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RELAÇÕES DE GÊNERO E COMBATE À HOMOFOBIA RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER APRESENTAÇÃO A disciplina Relações de Gênero e Violência contra a Mulher foi elaborada pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher do Governo do Estado de MS e incluída na grade curricular do curso de formação de policiais civis e militares em 2002, sendo que em 2006 esta disciplina foi regulamentada pela Lei Estadual nº 3.287/2006. É direcionada para a sensibilização e capacitação de alunos e alunas dos cursos de formação de policiais militares, civis e bombeiros do Mato Grosso do Sul. Foi uma iniciativa inédita no país no que se refere à possibilidade concreta de se abrir um diálogo sistematizado com profissionais de segurança pública sobre a construção histórica e cultural das relações de gênero e todos os prejuízos que surgem em decorrência da desigualdade de poder existente entre homens e mulheres, incluindo entre eles, o mais cruel de todos, a violência de gênero . No mundo igualitário que queremos e pelo qual lutamos existem seres humanos com suas especificidades e diferenças respeitadas, compartilhando com a mesma plenitude a vida, a liberdade e a paz. Major Sandra Alt OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Capacitar profissionais de segurança pública para o desempenho eficiente e eficaz de suas atribuições legais no tocante ao atendimento à mulher em situação de violência; • Ampliar a compreensão da nova lei que trata da violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei 11.340/06) e de outras legislações em vigor; • Fortalecer a Rede de Atendimento à Mulher em situação de violência doméstica e familiar; • Prevenir e combater, por meio de ações precisas, a violência contra a mulher. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER LEI MARIA DA PENHA (Lei 11.340/2006) Art. 8 “A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais, tendo por diretrizes: VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e de raça ou etnia. IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos aos direitos humanos, à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher.” LEI ESTADUAL Nº 3.287/2006 Art. 1º Os cursos de formação de policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, bem como dos delegados da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deverão conter em seu conteúdo programático a disciplina Relações de Gênero. SUMÁRIO 1. Gênero...................................................................................................................... Histórico do conceito.......................................................................................... O Conceito de gênero......................................................................................... As dimensões para uma análise de gênero....................................................... 2. Origem das desigualdades de gênero.................................................................. Sociedade sedentária......................................................................................... Construção das características masculinas e femininas.................................... 3. Discriminação, Preconceito e Estereótipo........................................................... 4. Violência contra a Mulher....................................................................................... Conceito de violência contra a mulher................................................................ Origem da violência contra a mulher.................................................................. Ciclo da violência contra a mulher...................................................................... 5. Rede de atendimento à mulher.............................................................................. O que vem a ser o trabalho em rede? ............................................................... Por que a proposta de se trabalhar em rede no caso específico da violência contra a mulher. ............................................................................ Princípios da rede............................................................................................... Alguns serviços disponíveis na rede de atendimento à mulher.......................... Rede de atendimento à Mulher a partir da PM................................................... Rede de atendimento à Mulher a partir da DEAM ou DP................................... Rede de atendimento à Mulher a partir do BM.................................................... 6. Atendimento Humanizado....................................................................................... 7. Legislações pertinentes.......................................................................................... Constituição Federal de 1988.............................................................................. Código Penal Brasileiro....................................................................................... Lei Maria da Penha (11.340/06) ......................................................................... Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher.................................................................................. Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher........................................................................... 8. Estudo complementar................................................................................................ 9. Boas Leituras............................................................................................................... 10. Contatos necessários................................................................................................... 11. Abreviaturas............................................................................................................... 12. Referências Bibliografia........................................................................................................ 5 5 5 6 7 8 10 10 11 11 11 12 14 14 14 14 15 18 18 19 19 23 24 24 24 28 28 30 30 31 31 32 Amparo legal para a disciplina: RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER UM CONCEITO PARA ANÁLISE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL1 Histórico do Conceito O conceito de gênero foi elaborado na década de 1970 por um grupo de estudiosas feministas da universidade de Sussex na Inglaterra, a partir da análise de como as pessoas são socialmente formadas para desenvolverem comportamentos diferenciados pelo fato de terem nascido machos ou fêmeas da espécie humana. Estudiosas da época observaram que as relações de exploração de classe social, a propriedade privada e mesmo o patriarcado ou as diferenças biológicas sexuais não ofereciam respostas suficientes e não traziam maiores contribuições para explicar o fenômeno da desigualdade entre homens e mulheres na sociedade, limitando assim as estratégias de intervenção no campo da transformação destas relações. Como entender as relações de subordinação (exploração / opressão / discriminação / preconceito) da mulher ao homem nohttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ethosbrasil.net/custom/PendDireito40ajust.jpg&imgrefurl=http://www.ethosbrasil.net/page_1155050828734.html&h=260&w=203&sz=16&hl=pt-BR&start=1&tbnid=JTWG9aOYuCu7cM:&tbnh=112&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3D%2B%2522s%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%2522%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ethosbrasil.net/custom/PendDireito40ajust.jpg&imgrefurl=http://www.ethosbrasil.net/page_1155050828734.html&h=260&w=203&sz=16&hl=pt-BR&start=1&tbnid=JTWG9aOYuCu7cM:&tbnh=112&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3D%2B%2522s%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%2522%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG 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criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele; Remeter, no prazo legal, os autos do Inquérito Policial ao juiz e ao Ministério Público (MP); IMPORTANTE: Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde. Medidas Protetivas de Urgência As medidas protetivas de urgência são medidas em caráter emergencial para salvaguardar a integridade física e moral da vítima, bem como para proteger o patrimônio comum do casal. Poderão ser aplicadas isoladas ou cumulativamente, podendo ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos na Lei Maria da Penha forem ameaçados ou violados. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do MP ou a pedido da ofendida. Depois de recebida a medida protetiva de urgência o juiz tem também 48h para decidir sobre o deferimento ou indeferimento da mesma. Conheça algumas medidas protetivas de urgência... 1. Suspensão da posse ou restrição do porte de armas. 2. Afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; 3. Proibição do agressor de aproximar da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. 4. Proibição do agressor de fazer contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. 5. Proibição do agressor de freqüentar determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida. 6. Restrição ou suspensão de visitas do agressor aos dependentes menores. 7. Encaminhamento da ofendida e seus dependentes a abrigos e centros de atendimento psicossocial. 8. Determinação para o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guardas de filhos(as) e alimentos. 9. Determinação para recondução da ofendida e de seus dependentes ao respectivo domicílio, após o afastamento do agressor. 10. Determinação para a separação de corpos. 11. Determinação para a restituição à ofendida de bens indevidamente subtraídos pelo agressor. RELAÇÕESDE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 12. Proibição por determinado tempo de celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade comum do casal, salvo com expressa autorização judicial. 13. Suspensão de procurações conferidas pela ofendida ao agressor. IMPORTANTE: Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência poderá o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial. Em caso de flagrante delito na prática da violência doméstica e familiar, o agressor deve ser preso, registrado o B.O. e encaminhado o caso à delegacia de polícia para as providências cabíveis. A autoridade policial que flagrar a prática de tal crime deve colher todas as provas disponíveis no local do fato e levantar todas as testemunhas que houver. A pena relativa ao delito de lesão corporal – art. 129 CP aumentou para três meses a três anos e será aumentada em um terço se o delito for praticado contra pessoa portadora de deficiência. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) Adotada em 1979 pela Assembléia Geral das Nações Unidas, é a culminação de décadas trabalho, de luta e de reivindicações de mulheres de todo o mundo. O Brasil assinou a Convenção em 31 de março de 1983 e ela entrou em vigor para o país no dia 2 de março de 1984, com reservas, que só foram retiradas em 1994 em virtude das mudanças introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro pela Constituição Federal de 1988. Essa convenção é considerada a Carta Magna dos Direitos da Mulher, possui trinta artigos divididos em seis partes: 1ª Parte: define o que constitui discriminação contra a mulher e trata das medidas a serem tomadas no ordenamento jurídico dos países e em todos os outros campos com vistas à eliminação da discriminação contra a mulher. 2ª Parte: recomenda a adoção de medidas com vistas a garantir o gozo de direitos políticos. 3ª Parte: determina a obrigatoriedade da eliminação da discriminação em determinadas áreas temáticas. 4ª Parte: dedicada à igualdade perante a lei, principalmente no tocante ao direito de família, inclusive direitos reprodutivos. 5ª Parte: cria o Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e define suas funções. 6ª Parte: estabelece as disposições finais da Convenção, possibilidade de reservas, assinatura, ratificação, adesão e entrada em vigor. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará) A Comissão Interamericana de Mulheres (CIM), desde o final da década de 80, voltou sua atenção para a questão da violência contra a mulher como tema central de seus debates. Durante Assembléia da Organização dos Estados Americanos, realizada em Belém do Pará, no Brasil o resultado, em 1994, foi aprovada a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher. O Brasil assinou a Convenção em 9 de junho de 1994 e a ratificou em 27 de novembro de 1995. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER A Convenção de Belém do Pará, baseada na Declaração e no Programa e Ação da Conferência Interamericana de Direitos Humanos promovida pela ONU e realizada em Viena, Áustria, em 1993, busca dar visibilidade à violência contra a mulher e coibi-la. Esta Convenção dispõe de mecanismo de denúncia individual de violação dos direitos nela consagrados. A Convenção de Belém do Pará possui vinte e cinco artigos, divididos em cinco capítulos: Capítulo I – Definição e Âmbito de Aplicação Capítulo II – Direitos Protegidos Capítulo III – Deveres dos Estados Capítulo IV – Mecanismos Interamericanos de Proteção Capítulo V – Disposições Gerais RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER ESTUDO COMPLEMENTAR LINKS COM INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS DIREITOS DA MULHER E OUTROS TEMAS CORRELATOS. 1) www.spmulheres.gov.br 2) www.patriciagalvao.org.br 3) www.noos.org.br 4) www.papai.org.br 5) www.promundo.org.br 6) www.cfemea.org.br 7) www.gineco.com.br 8) www.catolicasonline.org.br 9) www.mulhergoverno.gov.br 10) www.jus.com.br/doutrina 11) www.segurançahumana.org.br 12) www.fpabramo.org.br/nop/mulheres BOAS LEITURAS O Segundo Sexo – 2. A Experiência Vivida. Simone de Beauvoir Feminino + Masculino – Uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. Monika von Koss Educar Meninas e Meninos – relações de gênero na escola. Daniela Auad Sexo e Poder – A família no Mundo 1900- 2000. Göran Therborn Programa de Prevenção, Assistência e Combate à Violência contra a Mulher – Plano Nacional. SPM – Governo Federal Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher – MS. Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres – Governo do Estado de MS Gênero, patriarcado, violência. Heleieth I. B. Saffioti Ações Afirmativas e o Princípio da Igualdade. Renata Malta Vilas-Bôas A Liderança Feminina n o século 21 – Mudando o Mundo. Denise Carreira – Menchu Ajamil – Tereza Moreira (Orgs) Gênero e Violência. Maria de Fátima Araújo e Olga Ceciliato Mattioli (organizadoras) Violência Doméstica – Bases para Formulação de Políticas Públicas. Suely Souza de Almeida – Bárbara Soares – Marisa Gaspary (organizadoras) Violência contra as Mulheres: a experiência de Capacitação das DEAMs da Região Centro- Oeste. Cadernos AGENDE, V.5 – Dez/2004 Enfrentando a violência contra a mulher. Bárbara M. Soares RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER CONTATOS NECESSÁRIOS Ver POP.... ABREVIATURAS Abrigo – Casa Abrigo para Mulheres em Risco de Vida BM – Corpo de Bombeiros Militares BO – Boletim de Ocorrência CAM – Centro de Atendimento à Mulher CEPPM – Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher – Governo do Estado MS CF/88 – Constituição Federal Brasileira de 1988 CP – Código Penal Brasileiro CPP – Código de Processo Penal Brasileiro DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher DPM – Defensoria Pública da Mulher IML – Instituto Médico Legal MP – Ministério Público MS – Mato Grosso do Sul PC – Polícia Civil PM – Polícia Civil SOS Mulher – serviço de orientação por telefone SPM/PR – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência - Educação/Cultura - Justiça - Polícia Militar - Saúde / Serviços de Saúde - - Corpo de Bombeiros Militar - SOS Mulher REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGHER, Anne Joyce (Org). Vade Mecum acadêmico de direito. 4.ed. São Paulo: Rideel, 2007. (Coleção de leis Rideel) CARREIRA, Denise; AJAMIL, Menchu; MOREIRA, Tereza (Orgs.). Mudando o mundo: a liderança feminina no século 21. São Paulo: Cortez; Rede Mulher de Educação, 2001. GASPARY, Marisa; SOARES, Bárbara; ALMEIDA, Suely Souza. Violência domestica: bases para formulação de políticas públicas. Rio de Janeiro: Revinter Ltda, 2003. Manual de Capacitação Multidisciplinar (Lei n° 11.340, de 07 de agosto de 2006 – Lei Maria da Penha). Cuiabá. 2006. http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/arquivo/livros.gif&imgrefurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/2004/02/&h=220&w=206&sz=19&hl=pt-BR&start=10&tbnid=Nokg9lCly9iOAM:&tbnh=107&tbnw=100&prev=/images%3Fq%3Dlivros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/balanca.JPG&imgrefurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/legislacao.html&h=135&w=168&sz=15&hl=pt-BR&start=6&tbnid=n4HebnE58x7AyM:&tbnh=80&tbnw=99&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://midia.ondarpc.com.br/0804-GAZ-policial.jpg&imgrefurl=http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/gazetinha/%3Fmes%3D200604&h=350&w=285&sz=25&hl=pt-BR&start=1&tbnid=FEZCyidOfj4M_M:&tbnh=120&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Ddesenho%2Bde%2Bpolicial%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BRhttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/carro%2520de%2520bombeiros.gif&imgrefurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/2005_06&h=238&w=350&sz=34&hl=pt-BR&start=3&tbnid=ailhec_XdM-zSM:&tbnh=82&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Dbombeiros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER MARÍN-CASTILLO, Márcia; OLIVEIRA, Suely de (Orgs). Marcadas a ferro: violência contra a mulher, uma visão multidisciplinar. Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais. Brasília: Funag: IPRI, 2003. 320p. SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna, . SENASP. Apostila: Atendimento Policial à Vítima de Violência Doméstica. SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para profissionais e voluntários(as). Brasília, p. 2005.campo micro social (formação da identidade, família, relação afetiva, casamento); macro social (economia, política, cultura) e a interseção entre esses dois campos? Foi em meio a esse impasse que se concebeu a noção de gênero como categoria teórica e analítica. O Conceito de Gênero Gênero tem sido um conceito útil para explicar muitos dos comportamentos de mulheres e homens em nossa sociedade, nos ajudando a compreender grande parte dos problemas e dificuldades que encontramos no trabalho, na vida pública, na vida sexual e reprodutiva e na família. GÊNERO É UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL Neste conceito gênero é considerado como um fenômeno histórico cultural. Rejeita o “biologicismo” e “essencialismo” expresso em termos como sexo ou diferença sexual. Sexo, neste sentido significa diferenças físicas e anatômicas entre macho e fêmea, aquelas que estão em nossos corpos, ligados à classe dos “fatos naturais”. Por exemplo, sabemos que a gravidez, amamentação só acontece com a mulher, e são determinadas pelo sexo biológico. Os animais também são machos e fêmea, mas eles não são homens e mulheres, masculino e feminino. Quando entendemos o conceito de gênero como uma construção social, podemos também entender que este é um conceito mutável e que podem existir diferentes sistemas de relações de gênero. As relações de gênero variam de um povo para outro, e também dentro da mesma sociedade elas podem mudar de acordo com a classe social da pessoa, de acordo com a raça, de acordo com a idade. GÊNERO É UMA MANEIRA DE DESIGNAR AS ORIGENS PSICOSSOCIAIS DAS IDENTIDADES SUBJETIVAS (COMO SOMOS FORMADOS HOMEM OU MULHER) PARA VIVERMOS EM SOCIEDADE 1 Este texto é uma reprodução parcial e modificada da cartilha Gênero, Trabalho e Geração de Renda, Jacy Curado. Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Mulher e Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda. 1999. GÊNERO RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Embora as distinções se manifestem no plano pessoal, vão além das singularidades individuais, devido ao seu caráter histórico. É a partir da observação e do conhecimento das diferenças sexuais, que a sociedade cria idéias a respeito do que é um homem e do que é uma mulher, as representações sociais do que é masculino e o que é feminino, ou seja, cada sociedade cria as suas relações de gênero. GÊNERO É UMA CATEGORIA RELACIONAL Deve abranger as relações estabelecidas entre mulheres e homens e não apenas as mulheres como uma categoria à parte. Em nossas sociedades, o feminino e masculino são considerados opostos e também complementares. Porém, masculino e feminino são valorados de maneira diferente. Na maioria das vezes, o que é masculino, socialmente tem mais valor. Estas diferenças de valor estão demonstradas nas condições em que vivem as mulheres em relação aos homens em qualquer tipo de sociedade e situação social. GÊNERO É UMA FORMA DE SIGNIFICAR RELAÇÕES DE PODER. As relações de gênero produzem uma distribuição desigual de autoridade, de status, de prestígio entre as pessoas de acordo com seu sexo. Por ser uma forma de relação de poder, são permeadas pelas relações de classes sociais, étnicas e de raça. A análise das relações de gênero e poder, devem ser de desconstrução, no sentido de não procurar uma simples causa para as relações de gênero.2 As Dimensões para uma Análise de Gênero DIMENSÃO NORMATIVA - Refere-se a conceitos normativos, que interpretam os significados dos símbolos. Devemos analisar as normas como fruto de conflitos e negociações, por isso são dinâmicas, e não podem ser assumidas como verdades permanentes e fixas. As normas dizem não só o que devemos ou não fazer, separando o que é de mulher e o que é de homem, mas também valorizam de maneira diferenciada as pessoas e suas ações. Geralmente a sociedade valoriza quem segue as normas, quando fazemos ou pensamos alguma coisa diferente, somos discriminados(as) e considerados(as) “errados(as)”, como se as normas fossem eternas, imutáveis, rígidas. Ex: legislação, doutrina religiosa, verdade cientifica. INSTITUCIONAL / ORGANIZACIONAL - As relações de gênero organizam e são organizadas pela família, trabalho, igreja, escola. Estas instituições expressam aquilo que as normas e valores dizem. Referem-se a sistemas econômicos, educacionais, políticos, sociais, religiosos que estruturam e perpetuam as relações de gênero desiguais. Ex: A baixa representatividade política das mulheres no parlamento e no poder executivo. Na hierarquia do clero religioso, as mulheres não podem celebrar os sacramentos, rezar missas, fazer batizados, realizar casamentos, nem podem ser papisas. Na escola, os homens quase nunca são professores de crianças, mas muitas vezes são os diretores da escola. SIMBÓLICA / REPRESENTAÇÃO SOCIAL - Todas as sociedades possuem imagens, figuras, músicas, lendas, histórias, romances e muitas outras coisas que são transmitidas para adultos e crianças desde cedo, formando em nossas mentes os símbolos dessas sociedades. Esses símbolos sofrem modificações no decorrer da história. Contudo, mesmo que a gente 2 Particularmente esta concepção de Gênero é expressa no clássico texto: “Gênero: Uma Categoria Útil para a Análise Histórica” de Joan Scoot, 1996. Tradução SOS Corpo, Recife. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER possa criar novos símbolos e modificar os antigos, eles são um elemento básico na forma como as relações de gênero se organizam e se mantêm nas sociedades, pois neles esta representada a tradição de cada um. Gênero refere-se aos símbolos culturalmente disponíveis que evocam representações múltiplas, muitas vezes contraditórias, do masculino e feminino. O simbólico influencia o imaginário coletivo e individual que moldam o comportamento. Ex: A imagem de Maria mãe de Jesus, como modelo de mulher X Eva – causadora do pecado IDENTIDADE SUBJETIVA - As relações de gênero são os principais componentes na formação da identidade subjetiva. A identidade de gênero se constrói no processo de socialização primária (mãe/pai, família escola) e secundária (mídia, atividade/trabalho, política, lazer). A subjetividade – o que somos, pensamos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos – nos faz diferentes uns dos outros, porém as normas, valores, símbolos, o funcionamento das instituições, tudo isso também constrói e molda nossos desejos, nossos medos, nossos sonhos e nossas esperanças. Assim a subjetividade de mulheres e homens também é construída. A identidade masculina e feminina muitas vezes é estruturada a partir de estereótipos do que vem a ser mulher/homem, não correspondendo necessariamente à identidade individual, gerando preconceito e discriminação. Ex: homem sustento da família X mulher dona de casa. O contrário disso seria no mínimo estranho para os nossos modelos de masculino e feminino, ex: Mulher sustento da família X Homem dono de casa. DESIGUALDADE3 Fala-se muito da desigualdade existente entre homens e mulher, ou em outras palavras, desigualdade de gênero na sociedade. Também é dito que essa desigualdade é uma construção cultural e histórica. Quando olhamos outras gerações em séculos passados percebemos que as mulheres daquela época também eram submissas aos homens. É bem verdade que a submissão de hoje não é a mesma submissão a que foram submetidas nossas avós e bisavós. Por exemplo, antes as mulheres não podiam trabalhar fora de casa porque essa era uma função apenas masculina. Hoje as mulheres trabalham naturalmente fora de casa, mas continuam responsáveis pelas tarefas domésticas. Que tal entendermos um pouco a origem dessa desigualdade? Vamos então voltar às sociedades primitivas. A arqueologia pré-histórica fornece informações que podem ser usadas nesta análise, no que se refere aospadrões comportamentais das primeiras populações humanas. O escasso desenvolvimento técnico e instrumentos de defesa rudimentar, determinaram que as pequenas comunidades humanas tivessem que ter um grau de coesão e solidariedade essencial para sua sobrevivência. Cada um com suas especificidades e capacidades era apto para desempenhar uma função determinada para que o grupo pudesse atuar como se um só indivíduo fosse. Nessa época os grupos pré-históricos tinham um único grande desafio: SOBREVIVER. 3 MARÍN-CASTILLO, Márcia; OLIVEIRA, Suely de (Orgs). Marcadas a ferro: violência contra a mulher, uma visão multidisciplinar. ORIGEM DAS DESIGUALDADES DE GÊNERO3 RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Sobreviver significava ter alimentos para manter-se vivo e não estar vulnerável às ameaças externas. Para isso esse grupos viviam se deslocando de um lugar para o outro, buscando nichos ecológicos com melhores possibilidades de recursos alimentares, eram portanto, sociedade nômades. Esses deslocamentos muitas vezes ofereciam grandes perigos devido a ameaça vinda de espécies carnívoras de grande porte. Dada a eficiência limitada de instrumentos de defesa, como por exemplo, as lanças e os arcos, a força física era algo de grande importância, assim como a astúcia das estratégias de defesa. Devemos lembrar que a espécie humana nasce totalmente desprovida de iniciativa para contribuir para sua própria sobrevivência. Face à fragilidade da criança humana ao nascer, o grupo terá que dar um maior suporte a sua prole e ter muito cuidado para garantir a sobrevivência. Portanto, como eram as mulheres que engravidavam, ficando menos disponíveis para as atividades de defesa, coube a elas também proteger as crianças durante os primeiros anos, garantindo assim que a espécie humana sobrevivesse, enquanto aos homens coube garantir a proteção da comunidade. Neste ponto da história humana, percebe- se que para sobreviver os grupos se organizaram dividindo tarefas, no entanto, não se pode afirmar que existia valoração das tarefas, ou seja, que uma era mais valorizada que a outra. É importante perceber que quanto mais técnicas eficientes de defesa fossem desenvolvidas, maior seria a capacidade de sobrevivência do grupo. Então os grupos passaram a desenvolver cada vez mais novas técnicas de defesa, cada vez mais eficientes. No entanto, como as mulheres engravidavam com freqüência, é provável que o grupo não outorgasse maior importância à capacitação da mulher para as atividades violentas capazes de garantir a sobrevivência. Assim, os homens se especializaram na defesa do grupo e em torno dessa atividade desenvolveu-se uma diversificada inovação técnica. Desta maneira as ameaças externas ao grupo ficaram mais controladas e as defesas planejadas foram diminuindo os riscos. Enquanto isso as mulheres ficavam grávidas, cuidavam da prole, caçavam pequenos insetos e espécies de pequeno porte e coletavam alimentos da natureza como raízes, frutas e plantas comestíveis, pois, muitas vezes os homens na atividade de caça não conseguiam garantir o alimento diário, e os grupos então se alimentavam do que as mulheres conseguiam coletar. Mais tarde essa atividade desenvolvida pelas mulheres vai dar origem a agricultura. Nesta fase a VALENTIA, a CORAGEM, a FORÇA e a PERSPICÁCIA começam a ser valorizadas, pois eram os atributos que garantiam a sobrevivência. Como quem permaneceu caçando e defendendo o grupo foram os homens, estes valores passaram a ser tidos como masculinos. Outro ponto importante desta fase é o entendimento que se tinha da procriação. Os grupos não sabiam como as crianças eram geradas, portanto, os homens não tinham idéia do papel que desempenhavam na procriação. Achavam que as mulheres tinham poderes inexplicáveis que fazia com que delas nascessem um outro ser. Quando os homens descobriram que também tinham um papel na procriação, os valores se inverteram. Eles passaram a acreditar que o papel fundamental na procriação é desenvolvido por eles e não pelas mulheres, que passaram a ser tidas apenas como um hospedeiro para a semente que os homens depositariam nelas. Sociedade sedentária (a fixação dos grupos em territórios determinados) A vida sedentária cria novos valores e interesses, além da simples sobrevivência. Quando garantir a sobrevivência do grupo já não é algo que perturba a espécie humana, por já terem sido desenvolvidas técnicas seguras para isso, outro interesse surge, que é o da manutenção do poder. Sim, porque foram sendo atribuídos: poder, status e prestígio, aos valores necessários para se garantir a proteção dos grupos, como a coragem, a valentia e a força. Assim, por exemplo, o homem que conseguia matar o animal mais ameaçador ao grupo, RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER era recebido com honras e passava a ser o mais valorizado no grupo, portanto, era o que tinha mais poder. Então os grupos passaram não mais a lutar por sobrevivência e sim, por PODER. Como nesse momento da história a espécie humana já não era mais nômade e sim sedentária, o grande desafio para os grupos passa a ser a preservação do território que se conquistou, bem como a conquista de outros, não mais com o intuito de sobreviver, mas de se ter poder. A violência será, portanto, um instrumento utilizado para a preservação de territórios e bens. Neste contexto, na nova organização social homens e mulheres trabalharão, mas a mulher acumulará as responsabilidades da maternidade produtora de filhos como riqueza e as do trabalho agrícola junto com os homens. Assim como nas sociedades primitivas os homens assumiram a tarefa de garantir a preservação do grupo, com a formação de sociedades mais complexas, eles assumirão a responsabilidade da defesa do território, do alimento e da riqueza. A mulher na sociedade agrícola passará a ser subordinada às ordens do homem. Nesse processo, a inovação técnica irá formando um acervo de conhecimentos destinados aos homens, ao qual as mulheres não terão acesso. A apropriação masculina do conhecimento será solidariamente defendida por eles. Esse estereótipo de exclusão feminina do conhecimento constituirá uma estrutura conservadora, em torno da qual se organizará a maior parte das sociedades históricas. Existirá trabalho de homem e tarefas de mulher. Para elas, as tarefas de caráter agrícola ou doméstico, pela simplicidade dos procedimentos, não vão requerer maior informação técnica, e serão desqualificados. O grande problema vai ser a dificuldade de superar os estereótipos comportamentais e as formas de organização familiar estruturada sobre as desigualdades de gênero. O peso das ideologias, como a ideologia machista, será um grande aliado para a conservação dessas estruturas de desigualdade, que são geradoras de violência e de exclusão. É importante refletirmos que quando é superada a funcionalidade da divisão de papéis nos grupos primitivos que foi estabelecida única e tão somente para garantir a sobrevivência do grupo, ou em outras palavras, quando a divisão do trabalho por gênero já não responde a uma necessidade real, a ideologia masculina passa a ser dominantemente imposta para garantir a continuidade das estruturas de poder, surgindo a desigualdade entre homens e mulheres, ou melhor dizendo, a desigualdade de gênero. Vale a pena reforçarmos um ponto muito importante. Na sociedade sedentária, onde se lutava para conquistar terras, porque isso dava poder, o homem que já era considerado neste momento da história superior a mulher, precisará ter herdeiros para deixar todo o seu poder, todo o seu império conquistado. Nesta época os homens já conheciam o seu papel na procriação, portanto, para garantir que tivessem certeza de que os filhos e filhas que estavam nascendo eram deles, precisavam controlar a sexualidade da mulher. Para isso a mulher tinha que casar virgem e manter relações apenas comum homem, para que ele tivesse certeza de que o(a) filho(a) que nascesse dela era realmente dele. Com isso surge: o casamento monogâmico (casamento com apenas uma pessoa); o controle da sexualidade feminina e a valorização do nascimento de crianças do sexo masculino, isto porque os homens nesta época já tinham mais importância para a sociedade, que as mulheres. E as mulheres passaram a ser cobradas para que tivessem muitos filhos e que grande parte deles fossem homens, especialmente os primeiros. As mulheres passaram a ser propriedades dos maridos, como suas terras e seus escravos. Na condição de propriedade não vão ter os mesmos direitos que os homens, devendo a estes obediência e subserviência total. Os homens passam a ser autorizados a fazer o que for necessário para manter inabalável sua autoridade, portanto, são autorizados a corrigir suas mulheres, mesmo que para isso precisem utilizar a prática da violência. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Desta forma a violência dos homens contra as mulheres passa a ser, histórica e culturalmente, naturalizadas pelas sociedades, e, nada mais é que um elemento utilizado para se garantir a manutenção da autoridade masculina. Você entende agora a origem das desigualdades de gênero? Consegue entender também que a violência contra a mulher é um problema histórico e cultural? Que bom! Construção das características masculinas e femininas Lembrando do que acabamos de ler no texto acima, percebemos que na sociedade primitiva houve a necessidade de fazer divisão das tarefas do grupo, a fim de se garantir o que era essencial, ou seja, a sobrevivência da espécie humana. Neste momento a gravidez teve grande importância na divisão destes papéis. A mulher por ficar grávida ficava menos disponível para a tarefa de defesa do grupo e para a caça de grandes animais, portanto, foi ficando responsável em cuidar da prole e em desenvolver as tarefas de coleta de raízes, frutas e plantas comestíveis. Os homens, por estarem permanentemente disponíveis foram ficando responsáveis pela defesa do grupo e pela caça. Então, vejamos, para se cuidar da prole e coletar raízes, frutas e plantas comestíveis era necessário desenvolver características como o cuidado, a paciência, a dedicação, a atenção, a sensibilidade. Valores que as mulheres precisaram desenvolver por conta das tarefas assumida por elas nos grupos, e que por terem sido exercidas pelas mulheres foram denominados de valores femininos. Por outro lado, os homens tiveram que desenvolver valores como a coragem, a força, a valentia, em razão das tarefas por eles assumidas nas sociedades primitivas de defesa do grupo, e que por terem sido exercidas pelos homens foram denominados de valores masculinos. Isso nos faz perceber que a divisão de tarefas na sociedade primitiva veio definir os valores que hoje atribuímos a homens e mulheres. Discriminação contra a mulher4 – Enquanto o preconceito e o estereótipo estão no campo do pensamento, a discriminação é uma ação, e pode ser entendida como a distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo. Preconceito5 – é uma idéia do fenômeno, anterior ao conceito. Ora, o conceito é fruto de um processo de análise e de síntese, através do qual se disseca o fenômeno, na tentativa de compreendê-lo e dar-lhe um nome que contenha a qualidade e o grau desta compreensão. Enquanto o conceito pressupõe a utilização de um instrumental teórico que permita o entendimento do fenômeno, o pré-conceito nasce do jogo de interesses presente na vida 4 Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais.. Brasília: Funag: IPRI, 2003. 320p. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher. Art. 1°. 5 SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna. DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO E ESTEREÓTIPO RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER social, da defesa de privilégios, da correlação de forças político-sociais. É, portanto, não- científico, veiculando idéias falsas e ilegítimas. Estereótipo6 - Uma espécie de molde que pretende enquadrar a todos, independentemente das particularidades de cada um. Ex. Toda mulher é sensível, Joana é mulher, portanto, Joana é sensível. Conceito de Violência contra a Mulher7 Qualquer ato ou conduto baseada no gênero que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada. Origem da violência contra a mulher Segundo a Organização Mundial de Saúde não há um fator único que explique aporque algumas pessoas se comportam de forma violenta em relação a outras , ou porque a violência ocorre mais em algumas comunidades do que em outras. A violência é o resultado da complexa interação de fatores individuais, de relacionamento, sociais, culturais e ambientais. A violência de gênero tem sua origem na discriminação histórica contra as mulheres, ou seja, num longo processo de construção e consolidação de medidas e ações explícitas e implícitas que visam à submissão da população feminina, que tem ocorrido durante o desenvolvimento da civilização humana. Todo este processo é fortemente influenciado pela interação de pelo menos quatro planos: 1. o individual 2. o relacional 3. o comunitário 4. o social Cada um desses planos engloba o anterior, tanto para reforçar, quanto para prevenir os elementos de risco. Por exemplo: fatores históricos, biológicos, pessoais, como a impulsividade, abusos sofridos na infância ou o uso abusivo de substâncias químicas (plano individual), podem ou não favorecer a violência, dependendo da qualidade das relações familiares e de amizade: o tipo de suporte dado pela família e pela rede de relações próximas faz toda a diferença (plano relacional). Da mesma forma, a natureza dos vínculos que ligam uma pessoa ao seu entorno – vizinhos, ambiente de trabalho, amigos, grupo de igreja ou associações (plano comunitário) pode abrir ou fechar as portas para a violência. Pode ser que a violência não encontre meios de se manifestar, se a pessoa faz parte de uma rede sólida e estável e solidária. Por outro lado, ela pode ser estimulada, se a pessoa vive em ambiente muito heterogêneo, em constante mudança ou atravessado por problemas como a criminalidade, banalização da violência, machismo, desordem urbana. A mesma coisa no plano social: se as leis, as normas informais e os sistemas institucionais são negligentes e tolerantes em relação à violência, ela ganha terreno. Já em uma sociedade, cujas normas estabelecem freios nítidos à violência, as agressões deixam de ser um comportamento naturalizado. 6 SAFFIOTI, Heleieth I. B.. O poder do macho. São Paulo: Moderna 7 Ministério das Relações Exteriores. A defesa das mulheres. Instrumentos internacionais.. Brasília: Funag: IPRI, 2003. 320p. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher. Art. 1°. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Este é apenas um modelo para ajudar a compreender melhor como a violência acontece. Não deve ser tido como uma regra. É perfeitamente possível que alguém viva sob condições de risco em todos esses planos e jamais apresente comportamento violento. As drogas l íc itas ou i l íc itas, o desemprego, a situação de vulnerabi l idade social a que estão submetidas algumas famíl ias podem até ser fatores que atuem no fortalecimento da violência, masnão são os fatores que a causam. Ciclo da Violência contra a mulher Origem Alcoolismo Drogas Pobreza Desemprego TENSÃO AGRESSÃO LUA DE MEL Insultos Humilhações Intimidações Provocações mútuas Ameaças e pequenos conflitos freqüentes. Episódios agudos de violência. Figura feminina passiva. Figura masculina dominadora. Falta de cumprimento da expectativa dos papéis estereotipados. Promessas mútuas. Idealização do parceiro. Negação da vivência da violência. Esperança de mudança. Cultural Dominação do homem sobre a mulher RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 1ª Fase: FASE DE TENSÃO 8 – Esta fase emerge nas situações em que uma ou ambas as partes envolvidas em um relacionamento não ´cumprem` os papéis e funções de gênero imaginadas como ´naturais` pelo parceiro. Nesta fase podem ocorrer incidentes menores, como agressões verbais, crises de ciúmes, ameaças, destruição de objetos etc. Nesse período a mulher tenta acalmar seu agressor, mostrando-se dócil, prestativa, capaz de antecipar cada um de seus caprichos ou buscando sair do seu caminho. Ela acredita que pode fazer algo para impedir que a raiva dele se torne cada vez maior. Sente-se responsável pelos atos do marido ou companheiro e pensa que se fizer as coisas corretamente os incidentes podem terminar. Se ele explode, ela assume a culpa. Ela nega sua própria raiva e tenta se convencer de que há alguma justificativa para o nervosismo do companheiro. 2ª Fase: FASE DE AGRESSÃO 9 – Esta fase é marcada por agressões agudas, quando a tensão at inge seu ponto máximo e acontecem os ataques mais graves. A re lação se torna inadministrável e tudo se transforma em descontro le e destru ição. 3ª Fase: FASE DE RECONCILIAÇÃO OU FASE DA LUA DE MEL 10 – Terminado o período da v iolênc ia f ís ica, o agressor demonstra remorso e medo de perder a companheira. Ele pode prometer qualquer coisa, implorar por perdão, comprar presentes para a parceira e demonstrar efus ivamente sua culpa e sua paixão. Jura que jamais voltará a agir de forma vio lenta. Ele será novamente o homem por quem um dia e la se apaixonou. Na maioria das vezes, passada a fase da reconci l iação, o ciclo se repete e a vio lência volta a acontecer, mesmo depois de tantas promessas fei tas, isto porque o casal não conseguiu identi f icar o rea l problema, que é justamente a forma como as relações de gênero são estruturadas em nossa sociedade, onde existem dois pólos bem definidos: o mascul ino dominador e o feminino submisso. Para que se mantenha o equi l íbrio as mulheres devem se submeter aos homens, a inda que para isso eles precisem usar de violência. ** * Em a lgumas vezes este c ic lo pode não ocorrer , mesmo ocorrendo a v io lênc ia , mas é importante conhece- lo para a judar as mulheres a iden t i f ica- lo , quando for o caso, e a impedi r que e le se reproduza. 8 SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para profissionais e voluntários(as). Brasília, p. 2005. 9 Idem 10 Idem RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Redes de atendimento são formas de organização e articulação baseada na cooperação entre organizações que se conhecem e se reconhecem, negociam, trocam recursos e partilham em medida variável de normas e interesses. O que vem a ser o trabalho em REDE? Trabalhar em REDE significa genericamente trabalhar de forma INTEGRADA. Isso quer dizer que: o Todos os serviços afins devem conhecer-se mutuamente, portanto, é fundamental a troca de informações sobre o campo de atuação de cada serviço. A troca de informações é o que alimenta a rede; o Os serviços afins devem estar visando objetivos comuns; o A sensibilização dos profissionais para o tema trabalhado deve estar no mesmo patamar; o Um serviço deve sempre buscar complementar o outro; Por que a proposta de se trabalhar em REDE no caso específico da violência contra a mulher? o A violência contra a mulher é um problema complexo, com muitas faces – precisa ser atacado por todos os lados; o Não se pode fragmentar a mulher, ou seja, tratar isoladamente as conseqüências da violência, como se não fossem interligadas. Ex. tratar somente o trauma físico, como se este não estivesse atrelado a um problema psicológico, social, de segurança, justiça (crime); o Só uma atuação em conjunto pode de fato dar a mulher violentada ou até mesmo a sua família a perspectiva real de se ter uma vida livre da violência; o As dificuldades estruturais dos serviços existentes também apontam para o trabalho em parceria, onde um pode suprir a deficiência do outro; o A responsabilidade profissional que temos deve ultrapassar o bom atendimento que somos capazes de dar individualmente, precisamos nos comprometer com o problema como um todo, conhecendo outros serviços e fazendo encaminhamentos necessários, corretos e adequados para cada caso; bem como discutindo o assunto, aprofundando análises, refazendo conceitos, aprimorando conhecimentos. Princípios da Rede o Reconhecimento que o outro existe e é importante; o Colaboração/ associação/ cooperação/ autonomia/ compartilhamento (de valores, objetivo e poderes); o Vontade/ dinamismo/ multiliderança/ informação/ descentralização e múltiplos níveis de operacionalização. REDE DE ATENDIMENTO À MULHER RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Alguns serviços disponíveis na Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência: Centro de Atendimento à Mulher (CAM) É um serviço de acompanhamento psicológico, social e jurídico à mulher em situação de violência. O primeiro centro de atendimento à mulher do Estado foi criado em 1999 por meio do Decreto 9673/99. Além dos atendimentos acima mencionados o CAM também atua no sentido de construir espaços para debates e discussões a cerca da problemática da violência contra a mulher, buscando orientar, esclarecer dúvidas e divulgar a rede de serviços disponíveis. Principais serviços oferecidos: • Atendimento psicológico; • Atendimento social; • Atendimento jurídico; • Orientações e palestras; • Desenvolvimento de grupos de reflexão com as mulheres atendidas pelo serviço; Casa Abrigo para mulheres em risco de vida (Abrigo) O Abrigo é um serviço de caráter sigiloso que tem por objetivo garantir a integridade física e moral de mulheres que se encontram em risco de vida em razão da violência doméstica ou familiar. No Abrigo as mulheres acompanhadas de seus filhos e filhas menores podem permanecer num período máximo de três meses, neste período uma equipe composta por profissionais de diferentes áreas de formação, prestam diversos serviços, no sentido de fortalecer a mulher, resgatando sua auto-estima e dando-lhe condições para retomar sua vida com segurança e dignidade. O acesso ao Abrigo é feito pelo CAM, depois do caso ter passado pela DEAM e pela DPM. Principais serviços oferecidos: • Atendimento psicológico; • Atendimento social; • Atendimento jurídico; • Atendimento pedagógico (com os filhos e filhas das mulheres atendidas); • Encaminhamento aos serviços de saúde; • Encaminhamento da mulher ao mercado de trabalho; • Encaminhamento de filhos e filhas as escolas e centros de educação infantil; • Qualificação profissional das mulheres; http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.idelberavelar.com/Post-images/violencia-mulher.jpg&imgrefurl=http://www.idelberavelar.com/archives/2005/11/&h=240&w=340&sz=239&hl=pt-BR&start=58&tbnid=FRa4s1bYWLKgzM:&tbnh=84&tbnw=119&prev=/images%3Fq%3Dmulher%26start%3D40%26ndsp%3D20%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/arquivo/livros.gif&imgrefurl=http://lugarencantado.blogs.sapo.pt/2004/02/&h=220&w=206&sz=19&hl=pt-BR&start=10&tbnid=Nokg9lCly9iOAM:&tbnh=107&tbnw=100&prev=/images%3Fq%3Dlivros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BRhttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://midia.ondarpc.com.br/0804-GAZ-policial.jpg&imgrefurl=http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/gazetinha/%3Fmes%3D200604&h=350&w=285&sz=25&hl=pt-BR&start=1&tbnid=FEZCyidOfj4M_M:&tbnh=120&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Ddesenho%2Bde%2Bpolicial%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/carro%2520de%2520bombeiros.gif&imgrefurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/2005_06&h=238&w=350&sz=34&hl=pt-BR&start=3&tbnid=ailhec_XdM-zSM:&tbnh=82&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Dbombeiros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/balanca.JPG&imgrefurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/legislacao.html&h=135&w=168&sz=15&hl=pt-BR&start=6&tbnid=n4HebnE58x7AyM:&tbnh=80&tbnw=99&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER • Encaminhamento das mulheres a programas de assistência social e habitação do governo estadual, municipal ou mesmo federal, quando necessário; • Desenvolvimento de grupos de reflexão com as mulheres e com seus filhos e filhas. Defensoria Pública da Mulher (DPM) A defensoria pública é um instrumento previsto constitucionalmente e que garante às pessoas que não dispõe de meios para constituir advogado particular, a prestação jurídica necessária para a garantia e defesa de direitos. O projeto de DPM criado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul em 1999 foi inédito no país, sendo que a primeira unidade foi criada em Campo Grande. Principais serviços oferecidos: • Prestação da assistência judicial ou extrajudicial à mulher, praticando todos os atos necessários ao pleno exercício de direitos; • Atuação em todos os atos processuais, devendo a(o) defensora(r) ser intimada(o), para os referidos atos, na forma da lei. SOS Mulher ( 0800 67 1236) O SOS Mulher é um serviço de orientação por telefone, disponível para todo o Estado, voltado especificamente para orientações pertinentes aos direitos das mulheres, em especial no tocante a violência doméstica e familiar contra a mulher. É um serviço gratuito que foi criado no Mato Grosso do Sul em 1999 e funciona nas dependências do CAM de Campo Grande. Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) A DEAM é uma unidade especializada da Policia Civil que tem a função de polícia judiciária e a de apuração de infrações penais cometidas contra a mulher. Além dessa função constitucional a DEAM deve atuar como um dos serviços fundamentais da Rede de Atendimento à Mulher, sendo responsável também em prestar as orientações quanto aos direitos da vítima, legislações pertinentes e serviços disponíveis. A DEAM tem também uma grande importância simbólica, pois é uma conquista dos movimentos de mulheres num longo processo histórico de construção da cidadania em nosso país. É importante ressaltar que este serviço público muitas vezes representa a única alternativa para o rompimento dessa violência, especialmente quando se trata de mulheres de baixo poder aquisitivo que não dispõe de recursos disponíveis para buscar soluções alternativas ao caso, portanto, a DEAM deve ser um órgão com forte compromisso com a mudança cultural, a fim de se construir gerações mais igualitárias e justas, e assim prevenir a prática da violência doméstica e familiar contra a mulher. O papel da DEAM na rede de atendimento: • Compreensão do fenômeno da violência; • Registro do BO ou TCO; • Fazer o levantamento de todos os meios de prova disponíveis e possíveis; • Instaurar Inquérito Policial a fim de instruir processo judicial. Organismos governamentais de políticas para as mulheres São órgãos governamentais que podem ser criados na administração pública municipal, estadual ou nacional e que tem por objetivo propor, elaborar, coordenar, articular, executar políticas para as mulheres na respectiva área de competência. O Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado da federação a criar uma Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher em 1999. Esse órgão funciona no parque dos poderes dentro da Governadoria. Hoje existem diversas coordenadorias municipais no MS, inclusive no município de Campo Grande e em âmbito federal, existe a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER da República (SPM/PR). Esses órgãos, que na maioria das vezes não possuem o papel de execução, podem ser parceiros fundamentais na rede de atendimento, porque tem a sob sua responsabilidade a articulação das políticas necessárias para a construção da cidadania plena para as mulheres. Polícia Militar (PM) Órgão da Segurança Pública responsável pela polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública, é, em geral, o braço do Estado mais próximo da mulher vítima de violência. Cabe a PMMS conhecer os procedimentos relativos à problemática da violência contra a mulher, bem como as legislações pertinentes em vigor, a fim de prestar um atendimento adequado e efetivo com o intuito de evitar que a violência volte a acontecer. A PMMS regulamentou por meio da Portaria....... o Procedimento Operacionais Padrão (POP) ...... estabelecendo condutas que todos os policiais militares devem seguir no enfrentamento à violência contra a mulher. Na perspectiva do trabalho em rede a PM certamente é um dos serviços mais solicitados e que por esta razão deve estar preparada para o enfrentamento dessa violência, orientando as vítimas quanto aos serviços existentes e disponíveis. Um atendimento inadequado dado por policiais militares pode causar na vítima um sentimento de isolamento que irá vulnerabilizá-la ainda mais, podendo trazer conseqüências ainda mais graves. O papel da PM na rede de atendimento: • Compreensão do fenômeno da violência; • Prevenção da violência por meio do policiamento ostensivo; • Colaborar com os procedimentos investigatórios, preservando o local de crime de forma eficiente; • Conhecer as providências adequadas que cada caso requer a fim de dar os encaminhamentos corretos; • Cumprir a Portaria....... Bombeiro Militar (BM) Além das atribuições definidas em lei, cabe ao Corpo de Bombeiro Militar a execução de atividades de defesa civil. Segue abaixo o papel da BM na rede de atendimento: • Compreensão do fenômeno da violência; • Colaborar com os procedimentos investigatórios, preservando o local de crime de forma eficiente, até a chegada das autoridades policiais competentes; • Ter conhecimento das providências adequadas que cada caso requer a fim de serem dados os encaminhamentos corretos; • Socorrer as vítimas quando necessário e dar os primeiros socorros. Instituto Médico e Odontológico Legal (IMOL) O papel da IML na rede de atendimento: • Compreensão do fenômeno da violência; • Realização do exame médico legal; • Garantia da materialização do delito, por meio do exame de corpo de delito; Laboratório de DNA do Estado O laboratório de DNA do Estado criado em 2003 tem o papel de: • Compreensão do fenômeno da violência; • Realizar exame de DNA gratuito a fim de materializar os delitos relativos à violência sexual, tais como o estupro e o atentado violento ao pudor. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Fluxo da rede de atendimento a partir da PM Fluxo da rede de atendimento a partir da DEAM ou da delegacia de polícia Rede de atendimento a partir da BMhttp://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/balanca.JPG&imgrefurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/legislacao.html&h=135&w=168&sz=15&hl=pt-BR&start=6&tbnid=n4HebnE58x7AyM:&tbnh=80&tbnw=99&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://midia.ondarpc.com.br/0804-GAZ-policial.jpg&imgrefurl=http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/gazetinha/%3Fmes%3D200604&h=350&w=285&sz=25&hl=pt-BR&start=1&tbnid=FEZCyidOfj4M_M:&tbnh=120&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Ddesenho%2Bde%2Bpolicial%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/carro%2520de%2520bombeiros.gif&imgrefurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/2005_06&h=238&w=350&sz=34&hl=pt-BR&start=3&tbnid=ailhec_XdM-zSM:&tbnh=82&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Dbombeiros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/balanca.JPG&imgrefurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/legislacao.html&h=135&w=168&sz=15&hl=pt-BR&start=6&tbnid=n4HebnE58x7AyM:&tbnh=80&tbnw=99&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER HUMANIZADO11 Não julgue pelas aparências ! A violência contra a mulher não se caracteriza somente por aquilo que é visível e que é tipificado no Código Penal. É muito mais do que isso. O hematoma, o arranhão e a ameaça que leva a mulher a pedir ajuda são muitas vezes apenas a aponta de um iceberg. Por trás dessas manifestações aparentes pode haver: Um risco real e iminente de homicídio; Meses, anos ou décadas de abusos físicos, emocionais ou sexuais; Um medo profundo que enfraquece e paralisa a vítima; Uma longa história que envolve pequenos atos, gestos, sinais e mensagens subliminares, usados dia após dia, para manter a vítima sob controle. Por que as mulheres agüentam por tanto tempo uma relação violenta? 11 SOARES, Bárbara. Enfrentando a violência contra a mulher. Manual: Orientações práticas para profissionais e voluntários(as). Brasília, p. 2005. ATENDIMENTO HUMANIZADO11 http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/hor_simbolo3.gif&imgrefurl=http://www.detran.rn.gov.br/informacoes/legislacao/codigo/anexo2_insc_pavimento.html&h=141&w=146&sz=1&hl=pt-BR&start=5&tbnid=4kh6jnwHWey-LM:&tbnh=92&tbnw=95&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bsa%25C3%25BAde%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://midia.ondarpc.com.br/0804-GAZ-policial.jpg&imgrefurl=http://canais.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/gazetinha/%3Fmes%3D200604&h=350&w=285&sz=25&hl=pt-BR&start=1&tbnid=FEZCyidOfj4M_M:&tbnh=120&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Ddesenho%2Bde%2Bpolicial%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/carro%2520de%2520bombeiros.gif&imgrefurl=http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/2005_06&h=238&w=350&sz=34&hl=pt-BR&start=3&tbnid=ailhec_XdM-zSM:&tbnh=82&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Dbombeiros%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/balanca.JPG&imgrefurl=http://felicidademoura.vilabol.uol.com.br/legislacao.html&h=135&w=168&sz=15&hl=pt-BR&start=6&tbnid=n4HebnE58x7AyM:&tbnh=80&tbnw=99&prev=/images%3Fq%3Ds%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Algumas pessoas podem pensar: “se elas ficam tanto tempo sendo agredidas; se elas denunciam seus parceiros e depois se arrependem; se elas não se separam logo é porque devem gostar de apanhar ou porque não tem caráter, ou são doentes ou mesmo covardes”. Não é bem assim. Existem muitas razões para uma mulher não conseguir romper uma relação violenta, veja algumas razões: 1. RISCOS DE ROMPIMENTO - A violência e as ameaças contra a vida da mulher e dos filhos se tornam mais intensas no período da separação, momento em que o homem violento percebe que perdeu o controle sobre sua parceira. 2. VERGONHA E MEDO – Para uma mulher denunciar seu próprio parceiro não é a mesma coisa que apontar um ladrão desconhecido que lhe rouba a bolsa numa esquina. Muitas vezes existe afeto e cumplicidade e ainda o risco do parceiro se tornar ainda mais violento, por a mulher o ter denunciado. Há também por parte da mulher a vergonha de ter que reconhecer que seu relacionamento fracassou, acabando numa delegacia de polícia. 3. ESPERANÇA DE QUE O COMPANHEIRO MUDE O COMPORTAMENTO – Em geral o homem violento se arrepende dos seus atos, pedindo perdão, declarando seu amor a sua companheira e prometendo que irá fazer tudo que estiver a seu alcance para mudar. Como julgar a mulher que para evitar o fim da relação prefere acreditar nessas promessas? 4. ISOLAMENTO – Em muitos casos nos relacionamentos onde há violência, o homem acaba restringindo as relações da mulher, mesmo com familiares e amigos. Em geral são relacionamentos excessivamente ciumentos e possessivos, onde o agressor busca saber tudo sobre a rotina da vítima, onde foi, com quem falou ao telefone, o que disse, porque usou tal roupa, para quem olhou na rua etc. Esse comportamento gera o isolamento da vítima que dificulta a busca de ajuda. 5. NEGAÇÃO SOCIAL – Acontece quando mulheres vítimas da violência tentam pedir ajuda e se defrontam com pessoas e profissionais despreparados e desinformados sobre o problema que elas estão vivendo, gerando nas vítimas uma desesperança de encontrarem apoio seguro para resolverem seus problemas, acabando por se recolherem novamente para o seu inferno particular. 6. BARREIRAS QUE IMPEDEM O ROMPIMENTO – Ao ver que a mulher está disposta a sair da relação violenta, o agressor recorre a todo tipo de chantagem e ameaças. Essa mulher precisa de apoio e de uma rede de serviços capacitados para ajudá-la. Caso ela não encontre esse respaldo tenderá a desistir de buscar uma saída para seu problema, ficando exposta ao risco, sentindo-se ainda mais isolada. 7. DEIXAR UMA RELAÇÃO É UM LONGO PROCESSO – Quando a mulher percebe que precisa deixar a relação para poder se ver livre da violência, há um longo caminho a seguir: preparar-se afetiva e economicamente, pensar uma forma segura de romper a relação, preparar os(as) filhos(as) para o rompimento. Essas iniciativas podem levar anos, principalmente se a mulher não contar com nenhum apoio. Esse esforço envolve idas e vindas, avanços e recuos, tentativas e desistências, acertos e erros. Não se pode culpar a vítima. O maior desafio é ajudá-la a encontrar saídas possíveis e seguras. SEM SEGURANÇA E SEM O APOIO NECESSÁRIO É MUITO DIFÍCIL ESCAPAR DA VIOLÊNCIA DE ALGUÉM QUE ESTÁ TÃO PRÓXIMO! É possível antecipar sinais de violência? RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER A violência contra a mulher não acontece como em uma receita de bolo. Pois cada pessoa é completamente diferente da outra e cada história é pessoale intransferível. Porém, existem alguns sinais que ajudam a tentar identificar antecipadamente as chances de uma relação se tornar violenta. 1. COMPORTAMENTO CONTROLADOR – sob o pretexto de proteger ou oferecer segurança, passa-se a monitorar os passos da mulher e a controlar suas decisões, seus atos e relações. 2. RÁPIDO ENVOLVIMENTO AMOROSO – em pouco tempo a relação se torna tão intensa, tão insubstituível que se começa a acreditar que sem a pessoa amada não se conseguirá sobreviver, que é preferível morrer a ver a pessoa amada com outro(a). 3. EXPECTATIVAS IRREALISTAS COM RELAÇÃO À PARCEIRA – espera-se que ela preencha todas as suas necessidades, exigindo que a mulher seja perfeita como mãe, esposa, amante e amiga. 4. HIPERSENSIBILIDADE – o homem agressor se torna facilmente insultado, ferido em seus sentimentos ou enfurecido com o que considera injustiça contra si. 5. COMPORTAMENTOS CRUÉIS E EGOÍSTAS – o homem maltrata animais e crianças. Gosta de desempenhar papéis violentos na relação sexual, fantasiando estupros, desconsiderando o desejo da parceira ou exigindo disponibilidade sexual em ocasiões impróprias 6. ABUSO VERBAL – o homem tem atitudes cruéis, depreciativas, grosseira. Tentará convencer sua parceira de que sem ele, ela não conseguirá fazer qualquer coisa. 7. UM PASSADO DE VIOLÊNCIAS – quando o homem já teve relacionamentos violentos, e se refere a eles sempre na tentativa de culpabilizar as vítimas pela pratica da violência. Um atendimento de qualidade Algumas dicas para ajudar numa acolhida profissional e solidária: o Procure estabelecer uma relação de confiança com a vítima. o Procure não julgar a pessoa que você está atendendo. O julgamento é o maior obstáculo à comunicação. o Não infantilize a vítima! Ela já foi infantilizada demais pelo agressor. o Procure ouvir e compreender! Não pressuponha! Cada história é única e singular, mesmo que, para você, pareça igual a outras. o Não tente adivinhar! Escute! o CUIDADO com as informações incorretas. Nunca faça falsas promessas. o Respeite as limitações da vítima. Atenção!!! Para que o resultando não seja o oposto ao desejado, tente evitar as seguintes armadilhas... Paternalizar – querer solucionar os problemas pela vítima, ao invés de ajudá-la a encontrar suas próprias soluções. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Infantilizar – tratar a vítima como uma criança. O(a) profissional supõe que a história narrada contém inverdades ou exageros, e começa, sutilmente, a desautorizar a versão da vítima. Culpabilizar – expressa a impaciência do(a) profissional com as dificuldades alheias e sua necessidade de produzir julgamentos: ele ou ela acaba reproduzindo a atitude crítica do agressor e solapando os esforços de quem tenta se desvencilhar da situação de violência. Fazer perguntas inquisitórias é o modo mais comum e insidioso de culpar as mulheres agredidas: perguntar à vítima por que o marido a espancou, que roupas ela vestia quando foi estuprada, porque não saiu de casa imediatamente, porque não trabalha, etc. Envolver-se em excesso – o desafio é ser solidário(a) e capaz de demonstrar afetividade, sem envolver-se demasiadamente no sofrimento alheio. Quem procura ajuda espera encontrar no(a) interlocutor(a) exatamente a força e a segurança que lhe falta. É possível medir a gravidade do risco a que está submetida a mulher? O quadro a seguir contém exemplos que podem ajudar a avaliar, junto com a vítima, o nível de risco que ela está correndo. Não é um teste infalível, por isso confie também no seu bom senso e no dela. Pergunta Resposta Grau de risco 1. O agressor tem faca ou arma? Ele já usou contra você? a) Não Médio risco a) Ele tem uma velha arma, mas nunca me ameaçou com ela. Alto risco a) Ele me ameaçou com uma arma. b) Ele foi preso, uma vez, por atacar alguém. Risco extremo 2. O agressor já foi preso? Ele tem medo da polícia ou da justiça? a) Nunca foi preso. Tem medo de ser preso Médio risco a) A polícia já veio aqui uma vez, mas não fez nada. Alto risco a) Ele já foi preso outras vezes por agressão. A polícia o deixa mais agressivo. b) Uma vez ele me atacou na frente do juiz . Risco extremo 3. O agressor tenta controlar sua vida de outras formas como, por exemplo, isolando você de sua família ou de seus amigos? a) Não. Nós temos, cada um, nossa própria vida. Médio risco a) Ele sempre nota se eu chego mais tarde e é muito ciumento. b) Ele não gosta que meus amigos venham aqui. Alto risco a) Desde que nos mudamos para longe da minha família ele se tornou extremamente possessivo. b) Ele fica doente de ciúme e imagina coisas absurdas. c) Ele fica anotando a quilometragem do meu carro. Risco extremo RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 4. Ele ameaçou você, caso tentasse deixá-lo? a) Ele nunca fez ameaças. Médio risco a) Ele disse que ficaria transtornado se eu algum dia o deixasse. Alto risco a) Ele disse que eu nunca conseguiria me esconder dele, porque ele me rastrearia onde eu fosse. Eu realmente acredito que ele faça isso. Risco extremo 5. Você já tentou deixa-lo? O que aconteceu? a) Sim. Ele pareceu não ligar. Médio risco a) Sim. Eu fui pra casa da minha mãe. Ele ficou ligando e implorando por mais uma chance. b) Sim. Ele veio ao meu apartamento e rasgou algumas das minhas roupas. Alto risco a) Sim. Ele veio atrás de mim e me bateu muito. b) Sim. Ele agrediu a pessoa na casa de quem eu estava. Não sei como ele me achou. Risco extremo 6. O agressor conhece sua rotina? a) Eu só tive alguns encontros com ele. Ele não sabe onde trabalho nem onde fica a escola dos meus filhos(as). Médio risco a) Ele sabe onde trabalho. Alto risco a) Nós vivemos juntos por vários anos. Ele sabe tudo que precisa saber sobre mim. Risco extremo 7. O agressor bebe ou usa drogas? a) Ele não bebe muito. Médio risco a) Ele costuma beber, como uma desculpa para me bater. Depois diz que não sabia o que estava fazendo. Alto risco a) Ele é viciado. Ele vende tudo o que tiver pra comprar a droga. Risco extremo 8. O agressor parece suicida? (muitos suicidas não são violentos, mas agressores suicidas algumas vezes matam outros membros da família antes de se matarem). a) Ele nunca mencionou isso. Médio risco a) Ele disse que não pode viver sem mim e que ele se mata, se eu for embora. Alto risco a) Ele fala sobre suicidar-se com todos os detalhes, mas diz que não vai sozinho. Um vez ele fez roleta russa e me forçou a fazer também. Risco extremo Quando falamos de violência contra a mulher é importante estarmos atentos principalmente para alguns textos legais, como: 1. Constituição Federal – 1988 (CF/88) 2. Código Penal Brasileiro (CP) 3. Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) 4. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará) 5. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher LEGISLAÇÃO PERTINENTE RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Constituição Federal/1988 A Constituição Federal de 1988 prevê mecanismos inibidores da violência doméstica nos dispositivos citados abaixo: Código Penal Brasileiro (CPB) CRIMES Obviamente que há possibilidade de ocorrência de outros delitos não relacionados no quadro ao lado. É certo, porém, que a maioria dos casos de violência doméstica e familiar se enquadra nessa lista, com maior ênfase às lesões corporais e ameaças. Lei Maria da Penha Sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 07 de agosto de 2006, entrando em vigor no dia 22 de setembro do mesmo ano. Foram muitos anos lutando paraque a sociedade brasileira pudesse dispor desse instrumento legal de proteção à mulher em situação de violência doméstica e familiar. IMPORTANTE: esta Lei somente atinge os crimes cometidos contra a mulher no espaço doméstico ou familiar. Outros crimes que forem cometidos contra a mulher fora desses espaços serão tratados por outra legislação. Art. 226 - A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 8° O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. Art. 3° - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. 5° - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos termos seguintes: I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos dessa Constituição. Homicídio – Art. 121 Lesão Corporal – Art. 129, com atenção especial para o §9°, § 10°e §11° Seqüestro e cárcere privado – Art. 148 Atentado violento ao Pudor – Art. 214 Estupro – Art. 213 Maus tratos – Art. 136 Calúnia – Art. 138 Difamação – Art. 139 Injúria – Art. 140 Constrangimento Ilegal – Art. 146 Ameaça – Art. 147 Violação de domicílio – Art. 150 RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Para a Lei Maria da Penha o que se configura como violência doméstica e familiar contra a mulher ? Qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial no âmbito da unidade doméstica, familiar e em qualquer relação íntima de afeto, independente de orientação sexual, na qual o agente da violência conviva ou tenha convivido com a ofendida, sem necessariamente ter coabitado com a mesma. Quais são as formas dessa violência? Violênc ia Ps icológica – Entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e d iminuição da auto-est ima ou que lhe prejudique e perturbe o p leno desenvolv imento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, v igi lância constante, perseguição contumaz, insul to, chantagem r idicu lar ização, exploração e l im itação do d i re ito de ir e v ir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde ps icológica e à autodeterminação; Violênc ia f ís ica – entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; Violênc ia Sexual - entendida como qualquer conduta que a constranja a presenc iar , a manter ou a par t ic ipar de relação sexual não desejada, mediante in t im idação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercia l izar ou a ut i l izar, de qualquer modo, a sua sexual idade, que a impeça de usar qualquer método contracept ivo ou que a force ao matr imônio, a gravidez, ao aborto ou à prost i tuição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que l im ite ou anule o exercíc io de seus d ire itos sexuais e reprodut ivos; Violênc ia Patr imonia l - entendida como qualquer conduta que conf igure retenção, subtração, destruição parc ia l ou total de seus objetos , instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, va lores e d ire i tos ou recursos econômicos, inc lu indo os dest inados a sat is fazer suas necess idades; Violênc ia Moral - entendida como qualquer conduta que conf igure calúnia, d ifamação ou injúr ia. Unidade doméstica – compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas. Unidade familiar – compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa. RELAÇÕES DE GÊNERO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER O que a Lei Maria da Penha traz de novo? 1. Tipifica e define a violência doméstica e familiar contra a mulher; 2. Estabelece as formas da violência doméstica contra a mulher como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral; 3. Determina que a violência doméstica contra a mulher independe de orientação sexual; 4. Determina que a mulher somente poderá renunciar à denúncia perante o juiz e não mais perante a autoridade policial; 5. Proíbe as penas pecuniárias, como por ex. o pagamento de multas e cestas básicas. 6. Proíbe que a própria mulher faça a entrega da intimação ao agressor; 7. A mulher vítima deverá ser notificada dos atos processuais, em especial quando do ingresso e saída do agressor da prisão; 8. Em todos os atos processuais a mulher deverá estar acompanhada de advogado(a) ou defensor(a); 9. Retira a competência para julgar os crimes de violência doméstica contra a mulher dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/1995); 10. Possibilita ao juiz a decretação da prisão preventiva, a partir da alteração do CPP; 11. O juiz passa a ter poder para determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação, a partir da alteração da Lei de Execuções Penais; 12. Determina a criação de juizados específicos de violência doméstica e familiar contra a mulher com competência cível e criminal; 13. Aumenta em 1/3 a pena caso a violência doméstica e familiar seja cometida contra mulher com deficiência; 14. Prevê um capítulo específico para o atendimento da autoridade policial aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher; 15. Permite a prisão em flagrante sempre que houver qualquer das formas de violência doméstica contra a mulher; 16. O registro na delegacia de polícia é feito por meio da elaboração do Boletim de Ocorrência (BO) e não mais pelo Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO); 17. Prevê Medidas Protetivas de Urgência que podem ser requeridas pela autoridade policial competente ao juiz em 48h; O atendimento pela autoridade policial aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência deverá adotar de imediato as providências legais cabíveis, inclusive se houver descumprimento por parte do agressor de medida protetiva de urgência. Algumas providências que a autoridade policial deverá tomar, quando necessário, além do POP .....; • Proteção policial. Se isso ocorrer o Ministério Público e o Poder Judiciário deverão ser comunicados de imediato. • Encaminhamento da ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal. • Caso haja risco de vida à ofendida e a seus dependentes, devido a violência doméstica e familiar sofrida, a autoridade policial deverá encaminhá-los a abrigos ou a local seguro. • Acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar. • Informar a ofendida os direitos a ela conferidos nas legislações pertinentes e os serviços disponíveis. http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ethosbrasil.net/custom/PendDireito40ajust.jpg&imgrefurl=http://www.ethosbrasil.net/page_1155050828734.html&h=260&w=203&sz=16&hl=pt-BR&start=1&tbnid=JTWG9aOYuCu7cM:&tbnh=112&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3D%2B%2522s%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%2522%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ethosbrasil.net/custom/PendDireito40ajust.jpg&imgrefurl=http://www.ethosbrasil.net/page_1155050828734.html&h=260&w=203&sz=16&hl=pt-BR&start=1&tbnid=JTWG9aOYuCu7cM:&tbnh=112&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3D%2B%2522s%25C3%25ADmbolo%2Bda%2Bjusti%25C3%25A7a%2522%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG