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FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DE TERESINA BACHAREL EM DIREITO DISCIPLINA: ORIENTAÇÃO DE TCC PROFESSORA: ADAMILTON BORGNETH MARCOS AURÉLIO DE JESUS LIMA A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ COMO AGENTE DE ACESSO À JUSTIÇA: UMA LEITURA DO ARTIGO 134 DA CONTITUIÇÂO FEDERAL DE 1988. TERESINA-PIAUÍ 2025 Capítulo 3 – A Defensoria Pública do Estado do Piauí e sua Atuação como Instrumento de Acesso à Justiça. A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, conforme previsto no artigo 134 da Constituição Federal de 1988. Sua missão é garantir assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos, atuando em todas as esferas e instâncias. Torna-se de grande importância analisar a Defensoria Pública do Estado do Piauí sob a ótica de sua evolução histórica, estrutura institucional, desafios operacionais e papel enquanto garantidora do acesso à justiça e promotora de direitos fundamentais. A assistência jurídica gratuita no Brasil tem raízes históricas que remontam ao período colonial e imperial, quando ainda não existia um sistema estruturado de defesa pública. Contudo, já havia o reconhecimento da necessidade de garantir algum tipo de defesa aos mais pobres, especialmente em causas criminais. Surge, aí, a expressão ―advogado dos pobres‖, que designava juristas ou bacharéis em direito, nomeados pelo poder público, que tinham como responsabilidade defender judicialmente as pessoas sem recursos financeiros. Essa função era exercida principalmente por profissionais designados pelos juízes ou procuradores da Coroa e, frequentemente era não remunerada, sendo tida como um serviço público de caráter moral ou caritativo. Limitava-se, na maioria das vezes, à esfera criminal, e tinha forte influência da igreja e da ideia de caridade cristã. O serviço de ―advocacia dos pobres‖ foi institucionalizado informalmente em muitas províncias, com variações locais. A atuação era eventual, dependente da vontade do juiz e da boa vontade de advogados voluntários. Não havia estrutura organizacional nem garantias de continuidade ou fiscalização da qualidade da defesa. Com a Proclamação da República e a promulgação das novas constituições, especialmente no século XX, começa a formação de instituições voltadas à assistência jurídica pública, culminando na criação das primeiras Defensorias Públicas Estaduais em meados do século XX e na sua consagração constitucional com a Constituição Federal de 1988. Mas foi apenas com a Constituição de 1988 que a Defensoria Pública ganhou status constitucional. A Constituição de 1988 reconheceu a Defensoria Pública como fundamental para a realização da justiça, assegurou sua atuação gratuita e universal aos hipossuficientes, conferiu- lhe a função de promoção dos direitos humanos, não apenas de defesa técnica processual. Além disso, determinou que a instituição atuasse em todos os graus de jurisdição e nas esferas judicial e extrajudicial. A Constituição de 1988 inseriu a Defensoria Pública no mesmo patamar institucional do Ministério Público e da Magistratura, formando o chamado tripé da justiça. Além disso, vinculou diretamente o papel da Defensoria à efetivação do acesso à justiça, previsto no artigo 5º, inciso LXXIV: "O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos." Em suma, pela primeira vez a Defensoria Pública foi reconhecida como uma instituição essencial à função jurisdicional do Estado, conforme previsto no artigo 134. O artigo 134 da CF/88 estabelece a Defensoria como instituição permanente e autônoma, com previsão de autonomia funcional, administrativa e orçamentária. O artigo 134 explicita a centralidade da Defensoria na promoção dos direitos fundamentais, atribuindo-lhe não apenas o dever de atuação judicial, mas também de promover os direitos humanos por meio de ações extrajudiciais, como mediação, conciliação e educação em direitos. Com a Emenda Constitucional nº 80/2014, ampliou-se a universalização da Defensoria em todas as unidades jurisdicionais do Brasil, o que consolidou sua autonomia administrativa e funcional, alinhando-a aos princípios da Magistratura e do Ministério Público. Com isso, consolidou-se o papel do defensor público como agente essencial à função jurisdicional do Estado, com remuneração compatível, prerrogativas e independência funcional. A EC nº 80/2014 alterou o artigo 134 da Constituição Federal e promoveu avanços significativos em direção à universalização do acesso à justiça por meio da atuação da Defensoria Pública. Ela também reiterou a autonomia funcional, administrativa e orçamentária da Defensoria Pública, reforçando sua independência frente aos demais Poderes e garantindo a legitimidade de sua atuação. Com essa Emenda, determinou-se que a União, os Estados e o Distrito Federal deveriam contar com defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais até o prazo de 8 anos a partir de sua promulgação — ou seja, até 2022. Essa diretriz tem como objetivo superar a histórica desigualdade na distribuição territorial dos serviços da Defensoria, reforçando sua atuação voltada à promoção dos direitos humanos e da cidadania. No caso do Estado do Piauí, a EC nº 80/2014 intensificou os esforços da DPE-PI em direção à instalação de núcleos de atendimento em comarcas desassistidas, muitas vezes por meio de projetos como a Defensoria Itinerante, enquanto aguarda os investimentos necessários para atingir a meta da cobertura total. No Estado do Piauí, a Defensoria Pública foi organizada pela Lei Complementar Estadual nº 59, de 15 de dezembro de 2005, que consolidou sua autonomia institucional. Tal Lei é o marco normativo que instituiu e organizou a Defensoria Pública do Estado do Piauí. Essa legislação conferiu à DPE-PI autonomia funcional, administrativa e orçamentária, estabelecendo sua estrutura básica, a carreira de defensor público e os órgãos de direção superior. Além disso, regulamentou os princípios institucionais da unidade, indivisibilidade e independência funcional no contexto estadual. Entre os destaques da LCE nº 59/2005 estão a previsão de realização de concursos públicos, a criação de núcleos especializados de atendimento, e a possibilidade de atuação extrajudicial em prol da população vulnerável. A lei também instituiu o Conselho Superior da Defensoria Pública como órgão de deliberação colegiada, fortalecendo a participação interna na gestão institucional. O Conselho Superior da Defensoria Pública é o órgão de deliberação colegiada responsável por auxiliar na formação das diretrizes administrativas e funcionais da instituição. No caso da Defensoria Pública do Estado do Piauí, ele exerce funções normativas, consultivas, disciplinares e decisórias. Entre suas atribuições estão a organização de concursos públicos para defensores, julgamento de recursos disciplinares, aprovação de remoções e promoções na carreira, e a elaboração de propostas para o aprimoramento institucional. A composição do Conselho é mista, integrando o Defensor Público-Geral, Subdefensor Público-Geral e membros eleitos entre os defensores públicos ativos. Essa estrutura fortalece a gestão democrática e participativa, além de assegurar a autonomia e a transparência da Defensoria Pública em sua atuação institucional. O Conselho, estratégica e institucionalmente, tem papel decisivo no fortalecimento da Instituição da Defensoria Pública. Isso dá-se, por exemplo, por meio de concursos públicos, expansão do atendimento para o interior do estado e estruturação de núcleos especializados. Como mostram as tabelas a seguir, o Relatório Anual da DPE-PI de 2023 aponta que foram realizados mais de 175 mil atendimentos no ano (tabela 1), distribuídos entre áreas cível, criminal, defamília, infância e juventude, consumidor, entre outras (tabela 2). Tabela 1: Tabela 2: A atuação da Defensoria Pública é regida por princípios institucionais estabelecidos na Lei Complementar nº 80/1994, como unidade, indivisibilidade e independência funcional. Na prática, isso se reflete em uma atuação técnica, estratégica e comprometida com a transformação social. No Piauí, destacam-se programas como a ―Defensoria Itinerante‖, que leva atendimento jurídico gratuito a comunidades rurais e cidades sem sede física da instituição. A Defensoria Itinerante da Defensoria Pública do Estado do Piauí (DPE/PI) é uma iniciativa que visa ampliar o acesso à justiça, levando assistência jurídica gratuita a populações em situação de vulnerabilidade, especialmente em localidades onde a instituição ainda não possui presença permanente. O principal objetivo da Defensoria Itinerante é garantir que cidadãos residentes em áreas remotas ou desassistidas tenham acesso a serviços jurídicos essenciais, promovendo a cidadania e a garantia de direitos. O projeto busca atender comunidades carentes, proporcionando serviços como reconhecimento e dissolução de união estável; regulamentação de guarda e alimentos; retificação ou suprimento de registro civil; reconhecimento voluntário de paternidade biológica ou socioafetiva; suprimento de registro de óbito; informações sobre processos criminais acompanhados pela Defensoria Pública. A iniciativa conta com parcerias importantes, como a do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), que colabora para a realização dos atendimentos itinerantes, fortalecendo a rede de apoio jurídico no estado. Há também iniciativas como o ―Mutirão da Cidadania‖ e a atuação conjunta com universidades e organizações da sociedade civil. O Mutirão da Cidadania é uma iniciativa promovida pela Defensoria Pública do Estado do Piauí (DPE/PI) com o objetivo de ampliar o acesso à justiça e garantir direitos fundamentais às populações em situação de vulnerabilidade, especialmente em áreas rurais e comunidades distantes dos centros urbanos. O Mutirão da Cidadania busca facilitar o acesso da população a serviços jurídicos essenciais, promovendo cidadania e garantindo direitos. Durante os eventos, são oferecidos atendimentos gratuitos, incluindo: retificação de registros civis de nascimento, casamento e óbito; homologação de acordos de pensão alimentícia; restauração de assento de nascimento; reconhecimento e dissolução de união estável; suprimento ou justificação de óbito; emissão da segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito. Além dos serviços jurídicos, os mutirões contam com a participação de parceiros institucionais, ampliando o leque de atendimentos à população. Por exemplo, em uma edição realizada em São Miguel do Tapuio, estiveram presentes a Receita Federal para a atualização e regularização de CPF; a Equatorial Energia realizando a emissão de segunda via de conta, consulta de débitos e cadastro na Tarifa Social; a Secretaria de Estado da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (SADA) com emissão e atualização do Cadastro de Agricultores Familiares. Em janeiro de 2025, a DPE/PI participou de um mutirão em Castelo do Piauí, onde foram realizados mais de 1.500 atendimentos em três dias. Os serviços incluíram a emissão de documentos, mamografias, atendimentos para o Cadastro Único e palestras educativas sobre direitos das mulheres e enfrentamento à violência doméstica. Essas ações reforçam o compromisso da Defensoria Pública com a promoção da cidadania e a inclusão social, levando serviços essenciais diretamente às comunidades que mais necessitam. Ações como essas mostram que a Defensoria não atua apenas na esfera individual. Seu papel coletivo e extrajudicial tem se intensificado, com a promoção de audiências públicas, ações civis coletivas, recomendações administrativas e articulação em redes interinstitucionais. Nesse contexto, sua atuação contribui para o fortalecimento das políticas públicas em áreas como saúde, habitação, educação e segurança alimentar, beneficiando populações historicamente marginalizadas, como comunidades quilombolas, indígenas e população em situação de rua. O desafio, contudo, ainda é grande. Embora a Defensoria tenha se expandido, 40% das comarcas do estado ainda não contam com a presença efetiva de defensor público. A escassez de recursos financeiros, limitações na infraestrutura física e tecnológica, bem como o número reduzido de defensores e servidores administrativos, são obstáculos que impactam diretamente a qualidade e a capilaridade do atendimento (como mostra a tabela 3). Essa escassez de defensores públicos e servidores sobrecarrega os profissionais existentes e limita a capacidade de atendimento. Atualmente, a DPE/PI está presente em apenas 31 das 63 comarcas do estado, o que representa cerca de 49% de cobertura. Essa limitação impede que muitas comunidades tenham acesso direto aos serviços da Defensoria, especialmente em áreas rurais e interioranas. A infraestrutura e os recursos humanos são limitados. Apesar de esforços para reformar e ampliar sedes, a instituição ainda enfrenta carência de estrutura física adequada em várias localidades, além da carência de prédios próprios, o que leva a instituição a funcionar, muitas vezes, em imóveis cedidos ou adaptados. A DPE-PI tem buscado parcerias com prefeituras e outros órgãos públicos para a cessão de imóveis que possam ser adaptados para abrigar suas unidades. Essa prática permite que a Defensoria amplie sua atuação sem a necessidade imediata de construir novas sedes, otimizando recursos e atendendo prontamente às demandas locais. Por exemplo, em algumas cidades, a Defensoria Pública tem firmado acordos para utilizar espaços em prédios públicos existentes, realizando as adaptações necessárias para o atendimento ao público e o trabalho dos defensores. Essas adaptações incluem a adequação de salas para atendimento individualizado, acessibilidade para pessoas com deficiência e instalações adequadas para o funcionamento administrativo. Essas iniciativas são possíveis graças a parcerias institucionais com prefeituras, câmaras municipais e outros órgãos públicos, que reconhecem a importância da presença da Defensoria Pública em seus municípios. Essas colaborações são fundamentais para a expansão da atuação da DPE-PI e para a promoção do acesso à justiça em todo o estado. Outro problema enfrentado é a falta de interiorização das políticas públicas para mulheres. Apenas 68 dos 224 municípios do Piauí possuem órgãos dedicados às políticas públicas voltadas para as mulheres. Essa ausência dificulta o encaminhamento de denúncias e a proteção efetiva das vítimas de violência doméstica, especialmente no interior do Estado. A ausência de estruturas adequadas em diversas regiões do estado limita o acesso das mulheres a serviços essenciais de proteção e apoio. Atualmente, a DPE/PI possui núcleos especializados de atendimento à mulher em apenas quatro localidades: Teresina, Parnaíba, Floriano e São Raimundo Nonato. Essa concentração de serviços na capital e em algumas cidades maiores deixa muitas mulheres do interior sem acesso direto a apoio jurídico especializado. Em casos de violência doméstica, essa lacuna pode resultar em falta de orientação adequada e dificuldades na obtenção de medidas protetivas. Além disso, a falta de integração entre os órgãos de segurança pública, justiça e assistência social compromete a eficácia das ações de proteção às mulheres. A ausência de uma rede de atendimento bem estruturada dificulta a articulação de esforços e a implementação de políticas públicas eficazes. Dados recentes indicam que, entre 2022 e 2025, o Piauí registrou um total de 182 casos de feminicídio. Somente em 2024, foram contabilizados 56 casos, representando um aumentode cidadania, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva. A especialização dos defensores públicos, aliada à atuação em diversas áreas — como Direito de Família, Criminal, Cível, Infância e Juventude, Consumidor, entre outras — garante qualidade técnica no atendimento, promovendo a ampla defesa e o contraditório. Além disso, a Defensoria promove educação em direitos, mediação de conflitos e atuação extrajudicial, muitas vezes resolvendo demandas antes mesmo de judicializá-las — o que reduz a sobrecarga do Judiciário e promove soluções mais céleres e humanas. A DPE-PI desempenha uma função social de extrema relevância, especialmente ao garantir o acesso à justiça de populações vulneráveis, como mulheres vítimas de violência, comunidades quilombolas e ribeirinhas, povos indígenas, população LGBTQIA+, pessoas em situação de rua, presidiários e pessoas com deficiência. Por meio de núcleos especializados, projetos itinerantes e programas de inclusão, a Defensoria se insere nos territórios de exclusão social e atua como ponte entre o cidadão e seus direitos fundamentais, promovendo equidade, dignidade e pertencimento. A Defensoria Pública do Piauí também cumpre relevante papel institucional. Participa de debates legislativos, formulação de políticas públicas, ações coletivas estruturantes e exerce controle social sobre a atuação de outras instituições públicas. Sua presença em conselhos de direitos e sua produção de dados e relatórios fortalece a governança democrática e o planejamento estatal com base em evidências sociais. A atuação institucional é fortalecida ainda pelo exercício da autonomia administrativa, funcional e orçamentária, conferida constitucionalmente, o que assegura sua independência no cumprimento de sua missão e impede interferências externas em sua atuação em defesa dos necessitados. A Defensoria Pública do Estado do Piauí não apenas representa juridicamente quem não pode pagar, mas representa o próprio Estado em sua dimensão mais humana e cidadã. Sua presença é condição essencial para a efetividade do acesso à justiça, e sua atuação integrada, técnica e socialmente engajada torna concreto o ideal democrático de igualdade de direitos e respeito à dignidade humana. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. CUNHA, Leonardo Carneiro da. Acesso à justiça e efetividade do processo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 2. CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. 2. ed. Porto Alegre: Fabris, 2002. 3. PIERANGELI, José Henrique. Defensoria Pública e acesso à justiça: fundamentos constitucionais e legais. São Paulo: Atlas, 2011. 4. OLIVEIRA, Gustavo Britto de. Defensoria Pública e sua função institucional: um estudo à luz dos direitos humanos. Brasília: Editora Fórum, 2018. 5. BAHIA, Alexandre Morais da Rosa. Constitucionalismo democrático e Defensoria Pública. Belo Horizonte: D’Plácido, 2015. 6. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 7. BRASIL. Emenda Constitucional nº 80, de 4 de junho de 2014. Altera o artigo 134 da Constituição Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 jun. 2014. 8. BRASIL. Lei Complementar nº 80, de 12 de janeiro de 1994. Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve normas gerais para sua organização nos Estados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jan. 1994. 9. PIAUÍ. Lei Complementar Estadual nº 59, de 15 de dezembro de 2005. Dispõe sobre a organização da Defensoria Pública do Estado do Piauí. Diário Oficial do Estado, Teresina, PI, 15 dez. 2005. 10. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ. Relatório Anual de Atividades – 2023. Teresina: DPE-PI, 2024. Disponível em: https://www.defensoria.pi.def.br. Acesso em: 3 jun. 2025. 11. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ. Projeto Defensoria Itinerante. Disponível em: https://www.defensoria.pi.def.br/defensoria-itinerante. Acesso em: 3 jun. 2025. 12. CONSELHO NACIONAL DAS DEFENSORAS E DEFENSORES PÚBLICOS- GERAIS – CONDEGE. Participação da DPE-PI na CEDAW em Genebra. Disponível em: https://www.condege.org.br. Acesso em: 3 jun. 2025. 13. ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS – OEA. Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos), 1969. Disponível em: https://www.oas.org. Acesso em: 3 jun. 2025. 14. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO TOCANTINS. Projeto SOLAR – Sistema de Otimização Legal e Atendimento Referencial. Disponível em: https://www.defensoria.to.def.br. Acesso em: 3 jun. 2025.de cidadania, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva. A especialização dos defensores públicos, aliada à atuação em diversas áreas — como Direito de Família, Criminal, Cível, Infância e Juventude, Consumidor, entre outras — garante qualidade técnica no atendimento, promovendo a ampla defesa e o contraditório. Além disso, a Defensoria promove educação em direitos, mediação de conflitos e atuação extrajudicial, muitas vezes resolvendo demandas antes mesmo de judicializá-las — o que reduz a sobrecarga do Judiciário e promove soluções mais céleres e humanas. A DPE-PI desempenha uma função social de extrema relevância, especialmente ao garantir o acesso à justiça de populações vulneráveis, como mulheres vítimas de violência, comunidades quilombolas e ribeirinhas, povos indígenas, população LGBTQIA+, pessoas em situação de rua, presidiários e pessoas com deficiência. Por meio de núcleos especializados, projetos itinerantes e programas de inclusão, a Defensoria se insere nos territórios de exclusão social e atua como ponte entre o cidadão e seus direitos fundamentais, promovendo equidade, dignidade e pertencimento. A Defensoria Pública do Piauí também cumpre relevante papel institucional. Participa de debates legislativos, formulação de políticas públicas, ações coletivas estruturantes e exerce controle social sobre a atuação de outras instituições públicas. Sua presença em conselhos de direitos e sua produção de dados e relatórios fortalece a governança democrática e o planejamento estatal com base em evidências sociais. A atuação institucional é fortalecida ainda pelo exercício da autonomia administrativa, funcional e orçamentária, conferida constitucionalmente, o que assegura sua independência no cumprimento de sua missão e impede interferências externas em sua atuação em defesa dos necessitados. A Defensoria Pública do Estado do Piauí não apenas representa juridicamente quem não pode pagar, mas representa o próprio Estado em sua dimensão mais humana e cidadã. Sua presença é condição essencial para a efetividade do acesso à justiça, e sua atuação integrada, técnica e socialmente engajada torna concreto o ideal democrático de igualdade de direitos e respeito à dignidade humana. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. CUNHA, Leonardo Carneiro da. Acesso à justiça e efetividade do processo. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 2. CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. 2. ed. Porto Alegre: Fabris, 2002. 3. PIERANGELI, José Henrique. Defensoria Pública e acesso à justiça: fundamentos constitucionais e legais. São Paulo: Atlas, 2011. 4. OLIVEIRA, Gustavo Britto de. Defensoria Pública e sua função institucional: um estudo à luz dos direitos humanos. Brasília: Editora Fórum, 2018. 5. BAHIA, Alexandre Morais da Rosa. Constitucionalismo democrático e Defensoria Pública. Belo Horizonte: D’Plácido, 2015. 6. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 7. BRASIL. Emenda Constitucional nº 80, de 4 de junho de 2014. Altera o artigo 134 da Constituição Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 jun. 2014. 8. BRASIL. Lei Complementar nº 80, de 12 de janeiro de 1994. Organiza a Defensoria Pública da União, do Distrito Federal e dos Territórios e prescreve normas gerais para sua organização nos Estados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 jan. 1994. 9. PIAUÍ. Lei Complementar Estadual nº 59, de 15 de dezembro de 2005. Dispõe sobre a organização da Defensoria Pública do Estado do Piauí. Diário Oficial do Estado, Teresina, PI, 15 dez. 2005. 10. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ. Relatório Anual de Atividades – 2023. Teresina: DPE-PI, 2024. Disponível em: https://www.defensoria.pi.def.br. Acesso em: 3 jun. 2025. 11. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ. Projeto Defensoria Itinerante. Disponível em: https://www.defensoria.pi.def.br/defensoria-itinerante. Acesso em: 3 jun. 2025. 12. CONSELHO NACIONAL DAS DEFENSORAS E DEFENSORES PÚBLICOS- GERAIS – CONDEGE. Participação da DPE-PI na CEDAW em Genebra. Disponível em: https://www.condege.org.br. Acesso em: 3 jun. 2025. 13. ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS – OEA. Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos), 1969. Disponível em: https://www.oas.org. Acesso em: 3 jun. 2025. 14. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO TOCANTINS. Projeto SOLAR – Sistema de Otimização Legal e Atendimento Referencial. Disponível em: https://www.defensoria.to.def.br. Acesso em: 3 jun. 2025.