Prévia do material em texto
Os novos rumos da EJA no Brasil a partir dos anos 1970 Você vai compreender os projetos de educação a partir dos anos 1970, especificamente o Mobral, a Lei Federal nº 5.692/1971 e a educação supletiva, ressaltando a importância da transição para a concepção da EJA como modalidade, da LDB e do direito à educação ao longo da vida. Profa. Inês Barbosa de Oliveira 1. Itens iniciais Propósito Compreender a trajetória da EJA desde os anos 1970, suas características em cada momento histórico, as diferentes abordagens dessa modalidade de ensino e os processos históricos e sociais que envolveram sua evolução. Objetivos Reconhecer as principais iniciativas e a política educacional para a EJA nos anos 1970. Identificar as mudanças no perfil da EJA a partir da Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB) e da noção de direito à educação ao longo da vida. Identificar os principais elementos das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para a Educação de Jovens e Adultos no Ensino Fundamental e do Parecer nº 11/2000 da CEB/CNE. Introdução A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de educação que, por suas características próprias e de seu público, exige que o trabalho educacional seja desenvolvido com base em projeto político pedagógico específico e tecido coletivamente, já que as experiências e os conhecimentos anteriores de seu público precisam ser levados em consideração. O objetivo maior, além da escolarização, é o de contribuir para mudanças na sociedade de modo que ela se torne melhor e menos desigual do que é atualmente, na qual todos os cidadãos tenham direito à educação, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. A primeira menção à educação na Constituição Federal do Brasil é logo no art. 6º, no capítulo dos Direitos Sociais. A educação bem como a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados são elencados como direitos sociais. É um tema tão importante que, em seu art. 24 (inciso IX), está determinado que compete, concorrentemente, à União, aos estados e ao Distrito Federal legislar sobre ele, evidenciando sua relevância. A partir do art. 205, o texto constitucional garante que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração de toda a sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. No art. 208 (inciso I), consta que compete ao Estado garantir a educação básica e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita a todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria. Estes são, justamente, a quem se destina a Educação de Jovens e Adultos, que aparece pela primeira vez na Constituição. Nos parágrafos subsequentes do mesmo artigo, o texto constitucional reforça que o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo e seu não oferecimento pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa em responsabilidade da autoridade competente. Isso significa que o titular de um direito público subjetivo tem asseguradas a defesa, a proteção e a efetivação desse direito imediatamente, em caso em que este seja negado. A Constituição estabelece como princípio a noção de que toda educação visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. Esse princípio, que está explicitado na Lei nº 9.394/1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu art. 2º, abriga o conjunto das pessoas e dos educandos como universo de referência sem limitações. Assim, a Educação de • • • Jovens e Adultos, modalidade estratégica do esforço da nação em prol de uma igualdade de acesso à educação como bem social, participa deste princípio e, sob esta luz, deve ser considerada. Em nosso estudo, vamos abordar as iniciativas e as políticas educacionais no Brasil para a Educação de Jovens e Adultos ao longo dos anos 1970. Após, vamos verificar as mudanças ocorridas na EJA com a criação da LDB de 1996 e com a noção da importância do direito à educação ao longo da vida. Por fim, vamos discutir os principais elementos das diretrizes para a educação da EJA. Vamos lá? 1. Política educacional para a EJA nos anos 1970 O Mobral, a Lei Federal nº 5.692/1971 e a educação supletiva Em 1961, a Lei nº 4.024, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, reconheceu a educação como direito de todos. Isso surgiu de forma clara no Título VI, capítulo II, art. 27. Nele, consta: “classes especiais ou cursos supletivos correspondentes ao seu nível de desenvolvimento”. Essa lei determinava, ainda, que, aos maiores de 16 anos, seria permitida a obtenção de certificados de conclusão do curso ginasial, mediante a prestação de exames de madureza, após estudos realizados sem observância de regime escolar (art. 99), recuperando nomenclatura anterior à da noção de cursos supletivos. Até então, os exames dos que não haviam seguido seriação só eram possíveis em estabelecimentos oficiais. A partir da Lei nº 4.024/1961, essa orientação não diz quem são os responsáveis pelos exames. Assim, ao lado dos estabelecimentos oficiais, as escolas privadas, autorizadas pelos conselhos e secretarias, passaram também a realizá-los. Em 1964, foi instituído o Programa Nacional de Alfabetização de Adultos, por meio do Decreto nº 53.465, de 21 de janeiro, coordenado pelo educador Paulo Freire. Sua instituição foi uma tentativa do Ministério da Educação e Cultura de coordenar os movimentos de educação de base ou alfabetização de adultos e adolescentes que se multiplicavam em todo o país, desde 1961. Segundo o decreto que instituiu o programa, a Comissão do Programa Nacional de Alfabetização, que o implantaria, deveria convocar e utilizar a cooperação e os serviços de agremiações estudantis e profissionais, associações esportivas, sociedades de bairros, municipalidades, entidades religiosas, organizações governamentais, civis e militares, associações patronais, empresas privadas, órgãos de difusão, do magistério e de todos os setores mobilizáveis. As políticas educacionais do período da ditadura e a criação do Mobral Uma nova redefinição foi gerada pelo golpe militar de 1964, que intensificou a distância entre o ímpeto urbano, modernizador, industrializante e demográfico do país e os processos de democratização dos bens sociais. O cancelamento do Programa de Alfabetização coordenado por Freire foi imediato, já que a ditadura via no educador e em suas propostas um risco para o projeto de país que pretendia levar à frente. A concentração de renda e o fechamento dos canais de participação e de representação foram intensos. O rígido controle sobre as forças sociais de oposição ao regime permitiu o aprofundamento dos processos que levariam à modernização econômica, que, para ter sucesso, era importante a expansão da rede física da educação escolar primária. O acesso a ela e a outros bens, por parte dos segmentos populares, não se deu de modo aberto, qualificado e universal. Ele foi feito sob o signo do limite e do controle. A Constituição de 1967 manteve a educação como direito de todos (art. 168) e, pela primeira vez, estendeu a obrigatoriedade da escola até os 14 anos. Essa extensão parece incluir a categoria dos adolescentes na escolaridade apropriada, propiciando, assim, a emergência de outra faixa etária, a partir dos 15 anos, sob o conceito de jovem. Esse conceito será uma referência para o ensino supletivo. A mesma Constituição, que retirou o vínculo constitucional de recursos para a educação, obrigou as empresas a manterem o ensino primário para os empregados e seus filhos (art. 170). A Emenda Constitucional de 1969, também conhecida como Emenda da Junta Militar, usou pela primeira vez a expressão direito de todos e dever do Estado para a educação.regular. II. Apesar de nova, recupera aspectos importantes da LDB e das resoluções que definiram diretrizes curriculares nacionais para o ensino fundamental e médio para definir possibilidades e exigências para a EJA. III. A resolução extingue a expansão da EJA uma vez que a reparação histórica já obteve sucesso por conta de projetos predecessores. Está correto o que se afirma em: A I, apenas. B II, apenas. C III, apenas. D I e II. E II e III. A alternativa B está correta. A Resolução atualiza os debates, mas tem suas bases nas reflexões já presentes na LDB de 1996. Como modalidade, no entanto, passa a ter preocupações sobre o sujeito e sua formação de maneira específica. Questão 2 A questão da EJA continuou sendo imprescindível no século XXI, no Brasil. Isso se dá pelo fato de que: I. É necessário um projeto pedagógico para a EJA, e a preparação dos docentes para a atuação nessa modalidade deve considerar, sob a ótica da contextualização, o trabalho, seus processos e produtos, desde a mais simples mercadoria até seus significados na construção da vida coletiva. II. As múltiplas referências ao trabalho constantes na LDB têm um significado peculiar para quem já é trabalhador. É nessa perspectiva que a leitura de determinados artigos da lei deve ser vista sob a especificidade dessa modalidade de ensino. III. No Parecer CEB nº 15/1998 para o Ensino Médio em geral e de novo nas Diretrizes e na Base Nacional Comum para o Ensino Médio, recomendações a questões relacionadas ao trabalho estão presentes. Elas ganham mais força para os estudantes da EJA porque já são trabalhadores, em sua maioria. Está correto o que se afirma em: A I, II e III. B I, apenas. C II, apenas. D III, apenas. E I e II. A alternativa A está correta. O trabalho é o contexto mais importante da experiência curricular. O significado desse destaque deve ser devidamente considerado: na medida em que o ensino médio é parte integrante da educação básica e que o trabalho é princípio organizador do currículo, muda inteiramente a noção tradicional da educação geral acadêmica ou, melhor dito, academicista. O trabalho já não é mais limitado ao ensino profissionalizante. Muito ao contrário, a lei reconhece que, nas sociedades contemporâneas, todos, independentemente de sua origem ou destino profissional, devem ser educados na perspectiva do trabalho (CNE, 2000). 4. Conclusão Considerações finais Percebemos que a EJA passa por um reconhecimento fundamental, pois era necessária uma reparação histórica. Vinculada e pensada em um projeto liderado por Freire, ainda que abandonada, a proposta permaneceu viva com o Mobral. Embora frágil, a necessidade permaneceu viva, marcando o debate na Constituição de 1988 e, principalmente, reforçado na LDB de 1996. Nesse ponto, a EJA torna-se modalidade, ganha aspectos filosóficos fundamentais de corrigir fundamentos históricos e fornecer reparação e um novo olhar. Propostas pedagógicas, leis, normas e seus ideários, ideias sobre educação e suas premissas, documentos e negociações que lhes deram origem, debates e embates políticos e acadêmicos são alguns dos assuntos que se enredam e dialogam, nas escolas e fora delas, na reflexão em torno da EJA, sua história e suas possibilidades no Brasil contemporâneo. De modestas campanhas de alfabetização do início do século XX ao status de modalidade e direito de todos à educação, os processos de consolidação formal da EJA sempre foram caracterizados por idas e vindas, avanços e retrocessos, limites e possibilidades. Conceber os processos educacionais na EJA como possibilidades e diálogos entre grupos de educadores, de políticos e de formuladores de políticas, permite perceber o quanto ela vem escapando a qualquer tentativa de controle total, incorporando em seus cotidianos muitas dimensões do fazer pedagógico, que transcendem e superam normas, embora as tenham sempre como fatores limitantes. Em qualquer circunstância, no entanto, o processo de consolidação aqui referido vem ampliando, mesmo com problemas, as possibilidades do exercício do direito à educação, que requer o acesso a conhecimentos diversos, por toda a vida, consolidando as possibilidades de exercício de direitos individuais e sociais à aprendizagem e à cidadania, dignas de todos. Podcast Agora, com a palavra, o professor Rodrigo Rainha, relembrando alguns pontos importantes sobre a EJA no Brasil em 1970. Ouça! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Fala, mestre! Neste espaço, a Dra. Ivone Caetano, primeira juíza negra do estado do Rio de Janeiro e primeira desembargadora negra do TJRJ, complementa o que vimos até aqui. Política de cotas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Direitos das crianças, religiões de matriz africana e perseguição religiosa Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atuação na Vara de Infância e Juventude Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Explore+ Não pare por aqui! Veja o que selecionamos para você! Para continuar estudando sobre a EJA de uma maneira geral, é muito interessante visitar o site do Fórum EJA. Nele, você vai encontrar vídeos, textos e um rico material. Especificamente sobre o tema da dignidade humana, recomendamos os seguintes livros: A dignidade da pessoa humana no direito constitucional contemporâneo: a construção de um conceito jurídico à luz da jurisprudência mundial, de Luis Roberto Barroso. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988, de Ingo Wolfgang Sarlet. Outros textos: Dignidade da pessoa humana: Proteja IFRJ e direito à educação, tese de doutorado de Aline Cristina de Lima Dantas. Alguns marcos e declarações a respeito da EJA: Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU. O Marco de Ação de Belém, ocorrido na VI Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, da Unesco. • • • • • Informe Subregional de América Latina: Evaluación de Educación para Todos en el año, de 2000, da Unesco. Declaração de Hamburgo sobre Educação de Jovens e Adultos, da Unesco. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. (Revogada pela Lei nº 9.394/1996). Brasília, DF: Presidência da República, 1971. BRASIL. Resolução CNE/CEB de janeiro de 2000. Diário Oficial da União, 19 jul. 2000. s. 1, p. 18. CPDOC/FGV. Movimento brasileiro de alfabetização (MOBRAL). Consultado na internet em: 3 jan. 2021. DANTAS, A. Dignidade da pessoa humana: Proeja IFRJ e direito à educação. 2018. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. DANTAS, A.; OLIVEIRA, I. B.; PAIVA, J. Pensar o direito humano à educação. Educational Policy Analysis Archives, v. 28, n. 110, 27 jul. 2020. Consultado na internet em: 28 nov. 2020. FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA. UNICEF. Declaração mundial sobre educação para todos. Jontiem: UNICEF, 1990. MCCOWAN, T. O direito humano à aprendizagem e a aprendizagem dos direitos humanos. Educar em Revista, n. 55, p. 25-46, 2015. MCCOWAN, T. O direito universal à educação: silêncios, riscos e possibilidades. Práxis Educativa, v. 6, n. 1, p. 9-20, 2011. PAIVA, J. Educação de jovens e adultos: direito, concepções e sentidos. 2005. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói. PALME, M. Cultural ambiguity and the primary school teacher: lessons from Rural Mozambique. In: LEACH, F.; LITTLE, A. (eds.). Education, cultures, and economics: dilemmas for development. New York: Falmer Press, 1999. SECRETARIAMUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. SME-RJ. Rio Educa: programas e projetos. In: Educação de Jovens e Adultos, 2020. • • UNESCO. Declaração mundial sobre educação para todos e plano de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem. UNICEF, Jomtien, mar. 1990. Os novos rumos da EJA no Brasil a partir dos anos 1970 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Política educacional para a EJA nos anos 1970 O Mobral, a Lei Federal nº 5.692/1971 e a educação supletiva As políticas educacionais do período da ditadura e a criação do Mobral A criação do Mobral, sua atuação e a Fundação Educar Você sabe qual era o objetivo principal do Mobral? Alfabetização funcional Educação integrada Desenvolvimento comunitário Atividades culturais Comentário A educação como um projeto nacional nos anos de chumbo Conteúdo interativo A transição democrática e as novas políticas de educação de jovens e adultos 1985 1990 1991 Verificando o aprendizado Em relação ao Mobral, verifique as definições a seguir.I. Mobral foi o nome dado ao Movimento Brasileiro de Alfabetização, programa criado em 1967 pelo governo federal com o objetivo de erradicar o analfabetismo do Brasil. II. O Mobral propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando “conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la à sua comunidade, permitindo melhores condições de vida”. III. A fundação responsável e a forma inicial do programa foram extintas em 1985 e substituídas pelo Projeto Educar. IV. O Mobral acabou por educar efetivamente milhões de brasileiros, retirando o Brasil do mapa mundial do analfabetismo.Está correto o que se afirma em: Qual é a diferença entre o método utilizado pelo Mobral e o Método Paulo Freire?I. A diferença é que o Método Paulo Freire utilizava palavras tiradas do cotidiano dos estudantes, enquanto, na proposta do Mobral, as palavras eram definidas a partir do estudo das necessidades humanas básicas por uma equipe técnica, que buscava seguir elementos da norma padrão da língua portuguesa, na época chamada de norma culta. II. O educador Paulo Freire deveria estar identificado com o cotidiano e presente na realidade de seus educandos; no Mobral, o governo via seu papel de ofertar cidadania e instrumentalizar os estudantes. III. Apoiado pelo plano MEC - USAID, o objetivo do Mobral era multiplicar o acesso e a disponibilidade de educação ao maior número de pessoas. Para Paulo Freire, o foco estava no sujeito, no projeto e no resultado, além do despertar da autonomia; dessa forma, ele e suas propostas eram entendidos como um risco para o projeto de país que se pretendia levar à frente.Está correto o que se afirma em: 2. EJA e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação A educação na Nova República Comentário Educação: direito de todos Conteúdo interativo A Lei nº 9.394/1996 e a EJA como modalidade Resumindo Escolarização Educação continuada A dignidade da pessoa humana e a aprendizagem ao longo da vida Reflexão Atenção Resumindo Verificando o aprendizado Leia as afirmativas a seguir, que tratam da Constituição Federal de 1988 para a educação:I. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio de que toda educação visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. II. A Constituição Federal de 1988 afirma os princípios da dignidade humana, base da educação para vida, fundamento importante do EJA. III. A Constituição Federal de 1988 garante a educação para todas as crianças e abre a possibilidade de iniciativas para a educação de jovens e adultos.Está correto o que se afirma em: Em relação à função reparadora da educação de jovens e adultos, assinale a alternativa correta: 3. Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA Compromisso pela educação Conteúdo interativo EJA e a legislação atual no Brasil Manutenção da idade mínima Possibilidades de oferta Resoluções e pareceres do EJA no século XXI Atenção O contexto da EJA e as recomendações da Resolução Adaptação pedagógica Aproveitamento das experiências dos estudantes Saiba mais Formas da educação de jovens e adultos Lazer Cultura regional do indivíduo Imagem pessoal X Autoestima Diferença de idade Da especificidade dos projetos aos currículos em ação Comentário Reflexão Verificando o aprendizado A Resolução nº 1/2000 do CNE, que trata da atualidade do EJA no Brasil, aponta para alguns caminhos importantes. Entre eles, podemos destacar:I. É uma Resolução que versa sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação para a Terceira Idade, uma vez que leva os jovens para o ensino regular. II. Apesar de nova, recupera aspectos importantes da LDB e das resoluções que definiram diretrizes curriculares nacionais para o ensino fundamental e médio para definir possibilidades e exigências para a EJA. III. A resolução extingue a expansão da EJA uma vez que a reparação histórica já obteve sucesso por conta de projetos predecessores.Está correto o que se afirma em: A questão da EJA continuou sendo imprescindível no século XXI, no Brasil. Isso se dá pelo fato de que:I. É necessário um projeto pedagógico para a EJA, e a preparação dos docentes para a atuação nessa modalidade deve considerar, sob a ótica da contextualização, o trabalho, seus processos e produtos, desde a mais simples mercadoria até seus significados na construção da vida coletiva. II. As múltiplas referências ao trabalho constantes na LDB têm um significado peculiar para quem já é trabalhador. É nessa perspectiva que a leitura de determinados artigos da lei deve ser vista sob a especificidade dessa modalidade de ensino. III. No Parecer CEB nº 15/1998 para o Ensino Médio em geral e de novo nas Diretrizes e na Base Nacional Comum para o Ensino Médio, recomendações a questões relacionadas ao trabalho estão presentes. Elas ganham mais força para os estudantes da EJA porque já são trabalhadores, em sua maioria.Está correto o que se afirma em: 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Fala, mestre! Política de cotas Conteúdo interativo Direitos das crianças, religiões de matriz africana e perseguição religiosa Conteúdo interativo Atuação na Vara de Infância e Juventude Conteúdo interativo Explore+ ReferênciasA emenda constitucional obrigou os municípios, beneficiários menores na repartição dos impostos, a serem os responsáveis, por lei, pela oferta do ensino fundamental, devendo aplicar 20% de seus impostos em educação. É no interior de reformas autoritárias, como foi o caso, por exemplo, das leis nº 5.540/1968 e nº 5.692/1971, e dessa "modernização conservadora", que o ensino supletivo teve suas bases legais específicas. Com a Lei nº 5.692/1971, o ensino supletivo ganhou capítulo próprio, determinando que ele se destinava a “suprir a escolarização regular para adolescentes e adultos, que não a tinham seguido ou concluído na idade própria”. Esse ensino podia, então, abranger o processo de alfabetização, a aprendizagem, a qualificação, algumas disciplinas e a atualização. Os cursos poderiam acontecer via ensino a distância, por correspondência ou por outros meios adequados. Os cursos e os exames seriam organizados nos sistemas estaduais, de acordo com seus respectivos Conselhos de Educação. Os exames, conforme o art. 26, seriam entregues a “estabelecimentos oficiais ou reconhecidos”, cuja validade de indicação seria anual, ou “unificados na jurisdição de todo um sistema de ensino ou parte deste”, cujo polo seria um grau maior de centralização administrativa. E o número de horas, consoante o art. 25, ajustar-se-ia de acordo com o “tipo especial de aluno a que se destinam”, resultando daí uma grande flexibilidade curricular. No que se refere às instituições particulares, veja o que o parágrafo único do art. 51 determinava: As entidades particulares que recebam subvenções ou auxílios do Poder Público deverão colaborar, mediante solicitação deste, no ensino supletivo de adolescentes e adultos, ou na promoção de cursos e outras atividades com finalidade educativo-cultural, instalando postos de rádio ou televisões educativas. (Lei nº 5.692/1971) A Lei nº 5.379/1967 criou a fundação Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), com o objetivo de erradicar o analfabetismo e propiciar a educação continuada de adolescentes e adultos. Vários decretos Bilhete da Loteria Esportiva de 1972, com mensagens sobre o Mobral. decorreram dessa lei a propósito de levantamento de recursos (Decreto nº 61.311/1967) e da constituição de campanhas cívicas em prol da alfabetização (Decreto nº 61.314/1967). A criação do Mobral, sua atuação e a Fundação Educar Criada em 1967, a fundação assumiu uma perspectiva de alfabetização consoante a compreensão que dela tinha o novo regime. Assim, a alfabetização de jovens e adultos ganhou a feição de ensino supletivo, que seria instituído pela reforma do ensino de 1971, mesmo ano em que teve início a campanha denominada Movimento Brasileiro de Alfabetização, que ficou conhecida pela sigla Mobral. Vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, com a finalidade de execução do plano de alfabetização funcional e educação continuada de adolescentes e adultos, tinha a ambiciosa meta de alfabetizar 11,4 milhões de adultos até 1971. A ideia era erradicar totalmente o analfabetismo no país até 1975. Depois de um período de organização e ensaios de estratégias de atuação, o Mobral começou a funcionar, efetivamente, em setembro de 1970, contando com recursos da Loteria Esportiva e do Imposto de Renda, além de doações de empresas estatais e particulares. A criação do Mobral pode ser entendida como uma resposta do governo militar à retração dos movimentos de educação de base e de alfabetização de adultos, após as mudanças políticas de 1964, e ao vácuo político- educacional que deixou. Logo após a supressão ou o confinamento dos movimentos tidos como de inspiração esquerdista, como o Movimento de Educação de Base (MEB), o Movimento de Cultura Popular (MCP) e outros que utilizavam predominantemente o método Paulo Freire, o Ministério da Educação passou a apoiar movimentos similares, mas de orientação ideológica compatível com o novo regime. Um bom exemplo é o da Cruzada ABC. Iniciativa da Igreja Presbiteriana do Recife, foi o mais importante desses novos movimentos. A presença de missionários norte-americanos nessa igreja propiciou o apoio financeiro da United States Agency for International Development (USAID) à Cruzada ABC, que se espalhou por outros estados do Nordeste, chegando até mesmo à Guanabara. Mas, à medida que a Cruzada ABC crescia, perdia o ímpeto inicial, ficando cada vez mais claro, para o governo e para a USAID, que não era capaz de cumprir a função técnica e ideológica que dela se esperava. Diante desse fracasso, o Estado assumiu diretamente o controle da alfabetização de adultos. Pela Lei nº 5.379, de 15 de dezembro de 1967, foi criada, no âmbito do Ministério da Educação, uma fundação de direito público: o Mobral. Cruzada ABC Parceria entre o Ministério da Educação brasileiro e a Agência de Desenvolvimento Internacional, que fazia parte da busca de influência americana durante a Guerra Fria, gerando investimentos e parcerias, mas mantendo a órbita de influência dos Estados Unidos. Podemos dizer que essa criação foi uma resposta ao cancelamento do Programa Nacional de Alfabetização que antecedeu o golpe militar, do qual participavam esses grupos de inspiração esquerdista e era estruturado sobre o método de alfabetização de adultos preconizado pelo educador Paulo Freire, que o presidia. Concretamente, Paulo Freire havia obtido grande sucesso com seu método na experiência em Angicos e, por isso, foi convidado pelo então Presidente João Goulart para ampliar a experiência no sentido de erradicar o analfabetismo no país. Apesar da oposição ferrenha a Freire, o método de alfabetização usado pelo Mobral era fortemente influenciado pelo Método Paulo Freire, utilizando-se, por exemplo, do conceito de palavra geradora. A diferença é que o Método Paulo Freire utilizava palavras tiradas do cotidiano dos estudantes, enquanto na proposta do Mobral, as palavras eram definidas a partir do estudo das necessidades humanas básicas por uma equipe técnica que buscava seguir elementos da norma padrão da língua portuguesa, na época chamada de norma culta. O Mobral atuou como órgão executor do Plano de Alfabetização Funcional e Educação Continuada de Adolescentes e Adultos. Tinha autonomia administrativa e financeira próprias, além de patrimônio subvencionados pela União e por doações e contribuições de entidades de direito público e privado, nacionais, internacionais ou multinacionais e particulares. Você sabe qual era o objetivo principal do Mobral? Promover a alfabetização funcional e a educação continuada para os analfabetos de 15 anos ou mais, por meio de cursos especiais, com duração prevista de nove meses e com o objetivo de “conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la à sua comunidade, permitindo melhores condições de vida” (Lei nº 5.379/1967). Do ponto de vista de sua estrutura, em documento do CPDOC/FGV (2009), encontramos a seguinte informação: A Fundação MOBRAL montou uma organização em três níveis: a administração central (MOBRAL central), as coordenações estaduais e as comissões municipais. Essas eram os agentes executivos do movimento. Essas comissões reuniam funcionários das prefeituras, homens de negócio, membros do clero e de associações voluntárias de serviço. Eram elas que mobilizavam os analfabetos e os alfabetizadores, obtinham a cessão de salas e, enfim, organizavam os cursos. Os cursos do MOBRAL funcionavam à noite, de preferência, aproveitando os prédios de escolas, templos, sindicatos e outras instituições. O MOBRAL central fazia convênios com as comissões municipais, pelos quais se comprometia a fornecer material didático, orientação técnica e recursos para o pagamento dos alfabetizadores. (CPDOC/FGV, 2009) Ainda no estudo, é possível encontrar outras informações importantes do documento CPDOC/FGV 2009, que nos ajudam a compreender o que foi o Mobral e os problemas que enfrentou. Nele, encontramos a informação de que o objetivo prioritário do Mobral era o de alfabetizara população urbana iletrada de 15 a 35 anos. Mas, a partir de 1974, voltou-se, também, para os jovens de 9 a 14 anos. Ou seja, depois de uma fase inicial apenas dedicada aos jovens e adultos, em virtude da identificação de sua importância como mão de obra, o Mobral passou a dedicar-se, também, ao que atualmente chamamos de correção de fluxo, buscando alfabetizar estudantes seguidamente reprovados nas escolas regulares, congestionadas pelo acúmulo de repetentes e de novos estudantes. Ao longo de seu período de funcionamento, o Mobral desenvolveu sua atuação por meio de quatro programas. Veja! Alfabetização funcional Com cinco meses de duração e duas horas diárias de aulas, em postos nos quais os estudantes eram escolarizados sob a direção de monitores. Educação integrada Com 12 meses de duração, posteriores à alfabetização, compreendendo as primeiras séries do ensino de primeiro grau. Desenvolvimento comunitário Com dois meses de duração, com o objetivo de induzir os estudantes a participar de empreendimentos de interesse comum. Atividades culturais Desenvolvidas segundo formas não escolares, sem prazo determinado, pretendendo a ampliação do universo cultural da população atingida. Durante seu primeiro período de funcionamento até 1977, o Mobral teria alfabetizado, segundo estatísticas oficiais, um total de 11,2 milhões de pessoas, fazendo baixar a taxa de analfabetos no país para 14,2%. Mas há quem questione esses dados, já que, pelos dados do IBGE, obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 1976, o percentual de analfabetos com mais de 10 anos de idade era de 24%, pouco abaixo da taxa encontrada em 1973, de 28%. Esse fracasso do Programa e da própria Fundação foram atestados inequivocamente, em 1980, no Censo nacional, que atestou no período de dez anos (1970-1980) um aumento de 540 mil analfabetos de 15 anos ou mais no país. Mesmo com o aumento da população total, os números eram desalentadores. As taxas de evasão e de regressão ao analfabetismo eram muito altas. Apenas 15% dos alunos do Mobral chegavam ao fim do curso de alfabetização, e o percentual que regredia ao estágio anterior era sempre alto, qualquer que fosse o método de estimativa. Os outros problemas apontados pelos críticos se referiam à inadequação dos métodos de alfabetização adotados. (CPDOC/FGV, 2009) Com um funcionamento muito centralizado, uma campanha que conclamava a população a dar sua contribuição — “você também é responsável, então me ensine a escrever, eu tenho a minha mão domável, eu sinto a sede do saber” —, o Mobral espraiou-se por todo o país, mas não cumpriu sua promessa de erradicar o analfabetismo. A partir de 1985, com o fim do regime militar, o Mobral deu lugar à Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos – Fundação Educar (extinta em 1990). Comentário O Mobral durou quase duas décadas e foi um dos programas de educação mais caros que o Brasil já teve, mas que fracassou, especialmente porque seus objetivos eram ideológicos e não condiziam com a realidade da EJA. O Mobral não deu certo, ao menos nas metas e objetivos que o próprio programa impunha-se, porque foi imposto, não foi idealizado por seus educadores, não possuía material didático adequado, os docentes não recebiam uma boa remuneração e tratava-se de um instrumento para impor o autoritarismo do regime militar. Complementarmente ao Mobral, outras políticas de alfabetização e de escolarização de adultos foram definidas nesse período. Destacamos aqui a Lei nº 5.400/1968, relativa ao recrutamento militar e ensino, trazendo a obrigatoriedade de que todos os brasileiros recrutas fossem alfabetizados, caso ainda não tivessem sido até os 17 anos de idade (art. 1º). As comissões de recrutamento dos jovens obrigados ao serviço militar deveriam encaminhar às autoridades educacionais competentes os alistados analfabetos. O funcionário público que alfabetizasse mais de dez listados teria registrado em seu prontuário a distinção de serviço meritório. Os civis não funcionários públicos ganhariam um diploma honorífico. A educação como um projeto nacional nos anos de chumbo Neste vídeo, você vai entender como o Mobral funcionava durante a ditadura. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A transição democrática e as novas políticas de educação de jovens e adultos A democracia foi um longo processo. Desde o governo de Ernesto Geisel, em que foi criado o conceito de uma abertura lenta e gradual, até o presidente militar que tinha ordens expressas de organizar a transição — Figueiredo — das eleições indiretas que elegeram a chapa no congresso Tancredo Neves e José Sarney (com a morte do primeiro), iniciava-se a fase de redemocratização dos anos 1980, que culminaria com a Nova República a partir da eleição de Fernando Collor de Melo. A educação de jovens e adultos tramitou e se transformou com esse momento. No período, o chamado ensino supletivo foi expressamente orientado para o redimensionamento completo. Constando como um dos oito programas apresentados no plano, o Programa Ensino Supletivo previa a ampliação da oferta de cursos com metodologias diversificadas de modo a prevenir e a minimizar os efeitos da regressão ao analfabetismo. A partir dessa orientação, podemos afirmar que as críticas que vinham sendo dirigidas ao Mobral foram incorporadas por seus servidores e dirigentes. 1985 No primeiro semestre, a equipe técnica que atuava com o presidente Sarney desenvolveu um breve debate sobre o tipo de intervenção que o governo deveria adotar com relação ao Mobral. Extinta em novembro, a Fundação Mobral foi, na verdade, renomeada como Fundação Nacional de Educação de Jovens e Adultos (Fundação Educar). 1990 Foi instaurada a política de enxugamento da máquina estatal proposta por Collor. 1991 Em junho, a Fundação Educar foi uma das vítimas dessa política, sendo finalmente extinta. De alguma forma, nesse momento, foi enterrada uma fase de nossa história educacional. Verificando o aprendizado Questão 1 Em relação ao Mobral, verifique as definições a seguir. I. Mobral foi o nome dado ao Movimento Brasileiro de Alfabetização, programa criado em 1967 pelo governo federal com o objetivo de erradicar o analfabetismo do Brasil. II. O Mobral propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando “conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la à sua comunidade, permitindo melhores condições de vida”. III. A fundação responsável e a forma inicial do programa foram extintas em 1985 e substituídas pelo Projeto Educar. IV. O Mobral acabou por educar efetivamente milhões de brasileiros, retirando o Brasil do mapa mundial do analfabetismo. Está correto o que se afirma em: A I, II e III. B II, III e IV. C I, II e IV. D I, III e IV. E I, II, III e IV. A alternativa A está correta. O Mobral foi um projeto de educação de adultos da ditadura militar que, de fato, multiplicou os números da educação no Brasil, mas sem passar perto de conseguir resolver o déficit histórico brasileiro, além de receber fortes críticas sobre a qualidade. Questão 2 Qual é a diferença entre o método utilizado pelo Mobral e o Método Paulo Freire? I. A diferença é que o Método Paulo Freire utilizava palavras tiradas do cotidiano dos estudantes, enquanto, na proposta do Mobral, as palavras eram definidas a partir do estudo das necessidades humanas básicas por uma equipe técnica, que buscava seguir elementos da norma padrão da língua portuguesa, na época chamada de norma culta. II. O educador Paulo Freire deveria estar identificado com o cotidiano e presente na realidade de seus educandos; no Mobral, o governo via seu papel de ofertar cidadania e instrumentalizar os estudantes. III. Apoiado pelo plano MEC - USAID, o objetivo do Mobral era multiplicar o acesso e a disponibilidade de educação ao maior número de pessoas. Para Paulo Freire, o foco estava no sujeito, no projeto e no resultado, além do despertar da autonomia; dessa forma,ele e suas propostas eram entendidos como um risco para o projeto de país que se pretendia levar à frente. Está correto o que se afirma em: A I, II e III. B I e II. C II e III. D I, apenas. E II, apenas. A alternativa A está correta. Em 1964, Freire era entendido como o nome a levar um projeto nacional de educação de adultos, em especial a partir de ações bem sucedidas criadas no Nordeste. A crítica dialoga em relação ao objetivo (autonomia versus cidadania) e ao projeto de nação (sujeitos participativos versus cidadãos comprometidos com o país). 2. EJA e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação A educação na Nova República A Constituição Federal de 1988 consagrou o princípio de que toda e qualquer educação visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (art. 205). Retomado pela Lei nº 9.394/1996 (a nova LDB), esse princípio abriga o conjunto das pessoas e dos educandos como um universo de referência sem limitações. Assim, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade estratégica do esforço da nação em prol de uma igualdade de acesso à educação como bem social, participa desse princípio e sob essa luz deve ser considerada. Atividade De acordo com os princípios citados, leia o texto a seguir e marque alternativa que melhor se encaixa no contexto da EJA no Brasil. Pode-se afirmar que a EJA propõe-se a atuar em um sentido de reparação da realidade brasileira de ----------, que constitui uma dívida inscrita na história social do país e na vida de tantos indivíduos. Essa ---------- da EJA significa a entrada no circuito dos direitos civis pela -------: o de ter acesso a uma ---------- e também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo ser humano. A função reparadora também deve ser vista como uma oportunidade concreta da presença de jovens e adultos na escola, sendo uma alternativa viável em função das especificidades ---------- desses segmentos, para os quais se espera uma efetiva atuação das ----------. Além dessa função, a EJA tem também reconhecidas atualmente as funções equalizadora e de ----------, ou seja, de atendimento ao preceito da ----------, defendida na Declaração de Jomtien, assinada pelo Brasil. A educação permanente - educação por toda a vida - escola de qualidade - exclusão educacional - função reparadora - políticas sociais - restauração de um direito negado - socioculturais B exclusão educacional - escola de qualidade - restauração de um direito negado - função reparadora - socioculturais - políticas sociais - educação permanente - educação por toda a vida C exclusão educacional - função reparadora - restauração de um direito negado - escola de qualidade - socioculturais - políticas sociais - educação permanente - educação por toda a vida D educação por toda a vida - escola de qualidade - restauração de um direito negado - função reparadora - socioculturais - políticas sociais - educação permanente - exclusão educacional E exclusão educacional - escola de qualidade - restauração de um direito negado - função reparadora - socioculturais - políticas sociais - educação permanente - educação por toda a vida A alternativa C está correta. Pode-se afirmar que a EJA propõe-se a atuar em um sentido de reparação da realidade brasileira de exclusão educacional, que constitui uma dívida inscrita na história social do país e na vida de tantos indivíduos. Essa função reparadora da EJA significa a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração de um direito negado: o de ter acesso a uma escola de qualidade e também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo ser humano. A função reparadora também deve ser vista como uma oportunidade concreta da presença de jovens e adultos na escola, sendo uma alternativa viável em função das especificidades socioculturais desses segmentos, para os quais se espera uma efetiva atuação das políticas sociais. Além dessa função, a EJA tem também reconhecidas atualmente as funções equalizadora e de educação permanente, ou seja, de atendimento ao preceito da educação por toda a vida, defendida na Declaração de Jomtien, assinada pelo Brasil. A Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990, tinha por objetivo estabelecer compromissos mundiais para garantir a todas as pessoas os conhecimentos básicos necessários a uma vida digna. Foi concluída com a publicação da Declaração Mundial sobre Educação para Todos e de um plano de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem (Unesco, 1990). Essas considerações adquirem substância por representarem uma dialética entre dívida social, abertura e promessa e também por se tratarem de postulados gerais transformados em direito do cidadão e dever do Estado. O art. 208 é claro ao garantir o ensino fundamental como obrigatório e gratuito, assegurando, inclusive, que sua oferta será de graça para todos os que a ele não tiverem acesso em idade própria. A redação pressupõe a educação básica para todos e, dentro dela, em especial, o ensino fundamental como seu nível obrigatório, inclusive para os adultos. A educação para todos tem seu direito positivado, constitucionalizado e cercado de mecanismos financeiros e jurídicos de sustentação. Comentário O art. 214 da Constituição Federal de 1988 estabelece como meta para a educação como um todo a erradicação do analfabetismo (inciso I) e a universalização do atendimento escolar (inciso II). Erradicar o analfabetismo e universalizar o atendimento são faces da mesma moeda e significam o acesso de todos os cidadãos brasileiros ao ensino fundamental. O art. 60 do Ato das Disposições Transitórias, com redação dada pela Emenda Constitucional 14/1996, os estados, o Distrito Federal e os municípios destinarão não menos de 60% dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal à manutenção e ao desenvolvimento do ensino fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização do seu atendimento e a remuneração condigna do magistério […]. O parágrafo 6º do mesmo artigo reafirma que a União aplicará na erradicação do analfabetismo e na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental nunca menos que o equivalente a 30% dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal. Da mesma forma, o art. 87 (Título IX das Disposições Transitórias), ao instituir a Década da Educação, determina que cada município e, supletivamente, o Estado e a União deverão prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados (art. 87, § 3º, III). Educação: direito de todos Neste vídeo, veja como a Constituição fornece os dispositivos para fortalecer a educação de jovens e adultos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A Lei nº 9.394/1996 e a EJA como modalidade Em seu art. 37, a Lei nº 9.394/1996 garante que a EJA será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. Trata-se de um contingente plural e heterogêneo de jovens e adultos, predominantemente marcado pelo trabalho. O art. 38 diz que os sistemas de ensino manterão cursos da EJA e exames supletivos. Tais cursos tanto podem ser no âmbito da oferta de educação regular para jovens e adultos (art. 4º, VII), quanto no de oportunidades apropriadas, mediante cursos regulares e exames supletivos (art. 37, §1º). Tais cursos e exames, de acordo com a lei e as diretrizes, deverão atender à base comum nacional e possibilitar o prosseguimento de estudos. Formulada em diálogo com a Declaração de Jomtien e com os novos ares democráticos que se viviam no Brasil, apesar de políticas de educação pouco favoráveis aos grupos sociais excluídos, a LDB nº 9.394/1996 converteu a Educação de Jovens e Adultos em modalidade educacional. Com isso, abriu portas para, mais do que se adaptar às demandas e acordos internacionais, passar a exigir outro tipo de abordagem.A Declaração Mundial sobre Educação de Adultos afirma que: Mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias que poderiam melhorar a qualidade da vida e ajudá-los a perceber e a adaptarem-se às mudanças sociais e culturais. Para que a educação básica torne-se equitativa, é mister oferecer a todas as crianças, jovens e adultos a oportunidade de alcançar um padrão mínimo de qualidade de aprendizagem. (Unicef, 1990) No Brasil, a situação não é tão grave, mas dados pouco animadores — ainda atualmente — tornaram necessária a definição de políticas educacionais efetivas para o problema desde que, no final do período militar, a EJA inscreveu-se na luta pela democratização de nossa sociedade como direito de todos os “que não tiveram oportunidade de se escolarizar no momento devido”. Assim, foi no processo de redemocratização dos anos 1980 que a Constituição deu o passo decisivo em direção a uma nova concepção de educação de jovens e adultos. Foi muito significativa a presença de segmentos sociais identificados com a EJA no sentido de recuperar e ampliar a noção de direito ao ensino fundamental extensivo aos adultos, já posta na Constituição de 1934. A LDB acompanhou essa orientação, suprimindo a expressão ensino supletivo, embora mantendo o termo supletivo para os exames. Todavia, trata-se de uma manutenção meramente nominal, já que tal continuidade se dá no interior de uma nova concepção. Termos remanescentes do ordenamento revogado devem ser considerados à luz de um novo e não pelos ordenamentos vindos da antiga lei. Resumindo A vontade expressa de outra orientação para a educação de jovens e adultos, a partir da concepção estabelecida pela nova lei, mesmo guardando semelhanças de nomenclatura com a legislação do período militar, inova e eleva a EJA a um status mais próximo do compromisso com suas diferentes funções: reparadora, equalizadora e permanente, às quais se pode ainda juntar a função qualificadora quando consideramos o aspecto da formação profissional. Do ponto de vista conceitual, além da extensão da escolaridade obrigatória formalizada em 1967, os artigos 37 e 38 da LDB de 1996, em vigor, dão à EJA uma dignidade própria, mais ampla, e eliminam uma visão de externalidade com relação ao assinalado como regular. O art. 4º inciso VII da LDB é claro: O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: […] oferta de educação regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. (Lei nº 9.394, 1996) Desde que a EJA passou a fazer parte constitutiva da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ela tornou-se modalidade da educação básica e é reconhecida como direito público subjetivo na etapa do ensino fundamental. Logo, ela é regular como modalidade de exercício da função reparadora. E como direito público subjetivo, atinge também sua função equalizadora. De acordo com a SME-RJ (2020): Como direito de educação ao longo da vida, a EJA também se caracteriza como permanente. Na perspectiva da educação permanente e do direito à educação ao longo da vida, apesar de haver uma função, ela desdobra-se em dois aspectos: a função qualificadora e de atendimento às necessidades contínuas. Função reparadora da EJA Refere-se à possibilidade de acesso ao ensino fundamental e médio de qualidade a todos aqueles que foram privados desse direito na idade própria. Baseia-se no princípio da escola democrática entendida como um serviço público, direito de todos e dever do Estado no sentido de promover a igualdade de oportunidades que conduzam ao pleno exercício da cidadania. Função equalizadora da EJA Permite o retorno ao sistema educacional de segmentos específicos da sociedade como donas de casa, migrantes, trabalhadores rurais, aposentados e encarcerados que tiveram sua escolaridade interrompida por diversos motivos, como evasão, repetência ou outras circunstâncias desfavoráveis. Nesse caso, a EJA poderá abrir novos caminhos para a participação e a reinserção na vida social e no mundo do trabalho. A função qualificadora configura-se como a própria essência da EJA, numa perspectiva da educação permanente. Dentro desse caráter ampliado, os termos “jovens e adultos” indicam que, em todas as idades e em todas as épocas da vida, é possível se formar, desenvolver-se e constituir conhecimentos, habilidades, competências e valores que transcendam os espaços formais da escolaridade e conduzam à realização de si e ao reconhecimento do outro como sujeito. A função da educação de jovens e adultos que garante o atendimento às necessidades contínuas de aprendizagem e atualização inerentes à vida do homem nos tempos atuais, ou seja, a chamada educação durante toda a vida ainda não é exercida efetivamente pela EJA, que está voltada, prioritariamente, para as outras duas funções que buscam resgatar ao cidadão o direito à escolaridade básica. (SME-RJ, 2020) A partir da Constituição de 1988 e da Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), as novas construções da realidade brasileira são incorporadas ao aparato legal, em um movimento semelhante ao que vinha ocorrendo em outros países. A Declaração de Jomtien, assinada pelo Brasil, exerceu função importante na redefinição da EJA no país e, possivelmente, foi uma das influências para sua conversão em modalidade conforme consta na LDB. Nos anos 1990, mais precisamente em 1997, a Conferência de Educação de Adultos, chamada de V Confintea (realizada em Hamburgo, Alemanha), firma uma declaração também de grande importância: a Declaração de Hamburgo e a Agenda para o Futuro da EJA. Duas vertentes importantes passaram a configurar a educação de jovens e adultos pós-Hamburgo. Conheça- as! Escolarização Assegurando o direito à educação básica a todos os sujeitos, independentemente da idade, passando a assumir a educação como direito humano fundamental, preceituado desde a Declaração dos Direitos Humanos, de 1948. Educação continuada Entendida pela exigência do aprender por toda a vida, independentemente da educação formal. Incluem-se nessa vertente ações educativas de discussão de temáticas sociais, como gênero, etnia, profissionalização, questões ambientais etc., assumidas em espaços não formais, assim como a formação continuada de educadores, estes também jovens e adultos em processo de aprendizagem. A nova vertente passou a constituir o verdadeiro sentido da EJA na atualidade, por ressignificar os processos de aprendizagem pelos quais os sujeitos produzem-se e humanizam-se ao longo de toda a vida. Essa concepção reconceitualiza a área, não mais restrita à questão da escolarização, ou da alfabetização, como foi vista por largo tempo. A associação entre o direito de aprender por toda a vida articula-se com a dignidade da pessoa humana nessa perspectiva, também fundante na compreensão atual da modalidade. A opção governamental, vigente desde o início dos anos 1990 até 2002, intensificou o afastamento da EJA como um processo de educação continuada, indispensável para acompanhar a velocidade e as necessidades atuais de desenvolvimento das ciências, das técnicas, da tecnologia, das artes, das expressões, das linguagens, das culturas, enfim, do que o mundo, especialmente a partir do fenômeno da globalização, conferia à história. Apesar dessa posição, dos embates dos educadores e dos fóruns de EJA com as políticas do MEC (e talvez mesmo por causa delas), o Parecer CEB/ CNE, de 11 de maio de 2000, conferiu à EJA um texto de diretrizes que a recoloca no plano em que precisa ser discutida, compreendida e apreendida: o do direito. Tanto a escolarização reforçava-se como ação da educação de jovens e adultos como as demais ações educativas que trabalhavam com os segmentos mais pobres da população, com a finalidade de proporcionar a eles a experiência de sabero que é ter direito e de se organizar para conquistá-lo. A dignidade da pessoa humana e a aprendizagem ao longo da vida A última Conferência Internacional de Educação de Adultos, a VI Confintea, realizada em Belém do Pará, no Brasil, em 2009, teve o tema de aprendizagem ao longo da vida como condutor das discussões, apesar de a ideia já vir surgindo desde os anos 1990, pelo menos. Essa noção tem para os sujeitos da EJA um sentido amplo, abandonando a falsa compreensão de que só se aprende quando ensinado ou de que o que é ensinado, aprende-se. Essa concepção, que esvazia os sujeitos da condição de protagonistas de sua ação no mundo, segue predominante na compreensão das funções da educação formal. Reflexão Faz-se necessário refletir sobre isso ao trabalhar com a compreensão do que seja para a EJA a noção de aprendizagem ao longo da vida, em suas especificidades em relação aos processos de escolarização. Especialmente no Brasil, onde o número de não alfabetizados, dos de baixa escolarização ou dos que não atingiram a formação de educação básica alcançam cifras da ordem de 100 milhões, não podemos desprezar a vertente da escolarização — um direito que foi interditado à maioria da população no longo processo histórico que manteve as oligarquias e seus privilégios indiferentes e em situação de poder sobre as classes populares. A prioridade nas políticas públicas, desde a Constituição de 1988, tem sido a educação para todos como direito, independentemente da idade, o que exige cuidar desse largo contingente a quem o Estado deve a oferta da educação básica, pela via da escolarização. No contexto da busca pela educação para todos, há duas importantes razões para que educação e escolaridade não sejam igualadas, como fica claro na fala de McCowan (2011), que nos alerta o quanto é importante não esquecer que a associação corrente entre direito à educação e direito à escolarização pode nos levar a enganos. Em primeiro lugar, muitas escolas ao redor do mundo não conseguem oferecer uma experiência que possa ser chamada efetivamente de educação. Entre muitos exemplos possíveis, destaca-se o estudo etnográfico de Palme (1999) sobre escolas no norte de Moçambique, o qual proporciona uma imagem viva, e desalentadora, desse fato. Os estudantes passam a maior parte do tempo ouvindo sem entender, copiando sem entender e simplesmente esperando. McCowan (2015) alerta para o fato de que a educação, entendida como direito humano, precisa atender a quatro características essenciais: Valor intrínseco. Engajamento em processos educacionais. Aproveitamento ao longo da vida. Consonância com a totalidade dos direitos humanos. Entende-se que a escolarização representará efetiva contribuição ao exercício do direito à educação quando atender a esses critérios; mais ainda quando o princípio da dignidade humana estiver incluído nos fazeres pedagógicos, como elemento de práticas educacionais cotidianas. • • • • As políticas públicas que vigoraram entre 2003 e 2015 foram relevantes e tinham foco na constituição do direito à educação para todos, independentemente da idade, possibilitando condições de dignidade a milhares de brasileiros. Essas políticas estiveram pautadas no princípio da dignidade humana, buscando proporcionar proteção integral à pessoa. Assim, promover condições materiais básicas aos que sofrem efeitos de desigualdades no Brasil não significa alívio da pobreza. Infelizmente, a presença da educação nas sociedades contemporâneas é realidade para alguns mas também é grande fator de desigualdade social. Trajetórias interrompidas, descontínuas, baixa escolarização e analfabetismo são aspectos carregados de estigma e de desvalorização social, não sendo efetivamente tratados pelas políticas públicas. E é nesse debate que se inscreve o papel da Educação ao longo da vida na garantia da dignidade humana. A Constituição Federal de 1988, no inciso III do artigo 1°, preceitua a dignidade da pessoa humana como princípio, valor fundamental e base da democracia — o que, na educação de jovens e adultos (EJA), é enunciado como premissa básica para pensar o direito à educação. Atenção A pessoa humana é concebida como possuidora de valor em si mesma, não constituindo mero instrumento a serviço do Estado ou de terceiros. Concebida como detentora de autonomia, a pessoa humana é possuidora de necessidades materiais e psíquicas como ser social, que se desenvolve e se constitui de relações intersubjetivas inerentes à vida em sociedade. A dignidade humana representa o princípio que alimenta e está presente no conteúdo de todos os direitos fundamentais firmados na Constituição, mesmo que em intensidades diferentes, apresentando-se como norte interpretativo, inevitavelmente. A partir dessa perspectiva legal, o princípio da dignidade humana na Constituição brasileira, como consequência de seu valor fundamental, tem como conteúdo os direitos individuais e políticos, assim como os direitos sociais, culturais e econômicos. Enfatiza ainda que a materialidade desse princípio, no que tange às condições básicas de existência, ocorre por meio dos direitos sociais, definidos no Artigo 6º da Carta Magna. Pode-se afirmar que o direito à educação de jovens e adultos (EJA) funda-se no princípio da dignidade da pessoa humana, sob a ótica de que o direito à educação compõe a dimensão material desse princípio (o chamado mínimo existencial), sendo que autonomia e reconhecimento configuram conteúdos da dignidade referenciais e balizadores à compreensão de como se forja tal direito em situações concretas. (Dantas, 2018) Resumindo Podemos afirmar que o percurso da EJA no Brasil dos últimos cinquenta anos mostra com clareza a importância dos novos conceitos e do aprofundamento de debates. Estes suscitados pelo fato de a educação estar incluída, em todos os níveis e em todas as modalidades, em um conjunto de direitos relacionados a aprendizagens de conteúdos escolares ou à alfabetização e também envolvendo o direito de desenvolver-se por toda a vida, tanto em relação a esses conteúdos formais quanto a outras aprendizagens permanentes, que nos aperfeiçoam como cidadãos e mesmo como seres humanos. Verificando o aprendizado Questão 1 Leia as afirmativas a seguir, que tratam da Constituição Federal de 1988 para a educação: I. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio de que toda educação visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. II. A Constituição Federal de 1988 afirma os princípios da dignidade humana, base da educação para vida, fundamento importante do EJA. III. A Constituição Federal de 1988 garante a educação para todas as crianças e abre a possibilidade de iniciativas para a educação de jovens e adultos. Está correto o que se afirma em: A I e III. B II e III. C I e II. D I, II e III. E I, apenas. A alternativa C está correta. As afirmativas I e II estão corretas. A III falha em não mensurar a educação como um direito e um compromisso para todos os brasileiros. É dado um destaque às crianças, mas afirma o direito de todos, independentemente da idade, de ter acesso à educação básica, princípio organizado na LDB de 1996. Questão 2 Em relação à função reparadora da educação de jovens e adultos, assinale a alternativa correta: A A função reparadora pode ser vista como uma oportunidade de os jovens tornarem-se cidadãos ativos e serem inseridos no mercado de trabalho. B A função das especificidades socioculturais desses segmentos, para os quais se espera uma efetiva atuação de novos intelectuais, são incorporadas à oportunidade de tornarem-se leitores eruditos. C A função da EJA tem reconhecidas, atualmente, as funções equalizadora e de educação permanente, ou seja, de atendimento ao preceito da educação para sujeitos subalternos ou incapazes, que devem ser incluídos. D A função reparadora da EJA significa a restauração dos direitos civis anteriormente negados: o direito a umaescola de qualidade e o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo ser humano. E A função de formar homens do campo, que não tiveram acesso à educação como defendida na Declaração de Jomtien, assinada pelo Brasil. A alternativa D está correta. A função reparadora tem uma função constitucional de devolver ao cidadão, que não teve oportunidade, uma educação de qualidade, como preconiza a Constituição Brasileira, como um direito de todos os cidadãos. 3. Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA Compromisso pela educação Neste vídeo, são apresentados os mais recentes acordos internacionais de compromisso para a educação. Assista! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. EJA e a legislação atual no Brasil A Resolução CNE/CEB nº 1, de 5 de julho de 2000, baseada no Parecer 11/2000, aprovado em maio do mesmo ano, estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para a Educação de Jovens e Adultos. Ela abrange os processos formativos da EJA como modalidade da educação básica nas etapas dos ensinos fundamental e médio, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996). Essas diretrizes estendem-se à oferta dos exames supletivos para efeito de certificados de conclusão das etapas do ensino fundamental e do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (art. 2º). Diferentemente das propostas anteriores, essas novas diretrizes deixam para cada sistema de ensino definir a estrutura e a duração dos cursos da EJA, respeitadas as diretrizes curriculares nacionais, a identidade dessa modalidade de educação e o regime de colaboração entre os entes federados (art. 6º). A resolução também legisla sobre: Manutenção da idade mínima A idade mínima para a inscrição e realização de exames supletivos de conclusão do ensino fundamental é de 15 anos completos, ficando vedada, em cursos de Educação de Jovens e Adultos, a matrícula e a assistência de crianças e de adolescentes da faixa etária compreendida na escolaridade universal obrigatória, ou seja, de sete a quatorze anos completos (art. 7º). Para o ensino médio, a idade mínima é de 18 anos completos. Possibilidades de oferta Além dos cursos presenciais, são permitidos cursos semipresenciais e a distância (art. 9º). Os estudantes só podem ser avaliados, para fins de certificados de conclusão, em exames supletivos presenciais oferecidos por instituições especificamente autorizadas, credenciadas e avaliadas pelo poder público, dentro das competências dos respectivos sistemas, conforme norma própria sobre o assunto e sob o princípio do regime de colaboração. Vinte anos passaram, e a resolução permanece vigente, apesar de algumas adaptações que se tornaram necessárias, seja porque houve mudanças sociais significativas no período, seja em função de novas normas curriculares aprovadas e em vigor, que também implicam mudanças na EJA. Resoluções e pareceres do EJA no século XXI A resolução e o parecer que lhe deram origem tratam do tema da EJA de modo amplo e recuperando a trajetória de compreensão da modalidade desde os princípios da Constituição Federal de 1988, passando pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e por duas outras resoluções importantes para a matéria: as Resoluções CEB nº 2 e nº 3, ambas de 1998. A primeira versa sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, e a segunda, sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, que passaram a valer também para a modalidade EJA, desde sua aprovação. Em relação à Constituição, destaca-se o capítulo dedicado à família, à criança, ao adolescente e ao idoso, do qual decorreu o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei nº 8.069/1990. Inúmeras referências aos jovens e adultos também estão presentes no capítulo da Educação da Constituição. Quanto à LDB, suas bases legais encaminham para uma diferenciação entre o caráter obrigatório do ensino fundamental e o caráter progressivamente obrigatório do ensino médio, tendo em vista o reconhecimento da necessidade de sua universalização. Atenção A EJA, como uma modalidade da educação básica no interior das etapas fundamental e média, deve evidentemente pautar-se pelos mesmos princípios postos na LDB para o ensino fundamental e médio regulares. E, no que se refere aos componentes curriculares de seus cursos, ela toma para si as diretrizes curriculares nacionais dessas etapas, conforme referidas. Valem, pois, para a EJA, as mesmas diretrizes do ensino fundamental e médio regulares. A elaboração de outras diretrizes poderia configurar-se na criação de uma nova dualidade, subtraindo responsabilidades da esfera pública, na garantia desses estudantes às mesmas aprendizagens dos demais. Contudo, esse caráter não significa uma igualdade direta quando pensada à luz da dinâmica sociocultural das diferentes fases da vida e de pessoas em diferentes condições sociais, materiais e culturais de existência. É preciso, nessa igualdade, incluir o respeito à diferença. Os estudantes jovens e adultos trazem para o ambiente escolar experiências e conhecimentos específicos de sua trajetória de vida, diferentemente das crianças do ensino fundamental e adolescentes do ensino médio regular. Assim, a faixa etária e suas especificidades tornam-se elementos relevantes para a proposição de atividades pedagógicas a esses diferentes públicos e podem exigir uma ressignificação das diretrizes comuns. No ano 2000, foram elaboradas e aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, analisadas pela comissão de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), com base em parecer de Carlos Roberto Jamil Cury, homologado e publicado no Diário Oficial da União de 9 de junho de 2000, seção 1e, p. 15. Assim, a Resolução CNE/CEB 1/2000, originada no referido parecer, foi publicada no Diário Oficial da União de 19 de julho de 2000, seção 1, p. 18. O parecer recupera elementos da LDB nº 9.394/1996 para reafirmar a EJA como uma modalidade da educação básica nas etapas do ensino fundamental e médio, o qual usufrui de uma especificidade própria e, portanto, deveria receber um tratamento consequente. Muitas dúvidas assolavam os interessados no assunto. Os sistemas, por exemplo, que sempre lidaram com o antigo ensino supletivo, passaram a solicitar esclarecimentos específicos no Conselho Nacional de Educação. Do mesmo modo, associações, organizações e entidades o fizeram. Fazendo jus ao disposto no art. 90 da LDB, a CEB, dando respostas caso a caso, amadureceu uma compreensão de que isso não era suficiente. Era preciso uma apreciação de maior fôlego. O presente parecer ocupa-se das diretrizes da EJA cuja especificidade compõe-se com os pareceres supracitados (Resolução CNE/CEB, 2000). O contexto da EJA e as recomendações da Resolução A referência aos pareceres anteriores não significa uma reprodução descontextualizada da educação básica para a EJA e não desconsidera seu caráter específico. Daí a presença dos princípios da contextualização e do reconhecimento de identidades pessoais e das diversidades coletivas como base para as diretrizes nacionais dos conteúdos curriculares para essa modalidade. Adaptação pedagógica Muitos estudantes da EJA têm origens em quadros de desfavorecimento social, e suas experiências familiares e sociais divergem, por vezes, das expectativas, dos conhecimentos e das aptidões que muitos docentes possuem com relação a eles. Identificar, conhecer, distinguir e valorizar esse quadro é princípio metodológico para produzir uma atuação pedagógica capaz de gerar soluções justas, equânimes e eficazes para esse conjunto de estudantes. Aproveitamento das experiências dos estudantes A contextualização permite considerar os modos específicos de como esses estudantes podem dispor de seu tempo e de seu espaço para promover sua escolarização. Por isso, a heterogeneidade do público da EJA merece consideração cuidadosa, já que influencia o processo pedagógico. Mais do que empecilho, deve ser percebidacomo riqueza possível para o desenvolvimento de um trabalho voltado ao reconhecimento dessa diversidade, como característica nacional e abertura de possibilidades de enriquecimento mútuo, além de aprendizagens formais. A EJA é destino de adolescentes, jovens e adultos que possuem múltiplas experiências de trabalho, de vida e de situação social, sendo aí compreendidas as práticas culturais e os valores já constituídos que habitam suas vidas. A necessidade de projetos educacionais que os considerem é evidente. Diante das diretrizes presentes nos pareceres considerados, a regra metodológica é: descontextualizar os conteúdos da idade escolar próprios da infância e adolescência para, apreendendo e mantendo seus significados básicos, recontextualizá-los na EJA. É preciso ter a observação metodológico-política do Parecer CEB nº 15/1998, aplicável para além do ensino médio, já que boa parte dos estudantes está na mesma faixa etária que jovens da EJA do ensino fundamental: a diversidade da escola média é necessária para contemplar as desigualdades nos pontos de partida de seu alunado, que requerem diferenças de tratamento como forma mais eficaz de garantir a todos um patamar comum nos pontos de chegada. Considera-se, portanto, que essa diversidade tem muitas consequências e desdobramentos: uma delas se expressa nos horários em que a EJA é oferecida, com maior frequência, o noturno. Se cansaço e fadiga não são exclusividade dos estudantes da EJA, também métodos ativos não são exclusividade de nenhum outro turno. Ou seja, podem e devem, em algumas circunstâncias, ser usados. Não pode faltar atenção também a outros aspectos que se relacionam com o perfil do estudante jovem e adulto. Veja dois exemplos que precisam ser considerados! Flexibilidade curricular: deve significar um momento de aproveitamento das experiências diversas que esses estudantes trazem consigo, como os modos pelos quais eles trabalham seus tempos e seu • cotidiano. A flexibilidade poderá atender a essa tipificação do tempo mediante módulos, combinações entre ensino presencial e não presencial e em sintonia com temas da vida cotidiana dos estudantes a fim de que possam tornar-se elementos geradores de um currículo apropriado aos estudantes e às suas experiências. Trabalho: este é outro elemento relevante, seja pela experiência, seja pela necessidade imediata de inserção profissional, o tema merece especial destaque nos processos de escolarização na modalidade EJA. A busca da alfabetização ou da complementação de estudos participa de um projeto mais amplo de cidadania que propicie inserção profissional e busca da melhoria das condições de existência. Portanto, o tratamento dos conteúdos curriculares não pode ausentar-se dessa premissa fundamental, prévia e concomitante à presença em bancos escolares: a vivência do trabalho e a expectativa de melhoria de vida. A premissa da vivência do trabalho e da expectativa de melhoria de vida é o contexto no qual se deve pensar e repensar o liame entre qualificação para o trabalho, educação escolar e os diferentes componentes curriculares. É o que está dito no art. 41 da LDB. Veja! O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (LDB, 1996) O projeto pedagógico para a EJA e a preparação dos docentes para a atuação nessa modalidade, sempre segundo a resolução da qual tratamos aqui, devem considerar, sob a ótica da contextualização, o trabalho e seus processos e produtos desde a mais simples mercadoria até seus significados na construção da vida coletiva. Mesmo na perspectiva da transversalidade temática, tal como proposta nas atuais diretrizes curriculares e na Base Nacional Comum Curricular para o ensino fundamental e médio, cabe aos projetos pedagógicos a forma de definição dos modos usados para abordá-los na proposta pedagógica, aí incluindo o trabalho ou outros temas de especial significado. Saiba mais As múltiplas referências ao trabalho constantes na LDB têm um significado peculiar para quem já é trabalhador. É nessa perspectiva que a leitura de determinados artigos da lei deve ser vista sob a especificidade dessa modalidade de ensino. No Parecer CEB nº 15/1998 para o ensino médio em geral e de novo nas diretrizes e na Base Nacional Comum para esse segmento, recomendações a questões relacionadas ao trabalho estão presentes. Elas ganham mais força para os estudantes da EJA porque, em sua maioria, já são trabalhadores. • Formas da educação de jovens e adultos Para melhor formular as propostas para a EJA, é importante levar em consideração alguns pontos do cotidiano dos estudantes. Conheça-os! Lazer Uma questão relevante está no reconhecimento da importância do tempo de lazer e dos modos como é usado pelos sujeitos. Isso implica investigar e considerar o impacto dos meios de comunicação sobre os estudantes, além do impacto das redes sociais — ausentes do parecer, mas determinantes atualmente. Cultura regional do indivíduo Estudantes da EJA são, muitas vezes, migrantes e costumam manter seu gosto pelas manifestações das culturas regionais, derivando daí elementos significativos para a constituição e a sistematização de novos conhecimentos. Imagem pessoal X Autoestima A resolução expressa, ainda, preocupação com o fato de muitos estudantes da EJA, diante de seus filhos e amigos, possuírem de si uma imagem pouco positiva relativamente a suas experiências ou até mesmo negativa no que se refere à escolarização. Isso pode inibi-los a tratar de determinados assuntos e cabe às propostas da EJA combater esse problema, investindo em ações que contribuam para elevar a autoestima desses estudantes. Os componentes curriculares ligados à educação artística e à educação física são espaços oportunos, conquanto associados ao caráter multidisciplinar dos demais componentes curriculares para se trabalhar a desinibição, a baixa autoestima, a consciência corporal e o cultivo da sociabilidade. Desenvolvidos como práticas socioculturais ligadas às dimensões estética e ética dos estudantes, esses componentes curriculares são constituintes da proposta pedagógica de oferta obrigatória pela instituição e frequência facultativa pelos estudantes. Quando se trata de exames supletivos avulsos, descolados de unidades educacionais que ofereçam cursos presenciais e com avaliação em processo, a oferta desses componentes não será obrigatória. Diferença de idade Importante é também distinguir as duas faixas etárias consignadas nessa modalidade de educação. Apesar de partilharem uma situação comum desvantajosa, as expectativas e as experiências de jovens e adultos frequentemente não são coincidentes. Esses e muitos outros exemplos deverão ser ressignificados, em que o zelar pela aprendizagem, tal como disposto no art. 13, III da LDB, ganha grande relevância. Os projetos pedagógicos devem considerar a conveniência de haver, na constituição dos grupos de estudantes, momentos de homogeneidade ou heterogeneidade para atender, com flexibilidade criativa, essa distinção. Não perceber o perfil distinto desses estudantes e tratar pedagogicamente os mesmos conteúdos, como se eles fossem crianças ou adolescentes, seria contrariar mais do que um imperativo legal: seria contrariar um imperativo ético. Da especificidade dos projetos aos currículos em ação Os momentos privilegiados da ressignificação dos pareceres são os da elaboração e da execução dos projetos pedagógicos, sempre locais e específicos. O momento da elaboração do projeto pedagógico — expressão e distintivo da autonomia de um estabelecimento — inclui o planejamento das atividades a partir do conhecimento e da consideração da realidade local e dos estudantes. Segundo a legislação, a organização dos estabelecimentos usufrui de certa flexibilidade, em função de sua autonomia pedagógica, mesmo que as políticas curriculares mais recentes tenham reduzido essa autonomia. O projeto pedagógico resumeem si (no duplo sentido de resumir: conter o todo em ponto menor e retomar o conjunto, sintetizá-lo) o conjunto dos princípios, objetivos das leis da educação, as diretrizes curriculares nacionais e a pertinência à etapa e ao tipo de programa ofertado em um curso, considerados a qualificação do corpo docente instalado e os meios disponíveis para pôr em execução o projeto. No momento da execução, o projeto torna-se um currículo em ação, materializado em práticas diretamente referidas ao ato pedagógico. Contudo, se muitos dos que buscam a oferta de educação escolar regular para jovens e adultos (LDB, art. 4º VII) ou o ensino noturno regular (LDB, art. 4º VI) são prejudicados em seus itinerários escolares, não se pode reduplicar seu prejuízo mediante desfazer-se da obrigação da qualidade da oferta educacional a eles destinada. Torna-se fundamental, portanto, a formulação de projetos pedagógicos próprios e específicos dos cursos noturnos regulares e da educação de jovens e adultos. Já no Parecer CEB nº 15/1998, encontra-se a preocupação expressa com uma política de qualidade nos projetos pedagógicos. E como é possível ver na CNE (2000, p. 64), identifica-se, ainda, a associação deles ao prazer de fazer bem feito e à insatisfação com o razoável, quando é possível realizar o bom, e com este, quando o ótimo é factível. Comentário Para a concepção estética, o ensino de má qualidade é, em sua feiura, uma agressão à sensibilidade e, por isso, será também antidemocrático e antiético. A EJA não pode sucumbir ao imediatismo que sufoca a estética, comprime o lúdico e impede a inventividade. Com a aprovação das Bases Nacionais Comuns Curriculares do ensino fundamental, em 2017, e do ensino médio, em 2018, apesar da redução da autonomia e, portanto, da possibilidade de flexibilização curricular na elaboração de projetos pedagógicos destinados à EJA, a Resolução nº 1/2000 do CNE mantém sua atualidade, já que, em nenhum momento, flexibiliza os conteúdos a serem ensinados, mas tão somente as formas de sua abordagem. Na resolução, consta que um momento específico dessa referência é a recontextualização que se impõe à transposição didática e metodológica das diretrizes curriculares nacionais do ensino fundamental e do médio para a EJA — atualmente das BNCC para os dois níveis de escolarização. As experiências de vida dos estudantes qualificam-se como componentes significativos da organização dos projetos pedagógicos, inclusive pelo reconhecimento da valorização da experiência extraescolar (LDB, art. 3, X). Tal recontextualização ganha com a flexibilidade posta no art. 23 da LDB, cujo teor destaca a forma diversa que poderá ter a organização escolar tendo como um critério a idade. A permanência da validade de ambos os artigos indica que as mudanças operadas pela substituição das diretrizes curriculares pela Base Nacional Comum Curricular, para ambos os níveis, também não afetam alguns dos critérios que devem ser respeitados na elaboração e na execução de projetos pedagógicos específicos para a modalidade. A Resolução nº 1/2000 deixa claro que as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos aplicam-se obrigatoriamente aos estabelecimentos que oferecem cursos e aos conteúdos dos exames supletivos das instituições credenciadas para tal, sempre evocando o texto da LDB. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. (LDB, art.38) O artigo 38 da LDB implica os sistemas públicos de ensino na manutenção de cursos de jovens e adultos e exames supletivos. Já se viu reiteradamente que prioritária é a oferta de cursos na faixa da escolaridade universal obrigatória, sem desconsiderá-la no turno da noite. A oferta de cursos de EJA deve ser um esforço constante e localizado dos poderes públicos, com o objetivo de tornar a função reparadora cada vez mais algo do passado e que desapareça de nossos códigos a imposição do erradicar o analfabetismo. Mais importante, até para o sucesso de projetos destinados a alfabetizar universalmente a população brasileira, é eliminar as condições gerais de vida social que não permitem um mínimo de equidade, além de algumas das condições específicas que, nos cursos, não consideram o perfil do estudante em adequação aos métodos e diretrizes, como ocorre tão frequentemente com os estudantes da EJA. É aqui que a noção de currículo em ação ganha força, já que na prática educativa cotidiana docentes e estudantes em interação recriam as propostas ao usá-las em função dos limites e das possibilidades da realidade, na qual estão imersos mais do que a partir daquilo que pensaram os planejadores quando propuseram a atividade. Ou seja, toda recriação e adaptação que favoreça aprendizagens é bem- vinda, desde que não comprometa o direito de acesso ao conjunto dos conteúdos. A resolução afirma que a base nacional comum dos componentes curriculares deverá estar compreendida nos cursos da EJA. E o zelar pela aprendizagem dos alunos (art. 13, III) deverá ser de tal ordem que o estudante esteja apto a prosseguir seus estudos em caráter regular (art. 38). Mudaram as diretrizes, e os pareceres de 1998 foram substituídos pelas BNCCs, mas permanece a lógica da EJA como uma modalidade de ensino que precisa potencializar as aprendizagens para favorecer a inclusão escolar e social de seus estudantes, ao mesmo tempo em que permanece válida a compreensão de que os conteúdos, sendo os mesmos, as especificidades do público devem ser consideradas nos currículos específicos. Se nos pareceres de 1998 a Base Nacional Comum referia-se ao conjunto dos conteúdos mínimos das áreas de conhecimento articulados aos aspectos da vida cidadã, de acordo com o art. 26 da LDB, atualmente as BNCCs mantêm a lógica da distinção entre o que é para todos e o que é local e, ainda, a ideia de que a parte diversificada não é um recurso adicional a essa Base. Os conteúdos dessa parte são integrados à Base Nacional Comum. Na resolução acerca das diretrizes do ensino médio em sintonia com o parecer do ensino fundamental, está claro que: Tudo o que se disse até aqui sobre a nova missão do ensino médio, seus fundamentos axiológicos e suas diretrizes pedagógicas se aplicam para ambas as “partes”, tanto a nacional comum como a “diversificada”, pois numa perspectiva de organicidade, integração e contextualização do conhecimento não faz sentido que elas estejam divorciadas. (Resolução CNE nº 11/2000) Nas bases atuais, esses princípios continuam enunciados como válidos e necessários, mesmo que, do ponto de vista da realidade, não possamos confiar tanto no que se enuncia, já que algumas de suas premissas e propostas são incompatíveis com esses princípios. Há, portanto, atualmente, muitas interrogações em relação aos currículos da EJA, o quanto atendem e permanecerão atendendo aos princípios e às propostas da Resolução nº 1/2000, assegurando a qualidade da oferta, a contextualização dos conteúdos e o respeito às trajetórias, às especificidades culturais, aos conhecimentos e às experiências dos estudantes. Reflexão Em que medida as atuais bases e as difíceis condições de desenvolvimento de políticas locais de educação, em todos os níveis e modalidades, comprometem a formulação e o desenvolvimento de propostas pedagógicas para a EJA, que possam contemplar suas quatro funções — reparadora, equalizadora, qualificadora e permanente? Essa é uma questão que permanece e que exige de todos os envolvidos com ela, professores, estudiosos, estudantes, formuladores de políticas, atenção ao que se produz, ao que se aprende e se pensa com relação à EJA. Verificando o aprendizado Questão 1 A Resolução nº 1/2000 do CNE, que trata da atualidade do EJA no Brasil, aponta para alguns caminhos importantes. Entre eles, podemos destacar: I. É uma Resolução que versa sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação para a Terceira Idade, uma vez que leva os jovens para o ensino