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EXCEDENTES E FALHAS DE MERCADO Profª. Ana Maria Morais ECONOMIA DO BEM-ESTAR • Já vimos que nas economias de mercado, as forças de oferta e demanda determinam o preço e a quantidade vendida dos bens e serviços. • Fizemos uma análise positiva, e não normativa. • Agora vamos abordar a economia do bem-estar. • Vamos examinar os benefícios que compradores e vendedores obtêm ao participarem do mercado. 2 EXCEDENTE DO CONSUMIDOR • Vamos começar falando dos benefícios que os compradores recebem ao participarem do mercado. • O máximo que cada consumidor está disposto a pagar por um bem é chamado disposição a pagar. • Mede o valor que o consumidor atribui ao bem. • Cada comprador adoraria pagar menos que sua disposição a pagar, se recusaria a pagar um valor maior, e seria indiferente à pagar este valor ou não comprar o bem. 3 • O excedente do consumidor é a quantia que o comprador está disposto a pagar menos o que ele realmente paga. • Mede o benefício que os compradores obtêm por sua participação no mercado. • O excedente do consumidor está associado à curva de demanda. 4 Excedente do consumidor • Suponha que você tenha um ingresso para uma apresentação de Ballet. Se você não é fã de ballet, vai vender o ingresso. • Poderia fazer isso por um leilão. • Quatro fãs de ballet gostariam de comprar o ingresso, mas há um limite para o quanto estão dispostos a pagar. • Os lances do leilão terminam quando John oferece $80 ou um pouco mais. 5 Excedente do consumidor Comprador Disposição para pagar John 100 Paul 80 George 70 Ringo 50 • Mas o que ocorre se temos mais ingressos para vender? • Vamos usar a disposição a pagar dos 4 possíveis compradores para identificar a relação de demanda. 6 Excedente do consumidor Preço quantidade Preço Compradores Q. demandada Mais que $100 Nenhum 0 $80 a $100 John 1 $70 a $80 John e Paul 2 $50 a $70 John, Paus e George 3 $50 a menos Johns, Paul, George e Ringo 4 • A escala de demanda é derivada da disposição para pagar dos possíveis compradores. • Para qualquer quantidade, o preço dado pela curva de demanda indica a disposição para pagar do comprador marginal. • O primeiro que deixaria o mercado se o preço fosse um pouco mais alto. • Como a curva de demanda reflete a disposição para pagar, pode ser usada para medir o excedente do consumidor. 7 Excedente do consumidor 8 Excedente do consumidor • Conclusão: a área abaixo da curva de demanda e acima do preço mede o excedente do consumidor. • Essa área total é a soma dos excedentes de todos os consumidores. 9 Excedente do consumidor • Como os compradores sempre gostariam de pagar menos, um preço menor faz com que fiquem em uma situação melhor. • Mas em quanto o bem-estar dos consumidores se eleva em resposta a um preço menor? • Podemos usar o EC para responder a essa pergunta. 10 Excedente do consumidor 11 Excedente do consumidor Curva de demanda em um mercado com muitos consumidores: • Em um mercado com muitos compradores, as etapas resultantes de cada comprador são tão pequenas que formam uma curva suave. • As ideias que vimos ainda se aplicam a essa curva: o EC é a área abaixo da curva de demanda e acima do preço. • Em (a) o EC é a área ABC. • Caso o preço diminua para P2, o EC passa a ser a área ADF. • O aumento do EC atribuído ao menor preço é a área BCDF. 12 Excedente do consumidor • Esse aumento do EC tem dois componentes: • 1) Os compradores que já compravam agora estão melhores pois vão pagar menos. • O aumento do EC desses compradores é a redução da quantia paga por eles – o retângulo BCDE. • 2) Novos compradores entram no mercado. • A quantidade demandada do mercado aumenta • O EC desses recém-chegados é o triângulo CEF. 13 Excedente do consumidor EXCEDENTE DO PRODUTOR • Vamos agora nos voltar para os benefícios que os vendedores obtêm de sua participação de mercado. • Imagine que você quer pintar sua casa. • Você consulta 4 vendedoras de pintura. • Cada pintora está disposta a realizar o serviço desde que o preço seja justo. • Você decide que irá contratar aquela que fizer o trabalho por um preço mais baixo. 14 • Cada pintora está disposta a fazer o serviço se o preço que receber for maior que seu custo de fazer o trabalho. • Aqui estamos falando de custo de oportunidade • O custo é uma medida da disposição para vender. 15 Excedente do produtor Vendedora Custo Mary $900 Frida $800 Georgia $600 Grandma $500 • Cada vendedora desejaria vender seus serviços a um preço maior que seu custo, se recusaria a vender por um preço inferior e seria indiferente à venda com um preço igual ao seu custo. • As vendedoras competem entre si pelo serviço. • Uma vez que Grandma tenha proposto $600 ou um pouco menos, ela é a única competidora que resta. • O serviço vai para a pintora que é capaz de trabalhar ao menor custo. 16 Excedente do produtor • Excedente do produtor é o montante que um vendedor recebe menos o seu custo de produção. • Mede o benefício que os vendedores recebem por sua participação num mercado. • O EP está associado à curva de oferta. 17 Excedente do produtor • A escala de oferta é derivada dos custos das 4 pintoras. 18 Excedente do produtor Preço Compradores Q. Ofertada Mais que $900 Mary, Frida, Georgia e Grandma 4 $800 a $900 Frida, Georgia e Grandma 3 $600 a $800 Georgia e Grandma 2 $500 a $600 Grandma 1 $500 a menos Nenhum 0 • A altura da curva está relacionada aos custos das vendedoras. • O preço dados pela curva representa o custo da vendedora marginal. • A primeira que deixaria o mercado se o preço fosse um pouco mais menor. • Como a curva de oferta reflete os custos, ela pode ser usada para medir o EP. • A área abaixo do preço e acima do curva de oferta representa o EP. • A diferença entre o preço e o custo de produção é o EP de cada vendedor. • A área é a soma dos excedentes de todos os vendedores. 19 Excedente do produtor 20 Excedente do produtor • Os vendedores sempre gostariam de receber um preço maior. • Mas em quanto o bem-estar dos vendedores se eleva em resposta a um preço maior? 21 Excedente do produtor 22 Excedente do produtor Curva de oferta em um mercado com muitos vendedores: • Sabemos que o EP é a área abaixo do preço e acima da curva de oferta. • Em (a) o EP é a área ABC. • Caso o preço aumente para P2, o EP passa a ser a área ADF. • Esse aumento do EP tem dois componentes: • 1) Os vendedores que já estavam vendendo agora estão melhores pois vão receber mais. • O aumento do EP desses vendedores é a área do retângulo BCED. • 2) Novos vendedores entram no mercado. • A quantidade ofertada do mercado aumenta • O EP desses recém-chegados é o triângulo CEF. 23 Excedente do produtor EFICIÊNCIA DE MERCADO • O EC é usado para medir o bem-estar dos consumidores. • O EP é usado para medir o bem-estar dos vendedores. • Agora vamos usar essas duas medidas juntas. • Isso nos ajuda a entender se a alocação de recursos determinada pelos mercados livres é desejável. 24 • Vamos imaginar um planejador social que busca maximizar o bem-estar econômico de todos os membros da sociedade. • Este planejador pode usar a soma do EC e do EP para medir o bem-estar econômico da sociedade. • Vamos chamar essa soma de excedente total. 25 O planejador social benevolente • Relembrando: • EC = valor para os compradores – quantia paga pelos compradores. • EP = quantia recebida pelos vendedores – custo para os vendedores. • Quando somamos: • ET = [valor para os compradores – quantia paga pelos compradores] + [quantia recebida pelos vendedores – custo para os vendedores] • Simplificando: • ET = valor para os compradores – custo para os vendedores 26 O planejador social benevolente • Se uma alocação de recursos maximiza o ET, temos eficiência. • Se uma alocação não é eficiente, parte dos ganhos potenciais do comércio não está sendo obtida. • Uma alocação éineficiente se um bem não está sendo produzido ao menor custo. • Neste caso, deslocar a produção de um produto de alto custo para um produtor de custo mais baixo aumentará o ET. • Uma alocação também é ineficiente se um bem não está sendo consumido pelos compradores que lhe atribuem maior valor. • Nesse caso, deslocar o consumi de um comprador que atribui baixo valor para outro que lhe dê um valor maior elevará o ET. 27 O planejador social benevolente • Além da eficiência, o planejador também se preocupa com a igualdade. • Mas, por enquanto, vamos nos concentrar na eficiência. • A área total entre as curvas de oferta e demanda até o ponto de equilíbrio representa o excedente total. • Essa alocação de recursos é eficiente? Ou seja, maximiza o ET? • Lembre-se de que quando um mercado está em equilíbrio o preço determina quais compradores e vendedores participam dele. 28 O planejador social benevolente • Logo: • Os mercados livres alocam a oferta aos compradores que lhes atribuem maior valor. • Os mercados livres alocam a demanda aos vendedores que podem produzir ao menor custo. • Logo, os mercados livres produzem a quantidade de bens que maximiza a soma dos excedentes. • O planejador social não consegue aumentar a eficiência. 29 O planejador social benevolente • Em qualquer quantidade abaixo do nível de equilíbrio, o valor para o comprador marginal excede o custo para o vendedor marginal. • E em qualquer quantidade acima do equilíbrio, o valor para o comprador marginal é menor do que o custo para o vendedor marginal. • Para maximizar o ET, o planejador escolheria a quantidade onde as curvas de oferta e demanda se cruzam. • Logo, o resultado de equilíbrio é uma alocação eficiente! • Neste caso, o melhor que o planejador faz é não intervir. • Essa é uma política do tipo laissez-faire. 30 O planejador social benevolente 31 O planejador social benevolente ESTUDO DE CASO • Deveria haver um mercado de órgãos humanos? Em 2001, uma mulher cujo filho precisava de um transplante recebeu a notícia de que não era compatível para a doação ao seu filho. Mas o médico propôs uma solução: se ela doasse um de seus rins para um receptor anônimo, seu filho iria para o topo da fila de espera. Essa história levanta questões interessantes. Se a mãe trocou um rim por outro, também poderia trocar por um tratamento de câncer caríssimo? Poderia trocar por uma bolsa de estudos para seu filho? Poderia vender seu rim para trocar seu carro? 32 ESTUDO DE CASO • A venda de órgãos é ilegal. • Ou seja, o governo estabeleceu um preço máximo igual a zero. • Com isso, há uma escassez do bem. • Muitos economistas acreditam que haveria grandes benefícios se a existência de um mercado livre de órgãos fosse permitida. • Esse mercado levaria a uma alocação eficiente de recursos, mas aqueles que criticam a ideia se preocupam com a questão da justiça. 33 CONCLUSÃO • Esse capítulo introduziu as ferramentas básicas da economia do bem-estar: EC e EP. • Essas ferramentas nos permitiram analisar a eficiência dos mercados. • Mas para concluir que o mercado é eficiente, precisamos nos basear em algumas hipóteses: • Supor mercados perfeitamente competitivos. • Supor que as decisões de compradores e vendedores não afetam outras pessoas não participante do mercado. 34 CONCLUSÃO • Sem essas hipóteses temos um fenômeno chamado falha de mercado. • Isso significa uma incapacidade de alguns mercados não regulamentados de alocar recursos com eficiência. • Quando os mercados falham a política pública pode solucionar o problema e aumentar a eficiência. 35 EXTERNALIDADES EXTERNALIDADES • Vimos que muitas vezes os mercados trazem um resultado eficiente. • Mas nem sempre! • Às vezes, as ações do governo podem melhorar os resultados do mercado. • Vamos analisar a falha de mercado chamada externalidade. • Essa falha surge quando uma pessoa que se dedica a uma ação provoca impacto no bem- estar de um terceiro que não participa dessa ação, sem pagar nem receber nada por isso. 37 • Externalidade negativa → o impacto sobre o terceiro é adverso. • Externalidade positiva → o impacto sobre o terceiro é positiva. • Nestes casos, a análise do resultado de mercado deve considerar não só os participantes do mercado, mas também o bem-estar de terceiros indiretamente afetados. • Como os compradores e vendedores ignoram os efeitos externos de suas ações quando decidem quanto demandar ou ofertar, o equilíbrio de mercado não é eficiente quando há externalidades. 38 Externalidades • Exemplos de externalidades e respostas políticas: • A fumaça emitida pelos escapamentos dos carros gera externalidades negativas. • O governo procura resolver esse problema estabelecendo padrões de emissão. • Além disso, tributam a gasolina para que as pessoas usem menos o carro. • A restauração de imóveis antigos produz uma externalidade positiva. • Os proprietários dos imóveis não obtêm pagamento pelo beneficio da restauração, e não têm incentivos privados para tomarem essa ação. • Governos municipais reagem a isso oferendo isenções fiscais aos proprietários que restauram. 39 Externalidades • O latido dos cachorros cria uma externalidade negativa. • Os donos dos cachorros não arcam com o custo total do barulho e tendem a tomar poucas precauções. • Os governos municipais lidam com isso tornando ilegal a “perturbação da paz”. • A pesquisa de novas tecnologias gera uma externalidade positiva. • Os inventores não recebem todos os benefícios de suas invenções, e dedicam poucos recursos às pesquisas. • O governo aborda esse problema pelo sistema de patentes. 40 Externalidades • Vamos considerar o mercado de alumínio. • As curvas de oferta e demanda de alumínio contêm informações importantes sobre custos e benefícios. • Na ausência de intervenção governamental, o preço se ajusta para equilibrar oferta e demanda. 41 Externalidades negativas • Mas e se as fábricas de alumínio emitirem poluição? • Para cada unidade de alumínio produzida, uma determinada quantidade de fumaça entre na atmosfera. • A fumaça cria um risco para a saúde de todos – externalidade negativa. • Por causa da externalidade, o custo de produção para a sociedade é maior do que o custo para os produtores. 42 Externalidades negativas • O custo social inclui os custos privados para os produtores mais os custos das pessoas afetadas pela poluição. • Logo, a curva de custo social se localiza acima da curva de oferta. • A diferença entre as duas curvas reflete o custo da poluição emitida. • Que quantidade de alumínio deve-se produzir? • Um planejador que deseja maximizar o ET irá considerar que o custo de produção inclui os custos externos da poluição. 43 Externalidades negativas • O planejador social escolheria o nível de produção em que a curva de demanda cruza a curva de custo social. • Essa interseção determina, do ponto de vista da sociedade, a quantidade ótima. • Abaixo desse nível, o valor do alumínio para os consumidores supera o custo social de sua produção. • Acima desse nível, o custo social da produção adicional excede o valor para os consumidores. • A quantidade de equilíbrio de mercado é maior do que a quantidade socialmente ótima. • O equilíbrio de mercado reflete apenas os custos privados de produção. • Reduzir um pouco a produção do nível de equilíbrio de mercado eleva o bem-estar econômico total. 44 Externalidades negativas 45 Externalidades negativas • Como o planejador pode atingir esse novo resultado? • Uma maneira seria tributar os produtores de alumínio. • O imposto deslocaria a curva de oferta para cima no montante do imposto. • Se o imposto refletir exatamente o custo externo, a nova curva coincidiria com a curva de custo social. • Os produtores produziriam a curva socialmente ótima. 46 Externalidades negativas • O uso desse tipo de imposto é chamado internalização de uma externalidade. • Eledá aos compradores e vendedores um incentivo para que levem em conta os efeitos externos. • O imposto faria com que o produtores pagassem por esses custos externos. • Esses novos custos são refletidos no preço. • Como os preços aumentam, os consumidores têm um incentivo para reduzirem a quantidade. 47 Externalidades negativas • Existem algumas atividades que geram benefícios a terceiros. • A educação gera um benefício privado, mas também gera externalidades positivas. • A análise das externalidades positivas é semelhante à analise das externalidades negativas. • A curva de demanda não reflete o valor do bem para a sociedade. • Como o valor social é maior que o privado, a curva de valor social fica acima da curva de demanda. 48 Externalidades positivas 49 Externalidades negativas • A quantidade ótima é dada pelo intercepto entre a curva de oferta e a curva de valor social. • A quantidade ótima é maior do que a quantidade determinada pelo setor privado. • O governo pode corrigir as falhas induzindo os participantes a internalizarem a externalidade. • Para deslocar o equilíbrio de mercado social ótimo deve-se fazer um subsísio. 50 Externalidades positivas • Resumindo: • As externalidades negativas fazem com que os mercados produzam uma quantidade maior do que a socialmente desejável. • As externalidades positivas fazem com que os mercados produzam uma quantidade menor do que a socialmente desejável. • Para solucionar esses problemas, o governo pode internalizar a externalidade tributando bens que carregam externalidades negativas e subsidiando os bens que trazem externalidades positivas. 51 Externalidades positivas ESTUDO DE CASO • Transbordamentos tecnológicos, política industrial e proteção de patentes. • Existe uma externalidade positiva chamada de transbordamento tecnológico, que se trata do impacto da pesquisa de uma companhia sobre o acesso de outras ao avanço tecnológico. • Um novo projeto de robô beneficiará não só a empresa, mas a sociedade como um todo. • Nesse caso, o governo pode internalizar a externalidade subsidiando a produção de robôs. • Com isso, a curva de oferta se deslocará para baixo no valor do subsídio. • Esse deslocamento aumentará a quantidade de equilíbrio. 52 • Para garantir que o equilíbrio seja igual ao ótimo social, o subsídio deve ser igual ao valor do transbordamento de tecnologia. • A intervenção do governo na economia para incentivar indústrias que promovem tecnologia é clamada política industrial. • Mas o sucesso de uma política industrial requer que o governo seja capaz de medir a magnitude dos transbordamentos. • Além disso, o sistema político pode acabar subsidiando as indústrias que têm maior poder político. 53 Estudo de caso • Outra maneira de lidar com transbordamentos é a proteção das patentes. • Protegem o direito dos investidores, dando a eles direito exclusivo de uso de seu invento por determinado período. • A patente internaliza a externalidade dando à empresa um direito de propriedade sobre sua invenção. • O sistema de patentes oferece às empresas um incentivo para que se dediquem à pesquisa. 54 Estudo de caso POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EXTERNALIDADES • As externalidades levam os mercados a alocar recursos de maneira ineficiente. • Tanto formuladores de políticas públicas como agentes privados reagem às externalidades de diversas maneiras. • O objetivo é levar a alocação de recursos para o mais próximo do ótimo social. • Existem dois tipos de soluções do governo para a externalidade: • Políticas de comando e controle – regulamentam o comportamento; • Políticas baseadas no mercado – que fornecem incentivos. 55 • O governo pode solucionar uma externalidade tornando alguns comportamentos obrigatórios ou proibidos. • O governo poderia proibir a emissão de poluidores. • Mas no caso da poluição, a solução não é simples. • Por exemplo, praticamente todas as formas de transporte produzem poluentes, mas não seria sensato proibir todos os meios de transporte. • O governo precisa ponderar os custos e benefícios para decidir os tipos e quantidade de poluição que irão permitir ou proibir. 56 Políticas de comando e controle: regulamentação • O governo pode usar políticas baseadas no mercado para alinhar incentivos provocados com eficiência social. • O governo pode internalizar a externalidade tributando atividades que causem externalidades negativas ou subsidiando atividades que causem externalidades positivas. • Esses tipos de impostos são chamados impostos corretivos, ou impostos de Pigout. • O imposto corretivo ideal seria igual ao custo externo de uma atividade. • Um subsídio corretivo ideal seria igual ao benefício externo de uma atividade. 57 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • Os economistas costumam preferir os impostos corretivos à regulamentação para lidar com a poluição, pois podem reduzir o problema a um custo menor para a sociedade. • Suponha duas fábricas que estejam despejando, cada uma, 500 toneladas de lixo num rio por ano. • O governo considera duas soluções para reduzir a quantidade de poluição: • Regulamentação → determinar que cada fábrica reduza sua poluição para 300 toneladas por ano. • Imposto corretivo → tributar cada fábrica em $50 mil por tonelada de poluição emitida. 58 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • A regulamentação determina um nível de poluição. • Já o imposto confere aos proprietários um incentivo para reduzir a poluição. • O imposto pode atingir qualquer nível de poluição que desejasse , fixando o imposto no nível adequado. • Quanto maior o imposto, maior a redução da poluição. • Se o imposto fosse elevado o suficiente, as fábricas fechariam, reduzindo a poluição a zero. • O imposto alcança o objetivo de reduzir a poluição de modo mais eficiente. 59 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • A regulamentação exige que as duas fábricas reduzam a poluição na mesma quantidade. • Mas uma redução uniforme não é necessariamente a forma menos dispendiosa de limpar a água. • Uma das fábricas (a empresa 1) pode conseguir reduzir a poluição a um custo menor. • Neste caso, essa empresa reduziria mais a poluição, enquanto a empresa 2 reduziria menos enquanto paga mais de imposto. • Os impostos corretivos cobram um preço pelo direito de poluir. • Assim como os mercados alocam bem aos compradores que lhe atribuem maior valor, os impostos corretivos alocam a poluição às fábricas que enfrentam maiores custos para reduzi-la. 60 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • Além disso, os impostos corretivos são melhores para o meio ambiente. • Com uma política de regulamentação, as fábricas não teriam motivos para reduzir as emissões se já tivessem atingido a meta de 300 toneladas. • Já o imposto incentiva as fábricas a desenvolverem tecnologias que permitam poluir menos. • Os impostos corretivos são diferentes de muitos outros impostos. • Já vimos que muitos impostos distorcem os incentivos e deslocam a alocação de recursos para longe do ótimo. • Ou sejam geram peso morto. 61 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • Mas quando existem externalidades, a sociedade também deve se preocupar com o bem- estar dos terceiros. • Nesse caso, os impostos corretivos deslocam a alocação de recursos para mais perto do ótimo social. • Logo, ao mesmo tempo que arrecadam receita para o governo, aumentam a eficiência econômica. 62 Políticas de mercado: taxas corretivas e subsídios • O imposto sobre a gasolina é um imposto corretivo destinado a eliminar 3 externalidades negativas: • Congestionamentos → o imposto reduz os congestionamentos incentivando as pessoas a usar transporte público, e a morar mais peto de onde trabalham. • Acidentes → sempre que alguém carro grande ou esportivo coloca outras pessoas em risco. • O imposto sobre a gasolina é uma forma indireta de fazer com que aspessoas paguem pelo risco que seus carros de elevado consumo geram. • Poluição • Portanto, o imposto sobre a gasolina, ao invés de gerar peso morto, melhora o funcionamento da economia. • Alguns países estabelecem impostos muito altos para a gasolina. 63 Estudo de caso – tributação da gasolina • Vamos retomar o exemplo das duas fábricas que poluem um rio – uma de papel e outra de aço. • O governo poderia ignorar os conselhos dos economistas e exigir que cada fábrica reduza sua poluição para 300 toneladas. • Após de adequarem à regulamentação, suponha que a fábrica de papel deseje aumentar sua emissão em 100 toneladas. • A fábrica de aço concorda em reduzir sua poluição na mesma quantidade se a fábrica de papel lhe pagar $5 milhões. • O governo deve permitir que as fábricas façam esse acordo? 64 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis • Do ponto de vista da eficiência econômica, permitir o acordo é uma boa política. • O negócio deve deixar os proprietários em melhor situação. • Além disso, o negócio não teria efeitos externos pois o volume total de poluição continuaria o mesmo. • Portanto, o bem-estar aumenta. • A mesma lógica se aplica a qualquer transferência voluntária de direitos de poluição de uma empresa para outra. • Nesse tipo de situação, é criado um novo recurso escasso: as licenças de poluição. 65 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis • Será desenvolvido um mercado para a negociação dessas licenças, regido pelas forças da oferta e demanda. • A mão invisível irá garantir que esse novo mercado aloque com eficiência o direito de poluir. • Ou seja, as licenças ficarão com as empresas que derem maior valor a elas. • Quanto maior o custo para reduzir a poluição, maior o valor que desejará pagar pela licença. • Uma vantagem é que a alocação inicial das licenças do ponto de vista de eficiência. • Desde que haja um mercado livre de poluição, a alocação final será eficiente. 66 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis • Esse tipo de licença é parecido com o uso de impostos corretivos. • Em ambos os casos, as empresas precisam pagar pela poluição que produzem. • Com os impostos as empresas pagam ao governo. • Com as licenças pagam à outras empresas. • Vamos analisar um mercado de poluição. • A curva de demanda demonstra que quanto menor o preço da poluição, mais empresas optarão por poluir. 67 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis 68 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis • Painel (a): o governo usa um imposto corretivo para estabelecer um preço para a poluição. • A curva de oferta por direitos de poluição é perfeitamente elástica. • As empresas podem poluir o quanto quiserem desde que paguem o imposto. • A posição da curva de demanda determina a quantidade de poluição. • Painel (b): o governo estabelece uma quantidade de poluição, emitindo licenças. • A curva de oferta de direitos de poluição é perfeitamente inelástica. • A quantidade de poluição é determinada pelo governo. • A posição da curva de demanda determina o preço da poluição. 69 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis • Portanto, o governo pode atingir qualquer ponto da curva de demanda de poluição, seja estabelecendo um preço pelo imposto, ou a quantidade pelas licenças. • Mas em alguns casos vender licenças pode ser melhor do que aplicar imposto. • Suponha que o governo não deseje que mais do que 600 toneladas sejam lançadas no rio. • Como não conhece a curva de demanda, não sabe o montante exato de imposto que deve cobrar. • Emitir licenças seria mais fácil nesse sentido. 70 Políticas de mercado: licenças de poluição negociáveis SOLUÇÕES PRIVADAS PARA AS EXTERNALIDADES • Embora as externalidades gerem mercados ineficientes, nem sempre é necessária uma ação do governo. • As pessoas podem desenvolver ações privadas, como através de códigos morais e sanções sociais. • Por exemplo, a maioria das pessoas educadas não jogam lixo em lugares públicos. 71 • Desde criança aprendemos “não faça aos outros o que não quer que façam com você”. • Isso nos ensina a levar em consideração os efeitos de nossas ações sobre os outros. • Em termos econômicos, manda-nos internalizar as externalidades. • Outro exemplo são as doações feitas por ex-alunos e empresas para faculdades e universidades. • Fazem isso devido às externalidades positivas da educação para a sociedade. 72 Soluções privadas • O teorema de Coase sugere que se os agentes econômicos puderem negociar sem custo a alocação de recursos, poderão resolver o problema de externalidades. • Suponha que Lucas tenha um cachorro chamado Tedy que late e incomoda Pedro, vizinho de Lucas. • Lucas obtém um benefício por ser dono de Tedy, mas gera uma externalidade negativa a Pedro. • Lucas deve ficar sem Tedy, ou Pedro deve ficar noites sem dormir por causa dos latidos? • Um planejador social iria comparar o beneficio de Lucas com o custo imposto a Pedro. 73 O Teorema de Coase • De acordo com o teorema de Coase o mercado privado chegará ao resultado eficiente por si só. • Pedro poderia oferecer um pagamento a Lucas para que ele se desfaça do cachorro. • Lucas aceitará se a quantia de dinheiro for maior do que o benefício de ficar com o cachorro. • Negociando o preço, Lucas e Pedro podem chegar a um resultado eficiente. • Mas aqui estamos assumindo que Lucas tenha direito, por lei, de ficar com um cão que late. 74 O Teorema de Coase • Mas aqui estamos assumindo que Lucas tenha direito, por lei, de ficar com um cão que late. • Ou seja, Lucas fica com o cachorro a menos que Pedro pague o bastante para convence-lo a se desfazer do animal voluntariamente. • Mas e se Pedro tivesse, por lei, o direito ao silêncio? • De acordo com o teorema de Coase, a distribuição inicial dos direitos não afeta a capacidade do mercado de atingir um resultado eficiente. • Neste caso, Lucas poderia pagar para Pedro para que ele lhe permitisse ficar com o cão. • Mais uma vez os dois chegarão em um acordo dependendo do custo e do benefício comparado que é gerado para cada um. 75 O Teorema de Coase • Embora os dois lados possam chegar em um resultado eficiente independente da distribuição inicial de direitos, essa distribuição não é irrelevante. • Ela determina a distribuição do bem-estar econômico. • Ou seja, determina quem paga a quem no final da negociação. • Resumindo o Teorema de Coase: • Os agentes privados podem resolver o problema da externalidade entre si. • Qualquer que seja a distribuição inicial, as partes podem chegar em um resultado eficiente. 76 O Teorema de Coase • Apesar da lógica convincente do Teorema de Coase, muitas vezes os agentes privados são incapazes de solucionar problemas de externalidades. • Esse teorema só se aplica quando não existem dificuldades para se chegar a um acordo. • Mas muitas das vezes existem custos de transações incorridos pelas partes no processo de uma negociação. • Lucas e Pedro de nosso exemplo podem falar línguas diferentes. Neste caso precisariam contratar um tradutor. • Se o benefício de resolver o problema for menor do que o custo do tradutor, poderão optar por deixar o problema sem solução. • Em exemplos mais realistas podemos pensar em custos com advogados e com a definição de contratos. 77 As soluções privadas nem sempre funcionam • Em algumas ocasiões as negociações simplesmente fracassam. • Greves e guerras mostram como chegar a um acordo pode ser difícil e dispendioso. • O problemas é que as partes muitas vezes resistem e ficam à espera de um resultado melhor para si. • Chegar a um acordo eficiente é ainda mais difícil quando o número de partes interessadas é grande. • Quando a negociação privada não funciona, o governo pode atuar. 78 As soluções privadas nem sempre funcionam CONCLUSÃO • Quando os compradores e vendedores são as únicas partes interessadas no mercado, o resultadode mercado é eficiente. • Mas quando existem efeitos externos, deve-se levar em consideração o bem-estar de terceiros. • Nesse caso, a mão invisível pode falhar. 79 CONCLUSÃO • Em alguns casos, as pessoas podem resolver sozinhas as externalidades – Teorema de Coase. • Mas quando as pessoas não são capazes de resolver o problema, o governo entra em ação. • Impostos corretivos; • Licenças de poluição. • Em muitos casos, são criadas forças de mercados que são o melhor remédio para as falhas de mercado. 80 INFORMAÇÃO ASSIMÉTRICA INFORMAÇÃO ASSIMÉTRICA • Muitas vezes, algumas pessoas estão mais bem informadas que outras. • Essas diferenças podem afetar suas escolhas e forma como se relacionam. • Essa é uma falha de mercado chamada informação assimétrica. • Exemplos: • Um trabalhador sabe mais do que seu empregador sobre quanto esforço despende em seu trabalho – ação oculta. • Um vendedor de carros usados sabe mais do que o comprador sobre a verdadeira condição do carro – característica oculta. 82 • A parte que não tem conhecimento gostaria de ter mais informações. • A parte informada pode ter um incentivo para ocultá-las. • Vamos analisar alguns casos de ações ocultas, características ocultas e formas de se gerar sinalizações. 83 Informação assimétrica • O risco moral é um problema que surge quando um alguém, chamado agente, realiza alguma tarefa em nome de outra pessoa, chamada principal. • Se o principal não puder monitorar o comportamento do agente, este tende a empregar menos esforços do que o desejável. • Risco Moral refere-se ao risco de um comportamento inadequado do agente. • Nestes casos, o principal tenta encorajar o agente a agir de maneira responsável. 84 Ações ocultas • A relação de emprego é um exemplo clássico. • O empregador é o principal e o trabalhador é o agente. • O problema do risco moral é a tentação de trabalhadores fugirem de suas responsabilidades. • Os empregadores podem reagir a esse problema de algumas maneiras: • Melhor monitoramento → por exemplo, a instalação de câmeras para identificar comportamentos irresponsáveis. • Altos salários → um trabalhador que recebe mais do que o salário de equilíbrio tem menos chances de esquivar-se do trabalho. • Pagamento adiado → adiar o pagamento de parte da remuneração, de modo que, se ele for flagrado esquivando-se de suas responsabilidades, sofrerá uma grande penalidade. 85 Ações ocultas • Os empregadores podem usar uma combinação de mecanismos para reduzir o problema. • Outros exemplos de risco moral: • Diferentes tipos de seguros, como o seguros contra incêndios. • Seguro contra roubo de automóveis. • Planos de saúde. 86 Ações ocultas • A seleção adversa surge em mercados em que o vendedor sabe mais sobre as características de um bem que o comprador. • Assim o comprador corre o risco de comprar um bem de baixa qualidade. • Esse risco faz com que, no final das contas, apenas produtos ruins sejam comercializados. • Por isso falamos que se trata de uma seleção adversa. • Vamos estudar o exemplo clássico de carros usados para entender isso. 87 Características ocultas. • Os vendedores dos carros usados conhecem os defeitos dos veículos, ao passo que os compradores os desconhecem. • Dado um determinado P de equilíbrio, estarão dispostos a vender carros usados todos aqueles que possuem um carro que vale P ou menos. • Isso gera um medo nos compradores de adquirem um “abacaxi”. • Com isso, muitas pessoas evitam comprar veículos no mercado de carros usados. • Isso explica por que um carro com apenas algumas semanas de uso pode ser muito mais barato que um carro novo. 88 Características ocultas. • Outro exemplo de seleção adversa ocorre no mercado de trabalho, de acordo com outra teoria do salário eficiente. • Os trabalhadores podem conhecer suas habilidades melhor do que as empresas que os contratam. • Quando uma empresa reduz o salário, os trabalhadores mais talentosos têm maior tendencia de pedir demissão. • Permanecem nesse emprego apenas os trabalhadores menos habilidosos. 89 Características ocultas • Outro exemplo ocorre nos mercados de seguros. • Os usuários de seguro-saúde sabem mais sobre seus problemas de saúde do que as seguradoras. • Como as pessoas com maiores problemas de saúde têm maior probabilidade de contratar um seguro, o preço do seguro reflete os custos de uma pessoa mais doente do que a média. • As pessoas de saúde média ficam desencorajadas a contratar um seguro-saúde por causa do preço alto. • No final das contas, permanece nos mercados apenas as pessoas mais doentes. 90 Características ocultas • Na presença de seleção adversa, a mão invisível pode não funcionar. • No mercado de carros usados, os proprietários de carros bons podem optar por ficar com eles. • No mercado de trabalho, os salários podem ficar acima do equilíbrio, resultando em desemprego. • Nos mercados de seguros, os compradores de baixo risco podem optar por permanecerem sem seguro. • Como lidar com esse problema? 91 Seleção adversa • A informação assimétrica é uma motivação não só para políticas públicas, mas também para comportamentos individuais. • Por exemplo, através da sinalização: ações praticadas por uma parte informada com o propósito de revelar suas informações. • As empresas podem gastar dinheiro em publicidade para sinalizar sua qualidade. • Os trabalhadores podem concluir graduações e pós-graduações para sinalizar sua habilidade. 92 Sinalização • Para que uma sinalização seja eficaz, ela deve ter um custo. • Se um sinal fosse gratuito todos o usariam. • Além disso o sinal deve ser menos custoso, ou mais benéfico, para a pessoa que tiver o produto de maior qualidade. • Do contrário, todos teriam o mesmo incentivo para usar o sinal. • No caso da publicidade, se o produto for de boa qualidade, há mais chances do consumidor se tornar um cliente fiel. • No caso da instrução, um trabalhador mais habilidoso deve ser capaz de concluir o estudo com mais facilidade. 93 Sinalização • Seleção para indução à divulgação de informações. • Quando a parte desinformada pratica ações para induzir a parte informada a revelar informações, temos o fenômeno da seleção. • Muitas vezes, a seleção é apenas o bom senso. • Levar o carro usado a um mecânico. • Diferentes apólices de seguros que induzissem os motoristas a distinguir-se entre si. 94 Seleção • Examinamos dois tipos de informação assimétrica: • Risco moral; • Seleção adversa. • Essas são falhas de mercado que impedem um resultado de eficiência pelo livre mercado. • Logo, o governo pode melhorar os resultados. • Existem três casos que complicam a atuação do governo em informação assimétrica: • 1) muitas vezes o mercado privado pode lidar sozinho com a questão, com a sinalização e seleção. • 2) o governo raramente dispõe de mais informações do que as partes privadas. • 3) o próprio governo é uma instituição imperfeita. 95 Informação assimétrica e política pública