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63TRIBUTO EM ESPÉCIE Semestre 2025/01 Professor Osias Peçanha Aula 01 – 21 fevereiro – aula de apresentação – não assisti Aula 02 – 28 fevereiro – Crédito Tributário, Tipos de Lançamento e Hipóteses de Suspensão Aula 03 – 07 março – extinção do crédito tributário Aula 04 - 14 março – Precrição e Decadência Aula 05 - 21 março – Exclusão do crédito tributário Aula 06 - 28 março - Privilégios e Garantias da Fazenda Tributária Aula 07 - 04 abril Aula 08 - 11 abril – Processo Administrativo Próxima sexta, 18 de abril será feriado (sexta-feira santa) Aula 09 - 25 abril – processo judicial tributário Aula 10 - 02 maio – revisão com questões Aula 11 - 09 maio – Simulado I Aula 12 - 16 maio – correção do simulado I e slide 9 ação declaratória de inexistência de relação jurídica tributária Aula 13 – 23 maio – Ação Consignatória, ação de repetição de indébito tributário e de compensação, tributos diretos e indiretos, substituição tributária 1 questão objetiva e 1 discursiva. Aula 14 – 30 maio Aula 15 – 06 junho 13 junho – simulado 2 20 junho – entrega do trabalho - vale 2 pontos Aula 01 PLANO DE ENSINO: · Crédito tributário – aula 1 · Lançamento – aula 1 · Suspensão, extinção e exclusão da exigibilidade do crédito tributário – aula 2, 3, 4, 5 · Garantias, privilégios e preferências do crédito tributário – aula 6 e 7 · Administração tributária – aula 8 · Dívida ativa e Cobrança judicial do crédito tributário – aula 9 · Processo administrativo-fiscal federal. · Processo Judicial Tributário. · Impostos sobre o comércio exterior. · Impostos sobre a produção e a circulação. · Impostos sobre a renda e o patrimônio. Bibliografia básica: · CALMON. Sacha. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. · CARNEIRO, Claudio. Processo Tributário (Administrativo e Judicial). 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. · SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. Unidade 1 – CRÉDITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário artigos 142 ao 150, CTN 1.1. Conceito de Crédito Tributário · Crédito Tributário é o direito que a Fazenda Pública tem de receber o pagamento da prestação objeto da obrigação tributária. · Obrigação tributária: revisão do conceito; · Crédito tributário x cobrança do crédito tributário 1.2. Teoria sobre o Nascimento · A obrigação tributária nasce com o fato gerador. Nasce uma obrigação sem crédito tributário. Com o fato gerador há simplesmente a constituição da obrigação tributário. Com isso, nasce para a fazenda pública o direito ao crédito tributário correspondente aquele fato gerador. A fazenda pública com o ato administrativo, denominado lançamento, gera o crédito tributário. Somente com a notificação do lançamento do crédito tributário , nasce para o contribuinte o crédito tributário líquido e certo. Ou seja, para a fazenda pública receber o crédito tributário precisa constituir o crédito tributário, para isso terá que cumprir algumas obrigações, é a obrigação básica para receber o crédito é o lançamento, que irá constituir o crédito tributário. O fato gerador é o ato previsto pelo legislador que dará ensejo à incidência de tributos. Com a realização do fato gerador no mundo exterior (para além do caso hipotético), nasce a obrigação tributária. · Com o lançamento, que é um ato administrativo, é gerado o crédito tributário. · Somente com a notificação do lançamento nasce o crédito tributário líquido e certo · Vencimento – crédito tributário exigível – A partir do vencimento o fisco pode cobrar o tributo · Certidão de Divida Ativa (CDA) – quando o contribuinte não paga é feito a inscrição do débito na dívida ativa e a autoridade administrativa expedirá a Certidão de Dívida Ativa (CDA) A Certidão de Dívida Ativa (CDA) é o documento expedido pela autoridade administrativa competente, após a inscrição do débito em Dívida Ativa. A CDA representa a consolidação do crédito tributário em uma certidão executiva, dando ao Estado a possibilidade de iniciar a execução fiscal. Com a inscrição em Dívida Ativa, o crédito deixa de ser uma simples obrigação fiscal e passa a ser um título executivo extrajudicial, possibilitando a cobrança judicial por meio da execução fiscal. Esse título contém informações detalhadas sobre o débito, como o valor, a natureza da dívida, a identificação do devedor, entre outros. O processo de execução fiscal não pode ser ajuizado sem a CDA, pois este documento é justamente o título executivo que contém certeza, liquidez e exigibilidade. A CDA contém informações essenciais, como o valor do débito, a origem e a natureza da dívida, a identificação do devedor, além de outros elementos necessários para a cobrança judicial. Esse documento é essencial no processo de execução fiscal, pois, ao ser apresentado em juízo, permite que o Estado promova a cobrança do débito de forma mais ágil e eficiente. Portanto, nota-se que a Dívida Ativa representa o conjunto de créditos não pagos que o Estado busca recuperar, a inscrição em Dívida Ativa formaliza esse processo, e a Certidão de Dívida Ativa (CDA) é o documento que consolida o débito como título executivo, possibilitando a cobrança judicial. 1.3. Conceito de Lançamento Tributário Conceito · Compete privativamente à autoridade administrativa. · Constitui o crédito tributário. · Procedimento administrativo: · verificar a ocorrência do fato gerador; · determinar a matéria tributável; · calcular o montante do tributo devido; · identificar o sujeito passivo; · impor a aplicação da penalidade. Lançamento Tributário: Segundo o art. 142 do CTN, lançamento tributário é o procedimento administrativo utilizado pela autoridade administrativa para verificar a ocorrência do fato gerador de uma obrigação tributária, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, quando for o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ademais, sabe-se que o parágrafo único do art. 142 do CTN dispõe que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, o auditor fiscal tem o poder-dever de realizar o lançamento tributário, caso esteja diante de alguma das situações previstas em lei. Do contrário, poderá ser penalizado via processo administrativo disciplinar. Assim, o lançamento constitui o crédito tributário, e apresenta como principal efeito tornar líquida, certa e exigível a Obrigação Tributária já existente (constituída com o Fato Gerador do tributo). 1.4. Natureza Jurídica do Lançamento Tributário Não confunda! O lançamento confere certeza, liquidez e EXIGIbiilidade à Obrigação Tributária, com sua notificação regular ao sujeito passivo. Já a Inscrição em dívida ativa confere certeza, liquidez e EXEQUIbilidade ao Crédito Tributário. Nesse sentido, a doutrina ensina que o lançamento tem natureza jurídica mista. Tendo natureza de ato constitutivo do Crédito Tributário e natureza de ato declaratório da Obrigação Tributária. Afinal, como dito anteriormente, a Obrigação Tributária Principal surge com a ocorrência do Fato Gerador, que é um momento anterior ao do lançamento tributário, portanto, este apenas declara a obrigação já existente. 1.5. Princípio do Lançamento Tributário Princípios · Legalidade: a autoridade administrativa está vinculada à lei; · Inalterabilidade: estabelecidos os critérios para a realização do lançamento em face daquele contribuinte, não poderá a autoridade administrativa alterá-los naquele exercício; · Retrospectivo: o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador; · Irrevisibilidade: após a notificação do contribuinte, em regra, o lançamento não poderá ser revisto pela autoridade administrativa. Legislação aplicável ao lançamento tributário O lançamento reporta-se à data do Fato Gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (princípio da ULTRATIVIDADE). Assim, a autoridade fiscal, em regra, deve fazer o lançamento tributário com base na legislação em vigorprevê sempre contrapartidas Resumindo em texto: Há duas formas de exclusão do crédito tributário: a isenção e a anistia. Em ambas, o aproveitamento dos beneficiários não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias decorrentes das obrigações principais que tenham sido excluídas. E ambas somente podem ser permitidas por lei específica. A Isenção é geralmente pensada como um benefício fiscal a um determinado setor econômico, a uma determinada região do território do ente tributante. Ela visa a contrapartidas, tais como: aliviar a carga tributária, mas mantendo o nível de empregos ou de atividade econômica de uma região, ou mesmo o desenvolvimento econômico de um setor no sentido de torná-lo mais sofisticado – como agricultores que plantam soja e passam a industrializá-la. A Anistia é geralmente pensada como uma forma de atenuar as punições aos infratores quando seja do interesse da autoridade administrativa manter a arrecadação de determinado tributo, de forma que a punição em si não prejudique a regularidade da arrecadação do ente federativo. Desta forma, os contribuintes são beneficiados com descontos ou mesmo a retirada das penalidades. Importante: quando temos uma anistia por tempo determinado, como no exemplo de 5 anos, pode acorrer, com a mudança do governo, a revogação da lei que concede a isenção. O ponto é que a lei da isenção pode ser revogada, mas a isenção não poderá ser evogada por ter sido intituída por tempo determinado (prazo certo), no nosso exemplo acima foi de 5 anos. A isenção continuará até o prazo certo que foi determinado pela lei que a criou. A isenção continuará vigindo sob a lei revogada. Exercícios 2. (FCC /ANALISTA JUDICIÁRIO - Área Judiciária /TRF-4a REGIÃO - 2014) Sobre a anistia, considere: I. É causa de extinção do crédito tributário, somente podendo ser concedida por lei do ente político competente para instituir o tributo. II. Anistia e remissão são institutos jurídicos sinônimos e significam a extinção do crédito tributário pelo perdão, somente podendo ser concedidos por lei e desde que haja preenchimento de certos requisitos legais. III. Enquanto causa de exclusão do crédito tributário, é o perdão da infração à legislação tributária, ou seja, quando do lançamento tributário, em tendo havido anistia, não serão aplicadas as penalidades decorrentes da infração. IV. Não se aplica a atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo que não tenham esta qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele. V. Não se aplica às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas, salvo disposição da lei instituidora em contrário. É correto o que consta APENAS em A) lI, IV e V. B) IlI e IV. C) l, lI e IlI. D) IlI, IV e V. E) I e lV. 3. (FCC /CONSELHEIRO SUBSTITUTO/ TCE-CE - 2015) Em caso de calamidade pública decorrente de desastre natural, a concessão de isenção de IPTU caracteriza A) medida ilegal, pois não pode haver isenção sem relação direta com supressão de algum aspecto da hipótese de incidência. B) isenção geral, que pode ser revogada caso o contribuinte não se enquadre especificamente na previsão legal. C) medida que pode ser concedida por decreto do Chefe do Poder Executivo, desde que específica as regiões afetadas e por prazo determinado. D) isenção específica que dispensa lei por ser concedida em caráter excepcional, alcançando todos os contribuintes da região alcançada pelo reconhecimento de calamidade pública. E) medida restrita a determinada região do território da entidade tributante, mas de caráter geral a todos os contribuintes lá situados, podendo coincidir ou não com a ocorrência do fato gerador. A alternativa E está correta porque a isenção pode ser concedida de forma geral para todos os contribuintes em uma região específica afetada por calamidade pública, sem que seja necessário individualizar cada caso, desde que a legislação municipal preveja essa situação. 4. (FGV /ANALISTA ADMINISTRATIVO- ADVOGADO I PROCEMA - 2014) Lei federal isenta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) os contratos de câmbio celebrados entre 1 de janeiro de 2013 e 31 de julho de 2014. Contribuintes que celebraram o contrato de câmbio em dezembro de 2012 (antes, portanto, da vigência da isenção) pleiteiam judicialmente a extensão do benefício. Alguns desses contribuintes alegam violação à capacidade contributiva, enquanto outros sustentam violação à isonomia. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. A) O pleito é procedente em relação ao fundamento da capacidade contributiva, mas não em relação ao fundamento da isonomia. B) O pleito é procedente em relação ao fundamento da isonomia, mas não em relação ao fundamento da capacidade contributiva. C) O pleito é procedente em relação aos dois fundamentos. D) O pleito é improcedente em relação aos dois fundamentos, mas o Judiciário pode dispensar o pagamento do IOF por razões de equidade. E) O pleito é improcedente em relação aos dois. fundamentos e, além disso, o Judiciário não pode ampliar a isenção delimitada por lei, sob pena de atuar como legislador positivo. Explicação: Justificativa da Alternativa Correta (E): A alternativa E é a correta porque, de acordo com a legislação tributária brasileira, o Judiciário não pode atuar como legislador positivo, ou seja, não pode ampliar os efeitos de uma isenção estabelecida por lei. A isenção é uma exceção à regra geral de tributação e deve ser interpretada restritivamente. Portanto, não há fundamento, nem quanto à capacidade contributiva nem à isonomia, para estender o benefício legalmente delimitado. Unidade 3 – Privilégios e Garantias da Fazenda Tributária (do Crédito Tributário) Artigo 183 a 193 do CTN O tributo é, sem sombra de dúvidas, a principal fonte de receita de qualquer governo, seja ele federal, estadual, distrital ou municipal. Além disso, como já é constantemente reiterado pelo Ministro da Economia, cerca de 87% das receitas estão com destino “carimbado”. Em outras palavras, para cada 1 real que entra no Tesouro Nacional, 87 centavos já estão vinculados a algum tipo de despesa: saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre vários outros. Sendo assim, o governo não pode se dar ao luxo de correr o risco de não receber suas receitas, sob pena de faltar recursos para as áreas prioritárias: saúde, educação e segurança. Como forma de restringir o risco do não recebimento, nosso Código Tributário Nacional (CTN) dispôs sobre as garantias e privilégios do crédito tributário. Desse modo, as garantias e privilégios do crédito tributário foram criados para reforçar o cumprimento do dever tributário pelo sujeito passivo. Cumpre salientar, antes de mais nada, que as garantias possuem o condão de assegurar o direito de receber o crédito, enquanto que os privilégios se referem à ordem de pagamento em relação a outros credores. Em primeiro lugar, segundo o CTN, a natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que corresponda. Como principal garantia ao crédito tributário e sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, desde que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. Ou seja, não tem escapatória. Deveu ao fisco, tem que pagar, nem que esteja em processo de falência. E não poderia estar mais correto, isto é, se alguém irá receber algum valor, que este alguém seja o governo, para que tenha condições de aplicar estes valores em programas sociais ou em serviços de saúde, por exemplo. Trata-se do princípio de que os interesses coletivos superam os individuais. As garantias são os meios jurídicos assecuratóriosque o estado pode utilizar para receber a prestação do tributo. Os privilégios dizem respeito à posição de superioridade de que desfruta o crédito tributário, quando comparado com os demais créditos. São garantias as regras que asseguram direitos em matéria tributária, e facilitam a entrada do Estado no patrimônio particular para receber a prestação relativa ao tributo. Responsabilidade do devedor Tributário · Art. 184 – a totalidade dos bens e das rendas do sujeito passivo, espólio, massa falida, exceto os absolutamente impenhoráveis. Créditos com garantia própria Existem créditos tributários que já tem garantia, por exemplo, o Imposto Predial, onde o próprio imóvel é a garantia – garantia própria; diferentemente do imposto de renda, onde o Fisco não tem uma garantia pré-constituída – crédito sem garantia (porque o contribuinte pode ter nada a servir como garantia para o pagamento do crédito); Privilégios – artigos 186 a 193, CTN São privilégios as regras que põem o crédito tributário numa posição de vantagem em relação aos demais. Se houver uma fila de credores, o crédito tributário tem preferência aos demais – privilégio; Preferencias Art. 186, CTN · Concurso de credores – art. 186 e 187 186. é falando aí das preferências. Ele diz que o crédito tributário prefere a qualquer outro. Salvados os decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de trabalho e nem do crédito com garantia real (exemplo condomónio, também não entram na fretes dos créditos extraconcursais (são créditos que estão fora do concurso dos credores, é uma forma da empresa continuar sua atividades mesmo após do início da recuperação financeira) é o que está inaugurado pelo um 186. · Creditos extraconcursais – art. 188 · Garantias de quitação – arts. 190 a 193 · Garantias indiretas – arts. 192 e 193 Suspensão do Crédito Tributário Impenhorabilidade e Inalienabilidade Art. 184, CTN c/c Art. 833, CPC Verbas de natureza alimentar, em regra, são impenhoráveis, salvo se maiores que 50 salários mínimos ou em caso de prestação alimentícia; Obs.: Segundo o entendimento do STJ, com base na nova redação do Art. 184 do CTN, apenas o item do inciso I do Art. 833, do CPC, pode ser penhorado; · RECURSO ESPECIAL N. 1.114.767-RS (2009/0071861-0) Breve Resumo do desenrolar do Recurso Especial n.º1.114.767-RS Sobre o tema, importante narrar o voto do Ministro Luiz Fux, à época no STJ, no julgamento do REsp 1.114.767/RS1, publicado em 04/02/2010, que julgou, em resumo de direito material, a possibilidade de penhora de imóvel que funciona como estabelecimento de empresa. O Ministro Luiz Fux, trouxe em seu relatório o seguinte trecho: A interpretação teleológica do artigo 649, V, do CPC, em observância aos princípios fundamentais constitucionais da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (artigo 1º, incisos III e IV, da CRFB/88) e do direito fundamental de propriedade limitado à sua função social (artigo 5º, incisos XXII e XXIII, da CRFB/88), legitima a inferência de que o imóvel profissional constitui instrumento necessário ou útil ao desenvolvimento da atividade objeto do contrato social, máxime quando se tratar de pequenas empresas, empresas de pequeno porte ou firma individual. A impenhorabilidade do capital de giro das micro e pequenas empresas, pode ser conjecturada, com a interpretação exclusiva ou Art. 833, V, que dita que são impenhoráveis os bens e instrumentos de trabalho. Embora o inciso se dirigisse aprioristicamente as pessoas físicas, como se depreende o voto do Ministro Luis Fux no REsp nº 1.114.767/RS, em interpretação teleológica, fundada no princípio da diginidade da pessoa humana, dos valores sociais do trabalho, e da função social da empresa, pode a impenhorabilidade dos bens e instrumentos de trabalho ser aplicadas as pessoas jurídicas, desde que, sejam de micro ou pequeno porte. No entendimento acima citado, vê-se uma interpretação, além de fundada nos princípios constitucionais acima citados, levando em conta o tratamento diferenciado as MPEs, que também constitui um princípio da ordem econômica. FRAUDE À EXECUÇÃO Presunção: Art. 185, CTN Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu comêço, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa.(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) A presunção de fraude está na hipótese de alienação ou oneração dos bens e rendas do devedor tributário; Presunção de Fraude Portanto, presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. Análise: Perceba que o momento-chave se dá a partir da inscrição em dívida ativa do crédito. Outrossim, atenção à palavra presunção. Todavia, esta presunção de fraude é afastada na hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. PENHORA “ONLINE” Art. 185-A, CTN – trata da penhora on-line A chamada penhora online busca de ativos financeiros do devedor. Então, permite também que na execução fiscal seja realizada aí a busca por ativos financeiros do devedor. Então, penhora online também é favorável a fazenda pública, sendomais um item de privilégio da fazenda pública. Art. 854, CPC Lei n.º 6.830/1980 - Dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, e dá outras providências. Lei n.º 6.830, Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. Lei n.º 6.830, Art. 11 - Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte ordem: I - dinheiro; II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em bolsa; III - pedras e metais preciosos; IV - imóveis; V - navios e aeronaves; VI - veículos; VII - móveis ou semoventes; e VIII - direitos e ações. § 1º - Excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, bem como em plantações ou edifícios em construção. § 2º - A penhora efetuada em dinheiro será convertida no depósito de que trata o inciso I do artigo 9º. § 3º - O Juiz ordenará a remoção do bem penhorado para depósito judicial, particular ou da Fazenda Pública exeqüente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do processo. Tema: Indisponibilidade de bens nos termos do art. 185-A do Código Tributário Nacional. Definição O contribuinte não paga determinado tributo, nem apresenta impugnação administrativa ao lançamento tributário. Essa relação obrigacional é estabelecida entre o ente tributante no papel de credor, e o contribuinte realizador do fato gerador previsto em lei no papel de devedor. Automaticamente, ausente de pagamento, o crédito tributário é inscrito em Dívida Ativa, com a formação do título executivo da Fazenda Pública. A Execução Fiscal que será ajuizada posteriormente, baseia-se num título executivo extrajudicial denominado “certidão de dívida ativa”, sendo que este processo é regulado principalmente pela Lei n. 6.830/80, com aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. No caso do devedor ter sido citado na Execução Fiscal e não for encontrado bens penhoráveis, é possível haver a indisponibilidade do seu patrimônio. E assim que disciplina o art. 185-A do CTN: Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial.(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Respeitado o direito constitucional de propriedade e as hipóteses de impenhorabilidade, o “devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei”, conforme disciplina o art. 789 do CPC. Assim, diante do não exercício de indicar bens para garantia do juízo pelo devedor, combinado com o esgotamento dos meios ordinários para encontrar bens penhoráveis lançados pelo credor, o Código Tributário Nacional fornece uma medida processual relativa à execução tributária. O objetivo do art. 185-A do CTN é fortalecer as medidas existentes de satisfação do crédito tributário, evitando que o patrimônio do devedor seja dilapidado em detrimento do interesse do credor. Registre-se que a indisponibilidade de bens, prevista no art. 185-A do CTN não se confunde com a penhora on-line. Enquanto a indisponibilidade tem natureza de direito material com função conservativa, a penhora on line tem caráter estritamente executivo, recaindo sobre objeto certo e individualizado. Vejamos: PENHORA-ONLINE DE DINHEIRO INDISPONIBILIDADE DE BENS Base legal Art. 11 da Lei 6830/80 e art. 835, §1ª do CPC Art. 185-A CTN Ordem É prioritária Somente após esgotadas as demais formas de penhora Objeto Recai sobre bem determinado: dinheiro Alcança tantos bens quanto bastem para garantir o crédito CPC, Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, sem dar ciência prévia do ato ao executado, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado na execução. § 1º No prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar da resposta, de ofício, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade excessiva, o que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo. § 2º Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo, pessoalmente. § 3º Incumbe ao executado, no prazo de 5 (cinco) dias, comprovar que: I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis; II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros. § 4º Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3º, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade irregular ou excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro) horas. § 5º Rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, converter-se-á a indisponibilidade em penhora, sem necessidade de lavratura de termo, devendo o juiz da execução determinar à instituição financeira depositária que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, transfira o montante indisponível para conta vinculada ao juízo da execução. § 6º Realizado o pagamento da dívida por outro meio, o juiz determinará, imediatamente, por sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, a notificação da instituição financeira para que, em até 24 (vinte e quatro) horas, cancele a indisponibilidade. § 7º As transmissões das ordens de indisponibilidade, de seu cancelamento e de determinação de penhora previstas neste artigo far-se-ão por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional. § 8º A instituição financeira será responsável pelos prejuízos causados ao executado em decorrência da indisponibilidade de ativos financeiros em valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como na hipótese de não cancelamento da indisponibilidade no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, quando assim determinar o juiz. § 9º Quando se tratar de execução contra partido político, o juiz, a requerimento do exequente, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido por autoridade supervisora do sistema bancário, que tornem indisponíveis ativos financeiros somente em nome do órgão partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha dado causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe exclusivamente a responsabilidade pelos atos praticados, na forma da lei. Súmula 560-STJ: A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN, pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou Detran. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015. Aula 7: Dívida Ativa, Certidão Negativa e Execução Fiscal Artigo 201 a 208, CTN Roteiro: Inscrição na dívida ativa Fruto da árvore envenenada Certidões negativas Certidões positivas com efeito de negativa Dispensa de apresentação de certidão Execução fiscal Defesa do executado Bens dos sócios OBS.: Estudar a Lei 6.830/1980 – Lei de Execução Fiscal (LEF). Ficar claro a diferença entre EMBARGOS DO DEVEDOR e EMBARGOS A EXECUÇÃO. Embargos do devedor = Embargos à Execução Fiscal - 30 dias para interpor – Art. 16 da LEF Embargos à Execução – 15 dias para interpor O objetivo do texto (Projeto de Lei = PL) que cria a nova Lei de Execução Fiscal (PL 2.488/2022) é substituir a atual Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830, de 1980) por uma nova legislação que incorpore as inovações processuais mais recentes e ajude a tornar a cobrança de dívidas fiscais menos burocrática. Dívida Ativa Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do crédito. Em termos pragmáticos, inscrever em dívida ativa é incluir um devedor num cadastro em que estão aqueles que não adimpliram suas obrigações no prazo. Na esfera federal, a "repartição administrativa competente para a inscrição em dívida ativa é a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão do Ministério da Fazenda. Nos âmbitos estaduais e municipais, a regra é que a competência seja das respectivas procuradorias judiciais. Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; II - a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; III - a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado; IV - a data em que foi inscrita; V - sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito. Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha da inscrição. Teoria dos frutos da árvore envenenada Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versarsobre a parte modificada. A regra deve ser tomada em termos. A jurisprudência vê como princípio geral de direito que as nulidades - mesmo as absolutas - só devem ser declaradas se houver prejuízo. Nessa linha, o STF já afirmou que "perfazendo-se o ato na integração de todos os elementos reclamados para a validade da certidão, há de atentar-se para a substância e não para os defeitos formais que não comprometem o essencial do documento tributário" (STF, 1ª T., AI-AgR 81.681/MG, Rei. Min. Rafael Mayer, j. 24.02.1981, DJ 27.03.1981, p. 2.535). Substituição da Certidão: STJ - Súmula 392 – “A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução". Existe um ato de inscrição, a cargo de autoridade competente, cujo efeito é conferir à dívida regularmente inscrita a presunção relativa de liquidez e certeza, passando a ter o efeito de prova pré-constituída (CTN, art. 204). Presunção de legalidade, legitimidade e veracidade, atributos presentes em todos os atos administrativos, inclusive o de inscrição de débito em dívida ativa. STJ Resp 1.298.407/DF. Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré-constituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite. Presunção de legalidade é a presunção de que os atos praticados pela Administração Pública, até prova em contrário, são emitidos em conformidade com a lei. Legitimidade refere-se à autoridade da qual emanou o ato. Já presunção de veracidade se diz a respeito dos fatos, em que se presume que os fatos alegados pela Administração são verdadeiros. CONCLUSÃO: O principal objetivo da inscrição de um crédito tributário em dívida ativa é exatamente extrair o título executivo que vai aparelhar a ação de execução fiscal a ser ajuizada pelo Estado na busca da satisfação do seu direito. Se o sujeito passivo pagou o montante devido ou, de qualquer outra forma, conseguiu a extinção do crédito tributário; não haverá que se falar em dívida ativa, porque o único objetivo da inscrição é possibilitar a futura execução fiscal. Certidões Negativas São elas o documento apto à comprovação de inexistência de débito de determinado contribuinte, de determinado tributo ou relativo a determinado período. · O prazo para a expedição da certidão é de dez dias, contados da data da entrada do requerimento na repartição, apesar de, ria maioria das vezes, o documento ser expedido imediatamente. Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Certidões positivas com efeitos de negativas Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. Existem situações em que, apesar da existência de débitos, o sujeito passivo se encontra em situação regular perante o Fisco. Nestes casos, é expedida a denominada certidão positiva com efeitos de negativa. Trata-se de certidão positiva, pois débitos existem, mas com efeitos de negativa, pois o requerente está em situação regular. Com esta certidão, o sujeito poderá praticar quaisquer atos que dependam de apresentação de certidão negativa. São, portanto, três as situações em que, apesar da existência de débitos, é reconhecida a regularidade do sujeito passivo: a) Os créditos não estão vencidos b) Os créditos estão em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora c) Os créditos estão com exigibilidade suspensa Dispensa da apresentação de certidão negativa Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de quitação de tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar de prática de ato indispensável para evitar a caducidade de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a infrações cuja responsabilidade seja pessoal ao infrator. O exemplo sempre citado é a participação em procedimento licitatório, em cuja fase de habilitação o interessado tem que apresentar diversas certidões negativas, sob pena de ser desabilitado e, portanto, excluído da fase de julgamento das propostas. Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional que no caso couber. Responsabilidade por expedição de certidão com erro Dolo Haverá dolo quando o servidor, sabendo do erro que macula a certidão, mesmo assim a expede, normalmente visando ao benefício da pessoa a que se refere o documento. Fraude Há fraude quando o servidor altera, maquia, simula, insere dados sabidamente falsos na certidão que está a expedir. Em qualquer caso, as consequências são as mesmas. Obs.: Se o erro não decorreu de dolo ou fraude do servidor que a expediu este não será responsabilizado. EXECUÇÃO FISCAL LEI No 6.830, DE 22 DE SETEMBRO DE 1980. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º - Art. 2º - Art. 4º - A execução fiscal poderá ser promovida contra: I - o devedor; II - o fiador; III - o espólio; IV - a massa; V - o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias ou não, de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado; e VI - os sucessores a qualquer título. Execução Fiscal é o termo que se aplica a procedimento especial em que a Fazenda Pública requer de contribuintes inadimplentes o crédito que lhe é devido, utilizando-se do Poder Judiciário, pois não lhe cabe responsabilizar o devedor. Assim, por meio do Poder Judiciário, a Fazenda Pública busca, junto ao patrimônio do executado, bens suficientes para o pagamento do crédito que está sendo cobrado por meio da execução fiscal. O processo de execução se baseia na existência de um título executivo extrajudicial, denominado de Certidão de Dívida Ativa (CDA), que servirá de fundamento para a cobrança da dívida que nela está representada, pois tal título goza de presunção de certeza e liquidez. No prazo de 05 (cinco) dias é permitido ao executado nomear bens à penhora, para garantir a execução, reservando-se a opção de aceite à Fazenda Pública. Passada essa fase, os bens serão avaliados, normalmente por intermédio de um Oficial de Justiça, e conferidos a um depositário, que terá o dever legal de guardar os bens. Não indicados os bens, podem ocorrer penhoras de créditos on-line, a penhora de faturamento da empresa, a penhora de ações, de imóveis, de veículos, etc. Não pode ser penhorado o imóvel que serve de residência do indivíduo, por se tratar de um bem de família, nem aqueles bens que a lei considera impenhoráveis. Caso deseje discutir o débito, o contribuinte pode, em paralelo, ajuizar outra ação denominada de embargos do devedor, desde que antes tenha havido penhora suficiente para garantir o valor do crédito que está sendo cobrado e discutido. DEFESA DO EXECUTADO Os embargos do devedor Natureza jurídica e prazo Os embargos do devedor encontram previsão legal, no artigo 16, da Lei de Execuções Fiscais, de acordo com referido artigo devem ser oferecidos no prazo de 30(trinta) dias, a contar das seguintes hipóteses: (a) da data da efetivação do depósito judicial, nos termos do artigo 32 da mesma Lei; (b) da data da juntada aos autos da prova da fiança bancária ou do seguro garantia; (c) da data da intimação da penhora efetivada em garantia do juízo. Destarte, é imprescindível que o executado garanta o juízo, para então oferecer esse meio de defesa. (ver art. 914/920 CPC) A natureza jurídica dos embargos à execução é de ação autônoma, isto porque, atuam como uma ação absolutamente independente, tanto que autuados em apartado, entretanto logicamente se sujeitam à petição inicial, haja vista ser por conta da existência de referida peça a necessidade de oferecimento dos embargos. Exceção de pré-executividade “É indeclinável que a exceção de pré-executividade pode ser oposta independentemente da interposição de embargos à execução, sem que esteja seguro o juízo. No entanto, não é a arguição de qualquer matéria de defesa que autoriza o enquadramento da questão no âmbito da exceção de pré-executividade. Nem tampouco pode ser utilizada como substitutivo de embargos à execução. Somente matérias que podem ser conhecidas de ofício pelo juiz é que autorizam o caminho da exceção de pré-executividade: condições da ação, pressupostos processuais, eventuais nulidades, bem como as hipóteses de pagamento, imunidade, isenção, anistia, novação, prescrição e decadência.” É válido transcrever o conceito da exceção de pré-executividade, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “A exceção de pré-executividade é espécie excepcional de defesa específica do processo de execução, admitida, conforme entendimento da Corte, nas hipóteses em que a nulidade do título possa ser verificada de plano, bem como quanto às questões de ordem pública, pertinentes aos pressupostos processuais e às condições da ação, desde que desnecessária a dilação probatória" (REsp 915.503/PR, Rel. Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, QUARTA TURMA, DJ 26/11/2007). BENS DOS SÓCIOS: A questão está pacificada junto ao STJ, que também tem dado sinais de que não pode a FAZENDA NACIONAL valer-se de tal disposição contida em lei ordinária, por evidente afronta a texto constitucional. Veja-se decisão do ministro Luiz Fux (9): RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO PARA O SÓCIO. LEI 8.620/93. 1. A responsabilidade do sócio não é objetiva. Para que surja a responsabilidade pessoal, disciplinada no artigo 135 do CTN é necessário que haja comprovação de que ele, o sócio, agiu com excesso de mandato, ou infringiu a lei, o contrato social ou o estatuto, ou ocorreu a dissolução irregular da sociedade. 2. A contribuição para a seguridade social é espécie do gênero tributo, devendo, portanto, seguir o comando do Código Tributário Nacional que, por seu turno, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como 112. Dessarte, não há que se falar na aplicação da lei ordinária 8.620/93, posto ostentar grau normativo hierarquicamente inferior ao CTN, mercê de esbarrar no princípio da hierarquia das leis, de natureza constitucional, que foge aos limites do recurso especial traçados pela Constituição Federal, ao determinar a competência do STJ. 3. É vedado à parte inovar em sede de agravo regimental.” Exercício João Guimarães é sócio da empresa Imobiliária Irmãos Guimarães Ltda. e recebe uma citação em execução fiscal em razão de ser sócio gerente desta. O fiscal pediu o redirecionamento da execução fiscal por haver identificado que o que levou ao não pagamento do tributo foi escrituração fiscal irregular atribuída ao sócio gerente, responsável por este ato de gestão. João, depois de garantido o juízo, oferece embargos alegando a indispensabilidade de incidente de desconsideração da personalidade jurídica para redirecionamento da execução fiscal com fulcro no art. 135 do CTN. É necessário o incidente de desconsideração da personalidade jurídica? Resposta: Conforme entendimento jurisprudencial, não sendo encontrados bens da empresa para satisfazer o crédito tributário e havendo pedido da Fazenda Pública, a ação de execução fiscal pode ser redirecionada para o sócio-gerente. A responsabilização pessoal dos administradores, sem que tenham efetivamente praticado qualquer das infrações elencadas no Artigo 135 do CTN, permite concluir que o incidente de desconsideração da personalidade jurídica atribuirá maior segurança jurídica às partes envolvidas no processo de execução fiscal, que após dilação probatória, poderão demonstrar a ocorrência ou não das hipóteses previstas no artigo ora citado Questão objetiva Determinado contribuinte, devedor de tributo, obtém parcelamento e vem efetuado o pagamento conforme deferido. Apesar disso, sofre processo de execução fiscal para a cobrança do referido tributo. Nos embargos de devedor, o executado poderá alegar: ( ) a. a carência da execução fiscal, em face da novação da dívida, que teria perdido a natureza tributária pelo parcelamento. ( ) b. a improcedência da execução fiscal, por iliquidez do título exequendo, em face de parte da dívida já estar paga. ( ) c. o reconhecimento do direito apenas parcial à execução fiscal, por parte do Fisco, em face da existência de saldo devedor do parcelamento. (X) d. a carência da execução fiscal, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Unidade 5 - Processo Administrativo Tributário 1. Processo administrativo tributário = Proces. Adm. Fiscal = Ação Fiscal 2. Princípios constitucionais 3. Legislação aplicável 4. Procedimento do processo administrativo contencioso tributário 5. Os órgãos julgadores 6. Processo de consulta. 1. Processo administrativo tributário DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. O processo administrativo tributário, também denominado de ação fiscal, ou processo administrativo fiscal, caracteriza-se pelo conjunto de atos interligados, vinculados, nos quais o agente administrativo fica obrigado a agir de acordo com o que determina a legislação que trata da matéria. Processo administrativo tributário é o conjunto de atos necessários à solução, na instância administrativa, de questões relativas à aplicação ou interpretação da legislação tributária. Por isso, a ação fiscal é diferente do processo judicial. Na Ação Fiscal busca-se o pronunciamento de uma autoridade, que deve decidir ou homologar determinado ato. No Processo Judicial busca-se a sentença. 2. Princípios Constitucionais do Processo Administrativo Fiscal O Processo Administrativo Fiscal tem seu fundamento jurídico em: . Na Constituição (CRFB/1988), no artigo 5º, inciso LV . No Código Tributário Nacional, artigo 145 . Na legislação específica de cada ente federativo CRFB/1988 - Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; CTN/1966 - Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. O processo administrativo fiscal engloba duas etapas, ou fases, a saber: . Fase não contenciosa . Fase contenciosa. Depósito Prévio: Súmula Vinculante 21 A Súmula Vinculante 21, proferida pelo STF em 2009, estabelece que: "é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo" (Tese definida no AI 698.626 QO-RG, rel. min. Ellen Gracie, P, j. 2-10-2008, DJE 232 de 5-12-2008, Tema 314). A PRIMEIRA FASE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – nãocontenciosa A primeira fase da ação fiscal, de caráter não contencioso e unilateral, é caracterizada pela necessidade do lançamento tributário para existir. Por isso, é um processo necessariamente escrito. três grupos: a) Lançamento direto ou de ofício: ocorre quando o Fisco age por iniciativa própria, pelo fato de dispor de todas as informações necessárias, procedendo, portanto de forma direta. b) Lançamento por declaração ou misto: ocorre quando o Fisco recebe informações do contribuinte, o qual tem obrigação legal de prestar estas informações, para que se opere o lançamento. c) Lançamento por homologação ou auto-lançamento: ocorre quando o próprio contribuinte opera o lançamento e antecipa o pagamento, sob o controle genérico de fiscalização e da condição da homologação pela Fazenda Pública. Segundo ensina Hugo de Brito Machado, “o que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado”. Assim, é nessa etapa que o sujeito ativo – por meio de suas autoridades competentes – dá conhecimento ao sujeito passivo do crédito tributário de que este é devedor. A fase não contenciosa, em geral, inicia-se com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização. É por meio desse documento que os agentes administrativos dão início à verificação dos livros e demais documentos fiscais do contribuinte para averiguar se ele está agindo nos moldes determinados pela legislação pertinente. A fase não contenciosa termina com o termo de encerramento de fiscalização que será acompanhado por um auto de infração, nos casos em que tiver sido cometida alguma infração. A SEGUNDA FASE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – contenciosa A segunda etapa da ação fiscal é a contenciosa. Conforme apontado anteriormente, a primeira fase inicia-se com o lançamento tributário, que pode ser de três tipos: . direto ou de ofício; . por declaração ou misto; e . por homologação ou auto-lançamento. Os dois primeiros casos de lançamento asseguram ao contribuinte a faculdade de opor-se ao lançamento. É essa faculdade que permite surgir a fase contenciosa do processo de lançamento tributário. Logo, sempre que o contribuinte achar injusta a exigência de um crédito fiscal pode tentar as vias administrativas ou fiscais, dando início ao contencioso administrativo fiscal. Auto de infração é o documento no qual o agente da autoridade administrativa narra a infração da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo no período da ação fiscal. A etapa contenciosa (processual) caracteriza-se pelo aparecimento formalizado do conflito de interesses, isto é, transmuda-se a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, lhe cause gravame, como a aplicação de multa por suposto incumprimento de dever instrumental. Em relação ao prazo para o sujeito passivo impugnar, Ricardo Lobo Torres explica que “O contribuinte pode impugnar, no prazo de 30 dias, o auto de infração ou o lançamento notificado. Instaura-se assim o processo administrativo tributário, de rito contencioso, durante o qual se realizarão as perícias e provas necessárias à ampla defesa.” via administrativa X acesso ao Poder Judiciário. O efeito vinculante da decisão administrativa: a) Impossibilidade de revisão judicial dos atos por iniciativa da própria Administração; b) O dever de execução de tais decisões. Princípios 1) Do processo fundamentais: a) O devido processo legal; b) A ampla defesa; c) O contraditório; e d) A duração razoável. 2) Ainda, a Constituição contempla os princípios da Administração Pública em geral, contidos no artigo 37, “caput”, são eles: e) Princípio da legalidade f) Princípio da impessoalidade, g) Princípio da moralidade, h) Princípio da publicidade, e i) Princípio da eficiência. Princípios do processo administrativo fiscal 1. Princípio do contraditório e ampla defesa A ampla defesa, explicitada como garantia constitucional no artigo 5°, inciso LV, da Constituição, pode ser sintetizada no direito de apresentar alegações, propor e produzir provas, participar da produção das provas requeridas pelo adversário ou determinadas de ofício pelo juiz e exigir a adoção de todas as providências que possam ter utilidade na defesa dos seus interesses, de acordo com as circunstâncias da causa e as imposições do direito. É a possibilidade de contestar, em favor de si próprio, condutas, fatos, argumentos, interpretações que possam ocasionar prejuízos físicos, materiais ou morais. 2. Princípio da duração razoável do processo Este princípio só passou a ser expresso após a Emenda Constitucional nº 45/2004, que o incorporou ao art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição e o transformou em direito fundamental, segundo o qual: Órgãos Julgadores O princípio da não-submissão do órgão julgador ao poder hierárquico garante que a autoridade julgadora administrativa esteja adstrita aos princípios constitucionais processuais e não aos ditames específicos que disciplinam as funções típicas da administração, como, por exemplo, os que obrigam a autoridade lançadora da exigência fiscal, que segue fielmente as instruções editadas por seus superiores hierárquicos, mas não obriga o órgão incumbido de apreciar a validade legal de um auto de infração, caso as considere contrárias à lei. EXERCÍCIO Questão discursiva: Irmãos Souza & Cia. Ltda., grande atacadista de gêneros alimentícios, foi autuada em novembro/2008 pela fiscalização do ICMS, por recolhimentos insuficientes do imposto durante os anos de 2005 e 2006, tendo o auto de infração totalizado créditos tributários (principal, multas, juros e atualização monetária) no valor de R$ 5 milhões. Impugnado tempestivamente, o lançamento veio a ser mantido, em fevereiro/2009, pela Junta de Revisão Fiscal. Dessa decisão, recorre voluntariamente a empresa para o Conselho de Contribuintes, deixando contudo de efetuar depósito de 30% da quantia em discussão, bem assim de, alternativamente, oferecer fiança bancária, conforme prevê a legislação de regência, para “garantia de instância”. O processo administrativo fiscal é encaminhado ao Presidente do Conselho de Contribuintes, que detém o juízo preliminar de admissibilidade do recurso; que se vier a ser admitido, será distribuído a uma das Câmaras, a qual poderá rever a decisão vestibular de admissibilidade. Como deve o Presidente do Conselho de contribuintes proceder? Deve exigir o mencionado depósito prévio administrativo? Responda de acordo com o entendimento atual do Supremo Tribunal Federal. Resposta: A Súmula Vinculante 21, proferida pelo STF em 2009, estabelece que: "é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo" Outra resposta: O presidente do conselho de contribuintes deve admitir o recurso e remeter a uma das câmaras para julgamento. É ilegítima a exigência de depósito ou arrolamento como condição para recorrer. Tal exigência foi considerada inconstitucional pelo STF em março /2007 na ADI 1976 de relatoria do então Ministro Joaquim Barbosa, que entendeu que a exigência constitui obstáculo sério (e intransponível para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição, além de caracterizar ofensa ao principio do contraditório, ambos previstos na CF. Ademais, a exigência converte-se, na prática, em suspensão do direito de recorrer, constituindo nítida violação ao principio da proporcionalidade. Aula 16/05/2025 Lei 12.016 importante ler Artigo 5º - se cabe recurso administrativo não cabe mandado de segurança Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; III - de decisão judicial transitada em julgado. Art. 21. O mandado de segurança coletivopode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. ARTIGO 113 do CTN – Crédito Trbutário Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (engloba os 6 elementos fundamentais para definir tributos) 1. Prestação pecuniária – tributo se paga em dinheiro, moeda oficial Real (pecúnia) seja em boleto, pix ou outra forma. O tributo é a forma mais eficaz de arrecadação. O tributo é uma forma de custear os direitos, os interesses da coletividade 2. Ou cujo valor nela se pode exprimir – (in natura – não prosperou, ou in labore) in natura, não prosperou, seria a possibilidade de se quitar créditos tributários mediante a entrega de uma parcela do próprio produto da arrecadação tributária. Deu o exemplo das garrafas de whisky para pagar o imposto de importação. Outro exemplo foi a casa das primas em Copacabana, auditores que iam cobrar in natura. O pagamento in natura não pode prosperar, o estado precisa de dinheiro. A penhora se faz por dívida. Acima estamos falando em adimplemento que tem que ser em pecúnia. 3. Compulsoriedade – vide poder de tributar. São obrigatórios, não existe escolha, que é a exteriorização de soberania. 4. que não constitua sanção de ato ilícito – tributo não é punição O Código Tributário Nacional, em seu artigo 3º, estabelece que o tributo não constitui sanção de ato ilícito, o que significa que o tributo não é uma punição por um comportamento ilegal ou equivocado. Isso se deve ao fato de que o tributo é uma obrigação imposta pela lei, decorrente da atividade estatal de arrecadar recursos para financiar as atividades do Estado. Assim, a finalidade do tributo é puramente arrecadatória, não tendo como objetivo punir ou reprimir atividades ilegais, o que puni é multa e multa não é tributo. Multa tem um caráter punitivo. Essa distinção é importante porque as penalidades aplicadas pelo Estado em decorrência de atos ilícitos têm características diferentes daquelas aplicadas em virtude de descumprimento de obrigações tributárias. Por isso, é fundamental entender que o tributo não deve ser confundido com sanções aplicáveis por infrações à legislação em geral. Princípio da igualdade - Pecunia non olet – dinheiro não tem cheiro – não importa de onde vem o dinheiro. Logo, para fins tributários não importa se o dinheiro é oriundo de atividade lícita ou ilícita. O que importa é que praticou o fato gerador e todos serão tratados iguais. 5. Instituído em Lei – vide Princípio da Legalidade. (art. 150, I da CF/88) 6. Cobrado por atividade administrativa plenamente vinculada – administração tributária está vinculada a lei. O agente administrativo que faz a cobrança do tributo tem que ser regida pelos exatos termos da lei. Concluímos o conceito de tributo Art. 113 (CTN). A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interêsse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ex. de obrigação acessória – emitir NF e guarda para mostrar a fiscalização. Vimos no Direito Civil que temos obrigação de dar, de fazer e de não fazer. No Direito Tributário a obrigação de dar é pagar o tributo A Obrigação de fazer é a obrigação acessoria que é emitir a NF, arquivar (muito comum no trablaho do profissional de contabilidade)> A obrigação de não fazer, no direito tributário, pode ser por exemplo, não rasurar as NF emitidas. Art. 114 (CTN) . Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Qual o fato gerador do Imposto de Renda? Resposta está no artigo 43 do CTN Art. 43 (CTN). O imposto, de competência da União, sôbre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) No breve resumo falou sobre contribuiente, sujeito responsável… Falou em sujeito ativo e sujeito passivo – artigo 126 CTN O Tema do Curso de Direito Tributário em Espécie começa no artigo 139 do CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. image2.png image3.emf image4.png image1.pngna data em que ocorreu o fato gerador do tributo, e não com base na legislação vigente na data da realização do próprio lançamento. Por outro lado, evidencia-se que os efeitos do lançamento para o contribuinte se dão somente a partir da comunicação ao Sujeito Passivo. Explicando melhor a Ultratividade Tributária A aplicação em face dos aspectos materiais do lançamento deve observar a lei vigente no momento do Fato Gerador. De forma que o lançamento é um ato declaratório dos aspectos materiais com efeitos ex tunc. Entretanto, existe uma exceção prevista no CTN, já que em relação ao aspectos formais (procedimentais), deve ser observada a lei vigente no momento do próprio Lançamento. Por aspectos formais entende-se a modificação na lei propondo: novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliação dos poderes de investigação das autoridades administrativas, ou de garantias ou privilégios. Contudo, em relação aos privilégios que tenham o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros deve-se continuar observando a legislação da época do fato gerador. Essa exceção é explorada no final do 1° parágrafo do art 144 do CTN. CTN: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 1.6. Modalidades de Lançamento Tributário Modalidades · De ofício: a autoridade administrativa, de posse de todas as informações necessárias, realiza o lançamento sem qualquer participação do contribuinte. · Por declaração: o devedor informa à autoridade administrativa alguns elementos da obrigação tributária; a autoridade administrativa, com base nessas informações, realiza o lançamento e notifica o contribuinte para pagar. · Por homologação: o devedor informa (o próprio) à autoridade administrativa elementos da obrigação tributária, calcula o montante do tributo devido e antecipa o pagamento, o fisco apenas confere a legalidade da conduta. Questões jurisprudenciais · Súmula 397 do STJ: O contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço. · Súmula 436 do STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. · Súmula 446 do STJ: Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de de expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. Decadência do direito de realizar o lançamento tributário Ademais, de acordo com o CTN (art. 173), o lançamento tributário deve obedecer ao prazo decadencial de 5 anos. Logo, em regra, o auditor fiscal só poderá constituir o crédito tributário de obrigações surgidas nos últimos 5 anos (o marco inicial para a contagem desse prazo varia de acordo com a conduta do contribuinte e com a modalidade de lançamento aplicável, mas a regra é que seja contado do primeiro dia do ano seguinte ao que ocorreu o fato gerador do tributo. Nesse contexto, percebe-se que o prazo decadencial é uma aplicação do princípio da segurança jurídica em favor do contribuinte. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Revisão do lançamento tributário Inicialmente, destaca-se que o crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, nos casos previstos nesta Lei, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei. Destarte, o artigo 145 do CTN elenca as três únicas situações em que o lançamento pode ser modificado APÓS sua notificação ao sujeito passivo. Então, perceba que antes da notificação ao contribuinte o lançamento pode ser alterado normalmente, sem que obedeça ao citado artigo. E quais são essas situações? Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. A impugnação do sujeito passivo é um recurso cabível ao contribuinte na via administrativa face ao lançamento. Por sua vez, o recurso de ofício é aquele feito pela própria fazenda pública em caso de decisão favorável ao contribuinte no âmbito do processo administrativo fiscal, a fim de reverter tal decisão. Por fim, a iniciativa de ofício prevista no inciso III se refere aos casos em que o auditor fiscal deve proceder ao lançamento de ofício (temos um artigo que distingue bem as quatro classificações do lançamento, entre elas está o lançamento de ofício). Além disso, sabe-se que a revisão do lançamento também só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda pública. Erro de fato vs Erro de direito Outrossim, temos ainda uma particularidade a ser observada no caso de revisão do lançamento tributário. Em razão da previsão contida no art. 146 do CTN. Nesse sentido, o CTN distingue erro de direito do erro de fato, sendo que as revisões no lançamento por erro de direito, isto é, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, não podem ser aplicadas de forma retrospectiva. Assim, apenas os erros de fato podem ensejar alteração do lançamento, respeitando sempre o prazo decadencial (art. 149, VIII). Resumindo: • Não pode haver revisão por erro de direito (nos critérios jurídicos adotados), pois seus efeitos são prospectivos aos fatos geradores futuros. • Já o erro de fato pode ensejar alteração do lançamento, respeitada a decadência (art. 149, VIII). Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Exercícios José Manuel contratou um contador para fazer a sua declaração de imposto de renda. O contador lhe solicitou todos os documentos e informações necessários e conferiu todos os dados, com base em possíveis cruzamentos de informações. Como resultado da declaração apresentada, restou apurado o dever de recolher pouco mais de três mil reais. O contador entrega a José Manuel a declaração impressa e em versão digital, acompanhada da guia de recolhimento da primeira parcela, dentro do prazo legal e orienta ele a recolher as demais parcelas. José Manuel recebe e paga a primeira parcela, mas se esquece de fazer qualquer pagamento nos meses seguintes. José Manuel se habilita em um certame público para prestar serviços públicos como temporário em virtude de grande evento esportivo que ocorrerá em sua cidade, conduzido pelas forças armadas. Para isso, lhe é solicitada a entrega de certidões que comprovem sua regularidade fiscal. José Manuel solicita este documento à receita federal e recebe a informação de que em seu nome consta dívida ativa inscrita pelo não pagamento de imposto de renda declarado. Insurge-se e entra em contato com seu contador que lhe relembra que deveria pagar as demais parcelas pela declaração feita recentemente,mas ele reclama pois a RFB inscreveu seu nome sem sequer lhe notificar antes. Indaga-se: 1) O caso concreto trata de que espécie de lançamento? Resposta: Lançamento por homologação, é aquele que ocorre quando a legislação atribui ao contribuinte ou responsável o dever de realizar o pagamento do tributo de forma antecipada, sem necessidade de prévio exame pela autoridade administrativa, sendo que quando a mesma toma conhecimento do mesmo mo homologa, conforme o artigo 158 do CTN. 2) A inscrição é regular ou deveria haver alguma notificação prévia? Resposta: É regular, conforme entendimento da Sumula 436 do STF, que o fisco não precisa notificar previamente. Questão objetiva A alíquota do ITR, em 1995, era de 1,5%; em 1996, de 2%; e em 1997, de 1%. Durante o ano de 1997, o Fisco Federal, verificando que Joaquim de Souza não pagara o ITR de 1995, efetuou o lançamento à alíquota de 2% e promoveu a notificação. Joaquim entende que a alíquota aplicável é de 1%. Na verdade: ( ) a. Joaquim está com o entendimento correto, pois 1% era a alíquota do exercício em que ocorreram o lançamento e a notificação; ( ) b. o entendimento do Fisco é correto, pois, no caso, deve prevalecer a alíquota maior; ( ) c. a alíquota aplicável é a de 1%, por consequência do princípio in dubio pro reo; (X ) d. a alíquota correta é a da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 1,5%; (art. 144 do CTN) ( ) e. a alíquota correta é a de 1,5%, por representar a média das três alíquotas, em face do princípio da razoabilidade. Unidade 2 – Suspensão, Extinção e Exclusão do crédito tributário 1. Suspensão do Crédito Tributário – artigos 151 a 155, CTN O artigo 151 prevê 6 modalidades de SUSPENSÃO (não é exclusão) da exigibilidade do Crédito Tributário: moratória, depósito do montante integral, reclamação/recurso administrativo, concessão medida liminar ou de tutela antecipada, concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial e por último o parcelamento Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos têrmos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Uma vez constituído o crédito, ele é exigível, quando o crédito tributário é exigível e há a supensão da exigibilidade, a fazenda pública não pode exigir o crédito. As hipóteses de supensão da exigibilidade são as citada acima. Em algum momento a fazenda pública poderá voltar a exigir o crédito, uma vez que ele não foi extinto ou excluído. Logo, quando deixa de existir a suspensão, afazenda pública poderá voltar a exigir o crédito tributário. A primeira hipótese de Suspensão no artigo 151 é a moratória. I. Moratória A moratória é a dilação do prazo de pagamento de tributo com base na lei. · Versa sobre a dilação do prazo para pagamento do tributo. Logo, uma vez concedida, tem-se a extensão do prazo para adimplemento da obrigação tributária. · Na forma do art. 154 do CTN, a moratória, salvo disposição legal em contrário, só abrange os créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho concessivo, ou cujo lançamento já tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente notificado ao sujeito passivo. A lei instituidora da moratória, em geral, aponta o período certo a partir do qual o benefício legal passa a surtir efeito. Outrossim, a moratória não aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo ou de terceiro em benefício daquele. · CUIDADO!! Há autores que consideram parcelamento e moratória a mesma cois, mas não é. Moratória é a dilação do prazo do valor total (integral) do tributo e parcelamento é a possibilidade do pagamento do valotr total em parcelas. Outra diferença é que a moratória é sobre tributo não vencido. Por outro lado, o parcelamento é sobre o tributo vencidos e não adimplidos. · A moratória traz algumas especificações sobre o contribuinte que tem direito. Se em alguma medida o contribuinte deixa de preencher os requisitos necessários para se beneficiar da moratória, ele deixa de ser contemplado com a suspensão. II. Depósito do seu montante integral É a modalidade suspensiva do crédito tributário em que já há em andamento uma discussão administrativa ou judicial acerca do crédito. MAS, o depósito só é exigível na discussão judicial. A autoridade tributária, na discussão administrativa, não pode exigir o depósito do tributo. Ou seja, para questionar qualquer questão relativa ao tributo, a fazenda pública não pode exigir do contribuinte o depósito do montante relativo ao tributo que está sendo questionado na discussão administrativa. Ao iniciar a discussão administrativa, há Suspensão da exigibilidade da obrigação tributária principal, independetemente do depósito. A exigência do depósito do valor integral do tributo só será exigido na discussão judicial. É um meio de suspender a exigibilidade do crédito tributário enquanto se discute a obrigação tributária principal. Vale mencionar que é a única modalidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário do rol do art. 151 do CTN que suspende a incidência de juros e multa. Sendo que a correção do valor se dará na conta judicial. Súmula 112, STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro.” (Cuidado!!! Relativo à discussão judicial e a exigibilidade). Súmula 28, STF: “É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito tributário.” Essa súmula (SV 28) trata da inconstitucionalidade de normas que condicionam o direito de recorrer na via administrativa (como em processos fiscais ou administrativos em geral) ao depósito prévio de valores ou ao arrolamento de bens. A súmula vinculante 28 está ligada ao artigo 5º, inciso XXXV da CF/88 que aduz que a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito. E a exigência de depósito prévio afronta o princípio do contraditório. A Súmula Vinculante (SV) 28 do Supremo Tribunal Federal (STF) não revogou a Súmula 112 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a limita em sua aplicação. A SV 28 estabelece que a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial para discutir a exigibilidade de crédito tributário é inconstitucional. A Súmula 112 do STJ, por sua vez, determina que o depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. A SV 28 impede que o depósito seja usado como um obstáculo ao acesso à justiça, enquanto a Súmula 112 permanece em vigor para definir as condições em que o depósito suspende a exigibilidade do crédito. Resumindo: A SV 28 diz respeito ao direito de entrar com a ação na esfera judicial. A Súmula 112 do STJ, por sua vez, está relacionada á suspensão da exigibilidade. III. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo É a modalidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão do processo administrativo iniciado. Aqui, a impugnação do lançamento feito de ofício ou por declaração suspende a exigibilidade do crédito tributário. Já o lançamento por homologação não permite discussão por processo administrativo (pois, não há erro do Fisco, uma vez que quem faz é o próprio contribuinte). Ademais, não é possível discutir em processo administrativo a inconstitucionalidade de lei, pois é prerrogativa do Poder Judiciário. IV. Concessão de medida liminar ou tutela antecipada em mandadode segurança e outras espécies de ação judicial: Ingressou com madado de segurança, suspende ou não o crédito tributário? Só entrar com o mandado não garante a suspensão da exigibilidade é preciso a concessão da medida liminar e no fim a concessão do mandado. Lei 12.016/2009 - Disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências. Artigo.23 da Lei 12.016 o prazo do mandado de seguraça é de 120 dias. Quais os requisitos para se concedida a medida liminar? Periculum in mora (risco do perecimento do direito) e fumus boni iuris (plausabilidade do direito) Vale notar que no direito tributário, é utilizado o termo “liminar” para qualquer decisão de cognição sumária. Ver lei 12.016/2009 Artigo.23 da Lei 12.016 o prazo do mandado de seguraça é de 120 dias. Se não puder usar o mandado de segurança para obter a medida liminar, será possível através de outra espécie de ação judicial V. Parcelamento: É a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário incluída ao CTN em 2001. Constitui instituto que visa à recuperação do crédito vencido. Deve ser instituído, exclusivamente, por meio de lei, a fim de tentar recuperar os tributos que foram deixados de pagar. A lei dá o benefício para incentivar o pagamento, como desconto na multa e juros e pagamentos em longo prazo. 2. Extinção do crédito tributário – art. 156 a 174, CTN Como sabemos, o crédito tributário é constituído a partir do lançamento, condição sine qua non para sua cobrança e para que seja passível de inscrição em dívida ativa, quando não pago pelo sujeito passivo. Todavia, o crédito tributário, devidamente constituído pelo lançamento, deverá ser extinto para que a referida obrigação se dê como cumprida. A Extinção de Crédito Tributário prevista no artigo 156 do CTN, é a ocorrência verdadeira do fim do crédito. Há outras formas de Extinção do Crédito Tributário prevista ….. O Rol do artigo 156, do CTN, é taxativo, MAS como veremos, há exceções, como veremos. Modalidades de Extinção do Crédito Tributário Sendo assim, o Código Tributário Nacional prevê, no seu artigo 156, 11 modalidades de extinção do cédito, como segue: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149 Compensação de crédito tributários. · Conceito · Requisitos e restrições · Repetição de indébito tributário · Relação de indébito · Restrições Rol taxativo ou exemplificativo: Pode-se afirmar que o art. 141 do CTN aponta no sentido da taxatividade da lista, uma vez que afirma expressamente que “o crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei”. ( que é o CTN). Mas, toda regra tem exceção. No CC, no artigon 381 temos a Confusão é uma forma de extinção do crédito tributário que não está no rol do artigo 156 do CTN. CONFUSÃO, não prevista no rol do artigo 156, é a forma de extinção das obrigações que se verifica quando se confundem na mesma pessoa as qualidades de credor e devedor (Código Civil, art. 381). Exemplo: Confundiram-se, na mesma pessoa, credor e devedor. O STJ declarou extinto, por confusão, o crédito tributário. Pela peculiaridade da decisão, transcreve-se a respectiva ementa: “Tributário. Imposto Predial e Territorial Urbano. Esbulho possessório praticado pelo próprio município que exige o tributo. Os litígios possessórios entre particulares não afetam a obrigação de pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano, resolvendo-se entre eles a indenização acaso devida a esse título; já quem, sendo contribuinte não só condição de possuidor, é esbulhado da posse pelo próprio Município, não está obrigado a recolher o tributo até nela ser reintegrado por sentença judicial, à míngua do fato gerador previsto no art. 32 do Código Tributário Nacional, confundindo-se nesse caso o sujeito ativo e o sujeito passivo do imposto. Agravo Regimental improvido”; (2.ªT, AgRg. 117.895/MG, Rei. Ministro Ari Pargendler. v.u., 10.10.1996, DJU 29.10.1996, p. 41.639). Resumo do visto no parágrafo acima: a mesma pessoa figura como credor e devedor, nesse caso há extinção do crédito tributário por CONFUSÃO. No exemplo, o município praticou esbulho possessório de imóvel, ficou com o imóvel e queria cobrar do antigo proprietário. O município é credor do tributo e também devedor do tributo, uma vez que tem atualmente a posse do imóvel. CUIDADO!!!!NOVAÇÃO, o Código Civil prevê sua ocorrência, dentre outras hipóteses, quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior (CC, art. 360, 1). Trata-se de novação objetiva, em que a nova obrigação mantém os mesmos sujeitos passivos e ativos, mudando-se apenas o Objeto. Assim, se o devedor de prestação em dinheiro não possui condições de adimpli-la, seria possível a extinção da obrigação e a substituição por outra em que este se comprometesse a prestar determinados serviços ao credor. Em direito tributário, não há previsão para providência semelhante. Contudo, existem autores que veem no parcelamento uma espécie de novação em que a obrigação tributária seria extinta e substituída por uma outra com adimplemento parcelado. A doutrina, na sua maioria, não concorda que o parcelamento é uma forma de NOVAÇÃO. LOGO, parcelamento não é considerado Novação, logo não há extinção do crédito por novação Segundo o Professor: “Eu e um outro caminhão de autores, concordamos com essa definição, o Parcelamento não é Novação. Por que percebo, a novação vai se dar quando o devedor contrai com o credor uma nova dívida, extinguindo e substituindo a dívida anterior. Ele faz um novo contrato, você faz uma nova dívida, você muda o objeto da. Bom, voltando para o CTN, no seu Artigo 156 I – PAGAMENTO O pagamento é a causa mais natural de extinção das obrigações. Tratando-se de matéria tributária, o CTN estatui um conjunto de regras específicas que diferenciam, em alguns aspectos, o regime jurídico a que está sujeito o pagamento como forma de extinção do crédito tributário daquele aplicável ao pagamento como causa extintiva das obrigações em geral. É sobre este conjunto de aspectos distintivos que se passa a discorrer. De acordo com o CTN, a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. Isto é, não pode o infrator pagar apenas a multa e esperar que a obrigação tributária seja extinta. Além disso, o pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento quando: · quando parcial, das prestações em que se decomponha; · quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos. Prazo para Pagamento: Quanto ao prazo para pagamento, a regra é também a definição pela legislação tributária do ente político competente para a criação do tributo. Na falta de norma expressa, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Análise: Não se pode afirmar que o prazo para pagamento será sempre de 30 dias, mas apenas nos casos em que a lei seja omissa quanto ao prazo. Ademais, a legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento. Nesse ínterim, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês. Art. 160. Quando a legislaçãotributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. não Além do prazo, também temos a questão do local. Se não tiver o local definido, o local será o domícilio do devedor. Pagamento indevido e repetição de indébito É cediço que em direito quem pagou o que não era devido possui direito à restituição. O fundamento da regra é princípio da vedação ao enriquecimento sem causa, pois não é justo que alguém obtenha um aumento patrimonial sem que tenha concorrido para tanto, sendo apenas beneficiário de erro de outrem. Na esteira deste raciocínio, o art. 165 do CTN afirma que se um pagamento foi considerado indevido ou maior que o devido, o montante pago indevidamente não corresponde a tributo, mas a algo pago a título de tributo. A pessoa que pagou não é necessariamente sujeito passivo de tributo, possuindo direito à restituição independentemente de prévio protesto. A rigor, a obrigação de restituir não é tributária, mas sim civil, possuindo fundamento, como já explicado, na vedação ao enriquecimento sem causa. · Súmula 71, STF · Artigo 166, CTN · STF - Súmula 546 - “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum-respectivo”. Indébito: o que não era débito e foi pago, deverá ser restituído. O artigo 165 estabelece as hipóteses de restituição do indébito e o artigo168 estabelece os prazos para pleitear a restituição. Repara que o prazo do artigo 168 é decadencial, enquanto que o prazo do art. 169 é prescricional. Então, o artigo 168, está extinguindo o próprio direito da pessoa e no artigo 169 o prazo que é extinto é o prazo da ação (prazo para agir). Por exemplo: Você inicia uma discussão administrativa e a decisão administrativa vem negativa, ou seja, negando a restituição. Você pagou o tributo, disse que pagou indevido, foi lá, entrou com a ação administrativa de restituição e a administração pública negou. Então, a partir desse momento você tem 2 anos para ingressar com uma ação judicial, chamada ação anulatória da decisão administrativa que te negou a restituição, o prazo do artigo 169, para você entrar com uma ação que queira anular aquela decisão administrativa é um prazo prescricional, que é bem diferente do prazo do artigo 168, que é decadencial. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual fôr a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - êrro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. AgRg no REsp 440.300-SP “Tributário. Compensação. Repetição de indébito. ICMS. Tributo indireto. Transferência de encargo financeiro ao consumidor final. Art. 166 do CTN. Ilegitimidade ativa. 1. ICMS é de natureza indireta, porquanto o contribuinte real é o consumidor da mercadoria objeto da operação (contribuinte de fato) e a empresa (contribuinte de direito) repassa, no preço da mesma, o imposto devido, recolhendo, após, aos cofres públicos o tributo já pago pelo consumidor de seus produtos. Não assumindo, portanto, a carga tributária resultante dessa incidência. 2. Ilegitimidade ativa da empresa em ver restituída a majoração de tributo que não a onerou, por não haver comprovação de que a contribuinte assumiu o encargo sem repasse no preço da mercadoria, como exigido no art. 166 do Código Tributário Nacional. Prova da repercussão. Precedentes. 3. Ausência de motivos suficientes para a modificação d\J julgado. Manutenção da decisão agravada. 4. Agravo Regimental desprovido” (STJ, 1T., AgRg REsp 440.300/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 21.11.2002, DJ 09.12.2002, p. 302). Restituição ICMS energia elétrica: REsp 1.299.303/SC REsp 1.349.196/RJ REsp 255.803/ES STJ - Súmula 188 – “Os juros moratórias, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença”. Prazo para pleitear restituição no âmbito administrativo Da mesma maneira que a Administração Tributária possui prazo (decadencial)para proceder ao lançamento do tributo que considera devido, o sujeito passivo possui um prazo para pleitear administrativamente a restituição (repetição de indébito) do valor que entende ter recolhido indevidamente. A matéria é disciplinada no art. 168 do CTN, cuja redação é a seguinte: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos l e ll do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; Art. 165, inciso I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - êrro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 2 - na hipótese do inciso Ill do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. Art. 165, Inciso III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Artigo 156 II – COMPENSAÇÃO (segunda forma de Extinção) Opera-se a compensação quando “duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra”. A consequência é que as duas obrigações extinguem-se até onde se compensarem (CC, art. 368). A compensação, assim como a moratória (suspensão do crédito) e o parcelamento (suspensão do crédito), exige que uma lei nesse sentido seja criada. Dessa forma, a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Caso o crédito seja vincendo (não esteja vencido), o crédito do sujeito passivo, a lei determinará a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Ademais, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. STJ - Súmula 212 – “A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória”; A explicação da Súmula 212, de não deferir a compensação do crédito tributário baseado em decisão precária (medida liminar, decisão antecipatórias – são atos judiciais precários), são decisões deferidas sem a análise do mérito e podem ser revogadas a qualquer momento. Ou seja, seria uma hipótese de extinção do crédito tributário baseada em uma decisão precária, que pode ser modificada (cassada) a qualquer momento. Se isso acontecer, ou seja, o juízo concede a compensação por medida cautelar e ao final o mérito (trânsito em julgado) diz que não há compensação, vai caçar a decisão que foi baseada na liminar, seria um absurdo, geraria insegurança jurídica. Até uma aberração jurídica, uma vez que o tributo foi extinto será ressuscitado, porque uma medida liminar que autorizava a compensação foi revogado. Foi cassado, então, STJ sabiamente, veda a compensação de baseada em ação cautelar, medida liminar ou por tutela de urgência. “Tributário e processualcivil. Cautelar. Compensação x suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTNJ. LC 104/2001. Aplicação do art. 170-A do CTN. 1. Apesar de o pedido ter sido formulado como de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, encerra a pretensão verdadeiro pedido de compensação, na medida em que se quer deixar de recolher o PIS e a COFINS até o. limite de crédito decorrente do pagamento indevido do FINSOCIAL. 2. Não se há de falar, portanto, em aplicação do art. 151 do CTN e sim do art. 170-A do mesmo diploma, segundo o qual não pode o contribuinte deixar de pagar tributo devido antes do trânsito em julgado da decisão que reconhece a compensabilidade dos créditos. 3. Recurso especial provido”; (STJ, 2.ª T., REsp 352.859, Rei. Min. Eliana Calmon, j. 21.03.2002, DJU 06.05.2002, p. 281). Artigo 156 III – TRANSAÇÃO (Terceira forma de Extinção) Transação é o negócio jurídico em que as partes, mediante concessões mútuas, extinguem obrigações, prevenindo ou terminando litígios ( CC, art.840). Se foi firmado um contrato para a construção de uma casa e, durante a realização da obra, começam a surgir dúvidas e conflitos sobre a correta execução, os interessados podem fazer um acordo extinguindo as obrigações recíprocas, prevenindo um litígio judicial. Caso já houvesse lide instaurada, seria também possível aos contratantes celebrarem um acordo na esfera judicial, terminando o litígio. No primeiro caso, haveria a transação preventiva. No segundo, a terminativa. Em direito tributário, não existe a figura da transação preventiva. Seria bastante perigoso permitir concessões recíprocas entre a Administração Tributária e o particular, sem que houvesse algum processo instaurado. O raciocínio decorre do art. 171 do CTN, cujos dizeres são os seguintes: Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação de litígio e conseqüente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso. No entanto, percebam, a lei não fala se a transação é preventiva ou terminativa. Anotem!!! N direito tributário não existe a figura da transação preventiva. Somente é permitida a transação terminativa. Por que isso? Porque vejam, seria temerário permitir que o gestor público negociasse a extinção do tributo. Ele, o dinheiro não é dele, o dinheiro é público, então ele não pode abrir mão do dinheiro público de acordo com as suas preferências pessoais. Então, seria temerário permitir a transação preventiva. Sendo assim, a lei permite a transação terminativa, ou seja, no curso do litígio, no curso do processo, onde há uma terceira pessoa, que é o juiz, que embora seja alguém que representa o Estado, em tese ele é parcial. Então, entende-se que chances da não observância da moralidade são muito menores na transação terminativa. A principal característica da Transação Tributária é em ser, primordialmente, uma forma de resolução de conflitos fiscais, por meio de concessões mútuas, especialmente quando o fisco observa que há grande risco de não recebimento dos valores devidos, caso não abra mão de uma parcela. Ainda, a mesma lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso. Artigo 156 IV – REMISSÃO (Quarta forma de Extinção) Remissão é a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do devedor. Tratando-se de crédito tributário, devido ao princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a remissão somente pode ser concedida com fundamento em lei específica (CF, art. 150, § 6.0 ). Remissão é, em poucas palavras, o perdão da dívida, a qual deverá, outrossim, ser implementada por lei. Então, o legislativo tem que aprovar uma lei específica para aqueles casos em que se pretende conceder a remissão. Exemplos são os locais onde ocorreram tragédias. As regras gerais sobre a remissão, como forma de extinção do crédito tributário, encontram-se no art. 172 do CTN. Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao êrro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Alguns autores entendem que o perdão de multa seria anistia, sendo a remissão aplicável tão somente a tributos. Raciocínios em sentido contrário, alegam, tornariam o CTN redundante, pois não haveria como diferenciar, tecnicamente, a remissão de multa da anistia. A diferenciação, contudo, é possível. A anistia (sempre referente à multa) será estudada no tópico relativo às formas de exclusão do crédito tributário. Excluir significa impedir o lançamento, evitando o nascimento do crédito. Noutra mão, a remissão é forma de extinção de crédito tributário(referente à multa ou a tributo). Somente se extingue o que já nasceu. Portanto, se o Estado quer perdoar infrações cujas respectivas multas não foram lançadas, deverá editar lei concedendo anistia, o que impedirá o lançamento e o consequente nascimento de crédito tributário. Se a multa foi lançada, já existindo crédito tributário, o perdão somente pode ser dado na forma de remissão, forma extintiva do crédito. Registre-se, por último, que o parágrafo único do art. 172 determina que sejam aplicadas à remissão concedida em caráter individual as regras constantes do art. 155 do CTN. Cumpre ressaltar que a remissão não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, as regras da moratória. IMPORTANTE!!!!!! Outra hipótese de extinção do crédito tributário é a conversão do depósito feito quando da discussão judicial. Ao entrar na justiça para reclamar, o contribuinte para ter a supensão da exigibilidade do crédito ele faz o depósito do valor integral. Enquanto o processo está em andamento, há a suspensão da exigibilidade do crédito, mas o crédito continua existindo. Ao final do processo, se o juiz mandar converter o depósito em reda, ou seja, manda o valor do depósito para a conta do credor (fazenda pública), nesse monento, deixa de ser caso de supensão de exigibilidade e passa a ser caso de extinção do crédito tributário. O valor que foi feito em depósito passou a ser o pagamento do crédito. Outra hipótese de pagamento antecipado é o lançamento por homologação, que é o exemplo do Imposto de Renda, o contribuinte apura o valor a ser pago, paga e envia para a receita federal, eles fazem o lançamento por homologação e há a extinção do crédito tributário Artigo 156 V – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA (Quinta forma de Extinção) Ver atigos 189/206 do Código Civil/2002 Prescrição atinge o direito de ação, artigo Decadência também chamado de Caducidade ou prazo extintivo, é o direito outorgado para ser exercido em determinado prazo, caso não seja exercido, extingui-se. Decadência é a perda de um direito que não foi exercido pelo seu titular no prazo previsto em lei; é a perda do direito em si, em razão do decurso do tempo. Na decadência, o prazo nem se interrompe, e nem se suspende (CC, art.207), corre indefectivelmente contra todos e é fatal, e nem pode ser renunciado (CC, art.209). Já a ção, pode ser interrompida ou suspensa, e é renunciável. Prescrição, segundo Beviláqua, é a perda da ação atribuída a um direito e de toda sua capacidade defensiva, devido ao não-uso delas, em um determinado espaço de tempo. Prescrição é a perda de uma pretensão de exigir de alguém um determinado comportamento; é a perda do direito à pretensão em razão do decurso do tempo. Atenção: A prescrição atinge a ação e por via oblíqua faz desaparecero direito por ela tutelado; já a decadência atinge o direito e por via oblíqua, extingue a ação. A prescrição resulta somente de disposição legal; a decadência resulta da lei, do contrato e do testamento. A prescrição é só de direitos subjetivos patrimoniais e relativos, ou seja, nem todo direito subjetivo prescreve. Não prescrevem os direitos subjetivos extrapatrimoniais e absolutos. Toda decadência é um direito potestativo, mas nem todo direito potestativo submete-se à decadência, porque aqueles que não possuem prazo prescrito em lei não podem decair. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere êste artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nêle previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso do Lançamento por Homologação, Doutrina esmagadora tem entendido que o passar do prazo para a homologação, sem que esta tenha sido expressamente realizada, não apenas configura homologação tácita, mas também decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a qualquer diferença entre o valor antecipado pelo sujeito passivo e aquele que a Administração Tributária entende devido. O que decai, na realidade, é o direito de a Administração Tributária lançar de ofício as diferenças apuradas, caso viesse a deixar de "homologar” o lançamento. Assim, passado o prazo sem qualquer providência, o lançamento por homologação reputa-se legalmente efetuado. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (…) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será êle de cinco anos, a contar da ocorrência do l; expirado êsse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, em relação ao artigo 173 do CTN, o direito da Fazenda Pública se extingui se não houver o lançamento do crédito tributário. Ex. Uma pessoa compra um imóvel, a Fazenda Pública tem 5 anos para fazer o lançamento e constituir o crédito tributário, se não ocorre o lançamento dentro do prazo, opera a decadência. O artigo 189 do CC/2002, nos ensina que: Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. Decadência é, antes de mais nada, o prazo que a Fazenda possui para constituir o crédito tributário por meio do lançamento. Já a prescrição é o prazo que a Fazenda possui para cobrar o sujeito passivo do crédito lançado. Ambas, aliás, são modalidades de extinção. Resumindo: Antes do Lançamento temos o prazo decadencial e após o lançamento temos o prazo prescricional. O lançamento é exatamente o marco que separa, na linha do tempo, a prescrição da decadência. Assim, antes do lançamento, conta-se o prazo decadencial (que é, em suma, o prazo para que o Fisco exerça o direito de lançar). Quando o lançamento validamente realizado se torna definitivo, não mais se fala em decadência (pois o direito do Estado foi tempestivamente exercido), passando-se a contar o prazo prescricional (para propositura da ação de execução fiscal). Prescrição: Artigo 174 do CTN Interrupção da Prescrição: Artigo 174, PÚ do CTN O prazo é integralmente devolvido à Fazenda Pública Obs.: Apenas o inciso IV trata de hipótese extrajudicial Suspensão da Prescrição sem preivão no CTN: Artigo 155, PÙ; artigo 151 Devolve-se à Fazenda Pública apenas o prazo que deixou de fluir em razão da suspensão OBS.: Nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário suspende-se a prescrição, eis que o credor está legalmente impedido de exigir o referido crédito. Na Lei 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais - LEF), no seu artigo 2º, §3º, prevê que a inscrição do crédito tributário em dívida ativa "'suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo''. No âmbito do STJ, contudo, tem-se entendido que a LEF não poderia estipular causa de suspensão do prazo prescricional não prevista no CTN (que tem status de lei complementar), de forma que a previsão não poderia ser aplicada para as execuções fiscais da dívida ativa de natureza tributária (STJ, 1ª T., REsp 249.262/DF, Rei. Min. José Delgado, j. 18.05.2000, DJU 19.06.2000, p. 120). A LEF, no seu art. 40, trouxe mais um caso de suspensão do prazo prescricional. Pela peculiaridade da previsão, transcreve-se o dispositivo: "Art. 40. O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa· recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição. VER PARÁGRAFOS: (suspensão por prazo indefinido???) Todavia, novamente, mantendo sua coerência com relação à matéria de prescrição, o STJ tratou de afastar a tese fiscal. Neste sentido, é extremamente pedagógico o seguinte fragmento (AGREsp 323.442/SP = AgRg no Resp 323.442/SP = Agravo Regimental no Recurso Especial) Resposta do TJSP: “O art. 40 da Lei 6.830/1980 (LEF), nos termos em que foi admitido em nosso ordenamento jurídico, não tem prevalência. A sua aplicação há de sofrer os limites impostos pelo art. 174, do Código Tributário Nacional. 4. Repugna aos princípios informadores do nosso sistema tributário a prescrição indefinida. 5. Após o decurso de determinado tempo sem promoção da parte interessada, deve-se estabilizar o conflito, pela via de prescrição, impondo segurança jurídica aos litigantes. 6. Os casos de interrupção do prazo prescricional estão previstos no art. 174 do CTN, nele não incluídos os do art. 40 da Lei 6.830/1980. Há de ser sempre lembrado que o art. 174 do CTN tem natureza de Lei Complementar". Prescrição Intercorrente CPC, art. 921; CLT art. Atualmente o art. 40 da LEF conta com mais um parágrafo, incluído pela Lei 11.501/2004. O novo dispositivo acaba com qualquer pretensão no sentido de se entender que a regra prevista no art. 40 cria caso de imprescritibilidade. É a seguinte a redação do dispositivo: "Art. 40. ( ... ) § 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato". O STJ não demorou a analisar a matéria: "A jurisprudência do STJ, no período anterior à Lei 11.051/2004, sempre foi no sentido de que a prescrição intercorrente em matéria tributária não podia ser decretada de ofício. 2 - O atual §4º do art. 40 da LEF (Lei 6.830/1980), acrescentado pela Lei 11.051, de 30.12.2004 (art. 6º), viabiliza a decretação da prescrição intercorrente por iniciativa judicial, com a única condição de ser previamente ouvida a Fazenda Pública, permitindo-lhe arguir eventuais causas suspensivas ou interruptivas do prazo prescricional. Tratando-se de norma de natureza processual, tem aplicação imediata, alcançando inclusive os processos em curso. ( .. .)"(STJ, 1ª T., REsp 735.220/RS, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, j. 03.05.2005, DJ 16.05.2005, p. 270). Exemplo: a Fazenda Pública entrou com a ação de execução fiscal dentro do prazo, mas no curso da execução não logrou exito. Poderá decretar a Prescrição intercorrente. Prescrição intercorrente é a perda do direito de ação no curso do processo, em razão da inércia do autor da ação,que não praticou os atos necessários para seu prosseguimento e deixou a ação paralisada por tempo superior ao máximo previsto em lei. Andamento do Processo n. 0001987-52.2018.8.26.0451 - Cumprimento de Sentença - 06/03/2018 do TJSP – (PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE). - ADV: SAMANTHA ZROLANEK REGIS (OAB 200050/SP), MARCELO ZROLANEK REGIS (OAB 278369/SP) Piracicaba...; C) decorrido o prazo de um (01) ano sem manifestação da parte exequente, começa a correr o prazo de prescrição intercorrente. Prazos: Súmula 150, STF. Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação. Em matéria tributária: Utilizando um parâmetro mais técnico para diferenciar prescrição ·e decadência quanto à essência, pode-se afirmar que a prescrição extingue direitos a uma prestação (que podem ser violados pelo sujeito passivo), enquanto a decadência extingue direitos potestativos (invioláveis). Assim, o direito de lançar é potestativo, sendo sujeito à decadência; já o direito de receber o valor lançado é direito a uma prestação, estando a ação que o protege sujeita à prescrição. Cuidado!!!! A Súmula 106 do STJ diz que: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição” Decadência: O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (fazer o lançamento) extingue-se após 5 anos, contados: · do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; · da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Caso o sujeito passivo já tenha sido notificado, a contagem da decadência será contada da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Prescrição A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 anos, contados da data da sua constituição definitiva. Por fim, a prescrição se interrompe: · pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; · pelo protesto judicial; · por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; · por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Artigo 156 VI – CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA (Sexta forma de Extinção) Lembra-se de que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito? Pois então, caso o recurso seja julgado (administrativa ou judicialmente) procedente, o valor depositado será convertido em renda, e o tributo devido será extinto. Artigo 156 VII – PAGAMENTO ANTECIPADO E HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO (Sétima forma de Extinção) De modo análogo ao item anterior, o lançamento por homologação é aquele em que o sujeito passivo adianta o pagamento do valor devido, certo? Dessa forma, a autoridade administrativa, ao homologar o lançamento e verificar que os valores estão corretos, extinguirá o crédito tributário. Artigo 156 VIII – CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (Oitava forma de Extinção) Consignação em pagamento julgada pela procedência – art. 164 do CTN A ação de consignação em pagamento é o meio processual adequado para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pagar e obter a quitação do tributo, quando tal providência está sendo obstada por fato imputável ao credor. Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I - de recusa de recebimento, ou subordinação dêste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sôbre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Pode parecer estranho se falar em direito de pagar, quando normalmente se falaria em dever. Há de se recordar, contudo, que o sujeito passivo tem legítimo interesse em proceder ao pagamento tempestivamente, uma vez que os efeitos da mora em direito tributário são automáticos, fazendo com que o adimplemento extemporâneo tenha como consectário a incidência de juros e multa. A primeira observação relevante é que, o consignante deposita o valor que entende devido e não aquele exigido pelo Fisco. Essa é uma distinção fundamental entre o depósito do montante integral, causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e o depósito feito a título de consignação em pagamento, cujo julgamento pela procedência é causa de extinção do crédito tributário. É por conta da diferença apontada que, ao fim da discussão que sucede ao depósito do montante integral, caso haja insucesso do depositante, o crédito tributário será extinto na sua integralidade, não havendo diferença a ser cobrada, pois o valor depositado era o exigido pelo Fisco. Já na consignação em pagamento, caso haja insucesso do particular, o pagamento não se reputa efetuado, tendo o particular de arcar com os acréscimos legais relativos à diferença. Artigo 156 IX – DECISÃO ADMINISTRATIVA IRREFORMÁVEL (Nona forma de Extinção) Artigo 156 X – DECISÃO JUDICIAL PASSADA EM JULGADO (Décima forma de Extinção) Artigo 156 XI – DAÇÃO EM PAGAMENTO EM BENS IMÓVEIS (Décima primeira forma de Extinção) OBS.: Não confundir com penhora de bens Segundo lição civilista, a dação em pagamento é a forma de extinção das obrigações em que o credor consente em receber do devedor prestação diversa da que lhe é devida. Em direito tributário, a prestação devida pelo sujeito passivo é pecuniária, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir (CTN, art. 30), de forma que haverá dação em pagamento quando o Estado consentir em extinguir o crédito tributário mediante o recebimento de algo que não seja dinheiro. Conforme consta do art. 156, XI, do CTN, a prestação substitutiva do pagamento em dinheiro somente poderá ser a entrega de um bem imóvel. Há uma discussão sobre a possibilidade de quitação de crédito tributário mediante dação em pagamento em bens móveis, títulos ou direitos. A celeuma novamente remete para a questão de a lista de hipóteses extintivas do crédito ser taxativa ou exemplificativa. Conforme já estudado, tem-se entendido pela taxatividade do rol, em virtude de o art. 141 do Código estipular que o crédito tributário regularmente constituído somente se _modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos no CTN, o que impede que novas hipóteses sejam criadas, salvo mediante a utilização de lei complementar de caráter nacional, alterando o próprio Código. CTN, Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído sòmente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Assim, tem-se entendido que o rol, do artigo 156 para a extinção do crédito tributário, é taxativo, de forma que somente é possível a extinção de crédito tributário mediante dação em pagamento de bens imóveis, jamais de móveis. Outras hipóteses: · A conversão de depósito em renda; · O pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; · A consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; · A decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; · A decisão judicial passada em julgado. 3. Exclusão do crédito tributário – art. 175 a 182, CTN Excluiro crédito tributário significa impedir a sua constituição. Trata-se de situações em que, não obstante a ocorrência do fato gerador e o consequente nascimento da obrigação tributária, não pode haver lançamento, de forma que não surgirá crédito tributário, não existindo, portanto, obrigação de pagamento. Assim, é possível afirmar que cláusulas excludentes (isenção e anistia) impedem a normal sucessão de fatos, na linha do tempo do fenômeno jurídico tributário, pois o procedimento do lançamento, com o consequente nascimento do crédito tributário, é evitado. Conforme previsto no art. 175 do CTN, somente existem duas hipóteses de exclusão do crédito tributário, quais sejam, a isenção e a anistia. A diferença fundamental entre ambas é que a isenção exclui crédito tributário relativo a tributo, enquanto a anistia exclui crédito tributário relativo à penalidade pecuniária. Em ambos os casos, apesar de haver dispensa legal do pagamento (do tributo ou da multa), não se dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela seja consequente. Isenção É a dispensa legal do pagamento do tributo devido. Segundo a tese que prevaleceu no Judiciário, a isenção não é causa de não incidência tributária, pois, mesmo com a isenção, os fatos geradores continuam a ocorrer, gerando as respectivas obrigações tributárias, sendo apenas excluída a etapa do lançamento e, por conseguinte, a constituição do crédito. Isenção prevista em contrato O art. 176 do CTN apenas reafirma a regra ao estipular que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Isenção em caráter geral Haverá isenção concedida em caráter geral quando o benefício atingir a generalidade dos sujeitos passivos, sem necessidade da comprovação por parte destes de alguma característica pessoal especial. Como exemplo, tem-se a isenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos da caderneta de poupança. Isenção em caráter individual Haverá isenção em caráter individual quando a lei restringir a abrangência do benefício às pessoas que preencham determinados requisitos, de forma que o gozo dependerá de requerimento formulado à Administração Tributária no qual se comprove o cumprimento dos pressupostos legais (STJ: REsp 196.473). Como exemplo, tem-se a isenção de !PI e IOF concedida aos deficientes físicos para que adquiram veículos adaptados às suas necessidades especiais. Perceba-se que, nesse caso, o gozo do benefício depende da comprovação da condição pessoal de deficiente físico. Revogação da Isenção – artigo 178 do CTN Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) STF - Súmula 544 - "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". Anistia Anistia é o perdão legal de infrações, tendo como consequência a proibição de que sejam lançadas as respectivas penalidades pecuniárias. Imunidade Sempre que a Constituição Federal diretamente limita a competência tributária atribuída aos entes políticos, está conferindo uma imunidade. Teoricamente, as regras imunizantes podem suprimir a competência tributária para quaisquer espécies tributárias, bastando a respectiva previsão constitucional. Na atual Carta Magna, a título de exemplo, existem imunidades relativas a taxas (CF, art. 5.0 , XXXIV), impostos (CF, art. 150, VI), e contribuições para a seguridade social (CF, art. 195, § 7.0 ). As mais importantes imunidades, contudo, são aquelas constantes do art. 150, VI, da CF/1988. Estas, como deixa claro a redação constitucional, são aplicáveis exclusivamente aos impostos. “Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. A imunidade prevista no art. 150, Vl, b, CF, deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços 'relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas'. O § 4.0 do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas b e e do inciso VI do art. 150 da CF. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas" (STF, Tribunal Pleno, RE 325.822/SP, Rei. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ acórdão Min. Gilmar Mendes, j. 18.12.2002, DJ 14.05.2004, p. 33). Súmula Vinculante 57: "A imunidade tributária constante do artigo 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias". Resumidamente: Isenção – exclui o valor do tributo Anistia - exclui o valor da penalidade (multa…), ou seja, impede a punibilidade Exemplo: O contribuinte tem uma dívida de R$ 1.000,00 de tributo e com a multa totalizou R$ 1.300,00. Se o contribuinte tiver isenção, ele pagará apenas o valor da multa que é de R$ 300,00. No caso de anistia, o contribuinte pagará apenas o valor do tributo que é de R$ 1.000,00 Isenção tem que estar prevista em lei, ou seja, salientar que a isenção deverá ser sempre veiculada por lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Pergunta Professor: Foi estabelecido por Lei uma determinada isenção pelo período de 5 anos (isenção por prazo certo = isenção onerosa). Com a mudança do governo, a lei de isenção foi revogada. Como a isenção foi por tempo certo, pode ocorrer revogação da isenção se a lei foi revogada antes do prazo da isenção? A lei pode ser revogada , mas a isenção Não Lembre-se que não há impedimento, como regra geral, à revogação de isenção. Prevê o CTN, em seu art. 178, que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições. Assim, somente a isenção alcunhada de onerosa, ou seja, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, não poderá ser revogada. É nesse sentido, inclusive, entendimento sumulado do STF. Com relação às demais isenções (não-onerosas), ganha importância a presente discussão. Conforme começamos, sempre devemos ir à raiz da relação jurídico-tributária: o fato gerador, que decorre da hipótese de incidência, situação descrita na lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária principal. Como a obrigação tributária principal, por si só, é insuficiente para cobrar o sujeito passivo (o contribuinte ou responsável), é necessária a constituição do crédito tributário, através do procedimento administrativo denominado lançamento, que formaliza a obrigação, dotando-a de liquidez (quanto ao valor) e certeza (quanto à obrigação). Entretanto, existem situações em que o lançamento não pode ser realizado, estando entre essas situações a imunidade, a não-incidência e a exclusão do crédito tributário. A exclusão do crédito tributário é um instituto diferente dos dois anteriores. As situações previstas estão dentro do campo de incidência da lei tributária, a obrigação surge quando da ocorrência do fato gerador, mas a lei retira do ente tributante a prerrogativa do lançamento tributário – ato que efetivamente constitui o crédito tributário. Desta forma, o lançamento é excluído do processo, de maneira que esse crédito tributário não será formado enquanto vigente a lei que excluiu tal lançamento. As formas de exclusão do crédito tributário presentes na lei n. 5.172/1966, o Código Tributário Nacional (CTN) são a isenção e a anistia. De acordo com o CTN, a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. A exclusão do crédito tributário, seja pela isenção, seja pela anistia,