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Pró-Reitoria Acadêmica 
Escola de Saúde e Medicina 
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em 
Gerontologia 
 
 
 
 
INTERNAÇÃO DOMICILIAR: PERFIL DOS IDOSOS ATENDIDOS 
DE 2006 A 2016 – GAMA – DF, BRASIL. 
 
 
 
 
 
 
Autora: Angelita Giovana Caldeira 
Orientadora: Profª Drª Maria Liz Cunha de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
Brasília – DF 
2017
 
 
ANGELITA GIOVANA CALDEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTERNAÇÃO DOMICILIAR: PERFIL DOS IDOSOS ATENDIDOS 
 DE 2006 A 2016 – GAMA – DF, BRASIL. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de 
Pós-Graduação Stricto Sensu em 
Gerontologia da Universidade Católica de 
Brasília, como requisito para obtenção do 
Título de Mestre em Gerontologia. 
Orientadora: Profª Drª Maria Liz Cunha de 
Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília 
 2017 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha elaborada pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Católica de Brasília (SIBI/UCB) 
Bibliotecária Joanita Pereira Basto CRB1/2.430 
 
 
 
C146i Caldeira, Angelita Giovana. 
Internação domiciliar: perfil dos idosos atendidos de 2006 
a 2016: Gama-DF, Brasil / Angelita Giovana Caldeira. – 
2017. 
65 f. ; 30 cm. 
Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de 
Brasília, 2017. 
Orientação: Prof. Dr. Maria Liz Cunha de Oliveira. 
 
1. Serviços de assistência domiciliar. 2. Idosos. 3. Gama 
(DF). I. Oliveira, Maria Liz Cunha de. II. Título. 
 
CDU 613.98(817.4) 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
Em primeiro lugar a meus pais, Wilson e Celena Caldeira e a minha querida 
amiga Maria Raimunda pelo incentivo e amparo nas horas difíceis ao longo do 
caminho. 
A orientadora Maria Liz pelo empenho e dedicação para elaboração deste e 
ao meu chefe – coordenador Wender Antônio de Oliveira pelo apoio e ajuda neste 
período. 
As queridas Jéssica e Joyce dos Reis assim como Erlayne Camapum, pela 
generosidade na contribuição para o alcance do meu objetivo. 
Não podendo deixar de mencionar o primeiro incentivador para a realização 
do curso, meu estimado primo Antônio Marmoro que com sua esposa Regiane 
Caldeira que me encorajaram a iniciar e evoluir neste novo degrau da minha vida 
profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Tudo que é bom dura o tempo necessário 
 para se tornar inesquecível” 
(Fernando Pessoa)
 
 
RESUMO 
 
CALDEIRA, Angelita Giovana. Internação Domiciliar: Perfil dos idosos atendidos 
de 2006 a 2016 – Gama – DF, Brasil. 2017. 65 f. Dissertação de Mestrado 
Gerontologia – Universidade Católica de Brasília, Brasília – DF, 2017. 
 O atendimento domiciliar da população no Distrito Federal (DF) é realizado nos dias 
atuais pelos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (NRAD’s), situados nas sete 
regiões de saúde do DF, os quais realizam a assistência de todas as faixas etárias, 
incluindo a população em estudo – os idosos. O atendimento ocorre através de uma 
equipe multiprofissional, tendo o enfermeiro papel importante no programa. O 
objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil dos idosos atendidos pelo Programa de 
Internação Domiciliar (PID) do Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (NRAD) da 
região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. Trata-se de um estudo 
longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa com dados dos 
prontuários dos pacientes idosos admitidos/atendidos no programa. Como resultado 
encontrou-se que a população usuária deste serviço, é em sua maioria do sexo 
feminino (50,6%), casada (52,5%), aposentada (68,8%), cor parda (57,5%) e a faixa 
etária mais prevalente é a de idosos com idade mais avançada, ou seja, entre 80 a 
89 anos (31,2%). A religião católica foi a mais dominante (56,9%), assim como, a 
naturalidade proveniente da região nordeste (62,5%). O conhecimento do programa 
foi através do hospital (78,8%). Os motivos da internação mais evidentes no 
programa foram as neoplasias (43,7%), seguidas do Acidente Vascular Encefálico – 
AVE (22,5%), com tempo de internação prevalente maior que 180 dias (44,3%). 
Como doenças associadas à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes 
Mellitus (DM) foram as mais encontradas (56,2% e 25,0%). Os procedimentos mais 
desenvolvidos pela Enfermagem foram a verificação dos sinais vitais (99,3%), 
oximetria (88,1%), monitorização da glicemia capilar (65,6%), seguidos de curativo 
(37,5%), punção venosa (36,8%) e sonda nasoentérica, vesical de alívio e demora ( 
15,0%, 13,1% e 8,1%). No momento da admissão, a principal classe medicamentosa 
em utilização foi a de anti-hipertensivos (51,8%) e 81 pacientes (50,6%) faziam uso 
de 5 ou mais medicamentos. Concluindo, a internação domiciliar é de suma 
importância ao idoso acometido por patologias, onde conhecer o paciente atendido 
auxilia no seu melhor acompanhamento, além da realização de cuidados que 
buscam alcançar o bem estar do paciente em questão. 
PALAVRAS CHAVE: Idoso, Enfermagem, Atenção Domiciliar. 
 
 
ABSTRACT 
 
 
 
 
Home care of the population in the Federal District (DF) is carried out nowadays by 
the Regional Centers for Home Care (NRAD's), located in the seven health regions 
of the Federal District, which provide care for all age groups, including the population 
in study - the elderly. The care takes place through a multiprofessional team, having 
the nurse important role in the program. The objective of this research was to 
describe the profile of the elderly assisted by the Home Care Program (PID) of the 
Regional Nucleus of Home Care (NRAD) of the South - Gama - DF health region 
from 2006 to 2016. This is a longitudinal study, descriptive, exploratory, quantitative 
approach with data from the medical records of the elderly patients admitted to the 
program. As a result, it was found that the female population (50.6%), married 
(52.5%), retired (68.8%), brown (57.5%), and the most prevalent age group is elderly 
people, that is, between 80 and 89 years (31.2%). The Catholic religion was the most 
dominant (56.9%), as well as the naturalness of the northeastern region (62.5%). The 
knowledge of the program was through the hospital (78.8%). The most evident 
reasons for hospitalization were neoplasias (43.7%), followed by Stroke (22.5) with 
prevalence longer than 180 days (44.3%). As diseases associated with Systemic 
Arterial Hypertension (SAH) and Diabetes Mellitus (DM) were the most frequent 
(56.2% and 25.0%). The most developed procedures were the verification of vital 
signs (99.3%), oximetry (88.1%), monitoring of capillary glycemia (65.6%), followed 
by dressing (37.5%), venous puncture (36.8%) and nasoenteric catheter, bladder of 
relief and delay (15.0%, 13.1% and 8.1%). At the time of admission, the main drug 
class in use was antihypertensive (51.8%) and 81 patients (50.6%) used 5 or more 
drugs. In conclusion, home hospitalization is of utmost importance to the elderly 
person affected by pathologies, where knowing the patient attended assists in their 
better follow-up, in addition to performing care that seeks to achieve the well-being of 
the patient in question. 
KEY WORDS: Elderly, Nursing, Home Care
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
 
ARTIGO 
 
Tabela 1. Variáveis Sociodemográficas (sexo, faixa etária, cor de pele, estado civil, 
religião, naturalidade, profissão) relacionadas aos 160 pacientes atendidos pelo PID 
do NRAD em domicílio. Gama - DF, Brasil - 2017. 
Tabela 2. Dados referentes ao conhecimento do NRAD, diagnóstico de admissão e 
tempo de permanência no programa de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - 
DF, Brasil - 2017. 
Tabela 3. Dados referentes a outras doenças apresentadas pelos pacientes 
pesquisados no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. 
Tabela 4. Procedimentos realizados pela Equipe de Enfermagem nos pacientes 
admitidos no NRAD de2006 a 2016. Gama - DF, 2017. 
Tabela 5. Classe medicamentosa e número de medicamentos utilizados pelo público 
pesquisado de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS 
 
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
AVC Acidente Vascular Cerebral 
AVD Atividades da Vida Diária 
CODEPLAN Companhia de Planejamento do Distrito Federal 
COIND Coordenação de Internação Domiciliar 
CS Centro de Saúde 
DA Doença de Alzheimer 
DANT Doenças e Agravos Crônicos Não-Transmissíveis 
DCNT’s Doenças Crônicas Não-Transmissíveis 
DF Distrito federal 
DODF Diário Oficial do Distrito Federal 
EUA Estados Unidos da América 
FSESP Fundação Serviço Especial de Saúde Pública 
GEAD Gerência de Atenção Domiciliar 
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
ILPI Instituição de Longa Permanência para Idosos 
NRAD Núcleo Regional de Atenção Domiciliar 
NRAD’s Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar 
OMS Organização Mundial da Saúde 
ONU Organização das Nações Unidas 
PACS Programa de Agentes Comunitários de Saúde 
PID Programa de Internação Domiciliar 
PNI Política Nacional do Idoso 
PSF Programa de Saúde da Família 
RA Região Administrativa 
RAS Rede de Atenção á Saúde 
RDC Resolução da Diretoria Colegiada 
SAMDU Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência 
SAMED Serviço de Assistência Multiprofissional em Domicílio 
SAMU Serviço Atendimento Móvel de Urgência 
SAS/MS Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde 
SES Secretaria de Estado de Saúde 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 
CAPITULO I .............................................................................................................. 14 
1 REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................ 14 
1.1 ENVELHECIMENTO NO MUNDO E NO BRASIL ............................................. 14 
1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PESSOA IDOSA ........................................... 18 
1.2.1 Constituição da República Federativa do Brasil e os direitos dos idosos .. 20 
1.2.2 Política Nacional do Idoso ......................................................................... 21 
1.2.3 Estatuto do Idoso ....................................................................................... 22 
1.3 VULNERABILIDADE DO IDOSO ...................................................................... 23 
1.4 DOENÇAS PREVALENTES NO IDOSO .......................................................... 25 
1.5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR ............................. 28 
1.7 O IDOSO NO CONTEXTO FAMILIAR .............................................................. 30 
1.8 IDOSO NO DISTRITO FEDERAL ..................................................................... 34 
1.9 EVOLUÇÃO DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR NO DISTRITO FEDERAL ......... 35 
1.10 PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DISTRITO FEDERAL ...... 36 
1.11 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO, EXCLUSÃO, ALTA E EQUIPES 
PARTICIPANTES DO NRAD SEGUNDO O PROGRAMA DE INTERNAÇÃO 
DOMICILIAR DO DF, 2016. .................................................................................... 37 
1.11.1 Critérios de inclusão no programa: .......................................................... 37 
 1.11.2 Critérios de exclusão do programa: ...................................................................... 38 
1.11.3 Critérios para saída/alta do programa: ..................................................... 39 
1.12.4 Composição ideal das equipes participantes do programa: ..................... 39 
2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 41 
2.1. OBJETIVO GERAL .......................................................................................... 41 
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................... 41 
CAPITULO II ............................................................................................................. 42 
3. ARTIGO ................................................................................................................ 42 
REFERÊNCIAS DISSERTAÇÃO .............................................................................. 59 
APÊNDICE A ............................................................................................................ 64 
 
 
 
 
11 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Ao se descrever sobre atenção domiciliar (AD) se faz necessário inicialmente o 
conhecimento acerca do termo, visto ser este originário do inglês Home Care e 
traduzido como o “Cuidado Domiciliar” (MENDES, 2001). Ela engloba várias ações 
como a promoção, manutenção e restauração da saúde, desenvolvidas por vários 
profissionais, ou seja, equipe multiprofissional em ambiente domiciliar (LACERDA, 
2006). 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) coloca a atenção domiciliar 
como sendo termo genérico envolvendo ações de promoção à saúde, prevenção, 
tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio (BRASIL, 2006), 
onde o Distrito Federal passou a utilizar a internação e assistência domiciliar como 
atos realizados na Atenção Domiciliar. 
A AD foi redefinida em 2016 através da portaria 825, sendo considerada 
categoria de atenção à saúde agregada às Rede de Atenção à Saúde (RAS), 
atuando através de ações de prevenção e tratamento de enfermidades, assim como 
reabilitação, cuidado paliativo e promoção à saúde, sendo as ações realizadas em 
domicílio, garantindo continuidade de cuidados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). 
Dividida em 3 modalidades - AD 1, AD 2 e AD 3 - para facilitar a identificação do 
perfil do paciente, planejamento e gerenciamento dos profissionais envolvidos e 
materiais, a AD 1 refere-se ao usuário que, tendo indicativo de AD, necessita de 
cuidados com pouca frequência e necessidade de intervenções multiprofissionais, 
sendo os cuidados de responsabilidade das equipes de atenção básica 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). 
Fazendo parte do AD 2 está o paciente com enfermidade aguda ou crônica 
agudizadas, que precisam de cuidados intensificados e sequenciais, como 
tratamentos parenterais ou reabilitação; afecções crônico-degenerativas, que 
necessite de atendimento no mínimo semanal; cuidados paliativos com 
acompanhamento pelo menos semanal para controle da dor e sofrimento e por fim 
bebês com baixo peso e prematuridade com necessidade de ganho ponderal 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016) 
_________________________________________ 
Cuidado paliativo: tratamento que leva a qualidade de vida tanto ao paciente como a seus familiares, sendo aqueles 
acometidos por patologias que ameaçam a continuação da vida, através de atos que previnam ou aliviam o sofrimento, como o 
tratamento da dor ou outras adversidades de essência física, psicossocial e espiritual (O.M.S, 2002) 
12 
 
 
Na modalidade AD 3 estão as situações encontradas na modalidade AD 2, com 
necessidade de cuidado multiprofissional mais frequente, com equipamentos e 
procedimentos de maior complexidade, assim como acompanhamento domiciliar por 
períodos maiores (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). 
Os pacientes atendidos nesta modalidade de serviço, são aqueles com quadros 
mais graves, necessitando de cuidados mais complexos, com utilização de 
tecnologia, ou seja, materiais e técnicas indo além da assistência da atenção 
primária. Esta assistência deve disponibilizar equipamentos, medicamentos, 
acompanhamento adequado além de apoio da área hospitalar e pré-hospitalar – 
Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), para atendimento de 
intercorrências podendo ocorrer fora do período de atendimento. É considerável 
lembrar que a internação domiciliar não substitui a internação hospitalar (BARROS, 
2012). 
A implantaçãodo programa tem por justificativa a crise no âmbito hospitalar, 
onde ocorre a busca pela resolutiva dos problemas agudos e assistência de acordo 
com a demanda. Assim, acaba-se por necessitar da melhora dos recursos de saúde, 
aumento no número de leitos, diminuição de custos, com a mudança no perfil da 
população. Deste modo, com o aumento da expectativa de vida passou-se a ter 
uma população cada vez mais idosa e em consequência, o aumento das doenças 
crônico não transmissíveis (DCNT), necessitando do fortalecimento dos princípios 
legais e fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) (LACERDA et al., 2006). 
 Essas doenças, além de deixarem sequelas, levam a mortalidade, tendo no 
Brasil, no ano de 2013, 72,6% dos óbitos causados pelas DCNT (SIM 2015), 
ocorrendo a lentidão da redução destas taxas, exatamente por se ter o 
envelhecimento da população com o surgimento de outros influentes como o 
diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, câncer e outras mais. Com relação 
a mortalidade hospitalar, dados de fevereiro de 2014, trazem os problemas crônicos, 
como a maior taxa de mortalidade em relação a outras especialidades – 30,49% 
(BÔAS, 2014). 
 O atendimento em domicílio oferece ao paciente uma melhor qualidade de vida, 
sendo mais tranquilo se comparado ao atendimento hospitalar, com menor risco de 
infecção, além da redução do número de reinternações dos pacientes participantes 
do programa (SILVA et al., 2005). 
Na atenção domiciliar, é importante considerar todos os objetivos (prevenção, 
promoção e reabilitação da saúde), ocorrendo a divisão do cuidado ao paciente 
13 
 
 
entre Estado e família, buscando sempre a humanização, sendo realizada de acordo 
com situação clínica do paciente (BAJOTTO et al., 2012). 
A realização dessa pesquisa justifica-se pela necessidade de se identificar as 
principais causas de adoecimento do idoso em situação de internação domiciliar, 
contribuindo para a criação de novas estratégias para reduzir esse risco, seja em 
âmbito de políticas públicas ou de cuidados desenvolvidos pelos profissionais dos 
serviços de saúde. 
Qual o perfil dos idosos que foram atendidos na internação domiciliar? Quais as 
principais patologias acometeram esses idosos? Quais os principais procedimentos 
de Enfermagem realizados durante a internação domiciliar? 
Para responder estas questões, a dissertação foi estruturada no 
"modelo Escandinavo", denominado de "modelo alternativo" no Programa de Pós-
Graduação em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília (UCB). 
Esta dissertação está composta por introdução, revisão de literatura, objetivos, 
artigo científico, conclusão e bibliografia da dissertação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
CAPITULO I 
1 REVISÃO DA LITERATURA 
1.1 ENVELHECIMENTO NO MUNDO E NO BRASIL 
 
Envelhecer é um processo natural, onde ocorrem mudanças irreversíveis na 
estrutura e no funcionamento de um organismo, como resultado da passagem do 
tempo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica idosos como sendo os 
indivíduos com 65 anos ou mais, para os países centrais e a partir dos 60 anos, para 
os países periféricos (ONU, 1982). No Brasil, idoso é definido como pessoa com 
idade maior ou igual a 60 anos (BRASIL, 2003). 
Segundo as projeções do Banco Mundial, a população idosa mais que 
triplicará nas próximas quatro décadas, passando de menos de 20 milhões em 2010 
para cerca de 65 milhões em 2050. Os idosos, onde em 2005 compunham 11% da 
população em idade ativa, somarão 49% em 2050, ao passo que a população em 
idade escolar diminuirá de 50% para 29% no mesmo período. Essas variações na 
estrutura etária da população resultarão em maiores pressões fiscais sobre os 
sistemas públicos de saúde e previdência social (VERAS, 2012) 
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que até o ano de 2025, o 
Brasil será o sexto país no mundo, em número de idosos. Entre 1980 e 2000, a 
população com 60 anos ou mais, cresceu de 7,3 milhões para 14,5 milhões e, ao 
mesmo tempo, a expectativa média de vida aumentou no país. O aumento do 
número de idosos e expectativa de vida necessitam ser acompanhados pela 
melhoria e manutenção da saúde e qualidade de vida, pois a desinformação sobre a 
saúde do idoso ainda é grande e seus desafios também (WHO, 2005). 
Segundo dados, a população idosa feminina alcançou 55,5% da população e 
61% da população acima de 80 anos (IBGE, 2011). A expectativa de vida da mulher 
sobrepõe em 8 anos em comparada ao homem, onde pode-se considerar alguns 
fatores como a morte violenta na juventude – homens em mais de 90% dos casos e 
a procura e acompanhamento médico mais comum por mulheres (BANDEIRA, 
MELO; PINHEIRO, 2010). Estudos demográficos mostram outro fator a se 
considerar, o consumo de álcool e tabaco, além do histórico: homens indo à guerra, 
mulheres cuidando dos filhos e familiares e muitas delas, em detrimento a guerra, 
ficando sem seus companheiros (FERRIGNO, 1988). 
15 
 
 
Em se tratando de mulheres, estas podem ser as maiores dependentes dos 
cuidados, pois geralmente são viúvas, com pouca ou nenhuma experiência no 
mercado de trabalho, com grau de instrução e escolaridade reduzido findando por 
apresentarem as piores condições de saúde (CAMARANO, 2004). 
De acordo com os últimos dados do Censo (IBGE, 2010), 28.576 pessoas são 
centenárias no Brasil. Vieira (2003) acredita ser uma das grandes questões do 
envelhecimento, a perda dos ideais e a velocidade dos fatos e das mudanças sociais 
do mundo moderno, globalizado e informatizado, longe de ser a presença de 
doenças. 
A expectativa média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos 
para 81 anos. De acordo com o IBGE, as mulheres continuarão vivendo mais do que 
os homens. Em 2060, a expectativa de vida delas será de 84,4 anos, contra 78,03 
dos homens (IBGE, 2011). 
Segundo Vieira (2003), a melhoria das condições gerais de vida, o 
saneamento básico, as quedas nas taxas de mortalidade e natalidade devido á 
mudança no padrão reprodutivo da sociedade pela presença feminina no mercado 
de trabalho, os avanços tecnológicos que trouxeram novos recursos diagnósticos, os 
avanços na medicina, cirurgia e farmacologia, promovendo intervenções 
terapêuticas e assistenciais mais efetivas, tem levado a um expressivo número de 
pessoas a atingir faixas etárias cada vez mais elevadas. 
Segundo Berkow et al. (2001), a maioria das funções biológicas relacionadas 
à idade atingem um pico com menos de 30 anos de idade e pode declinar 
gradualmente, de uma forma linear; embora esse último declínio possa ser crítico, 
durante o estresse, não apresenta nenhum efeito na atividade diária. Assim, a 
doença, mais do que a idade normal, é o determinante principal da perda funcional 
na idade avançada. 
Para muitos idosos, essa fase é marcada pela fragilidade, caracterizada por 
fraqueza muscular, fadiga e baixa tolerância aos estressores físicos e psicológicos, 
sinalizando uma condição de saúde vulnerável, os colocando em risco de quedas, 
incapacidade e morte antecipada. Nesse contexto, o apoio familiar e o cuidado 
domiciliar é essencial (ESPINOZA; WALSTON, 2005). 
As limitações decorrentes desta fase, ocasionam aos indivíduos perdas 
cognitivas e funcionais com o avançar da idade, demandando cuidados domiciliares 
e mudanças no cotidiano de muitas famílias. A doença para muitas famílias surge 
como uma grande ameaça à sua integridade e equilíbrio. Muitos familiares veem 
16 
 
 
essa condição como um período marcado por sensação de peso, trazendo 
sentimentos como medo da perda, da dependência e do despreparo para o cuidado, 
sendo, geralmente, uma tarefa árdua, podendo trazer consequências para o 
cuidador daquele idoso e família. 
Berkow et al. (2001), abordam bem essas questões, especialmente no que diz 
respeito ao pensamento dos idosos. É importante os familiares ficarem atentos para 
queixas dos mesmos,para assim, lhes garantirem cuidados e melhor qualidade de 
vida. 
Para estudiosos, houve melhor adaptação da família quando a situação 
geradora da dependência aconteceu de forma lenta e gradual, como na demência, 
por exemplo, comparando quando ocorreu de forma súbita, como no acidente 
vascular cerebral (AVC) (BRITO; RABINOVICH, 2008; SALGUEIRO; LOPES, 2010). 
Vieira (2003) descreve esse crescente aumento dos idosos, tem trazido 
reflexos positivos e negativos para a vida familiar e social. Ela cita infelizmente o 
Brasil, como não estando suficientemente preparado para atender às demandas 
específicas desta população, pois além de ter sido um processo extremamente 
rápido, o envelhecimento populacional disputa recursos públicos com outros 
segmentos sociais os quais também ainda não tiveram suas necessidades 
atendidas. 
Em se tratando de cuidador, cuidados domiciliares a idosos e o idoso com 
dependência em domicílio, é assunto relativamente novo no Brasil, emergindo a 
partir da década de 80. A Politica Nacional do Idoso pouco se refere à população 
idosa portadora de dependência, tendo o Brasil, sistema precário de suporte formal 
a esses idosos e seus familiares. Uma das principais consequências é o suporte 
informal a essas pessoas. A partir dessa situação, o Ministério da Saúde lançou o 
Guia Prático do Cuidador, orientando os mesmos sobre a prestação de cuidados aos 
idosos dependentes no domicílio, tornando cada vez mais a família responsável pelo 
cuidado (SILVEIRA; CALDAS; CARNEIRO, 2008). 
O evolucionismo de Charles Darwin no século XIX foi o responsável pela 
separação da vida humana em faixas etárias, tornando o conceito de degeneração 
fundamental dentro do processo biológico (LIMA, 1996). Foi Darwin quem associou 
o envelhecimento à decrepitude e decadência. O idoso, ao se referir às vivências 
frente ao processo de envelhecimento, frequentemente associa esse processo 
natural à experiência predominantemente negativa. Para alguns idosos, a velhice é 
sinomino de vulnerabilidade, insuficiência, incapacidade, limite, perda, solidão, 
17 
 
 
dependência, medo e abandono e subordinação (GOLDARB, 2005). 
Sabe-se que o rápido envelhecimento nos países em desenvolvimento é 
acompanhado por mudanças substanciais e dramáticas na estrutura e no contexto 
familiar. Com o advento da urbanização, migração de jovens para cidades para 
buscarem trabalho, famílias menores e com mais mulheres tornando-se força de 
trabalho formal, significam menos pessoas disponíveis para cuidar das pessoas 
idosas. Sendo assim, um dos grandes desafios para os tempos atuais é a 
implementação de políticas de envelhecimento ativo, sendo estas, definidas como o 
processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, cujo 
objetivo é melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas vão envelhecendo 
(WHO, 2005). 
No século XXI, o envelhecimento da população mundial, é um aspecto de suma 
importância, onde a expectativa de vida está aumentando, tendo como contrapartida 
o declínio da taxa de fecundidade na maioria das regiões. Esta modificação 
demográfica poderá gerar grande impacto no Brasil, devido a necessidade de o 
setor público conhecer melhor a função destes na sociedade, as necessidades para 
alcançarem o bem-estar além da interferência no crescimento econômico (JACINTO; 
RIBEIRO, 2015). 
A principal consequência da longevidade são situações de saúde/doença as 
quais anteriormente eram pouco expressivas ou pontuais. A partir daí, começaram a 
ocorrer preocupações maiores em relação à qualidade de vida dos idosos com 
tempo de vida mais extenso (CAMARANO; PASINATO, 2004). 
Essas questões chamam à reflexão acerca do envelhecimento, constituindo 
um desafio não somente para o Estado, bem como para pessoas e coletividade em 
geral. A OMS aconselha enfrentar esse fenômeno assumindo a inclusão como 
componente estruturante do desenvolvimento e futuro de uma sociedade 
(FONSECA; MERCADANTE, 2015). 
A velhice representa a última etapa do ciclo vital, com isso, tem seus aspectos 
positivos e negativos, suas satisfações e suas dificuldades. A velhice não deve ser 
considerada como sinônimo de enfermidade. As formas e características como se 
vive nesse período, estão condicionadas em grande parte pela imagem social 
predominante em cada cultura, mais do que pelos aspectos intrínsecos de cada 
pessoa. Este período começa a partir dos 60 anos, de acordo com as convenções 
vigentes, tem um desenvolvimento e duração incerta (SEPP, 2007). 
18 
 
 
Com o crescimento da população idosa, torna-se necessário pensar sobre 
suas condições de vida, habitação, renda, rede de suporte social e familiar e de 
saúde. Muito embora a imensa maioria das pessoas com 60 anos ou mais sejam 
relativamente independentes e fisicamente aptas, algumas apresentam 
incapacidades ou dependência importantes (20% apresentam alguma deficiência ou 
dependência para as atividades da vida diária ou para as atividades instrumentais). 
Uma velhice saudável depende da manutenção da saúde ao longo de todo o ciclo 
vital e não da adoção de procedimentos paliativos no final da vida (SEPP, 2007). 
A Lei 9.892 de 10 de setembro de 1997 estabeleceu, na implementação da 
Política Estadual do Idoso, sendo de competência dos órgãos públicos executarem 
programas e criar as normas que regem os serviços prestados aos idosos pelas 
instituições geriátricas, considerando que essas instituições geriátricas e similares 
de atendimento às pessoas idosas, devem se destinar principalmente à prestação 
de serviços, objetivando a promoção, a proteção da saúde, a prevenção de doenças, 
a recuperação e a reabilitação da saúde das pessoas idosas. 
De acordo com Brunner e Suddarth (2015), a promoção da saúde é tão 
importante para o idoso, como o é para as pessoas de outras faixas etárias. Os 
enfermeiros, a julgar pela sua sapiência em saúde e em atenção à saúde e por sua 
grande e longa credibilidade junto aos usuários, têm um papel fundamental na 
promoção da saúde. Em muitas situações, elas iniciam os programas de promoção 
da saúde ou participam com outras pessoas da área da saúde no desenvolvimento e 
na provisão de serviços de bem-estar em vários locais. Como profissionais de 
saúde, os enfermeiros têm a responsabilidade de promover atividades as quais 
favoreçam o bem-estar, a auto realização e o desempenho pessoal. Toda a 
interação com os usuários de saúde deve ser vista como uma oportunidade de 
promover atitudes e comportamentos de saúde positivos. 
Cabe ao profissional que vai lidar com o idoso ter consciência da importância 
do seu papel junto a essas pessoas. Quando bem preparados, como definiu Brunner 
e Suddarth (2015), favorecem o bem-estar dos idosos. 
Para o Ministério da Saúde (2010), 20% dos idosos apresentam alguma 
deficiência ou dependência para as atividades da vida diária ou para as atividades 
instrumentais. 
1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PESSOA IDOSA 
 
19 
 
 
Segundo Gomes (2009), as políticas públicas são ações assumidas por 
governos, instituições públicas ou estatais contando ou não com a participação da 
sociedade com vistas a concretizar os direitos humanos e coletivos ou ainda, os 
direitos sociais garantidos por lei. Não é possível falar em política pública, sem falar 
na relação entre Estado e sociedade. Ela compreende tudo o que o Estado realiza 
ou deixa de realizar, como os investimentos, os segmentos beneficiados ou 
excluídos pelos serviços. Nessa compreensão, as políticas podem oportunizar 
melhoria da qualidade de vida população redistribuindo renda, ou privilegiando 
setores da sociedade. 
Santos e Silva (2010) referem que as políticas sociais compreendem ações 
governamentais desenvolvidas em conjunto por intermédio de programa que 
proporcionam a garantia de direitos e condições dignas de vida ao cidadão de forma 
igualitária e justa. Essas políticas asseguram à população exercíciode direito e 
cidadania como educação, saúde, trabalho, assistência social, previdência social, 
justiça, agricultura, saneamento, habitação população e meio ambiente. 
Para Gomes (2009), o primeiro marco de conquistas relacionadas aos direitos 
dos idosos ocorreu em 10 de dezembro de 1948, quando a Assembleia Geral das 
Nações Unidas adotou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
Para a autora, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, não 
havendo distinção de raça, sexo, cor, língua, religião, política, riqueza ou de 
qualquer outra natureza, e prescreve, no artigo 25º, os direitos dos idosos. 
Guerra (2004) complementa os achados da autora acima, descrevendo que 
todos têm direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde 
e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os 
serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança, em caso de desemprego, 
doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de 
subsistência em circunstâncias fora de seu controle e esses direitos 
consequentemente, alcançam o idoso também. 
Para Santos e Silva (2013), políticas públicas voltadas para o idoso trazem a 
ideia de compartilhamento de responsabilidades, envolvem tanto a família, a 
sociedade, a comunidade, quanto o Estado. Segundo as autoras, o envelhecer 
ganha destaque na discussão e elaboração das políticas sociais de assistência e 
saúde. Essa temática tem como marco inicial a I Assembleia Mundial sobre 
Envelhecimento, da Organização Mundial das nações Unidas (ONU), realizada em 
1982 em Viena-Áustria, cujo fórum contou coma participação de 124 países, 
20 
 
 
incluindo o Brasil. Nesse evento foi elaborado o Plano de Ação para o 
Envelhecimento, um importante documento de estratégias e recomendações 
prioritárias nos diversos aspectos envolvendo o processo de envelhecimento. 
Já para Fonseca e Mercadante (2015), as políticas sociais e de saúde, no 
entanto, vêm se centrando em uma visão essencialmente reparadora das 
capacidades físicas e mentais, com uma visão única da velhice, associada a ideia de 
doença e fragilidade, não favorecendo a integração desta fase da vida na 
continuidade da existência dos sujeitos. Ao contrário, para os autores, essas 
políticas reforçam a fixação das imagens que desvalorizam a velhice e o ser velho. 
Tanto a ciência, quanto as políticas, valorizam muito pouco o envelhecimento como 
oportunidade e ressaltam as perdas e declínios. Essa visão é fruto de preconceitos 
os quais corroboram para a consolidação de imagens estigmatizantes e 
reducionistas do processo de envelhecimento. 
1.2.1 Constituição da República Federativa do Brasil e os direitos dos idosos 
 
Dentre as políticas públicas voltadas para o idoso, no Brasil, a Constituição 
Federal de 1988, lei fundamental e suprema do Estado, declara todos os direitos e 
deveres dos cidadãos, independentemente da idade. Percebe-se que os direitos da 
pessoa idosa estão previstos no texto constitucional. Alguns artigos da Carta Magna 
referentes ao idoso são destacados a seguir: 
O Artigo 3º, inciso IV – Dispõe que é objetivo fundamental do Estado 
“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer 
outras formas de discriminação”. Já o artigo 7º, proíbe “diferença de salários, de 
exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou 
estado civil”. No Artigo 14º faculta-se o direito de votar aos maiores de 70 anos. 
Já o Artigo 201º deixa claro, a previdência social atenderá, entre outros 
eventos, à cobertura de doenças, invalidez, morte e idade avançada (inciso I). 
Estabelece, ainda, o tempo de contribuição para homens, mulheres e trabalhadores 
rurais (parágrafo 7º). O artigo 203º afirma “a assistência social será prestada a quem 
dela precisar, independentemente de contribuição à seguridade social”, e relaciona, 
entre seus objetivos, “a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência 
e à velhice”. Esse artigo assegura ainda um salário “mínimo de benefício mensal à 
pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprove não possuir meios de 
21 
 
 
prover a própria manutenção, ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser 
a lei”. 
Como é possível verificar na leitura da Constituição de 1988, são muitos os 
direitos voltados para a pessoa idosa. Camarano e Pasinato (2004) apontam que o 
envelhecimento populacional se encontra presente na agenda das políticas públicas 
no Brasil e no mundo. 
Ao se fazer uma relação entre a família e o idoso, o artigo 229º da 
Constituição Federal mostra claramente que os pais têm o dever de assistir, criar e 
educar seus filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os 
pais na velhice, carência ou enfermidade. Percebe-se então, a obrigatoriedade dos 
filhos ampararem seus pais na última fase da vida e esse amparo deve ser livre de 
qualquer tipo de violência, abuso ou opressão. 
Gomes (2009) refere que a Constituição estabelece os programas de amparo 
aos idosos os quais serão executados preferencialmente em seus lares, garantindo, 
inclusive, a gratuidade dos transportes coletivos urbanos aos maiores de 65 anos. 
1.2.2 Política Nacional do Idoso 
 
A Política Nacional do Idoso (PNI) foi promulgada pela Lei nº 8.842, de 4 de 
janeiro de 1994. Essa lei assegura no artigo 1º os direitos sociais do idoso, criando 
condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na 
sociedade A referida lei, no entanto, não traz qualquer discussão acerca do tema da 
violência. Siqueira (2004) descreve a falta desse assunto na lei, onde provavelmente 
ocorreu por se tratar de um documento relativamente antigo, na época em que as 
questões relativas à violação dos direitos da pessoa idosa não estavam na pauta 
nem das Políticas de Direitos Humanos. 
Mello Jorge (2002) aponta o que mais se aproxima do tema violência contra a 
pessoa idosA se encontra no item sobre atendimento pré-hospitalar. Tem-se nesse 
caso, uma visão preventivista, não tendo, portanto, referência direta aos agravos 
violentos. Assim, o autor destaca o artigo 10º da PNI apontando a necessidade de 
se garantir ao idoso o atendimento nos diversos níveis de serviços do Sistema Único 
de Saúde (SUS), destacando-se para a implementação de ações de prevenção, 
promoção e recuperação da saúde do idoso, mediante programas e medidas 
preventivas. 
22 
 
 
Segundo Gomes (2009), a referida lei cumpre sua missão, entre outras 
estratégias, quando atribui competências a órgãos e entidades públicos, sempre de 
forma alinhada a suas respectivas funções. A lei determina que cada Ministério, 
conforme competências e especificidades devem elaborar propostas orçamentárias 
visando ao financiamento de programas compatíveis e integrados voltados aos 
idosos, promovendo, inclusive cursos de capacitação, estudos, levantamentos e 
pesquisas relacionadas à temática da velhice e envelhecimento, em suas diversas 
faces. 
Essa Política apresenta como propósito basilar a promoção do 
envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade 
funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde dos 
adoecidos e a reabilitação daqueles que venham a ter sua capacidade funcional 
restringida, de modo a lhes garantir permanência no meio em que vivem, exercendo 
de forma independente suas funções na sociedade (BRASIL, 1999). 
No entanto, ainda existem grandes desafios, dentre eles, a operacionalização 
deste propósito e de suas diretrizes dentro do contexto atual, as quais devem 
nortear as ações do setor saúde. Dentre as diretrizes, destacam-se a assistência às 
necessidades de saúde do idoso e a capacitação de recursos humanos 
especializados, já que, por meio da capacitação profissional, a assistência às 
necessidades da população tende a ser ofertada de modo eficientee adequada 
(RIBEIRO DE CASTRO; ALMEIDA DE FIGUEIREDO, 2009). 
1.2.3 Estatuto do Idoso 
 
Segundo Minayo (2003), o Estatuto do Idoso foi sancionado na Lei nº 10.741, 
de 01 de outubro de 2003 e assegurou direitos específicos às pessoas com idade 
igual ou superior a 60 anos. Esse documento legal é bastante amplo e seu 
cumprimento significa uma tentativa de estabelecer orientações e diretrizes para a 
atuação dos órgãos públicos e da sociedade civil e de coibir as diferentes formas de 
violência. 
 A autora reforça que o Estatuto afirma em seu artigo 3º a obrigação da 
família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com 
absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à 
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à 
dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. 
23 
 
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (2002), o idoso é definido a partir 
da idade cronológica, portanto, idosa é aquela pessoa com 60 anos ou mais, em 
países em desenvolvimento e com 65 anos ou mais em países desenvolvidos. O 
Ministério da Saúde (2005) reconhece que a idade cronológica não é um marcador 
ideal para as mudanças às quais acompanham o envelhecimento, pois existem 
diferenças significativas relacionadas ao estado de saúde, participação e níveis de 
independência entre pessoas possuintes da mesma idade. 
Justo e Rozendo (2010) apontam que o Estatuto do Idoso foi criado como 
decreto-lei a partir de disposições sobre o idoso contidas na Constituição de 1988, 
assumindo um papel fundamental na maneira como a velhice é vista e tratada na 
sociedade brasileira. 
Withaker (2010) complementa referindo que esse Estatuto traz um novo e 
compreensivo olhar em relação ao idoso, o fazendo passar a ser visto como sujeito 
de direitos, ou pelo menos como tal. 
Portanto, Torres et al. (2015) descrevem que Estatuto do Idoso representa a 
garantia dos direitos inerentes à pessoa humana, vindo a promover a integração, a 
autonomia e a participação ativa dos idosos na sociedade e no processo saúde-
doença. Em face de forte tendência tanto mundial quanto brasileira do 
envelhecimento, onde tem provocado mudanças estruturais em relação a idade dos 
sujeitos, tem-se gerado olhares significativos, tornando cada vez mais visível o 
estágio de vulnerabilidade social dos idosos. Diante desse aspecto, geram-se 
impactos sociais com dimensões amplas, precisando ser analisados de uma forma 
multidimensional. 
1.3 VULNERABILIDADE DO IDOSO 
 
 Ao se falar de vulnerabilidade, é necessário conhecer o seu conceito, onde a 
palavra vem do latim vulnerare = ferir e vulnerabilis = que causa lesão. 
(BARCHIFONTAINE, 2006). Assim, pode-se estabelecer como sendo a 
susceptibilidade de ser prejudicado, atacado, ferido, ofendido ou ainda a resposta de 
sofrer um dano mediante a resposta de um estímulo (BARCHIFONTAINE, 2007) 
 Vulnerabilidade é definida como o estado de indivíduos ou grupos que, por 
algum motivo, têm sua capacidade de autodeterminação reduzida, vindo a 
apresentar dificuldades para proteger seus próprios interesses em virtude de déficits 
24 
 
 
de poder, inteligência, educação, recursos, força ou outros atributos 
(BARCHIFONTAINE, 2006; NEVES, 2007). 
 Ayres et al. (2006) trazem como ponto de vista três categorias de 
vulnerabilidade, sendo elas, individual, social e programática, para explicar a 
exposição de determinadas populações ao risco para doenças. A vulnerabilidade 
individual compreende os aspectos biológicos, emocionais, cognitivos, atitudinais e 
referentes às relações sociais. A social se caracteriza por aspectos culturais, sociais 
e econômicos determinando as oportunidades de acesso a bens e serviços, já a 
vulnerabilidade programática refere-se aos recursos sociais necessários para a 
proteção do indivíduo a riscos à integridade e ao bem-estar físico, psicológico e 
social. A vulnerabilidade depende da combinação dos elementos dos três domínios 
no momento atual. Depende também das experiências relativas a cada um deles, no 
passado, e de como as pessoas lidaram e lidam com as facilidades e as dificuldades 
da vida (AYRES et al., 2006). 
 Deve-se considerar na vulnerabilidade individual, o declínio funcional do idoso, 
onde muitas vezes, vem acompanhado de um grau de dependência elevada, 
necessitando assim de um cuidador para auxiliá-lo nas atividades diárias. Esta 
condição remete a família a uma nova divisão de papéis e funções para o exercício 
do cuidado (VAISTIMA; ANDRADE; FARIAS, 2009). 
 Insuficiência de recursos, ambientes degradantes de moradia, dentre outros, 
potencializam os riscos a problemas de saúde, como a depressão, por exemplo. 
Essa condição é observada especialmente quando o idoso perde o poder de decisão 
sobre aspectos da sua vida, do seu cotidiano, caracterizando uma situação de 
dependência, e consequentemente, maior vulnerabilidade (CAMARANO; 
PASINATO, 2004). 
 As alterações que ocorrem no processo de envelhecimento são diferentes em 
cada pessoa, onde as mudanças biológicas deixam o idoso mais susceptível ás 
patologias, não conseguindo manter a estabilidade do organismo, tornando-o mais 
vulnerável, podendo inclusive chegar á morte (ANDREOLLI, et al., 1998). As 
síndromes geriátricas a imobilidade, as quedas, a demência, a incontinência e a 
iatrogenia, deixam os idosos mais vulneráveis, tendo um aumento da dependência 
tanto dos profissionais da saúde como dos próprios familiares (LITVOC; DERNTL, 
2002). 
25 
 
 
 Para Rodrigues e Neri (2012), condições socioculturais e econômicas interagem 
com os processos biológicos ao longo da vida, determinando vulnerabilidade ou 
resiliência na velhice. 
 Com o aumento da população idosa, ocorre a preocupação, da sociedade não 
saber lidar e dispor de condições para o idoso se tornar um ser independente. No 
caso do idoso doente e vulnerável que passou por hospitalização ao receber alta e 
necessitará de Atendimento Domiciliar, precisará de um cuidador, passando a 
família a modificar seu papel de envolvimento frente a este integrante, onde nesta 
hora o idoso se sente incapaz, ansioso, depressivo, com sentimentos totalmente 
negativos. Diante deste contexto é comprovada a deficiência de profissionais 
especializados na área gerontológica para lidar com esta população, onde cursos de 
qualificação também são extintos (KARCH; LEAL, 1998). 
 Esforços para a manutenção da máxima capacidade multidimensional do ser 
humano que envelhece, valorizando a autonomia e da autodeterminação do idoso, a 
preservação da independência física e mental do idoso, a prevenção e 
acompanhamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s), tem como 
principal consequência uma velhice saudável (SANTOS et al., 2010). 
 Para se ter sucesso no processo de atendimento domiciliar é necessário um 
envolvimento entre o idoso, a família, a comunidade e a equipe multidisciplinar, 
levando ao cumprimento do plano proposto, tendo total ciência dos envolvidos no 
programa (PAZ; SANTOS, 2003). 
 
1.4 DOENÇAS PREVALENTES NO IDOSO 
 
 Os problemas de saúde dos idosos desafiam os modelos de cuidado na medida 
em que a sociedade envelhece. Na contramão desse fato, avanços da tecnologia e 
da ciência da saúde oferecem àqueles que utilizam as modernas ferramentas para a 
manutenção da saúde a chance de viver mais e em melhores condições. Dessa 
forma, estratégias de prevenção ao longo de todo o curso da vida se tornaram mais 
importantes para resolver os desafios de hoje e, de forma crescente, os de amanhã 
(VERAS, 2009). 
 Muitos idosos são acometidos por doenças e agravos crônicos não 
transmissíveis (DANT) - estados permanentes ou de longa permanência, requerendo 
acompanhamento constante, pois, em virtude da sua natureza, não têm cura. Essas 
26 
 
 
condições crônicas tendem a se manifestar de forma expressiva na idade mais 
avançadae, de forma frequente, estão associadas (comorbidades). Essas situações 
podem gerar um processo incapacitante, vindo a afetar funcionalidade das pessoas 
idosas, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho de suas atividades diárias 
de forma independente. Ainda que não sejam fatais, essas condições geralmente 
tendem a comprometer de forma significativa a qualidade de vida dos idosos 
(BRASIL, 2006). 
 Um número considerável de idosos têm doenças associadas ao envelhecimento, 
como osteoporose e mal de Alzheimer, problemas crônicos degenerativos. Mulheres 
após a menopausa têm mais possibilidade de terem osteoporose em comparação 
aos homens. A preocupação com as doenças, ter um problema ou outro de saúde é 
algo que atinge muito mais idosos (de ambos os sexos) se relacionado aos adultos 
(VERAS, 2009). 
 O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de 
diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos, sendo a senescência, 
onde em condições normais, não costuma provocar qualquer problema ao idoso. No 
entanto, em condições de sobrecarga como, por exemplo, doenças, acidentes e 
estresse emocional, pode ocasionar uma condição patológica requerendo 
assistência - senilidade. Cabe ressaltar que certas alterações decorrentes do 
processo de senescência podem ter seus efeitos minimizados pela assimilação de 
um estilo de vida mais ativo (BRASIL, 2006). 
 As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s) podem afetar a funcionalidade 
das pessoas idosas. Estudos mostram a dependência para o desempenho das 
atividades de vida diária (AVD) as quais tendem a aumentar cerca de 5% na faixa 
etária de 60 anos para cerca de 50% entre os com 90 ou mais anos. Dentro do 
grupo das pessoas idosas, os denominados mais idosos, muito idosos ou idosos em 
velhice avançada (idade igual ou maior que 80 anos), também vêm aumentando 
proporcionalmente e de forma muito mais acelerada, constituindo o segmento 
populacional mais crescente nos últimos tempos, 12,8% da população idosa e 1,1% 
da população total (BRASIL, 2006). 
 Cada pessoa vive o seu próprio processo de envelhecimento e as partes do 
corpo envelhecem de diferente maneira, podendo algumas envelhecer de forma 
mais rápida que outras. As DCNT’s são as principais causas de morte nos países 
desenvolvidos e nas grandes cidades do Brasil. Entre essas doenças encontram-se 
as às cardiovasculares, os cânceres, o diabetes mellitus. Transições demográficas, 
27 
 
 
os hábitos de vida além de mudanças no perfil epidemiológico, ocorridas desde o 
século passado, determinaram um perfil de risco em que as DCNT como diabetes e 
hipertensão assumiram um grande crescimento e preocupação, sendo condições 
prevalentes e importantes problemas de saúde nos idosos. Além disso, dentre os 
diversos transtornos que afetam os idosos, a depressão também merece atenção 
especial, uma vez que apresenta frequência elevada e consequências negativas 
para a qualidade de vida dos indivíduos acometidos (GAZALLE et al. 2004). 
 Outra patologia que acomete de forma significativa a população idosa é a 
Doença de Alzheimer (DA), que é um tipo de demência senil, de declínio cognitivo 
crescente e irreversível, com múltiplos déficits cognitivos, dos quais um 
obrigatoriamente é a memória, suficientemente intensos para causar impacto nas 
atividades de vida diária (AVDs), excluindo outras doenças que poderiam explicar os 
sintomas observados (APA, 2002). 
 À medida que a doença progride, o paciente passa a ter dificuldades para 
desempenhar tarefas simples, como utilizar utensílios domésticos, vestir-se, cuidar 
da própria higiene e alimentação. Já na fase final, o idoso apresenta distúrbios 
graves de linguagem e fica restrito ao leito. Em cada uma destas etapas sucessivas, 
pode-se observar gradativa perda da autonomia, e consequente aumento das 
necessidades de cuidados e supervisão de cuidadores (PETERSEN, 2006). 
 Segundo Thumé et al. (2010 apud WACHS et al., 2016), a presença de 
condições crônicas como a hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus 
aumentou em cerca de 40% a probabilidade de recebimento de atenção domiciliar 
entre os idosos. Os autores referem essa probabilidade estando associada à baixa 
escolaridade e condições crônicas, expressa por multimorbidades, onde acabam por 
aumentar a complexidade dos desafios tanto da expansão da atenção domiciliar na 
rede de atenção à saúde do SUS, quanto sua efetividade, em contextos de maior 
vulnerabilidade social. 
 Portanto, um dos grandes desafios para a atenção à pessoa idosa advém do 
fato de que quanto mais envelhece, mais diferente se torna. O agrupamento de 
indivíduos com história biológica, psí- quica e social distinta em uma mesma faixa 
etária resulta em grande heterogeneidade de características e demandas. O 
atendimento, dessa forma, requer a compreensão da individualidade do idoso e 
atenção para com a situação de complexidade clínica frequentemente encontrada 
com o envelhecimento sendo os mecanismos de adaptação, vulnerabilidade 
28 
 
 
orgânica, apresentação atípica de doenças e maior suscetibilidade à iatrogenia 
(SHINKAI et al., 2000) 
 
1.5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR 
 
Alguns historiadores colocam que a atenção domiciliar é algo existente desde a 
antiguidade caminhando junto com o processo cuidar. Na medicina existem 
referências do cuidado domiciliar com um médico chamado Imhotep, onde além de 
realizar as visitas domiciliares, também foi o responsável por atender a família do 
Faraó nas dependências do Palácio no século XIII a.C, tendo neste período vivido 
por ele a magia e medicina praticadas em conjunto (TAVOLARI, 2000). 
Segundo Tavolari, outros atendimentos domiciliares foram realizados 
posteriormente como é o caso do médico Asklépios (Grécia Antiga) e seus 
sacerdotes (Asclepíades) os quais atendiam no templo, onde tinham materiais e 
medicamentos destinados a cura, podendo ser considerados as estruturas iniciais 
dos conhecidos hoje como hospitais, assim mais tarde foram dando lugar a uma 
medicina mais sólida (racional) com o conhecido Hipócrates. 
Conhecido como o “pai da medicina”, Hipócrates levou a dissociação da 
medicina intuitiva e mística para uma medicina indutiva, observativa e com inspeção, 
onde no século V a.C, descreveu um tratado sendo referência para o atendimento 
em domicílio (CAIRUS; RIBEIRO, 2005). 
Outro fato importante com relação ao Atendimento Domiciliar é a formação da 
Ordem da Virgem Maria pelo padre São Francisco de Sales fundou em Paris (1567-
1622), onde uma associação de mulheres passaram a realizar visitas nas casas dos 
doentes para realização de ações simples como alimentação, higiene e auxílio nas 
vestimentas. Com isso houve o surgimento do St. Josephs’s Convent dando 
continuidade nas visitas domiciliares aos enfermos (ANCP, 2009). Outro contribuinte 
para a prática foi o médico Samuel Hannemann (1755 – 1843), precursor da 
homeopatia, onde passou a visitar seus pacientes em casa, observando o ambiente 
em que viviam para receitar o tratamento adequado para cada situação presenciada 
(TAVOLARI,2000). 
O Home Care teve início nos Estados Unidos da América (EUA), foi colocado em 
prática pela primeira vez na região de Boston, em 1796, pela Boston Dispensary, 
onde eram prestados serviços aos pobres e enfermos, ao invés de serem tratados 
29 
 
 
nos hospitais, sendo considerados locais infestados pela peste, onde eram enviados 
para morrer. Em 1832, na Filadélfia, foi criada a instituição onde mulheres piedosas 
eram preparadas como enfermeiras para atender mulheres indigentes no domicílio. 
Tal ação em junção com demais com o mesmo estilo levaram ao surgimento da 
primeira Associação de Enfermeiras Visitadoras (Visiting Nurses Association – VNA) 
em 1885. Já em 1877 foi criada a The News York City Mission, considerada iniciante 
no modelo moderno de Home Care americano, onde em 1912 jáse tinha cerca de 
três mil enfermeiras visitadoras para o atendimento de Saúde Pública / Atendimento 
Domiciliar (LEME, 2005). 
Por volta de 1930 os serviços de Home Care começaram a decair nos EUA, onde 
o tratamento em âmbito hospitalar passou a comandar o sistema norte americano de 
saúde (RICE, 2001). O serviço só começou a ressurgir em 1964, devido ao 
atendimento hospitalar ter se tornado muito oneroso para os planos de saúde 
(LEME, 2005). Assim em meados de 1980, os administradores de planos de saúde, 
realmente passaram a ver os serviços de Home Care como algo positivo, 
possibilitando a redução nos gastos e uma possibilidade de internação domiciliar 
(DUARTE; DIOGO, 2000). Circunstâncias como essas, se disseminaram pela 
América do Norte e Europa, onde em 1999, cerca de oito milhões de americanos 
solicitaram o serviço (REHEM; TRAD, 2005). 
A atenção à saúde de cada país depende de suas características 
epidemiológicas, socioeconômicas, culturais e políticas, onde no Brasil estudos 
referem que a atenção domiciliar surgiu no ano de 1919 com as enfermeiras 
visitadoras no Rio de Janeiro, porem Mendes Júnior (2001), relata o inicio da 
Atenção Domiciliar com a formação do Serviço de Assistência Médica Domiciliar de 
Urgência (SAMDU), elaborado para resolver os problemas da força de trabalho. Em 
1960 foi criada a Fundação Serviço Especial de Saúde Pública (FSESP), onde 
ofertava serviços envolvendo de modo geral a comunidade visando a prevenção de 
doenças com a promoção da saúde além de vigilância sanitária (REHEM; TRAD, 
2005). Ordenadamente a atenção domiciliar surgiu no Hospital do Servidor Público 
Estadual de São Paulo – 1968, onde foi construído um tipo de atendimento 
domiciliar de baixa complexidade (TAVOLARI, 2000). 
Com o surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS), teve início o Programa de 
Agentes Comunitários de Saúde (PACS), tornando mais forte a atenção domiciliar, 
por realizar visitas domiciliares, mantendo vínculo entre a comunidade e as unidades 
de saúde. Outro fortalecedor foi o Programa de Saúde da Família (PSF) – 1990, 
30 
 
 
reorientando a assistência de acordo com a atenção básica e os princípios do SUS 
(ROSA; LABATE, 2005). 
O Home Care no Brasil, em área privada, surgiu sem orientação, onde houve um 
grande salto no número de empresas praticantes do serviço, levando a Agência 
Nacional de Vigilância sanitária (ANVISA) a elaborar uma resolução – RDC nº11, 
2006, onde trata desde a indicação até a alta ou óbito (BRASIL, 2006). 
Estudos de Wachs et al. (2016) realizados junto a 6.624 idosos de 60 anos ou 
mais de idade, residentes na zona urbana de 100 municípios de diferentes portes 
populacionais em 23 estados brasileiros, no ano de 2009, revelaram que as 
mulheres apresentaram maior probabilidade de recebimento de atenção domiciliar. 
De acordo com os autores, esse fato pode estar relacionado à maior longevidade 
associada ao sexo feminino e ao incremento nas taxas de incapacidade funcional 
decorrente do processo de envelhecimento, explicando também o aumento linear de 
recebimento de assistência domiciliar em função da idade. 
O domicílio como ambiente terapêutico tem sido incentivado por políticas 
públicas no Brasil e em países ocidentais nos últimos anos. Essa expansão está 
vinculada fortemente ao crescimento da Estratégia Saúde da Família, reforçando, 
dessa forma, a importância da atenção básica. Essa iniciativa estimula a 
reorganização das políticas municipais para que invistam no resgate do espaço 
domiciliar para cuidar da saúde das pessoas (WACHS et al. 2016). 
1.7 O IDOSO NO CONTEXTO FAMILIAR 
 
Estudos revelam que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de 
idade precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa como 
fazer compras, cuidar das finanças, preparar refeições e limpar a casa. Uma parcela 
menor (10%) requer auxílio para realizar tarefas básicas, como tomar banho, vestir-
se, ir ao banheiro, alimentar-se, sentar e levantar de cadeiras e camas, segundo 
Medina (1998). Estes dados remetem à preocupação por mais de seis milhões de 
pessoas e famílias, e a um e meio milhão de idosos gravemente fragilizados no 
Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 
(IBGE, 2010). 
Até pouco tempo atrás, a família era entendida como o conjunto de pessoas 
residentes sob o mesmo teto, onde, entre si, apresentam laços de parentesco e de 
afinidade. Estas características, entretanto, têm sofrido alterações de todos os tipos, 
31 
 
 
e há sempre quem afirme que "a família está em crise", conforme Sullerot (1997, p. 
39). 
As estruturas familiares, no mundo inteiro, estão sofrendo modificações 
rápidas ocasionadas por diferenciados motivos: separações; divórcios e novas 
uniões; instabilidade do mercado de trabalho e movimentos migratórios nacionais e 
internacionais em busca de oportunidades de trabalho; maior tempo de vida das 
gerações e um aumento do contingente de viúvas, geralmente morando sozinhas 
nas cidades; idosos exercendo chefias de família; e a participação crescente da 
mulher no mercado de trabalho (VIEIRA, 2003). 
Os contextos familiares e comunitários são abordados pela Saúde Pública, 
não enfatizando o processo do envelhecimento enquanto perspectiva saudável da 
vida e sim com o acúmulo de múltiplos problemas e doenças, com forte componente 
sociocultural das carências e perdas no curso de vida. Nesse contexto é importante, 
destacar a possibilidade do envelhecer saudável, sendo viável quando é privilegiada 
a ética humanista na política e ações de governo, centrada nos direitos igualitários 
com desdobramentos nas ações de promoção à saúde e bem-estar, enquanto 
diretrizes do desenvolvimento social (VIEIRA, 2003). 
Vieira (2003), refere as necessidades básicas humanas: 
� Oxigênio: o profissional deve estar atento aos fatores do ambiente do cliente 
que diminuem a quantidade de oxigênio disponível; 
� Umidade: a umidade relativa do ar ambiente pode afetar a saúde e a 
segurança do idoso; 
� Nutrição: atender às necessidades nutricionais adequadas e seguramente 
requer controle ambiental e conhecimento. Os alimentos preparados ou 
armazenados de forma inadequada ou sujeitos a condições ruins, aumentam 
o risco do cliente de contrair uma infecção alimentar ou intoxicação, entre 
diversos outros riscos; 
� Redução dos perigos físicos: as quedas são as maiores causas de morte 
acidental nos idosos de 75 anos de idade ou mais velhos. Muitos perigos 
físicos, sobretudo aqueles que contribuem para quedas, podem ser 
minimizados através de uma iluminação adequada, redução de obstáculos, 
controle dos perigos no banheiro e medidas de segurança; 
� Iluminação adequada: quando a iluminação é adequada, muitos perigos 
físicos podem ser evitados, onde a luz clareia as áreas onde os idosos se 
locomovem; 
32 
 
 
� Diminuição de obstáculos: o risco de quedas causadas por obstáculos está 
presente em todos os grupos etários, sendo, entretanto, maior entre os 
idosos. Para reduzir o risco de acidentes, todos os obstáculos devem ser 
retirados dos corredores e das outras áreas muito circuladas; 
� Controlar os perigos dos banheiros: acidentes como quedas, queimaduras e 
envenenamentos frequentemente ocorrem no banheiro. Barras firmes e fáceis 
de ver e um tapete adesivo, não escorregadio e colorido devem ser postos no 
fundo da banheira, sendo úteis para reduzir as quedas no local. No armário 
de remédios, os medicamentos devem ser etiquetados claramente e fora do 
alcance dos idosos, especialmente os que não sabem ler. 
 
 O ambiente do cliente inclui todos os inúmeros fatores, físicos e psicológicos, 
que influenciam ou afetam sua vida e sua sobrevivência. Esta ampla definição de 
ambiente incorpora todos os locais nos quais o enfermeiro e o cliente interage. A 
segurança nesses locais reduz a incidência de doença e acidente, diminui o tempo 
de tratamentoe/ou internação, melhora ou mantém o estado funcional e aumenta a 
sensação de bem-estar do cliente. Um ambiente seguro também fornece proteção 
para a equipe e permite o trabalho de todos da melhor maneira (VIEIRA, 2003). 
Teixeira (2000) refere que a família perante o idoso vem assumindo um papel 
muito importante. Nesse contexto, percebe-se o idoso muitas vezes como figura 
central, onde, com o passar do tempo, demandam-se mais cuidados perante o 
mesmo, pois torna-se menos independente com o avançar dos anos. 
 Para Jede e Spuldaro (2009), a família é o habitat natural dos sujeitos. É na 
família que os seus entes são conhecidos pelos defeitos, qualidade e necessidades. 
Portanto, é importante considerar o relacionamento da família com o idoso, 
principalmente se eles se tornam dependentes de alguma forma. 
Refere Caldas (2003) que a família é fundamental no cuidado ao idoso. A 
família é predominante como alternativa no sistema de suporte informal aos idosos. 
Para Elsen, Marcon e Santos (2002), os cuidados prestados pela família têm por 
objetivo a preservação da vida dos seus membros, com vistas a alcançar o 
desenvolvimento do idoso conforme suas possibilidades e garantir condições do 
meio em que ele vive. 
Portanto, Braciali (2009) aponta a família sendo considerada tanto social 
quanto culturalmente, a base da vida do homem social. Desde a infância até a 
33 
 
 
velhice, exigem-se da família, cuidados frente às suas alterações físicas e 
psicológicas. 
Percebe-se então, a família como o cerne do idoso, o local onde ele deve se 
sentir protegido e amado. Esse direito de ser amparado está previsto na 
Constituição, sendo nosso dever enquanto familiares do idoso, garantir uma velhice 
tranquila. 
No entanto, Braciali (2009) refere que nos dias atuais, o que prevalece é o 
modelo social da família nuclear, ou seja, famílias convivem apenas os pais e filhos, 
tendo o afastamento dos idosos dos seus filhos e netos, sendo esse, segundo a 
autora, um fenômeno bastante comum, onde acontece, inclusive, a perda total de 
contato entre os idosos e os seus familiares. 
Para Cordioli (1998), os idosos carregam consigo a expectativa de receber 
atenção e cuidados dos filhos e netos no momento em que venham a perder ou 
tiverem suas capacidades diminuídas, e para esses idosos, este é um fantasma 
constante, fonte de grandes preocupações. 
Apesar do medo da solidão que rodeia muitos idosos, acredita-se ser na 
família que ele possa buscar recursos para viver esta etapa da vida de forma mais 
afetiva. 
Segundo Ramos (1995), para que o idoso seja mantido em casa com seus 
familiares, se faz necessário a adaptação da família às necessidades do idoso, 
oferecendo, sempre que possível, um ambiente seguro com o objetivo de preservar 
sua independência e autonomia. A família não deve tratar o idoso como alguém 
doente e incapaz, é preciso a mesma buscar entender como o idoso se sente. 
Existem situações onde o idoso ajuda no sustento da família, ou até mesmo, 
sustenta sozinho os seus familiares, assumindo o papel de chefe da família. Esse 
fato tem sido visto cada vez mais. 
Aerosa e Bulla (2008) apontam que é muito comum o filho já adulto ser 
sustentado muitas vezes pelos pais idosos. O idoso dos dias atuais está cada vez 
mais redistribuindo sua aposentadoria ou pensão entre seus familiares. 
Para Camarano (2001), o idoso apesar da idade, continua como provedor da 
família e este fato pode estar associado à dificuldade dos entes mais jovens se 
inserirem no mercado de trabalho. Consequentemente, as famílias se reorganizam, 
produzindo novos arranjos. Para o idoso, isso pode demandar mais uma carga na 
sua velhice, já que ele além de se preocupar com os problemas inerentes à sua 
idade, ainda precisa se preocupar com os familiares que dependem dele. 
34 
 
 
Percebe-se então a importância da família de fornecer apoio ao idoso, tendo 
em vista alguns idosos terem dificuldades para realizarem atividades simples, como 
se vestir. 
Um dos atuais desafios para os profissionais da saúde é a implantação e a 
necessidade de desenvolvimento de cuidado domiciliar. Fragilidades decorrentes de 
doenças crônico-degenerativas; mudanças nas famílias, que acarretam dificuldades 
entre os entes familiares para assumir cuidados; ineficiência e superlotação dos 
serviços institucionais; diminuição dos custos do cuidado no domicílio, em relação ao 
atendimento institucional; a busca pela humanização, conforto e segurança da 
assistência à pessoa e familiares; a inclusão de programas de atendimento 
domiciliar nas políticas de saúde está entre os fatores. Portanto, enfatiza-se a 
inclusão do cuidado domiciliar nos programas de atenção à saúde do idoso 
(DUARTE, 1999). 
1.8 IDOSO NO DISTRITO FEDERAL 
 
No ano de 2011, a população idosa (pessoas de 60 anos e mais) no Distrito 
Federal somava pouco mais de 326 mil pessoas, o equivalente a 12,8% da 
população total. Os maiores contingentes residiam na região administrativa Brasília 
(Plano Piloto) e em Ceilândia, com pouco mais de 45 mil em ambos os casos, com 
cada uma representando cerca de 14,0% da população idosa do DF (CODEPLAN, 
2013). 
O Plano Piloto responde por apenas 8,2% da população do DF, ao passo que 
Ceilândia responde por 15,8%. O terceiro maior contingente residia em Taguatinga, 
pouco mais de 36 mil, ou 11,1% do total. Em termos relativos, as maiores 
participações de idosos na população total são verificadas nas regiões 
administrativas mais consolidadas, com renda mais elevada, casos do Lago Sul 
(30,1%), Plano Piloto (21,9%) e Lago Norte (19,8%). Águas Claras e Sudoeste, 
muito embora sejam regiões de alta renda, apresentavam baixos percentuais de 
população idosa, 10,5% e 11,9%, respectivamente, por se tratarem de regiões de 
criação mais recente e consequente população mais jovem. Destaques ainda para 
os percentuais elevados de idosos observados no Gama (18,5%) e em Taguatinga 
(18,3%), regiões administrativas consideradas de renda média e mais antigas. Já os 
menores percentuais de idosos na população total ocorriam nas regiões 
35 
 
 
administrativas de renda baixa: Estrutural (3,2%), Itapoã (4,4%), Varjão (5,2%), São 
Sebastião (5,2%) e Recanto das Emas (5,9%) (CODEPLAN, 2013). 
Ainda segundo pesquisa da Companhia de Planejamento Distrito Federal 
(CODEPLAN, 2013), do total de 326 mil idosos residentes no Distrito Federal em 
2011, as mulheres correspondiam a 56,0% e os homens a 44,0%. Essa proporção é 
superior à verificada para o conjunto da população (52,5% e 47,5%), denotando que, 
em média, as mulheres alcançam maior tempo de vida que os homens. Entre as 30 
regiões administrativas pesquisadas, em nada menos que 26 o contingente de 
mulheres idosas supera o de homens. O maior percentual alcançado pelas mulheres 
foi no Guará (61,9%), seguido por Sobradinho (59,0%) e Sobradinho II (58,4%). Em 
apenas duas RAs os homens idosos superam as mulheres: São Sebastião (52,9%) 
e Lago Norte (51,9%). Em outras duas, há equilíbrio: Vicente Pires e SIA. 
1.9 EVOLUÇÃO DA INTERNAÇÃO DOMICILIAR NO DISTRITO FEDERAL 
 
O atendimento domiciliar ao portador de doenças crônicas não transmissíveis no 
Distrito Federal passou a ser assunto na década de 80, onde a internação hospitalar 
tornava-se mais dispendiosa, pelo tempo de internação, risco de infecção e ações 
complexas realizadas nesses pacientes (MENDES, 1985). Assim, em Sobradinho, 
DF, deu início ao Programa de Assistência Domiciliar, tendo como argumento o 
acompanhamento em domicílio por equipe multiprofissional além da participação da 
família no cuidado ao paciente. Buscou-se uma assistência baseada em ações de 
nível sanitário para a melhoria na qualidade de vida da população atendida. 
Informalmente foi implantado em 1994, o Serviço de Assistência Multiprofissional em 
Domicílio (SAMED), hoje conhecido como Núcleo Regional de Atenção Domiciliar 
(NRAD), tendo como meta a assistênciamultiprofissional ao paciente com doenças 
crônicas não transmissíveis e outras co-morbidades, que não se pudessem ser 
atendidas na atenção primária, além das doenças crônicas transmissíveis com alto 
grau de dependência funcional. (BARROS, 2012). 
O Ministério da Saúde em 23 de março de 1998 tornou de conhecimento de 
todos a portaria 2.416, que determinou as condições para os hospitais se 
credenciarem e os critérios para a realização do programa no SUS. Em 16 de abril 
de 2002, foi sancionada a Lei 10.424 – elaborada pela Secretaria de Assistência à 
Saúde do Ministério da Saúde (SAS/MS) – que regulamenta a Assistência Domiciliar 
no Sistema Único de Saúde (SUS). Diante de toda essa evolução se teve a 
36 
 
 
necessidade da criação de uma coordenadoria – assim, surgiu a Coordenação de 
Internação Domiciliar (COIND) e a elaboração de um projeto que direcionasse as 
diretrizes descritas na Lei 10.424. De acordo com as novas estruturas 
organizacionais da SES-DF, a COIND se tornou Gerência de Atenção Domiciliar 
(GEAD), tendo vínculos com outros serviços e com a responsabilidade de implantar 
nas demais regionais ainda não participantes os NRAD’s, prestando assistência 
através dos mesmos, porém excluindo os pacientes de alta complexidade. Conforme 
a Resolução Nº 56 – DODF nº 225 de 12 de novembro de 2008 a consolidação 
deste modelo, se deu através da Política Nacional de Internação Domiciliar de 18 de 
outubro de 2008, além de incentivos financeiros por equipe implantada. 
Segundo a Secretaria de Estado de Ação Social do Distrito Federal (2016), 
um dos maiores benefícios do século XX foi o aumento da esperança de vida para a 
maioria dos países do mundo. Esse aumento tem sido discutido por órgãos 
internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização 
Mundial da Saúde (OMS). O envelhecimento populacional é o aumento da 
proporção de idosos no total da população, implica problemas de ordem social e de 
saúde que exigem medidas políticas capazes de atender às necessidades dessa 
população. No Brasil em 1990 os idosos representavam 7% da população, em 1997 
já era de 9% e em 2002, a população de pessoas idosas chegou rapidamente a 
15%. Assim, tem-se no Brasil, 14 milhões de pessoas com mais de 60 anos sendo 
necessário enfrentar problemas sociais e de saúde decorrentes do processo de 
envelhecimento populacional. 
Deve-se ter claro, ao se cuidar de idosos dependentes, é importante ressaltar 
aspectos como acesso ao apoio formal e informal, fator sócio demográfico, situação 
econômica, condições de moradia e estrutura familiar, além de se considerar o perfil 
do cuidador. Quando as famílias são bem assistidas, estruturadas economicamente 
e emocionalmente, podem reagir de forma positiva ao cuidar de um idoso 
dependente, em relação a outra não possuidora do mesmo suporte (SILVEIRA; 
CALDAS; CARNEIRO, 2006). 
1.10 PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DISTRITO FEDERAL 
 
O NRAD surgiu da necessidade da implantação do Programa de Internação 
Domiciliar (PID), sendo uma categoria de internação extra-hospitalar a pacientes que 
necessitam de cuidados específicos de saúde, onde podem ser executados em 
37 
 
 
domicílio, levando há uma desospitalização de forma adequada. (MARTELLI, 2011) 
Atualmente, a Atenção Domiciliar tem funcionamento de segunda a sexta-feira, 
horário comercial, com equipe multiprofissional atendendo pacientes com alto grau 
de dependência funcional e portadores de doença crônica estável transmissíveis ou 
não (BARROS, 2012) 
Para uma pessoa ser inserida/atendida no PID, necessita inicialmente uma 
avaliação da deficiência funcional, onde caberá ao NRAD conceder um parecer 
positivando o programa ao paciente, sendo após realizadas as visitas ao domicilio 
buscando reconhecer o local, de forma a analisar se o mesmo suporta da utilização 
de equipamentos e materiais necessários ao cuidado, além de treinamento da 
pessoa que será a referência no cuidado ao paciente (LIMA, et al 2014). 
O PID mantem vínculo com as cidades satélites de acordo com a organização 
da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Segundo o 
DECRETO Nº 37.057, DE 14 DE JANEIRO DE 2016, que dispõe sobre a estrutura 
administrativa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, fica dividido em 
região de saúde que são: 
• Centro-Norte: Asa Norte, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão e rodoviária do Plano 
Piloto. 
• Centro-Sul: Asa Sul, Guará, Núcleo Bandeirante, Lago Sul, Candangolândia, 
Riacho Fundo I e II e Park Way. 
• Oeste: Brazlândia e Ceilândia (incluindo Sol Nascente). 
• Região Sul: Gama e Santa Maria. 
• Sudoeste: Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas. 
• Norte: Sobradinho e Planaltina (incluindo Estância Mestre D'Armas e Arapoanga). 
• Leste: Paranoá e São Sebastião 
1.11 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO, EXCLUSÃO, ALTA E EQUIPES PARTICIPANTES 
DO NRAD SEGUNDO O PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO DF, 
2016. 
1.11.1 Critérios de inclusão no programa: 
 
Segundo o programa, o paciente deve estar com a condição clínica 
comprometida, com diagnóstico firmado ou hipótese diagnóstica e tratamento 
estabelecido pelo médico assistente. 
38 
 
 
• Apresentar grau de perda funcional e dependência para a realização de 
Atividades da Vida Diária (AVD), definida com base na Escala de Avaliação da 
Incapacidade Funcional da Cruz Vermelha Espanhola, a partir do grau 4. 
• Residir na área de abrangência da equipe. 
• Ter consentimento formal do paciente ou de familiar/cuidador por meio da 
assinatura do Termo de Consentimento Informado padronizado. 
• Encaminhamento de médico assistente. 
• Realização de visita pré-admissional. 
• Tempo necessário para a desospitalização. 
• Possuir sistema de comunicação que garanta o acionamento da equipe em caso 
de intercorrências clínicas. 
• Possuir um responsável que exerça a função de cuidador. 
• Apresentar condições seguras de acesso ao domicílio do paciente. 
• Contextos familiar, domiciliar, comunitário e ambiental adequados, a serem 
constatados pela equipe: condições mínimas de higiene e espaço; pessoas que se 
responsabilizem pelos cuidados com o paciente; saneamento; segurança para os 
membros da equipe e outros. 
• Ter um médico que se responsabilize pela sua indicação. 
1.11.2 Critérios de exclusão do programa: 
 
• Pacientes com necessidades de: 
• Ventilação mecânica; 
• Enfermagem intensiva; 
• Propedêutica complementar, realização de procedimento diagnóstico ou 
tratamento cirúrgico com urgência. 
• Uso de medicação complexa com efeitos colaterais graves ou de difícil 
administração. 
• Sem cuidador contínuo identificado. 
• Pacientes ou responsáveis que não aceitarem a proposta do Programa. 
• Pacientes instáveis do ponto de vista hemodinâmico. 
• Soroterapia endovenosa contínua. 
• Paciente sem diagnóstico prévio. 
• Ausência de condições de higiene necessária a cada caso. 
39 
 
 
• Risco à integridade da equipe de saúde. 
• Impossibilidade de acesso ao local de atendimento. 
• Ausência na rede de assistência de serviços necessários aos cuidados do 
paciente. 
• Patologias graves sem possibilidade de controle domiciliar. 
• Pacientes com quadro clínico não agravado e que possa receber assistência 
domiciliar no nível de atenção Primária à saúde (Equipes de Saúde da Família e 
Centros de Saúde). 
1.11.3 Critérios para saída/alta do programa: 
 
• Melhora das condições clínicas e/ou estabilidade clínica com encaminhamento 
para outro ponto de atenção à saúde como a atenção primária (PSF e CS). 
• Intercorrência clínica ou urgência/emergência que justifique internação hospitalar. 
• Óbito. 
• Mudança da área de abrangência. 
• Piora de condições domiciliares mínimas que comprometa a resolutividade da 
internação domiciliar. 
• Inexistência de um cuidador. 
• Não concordância com o médico/equipe do paciente. 
• Solicitação de desligamento a pedido do paciente e/ou familiar. 
• Omissãode informações pertinentes com o propósito de transgredir os critérios 
da admissão. 
• Opção do doente ou família por prescrições ou orientações de profissionais 
externos, contrárias às da equipe. 
• Falta de aderência aos cuidados propostos e normas da assistência. 
 
1.12.4 Composição ideal das equipes participantes do programa de AD segundo a 
Portaria 825 de 2016, tendo em vista a Equipe 1, 2 e de apoio: 
 
Equipe 1: 
• Médico(s) – 40 horas - semanal por equipe 
• Enfermeiro (s) – 40 horas - semanal por equipe 
• Fisioterapeuta(s) ou assistente(s) social (is) – 30 horas por equipe 
• Auxiliares ou técnicos de enfermagem – 120 horas por equipe 
40 
 
 
 
Equipe 2: 
• Médico – 20 horas de trabalho 
• Enfermeiro – 30 horas de trabalho 
• Fisioterapeuta ou assistente social – 30 horas de trabalho 
• Auxiliares ou técnicos de enfermagem – 120 horas de trabalho 
 
Equipe de Apoio: 
Será composta por no mínimo 3 profissionais de nível superior, selecionados 
entre as profissões relacionadas abaixo, onde a carga horária de seus componentes 
será 90 horas de trabalho no mínimo: 
• Assistente social; 
• Fisioterapeuta; 
• Fonoaudiólogo; 
• Nutricionista; 
• Odontólogo; 
• Psicólogo; 
• Farmacêutico; ou 
• Terapeuta ocupacional 
 
Na atualidade o PID / DF – trabalha com 16 (dezesseis) equipes 
multiprofissionais distribuídas nas 7 regiões de saúde da SES-DF, contando com 
110 profissionais de saúde, que atendem 1.246 pacientes cadastrados. O pedido de 
internação em domicílio deve ser realizado através de Relatório Médico detalhado, 
proveniente do local de origem como dos familiares ou responsável pelo paciente. 
(SES, 2017) 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
2 OBJETIVOS 
2.1. OBJETIVO GERAL 
 
Descrever o perfil dos idosos atendidos pelo PID do NRAD da região de saúde 
sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. 
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
2.2.1 Descrever como houve o conhecimento do programa pelo paciente/familiares 
2.2.2 Estimar o tipo de doença para a admissão no programa e as demais 
encontradas nos pacientes. 
2.2.3 Identificar o tempo de permanência no programa dos pacientes idosos que 
foram atendidos pelo NRAD - Gama. 
2.2.4 Expor os procedimentos realizados pela equipe de Enfermagem aos 
pacientes atendidos. 
2.2.5 Relatar os medicamentos utilizados pelo paciente no momento da admissão 
no programa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
 
CAPITULO II 
3. ARTIGO 
DEZ ANOS DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DE IDOSOS NO GAMA – DISTRITO 
FEDERAL – BRASIL 
 
Resumo 
O Atendimento domiciliar da população no Distrito Federal (DF) é realizado pelos 
Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar (NRAD’s). O objetivo do presente estudo 
é descrever o perfil dos idosos atendidos pelo Programa de Internação Domiciliar 
(PID) do NRAD da região de saúde sul - Gama -DF, de 2006 a 2016. Trata-se de um 
estudo longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa com dados 
obtidos de prontuários dos pacientes idosos atendidos pelo programa. Observou-se 
que a população de interesse, é em sua maioria do sexo feminino, casada, de cor 
parda, católica, natural do nordeste, aposentada e a faixa etária mais prevalente é a 
de mais idosos (80 a 89 anos). O conhecimento do programa foi através do hospital. 
Os motivos da internação mais evidentes foram às neoplasias, seguidas do Acidente 
Vascular Encefálico (AVE), com tempo de permanência maior que 180 dias. Os 
procedimentos mais desenvolvidos pela Enfermagem foram à verificação dos sinais 
vitais, oximetria, monitorização da glicemia capilar, seguidos de curativo, punção 
venosa e sondas. No momento da admissão, a principal classe medicamentosa em 
utilização foi a de anti-hipertensivos e a maioria dos pacientes faziam uso de 5 ou 
mais medicamentos. O conhecimento do perfil dos idosos dependentes do programa 
auxiliam os profissionais de saúde na elaboração de ações efetivas, garantindo a 
continuidade do cuidado. 
Palavras-chave: Idosos, Enfermagem e Atenção Domiciliar. 
 
TEN YEARS OF DOMESTIC HOSPITAL IN THE RANGE - FEDERAL DISTRICT – 
BRAZIL 
 
Abstract 
Home care of the population in the Federal District (DF) is carried out by the Regional 
Centers for Home Care (NRAD's). The objective of the present study is to describe 
the profile of the elderly assisted by the NRAD Home Health Program (PID) of the 
South - Gama - DF health region from 2006 to 2016. This is a longitudinal, 
descriptive, exploratory study of quantitative approach with data obtained from 
medical records of elderly patients attended by the program. It was observed that the 
population of interest is mostly female, married, brown, catholic, northeastern, retired, 
and the most prevalent age group is older (80-89 years). Knowledge of the program 
was through the hospital. The most obvious reasons for hospitalization were 
neoplasms, followed by stroke, with a residence time of more than 180 days. The 
most developed procedures for Nursing were the verification of vital signs, oximetry, 
monitoring of capillary glycemia, followed by dressing, venipuncture and probes. At 
the time of admission, the main drug class in use was antihypertensive and most 
patients used 5 or more drugs. Knowledge of the profile of elderly dependents of the 
program, help health professionals in the elaboration of effective actions, 
guaranteeing the continuity of care. 
Keywords: Elderly, Nursing and Home Care 
 
43 
 
 
Introdução 
 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de 
idosos vai triplicar nos próximos 40 anos no Brasil e aumentará de 19,6 milhões em 
2010 (10% da população brasileira) para 66,5 milhões de pessoas em 2050 
(29,3%)1. No que envolve o DF, dados mais recentes mostram que as pessoas 
idosas estão próximas a 448.000, sendo 15,4% do total da população2 necessitando 
cada vez mais do cuidado domiciliar. 
No Brasil, o cuidado domiciliar seguindo os padrões do Home Care americano 
vem sendo implantado gradativamente desde 1993, com o estímulo do Ministério da 
Saúde (M.S) iniciado através do programa Saúde da Família (P.S.F)3,4. 
Vários órgãos determinaram a criação das políticas de atenção domiciliar no 
país dentre eles, Congresso nacional, o Ministério da saúde, Vigilância Sanitária 
assim como Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Federal de 
Enfermagem (COFEN); a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), Conselho 
Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Secretarias Estaduais e Municipais 
de Saúde, onde em 1997, foi incluída a internação domiciliar de forma ampliada para 
pessoas idosas, portadores de diabetes e hipertensão, público não atendido até o 
momento. A partir deste momento, houve vários experimentos no SUS com relação 
à atenção domiciliar, em várias cidades como Sobral (CE), Belo Horizonte (MG), Rio 
de Janeiro (RJ), Marília (SP), Londrina e Cascavel (PR) e Brasília (DF), entre 
outros5. 
Por meio dessas experiências iniciaram-se várias e distintas formas de atenção 
domiciliar, tais como: o cuidado paliativo em paciente com AIDS; portadores de 
feridas e lesões de pele; acompanhamento de recém-nascido prematuro; acamados 
crônicos; uso de antibiótico intravenoso para tratamento de infecções agudas, e 
outras formas de sistematização, de acordo com o tipo de serviço que se 
requisitava6. 
No que envolve a atenção domiciliar no DF, a partir da década de 90, iniciaram 
discussões relativas a ausência de estrutura para atender os pacientes crônicos 
usuários do serviço público. Com isso, surgiu a necessidade de criar meios para 
reduzir o período de internação a nível hospitalar. Desta forma, em Sobradinho DF, 
no ano de 1994, se deu início o Programa de Assistência Domiciliar no Distrito 
Federal, com o propósito de acompanhar o paciente em domicílio através de equipe 
44 
 
 
multiprofissional, recebendo o nome de Serviço de Assistência Multiprofissional em 
Domicilio – SAMED, sendo criado formalmente em 1995 pelaLei 8677. 
 No ano 2000, o Serviço passa a ser oficializado na Secretaria de Estado de 
Saúde do DF, onde recebe o nome de Núcleo de Assistência Médica a Internados 
em Domicilio – NAMID, tendo uma nova equipe multiprofissional, implantada no ano 
de 2002 na regional do Gama – DF. Com o início das equipes, passou-se a se ter a 
necessidade de gerenciamento, inicialmente pela Coordenação de Internação 
Domiciliar (COIND) e posteriormente em 2007 seguindo a nova estrutura da 
secretaria de saúde (SES) do DF a Gerência de Atenção Domiciliar (GEAD), 
vinculada com a Diretoria de Atenção Primária e Estratégia de saúde da família, com 
os Núcleos Regionais de Atenção domiciliar (NRAD’s)7. Esses núcleos possuem 
dentro de sua organização o programa de oxigenoterapia domiciliar (POD) criado em 
2006 para atender pacientes portadores de doenças que levavam á hipoxemia e que 
necessitavam de oxigenoterapia em domicílio8 e Programa de Internação domiciliar 
(PID) que se iniciou em 2007 através do I Congresso Brasileiro de Assistência 
Domiciliar (COBRAD), em Cascavel, Paraná7. 
 A partir da Portaria nº 963 de 20139, estabeleceu-se três categorias de 
atenção domiciliar: AD 1, AD 2 e AD 3, levando em consideração fatores como a 
situação clínica do paciente, a periodicidade das visitas e os profissionais envolvidos 
na visita. 
 Assim, houve a necessidade da distinção das categorias, para se determinar 
o que realmente seria realizado no PID, tendo como resultado o atendimento de AD 
2 e AD 3, pois no AD 1 os pacientes necessitam de cuidados básicos, podendo ser 
realizados pela atenção básica por meio de visitas em domicílio, no mínimo, 1 vez 
por mês. Sendo assim o AD 2 atende os pacientes que carecem de cuidados com 
mediana dificuldade como curativos mais complicados, cânula de traqueostomia, 
cateteres e ostomias; reabilitação de sequelas temporárias ou definitivas que 
precisam de atendimento constante, cuidados atenuantes e medicação intravenosa, 
intramuscular ou subcutânea, por período pré-determinado e em permanência 
clínica. AD 3: perfil do AD 2 e que necessitam do emprego ventilatório de forma não 
invasiva, dialise peritoneal e/ou paracentese10. 
O PID tem a finalidade de fornecer cuidados contínuos aos pacientes crônicos 
e terminais. A modalidade de internação domiciliar afasta uma possível 
hospitalização e consequente risco de infecção, além de proporcionar uma maior 
permanência do doente em seu ambiente familiar11. Para a pessoa ser incluída no 
45 
 
 
programa de internação domiciliar, deve passar por uma avaliação da incapacidade 
funcional pelo NRAD, onde com parecer positivo, se iniciará as visitas, inicialmente 
para avaliação do ambiente e treinamento de um cuidador12. 
Atualmente, a portaria Nº 825, DE 25 DE ABRIL DE 2016 redefine a Atenção 
Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes 
habilitadas13, buscando qualidade e humanização no cuidado realizado em domicílio. 
Desta forma, tendo-se a evolução da internação domiciliar no DF juntamente 
com o envelhecimento da população, a presente pesquisa tem como objetivo 
descrever o perfil dos idosos atendidos pelo PID do NRAD da região de saúde sul - 
Gama -DF, de 2006 a 2016. 
 
Metodologia 
 
Trata-se de um estudo longitudinal, descritivo, exploratório, de abordagem 
quantitativa com dados do prontuário dos pacientes idosos admitidos/atendidos em 
um Núcleo Regional de Atenção Domiciliar no Programa de Internação Domiciliar do 
Distrito Federal - NRAD/GAMA/DF no período de junho de 2006 a junho de 2016. 
O Gama é uma cidade a 30 km de Brasília, assistida pela rede pública de 
saúde, onde a população idosa entre 60 e 64 anos é estimada em 6.929 habitantes 
e de 65 anos ou mais 20.178 habitantes2. 
A amostra foi constituída por todos os prontuários de pacientes que foram 
atendidos no programa obedecendo ao critério de inclusão de ter idade igual ou 
maior de 60 anos, com ficha de admissão no NRAD completa e participantes do PID. 
Os critérios de exclusão constituíram prontuários de pacientes com menos de 60 
anos, ficha de admissão não presente ou incompleta e fazer parte do POD. 
O NRAD forneceu uma listagem com 674 pacientes atendidos pelo programa 
no período do estudo. Destes, 496 eram idosos, onde 80 participaram somente do 
POD, restando assim 416 idosos participantes do PID e deste modo foram incluídos 
inicialmente. No entanto, só foram encontrados 230 prontuários no setor de arquivo 
(para onde foram encaminhados devido à falta de espaço físico no setor), sendo que 
destes 70 não continham a ficha de admissão do NRAD ou estava presente porem 
preenchida de forma incompleta, portanto foram eliminados por não atenderem aos 
critérios de inclusão do estudo. 
Para a coleta de dados foi elaborado um formulário com 15 questões contendo 
as variáveis do estudo: os dados sociodemográficos (sexo, idade, estado civil, cor, 
46 
 
 
religião, naturalidade, profissão, conhecimento do programa) e clinico-
epidemiológicas (diagnóstico de admissão e demais patologias, data de admissão e 
saída – para tempo de permanência, procedimentos de Enfermagem realizados e 
medicamentos em uso na admissão). 
Os dados foram armazenados em planilhas do software Excel do Software 
Microsoft Office 2.016 e a análise foi realizada por elementos de estatística 
descritiva, onde os tempos não foram registrados em anos, mas sim no total. 
A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa – FEPECS, onde 
seguiu a Resolução 466/12 que regulamenta a pesquisa em seres humanos no 
Brasil sendo aprovada CAAE: 61108716.0.0000.555. 
 
Resultados 
 
A amostra foi constituída por 160 prontuários que estavam adequados para o 
uso na pesquisa de pacientes atendidos pelo PID do NRAD – Gama - DF, entre os 
anos de 2006 e 2016, sendo 79 do sexo masculino (49,4%) e 81 do sexo feminino 
(50,6%). 
Quanto a idade, o grupo dos mais idosos de 80 a 89 anos foi mais prevalente 
com 50 pacientes (31,2%) seguido da faixa etária de 70 a 79 anos, perfazendo um 
total de 46 idosos (28,8%). Quanto ao estado civil, 84 idosos eram casados (52,5) e 
50 viúvos (31,25%). 
Em relação à cor, a parda foi predominante com 92 idosos (57,5%), brancos 
61 pacientes (38,1%) e apenas 7 negros (4,4%). Sobre a religião 91 eram católicos 
(56,9%) e 67 eram evangélicos (41,9%). No que se refere à naturalidade, a região 
nordeste foi a mais predominante com 100 pacientes (62,5%) sendo a sudeste a 
secundária com 46 (26,2%). 
 Já no tocante a profissão/ocupação 110 (68, 8%) eram aposentados e 25 
(15,6%) recebiam algum tipo de benefício não especificado em ficha. 
 
Todos os dados supracitados foram descritos na Tabela 1 
 
 
Tabela 1. Variáveis Sociodemográficas (sexo, faixa etária, cor da pele, estado civil, religião, 
naturalidade, profissão) relacionadas aos 160 pacientes atendidos pelo PID do NRAD em domicílio - 
Gama, DF, Brasil - 2017. 
 
VARIÁVEIS TOTAL 
Sexo 
47 
 
 
Feminino 81 50,6 
Masculino 79 49,4 
Idade 
80 á 89 anos 50 31,2 
70 á 79 anos 46 28,8 
60 á 69 anos 33 20,6 
90 anos ou mais 31 19,4 
Estado civil 
Casado (a) 84 52,5 
Viúvo (a) 50 31,25 
Solteiro (a) 18 11,25 
Divorciado (a) 8 5,0 
Cor 
Parda 92 57,5 
Branca 61 38,1 
Negra 7 4,4 
Religião 
Católica 91 56,9 
Evangélica 67 41,9 
Agnóstica 2 1,2 
Naturalidade 
Nordeste 100 62,5 
Sudeste 42 26,2 
Centro-Oeste 17 10,6 
Norte 1 0,7 
Profissão/ Ocupação 
Aposentado (a) 110 68,8 
Benefício 25 15,6 
Do Lar 12 7,5 
Pedreiro 3 1,8 
Comerciante 3 1,8 
Minerador 2 1,2 
Costureira 2 1,2 
Caminhoneiro 1 0,7 
Agricultor 1 0,7 
Porteiro 1 0,7 
 
Da população assistida 126 (78,8%), pacientes tomaram conhecimento do 
programa através do próprio hospital em que estavam hospitalizados, seguido por 
10 (6,2%) que souberam por intermédio de outros pacientes já atendidos pelo 
programa. 
Com relação aos agravos da internação, os mais prevalentes foram asneoplasias com 70 casos (43,7%) seguidos de Acidente vascular encefálico 36 
casos (22,5%) e Doenças do aparelho respiratório, 18 casos (11,2 %). 
Quanto ao tempo de permanência, 71 pacientes (44,3%), se manteram 
atendidos pelo programa por mais de 180 dias, sendo seguidos por 44 que (27,5%) 
foram atendidos por até 30 dias. 
 
Tabela 2. Dados referentes ao conhecimento do NRAD, diagnóstico de admissão e tempo de 
permanência no programa de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. 
 
VARIÁVEIS TOTAL 
Conhecimento do programa N % 
48 
 
 
Hospital 126 78,8 
Usuários do NRAD 10 6,2 
USB 7 4,4 
Assistente social 4 2,5 
Cuidador 4 2,5 
Familiares 4 2,5 
SAMU 3 1,9 
Outros 2 1,2 
Diagnóstico de admissão 
Neoplasias 70 43,7 
AVE 36 22,5 
 Aparelho respiratório 18 11,2 
Senilidade 14 8,7 
Alzheimer 9 5,6 
Cardiopatias 8 5,0 
Parkinson 8 5,0 
DM 4 2,5 
IRC 3 1,8 
Lesão por pressão 3 1,8 
Alterações nutricionais 3 1,8 
Fratura do fêmur 2 1,6 
Alterações articulares 2 1,2 
Alterações hepáticas 2 1,2 
Tempo - permanência no programa 
1 - 30 dias 44 27,5 
31 – 90 dias 28 17,5 
91 – 180 dias 17 10,6 
181 dias ou mais 71 44,3 
 
Na análise dos prontuários, foi possível identificar que os idosos atendidos 
pelo programa eram acometidos por outras patologias além da responsável pela 
admissão (Tabela 3). A Hipertensão Arterial Sistêmica estava presente em 90 
pacientes (56,2%), seguida por 40 com Diabetes Mellitus (25,0%) e 6 com Lesão por 
pressão (3,7%) 
Tabela 3. Dados referentes a outras patologias apresentadas pelos pacientes pesquisados no NRAD. 
Gama - DF, Brasil - 2017. 
 
VARIÁVEL TOTAL 
 N % 
Outras patologias associadas 
Hipertensão arterial sistêmica 90 56,2 
Diabete Mellitus 40 25,0 
Úlcera de Pressão (lesão por pressão) 6 3,7 
Desnutrição 4 2,5 
Bronquite 2 1,2 
Alterações Renais 3 1,8 
Doença de Chagas 3 1,8 
Doença pulmonar obstrutiva crônica 3 1,8 
Anemia 2 1,2 
Gastrite 2 1,2 
Depressão 2 1,2 
Demência 2 1,2 
Parkinson 2 1,2 
Alterações da Tireoide 2 1,2 
Cardiopatia 2 1,2 
Pneumonia 1 0,6 
49 
 
 
Varicocele 1 0,6 
Osteoporose 1 0,6 
Candidíase 1 0,6 
Convulsões 1 0,6 
Cirrose Hepática 1 0,6 
Neoplasia 1 0,6 
Dislipidemia 1 0,6 
Ascite 1 0,6 
 
Dos cuidados executados pela equipe de Enfermagem foi possível identificar 
a realização de diversos, de modo a envolver toda complexidade e necessidade dos 
pacientes, sendo os básicos de maior prevalência como a verificação dos sinais 
vitais em 159 pacientes (99,3%), seguido por oximetria em 141(88,1%) e glicemia 
em 105 (65,6%) (Tabela 4): 
Tabela 4. Procedimentos realizados pela Equipe de Enfermagem nos pacientes admitidos no NRAD 
de 2006 a 2016. Gama - DF, Brasil - 2017. 
VARIÁVEL TOTAL 
 N % 
Cuidados realizados 
Sinais vitais 159 99,3 
Oximetria 141 88,1 
Glicemia 105 65,6 
Curativo 60 37,5 
Punção Venosa 59 36,8 
Sonda Nasoentérica 24 15,0 
Sonda Vesical de alívio 21 13,1 
Sonda Vesical de Demora 13 8,1 
Aplicação de medicação intramuscular 7 4,3 
Oxigenoterapia 5 3,1 
Enema 5 3,1 
Sonda Nasogástrica 3 1,8 
Gasometria 3 1,8 
Higienização/ troca curativo gastrostomia 3 1,8 
Aspiração de vias aéreas 3 1,8 
Retirada de pontos 2 1,2 
Enteróclise 1 0,6 
Higienização/ troca de bolsa de Colostomia 1 0,6 
Reanimação cardiopulmonar 1 0,6 
 
Quanto aos medicamentos que eram utilizados no momento da admissão, 
(Tabela 5) percebeu-se que os anti-hipertensivos eram os de maior consumo - 83 
(51,8%), seguido por 46 (28,7%) que utilizavam antiácidos e 44 que usavam 
analgésicos (27,5%) com uso de 5 ou mais medicamentos pela maioria dos idosos 
(50,6%) 
 
Tabela 5. Classe medicamentosa e número de medicamentos utilizados pelo público pesquisado na 
admissão de 2006 a 2016 admitidos no NRAD. Gama - DF, Brasil - 2017. 
 VARIÁVEL TOTAL 
 N % 
Medicações em uso 
50 
 
 
Anti-hipertensivo 83 51,8 
Antiácido 46 28,7 
Analgésico 44 27,5 
Diurético 42 26,2 
Ansiolítico 39 24,3 
Anticoagulante 29 18,1 
Hipoglicemiante 27 16,8 
Anti-inflamatório não esteroidal 20 12,5 
Vitamina 17 10,6 
Anticonvulsivante 14 8,7 
Bronco dilatador 13 8,1 
Corticoide 13 8,1 
Antiemético 11 6,8 
Antineoplásico 10 6,2 
Antiarrítmico 7 4,3 
Antiparkisoniano 7 4,3 
Hipolipemiante 7 4,3 
Antibiótico 3 1,8 
Anti-histamínico 3 1,8 
Antifúngico 3 1,8 
Descongestionante 2 1,2 
Número de medicamentos utilizados 
5 ou mais 81 50,6 
1 – 4 67 41,8 
Não utiliza 10 6,2 
Não relatado/Não sabe 2 1,2 
 
Discussão 
Com o aumento da incidência de doenças crônicas e suas possíveis 
complicações, houve uma crescente procura por atendimento referente à saúde, 
tornando a atenção domiciliar nas suas mais variadas formas de divisão um 
significativo meio para se ter a realização do cuidado. Considerada uma modalidade 
transformadora, busca a humanização, onde o cuidado é desempenhado por ações 
interdisciplinares de forma contínua14. 
O perfil dos idosos atendidos pelo NRAD Gama acompanha algumas 
tendências do envelhecimento encontradas pelo mundo. As mulheres representam 
as maiores usuárias da atenção domiciliar, 81 (50,6 %), acompanhando resultado de 
várias pesquisas epidemiológicas15, 16, 17 na extensa área da gerontologia. Tal fato 
pode ser explicado pela maior longevidade do sexo feminino, o que pode ser 
encontrado não só no Brasil. Um estudo sobre a caracterização do sénior na 
Espanha e Portugal – os com mais idosos da Europa - confrontando com a realidade 
de outros dezenove países da União Européia, apresentou que a população idosa 
feminina foi a mais prevalente em todos os países citados, demonstrando assim, 
uma crescente feminização demográfica18. 
51 
 
 
 Já a idade prevalente foi de 80 a 89 anos, 50 (31,2%) o que caracteriza os 
muito idosos, estando em sintonia com resultados semelhantes encontrados em 
estudo referente no Distrito Federal, Porto Alegre e outro realizado abrangendo 23 
estados brasileiros19,15, 16. Este fato pode ser associado ao aumento da expectativa 
de vida, onde segundo pesquisa do IBGE, esse aumento pode ser atribuído a 
fatores como melhoria na medicina associado às políticas de saúde pública, 
campanhas de vacinação, pré-natal, aleitamento materno, agentes comunitários de 
saúde e programas de nutrição infantil fatos que acabaram aumentando a 
expectativa de vida do brasileiro ao longo dos anos20. 
A maioria da população estudada era casada, 84(52,5%), sendo identificado 
resultado compatível encontrado em investigação com indivíduos atendidos pelo 
Programa de Internação Domiciliar HU em Casa de Minas Gerais, em que 48 (35%) 
também eram casados21. Este dado pode ser bastante significativo, partindo da ideia 
que os idosos que tem alguém por perto são mais propensos a hábitos de vida 
saudáveis, além de favorecimento no bem estar psicológico e controle pessoal pelo 
simples fato de receber ou oferecer ajuda22. 
No que tange a cor da pele 92 (57,5%) se declararam pardos, já em estudo 
publicado em 2015, em Porto Alegre, avaliou o perfil dos idosos atendidos em 
domicílio, a maioria dos pesquisados informaram ser da cor branca 21 (71%), 
podendo ser explicado, pela colonização europeia (principalmente alemães e 
italianos) presente na região Sul e pela população negra/parda presente no 
Nordeste brasileiro23,24, 25. Cem idosos (62,5%) participantes deste estudo são 
provenientes da região nordeste, o que pode ser explicado pela migração que 
aconteceu entre as décadas de 80 e 90 à região, a construção e desenvolvimento de 
Brasília consolidou uma grande atração de mão de obra, em especial de 
nordestinos, que vinham em busca de emprego e acesso a serviços públicos26. 
Verificou-se nesta pesquisa, que os adeptos a religião católica 56,9% são 
preponderantes neste grupo e 41,9% são evangélicos. Pesquisa recente realizada 
no DF mostra que os católicos são a maioria na população geral em todas as Ra’s2. 
 A religiosidade e/ou da espiritualidade enquanto componentes da vida 
humana acompanham o homem ao longo da história.Suas influências abrangem 
tanto as relações interpessoais e o âmbito sociocultural, quanto o intrapsíquico do 
indivíduo, expresso em crenças, valores, emoções e comportamentos 27. Embora 
captado neste estudo, autores relatam que as questões espirituais ainda são pouco 
abordadas nos estudos realizados por enfermeiros28. 
52 
 
 
Identificou-se que 110 idosos pesquisados (68,8%) são aposentados, o que 
podemos associar ao grande número de servidores públicos, favorecendo este 
achado no DF, que contrapõe ao achado em Porto alegre e em São Paulo onde 
apenas 18 (58%) e 16,6% respectivamente, são aposentados, ou recebiam algum 
tipo de auxílio assistencial15, 29 . Apesar do grande número de servidores no DF, um 
estudo realizado em outra cidade satélite - Paranoá mostra que a população idosa 
vive em um nível de subdesenvolvimento, pois a aposentadoria refere-se a renda de 
até um ou dois salários mínimos30. 
Entre as doenças que motivaram a internação no serviço, destacam- se as 
Neoplasias 70 (43,7%), seguido do Acidente Vascular Encefálico (AVE) 36 (22,5%) e 
Aparelho respiratório 18 (11,2%). Contudo, esse perfil difere de outro estudo sendo 
as patologias do sistema circulatório, respiratório e sistema nervoso, as mais 
prevalentes, onde as neoplasias ocupam o quarto lugar para internação do paciente 
no programa19. Apesar de fazerem parte das DCNT’s, é importante ressaltar que 
elas são as primeiras circunstâncias de morte e incapacidade da população global, 
além do mais são as responsáveis por gastos econômicos dos indivíduos, 
sociedades e principalmente pelos sistemas de saúde31,32. 
Em referência ao tempo de permanência, 71 pacientes (44,3%), ou seja, a 
maioria foi atendida no serviço por um período maior que 180 dias. Em comparação 
a outra pesquisa realizada em Porto Alegre houve divergência, pois a mesma 
evidencia um tempo de internação domiciliar de pacientes no geral por 25,8 a 29,3 
dias15. O maior período de internação encontrado pode estar relacionado á 
gravidade da principal causa de internação (neoplasias), ou seja, idade igual ou 
maior que 60 anos é a faixa etária de maior taxa de mortalidade por essa 
patologia33, o que necessita de um maior acompanhamento. 
Foi possível identificar a existência de outras patologias associadas, sendo a 
HAS – 90 (56,2%) e DM – 40 (25,0%) as de maior prevalência. Resultado 
semelhante foi encontrado em um estudo onde os idosos apresentavam as duas 
doenças com as respectivas porcentagens, 42% e 34%, tais problemas de saúde 
foram associadas aos fatores intrínsecos e extrínsecos como alimentação não 
saudável e hábitos de vida sedentários ao longo da vida. 
Quanto ao uso de tecnologias, 100% da população estudada fazia uso de 
algum tipo de tecnologia. Nesta pesquisa entendemos como tecnologia os 
instrumentos que possam melhorar a qualidade de vida do paciente. Uma pesquisa 
realizada em Minas Gerais identifica que os dispositivos tecnológicos mais utilizados 
53 
 
 
foram curativos e sonda nasoentérica, os mais realizados na atenção domiciliar, em 
sua maioria em paciente idosos34. 
Neste cenário, é possível identificar na Tabela 4, as principais tecnologias 
utilizadas no programa como sendo: A verificação dos sinais vitais, seguido de 
oximetria, glicemia e curativo foram as atividades realizadas com maior frequência, 
de modo que, apesar de pouco complexos, acabam demandando o tempo destes 
profissionais. A dependência tecnológica pode ser necessária por período curto, 
durante a reabilitação ou permanecer por longo tempo, auxiliando na manutenção da 
saúde e prolongamento da vida. Independente do tempo de utilização a tecnologia 
interfere no cotidiano de pacientes e cuidadores, à medida que modifica a 
organização funcional, social e psicológica dos envolvidos35. 
O enfermeiro é figura essencial na organização do cuidado domiciliar, seja 
pela mediação com os demais profissionais da equipe integrante do programa, como 
na conecção que desenvolve com a família e os idosos atendidos. Tem papel de 
grande importância no plano e realização dos cuidados, ou seja, na coordenação 
dos serviços, bem como na provisão dos recursos necessários para o cuidado36. 
Assim, fazendo parte das tecnologias encontram-se os medicamentos37, 
sendo observada a existência de duas ou mais classes medicamentosas usadas 
pelos idosos sendo os mais utilizados os anti-hipertensivos, antiácidos, analgésicos 
e diuréticos. 
Destacamos ainda o uso de diversos medicamentos contínuos. A presença de 
polifarmácia, definida como uso regular de cinco ou mais medicamentos38, comum 
entre idosos, foi relatada em três estudos: região oeste de saúde do DF39, região 
central do Rio Grande do Sul40 e outro com Dados de Pesquisa Nacional41, fato que 
pode ser associado á inúmeras patologias que acometem os idosos, assim como, o 
próspero programa de distribuição dos medicamentos pelo governo. 
Algumas limitações e recomendações advindas desta pesquisa devem ser 
registradas. Os limites dos resultados deste estudo estão relacionados com o 
delineamento exploratório, este, não permite o estabelecimento de associação entre 
causa e efeito. As dificuldades operacionais encontradas na coleta de dados, por 
serem secundários profissionais em muitos casos registraram dados incompletos 
nos prontuários ou não registram. 
 
 
 
54 
 
 
Conclusão 
O estudo evidenciou o universo da internação domiciliar do paciente idoso 
atendido, através da identificação clínico epidemiológico do mesmo. 
O perfil dos idosos atendidos constitui-se em sua maioria por mulheres, idade 
entre 80 e 89 anos, casados, cor parda, religião católica, provenientes do nordeste e 
aposentados. 
A doença que mais conduziu para a internação domiciliar foi a neoplasia, 
seguida de AVE, onde o tempo de permanência no programa foi maior que 180 dias. 
Quanto ás outras doenças apresentadas, a Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabete 
Mellitus foram as de maior prevalência. 
Dentre os procedimentos realizados pela Enfermagem em domicílio encontrou-
se os sinais vitais, oximetria e glicemia capilar. Já com relação às medicações mais 
utilizadas os anti-hipertensivos e diuréticos foram os mais utilizados. 
A partir da identificação e conhecimento desse paciente, a Enfermagem 
consegue acompanhá-lo de forma mais adequada, realizando procedimentos de sua 
responsabilidade cada vez mais direcionados, com observação da evolução desse 
idoso. Desta maneira, garante-se a continuidade do cuidado, determinando uma 
grande importância do programa para a pessoa em idade avançada. 
Fica perceptível, a necessidade de se terem cada vez mais debates sobre o 
tema descrito, como por exemplo, no que tange a compreensão do funcionamento 
do programa facilitando o acesso do paciente, assim como a identificação de 
tecnologias cada vez mais modernas seguindo às demandas destas pessoas e suas 
famílias. 
Desta forma, o conhecimento das características dos pacientes traz subsídios 
aos profissionais de saúde que atuam no domicílio no sentido de elaborar ações 
efetivas aos mesmos, buscando uma melhor qualidade de vida diante das doenças 
que acometem esse usuário. 
Agradecimentos 
A toda a equipe do NRAD Gama pelas informações e aos funcionários do 
Arquivo do Hospital Regional do Gama (HRG) por disponibilizarem os prontuários 
para utilização na pesquisa. 
 
 
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64 
 
 
APÊNDICE A 
 
 
 FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS 
CARACTERIZAÇÃO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DOS IDOSOS QUE FORAM ATENDIDOS PELO 
PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DA CIDADE SATÉLITE – GAMA – DISTRITO 
FEDERAL 
1. INICIAIS DO NOME: _______________________2. DATA ADMISSÃO:_____/_____/____ 
3. SEXO: ( ) FEMININO ( ) MASCULINO 
4. IDADE: ( ) 60 Á 69 ANOS ( ) 70 Á 79 ANOS ( ) 80 Á 89 ANOS ( ) 90 ANOS OU MAIS 
5.ESTADO CIVIL: ( ) SOLTEIRO (A) ( ) CASADO (A)/ UNIÃO ESTÁVEL ( ) UNIÃO 
ESTÁVEL ( ) VIÚVO (A) 
6. COR: ( ) BRANCA ( ) PARDA ( ) NEGRA ( ) AMARELA 
7. RELIGIÃO: ( ) CATÓLICA ( ) EVAGÉLICA ( ) ESPÍRITA ( ) OUTRAS __________________ 
8. NATURALIDADE - ESTADO: __________________________________________________________ 
9. PROFISSÃO: ________________________________________ 
10. CONHECIMENTO DO PROGRAMA: ( ) FAMILIARES ( ) UBS ( ) ASSISTENTE SOCIAL 
 ( ) OUTRAS ________________________________________________________________________ 
11. DIAGNÓSTICO DE ADMISSÃO: ________________________________________________________ 
12. OUTRAS DOENÇAS: ______________________________________________ 
13. PROCEDIMENTOS REALIZADOS: ( ) CURATIVO ( ) SVD ( ) SNG ( ) SNE ( ) SVA 
( ) ASPIRAÇÃO V.A ( ) OXIGENOTERAPIA ( ) HIGIENE ( ) PUNÇÃO VENOSA 
( ) OUTROS _________________________________________________________________________ 
14. MEDICAMENTOS EM USO NA ADMISSÃO: _______________________________________________ 
______________________________________________________________________________________ 
15. SAÍDA DO PROGRAMA: ( ) ALTA – ______/______/______ 
 ( ) EXCLUSÃO - ______/______/_____ 
 ( ) ÓBITO - ______/_______/_______ 
65 
 
 
ANEXO A

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