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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série HistóriaENSINO MÉDIO HISTÓRIA SÉRIE AULA 8 o NAZISMO E o FASCISMO E A EMERGÊNCIA DAS SUPERPOTÊNCIAS A Itália e a Alemanha com o final da Guerra Mundial, viram-se em pleno caos político e econômico. Aliado a esses fatores, naqueles países, o ideal nacionalista levou ao surgimento de governos totalitários, onde o Estado atuava a partir de um governo forte, sob a direção de um partido ou Estamos nos referindo a duas personalidades políticas: Adolf Hitler e Benito Mussolini, líderes respectivos das ideologias nazista e fascista que escandalizaram o mundo por suas ações segregadoras e violentas. fim do período totalitário, infelizmente desencadeou um novo conflito armado conhecido como: a Guerra Mundial e a formação das superpotências. CAUSAS fascismo foi uma natural do forte sentimento nacionalista que os italianos passaram a nutrir, após a Primeira Guerra Mundial. Durante muito tempo, esse sentimento foi reprimido, pois numerosas vezes os italianos viram frustradas as suas ambições de poder, ou seja, o desejo de situar seu país entre as grandes potências do mundo ocidental, quer pelo valor militar, quer pelo poderio econômico. Já vimos quão decepcionante fora para os italianos a anexação da Tunísia pela França, pois há muito esse ter- ritório vinha sendo objeto de sua cobiça. Ademais, na batalha de fora-lhes imposta uma fragorosa derrota pelos nativos da Abissínia, região que pretendiam tomar. Essas derrotas e a insatisfação de suas ambições expansionistas incutiram nos italianos a humilhação e o senti- mento de inferioridade perante as grandes nações da Europa. E foi a nova geração italiana que sentiu mais profunda- mente esses golpes, atribuindo ao seu governo a culpa de tantos malogros; não eram as nações estrangeiras que ela responsabilizava pela situação de inferioridade da Itália, depois da guerra, mas o próprio sistema político vigente, dirigi- do por homens fracos, amargurados pelos últimos insucessos da Itália, destituídos, enfim, da vontade de progredir que sentia essa geração jovem. Todavia, não foram apenas nessas insatisfações que se apoiaram os jovens italianos, para expressar o que sentiam. Os fascistas incitavam os demais italianos a deixarem de lado suas aspirações pessoais, de uma só classe lutan- do unicamente para fazer reviver o antigo poderio da Itália, quando seu Império dominava o mundo ocidental, e também durante a época renascentista. Mas ficaria incompleto o quadro de causas da implantação do regime fascista na Itália se deixássemos de citar os resultados vergonhosos da participação do país na Primeira Guerra Mundial. Impedir que os austríacos dominassem a frente meridional constituiu praticamente a única função dos italianos na guerra e isso fora humilhante demais para eles, em comparação à atuação de ingleses, franceses e americanos. Estes, para dominar a Alemanha, uniram suas forças, de modo que, ao terminar a guerra, não haviam sido tão prejudicados quanto a Itália, que era um país relativamente pobre e lutara sozinho, na frente meridional. Terminada a guerra, os italianos confirmaram a perda de quase homens, sem contar o número de feridos, também muito grande. Acrescenta-se a essa situação desvantajosa a decepção que havia sido reservada aos italianos, após a luta, quando da partilha dos espólios. No momento em que se procedeu à divisão das colônias na África, a Itália foi totalmente esquecida e, ademais, o porto de Fiume deixou de pertencer-lhe, em proveito da lugoslávia, que passou a desfrutar de um porto importante no mar Adriático. Ainda, referindo-nos à guerra, devemos salientar os resultados que recairam diretamente sobre a vida econômica da nação, agravando-se a crise com a inflação da moeda e, alta no custo de vida, especulação e exploração. A volta de milhões de soldados à vida civil trouxe o problema de desemprego, pois a procura de colocações passou a ser muito maior que a oferta. estouravam greves e todos os ramos de negócio iam de mal a pior, além de se limitarem cada vez mais as possibilidades da Itália junto aos mercados estrangeiros. Quanto as expor- tações, diminuíam assustadoramente Por outro lado, desenvolveu-se intenso radicalismo econômico entre as classes superior e média, crescendo com isso o número de adeptos do partido socialista. Em novembro de 1919, nas eleições para a Câmara dos Deputados,cerca de um terço dos eleitos pertencia ao partido socialista. Houve até tentativas de serem colocados os operários na direção das fábricas e, no campo, apareceram as "ligas vermelhas", com o fim de promover a divisão das grandes pro- priedades entre os camponeses. Porém, essas tentativas foram malogradas e a bolchevização da Itália não foi levada a termo, como se pretendia. Isso serviu, no entanto, para despertar nos operários a vontade de lutar para a melhoria de suas condições de vida. Quanto aos grandes proprietários, ficaram mais pois não se achavam dispostos a entregar ao Estado os seus bens e propriedades. Tudo isso, naturalmente, foi preparando caminho para o fascismo. No desprestígio do regime parlamentarista também se encontra uma causa da instalação do regime fascista na Itália. Na Câmara dos Deputados, todos os partidos estavam representados, mas nenhum deles detinha a maioria das cadeiras, estabelecendo-se certo equilíbrio nesse sentido. Os partidos de maior destaque eram o Popular e o Socialista, existindo forte rivalidade entre ambos. Quando se formava um gabinete, nenhum deles queria apoiá-lo, se fosse chefia- do por um membro do outro partido. Não havia, por conseguinte, o necessário entrosamento no governo, o que ocasionava verdadeira paralisação do poder legislativo, prejudicando todos os outros setores da vida política da nação. Esses pontos negativos foram convergindo a opinião pública para uma única direção: o desprezo ao regime parlamen- tarista e a predisposição para aceitar o governo de um homem apenas. o aparecimento de Mussolini Benito Mussolini nasceu em Verano di Costa, a 20 de julho de 1883. Todavia, o temperamento inquieto de que era possuidor levou-o a prosseguir os estudos fora da Itália. Estabeleceu-se então, na onde preenchia o tempo livre escrevendo artigos para jornais socialistas, disso tirando o seu sustento. No entanto, por participar de movimentos revolucionários nas fábricas e incentivar greves, foi expulso do país. Restabelecendo-se na Itália, ingressou na carreira jornalística, tornando-se em pouco tempo diretor do jornal socialista "Avanti". Suas idéias políticas, onde se confundiam o socialismo, o radicalismo e o sindicalismo, aliadas ao seu temperamento inquieto foram a causa de muitos choques entre ele e o governo de sua época. Mussolini chegou a ser preso, certa vez, porque pretendia deter as tropas italianas que se preparavam para lutar contra a Turquia, pela posse de Trípoli. Ele era contra essa luta e, embora não tivesse grande influência, estava disposto a impedi-la. A ascensão do fascismo De fascio (vocábulo italiano) ou fasces (vocábulo latino) provém a palavra fascismo. Fascio significa bando, grupo etc., ao passo que fasces designa um machado cingido por um feixe de varas, que era usado para simbolizar o poder, no antigo Império Romano. Qualquer uma das palavras, portanto, se adapta à significação do fascismo. aparecimento dos fasci deu-se por volta de outubro de 1914, quando se formara forte oposição à entrada da Itália na guerra, ao lado da Entente. Em cada cidade italiana, organizava-se um fascio, geralmente composto de nacionalistas exaltados, jovens idealistas, intelectuais futuristas etc., que se encarregavam de fomentar agitações pela cidade, em sinal de desagrado. Os fascistas conseguiram que a Itália se mantivesse neutra por algum tempo e, quando ela entrou na guerra e eles nada puderam fazer contra isso, dedicaram-se a enaltecer o nacionalismo e a combater o derrotista. A princípio, Mussolini era chefe de um único fascio, o de Milão, mas, em 1919, passou a liderar o movimento fascista em toda a Itália. Elaborou então o programa de governo dos fascistas, que se caracterizou pelo radicalismo extremo. Através de ardoroso discurso, anunciou esse programa, cujos itens principais eram os seguintes: abolição do estabelecimento do sufrágio universal; obrigatoriedade de imposto sobre o capital; redução das horas de traba- lho normal para apenas oito; aceitação da Liga das Nações; anexação do Fiume e da Dalmácia etc. Esse programa foi inteiramente aprovado, mas, em 1920, veio a sofrer algumas alterações bastante conservadoras. Em 1922, Mussolini reuniu seus partidários e ordenou a famosa "Marcha sobre Roma", disposto a tomar o governo. rei Manuel III nada pode fazer contra os cinqüenta mil fascistas ("camisas negras") que tomaram a capital. Seu primeiro-ministro renunciou ao cargo e ele outorgou a Mussolini o direito de formar novo gabinete. Portanto, sem ter sido preciso recorrer à violência, os fascistas passaram a controlar o governo de seu país. o governo fascista Senhor absoluto do governo, o fascismo provocou mudanças radicais em toda a estrutura política e econômica do país. Eliminando o último deputado que se manifestava contra o sistema político dos fascistas, ou seja, Matteotti, Mussolini pode então lançar-se às modificações que idealizava. Em 1925, foram apreendidas as licenças de todos os advogados antifascistas. Logo depois, deixaram de circular os jornais socialistas, em virtude de terem sido declarados ilegais todos os partidos políticos existentes no país, excetuando-se, evidentemente, o dos fascistas. A autonomia das vilas e cidades foi declarada nula. Os sindicatos converteram-se em instituições do Estado, dirigidos por partido fascista. Foi também obra de Mussolinia dissolução oficial do antigo sistema de gabinete; ao Parlamento foi atribuída a função de apenas confirmar a vigência de leis já aprovadas anteriormente e, ao primeiro ministro (Mussolini), caberiam todas as decisões; somente ao rei deveria ele dar conta de seus atos. A forma de governo imposta pelo fascismo, abrangendo o campo político e econômico tornou-se conhecida como Estado corporativo. novo sistema aboliu o direito de greves, bem como a luta de classes; todos deveriam sacrificar suas aspirações individuais e de grupo aos interesses da nação. Para o Estado, o povo representava a produção e, con- a riqueza. As questões que porventura surgissem entre empregado e patrão deveriam ser decididas unicamente pelo Estado, pois somente ele dispunha de autoridade para tanto. A teoria do liberalismo econômico foi totalmente desprezada; as forças produtoras agruparam-se em corporações, que procuravam estabelecer certo equilíbrio entre o capital e o trabalho. A propriedade privada continuou a existir e os capitalistas foram encarados também como classe socialmente produtiva. Qualquer empresa, fosse ela de caráter indus- trial ou comercial, poderia ser tomada pelo governo, em caso de necessidade por parte da nação. Os fundamentos da teoria fascista Além da concepção do Estado corporativo, outros elementos de grande importância estão reunidos no sistema fascista. São eles: Totalitarismo: Sintetizava-se esse princípio no seguinte: "Nada fora ou acima do Estado, nada contra o Estado, tudo no Estado, tudo para o Estado." Portanto, para os fascistas, o Estado deveria monopolizar todos os ideais e interesses. Nacionalismo: Os fascistas pregavam a luta em prol do poderio econômico e militar da nação, sua auto-sufi- ciência e o rápido crescimento demográfico. Com isso, punham em evidência o profundo sentimento nacionalista de que eram dotados. Idealismo: Opondo-se ao espírito derrotista que dominava o antigo governo italiano, os fascistas declaravam que não mais tolerariam ver sua pátria classificada entre as potências de segunda categoria. Mesmo o fato de ser a Itália desprivilegiada no tocante às jazidas minerais não deveria constituir empecilho ao seu progresso, pois caberia aos patriotas trabalhar para que as barreiras fossem vencidas. Era, portanto, a expressão máxima do idealismo. Romantismo: culto do e da força e o auto-sacrifício são também fundamentos do fascismo, razão pela qual o romantismo se enquadra entre suas características. Militarismo: Como parte da teoria fascista, existia a idéia de que todas as nações deveriam expandir-se militar- mente; a guerra era apontada como necessária, porque revelava o valor do homem e o dignificava. Autoritarismo: A liberdade era desprezada pelos fascistas, pois para eles, a corrupção dos indivíduos poderia originar-se dela. Para os cidadãos não estão reservados direitos, mas apenas deveres. o governo deveria ser exercido por homens de brio, que houvessem chegado a essa posição após terem dado mostras de sua bravura, força e caráter. Sua autoridade deveria ser suprema, cabendo aos cidadãos apenas obedecer e trabalhar e, com isso, engrandecer a nação. o NAZISMO NA ALEMANHA Causas Não é difícil apontar-se a primeira grande causa da vitória nazista na Alemanha; ela foi um dos resultados da Primeira Guerra Mundial. Realmente, até 1918 a Alemanha destacava-se entre as potências européias pelo alto nível de desenvolvimento que havia atingido. A grandeza cultural do país era fato sua música, ciência e filosofia haviam granjeado a admiração do mundo todo, sem falarmos na grande expansão industrial que vinha apresentando, já pelas alturas de 1914. Nessa ocasião, a própria Inglaterra havia sido suplantada pelos alemães, no setor industrial. Desta feita, tornou-se muito difícil para o povo alemão aceitar a derrota de 1918 e suas implicações nos vários setores da vida nacional. Não atinando com as causas do fracasso, o povo alemão deixou-se envolver pela lenda que dizia haver sido a nação traída pelos socialistas e judeus do governo. Evidentemente, a mágoa fora a responsável pela difusão dessa idéia, que, embora bastante imaginosa e quanto ao fundo de verdade, servia para acalmar os alemães feridos em seu orgulho e patriotismo.Pela ordem de importância, a inflação de 1923 foi a segunda das causas da instalação do regime nazista, na Alemanha. processo inflacionário começou a desenvolver-se a partir de janeiro de 923 quando o governo tentou con- trolar a greve dos mineiros e operários siderúrgicos do vale do Ruhr, emitindo uma quantidade assombrosa de papel- moeda. marco alemão, que já se achava bastante desvalorizado, começou a cair vertiginosamente. Para se ter uma idéia exata dessa desvalorização, basta dizer que em agosto de 1923 era preciso dispor de cerca de um milhão de mar- cos para se comprar um dólar americano. A cotação do marco caiu tanto que o levou à desvalorização total. Foi então a bancarrota para a Alemanha. A pequena burguesia, que vivia de salários ou rendas fixas, foi atirada à miséria e não foram raros os que venderam o próprio teto, para poderem sobreviver. Enquanto isso, os especuladores enriqueciam, alguns negociando com base nas flutuações do marco; outros, aproveitando-se da instabilidade da moeda e sua constante desvalorização, compravam estabelecimentos industrias e comerciais para serem pagos a longo prazo e com pequena entrada. Muitos desses especuladores eram judeus, o que evidentemente fortalecia a lenda segundo a qual eles constituíam parte do grupo que vinha atraiçoando a nação. temor ao estabelecimento do bolchevismo na Alemanha não deve ser omitido nas considerações que ora tecemos. Os partidários do bolchevismo chamavam-se a princípio espartacistas, mudando sua denominação, mais tarde, para comunistas. Esse grupo crescia cada vez mais, como se pôde observar em 1932, quando das eleições pre- sidenciais, em que seis milhões de eleitores, aproximadamente, se declaravam comunistas. Por outro lado, em algumas cidades, como Hamburgo, Bremen e na Baviera, esses elementos chegaram a organizar governos próprios, nos moldes do que então vigorava na Rússia. Tudo isso ia atemorizando os capitalistas e grandes proprietários. Diante da possibilidade de lhes serem tirados os bens e propriedades, no caso da bolchevização do país, decidiram-se a apoiar secretamente o nazismo, acreditando que os prejuízos que porventura ele acarretasse não seriam tão grandes, comparados aos do bolchevismo. afrouxamento do regime militarista foi outra causa do triunfo nazista na Alemanha. Em novembro de 1918, uma revolução, liderada por socialistas, democratas e centristas, depôs o kaiser e proclamou a república. No ano seguinte, foi redigida a Constituição de Weimar que dava ao governo alemão uma feição bastante progressista, pois estabelecia o sufrágio universal; o sistema de governo através de gabinete; uma carta das liberdades civis tradicionais e o direito ao emprego, à instrução; etc. Nem todos, porém, souberam apreciar esses benefícios, porque, em primeiro lugar, o povo alemão nunca tivera um governo democrático e, em segundo, porque qualquer forma de governo, após os últimos insucessos da Alemanha, seria recebida com certo descrédito por uma boa parte da população, principalmente os reacionários e os extremistas. novo governo, não estava cuidando da militarização e nem poderia fazê-lo, mesmo que o quisesse, pois a desmilita- rização do país era uma das cláusulas do Tratado de Versalhes que, como nação derrotada, a Alemanha tinha que obede- cer. A orientação democrática que se pretendia dar ao governo afastava o militarismo. Em primeiro lugar, procurava-se solu- cionar os problemas econômicos, que eram os de maior urgência no trabalho de reerguimento da nação. povo alemão, entretanto, não soube entender esses problemas, bem como as novas condições de seu país, persistindo na velha crença bismarquiana, segundo a qual a grandeza de uma nação provinha somente da militarização. Para muitos, a segurança que o exército proporcionava era vital para o progresso da nação. E foi devido a esse espírito de disciplina e obediência que o povo se preparou para dar inteira acolhida ao regime nazista. Foi, porém, a Grande Depressão que impulsionou o movimento nazista. A partir de a crise econômica começou a atingir todos os setores de atividades do país. Os operários, agricultores, estudantes, além de milhões de desempregados, deram seu apoio ao partido nazista, esperando que a ascensão deste tirasse país da difícil situação em que ele se encontrava. Em 1932, elevava-se a mais de seis milhões o número de desempregados. A crise recaíra tão fortemente sobre a indústria e o comércio que eles se achavam à beira do colapso total. Em todas as camadas so- ciais dominava o pânico e a visão de um futuro bastante incerto. Por isso, é bem provável que o povo alemão se achas- se disposto a aceitar um novo governo que lhe proporcionasse segurança econômica, embora fosse sacrificada a sua liberdade política e intelectual. o aparecimento de Hitler Adolf Hitler nasceu em Braunau, no ano de e seu pai era um funcionário aduaneiro desse país. Desde a infância, Hitler mostrou-se bastante indisciplinado e propenso a atitudes violentas. A frustração parecia acom- panhá-lo a cada passo. Na escola foi sempre aluno mediocre, pois grande parte do tempo despendia pintando retratos. Acreditando que sua grande oportunidade de vencer estava na pintura, foi para Viena, em e inscreveu-se nos exames vestibulares da Academia de Belas Artes, dessa cidade. No entanto, foi reprovado. Após essa decepção, dedicou-se a atividades as mais variadas e insignificantes. Sempre insatisfeito, ia formando as suas próprias concepções políticas, onde a violência era sempre a nota dominante. Hitler nutria profundo ódio pelos marxistas e judeus, tendo sido compreendido em seus sentimentos por um grupode políticos de Viena, adeptos do anti-semitismo, com os quais logo fez amizade. Seus preconceitos não conheciam li- mites; acreditava na origem ariana do povo alemão e em sua superioridade. Para Hitler, o povo da era digno de desprezo devido à impureza de sua raça. Ao deflagrar-se a Primeira Guerra Mundial, integrou as fileiras do exército alemão, não obstante fosse austría- CO. Na guerra sua atuação chegou a ser brilhante, o que lhe valeu a condecoração da Cruz de Ferro e a promoção a cabo. Depois disso, resolveu ingressar definitivamente na política e foi bem sucedido em seu intento, porque soube explorar a caótica situação interna da Alemanha, incitando o povo à revolta; protestando contra o estabelecimento de tropas francesas em Ruhr e contra o pagamento das dívidas de guerra; combatendo também a desmilitarização imposta pelos vencedores. Em 1919, juntamente com outros seis companheiros, fundou em Munique o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, uma organização de caráter político-militar semelhante ao fascismo. nome do partido, logo depois, foi popularmente abreviado para nazi. A ascensão do nazismo o nazismo teve a sua grande oportunidade quando o regime parlamentar alemão chegou à plena decadên- cia, no verão de 1932. Nesse ano, a desordem política imperava na Alemanha, pois nenhum chanceler represen- tava a maioria, visto que os nazistas não queriam apoiar outro candidato que não fosse Hitler, e os comunistas não se entendiam com os socialistas. Antes disso, os nazistas já haviam tentado tomar o poder; em dezembro de 1932, numa cervejaria em Munique, Hitler interrompeu abruptamente o discurso que pronunciava o líder bávaro Kahr, para anunciar, aos gritos e protegido por metralhadoras, que a revolução nazista começara. Na realidade, nada de novo havia acontecido; Hitler apenas estava preparando o golpe que daria posteriormente, exigindo dos líderes bávaros a adesão ao movi- mento nazista. A Bavária, nessa ocasião, formava um governo à parte e ignorava as decisões e ordens de Berlim. Hitler não viu realizado seu plano, mas mesmo assim deu uma resposta positiva ao público que a aguardava, tendo sido freneticamente aplaudido. Tudo não passou, entretanto, de uma grande agitação, que só teve fim com a prisão de Hitler e sua condenação. Durante o tempo em que esteve preso, escreveu "Minha luta", livro que seria de influência capital na propagação do nazismo, no seio da população Em janeiro de 1933, o presidente von Hindenburg foi coagido por um grupo de reacionários (banqueiros, nobres rurais, industrialistas, etc.) a nomear Hitler para o cargo de chanceler. Naturalmente, os reacionários preferiam Hitler a uma socialização pois estavam certos de que ele poderia ser facilmente controlado e, com isso, seus interesses econômicos estariam a salvo. A vice-chancelaria seria ocupada pelo nobre católico Franz von e o novo gabinete contaria, ainda, com a participação de mais três nazistas. Assim que assumiu o cargo de chanceler, Hitler atemorizou seus adversários, acabando com as uniões trabalhistas e punindo severamente os socialistas e comunistas. No início do mês de março de 1933, já tanta influência sobre o presidente von Hindenburg que o obrigou a dissolver o gabi- nete recém-formado é a promover novas eleições. Os nazistas não conquistaram a maioria dos votos, mas mesmo assim o novo gabinete conferia plena liberdade de ação a Hitler, na direção do governo. A bandeira da república de Weimar foi substituída, pelo símbolo do nazismo, a suástica. Em 1934, von Hindenburg veio a falecer, convertendo-se Hitler em ditador da Alemanha, com o título de Führer und Reichskanzler, ou seja, Líder e Chanceler da Nação. A Alemanha foi proclamada Terceiro Reich, porque o novo regime sucedia a dois impérios: o medieval dos Hohenstaufen e o Hohenzollern, dos kaisers. o governo nazista A implantação do nazismo na Alemanha resultou em modificações radicais de ordem política, social e econômica, embora no princípio essas modificações fossem bem moderadas. Tão logo tomou o poder, Hitler começou a pôr em prática tudo o que havia prometido, quando ainda era apenas um dos membros do partido nazista. Com ele, o princípio federativo deixou de existir, porque a Alemanha se transformou num estado fortemente centralizado. A exceção do partido nazista, todos os demais foram decla- rados ilegais. controle nazista recaiu também sobre os meios de produção, o comércio, a imprensa, o rádio, o cinema, a educação, etc. nacionalismo exagerado que caracterizava o novo regime decidiu excluir da vida pública todo elemento Os judeus, particularmente, sofreram as mais severas punições; foi-lhes negado o direito à cidadania, o ingresso às universidades, o acesso aos cargos públicos, etc.PONTOS DE SEMELHANÇA E DIVERGÊNCIA ENTRE o FASCISMO ITALIANO E o NAZISMO ALEMÃO Se fizermos uma comparação entre o fascismo e o nazismo, veremos que ambos apresentam uma série de ca- racterísticas em comum. Tanto quanto o fascismo, o nazismo é formado de elementos como o nacionalismo, o militaris- mo, o autoritarismo, o coletivismo, etc. Mas existem também divergências fundamentais entre ambos. racismo é uma delas. Os nazistas afirmavam que os alemães descendiam da raça ariana, cujos mais perfeitos representantes eram os nórdicos. Ela era a responsá- vel pela maior parte dos grandes feitos da humanidade. Suas realizações e virtudes transmitiam-se de geração em ge- ração. Portanto, a grandiosidade era inerente ao povo alemão, o que o fazia superior a todos os demais. Nisso havia uma explicação para o desprezo aos judeus radicados na Alemanha. Por mais que estes produzissem ou pros- perassem, isso nada significaria para a nação, porque essas realizações seriam sempre judaicas, nunca Em suma, o anti-semitismo representava um dos mais importantes caracteres da teoria nazista. Já o fascismo italiano não seguia essa orientação; embora algumas restrições aos judeus tivessem sido decretadas, nada indica que tenham sido rigorosamente cumpridas. Outra característica que fazia diferir o fascismo do nazismo era a importância que este último dispensava aos camponeses. nazismo firmava-se no lema Blut und Boden (Sangue e Solo), que enaltecia não somente a terra alemã como também os camponeses e seu trabalho. Os camponeses constituíam a parte da população que com maior rapidez se multiplicava; portanto, deles se poderia conseguir muito, militarmente falando. Nisso estava uma das razões da pro- funda consideração que Hitler parecia dispensar-lhes. Por outro lado, os camponeses representavam o oposto dos in- telectuais, que os nazistas tanto detestavam, porque na verdade eles próprios nada ou quase nada tinham a oferecer nesse sentido. Essa faceta do nazismo também não era encontrada no fascismo italiano. Finalizando a comparação iniciada, apontaremos a divergência entre nazismo e fascismo no diz respeito ao Estado corporativo, que na Alemanha não se impôs completamente. A exemplo de Mussolini. Hitler também aboliu o direito de greve e exerceu controle sobre todas as atividades econômicas da nação, mas não havia representantes dire- tos dos interesses econômicos da nação junto ao governo. o sentido complicado do fascismo e do nazismo Muitos historiadores modernos e estudiosos têm se empenhado em conhecer a fundo o verdadeiro porquê do surgimento do fascismo italiano e do nazismo alemão, e as opiniões variam bastante. Para alguns, essas tendências foram tão somente o resultado do trabalho conjunto dos grandes capitalistas no reerguimento do capitalismo, que naquela época parecia aproximar-se do fim, pelo menos na Alemanha e na Itália. No entanto, essa hipótese é refutada pelo fato de inexistirem indícios de que tanto o nazismo como o fascismo tivessem trabalhado em prol de interesses de monopólios ou de especuladores. Aliás, tudo indica que os dois movimentos procediam exatamente em contrário, apesar de terem sido bem sucedidos, em grande parte, pelo apoio que lhe forneceram os grandes capitalistas. É indiscutível, porém, a contribuição de três fatores no desenvolvimento das duas tendências: Orgulho nacional exaltado. Uso da força na resolução dos problemas de uma nação em crise. 3°) Imposição da mais com- plexa forma de governo despótico conhecida em nossos tempos. o MUNDO ÀS VESPERAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Infelizmente, a paz concluída em Versalhes não deu ao mundo a esperada nem o colocou numa situação de estabilidade econômica. Apesar de haver sido alcançado certo progresso por volta de 1920, não estava afastada a perspectiva de uma crise econômica mundial, porque esse progresso fora construído sobre bases muito incertas. De fato, já em 1939 o mundo ocidental se veria envolvido nessa crise e teria que lutar arduamente para vencer a ou então contorná-la. Na verdade, Tratado de Versalhes não passou de uma trégua de hostilidades e talvez ele próprio tenha propi- ciado um novo conflito mundial, pois suas disposições ora se apresentavam severas demais, ora descambavam para o campo da mais flagrante injustiça. Conforme vimos, concluído o tratado, os Catorze Pontos originais de Wilson foram quase inteiramente ignorados, tal o número de modificações que lhes foram impostas. Os aliados prometeram aos alemães, quando da assinatura do acordo, que seriam reforçados os ideais de justiça e liberdade mundiais, mas essas promessas no esquecimen- to. Não se pode ocultar a injustiça sofrida pelos alemães, os quais foram obrigados a assumir uma dívida de guerra ver- dadeiramente astronômica, quando um pré-armistício firmado em novembro de 918 estabelecera que a ela unicamente caberia pagar os prejuízos causados aos povos aliados e aos seus bens.Outra cláusula do contrato atribuía exclusivamente à Alemanha e às suas aliadas a culpa da guerra, o que de forma alguma correspondia à verdade. Era de se esperar, portanto, que os alemães passassem a alimentar um senti- mento de revolta e o desejo de vingança. Para agravar ainda mais a situação, a Alemanha, juntamente com a Rússia, foram tratadas com o máximo desprezo pelos estadistas que participavam da Conferência de Paris. Sentindo-se margi- nalizadas, era natural que ambas se unissem pelo mesmo sentimento de revolta e mais tarde desejassem firmar laços de amizade, o que veio realmente a ocorrer, em 1922. Nesse ano, pelo Tratado de Rapalho, reataram-se as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países. Tudo o que havia acontecido antes da guerra, mesmo as dívidas e até as reivindicações de ambas as partes foram esquecidas, em proveito de uma nova amizade. Essas relações amigáveis foram mantidas por um bom tempo, inclusive durante alguns meses do governo de Hitler, não obstante o desprezo que este votava aos bolcheviques. Com isso, restabelecera-se o desequilíbrio na Europa, de vez que novas alianças começaram a ser feitas. Os acordos firmados entre, 1919 e 1920 também apressaram o conflito, porque, desde a data das assinaturas, apresentavam soluções errôneas e mesmo inadequadas para a época e a situação das nações envolvidas. Esses trata- dos retalharam de tal modo a Europa que ela passou a conter mais unidades políticas independentes do que as exis- tentes por volta de 1914. Tudo isso serviu para acirrar os ânimos, porque se intensificou a competição comercial, com o surgimento de novos países, e esqueceram-se as promessas de desarmamento. Mais do que nunca cresceram as rivali- dades. continente europeu, que urgia por uma maior integração política e econômica, nada mais fez do que abrigar um grande número de estados inimigos entre si. Considerando-se que a Primeira Guerra Mundial mal havia terminado, a situação era realmente alarmante. A luta ferrenha dos países europeus pela conquista da auto-suficiência foi uma das más dos tratados de 1919-20, que pecaram pela ausência de soluções imediatas e eficazes para os problemas econômicos, e pioraram o nível de vida em cada nação européia. As divergências entre a Inglaterra e a França Ainda que Tratado de Versalhes fosse perfeito, não estaria afastada a hipótese de redundar em fracasso, visto que os mais interessados em sua aplicação, ou seja, a França e a Inglaterra, discordavam em muitos pontos nas decisões políticas que eram obrigados a tomar, considerando-se os interesses econômicos de cada um. Comumente, os ingleses planejavam agir de um modo em relação a determinada questão, mas os franceses se opunham, ou vice-versa. Praticamente, num único ponto ambos pareciam concordar: a necessidade de lutar con- tra a propagação do bolchevismo na Europa. Outrossim, os franceses temiam um possível reerguimento da Alemanha e exigiam que ela cumprisse rigorosa- mente as disposições do Tratado. Interessava-lhes muito mais a própria segurança do que a restauração econômica da Europa. Era tão acentuado temor dos franceses que, além da segurança que lhes oferecia a Liga das Nações, bus- caram firmar novas alianças e, com isso, fortalecer-se. Até 1927, a França já havia efetuado acordos de amizade com a Polônia, a Tchecoslováquia, a Rumânia, a lugoslávia e a Bélgica. Ela aconselhava aos governantes desses países a organização de grandes exércitos, oferecia-lhes ajuda financeira e frisava quão importante seria para todos manterem- se unidos e atentos às atividades da Alemanha e de seus antigos aliados. Quanto à Inglaterra, não, seguia a mesma orientação política adotada pelos franceses, em relação à Alemanha. Ao contrário, queria que esta última se recuperasse economicamente e voltasse a ser um dos grandes compradores de pro- dutos ingleses, como antes da guerra. Por isso, era muito interessante e lucrativo para os ingleses se reconciliarem o mais breve possível com os alemães. A Inglaterra estava disposta até a prorrogar os pagamentos de reparações, desde que isso acelerasse a recuperação econômica da Alemanha. Mas não era apenas esse seu interesse; ela queria que fosse reposto em prática o antigo sistema de equilíbrio de poder. Interessava-se economicamente pelo reerguimento da nação porque isso também viria a implicar um possível refreamento das ambições da França. Por outro lado, a Alemanha forte significaria igualmente um reforço para a barreira contra o comunismo, já bastante propagado na Europa. Uma prova da divergência de interesses entre a França e a Inglaterra pode ser tomada na ocasião em que a primeira decidiu ocupar militarmente o vale do Ruhr (1923), em virtude de ter a Alemanha falhado em seus pagamentos de reparação para com ela. Pois bem, tomada a decisão, ministro francês Poincaré solicitou a adesão dos ingleses à medida, mas recebeu uma resposta negativa em troca, o que o irritou bastante e arrefeceu, durante algum tempo, as relações de cordialidade entre os dois países. A política isolacionista dos Estados Unidos É bem provável que também tenha favorecido o fracasso da paz wilsoniana a decisão tomada pelos Estados Unidos de não mais interferir na questão dos tratados, na Europa. Essa decisão se confirmou quando os norte-ameri- canos, através de votação do Senado, se negaram a ratificar a paz de Versalhes. Não foram poucos os que acusaram esse país de haver infringido as leis do internacionalismo e com isso também ter atrasado o andamento da recuperação econômica da Europa.Se os Estados Unidos houvessem atendido ao pedido que lhes fora feito, isso talvez infundisse maior confiança nos demais países-membros da Liga das Nações, pois sua influência era indiscutível como grande potência, embora não-européia. Acreditava-se que nesse caso a Inglaterra e a França não recorreriam à manutenção da paz através do equilíbrio de poder. Mas não faltou razão para o procedimento dos Estados Unidos, embora pareça ter havido uma simples intran- sigência por parte de políticos reacionários ou nacionalistas inveterados. Foram justamente os senadores mais progres- sistas que se opuseram à ratificação do tratado, por achá-lo bastante imperfeito, comparado aos Catorze Pontos que Wilson havia formulado, e injusto, porque favorecia a conflitos futuros. Sucede que, após a guerra, os norte-americanos foram tomados de vivo ressentimento, face aos rumores que rapida- mente se espalharam acusando-os de se haverem intrometido em assunto que não lhes dizia respeito. Em razão disso, eles decidiram manter-se alheios aos tratados que a partir daquela época se firmassem na Europa. É possível que o fato de terem adotado essa política de isolamento tenha concorrido para o reavivamento da política de poder no continente europeu. As grandes potências procuram manter a paz Sentindo a precariedade das condições de paz, por volta de 1925 reuniram-se os representantes das grandes potências européias e os Acordos de Locarno, pondo em prática algumas idéias do ministro alemão Stresemann. Ele considerava de vital importância para a paz um entendimento definitivo entre a Alemanha e a França na questão das fronteiras do Reno. Em 1925, os representantes das principais potências européias iniciaram os acor- dos. A Alemanha, a França e a Bélgica comprometeram-se a respeitar suas fronteiras reciprocamente, e não empreen- der guerra, a menos que fosse em legítima defesa. A Inglaterra e a Itália participaram do acordo na qualidade de fiado- ras. A Alemanha prometeu que jamais usaria da força militar na revisão de tratados e, quando se tratasse de disputas com a França, a Bélgica, a Tchecoslováquia e a Polônia, agiria sempre por métodos pacíficos. Esses acordos foram entusiasticamente recebidos em toda a Europa, porque se acreditava que eles seriam os mantenedores da paz durante muito tempo. No entanto, é preciso admitir que os Acordos de Locarno resultaram num único benefício, qual seja, o de terem mantido a paz nas fronteiras do Reno. Embora fosse significativo esse resultado, era apenas parcial, porque não afastava do continente europeu a ameaça da guerra. Mais ou menos dentro do espirito dos Acordos de Locarno e com a mesma finalidade, foi efetuado o Pacto de Paris (ou Briand-Kellog). Esse pacto foi o resultado de um movimento surgido nos Estados Unidos, em 925, que visava a proibir definitivamente a prática da guerra. Os chefes desse movimento desacreditavam da Liga das Nações e proclamavam que sua extinção era necessária para que a prática da guerra fosse definitivamente abolida. Essas idéias tomaram tal vulto que, em 1927, os Estados Unidos e a França decidiram convidar todas as nações do mundo a lutar pela extinção das atividades bélicas, assinando um pacto. No ano seguinte, em Paris, foi assinado esse pacto, que contou com a adesão de quinze nações. Elas comprometeram-se a jamais lançar mão da guerra para a solução de problemas políticos ou disputas interna- cionais. o exemplo das quinze nações foi sendo seguido, aos poucos, por quase todos os demais países do mundo. Todavia, esse pacto também estava fadado ao insucesso, dadas as circunstâncias em que foi firmado. Não tardou para que os países assinantes do mesmo lhe fizessem uma série de ressalvas, deixando claro que a predisposição para a guerra ainda existia. De um lado, os próprios Estados Unidos afirmavam que guerreariam no caso de serem atacados; de outro, a Inglaterra também demonstrava não haver renunciado à guerra, ao afirmar que usaria da força, - se fosse necessário, para defender seus interesses mais urgentes em certas regiões. Portanto, o pacto se converteu num amon- toado de noções sem finalidade, já que havia se deteriorado o seu sentido original. A CONFERÊNCIA DE WASHINGTON A conferência foi feita com a finalidade de se resolver a questão do desarma- mento, após a Primeira Guerra Mundial e quem a promoveu foi o governo dos Estados Unidos. Naturalmente, interesses nacionais levaram-no a tomar essa atitude e isso pode ser perfeitamente explicado: por volta de 1920, o Japão apresentava-se como a grande potência naval do Oriente, já que tanto a Rússia como a Alemanha momentaneamente não estavam em condições de rivalizar-se com quem quer que fosse, devido as modificações políticas internas que vinham sofrendo. Portanto, os japoneses poderiam progredir a ponto de constituir uma ameaça aos norte-americanos. Por outro lado, para fazer frente ao poderio naval japonês, os Estados Unidos teriam que despender vultosa soma na construção de uma armada de gabarito, especialmente para operar na costa asiática. Como isso não estivesse dentro de seus planos, e para conter um crescimento maior dos japoneses nesse sentido, lançaram-se à campanha do desarmamento naval. Em novembro de 1921, a Conferência Naval de Washington deu início aos seus trabalhos, contando com a parti- cipação dos seguintes países: Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Holanda, Bélgica, Portugal, Japão e China. A conferência estabeleceu a tonelagem máxima para os couraçados e cruzadores pesados, bem como assentou vários acordos visando à proteção dos interesses das grandes potências no Extremo-Oriente. Portanto, de um modo geral foram satisfatórios os resultados da mesma. OUTRAS CONFERÊNCIAS Uma nova conferência visando a limitar os armamentos navais foi levada a efeito em Genebra, no ano de 1927, mas nenhuma decisão real pode ser tomada, embora se tivesse pretendido dessa vezefetuar acordos diretos, entre as nações; faltava a cooperação mútua entre os próprios países, que haviam se reunido. Era necessário que a questão fosse resolvida o mais urgentemente possível e as grandes potências não igno- ravam isso. Outras conferências foram feitas, mas a intransigência parece sempre ter estado presente a todas elas. A mais importante foi a de Genebra, iniciada em 1932, sob o patrocínio da Liga das Nações. Ela esperava limitar não somente o armamento naval, como também quaisquer outros tipos de arma. Sessenta e um países enviaram seus re- presentantes à conferência e nada menos que trezentas sugestões foram levadas à apreciação da comissão especia- lizada. Todavia, as conversações deixaram de ter sentido depois que a Alemanha frisou que somente se daria por satis- feita no caso de estabelecer-se um nível de armamento igual para todas as nações; ela queria igualar-se aos seus anti- gos inimigos, pelo menos nesse ponto. Como era de se esperar, um a um todos os delegados foram abandonando as conversações, até que elas não mais se realizaram. Ainda se envidaram esforços para induzir a Alemanha a voltar às discussões, mas em sua decisão per- manecia irredutível. Ademais, os alemães se achavam em plena revolução nazista e, como se sabe, o novo regime era orientado para o armamento e não para o Pouco tempo depois, já não havia dúvidas de que os nazistas estavam dispostos a violar as cláusulas sobre o desarmamento, contidas no Tratado de Versalhes. Iniciou-se, então, a maior campanha armamentista na Europa desde 1914, e dela participaram todas as suas grandes potências. Vocabulário Acirrar: Irritar; exacerbar. Anti-semitismo: Doutrina seguida pelos anti-semitas, isto é, os inimigos da raça semita, particularmente dos judeus. Apatia: Indiferença; insensibilidade. Ariana: Relativa à raça dos árias, os mais antigos antepassados que se conhecem da família Indo-européia. Bismarquiana: Que se relaciona a Bismarck, ministro alemão. Caótica: Confusa; desordenada. Carestia: Alta de preços. Cingido: Rodeado; cercado. Cláusula: Cada uma das disposições de um tratado. Colapso: Enfraquecimento repentino. Concepção: Ato de fazer idéia; conhecimento. Convergindo: Tendendo; dirigindo-se para. Corporações: Conjunto de pessoas sujeitas às mesmas regras ou estatutos. Couraçado: Navio revestido de chapas de aço. Cruzadores: Navios de guerra. Depressão: Abatimento; debilidade. Descrédito: Falta de crédito; desconfiança. Deteriorado: Danificado; estragado. Dissolução: Anulação; extinção. Elucidativo: Que elucida, isto é, explica, esclarece. Entrosamento: Entendimento; organização. Enveredar: Dirigir-se; seguir. Espólios: Despojos; restos. Exonerado: Demitido; destituído do cargo. Exultou: Regozijou-se; teve grandes alegria. Federativo: Relacionado à forma de governo pela qual diversos estados se reúnem numa só nação, mas conservando cada um a sua própria autonomia. Fiadoras: Aquelas que garantem o cumprimento de obrigações de outrem. Flutuações: Instabilidade da cotação de preços e valores num determinado mercado ou praça. Fomentar: Estimular; incentivar. Ideologia: Sistema ou conjunto de idéias. Implicações: Incoerência: Falta de harmonia; contradição. Inflação: Desvalorização da moeda. Infundisse: Inspirasse; incutisse. Internacionalismo: Sistema de política entre as nações. Intransigência: Intolerância. Inveterado: Habituado; arraigado. Malogro: Frustração; falha. Meridional: Sul.Nórdicos: Povos germânicos do norte da Europa. Papel-moeda: Instrumento de troca utilizado nas transações comerciais, representado por notas emitidas pelo governo. Preconceito: Opinião formada sem reflexão. Primitivismo: Caráter de primitivo, isto é, rudimentar, simples. Propenso: tendente. Prorrogar: Dilatar (um prazo estabelecido); Ratificação: Reafirmação do que já foi dito; revalidação; confirmação. Recobraria: Retomaria; recuperaria. Ressalva: reserva; restrição. Saudosismo: Tendência para elogiar o passado. Suástica: A cruz gamada, isto é, quatro gamas (letra grega) entrecruzadas e unidas pela base. É símbolo da feli- cidade, de saudação, etc., entre os budistas e brâmanes. Vice-chanceler: Substituto do chanceler. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Al- 2. Associe as colunas abaixo. Na primeira coluna, estão gumas estão corretas e outras, incorretas. Indique as relacionadas as características do fascismo, que deve- corretas com (C) e as incorretas com Corrija as rão ser associadas à segunda coluna, que contém as incorretas. respectivas atribuições de cada uma. a) (C) Após a Primeira Guerra Mundial, países europeus, 1 Corporativismo como a Itália e a Alemanha desenvolveram regimes dita- ) Militarismo como o fascismo e o nazismo. 3 Nacionalismo b) Fatores internos como, inflação, alta do custo de Autoritarismo vida, especulação, exploração financeira e desemprego, Totalitarismo agravaram a crise, na Itália, durante o pós-guerra. c) A ideologia fascista teve como representante prin- exaltação da pátria. cipal, Benito Mussolini. respeito à hierarquia e fidelidade ao d) o direito de greve, ser contra a luta de clas- 5 ) o Estado como única fonte de poder. ses e proibir as manifestações individuais e de grupo ( 1 ) o Estado como representante de todos os grupos sociais. eram idéias defendidas pelos fascistas. (2) exaltação das forças armadas. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER 1. Na Itália, após a Segunda Guerra Mundial, a bur- c) ( ) se opunha à intervenção do Estado nas questões guesia italiana desgostosa dos resultados do conflito sindicais e econômicas. e temerosa por causa da inquietação social, apoiou d) ( ) inspirava-se no movimento socialista alemão. um Benito Mussolini, a organizar grupos paramilitares (os "fasci"), que o levaram ao poder em 3. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algu- 1922 com mas estão corretas e outras, incorretas. Indique as corre- tas com (C) e as incorretas com (I). a) ( ) o fim das greves operárias. b) ( ) o apoio de Adolf a) ( ) Entre os fatores que desencadearam o nazismo na c) ( ) a morte de Vitor Manuel III. Alemanha, em 1933, temos os efeitos da crise econômica d) ( ) a marcha sobre Roma. dos anos 20 e o agravamento das lutas de classes. b) ) temor às idéias socialistas que se manifestaram 2. corporativismo fascista na Alemanha, fez com que a burguesia alemã passasse a apoiar os nazistas. a) ( apoiava a luta de classes como necessidade de c) ( ) A derrota sofrida pela Alemanha na Primeira Guerra desenvolvimento nacional. Mundial feriu o forte nacionalismo alemão. b) ( ) considerava a luta de classes contrária aos inte- d) ( ) A constituição de Weimar de 1919 proclamou a resses do Estado italiano. república depondo a kaiser alemão.4. Marque com um (X), a única alternativa que completa 5. Marque com um (X), a única alternativa que completa corretamente a frase abaixo. corretamente a frase abaixo. Em 1919, Adolf Hitler apoiado por outros companheiros o alemão que recebeu o título de chanceler e fundou o partido político conhecido como proclamou o terceiro Reich na Alemanha foi a) ( ) partido nacional-socialista dos trabalhadores. a) ( ) Vitor Manuel III. b) ( ) partido social-democrata. b) ( ) Benito Mussolini. c) ( ) partido c) ( ) Adolf Hitler. d) ( ) partido nacionalista alemão. d) ( ) Franz von Papen. CHAVE DE RESPOSTAS 1. Na Itália, após a Segunda Guerra Mundial, a burgue- d) ( ) inspirava-se no movimento socialista alemão. sia italiana desgostosa dos resultados do conflito e temerosa por causa da inquietação social, apoiou um ex- 3. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algu- socialista, Benito Mussolini, a organizar grupos para mi- mas estão corretas e outras, incorretas. Indique as cor- litares (os "fasci"), que o levaram ao poder em 1922 com retas com (C) e as incorretas com a) ( ) o fim das greves operárias. a) Entre os fatores que desencadearam nazismo na b) ( ) o apoio de Adolf Hitler. Alemanha, em temos os efeitos da crise econômica c) ( ) a morte de Vitor Manuel III. dos anos 20 e o agravamento das lutas de classes. d) (X) a marcha sobre Roma. b) temor às idéias socialistas que se manifestaram Comentário: Na após a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, fez com que a burguesia passasse a burguesia italiana desgostosa com os resultados do a apoiar os nazistas. conflito e temerosa por causa da inquietação social, c) A derrota sofrida pela Alemanha na Primeira Guerra apoiou um ex-socialista, Benito Mussolini a organizar Mundial feriu o forte nacionalismo alemão. grupos paramilitares que levaram ao poder em 1922 d) (c) A constituição de Weimar de 1919 proclamou a re- com a Marcha sobre Roma. Este movimento organiza- pública depondo a kaiser alemão. do pelos fascistas teve como objetivo evitar que ocor- resse uma greve geral organizada pelos partidos de 4. Marque com um (X), a única alternativa que completa esquerda. Os fascistas ocuparam a cidade de Roma corretamente a frase abaixo. sem haver qualquer impedimento por parte da do exército e do Estado. Em 1919, Adolf Hitler apoiado por outros companheiros fundou o partido político conhecido como 2. o corporativismo fascista a) (X) partido nacional-socialista dos trabalhadores. b) ( ) partido social-democrata. a) ( ) apoiava a luta de classes como necessidade de c) ( ) partido desenvolvimento nacional. d) ( ) partido nacionalista alemão. b) (X) considerava a luta de classes contrária aos inte- resses do Estado italiano. 5. Marque com um (X), a única alternativa que completa Comentário: corporativismo fascista considerava a luta corretamente a frase abaixo. de classes contrária aos interesses do Estado italiano. o Estado corporativista se colocava como representante de o líder alemão que recebeu o título de chanceler e todos os grupos sociais. Para os fascistas, o Estado deveria proclamou o terceiro Reich na Alemanha foi controlar todos os ideais e interesses coletivos. a) ( ) Vitor Manuel III. b) ( ) Benito Mussolini. c) ( ) se opunha à intervenção do Estado nas questões c) (X) Adolf Hitler. sindicais e econômicas. d) ( ) Franz von Papen.

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