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Resumo dos Fundamentos e Metodologias da Alfabetização e Letramento
1. Comunicação, Língua, Linguagem, Fala e Desenvolvimento Fonológico
· O Processo Comunicativo: A palavra comunicação vem do latim comunicare, que significa "pôr em comum" ou partilhar. O processo exige emissor, mensagem, receptor e canal. A linguagem e a comunicação são tecnologias que impulsionam o desenvolvimento social.
· Comunicação Digital vs. Analógica: A comunicação digital (verbal) utiliza palavras arbitrárias (ex.: cachorro, dog). A comunicação analógica (não verbal) guarda semelhança direta com a representação (desenhos, gestos, postura, tom de voz).
· Língua, Linguagem e Fala:
· Língua: Sistema abstrato de natureza gramatical pertencente a um grupo social (o idioma). Existe antes do indivíduo e subsiste a ele. Não deve ser confundida com a escrita, que é um aprendizado posterior.
· Linguagem: Sistema amplo de comunicação natural ou artificial. Classifica-se em verbal (palavras), não verbal (cores, gestos, sinais de trânsito) e sincrética (combinação simultânea de verbal e não verbal, como filmes e HQs).
· Fala: Ato individual de vontade e inteligência pelo qual a língua se concretiza em situações reais.
· Psicolinguística: Área interdisciplinar que investiga como a mente humana adquire, produz, compreende e perde a linguagem, tratando-a como um fenômeno psíquico e cognitivo.
· Período Pré-Linguístico e Consciência Fonológica: O desenvolvimento inicia no nascimento com o choro (inicialmente indiferenciado e gradativamente carregado de significados), seguido por arrulhos, balbucios ("ba-ba-ba") e imitação de sons aos 10 meses. A consciência fonológica é a habilidade de analisar e manipular as unidades sonoras da fala (sílabas, rimas, fonemas), sendo indispensável para a compreensão do princípio alfabético e da relação grafema-fonema.
2. Teorias de Aquisição da Linguagem: Behaviorismo e Inatismo
· Behaviorismo / Perspectiva Comportamental (Skinner): Defende que a criança nasce como uma tábula rasa e aprende a linguagem por imitação, repetição e reforços positivos ou negativos. Divide o comportamento em respondente (respostas automáticas/involuntárias) e operante (ações conscientes moldadas pelas consequências).
· Inatismo / Gerativismo (Chomsky e Langacker): Sustenta que o ser humano possui uma predisposição biológica inata e padrões internos para a aquisição da linguagem. Destaca o conceito de infinitude discreta: a capacidade de gerar um número infinito de sentenças a partir de um conjunto finito de regras e elementos. Essa capacidade passa por fases de maturação até aproximadamente os 7 anos.
3. Teorias Interacionistas: Piaget, Wallon e Vygotsky
· Jean Piaget (Epistemologia Genética): O desenvolvimento intelectual ocorre na busca pelo equilíbrio cognitivo por meio de estágios de maturação: sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operatório (2 a 7 anos), operatório concreto (7 a 12 anos) e operatório formal (11 a 15 anos). Piaget reinterpretou os erros das crianças, encarando-os como uma lógica própria na gênese do pensamento.
· Henri Wallon: Propõe a integração entre as dimensões cognitiva, afetiva, motora, social e histórica. Afirma que os estágios de desenvolvimento não são rigidamente sequenciais e alternam a predominância entre o afeto e a cognição. Fases: impulsivo-emocional (0-1 ano), sensório-motor e projetivo (1-3 anos), personalismo (3-6 anos), categorial (6-11 anos) e puberdade/adolescência (11-16 anos).
· Lev Vygotsky (Teoria Histórico-Cultural): Defende que as funções psicológicas superiores (atenção voluntária, memória ativa, pensamento consciente) não são inatas, mas desenvolvidas pela mediação de instrumentos e signos culturais na interação social. Ressalta a plasticidade cerebral e a relação entre pensamento e linguagem.
4. Linguagem Oral vs. Escrita, Sociolinguística e História da Escrita
· Sociolinguística e Variedades Linguísticas: A língua é um sistema heterogêneo e vivo, sujeito a variações regionais e culturais. Na oralidade não há "erro de português", mas sim variedades linguísticas; a escola deve ensinar a norma culta formal sem praticar o preconceito linguístico.
· Surgimento e Função da Escrita: A escrita surgiu da necessidade de registrar contagens e memórias (de pinturas rupestres aos hieróglifos egípcios). O alfabeto grego introduziu a notação precisa de vogais e consoantes. A escrita possui funções sociais como: informativa, enumerativa, prescritiva, literária, expositiva e de revisão.
· Psicogênese da Língua Escrita (Emilia Ferreiro e Ana Teberosky): A criança reconstrói o sistema de escrita formulando hipóteses:
1. Pré-silábica: Sem relação entre escrita e som (desenhos/garatujas).
2. Silábica: Atribui o valor de uma letra para cada sílaba.
3. Silábico-alfabética: Transição misturando lógica silábica com identificação de sílabas completas.
4. Alfabética: Domínio do código e da relação entre som e letra.
5. Alfabetização, Letramento e Gêneros Textuais
· Alfabetização vs. Letramento: A alfabetização é a apropriação do código e da técnica de ler e escrever. O letramento é a capacidade de fazer uso dessa escrita em práticas sociais reais, interpretando o mundo de forma crítica.
· Gêneros Textuais: Diferem da tipologia textual (narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo, injuntivo). Os gêneros possuem público, função social e intencionalidade específicos (ex.: cartas, diários, notícias, receitas, e-mails, comunicados) e devem ser trabalhados em sala de aula para estimular a autoria e a leitura crítico-reflexiva.
6. Neurociência, Bilinguismo e Transtornos da Linguagem
· Áreas Cerebrais:
· Área de Broca: Localizada no córtex frontal esquerdo, é responsável pela produção motora da fala.
· Área de Wernicke: Localizada no lobo temporal esquerdo, é responsável pela compreensão da linguagem.
· Bilinguismo: Uso concomitante de dois sistemas linguísticos. Pode ser simultâneo (exposição desde o berço), consecutivo ou consecutivo de infância.
· Afasias: Perda ou perturbação da linguagem causada por lesão cerebral. Tipos principais: Global (a mais grave, afeta fala e compreensão), de Broca (discurso telegráfico/agramatismo), de Wernicke (fala fluente, mas severa alteração na compreensão), de condução (incapacidade de repetição) e anômica (dificuldade de evocar nomes).
· Dislexia do Desenvolvimento: Transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades no reconhecimento preciso/fluente da palavra, decodificação e soletração devido a um déficit no componente fonológico. Manifesta-se por confusão de letras com sons/formatos parecidos (b/p, b/d), inversão de sílabas e fragmentações.
· Transtorno da Linguagem: Dificuldade persistente na aquisição e uso da linguagem (vocabulário reduzido, frases limitadas, prejuízo no discurso) sem relação com deficiências sensoriais ou intelectuais.
Questionário de Fixação
Questões Discursivas
1. Explique a diferença entre Língua, Linguagem e Fala, citando um exemplo de linguagem sincrética.
2. Qual é a principal divergência entre a teoria Behaviorista (Skinner) e a teoria Inatista (Chomsky) em relação à aquisição da linguagem?
3. Diferencie Alfabetização e Letramento, destacando por que ambos devem ocorrer de forma concomitante no ambiente escolar.
4. Descreva as quatro hipóteses da psicogênese da língua escrita identificadas por Emilia Ferreiro.
5. Qual é a função da Área de Broca e da Área de Wernicke no processamento cerebral da linguagem?
Questões de Múltipla Escolha
1. A capacidade descrita por linguistas de produzir um número infinito de expressões gramaticais a partir de um conjunto finito de regras e elementos é denominada:
· (A) Comportamento operante.
· (B) Infinitude discreta.
· (C) Assimilação sonora.
· (D) Consciência fonológica.
2. O nível da escrita no qual a criança atribui o valor de uma letra para cada sílaba proferida (escrevendo, por exemplo, "oea" para boneca) é o:
· (A) Pré-silábico.
· (B) Silábico.
· (C) Silábico-alfabético.
· (D) Alfabético.
3. Qual tipo de afasia se caracteriza por fala fluente, porémcom grave prejuízo na compreensão auditiva da linguagem?
· (A) Afasia de Broca.
· (B) Afasia Global.
· (C) Afasia de Wernicke.
· (D) Afasia Anômica.