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OBJETIVOS Descrever e contextualizar CAPÍTULO os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e po- líticos da emergência da Re- pública no Brasil. 1 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA Comparar as eleições na Pri- E SEUS DESDOBRAMENTOS meira República às de hoje. Compreender as característi- cas da primeira Constituição da República (1891). Observe a cena com atenção. Analisar e discutir as lutas alegoria é um modo de expressão ou interpretação que consiste em representar da população negra no pós- pensamentos, ideias, qualidades sob forma figurada. Na obra ao lado, a imagem da mulher -Abolição, reconhecendo a representa a República. sua importância na forma- 1. Como esta mulher-república ção do Brasil. COLEÇÃO PARTICULAR está vestida? Relacionar as conquistas de 2. 0 que ela tem nas mãos? direitos políticos, sociais e ci- 3. 0 que está sob os pés dela? vis à atuação de movimentos sociais. 4. 0 que essa representação sugere a você? Os objetivos deste capí- 5. Que outro título você daria tulo visam colaborar para a a essa obra? compreensão do nascimen- to da República no Brasil e A mulher está vestida e calçada à moda romana e na cabeça tem barrete frígio os seus desdobramentos, dos revolucionários franceses de 1789. Com contribuindo para desen- a mão direita, ela ergue uma palma que volvimento das competên- simboliza a vitória e, com a esquerda, segura um escudo em que está escrito lema dos cias e habilidades propostas. conjurados presente na bandeira de Minas Gerais. A mulher-república está sobre uma biga com asas, que parece viajar no céu, BNCC expressando 0 triunfo da República sobre a Monarquia. A obra foi feita dez anos após a Competências gerais: 1, Proclamação da República. 2, 3, 4, 7, 9 e 10. Competências específi- cas: 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Habilidades: EF09HI01, EF09HI02, EF09HI03 e EF09HI04. Alegoria da República, de Frederico Antônio Steckel, 1898. 10 ENCAMINHAMENTO Imagens em movimento Aprofundar o assunto acessando o artigo: FREDERICO Steckel: pintor-decorador Vídeo do Memorial Minas Gerais Vale so- do Império e da República. Disponível em: bre a obra Alegoria da República (1898), de Acesso em: 21 jun. 2022. Frederico Antônio Steckel. Professor, fazer uma rápida retomada do significado da Revolução Fran- ALEGORIA da República. 2020. Vídeo cesa, como a derrocada do Antigo Regime e sua influência na Inconfidência (3m42s). Publicado pelo canal Memorial Mineira, enquanto marco das lutas republicanas no Brasil, para garantir que Minas Gerais Vale. Disponível em: https:// todos os alunos compreendam os símbolos que compõem a alegoria. A aná- www.youtube.com/watch?v=sGyJ8fevNkM. lise da alegoria contribui com o desenvolvimento da competência geral 3. Acesso em: 26 maio 2022. 10ENCAMINHAMENTO Retomar em linhas gerais a Cabanagem e a Farroupilha. processo que conduziu Organizar a sala em dois gru- à República pos, cada um responsável por discutir a partir de ele- mentos que carreguem na Na segunda metade do século um processo histórico impor- República: forma memória uma dessas revol- tante foi que conduziu à implantação da República no Brasil. de governo em que Presidente é eleito tas. Ao final, representantes A ideia de República não era nova no país; antes e depois pelos cidadãos, ou de cada grupo apresentam da Independência, território brasileiro foi palco de várias rebe- seus representantes, para a sala o resultado das liões republicanas, a exemplo da Cabanagem (1835-1840), no e governa por tempo discussões. Caso necessário, limitado. Na república, Grão-Pará, e da Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul e dirigente representa fazer apontamentos e com- em Santa Catarina. Mas a Monarquia conseguiu reprimir esses conjunto da população plementar eventuais lacunas e é 0 responsável movimentos, em parte, devido aos recursos obtidos com as expor- nas apresentações. pela "coisa pública" tações de café. (res pública). Ressaltar que durante as dis- No Segundo Reinado, os dois principais partidos, o Liberal e Monarquia: forma cussões em grupo abre-se a Conservador, controlavam poder enquanto a imensa maioria de governo em que, possibilidade de desenvol- geralmente, 0 rei recebe da população continuava excluída do direito à cidadania. Com ver a competência geral 9, cargo como herança objetivo de ampliar seu espaço na política, um grupo formado por e governa por toda a já que o respeito mútuo e o fazendeiros e por profissionais liberais (advogados, médicos, pro- vida. Na monarquia, exercício do diálogo são pres- soberano é tido como fessores, engenheiros, jornalistas) lançou, em 1870, o Manifesto supostos dessa atividade. alguém que sabe Republicano, que defendia federalismo e a república. que é melhor para seus súditos e, por vezes, Manifesto afirmava: "Somos da América e queremos ser america- a legitimidade de seu Dicas de leitura nos"; ou seja, somos favoráveis a que Brasil adote a república, poder deriva de uma Neste livro, a autora analisa assim como os demais países da América. Esse manifesto inspirou divindade. os processos de passagem da surgimento de diversos jornais, clubes e partidos republicanos. Federalismo: autonomia para as províncias Monarquia para a República Três anos depois de seu lançamento, foi fundado em Itu, interior ou estados fazerem no Brasil. paulista, Partido Republicano Paulista (PRP). suas próprias leis, elegerem seus próprios COSTA, Emilia Viotti da. Da representantes e, Monarquia à República: mo- principalmente, disporem mentos decisivos. São Paulo: MUSEU REPUBLICANO SÃO PAULO de recursos para a sua própria manutenção. Editora Unesp, 2007. EDITORA UNESP A Convenção de Itu, Monarquia de Jonas de Barros, 1921. Nessa reunião foi fundado 0 Partido Republicano Paulista (PRP), em 1873. Dos 133 fundadores do PRP, 78 eram grandes cafeicultores. 11 Artigo sobre as políticas e os interesses do Partido Republi- cano Paulista (PRP) no fim do Dica de leitura século XIX. Neste livro, o historiador Celso EDITORA ZAHAR SALLES, Iraci Galvão. A ordem Castro trata dos acontecimentos como condição da civilização: que antecederam a Proclamação da Partido Republicano República e de seus protagonistas. Paulista (1870-1889). Revista CASTRO, Celso. A proclamação da de História, [s. n. 118, p. República. Rio de Janeiro: Jorge 13-27, 1985. Disponível em: Zahar Editor, 2000. (Descobrindo o https://www.revistas.usp.br/ Brasil). Acesso em: 26 maio 2022. 11ENCAMINHAMENTO Ressaltar que a separação en- tre Igreja e Estado, ou seja, a criação de um Estado laico, é movimento republicano daquela época estava dividido em uma proposta republicana. DICA! três grupos; um deles era liderado pelo jornalista Quintino Bocaiuva, A ideia de que o Estado não que propunha chegar à República por via eleitoral (por meio da Matéria sobre 0 toma partido em questões re- caricaturista que eleição de um grande número de deputados republicanos). Outro ligiosas é um fundamento da retratou 0 Brasil dos grupo, liderado pelo advogado Antônio da Silva Jardim, defendia a séculos XIX e liberdade de credos sob a Re- passagem para a República por meio de um movimento popular. E ANGELO Agostini. 2014. pública. À luz desse princípio, Vídeo (10min46s). um terceiro grupo, formado em torno do major Benjamin Constant, a chamada Questão religiosa Publicado pelo canal TV importante líder militar, defendia a instalação de uma república ganha seus devidos contor- Senado. Disponível em: https://youtu.be/pmi- com um governo forte. nos históricos. Acesso em: Durante o processo que conduziu à República no Brasil, duas 28 maio 2022. questões colocaram o imperador D. Pedro em conflito com a Igreja Imagens em movimento e o Exército. Elas contribuíram para acelerar a queda do Império. Entrevista com a professora Miriam Dolhnikoff, da Universi- A Questão religiosa dade de São Paulo, especialista Com a Constituição de 1824, o Império passou a controlar a em História do Brasil Império. No programa, a historiadora Bula papal: carta Igreja por meio do beneplácito e do padroado. beneplácito era fala sobre eleições e instituições expedida pelo papa direito que o imperador tinha de aprovar ou não as bulas do papa contendo orientações políticas no período imperial. em terras brasileiras. Ou seja, uma orientação do papa entraria em aos católicos. vigor no Brasil se tivesse a concordância do imperador. padroado HISTÓRIA: Representação era o direito que o imperador tinha de nomear Eleitoral no Império Miriam os bispos. Estes, além de serem nomeados, eram Dolhnikoff. 2014. Vídeo (26m01s). Publicado pelo ca- watch?v=XcAuiBkm8SU ACERVO FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO também remunerados pelo governo, como qual- nal UNIVESP. Disponível em: quer outro funcionário público. Em 1864, o papa Pio IX proibiu os católi- COS de fazerem parte da maçonaria. D. Pedro II, Acesso em: 27 maio 2022. porém, não deu seu beneplácito à bula papal, pois ele mantinha relações estreitas com a TEXTO DE APOIO maçonaria. Seu pai, D. Pedro I, havia ocupado o posto máximo dessa organização. Já o bispo de A Questão Religiosa Olinda, D. Vital de Oliveira, e bispo de Belém Não é possível entender a do Pará, D. Antônio de Macedo Costa, optaram Questão Religiosa sem antes ob- por obedecer ao papa e exigiram que as irman- servar a formação intelectual de dades religiosas expulsassem seus membros Dom Vital, a qual se desenvolveu maçons. fundamentalmente na França. Naquele país, bispo pernambu- cano estabeleceu profundos con- Fac-símile da capa da Revista Illustrada, 1876. tatos com o ultramontanismo e Nessa caricatura da época, feita por Angelo com o pensamento tradicional Agostini, 0 bispo D. Vital é mostrado tentando do catolicismo francês, que esta- impedir um padre de realizar 0 casamento. va se reerguendo do choque pro- vocado pela Revolução Francesa 12 e, em consequência, lutava para separar as ideias que não esta- vam associadas com a Tradição da Igreja Católica. [...] [...] a inércia, a rotina e profundo conformismo marca- Ultramontanismo: termo designa Retornando ao Brasil e nome- vam a Igreja no Império. processo rotineiro eclesial era um importante papel ao Sumo Pontífice, ado bispo da diocese de Olinda, amarrado por uma estrutura que mal funcionava, e pade- na direção da fé e do comportamento do Dom Vital encontrou cenário cia de vícios que seriam até mais graves que a burocracia homem. termo era utilizado quando nada diferente daquele que ti- estatal da época. Essa grande fragilidade da infraestrutura elegia-se um papa não italiano ("além nha observado em solo francês: imperial proporcionava grande dificuldade de comunica- dos montes"). nome ultramontano maçonaria atuante e a Igreja sob ção, ocasionando isolamento das paróquias e destas com era utilizado pelos franceses, que pre- os mandos do governo central os seus bispados. Junto a tais problemas, cabia ao regime tendiam manter uma igreja separada do com tendências liberais, onde confessional depender da burocracia oficial do Estado [...]. poder de Roma e aplicavam termo aos os membros eclesiásticos eram MEDEIROS, Rodrigo Dantas de; GILENO, Carlos Henrique. Dom Vital: a questão religiosa, funcionários públicos do Estado. partidários daqueles que queriam man- a crise político-social na província pernambucana e suas consequências durante [...] ter a centralidade da Igreja no Papa. Segundo Reinado. Revista Idealogando, Recife, V. 2, n. 2, p. 88-109, 2018. 12ENCAMINHAMENTO Destacar que o Exército, em detrimento da Marinha, ga- Reagindo a isso e com base na Constituição brasileira, D. Pedro abriu uma ação nhou muito prestígio e po- contra os bispos, que foram julgados e condenados a quatro anos de prisão. Um ano der político após a vitória na depois, D. Pedro entrou em acordo com papa e suspendeu a punição dada aos bispos, Guerra do Paraguai. que já tinham cumprido um ano de prisão. Mas os republicanos aproveitaram-se da Questão religiosa para acusar imperador de se intrometer em assuntos da Igreja e de não dar liberdade religiosa aos brasileiros. TEXTO DE APOIO Esse fato contribuiu para enfraquecer a Monarquia. Nos anos 1880, movimento republicano ganhou força; centenas de clubes e dezenas A Questão militar de jornais republicanos foram fundados por todo o país; os comícios de Silva Jardim atraíam Foi com espírito "científico" um número cada vez maior de pessoas. Foi quando a Questão militar acelerou ainda e republicano que a "mocidade mais processo que conduziu à República. militar" participou ativamente da "Questão Militar", nome dado a uma série de conflitos entre militares e governo iniciados A Questão militar em agosto de 1886 e que se pro- Questão militar é o nome dado a uma série de atritos entre longaram até maio de 1887. [...] Mocidade militar: Exército e o governo do Império. principal razão desses conflitos jovens estudantes Pela primeira vez na história de escolas militares, brasileira, grupos de militares foi a punição do tenente-coronel Sena Madureira e do coronel não necessariamente haviam afirmado publicamente Cunha Matos. Esses oficiais foram punidos por denunciar casos de graduados, que e com força a existência de uma corrupção pela imprensa e por se manifestar publicamente a favor valorizavam 0 estudo das "classe militar", opondo-se a ciências exatas. da Abolição. marechal Deodoro da Fonseca se negou a punir atos do governo. A Questão Mi- Sena Madureira e, por isso, foi demitido do cargo de litar, no entanto, não mobilizou toda a instituição, nem mesmo comandante de armas e presidente da província do Rio ACERVO ARQUIVO RIO JANEIRO sua maioria. Nas manifestações Grande do Sul. Deodoro e Sena Madureira decidiram, que ocorreram não houve par- então, viajar para Rio de Janeiro, onde foram recebidos ticipação da Marinha, nem da festivamente por outros oficiais. Entre eles estava major maioria dos oficiais superiores Benjamin Constant, líder da mocidade militar. para não falarmos de oficiais- -generais. Além disso, as princi- No dia 9 de novembro de 1889, major Constant pais adesões ficaram restritas à discursou no Clube Militar, pedindo poderes para mudar guarnição do Rio Grande do Sul. a situação dos militares, e recebeu total apoio da moci- No entanto, os militares que dade militar ali presente. participaram da Questão, cons- cientemente ou não, consegui- ram vinculá-la a um ressenti- mento contra os civis em geral e os políticos em particular, ma- Benjamin Constant era um professor de Matemática respeitado e muito querido pelos alunos da Escola Militar. major era também nipulando elementos simbóli- abolicionista e convenceu Deodoro a seguir seus passos. Em extremamente importantes 1887, 0 Clube Militar comunicava à nação: Exército não para os militares, como "honra" perseguirá mais escravos fugidos!". Fotografia de 1889. e "brios". Como resultado, even- tos que podiam ter sido tratados como simples casos de indisci- plina e insubmissão ao poder ci- vil transformaram-se em episó- dios de defesa da "classe militar" 13 contra que percebiam ser uma humilhação e afronta do gover- no ao que possuíam de mais caro. Com isso, se efetivamente Imagens em movimento apenas uma parte do Exército se Animação sobre a vida de Benjamin Constant e mobilizou, muitos oficiais leais as reformas no sistema de ensino brasileiro que ele ao governo passaram a ver com elaborou fundamentado no princípio positivista. simpatia, embora à distância, o desenrolar dos acontecimentos. BENJAMIN Constant. 2015. Vídeo (7min43s). CASTRO, Celso. A proclamação da Publicado pelo canal UNIVESP. Disponível em: República. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. https://www.youtube.com/watch?v=YiOcPFdofi0. 28, 31-32. Acesso em: 27 maio 2022. 13ENCAMINHAMENTO Dialogando. a) Comentar que, a) A pintura retrata mulheres de diferentes idades confeccionando e bordando a bandeira da República brasileira. com a Proclamação da Repú- b) Essa pintura, como afirmou historiador José Murilo de Carvalho, uma exaltação tanto à bandeira e à pá- blica, o país passou a ter uma tria quanto ao papel moral da mulher na educação dos filhos e no culto nova bandeira, que, por suges- PARA SABER MAIS dos valores morais da família e da pátria" (CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: imaginário da República no Brasil. São tão dos positivistas, adotou o Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 119). lema "Ordem e Positivismo c) As crianças ocupam posições de destaque na pintura: uma delas é mostrada ao b) Comentar que os artistas centro da tela abraçando a bandeira republicana; outra, bebê ainda, brinca com uma positivismo é um conjunto de ideias sistematizado pelo francês Auguste Comte. positivistas representaram a No Brasil, major Benjamin Constant foi um grande divulgador dessas ideias entre República como mulher; re- jovens oficiais. das estrelas que serão costuradas na bandeira. As crianças sugerem a ideia de nas- parar que a única figura mas- cimento da República. culina que aparece na tela é positivismo é uma que manifesta uma crença radical na ciência e na um idoso, pintando no canto razão. Segundo essa teoria, a história das sociedades humanas é regida por leis direito da tela. imutáveis, científicas ou positivas, sendo a evolução a principal delas. A descoberta dessas leis, por meio de métodos científicos, possibilitaria a compreensão e a solução e) Ressaltar que em cada ríodo da nossa história, Tira- de problemas sociais. Apesar das diferenças entre os positivistas, todos eles eram dentes foi visto de uma ma- contrários à escravidão e favoráveis à república, pois este seria um regime mais neira diferente, variando de "científico" do que a monarquia. Proclamar a República era, então, uma forma de acordo com os interesses e as acelerar progresso do país. necessidades dos governantes. No Brasil, positivistas defendiam: a implantação de uma ditadura republicana; a ideia de que progresso depende da ordem; a crença de que somente militares poderiam salvar país das mãos corruptas dos civis. Imagens em movimento Enfim, defendiam a necessidade de uma república com um governo forte, cujo lema vídeo trata da influência fosse "Ordem e Progresso". d) A bandeira é um elemento decisivo na tela. Ela é mostrada como objeto de do ideal positivista na história amor e devoção: é abraçada e, ao mesmo tempo, cobre e protege seus "filhos". ÓLEO SOBRE 278 MUSEU DA RIO DE JANEIRO do país e como isso repercutiu durante o período da Belle Dialogando Époque do Rio de Janeiro. a 0 que esta [EDUCAÇÃO] Positivismo pintura retrata? Rio de Janeiro da Belle b Quem ou Époque. 2014. Vídeo que a pintura (9min35s). Publicado pelo homenageia? canal Laboratório História Como as crianças da Ciência. Disponível em: são mostradas na pintura? 0 que isso sugere? Acesso em: 27 maio 2022. d Como a bandeira é mostrada na cena? +ATIVIDADES e Há um retrato pátria, de Pedro Bruno, 1919. Note que a bandeira republicana, elemento de Tiradentes Para o aprofundamento da central do quadro, é mostrada como objeto de amor e devoção: ela é na parede; compreensão a respeito do abraçada, ela protege, ela abriga seus filhos. Auguste Comte, 0 idealizador que isso pode do positivismo, acreditava que só a ordem poderia conduzir ao progresso. significar? positivismo, é possível orien- e) Nos últimos anos de sua vida, Tiradentes foi considerado pior dos criminosos. Durante 67 anos de Império, tar os alunos a realizarem uma ele foi totalmente esquecido, pois Brasil era uma Monarquia e Tiradentes tinha lutado pela República. Com a pesquisa sobre a penetração 14 Proclamação da República, em 1889, os novos donos do poder precisavam de um herói; alguém que tivesse sido crítico à Monarquia e, ao mesmo tempo, ligado ao processo de independência. Tiradentes foi 0 escolhido. das ideias positivistas no Bra- sil. Para encaminhar traba- lho, explicar as duas grandes TEXTO DE APOIO de um determinante histórico, sempre interro- correntes do positivismo bra- gado pelos estudiosos do período. [...] sileiro, os heterodoxos re- Positivismo no século XIX A influência mais marcante, contudo, do ideá- presentados por intelectu- A relação entre ideário positivista e meio rio positivista, dar-se-ia por seu potencial como ais, militares como Benjamin militar ganhou repercussão sobretudo pela ferramenta teórica de combate à ordem monár- Constant, Luis Pereira Barreto presença de seus pressupostos na propaganda quica, ao apresentar um ideal de sociedade mo- e outros e os ortodoxos, que republicana, e pelo protagonismo da intelectua- derna que descartava aquele tipo de regime polí- são ligados à Igreja Positivista lidade militar no golpe que pôs fim ao Império. tico. Mais do que isso, considerava-o um entrave a papel destacado de Benjamin Constant, como ser superado no rumo inevitável para progresso do Brasil. liderança da Escola Militar, e como um dos mais que chegaria com a evolução da humanidade. [...] coerentes e assumidos positivistas do século ALVES, Claudia. Positivismo no século XIX. XIX brasileiro, confere a essa associação o peso Revista Enfil, ano 1, n. 2, p. 1-13, set. 2013. 10. 14TEXTO DE APOIO Crise da monarquia [...] Império realizou a inde- A Proclamação da República pendência política do Brasil com Com a Lei Áurea, em 1888, a insatisfação com relação à metrópole portuguesa, a Monarquia aumentou; muitos fazendeiros do Vale do Paraíba e do Nordeste sentiram-se traídos Oeste Paulista, por sua vez, tinham ingressado no Partido Republicano Paulista. As camadas médias OLEO SOBRE 230 120 CM. MUSEU DE ARTE DA SALVADOR mas pouco fez para superar modelo econômico e social que aqui se implantara nos tempos por terem sido obrigados a libertar seus escravos coloniais. sem receber nada em troca. Os fazendeiros do Esse modelo e a visão de mun- do que sustentava começaram a sofrer abalos a partir da déca- da de 1870 e, sobretudo, na dé- pleiteavam maior participação política. Os militares, cada de 1880. republicanismo depois de punidos pelo governo de D. Pedro II, e a República implantada em aproximaram-se dos ideais republicanos. Nesse 1889, em grande parte, seriam clima de grande insatisfação, o marechal Deodoro frutos da crise da Monarquia e do sistema escravista. As elites da Fonseca encontrou-se com um líder republicano, econômicas que se tornaram re- Quintino Bocaiuva, e, juntos, combinaram a derru- publicanas [...] não criticavam a bada da Monarquia. Em 15 de novembro de 1889, o Monarquia porque queriam mu- golpe foi dado: Deodoro da Fonseca e seus soldados República, de Manoel Lopes dar as hierarquias sociais, de- Rodrigues, 1896. Nesse quadro, depuseram D. Pedro II, pondo fim à Monarquia e mocratizar a política ou acabar a República está representada como com a escravidão, mas porque dando início à República no Brasil. uma mulher com os louros da vitória. se sentiam pouco representa- das pelo imperador e viam no regime monárquico um dinos- RAL DO BRASIL sauro político que já não servia Governo Deodoro da Fonseca foram militares e governaram entre 1889 PRACHAYA mais aos seus interesses. Ao lado das oligarquias que passa- ram a apoiar a República contra Os dois primeiros presidentes do Brasil a Monarquia, havia outro grupo, dos militares [...]. Depois da sangrenta Guerra do Paraguai e 1894, por isso esse período é conhecido (1864-1870), o Exército brasileiro como República da Espada. o primeiro deu-se conta de sua importân- presidente militar do Brasil foi marechal cia para a defesa nacional e, ao Deodoro da Fonseca, que é lembrado mesmo tempo, de sua fragilida- Detalhe de cédula de 1986 que traz a imagem de militar. Exército era uma pela reforma financeira e pela aprovação de Rui Barbosa, baseada na pintura de Lucílio instituição historicamente des- da primeira Constituição da República. Albuquerque, de 1916. A crise da reforma prezada pela elite monarquis- financeira de Rui Barbosa foi apelidada por ta brasileira, que se orgulhava seus adversários de encilhamento. Duramente de ter evitado o surgimento do A reforma e a crise financeira criticado, Rui Barbosa deixou cargo. "caudilhismo militar" no Brasil, Com objetivo de expandir crédito ao contrário das vizinhas repú- Encilhar: colocar arreios no cavalo, preparando-o para a blicas sul-americanas vitimadas para conceder empréstimos àqueles que corrida. No jóquei, os guichês de apostas ficavam ao lado do por guerras civis intermináveis desejassem abrir uma empresa, então local onde os cavalos eram encilhados. E a barulheira que se entre facções lideradas por che- ministro da Fazenda, Rui Barbosa, auto- ouvia nesse local era idêntica à que acontecia na Bolsa de fes político-militares locais, os rizou quatro bancos a emitirem dinheiro. Valores. Por isso, a crise foi apelidada de "encilhamento". "caudilhos". Efetivamente, não havia uma tradição caudilhesca 15 no Exército brasileiro, mas seus oficiais mais jovens sentiam que Império, com seu sistema de privilégios na atribuição de car- ENCAMINHAMENTO gos e patentes e sua defesa da escravidão, era um obstáculo à Ressaltar que a insatisfação por parte dos fazendeiros não veio com a Lei Áurea de 1888, mas constituição de uma burocracia muito antes. A abolição foi um longo processo que se iniciou com a proibição do tráfico de armada moderna e eficiente que os beneficiaria. escravizados, com a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários. Portanto, desde 1850 ela se anunciava. Daí observarmos tantos fazendeiros no movimento, desde seu início. Por outro NAPOLITANO, Marcos. História do Brasil República: da queda da Monarquia ao lado, a aposta federalista tinha claramente um caráter fiscal. Os recursos advindos das rique- fim do Estado Novo. São Paulo: Contexto, zas produzidas nas províncias permaneceriam nelas, ou seja, os exportadores teriam recursos 2016. p. 9-10. mais descentralizados em suas mãos para subsidiarem seus empreendimentos, como fretes, transporte, crédito etc. Isso também explica a adesão dos fazendeiros ao projeto republicano. 15ENCAMINHAMENTO Contextualizar a ideia de especulação fornecendo um exemplo contemporâ- Especulação: prática que Essa reforma financeira, porém, não teve sucesso espe- consiste em criar uma neo dessa prática: em 2021, rado; muitos usavam o dinheiro emprestado para fundar empresas procura ou oferta artificial uma operação especulativa de um bem ou mercadoria, fantasmas (que só existiam no papel). Em seguida, mandavam foi realizada com as ações visando obter lucro com imprimir ações dessas falsas empresas e vendiam-nas na Bolsa de de uma loja de videogames. comportamento futuro do mercado. Valores. Passando de mão em mão, as ações subiam de preço e Usuários de um fórum na enriqueciam os que praticavam a especulação. internet combinaram uma No entanto, quando os acionistas percebiam que tinham investido em empresas fan- compra coordenada dessas tasmas, corriam para vender suas ações e aí descobriam que que tinham nas mãos era ações para elevar artificial- um "maço de papel" sem nenhum valor. Resultado: os preços das ações despencaram, mente o preço dos papéis da os pequenos investidores perderam seu dinheiro para os especuladores e muitas firmas loja. Por envolver um famo- antigas faliram. aumento do dinheiro em circulação sem um crescimento proporcional da so fórum on-line e uma loja produção de mercadorias provocou também uma alta generalizada dos preços (inflação). de games, esse fenômeno foi bastante discutido nas comunidades gamers de re- PARA SABER MAIS des sociais, possivelmente chegando ao conhecimento TEXTO de alguns alunos. Professor, a historiografia mais recente não concorda DRSERG/SHUTTERSTOCK.COM que é Bolsa de Valores? Quando alguém quer comprar ou vender ações de que o "encilhamento" tenha uma empresa, entre outros investimentos, precisa à sido feito como meio de in- bolsa de valores. [...] dustrializar o país. Rui Barbo- A bolsa é a instituição que organiza mercado de sa sempre foi um defensor da ações. Quando uma empresa quer levantar dinheiro "vocação agrária" brasileira. vendendo ações, elas são disponibilizadas aos investi- Claro que os efeitos não con- dores por meio da bolsa de valores. mesmo vale para trolados da emissão de moeda Interior da Bolsa de Valores de quando investidores têm interesse em comprar ações sem lastro acabaram por fo- Moscou (Rússia), janeiro de 2018. de alguma empresa. mentar a criação de pequenas fábricas no período, mas não TREVIZAN, Karina. que é a bolsa de valores e para que ela serve? G1, [s. 25 jul. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/ em: 16 jun. 2022. era essa a intenção de seus formuladores. TEXTO 2 que é uma ação? Imagens em movimento [...] De forma resumida, ela constitui um "pedaço" da empresa, que é colocada à vídeo apresenta uma li- venda por meio de um processo de abertura de capital [...]. nha do tempo da história da As empresas optam por abrir capital para, por meio da venda de papéis, arrecadar Bolsa de Valores no Brasil. valores para investirem em suas estratégias, com novos produtos, comprando outras empresas, realizando melhorias nas soluções que já existem, entre outras atividades. CONHEÇA a história da bolsa. 2015. Vídeo (1m47s). Publica- SILVA, Mônica Wanderley da. Bolsa de valores: qual é a diferença entre ações ordinárias e prioritárias? E-Investidor, São Paulo, 24 jun. 2021. Disponível em: do pelo canal Disponível mercado/bolsa-de-valores-qual-e-a-diferenca-entre-acoes-ordinarias-e-prioritarias.Acesso em: 4 mar. 2022. em: https://www.youtube. com/watch?v=OSRmV3Xcjes 16 Acesso em: 16 abr. 2022. TEXTO DE APOIO Desde os últimos dias do Império, constatava-se que meio circulante quantidade de moeda em circulação no país era encilhamento incompatível com as novas realidades do trabalho assalariado e do ingresso em massa de imigrantes. primeiro ano da República foi marcado por uma febre de negó- cios e de especulação financeira conhecida como Encilhamento. Ao assumir o Ministério da Fazenda do governo provisório, Rui Não se sabe com certeza por que essa expressão foi consagrada. Barbosa baixou vários decretos com o objetivo de aumentar a A explicação mais plausível é a de que se tomou um dos sentidos oferta de moeda e facilitar a criação de sociedades anônimas. A da palavra "encilhamento" local onde são dados os últimos re- medida mais importante foi a que deu a alguns bancos a faculda- toques nos cavalos de corrida antes de disputarem os páreos. Por de de emitir moeda. [...] analogia, teria sido aplicada à disputa entre as ações das empre- FAUSTO, Boris. História do Brasil. sas na Bolsa do Rio de Janeiro, trazendo em si a ideia de jogatina. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1995. p. 252. 16ENCAMINHAMENTO Analisar a relação entre a par- ticipação popular durante o A primeira Constituição da República processo que levou à Procla- A primeira Constituição republicana foi aprovada por uma mação da República e após a instalação do novo regime Assembleia Constituinte, em 24 de fevereiro de 1891. Conheça político. suas principais características: Refletir, com base na Cons- a) Federalismo: princípio segundo qual os estados (antigas pro- Dialogando tituição de 1891, sobre as víncias) passaram a ter grande autonomia; cada estado podia mudanças e permanências Compare, quanto contrair empréstimos no exterior; ter forças militares próprias; institucionais atinentes ao ao voto, esta criar e cobrar impostos; eleger governador; fazer leis etc. Constituição advento da República. b) Brasil tornava-se República federativa presidencialista com três republicana, de Discutir a restrição do direito poderes: Executivo liderado pelo presidente da República, 1891, à do Império, ao voto vinculando esse de- outorgada em 1824. bate à construção da cidada- por um período de quatro anos; Legislativo exercido pelo Na Constituição do Império, nia na República. Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados voto era censitário, isto é, com Aprofundar o assunto com a e pelo Senado; Judiciário exercido por juízes, parte deles base na renda; nessa Constituição, voto passou a ser universal leitura do texto: FILHO, João nomeada pelo presidente da República e tinha como órgão masculino; a maioria (analfabetos, Cardoso Palma. A Repúbli- máximo o Supremo Tribunal Federal. mulheres, soldados, entre outros) ca e educação no Brasil: continuou excluída do direito à c) A Igreja católica foi separada do Estado e os brasileiros pas- cidadania. Primeira República (1889- saram a ter liberdade de culto. Além disso, criou-se registro 1930). 3. ed. São Paulo: Santa civil para nascimento, casamento e óbito. Clara Editora, 2005. (Cader- nos de formação, p. 49-60). d) Direito ao voto para maiores de 21 anos, brasileiros e alfabe- tizados. Já os soldados ou membros do clero regular, como Professor, a Constituição de 1891 não proibia o voto femi- monges e frades, mesmo brasileiros e maiores de 21 anos, não nino. Tinham direito a voto podiam votar. Na época, 75% da população era analfabeta. cidadãos brasileiros maiores No Brasil, a primeira eleição para presidente foi indireta. Eleição indireta: eleição realizada de 21 anos e alfabetizados. Deodoro da Fonseca foi eleito com uma vantagem de apenas 32 por representantes Décadas depois, as mulheres votos sobre adversário, Prudente de Morais; já vice-presidente dos eleitores, e não tentaram se candidatar com eleito, Floriano Peixoto, era da chapa da oposição e venceu seu diretamente por eles. base nessa imprecisão do texto. adversário, Saldanha Explicar que como Floriano, Marinho, por uma REVISTA DOM QUIXOTE na condição de vice, teve diferença de 96 votos. mais voto que Deodoro, as relações entre eles, que já não eram boas, ficaram ain- A charge de 1891 mostra da piores. os deputados constituintes que elegeram Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto para a ção do direito de voto seguiu presidência e a vice- entendimento já praticado du- -presidência da República, rante Império: só seriam con- respectivamente. As figuras siderados eleitores os brasileiros femininas representam os adultos, do sexo masculino, que estados da República. soubessem ler e escrever. Além do voto das mulheres, estava 17 proibido voto dos mendigos, dos soldados, praças e sargen- tos, e dos integrantes de or- dens religiosas que impunham TEXTO DE APOIO agora transformadas em estados, maior au- renúncia à liberdade individual. tonomia e controle fiscal, e jogava por terra a A Constituição de 1891 crença no centralismo monárquico como agen- Contudo, certas características A Constituição de 1891 definiu as bases ins- te de coesão nacional. vindas de longa data persistiam e foram até aprimoradas. Uma titucionais do novo regime presidencialismo, A agenda republicana substituiu Poder Mo- delas era o perfil oligárquico federalismo e sistema bicameral e implemen- derador a chave da organização política do da nação: novas leis eleitorais tou uma série de mudanças, para bem marcar Império pelo princípio da divisão e do equi- mantiveram número reduzido a ruptura. A Igreja separou-se do Estado, e in- líbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e de eleitores e cidadãos elegíveis troduziu-se registro civil de nascimentos, ca- Judiciário, garantiu a liberdade religiosa, extin- para os cargos públicos. samentos e mortes. A proposta federalista, por guiu a vitaliciedade do Senado e aprovou su- SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa sua vez, organizava novo regime em bases frágio universal, em lugar do sistema censitário Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: descentralizadas, dando às antigas províncias, até então vigente. debate em torno da restri- Companhia das Letras, 2015. p. 319-320. 17ENCAMINHAMENTO Explicar aos estudantes que o desenho institucional da República, que extinguiu o Eleito, Deodoro da Fonseca formou um ministério com pessoas de diferentes ten- poder Moderador um ins- dências republicanas: o Ministério da Guerra foi entregue ao major Benjamin Constant e tituto que garantia a autori- o Ministério da Fazenda, ao intelectual baiano Rui Barbosa. dade máxima do Imperador No poder, Deodoro teve de enfrentar dificuldades: vice era da oposição e muitos não conduziu a um gover- parlamentares responsabilizavam pelo "encilhamento". Esses parlamentares aprovaram no menos autoritário. um projeto que limitava seu poder como presidente da República. Deodoro reagiu de modo autoritário mandando fechar o Congresso (novembro de 1891). Diante disso, militares da Marinha ameaçaram bombardear Rio de Janeiro caso Dica de leitura Deodoro não renunciasse; esse episódio é conhecido como Primeira Revolta da Armada. livro reúne artigos de pro- Pressionado, Deodoro da Fonseca renunciou e a presidência foi ocupada por seu vice. fessores de diversas partes do país sobre a História do Brasil, sendo esse volume sobre o Governo Floriano Peixoto ríodo que tem início na Procla- Floriano Peixoto reabriu mação da República até o con- Getúlio Vargas em 1930. ART AMY/FOTOARENA o Congresso e formou os texto da tomada de poder por ministérios com seus aliados. Durante sua gestão, reduziu FERREIRA, Jorge; DELGADO, aluguéis e tabelou o preço Lucilia de Almeida Neves. de alguns alimentos, como tempo do liberalismo ex- carne, feijão, pão e batata. cludente: da Proclamação com essas medidas, Floriano da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civiliza- Peixoto conquistou grande ção Brasileira, 2006. Brasil popularidade. republicano, V. 1). Mas os seus adver- Marechal Floriano Peixoto e a Revolta da Armada, em arte sários, entre os quais esta- de Angelo Agostini para jornal Don Quixote, 1895. vam vários generais do EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA Exército, iniciaram uma campanha exigindo sua renúncia. Floriano Peixoto reagiu aposen- tando os generais. Os militares da Marinha, por sua vez, também se levantaram contra o governo e, desta vez, chegaram a bombardear BRAS o Rio de Janeiro com tiros de canhão, para exigir a renúncia do presidente; o episódio ficou conhecido como Segunda Revolta da Armada (1893). Florianismo: forte Floriano Peixoto, porém, conseguiu dinheiro junto aos cafei- adesão popular ao cultores paulistas, comprou navios no exterior e, com o apoio governo de Floriano dos soldados do Exército, venceu a revolta liderada pela Marinha. Peixoto e a relação de TEXTO DE APOIO absoluta fidelidade a ele Para defender presidente Floriano, "Marechal de Ferro", por parte da população formaram-se batalhões populares em um movimento conhecido presidente marechal pobre das cidades. como florianismo. deodorismo constitucional duraria pouco, de fevereiro a no- 18 vembro de 1891. As constantes desavenças entre a autoridade militar do Executivo e as posturas civilistas da maioria dos congres- prognosticara Machado de Assis: a liberdade exis- vam sustentação ao governo quando, no início de sistas evoluíram para impasse tente era ainda a do trono, e presidencialismo novembro, ocorreu a dissolução Congresso e a de- político e a perda de legitimidade estava se tornando imperial. A crise derradeira se cretação do estado de sítio. [...] da governança. [...] No decorrer daria quando presidente chama para ministé- dos oito meses de regime consti- A reação imediata das facções políticas não rio [...], barão de Lucena. Os republicanos históri- deu mais de vinte dias de sobrevida política ao tucional, marechal se sobrepôs indignaram-se, os republicanos paulistas, que marechal Deodoro da Fonseca, marcando assim ao presidente, com frequentes haviam perdido a eleição com Prudente de Mo- discussões e deposições de minis- um fim melancólico para deodorismo e para a rais, presidente do Congresso, não achavam um imagem do proclamador. tros e apelos para medidas admi- militar adequado para governar os civis. A própria nistrativas não condizentes com imprensa se via constantemente ameaçada em FLORES, Elio Chaves. A consolidação da República: rebeliões de ordem e progresso. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de a República imaginada pouco sua liberdade de divulgar fatos e notícias sobre as Almeida Neves (org.). o tempo do liberalismo excludente: da tempo antes. A República estava autoridades e atos do governo. Apenas alguns Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: mesmo sendo conduzida como grupos isolados, entre civis e militares, ainda da- Civilização Brasileira, 2011. Brasil republicano, V. 1, p. 56-58). 18TEXTO DE APOIO consolidador da República A Revolução Federalista Em fevereiro de 1892, tem iní- Enquanto isso, no Rio Grande do Sul explodia uma guerra civil motivada pela disputa cio, no Rio Grande do Sul, a Re- entre o Partido Republicano Rio-Grandense, liderado pelo positivista Júlio de Castilhos, volução Federalista, guerra civil, entre republicanos e federalistas e Partido Federalista, liderado por Gaspar de Silveira Martins. Os seguidores de Júlio (ex-liberais e ex-conservadores), de Castilhos tinham o apelido de pica-paus e recebiam o apoio de Floriano Peixoto. resultante da radicalização das Já os seus adversários tinham apelido de maragatos e eram apoiados pelos membros lutas pelo poder no estado. Seu da Marinha que faziam oposição a Floriano. início é marcado pela insurgên- cia dos federalistas, ou maraga- Essa guerra civil atingiu os estados de Santa Catarina e Paraná, Castilhismo: filosofia tos, contra a retomada do poder causou a morte de milhares de pessoas e só terminou em 1895, política positivista no estado por Júlio de Castilhos. que guiava 0 Partido com vitória dos pica-paus; com essa vitória, castilhismo con- Nela ocupam lugar fundamental Republicano solidou-se como uma corrente política que influenciou a história do Rio-Grandense (PRR), os coronéis, apoiados pelas suas Rio Grande do Sul por décadas. que tinha como milícias privadas. movimen- principal liderança to, que se prolonga até agosto Quando Floriano Peixoto deixou presidência, seus opositores Júlio de Castilhos. de 1895, abrange a ocupação tinham sido vencidos e um modelo autoritário e excludente de de Santa Catarina e do Paraná República se impunha ao país. e assume contornos separa- tistas. Em setembro de 1893, contra-almirante Custódio José de Melo, pretenso candidato à ZIG KOCH/NATUREZA BRASILEIRA sucessão presidencial, inicia a Revolta da Armada, buscando Canhão usado como aliança com os federalistas em armamento durante a represália ao apoio de Floriano Revolução Peixoto aos republicanos do sul. Centro histórico da A Revolução Federalista e a Re- cidade de Lapa (PR), volta da Armada, movimentos 2021. de alguma forma vinculados a ex-monarquistas que se consi- deram excluídos do poder pelos republicanos, enfrentam forte resistência de Floriano Peixoto. Leia o que um historiador comentou sobre final do governo Nesse empenho, ele conta com Floriano Peixoto. apoio militar e financeiro do go- [...] Floriano enfrentou com vigor as revoltas que ameaçavam verno de São Paulo, com apoio Dialogando a estabilidade do regime, como a Revolta Federalista no Sul e a da bancada paulista no Congres- so e com Exército coeso. Mes- Revolta Armada [...]. Por trás do seu poder estava apoio político Qual significado mo na divergência, São Paulo da oligarquia paulista, ciente de que a sobrevivência do novo de "Condomínio mantém a estratégia política de de Fazendeiros" regime era a garantia do seu poder na política nacional. apoiar Floriano. Entre outros gru- no texto citado? No final do seu governo, Floriano passou poder sem pos políticos, sociais e milita- res cresce, progressivamente, maiores sustos para Prudente de Morais, líder republicano pau- apoio a Floriano. Ao término de lista e expressão dos valores [...] oligárquicos [...]. A "República seu governo, a imagem construí- da Espada" se transformava no "Condomínio de Fazendeiros" da a partir de sua atuação contra as ameaças de um retorno à Mo- NAPOLITANO, Marcos. História do Brasil República: da queda da Monarquia ao fim do Estado Novo. São Paulo: Contexto, 2016. 26. narquia e de desmembramento As oligarquias, especialmente a paulista, eram formadas, em sua maioria, por grandes fazendeiros. territorial do país é a de consoli- Quando chegaram ao poder, transformaram a "República da Espada" em um "Condomínio de Fazendeiros", 19 dador da República. isto é, passaram do predomínio dos militares para das oligarquias. RESENDE, Maria Efigênia Lage de. processo político na Primeira República e liberalismo oligárquico. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (org.). o tempo do ENCAMINHAMENTO liberalismo excludente: da Proclamação da República à Revolução de 1930. 5. ed. Ressaltar que a atuação de Floriano Peixoto na repressão da Revolta da Armada rendeu a ele a Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. renomeação da cidade de Desterro, do estado de Santa Catarina, que a partir de 1894 passou a ser Brasil republicano, V. 1, 109-110). chamada Florianópolis. Conhecer o motivo da mudança de nome da cidade ajuda a compreender a historicidade no espaço, conforme a competência específica 2. Aprofundar assunto com a leitura do livro: VILLALBA, Epaminondas. A revolução federalista no Rio Grande do Sul. 3. ed. Rio de Janeiro: Laemmert & C. Editores, 1897. 19ENCAMINHAMENTO Estimular a reflexão sobre a condição dos libertos no meio rural. Os negros no pós-Abolição Destacar que a permanência dos libertos no meio rural foi A luta pela Abolição foi grande e contou com a resistência dos próprios escravizados acompanhada de negocia- e do movimento abolicionista. Esse processo foi concluído em 13 de maio de 1888, com ção, envolvendo, por exem- a aprovação da Lei Áurea, que declarou extinta a escravidão no Brasil. Essa lei foi come- plo, como, quando e onde morada em todo país com missas campais, comícios e festas. A Abolição, no entanto, não desejavam trabalhar. previu nenhum processo de proteção social aos libertos que, em sua grande maioria, não tinham tido acesso ao sistema educacional. a) Rejeitaram a condição a que estavam submetidos duran- TEXTO DE APOIO te a escravidão e exigiram receber uma remuneração pelo A passagem do tempo entre PARA REFLETIR NÃO ESCREVA trabalho executado. NO LIVRO Brasil escravo e liberto foi de total desorganização nas gran- Os libertos no meio rural des propriedades rurais, expres- sivamente concentradas na re- Passada a festa, ex-escravizados procuraram distanciar-se do passado de escra- gião Sudeste. A desorganização vidão negando-se a se comportar como os antigos cativos. Em diversos engenhos do com relação ao controle do tra- Nordeste, negaram-se [...] a trabalhar sem remuneração. Muitos ex-escravizados per- balho e a ausência de garantias maneceram nas localidades em que haviam nascido. [...] Mas decidir ficar não significou do Império e da nascente Repú- blica geraram grande indefini- concordar em se submeter às mesmas condições de trabalho do regime anterior. [...] ção com relação ao futuro dos Grande parte dessa indisposição para ex-cativos. Aliás, durante todo negociar estava relacionada aos desejos dos século XIX a grande questão foi -escravo, presente em todas as COLEÇÃO DO PROJETO MONUMENTA ex-escravizados de terem acesso à terra e de que fazer com negro após não serem mais tratados como cativos. Na a ruptura da polaridade senhor- região açucareira do Recôncavo, os libertos dimensões da reivindicaram a diminuição das horas de [...] Em relato colhido pelo trabalho e dos dias que deveriam dedicar à Laboratório de História Oral e grande lavoura de cana. Exigiram também Imagem da Universidade Fede- direito de continuar a ocupar as antigas ral Fluminense (LABHOI/UFF), roças e dispor livremente do produto de a matriarca de São José, Mãe Escravizados recém-libertos em Zeferina, falecida em 2003, re- suas plantações. Nos dias imediatos ao 13 Porto Alegre (RS), 1900. velava: de maio, ocuparam terras [...] de engenhos Quando chegou tempo... abandonados e iniciaram cultivo de mandioca e a criação de animais. Isso mostra dia 13 de maio, o dia da liber- sua percepção de que a condição de liberdade só seria possível se pudessem garantir tação, senhor bateu sino e a própria subsistência e definir quando, como e onde deveriam trabalhar. desceu gente deles... mandou FRAGA, Walter; ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de. Uma história da cultura afro-brasileira. São Paulo: Moderna, 2009. p. 79-80. um empregado, capataz. Capa- taz, naquele tempo, era capa- a) Segundo texto, qual foi a atitude dos libertos no imediato pós-Abolição? taz. Bateu sino e o capataz foi b) No campo, muitos libertos negociaram suas condições para permanecer nas fazendas onde lá na roça e os negros subiram viviam. Quais eram suas demandas nessas fazendas? todos pra fazenda. Chegaram c) Escreva uma frase ou período relacionando liberdade, sobrevivência e trabalho. na fazenda e ficaram todos no c) Resposta pessoal. terreiro lá esperando e ele saiu lá na janela: "De hoje em diante, b) As demandas incluíam definir tempo de trabalho, a quantidade de dias que iriam se dedicar à lavoura vocês são senhor do seu nariz, 20 de açúcar e direito de continuar ocupando as roças de onde extraíam sua subsistência. Além disso, os recém-libertos ocuparam terras abandonadas, onde cultivavam mandioca e criavam animais. cada um vai fazer pra si, eu não tenho mais conta com vocês não"... a liberdade. Mas ainda teve um bocado de bobo que um pega seu talhão de café", aí trabalharam aí mesmo... chorou, chorou porque não sa- papai, mamãe, vovô... vovó. bia como é que ia comer, como A mobilidade espacial aventada com a Abolição resul- EDITORA DA UFF é que ia viver. Só conhecia ali na tou numa acirrada concorrência entre os fazendeiros fazenda, aí pegaram, choraram: pela mão de obra livre, não sendo incomum a exploração "Como é que a gente vai fazer dos laços comunitários dos recém-libertos convencidos a sem senhor ajudar nós?" Eles permanecer nas terras onde viviam suas famílias havia DA não sabiam que eles é que es- pelo menos três décadas. tavam ajudando senhor. "Nós não temos modo de viver." Aí FARIA, Ana Maria Reis de. Quilombos & quilombolas hoje: sobre a reconstrução de conceitos para ofício da História. In. ABREU, Martha; PEREIRA, Matheus foi indo e ele falou: "Vocês vão Serva (org.). Caminhos da liberdade: histórias da Abolição e do pós-Abolição trabalhar pra mim mesmo, cada no Brasil. Niterói: PPG História UFF, 2011. 498-499. 20TEXTO DE APOIO associativismo negro no Rio de Janeiro (1888-1930) Nas cidades, os ex-escravizados trabalhavam arru- Segregação socioespacial: mando casas, cozinhando, lavando, passando, limpando segundo Lana Cavalcanti e [...] A Associação dos Homens Manoel Araujo, é um processo de Cor (A.H.C.) é mais uma agre- ruas, transportando cargas, vendendo alimentos, flores, que fragmenta as classes miação, de nítida conotação jornais, entre outros. sociais em espaços distintos racial, desconhecida da histo- da cidade. Nesse sentido, Com baixos salários, tinham de morar em casa de cômodos, cotidiano das pessoas que riografia brasileira. Reunindo (e cortiços e nas periferias de cidades, como São Paulo, e em habitam esses lugares é marcado cruzando) fontes jornalísticas favelas situadas nos morros de cidades como Rio de Janeiro. por insegurança, violência, diversas sobre ela, foi possível moradias precárias, falta de costurar algumas informações Portanto, ocorreu também uma segregação socioespacial. infraestrutura e de acesso aos fragmentadas. A A.H.C. costu- serviços básicos e ao lazer. a) Nas cidades, os libertos faziam serviços hoje chamados mava organizar festas, excur- Dialogando de subempregos, que à época não envolviam contrato de trabalho, como serviços domésticos, sões, atividades educacionais, limpeza de ruas, transporte de cargas, venda de jornais, entre outros. palestras, conferências, home- Caracterize trabalho feito pelos libertos nas cidades no pós-Abolição. nagens, celebrações de missa e b Pesquise se esses espaços continuam a ser habitados por grande número de negros. b) Resposta pessoal. atos públicos. Além disso, come- morava as datas cívicas 7 de Pesquise se na capital do estado onde você habita ocorre segregação socioespacial. Setembro (dia da Independência c) Resposta pessoal. do Brasil) e 15 de Novembro (dia Associativismo negro da proclamação da República) e, principalmente, aquelas ati- Além de lutarem por emprego, moradia e salário, os libertos tinham de enfrentar o nentes à história do negro - 28 racismo e a violência policial, que inibia de circular livremente pelas ruas ou praticar de Setembro (dia da aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871) e suas religiões. 13 de Maio (dia da promulgação Nesse contexto, muitos libertos buscaram compensar trabalhos, geralmente cansativos da Lei Áurea, em 1888). "Depois e mal remunerados, reunindo-se em associações, como clubes sociais, associações beneficentes de divulgava Paiz, e recreativas. Essas iniciativas são chamadas pelos estudiosos de associativismo negro. "grande solenidade em come- Na época, salões de baile e clubes, por exemplo, não permitiam a entrada de negros. moração à libertação dos escra- vos, promovida pela Associação Eles, então, encontravam-se em salões alugados para bailes, onde exibiam suas danças, ele- dos Homens de Cor". Haveria gância de gestos e modos que deviam ser convenientes socialmente. Esses espaços de lazer cerimônia cívica, discursos, ho- atraíam e uniam a comunidade negra, e contribuíam para que se percebessem como negros menagens aos líderes abolicio- numa sociedade que criava barreiras à nistas e, para desfecho, um baile sua inserção e ascensão. aos associados e convidados. A Em São Paulo, os primeiros clubes Mas, no Rio de Janeiro, as associações ACERVO PARTICULAR DE ALCIONE FLORES DO AMARAL agremiação, contudo, destacou- -se pela expectativa de partici- para negros surgiram por volta de 1915. pação na vida política nacional. [...] Conforme relatou a Gazeta beneficentes negras datam do final do de Notícias de 23 de novembro de século assim como no Rio Grande 1926: Sr. Presidente da Repú- blica [Washington Luís] foi pro- do Sul. curado ontem pela Associação dos Homens de Cor. [...] Não sa- bemos qual foi a pauta dessa au- Criado em 1896, 0 Clube União Familiar foi 0 mais diência entre a A.H.C. e o presi- antigo clube social negro, com sede em Santa dente da República esta, aliás, Maria Foi criado e administrado por mulheres foi provavelmente a primeira e homens negros. Fotografia da década de 1940. vez que um presidente do Brasil se reuniu com representantes 21 de uma entidade negra -, mas certamente ela fez parte do pro- jeto mais amplo da agremiação de cavar espaços na sociedade, ENCAMINHAMENTO ampliar sua rede de relações e alianças, negociar com poder Ressaltar a importância dessas organizações para a história e cultura afro-brasileiras. público e influenciar o destino Temas Contemporâneos Transversais: ao se tratar da história das associações negras, de- da nação, tendo em vista o de- senvolve-se tema multiculturalismo. senvolvimento social, político Professor, o trabalho com os conteúdos dessa página contribui para a valorização da e cultural dos "homens de cor". população negra e reconhecimento do protagonismo e da resistência dessa população no [...] imediato pós-Abolição. DOMINGUES, Petrônio. Cidadania por um fio: associativismo negro no Rio de Janeiro (1888-1930). Revista Brasileira de História, São Paulo, V. 34, n. 67, 251-281, 2014, 267-268. 21ENCAMINHAMENTO Aprofundar o assunto com a leitura do texto: DOMINGUES, Petrônio. Movimento negro Imprensa negra brasileiro: alguns aponta- mentos históricos. Tempo, Antes e depois da Abolição, a comunidade negra também lutou por direitos criando n. 23, mar. 2007. jornais próprios: a chamada imprensa negra. Segundo o historiador Flávio Gomes, os primeiros periódicos editados por negros são Professor, o Arquivo Pú- blico do Estado de São Paulo do final do século XIX. Treze de Maio (1888), A Pátria (1889), Exemplo (1892), que mantém em seu acervo digital circulou em Porto Alegre, foram alguns deles. Depois vieram vários outros jornais, como alguns números de diversos Baluarte (Campinas, 1903), A Pérola (São Paulo, 1911), Menelick (1915), Kosmos periódicos da imprensa negra. (1922) e Clarim da Alvorada (1924). Nesse acervo, é possível que os Desde a década de 1880, esses alunos façam uma análise do- cumental, selecionando uma REPRODUÇÃO/O CLARIM jornais foram publicados em vários estados brasileiros, desde Rio Grande edição dos periódicos e relacio- do Sul até Maranhão. Eles visavam nando os discursos encontra- dialogar com os negros e também com dos no material com o contexto outros setores da população. Como histórico da Primeira República. observa o historiador Flávio Gomes, As digitalizações podem ser formato e estilo desses jornais basea- acessadas em: ACERVO digita- ram-se nos combativos jornais operários lizado. Disponível em: http:// da mesma época. Os jornais da imprensa www.arquivoestado.sp.gov. negra geralmente duravam pouco tempo e circulavam com interrupções, princi- hemero. Acesso em: 6 jun. 2022; e a lista de periódicos palmente por falta de recursos materiais. da imprensa negra está dis- Redação do jornal Clarim da ponível em IMPRENSA Negra Alvorada, década de 1920. é destaque no site do Arqui- vo Público. Fundação Cultu- PARA SABER MAIS ral Palmares. Brasília (DF), 12 ZAHAR maio 2011. Disponível em: Leia que disse sobre o assunto historiador Flávio Gomes. Negros br/?p=11659#:~:text=No% No final do século XIX e principalmente nas primeiras 20pr%C3%B3ximo%20 décadas do seguinte, [...] uma multiplicidade de periódicos dia%2013%20de, da%20 surgiu com mesmo propósito: denunciar as condições de vida, %E2%80%9Cimprensa% a segregação, a falta de oportunidades, cotidiano do racismo e 20negra%E2%80%9D%20 a violência experimentada pelas populações negras, sobretudo brasileira. Acesso em: 6 jun. nas cidades. No período que se seguiu à abolição, a maior parte 2022. dessas questões esteve ausente do foco da grande imprensa. [...] [...] Isso mostra que tal tarefa coube principalmente aos Fac-símile da capa Imagens em movimento próprios negros e as suas organizações. do livro Negros e Entrevista com a historia- GOMES, Flávio dos Santos. Negros e política (1888-1937). política, de Flávio dos Rio de Janeiro: Zahar, 2005. p. 32-33. Santos Gomes. dora Ana Flávia Magalhães Pinto. 22 CIDADANIA: movimento negro e imprensa. Vídeo (8min43s). Publicado pelo TEXTO DE APOIO dariam condições para "discernir a mentali- canal TV Senado. Disponível dade de uma raça". Ele iniciou texto respon- em: https://www.youtube.com/ Imprensa negra no Brasil: "Autorretrato dendo a duas críticas que seriam impeditivas Acesso do negro por ele mesmo" para aquele tipo de pesquisa: a primeira, de em: 6 jun. 2022. A expressão entre aspas acima foi registra- que os jornais negros não tinham grande tira- da por um francês, que de antemão revela gem [...] e duravam pouco; segunda, de que fato de que primeiro pesquisador a trabalhar as publicações representavam muito mais as com a imprensa negra brasileira foi um es- opiniões e os interesses da "pequena classe trangeiro. Roger Bastide publicou A imprensa média negra" do que as da maioria ou "massa negra do estado de São Paulo, em 1951, sob o negra". pressuposto de que os jornais representariam Bastide argumentava contra as duas críticas. as aspirações e os sentimentos coletivos que Pautava a sua defesa nas condições financeiras