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Fontes de geração térmicas e não térmicas Apresentação É inegável o importante papel, praticamente indispensável para a vida moderna, da eletricidade. Esta é um dos principais feitos da humanidade, possibilitando o desenvolvimento das sociedades. Atualmente, a corrida é para dominar tecnologias de geração de energia elétrica de modo mais seguro, limpo, renovável e eficiente, que atenda às necessidades crescentes impostas pelas novas tecnologias de aparelhos elétricos, alta conectividade, ciência e trabalho. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá as principais fontes de produção de eletricidade, classificadas em térmicas e não térmicas. Além disso, analisará o funcionamento das principais unidades geradoras de eletricidade. E para iniciar a unidade com o "pé direito", confira um tour em 360o em uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo: a Itaipu Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar as fontes de geração térmica e não térmica.• Apresentar as características técnicas de cada uma das fontes.• Reconhecer aplicações específicas para cada uma delas.• https://www.imeplayer.com/embed/405459606 Infográfico Usina termoelétrica é uma instalação utilizada para a geração de energia elétrica por meio da energia liberada na queima de algum tipo de combustível. O funcionamento básico se dá pelo calor da queima do combustível que aquece a água presente em uma caldeira, transformando-a no vapor que move as turbinas para o acionamento dos geradores. Neste interativo, você vai poder verificar o esquemático do funcionamento de uma termoelétrica. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://grupoa-edtech.grupoa.education/object/BSfhrnUoQIOS9O9zlldXWQ Conteúdo do Livro Em um mundo cuja demanda por energia elétrica é crescente, é fundamental que a matriz energética de um país seja diversificada e atenda às necessidades de sua população, além de permitir o desenvolvimento tecnológico e de infraestrutura. Entretanto, é necessário que a geração de energia ofereça menos impacto ambiental, sendo sustentável socioeconomicamente. No capítulo Fontes de geração térmicas e não térmicas, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as principais fontes térmicas e não térmicas de energia. Além disso, vai aprender sobre suas especificidades e aplicações. Boa leitura. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Diferenciar as fontes de geração térmicas e não térmicas. > Apresentar as características técnicas de cada uma das fontes. > Reconhecer aplicações específicas para cada uma delas. Introdução Boa parcela dos avanços tecnológicos alcançados deve-se ao uso da energia elétrica. O desenvolvimento dos países leva à maior necessidade de aumento de produção de energia, que pode ser usada para a geração de luz, para o fun- cionamento de aparelhos elétricos, eletrônicos e motores, entre tantas outras aplicações importantes para a sociedade. Nesse sentido, é cada vez mais urgente a disponibilidade de eletricidade no mundo, de modo que estudiosos, empresas e governos têm se debruçado na busca por e no desenvolvimento de tecnologias de produção de energia elétrica por diferentes fontes. Neste capítulo, vamos apresentar as principais fontes de produção de ele- tricidade, classificadas em térmicas e não térmicas. Vamos, além disso, analisar o funcionamento das principais unidades geradoras de eletricidade e definir a aplicação e a distribuição desses diferentes tipos de geração no Brasil e no mundo. Fontes de geração térmicas e não térmicas Ary Paixão Borges Santana Júnior Diferentes fontes de geração térmicas e não térmicas de energia no Brasil e no mundo Entende-se por geração de energia elétrica o processo que produz eletrici- dade a partir da transformação de outras formas de energia, como o calor ou a queda-d’água, em energia elétrica. Nesse sentido, energia elétrica é a capacidade que uma corrente elétrica tem de realizar trabalho e pode ser obtida por energia química ou mecânica, por meio de turbinas e geradores. Dessa forma, a energia elétrica é gerada por intermédio de fontes térmicas, como em usinas nucleares, ou de fontes não térmicas, como em usinas hi- drelétricas e pela força dos ventos (DOMINGOS, 2017). O Brasil conta com um dos maiores e melhores potenciais energéticos de todo o mundo, com aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados, mais de 7 mil quilômetros de litoral e com um clima que apresenta condições muito favoráveis (DOMINGOS, 2017). Fontes de geração não térmica Hidráulica A água é utilizada em diferentes atividades humanas, como irrigação, navegação, abastecimento e geração de energia. Esse uso da água deve ser compatibilizado e, nesse sentido, a Lei Federal nº 9433, de 8 de janeiro de 1997, sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, especifica o uso prioritário desse recurso, em caso de escassez, para o abastecimento humano e a dessedentação de animais (BRASIL, 1997). Por isso, frequente- mente, gestores, agências governamentais e usuários de recursos hídricos deparam-se com a problemática da manutenção do fluxo mínimo de água necessário ao equilíbrio do ecossistema aquático das bacias hidrográficas, concomitante com a necessidade de reservar ou destinar água para suprir suas diferentes utilizações nos setores econômicos e pelos usuários ali instalados. O uso da água para geração de energia data do século I, quando era usada para movimentar rodas para moer cereais (Figura 1), representando uma das primeiras técnicas de substituição do trabalho animal pelo mecânico (CENTRO DE REFERÊNCIA PARA AS ENERGIAS SOLAR E EÓLICA SÉRGIO DE S. BRITO, [2018]). Aqui, vale ressaltar o que os autores Okuno, Caldas e Chow, no livro Física para Ciências Biológicas e Biomédicas, de 1986, comentam sobre a importância desse sistema, que utilizava rodas no século XVI, no contexto Fontes de geração térmicas e não térmicas2 da industrialização europeia, permitindo o surgimento de máquinas de con- versão de energia hidráulica em energia mecânica e, consequentemente, o surgimento das usinas hidrelétricas. Figura 1. Ilustração de um monjolo comum, equipamento rústico utilizado para moer grãos e que utiliza a água para movimentá-lo Fonte: Monjolo... (2017, documento on-line). Hidrelétricas contam com uma tecnologia madura e confiável, com a vantagem adicional de ser uma fonte renovável de geração de energia elétrica quanto às emissões de gases de efeito estufa (EMPRESA DE PESQUISA ENER- GÉTICA, [20--?]). O uso do potencial hidrelétrico para geração de eletricidade é o principal modo de uso não consuntivo de água, ou seja, não envolve uso direto da água. Nesse sentido, deve-se atentar a aspectos associados à construção das barragens de regularização, que podem alterar o regime dos cursos d’água, causar perdas por evaporação da água dos reservatórios, especialmente em regiões semiáridas, entre outras alterações no meio físico. Eólica Compreende energia eólica a energia cinética que está contida no vento. Essa energia cinética é aproveitada para geração de eletricidade pela conversão de sua componente de translação em rotação, com o uso de turbinas eóli- cas, também chamadas de aerogeradores, cataventos e moinhos (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). A energia eólica é usada pela humanidade há milhares de anos para a moagem de grãos, o bombeamento de água, entre outros aproveita- Fontes de geração térmicas e não térmicas 3 mentos. No final do século XIX, surgiram as primeiras tentativas visando à geração de eletricidade a partir do aproveitamento da energia eólica. Entretanto, só em 1970, devido à crise internacional do petróleo, surgiram interesse e investimentos suficientes para permitir o desenvolvimento e a aplicação de instrumentos, em escalacomercial, para geração de eletricidade a partir da energia eólica (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). A instalação da primeira turbina eólica comercial ligada à rede elé- trica pública ocorreu em 1976, na Dinamarca. Solar Buscando o aproveitamento direto e eficaz da energia solar, muitas tecnolo- gias têm sido pesquisadas visando à geração de energia elétrica, que pode ocorrer de duas maneiras: 1. indiretamente, por meio da utilização do calor para geração de vapor, que, expandido em uma turbina a vapor, aciona um gerador elétrico em uma central termelétrica, chamada de heliotérmica; 2. diretamente, por meio do uso de painéis fotovoltaicos. A fotovoltaica tem conquistado mais mercado que a heliotérmica, repre- sentando, nos últimos anos, 98% da capacidade instalada entre essas duas tecnologias no ano de 2014. Em contrapartida, a heliotérmica tem uma inércia maior na geração de energia elétrica, porque é suscetível às variações da irradiação por se tratar de uma planta termelétrica (ARAÚJO JÚNIOR, 2017). Entende-se por energia solar fotovoltaica aquela obtida por meio da conversão direta da luz em eletricidade, com base no efeito fotovoltaico, compreendido como o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, gerada pela absorção da luz. As principais vantagens do uso desse tipo de energia é que, durante sua conversão em eletricidade, não ocorre emissão de poluentes, como material particulado, e de gases de efeito estufa. Essa ausência de emissão de poluentes é um fator fortemente positivo para meio o ambiente em escala local e global (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). Fontes de geração térmicas e não térmicas4 Marítima Esse tipo de energia, também conhecida como energia maremotriz e energia das marés, compreende a captação e transformação de energia oriunda do desnível das marés e da velocidade das correntes marítimas em eletricidade (SILVA et al., 2018). De acordo com Silva et al. (2018), para a geração de energia elétrica a partir da energia marítima, são necessários alguns requisitos naturais, como uma situação geográfica favorável e uma maré com grande ampli- tude, considerando que, para a geração de eletricidade suficiente para abastecimento em um posto de captação, são necessárias ondas com mais de sete metros de altura. Observe, na Figura 2, o esquema de captação em um terminal chamado de offshore, ou seja, distante da terra, mais precisamente em alto mar. Figura 2. Terminal offshore. Fonte: Silva et al. (2018, p. 4). Na Figura 3, é demonstrado o uso de atenuadores, que são dispositivos com longas estruturas cilíndricas flutuantes no mar, ligadas por dobradiças. Esses atenuadores ativam conversores de transmutação da energia cinética em energia elétrica a partir do movimento das ondas. Fontes de geração térmicas e não térmicas 5 Figura 3. Atenuador em alto mar. Fonte: Silva et al. (2018, p. 4). Fontes de geração térmica A geração térmica de energia elétrica, ou geração termelétrica, é composta por centrais nucleares, centrais a gás e a vapor, e centrais a motor, sendo a maioria das últimas a diesel (REIS, 2017). A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) confirma que a geração termelétrica pode ser realizada por meio de diferentes combustíveis, como gás natural, biomassa, carvão mineral, nuclear, óleo combustível, etc. De acordo com a EPE, o conceito de combustível para geração, principalmente para usinas de grande porte, relaciona-se com o atendimento dos critérios técnicos, econômicos, logísticos, ambientais e, em determinados casos, de políticas energéticas. Nesse contexto, dependendo do tipo de combustível e da tecnologia de geração utilizados, as termelétricas podem atuar em diferentes funções, como na geração contínua (denominada geração de base), na geração com- plementar a fontes renováveis ou no atendimento às demandas de ponta. Devido à participação significativa das fontes hídricas na geração de energia elétrica brasileira, as termelétricas atuam relevantemente nos períodos de escassez hidrológica do país. Soma-se a isso a possibilidade emergente de as termelétricas atuarem estabilizando a variabilidade na geração de curto prazo das fontes eólica e solar no sistema nacional (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). Fontes de geração térmicas e não térmicas6 Gás natural Em usinas termelétricas, a produção de energia elétrica se dá a partir da combustão de combustíveis. No Brasil, o combustível mais usado para essa finalidade é o gás natural, uma mistura de hidrocarbonetos gasosos, gera- dos a partir da decomposição de matéria orgânica fossilizada ao longo de milhões de anos. Nesse tipo de usina, a queima do gás natural gera vapor, usado para movimentar as turbinas ligadas a geradores, com baixos índices de emissão de poluentes, em comparação a outros combustíveis fósseis, e esse gás tem elevado poder calorífico. Caso ocorra vazamento do gás, há rápida dispersão, apresentando baixos índices de odor e de contaminantes (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Considera-se recente o desenvolvimento, no Brasil, desse tipo de geração, com início na década de 1940. Na última década do século passado, a utiliza- ção dessa tecnologia foi ampliada. Hoje, as maiores turbinas a gás chegam a 330 MW de potência e os rendimentos térmicos atingem 42%. A geração de energia elétrica em termelétricas a gás natural tem a vantagem de prazo relativamente curto de maturação do empreendimento e flexibilidade para o atendimento de cargas de ponta (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Petróleo O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada da decomposição da matéria orgânica, especialmente do plâncton, pela ação de bactérias em condições de baixo teor de oxigênio. Essa decomposição, ao longo de milhões de anos, acumulou-se no fundo dos oceanos, mares e lagos. Os movimentos da crosta da Terra pressionaram o depósito dessa mistura decomposta, possibilitando sua transformação em uma substância oleosa, chamada de petróleo, encontrada em determinadas bacias sedimentares, constituídas por camadas ou lençóis porosos de areia, arenitos ou calcários. Por muitas décadas, o petróleo impulsionou fortemente a economia, repre- sentando, no início dos anos 1970, quase 50% do consumo de energia primária no mundo. Mesmo com seu declínio ao longo dos anos, o petróleo ainda repre- senta aproximadamente 43%, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia de 2003 (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). O petróleo é o principal responsável pela geração de energia elétrica em diversos países do mundo. Apesar da expansão recente da hidroeletricidade e da diversificação das fontes de geração de energia elétrica verificadas nas Fontes de geração térmicas e não térmicas 7 últimas décadas, o petróleo ainda é responsável por cerca de 8% de toda a eletricidade gerada no mundo (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Por meio da queima do petróleo e de seus derivados em caldeiras, turbinas e motores à combustão interna, ocorre a geração de eletricidade. O uso dessas caldeiras e turbinas assemelha-se aos outros processos térmicos de geração de energia elétrica (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). Carvão O carvão é um combustível fóssil e, assim como os outros, é uma mistura complexa e variados componentes orgânicos sólidos, fossilizados ao longo de milhões de anos. A qualidade desse combustível é determinada por seu conteúdo de carbono e varia conforme o tipo e o estágio dos componentes orgânicos (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Entre esses estágios, a turfa é um dos primeiros e apresenta baixo conteúdo carbonífero, com teor de carbono próximo a 45%; o linhito tem um índice de carbono variando entre 60% a 75%; a hulha, também denominada carvão betuminoso, é o estágio mais aplicado como combustível, contendo apro- ximadamente 75% a 85% decarbono; e o antracito, considerado o estágio mais puro do carvão, tem um conteúdo carbonífero maior que 90% (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). A transformação se inicia quando as bactérias existentes no ambiente entram em contato com a matéria orgânica (geralmente formada de vegetação pré-histórica). Estas decompõem parcialmente a matéria e liberam, em forma de gases, o oxigênio e o hidrogênio. Após isso, a matéria orgânica é soterrada por camadas de argila e areia, submetendo-a a condições elevadas de pressão e temperatura. Durante essa etapa, o oxigênio e o hidrogênio são expulsos, acumulando o resíduo carbonoso no processo conhecido como carbonização. O material recém-formado será denominado turfa. A turfa é soterrada sob camadas diversas e será submetida a contínuas modificações em função do tempo, da pressão e da temperatura crescentes, evoluindo para os materiais denominados linhito, carvão submetuminoso e carvão betuminoso, até chegar a antracito e grafita em rochas metamórficas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CARVÃO MINERAL, [20--?]). Nuclear Denomina-se nuclear, ou nucleoelétrica, a energia oriunda da fissão do urânio em um reator nuclear, onde é produzido calor a partir dessa fissão. Fontes de geração térmicas e não térmicas8 Biomassa No contexto da produção de energia elétrica, biomassa é conceituada como matéria orgânica, de origem vegetal ou animal, que pode ser utilizada na geração de energia. Nesse caso, considera-se que a energia solar, por meio da participação no processo de fotossíntese, é convertida em energia química, que pode ser transformada em energia elétrica (SOUZA, 2015). Essa fonte tem, como uma das principais vantagens, a possibilidade de ser aproveitada diretamente, por combustão em fornos e caldeiras (CÂMARA DE COMERCIA- LIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). No Brasil, existem 579 usinas que utilizam biomassa para produzir energia, totalizando 15.260.348, 45 kW de potência registrada, perfazendo 8,73% do total de potência prevista entre todas as fontes na matriz energética nacional. Observe, no Quadro 1, os tipos de biomassa utilizados nas usinas que operam no Brasil (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Quadro 1. Tipos de biomassa utilizadas nas usinas em operação no Brasil Fonte nível I Quantidade Potência outorgada (kW) Potência fiscalizada (kW) % Floresta 87 2.803.847 2.547.523 20,00 Resíduos sólidos urbanos 14 88.213 83.699 0,63 Resíduos animais 10 1.924 1.924 0,01 Biocombustíveis líquidos 2 4.350 4.350 0,03 Agroindustriais 410 11.121.446 10.775.515 79,33 Total 523 14.019.781 13.413.012 100,00 Pelo exposto no Quadro 1, observa-se que o tipo de biomassa com maior número de usinas e maior potencial energético para geração de energia é a agroindustrial, incluindo culturas agroenergéticas e resíduos e subprodutos de atividades agrícolas. Dessa maneira, as principais culturas que impactam a potencialidade energética oriunda do setor agroindustrial nacional são o bagaço de cana-de-açúcar e a casca de arroz (LOPES; MARTINS; MIRANDA, 2019). Nesse sentido, buscando aumentar a eficiência do processo e reduzir impactos socioambientais por ele gerados, tecnologias de conversão mais Fontes de geração térmicas e não térmicas 9 eficientes têm sido desenvolvidas, como a gaseificação e a pirólise, que é um tipo de decomposição térmica de materiais que contêm carbono, na ausência de oxigênio. Além disso, é comum a cogeração em sistemas que usam a biomassa como fonte energética (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Geotérmica Esse tipo de energia é produto do calor emanado do interior da Terra, utili- zado para geração de eletricidade, buscando uma geração mais limpa e em quantidade cada vez maiores. A geotermia é armazenada como calor sensível ou latente, convertida, inicialmente, em energia mecânica e, depois, energia elétrica (CAMPOS et al., 2017). Nesse contexto, a geração de energia elétrica a partir da energia geo- térmica pode ocorrer direta e indiretamente, mas esses dois métodos têm crescido em diferentes partes do mundo desde a década de 1980, fomentando a redução do consumo de fontes não renováveis. Quanto às vantagens desse tipo de energia, cita-se a disponibilidade do calor geotérmico todos os dias e em todas as estações do ano, tornando essa fonte uma alternativa atraente para geração sustentável de energia. Além disso, na geração de energia elétrica, há baixa emissão de poluentes atmosféricos, corroborando, desse modo, o conceito de energia limpa e ecológica atribuído à energia geotérmica (CAMPOS et al., 2017). Biogás O biogás é uma fonte alternativa de energia proveniente da biodigestão de matéria orgânica. Entre as possibilidades de matéria-prima orgânica utilizada, também denominada substrato, estão os resíduos e efluentes industriais, urbanos e rurais (MARIANI, 2018). O biogás contém aproximadamente 60% de metano e, devido a seu elevado poder calorífico, é possível utilizá-lo na geração de calor e de eletricidade. Quando o biogás é submetido a refino, pode-se produzir biometano e gás carbônico. O biometano é similar ao gás natural, podendo ser usado para os mesmos fins desse combustível fóssil quando misturado a mais de 90% (MARIANI, 2018). Fontes de geração térmicas e não térmicas10 Funcionamento das unidades geradoras térmicas e não térmicas Usina hidrelétrica Basicamente, uma usina hidrelétrica (Figura 4) é composta por uma barragem, um vertedouro, uma estrutura de tomada de água, um conduto forçado, uma casa de força e um canal de fuga (PEREIRA, 2015). Figura 4. Esquema representativo dos elementos constituintes de uma usina hidrelétrica. Fonte: Projeto GAIA (2013, documento on-line). A barragem é responsável por fechar o rio, represando suas águas, visando a sua captação e a seu desvio. Além disso, a barragem atua elevando o nível das águas, causando o desnível adequado e suficiente para o aproveitamento hidrelétrico, para criar a carga hidráulica, ou mesmo permitindo navegabili- dade ao rio. Segundo Pereira (2015), a barragem também permite a formação de reservatórios regulares de vazões. Barragens podem ser classificadas em barragens a gravidade, a arco e a arco-gravidade. Quanto às obras acessórias das barragens, ressalta-se os descarregadores de vazões excedentes e tomadas de água. Fontes de geração térmicas e não térmicas 11 Uma vez estabelecida as vazões, o vertedouro atua extravasando as vazões que excedem às necessárias para as turbinas da usina. O conjunto turbina-gerador é constituído pela estrutura de tomada de água, pelo conduto forçado e pela casa de força, local que abriga esse conjunto. Por fim, o canal de fuga é responsável pela restituição da água que passou pelas turbinas (turbinada) ao leito natural do rio, formando o circuito hidráulico de adução e geração (PEREIRA, 2015). A casa de máquinas é o componente mais importante de uma usina hi- drelétrica, pois nela ficam localizados os geradores elétricos e as turbinas (PEREIRA, 2015). De acordo com Pereira (2015), as usinas hidrelétricas podem ser classifi- cadas da seguinte forma. � De acumulação: nesse tipo de usina, a água é armazenada para uso constante, durante todo o ano, de uma vazão média, chamada de vazão regularizadora, superior à garantida somente pelo fluxo natural do rio. Para isso, essas usinas contam com uma bacia de acumulação de grande capacidade. Esse tipo de usina pode ser subclassificada em: ■ de derivação, quando a água é transportada por tubulação ou túnel até chegar a uma chaminé de equilíbrio, de onde partem outras tubulações que levam essa água até as turbinas, de onde a água parte para outro rio; ■ de desvio, que é parecida com a de derivação, mas o rio a jusante é o mesmo de captação. � A fio d’água: usinas desse tipo não operam com reservatórios de água, mas utilizando a vazão própria do rio, chamada de vazão primária, sem regularização. � Reversíveis: são aquelas usinasque geram a energia elétrica a fim de satisfazer uma carga máxima. Para isso, a água é bombeada de um represamento no canal de fuga a um reservatório a montante, durante horas de demanda reduzida, para uso posterior. A produção de energia elétrica em uma central hidrelétrica depende da vazão da água efetivamente utilizada para produzir energia mecânica res- ponsável por acionar o gerador elétrico, além de outros fatores. Essa vazão que aciona o gerador é chamada de turbinada ou turbinável, pois, antes de atingir o gerador, aciona a turbina (REIS, 2017). Fontes de geração térmicas e não térmicas12 Usinas hidrelétricas são consideradas recursos flexíveis do ponto de vista da operação elétrica, com a capacidade de prover vários serviços ancilares, como o controle automático de geração, controle de tensão e de frequência. Ressalta-se, ainda, que hidrelétricas que possuem reservatórios de acu- mulação podem regularizar as vazões afluentes aos rios, transferindo água de períodos úmidos para secos e, em determinados casos, de anos úmidos para anos secos. Soma-se a isso o fato de seus reservatórios poderem levar a variadas utilizações da água, como controle de cheias, irrigação, proces- samento industrial, suprimento de água para consumo humano, recreação e serviços de navegação. Entretanto, essa capacidade de regularização dos reservatórios vem sendo reduzida nos últimos anos, em decorrência das ine- gáveis dificuldades de se construir novas hidrelétricas e novos reservatórios (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). Conjunto eólico Por meio de aerogeradores (Figura 5), ocorre a geração de energia eólica. Isso ocorre pelo contato de fortes ventos com as pás do cata-vento, originando energia mecânica capaz de acionar o motor da turbina que produz eletricidade (DOMINGOS, 2017). Figura 5. Conjunto eólico com os aerogeradores. Fonte: Suhet (2018, documento on-line). A turbina eólica é composta por diferentes componentes, como as pás, a torre e o nacele. Observe, na Figura 6, o tipo mais comum de turbina eólica, Fontes de geração térmicas e não térmicas 13 apresentando um eixo horizontal, três pás espaçadas uniformemente, uma estrutura rígida e gerador de indução assíncrono (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). Figura 6. Esquema ilustrativo de uma turbina eólica. Fonte: ESAB (2016, documento on-line). Esse tipo de energia se tornou importante a partir dos anos 1990, pelo relevante avanço na tecnologia e o grande incentivo decorrente das preocu- pações ambientais, com foco nas emissões de gases de efeito estufa, e pela independência energética dos países que não produziam carvão, óleo e gás (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). Quanto aos impactos ambientais causados pelas centrais eólicas, desta- cam-se os impactos visuais e sonoros. Os impactos visuais advêm do agrupa- mento das torres e aerogeradores, especialmente quando há muitas turbinas na central, configurando as chamadas fazendas eólicas. Já os impactos sonoros são aqueles devidos aos ruídos dos rotores. Acrescenta-se a isso a possibi- lidade de as turbinas eólicas interferirem eletromagneticamente, podendo perturbar sistemas de comunicação e transmissão de dados. Além disso, elas podem interferir nas rotas de aves, fator que deve ser devidamente consi- derado em avaliações dos impactos ambientais dessas estruturas (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2005). Fontes de geração térmicas e não térmicas14 Usinas termelétricas As usinas termelétricas (Figura 7) geram energia elétrica por meio de um sistema composto por uma caldeira, uma turbina a vapor, um condensador e um sistema de bombas. Por meio de combustão, é gerado o calor que aquece a água que é colocada na caldeira, que, por consequência, é transformada em vapor de água, responsável por movimentar as turbinas que transformam a energia térmica em energia mecânica. Por fim, o gerador atua transformando essa energia mecânica em energia elétrica (DOMINGOS, 2017). Figura 7. Ilustração de uma usina termelétrica à base de biomassa. Fonte: Guedes e Brasil (2015, documento on-line). Destaca-se que, depois de movimentar as turbinas, o vapor de água é direcionado a um condensador para que seja recuperada A água líquida que é reenviada para a caldeira por meio de um sistema de bombas, repetindo o ciclo de produção de energia térmica (DOMINGOS, 2017). Usinas termonucleares Usinas termonucleares (Figura 8) têm um funcionamento parecido com o processo de geração de energia elétrica nas usinas térmicas convencionais. A diferença é que, nas usinas termonucleares, a energia térmica provém da fissão de urânio em um reator nuclear (DOMINGOS, 2017). Fontes de geração térmicas e não térmicas 15 Figura 8. Ilustração de uma usina termonuclear. Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (2005, documento on-line). Em usinas termonucleares, o sistema mais utilizado é composto por três circuitos: primário, secundário e de refrigeração. No circuito primário, a água é aquecida a uma temperatura de cerca de 320°C, sob uma pressão de 157 atmosferas. Depois, essa água aquecida é enviada a tubulações, até chegar ao gerador de vapor, onde é vaporizada (circuito secundário). Não há contato físico entre esses dois circuitos. O vapor gerado aciona uma turbina, que atua movimentando o gerador que produz corrente elétrica (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Distribuição e aplicação das fontes de geração térmicas e não térmicas No Brasil O Brasil contava, até dados de 2008, com 1.768 usinas operando, número que corresponde a uma capacidade instalada de 104.816 MW (megawatts), excluindo a participação do Paraguai na usina de Itaipu. Desse total de usinas, 159 são Fontes de geração térmicas e não térmicas16 hidrelétricas, 1.042 térmicas abastecidas por fontes variadas (gás natural, bio- massa, óleo diesel e óleo combustível), 320 são pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), duas são usinas nucleares, 227 são as centrais geradoras hidrelétricas (consideradas pequenas usinas hidrelétricas) e uma é usina solar (BRASIL, 2020). De acordo com o “Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2020” (BRASIL, 2020), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, a geração de energia elétrica no Brasil dividia-se, de 2015 a 2019, conforme o Quadro 2. Quadro 2. Distribuição da geração de energia elétrica no Brasil 2015 2016 2017 2018 2019 Total 581.486 578.898 587.962 601.396 626.324 Hidráulica 359.743 380.911 370.906 388.971 397.877 Gás natural 79.503 56.550 65.591 54.295 60.188 Derivados de petróleo (óleo diesel e combustível) 25.708 12.207 12.911 10.293 7.846 Carvão 19.096 17.001 16.257 14.204 15.327 Nuclear 14.734 15.864 15.739 15.674 16.129 Biomassa (lenha, bagaço de cana e lixívia) 47.394 49.236 49.385 51.876 52.111 Eólica 21.626 33.489 42.373 48.475 55.986 Solar 59 85 831 3.461 6.651 Outras (gás de coqueria, outras secundárias, outras não renováveis, outras renováveis e solar) 13.623 13.554 13.968 14.147 14.210 Fonte: Adaptado de Brasil (2020). Fontes de geração térmicas e não térmicas 17 A energia hidráulica tem sido a principal fonte de geração do sistema elétrico no Brasil por muitas décadas. Isso ocorre devido à competitividade econômica dessa fonte e devido à abundância da água no país. Assim, o Brasil conta com um sistema gerador de eletricidade com mais de 150 GW de capa- cidade instalada, no qual predomina a geração por hidrelétrica, decorrente da extensão do território nacional, que apresenta muitos planaltos e rios caudalosos. Estima-se em 172 GW o potencial hidrelétrico brasileiro, sendo mais de 60% já aproveitados. Cerca de 70% do potencial ainda não aprovei- tado localiza-se nas bacias hidrográficas Amazônica e Tocantins-Araguaia (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). O governo brasileiro ingressou na geração termonuclaer no final da dé- cada de 1960, cogitando a necessidade de complementação térmica para suprir a demanda de eletricidade no Rio deJaneiro. Essa complementação foi buscada por meio da construção da Angra I (Figura 9), a primeira usina nuclear do Brasil, em Angra dos Reis. A construção dessa usina, de 657 MW, foi iniciada em 1972, e a primeira reação nuclear em cadeia se deu em março de 1982. A Angra I começou a operar comercialmente em janeiro de 1985, mas interrompeu suas operações logo depois e voltou a funcionar apenas em abril de 1987, de modo intermitente, até dezembro de 1990, com 600 MW médios por somente 14 dias. As interrupções no funcionamento da usina se tornaram menos comuns entre 1991 e 1994, e, a partir de 1995, sua operação se tornou regular (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Figura 9. (a) Usina termonuclear Angra I durante sua construção e (b) atualmente. Fonte: Associação Brasileira de Energia Nuclear (2017, documento on-line). Em 1976, foi iniciada a construção de Angra II, de 1.350 MW, com previsão de início de operação comercial para 1983. Entretanto, devido à falta de recursos, a construção da Angra II foi paralisada por muitos anos e seu reator passou a operar apenas em julho de 2000, com carga de 200 a 300 MW. Essa usina funcio- Fontes de geração térmicas e não térmicas18 nou regularmente, com 915 MW médios, entre 20 de agosto e 3 de setembro de 2000. A partir desse ano, Angra II operou intermitentemente, com potência de 1.350 MW médios (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). Segundo Reis (2017), quanto à energia termelétrica a gás e a vapor, têm sido utilizados, sobretudo, gás natural, óleo combustível e carvão mineral. O carvão é utilizado, majoritariamente, no Sul do país, mas sua participação no conjunto total de geração é ínfima devido aos custos elevados e à baixa qualidade do carvão disponível no Brasil. O gás natural é o combustível que apresenta maiores perspectivas de aplicação no país, considerando curto e médios prazos, devido à grande oferta e aos preços competitivos, pois é encontrado em quantidades significativas nos país vizinhos e dentro do Brasil. Além disso, para a implementação de centrais termelétricas a gás, não é necessário longo tempo de trabalho. Sobre a disponibilidade desse combustível no país, ainda não há dados seguros, mas é sabido que essa disponibilidade é muito significativa, considerando as reservas de Urucu e Juruá, localizadas na região amazônica, e a Bacia do Pré-Sal (Figura 10), situação na costa Sudeste do Brasil (REIS, 2017). Figura 10. Polígono do Pré-Sal. Fonte: Oliveira (2019, documento on-line). O Brasil deve, no longo prazo, dar preferência ao uso de gás natural para gerar eletricidade, seguindo a tendência de outros países, devido aos menores impactos ambientais decorrentes da geração de eletricidade a partir Fontes de geração térmicas e não térmicas 19 desse combustível, quando comparado a outras formas de geração termelétrica. Nesse sentido, o gás natural pode atuar como uma ponte durante a transição para um contexto de matriz energética baseada em recursos renováveis e, portanto, sustentável. A geração de energia elétrica a partir do aproveitamento do carvão mi- neral foi iniciada nos anos 1950, com a construção das usinas termelétricas de Charqueadas (RS), com 72 MW de potência instalada, Capivari (SC), com 100 MW, e Figueira (PR), com 20 MW, com estudos anteriores sobre a temática (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). O Brasil possui um grande potencial do recurso eólico, e a EPE se preo- cupa em incluir a energia eólica de modo seguro e econômico no Sistema Interligado Nacional (SIN). Para se alcançar esse feito, são realizados estudos acerca do efeito da energia eólica no planejamento da expansão do SIN. Esses estudos são baseados na contabilização da energia gerada pelos parques que já estão operando no país, na medição de vento nos parques vencedores dos leilões de energia, entre outros dados. Além disso, são considerados os efeitos ambientais da instalação dos parques eólicos, mesmo que esses impactos sejam considerados baixos (EMPRESA DE PES- QUISA ENERGÉTICA, [20--?]). De acordo com Reis (2017), o aumento da aplicação da energia eólica no Brasil também decorre dos programas de incentivo governamentais, como o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). De fato, o país, por meio de aplicações de pequeno porte, a maioria do tipo experimental, chegou a ter uma potência instalada de aproximadamente 17,25 MW no fim de 2003 e de 548 MW em agosto de 2009, perfazendo 0,52% da capacidade instalada no Brasil. O Brasil apresenta elevado potencial para uso de energia solar para a geração de energia elétrica, especialmente em larga escala, devido a várias características naturais favoráveis, como os altos níveis de insolação. Esses fatores fortalecem a atração de investidores e o desenvolvimento dessa fonte, possibilitando que seja vislumbrado um papel importante na matriz elétrica para a energia solar. Além disso, de acordo com a EPE, a geração fotovoltaica de energia possui vantagem de grande flexibilidade locacional, sobretudo no que diz respeito à geração distribuída, além de facilidade de instalação, devido ao curto período necessário para execução dos projetos (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA, [20--?]). Fontes de geração térmicas e não térmicas20 No mundo A geração de energia elétrica a partir da energia eólica tem crescido mundial- mente, sobretudo por seu preço atrativo. Muitos países já contam com uma significativa geração eólica, com grandes fazendas eólicas, como a Alemanha, os Estados Unidos, a Dinamarca, a Espanha, a Holanda e a Índia (REIS, 2017). O carvão é responsável por, aproximadamente, 8% de todo o consumo mundial de energia e por cerca de 39% de toda a energia elétrica gerada no mundo. Visando a garantir a preservação do carvão na matriz energética do mundo e respeitando as metas ambientais, tecnologias de remoção de impurezas e de combustão eficiente do carvão têm sido pesquisadas e de- senvolvidas (CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, [20--?]). No mundo, há diversos sistemas termossolares instalados, incluindo projetos-piloto e operação comercial. Esses sistemas são aplicados em regiões com alta incidência de energia solar. Além disso, existem estudos sobre a instalação de sistemas de grande capacidade em regiões desérticas. Dessa forma, no mundo, há muitos projetos-piloto voltados para pesquisa, pois esse tipo de sistema representa custos unitários elevados e é uma opção muito relevante devido ao uso da fonte de energia renovável mais disponível (REIS, 2017). Quanto à geração de energia fotovoltaica, de acordo com Reis (2017), há mais aplicação, mesmo que seja de menor porte, em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, e em países em desenvolvimento para a alimentação de pequenos sistemas isolados, projetos-piloto e em eletrificação de equipamentos solitários, como radares, por exemplo. Referências AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Atlas de energia elétrica do Brasil. 2. ed. Brasília: ANEEL, 2005. (E-book). ARAÚJO JÚNIOR, P. do S. Análise comparativa do balanço energético da energia solar (fotovoltaica e termossolar). Bahia Análise & Dados, v. 27, nº 1, p. 6–26, 2017. Disponível em: http://publicacoes.sei.ba.gov.br/index.php/bahiaanaliseedados/article/view/83. Acesso em: 26 mar. 2021. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA NUCLEAR. Há 35 anos, Angra 1 era sincronizada ao sistema elétrico. 2017. Disponível em: http://www.aben.com.br/noticias/ha-35-anos- -angra-1-era-sincronizada-ao-sistema-eletrico. Acesso em: 26 mar. 2021. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CARVÃO MINERAL. Sobre o carvão. [20--?]. Disponível em: https://www.carvaomineral.com.br/interna_conteudo.php?i_subarea=6&i_area=4. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Anuário estatístico de energia elétrica 2020: ano base 2019. Brasília: Ministério de Minas e Energia, 2020. (E-book). Fontes de geração térmicas e não térmicas 21 BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 dejaneiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Diário Oficial da União, Brasília, 9 jan. 1997. Disponível em: https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/? tipo=LEI&numero=9433&ano=1997&ato=a12ATVU90MJpWTbaf. Acesso em: 26 mar. 2021. CÂMARA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. Fontes. [20--?]. 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Nesse contexto, o uso do hidrogênio é destacado como uma fonte promissora de energia, incluindo a elétrica. Alguns pontos são fundamentais para compreender essa tecnologia, que tem crescido muito em investimentos ao redor do mundo. Nesta Dica do Professor, você vai entender o uso do hidrogênio na geração de eletricidade. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/4d5330a1f4ef874cd5837a6dfbd3c1a4 Exercícios 1) O território brasileiro tem um dos maiores e melhores potenciais energéticos do mundo, com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, sendo mais de 7 mil quilômetros de litoral, além de um clima que apresenta condições muito favoráveis para diferentes tecnologias de geração de energia elétrica (FERNANDES, 2017). Considerando o exposto, assinale a alternativa correta sobre o planejamento de uma matriz elétrica, de modo que seja alcançado o desenvolvimento sustentável para o país. A) É importante que sejam desenvolvidas e aplicadas estratégias e tecnologias de geração limpa de energia elétrica, tais como energia eólica e solar, que causam pouco ou nenhuma emissão de gases do efeito estufa, por exemplo. B) Os esforços governamentais devem estar voltados para, além de garantir o atendimento da demanda por energia elétrica, a utilização e a promoção de fontes renováveis de energia, como solar, eólica, de biomassa e de gás natural. C) Desenvolver fontes limpas de energia contribui apenas para questões ecológicas do país, trazendo diversos benefícios ao planeta, mas não representa um fator de importância econômica para o Brasil. D) A principal fonte de energia continua sendo o petróleo, por isso, apesar dos benefícios, os países desenvolvidos não têm interesse em desenvolver o uso de fontes limpas de energia elétrica. E) Fontes como a solar e a eólica são mais propensas a falhas, pois são sistemas cuja tecnologia não está bem fundamentada, apresentando problemas estruturais, além da falta de pesquisa no país. 2) Produzir e consumir energia elétrica gerada a partir de fontes limpas são fatores muito importantes no contexto da proteção ambiental e para a manutenção da qualidade de vida das pessoas e dos animais. Nesse sentido, devem ser consideradas fontes de energia que não geram, ou geram pouco, gases do efeito estufa, pois estes favorecem o aquecimento global do planeta. Sendo assim, assinale qual das alternativas a seguir é consideradaa mais limpa quanto à produção de gases do efeito estufa. A) Gasolina. B) Óleo diesel. C) Gás natural. D) Vento. E) Carvão mineral. 3) O petróleo é a fonte de energia mais conhecida e difundida no mundo, e sua utilização pelo ser humano data de centenas de anos, mas foi no século XVIII que esse recurso passou a ser utilizado comercialmente, inicialmente na iluminação, na forma de querosene. Depois, a partir da invenção dos motores que funcionavam a gasolina e diesel, o petróleo passou a ser considerado mais importante, com sua busca cada vez mais intensa (A IMPORTÂNCIA..., [20--?]). Conhecer as características do petróleo é de fundamental importância para estudiosos e profissionais, pois somente a partir do adequado conhecimento desse recurso poderão ser conhecidas e bem aplicadas as tecnologias associadas ao seu aproveitamento. Sendo assim, assinale a alternativa correta sobre o petróleo. A) O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada pela decomposição da matéria inorgânica, principalmente minérios antigos, em condições de baixo teor de oxigênio por milhares de anos, no fundo de oceanos, mares e lagos. B) O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada a partir da decomposição de matéria orgânica, principalmente plâncton, por atividade de bactérias em condições de alto teor de oxigênio por milhares de anos, no fundo de oceanos, mares e lagos. C) O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada a partir da decomposição de matéria inorgânica, principalmente minérios antigos, por atividade de bactérias em condições de alto teor de oxigênio por milhares de anos, no fundo de oceanos, mares e lagos. D) O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada a partir da decomposição de matéria orgânica, principalmente plâncton, por atividade de bactérias em condições de baixo teor de oxigênio por milhões de anos, no fundo de oceanos, mares e lagos. E) O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos originada a partir da decomposição de matéria orgânica, principalmente plâncton, por atividade de fungos em condições de baixo teor de oxigênio, por milhares de anos, no fundo de oceanos, mares e lagos. 4) Na natureza, a água desempenha diversas funções necessárias e insubstituíveis para a manutenção da vida. Para as atividades humanas como produção de bens, tecnologias, transporte e outras, a água também exerce um papel muito importante. Nesse sentido, sobre o uso da água na geração de energia elétrica, assinale a alternativa correta. A) A água é utilizada em usinas hidrelétricas para a geração de vapor, que é responsável por movimentar turbinas ligadas a geradores de eletricidade. B) A energia das marés é utilizada para a produção de energia elétrica através de atenuadores que acionam o gerador elétrico por meio de turbinas. C) Em uma termelétrica, diferentes fontes de calor podem ser utilizadas para aquecer a água, formando o vapor que movimenta as turbinas ligadas ao gerador. D) Em uma usina termelétrica, a água passa por atenuadores que convertem a energia potencial em energia elétrica pelo acionamento de gerador. E) A energia marítima, assim como a energia hidrelétrica, provém da movimentação das águas, sem a obrigatoriedade da movimentação de turbinas. 5) A eletricidade pode ser gerada a partir de fonte térmica e de fonte não térmica. Ao falar em fontes de geração térmica, o uso de combustíveis fósseis é mencionado, como o gás natural, para a geração de calor que movimenta as turbinas. Entretanto, outras matérias-primas podem ser utilizadas. Sobre o exposto, assinale a alternativa correta. A) A biomassa, constituída por matéria orgânica, pode ser queimada para gerar o calor utilizado em caldeiras em que a água é transformada no vapor que movimenta as turbinas. B) Entre os combustíveis fósseis utilizados, há o biogás, formado junto com o petróleo, que é utilizado para gerar o vapor que movimenta as turbinas ligadas aos geradores elétricos. C) A energia nuclear não é considerada uma fonte de geração térmica, pois não utiliza combustão, tampouco gera calor para a geração do vapor que movimenta as turbinas. D) O gás natural é utilizado diretamente na geração de energia elétrica, de modo a movimentar as turbinas que acionam o gerador, sem passar pelo processo de combustão. E) Diferente do gás natural, o biogás não gera poluentes atmosféricos, sendo considerado uma fonte limpa de energia, usada diretamente para movimentar as turbinas. Na prática A energia elétrica é fundamental para o desenvolvimento das sociedades atuais, contudo as fontes de energias convencionais têm causado grandes impactos negativos ao meio ambiente. Com isso, a busca por energia renováveis e limpas vem cada vez mais ganhando espaço. Neste Na Prática, você vai poder verificar por meio de objetos em realidade aumentada algumas formas de geração de energia elétrica não térmicas que também utilizam fontes renováveis de energia. Aproveite esta oportunidade para interagir com os objetos de aprendizagem 3D abaixo e verificar alguns detalhes que compõem essas formas de geração de energia elétrica. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://grupoa-edtech.grupoa.education/object/DoxAIsh-QuSlJaBHI8mZcw Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A sincronização de Angra 1 ao sistema elétrico Este artigo traz um apanhado de fatos importantes que precederam a sincronização da usina e dados importantes, além de apresentar perspectivas para o futuro da geração nuclear no país. Confira. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Pré-sal Neste link, você vai conhecer as tecnologias pioneiras do pré-sal e a sua produção média de petróleo. Além disso, vai entender como ele foi formado. Veja a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Energia termelétrica: gás natural, biomassa, carvão, nuclear Este artigo tem como objetivo caracterizar o aproveitamento elétrico brasileiro a partir de biomassa, gás natural, carvão mineral e urânio, apresentando para cada uma dessas fontes o panorama mundial e nacional da termeletricidade, a estrutura da cadeia do combustível, a caracterização técnica e econômica, as questões socioambientais e o potencial de geração, entre outros aspectos. http://www.aben.com.br/noticias/ha-35-anos-angra-1-era-sincronizada-ao-sistema-eletrico https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/areas-de-atuacao/exploracao-e-producao-de-petroleo-e-gas/pre-sal/ Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-173/Energia%20Termel%C3%A9trica%20-%20Online%2013maio2016.pdf