Prévia do material em texto
Pós-graduação em “Prática em Advocacia Trabalhista e Previdenciária” Disciplina: “FONTES DE CUSTEIO: contribuições previdenciárias e suas alíquotas, COFINS, CSLL, concurso de prognósticos e PIS/PASEP” Prof. Dr. João Batista Lazzari FONTES DE CUSTEIO CF - Art. 194, parágrafo único: VI - Diversidade da Base de Financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social (redação dada pela EC 103/2019); Embasamento Constitucional – Art. 195 O modelo de financiamento: Sistema Contributivo. - Princípio da Universalidade do Custeio ou Solidariedade: Dever imposto a toda a sociedade, de forma direta e indireta. - Orçamento da Seguridade Social: é autônomo, não se confundindo com o orçamento do Tesouro Nacional. Vedação da destinação de recursos das contribuições sociais, incidentes sobre a folha de salários e sobre o rendimento do trabalho, para cobrir outras despesas que não os benefícios previdenciários. RGPS – CARÁTER CONTRIBUTIVO CF - Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a: (Redação dada pela EC nº 103, de 2019) CONTRIBUINTES DA SEGURIDADE SOCIAL A Constituição, ao delinear o âmbito das contribuições para a Seguridade Social, no art. 195, I, II, III e IV, estabeleceu quem são os contribuintes do sistema: — o empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada; — o trabalhador e os demais segurados da Previdência Social; — os apostadores de concursos de prognósticos; — o importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Constituem contribuições sociais aquelas exigidas com base nas leis que as instituíram e estão agrupadas no Regulamento da Previdência Social (parágrafo único do art. 195 do Decreto nº 3.048/1999): – as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados e demais pessoas físicas a seu serviço, mesmo sem vínculo empregatício; – as dos empregadores domésticos, incidentes sobre o salário de contribuição dos empregados domésticos a seu serviço; – as dos trabalhadores, incidentes sobre seu salário de contribuição; (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (...) – as das associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional, incidentes sobre a receita bruta decorrentes dos espetáculos desportivos de que participem em todo o território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos; – as incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural; – as das empresas, incidentes sobre a receita ou o faturamento e o lucro; – as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. CONTRIBUIÇÕES DO EMPREGADOR, DA EMPRESA E DA ENTIDADE EQUIPARADA CF - Art. 195. (...) I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento (será substituída pelo CBS em 2027); c) o lucro; IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. V - sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar. (Incluído pela EC nº 132, de 2023) Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social (art. 22 da Lei n. 8.212/91) I – 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços; III – 20% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; - Nota: instituições financeiras tem acréscimo de 2,5% nessas alíquotas. Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social (art. 22 da Lei n. 8.212/91) STF – RG – 204: “É constitucional a previsão legal de diferenciação de alíquotas em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários de instituições financeiras ou de entidades a elas legalmente equiparáveis, após a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998” STF – RG 470: “É constitucional a contribuição adicional de 2,5% (dois e meio por cento) sobre a folha de salários instituída para as instituições financeiras e assemelhadas pelo art. 3º, § 2º, da Lei 7.787/1989, mesmo considerado o período anterior à Emenda Constitucional 20/1998.” Contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social (art. 22 da Lei n. 8.212/91) GILRAT (antigo SAT)- Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho 1% (risco leve), 2% (risco médio) ou 3% (risco grave) incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços. Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco contida no Anexo V do Decreto 3.048, de 1999. FAP - Fator Acidentário de Prevenção Afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT. FAP - Fator Acidentário de Prevenção STF ADI 4.397 + RE 677.725 (RG 554) TESE FIXADA: “O Fator Acidentário de Prevenção (FAP), previsto no art. 10 da Lei nº 10.666/2003, nos moldes do regulamento promovido pelo Decreto 3.048/99 (RPS) atende ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, CRFB/88)” FAP - Fator Acidentário de Prevenção As empresas devem obter o coeficiente FAP mediante CNPJ + senha no site www.previdencia.gov.br, para informá-lo no campo próprio na GFIP. Nota: Como regra geral, o FAP divulgado no ano corrente (no mês de setembro) será aplicado para todo o ano seguinte. FAP - Fator Acidentário de Prevenção Exemplo: Banco Azul S/A RAT: 3% FAP: 1,3452 Folha de Pagamento/GPS - RAT 3% x FAP 1,3452 = 4,0356 (alíquota a ser aplicada no programa de folha de pagamento/GPS, resultado da multiplicação RAT x FAP ) - quatro casas decimais https://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoes-e-demonstrativos Contribuição para o financiamento da aposentadoria especial - A Lei nº 9.732, de 11.12.1998, ao dar nova redação ao art. 57 da Lei nº 8.213/1991, alterando o § 6º e incluindo os §§ 7º e 8º, elevou as alíquotas de contribuição das empresas que expõem o trabalhador à situação de risco de acidentes e doenças ocupacionais. - As alíquotas de contribuição foram acrescidas de 12%, 9% ou 6%, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa que permita a concessão de aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de contribuição, respectivamente. - O referido acréscimo incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Contribuição p/o financiamento da aposentadoria especial A Lei nº 10.666, de 08.05.2003, em seu art. 1º, reconheceu o direito à aposentadoria especial de segurados contribuintes individuais, membros associados a cooperativas de trabalho, que atuem em atividades consideradas nocivas à saúde ou à integridade física. Com isso, dispôs que “será devida contribuição adicional de 9%, 7% ou 5%, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiadoà cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou 25 anos de contribuição, respectivamente” e - “será devida contribuição adicional de 12%, 9% ou 6%, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após 15, 20 ou 25 anos de contribuição, respectivamente” (art. 1º, §§ 1º e 2º). Contribuição p/o financiamento da aposentadoria especial Não será devida a contribuição adicional quando a adoção de medidas de proteção coletiva ou individual neutralizar ou reduzir o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial, conforme previsto em Instrução Normativa da RFB ou em ato que estabeleça critérios a serem adotados pelo INSS, desde que a empresa comprove o gerenciamento dos riscos e a adoção das medidas de proteção recomendadas. Contribuição do Empregador Doméstico Considera-se empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico (art. 15, II, da Lei nº 8.212/1991). A LC nº 150/2015, em seu art. 34, II,16 reduziu a alíquota do empregador doméstico para 8% sobre o salário de contribuição, e criou nova contribuição para custeio de benefícios por acidentes do trabalho, cuja alíquota será de 0,8% sobre o salário de contribuição. Não há contribuição do empregador doméstico, contudo: durante os períodos em que o empregado doméstico esteja em fruição de auxílio-doença, auxílio-reclusão ou aposentadoria por invalidez; e ainda, sobre o período de fruição de salário-maternidade, por força da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade desta incidência (RE nº 576.967, com repercussão geral reconhecida (Tema 72). Contribuição do empregador rural pessoa jurídica O empregador rural constituído em pessoa jurídica contribui para a Seguridade Social sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Por força da alteração legislativa prevista na Lei nº 13.606, de 2018, a contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, passou a ser a seguinte (art. 25 da Lei nº 8.870/1994): Art. 25. (...) I – 1,7% (um inteiro e sete décimos por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; e II – um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Contribuição do empregador rural pessoa jurídica O produtor rural pessoa jurídica pode optar por contribuir com base na folha de salários a partir de 01.01.2019, devendo manifestar sua opção mediante pagamento da contribuição relativa a janeiro de cada ano (art. 25, § 7º, da Lei nº 8.870/1994, incluído pelo art. 15 da Lei nº 13.606/2018). O empregador rural pessoa jurídica e o produtor rural classificado como agroindústria contribuem, ainda, com 0,25% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA E O FATURAMENTO – COFINS E PIS/PASEP As contribuições instituídas com base de cálculo incidente sobre a receita e o faturamento são a Cofins e o PIS/Pasep. Dica: A Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) irá substituir a COFINS e o PIS/PASEP a partir de janeiro de 2027. A transição será gradual, com a implementação completa prevista para 2033 (LC nº 214/2025). Enquanto isso, permanecem vigentes. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA E O FATURAMENTO – COFINS E PIS/PASEP − Regime de apuração da Cofins e do PIS/Pasep Duas são as sistemáticas ou os regimes de apuração aplicáveis a estas duas contribuições sociais. Os contribuintes no regime de apuração cumulativa são as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda tributadas pelo referido imposto com base no lucro presumido ou arbitrado, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA E O FATURAMENTO – COFINS - A Lei Complementar nº 70, de 30.12.1991, instituiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), revogando tacitamente o art. 23, I, da Lei nº 8.212/1991, que tratava do FINSOCIAL. - Contribuintes A Cofins é devida pelas pessoas jurídicas, inclusive entidades a elas equiparadas pela legislação do Imposto sobre a Renda. - Base de cálculo A Cofins, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA E O FATURAMENTO – COFINS - Alíquota e periodicidade da Cofins Na maioria das vezes, a alíquota aplicável da Cofins (inclusive a devida na importação) é de 7,6%, havendo, todavia, exceções para determinados produtos, por políticas aduaneiras que de tempos em tempos são objeto de regulamentação, devendo ser consultado, para conhecimento das alíquotas diferenciadas, o site da Receita Federal do Brasil. Para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa, a base de cálculo é a totalidade das receitas auferidas no mês, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976. COFINS - Alíquota e periodicidade da Cofins Para as pessoas jurídicas sujeitas à cumulatividade, a base de cálculo é o faturamento mensal, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, com redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014. Para empresas sujeitas à sistemática não cumulativa, as alíquotas da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras foram reduzidas a: − 0,65% e 4,00%, respectivamente, para os fatos geradores ocorridos a partir de julho de 2015 (essas reduções não se aplicam aos juros sobre o capital, sobre os quais, no regime de apuração não cumulativa, fica mantida a alíquota em 7,6%). - Para as empresas submetidas à sistemática cumulativa, não incidem as contribuições sobre as receitas financeiras exceto quando estas forem oriundas do exercício da atividade empresarial. COFINS - Jurisprudência Sumulada STF: Repercussão Geral – Tema 34: “É constitucional a previsão em lei ordinária que introduz a sistemática da não-cumulatividade a COFINS dado que observa os princípios da legalidade, isonomia, capacidade contributiva global e não-confisco.” STJ Súmula 423: “A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis. STJ Súmula 508: “A isenção da COFINS concedida pelo artigo 6º, II, da LC nº 70/1991 às sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/1996.” STJ Súmula 584: “As sociedades corretoras de seguros, que não se confundem com as sociedades de valores mobiliários ou com os agentes autônomos de seguro privado, estão fora do rol de entidades constantes do art. 22, § 1º, da Lei no 8.212/1991, não se sujeitando à majoração da alíquota da COFINS prevista no art. 18 da Lei no 10.684/2003.” PIS/Pasep O Programa de Integração Social (PIS) foi criado pela Lei Complementar nº 7, de 07.09.1970, e o Programa de Formação do Patrimônio (Pasep) do servidor público foi instituído pela LeiComplementar nº 8, de 03.12.1970. Essas normas foram recepcionadas pela Constituição de 1988, consoante decisão do STF proferida no Recurso Extraordinário nº 169.091, em 07.06.1995, tendo como relator o Ministro Sepúlveda Pertence. A base da exigência está no art. 239 da Constituição de 1988. PIS/Pasep Contribuintes As contribuições para o PIS/Pasep estão reguladas pela Lei nº 9.715, de 25.11.1998, e pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998. Essas normas aplicam-se às pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda, independentemente de sua denominação ou classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. Há, ainda, regime de substituição tributária para algumas atividades, como os comerciantes atacadistas de cigarros e distribuidores de derivados de petróleo, por regulamentações específicas, devendo ser consultado, para conhecimento das alíquotas diferenciadas, o site da Receita Federal do Brasil. PIS/Pasep Alíquotas, base de cálculo e periodicidade do PIS/Pasep A alíquota do PIS/Pasep, quando incidente sobre a receita, em regra é de 0,65%, salvo em relação às operações cujos percentuais são diferenciados (Lei nº 9.715/1998, art. 8º, Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 1º, e Lei nº 9.718/1998, art. 8º). A alíquota do PIS/Pasep não cumulativa, incidente sobre a receita auferida pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, tributadas com base no lucro real, é de 1,65%, desde 01.09.2002 (Lei nº 9.715/1998, art. 2º, inciso I, e Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). PIS/Pasep Jurisprudência sobre o tema STF: Repercussão Geral – Tema nº 323: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep” (Leading Case: RE nº 599.362 ED/RJ, rel. Min. Dias Toffoli, DJe 08.11.2016). STJ: Súmula n. 77: “A Caixa Econômica Federal é parte ilegítima para figurar no polo passivo das ações relativas às contribuições para o fundo PIS/PASEP.” Cofins-Importação e PIS/Pasep-Importação O art. 1º da Lei nº 10.865/2004 instituiu o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição, observado o disposto no seu art. 195, § 6º (anterioridade nonagesimal). A Cofins-Importação e o PIS-Importação são contribuições incidentes sobre a importação de produtos estrangeiros. Essas contribuições dão tratamento tributário isonômico entre os bens produzidos no País, que sofrem a incidência dessas contribuições, e os bens importados, que são tributados às mesmas alíquotas dos bens nacionais. Tais contribuições sociais atendem também ao princípio da não cumulatividade e, assim, os valores pagos no momento da importação podem ser creditados pelo importador para posterior compensação com as contribuições por ele devidas. Cofins-Importação e PIS/Pasep-Importação O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação é: a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. A alíquota principal do PIS/Pasep-Importação é de 1,65% e da Cofins-Importação é de 7,6%. No entanto, o art. 8º da Lei nº 10.865/2004 estabelece alíquotas diferenciadas no caso de importação de alguns produtos, tais como farmacêuticos, perfumaria, máquinas e veículos, gasolinas e suas correntes, autopeças, papel, entre outros. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) A CSLL está fundamentada no art. 195, I, c, da Constituição Federal, e a cobrança foi instituída pela Lei nº 7.689, de 15.12.1988. Estão sujeitas ao pagamento da CSLL as pessoas jurídicas e as pessoas físicas a elas equiparadas, domiciliadas no País. A alíquota da CSLL é de 9% para as pessoas jurídicas em geral e possui alíquotas variadas no caso das pessoas jurídicas consideradas instituições financeiras, as de seguros privados e de capitalização, entre outras, conforme definição dada pela Lei nº 14.183/2021, que alterou o art. 3º da Lei nº 7.689/1988. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Destaca-se que o STF restabeleceu a vigência de dispositivo da Lei nº 14.183/2021 que excluiu a isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações com petróleo e derivados por empresas da Zona Franca de Manaus (ADPF nº 893, julgada procedente na sessão virtual encerrada em 20.06.2022). A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988). São aplicadas à CSLL, no que couber, as disposições da legislação do imposto sobre a renda referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da referida contribuição (Lei nº 7.689, de 1988, art. 6º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 57). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) São isentas da CSLL as entidades fechadas de previdência complementar, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002. A periodicidade de apuração é mensal, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e a fiscalização dessas contribuições. A jurisprudência, até a Repercussão Geral sobre o tema, vinha no sentido de negar imunidade tributária da contribuição em apreço às operações de exportação. Todavia, a LC nº 214/2025 passou a prever em seu art. 79 que: “São imunes ao IBS e à CBS as exportações de bens e de serviços para o exterior, nos termos do art. 8º desta Lei Complementar, asseguradas ao exportador a apropriação e a utilização dos créditos relativos às operações nas quais seja adquirente de bem ou de serviço, observadas as vedações ao creditamento previstas nos arts. 49 e 51, as demais disposições dos arts. 47 e 52 a 57 desta Lei Complementar e o disposto neste Capítulo”. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Jurisprudência sobre o tema IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVATRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA– LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIALSOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (STF, RE 564.413, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 3.11.2010, em Repercussão Geral). OUTRAS FONTES – LEI COMPLEMENTAR Além das contribuições referidas, deve-se acrescentar a do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar, acrescentada pela Emenda Constitucional nº 42/2003 e regulada pela Lei nº 10.865/2004 e suas modificações. As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social previstas nos incisos I, II, III e IV do art. 195 da Constituição podem ser instituídas por lei ordinária. Todavia, para a instituição de outras fontes de custeio, destinadas a garantir a manutenção ou expansão da Seguridade Social, estabeleceu o constituinte de 1988, no § 4º do art. 195, que deve ser obedecido o disposto no art. 154, I, que estabelece: Art. 154. A União poderá instituir: I – mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição. ATENÇÃO PARA A REFORMA TRIBUTÁRIA - EC 132/2023! Art. 195. (...) V - sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar (incluído p/EC 132/23). LC Complementar n. 214, de 16/01/2025 Art. 1º Ficam instituídos: (...)II - a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), de competência da União, de que trata o inciso V do caput do art. 195 da Constituição Federal. A CBS irá substituir o PIS e a COFINS, a partir de 01/2027! Atenção para a Reforma Tributária - EC 132/2023! A CBS incide sobre operações onerosas com bens ou com serviços, e as operações não onerosas com bens ou com serviços serão tributadas nas hipóteses expressamente previstas na referida Lei Complementar (art. 4º e § 1º da LC nº 214/2025). Considera-se operação onerosa com bens ou com serviços qualquer fornecimento com contraprestação, nos termos do § 2º do art. 4º da LC nº 214/2025, incluindo o decorrente de: I – compra e venda, troca ou permuta, dação em pagamento e demais espécies de alienação; II – locação; III – licenciamento, concessão, cessão; IV – mútuo oneroso; V – doação com contraprestação em benefício do doador; VI – instituição onerosa de direitos reais; VII – arrendamento, inclusive mercantil; e VIII – prestação de serviços. Atenção para a Reforma Tributária - EC 132/2023! Reza o art. 5º da LC nº 214/2025 que o IBS e a CBS também incidem sobre as seguintes operações: I – fornecimento não oneroso ou a valor inferior ao de mercado de bens e serviços, nas hipóteses previstas nesta Lei Complementar; II – fornecimento de brindes e bonificações; III – transmissão, pelo contribuinte, para sócio ou acionista que não seja contribuinte no regime regular, por devolução de capital, dividendos in natura ou de outra forma, de bens cuja aquisição tenham permitido a apropriação de créditos pelo contribuinte, inclusive na produção; e IV – demais fornecimentos não onerosos ou a valor inferior ao de mercado de bens e serviços por contribuinte a parte relacionada. Atenção para a Reforma Tributária - EC 132/2023! Porém, conforme o § 1º do art. 5º da LC nº 214/2025, o disposto no inciso II acima não se aplica às bonificações que constem do respectivo documento fiscal e que não dependam de evento posterior; e aplica-se ao bem dado em bonificação sujeito a alíquota específica por unidade de medida, inclusive na hipótese do inciso I supra. O art. 10 da LC nº 214/2025 reputa ocorrido o fato gerador da CBS no momento do fornecimento nas operações com bens ou com serviços, ainda que de execução continuada ou fracionada; e o art. 12 da referida LC dispõe que a base de cálculo da CBS é o valor da operação. Atenção para a Reforma Tributária - EC 132/2023! A CBS substituirá, gradativamente, a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o PIS/PASEP (Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), simplificando o sistema tributário e unificando essas contribuições em uma única contribuição. A CBS irá substituir a COFINS e o PIS/PASEP a partir de janeiro de 2027. A transição será gradual, com início em 2026 e conclusão prevista para 2033. Segundo o inciso I do art. 14 da LC nº 214/2025, as alíquotas da CBS serão fixadas por lei específica da União. Contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – o Simples Nacional A CF assegurou, nos arts. 170 e 179, às microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento jurídico diferenciado e simplificado nos campos administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial. O Simples foi instituído pela Lei nº 9.317, de 05.12.1996, e modificado em parte pela Lei nº 9.841, de 05.10.1999, bem como pela Lei nº 10.034, de 24.10.2000. Atualmente, encontra-se regido pela LC nº 123, de 14.12.2006 (e suas alterações posteriores), que tratou da matéria em seus arts. 12 a 41, modificando a nomenclatura de Simples para Simples Nacional. Contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – o Simples Nacional O Simples Nacional consiste no tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, relativo aos impostos e às contribuições sociais a seguir indicadas: Art. 13. (...) I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; (...) Contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – o Simples Nacional Art. 13. (...) V – Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; VI – Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008) VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – o Simples Nacional De acordo com o art. 3º da LC nº 123/2006, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 do Código Civil,12 devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que (conforme os valores fixados a partir de janeiro de 2018): Art. 3º (...) I – no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II – no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Microempreendedor Individual (MEI) Em relação ao Microempreendedor Individual (MEI) conceituado pela Lei do Simples como espécie de microempresa, a LC nº 128/2008 estabeleceu que este poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores mensais reduzidos, independentemente da receita bruta por ele auferida no mês, na forma prevista no art. 18-A, qual seja: a) 5% do salário mínimo, a título da Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual; b) R$ 1,00 (um real), a título de ICMS, caso seja contribuinte do tributo; c) R$ 5,00 (cinco reais), a título de ISS, caso seja contribuinte do tributo. Microempreendedor Individual (MEI) O MEI optante por esse recolhimento fixo não fará jus à aposentadoria por tempo de contribuição (extinta pela EC nº 103/2019), salvo se efetuar o recolhimento mensal complementar de 15%, acrescido de juros moratórios. Observadas as demais condições legais previstas, poderá optar pela sistemática de recolhimento do MEI o empresário individual que exerça atividade de comercialização e processamento de produtos de natureza extrativista. O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. Microempreendedor Individual (MEI) Poderá se enquadrar como MEI o empresário individual que possua um único empregado que receba exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Para os casos de afastamento legal do único empregado do MEI, será permitida a contratação de outro empregado, inclusive por prazo determinado, até que cessem as condições do afastamento, na forma estabelecida pelo órgão federal competente. O MEI poderá ter sua inscrição automaticamente cancelada após o período de 12 meses consecutivos sem recolhimentoou declarações, independentemente de qualquer notificação, devendo a informação ser publicada no Portal do Empreendedor, na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. Microempreendedor Individual (MEI) Cabe ainda referir importante previsão introduzida pela LC nº 154, de 18.04.2016, permitindo ao MEI utilizar sua residência como sede do estabelecimento, quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da atividade. O MEI tem direito a quase todos os benefícios previdenciários, porém no valor de 1 salário mínimo. Não tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição e à aposentadoria especial. CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHADOR E DEMAIS SEGURADOS CF - Art. 195. (...) II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) Alíquotas que variam de 7,5 a 14% Contribuinte Individual: 11 ou 20% CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS Prevista no art. 195, III, da Constituição de 1988, esta contribuição incide sobre todo e qualquer concurso de sorteio de números ou quaisquer outros símbolos, loterias e apostas de qualquer natureza no âmbito federal, estadual, distrital ou municipal, promovido por entes públicos ou por pessoas jurídicas de Direito privado. A receita da Seguridade Social é a renda líquida de tais concursos, assim considerado, no caso de concursos promovidos por órgãos do Poder Público, o total da arrecadação, deduzidos os valores destinados ao Programa de Crédito Educativo (art. 212 do Regulamento), e excluídas do cálculo as verbas referentes a pagamentos de prêmios, impostos e despesas de administração, conforme for determinado na legislação especial (art. 26 da Lei nº 8.212/1991). CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS No caso de concursos promovidos por entidades privadas (corridas, bingos, sorteios em títulos de capitalização etc.) o percentual de 5% incide sobre o movimento global de apostas em prado de corridas, ou o movimento global de sorteio de números ou de quaisquer modalidades de símbolos. Compete à Secretaria da Receita Federal a arrecadação e a fiscalização da contribuição sobre a receita de concursos de prognósticos. Regras Constitucionais – Art. 195 da CF PRECEDÊNCIA DA FONTE DE CUSTEIO Art. 195, “§ 5º: Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total.” PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ANÁLISE DE PRECEDENTES STF: “Inexigibilidade (...) da observância do art. 195, § 5º, da CF, quando o benefício é criado diretamente pela Constituição.” (RE 220.742, Rel. Min. Néri da Silveira, Segunda Turma, DJ de 4-9-1998.) Pode ser aplicada essa mesma regra quanto a Aposentadoria da Pessoa com Deficiência (art. 201, § 1º c/c Lei Complementar n. 142/2013) ? 56 ANÁLISE DE PRECEDENTES STF: BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO: PENSÃO POR MORTE (LEI 9.032, DE 28 DE ABRIL DE 1995). O cumprimento das políticas públicas previdenciárias, exatamente por estar calcado no princípio da solidariedade (CF, art. 3º, I), deve ter como fundamento o fato de que não é possível dissociar as bases contributivas de arrecadação da prévia indicação legislativa da dotação orçamentária exigida (CF, art. 195, § 5º). Salvo disposição legislativa expressa e que atenda à prévia indicação da fonte de custeio total, o benefício previdenciário deve ser calculado na forma prevista na legislação vigente à data da sua concessão. (RE 415.454 e 416.827, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, DJde 26-10-2007.) 57 ANÁLISE DE PRECEDENTES STF: REPERCUSSÃO GERAL TEMA 503 – “Conversão de aposentadoria proporcional em aposentadoria integral por meio do instituto da desaposentação.” TESE FIXADA: “No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à ‘reaposentação’, sendo constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91.” 58 ANÁLISE DE PRECEDENTES STF: REPERCUSSÃO GERAL TEMA 1095: “Constitucionalidade da extensão do adicional de 25% (vinte e cinco por cento), previsto no artigo 45 da Lei 8.213/1991, aos segurados do Regime Geral de Previdência Social que comprovarem a invalidez e a necessidade de assistência permanente de outra pessoa, independentemente da espécie de aposentadoria.’ TESE FIXADA: “No âmbito do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), somente lei pode criar ou ampliar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão de extensão do auxílio da grande invalidez a todas às espécies de aposentadoria” 59 ANTERIORIDADE NONAGESIMAL DAS CONTRIBUIÇÕES CF - Art. 195, “§ 6º: ”As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".” CF - Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; PRECEDENTES STF Súmula Vinculante 50: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.” “Contribuição social PIS-PASEP. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO. Contagem do prazo de noventa dias, medida provisória convertida em lei: conta-se o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória.” (RE 232.896, Rel. Min. Carlos Velloso, Plenário, DJde 1º-10-1999.) 61 Regras Constitucionais – Art. 195 da CF ISENÇÃO/IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES Art. 195, § 7º: “São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ANÁLISE DE PRECEDENTES STF: Tratando-se de imunidade – que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional –, revela-se evidente a absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a eficácia do preceito inscrito no art. 195, § 7º, da Carta Política, para, em função de exegese que claramente distorce a teleologia da prerrogativa fundamental em referência, negar, à entidade beneficente de assistência social que satisfaz os requisitos da lei, o benefício que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo. (RMS 22.192, Rel. Min. Celso de Mello, Primeira Turma, DJ de 19-12-1996.) 63 REGULAMENTAÇÃO DA IMUNIDADE/ISENÇÃO LEI COMPLEMENTAR Nº 187, DE 16.12.2021 Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes e regula os procedimentos referentes à imunidade de contribuições à seguridade social de que trata o § 7º do art. 195 da Constituição Federal; altera as Leis n os 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), e 9.532, de 10 de dezembro de 1997; revoga a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, e dispositivos das Leis n os 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e 12.249, de 11 de junho de 2010; e dá outras providências. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp187.htm 64 Alíquotas Diferenciadas Art. 195, “§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas diferenciadas em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, sendo também autorizada a adoção de bases de cálculo diferenciadas apenas no caso das alíneas "b" e "c" do inciso I do caput. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)EMENDA CONSTITUCIONAL n. 103/2019 Art. 30. A vedação de diferenciação ou substituição de base de cálculo decorrente do disposto no § 9º do art. 195 da Constituição Federal não se aplica a contribuições que substituam a contribuição de que trata a alínea "a" do inciso I do caput do art. 195 da Constituição Federal instituídas antes da data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional. “a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ” 66 Outras receitas da Seguridade Social − art. 27, Lei nº 8.212/91 – multas (moratórias e por descumprimento de obrigações acessórias), atualização monetária e juros moratórios; – remuneração recebida por serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança prestados a terceiros (art. 274 do Decreto no 3.048/1999); – receitas provenientes de prestação de outros serviços e de fornecimento ou arrendamento de bens; – demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras; – doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais; – 50% (cinquenta por cento) dos valores obtidos e aplicados na forma do parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal. - 40% (quarenta por cento) do resultado dos leilões dos bens apreendidos pelo Departamento da Receita Federal; – outras receitas previstas em legislação específica. Outras receitas da Seguridade Social − art. 27, Lei nº 8.212/91 Tais receitas não constituem contribuições sociais, pois não se revestem das características de tributos. As multas, exigidas por infração à legislação, são penalidades pecuniárias; os juros também se caracterizam como espécie de penalidade pelo inadimplemento; as demais verbas constantes do dispositivo se revelam como transferências de recursos públicos aos cofres da Seguridade Social. ATUAÇÃO DO ADVOGADO Contencioso Administrativo Fiscalização e autuação pela Receita Federal Importância da conformidade e defesa administrativa ATUAÇÃO DO ADVOGADO Contencioso Judicial Discussões sobre base de cálculo, decadência, prescrição; Ações de repetição de indébito e compensação; Mandado de Segurança para obter CND ou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, .... Aspectos Contábeis e Previdenciários Interação entre contador e advogado 1. Complementariedade Técnica entre Direito e Contabilidade 2. Planejamento Previdenciário com Segurança Jurídico-Contábil 3. Atuação Estratégica em Demandas Administrativas e Judiciais A interlocução entre ambos aumenta a robustez das provas e contribui para decisões mais justas e fundamentadas. Resumo e Conclusões Panorama atual e desafios futuros do custeio 1. Crescimento das demandas judiciais relacionadas ao custeio previdenciário 2. Novas oportunidades na assessoria jurídica para regimes próprios e entes públicos 3. Interação com as reformas e interpretação jurídica das novas regras de custeio O advogado precisa dominar essas mudanças para garantir segurança jurídica a seus clientes e enfrentar as lacunas normativas com argumentação técnica. BIBLIOGRAFIA Muito obrigado! @joaobatistalazzari/ https://comunidade.notoriosaber.com.br/ image2.png image3.png image4.png image5.png image1.jpeg