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RESUMO PROVA II PARASITOLOGIA CLÍNICA
TREMATÓDEOS
Esquistossomose
Agente etiológico: Schistosoma mansoni
Morfologia:
• Verme adulto: Possui 2 ventosas (oral e ventral) para fixação e espoliação de
nutrientes
• Macho: Corpo recoberto por tubérculos (espículas que geram atividade imune
th2, ige e eosinofílica elevada) e canal ginecóforo onde aloja a fêmea
• Ovos: 150 µm (maior ovo de helminto), formato de balão, casca transparente
com espícula lateral, permite visualizar miracídio internamente
Ciclo:
1. Estágio infectante: Cercária (forma aquática que penetra pela pele)
2. Ovos nas fezes → eclosão em água → miracídios → infectam
caramujo Biomphalaria sp. → cercárias liberadas na água
3. Cercárias penetram pela pele → perdem cauda → migram via circulação
sanguínea → fígado e vasos mesentéricos (adultos)
Infecção: Cercária
Diagnóstico: Ovos
Patogenia:
• Depende de carga parasitária (avaliada pelo Kato-Katz), resposta imune e estado
nutricional
• Granuloma hepático com fibrose e depósito de colágeno (possível evolução
para cirrose)
• Hepatomegalia, esplenomegalia, hipertensão portal (por bloqueio).
• "Barriga d'água" por aumento da permeabilidade vascular
• Se aloja no parênquima hepático na circulação mesentérica, podendo assim
parar em outros sistemas, como o urinário (através do plexo venoso), liberando
ovos em urina.
Complicações:
• Cirrose hepática, varizes esofagianas, ascite
Diagnóstico:
• Método preferencial: Kato-Katz (quantitativo - padrão ouro OMS)
• Outros métodos: Hoffman, MIFC, Ritchie
Transmissão: Contato com água contaminada por cercárias
CESTÓDEOS
Teníase
Agente etiológico: Taenia solium e Taenia saginata
Morfologia:
• Verme adulto:
• Escólex (cabeça) com ventosas para fixação na mucosa
• Hermafrodita (proglotes possuem ambos sistemas reprodutores).
• T. solium: Menor, tem acúleos no escólex, menos proglotes liberadas/dia,
ramificações uterinas menos delgadas e menos numerosas, pode
causar cisticercose.
• T. saginata: Maior, sem acúleos, mais proglotes liberadas/dia,
ramificações uterinas mais numerosas e mais delgadas,
• Ovos: 30-40 μm, idênticos entre espécies, padrão radiado (corona radiata)
("padrão de sol"), casca espessa.
Ciclo:
1. Estágio infectante: Cisticerco em carne de porco (T. solium) ou boi (T. saginata)
2. Ingestão de carne crua/mal cozida (má procedência) → cisticerco libera escólex
no intestino → fixação e desenvolvimento do verme adulto → proglotes grávidas
eliminadas nas fezes
3. Ovos em fezes humanas → ingeridos por porcos/bovinos → larvas penetram
parede intestinal → formam cisticercos na musculatura
4. Cisticercose (T. solium): Ingestão de ovos por humanos → penetração por larvas
→ formação de cisticercos em músculos/outros tecidos
5. Pode depositar ovos na região perianal (não exclusivamente).
Infecção: Cisticerco
Diagnóstico: Ovos ou proglotes.
Patogenia:
• Teníase: Geralmente assintomática ou sintomas gastrintestinais leves,
espoliação nutricional
• Cisticercose: Sintomas dependem do órgão acometido (neurocisticercose,
envolvimento ocular, muscular)
Diagnóstico:
• Método preferencial: Visualização e diferenciação de proglotes (tinta da china,
metoquina, ácido acético), ou visualização dos ovos, ou cisticerco (imagem).
• Pesquisa de ovos: Hoffman, MIFC
• Cisticercose: Exames de imagem, biópsia
Transmissão:
• Teníase: Ingestão de carne crua/mal cozida com cisticercos
• Cisticercose: Ingestão de ovos (T. solium apenas)
Himenolepíase
Agente etiológico: Hymenolepis nana e H. diminuta
Morfologia:
• Menor cestódeo (2-4 cm)
• Ovos:
• H. nana: Menor, com filamentos polares, infecta mais humanos
• H. diminuta: Maior (70-85 μm), sem filamentos polares, infecta mais ratos
Ciclo:
1. Estágio infectante: Ovo embrionado ou inseto com cisticercóide
2. Ciclo direto: Ingestão de ovos → desenvolvimento no intestino (sem hospedeiro
intermediário)
3. Ciclo indireto: Via insetos (hospedeiros intermediários)
4. Autoinfecção: Possível com H. nana (ovos eclodem no intestino)
Monoxênico → Sem hospedeiro intermediário
Héteroxênico → Hospedeiro intermediário (inseto)
Infecção: Ovo
Diagnóstico: Ovo
Patogenia:
• Geralmente assintomática
• Infecções graves: Dores abdominais, vômito, diarreia, síndrome de má absorção
Diagnóstico:
• Método preferencial: Sedimentação (Hoffman, MIFC)
• Não libera proglotes nas fezes
• Ovos
• Transmissão: Via fecal-oral ou ingestão de insetos infectados
Difilobotríase
Agente etiológico: Diphyllobothrium latum
Morfologia:
• Verme adulto: Até 10 metros, pode ter 4.000 proglotes
• Ovos: 55-75 μm, elípticos com opérculo (tampa)
• Proglotes: Mais largas que longas (raramente visíveis nas fezes)
Ciclo:
1. Estágio infectante: Larva plerocercóide em peixes (salmão, truta)
2. Ovos nas fezes → água → coracídio → crustáceo (procercóide) → peixe
(plerocercóide) → penetração da pele (apenas).
3. Ingestão de salmão/truta crua→ desenvolvimento do verme adulto no intestino
Infecção:Larva plerocercoide
Diagnóstico: Ovo
Patogenia:
• Síndrome de má absorção
• Anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12 (parasita absorve 80%)
Diagnóstico:
• Método preferencial: Sedimentação (Hoffman, MIFC)
• Pesquisa de ovos operculados nas fezes
Transmissão: Ingestão de peixe cru/mal cozido (salmão, truta)
NEMATÓDEOS
Ascaridíase
Agente etiológico: Ascaris lumbricoides (maior nematódeo intestinal humano).
Morfologia:
• Adultos: 15–40 cm (fêmeas maiores), corpo cilíndrico branco-amarelado.
• Ovos:
• Fértil: 50 µm, esférico, membrana mamilonada externa (aspecto
"espiculado").
• Infértil: 90 µm, alongado, sem embrião visível.
• Decorticados: Perdem a casca externa, mantendo halo transparente.
Ciclo de vida:
1. Estágio infectante: Ovo embrionado (L3) no solo (5–10 dias em condições
ideais).
2. Ingestão → eclosão no duodeno → larvas penetram a mucosa intestinal.
3. Ciclo de Loss: Migração via circulação → fígado → pulmões (alvéolos) → traqueia
→ deglutidas → intestino delgado (adultos).
4. Adultos: Liberam 100–200 mil ovos/dia nas fezes.
Infecção: ovos embrionados (L3)
Diagnóstico: Ovos férteis ou inférteis.
Pode liberar ovos não embrionados-férteis, que não serão patogênicos.
Patogenia:
• Fase pulmonar: Tosse, pneumonia eosinofílica (Síndrome de Löffler).
• Fase intestinal: Obstrução por "bolo de áscaris", espoliação nutricional.
• Complicações: Migração ectópica (vias biliares, pâncreas).
Diagnóstico:
• Métodos: Sedimentação (Hoffman, Ritchie, MIFC).
• Imagem: Ultrassom (vermes em vias biliares).
Transmissão: Fecal-oral (ovos em água/alimentos contaminados)
Ancilostomídeos
Agente etiológico: Ancylostoma duodenale e Necator americanus.
Morfologia:
• Adultos: 8–13 mm, cápsula bucal com dentículos/placas cortantes.
• Ovos: 60 µm, ovais, casca fina e transparente (indistinguíveis entre espécies).
Larvas:
Filarióide: Esôfago longo e retilíneo, larva maior, forma infectante, não tem cauda
entalhada
Rabditóide: Esôfago pequeno, irregular e segmentado, ‘’Halter de academia’’ não tem
primórdio genital
Ciclo de vida:
1. Estágio infectante: Larva filarióide (L3) no solo.
2. Penetração cutânea → corrente sanguínea → pulmões → traqueia → intestino
delgado (adultos).
3. Adultos: Sugam 0,2 mL sangue/dia/verme.
Infecção: Filarióide
Diagnóstico: Rabditóide ou ovos.
Patogenia:
• Cutânea: Dermatite ("bicho geográfico" por A. brasiliense).
• Sistêmica: Anemia ferropriva ("amarelão"), hipoproteinemia.
• Pulmonar: Síndrome de Löffler.
Diagnóstico:
• Método de Willis: Flutuação em NaCl saturado (ovos leves).
• Larvas: Baermann-Moraes/Rugai (termohidrotropismo).
Transmissão: Contato com solo contaminado (pés descalços).
Enterobíose
Agente etiológico: Enterobius vermicularis.
Morfologia:
• Adultos: 8–13 mm (fêmeas), cauda pontiaguda.• Ovos: 50 µm, formato de "D", membrana lisa.
Ciclo de vida:
1. Estágio infectante: Ovo embrionado na região perianal.
2. Autoinfecção: Coceira anal → ovos nas mãos → ingestão.
3. Adultos: Ceco/cólon → fêmeas migram à noite para oviposição perianal.
Infecção: Ovos
Diagnóstico: Ovos
Patogenia:
• Principal sintoma: Prurido anal noturno.
• Complicações: Vulvovaginite, apendicite (raro).
Diagnóstico:
• Método de Graham: Fita gomada perianal (repetir por 3 dias).
Transmissão: Autoinfecção ou contato com roupas/objetos contaminados.
Tricuríase
Agente etiológico: Trichuris trichiura.
Morfologia:
• Adultos: 3–5 cm, extremidade anterior filiforme.
• Ovos: 40 µm, formato de "barril", tampões polares de lipídio.
3ª infecção por helminto mais comum, locais onde as fezes humanas são utilizadas
como fertilizantes
Ciclo de vida:
1. Estágio infectante: Ingestão de ovos embrionados provenientes do solo.
2. Ingestão → adultos no ceco/cólon (fixam-se na mucosa).
Infecção: Ovos embrionados
Diagnóstico: Ovos não embrionados
Patogenia:
Asssociado com infecções graves, por conta da larva depositar ovos no ceco, criando
peristaltia (vontade) de evacuação que pode gerar prolapsos e consequentemente
sangramentos, lesões e até sepse.
Diagnóstico:
• Métodos: Sedimentação (MIFC, Ritchie).
Transmissão: Ingestão de ovos em solo contaminado.
Estrongiloidíase
Agente etiológico: Strongyloides stercoralis.
Morfologia:
• Larvas rabditoides: 250 µm, esôfago em "halter", primórdio genital.
• Larvas filarioides: 500 µm, cauda bifurcada (exclusiva do strongyloides),
esôfago retilíneo e regular.
Ciclo de vida:
1. Estágio infectante: Larva filarioide no solo.
2. Penetração cutânea → ciclo de Loss → intestino delgado (fêmeas
partenogenéticas).
3. Autoinfecção: Larvas filarioides geradas no intestino reinfectam o hospedeiro,
caso sejam partenogenéticas.
Infecção: Larvas filarióides
Diagnóstico: Larvas rabditóides
Ovos:
1.Fêmea de vida livre
2. macho de vida livre
3. partenogenética (3N) a ultima sendo associada com autoinfecção.
Patogenia:
• Cutânea: Erupção serpiginosa (larva currens).
• Complicações: Hiperinfecção (imunossuprimidos), sepse, meningite.
Diagnóstico:
• Método de Baermann-Moraes: Isolamento de larvas por termohidrotropismo.
Transmissão: Solo contaminado ou autoinfecção interna.
TABELA RESUMO – COMPARATIVO
TABELA STRONGYLOIDES VS ANCILOSTOMÍDEO