Prévia do material em texto
ENSINO JURÍDICO NO ÂMBITO ESCOLAR: A IMPORTÂNCIA DA CRIAÇÃO DE CONHECIMENTOS LEGAIS POR MEIO DAS MÍDIAS DIGITAIS Ana Luiza Leite1 João Batista Costa2 Resumo O presente artigo discute a necessidade de inserir noções básicas de Direito no currículo do ensino médio como ferramenta essencial para a formação cidadã, propondo as mídias digitais como meio eficaz para superar barreiras pedagógicas. Partindo da alienação jurídica da população brasileira — agravada pela ausência de disciplinas jurídicas na educação básica. A pesquisa, realizada como ensaio teórico, argumenta que um ensino jurídico tradicional e excessivamente teórico desestimula os jovens, enquanto as mídias digitais (como jogos educativos, vídeos e plataformas interativas) podem tornar o aprendizado mais acessível e engajador. O estudo aborda a fundamentação legal da proposta, que vinculam a educação ao exercício da cidadania e evidenciam benefícios práticos. Contrapõe-se, porém, aos riscos do uso excessivo de tecnologias, defendendo um equilíbrio entre inovação e criticidade. Conclui-se que a educação jurídica mediada por tecnologias é um passo urgente para reduzir desigualdades e formar cidadãos conscientes, alinhando-se a objetivos como o ODS 4 da ONU. Como proposta de internveção, os autores sugerem um projeto de lei para implementar este ensino em Araranguá/SC, com uso de mídias digitais e parcerias institucionais. Palavras-chave: Ensino Jurídico; Mídias Digitais; Cidadania; Educação Básica; Metodologias Inovadoras. 1 Doutora em Administração pela ESAG/UDESC, onde também concluiu seu Mestrado Profissional com foco em gestão de pessoas e práticas flexíveis de trabalho. Foi Pesquisadora Visitante na Universidade de Carleton por seis meses. Especialista em Docência para Educação Profissional e Tecnológica (IFRJ). É graduada em Administração (ESAG/UDESC) e Ciências Contábeis (UFSC). É docente no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Ana.luiza@ifsc.edu.br. 2 Bacharel em Ciências Juridicas pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Acadêmico do curso de especialização em midias digitais para educação do Instituto Federal de Santa Catarina. Jota.be201@gmail.com. 1. INTRODUÇÃO A alienação jurídica da população brasileira, evidenciada pela falta de acesso a noções básicas de Direito no ensino médio, constitui um desafio urgente para a construção de uma sociedade democrática e consciente. Dados do World Justice Project (2015) revelam que menos de 40% da população global conhece leis fundamentais, cenário agravado no Brasil pela ausência de disciplinas jurídicas na grade curricular. Este estudo parte dessa lacuna para investigar como as mídias digitais podem transformar o ensino jurídico em uma ferramenta acessível e engajadora, dado que o jovem médio é, por vezes, parcialmente iletrado, capacitando jovens para o exercício pleno da cidadania. Confirma Oliveira (2016): A situação educacional e social do Brasil é preocupante. Percebe-se total alienação dos brasileiros quando se trata de assuntos como Cidadania, Política, Direito e Economia. A estrutura da educação brasileira apresenta algumas falhas. A maior delas é a inexistência nas grades curriculares de ensino a apreciação de disciplinas básicas do Direito Constitucional Brasileiro. Inseri-las na educação de crianças e jovens é o passo primordial para a construção da cidadania. É nessa idade que se forma a personalidade. Logo, os conceitos que ali forem inseridos refletirão em toda sua existência. (OLIVEIRA, 2016). Neste sentido, Ramos e Alencar (2017) citam acerca da dificuldade na compreensão das noções básicas da estruturação da ordem social vigente, afirmando que a maioria dos cidadãos brasileiros não conhecem a estrutura formal do Estado. Além, importa destacar que muitos são os fatores que contribuem para este cenário, que não é novo. Parte disso, segundo as autoras, se dá em função de estatística relevante na taxa de analfabetismo brasileiro, de cerca de 8,7% população à época do estudo, e que segundo o IBGE (2024), em data mais recente, é de cerca de 5,4% da população: número menor, mas igualmente preocupante. Esta população não tem conhecimento sobre o assunto, não só dado a relativa complexidade, como também está exclusa da possibilidade de subverter essa desvantagem se utilizando de ferramentas como a internet, que, por extensão, não sabem usar com plenitude. Nesse sentido, um ensino jurídico excessivamente teórico e distante da prática pode gerar um distanciamento entre o aluno e a realidade social, dificultando a compreensão e a aplicação dos conceitos jurídicos no cotidiano. Em sua obra, Wolkmer (2001) assinala que a necessidade de uma formação jurídica precisa considerar as diversas manifestações do fenômeno jurídico nas diferentes ordens e subgrupos sociais, evitando uma visão restrita e formalista do direito. Ainda, por ser uma matéria de aplicação a todo um grupo, uniformiza conhecimento que, antes, dependia exclusivamente do aluno em conseguir por meios próprios, além de filtrar o conhecimento “correto” do “incorreto”, o que pode ser difícil para um adolescente (faixa de idade média de um secundarista, público- alvo do estudo). A falta de capacitação jurídica do brasileiro médio – ainda que haja a popularização de conhecimentos jurídicos pela internet e IAs (Inteligências Artificiais), existem, na mesma proporção, a disseminação de conhecimentos falsos, que não refletem com a realidade, sendo engajados por pessoas sem capacitação técnica e pedagógica para isso. Por último, um outro fator que pode ser relevante para tal desconhecimento base é que, como ensina Nader (2017), o “Direito visa atender às necessidades sociais de ordem, paz, segurança e justiça, sendo instrumento para a garantia do equilíbrio e da harmonia social” (Nader, 2017, p. 20). Nesse panorama, a missão do Direito, da ordem jurídica, é proporcionar bem-estar social. É, portanto, tema muito externo e abstrato para atrair a juventude, soando desinteressante, além de pouco útil (CARVALHO et al., 2023). Neste cenário, a educação e inovadoras práticas pedagógicas entram como fundamentais para transformar a concepção do aluno sobre um assunto que, antes desinteressante, passe a ser lúdico ao estudante e, por vezes, alegre. Assim, tais fatores podem ser apresentados através do que Carneiro e Silveira chamam de “objetos de aprendizagem”, materializados quase sempre através de mídias digitais, trazendo uma roupagem mais divertida, alegre e pouco maçante, tendo como foco funcionar como um elemento facilitador do processo de ensino e de aprendizado (CARNEIRO; SILVEIRA, 2014). Considerando que as dificuldades inerentes do tema são minoradas pela eficaz capacidade que tem a educação em envolver e ensinar de forma lúdica e eficaz, este artigo objetiva verificar como mídias digitais podem ser utilizadas como ferramentas pedagógicas para promover a difusão do conhecimento jurídico. A metodologia aplicada será em formato de ensaio teórico, visto que, por ter caráter mais contemplativo pela própria natureza, no ensaio a orientação é dada pelas perguntas que orientam os sujeitos para as reflexões mais profundas em busca da compreensão da realidade (MENEGHETTI, 2011), encaixando-se assim melhor ao objeto de estudo. 2. Da importância do ensino de noções introdutórias de direito e legislação na base curricular do ensino médio Inicialmente, cabe destacar que o conceito de educação especificamente voltada para cidadania – noção comumente ligada com o conhecimento de direitos básicos – está previsto tanto constitucionalmente (art. 206 e 208 da Constituição Federal), quanto em leis infraconstitucionais, como nos artigos 2º e 22º da Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes Básicas da Educação, que, de forma similar à Constituição, dispõe:Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 22º. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (BRASIL,1996, art. 2º e 22º) André Martinez (2013), inclusive, corrobora com esta ideia, vez que crê que a inclusão de conceitos essenciais sobre cidadania no currículo do ensino médio pode ser realizada sem comprometer a qualidade do ensino. Ao contrário, aliás, o estudante teria acesso a um conhecimento jurídico que, no mínimo, contribuiria para sua formação como um cidadão mais consciente e preparado para os desafios da vida em sociedade. Perceba que o legislador, ao dar determinado status a educação voltada para cidadania, faz, também, uma escolha política ao determinar aquilo que é importante de ser transmitido desde a tenra idade, transformando, então, a ideia de educação jurídica nos moldes deste artigo em mais do que mera especulação doutrinária, senão sentido teleológico respaldado prévia e palpavelmente pela legislação pátria. Tal noção, defendem Assis e Curi (2012), precisa ser expandida muito além do básico (que como discorrido, já não se alcança), mas em níveis mais profundos, de forma que meras capacitações esporádicas (como palestras avulsas) não fossem suficientes para suprir a demanda. Citam: O Ensino Médio ocupa um lugar privilegiado na formação educacional brasileira, entre o fundamental e o superior. É preciso sempre lembrar que a maioria dos cidadãos não tem acesso ao ensino superior no Brasil. Em tese, o ensino médio tem que prepará-los adequadamente para o exercício da cidadania, que, diga-se da passagem, é muito mais do que saber noções básicas de Direito e conhecer minimamente a estrutura e funcionamento do judiciário brasileiro (ASSIS; CURI, 2012, p. 28). Mas, se a importância do desenvolvimento destes conhecimentos é ponto pacífico, ainda se discorre de como, na prática, isto afeta positivamente a vida dos cidadãos. Para trazer luz ao caso, Martinez (2013, p. 2) aponta que: Noções, ainda que basilares, de direito do consumidor, civil, penal e tributário, por exemplo, fariam com que o brasileiro “médio” tivesse muito mais cuidado e certeza na tomada diária de decisões. Saberia, ainda que de maneira às vezes superficial, se defender melhor contra atos ilegais (aos quais é exposto quase que diariamente, infelizmente). Como exemplos, podemos citar não apenas o direito Constitucional, “pai” dos demais direitos, mas também o direito consumerista. Ilicitude infelizmente muito comum por parte dos estabelecimentos comerciais, por exemplo, é a não precificação dos produtos em gôndolas e prateleiras (infração do artigo 6º, inciso III do Código de Defesa do Consumidor). Segundo Menezes (2024), simples denúncia ao órgão competente (no caso do exemplo, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) poderia fazer com que o estabelecimento fosse autuado e modificasse este item para que entrasse em conformidade com a lei, mas a maioria nem sabe que este comportamento é uma infração3. Também, com o fito de afastar estes da vitimização de crimes, esta inserção curricular também desenvolve jovens mais bem preparados para lidar com casos de violência doméstica e contra a mulher, trabalho infantil e outros crimes onde as mesmas são, comumente, vítimas, afastando “fantasmas” que ainda assombram crianças e adolescentes – grupo naturalmente denominado “hiper-vulnerável” pela sua própria natureza. No caso das múltiplas violências domésticas, em mais um exemplo, a ignorância que a criança ou adolescente tem sobre os próprios direitos é fruto de um planejamento familiar, visto que estes membros, muitas vezes agressores, se valem desta ignorância como arma para impunidade de seus atos malévolos. Segundo o Ministério da Educação (2008, p. 50): Todas as pesquisas, nacionais e internacionais, indicam que os familiares são os maiores autores de violências contra crianças e adolescentes. São frequentes a violência física e psicológica praticada pelas mães e a violência sexual praticada pelos pais. Em seguida, nas estatísticas, aparece a violência praticada por 3 Segundo o autor, o que leva a prática deste comportamento é, em alguns casos, a omissão do preço pode ser uma estratégia para atrair o consumidor ao caixa, na esperança de que ele compre o produto mesmo sem saber o valor exato. Também, a omissão de preços elevados. conhecidos. Desconhecidos raramente são autores de violência. Neste cenário, não há outro ambiente formal e uniforme a todos senão o ambiente escolar para salvaguardar estas das violências as quais são vitimadas, inclusive com a informação de como identificar tais violências e como denunciar. Nesse sentido, uma disciplina focada no ensino médio sobre tal direito confere autonomia ao cidadão. Mesmo não sendo um operador do direito, como um advogado, o indivíduo pode, de forma paralegal, identificar seus direitos violados. Além disso, essa disciplina o capacita a saber como reagir a essas violações. Consequentemente, ele pode buscar os mecanismos legais de defesa. Essa busca vai além da simples procura por um defensor legal. O cidadão pode assumir o protagonismo na busca por providências nas instâncias administrativas do governo. Ele também pode atuar em pequenas causas que tramitam no Juizado Especial Cível (JEC)4. Importante destacar que, segundo relatório feito pela Fundação Getúlio Vargas (2025), para o ano de 2025, os brasileiros desejam mais “saúde, qualidade de vida e cultura”, fatores que podem ser melhor conquistados através da legislação presente que, na grande maioria das vezes, dá vazão a cada um destes desejos por garantias constitucionais. Aquém, também podemos nos atentar a formação de base sólida quanto aos deveres de cada um, podendo dar ênfase aos citados no contexto do Estatuto da Criança e do Adolescente, dentre eles, o de respeitar os pais e responsáveis, preservar o patrimônio público (no caso de escolas públicas), frequentar a escola e afins, com potencial para criar assim um ambiente próprio e mais civilizado para a melhoria de outros aprendizados escolares tradicionais. Carvalho et al. (2018) destacam que o conhecimento da Constituição Federal é essencial para o exercício da cidadania e que ações educativas nesse sentido podem democratizar o acesso à informação e fomentar a cidadania participativa. Já dentro de uma ótica mais punitivista e menos protecionista das normas, também importa destacar que, segundo art. 3º da Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro (LINDB), “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (BRASIL, 2025), ou seja, o desconhecimento das leis não é barreira para 4 No JEC, em causas de valor inferior a 20 salários-mínimos, a presença de um advogado é facultativa, permitindo que o próprio interessado faça sua defesa. a penalização pelo ato de cometer alguma infração a estas. Assim, não apenas o cidadão fica ciente de seus direitos, como os já citados, mas também de seus deveres, que deve cumprir para se manter longe de problemas judiciais. Por fim, em que pese demonstrado a importância do ensino jurídico e seu papel transformador da vida do cidadão, ainda existem impasses a serem resolvidos como a dificuldade de absorção de conhecimento. Neste cenário, as mídias surgem como um alento para o fluxo de ensino-aprendizagem, como se destaca a seguir. 3. Do papel das mídias digitais no processo de ensino-aprendizagem O processo dedesenvolvimento de técnicas eficazes para a transmissão do pensamento e do conhecimento precisa ser observado como fruto de um apinhado histórico. Desde a tradicional contação de histórias em roda (transmissão oral), até os atuais games educativos (gamificação do conhecimento), todos passaram por um sistema de erros e acertos até desenvolverem métodos mais modernos. Sobre tal desenvolvimento, Demo (2020) cita que desde os primórdios da humanidade, o processo de aprendizagem tem sido um desafio central para o desenvolvimento das sociedades. Das primeiras técnicas de transmissão oral às metodologias modernas baseadas em tecnologia, a busca por métodos eficazes de ensino e aprendizagem reflete a constante evolução das necessidades humanas e das ferramentas disponíveis. Neste panorama, após séculos de evolução das tecnologias para aprendizado, chegamos na era contemporânea, onde percebemos uma expansão das mídias e mudança na perspectiva do usuário: a internet e as mídias deixaram de ser um lugar para o qual se vai, para, sim, um estado onde se vive. Neste sentido, explanam Brynjolfsson e Mcafee: O avanço tecnológico acelerado, especialmente após os anos 80, tem redefinido radicalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. A combinação de computação em nuvem, big data e inteligência artificial está criando oportunidades sem precedentes, mas também desafios significativos, como a reestruturação do mercado de trabalho e a necessidade de novas habilidades para acompanhar a inovação. (BRYNJOLFSSON; McAFEE, 2016, p. 45). Desta feita, impossível perceber que a tecnologia e sua presença cotidiana e transformadora iria mudar, também, a forma como a educação é percebida e aplicada dentro dos ambientes escolares. Para Oliveira e Cunha (2017) as crianças se relacionam com a cultura no meio em que estão inseridas e com terceiros onde as novas tecnologias e a cultura de mídia são presenças constantes em suas novas maneiras de ser. Prensky (2012) defende que as mídias digitais, especialmente os jogos educativos, são ferramentas poderosas para engajar os estudantes e promover uma aprendizagem mais eficaz e significativa, adaptando-se às necessidades da geração atual. Em mesmo sentido, Moran (2013) argumenta que as mídias digitais são fundamentais para transformar a educação, permitindo a criação de ambientes de aprendizagem mais interativos, colaborativos e personalizados, que atendem às demandas da sociedade contemporânea. Em consonância, Santos (2015) defende que as mídias digitais são fundamentais para a educação online, promovendo a cibercultura e a pesquisa- formação como práticas essenciais para a formação docente. Ela argumenta que as tecnologias digitais permitem a criação de espaços colaborativos e interativos, que enriquecem o processo de ensino e aprendizagem. Comparativamente, em estudo de campo, Chagas, Araújo, Alencar e Nunes Filho (2020), indicam que as mídias têm um papel significativo nas aulas [...] no ensino médio, influenciando tanto a motivação dos alunos quanto a metodologia de ensino utilizada pelos professores. Entretanto, é importante destacar que a posição de que as mídias desempenham papel formativo necessário, em que pese majoritária, não é una, visto que apoiar tal visão seria desconsiderar pensamentos distintos que existem. Postman (2005), por exemplo, alerta para os riscos do uso excessivo de mídias na educação, argumentando que a exposição precoce e desregulada a tecnologias pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e social de adolescentes, além de comprometer a formação de pensamento crítico e reflexivo. Aquém da área da educação, importante destacar que importantes teóricos médicos alertam sobre os riscos a saúde do uso excessivo de telas. Neste fito, Twenge e Campbell (2019) destacam que o uso excessivo de múltiplas telas por crianças e adolescentes está associado a problemas de saúde mental, como aumento da ansiedade, depressão e dificuldades de atenção, além de impactar negativamente a qualidade do sono e o desempenho acadêmico. Assim, o uso de mídias deve ser misto e crítico, de forma a evitar os problemas supracitados e ainda, evitar que as mídias “zumbifiquem” o estudante, ou seja, tornem estes seres influenciáveis reféns daquilo que veem em tela. Conforme afirma Kenski (2008, p. 47): O uso das tecnologias na educação deve estar fundamentado em estratégias didáticas que promovam a aprendizagem significativa, evitando a simples reprodução de conteúdo sem reflexão crítica por parte dos alunos. Importante mencionar que o uso de mídias tem, por vezes, sido o subversor da dificuldade de matérias tidas difíceis, de complexa absorção. Se antigamente tínhamos os exemplos, lousa, e até mesmo cantos para passar esses ensinamentos mais enfadonhos e ditos difíceis dentro especialmente das ciências jurídicas, atualmente o vídeo, música, podcasts, e até mesmo a gamificação podem este processo tido como árduo e despertar novos interesses, até então adormecidos. Gee (2003) corrobora com esta ideia quando argumenta que as mídias digitais, especialmente os jogos educativos, podem transformar o aprendizado de matérias consideradas enfadonhas em experiências envolventes e significativas. Ele destaca que a interatividade, a narrativa e os desafios propostos pelos jogos digitais estimulam o engajamento e a motivação dos alunos, tornando o processo de aprendizagem mais dinâmico e eficaz. No Brasil, o panorama pode soar alarmante quanto esta aplicação nos dias de hoje. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2020), 70% das escolas públicas brasileiras já utilizam alguma forma de tecnologia digital em suas práticas pedagógicas, seja por meio de computadores, tablets ou plataformas online. Em mesmo sentido, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (2021), apontou que 83% dos professores utilizam recursos digitais em suas aulas, com destaque para vídeos, aplicativos educativos e plataformas de ensino a distância. Em que pese isso soe como um número grande inicialmente, preocupa a não uniformização do uso de mídias, que muitas vezes parte da boa vontade de um docente, do que de uma orientação escolar geral, muitos destes, enfrentando resistências institucionais quanto a implantação destas. Sobre dificuldades de implementação por estes docentes, Kaminski et al. (2018) afirmam que enquanto a implementação da gamificação enfrenta obstáculos como a resistência institucional, a limitação de recursos e a necessidade de alinhamento curricular, o potencial para transformar o ensino e a aprendizagem é inegável. Por fim, a utilização de mídias demanda também a necessidade de construção de espaços virtuais que sejam facilitadores da aprendizagem, bem como democráticos, de fácil acesso para qualquer estudante que tenha uma conexão à internet e um mero aparelho celular em mãos. Conforme contextualiza Spinardi (2024) “um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) precisa ser projetado de forma a proporcionar uma boa usabilidade a seus usuários e que o designer deve ter em mente os cinco princípios do design de interação, ao projetar um AVA ou um curso dentro dele". 4. Proposta de intervenção Conforme o proposto neste trabalho, a inserção da matéria juridica se faz uma realidade necessária no contexto educacional. Neste sentido, vislumbra-se que uma legislação própria, mesmo que local, poderia ser uma experiência que traria um appel mais prático ao que se vislumbra na teoria, trazendo comprovação fática da transformação social que tal mudança implantaria no sistema de ensino. Assim, respeitando este projeto legislativo, propõe-se projeto de lei (em apêndice) com o fito de implantar tal mudança. Por tal, instrumentaliza-se a lei como uma forma de trazer a realidade a ideia teórica já consolidada. Sobre esta materialização via lei,em seu site oficial, a Assembleia Legislativa de Goias (2022) nos informa que: “A existência das leis, no sentido jurídico da palavra, se justifica pela necessidade da criação de regras para manter a ordem e convivência harmônicas na sociedade. Considerada como primeiro instrumento do Estado Democrático de Direito, a lei sustenta os pilares e orienta os caminhos da democracia, importância lembrada na data” Assim, mais do que uma mera formalidade legislativa, a proposta configura- se como um instrumento de transformação social concreta. Ao articular o potencial democratizante do direito com as possibilidades pedagógicas das mídias digitais, ela materializa o princípio constitucional da educação cidadã e responde a uma demanda urgente da sociedade brasileira. 5. CONCLUSÃO Ao longo deste ensaio teórico, exploramos a importância do ensino jurídico no âmbito escolar, destacando a necessidade de inserir noções básicas de direito e legislação na grade curricular do ensino médio como ferramenta essencial para a formação de cidadãos conscientes e participativos. A análise evidenciou que a ausência de uma educação jurídica formal contribui para a alienação dos indivíduos em relação aos seus direitos e deveres, perpetuando um ciclo de desconhecimento que impacta negativamente a sociedade como um todo. A legislação brasileira, tanto em nível constitucional quanto infraconstitucional, já prevê a educação para a cidadania como um dos pilares fundamentais da formação básica. No entanto, a prática ainda está distante do ideal, exigindo uma revisão urgente das metodologias de ensino e a incorporação de ferramentas pedagógicas inovadoras. As mídias digitais emergem como um recurso poderoso para superar as barreiras tradicionais do ensino jurídico, oferecendo meios mais dinâmicos, interativos e acessíveis para a transmissão do conhecimento. A gamificação, os vídeos educativos, os podcasts e os ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) são exemplos de como a tecnologia pode transformar o aprendizado de matérias consideradas complexas ou enfadonhas em experiências envolventes e significativas. Neste cenário, a gamificação como modelo de facilitação no processo de ensino-aprendizagem pode – e aqui defende-se explicitamente esta ideia – transformar o momento de aprendizagem em algo “não-doloroso”, visto que, conforme aponta Freire (2015, p. 168) “por ser o ato de brincar mais prazeroso para o aluno do que o estudo no modelo tradicional, sugere-se adaptá- lo por meio dos games como recurso pedagógico eficiente e motivador”. No entanto, é crucial adotar uma abordagem crítica e equilibrada no uso dessas ferramentas, evitando os riscos associados ao uso excessivo de telas e à exposição desregulada a conteúdos digitais. A mediação pedagógica e a reflexão crítica devem ser pilares centrais nesse processo, garantindo que as mídias sejam utilizadas como facilitadoras do aprendizado, e não como substitutas do pensamento autônomo e crítico. A implementação de uma disciplina de noções jurídicas no ensino médio, aliada ao uso estratégico das mídias digitais através – mais especificamente – de estratégias de gamificação, pode representar um avanço significativo na formação de jovens mais conscientes de seus direitos e deveres, capazes de identificar e combater violações, e preparados para exercer uma cidadania ativa e participativa. Além disso, essa iniciativa pode contribuir para a redução de desigualdades sociais, democratizando o acesso ao conhecimento jurídico e empoderando indivíduos que, de outra forma, estariam à margem do sistema. Por fim, é imperativo que educadores, legisladores e gestores públicos reconheçam a urgência dessa transformação e trabalhem em conjunto para integrar o ensino jurídico às práticas pedagógicas contemporâneas, num esforço pedagógico conjunto entre poder legislativo e entidades de representação da educação, para inclusão da matéria jurídica como matéria optativa integrante do PNE (Plano Nacional da Educação). A educação é, sem dúvida, o principal instrumento de transformação social, e a inclusão do direito na formação básica dos cidadãos é um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa, informada e consciente. Como bem destacado por Paulo Freire (1996, p. 67), "a educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo". Nesse sentido, o ensino jurídico mediado pelas mídias digitais não é apenas uma proposta acadêmica, mas uma necessidade urgente para a construção de um futuro mais democrático e equitativo. LEGAL EDUCATION IN SCHOOLS: THE IMPORTANCE OF BUILDING LEGAL KNOWLEDGE THROUGH DIGITAL MEDIA Abstract This article discusses the need to include basic notions of Law in the high school curriculum as an essential tool for civic education, proposing digital media as an effective way to overcome pedagogical barriers. We start from the premise of the Brazilian population's legal alienation—aggravated by the absence of legal disciplines in basic education. This research, conducted as a theoretical essay, argues that a traditional and excessively theoretical legal education discourages young people, while digital media (such as educational games, videos, and interactive platforms) can make learning more accessible and engaging. The study addresses the legal basis for the proposal, which links education to the exercise of citizenship and highlights practical benefits. However, it also counteracts the risks of excessive technology use, advocating for a balance between innovation and criticality. We conclude that technology-mediated legal education is an urgent step to reduce inequalities and foster conscious citizens, aligning with objectives like UN SDG 4. As an intervention proposal, the authors suggest a bill to implement this teaching in Araranguá/SC, utilizing digital media and institutional partnerships. Keywords: Legal Education; Digital Media; Citizenship; Basic Education; Innovative Methodologies. REFERÊNCIAS ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE GOIAS. A lei fortalece a sociedade. Portal da Alego, Goiânia, 11 jul. 2022. Disponível em: https://portal.al.go.leg.br/noticias/126569/a-lei-fortaleceasociedade. Acesso em: 14 maio 2025. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Censo Escolar 2020. Brasília, 2020. BRASIL. Lei n.º 13.655, de 25 de abril de 2018. Altera o Decreto-Lei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 jan. 2025. https://portal.al.go.leg.br/noticias/126569/a-lei-fortaleceasociedade BRASIL. Ministério da Educação. Escola que protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes. Brasília: MEC, 2011. BRYNJOLFSSON, Erik; McAFEE, Andrew. A segunda era das máquinas: trabalho e progresso na época de brilho tecnológico. Tradução de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Alta Books, 2016. CARNEIRO, M. L. F.; SILVEIRA, M. S. Objetos de Aprendizagem como elementos facilitadores na Educação a Distância, Educar em Revista, Curitiba, Brasil, Edição Especial n. 4/2014, p. 235-260. Editora UFPR. CARVALHO, João Victor Augusto Caetano de; ROCHA, João Pedro Carvalho; ARAKAKI, Fernanda Franklin Seixas; CORRÊA, Camila Braga; ANTUNES, Rosana Maria de Morais; MENDES, Andréia Almeida. O ensino de Direito e a dificuldade de aprendizado pelos jovens. Disponível em: https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/dow n load/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 6 fev. 2025. CARVALHO, Cecilia Maria Resende Gonçalves; REIS, Emilson Pereira dos; ARAÚJO, Layane Batista de. Educação jurídica: a importância da cidadania participativa e responsável. Multitemas, Campo Grande, v. 23, n. 53, p.255–273, jan./abr. 2018. Disponível em: https://www.multitemas.ucdb.br/multitemas/article/view/1659. Acesso em: 19 fev. 2025 CHAGAS, D. M. F.; ARAÚJO, E. de; ALENCAR, D. L. de; NUNES FILHO, L. U. A influência das mídias nas aulas de Educação Física do ensino médio em escolas públicas. Lecturas: Educación Física y Deportes, Buenos Aires, v. 25, n. 268, p. 40-52, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.46642/efd.v25i268.2040. Acesso em: 14 fev. 2025.. CORRÊA, Camila Braga; ANTUNES, Rosana Maria de Morais; MENDES, Andréia Almeida. O ensino de Direito e a dificuldade de aprendizado pelos jovens. Disponível em: https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/down load/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 6 fev. 2025. COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL (CGI.br). Pesquisa TIC Educação 2021. São Paulo, 2021. CURI, Luciano Marcos; ASSIS, Rodrigo Guimarães Goulart. Noções de direito no ensino médio: uma demanda urgente. Revista Jurídica UNIARAXÁ, Araxá, v. 16, n. 15, p. 187-225, ago. 2012. Disponível em: https://ojs.uniaraxa.edu.br/index.php/juridica/article/view/80/72. Acesso em 12 fev. 2025. DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2020. FREIRE, Conceição da Costa. Gamificação e EAD: importância e possibilidades para uma educação com foco no aluno. Paracambi, RJ, 2015. Trabalho de Final https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/download/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/download/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/download/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com https://www.multitemas.ucdb.br/multitemas/article/view/1659 https://doi.org/10.46642/efd.v25i268.2040 https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/download/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com https://www.pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/download/885/779/3425?utm_source=chatgpt.com de Curso (Especialização Lato Sensu em Planejamento, Implementação e Gestão da EAD) - Instituto de Matemática e Estatística, Universidade Federal Fluminense, 2015. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 67. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Pesquisa revela desejos dos brasileiros para 2025: saúde, qualidade de vida e cultura. Portal FGV, 15 jan. 2025. Disponível em: https://portal.fgv.br/noticias/pesquisa-revela-desejos-dos-brasileiros- para-2025-saude- qualidade-de-vida-e-cultura. Acesso em: 13 fev. 2025. GEE, James Paul. What video games have to teach us about learning and literacy. 2. ed. New York: Palgrave Macmillan, 2007. KAMINSKI, R. M.; SILVA, D. A.; BOSCARIOLI, C. Integrando Educomunicação e Gamificação como Estratégia para Ensinar Sustentabilidade e Alimentação Saudável no 5º Ano do Ensino Fundamental. Revista Prática Docente, v. 3, n. 2, p. 595-609, 2018. Disponível em: https://periodicos.cfs.ifmt.edu.br/periodicos/index.php/rpd/article/view/581. KENSKI, Vani Moreira. Educação e Tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas: Papirus, 2008. MARTINEZ, André Almeida Rodrigues. O ensino da cidadania nas escolas brasileiras. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3616, 26 maio 2013. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/24507/o-ensino-da-cidadania-nas-escolas-brasileiras. Acesso em 11 fev. 2025. MENEGHETTI, F. K. O que é um ensaio-teórico? Revista de administração contemporânea, v. 15, p. 320-332, 2011. MENEZES, Matheus Bicca. Produto sem preço na gôndola é permitido? Içara News, [2024]. Disponível em: https://icaranews.com.br/produto-sem-preco-na-gondola-e- permitido/. Acesso em 13 fev. 2025. MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5. ed. Campinas: Papirus, 2013. NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 39 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2017. O GLOBO. IBGE: 9,3 milhões de brasileiros ainda são analfabetos; a grande maioria com mais de 40 anos. O Globo, Rio de Janeiro, 22 mar. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/03/22/ibge- 93-milhoes-de- brasileiros-ainda-sao-analfabetos-a-grande-maioria-com-mais-de- 40-anos.ghtml. Acesso em: 04. fev. 2025. OLIVEIRA, Marco Antônio Cezário. A necessidade do ensino de direito https://portal.fgv.br/noticias/pesquisa-revela-desejos-dos-brasileiros-para-2025-saude-qualidade-de-vida-e-cultura https://portal.fgv.br/noticias/pesquisa-revela-desejos-dos-brasileiros-para-2025-saude-qualidade-de-vida-e-cultura https://portal.fgv.br/noticias/pesquisa-revela-desejos-dos-brasileiros-para-2025-saude-qualidade-de-vida-e-cultura https://jus.com.br/artigos/24507/o-ensino-da-cidadania-nas-escolas-brasileiras https://icaranews.com.br/produto-sem-preco-na-gondola-e-permitido/ https://icaranews.com.br/produto-sem-preco-na-gondola-e-permitido/ https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/03/22/ibge-93-milhoes-de-brasileiros-ainda-sao-analfabetos-a-grande-maioria-com-mais-de-40-anos.ghtml https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/03/22/ibge-93-milhoes-de-brasileiros-ainda-sao-analfabetos-a-grande-maioria-com-mais-de-40-anos.ghtml https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/03/22/ibge-93-milhoes-de-brasileiros-ainda-sao-analfabetos-a-grande-maioria-com-mais-de-40-anos.ghtml https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2024/03/22/ibge-93-milhoes-de-brasileiros-ainda-sao-analfabetos-a-grande-maioria-com-mais-de-40-anos.ghtml constitucional nas escolas de ensino fundamental e médio brasileiras para a construção da cidadania. JUS, 2016. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/50144/a-necessidade- do-ensino-dedireito- constitucional-nas-escolas-de-ensino-fundamental-e- medio- brasileiras-para-aconstrucao-da-cidadania. Acesso em: 29 jun. 2019. OLIVEIRA, E. S. A.; CUNHA, C. Infância e cultura contemporânea: o brincar com as mídias e as (novas) identidades motoras das crianças na educação física. Repositório Universidade do Minho, 2017. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/48292. Acesso em: 18 fev. 2025. POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Tradução de Suzana Menescal de A. Carvalho e José Laurenio de Melo. Rio de Janeiro: Graphia, 2005. PRENSKY, Marc. Aprendizagem baseada em jogos digitais. São Paulo: Senac, 2012. RAMOS, L. O.; ALENCAR, J. C. K. de. A implantação do ensino do Direito Constitucional no currículo do Ensino Médio. Revista Jurídica Direito, Sociedade e Justiça, v. 4, n. 4, 2017. Disponível em: https://periodicosonline.uems.br/index.php/RJDSJ/article/view/1837. Acesso em: 29 jan. 2025. SANTOS, Edméa Oliveira dos. Educação online: cibercultura e pesquisa- formação na prática docente. Salvador: EDUFBA, 2015. SPINARDI, Janine Donato. A importância do design de interação em ambientes virtuais de aprendizagem para um bom desempenho do aluno on-line. Caderno Acadêmico Unina de Tecnologia, Sociedade e Negócios, v. 1, n. 1, 2024. Disponível em: revista.unina.edu.br. Acesso em: 14 fev. 2025. TWENGE, Jean M.; CAMPBELL, W. Keith. Associations between screen time and mental health outcomes in adolescents. JAMA Pediatrics, v. 173, n. 9, p. 853-859, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2019.1759. Acesso em: 10 fev. 2025. WOLKMER, Antônio Carlos. Pluralismo Jurídico: Fundamentos de uma nova cultura do Direito. São Paulo: Editora Alfa Ômega, 2001. http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/48292 https://periodicosonline.uems.br/index.php/RJDSJ/article/view/1837 https://revista.unina.edu.br/index.php/cau-tsn/article/view/69?utm_source=chatgpt.com https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2019.1759APÊNDICE A – PROJETO DE LEI PROJETO DE LEI Nº ____/2025 Institui o Programa "Direito na Escola – Cidadania Digital" no ensino médio da rede pública municipal de Araranguá/SC e estabelece diretrizes para o ensino jurídico com uso de mídias digitais. Art. 1º. Fica instituído o programa "Direito na Escola – Cidadania Digital", vinculado à Secretaria Municipal de Educação de Araranguá/SC, com os seguintes objetivos: § 1º. O programa terá como eixos prioritários: - I. Noções de Direito Constitucional (direitos fundamentais, organização do Estado); - II. Direito do Consumidor (CDC, Procon); - III. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); - IV. Prevenção à violência doméstica e direitos da mulher (Lei Maria da Penha); - V. Educação financeira e tributária (noções básicas). § 2º. As atividades serão desenvolvidas por meio de: a) Mídias digitais (aplicativos, jogos educativos, podcasts e plataformas EAD); b) Aulas presenciais com metodologias ativas (role-playing, estudos de caso); c) Participação de operadores do Direito (juízes, defensores públicos, advogados) em atividades escolares. Art. 2º. A implementação ocorrerá mediante: I. Parcerias institucionais com: a) UFSC e IFC/Campus Araranguá (elaboração de materiais e pesquisa); b) OAB/SC – Subseção Araranguá (capacitação de professores e palestras); c) Juizado Especial Cível e Criminal de Araranguá (simulações processuais). II. Recursos digitais: a) Plataforma online gratuita, hospedada no portal da Prefeitura, com conteúdos em formato acessível (áudio, vídeo, textos simplificados); b) Biblioteca virtual com links para legislação comentada e jurisprudência simplificada. III. Avaliação anual dos resultados por indicadores de aprendizagem e engajamento. Art. 3º. A carga horária será de 40 horas anuais, sendo: a). 20 horas integradas às disciplinas de Sociologia, História e Ensino Religioso; b). 20 horas em atividades extracurriculares (oficinas, visitas guiadas ao Fórum, competições de debates). Parágrafo único - Os conteúdos serão adaptados para estudantes com deficiência, conforme a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015). Art. 4º. Fica criado o Comitê Gestor do Programa, com as seguintes atribuições: I. Elaborar o plano pedagógico anual; II. Fiscalizar a aplicação dos recursos; III. Promover eventos de capacitação docente; IV. Divulgar os resultados à comunidade. § 1º. O Comitê será composto por: - a) 1 representante da Secretaria Municipal de Educação; - b) 1 representante da OAB/SC – Subseção Araranguá; - c) 1 representante do Poder Judiciário (indicado pelo Juiz Diretor do Fórum); - d) 1 representante do Conselho Municipal de Educação; - e) 1 representante discente (indicado pelo Grêmio Estudantil de cada escola). § 2º. Reuniões ordinárias a cada trimestre, com relatórios públicos disponibilizados no portal da Prefeitura. Art. 5º. As fontes de custeio incluirão: I. Verba própria do Município (mínimo de 0,5% do orçamento anual da Educação); II. Convênios com o Governo do Estado (Fundo Estadual de Educação); III. Doações de entidades privadas (com aprovação do Conselho Municipal de Educação). Parágrafo único. Os recursos financeiros serão auditados anualmente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC). Art. 6º. As escolas deverão: I. Incluir no Projeto Político-Pedagógico (PPP) as diretrizes do programa; II. Disponibilizar infraestrutura tecnológica (laboratório de informática, internet banda larga); III. Enviar relatórios semestrais ao Comitê Gestor. Art. 7º. Fica instituído o "Dia Municipal da Educação Jurídica", a ser celebrado em 11 de agosto (data da promulgação da Lei Maria da Penha), com atividades nas escolas e no Fórum de Araranguá. Art. 8º. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 90 (noventa) dias após sua publicação. Art. 9º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. JUSTIFICATIVA Araranguá possui 12 escolas de ensino médio na rede municipal (dados do Censo Escolar 2024), com cerca de 3.200 alunos potencialmente beneficiados. A região registra elevado número de processos no Juizado Especial (principalmente consumeristas), evidenciando a necessidade de educação jurídica preventiva. A proposta alinha-se ao Plano Municipal de Educação (PME/Araranguá 2024-2034), que prevê "inovação tecnológica nas escolas" (Meta 7), e à Agenda 2030 da ONU (ODS 4 – Educação de Qualidade). Diferenciais do projeto: 1. Viabilidade financeira (percentual fixo do orçamento + parcerias); 2. Transparência (relatórios públicos e auditoria); 3. Adaptação à realidade local (foco em demandas do Juizado Especial); 4. Participação social (Comitê Gestor com membros da comunidade). 2. Da importância do ensino de noções introdutórias de direito e legislação na base curricular do ensino médio 3. Do papel das mídias digitais no processo de ensino-aprendizagem 4. Proposta de intervenção Conforme o proposto neste trabalho, a inserção da matéria juridica se faz uma realidade necessária no contexto educacional. Neste sentido, vislumbra-se que uma legislação própria, mesmo que local, poderia ser uma experiência que traria um appel mais p... Assim, respeitando este projeto legislativo, propõe-se projeto de lei (em apêndice) com o fito de implantar tal mudança. Por tal, instrumentaliza-se a lei como uma forma de trazer a realidade a ideia teórica já consolidada. Sobre esta materialização via lei, em seu site oficial, a Assembleia Legislativa de Goias (2022) nos informa que: “A existência das leis, no sentido jurídico da palavra, se justifica pela necessidade da criação de regras para manter a ordem e convivência harmônicas na sociedade. Considerada como primeiro instrumento do Estado Democrático de Direito, a lei sustent... Assim, mais do que uma mera formalidade legislativa, a proposta configura-se como um instrumento de transformação social concreta. Ao articular o potencial democratizante do direito com as possibilidades pedagógicas das mídias digitais, ela materializ... 5. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE GOIAS. A lei fortalece a sociedade. Portal da Alego, Goiânia, 11 jul. 2022. Disponível em: https://portal.al.go.leg.br/noticias/126569/a-lei-fortaleceasociedade. Acesso em: 14 maio 2025.