Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

W
BA
01
03
_V
3.
0
FINANÇAS PÚBLICAS
2
Everton Santos Vasconcelos
Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2024
FINANÇAS PÚBLICAS
1ª edição
3
2024
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Camila Braga de Oliveira Higa
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Juliana Schiavetto Dauricio
Juliane Raniro Hehl
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Coordenador
Ana Carolina Gulelmo Staut
Revisor
Milton Henrique do Couto Neto
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Rosana Silverio Siqueira
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Vasconcelos, Everton Santos
Finanças Públicas/ Everton Santos Vasconcelos, – 
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A 2024. 
p. 32
 
ISBN 978-65-5903-575-5
1. Finanças públicas 2. Sistema tributário brasileiro 3. 
Orçamento público I. Título. 
CDD 745 
_______________________________________________________________________________________________ 
 Raquel Torres – CRB 8/10534
V331f 
© 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer 
modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo 
de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
https://www.cogna.com.br/
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Introdução a finanças públicas _______________________________ 07
Sistema Tributário Brasileiro _________________________________ 18
Orçamento público e políticas orçamentárias ________________ 30
Déficit e dívida pública _______________________________________ 44
FINANÇAS PÚBLICAS
5
Apresentação da disciplina
Desde os tempos mais antigos, nossos ancestrais perceberam que a 
vida em comunidade traria mais benefícios para todos do que uma vida 
solitária. No entanto, teria aí um problema: como conciliar os diferentes 
interesses dos integrantes dos grupos? Nesse momento, surge a noção 
de Estado, que é uma entidade com poder para governar um povo em 
uma determinada área territorial. O objetivo, aqui, é oferecer meios 
básicos de sobrevivência para aquele povo. Para que isso ocorra, são 
necessários recursos financeiros. Aí começa a importância de conhecer 
os conceitos de Finanças Públicas.
Nesta disciplina, estudante, além de conhecer um pouco sobre a origem 
do Estado e o conceito de governo e seus poderes, você estudará a 
importância da administração dos recursos financeiros para que o 
estado de bem-estar social possa alcançar toda a população. Além 
disso, serão apresentadas as formas de o poder público obter recursos 
financeiros mediante a arrecadação de taxas, tributos e contribuições. 
Em uma análise mais aprofundada, você verá os desafios que a 
sociedade brasileira enfrenta por causa da taxação dos diversos setores 
econômicos.
Ainda abordando a arrecadação, a disciplina explicará o que é o 
orçamento público no Brasil, analisando como os recursos são alocados 
em diferentes programas e projetos, que são influenciados por fatores 
políticos, econômicos e sociais.
Por fim, a disciplina fará uma apresentação de um tema muito 
recorrente em discussões sobre governos: a dívida pública. Itens 
6
importantes, como o déficit público e sua influência na economia, serão 
apresentados.
O estudo das Finanças Públicas não é indicado somente para 
aqueles que desejam trabalhar em órgãos públicos. Ele é de extrema 
importância para todos aqueles que creem em um país melhor e mais 
justo, que sabem que o conhecimento sobre tributos e do bem-estar 
social faz a diferença em nossas escolhas pessoais e profissionais. Bons 
estudos!
7
Introdução a finanças públicas
Autoria: Everton Santos Vasconcelos
Leitura crítica: Milton Henrique do Couto Neto
Objetivos
• Entender o surgimento dos agentes econômicos na 
sociedade humana.
• Explicar o processo de criação do Estado como ente 
organizador de uma sociedade.
• Analisar as formas que o Estado influencia a economia 
de uma sociedade.
• Compreender os meios de que dispõe o Estado para se 
financiar.
8
1. Introdução: o homem como um ser 
gregário
Muitas pesquisas já foram e ainda são realizadas com o intuito de saber 
mais sobre o surgimento da espécie homo sapiens no planeta. Dentre 
as conclusões já alcançadas, sabemos, hoje, que nossos antepassados 
perceberam que a vida em grupo – vida gregária, por assim dizer – traria 
muitas vantagens. Ao caçar em grupo, nossos ancestrais poderiam 
predar um animal de grande porte para alimentar um número maior de 
indivíduos. Laços criados entre membros de um mesmo grupo seriam 
importantes para manter a segurança de todos em disputas contra 
grupos rivais. Portanto, estar sozinho poderia significar uma vida mais 
curta.
Figura 1 – A cooperação entre indivíduos de um 
grupo permitiu caçar grandes animais
Fonte: shutterstock.com.
9
Os primeiros grupos humanos que povoaram a Terra tiveram como 
característica primordial serem do tipo caçadores e coletores, fixando-se 
em determinadas localidades enquanto elas lhes ofereciam subsistência. 
Era comum se deslocarem para outras regiões quando os recursos se 
escasseavam. Em algum momento da linha do tempo, os descendentes 
daqueles grupos nômades passaram a se fixar na terra, plantando e 
criando animais para seu sustento. Tudo que era produzido era dividido 
entre os membros do grupo.
Conforme os grupos humanos cresciam, começaram a se deparar com 
alguns problemas. Grupos que antes viviam isolados passaram a ficar 
cada vez mais próximos, disputando recursos, como terra, animais, 
alimentos etc. Nesse cenário, era bastante comum haver batalhas entre 
grupos rivais, resultando em grandes perdas humanas de parte a parte. 
Em um determinado momento da História, aqueles grupos, cansados 
das perdas que aumentavam a cada confronto, decidem cessar as 
hostilidades, buscando uma convivência pacífica.
Segundo Mendes (2020), ao buscarem uma convivência harmoniosa, os 
grupos, antes rivais, agora escolheriam entre seus pares representantes 
para criarem regras de convivência e promoverem a ordem. Estava 
criada a noção de Estado. Inicialmente, essa nova organização social 
canalizava privilégios para uma elite, desprezando um grupo mais amplo 
de indivíduos. Somente a partir do século XIX, algumas sociedades 
puderam evoluir para sistemas mais igualitários de direitos sociais 
estabelecidos em uma constituição.
Além dos direitos sociais, cabe ao Estado garantir o direito à 
propriedade, combater o crime e assegurar o cumprimento dos 
contratos. Essas garantias só serão alcançadas mediante a criação de 
leis claras e objetivas, a existência de um sistema judiciário que seja ágil, 
acessível e que inspire confiança nos indivíduos. Para que esses e outros 
feitos fossem alcançados, a estrutura de poder do Estado se dividiu em 
10
outros três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, os quais, 
apesar de independentes, atuam em harmonia.
Para que cada poder possa exercer suas funções na administração 
do Estado, são necessários recursos financeiros, os quais poderão se 
originar de receitas de serviços prestados pelo próprio Estado ou pela 
cobrança de impostos. A partir de agora estudaremos como o Estado se 
financia e as formas que intervém na sociedade que ele governa.
2. A relação entre economia e Estado
Certamente, durante sua vida, você nutriu sonhos e desejos que,aumento na 
53
arrecadação de receitas. Reduções nas taxas de impostos, evasão fiscal 
e queda na atividade econômica são fatores adicionais que podem 
diminuir as receitas do governo, exacerbando o déficit.
Os gastos com juros sobre a dívida pública também desempenham 
um papel significativo na criação de déficits, especialmente em países 
com níveis elevados de endividamento. O aumento do endividamento 
governamental ao longo do tempo resulta em maiores pagamentos 
de juros e amortizações da dívida, o que pode aumentar os gastos do 
governo e contribuir para déficits nas contas públicas.
Políticas fiscais expansionistas, como redução de impostos ou aumento 
dos gastos públicos, sem contrapartida em aumento da arrecadação 
ou eficiência na administração pública, também podem resultar em 
déficits orçamentários. Vale destacar que choques externos, como 
crises econômicas globais, instabilidade política, desastres naturais ou 
flutuações nos preços de commodities, podem impactar adversamente 
as finanças públicas e contribuir para déficits.
Para combater déficits em suas contas públicas, os governos têm à 
disposição uma variedade de estratégias econômicas e políticas. Uma 
abordagem comum é buscar o aumento da arrecadação de receitas por 
meio de medidas fiscais, como ajustes tributários, aumento das taxas 
de impostos, redução da evasão fiscal e ampliação da base tributária. 
Paralelamente, a contenção de despesas é essencial, envolvendo cortes 
em programas não essenciais, revisão de subsídios, controle de gastos 
com pessoal e revisão de contratos.
Estimular o crescimento econômico também é uma estratégia 
importante, uma vez que pode aumentar as receitas do governo por 
meio do aumento da atividade econômica e da criação de empregos. 
Isso pode ser alcançado por meio de políticas de investimento em 
54
infraestrutura, estímulo ao empreendedorismo e inovação, bem como 
promoção do comércio internacional.
Referências
BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito 
Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos 
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Brasília: Presidência da República, 
[2024]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm. Acesso 
em: 14 jun. 2024.
CNN BRASIL. FMI lista as 20 maiores economias do mundo em 2023. CNN Brasil, 
2023. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/fmi-
lista-as-20-maiores-economias-do-mundo-em-2023-veja-posicao-do-brasil/. Acesso 
em: 11 abr. 2024.
GIAMBIAGI, F.; ALÉM, A. C. Finanças públicas: teoria e prática no Brasil. 5. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2016.
KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2016.
PISCITELLI, R. B.; TIMBÓ, M. Z. F. Contabilidade pública: uma abordagem da 
administração pública. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
SARAIVA, A. Endividamento das famílias cai pela 1ª vez em 4 anos, mas 
inadimplência bate recorde, diz CNC. Valor Econômico, 2024. Disponível em: 
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/01/11/endividamento-das-familias-cai-
pela-1a-vez-em-4-anos-mas-inadimplencia-bate-recorde-diz-cnc.ghtml. Acesso em: 
12 abr. 2024.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/fmi-lista-as-20-maiores-economias-do-mundo-em-2023-veja-posicao-do-brasil/
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/fmi-lista-as-20-maiores-economias-do-mundo-em-2023-veja-posicao-do-brasil/
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/01/11/endividamento-das-familias-cai-pela-1a-vez-em-4-anos-mas-inadimplencia-bate-recorde-diz-cnc.ghtml
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/01/11/endividamento-das-familias-cai-pela-1a-vez-em-4-anos-mas-inadimplencia-bate-recorde-diz-cnc.ghtml
55
	Sumário
	Apresentação da disciplina 
	Objetivos 
	Objetivos 
	Objetivosde 
alguma forma, lutou ou tem lutado para torná-los realidade. De forma 
semelhante, você também já deve ter percebido que cada indivíduo 
possui desejos e sonhos bem diferentes entre si. Não há nada de 
errado nisso, desde que não infrinja as leis ou coloque em risco outras 
pessoas. No entanto, precisamos trazer a essa discussão um conceito 
bem conhecido nos estudos econômicos: as demandas de todos os 
indivíduos não poderão ser satisfeitas, pois os recursos (matérias-
primas, tempo, terras etc.) são escassos. O fato é que, mesmo nessas 
condições, as pessoas buscarão seu próprio bem-estar.
O termo economia tem origem no grego oikonomia, que significa “arte 
de administrar a casa”. Apesar de usar a matemática em inúmeras de 
suas aplicações, a economia é uma ciência essencialmente social, que 
se dedica a estudar como os recursos escassos das sociedades podem 
ser alocados, considerando as decisões de empresas, consumidores, 
trabalhadores etc. – agentes econômicos.
11
Figura 2 – Apesar de independentes, os agentes econômicos, a todo 
momento, se relacionam entre si
Fonte: elaborada pelo autor.
Os estudos econômicos também consideram a relação entre oferta e 
procura em seus modelos. Nesse sentido, os desejos de consumir e a 
capacidade de produção das firmas influenciam e são influenciados pela 
“lei da oferta e da procura”. Se um determinado bem tem uma forte 
demanda em uma sociedade, é lógico supor que seu preço aumentará, 
levando as firmas especializadas a fabricarem-no, aproveitando a 
oportunidade para aumentarem seus lucros. De uma forma geral, 
pode se supor que o mercado atenderá a todas as necessidades tanto 
dos agentes demandantes quanto dos ofertadores de bens e serviços. 
Pensar assim é um engano.
12
O Estado, nesse ponto, surge como um agente que suprirá as 
funções que o mercado não consegue atender, o que em economia 
se convencionou chamar de falhas de mercado. Ele pode intervir na 
economia quando um agente possui grande poder de produção sobre 
um determinado ramo econômico. Mendes (2020) destaca que o Estado 
pode intervir em ramos como o de fornecimento de água, com o intuito 
de oferecer preços mais baixos.
O Estado intervém para suprir a sociedade com produtos que o mercado 
privado não consegue oferecer de maneira eficiente. Se não houvesse 
essa interferência, empresas de transportes públicos, por exemplo, 
só ofereceriam linhas de ônibus em trajetos extremamente rentáveis. 
Giambiagi e Além (2016) destacam que esse tipo de intervenção estatal é 
dado mediante o uso dos bens públicos. Para os autores, o uso desses 
bens pode ser exercido por qualquer indivíduo, sem prejudicar o uso de 
outros.
Por outro lado, existem serviços públicos em que o Estado não pode 
cobrar de forma individualizada, como é o caso dos serviços de 
iluminação pública – não é possível oferecer esse serviço só para os 
indivíduos que propusessem a pagar por ele. A solução encontrada é 
que o Estado tenha a responsabilidade de oferecer bens ou serviços 
públicos se financiando mediante a cobrança de impostos e taxas 
(Giambiagi; Além, 2016).
Como estudamos, nem sempre o mercado poderá atender de 
maneira eficiente a todas as demandas da sociedade. O Estado, então, 
surge como um agente regulador, ora intervindo para promover a 
concorrência perfeita, ora intervindo como fornecedor de serviços pouco 
atraentes para empresas privadas. Nas próximas linhas, estudaremos 
com maior profundidade sobre o papel do Estado na economia e de que 
forma ele acaba influenciando a vida em sociedade.
13
3. Atividade financeira do Estado
Segundo Kohama (2016), os serviços públicos são disponibilizados 
para que a sociedade possa alcançar o maior nível de bem-estar 
social possível. Para o autor, serviços públicos são entendidos como 
“todos aqueles prestados pelo Estado ou delegados por concessão ou 
permissão sob condições impostas e fixadas por ele, visando à satisfação 
de necessidades da comunidade” (Kohama, 2016, p. 1).
O oferecimento de serviços públicos está intimamente ligado à 
administração pública. Para Kohama (2016, p. 9), “administrar é gerir 
os serviços públicos; significa não só prestar serviços, executá-lo, como 
também dirigir, governar, exercer a vontade com o objetivo de obter 
um resultado útil”. Para que a administração pública possa atender aos 
anseios de bem-estar da sociedade, precisará de recursos financeiros.
A atividade financeira do Estado se constitui em obter, criar, gerir e 
despender dinheiro para financiar a administração pública (Matias-
Pereira, 2018). Na literatura especializada, damos o nome de finanças 
públicas à atividade financeira do Estado. Segundo Martins-Pereira 
(2018), cerca de 35% do PIB brasileiro correspondem a receitas 
tributárias, que serão empregadas nas funções do Estado, tais como 
saúde, educação, segurança nacional etc.
Em finanças públicas, encontraremos como objeto de análise e controle 
a atividade fiscal, que deve ser entendida como o Estado obtendo 
e aplicando recursos para custear bens e serviços públicos (política 
fiscal). Nesse sentido, podemos subdividir as finanças públicas em 
duas políticas: a tributária, que trata da captação de recursos para 
atendimento das funções da Administração, e a orçamentária, que trata 
sobre a forma como os recursos arrecadados serão aplicados pelas 
esferas do poder público.
14
3.1 Funções econômicas do governo
De acordo com Giambiagi e Além (2016), a ação do governo abrange 
três funções básicas através da política fiscal: alocativa, distributiva e 
estabilizadora.
Figura 3 – As funções básicas do Estado
Fonte: elaborada pelo autor
3.1.1 Função alocativa
Como já estudamos, por mais completo que seja o mercado, ele não 
conseguirá atender a todas as demandas da sociedade. Aprofundando-
nos na questão, descobriremos que o Estado, enquanto fornecedor 
de bens e serviços públicos, é quem deverá determinar a quantidade 
desses bens/serviços que serão ofertados e, em um segundo momento, 
determinar também o valor justo a ser cobrado de cada consumidor.
15
Para Giambiagi e Além (2016), visão corroborada por Matias-Pereira 
(2018), não se espera que o consumidor, por livre vontade, se apresente 
ao governo para pagar pelo uso dos bens públicos. Sendo assim, o 
financiamento desses serviços não poderá ser feito de forma voluntária.
A função alocativa do Estado refere-se ao papel desempenhado pelo 
governo na alocação eficiente dos recursos na economia. Em termos 
simples, isso significa que o Estado intervém na economia para garantir 
que os recursos disponíveis sejam utilizados da melhor maneira possível 
para atender às necessidades da sociedade.
Mesmo a função alocativa sendo prerrogativa do governo no poder, 
Giambiagi e Além (2016) destacam que o eleitor é quem, em última 
instância, detém o poder de priorizar bens e serviços públicos ao 
escolher seus representantes. Os eleitores podem sentir que precisam 
de mais segurança. Para isso, escolherão políticos que estejam dispostos 
a investir mais em serviços públicos de segurança, mesmo que isso 
resulte em maiores tributos.
3.1.2 Função distributiva
Como o próprio nome nos sugere, a função distributiva se constitui na 
redistribuição de renda daqueles que a possuem em grande quantidade 
para aqueles que têm carência. É notória a má distribuição de renda 
no Brasil, o que ensejou, nas últimas décadas, diversas medidas para 
diminuir as discrepâncias entre as camadas da sociedade.
Como medidas de distribuição de renda, o Estado pode aumentar 
alíquotas sobre a venda de bens considerados supérfluos ou de alto 
padrão, como carros de luxo. Por outro lado, com esses recursos 
obtidos, pode-se financiar a redução de tributos cobrados na cesta 
básica. Outra forma de distribuição usada em países com extrema 
16
desigualdade social são os programas de transferência de renda, como o 
Bolsa Família. Nesses casos, o governo pode promover uma distribuição 
de renda mais justa e de forma direta.
3.1.3 Função estabilizadora
A funçãoestabilizadora do governo ganhou força a partir de meados 
do século XX (Giambiagi; Além, 2016). Apesar de alguns economistas 
defenderem um Estado que praticamente não interfira no mercado, 
deixando-o ao sabor de uma “mão invisível”, na função estabilizadora, o 
Estado interfere na economia, reequilibrando-a.
Os ciclos econômicos podem gerar grandes desafios para a equipe 
econômica de um governo. Pode nos parecer um contrassenso, mas 
uma sociedade em que seja identificado um alto nível de emprego 
representa um grande problema tanto quanto uma sociedade com 
baixo nível de emprego. Nesses dois casos, caberá ao governo 
implementar medidas de contração da economia, por exemplo, o 
aumento da taxa básica de juros, retirando dinheiro do meio circulante, 
ou usando medidas para aquecer a economia, como reduzir o depósito 
compulsório dos bancos, colocando mais dinheiro no meio circulante.
A função estabilizadora, dessa forma, consiste no uso de instrumentos 
de política econômica que possam promover o emprego, o 
desenvolvimento social e a estabilidade da economia. Podemos destacar 
como instrumentos da função estabilizadora: a promoção do emprego, o 
controle da inflação, a política cambial e o controle dos gastos públicos.
Referências
GIAMBIAGI, F; ALÉM, A. C. Finanças públicas: teoria e prática no Brasil. 5. ed. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2016.
17
KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
MATIAS-PEREIRA, J. Administração pública: foco nas instituições e ações 
governamentais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
MENDES, M. Funções do estado em uma ordem social aberta. In: GIAMBIAGI, 
F.; FERREIRA, S. G.; AMBRÓZIO, A. M. H. (orgs.). Reforma do Estado brasileiro: 
transformando a ação do governo. São Paulo: Atlas, 2020. p. 31-43.
18
Sistema Tributário Brasileiro
Autoria: Everton Santos Vasconcelos
Leitura crítica: Milton Henrique do Couto Neto
Objetivos
• Compreender o processo de tributação no Brasil.
• Analisar os principais tributos vigentes no país e como 
eles são repartidos pelos entes federativos.
• Examinar os problemas de taxação da sociedade 
brasileira.
19
1. Introdução
1.1 Por que tributar?
Para que o Estado possa atender às necessidades de bem-estar social, 
são necessárias fontes de recursos. A forma mais comum que o Estado 
dispõe para obter recursos suficientes para financiar sua estrutura 
administrativa, além de oferecer bens e serviços públicos, se dá pela 
cobrança de tributos da sociedade que ele governa. Graças a isso, 
o Estado, investido do poder político dado pelos eleitores, poderá 
promover as funções alocativa, distributiva e estabilizadora.
Segundo Matias-Pereira (2018), um sistema de tributação tido como 
ideal deve possuir quatro características:
• Equidade: um sistema de tributação é considerado ideal quando 
os indivíduos contribuem de forma equitativa para suprir os gastos 
governamentais. Equidade nos traz à mente o sentido daquilo que 
é justo e imparcial para cada cidadão.
• Progressividade: indivíduos que possuem renda mais alta devem 
contribuir com parcelas maiores do que contribuintes de baixa 
renda.
• Simplicidade: um sistema tributário eficiente deve ser de 
fácil compreensão pelo contribuinte, além de ser facilmente 
operacionalizado pelo poder público.
• Neutralidade: os impostos não podem impactar negativamente 
a eficiência econômica da sociedade, reduzindo o consumo, pois 
assim prejudicaria todo o sistema tributário.
Por mais que a sociedade anseie por melhores serviços prestados pelo 
poder público é, justamente, nela em que surgem reclamações sobre 
20
a carga tributária que recai sobre todos. Para Giambiagi e Além (2016), 
essa discussão é comum a todas as sociedades espalhadas pelos quatro 
cantos do globo. O ato de tributar influencia também o comportamento 
dos agentes econômicos, que podem alterar suas decisões pessoais de 
consumir ou investir.
Existem dois tipos de conflitos travados entre governo e os 
contribuintes. O primeiro deles é chamado de conflito vertical, que surge 
quando os contribuintes visam minimizar a carga tributária enquanto o 
governo tenta manter ou aumentá-la. Já os conflitos horizontais surgem 
na estrutura interna do governo pela divisão dos recursos arrecadados 
entre os diversos entes federativos (estados e municipalidades).
Caberá aos políticos que estarão no poder em cada mandato de governo 
serem os mediadores entre uma sociedade que busca melhores bens 
e serviços públicos e a aplicação dos recursos financeiros obtidos pela 
tributação.
1.2 Histórico do Sistema Tributário Nacional
Conforme Giambiagi e Além (2016), o Sistema Tributário Nacional (STN) 
não apresentou grandes mudanças desde a época do Império até o 
início dos anos de 1930. Nesse período, a principal fonte de receitas era 
originada do imposto de importação – por ser um país essencialmente 
agrícola, bens industrializados eram comprados no exterior.
Por volta de 1891, uma das poucas mudanças observadas foi a 
separação entre as fontes tributárias. A partir de então, à União caberia 
as receitas dos impostos de importação, direitos de entrada, estadia e 
saída de navios, além das taxas de correios e telégrafos. Aos estados, 
caberiam a tributação sobre as exportações, sobre os imóveis rurais e 
urbanos, como também a transmissão de propriedades.
21
Com a promulgação da Constituição de 1934, os estados ganharam a 
competência para criar impostos sobre vendas e consignações, mas não 
poderiam mais cobrar impostos sobre exportações interestaduais. Já os 
municípios poderiam tributar receitas de indústrias, profissões e sobre 
propriedades prediais.
A despeito de duas novas constituições (1937 e 1946), o STN sofreu 
poucas alterações. Nesse sentido, podemos destacar a perda do poder 
dos estados de tributar o consumo de combustível de veículos movidos 
a motor de explosão interna, um aumento nas receitas tributárias dos 
municípios e a criação de um sistema de transferência de impostos 
entre as esferas governamentais (Giambiagi; Além, 2016). Após o 
final da Segunda Guerra Mundial, com a crescente industrialização 
brasileira, as receitas tributárias mudaram de perfil: a tributação sobre 
as importações cedeu lugar para os tributos cobrados sobre os produtos 
industrializados.
Por fim, o STN só ganharia uma nova estrutura a partir da promulgação 
da Lei nº 5.172/66 (Brasil, 1966).
1.3 A grande reforma do STN
O grande objetivo da reforma do STN foi aumentar a capacidade de 
arrecadação do Estado, sem comprometer o crescimento da economia 
brasileira. Como objetivo secundário, podemos destacar a busca pela 
melhoria nos efeitos alocativos dos tributos.
Antes de 1966, muitos tributos brasileiros não estavam tão bem 
estruturados. Faltavam-lhes itens importantes, como a caracterização 
dos fatos geradores e quem realmente tinha o poder de cobrá-los. 
Além disso, alguns tributos instituídos eram muito semelhantes entre 
si. Sendo assim, a reforma procurou meios de reduzir o número de 
22
impostos vigentes e utilizar definições econômicas em vez de jurídicas 
para fundamentar os fatos geradores (Giambiagi; Além, 2016).
Dois impostos foram criados após a reforma, que acabaram se tornando 
fundamentais para a arrecadação do governo. O primeiro deles foi o 
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de competência da União. 
O segundo foi o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM), que 
décadas depois se tornaria Imposto sobre Circulação de Mercadorias 
e Serviços (ICMS), de competência dos estados da federação. Esses 
impostos substituiriam, respectivamente, o imposto sobre o consumo e 
o imposto sobre vendas e consignações.
A nova estrutura do STN é apresentada na figura a seguir:
Figura 1 – Estrutura tributária brasileira a partir de 1966
Fonte: elaborada pelo autor.
Para compensar a extinção de alguns tributos, ficou estabelecida a 
criação de fundos de transferências de recursos da União para os 
estados e para os municípios. Tanto o fundo de participaçãodos estados 
(FPE) quanto o fundo de participação dos municípios (FPM) teriam 
percentuais iguais – 10% – sobre as receitas tributárias originadas do 
Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados 
(IPI).
23
Após a consolidação da nova estrutura de cobrança, a carga tributária 
brasileira ficou em torno de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), 
permanecendo nesse patamar por toda a década de 1970. Ela só deu 
um pequeno salto, alcançando 27% do PIB, durante o ano de 1986, 
quando estava em vigência o Plano Cruzado (Giambiagi, Além; 2016). 
Durante os anos de 1990 e 1994, foram registradas novas altas na carga 
tributária. Em 1990, a influência direta se deu por conta do Plano Collor, 
que fez com que a carga tributária chegasse aos 30% do PIB. Já em 1994, 
ano de criação do Plano Real, que controlou a inflação do país, a carga 
ultrapassou 30% do PIB.
2. Estrutura básica do STN
Para definirmos o que é um tributo, vamos ao art. 3º do Código 
Tributário Nacional (Brasil, 1966, [s. p.]): “tributo é toda prestação 
pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, 
que não constitua sanção por ato ilícito, instituída em lei e cobrada 
mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.
No Brasil, existem duas espécies de tributos: os vinculados e os não 
vinculados. Tributos vinculados possuem uma obrigação atrelada ao 
seu recolhimento. Já os tributos não vinculados não apresentam tal 
característica.
O imposto é um tipo de tributo não vinculado, isto é, uma vez instituído, 
ele será cobrado sem que haja qualquer obrigatoriedade de o Estado 
prestar serviço ou oferecer bens públicos em troca.
Descrita entre os artigos 77 e 78 do Código Tributário Nacional (CTN), 
a taxa é um tributo que se caracteriza pelo pagamento pelo uso de um 
serviço público ou pelo exercício do poder de polícia do Estado. Esse 
poder deve ser entendido como as atividades inerentes à administração 
24
pública em razão do interesse público. Assim, o poder de polícia do 
Estado se manifesta no que concerne à segurança pública, à higiene, à 
ordem, à promoção da saúde etc.
O terceiro tributo vigente no país são as contribuições de melhoria. O 
CTN estabelece que esses tributos só podem ser cobrados em virtude de 
obra pública que gere valorização imobiliária para o contribuinte. União, 
estados e municípios podem instituir contribuições de melhoria para 
fazer face aos custos de obras públicas.
Além das contribuições de melhoria, a Carta Magna de 1988 estabeleceu 
as contribuições federais, de competência exclusiva da União. Essas 
contribuições podem ser de três tipos: sociais, de intervenção no 
domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou 
econômicas. Juridicamente, as contribuições federais não estão descritas 
no CTN, mesmo assim são considerados como tributos.
2.1 Elementos fundamentais do tributo
Antes de estudarmos mais a estrutura do STN, cabe-nos conhecermos 
os elementos fundamentais do tributo. Compreender esses conceitos 
será um facilitador para compreensão dos impostos, das taxas e das 
contribuições vigentes no Brasil.
O fato gerador do tributo se caracteriza pelo exato momento em que, 
estabelecido por lei, o órgão competente tem o direito de cobrar a 
obrigação tributária. Nesse sentido, o fato gerador do ISS é a prestação 
de serviço – nesse momento, o município pode cobrar o tributo. A 
obrigação de cobrar o ICMS nasce quando uma mercadoria sai de um 
depósito e é enviada para o consumidor final – nesse momento, o 
estado tem o direito de cobrar o imposto.
25
O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que, por lei, tem 
a obrigação de pagar o tributo. Aqui, precisamos fazer uma distinção, 
uma vez que o sujeito passivo se divide em duas pessoas: contribuinte 
e responsável. Enquanto este tem por obrigação o recolhimento do 
tributo, aquele tem relação direta com o fato gerador. Em algumas 
situações, o Fisco não terá a possibilidade de arrecadar tributos, pois 
pode ser muito complexa a identificação do contribuinte de fato. Aí, 
fica a cargo do responsável calcular, reter e recolher o tributo após o 
fato gerador, como podemos identificar quando tratamos de Imposto 
de Renda Retido da Fonte (IRRF). Já o contribuinte tem a obrigação de 
recolher o valor, como podemos observar na cobrança de IPTU, quando 
o proprietário do imóvel deve pagar o tributo diretamente ao município 
onde está localizado o imóvel.
A base de cálculo, como o próprio termo nos sugere, é o valor sobre 
o qual será aplicada a alíquota correspondente ao tributo. Ela deve 
estar claramente estabelecida em lei, baseando-se nos princípios da 
legalidade, da anterioridade e da irretroatividade.
A alíquota é um percentual que, aplicado à base de cálculo, resulta 
no montante que deve ser recolhido aos cofres públicos. As alíquotas 
podem ser fixas, proporcionais ou específicas. Em algumas situações, 
além do valor do imposto obtido após a aplicação da alíquota sobre a 
base de cálculo, a lei estabelece a cobrança de um valor adicional. Como 
exemplo, temos a cobrança do valor adicional ao IR.
2.2 Princípios constitucionais dos tributos
Basicamente, os princípios que regem o STN estão descritos na Carta 
Magna de 1988. Nenhuma norma jurídica que trate sobre tributos 
pode ser criada se não estiver em consonância com aqueles princípios 
constitucionais.
26
O primeiro princípio é o da legalidade, o qual estabelece que somente 
uma lei pode estabelecer um tributo ou alterar sua base de cálculo ou 
aumentar a alíquota para cálculo do valor a recolher. Por outro lado, 
a própria Constituição concede ao Poder Executivo a possibilidade 
de alterar as alíquotas do Imposto de Importação (II), Imposto de 
Exportação (IE), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o IPI, desde 
que cumpridos preceitos constitucionais.
O princípio da irretroatividade tributária não permite que sejam criados 
tributos que possam retroagir para prejudicar o contribuinte. Em outras 
palavras, uma lei tributária nova não pode ser aplicada a fatos geradores 
ocorridos antes de sua vigência. Isso significa que uma nova lei tributária 
só pode ser aplicada a partir do momento em que entra em vigor, não 
podendo retroagir para cobrar tributos sobre fatos geradores que 
ocorreram antes de sua existência.
O princípio da anterioridade estabelece que nenhum tributo pode ser 
cobrado no mesmo exercício financeiro em que tenha sido instituído ou 
aumentado. Em outras palavras, uma nova lei que institui ou aumenta 
um tributo só pode produzir efeitos no exercício financeiro seguinte 
ao da sua publicação. Esse princípio visa garantir que os contribuintes 
tenham um tempo mínimo para se preparar para o cumprimento 
de novas obrigações tributárias ou para a adaptação a aumentos de 
tributos, promovendo a segurança jurídica e a previsibilidade no âmbito 
fiscal.
O princípio da isonomia tributária, conhecido também como princípio 
da igualdade ou da igualdade tributária, estabelece que todos os 
contribuintes devem ser tratados de forma igual perante a lei, sem 
discriminações ou privilégios, no que diz respeito à instituição e à 
cobrança de tributos.
27
O princípio da competência tributária define quais entidades têm o 
poder de instituir e cobrar determinados tributos. Ele estabelece as 
competências de cada ente federativo (União, estados, Distrito Federal 
e municípios) para criar leis tributárias e arrecadar impostos, taxas e 
contribuições.
O princípio da capacidade contributiva estabelece que os tributos devem 
ser cobrados de acordo com a capacidade econômica do contribuinte, 
ou seja, aqueles que têm maior capacidade financeira devem arcar com 
uma parcela maior do ônus tributário. Essa capacidade contributiva 
não se limita apenas à renda ou ao patrimônio do contribuinte, 
mas considera também sua capacidade de pagar impostos sem 
comprometer suas necessidades básicas e sua qualidade de vida.
3. Principais impostos brasileiros
Agora que já estudamos os principais conceitosde tributos, daremos 
atenção aos principais impostos vigentes no país, pois são eles que 
fornecem parte bastante considerável das fontes de recursos para a 
administração pública oferecer serviços à comunidade.
3.1 Impostos que competem à União
O imposto de renda (IR) é um tributo cobrado sobre os ganhos 
financeiros de pessoas físicas e jurídicas. Ele é uma das principais fontes 
de arrecadação do governo brasileiro. Ele é um imposto progressivo, 
o que significa que sua alíquota aumenta de acordo com o aumento 
da renda do contribuinte. No caso das pessoas físicas, as alíquotas 
podem variar de 0% a 27,5%, dependendo da faixa de renda em que 
o contribuinte se enquadra. Há também diversas deduções e isenções 
previstas em lei que podem reduzir o valor a ser pago.
28
O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incide sobre a produção 
e a comercialização de produtos industrializados, tendo como base de 
cálculo o valor total do produto. Sua alíquota pode ser específica (valor 
fixo por unidade do produto) ou ad valorem (percentual sobre o preço de 
venda), e varia de acordo com a natureza do produto e sua classificação 
na tabela do imposto.
O objetivo principal do IPI é controlar a produção e a circulação de 
produtos industrializados no país, além de servir como instrumento de 
política econômica para estimular determinados setores industriais, 
promover o desenvolvimento regional, incentivar a exportação e 
desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde 
ou ao meio ambiente.
3.2 Impostos que competem aos estados e ao Distrito 
Federal
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incide 
sobre a circulação de mercadorias, a prestação de serviços de transporte 
interestadual e intermunicipal e de comunicação, bem como sobre a 
importação de bens e serviços. Sua alíquota pode variar de acordo com 
a natureza da mercadoria ou serviço e a legislação de cada estado. 
Além disso, o ICMS possui uma complexa sistemática de apuração e 
recolhimento, com diversas regras e obrigações acessórias.
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é 
um imposto cobrado anualmente sobre a propriedade de veículos 
automotores, como carros, motos, caminhões, ônibus e outros veículos. 
Ele tem como base de cálculo o valor venal do veículo, determinado 
pela tabela elaborada pelas autoridades fazendárias de cada estado. 
Sua cobrança é obrigatória para todos os proprietários de veículos 
automotores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.
29
3.3 Impostos que competem aos municípios
O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) incide sobre a 
prestação de serviços listados na lei que o criou, independentemente da 
natureza jurídica da pessoa que os presta, do local onde são executados 
ou do resultado obtido. A alíquota do ISS e as regras de sua cobrança 
são determinadas pelo município onde o serviço é prestado.
O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é um imposto cobrado 
sobre a propriedade de imóveis localizados em áreas urbanas. Ele 
incide sobre a propriedade de imóveis urbanos, sejam eles residenciais, 
comerciais, industriais ou de uso misto. Sua base de cálculo é o valor 
venal do imóvel, determinado pelo município com base em critérios, 
como a área do terreno, a localização, as características construtivas e o 
valor de mercado.
Referências
BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário 
Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e 
Municípios. Brasília: Presidência da República, [2024]. Disponível em: https://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 14 jun. 2024.
GIAMBIAGI, F.; ALÉM, A. C. Finanças públicas: teoria e prática no Brasil. 5. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2016.
MATIAS-PEREIRA, J. Administração pública: foco nas instituições e ações 
governamentais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm
30
Orçamento público e políticas 
orçamentárias
Autoria: Everton Santos Vasconcelos
Leitura crítica: Milton Henrique do Couto Neto
Objetivos
• Explicar o que é o orçamento público no Brasil.
• Analisar e interpretar orçamentos públicos para 
entender como os recursos são alocados em 
diferentes áreas e programas governamentais.
• Analisar os fatores políticos, econômicos e sociais 
que influenciam o processo orçamentário e as 
decisões de alocação de recursos.
31
1. Introdução
1.1 A atividade financeira do Estado: o orçamento
No âmbito do poder público, podemos dizer que a atividade financeira 
do Estado é composta por uma série de atos que são diretamente 
voltados para a obtenção e gestão de recursos financeiros. Com isso, 
espera-se que todas as necessidades públicas sejam satisfeitas.
Para que possa controlar seus recursos financeiros, a administração 
pública lança mão do orçamento público. Trata-se do instrumento mais 
importante das finanças públicas porque é nele em que estão descritas 
todas as despesas que poderão ser feitas pelo poder público, sempre 
com uma relação direta com as receitas que serão arrecadadas. Para 
saber o que poderá ser gasto, o processo de estimação de receitas 
deve ser realizado com bastante cautela. Erros na previsão de receitas 
podem acarretar a redução de recursos destinados às atividades 
governamentais.
Por outro lado, uma boa relação política e técnica entre os poderes 
Executivo e Legislativo é fundamental para que o orçamento seja 
elaborado e aprovado. Nessa relação, podemos destacar a participação 
do povo na elaboração do orçamento, uma vez que ele será 
discutido pelos parlamentares escolhidos pela sociedade. São esses 
representantes que discutirão quais as prioridades que devem ser 
atendidas.
Segundo o art. 2º da Lei nº 4.320/64 (Brasil, 1964, [s. p.]), o orçamento é 
um documento legal que, “de forma a evidenciar a política econômico-
financeira e o programa de trabalho do governo”, prevê a receita e 
fixa a despesa. Além disso, aquela lei também estabelece algumas 
peculiaridades do orçamento, tais como: possibilidade de controle 
32
pelos cidadãos; seu uso como um instrumento de gestão; os recursos 
oriundos dos tributos serão aprovados e controlados pelo Poder 
Legislativo.
O Brasil levou mais de 24 anos para que o orçamento público fosse, 
de fato, associado ao planejamento de políticas públicas, deixando 
de ser um documento organizador de contas contábeis. Somente 
na Constituição de 1988, com a obrigação da elaboração de planos 
plurianuais pelos entes federativos, é que tanto o orçamento quanto o 
planejamento passaram a ser considerados como um único sistema de 
gestão.
Matias-Pereira (2018) destaca a preocupação dispensada ao controle 
do orçamento aos nos falar sobre a Lei nº 8.443/1992 que, para auxiliar 
os trabalhos de fiscalização do orçamento pelo Congresso Nacional, 
estabeleceu as atribuições de controle externo referentes ao Tribunal 
de Contas da União (TCU). O controle do orçamento da União, pelo 
Poder Executivo, é feito pelo controle interno, que tem como princípio 
organizar e disciplinar os sistemas de contabilidade, administração 
financeira e de planejamento (Matias-Pereira, 2018).
O controle administrativo é uma prática exercida pelo Executivo e 
pelos órgãos administrativos dos demais poderes sobre suas próprias 
atividades. Seu propósito é garantir a conformidade com as leis, bem 
como atender às demandas do serviço e às exigências técnicas. Envolve 
aspectos relacionados à legalidade, à conveniência e à eficiência, 
todos voltados para alcançar o completo atendimento dos interesses 
coletivos. Tal controle pode ser realizado tanto por órgãos internos da 
administração como por tribunais administrativos e órgãos correcionais.
33
2. Uma visão mais aprofundada sobre as 
normas orçamentárias
2.1 Plano plurianual (PPA)
Um plano plurianual (PPA) é um instrumento de planejamento de médio 
prazo utilizadopelo governo para estabelecer diretrizes, objetivos e 
metas a serem alcançados ao longo de vários anos (Giambiagi; Além, 
2016). Geralmente, tem duração de quatro anos e abrange programas 
e ações em diferentes áreas, como educação, saúde, infraestrutura e 
desenvolvimento econômico. O objetivo é promover a continuidade e a 
coerência das políticas públicas, garantindo a eficiência na alocação de 
recursos e o atendimento das necessidades da sociedade a longo prazo.
A lei do PPA deve estabelecer, de maneira regionalizada, as diretrizes, 
os objetivos e as metas da administração pública para as despesas 
de capital e outras delas decorrentes, visando ao equilíbrio entre os 
investimentos das diversas regiões do país e ao crescimento econômico 
sustentável e equitativo. Isso significa que o PPA deve considerar as 
particularidades de cada região, promovendo um desenvolvimento 
mais justo e equilibrado entre os diferentes territórios nacionais. Essa 
abordagem regionalizada permite a alocação de recursos de acordo 
com as demandas específicas de cada localidade, contribuindo para 
uma distribuição mais eficiente dos investimentos públicos e uma maior 
inclusão social.
O PPA serve também como base para a elaboração dos orçamentos 
anuais, fornecendo diretrizes para a alocação de recursos e a execução 
das políticas governamentais.
34
2.2 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece as metas e 
prioridades do governo para o próximo ano, orientando a elaboração da 
Lei Orçamentária Anual (LOA). Define as diretrizes para a execução do 
orçamento, como limites de gastos e critérios para alocação de recursos. 
Por exemplo, pode determinar investimentos em saúde e educação, 
além de indicar políticas fiscais e metas de resultado primário.
Quadro 1 – Instrumentos de política orçamentária brasileira
Fonte: elaborado pelo autor.
Junto à Carta Magna de 1998, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) 
estabelece diretrizes específicas relacionadas à elaboração e execução 
da LDO, entre outras questões relacionadas às finanças públicas. A LRF 
define, por exemplo, prazos e critérios para a elaboração da LDO, bem 
como parâmetros para o equilíbrio fiscal e a transparência na gestão dos 
recursos públicos. Portanto, enquanto a LRF fornece diretrizes gerais, é o 
Congresso Nacional que, de fato, regulamenta e aprova a LDO.
Giambiagi e Além (2016) apontam que a relação entre o PPA e a LDO 
é estreita, pois ambos são instrumentos de planejamento do governo. 
O PPA estabelece as diretrizes, os objetivos e as metas de médio prazo 
para um período de quatro anos, enquanto a LDO define as metas e 
prioridades para o próximo ano. Assim, a LDO funciona como uma 
35
ponte entre o PPA e a LOA, garantindo que as ações e os programas 
previstos no PPA sejam compatíveis com o orçamento anual e as metas 
fiscais estabelecidas.
2.3 Lei Orçamentária Anual (LOA)
A Lei Orçamentária Anual (LOA) é elaborada anualmente pelo Poder 
Executivo, com base na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), e é 
submetida ao Congresso Nacional para aprovação. Ela contempla o 
orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas estatais 
e o orçamento da seguridade social. A LOA define as prioridades e 
metas do governo para o ano seguinte, especificando os valores a 
serem destinados a cada área, como saúde, educação, segurança, 
infraestrutura, entre outros. Além disso, estabelece as regras para 
execução do orçamento, como limites de gastos, critérios para alocação 
de recursos e autorização para realização de despesas. Uma vez 
aprovada pelo Legislativo, a LOA torna-se lei e passa a ser o principal 
instrumento de gestão financeira do governo durante o ano fiscal 
subsequente.
Tanto a Constituição Federal de 1988 quanto a Lei nº 4.320/1964 
estabelecem as seguintes fases do processo orçamentário (Giambiagi; 
Além, 2016):
• Elaboração da proposta orçamentária pelo Poder Executivo.
• Apreciação pelo Poder Legislativo.
• Discussão e votação da proposta orçamentária pelo Legislativo.
• Sanção e promulgação pelo Chefe do Poder Executivo.
• Execução orçamentária.
36
2.4 Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é uma legislação brasileira 
promulgada em 2000, que estabelece normas e princípios para a gestão 
fiscal responsável por parte dos entes federativos (União, estados, 
municípios e Distrito Federal). Seu principal objetivo é promover o 
equilíbrio das contas públicas, prevenindo o endividamento excessivo 
e garantindo a sustentabilidade financeira a longo prazo. A LRF não é 
propriamente uma lei orçamentária, mas deve ser comentada aqui por 
sua influência na elaboração da LDO e LOA.
A LRF cria limites para as despesas com pessoal, dívida pública, 
concessão de garantias, operações de crédito, entre outros. Além 
disso, impõe regras de transparência e controle, como a publicação de 
demonstrativos fiscais e a realização de audiências públicas para discutir 
a elaboração do orçamento.
Entre suas principais disposições, a LRF prevê a necessidade de 
elaboração e cumprimento de metas fiscais, a proibição de aumento de 
despesas com pessoal nos últimos 180 dias do mandato do chefe do 
Executivo, a limitação dos gastos com pessoal ao percentual da Receita 
Corrente Líquida, entre outras medidas.
3. Princípios orçamentários
Princípios orçamentários são diretrizes fundamentais que norteiam 
a elaboração, a execução e o controle do orçamento público. Eles 
garantem a transparência, a eficiência, a responsabilidade e a legalidade 
na gestão dos recursos públicos. No Brasil, algumas instituições 
orçamentárias são consideradas como princípios orçamentários 
(Giambiagi; Além, 2016). Os princípios mais importantes serão vistos nas 
próximas linhas.
37
O princípio da legalidade estabelece que todas as receitas e despesas 
públicas devem estar previstas em lei. Isso significa que nenhum recurso 
público pode ser utilizado sem respaldo legal explícito. Em outras 
palavras, o orçamento público deve ser elaborado e executado de 
acordo com as disposições legais vigentes, como a Constituição Federal, 
as leis orçamentárias específicas e as demais normas aplicáveis.
O princípio da universalidade informa que o orçamento público deve 
abranger todas as receitas e despesas do governo, sem exceções. Isso 
significa que todas as fontes de recursos e todos os gastos, sejam eles 
correntes ou de capital, devem estar contemplados no orçamento, 
proporcionando uma visão abrangente e completa das finanças 
públicas.
Em outras palavras, o orçamento público deve incluir não apenas as 
receitas tributárias mas também outras fontes de recursos, como 
operações de crédito, transferências intergovernamentais e receitas 
de empresas estatais. Da mesma forma, todas as despesas do 
governo, sejam elas relacionadas a pessoal, custeio, investimentos ou 
transferências, devem ser detalhadamente especificadas no orçamento.
O princípio da anualidade estabelece que o orçamento público deve 
ser elaborado e vigorar para um período de um ano fiscal, geralmente 
coincidindo com o ano civil. Isso significa que o planejamento e a 
execução das receitas e despesas do governo devem ser realizados 
anualmente, com base nas necessidades e prioridades estabelecidas 
para o exercício financeiro seguinte.
O princípio do orçamento bruto, conhecido também como princípio 
da integralidade, preconiza que todas as receitas e despesas devem ser 
apresentadas de forma bruta, ou seja, sem compensações ou deduções 
entre elas. Isso significa que as receitas devem ser registradas em sua 
totalidade, sem considerar eventuais descontos ou abatimentos, e as 
38
despesas devem ser contabilizadas sem considerar receitas vinculadas 
ou compensações entre órgãos ou programas.
O princípio do equilíbrio orçamentário preconiza que as despesas 
autorizadas no orçamento devem ser compatíveis com as receitas 
estimadas, de forma a evitar déficits orçamentários. Isso significa que o 
governo deve planejarsuas despesas de forma a não gastar mais do que 
arrecada, garantindo, assim, a sustentabilidade das finanças públicas.
No princípio da unidade orçamentária, o orçamento público deve ser 
único e integrado, abrangendo todas as receitas e despesas do governo, 
sem fragmentações por programas ou órgãos. Isso significa que todas as 
atividades e políticas governamentais devem ser contempladas dentro 
de um único documento orçamentário, proporcionando uma visão 
global e integrada das finanças públicas.
O princípio da especificação determina que as receitas e despesas 
devem ser claramente discriminadas e identificadas no orçamento 
público. Isso significa que cada fonte de receita e cada tipo de despesa 
devem ser detalhados de forma específica e precisa. Ao especificar as 
receitas, o orçamento deve indicar a origem de cada uma delas, como 
tributos, transferências, operações de crédito, entre outras, bem como 
as respectivas estimativas de arrecadação. Já no que diz respeito às 
despesas, é necessário identificar claramente os programas, os projetos, 
as atividades e os órgãos aos quais os recursos serão destinados, além 
de detalhar os valores previstos para cada item de despesa.
O orçamento público e sua execução devem ser transparentes e 
acessíveis ao público. Trata-se, então, do princípio orçamentário da 
publicidade. Isso significa que as informações orçamentárias devem ser 
divulgadas de forma clara, objetiva e compreensível, permitindo que os 
cidadãos, os órgãos de controle e a sociedade em geral acompanhem e 
fiscalizem as ações do governo.
39
O princípio da programação orçamentária determina que o 
orçamento público deve refletir um plano de trabalho detalhado, com 
programas e metas claramente definidas. Isso significa que as receitas 
e despesas devem estar vinculadas a objetivos específicos e planejados 
previamente, de modo a garantir que os recursos sejam utilizados de 
forma eficiente e eficaz na realização das políticas públicas.
O princípio da não afetação das receitas estabelece que as receitas 
públicas não devem ser vinculadas ou destinadas a fins específicos, 
exceto nos casos previstos em lei. Isso significa que, em princípio, as 
receitas arrecadadas pelo governo devem ser utilizadas de forma geral 
e livre, sem restrições que limitem sua destinação a determinadas 
despesas ou programas.
4. O ciclo orçamentário brasileiro
Como já vimos, a elaboração das leis orçamentárias deve envolver 
diretamente os poderes Executivo e Legislativo. Elas nascem no Poder 
Executivo, que as envia para o Congresso Nacional para apreciação, 
discussão e votação em sessão conjunta, isto é, com a presença dos 
senadores e dos deputados federais. Para que a tramitação das leis 
(PPA, LDO e LOA) ocorra sem maiores sobressaltos, negociações são 
necessárias para a escolha dos membros da comissão do orçamento e 
dos relatores dos projetos, para a validação do modelo macroeconômico 
a ser usado para a previsão da receita, para a elaboração dos textos dos 
relatórios etc.
4.1 Elaboração do PPA
O ciclo orçamentário brasileiro se inicia com a elaboração do PPA. Sendo 
assim, o Presidente da República encaminha ao Congresso Nacional, 
por intermédio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, 
40
o projeto de PPA. Esse projeto, que engloba o texto da lei e diversos 
anexos, deve ser submetido até 31 de agosto do primeiro ano de seu 
mandato presidencial, com vigência estipulada de quatro anos. Após 
essa etapa, o projeto passa por uma tramitação legislativa, sendo 
publicado e direcionado à Comissão Mista de Planos, Orçamentos 
Públicos e Fiscalização (CMO) para análise e debate.
O passo seguinte é a análise do projeto de PPA. O relator, incumbido 
dessa tarefa, deve examinar minuciosamente tanto o projeto de PPA 
quanto as emendas propostas, seguindo as diretrizes estabelecidas no 
Parecer Preliminar. No seu relatório, precisa justificar de forma clara e 
fundamentada a aceitação ou rejeição das emendas, além de explicar 
quaisquer outras alterações realizadas no texto original do projeto de 
lei. O resultado desse trabalho é a proposta de substitutivo, que inclui 
as modificações sugeridas a partir das emendas aceitas e das sugestões 
apresentadas pelo próprio relator.
Após a aprovação pela CMO, o parecer é levado ao Plenário do 
Congresso Nacional para discussão e votação. Durante esse processo, 
os congressistas têm a prerrogativa de solicitar destaques para votar 
emendas separadamente, com o intuito de alterar os pareceres 
aprovados anteriormente pela CMO. Após a votação, o projeto é 
devolvido à CMO para redação final, recebendo o nome de Autógrafo. 
Esse documento, contendo o texto definitivamente aprovado do projeto 
ou substitutivo, é assinado pelo Presidente do Congresso e enviado à 
Casa Civil da Presidência da República para sanção.
4.2 Elaboração da LDO
A elaboração do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 
cabe à Secretaria de Orçamento Federal, sendo então submetido ao 
Congresso Nacional pelo Presidente da República, que detém o poder 
41
exclusivo de iniciar as leis orçamentárias. Este projeto, composto pelo 
texto legal e seus anexos, deve ser entregue ao Congresso até o dia 15 
de abril de cada ano.
O relator encarregado do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias 
(PLDO) inicia seu trabalho elaborando um Relatório Preliminar, que, 
ao ser aprovado pela CMO, transforma-se em Parecer Preliminar. Esse 
parecer estabelece diretrizes, como condições para o cancelamento 
de metas, critérios para aceitação de emendas e normas para a 
apresentação e avaliação de emendas individuais e coletivas.
Além disso, o Parecer Preliminar avalia os cenários econômico-fiscais 
e sociais, assim como os parâmetros macroeconômicos utilizados no 
projeto e as informações dos anexos, buscando análises preliminares 
do conteúdo proposto. Para enriquecer essa análise, a CMO realiza uma 
audiência pública com o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão 
antes da elaboração do Relatório Preliminar. Durante esse processo, 
parlamentares e Comissões Permanentes da Câmara e do Senado 
podem apresentar emendas.
O relator é encarregado de examinar o projeto de lei de diretrizes 
orçamentárias e as emendas à luz do parecer preliminar. No relatório, 
deve justificar sua decisão sobre as emendas e quaisquer outras 
modificações no projeto. O resultado desse processo é a proposta de 
substitutivo, contendo as emendas e alterações propostas. O relatório e 
o substitutivo são submetidos à votação na CMO, exigindo a maioria dos 
membros de cada casa (Câmara Federal e Senado) para aprovação.
Após a aprovação na CMO, o parecer é votado no Plenário do 
Congresso. Os congressistas podem pedir destaque para votar emendas 
separadamente. Concluída a votação, a matéria volta à CMO para a 
redação final. O texto final, assinado pelo Presidente do Congresso, 
42
vai para sanção do Presidente. Ele pode vetar, e a parte não vetada é 
publicada no Diário Oficial como lei. O veto é apreciado pelo Congresso.
4.3 Elaboração da LOA
O Presidente da República envia ao Congresso Nacional, até 31 
de agosto, o projeto de lei orçamentária anual (LOA). Esse projeto, 
composto por diversos documentos, é submetido à apreciação do 
Congresso, no qual passa por análise na CMO e audiências públicas com 
representantes do Executivo e das diversas áreas orçamentárias.
Um relator da receita, designado pela CMO, em colaboração com o 
Comitê da Receita, avalia a previsão de receita do Executivo para garantir 
sua adequação aos parâmetros econômicos. Se houver discrepâncias, 
a CMO pode sugerir uma nova estimativa. O relator produz o Relatório 
da Receita, examinando a situação macroeconômica, o impacto do 
endividamento e a trajetória da arrecadação. Além disso, fornece 
pareceres sobre emendas e caso ocorram mudanças na legislação 
tributária durante o processo.
As emendas à despesa variam entre remanejamento, apropriação e 
cancelamento. No remanejamento, recursos são adicionados a certas 
dotações,anulando-se equivalentes de outras, exceto da Reserva 
de Contingência. Já na apropriação, os recursos são adicionados e 
anulados da Reserva de Recursos ou outras dotações. O cancelamento 
simplesmente reduz dotações existentes. Para aprovação, a emenda 
deve ser compatível com o PPA e a LDO, indicar recursos necessários 
e não violar normas regimentais. Bancadas estaduais e comissões 
permanentes do Senado e da Câmara podem apresentar emendas em 
suas áreas.
43
Após a aprovação do parecer da CMO, o projeto segue para discussão 
e votação no Plenário do Congresso Nacional. Durante essa fase, os 
congressistas têm o direito de solicitar destaque para votação separada 
de emendas, com o apoio de um décimo dos membros do Congresso. 
Concluída a votação, o projeto retorna à CMO para a redação final. O 
texto aprovado, conhecido como Autógrafo, é assinado pelo Presidente 
do Congresso e enviado à Casa Civil para a sanção presidencial. O 
Presidente tem o prazo de 15 dias úteis para vetar total ou parcialmente 
o autógrafo, comunicando os motivos ao Presidente do Senado. O veto 
é, então, submetido à apreciação do Congresso Nacional.
Referências
BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito 
Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos 
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Brasília: Presidência da República, 
[2024]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm. Acesso 
em: 14 jun. 2024.
GIAMBIAGI, F.; ALÉM, A. C. Finanças públicas: teoria e prática no Brasil. 5. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2016.
MATIAS-PEREIRA, J. Administração pública: foco nas instituições e ações 
governamentais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm
44
Déficit e dívida pública
Autoria: Everton Santos Vasconcelos
Leitura crítica: Milton Henrique do Couto Neto
Objetivos
• Conceituar o que é dívida pública.
• Apresentar de que forma a dívida pública pode ser 
apresentada.
• Analisar medidas tomadas pela Estado brasileiro 
para conter o aumento da dívida pública.
• Examinar como o déficit público influencia na 
economia da sociedade brasileira.
45
1. Introdução
Na esfera da vida privada, qualquer cidadão ou empresa que tenha 
como objetivo adquirir um novo bem ou ampliar sua linha de produção 
poderá recorrer a um empréstimo bancário. A instituição financeira, 
antes de conceder o empréstimo, avaliará uma série de fatores daquele 
que solicita o aporte financeiro. Os fatores vão desde a apresentação de 
garantias até a avaliação da capacidade de pagamento do solicitante. Ao 
se obter o empréstimo, automaticamente, cria-se, em quem o solicitou, 
uma obrigação de pagamento que, em muitos casos, pode ser de longo 
prazo.
Dívida é uma palavra que pode assustar muitas pessoas. Sem 
preconceitos ao termo, dívida não é algo ruim, desde que o dinheiro 
obtido na operação financeira tenha sido empregado em alguma 
atividade bastante rentável e que também exista fluxo de caixa positivo 
capaz de pagar as parcelas do empréstimo. Por outro lado, dados da 
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) 
(Saraiva, 2024) apontaram que o percentual de famílias brasileiras 
endividadas caiu para 76,6% no ano de 2023. Essa realidade não se 
restringe às famílias ou às empresas; o poder público também pode 
se endividar para cumprir suas obrigações constitucionais, o que 
chamamos de dívida pública.
Para Kohama (2016), a dívida pública é um procedimento adotado pelas 
administrações públicas modernas. Sempre que existe uma quantidade 
maior de despesas do que a arrecadação de receitas (déficit público), o 
Estado recorre a empréstimos no mercado financeiro.
Para Giambiagi e Além (2016), existem três restrições capazes de limitar 
o endividamento público. A primeira delas seria o mercado. Nesse 
caso, a administração pública deve recorrer a credores, como bancos, 
brasileiros ou estrangeiros, para obter crédito para suas demandas. 
46
Os autores deixaram claro um ponto: a obtenção do empréstimo só 
ocorrerá se os devedores gozarem de boa reputação de pagamento, 
isto é, os bancos e as demais instituições financeiras só emprestarão 
recursos se tiverem certeza que serão pagos oportunamente.
A segunda restrição é a inflação. Se a quantidade de recursos que a 
administração pública necessita for vultosa e não houver forma de se 
obtê-la no mercado, caberá ao governo da ocasião emitir mais meios de 
pagamento – moeda. Muito dinheiro no meio circulante pode acarretar 
um aumento nos níveis de preços, que é a inflação.
A última das restrições tem uma relação direta entre as instituições e a 
política fiscal implementada por elas (Giambiagi; Além, 2016). Para os 
autores, países que possuem instituições mais desenvolvidas, com alto 
grau de maturidade fiscal, transmitem maior confiança a seus credores. 
Em contrapartida, países menos desenvolvidos, onde o controle das 
forças políticas é mais frágil, os credores evitam efetuar transações 
financeiras de empréstimos.
Outro tema que merece bastante atenção, tendo uma ligação forte 
com o endividamento público, é o controle do déficit público, que 
ocorre quando o governo gasta mais dinheiro do que arrecada em 
receitas. Isso pode acontecer por várias razões, como a necessidade de 
financiar programas governamentais, investimentos em infraestrutura, 
pagamento de juros da dívida pública ou em momentos de recessão 
econômica, quando as receitas fiscais diminuem. Com origem no latim, o 
termo déficit, atualmente, é usado para designar um saldo negativo nas 
contas, sobretudo quando se estuda finanças públicas.
Quando um governo opera com déficit, ele geralmente precisa financiar 
essa diferença entre gastos e receitas por meio da emissão de dívida 
pública, como a venda de títulos do governo. Essa dívida acumulada 
resulta em um aumento do endividamento público, que pode ter 
implicações econômicas de longo prazo, como o pagamento de juros 
47
sobre a dívida e a possibilidade de limitar a capacidade do governo de 
implementar políticas fiscais expansionistas no futuro.
2. Classificação da dívida pública
2.1 Conceito de receitas e despesas públicas
É importante conhecermos um pouco mais sobre receitas e despesas 
públicas, devido à relação estabelecida entre elas no estudo da dívida 
pública. Segundo Kohama (2016), a receita pública é fruto de qualquer 
recolhimento efetuado aos cofres públicos, proveniente de dinheiro ou 
outros bens que possam ser expressos em valor segundo nossa legislação. 
Por outro lado, existem entradas de capital que não figurarão como 
receitas, como são os casos da emissão de papel moeda, as antecipações 
de entradas de receitas e as entradas compensatórias de ativo e passivo 
financeiro.
As receitas podem ser orçamentárias e extraorçamentárias. As receitas 
orçamentárias, como o próprio nome nos sugere, são aquelas que estão 
previstas no orçamento público. As receitas extraorçamentárias são 
formadas por entradas de recursos que não pertencem ao Estado, mas ele 
age como fiel depositário delas.
Outra forma de classificar as receitas é segundo critérios econômicos. As 
receitas nesse critério se classificam em correntes e de capital. As receitas 
correntes são, segundo o § 1º, do artigo 11, da Lei nº 4.320/64: “receitas 
tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de 
serviços e outras e (...) as provenientes de recursos financeiros recebidos 
de outras pessoas de direito público ou privado” (Brasil, 1964, [s. p.]). As 
receitas de capital têm como origem os recursos obtidos em operações 
financeiras de empréstimos, vendas de bens ou cessão de direitos, o 
48
superávit do orçamento corrente e os recursos recebidos de outras 
pessoas de direito público ou privado que tenham como objetivo atender a 
despesas classificáveis como despesas de capital (Kohama, 2016).
Tabela 1 – Fontes de recursos governamentais
Emissão de títulos públicos Empréstimos nacionaisEmpréstimos internacionais
O governo emite títulos de dívida 
(como títulos do Tesouro) e os 
vende ao público ou a institui-
ções financeiras. Os investidores 
compram esses títulos em troca 
da amortização do valor principal 
acrescido de juros.
O governo pode obter emprés-
timos de bancos ou instituições 
financeiras brasileiras, realizan-
do o pagamento em prazos esti-
pulados em contratos.
O governo pode obter emprés-
timos de instituições financeiras 
internacionais, de outros gover-
nos ou de organizações, como 
o Fundo Monetário Internacional 
(FMI) e o Banco Interamericano 
do Desenvolvimento (BID).
Fonte: elaborada pelo autor.
Os gastos públicos fixados em lei orçamentária, destinados à execução 
tanto dos serviços públicos quanto à aquisição de bens, são chamados de 
despesas públicas. Da mesma forma que as receitas, as despesas públicas 
também são classificadas em orçamentárias e extraorçamentárias. As 
despesas orçamentárias são autorizadas pelo Poder Legislativo, não 
podendo ser realizadas sem o correspondente crédito orçamentário. 
Já as despesas extraorçamentárias, que não dependem de autorização 
legislativa, não estão descritas em lei orçamentária e se destinam a fazer 
a restituição de valores recebidos, como cauções, depósitos, consignações 
etc.
Segundo a categoria econômica, as despesas são classificadas como 
correntes e de capital. As despesas correntes correspondem aos gastos 
de natureza operacional, isto é, os valores são usados pela administração 
pública para a manutenção de sua estrutura e prestação de serviços 
(Kohama, 2016). As despesas de capital são os gastos destinados à 
aquisição ou à formação de bens de capital.
De forma resumida, em cada ano, na época da elaboração e aprovação do 
orçamento, o poder público enfrenta um desafio: estimar as receitas e fixar 
49
as despesas. É um desafio, pois, por lei, as despesas são fixadas segundo 
a arrecadação das receitas. No entanto, nada garante que as receitas 
estimadas para um determinado ano serão efetivamente recolhidas aos 
cofres públicos. Assim, para cobrir seus gastos, o governo poderá recorrer a 
empréstimos e financiamentos.
2.2 A relação entre a dívida pública e o PIB
A dívida pública é tida como um padrão de medida de saúde financeira 
de um país. No entanto, devemos sempre nos atentar para alguns pontos 
importantes nessa análise (Giambiagi; Além, 2016). Nesse sentido, um 
ponto que deve ser considerado é o tamanho da economia do país. Isso 
nos ajudaria a responder se uma dívida pública de 100 bilhões de dólares 
é alta ou baixa. Se considerarmos a economia dos EUA, que encerrou 2023 
com um PIB nominal de quase 27 trilhões de dólares (CNN Brasil, 2023), 
podemos considerar se tratar de uma dívida relativamente baixa. O mesmo 
não pode ser dito ao considerarmos a economia da Suíça, que encerrou 
2023 com um PIB de 905 bilhões de dólares. Economistas e estudiosos das 
finanças públicas optam, então, por considerar a relação entre o PIB e a 
dívida pública em suas análises.
Tabela 2 – Dívida pública em países selecionados–2010
Países Dívida do governo geral (% PIB)
Espanha 131
Estados Unidos 110
França 114
Grécia 182
Itália 147
Japão 230
Polônia 56
Suécia 47
Fonte: adaptado de Giambiagi e Além (2016, p. 227).
50
A tabela anterior mostra que países bastante desenvolvidos, como é 
o caso do Japão e EUA, possuem dívidas superiores aos seus PIBs. Se 
olharmos somente para os dados, sem analisar as conjunturas política 
e econômica, poderíamos alcançar conclusões erradas. No entanto, por 
esses países possuírem bastante credibilidade junto a seus credores 
– por serem politicamente estáveis, possuírem bom histórico de 
pagamentos, terem uma economia forte etc. –, conseguem rolar suas 
dívidas por prazos maiores e taxas de juros mais baixas (Giambiagi; 
Além, 2016). Países em desenvolvimento têm mais dificuldade tanto 
para a rolagem da dívida quanto para a obtenção de novos créditos. 
Para fugirem dessa realidade, são obrigados a realizar operações de 
empréstimos com taxas de juros mais altas.
A dívida pública pode ser composta por empréstimos de longo e de 
curto prazos. Kohama (2016) ainda nos diz que ela provém de outras 
fontes, como fianças, consignações, restos a pagar etc. No entanto, o 
mesmo autor a classifica em dívida fundada (ou consolidada), que pode 
ser interna ou externa, e dívida flutuante (ou administrativa).
2.3 Dívida pública fundada
A dívida fundada possui como característica principal uma obrigação de 
longo prazo contraída pela administração pública. Essa dívida, de valor 
previamente determinado, se origina na emissão de títulos públicos, 
bem como mediante a assinatura de contratos de financiamentos junto 
a instituições financeiras (Kohama, 2016). A dívida é contraída para 
atender a desequilíbrios orçamentários ou a obras e serviços públicos e 
de grande importância.
O prazo dessas obrigações é superior a 12 meses, sendo o pagamento 
efetuado mediante a amortização do principal, isto é, o valor obtido na 
operação, mais juros (Kohama, 2016; Pisciltelli; Timbó, 2019). Kohama 
51
(2016) faz um alerta relativo ao prazo: a Lei de Responsabilidade Fiscal 
(LRF) estabelece, em seu art. 3º, que operações de crédito inferiores 
a 12 meses, cujas receitas já constem no orçamento, são também 
consideradas como dívida fundada.
Quando esse tipo de dívida é contraído pela emissão de títulos públicos 
ou mediante contratos de financiamentos realizados com instituições 
financeiras brasileiras, falamos em dívida fundada interna (Kohama, 
2016). Se os empréstimos foram contratados no exterior, dizemos se 
tratar de dívida fundada externa.
2.4 Dívida flutuante
A dívida flutuante, chamada também de dívida administrativa, é 
contraída pelo governo para fazer face a eventos de insuficiência de 
caixa por um curto prazo. Essa insuficiência, segundo Kohama (2016), 
surge por causa do descasamento entre a realização da despesa e a 
arrecadação das receitas.
Piscitelli e Timbó (2019) nos dizem que a dívida flutuante independe de 
autorização orçamentária e é composta por:
• Restos a pagar (despesas que foram contratadas, mas não pagas 
no mesmo exercício financeiro).
• Serviços da dívida (juros, comissões, corretagem, taxas e encargos).
• Depósitos (consignações) de terceiros.
• Operações de crédito por antecipação de receitas.
• Papel moeda ou moeda fiduciária.
52
A dívida flutuante já afetou a execução do orçamento em um dado 
momento, não necessitando, portanto, de autorização legislativa para 
sua realização. Além disso, Kohama (2016) alega que essa dívida surge 
por causa da condição de depositário exercida pelo poder público, 
isto é, recursos que não são mais dele, mas ainda estão sob sua 
responsabilidade.
3. Déficit público
De maneira geral, o déficit público é uma situação em que os gastos do 
governo excedem suas receitas em um determinado período, resultando 
em um saldo negativo nas finanças públicas. De forma mais clara, ocorre 
quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos, taxas e 
outras fontes de receita. De forma contrária, o superávit público é uma 
situação em que as receitas do governo excedem suas despesas em um 
determinado período, resultando em um saldo positivo nas finanças 
públicas.
O déficit das contas públicas pode ser ocasionado por uma variedade 
de fatores, tanto estruturais quanto conjunturais, que resultam em 
um desequilíbrio entre as receitas e as despesas do governo. Um dos 
principais catalisadores desse desequilíbrio é a recessão econômica, 
período no qual a atividade econômica diminui, levando a uma queda 
na arrecadação de impostos ao mesmo tempo em que aumenta os 
gastos com programas de assistência social, como seguro-desemprego e 
assistência médica.
Além disso, o aumento dos gastos governamentais, seja por meio de 
políticas de estímulo econômico, investimentos em infraestrutura 
ou incremento nos custos de programas sociais, pode acarretar 
déficits orçamentários se não houver um correspondente