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Notas de Aula – Educação Ambiental 1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL – Aulas 13, 14, 15 e 16 Prof. Esp. H.C. Valmir Meirelles Especialista em Gestão da Qualidade – UNIA. Graduado em Processos de Produção – Instituto de Ensino Superior Se- nador Flaquer. Técnico em laboratório Industrial – E.T.I. Lauro Gomes. Diplomado Professor Honoris Causa – Faculdade Pentágono. Carga horária: 40h. Objetivo Geral: Desenvolver no aluno o senso crítico e a compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas relações ecológicas, psi- cológicas, legais, políticas sociais, econômicas e éticas transformando cada um em um agente do meio ambiente. Introduzir uma nova visão e consciência ambiental entre os alunos; pro- mover e disseminar a ideia ambiental na comunidade acadêmica e a atuação responsável em seu espaço de vivência. Formar um profissional consciente e das implicações de cada ação e seus impactos no meio ambiente. Notas de Aula – Educação Ambiental 2 SUMARIO. 13. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL (2) .................................................................. 56 13.1. A IMPORTÂNCIA DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL. ...........................................................................................6 13.2. A LEGISLAÇÃO PARA TRATAMENTO DE EFLUENTES. .....................................................................................6 13.3. ÓRGÃOS AMBIENTAIS DO BRASIL. ...........................................................................................................7 13.3.1. FUNÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS. .....................................................................................................8 13.4. AS LEIS AMBIENTAIS DO BRASIL. .............................................................................................................9 13.4.1. LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA ................................................................................................................9 13.4.2. LEI DOS AGROTÓXICOS .......................................................................................................................9 13.4.3. LEI DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ................................................................................................9 13.4.4. LEI DAS ATIVIDADES NUCLEARES ..........................................................................................................9 13.4.5. LEI DE CRIMES AMBIENTAIS ................................................................................................................9 13.4.6. LEI DA ENGENHARIA GENÉTICA ......................................................................................................... 10 13.4.7. LEI DA EXPLORAÇÃO MINERAL ......................................................................................................... 10 13.4.8. LEI DA FAUNA SILVESTRE ................................................................................................................. 10 13.4.9. LEI DAS FLORESTAS ......................................................................................................................... 10 13.4.10. LEI DO GERENCIAMENTO COSTEIRO ................................................................................................ 10 13.4.11. LEI DA CRIAÇÃO DO IBAMA ........................................................................................................... 11 13.4.12. LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO ...................................................................................... 11 13.4.13. LEI PATRIMÔNIO CULTURAL ........................................................................................................... 11 13.4.14. LEI DA POLÍTICA AGRÍCOLA ............................................................................................................ 11 13.4.15. LEI DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ............................................................................... 11 13.4.16. LEI DE RECURSOS HÍDRICOS ........................................................................................................... 11 13.4.17. LEI DO ZONEAMENTO INDUSTRIAL NAS ÁREAS CRÍTICAS DE POLUIÇÃO .................................................. 12 LEITURAS. ................................................................................................................................................. 12 ATIVIDADE. ............................................................................................................................................... 13 Notas de Aula – Educação Ambiental 3 AULA 14. POLUIÇÃO AMBIENTAL E SAÚDE NOS MEIOS URBANOS E RURAIS (DESASTRES AMBIENTAIS). .......................................................................... 14 14.1. DESASTRES AMBIENTAIS E SEUS EFEITOS NO MEIO URBANO E NO MEIO RURAL. ............................................ 15 14.1.2. INCÊNDIO NA ULTRACARGO, NO PORTO DE SANTOS (2015). ................................................................ 16 14.1.3. ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE MARIANA, EM MINAS GERAIS (2015). ............................................... 17 14.1.4. ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BRUMADINHO, EM MINAS GERAIS (2019). ......................................... 18 14.1.5. ACIDENTE COM CÉSIO-137 EM GOIÂNIA. .......................................................................................... 19 14.1.5. BRASIL: VAZAMENTO DE PESTICIDA MATA 80 TONELADAS DE PEIXES NO RJ. ............................................ 20 14.1.6. AERONAVE CLANDESTINA PULVERIZA VENENO SOBRE ASSENTAMENTO DO MST EM NOVA SANTA RITA. ....... 22 14.2. CONCLUSÃO DA AULA. ....................................................................................................................... 23 ATIVIDADE. ............................................................................................................................................... 24 INDICAÇÃO DE LEITURA. .............................................................................................................................. 24 AULA 15. NORMALIZAÇÃO PARA GESTÃO AMBIENTAL – PARTE 1. ......... 25 15.1. A FAMÍLIA DE NORMAS DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL. .................................................................... 26 15.1.1. A ISO 14001 EM LINHAS GERAIS. ..................................................................................................... 27 15.1.2. A ISO 14004 EM LINHAS GERAIS. ..................................................................................................... 27 15.1.3. A ISO 19011 EM LINHAS GERAIS. ..................................................................................................... 28 15.1.4. A ISO 14031 EM LINHAS GERAIS. ..................................................................................................... 28 15.1.5. A ISO 14020 EM LINHAS GERAIS. ..................................................................................................... 29 15.2. NORMALIZAÇÃO AMBIENTAL. .............................................................................................................. 30 15.3 – A ISO 14001 – PARTE 1. ................................................................................................................. 30 15.3.1. ESCOPO ........................................................................................................................................ 30 15.3.2. REFERÊNCIAS NORMATIVAS.............................................................................................................. 30 15.3.3. TERMOS E DEFINIÇÕES .................................................................................................................... 30 15.3.4. REQUISITOS PARA CERTIFICAÇÃO. ..................................................................................................... 31 15.4. CONCLUSÕES DA AULA. ......................................................................................................................precisam ser incluídos no sistema de gestão ambiental. O escopo deve ser mantido como in- formação documentada e estar disponível para as partes interessadas”. Este requisito requer que a empresa defina o alcance e a forma de aplicação do seu SGA conside- rando partes interessadas; legislação regras e normas que sejam pertinentes ao SGA; a unidades or- ganizacionais relacionadas ao SGA; os produtos produzidos e os serviços prestados que a organização controla ou tenha alguma influência. Notas de Aula – Educação Ambiental 32 O escopo deve ainda ser documentado (escrito e aprovado pela direção), abranger todos os produtos e serviços; ser divulgado e estar disponível a todas as partes interessadas. “4.4 Sistema de gestão ambiental - Para alcançar os resultados pretendidos, incluindo o aumento de seu desempenho ambiental, a organização deve estabelecer, implementar, manter e melhorar conti- nuamente um sistema de gestão ambiental, incluindo os processos necessários e suas interações, de acordo com os requisitos desta Norma. A organização deve considerar os conhecimentos adquiridos em 4.1 e 4.2 ao estabelecer e manter o sistema de gestão ambiental”. Este requisito impõe que sejam definidos os processos da organização e a relação / interação entre estes processos de forma a atender todos os requisitos da norma; aos requisitos da organização; aos requisitos legais e aos requisitos das partes interessadas, além de estabelecer documentação, meto- dologias e instruções que deem o suporte necessário ao SGA e melhorem seu desempenho ambien- tal. “5.1 Liderança e comprometimento - A Alta Direção deve demonstrar liderança e comprometimento com relação ao sistema de gestão ambiental: a) responsabilizando-se por prestar contas pela eficácia do sistema de gestão ambiental; b) assegurando que a política ambiental e os objetivos ambientais sejam estabelecidos e compatíveis com o direcionamento estratégico e o contexto da organização; c) assegurando a integração dos requisitos do sistema de gestão ambiental nos processos de negócios da organização; d) assegurando que os recursos necessários para o sistema de gestão ambiental estejam disponíveis; e) comunicando a importância de uma gestão ambiental eficaz e de estar conforme com os requisitos do sistema de gestão ambiental; f) assegurando que o sistema de gestão ambiental alcance seu(s) resultado(s) pretendido(s); g) dirigindo e apoiando pessoas a contribuírem para a eficácia do sistema de gestão ambiental; h) promovendo melhoria contínua; i) apoiando outros papéis pertinentes da gestão a demonstrar como sua liderança se aplica às áreas sob sua responsabilidade”. Este requisito deixa clara responsabilidade da direção para assumir as diretrizes do SGA incluindo as- sumir a responsabilidade pela eficácia do SGA e a definição da Política Ambiental e seus objetivos. Todos os negócios e ações da organização devem considerar os objetivos ambientais e cabe a direção fornecer os recursos para tanto, sejam eles materiais, pessoas, equipamentos, instalações e outros. Cabe ainda a direção e as demais lideranças o incentivo do seu pessoal a alcançar e manter os objeti- vos ambientais. “5.2 Política ambiental - A Alta Direção deve estabelecer, implementar e manter uma política ambi- ental que, dentro do escopo definido em seu sistema de gestão ambiental: a) seja apropriada ao propósito e ao contexto da organização, incluindo a natureza, escala e impac- tos ambientais das suas atividades, produtos e serviços; b) proveja uma estrutura para o estabelecimento dos objetivos ambientais; c) inclua um comprometimento com a proteção do meio ambiente, incluindo a prevenção da poluição e outro(s) compromisso(s) específico(s) pertinente(s) para o contexto da organização; d) inclua um comprometimento em atender os seus requisitos legais e outros requisitos; Notas de Aula – Educação Ambiental 33 e) inclua um comprometimento com a melhoria contínua do sistema de gestão ambiental para au- mentar o desempenho ambiental. A política ambiental deve: — ser mantida como informação documentada; — ser comunicada na organização; — estar disponível para as partes interessadas”. A política ambiental é a mola mestra do SGA uma vez que se trata não apenas de um compromisso mas também do pensamento que a empresa tem em relação ao SGA seus efeitos, seus objetivos, seus requisitos e demais ações. A política deve ser do conhecimento de todos os envolvidos e/ou afetados pelo SGA da organização incluindo as partes interessadas internas e externas e deve documentada e controlada. “5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais - A Alta Direção deve assegurar que as responsabilidades e autoridades para papéis pertinentes sejam atribuídas e comunicadas na organi- zação. A Alta Direção deve atribuir a responsabilidade e a autoridade para: a) assegurar que o sistema de gestão ambiental esteja conforme com os requisitos desta Norma; b) relatar o desempenho do sistema de gestão ambiental, incluindo desempenho ambiental, para a Alta Direção”. Este requisito estabelece que a direção defina pessoas com autoridade para assegurar que o SGA seja mantido conforme os requisitos da norma e que o desempenho dos processos do SGA seja devi- damente e em tempo hábil relatados e informados a direção para permitir uma gestão adequada deste SGA. “6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades” “6.1.1 Generalidades - A organização deve estabelecer, implementar e manter o(s) processo(s) neces- sário(s) para atender aos requisitos de 6.1.1 a 6.1.4. Ao planejar o sistema de gestão ambiental, a organização deve considerar: a) as questões referidas em 4.1; b) os requisitos referidos em 4.2; c) o escopo do seu sistema de gestão ambiental; e determinar os riscos e oportunidades relacionados aos seus aspectos ambientais (ver 6.1.2), requisitos legais e outros requisitos (ver 6.1.3), outras questões e requisitos, identificados em 4.1 e 4.2, que precisam ser abordados para: — assegurar que o sistema de gestão ambiental possa alcançar seus resultados pretendidos; — prevenir ou reduzir efeitos indesejáveis, incluindo o potencial para condições ambientais externas que afetem a organização; — alcançar a melhoria contínua. Dentro do escopo do sistema de gestão ambiental, a organização deve determinar potenciais situa- ções de emergência, incluindo aquelas que podem ter um impacto ambiental. A organização deve manter informação documentada de seus: — riscos e oportunidades que precisam ser abordados; Notas de Aula – Educação Ambiental 34 — processo(s) necessário(s) em 6.1.1 a 6.1.4, na extensão necessária para ter confiança de que eles sejam realizados conforme planejado”. Neste ponto a norma requer que todos os riscos e oportunidades que se refiram aos aspectos e im- pactos ambientais da organização sejam considerados e que onde aplicável sejam tomadas ações para assegurar a integridade e cumprimento de metas e objetivos do SGA incluindo os riscos que possam prejudicar o desempenho do SGA e as oportunidades de melhorias ao sistema. “6.1.2 Aspectos ambientais - Dentro do escopo definido no sistema de gestão ambiental, a organiza- ção deve determinar os aspectos ambientais de suas atividades, produtos e serviços os quais ela possa controlar e aqueles que ela possa influenciar, e seus impactos ambientais associados, conside- rando uma perspectiva de ciclo de vida. Ao determinar os aspectos ambientais, a organização deve levar em consideração: a) mudanças, incluindo desenvolvimentos planejados ou novos, e atividades, produtos e serviços novos ou modificados; b) condições anormais e situações de emergência razoavelmente previsíveis. A organização deve determinar aqueles aspectos que têm ou podem ter um impacto ambiental signi- ficativo, ou seja, os aspectos ambientais significativos, por meio do uso de critérios estabelecidos. A organização deve comunicar seus aspectos ambientais significativos, entre os diversos níveis e funções da organização,como apropriado. A organização deve manter informações documentadas de seus: — aspectos e impactos ambientais associados; — critérios utilizados para determinar seus aspectos ambientais significativos; — aspectos ambientais significativos”. Em aula anterior discorremos sobre o assunto aspectos e impactos ambientais e suas consequências benéficas ou não ao meio ambiente. Os conceitos ali tratados estão alinhados a este requisito nor- mativo. “6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos - A organização deve: a) determinar e ter acesso aos requisitos legais e outros requisitos relacionados a seus aspectos ambientais; b) determinar como estes requisitos legais e outros requisitos aplicam-se à organização; c) levar requisitos legais e outros requisitos em consideração quando estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente seu sistema de gestão ambiental. A organização deve manter informação documentada de seus requisitos legais e outros requisitos”. Em nossas aulas anteriores expusemos parte da legislação ambiental, e, neste requisito a norma re- quer que a organização defina quais são os requisitos legais e demais estão relacionados aos seus as- pectos ambientais e que tais requisitos sejam considerados no âmbito do SGA e devem ser documen- tados e controlados. “6.1.4 Planejamento de ações - A organização deve planejar: a) tomar ações para abordar seus: 1) aspectos ambientais significativos; 2) requisitos legais e outros requisitos; Notas de Aula – Educação Ambiental 35 3) riscos e oportunidades identificados em 6.1.1; b) como: 1) integrar e implementar as ações nos processos de seu sistema de gestão ambiental (ver 6.2, Seção 7, Seção 8 e 9.1), ou outros processos de negócio; 2) avaliar a eficácia dessas ações (ver 9.1). Ao planejar essas ações, a organização deve considerar suas opções tecnológicas e seus requisitos financeiros, operacionais e de negócios”. A forma como a organização deve lidar com seus aspectos e impactos ambientais; com os requisitos legais aplicáveis; com a gestão dos riscos e oportunidades para o SGA deve ocorrer através de um planejamento que defina como as ações serão tomadas, quem são os responsáveis para sua imple- mentação e que estas ações tenham sua eficácia avaliada. “6.2.1 Objetivos ambientais - A organização deve estabelecer objetivos ambientais nas funções e ní- veis pertinentes, levando em consideração os aspectos ambientais significativos da organização e os requisitos legais e outros requisitos associados, e considerando os seus riscos e oportunidades. Os objetivos ambientais devem ser: a) coerentes com a política ambiental; b) mensuráveis (se viável); c) monitorados; d) comunicados; e) atualizados, como apropriado. A organização deve manter informação documentada sobre os objetivos ambientais”. “6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambientais - Ao planejar como alcançar seus objetivos ambientais, a organização deve determinar: a) o que será feito; b) que recursos serão requeridos; c) quem será responsável; d) quando isso será concluído; e) como os resultados serão avaliados, incluindo indicadores para monitorar o progresso em direção ao alcance dos seus objetivos ambientais mensuráveis (ver 9.1.1). A organização deve considerar como as ações para alcançar seus objetivos ambientais podem ser integradas aos processos de negócios da organização”. Este requisito requer que os objetivos ambientais sejam definidos pela organização, sempre conside- rando os aspectos ambientais envolvidos e as regras para a definição destes objetivos, inclusive a ne- cessidade de documentá-los e divulgá-los, além de requerer um plano de ações para alcançar tais objetivos. Notas de Aula – Educação Ambiental 36 15.4. Conclusões da aula. Na aula de hoje pudemos conhecer parte da família das normas que fazem alusão ou ainda que complementam o sistema de gestão ambiental proposto pela Norma ABNT NBR ISO 14001 em sua versão 2015. Apresentamos também a primeira parte dos requisitos da norma ISO 14001, apre- sentação a concluir na próxima aula. 15.5. Indicações de leitura. ABNT NBR ISO 14001: 2015 disponível no site ABNT em: https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=345116 O que é ISO 19011 e os seus seis princípios de auditoria por Gabriela Maria https://8quali.com.br/o-que-e-iso-19011-e-os-seus-6-principios-de-auditoria/ NBR ISO 14031 – Ferramenta de Gestão Ambiental https://www.vgresiduos.com.br/blog/nbr-iso-14031-ferramenta-de-gestao-ambiental/ Normas ISO 14000 http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm Notas de Aula – Educação Ambiental 37 AULA 16. Normalização para gestão ambiental – parte 2. CARGA HORÁRIA TOTAL........ 2h. Objetivos: - Entender a importância dos sistemas de gestão ambiental e normas correlatas e identificar produtos ambientalmente corretos - Apresentar as normas brasileiras que fazem alusão aos sistemas de gestão ambiental - Aplicar os conceitos requeridos pela normalização as ações cotidianas. Notas de Aula – Educação Ambiental 38 16.1. A ISO 14001 – Parte 2. “7.1 Recursos - A organização deve determinar e prover os recursos necessários para o estabeleci- mento, implementação, manutenção e melhoria contínua do sistema de gestão ambiental.” Neste requisito a organização deve assegurar que os recursos necessários para implementar, manter e melhorar o SGA sejam definidos e estejam disponíveis. “7.2 Competência - A organização deve: a) determinar a competência necessária de pessoa(s) que realiza(m) trabalho sob o seu controle, que afete seu desempenho ambiental e sua capacidade de cumprir com seus requisitos legais e outros requisitos; b) assegurar que essas pessoas sejam competentes, com base em educação, treinamento ou experiência apropriados; c) determinar as necessidades de treinamento associadas aos seus aspectos ambientais e ao seu sistema de gestão ambiental; d) onde aplicável, tomar ações para adquirir a competência necessária e avaliar a eficácia das ações tomadas. A organização deve reter informação documentada apropriada como evidência de competência”. Este requisito impõe que as pessoas que podem de qualquer forma influenciar os resultados do SGA sejam competentes para assegurar que os resultados serão obtidos considerando: formação profissi- onal; treinamentos específicos; experiência comprovada ou qualquer outra forma de adquirir estas competências e ainda que as competências sejam comprovadas por registros.. “7.3 Conscientização - A organização deve assegurar que pessoas que realizam trabalhos sob o controle da organização estejam conscientes: a) da política ambiental; b) dos aspectos ambientais significativos e dos impactos ambientais reais ou potenciais associados com seu trabalho; c) da sua contribuição para a eficácia do sistema de gestão ambiental, incluindo os benefícios de desempenho ambiental melhorado; d) das implicações de não estar conforme com os requisitos do sistema de gestão ambiental, incluindo o não atendimento aos requisitos legais e outros requisitos da organização”. Todas as pessoas que de alguma forma realizem algum trabalho na organização ou em nome dela e cujo resultado destes trabalhos possa influenciar o SGA sejam conscientes de suas responsabilidades e da influência que elas podem ter no sistema tanto considerando pontos positivos quanto pontos negativos. “7.4 - Comunicação 7.4.1 Generalidades - A organização deve estabelecer, implementar e manter processo(s) necessá- rio(s) para comunicações internas e externas pertinentes para o sistema de gestão ambiental, inclu- indo: a) sobre o que comunicar; b) quando comunicar; Notas de Aula – Educação Ambiental 39 c) com quem se comunicar; d) como comunicar. Ao estabelecer o(s) seu(s) processo(s) de comunicação, a organização deve: — levar em consideração seus requisitos legais e outros requisitos; — assegurar que a informação ambiental comunicada seja coerente com informação gerada dentro do sistema de gestão ambiental e que sejaconfiável. A organização deve responder as comunicações pertinentes, referentes ao seu sistema de gestão ambiental. A organização deve reter informação documentada como evidência de suas comunicações, como apropriado”. Este requisito impõe que uma sistemática para comunicação seja estabelecida e que seja funcional considerando: o que; quando; com quem e como se comunicar no que diz respeito aos requisitos le- gais e outros requisitos quer sejam da organização quer sejam das partes interessadas. A organização deve ainda assegurar que a forma de comunicação seja confiável, coerente com a polí- tica e com os objetivos ambientais e que esta comunicação seja documentada. 7.4.2 Comunicação interna - A organização deve: a) comunicar internamente as informações pertinentes para o sistema de gestão ambiental entre os diversos níveis e funções da organização, incluindo mudanças no sistema de gestão ambiental, como apropriado; b) assegurar que seu(s) processo(s) de comunicação possibilite(m) que qualquer pessoa que realize trabalho sob o controle da organização contribua para a melhoria contínua. 7.4.3 Comunicação externa - A organização deve comunicar externamente as informações pertinen- tes para o sistema de gestão ambiental, como estabelecido pelo(s) processo(s) de comunicação da organização e como requerido por seus requisitos legais e outros requisitos”. Conforme definido no requisito anterior a comunicação deve ser abrangente as partes internas e par- tes externas que tenham algum tipo de relação com o SGA da organização e deve prover informa- ções sobre requisitos legais; requisitos internos e permitir a melhoria contínua do sistema. “7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades - O sistema de gestão ambiental da organização deve incluir: a) informação documentada, requerida por esta Norma; b) informação documentada, determinada pela organização como sendo necessária para a eficácia do sistema de gestão ambiental. NOTA A extensão da informação documentada para um sistema de gestão ambiental pode diferir de uma organização para outra, devido: — ao porte da organização e seu tipo de atividades, processos, produtos e serviços; — à necessidade de demonstrar o atendimento aos seus requisitos legais e outros requisitos; — à complexidade de processos e suas interações; — à competência de pessoas que realizam trabalho sob o controle da organização. 7.5.2 Criando e atualizando Ao criar e atualizar informação documentada, a organização deve assegurar apropriados(as): a) identificação e descrição (por exemplo, um título, data, autor ou número de referência); b) formato (por exemplo, linguagem, versão do software, gráficos) e meio (por exemplo, papel, eletrônico); c) análise crítica e aprovação quanto à adequação e suficiência. Notas de Aula – Educação Ambiental 40 7.5.3 Controle de informação documentada A informação documentada requerida pelo sistema de gestão ambiental e por esta Norma deve ser controlada para assegurar que: a) ela esteja disponível e adequada para uso, onde e quando for necessário; b) ela esteja protegida suficientemente (por exemplo, contra perda de confidencialidade, uso impróprio ou perda de integridade). Para o controle de informação documentada, a organização deve abordar as seguintes atividades, como aplicável: — distribuição, acesso, recuperação e uso; — armazenamento e preservação, incluindo preservação de legibilidade; — controle de alterações (por exemplo, controle de versão); — retenção e disposição. A informação documentada de origem externa, determinada pela organização como necessária para o planejamento e operação do sistema de gestão ambiental deve ser identificada, como apropriado, e controlada”. Informação documentada refere-se a toda documentação que dê suporte sistema de gestão ambi- ental da organização incluindo: políticas; procedimentos; instruções; indicadores; requisitos legais; normas; requisitos das partes interessadas; registros da aplicação dos requisitos; registros de compe- tência das pessoas e demais documentos pertinentes ao SGA. O requisito informa ainda que esta documentação deve estar disponível nos locais onde se fizer ne- cessária e deve ser controlada quanto a distribuição, atualização, pertinência, legibilidade e que seja protegida. “8 Operação 8.1 Planejamento e controle operacionais - A organização deve estabelecer, implementar, controlar e manter os processos necessários para atender aos requisitos do sistema de gestão ambiental, e para implementar as ações determinadas em 6.1 e 6.2, ao: — estabelecer critérios operacionais para o(s) processo(s); — implementar controle de processo(s), de acordo com os critérios operacionais. NOTA Os controles podem incluir controles de engenharia e procedimentos. Os controles podem ser implementados seguindo uma hierarquia (por exemplo, eliminação, substituição, administrativa) e podem ser usados individualmente ou em conjunto. A organização deve controlar mudanças planejadas e analisar criticamente as consequências de mudanças não intencionais, tomando ações para mitigar quaisquer efeitos adversos, como necessá- rio. A organização deve assegurar que os processos terceirizados sejam controlados ou influenciados. O tipo e a extensão do controle ou da influência a serem aplicados ao(s) processo(s) deve(m) ser definidos dentro do sistema de gestão ambiental. Coerentemente com uma perspectiva de ciclo de vida, a organização deve: a) estabelecer controles, como apropriado, para assegurar que o(s) requisito(s) ambiental(is) seja(m) tratado(s) no processo de projeto e desenvolvimento do produto ou do serviço, considerando cada estágio do seu ciclo de vida; b) determinar seu(s) requisito(s) ambiental(is) para a aquisição de produtos e serviços, como apropri- ado; c) comunicar seu(s) requisito(s) ambiental(is) pertinente(s) para provedores externos, incluindo con- tratados; d) considerar a necessidade de prover informações sobre potenciais impactos ambientais significati- vos associados com o transporte ou entrega, uso, tratamento pós-uso e disposição final dos seus Notas de Aula – Educação Ambiental 41 produtos e serviços. A organização deve manter informação documentada na extensão necessária, para ter confiança de que os processos sejam realizados conforme planejados”. Neste tópico fica clara a necessidade de controle sobre todos os processos que influenciam no SGA sejam realizados de forma controlada com critérios claros de controle que incluam: o que deve ser feito; como deve ser feito; como devem ser controlados; quais são os critérios e especificações de controle; que eventuais mudanças sejam documentadas e comunicadas incluindo dentre outros os serviços realizados por terceiros, tanto dentro da empresa quanto aqueles realizados fora da em- presa, sempre considerando o impacto que estes processos podem causar ao SGA. “8.2 Preparação e resposta a emergências - A organização deve estabelecer, implementar e manter o(s) processo(s) necessário(s) para preparar-se e responder a potenciais situações de emer- gências identificadas em 6.1.1. A organização deve: a) preparar-se para responder pelo planejamento de ações para prevenir ou mitigar impactos ambi- entais adversos de situações de emergências; b) responder a situações de emergências reais; c) tomar ações para prevenir ou mitigar as consequências decorrentes de situações de emergência, apropriadas à magnitude da emergência e ao potencial impacto ambiental; d) testar periodicamente as ações de resposta planejadas, onde viável; e) periodicamente, analisar criticamente e revisar o(s) processo(s) e as ações de resposta planejadas, em particular, após a ocorrência de situações de emergência ou testes; f) prover informações pertinentes e treinamento relacionado à preparação e resposta a emergências, como apropriado, para as partes interessadas pertinentes, incluindo pessoas que realizam trabalhos sob o seu controle. A organização deve manter informação documentada na extensão necessária, para ter confiança deque o(s) processo(s) seja(m) realizado(s) conforme planejado(s)”. Uma vez conhecidos os processos; conhecidos os riscos associados aos processos e que possam in- terferir no SGA e seus resultados, a organização deve estabelecer um plano para lidar com as possí- veis emergências ambientais como vazamentos; acidentes; falhas nos controles e afins. O plano deve ser testado regularmente quer seja por simulação de situações reais quer seja por ações reais e o re- sultado dos testes deve ser documentados. “9 Avaliação de desempenho 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades - A organização deve monitorar, medir, analisar e avaliar seu desempenho ambi- ental. A organização deve determinar: a) o que precisa ser monitorado e medido; b) os métodos de monitoramento, medição, análise e avaliação, como aplicável, para assegurar re- sultados válidos; c) os critérios pelos quais a organização irá avaliar seu desempenho ambiental e indicadores apropri- ados; d) quando o monitoramento e a medição devem ser realizados; e) quando os resultados de monitoramento e medição devem ser analisados e avaliados. A organização deve assegurar que o equipamento de monitoramento e medição calibrado ou verifi- cado é usado e mantido, conforme apropriado. A organização deve avaliar seu desempenho ambiental e a eficácia do sistema de gestão ambiental. A organização deve comunicar interna e externamente as informações pertinentes sobre o desempe- nho ambiental, como identificado em seu(s) processo(s) de comunicação e como requerido por seus Notas de Aula – Educação Ambiental 42 requisitos legais e outros requisitos. A organização deve reter informação documentada apropriada como evidência de monitoramento, medição, análise e resultados da avaliação. 9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros requisitos A organização deve estabelecer, implementar e manter o(s) processo(s) necessário(s) para avaliar o atendimento aos seus requisitos legais e outros requisitos. A organização deve: a) determinar a frequência com que o atendimento aos requisitos legais e outros requisitos será ava- liado; b) avaliar o atendimento aos requisitos legais e outros requisitos e tomar ações, se necessário; c) manter o conhecimento e o entendimento da situação do atendimento aos seus requisitos legais e outros requisitos. A organização deve reter informação documentada como evidência do resultado da avaliação do atendimentos aos seus requisitos legais e outros requisitos”. Estes tópicos dizem respeito ao monitoramento, medição e análise do SGA. A organização deve defi- nir o que medir; quando medir; como medir; que critérios serão utilizados para avaliar a conformi- dade dos resultados de forma a assegurar que o SGA tenha atingido seus objetivos; que atenda a to- dos os requisitos e que tenha sua eficácia comprovada. O requisito requer ainda que equipamentos utilizados na medição e monitoramento sejam calibrados e mantidos em condições adequadas. Os resultados das medições, monitoramentos e análises devem ser comunicados a todos os envolvi- dos tanto internamente quanto externamente quando for pertinente. “9.2 Auditoria interna 9.2.1 Generalidades - A organização deve conduzir auditorias internas a intervalos planejados para prover informação sobre se o sistema de gestão ambiental: a) está conforme com: 1) os requisitos da própria organização para o seu sistema de gestão ambiental; 2) os requisitos desta Norma; b) está implementado e mantido eficazmente. 9.2.2 Programa de auditoria interna - A organização deve estabelecer, implementar e manter pro- grama(s) de auditoria interna, incluindo a frequência, métodos, responsabilidades, requisitos para planejar e para relatar suas auditorias internas. Ao estabelecer o programa de auditoria interna, a organização deve levar em consideração a importância ambiental dos processos concernentes, as mudanças que afetam a organização e os resultados de auditorias anteriores. A organização deve: a) definir os critérios de auditoria e o escopo para cada auditoria; b) selecionar auditores e conduzir auditorias para assegurar a objetividade e a imparcialidade do processo de auditoria; c) assegurar que os resultados das auditorias sejam relatados para a gerência pertinente. A organização deve reter informação documentada como evidência da implementação do programa de auditoria e dos resultados da auditoria. Este requisito impõe que sejam planejadas, programadas, realizadas e documentadas as auditorias internas que tem por finalidade verificar se o SGA se mantém adequado aos requisitos da norma ISO 14001; aos requisitos internos e demais requisitos, incluindo aqueles referentes as partes interessa- das internas e externas e se tem sua eficácia assegurada. Notas de Aula – Educação Ambiental 43 As auditorias internas devem ser planejadas em períodos definidos pela organização e devem levar em consideração todos os processos e requisitos do SGA. As auditorias internas devem ter seu escopo e seus critérios definidos e serem realizadas por audito- res competentes e que tenham asseguradas a objetividade e a imparcialidade neste processo. Uma vez realizada a auditoria interna deve ser documentada e seus resultados analisados pela direção e demais envolvidos. “9.3 Análise crítica pela direção A Alta Direção deve analisar criticamente o sistema de gestão ambiental da organização, a intervalos planejados, para assegurar sua contínua adequação, suficiência e eficácia. A análise crítica pela direção deve considerar: a) a situação de ações provenientes de análises críticas anteriores pela direção; b) mudanças em: 1) questões internas e externas que sejam pertinentes para o sistema de gestão ambiental; 2) necessidades e expectativas das partes interessadas, incluindo os requisitos legais e outros requisitos; 3) seus aspectos ambientais significativos; 4) riscos e oportunidades; c) extensão na qual os objetivos ambientais foram alcançados; d) informações sobre o desempenho ambiental da organização, incluindo tendências relativas a: 1) não conformidades e ações corretivas; 2) resultados de monitoramento e medição; 3) atendimento aos seus requisitos legais e outros requisitos; 4) resultados de auditorias; e) a suficiência de recursos; f) comunicação(ões) pertinente(s) das partes interessadas, incluindo reclamações; g) oportunidades para melhoria contínua. As saídas da análise crítica pela direção devem incluir: — conclusões sobre a contínua adequação, suficiência e eficácia do sistema de gestão ambiental; — decisões relacionadas às oportunidades para melhoria contínua; — decisões relacionadas a qualquer necessidade de mudanças no sistema de gestão ambiental, incluindo recursos; — ações, se necessárias, quando não forem alcançados os objetivos ambientais; — oportunidades para melhorar a integração do sistema de gestão ambiental com outros processos de negócios, se necessário; — qualquer implicação para o direcionamento estratégico da organização. A organização deve reter informação documentada como evidência dos resultados das análises críticas pela direção”. Periodicamente o SGA e seus resultados devem ser analisados criticamente pela Alta Direção de forma a assegurar que este se mantenha adequado, suficiente e eficaz. Esta análise crítica deve considerar: a situação de ações provenientes de análises críticas anteriores; as mudanças em questões internas e externas pertinentes ao SGA; as necessidades e expectativas das partes interessadas; os aspectos ambientais significativos; os riscos e oportunidades; o alcance ou não dos objetivos ambientais; o desempenho ambiental da organização; os resultados de monito- ramento e medição; atendimento aos requisitos legais e demais requisitos e os resultados de audito- rias; a suficiência e adequação dos recursos; a comunicação pertinente das partes interessadas, inclu- indo reclamações e oportunidades para melhoria contínua. Notas de Aula – Educação Ambiental 44 Os resultados dessa análise devem permitirque sejam tiradas conclusões claras sobre o SGA e que sejam tomadas ações tanto para melhoria quanto para eventuais correções do SGA. “10 Melhoria. “10.1 Generalidades - A organização deve determinar oportunidades para melhoria (ver 9.1, 9.2 e 9.3) e implementar as ações necessárias para alcançar os resultados pretendidos pelo seu sis- tema de gestão ambiental”. “10.2 Não conformidade e ação corretiva - Ao ocorrer uma não conformidade, a organi- zação deve: a) reagir à não conformidade e, como aplicável: 1) tomar ação para controlá-la e corrigi-la; 2) lidar com as consequências, incluindo mitigar impactos ambientais adversos; b) avaliar a necessidade de uma ação para eliminar as causas da não conformidade, a fim de que ela não se repita ou ocorra em outro lugar: 1) analisando criticamente a não conformidade; 2) determinando as causas da não conformidade; 3) determinando se não conformidades similares existem ou se poderiam potencialmente ocorrer; c) implementar qualquer ação necessária; d) analisar criticamente a eficácia de qualquer ação corretiva tomada; e) realizar mudanças no sistema de gestão ambiental, se necessário. As ações corretivas devem ser apropriadas à significância dos efeitos das não conformidades encon- tradas, incluindo o(s) impacto(s) ambiental(is). A organização deve reter informação documentada como evidência: — da natureza das não conformidades e quaisquer ações subsequentes tomadas; — dos resultados de qualquer ação corretiva”. “10.3 Melhoria contínua A organização deve melhorar continuamente a adequação, suficiência e eficácia do sistema de ges- tão ambiental para aumentar o desempenho ambiental”. Neste tópico a norma requer que qualquer desvio das especificações, dos objetivos ou dos requisitos sejam tratados por ações corretivas que venham a eliminar a causa de eventuais não conformidades, sejam elas reais ou potenciais; requer ainda que seja verificada a abrangência das não conformidades a outros processos e produtos e ainda que a eficácia das ações seja documentada e seus resultados sejam analisados pela direção e partes interessadas pertinentes. Notas de Aula – Educação Ambiental 45 16.2. Conclusões da aula. Na aula de hoje em conjunto com a aula anterior pudemos conhecer parte da família das normas que fazem alusão ou ainda que complementam o sistema de gestão ambiental proposto pela Norma ABNT NBR ISO 14001 em sua versão 2015. Apresentamos também a segunda parte dos requi- sitos da norma ISO 14001 em sua versão 2015 sendo esta a versão atualmente em vigor. 16.3. Indicações de leitura. ABNT NBR ISO 14001: 2015 disponível no site ABNT em: https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=345116 O que é ISO 19011 e os seus seis princípios de auditoria por Gabriela Maria https://8quali.com.br/o-que-e-iso-19011-e-os-seus-6-principios-de-auditoria/ NBR ISO 14031 – Ferramenta de Gestão Ambiental https://www.vgresiduos.com.br/blog/nbr-iso-14031-ferramenta-de-gestao-ambiental/ Normas ISO 14000 http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm36 15.5. INDICAÇÕES DE LEITURA. .................................................................................................................... 36 Notas de Aula – Educação Ambiental 4 AULA 16. NORMALIZAÇÃO PARA GESTÃO AMBIENTAL – PARTE 2. ......... 37 16.1. A ISO 14001 – PARTE 2. .................................................................................................................. 38 16.2. CONCLUSÕES DA AULA. ...................................................................................................................... 45 16.3. INDICAÇÕES DE LEITURA. .................................................................................................................... 45 Notas de Aula – Educação Ambiental 5 13. Legislação ambiental (2) CARGA HORÁRIA TOTAL........ 2h. Objetivos: - Compreender a importância da legislação ambiental. - Conhecer os órgãos responsáveis pela legislação ambiental e suas implicações no país. - Analisar os processos sujeitos a capítulos específicos da legislação ambiental. Desafio: Verificar se as ações frente ao meio ambiente da sua empresa atendem aos requisi- tos ambientais e propor ações para enquadramento, se for o caso. Indicação de leitura: (1) https://www.teraambiental.com.br/guia-legislacao-ambiental-destinar-efluentes-e-residos-orga- nicos-solidos (2) http://planetaorganico.com.br/site/index.php/meio-ambiente-as-17-leis-ambientais-do-brasil/ Notas de Aula – Educação Ambiental 6 13.1. A importância da legislação ambiental. A legislação ambiental no Brasil é vasta e complexa e conhecê-la além de cumpri-la é parte fundamental de uma conduta adequada e coesa com as exigências corporativas e ambientais. A legislação ambiental é a ferramenta que os gestores utilizam para identificar os impactos ambientais do seu negócio e de que forma eles podem ser mitigados. Os instrumentos legais permitem que se tome medidas preventivas e de controle para que os empreendimentos possam atuar de forma compatível com o desenvolvimento sustentável. O artigo 225 da constituição federal estabelece que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e que este é um bem de uso comum do povo além de ser essencial para a qualidade de vida sadia, delegando ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações”. Também há no nosso Código Civil a lei 10.406 de 2002 que regulamenta a questão da poluição das águas onde o artigo 1.291 determina que “o possuidor do imóvel superior não poderá poluir as águas indispensáveis às primeiras necessidades da vida dos possuidores dos imóveis inferiores; as demais, que poluir, deverá recuperar, ressarcindo os danos que estes sofrerem, se não for possível a recuperação ou o desvio do curso artificial das águas”. 13.2. A legislação para tratamento de efluentes. O Brasil tem legislação específica que regula os limites e os parâmetros para a emissão de efluentes no meio ambiente, assim como requisitos para o manuseio e descarte de resíduos sólidos, sendo esta legislação estabelecida pelas três esferas governamentais – federal, estadual e municipal. Na esfera federal, o Código das Águas (1932), foi o primeiro decreto a abordar a preservação dos recursos hídricos do País e determina que “são expressamente proibidas construções capazes de poluir ou inutilizar para o uso ordinário a água do poço ou nascente alheia a elas preexistentes”. A Lei 9.433/1997 ou Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) destaca a água como um bem de domínio público, de interesse comum, cuja conservação é essencial. Além das questões hídricas diversos órgãos ambientais do país criam ou fiscalizam leis, normas, portarias e afins. VÍDEO AULA 13 PARTE 2 Inserir link (aos cuidados do NTE) Notas de Aula – Educação Ambiental 7 13.3. Órgãos ambientais do Brasil. SISNAMA - A Lei 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente) criou o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), que define os órgãos governamentais da área ambiental. O SISNAMA é responsável pela gestão ambiental no país e tem por finalidade dar cumprimento aos princípios legais para a proteção, melhoria e recuperação da qualidade ambiental no Brasil. SISNAMA – Fonte: https://adelsonbenvindo.wordpress.com/2018/12/17/estrutura-do-sisnama-2/ Notas de Aula – Educação Ambiental 8 13.3.1. Função dos órgãos ambientais. O Artigo 23 da Constituição determina a competência administrativa comum entre a União, os Estados, o Distrito Federal. Diante disso, cada estado e município no Brasil possui os seus próprios órgãos ambientais, responsáveis pela elaboração de políticas, resoluções, licenciamento e fiscalização ambiental. Além da criação de leis e normas complementares, podendo ser mais restritivas que as leis federais, desde que estejam dentro da constitucionalidade. Ref.: https://web.satc.edu.br/2020/12/quais-sao-os-orgaos-governamentais-da-area- ambiental-e-suas-funcoes/ Aos estados cabe definir a estrutura de gestão ambiental mais adequada, que pode ser em formato de departamentos, fundações ou secretarias. No caso de São Paulo: O licenciamento ambiental no Estado de São Paulo passou a ser obrigatório às atividades industriais após a promulgação do Regulamento da Lei Estadual n° 997/76 aprovado pelo Decreto Estadual nº 8468/76, que dispõe sobre a prevenção e o controle da poluição do meio ambiente. A obtenção das licenças ambientais, aliada ao cumprimento das exigências técnicas, constitui a base para a conformidade ambiental. O controle da poluição ambiental contemplado nas licenças foca aspectos relativos ao ar, solo, águas, ruído e vibração. A CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, subordinada à SMA – Secretaria do Meio Ambiente, é a agência do Governo do Estado responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, desde a década de 70. A partir de 2009, com a entrada em vigor da lei estadual 13.542, a CETESB passou a ser a única responsável pelo licenciamento ambiental que antes era realizado por quatro áreas diferentes do sistema estadual de meio ambiente (DEPRN, DUSM, DAIA e CETESB). Assim, hoje o licenciamento de fontes de poluição incluindo aqueles casos envolvendo a avaliação de impacto ambiental, as solicitações de autorização de supressão de vegetação nativa ou intervenção em áreas de preservação permanente e de alvarás para intervenções em APM – Área de Proteção aos Mananciais da Região Metropolitana de São Paulo é realizado pela CETESB. https://cetesb.sp.gov.br/ Notas de Aula – Educação Ambiental 9 13.4. As Leis Ambientais do Brasil. 13.4.1. Lei da Ação Civil Pública – número 7.347 de 24/07/1985. Lei de interesses difusos, trata da ação civil pública de responsabilidades por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio artístico, turístico ou paisagístico. 13.4.2. Lei dos Agrotóxicos – número 7.802 de 10/07/1989. A lei regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos agrotóxicos até sua comercialização, aplicação, controle, fiscalização e o destino da embalagem. Exigências impostas: a) Obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de agrotóxicos ao consumidor. b) Registro de produtos nos Ministérios da Agricultura e da Saúde. c) Registro no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA - o descumprimento desta lei pode acarretar multas e reclusão. 13.4.3. Lei da Área de Proteção Ambiental – número 6.902 de 27/04/1981. Lei que criou as “Estações Ecológicas “, áreas representativas de ecossistemas brasileiros, sendo que 90 % delas devem permanecer intocadas e 10 % podem sofrer alterações para fins científicos. Foram criadas também as “Áreas de Proteção Ambiental” ou APAS, áreas que podem conter propriedades privadas e onde o poder público limita as atividades econômicas para fins de proteção ambiental. 13.4.4. Lei das Atividades Nucleares – número6.453 de 17/10/1977. Dispõe sobre a responsabilidade civil por danos nucleares e a responsabilidade criminal por atos relacionados com as atividades nucleares. Determina que se houver um acidente nuclear, a instituição autorizada a operar a instalação tem a responsabilidade civil pelo dano, independentemente da existência de culpa. Em caso de acidente nuclear não relacionado a qualquer operador, os danos serão assumidos pela União. Esta lei classifica como crime produzir, processar, fornecer, usar, importar ou exportar material sem autorização legal, extrair e comercializar ilegalmente minério nuclear, transmitir informações sigilosas neste setor, ou deixar de seguir normas de segurança relativas à instalação nuclear. 13.4.5. Lei de Crimes Ambientais – número 9.605 de 12/02/1998. Reordena a legislação ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A pessoa jurídica, autora ou coautora da infração ambiental, pode ser penalizada, chegando à liquidação da empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. A punição pode ser extinta caso se comprove a recuperação do dano ambiental. Notas de Aula – Educação Ambiental 10 13.4.6. Lei da Engenharia Genética – número 8.974 de 05/01/1995. Esta lei estabelece normas para aplicação da engenharia genética, desde o cultivo, manipulação e transporte de organismos modificados (OGM) , até sua comercialização, consumo e liberação no meio ambiente. A autorização e fiscalização do funcionamento das atividades na área e da entrada de qualquer produto geneticamente modificado no país, é de responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente , da Saúde e da Agricultura. Toda entidade que usar técnicas de engenharia genética é obrigada a criar sua Comissão Interna de Biossegurança, que deverá, entre outros, informar trabalhadores e a comunidade sobre questões relacionadas à saúde e segurança nesta atividade. 13.4.7. Lei da Exploração Mineral – número 7.805 de 18/07/1989. Esta lei regulamenta as atividades garimpeiras. Para estas atividades é obrigatória a licença ambiental prévia, que deve ser concedida pelo órgão ambiental competente. Os trabalhos de pesquisa ou lavra, que causarem danos ao meio ambiente são passíveis de suspensão, sendo o titular da autorização de exploração dos minérios responsável pelos danos ambientais. A atividade garimpeira executada sem permissão ou licenciamento é crime. 13.4.8. Lei da Fauna Silvestre – número 5.197 de 03/01/1967. A lei classifica como crime o uso, perseguição, apanha de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos derivados de sua caça, além de proibir a introdução de espécie exótica (importada) e a caça amadorística sem autorização do Ibama. Criminaliza também a exportação de peles e couros de anfíbios e répteis em bruto. 13.4.9. Lei das Florestas – número 4.771 de 15/09/1965. Determina a proteção de florestas nativas e define como áreas de preservação permanente (onde a conservação da vegetação é obrigatória) uma faixa de 30 a 500 metros nas margens dos rios, de lagos e de reservatórios, além de topos de morro, encostas com declividade superior a 45 graus e locais acima de 1.800 metros de altitude. Também exige que propriedades rurais da região Sudeste do país preservem 20 % da cobertura arbórea, devendo tal reserva ser averbada em cartório de registro de imóveis. 13.4.10. Lei do Gerenciamento Costeiro – número 7.661 de 16/05/1988. Define as diretrizes para criar o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, ou seja, define o que é zona costeira como espaço geográfico da interação do ar, do mar e da terra, incluindo os recursos naturais e abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre. Permite aos estados e municípios costeiros instituírem seus próprios planos de gerenciamento costeiro, desde que prevaleçam as normas mais restritivas. Este gerenciamento costeiro deve obedecer às normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Notas de Aula – Educação Ambiental 11 13.4.11. Lei da criação do IBAMA – número 7.735 de 22/02/1989. Criou o IBAMA, incorporando a Secretaria Especial do Meio Ambiente e as agências federais na área de pesca, desenvolvimento florestal e borracha. Ao IBAMA compete executar a política nacional do meio ambiente, atuando para conservar, fiscalizar, controlar e fomentar o uso racional dos recursos naturais. 13.4.12. Lei do Parcelamento do Solo Urbano – número 6.766 de 19/12/1979. Estabelece as regras para loteamentos urbanos, proibidos em áreas de preservação ecológicas, naquelas onde a poluição representa perigo à saúde e em terrenos alagadiços 13.4.13. Lei Patrimônio Cultural – decreto-lei número 25 de 30/11/1937. Lei que organiza a Proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, incluindo como patrimônio nacional os bens de valor etnográfico, arqueológico, os monumentos naturais, além dos sítios e paisagens de valor notável pela natureza ou a partir de uma intervenção humana. A partir do tombamento de um destes bens, ficam proibidas sua demolição, destruição ou mutilação sem prévia autorização do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN. 13.4.14. Lei da Política Agrícola – número 8.171 de 17/01/1991. Coloca a proteção do meio ambiente entre seus objetivos e como um de seus instrumentos. Define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; realizar zoneamentos agroecológicos para ordenar a ocupação de diversas atividades produtivas, desenvolver programas de educação ambiental, fomentar a produção de mudas de espécies nativas, entre outros. 13.4.15. Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – número 6.938 de 17/01/1981. É a lei ambiental mais importante e define que o poluidor é obrigado a indenizar danos ambientais que causar, independentemente da culpa. O Ministério Público pode propor ações de responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, impondo ao poluidor a obrigação de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados. Esta lei criou a obrigatoriedade dos estudos e respectivos relatórios de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). 13.4.16. Lei de Recursos Hídricos – número 9.433 de 08/01/1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos. Define a água como recurso natural limitado, dotado de valor econômico, que pode ter usos múltiplos (consumo humano, produção de energia, transporte, lançamento de esgotos). A lei prevê também a criação do Sistema Nacional de Informação sobre Recursos Hídricos para a coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão. Notas de Aula – Educação Ambiental 12 13.4.17. Lei do Zoneamento Industrial nas Áreas Críticas de Poluição – número 6.803 de 02/07/1980. Atribui aos estados e municípios o poder de estabelecer limites e padrões ambientais para a instalação e licenciamento das indústrias, exigindo o Estudo de Impacto Ambiental. Ref.: http://planetaorganico.com.br/site/index.php/meio-ambiente-as-17-leis-ambientais- do-brasil/ Leituras. 1.2 A educação ambiental e a sustentabilidade. “Educação Ambiental na formação de Indivíduos Conscientes” . Acesso em 11/04/2021 “Estrutura do SISNAMA” https://adelsonbenvindo.wordpress.com/2018/12/17/estrutura-do-sisnama-2/ Publicado: 17/12/2018 em D. AMBIENTAL por Adelson Bemvindo. Acesso em 02/05/2021. “Guia de Legislação Ambiental” https://www.teraambiental.com.br/guia-legislacao-ambiental-destinar-efluentes-e-residos-organi- cos-solidos Acesso em 02/05/2021. “Quais são os órgãos governamentais da área ambiental e suas funções” https://web.satc.edu.br/2020/12/quais-sao-os-orgaos-governamentais-da-area-ambiental-e-suas- funcoes/ Acesso em 02/05/2021. Notas de Aula – EducaçãoAmbiental 13 Atividade. Esta atividade não é avaliativa, trata-se de um exercício, sua utilidade é contribuir com a construção do seu conhecimento, facilitando posteriormente a resolução das atividades avaliativas (objetivas) que serão o parâmetro para avaliar o seu desempenho na disciplina. Ao resolvê-la seu objetivo não será obtenção de nota para a disciplina, mas sim aprimorar seu conhecimento e conscientização, portanto não há a necessidade de enviá-los ao professor. Nossa proposta com esta aula é que você faça a sua parte como membro da sociedade e habitante do planeta, identifique no seu dia a dia, incluindo: sua casa, a empresa onde trabalha, a escola onde estuda e os demais lugares por onde passa, verifique se sua conduta e dos demais é correta perante a legislação e o meio ambiente. Identifique as possíveis falhas e proponha ações que venham a eliminá-las. Notas de Aula – Educação Ambiental 14 AULA 14. Poluição Ambiental e saúde nos meios urbanos e rurais (Desastres ambientais). CARGA HORÁRIA TOTAL........ 2h. Objetivos: - Entender como o descaso com as ações ambientais pode provocar transtornos, acidentes e em alguns casos ser fatal - Entender como impactos ambientais acidentais afetam nosso meio de vida e o meio ambiente - Aplicar os conceitos de forma a evitar ou minimizar o risco de novas ocorrências. Desafio: Refletir sobre os acidentes comentados a seguir e definir através de uma pesquisa se eles poderiam ter sido evitados. Notas de Aula – Educação Ambiental 15 14.1. Desastres ambientais e seus efeitos no meio urbano e no meio rural. Uma vez conhecidos os conceitos de aspectos e impactos ambientais e nas aulas anteriores termos conhecido aspectos da legislação ambiental podemos retomar o assunto Poluição e Saúde no meio urbano e meio rural, porém sob outro ponto de vistas: a ocorrência de acidentes ambientais e avaliar suas possíveis causas e efeitos tanto ao meio ambiente quanto a consequência as pessoas. 14.1.1. Vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (2000). Rio de Janeiro (2000) – Um grande vazamento de óleo foi o responsável por mudar o cenário da Baía de Guanabara e contaminar grande parte do ecossistema de mangues no entorno. No dia 18/01/2000, um duto da Petrobrás que ligava a Refinaria Duque de Caxias ao terminal Ilha d’Água, na Ilha do Governador, rompeu-se provocando um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustí- vel nas águas da baía. A mancha se espalhou por 40km² . O vazamento afetou milhares de famílias que viviam da pesca e de atividades ligadas ao pescado. Na época, a Petrobras pagou uma multa de R$ 35 milhões ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e destinou outros R$ 15 milhões para a revitalização da baía. A Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro entrou, em março de 2000, com uma ação co- letiva na Justiça cobrando danos morais entre R$ 60 e 90 mil por terem prejudicado cerca de 12 mil pescadores e afetado diversos municípios como: Magé, São Gonçalo, Guapimirim, Niterói, Rio de Ja- neiro e Duque de Caxias. No dia do acidente, o pescador seu Mauro morava na beira da praia de Tubiacanga e disse ter ficado surpreso com a notícia. “Era uma mortandade de peixes boiando na beira da praia, pesca- dores chegando com redes cheias de óleo. Uma tristeza total”. Naquela época até o dia do vaza- mento, os barcos pescavam por noite em média 100 kg de camarão. Em 2003 devido ao acidente o volume de pesca não ultrapassava a 30 kg piorando em muito posteriormente. Além do impacto am- biental, o drama humano tem sensibilizado os ambientalistas, pois muitos pescadores faleceram ao longo dos anos, e as famílias que sobreviviam da renda da pesca têm passado por dificuldades. Mui- tas viúvas de pescadores são marisqueiras. Um laudo da Coppe/UFRJ, divulgado em março de 2000, concluiu que o derrame de óleo fora causado por negligência da Petrobras, uma vez que as especificações originais do projeto do duto não haviam sido cumpridas. https://www.oeco.org.br/reportagens/28021-baia-de-guanabara-vazamento-da-petrobras-completa-14-anos/ (matéria exibida pelo jornal O Eco em 2014 por Fabíola Ortiz). VÍDEO AULA 14 Inserir link (aos cuidados do NTE) Notas de Aula – Educação Ambiental 16 14.1.2. Incêndio na Ultracargo, no Porto de Santos (2015). Um incêndio nos tanques de combustíveis do Terminal Químico de Aratu, da empresa Ultra- cargo, entrou para a história. A explosão de uma válvula, devido a um erro operacional, originou o fogo que levou nove dias para ser controlado e mobilizou agentes de todo o litoral paulista. Na ocasião, os bilhões de litros de água utilizados para controlar as chamas voltaram às águas. A quan- tidade de oxigênio no mar caiu drasticamente e a temperatura aumentou 7°C. Por consequência, nove toneladas de 142 espécies de peixes morreram. A qualidade do ar na região também foi gravemente afetada. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, o episódio é o maior incêndio do gênero no Brasil. Em maio de 2019, a empresa firmou um acordo de R$ 67,3 milhões por conta dos danos ambientais causados na ocasião. http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/04/incendio-atinge-industria-no-bairro-alemoa-em-santos- litoral-de-sp.html Incêndio da Ultracargo: uma tragédia anunciada 14 de Abril de 2015 às 21:04 O engenheiro de segurança Celso Atienza comenta sobre o desastre ocorrido em seis tan- ques de combustível – álcool anidro e gasolina – da Ultracargo, terminal localizado no Porto de San- tos, no litoral sul paulista. O incêndio, que durou nove dias – começando no dia 2 de abril e sendo debelado, totalmente, no dia 9 –, para o especialista, foi “uma tragédia anunciada”. Ele discorda de quem atribui ao acidente uma fatalidade. E completa: “Fatalidade é um termo que não se usa em en- genharia de segurança. Existe irresponsabilidade.” “O grande erro neste acidente é que vários fatores não foram levados em consideração an- tes”, explica, acrescentando que não se tem um incidente por um único erro, mas por uma sucessão deles. Para ele o armazenamento estava muito próximo, não foi obedecida a distância necessária en- tre os reservatórios para que o fogo não se propagasse tão rápido como ocorreu e não havia um sis- tema de espuma dentro dos reservatórios. Outro problema apontado por Atienza é com relação ao tanque de decantação: “Quando há um vazamento, que também é uma das possibilidades de se iniciar um incêndio, ele deveria ser esco- ado para um tanque de decantação, os projetos não têm essa previsão. Isso é uma situação básica de projeto de engenharia de segurança.” Segundo o engenheiro, faz-se uma instalação onde as preocupações são com a produção e conta-se com a sorte de que nunca vai acontecer nada. “Um complexo petroquímico (é o caso da Ul- tracargo), está classificado na área de alto risco. Deve-se pensar e planejar a partir do que pode acontecer nesses acidentes.” E critica: “No Brasil, a discussão acontece sempre pós-tragédias, nunca antes.” O projeto de engenharia de segurança é feito para prever as tragédias. “Se você não quer que aconteça um desastre se prepare para ele”, ensina. E finaliza: "A cultura de segurança nos portos é zero." https://portogente.com.br/noticias/dia-a-dia/85772-incendio-da-ultracargo-uma-tragedia-anunciada Notas de Aula – Educação Ambiental 17 14.1.3. Rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais (2015). A cidade de Mariana e as regiões ao seu redor foram tomadas por um rastro de destruição com o rompimento das barragens do Fundão e de Santarém, ambas da mineradora Samarco. Em seu caminho, a lama destruiu por completo a pequena Bento Rodrigues. O episódio é considerado a maior catástrofe ambiental da história brasileira. Ao todo, 600 famílias ficaram desalojadas, 19 pessoas morreram e 1469 hectares de vegetação foram comprometidos. Cerca de 663 quilômetros de rios e córregos foram contaminados pelalama, e poucas horas após o rompimento, a massa de rejeitos chegou ao rio Doce, a maior bacia da região sudeste brasileira. A turbidez da água comprometeu de forma grave o ecossistema e ocasionou a morte de tone- ladas de peixes e outros animais da região. O episódio, marcado pelos 43 milhões de metros cúbicos de rejeitos lançados no ambiente, somou mais de R$ 350 milhões em autos de infração. Em janeiro deste ano, o jornal O Globo apurou que a mineradora ainda não havia pagado qualquer valor ao Ibama. https://www.coc.com.br/blog/soualuno/geografia/principais-desastres-ambientais-no-brasil O acidente em Mariana liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minera- ção, que eram formados por óxido de ferro, água e lama. Apesar de não possuir, segundo a Samarco, nenhum produto que causa intoxicação no homem, os rejeitos podem devastar grandes ecossistemas. A lama que atingiu as regiões próximas à barragem formou uma espécie de cobertura no local. Essa cobertura, quando secar, formará uma espécie de cimento, que impedirá o desenvolvimento de muitas espécies. Essa pavimentação, no entanto, demorará certo tempo, pois, em virtude da quanti- dade de rejeitos, especialistas acreditam que a lama demorará anos para secar. Enquanto o solo não seca, também é impossível realizar qualquer construção no local. A cobertura de lama também impedirá o desenvolvimento de espécies vegetais, uma vez que é pobre em matéria orgânica, o que tornará, portanto, a região infértil. Além disso, em virtude da com- posição dos rejeitos, ao passar por um local, afetarão o pH da terra e causarão a desestruturação quí- mica do solo. Todos esses fatores levarão à extinção total do ambiente presente antes do acidente. O rompimento da barragem afetou o rio Gualaxo, afluente do rio Carmo que deságua no Rio Doce, um rio que abastece uma grande quantidade de cidades. À medida que a lama atinge os ambi- entes aquáticos, causa a morte de todos os organismos ali encontrados, como algas e peixes. O ecos- sistema aquático desses rios foi completamente afetado e, consequentemente, os moradores que se beneficiavam da pesca. A lama lançada no ambiente afeta os rios não apenas no que diz respeito à vida aquática. Mui- tos desses rios sofrerão com assoreamento, mudanças nos cursos, diminuição da profundidade e até mesmo soterramento de nascentes. A lama, além de causar a morte dos rios, destruiu uma grande região ao redor desses locais. A força dos rejeitos arrancou a mata ciliar e o que restou foi coberto pelo material. Por fim, espera-se que a lama, ao atingir o mar, afete diretamente a vida marinha na região do Espírito Santo onde o rio Doce encontra o oceano. Biólogos temem os efeitos dos rejeitos nos reci- fes de corais de Abrolhos, um local com grande variedade de espécies marinhas. https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/acidente-mariana-mg-seus-impactos-ambientais.htm Notas de Aula – Educação Ambiental 18 14.1.4. Rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais (2019). O rompimento da barragem em Brumadinho liberou uma grande quantidade de rejeitos de mineração e causou a morte de moradores, turistas e funcionários da Vale. O rompimento da barra- gem em Brumadinho no início da tarde do dia 25 de janeiro de 2019, causou uma grande avalanche de rejeitos de minério de ferro. A Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão desabou, e a lama atingiu a área administrativa da Vale, bem como a comunidade da Vila Ferteco, deixando um grande rastro de des- truição e dezenas de mortes. No momento do acidente, as sirenes de alerta não foram tocadas, o que contribuiu para o grande número de mortes nessa tragédia, uma vez que as pessoas não foram avisadas para adotar os procedimentos de segurança. O alarme provavelmente não tocou em razão da rapidez em que tudo aconteceu. A Vale emitiu uma nota com esclarecimentos em relação à barragem que se rompeu. A mine- radora afirma nessa nota que “a barragem possuía Fator de Segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da Norma Brasileira”. e apresentava declarações de estabilidade que atestavam a segurança tanto física quanto hidráulica da barragem. Vale destacar que desastres como esse acendem o alerta da necessidade constante de fiscali- zação além da necessidade de um licenciamento ainda mais rigoroso. O presidente da Vale afirmou que: "Me parece que só tem uma solução: nós temos que ir além de qualquer norma, nacional ou internacional. Nós vamos criar um colchão de segurança bastante superior ao que existe hoje". A lama liberada destruiu várias casas, além da área administrativa da Vale, que continha vários funcionários, e uma pousada, que possuía na data da tragédia 35 pessoas hospedadas. Várias pessoas, portanto, foram afetadas. Até a tarde do dia 1º de fevereiro de 2019, sete dias após o rompimento da barragem, já haviam sido confirmadas 110 mortes e 238 pessoas desaparecidas. De acordo com a Vale, a lama proveniente do rompimento da barragem não era tóxica mas esse desastre representa problemas graves ao meio ambiente. A grande quantidade de material libe- rado passou por uma grande área, desencadeando de forma imediata a morte de várias pessoas e de outros animais e plantas. É importante frisar que a região atingida é uma área com remanescentes da Mata Atlântica e, portanto, rica em biodiversidade. De acordo com nota divulgada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) no dia 01 de fevereiro de 2019: "A área total ocupada pelos rejeitos, que parte da Barragem B1 até o encontro com o Rio Paraopeba, foi de 290,14 hectares. Deste total, a área da vegetação impactada representa 147,38 hec- tares." Além disso, a lama, que contém ferro, sílica e água, atingiu o rio Paraopeba, que é um dos afluentes do rio São Francisco, afetando de maneira negativa a qualidade da água no local. Vale salientar que, apesar da lama não ser considerada tóxicas pela Vale, as Secretarias de Estado de Saúde (SES-MG), de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), e de Agricultura, Pecuá- ria e Abastecimento (Seapa) comunicaram que a água presente no rio apresentava riscos à saúde hu- mana e animal após resultados iniciais de monitoramento. Além da composição, a lama também é responsável por diminuir a quantidade de oxigênio disponível na água, desencadeando a morte da fauna e flora aquáticas. O solo da região pode também ser afetado em virtude da grande quantidade de lama depositada. Um dos primeiros impactos é a Notas de Aula – Educação Ambiental 19 alteração da composição original do solo. Além disso, a lama, ao secar, geralmente, torna a região bastante compacta, prejudicando o desenvolvimento de vegetação. Os impactos ambientais do rompimento da barragem em Brumadinho serão provavelmente inferiores aos impactos do rompimento da barragem em Mariana, que é considerado o maior desastre ambiental do nosso país. A WWF Brasil emitiu uma nota de pesar em relação ao rompimento da bar- ragem em Brumadinho. Essa organização frisou que: “Um desastre dessas proporções pode – e deve – ser evitado por meio de leis ambientais que garantam a segurança das comunidades e da natu- reza”. Referência: SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Rompimento da barragem em Brumadinho"; Brasil Escola. Disponí- vel em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/rompimento-barragem-brumadinho.htm 14.1.5. Acidente com Césio-137 em Goiânia. Uma cápsula com um sal de césio retirada de um hospital abandonado e violada foi respon- sável pelo acidente com Césio-137 que ocorreu em Goiânia, em setembro de 1987 no dia 13, teve início o que foi considerado o maior acidente radioativo do Brasil. e o maior acidente radioativo do mundo fora de usinas nucleares. O Césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio que é usado em equipamen- tos de radiografia e era usado na forma de um sal — o cloreto de césio (CsCl) — pelo antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), que o guardava dentro de uma bomba ou cápsula revestidade uma caixa protetora de aço e chumbo. Quando esse hospital foi desativado, os rejeitos radioativos não receberam o destino adequado, mas ficaram entre os escombros. Com isso, essa cápsula com césio foi encontrada por dois sucateiros, que a violaram e venderam-na para um ferro-velho, cujo dono era Devair Alves Ferreira. No ferro-velho, Devair abriu a caixa que continha a cápsula a fim de aproveitar o chumbo, mas ao fazer isso ele liberou para o meio ambiente cerca de 19 g de cloreto de césio-137. Esse acidente mostrou o quanto pode ser perigoso a manipulação sem conhecimento e pre- paro de materiais radioativos. Esse sal emite um brilho azulado muito bonito, o que encantou o dono do ferro-velho que acabou distribuindo o material a amigos e familiares. Alguns chegaram até mesmo a passar o cloreto de césio-137 na pele. O irmão de Devair, Ivo Alves, levou um pouco do material radioativo para casa, e sua filha, Leide das Neves Ferreira, brincou com ele e depois foi comer sem ter lavado as mãos, ingerindo pe- quenas quantidades de césio-137. Em virtude da falta de conhecimento da população, dezenas de pessoas foram contaminadas, e os primeiros sintomas que apareceram apenas algumas horas depois foram náuseas, vômitos, tontura e diarreia. A esposa de Devair suspeitou do material e levou partes da bomba para a sede da Vigilância Sanitária. No dia 29/09 foi dado o alerta de contaminação radioativa. Em 23/10 Leide das Neves mor- reu, passando a ser considerada a maior fonte humana de radiação e teve que ser enterrada em um caixão de chumbo e tornou-se símbolo da tragédia que os moradores de Goiânia nunca esqueceram. A partir de então, teve início uma força-tarefa para remover os objetos contaminados e tratar as vítimas. Os dados apontam que 249 pessoas foram examinadas e, destas, 22 foram isoladas em razão da alta taxa de contaminação. Passaram a receber monitoramento 129 pessoas, e 14 estavam com um quadro clínico muito grave. Houve quatro vítimas fatais poucas semanas depois: a primeira foi Leide das Neves, conforme já dito; a segunda foi sua tia, esposa de Devair, Maria Gabriela Ferreira; Notas de Aula – Educação Ambiental 20 e os outros dois foram jovens de 18 e 22 anos que eram funcionários do ferro-velho. Além disso, muitos carregam traços deixados pela radiação, como ocorreu com o outro irmão de Devair que perdeu parte da palma da mão e partes de um dedo. Os rejeitos do acidente com césio-137 chegaram a um volume de sete toneladas, que foram colocadas em tambores envoltos por concreto e depositadas em Abadia de Goiás, a 25 km do centro de Goiânia. Esses rejeitos foram colocados em uma espécie de piscina de concreto impermeabilizada que foi coberta por concreto e vegetação. Esse lixo atômico envolve plantas, animais, materiais de construção e objetos provenientes do hospital abandonado, do ferro-velho e de toda a vizinhança. Publicado por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça em https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/acidente-com- cesio137-goiania.htm 14.1.5. Brasil: Vazamento de pesticida mata 80 toneladas de peixes no RJ. Escrito por Paula Góes; traduzido por Paula Góes e publicado em 10/12/2008 (Reproduzido na íntegra neste documento). https://pt.globalvoices.org/2008/12/10/brasil-vazamento-de-pesticida-mata-80-ton-de-peixes-no-rj/ Enquanto a atenção da maioria das pessoas no Brasil se voltava para a trágica enchente em Santa Catarina, outro desastre ambiental assolava o país, dessa vez no estado do Rio de Janeiro. Em 18 de novembro, um vazamento do fatal pesticida endosulfan no Rio Pirapetinga, um afluente do Rio Paraíba do Sul, matou milhares de peixes – mais de 80 toneladas – em Resende e outras cidades vizi- nhas. O incidente causou ainda a interrupção do fornecimento de água em sete cidades na área. A tragédia foi maior por ter acontecido durante a temporada de reprodução de muitas espécies, algu- mas das quais correm risco de extinção. Cintia Sibucs diz que além de peixes, ela ficou triste em ver capivaras e até passarinho mortos: Pela quantidade de peixes e animais mortos, pode-se dizer que serão necessários uns dez anos ou mais para que toda essa vida volte ao que era antes. O produto químico Endosulfan, usado na fabricação de inseticidas, é usado pela empresa que fica em Resende. O acidente gerou ainda mais transtornos pois o serviço de água e esgoto suspendeu a captação de água por uns dias, deixando a população em alerta. Agora, depois de tanta tristeza de ver milhares de peixes e capivaras mortas, o que resta é recolher o que restou. Desde sábado (22/11) as prefeituras de Volta Redonda e Barra Mansa estão num trabalho ininterrupto de recolhimento dos peixes, que já estava causando forte mau cheiro. O vazamento foi descoberto a partir de investigação da Feema, alertada por uma mortan- dade de peixes no Rio Pirapetinga e Paraíba do Sul. Com sede em Resende, a Servatis, empresa res- ponsável pela fábrica de fertilizantes, confessou o vazamento de 1,5 mil litros de endosulfan e alegou que ele teria sido causado por uma falha humana ao conectar um caminhão tanque. Em uma posta- gem chamada “Além de morte, nenhum risco”, Vitor Menezes contesta o anúncio feito pela empresa em 19 de novembro, pouco de mais de um dia depois do acidente, alegando que a situação estaria sob controle: A empresa Servatis, responsável pelo vazamento do pesticida endosulfan no rio Paraíba do Sul, afirmou aqui em seu site que, de acordo com a sua gerência de meio ambiente, a concentra- ção do produto no rio havia caído a zero e não havia “mais risco à fauna”. “Os peixes não devem ter recebido o recado”. Mais tarde veio a descoberta de que o vazamento do inseticida endosulfan foi maior do que os 1,5 mil litros assumidos pela Servatis. O produto foi derramado durante o Notas de Aula – Educação Ambiental 21 descarregamento de um caminhão que tinha capacidade de 30 mil litros, mas apenas 12 mil litros, ainda assim misturados com água da chuva, foram recuperados no dique da empresa. A Servatis de- pois admitiu que pelo menos 8 mil litros podem ter vazado – ao contrário do que tinha sido divul- gado na semana anterior. O advogado e ambientalista Luiz Felipe Muniz de Souza fala das conse- quências do vazamento para as comunidades locais: Várias comunidades pesqueiras afetadas estão impedidas de trabalhar e nem sabem ao certo quando poderão retornar, pois a ação do inseticida, mesmo tão distante do ponto em que foi despejado pelos criminosos, e mesmo estando tão diluído – devido ao volume do próprio Rio Paraíba do Sul e devido ao volume d’água das intensas chuvas regi- onais –, continua provocando mortandade de peixes em toda a foz do Paraíba do Sul, e nas praias do município de São João da Barra e de São Francisco do Itabapoana. Os criminosos ambientais, que ini- cialmente se omitiram e mentiram sobre a quantidade do produto arremessado no rio, depois admi- tiram que foi uma quantidade 10 vezes maior do que a declarada, diante de tantos peixes mortos! Servatis recebeu uma multa de R$ 33 milhões, da qual a empresa afirmou que pretende recorrer, e 20 dias de suspensão. As operações na fábrica foram reiniciadas hoje, 9 de dezembro, para todos os departamentos, exceto o de produção de endosulfan. BIOTRIBO reage à notícia: “Mais uma vez o poder público zomba de nós! Sem que nada tenha sido feito para minimizar os danos ao Rio Paraíba a empresa “Servatis volta a operar nesta terça- feira” (…) Em menos de um mês, desde o acidente ambiental, a auditoria realizada por empresa pri- vada solicitada pela SEA foi rapidamente concluída, e sem que houvesse tempo hábil para a realiza- ção de uma segunda auditoria ou para que se analisasse a fundo o conteúdo do documento – medi- das que poderiam dar mais garantias sobre os processos e ajustes da empresa para a segurança da população – a Servatis abre!” O blogue A TroLhA expressa o sentimento de que a lei ambiental brasileira tem duas caras: “O aparato de fiscalização ambiental quando se trata da persecuçãodas medidas de controle e de- feso de espécies (aliás, necessárias), tem se mostrado eficiente em coibir as infrações cometidas por pescadores e populações que dependem dessa atividade, e que geralmente, ocupam os andares mais baixos da nossa pirâmide social… Por outro lado, quando se trata de estender essa eficiência aos empresários e industriais, que exploram atividades econômicas que trazem sérios riscos ao ecos- sistema no qual estão inseridos, nossos órgãos ambientais são de uma leniência e ineficácia vergo- nhosa… Direito a propriedade e a livre iniciativa não podem se sobrepor ao direito a vida…Bom, pelo menos não deveriam…” Rui Camejo nos lembra que essa não é a primeira vez que a Servatis causa prejuízos ao meio ambiente. De acordo com o blogueiro, há cerca de três anos a mesma empresa foi responsável pelo derramamento do inseticida Dimetutato. Outro blogueiro, Norival Duarte, repercute essa postagem e comenta: “E essa denúncia não deve se limitar a essa fronteira, à foz desse afluente: deve ser es- tendida a toda a bacia hidrográfica desse que é, seguramente, um dos mais importantes rios do Bra- sil, dada a sua relevância nos aspectos sociais e econômicos de toda a região que ela tão generosa- mente abraça.” O Rio Paraíba do Sul, que nasce da junção dos rios Paraibuna e Paraitinga, começa na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo e percorre 1,12 km até a foz em Atafona, ao norte do estado do Rio de Janeiro. A bacia do Rio Paraíba do Sul abarca três estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – e é considerado, em tamanho, uma das maiores bacias brasileiras, cobrindo uma área apro- ximada de 57.000 km². Notas de Aula – Educação Ambiental 22 Proibido em vários países no mundo inteiro, o endosulfan é largamente usado para controlar uma grande variedade de insetos e pestes em plantações. O seu uso é proibido na Europa e a Envi- ronmental Justice Foundation [Fundação para Justiça Ambiental] está promovendo uma campanha para que as pessoas pressionem seus governos locais a banirem o uso de endosulfan e listarem esse produto químico na Convenção de Estocolmo, que visa a banir a produção, uso e disposição de subs- tâncias químicas tóxicas. 14.1.6. Aeronave clandestina pulveriza veneno sobre assentamento do MST em Nova Santa Rita. Nova investida contra agricultores ocorreu uma semana após decisão judicial que proíbe o uso de agrotóxicos por fazendeiros de arroz e soja não orgânicos da região. Agricultores do assenta- mento Santa Rita de Cássia II, em Nova Santa Rita denunciaram à polícia civil, ao Ministério Público e ao judiciário, na manhã desta quinta-feira, 18, novo ataque aos sem-terra com a pulverização de substâncias químicas sobre as plantações. Diversas pessoas foram atendidas no posto de saúde local com sintomas de intoxicação, irri- tações nas vias aéreas, dores de cabeça e náuseas. Elas foram atingidas pela pulverização deliberada de veneno feita por uma aeronave clandestina diretamente sobre as casas e lavouras do assenta- mento. De acordo com a denúncia dos sem-terra, o avião clandestino, um bimotor identificado ape- nas pelo prefixo PP XET, sem licença para a aviação agrícola, sobrevoou o assentamento no final da tarde de quarta-feira, 17, dando vários rasantes sobre as moradias, hortas e estufas e em seguida li- berou uma nuvem de veneno. A ação foi registrada em fotos e vídeos encaminhados pela assessoria jurídica do assentamento à polícia, ao MPRS e à Justiça Federal. Ataque deliberado após decisão judicial. O ataque ocorreu cerca de uma semana depois que os agricultores obtiveram na Justiça uma liminar que proíbe a utilização indiscriminada de agrotóxi- cos por fazendeiros da região. A decisão favorável da 9ª Vara Federal de Porto Alegre foi obtida de- pois que os sem-terra denunciaram a destruição das plantações pela deriva da pulverização de pesti- cidas por proprietários de fazendas vizinhas. Outro dado importante foi a rota que a aeronave fez, sempre por cima das propriedades que têm horta e estufas, porque os fazendeiros sabem que foram esses agricultores que denunciaram a deriva de novembro”, relata Augusto Olsson, da liderança dos assentados. “Acreditamos que tenha sido uma retaliação à liminar concedida pela Justiça suspendendo o uso de agrotóxicos na região. O assentamento da reforma agrária é referência na produção de arroz orgânico e da agricul- tura agroecológica do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que por sua vez é o maior produtor de arroz sem a aplicação de venenos do plantio à colheita na América do Sul. https://www.extraclasse.org.br/justica/2021/03/aeronave-clandestina-pulveriza-veneno-sobre-assentamento- do-mst-em-nova-santa-rita/ Notas de Aula – Educação Ambiental 23 14.2. Conclusão da aula. Conforme visto nesta aula, estes são apenas alguns dos exemplos de acidentes e incidentes ambientais ocorridos no Brasil, e você pode ainda obter diversas outras matérias tanto a nível de Bra- sil quanto a nível mundial, como por exemplo o acidente de Chernobyl; o lançamento das duas bom- bas atômicas sobre a população de Hiroshima e Nagasaki; o acidente da Vila Socó a serra do mar / Baixada Santista; o problema com o Pó da China em 1965 em Cubatão, os casos de bebês com anen- cefalia também em Cubatão, e centenas de outras situações. As matérias aqui mostradas não foram escolhidas não ao acaso, elas de alguma maneira en- volvem falhas humanas, legislação descumprida, falta de cuidado com especificações técnicas, grande mortandade de espécies, área de abrangência e efeito do dano ambiental por longos perío- dos e grandes áreas além do quase deboche das autoridades e dos envolvidos. Notas de Aula – Educação Ambiental 24 Atividade. Nesta aula o desafio imposto a vocês é referente ao futuro, hoje temos tecnologia e informa- ção abundante sobre riscos e sobre oportunidades de fazer a “coisa certa” e cabe as novas gerações assegurar a existência de um planeta habitável. Sugerimos aqui também nova leitura das aulas 4; 5; 6; 9 e 12 e os links ali citados para que um raciocínio completo seja estabelecido por vocês. Indicação de leitura. “Educação Ambiental na formação de Indivíduos Conscientes” Acesso em 11/01/2021. Matéria completa: Aeronave clandestina pulveriza veneno sobre assentamento do MST em Nova Santa Rita https://www.extraclasse.org.br/justica/2021/03/aeronave-clandestina-pulveriza-veneno- sobre-assentamento-do-mst-em-nova-santa-rita/ Acidente com Cesio 137 em Goiânia - Publicado por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça em: https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/acidente-com-cesio137-goiania.htm “Guia de Legislação Ambiental” https://www.teraambiental.com.br/guia-legislacao-ambiental-destinar-efluentes-e-residos-organi- cos-solidos Acesso em 02/05/2021. Notas de Aula – Educação Ambiental 25 AULA 15. Normalização para gestão ambiental – parte 1. CARGA HORÁRIA TOTAL........ 2h. Objetivos: - Entender a importância dos sistemas de gestão ambiental e normas correlatas e identificar produtos ambientalmente corretos - Apresentar as normas brasileiras que fazem alusão aos sistemas de gestão ambiental - Aplicar os conceitos requeridos pela normalização as ações cotidianas. Notas de Aula – Educação Ambiental 26 15.1. A família de normas do sistema de gestão ambiental. A série ISO 14000 possui muitas normas, uma das mais conhecidas é a norma ISO 14001, porém ela não é a única aplicável ao sistema de gestão ambiental (SGA). Existem diversas outras com várias es- pecificações em relação à gestão ambiental, estão listadas abaixo algumas delas: ISO 14001: norma referentes à implementação do SGA. ISO 14004: norma sobre o SGA, porém destinadas à parte interna da empresa. ISO 19011: norma relacionada à auditoria ambiental e sua credibilidade. ISO 14031: norma sobre o desempenho do SGA. ISO 14020: norma relacionadaaos rótulos e declarações ambientais. A série de normas ISO 14000 têm como foco minimizar ou evitar o dano causado ao meio ambiente. Não é seu objetivo transformar a empresa em uma “empresa verde”, mas sim buscar a melhoria contínua em seu Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e assegurar que esteja de acordo com todas as políticas e leis ambientais. O modelo do SGA varia de acordo com a empresa ou organização, logo, cada empresa certificada nas normas ISO 14000 pode ter desempenho diferenciado das demais respeitando sua forma de trabalho, seus produtos e seus processos. As normas da família ISO 14000 trabalham baseadas em documentação e evidências de práti- cas corretas. Essas normas de gestão ambiental fazem com que a empresa crie objetivos e metas a serem cumpridos a partir das políticas ambientais. Uma empresa que tem um certificado ISO 14000 obtém muitas vantagens, seja para o cliente ou para ela própria e ao receber e manter o certificado a empresa é associada a um padrão internaci- onal de gestão ambiental, o que traz ao público uma imagem positiva de empresa limpa e preocu- pada com o meio ambiente. Para ser qualificada e receber o certificado das normas ISO 14000 a empresa deve estar de acordo com as políticas e leis ambientais de seu país e estabelecer e manter um SGA de acordo com as especificações da norma. Porém, há outros requisitos mais específicos, e qualquer desalinho em relação a eles pode fazer com que a empresa não seja certificada ou perca o certificado obtido. - Planejamento ambiental: fazer um planejamento completo dos aspectos ambientais da área, me- tas, objetivos leis e programas ambientais. - Realização e manutenção: Após planejar, é preciso “ligar” o sistema, fazer com que ele funcione, e mantê-lo funcionando. Documentação e arquivamento: realizar documentação completa dos processos relaciona- dos com a gestão ambiental da empresa e do sistema que está sendo implementado e arquivá-los. Revisão e inspeção: é preciso manter o monitorando e verificar os processos ligados à gestão ambiental. Caso uma ação corretiva precise ser tomada, ela também deverá ser documentada e ar- quivada. Notas de Aula – Educação Ambiental 27 15.1.1. A ISO 14001 em linhas gerais. A ISO 14001 especifica os requisitos de um SGA e permite a uma organização desenvolver uma estrutura para a proteção do meio ambiente e rápida resposta às mudanças das condições am- bientais e considera aspectos ambientais influenciados pela organização ou que a influenciam e ou- tros passíveis de serem controlados por ela. As empresas que desejam estabelecer ou aprimorar um Sistema de Gestão Ambiental e esta- rem seguras sobre políticas ambientais praticadas ou demonstrar estar de acordo com práticas sus- tentáveis a clientes e a organizações externas optam pela certificação nesta norma. Pensando em sustentabilidade, não faz sentido uma empresa ter uma atuação ecologica- mente correta e não atuar com a gestão ambiental de forma estratégica, pensando no desenvolvi- mento sustentável da empresa e foi neste sentido que a ISO 14001 em sua versão 2015 foi plane- jada. Esta versão incorpora, além de questões estratégicas, a preocupação com a cadeia de valor, ci- clo de vida, entre outras mudanças. A implementação da norma comprovadamente traz ganhos econômicos a empresa, pois ao reduzir o consumo de recursos, também reduz custos. Além da sustentabilidade, a norma especifica a necessidade de avaliação das expectativas das partes interessadas, incluindo condições ambientais locais, regionais e globais que afetam a orga- nização ou que possam ser afetados por ela. 15.1.2. A ISO 14004 em linhas gerais. A ISO 14004 permite às empresas certificadas ou não obterem melhorias quanto à questão ambien- tal. Essa norma em particular não é certificável, ou seja, uma empresa não pode obter exclusiva- mente esta certificação. Essa norma é um guia que expõe a metodologia, mostrando as diretrizes gerais sobre princí- pios, sistemas e técnicas de apoio a norma ISO 14001 ou a gestão ambiental correta da empresa e pode ser aplicada a qualquer tipo empresa. A norma ISO 14004 visa orientar o estabelecimento quanto à implementação, manutenção e melhoria de um SGA e sua integração com outros sistemas de gestão ambiental, através da indicação de um processo que possibilite à empresa identificar os aspectos ambientais significativos, recomen- dando também a verificação de melhores instrumentos que visam minimizar os impactos causados pelos seus aspectos ambientais e inclui ainda exemplos, descrições e opções que dão subsídios para a implementação do SGA e seu fortalecimento em relação à gestão global da empresa. Notas de Aula – Educação Ambiental 28 15.1.3. A ISO 19011 em linhas gerais. A ISO 19011 fornece orientações para a realização de auditorias dos sistemas de gestão, in- cluindo o SGA, descrevendo também: - Princípios de auditoria - Gestão do programa e realização de auditorias - Avaliação dos envolvidos no processo de auditoria e equipe de auditores - Contribuição na melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade da empresa. Princípios base para uma auditoria: 1. Integridade - Este item preocupa-se com a idoneidade da equipe de auditores, as características individuais (honestidade, responsabilidade, dedicação) e com a execução das auditorias de uma forma correta. 2. Apresentação justa - Trata da importância de apresentar as conclusões das auditorias de forma verdadeira e objetiva considerando também a necessidade de registrar possíveis problemas de divergência de opiniões no momento da auditoria. 3. Devido cuidado profissional – Trata da agilidade com a qual o auditor deve desenvolver a auditoria e a responsabilidade envolvida em fazer os seus julgamentos. 4. Confidencialidade – Trata da importância da discrição na condução da auditoria para proteger as informações obtidas da empresa e das atividades executadas além do cuidado para que estas não sejam usadas de forma inapropriada. 5. Independência – trata da imparcialidade e objetividade perante as conclusões da auditoria, de forma que possam realizar as atividades de forma livre e não tendenciosa e por isso é importante que o auditor mantenha objetividade durante todo o processo e que não realizem as auditorias nos mesmos locais de suas funções (auditoria interna) para garantir que as conclusões sejam baseadas somente nas evidências identificadas. 6. Abordagem baseada em evidência - Para que todas as auditorias sejam confiáveis e com reproduti- bilidade, é essencial que seja baseado em um método planejado e racional, logo as evidências de- vem ser possíveis de serem verificadas e a amostragem de análise deve ser coerente com a auditoria, a fim de garantir a confiabilidade das conclusões obtidas. 15.1.4. A ISO 14031 em linhas gerais. A NBR ISO 14031, proposta pela ABNT é uma ferramenta de gestão ambiental com o objetivo de medir e analisar o desempenho ambiental da. Os resultados obtidos são assim comparados às me- tas definidas para o SGA tornando possível avaliar as melhorias alcançadas. Para mensurar isso a empresa seleciona seus indicadores de desempenho ambiental e estes devem deixar mais tangível uma tendência ou fenômeno que não seja imediatamente detectável. Além disso irão informar o progresso em relação ao alcance das metas. Notas de Aula – Educação Ambiental 29 Um bom desempenho ambiental pode ser alcançado mediante o controle de atividades, pro- dutos e serviços que tenham possibilidade de gerar impactos ambientais. Nesse contexto surgiu a Norma ISO 14031 para auxiliar a organização a avaliar seu desempenho ambiental. É uma boa ferramenta para gestão interna e busca fornecer a gestão uma base de dados contínua, de tal forma que seja possível avaliar se as medidas adotadas nos processos da organização são ade- quadas aos critérios estabelecidos. Através da Avaliação de Desempenho Ambiental é possível que a organização: identifique aspectos ambientais e determine quaisdeles são relevantes; estabeleça critérios para seu desempe- nho ambiental e avalie seu desempenho mediante esses critérios. Na Avaliação de Desempenho Ambiental algumas ferramentas podem ser utilizadas, como as auditorias ambientais e a Análise do Ciclo de Vida. Em ambas, é possível analisar os aspectos ambi- entais e potenciais impactos relacionados a produtos e serviços. Assim como as demais, a ISO 14031 é aplicável a todas as organizações, independente do seu tipo, tamanho, localização e complexidade. No entanto, a norma não estabelece níveis de desempe- nho ambiental, não podendo ser usada, portanto, com propósito de certificação ou registro. 15.1.5. A ISO 14020 em linhas gerais. ABNT NBR ISO 14020:2002 - Rótulos e declarações ambientais – Trata da interpretação dos princípios orientadores para o desenvolvimento e uso de rótulos e declarações ambientais e está as- sociada a outras normas: - ABNT NBR ISO 14021:2013 - Rótulos e declarações ambientais - Autodeclarações ambientais (Rotu- lagem do tipo II). Interpretação dos requisitos para autodeclarações ambientais, incluindo textos, símbolos e gráficos, no que se refere aos produtos; termos selecionados usados comumente em de- clarações ambientais e qualificações para seu uso; metodologia de avaliação e verificação geral para autodeclarações ambientais e métodos específicos de avaliação e verificação para as declarações se- lecionadas nesta Norma. - ABNT NBR ISO 14024:2004 - Rótulos e declarações ambientais - Princípios e procedimentos para o desenvolvimento de programas de rotulagem ambiental do tipo l; seleção de categorias de produtos, critérios ambientais dos produtos e características funcionais dos produtos, e para avaliar e demons- trar sua conformidade além de procedimentos de certificação para a concessão do rótulo. - ISO 14025:2006 – Rótulos e declarações ambientais - Princípios e especifica os procedimentos para o desenvolvimento de programas de declaração do tipo III e declarações ambientais Tipo III; critérios e orientações para o uso da ABNT NBR ISO 14040:2009 (Avaliação do ciclo de vida) para o desenvolvi- mento de programas de declaração do tipo III e declarações ambientais Tipo III ambientais e princí- pios para o uso da informação ambiental, além de os indicados na ISO 14020:2002 e para uso em co- municação negócio a negócio e seu uso na comunicação negócio - cliente. Rotulagem Tipo I: fornecido por uma instituição de terceira parte tem como base alguns critérios de ciclo de vida. Notas de Aula – Educação Ambiental 30 Rotulagem Tipo II: autodeclarações ambientais informativas, fixadas pelo próprio fabricante. É nor- malizado pela NBR ISO 14021, que permite às empresas divulgarem na mídia os benefícios ambien- tais que o seu produto alcança. A norma descreve uma metodologia de avaliação e verificação geral para etiquetas ambientais próprias e métodos específicos de avaliação e verificação para as declara- ções selecionadas. Rotulagem Tipo III: é um programa voluntário que fornece dados a partir de critérios de terceira parte. “Esta etapa é a que assegura que seja abordado o maior número de questões na avaliação de um produto, com a dimensão exata dos impactos ambientais que ele provoca – do berço ao túmulo”. Devido à complexidade da implantação da ferramenta de análise, este tipo de selo é utilizado apenas entre empresas – negócio a negócio e viabiliza a um importador solicitar o selo ao produtor interna- cional, sem que esta atitude seja considerada barreira alfandegária. 15.2. Normalização ambiental. Como visto até aqui, as normas dos sistemas de gestão ambiental são uma família de normas interrelacionadas que tem por finalidade prover informações e diretrizes para certificação de siste- mas de gestão ambiental integrados a outros sistemas ou não; diretrizes para etiquetagem e rotula- gem de produtos além da própria certificação de produtos ambientalmente corretos (os que rece- bem os selos Tipo I, II ou III). As normas citadas não são as únicas, a família de normas é muito maior e além das normas voltadas exclusivamente aos assuntos ambientais são ainda correlacionadas e perfeitamente integrá- veis a outros sistemas como os de gestão da qualidade (ISO 9001); de saúde e segurança ocupacional (ISO 45001) e normas correlatas tanto para certificar sistemas quanto para certificar ou homologar produtos. 15.3 – A ISO 14001 – Parte 1. 15.3.1. Escopo – Trata basicamente do objetivo ou justificativa para existência da norma e especi- fica neste caso, os requisitos para um sistema de gestão ambiental que a organização pode usar para aumentar seu desempenho ambiental. É destinada ao uso por uma organização que busca gerenciar suas responsabilidades ambientais de uma forma sistemática e que contribua para o pilar ambiental da sustentabilidade. A norma auxilia a organização a alcançar os resultados de seu sistema de gestão ambiental de forma a agregar valor ao meio ambiente, a organização e as partes interessadas. Os resultados pretendidos de um sistema de gestão ambiental incluem: — aumento do desempenho ambiental; — atendimento dos requisitos legais e outros requisitos; — alcance dos objetivos ambientais. 15.3.2. Referências normativas - Não são aplicáveis a esta norma 15.3.3. Termos e definições – Define os termos e a “linguagem” normalmente utilizados no âm- bito dos sistemas de gestão ambiental como por exemplo: - Ciclo de vida - estágios consecutivos e encadeados de um sistema de produto (ou serviço), desde a aquisição da matéria-prima ou de sua geração, a partir de recursos naturais até a disposição final; Notas de Aula – Educação Ambiental 31 - Riscos e oportunidades - efeitos potenciais adversos (ameaças) e efeitos potenciais benéficos (oportunidades) 15.3.4. Requisitos para certificação. “Obs.: os textos entre aspas são definidos pela norma ABNT NBR ISO 14001: 2015” “4.1 Entendendo a organização e seu contexto - A organização deve determinar questões externas e internas que sejam pertinentes para o seu propósito e que afetem sua capacidade de alcançar os re- sultados pretendidos do seu sistema de gestão ambiental. Essas questões devem incluir as condições ambientais que afetam ou são capazes de afetar a organização”. Este requisito requer que a organização identifique as questões ambientais tanto internas quanto ex- ternas que de alguma forma possam “interferir” na capacidade da organização alcançar ou manter os resultados do seu SGA. Trata-se aqui de questões pertinentes ao SGA. “4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas - A organização deve deter- minar: a) as partes interessadas que sejam pertinentes para o sistema de gestão ambiental; b) as necessidades e expectativas pertinentes (ou seja, requisitos) dessas partes interessadas; c) quais dessas necessidades e expectativas se tornam seus requisitos legais e outros requisitos”. Partes interessadas refere-se a pessoas, organizações, clientes, consumidores diretos ou indiretos, a própria sociedade e entidades governamentais que possam influenciar ou serem influenciadas pelas ações da organização no que diz respeito as questões ambientais. Estas partes interessadas podem ter requisitos e expectativas referentes ao SGA e aos produtos pro- duzidos pela organização, incluindo requisitos que de forma direta ou não estejam associados a le- gislação. “4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental A organização deve determinar os limites e a aplicabilidade do sistema de gestão ambiental para es- tabelecer o seu escopo. Ao determinar esse escopo, a organização deve considerar: a) as questões externas e internas referidas em 4.1; b) os requisitos legais e outros requisitos referidos em 4.2; c) suas unidades organizacionais, funções e limites físicos; d) suas atividades, produtos e serviços; e) sua autoridade e capacidade de exercer controle e influência. Uma vez definido o escopo, todas as atividades, produtos e serviços da organização dentro desse escopo