Prévia do material em texto
Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série LiteraturaENSINO MÉDIO LITERATURA SÉRIE AULA 4 SEGUNDA FASE DO MODERNISMO Considera-se como segunda fase do Modernismo o período que se estende de a As obras dessa época refletem o contexto econômico e politicamente turbulento, do qual destacamos os principais fatos a seguir: Em 1929, ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova lorque, que teve repercussão mundial. Os preços do café assustadoramente no Brasil; por ser este o nosso principal produto de exportação, o fato interferiu muito em nossa economia. Muitos fazendeiros foram à bancarrota e várias empresas chegaram à falência. Em 1930, João Pessoa foi assassinado em Recife por problemas políticos. Com isso, desencadeou-se a Revolução de sob a liderança de Getúlio Vargas. presidente Washington foi deposto e uma junta militar assumiu poder provisoriamente, até a ascensão de Getúlio Vargas, que ocorreu em novembro. Iniciou-se então o período denominado Era Vargas, que se estendeu até 1945. Em 1931, ocorreu uma queima de cerca de 80 milhões de sacas de café com o objetivo de deter a queda dos preços ocasionada pela supersafra. Em ocorreu em São Paulo a Revolução Constitucionalista. Em 1933, realizaram-se eleições para a Constituinte e, em 1934, foi promulgada a nova Constituição brasileira e Getúlio Vargas foi eleito presidente da República pela constituinte. Em em meio aos preparativos para as eleições que seriam em o governo, sentindo-se ameaçado pela oposição, começou a articular um golpe para Vários membros do Partido Comunista foram presos, entre eles o chefe do partido, Carlos Prestes, e Graciliano Ramos. Em 1937, Getúlio Vargas fechou o Congresso, outorgou nova Constituição e implantou, assim, o Estado Novo. Em 1938, Lampião e Maria Bonita foram mortos fato que se constituiu num grande golpe para cangaço. Em foi criado o DIP Departamento de Imprensa e Propaganda um órgão de censura aos meios de comunicação. Também nesse ano, iniciou-se a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, o Brasil declarou estado de guerra contra a Alemanha e a Itália e, em 1944, o primeiro contingente de brasileiros entrou em combate na Itália. Em 945, Getúlio Vargas foi deposto pelas Forças Armadas, o que pôs fim ao Estado Novo. Para Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente. A arte produzida nesse período revela grande preocupação com a realidade social, espiritual e cultural do Brasil e busca analisar as contradições e apresentá-las em suas manifestações. clima de euforia e novidade da primeira fase do Modernismo é substituído por uma abordagem social mais explícita, que é encontrada na pintura, arquitetura e literatura. Na pintura, destaca-se Cândido Portinari, em cujos quadros é apresentada a problemática social brasileira, mais especificamente a seca do Nordeste. Com a música erudita, é reforçada a busca por uma linguagem nacional com Camargo Guarnieri, Radamés Gnatalli e Villa-Lobos. Na música popular, destacam-se Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso. No campo cinematográfico, temos o lançamento de duas produções muito significativas para a história do cinema brasileiro: Limite, de Mário Peixoto, e Ganga bruta, de Humberto Mauro. Na literatura, é bastante significativo o fato de que os marcos temporais para o início e fim dessa fase coincidam com importantes fatos políticos. Isso revela o estreitamento das relações entre a literatura e a história e uma maior aproximação da literatura à realidade. Nesta aula, vamos estudar a poesia desse período. POESIA Além do amadurecimento de poetas que se destacaram na primeira fase do como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Cassiano Ricardo, que continuam a publicar, surgem novos poetas. Carlos Drummond de Andrade, que havia participado da Semana de 22, mas ainda não havia publicado nenhumlivro, é considerado um dos principais autores dessa fase. Destacam-se também Murilo Mendes, Jorge de Lima, Vinícius de Morais, Cecília Meireles, Mário Quintana e Augusto Frederico Schmidt. As principais linhas temáticas desenvolvidas são a espiritualista, a religiosa, a social e a amorosa. As principais características das obras desse período são: a abordagem de temas universais como o destino do ser humano, o tema lírico-amoroso, o uso da ironia sutil, em lugar do poema-piada, a volta às formas fixas, como o soneto, paralelamente ao uso do verso livre e do poema sintético. Vamos estudar alguns dos principais poetas do período. Carlos Drummond de Andrade Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902 em Itabira, Minas Gerais. Sua cidade natal é apresentada em muitos de seus poemas e o ferro, abundante na cidade, é freqüentemente mencionado em sua obra. Iniciou seus estudos em Minas Gerais e, em 1918, foi estudar como interno em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, no colégio Anchieta, da Companhia de Jesus. Mas foi expulso do colégio no ano seguinte após um incidente com seu pro- fessor de Formou-se em Farmácia, mas dedicou-se ao ensino de português e geografia em Itabira. Em 925, fundou com Emílio Moura e outros escritores A Revista, em que era proposta a reformulação dos padrões estético-literários brasileiros. Depois, foi para Belo Horizonte, onde ocupou o cargo de redator e, depois, de redator-chefe do Diário de Minas. Em publicou-se seu poema "No meio do caminho", na Revista de Antropofagia, que causou muita polêmica. Em publicou seu primeiro livro, Alguma poesia, no qual se destacam o humor e a ironia presentes nos poemas-piada, a apresentação do cotidiano, a linguagem coloquial e o verso livre. Além dos poemas, nessa época, também escrevia crônicas para alguns jornais como A Tribuna, Estado de Minas e Diário da Tarde. Essas crônicas foram publicadas em 1944, reunidas num livro que leva o título Confissões de Minas. Em 934, assumiu um cargo público no Ministério da Educação e transferiu-se para o Rio de Janeiro. Em 1940, publicou Sentimento do mundo, livro no qual o poeta mostra-se impotente diante dos problemas e re- vela grande consciência da realidade social, ao mesmo tempo que se volta para o passado em busca de explicações sobre o momento presente. Em 1945, trabalhou como co-diretor do jornal comunista Tribuna popular, a convite de Carlos Prestes. Em seus poemas, encontramos o registro da realidade, a reflexão sobre o ser humano, sobre "o estar no sobre o fazer poético e também poemas amorosos. poeta enfrenta a realidade, reflete sobre o presente e, em alguns momentos, propõe modificá-lo, enquanto em outros revela-se desesperançado, descrente. Isso é bastante no livro A rosa do povo, de no qual encontramos também a reflexão sobre o fazer poético. A partir da década de 50, passou a dedicar-se exclusivamente à literatura, escrevendo poemas, contos, crônicas e também fazendo traduções. Em 1951, publicou Claro enigma, que inicia uma nova fase na obra do autor. Há uma negação da poesia partici- pante, praticada até então, e um destaque para a busca existencial, elementos que caracterizam também as obras seguintes: Fazendeiro do ar, de 1954, Poesia até agora e A vida passada a limpo, de Em Lição de coisas, de notamos grande preocupação do autor com aspectos visuais e sonoros do texto, fazendo uso de aliterações e dando maior importância à disposição do texto na página. Regressa a temas anteriores, como a questão social, as contradições do amor e continua a refletir sobre a condição humana. Os livros Boitempo, de Menino antigo, de e Esquecer para lembrar, de constituem uma trilogia que pode ser considerada autobiográfica. A presença da memória é marcante e, por meio dela, volta à infância, adolescência e juventude, recuperando-as com o auxílio da ficção. Temos assim um lirismo saudosista paralelo a uma sensação de incômodo com as mudanças. Em 1973, publicou As impurezas do branco em cujos poemas volta-se para a História e critica o consumismo e o progresso tecnológico, ao mesmo tempo que questiona-se sobre o eu, sobre Deus e sobre o amor. Nos livros publicados na década de 80, o amor é o tema central, como se pode ver por seus títulos: A paixão medida, de 1980, Corpo, de 1984, e Amar se aprende amando, de 1985. Drummond faleceu no dia 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro. Outros livros de poemas do autor são: Brejo das almas, de 1934; José e Poesias, de 1942; Viola de bolso, de 1952; Viola de bolso novamente encordoada, de 1955; Discursos de primavera E Algumas sombras, de 1977; o amor natural, de 1988, etc.Entre os livros que reúnem textos em prosa, destacamos: Fala, amendoeira, de 1 957; A bolsa e a vida, de 1962; Cadeira de balanço, de o poder ultrajovem, de 1 972; Contos plausíveis, de Boca de luar, de 1 984; o observador no escritório, de 1985. Vamos ler alguns textos do autor: Poema de Sete Faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. o bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode. Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo. Confidência do itabirano Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana.De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. Quadrilha João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.Mãos dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. o presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. José E agora, José? o riso não veio, Minas não há mais. A festa acabou, não veio a utopia José, e agora? a luz apagou, e tudo acabou o povo sumiu e tudo fugiu Se você gritasse, a noite esfriou, e tudo mofou, se você gemesse, e agora, José? e agora, José? se você tocasse e agora, você? a valsa vienense, você que é sem nome, E agora, José? se você dormisse, que zomba dos outros, Sua doce palavra, se você cansasse, você que faz versos, seu instante de febre, se você morresse.. que ama, protesta? sua gula e jejum, Mas você não morre, e agora, José? sua biblioteca, você é duro, José! sua lavra de ouro, Está sem mulher, seu terno de vidro, Sozinho no escuro está sem discurso, sua incoerência, qual bicho-do-mato, está sem carinho, seu ódio - e agora? sem teogonia, já não pode beber, sem parede nua já não pode fumar, Com a chave na mão para se encostar, cuspir já não pode, quer abrir a porta, sem cavalo preto a noite esfriou, não existe porta; que fuja a galope, o dia não veio, quer morrer no mar, você marcha, José! o bonde não veio, mas o mar secou; José, para onde? quer ir para Minas, Congresso internacional do medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. Flor e a Náusea Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que perdem. Crimes da terra, como perdoá-los? Tomei parte em muitos, outros escondi. Alguns achei belos, foram publicados. Crimes suaves, que ajudam a viver. Ração diária de erro, distribuída em casa. Os ferozes padeiros do mal. Os ferozes leiteiros do mal. Pôr fogo em tudo, inclusive em mim. Ao menino de 1918 chamavam anarquista. Porém meu ódio é o melhor de mim. Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima. Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor.Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. Amar Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar é a água implícta, e o beijo tácito, e a sede infinita. Vinícius de Moraes Marcus Vinícius de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de outubro de 1913. Formou-se em Letras e em Direito e, em 1938, foi para Oxford como bolsista, mas teve que voltar em 1939 devido ao início da Segunda Guerra Mundial. Em 1943, iniciou-se na carreira diplomática e, em 1946, foi para Los Angeles como Em suas obras iniciais, encontramos elementos religiosos e neo-simbolistas. Sendo assim, vemos uma tensão entre a matéria e o o prazer e o pecado; a vida na terra passa a ser vista como o caos, buscando tranqüilidade no misticismo. Isso é evidente em Caminho para a distância, seu livro de estréia, publicado em 1933. Em Forma e exegese, de o amor passa a predominar e o material e o espiritual já não aparecem como opostos; é possível uni-los na figura da mulher idealizada. poeta volta-se mais para o cotidiano, diminuindo seu apego ao espiritual. Com o tempo, porém, seus poemas passarão a ser marcados pelo sensualismo erótico, o que começa a aparecer em Ariana, a mulher, de 1936, e Novos poemas, de 1938. Em Cinco elegias, de 943, e Poemas, sonetos e baladas, de 1946, predomina o olhar sobre a realidade, a partir da qual escreve então seus textos, e destacam-se também elementos sociais e políticos, como o uso da bomba atômica, em 1945, que destruiu Hiroshima e Nagasaki, ou a desigualdade social, mencionada em "O operário em cons- trução", poema bastante conhecido.Nesse período, a linguagem utilizada é mais coloquial, mas, paralelamente, escreve sonetos servindo-se de uma linguagem clássica, que constituem os poemas mais conhecidos do autor e são considerados os melhores. Em publicou Livro de sonetos. Outros livros de poemas do autor são: Novos poemas, de 1959, o mergulhador, de 1965, e Arca de Noé, de 1970. Vinícius escreveu ainda textos em prosa, como o amor dos homens, de 1960, Para viver um grande amor e Para uma menina com uma flor, ambos de 1962. Temos que destacar sua importante contribuição para a música popular brasileira. Em 1953, compôs seu primeiro samba e, alguns anos depois, convidou Tom Jobim para fazer a música do espetáculo Orfeu da Conceição, peça teatral escrita por Vinícius, que depois virou o filme Orfeu negro. Mais tarde, lançou a bossa-nova com Chega de saudade, de sua autoria, interpretada por Elizete Cardoso, acompanhada por João Gilberto no violão, no disco Canção do amor demais, com músicas dele e de Tom Jobim. A canção Garota de Ipanema, de 1962, que é mundialmente conhecida, também é de Vinícius de Moraes. Com sua inclinação musical, acabou abandonando a carreira diplomática para dedicar-se à música e ao cinema. Tornou-se um dos compositores brasileiros mais populares com letras intimistas, sambas e parcerias marcantes com Tom Jobim, já citado, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho. Vinícius morreu em 1980, no Rio de Janeiro. Veja a seguir alguns textos do autor. Soneto do amor total Amo-te tanto, meu amor... não cante humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. Soneto de fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. o verbo no infinito Ser criado, gera-se, transformar amor em carne e a carne em amor; nascer, Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito E esquecer tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E conjugar o verbo no infinito.. A um passarinho Para que vieste Na minha janela Meter o nariz? Se foi por um verso Não sou mais poeta Ando tão feliz! Se é para uma prosa Não sou Anchieta Nem venho de Deixa-te de histórias Some-teA rosa de Hiroxima Pensem nas crianças Da rosa da rosa Mudas telepáticas Da rosa de Hiroxima Pensem nas meninas A rosa hereditária Cegas inexatas A rosa radioativa Pensem nas mulheres Estúpida e inválida Rotas alteradas A rosa com cirrose Pensem nas feridas A anti-rosa atômica Como rosas cálidas Sem cor sem perfume Mas oh não se esqueçam Sem rosa sem nada. o operário em construção "E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás Senhor teu Deus e só a Ele servirás." Lucas, Cap. V, versículos 5-8. 1 Erguendo uma casa aqui Era ele que erguia casas Adiante um apartamento Onde antes só havia chão. Além uma igreja, à frente Como um pássaro sem asas Um quartel e uma prisão: Ele subia com as casas Prisão de que sofreria Que lhe brotavam da mão. Não fosse, eventualmente Mas tudo desconhecia Um operário em construção. De sua grande missão: Não sabia, por exemplo 3 Que a casa de um homem Mas ele desconhecia é um templo Esse fato extraordinário: Um templo sem religião Que o operário faz a coisa Como tampouco sabia E a coisa faz o operário. Que a casa que ele fazia De forma que, certo dia Sendo a sua À mesa, ao cortar o pão Era a escravidão. operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado 2 Que tudo naquela mesa De fato, como podia Garrafa, prato, facão Um operário em construção Era ele quem os fazia compreender por que um tijolo Ele, um humilde operário, Valia mais do que um pão? Um operário em construção. Tijolos ele empilhava Olhou em torno: gamela Com pá, cimento e esquadria Banco, enxerga, caldeirão Quanto ao pão, ele o comia... Vidro, parede, janela Mas fosse comer tijolo! Casa, cidade, nação! E assim o operário ia Tudo, tudo o que existia Com suor e com cimento Era ele quem o fazia Tudo, tudo o que existia Ele, um humilde operário Era um humilde operário Um operário que sabia Um operário que sabia Exercer a profissão. Exercer a profissão4 Era a noite do patrão Ah, homens de pensamento Que sua imensa fadiga Não sabereis nunca Era amiga do patrão. Aquele humilde operário 7 Soube naquele momento! Naquela casa vazia E o operário disse: Não! Que ele mesmo levantara E o operário fez-se forte Um mundo novo nascia Na sua resolução. De que sequer suspeitava. Como era de se esperar o operário emocionado As bocas da delação Olhou sua própria mão Começaram a dizer coisas Sua rude mão de operário Aos ouvidos do patrão. De operário em construção Mas o patrão não queria E olhando bem para ela Nenhuma preocupação. Teve um segundo a impressão "Convençam-no" do contrário - De que não havia no mundo Disse ele sobre o operário Coisa que fosse mais bela. E ao dizer isso sorria. 5 8 Foi dentro da compreensão Dia seguinte, o operário Desse instante solitário Ao sair da construção Que, tal a sua construção Viu-se súbito cercado Cresceu também o operário Dois homens da delação Cresceu em alto e profundo E sofreu, por destinado Em largo e no coração Sua primeira agressão. E como tudo que cresce Teve seu rosto cuspido Ele não cresceu em vão. Teve seu braço quebrado Pois além do que sabia Mas quando foi perguntado Exercer a profissão operário disse: Não! operário adquiriu Em vão sofrera o operário Uma nova dimensão: Sua primeira agressão A dimensão da poesia. Muitas outras se seguiram Muitas outras surgirão. 6 Porém, por imprescindível E um fato novo se viu Ao edifício em construção Que a todos se admirava: Seu trabalho prosseguia que o operário dizia E todo o seu sofrimento Outro operário escutava. Misturava-se ao cimento E foi assim que o operário Da construção que crescia. Do edifício em construção Que sempre dizia de sim 9 Começou a dizer não. Sentindo que a violência E aprendeu a notar coisas Não dobraria o operário A que não dava atenção: Um dia tentou o patrão Notou que sua marmita Dobrá-lo de modo vário. Era o prato do patrão De sorte que o foi levando Que sua cerveja preta Ao alto da construção Era o do patrão E num momento de tempo Que seu macação de zuarte Mostrou-lhe toda a região Era o terno do patrão E apontando-a ao operário Que o casebre onde morava Fez-lhe esta declaração: Era a mansão do patrão Dar-te-ei todo esse poder Que seus dois pés andarilhos E a sua satisfação Eram as rodas do patrão Porque a mim me foi entregue Que a dureza do seu dia E dou-o a quem bem quiser.Dou-te o tempo de lazer 11 Dou-te o tempo de mulher. E um grande silêncio fez-se Portanto, tudo o que vês Dentro do seu coração Será teu se me adorares Um silêncio de martírios E, ainda mais, se abandonares Um silêncio de prisão que te faz dizer não. Um silêncio povoado Disse, e fitou o operário De pedidos de perdão Que olhava e que refletia Um silêncio apavorado Mas o que via o operário Com o medo em solidão o patrão nunca veria. Um silêncio de torturas o operário via as casas E gritos de maldição E dentro das estruturas Um silêncio de fraturas Via as coisas, objetos A se arrastarem no chão. Produtos, manufaturas. E o operário ouviu a Via tudo o que fazia De todos os seus irmãos lucro de seu patrão Os meus irmãos que morreram E em cada coisa que via Misteriosamente havia Por outros que virão. A marca de sua mão. Uma esperança sincera E o operário disse: Não! Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa 10 Agigantou-se a razão Loucura! gritou o patrão De um homem pobre e esquecido Não vês o que te dou eu? Razão porém que fizera Mentira! disse o operário Em operário construído Não podes dar o que é meu. operário em construção. Cecília Meireles Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em no Rio de Janeiro. Tendo obtido o diploma do ma- gistério em 1917, lecionou nas primeiras séries do primeiro grau e, paralelamente, música e escrevia para os principais jornais da imprensa carioca. Em 1 919, publicou seu primeiro livro, Espectros, que reunia sonetos marcados por elementos do Simbolismo e do Parnasianismo. Em Nunca mais... e Poemas dos poemas, de 923, e Baladas para El-rei, de 1925, encontramos elementos que refletem a ligação de Cecília Meireles com a poesia espiritualista. Posteriormente, a autora excluiu esses livros de sua obra poética por não considerá-los significativos. Viagem, de 939, é o livro com o qual se projeta de fato, recebendo o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras. Esse livro reúne poemas escritos entre 1 929 e 937 e é marcado pela musicalidade, uma das principais características de sua poesia. Com temas variados, podemos apresentar também, dentre suas características, a melan- colia, a preocupação com a fugacidade do tempo e com a transitoriedade das coisas, e a descrição da realidade em função das emoções e dos sentimentos, sendo essencialmente lírico. Em Vaga música, de Mar absoluto, de e Retrato natural, de 1949, mantêm-se as características apontadas há pouco. Como temas centrais de sua obra como um todo, destacam-se a tristeza e a referência ao sonho e à fantasia. Em Romanceiro da Inconfidência, de 1953, temos a abordagem de questões históricas e sociais. Tendo a Inconfidência Mineira como eixo central, a autora reflete sobre a história do Brasil, sobre as implicações sociais da Inconfidência e sobre questões universais, como o amor, a liberdade, a traição. São 85 romances envolvendo perso- nagens e fatos da história do Brasil. "romanceiro" é de origem ibérica e se constitui num conjunto de "romances"; nessa cultura, "romance" é uma composição de caráter popular em que se narra um fato em versos. Outros livros de poemas de Cecília Meireles são Doze noturnos de Holanda e o aeronauta, publicados em1952, e Solombra, de 1963. A autora escreveu também os seguintes textos em prosa: Giroflê, Escolha o seu sonho, e Olhinhos de gato. Cecília morreu no Rio de Janeiro, em 1964. A seguir, estão alguns poemas de sua autoria. Motivo "Eu canto porque o instante existe e a minha vida.está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta Irmão das coisas fugidias, Não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada E um dia sei que estarei mudo: - mais nada." Retrato "Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?" Reinvenção A vida só é possível reinventada.Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas... Ah! tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... - mais nada. Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada. Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços. Protejo-me por espaços cheios da tua Figura. Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura. Não te encontro, não te alcanço... Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me Só - na treva, fico: recebida e dada. Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada. Lua adversa Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e que vêm, no secreto calendário um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável-fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...Canção Nunca eu tivera querido dizer palavra tão louca: bateu-me o vento na boca, e depois no teu ouvido. Levou somente a palavra, deixou ficar o sentido. sentido está guardado no rosto com que te miro, neste perdido suspiro que te segue alucinado, no meu sorriso suspenso como um beijo malogrado. Nunca ninguém viu ninguém que o amor pusesse tão triste. Essa tristeza não viste, e eu sei que ela se vê bem... Só se aquele mesmo vento fechou teus olhos, também. Canção Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sono naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas. vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio... Chorarei quando for preciso, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça.Vocabulário Alienação: Falta de consciência da realidade, dos problemas políticos e sociais. Anarquista: Pessoa partidária do anarquismo; pessoa dada à anarquia, à desordem; libertário. Antitexto: Aquilo que se opõe ao texto Arabesco: Fornato de origem árabe no qual se entrelaçam linhas, ramagens etc.; rabisco. Arbitrário: Que independe de lei ou regra. Astúcia: Habilidade em enganar; ardil; malícia. Ateu: Aquele que não crê em Deus ou nos deuses. Bancarrota: Falência; ruína. Cálida: Ardente; apaixonada. Cirrose: Doença crônica do fígado. Ênfase: Realce; destaque, relevo. Expectante: Que está na expectativa; que espera observando. Fenomenologia: Sistema filosófico em que se estudam os fenômenos interiores considerados como ontológicos. Fugacidade: Transitoriedade; efemeridade. Fuso: Peça onde se enrola a corda do relógio. Gauche: Palavra francesa que, no contexto do poema de Drummond, significa "sem jeito". Implícito: Que não é claro; subentendido. Inerte: Sem atividade. Jean Genet: Poeta e dramaturgo francês. Levante: Revolta. Lisonja: Adulação; bajulação; mimo; carinho. Malogrado: Frustrado; malsucedido. Mucama: A escrava negra, moça e de estimação que era escolhida para auxiliar, e que, por vezes era ama-de-leite. Nexo: vínculo; união. Outorgar: Consentir em; aprovar; conceder. Pérfido: Traidor; desleal; infantil. Pop-art: Vanguarda contemporânea na pintura que se caracteriza por explorar. Radioatividade: Propriedade que alguns elementos têm de emitir partículas ou radiação eletromagnética. Rômulo e Remo: Irmãos gêmeos que fazem parte da fundação mitológica da cidade de Roma. Rotação: Movimento giratório. Serafim: Anjo da primeira hierarquia. Sinistro: que é de mau agouro; fúnebre; temível. Tácito: Silencioso; calado; subentendido; implícito; oculto; secreto. Taciturno: Silencioso; calado; triste. Telepático: Que transmite ou comunica pensamentos ou sentimentos extra sensorialmente, a distância, entre duas ou mais pessoas. Teogonia: Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses e que freqüentemente se relaciona à criação do mundo. Trilogia: Peça científica ou literária em três partes. Volúpia: Grande prazer dos sentidos; grande prazer sexual. Zuarte: Tecido de algodão azul, preto ou vermelho.EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Leia o texto a seguir: c) (X) na primeira estrofe, temos a apresentação do desti- no do poeta, que será uma pessoa sem jeito e "esquerdo". Poema de sete faces As palavras que refletem isso são "gauche" e "torto". d) (X) na segunda estrofe, o mundo é apresentado dis- Quando nasci, um anjo torto torcido e temos também uma visão erótica do cotidiano. desses que vivem na sombra e) ( ) na quarta estrofe, ao falar sobre Deus, podemos disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida. dizer que o autor desenvolve uma poesia religiosa. f) (X) na penúltima estrofe, ao falar sobre rima, o poeta As casas espiam os homens critica a rima forçada. que correm atrás de mulheres. g) ( ) o poeta critica a rima e não usa nenhuma rima no A tarde talvez fosse azul, poema. não houvesse tantos desejos. h) (X) o título do texto, "Poema de sete faces", alude a sete situações que são desenvolvidas em sete estrofes. o bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. 2. Associe os textos a seus autores: Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos (a) Carlos Drummond de Andrade. não perguntam nada. b Cecília Meirelles. (c) Vinícius de Moraes. homem atrás do bigode é sério, simples e forte. (c) "Pensem nas crianças Quase não conversa Mudas telepáticas Tem poucos, raros amigos Pensem nas meninas o homem atrás dos óculos e do bigode. Cegas inexatas (...) Meu Deus, por que me abandonaste Mas oh não se esqueçam se sabias que eu não era Deus Da rosa da rosa se sabias que eu era fraco. A rosa hereditária". Da rosa de Hiroxima Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo (a) "Alguns anos vivi em Itabira. seria uma rima, não seria uma solução. Principalmente nasci em Itabira. Mundo mundo vasto mundo, Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro". mais vasto é meu coração. (a) "No meio do caminho tinha uma pedra E assinale com um (X), entre as frases abaixo, as afir- tinha uma pedra no meio do caminho mações corretas sobre o texto anterior. tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma a) ( ) o autor do poema pertence à primeira geração do modernismo brasileiro. (b) "Eu canto porque o instante existe b) (X) autor do poema é Carlos Drummond de Andrade e a minha vida está completa. e caracteriza-se por apresentar em sua obra elementos líri- Não sou alegre nem sou triste: elementos do cotidiano e fatos autobiográficos. sou poeta".(c) "De repente do riso fez-se o pranto Eu não dei por esta mudança, Silencioso e branco como a bruma tão simples, tão certa, tão fácil: E das bocas unidas fez-se a espuma Em que espelho ficou perdida E das mãos espalmadas fez-se o espanto." a minha face? (a) "E agora, José? Assinale, entre as frases a seguir, as afirmações corre- tas sobre o texto lido. A festa acabou, a luz apagou, a) (X) Os principais temas do poema são a tristeza e a o povo sumiu, melancolia. a noite esfriou, b) (X) Podemos apresentar como temas do texto a tran- e agora, José?" sitoriedade das coisas e a fugacidade do tempo. c) ( ) Os principais temas do texto são o amor e o ero- 3. Leia o seguinte texto: tismo. d) ( ) poema pode ser caracterizado como religioso. Retrato e) o poema caracteriza-se por uma reflexão sobre a vida. Eu não tinha este rosto de hoje, f) ( ) Por suas características e temas, podemos dizer assim calmo, assim triste, assim magro, que o autor desse poema é Vinícius de Moraes. nem estes olhos tão vazios, g) (X) Por suas características e temas, podemos dizer nem o lábio amargo. que esse poema foi escrito por Cecília Meireles. h) ( ) Uma obra bastante conhecida que também foi Eu não tinha estas mãos sem força, escrita pelo autor do poema anterior é Livro de sonetos. tão paradas e frias e mortas; i) (X) Uma obra bastante conhecida que também foi eu não tinha este coração escrita pelo autor do poema anterior é Romanceiro da Inconfidência. que nem se mostra. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER 1. Mãos Dadas tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens [presentes, Não serei o poeta de um mundo caduco. a vida presente. Também não cantarei o mundo futuro. Nesse poema, Drummond Estou preso à vida e olho meus companheiros. a) ( ) critica o mundo caduco, o futuro e as mulheres. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. b) ( ) reflete sobre a matéria poética e define quais serão Entre eles, considero a enorme realidade. os temas de sua poesia. presente é tão grande, não nos afastemos. c) ( ) faz ironias sobre a fraternidade humana. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. d) ( ) propõe como tema a importância de se dar as mãos. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da 2. "Não faças versos sobre acontecimentos. [janela, Não há criação nem morte perante a poesia. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, Diante dela, a vida é um sol estático, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. Não aquece nem ilumina."Um dos principais temas da poesia de Drummond, pre- Sendo assim, podemos afirmar que eles foram escritos sente também nos versos anteriores, é: por a) ( ) a religião. b) ( ) a reflexão sobre o fazer poético. a) ( ) a apresentação da realidade a partir de elementos c) ( ) o momento político e social. instáveis, móveis, em função das emoções e dos senti- d) ( ) o amor. mentos Cecília Meireles. 3. "Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente b) ( ) a apresentação da realidade enfatizando os pro- [onda. blemas sociais decorrentes da exploração do homem - Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. Graciliano Ramos. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, c) ( ) a crença na vida após a morte e no amor eterno fiquei sem poder chorar, quando caí." Jorge de Lima. Nos versos anteriores, podemos identificar d) ( ) uma visão erotizada do mundo - Vinícius de Moraes. CHAVE DE RESPOSTAS 1. Mãos Dadas Um dos principais temas da poesia pre- sente também nos versos anteriores, é: Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. a) a religião. Estou preso à vida e olho meus companheiros. b) (X) a reflexão sobre o fazer poético. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. c) ( ) o momento político e social. Entre eles, considero a enorme realidade. d) ( ) o amor. presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 3. "Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da [onda. [janela, Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. fiquei sem poder chorar, quando tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens [presentes, Nos versos anteriores, podemos identificar a vida presente. Sendo assim, podemos afirmar que eles foram escritos Nesse poema, Drummond por a) ( ) critica o mundo caduco, o futuro e as mulheres. a) (X) a apresentação da realidade a partir de elementos b) (X) reflete sobre a matéria poética e define quais instáveis, móveis, em função das emoções e dos senti- serão os temas de sua poesia. mentos - Cecília Meireles. c) ( ) faz ironias sobre a fraternidade humana. b) ( ) a apresentação da realidade enfatizando os pro- d) ( ) propõe como tema a importância de se dar as mãos. blemas sociais decorrentes da exploração do homem Graciliano Ramos. 2. "Não faças versos sobre acontecimentos. c) ( ) a crença na vida após a morte e no amor eterno- Não há criação nem morte perante a poesia. Jorge de Lima. Diante dela, a vida é um sol estático, d) ( ) uma visão erotizada do mundo - Vinícius de Não aquece nem ilumina. Moraes.