Reflexão - Direito à Literatura

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Análise: O Direito à Literatura – Antonio Candido

Sempre se ouve falar em direitos, igualdade e Justiça em diversas mídias, e associam isso a bens como alimento, roupas, educação, moradia, saneamento básico etc., porém, nunca se inclui neste meio o direito à literatura, eis o que Antonio Cândido discute em seu texto.
O escritor diz que há o que chamamos de bens incompressíveis e bens compressíveis. A primeira categoria são os bens que se julga essencial para a sobrevivência humana, como o alimento, a casa, a roupa. Todavia a segunda categoria são coisas supérfluas, como cosméticos, enfeites; estas, portanto, não satisfazem as necessidades essenciais do ser humano. Contudo, o que se nota é que a literatura e a arte não vêm sendo incluídas nos direitos básicos do ser humano, sendo tratada como um bem compressível, sendo que esta é totalmente essencial, porque garante ao indivíduo integridade mental e espiritual.
A literatura é uma forma de expressão universal, pois desde os tempos mais remotos, os seres humanos utilizam da literatura como forma de manifestação do pensar. É pela literatura que nós denunciamos, que imaginamos, vivemos, aprendemos. Note que, sempre que alguém conta algo que nos toca, seja para admiração ou revolta, realmente vivemos aquilo como se tivéssemos vivido; ou quando lemos um livro em que a estória nos toma de maneira surpreendente e, quando acabamos de lê-lo, ficamos com aquela “ressaca literária”, ainda digerindo todo aquele universo e, incapazes de começar a ler um novo livro, isto é viver. Através dos livros podemos viajar para os mais diversos lugares existentes e, também, inexistentes; podemos através deles pensar em questões complexas de nossa sociedade, mas também, podemos simplesmente querer não pensar em nada. Tudo isso é possível, principalmente, graças à construção da linguagem e é isso que define se o que estamos lendo é literário ou não.
A literatura nos dá a capacidade de refrear nosso caos interior, assim como em um livro literário é ordenado e cuidadosamente construído palavra por palavra, quando a lemos, também a vivemos e, vivendo-a, colocamos assim, nossa própria mente em ordem. Aprendemos, de fato, a ver e a sentir o mundo ao nosso redor através das palavras. Portanto, limitar o direito à literatura a uma minoria dominante é entregar o mundo ao caos.

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