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Exame Obstétrico Importância ● Saber atuar de diferentes formas com a mãe. ● Saber se é necessário uma intervenção e qual a intervenção mais certeira para o caso → a decisão será tomada de acordo com o exame obstétrico → saber filtrar e agir da melhor forma! ● É importante ter conhecimento de: ○ Anatomia ○ Fisiologia ○ Gestação ○ Parto ○ Puerpério Sequência do Exame Obstétrico 1. Tratamento 2. Exame pós-parto 1. Identificação: ● Nome ou N° ● Espécie ● Raça → existem raças mais sujeitas à distocia (ex: braquicefálica) ● Idade → mães que podem estar mais preparadas ou mães que têm um cansaço ● Peso → excesso de gordura pode afetar a saída / muito magras podem ter falha nutricional ou fragilidade óssea devido à condição nutricional ● Pelagem → reflete a saúde do animal → distúrbios endócrinos ● Procedência → Qual o manejo do animal? → principalmente vacas e cadelas 2. Anamnese: ● Queixa principal → O que está acontecendo? ● Histórico do animal → 1° prenhez? → Já apresentou algum problema que possa ter relação com o problema atual? ● Partos anteriores ● Tratamento → Se já foi feito ou se está fazendo → (ex: corticóide? Carrapaticida?) → saber se foram utilizados medicamentos impróprios para a fêmea gestante ● Manejo → alimentar e sanitário → Mudança na dieta?/ vacinas e vermífugos? ● Vacinação → Principais causas de abortamento são infecciosas e a maioria delas são evitadas com vacinas que não pode-se deixar de recomendar para uma fêmea de reprodução ○ Brucelose/ Herpesvírus/ Toxoplasmose/ IBR/ BVD/ Leptospirose/ Campilobacteriose/ Neosporose ○ Não vacinar durante a gestação → caso a fêmea não seja vacinada, deve-se vacina-la junto dos filhotes ○ Fêmeas que já são vacinadas regularmente, recomenda-se que no mínimo 1 mês antes do parto, elas sejam submetidas a um reforço da vacina reprodutiva (que contenha antígenos para doenças reprodutivas) ● Vermifugação → juntamente do reforço vacinal deve-se realizar o reforço de vermifugação → quando os neonatos nascerem terão contato com sujidades (fezes da mãe, boca da mãe) e consegue-se diminuir ao máximo a carga parasitária da mãe com esse reforço → diminui a chance do recém nascido desenvolver um quadro verminótico ○ Utilizar ivermectina ou doramectina puras ○ Não recomenda-se a utilização de vermífugos que contenham em sua composição organofosforados → ex: Corperiflox/ Cipermetrina/ Neguvon → aborta! ○ Evitar benzimidazóis → comprovado na medicina humana → causam teratogenia (malformação fetal) em bebês 3. Exame físico geral: → o conjunto desses resultados indicam a saúde da fêmea ● Estado geral ○ Comportamento → alerta/ apatia/ depressão/ estupor/ coma ○ Atitude → estação ou decúbito ● Estado nutricional ● Pelos e pele → aspecto de vitalidade → áreas de alopecia?/ pelo opaco?/ presença de ectoparasitas? ● Exame físico (dispneia e taquicardia) ○ Mucosas ocular e oral ○ FC e FR → não confiar muito no final da prenhez e no momento do parto → Normal ↑FC e ↑FR no final da gestação ○ Motilidade → grandes animais ○ T° retal 4. Exame obstétrico específico → Externo Inspeção + Palpação ● Estruturas: → palpar todas elas ○ Abdômen ■ Não quer: muito distendido/ muito caído/ muito fino ■ Essas alterações abdominais podem refletir um problema ○ Pelve → deve ter capacidade de permitir o evento do parto ■ Local por onde o neonato vai passar ■ Se a pelve não tiver capacidade de permitir a passagem do feto, ele vai ficar obstruído no canal ou ela vai ter muita dor e pode não conseguir desencadear o parto corretamente ■ Pelve fraturada → se mostra muitas vezes com assimetrias quando vistas de costas (áreas de assimetria pélvica) ■ Raças braquicefálicas possuem naturalmente alterações pélvicas → pelve achatada + filhotes cabeçudos → são mais predispostas à distocias ○ Vulva ■ Deve ter uma dilatação e lubrificação adequada ■ No momento do parto deve haver um relaxamento de vulva com secreção (lubrificação) ■ Secreção em vulva sinaliza o parto → fora do momento do parto não é normal ■ Deve-se examinar as secreções ○ Gl. mamária ■ Desenvolvimento adequado para o momento da gestação ■ Caso esteja perto do momento do parto e a glândula não tenha se distendido, pode ser necessária uma suplementação para desencadear o mecanismo de desenvolvimento mamário e lactação ● Exemplos de problemas: ○ Ruptura de ligamento largo do útero → abdômen muito abaulado em formato de pêra → fator predisponente à distocias → utilizar cintas/ligas para segurar o abdômen 5. Exame obstétrico específico → Interno ❖ Estruturas: ➢ Vias fetais = canal do parto → Via óssea (ílio/ ísquio/ púbis) e Via mole (cérvix/ útero/ vagina/ vulva) ■ Dilatação → avaliar somente em quem estiver no momento do parto (Reflexo de Ferguson) → Manipulação (dedos ou mão → dependendo da espécie) → abertura cervical → Inspeção + Palpação ■ Lubrificação → vista no mesmo momento da manipulação do canal vaginal → corpo uterino → Inspeção + Palpação ■ Inspeção + Palpação ou espectro vaginal ➢ Membranas fetais ■ Ultrassom → avaliação interna ● Presença da porção coriônica aderida à parede do útero ● Membrana amniótica flutuando ● Líquido amniótico → + brilhante → + interno ● Líquido alantoideano → + escuro → + externo ● Doppler → avalia o fluxo sanguíneo ● Equinos → medida de JUP (junção útero placentária)→ avalia a saúde placentária ■ Quando já foram expulsar avaliar a placenta → coletar materiais para cito/histopatológico ■ Avaliar: Integridade/ Líquidos/ Áreas anormais/ Cor/ Secreções/ Âmnion/ Cordão/ Tamanho/ Conformação (Ruminantes - U/ Equídeos - F/ Caninos e felinos - I) ➢ Condições fetais ■ Estática fetal → avaliar apenas durante o trabalho de parto ● Cadelas e gatas → raio-x → avaliar somente quando há a necessidade de avaliação ● No momento do parto → mãos, dedos ou braço (dependendo da espécie) ■ Viabilidade fetal ● Vivo ou morto? ● Avaliada durante o parto ou durante a gestação ● Avaliação ◆ Movimentação espontânea → ficar com a mão sobre a estrutura e esperar ele se movimentar espontaneamente ◆ Movimentação provocada → consiste em cutucar/apalpar o feto de alguma maneira (cadelas e gatas → pelo abdômen/ éguas e vacas → pelo reto) ◆ Reflexo podal → puxar a pata e ver se ele puxa de volta → somente em fetos que se mostrem inviáveis ◆ Compressão digital do globo ocular → se tiver acesso à cabeça → pressionar a região de globo ocular e ver se ele recuar a cabeça→ somente em fetos que se mostrem inviáveis ◆ Reflexo ocular → somente em fetos que se mostrem inviáveis ◆ Pulso de cordão → parar a mão sobre ele e tentar sentir alguma área linear de cordão umbilical ◆ Reflexo de sucção → não é recomendado ◆ Reflexo anal → pinçar o ânus → promove o fechamento do ânus ◆ Auscultação abdominal → não é muito eficaz na prática ◆ US → se ainda estiver gestante → ao mesmo tempo consegue avaliar os batimentos cardíacos ■ Malformações ■ Tamanho fetal → mesma abordagem terapêutica nos dois = cesariana ● Relativo: ◆ A mãe é anormal para o feto → não tem proporções pélvicas adequadas para ele → má conformação pélvica → anomalias pélvicas ◆ Ex: Estenoses de canal/ Cruzamento de raças de tamanhos diferentes → Braquicefálicos ● Absoluto: ◆ Feto anormal para a mãe ◆ O feto é muito grande para a mãe ◆ Ex: cruzamentos entre raças de proporções e tamanhos diferentes → Jersey X touro holandes / ponei X PSI ◆ Os fetos são absolutamente grandes para a mãe ● Pelvimetria → se encaixa em um exame obstétrico prévio a gestação das matrizes ◆ Estudo de medidas pélvicas que mostram a predisposição da mãe a ter problemas durante o parto ◆ Não é muito implementado na rotina, mas o papel do veterinário é conscientizar o tutor ◆ Mais realizado em pequenos animais ◆ Pequenos animais: Raio-X → posição ventro-dorsal (principal) ou latero-lateral → calculator medidas e de acordo com o índice será visualizado apredisposição ◆ Grandes animais: Pelvímetro de RICE → equipamento inserido via retal que mostra algumas medidas que têm relação com essa predisposição a problemas ou não de parto ◆ Calcular todas as áreas → e depois fazer o que????????? 1. Diâmetro biilíaco superior → horizontal 2. Diâmetro biilíaco médio → horizontal 3. Diâmetro biilíaco inferior → horizontal 5. Diâmetro sacro-púbico → vertical 6. Diâmetro biilíaco diagonal direito → diagonal 7. Diâmetro biilíaco diagonal esquerdo → diagonal - Biilíacos → de um ílio para o outro - Sacro-púbico → do sacro para o púbis ➢ Exames complementares → hemograma e bioquímicos 6. Diagnóstico ❖ Prever se o diagnóstico é de um problema favorável ou desfavorável para a mãe e para o filhote. ❖ Pensar nos diagnósticos diferenciais e na chance de sobrevivência da mãe e dos filhotes, ou só no da mãe ou só no do filhote. ❖ O diagnóstico depende do exame obstétrico: ➢ Estado geral da mãe ➢ Condições das vias fetais ➢ Saúde dos anexos ➢ Dimensões ➢ Viabilidade dos fetos ➢ Estática do feto ❖ O diagnóstico pode ser de: ➢ Eutocia ➢ Distocia → deve-se anotar quais são as distocias. ➢ Perda gestacional → abortamento 7. Prognóstico ❖ O que determina o prognóstico → se é favorável ou desfavorável ❖ Fetos enfisematosos → em estado de decomposição → prognóstico de mau a pior para o feto, mas pode ser favorável ou desfavorável para a mãe (se ela estiver em toxemia será desfavorável) ❖ Toxemia ❖ Partos prolongados ❖ Lacerações graves ➢ Sobrevivência do produto? ➢ Sobrevivência da parturiente? ➢ Continuará fértil futuramente? 8. Tratamento ❖ O exame obstétrico define o tratamento ❖ O tempo conta muito na decisão do tratamento → cirúrgico ou conservativo ❖ Grandes animais → conservativo ↑ realizado ❖ Pequenos animais → cirúrgico ❖ Eutanásia → principalmente em animais de produção ➢ Ecbólicos ➢ Tocolíticos ➢ Episiotomia ➢ Tração forçada ➢ Correção da distocia ➢ Fetotomia ➢ Cesareana ➢ Histerotomia → incisão na cérvix ➢ Eutanásia 9. Exame pós-parto ❖ Fêmeas que passaram pelo processo de parição ❖ Presença de outros fetos → US (retal ou abdominal) / Palpação retal em grandes animais ❖ Lacerações ❖ Eliminação dos anexos ❖ Metrorragias → sangramentos ativos Exame Obstétrico