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Cinesiologia e biomecânica dos
membros superiores
Cinesiologia e Biomecânica dos membros superiores: cintura escapular, ombros, braços, cotovelos,
antebraços, punho e mão.
Prof. Claudio Gonçalves Peixoto
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer o comportamento articular e segmentar dos membros superiores a partir das demandas cotidianas,
terapêuticas ou do exercício é imprescindível para o profissional da saúde que trabalha com o movimento.
Objetivos
Identificar o comportamento funcional do complexo do ombro a partir das diferentes estruturas
anatômicas e com base nas demandas cotidianas e esportivas.
Reconhecer o arranjo do complexo do cotovelo considerando a sua capacidade de amplitude de
movimento e a estabilidade do sistema locomotor.
Relacionar as estruturas anatômicas da região do punho e da mão com as demandas funcionais e as
múltiplas possibilidades de combinação entre os movimentos.
Introdução
Uma das características que distingue o homem dos outros animais é a sua capacidade manipulativa. Mas,
para que ela ocorra, há necessidade de uma série de arranjos nas articulações e nos segmentos que
constituem os membros superiores.
 
Ao iniciar este estudo, é preciso ter em mente que nem sempre a articulação dotada de maior mobilidade é a
mais estável, e a de menor capacidade de movimentação é a menos relevante. Estruturas como as
articulações esternoclavicular e acromioclavicular são tão importantes quanto outras articulações que
constituam os membros superiores.
 
Que tal conhecermos um pouco mais dessas articulações?
 
A partir de exemplos aplicados no dia a dia e nos esportes, vamos identificar a sua importância e as diferentes
capacidades funcionais com os referidos mecanismos de otimização dos movimentos.
 
Vamos então ao estudo!
• 
• 
• 
1. Comportamento funcional do complexo do ombro
Complexo do ombro
O complexo do ombro é uma estrutura que envolve a cintura escapular e o úmero na sua região proximal, com
base nas capacidades funcionais das articulações esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral.
 
Essas articulações atuam de maneira combinada e permitem maior alcance para a região da mão e dedos.
Dessa forma, vale já destacar que uma alteração estrutural ou funcional na região do complexo do ombro
tenderá a afetar também toda cadeia de movimento dos membros superiores.
O complexo do ombro é uma estrutura que envolve a cintura escapular e o úmero na
sua região proximal, com base nas capacidades funcionais das articulações
esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral.
Conceitos básicos
Alguns conceitos são necessários, para que você compreenda o comportamento funcional do complexo do
ombro:
Como você deve começar a pensar no complexo do ombro?
Vamos começar pela cintura escapular. Essa estrutura é constituída pelas clavículas e escápulas direita e
esquerda, formando assim dois pares ósseos.
Artrocinemática 
A artrocinemática é a capacidade de
movimentação dos ossos articulados, ou seja,
as possibilidades de movimento de uma
articulação quando atua como um eixo –
movimento angular; ou quando, dentro da
articulação, observa-se o movimento de
deslizamento de um osso em relação a outro
— movimento de translação.
Osteocinemática 
É o deslocamento que o segmento
corporal efetua no espaço a partir da
capacidade do movimento de uma
articulação. Assim, deve contemplar a
trajetória realizada pelo segmento
diante das possibilidades funcionais de
uma articulação. É dada pela ação das
forças potentes e resistentes sobre um
segmento que impacta o torque
articular em função do gasto de energia
necessário para realização do
movimento.
 
Como a união da cintura escapular com o restante do esqueleto ocorre através da clavícula na articulação
esternoclavicular e da não articulação entre os seus lados direito e esquerdo, ela é considerada um anel
incompleto, que possibilita a total independência de movimentos para os membros superiores direito e
esquerdo.
Cintura escapular.
A condição de livre movimentação para os membros superiores faz com que seus movimentos sejam mais
amplos, eficientes e cadenciados, graças a um conjunto de articulações e segmentos. Vale destacar que os
membros superiores estão mais capacitados a realizar complexas habilidades de manipulação e coordenação
motora fina.
 
Com foco no movimento, a cintura escapular deve ser estruturalmente percebida a partir das articulações
esternoclavicular e acromioclavicular, o que permite variados arranjos da escápula para os movimentos da 
articulação glenoumeral.
 
Vamos conhecer um pouco mais sobre essas estruturas.
Artrocinemática do complexo do ombro
Três articulações estruturais e uma articulação funcional constituem o complexo do ombro.
Articulação esternoclavicular
Articulação entre a região proximal (medial) da clavícula e o manúbrio
(esterno).
Articulação acromioclavicular
Articulação entre a região distal (lateral) da clavícula e o acrômio (escápula).
Relação escapulotorácica.
Articulação do glenoumeral
Articulação entre a cavidade glenoide (escápula) e a cabeça do úmero.
 
Essas três articulações são classificadas como 
articulações estruturais do tipo sinovial, ou seja,
com cápsula articular. 
 
Há também uma articulação funcional entre a
escápula e o gradil costal, que é chamada de 
“articulação escapulotorácica”. 
 
Essa classificação é dada em função da
possibilidade de movimentação da escápula em
relação ao gradil costal, onde ocorre a maioria
dos movimentos da articulação glenoumeral.
Atenção
Silva (2015, p. 62) afirma que: “a articulação escapulotorácica não é uma articulação verdadeira, não
havendo contato entre as estruturas ósseas, sendo separadas por um conjunto muscular, os quais
reduzem o cisalhamento nos movimentos”. 
Agora que você já ganhou alguma intimidade com as estruturas articulares, que tal conhecer um pouco mais
sobre cada uma delas e o seu comportamento na prática?
Articulação esternoclavicular
Há duas classificações possíveis para a articulação esternoclavicular: sinovial deslizante e esferoidal
modificada. Assim, são identificados movimentos de deslizamento (translação) anterior e posterior no plano
transverso e superior e inferior no plano frontal. O movimento rotacional para frente e para trás no plano
sagital existe graças à possibilidade de movimento em torno do eixo longo da clavícula.
 
Há também um disco fibrocartilaginoso, no interior da articulação, que melhora o encaixe e a preservação dos
ossos articulados, e um forte suporte ligamentar conferido pelos ligamentos interclavicular, esternoclavicular e
costoclavicular.
 
Apesar de aparentemente apresentar pequena mobilidade, os movimentos da articulação esternoclavicular
são fundamentais para a amplitude final conseguida pelos membros superiores. Por exemplo, com o braço
posicionado a 90° em relação ao tronco, o movimento de rotação interna e externa da articulação glenoumeral
exige uma pequena rotação que ocorre na articulação esternoclavicular.
Posicionamento da clavícula.
Ao pensar no posicionamento das clavículas a
partir da posição anatômica e quando
observadas no plano frontal, elas devem estar
“horizontalizadas” em relação ao solo. 
 
Para que isso ocorra, a tensão dos músculos
que sustentam a cintura escapular é
fundamental, ou seja, a integridade postural da
cintura escapular depende diretamente da
tensão residual do sistema locomotor ativo.
Articulação acromioclavicular
A articulação acromioclavicular é uma
articulação sinovial deslizante que também impacta diretamente os movimentos da articulação glenoumeral.
Assim, qualquer restrição na mobilidade da acromioclavicular tem efeito direto na amplitude de movimento da
articulação glenoumeral. A acromioclavicular possui disco fibrocartilaginoso, com as mesmas finalidades
desempenhadas na articulação esternoclavicular.
 
Quanto ao aspecto estrutural, a acromioclavicular possui um forte suporte ligamentar conferido pelos 
ligamentos coracoclavicular e acromioclavicular, que limitam significativamente os deslizamentosna
articulação. Também possui uma cápsula densa, o que ajuda na preservação da integridade estrutural
articular.
 
Atente-se para o fato de que a articulação acromioclavicular está localizada sobre o topo da cabeça do
úmero. Isso pode restringir os movimentos da articulação glenoumeral, em especial quando há
comprometimento estrutural da articulação acromioclavicular, por exemplo, no caso de artrose.
 
Em termos funcionais os movimentos nas articulações esternoclavicular e acromioclavicular são antagônicos
para os deslizamentos (translações), ou seja, elevação, depressão, protração e retração.
 
Como já mencionamos, a articulação escapulotorácica é uma articulação funcional, porém fundamental para
facilitar as variadas amplitudes de movimento da articulação glenoumeral. Pensando nisso, os movimentos da
cintura escapular são identificados a partir das variações do posicionamento da escápula em relação ao gradil
costal. São identificadas tanto a translação como a rotação, dependendo do movimento que esteja ocorrendo
na articulação esternoclavicular ou glenoumeral.
Atenção
A clavícula funciona como um “braço móvel” para os movimentos da escápula. A característica funcional
da articulação estcapulotorácica deve considerar que, em relação ao gradil costal, a escápula está
“apoiada” nos músculos serrátil anterior e subescapular. 
Anatomia do ombro.
Articulação glenoumeral ou articulação do ombro
A articulação glenoumeral é a mais ampla de todas as articulações do complexo do ombro — e também a que
atinge maior amplitude no corpo humano. É classificada como uma articulação sinovial de cabeça e cavidade
(esferoide), isto é, triaxial.
 
Se focarmos em sua constituição estrutural, a integridade da articulação glenoumeral apresenta aspectos de
vulnerabilidade em função dos seguintes aspectos:
 
Cápsula frouxa em relação à cabeça umeral (tem aproximadamente o dobro do volume da cabeça
umeral).
Cavidade glenoide envolvendo aproximadamente apenas 25% da cabeça umeral.
Na região anterior, suporte ligamentar limitado (glenoumeral superior, médio e inferior); e na região
superior, coracoumeral.
 
Vale destacar que os ligamentos glenoumerais assumem formatação espiralada em torno da articulação,
limitando, principalmente, os movimentos de rotação externa e abdução da glenoumeral. E ainda, ajudam
evitar a subluxação inferior da cabeça do úmero. Já o ligamento coracoumeral auxilia no fortalecimento da
parte superior da cápsula articular, resistindo ao deslocamento inferior da cabeça do úmero durante a
abdução e ao movimento de rotação externa do ombro.
titulo
Você pode estar pensando que o lábio da glenoide (glenoidal) e os músculos do manguito rotador irão conferir
o que falta para a articulação se estabilizar. Não é bem assim! O lábio da glenoide tende a aumentar em
aproximadamente 75% a área de contato entre a cavidade e a cabeça do úmero e ainda exerce alguma
“função ligamentar”.
 
• 
• 
• 
E o manguito rotador?
Chave de resposta
É a ação conjunta de quatro músculos da região do ombro — infra e supraespinhal, subescapular e
redondo menor — que, a partir dos seus tendões, tendem a auxiliar na estabilização da cabeça do úmero à
cavidade glenoide.
Observe o manguito rotador na imagem a seguir.
O manguito rotador.
A artrocinemática do ombro permite identificar movimentos de rotação e translação: além de girar em torno do
eixo articular, a cabeça do úmero também tende a deslizar no interior da articulação durante os movimentos
de rotação em função de suas características estruturais articulares.
Osteocinemática do complexo do ombro
Passemos agora a pensar no deslocamento dos ossos no espaço em função dos movimentos articulares, ou
seja, quais são as trajetórias possíveis e desejáveis em cada movimento.
Cintura escapular nas articulações esternoclavicular e acromioclavicular
Desde já, esteja ciente de que esses movimentos são antagônicos (opostos). Na elevação da clavícula, a
acromioclavicular desloca-se para cima enquanto a articulação esternoclavicular, para baixo. Na depressão da
clavícula, a acromioclavicular desloca-se para baixo, enquanto a esternoclavicular, para cima. Esses
movimentos ocorrem no plano frontal e, além da translação, ocorre uma rotação. Na elevação, a amplitude
máxima é de aproximadamente 45°; já na depressão, essa amplitude é reduzida para 15°.
 
Na protração da clavícula, a articulação acromioclavicular desloca-se para frente enquanto a articulação
esternoclavicular, para trás. Na retração da clavícula, a articulação acromioclavicular desloca-se para trás
enquanto a articulação esternoclavicular, para frente. Aqui, os movimentos ocorrem no plano transverso e são
observadas a translação e a rotação de aproximadamente 15° em cada sentido, no máximo.
 
Finalizando, temos o movimento de rotação anterior e posterior da clavícula. A amplitude aproximada destes
movimentos é de aproximadamente 45°. A rotação anterior é caracterizada pela anteriorização da parte
superior da clavícula, por exemplo, quando ocorre o movimento de hiperextensão da articulação glenoumeral.
Já a rotação posterior apresenta o comportamento oposto, e isso ocorre quando a parte superior da clavícula
tende a se deslocar para trás, por exemplo, quando ocorre a flexão completa da articulação glenoumeral.
Atenção
A articulação esternoclavicular apresenta maior mobilidade quando comparada à articulação
acromioclavicular.Quanto aos movimentos da cintura escapular, esses são identificados a partir do
deslocamento da escápula em relação ao gradil costal. 
Movimentos escapulares
Sobre os movimentos de translação no plano frontal, temos:
Elevação
A escápula é deslocada prioritariamente para
cima, com a possibilidade de um discreto
afastamento do ângulo inferior do gradil costal.
Depressão
A depressão consiste no abaixamento da
escápula com acomodação no gradil costal.
Confira os movimentos de rotação no plano “transverso” com eixo (imaginário) longitudinal.
Abdução
É o afastamento da borda medial da escápula
da linha média do corpo, ou seja, da coluna
vertebral.
Adução
É a aproximação da borda medial da escápula
da linha média do corpo (coluna vertebral).
Como exemplos de movimento de rotação no plano “frontal” com eixo (imaginário) anteroposterior podemos
citar:
Rotação superior ou lateral
O ângulo inferior da escápula é girado
lateralmente e para cima.
Rotação inferior ou medial
O ângulo inferior da escápula move-se
medialmente ou como retorno da rotação
superior.
Atenção
O ritmo escapulotorácico deve ser observado durante os movimentos da escápula, pois qualquer
alteração no posicionamento da coluna vertebral (segmento torácico), por exemplo a hipercifose
torácica, tenderá a afetar o deslocamento da escápula. Uma melhor visualização dos movimentos
escapulares será conseguida com os movimentos da articulação glenoumeral. Assim, o ritmo
escapuloumeral, ou seja, a acomodação dos movimentos escapulares para um melhor posicionamento
da cabeça do úmero na cavidade glenoide deve ser observado. Por exemplo, o movimento de extensão
da articulação glenoumeral tende a ser acompanhado pela rotação inferior da cintura escapular. 
Movimentos da articulação glenoumeral
Os movimentos da articulação do ombro tendem a vir acompanhados dos movimentos da escápula quanto
mais amplo for o movimento.
Conheça os movimentos que ocorrem no plano sagital com eixo laterolateral, a partir da posição anatômica.
Flexão
Deslocamento do segmento braço para frente. Amplitude de movimento ±180o.
Extensão
É o retorno da flexão, com o deslocamento do segmento braço até a posição anatômica. Amplitude de
movimento ±180o.
Hiperextensão
É o deslocamento do segmento braço para além da posição anatômica. Amplitude de movimento
±60o.
Os movimentos que ocorrem no plano frontal com eixo anteroposterior, a partir da posição anatômica incluem:
 
Abdução – Movimento tem início com afastamento do segmento braço da linha média do corpo.
Amplitude de movimento ±180o.
Adução – É o retorno do movimento deabdução até a posição anatômica. Amplitude de movimento
±180o.
Já os movimentos que ocorrem no plano transverso com eixo longitudinal, a partir da posição anatômica são
os seguintes:
• 
• 
Rotação interna ou medial
Segmento braço gira medialmente ou para
dentro. Amplitude de movimento ±80o.
Rotação externa ou lateral
Segmento braço gira lateralmente ou para fora.
Amplitude de movimento ±65o.
Para os movimentos em que a posição inicial é diferente da posição anatômica, a posição inicial considera a
postura ereta, com os ombros em abdução a 90° (braços paralelos ao solo) no plano frontal médio (posição de
crucifixo). Os movimentos são realizados no plano transverso com eixo Longitudinal:
Flexão-adução-horizontal
Segmento braço desloca-se para frente.
Amplitude de movimento ±135o.
Extensão-abdução-horizontal
Segmento braço desloca-se para trás, ou seja,
além da posição inicial. Amplitude de
movimento ±45o.
Atenção
Alguns pontos devem ser observados em relação aos movimentos da articulação glenoumeral: o ritmo
escapuloumeral jamais deve ser negligenciado, ou seja, o comportamento espacial do complexo do
ombro obriga-nos a pensar não só na articulação glenoumeral, mas também nas articulações
esternoclavicular e acromioclavicular — e ainda nos deslocamentos da escápula ao longo das trajetórias
percorridas pelo braço. Por isso, nunca negligencie qualquer alteração estrutural nas articulações
esternoclavicular e acromioclavicular, pois a articulação glenoumeral também será impactada por essa
possível disfunção da cintura escapular. 
Aplicações funcionais
Nos movimentos do braço, primeiros 30o de abdução e 45o/60o de flexão, a escápula tende a permanecer
estática. A partir dessas amplitudes na articulação glenoumeral, a escápula começa a se deslocar, permitindo
um ajuste no posicionamento da cintura escapular e, consequentemente, a facilitação do movimento para a
articulação glenoumeral.
 
Essa combinação guarda uma relação: a cada dois graus de movimento na articulação glenoumeral ocorre um
grau de movimento na cintura escapular. Ou seja, em amplitude extrema (180°), é possível afirmar que 120°
são da articulação glenoumeral e 60° ocorrem na cintura escapular. Um ritmo básico de ajuste que guarda
uma relação de aproximadamente 2:1.
Assim, na abdução da articulação glenoumeral, a cintura escapular realiza uma rotação superior, o que auxilia
na preservação do espaço subacromial. Com a abdução da glenoumeral acima de 90o, o tubérculo maior na
cabeça do úmero aproxima-se do arco coracoacromial.
arco coracoacromial
Arco “imaginário” observado no plano sagital, formado a partir da posição do processo coracoide,
acrômio e ligamento coracoumeral.
Quando isso ocorre, a compressão dos tecidos moles — tendão do supraespinhoso, bíceps braquial cabeça
longa e bursa subacromial — sob a região do arco coracoacromial começam a limitar a abdução adicional e,
caso isto venha acompanhado de rotação interna da glenoumeral, o tubérculo maior do úmero tende a fazer
contato com o acrômio, potencializando um mecanismo lesivo, por exemplo, a síndrome de impacto.
 
Agora, se a articulação glenoumeral é girada externamente, a abdução adicional se torna mais fácil, pois o
tubérculo maior é movido para fora da região do arco coracoacromial.
 
Contudo, quanto mais amplo for o movimento, menor será a capacidade do manguito rotador de auxiliar na
estabilização da articulação glenoumeral.
 
Na prática, movimentos acima de 90° devem ser progressivamente introduzidos nas rotinas de treinamento e
tratamento, para permitir não só uma adaptação cinestésica, mas também as adaptações positivas do sistema
locomotor a fim de garantir segurança e eficácia do movimento.
Saiba mais
Durante o movimento de abdução da articulação glenoumeral, a rotação que ocorre no interior da
articulação vem acompanhada por uma translação inferior da cabeça do úmero na cavidade glenoide.
Isso é importante para evitar a compressão dos tecidos moles sob o arco coracoacromial. O movimento
de hiperextensão da articulação glenoumeral apresenta diferenças significativas de amplitude para as
condições ativa e passiva, que são respectivamente 60° e 80°. Além disso, na hiperextensão, a escápula
tende a elevar e rodar anteriormente e a cabeça do úmero sofre um pequeno deslocamento
anterior. Com a articulação glenoumeral em abdução, os movimentos de rotação interna e externa
tendem a apresentar maior amplitude, o que pode concorrer positivamente nos processos de
fortalecimento do manguito rotador. Na prática, em um treinamento ou tratamento, essa situação só
deverá ser proposta depois de realizados os estímulos — com o braço ao longo do corpo, os cotovelos
flexionados a 90°, em postura ereta. Quando as rotações forem executadas com ombro em abdução, é
sugerida a posição de decúbito dorsal. 
Principais ações musculares e torques articulares no
complexo do ombro
O complexo do ombro é uma das regiões do corpo humano que tem maior dependência das ações
musculares, para que o movimento dessas estruturas seja plenamente aproveitado — em outras palavras,
para que haja harmonia entre os movimentos articulares e o deslocamento do segmento.
 
Diversos músculos atravessam os ossos articulados na região do ombro e são responsáveis não só pelos
movimentos do complexo do ombro, como também por articulações adjacentes, por exemplo, a articulação do
cotovelo. Daí, a importância de se compreender o comportamento desses músculos em diferentes ações,
tanto nas atividades cotidianas como nos exercícios terapêuticos, pois eles são regularmente inseridos em
rotinas de treinamento e tratamento.
Músculos e cintura escapular
Os músculos que se originam na região proximal têm como base as inserções proximais na coluna vertebral,
costelas e base do crânio. Já as inserções distais conectam-se à clavícula e à escápula.
 
Músculo latíssimo do dorso.
Os músculos que se inserem de maneira proximal nas escápulas e clavículas têm suas inserções distais no
braço. Em função disso, necessitam dos arranjos posturais da cintura escapular para uma plena
movimentação da articulação glenoumeral.
 
Na prática, os músculos trapézio (porção superior) e elevador da escápula são responsáveis por manter a
integridade postural da cintura escapular, a partir da horizontalização das clavículas, quando o sujeito é
observado no plano frontal anterior. A alteração no posicionamento clavicular pode caracterizar um excesso
de tensão ou frouxidão nesses músculos.
 
Os adutores escapulares são os músculos romboides (maior e menor) e o trapézio (porção média). As bordas
mediais das escápulas, ao serem observadas no plano posterior, devem estar verticalmente alinhadas com a
coluna vertebral.
 
Na prática, esses músculos são estimulados quando os membros superiores são deslocados posteriormente,
por exemplo, nas “puxadas” e “remadas”.
Músculos da região dorsal e peitoral/Movimentos do complexo do ombro.
A depressão da cintura escapular é conseguida a partir do músculo trapézio (porção inferior) e é parte da
ação do músculo peitoral menor. A protração da cintura escapular se dá pelo músculo serrátil anterior e do
peitoral menor. Observe que, na prática, esses músculos são imprescindíveis para uma boa qualidade de
deslocamento do segmento braço à frente do corpo (flexão do ombro).
 
Vale destacar que a perda da funcionalidade em qualquer desses músculos relacionados à cintura escapular,
irá interferir nos movimentos glenoumerais e na postura estrutural do indivíduo, por exemplo, a posição
anatômica.
Músculos nos movimentos da articulação glenoumeral ou ombro
Um dos principais músculos a atuar nessa
articulação é o latíssimo do dorso ou grande
dorsal. 
 
Em função agonista, é o responsável pelos
movimentos de adução e extensão da
articulação glenoumeral, mas outros músculos
exercem função sinergista para estes
movimentos: a porção esternocostal do peitoral
maior, o tríceps braquial (porção longa), o
deltoide posterior e o redondo maior e menor.
Na prática, a ação conjunta dessesmúsculos
ocorre no movimento de extensão da
articulação do ombro, iniciando com os braços ao lado da cabeça, por exemplo, no exercício pull over.
Músculo latíssimo do dorso.
A abdução da articulação glenoumeral tem como motores primários os músculos supraespinhal e deltoide
(porções anterior, média e posterior). O destravamento para o início de movimento de abdução ocorre em
função do músculo supraespinhal, e a ação do deltoide para esse movimento é mais efetiva a partir de 60° de
amplitude. O músculo trapézio também trabalha nesse movimento.
À esquerda, a abdução ou flexão total do ombro; à direita, a abdução dos ombros
até 90°.
A flexão da articulação glenoumeral é realizada pelo músculo peitoral maior (porção clavicular), deltoide
anterior e coracobraquial. É constantemente solicitada, quando se eleva o braço para alcançar um ponto
ântero-superior ao corpo. Por exemplo, colocar um objeto sobre uma prateleira.
Movimento de flexão (esquerda), a extensão corresponde à volta do membro
superior da extensão à posição inicial (centro) e hiperextensão do ombro (direita).
Músculos no movimento de flexão-adução-horizontal
Na prática, o movimento de flexão-adução-horizontal é chamado de flexão-horizontal ou adução-horizontal.
Por exemplo, quando os braços paralelos ao solo são deslocados para frente.
 
Os principais músculos que agem na articulação do ombro são o peitoral maior (porção clavicular e
costoesternal), o deltoide (porção anterior) e o coracobraquial.
O movimento de flexão horizontal pode ser observado na execução do exercício
crucifixo.
O mesmo raciocínio deve ser utilizado para o movimento de extensão-abdução-horizontal, ou seja, extensão
horizontal ou abdução horizontal, que tem como músculos agonistas o latíssimo do dorso, o deltoide (porção
medial e posterior), o infraespinhal e o redondo menor. Romboides e trapézio não participam do movimento na
glenoumeral, mas atuam na adução da escápula que é complementar ao movimento da articulação
glenoumeral.
Exercício supino reto.
Extensão horizontal do ombro.
Quando consideramos o ritmo glenoumeral, é interessante pensar que os músculos que atuam nas
articulações glenoumeral e cintura escapular usualmente têm suas funções combinadas. Com isso, fica difícil
isolar um músculo específico em um exercício.
Músculos nos movimentos combinados da articulação glenoumeral e cintura
escapular
O trapézio (porção superior), além de efetuar a rotação superior da escápula, auxilia no posicionamento
dinâmico da clavícula durante a abdução do ombro, e essa ação é equilibrada por uma função neutralizadora
do trapézio (porção inferior).
A porção medial do trapézio auxilia no
posicionamento da escápula durante os
movimentos de abdução, flexão e flexão
horizontal da articulação glenoumeral,
tendendo a manter uma tensão de retração na
escápula.
 
O movimento de flexão horizontal da
articulação glenoumeral é acompanhado pela
protração da cintura escapular. Portanto, na
prática, observe que os bancos para a
realização do exercício supino reto tendem a
ser estreitos, visando minimizar a restrição ao
movimento da cintura escapular.
Já o movimento de extensão horizontal da articulação glenoumeral tende a ser acompanhado pela retração da
cintura escapular. O que pode ser observado, por exemplo, no exercício de “remada horizontal” em um
equipamento de musculação.
Exercício remada horizontal.
Aspectos funcionalmente importantes: comprimento x tensão muscular
A força muscular gerada para o movimento de adução do ombro é, em média, o dobro da força conseguida
para o movimento de abdução, mas observe que os músculos abdutores em funções agonistas são usados
com maior frequência nas atividades cotidianas e esportivas.
Abdução e adução do ombro.
Na prática, fique atento ao equilíbrio nas funções musculares agonistas e antagonistas para os movimentos de
abdução e adução do ombro. Caso a função antagonista ao movimento de abdução do ombro prepondere, há
possibilidade de estresse excessivo sobre os músculos abdutores, por exemplo, o supraespinhal ao iniciar o
movimento de abdução.
 
Ao pensarmos na aplicação prática da relação comprimento x tensão muscular na articulação do ombro, as
características estruturais e funcionais desta articulação permitem afirmar que os músculos relacionados aos
movimentos do ombro são fáceis de alongar e de fortalecer em razão da mobilidade da articulação.
 
Esteja atento para que a amplitude de movimento seja progressivamente alcançada, evitando o risco de lesão.
No equipamento “voador”, os locais para apoio dos cotovelos podem apresentar diferentes possibilidades de
ajustes. O projeto do equipamento não foi feito ao acaso!
Exercício voador peitoral.
Conforme vimos anteriormente, a ação dos músculos do manguito rotador proporciona à articulação do
ombro, em especial até 90°, uma “estabilidade” funcional. É importante salientar que as ações musculares
mais fracas nos movimentos da articulação do ombro são nas rotações. A rotação externa é mais fraca que a
rotação interna.
 
Na prática, considere que a carga para o movimento de rotação interna seja no máximo duas vezes aquela
utilizada para rotação externa, mesmo que a percepção para o esforço no movimento de rotação interna seja
de menor intensidade. Essa relação deve ser preservada a fim de manter a integridade postural e,
consequentemente, funcional da articulação glenoumeral.
 
Durante a rotação externa, deve-se observar que o braço e o cotovelo permaneçam junto ao corpo, pois a
tendência é que, quanto maior for a amplitude, mais esse afastamento ocorra.
Rotação interna (esquerda) e rotação externa (direita).
Manguito rotador
A ação do manguito rotador visa minimizar a instabilidade funcional do complexo do ombro, a partir de sua
ação na articulação glenoumeral. Conforme foi explicado anteriormente, as estruturas anatômicas envolvidas
na estabilização da articulação glenoumeral são parcialmente eficientes e, assim, sem a ação sinérgica dos
músculos do manguito rotador, as amplitudes de movimentos da articulação do ombro estariam altamente
comprometidas.
Vejamos as ações isoladas desses músculos e suas consequências.
O músculo supraespinhal, responsável pela abdução da articulação glenoumeral, tem em sua ação o
tracionamento da cabeça do úmero de encontro a cavidade glenoide, melhorando a eficiência do movimento
de rotação e reduzindo a translação no interior da articulação — em especial, entre os 60° e 120° de
amplitude de movimento.
 
A falha funcional do músculo supraespinhal tende a gerar uma impactação sob a região do arco
coracoacromial, pois as cargas aplicadas sobre os tecidos moles nessa região aumentariam o potencial lesivo.
 
Vale lembrar que o movimento de rotação externa ocorre na articulação glenoumeral, aquela que tem menor
capacidade de geração de força em função dos seus músculos agonistas (infraespinhal e redondo menor).
 
Na prática, o movimento de abdução da articulação do ombro acima de 90° só deve ser proposto em fases
avançadas de treinamento ou tratamento.
 
Ao pensarmos no movimento de rotação interna da articulação glenoumeral, o músculo subescapular não está
sozinho. Ele tem função sinergista na contribuição de potentes músculos, como o peitoral maior e o latíssimo
do dorso.
 
Na prática, observe que, caso não sejam respeitados os equilíbrios de forças nos movimentos de rotação
interna e externa, a ação dos músculos rotadores internos tende a sobrepujar a ação dos rotadores externos.
 
Como os rotadores externos têm ação antagônica, ou seja, de desaceleração do movimento, caso haja um
desequilíbrio de força na relação rotação interna x rotação externa, diversos movimentos tendem a ser
prejudicados. Por exemplo, o arremesso de uma bola em determinadas modalidades esportivas — acima de
90o de elevação da articulação do ombro, a força do manguito rotador diminui, deixando a articulação do
ombro mais vulnerável às lesões.
Comportamento funcional do complexo do ombro
O especialista Claudio Gonçalves Peixoto fala sobreo comportamento funcional do complexo do ombro,
fazendo um resumo do módulo.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O complexo do ombro é uma estrutura que envolve a cintura escapular e o úmero na sua
região proximal, com base nas capacidades funcionais de algumas articulações. As
articulações estruturais que constituem o complexo do ombro são:
A
Articulação esternoclavicular, articulação acromioclavicular e articulação do glenoumeral
B
Articulação esternoclavicular, articulação escapulotorácica e articulação do glenoumeral
C
Articulação escapulotorácica, articulação acromioclavicular e articulação do glenoumeral
D
Articulação esternoclavicular, articulação acromioclavicular e articulação escapulotorácica
E
Articulação esternoacromial, articulação escapulotorácica e articulação do glenoumeral
A alternativa A está correta.
O comportamento espacial dos membros superiores é diretamente dependente dos arranjos articulares do
complexo do ombro.
Questão 2
As características estruturais do complexo do ombro permitem afirmar que a condição
funcional da articulação glenoumeral está diretamente relacionada à ação dos músculos do
manguito rotador. Assinale a alternativa correta sobre a relação do manguito rotador e a
articulação glenoumeral:
A
Ação dos músculos rotadores internos e externos tende a ser igual.
B
Ação dos músculos abdutores tende a ser mais eficaz acima de 90° de abdução.
C
Ação dos músculos adutores tende a ser mais fraca quando comparada aos abdutores.
D
Ação dos músculos rotadores externos tende a sobrepujar a ação dos rotadores internos.
E
Ação dos músculos rotadores internos tende a sobrepujar a ação dos rotadores externos.
A alternativa E está correta.
O manguito rotador garante a estabilidade da cabeça do úmero dentro da cavidade glenoide. Usualmente,
o fortalecimento equivocado dos músculos do manguito rotador pode gerar desarranjos funcionais na
articulação glenoumeral.
Complexo do cotovelo.
Articulações umeroulnar e umerorradial.
2. Arranjo do complexo do cotovelo
Complexo do cotovelo
Apesar de apresentar alta demanda funcional, a
região do cotovelo é estruturalmente
capacitada para suportar tanto a alta
frequência de movimento quanto a intensidade
aplicada sobre ela, em especial, as cargas
tensivas.
 
O arranjo estrutural do complexo do cotovelo
permite que sejam identificadas dentro da
mesma cápsula articular três articulações
distintas: articulação umerorradial, articulação
umeroulnar e articulação radioulnar proximal ou
superior.
Vamos conhecer um pouco mais sobre o
comportamento funcional dessas articulações e
analisar os deslocamentos ósseos a partir dos movimentos articulares, para que possamos identificar as
múltiplas possibilidades funcionais do complexo do cotovelo.
 
Os extremos ósseos no interior do complexo do cotovelo são envoltos por cartilagem hialina e toda a região
por uma cápsula articular.
Artrocinemática do complexo do cotovelo
A articulação umeroulnar é considerada a “verdadeira”
articulação do cotovelo. Caracteriza-se pela união dos
ossos úmero e ulna. Assim, a incisura troclear da ulna se
insere na tróclea umeral. A articulação umerulnar é
considerada uma articulação muito estável, apresentando
ótima integridade estrutural e bom suporte ligamentar e
muscular.
É classificada como uma articulação sinovial do tipo
dobradiça, ou seja, apresenta movimento em torno de um
único eixo. Assim, os movimentos possíveis para essa
articulação são rotacionais ou angulares.
Confira algumas diferenças entre articulação umerorradial e
articulação radioulnar proximal ou superior.
É interessante destacar que o complexo do cotovelo apresenta um forte suporte estrutural a partir dos
ligamentos anular, colateral ulnar e radial e o ligamento oblíquo. Uma anel “fibro-ósseo”, constituído pelo
ligamento anular e a incisura radial da ulna, aumenta o suporte dinâmico nesta região, o que concorre para
reduzir a compressão na articulação durante os movimentos de pronação e supinação.
 
Apesar de estruturalmente bem identificadas, a proximidade entre essas articulações permite uma série de
possibilidades para análise dos movimentos do complexo do cotovelo, como veremos a seguir.
Anatomia do cotovelo.
Osteocinemática do complexo do cotovelo
Confira, a seguir, os movimentos no plano sagital com eixo
laterolateral da articulação umeroulnar.
Articulação umerorradial 
É lateral à articulação umeroulnar e não existe
encaixe entre o úmero e o rádio. Assim, é
classificada como sinovial plana, ou seja, a
cabeça do rádio desliza em torno do côndilo
umeral. O movimento realizado na articulação
umerorradial é linear curvilíneo, mas tem
relação direta com a estrutura das
articulações adjacentes, isto é, umeroulnar e
radioulnar superior.
Articulação radioulnar proximal ou
superior 
É
formada
pela
cabeça
do rádio
e a
incisura
radial na
ulna. 
 É classificada como uma
articulação sinovial do tipo
trocoide ou pivô, que
realiza movimento em
torno de um único eixo
(movimento rotacional).
Flexão
É o deslocamento do segmento antebraço para
frente. Amplitude de movimento ±150o.
Extensão
É o alinhamento do segmento antebraço e
braço, ou ainda, o retorno da flexão. Amplitude
de movimento ±150o.
Atenção
É pertinente atentar que, na posição anatômica, o segmento antebraço está alinhado ao segmento
braço. Esta posição é considerada ângulo 0 (zero). Lembre-se que o cotovelo não apresenta o
movimento de hiperextensão. Na posição de extensão, a tróclea umeral assimétrica cria uma angulação
lateral na ulna, aumentando a convexidade na região medial do cotovelo, criando uma posição em valgo.
Esse comportamento estrutural é chamado de “ângulo de carregamento” e tende a variar de 10o a 15o
nos homens e 20o a 25o nas mulheres. Durante o movimento de flexão, essa posição de valgo é
reduzida e pode até resultar em uma posição em varo com flexão completa.Na prática, a articulação
umeroulnar deveria ser classificada como uma “dobradiça modificada”, em função do exposto
anteriormente. Assim, o movimento de flexão e extensão não ocorrem no plano sagital “puro”, e sim, em
um plano “médio-lateral”. 
Os movimentos da articulação radioulnar superior no
plano transverso com eixo longitudinal incluem:
Pronação
A partir da posição anatômica, em que o rádio
está paralelo à ulna, o rádio cruza sobre a ulna.
Grau de amplitude de movimento ±150o.
Supinação
A partir da posição pronação, o rádio retorna à
posição anatômica. Grau de amplitude de
movimento ±150o.
Atenção
Na posição neutra ou semipronada, descrita como o braço ao longo do corpo com a palma da mão
voltada para a face lateral da coxa, o rádio e a ulna ficam próximos um do outro, mas, em pronação
completa, o rádio cruza sobre a ulna diagonalmente — a chamada posição pronada. O movimento de
flexão da articulação umeroulnar é limitado pela capacidade de estiramento do músculo tríceps
(antagonista), pelo contato nas partes moles (pele) do antebraço com o braço e o contato osso a osso
do processo coronoide com a cavidade coronoide. 
Movimento de flexão do cotovelo.
O movimento de extensão da articulação umeroulnar é inicialmente limitado pelo contato do olecrano na fossa
do olecraniana, mas, caso haja hipertrofia excessiva dos flexores do cotovelo, o grau de estiramento reduzido
também pode limitar o movimento.
Extensão do cotovelo com halteres.
Atente-se para os epicôndilos medial e lateral do cotovelo, pois são pontos de fixação de músculos da região
do antebraço, referências proeminentes nas faces medial e lateral do cotovelo e locais de lesão por uso
repetitivo.
 
As fibras dos músculos flexores do punho e pronadores da articulação radioulnar superior conferem
resistência às cargas em valgo no cotovelo, portanto, são chamados de estabilizadores dinâmicos mediais do
cotovelo.
 
A partir da posição anatômica, a articulação radioulnar superior pode apresentar as seguintes posições:
Supinação
Rádio e ulna estão paralelos com a palmada mão voltada para frente.
Neutra ou semipronada
Rádio e ulna estão paralelos com a palma da mão voltada para face lateral da
coxa.
Pronada
O rádio cruza sobre a ulna, com a palma da mão voltada para trás.
O ligamento colateral medial do cotovelo aumenta a capacidade de resistência à tensão nas forças
compressivas no complexo do cotovelo e no movimento de flexão da articulação umeroulnar.
 
O ligamento colateral lateral (feixe radial) é tensionado durante a flexão completa do cotovelo. Este mesmo
ligamento em seu feixe ulnar atua como um “guia” para o movimento da articulação umeroulnar, conferindo
estabilidade no plano sagital.
Principais ações musculares e determinação dos torques
articulares no complexo do cotovelo
Flexão
O movimento de flexão da articulação do cotovelo ocorre a partir da função sinergista de três músculos: 
braquial, bíceps braquial e braquiorradial.
Músculo braquial
É considerado o flexor puro da articulação umeroulnar, pois, por ser
monoarticular, só atravessa a articulação. 
Dessa forma, não tem sua ação influenciada pelo posicionamento da
articulação radioulnar superior.
Músculo bíceps braquial
Tem sua ação influenciada não só pelo posicionamento da articulação
radioulnar superior, mas também pela articulação glenoumeral, por estar
relacionado ao movimento dessas articulações adjacentes. Assim, o
bíceps braquial é mais efetivo com a articulação radioulnar superior na
posição supina e a articulação glenoumeral ligeiramente hiperestendida.
Na prática, a tensão sobre o bíceps braquial fica aumentada nesta
condição por causa da relação comprimento x tensão e só deve ser
proposta em treinamentos para indivíduos em estágios mais avançados.
Músculo braquiorraquial
O braquirradial é um sinergista do bíceps braquial e do braquial na flexão
do cotovelo, mas também atua nos movimentos de pronação e
supinação.
Atenção
Em função do sinergismo muscular, o posicionamento da articulação radioulnar superior irá interferir no
aproveitamento da força dos flexores do cotovelo. A posição semipronada é aquela na qual a força
máxima em flexão pode ser desenvolvida, seguida pela posição supinada e, por último, a posição
pronada. 
Extensão
O movimento de extensão da articulação do cotovelo tem como motor primário o músculo tríceps braquial
(porção lateral, medial e longa) e o músculo ancôneo, que é considerado o “destravador” no início do
movimento.
Músculo tríceps braquial.
Em função de sua inserção comum no olécrano da ulna, a ação do músculo tríceps braquial para as três
porções tem, no movimento de extensão do cotovelo, um torque articular semelhante. O posicionamento da
articulação radioulnar superior não interfere na participação da musculatura do tríceps braquial para o
movimento de extensão da articulação do cotovelo, pois a sua inserção distal está localizada no olécrano da
ulna.
 
A porção longa do tríceps braquial depende do posicionamento da articulação glenoumeral e é mais efetivo
quando o ombro está flexionado. A porção medial é considerada extensora plena do cotovelo. A porção lateral
é mais bem estimulada contra uma carga de maior resistência, para, assim, ser plenamente ativado.
 
Atente-se para o fato de que o grupo muscular flexor da articulação do cotovelo é quase duas vezes mais
forte do que o grupo extensor. Na prática, isso nos torna melhores “puxadores” do que “empurradores”.
 
Lembre-se que as únicas posições que colocam alguma forma de alongamento sobre os flexores e extensores
da articulação do cotovelo precisam incorporar hiperextensão e flexão na articulação glenoumeral, em razão
das inserções musculares proximais.
Atenção
A relação comprimento x tensão permite afirmar que os melhores torques articulares para a extensão do
cotovelo consideram a flexão do cotovelo a 90°, o que é reforçado pelo ângulo de inserção do tríceps
braquial. Atenção ao músculo bíceps braquial, que, além de um potente flexor da articulação umeroulnar,
é um excelente supinador da articulação radioulnar superior. Assim, ao flexionar o cotovelo, há uma
tendência à supinação na região do antebraço que pode ser neutralizada pela ação dos músculos
pronador redondo e quadrado. Entre os pronadores, o quadrado é o mais ativo e não sofre interferência
da força do movimento de flexão. Já o pronador redondo, por atuar também na flexão, é influenciado
pelo comportamento flexor da articulação umeroulnar. 
Pronador redondo e quadrado - braço direito.
Comportamento funcional do complexo do cotovelo
O especialista Claudio Gonçalves Peixoto fala sobre o comportamento funcional do complexo do cotovelo,
fazendo um resumo do módulo.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O complexo do cotovelo apresenta características estruturais de alta estabilidade e
funcionalidade e é uma das articulações mais solicitadas nas atividades cotidianas. Sobre a
região do cotovelo, assinale a alternativa correta:
A
As articulações que constituem o complexo do cotovelo são a umerorradial, a umeroulnar e a radioulnar distal
ou inferior.
B
As articulações que constituem o complexo do cotovelo são a umerorradial, a umeroulnar e a radioulnar
proximal ou superior.
C
As articulações que constituem o complexo do cotovelo são a glenoumeral, a umeroulnar e a radioulnar
proximal ou superior.
D
As articulações que constituem o complexo do cotovelo são a umerorradial, a glenoumeral e a radioulnar distal
ou inferior.
E
As articulações que constituem o complexo do cotovelo são a umerorradial, a umeroulnar e a glenoumeral.
A alternativa B está correta.
O domínio das estruturas que constituem o complexo do cotovelo dá ao profissional da área da saúde
maiores possibilidades de composições de estímulos e exercícios.
Questão 2
O bíceps braquial é um importante músculo na região anterior do braço, que tem ação direta
em diferentes articulações. Assinale a alternativa correta sobre o comportamento dinâmico do
músculo bíceps braquial:
A
É agonista do movimento de extensão da articulação umeroulnar.
B
É agonista do movimento de extensão da articulação glenoumeral.
C
É agonista do movimento de flexão da articulação radioulnar proximal ou superior.
D
É agonista do movimento de supinação da articulação radioulnar proximal ou superior.
E
É agonista do movimento de pronação da articulação radioulnar proximal ou superior.
A alternativa D está correta.
Os músculos bi ou poliarticulares exercem influência nas articulações por eles atravessadas. Conhecer as
suas funções nas diferentes articulações é fundamental para a seleção correta dos estímulos.
3. Estruturas anatômicas da região do punho e da mão
Artrocinemática do punho e da mão
Uma das características do ser humano é a sua grande capacidade manipulativa graças à multiplicidade de
arranjos para a região do punho e mão, desde as atividades mais intensas, como comprimir um objeto pesado,
até as mais leves, como a digitação de um documento.
Atenção
Usualmente, os movimentos das mãos estão relacionados a “combinações finas” de ajustes entre o
conjunto punho, mão e dedos. São possíveis aproximadamente 58 combinações ou arranjos entre os
posicionamentos desses segmentos. 
Punho
Na região do punho, são identificadas as articulações radioulnar distal ou inferior, a articulação radiocarpal e a
intercárpica, entre os oito ossos do carpo, a partir de duas fileiras de quatro ossos, o que permite identificar a
articulação médio-carpal.
Região do punho e mão.
Confira alguns detalhes sobre as articulações do punho.
1
Articulação radioulnar inferior
É classificada como sinovial do tipo trocoide ou pivô, apresentando um eixo. Ocorre entre a incisura
ulnar do rádio e a cabeça da ulna e realiza os movimentos de pronação e supinação. Estruturalmente,
um disco de fibrocartilagem está disposto entre a cabeça da ulna e os ossos do carpo, o que facilita
a coaptação dos ossos na articulação, além de melhorar a absorção de choques (impactos).
2Articulação radiocarpal
É formada pelo rádiocom três ossos da primeira fileira do carpo (escafoide, semilunar e piramidal) e
é classificada como sinovial do tipo condilar. Possui dois eixos que realizam movimentos rotacionais:
a flexão e extensão; a abdução ou flexão radial ou desvio radial; e a adução ou flexão ulnar ou desvio
ulnar.
3
Articulação intercárpica
É formada entre a fileira proximal e distal dos ossos do carpo, na região mediocárpica. É classificada
como uma articulação sinovial do tipo plana ou deslizante, fazendo com que, em função dos
movimentos da articulação radiocarpal e dos dedos, os ossos do carpo sofram pequenos
deslizamentos para “acomodação” das peças ósseas.
Mão
Na região da mão, temos a articulação carpometacárpica, que é caracterizada a partir do segundo metacarpo
e a fileira distal dos ossos do carpo. É classificada como sinovial, pois possui cápsula articular —
preliminarmente consideradas como planas. Na região do quarto e quinto metacarpo, são identificadas como
biaxiais e classificadas como elipsoides.
 
Uma articulação carpometacarpal que merece especial atenção é a articulação do polegar. Estruturalmente
constituída pelo trapézio e o primeiro metacarpo, é classificada como sinovial selar biaxial, apresentando na
região proximal do primeiro metacarpo uma estrutura côncava no sentido anteroposterior; e outra convexa, no
sentido laterolateral. Essa estrutura permite a realização dos movimentos rotacionais de flexão e extensão e
abdução e adução do “polegar”, dando a este a possibilidade de fazer “oposição” aos outros quatro dedos no
movimento de garra e preensão.
 
As articulações metacarpofalângicas são formadas entre a parte distal dos metacarpos e as falanges
proximais. Classificadas como sinovial do tipo condilar e biaxiais, permitem os movimentos de flexão e
extensão; abdução e adução. Possuem um forte suporte ligamentar para todos os movimentos realizados e
apresentam mobilidades diferentes para os movimentos de flexo-extensão. São mais móveis na sequência do
quinto para o primeiro dedo e, na abdução-adução, obedecem a seguinte ordem decrescente: V, II, IV, III, I.
 
As articulações interfalângicas são estruturadas entre as falanges proximais e médias e entre estas e as
falanges distais — com exceção do polegar, que só possui duas falanges. Classificadas como sinovial do tipo
dobradiça ou gínglimo, apresentam apenas um eixo para realizar os movimentos rotacionais de flexão e
extensão. Assim como as articulações metacarpofalangeanas, as articulações interfalângicas apresentam um
forte suporte ligamentar, o que auxilia na estabilização articular, em especial, o deslocamento lateral do
segmento (falange).
Ossos da região da mão.
Osteocinemática do punho e da mão
Punho
Os movimentos da articulação radioulnar inferior são os mesmos da articulação radioulnar superior, ou seja,
pronação e supinação, caracterizados, respectivamente, a partir da posição anatômica do cruzamento do
rádio sobre a ulna e do retorno a posição inicial. A amplitude de movimento é de aproximadamente 150°.
 
Na prática, a articulação radiocarpal é considerada a “verdadeira” articulação do punho. A partir da trajetória
do segmento mão na articulação, tem a capacidade de realizar os seguintes movimentos:
1. Movimentos no plano sagital com eixo laterolateral
Flexão do punho
Segmento mão desloca-se para frente a partir
da posição anatômica. Amplitude de movimento
±70o a 90o.
Extensão do punho
Segmento mão desloca-se para trás a partir da
posição anatômica. Amplitude de movimento
±70o a 80o.
2. Movimentos no plano frontal com eixo anteroposterior
Abdução, flexão-radial ou desvio-radial
Segmento mão desloca-se lateralmente a partir
da posição anatômica. Amplitude de movimento
± 30o a 40o (na imagem, vemos uma abdução
do punho).
Adução, flexão-ulnar ou desvio-ulnar
Segmento mão desloca-se medialmente a partir
da posição anatômica. Amplitude de movimento
± 45o (na imagem, vemos a adução do punho).
Atenção
Quando o punho é flexionado, deslocando o segmento mão para a frente, o movimento tem início na
articulação intercárpica – região mediocárpica. Então, os deslizamentos que ocorrem nesta região
conferem 60% da amplitude de movimento — os 40% restantes acontecem na articulação radiocarpal.
Já o movimento de extensão apresenta comportamento contrário: a maior parte da amplitude de
movimento está relacionada à articulação radiocarpal e à menor amplitude associada à articulação
intercárpica. Na prática, qualquer lesão ou disfunção na região intercárpica irá interferir na amplitude de
movimento da articulação radiocarpal. Por exemplo, nos casos de artrose na região do carpo. 
Mão
Conforme a classificação anatômica, as duas fileiras de quatro ossos do carpo em cada fileira proximal e fileira
distal deslizam entre si, para aumentar a amplitude de movimentos das articulações radiocarpal e demais
movimentos da região da mão.
 
Convém ressaltar que: “as variações morfológicas dos ossos carpais podem apresentar alterações na cinética
e na cinemática do punho, estando mais predispostos ao desenvolvimento de alterações degenerativas nas
articulações” (SACCO; TANAKA, 2008, p. 93).
 
Os movimentos que ocorrem na articulação carpometacárpica são identificados mais facilmente a partir da
articulação do polegar com o primeiro metacarpo e apresentam para o segundo e terceiro metacarpo um
comportamento de deslizamento, voltando a ter mobilidade aumentada no quarto e quinto metacarpo.
Segundo Silva (2015, p. 96), “em posição anatômica, do II ao V dedo, os metacarpos estão alinhados lado a
lado, enquanto (sic) o metacarpo do polegar está rodado a 90° para medial”.
 
Na prática, o fortalecimento do polegar, para o movimento de oposição aos outros quatro dedos, deve
contemplar a mobilidade da articulação carpometacárpica do polegar para os movimentos de flexão-extensão
– Amplitude de movimento de ± 50o a 80o, e abdução e adução – Amplitude de movimento de ± 40o a 80o.
Dessa forma, os delgados músculos relacionados a estes movimentos devem não só ser fortalecidos, mas
também alongados de maneira progressiva, com o objetivo de prevenir lesões.
 
As articulações metacarpofalangeanas permitem os movimentos de flexão/extensão e abdução/adução para
do 2o ao 5o dedo, conforme já mencionado. Hall (2013, p. 180) afirma que: “a abdução é definida como o
movimento para longe do dedo médio e a adução em direção ao dedo médio”. Já a articulação
metacarpofalangeana do polegar apresenta estruturas aproximadamente planas, conseguindo pequenas
amplitudes para os movimentos de flexo-extensão.
 
As articulações interfalângicas realizam os seguintes movimentos:
Movimentos no plano sagital com eixo laterolateral
Flexão
É o deslocamento das falanges para frente a partir da posição anatômica. Amplitude de movimento de
± 70o para interfalângicas distal; e amplitude de movimento de ± 100o para interfalângica proximal.
Extensão
É o retorno do movimento de flexão, caracterizado na posição de 0° pelo alinhamento longitudinal
entre as falanges. Em função dos tecidos moles que circundam a articulação – ligamentos e cápsulas
articulares —, o movimento de hiperextensão das articulações interfalângica proximais e distais
tendem a apresentar baixa amplitude.
Atenção
Algumas vantagens do fortalecimento da região do punho e dos dedos são:Melhora o movimento de
garra e preensão.Reduz o estresse nas regiões medial e lateral dos epicôndilos umeral, em função dos
movimentos de flexão e extensão do punho.Previne e reduz uma série de lesões, por exemplo, Síndrome
de Quervain (entorse da lavadeira). 
Principais ações musculares e determinação dos torques
articulares do punho e da mão
Os músculos envolvidos com os movimentos do punho e da mão apresentam características estruturais e
funcionais que devem ser respeitadas, visando prevenir não só as lesões nesta região, mas também evitar o
comprometimento de toda a cadeia de movimento.
 
Em relação aos movimentos da mão e dedos, vale ressaltar que são identificados 9 músculos extrínsecos e 10
músculosintrínsecos na região da mão, além dos 7 músculos relacionados à região do punho.
Ao partirem de suas origens, os músculos flexores e seus tendões assumem um trajeto anterior ao
punho, enquanto os tendões extensores atravessam o punho na sua face posterior.
(SACCO; TANAKA, 2008, p. 96)
Esses músculos, apesar de delgados e com longos tendões, devem ser estimulados nas sessões de
treinamento e tratamento, o que irá auxiliar não só na condição dinâmica, mas também na própria
estabilização da articulação do punho, necessária à realização de alguns exercícios para membros superiores,
por exemplo, a abdução da articulação glenoumeral ou a flexão da articulação do cotovelo, com halter de
barra curta (HBC).
Músculos da região anterior do antebraço.
As trajetórias dos músculos na região do antebraço atuam de maneira antagônica nos movimentos de flexão e
extensão do punho, por exemplo, o flexor e o extensor ulnar do carpo. No entanto, esses mesmos músculos
são agonistas para o movimento de adução do punho. Veja o quadro a seguir.
Músculo Função agonista
Palmar longo Flexão da articulação radiocarpal
Palmar curto Enrugação da pele na face ulnar da mão
Músculo Função agonista
Flexor radial do carpo Flexão e abdução da articulação radiocarpal
Extensor radial longo do carpo Extensão e abdução da articulação radiocarpal
Extensor radial curto do carpo Extensão e abdução da articulação radiocarpal
Flexor ulnar do carpo Flexão e adução da articulação radiocarpal
Extensor ulnar do carpo Extensão e adução da articulação radiocarpal
Quadro: Músculos e suas funções agonistas.
Elaborado por Claudio Gonçalves Peixoto
Atenção
Na prática, exercícios como flexão e extensão do punho com o HBC deveriam fazer parte dos estímulos
previstos para o fortalecimento da região do punho. 
Músculos relacionados aos movimentos da mão e dos dedos
Já vimos as características dos músculos relacionados aos movimentos da mão e dos dedos. Quando esses
músculos não são condicionados de modo progressivo, as disfunções nos movimentos da mão tendem a
lentamente se transformar em lesões. Uma vez instaladas, o reparo tecidual é demorado. Daí, ser relevante
conhecer a função agonista de alguns desses músculos. Veja o quadro a seguir.
Músculo Função agonista
Extensor longo do polegar Extensor longo do polegar
Extensão das articulações
metacarpofalangeanas e interfalangeana do
polegar
Extensão das articulações
metacarpofalangeanas e interfalangeana do
polegar
Adução da articulação metacarpofalangeana
do polegar
Adução da articulação metacarpofalangeana
do polegar
Extensor do dedo indicador Extensor do dedo indicador
Extensão da segunda articulação
metacarpolangeana
Extensão da segunda articulação
metacarpolangeana
Extensor do dedo mínimo Extensor do dedo mínimo
Extensão da quinta articulação
metacarpofalangeana
Extensão da quinta articulação
metacarpofalangeana
Flexor profundo dos dedos Flexor profundo dos dedos
Quadro: Músculos relacionados aos movimentos da mão e dos dedos.
Elaborado por Claudio Gonçalves Peixoto
Perceba que os torques articulares na região de punho e mão estão relacionados a músculos que atuam de
maneira conjunta em vários arranjos de movimentos. Nenhum desses músculos apresenta como principal
característica uma grande predisposição para hipertrofia, quando comparados aos músculos do braço, por
exemplo.
 
Considere, portanto, o recrutamento seletivo de várias pequenas unidades motoras relacionadas a essas
musculaturas, para que a quantidade final de força possa ser alcançada de maneira eficaz a partir da
componente neural. Por exemplo, existe uma grande diferença entre “segurar firme” e “segurar forte”
(apertar) um implemento (halter de barra curta ou barra). Muitas vezes, a força de preensão manual limita a
sequência de exercício em uma sessão de treinamento por fadiga na região do antebraço.
Cinesiologia e biomecânica do punho e mão
O especialista Claudio Gonçalves Peixoto faz um resumo do módulo apresentando as regiões do punho e da
mão, a artrocinemática, osteocinemática e as ações musculares.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A região do punho proporciona ao homem ampla possibilidade de movimentos, em função dos
ajustes possíveis com a mão. Sobre as estruturas que constituem a articulação do punho,
assinale a alternativa correta:
A
Na região do punho, são identificadas as articulações carpometacárpica, radiocarpal e intercárpica.
B
Na região do punho, são identificadas as articulações radioulnar distal ou inferior, radiocarpal e intercárpica.
C
Na região do punho, são identificadas as articulações radioulnar distal ou inferior, radiocarpal e
carpometacárpica.
D
Na região do punho, são identificadas as articulações radioulnar proximal ou superior, radiocarpal e
intercárpica.
E
Na região do punho, são identificadas as articulações radioulnar proximal ou superior, radiocarpal e
carpometacárpica.
A alternativa B está correta.
O domínio das possibilidades de interpretações dos movimentos da região do punho, a partir de suas
características estruturais, proporciona ao profissional da área da saúde mais segurança para a prescrição
dos exercícios.
Questão 2
A capacidade manipulativa do ser humano é obtida, em parte, pela ação dos músculos que
envolvem a região do punho e da mão. Acerca dos comportamentos estruturais e funcionais
da região do punho, assinale a alternativa correta:
A
A força gerada na região do punho e da mão tem a quantidade final de força alcançada prioritariamente a
partir da ação isométrica dinâmica.
B
A força gerada na região do punho e da mão ocorre a partir do recrutamento seletivo de várias pequenas
unidades motoras com alta capacidade de hipertrofia.
C
A força gerada na região do punho e da mão tem a quantidade final de força alcançada prioritariamente a
partir da componente morfológica.
D
A força gerada na região do punho e da mão ocorre a partir do recrutamento seletivo de várias grandes
unidades motoras com alta capacidade de hipertrofia.
E
A força gerada na região do punho e da mão ocorre a partir do recrutamento seletivo de várias pequenas
unidades motoras, em função do componente neural.
A alternativa E está correta.
É importante entender que a quantidade de força final gerada por um músculo não só está relacionada à
sua característica hipertrófica, mas também à sua componente neural.
4. Conclusão
Considerações finais
As características estruturais e funcionais dos membros superiores exigem atenção constante, uma vez que,
ao comprometer qualquer desses conjuntos a cada conjunto de segmentos, implicará o comportamento dos
demais. Assim, a estrutura do complexo do ombro nos obriga a ter não só um olhar especial para articulação
glenoumeral, mas também para a dinâmica funcional da “articulação escapulotorácica”.
 
A região do cotovelo, que é muito estável, tem, nas ações dos músculos responsáveis pela realização dos
movimentos, diversas possibilidades de sinergia, em função das articulações adjacentes, ou seja, o
posicionamento da articulação glenoumeral e o comportamento da articulação do punho tendem a impactar
diretamente as articulações umeroulnar e radioulnar proximal.
 
A região do punho e mão permite aproximadamente 58 movimentos combinados entre os seus conjuntos
articulares. Essa característica está associada a músculos delgados e longos tendões, o que nos obriga a
intencionalmente prescrever exercícios de fortalecimento e alongamento para a região, visando dar uma
condição segura aos movimentos de garra e preensão, isto é, a valorização da condição manipulativa do ser
humano.
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Agora, a(o) especialista Claudio Gonçalves Peixoto encerra o conteúdo abordando os principais assuntos
estudados.
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Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, leia os artigos:
 
Análise da estabilidade durante a execução de dois exercícios de abdução de ombro, disponívelna
plataforma ResearchGate, para se aprofundar no conteúdo “estabilidade na execução de exercícios
para a articulação do ombro”.
Equilíbrio de torque muscular e amplitude de movimento de rotação medial e lateral do ombro em
atletas e não atletas de voleibol, disponível no site do Repositório Institucional da UFSC.
Impacto da cinesioterapia na discinesia escapular: revisão integrativa, disponível no Brazilian Journal of
Development, v. 6, n. 8, 2020.
Estudo piloto sobre o impacto do tratamento com toxina botulínica na biomecânica do membro superior
de pacientes com AVC, disponível na plataforma ResearchGate.
Análise estabilométrica durante a execução dos exercícios de abdução de ombro com e sem os
cotovelos fletidos, disponível no site do Repositório Institucional da UFMG.
Biofeedback no aprendizado do controle de força dos músculos extensores do punho: relato de caso,
disponível na plataforma ResearchGate.
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Avaliação biomecânica na prática do ténis: exposição a vibração sistema mão e braço, disponível na
seção de Estudo Geral do site do Repositório da Universidade de Coimbra.
Influência do design de órteses de punho e mão no desconforto, transmissão de torque e desempenho
em tarefas manuais, disponível no site do Repositório Institucional da FAAC, Unesp.
Leia também a tese de mestrado Análise dos efeitos biomecânicos das órteses de membros superiores
nas articulações do ombro e cotovelo durante a execução de tarefas funcionais, disponível na
Biblioteca Digital da USP.
Acesse os Anais do Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica
(Abrafito), para se atualizar sobre o conteúdo “prevalência da discinesia escapular em indivíduos não
atletas”.
Referências
HALL, S. Biomecânica básica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
 
HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M. Bases biomecânicas do movimento humano. 3. ed. São Paulo: Manole, 2012.
 
LIMA, C. S.; PINTO, R. S. Cinesiologia e musculação. Porto Alegre: Artmed, 2006.
 
SACCO, I. C. N.; TANAKA, C. Cinesiologia e biomecânica dos complexos articulares. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2008.
 
SILVA, V. R. Cinesiologia e biomecânica. Rio de Janeiro: SESES, 2015.
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	Cinesiologia e biomecânica dos membros superiores
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Comportamento funcional do complexo do ombro
	Complexo do ombro
	Conceitos básicos
	Artrocinemática do complexo do ombro
	Articulação esternoclavicular
	Articulação acromioclavicular
	Articulação do glenoumeral
	Atenção
	Articulação esternoclavicular
	Articulação acromioclavicular
	Atenção
	Articulação glenoumeral ou articulação do ombro
	Osteocinemática do complexo do ombro
	Cintura escapular nas articulações esternoclavicular e acromioclavicular
	Atenção
	Movimentos escapulares
	Elevação
	Depressão
	Abdução
	Adução
	Rotação superior ou lateral
	Rotação inferior ou medial
	Atenção
	Movimentos da articulação glenoumeral
	Flexão
	Extensão
	Hiperextensão
	Rotação interna ou medial
	Rotação externa ou lateral
	Flexão-adução-horizontal
	Extensão-abdução-horizontal
	Atenção
	Aplicações funcionais
	Saiba mais
	Principais ações musculares e torques articulares no complexo do ombro
	Músculos e cintura escapular
	Músculos nos movimentos da articulação glenoumeral ou ombro
	Músculos no movimento de flexão-adução-horizontal
	Músculos nos movimentos combinados da articulação glenoumeral e cintura escapular
	Aspectos funcionalmente importantes: comprimento x tensão muscular
	Manguito rotador
	Comportamento funcional do complexo do ombro
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O complexo do ombro é uma estrutura que envolve a cintura escapular e o úmero na sua região proximal, com base nas capacidades funcionais de algumas articulações. As articulações estruturais que constituem o complexo do ombro são:
	As características estruturais do complexo do ombro permitem afirmar que a condição funcional da articulação glenoumeral está diretamente relacionada à ação dos músculos do manguito rotador. Assinale a alternativa correta sobre a relação do manguito rotador e a articulação glenoumeral:
	2. Arranjo do complexo do cotovelo
	Complexo do cotovelo
	Artrocinemática do complexo do cotovelo
	Osteocinemática do complexo do cotovelo
	Confira, a seguir, os movimentos no plano sagital com eixo laterolateral da articulação umeroulnar.
	Flexão
	Extensão
	Atenção
	Os movimentos da articulação radioulnar superior no plano transverso com eixo longitudinal incluem:
	Pronação
	Supinação
	Atenção
	Supinação
	Neutra ou semipronada
	Pronada
	Principais ações musculares e determinação dos torques articulares no complexo do cotovelo
	Flexão
	Músculo braquial
	Músculo bíceps braquial
	Músculo braquiorraquial
	Atenção
	Extensão
	Atenção
	Comportamento funcional do complexo do cotovelo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O complexo do cotovelo apresenta características estruturais de alta estabilidade e funcionalidade e é uma das articulações mais solicitadas nas atividades cotidianas. Sobre a região do cotovelo, assinale a alternativa correta:
	O bíceps braquial é um importante músculo na região anterior do braço, que tem ação direta em diferentes articulações. Assinale a alternativa correta sobre o comportamento dinâmico do músculo bíceps braquial:
	3. Estruturas anatômicas da região do punho e da mão
	Artrocinemática do punho e da mão
	Atenção
	Punho
	Articulação radioulnar inferior
	Articulação radiocarpal
	Articulação intercárpica
	Mão
	Osteocinemática do punho e da mão
	Punho
	1. Movimentos no plano sagital com eixo laterolateral
	Flexão do punho
	Extensão do punho
	2. Movimentos no plano frontal com eixo anteroposterior
	Abdução, flexão-radial ou desvio-radial
	Adução, flexão-ulnar ou desvio-ulnar
	Atenção
	Mão
	Movimentos no plano sagital com eixo laterolateral
	Flexão
	Extensão
	Atenção
	Principais ações musculares e determinação dos torques articulares do punho e da mão
	Atenção
	Músculos relacionados aos movimentos da mão e dos dedos
	Cinesiologia e biomecânica do punho e mão
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A região do punho proporciona ao homem ampla possibilidade de movimentos, em função dos ajustes possíveis com a mão. Sobre as estruturas que constituem a articulação do punho, assinale a alternativa correta:
	A capacidade manipulativa do ser humano é obtida, em parte, pela ação dos músculos que envolvem a região do punho e da mão. Acerca dos comportamentos estruturais e funcionais da região do punho, assinale a alternativa correta:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências