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LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Visão geral Imunidade inata = mecanismos de defesa sempre presentes, prontos para combater microrganismos e outros agentes agressores Funções e reações das respostas imunes inatas: • Proteção contra microrganismos e lesão tecidual Principais componentes: ✓ Superfícies epiteliais ✓ Células-sentinela teciduais: macrófagos, DCs e mastócitos ✓ Leucócitos: neutrófilos, macrófagos, células NK ✓ Proteínas plasmáticas Características • Defesas físicas e químicas nas barreiras epiteliais, os quais bloqueiam a entrada microbiana • As respostas imunes inatas são reações iniciais aos microrganismos • Elimina células danificadas e inicia o processo de reparo tecidual • Estimulam as respostas imunes adaptativas e podem influenciar a natureza dessas respostas → fornece os sinais de perigo • Reações de inflamação e defesa antiviral Comparação com a imunidade adaptativa • As respostas inatas dispensam exposição prévia ao microrganismo • Nas RI não há alteração considerável na qualidade ou magnitude da resposta após repetidas exposições – pouca ou nenhuma memória • A RI reconhece um conjunto limitado de estruturas moleculares • Os receptores dessas duas imunidades são diferentes Reconhecimento O sistema imune inato reconhece estruturas moleculares produzidas por patógenos microbianos A imunidade inata reconhece: ➔ Padrões moleculares ao dano ou perigo – moléculas que não estão presentes na corrente sanguínea, mas que por situações específicas elas são liberadas do meio intracelular; cristais associados ao desenvolvimento da gota ➔ Padrões associados aos microrganismos ➔ A imunidade inata não responde ao próprio Padrões moleculares associados ao patógeno (PAMPs): Substâncias microbianas que estimulam a imunidade inata • Diferentes tipos de microrganismos expressam PAMPs diferentes • Ácidos nucleicos • Proteínas • Lipídeos da parede celular • Carboidratos O sistema imune inato reconhece produtos microbianos que são essenciais à sobrevivência dos microrganismos Padrões moleculares associados ao dano (DAMPs): São moléculas endógenas que são produzidas ou liberadas por células danificadas que estão morrendo • Produzidos como resultado de dano celular • Lesão estéril causada por diversas possibilidades • Moléculas endógenas produzidas por células sadias são liberadas quando ocorre dano celular e estimulam respostas inatas • “alarminas” → indicam morte celular Os receptores celulares de padrões moleculares associados ao patógeno e ao dano são denominados receptores de reconhecimento de padrão • Superfície • Vesículas fagocíticas • Citosol Quando esses receptores reconhecem os PAMPs e DAMPs, ativam vias de transdução de sinal que promovem as funções antimicrobianas e pró- inflamatórias NF-Kb = transcrição de vários genes de citocinas, TNF, IL1, IL-6, IL12; secreção de quimiocinas; MHC, CD80, CD86; INOS e phox Receptores Receptores codificados diretamente no genoma (genes herdados)– número limitado • Os receptores da imunidade inata são menos específicos, pois os receptores reconhecedores de padrão reconhecem um número limitado de molécula LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • É capaz de distinguir apenas classes de microrganismos, ou somente entre as células danificadas e sadias • A inflamação aguda é mediada principalmente pela resposta imune inata • Inflamação estéril: processo inflamatórios que não tem envolvimento de microrganismos Receptores reconhecedores de padrão – DAMP e MAMP • Receptores Toll – na superfície e no citosol/endossomo • NLR – citosol • RLR – citosol • Lectina – superfície Receptores associados a células e solúveis • Solúveis → papel fundamental no processo inflamatório • Solúveis → proteína C reativa (marcador inespecífico de um processo inflamatório – indica a intensidade de um processo inflamatório) • Proteínas do sistema complemento • Selectinas Receptores do tipo Toll (TLRs) • Expresso em muitos tipos celulares • Reconhece uma gama de microrganismos, bem como moléculas expressas ou liberadas por células estressadas e em processo de morte • Envolvidos na sinalização • Receptores de membrana → são glicoproteínas integrais de membrana do tipo I o São encontrados na superfície celular e em membranas intracelulares, sendo capazes de reconhecer microrganismos em diferentes localizações celulares o TLRs 1,2,4,5 e 6 → expressos na membrana plasmática o TLRs 3,7,8 e 9 → expressos dentro das células, no RE e nas membranas endossômicas, onde detectam DNA e RNA de microrganismos intracelulares • Reconhecem padrões moleculares distintos • Estão envolvidos nas respostas a moléculas endógenas cuja expressão ou localização indica dano celular • Faz uma sinalização intracelular importante que induz a ativação de fatores de transcrição nucleares que induzem a produção de citocinas • O reconhecimento de ligantes pelos TLRs resulta na ativação de diversas vias de sinalização e, por fim, fatores de transcrição, induzindo a expressão de genes que são importantes para as respostas inflamatórias e antivirais A base estrutural das especificidades do TLR reside nos múltiplos módulos extracelulares ricos em leucina desses receptores que se ligam diretamente aos PAMPs ou a moléculas adaptadoras que se ligam aos PAMs Ligação do ligante ao TLR → dimerização das proteínas de TLR (aproxima os domínios TIR das caudas citoplasmáticas de cada proteína entre si) → recrutamento de proteínas adaptadoras contendo domínio TIR → recrutamento e ativação de várias proteínas quinases → ativação de fatores de transcrição • Fator nuclear kB e proteína de ativação 1 → citocinas (TNF, IL-1), quimiocinas, moléculas de adesão endotelial • Fator regulador de interferon 3 (IRF3) e IRF7 → produção de interferons tipo I (alfa e beta) Receptores citosólicos ✓ NOD ✓ Receptores do tipo RIG ✓ Sensores de DNA citosólico Estão conectados a vias de transdução de sinal promotoras de inflamação ou de produção de IFN 1 LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Receptores tipo NOD: NOD1 e NOD2 • Receptores NLR (NOD – like receptors) • Constituem uma família de mais de 20 proteínas citossólicas diferentes • São intracelulares • Incluem um domínio de repetição rico em leucina C-terminal, um domínio NOD central e um domínio efetor N-terminal • Doenças inflamatórias intestinais → certos polimorfismos do gene NOD2 aumentam o risco de uma enteropatia inflamatória conhecida como doença de Crohn o Ocorre respostas inatas defeituosas contra organismos comensais e patogênicos no intestino • Inflamassoma (conjunto de proteínas formado pelo receptor, proteína adaptadora e uma enzima caspase) → produção de interleucina 1 beta e 18 → piroptose O NOD 1 e NOD2 são expressos no citosol e respondem a peptideoglicanas da parede bacteriana • NOD2 – células de Paneth intestinais • NOD1 – reconhece de gram negativas Sensores de DNA citosólico e a via STING • São moléculas que detectam DNA de fita dupla microbiano no citosol e ativam vias de sinalização que iniciam respostas antimicrobianas, incluindo a produção de IFN1 e autofagia • A STING é uma proteína transmembrana localizada no RE que induz a ativação da expressão de IFN1 Receptores do tipo RIG • RLRs • São sensores citosólicos de RNA viral que respondem induzindo a produção de IFN 1 antivirais Indução de IFN tipo I (vírus) • Inibição da tradução • Degradação de material genético • Inibição da transcrição e formação de novas partículas virais Inflamossomas • São complexos multiproteicos que se formam no citosol em resposta aos PAMPs e DAMPs citosólicos • Tem a função de gerar formas ativas das citocinasinflamatórias IL-1B e IL-18 • São compostos de oligômeros de um sensor, a caspase-1, e de um adaptador • Esse complexo é ativado na presença de PAMPs ou DAMPs no citosol • Podem se formar com várias proteínas sensores diferentes A formação do inflamassomo é induzida quando as proteínas sensoras presentes no citosol reconhecem diretamente produtos microbianos ou, provavelmente de modo mais comum, quando os sensores detectam alterações na quantidade de moléculas endógenas ou de íons no citosol indicando indiretamente a presença de infecção ou dano celular. LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG A ativação do inflamassomo também causa uma forma inflamatória de morte celular programada de macrófagos e DCs chamada de piroptose • Inchaço das células • Perda da integridade das membranas plasmática • Liberação de mediadores inflamatórios • A amplificação da inflamação promovida pela piroptose intensifica a depuração bacteriana, mas também pode contribuir para o choque séptico Receptores de reconhecimento de padrão associado à célula Receptores de Lectina tipo C - CLRs • Reconhecem carboidratos presentes na superfície de microrganismos, facilitando a fagocitose e a secreção de citocinas promotoras de inflamação e das respostas imunes adaptativas • Ligam-se a carboidratos de modo dependente de Ca++ • São proteínas integrais de membrana encontradas nas superfícies de macrófagos, DCs e algumas células teciduais Receptores Scavenger: são proteínas de superfície celular, que podem ser expressos em macrófagos e mediam a fagocitose de microrganismos. Receptores Formil-peptídeo • Expresso nos leucócitos, é capaz de reconhecer peptídeos bacterianos contendo resíduos N-formilmetionil e estimula o movimento direcional das células. • Assim, FPR1 capacita fagócitos a detectar eresponder preferencialmente a proteínas bacterianas. Componentes celulares • As células do sistema imune inato atuam como barreiras contra infecções e como sentinelas para detectar microrganismos e células danificadas em tecidos, além de desempenharem funções que são essenciais para a defesa contra os microrganismos Barreiras epiteliais • Barreiras físicas • Produzem compostos químicos antimicrobianos que impedem adicionalmente a entrada de microrganismos • Pele e superfícies mucosas As células epiteliais podem produzir defensinas e catelicidinas Defensinas • São produzidas por células epiteliais de superfícies mucosas e por leucócitos contendo grânulos • Toxicidade direta aos microrganismos • Ativação de células envolvidas na resposta inflamatória • Habilidade de se inserir e desorganizar as funções das membranas microbianas Catelicidina • Produzida por neutrófilos e células epiteliais de barreira • Proteção contra infecções • Toxicidade direta • Ativação de respostas em leucócitos e outros tipos celulares Os epitélios de barreira contêm certos tipos de linfócitos Fagócitos • Primeira linha de defesa contra microrganismos que rompem as barreiras epiteliais Função dos macrófagos • São fagócitos profissionais • São capazes de fagocitar e apresentar antígenos • Expressam MHC I e II • Linfócitos T CD8 → classe I • Linfócitos TCD4 → classe II • Possuem receptores que quando ativados induzem a formação de citocinas • Produção de peptidases e espécies reativas para ajudar a degradar o migrorganismo A fagocitose se dá à medida que o microrganismo é reconhecido por receptores específicos → formação de pseudópodes → fagossomo (contenção física) → lisossomo → fagolisossomo LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Esse sistema pode ser hiperestimulado, causando lesão no hospedeiro → mecanismo de fuga e escape de alguns microrganismos Principais tipos de macrófagos • Residentes de tecidos Aqueles que se diferenciam a partir de monócitos → dependendo do microambiente e de citocinas podem se diferenciar em M1 ou M2 • Interferon gama + receptores de reconhecimento de padrões ativados = M1 (maneira clássica associado a inflamação e fagocitose) → destruição de microrganismo • Macrófagos M2 (ativação alternativa) = IL 4 e 13 → perfil anti-inflamatório e reparador o Em geral não fagocita microrganismos Neutrófilos • Fagocitose Produzem NETs = armadilhas extracelulares associadas a neutrófilos • Ele libera seu próprio material genético para formar redes • Netose → o objetivo final é a contenção física de microrganismos e atividade química sobre ele • Ajuda controlar o processo de infecção Células dendríticas • Fazem fagocitose, mas são majoritariamente APC profissionais • Detectam de forma rápida e eficiente os microrganismos invasores, devido à sua localização nos tecidos e expressão de numerosos receptores de reconhecimento de padrão para PAMPs e DAMPs • Secretam citocinas inflamatórias que promovem o recrutamento de leucócitos adicionais oriundos do sangue • Expressam MHC I (presente em todas as nucleadas) e II (presentes nas APC) – são importantes para os antígenos proteicos processados sejam apresentados para os linfócitos T Tipos de DCs: • Clássicas – Principal tipo envolvida na captura de antígenos proteicos de microrganismos que entram através da pele e apresentação para células T • Plasmocitoides – diferenciadas durante as infecções virais (principal fonte de citocinas antivirais – IFN tipo I) o Expressam uma grande quantidade de TLRs endossômicos específicos para ácido nucleico – 3, 7, 8 e 9 • Inflamatórias • Foliculares → importantes para apresentar antígenos a linfócitos B • Células de Langerhans Células linfoides inatas - ILCs • São derivadas da medula óssea com morfologia de linfócito • Não expressam receptores antigênicos diversificados clonalmente distribuídos, tal qual os linfócitos T • Produção de citocinas que auxiliam na resposta imune • Ativação de linfócitos, macrófagos Três subpopulações de células linfoides inatas, chamadas ILC1, ILC2 e ILC3 produzem diferentes citocinas • ILC1 = IFN-gama → microrganismos intracelulares • ILC2 = IL-5, 9 e 13 → parasitas helmintos e doenças alérgicas • ILC3 = IL-22 e 17 → fungos e bactérias extracelulares Os estímulos para a produção de citocinas pelas ILCS são outras citocinas liberadas no contexto de respostas inatas a infecções e dano tecidual LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Subpopulações de ILC podem participar da defesa do hospedeiro contra patógenos distintos, e também podem estar envolvidas em distúrbios inflamatórios. São células residentes nos tecidos de barreira epiteliais preparadas para reagir contra microrganismos que rompem essas barreiras Células natural Killer • Assassinos naturais • São células citotóxicas que exercem papéis importantes nas respostas imunes inatas principalmente contra vírus e bactérias intracelulares • Elas secretam IFN-y • Papel de imunovigilância fundamental • Essenciais na resposta antitumoral e microrganismos intracelulares • Células sentinelas → passeiam pelo organismo e se ela não estiver expressando MHCI próprio ele é ativado e mata • Produção de perforinas e granzimas • 5-15% das células mononucleares presentes no sangue e no baço • Usam receptores codificados por DNA de linhagem germinativa para distinguir entre células infectadas por patógenos e células sadias Por meio da ativação de células infectadas as células NK despejam o seu conteúdo no ponto de contato com a célula infectada → entram na célula → induz a apoptose Funções • Matam células infectadas e produzir IFN-y • Ativa macrófagos e destroem microrganismos fagocitados • Perforinas – facilita a entrada de outras proteínas contidas nos grânulos • Granzimas – são enzimas proteolíticas que iniciameventos de sinalização que causam morte das células-alvo por apoptose As células NK são expandidas e ativadas pelo reconhecimento de ligantes ativadores presentes nas células infectadas → IL-12 e IL-15, IFN1 As células NK ativadas também sintetizam o interferon-gama • O IFN-y aumenta a capacidade dos macrófagos de matar bactérias fagocitadas Ativação das NK • A sua ativação é determinada por um equilíbrio entre o acoplamento de receptores de ativação e inibitórios • Muitos receptores ativadores de célula NK são chamados de receptores de célula Killer do tipo imunoglobulina • Esses receptores ativadores de superfície celular são expressos por células infectadas ou estressadas por algum tipo de dano • Esses receptores permitem a eliminação dessas células pelas NK • Receptor NKG2D → reconhece moléculas que se assemelham às proteínas do MHC de classe I e são expressadas em resposta a diversos tipos de estresse celular • Receptor CD16 → é específico para IgG ligado às células (citotoxicidade celular anticorpo- dependente) • Os receptores ativadores das células NK têm subunidades de sinalização que contêm LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG imunorreceptores ativadores com base em tirosina (ITAM) nas suas caudas citoplasmáticas • Os ITAMs fosforilados ligam-se e promovem a ativação das proteínas tirosina quinase citossólicas, as quais fosforilam ativando outros substratos em várias vias de sinalização, que eventualmente levam à exocitose dos grânulos citotóxicos e à produção de IFN-gama Inibição Os receptores de inibição das células NK reconhecem moléculas do MHC de classe I, as quais são proteínas de superfície celular expressas em todas as células nucleadas sadias do corpo • Portanto, a expressão de MHC de classe 1 protege as células saudáveis da destruição por NK • Uma das outras funções do MHC 1 é exibir proteínas microbianas na superfície celular para serem reconhecidos por linfócitos T CD8 + • As células NK interpretam a presença de moléculas de MHC de classe I como marcadores do próprio normal e saído, enquanto sua ausência é uma indicação de infecção ou dano – “reconhecimento do próprio ausente” Famílias de receptores inibitórios: tipo imunoglobulina (KIR) e receptores que consistem em uma proteína CD94 e uma subunidade de lectina NKG2 • Possuem imunorreceptores inibitórios com base em tirosina (ITIM) que se tornam fosforilados quando os receptores se ligam ao MHC 1 • Os ITM fosforilados promovem a ativação da tirosina fosfatase que removem o grupo fosfato de várias moléculas de sinalização, neutralizando a ação do ITAM e bloqueando a ativação das células NK Muitos vírus desenvolveram mecanismos para bloquear a expressão de MHC 1 em células infectadas para escaparem dos TCD8+ → as células NK identificam e matam essas células A célula hospedeira usa os CTL para reconhecer os antígenos virais apresentados pelo MHC, os vírus inibem a expressão de MHC para escapar da morte das células infectadas pelos CTL, e as células NK podem compensar a resposta defeituosa dos CTL porque são mais eficazes na ausência de moléculas do MHC Linfócitos T e B Certas populações pequenas de linfócitos expressam receptores antigênicos estruturalmente iguais àqueles da células T e B, mas com pouca diversidade Linfócitos T gama delta e Células NKT → tecidos de mucosa • Linfócitos T natural killer invariantes (NKT) Eosinófilos, basófilos, mastócitos → inflamações, alergias, respostas contra helmintos Mastócitos • São células sentinelas presentes na pele, epitélio de mucosa e tecidos conectivos que rapidamente secretam citocinas pró- inflamatórias e mediadores lipídicos em resposta à infecção e outros estímulos • Possuem localização estratégica na região perivascular → sua ativação é fundamental para o processo inflamatório, independente se é um processo clássico ou alérgico • Grânulos citoplasmáticos → histamina, enzimas proteolíticas, prostaglandinas e citocinas • Os mastócitos expressam TLRs • Defesa contra helmintos Sistema do complemento Vários tipos de moléculas existem na forma solúvel no sangue e nos fluidos extracelulares → defesa inicial contra os patógenos que entram na circulação ou que estão presentes fora das células Essas moléculas atuam de 2 formas: • Ligam-se a microrganismos atuando como opsoninas que intensificam a capacidade dos fagócitos • Promovem respostas pró-inflamatórias que trazem os fagócitos para os sítios de infecção O sistema de complemento consiste em várias proteínas plasmáticas que trabalham conjuntamente na opsonização de microrganismos, promoção de recrutamento de fagócitos para o sítio de infeção e até mesmo na destruição direta dos microrganismos • Conjunto de proteínas ativadas em cascata → a ativação envolve a modificação da proteína inativa zimogênio, induzindo a atividade proteolítica da próxima proteína do complemento na cascata LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG A primeira etapa é o reconhecimento de moléculas em superfícies microbianas e não em células do hospedeiro → Ativação por 3 vias distintas Via clássica • Usa a proteína plasmática C1q para detectar anticorpos ligados à superfície de um microrganismo ou outra estrutura • Ativação da C1r e C1s Via alternativa • Proteína CD3 reconhece diretamente certas estruturas presentes na superfície microbiana, como o LPS bacteriano • Células próprias exibem reguladores que inativam essa via Via das lectinas • Lectina ligante de manose reconhece resíduos de manose em microrganismos O reconhecimento de microrganismo por qualquer uma das três vias resulta no recrutamento e montagem sequencial de proteínas adicionais do complemento em complexos protease Complexo C3 covertase → cliva a proteína C3, produzindo C3a e C3b (fragmento maior) • O C3b se fixa à superfície microbiana • Amplificação • A C3b atua como uma opsonina para promover fagocitose de microrganismo • A C3a estimula a inflamação, atraindo neutrófilos, mastócitos e aumentando a permeabilidade vascular C3b forma a protease C5 convertase que cliva a C5 formando a C5a e C5b • C5a → mesmos efeitos pró-inflamatórios de C3a mais potente • As proteínas C5b inicia a formação de um complexo com as proteínas C6, 7, 8 e 9 → complexo de ataque à membrana (MAC) → causa a lise das células o Quebra o equilíbrio osmótico do microrganismo, matando-o Processo inflamatório É o principal meio usado pelo sistema imune inato para lidar com infecções e lesão tecidual. Consiste no acúmulo de leucócitos, proteínas plasmáticas e líquido derivado do sangue em um sítio de infecção ou lesão tecidual extravascular • Causa infecciosa • Necrose tecidual • Corpos estranhos • Reações de hipersensibilidade • Atividade direta na medula óssea → recrutamento de leucócitos • Na inflamação aguda a principal célula recrutada é o neutrófilo • 5 sinais cardinais da inflamação: calor, rubor, edema, dor e perda de função A distribuição de células e proteínas ao sítio inflamatório depende de alterações reversíveis: ✓ Aumento do fluxo sanguíneo por vasodilatação ✓ Aumento da aderência dos leucócitos circulantes ✓ Permeabilidade aumentada dos capilares e vênulas Todas essas alterações são induzidas por citocinas e quimiocinas • Ações locais e sistêmicas • Alterações fundamentais do processo inflamatórios • Integrinas • Ligantes de selectinas • Aumento da permeabilidade vascular • Ação sistêmica = IL6 no fígado levando a produção de proteínas de fase aguda como a C reativa (essa proteína pode ser utilizada para determinar indiretamente a ocorrência e intensidade de um processo inflamatório) • A produção da proteína C reativa depende da ativação da resposta imune Principaiscitocinas pró-inflamatórias da imunidade inata Funções e propriedades: • Produzidas principalmente por macrófagos e DCs teciduais • A maioria é de ação parácrina • Ações similares e sobrepostas • Indução de inflamação, inibição da replicação viral, promoção de respostas de célula T e limitação das respostas imunes inatas Fator de necrose tumoral • É um mediador da resposta inflamatória aguda a bactérias e outros microrganismos infecciosos LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • TNF-alfa • Produzido por macrófagos e DCs • Os receptores de TNF alfa são diversos e existem na forma de trímeros na membrana plasmática • A ligação de citocinas a alguns receptores pode levar ao recrutamento de uma proteína adaptadora que ativa caspases e deflagra a apoptose • A sua produção é estimulada por PAMPs e DAMPs • É um dos principais contribuidores para a inflamação associada a muitas doenças inflamatórias humanas Interleucina-1 • Resposta inflamatória aguda • Produzida por fagócitos mononucleares ativados • Neutrófilos, células epiteliais e endoteliais • IL-1 alfa e beta • Possui ação semelhante a do TNF Interleucina-6 • Respostas inflamatórias agudas • Local e sistêmica • Induz a síntese de reagentes de fase aguda pelo fígado • Produção de neutrófilos pela medula óssea • Diferenciação de células T auxiliares produtoras de IL-17 • Sintetizada em resposta aos PAMPs, TNF e IL- 1 • Artrites Interleucina-12 • Secretada por DCs e macrófagos • Estimula a produção de interferon fama por ILC1s, células NK e T • Intensifica a ação da NK e CTL • Diferenciação de células Th1 • Produzida por macrófagos ativados Interleucina-18 • Intensifica as funções das NÇ • Depende do inflamossomo Interleucina-15 • Estimula o crescimento e as funções das ILC1s, NK e células T Recrutamento de leucócitos para sítios de infecção • TNF e IL-1 induz à expressão de E-selectina e ligantes para integrinas nas vênulas pós- capilares → ativação de fatores de transcrição • TNF e IL-1 também estimulam células a secretarem citocinas (CXCL8 e CCL2) → aumentam a afinidade das integrinas leucocitárias por seus ligantes • Os leucócitos se acumulam nos tecidos, formando infiltrado inflamatório • Se quantidades inadequadas de TNF estiverem presentes uma possível consequência é a falha em conter a infecção • Ação na medula óssea Ingesta e Killing de microrganismos por fagócitos ativados • Macrófagos e neutrófilos fagocitam microrganismos • As vesículas fagocíticas se fundem aos lisossomos, onde estão as partículas ingeridas são destruídas LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Neutrófilos e macrófagos ativados matam microrganismos fagocitados por meio da ação microbicida • Espécies reativas de oxigênio • Óxido nítrico • Enzimas proteolíticas Os neutrófilos também matam microrganismos por extrusão do DNA e dos conteúdos de seus grânulos, os quais forma m filamentos extracelulares onde bactérias e fungos são presos e destruídos • Armadilhas extracelulares de neutrófilo → são compostos por fitas de DNA e histonas • Leva a morte do neutrófilo → NETose Consequências sistêmicas e patológicas • TNF, IL-1 e IL-6 exercem danos teciduais com efeitos sistêmicos TNF e IL-1 atuam no hipotálamo para induzir elevação da temperatura corporal • Pirógenos endógenos • Aumento da síntese de prostaglandinas nas células hipotalâmicas IL-1 e IL-6 induzem os hepatócitos a produzirem reagentes de fase aguda Nas infecções graves, o TNF pode ser produzido em grandes quantidades e causar anormalidades patológicas e clínicas sistêmicas Sepse • Febre, aceleração de frequências cardíaca e respiratória, anormalidades metabólicas e perturbações mentais • Mais frequentemente iniciada pelo LPS • Sinalização do TLR • Choque séptico → colapso vascular decorrente dos efeitos das altas doses de TNF Resposta antiviral Indução da expressão de interferons do tipo I, cuja ação mais importante é inibir a replicação viral • Os IFN são citocinas • IFN alfa e beta • As DCs plasmocitoides são as principais produtoras de IFN-alfa • Os estímulos mais potentes para a síntese de interferon do tipo I são os ácidos nucleicos virais • Ativam a transcrição de vários genes que confere resistência anti-viral • Sequestro de linfócitos nos linfonodos • Quando ativadas pelo reconhecimento de ácidos nucleicos virais por TRL e outros receptores • Quando o IFN I se liga ao receptor do IFN nas células infectadas ou adjacentes, as vias de sinalização são ativadas e inibem a replicação viral e destroem os genomas virais → ação importante para tratar, por exemplo, formas crônicas das hepatites virais • Melhoram a atuação das NK Regulação As respostas imunes inatas são reguladas por uma variedade de mecanismos concebidos para evitar danos excessivos aos tecidos • Produção de citocinas anti-inflamatórias pelos macrófagos e células dendríticas → IL-10 inibe as funções microbicidas e pró-inflamatórias dos macrófagos • Antagonista do receptor de IL-1 • Sinais pró-inflamatórios também induzem a expressão de inibidores → feedback Evasão microbiana • Algumas bactérias intracelulares resistem à destruição dentro dos fagócitos • As paredes celulares de micobactérias contêm um lipídeo que inibe a fusão dos fagossomos contendo bactérias ingeridas com os lisossomos Papel para resposta adaptativa • O sistema inato alerta o sistema adaptativo da necessidade de uma resposta imune eficaz • Geram moléculas que são necessárias para ativar os linfócitos T e B imaturos • Para a execução da imunidade inata é preciso 2 estímulos → antígeno microbiano e molécula induzida durante a resposta imune inata aos microrganismos • Sinais de perigo = estímulos que avisam pro sistema adaptativo que ele precisa responder Os microrganismos ou o IFN gama estimulam as células dendríticas e macrófagos a produzirem 2 tipos de sinais que ativam os linfócitos T: • Aumento da expressão de coestimuladores • Secreção de citocinas IL-12, 1 e 6 → diferenciação de células T LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG • O sistema de complemento, através da via alternativa, induz a expressão de CD3 nos microrganismos → reconhecimento por células B Esses sinais não apenas estimulam a imunidade adaptativa como orientam a sua natureza • Microrganismos fagocitados → induzem a imunidade mediada por células • Microrganismos no sangue → induzem a resposta humoral