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História da mídia e a comunicação de massa Evolução da comunicação e acompanhamento de seu desenvolvimento pela mídia. Prof.ª Thaiana Vieira 1. Itens iniciais Propósito Compreender a relevância da mídia nas sociedades contemporâneas. Objetivos Reconhecer o jornal e o cinema como um meio singular de construção de mídia na virada do século XIX para o XX. Identificar os meios audiovisuais de transmissão como tranformadores da forma de criação de uma nova mídia. Analisar o papel da construção de um meio de comunicação de massa como fenômeno no fim do século XX. Introdução Ao falar em comunicação, é possível se referir a dois tipos: a comunicação direta e em pequena escala, que acontece entre poucas pessoas em ambientes determinados e limitados; e a comunicação de massa, que se dá em grande escala, envolvendo grandes quantidades de pessoas e mensagens mais globais. A comunicação, sobretudo a de massa, faz parte de um campo vasto de pesquisa a respeito da comunicação humana. Dessa forma, há diversas áreas que estudam esse tema e muitas profissões envolvidas em suas atuações. Trata-se, sem dúvida, de um estudo muito rico e complexo, uma vez que ele abarca inúmeras possibilidades e implicações, além de sempre estar em movimento e em desenvolvimento. Vamos estudar neste conteúdo a história da comunicação de massa, ou seja, a disseminação de informações por meio de veículos, como jornais, revistas, rádio, televisão, cinema e internet. De modo geral, esses elementos combinados são considerados “mídia”. • • • Johann Gutenberg (direita) em gravura de 1881 1. A história dos meios de comunicação de massa até os anos 1950 A imprensa modifica o jornal Uma breve história do jornal Inicialmente, a professora Thaina Vieira apresenta uma breve história do jornal: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Apenas nos anos finais do período medieval, especificamente na metade do século XV, acontece o maior salto tecnológico do período, que desenvole intensamente a comunicação, o debate de ideias, o letramento e as linguagens. Trata-se da criação da prensa de Gutenberg, em 1450. Ao automatizar o que até então era realizado manualmente, ela tornou a publicação de livros e de jornais significativamente mais ampla, rápida e barata. A prensa de Gutenberg, também chamada de prensa de papel, foi construída com base na tecnologia dos tipos (letras) móveis e da prensa de vinho. A partir da inspiração nesses dois elementos e mecanismos, Johann Gutenberg desenvolveu o aparelho e maquinário que revolucionou a confecção de livros e jornais – e, principalmente, de ideias. Saiba mais O primeiro livro produzido em larga escala com a tecnologia da prensa de papel é conhecido como a Bíblia de Gutenberg. Inúmeros exemplares dela começaram a ser confeccionados e vendidos em 1455. Bíblia de Gutenberg Além dos livros, os jornais são produzidos em prensas como a de Gutenberg ou como aquelas desenvolvidas por outras pessoas a partir daí. Como os jornais eram produzidos tão intensamente, assim como os livros e os folhetos de ideias, eles começaram a se tornar mais populares e a atingir mais pessoas. Nesse momento, a relação com a notícia e o jornal começa a se transformar, já que o próprio formato do jornal se altera. Afinal, é possível tocá-lo e transportá-lo, o que sugere algo mais participativo e atuante na sociedade. Exemplo Em Veneza, os jornais eram vendidos pelo valor de uma gazeta, a moeda local do momento. Isso representava, portanto, um baixo custo, o que indica quão acessível era esse material. O nome de vários jornais inclusive ficou estabelecido como “correio” e “carta”, remetendo a tradições ainda mais antigas de comunicação. Museu Gutenberg, em Mainz, na Alemanha Oficina de impressão. Nessa época, começava a surgir uma demanda por notícias segmentadas. Certos grupos, portanto, se interessavam por categorias específicas de informações e desejavam saber mais sobre elas. Resultado: o jornal passou a lhes responder positivamente em alguns casos. Exemplo O comércio ampliou suas páginas de divulgação com informações sobre a economia. Com isso, teve início outro movimento: a caracterização de alguns jornais como mais inclinados a algumas áreas específicas, como é o caso da economia. Outro aspecto relevante foi a necessidade de contratar, seja para mexer na máquina, seja para elaborar o conteúdo que será impresso. Graças a isso, começam a surgir os primeiros cursos de Jornalismo nas faculdades europeias – e seu desenvolvimento é intenso. Os primeiros jornais em grande formato começaram a aparecer na primeira metade do século XVII: Avisa relation oder zeitung, em 1609, na Alemanha La gazette, em 1631, na França Saiba mais O primeiro jornal brasileiro de grande circulação, o Correio braziliense, foi criado em junho de 1808. Impresso em Londres, ele era enviado de navio para o Brasil! Correio braziliense, de junho 1808 No século XVII, já se começou, dentro dos espaços da universidade, a discutir a liberdade de imprensa. O ano de 1766 demarca a primeira vez que ela foi estabelecida por lei – no caso, na Suécia. A partir desse momento, os jornais e os profissinais assumiam o compromisso, determinado em lei, de publicar aquilo que desejassem desde que tais publicações fossem fatos verídicos e que não difamassem outras pessoas. Isso é algo relevante, porque formaliza, no imaginário social, o jornal como fonte de informação segura, séria e comprometida basicamente com a retratação dos fatos como eles realmente aconteceram, se aproximando de uma verdade estabelecida. Jornalismo e a difusão de notícias Jornais e as inovações do século XIX No século XIX, acontece outro avanço tecnológico para a atividade do jornalismo: no ano de 1844, há a invenção do telégrafo, aparelho que utiliza a eletricidade para enviar mensagens codificadas através de fios. Nesse momento, essa era a maneira mais rápida de comunicação a distância. Telégrafo O telégrafo permitiu que os textos – que levariam horas ou até dias para serem transportados – fossem repassados pelos profissionais de jornalismo às redações em questão de minutos. Ele é considerado a origem de toda a comunicação moderna por ter permitido à imprensa se tornar significativamente mais ágil. Ilustração da atividade jornalística via telégrafo na sessão “Últimas Informações” do jornal , Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 1920 Exemplo Uma notícia ocorrida de manhã poderia, com a utilização do telégrafo, facilmente ser publicada à tarde em um jornal. A comunicação de massa passa necessariamente pela multiplicação das pessoas que podem ouvir as notícias. Os jornais, portanto, precisavam trazer informações em alta velocidade. Ainda que um número muito grande de pessoas não soubesse ler, o fato de certos grupos terem acesso à leitura e à informação fez com que as notícias se difundissem de forma mais intensa para todas as regiões. O fenômeno industrial do fim do século XIX forma e reordena centros urbanos. No vivenciamento desses espaços, a notícia e os dados do jornal passam a ser algo esperado e compartilhado. Atenção Não se deve comparar essa velocidade com a de nossa sociedade, e sim notar como ela era algo absolutamente impressionante naquele espaço. Criam-se, dessa forma, uma nova profissão, um novo valor e uma nova velocidade para se lidar com as informações do mundo. Jornal no século XX e a concorrência do rádio Família reunida ouvindo rádio O século XX é o período de mais prestígio, popularidade e sucesso dos jornais e do jornalismo. Especificamente, o período entre 1890 e 1920 é considerado inclusive a “era de ouro dos jornais”. Nesse momento, o jornal já estava inserido na vida dos adultos. De acordo com algumas pesquisas, metade dos adultos norte-americanos o lia ao menos uma vez ao dia. Em 1920, há uma ruptura nessa ascenção do jornalismo por conta do surgimento do rádio, mídia que também divulga as informações e que, pela primeira vez, se impõe como um concorrenteutilizados como ferramentas para o desenvolvimento de projetos que nem sempre se coadunam com o bem-estar geral da população. Por isso, apontamos quão relevante é compreender que todas as interações, sejam elas ativas ou não, com esses meios precisam ser feitas com compromisso e responsabilidade. Podcast Ouça o podcast. Nele, faremos um resumo sobre a história e seus efeitos na atualidade da popularização da comunicação de massa no Brasil e no mundo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para se ambientar mais na história do jornal The London Gazette, navegue por site. Trata-se de um dos jornais mais antigos do mundo, estando em circulação há 357 anos. No site do periódico inglês, existem algumas abas destinadas à trajetória do jornal ao longo de todos esses anos. Para conhecer mais sobre A história da primeira cineasta a trabalhar com o cinema para contar histórias, assista a Reel models: the first women of film, documentário para a TV dirigido por Susan Koch em 2000. Para refletir mais sobre a relação entre presença digital dos indivíduos, seu comportamento e as atividades cotidianas, verificando como estão interligados e podem se desdobrar em um mundo no qual tais aspectos são intensificados, veja o episódio Nosedive (temporada 3, episódio 1, de 2016) da série Black mirror. Para saber mais sobre a percepção do cotidiano em relação ao telefone no Brasil, especificamente na cidade do Rio de Janeiro, leia esta crônica de Rubem Braga: Telefone. Ela foi publicada no jornal Correio da manhã do dia 2 de novembro de 1954. Referências BARBOSA, M. História da comunicação no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2013. BRIGGS, A.; BURKE, P. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. CAMPBELL, R.; MARTIN, C.; FABOS, B. Media & culture: an introduction to mass communication. 8. ed. Boston: Bedford/St. Martins, 2012. DEFLEUR, M.; BALL-ROKEACH, S. J. Teorias da comunicação de massa. Rio de Janeiro: Zahar, 1993. DIZARD, W. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. LITTLEJOHN, S.; FOSS, K. Encyclopedia of communication theory. California: Thousand Oaks, 2009. MCQUAIL, D. McQuail’s mass communication theory. 6. ed. London: Sage, 2010. MEMÓRIA GLOBO. Jornal nacional: a notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. PINHO, J. B. Jornalismo na internet: planejamento e produção da informação on-line. São Paulo: Summus Editorial, 2003. RIBEIRO, A. P. G.; SACRAMENTO, I.; ROXO, M. História da televisão no Brasil. São Paulo: Contexto, 2010. SOUSA, J. Elementos de teoria e pesquisa da comunicação e da mídia. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004. História da mídia e a comunicação de massa 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. A história dos meios de comunicação de massa até os anos 1950 A imprensa modifica o jornal Uma breve história do jornal Conteúdo interativo Saiba mais Exemplo Exemplo Saiba mais Jornalismo e a difusão de notícias Jornais e as inovações do século XIX Exemplo Atenção Jornal no século XX e a concorrência do rádio Utilização de fotos grandes e coloridas, mesmo para uma produção em larga escala (até esse momento, as imagens eram em preto e branco). Adoção de uma linguagem mais popular e coloquial até certa medida. Criação de sessões dentro do jornal para os assuntos que mais atraíam a maioria das pessoas: os esportes e o humor. As fotos ganham movimento Irmãos Lumière e a fotografia Saiba mais As invenções pré-cinema Câmera escura Lanterna mágica Fenacistoscópio Praxinoscópio Cinetoscópio Cinematógrafo A indústria dos estúdios em Hollywood Saiba mais Clima temperado e ensolarado o ano todo Terra abundante e barata Acesso a montanhas e desertos Variações de lagos Costas e florestas Vem que eu te explico! Uma breve história da imprensa Conteúdo interativo Inovações do Século XIX Conteúdo interativo Jornal no século XX e a luta contra os meios Conteúdo interativo A indústria dos estúdios Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. A construção de novas mídias no século XX Nas ondas do rádio O rádio e a tecnologia Surgimento dos meios rádio e televisão Surgimento do rádio Quem produz Mensagem Quem a escuta Exemplo Jornalismo e rádio no Brasil Primeiro jornal de rádio brasileiro Radiojornalismo Jornalismo de rádio Rede Nacional de Notícias Saiba mais Uma breve história dos programas jornalísticos no Brasil Conteúdo interativo Entra no ar a televisão Tecnologia que traz o espelho O surgimento da televisão 1920 1923 1926 1928 Transmissão de imagens por via eletrônica Atenção Transmissão de imagens por uma TV de 24 linhas Tubos de transmissão Saiba mais Saiba mais Barateamento e popularização Saiba mais Imagem colorida Exemplo A TV e o jornal Saiba mais Exemplo Vem que eu te explico! Jornalismo e o rádio no Brasil Conteúdo interativo A notícia na TV Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Indústria cultural e comunicação de massa Indústria cultural e comunicação de massa O que é cultura de massa? Conteúdo interativo 1 2 Linguagens Formas de fazer as coisas Interpretações Pontos de vista compartilhado Resumindo O papel da globalização nas bases de transformação das comunicações Globalização e comunicação Jornal impresso Cinema Rádio Televisão Profissões associadas a esses meios de comunicação 1ª fase 2ª fase 3ª fase 4ª fase Exemplo Má qualidade na alimentação Proliferação de doenças contagiosas e perigosas Celulares Resumindo Vem que eu te explico! Globalização e comunicação Conteúdo interativo Celulares e a construção de mídia Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasde peso ao jornal. O rádio oferecia três grandes dificuldades aos jornais por atrair: Seus anunciantes A preferência do público Os próprios profissionais de jornalismo, que também trabalharam no rádio Os jornais do século XX não viram sua audiência seguir para o rádio de forma apática. Dessa maneira, eles resolveram reagir e buscaram ficar mais modernos e populares. Para isso, os jornais tiveram atitudes práticas, como: Utilização de fotos grandes e coloridas, mesmo para uma produção em larga escala (até esse momento, as imagens eram em preto e branco). Adoção de uma linguagem mais popular e coloquial até certa medida. Criação de sessões dentro do jornal para os assuntos que mais atraíam a maioria das pessoas: os esportes e o humor. Todas essas ações o deixaram muito mais moderno e atrativo aos leitores do período. Certamente, os valores dos jornais precisam ser atualizados, já que era significativamente mais custoso imprimi- los em cores. • • • Contudo, tal era o preço que os consumidores pagavam para ter a modernidade nas paginas diárias. Sem dúvida, essa atualização foi fundamental para que o jornal, como veículo, resistisse ao longo do tempo e fosse se atualizando sempre que necessário. As fotos ganham movimento Irmãos Lumière e a fotografia Contar histórias faz parte da realidade social há muito tempo. Desde a Pré-História, as narrativas eram criadas com a intenção de se comunicar com outros seres. Ao longo do tempo e do desenvolvimento do homem, assim como das sociedades e da tecnologia, os modos de descrever e comentar situações se transformaram e foram se atualizando conforme o surgimento das demandas. Muitas vezes, as palavras foram protagonistas na história, porém, em incontáveis momentos, a imagem não só esteve presente, como também foi exigida. Em determinado período, houve o surgimento da captação de imagens a partir da realidade. Muitos estudiosos inventaram e desenvolveram aparelhos para tais registros, criando desde pequenos fragmentos até o cinema como conhecemos atualmente. A primeira foto da história foi da vista da janela do seu inventor, Joseph Nicéphore Niepce: , de 1826 Nessa parte de nosso estudo, entenderemos o papel da fotografia no surgimento do cinema e apontaremos que outros elementos são fundamentais para isso. Em 28 de dezembro de 1895, no Grand Café, na cidade de Paris, aconteceu a primeira projeção cinematográfica. Em uma sala escura na qual os espectadores direcionavam o olhar para uma área lisa e livre de contrastes, foram projetados dez filmes de curtíssima duração. O primeiro foi o Sortie de l’usine Lumière à Lyon (em português, “A saída dos operários da fábrica"). Curta- metragem criado por Louis Lumière, ele contava com míseros 45 segundos de duração. Sortie de l’usine Lumière à Lyon, Louis Lumière, 1895 Filhos de um fabricante de materiais fotográficos, os irmãos Lumière, Auguste e Louis Lumière, viviam em Lyon, na França. Pelo contato direto com a fábrica situada na mesma cidade, eles pesquisaram, desenvolveram e aperfeiçoaram os primeiros modelos de câmeras fotográficas. Com tais experimentações, ambos contribuíram para o surgimento da fotografia colorida. Mas foi com o cinematógrafo que começaram a concretizar os primeiros filmes. Saiba mais Os irmãos Lumière não seguiram carreira no cinema. Louis inventou o fotorama e se concentrou na ciência, enquanto Auguste se dedicou a seus estudos de bioquímica e fisiologia. Os irmãos Lumière, Auguste e Louis Lumière A primeira fotografia colorida da história, Tartan Ribbon, tirada pelo físico James Clerk Maxwell, em 1861 As invenções pré-cinema Algumas descobertas, invenções e desenvolvimentos foram necessários para que o cinema surgisse. Por isso, precisamos conhecer os seguintes elementos: Câmera escura Trata-se da manipulação de uma caixa fechada com uma pequena abertura através da qual é acoplada uma lente que permite a entrada de luz. Com isso, a imagem dos objetos exteriores é projetada no interior da caixa de modo invertido. A câmera escura foi a primeira grande descoberta da fotografia, uma vez que o princípio da propagação retilínea da luz permite que os raios luminosos que atingem o objeto e passam pelo orifício da câmara sejam projetados em um anteparo fotossensível na parede da caixa paralela ao orifício, fixando sua imagem. No século XV, Leonardo Da Vinci fez um trabalho de projeções com luzes em superfície, usando, para isso, uma caixa e uma lente de vidro. Sua criação ficou conhecida como câmera escura. Lanterna mágica Na sequência temporal de criações que nos levam até o cinema, destacamos outro elemento: a lanterna mágica. Ela foi inventada no século XVII pelo alemão Athanasius Kirchner a partir da câmera escura. A lanterna mágica consistia em uma caixa cilíndrica iluminada por dentro com uma vela que projetava imagens pintadas à mão em vidros. As imagens não eram independentes na contagem da história; assim, durante a apresentação, havia um narrador que se encarregava de relatar os acontecimentos, os quais, muitas vezes, eram acompanhados por músicas. Esse aparelho foi o primeiro orientado a projeções coletivas. Por isso, ele era comum em ambientes acadêmicos. Em certo momento, também se tornou um sucesso em feiras urbanas. Fenacistoscópio Outra perspectiva de desenvolvimento ocorrida no século XIX são os estudos a respeito do fenômeno da persistência retiniana. Por conta disso, alguns aparelhos foram construídos. Ainda na primeira metade desse século, Joseph-Antoine Plateau criou o fenacistoscópio. Tal instrumento apresenta várias figuras de um mesmo objeto em posições diferentes desenhadas em um disco; desse modo, ao girá-lo, essas imagens passam a formar um movimento. Pouco depois de sua criação, ele ainda descobriu que o número de imagens para se criar uma ilusão de movimento de qualidade era o seguinte: 16. Essa informação foi usada pelos primeiros cineastas, que usaram 16 fotogramas por segundo para seus primeiros filmes. O fenômeno em questão é simples e pode ser resumido como a realização de se manter a imagem por uma fração de segundo na retina (parte do olho que transforma luz em estímulo nervoso e envia ao cérebro), o que resulta na ilusão de movimento. O movimento interno do corpo realizado pela retina pode ser compreendido pela análise de um filme em uma câmera fotográfica. O protagonismo, afinal, não fica no aparelho, e sim no próprio corpo humano, já que o movimento é criado pela retina – e não no aparelho ou na projeção. Praxinoscópio Na segunda metade do século XIX, o praxinoscópio foi criado por Charles Émile Reynaud. Trata-se de um aparelho de formato circular que projeta em uma tela imagens desenhadas em fitas transparentes a partir da disposição de espelhos e luzes; com isso, quando as imagens, multiplicadas pelos espelhos e prolongadas pelas luzes, giram, é criada a ilusão de movimento. A princípio, o praxinoscópio era composto apenas por uma caixa circular e um único espelho. Todavia, o aparelho foi se desenvolvendo e aprimorando a ponto de elaborar um sistema complexo de espelhos que permitia efeitos de relevo. Inicialmente, suas projeções eram feitas em ambientes domésticos e privados, porém, cerca de dez anos depois de sua criação, o criador escalonou o tamanho do aparelho e conseguiu, por fim, projetar imagens para públicos maiores. Isso ficou conhecido como “teatro ótico”. Cinetoscópio No fim do século XIX, começávamos a abandonar os instrumentos que produzem a ideia do cinema e a nos aproximar efetivamente da sua concretização. Em 1891, o cinetoscópio é criado por William Dickson em uma fábrica comandada pelo cientista e inventor Thomas Edison nos Estados Unidos. Ele é uma máquina de projeção interna de filmes de curta duração para serem vistos individualmente. Na prática, não há uma projeção: a sequência de fotos é examinada e percebida por meio de lentes apropriadas Espécie de miniatura de cinema particular, o cinetoscópio só foi possível porque William desenvolveu uma película de celulosecapaz de armazenar imagens. Sua proximidade com o cinema é tamanha que algumas pessoas consideram que a primeira obra produzida para essa máquina, a Black Maria, de 1894, é realmente o primeiro filme da história. Alguns atribuem a criação do cinetoscópio a Thomas Edison; outros, a William Dickson. Isso se dá porque Dickson era assistente de Edison. Cinematógrafo O contexto de final do século XIX é de desenvolvimento de artefatos voltados para a concretização de filmes em um processo que envolve cada vez mais pessoas. No ano de 1895, os irmãos Lumière, cientes das invenções anteriores, desenvolveram, a partir do cinetoscópio, outro aparelho: o cinematógrafo. Essa máquina avança ainda mais na direção do cinema que temos atualmente: ela permitia, afinal, gravar, copiar e projetar imagens de forma prática. Por isso, o cinematógrafo é considerado o primeiro aparelho realmente qualificado para se produzir filmes. Na prática, ele era uma máquina a manivela que captava as imagens, revelava o filme e, em seguida, o projetava em uma tela. Portátil e leve (tinha menos de 5kg), o cinematógrafo era fácil de transportar e não usava eletricidade. Foi com o cinematógrafo que Louis Lumière transformou a história da arte e da cultura, se eternizando como o primeiro cineasta a produzir documentários em curta-metragem. Sem dúvida, a fim de que fosse possível evoluir até se alcançar a ideia de cinema entedida atualmente, esse processo de desenvolvimento precisou seguir – e não estancar. Por isso, tal aperfeiçoamento ainda permanece. Hoje em dia, existem câmeras próprias para a elaboração de filmes em telas cada vez maiores, com uma resolução de imagem melhor e mais qualidade de som, além de outros fatores, como as câmeras específicas para a exibição de filmes 3D, por exemplo. A indústria dos estúdios em Hollywood O cinema faz parte da vida das pessoas desde a sua criação, pois foi muito rápida a aceitação delas ao novo formato. Ele, afinal, pode contar histórias das mais variadas, ressaltando emoções tristes ou felizes ou apenas explorando os gêneros narrativos de drama, ação, terror e documentários, entre outros. Com isso, sentimos a necessidade de destacar, além de como tudo começou, quem foram os artistas que, a partir dos instrumentos e aparelhos já estudados, inventaram a indústria cinematográfica que é tão grande hoje. Um homem com uma câmera, Dziga Vertov, 1929 No momento de seu surgimento, o cinema era visto e preparado para fins documentais, isto é, para registrar, por meio de uma câmera estática, algo que estava acontecendo diante de sua lente. Esse fato ficou conhecido como teatro filmado. Esse tipo de obra, na prática, não era intencional. Seus realizadores tampouco sabiam o que ia ser filmado e registrado. O teatro filmado era realmente inesperado, porém, como não tinha a função primordial de entretenimento, isso não era um problema. Em certo momento, dois sujeitos começaram a utilizar as câmeras para contar histórias criadas, criando cenas e uma narrativa completa para que outra pessoa a assistisse por meio de técnicas e deste aparelho: o cinematógrafo. Estamos falando de Alice Guy-Blaché (1873-1968) e Georges Méliès (1861-1938). Viagem à Lua, Georges Méliès, 1902 Alice Guy-Blaché Georges Méliès Francesa, Alice Guy pode ser considerada a primeira cineasta mulher, mas, na verdade, ela foi a primeira pessoa a explorar a potencialidade narrativa do cinema. Responsável pela escrita de aproximadamente mil obras, a autora teve a ideia de transpor a narrativa para o cinema. Dessa forma, ela fez seu primeiro filme a partir de um conto popular: A fada do repolho (1896). A fada do repolho, Alice Guy-Blaché, 1896 Alice trabalhava como secretária na Gaumont, fábrica e produtora de cinema, e estava presente no momento que os irmãos Lumière fizeram a demonstração do seu invento. Mesmo deslumbrada com o aparelho, a autora não se limitou a ficar meramente impactada por ele. Ela, na verdade, buscou saber mais sobre a máquina, iniciando uma série de experimentações. Sendo assim, entre outros exemplos, Alice começou a filmar com dupla exposição e a mudar a velocidade da câmera para atrasar ou apressar as imagens a fim de conseguir efeitos diferentes. Madame Tem Seus Desejos, Alice Guy-Blaché, 1907 A partir desse momento, ela começou a supor como poderiam ser suas histórias narradas nesse contexto e com essa aparelhagem. A autora não se limitou aos testes que fazia, sendo a primeira pessoa a combinar cores e som nos seus filmes. Saiba mais Em pouco tempo, já nos Estados Unidos, Alice Guy criava a própria produtora e construía estúdios para filmar suas obras. Entretanto, sua vida não foi uma trajetória marcada apenas pela ascenção. Após se divorciar, ela retornou para a França em 1920, não conseguiu retomar sua carreira de diretora. Desde sua criação, o cinema foi rapidamente absorvido pela população. Em termos de notícia, entretenimento, sociabilização, desenvolvimeto tecnológico e percepção cultural, ele possui um papel relevante. Depois de seu surgimento, se estabeleceu como arte, sendo admirado e consumido com frequência. Com a crescente demanda do cinema, seus produtores perceberam que os filmes só conseguiriam se manter na indústria se fossem gravados durante todo o ano. Entretanto, isso seria impraticável em Chicago e Nova York; afinal, essas cidades possuem intabilidades meteorológicas, o que dificulta – e, muitas vezes, impede – as gravações ao ar livre. A Sereia, Georges Méliès, 1904 Charles Chaplin Pianista de cinema executando a trilha sonora de um filme mudo de Charlie Chaplin Produtores começaram a procurar cidades com clima mais ameno e estável. Eles concluíram que era interessante um clima mais quente e se concentraram nessa busca, só que sem muito sucesso – até o momento que testaram uma localidade de Los Angeles chamada Hollywood. As gravações nessa cidade foram boas. Hollywood provou ser o local ideal para tais produções por certas razões. Listaremos algumas delas a seguir: Clima temperado e ensolarado o ano todo Terra abundante e barata Acesso a montanhas e desertos Variações de lagos Costas e florestas Em resumo, Hollywood tem variedade de cenário, ótimas condições de filmagem, baixo preço e pouca distância. O resultado desses predicados é que, em 1915, 60% da produção cinematográfica dos Estados Unidos foi feita nessa cidade. Até hoje ela é uma das maiores referências da indústria cinematográfica mundial. Um aspecto relevante a ser considerado é que Hollywood acabou despertando no imaginário social o sonho, o deslumbre, o luxo, o amor sem medidas e a beleza. De modo geral, tudo que acontecia nos filmes produzidos por lá era como um sonho distante para a maioria das pessoas. Greta Garbo e Antonio Moreno em Terra de Todos, Fred Niblo e Mauritz Stiller, 1926 Greta Garbo e Nils Asther em Mulher Singular, John S. Robertson, 1929 Muitas obras apresentam o letreiro na montanha, fator que ainda intensifica essa distância local e de realidade. A ficção que Hollywood divulga, portanto, é muito mais atraente que a realidade da maioria das pessoas; por isso, ela desperta tantos sonhos e desejos. Até os dias atuais, inúmeras pessoas viajam até Hollywood e buscam seu letreiro para fazer, pelo menos, um registro na cidade dos maiores e mais tradicionais filmes. Outras, por sua vez, movimentam o imaginário que a cidade desperta: de uma vida alegre, exagerada e de luxos, utilizando a cidade da Califórnia como tema de festas ou decoração de ambientes em bares e restaurantes, além de outras medidas. O letreiro Universal Studios Hollywood cumprimenta os visitantes do parque Calçada da Fama no Hollywood Boulevard, distrito de Los Angeles, Califórnia, EUA O que vale é se aproximar ao máximo, mesmo que momentaneamente, dessa realidade tão distinta. Trata-se, sem dúvida, de um sucesso de propaganda. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Uma breve história da imprensa Conteúdointerativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Inovações do Século XIX Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Jornal no século XX e a luta contra os meios Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A indústria dos estúdios Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O século XX é o período de maior sucesso dos jornais e do jornalismo. O período entre 1890 e 1920 é considerado a “era de ouro dos jornais”. Tendo isso em mente, assinale a alternativa correta. A A invenção do telégrafo não se relaciona com o desenvolvimento do jornal. B Até 1950, os jornais eram elaborados sem muita ciência, pois não havia uma profissão relacionada ao jornal. C A invenção do telégrafo é fundamental para a agilidade na comunicação e o sucesso do jornal. D Era necessário um pessoal qualificado apenas para mexer nas máquinas de impressão dos jornais, e não na elaboração de seu conteúdo. E O primeiro país a instaurar a liberdade de imprensa foi o Brasil. A alternativa C está correta. A invenção do telégrafo é um avanço tecnológico para a atividade do jornalismo. Ele é um aparelho que usa a eletricidade para enviar mensagens codificadas por meio de fios. Essa era a maneira mais rápida de comunicação a distância, o que simplificou e agilizou a comunicação interna entre jornalistas e redação, tornando mais ágil, por consequência, a transmissão da notícia para o público. O telégrafo permitiu que a imprensa se tornasse significativamente mais célere: uma notícia ocorrida de manhã, por exemplo, poderia, graças à utilização dele, facilmente ser publicada à tarde em um jornal. Questão 2 O __________ oferece notícias atualizadas sobre a localidade em que é produzido e sobre o mundo. No século XX, ele teve seu avanço minimizado por conta do surgimento do _________. A atitude principal em relação a essa ________ foi a ___________ de seus métodos. Identifique a alternativa que apresenta os termos corretos para complementar o trecho: A jornal; rádio; concorrência; adaptação. B rádio; jornal; concorrência; adaptação. C jornal; rádio; inovação; ruptura. D jornal; website; concorrência; ruptura. E rádio; jornal; inovação; ruptura. A alternativa A está correta. Por conta do surgimento da concorrência de comunicação de massa do rádio, o jornal teve ser crescimento impactado e reagiu com a utilização de fotos grandes e coloridas, mesmo para produção em larga escala, adoção de uma linguagem mais popular e coloquial e novas sessões dentro do jornal sobre os assuntos que mais atraiam a maioria das pessoas, os esportes e o humor. Torre da TV Tupi em São Paulo, inaugurada em 1960 Menina ouvindo um rádio, por volta de 1920 John Flynn e Virginia Moore ensaiando para o programa de rádio , em 1942 2. A construção de novas mídias no século XX Nas ondas do rádio O rádio e a tecnologia A formação da comunicação de massa muda de foco durante o século XX. Se a tecnologia dependia de habilidades daqueles se relacionavam, como a de ler e a de interpretar, agora a questão passava a ser outra: possuir tecnologia suficiente para difundir as informações. Estamos falando da difusão de torres capazes de estabelecer ondas de rádio, fazendo com que os aparelhos de rádio chegassem aos lares. Pode parecer algo pequeno, mas isso não tem nada de simples. Se a tecnologia dependia de habilidades daqueles se relacionavam, como a de ler e a de interpretar, agora a questão passava a ser outra: possuir tecnologia suficiente para difundir as informações. Estamos falando da difusão de torres capazes de estabelecer ondas de rádio, fazendo com que os aparelhos de rádio chegassem aos lares. Pode parecer algo pequeno, mas isso não tem nada de simples. Foram necessários investimentos governamentais e iniciativas em tecnologias, mas, ao mesmo tempo, o sucesso da nova tecnologia como ícone de um novo mundo foi poderoso em todo o planeta. As disputas sobre quem a desenvolveria e que tipo de ondas poderiam chegar aos locais mais distantes, ainda mais depois dos conflitos da I Guerra Mundial, foram um incentivo e tanto. Somava-se a esse contexto um mundo ocidental em grande processo de urbanização e industrialização. A chamada sociedade de consumo fez com que a comunicação passasse a ser buscada e consumida, além de constituir um meio poderoso de consumo. O rádio, nesse contexto, se tornou um dos principais meios de venda de produtos, imagens e informaçãoes, tranformando a expectativa e sua difusão como uma marca poderosa de nossa sociedade. E o que você poderia ouvir nele? A resposta é uma só: tudo! Programas educativos, informações frescas obtidas graças aos telégrafos, dados esportivos, novelas e propagandas. Um dos programas mais populares eram os jornais narrados. Graças a esses jornais, as antigas práticas do jornalismo escrito finalmente chegavam ao rádio. Vamos concentrar o nosso olhar no Brasil para entendermos tal processo. Surgimento dos meios rádio e televisão No estágio atual de nosso estudo, já sabemos que o século XX foi um momento de efervescências em termos de desenvolvimento tecnológico e de meios de comunicação de massa. Só que todo esse furor foi pano de fundo de mais duas invenções: o rádio e a televisão. Já comentamos um pouco sobre tal fenômeno quando apresentamos o jornal, mas, nessa etapa, vamos aprofundar essa análise ainda mais e conhecer tais contextos de forma individualizada. Esses dois meios de comunicação, porém, aparecerão juntos, pois ambos possuem muitos elementos em comum, sendo mais enriquecedor trabalhar dessa forma. Auditório da Rádio Nacional do Rio de Janeiro Radionovela brasileira Tendo isso em vista, vamos discutir o surgimento e a massificação do rádio como meio de comunicação, compreendendo o surgimento da televisão e os fatores que a levaram a conquistar uma adesão tão grande e rápida das pessoas. Destacaremos ainda seus impactos nos diversos aspectos da sociedade. Surgimento do rádio A história do rádio começou em 1831 com Michael Faraday, que descobriu a indução magnética. Mas o princípio que realmente fez o rádio possível, o da propagação radiofônica, foi percebido em 1887 por Henrich Rudolph Hertz. O experimento consistia em utilizar duas bolas de cobre distanciadas, as quais, ainda assim, criavam faíscas que atravessavam o ar. Henrich Rudolph Hertz Michael Faraday Após a elaboração desse princípio, não demorou muito tempo até que a primeira companhia de rádio fosse fundada, em Londres, no ano de 1896, por Guglielmo Marconi com a emissão e recepção de sinais sem fio. Logo no ano seguinte, Oliver Lodge criou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitava a mudança de sintonia ao se selecionar a frequência desejada. Guglielmo Marconi e seu aparelho de emissão e recepção de sinais sem fio O rádio é um veículo de comunicação relevante, eficaz e acessível. Sua tecnologia se baseia na difusão de informações sonoras através de ondas eletromagnéticas em diferentes frequências. Por esse motivo, ele era o meio de comunicação mais popular e o de maior capacidade de ouvintes ao mesmo tempo no século XX. O rádio se apresentava, afinal, como uma oportunidade interessante a: Quem produz É um meio moderno de atingir uma grande quantidade de pessoas com atos simples. Mensagem Ela é facilmente difundida por intermédio desse veículo, cumprindo sua função. Quem a escuta Não precisa interromper qualquer atividade para se inteirar das notícias, sendo possível cumprir sua rotina sem deixar de obter a mensagem. O italiano Guglielmo Marconi fez o primeiro sistema de telégrafos sem fios, fazendo o experimento, pela primeira vez, em 1899, em uma transmissão no Canal da Mancha. Entretanto, o austríaco Nikola Tesla também já utilizava o conhecimento de Hertz para tentar fazer a mesma coisa que Marconi. Há indícios até de que o padre gaúcho Roberto de Moura havia feito uma transmissão no Brasil três anos antes! Independentemente de quem arealizou pela primeira vez – até porque certamente não chegaremos a alguma conclusão –, o fato é que, graças a essa invenção e à possibilidade de sintonizar um circuito elétrico em determinada frequência, foi possível usar o rádio como ferramenta de comunicação entre dois pontos distantes. Nessa época, as mensagens eram transmitidas em código morse, e não por voz, como estamos acostumados atualmente. A transmissão da voz só foi possível depois desta contribuição de Lee de Forest: a experiência com uma válvula de três elementos em 1906. Na prática, isso permitiu que os volumes alcançados fossem suficientes para serem transmitidos e recebidos. O período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi relevante para o desenvolvimento desse aparelho como tecnologia – e não apenas para seu estabelecimento como sistema de comunicação sério, confiável e respeitável. No período, o veículo foi fundamental dentro do espaço de batalha como elemento de comunicação da própria ação dos enfrentamentos. Exemplo O rádio foi usado para transmitir avisos às cidades perto dos locais de guerra e era a ferramenta de comunicação entre os aviões que sobrevoavam os campos inimigos e as bases militares. Soldados americanos operam uma central de rádio durante a Primeira Guerra Mundial Era fundamental que essa ferramenta fosse precisa, pois havia muita coisa em risco; por isso, o rádio se tornou uma ferramenta cada vez mais aprimorada. Uma vez desenvolvida, a tecnologia da criação do aparelho apresentou resultados ótimos. Porém, com o uso e o avanço de alguns detalhes, surgiram alguns empecilhos. Confeccionados em sulfeto de chumbo e do tipo "ponto de contato" (os chamados bigodes de gato), os primeiros receptores eram usados para detectar os sinais de rádio ligados a aparelhos de cristal. Especificamente, os cristais tinham uma pequena região sensível que deveria ser tocada com a ponta de um fio para que acontecesse a junção detetora. Na prática, esse contato era feito por um fio fino, formando uma espécie de mola que tocava no cristal. Uma mulher ouvindo um conjunto de cristal sem fio através de fones de ouvido, por volta de 1924 A primeira transmissão de rádio como o conhecemos atualmente, ou seja, com voz e música por ondas de rádio, aconteceu em 1906 nos Estados Unidos. Mas foi o canadense Reinald Fessenden que conseguiu reproduzir durante uma hora conversas e música para os radioamadores. Isso demonstra mais intensamente o caráter popular do aparelho como comunicação. No Brasil, a primeira transmissão radiofônica se deu em comemoração ao centenário da independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro, com a figura representativa do então presidente Epitácio Pessoa. O rádio, no entanto, ainda não era comum para a população. Para essa ocasião, portanto, foram importados 80 receptores dele. Epitácio Pessoa inicia a primeira transmissão radiofônica do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1922 Após a celebração, o rádio, nesse momento inicial, foi desprezado pelo governo brasileiro, que não demonstrou interesse em investir no seu desenvolvimento. Por isso, em 1923, as empresas norte-americanas que haviam movimentado os equipamentos para o Brasil se organizavam para ir embora. Nesse momento, compreendendo a eficiência e a qualidade do aparelho para a comunicação, o médico e cientista Edgard Roquette-Pinto resolveu intervir. Resultado: o rádio ficou no Brasil com os esforços de um grupo de intelectuais que via nele uma possibilidade de alcançar os 65% da população que ainda eram analfabetos. Edgard Roquette-Pinto durante locução Inicialmente, a concessão foi dada pelo governo com a condição de que ela fosse exclusivamente educativa. Entretanto, logo no começo dos anos 1930, o Estado autorizou a veiculação de publicidade, o que resultou no surgimento de outras emissoras. Graças à publicidade, elas teriam verbas para funcionar. A partir disso, com fins comerciais, o rádio rapidamente passou de veículo educativo para meio de entretenimento. De modo geral, ele foi fundamental para transmitir muitos momentos culturais, políticos e econômicos do país e do mundo. Ao longo dos anos, o rádio seguiu se aprimorando em termos de: Tecnologia Desenvolvimento de profissionais Função na sociedade Atualmente, podemos acompanhar o encerramento de atividades de algumas emissoras de rádio. É inegável que o papel dos streamings de conteúdos de áudio é bem desempenhado; por isso, muitos sujeitos, sobretudo os das gerações mais recentes, abdicam do consumo da mídia tradicional do rádio. • • • Ainda assim, segundo dados do Ministério das Comunicações, o Brasil possui aproximadamente 3.000 emissoras de rádio. Desse montante, há uma divisão equilibrada entre as estações com frequências AM e FM: cerca de 50%. Jornalismo e rádio no Brasil 1922 Primeiro jornal de rádio brasileiro Roquette-Pinto criou e apresentou o primeiro jornal de rádio brasileiro. Na Rádio Sociedade, localizada no Rio de Janeiro, ele fazia a leitura dos jornais impressos em um programa chamado Jornal da manhã. O processo de eleição das notícias a serem lidas no jornal era feito pelo próprio Roquete-Pinto, que, na sequência da leitura, fazia comentários. 1932 Radiojornalismo Durante a Revolução Constitucionalista, o radiojornalismo ganhou uma nova expressão em São Paulo, sendo utilizado como instrumento de mobilização popular, explorando diversos formatos jornalísticos e apresentando uma forte parcialidade. Essa modalidade do jornal falado ainda perdura. 1930 a 1940 Jornalismo de rádio Houve um intenso aperfeiçoamento de equipamentos e de profissionais voltados para o jornalismo de rádio. Nessa época, um dos programas do gênero de mais sucesso passava a ser transmitido: os jornais narrados. 1950 Rede Nacional de Notícias Na década de 1950, a criação da Rede Nacional de Notícias permitiu a retransmissão por ondas curtas do jornal falado para dezenas de emissoras no interior do Brasil. Um dos programas de jornalismo de rádio de mais sucesso era o programa de notícias Repórter Esso, que tinha uma abordagem direta, objetiva e sintética das notícias de agências internacionais. Outro programa de sucesso foi o Jornal falado Tupi, que teve mais destaque por conta da rapidez com que divulgava as notícias da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Também merece destaque a Hora do Brasil, um noticiário oficial distribuído pelo Departamento de Imprensa e Propaganda com caráter propagandístico do governo, ou seja, era outra programação parcial. Manchete do jornal , julho de 1935 Saiba mais O programa Hora do Brasil ainda existe. Atualmente, ele é transimitido com outro nome: A voz do Brasil. Uma breve história dos programas jornalísticos no Brasil Vamos falar mais sobre a história dos programas jornalísticos, dos noticiários no cinema até os primeiros jornais televisivos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Entra no ar a televisão Tecnologia que traz o espelho A lógica de organização de ver a própria vida é fantástico. Não se trata mais de ouvir, e sim de ver pessoas se movimentarem e de contar notícias. Uma vez mais, o primeiro desafio é tecnológico: gerar as torres, controlar governamentalmente os canais e difundir uma cultura. Nada foi simples. Ainda assim, a televisão já era um fenômeno mundial. Sua chegada, afinal, também transformaria os sistemas de propaganda e de difusão de notícia, rompendo uma vez mais os limites da comunicação de massa. Na televisão, reforçava-se a imagem dos líderes políticos e das relações de um mundo plural – só que com discursos direcionados. A transmissão ao vivo (algo até então chocante) em um aparelho dentro da sua casa e a chance de obter as notícias com registros de imagens, assim como o fato de que elas alcançam muitos da mesma forma, acabaram por modificar até o sentido de interpretação do que é dito e trabalhado nessas novas formas. O surgimento da televisão A história de seu surgimento se parece com a própria história do cinema, já que foram necessárias invençõesde aparelhos e aperfeiçoamentos para isso. Houve, em suma, uma sequência de experimentações e criações para que tivéssemos este produto final: a televisão. De modo geral, o rádio, o telefone e a eletricidade desafiaram os cientistas a desenvolver uma nova máquina que exibisse imagens através de ondas sonoras. Pensar sobre o surgimento da televisão nos leva a refletir sobre o seu princípio fundamental tecnológico: transmitir imagens por meio das ondas do rádio. Por conta disso, descreveremos a seguir seu processo de evolução: 1920 A primeira pessoa – ao menos, de que temos notícia – a pensar sobre isso foi John Logie Baird. Após unir componentes eletrônicos recentemente produzidos em diferentes partes do mundo, Baird conseguiu montar o primeiro protótipo de aparelho de televisão. Essa versão foi relevante sobretudo para iniciar os projetos práticos de desenvolvimento do aparelho. 1923 O russo Vladímir Zvoríkin desenvolveu e patenteou o ionoscópio, um tubo eletrônico de raios catódicos no qual se converte uma imagem óptica em uma sequência de impulsos elétricos. Esse aparelho se baseava em um mosaico eletrônico, que é tecnicamente composto por fotocélulas independentes criadas graças à construção de um sanduíche de três camadas: uma muito fina, outra de mica e uma terceira coberta em uma de suas faces com uma substância condutora (no caso, grafite em pó impalpável ou prata) e, na outra face, com uma substância fotossensível composta de pequenos glóbulos de prata e óxido de césio. Tal elemento permitiu deixar para trás todos os demais sistemas desenvolvidos e utilizados, tendo perdurado, com suas modificações, até o final do século XX. Esse tipo de equipamento foi a base para as câmeras e integrava todos os recursos necessários para se captar uma imagem e transformá-la em um sinal elétrico. 1926 O mesmo John Logie Baird realizou, em Londres, uma demonstração bem-sucedida de seu aparelho para cientistas da Academia Britânica. Com esse sucesso, o modelo apresentado de televisão mecânica foi adotado pela BBC e tornou-se um dos primeiros a ser utilizado. 1928 A primeira pessoa – ao menos, de que temos notícia – a pensar sobre isso foi John Logie Baird. Após unir componentes eletrônicos recentemente produzidos em diferentes partes do mundo, Baird conseguiu montar o primeiro protótipo de aparelho de televisão. Essa versão foi relevante sobretudo para iniciar os projetos práticos de desenvolvimento do aparelho. A parte sonora ainda não era muito interessante: o aparelho produzia ruídos que realmente dificultavam a audição dos sons emitidos. De todo modo, esse foi o primeiro aparelho a reproduzir imagens em movimento. Com 32 linhas de resolução, ele tinha uma imagem significativamente mais satisfatória. Momentos depois, o mesmo aparelho realizou uma transmissão a cores. Apresentamos os marcos iniciais do surgimento da televisão. No entanto, com o passar do tempo e a criação desses aparelhos “base”, isto é, seu sistema inicial, seus princípios e a constatação de seu funcionamento, outros engenheiros, cientistas e inventores, de modo geral, se empenharam em desenvolver aperfeiçoamentos e novas vantagens. Muitas vertentes de desenvolvimento, com isso, surgiram. Ao longo da história da televisão, uma multiplicidade de variações agradou os mais variados perfis de pessoas. Elencaremos algumas dessas variações adiante: Transmissão de imagens por via eletrônica Em 1927, o norte-americano Philo Farnsworth desenvolveu, a partir do ionoscópio, um aparelho para obter a transmissão de imagens por via eletrônica. Após ser testada, sua invenção foi um sucesso. Philo Farnsworth Farnsworth a apresentou em feiras científicas por toda a década de 1930. Nessa trajetória, ele acumulou desentendimentos com grandes empresas, como a RCA e a Philco, de modo que sua única opção foi fundar, de 1938 a 1951, a própria companhia de televisores e rádios. Atenção Ressaltamos mais uma vez a proximidade entre o rádio e a televisão, os quais, por terem uma base tecnológica de desenvolvimento parecida, são lançados ou desenvolvidos nas empresas de forma conjunta. Transmissão de imagens por uma TV de 24 linhas Em 1928, pensando na sequência de desenvolvimento da televisão mecânica, o engenheiro sueco Ernst Alexanderson a considerava pouco prática. Seu objetivo passou a ser a funcionalidade e o alcance da transmissão de imagens por uma televisão de resolução de 24 linhas sem a necessidade de cabos.Alexanderson fez a primeira demonstração pública de sua televisão no Proctors Theater, em Nova York. Ela também foi um sucesso. Ernst Alexanderson demonstra o foco de um projetor de televisão com sete pontos de luz em uma tela Tubos de transmissão As sequências de desenvolvimento para a elaboração de aparelhos tecnicamente superiores são intensas. Em 1932, Vladimir Zworykin, aquele que, nove anos antes, desenvolvera o ionoscópio, finalizou o protótipo do tubo de transmissão, que foi a base para a produção das televisões que estariam nas residências das pessoas. Vladimir Kosma Zworykin Saiba mais Até por volta da década de 1990, os monitores CRT – sigla de Cathode Ray Tube ou, em português, tubos de raios catódicos – eram os mais populares. Televisão com o monitor CRT da empresa alemã Telefunken Em 1934, a empresa alemã Telefunken começou a fabricar os primeiros aparelhos com essa tecnologia. Nesse momento, as telas não tinham mais do que cinco polegadas e a visão dos telespectadores não era muito nítida. Mas foi nessa mesma década que a resolução melhorou, passou de 60 linhas para 400. Saiba mais Durante anos, a televisão era pouco acessível. Somente as famílias ricas podiam comprar o objeto. No Reino Unido, por exemplo, dados mostram que apenas 3.000 pessoas possuíam televisões na década de 1930. Barateamento e popularização A Segunda Guerra Mundial foi relevante para o desenvolvimento da televisão, assim como do rádio. Em determinados períodos, certamente houve a paralisação da pesquisa e da produção de televisores; no entanto, novas tecnologias eram desenvolvidas para facilitar a comunicação. Com o fim do conflito, em 1945, ocorreu o barateamento do aparelho e o surgimento de mais canais transmissores, indicando, assim, que mais pessoas poderiam ter acesso e mais conteúdo para ver. A televisão, porém, só se tornou um objeto de desejo dentro das casas com o movimento do american way of life, um dos principais responsáveis pela invasão de eletrodomésticos, de modo geral, nas moradias. I Love Lucy é uma das mais aclamadas e populares sitcoms da televisão norte- americana Versão brasileira de I love Lucy, Alô, doçura, protagonizado por John Herbert e Eva Wilma (1953-1964) As transmissões abertas aconteceram a partir da década de 1930: inicialmente, na Alemanha, em 1935; em seguida, na Inglaterra, nos EUA e na União Soviética. Aliás, em 1936, as Olimpíadas de Berlim foram transmitida pela televisão. Saiba mais No Brasil, em 1950, era possível acessar um sinal aberto de televisão após a inauguração da TV Tupi pelo jornalista Assis Chateaubriand. Tratava-se, além disso, da primeira transmissão na América Latina. Na ocasião, porém, ainda não havia muitos televisores nos lares brasileiros: o próprio Chateubriand precisou importar aproximadamente 200 aparelhos e os espalhou pelo país, sobretudo no Rio de Janeiro. Imagem colorida Até o momento, as imagens televisionadas eram em preto e branco, sem cores. Entretanto, em 1954, nos EUA, a rede NBC conseguiu efetuar as primeiras transmissões públicas em cores ao utilizar um sistema compatível com os antigos aparelhos preto e branco (ou seja, o primeiro aparelho de John Baird). A partir daí, seu desenvolvimento passou a estar mais voltado para: Detalhes de conforto Estética • • Variedade Acompanhamento de tecnologia Atualização Exemplo Controles remotos, videocassetes que podiam exibir imagens gravadas, câmeras de gravação caseiras, testes de transmissões ao vivo, aparelhos com imagens 3D e smart tvs. Hoje em dia, a variedade de aparelhose de emissoras, assim como a qualidade de sinal, foram aperfeiçoadas, proporcionado sinais de alta qualidade e de nitidez de imagens que percorrem o mundo graças a uma rede de satélites posicionada em volta da Terra. A TV e o jornal Mas o jornal também teria espaço nessa nova configuração? A resposta é sim. Não demorou muito, aliás, para que outro veículo dividisse atenção com ele. Em meados do século XX, a televisão logo se popularizou, atraindo a atenção daqueles que consumiam o jornal. Assim como aconteceu com o rádio, o jornal conseguiu garantir seu espaço nesse novo veículo de comunicação. Gontijo Teodoro, âncora do telejornal Rede Tupi de Notícias do Rio de Janeiro, na TV Tupi Assis Chateaubriand fazendo o seu discurso de inauguração da TV Tupi, em 1950 • • • A história de as notícias serem transmitidas com imagens e falas remonta, antes da televisão, à própria história do cinema. Com o surgimento da sétima arte, afinal, também aparece a ideia de gravar notas de tipo informativo. Essa vontade foi tão intensa que o primeiro filme produzido retratava a saída dos operários de uma fábrica, revelando as capacidades informativas do cinema. Com isso, exigências técnicas foram estabelecidas, enquanto o cinema era visto como um veículo transmissor de notícias. As primeiras companhias cinematográficas estabeleceram os equipamentos para a confecção de noticiários em filme. O chamados cinejornais eram caracterizados pela periodicidade e pela multiplicidade, já que, para tornar o jornal local, eles ofereciam conteúdos de interesse para zonas específicas e sobretudo no idioma de cada população. Os informativos de cinema perderam sua relevância à medida que a televisão ganhava espaço e concomitantemente com o fim da Segunda Grande Guerra. As vantagens da televisão sobre eles eram nítidas: imediatismo e conforto de casa. O primeiro conteúdo de notícia na televisão mundial aconteceu em agosto de 1928, nos Estados Unidos, quando a emissora WGY transmitiu simultaneamente em rádio e televisão a cerimônia em que Al Smith, pré- candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, aceitava a indicação oficial. Além disso, esse também foi o primeiro sinal ao vivo da televisão. Saiba mais No Brasil, o telejornal surgiu na década de 1950 com a TV Tupi. Nesse momento, como apontamos, os televisores não eram algo comum para a população. Em 1969, houve a primeira transmissão em rede nacional de um telejornal: era o Jornal nacional, da Globo, que se consagrou como líder de audiência no horário nobre. Sérgio Chapelin e Cid Moreira, âncoras do , em 1969 Na prática, o jornal na televisão copiou o formato do rádio. Inicialmente, suas notícias eram lidas diante da câmera, mas, em pouco tempo, foi necessária a presença de um apresentador que personalizasse o jornalismo e as informações por meio da sua aparência, de sua expressão facial e de sua entonação. Com o passar dos anos, foram incluídos no formato as imagens sem som e, em seguida, os vídeos sonoros. Os telejornais, desde seu surgimento, ocuparam um papel de relevância na vida da população. Exemplo Durante o século XX, o horário do jornal, em muitas casas, virou o momento de repousar e ver televisão após um longo dia e o jantar. Ele também aparece em inúmeras literaturas com destaque, além de estabelecer como objetivo profissional o ato de se “apresentar, entrevistar ou aparecer no telejornal”. Entre outros impactos, o telejornal, em suma, é um assunto na vida cotidiana. Atualmente, as emissoras tendem a apresentar telejornais como parte da sua identidade expressa em programação normal, transmitindo-os diariamente e em horários fixos. Em situações urgentes e extremas, elas até interrompem suas agendas para exibir plantões de notícias. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Jornalismo e o rádio no Brasil Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A notícia na TV Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O século XX demarca o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa tradicionais. Na década de 1950, houve a primeira transmissão televisiva no Brasil. Tendo isso em mente, assinale a alternativa correta. A Essa também foi a primeira transmissão na América Latina. B Nesse momento, as televisões já eram populares no Brasil: havia 5.000 unidades no país. C A Segunda Guerra Mundial não teve qualquer impacto no desenvolvimento da televisão. D Desde o surgimento das televisões, os aparelhos foram acessíveis economicamente. E A televisão não despertou muita atenção da população no século XX. A alternativa A está correta. A primeira transmissão aberta aconteceu, na Alemanha, em 1935, e depois na Inglaterra, nos EUA e na União Soviética. A do Brasil foi a primeira de toda a América Latina, quando, em 1950, houve o acesso a um sinal aberto de televisão após a inauguração da TV Tupi pelo jornalista Assis Chateaubriand. Como não havia muitos televisores no país, o próprio Chateubriand importou aproximadamente 200 aparelhos e os espalhou pelo país, sobretudo no Rio de Janeiro. Questão 2 O rádio e o jornalismo se encontram na busca de novas tecnologias. Nesse processo, notamos que o desejo de novas informações e de velocidade fortaleceu esse veículo. Marque a afirmação correta sobre o desenvolvimento do rádio no mundo. A A primeira transmissão aconteceu em 1836. B A Primeira Guerra Mundial foi relevante para desenvolver o rádio como tecnologia eficiente de comunicação a distância. C A Primeira Guerra Mundial não interferiu na trajetória do rádio. D O rádio é um aparelho que teve pouco impacto na vida das pessoas do século XX. E O rádio não significou o incentivo de desenvolvimento a outros meios de comunicação. A alternativa B está correta. O período da Primeira Guerra Mundial foi relevante para o desenvolvimento do aparelho como uma tecnologia – e não apenas para seu estabelecimento como um sistema de comunicação sério, confiável e respeitável. O rádio era relevante dentro do espaço de batalha como elemento de comunicação na própria ação dos enfrentamentos. Era fundamental, portanto, que ele fosse preciso, pois havia muita coisa em risco; assim, o rádio se tornou uma ferramenta cada vez mais aprimorada. 3. Indústria cultural e comunicação de massa Indústria cultural e comunicação de massa O que é cultura de massa? Vamos entender o que significa a indústria cultural? A professora Thaina explica e relaciona a ideia de cultura de massa: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Depois de apontar os desenvolvimentos técnicos necessários para a comunicação de massa tradicional, consideramos necessário trazer à tona a relevância cultural que tais aparelhos possuem. De modo geral, a cultura consiste no modo como as pessoas vivem e se representam coletivamente. Falar de cultura significa, portanto, tratar de elementos, como moda, esportes, arquitetura, educação, religião, hábitos e ciência. Quando a relacionamos aos meios de comunicação de massa, pensamos principalmente em dois aspectos: 1 Como esses meios impactam os hábitos cotidianos da sociedade 2 Quais informações e significados são veiculados e apreendidos Sobre esse assunto, Sousa (2004) atesta que, como a cultura se assenta em processos comunicacionais de transmissão de informações ao longo do tempo e do espaço, as questões da identidade cultural figuram entre as mais estudadas pelos comunicólogos. Assim, ao se estudar a comunicação num grupo ou numa organização, é preciso atender à cultura específica desse grupo ou organização. Linguagens Formas de fazer as coisas Interpretações Pontos de vista compartilhado Os impactos culturais são percebidos dentro de classificações de ordem de faixa etária, camada social, gênero e localização espacial, entre outros. Mas certos aspectos comuns, além de outros tantos elementos, são discutidos por todos queparticipam da sociedade: Percepção e disponibilidade de tempo Captação da mensagem Identidade Governança Poder Estética e formato da mediação Existe uma relação entre os indivíduos e a cultura. Os meios de comunicação atuam justamente nessa pauta, potencializando a disseminação dos valores compartilhados pela sociedade. Os meios de comunicação de massa, portanto, são as indústrias culturais, isto é, aquelas que propagam, em primeira instância, os valores da sociedade. Por isso, os canais de comunicação que produzem e distribuem músicas, romances, literaturas e programas de televisão nos mais variados gêneros (auditório, comédia, reality, entretenimento ou jornalístico), assim como jornais, filmes, videogames, serviços de internet e outros produtos culturais, disseminam os valores que esses produtos contêm para um grande número de pessoas. Resumindo Não é possível separar a comunicação de massa da indústria cultural, pois ambas são codependentes justamente pelo objetivo de cultura e amplitude no atingimento de pessoas. Entretanto, destacamos que isso possui vantagens e desvantagens, isto é, lados positivos e negativos em demasia. A indústria, afinal, decorre de uma sociedade também mecanizada. Treinada para receber ideias sem avaliação crítica, ela apenas aceita o que é veiculado nesses meios, sem obstáculos, tornando- se, com isso, uma sociedade de consumo global e sem restrições. Para a maioria da sociedade, isso se trataria de um problema, mas, para aqueles que obtiverem vantagens – sejam elas quais forem – com a mensagem veiculada, tal mecanização seria um grande sucesso. Pensando nisso, destacamos os estudos de Horkheimer e Adorno, que criaram, com outros estudiosos, o conceito de "indústria cultural" – sobretudo para definir a conversão da cultura em mercadoria. • • • • • • Max Horkheimer Theodor W. Adorno Objetivamente, esse conceito apresenta a ideia de produção artística em massa, como é comum nas fábricas e indústrias. Trata-se de um novo modelo de fazer arte e cultura, ambas pautadas nas técnicas do sistema capitalista. Para os dois autores, o conceito de indústria cultural não se refere exclusivamente aos veículos, como, por exemplo, televisão, jornais e rádio. Na verdade, esse conceito os extrapola, pensando no uso dessas tecnologias por parte da classe dominante, ou seja, por aqueles que terão vantagens. A partir da década de 1970, a produção cultural e intelectual do Brasil – principalmente a veiculada nos meios de comunicação de massa – passa a ser guiada pela possibilidade de consumo mercadológico. Isso ocorre com a música, a moda, as telenovelas e até os jornais. De todo modo, essa realidade abre espaço para o estudo do comportamento individual e coletivo, o que faremos a seguir. O papel da globalização nas bases de transformação das comunicações Globalização e comunicação Percebemos que o jornalismo e a publicidade possuem um papel relevante nas sociedades modernas, sobretudo nas ocidentais. Desde o século XV, com o surgimento da prensa, as ideias colocadas em texto começaram a possuir um elemento facilitador na sua difusão. A partir disso, houve diversos desenvolvimentos. Como apontamos, ao longo dos séculos, foram surgindo: Jornal impresso Cinema Rádio Televisão Profissões associadas a esses meios de comunicação Podemos apontar que a segunda metade do século XX e o século XXI, até o momento, são os mais intensos em termos de transformações tecnológicas. Essas mudanças passaram a ser mais agudas desde o pós-guerra e seguem com um objetivo declarado de globalização, ou seja, de redução das distâncias entre as pessoas, as ideias, os conhecimentos e os espaços. Uma imagem comum quando se fala de globalização é um mundo pequeno sobre algumas mãos de pessoas de diferentes perfis étnicos. Ela sugere a ideia de que o mundo é colaborativo, isto é, de que a globalização acontece para aproximar os territórios e trazer elementos comuns a todas as nações. O conceito de globalização é comumente empregado para apontar: Diminuição das fronteiras Aproximação dos povos Intercâmbio entre as sociedades • • • Crescimento dos negócios Ainda assim, não há um consenso sobre tal conceito em suas particularidades. Certos estudiosos subdividem a globalização em fases cujo início se deu no século XV, passando por diferentes etapas ao longo da história e perdurando até os dias de hoje. A subdivisão mais usual a separa em quatro fases: Séculos XV ao XIX 1ª fase O mais comum é tratar como primeira fase o que ocorreu entre o século XV e o XIX, caracterizando a globalização pela ocorrência das grandes navegações e pela expansão da economia mercantilista. Século XIX 2ª fase Tem início no final do século XIX e segue até o fim da Segunda Guerra Mundial, isto é, em 1945. A principal característica dessa etapa é o crescimento do capitalismo. 1945 a 1991 3ª fase Ela é considerada o período da Guerra Fria (1945-1991) entre a União Soviética e os Estados Unidos. Sua principal característica é o conflito entre a existência do sistema capitalista e os preceitos do socialismo. 1989 4ª fase Inicia-se com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e segue até os dias atuais. Suas principais características são o maior avanço e a consolidação do sistema capitalista, assim como uma percepção com mais nitidez das consequências desse sistema. Podemos considerar, entre outras inúmeras implicações, como os maiores feitos da globalização: O desenvolvimento de aviões e voos comerciais A necessidade de comunicação entre diferentes povos de modo eficaz e prático, além da instauração uma “língua universal” – no caso, o inglês A criação e a expansão de empresas multinacionais que atuam em diferentes nações A maior difusão de conhecimentos além das fronteiras espaciais • • • • • O uso de novas fontes de energia, como a energia nuclear, e o desenvolvimento de tecnologias modernas em áreas, como, por exemplo, genética, robótica e biotecnologi O transporte intenso de matérias-primas de diversas origens para as mais variadas produções O incentivo à inovação e à criatividade para o desenvolvimento de melhores produtos e serviços A globalização é um processo profundo cujos desdobramentos impactam mais algumas comunidades que outras. Ela possui muitos aspectos negativos: algumas nações, aliás, colhem principalmente seus aspectos danosos. Isso ocorre principalmente com as camadas mais baixas de todas as nações, que acabam por ter contato com os efeitos mais nocivos da globalização. Em nível global, um impacto sério dela é o desemprego nos países em desenvolvimento. Desigualdade social em Nova York, a cidade com mais bilionários do mundo Exemplo Até o processo de globalização acontecer e exigir profissionais mais qualificados para lidar com a tecnologia e todas as suas áreas necessárias, mais da metade da população trabalhadora mantinha seus empregos nas indústrias, os quais, aliás, não exigiam muitas qualificações. A consequência do desemprego é a incapacidade de se satisfazer às necessidades básicas dessas pessoas. Isso resulta no crescimento, na maioria das sociedades, de atividades criminosas, como roubos e furtos, além da utilização em demasia de drogas lícitas – e principalmente das ilícitas. Até os dias de hoje, a taxa de desemprego e a de pobreza aumentam com a intensificação das desigualdades sociais. Além desse exemplo, outros impactos sérios e prejudiciais às sociedades em desenvolvimento – e sobretudo àqueles menos favorecidos economicamente – podem ser observados. Apontaremos dois impactos provenientes desse processo: • • • Má qualidade na alimentação Proliferação de doenças contagiosas e perigosas Objetivando negócios agropecuários, os animais são alimentados com produtos químicos que os fazem produzir muito leite ou aumentar de peso. Os indivíduos se alimentam dessa carne e desse leite, assim como das verduras, dos legumes e das frutas contaminadas com químicos presentes em todos esses ambientes, para responder à necessidadeda indústria e desenvolvem doenças crônicas. Outro exemplo se relaciona diretamente com o que apontamos: a sobrecarga do meio ambiente. Seja para o consumo alimentar das pessoas, para a abertura de vias de transporte, de moradia ou de sedes das mais variadas organizações, para a extração de matérias-primas ou para outras finalidades, o fato é que o meio ambiente está cada dia mais comprometido graças a ações humanas em favor dessa globalização e a alguns de seus desdobramentos. Aquecimento global, efeito estufa, poluição dos oceanos e camada de ozônio são consequências que têm se intensificado muito rapidamente, sendo necessários inclusive grandes acordos entre as maiores potências mundiais a fim de minimizar seus efeitos. O planeta, afinal, está intensamente poluído, desgastado, devastado e explorado. Por mais que grupos ativistas chamem a atenção para esses problemas, pouco é feito no sentido de solucionar – e, principalmente, de prevenir esses impactos. Ainda há o aspecto da competitividade no mercado econômico. Isso se apresenta de modo que os clientes, os sujeitos de diversas sociedades, têm acesso a marcas locais e internacionais a preços competitivos. A disputa pelo consumidor induz as empresas a oferecer melhores produtos e valores mais baixos. Na prática, como as corporações multinacionais possuem sedes e filiais em todo o mundo, isso lhes permite atingir um público maior e, teórica ou declaradamente, estimular o crescimento econômico nos países em desenvolvimento. Já as empresas menores podem expandir suas operações além das fronteiras locais graças a avanços da tecnologia. Elas também podem obter financiamento no exterior e levar suas operações para mercados estrangeiros. Por fim, destacamos um aspecto complexo que possui seus pontos úteis e outros inconvenientes. Com a internet, a tecnologia de telefonia celular, os dispositivos portáteis sem fio e outras tecnologias de comunicação, as pessoas passaram a se comunicar rapidamente e com muita qualidade – mesmo em longas distâncias. Graças ao desenvolvimento da tecnologia, o mundo está ficando mais próximo, pois as distâncias são diminuídas em relação a tempo-espaço. A relação entre tecnologia e comunicação é objetiva: com o advento da internet, ela tornou-se muito fecunda. Celulares Nos anos 1980, houve um movimento de popularização de aparelhos de telefone para uso residencial e pessoal no Brasil. Ainda nesse momento, o celular era um elemento pouco acessível à maioria dos habitantes graças a burocracias, acesso e investimento financeiro, sendo considerado um bem material que conferia status à família que o possuía. Mas havia uma tendência à sua popularização, o que logo aconteceu por volta dos anos 1990. Esse foi um momento relevante para a comunicação, pois, na prática, o telefone celular aproximou as pessoas, favoreceu o diálogo entre sujeitos distantes e propiciou novas demonstrações de afetividade e de presença, além de se tornar um elemento de desejo para toda a população. Modelos de telefone celular típicos dos anos de 1980 e 1990 Resumindo Em muitos espaços, o movimento acontece ao mesmo tempo, mas não podemos considerar que todo o planeta desenvolve a comunicação de modo homogêneo e simultâneo. Mesmo assim, com a globalização, há uma tendência de que as coisas se desenvolvam concomitantemente – e podemos perceber isso em relação ao telefone. Hoje em dia, essas invenções tecnológicas geram alterações de comportamentos e muita desconfiança – sobretudo das pessoas com perfis mais conservadores. Se, por um lado, as pessoas recebem com muita expectativa a sensação de pertencimento a uma noção modernidade, tratando-a como uma adesão ao progresso, alguns grupos, por outro, a percebem com desconfiança pelo custo, pelos impactos desconhecidos que pode vir a trazer e até por um controle que ela poderia ter sobre suas conversas pessoais, seja por organizações ou pela própria família. O telefone pessoal serve como um ponto de partida para os desenvolvimentos tecnológicos de comunicação utilizados com finalidade particular. A partir dele (e nos últimos momentos do século XX), o celular, que já existia, passa pelo mesmo movimento de popularização. No Brasil, o primeiro celular teve sua linha ativada em 1998. Dessa forma, a comunicação passou a ser mais imediata e móvel. Trata-se de um aspecto muito relevante e que altera ainda mais muitos comportamentos – só que agora essa alteração atinge um número mais amplo de pessoas. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Globalização e comunicação Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Celulares e a construção de mídia Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Qual é a característica mais marcante das comunicações de massa? A Aprofundamento dos conteúdos. B Utilização de meios oficiais, mesmo que com pouca agilidade. C Agilidade no repasse de informações. D Atingir uma grande quantidade de pessoas com a informação. E Apoio de imagens na transmissão da informação. A alternativa D está correta. A principal função da comunicação de massa é chegar a uma grande quantidade de receptores ao mesmo tempo partindo de um único emissor. Entende-se como comunicação de massa a difusão de notícias por meio de ferramentas, como jornais, revistas, rádio, televisão, cinema e internet. Juntos, esses elementos consistem no que comumente chamamos de mídia. Questão 2 A comunicação de massa no século XXI é transformada pela popularização da internet e de aparelhos conectados (celulares, notebooks, computadores, tablets, relógios etc.). A partir dessa constatação, avalie as sentenças a seguir. I. A comunicação em massa tradicional permanece atuando nos dias atuais, mas a chegada da internet atualiza as maneiras de fazer a publicidade... Porque II. Com o surgimento dos smartphones, a comunicação passou a acontecer em tempo real e a interação se tornou mais dinâmica, potente e fecunda. A A afirmativa I é verdadeira; a II, falsa. B A afirmativa II é verdadeira; a I, falsa. C As afirmativas I e II são falsas. D As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não é justificativa da I. E Afirmativas I e II são verdadeiras, e a II é a justificativa da I. A alternativa E está correta. Com a popularização da internet e principalmente dos smartphones, a comunicação passou a ser imediata com todos os espaços do globo. Isso deu a ela uma dimensão ampla, conectada e muito moderna do diálogo como um todo. Nesse momento, os veículos de comunicação são desafiados a se atualizar e permanecer interessantes para as pessoas, já que elas agora contam com tantas novidades na tela sobre a palma de suas mãos. 4. Conclusão Considerações finais Ao longo deste estudo, percebemos que, independentemente de suas mudanças serem significativas ou menos impactantes, certos meios de comunicação foram possibilitados graças a algumas sequências de desenvolvimentos encadeados. Vimos também que, quando acontecem, tais alterações, mesmo promovendo algumas rupturas, acabam por exaltar a permanência do veículo de comunicação. Ainda que tenham esses elementos em comum, porém, os aparelhos e seus impactos devem ser percebidos em suas singularidades. Por isso, relacionamos esses meios de comunicação com a noção de modernidade, já que cada meio surgido, desenvolvido ou atualizado era recebido pela sociedade com uma sensação de progresso. Até os dias de hoje, os avanços tecnológicos e científicos, frisamos, são percebidos por ela com entusiasmo e otimismo, supostamente representando a caminhada para um mundo cada vez mais moderno, dinâmico, rápido e conectado. Todos esses meios de comunicação são desenvolvidos por e para a sociedade. Desse modo, demonstramos que eles possuem potencialidades exploradas para a informação, a educação e o entretenimento, principalmente. Ainda assim, destacamos que os meios de comunicação também são