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VOLUME HÍDRICO 60% do peso de um homem adulto é água. ELETRÓLITOS Extracelular: sódio, cloreto e bicarbonato; Anion Gap: Na – ( Cl + Bic) Intracelular = potássio, sulfato, proteínas e fosfato, magnésio OSMOLARIDADE SÉRICA A osmolaridade sérica representa um recipiente de água com eletrólitos, formando uma osmolaridade da solução. Nesse caso trabalhamos com a osmolaridade do sangue que depende dos eletrólitos que estão no extracelular. Osmolaridade = 2 x (Na) + glicemia/18 + ureia/6. Osmolaridade efetiva = 2 x (Na) + glicemia/18. Valor de referência: 275-285 mOsm/kg. A ureia não é utilizada no cálculo da osmolaridade efetiva por se difundir livremente pelos compartimentos. Ou seja, ela não cria um gradiente osmótico. REPOSIÇÃO VOLÊMICA · Solução cristaloide: água e eletrólitos; · Solução glicosada 5,10 e 50% · Cloreto de sódio 0,45 ; 0,9 e 3% · Ringer lactato · Plasma Lyte Balanceados: mais próximas do plasma. · Coloides = água + eletrólitos + macromolécula (aumento de absorção liquida no vaso – MANTER MAIS ÁGUA DENTRO DO VASO. · Albumina · Dextran · Plasma · Solução glicosada: solução hipotônica Quando fazer? Reposição volêmica em casos de hipernatremia sem hipovolemia, reposição energética, tratamento de hipoglicemia, nutrição parenteral total; Quando não fazer? Paciente com SIHAD, paciente hipovolêmico, paciente com hipocalemia. Dar glicose é como dar água pro paciente. Por que? A glicose é metabolizada em CO2 e água, então se eu encho meu extracelular de água, a osmolaridade vai pra baixo. Assim a água entra pra dentro da célula. No final, só sobra 83ml no intravascular. · Ringer lactato: solução balanceada. Cuidado com paciente com hipercalemia e hepatopata pois o lactado é metabolizado em BIC no fígado, e enquanto hepatopata ele não vai conseguir metabolizar. · Solução fisiológica isotônica 0,9% Paciente hipovolêmico, corrigir cloreto em alcalose metabólica, prevenção de lesão renal aguda por contraste iodado, reposição em caso de choque. Soro fisiológico: solução hipertônica, risco de acidose hipercloremica. Ag = Na – ( Cl- + BiC). Se eu aumento o cloro, precisa reduzir o bicarbonato. Nesse caso, a maior parte fica dentro do vaso, pois como é isotônico, não entra água. · Albumina Expandir o volume plasmático quando os cristaloides falham na correção; Paciente após paracentese > 5L; Paciente com PBE; NECESSIDADE VOLÊMICA E ELETROLÍTICA BASAL Volume – 30 ml/kg; Sódio – 1 a 2 meq/Kg Potássio – 0,5 – 1 meq/k Glicose – 400 Kcal ( 1 g tem 4) 1g Nacl tem 17mEq Na 1g de Na tem 44 mEq Na Kcl 19,1%, 10 ml tem 25 mEq CONTROLE DA SEDE · SEDE · ADH: O principal estímulo para a liberação do ADH é o aumento da osmolaridade sérica - Aumento da osmolaridade urinária: se há menos água na urina, há aumento de concentração urinária. - Redução da osmolaridade sérica: se há aumento do volume de água no sangue, há diluição plasmática - Quem controla o metabolismo de água corporal? A sede e a vasopressina. A vasopressina, por sua vez, aumenta a reabsorção de água nos túbulos coletores dos néfrons e concentra a urina. A função do ADH ou vasopressina. · É estimulado quando: osmolaridade sérica elevada ou volemia/PA reduzida – estimula a reabsorção de água; · Suprimido quando: osmolaridade sérica reduzidaHipovolêmica, euvolêmica e hipervolêmica. · Hiponatremia hiposmolar hipovolêmica: há perda de sódio e água, mas a perda de sódio é maior. Nesses casos a perda pode ser renal ou extrarrenal. E como saberemos disso? Dosando o sódio urinário. · Perda extrarrenal: Paciente hipovolêmico a tendencia natural é ter menos sódio na urina pq o corpo tá reabsorvendo sódio para puxar a água junto e restabelecer a volemia. Esse é o curso natural. Assim, se o rim tá funcionando ok, diante de uma hipovolemia ele vai tá com pouco sódio, o que significa, que nosso problema não é renal, é extrarrenal. - Por isso pacientes com perda volêmica extrarrenal apresentam sódio urinário 20 mEq/L. - As principais causas são: excesso de diuréticos, deficiência de mineralocorticoide, nefropatia perdedora de sal, bicarbonatúria e síndrome cerebral perdedora de sal. · Diuréticos: tiazídicos (hidroclorotiazida), causam hiponatremia geralmente após 2 semanas de uso. · Insuficiência adrenal: hipoaldosteronismo. A aldeosterona ativa os canais ENAC que reabsorvem um sódio e jogam um hidrogênio ou potássio fora. Sem a ativação deles, tenho menor reabsorção de sódio. Como a água acompanha o sódio, também tem menos reabsorção de água. Diante de uma hipovolemia, há aumento da liberação do ADH, que reabosorve água, mas não sódio. Assim, temos hiponatremia. Nesse cenário de hipoaldosteronismo, o paciente apresenta os seguintes distúrbios: hipercalemia, hiponatremia e tendência à hipotensão (associada à hiponatremia) e à acidose metabólica (pelo acúmulo de hidrogênio). · Síndrome cerebral perdedora de sal (SCPS): cérebro lesionado com HIC, quer se proteger, libera o peptidio natriurético BNP, pra jogar água e sal pra fora e diminuir a pressão cerebral. · Hiponatremia hiposmolar euvolêmica: Aumenta água sem mexer no sódio. · Redução da eliminação de água livre = osmolaridade urinária >100 mOsm/L Nesses casos temos a síndrome da antidiurese inapropriada (SIAD). Ou seja, o corpo tá liberando muito ADH, o que faz o organismo conservar água levando a hiponatremia. Medicamentos: inúmeros medicamentos podem causar o aumento da liberação ou do efeito do ADH. Os mais prevalentes são: clorpropamida, carbamazepina, oxcarbazepina, ciclofosfamida, amiodarona, opioides, MDMA (o famoso "ecstasy"), antidepressivos tricíclicos (como a amitriptilina) e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina, sertralina e escitalopram). · Aporte de água livre maior que a eliminação renal de água = osmolaridade urinária 40 mEq/L: sugere perdas renais de sódio, como insuficiência adrenal (déficit de cortisol e aldosterona), síndrome cerebral perdedora de sal e perdas por diuréticos. 5. Paciente euvolemico: · Sódio urinário 40 mEq/L e osmolaridade urinária > 100 mOsm/L, deve-se realizar pesquisa para deficiência de glicocorticoide com cortisol sérico da manhã e teste da estimulação do ACTH. O diagnóstico de exclusão é síndrome da antidiurese inapropriada ou secreção inapropriada de ADH (SIADH). Nesse caso deve-se realizar ampla pesquisa para medicações, neoplasias, pneumopatias, doenças neurológicas, infecção pelo HIV e cirurgias, que possam cursar com essa síndrome. HIPERNATREMIA Sódio sérico > 145 meq/L. A grande maioria dos casos é associada a perda hídrica considerável. · Na hipernatremia, todos os pacientes apresentam hiperosmolaridade sérica, ou seja, osmolaridade maior do que 295 mosm/L – já que temos sódio em excesso. A hipernatremia é classificada de acordo com a volemia: HIPOVOLEMICA: Perdemos mais água que sódio. Nesses casos a perda pode ser renal ou extrarrenal. · Na perda extrarrenal, teremos uma urina com osmolaridade alta. Afinal de contas, o rim, funcionando bem, tenta reabsorver o máximo de água possível, deixando a urina concentrada. sudorese excessiva, queimaduras e perdas gastrointestinais.· Na perda renal, temos uma urina com osmolaridade baixa. É o rim que tá jogando água fora, assim, a urina tá bem diluída – comportamento inapropriado do ADH, com diabetes insipidus. Diurese osmótica, a diurese pós-desobstrução do trato urinário e o uso de diuréticos de alça, como a furosemida. EUVOLEMICA Perdemos apenas água. O sódio está inalterado. · Perdas renais: Esse balanço negativo de água traduz-se principalmente em perdas renais aumentadas, ou seja, diurese excessiva – comumente conhecida como poliúria > 3L de água; Diabetes insipidus: o diabetes insipidus (DI) é caracterizado por uma redução total ou parcial da secreção do ADH. Pode ser central ou nefrogênico. · Perdas insensíveis: há aumento de perdas não mensuráveis em pacientes com estados febris, infecções respiratórias ou ventilação mecânica ou com áreas de lesões cutâneas extensas. HIPERVOLEMICA: ganha água e ganha sódio, mas ganha mais sódio. Sobrecarga de volume, geralmente devido à infusão excessiva de soluções cristaloides. Pode ocorrer também devido a erros em hemodiálise ou ingesta excessiva de sal (tentativa de suicídio). Quadro clínico: Sintomas da hipernatremia são decorrentes de desidratação cerebral. Os sintomas neurológicos são inespecíficos e incluem: alteração do nível de consciência, letargia, irritabilidade, convulsões (principalmente em crianças), contração muscular, hiperreflexia e espasticidade. Sintomas inespecíficos, como náuseas, vômitos e respiração difícil, também podem ocorrer. Por último, é importante lembrar que a grande maioria dos pacientes vai apresentar sensação de sede intensa (desde que não haja comprometimento do centro da sede!). Medicações que causam hipernatremia: Como tratar? 1. Instabilidade hemodinâmica = reposição volêmica com SF 2. Hipernatremia EXTREMAMENTE aguda – ingestão intencional e tentativas de suicídiose essa remoção for muito intensa! · estimulo a fabricação de novas células: medicações que estimulam granulócitos na neutropenia ou tratamento de algumas anemias. Quais sintomas temos? · Os sintomas associados à hipocalemia costumam ocorrer com níveis séricos de K 50% em pacientes com disfunção renal. · Dose máxima diária de 240-400 mEq/dia. · Infusão de 10 a 20 mEq/hora. · As concentrações máximas de K+ nas soluções são 80 mEq/L em veia periférica e 120 mEq/L em veia central. A monitorização dos níveis de potássio deve ser realizada a cada 2 a 6 horas em pacientes com sintomas graves ou que tenham recebido reposição agressiva parenteral. A reposição endovenosa deve ser mantida até resolução dos sintomas associadas a hipocalemia e níveis séricos superiores a 3,0 mEq/L. Caso esses objetivos tenham sido atingidos, a transição para terapia via oral deve ser realizada e a dose utilizada é a mesma para pacientes com hipocalemia leve a moderada (20-80 mEq/dia). HIPERCALEMIA A hipercalemia é definida por um nível sérico de K > 5,5 mEq/L. · Hipercalemia leve: [K+] 5,0-6,0 mEq/L. · Hipercalemia moderada: [K+] 6-6,5 mEq/L. · Hipercalemia grave: [K+] ≥ 6,5 mEq/L. Alterações eletrocardiográficas e [K+] ≥ 5,5 mEq/L. Sintomas de hipercalemia (fraqueza, paralisia flácida, palpitações ou parestesia) e [K+] ≥ 5,5 mEq/L. O que aumenta o potássio? · Pseudohipercalemia: potássio aumentado em paciente assintomático e sem alteração no ECG, sem fator de risco. Hemólise por coleta traumática da amostra, trombocitose, leucocitose, abrir e fechar a mão repetidas vezes durante a coleta. · Lise celular: Rabdomiólise: lise de célula muscular e síndrome de lise tumoral ( SLT): destruição de células tumorais. Um paciente esmagado, um paciente grande queimado. Ocorre principalmente se lesão renal associada. · Redução da função renal: - Principal causa em nosso meio. Em casos de disfunção renal aguda ou crônica, há redução da eliminação renal de potássio, menor eliminação na urina e consequente acúmulo corporal de potássio, ocasionando a hipercalemia. Quanto menor a taxa de filtração glomerular (TFG), maior o risco de hipercalemia em pacientes hipertensos com doença renal crônica - Muitas vezes o paciente não vai aparecer já com o diagnostico de DRC. Ele vai aparecer com comorbidades que levam a disfunção renal, hipertensão, diabetes, que levam a lesão renal e como consequência hipercalemia. Doença renal crônica → a hipercalemia é coincidente com redução da secreção e responsividade à aldosterona e menor fluxo distal de Na+ a água · Hipoaldosteronismo: Medicamentos: Diuréticos poupadores de K: temos duas classes diferentes desse tipo de diuréticos: os antagonistas da aldosterona (como espironolactona e eplerenona) e os bloqueadores diretos do ENaC (amilorida e triantereno). Lembre-se de que os diuréticos de alça e os tiazídicos estão associados à hipocalemia. Inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): essas medicações inibem o SRAA em diferentes pontos e culminam, de todas as formas, com redução da produção de aldosterona. Aqui, estamos falando dos inibidores da ECA, BRA e inibidores diretos da renina. Anti-inflamatórios não hormonais (AINH): uso crônico. Insuficiência adrenal: há um défice na produção hormonal, tanto de glicocorticoides quanto de mineralocorticoides. Assim, há menor produção de aldosterona e a reabsorção de sódio e a eliminação do potássio ficam impossibilitadas. Nesse cenário, o paciente apresenta os seguintes distúrbios: hipercalemia, hiponatremia e tendência à hipotensão (associada à hiponatremia). · Redistribuição: · Acidose metabólica · O excesso de H+ no meio extracelular é trocado com o K+ intracelular a fim de se manter a eletroneutralidade Há exceções? 1. Acidoses orgânicas (láctica e cetoacidose) → os ânions orgânicos são trocados por Na+ e não por K+ 2. Acidose respiratória → por mecanismos pouco esclarecidos, o efeito na calemia é discreto · Betabloqueadores: você deve lembrar que catecolaminas promovem entrada de K no meio intracelular por meio da atividade β-adrenérgica. Quando utilizamos medicações betabloqueadoras que impedem essa atividade, vamos ter maior quantidade de potássio no meio extracelular, levando à hipercalemia. É importante lembrar que o aumento do potássio é maior com os betabloqueadores não seletivos, como o propranolol e o labetalol. Os bloqueadores beta-1 seletivos, como o atenolol, causam pouco efeito no controle do potássio, já que os receptores beta-2 ficam praticamente intactos. · Succinilcolina: causam despolarização na placa motora. Essa despolarização na placa motora ocasiona o efluxo do potássio do intracelular para o intravascular, ocasionando hipercalemia. Por isso, a hipercalemia é uma contraindicação ao uso da succinilcolina. efluxo celular de K+ mediado por despolarização em condições de maior biodisponibilidade de receptores de acetilcolina (politrauma, grande queimado, imobilização, sepse, doença neuromuscular) · Intoxicação digitálica: os digitálicos atuam por meio do bloqueio da bomba na-K-ATPase, o que impede a entrada de potássio na célula; · Atividade física: o potássio é um eletrólito liberado das células durante a realização de exercícios. Por isso, treinamento físico extenuante pode levar à hipercalemia. em exercícios extenuantes, associação com betabloqueadores não seletivos ou doença renal crônica. Usualmente reversível com o descanso e seguido de leve hipocalemia rebote. Quais os sintomas? A hipercalemia pode causar fraqueza muscular ascendente, progressiva, que se inicia nas pernas e progridepara tronco e braços – pode simular quadro de paralisia flácida aguda (Guillain-Barré); em geral, não há comprometimento da musculatura respiratória. As primeiras alterações a serem observadas são onda T apiculada associada a diminuição do intervalo QT. A progressão da hipercalemia pode gerar outras alterações, como prolongamento do intervalo PR e do QRS, com desaparecimento da onda P e finalmente o alargamento do QRS no padrão de sinusoideAs alterações do ECG não se correlacionam precisamente com os níveis séricos de potássio. · Gluconato: dura de 30-60 minutos. Deve ser infundido por 30 minutos em pacientes que usam digitálicos; · Insulina: verificar a glicemia de 1/1h, pode repetir de 4/4h, efeito da insulina dura mais que da glicose, inicio em 15 minutos · Sabutamol e fenoterol: 40 a 80 gotas, mas faz menos devido aos efeitos colaterais, inicio em 30 minutos · Furosemida: início em 60 minutos – corrigir volemia, dose de acordo com a volemia do paciente. · Sorcal 2-6 horas pra fazer efeito. image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png