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Pós-graduação em “Prática em Advocacia Trabalhista e Previdenciária” Disciplina: “Contribuintes empregados, autônomo, individual, facultativo e avulso. Contribuições ordinárias e extraordinárias.” Prof. Dr. João Batista Lazzari Objetivos da Aula Compreender os diferentes tipos de segurados do RGPS Estudar a obrigação e responsabilidade pelo recolhimento Analisar as contribuições previdenciárias Explorar aspectos controvertidos e práticos da atuação advocatícia REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL SEGURADOS OBRIGATÓRIOS: I - empregado; II - empregado doméstico; III - contribuinte individual (empresário, trabalhador autônomo e o equiparado); IV - trabalhador avulso; e V- segurado especial. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL SÃO CONSIDERADOS SEGURADOS FACULTATIVOS: I - dona de casa; II - síndico de condomínio, quando não remunerado; III - estudante; IV - outros. Incidência da contribuição dos segurados obrigatórios do RGPS Tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração a partir de 1º de JANEIRO de 2025 Salário de contribuição Alíquota Progressivas (%) até R$ 1.518,00 7,5 de R$ 1.518,01 até R$ 2.793,88 9 de R$ 2.793,89 até R$ 4.190,83 12 de R$ 4.190,84 até R$ 8.157,41 14 Incidência da contribuição dos segurados obrigatórios do RGPS - LEI 8.212/91 - Art. 28, § 2º O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição. -STF - RG 72: “É inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade.” - STF – RG 1274: “Constitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária a cargo da empregada sobre o salário-maternidade pago pela Previdência Social.” – PENDENTE DE DECISÃO (RE 1455643) Incidência da contribuição dos segurados obrigatórios do RGPS - STF – RG 985: “É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias.” STF – RG TEMA 1065 (ARE 1224327) ANÁLISE DE PRECEDENTES TEMA 1065 - Constitucionalidade da contribuição previdenciária devida por aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que permaneça em atividade ou a essa retorne. TESE FIXADA: “É constitucional a contribuição previdenciária devida por aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que permaneça em atividade ou a essa retorne.” (DJE 04/11/2019) 8 Tabela de contribuição dos segurados contribuintes individuais e facultativos, para pagamento de remuneração a partir de 1º de JANEIRO de 2025 Salário de contribuição Alíquota (%) R$ 1.518,00 5 * R$ 1.518,00 11** De R$ 1.518,00 até R$ 8.157,41 20 * Alíquota exclusiva do Facultativo Baixa Renda (dona de casa) e MEI; ** Alíquota exclusiva do Plano Simplificado de Previdência. As alíquotas de 5 e 11% não dão direito à aposentadoria por tempo de contribuição e certidão de tempo de contribuição. PRINCIPAIS NOVIDADES DA EC 103/2019 CONTRIBUIÇÃO MÍNIMA Art. 195, § 14 “O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições." PRINCIPAIS NOVIDADES DA EC 103/2019 Art. 29 DA EC 103/2019: Até que entre em vigor lei que disponha sobre o § 14 do art. 195 da Constituição Federal, o segurado que, no somatório de remunerações auferidas no período de 1 (um) mês, receber remuneração inferior ao limite mínimo mensal do salário de contribuição poderá: I - complementar a sua contribuição, de forma a alcançar o limite mínimo exigido; II - utilizar o valor da contribuição que exceder o limite mínimo de contribuição de uma competência em outra; ou III - agrupar contribuições inferiores ao limite mínimo de diferentes competências, para aproveitamento em contribuições mínimas mensais. Parágrafo único. Os ajustes de complementação ou agrupamento de contribuições previstos nos incisos I, II e III do caput somente poderão ser feitos ao longo do mesmo ano civil. CONTRIBUIÇÕES ABAIXO DO MÍNIMO – EC 103/2019 RPS (REDAÇÃO P/DECRETO 10.410/2020) Art. 19-E. A partir de 13 de novembro de 2019, para fins de aquisição e manutenção da qualidade de segurado, de carência, de tempo de contribuição e de cálculo do salário de benefício exigidos para o reconhecimento do direito aos benefícios do RGPS e para fins de contagem recíproca, somente serão consideradas as competências cujo salário de contribuição seja igual ou superior ao limite mínimo mensal do salário de contribuição. § 1º Para fins do disposto no caput, ao segurado que, no somatório de remunerações auferidas no período de um mês, receber remuneração inferior ao limite mínimo mensal do salário de contribuição será assegurado: CONTRIBUIÇÕES ABAIXO DO MÍNIMO – EC 103/2019 RPS (REDAÇÃO P/DECRETO 10.410/2020) I - complementar a contribuição das competências, de forma a alcançar o limite mínimo do salário de contribuição exigido; II - utilizar o excedente do salário de contribuição superior ao limite mínimo de uma competência para completar o salário de contribuição de outra competência até atingir o limite mínimo; ou III - agrupar os salários de contribuição inferiores ao limite mínimo de diferentes competências para aproveitamento em uma ou mais competências até que estas atinjam o limite mínimo. CONTRIBUIÇÕES ABAIXO DO MÍNIMO – EC 103/2019 RPS (REDAÇÃO P/DECRETO 10.410/2020) § 2º Os ajustes de complementação, utilização e agrupamento previstos no § 1º poderão ser efetivados, a qualquer tempo, por iniciativa do segurado, hipótese em que se tornarão irreversíveis e irrenunciáveis após processados. § 3º A complementação de que trata o inciso I do § 1º poderá ser recolhida até o dia quinze do mês subsequente ao da prestação do serviço e, a partir dessa data, com os acréscimos previstos no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. § 4º Os ajustes de que tratam os incisos II e III do § 1º serão efetuados na forma indicada ou autorizada pelo segurado, desde que utilizadas as competências do mesmo ano civil definido no art. 181-E, em conformidade com o disposto nos § 27-A ao § 27-D do art. 216. CONTRIBUIÇÕES ABAIXO DO MÍNIMO – EC 103/2019 RPS (REDAÇÃO P/DECRETO 10.410/2020) § 5º A efetivação do ajuste previsto no inciso III do § 1º não impede o recolhimento da contribuição referente à competência que tenha o salário de contribuição transferido, em todo ou em parte, para agrupamento com outra competência a fim de atingir o limite mínimo mensal do salário de contribuição. § 6º Para complementação ou recolhimento da competência que tenha o salário de contribuição transferido, em todo ou em parte, na forma prevista no § 5º, será observado o disposto no § 3º. § 7º Na hipótese de falecimento do segurado, os ajustes previstos no § 1º poderão ser solicitados por seus dependentes para fins de reconhecimento de direito para benefício a eles devidos até o dia quinze do mês de janeiro subsequente ao do ano civil correspondente, observado o disposto no § 4º. Precedente importante! O § 14 do art. 195 da CF/88, incluído pela EC 103/2019, passou a excluir da contagem como "tempo de contribuição" do RGPS os salários-de-contribuição inferiores ao mínimo legal. Vedação que não se estende aos critérios de carência e de manutenção da qualidade de segurado. Inconstitucionalidade parcial dos artigos 13, § 8º, e 26, do Decreto 3048/99. O conceito de limite mínimo legal para fins de contribuição mínima mensal deve ser interpretado de acordo com o artigo 28, da Lei 8212/91, não podendo ser equiparado a salário mínimo para a categoria dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso. Hipótese em que o Decreto nº 3.048/99 extrapola o poder regulamentador previsto no artigo 84, VI, daConstituição Federal. Validados os requisitos qualidade de segurado e carência na DII, é devida a concessão de auxílio por incapacidade temporária desde a DER, quando comprovadamente havia incapacidade temporária. Recurso da parte autora provido. (TRF-4, Proc. 5008573-74.2021.4.04.7107, Rel. MARINA VASQUES DUARTE, QUARTA TURMA RECURSAL DO RS, julg. 23/03/2022) 16 TNU – REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA TEMA 349 – CONTRIBUIÇÃO MÍNIMA: TESE FIRMADA “O recolhimento de contribuição previdenciária em valor inferior ao mínimo mensal da categoria, à míngua de previsão legal, não impede o reconhecimento da qualidade de segurado obrigatório, inclusive após o advento da EC 103/2019, que acrescentou o § 14 ao art. 195 da CF/88.” (PEDILEF 0504017-94.2022.4.05.8400/RN, 04/12/2024 -ED) 17 TNU – REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA TEMA 358 – CARÊNCIA PÓS EC 103/2019: TESE FIRMADA “1. Tempo de contribuição e carência são institutos distintos. 2. Carência condiz com contribuições tempestivas. 3. O art. 18 da EC 103/2019 não dispensa a carência para a concessão de aposentadoria.” (PEDILEF 0500179-22.2022.4.05.8311/PE, 22/10/2024) 18 TRABALHADORES DO MEIO RURAL Art. 195, “§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.” CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E DO SEGURADO ESPECIAL As alíquotas da contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial sofreram diversas alterações, a partir da Lei nº 8.212/1991, sendo que, a partir de 01.01.2018, a alíquota é de 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção (art. 14 da Lei nº 13.606, de 09.01.2018), mais 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; no entanto, este adicional para o GILRAT (antigo SAT) está com execução suspensa pelo Senado Federal, Resolução nº 15, de 12.09.2017. O empregador rural pessoa física e o segurado especial contribuem, ainda, com 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Contribuição sobre a Produção Rural Lei no 10.256/2001. STF: TEMA 669 - "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção“. Contribuição do Segurado Especial STF: TEMA 723 - "É constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do segurado especial prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991 “. Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I - 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (...) RGPS - SEGURADOS O reconhecimento do indivíduo como segurado do Regime de Previdência Social é condição fundamental para a obtenção de direitos previdenciários (benefícios e serviços). O pressuposto básico para alguém ter a qualidade de segurado do RGPS é o de ser pessoa física, pois é inconcebível a existência de segurado pessoa jurídica. Além disso, deve prestar atividade remunerada lícita abrangida entre as indicadas na LBPS, ou contribuir facultativamente, nas hipóteses autorizadas pela lei em comento. RGPS - SEGURADOS Filiação é o vínculo jurídico que se estabelece entre pessoas que contribuem como segurados para a Previdência Social e esta, vínculo este do qual decorrem direitos e obrigações (art. 20, caput, do Decreto n. 3.048/1999). A filiação decorre automaticamente do exercício de atividade remunerada para os segurados obrigatórios e da inscrição formalizada com o pagamento da primeira contribuição para o segurado facultativo. É dizer, a filiação não depende de ato volitivo para o segurado obrigatório, mas somente para o facultativo (art. 20, § 1º, do Decreto n. 3.048/1999, redação conferida pelo Decreto n. 6.722/2008). RGPS - SEGURADOS O indivíduo detentor de mais de uma atividade remunerada em caráter simultâneo é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma destas atividades, limitando-se a sua contribuição, contudo, ao valor máximo do salário de contribuição, considerado o somatório dos valores auferidos em cada atividade simultânea. RGPS - SEGURADOS Entende-se por reconhecimento de filiação “o direito do segurado de ter reconhecido, em qualquer época, o período em que exerceu atividade não abrangida pela Previdência Social, mas que, posteriormente, se tornou de filiação obrigatória, bem como o período não contribuído, anterior ou posterior à inscrição, em que exerceu atividade remunerada sujeita a filiação obrigatória” (art. 98 da IN PRES/INSS 128/2022). RGPS - SEGURADOS A filiação ao RGPS é situação objetivamente observada. O fato de ter o indivíduo prestado atividade remunerada que o enquadre como segurado obrigatório é condição suficiente para o estabelecimento deste vínculo entre ele e a Previdência Social. Tanto que, mesmo depois de anos de exercício da atividade, o segurado tem o direito de ver o tempo computado – com a obrigação, em contrapartida, de recolhimento das contribuições devidas no mesmo interregno, obrigação que poderá, conforme a lei, ficar a seu encargo ou ser transferida ao responsável tributário. RGPS – SEGURADO OBRIGATÓRIO O segurado obrigatório é aquele que exerce ao menos uma atividade remunerada, seja com vínculo empregatício, urbano, rural ou doméstico, seja sob regime jurídico público estatutário (desde que não possua regime próprio de previdência social), seja como trabalhador autônomo ou trabalho a este equiparado, trabalhador avulso, empresário ou segurado especial, no território nacional, e desde que tal atividade não o qualifique como segurado de outro regime compulsoriamente. A atividade exercida pode ser de natureza urbana ou rural. RGPS – SEGURADO OBRIGATÓRIO Ainda que a pessoa exerça suas atividades no exterior, a pessoa será amparada pela Previdência Social, nas hipóteses previstas em lei, vistas a seguir. Impõe-se lembrar, outrossim, que não importa a nacionalidade da pessoa para fins de filiação ao RGPS e seu consequente enquadramento como segurado obrigatório, sendo este vínculo permitido aos estrangeiros, uma vez presente o exercício de atividade remunerada. São cinco as espécies de segurados obrigatórios: (1) empregados urbanos e rurais; (2) empregados domésticos; (3) trabalhadores avulsos; (4) contribuintes individuais; e (5) segurados especiais. RGPS – SEGURADOS - LBPS Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil paratrabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... I – como empregado: (...) d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... I – como empregado: (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais. h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social ; i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... II – como empregado doméstico: “Aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos;” Empregado doméstico é aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de dois dias por semana (definição contida no art. 1º da LC n. 150/2015). A idade mínima para filiação na qualidade de segurado empregado doméstico é de 18 anos. RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... V - como contribuinte individual: a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 9o e 10 deste artigo; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral - garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (...) RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... V - como contribuinte individual: (...) e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... V - como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... V - como contribuinte individual: Os motoristas de aplicativos passaram a ser enquadrados como contribuintes individuais pelo Decreto n. 9.792, de 14.5.2019, que dispõe sobre a exigência de inscrição do motorista de transporte remunerado privado individual de passageiros como contribuinte individual do RGPS. E, para tanto, recolherá sua contribuição ao RGPS por iniciativa própria, nos termos do disposto no inciso II do caput do art. 30 da Lei n. 8.212/1991 (até o dia quinze do mês seguinte ao da competência). Acreditamos que o mesmo tratamento deva ser conferido aos trabalhadores em outras plataformas digitais, como as de entrega de mercadorias, por se caracterizarem como “transportadores autônomos de cargas”, salvo se presentes os requisitos típicos de uma relação de emprego. RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... VI - como trabalhador avulso: Quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviço de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento (art. 9º, VI, do Decreto n. 3.048/1999); Nessa categoria estão os trabalhadores em portos: estivadores, carregadores, amarradores de embarcações, quem faz limpeza e conservação de embarcações e vigia. Na indústria de extração de sal e no ensacamento de cacau e café também há trabalhadores avulsos. É o caso, ainda, dos movimentadores de cargas (comumente denominados “chapas”). RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... VI - como segurado especial: A pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de: produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade: 1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais; 2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos termos do inciso XII do caput do art. 2º da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e faça dessas atividades o principal meio de vida; (...) RGPS – SEGURADOS – LBPS Art. 11. .... VI - como segurado especial: (...) b) pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca profissão habitual ou principal meio de vida; e c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem com o grupo familiar respectivo. RGPS – SEGURADOS – IDADE MÍNIMA TNU RC Tema 219: “É possível o cômputo do tempo de serviço rural exercido por pessoa com idade inferior a 12 (doze) anos na época da prestação do labor campesino.” (PEDILEF 5008955-78.2018.4.04.7202/SC, j. em 23.6.2022); TRF-4, na ACP 5017267-34.2013.4.04.7100: possibilitou computar, para fins previdenciários, o trabalho exercido em qualquer idade. A ACP possuiu como um de seus fundamentos a observância à realidade fática do Brasil, em que, não obstante a vedação ao trabalho infantil, há milhares de crianças desenvolvendo atividades laborais, inclusive no âmbito rural. Essa decisão do TRF/4 foi mantida pelo STF (RE 1.225.475). No âmbito administrativo, a observância da decisão da ACP se deu com a edição do Ofício-Circular Conjunto DIRBEN/PFE/INSS n. 25, de 13.5.2019, o qual foi substituído pela Portaria Conjunta INSS/PFE nº 7 de 9.4.2020. “O TEMPO DE TRABALHO RURAL DO SEGURADO ESPECIAL E DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, ANTERIOR À LEI Nº 8.213/91, PODE SER UTILIZADO, INDEPENDENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES, PARA FINS DE BENEFÍCIOS NO RGPS, EXCETO PARA CARÊNCIA. I – O TEMPO DE TRABALHO RURAL DO SEGURADO ESPECIAL E DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, ANTERIOR À LEI Nº 8.213/91, PODE SER UTILIZADOPARA CONTAGEM RECÍPROCA, DESDE QUE SEJAM INDENIZADAS AS RESPECTIVAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. II – A atividade agropecuária efetivamente explorada em área de até 4 módulos fiscais, individualmente ou em regime de economia familiar na condição de produtor, devidamente comprovada nos autos do processo, não descaracteriza a condição de segurado especial, independente da área total do imóvel rural. (...) TEMPO RURAL - ENUNCIADO N. 8 DO CRPS “ (...) III – O exercício de atividade urbana por um dos integrantes do grupo familiar não implica, por si só, na descaracterização dos demais membros como segurado especial, condição que deve ser devidamente comprovada no caso concreto. IV – Quem exerce atividade rural em regime de economia familiar, além das tarefas domésticas em seu domicílio, é considerado segurado especial, aproveitando-se-lhe as provas em nome de seu cônjuge ou companheiro(a), corroboradas por outros meios de prova. V – O início de prova material – documento contemporâneo dotado de fé pública, sem rasuras ou retificações recentes, constando a qualificação do segurado ou de membros do seu grupo familiar como rurícola, lavrador ou agricultor – deverá ser corroborado por outros elementos, produzindo um conjunto probatório harmônico, robusto e convincente, capaz de comprovar os fatos alegados. VI – Não se exige que o início de prova material corresponda a todo o período equivalente à carência do benefício, porém deve ser contemporâneo à época dos fatos a provar, inclusive podendo servir de começo de prova documento anterior a este período.” TEMPO RURAL - ENUNCIADO N. 8 DO CRPS Repetitivo 1007: “O tempo de serviço rural, ainda que remoto e descontínuo, anterior ao advento da Lei 8.213/1991, pode ser computado para fins da carência necessária à obtenção da aposentadoria híbrida por idade, ainda que não tenha sido efetivado o recolhimento das contribuições, nos termos do art. 48, § 3º. da Lei 8.213/1991, seja qual for a predominância do labor misto exercido no período de carência ou o tipo de trabalho exercido no momento do implemento do requisito etário ou do requerimento administrativo.” (REsp 1674221/SP, 29/11/2019) STJ – APOSENTADORIA HÍBRIDA Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; LEI 8.212/1991 – SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: II - para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; IV - para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. LEI 8.212/1991 – SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL As normas gerais sobre arrecadação e recolhimento de contribuições à Seguridade Social estão previstas no art. 30 da Lei nº 8.212/199119 e regulamentadas pelo art. 216 do Decreto nº 3.048/1999. Competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil A partir da publicação da Lei nº 11.457, de 16.03.2007, a Secretaria da Receita Federal do Brasil assumiu as atribuições de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24.07.1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. OBRIGAÇÕES DA EMPRESA De acordo com a Lei nº 8.212/1991 (art. 30) e RPS (art. 216), são fixadas as seguintes obrigações a empresa: – arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração; – recolher, até o dia vinte do mês seguinte àquele a que se refere o salário de contribuição, antecipando-se para o primeiro dia útil em caso de não haver expediente bancário, o produto arrecadado e as contribuições a seu cargo. A empresa que remunera contribuinte individual é obrigada a fornecer a este comprovante do recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração paga ou de sua inclusão em declaração para fins fiscais. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO: JUROS, MULTA E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Os débitos das contribuições sociais para com a União devem ser acrescidos de multa de mora calculada à taxa de 0,33, por dia de atraso, limitada a 20%. A multa é calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Os juros de mora devem ser calculados à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), a partir do 1º dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de 1% no mês do pagamento. Esses critérios têm por fundamento o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e o art. 35 da Lei nº 8.212/1991. ATUAÇÃO EM CONSULTORIA Pessoa física: regularização, código correto Empresas: planejamento e retenção Casos Práticos de Atuação Cliente contribuinte individual sem recolhimento Empregador com débitos em aberto Casos Práticos de Atuação STF – TEMA 1329: “Possibilidade de complementação de contribuição previdenciária para enquadramento em regra de transição prevista no art. 17 da Emenda Constitucional nº 103/2019.” (RE 1508285) Casos Práticos de Atuação PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COMPLEMENTAÇÃO DECONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. CÔMPUTO DO TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. 1. De regra, a indenização ou a complementação das contribuições previdenciárias recolhidas a destempo ou a menor possui efeitos ex nunc quanto ao termo inicial do benefício, ou seja, somente produzirá efeito a partir da efetiva comprovação do recolhimento. 2. Caso a autarquia previdenciária indevidamente impeça o recolhimento da indenização ou da Complementação, o segurado não poderá ser prejudicado pela demora no pagamento para a qual não deu causa, retroagindo, nesse caso, os efeitos financeiros à data do requerimento administrativo. (TRF da 4ª Região, Proc. 5049364-43.2020.4.04.7100, 5ª T., Rel.: OSNI CARDOSO FILHO, j. em15/04/2025) Papel Estratégico do Advogado Previdenciarista Atuação preventiva e contenciosa Análise individualizada Acompanhamento de alterações legais BIBLIOGRAFIA Muito obrigado! @joaobatistalazzari/ https://comunidade.notoriosaber.com.br/ image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image1.jpeg