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Pró-Reitoria Acadêmica Escola de Saúde e Medicina Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia INTERNAÇÃO DOMICILIAR: PERFIL DOS IDOSOS ATENDIDOS DE 2006 A 2016 – GAMA – DF, BRASIL. Autora: Angelita Giovana Caldeira Orientadora: Profª Drª Maria Liz Cunha de Oliveira Brasília – DF 2017 ANGELITA GIOVANA CALDEIRA INTERNAÇÃO DOMICILIAR: PERFIL DOS IDOSOS ATENDIDOS DE 2006 A 2016 – GAMA – DF, BRASIL. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do Título de Mestre em Gerontologia. Orientadora: Profª Drª Maria Liz Cunha de Oliveira Brasília 2017 Ficha elaborada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Católica de Brasília (SIBI/UCB) Bibliotecária Joanita Pereira Basto CRB1/2.430 C146i Caldeira, Angelita Giovana. Internação domiciliar: perfil dos idosos atendidos de 2006 a 2016: Gama-DF, Brasil / Angelita Giovana Caldeira. – 2017. 65 f. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2017. Orientação: Prof. Dr. Maria Liz Cunha de Oliveira. 1. Serviços de assistência domiciliar. 2. Idosos. 3. Gama (DF). I. Oliveira, Maria Liz Cunha de. II. Título. CDU 613.98(817.4) AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a meus pais, Wilson e Celena Caldeira e a minha querida amiga Maria Raimunda pelo incentivo e amparo nas horas difíceis ao longo do caminho. A orientadora Maria Liz pelo empenho e dedicação para elaboração deste e ao meu chefe – coordenador Wender Antônio de Oliveira pelo apoio e ajuda neste período. As queridas Jéssica e Joyce dos Reis assim como Erlayne Camapum, pela generosidade na contribuição para o alcance do meu objetivo. Não podendo deixar de mencionar o primeiro incentivador para a realização do curso, meu estimado primo Antônio Marmoro que com sua esposa Regiane Caldeira que me encorajaram a iniciar e evoluir neste novo degrau da minha vida profissional. “Tudo que é bom dura o tempo necessário para se tornar inesquecível” (Fernando Pessoa) RESUMO CALDEIRA, Angelita Giovana. Internação Domiciliar: Perfil dos idosos atendidos de 2006 a 2016 – Gama – DF, Brasil. 2017. 65 f. Dissertação de Mestrado Gerontologia – Universidade Católica de Brasília, Brasília – DF, 2017. O atendimento domiciliar da população no Distrito Federal (DF) é realizado nos dias atuais pelos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (NRAD’s), situados nas sete regiões de saúde do DF, os quais realizam a assistência de todas as faixas etárias, incluindo a população em estudo – os idosos. O atendimento ocorre através de uma equipe multiprofissional, tendo o enfermeiro papel importante no programa. O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil dos idosos atendidos pelo Programa de Internação Domiciliar (PID) do Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (NRAD) da região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. Trata-se de um estudo longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa com dados dos prontuários dos pacientes idosos admitidos/atendidos no programa. Como resultado encontrou-se que a população usuária deste serviço, é em sua maioria do sexo feminino (50,6%), casada (52,5%), aposentada (68,8%), cor parda (57,5%) e a faixa etária mais prevalente é a de idosos com idade mais avançada, ou seja, entre 80 a 89 anos (31,2%). A religião católica foi a mais dominante (56,9%), assim como, a naturalidade proveniente da região nordeste (62,5%). O conhecimento do programa foi através do hospital (78,8%). Os motivos da internação mais evidentes no programa foram as neoplasias (43,7%), seguidas do Acidente Vascular Encefálico – AVE (22,5%), com tempo de internação prevalente maior que 180 dias (44,3%). Como doenças associadas à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) foram as mais encontradas (56,2% e 25,0%). Os procedimentos mais desenvolvidos pela Enfermagem foram a verificação dos sinais vitais (99,3%), oximetria (88,1%), monitorização da glicemia capilar (65,6%), seguidos de curativo (37,5%), punção venosa (36,8%) e sonda nasoentérica, vesical de alívio e demora ( 15,0%, 13,1% e 8,1%). No momento da admissão, a principal classe medicamentosa em utilização foi a de anti-hipertensivos (51,8%) e 81 pacientes (50,6%) faziam uso de 5 ou mais medicamentos. Concluindo, a internação domiciliar é de suma importância ao idoso acometido por patologias, onde conhecer o paciente atendido auxilia no seu melhor acompanhamento, além da realização de cuidados que buscam alcançar o bem estar do paciente em questão. PALAVRAS CHAVE: Idoso, Enfermagem, Atenção Domiciliar. ABSTRACT Home care of the population in the Federal District (DF) is carried out nowadays by the Regional Centers for Home Care (NRAD's), located in the seven health regions of the Federal District, which provide care for all age groups, including the population in study - the elderly. The care takes place through a multiprofessional team, having the nurse important role in the program. The objective of this research was to describe the profile of the elderly assisted by the Home Care Program (PID) of the Regional Nucleus of Home Care (NRAD) of the South - Gama - DF health region from 2006 to 2016. This is a longitudinal study, descriptive, exploratory, quantitative approach with data from the medical records of the elderly patients admitted to the program. As a result, it was found that the female population (50.6%), married (52.5%), retired (68.8%), brown (57.5%), and the most prevalent age group is elderly people, that is, between 80 and 89 years (31.2%). The Catholic religion was the most dominant (56.9%), as well as the naturalness of the northeastern region (62.5%). The knowledge of the program was through the hospital (78.8%). The most evident reasons for hospitalization were neoplasias (43.7%), followed by Stroke (22.5) with prevalence longer than 180 days (44.3%). As diseases associated with Systemic Arterial Hypertension (SAH) and Diabetes Mellitus (DM) were the most frequent (56.2% and 25.0%). The most developed procedures were the verification of vital signs (99.3%), oximetry (88.1%), monitoring of capillary glycemia (65.6%), followed by dressing (37.5%), venous puncture (36.8%) and nasoenteric catheter, bladder of relief and delay (15.0%, 13.1% and 8.1%). At the time of admission, the main drug class in use was antihypertensive (51.8%) and 81 patients (50.6%) used 5 or more drugs. In conclusion, home hospitalization is of utmost importance to the elderly person affected by pathologies, where knowing the patient attended assists in their better follow-up, in addition to performing care that seeks to achieve the well-being of the patient in question. KEY WORDS: Elderly, Nursing, Home Care LISTA DE TABELAS ARTIGO Tabela 1. Variáveis Sociodemográficas (sexo, faixa etária, cor de pele, estado civil, religião, naturalidade, profissão) relacionadas aos 160 pacientes atendidos pelo PID do NRAD em domicílio. Gama - DF, Brasil - 2017. Tabela 2. Dados referentes ao conhecimento do NRAD, diagnóstico de admissão e tempo de permanência no programa de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. Tabela 3. Dados referentes a outras doenças apresentadas pelos pacientes pesquisados no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. Tabela 4. Procedimentos realizados pela Equipe de Enfermagem nos pacientes admitidos no NRAD de2006 a 2016. Gama - DF, 2017. Tabela 5. Classe medicamentosa e número de medicamentos utilizados pelo público pesquisado de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. LISTA DE ABREVIATURAS ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária AVC Acidente Vascular Cerebral AVD Atividades da Vida Diária CODEPLAN Companhia de Planejamento do Distrito Federal COIND Coordenação de Internação Domiciliar CS Centro de Saúde DA Doença de Alzheimer DANT Doenças e Agravos Crônicos Não-Transmissíveis DCNT’s Doenças Crônicas Não-Transmissíveis DF Distrito federal DODF Diário Oficial do Distrito Federal EUA Estados Unidos da América FSESP Fundação Serviço Especial de Saúde Pública GEAD Gerência de Atenção Domiciliar IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ILPI Instituição de Longa Permanência para Idosos NRAD Núcleo Regional de Atenção Domiciliar NRAD’s Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar OMS Organização Mundial da Saúde ONU Organização das Nações Unidas PACS Programa de Agentes Comunitários de Saúde PID Programa de Internação Domiciliar PNI Política Nacional do Idoso PSF Programa de Saúde da Família RA Região Administrativa RAS Rede de Atenção á Saúde RDC Resolução da Diretoria Colegiada SAMDU Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência SAMED Serviço de Assistência Multiprofissional em Domicílio SAMU Serviço Atendimento Móvel de Urgência SAS/MS Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde SES Secretaria de Estado de Saúde SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 CAPITULO I .............................................................................................................. 14 1 REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................ 14 1.1 ENVELHECIMENTO NO MUNDO E NO BRASIL ............................................. 14 1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PESSOA IDOSA ........................................... 18 1.2.1 Constituição da República Federativa do Brasil e os direitos dos idosos .. 20 1.2.2 Política Nacional do Idoso ......................................................................... 21 1.2.3 Estatuto do Idoso ....................................................................................... 22 1.3 VULNERABILIDADE DO IDOSO ...................................................................... 23 1.4 DOENÇAS PREVALENTES NO IDOSO .......................................................... 25 1.5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR ............................. 28 1.7 O IDOSO NO CONTEXTO FAMILIAR .............................................................. 30 1.8 IDOSO NO DISTRITO FEDERAL ..................................................................... 34 1.9 EVOLUÇÃO DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR NO DISTRITO FEDERAL ......... 35 1.10 PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DISTRITO FEDERAL ...... 36 1.11 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO, EXCLUSÃO, ALTA E EQUIPES PARTICIPANTES DO NRAD SEGUNDO O PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DF, 2016. .................................................................................... 37 1.11.1 Critérios de inclusão no programa: .......................................................... 37 1.11.2 Critérios de exclusão do programa: ...................................................................... 38 1.11.3 Critérios para saída/alta do programa: ..................................................... 39 1.12.4 Composição ideal das equipes participantes do programa: ..................... 39 2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 41 2.1. OBJETIVO GERAL .......................................................................................... 41 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................... 41 CAPITULO II ............................................................................................................. 42 3. ARTIGO ................................................................................................................ 42 REFERÊNCIAS DISSERTAÇÃO .............................................................................. 59 APÊNDICE A ............................................................................................................ 64 11 1 INTRODUÇÃO Ao se descrever sobre atenção domiciliar (AD) se faz necessário inicialmente o conhecimento acerca do termo, visto ser este originário do inglês Home Care e traduzido como o “Cuidado Domiciliar” (MENDES, 2001). Ela engloba várias ações como a promoção, manutenção e restauração da saúde, desenvolvidas por vários profissionais, ou seja, equipe multiprofissional em ambiente domiciliar (LACERDA, 2006). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) coloca a atenção domiciliar como sendo termo genérico envolvendo ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio (BRASIL, 2006), onde o Distrito Federal passou a utilizar a internação e assistência domiciliar como atos realizados na Atenção Domiciliar. A AD foi redefinida em 2016 através da portaria 825, sendo considerada categoria de atenção à saúde agregada às Rede de Atenção à Saúde (RAS), atuando através de ações de prevenção e tratamento de enfermidades, assim como reabilitação, cuidado paliativo e promoção à saúde, sendo as ações realizadas em domicílio, garantindo continuidade de cuidados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). Dividida em 3 modalidades - AD 1, AD 2 e AD 3 - para facilitar a identificação do perfil do paciente, planejamento e gerenciamento dos profissionais envolvidos e materiais, a AD 1 refere-se ao usuário que, tendo indicativo de AD, necessita de cuidados com pouca frequência e necessidade de intervenções multiprofissionais, sendo os cuidados de responsabilidade das equipes de atenção básica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). Fazendo parte do AD 2 está o paciente com enfermidade aguda ou crônica agudizadas, que precisam de cuidados intensificados e sequenciais, como tratamentos parenterais ou reabilitação; afecções crônico-degenerativas, que necessite de atendimento no mínimo semanal; cuidados paliativos com acompanhamento pelo menos semanal para controle da dor e sofrimento e por fim bebês com baixo peso e prematuridade com necessidade de ganho ponderal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016) _________________________________________ Cuidado paliativo: tratamento que leva a qualidade de vida tanto ao paciente como a seus familiares, sendo aqueles acometidos por patologias que ameaçam a continuação da vida, através de atos que previnam ou aliviam o sofrimento, como o tratamento da dor ou outras adversidades de essência física, psicossocial e espiritual (O.M.S, 2002) 12 Na modalidade AD 3 estão as situações encontradas na modalidade AD 2, com necessidade de cuidado multiprofissional mais frequente, com equipamentos e procedimentos de maior complexidade, assim como acompanhamento domiciliar por períodos maiores (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). Os pacientes atendidos nesta modalidade de serviço, são aqueles com quadros mais graves, necessitando de cuidados mais complexos, com utilização de tecnologia, ou seja, materiais e técnicas indo além da assistência da atenção primária. Esta assistência deve disponibilizar equipamentos, medicamentos, acompanhamento adequado além de apoio da área hospitalar e pré-hospitalar – Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), para atendimento de intercorrências podendo ocorrer fora do período de atendimento. É considerável lembrar que a internação domiciliar não substitui a internação hospitalar (BARROS, 2012). A implantaçãodo programa tem por justificativa a crise no âmbito hospitalar, onde ocorre a busca pela resolutiva dos problemas agudos e assistência de acordo com a demanda. Assim, acaba-se por necessitar da melhora dos recursos de saúde, aumento no número de leitos, diminuição de custos, com a mudança no perfil da população. Deste modo, com o aumento da expectativa de vida passou-se a ter uma população cada vez mais idosa e em consequência, o aumento das doenças crônico não transmissíveis (DCNT), necessitando do fortalecimento dos princípios legais e fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) (LACERDA et al., 2006). Essas doenças, além de deixarem sequelas, levam a mortalidade, tendo no Brasil, no ano de 2013, 72,6% dos óbitos causados pelas DCNT (SIM 2015), ocorrendo a lentidão da redução destas taxas, exatamente por se ter o envelhecimento da população com o surgimento de outros influentes como o diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, câncer e outras mais. Com relação a mortalidade hospitalar, dados de fevereiro de 2014, trazem os problemas crônicos, como a maior taxa de mortalidade em relação a outras especialidades – 30,49% (BÔAS, 2014). O atendimento em domicílio oferece ao paciente uma melhor qualidade de vida, sendo mais tranquilo se comparado ao atendimento hospitalar, com menor risco de infecção, além da redução do número de reinternações dos pacientes participantes do programa (SILVA et al., 2005). Na atenção domiciliar, é importante considerar todos os objetivos (prevenção, promoção e reabilitação da saúde), ocorrendo a divisão do cuidado ao paciente 13 entre Estado e família, buscando sempre a humanização, sendo realizada de acordo com situação clínica do paciente (BAJOTTO et al., 2012). A realização dessa pesquisa justifica-se pela necessidade de se identificar as principais causas de adoecimento do idoso em situação de internação domiciliar, contribuindo para a criação de novas estratégias para reduzir esse risco, seja em âmbito de políticas públicas ou de cuidados desenvolvidos pelos profissionais dos serviços de saúde. Qual o perfil dos idosos que foram atendidos na internação domiciliar? Quais as principais patologias acometeram esses idosos? Quais os principais procedimentos de Enfermagem realizados durante a internação domiciliar? Para responder estas questões, a dissertação foi estruturada no "modelo Escandinavo", denominado de "modelo alternativo" no Programa de Pós- Graduação em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília (UCB). Esta dissertação está composta por introdução, revisão de literatura, objetivos, artigo científico, conclusão e bibliografia da dissertação. 14 CAPITULO I 1 REVISÃO DA LITERATURA 1.1 ENVELHECIMENTO NO MUNDO E NO BRASIL Envelhecer é um processo natural, onde ocorrem mudanças irreversíveis na estrutura e no funcionamento de um organismo, como resultado da passagem do tempo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica idosos como sendo os indivíduos com 65 anos ou mais, para os países centrais e a partir dos 60 anos, para os países periféricos (ONU, 1982). No Brasil, idoso é definido como pessoa com idade maior ou igual a 60 anos (BRASIL, 2003). Segundo as projeções do Banco Mundial, a população idosa mais que triplicará nas próximas quatro décadas, passando de menos de 20 milhões em 2010 para cerca de 65 milhões em 2050. Os idosos, onde em 2005 compunham 11% da população em idade ativa, somarão 49% em 2050, ao passo que a população em idade escolar diminuirá de 50% para 29% no mesmo período. Essas variações na estrutura etária da população resultarão em maiores pressões fiscais sobre os sistemas públicos de saúde e previdência social (VERAS, 2012) A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que até o ano de 2025, o Brasil será o sexto país no mundo, em número de idosos. Entre 1980 e 2000, a população com 60 anos ou mais, cresceu de 7,3 milhões para 14,5 milhões e, ao mesmo tempo, a expectativa média de vida aumentou no país. O aumento do número de idosos e expectativa de vida necessitam ser acompanhados pela melhoria e manutenção da saúde e qualidade de vida, pois a desinformação sobre a saúde do idoso ainda é grande e seus desafios também (WHO, 2005). Segundo dados, a população idosa feminina alcançou 55,5% da população e 61% da população acima de 80 anos (IBGE, 2011). A expectativa de vida da mulher sobrepõe em 8 anos em comparada ao homem, onde pode-se considerar alguns fatores como a morte violenta na juventude – homens em mais de 90% dos casos e a procura e acompanhamento médico mais comum por mulheres (BANDEIRA, MELO; PINHEIRO, 2010). Estudos demográficos mostram outro fator a se considerar, o consumo de álcool e tabaco, além do histórico: homens indo à guerra, mulheres cuidando dos filhos e familiares e muitas delas, em detrimento a guerra, ficando sem seus companheiros (FERRIGNO, 1988). 15 Em se tratando de mulheres, estas podem ser as maiores dependentes dos cuidados, pois geralmente são viúvas, com pouca ou nenhuma experiência no mercado de trabalho, com grau de instrução e escolaridade reduzido findando por apresentarem as piores condições de saúde (CAMARANO, 2004). De acordo com os últimos dados do Censo (IBGE, 2010), 28.576 pessoas são centenárias no Brasil. Vieira (2003) acredita ser uma das grandes questões do envelhecimento, a perda dos ideais e a velocidade dos fatos e das mudanças sociais do mundo moderno, globalizado e informatizado, longe de ser a presença de doenças. A expectativa média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos. De acordo com o IBGE, as mulheres continuarão vivendo mais do que os homens. Em 2060, a expectativa de vida delas será de 84,4 anos, contra 78,03 dos homens (IBGE, 2011). Segundo Vieira (2003), a melhoria das condições gerais de vida, o saneamento básico, as quedas nas taxas de mortalidade e natalidade devido á mudança no padrão reprodutivo da sociedade pela presença feminina no mercado de trabalho, os avanços tecnológicos que trouxeram novos recursos diagnósticos, os avanços na medicina, cirurgia e farmacologia, promovendo intervenções terapêuticas e assistenciais mais efetivas, tem levado a um expressivo número de pessoas a atingir faixas etárias cada vez mais elevadas. Segundo Berkow et al. (2001), a maioria das funções biológicas relacionadas à idade atingem um pico com menos de 30 anos de idade e pode declinar gradualmente, de uma forma linear; embora esse último declínio possa ser crítico, durante o estresse, não apresenta nenhum efeito na atividade diária. Assim, a doença, mais do que a idade normal, é o determinante principal da perda funcional na idade avançada. Para muitos idosos, essa fase é marcada pela fragilidade, caracterizada por fraqueza muscular, fadiga e baixa tolerância aos estressores físicos e psicológicos, sinalizando uma condição de saúde vulnerável, os colocando em risco de quedas, incapacidade e morte antecipada. Nesse contexto, o apoio familiar e o cuidado domiciliar é essencial (ESPINOZA; WALSTON, 2005). As limitações decorrentes desta fase, ocasionam aos indivíduos perdas cognitivas e funcionais com o avançar da idade, demandando cuidados domiciliares e mudanças no cotidiano de muitas famílias. A doença para muitas famílias surge como uma grande ameaça à sua integridade e equilíbrio. Muitos familiares veem 16 essa condição como um período marcado por sensação de peso, trazendo sentimentos como medo da perda, da dependência e do despreparo para o cuidado, sendo, geralmente, uma tarefa árdua, podendo trazer consequências para o cuidador daquele idoso e família. Berkow et al. (2001), abordam bem essas questões, especialmente no que diz respeito ao pensamento dos idosos. É importante os familiares ficarem atentos para queixas dos mesmos,para assim, lhes garantirem cuidados e melhor qualidade de vida. Para estudiosos, houve melhor adaptação da família quando a situação geradora da dependência aconteceu de forma lenta e gradual, como na demência, por exemplo, comparando quando ocorreu de forma súbita, como no acidente vascular cerebral (AVC) (BRITO; RABINOVICH, 2008; SALGUEIRO; LOPES, 2010). Vieira (2003) descreve esse crescente aumento dos idosos, tem trazido reflexos positivos e negativos para a vida familiar e social. Ela cita infelizmente o Brasil, como não estando suficientemente preparado para atender às demandas específicas desta população, pois além de ter sido um processo extremamente rápido, o envelhecimento populacional disputa recursos públicos com outros segmentos sociais os quais também ainda não tiveram suas necessidades atendidas. Em se tratando de cuidador, cuidados domiciliares a idosos e o idoso com dependência em domicílio, é assunto relativamente novo no Brasil, emergindo a partir da década de 80. A Politica Nacional do Idoso pouco se refere à população idosa portadora de dependência, tendo o Brasil, sistema precário de suporte formal a esses idosos e seus familiares. Uma das principais consequências é o suporte informal a essas pessoas. A partir dessa situação, o Ministério da Saúde lançou o Guia Prático do Cuidador, orientando os mesmos sobre a prestação de cuidados aos idosos dependentes no domicílio, tornando cada vez mais a família responsável pelo cuidado (SILVEIRA; CALDAS; CARNEIRO, 2008). O evolucionismo de Charles Darwin no século XIX foi o responsável pela separação da vida humana em faixas etárias, tornando o conceito de degeneração fundamental dentro do processo biológico (LIMA, 1996). Foi Darwin quem associou o envelhecimento à decrepitude e decadência. O idoso, ao se referir às vivências frente ao processo de envelhecimento, frequentemente associa esse processo natural à experiência predominantemente negativa. Para alguns idosos, a velhice é sinomino de vulnerabilidade, insuficiência, incapacidade, limite, perda, solidão, 17 dependência, medo e abandono e subordinação (GOLDARB, 2005). Sabe-se que o rápido envelhecimento nos países em desenvolvimento é acompanhado por mudanças substanciais e dramáticas na estrutura e no contexto familiar. Com o advento da urbanização, migração de jovens para cidades para buscarem trabalho, famílias menores e com mais mulheres tornando-se força de trabalho formal, significam menos pessoas disponíveis para cuidar das pessoas idosas. Sendo assim, um dos grandes desafios para os tempos atuais é a implementação de políticas de envelhecimento ativo, sendo estas, definidas como o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, cujo objetivo é melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas vão envelhecendo (WHO, 2005). No século XXI, o envelhecimento da população mundial, é um aspecto de suma importância, onde a expectativa de vida está aumentando, tendo como contrapartida o declínio da taxa de fecundidade na maioria das regiões. Esta modificação demográfica poderá gerar grande impacto no Brasil, devido a necessidade de o setor público conhecer melhor a função destes na sociedade, as necessidades para alcançarem o bem-estar além da interferência no crescimento econômico (JACINTO; RIBEIRO, 2015). A principal consequência da longevidade são situações de saúde/doença as quais anteriormente eram pouco expressivas ou pontuais. A partir daí, começaram a ocorrer preocupações maiores em relação à qualidade de vida dos idosos com tempo de vida mais extenso (CAMARANO; PASINATO, 2004). Essas questões chamam à reflexão acerca do envelhecimento, constituindo um desafio não somente para o Estado, bem como para pessoas e coletividade em geral. A OMS aconselha enfrentar esse fenômeno assumindo a inclusão como componente estruturante do desenvolvimento e futuro de uma sociedade (FONSECA; MERCADANTE, 2015). A velhice representa a última etapa do ciclo vital, com isso, tem seus aspectos positivos e negativos, suas satisfações e suas dificuldades. A velhice não deve ser considerada como sinônimo de enfermidade. As formas e características como se vive nesse período, estão condicionadas em grande parte pela imagem social predominante em cada cultura, mais do que pelos aspectos intrínsecos de cada pessoa. Este período começa a partir dos 60 anos, de acordo com as convenções vigentes, tem um desenvolvimento e duração incerta (SEPP, 2007). 18 Com o crescimento da população idosa, torna-se necessário pensar sobre suas condições de vida, habitação, renda, rede de suporte social e familiar e de saúde. Muito embora a imensa maioria das pessoas com 60 anos ou mais sejam relativamente independentes e fisicamente aptas, algumas apresentam incapacidades ou dependência importantes (20% apresentam alguma deficiência ou dependência para as atividades da vida diária ou para as atividades instrumentais). Uma velhice saudável depende da manutenção da saúde ao longo de todo o ciclo vital e não da adoção de procedimentos paliativos no final da vida (SEPP, 2007). A Lei 9.892 de 10 de setembro de 1997 estabeleceu, na implementação da Política Estadual do Idoso, sendo de competência dos órgãos públicos executarem programas e criar as normas que regem os serviços prestados aos idosos pelas instituições geriátricas, considerando que essas instituições geriátricas e similares de atendimento às pessoas idosas, devem se destinar principalmente à prestação de serviços, objetivando a promoção, a proteção da saúde, a prevenção de doenças, a recuperação e a reabilitação da saúde das pessoas idosas. De acordo com Brunner e Suddarth (2015), a promoção da saúde é tão importante para o idoso, como o é para as pessoas de outras faixas etárias. Os enfermeiros, a julgar pela sua sapiência em saúde e em atenção à saúde e por sua grande e longa credibilidade junto aos usuários, têm um papel fundamental na promoção da saúde. Em muitas situações, elas iniciam os programas de promoção da saúde ou participam com outras pessoas da área da saúde no desenvolvimento e na provisão de serviços de bem-estar em vários locais. Como profissionais de saúde, os enfermeiros têm a responsabilidade de promover atividades as quais favoreçam o bem-estar, a auto realização e o desempenho pessoal. Toda a interação com os usuários de saúde deve ser vista como uma oportunidade de promover atitudes e comportamentos de saúde positivos. Cabe ao profissional que vai lidar com o idoso ter consciência da importância do seu papel junto a essas pessoas. Quando bem preparados, como definiu Brunner e Suddarth (2015), favorecem o bem-estar dos idosos. Para o Ministério da Saúde (2010), 20% dos idosos apresentam alguma deficiência ou dependência para as atividades da vida diária ou para as atividades instrumentais. 1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PESSOA IDOSA 19 Segundo Gomes (2009), as políticas públicas são ações assumidas por governos, instituições públicas ou estatais contando ou não com a participação da sociedade com vistas a concretizar os direitos humanos e coletivos ou ainda, os direitos sociais garantidos por lei. Não é possível falar em política pública, sem falar na relação entre Estado e sociedade. Ela compreende tudo o que o Estado realiza ou deixa de realizar, como os investimentos, os segmentos beneficiados ou excluídos pelos serviços. Nessa compreensão, as políticas podem oportunizar melhoria da qualidade de vida população redistribuindo renda, ou privilegiando setores da sociedade. Santos e Silva (2010) referem que as políticas sociais compreendem ações governamentais desenvolvidas em conjunto por intermédio de programa que proporcionam a garantia de direitos e condições dignas de vida ao cidadão de forma igualitária e justa. Essas políticas asseguram à população exercíciode direito e cidadania como educação, saúde, trabalho, assistência social, previdência social, justiça, agricultura, saneamento, habitação população e meio ambiente. Para Gomes (2009), o primeiro marco de conquistas relacionadas aos direitos dos idosos ocorreu em 10 de dezembro de 1948, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para a autora, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, não havendo distinção de raça, sexo, cor, língua, religião, política, riqueza ou de qualquer outra natureza, e prescreve, no artigo 25º, os direitos dos idosos. Guerra (2004) complementa os achados da autora acima, descrevendo que todos têm direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança, em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle e esses direitos consequentemente, alcançam o idoso também. Para Santos e Silva (2013), políticas públicas voltadas para o idoso trazem a ideia de compartilhamento de responsabilidades, envolvem tanto a família, a sociedade, a comunidade, quanto o Estado. Segundo as autoras, o envelhecer ganha destaque na discussão e elaboração das políticas sociais de assistência e saúde. Essa temática tem como marco inicial a I Assembleia Mundial sobre Envelhecimento, da Organização Mundial das nações Unidas (ONU), realizada em 1982 em Viena-Áustria, cujo fórum contou coma participação de 124 países, 20 incluindo o Brasil. Nesse evento foi elaborado o Plano de Ação para o Envelhecimento, um importante documento de estratégias e recomendações prioritárias nos diversos aspectos envolvendo o processo de envelhecimento. Já para Fonseca e Mercadante (2015), as políticas sociais e de saúde, no entanto, vêm se centrando em uma visão essencialmente reparadora das capacidades físicas e mentais, com uma visão única da velhice, associada a ideia de doença e fragilidade, não favorecendo a integração desta fase da vida na continuidade da existência dos sujeitos. Ao contrário, para os autores, essas políticas reforçam a fixação das imagens que desvalorizam a velhice e o ser velho. Tanto a ciência, quanto as políticas, valorizam muito pouco o envelhecimento como oportunidade e ressaltam as perdas e declínios. Essa visão é fruto de preconceitos os quais corroboram para a consolidação de imagens estigmatizantes e reducionistas do processo de envelhecimento. 1.2.1 Constituição da República Federativa do Brasil e os direitos dos idosos Dentre as políticas públicas voltadas para o idoso, no Brasil, a Constituição Federal de 1988, lei fundamental e suprema do Estado, declara todos os direitos e deveres dos cidadãos, independentemente da idade. Percebe-se que os direitos da pessoa idosa estão previstos no texto constitucional. Alguns artigos da Carta Magna referentes ao idoso são destacados a seguir: O Artigo 3º, inciso IV – Dispõe que é objetivo fundamental do Estado “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação”. Já o artigo 7º, proíbe “diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”. No Artigo 14º faculta-se o direito de votar aos maiores de 70 anos. Já o Artigo 201º deixa claro, a previdência social atenderá, entre outros eventos, à cobertura de doenças, invalidez, morte e idade avançada (inciso I). Estabelece, ainda, o tempo de contribuição para homens, mulheres e trabalhadores rurais (parágrafo 7º). O artigo 203º afirma “a assistência social será prestada a quem dela precisar, independentemente de contribuição à seguridade social”, e relaciona, entre seus objetivos, “a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice”. Esse artigo assegura ainda um salário “mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprove não possuir meios de 21 prover a própria manutenção, ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei”. Como é possível verificar na leitura da Constituição de 1988, são muitos os direitos voltados para a pessoa idosa. Camarano e Pasinato (2004) apontam que o envelhecimento populacional se encontra presente na agenda das políticas públicas no Brasil e no mundo. Ao se fazer uma relação entre a família e o idoso, o artigo 229º da Constituição Federal mostra claramente que os pais têm o dever de assistir, criar e educar seus filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Percebe-se então, a obrigatoriedade dos filhos ampararem seus pais na última fase da vida e esse amparo deve ser livre de qualquer tipo de violência, abuso ou opressão. Gomes (2009) refere que a Constituição estabelece os programas de amparo aos idosos os quais serão executados preferencialmente em seus lares, garantindo, inclusive, a gratuidade dos transportes coletivos urbanos aos maiores de 65 anos. 1.2.2 Política Nacional do Idoso A Política Nacional do Idoso (PNI) foi promulgada pela Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Essa lei assegura no artigo 1º os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade A referida lei, no entanto, não traz qualquer discussão acerca do tema da violência. Siqueira (2004) descreve a falta desse assunto na lei, onde provavelmente ocorreu por se tratar de um documento relativamente antigo, na época em que as questões relativas à violação dos direitos da pessoa idosa não estavam na pauta nem das Políticas de Direitos Humanos. Mello Jorge (2002) aponta o que mais se aproxima do tema violência contra a pessoa idosA se encontra no item sobre atendimento pré-hospitalar. Tem-se nesse caso, uma visão preventivista, não tendo, portanto, referência direta aos agravos violentos. Assim, o autor destaca o artigo 10º da PNI apontando a necessidade de se garantir ao idoso o atendimento nos diversos níveis de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando-se para a implementação de ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde do idoso, mediante programas e medidas preventivas. 22 Segundo Gomes (2009), a referida lei cumpre sua missão, entre outras estratégias, quando atribui competências a órgãos e entidades públicos, sempre de forma alinhada a suas respectivas funções. A lei determina que cada Ministério, conforme competências e especificidades devem elaborar propostas orçamentárias visando ao financiamento de programas compatíveis e integrados voltados aos idosos, promovendo, inclusive cursos de capacitação, estudos, levantamentos e pesquisas relacionadas à temática da velhice e envelhecimento, em suas diversas faces. Essa Política apresenta como propósito basilar a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde dos adoecidos e a reabilitação daqueles que venham a ter sua capacidade funcional restringida, de modo a lhes garantir permanência no meio em que vivem, exercendo de forma independente suas funções na sociedade (BRASIL, 1999). No entanto, ainda existem grandes desafios, dentre eles, a operacionalização deste propósito e de suas diretrizes dentro do contexto atual, as quais devem nortear as ações do setor saúde. Dentre as diretrizes, destacam-se a assistência às necessidades de saúde do idoso e a capacitação de recursos humanos especializados, já que, por meio da capacitação profissional, a assistência às necessidades da população tende a ser ofertada de modo eficientee adequada (RIBEIRO DE CASTRO; ALMEIDA DE FIGUEIREDO, 2009). 1.2.3 Estatuto do Idoso Segundo Minayo (2003), o Estatuto do Idoso foi sancionado na Lei nº 10.741, de 01 de outubro de 2003 e assegurou direitos específicos às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Esse documento legal é bastante amplo e seu cumprimento significa uma tentativa de estabelecer orientações e diretrizes para a atuação dos órgãos públicos e da sociedade civil e de coibir as diferentes formas de violência. A autora reforça que o Estatuto afirma em seu artigo 3º a obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. 23 Segundo a Organização Mundial da Saúde (2002), o idoso é definido a partir da idade cronológica, portanto, idosa é aquela pessoa com 60 anos ou mais, em países em desenvolvimento e com 65 anos ou mais em países desenvolvidos. O Ministério da Saúde (2005) reconhece que a idade cronológica não é um marcador ideal para as mudanças às quais acompanham o envelhecimento, pois existem diferenças significativas relacionadas ao estado de saúde, participação e níveis de independência entre pessoas possuintes da mesma idade. Justo e Rozendo (2010) apontam que o Estatuto do Idoso foi criado como decreto-lei a partir de disposições sobre o idoso contidas na Constituição de 1988, assumindo um papel fundamental na maneira como a velhice é vista e tratada na sociedade brasileira. Withaker (2010) complementa referindo que esse Estatuto traz um novo e compreensivo olhar em relação ao idoso, o fazendo passar a ser visto como sujeito de direitos, ou pelo menos como tal. Portanto, Torres et al. (2015) descrevem que Estatuto do Idoso representa a garantia dos direitos inerentes à pessoa humana, vindo a promover a integração, a autonomia e a participação ativa dos idosos na sociedade e no processo saúde- doença. Em face de forte tendência tanto mundial quanto brasileira do envelhecimento, onde tem provocado mudanças estruturais em relação a idade dos sujeitos, tem-se gerado olhares significativos, tornando cada vez mais visível o estágio de vulnerabilidade social dos idosos. Diante desse aspecto, geram-se impactos sociais com dimensões amplas, precisando ser analisados de uma forma multidimensional. 1.3 VULNERABILIDADE DO IDOSO Ao se falar de vulnerabilidade, é necessário conhecer o seu conceito, onde a palavra vem do latim vulnerare = ferir e vulnerabilis = que causa lesão. (BARCHIFONTAINE, 2006). Assim, pode-se estabelecer como sendo a susceptibilidade de ser prejudicado, atacado, ferido, ofendido ou ainda a resposta de sofrer um dano mediante a resposta de um estímulo (BARCHIFONTAINE, 2007) Vulnerabilidade é definida como o estado de indivíduos ou grupos que, por algum motivo, têm sua capacidade de autodeterminação reduzida, vindo a apresentar dificuldades para proteger seus próprios interesses em virtude de déficits 24 de poder, inteligência, educação, recursos, força ou outros atributos (BARCHIFONTAINE, 2006; NEVES, 2007). Ayres et al. (2006) trazem como ponto de vista três categorias de vulnerabilidade, sendo elas, individual, social e programática, para explicar a exposição de determinadas populações ao risco para doenças. A vulnerabilidade individual compreende os aspectos biológicos, emocionais, cognitivos, atitudinais e referentes às relações sociais. A social se caracteriza por aspectos culturais, sociais e econômicos determinando as oportunidades de acesso a bens e serviços, já a vulnerabilidade programática refere-se aos recursos sociais necessários para a proteção do indivíduo a riscos à integridade e ao bem-estar físico, psicológico e social. A vulnerabilidade depende da combinação dos elementos dos três domínios no momento atual. Depende também das experiências relativas a cada um deles, no passado, e de como as pessoas lidaram e lidam com as facilidades e as dificuldades da vida (AYRES et al., 2006). Deve-se considerar na vulnerabilidade individual, o declínio funcional do idoso, onde muitas vezes, vem acompanhado de um grau de dependência elevada, necessitando assim de um cuidador para auxiliá-lo nas atividades diárias. Esta condição remete a família a uma nova divisão de papéis e funções para o exercício do cuidado (VAISTIMA; ANDRADE; FARIAS, 2009). Insuficiência de recursos, ambientes degradantes de moradia, dentre outros, potencializam os riscos a problemas de saúde, como a depressão, por exemplo. Essa condição é observada especialmente quando o idoso perde o poder de decisão sobre aspectos da sua vida, do seu cotidiano, caracterizando uma situação de dependência, e consequentemente, maior vulnerabilidade (CAMARANO; PASINATO, 2004). As alterações que ocorrem no processo de envelhecimento são diferentes em cada pessoa, onde as mudanças biológicas deixam o idoso mais susceptível ás patologias, não conseguindo manter a estabilidade do organismo, tornando-o mais vulnerável, podendo inclusive chegar á morte (ANDREOLLI, et al., 1998). As síndromes geriátricas a imobilidade, as quedas, a demência, a incontinência e a iatrogenia, deixam os idosos mais vulneráveis, tendo um aumento da dependência tanto dos profissionais da saúde como dos próprios familiares (LITVOC; DERNTL, 2002). 25 Para Rodrigues e Neri (2012), condições socioculturais e econômicas interagem com os processos biológicos ao longo da vida, determinando vulnerabilidade ou resiliência na velhice. Com o aumento da população idosa, ocorre a preocupação, da sociedade não saber lidar e dispor de condições para o idoso se tornar um ser independente. No caso do idoso doente e vulnerável que passou por hospitalização ao receber alta e necessitará de Atendimento Domiciliar, precisará de um cuidador, passando a família a modificar seu papel de envolvimento frente a este integrante, onde nesta hora o idoso se sente incapaz, ansioso, depressivo, com sentimentos totalmente negativos. Diante deste contexto é comprovada a deficiência de profissionais especializados na área gerontológica para lidar com esta população, onde cursos de qualificação também são extintos (KARCH; LEAL, 1998). Esforços para a manutenção da máxima capacidade multidimensional do ser humano que envelhece, valorizando a autonomia e da autodeterminação do idoso, a preservação da independência física e mental do idoso, a prevenção e acompanhamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s), tem como principal consequência uma velhice saudável (SANTOS et al., 2010). Para se ter sucesso no processo de atendimento domiciliar é necessário um envolvimento entre o idoso, a família, a comunidade e a equipe multidisciplinar, levando ao cumprimento do plano proposto, tendo total ciência dos envolvidos no programa (PAZ; SANTOS, 2003). 1.4 DOENÇAS PREVALENTES NO IDOSO Os problemas de saúde dos idosos desafiam os modelos de cuidado na medida em que a sociedade envelhece. Na contramão desse fato, avanços da tecnologia e da ciência da saúde oferecem àqueles que utilizam as modernas ferramentas para a manutenção da saúde a chance de viver mais e em melhores condições. Dessa forma, estratégias de prevenção ao longo de todo o curso da vida se tornaram mais importantes para resolver os desafios de hoje e, de forma crescente, os de amanhã (VERAS, 2009). Muitos idosos são acometidos por doenças e agravos crônicos não transmissíveis (DANT) - estados permanentes ou de longa permanência, requerendo acompanhamento constante, pois, em virtude da sua natureza, não têm cura. Essas 26 condições crônicas tendem a se manifestar de forma expressiva na idade mais avançadae, de forma frequente, estão associadas (comorbidades). Essas situações podem gerar um processo incapacitante, vindo a afetar funcionalidade das pessoas idosas, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho de suas atividades diárias de forma independente. Ainda que não sejam fatais, essas condições geralmente tendem a comprometer de forma significativa a qualidade de vida dos idosos (BRASIL, 2006). Um número considerável de idosos têm doenças associadas ao envelhecimento, como osteoporose e mal de Alzheimer, problemas crônicos degenerativos. Mulheres após a menopausa têm mais possibilidade de terem osteoporose em comparação aos homens. A preocupação com as doenças, ter um problema ou outro de saúde é algo que atinge muito mais idosos (de ambos os sexos) se relacionado aos adultos (VERAS, 2009). O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos, sendo a senescência, onde em condições normais, não costuma provocar qualquer problema ao idoso. No entanto, em condições de sobrecarga como, por exemplo, doenças, acidentes e estresse emocional, pode ocasionar uma condição patológica requerendo assistência - senilidade. Cabe ressaltar que certas alterações decorrentes do processo de senescência podem ter seus efeitos minimizados pela assimilação de um estilo de vida mais ativo (BRASIL, 2006). As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s) podem afetar a funcionalidade das pessoas idosas. Estudos mostram a dependência para o desempenho das atividades de vida diária (AVD) as quais tendem a aumentar cerca de 5% na faixa etária de 60 anos para cerca de 50% entre os com 90 ou mais anos. Dentro do grupo das pessoas idosas, os denominados mais idosos, muito idosos ou idosos em velhice avançada (idade igual ou maior que 80 anos), também vêm aumentando proporcionalmente e de forma muito mais acelerada, constituindo o segmento populacional mais crescente nos últimos tempos, 12,8% da população idosa e 1,1% da população total (BRASIL, 2006). Cada pessoa vive o seu próprio processo de envelhecimento e as partes do corpo envelhecem de diferente maneira, podendo algumas envelhecer de forma mais rápida que outras. As DCNT’s são as principais causas de morte nos países desenvolvidos e nas grandes cidades do Brasil. Entre essas doenças encontram-se as às cardiovasculares, os cânceres, o diabetes mellitus. Transições demográficas, 27 os hábitos de vida além de mudanças no perfil epidemiológico, ocorridas desde o século passado, determinaram um perfil de risco em que as DCNT como diabetes e hipertensão assumiram um grande crescimento e preocupação, sendo condições prevalentes e importantes problemas de saúde nos idosos. Além disso, dentre os diversos transtornos que afetam os idosos, a depressão também merece atenção especial, uma vez que apresenta frequência elevada e consequências negativas para a qualidade de vida dos indivíduos acometidos (GAZALLE et al. 2004). Outra patologia que acomete de forma significativa a população idosa é a Doença de Alzheimer (DA), que é um tipo de demência senil, de declínio cognitivo crescente e irreversível, com múltiplos déficits cognitivos, dos quais um obrigatoriamente é a memória, suficientemente intensos para causar impacto nas atividades de vida diária (AVDs), excluindo outras doenças que poderiam explicar os sintomas observados (APA, 2002). À medida que a doença progride, o paciente passa a ter dificuldades para desempenhar tarefas simples, como utilizar utensílios domésticos, vestir-se, cuidar da própria higiene e alimentação. Já na fase final, o idoso apresenta distúrbios graves de linguagem e fica restrito ao leito. Em cada uma destas etapas sucessivas, pode-se observar gradativa perda da autonomia, e consequente aumento das necessidades de cuidados e supervisão de cuidadores (PETERSEN, 2006). Segundo Thumé et al. (2010 apud WACHS et al., 2016), a presença de condições crônicas como a hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus aumentou em cerca de 40% a probabilidade de recebimento de atenção domiciliar entre os idosos. Os autores referem essa probabilidade estando associada à baixa escolaridade e condições crônicas, expressa por multimorbidades, onde acabam por aumentar a complexidade dos desafios tanto da expansão da atenção domiciliar na rede de atenção à saúde do SUS, quanto sua efetividade, em contextos de maior vulnerabilidade social. Portanto, um dos grandes desafios para a atenção à pessoa idosa advém do fato de que quanto mais envelhece, mais diferente se torna. O agrupamento de indivíduos com história biológica, psí- quica e social distinta em uma mesma faixa etária resulta em grande heterogeneidade de características e demandas. O atendimento, dessa forma, requer a compreensão da individualidade do idoso e atenção para com a situação de complexidade clínica frequentemente encontrada com o envelhecimento sendo os mecanismos de adaptação, vulnerabilidade 28 orgânica, apresentação atípica de doenças e maior suscetibilidade à iatrogenia (SHINKAI et al., 2000) 1.5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR Alguns historiadores colocam que a atenção domiciliar é algo existente desde a antiguidade caminhando junto com o processo cuidar. Na medicina existem referências do cuidado domiciliar com um médico chamado Imhotep, onde além de realizar as visitas domiciliares, também foi o responsável por atender a família do Faraó nas dependências do Palácio no século XIII a.C, tendo neste período vivido por ele a magia e medicina praticadas em conjunto (TAVOLARI, 2000). Segundo Tavolari, outros atendimentos domiciliares foram realizados posteriormente como é o caso do médico Asklépios (Grécia Antiga) e seus sacerdotes (Asclepíades) os quais atendiam no templo, onde tinham materiais e medicamentos destinados a cura, podendo ser considerados as estruturas iniciais dos conhecidos hoje como hospitais, assim mais tarde foram dando lugar a uma medicina mais sólida (racional) com o conhecido Hipócrates. Conhecido como o “pai da medicina”, Hipócrates levou a dissociação da medicina intuitiva e mística para uma medicina indutiva, observativa e com inspeção, onde no século V a.C, descreveu um tratado sendo referência para o atendimento em domicílio (CAIRUS; RIBEIRO, 2005). Outro fato importante com relação ao Atendimento Domiciliar é a formação da Ordem da Virgem Maria pelo padre São Francisco de Sales fundou em Paris (1567- 1622), onde uma associação de mulheres passaram a realizar visitas nas casas dos doentes para realização de ações simples como alimentação, higiene e auxílio nas vestimentas. Com isso houve o surgimento do St. Josephs’s Convent dando continuidade nas visitas domiciliares aos enfermos (ANCP, 2009). Outro contribuinte para a prática foi o médico Samuel Hannemann (1755 – 1843), precursor da homeopatia, onde passou a visitar seus pacientes em casa, observando o ambiente em que viviam para receitar o tratamento adequado para cada situação presenciada (TAVOLARI,2000). O Home Care teve início nos Estados Unidos da América (EUA), foi colocado em prática pela primeira vez na região de Boston, em 1796, pela Boston Dispensary, onde eram prestados serviços aos pobres e enfermos, ao invés de serem tratados 29 nos hospitais, sendo considerados locais infestados pela peste, onde eram enviados para morrer. Em 1832, na Filadélfia, foi criada a instituição onde mulheres piedosas eram preparadas como enfermeiras para atender mulheres indigentes no domicílio. Tal ação em junção com demais com o mesmo estilo levaram ao surgimento da primeira Associação de Enfermeiras Visitadoras (Visiting Nurses Association – VNA) em 1885. Já em 1877 foi criada a The News York City Mission, considerada iniciante no modelo moderno de Home Care americano, onde em 1912 jáse tinha cerca de três mil enfermeiras visitadoras para o atendimento de Saúde Pública / Atendimento Domiciliar (LEME, 2005). Por volta de 1930 os serviços de Home Care começaram a decair nos EUA, onde o tratamento em âmbito hospitalar passou a comandar o sistema norte americano de saúde (RICE, 2001). O serviço só começou a ressurgir em 1964, devido ao atendimento hospitalar ter se tornado muito oneroso para os planos de saúde (LEME, 2005). Assim em meados de 1980, os administradores de planos de saúde, realmente passaram a ver os serviços de Home Care como algo positivo, possibilitando a redução nos gastos e uma possibilidade de internação domiciliar (DUARTE; DIOGO, 2000). Circunstâncias como essas, se disseminaram pela América do Norte e Europa, onde em 1999, cerca de oito milhões de americanos solicitaram o serviço (REHEM; TRAD, 2005). A atenção à saúde de cada país depende de suas características epidemiológicas, socioeconômicas, culturais e políticas, onde no Brasil estudos referem que a atenção domiciliar surgiu no ano de 1919 com as enfermeiras visitadoras no Rio de Janeiro, porem Mendes Júnior (2001), relata o inicio da Atenção Domiciliar com a formação do Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência (SAMDU), elaborado para resolver os problemas da força de trabalho. Em 1960 foi criada a Fundação Serviço Especial de Saúde Pública (FSESP), onde ofertava serviços envolvendo de modo geral a comunidade visando a prevenção de doenças com a promoção da saúde além de vigilância sanitária (REHEM; TRAD, 2005). Ordenadamente a atenção domiciliar surgiu no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo – 1968, onde foi construído um tipo de atendimento domiciliar de baixa complexidade (TAVOLARI, 2000). Com o surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS), teve início o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), tornando mais forte a atenção domiciliar, por realizar visitas domiciliares, mantendo vínculo entre a comunidade e as unidades de saúde. Outro fortalecedor foi o Programa de Saúde da Família (PSF) – 1990, 30 reorientando a assistência de acordo com a atenção básica e os princípios do SUS (ROSA; LABATE, 2005). O Home Care no Brasil, em área privada, surgiu sem orientação, onde houve um grande salto no número de empresas praticantes do serviço, levando a Agência Nacional de Vigilância sanitária (ANVISA) a elaborar uma resolução – RDC nº11, 2006, onde trata desde a indicação até a alta ou óbito (BRASIL, 2006). Estudos de Wachs et al. (2016) realizados junto a 6.624 idosos de 60 anos ou mais de idade, residentes na zona urbana de 100 municípios de diferentes portes populacionais em 23 estados brasileiros, no ano de 2009, revelaram que as mulheres apresentaram maior probabilidade de recebimento de atenção domiciliar. De acordo com os autores, esse fato pode estar relacionado à maior longevidade associada ao sexo feminino e ao incremento nas taxas de incapacidade funcional decorrente do processo de envelhecimento, explicando também o aumento linear de recebimento de assistência domiciliar em função da idade. O domicílio como ambiente terapêutico tem sido incentivado por políticas públicas no Brasil e em países ocidentais nos últimos anos. Essa expansão está vinculada fortemente ao crescimento da Estratégia Saúde da Família, reforçando, dessa forma, a importância da atenção básica. Essa iniciativa estimula a reorganização das políticas municipais para que invistam no resgate do espaço domiciliar para cuidar da saúde das pessoas (WACHS et al. 2016). 1.7 O IDOSO NO CONTEXTO FAMILIAR Estudos revelam que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de idade precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa como fazer compras, cuidar das finanças, preparar refeições e limpar a casa. Uma parcela menor (10%) requer auxílio para realizar tarefas básicas, como tomar banho, vestir- se, ir ao banheiro, alimentar-se, sentar e levantar de cadeiras e camas, segundo Medina (1998). Estes dados remetem à preocupação por mais de seis milhões de pessoas e famílias, e a um e meio milhão de idosos gravemente fragilizados no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 (IBGE, 2010). Até pouco tempo atrás, a família era entendida como o conjunto de pessoas residentes sob o mesmo teto, onde, entre si, apresentam laços de parentesco e de afinidade. Estas características, entretanto, têm sofrido alterações de todos os tipos, 31 e há sempre quem afirme que "a família está em crise", conforme Sullerot (1997, p. 39). As estruturas familiares, no mundo inteiro, estão sofrendo modificações rápidas ocasionadas por diferenciados motivos: separações; divórcios e novas uniões; instabilidade do mercado de trabalho e movimentos migratórios nacionais e internacionais em busca de oportunidades de trabalho; maior tempo de vida das gerações e um aumento do contingente de viúvas, geralmente morando sozinhas nas cidades; idosos exercendo chefias de família; e a participação crescente da mulher no mercado de trabalho (VIEIRA, 2003). Os contextos familiares e comunitários são abordados pela Saúde Pública, não enfatizando o processo do envelhecimento enquanto perspectiva saudável da vida e sim com o acúmulo de múltiplos problemas e doenças, com forte componente sociocultural das carências e perdas no curso de vida. Nesse contexto é importante, destacar a possibilidade do envelhecer saudável, sendo viável quando é privilegiada a ética humanista na política e ações de governo, centrada nos direitos igualitários com desdobramentos nas ações de promoção à saúde e bem-estar, enquanto diretrizes do desenvolvimento social (VIEIRA, 2003). Vieira (2003), refere as necessidades básicas humanas: � Oxigênio: o profissional deve estar atento aos fatores do ambiente do cliente que diminuem a quantidade de oxigênio disponível; � Umidade: a umidade relativa do ar ambiente pode afetar a saúde e a segurança do idoso; � Nutrição: atender às necessidades nutricionais adequadas e seguramente requer controle ambiental e conhecimento. Os alimentos preparados ou armazenados de forma inadequada ou sujeitos a condições ruins, aumentam o risco do cliente de contrair uma infecção alimentar ou intoxicação, entre diversos outros riscos; � Redução dos perigos físicos: as quedas são as maiores causas de morte acidental nos idosos de 75 anos de idade ou mais velhos. Muitos perigos físicos, sobretudo aqueles que contribuem para quedas, podem ser minimizados através de uma iluminação adequada, redução de obstáculos, controle dos perigos no banheiro e medidas de segurança; � Iluminação adequada: quando a iluminação é adequada, muitos perigos físicos podem ser evitados, onde a luz clareia as áreas onde os idosos se locomovem; 32 � Diminuição de obstáculos: o risco de quedas causadas por obstáculos está presente em todos os grupos etários, sendo, entretanto, maior entre os idosos. Para reduzir o risco de acidentes, todos os obstáculos devem ser retirados dos corredores e das outras áreas muito circuladas; � Controlar os perigos dos banheiros: acidentes como quedas, queimaduras e envenenamentos frequentemente ocorrem no banheiro. Barras firmes e fáceis de ver e um tapete adesivo, não escorregadio e colorido devem ser postos no fundo da banheira, sendo úteis para reduzir as quedas no local. No armário de remédios, os medicamentos devem ser etiquetados claramente e fora do alcance dos idosos, especialmente os que não sabem ler. O ambiente do cliente inclui todos os inúmeros fatores, físicos e psicológicos, que influenciam ou afetam sua vida e sua sobrevivência. Esta ampla definição de ambiente incorpora todos os locais nos quais o enfermeiro e o cliente interage. A segurança nesses locais reduz a incidência de doença e acidente, diminui o tempo de tratamentoe/ou internação, melhora ou mantém o estado funcional e aumenta a sensação de bem-estar do cliente. Um ambiente seguro também fornece proteção para a equipe e permite o trabalho de todos da melhor maneira (VIEIRA, 2003). Teixeira (2000) refere que a família perante o idoso vem assumindo um papel muito importante. Nesse contexto, percebe-se o idoso muitas vezes como figura central, onde, com o passar do tempo, demandam-se mais cuidados perante o mesmo, pois torna-se menos independente com o avançar dos anos. Para Jede e Spuldaro (2009), a família é o habitat natural dos sujeitos. É na família que os seus entes são conhecidos pelos defeitos, qualidade e necessidades. Portanto, é importante considerar o relacionamento da família com o idoso, principalmente se eles se tornam dependentes de alguma forma. Refere Caldas (2003) que a família é fundamental no cuidado ao idoso. A família é predominante como alternativa no sistema de suporte informal aos idosos. Para Elsen, Marcon e Santos (2002), os cuidados prestados pela família têm por objetivo a preservação da vida dos seus membros, com vistas a alcançar o desenvolvimento do idoso conforme suas possibilidades e garantir condições do meio em que ele vive. Portanto, Braciali (2009) aponta a família sendo considerada tanto social quanto culturalmente, a base da vida do homem social. Desde a infância até a 33 velhice, exigem-se da família, cuidados frente às suas alterações físicas e psicológicas. Percebe-se então, a família como o cerne do idoso, o local onde ele deve se sentir protegido e amado. Esse direito de ser amparado está previsto na Constituição, sendo nosso dever enquanto familiares do idoso, garantir uma velhice tranquila. No entanto, Braciali (2009) refere que nos dias atuais, o que prevalece é o modelo social da família nuclear, ou seja, famílias convivem apenas os pais e filhos, tendo o afastamento dos idosos dos seus filhos e netos, sendo esse, segundo a autora, um fenômeno bastante comum, onde acontece, inclusive, a perda total de contato entre os idosos e os seus familiares. Para Cordioli (1998), os idosos carregam consigo a expectativa de receber atenção e cuidados dos filhos e netos no momento em que venham a perder ou tiverem suas capacidades diminuídas, e para esses idosos, este é um fantasma constante, fonte de grandes preocupações. Apesar do medo da solidão que rodeia muitos idosos, acredita-se ser na família que ele possa buscar recursos para viver esta etapa da vida de forma mais afetiva. Segundo Ramos (1995), para que o idoso seja mantido em casa com seus familiares, se faz necessário a adaptação da família às necessidades do idoso, oferecendo, sempre que possível, um ambiente seguro com o objetivo de preservar sua independência e autonomia. A família não deve tratar o idoso como alguém doente e incapaz, é preciso a mesma buscar entender como o idoso se sente. Existem situações onde o idoso ajuda no sustento da família, ou até mesmo, sustenta sozinho os seus familiares, assumindo o papel de chefe da família. Esse fato tem sido visto cada vez mais. Aerosa e Bulla (2008) apontam que é muito comum o filho já adulto ser sustentado muitas vezes pelos pais idosos. O idoso dos dias atuais está cada vez mais redistribuindo sua aposentadoria ou pensão entre seus familiares. Para Camarano (2001), o idoso apesar da idade, continua como provedor da família e este fato pode estar associado à dificuldade dos entes mais jovens se inserirem no mercado de trabalho. Consequentemente, as famílias se reorganizam, produzindo novos arranjos. Para o idoso, isso pode demandar mais uma carga na sua velhice, já que ele além de se preocupar com os problemas inerentes à sua idade, ainda precisa se preocupar com os familiares que dependem dele. 34 Percebe-se então a importância da família de fornecer apoio ao idoso, tendo em vista alguns idosos terem dificuldades para realizarem atividades simples, como se vestir. Um dos atuais desafios para os profissionais da saúde é a implantação e a necessidade de desenvolvimento de cuidado domiciliar. Fragilidades decorrentes de doenças crônico-degenerativas; mudanças nas famílias, que acarretam dificuldades entre os entes familiares para assumir cuidados; ineficiência e superlotação dos serviços institucionais; diminuição dos custos do cuidado no domicílio, em relação ao atendimento institucional; a busca pela humanização, conforto e segurança da assistência à pessoa e familiares; a inclusão de programas de atendimento domiciliar nas políticas de saúde está entre os fatores. Portanto, enfatiza-se a inclusão do cuidado domiciliar nos programas de atenção à saúde do idoso (DUARTE, 1999). 1.8 IDOSO NO DISTRITO FEDERAL No ano de 2011, a população idosa (pessoas de 60 anos e mais) no Distrito Federal somava pouco mais de 326 mil pessoas, o equivalente a 12,8% da população total. Os maiores contingentes residiam na região administrativa Brasília (Plano Piloto) e em Ceilândia, com pouco mais de 45 mil em ambos os casos, com cada uma representando cerca de 14,0% da população idosa do DF (CODEPLAN, 2013). O Plano Piloto responde por apenas 8,2% da população do DF, ao passo que Ceilândia responde por 15,8%. O terceiro maior contingente residia em Taguatinga, pouco mais de 36 mil, ou 11,1% do total. Em termos relativos, as maiores participações de idosos na população total são verificadas nas regiões administrativas mais consolidadas, com renda mais elevada, casos do Lago Sul (30,1%), Plano Piloto (21,9%) e Lago Norte (19,8%). Águas Claras e Sudoeste, muito embora sejam regiões de alta renda, apresentavam baixos percentuais de população idosa, 10,5% e 11,9%, respectivamente, por se tratarem de regiões de criação mais recente e consequente população mais jovem. Destaques ainda para os percentuais elevados de idosos observados no Gama (18,5%) e em Taguatinga (18,3%), regiões administrativas consideradas de renda média e mais antigas. Já os menores percentuais de idosos na população total ocorriam nas regiões 35 administrativas de renda baixa: Estrutural (3,2%), Itapoã (4,4%), Varjão (5,2%), São Sebastião (5,2%) e Recanto das Emas (5,9%) (CODEPLAN, 2013). Ainda segundo pesquisa da Companhia de Planejamento Distrito Federal (CODEPLAN, 2013), do total de 326 mil idosos residentes no Distrito Federal em 2011, as mulheres correspondiam a 56,0% e os homens a 44,0%. Essa proporção é superior à verificada para o conjunto da população (52,5% e 47,5%), denotando que, em média, as mulheres alcançam maior tempo de vida que os homens. Entre as 30 regiões administrativas pesquisadas, em nada menos que 26 o contingente de mulheres idosas supera o de homens. O maior percentual alcançado pelas mulheres foi no Guará (61,9%), seguido por Sobradinho (59,0%) e Sobradinho II (58,4%). Em apenas duas RAs os homens idosos superam as mulheres: São Sebastião (52,9%) e Lago Norte (51,9%). Em outras duas, há equilíbrio: Vicente Pires e SIA. 1.9 EVOLUÇÃO DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR NO DISTRITO FEDERAL O atendimento domiciliar ao portador de doenças crônicas não transmissíveis no Distrito Federal passou a ser assunto na década de 80, onde a internação hospitalar tornava-se mais dispendiosa, pelo tempo de internação, risco de infecção e ações complexas realizadas nesses pacientes (MENDES, 1985). Assim, em Sobradinho, DF, deu início ao Programa de Assistência Domiciliar, tendo como argumento o acompanhamento em domicílio por equipe multiprofissional além da participação da família no cuidado ao paciente. Buscou-se uma assistência baseada em ações de nível sanitário para a melhoria na qualidade de vida da população atendida. Informalmente foi implantado em 1994, o Serviço de Assistência Multiprofissional em Domicílio (SAMED), hoje conhecido como Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (NRAD), tendo como meta a assistênciamultiprofissional ao paciente com doenças crônicas não transmissíveis e outras co-morbidades, que não se pudessem ser atendidas na atenção primária, além das doenças crônicas transmissíveis com alto grau de dependência funcional. (BARROS, 2012). O Ministério da Saúde em 23 de março de 1998 tornou de conhecimento de todos a portaria 2.416, que determinou as condições para os hospitais se credenciarem e os critérios para a realização do programa no SUS. Em 16 de abril de 2002, foi sancionada a Lei 10.424 – elaborada pela Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde (SAS/MS) – que regulamenta a Assistência Domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS). Diante de toda essa evolução se teve a 36 necessidade da criação de uma coordenadoria – assim, surgiu a Coordenação de Internação Domiciliar (COIND) e a elaboração de um projeto que direcionasse as diretrizes descritas na Lei 10.424. De acordo com as novas estruturas organizacionais da SES-DF, a COIND se tornou Gerência de Atenção Domiciliar (GEAD), tendo vínculos com outros serviços e com a responsabilidade de implantar nas demais regionais ainda não participantes os NRAD’s, prestando assistência através dos mesmos, porém excluindo os pacientes de alta complexidade. Conforme a Resolução Nº 56 – DODF nº 225 de 12 de novembro de 2008 a consolidação deste modelo, se deu através da Política Nacional de Internação Domiciliar de 18 de outubro de 2008, além de incentivos financeiros por equipe implantada. Segundo a Secretaria de Estado de Ação Social do Distrito Federal (2016), um dos maiores benefícios do século XX foi o aumento da esperança de vida para a maioria dos países do mundo. Esse aumento tem sido discutido por órgãos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O envelhecimento populacional é o aumento da proporção de idosos no total da população, implica problemas de ordem social e de saúde que exigem medidas políticas capazes de atender às necessidades dessa população. No Brasil em 1990 os idosos representavam 7% da população, em 1997 já era de 9% e em 2002, a população de pessoas idosas chegou rapidamente a 15%. Assim, tem-se no Brasil, 14 milhões de pessoas com mais de 60 anos sendo necessário enfrentar problemas sociais e de saúde decorrentes do processo de envelhecimento populacional. Deve-se ter claro, ao se cuidar de idosos dependentes, é importante ressaltar aspectos como acesso ao apoio formal e informal, fator sócio demográfico, situação econômica, condições de moradia e estrutura familiar, além de se considerar o perfil do cuidador. Quando as famílias são bem assistidas, estruturadas economicamente e emocionalmente, podem reagir de forma positiva ao cuidar de um idoso dependente, em relação a outra não possuidora do mesmo suporte (SILVEIRA; CALDAS; CARNEIRO, 2006). 1.10 PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DISTRITO FEDERAL O NRAD surgiu da necessidade da implantação do Programa de Internação Domiciliar (PID), sendo uma categoria de internação extra-hospitalar a pacientes que necessitam de cuidados específicos de saúde, onde podem ser executados em 37 domicílio, levando há uma desospitalização de forma adequada. (MARTELLI, 2011) Atualmente, a Atenção Domiciliar tem funcionamento de segunda a sexta-feira, horário comercial, com equipe multiprofissional atendendo pacientes com alto grau de dependência funcional e portadores de doença crônica estável transmissíveis ou não (BARROS, 2012) Para uma pessoa ser inserida/atendida no PID, necessita inicialmente uma avaliação da deficiência funcional, onde caberá ao NRAD conceder um parecer positivando o programa ao paciente, sendo após realizadas as visitas ao domicilio buscando reconhecer o local, de forma a analisar se o mesmo suporta da utilização de equipamentos e materiais necessários ao cuidado, além de treinamento da pessoa que será a referência no cuidado ao paciente (LIMA, et al 2014). O PID mantem vínculo com as cidades satélites de acordo com a organização da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Segundo o DECRETO Nº 37.057, DE 14 DE JANEIRO DE 2016, que dispõe sobre a estrutura administrativa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, fica dividido em região de saúde que são: • Centro-Norte: Asa Norte, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão e rodoviária do Plano Piloto. • Centro-Sul: Asa Sul, Guará, Núcleo Bandeirante, Lago Sul, Candangolândia, Riacho Fundo I e II e Park Way. • Oeste: Brazlândia e Ceilândia (incluindo Sol Nascente). • Região Sul: Gama e Santa Maria. • Sudoeste: Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas. • Norte: Sobradinho e Planaltina (incluindo Estância Mestre D'Armas e Arapoanga). • Leste: Paranoá e São Sebastião 1.11 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO, EXCLUSÃO, ALTA E EQUIPES PARTICIPANTES DO NRAD SEGUNDO O PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DF, 2016. 1.11.1 Critérios de inclusão no programa: Segundo o programa, o paciente deve estar com a condição clínica comprometida, com diagnóstico firmado ou hipótese diagnóstica e tratamento estabelecido pelo médico assistente. 38 • Apresentar grau de perda funcional e dependência para a realização de Atividades da Vida Diária (AVD), definida com base na Escala de Avaliação da Incapacidade Funcional da Cruz Vermelha Espanhola, a partir do grau 4. • Residir na área de abrangência da equipe. • Ter consentimento formal do paciente ou de familiar/cuidador por meio da assinatura do Termo de Consentimento Informado padronizado. • Encaminhamento de médico assistente. • Realização de visita pré-admissional. • Tempo necessário para a desospitalização. • Possuir sistema de comunicação que garanta o acionamento da equipe em caso de intercorrências clínicas. • Possuir um responsável que exerça a função de cuidador. • Apresentar condições seguras de acesso ao domicílio do paciente. • Contextos familiar, domiciliar, comunitário e ambiental adequados, a serem constatados pela equipe: condições mínimas de higiene e espaço; pessoas que se responsabilizem pelos cuidados com o paciente; saneamento; segurança para os membros da equipe e outros. • Ter um médico que se responsabilize pela sua indicação. 1.11.2 Critérios de exclusão do programa: • Pacientes com necessidades de: • Ventilação mecânica; • Enfermagem intensiva; • Propedêutica complementar, realização de procedimento diagnóstico ou tratamento cirúrgico com urgência. • Uso de medicação complexa com efeitos colaterais graves ou de difícil administração. • Sem cuidador contínuo identificado. • Pacientes ou responsáveis que não aceitarem a proposta do Programa. • Pacientes instáveis do ponto de vista hemodinâmico. • Soroterapia endovenosa contínua. • Paciente sem diagnóstico prévio. • Ausência de condições de higiene necessária a cada caso. 39 • Risco à integridade da equipe de saúde. • Impossibilidade de acesso ao local de atendimento. • Ausência na rede de assistência de serviços necessários aos cuidados do paciente. • Patologias graves sem possibilidade de controle domiciliar. • Pacientes com quadro clínico não agravado e que possa receber assistência domiciliar no nível de atenção Primária à saúde (Equipes de Saúde da Família e Centros de Saúde). 1.11.3 Critérios para saída/alta do programa: • Melhora das condições clínicas e/ou estabilidade clínica com encaminhamento para outro ponto de atenção à saúde como a atenção primária (PSF e CS). • Intercorrência clínica ou urgência/emergência que justifique internação hospitalar. • Óbito. • Mudança da área de abrangência. • Piora de condições domiciliares mínimas que comprometa a resolutividade da internação domiciliar. • Inexistência de um cuidador. • Não concordância com o médico/equipe do paciente. • Solicitação de desligamento a pedido do paciente e/ou familiar. • Omissãode informações pertinentes com o propósito de transgredir os critérios da admissão. • Opção do doente ou família por prescrições ou orientações de profissionais externos, contrárias às da equipe. • Falta de aderência aos cuidados propostos e normas da assistência. 1.12.4 Composição ideal das equipes participantes do programa de AD segundo a Portaria 825 de 2016, tendo em vista a Equipe 1, 2 e de apoio: Equipe 1: • Médico(s) – 40 horas - semanal por equipe • Enfermeiro (s) – 40 horas - semanal por equipe • Fisioterapeuta(s) ou assistente(s) social (is) – 30 horas por equipe • Auxiliares ou técnicos de enfermagem – 120 horas por equipe 40 Equipe 2: • Médico – 20 horas de trabalho • Enfermeiro – 30 horas de trabalho • Fisioterapeuta ou assistente social – 30 horas de trabalho • Auxiliares ou técnicos de enfermagem – 120 horas de trabalho Equipe de Apoio: Será composta por no mínimo 3 profissionais de nível superior, selecionados entre as profissões relacionadas abaixo, onde a carga horária de seus componentes será 90 horas de trabalho no mínimo: • Assistente social; • Fisioterapeuta; • Fonoaudiólogo; • Nutricionista; • Odontólogo; • Psicólogo; • Farmacêutico; ou • Terapeuta ocupacional Na atualidade o PID / DF – trabalha com 16 (dezesseis) equipes multiprofissionais distribuídas nas 7 regiões de saúde da SES-DF, contando com 110 profissionais de saúde, que atendem 1.246 pacientes cadastrados. O pedido de internação em domicílio deve ser realizado através de Relatório Médico detalhado, proveniente do local de origem como dos familiares ou responsável pelo paciente. (SES, 2017) 41 2 OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL Descrever o perfil dos idosos atendidos pelo PID do NRAD da região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 2.2.1 Descrever como houve o conhecimento do programa pelo paciente/familiares 2.2.2 Estimar o tipo de doença para a admissão no programa e as demais encontradas nos pacientes. 2.2.3 Identificar o tempo de permanência no programa dos pacientes idosos que foram atendidos pelo NRAD - Gama. 2.2.4 Expor os procedimentos realizados pela equipe de Enfermagem aos pacientes atendidos. 2.2.5 Relatar os medicamentos utilizados pelo paciente no momento da admissão no programa. 42 CAPITULO II 3. ARTIGO DEZ ANOS DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DE IDOSOS NO GAMA – DISTRITO FEDERAL – BRASIL Resumo O Atendimento domiciliar da população no Distrito Federal (DF) é realizado pelos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (NRAD’s). O objetivo do presente estudo é descrever o perfil dos idosos atendidos pelo Programa de Internação Domiciliar (PID) do NRAD da região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. Trata-se de um estudo longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa com dados obtidos de prontuários dos pacientes idosos atendidos pelo programa. Observou-se que a população de interesse, é em sua maioria do sexo feminino, casada, de cor parda, católica, natural do nordeste, aposentada e a faixa etária mais prevalente é a de mais idosos (80 a 89 anos). O conhecimento do programa foi através do hospital. Os motivos da internação mais evidentes foram às neoplasias, seguidas do Acidente Vascular Encefálico (AVE), com tempo de permanência maior que 180 dias. Os procedimentos mais desenvolvidos pela Enfermagem foram à verificação dos sinais vitais, oximetria, monitorização da glicemia capilar, seguidos de curativo, punção venosa e sondas. No momento da admissão, a principal classe medicamentosa em utilização foi a de anti-hipertensivos e a maioria dos pacientes faziam uso de 5 ou mais medicamentos. O conhecimento do perfil dos idosos dependentes do programa auxiliam os profissionais de saúde na elaboração de ações efetivas, garantindo a continuidade do cuidado. Palavras-chave: Idosos, Enfermagem e Atenção Domiciliar. TEN YEARS OF DOMESTIC HOSPITAL IN THE RANGE - FEDERAL DISTRICT – BRAZIL Abstract Home care of the population in the Federal District (DF) is carried out by the Regional Centers for Home Care (NRAD's). The objective of the present study is to describe the profile of the elderly assisted by the NRAD Home Health Program (PID) of the South - Gama - DF health region from 2006 to 2016. This is a longitudinal, descriptive, exploratory study of quantitative approach with data obtained from medical records of elderly patients attended by the program. It was observed that the population of interest is mostly female, married, brown, catholic, northeastern, retired, and the most prevalent age group is older (80-89 years). Knowledge of the program was through the hospital. The most obvious reasons for hospitalization were neoplasms, followed by stroke, with a residence time of more than 180 days. The most developed procedures for Nursing were the verification of vital signs, oximetry, monitoring of capillary glycemia, followed by dressing, venipuncture and probes. At the time of admission, the main drug class in use was antihypertensive and most patients used 5 or more drugs. Knowledge of the profile of elderly dependents of the program, help health professionals in the elaboration of effective actions, guaranteeing the continuity of care. Keywords: Elderly, Nursing and Home Care 43 Introdução Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de idosos vai triplicar nos próximos 40 anos no Brasil e aumentará de 19,6 milhões em 2010 (10% da população brasileira) para 66,5 milhões de pessoas em 2050 (29,3%)1. No que envolve o DF, dados mais recentes mostram que as pessoas idosas estão próximas a 448.000, sendo 15,4% do total da população2 necessitando cada vez mais do cuidado domiciliar. No Brasil, o cuidado domiciliar seguindo os padrões do Home Care americano vem sendo implantado gradativamente desde 1993, com o estímulo do Ministério da Saúde (M.S) iniciado através do programa Saúde da Família (P.S.F)3,4. Vários órgãos determinaram a criação das políticas de atenção domiciliar no país dentre eles, Congresso nacional, o Ministério da saúde, Vigilância Sanitária assim como Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN); a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, onde em 1997, foi incluída a internação domiciliar de forma ampliada para pessoas idosas, portadores de diabetes e hipertensão, público não atendido até o momento. A partir deste momento, houve vários experimentos no SUS com relação à atenção domiciliar, em várias cidades como Sobral (CE), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Marília (SP), Londrina e Cascavel (PR) e Brasília (DF), entre outros5. Por meio dessas experiências iniciaram-se várias e distintas formas de atenção domiciliar, tais como: o cuidado paliativo em paciente com AIDS; portadores de feridas e lesões de pele; acompanhamento de recém-nascido prematuro; acamados crônicos; uso de antibiótico intravenoso para tratamento de infecções agudas, e outras formas de sistematização, de acordo com o tipo de serviço que se requisitava6. No que envolve a atenção domiciliar no DF, a partir da década de 90, iniciaram discussões relativas a ausência de estrutura para atender os pacientes crônicos usuários do serviço público. Com isso, surgiu a necessidade de criar meios para reduzir o período de internação a nível hospitalar. Desta forma, em Sobradinho DF, no ano de 1994, se deu início o Programa de Assistência Domiciliar no Distrito Federal, com o propósito de acompanhar o paciente em domicílio através de equipe 44 multiprofissional, recebendo o nome de Serviço de Assistência Multiprofissional em Domicilio – SAMED, sendo criado formalmente em 1995 pelaLei 8677. No ano 2000, o Serviço passa a ser oficializado na Secretaria de Estado de Saúde do DF, onde recebe o nome de Núcleo de Assistência Médica a Internados em Domicilio – NAMID, tendo uma nova equipe multiprofissional, implantada no ano de 2002 na regional do Gama – DF. Com o início das equipes, passou-se a se ter a necessidade de gerenciamento, inicialmente pela Coordenação de Internação Domiciliar (COIND) e posteriormente em 2007 seguindo a nova estrutura da secretaria de saúde (SES) do DF a Gerência de Atenção Domiciliar (GEAD), vinculada com a Diretoria de Atenção Primária e Estratégia de saúde da família, com os Núcleos Regionais de Atenção domiciliar (NRAD’s)7. Esses núcleos possuem dentro de sua organização o programa de oxigenoterapia domiciliar (POD) criado em 2006 para atender pacientes portadores de doenças que levavam á hipoxemia e que necessitavam de oxigenoterapia em domicílio8 e Programa de Internação domiciliar (PID) que se iniciou em 2007 através do I Congresso Brasileiro de Assistência Domiciliar (COBRAD), em Cascavel, Paraná7. A partir da Portaria nº 963 de 20139, estabeleceu-se três categorias de atenção domiciliar: AD 1, AD 2 e AD 3, levando em consideração fatores como a situação clínica do paciente, a periodicidade das visitas e os profissionais envolvidos na visita. Assim, houve a necessidade da distinção das categorias, para se determinar o que realmente seria realizado no PID, tendo como resultado o atendimento de AD 2 e AD 3, pois no AD 1 os pacientes necessitam de cuidados básicos, podendo ser realizados pela atenção básica por meio de visitas em domicílio, no mínimo, 1 vez por mês. Sendo assim o AD 2 atende os pacientes que carecem de cuidados com mediana dificuldade como curativos mais complicados, cânula de traqueostomia, cateteres e ostomias; reabilitação de sequelas temporárias ou definitivas que precisam de atendimento constante, cuidados atenuantes e medicação intravenosa, intramuscular ou subcutânea, por período pré-determinado e em permanência clínica. AD 3: perfil do AD 2 e que necessitam do emprego ventilatório de forma não invasiva, dialise peritoneal e/ou paracentese10. O PID tem a finalidade de fornecer cuidados contínuos aos pacientes crônicos e terminais. A modalidade de internação domiciliar afasta uma possível hospitalização e consequente risco de infecção, além de proporcionar uma maior permanência do doente em seu ambiente familiar11. Para a pessoa ser incluída no 45 programa de internação domiciliar, deve passar por uma avaliação da incapacidade funcional pelo NRAD, onde com parecer positivo, se iniciará as visitas, inicialmente para avaliação do ambiente e treinamento de um cuidador12. Atualmente, a portaria Nº 825, DE 25 DE ABRIL DE 2016 redefine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes habilitadas13, buscando qualidade e humanização no cuidado realizado em domicílio. Desta forma, tendo-se a evolução da internação domiciliar no DF juntamente com o envelhecimento da população, a presente pesquisa tem como objetivo descrever o perfil dos idosos atendidos pelo PID do NRAD da região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. Metodologia Trata-se de um estudo longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa com dados do prontuário dos pacientes idosos admitidos/atendidos em um Núcleo Regional de Atenção Domiciliar no Programa de Internação Domiciliar do Distrito Federal - NRAD/GAMA/DF no período de junho de 2006 a junho de 2016. O Gama é uma cidade a 30 km de Brasília, assistida pela rede pública de saúde, onde a população idosa entre 60 e 64 anos é estimada em 6.929 habitantes e de 65 anos ou mais 20.178 habitantes2. A amostra foi constituída por todos os prontuários de pacientes que foram atendidos no programa obedecendo ao critério de inclusão de ter idade igual ou maior de 60 anos, com ficha de admissão no NRAD completa e participantes do PID. Os critérios de exclusão constituíram prontuários de pacientes com menos de 60 anos, ficha de admissão não presente ou incompleta e fazer parte do POD. O NRAD forneceu uma listagem com 674 pacientes atendidos pelo programa no período do estudo. Destes, 496 eram idosos, onde 80 participaram somente do POD, restando assim 416 idosos participantes do PID e deste modo foram incluídos inicialmente. No entanto, só foram encontrados 230 prontuários no setor de arquivo (para onde foram encaminhados devido à falta de espaço físico no setor), sendo que destes 70 não continham a ficha de admissão do NRAD ou estava presente porem preenchida de forma incompleta, portanto foram eliminados por não atenderem aos critérios de inclusão do estudo. Para a coleta de dados foi elaborado um formulário com 15 questões contendo as variáveis do estudo: os dados sociodemográficos (sexo, idade, estado civil, cor, 46 religião, naturalidade, profissão, conhecimento do programa) e clinico- epidemiológicas (diagnóstico de admissão e demais patologias, data de admissão e saída – para tempo de permanência, procedimentos de Enfermagem realizados e medicamentos em uso na admissão). Os dados foram armazenados em planilhas do software Excel do Software Microsoft Office 2.016 e a análise foi realizada por elementos de estatística descritiva, onde os tempos não foram registrados em anos, mas sim no total. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa – FEPECS, onde seguiu a Resolução 466/12 que regulamenta a pesquisa em seres humanos no Brasil sendo aprovada CAAE: 61108716.0.0000.555. Resultados A amostra foi constituída por 160 prontuários que estavam adequados para o uso na pesquisa de pacientes atendidos pelo PID do NRAD – Gama - DF, entre os anos de 2006 e 2016, sendo 79 do sexo masculino (49,4%) e 81 do sexo feminino (50,6%). Quanto a idade, o grupo dos mais idosos de 80 a 89 anos foi mais prevalente com 50 pacientes (31,2%) seguido da faixa etária de 70 a 79 anos, perfazendo um total de 46 idosos (28,8%). Quanto ao estado civil, 84 idosos eram casados (52,5) e 50 viúvos (31,25%). Em relação à cor, a parda foi predominante com 92 idosos (57,5%), brancos 61 pacientes (38,1%) e apenas 7 negros (4,4%). Sobre a religião 91 eram católicos (56,9%) e 67 eram evangélicos (41,9%). No que se refere à naturalidade, a região nordeste foi a mais predominante com 100 pacientes (62,5%) sendo a sudeste a secundária com 46 (26,2%). Já no tocante a profissão/ocupação 110 (68, 8%) eram aposentados e 25 (15,6%) recebiam algum tipo de benefício não especificado em ficha. Todos os dados supracitados foram descritos na Tabela 1 Tabela 1. Variáveis Sociodemográficas (sexo, faixa etária, cor da pele, estado civil, religião, naturalidade, profissão) relacionadas aos 160 pacientes atendidos pelo PID do NRAD em domicílio - Gama, DF, Brasil - 2017. VARIÁVEIS TOTAL Sexo 47 Feminino 81 50,6 Masculino 79 49,4 Idade 80 á 89 anos 50 31,2 70 á 79 anos 46 28,8 60 á 69 anos 33 20,6 90 anos ou mais 31 19,4 Estado civil Casado (a) 84 52,5 Viúvo (a) 50 31,25 Solteiro (a) 18 11,25 Divorciado (a) 8 5,0 Cor Parda 92 57,5 Branca 61 38,1 Negra 7 4,4 Religião Católica 91 56,9 Evangélica 67 41,9 Agnóstica 2 1,2 Naturalidade Nordeste 100 62,5 Sudeste 42 26,2 Centro-Oeste 17 10,6 Norte 1 0,7 Profissão/ Ocupação Aposentado (a) 110 68,8 Benefício 25 15,6 Do Lar 12 7,5 Pedreiro 3 1,8 Comerciante 3 1,8 Minerador 2 1,2 Costureira 2 1,2 Caminhoneiro 1 0,7 Agricultor 1 0,7 Porteiro 1 0,7 Da população assistida 126 (78,8%), pacientes tomaram conhecimento do programa através do próprio hospital em que estavam hospitalizados, seguido por 10 (6,2%) que souberam por intermédio de outros pacientes já atendidos pelo programa. Com relação aos agravos da internação, os mais prevalentes foram asneoplasias com 70 casos (43,7%) seguidos de Acidente vascular encefálico 36 casos (22,5%) e Doenças do aparelho respiratório, 18 casos (11,2 %). Quanto ao tempo de permanência, 71 pacientes (44,3%), se manteram atendidos pelo programa por mais de 180 dias, sendo seguidos por 44 que (27,5%) foram atendidos por até 30 dias. Tabela 2. Dados referentes ao conhecimento do NRAD, diagnóstico de admissão e tempo de permanência no programa de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. VARIÁVEIS TOTAL Conhecimento do programa N % 48 Hospital 126 78,8 Usuários do NRAD 10 6,2 USB 7 4,4 Assistente social 4 2,5 Cuidador 4 2,5 Familiares 4 2,5 SAMU 3 1,9 Outros 2 1,2 Diagnóstico de admissão Neoplasias 70 43,7 AVE 36 22,5 Aparelho respiratório 18 11,2 Senilidade 14 8,7 Alzheimer 9 5,6 Cardiopatias 8 5,0 Parkinson 8 5,0 DM 4 2,5 IRC 3 1,8 Lesão por pressão 3 1,8 Alterações nutricionais 3 1,8 Fratura do fêmur 2 1,6 Alterações articulares 2 1,2 Alterações hepáticas 2 1,2 Tempo - permanência no programa 1 - 30 dias 44 27,5 31 – 90 dias 28 17,5 91 – 180 dias 17 10,6 181 dias ou mais 71 44,3 Na análise dos prontuários, foi possível identificar que os idosos atendidos pelo programa eram acometidos por outras patologias além da responsável pela admissão (Tabela 3). A Hipertensão Arterial Sistêmica estava presente em 90 pacientes (56,2%), seguida por 40 com Diabetes Mellitus (25,0%) e 6 com Lesão por pressão (3,7%) Tabela 3. Dados referentes a outras patologias apresentadas pelos pacientes pesquisados no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. VARIÁVEL TOTAL N % Outras patologias associadas Hipertensão arterial sistêmica 90 56,2 Diabete Mellitus 40 25,0 Úlcera de Pressão (lesão por pressão) 6 3,7 Desnutrição 4 2,5 Bronquite 2 1,2 Alterações Renais 3 1,8 Doença de Chagas 3 1,8 Doença pulmonar obstrutiva crônica 3 1,8 Anemia 2 1,2 Gastrite 2 1,2 Depressão 2 1,2 Demência 2 1,2 Parkinson 2 1,2 Alterações da Tireoide 2 1,2 Cardiopatia 2 1,2 Pneumonia 1 0,6 49 Varicocele 1 0,6 Osteoporose 1 0,6 Candidíase 1 0,6 Convulsões 1 0,6 Cirrose Hepática 1 0,6 Neoplasia 1 0,6 Dislipidemia 1 0,6 Ascite 1 0,6 Dos cuidados executados pela equipe de Enfermagem foi possível identificar a realização de diversos, de modo a envolver toda complexidade e necessidade dos pacientes, sendo os básicos de maior prevalência como a verificação dos sinais vitais em 159 pacientes (99,3%), seguido por oximetria em 141(88,1%) e glicemia em 105 (65,6%) (Tabela 4): Tabela 4. Procedimentos realizados pela Equipe de Enfermagem nos pacientes admitidos no NRAD de 2006 a 2016. Gama - DF, Brasil - 2017. VARIÁVEL TOTAL N % Cuidados realizados Sinais vitais 159 99,3 Oximetria 141 88,1 Glicemia 105 65,6 Curativo 60 37,5 Punção Venosa 59 36,8 Sonda Nasoentérica 24 15,0 Sonda Vesical de alívio 21 13,1 Sonda Vesical de Demora 13 8,1 Aplicação de medicação intramuscular 7 4,3 Oxigenoterapia 5 3,1 Enema 5 3,1 Sonda Nasogástrica 3 1,8 Gasometria 3 1,8 Higienização/ troca curativo gastrostomia 3 1,8 Aspiração de vias aéreas 3 1,8 Retirada de pontos 2 1,2 Enteróclise 1 0,6 Higienização/ troca de bolsa de Colostomia 1 0,6 Reanimação cardiopulmonar 1 0,6 Quanto aos medicamentos que eram utilizados no momento da admissão, (Tabela 5) percebeu-se que os anti-hipertensivos eram os de maior consumo - 83 (51,8%), seguido por 46 (28,7%) que utilizavam antiácidos e 44 que usavam analgésicos (27,5%) com uso de 5 ou mais medicamentos pela maioria dos idosos (50,6%) Tabela 5. Classe medicamentosa e número de medicamentos utilizados pelo público pesquisado na admissão de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. VARIÁVEL TOTAL N % Medicações em uso 50 Anti-hipertensivo 83 51,8 Antiácido 46 28,7 Analgésico 44 27,5 Diurético 42 26,2 Ansiolítico 39 24,3 Anticoagulante 29 18,1 Hipoglicemiante 27 16,8 Anti-inflamatório não esteroidal 20 12,5 Vitamina 17 10,6 Anticonvulsivante 14 8,7 Bronco dilatador 13 8,1 Corticoide 13 8,1 Antiemético 11 6,8 Antineoplásico 10 6,2 Antiarrítmico 7 4,3 Antiparkisoniano 7 4,3 Hipolipemiante 7 4,3 Antibiótico 3 1,8 Anti-histamínico 3 1,8 Antifúngico 3 1,8 Descongestionante 2 1,2 Número de medicamentos utilizados 5 ou mais 81 50,6 1 – 4 67 41,8 Não utiliza 10 6,2 Não relatado/Não sabe 2 1,2 Discussão Com o aumento da incidência de doenças crônicas e suas possíveis complicações, houve uma crescente procura por atendimento referente à saúde, tornando a atenção domiciliar nas suas mais variadas formas de divisão um significativo meio para se ter a realização do cuidado. Considerada uma modalidade transformadora, busca a humanização, onde o cuidado é desempenhado por ações interdisciplinares de forma contínua14. O perfil dos idosos atendidos pelo NRAD Gama acompanha algumas tendências do envelhecimento encontradas pelo mundo. As mulheres representam as maiores usuárias da atenção domiciliar, 81 (50,6 %), acompanhando resultado de várias pesquisas epidemiológicas15, 16, 17 na extensa área da gerontologia. Tal fato pode ser explicado pela maior longevidade do sexo feminino, o que pode ser encontrado não só no Brasil. Um estudo sobre a caracterização do sénior na Espanha e Portugal – os com mais idosos da Europa - confrontando com a realidade de outros dezenove países da União Européia, apresentou que a população idosa feminina foi a mais prevalente em todos os países citados, demonstrando assim, uma crescente feminização demográfica18. 51 Já a idade prevalente foi de 80 a 89 anos, 50 (31,2%) o que caracteriza os muito idosos, estando em sintonia com resultados semelhantes encontrados em estudo referente no Distrito Federal, Porto Alegre e outro realizado abrangendo 23 estados brasileiros19,15, 16. Este fato pode ser associado ao aumento da expectativa de vida, onde segundo pesquisa do IBGE, esse aumento pode ser atribuído a fatores como melhoria na medicina associado às políticas de saúde pública, campanhas de vacinação, pré-natal, aleitamento materno, agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil fatos que acabaram aumentando a expectativa de vida do brasileiro ao longo dos anos20. A maioria da população estudada era casada, 84(52,5%), sendo identificado resultado compatível encontrado em investigação com indivíduos atendidos pelo Programa de Internação Domiciliar HU em Casa de Minas Gerais, em que 48 (35%) também eram casados21. Este dado pode ser bastante significativo, partindo da ideia que os idosos que tem alguém por perto são mais propensos a hábitos de vida saudáveis, além de favorecimento no bem estar psicológico e controle pessoal pelo simples fato de receber ou oferecer ajuda22. No que tange a cor da pele 92 (57,5%) se declararam pardos, já em estudo publicado em 2015, em Porto Alegre, avaliou o perfil dos idosos atendidos em domicílio, a maioria dos pesquisados informaram ser da cor branca 21 (71%), podendo ser explicado, pela colonização europeia (principalmente alemães e italianos) presente na região Sul e pela população negra/parda presente no Nordeste brasileiro23,24, 25. Cem idosos (62,5%) participantes deste estudo são provenientes da região nordeste, o que pode ser explicado pela migração que aconteceu entre as décadas de 80 e 90 à região, a construção e desenvolvimento de Brasília consolidou uma grande atração de mão de obra, em especial de nordestinos, que vinham em busca de emprego e acesso a serviços públicos26. Verificou-se nesta pesquisa, que os adeptos a religião católica 56,9% são preponderantes neste grupo e 41,9% são evangélicos. Pesquisa recente realizada no DF mostra que os católicos são a maioria na população geral em todas as Ra’s2. A religiosidade e/ou da espiritualidade enquanto componentes da vida humana acompanham o homem ao longo da história.Suas influências abrangem tanto as relações interpessoais e o âmbito sociocultural, quanto o intrapsíquico do indivíduo, expresso em crenças, valores, emoções e comportamentos 27. Embora captado neste estudo, autores relatam que as questões espirituais ainda são pouco abordadas nos estudos realizados por enfermeiros28. 52 Identificou-se que 110 idosos pesquisados (68,8%) são aposentados, o que podemos associar ao grande número de servidores públicos, favorecendo este achado no DF, que contrapõe ao achado em Porto alegre e em São Paulo onde apenas 18 (58%) e 16,6% respectivamente, são aposentados, ou recebiam algum tipo de auxílio assistencial15, 29 . Apesar do grande número de servidores no DF, um estudo realizado em outra cidade satélite - Paranoá mostra que a população idosa vive em um nível de subdesenvolvimento, pois a aposentadoria refere-se a renda de até um ou dois salários mínimos30. Entre as doenças que motivaram a internação no serviço, destacam- se as Neoplasias 70 (43,7%), seguido do Acidente Vascular Encefálico (AVE) 36 (22,5%) e Aparelho respiratório 18 (11,2%). Contudo, esse perfil difere de outro estudo sendo as patologias do sistema circulatório, respiratório e sistema nervoso, as mais prevalentes, onde as neoplasias ocupam o quarto lugar para internação do paciente no programa19. Apesar de fazerem parte das DCNT’s, é importante ressaltar que elas são as primeiras circunstâncias de morte e incapacidade da população global, além do mais são as responsáveis por gastos econômicos dos indivíduos, sociedades e principalmente pelos sistemas de saúde31,32. Em referência ao tempo de permanência, 71 pacientes (44,3%), ou seja, a maioria foi atendida no serviço por um período maior que 180 dias. Em comparação a outra pesquisa realizada em Porto Alegre houve divergência, pois a mesma evidencia um tempo de internação domiciliar de pacientes no geral por 25,8 a 29,3 dias15. O maior período de internação encontrado pode estar relacionado á gravidade da principal causa de internação (neoplasias), ou seja, idade igual ou maior que 60 anos é a faixa etária de maior taxa de mortalidade por essa patologia33, o que necessita de um maior acompanhamento. Foi possível identificar a existência de outras patologias associadas, sendo a HAS – 90 (56,2%) e DM – 40 (25,0%) as de maior prevalência. Resultado semelhante foi encontrado em um estudo onde os idosos apresentavam as duas doenças com as respectivas porcentagens, 42% e 34%, tais problemas de saúde foram associadas aos fatores intrínsecos e extrínsecos como alimentação não saudável e hábitos de vida sedentários ao longo da vida. Quanto ao uso de tecnologias, 100% da população estudada fazia uso de algum tipo de tecnologia. Nesta pesquisa entendemos como tecnologia os instrumentos que possam melhorar a qualidade de vida do paciente. Uma pesquisa realizada em Minas Gerais identifica que os dispositivos tecnológicos mais utilizados 53 foram curativos e sonda nasoentérica, os mais realizados na atenção domiciliar, em sua maioria em paciente idosos34. Neste cenário, é possível identificar na Tabela 4, as principais tecnologias utilizadas no programa como sendo: A verificação dos sinais vitais, seguido de oximetria, glicemia e curativo foram as atividades realizadas com maior frequência, de modo que, apesar de pouco complexos, acabam demandando o tempo destes profissionais. A dependência tecnológica pode ser necessária por período curto, durante a reabilitação ou permanecer por longo tempo, auxiliando na manutenção da saúde e prolongamento da vida. Independente do tempo de utilização a tecnologia interfere no cotidiano de pacientes e cuidadores, à medida que modifica a organização funcional, social e psicológica dos envolvidos35. O enfermeiro é figura essencial na organização do cuidado domiciliar, seja pela mediação com os demais profissionais da equipe integrante do programa, como na conecção que desenvolve com a família e os idosos atendidos. Tem papel de grande importância no plano e realização dos cuidados, ou seja, na coordenação dos serviços, bem como na provisão dos recursos necessários para o cuidado36. Assim, fazendo parte das tecnologias encontram-se os medicamentos37, sendo observada a existência de duas ou mais classes medicamentosas usadas pelos idosos sendo os mais utilizados os anti-hipertensivos, antiácidos, analgésicos e diuréticos. Destacamos ainda o uso de diversos medicamentos contínuos. A presença de polifarmácia, definida como uso regular de cinco ou mais medicamentos38, comum entre idosos, foi relatada em três estudos: região oeste de saúde do DF39, região central do Rio Grande do Sul40 e outro com Dados de Pesquisa Nacional41, fato que pode ser associado á inúmeras patologias que acometem os idosos, assim como, o próspero programa de distribuição dos medicamentos pelo governo. Algumas limitações e recomendações advindas desta pesquisa devem ser registradas. Os limites dos resultados deste estudo estão relacionados com o delineamento exploratório, este, não permite o estabelecimento de associação entre causa e efeito. As dificuldades operacionais encontradas na coleta de dados, por serem secundários profissionais em muitos casos registraram dados incompletos nos prontuários ou não registram. 54 Conclusão O estudo evidenciou o universo da internação domiciliar do paciente idoso atendido, através da identificação clínico epidemiológico do mesmo. O perfil dos idosos atendidos constitui-se em sua maioria por mulheres, idade entre 80 e 89 anos, casados, cor parda, religião católica, provenientes do nordeste e aposentados. A doença que mais conduziu para a internação domiciliar foi a neoplasia, seguida de AVE, onde o tempo de permanência no programa foi maior que 180 dias. Quanto ás outras doenças apresentadas, a Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabete Mellitus foram as de maior prevalência. Dentre os procedimentos realizados pela Enfermagem em domicílio encontrou- se os sinais vitais, oximetria e glicemia capilar. Já com relação às medicações mais utilizadas os anti-hipertensivos e diuréticos foram os mais utilizados. A partir da identificação e conhecimento desse paciente, a Enfermagem consegue acompanhá-lo de forma mais adequada, realizando procedimentos de sua responsabilidade cada vez mais direcionados, com observação da evolução desse idoso. Desta maneira, garante-se a continuidade do cuidado, determinando uma grande importância do programa para a pessoa em idade avançada. Fica perceptível, a necessidade de se terem cada vez mais debates sobre o tema descrito, como por exemplo, no que tange a compreensão do funcionamento do programa facilitando o acesso do paciente, assim como a identificação de tecnologias cada vez mais modernas seguindo às demandas destas pessoas e suas famílias. Desta forma, o conhecimento das características dos pacientes traz subsídios aos profissionais de saúde que atuam no domicílio no sentido de elaborar ações efetivas aos mesmos, buscando uma melhor qualidade de vida diante das doenças que acometem esse usuário. Agradecimentos A toda a equipe do NRAD Gama pelas informações e aos funcionários do Arquivo do Hospital Regional do Gama (HRG) por disponibilizarem os prontuários para utilização na pesquisa. 55 Referências 1. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas populacionais para os municípios e para as Unidades da Federação brasileiros em 01.07.2016. [publicação on line] 2016. [acesso em: 25 jul. 2017]. Disponível em: https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2016/estimativadou.sht m.. 2. Companhia de Planejamento do Distrito Federal. CODEPLAN. Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios – PDAD 2015. 3. Monetta LA. Especialidade no atendimento domiciliário. São Paulo: Atheneu,2000. 4. 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NATURALIDADE - ESTADO: __________________________________________________________ 9. PROFISSÃO: ________________________________________ 10. CONHECIMENTO DO PROGRAMA: ( ) FAMILIARES ( ) UBS ( ) ASSISTENTE SOCIAL ( ) OUTRAS ________________________________________________________________________ 11. DIAGNÓSTICO DE ADMISSÃO: ________________________________________________________ 12. OUTRAS DOENÇAS: ______________________________________________ 13. PROCEDIMENTOS REALIZADOS: ( ) CURATIVO ( ) SVD ( ) SNG ( ) SNE ( ) SVA ( ) ASPIRAÇÃO V.A ( ) OXIGENOTERAPIA ( ) HIGIENE ( ) PUNÇÃO VENOSA ( ) OUTROS _________________________________________________________________________ 14. MEDICAMENTOS EM USO NA ADMISSÃO: _______________________________________________ ______________________________________________________________________________________ 15. SAÍDA DO PROGRAMA: ( ) ALTA – ______/______/______ ( ) EXCLUSÃO - ______/______/_____ ( ) ÓBITO - ______/_______/_______ 65 ANEXO A