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Cultivo Protegido Professor Dr. Danilo Chagas, MZO-UFF – danilochs@gmail.com 1. Introdução: O uso do plástico na agricultura brasileira é restrito, mas vem crescendo de ano para ano, entre os produtores que buscam maior tecnificação e maior produtividade. O cultivo em ambiente protegido é uma alternativa para superar as limitações climáticas especialmente, em ambiente onde há limitações climáticas com déficit de água e nutrientes no solo, temperaturas extremas que limitam os cultivos tradicionais. Tendo em vista que as demandas por produtos de melhor qualidade visual e isenta de resíduos que possa vir a prejudicar a saúde a utilização de cultivo em estufas plásticas justifica-se pela regularidade da produção, gerando inúmeras vantagens como: prolongamento da produção, aumento da produtividade, antecipação da colheita, redução do custo de produção; requer menos tratos culturais, menos defensivos e controle de pragas e doenças. Países como os Estados Unidos, Israel e Espanha o uso da plasticultura é bem desenvolvida. No Brasil principalmente na região do Vale São Francisco a plasticultura vem se desenvolvendo muito rapidamente nos últimos anos. No semi- árido brasileiro o uso do plástico vem sendo usado desde o subsolo, em encanamentos e dispositivo para irrigação por gotejamento até valas revestidas e cobertas para armazenamento da água, até cultivos protegidos em estufas e em cobertura de solo de culturas inteiras a céu aberto. O quadro 1 mostra o retorno financeiro por hectare de diferentes culturas com o uso do plástico. Fazenda Experimental em Cruz das Almas - Bahia (comparativo de lucros) Cultura/ha com plástico (em US$) sem plástico (em US$) Beterraba 17.315,28 10.666,80 Pepino 36.159,04 12.636,80 Cenoura 26.660,23 14.978,18 Tomate 35.078,00 19.388,00 Pimenta 77.430,00 69.054,00 Melancia 24.684,00 13.186,00 Fonte: Moisés Waxman mailto:danilochs@gmail.com 2. Estufas Considerando que ainda no Brasil o cultivo em ambiente protegido é pouco explorado, o que não acontece em países onde a limitação de clima e água são limitantes de produção, as estufas ou casas de vegetação são ambientes fechados ou semifechados dentro dos quais é possível criar e manter um micro-clima ideal para o cultivo das plantas, independentemente da estação do ano ou da temperatura, umidade e da luminosidade externa. As estufas podem ser construídas com estrutura de madeira ou metálica, revestida por plástico ou vidro, é uma estrutura com cobertura plástica transparente, que confere às plantas proteção contra adversidade do clima, encurta ciclo da cultura, aumenta a produtividade e propicia colheita fora de época FAQUIN & FURLAN (1999). 2.1 Locais de Instalação Os locais a serem instaladas devem ser planos, protegidos contra ventos fortes no sentido leste-oeste, próxima a fonte de água, energia elétrica e se possível à utilização de quebra-ventos. No dimensionamento da estufa deve-se evitar estruturas muito altas e grandes que venham a comprometer a perda de espaço ou concorram para a diminuição da eficiência dos equipamentos instalados. Para cobertura das estufas no caso da utilização de plástico ou filmes de polietileno, sua espessura pode variar de 0,075 a 0,200 mm, com uma durabilidade média de 12 a 18 meses. Lateralmente, as estufas podem ser providas de uma tela plástica e, no inverno mais rigoroso, de cortinas de filmes de polietileno (FAQUIN & FURLAN, 1999). 2.2 Arquitetura da Estufa O modelo de estufa deve-se observar a sua funcionalidade e praticidade para os diferentes controles que se fizer necessário. De acordo com Junior & Honório (1999) a estufa deve ser dimensionada para suportar: Carga permanente – (estrutura e cobertura) – e vertical; Carga de equipamento – (presentes ou instalação posterior) – ventiladores etc; Carga de vento – reforço estrutural Carga da cultura- suporte de plantas e vasos O tipo de material da estufa pode alterar a quantidade e a qualidade da luz incidente sobre as plantas funcionando como um filtro de radiação. 3. Manejo na Estufa 3.1 Água A água é fundamental para estabelecer qualquer sistema de produção, sendo que a sua qualidade vai depender muito de sua procedência. As impurezas contidas podem estar em suspensão com frações de partículas minerais ou orgânica do solo, sais, metais pesados, pesticidas e gases. Aspectos sanitários, físicos químicos, quantidade e tipo dessas impurezas determinam se a fonte de água é de boa qualidade ou não. 3.2 Temperatura e Luz A temperatura é um fator de importância fundamental em todas fases de desenvolvimento na produção das culturas. A radiação solar é principal fator que limita o rendimento das espécies tanto no campo, como em ambiente protegido. O controle pode ser feito com resfriadores ou aquecedores. Também a abertura ou fechamento das janelas ou cortinas laterais. A temperatura da solução não deve ultrapassar os 30ºC, sendo que o ideal para a planta é a faixa de 18ºC a 24º C em períodos quentes (verão) e 10ºC a 16ºC em períodos frios (inverno). Temperaturas muito acima ou abaixo desses limites causam danos à planta, bem como uma diminuição na absorção dos nutrientes e, conseqüentemente, uma menor produção, com produtos de baixa qualidade, que serão vendidos a preços mais baixos. De acordo com Buriol et al. (1993), a temperatura do ar pode elevar-se muito em dias de intensa radiação solar, necessitando de muito rigor em seu manejo sendo importante tanto o momento como a magnitude de sua abertura, esta uma das características importantes, à ambiência dos túneis para diversas culturas. Quanto maior o percentual de perfuração, menor a elevação da temperatura no interior do ambiente protegido e maior a perda de umidade para o ambiente externo. Na produção de flores o uso de filmes difusores de luz garante a elas recebimento homogêneo de luz, calor e intempéries. Tanto a luminosidade e o calor são absorvidos pelo solo e plantas durante o dia e liberados a noite na forma de radiação infravermelha que fica retida grande parte entre o solo e filme de cobertura. Na produção de flores sazonais durante o ano inteiro o emprego de telas de sombreamento para controlar a intensidade de luz dentro da estufa e filmes de dupla face (branco no exterior e preto no interior) para manipular a quantidade de horas de luz que a planta deve receber (simular noite). Os filmes de polietileno de 100 micras interrompem cerca de 10% da luminosidade natural, mas com o tempo tornam-se amarelados devido a impregnação de partículas em suspensão. 3.3 Umidade do ar Geralmente o período de saturação de água é maior no interior da estufa – proveniente da transpiração das plantas, evaporação da água de irrigação do solo - comparado ao cultivo a céu aberto. A umidade relativa do ar é uma relação inversa com a temperatura: diminui durante o dia e aumenta durante a noite. Na cultura de tomate tanto o excesso quanto a falta de umidade são prejudiciais em determinadas fases do ciclo da cultura, sendo o ideal é manter o teor de umidade em torno de 60%. A alta umidade do ar também influi no aparecimento de desordens fisiológicas e de doenças nas plantas. Dados da FAO estima uma redução de 30% na evapotranspiração nos cultivos protegidos, o uso da água por unidade de produção pode ser diminuído em até 50% e alcançando-se uma produtividade maior nestes ambientes Stanghellini, (1993). O maior problema para os filmes antigotejo é a perda de suas propriedades com seis a oito meses de uso devido ao fenômeno de alta umidade e temperatura de nosso clima. O filme contem um tensoativo que migra do interior para a superfície com a mudança de temperatura. Essa migração é prevista justamente para possibilitar o escoamento da água condensada para as calhas. 3.4Ventilação No Brasil a maior parte do território a insolação é alta e a maior preocupação deve ser com a ventilação para eliminar o excesso de calor do interior das estufas. Para cultivos de plantas dentro de valores adequados de temperatura e umidade, a estufa precisa estar equipada com janelas nas laterais e telhado (lanternim) para que se utilizem os efeitos do vento na retirada do excesso de calor. A relação entre volume de ar e área de piso deve ser no mínimo 3 m 3 de ar por 1m 2 de área da superfície de piso com o pé direito na calha superior a 2,80m. Equação 1: Superfície das janelas (m 2 ) V% = ----------------------------------- X 100 Superfície da estufa (m 2 ) 3.5 Temperatura do solo O solo do ponto de vista agronômico é uma mistura de materiais minerais e orgânicos da superfície da terra que serve de ambiente para o crescimento das plantas. A composição de um solo virgem é o resultado da ação conjunta do clima, relevo e da atividade microbiana sobre a rocha matriz. Nos cultivos as condições químicas e físicas do solo muitas vezes deixam a desejar Em ambiente protegido podemos melhora estas condições em função das necessidades da cultura evitando o excesso ou falta. No cultivo protegido os materiais utilizados destacam-se os restos vegetais, a areia e os filmes plásticos. O plástico sobre o solo conserva a sua umidade (diminui a evaporação e a lixiviação, proporcionando economia de água, e nutrientes) e a sua temperatura (diminui a amplitude térmica), diminui a umidade relativa do ar e favorece o metabolismo da planta e a precocidade do ciclo vegetativo. O plástico também melhora a estrutura física do solo, pois impede a erosão, e diminui a compactação; aumenta a porosidade; favorece a fertilidade natural (maior nitrificação e solubilidade de sais) microrganismos benéficos, controle de fitopatógenos de solo, nematóides e plantas daninhas (Martins et al., Inf. Agropec. V.20, n.200/2001, 1999). 3.6 Evapotranspiração Para CUNHA, et al. 2002 o cultivo protegido apesar de receber menor quantidade de radiação solar global, é mais eficiente na conversão da radiação líquida disponível em matéria seca total e na produtividade dos frutos na cultura do pimentão, em relação ao cultivo no campo. Em relação ao balanço de energia, o cultivo protegido apresenta menor quantidade de radiação líquida disponível, e com isso, menores perdas de energia, tanto na evaporação da água quanto no aquecimento do ar próximo a superfície, com conseqüente economia de água e condições mais favoráveis para o crescimento e desenvolvimento da cultura. Em ambiente protegido a reação ao estresse hídrico é facilmente observada: enrolamento, amarelecimento e queda das folhas. O desafio é conseguir um equilíbrio constante entre perdas (transpiração) e ganhos (absorção) de água, durante o ciclo das plantas. Os filmes plásticos colocados sobre as estufas promovem uma diminuição da demanda evaporativa em função da diminuição da radiação solar e do vento, que são os principais responsáveis pela evapotranspiração. É importante manter o potencial hídrico das plantas em níveis que facilitem a abertura estomática; garanta um bom armazenamento de água no solo; facilite a absorção de água pelas raízes e proporcionem uma boa demanda evaporativa adequada ao ambiente interno da estufa, quanto à radiação solar, temperatura e velocidade do vento e inversamente proporcional à umidade relativa do ar (MARTINS et al., 1999). Vantagens: Controle artificial das condições climáticas (temperatura, umidade relativa, luminosidade e concentração de CO2); Manutenção de produção durante o ano; Encurta o ciclo de produção (mais ciclo de colheita); Maior facilidade para controle de plantas invasoras, pragas e doenças; Melhoria na aparência/ uniformidade e qualidade dos produtos; Associação de outras técnicas como a hidroponia, aeroponia, injeção de CO2, alteração das condições de ambiente para antecipar ou retardar a colheita; Proteção a danos causados por intempéries (sol, geada, granizo etc). Aumento da produtividade por área plantada; Desvantagens: Custos iniciais mais elevados; Requer maior conhecimento de nutrição e fisiologia vegetal; A contaminação da água pode comprometer todo o sistema Cultivo hidropônico 1. Introdução A hidroponia é a ciência de cultivar plantas sem solos, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas. Na hidroponia as raízes podem estar suspensas em meio líquido (NFT) ou apoiadas em substratos inertes (areia lavada, saibro e etc.). Na hidroponia a única fonte de nutrientes para a planta é a solução nutritiva e se houver substrato, este deve ser inerte. A palavra hidroponia foi usada pela primeira vez pelo Dr. W. F. Gericke da Universidade da Califórnia em 1935. Ela vem do grego, dos radicais hydro = água e ponos = trabalho. 2. Sistema de cultivo A escolha do sistema de cultivo hidropônico vai depender das condições do local, dos materiais disponíveis, da viabilidade econômica e da cultura a ser explorada. a) NFT (Nutrient Film Technique) ou Tecnica de Fluxo Laminar de Nutrientes As plantas crescem em canais de cultivo por onde a solução nutritiva circula, intermitentemente, em intervalos definidos e controlados. Este sistema tem sido considerado o mais viável comercialmente. b) Aeroponia É uma técnica de cultivo de plantas suspensa no ar. As raízes das plantas são protegidas da luz e mantidas dentro de câmaras opacas que recebem nebulizações regulares de solução nutritiva. c) Piscina ou Floating Este sistema é usado tanto na produção de mudas quanto na de produção. Na fase de mudas, em bandejas, utiliza-se uma mesa plana com uma lamina de solução nutritiva (5 a 20 cm), onde as raízes ficam submersas. Esta mesa é dotada de um sistema de entrada e saída que promove a circulação da solução nutritiva. Na fase de crescimento ou produção, as plantas são sustentadas por placas de isopor perfuradas. As plantas são mantidas na piscina com uma lâmina de solução nutritiva de 30 a 40 cm de profundidade, podendo empregar um compressor para oxigenação dessa solução. d) Cultivos com substrato O fornecimento da solução nutritiva se dá por capilaridade, gotejamento, inundação e circulação. As plantas são sustentadas por substratos inertes (areia, cascalho, perlita, vermiculita, argila expandida, casca e etc.). Das propriedades físicas de um substrato deve levar em consideração: As partículas que compõem a fração sólida e em especial sua forma e tamanho, sua superfície específica e sua característica de interação com a água (molhabilidade); A geometria do espaço poroso formado entre as partículas e seu tamanho. A condutividade do substrato varia com as características de partícula, com sua geometria porosa e com seu conteúdo de água. 3. Elementos químicos essenciais às plantas As plantas necessitam para seu crescimento e desenvolvimento de 16 elementos nutritivos essenciais (C, H, O, N, P, Ca, Mg, K, S, Fe, Mn, B, Mo, Zn, Cu e Cl). 4. Preparo da solução nutritiva Segundo Alberoni (1998), após o preparo da solução, existem alguns fatores que devem ser controlados para o completo e perfeito desenvolvimento da planta, aproveitando ao máximo a solução nutritiva. Para cada espécie e condições de cultivo existe uma solução nutritiva mais adequada, dependendo da exigência nutricional da planta. A extração e acúmulo de nutrientes pelas plantas dependem de diversos fatores: Espécie e variedade cultivada; Estádio de desenvolvimento (fase de muda, crescimento,floração e frutificação); Condições ambientais (umidade relativa do ar, temperatura do ambiente e da solução, pH e condutividade elétrica da solução nutritiva). 4.1 Qualidade da água Além da qualidade biológica, os parâmetros a serem avaliados na qualidade da água são: Teores carbonato, sulfato, cloretos, sódio, ferro etc. Se a água contém bom teor de Ca ou B, este valor deve ser descontado no momento do preparo da solução (25% para macro e 50% para micro). A água com teor de NaCl acima de 50 ppm começa a causar problema de fitotoxidez. Se água for dura (alto teor de sais de carbonatos), haverá problema de elevação do pH e complexação de ferro. Água com condutividade elétrica (índice de sais dissolvidos) acima de 0,75 mS/cm, não tem sido recomendada para hidroponia. Uma alface hidropônica consome em média de 75 a 100 mL de água por dia. 4.2 Oxigênio A oxigenação da solução é muito importante. É preciso utilizar uma boa água e oxigenar a solução constantemente para obter um bom nível de absorção dos nutrientes. A oxigenação pode ser feita durante a circulação da solução no retorno ao reservatório ou com a aplicação de ar comprimido ou oxigênio. 4.3 Fertilizantes recomendados Em função do uso de doses elevadas de fertilizantes no cultivo protegido, torna-se evidente a necessidade de realizar análises periódicas do solo, para controlar o efeito prejudicial deste insumo pelo aumento do índice de salinidade. Culturas sensíveis como o feijão, cenoura, morango o *índice de salinidade é igual 1,0 (dS/m); pepino, tomate são moderadamente sensíveis (2,5 dS/m); beterraba e abobrinha o índice é moderadamente tolerante, variando de 4,0 e 4,7 dS/m respectivamente. * 1 decisiemen por metro (dS/m) = 1 mmho/cm = 640 mg de sal/L. 4.3 Formulação de soluções nutritivas Diversas são as formulações de soluções nutritivas propostas para o cultivo hidropônico são descritas na literatura (FURLANI, 1998). Solução Básica Adubos g/1000ml Nitrato de Cálcio hydro especial 750 Nitrato de potássio 500 MAP – purificado 150 Sulfato de magnésio 400 Ferrilene ou Tenso-Fe 40 Solução de micronutrientes 50 mL 1.1 Solução de micronutrientes (solução estoque) Fontes g/L Sulfato de manganês 30 Ácido bórico 30 Sulfato de zinco 10 Sulfato de cobre 3 Molibdato de sódio 3 Obs. 1. Dissolver cada sal separadamente 2. Dissolver a fonte de Fe em água quente 3. Preparar a solução de micronutrientes como em 1.1 e usar uma alíquota de 50 mL para 1000 mL da solução; 4. Observar a condutividade elétrica*, que após preparo desta solução deve ficar entre 2,0 e 2,2 mS/cm e o pH entre 6,0 e 6,5. Atenção: Dissolver cada fonte de micronutrientes separadamente em água quente. Misturar todos e completar o volume para 1L. Solução de Ajuste Solução A Fonte g/10L Nitrato de potássio 1200 MAP – purificado 200 Sulfato de magnésio 240 Dissolver cada sal separadamente, misturar todos e completar o volume para 10L Solução B Fonte g/10L Nitrato de cálcio hydro especial 600 Solução M (Micronutrientes) Fontes g/L Sulfato de manganês 10 Acido bórico 5 Sulfato de zinco 2 Sulfato de cobre 1 Molibdato de sódio 1 Dissolver cada fonte de micronutrientes separadamente em água quente. Misturar todos e completar o volume para 1L. Solução de Ferro Fonte g/L Ferrilene ou Tenso – Fe ou 20 Dissolvine 10 Dissolver em água quente e completar o volume para 1L 4.4 Manejo da solução nutritiva Não existe uma solução nutritiva ideal para todas as culturas. Segundo Alberoni (1998) alguns fatores influenciam o emprego destas soluções tais como: pH: O pH da solução nutritiva é tão importante quanto a condutividade elétrica, pois as plantas não conseguem sobreviver com valores abaixo de 3,5. O controle do pH é relevante para a manutenção da integridade das membranas e para evitar a precipitação de micronutrientes como ferro, boro e manganês ou o fósforo (Martinez, 2002). Aeração: A oxigenação pode ser feita durante a circulação da solução no retorno ao reservatório ou com a aplicação de ar comprimido ou oxigênio. Temperatura: A temperatura da solução não deve ultrapassar os 30ºC, sendo que o ideal para a planta é a faixa de 18ºC a 24º C em períodos quentes (verão) e 10ºC a 16ºC em períodos frios (inverno). Temperaturas muito acima ou abaixo desses limites causam danos à planta, bem como uma diminuição na absorção dos nutrientes e, conseqüentemente, uma menor produção, com produtos de baixa qualidade, que serão vendidos a preços mais baixos. Pressão osmótica – Quando se dissolvem sais na água, sua pressão osmótica aumenta, ou seja, a tendência que a solução tem de penetrar nas raízes diminui, até o ponto que deixa completamente de penetrar e começa a retirar a água das plantas. Isso ocorre pelo fato de a água se movimentar de um meio hipotônico para um meio hipertônico ou, digamos, de um meio menos concentrado para um meio mais concentrado. Por isso, a solução deve conter os nutrientes nas proporções adequadas, mas suficientemente diluídas para não causar danos. A pressão osmótica ideal está entre 0,5 a 1,0 atmosfera (atm.). Condutividade elétrica – De acordo com Bresler & Hoffman (1986) a absorção de água pelas plantas, através do sistema radicular, é influenciada pelo potencial osmótico do meio nutritivo. Huet (1994) afirma que a condutividade da solução nutritiva não influencia somente a absorção de água, mas também a absorção de nutrientes, estando ambas intimamente ligadas. Esse controle é de grande importância, pois determina quanto adubo há na solução (quantidade de íons). Quanto mais íons na solução, maior será a condutividade elétrica, e vice-versa. Há um aparelho que mede a condutividade: o condutivímetro. Na utilização desse aparelho, as medidas ideais da solução ficam na faixa de 1,5 a 3,5 miliSiemens/cm, que corresponde a 1.000 à 1.500 ppm de concentração total de íons na solução. À medida que as plantas crescem os nutrientes da solução vão sendo consumidos e esta solução vai se esgotando. Chega a um ponto que a solução não consegue mais fornecer os nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas. Nesse ponto a solução deve ser trocada. Um dos maiores problemas é saber quando esta troca deve ser realizada. É muito comum que se usem intervalos iguais entre trocas, o que não é correto, pois no início do desenvolvimento as plantas consomem muito menos que no final do seu desenvolvimento. Uma solução que contêm sais tem a capacidade de conduzir a corrente elétrica. Essa capacidade de condução da corrente elétrica é tanto maior quanto maior a concentração de sais dissolvidos na solução. Assim através da redução na condutividade elétrica é possível saber quando é necessário fazer a troca da solução nutritiva. Furlani et. al. (1999) sugere as formulações constantes para o preparo e manejo da solução nutritiva. Após a adição da última solução concentrada, acrescentar água até atingir o volume de 1.000 L. Tomar a medida da condutividade elétrica. É conveniente manter o reservatório de solução nutritiva sempre em nível constante, acrescentando água para repor o volume evapotranspirado. Se for favorável, o volume poderá ser completado à tarde e a condutividade elétrica medida e corrigida na manhã do dia seguinte. Nível da Solução Nutritiva A recomendação da mesma solução nutritiva a diferentes espécies, baseadas em semelhanças morfológicas e/ou por pertencerem à mesma família botânica pode levar a um desequilíbrio nutricional as plantas. O teor de nitrato, especialmente em hortaliças folhosas, tem sido um dos aspectos relevantes que preocupam os pesquisadores no cultivo emhidropônico. Rezende et al. (2000) observaram que o teor de nitrato em hidroponia foi 1,97 vez maior do que o teor de plantas cultivadas em solo ou seja, o aumento no fornecimento de N na solução nutritiva proporciona aumento linear no teor de nitrato. Quando a colheita foi realizada às 7 h os teores de nitrato foram inferiores aos observados em colheitas realizadas às 12 e 17 h. Considerando que solução nutritiva é consumida pela planta e diariamente observa-se uma redução do seu volume no tanque de solução esse volume deverá ser reposto todos os dias não com solução nutritiva e sim com água pura. O tempo ideal de renovação da solução nutritiva é de vital importância para minimizar o gasto com fertilizantes, já que este é um insumo de alto custo. Alguns autores considera ainda que não se deve utilizar a solução nutritiva por um período superior a três meses, recomendando a renovação completa da mesma após este período enquanto outros consideram que o período de utilização da solução é de 60 a 90 dias. Em sistema fechado o período útil da solução nutritiva varia entre três a quatro semanas. pH da Solução Nutritiva Durante o processo de absorção de nutrientes as raízes das plantas vão alterando o pH da solução nutritiva. Esse pH significa a acidez ou basicidade da solução nutritiva. As plantas têm o seu desenvolvimento máximo entre pH 5,5 a 6,5 e à medida que elas crescem elas alteram esse pH da solução nutritiva. Por essa razão diariamente após completar o volume da solução com água o pH da solução deve ser medido, Se estiver fora desta faixa de 5,5 a 6,5, ele deverá ser ajustado com ácido se estiver acima de 6,5 e, com base caso esteja abaixo de 5,5: isto é importante para que a planta tenha condições de absorver todos os nutrientes na quantidade que ela necessitar para o seu crescimento. 4.5 Produção de mudas O sucesso de uma produção começa pela obtenção de mudas de qualidade. Uma muda mal formada dará origem a uma planta com produção abaixo de seu potencial genético. A utilização de mudas permite um maior controle do espaçamento, garante a população desejada de plantas uniformes e ainda facilita o controle de plantas daninhas na cultura. A escolha do método de produção de mudas dependerá da avaliação da relação custo/benefício; da disponibilidade de materiais e mão-de-obra necessária para cada método; do sistema de cultivo a ser usado se em solo ou em substrato sólido ou hidroponia. Atualmente, muitos produtores têm se especializado na produção de mudas. A grande demanda exige uma infra-estrutura de alto custo o que tornaria impeditivo para a maioria dos produtores. O produtor ao adquirir as mudas deve observar os estádios de desenvolvimento das mudas, raiz, parte aérea e aspecto fitossanitário. A obtenção de mudas em bandejas traz vantagens como ótima germinação, manejo facilitado, uniformidade das mudas, economia de água, menor dano às raízes no momento do transplante. 4.6 Controle de pragas e doenças Nos abrigos plásticos, os ambientes aéreo e do solo são parcialmente modificados. Assim, para compreender melhor as doenças nos cultivos protegidos e adotar estratégias para o seu manejo, torna-se necessário conhecer as interações e o balanço das variáveis do ambiente no interior dos abrigos plásticos e seus efeitos sobre o hospedeiro, sobre os patógenos e sobre suas interações (Zambolim et al., 1999). Em ambiente protegido as doenças podem ser evitadas ou pelo menos atenuadas por meio de uma série de medidas como: utilização de sementes e materiais de propagação isentos de patógenos; rotação de culturas, fertilização; limpeza e desinfecção de ferramentas e equipamentos; eliminação de restos de culturas, preparo do solo para aumentar a germinação e crescimento de plântulas; qualidade da água a ser fornecida. O manejo inadequado dos fatores do ambiente aéreo e do solo pode criar condições muito favoráveis a determinada doença biótica, tornando qualquer medida de controle inócua. A elevada umidade relativa do ar, associada às altas temperaturas, propiciam condições para algumas doenças da parte aérea tornarem-se muito mais severas nos cultivos em estufa que nos convencionais. O míldio (Pseudoperonospora cubensis Berk. & Curt.) e a mancha de corinespora (Corynespora cassiicola Berk. & Curt.) em pepino; a alta umidade relativa, associada a temperaturas mais amenas, favorecem a ocorrência de mofo cinzento (Botrytis cinerea Pers.) em tomateiro e pepino. Podridão basal (Sclerotinia sclerotiorum De Bary); Queima da saia de folhas próxima do solo (Rhizocthonia solani); Septoriose (Septoria lactuceae) responsável pela formação de manchas necróticas irregulares com centro escuro nas folhas de alface. O tipburn é um distúrbio fisiológico ocasionado pelo aumento da atividade fotossintética provocado pela ruptura dos vasos lactíferos da folha. O látex causa colapso e necrose dos tecidos. 4.7 Colheita, pós-colheita e comercialização A determinação do ponto de colheita não é tão simples, uma vez que o tamanho da planta varia conforme a estação do ano. Alface no verão colhe-se com menor tamanho, pois o ciclo da planta é encurtado devido às altas temperaturas e maior comprimento do dia. Evita-se assim o gosto amargo que antecede o pendoamento, muito comum nesta estação. Pimentão inicia-se a colheita cerca de 80 a 100 dias após transplante, devendo ser realizada quando os frutos ainda verdes apresentarem o máximo de desenvolvimento (com duas a três semanas de idade). A qualidade dos produtos se faz no campo, porém, a preservação dessa qualidade só se consegue com o emprego de tecnologia pós-colheita. Por serem estruturas vivas, os produtos tendem a envelhecer (senescência) naturalmente, e nenhuma tecnologia disponível e economicamente viável é capaz de frear esse processo (Honorio & Abrahão, 1999). 5. Vantagens Comparando a agricultura tradicional que exige uma maior mão-de-obra de péssima qualificação, desestimulando os filhos de produtores a incerteza da colheita e a queda de preço no período de safra. Maior produção por área. Economia de água e adubo Não há necessidade de tratos culturais como capina e nem problema com erosão, dispensando o uso de tratores e implementos para o preparo do solo. Produtos limpos e de qualidade 6. Desvantagens Maior investimento inicial, comparado ao cultivo tradicional. Conhecimentos técnicos Dependência de energia elétrica 7. Literatura 1. ALBERONI, R. B. Hidroponia. Como instalar e manejar o plantio de hortaliças dispensando o uso do solo – Alface, Rabanete, Rúcula, Almeirão, Chicória, Agrião. São Paulo: Nobel, 1998. 102p. 2. BRESLER, E.; HOFFMAN, G.J. Irrigation menagement for soil salinity control: theories and tests. Soil Science Society of America Journal, v.50, p.1552-1560, 1986 3. BURIOL, G.A.; SCHNEIDER, F.M.; STRECK, N.A.; MEDEIROS, S.L.P. Modificação ambiental causada por túneis baixos de polietileno transparente perfurado cultivados com alface. Ciência Rural, Santa Maria, v.23, n.3, p.261-266, 1993. 4. Cultivo Protegido de Hortaliças em Solos e Hidroponia. Belo Horizonte, EPAMIG. Informe Agropecuário. v.20, n.200/201, set/dez. 1999. 5. CUNHA, A R.; ESCOBEDO, J. F. KLOSOWSKI, E. S. Estimativa do fluxo de calor latente em cultivo protegido de pimentão. Pesq. agropec. bras., Brasília, v. 37, n.6, p.735-743. jun. 2002. 6. FAQUIN, V. & FURLAN, P.R. Cultivo de hortaliças de folhas em ambiente protegido. Inf. Agropecuário. Belo Horizonte, EPAMIG. v. 20, n. 200/201, p. 99-104. 1999. 7. FURLANI, P.R. Instruções para o cultivo de hortaliças de folhas pela técnica de hidroponia – NFT. Campinas, SP. Instituto Agronômico, 1998. 30p. (Boletim Técnico, 168). 8. HONORIO, S. L. & ABRAHÃO, R.F. Pós-colheita, qualidade, embalagem e comercialização de hortaliças.Informe Agropecuário. Belo Horizonte. V.200/201, p.134-140, set/dez. 1999. 9. HUETT, D.O. Growth, nutrient uptake and tipburn severity of hidroponic lettuce in response to electrical conductivity and K:Ca ratio in solution. Australian Journal of Agricultural Research, v.45, p.251-267, 1994 10. STANGHELLINI, C. Evapotranspiration in greenhouse with specialreference to Mediterranea conditions. Acta Horticulture, Leuven, n.335, p.296-304, 1993. 11. REZENDE, A.J.; JUNQUEIRA, A.M.R.; XIMENES, M.I.N.; BORGO, L.A. Teor de nitrato em alface produzido em sistema hidropônico e sistema convencional em Brasília – DF. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 40. 2000, São Pedro, Anais... Associação Brasileira de Horticultura, 2000, p.533-535. 12. ZAMBOLIM, L., COSTA, H., LOPES, C.A. & VALE, F.X.R. Doenças de hortaliças em cultivo protegido. Informe Agropecuário 20:114-125. 1999.