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RELAÇÕES DE GÊNERO E COMBATE À 
HOMOFOBIA 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A disciplina Relações de Gênero e Violência 
contra a Mulher foi elaborada pela 
Coordenadoria Especial de Políticas Públicas 
para a Mulher do Governo do Estado de MS e 
incluída na grade curricular do curso de 
formação de policiais civis e militares em 
2002, sendo que em 2006 esta disciplina foi 
regulamentada pela Lei Estadual nº 
3.287/2006. 
 É direcionada para a sensibilização e 
capacitação de alunos e alunas dos cursos de 
formação de policiais militares, civis e 
bombeiros do Mato Grosso do Sul. 
 Foi uma iniciativa inédita no país no que se refere à possibilidade 
concreta de se abrir um diálogo sistematizado com profissionais de segurança 
pública sobre a construção histórica e cultural das relações de gênero e 
todos os prejuízos que surgem em decorrência da desigualdade de poder 
existente entre homens e mulheres, incluindo entre eles, o mais cruel de 
todos, a violência de gênero . 
No mundo igualitário que queremos e pelo qual lutamos existem seres 
humanos com suas especificidades e diferenças respeitadas, compartilhando 
com a mesma plenitude a vida, a liberdade e a paz. 
 
Major Sandra Alt 
 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
• Capacitar profissionais de segurança pública para o desempenho eficiente e 
eficaz de suas atribuições legais no tocante ao atendimento à mulher em 
situação de violência; 
• Ampliar a compreensão da nova lei que trata da violência doméstica e 
familiar contra a mulher (Lei 11.340/06) e de outras legislações em vigor; 
• Fortalecer a Rede de Atendimento à Mulher em situação de violência 
doméstica e familiar; 
• Prevenir e combater, por meio de ações precisas, a violência contra a 
mulher. 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI MARIA DA PENHA (Lei 11.340/2006) 
Art. 8 “A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a 
mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais, 
tendo por diretrizes: 
VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, 
do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas 
enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e de raça ou etnia. 
IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os 
conteúdos relativos aos direitos humanos, à eqüidade de gênero e de raça ou 
etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher.” 
 
LEI ESTADUAL 
Nº 3.287/2006 
 
Art. 1º Os cursos de 
formação de policiais 
civis, policiais militares, 
bombeiros militares, 
bem como dos 
delegados da Polícia 
Civil de Mato Grosso 
do Sul deverão conter 
em seu conteúdo 
programático a 
disciplina Relações de 
Gênero. 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. Gênero...................................................................................................................... 
 Histórico do conceito.......................................................................................... 
 O Conceito de gênero......................................................................................... 
 As dimensões para uma análise de gênero....................................................... 
2. Origem das desigualdades de gênero.................................................................. 
 Sociedade sedentária......................................................................................... 
 Construção das características masculinas e femininas.................................... 
3. Discriminação, Preconceito e Estereótipo........................................................... 
4. Violência contra a Mulher....................................................................................... 
 Conceito de violência contra a mulher................................................................ 
 Origem da violência contra a mulher.................................................................. 
 Ciclo da violência contra a mulher...................................................................... 
5. Rede de atendimento à mulher.............................................................................. 
 O que vem a ser o trabalho em rede? ............................................................... 
 Por que a proposta de se trabalhar em rede no caso específico 
 da violência contra a mulher. ............................................................................ 
 Princípios da rede............................................................................................... 
 Alguns serviços disponíveis na rede de atendimento à mulher.......................... 
 Rede de atendimento à Mulher a partir da PM................................................... 
 Rede de atendimento à Mulher a partir da DEAM ou DP................................... 
 Rede de atendimento à Mulher a partir do BM.................................................... 
6. Atendimento Humanizado....................................................................................... 
7. Legislações pertinentes.......................................................................................... 
 Constituição Federal de 1988.............................................................................. 
 Código Penal Brasileiro....................................................................................... 
 Lei Maria da Penha (11.340/06) ......................................................................... 
 Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar 
 a Violência contra a Mulher.................................................................................. 
 Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Contra a Mulher........................................................................... 
8. Estudo complementar................................................................................................ 
9. Boas Leituras............................................................................................................... 
10. Contatos necessários................................................................................................... 
11. Abreviaturas............................................................................................................... 
12. Referências Bibliografia........................................................................................................ 
 
 
 
 
 
 
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32 
Amparo legal para a disciplina: 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
 
 
UM CONCEITO PARA ANÁLISE E 
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL1 
 
 Histórico do Conceito 
 
O conceito de gênero foi elaborado na década de 1970 por um grupo de estudiosas 
feministas da universidade de Sussex na Inglaterra, a partir da análise de como as pessoas 
são socialmente formadas para desenvolverem comportamentos diferenciados pelo fato 
de terem nascido machos ou fêmeas da espécie humana. 
Estudiosas da época observaram que as relações de exploração de classe social, a 
propriedade privada e mesmo o patriarcado ou as diferenças biológicas sexuais não ofereciam 
respostas suficientes e não traziam maiores contribuições para explicar o fenômeno da 
desigualdade entre homens e mulheres na sociedade, limitando assim as estratégias de 
intervenção no campo da transformação destas relações. Como entender as relações de 
subordinação (exploração / opressão / discriminação / preconceito) da mulher ao homem nohttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ethosbrasil.net/custom/PendDireito40ajust.jpg&imgrefurl=http://www.ethosbrasil.net/page_1155050828734.html&h=260&w=203&sz=16&hl=pt-BR&start=1&tbnid=JTWG9aOYuCu7cM:&tbnh=112&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3D%2B%2522s%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%2522%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG
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RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
Procedimentos na delegacia de polícia 
 Ouvir a ofendida; 
 Registrar o Boletim de Ocorrência (BO); 
 Tomar a representação a termo, se apresentada; 
 Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas 
circunstâncias; 
 Remeter, no prazo de 48h, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para 
a concessão de Medidas Protetivas de Urgência; 
 Determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros 
exames periciais necessários; 
 Ouvir o agressor e as testemunhas; 
 Ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes 
criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras 
ocorrências policiais contra ele; 
 Remeter, no prazo legal, os autos do Inquérito Policial ao juiz e ao Ministério Público 
(MP); 
 
IMPORTANTE: Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos 
fornecidos por hospitais e postos de saúde. 
 
Medidas Protetivas de Urgência 
As medidas protetivas de urgência são medidas em caráter emergencial para 
salvaguardar a integridade física e moral da vítima, bem como para proteger o patrimônio 
comum do casal. Poderão ser aplicadas isoladas ou cumulativamente, podendo ser 
substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos 
reconhecidos na Lei Maria da Penha forem ameaçados ou violados. As medidas protetivas de 
urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do MP ou a pedido da ofendida. 
Depois de recebida a medida protetiva de urgência o juiz tem também 48h para decidir 
sobre o deferimento ou indeferimento da mesma. 
 
Conheça algumas medidas protetivas de urgência... 
1. Suspensão da posse ou restrição do porte de armas. 
2. Afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; 
3. Proibição do agressor de aproximar da ofendida, de seus familiares e das 
testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. 
4. Proibição do agressor de fazer contato com a ofendida, seus familiares e 
testemunhas por qualquer meio de comunicação. 
5. Proibição do agressor de freqüentar determinados lugares a fim de preservar a 
integridade física e psicológica da ofendida. 
6. Restrição ou suspensão de visitas do agressor aos dependentes menores. 
7. Encaminhamento da ofendida e seus dependentes a abrigos e centros de 
atendimento psicossocial. 
8. Determinação para o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos 
relativos a bens, guardas de filhos(as) e alimentos. 
9. Determinação para recondução da ofendida e de seus dependentes ao respectivo 
domicílio, após o afastamento do agressor. 
10. Determinação para a separação de corpos. 
11. Determinação para a restituição à ofendida de bens indevidamente subtraídos pelo 
agressor. 
 
 
 
RELAÇÕESDE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
12. Proibição por determinado tempo de celebração de atos e contratos de compra, 
venda e locação de propriedade comum do casal, salvo com expressa autorização 
judicial. 
13. Suspensão de procurações conferidas pela ofendida ao agressor. 
 
IMPORTANTE: 
 Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência poderá o juiz requisitar, a 
qualquer momento, auxílio da força policial. 
 Em caso de flagrante delito na prática da violência doméstica e familiar, o agressor deve 
ser preso, registrado o B.O. e encaminhado o caso à delegacia de polícia para as 
providências cabíveis. A autoridade policial que flagrar a prática de tal crime deve colher 
todas as provas disponíveis no local do fato e levantar todas as testemunhas que houver. 
 A pena relativa ao delito de lesão corporal – art. 129 CP aumentou para três meses a três 
anos e será aumentada em um terço se o delito for praticado contra pessoa portadora de 
deficiência. 
 
 
 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a 
Mulher (CEDAW) 
Adotada em 1979 pela Assembléia Geral das Nações Unidas, é a culminação de 
décadas trabalho, de luta e de reivindicações de mulheres de todo o mundo. O Brasil assinou a 
Convenção em 31 de março de 1983 e ela entrou em vigor para o país no dia 2 de março de 
1984, com reservas, que só foram retiradas em 1994 em virtude das mudanças introduzidas no 
ordenamento jurídico brasileiro pela Constituição Federal de 1988. 
Essa convenção é considerada a Carta Magna dos Direitos da Mulher, possui trinta 
artigos divididos em seis partes: 
1ª Parte: define o que constitui discriminação contra a mulher e trata das medidas a serem 
tomadas no ordenamento jurídico dos países e em todos os outros campos 
com vistas à eliminação da discriminação contra a mulher. 
2ª Parte: recomenda a adoção de medidas com vistas a garantir o gozo de direitos 
políticos. 
3ª Parte: determina a obrigatoriedade da eliminação da discriminação em determinadas 
áreas temáticas. 
4ª Parte: dedicada à igualdade perante a lei, principalmente no tocante ao direito de 
família, inclusive direitos reprodutivos. 
5ª Parte: cria o Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a 
Mulher e define suas funções. 
6ª Parte: estabelece as disposições finais da Convenção, possibilidade de reservas, 
assinatura, ratificação, adesão e entrada em vigor. 
 
 
 Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a 
Mulher (Convenção de Belém do Pará) 
A Comissão Interamericana de Mulheres (CIM), desde o final da década de 80, voltou 
sua atenção para a questão da violência contra a mulher como tema central de seus debates. 
Durante Assembléia da Organização dos Estados Americanos, realizada em Belém do Pará, no 
Brasil o resultado, em 1994, foi aprovada a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e 
Erradicar a Violência Contra a Mulher. O Brasil assinou a Convenção em 9 de junho de 1994 e 
a ratificou em 27 de novembro de 1995. 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
A Convenção de Belém do Pará, baseada na Declaração e no Programa e Ação da 
Conferência Interamericana de Direitos Humanos promovida pela ONU e realizada em Viena, 
Áustria, em 1993, busca dar visibilidade à violência contra a mulher e coibi-la. Esta Convenção 
dispõe de mecanismo de denúncia individual de violação dos direitos nela consagrados. 
A Convenção de Belém do Pará possui vinte e cinco artigos, divididos em cinco 
capítulos: 
Capítulo I – Definição e Âmbito de Aplicação 
Capítulo II – Direitos Protegidos 
Capítulo III – Deveres dos Estados 
Capítulo IV – Mecanismos Interamericanos de Proteção 
Capítulo V – Disposições Gerais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
ESTUDO COMPLEMENTAR 
 
LINKS COM INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS DIREITOS DA 
MULHER E OUTROS TEMAS CORRELATOS. 
1) www.spmulheres.gov.br 
2) www.patriciagalvao.org.br 
3) www.noos.org.br 
4) www.papai.org.br 
5) www.promundo.org.br 
6) www.cfemea.org.br 
 7) www.gineco.com.br 
8) www.catolicasonline.org.br 
9) www.mulhergoverno.gov.br 
10) www.jus.com.br/doutrina 
11) www.segurançahumana.org.br 
12) www.fpabramo.org.br/nop/mulheres 
 
 
BOAS LEITURAS 
 
O Segundo Sexo – 2. A Experiência Vivida. 
Simone de Beauvoir 
Feminino + Masculino – Uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. 
Monika von Koss 
Educar Meninas e Meninos – relações de gênero na escola. 
Daniela Auad 
Sexo e Poder – A família no Mundo 1900- 2000. 
Göran Therborn 
Programa de Prevenção, Assistência e Combate à Violência contra a Mulher – Plano Nacional. 
SPM – Governo Federal 
Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher – MS. 
Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres – Governo do Estado de MS 
Gênero, patriarcado, violência. 
Heleieth I. B. Saffioti 
Ações Afirmativas e o Princípio da Igualdade. 
Renata Malta Vilas-Bôas 
A Liderança Feminina n o século 21 – Mudando o Mundo. 
Denise Carreira – Menchu Ajamil – Tereza Moreira (Orgs) 
Gênero e Violência. 
Maria de Fátima Araújo e Olga Ceciliato Mattioli (organizadoras) 
Violência Doméstica – Bases para Formulação de Políticas Públicas. 
Suely Souza de Almeida – Bárbara Soares – Marisa Gaspary (organizadoras) 
Violência contra as Mulheres: a experiência de Capacitação das DEAMs da Região Centro-
Oeste. 
Cadernos AGENDE, V.5 – Dez/2004 
Enfrentando a violência contra a mulher. 
Bárbara M. Soares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
CONTATOS NECESSÁRIOS 
 
Ver POP.... 
 
ABREVIATURAS 
 
Abrigo – Casa Abrigo para Mulheres em Risco de Vida 
BM – Corpo de Bombeiros Militares 
BO – Boletim de Ocorrência 
CAM – Centro de Atendimento à Mulher 
CEPPM – Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher – Governo do Estado MS 
CF/88 – Constituição Federal Brasileira de 1988 
CP – Código Penal Brasileiro 
CPP – Código de Processo Penal Brasileiro 
DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher 
DPM – Defensoria Pública da Mulher 
IML – Instituto Médico Legal 
MP – Ministério Público 
MS – Mato Grosso do Sul 
PC – Polícia Civil 
PM – Polícia Civil 
SOS Mulher – serviço de orientação por telefone 
SPM/PR – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República 
TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência 
 
- Educação/Cultura 
 
- Justiça 
 
 
- Polícia Militar 
 
- Saúde / Serviços de Saúde 
 
- 
- Corpo de Bombeiros Militar 
 
 
 - SOS Mulher 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
ANGHER, Anne Joyce (Org). Vade Mecum acadêmico de direito. 4.ed. São Paulo: Rideel, 2007. 
(Coleção de leis Rideel) 
 
CARREIRA, Denise; AJAMIL, Menchu; MOREIRA, Tereza (Orgs.). Mudando o mundo: a liderança 
feminina no século 21. São Paulo: Cortez; Rede Mulher de Educação, 2001. 
 
GASPARY, Marisa; SOARES, Bárbara; ALMEIDA, Suely Souza. Violência domestica: bases para 
formulação de políticas públicas. Rio de Janeiro: Revinter Ltda, 2003. 
 
Manual de Capacitação Multidisciplinar (Lei n° 11.340, de 07 de agosto de 2006 – Lei Maria da 
Penha). Cuiabá. 2006. 
 
 
 
 
 
 
 
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http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/carro%2520de%2520bombeiros.gif&imgrefurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/2005_06&h=238&w=350&sz=34&hl=pt-BR&start=3&tbnid=ailhec_XdM-zSM:&tbnh=82&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Dbombeiros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
MARÍN-CASTILLO, Márcia; OLIVEIRA, Suely de (Orgs). Marcadas a ferro: violência contra a mulher, 
uma visão multidisciplinar. 
 
Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais. Brasília: 
Funag: IPRI, 2003. 320p. 
 
SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna, . 
 
SENASP. Apostila: Atendimento Policial à Vítima de Violência Doméstica. 
 
SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para 
profissionais e voluntários(as). Brasília, p. 2005.campo micro social (formação da identidade, família, relação afetiva, casamento); macro 
social (economia, política, cultura) e a interseção entre esses dois campos? 
Foi em meio a esse impasse que se concebeu a noção de gênero como categoria teórica 
e analítica. 
 
 O Conceito de Gênero 
 
Gênero tem sido um conceito útil para explicar muitos dos comportamentos de mulheres 
e homens em nossa sociedade, nos ajudando a compreender grande parte dos problemas e 
dificuldades que encontramos no trabalho, na vida pública, na vida sexual e reprodutiva e na 
família. 
 
 GÊNERO É UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL 
Neste conceito gênero é considerado como um fenômeno histórico cultural. Rejeita o 
“biologicismo” e “essencialismo” expresso em termos como sexo ou diferença sexual. 
Sexo, neste sentido significa diferenças físicas e anatômicas entre macho e fêmea, 
aquelas que estão em nossos corpos, ligados à classe dos “fatos naturais”. Por 
exemplo, sabemos que a gravidez, amamentação só acontece com a mulher, e são 
determinadas pelo sexo biológico. Os animais também são machos e fêmea, mas eles 
não são homens e mulheres, masculino e feminino. Quando entendemos o conceito 
de gênero como uma construção social, podemos também entender que este é um 
conceito mutável e que podem existir diferentes sistemas de relações de gênero. As 
relações de gênero variam de um povo para outro, e também dentro da mesma 
sociedade elas podem mudar de acordo com a classe social da pessoa, de acordo com 
a raça, de acordo com a idade. 
 
 GÊNERO É UMA MANEIRA DE DESIGNAR AS ORIGENS PSICOSSOCIAIS DAS 
IDENTIDADES SUBJETIVAS (COMO SOMOS FORMADOS HOMEM OU MULHER) 
PARA VIVERMOS EM SOCIEDADE 
1 Este texto é uma reprodução parcial e modificada da cartilha Gênero, Trabalho e Geração de Renda, Jacy Curado. 
Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulher e Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda. 
1999. 
 
GÊNERO 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Embora as distinções se manifestem no plano pessoal, vão além das singularidades 
individuais, devido ao seu caráter histórico. É a partir da observação e do 
conhecimento das diferenças sexuais, que a sociedade cria idéias a respeito do que é 
um homem e do que é uma mulher, as representações sociais do que é masculino e o 
que é feminino, ou seja, cada sociedade cria as suas relações de gênero. 
 
 GÊNERO É UMA CATEGORIA RELACIONAL 
Deve abranger as relações estabelecidas entre mulheres e homens e não apenas as 
mulheres como uma categoria à parte. Em nossas sociedades, o feminino e masculino 
são considerados opostos e também complementares. Porém, masculino e feminino 
são valorados de maneira diferente. Na maioria das vezes, o que é masculino, 
socialmente tem mais valor. Estas diferenças de valor estão demonstradas nas 
condições em que vivem as mulheres em relação aos homens em qualquer tipo de 
sociedade e situação social. 
 
 GÊNERO É UMA FORMA DE SIGNIFICAR RELAÇÕES DE PODER. 
As relações de gênero produzem uma distribuição desigual de autoridade, de status, 
de prestígio entre as pessoas de acordo com seu sexo. Por ser uma forma de relação 
de poder, são permeadas pelas relações de classes sociais, étnicas e de raça. A 
análise das relações de gênero e poder, devem ser de desconstrução, no sentido de 
não procurar uma simples causa para as relações de gênero.2 
 
 
 As Dimensões para uma Análise de Gênero 
 
DIMENSÃO NORMATIVA - Refere-se a conceitos normativos, que interpretam os 
significados dos símbolos. Devemos analisar as normas como fruto de conflitos e negociações, 
por isso são dinâmicas, e não podem ser assumidas como verdades permanentes e fixas. As 
normas dizem não só o que devemos ou não fazer, separando o que é de mulher e o que é de 
homem, mas também valorizam de maneira diferenciada as pessoas e suas ações. Geralmente 
a sociedade valoriza quem segue as normas, quando fazemos ou pensamos alguma coisa 
diferente, somos discriminados(as) e considerados(as) “errados(as)”, como se as normas 
fossem eternas, imutáveis, rígidas. Ex: legislação, doutrina religiosa, verdade cientifica. 
 
INSTITUCIONAL / ORGANIZACIONAL - As relações de gênero organizam e são 
organizadas pela família, trabalho, igreja, escola. Estas instituições expressam aquilo que as 
normas e valores dizem. Referem-se a sistemas econômicos, educacionais, políticos, sociais, 
religiosos que estruturam e perpetuam as relações de gênero desiguais. Ex: A baixa 
representatividade política das mulheres no parlamento e no poder executivo. Na hierarquia do 
clero religioso, as mulheres não podem celebrar os sacramentos, rezar missas, fazer batizados, 
realizar casamentos, nem podem ser papisas. Na escola, os homens quase nunca são 
professores de crianças, mas muitas vezes são os diretores da escola. 
 
SIMBÓLICA / REPRESENTAÇÃO SOCIAL - Todas as sociedades possuem imagens, 
figuras, músicas, lendas, histórias, romances e muitas outras coisas que são transmitidas para 
adultos e crianças desde cedo, formando em nossas mentes os símbolos dessas sociedades. 
Esses símbolos sofrem modificações no decorrer da história. Contudo, mesmo que a gente 
2 Particularmente esta concepção de Gênero é expressa no clássico texto: “Gênero: Uma Categoria Útil para a 
Análise Histórica” de Joan Scoot, 1996. Tradução SOS Corpo, Recife. 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
possa criar novos símbolos e modificar os antigos, eles são um elemento básico na forma 
como as relações de gênero se organizam e se mantêm nas sociedades, pois neles esta 
representada a tradição de cada um. 
Gênero refere-se aos símbolos culturalmente disponíveis que evocam representações 
múltiplas, muitas vezes contraditórias, do masculino e feminino. O simbólico influencia o 
imaginário coletivo e individual que moldam o comportamento. 
 Ex: A imagem de Maria mãe de Jesus, como modelo de mulher X Eva – causadora do 
pecado 
 
IDENTIDADE SUBJETIVA - As relações de gênero são os principais componentes na 
formação da identidade subjetiva. A identidade de gênero se constrói no processo de 
socialização primária (mãe/pai, família escola) e secundária (mídia, atividade/trabalho, política, 
lazer). A subjetividade – o que somos, pensamos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos – 
nos faz diferentes uns dos outros, porém as normas, valores, símbolos, o funcionamento das 
instituições, tudo isso também constrói e molda nossos desejos, nossos medos, nossos sonhos 
e nossas esperanças. Assim a subjetividade de mulheres e homens também é construída. 
A identidade masculina e feminina muitas vezes é estruturada a partir de estereótipos do 
que vem a ser mulher/homem, não correspondendo necessariamente à identidade individual, 
gerando preconceito e discriminação. Ex: homem sustento da família X mulher dona de casa. O 
contrário disso seria no mínimo estranho para os nossos modelos de masculino e feminino, ex: 
Mulher sustento da família X Homem dono de casa. 
 
 
 
 
 
 
DESIGUALDADE3 
Fala-se muito da desigualdade existente entre homens e mulher, ou em outras palavras, 
desigualdade de gênero na sociedade. Também é dito que essa desigualdade é uma 
construção cultural e histórica. Quando olhamos outras gerações em séculos passados 
percebemos que as mulheres daquela época também eram submissas aos homens. É bem 
verdade que a submissão de hoje não é a mesma submissão a que foram submetidas nossas 
avós e bisavós. Por exemplo, antes as mulheres não podiam trabalhar fora de casa porque 
essa era uma função apenas masculina. Hoje as mulheres trabalham naturalmente fora de 
casa, mas continuam responsáveis pelas tarefas domésticas. 
Que tal entendermos um pouco a origem dessa desigualdade? 
Vamos então voltar às sociedades primitivas. 
 
A arqueologia pré-histórica fornece informações que podem ser usadas nesta análise, no 
que se refere aospadrões comportamentais das primeiras populações humanas. O escasso 
desenvolvimento técnico e instrumentos de defesa rudimentar, determinaram que as pequenas 
comunidades humanas tivessem que ter um grau de coesão e solidariedade essencial para sua 
sobrevivência. Cada um com suas especificidades e capacidades era apto para desempenhar 
uma função determinada para que o grupo pudesse atuar como se um só indivíduo fosse. 
Nessa época os grupos pré-históricos tinham um único grande desafio: SOBREVIVER. 
3 MARÍN-CASTILLO, Márcia; OLIVEIRA, Suely de (Orgs). Marcadas a ferro: violência contra a mulher, 
uma visão multidisciplinar. 
 
ORIGEM DAS DESIGUALDADES DE 
GÊNERO3 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Sobreviver significava ter alimentos para manter-se vivo e não estar vulnerável às 
ameaças externas. Para isso esse grupos viviam se deslocando de um lugar para o outro, 
buscando nichos ecológicos com melhores possibilidades de recursos alimentares, eram 
portanto, sociedade nômades. Esses deslocamentos muitas vezes ofereciam grandes perigos 
devido a ameaça vinda de espécies carnívoras de grande porte. Dada a eficiência limitada de 
instrumentos de defesa, como por exemplo, as lanças e os arcos, a força física era algo de 
grande importância, assim como a astúcia das estratégias de defesa. 
Devemos lembrar que a espécie humana nasce totalmente desprovida de iniciativa para 
contribuir para sua própria sobrevivência. Face à fragilidade da criança humana ao nascer, o 
grupo terá que dar um maior suporte a sua prole e ter muito cuidado para garantir a 
sobrevivência. Portanto, como eram as mulheres que engravidavam, ficando menos 
disponíveis para as atividades de defesa, coube a elas também proteger as crianças durante 
os primeiros anos, garantindo assim que a espécie humana sobrevivesse, enquanto aos 
homens coube garantir a proteção da comunidade. Neste ponto da história humana, percebe-
se que para sobreviver os grupos se organizaram dividindo tarefas, no entanto, não se pode 
afirmar que existia valoração das tarefas, ou seja, que uma era mais valorizada que a outra. É 
importante perceber que quanto mais técnicas eficientes de defesa fossem desenvolvidas, 
maior seria a capacidade de sobrevivência do grupo. Então os grupos passaram a desenvolver 
cada vez mais novas técnicas de defesa, cada vez mais eficientes. 
No entanto, como as mulheres engravidavam com freqüência, é provável que o grupo 
não outorgasse maior importância à capacitação da mulher para as atividades violentas 
capazes de garantir a sobrevivência. Assim, os homens se especializaram na defesa do grupo 
e em torno dessa atividade desenvolveu-se uma diversificada inovação técnica. Desta maneira 
as ameaças externas ao grupo ficaram mais controladas e as defesas planejadas foram 
diminuindo os riscos. Enquanto isso as mulheres ficavam grávidas, cuidavam da prole, 
caçavam pequenos insetos e espécies de pequeno porte e coletavam alimentos da natureza 
como raízes, frutas e plantas comestíveis, pois, muitas vezes os homens na atividade de caça 
não conseguiam garantir o alimento diário, e os grupos então se alimentavam do que as 
mulheres conseguiam coletar. Mais tarde essa atividade desenvolvida pelas mulheres vai dar 
origem a agricultura. 
Nesta fase a VALENTIA, a CORAGEM, a FORÇA e a PERSPICÁCIA começam a ser 
valorizadas, pois eram os atributos que garantiam a sobrevivência. Como quem permaneceu 
caçando e defendendo o grupo foram os homens, estes valores passaram a ser tidos como 
masculinos. 
Outro ponto importante desta fase é o entendimento que se tinha da procriação. Os 
grupos não sabiam como as crianças eram geradas, portanto, os homens não tinham idéia do 
papel que desempenhavam na procriação. Achavam que as mulheres tinham poderes 
inexplicáveis que fazia com que delas nascessem um outro ser. Quando os homens 
descobriram que também tinham um papel na procriação, os valores se inverteram. Eles 
passaram a acreditar que o papel fundamental na procriação é desenvolvido por eles e não 
pelas mulheres, que passaram a ser tidas apenas como um hospedeiro para a semente que os 
homens depositariam nelas. 
 
 
 Sociedade sedentária (a fixação dos grupos em territórios determinados) 
A vida sedentária cria novos valores e interesses, além da simples sobrevivência. 
Quando garantir a sobrevivência do grupo já não é algo que perturba a espécie humana, por já 
terem sido desenvolvidas técnicas seguras para isso, outro interesse surge, que é o da 
manutenção do poder. Sim, porque foram sendo atribuídos: poder, status e prestígio, aos 
valores necessários para se garantir a proteção dos grupos, como a coragem, a valentia e a 
força. Assim, por exemplo, o homem que conseguia matar o animal mais ameaçador ao grupo, 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
era recebido com honras e passava a ser o mais valorizado no grupo, portanto, era o que tinha 
mais poder. 
Então os grupos passaram não mais a lutar por sobrevivência e sim, por PODER. 
Como nesse momento da história a espécie humana já não era mais nômade e sim 
sedentária, o grande desafio para os grupos passa a ser a preservação do território que se 
conquistou, bem como a conquista de outros, não mais com o intuito de sobreviver, mas de se 
ter poder. A violência será, portanto, um instrumento utilizado para a preservação de territórios 
e bens. 
Neste contexto, na nova organização social homens e mulheres trabalharão, mas a 
mulher acumulará as responsabilidades da maternidade produtora de filhos como riqueza e as 
do trabalho agrícola junto com os homens. Assim como nas sociedades primitivas os homens 
assumiram a tarefa de garantir a preservação do grupo, com a formação de sociedades mais 
complexas, eles assumirão a responsabilidade da defesa do território, do alimento e da riqueza. 
A mulher na sociedade agrícola passará a ser subordinada às ordens do homem. Nesse 
processo, a inovação técnica irá formando um acervo de conhecimentos destinados aos 
homens, ao qual as mulheres não terão acesso. A apropriação masculina do conhecimento 
será solidariamente defendida por eles. Esse estereótipo de exclusão feminina do 
conhecimento constituirá uma estrutura conservadora, em torno da qual se organizará a maior 
parte das sociedades históricas. Existirá trabalho de homem e tarefas de mulher. Para elas, as 
tarefas de caráter agrícola ou doméstico, pela simplicidade dos procedimentos, não vão 
requerer maior informação técnica, e serão desqualificados. 
O grande problema vai ser a dificuldade de superar os estereótipos comportamentais e 
as formas de organização familiar estruturada sobre as desigualdades de gênero. O peso das 
ideologias, como a ideologia machista, será um grande aliado para a conservação dessas 
estruturas de desigualdade, que são geradoras de violência e de exclusão. 
É importante refletirmos que quando é superada a funcionalidade da divisão de papéis 
nos grupos primitivos que foi estabelecida única e tão somente para garantir a sobrevivência do 
grupo, ou em outras palavras, quando a divisão do trabalho por gênero já não responde a uma 
necessidade real, a ideologia masculina passa a ser dominantemente imposta para garantir a 
continuidade das estruturas de poder, surgindo a desigualdade entre homens e mulheres, ou 
melhor dizendo, a desigualdade de gênero. 
 Vale a pena reforçarmos um ponto muito importante. Na sociedade sedentária, onde se 
lutava para conquistar terras, porque isso dava poder, o homem que já era considerado neste 
momento da história superior a mulher, precisará ter herdeiros para deixar todo o seu poder, 
todo o seu império conquistado. Nesta época os homens já conheciam o seu papel na 
procriação, portanto, para garantir que tivessem certeza de que os filhos e filhas que estavam 
nascendo eram deles, precisavam controlar a sexualidade da mulher. Para isso a mulher tinha 
que casar virgem e manter relações apenas comum homem, para que ele tivesse certeza de 
que o(a) filho(a) que nascesse dela era realmente dele. Com isso surge: o casamento 
monogâmico (casamento com apenas uma pessoa); o controle da sexualidade feminina e a 
valorização do nascimento de crianças do sexo masculino, isto porque os homens nesta época 
já tinham mais importância para a sociedade, que as mulheres. E as mulheres passaram a ser 
cobradas para que tivessem muitos filhos e que grande parte deles fossem homens, 
especialmente os primeiros. As mulheres passaram a ser propriedades dos maridos, como 
suas terras e seus escravos. Na condição de propriedade não vão ter os mesmos direitos que 
os homens, devendo a estes obediência e subserviência total. Os homens passam a ser 
autorizados a fazer o que for necessário para manter inabalável sua autoridade, portanto, são 
autorizados a corrigir suas mulheres, mesmo que para isso precisem utilizar a prática da 
violência. 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Desta forma a violência dos homens contra as mulheres passa a ser, histórica e 
culturalmente, naturalizadas pelas sociedades, e, nada mais é que um elemento utilizado para 
se garantir a manutenção da autoridade masculina. 
Você entende agora a origem das desigualdades de gênero? 
Consegue entender também que a violência contra a mulher é um problema histórico e 
cultural? 
Que bom! 
 
 
 Construção das características masculinas e femininas 
Lembrando do que acabamos de ler no texto acima, percebemos que na sociedade 
primitiva houve a necessidade de fazer divisão das tarefas do grupo, a fim de se garantir o que 
era essencial, ou seja, a sobrevivência da espécie humana. Neste momento a gravidez teve 
grande importância na divisão destes papéis. A mulher por ficar grávida ficava menos 
disponível para a tarefa de defesa do grupo e para a caça de grandes animais, portanto, foi 
ficando responsável em cuidar da prole e em desenvolver as tarefas de coleta de raízes, frutas 
e plantas comestíveis. Os homens, por estarem permanentemente disponíveis foram ficando 
responsáveis pela defesa do grupo e pela caça. 
Então, vejamos, para se cuidar da prole e coletar raízes, frutas e plantas comestíveis era 
necessário desenvolver características como o cuidado, a paciência, a dedicação, a atenção, a 
sensibilidade. Valores que as mulheres precisaram desenvolver por conta das tarefas assumida 
por elas nos grupos, e que por terem sido exercidas pelas mulheres foram denominados de 
valores femininos. Por outro lado, os homens tiveram que desenvolver valores como a 
coragem, a força, a valentia, em razão das tarefas por eles assumidas nas sociedades 
primitivas de defesa do grupo, e que por terem sido exercidas pelos homens foram 
denominados de valores masculinos. Isso nos faz perceber que a divisão de tarefas na 
sociedade primitiva veio definir os valores que hoje atribuímos a homens e mulheres. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Discriminação contra a mulher4 – Enquanto o preconceito e o estereótipo estão no 
campo do pensamento, a discriminação é uma ação, e pode ser entendida como a distinção, 
exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou 
anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu estado 
civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades 
fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro 
campo. 
 
Preconceito5 – é uma idéia do fenômeno, anterior ao conceito. Ora, o conceito é fruto de 
um processo de análise e de síntese, através do qual se disseca o fenômeno, na tentativa de 
compreendê-lo e dar-lhe um nome que contenha a qualidade e o grau desta compreensão. 
Enquanto o conceito pressupõe a utilização de um instrumental teórico que permita o 
entendimento do fenômeno, o pré-conceito nasce do jogo de interesses presente na vida 
4 Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais.. Brasília: Funag: IPRI, 2003. 320p. 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher. Art. 1°. 
5 SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna. 
DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO E 
ESTEREÓTIPO 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
social, da defesa de privilégios, da correlação de forças político-sociais. É, portanto, não-
científico, veiculando idéias falsas e ilegítimas. 
 
Estereótipo6 - Uma espécie de molde que pretende enquadrar a todos, 
independentemente das particularidades de cada um. Ex. Toda mulher é sensível, Joana é 
mulher, portanto, Joana é sensível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Conceito de Violência contra a Mulher7 
Qualquer ato ou conduto baseada no gênero que cause morte, dano ou sofrimento físico, 
sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada. 
 
 Origem da violência contra a mulher 
Segundo a Organização Mundial de Saúde não há um fator único que explique aporque 
algumas pessoas se comportam de forma violenta em relação a outras , ou porque a violência 
ocorre mais em algumas comunidades do que em outras. A violência é o resultado da 
complexa interação de fatores individuais, de relacionamento, sociais, culturais e ambientais. 
A violência de gênero tem sua origem na discriminação histórica contra as mulheres, ou 
seja, num longo processo de construção e consolidação de medidas e ações explícitas e 
implícitas que visam à submissão da população feminina, que tem ocorrido durante o 
desenvolvimento da civilização humana. Todo este processo é fortemente influenciado pela 
interação de pelo menos quatro planos: 
1. o individual 
2. o relacional 
3. o comunitário 
4. o social 
Cada um desses planos engloba o anterior, tanto para reforçar, quanto para prevenir os 
elementos de risco. Por exemplo: fatores históricos, biológicos, pessoais, como a 
impulsividade, abusos sofridos na infância ou o uso abusivo de substâncias químicas (plano 
individual), podem ou não favorecer a violência, dependendo da qualidade das relações 
familiares e de amizade: o tipo de suporte dado pela família e pela rede de relações próximas 
faz toda a diferença (plano relacional). Da mesma forma, a natureza dos vínculos que ligam 
uma pessoa ao seu entorno – vizinhos, ambiente de trabalho, amigos, grupo de igreja ou 
associações (plano comunitário) pode abrir ou fechar as portas para a violência. Pode ser que 
a violência não encontre meios de se manifestar, se a pessoa faz parte de uma rede sólida e 
estável e solidária. Por outro lado, ela pode ser estimulada, se a pessoa vive em ambiente 
muito heterogêneo, em constante mudança ou atravessado por problemas como a 
criminalidade, banalização da violência, machismo, desordem urbana. A mesma coisa no plano 
social: se as leis, as normas informais e os sistemas institucionais são negligentes e tolerantes 
em relação à violência, ela ganha terreno. Já em uma sociedade, cujas normas estabelecem 
freios nítidos à violência, as agressões deixam de ser um comportamento naturalizado. 
6 SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna 
7 Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais.. Brasília: Funag: IPRI, 2003. 320p. 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher. Art. 1°. 
 
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Este é apenas um modelo para ajudar a compreender melhor como a violência acontece. 
Não deve ser tido como uma regra. É perfeitamente possível que alguém viva sob condições 
de risco em todos esses planos e jamais apresente comportamento violento. 
 
As drogas l íc itas ou i l íc itas, o desemprego, a situação de vulnerabi l idade 
social a que estão submetidas algumas famíl ias podem até ser fatores que 
atuem no fortalecimento da violência, masnão são os fatores que a causam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Ciclo da Violência contra a mulher 
 
Origem 
Alcoolismo 
Drogas Pobreza 
Desemprego 
TENSÃO AGRESSÃO 
LUA DE MEL 
Insultos 
Humilhações 
Intimidações 
Provocações mútuas 
Ameaças e pequenos 
conflitos freqüentes. 
 
Episódios agudos 
de violência. 
Figura feminina passiva. 
Figura masculina dominadora. 
Falta de cumprimento da 
expectativa dos papéis 
estereotipados. 
Promessas mútuas. Idealização do 
parceiro. 
Negação da vivência da violência. 
Esperança de mudança. 
Cultural 
Dominação do homem sobre a mulher 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 1ª Fase: FASE DE TENSÃO 8 – Esta fase emerge nas situações em que uma 
ou ambas as partes envolvidas em um relacionamento não ´cumprem` os papéis e 
funções de gênero imaginadas como ´naturais` pelo parceiro. Nesta fase podem ocorrer 
incidentes menores, como agressões verbais, crises de ciúmes, ameaças, destruição de 
objetos etc. Nesse período a mulher tenta acalmar seu agressor, mostrando-se dócil, 
prestativa, capaz de antecipar cada um de seus caprichos ou buscando sair do seu 
caminho. Ela acredita que pode fazer algo para impedir que a raiva dele se torne cada vez 
maior. Sente-se responsável pelos atos do marido ou companheiro e pensa que se fizer as 
coisas corretamente os incidentes podem terminar. Se ele explode, ela assume a culpa. 
Ela nega sua própria raiva e tenta se convencer de que há alguma justificativa para o 
nervosismo do companheiro. 
 
 2ª Fase: FASE DE AGRESSÃO 9 – Esta fase é marcada por agressões 
agudas, quando a tensão at inge seu ponto máximo e acontecem os 
ataques mais graves. A re lação se torna inadministrável e tudo se 
transforma em descontro le e destru ição. 
 
 
 3ª Fase: FASE DE RECONCILIAÇÃO OU FASE DA LUA DE MEL 10 – 
Terminado o período da v iolênc ia f ís ica, o agressor demonstra remorso e 
medo de perder a companheira. Ele pode prometer qualquer coisa, 
implorar por perdão, comprar presentes para a parceira e demonstrar 
efus ivamente sua culpa e sua paixão. Jura que jamais voltará a agir de 
forma vio lenta. Ele será novamente o homem por quem um dia e la se 
apaixonou. 
 
 
Na maioria das vezes, passada a fase da reconci l iação, o ciclo se repete e a 
vio lência volta a acontecer, mesmo depois de tantas promessas fei tas, isto 
porque o casal não conseguiu identi f icar o rea l problema, que é justamente a 
forma como as relações de gênero são estruturadas em nossa sociedade, onde 
existem dois pólos bem definidos: o mascul ino dominador e o feminino 
submisso. Para que se mantenha o equi l íbrio as mulheres devem se submeter 
aos homens, a inda que para isso eles precisem usar de violência. 
 
 
** * Em a lgumas vezes este c ic lo pode não ocorrer , mesmo ocorrendo a 
v io lênc ia , mas é importante conhece- lo para a judar as mulheres a iden t i f ica- lo , 
quando for o caso, e a impedi r que e le se reproduza. 
 
 
 
 
 
8 SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para profissionais e 
voluntários(as). Brasília, p. 2005. 
9 Idem 
10 Idem 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
 
 
 
Redes de atendimento são formas de organização e articulação baseada na 
cooperação entre organizações que se conhecem e se reconhecem, negociam, trocam 
recursos e partilham em medida variável de normas e interesses. 
 
 
 O que vem a ser o trabalho em REDE? 
Trabalhar em REDE significa genericamente trabalhar de forma INTEGRADA. Isso quer 
dizer que: 
o Todos os serviços afins devem conhecer-se mutuamente, portanto, é fundamental a 
troca de informações sobre o campo de atuação de cada serviço. A troca de 
informações é o que alimenta a rede; 
o Os serviços afins devem estar visando objetivos comuns; 
o A sensibilização dos profissionais para o tema trabalhado deve estar no mesmo 
patamar; 
o Um serviço deve sempre buscar complementar o outro; 
 
 
 Por que a proposta de se trabalhar em REDE no caso específico da violência 
contra a mulher? 
o A violência contra a mulher é um problema complexo, com muitas faces – precisa ser 
atacado por todos os lados; 
o Não se pode fragmentar a mulher, ou seja, tratar isoladamente as conseqüências da 
violência, como se não fossem interligadas. Ex. tratar somente o trauma físico, como 
se este não estivesse atrelado a um problema psicológico, social, de segurança, justiça 
(crime); 
o Só uma atuação em conjunto pode de fato dar a mulher violentada ou até mesmo a sua 
família a perspectiva real de se ter uma vida livre da violência; 
o As dificuldades estruturais dos serviços existentes também apontam para o trabalho 
em parceria, onde um pode suprir a deficiência do outro; 
o A responsabilidade profissional que temos deve ultrapassar o bom atendimento que 
somos capazes de dar individualmente, precisamos nos comprometer com o problema 
como um todo, conhecendo outros serviços e fazendo encaminhamentos necessários, 
corretos e adequados para cada caso; bem como discutindo o assunto, aprofundando 
análises, refazendo conceitos, aprimorando conhecimentos. 
 
 
 Princípios da Rede 
o Reconhecimento que o outro existe e é importante; 
o Colaboração/ associação/ cooperação/ autonomia/ compartilhamento (de valores, 
objetivo e poderes); 
o Vontade/ dinamismo/ multiliderança/ informação/ descentralização e múltiplos níveis de 
operacionalização. 
 
REDE DE ATENDIMENTO À MULHER 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 Alguns serviços disponíveis na Rede de Atendimento à Mulher em Situação 
de Violência: 
 
 
Centro de Atendimento à Mulher (CAM) 
É um serviço de acompanhamento psicológico, social e jurídico à mulher em situação de 
violência. O primeiro centro de atendimento à mulher do Estado foi criado em 1999 por meio 
do Decreto 9673/99. Além dos atendimentos acima mencionados o CAM também atua no 
sentido de construir espaços para debates e discussões a cerca da problemática da violência 
contra a mulher, buscando orientar, esclarecer dúvidas e divulgar a rede de serviços 
disponíveis. 
Principais serviços oferecidos: 
• Atendimento psicológico; 
• Atendimento social; 
• Atendimento jurídico; 
• Orientações e palestras; 
• Desenvolvimento de grupos de reflexão com as mulheres atendidas pelo serviço; 
 
Casa Abrigo para mulheres em risco de vida (Abrigo) 
O Abrigo é um serviço de caráter sigiloso que tem por objetivo garantir a integridade 
física e moral de mulheres que se encontram em risco de vida em razão da violência doméstica 
ou familiar. No Abrigo as mulheres acompanhadas de seus filhos e filhas menores podem 
permanecer num período máximo de três meses, neste período uma equipe composta por 
profissionais de diferentes áreas de formação, prestam diversos serviços, no sentido de 
fortalecer a mulher, resgatando sua auto-estima e dando-lhe condições para retomar sua vida 
com segurança e dignidade. 
O acesso ao Abrigo é feito pelo CAM, depois do caso ter passado pela DEAM e pela 
DPM. 
Principais serviços oferecidos: 
• Atendimento psicológico; 
• Atendimento social; 
• Atendimento jurídico; 
• Atendimento pedagógico (com os filhos e filhas das mulheres atendidas); 
• Encaminhamento aos serviços de saúde; 
• Encaminhamento da mulher ao mercado de trabalho; 
• Encaminhamento de filhos e filhas as escolas e centros de educação infantil; 
• Qualificação profissional das mulheres; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.idelberavelar.com/Post-images/violencia-mulher.jpg&imgrefurl=http://www.idelberavelar.com/archives/2005/11/&h=240&w=340&sz=239&hl=pt-BR&start=58&tbnid=FRa4s1bYWLKgzM:&tbnh=84&tbnw=119&prev=/images%3Fq%3Dmulher%26start%3D40%26ndsp%3D20%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/arquivo/livros.gif&imgrefurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/2004/02/&h=220&w=206&sz=19&hl=pt-BR&start=10&tbnid=Nokg9lCly9iOAM:&tbnh=107&tbnw=100&prev=/images%3Fq%3Dlivros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BRhttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://midia.ondarpc.com.br/0804-GAZ-policial.jpg&imgrefurl=http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/gazetinha/%3Fmes%3D200604&h=350&w=285&sz=25&hl=pt-BR&start=1&tbnid=FEZCyidOfj4M_M:&tbnh=120&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Ddesenho%2Bde%2Bpolicial%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR
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RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
• Encaminhamento das mulheres a programas de assistência social e habitação 
do governo estadual, municipal ou mesmo federal, quando necessário; 
• Desenvolvimento de grupos de reflexão com as mulheres e com seus filhos e 
filhas. 
 
Defensoria Pública da Mulher (DPM) 
A defensoria pública é um instrumento previsto constitucionalmente e que garante às 
pessoas que não dispõe de meios para constituir advogado particular, a prestação jurídica 
necessária para a garantia e defesa de direitos. O projeto de DPM criado pelo Governo do 
Estado de Mato Grosso do Sul em 1999 foi inédito no país, sendo que a primeira unidade foi 
criada em Campo Grande. 
Principais serviços oferecidos: 
• Prestação da assistência judicial ou extrajudicial à mulher, praticando todos os 
atos necessários ao pleno exercício de direitos; 
• Atuação em todos os atos processuais, devendo a(o) defensora(r) ser 
intimada(o), para os referidos atos, na forma da lei. 
 
SOS Mulher ( 0800 67 1236) 
O SOS Mulher é um serviço de orientação por telefone, disponível para todo o Estado, 
voltado especificamente para orientações pertinentes aos direitos das mulheres, em especial 
no tocante a violência doméstica e familiar contra a mulher. É um serviço gratuito que foi criado 
no Mato Grosso do Sul em 1999 e funciona nas dependências do CAM de Campo Grande. 
 
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) 
A DEAM é uma unidade especializada da Policia Civil que tem a função de polícia 
judiciária e a de apuração de infrações penais cometidas contra a mulher. Além dessa função 
constitucional a DEAM deve atuar como um dos serviços fundamentais da Rede de 
Atendimento à Mulher, sendo responsável também em prestar as orientações quanto aos 
direitos da vítima, legislações pertinentes e serviços disponíveis. 
A DEAM tem também uma grande importância simbólica, pois é uma conquista dos 
movimentos de mulheres num longo processo histórico de construção da cidadania em nosso 
país. É importante ressaltar que este serviço público muitas vezes representa a única 
alternativa para o rompimento dessa violência, especialmente quando se trata de mulheres de 
baixo poder aquisitivo que não dispõe de recursos disponíveis para buscar soluções 
alternativas ao caso, portanto, a DEAM deve ser um órgão com forte compromisso com a 
mudança cultural, a fim de se construir gerações mais igualitárias e justas, e assim prevenir a 
prática da violência doméstica e familiar contra a mulher. 
O papel da DEAM na rede de atendimento: 
• Compreensão do fenômeno da violência; 
• Registro do BO ou TCO; 
• Fazer o levantamento de todos os meios de prova disponíveis e possíveis; 
• Instaurar Inquérito Policial a fim de instruir processo judicial. 
 
Organismos governamentais de políticas para as mulheres 
São órgãos governamentais que podem ser criados na administração pública municipal, 
estadual ou nacional e que tem por objetivo propor, elaborar, coordenar, articular, executar 
políticas para as mulheres na respectiva área de competência. O Mato Grosso do Sul foi o 
primeiro estado da federação a criar uma Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a 
Mulher em 1999. Esse órgão funciona no parque dos poderes dentro da Governadoria. Hoje 
existem diversas coordenadorias municipais no MS, inclusive no município de Campo Grande e 
em âmbito federal, existe a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
da República (SPM/PR). Esses órgãos, que na maioria das vezes não possuem o papel de 
execução, podem ser parceiros fundamentais na rede de atendimento, porque tem a sob sua 
responsabilidade a articulação das políticas necessárias para a construção da cidadania plena 
para as mulheres. 
 
Polícia Militar (PM) 
Órgão da Segurança Pública responsável pela polícia ostensiva e pela preservação da 
ordem pública, é, em geral, o braço do Estado mais próximo da mulher vítima de violência. 
Cabe a PMMS conhecer os procedimentos relativos à problemática da violência contra a 
mulher, bem como as legislações pertinentes em vigor, a fim de prestar um atendimento 
adequado e efetivo com o intuito de evitar que a violência volte a acontecer. 
A PMMS regulamentou por meio da Portaria....... o Procedimento Operacionais Padrão 
(POP) ...... estabelecendo condutas que todos os policiais militares devem seguir no 
enfrentamento à violência contra a mulher. 
Na perspectiva do trabalho em rede a PM certamente é um dos serviços mais solicitados 
e que por esta razão deve estar preparada para o enfrentamento dessa violência, orientando 
as vítimas quanto aos serviços existentes e disponíveis. Um atendimento inadequado dado por 
policiais militares pode causar na vítima um sentimento de isolamento que irá vulnerabilizá-la 
ainda mais, podendo trazer conseqüências ainda mais graves. 
O papel da PM na rede de atendimento: 
• Compreensão do fenômeno da violência; 
• Prevenção da violência por meio do policiamento ostensivo; 
• Colaborar com os procedimentos investigatórios, preservando o local de crime de 
forma eficiente; 
• Conhecer as providências adequadas que cada caso requer a fim de dar os 
encaminhamentos corretos; 
• Cumprir a Portaria....... 
 
Bombeiro Militar (BM) 
Além das atribuições definidas em lei, cabe ao Corpo de Bombeiro Militar a execução de 
atividades de defesa civil. Segue abaixo o papel da BM na rede de atendimento: 
• Compreensão do fenômeno da violência; 
• Colaborar com os procedimentos investigatórios, preservando o local de crime de 
forma eficiente, até a chegada das autoridades policiais competentes; 
• Ter conhecimento das providências adequadas que cada caso requer a fim de 
serem dados os encaminhamentos corretos; 
• Socorrer as vítimas quando necessário e dar os primeiros socorros. 
 
Instituto Médico e Odontológico Legal (IMOL) 
O papel da IML na rede de atendimento: 
• Compreensão do fenômeno da violência; 
• Realização do exame médico legal; 
• Garantia da materialização do delito, por meio do exame de corpo de delito; 
 
Laboratório de DNA do Estado 
 O laboratório de DNA do Estado criado em 2003 tem o papel de: 
• Compreensão do fenômeno da violência; 
• Realizar exame de DNA gratuito a fim de materializar os delitos relativos à 
violência sexual, tais como o estupro e o atentado violento ao pudor. 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 Fluxo da rede de atendimento a partir da PM 
 
 Fluxo da rede de atendimento a partir da DEAM ou da delegacia de polícia 
 
 
 
 
 Rede de atendimento a partir da BMhttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR
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RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
 
 
 
 
HUMANIZADO11 
 
 
 
 Não julgue pelas aparências ! 
 
A violência contra a mulher não se caracteriza somente por aquilo que é visível e que é 
tipificado no Código Penal. É muito mais do que isso. O hematoma, o arranhão e a ameaça que 
leva a mulher a pedir ajuda são muitas vezes apenas a aponta de um iceberg. 
Por trás dessas manifestações aparentes pode haver: 
 Um risco real e iminente de homicídio; 
 Meses, anos ou décadas de abusos físicos, emocionais ou sexuais; 
 Um medo profundo que enfraquece e paralisa a vítima; 
 Uma longa história que envolve pequenos atos, gestos, sinais e mensagens 
subliminares, usados dia após dia, para manter a vítima sob controle. 
 
 
 
 
 Por que as mulheres agüentam por tanto tempo uma relação violenta? 
11 SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para profissionais e 
voluntários(as). Brasília, p. 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATENDIMENTO HUMANIZADO11 
 
 
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RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
Algumas pessoas podem pensar: “se elas ficam tanto tempo sendo agredidas; se elas 
denunciam seus parceiros e depois se arrependem; se elas não se separam logo é porque 
devem gostar de apanhar ou porque não tem caráter, ou são doentes ou mesmo covardes”. 
Não é bem assim. Existem muitas razões para uma mulher não conseguir romper uma 
relação violenta, veja algumas razões: 
1. RISCOS DE ROMPIMENTO - A violência e as ameaças contra a vida da mulher e dos 
filhos se tornam mais intensas no período da separação, momento em que o homem 
violento percebe que perdeu o controle sobre sua parceira. 
2. VERGONHA E MEDO – Para uma mulher denunciar seu próprio parceiro não é a 
mesma coisa que apontar um ladrão desconhecido que lhe rouba a bolsa numa 
esquina. Muitas vezes existe afeto e cumplicidade e ainda o risco do parceiro se tornar 
ainda mais violento, por a mulher o ter denunciado. Há também por parte da mulher a 
vergonha de ter que reconhecer que seu relacionamento fracassou, acabando numa 
delegacia de polícia. 
3. ESPERANÇA DE QUE O COMPANHEIRO MUDE O COMPORTAMENTO – Em geral 
o homem violento se arrepende dos seus atos, pedindo perdão, declarando seu amor a 
sua companheira e prometendo que irá fazer tudo que estiver a seu alcance para 
mudar. Como julgar a mulher que para evitar o fim da relação prefere acreditar nessas 
promessas? 
4. ISOLAMENTO – Em muitos casos nos relacionamentos onde há violência, o homem 
acaba restringindo as relações da mulher, mesmo com familiares e amigos. Em geral 
são relacionamentos excessivamente ciumentos e possessivos, onde o agressor busca 
saber tudo sobre a rotina da vítima, onde foi, com quem falou ao telefone, o que disse, 
porque usou tal roupa, para quem olhou na rua etc. Esse comportamento gera o 
isolamento da vítima que dificulta a busca de ajuda. 
5. NEGAÇÃO SOCIAL – Acontece quando mulheres vítimas da violência tentam pedir 
ajuda e se defrontam com pessoas e profissionais despreparados e desinformados 
sobre o problema que elas estão vivendo, gerando nas vítimas uma desesperança de 
encontrarem apoio seguro para resolverem seus problemas, acabando por se 
recolherem novamente para o seu inferno particular. 
6. BARREIRAS QUE IMPEDEM O ROMPIMENTO – Ao ver que a mulher está disposta a 
sair da relação violenta, o agressor recorre a todo tipo de chantagem e ameaças. Essa 
mulher precisa de apoio e de uma rede de serviços capacitados para ajudá-la. Caso 
ela não encontre esse respaldo tenderá a desistir de buscar uma saída para seu 
problema, ficando exposta ao risco, sentindo-se ainda mais isolada. 
7. DEIXAR UMA RELAÇÃO É UM LONGO PROCESSO – Quando a mulher percebe que 
precisa deixar a relação para poder se ver livre da violência, há um longo caminho a 
seguir: preparar-se afetiva e economicamente, pensar uma forma segura de romper a 
relação, preparar os(as) filhos(as) para o rompimento. Essas iniciativas podem levar 
anos, principalmente se a mulher não contar com nenhum apoio. Esse esforço envolve 
idas e vindas, avanços e recuos, tentativas e desistências, acertos e erros. Não se 
pode culpar a vítima. O maior desafio é ajudá-la a encontrar saídas possíveis e 
seguras. 
 
SEM SEGURANÇA E SEM O APOIO NECESSÁRIO É MUITO DIFÍCIL ESCAPAR DA 
VIOLÊNCIA DE ALGUÉM QUE ESTÁ TÃO PRÓXIMO! 
 
 
 
 É possível antecipar sinais de violência? 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
A violência contra a mulher não acontece como em uma receita de bolo. Pois cada 
pessoa é completamente diferente da outra e cada história é pessoale intransferível. Porém, 
existem alguns sinais que ajudam a tentar identificar antecipadamente as chances de uma 
relação se tornar violenta. 
 
1. COMPORTAMENTO CONTROLADOR – sob o pretexto de proteger ou oferecer 
segurança, passa-se a monitorar os passos da mulher e a controlar suas decisões, 
seus atos e relações. 
2. RÁPIDO ENVOLVIMENTO AMOROSO – em pouco tempo a relação se torna tão 
intensa, tão insubstituível que se começa a acreditar que sem a pessoa amada não se 
conseguirá sobreviver, que é preferível morrer a ver a pessoa amada com outro(a). 
3. EXPECTATIVAS IRREALISTAS COM RELAÇÃO À PARCEIRA – espera-se que ela 
preencha todas as suas necessidades, exigindo que a mulher seja perfeita como mãe, 
esposa, amante e amiga. 
4. HIPERSENSIBILIDADE – o homem agressor se torna facilmente insultado, ferido em 
seus sentimentos ou enfurecido com o que considera injustiça contra si. 
5. COMPORTAMENTOS CRUÉIS E EGOÍSTAS – o homem maltrata animais e crianças. 
Gosta de desempenhar papéis violentos na relação sexual, fantasiando estupros, 
desconsiderando o desejo da parceira ou exigindo disponibilidade sexual em ocasiões 
impróprias 
6. ABUSO VERBAL – o homem tem atitudes cruéis, depreciativas, grosseira. Tentará 
convencer sua parceira de que sem ele, ela não conseguirá fazer qualquer coisa. 
7. UM PASSADO DE VIOLÊNCIAS – quando o homem já teve relacionamentos violentos, 
e se refere a eles sempre na tentativa de culpabilizar as vítimas pela pratica da 
violência. 
 
 
 Um atendimento de qualidade 
 
Algumas dicas para ajudar numa acolhida profissional e solidária: 
o Procure estabelecer uma relação de confiança com a vítima. 
o Procure não julgar a pessoa que você está atendendo. O julgamento é o maior 
obstáculo à comunicação. 
o Não infantilize a vítima! Ela já foi infantilizada demais pelo agressor. 
o Procure ouvir e compreender! Não pressuponha! Cada história é única e singular, 
mesmo que, para você, pareça igual a outras. 
o Não tente adivinhar! Escute! 
o CUIDADO com as informações incorretas. Nunca faça falsas promessas. 
o Respeite as limitações da vítima. 
 
 
 
 Atenção!!! Para que o resultando não seja o oposto ao 
desejado, tente evitar as seguintes armadilhas... 
 
Paternalizar – querer solucionar os problemas pela vítima, ao invés de ajudá-la a encontrar 
suas próprias soluções. 
 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Infantilizar – tratar a vítima como uma criança. O(a) profissional supõe que a história 
narrada contém inverdades ou exageros, e começa, sutilmente, a desautorizar a versão da 
vítima. 
 
Culpabilizar – expressa a impaciência do(a) profissional com as dificuldades alheias e sua 
necessidade de produzir julgamentos: ele ou ela acaba reproduzindo a atitude crítica do 
agressor e solapando os esforços de quem tenta se desvencilhar da situação de violência. 
Fazer perguntas inquisitórias é o modo mais comum e insidioso de culpar as mulheres 
agredidas: perguntar à vítima por que o marido a espancou, que roupas ela vestia quando 
foi estuprada, porque não saiu de casa imediatamente, porque não trabalha, etc. 
 
Envolver-se em excesso – o desafio é ser solidário(a) e capaz de demonstrar afetividade, 
sem envolver-se demasiadamente no sofrimento alheio. Quem procura ajuda espera 
encontrar no(a) interlocutor(a) exatamente a força e a segurança que lhe falta. 
 
 
 É possível medir a gravidade do risco a que está submetida a mulher? 
 
O quadro a seguir contém exemplos que podem ajudar a avaliar, junto com a vítima, o 
nível de risco que ela está correndo. Não é um teste infalível, por isso confie também no seu 
bom senso e no dela. 
Pergunta Resposta Grau de risco 
 
 
1. O agressor tem faca ou 
arma? Ele já usou contra você? 
a) Não Médio risco 
a) Ele tem uma velha arma, mas nunca me 
ameaçou com ela. 
Alto risco 
a) Ele me ameaçou com uma arma. 
b) Ele foi preso, uma vez, por atacar 
alguém. 
 
Risco extremo 
 
 
 
2. O agressor já foi preso? Ele 
tem medo da polícia ou da 
justiça? 
 a) Nunca foi preso. Tem medo de ser preso Médio risco 
 a) A polícia já veio aqui uma vez, mas não 
fez nada. 
Alto risco 
a) Ele já foi preso outras vezes por 
agressão. A polícia o deixa mais 
agressivo. 
b) Uma vez ele me atacou na frente do juiz 
. 
 
Risco extremo 
 
 
3. O agressor tenta controlar 
sua vida de outras formas 
como, por exemplo, isolando 
você de sua família ou de seus 
amigos? 
 a) Não. Nós temos, cada um, nossa própria 
vida. 
Médio risco 
a) Ele sempre nota se eu chego mais tarde 
e é muito ciumento. 
b) Ele não gosta que meus amigos venham 
aqui. 
Alto risco 
a) Desde que nos mudamos para longe da 
minha família ele se tornou 
extremamente possessivo. 
b) Ele fica doente de ciúme e imagina 
coisas absurdas. 
c) Ele fica anotando a quilometragem do 
meu carro. 
 
 
 
Risco extremo 
 
 
 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 
 
4. Ele ameaçou você, caso 
tentasse deixá-lo? 
a) Ele nunca fez ameaças. Médio risco 
a) Ele disse que ficaria transtornado se eu 
algum dia o deixasse. 
Alto risco 
a) Ele disse que eu nunca conseguiria me 
esconder dele, porque ele me rastrearia 
onde eu fosse. Eu realmente acredito 
que ele faça isso. 
 
Risco extremo 
 
5. Você já tentou deixa-lo? O 
que aconteceu? 
a) Sim. Ele pareceu não ligar. Médio risco 
a) Sim. Eu fui pra casa da minha mãe. Ele 
ficou ligando e implorando por mais uma 
chance. 
b) Sim. Ele veio ao meu apartamento e 
rasgou algumas das minhas roupas. 
 
 
Alto risco 
 a) Sim. Ele veio atrás de mim e me bateu 
muito. 
b) Sim. Ele agrediu a pessoa na casa de 
quem eu estava. Não sei como ele me 
achou. 
 
 
Risco extremo 
 
 
6. O agressor conhece sua 
rotina? 
a) Eu só tive alguns encontros com ele. Ele 
não sabe onde trabalho nem onde fica a 
escola dos meus filhos(as). 
 
Médio risco 
a) Ele sabe onde trabalho. Alto risco 
a) Nós vivemos juntos por vários anos. Ele 
sabe tudo que precisa saber sobre mim. 
Risco extremo 
 
 
7. O agressor bebe ou usa 
drogas? 
a) Ele não bebe muito. Médio risco 
a) Ele costuma beber, como uma desculpa 
para me bater. Depois diz que não sabia 
o que estava fazendo. 
 
Alto risco 
a) Ele é viciado. Ele vende tudo o que tiver 
pra comprar a droga. 
Risco extremo 
 
8. O agressor parece suicida? 
(muitos suicidas não são violentos, 
mas agressores suicidas algumas 
vezes matam outros membros da 
família antes de se matarem). 
a) Ele nunca mencionou isso. Médio risco 
a) Ele disse que não pode viver sem mim e 
que ele se mata, se eu for embora. 
Alto risco 
a) Ele fala sobre suicidar-se com todos os 
detalhes, mas diz que não vai sozinho. 
Um vez ele fez roleta russa e me forçou 
a fazer também. 
 
Risco extremo 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando falamos de violência contra a mulher é importante estarmos atentos 
principalmente para alguns textos legais, como: 
1. Constituição Federal – 1988 (CF/88) 
2. Código Penal Brasileiro (CP) 
3. Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) 
4. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra 
a Mulher (Convenção de Belém do Pará) 
5. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra 
a Mulher 
LEGISLAÇÃO PERTINENTE 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
 Constituição Federal/1988 
 
A Constituição Federal de 1988 prevê mecanismos inibidores da violência doméstica nos 
dispositivos citados abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Código Penal Brasileiro (CPB) 
 
CRIMES 
 
 
 
 
 
Obviamente que há possibilidade de 
ocorrência de outros delitos não 
relacionados no quadro ao lado. 
É certo, porém, que a maioria dos casos de 
violência doméstica e familiar se enquadra 
nessa lista, com maior ênfase às lesões 
corporais e ameaças. 
 
 
 
 
 
 Lei Maria da Penha 
 
Sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 07 de agosto de 2006, 
entrando em vigor no dia 22 de setembro do mesmo ano. Foram muitos anos lutando paraque 
a sociedade brasileira pudesse dispor desse instrumento legal de proteção à mulher em 
situação de violência doméstica e familiar. 
 
IMPORTANTE: esta Lei somente atinge os crimes cometidos contra a mulher no espaço 
doméstico ou familiar. Outros crimes que forem cometidos contra a mulher fora desses espaços 
serão tratados por outra legislação. 
Art. 226 - A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
§ 8° O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a 
integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. 
 
Art. 3° - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 
quaisquer outras formas de discriminação. 
Art. 5° - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos termos seguintes: 
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos dessa 
Constituição. 
 Homicídio – Art. 121 
 Lesão Corporal – Art. 129, com atenção especial para o §9°, § 10°e §11° 
 Seqüestro e cárcere privado – Art. 148 
 Atentado violento ao Pudor – Art. 214 
 
 Estupro – Art. 213 
 Maus tratos – Art. 136 
 Calúnia – Art. 138 
 Difamação – Art. 139 
 Injúria – Art. 140 
 Constrangimento Ilegal – Art. 146 
 Ameaça – Art. 147 
 Violação de domicílio – Art. 150 
 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
Para a Lei Maria da Penha o que se configura como violência doméstica e familiar contra 
a mulher ? 
 
Qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento 
físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial no âmbito da unidade doméstica, 
familiar e em qualquer relação íntima de afeto, independente de orientação sexual, na qual o 
agente da violência conviva ou tenha convivido com a ofendida, sem necessariamente ter 
coabitado com a mesma. 
 
 
 
 
 
 
 
Quais são as formas dessa violência? 
 Violênc ia Ps icológica – Entendida como qualquer conduta que lhe 
cause dano emocional e d iminuição da auto-est ima ou que lhe 
prejudique e perturbe o p leno desenvolv imento ou que vise degradar ou 
controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante 
ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, 
v igi lância constante, perseguição contumaz, insul to, chantagem 
r idicu lar ização, exploração e l im itação do d i re ito de ir e v ir ou qualquer 
outro meio que lhe cause prejuízo à saúde ps icológica e à 
autodeterminação; 
 
 Violênc ia f ís ica – entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou 
saúde corporal; 
 
 Violênc ia Sexual - entendida como qualquer conduta que a constranja a 
presenc iar , a manter ou a par t ic ipar de relação sexual não desejada, 
mediante in t im idação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a 
comercia l izar ou a ut i l izar, de qualquer modo, a sua sexual idade, que a 
impeça de usar qualquer método contracept ivo ou que a force ao 
matr imônio, a gravidez, ao aborto ou à prost i tuição, mediante coação, 
chantagem, suborno ou manipulação; ou que l im ite ou anule o exercíc io 
de seus d ire itos sexuais e reprodut ivos; 
 
 Violênc ia Patr imonia l - entendida como qualquer conduta que conf igure 
retenção, subtração, destruição parc ia l ou total de seus objetos , 
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, va lores e 
d ire i tos ou recursos econômicos, inc lu indo os dest inados a sat is fazer 
suas necess idades; 
 
 Violênc ia Moral - entendida como qualquer conduta que conf igure 
calúnia, d ifamação ou injúr ia. 
 
 
 
 
 
Unidade doméstica – compreendida 
como o espaço de convívio permanente de 
pessoas, com ou sem vínculo familiar, 
inclusive as esporadicamente agregadas. 
Unidade familiar – compreendida como a 
comunidade formada por indivíduos que são ou se 
consideram aparentados, unidos por laços 
naturais, por afinidade ou por vontade expressa. 
 
 
 
RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 
O que a Lei Maria da Penha traz de novo? 
1. Tipifica e define a violência doméstica e familiar contra a mulher; 
2. Estabelece as formas da violência doméstica contra a mulher como física, psicológica, sexual, patrimonial 
e moral; 
3. Determina que a violência doméstica contra a mulher independe de orientação sexual; 
4. Determina que a mulher somente poderá renunciar à denúncia perante o juiz e não mais perante a 
autoridade policial; 
5. Proíbe as penas pecuniárias, como por ex. o pagamento de multas e cestas básicas. 
6. Proíbe que a própria mulher faça a entrega da intimação ao agressor; 
7. A mulher vítima deverá ser notificada dos atos processuais, em especial quando do ingresso e saída do 
agressor da prisão; 
8. Em todos os atos processuais a mulher deverá estar acompanhada de advogado(a) ou defensor(a); 
9. Retira a competência para julgar os crimes de violência doméstica contra a mulher dos juizados especiais 
criminais (Lei 9.099/1995); 
10. Possibilita ao juiz a decretação da prisão preventiva, a partir da alteração do CPP; 
11. O juiz passa a ter poder para determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de 
recuperação e reeducação, a partir da alteração da Lei de Execuções Penais; 
12. Determina a criação de juizados específicos de violência doméstica e familiar contra a mulher com 
competência cível e criminal; 
13. Aumenta em 1/3 a pena caso a violência doméstica e familiar seja cometida contra mulher com 
deficiência; 
14. Prevê um capítulo específico para o atendimento da autoridade policial aos casos de violência doméstica 
e familiar contra a mulher; 
15. Permite a prisão em flagrante sempre que houver qualquer das formas de violência doméstica contra a 
mulher; 
16. O registro na delegacia de polícia é feito por meio da elaboração do Boletim de Ocorrência (BO) e não 
mais pelo Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO); 
17. Prevê Medidas Protetivas de Urgência que podem ser requeridas pela autoridade policial competente ao 
juiz em 48h; 
 
O atendimento pela autoridade policial aos casos de violência doméstica e familiar 
contra a mulher 
 
A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência deverá adotar de imediato 
as providências legais cabíveis, inclusive se houver descumprimento por parte do agressor de 
medida protetiva de urgência. 
Algumas providências que a autoridade policial deverá tomar, quando necessário, além 
do POP .....; 
• Proteção policial. Se isso ocorrer o Ministério Público e o Poder 
Judiciário deverão ser comunicados de imediato. 
• Encaminhamento da ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao 
Instituto Médico Legal. 
• Caso haja risco de vida à ofendida e a seus dependentes, devido a 
violência doméstica e familiar sofrida, a autoridade policial deverá 
encaminhá-los a abrigos ou a local seguro. 
• Acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences 
do local da ocorrência ou do domicílio familiar. 
• Informar a ofendida os direitos a ela conferidos nas legislações 
pertinentes e os serviços disponíveis. 
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