas personalidades e suas contribuições, pois isso pode enriquecer muito sua compreensão da Psicologia Cognitiva.
Fim dos anos 1950 e década de 1960
Vamos conhecer um pouco mais sobre esses marcos. No fim dos anos 1950 e na década de 1960, os sistemas clínicos (ciência aplicada) começam a ganhar forma, e surgem as terapias cognitivas. A tradição filosófica tratou do tema do funcionamento da mente, da consciência, com base em seus métodos, que fundamentalmente englobam o manejo da palavra, a elaboração de ideias, a lógica, a dialética, mas não a experimentação.
Wilhelm Wundt
Como você viu na cronologia sobre os marcos históricos, Wilhelm Wundt demarcou o primeiro laboratório de Psicologia. Curiosamente, os objetos de estudo são os processos elementares da percepção e a velocidade de processos mentais. Isso não quer dizer que Wundt rompeu com a Filosofia, mas buscou demarcar a Psicologia comouma ciência experimental. Seu método de estudo era a introspecção.
Percepção e velocidade de processamento da informação são objetos de estudo da Psicologia Cognitiva. Temas que são abordados desde as escolas funcionalistas e estruturalistas do século XIX.
Desenvolvimento da Psicologia Cognitiva
O movimento que ficou conhecido como revolução cognitivista é mais bem identificado por seus métodos, pela analogia ao processamento computacional, pelo uso de tecnologia para demonstrar suas teorias, e tem como marco a conferência no MIT de proeminentes cientistas cognitivos em 1956.
Edward Chace Tolman
A formação da Psicologia Cognitiva, contudo, é demarcada formalmente, pelos historiadores da Psicologia, nas décadas de 1950 até 1970.
A Psicologia Cognitiva resgata a história do estudo da mente que foi negligenciada pela força do behaviorismo como um sistema teórico dentro da Psicologia. Para entender o cognitivismo, é necessário compreender a história da Psicologia.
Edward Chace Tolman (1886-1959), um behaviorista, declarou que o behaviorismo de Watson foi um alívio, pois trazia cientificidade para a Psicologia, mas não foi um “watsoniano”.
Tolman tentou superar o monismo materialista de Watson (pensamento com hábito). De certa forma, esse autor estabelece os alicerces para o cognitivismo, pois afirma que a aprendizagem não é mudança no comportamento, mas aquisição de novos conhecimentos/cognições. Apresenta as definições de um comportamento intencional — tal intencionalidade, embora existente, é um evento particular ao organismo, uma variável interveniente, e não estaria ao alcance dos instrumentos objetivos da ciência.
Exemplo
Tolman diria, por exemplo, que a fome é a intencionalidade para o comportamento de comer. Isso significaria ver a mente no comportamento, ou seja, falar da mente sem recorrer a teses mentalistas e a métodos não científicos.
O ponto-chave para entender a revolução cognitivista (uma revolução lenta que demorou décadas para se consolidar) é perceber os esquemas dos modelos behavioristas. As contingências behavioristas descreviam diretamente a relação entre um estímulo e uma resposta sem a mediação do cérebro e/ou de uma cognição.
O estímulo discriminativo pode ser compreendido pelo contexto que estabelece a ocasião para o comportamento ser afetado por suas consequências. Tais consequências são seletivas que ocorrem após o comportamento e modificam a probabilidade futura de comportamentos equivalentes acontecerem.
Punição: Apresentação de punidores positivos produzidos pela resposta ou a remoção de punidores negativos. Os punidores são os estímulos, a punição é uma operação (ou processo), e respostas, e não organismos, são punidas. Um estímulo é um punidor positivo se sua presença reduz a probabilidade da resposta ou um punidor negativo, se a sua remoção reduz a probabilidade da resposta.
Reforço: Apresentação de reforçadores positivos produzidos pela resposta ou a remoção de reforçadores negativos. Os reforçadores são os estímulos, o reforço é uma operação (ou processo), e respostas, e não organismos, são reforçados. Um estímulo é um reforçador positivo se sua presença aumenta a probabilidade da resposta ou um reforçador negativo, se a sua remoção aumenta a probabilidade da resposta.
Por exemplo: Na ocasião da luz do sol incomodar (estímulo discriminativo), você irá colocar os óculos escuros (resposta) e isso retira o incômodo que a luz do sol estava causando aos seus olhos. Chamamos isso de um reforçador negativo, ou seja, a probabilidade de você usar óculos escuros em situações semelhantes no futuro aumenta pela retirada de um estímulo aversivo.
Observe que, nas contingências behavioristas (respondentes e operantes), a relação entre um estímulo e uma resposta é direta, não mediada. Nesse modelo teórico, o sistema nervoso era visto como um depositário de contingências, passivo, que apenas codificava em uma linguagem neural (eletroquímica) e armazenava as experiências. Uma vez diante de um estímulo eliciador ou discriminante, gerava uma resposta – de fato, uma tábula rasa.
A inovação do cognitivismo foi buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja, estudar o efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos. O esquema a seguir ilustra essas operações:
Operações internas do organismo.
Resumindo
O cérebro, no Cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos. Para o behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que causa um comportamento, quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, a criatividade, a arte etc. Na atualidade, são sistemas teóricos que se complementam.
Ainda existem profissionais que são behavioristas radicais, pois o Cognitivismo não veio para substituir esse modelo comportamentalista, mas para ampliá-lo. Na década de 1970, os temas do momento eram o Cognitivismo e a Computação. Temas discutidos com a mesma intensidade que a civilização debate hoje, no século XXI, inteligência artificial, automação e Neurociências.
Os principais representantes da psicologia cognitiva e suas contribuições
A Neurociência Cognitiva, a Psicofisiologia e a Computação, na era informacional, constituem um Zeitgeist. Não se trata de estabelecer um monismo materialista e reduzir os eventos comportamentais e os processos cognitivos em termos físico-químicos — até porque os modelos computacionais e das Neurociências não conseguem explicar tudo —, mas sim de superar uma influência do dualismo e do realismo como uma base epistemológica presente na história da Psicologia e desenvolver um olhar mais integrativo.
Para chegarmos até aqui, no que chamamos de Psicologia Cognitiva, muitos pesquisadores somaram esforços em um movimento histórico e epistemológico. Não necessariamente eram psicólogos ou estavam envolvidos em uma revolução cognitiva, apenas estavam fazendo ciência útil para o Zeitgeist que vivenciavam em suas épocas.
Comparação dos métodos de pesquisa na psicologia cognitiva
Existe uma Ciência Cognitiva e uma Psicologia Cognitiva. A Ciência Cognitiva inclui a Psicologia Cognitiva, mas também outros modelos com interesses e métodos de investigação distintos. São modelos que se complementam em certos contextos e estudos, mas também divergem.
Podemos identificar algumas abordagens da Ciência Cognitiva:
O Método das neurociências
As Neurociências buscam evidências de como a interação de áreas no cérebro resultam em cognição, uma vez que apenas apontar uma localização (blobology) está caindo em desuso, e até os modelos computacionais estão buscando correlações com o cérebro. Nas Neurociências, vamos encontrar as evidências científicas que são levantadas pelo uso da tecnologia, especialmente o uso de técnicas de neuroimagem, que são capazes de demonstrar atividades em regiões e circuitos do sistema nervoso central durante um processamento sensorial, motor ou cognitivo.
A organização de nosso sistema nervoso, basicamente, traduz-se por atividades excitatórias (ativação) e inibitórias (inibição), algo como sim e não.
As estruturas como hipotálamo, feixe prosencefálico medial, área septal, córtex cerebral e córtex pré-frontal esquerdo estão relacionadas à aproximação, enquanto o córtex pré-frontal direito e a amígdala, à evitação.
Existem correlações na literatura entre um sistema de ativação comportamental e um sistema de inibição comportamental e características da personalidade, por exemplo, o neuroticismo e a extroversão. Constantemente, a atividade cortical vai gerenciar as metas conscientes dos indivíduos. Por exemplo, quando um indivíduo durante a perda de peso pensa:
Devo comer? — Sistema de ativação comportamental.
Não devo comer? — Sistema de inibição comportamental.
As interpretações cognitivas oriundas de nossas crenças, sistemas de crenças, pensamentos, sentimentos e humor também vão ativar os sistemas de ativação e inibição comportamental. Agir ou não agir? Fazer ou não fazer? Respostas automáticasou voluntárias? Todas essas perguntas envolvem mecanismos complexos que nos impulsionam ou nos inibem diante das situações de desempenho. Tais sistemas se formam em decorrência de sua evolução ontogenética, determinando nossa maneira de ser.
Muitas evidências das Neurociências Cognitivas apoiam a ideia de que as pessoas apresentam características de um sistema de inibição comportamental (exemplo: neuroticismo) ou de um sistema de ativação comportamental (exemplo: extroversão).
O método da psicologia cognitiva (pesquisa básica)
Diversos métodos são utilizados na Psicologia Cognitiva, com ou sem o uso de tecnologia. Aqui, apresentamos uma metodologia de baixo custo que foi responsável por grandes avanços nos paradigmas sobre as etapas de processamento da informação e planejamento de resposta (comportamento): a cronometria mental.
A cronometria mental é usada para construir modelos do processo cognitivo.
Por meio de tarefas, podemos discutir se o processamento da informação é serial — quando uma etapa cognitiva é concluída antes da próxima começar — ou paralelo — quando dois ou mais processos cognitivos ocorrem simultaneamente.
Tarefas de compatibilidade estímulo-resposta, como o efeito Simon e o efeito Stroop, são clássicos da Psicologia Cognitiva.
Na tarefa de Stroop, o voluntário nomeia a cor na qual o nome das cores está escrito — por exemplo, a palavra "VERMELHO" escrita na cor vermelha ou azul. O voluntário responde mais rápido quando o nome da palavra é congruente com a cor que deve nomear.
O método da psicologia cognitiva (aplicada)
A terapia cognitiva-comportamental é um modelo amplamente utilizado na Psicologia Clínica que busca relacionar o pensamento, a emoção e o comportamento. Veja como esse modelo funciona:
I.
O modelo clínico cognitivo propõe que pensamentos disfuncionais influenciam o humor e o comportamento.
II.
Pensamentos automáticos são ideias que invadem a mente e são produto do sistema de crenças do indivíduo.
III.
O sistema de crenças pode ser adaptado e funcional ou gerar distorções cognitivas.
IV.
Distorções cognitivas e pensamentos automáticos disfuncionais estão na base de desordens psíquicas, sendo comuns em todos os transtornos psicológicos.
Por meio do nosso sistema de crenças, interpretamos:
A nós mesmos (crenças sobre nossas capacidades);
O outro (nível de otimismo sobre as pessoas);
O meio em que vivemos (percepção sobre segurança e condições de vida);
O futuro (grau de otimismo sobre o que está por vir).
O terapeuta promove a chamada reestruturação cognitiva, que é a capacidade de perceber eventos e reinterpretar ideias de maneira mais funcional. O objetivo é desenvolver qualidade de vida, utilizando também técnicas comportamentais, como o treinamento em habilidades sociais.
Resumindo:
A terapia cognitiva-comportamental auxilia na identificação de distorções cognitivas e na promoção da reestruturação cognitiva.
A neuropsicologia
No Brasil, a Resolução nº 002/2004 do Conselho Federal de Psicologia reconhece a Neuropsicologia como especialidade da Psicologia. Essa área atua no diagnóstico, acompanhamento, tratamento e pesquisa da cognição, emoções, personalidade e comportamento, considerando a relação com o funcionamento cerebral. Baseia-se em conhecimentos das Neurociências e da prática clínica, utilizando métodos experimentais e clínicos. A Neuropsicologia trabalha também com reabilitação cognitiva e avaliação psicológica.
Premissas e conceitos fundamentais da psicologia cognitiva
A Psicologia Cognitiva tem como foco central o pensamento e sua influência na motivação, nas emoções e nos comportamentos. Após a revolução cognitiva, os estudos passaram a investigar como crenças, planejamento, autoestima, autoeficácia, escolhas e desempenho moldam o comportamento humano.
A ideia de “força de vontade” não explica os comportamentos, sendo considerada senso comum. A abordagem cognitiva busca entender como os pensamentos e a tríade cognitiva (pensamentos, emoções e comportamentos) estão interligados.
Modelos cognitivos substituíram antigas explicações baseadas na vontade, instinto e impulso. A Neurociência contribui mostrando áreas cerebrais ativas, mas ainda não explica como processos como criatividade e formação de crenças ocorrem.
A Psicologia Cognitiva afirma que não é o evento que gera uma emoção, mas a interpretação que a pessoa faz dele. Assim, diante da mesma situação, pessoas podem reagir de forma diferente, conforme seus pensamentos e crenças.
A reestruturação cognitiva permite modificar avaliações distorcidas, resultando em mudanças emocionais e comportamentais. Embora desafiadora, essa prática é comprovada e essencial para promover bem-estar e qualidade de vida.
Psicologia: do século XX para século XXI
Psicologia Positiva
A Psicologia se desenvolve a partir da evolução do pensamento humano, desde a Filosofia na Grécia Antiga até os dias atuais, buscando compreender o que motiva o comportamento humano. O avanço tecnológico sempre impulsionou esse desenvolvimento, tanto na construção de conhecimento quanto na adaptação da espécie.
Ao longo da história, a Psicologia passou por diversas transformações:
· 1879: foco na consciência, usando a introspecção.
· 1913: foco no comportamento observável, surgindo o behaviorismo.
· 1950: retorno ao estudo da consciência e dos processos cognitivos, surgindo a Psicologia Cognitiva, muito influenciada pela tecnologia, modelos computacionais e Neurociências.
Paralelamente, a Psicanálise também se desenvolvia, buscando compreender o sofrimento psíquico. Na década de 1960, surge o Humanismo, que critica tanto o behaviorismo quanto a Psicanálise, defendendo que o ser humano é moldado pelo presente e tem potencial criativo e de desenvolvimento.
As escolas psicológicas não se anulam, mas coexistem e se transformam. Chegamos ao século XXI com movimentos como a Gestalt, a expansão das avaliações psicológicas e, principalmente, com o surgimento de uma nova proposta: a Psicologia Positiva, que se concentra no desenvolvimento das potencialidades humanas, bem-estar, felicidade, força de caráter e resiliência.
O movimento da psicologia positiva
A Psicologia Positiva é um movimento dentro da Psicologia que surge na transição do século XX para o XXI. Apesar de receber influências do Humanismo, não se caracteriza como uma abordagem humanista pura. Enquanto o Humanismo focava no potencial humano e na autorrealização, a Psicologia Positiva buscou trazer mais rigor científico para o estudo das qualidades humanas.
Ela surge com três objetivos principais:
1. Preencher lacunas da Psicologia tradicional, que focava excessivamente nas doenças.
2. Oferecer uma crítica ao modelo focado apenas no sofrimento.
3. Inovar, trazendo uma visão baseada no desenvolvimento de forças, virtudes e bem-estar.
Diferença da Psicologia Positiva para o Humanismo
O Humanismo valorizava a autorrealização e o desenvolvimento pessoal, mas sua metodologia não tinha tanto reconhecimento científico.
A Psicologia Positiva, por sua vez, busca comprovações, sistematizando o estudo das virtudes e dos fatores que contribuem para uma vida plena e saudável.
A Contribuição de Martin Seligman
Seligman, psicólogo norte-americano, inicialmente ficou conhecido pela teoria do desamparo aprendido.
Ao se tornar presidente da Associação Americana de Psicologia (APA) em 1997, impulsionou a Psicologia Positiva.
Junto com Christopher Peterson, publicou Character, Strengths and Virtues, um manual que, assim como o DSM cataloga transtornos, cataloga forças e virtudes humanas.
As Seis Categorias de Virtudes da Psicologia Positiva
1. Sabedoria e Conhecimento – criatividade, curiosidade, pensamento crítico, gosto por aprender.
2. Coragem – bravura, persistência, integridade, vitalidade.
3. Humanidade – amor, empatia, inteligência social.
4. Justiça – cidadania, justiça, liderança.
5. Temperança – perdão, humildade, prudência, autocontrole.
6. Transcendência – apreciação da beleza, gratidão, esperança, espiritualidade, humor.
Relação com a Neurociência e a Psicologia Cognitiva
A Psicologia Positiva nãonega os avanços da Neurociência. Pelo contrário, compreende que aspectos emocionais e cognitivos são mediados por estruturas como o sistema límbico, responsáveis pelas emoções.
Trabalha integrando a compreensão dos fenômenos subjetivos, das emoções, dos comportamentos e dos processos neurológicos.
Desafios Éticos e Comerciais
A Psicologia Positiva alerta para o uso indevido de seus conceitos no mercado, principalmente quando associada a práticas como o coaching sem formação adequada, que podem oferecer soluções superficiais.
Defende que o trabalho de desenvolvimento pessoal e das virtudes seja realizado por psicólogos capacitados, que possam avaliar tanto os pontos fortes quanto as vulnerabilidades do indivíduo de forma ética e científica.
Psicologia Positiva no Contexto Atual (Sociedade 4.0)
Vivemos na Quarta Revolução Industrial, marcada pela tecnologia, automação, inteligência artificial e mudanças demográficas.
A Psicologia Positiva contribui nesse cenário, ajudando pessoas de diferentes gerações a desenvolverem competências emocionais e comportamentais (soft skills) fundamentais para o futuro do trabalho e da convivência social.
Importância da Psicologia no Século XXI
A Psicologia é vista como uma profissão do futuro porque entende o ser humano em seu contexto histórico e cultural.
Seu papel é ajudar no desenvolvimento de pessoas, promovendo bem-estar, saúde mental e crescimento pessoal, integrando ciência, ética e técnica.
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