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Avaliação e auditoria ambiental
A avaliação ambiental e a auditoria ambiental como ferramentas de preservação do meio ambiente.
Prof.ª Camilla Haubrich
1. Itens iniciais
Propósito
Para preservar o meio ambiente é necessário conhecer seu funcionamento e a dinâmica ao longo do tempo.
Técnicas de avaliação e auditoria ambiental, bem como de avaliação dos recursos naturais são essenciais para
que a preservação e a recuperação do meio ambiente sejam atingidas.
Objetivos
Reconhecer a avaliação ambiental e a auditoria ambiental como importantes ferramentas para a 
conservação do meio ambiente.
Identificar os métodos de avaliação de recursos faunísticos e florísticos.
Identificar os métodos de avaliação de recursos límnicos.
Distinguir a relevância do biomonitoramento e dos bioindicadores na avaliação ambiental.
Introdução
A degradação do meio ambiente é um fato amplamente reconhecido em todo o mundo. Se, anteriormente, o
homem acreditava que a natureza era fonte inesgotável de recursos, atualmente, sabe-se que os recursos
naturais são limitados e finitos. Por causa disso, desde meados do século passado, uma preocupação com a
preservação e recuperação dos ambientes naturais surgiu e vem crescendo ao redor do mundo. 
Neste conteúdo, estudaremos a avaliação ambiental e a auditoria ambiental como ferramentas de preservação
do meio ambiente. Também conheceremos os métodos de avaliação faunísticos, florísticos e limníticos, que
auxiliam a entender o estado e a evolução dos sistemas naturais. Por fim, entenderemos o biomonitoramento
e os bioindicadores como importantes ferramentas de controle e preservação da natureza.
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1. Avaliação ambiental e auditoria ambiental
Avaliação ambiental
Conceito de avaliação ambiental
É de conhecimento geral que vivemos uma crise ambiental. O meio ambiente é cada vez mais explorado e a
utilização de seus recursos beira o esgotamento.
Mas como sabemos disso?
Para entendermos que o meio ambiente não se encontra mais em sua condição original e vem se deteriorando
com o tempo, é necessário avaliar as condições ambientais e compará-las com condições ambientais
anteriores ou posteriores e com parâmetros de qualidade, de acordo com o uso previamente estabelecido.
Vamos pensar em um exemplo.
Situação 1
Imagine que um biólogo chegue a uma ilha nunca antes estudada. Vamos
chamar essa ilha de Ilha Amanhecer. Ao realizar um profundo estudo das
aves dessa ilha, ele verifica que ela abriga 7 espécies, com cerca de 30
indivíduos de cada espécie. Mas quanto de informação isso nos dá no
que diz respeito à preservação do meio ambiente? Pouquíssima
informação, não é verdade? 
Situação 2
Imagine agora que esse mesmo biólogo chegou a uma ilha vizinha, a Ilha
Anoitecer. Em seus estudos sobre esse novo ambiente natural, ele
encontrou 13 espécies de aves com cerca de 30 indivíduos de cada
espécie. E agora? Quais informações sobre a preservação desses
ambientes podemos obter? Uma pessoa poderia pensar que a Ilha
Anoitecer é mais bem preservada do que a Ilha Amanhecer, por abrigar
mais espécies. Porém, não podemos chegar a essa conclusão sem antes
comparar tais resultados com outras avaliações ambientais feitas nas
mesmas ilhas ao longo do tempo.
Digamos que esse mesmo biólogo descubra que ambas as ilhas já haviam sido estudadas alguns anos antes,
por outro grupo de pesquisadores. Vamos comparar os resultados obtidos!
  Estudo de 2019 Estudo de 2022
Ilhas Amanhecer Anoitecer Amanhecer Anoitecer
Número de espécies 7 16 7 13
Média de Indivíduos de cada espécie 27 33 30 30
Tabela: Resultados fictícios da amostragem de aves de diferentes ilhas ao longo do tempo.
Camilla Haubrich.
Constituição Federal.
E agora, quais informações sobre preservação ambiental você consegue obter dos resultados encontrados em
ambos os estudos? Vejamos:
Por meio dessa simples análise – e desconsiderando outros possíveis fatores que podem influenciar na
manutenção das espécies das ilhas e na amostragem dos pesquisadores –, é possível imaginar que a Ilha
Amanhecer provavelmente esteja mais conservada do que a Ilha Anoitecer.
É evidente que esse é um exemplo fictício, bastante simplificado, porém, o objetivo da avaliação ambiental
será sempre o mesmo, ou seja, observar parâmetros ambientais ao longo do tempo, de modo a entender
como se comporta o meio ambiente.
Podemos, então, conceituar avaliação ambiental como:
A análise das características ambientais de um dado local, utilizando-se de metodologias
predeterminadas com fins de obter um diagnóstico ambiental. A avaliação ambiental deve fundar-se
em referências ou critérios de qualidade, que permitam observar o grau de conservação da área
estudada ao longo do tempo. 
Avaliação ambiental no Brasil
Como a avaliação ambiental é feita no país?
De modo geral, no Brasil, a avaliação ambiental é definida por lei e é parte obrigatória para instalação e
operação de empreendimentos que possam causar danos ao meio ambiente.
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) está disposta
na Lei nº 6.938/81. E, apesar de essa não ser a única norma
que trata sobre direito ambiental no país, é ela, junto com a
Constituição Federal, que dispõe as diretrizes gerais que
toda legislação brasileira sobre o meio ambiente deve
seguir.
A PNMA, em seu art. 9º, inciso III, define a Avaliação de
Impacto Ambiental como um importante instrumento para
preservar, melhorar e recuperar o meio natural. É uma
ferramenta essencial para a gestão de planos, programas e
projetos em todos os âmbitos da federação.
A avaliação ambiental é tratada na legislação brasileira com diferentes finalidades e abordagens, de acordo
com as características do impacto ambiental e com os objetivos de cada estudo. Vamos conhecer algumas
formas de avaliação ambiental utilizadas em nosso país.
Ilha Amanhecer 
Manteve a quantidade de espécies ao longo
do tempo e teve um aumento na média de
indivíduos de cada espécie.
Ilha Anoitecer 
Perdeu algumas espécies nos últimos
anos e teve uma redução na média de
indivíduos de cada espécie.
Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) foi a primeira forma de avaliação ambiental definida por lei no país,
ainda em 1981. Seu principal objetivo é identificar e analisar possíveis impactos que determinada atividade
possa causar ao meio ambiente, de modo que seja possível traçar planos para mitigar eventuais impactos
negativos e acentuar eventuais impactos benéficos. 
A AIA é um complexo processo, obrigatório para toda atividade potencialmente causadora de impacto
ambiental, que envolve estudos das características do meio natural em que os impactos do empreendimento
serão verificados. É realizada desde a fase prévia à instalação da atividade, durante a etapa de instalação,
durante sua operação e, em alguns casos, mesmo após o encerramento da atividade.
Consiste em um documento público, realizado com participação popular e de extrema importância para a
gestão do meio ambiente do país. Nela são definidos os principais impactos de cada atividade, abrangendo
impactos econômicos e socioambientais, com as respectivas diretrizes para mitigação de cada um deles.
Avaliação Ambiental Estratégica (AAE)
A Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) é uma forma de avaliação ambiental derivada da AIA. No entanto, a
AAE não está relacionada somente a um empreendimento que potencialmente possa causar danos
ambientais, mas a toda uma área.
O objetivo da AAE é antecipar e integrar políticas publicas, planos e programas que visam preservar
e recuperar o meio natural. Tal avaliação é proativa e antecipa-se aos danos ao meio ambiente,
procurando evitar impactos.
Entre alguns exemplos de AAE no país podem ser citadas a Política Nacional de Recursos Hídricos, os planos
de bacias hidrográficas, e outros. 
Avaliação Ambiental Integrada (AAI)
A Avaliação Ambiental Integrada (AAI) surgiu da necessidade de prevenir e mitigar impactos ambientais em
áreas em que são dispostas mais de uma atividade que potencialmente possa causar impactos ambientais.que os tornam excelentes bioindicadores:
A
Baixo número de espécies com resposta restrita.
B
Espécies restritas a rios de grandes dimensões.
C
Espécies com alta mobilidade.
D
Espécies com distribuição restrita.
E
Espécies fáceis de se identificar de acordo com as metodologias existentes.
A alternativa E está correta.
As características que tornam os macroinvertebrados excelentes bioindicadores incluem as seguintes: são
ubíquos, respondendo a perturbações em diferentes ambientes aquáticos e em diferentes períodos;
incluem muitas espécies que oferecem um amplo espectro de respostas; mesmo em rios de pequenas
dimensões, a fauna pode ser extremamente rica em número de espécies; várias espécies são sedentárias e
permitem uma análise espacial eficiente; requerem metodologias de coleta simples e de baixo custo; e são
relativamente fáceis de serem identificados/nomeados.
5. Conclusão
Considerações finais
A avaliação ambiental é uma importante ferramenta para a conservação dos ambientes naturais. Nesse
conteúdo, você aprendeu um pouco sobre o que é avaliação ambiental e sua importância para a manutenção
da vida de forma geral – da nossa e dos outros organismos vivos que habitam a Terra.
Você descobriu como a auditoria ambiental pode ser uma alternativa para empresas privadas certificarem sua
preocupação ecológica e reduzirem seu impacto negativo nos ambientes naturais.
Em seguida, você aprendeu as principais metodologias de avaliação ambiental utilizadas para análise da
fauna, da flora e dos ambientes aquáticos, incluindo os parâmetros relacionados às populações e às
comunidades biológicas, assim como os aspectos legais relacionados ao uso dos recursos hídricos. Por fim,
você conheceu o biomonitoramento e acessou alguns exemplos de seu uso e de espécies bioindicadoras. 
Podcast
Ouça agora um pouco sobre as iniciativas de monitoramento de represas no estado do Rio de Janeiro.
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Confira as indicações que separamos para você!
 
Conheça uma avaliação ambiental real no site do ICMBIO. Pesquise Programa Áreas Protegidas da Amazônia
ARPA – Fase II e veja os reais resultados apresentados.
 
Você pode ver a íntegra da metodologia de avaliação de fauna do país, pesquisando por Roteiro metodológico
para avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira. O material completo está no site
do ICMBIO.
 
Leia a íntegra da Resolução Conama nº 357/2005, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes para o seu enquadramento e aprenda mais sobre o enquadramento dos corpos aquáticos em
classes.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14010. Diretrizes para auditoria ambiental –
Princípios gerais. Rio de Janeiro: ABNT: 1996, b.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14011. Diretrizes para auditoria ambiental:
procedimentos de auditoria – Auditorias em sistema de gestão. Rio de Janeiro: ABNT: 1996, c.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14012. Diretrizes para auditoria ambiental:
critérios de qualificação de auditores ambientais. Rio de Janeiro: ABNT: 1996, d.
 
BEGON, M.; TOWSEND, C. R.; HARPER, J. L. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. 4. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2007.
 
BRASIL. Lei n° 6.938, de 31 de Julho de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências. Brasília, DF: Casa Civil, 1981.
 
BRASIL. Lei n° 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal,
e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de
1989. Brasília, DF: Casa Civil, 1997.
 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Roteiro metodológico para avaliação do estado de conservação das
espécies da fauna brasileira. Brasília, DF: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – Diretoria
de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade – Coordenação Geral de Manejo para
Conservação, 2014.
 
BUSS, et al. Bases conceituais para a aplicação de biomonitoramento em programas de avaliação da
qualidade da água de rios. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, n. 2, abr. 2003.
 
CETESB. Biomonitoramento da vegetação na região de Cubatão: fluoreto, cádmio, chumbo, mercúrio e níquel.
São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 2015.
 
ESTEVES, F. A. (org). Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro: Interciência, 2011.
 
SCHMID, M. L. Auditoria e perícia ambiental. Curitiba: Contentus, 2020.
 
TUNDISI, J. G.; TUNDISI, T. M. Limnologia. São Paulo: Oficina de textos, 2008.
	Avaliação e auditoria ambiental
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Avaliação ambiental e auditoria ambiental
	Avaliação ambiental
	Conceito de avaliação ambiental
	Situação 1
	Situação 2
	Avaliação ambiental no Brasil
	Como a avaliação ambiental é feita no país?
	Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
	Avaliação Ambiental Estratégica (AAE)
	Avaliação Ambiental Integrada (AAI)
	Saiba mais
	Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
	Conteúdo interativo
	Auditoria ambiental
	Conceito de auditoria ambiental
	Situação 1
	Situação 2
	Saiba mais
	Normas de auditoria ambiental
	NBR ISO 14010
	NBR ISO 14011
	NBR ISO 14012
	Vem que eu te explico!
	Avaliação ambiental
	Conteúdo interativo
	Auditoria ambiental
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Métodos de avaliação de recursos faunísticos e florísticos
	Monitoramento dos ciclos de vida e populações
	Natalidade, mortalidade e movimento
	Ciclo de vida
	População
	Tamanho da população
	População A
	População B
	População C
	Saiba mais
	Monitoramento das comunidades
	Fatores espaciais e temporais que influenciam as comunidades
	Riqueza de espécies
	Isolamento e área
	Gradiente latitudinal
	Gradiente altitudinal
	Gradiente em relação à profundidade
	Efeito fundador
	Dominância
	Estágios sucessionais
	Riqueza de espécies e equitabilidade
	Conteúdo interativo
	Avaliação do estado de conservação das espécies
	Conservação da fauna e flora no país
	Vem que eu te explico!
	Monitoramento dos ciclos de vida e populações
	Conteúdo interativo
	Monitoramento das comunidades
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Métodos de avaliação de recursos límnicos
	A água como um importante recurso
	Limnologia
	A descrição dos componentes abióticos
	A avaliação das comunidades bióticas
	Legislação brasileira sobre recursos hídricos
	Curiosidade
	Classificação dos corpos hídricos
	Os corpos hídricos e seu uso preponderante
	Reflexão
	Classes da água
	Resolução Conama nº 357/2005
	Resolução CNRH nº 91/2008
	Resolução Conama nº 396/2008
	Resolução Conama nº 397/2008
	Classe de qualidade
	Classificação das águas
	Condição de qualidade
	Controle de qualidade da água
	Enquadramento
	Efetivação do enquadramento
	Monitoramento
	Padrão
	Parâmetro de qualidade da água
	Águas doces
	Águas salinas
	Águas salobras
	Qualidade da água e avaliação ambiental
	Parâmetros físico-químicos da água para a avaliação ambiental
	Águas doces de classe 1
	Águas doces de classe 2
	Águas doces de classe 3
	Águas doces de classe 4
	Parâmetros biológicos da água para a avaliação ambiental
	Parâmetros biológicos de avaliação ambiental
	Conteúdo interativo
	Águas doces de classe 1
	Águas doces de classe 2
	Águas doces de classe 3
	Vem que eu te explico!
	Classificação dos corpos hídricos
	Conteúdo interativo
	Parâmetros físico-químicos da água para a avaliação ambiental
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Biomonitoramento e bioindicadores
	Biomonitoramento
	Conceito de biomonitoramento
	Saiba mais
	Bioindicadores e biomonitoramento na avaliação ambiental
	Características dos bioindicadores
	Opção número 1
	Opção número 2
	Utilização de biomonitoramento na avaliação ambiental
	Exemplos de utilização de bioindicadoresno mundo
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Biomonitoramento
	Conteúdo interativo
	Características dos bioindicadores
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	ReferênciasImagine o seguinte cenário:
Em certo rio, encontram-se duas indústrias, uma de
produção de derivados de petróleo e uma química. Ambas
as atividades podem potencialmente causar danos ao rio.
Sendo assim, não é razoável, tampouco produtivo que as
avaliações ambientais foquem em cada indústria
individualmente. É necessária uma avaliação integrada dos
potenciais danos que cada atividade pode causar ou já
causa ao ambiente aquático estudado.
Foi por conta dessa necessidade que surgiu a AAI.
A AAI é um processo interdisciplinar e social, ligando
conhecimento e ação no contexto de decisão pública, para
a identificação, análise e avaliação de todos os relevantes processos naturais e humanos e suas interações.
Envolve análise do cenário atual e futuro do estado da qualidade do meio ambiente e recursos nas apropriadas
escalas de tempo e espaço, facilitando a definição e implementação de políticas e estratégias.
Saiba mais
A Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) possuem conceitos
distintos, mas que se complementam. A AAE é o processo formal, sistemático e abrangente de avaliar os
impactos ambientais de uma política, plano ou programa e suas alternativas, incluindo a elaboração de
um relatório contendo as conclusões da avaliação, usando-as em um processo decisório publicamente
responsável. Já a AAI tem por escopo aferir os impactos cumulativos e sinérgicos decorrentes da
presença ou da futura instalação de vários empreendimentos no mesmo ecossistema. 
Ainda existem outras ferramentas para avaliação ambiental no país, como:
 
Avaliação de Desempenho ambiental (ADA);
Perícia e arbitragem ambiental;
Relatório Ambiental Preliminar (RAP);
Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV);
Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV);
Plano de Controle Ambiental (PCA);
Relatório de Controle Ambiental (RCA);
Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).
Aqui, conhecemos alguns dos principais instrumentos de avaliação ambiental, você pode aprofundar seus
estudos pesquisando sobre as outras formas de avaliação ambiental.
Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
Confira agora as etapas da Avaliação de Impacto Ambiental abrangendo o EIA/RIMA e as diferenças entre AIA,
AAE e AAI.
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Auditoria ambiental
Conceito de auditoria ambiental
Auditoria ambiental é o processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar,
de forma objetiva, evidências de auditoria para determinar se as atividades, os eventos, sistemas de gestão e
as condições ambientais especificadas ou as informações relacionadas a eles estão em conformidade com os
critérios de auditoria e, para comunicar os resultados desse processo ao cliente (ABNT, 1996b).
Em outras palavras, a auditoria ambiental consiste em verificar se a instituição auditada está cumprindo a
normatização ambiental a que se submeteu.
Vamos pensar em um exemplo?
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Situação 1
Imagine um posto de gasolina, que constantemente vem sofrendo
sanções devido ao vazamento de óleo para os corpos hídricos da região
em que se localiza. Esse posto, além de sofrer o prejuízo financeiro com o
pagamento de multas, vem sofrendo também com a diminuição de
clientes, que deixaram de frequentar o posto devido às manchetes de
jornal que expuseram tal situação.
Situação 2
Os proprietários do posto pretendem reerguer o seu negócio. Por conta
disso, contrataram uma empresa que fez um planejamento de gestão
ambiental para o empreendimento. Depois de implementada a gestão
ambiental, todavia, os clientes não retornaram e os órgãos ambientais
continuam a fiscalizar com frequência o posto de gasolina, o que é uma
enorme fonte de tensão para todos os funcionários e clientes.
Nesse caso, o que é aconselhável que os proprietários do posto de gasolina façam para melhorar a imagem do
estabelecimento com os clientes e órgãos fiscalizadores?
Poderia ser realizada uma auditoria ambiental!
Por meio da auditoria, uma série de parâmetros de qualidade ambiental serão determinados e verificados com
periodicidade pré-programada pelos auditores, que verificarão se o posto de gasolina está se comprometendo
com os resultados prometidos. O resultado da auditoria pode, então, ser divulgado para clientes e órgãos
fiscalizadores, de modo a melhorar a imagem do posto de gasolina no que tange à responsabilidade com a
questão ambiental.
Saiba mais
As auditorias ambientais surgiram no final da década de 1970, nos Estados Unidos, quando as empresas
voluntariamente buscaram adotar ferramentas de gerenciamento para identificar, mitigar e melhorar de
forma antecipada os danos ambientais que poderiam causar. Dessa forma, tais empresas poderiam ser
consideradas “ambientalmente responsáveis”. 
Atualmente, as auditorias ambientais ocorrem em todo o mundo e são voluntárias. Por meio delas, as
empresas comprovam que se preocupam com o meio ambiente e trabalham a imagem da marca por meio do 
marketing verde. Além da vantagem competitiva com os consumidores, empresas que utilizam a auditoria
ambiental também têm a vantagem de melhorar seu relacionamento com os órgãos fiscalizadores, o que pode
evitar ou, ao menos, reduzir as sanções administrativas ou penais.
Marketing verde
Marketing verde ou marketing ambiental: é uma estratégia utilizada pelas empresas para divulgação de
ações sustentáveis e ecológicas, visando demonstrar compromisso com as questões ambientais.
Normas de auditoria ambiental
A realização de uma auditoria ambiental depende necessariamente de uma norma. Assim, no processo de
auditoria, verifica-se se aquela instituição está atendendo ao escopo determinado por aquela norma
específica.
A primeira norma específica para a realização de auditorias ambientais surgiu em 1992, no Reino
Unido, e chamava-se BS 7750. Em 1995, a Comunidade Econômica Europeia criou o Environmental
Management and Auditing Schemes (EMAS).
Internacionalmente, a normatização das auditorias ambientais deu-se no âmbito da International Organization
for Standardization (ISO), utilizada até hoje. No Brasil, as auditorias ambientais tiveram suas principais normas
reconhecidas pela ABNT, a partir de 1996, por meio das NBR ISO 14010, 14011 e 14012. Vamos conhecer um
pouco melhor cada uma a seguir:
NBR ISO 14010
A NBR ISO 14010 estabelece princípios gerais aplicáveis a todos os tipos de auditoria ambiental. É
estruturada em três grandes temas:
Definições;
Requisitos;
Princípios gerais.
Para essa norma devem estar bem definidos o objeto em foco para ser auditado e os responsáveis
por tais objetos devem estar claramente definidos e documentados.
NBR ISO 14011
A NBR ISO 14011 estabelece procedimentos para condução de auditorias de sistema de gestão
ambiental. É estruturada em 4 grandes temas:
Definições;
Objetivos, funções e responsabilidades da auditoria do sistema de gestão ambiental;
Etapas da auditoria de sistema de gestão ambiental;
Encerramento de auditoria.
NBR ISO 14012
A NBR ISO 14012 estabelece diretrizes quanto aos critérios que qualificam um profissional a atuar
como auditor e como auditor-líder ambientais, tanto externo como interno.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
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Avaliação ambiental
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Auditoria ambiental
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Atualmente, as auditorias ambientais ocorrem em todo o mundo e são voluntárias. Por meio delas, as
empresas comprovam que se preocupam com o meio ambiente e trabalham a imagem da marca por meio do
marketing verde. No que tange ao surgimento da auditoria ambiental, assinale a alternativa correta.
A
As auditorias ambientais surgiram na década de 1980, na Europa, quando a Comunidade Econômica Europeia
criou o Environmental Management and Auditing Schemes (EMAS).
B
As auditoriasambientais surgiram no início da década de 1990, nos Estados Unidos, por meio da International
Organization for Standardization (ISO), utilizada até hoje.
C
As auditorias ambientais surgiram no início da década de 1990, no Brasil, quando tiveram suas principais
normas reconhecidas pela ABNT a partir de 1996, por meio das NBR ISO 14010, 14011 e 14012.
D
As auditorias ambientais surgiram no final da década de 1970, nos Estados Unidos, quando as empresas
voluntariamente buscaram adotar ferramentas de gerenciamento para identificar, mitigar e melhorar de forma
antecipada os danos ambientais que poderiam causar.
E
As auditorias ambientais surgiram no início da década de 1970, no Brasil, por meio da International
Organization for Standardization (ISO), utilizada até hoje.
A alternativa D está correta.
O primeiro país a realizar auditorias ambientais foram os Estados Unidos. Dessa maneira, as empresas que
buscavam a auditoria poderiam ser consideradas ambientalmente responsáveis.
Questão 2
O planejamento ambiental pode ser feito em âmbito nacional, ou seja, abrangendo todo um aspecto ambiental
do país. A Política Nacional dos Recursos Hídricos é um exemplo de plano de manejo ambiental que abrange
todo o país. No que tange à avaliação ambiental, a Política Nacional dos Recursos Hídricos melhor se
enquadra em qual dos tipos a seguir?
A
Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
B
Avaliação Ambiental Estratégica (AAE)
C
Avaliação Ambiental Integrada (AAI)
D
Avaliação de Desempenho Ambiental (ADA)
E
Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD)
A alternativa B está correta.
A Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) é uma forma de avaliação ambiental derivada da AIA. No entanto, a
AAE não está relacionada somente a um empreendimento que potencialmente pode causar danos
ambientais, mas a toda uma área, como todo o país, hipótese em que melhor se enquadra a Política
Nacional dos Recursos Hídricos. O objetivo da AAE é antecipar e integrar políticas públicas, planos e
programas que visam preservar e recuperar o meio natural. Tal avaliação é proativa e antecipa-se aos
danos ao meio ambiente, procurando evitar impactos.
2. Métodos de avaliação de recursos faunísticos e florísticos
Monitoramento dos ciclos de vida e populações
Natalidade, mortalidade e movimento
Durante o procedimento de avaliação ambiental é importante conhecer as características dos recursos
ambientais que estão sendo avaliados, entre eles, os recursos faunísticos e florísticos. Na avaliação da fauna e
da flora, é essencial que entendamos como as populações de cada espécie e as comunidades por elas
formadas se comportam no tempo e no espaço.
Um dos primeiros parâmetros que podemos utilizar na avaliação dos recursos faunísticos e florísticos é a
avaliação dos ciclos de vida.
Ciclo de vida
Cada indivíduo passará por um ciclo único no qual se dará a sua vida. Desde o nascimento, desenvolvimento,
reprodução até a sua morte. Avaliar o ciclo de vida de cada indivíduo pode ser relevante para examinar os
recursos de fauna e flora que estão sendo analisados. 
Ciclo de vida de um anfíbio até a fase adulta.
Além disso, a avaliação dos ciclos de vida de cada indivíduo pode fornecer informações para a análise da
população estudada como um todo. Isso significa que, em muitos estudos, não só o nascimento e a morte de
cada indivíduo são relevantes, mas também suas consequências, ou seja, a quantidade de indivíduos
presentes e como esse número varia ao longo do tempo.
Nesse contexto, primeiramente, precisamos entender o conceito de população.
População
Uma população pode ser definida como um grupo de indivíduos, da mesma espécie, dentro de determinada
área, em um espaço de tempo, que reproduzem e interagem entre si.
Algumas características das populações são essenciais na avaliação ambiental, como o tamanho da
população. Vamos entender melhor!
Tamanho da população
O tamanho da população, ou seja, a quantidade de indivíduos que formam uma população, é um importante
critério de avaliação ambiental, uma vez que avaliar se o tamanho populacional aumenta, diminui ou se
mantém estável ao longo do tempo pode ser um indicativo do que ocorrerá com aquela espécie no futuro.
O tamanho da população pode ser avaliado pela contagem
direta, ou seja, contam-se todos os indivíduos de uma
população. No entanto, tal técnica é quase impossível de
ser aplicada para a maioria das espécies, uma vez que seria
demasiadamente trabalhosa.
Por conta disso, a população também pode ser quantificada
por estimativas, nas quais os indivíduos de uma área
determinada são amostrados e o resultado é extrapolado
para toda a área em análise, chegando ao tamanho
estimado da população.
Vamos ver a seguir como a análise do tamanho de uma
população ao longo do tempo pode nos dar importantes informações sobre o meio ambiente. 
Imagine que um biólogo esteja estudando diferentes populações de borboletas em um parque nacional. Esse
biólogo encontrou o seguinte resultado para uma das espécies:
  Tempo 1 Tempo 2 Tempo 3
População A 27 25 26
População B 33 30 27
População C 4 8 16
Tabela: Estudo de diferentes populações de borboletas.
Camilla Haubrich.
O que poderia ser aferido a partir dos resultados apresentados?
População A
Manteve-se estável ao longo do tempo, dessa
forma, é provável que essa população se
perpetue, mantendo uma quantidade estável de
indivíduos.
População B
Está diminuindo ao longo do tempo, dessa
forma, é provável que, se nada se alterar, essa
população seja reduzida, podendo se extinguir
com o passar do tempo.
População C
Está aumentando ao longo do tempo, dessa
forma, é provável que essa população se torne
a maior população de borboletas com o passar
do tempo.
Outra forma de avaliar o que acontece com uma população é a partir da análise da quantidade de nascimentos
e mortes. Tal técnica pode ser bastante complexa, uma vez que a quantificação de nascimentos e mortes
pode ser bastante difícil no ambiente natural. Ainda, nesse contexto, é importante avaliar também se
indivíduos entram e saem da população, ou seja, se há imigração e emigração de indivíduos entre as
populações de uma mesma área.
A interpretação dos resultados pode ser feita da seguinte maneira:
Apesar de possuírem certa complexidade, os estudos das dinâmicas populacionais são bastante
disseminados nas avaliações ambientais e nos dão importantes informações sobre o que poderá ocorrer com
uma espécie ao longo do tempo.
Saiba mais
Outros fatores podem ser relevantes na avaliação ambiental das populações de fauna e flora, no entanto,
tal análise deverá ser avaliada caso a caso e a metodologia de estudo deverá ser determinada de acordo
com o caso em questão. Entre os fatores que podem influenciar no tamanho das populações estão:
competição, predação, disponibilidade de água e alimentos, taxas reprodutivas, doenças etc. 
Monitoramento das comunidades
Fatores espaciais e temporais que influenciam as comunidades
Quando estudamos populações, necessariamente falamos do estudo de uma única espécie. No entanto, a
natureza é muito mais complexa e os ambientes naturais são formados por conjuntos de diferentes espécies,
dos mais diferentes grupos de seres vivos.
Sendo assim, para uma avaliação ambiental completa, é importante abranger o estudo de toda a comunidade
biológica em análise. Nesse contexto, a avaliação da riqueza de espécies pode nos dar importantes
informações.
Riqueza de espécies
Pode ser definida como a abundância numérica, ou seja, a quantidade de espécies, em determinada área
geográfica, região ou até comunidade sob estudo. Ou seja, riqueza de espécies é o número de espécies da
área que está sendo avaliada.
Imagine que uma pesquisadora estivesse analisando a comunidade de peixes em um riacho. Ela encontrou os
seguintes resultados:
Espécie Quantidade de indivíduos
M. sanctaefilomenae 113
A. dentatus 28
O. pintoi 217
B. stramineus 55
A. fasciatus 14
P. caudimaculatus 74
Tabela: Análise de comunidade de peixes em um riacho.
Camilla Haubrich.
Se (Nascimento+ Imigração) > (Mortes + emigração): A população está crescendo. Se
(Nascimento + Imigração) Se (Nascimento + Imigração) = (Mortes + emigração): A
população está estável.
A partir dos resultados encontrados pela pesquisadora, qual a riqueza de espécies de peixes daquele riacho? 
No ambiente em questão, o riacho, estimou-se a riqueza de 7 espécies.
Quando analisamos comunidades, além da riqueza de espécies, a quantidade de indivíduos dentro
de cada espécie pode ser um outro parâmetro importante. 
A equidade ou equitabilidade pode ser definida como a proporção de distribuição de indivíduos entre as
espécies da área estudada em relação ao total de indivíduos dessa área. Com base nessas informações, o
pesquisador pode responder a perguntas como:
 
Existe dominância de alguma espécie?
Existem espécies que são mais raras de serem encontradas nessa comunidade?
Dentro do número total de indivíduos de uma comunidade, qual é a participação de cada espécie?
A quantidade de indivíduos está harmonicamente distribuída entre as espécies ou existem espécies
dominantes na área estudada?
Ainda nesse contexto, precisamos entender que fatores espaciais podem influenciar nas características das
comunidades ao longo do tempo, afetando os parâmetros de riqueza de espécies e equitabilidade, por
exemplo. Em outras palavras, o espaço, o ambiente, a área geográfica podem influenciar nas comunidades em
questão. 
Para entendermos melhor como os fatores espaciais podem afetar a comunidade, vamos analisar um exemplo:
Imagine que pesquisadores estão estudando uma espécie
de ave. Em certo local, eles encontraram uma enorme
população dessa ave que habita de forma permanente
aquele local. É mais provável que outras populações dessa
mesma espécie sejam encontradas mais próximas ou mais
distantes dessa população em estudo? O que você acha?
A resposta é: Depende! De forma simplificada, podemos
considerar alguns cenários:
Os principais parâmetros espaciais que influenciam na dinâmica das comunidades são: 
• 
• 
• 
• 
Cenário 1 
Se essa espécie de ave surgiu naquela região
e tem dificuldade em sobrevoar longas
distâncias, por longos períodos, é mais
provável que se encontrem outras
populações da mesma espécie mais próximas
à população inicialmente estudada.
Cenário 2 
Se for uma espécie de ave altamente
competitiva, na qual uma população
mais forte tenha vantagem sobre os
recursos em comparação com as
demais populações mais fracas, é mais
provável que você encontre outras
populações da mesma espécie mais
distantes da população incialmente
estudada.
Isolamento e área
Ex.: Ilhas vs. continentes.
Gradiente latitudinal
Ex.: Latitude ao longo da Mata Atlântica.
Gradiente altitudinal
Ex.: Altitude ao longo de uma montanha como a
cordilheira dos Andes.
Gradiente em relação à profundidade
Ex.: Ao longo de diferentes zonas do oceano
Atlântico.
Os parâmetros temporais, aqueles relacionados ao tempo, também podem ser muito importantes na dinâmica
das comunidades na natureza e devem ser levados em consideração nas avaliações ambientais. Veja:
Efeito fundador
É o estabelecimento de uma nova população em nova área a partir de um pequeno número de
indivíduos da população base.
Dominância
Quando há uma espécie em maior número que exerce grande influência na comunidade.
Estágios sucessionais
É a sequência de mudanças estruturais e funcionais que ocorrem nas comunidades ao longo do
tempo. São definidos a partir da análise das formações vegetais de uma floresta em pioneira,
intermediária e clímax.
No âmbito da avaliação ambiental e da conservação da natureza, tais parâmetros podem nos trazer
informações muito importantes. Vamos a mais um exemplo:
Se uma espécie de árvore é extinta em determinada área devido ao desmatamento, porém, se pode ser
encontrada em manchas florestais próximas à área original, é possível que, por dispersão, essa espécie volte a
aparecer na área que havia sido desmatada. Contudo, se não há fragmentos florestais próximos à área
desmatada, será necessário o plantio de mudas, com intervenção antrópica, para que essa espécie volte a
aparecer na área na hipótese de reflorestamento.
Resumindo: a mensuração dos parâmetros relacionados às comunidades na avaliação ambiental pode nos dar
importantes informações para a conservação das espécies.
Riqueza de espécies e equitabilidade
Confira agora dados reais e entenda, de forma prática, como calcular a riqueza de espécies e a sua
equitabilidade em uma comunidade sob estudo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Avaliação do estado de conservação das espécies
Conservação da fauna e flora no país
As avaliações do estado de conservação de flora e fauna realizadas por instituições oficiais no país seguem
uma metodologia predefinida. Essa metodologia foi criada pela União Internacional para Conservação da
Natureza (UICN) e é amplamente utilizada em avaliações de espécies globalmente. 
Para essa avaliação, preferencialmente, utiliza-se o nível taxonômico de espécie e são analisados os
parâmetros:
 
Redução da população (passada, presente e projetada).
Distribuição geográfica restrita apresentando fragmentação, declínio ou flutuações.
População pequena e com fragmentação, declínio ou flutuações.
População muito pequena ou distribuição muito restrita.
Análise quantitativa de risco de extinção.
Os resultados são avaliados de acordo com os critérios contidos no Roteiro metodológico para avaliação do
estado de conservação das espécies da fauna brasileira de 2014 (BRASIL 2014).
A. Redução da população (declínio medido ao longo de 10 anos ou 3 gerações, o que for
mais longo)
 
Criticamente
em perigo Em perigo Vulnerável
A1 ≥ 90% ≥ 70% ≥ 50%
A2, A3 e A4 ≥ 80% ≥ 50% ≥ 30%
A1 Redução da população observada,
estimada, inferida ou suspeitada de ter
ocorrido no passado, sendo as causas da
redução claramente reversíveis E
compreendidas E tenham cessado.
Baseado em um
ou mais dos
seguintes itens:
(a) observação direta;
(b) índice de abundância
apropriado para o táxon;
A2 Redução da população observada,
estimada, inferida ou suspeitada de ter
ocorrido no passado, sendo que as causas
da redução podem não ter cessado OU não
ser compreendidas OU não ser reversíveis.
(c) declínio na área de
ocupação, extensão de
ocorrência e/ou qualidade
do habitat;
A3 Redução da população projetada ou
suspeitada de ocorrer no futuro (até um
máximo de 100 anos).
(d) níveis reais ou
potenciais de exploração;
A4 Redução da população observada,
estimada, inferida, projetada ou
suspeitada, sendo que o período de tempo
deve incluir tanto o passado quanto o
futuro (até um máximo de 100 anos), e as
causas da redução podem não ter cessado
OU não ser compreendidas OU não ser
reversíveis.
(e) efeitos de táxons
introduzidos, hibridação,
patógenos, poluentes,
competidores ou parasitas.
Tabela: Critérios para avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira.
Ministério do meio ambiente.
• 
• 
• 
• 
• 
B. Distribuição geográfica restrita e apresentando fragmentação, declínio ou flutuações
 
Criticamente em
perigo Em perigo Vulnerável
B1 Extensão de ocorrênciamaduros
prioritário para conservação e uso
humano e dessedentação de animais já demonstra, desde os seus fundamentos, a importância da
conservação da água. 
Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos: I - a água é um
bem de domínio público; II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; III - em
situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação
de animais; [...]
(BRASIL, 1997)
Foi a partir dos instrumentos da Política Nacional dos Recursos Hídricos que surgiu um importante instrumento
de avaliação ambiental: o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes
da água. 
Você já entendeu a importância da avaliação ambiental. Todavia, de nada adiantaria mensurar parâmetros dos
ecossistemas naturais, se tais resultados não fossem interpretados à luz da conservação da natureza. Com a
água não é diferente.
A existência de uma classificação nacional, com o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo
seu uso preponderante, é um importante instrumento de avaliação ambiental. Vamos conhecer mais adiante.
Classificação dos corpos hídricos
Os corpos hídricos e seu uso preponderante
Cabe ao Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) realizar o enquadramento das águas em classes de
acordo com o seu uso preponderante. Mas o que isso quer dizer? Analise os três cenários a seguir:
Imagine um rio que corta uma região rural no interior do Mato Grosso do Sul. Esse rio é utilizado
primordialmente pela população humana, que, além do consumo, utiliza essa água para banhar-se e
para a realização das atividades domésticas. Além disso, essa água é utilizada também para a
dessedentação de animais.
 
Agora imagine uma lagoa, no estado do Rio de Janeiro, que é utilizada primordialmente para fins de
turismo ambiental (apreciação da sua beleza natural) e para atividades aquáticas com contato indireto
com a água, como para a prática de caiaque, passeios de barco e pedalinho.
 
Por fim, imagine um rio, no estado de São Paulo, que já está linearizado e canalizado em alguns pontos
e recebe os efluentes tratados de indústrias e da estação de tratamento de esgoto da região.
1. 
2. 
3. 
Reflexão
Você acha que esses três corpos aquáticos, utilizados de formas diferentes pela população, precisam ter
as mesmas características ambientais? É preciso que a lagoa do Rio de Janeiro tenha a mesma
potabilidade que o rio do interior do Mato Grosso do Sul? E o rio que recebe os efluentes em São Paulo,
precisa ser enquadrado nos mesmos aspectos do que aquele ambiente onde as pessoas praticam
esportes? É claro que não! 
Cada ambiente aquático pode e deve ser enquadrado de acordo com seus usos preponderantes, de modo
que a avaliação ambiental nos mostre se ele está apropriado ao uso a que se destina.
Classes da água
Atualmente, algumas resoluções do Conama e do CNRH (Conselho Nacional de Recursos Hídricos) são
responsáveis por enquadrar os recursos hídricos em classes. É importante que tenhamos em mente as
seguintes normativas principais:
Resolução Conama nº 357/2005
Dispõe sobre a classificação dos corpos de
água e diretrizes para o seu enquadramento,
bem como estabelece as condições e padrões
de lançamento de efluentes, e dá outras
providências.
Resolução CNRH nº 91/2008
Estabelece os procedimentos gerais para o
enquadramento dos corpos d’água superficiais
e subterrâneos.
Resolução Conama nº 396/2008
Estabelece o enquadramento das águas
subterrâneas.
Resolução Conama nº 397/2008
Altera o art. 34 da Resolução Conama nº
357/2005.
A seguir, conheceremos alguns dos principais conceitos contidos na resolução Conama nº 357/2005,
importantes nas avaliações ambientais de corpos aquáticos.
Classe de qualidade
É o conjunto de condições e padrões de qualidade de água necessários ao atendimento dos usos
preponderantes, atuais ou futuros.
Classificação das águas
É a qualificação das águas doces, salobras e salinas em função dos usos preponderantes (sistema de
classes de qualidade) atuais e futuros.
Condição de qualidade
Qualidade apresentada por um segmento de corpo d'água, em determinado momento, em termos dos
usos possíveis com segurança adequada, frente às classes de qualidade.
Controle de qualidade da água
Conjunto de medidas operacionais que visa avaliar a melhoria e a conservação da qualidade da água
estabelecida para o corpo de água.
Enquadramento
Estabelecimento da meta ou objetivo de qualidade da água (classe) a ser, obrigatoriamente,
alcançado ou mantido em um segmento de corpo de água, de acordo com os usos preponderantes
pretendidos, ao longo do tempo.
Efetivação do enquadramento
Alcance da meta final do enquadramento.
Monitoramento
Medição ou verificação de parâmetros de qualidade e quantidade de água, que pode ser contínua ou
periódica, utilizada para acompanhamento da condição e do controle da qualidade do corpo de água.
Padrão
Valor limite adotado como requisito normativo de um parâmetro de qualidade de água ou efluente.
Parâmetro de qualidade da água
Substâncias ou outros indicadores representativos da qualidade da água.
A partir dos conceitos acima apresentados, incialmente, as águas são classificadas de acordo com sua
salinidade da forma que se apresenta a seguir:
 
Águas doces: Águas com salinidade igual ou inferior a 0,5%;
Águas salobras: Águas com salinidade superior a 0,5% e inferior a 30%;
Águas salinas: Águas com salinidade igual ou superior a 30%.
A partir da classificação de acordo com a salinidade, as águas doces, salobras e salinas do território nacional
são categorizadas segundo a qualidade requerida para os seus usos preponderantes, em 13 classes de
qualidade. 
• 
• 
• 
As águas de melhor qualidade podem ser aproveitadas em uso menos exigente, desde que este não
prejudique a qualidade da água, atendidos outros requisitos pertinentes. Vejamos abaixo o destino de cada
classe de água.
Águas doces
Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4
Destinadas ao
abastecimento
para consumo
humano, com
desinfecção;
Destinadas ao
abastecimento
para consumo
humano, após
tratamento
simplificado;
Destinadas ao
abastecimento
para consumo
humano, após
tratamento
convencional;
Destinadas ao
abastecimento
para consumo
humano, após
tratamento
convencional ou
avançado;
•
Destinadas
à
navegação;
À preservação
do equilíbrio
natural das
comunidades
aquáticas;
À proteção das
comunidades
aquáticas;
À proteção das
comunidades
aquáticas;
À irrigação de
culturas
arbóreas,
cerealíferas e
forrageiras;
• À
harmonia
paisagística.
À preservação
dos ambientes
aquáticos em
unidades de
conservação de
proteção
integral.
À recreação de
contato primário,
tais como
natação, esqui
aquático e
mergulho,
conforme
Resolução
Conama nº 274,
de 2000;
À recreação de
contato primário,
tais como
natação, esqui
aquático e
mergulho,
conforme
Resolução
Conama nº 274,
de 2000;
À pesca
amadora;
 
 
À irrigação de
hortaliças que
são consumidas
cruas e de frutas
que se
desenvolvam
rentes ao solo e
que sejam
ingeridas cruas
sem remoção de
película;
À irrigação de
hortaliças,
plantas frutíferas
e de parques,
jardins, campos
de esporte e
lazer, com os
quais o público
possa vir a ter
contato direto;
À recreação de
contato
secundário;
 
 
À proteção das
comunidades
aquáticas em
terras indígenas.
À aquicultura e à
atividade de
pesca.
À
dessedentação
de animais.
 
Tabela: Classificação de acordo com a salinidade – Águas doces.
Camilla Haubrich.
Águas salinas
Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3
Destinadas à preservação
dos ambientes aquáticos
em unidades de
conservação de proteção
integral;
Destinadas à recreação
de contato primário,
conforme Resolução
Conama nº 274, de 2000;
Destinadas à
pesca
amadora;
Destinadas à
navegação;
Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3
À preservação do equilíbrio
natural das comunidades
aquáticas.
À proteção das
comunidades aquáticas;
À recreação de
contato
secundário.
À harmoniapaisagística.
 
À aquicultura e à
atividade de pesca.
 
Tabela: Classificação de acordo com a salinidade – Águas salinas.
Camilla Haubrich.
Águas salobras
Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3
Destinadas à
preservação dos
ambientes aquáticos
em unidades de
conservação de
proteção integral;
Destinadas à recreação de contato
primário, conforme Resolução
Conama nº 274, de 2000;
Destinadas à
pesca
amadora;
Destinadas à
navegação;
À preservação do
equilíbrio natural das
comunidades
aquáticas.
À proteção das comunidades
aquáticas;
À recreação
de contato
secundário.
À harmonia
paisagística.
 
À aquicultura e à atividade de
pesca;
 
 
Ao abastecimento para consumo
humano após tratamento
convencional ou avançado;
 
 
À irrigação de hortaliças que são
consumidas cruas e de frutas que
se desenvolvam rentes ao solo e
que sejam ingeridas cruas sem
remoção de película, e à irrigação
de parques, jardins, campos de
esporte e lazer, com os quais o
público possa vir a ter contato
direto.
 
Tabela: Classificação de acordo com a salinidade – Águas salobras.
Camilla Haubrich.
Dessa maneira, de acordo com o uso preponderante a que se destina o copo hídrico, as águas podem ser
avaliadas e sofrer intervenções para garantir que estejam apropriadas ao uso a que se destinam. 
Qualidade da água e avaliação ambiental
Parâmetros físico-químicos da água para a avaliação ambiental
De acordo com sua classificação, as águas precisam atender a critérios de qualidade, que se baseiam,
principalmente, na avaliação de parâmetros físicos, químicos e biológicos.
Vamos conhecer, a seguir, os principais parâmetros físico-químicos utilizados na avaliação ambiental dos
corpos aquáticos.
Águas doces de classe 1
Condições de qualidade de água:
a) Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
b) Óleos e graxas: virtualmente ausentes;
c) Substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
d) Corantes provenientes de fontes antrópicas: virtualmente ausentes;
e) Resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes;
f) DBO (demanda bioquímica de oxigênio) 5 dias a 20°C até 3 mg/L O2 (oxigênio);
g) OD (oxigênio dissolvido), em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/L O2 (oxigênio);
h) Turbidez até 40 unidades nefelométrica de turbidez (UNT);
i) Cor verdadeira: nível de cor natural do corpo de água em mg Pt/L;
j) pH: 6,0 a 9,0.
Águas doces de classe 2
Aplicam-se a essas águas as condições e padrões da classe 1 previstos anteriormente, à exceção do
seguinte:
I. Não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não sejam
removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais;
II. Cor verdadeira: até 75 mg Pt/L;
III. Turbidez: até 100 UNT;
IV. DBO (demanda bioquímica de oxigênio) 5 dias a 20°C até 5 mg/L O2;
V. OD (oxigênio dissolvido), em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/L O2;
VI. Densidade de cianobactérias: até 50.000 cel/mL ou 5 mm³/L;
VII. Fósforo total:
a) Até 0,030 mg/L, em ambientes lênticos;
b) Até 0,050 mg/L, em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40 dias, e
tributários diretos de ambiente lêntico.
Águas doces de classe 3
Essas águas observarão as seguintes condições e padrões:
I. Condições de qualidade de água:
a) Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
b) Óleos e graxas: virtualmente ausentes;
c) Substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes;
d) Não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não sejam
removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais;
e) Resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes;
f) DBO (demanda bioquímica de oxigênio) 5 dias a 20°C até 10 mg/L O2;
g) OD (oxigênio dissolvido), em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/L O2;
h) Turbidez até 100 UNT;
i) Cor verdadeira: até 75 mg Pt/L;
j) pH: 6,0 a 9,0.
Águas doces de classe 4
Essas águas observarão as seguintes condições e padrões:
I. Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes;
II. Odor e aspecto: não objetáveis;
III. Óleos e graxas: toleram-se iridescências;
IV. Substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de
navegação: virtualmente ausentes;
V. Fenóis totais (substâncias que reagem com 4 - aminoantipirina) até 1,0 mg/L de C6H5OH (fenol);
VI. OD (oxigênio dissolvido), superior a 2,0 mg/L O2 (Oxigênio) em qualquer amostra;
VII. pH: 6,0 a 9,0.
Parâmetros biológicos da água para a avaliação ambiental
Entre os principais parâmetros biológicos importantes na avaliação ambiental da água doce, podem ser
citados:
 
Presença ou ausência de coliformes termotolerantes, que são bactérias gram-negativas, em forma de
bacilos, oxidase negativas, caracterizadas pela atividade da enzima galactosidase. Podem crescer em
meios contendo agentes tensoativos e fermentar a lactose nas temperaturas de 44 - 45°C, com
produção de ácido, gás e aldeído. Além de estarem presentes em fezes humanas e de animais
homeotérmicos, ocorrem em solos, plantas ou outras matrizes ambientais que não tenham sido
contaminados por material fecal.
 
• 
Presença ou ausência de Escherichia coli (E.coli), bactérias pertencentes à família Enterobacteriaceae
caracterizada pela atividade da enzima glicuronidase. Produz indol a partir do aminoácido triptofano. É
a única espécie do grupo dos coliformes termotolerantes, cujo hábitat exclusivo é o intestino humano e
de animais homeotérmicos, onde ocorre em densidades elevadas.
Vamos conhecer a seguir a classificação dos corpos aquáticos, de acordo com seu uso preponderante no que
diz respeito aos principais parâmetros biológicos utilizados na avaliação ambiental.
Parâmetros biológicos de avaliação ambiental
Confira agora outros parâmetros biológicos de avaliação ambiental, como a comunidade zooplanctônica,
fitoplanctônica, bentônica, macroalgas, bactérias etc.
Conteúdo interativo
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Águas doces de classe 1
Essas águas observarão as seguintes condições de qualidade:
a) Não verificação de efeito tóxico crônico a organismos, de acordo com os critérios estabelecidos
pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições nacionais ou internacionais
renomadas, comprovado pela realização de ensaio ecotoxicológico padronizado ou outro método
cientificamente reconhecido.
b) Coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato primário deverão ser obedecidos
os padrões de qualidade de balneabilidade, previstos na Resolução Conama 274, de 2000. Para os
demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes termotolerantes por 100mL em
80% ou mais, de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com frequência
bimestral. A E. coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes
de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente.
Águas doces de classe 2
Aplicam-se a essas águas as condições e padrões da classe 1 previstos anteriormente, à exceção do
seguinte:
I. Coliformes termotolerantes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecida a
Resolução Conama 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 1.000
coliformes termotolerantes por 100 mL em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante
o período de um ano, com frequência bimestral. A E. coli poderá ser determinada em substituição ao
parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental
competente;
II. Densidade de cianobactérias: até 50.000 cel/mL ou 5 mm³/L.
• 
Águas doces de classe 3
I. Essas águas observarão as seguintes condições e padrões:
a) Não verificação de efeito tóxico agudo a organismos, de acordo com os critérios estabelecidos
pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições nacionais ou internacionais
renomadas, comprovado pela realização deensaio ecotoxicológico padronizado ou outro método
cientificamente reconhecido;
b) Coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não deverá ser
excedido um limite de 2.500 coliformes termotolerantes por 100mL em 80% ou mais de pelo menos 6
amostras, coletadas durante o período de um ano, com frequência bimestral. Para dessedentação de
animais criados confinados não deverá ser excedido o limite de 1.000 coliformes termotolerantes por
100mL em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com
frequência bimestral. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 4.000 coliformes
termotolerantes por 100mL em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante o período
de um ano, com periodicidade bimestral. A E. coli poderá ser determinada em substituição ao
parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental
competente;
c) Cianobactérias para dessedentação de animais: os valores de densidade de cianobactérias não
deverão exceder 50.000 cel/ml, ou 5 mm³/L.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Classificação dos corpos hídricos
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Parâmetros físico-químicos da água para a avaliação ambiental
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Na avaliação ambiental, os parâmetros biológicos podem nos dar importantes informações sobre a qualidade
da água. Assinale a seguir a alternativa que somente contém parâmetros biológicos.
A
Medição de turbidez, medição de pH, análise de E. coli.
B
Quantificação de bactérias termotolerantes, quantificação da concentração de fósforo e enxofre,
quantificação de cianobactérias.
C
Quantificação de coliformes totais e fecais, medição de pH, análise de E. coli.
D
Quantificação de bactérias termotolerantes, quantificação de coliformes totais e fecais, quantificação de
cianobactérias.
E
Quantificação da concentração de nutrientes, quantificação de coliformes totais e fecais, quantificação de
cianobactérias.
A alternativa D está correta.
Os principais parâmetros biológicos de análise ambiental da água são quantificação de bactérias
termotolerantes, de coliformes totais e fecais, de cianobactérias e presença e/ou ausência de E. coli.
Questão 2
Na avaliação ambiental, a classificação da água de acordo com a salinidade pode fornecer importantes
informações sobre sua qualidade. Assinale a seguir a alternativa que corretamente contém a classificação das
águas de acordo com tal parâmetro.
A
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5%; águas salobras: águas com salinidade superior a
0,5% e inferior a 30%; águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30%.
B
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,2%; águas salobras: águas com salinidade superior a
0,2% e inferior a 15%; águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 15%.
C
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,0%; águas salobras: águas com salinidade superior a
0,0% e inferior a 30%; águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30%.
D
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 1%; águas salobras: águas com salinidade superior a 1%
e inferior a 30%; águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30%.
E
Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 1%; águas salobras: águas com salinidade superior a 1%
e inferior a 15%; águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 15%.
A alternativa A está correta.
As águas podem ser classificadas em águas doces: com salinidade igual ou inferior a 0,5%; águas salobras:
com salinidade superior a 0,5% e inferior a 30%; e águas salinas: com salinidade igual ou superior a 30%.
4. Biomonitoramento e bioindicadores
Biomonitoramento
Conceito de biomonitoramento
O primeiro passo para a resolução dos problemas socioambientais ocasionados pela má gestão dos recursos
é o desenvolvimento de metodologias de diagnóstico eficientes.
Monitoramento pode ser definido como a medição ou verificação de parâmetros de qualidade e quantidade,
que pode ser contínua ou periódica, utilizada para acompanhamento da condição e do controle da qualidade.
O monitoramento dos recursos naturais, há muito tempo, é utilizado na avaliação ambiental. Avaliar
constantemente o meio ambiente é um importante instrumento para a conservação da natureza. No entanto,
somente nas últimas décadas marcadores biológicos começaram a ser utilizados de forma frequente como
instrumentos de proteção da natureza, por meio do biomonitoramento.
Saiba mais
A ideia de que espécies podem ser usadas para indicar certas condições ambientais pode ser verificada
ao longo da história. Um exemplo ocorreu durante a Revolução Industrial (século XIX), quando canários
eram colocados dentro de minas de carvão para monitorar a qualidade do ar. Caso o canário sofresse
alguma alteração desfavorável, causada por altas concentrações de monóxido de carbono, as pessoas
eram imediatamente retiradas do local, evitando possíveis danos à saúde (BUSS et. al., 2003). 
O biomonitoramento pode ser definido como o uso sistemático das respostas de organismos vivos para avaliar
as mudanças ocorridas no ambiente, geralmente, causadas por ações antropogênicas (BUSS et. al., 2003). 
A resposta dos organismos é a base dos índices biológicos utilizados. Em termos práticos, é uma avaliação da
qualidade ambiental dentro de uma escala espacial e temporal definidas. Consiste na análise da resposta de
indivíduos, populações, assembleias ou comunidades a diferentes gradientes de contaminação ou poluição.
O uso de parâmetros biológicos para avaliação ambiental se
baseia nas respostas dos organismos em relação ao meio
onde vivem. Assim, se um meio tem suas características
ambientais preservadas, alguns parâmetros biológicos
serão encontrados. Todavia, se há uma deterioração na
qualidade ambiental, outros parâmetros, condizentes com
essa degradação, serão observados.
Espécies bioindicadoras são aquelas escolhidas por sua
tolerância ou sensibilidades às condições ambientais. Tais
espécies terão uma “resposta biológica” aos estímulos
recebidos pelo meio em que vivem. De acordo com a resposta das espécies bioindicadoras, pode-se prever o
que está acontecendo ou acontecerá com determinado ambiente natural.
O uso das respostas biológicas como indicadores de degradação ambiental é vantajoso em relação às
medidas físicas e químicas da água, pois estas registram apenas o momento em que foram coletadas, como
uma fotografia do rio, necessitando de um grande número de análises para a realização de um monitoramento
temporal eficiente. Porém, a desvantagem é que se forem feitas longe da fonte poluente, as medições
químicas na água não serão capazes de detectar perturbações sutis sobre o ecossistema. 
Por sua vez, as espécies integram as condições ambientais durante toda a sua vida, permitindo que a
avaliação biológica seja utilizada com bastante eficiência na detecção tanto de ondas tóxicas intermitentes
agudas quanto de lançamentos crônicos contínuos. Além disso, as metodologias biológicas são bastante
eficazes na avaliação de poluição não pontual (difusa), tendo, portanto, grande valor para avaliações em
escala regional (BUSS et. al., 2003).
O biomonitoramento tem trazido respostas importantes e eficazes na avaliação ambiental e quando
utilizado conjuntamente com as análises dos parâmetros ambientais físico-químicos podem trazer
resultados ainda mais completos. Apesar disso, no Brasil, o biomonitoramento ainda é pouco
utilizado pelos órgãos ambientais, com um uso bastante incipiente. 
Bioindicadores e biomonitoramento na avaliação
ambiental 
Características dos bioindicadores
Ao selecionar um bioindicador ou indicador biológico, ou seja, uma espécie que será utilizada como
bioindicadora, Buss e colaboradores (2003) definemalguns critérios importantes. Confira!
 
Ser taxonomicamente bem definido e facilmente reconhecível por não especialistas.
Apresentar distribuição geográfica ampla.
Ser abundante ou de fácil coleta.
Ter baixa variabilidade genética e ecológica.
Preferencialmente possuir tamanho grande.
Apresentar baixa mobilidade e longo ciclo de vida.
Dispor de características ecológicas bem conhecidas
Ter possibilidade de uso em estudos em laboratório.
Deve-se atentar para a escolha do grupo ou espécie bioindicador, pois seu monitoramento deve facilitar a
análise ambiental e não ser uma dificuldade adicional. Entenda:
Imagine que um pesquisador está em processo de seleção de um bioindicador para determinada área.
Suponha que certa ilha, no sul do Brasil, tem sofrido os efeitos da poluição do ar produzida por uma região
industrial na área costeira. O depósito de material particulado sobre as rochas e a morte de algumas espécies
já estão sendo notados por turistas e moradores locais. Após uma extensa análise, existe dúvida sobre qual
espécie poderá ser utilizada como boa bioindicadora da qualidade do ar na região.
Opção número 1
A primeira espécie consiste em um mamífero, de pequeno porte, com
hábitos noturnos. Por conta da poluição do ar, os indivíduos sofrem de
um achatamento do sistema respiratório que pode levar à morte de toda
a população em poucos meses, ou seja, ao desaparecimento daquela
população. Tal espécie é muito parecida com outros roedores e há certa
confusão em sua taxonomia e identificação. Seu ciclo de vida é curto e
entre nascimento e morte, em média se passam 33 dias.
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Opção número 2
A segunda espécie é de um líquen, presente nas árvores da região, bem
conhecido taxonomicamente e de fácil identificação. Tal espécie
apresenta mudança em sua coloração quando entra em contato com
alguns componentes químicos presentes na fumaça das indústrias em
questão. Seu ciclo de vida, entre nascimento e morte, pode durar anos.
Então, qual espécie o pesquisador deve usar para biomonitorar a qualidade do ar na região? A segunda
espécie, certo? Vamos entender o porquê.
 
O ciclo de vida curto, a rápida extinção de populações e a confusão na taxonomia/identificação da espécie
indicam que a primeira espécie não deve ser utilizada como bioindicadora, apesar de ela sofrer com os efeitos
da poluição. Já a segunda espécie possui ciclo de vida longo, é bem conhecida e de fácil identificação, é
séssil, ou seja, possui baixa mobilidade, e passível de ser estudada em laboratório, o que a caracteriza como
potencial boa espécie bioindicadora.
Utilização de biomonitoramento na avaliação ambiental
Como vimos, o biomonitoramento é um importante instrumento de avaliação ambiental.
Imagine a seguinte situação: Um grupo de macroinvertebrados aquáticos é extremamente sensível à presença
de metais pesados, muito comuns em efluentes industriais. Em certo lago no Pará, as análises dos parâmetros
físico-químicos e biológicos habituais da água estão dentro dos valores esperados, de acordo com o
enquadramento do corpo aquático segundo seu uso pretendido. No entanto, a modificação da comunidade de
macroinvertebrados chamou a atenção de pesquisadores que trabalhavam na região. O que essa alteração
biológica pode significar?
Nesse caso hipotético, é possível que efluentes industriais
clandestinos estejam sendo jogados no lago.
As análises habituais da água somente perceberiam tal
alteração depois de muito tempo, quando a degradação
ambiental fosse praticamente irreversível. Porém, nesse
exemplo fictício, o trabalho dos pesquisadores possibilitou
que as autoridades fiscalizadoras fossem capazes de
identificar a indústria clandestina e impedir o descarte de
efluentes industriais no lago em questão.
Na prática, os macroinvertebrados bentônicos são
utilizados com frequência como bioindicadores dos
ecossistemas aquáticos. Isso acontece, pois esses grupos de organismos possuem características que
facilitam a análise e a interpretação das respostas obtidas. Entre tais características estão:
 
São ubíquos, podendo responder a perturbações em todos os ambientes aquáticos e em todos os
períodos.
Incluem grande número de espécies, oferecendo um amplo espectro de respostas.
Mesmo em rios de pequenas dimensões, sua fauna pode ser extremamente rica.
Têm natureza relativamente sedentária na maioria das espécies, o que permite uma análise espacial
eficiente dos efeitos das perturbações.
Requerem metodologias de coleta simples e de baixo custo, que não afetam adversamente o ambiente.
São relativamente fáceis de se identificar/nomear segundo as metodologias existentes.
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Agora, vamos a um exemplo de caso real. 
Para a avaliação da qualidade do ar, o estado de São Paulo já utilizou o biomonitoramento. As respostas das
plantas bioindicadoras aos poluentes podem ser observadas tanto em nível macroscópico (com o
aparecimento de necroses, cloroses, quedas de folhas e diminuição do seu crescimento) como em nível
genético, estrutural, fisiológico ou bioquímico. 
Para a avaliação do potencial fitotóxico foram determinadas
as concentrações de poluentes em amostras de folhas de
espécies vegetais existentes no local (biomonitoramento
passivo) e também de espécies cultivadas em ambiente não
poluído e expostas por tempo determinado ao poluente
(biomonitoramento ativo). 
O biomonitoramento com plantas tem sido usado para
confirmar impactos fitotóxicos de poluentes atmosféricos e
demonstrar descarga de compostos tóxicos no meio
ambiente e na cadeia alimentar. O biomonitoramento
utilizando plantas é uma metodologia efetiva, fácil e econômica.
Cabe ressaltar que o emprego de bioindicadores não pretende e não consegue substituir medições de
concentrações ambientais de poluentes por meio de métodos físico-químicos, mas fornece informações
adicionais referentes aos efeitos sobre organismos vivos (CETESB, 2015).
Ainda, pode-se citar os líquens como importantes bioindicadores da qualidade do ar. A espécie Cladonia
verticillaris é uma das mais utilizadas em biomonitoramento. Seu tecido acumula poluentes que podem ser
observados por meio de análises químicas e servem como importante instrumento de avaliação da qualidade
do ar. Tal técnica é utilizada em algumas cidades do país.
Líquen em galho de árvore.
Exemplos de utilização de bioindicadores no mundo
Confira agora casos reais da utilização de bioindicadores pelo mundo.
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Biomonitoramento
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Características dos bioindicadores
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Os bioindicadores são uma importante ferramenta de avaliação ambiental. Assinale a assertiva que contém
uma característica esperada dos bioindicadores.
A
Somente devem ser reconhecidos por especialistas.
B
Devem apresentar distribuição geográfica restrita à área de estudo.
C
Devem possuir alta variabilidade genética e ecológica.
D
Devem dispor de características ecológicas bem conhecidas.
E
Devem possuir tamanho pequeno e alta mobilidade.
A alternativa D está correta.
Ao selecionar bioindicadores, os profissionais devem se atentar a algumas de suas características, entre
elas: ser taxonomicamente bem definido e facilmente reconhecível inclusive por não-especialistas;
apresentar distribuição geográfica ampla; ser abundante ou de fácil coleta; ter baixa variabilidade genética
e ecológica; preferencialmente possuir tamanho grande; apresentar baixa mobilidade e longo ciclo de vida;
dispor de características ecológicas bem conhecidas; e ter possibilidade de uso em estudos em laboratório.
Questão 2
Os bioindicadores são uma importante ferramenta de avaliação ambiental. Assinale a assertiva que contém
uma característica dos macroinvertebrados,

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