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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série HistóriaENSINO MÉDIO HISTÓRIA SÉRIE AULA 8 o PRIMEIRO REINADO ATÉ A ABDICAÇÃO DE D. PEDRO A POLÍTICA INTERNA DO PRIMEIRO REINADO INTRODUÇÃO Todos os grupos que no reinado de D. Pedro aspiravam ao poder estavam ligados ao mesmo ideal, qual seja, o da manutenção do "status quo". Isto quer dizer que entre eles não havia diferenças no que diz respeito à ideologia. Eram todos elementos de uma mesma classe social, embora se dividissem em partidos diferentes. Isso, como veremos, reforçará as aspirações de D. Pedro, que saberá aproveitar-se da situação e impor-se autoritariamente. Destruída a Maçonaria, e uma vez que seus líderes haviam sido exilados do país, duas personagens apenas dis- putavam a conquista do poder total: D. Pedro, com pronunciamentos liberais, e José Bonifácio, que, como é sabido, luta- va pela supremacia do Ministério. A instalação da Constituinte Com a finalidade de elaborar a carta magna do país recém-independente, ou seja, a sua Constituição, instalou-se a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa, a 3 de maio de 1823. Catorze províncias fizeram-se representar nesse Congresso, através de padres, bacharéis, magistrados, militares, grandes senhores de terra, etc. Dentre os participantes, destacava-se Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, recebedor de amplo apoio político do ministro de D. Pedro, seu irmão José Bonifácio. É preciso salientar, agora, o parecer de D. Pedro face à instalação da Constituinte. Num de seus pronunciamen- tos, deixou bem claro que a Constituição deveria ser elaborada de modo que fosse merecedora de sua imperial aceitação. Reforçava suas palavras lembrando o que dissera no dia 1° de dezembro de ou seja, como Imperador Constitucional e muito especialmente como Defensor Perpétuo do Império, defenderia a Pátria, a Nação e a Constituição, desde que fossem dignas dele. Isso gerou um profundo mal-estar na Assembléia, pois tratava-se, eviden- temente, de uma atitude agressiva do Imperador. Portanto, desde o início pairava sobre a Assembléia a ameaça da dissolução. José Bonifácio, entretanto, apoiava inteiramente D. Pedro e concitava todos a que mantivessem a ordem, caso contrário, estaria reservado ao Brasil o mesmo destino trágico da América espanhola, ou seja, a guerra civil. Assim, José Bonifácio confirmava, mais uma vez, a sua condição de monarquista convicto. A partir do pronunciamento do a distância entre seus interesses e os da Assembléia cada vez mais se acentuava. Foi a Assembléia mesma que aprovou o projeto pelo qual ficavam dispensadas da aprovação imperial as leis que formulasse. Tal era a atitude tomada pela maioria, na Assembléia. o próprio Antônio Carlos aplaudira o projeto e, nesse ponto, conflitava com seus irmãos (José Bonifácio e Martim Francisco). Naturalmente, D. Pedro a princípio reprovou o projeto, mas afinal, cedeu, ordenando que fossem postas em vigor seis leis aprovadas pela Assembléia Constituinte: Essas leis regulamentavam situações já existentes há algum tempo e sua utilidade não poderia ser omitida. Dentre as leis citadas, destacam-se: a que anulava o alvará de 1818, o qual proibia as sociedades secretas; a que abolia o Conselho de Procuradores Gerais, bem como a lei que modificava o sistema administrativo das províncias, pas- sando as mesmas a ser governadas por presidentes nomeados pelo Imperador. Dentro da Assembléia se organizou uma Comissão especial, que deveria elaborar um anteprojeto consti- tucional. Compunham-na seis elementos, destacando-se entre eles Antônio Carlos, cujo parecer se revelou radical- mente oposto ao de seus demais colegas. Para ele, a Constituição que vinha sendo elaborada nada mais era senão uma adaptação das constituições espanhola e portuguesa. Seu protesto foi tão veemente que lhe deram a prioridade de elaborar, sozinho, um novo texto. Ao cabo de 15 dias, ele já o apresentava aos colegas, tendo esse projeto sido lido oficialmente no dia 1° de setembro de Tratava-se de trabalho baseado na experiência constitucionalista de Portugal e apoiava-se no pensamento político de BenjamimConstant, escritor que escrevera "Cours de Politique Constitutionelle" (Curso de Política Constitucional). Essa obra pregava uma constituição dotada de três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, de acordo com a tradição liberal-democrática. Todavia, um ponto era ressaltado e acarretava a esse tipo de Constituição uma feição diversa: o poder ministerial prevaleceria, no Executivo. Além disso, desde que fosse permitido ao rei nomear ou demitir Ministros de Estado, sua autonomia deveria ser total. projeto de Antônio Carlos ainda determinava que o voto seria censitário, mas não se baseando na renda da população em dinheiro; levar-se-ia em consideração o preço de um produto de consumo corrente no país: a mandioca. o voto seria indireto e, para um eleitor de paróquia ou de província, era exigido que desfrutasse de uma renda líquida anual correspondente à soma de 150, 250, 500 ou 1000 alqueires de mandioca. Até a data da dissolução da Constituição (novembro de 1823), o projeto em questão prosseguiu sendo discutido. A dissolução da Constituinte Devido a uma série de divergências com o Imperador, e principalmente porque se sentiram desprestigiados por ele, os irmãos Andradas demitiram-se dos cargos que até então vinham ocupando. Portanto D. Pedro livrara-se de uma tutela e poderia afinal lançar-se livremente ao absolutismo. Para isso, contaria com o apoio de portugueses, das tropas militares formadas por mercenários e da ala mais conservadora do país. Integrando a oposição, os Andradas passaram a atacar violentamente o governo de D. Pedro. Suas críticas eram impressas no "Tamoio", jornal fundado em 1823 e cujo nome provinha da tribo famosa que tão acirradamente repelira os portugueses. Logo depois, o "Tamoio" passou a contar com o apoio da "Sentinela da Liberdade à Beira Mar da Praia Grande", outro jornal oposicionista. Aos poucos a oposição vai se transformando em movimento tremendamente nativista. São tachados de traidores os componentes do Ministério que haviam forçado a incorporação de portugueses (prisioneiros na Bahia) ao exército brasileiro; levantam-se críticas severas em relação ao título de Marquês do Maranhão, oferecido a Lord Cochrane, pois a Assembléia não havia feito pronunciamento algum sobre a concessão de títulos e honrarias; etc. A situação apresentava-se bastante tensa, quando, nos começos de novembro, o "Tamoio" e o "Sentinela" pu- blicaram um artigo assinado por "Um brasileiro resoluto", atacando abertamente oficiais portugueses. Os oficiais portugueses reuniram-se em São Cristóvão, dispostos a apoiar o Imperador, que no dia seguinte encaminha mensagem à Assembléia, exigindo que se reparassem as ofensas dirigidas aos oficiais portugueses. D. Pedro tramava um golpe contra a Assembléia e ela o pressentiu, declarando-se em sessão permanente, idéia que partira de Antônio Carlos. Enquanto tropas se concentravam no campo da Aclamação, os deputados permaneciam reunidos por 27 horas (11 de novembro), na célebre Noite da Agonia. Contudo, isso de nada adiantou, pois, no dia 12 de novembro, D. Pedro ordenou que as tropas deixassem S. Cristóvão e cercassem o prédio da Assembléia, o que foi feito. Dispondo dessa garantia, o Imperador fechou a Assembléia Constituinte, sob a alegação de que a mesma havia faltado ao juramento que fizera, no sentido de defender a integridade e independência do Império e a sua dinastia. D. Pedro apressou-se em declarar que convocaria uma nova assembléia, cuidando para que fosse elaborada uma Constituição "duplicadamente liberal". A Constituição de 1824 D. Pedro nomeara um Conselho de Estado (10 membros, brasileiros natos), o qual teria a responsabilidade de auxiliá-lo na elaboração da Constituição. Os maçons, que haviam sido afastados, são chamados de volta e se apressam a colaborar com D. Pedro na política que ele queria pôr em prática. Isso, aliás, vem demonstrar mais um vez que não havia, naquele tempo, linhas ideológicas diversas entre os grupos políticos. Todo e qualquer excesso era temido pela classe dominante, para a qual seria válido lutar por um ideal, desde que o "status quo" não se alterasse. No Conselho de Estado criado pelo Imperador, destacavam-se: Carneiro de Campos, Mariano José Pereira da Fonseca e Maciel da Costa. No dia 11 de dezembro, concluíram seus trabalhos; o projeto foi enviado a todas as câmaras municipais, para que recebesse os votos devidos e as prováveis emendas. Entretanto, é certo que esse projeto foi imposto, pois muitas câmaras nem chegaram a pronunciar-se; raras foram as críticas feitas ao projeto. Assim, a 25 de março de a Constituição começou a vigorar, depois de haver sido jurada na Catedral do Rio de Janeiro. Essa Constituição era unitária e estabelecia um governo hereditário, imperial e representativo, que se assentava em quatro poderes políticos, a saber: Legislativo, Moderador, Executivo e Judiciário. poder Legislativo seria desempenhado pela Assembléia Geral, composta de duas Câmaras: a dos Deputados (eletiva 4 anos de mandato) e o Senado (vitalício). Moderador era, na verdade, o manipulador de toda a organiza- ção política. Exercia-o o Imperador, cujas principais atribuições se resumiam nas seguintes: nomeação de senadores;sanção das resoluções da Assembléia; convocação extraordinária da Assembléia Geral; dissolução da Câmara dos Deputados; etc. poder Executivo era chefiado pelo Imperador, que o colocava em ação através de seus ministros de Estado. Era-lhe facultado bispos, empregados civis e políticos, magistrados, comandantes da força de terra e mar, bem como embaixadores. Podia, também, elaborar tratados, declarar guerra e paz, conceder títulos e hon- rarias, bem como benefícios eclesiásticos, pois a religião católica era declarada a oficial do Império e a Igreja se achava sob tutela do Estado. o poder Judiciário era constituído por juízes e jurados. A Constituição de estabelecia eleições indiretas e censitárias e o voto não era secreto. Era um docu- mento que refletia as aspirações da sociedade agrária escravista, não lhe tendo sido feita nenhuma ressalva até ano em que deixou de vigorar. Tratava-se, em suma, de uma Constituição unitária, na qual o poder Moderador centrali- zava toda a estrutura política do país. A Confederação do Equador Causas Antes de irmos diretamente às causas do movimento, é preciso reportar-nos à época marcada pelo final da Insurreição Pernambucana de 1817, em que governava Pernambuco o general do Rego. Fora ele o responsável pela aplicação das sentenças contra os principais envolvidos no movimento de e, por isso, era ainda alvo de ódio por parte dos remanescentes adeptos da revolta (prisioneiros que haviam sido soltos). Na verdade, do Rego dava mostras de adesão ao mas as suspeitas contra ele não dimi- ao contrário, passou a ser alvo de atentados e ameaças por parte de uma Junta, formada em Goiana (cidade de Pernambuco). Essa Junta conseguiria, depois, que Luís do Rego deixasse a capitania e embarcasse para o Reino, jun- tamente com suas tropas. A Junta pôde, então, estabelecer-se no poder, tendo a Gervásio Pires Ferreira, que participara do movimento de 817. Contudo, a situação era de extrema insegurança e tensão, pois a junta per- manecia indecisa quanto à posição que deveria tomar: ou aderia às cortes liberais e constitucionais, submetendo-se a Portugal, ou aderia a D. Pedro, que prometia emancipação política à Colônia. Os acontecimentos precipitaram-se e, no dia 1° de junho de a Junta viu-se forçada a aderir a D. Pedro. Mas pouco depois foi deposta, tendo sido eleita uma Junta Provisória, cuja duração seria efêmera. Finalmente, em meio a grandes tumultos, elegeu-se um novo governo, em dezembro de chefiado por Manuel de Carvalho Pais de Andrade. Quando D. Pedro fechou a Assembléia Constituinte, houve nova ascensão do ideal republicano, do federalismo. Veja no mapa da figura 1, os núcleos revolucionários que compuseram a confederação do Equador de Campo Major AN Natal João Pessoa Goiana Olinda Recife Pau d'Alho ALAGOAS FIGURA 1 SERGIPE BAHIA OCEANO CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR 1824) MINAS GERAIS ESPIRITO Provincias a SANTO partir de Pernambuco Núcleos revolucionários RIO DE JANEIRO Forças de repressão Rio de Janeiro Ao próprio D. Pedro não agradou a eleição de Pais de Andrade para o cargo de presidente da província e, numa atitude despótica, ele nomeou para o cargo Francisco de Pais Barreto, que, não obstante houvesse participado da insur- reição de 1817, naquele momento era a favor da monarquia, apoiando D. Pedro.o desencadeamento da rebelião Eleito Pais Barreto em organizou-se representação dos eleitores para seguir do Imperador aprovação para a eleição de Pais de Andrade. Contudo, Pais Barreto obteve ajuda de alguns batalhões de linha, pois definia-se a favor de D. Pedro, e conseguiu aprisionar Pais de Andrade, que pouco depois foi recolocado no poder. Pode-se considerar que, neste momento, se iniciou a revolta conhecida por Confederação do Equador. D. Pedro enviou tropas ao Recife, para que forçassem a posse do presidente que nomeara. porto da cidade foi bloqueado, mas nada disso surtiu efeito. o Imperador procurou então ganhar tempo, nomeando um terceiro presidente (José Carlos Mairinck da Silva Ferrão), mas este, temeroso diante das ameaças que lhe dirigiam os partidários de Pais de Andrade, renunciou ao cargo. Em meio a tais acontecimentos, Pais de Andrade rompeu com o governo do Rio de Janeiro, proclamando a Confederação do Equador, cuja forma de governo seria a republicana. Provisoriamente, adotou-se a Constituição vigente na Colômbia. Em agosto, foi convocada uma Assembléia Constituinte, em Recife, contando com a adesão de outras províncias do Nordeste, para as quais haviam sido enviados emissários do movimento pernambucano. Estes conseguiram a adesão da Paraíba, cuja situação interna também era tensa, visto que as forças locais estavam dispostas a não acatar as ordens do presidente nomeado. Rio Grande do Norte aderiu de pronto ao movimento pernambucano e o fez por iniciativa de seu próprio presidente. Ceará também se uniu à Confederação, pois as tropas brasileiras aí instaladas se desgostaram profundamente com a notícia do fechamento da Assembléia Constituinte, no Rio de Janeiro. A repressão No Rio de Janeiro, o movimento pernambucano causou profunda apreensão. As garantias consti- tucionais foram suspensas em Pernambuco, e para essa província D. Pedro enviou cerca de homens, sob o comando do Brigadeiro Francisco de Lima e Silva. Todos os navios de guerra do Brasil foram encaminhados para o ato repressivo, formando uma divisão naval, cuja chefia foi entregue a Lord Cochrane. Ao mesmo tempo que Recife estava sendo bloqueada, Lima e Silva invadia a capitania pernambucana por terra, tendo recebido apoio das forças de Pais Barreto. A 17 de setembro de Recife e Olinda renderam-se. Os principais líderes do movimento fugiram, inclusive Pais de Andrade, rumo ao exterior; os demais adeptos, contando-se também os de outras provin- cias, embrenharam-se pelo interior e ainda tentaram resistir. Contudo, acabaram se rendendo no sul do Ceará. A punição se fez cruel. A Comissão Militar incumbida de pô-la em prática executou 8 implicados, sendo três no Rio de Janeiro e cinco no Ceará. A ordem era "extinguir todos os homens a que se chamavam republicanos". A política exterior no Primeiro Reinado Até o ano de 825, o Uruguai (Cisplatina) permanecia incorporado ao Brasil como Província federada do Império Brasileiro, mantendo suas leis anteriores, a língua, os costumes, a antiga forma de tributação, etc. Isso, naturalmente, consti- tuía-se em forte barreira para um perfeito entrosamento entre a província anexada e o Brasil, países de culturas diversas. o domínio sobre a região se fizera através das armas, e, inegavelmente, o Brasil Imperial se afigurava ameaçador para seus vizinhos da América. Na ocasião, era a única monarquia entre as colônias americanas. Tratava-se, por assim dizer, de um ponto de identificação com a Santa Aliança e o absolutismo europeu e isso significava oposição, em relação à independência das colônias da América. Esses fatores fizeram com que os uruguaios ambicionassem sua emancipação. Assim, em abril de 1 825, Juán Antônio Lavalleja, uruguaio em terras argentinas, conseguiu apoio de Frutuoso Rivera e reuniu, a princípio, 32 patriotas dese- josos de libertar o Uruguai do domínio brasileiro. A embarcação que conduzia os patriotas, depois bem mais numerosos, ancorou na margem esquerda do Rio Uruguai e, na localidade de Flórida, organizou-se um governo provisório e uma Assembléia Constituinte. A Banda Oriental (Uruguai) foi anexada às Províncias Unidas do Prata (República Argentina). Forças brasileiras tentaram derrotar o movimento e chegaram mesmo a obter vitórias e Sarandi), mas as tropas de Rivera e Lavalleja levaram a melhor. A comunicação da anexação do Uruguai às Províncias Unidas do Prata foi feita oficialmente ao Brasil a 4 de novembro de 1825, pelo governo de Buenos Aires. A resposta de D. Pedro foi a declaração de guerra e o bloqueio do porto de Buenos Aires. Era a primeira atitude bélica do Brasil, após a independência. Durante esses acontecimentos, muitos piratas atacaram as costas brasileiras, prejudicando enormemente a nossa navegação de cabotagem. A esquadra argentina foi derrotada pela brasileira, que então era comandada por Rodrigo Pinto Guedes, após o bloqueio do Rio da Prata. Entretanto, as operações militares eram lentas e bastante indecisas, razão pela qual o Imperador foi até Porto Alegre (fins de tentando com sua presença motivar alguma tomada de atitude que deci- disse o conflito. Internamente, não contava com apoio; a oposição à guerra era crescente em todo o país. Contudo, sua estada no Rio Grande do Sul de nada adiantou e, nessa sua atitude mais importante foi a destituição do general Carlos Frederico Lecor, colocando no comando geral da guerra o Marquês de Barbacena, marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes. panorama da guerra apresentava-a estagnada e, quando uma alteração ocorreu, esta foi em prejuízo das expe- dições brasileiras. De fato, no dia 1° de fevereiro de 1827, a armada platina derrotou a brasileira, na batalha naval de Juncal, pequena ilha entre os rios Uruguai e da Prata. A seguir, o Rio Grande do Sul foi invadido, tendo-nos sido imposta a derrotade Passo do Rosário. Novo fracasso se verificaria com a expedição enviada à Patagônia, comandada pelo capitão inglês Shepperd, então servindo ao Brasil. Nossa situação naval era periclitante, mas a guerra também castigava nossos adversários. Ambos os países vinham sofrendo sérias perdas, tanto de ordem material como de homens, sem contar o agravamento da situação financeira. Além do mais esses combates prejudicavam os interesses comerciais ingleses. A Inglaterra estava particularmente interessada na monarquia brasileira e esse interesse se fortaleceu diante da ameaça da implantação do regime republicano no Brasil. Assim, a própria Inglaterra patrocinou as negociações de paz entre as nações em guerra, tendo sido assinado um tratado entre Argentina e Brasil no dia 2 de agosto de Esse acordo reconhecia a República Oriental do Uruguai e, inclusive, garantia a liberdade de navegação no Rio da Prata. A guerra deixou um saldo de cerca de 8 mil mortes, prejuízos materiais de grande soma e serviu para impopu- larizar ainda mais o Imperador, cujo prestígio já se achava abalado desde a dissolução da Assembléia Constituinte. A assinatura do tratado de paz foi, por conseguinte, uma atitude mais acertada, uma vez que, na realidade, o Uruguai jamais foi uma província do Brasil; não passou de território simplesmente ocupado por forças imperiais brasileiras. A abdicação de D. Pedro Vários foram os motivos sobre os quais se alicerçou a impopularidade do Imperador, e um deles foi a questão dinástica portuguesa. Ocorre que, tendo falecido D. João VI, em março de D. Pedro fora proclamado seu suces- sor, como rei de Portugal. No entanto, preferiu aqui permanecer, renunciando ao trono em benefício de sua filha, D. Maria da Glória, que na ocasião contava com apenas sete anos de idade (futura D. Maria II). Imperador planejava realizar o casamento da mesma com seu irmão, D. Miguel; este governaria o Reino na qualidade de regente, até que a princesa completasse a idade exigida para o exercício do poder. Todavia, D. Miguel conseguiu apoderar-se do trono, estabelecendo em Portugal um regime despótico (1 828), e os planos de D. Pedro foram frustrados; a hipótese do casamento de sua filha foi definitivamente afastada. No Brasil, D. Pedro acolheu os liberais que haviam fugido de Portugal, evidenciando sempre profundo interesse pelo problema dinástico do Reino e fazendo crescer as prevenções contra ele, particularmente dos elementos nativistas. Outrossim, sua esposa, D. Leopoldina, morrera em meio a grande escândalo, em que a pessoa do Imperador era ligada sentimentalmente à de D. Domitília de Castro, a Marquesa de Santos, fato que muito o desprestigiara no seio da população. Tudo favorecia um nativismo exacerbado e fazia com que as idéias liberais se propagassem; a oposição crescia, clamava por reformas, exigia um controle sobre os atos de D. Pedro. Em 830, cerca de 42 jornais brasileiros seguiam uma linha radicalmente liberal (existiam mais ou menos 54, nessa época), sem mencionar outros jornais, que somente circulavam vez ou outra atacando a figura do Imperador e exigindo reformas imediatas. Dos jornais regulares, cumpre destacar o "Aurora Fluminense" de Evaristo da Veiga; a "Malagueta", reaberto em 1828 e cujo redator era Luís Augusto May. Os liberais se uniram ainda mais, quando começou a tornar-se pública a existência de uma sociedade secreta, denominada "Colunas do Trono", cuja liderança se atribuía a José Clemente Pereira. Pretendia essa sociedade secreta colaborar no golpe absolutista que estaria tramando o Imperador. Em oposição a ela, surgiu a "Jardineira", sociedade que pretendia combater o absolutismo, sediada no Rio, com ramificações nas várias províncias. Da França chegaram notícias animadoras para os liberais: o reacionário Carlos X fora vencido, após uma re- volução, liberal (1 830) e com ele caíra o absolutismo, naquele país. Apoiando-se nessas notícias, os liberais se movi- mentavam. São Paulo; Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Maranhão estavam em efervescência. Os revolucionários franceses eram aplaudidos e, nessa atitude, havia enorme carga de oposição e hostilidade ao Imperador. Das manifestações liberais decorreram muitas prisões, particularmente em São Paulo, onde a imprensa também se colocou a favor da revolução liberal francesa, através de um de seus principais porta-vozes, jornal "Observador Constitucional". jornalista Líbero Badaró, um de seus redatores, seria assassinado em meio às manifestações. Vendo seu prestígio popular tão abalado, e temeroso de que a situação se agravasse ainda mais, no próprio ano de D. Pedro empreendeu uma viagem à província de Minas Gerais, onde esperava pacificar os ânimos. Acompanhou-o sua segunda esposa, D. Amélia de Leuchtenberg, com quem se casara por procuração em Munique, a 9 de agosto de 1 829. A recepção que lhe deram ao chegar a Ouro Preto foi das mais inexpressivas. Mesmo assim, fez uma proclamação contra a propaganda da federação e a liberdade de imprensa, acentuando que "existia um partido desorganizador, que, aproveitando-se das circunstâncias puramente peculiares à França, pretendia iludir os brasileiros com invectivas contra a sua inviolável e sagrada pessoa e contra o governo...". Não escondia ser adepto da idéia de uma nação una e indivisível, desde que fosse em favor da centralização autocrática. De nada adiantaram suas palavras; os exaltados estavam mesmo dispostos a modificar as instituições e até os monarquistas se filiaram aos antiabsolutistas, já que estes eram cada vez mais numerosos e fortes. Retornando ao Rio de Janeiro (março de 1831), aguardavam o Imperador muitas manifestações de agrado, bem como homenagens, por parte de portugueses que haviam emigrado de Portugal, após a tomada do poder por D. Miguel. Esses adeptos de D. Pedro, chamados "adotivos" tinham por hábito organizar iluminações e fogueiras noturnas, as quaispassaram a ser destruídas pelos exaltados. Tais fatos gerariam grande conflito, em que os dois grupos se atacariam com gar- rafas vazias, cacos e pedras, durante três noites consecutivas, as "noites das garrafadas" (12, 13 e 14 de março de 1831). Cresciam as manifestações nativistas e o movimento foi conquistando mais seguidores. Por fim, a tensão tornou-se geral, de tal sorte que até às tropas se procurava levar a causa liberal. Procurando amenizar a difícil situação, D. Pedro procedeu à nomeação de novo ministério (20 de março de 1831), do qual faziam parte exclusivamente brasileiros natos. Era uma forma de contornar as dificuldades mais imediatas. Contudo, a 5 de abril o próprio D. Pedro demitiria esse ministério, sob a alegação de que os ministros nada faziam no sentido de reprimir os movimentos de rebeldia. Em seguida, nomeou um novo ministério, composto exclusivamente por seus protegidos, conhecido como "ministério dos marqueses". Era o início da insurreição. Mais de 2000 pessoas se aglomeraram no Campo da Aclamação, inclusive boa parte das tropas do Rio, e, instigadas por Evaristo da Veiga, Odorico Mendes e Borges da Fonseca, exigiam a demissão do "ministério dos marqueses". o brigadeiro Francisco de Lima e Silva, que chefiava as tropas ali estabelecidas, fez-se representar diante do Imperador por juízes de paz, solicitando o retorno do gabinete demitido, mas nada conseguiu. D. Pedro não estava disposto a ceder, ale- gando que agia conforme a Constituição, documento que lhe conferia o direito de e demitir ministros. Nesse momento, as tropas já se haviam identificado inteiramente com o povo, no comício do Campo de Santana, inclu- sive o "Batalhão do Imperador". Assim, não dispondo de apoio de qualquer espécie, e, mais importante, sem poder contar com seu batalhão, D. Pedro entregou ao Major Miguel Frias, às 2 horas da madrugada de 7 de abril de 831, a sua abdicação na pessoa de seu filho, D. Pedro de Alcântara, que contava com 5 anos apenas. Na mesma data, nomeou para tutor do mesmo José Bonifácio de Andrada e Silva. Em seguida, juntamente com sua esposa e a filha, embarcou na "Warspite", nau inglesa, ficando por 4 dias; depois, na fragata "Volage", rumou para a Europa, a 13 de abril de 1831. A abdicação foi a elevação definitiva da aristocracia rural ao poder e a consolidação da independência. Mas nem o povo nem os militares iriam desfrutar dos benefícios da jornada que empreenderam, que será, nas palavras do liberal Teófilo Otoni, a "journée des dupes" (jornada dos logrados). De fato, agora que D. Pedro havia abdicado aos exaltados cabia decidir-se ou pela revolução ou pela manutenção das estruturas e, como classe dominante, desejosa de manter sua posição, eles vão optar pelo conservantismo, como será visto. D. Pedro ao abdicar o trono imperial, deixou como herdeiro seu filho: D. Pedro de Alcântara. Vocabulário Alvará: Documento passado por autoridades judiciárias ou administrativas a favor de alguém, aprovando ou autorizando determinados atos ou direitos. Anteprojeto: Risco; esboço de projeto. Autocracia: Governo de um com poderes ilimitados e absolutos. Concitar: Incitar, estimular, mover. Contemporizadora: Que dá tempo a; que condescende. Cruento: Em que há muito sangue. Despótico: opressivo Efervescência: Grande comoção; abalo; agitação. Entrave: impedimento. Estagnar: Parar, paralisar Exacerbado: Irritado; agravado. Extinguir: dar fim, por fim. Galés: Trabalhos forçados, executados por presos com correntes nos pés. Galeria: Tribuna para o público em certos edifícios. Invectiva: Insulto; injúria. Legalistas: Pessoas que lutam pelo respeito às leis ou pelo governo legal. Mercenários: Que trabalha sem outro interesse que não a paga, interesseiro. Milícia: Força militar. Percalço: Transtorno; dificuldade. Periclitante: Que corre perigo. Preconizar: Propalar; difundir. Questionar: Discutir; controverte. Ratificar: confirmar autenticamente, validar, comprovar. Remanescente: Restante; o que sobrou. Resolutivo: Que resolve, soluciona. Status quo: o estado em que se acha certa questão; a ordem vigente. Supressão: Eliminação; corte; omissão. Tutoria: Cargo ou autoridade de tutor, ou seja, indivíduo legalmente incumbido de zelar por alguém. Vitalício: Que dura toda a vida.EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Associe os quatro (4) poderes políticos existentes com estão corretas, outras, erradas. Indique as corretas com a elaboração da Constituição de contidos na (C) e as erradas com (E). Justifique as erradas. primeira coluna, com os respectivos membros que repre- sentavam cada poder relacionados na segunda coluna. a) A Constituição de favoreceu a eliminação da representação popular, restringindo sua participação na Moderador política. (2) Executivo (3) Legislativo b) Os descontentamentos gerados com a Constituição (4) Judiciário de foram manifestados em Pernambuco, onde reinava um clima revolucionário favorável ao ideal republi- ( poder constituído por juízes e jurados. cano, ao federalismo e à abolição da escravidão. ( poder exclusivo do imperador que governava com c) A substituição da junta democrática e indepen- poderes ilimitados. dente que governava a província de Pernambuco, foi (3) poder representado pela câmara dos deputados e substituída por outra conservadora, desencadeando a senado. Confederação do Equador. (2) era o poder exercido pelo imperador junto aos minis- tros de Estado. d) A nomeação de uma nova junta não foi aceita pela população que exigia a permanência do antigo gover- 2. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algumas Pais de Andrade no poder. são outras, falsas. Indique as verdadeiras e) (E) A 2 de julho de 1824, Pais de Andrade proclamava com (V) e as falsas com (F). a Confederação do Equador, levando outras províncias do norte e sudeste a aderirem ao movimento. a) (V) A noite que antecedeu o fechamento da Assembléia Comentário: Está errada. As províncias do norte e Constituinte de 1823 ficou conhecida como a "noite da ago- nordeste como Rio Grande do Norte, e Pernambuco nia". b) (V) o sistema eleitoral adotado pela elite brasileira (aris- é que aderiram ao movimento. tocracia agrária) determinava eleições indiretas, baseada no voto censitário. f) A Confederação do Equador teve curta duração c) (F) império brasileiro, criado em 1822, era um império porque foi severamente reprimida pelas tropas brasileiras escravista, bem de acordo com os interesses das camadas comandadas pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva. populares. g) A política exterior no primeiro reinado foi marcada Comentário: Está errada. o império brasileiro, criado em pela guerra entre Uruguai, Argentina e Brasil, onde após 822, era um império escravista, bem como os interesses a assinatura de um Tratado entre Brasil e Argentina da aristocracia agrária. mediado pela Inglaterra, reconhecia a independência da 3. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algumas República Oriental do Uruguai. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER Marque com um (X), a única alternativa correta para os b) ( ) a "Constituição de testes abaixo. c) ( ) a "Constituição do Ato Adicional" de 1834. d) ) a "Constituição da Lei Interpretativa do Ato 1. anteprojeto constitucional de 823 que estabelecia Adicional". o voto censitário ficou conhecido como a) ( ) a "Constituição da Mandioca". 2. A primeira Constituição do Império é datada de 1824.Esta Constituição estabelecia a formação de 4. A primeira medida tomada por D. Pedro ao fechar a Assembléia Constituinte foi a) ( ) um único poder, o moderador. b) ( ) dois poderes: o executivo e o legislativo. a) ( ) nomear um Conselho de Estado onde não seria c) ( ) três poderes: o executivo, o legislativo e o judiciário. permitido a participação dos máçons. d) ( ) quatro poderes: o moderador, o executivo, o legis- b) ( ) a manutenção do voto censitário. lativo e o judiciário. c) ( ) nomear um Conselho de Estado composto por dez membros para elaborar uma nova constituição. d) ( ) elaborar uma nova constituição prevendo a existên- 3. A impopularidade do imperador, o fechamento da cia de três poderes; executivo, legislativo e judiciário. Assembléia Constituinte de 823 e a repressão ao movi- mento da Confederação do Equador, em levaram 5. Os conflitos gerados entre grupos de brasileiros e o regente D. Pedro portugueses desencadearam na província de Minas Gerais uma grande manifestação. Brasileiros irritados a) ( ) a assumir o trono imperial governando com amplos com as honrarias dispensadas ao imperador, entraram poderes. em choque com os portugueses. Esse episódio ficou b) ( ) a deixar o trono imperial à favor do seu pai, D. João conhecido historicamente como VI. c) ( ) a abdicar ao trono imperial deixando como herdeiro, a) ) a "noite da agonia". D. Pedro de Alcântara. b) ( ) a "noite das garrafadas". d) ( ) a assumir o trono imperial governando com poderes c) ( ) a "questão da Cisplatina". limitados. d) ) a "Confederação do Equador". CHAVE DE RESPOSTAS 1. herdeiro do trono brasileiro foi seu filho, D. Pedro a) (X) a "Constituição da Mandioca". de Alcântara que naquela época contava com apenas Comentário: anteprojeto constitucional de 1823 que 5 anos de idade. estabelecia o voto censitário ficou conhecido como a "Constituição da Mandioca" voto censitário estabe- 4. lecia o voto por renda, que naquela época era estipulada c) (X) nomear um Conselho de Estado composto por dez pela quantidade de alqueires de mandioca. membros para elaborar uma nova constituição. Comentário: D. Pedro ao elaborar uma nova 2. Constituição, a de 1824 previa a nomeação do Conselho de d) (X) quatro poderes: o moderador, o executivo, o legis- Estado para auxiliá-lo na elaboração do texto constitucional. lativo e o judiciário. A Constituição de 1824 estabelecia um governo hereditário, imperial e representativo e a existência dos 4 Comentário: A Constituição de estabelecia a for- poderes. mação de quatro poderes: o moderador, o executivo, o judiciário e o legislativo. poder moderador era 5. exclusivo do imperador que governava com poderes b) (X) a "noite das garrafadas". ilimitados. Comentário: As divergências políticas e ideológicas entre grupos de brasileiros e portugueses, desen- 3. cadearam um grande conflito. Os brasileiros atacavam c) (X) a abdicar ao trono imperial deixando como herdeiro, veementemente a figura do imperador, enquanto que D. Pedro de Alcântara. os portugueses, apoiavam-no. Comentário: A impopularidade do imperador D. A "noite das garrafadas" foi o acontecimento que marcou as Pedro deve-se a todos esses fatores citados na divergências entre os dois grupos: brasileiros e portugueses questão. D. Pedro diante desses acontecimentos foi que se confrontaram com garrafas vazias, cacos e pedras, pressionado a renunciar ou abdicar ao trono imperial. nas ruas de Ouro Preto, por três noites consecutivas.