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Unidade I
Comunicação Corporativa e
Qualidade Textual
Português
Instrumental
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
RAFAELLA FÉLIX
WILLIAM AUGUSTO SILVA
AUTORIA
Rafaella Félix
Sou formada em Letras. Sou apaixonada pelo que faço e adoro
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas
profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
William Augusto Silva
Graduado em Letras (português e espanhol) e mestre em Letras -
Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo
(USP). Atualmente, realizo pesquisa de doutorado na mesma instituição.
Tenho experiência com ensino de língua portuguesa, literatura e redação.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:
OBJETIVO:
para o início do
desenvolvimento
de uma nova
competência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade
de apresentar um
novo conceito;
NOTA:
quando necessárias
observações ou
complementações
para o seu
conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações
escritas tiveram que
ser priorizadas para
você;
EXPLICANDO 
MELHOR:
algo precisa ser
melhor explicado ou
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e
indagações lúdicas
sobre o tema em
estudo, se forem
necessárias;
SAIBAMAIS:
textos, referências
bibliográficas
e links para
aprofundamento do
seu conhecimento;
REFLITA:
se houver a
necessidade de
chamar a atenção
sobre algo a ser
refletido ou discutido;
ACESSE:
se for preciso acessar
um ou mais sites
para fazer download,
assistir vídeos, ler
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso
fazer um resumo
acumulativo das
últimas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma
atividade de
autoaprendizagem
for aplicada;
TESTANDO:
quando uma
competência for
concluída e questões
forem explicadas;
SUMÁRIO
A importância da comunicação escrita na organização............... 12
Os níveis de linguagem .............................................................................................................. 13
A escrita eficiente no mundo corporativo ..................................................................... 15
O que é necessário para uma redação técnica de qualidade? .................... 18
Os elementos de comunicação .......................................................................................... 20
Qualidades de um texto................................................................................22
Características de qualidade textual.................................................................................22
Simplicidade ....................................................................................................................22
Objetividade .....................................................................................................................23
Precisão ...............................................................................................................................23
Impessoalidade .............................................................................................................23
Formalidade.....................................................................................................................24
Coesão .................................................................................................................................24
Naturalidade ....................................................................................................................27
Harmonia ............................................................................................................................27
Clareza .................................................................................................................................27
Coerência ...........................................................................................................................28
Concisão .............................................................................................................................28
“Queísmo”...........................................................................................................................28
Correção .............................................................................................................................29
Opositores Textuais ......................................................................................... 31
Os opositores às qualidades textuais............................................................................... 31
Barbarismo acidental ................................................................................................33
Obscuridade textual...................................................................................................33
Rebuscamento...............................................................................................................34
Prolixidade.........................................................................................................................35
Subjetividade...................................................................................................................37
Cacofonia ...........................................................................................................................37
Expressões de mau gosto .................................................................................... 38
Ambiguidades ............................................................................................................... 38
Tautologias ....................................................................................................................... 40
Vícios de linguagem e organizadores textuais..................................42
Vícios de linguagem .....................................................................................................................42
Prolixidade........................................................................................................................ 46
Plebeísmo ......................................................................................................................... 46
Gerundismo..................................................................................................................... 46
Clichê ....................................................................................................................................47
Chavões.............................................................................................................................. 49
Os organizadores textuais........................................................................................................ 50
9
UNIDADE
01
Português Instrumental
10
INTRODUÇÃO
Escrever bem é uma competência cada vez mais escassa entre
os jovens profissionais que buscam uma colocação no mercado de
trabalho. A deficiência do sistema nacional de ensino, aliada a uma cultura
cibernética que prioriza os vídeos e demais objetos multimídia à boa e
velha leitura, vêm transformando as novas gerações em verdadeiros
analfabetos funcionais. Algumas profissões, como as relacionadas à
gestão, comunicação e direito, exigem do profissional uma maior fluência
verbal e escrita da língua portuguesa. Nosso desafio nesta unidade será
capacitar você a utilizar algumas técnicas e dicas de linguagem para
tornar a sua comunicação mais eficiente no seu ambiente de trabalho.
Preparado para uma viagem rumo ao conhecimento? Então, aperte o
cinto.
Português Instrumental
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no
desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término
desta etapa de estudos:
1. Interpretar a comunicaçãono contexto organizacional e a
importância do uso eficiente da língua portuguesa nesta
comunicação.
2. Identificar as qualidades de um texto eficiente.
3. Reconhecer os opositores textuais e como devem ser evitados.
4. Identificar os vícios de linguagem mais comuns e os organizadores
textuais.
Então?Preparadoparaumaviagemsemvolta rumoaoconhecimento?
Ao trabalho!
Português Instrumental
12
A importância da comunicação escrita
na organização
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender a
comunicação no contexto organizacional e a importância
do uso eficiente da língua portuguesa nessa comunicação.
Dependendo da área em que se trabalhe, errar um texto pode ser
algo imensamente comprometedor. Imagine, por exemplo, que você
trabalha em uma faculdade, no departamento de Letras, e comete alguns
“errinhos” de português em uma mensagem publicada na página oficial
da instituição em uma grande rede social. Vexatório, não é? Dia após dia,
as empresas vão passando por situações como esta. E-mails, postagens,
cartazes, banners e folders eletrônicos, de um modo geral, necessitam
de um revisor de língua portuguesa para filtrar possíveis erros na redação
desses textos. Mas, nem sempre isso é possível. Assim, cada profissional
deve buscar seu melhoramento no que tange ao seu modo de escrever,
procurando se utilizar do formato e estilo mais adequado à comunicação
com seu público alvo.
Um aspecto importante a ser esclarecido a quem deseja melhorar
seu desempenho na elaboração textual é o fato de que há uma diferença
entre a linguagem escrita e oral. A primeira só surgiu depois da segunda,
como já sabemos. A língua escrita é uma tentativa de reproduzir a
linguagem oral. No entanto, ela não é por si só capaz de representar
total e completamente a linguagem oral, visto suas inúmeras variações
de sentido oferecidas pela entonação ou a complementação por um
gesto, por exemplo. Não é raro que a comunicação entre duas pessoas
possa ser até mesmo por um simples olhar ou um gesto com o corpo,
aspectos dificilmente reproduzidos adequadamente pela língua escrita.
Uma coisa é falar com nosso interlocutor, outra coisa é tentar escrever o
que seríamos capazes de falar.
Português Instrumental
13
Assim, é importante ter consciência de que a língua escrita tem suas
próprias dificuldades, exigindo treino incessante, concentração e domínio
de um vocabulário suficientemente extenso, entre outros fatores. Escrever
um texto claro e bem redigido é sempre resultado de várias tentativas e do
esforço em torna-lo mais e mais adequado, seja simplesmente trocando
uma palavra pela outra ou reformulando períodos etc.
Não é difícil perceber que as pessoas não falam de uma mesma
forma. O uso que fazemos da língua varia de acordo com fatores como a
idade, instrução, região e a situação em que ocorre o ato da fala. Portanto,
verificamos que uma criança não fala como um adulto, e a forma como
falamos no trabalho não é a mesma que falamos junto à nossa família.
Inclusive, você certamente já deve ter observado que a língua
portuguesa não é falada do mesmo modo em todas as regiões do país,
por todas as classes sociais e passou pormuitas modificações no decorrer
do tempo. O português não é estático ou imutável, mas consiste em um
conjunto de variedades.
Essas variedades e diversidades do idioma implicaram no
surgimento de níveis de linguagem, como consequência de vários fatores
como o sociocultural, por exemplo.
Podemos reconhecer, portanto, que existem níveis de linguagem.
De forma simplista, podemos agrupá-los basicamente em dois grupos: o
coloquial ou informal ou o culto ou formal.
Os níveis de linguagem
Os níveis de linguagem também são chamados de níveis de fala e
consistem dos diferentes registros em que a linguagem pode ser usada
pelos falantes, de acordo com o contexto de comunicação, o nível de
escolaridade, a interação, idade, entre outros fatores.
Os idiomas sofrem influências de algum tipo de evolução até
mesmo dentro de um próprio país. A língua portuguesa não é diferente e
vai se adaptando à condições culturais, políticas, econômicas, geográficas
e sociais.
Português Instrumental
14
VOCÊ SABIA?
Dialeto é uma variação de uso regional da língua que
pode ser verificada na entonação, no vocabulário e
algumas estruturas da sintaxe, caracterizando uma dada
comunidade dentro de um certo espaço geográfico.
Registros são as variações que decorrem de ajustes de
situações contextuais e do destinatário. Em consequência,
é possível separar várias modalidades e níveis de língua:
escrita, falada, jurídica, dos internautas, etc.
De forma generalizada, temos que:
• O nível culto é caracterizado pelo uso da linguagem normativa
(que é o ramo da gramática que estabelece as regras que são
seguidas pelos que desejam escrever corretamente), que faz uso
da língua considerada padrão. Esse nível é utilizado em situações
formais e também é usado na literatura de forma geral.
• O nível comum, despreocupado ou coloquial é intermediário entre
o culto e o popular. É uma linguagem mais espontânea e familiar.
• O nível popular é o considerado subpadrão, pois faz uso de um
vocabulário restrito a certos grupos e situações e apresenta o uso
de gírias.
• Já o nível técnico ou científico é próximo ao nível culto, embora
apresente uma linguagem peculiar, usada por comunidades
específicas, com vocabulário preciso, rigoroso e caracterizado
pela ausência de emoção.
Quadro 1 – Modalidades e níveis da língua
Fonte: Elaborado pela autora com base em Gold e Segal (2008, p.14)
Português Instrumental
15
Embora a língua escrita esteja sujeita a menos variações que a oral,
essas observações também podem ser aplicadas a ela. Quando vamos
escrever um texto, temos que ter em mente as características de quem
o recebe e a natureza do tema. Se quisermos escrever um e-mail para
um amigo, certamente o nível de fala a ser usado não será o mesmo que
usaremos para nosso chefe, por exemplo.
REFLITA:
Com essa diversidade de níveis, é coerente se perguntar:
masoqueécertoeoqueéerradoou, aomenos, adequado?
A verdade é que o grau de liberdade de quem redige está
relacionado com a adequação da linguagem à situação comunicativa e
ao assunto a ser tratado.
Levando em consideração todos esses fatores, devemos escolher
a forma mais adequada de estabelecer a comunicação em um dado
momento e local, pois é fato que falamosdeumamaneira e escrevemosde
outra e cada uma tem suas características próprias. Não há superioridade
de uma em detrimento de outra. São somente modalidades diferentes
realizadas em diferentes contextos.
Linguagem é a faculdade do homem de expressar seus
pensamentos. A linguagem envolve sons e sinais que podem ser usados
para transmitir suas ideias, sensações, experiências etc. A linguagem,
como foi visto, pode ser falada ou escrita, ou ainda, gesticulada.
Língua é quando um sistema de sons e sinais passa a representar
um código compartilhado por um povo. Podemos dizer que a língua é a
linguagem articulada.
A escrita eficiente no mundo corporativo
A verdade é que nunca se escreveu tanto como hoje em dia. A
tecnologia aumenta o uso da linguagem escrita, como também causa
uma revolução na maneira como os textos são escritos e também
lidos. Com a comunicação baseada na Internet, um enorme volume de
Português Instrumental
16
informações passa a ser disponibilizada de forma instantânea paramilhões
de pessoas no mundo todo. Por isso, a clareza e a coerência e o emprego
adequado da linguagem escrita, precisa mais do que nunca ser livre de
entendimentos imprecisos e de erros, garantindo o sucesso comunicativo.
A comunicação tem que ser dotada de agilidade e precisão. Comunicar
é buscar a compreensão, o entendimento e a correta troca de ideias e
sensações.
Em sua essência mais simples, comunicar é permitir que alguém
transponha amensagemquedeseja a alguémque recebeessa informação
usando uma determinada forma. Linguagem, por sua vez, deveria sero
exercício da elaboração do pensamento.
Nesse sentido, ao mesmo tempo que vemos uma maior produção
textual no mundo, temos também a degradação na manifestação escrita
em certos textos na Internet através de uma linguagem mais reduzida ou
praticamente abreviada, sobretudo pelos mais jovens.
Figura 1 - Foto ilustrativa fazendo referência à redação técnica
Fonte: Freepik
É possível perceber que na atualidade, há uma mudança no estilo
das comunicações na forma escrita. Os textos se tornarammenos prolixos
e muito mais inteligíveis em termos de comunicação da mensagem. No
entanto, ainda lidamos com alguns problemas no que tange à clareza.
Português Instrumental
17
A produção textual escrita é uma atividade que, para ser eficaz,
deve estar apoiada no domínio compreensivo de uma série de estratégias
e habilidades, além de conhecimentos específicos.
Muitos pensam que simplesmente seguir as regras da gramática
à risca através de fórmulas prontas de “colocação” de ideias no papel
perfazem um bom texto.
Na prática, temos que produzir textos e não é fazer redações. Textos
esses, dos mais diferentes tipos para as mais diversas necessidades e que
também venham a atender os mais diversos objetivos.
Alinguagemescritanãoésimplesmenteatransposiçãodalinguagem
oral e não decorre da interação face a face em contextos comunicativos,
onde ambos os interlocutores estão presentes. A linguagem escrita vai
além disso: ela permite a comunicação sem depender de tempo e lugar.
Isso se reflete na sua estrutura e nas suas necessidades de explicitação.
A produção de um bom texto envolve certamente um bom domínio
danormacultada língua,mas tambémnecessitadeumbomconhecimento
de outros tantos mecanismos necessários à estruturação do texto, como
a organização de parágrafos, a construção textual, a clareza na forma de
expressão das ideias que se deseja passar e o conhecimento de outros
meios de estruturação na composição desse texto. Acima de tudo, o texto
deve ter o elemento essencial: a clareza. É a clareza que objetivamos ao
elaborar um texto escrito.
Mas, obviamente, a tarefa de redigir em uma determinada língua
impõe o domínio dos elementos do léxico, os quais trazem consigo
informações sintáticas, semânticas e fonológicas, bem como das possíveis
combinações entre eles, o que resulta no conhecimento da boa ou má-
formação (sintática, fonológica e semântica) de sequências.
De fato, todas as variedades linguísticas têm o seu valor e a sua
importância, desde que sejam empregadas na situação adequada.
Podemos dizer que “escrever bem” é o mesmo que “falar no
papel”. Por isso, devemos redigir de maneira simples (simplicidade) e
organizada (organização). Ao escrever, temos por obrigação “juntar” todas
Português Instrumental
18
as informações de que dispomos, para que a nossa mensagem seja
compreendida com a maior clareza possível (clareza, correção, coesão e
coerência).
No contexto profissional, a redação técnica é aquela utilizada para
fins objetivos (objetividade). Difere da redação literária, carregada de
valores artísticos e, até mesmo, subjetivos (impessoalidade).
Para se escrever uma redação técnica, é necessário que certos
cuidados sejam observados, como: o tipo de linguagem, a estrutura do
texto, o espaçamento, a forma de iniciar ou finalizar o texto, entre outras
(formalidade e padronização).
Dessa maneira, a redação técnica difere da literária pelas suas
finalidades e pela sua forma:
é uma comunicação objetiva, obedecendo a uma
padronização que facilita o trabalho e dá ao redator mais
segurança de sua eficiência. Caracteriza-se pelo texto
em nível culto, gramaticalmente correto, claro, objetivo e
com vocabulário adequado à área de atuação. (TOLEDO;
NADOLSKIS, 2002, p.119)
O que é necessário para uma redação
técnica de qualidade?
Por ser impessoal, a redação técnica não admite que o redator se
expresse de maneira própria e individual, como se faz na comunicação
de cunho pessoal. Por isso, existem requisitos essenciais que devem
ser observados. Na correspondência oficial poderíamos mencionar os
seguintes requisitos:
1. Linguagem/registro – o texto sempre deverá usar o padrão culto
da língua;
2. Simplicidade – o texto deve possuir uma linguagem simples, sem
palavras rebuscadas ou repetidas;
3. Impessoalidade – linguagem impessoal, sem intimidades;
Português Instrumental
19
4. Objetividade/precisão – texto objetivo, utilizando-se todas as
informações conhecidas, de maneira objetiva, visando-se um
objetivo central, sem os famosos “rodeios”;
5. Coesão – resulta da perfeita relação de sentido que deve haver
entre as partes de um texto;
6. Clareza – o texto deve ser claro, como forma de evitar múltiplas
interpretações, o que prejudica os comunicados;
7. Concisão – no texto, deve-se mencionar apenas, o estritamente
necessário, revelando o maior número de ideias com o mínimo
possível de palavras;
8. Correção – o texto deve sempre estar de acordo com as regras da
nossa Gramática Normativa;
9. Harmonia – o texto deve primar por ser harmônico e fiel àquilo que
seu relator procura exprimir;
10.Formalidade – o texto oficial deve ser expresso de maneira formal;
11. Padronização – inclui uma boa digitação e uma correta
diagramação do texto;
12.Organização – refere-se à estrutura do texto, que deve ser formado
de três partes distintas: introdução, desenvolvimento e conclusão;
13.Fecho ou término adequado – antes, existiam muitas maneiras
de se terminar uma correspondência oficial. Atualmente, usam-
se maneiras bem mais simples, como: “Respeitosamente” ou
“Atenciosamente”.
Português Instrumental
20
VOCÊ SABIA?
O fecho das comunicações oficiais possui, além da
finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o
destinatário. Os modelos que vinham sendo utilizados
foram simplificados para somente dois fechos diferentes
para todas as modalidades de comunicação oficial:
• Para autoridades superiores, inclusive o Presidente da
República: “Respeitosamente”;
• Para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia
inferior: “Atenciosamente”.
Sempre se coloca a vírgula após o advérbio.
Os elementos de comunicação
Os seres humanos têm a necessidade de externar suas ideias,
vivências e emoções. O processo de comunicação consiste em alguém
que envia uma mensagem a alguém que a recebe usando uma
determinada linguagem.
Em meados do século XX foi criado o modelo de comunicação
humana onde estão presentes seis elementos:
• A mensagem que é o conjunto de informações a ser transmitido.
• O emissor ou remetente que é aquele de quem parte a mensagem.
• O receptor ou destinatário eu é aquele a quem a mensagem se
destina.
• O código que é um sistema que o emissor e o receptor
compartilham, como a língua.
• O canal - é o meio físico pelo qual a comunicação se dá (como por
exemplo, a televisão).
• O referente ou contexto que é o assunto da mensagem. Aquilo a
que ela se refere.
Português Instrumental
21
Importante: Vale lembrar que em uma situação dinâmica como
uma conversa que se instaura pessoalmente, face a face, o emissor e o
receptor trocam o tempo todo de lugar, de acordo com aquele que está
falando e quem está recebendo a mensagem.
Figura 2 – Emissor e receptor uma via de duas mãos
Fonte: Pixabay
Figura 3 – Elementos de comunicação
Fonte: Wikimedia commons
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Vamos então
recapitular o que estudamos neste capítulo. A língua
escrita tem peculiaridades próprias que a diferem da
língua falada. A tarefa de redigir em uma determinada
língua impõe o domínio dos elementos gramaticais, como
o léxico e a organização sintática. No contexto profissional,
a redação técnica é aquela utilizada para fins objetivos.
Daí decorre sua necessária objetividade. Por isso, alguns
requisitos são essenciais, como, por exemplo, a linguagem,
a simplicidade, a impessoalidade, a coesão, a clareza, a
concisão e correção, entre outros.
Português Instrumental
22
Qualidades de um texto
[Objetivo]:O objetivo deste capítulo é fazer você entender e
aplicar as características que conferem qualidade a um texto usado para
comunicação organizacional.
O que faz um texto ser facilmente compreendido pelo receptor
da mensagem? Que características adicionam qualidade a um texto? Ao
término deste capítulo, esperamos que você tenha compreendido as
principais características de um texto bem escrito.
Características de qualidade textual
Figura 4 - Foto de estudantes fazendo uma redação
Fonte: Wilimedia commons
Simplicidade
Escrever com simplicidade é uma das coisas mais difíceis que
existem. A tendência natural dos que se consideram eruditos parece
levá-los a complicar um pouco o texto, usar palavras difíceis, citações
excessivas, como se isso significasse valorizar o que escrevem.
Português Instrumental
23
Objetividade
Escrever com objetividade significa:
• Identificar a ideia principal;
• Identificar as ideias secundárias;
• Identificar quais as ideias que interessam ser expressas e quais as
que devem ser dispensadas.
Precisão
A precisão é obtida pelo uso de substantivos e verbos, em lugar
de adjetivos, advérbios e outras expressões vagas e vazias. A precisão
da linguagem técnica também envolve o uso adequado das expressões
próprias, que devem ser adotadas na redação, usando-se sinônimos no
lugar de palavras estranhas ao vocabulário técnico.
Assim, escrever com precisão significa empregar a forma ideal para
expressar o pensamento de modo preciso. Obtém-se a precisão:
• Procurandoencontrarapalavracerta,consultando, frequentemente
o dicionário;
• Evitando palavras desgastadas pelo uso e fórmulas feitas;
• Revendo criteriosamente o texto e, se necessário, reescrevendo-o.
Impessoalidade
A finalidade da língua é comunicar-se, quer pela fala, quer pela
escrita. Para que haja comunicação, são necessários:
• Alguém que comunique;
• Algo a ser comunicado.
• Alguém que receba essa comunicação.
No caso da redação oficial, quem comunica é sempre a Instituição;
o que se comunica é sempre algum assunto relativo às atribuições do
Serviço Público; o destinatário é o público ou outro órgão da administração.
Português Instrumental
24
O tratamento impessoal dado aos assuntos que constam das
comunicações administrativas decorre:
• Da ausência de impressões individuais de quem comunica:
embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado pelo
Chefe de determinada Seção, é sempre em nome do Órgão que é
feita a comunicação;
• Da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas
possibilidades: ela pode ser dirigida ao público, ou a outro Órgão.
Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma
homogênea e impessoal;
• Do caráter impessoal do próprio assunto tratado: não cabe
qualquer tom particular ou pessoal.
Dessa forma, não há lugar, na redação administrativa, para
impressões pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta
a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto
literário. A redação administrativa deve ser isenta da interferência de quem
a elabora.
Formalidade
As comunicações administrativas devem ser sempre formais, isto é,
obedecer a certas regras de forma, além das já mencionadas exigências
de impessoalidade e de utilização do padrão culto da linguagem. Também
é necessário certa formalidade ao se dirigir a uma autoridade. Empregar
corretamente o pronome de tratamento expressa a civilidade requerida
pelo tipo de situação comunicativa instaurada.
Coesão
A construção de um texto pressupõe que os seus segmentos se
sucedem em uma progressão constante e, por essa razão, cada parte
deverá ir acrescentando novas informações ao que foi dito anteriormente,
formando uma continuidade, uma unidade, tornando o texto coeso.
Português Instrumental
25
Dessa maneira, produzir um texto coeso e coerente é muito mais do
que emitir palavras em cadeia, frases interligadas ou aglomeradas. Num
texto que possui harmonia e coerência, encontra-se um fio condutor, no
qual uma ideia deve suceder a outra.
Por coesão entende-se a conexão interna entre vários enunciados
presentes no texto; enunciados esses que devem estar articulados e
concatenados entre si por elementos linguísticos. Cria-se uma espécie de
ligação que dá ao texto unidade de sentido ou unidade temática.
Um texto tem coesão quando as palavras, frases e parágrafos são
interligados de forma correta, oferecendo continuidade um ao outro. Os
elementos de coesão oferecem a transição correta das ideias através das
frases e parágrafos. A coesão pode ser referencial, lexical e sequencial.
Exemplo:
1. Ele comeu muito mas não passou mal. A palavra mal oferece uma
ideia de oposição que liga as duas ideias.
2. Dei para a caridade um sofá que não usava mais. A palavra que
oferece uma retomada à palavra sofá.
A coesão promovendo essa continuidade do texto garante a sua
interpretação, por meio da noção de conjunto que se cria entre os vários
segmentos interligados entre si.
EXEMPLO: a inflação é a maior inimiga da Nação. É meta prioritária
do governo eliminá-la = A inflação é a maior inimiga da Nação; logo, é
meta prioritária do governo eliminá-la.
Elementos De Coesão Textual - Ideias / Palavras / Expressões:
• Adição: e; nem e não; não só... mas também; tanto...como; não
apenas...como.
• Alternância: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...seja.
• Causa: porque; pois; porquanto; que; dado; visto; por; como; devido
a; graças a; por causa de; em vista de; em face de; já que; visto que;
uma vez que; em razão de; em virtude de; dado que; etc.
Português Instrumental
26
• Comparação: como; qual tal; como assim; do mesmo modo que;
como se; etc.
• Condição: se; caso; sem; salvo; mediante; a menos que; contanto
que; exceto se; etc.
• Conformidade: como; conforme; consoante; segundo; em
conformidade com; de acordo com; etc.
• Consequência imprevista: tão; tal; tanto; tamanho... que; de modo
que; de forma que; de sorte que; de maneira que; tanto que; etc.
• Consequência lógica: assim; logo; portanto; etc.
• Finalidade: para que; porque; a fim de que; a fim de; com o fito de;
com a intenção de; com o propósito de; com o intuito de; etc.
• Oposição: embora; conquanto; muito embora; apesar de; não
obstante; a despeito de; sem embargo de; mesmo que; ainda que;
em que pese; posto que; se bem que; por muito que; por mais
que; etc.
• Oposição/adversidade: mas; porém; contudo; todavia; entretanto;
no entanto.
• Proporção: à proporção que; à medida que.
• Tempo: quando; enquanto; apenas; mal; então; enfim; sempre;
imediatamente; agora; anteriormente; afinal; raramente; finalmente;
agora; hoje; nunca antes que; logo que; sempre que; assim que;
depois que; desde que; toda vez que; cada vez que; logo depois;
logo após; a princípio; pouco antes; pouco depois; às vezes; por
vezes; não raro; ao mesmo tempo; nesse ínterim; nesse meio
tempo; enquanto isso; etc.
• Outros elementos de coesão textual: ainda, da mesma forma,
finalmente, a propósito, aliás, também, daí, em resumo, por fim,
dessa forma, por isso, pouco depois, além do mais, em seguida,
pelo contrário, além disso, então, assim, em primeiro lugar,
enquanto isso.
Português Instrumental
27
Naturalidade
A escrita deve correr simples e espontânea, sem que se perceba o
esforço da arte e a preocupação do estilo. Para se alcançar a naturalidade,
deve-se evitar o artificialismo e a afetação, como, por exemplo, emprego
de vocábulos inacessíveis para a maioria das pessoas e de expressões
empoladas (extravagantes).
Harmonia
A prosa harmônica prima pela adequada escolha e disposição
dos vocábulos, pelos períodos não muito longos e pela ausência de
cacofonias (união não harmônica dos sons da fala).
Clareza
Uma das qualidades de um bom texto é a clareza. Expressar o
pensamento sem obscuridade é uma arte, que exige muito exercício,
até que o redator se acostume a escrever de forma simples, com frases
curtas e objetivas e de fácil compreensão para o leitor.
Obtém-se aclareza ao:
• Ordenar as ideias e as palavras;
• Evitar os períodos longos e as intercalações excessivas;
• Escolher adequadamente o vocabulário
• Fugir da gíria e do coloquialismo;
• Utilizar os termos técnicos somente quando forem indispensáveis;
• Evitar ambiguidades e cacofonia;
• Pontuar adequadamente o texto;
• Evitar acúmulo ou excesso de fatos, opiniões ou aspectos;
• Ter cuidado especial com o uso do adjetivo e do advérbio;
• Preferir períodos curtos, coordenados; fugir dos períodos
subordinados longos e vagos.
Português Instrumental
28
Coerência
Não podemos falar em coesão, contudo, sem explicar a sua “irmã
gêmea”, a coerência. O texto é coerente quando existem possibilidades
dele funcionar como peça comunicativa, como meio de interação verbal.
As relações entre coesão e coerência, portanto, são bastante estreitas e
interdependentes, não podendo haver uma separação entre elas, visto
que a coesão existe em função da coerência.
Coerência é a harmonia semântica entre as partes de um texto, em
dado contexto que leva à compreensão do sentido. É a junção de fatos e
ideias oferecendo nexo ou lógica na composição como um todo.
Concisão
Escrever de forma concisa, ou escrever com concisão, quer dizer
ser objetivo, direto, não repetir ideias ou palavras, não alongar o texto
desnecessariamente.
Ser conciso é ser exato, não abusar das palavras para exprimir
uma ideia. Logo, ao produzirmos um texto, devemos ir diretamente ao
assunto, evitando rodeios, divagações, rebuscamentos, frases feitas e
redundâncias.
“Queísmo”
O excesso de “quês” é um empecilho sintático extremamente
comum à concisão. Ele é ocasionado pela transposição, para a escrita,
de um fluxo ininterrupto do pensamento, sem que haja o devido cuidado
com a estrutura frasal daquilo que é transmitido. O excesso de “quês”
pode ser facilmente corrigido com algumas substituições, de uso comum
na língua.
Português Instrumental
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EXEMPLOS: 
• Espero que me respondas a fim de que se esclareçam as dúvidas
que dizem respeito ao assunto que foi discutido.
• Espero (sua) resposta a fim de esclarecer as dúvidas a respeito
do (sobre o) assunto discutido.
• Redator que não se cuida produz textos confusos.
• Redator descuidado produz textos confusos.
• Um diretor, que detinha pouco conhecimento, foi exonerado
• Um diretor, detentor de pouco conhecimento, foi exonerado.
• Quero que saibam que chegarei dia 10
• Quero que saibam da minha chegada dia 10.
• É necessário que se obedeça às leis
• É necessário obedecer às leis.
• Aguardo seu pronunciamento sobre o material que foi remetido
para análise
• Aguardo seu pronunciamento sobre o material remetido para
análise.
• O pedido que foi entregue não está de acordo com o que nosso
setor de compras solicitou.
• O pedido entregue não está de acordo com o solicitado pelo
setor de compras.
Correção
Significa expressar-se segundo a norma culta da língua. Obtêm-se
correção:
• Dando especial atenção à morfologia, à sintaxe e à semântica;
• Obedecendo aos padrões ortográficos vigentes;
• Fugindo dos vícios de linguagem e da estereotipia;
• Revendo criteriosamente o texto.
Português Instrumental
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SAIBAMAIS:
Querseaprofundarnotemadestecapítulo?Recomendamos
o acesso à fonte de consulta e aprofundamento disponível
clicando aqui.
RESUMINDO:
Neste capítulo, você compreendeu melhor algumas das
qualidadesdeumbomtextoescrito. Conheceuosconceitos
de coesão e coerência e aprendeu maneiras de conferir
objetividade e impessoalidade às suas comunicações
escritas. Aprendeu, ainda, técnicas para se obter um texto
claro e conciso e como evitar o uso exagerado de “quês”
numa frase (o “queísmo”).
Português Instrumental
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Opositores Textuais
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer
os opositores da qualidade textual e como devem ser
evitados. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!
Da mesma forma que existem características favoráveis à qualidade
textual, há também aquelas que depõem contra essa qualidade: são
os opositores textuais, ou seja, a antítese das qualidades estudadas no
capítulo anterior.
Os opositores às qualidades textuais
Todas as vezes que o ato comunicativo não se processa da forma
como deveria entre o emissor e o receptor, causando problemas na
compreensão da mensagem, dizemos que ocorre com ruído. Os ruídos
não são somente os sons que interferem na comunicação oral como logo
nos vem à mente, mas, na linguagem escrita, são desvios na sintaxe,
falhas na forma de empregar uma palavra, ambiguidade no sentido entre
muitos outros problemas. Esses desvios não são intencionais e irrompem
a norma padrão da língua, portando-se como opositores às qualidades
textuais.
O ruído é toda interferência indesejável ao transmitir uma
mensagem. Na linguagem oral pode ser a sirene de uma ambulância ou
na forma escrita pode até ser um borrão, assim como pode ser uma falha
na construção da mensagem, fugindo à norma culta.
Os desvios são o fruto do uso de opositores às qualidades textuais.
São situações em que escrevemos falhando com a norma culta da língua
portuguesa.
Essas falhas compreendem problemas de gramática, acentuação,
concordância verbal e nominal, pontuação, crase, entre outros.
Português Instrumental
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Os opositores à qualidade textual ficam ainda mais evidentes em
situações em que precisamos usar uma linguagem mais formal. Assim, é
importante verificar se o que estamos escrevendo está de acordo com a
situação, pois algumas situações não permitem desvios. O uso ou não das
normas gramaticais impacta na qualidade do texto.
Os desvios ocorrem na fala e na escrita. As escrita sofre interferência
da forma como falamos, portanto temos que cuidar tanto da produção
oral quanto da escrita.
Os opositores à qualidade podem tomar conta do texto por descuido
ou por desconhecimento das normas da língua.
Um dos opositores à qualidade do texto é a entropia. Ela é uma
desorganização na construção damensagem como em “eu um homem sou”.
Outro opositor à qualidade do texto é a redundância exagerada que
consiste da repetição que fazemos ao objetivar clareza, como em: “aqui,
neste mesmo lugar, onde eu estou e que você também está, aqui fiquei”.
O quadro 2 traça um paralelo entre algumas qualidades de um
texto e alguns de seus respectivos opositores.
Quadro 2 - Qualidades textuais e seus respectivos opositores
Fonte: Elaborado pela autora (2022)
Português Instrumental
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Barbarismo acidental
O barbarismo acidental é o emprego errado de vocábulos por sua
acentuação, forma ou significado.
Rubríca - rubrica
Geito – jeito
Adevogado – advogado
Cidadões – cidadãos
Mamãos – mamões
Gratuíto - gratuito
Figura 5 – Alusão ao barbarismo acidental em gratuito
Fonte: Freepik
Obscuridade textual
Aobscuridade textual está presente quando o texto não tem clareza,
apresenta escrita confusa, não tem coesão nem tampouco coerência,
objetividade, correção e exatidão. Para que o texto não fique obscuro,
Português Instrumental
34
essencialmente, é preciso organizar a linha de raciocínio, sabendo como
estabelecer a prioridade das informações, fazendo uso correto da norma
culta no momento da escrita.
Figura 6 – Clareza textual
Fonte: Pixabay
Rebuscamento
O rebuscamento excessivo de um texto pode levar a uma
grande falta de naturalidade. Em algumas profissões ou situações esse
rebuscamento é desejável, mas em um texto comum, o rebuscamento
é sinônimo da mais completa falta de naturalidade. O rebuscamento
pode tornar um texto obscuro, sem clareza, desviando-o de seu objetivo
principal que é comunicar uma mensagem.
Os advogados, por exemplo, fazem uso de uma linguagem
rebuscada que remonta uma postura tradicional em seu papel.
Alguns textos acadêmicos também são produzidos idealmente com
rebuscamento. No entanto, na prática diária de nosso trabalho, por
exemplo, o rebuscamento pode ser motivo de distanciamento entre
quem emite a mensagem e quem arecebe.
Português Instrumental
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Figura 7 – Alusão ao rebuscamento na área jurídica
Fonte: Freepik
Prolixidade
O oposto da concisão é a prolixidade. Ser prolixo é utilizar mais
palavras do que o necessário para exprimir uma ideia. O redator prolixo
adora delongas. Costuma dar voltas e voltas até chegar ao ponto crucial
de uma questão, usando, frequentemente, expressões redundantes e
palavras em desuso.
É prioritário termos argumentos suficientes para sustentar a
elaboração de uma mensagem. No entanto, ao abusar dos argumentos,
escrevendo em demasia, com muitos rodeios, podemos fazer com que
o texto se torne prolixo. A prolixidade é quando protelamos demais a
conclusão do discurso, prorrogando-o, escrevendo demasiadamente
sobre o tema. O texto tende a ficar enfadonho e confuso quando abusamos
dos argumentos.
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Figura 8 – Alusão à fala prolixa
Fonte: Freepik
EXEMPLO: informamos que a entrada, a frequência e a permanência
nas dependências desta seção são terminantemente proibidas, seja
qual for o pretexto, a pessoas que não fazem parte de seu quadro de
funcionários.
A melhor redação seria: É proibida a entrada de pessoas estranhas.
Sempre é possível tornar um texto mais conciso. Vejamos alguns
outros exemplos de como melhorar:
• O acordo foi assinado porque assim pediram todos
• O acordo foi assinado a pedido de todos
• Atos de guerra
• Atos bélicos
• Pessoa sem discrição
• Pessoa indiscreta
• Fazer uma viagem
• Viajar
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• Pôr as ideias em ordem
• Ordenar as ideias
Subjetividade
A falta de objetividade em um texto comercial, por exemplo, revela
informações desnecessárias ao contexto comunicativo a que se destina,
talvez até demonstrando um certo caráter pessoal. As informações devem
estar presentes em número suficiente para que a mensagem seja passada
de forma objetiva. Um texto subjetivo carrega as opiniões do emissor da
mensagem e abarca valores diversos.
Figura 9 – Alusão à objetividade desejada
Fonte: Pixabay
Cacofonia
A palavra cacofonia vem do grego: (KAKÓS = do grego MAU) +
(FONÓS = do grego SOM) = CACOFONIA = MAU SOM. Trata-se de um som
desagradável, seja em razão de alguma sugestão de sentido, seja em
razão da dificuldade de pronúncia. Resulta da junção de duas ou mais
palavras na cadeia da frase:
• Ora veja como ela (moela) está!;
• O tijuca ganhou (caga) o jogo;
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• O jogador marca o gol (cagol);
• Herói da nação (danação);
• Ela tinha (latinha) muito dinheiro;
• Senti que a boca dela (cadela) se aproximava;
• Meu coração por ti gela (tigela);
• Mande-me já (mejá) isso;
• Já não posso amar ela (amarela);
• Na vez passada (vespa assada) falei com você;
• Já nela não penso mais (janela).
Expressões de mau gosto
Existem expressões e termos usados, tanto na língua falada quanto
na escrita, que comprometem a vida social e as pretensões profissionais
de qualquer pessoa. Esses vocábulos em um texto escrito, além de
empobrecê-lo, com formas vazias de conteúdo, deixam-no repleto de
erros – os chamados (pecados redacionais). Vejamos alguns exemplos:
• Aproveitamos o ensejo;
• Certos de sua compreensão;
• Renovamos nossos protestos de grande estima e consideração;
• Sem mais para o momento;
• Tomamos a liberdade de...;
• Conforme o acordado;
• Ficamos à sua inteira disposição.
Ambiguidades
Ambiguidade consiste em redigir um período que poderá ser
tomado em mais de um sentido, isto é, a frase admite mais de uma
interpretação:
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• Marcos sentou no sofá e quebrou o braço (Marcos sentou e o
braço do sofá quebrou);
• Para todos aqueles que têm filhos e não sabem, nós temos uma
creche no segundo andar;
• Quinta-feira, às cinco horas, haverá reunião no Clube das Jovens
Mamães que estão amamentando. Todas aquelas que quiseram
se tornar uma jovem mamãe, devem contatar Padre Cavalcante
em seu escritório;
• Sendo este o domingo de Páscoa, chegue cedo à missa, pois,
pediremos à Sra. Jandira que ponha um ovo no altar;
• Eliana viu o incêndio do seu prédio;
• Muitos políticos fazem na vida pública o mesmo que fazem na
privada;
• Alugam-se quartos para moças de fundos amplos e ventilados;
• O postulante não foi encontrado porque morreu, porém a viúva
continua com o negócio aberto;
• Penhorei uma mesa de comer velha de quatro pés...
• Tragam prendas para a próxima venda para beneficência. Uma
boa ocasião para livrar-se das coisas inúteis em casa. Tragam seus
maridos;
• Vende-se este apartamento com o proprietário;
• Família muda vende tudo.
• Maurício vendia meias para a freguesia de baixa qualidade;
• Ontem, saí atrasado da empresa e peguei o ônibus correndo;
• O gerente escreveu um relatório da nossa firma que não vale nada;
• O presidente da empresa e seu diretor operacional se
desentenderam por causa da sua má administração;
• Não deixe a preocupação acabar com você. Deixe que nosso
serviço social ajude.
Português Instrumental
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Tautologias
Ocorre tautologia ou pleonasmo, quando a repetição do termo ou
expressão for considerada DESNECESSÁRIA, inútil à frase.
• entrar para dentro;
• subir para cima;
• descer para baixo;
• sair para fora;
• certeza absoluta;
• afta na boca;
• prazo limite;
• fato real;
• encarar de frente;
• amanhecer o dia;
• gritar bem alto;
• exceder em muito;
• comparecer pessoalmente;
• conviver junto;
• detalhes minuciosos;
• Elo de ligação;
• Surpresa inesperada;
• Escolha opcional;
• Monopólio exclusivo;
• Reenviar novamente;
• Adiada para depois;
• Acabamento final;
Português Instrumental
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• A seu critério pessoal;
• Abertura inaugural;
• Duas metades iguais;
• Empréstimo temporário.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Agora, só para
termos certeza de que você realmente entendeu o tema
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos
aqui. Você aprendeu a se prevenir contra os opositores da
qualidade textual. Você estudou os vícios de linguagem,
o conceito de cacofonia e conheceu algumas expressões
ambíguas, tautológicas ou tidas como de mau gosto.
Português Instrumental
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Vícios de linguagem e organizadores textuais
OBJETIVO:
O objetivo deste capítulo é fazer com que você não cometa
mais os vícios de linguagem e utilize, de forma eficiente, os
organizadores textuais.
Alguns elementos que se opõem às qualidades textuais são
conhecidos como vícios de linguagem, a exemplo da prolixidade, do
plebeísmo, entre outros.
Vícios de linguagem
Figura 10 - Os operadores de telemarketing e call center normalmente incorrem em vícios
de linguagem
Fonte: Wikimedia commons
Os vícios de linguagem são desvios que se opõem à qualidade
textual. São incorreções no uso da língua falada ou escrita. Expressões e
estruturas linguísticas que não condizem com a norma culta e surgem por
descuidoporparte doemissordamensagemoupor seudesconhecimento
da forma correta.
Português Instrumental
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Figura 11 – Alusão ao vícios de linguagem que não levam ao lugar desejado
Fonte: Pixabay
Mas esses vícios são mais comuns do que se pensa. Entre eles,
podemos citar:
• Ambiguidade – defeito da frase que apresenta duplo sentido,
podendo comprometer a mensagem. Exemplo: Convence, por fim,
a namorada o namorado apaixonado. (quem convence?)
• Barbarismo – São todos os erros que atentam contra a forma das
palavras, como erros de pronúncia, de grafia, de flexão, palavras
mal formadas etc. Exemplo: Os homens estavam até sentindo
ância (em vez de ânsia). Os barbarismos mais frequentes são a
cacoépia e a cacografia, bem como a silabada.
• Cacoépia é qualquer erro de pronúncia pelo deslocamento do
acento tônico que pode ser reproduzido também na forma escrita
por consequência. Exemplo
Abóboda – abóbada
Areoporto – aeroporto
Acumpuntura – acupuntura
Esteje – esteja
Português Instrumental
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Mendingo – mendigo
Metereologia – meteorologia
Mortandela – mortadela
• Cacografia é qualquer erro de grafia como troca deletras.
Exemplos:
Magestoso – majestoso
Excessão – exceção
Xuxú – chuchu
geito – jeito
fraze – frase
• Silabada ou prosódia - se refere aos erros na pronúncia e
acentuação das palavras. Exemplo: rúbrica ao invés de rubrica.
• Cacofonia ou cacófato – som desagradável gerado pela
contiguidade de palavras de certas palavras na frase. Exemplo: a
boca dela, janela não penso mais, entre muitos outros como visto
no capítulo anterior.
• Estrangeirismo – uso de palavras, expressões ou construções que
pertencem a línguas estrangeiras. Exemplos:
Menu – cardápio,
Apartheid – segregação racial,
Software – programa,
Penalty – penalidade máxima.
Show – espetáculo, exibição
Hall –vestíbulo
Outdoor – painel publicitário
Performance – desempenho
Glamour – fascínio, encanto
App – aplicativo
Português Instrumental
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As palavras estrangeiras, idealmente, devem se limitar aos casos
em que não existe correspondente no português. Estrangeirismos
incorporados à nossa língua devem ser usadas na forma vernácula.
Exemplo:
Record – recorde
Short - xorte
Shampoo - xampu
Figura 12 - Penalty
Fonte: Freepik
• Colisão – sucessão desagradável de consoantes iguais ou
idênticas. Exemplo: viaje já; o rato roeu a roupa do rei de roma.
• Eco – concorrência de vocábulos que têm a mesma terminação
sem que seja com a finalidade de fazer um poema, por exemplo.
Exemplo: O ardor não tem odor, sabor nem sabor.
• Obscuridade – sentido obscuro ou duvidoso em decorrência de
uma construção enredada da frase, impropriedade de termos,
má colocação de vocábulos, pontuação defeituosa ou estilo
empolado.
Português Instrumental
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• Pleonasmo vicioso ou tautologia – redundância, existência de
palavras supérfluas como vimos no capítulo anterior. Exemplo:
entrar para dentro e sair para fora.
• Solecismo – Falha de sintaxe, regência, concordância ou
colocação. Exemplo: Falta nove palitos na caixa. Amanhã começa
as aulas em minha escola.
• Rebuscamento ou preciosismo – linguagem artificial, vazia de
sentido.
• Plebeísmo – uso de palavras ou expressões vulgares. Exemplo:
Vou dar um jeito nesse troço (coisa, objeto etc.)
Prolixidade
Um texto não deve possuir períodos longos e cansativos. Mesmo
quando o assunto pode ser tratado em poucas linhas, o redator utiliza
estratégias de preenchimento para seu texto mais extenso e valorizado.
Entretanto, essa ideia está ultrapassada para a linguagem comercial. Em
nome da objetividade, o redator, sempre que possível, deve fazer um
texto conciso, enxuto.
Plebeísmo
Palavras vulgares ou gírias não devem ser usadas na redação
administrativa, em que é exigida a linguagem padrão e a correção
gramatical. O redator deve observar seu vocabulário para se expressar de
forma precisa e clara.
EXEMPLOS: 
• Ele é um advogado bacana.
• Fiquei besta com a sentença.
Gerundismo
É um problema recente. Surgiu primeiramente no atendimento
telefônico e se espalhou para todos os tipos de atendimento, sendo que
agora entrou também na redação dos Órgãos Públicos e Privados.
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Consiste em uma estranhíssima locução verbal formada por três
ou mais verbos; parece ter sido gerada da soma de uma má tradução
do inglês com uma enorme vontade de não se comprometer perante o
cliente.
Figura 13 – Alusão ao gerundismo no telemarketing onde se faz muito presente
Fonte: Freepik
EXEMPLO: 
• Nosso gerente vai estar entrando em contato com o senhor e vai
estar resolvendo o seu problema;
• Trocar por: “Nosso gerente entrará em contato com o senhor
para resolver o problema”.
• Eu vou estar cuidando para que isso não aconteça e vou estar
ligando para o senhor a fim de passar uma posição.
• Trocar por: “Estarei cuidando para que isso não aconteça e ligarei
para o senhor a fim de passar uma posição”.
Clichê
Assim são denominados os lugares-comuns, os modismos, as
fórmulasestereotipadas,desgastadaspelousoexcessivo, frequentemente
Português Instrumental
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utilizadas na comunicação verbal. Muitos redatores lançam mão de
clichês, acreditando que tais palavras representam qualidade ou erudição.
Na realidade, a estereotipia representa pobreza vocabular, devendo ser
rejeitada por todos aqueles que pretendem imprimir ao texto precisão e
clareza. Muitos modismos, aliás, contrariam a norma culta e, por serem
demasiadamente empregados no uso coloquial, são aceitos como
corretos pela maioria dos usuários do idioma.
EXEMPLOS: 
• Tecer considerações;
• Grata satisfação;
• Lamentável equívoco;
• Dirimir dúvidas;
• A nível de;
• Deixar a desejar;
• Chegar a um denominador comum;
• Otimizar;
• Problemática;
• Face a;
• Fazer uma colocação;
• Operacionalizar;
• Enquanto;
• Junto a;
• Por intermédio de.
A comunicação escrita, dependendo da área a que pertence,
apresenta fórmulas feitas, amplamente utilizadas, que fazem parte do
jargão profissional. Condena-se, no entanto, o uso abusivo de clichês,
que comprometem a mensagem e dificultam sua compreensão, não se
justificando, consequentemente, o apego exagerado de alguns redatores
Português Instrumental
49
a tais formas. Expressões desse tipo devem ser substituídas por outras
mais elegantes e criativas que personalizem a redação.
Chavões
Chavão é um vício de estilo já incorporado como linguagem em
um texto administrativo. Alguns chavões contêm erros gramaticais ou
impropriedades semânticas, mas outros são apenas expressões que,
de tanto uso, tornaram-se acessórios que convém evitar, uma vez que
nada acrescentam ao texto. Os chavões ou frases feitas indicam falta de
imaginação e de vocabulário, causando perda de tempo na redação do
texto e na leitura. Eles não significam nada em termos de informação e, às
vezes, têm até conotações negativas.
EXEMPLOS:
• Acusamos o recebimento de...
→ Use: Em resposta a..., Em atenção a..., Em referência a...
• O corrente mês..., O mês em curso...
→ Diga: este mês... Ou: repita o nome do mês.
• Como dissemos acima...
→ Se já dissemos, por que repetir e ainda avisar que estamos
repetindo?
• Na certeza de...; Contando com...; Agradecemos antecipadamente...;
• Devidas providências...; Providências cabíveis...;
• Solicito providências no encaminhamento do processo tal;
• Venho através desta...; Vimos pela presente...; Tem a presente a
finalidade de...;
• Sem mais para o momento...; Limitados ao acima exposto...;
• Sendo só o que se nos apresenta no momento.
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Os organizadores textuais
Para facilitar a redação, tornando-a clara e coerente, oferecemos
agora algumas indicações que devem ser utilizadas, os chamados
ORGANIZADORES TEXTUAIS (conectivos), os quais expressam melhor as
relações que queremos estabelecer ao redigirmos. São eles, de acordo
com suas funções:
• Conectivos que indicam adição de ideia:
• não só... mas também;
• Conectivos que indicam contraste entre ideias ou argumentos
contrários:
• entretanto, embora, ainda que, no entanto, contudo, apesar de,
mesmo que, mas;
• Conectivos que indicam explicação/constatação/confirmação
• de fato, com efeito;
• Conectivos que introduzem conclusões:
• assim, por isso, assim sendo, portanto;
• Conectivos que introduzem argumentos, causas ou justificativas
• já que, uma vez que, devido a, como, isso posto, pelo fato de,
porque, pois, visto que.
SAIBAMAIS:
Querseaprofundarnotemadestecapítulo?Recomendamos
o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento:
Blog: “Dicas de Português” (Esquadrão do Conhecimento,
2017), acessível clicando aqui.
RESUMINDO:
Vamos recapitular tudo o que você acabou de aprender?
Este capítulo foi dedicado a lhe ensinar como evitar os
vícios de linguagem, como o gerundismo e os clichês.
Além disso, aqui você também aprendeu a utilizar os
organizadores textuais de forma eficiente. Esperamos que
tenha aproveitado!
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REFERÊNCIAS
GOLD, M.; SEGAL, M. Português instrumental para cursos de direito:
Como elaborar textos jurídicos. São Paulo: Pearson, 2008
MEDEIROS, J. B. Português Instrumental.São Paulo: Atlas, 1995.
MENDES, M. L. Manual de Redação de Documentos Comerciais. Belo
Horizonte: Centro Universitário Newton Paiva, 2014.
TOLEDO, M. P., & NADÓLSKIS, H. Comunicação Jurídica. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 2002.
Português Instrumental

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