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1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 1 1ª FASE 38° EXAME Processo Civil Prof. Leonardo Fetter Prof.ª Tatiane Kipper 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 2 Olá! Boas-Vindas! Cada material foi preparado com muito carinho para que você possa absorver da melhor forma possível, conteúdos de qua- lidade. Lembre-se: o seu sonho também é o nosso. Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação! Com carinho, Equipe Ceisc ♥ 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 3 1ª FASE OAB | 40° EXAME Processo Civil Prof. Leonardo Fetter Prof.ª Tatiane Kipper Sumário 1. Ação de Conhecimento ................................................................................................. 3 2. Ação de Execução ...................................................................................................... 59 3. Procedimentos Especiais ............................................................................................ 73 4. Recursos ................................................................................................................... 104 5. Juizado Especial Cível .............................................................................................. 145 Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, reco- menda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. Bons estudos, Equipe Ceisc. Atualizado em novembro de 2023. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 4 1. Ação de Conhecimento Prof. Leonardo Fetter @prof.fetter 1.1. Jurisdição, ação, rito/procedimento 1.1.1. Considerações Iniciais O Direito Processual Civil emerge, no mundo jurídico, com uma função bem específica – regular as formas, meios e maneiras de o cidadão buscar seu direito material perante o Poder Judiciário. Aparece, então, como forma de igualdade, já que fixa as mesmas normas para todos os cidadãos, indistintamente, e como instrumento, pois busca o reconhecimento do direito material pretendido. Dessa forma, e com esse objetivo, existem alguns conceitos básicos que devem ser en- tendidos e fixados, sendo eles: *Para todos verem: esquema. Jurisdição A jurisdição é o poder-dever do Estado de compor/solucionar litígios. Assim, conside- rando as regras inerentes ao Estado Democrático de Direito, faz-se necessário identificar quem possui esse poder-dever, quem possui a responsabilidade de não deixar que os cidadãos, por suas próprias mãos, busquem solucionar um conflito de interesses. O Poder Judiciário é responsável pela jurisdição, o Poder Judiciário está investido em jurisdição. Compreende-se que esta função jurisdicional é delegada ao Poder Judiciário pelo Estado. Ainda, fala-se em poder-dever, uma vez que, o Poder Judiciário não pode abrir mão dessa responsabilidade. Quando um conflito de interesses é levado até o Poder Judiciário, ele tem a obrigação de o resolver, não pode negar a solução do litígio. O exercício da jurisdição (este poder-dever de solucionar litígios) é do Poder Judiciário. Contudo, uma importante característica da jurisdição é a inércia, ou seja, para o Estado-Juiz JURISDIÇÃO AÇÃO RITO/ PROCEDIMENTO Competência 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 5 exercer a jurisdição, faz-se necessária a provocação. O juiz não tem autonomia para agir por conta própria, em outras palavras, agir de ofício. O Poder Judiciário deve, necessariamente, ser provocado pela parte interessada, con- forme o art. 2º do CPC: “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”. É o chamado princípio da ação ou da demanda, ou ainda, princípio da iniciativa da parte. Nesse sentido, uma vez que o cidadão possui o direito à jurisdição, surge a ação, forma de provocação da jurisdição. Ação A forma adequada de o cidadão provocar o Poder Judiciário, retirando-o da sua inércia, é a ação, ou seja, é através da ação que o Poder Judiciário sai da sua inércia e passa a exercer a jurisdição, o poder-dever de solucionar conflitos de interesses. O direito de ação não está vinculado ao direito material, dessa forma, o cidadão não pre- cisa ter um direito material garantido para provocar o Judiciário. O direito de ação se trata de um direito abstrato (não concreto); existe o direito de ação independentemente de seu resultado, todavia, o autor deverá preencher as condições da ação, sendo elas: *Para todos verem: esquema. Importante a leitura dos arts. 17 e 18 do CPC, Cabeçones! Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como as- sistente litisconsorcial. Atenção! Interesse processual Legitimidade de agir 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 6 O sistema processual civil brasileiro definiu dois tipos de ação: ação de conhecimento e ação de execução. Uma ação jamais vai iniciar de ofício pelo magistrado, pois o Poder Judiciário é inerte, dessa maneira, faz-se necessária a provocação por parte do cidadão. *Para todos verem: esquema. Rito ou procedimento Frise-se, já de início, que rito e procedimento são sinônimos. E, de forma bem objetiva e simples, pode-se definir o rito/procedimento como: conjunto de atos – que ocorrem entre o início e o fim da ação – estabelecidos pela lei processual e, devem ser seguidos perante o Poder Judiciário para alcançar a solução do conflito de interesses apresentado. Importante! Identificado o pedido (a pretensão que a parte vai levar ao Poder Judiciário), será possível identificar o rito pelo qual este pedido vai tramitar perante o Poder Judiciário. Mas qual a forma desta identificação? Veja o esquema na página a seguir... •Quando o cidadão deseja uma postura condenatória, declaratório ou constitutiva por parte do Poder Judiciário, essa é a pretensão e aparecerá através do pedido. A propositura da ação aparece através da petição inicial, e um dos requisitos da petição inicial, nos termos do art. 319, inciso IV do CPC, é o pedido. Assim, o juiz ao julgar o pedido, vai julgá-lo procedente, improcedente ou parcialmente procedente. Ação de conhecimento: •O autor busca a cobrança, o ressarcimento, de uma obrigação. O autor vai propor uma ação executiva quando pretender cobrar um crédito, cobrar uma obrigação pré- constituída, em outras palavras, uma obrigação fixada em um título, seja ele judicial (art. 515 do CPC) ou extrajudicial (art. 784 do CPC). Ação de execução: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 7 *Para todos verem: esquema. Para encerrar estas considerações iniciais, vale fazer referência a um último e indispen- sável conceito: a competência. 1.2. Competência Todo o órgão do Poder Judiciário (juiz, desembargador, ministro) tem jurisdição. Apesar de todo o órgão do Poder Judiciário ter jurisdição, o exercício desta jurisdição é delimitado pelas regras de competência – as quais possuem a intenção de organizar o exercício jurisdici- onal. Contudo, pode-se compreender a competência como o limite de atuação dos órgãos juris- dicionais, uma vez que, o juiz federal, por exemplo, só trabalha em lides de competência federal. Quando se estuda competência, a primeira grande divisão que deve ser feita é acerca da competência estadual e federal. Assim, para fixar a competência da Justiça Federal, faz-se necessário verificar o art. 109 da Constituição Federal – ali ficaram definido quais seriam os conflitos de interesses de competênciao princípio da ampla defesa e do contraditório, o juiz deverá ouvir o autor. No entanto, não é necessária a oitiva do réu, pois as causas de improcedência liminar não prejudicam o réu, apenas ao autor; ademais, essa decisão liminar ocorre antes da citação do réu. 1.9. Contestação, revelia e reconvenção 1.9.1. Contestação O Direito Processual Civil obedece ao devido processo legal, assim, após a primeira ma- nifestação do autor, que se dá através da petição inicial, o réu deve ter a oportunidade de se defender. A forma processual do réu/demandado de apresentar sua defesa é chamada de con- testação. Deverá ser protocolada no prazo de 15 dias, obedecido o art. 335 do CPC: Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial será a data: I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso I ; III – prevista no art. 231 , de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos. § 1o No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6o , o termo inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo pedido de cancelamento da audiência. § 2o Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso II, havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá da data de intimação da decisão que homologar a desistência. A contestação é dividida em dois momentos, sendo eles a defesa processual e a defesa de mérito. A defesa processual é denominada preliminares, e o réu encontra-se limitado ao rol apresentado no art. 337 do CPC, ou seja, não cabe ao réu trazer em preliminar algo que não esteja elencado no referido artigo. A defesa de mérito é a contestação, específica e objetiva, dos fatos e dos pedidos que o autor alegou na petição inicial, de acordo com o art. 336 do CPC. Princípio da eventualidade ou da concentração de defesa Ao contrário do que ocorrer na petição inicial, a contestação não possui requisitos a serem preenchidos obrigatoriamente. Cabe ao réu alegar na contestação toda matéria de defesa, de forma específica, expondo as razões de fato e de direito para impugnar o pedido do autor (art. 336, do CPC). Preliminares Quanto às preliminares, vale recordar algumas situações específicas: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 34 a) Incorreção do valor da causa: A não impugnação pelo réu gera a preclusão, isto é, de acordo com o art. 293, do CPC, não haverá outro momento para impugnar o valor da causa. b) Ausência de legitimidade ou de interesse processual – art. 337, XI do CPC: neste caso será permitido ao autor, segundo o art. 338 do CPC, concordar com a alegação de ilegiti- midade do réu, aceitando a sua exclusão e redirecionando a ação contra o demandado correto. c) Indevida concessão do benefício da gratuidade de justiça – art. 337, XIII do CPC: se a gratuidade da justiça for concedida após a petição inicial, o pedido de revogação será for- mulado por petição simples, no prazo de 15 dias (art. 100, caput, CPC). Ônus da impugnação especificada O réu não pode apresentar, como regra, contestação genérica, devendo enfrentar de forma específica tudo aquilo que foi alegado pelo autor, na petição inicial. E, aqui, fato não con- testado será considerado presumidamente verdadeiro, conforme o art. 341 do CPC. Excepcionalmente, conforme previsão do art. 341, parágrafo único do CPC, será autori- zada e permitida a contestação genérica. O réu pode então, na contestação, apresentar sua defesa processual (as denominadas preliminares, previstas no art. 337 do CPC) e de mérito (rebatendo de forma específica os fatos – art. 341 do CPC – e os pedidos, art. 336 do CPC). Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: I – não for admissível, a seu respeito, a confissão; II – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da subs- tância do ato; III – estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial. Todas as alegações, documentos e provas o autor precisa trazer na inicial, da mesma forma, o réu tem a mesma obrigação com a contestação, assim, a lide está limitada pelos fatos trazidos na inicial e na contestação. Contudo, de acordo com o art. 342 do CPC, é lícito ao réu, depois da contestação, deduzir novas alegações quando: I – relativas a direito ou a fato superveniente; II – competir ao juiz conhecer delas de ofício; III – por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. 1.9.2. Revelia 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 35 A revelia é configurada pela inércia do réu, que deixa de apresentar defesa em relação aos fatos narrados na inicial – objetivamente, ocorrerá à revelia quando o réu não apresentar contestação, ou apresentar de forma intempestiva. Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verda- deiras as alegações de fato formuladas pelo autor. Efeitos da revelia De regra, à revelia do réu acarreta a presunção de veracidade dos fatos narrados na pe- tição inicial (art. 344, segunda parte do CPC) e a desnecessidade de sua intimação para os demais atos do processo caso não tenha constituído procurador nos autos. Importante observar o art. 345 do CPC, pois o referido artigo traz hipóteses que afastam a aplicação dos efeitos da revelia: em outras palavras, de acordo com o art. 345 do CPC, o réu que não contestar a ação permanece revel, mas contra ele não há presunção de veracidade dos fatos. Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: I – havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indis- pensável à prova do ato; IV – as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. Atenção ainda para o art. 349 do CPC: “Ao réu revel será lícita a produção de provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça representar nos autos a tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção”. Assim, ao réu, habilitando-se no processo, através de seu advogado, é permitida a produção de provas, em qualquer fase do processo, conforme o parágrafo único do art. 346 do CPC. 1.9.3. Reconvenção Além da contestação, o réu poderá se valer da reconvenção para contra-atacar o autor, isto é, através da reconvenção, o réu poderá formular pretensões, assim como fez o autor na petição inicial. Segundo a expressa previsão do art. 343 do CPC, deverá a reconvenção ser apresentada na contestação. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 36 Atenção: a reconvenção não será apresentada em peça separada. A reconvenção é um tópico dentro da contestação, produzindo pedidos próprios e, consequentemente, apresentada no prazo da contestação. Importante! Só a contestação não terá valor da causa, mas a contestação com a reconvenção terá valor da causa, ou seja, deverá apresentar o valor da reconvenção, na forma do art. 292 do CPC. Há possibilidade de o réu que não deseja contestar apresentar apenas a reconvenção, conforme o § 6º do art. 343 do CPC. Ainda, a desistência da ação ou a ocorrência de alguma causa extintivaque impeça o exame do mérito da petição inicial não prejudicará o prossegui- mento do processo quanto à reconvenção (§ 2º, do art. 343 do CPC). Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. § 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. § 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. 1.10. Atos Processuais, citação, intimação, prazos, intervenção do MP 1.10.1. Atos Processuais O processo consiste em uma sucessão de atos. Atos processuais são os atos humanos realizados no processo, os quais devem ser praticados em conformidade com o que determina a lei. Podem ser orais ou por escrito; todavia, sempre que forem orais, serão reduzidos a termo pelo escrivão, para sua documentação nos autos. Independentemente de sua forma, em regra, os atos processuais serão públicos, salvo aqueles cuja ação tramitar em segredo de justiça, conforme o art. 189 do CPC. Tempo dos atos processuais: Os atos processuais serão praticados em dias úteis, das 06 às 20 horas, conforme o art. 212 do CPC; contudo, essa informação não quer dizer que o Poder Judiciário precise estar aberto durante esse horário. Observe o § 3º do art. 212 do CPC: “Quando o ato tiver de ser praticado por meio de petição em autos não eletrônicos, essa deverá ser protocolada no horário de funcionamento do fórum ou tribunal, conforme o disposto na lei de organização judiciária local”. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 37 O caput do art. 212 do CPC traz um limite de horário, porém, cada lei de organização judiciária tem competência para definir o seu horário de funcionamento, por consequência, a regra é que o advogado deve protocolar um recurso, por exemplo, no horário de funcionamento do fórum ou tribunal, se os autos não forem eletrônicos. Quando se tratar de prática eletrônica de ato processual, é necessário observar o art. 213 do CPC: “A prática eletrônica de ato processual pode ocorrer em qualquer horário até as 24 (vinte e quatro) horas do último dia do prazo”. Assim, se o prazo processual é de autos eletrônicos, o advogado pode protocolar o recurso, por exemplo, até as 23h59min do último dia do prazo. Comunicação dos atos processuais Existem atos processuais que podem acontecer fora dos dias e dos horários estipulados no art. 212 do CPC. Existem formas de comunicação de atos processuais, sendo elas: citação e intimação. A citação é a forma pela qual o réu toma conhecimento de que existe uma ação contra ele e, a partir desse ato, abre a oportunidade de o réu se defender. No processo civil, a citação ocorre apenas para o réu, uma única vez, e os demais atos processuais são comunicados através da intimação. A intimação, no processo civil, é avisar as partes ou qualquer outro terceiro que por acaso intervir no processo, para fazer ou deixar de fazer alguma coisa. 1.10.2. Citação A partir da alteração do CPC ocorrida em 2021, a citação eletrônica se tornou a regra (preferencial), conforme art. 246 do CPC, assim como a intimação, na forma do art. 270 do CPC. Diante dessa regra, a contagem do prazo, quando a comunicação do ato for eletrônica, também foi alterada, sendo incluído o inciso IX ao art. 231: “o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do recebimento da citação realizada por meio eletrô- nico”. Importante destacar a referência de que as citações e intimações serão sempre acom- panhadas das orientações para confirmação, conforme art. 246, § 4º: “As citações por correio eletrônico serão acompanhadas das orientações para realização da confirmação de recebimento e de código identificador que permitirá a sua identificação na página eletrônica do órgão judicial citante”. Destaque-se ainda que a citação deverá ser efetivada em até 45 dias após a proposi- tura da ação, conforme o art. 238, parágrafo único, do CPC. Nessa mesma linha, fixou o caput 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 38 do art. 246 do CPC que a citação deve acontecer em até dois dias úteis da decisão que a deter- minar: Art. 246. A citação será feita preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de até 2 (dois) dias úteis, contado da decisão que a determinar, por meio dos endereços eletrônicos indicados pelo citando no banco de dados do Poder Judiciário, conforme regulamento do Conselho Nacional de Justiça. E, não menos importante, a ausência de confirmação, em até três dias, gera a necessi- dade de que a citação ocorra de forma não eletrônica, conforme o art. 246, § 1º-A do CPC. É necessário atentar-se para que a falta de confirmação deve ser justificada, sob pena de configurar ato atentatório a dignidade da justiça, conforme § 1º-C do art. 246 do CPC: “Considera- se ato atentatório à dignidade da justiça, passível de multa de até 5 % (cinco por cento) do valor da causa, deixar de confirmar no prazo legal, sem justa causa, o recebimento da citação recebida por meio eletrônico”. Importante, Cabeçones! A microempresa e a empresa de pequeno porte somente serão citadas pelo método antigo se não tiverem o endereço eletrônico cadastrado, conforme previsão do § 5º do art. 246 do CPC: “As microempresas e as pequenas empresas somente se sujeitam ao disposto no § 1º deste artigo quando não possuírem endereço eletrônico cadastrado no sistema integrado da Rede Na- cional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim)”. Vale recordar que as empresas públicas e privadas têm obrigação de manter cadastro, na forma do § 1º do art. 246 do CPC: “As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio”. As situações em que não será possível a citação de forma eletrônica encontra-se no art. 247 do CPC. Art. 247. A citação será feita por meio eletrônico ou pelo correio para qualquer comarca do País, exceto: I – nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3o; II – quando o citando for incapaz; III – quando o citando for pessoa de direito público; IV – quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspon- dência; V – quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma. 1.10.3. Intimação 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 39 Intimação é a forma de dar ciência às partes sobre atos e termos do processo, con- forme estabelece o art. 269 do CPC, e pode acontecer nas mesmas circunstâncias da citação. O diferencial é a chamada intimação direta, que é feita pelo advogado de uma das partes para o advogado da parte adversa, na forma do art. 269, §§ 1º e 2º do CPC, visando a celeridade do ato processual. Essa intimação deve ser comprovada nos autos, mediante juntada de aviso de recebimento com a descrição dos documentos enviados. Art. 269. Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo. § 1o É facultado aos advogados promover a intimação do advogado da outra parte por meio do correio, juntando aos autos, a seguir, cópia do ofício de intimação e do aviso de recebi- mento. § 2o O ofício de intimação deverá ser instruído com cópia do despacho,da decisão ou da sentença. § 3o A intimação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias e fundações de direito público será realizada perante o órgão de Advocacia Pública responsável por sua representação judicial. 1.10.4. Cartas Segundo o art. 67 do CPC, as cartas são formas de cooperação entre órgãos jurisdi- cionais. O art. 69, § 2º do CPC, elenca alguns atos processuais que poderão ser produzidos via cartas. Os tipos de cartas existentes estão definidos no art. 237 do CPC: Art. 237. Será expedida carta: I – de ordem, pelo tribunal, na hipótese do § 2o do art. 236; II – rogatória, para que órgão jurisdicional estrangeiro pratique ato de cooperação jurídica internacional, relativo a processo em curso perante órgão jurisdicional brasileiro; III – precatória, para que órgão jurisdicional brasileiro pratique ou determine o cumpri- mento, na área de sua competência territorial, de ato relativo a pedido de cooperação judiciária formulado por órgão jurisdicional de competência territorial diversa; IV – arbitral, para que órgão do Poder Judiciário pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato objeto de pedido de cooperação judiciária for- mulado por juízo arbitral, inclusive os que importem efetivação de tutela provisória. Parágrafo único. Se o ato relativo a processo em curso na justiça federal ou em tribunal superior houver de ser praticado em local onde não haja vara federal, a carta poderá ser dirigida ao juízo estadual da respectiva comarca. Nesses casos, compete ao STJ autorizar o cumprimento da carta rogatória passiva, cha- mado exequatur (art. 105, I, i da CF). Cuidado, Cabeçones! O STJ apenas vai autorizar a execução da carta rogatória, pois quem vai de fato executar, escutar a testemunha ou parte, será o juiz federal (art. 109, X da CF). Nulidade dos atos processuais 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 40 Um ato processual será considerado nulo quando não observar todos os requisitos de validade e acarretar algum prejuízo. Se o juiz identificar uma nulidade durante o processo, orde- nará que seja corrigida, avaliando, inclusive, se os atos posteriores que dele dependam também devem ser reparados. Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados. § 1o O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. A nulidade de um ato só poderá anular os atos posteriores que dele dependam, não pre- judicando os atos posteriores independentes, conforme disciplina o art. 281 do CPC: “Anulado o ato, consideram-se de nenhum efeito todos os subsequentes que dele dependam, todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras que dela sejam independentes”. De acordo com o art. 277 do CPC, o ato será considerado válido pelo juiz, desde que tenha alcançado a finalidade para o qual foi previsto, mesmo que tenha sido realizado de forma contrária à lei. Isso porque se adota o princípio da instrumentalidade das formas, que diz que a forma é necessária apenas para que o ato alcance o seu objetivo, e se atingir o objetivo por outro meio, não existirá o vício (exemplo: o réu é citado de forma incorreta, mas comparece à audiência e se defende – o ato que inicialmente era nulo se tornará válido). Importante! Identificando que o ato processual, mesmo nulo, não trouxe prejuízo e al- cançou a sua finalidade, não será decretada sua nulidade. 1.10.5. Prazos dos Atos Processuais Os prazos, no Direito Processual Civil, serão contados apenas em dias úteis, na forma do art. 219 do CPC. Para contagem dos prazos, como regra, será identificado o dia do começo (art. 231 do CPC), excluindo-se tal dia conforme o art. 224 do CPC, ou seja, exclui-se o dia do começo e inclui-se o do final. Importante! Na contagem de prazos quando a intimação acontecer via publicação no Diário da Justiça Eletrônico, serão levados em consideração os §§ 2º e 3º do art. 224 do CPC. Além disso, con- forme inovação do inciso IX do art. 231, deve-se atentar ao dia de começo do prazo para as intimações feitas por meio eletrônico. Configura-se no quinto dia útil posterior à confirmação de recebimento da mensagem intimatória. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 41 Para as partes, a consequência da não observância dos prazos processuais é a preclu- são temporal, ou seja, a perda do direito de manifestação. Trata-se de um mecanismo que gera a perda da faculdade processual, ou seja, a parte não poderá mais praticar determinado ato processual, podendo ser gerada por não ter sido exercida no tempo devido (preclusão tem- poral), na forma do art. 223 do CPC: “Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, po- rém, à parte provar que não o realizou por justa causa”. Ademais, importante ressaltar que, é possível cumprir um ato processual antes mesmo do início da contagem do prazo, conforme o § 4º do art. 218 do CPC: “Será considerado tempes- tivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo”. Ainda há a preclusão lógica, na qual a parte deixa de ter a possibilidade de praticar algum ato, diante de já ter realizado ato anterior incompatível com ele. Exemplo: art. 1.000 do CPC. E, por fim, há a preclusão consumativa, que se trata da impossibilidade de a parte refazer ou aperfeiçoar algum ato já realizado. Por exemplo: a reconvenção deverá ser apresentada junto com a contestação, nem antes, nem depois, junto. Suspensão e Interrupção de Prazos Ainda, apesar de não termos esse assunto expressamente no CPC, é importante observar as regras quanto à suspensão e à interrupção de prazos. Quanto à suspensão de um prazo: por exemplo, em um prazo de 15 dias. Se o prazo for suspenso no quinto dia, encerrada a causa suspensiva do prazo, tem-se mais dez dias, ou seja, a causa suspensiva está encerrada, e faz com que se conte o restante do prazo. Na interrupção de um prazo, encerrada a causa interruptiva, tem-se todo o prazo, não apenas o restante. Assim, se o prazo era de 15 dias e a interrupção aconteceu no quinto dia, encerrada a causa interruptiva do prazo, a parte terá novamente os 15 dias. Importante, Cabeçones! • Ocorrendo uma causa interruptiva de prazo, terminada a interrupção, o prazo reiniciará na sua integralidade (terminada a causa interruptiva, a parte tem todo o prazo de volta). • Emergindo uma causa suspensiva, encerrada a mesma, a parte terá apenas o que restou (o saldo) do prazo. O magistrado também deverá obedecer a prazos processuais, na forma do art. 226 do CPC: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 42 Art. 226. O juiz proferirá: I – os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II – as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III – as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias. Contudo, ao contrário da parte – que, não cumprindo um prazo, incide a preclusão, ou seja, perde o direito de praticar um ato –, contra os atos do magistrado não incide a preclusão. O magistrado que exceder os prazos processuais haverá representação, nos termos do art. 235 do CPC: “Qualquer parte, o Ministério Público ou a Defensoria Pública poderá represen- tar ao corregedor do tribunal ou ao Conselho Nacional de Justiça contra juiz ou relator que injus- tificadamente exceder os prazos previstos em lei, regulamento ou regimento interno”. Causas que geram modificação do prazo O MP, conforme o art. 180 do CPC, goza de prazo em dobro para se manifestar nos autos. Ainda, de acordo com o art. 183 do CPC: “A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios esuas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pes- soal”. A Defensoria Pública (art. 186 do CPC) também incidirá o prazo em dobro, bem como no caso do art. 229 do CPC, sobre o litisconsórcio com diferentes procuradores de escritórios dis- tintos. Importante, Cabeçones! Conforme o § 2º do 229 do CPC, tal dispositivo não se aplica aos processos em autos eletrônicos. 1.10.6. Intervenção do Ministério Público no Processo Civil A atuação do MP pode acontecer como parte ou como fiscal da ordem jurídica. Sua atuação como fiscal da ordem jurídica será emitindo parecer/opinião – e esta atuação se restringe aos casos definidos no art. 178 do CPC. Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e nos processos que envolvam: I – interesse público ou social; II – interesse de incapaz; III – litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana. Parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 43 Nesses casos definidos no art. 178 do CPC, a intimação do MP será obrigatória (art. 179, I do CPC), e a falta de intimação acarretará a nulidade do processo (art. 279 do CPC). Possibilidade de alteração no procedimento Conforme previsão do art. 190 do CPC, as partes podem estipular, de comum acordo, mudanças no procedimento: Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às espe- cificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante o processo. Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em mani- festa situação de vulnerabilidade. E, nesse sentido, poderão inclusive criar um calendário processual próprio, conforme art. 191, CPC: “De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática dos atos processuais, quando for o caso”. Ainda de acordo com o § 1º: “O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos somente serão modificados em casos excepcionais, devida- mente justificados”. Atenção ainda para o § 2º do art. 191 do CPC: “Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou a realização de audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário”. 1.11. Julgamento antecipado, decisão de saneamento e organização do processo, teoria geral da prova 1.11.1. Julgamento Antecipado Se já foram cumpridas as providências preliminares, o juiz procederá ao julgamento con- forme estado do processo, momento em que deverá analisar o destino da relação processual. Assim, ocorrendo qualquer hipótese prevista nos arts. 485 e 487, incisos II e III do CPC, o juiz proferirá sentença, conforme art. 354, do CPC. Essa decisão poderá ser apenas uma parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento, conforme parágrafo único do art. 354, CPC. Julgamento antecipado do mérito – total 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 44 Reconhecendo o magistrado a desnecessidade de produção de mais provas em audiência de instrução e julgamento (provas orais, periciais e inspeção judicial), estará autorizado a proferir sentença com resolução de mérito, segundo art. 355, do CPC. Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: I – não houver necessidade de produção de outras provas; II – o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349. Atenção, Cabeçones! Nesse caso, todos os pedidos serão julgados e, assim, essa decisão extinguirá o processo com resolução do mérito, na forma do art. 487, I do CPC. Essa decisão é uma sentença, assim, será recorrível via apelação, nos termos do art. 1.009 do CPC. Julgamento antecipado parcial do mérito O CPC também contempla a possibilidade de serem proferidas decisões parciais de mé- rito, ou seja, o juiz entende que alguns pedidos não necessitam de produção de provas e já estão maduros para serem julgados. Esses pedidos terão o mérito julgado e o processo prosseguirá quanto aos demais pedidos. Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I – mostrar-se incontroverso; II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355 . § 1o A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obriga- ção líquida ou ilíquida. § 2o A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto. § 3o Na hipótese do § 2o, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será defi- nitiva. § 4o A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz. § 5o A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento. Atenção! À decisão de julgamento antecipado parcial do mérito, cabe agravo de instrumento, como instrumento correto para impugnação, segundo o § 5º, do art. 356, do Código de Processo Civil. Nessa decisão, o juiz não está extinguindo o processo. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 45 1.11.2. Decisão de Organização e Saneamento do Processo Passada a fase de providências preliminar e não sendo o caso de julgamento antecipado do mérito, o juiz proferirá decisão de organização e saneamento do processo, conforme art. 357 do CPC: Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo: I – resolver as questões processuais pendentes, se houver; II – delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especifi- cando os meios de prova admitidos; III – definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373; IV – delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito; V – designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento. § 1o Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável. § 2o As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz. § 3o Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, opor- tunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações. § 4o Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemunhas. § 5o Na hipótese do § 3o, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas. § 6o O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato. § 7o O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados. § 8o Caso tenha sido determinada a produção de prova pericial, o juiz deve observaro disposto no art. 465 e, se possível, estabelecer, desde logo, calendário para sua realiza- ção. § 9o As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 (uma) hora entre as audi- ências. Havendo necessidade de produção de prova testemunhal, o juiz fixará o prazo não supe- rior a 15 dias para que as partes apresentem o rol de testemunhas, não superior a dez e no máximo três para cada fato, nos termos dos §§ 4º e 6º do art. 357 do CPC. Ainda, nos termos do § 7º do mesmo dispositivo legal, o juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados. Importante! Pode o juiz, se entender necessário, marcar uma audiência de saneamento em coopera- ção, prevista no § 3º do art. 357 do CPC, com o objetivo de tomar as decisões referentes ao saneamento nesta audiência. Caso seja marcada a audiência nos termos do art. 357, § 3º do 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 46 CPC, o prazo para arrolar testemunhas muda, devendo o rol de testemunhas ser apresentado na audiência de saneamento, conforme o mesmo art. 357, § 5º, CPC. Audiência de instrução A audiência de instrução serve, basicamente, para produzir prova oral, conforme art. 361 do CPC, podendo, ainda, neste ato, serem esclarecidas questões de perícia, produzir debates orais e decidir a causa. A audiência é pública, ressalvada algumas exceções legais (art. 368 e 189, CPC). Segundo os incisos do art. 361 do CPC, acontecerá nesta audiência a ouvida do perito e assistentes técnicos (se existente a prova pericial), os depoimentos pessoais do autor e do réu (ouvida das partes) e a inquirição de testemunhas. A possibilidade de adiamento de tal audiência está prevista no art. 362, nas hipóte- ses de: *Para todos verem: esquema. Importante, cabeçones! O Juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas pela parte cujo advogado ou defensor público não tenha comparecido nem tenha se justificado, aplicando a mesma regra ao Ministério Público (§ 2º do art. 362, CPC). Finda a instrução, o juiz passará a palavra para o advogado do autor, logo depois, ao advogado do réu, bem como ao membro do Ministério Público, se for o caso de sua intervenção. Cada um terá o prazo de 20 minutos, que poderá ser prorrogado por mais dez minutos, se o juiz achar necessário (art. 364, CPC). Resolvendo e julgando as questões processuais pendentes; Fixando os fatos controvertidos (os quais serão objeto de produção probatória); Estabelecendo o ônus (obrigação) de produzir a prova (respeitado o art. 373 do CPC); Definindo os meios de prova; Identificando as questões de direito relevantes (até em respeito ao art. 10 do CPC); Aprazando audiência de instrução e julgamento, caso necessário. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 47 Quando a causa apresentar complexidade em fatos ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas (antigamente classificados como memoriais), que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de interven- ção, em prazos sucessivos de 15 dias para cada, sendo assegurada vista aos autos (§ 2º, art. 364, CPC). Encerrados os debates orais ou oferecidas as razões finais, o juiz proferirá sentença em audiência ou no prazo de 30 dias (art. 366, CPC). 1.11.3. Teoria Geral da Prova Conceito de prova A prova é um instrumento ou meio hábil para demonstrar a existência de um fato. O objeto da prova serão, então, os fatos controvertidos, aqueles que têm mais de uma versão nos autos. Conforme o art. 369 do CPC: “As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz”. São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos, segundo o inciso LVI, do art. 5º da Constituição Federal. Não dependem de prova, de acordo com o art. 374 do CPC, os fatos: I – notórios: de conhecimento geral, como datas históricas; II – afirmados por uma parte e confessados pela outra parte: quando a parte confirma as alegações da parte contrária; III – admitidos no processo como incontroversos; IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Cabe ao juiz apreciar a prova constante nos autos, independentemente de quem a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento, conforme o art. 371 do CPC. A quem cabe o requerimento de produção de provas? As partes, em regra, têm o dever de requer a produção das provas e cabe ao Poder Judiciário deferi-las ou não. O juiz não pode substituir a vontade de uma das partes determinando a produção de alguma prova que a parte não produziu ou nem mesmo citou, exceto quando se tratar de direito indisponível, ocasião em que poderá solicitar de ofício a produção de provas, tratando-se de uma exceção. Ônus da prova 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 48 Caberá o ônus da prova ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Essa é a regra geral, conforme art. 373, CPC. O art. 373, § 1º do CPC autoriza o julgador, mediante decisão fundamentada, a inverter o ônus da prova – é a chamada distribuição diversa do ônus da prova ou distribuição dinâmica. Essa alteração ou inversão do ônus da prova também poderá ser acertada entre as partes, conforme prevê os §§ 3º e 4º do art. 373 do CPC. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à im- possibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincum- bência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3o A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I – recair sobre direito indisponível da parte; II – tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o processo. Prova emprestada Em nome do princípio da economia processual e da celeridade, o juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar ade- quado, observado o contraditório, conforme o art. 372 do CPC. Produção antecipada de prova A prova pode ser antecipada, nos termos do art. 381 do CPC: *Para todos verem: esquema. Prova em espécie Quando exista fundado receio de impossibilidade ou dificuldade de verificação de certos fatos; Com o objetivo de alcançar provas que motivem as partes para autocomposição; Identificar fatos que possam justificar ou evitar o ajuizamento de uma ação. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 49 a) Ata notarial: é um documento lavrado pelo tabelião de notas exclusivamente, que tem a finalidade de atestar a existência ou o estado de coisas. b) Depoimento pessoal: depoimento das partes – autor e réu. Cabe à parte adversa requerer o depoimento pessoal da outra parte, conforme art. 385, do CPC. Importante, Cabeçones! Em caso de pessoa jurídica, o depoimento poderá ser prestado por seus representantes legais ou prepostos indicados pelo contrato social, desdeque tenham poderes para isso e, obvi- amente, tenham conhecimento dos fatos. As partes serão ouvidas em separado, sendo vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte, de acordo com o art. 385, § 2º, CPC. Somente não será obrigada a prestar depoimento pessoal nas hipóteses elencadas no art. 388, do CPC, ou seja, nestes casos, a negativa de prestar depoimento ou de responder às perguntas não acarretará a pena de confissão. c) Confissão: segundo o art. 389 do CPC, há confissão quando a parte admite a verdade de um fato contrário ao seu próprio interesse e favorável aos interesses do adversário. Quanto à eficácia da confissão por representante (art. 392, § 2º, CPC e art. 213, parágrafo único, CC), é possível a confissão espontânea feita pelo representante legal. Contudo, quem confessa é o representado, o representante é quem apresentará a confissão espontânea ao ma- gistrado, ou seja, ele é mero condutor da vontade declarada pelo real confitente. Para isso serão necessários poderes especiais (arts. 390, § 1º, e 105, ambos do CPC). A confissão, uma vez feita, é irrevogável, salvo se for provado que ela acontece em decorrência de erro de fato ou coação (art. 393, caput, do CPC) – nesse caso, poderá ser anulada. d) Exibição de documento ou coisa: o juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se encontre em seu poder, conforme o art. 396 do CPC, sempre que o exame desses bens seja útil ou necessário para a instrução processual. Quando o juiz não admitirá a recusa da exibição por parte do demandado? Se o requerido não efetuar a exibição, nem fizer nenhuma declaração no prazo de cinco dias, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que a parte contrária pretendia demonstrar pelo documento ou coisa a ser exibida (art. 400, I, CPC) – ou, ainda, se a recusa de exibição for ilegítima (art. 400, II, CPC). e) Prova documental: conceito e força probante. Documentos podem ser públicos ou particulares. Ex.: desenhos, fotografias, gravações sonoras, filmes cinematográficos etc. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 50 • Documentos públicos: o documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor de- clararem que ocorreram em sua presença (art. 405, CPC). • Documentos particulares: são, por óbvio, aqueles que não ocorrem por interferência de órgão público em sua elaboração. O documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída (art. 412, CPC). O valor do documento particular cessa, conforme o art. 428, CPC. Art. 428. Cessa a fé do documento particular quando: I – for impugnada sua autenticidade e enquanto não se comprovar sua veracidade; II – assinado em branco, for impugnado seu conteúdo, por preenchimento abusivo. Parágrafo único. Dar-se-á abuso quando aquele que recebeu documento assinado com texto não escrito no todo ou em parte formá-lo ou completá-lo por si ou por meio de outrem, violando o pacto feito com o signatário. A quem cabe o dever de produzir a prova documental? Incumbe à parte instituir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações (art. 434, CPC), cabendo à parte diversa manifestar-se aos documentos anexados. Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos autos, o juiz ouvirá a outra parte, no prazo de 15 dias, podendo esse prazo ser dilatado, levando-se em consideração a complexidade da do- cumentação (art. 437, §1º CPC). f) Prova testemunhal: a prova testemunhal é um dos meios mais utilizados no processo civil, e consiste na inquirição em audiência de pessoas que não sejam as próprias partes, que tenham presenciado ou possam contribuir para os fatos relevantes no julgamento. A prova testemunhal, em regra, será sempre admissível: Art. 442. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. Art. 443. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: I - já provados por documento ou confissão da parte; II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. Direitos e deveres da testemunha Qualquer pessoa poderá depor como testemunhas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas (art. 447 do CPC). A pessoa que depõe na condição de testemunha assumirá e pres- tará o compromisso de dizer a verdade. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 51 Quando necessário, a oitiva de testemunhas impedidas, menores ou suspeitas (§ 4º do 447, CPC), isto é, seus depoimentos serão prestados independentemente de compromisso de se dizer a verdade (ou seja, como informantes) e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer (§ 5º do 447, CPC). Produção da prova testemunhal O momento adequado para requerer a prova testemunhal é a petição inicial (para o autor), na contestação (para o réu), ou, então, na fase de especificação da prova, durante as providên- cias preliminares (fase de saneamento). Será na decisão de saneamento que o juiz irá determinar quais provas serão deferidas e quais testemunhas serão ouvidas, sendo designada audiência de instrução para sua oitiva. Cada parte poderá arrolar até dez testemunhas, três para cada fato, podendo o juiz dis- pensar as que considerar impertinentes (art. 357, § 6º, CPC). Contradita Tem direito à contradita a parte, caso a testemunha seja impedida, suspeita ou incapaz de contraditá-la – ou seja, demonstrar que o depoente não pode prestar depoimento sob o jura- mento (compromisso de dizer a verdade). A contradita aceita pelo juiz não impede o depoimento, apenas retira do depoente a con- dição de testemunha, passando para informante (o qual depõem sem o compromisso de dizer a verdade. Intimação da testemunha Cabe ao advogado da parte informar ou intimar a testemunha por ele arrolada, dispen- sando, assim, a intimação pelo juiz (art. 455, caput, CPC). A intimação deve ser realizada por carta com aviso de recebimento (AR), devendo o ad- vogado juntá-la aos autos, com antecedência de três dias da data da audiência, cópia do AR e do comprovante de recebimento pela testemunha (art. 455, § 1º, CPC). A testemunha que, intimada por AR ou pela via judicial, deixar de comparecer sem motivo justificado será conduzida e responderá pelas despesas do adiamento (§ 5º do art. 455, CPC). Importante! Quando arrolados como testemunhas, as pessoas (autoridades) elencadas no art. 454, elas terão o direito de prestar o depoimento no seu domicílio ou local de trabalho. g) Prova pericial: a prova pericial é o meio utilizado quando a apuração dos fatos exige estudos técnicos, conhecimento de profissionais especializados em determinadas áreas. Nestes 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 52 casos, são nomeados peritos, que realizam exame, vistoria ou avaliação. Quando a prova não for complexa, poderá o juiz de ofício ou a requerimento das partes substituir a perícia por prova técnica simplificada, que consiste na inquirição de especialista. O juiz, ao nomear o perito, fixará a data da entrega do laudo e caberá às partes, dentro de 15 dias contados da intimação da decisão que nomeou o perito, apresentar, se for o caso, impedimento ou suspeição, indicar as- sistente técnico e apresentar quesitos (que poderão ser indeferidos pelo juízo, caso sejam im- pertinentes). Ciente da nomeação o perito apresentará em cinco dias, nos termos do art. 465, § 2º do CPC. Poderá o juiz determinar o pagamento da metade dos honorários do perito antes de os trabalhos começarem sendo o restante pago posteriormente a sua conclusão, depois de entre- gue o laudo e prestados os esclarecimentos necessários, nos termos do art. 465, § 4º do CPC. As partes podem escolher o perito, nos termos do art. 471 do CPC, ou seja, indicando-o mediante requerimento, desde que estejam em comum acordo, sejam capazes e a causa possaser resol- vida por autocomposição. E, mesmo indicando o perito, poderão indicar também assistente téc- nico. 1.12. Audiência de mediação/conciliação De acordo com o art. 334 do CPC, o juiz, ao receber a petição, e se não for caso de improcedência liminar ou indeferimento, deverá designar a audiência de conciliação ou mediação com antecedência mínima de 30 dias, sendo o réu citado em pelo menos 20 dias antes da audi- ência. Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de impro- cedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência. Lembrando que, de acordo com o art. 319, inciso VII do CPC, o autor deverá mencionar na petição inicial a opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação; contudo, para não ocorrer a audiência, ambas as partes deverão demonstrar desinteresse. Tam- bém não será realizada se o juiz, ao receber a inicial, entender que não é o caso de autocompo- sição, situação em que mandará citar o réu para contestar, conforme o art. 334, § 4º do CPC: “ § 4o A audiência não será realizada: I – se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição con- sensual; II – quando não se admitir a autocomposição. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 53 O autor deve afirmar seu desinteresse na petição inicial, e o réu, em até dez dias antes da audiência, por simples petição, art. 334, § 5º do CPC: “O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência”. Ainda, o § 6º do art. 334 do CPC traz a situação do litisconsórcio: “Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado por todos os litisconsortes”. É possível que a audiência de conciliação ou de mediação possa realizar-se por meio eletrônico? Sim, de acordo com o § 7º do art. 334 do CPC: “A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos termos da lei”. Ocorrendo a audiência, o comparecimento das partes é obrigatório, sob pena de ato aten- tatório contra a dignidade da justiça e sob pena de multa de 2% da vantagem econômica preten- dida ou do valor da causa, conforme o exposto no art. 334, § 8º do CPC: § 8o O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. Importante, Cabeçones! O benefício da justiça gratuita não afasta a incidência de multa, ou seja, o fato de a parte que, por qualquer razão, receber uma multa processual ser beneficiária da justiça gratuita não a isenta do pagamento. As partes devem comparecer e estarem acompanhadas de seus respectivos advogados ou defensores públicos, art. 334, § 9º do CPC. Contudo, se a parte não puder comparecer, po- derá ser representada por seu advogado, desde que tenha procuração com poderes específicos, na forma do art. 334, §10 do CPC. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença, conforme o § 11 do art. 334 do CPC. Dessa forma, estamos diante de uma decisão de mérito. 1.13. Sentença, extinção com mérito, coisa julgada, ação rescisória, ex- tinção sem mérito 1.13.1. Sentença 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 54 A sentença é ato do juiz que extingue o processo, conforme o art. 316 do CPC, com ou sem resolução do mérito (arts. 485 e 487, do CPC). O Poder Judiciário julga o mérito quando julga os pedidos. Conforme o art. 490 do CPC, “o juiz resolverá o mérito acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, os pedidos formulados pelas partes”. Atenção, o juiz só pode julgar o que foi pedido, ele está sempre vinculado aos pedidos. A sentença possui limites que, se não respeitados, provocam sua nulidade: são as chamadas sen- tenças ultra petita, citra petita e extra petita. Sentença extra petita é aquela que o juiz julga pedido que não foi proposto pelo autor. Sentença ultra petita é aquela que o juiz condena o réu em quantidade superior à pedida. A sentença infra ou citra petita é quando o juiz deixa de apreciar algum pedido da parte, no caso de haver cumulação de pedidos. Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como con- denar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. Uma vez publicada a sentença, em regra, o juiz não pode mais alterá-la. Contudo, os arts. 494 e 505 do CPC trazem duas exceções: Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: I – para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; II – por meio de embargos de declaração. Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I – se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II – nos demais casos prescritos em lei. Sentença terminativa A sentença terminativa põe fim ao processo, sem resolver o mérito, conforme o art. 485 do CPC, e o direito à ação permanece, mesmo após proferida a sentença. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I – indeferir a petição inicial; II – o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III – por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV – verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V – reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI – verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII – acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 55 arbitral reconhecer sua competência; VIII - homologar a desistência da ação; IX – em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X – nos demais casos prescritos neste Código. § 1o Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. § 2o No caso do § 1o, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos hono- rários de advogado. § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. § 4o Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. § 5o A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. § 6o Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. § 7o Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. Sentença de mérito A sentença de mérito é aquela que decide o mérito da questão, no todo ou em parte, decisão essa com resolução do mérito, segundo o art. 487, do CPC. Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: I – acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; II – decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III – homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção;b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar- se. No art. 487, inciso I, encontra-se a forma mais completa de extinção da causa com reso- lução do mérito. Ela ocorre quando o juiz acolhe ou rejeita (no todo ou em parte) o pedido formu- lado na ação (inicial) ou na reconvenção. O inciso II traz a resolução do mérito também quando o juiz reconhecer a prescrição ou a decadência (importante observar que o dispositivo autoriza ao juízo o reconhecimento da prescrição ou da decadência de ofício). E, por fim, também haverá resolução do mérito quando o juiz homologar o reconhecimento do pedido (art. 487, III, “a” do CPC), transação (art. 487, III, “b” do CPC) e a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção (Art. 487, III, “c” do CPC). Extinção Sem Resolução do Mérito: a extinção sem resolução do mérito (art. 485 do CPC) não gera coisa julgada material (art. 502 do CPC) e não impede que o autor entre nova- mente com a mesma ação (art. 486 do CPC). 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 56 Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a parte proponha de novo a ação. § 1o No caso de extinção em razão de litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485, a propositura da nova ação depende da correção do vício que levou à sentença sem resolução do mérito. § 2o A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. § 3o Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. A desistência da ação, como causa de extinção sem resolução do mérito, pode ser apre- sentada até a sentença (art. 485, § 5º do CPC), antes do oferecimento da contestação sem necessidade de consentimento do réu; se o pedido ocorrer depois da contestação, será neces- sário o consentimento do réu (art. 485, § 4º do CPC). Quando ocorre o falecimento do titular do direito intransmissível, o direito se extingue com a pessoa do titular, conforme o inciso IX (no entanto, quando o direito for transmissível, aplica- se o art. 110 do CPC, sem a extinção, mas sim com a sucessão da parte falecida pelos seus herdeiros ou sucessores). Importante! Identificar os conceitos de perempção (art. 486, § 3º do CPC), litispendência (art. 337, §§ 1º, 2º e 3º do CPC) e coisa julgada (art. 337, §§ 1º e 4º, e art. 502, ambos do CPC). 1.13.2. Coisa Julgada A coisa julgada é o feito que atinge a decisão de mérito não mais sujeita a recurso, tor- nando-a imutável e indiscutível, ou seja, ela não pode mais ser alterada, conforme o art. 502 do CPC: “Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a deci- são de mérito não mais sujeita a recurso”. Ultrapassado o prazo para o recurso – ou seja, 15 dias, sem recurso –, o prazo transitará em julgado, e essa decisão adquirirá a qualidade de coisa julgada. A decisão sem mérito não mais sujeita a recurso gera a denominada coisa julgada formal (a qual permite que se promova uma nova ação discutindo e buscando os mesmos pedidos – art. 486 do CPC). Importante, Cabeçones! Nenhum juiz pode decidir questões já decididas anteriormente (efeito da coisa julgada); todavia, existem exceções previstas nos incisos do art. 505, I e II do CPC. A coisa julgada não 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 57 atinge terceiros (que não participaram do processo) – art. 506 do CPC. Não é permitido às partes discutirem novamente questões já decididas e preclusas (art. 507 do CPC). Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1o O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I – dessa resolução depender o julgamento do mérito; II – a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III – o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. § 2o A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. Art. 504. Não fazem coisa julgada: I – os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II – a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I – se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II – nos demais casos prescritos em lei. Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e repe- lidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. 1.13.3. Remessa necessária Nestes casos, se não for interposta apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e se não o fizer, deverá o presidente do respectivo tribunal avocá-los. Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: I – proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respecti- vas autarquias e fundações de direito público; II – que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal. § 1o Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. § 2o Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o tribunal julgará a remessa necessária. § 3o Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: I –1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público; II –500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados; III – 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 58 e fundações de direito público. § 4o Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em: I – súmula de tribunal superior; II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de as- sunção de competência; IV – entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. Esta regra da remessa necessária comporta duas exceções: a) Quanto ao valor (art. 496, § 3º do CPC). Não se aplicará a remessa necessária quando a condenação for inferior a: I –1.000 (mil) salários-mínimos para a União e respectivas autarquias e fundações de di- reito público; II –500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal e respectivas autarquias e fundaçõesde direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados; e III –100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público. b) Também não se aplicará o reexame necessário, conforme o art. 496, § 4º do CPC, quando a sentença estiver fundada em: I - súmula de tribunal superior; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de as- sunção de competência; IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. 1.13.4. Ação Rescisória A ação rescisória serve, apenas, para atacar a coisa julgada. A única forma de propor uma ação rescisória é atacar decisões de mérito que adquiriram qualidade de coisa julgada. Mas atenção: só cabe ação rescisória se a decisão estiver fundamentada em um dos requisitos do art. 966 do CPC: Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I – se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II – for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; III – resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV – ofender a coisa julgada; V – violar manifestamente norma jurídica; VI – for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 59 VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII – for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. § 1o Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os ca- sos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pro- nunciado. § 2o Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: I – nova propositura da demanda; ou II – admissibilidade do recurso correspondente. § 3o A ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da decisão. § 4o Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. § 5o Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra de- cisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. § 6o Quando a ação rescisória fundar-se na hipótese do § 5o deste artigo, caberá ao autor, sob pena de inépcia, demonstrar, fundamentadamente, tratar-se de situação particulari- zada por hipótese fática distinta ou de questão jurídica não examinada, a impor outra so- lução jurídica. Ainda, pode ser proposta no prazo de dois anos a partir do trânsito em julgado, conforme o art. 975 do CPC. A ação rescisória é uma ação de competência originária. A competência para julgar a rescisória é do Tribunal. O art. 968 do CPC traz que um dos requisitos da ação rescisória é: “II – depositar a im- portância de cinco por cento sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente”. 2. Ação de Execução Prof. Leonardo Fetter @prof.fetter 2.1. Execução de título extrajudicial, penhora, impenhorabilidade, fraude a execução, embargos à execução A ação de execução exige a existência de um título ou obrigação executável. Este título pode ser judicial (conforme art. 515 CPC) ou extrajudicial (aqueles elencados art. 784 CPC), a fim de que a atividade executiva seja exercida. O legislador resolveu denominar a execução 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 60 baseada em título judicial de cumprimento de sentença, mas não são apenas as sentenças os títulos executivos judiciais, mas sim todos aqueles definidos no art. 515 do CPC. Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: I – as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II – a decisão homologatória de autocomposição judicial; III – a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; IV – o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; V – o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; VI – a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII – a sentença arbitral; VIII – a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça; X –(VETADO). § 1o Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo. Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II – a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III – o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; IV – o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pú- blica, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou me- diador credenciado por tribunal; V – o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; VI – o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII – o crédito decorrente de foro e laudêmio; VIII – o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; IX – a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; X – o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilí- cio, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; XI – a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolu- mentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; XII – todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força execu- tiva. § 1o A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução. § 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de homologação para serem executados. § 3o O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de for- mação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação. Legitimidade na execução 1ª Fase | 40° Exameda OAB Processo Civil 61 A legitimidade ativa para propor a execução está prevista no art. 778 do CPC: Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo. § 1o Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário: I – o Ministério Público, nos casos previstos em lei; II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; III – o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos; IV – o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. § 2o A sucessão prevista no § 1o independe de consentimento do executado. Importante realçar o caso da sub-rogação na fiança, pois quando o fiador paga a dívida pelo afiançado está autorizado a executá-lo nos autos do mesmo processo. É o que dispõem os arts. 831 do CC e 794 § 2º do CPC. Importante, cabeçones! Outro legitimado ativo da execução previsto na doutrina é o advogado. O art. 23 da Lei no 8.906/1994 conferiu ao advogado o direito de executar os honorários advocatícios de sucumbên- cia. Os legitimados do polo passivo da execução estão previstos no art. 779 do CPC. O art. 779, II do CPC prevê a possibilidade de figurar como executado o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor. Importante destacar que a execução deverá respeitar os limites da he- rança. Sobre a legitimidade passiva prevista no art. 779, III do CPC (novo devedor que assumiu com consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo), é importante destacar a necessidade de concordância prévia do credor, já que o devedor responde com seus bens pela execução. O caso do art. 779, IV, do CPC é aquele em que figura no polo passivo da execução o fiador do débito constante em título extrajudicial. É importante frisar que o fiador, caso não tenha renunciado, tem direito ao benefício de ordem (art. 827 CC), podendo requerer que sejam exe- cutados primeiramente os bens do devedor, sitos no mesmo munícipio, livres e desembargados (tantos quantos bastarem para quitação do débito). Quanto à cumulação de dois ou mais títulos na mesma execução, não há nenhum impe- dimento legal, desde que os títulos apresentem os requisitos de cumulação previstos nos arts. 327 § 1º e 780 do CPC. Requisitos do título executivo (judicial e extrajudicial) 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 62 O art. 783 do CPC dispõem que: “A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sem- pre em título de obrigação certa, líquida e exigível”. Ou seja: *Para todos verem: esquema. Responsabilidade patrimonial A lei sempre vai prever uma possibilidade de pagamento voluntário do devedor, ou seja, um prazo. Não pagando a dívida, não existindo o pagamento voluntário, a forma de se alcançar a satisfação do crédito será infletir sobre o patrimônio do devedor. O mecanismo para acessar o patrimônio do devedor é a penhora. 2.1.1. Penhora de Bens Uma vez promovida a execução e não quitado o débito voluntariamente, buscar-se-á a penhora dos bens de propriedade do devedor (seu patrimônio), de acordo com o art. 835 do CPC. Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I – dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II – títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado; III – títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; IV – veículos de via terrestre; V – bens imóveis; VI – bens móveis em geral; VII – semoventes; VIII – navios e aeronaves; IX – ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X – percentual do faturamento de empresa devedora; XI – pedras e metais preciosos; Obrigação representada no título deve ter: Liquidez: exata quantidade de obrigação. É o quantum. Certeza: exposição da obrigação no título, com exposição do devedor, qual a obrigação e requisitos da lei. Exigibilidade: a obrigação deve estar apta a ser exigida (art. 786, CPC). 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 63 XII – direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduci- ária em garantia; XIII – outros direitos. § 1o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso concreto. § 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. § 3o Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da pe- nhora. Importante, cabeção! Destaca-se que a penhora nada mais é do que a individualização dos bens que serão afetados pelo pagamento da obrigação. O art. 854, do CPC, na linha desta preferência, regula a penhora on-line, que ocorre quando o juiz determina o bloqueio de valores diretamente da conta do devedor, através da emissão de comandos às unidades supervisoras das instituições finan- ceiras. Todavia, o legislador resolveu preservar determinados bens, tornando-os impenhoráveis. O rol dos bens impenhoráveis encontra-se no art. 833 do CPC. Art. 833. São impenhoráveis: I – os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II – os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; III – os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IV – os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias rece- bidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2o; V – os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado; VI – o seguro de vida; VII – os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhora- das; VIII – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela fa- mília; IX – os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X – a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários- mínimos; XI – os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei; XII – os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorpora- ção imobiliária, vinculados à execução da obra. § 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição. § 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 64 importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constri- ção observar o disposto no art. 528, § 8o, e no art. 529, § 3o. § 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a empresa indivi- dual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e es- tejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de na- tureza alimentar, trabalhista ou previdenciária. 2.1.2. Súmulasfederal (da Justiça Federal). Quanto à competência da Justiça Estadual, o que não for de competência federal, será de competência estadual, pois a competência estadual é residual. Tem-se a definição da com- petência federal e o que não for de competência federal é considerado de competência estadual. A lide de competência absoluta só pode ser julgada por aquele juízo, não há possibili- dade de alteração de competência. A competência relativa existe a possibilidade de alteração da competência. A competência federal será sempre absoluta, assim como, por exemplo, em relação à matéria. Por outro lado, a competência territorial (prevista no CPC) é um critério de competência relativa, ou seja, pode ser modificada pela vontade ou omissão das partes. • Todos os pedidos que vão tramitar utilizando ou respeitando um rito/procedimento especial devem ter previsão expressa no CPC, a partir do art. 539. Cabeção, importante: também pode haver previsão em lei especial, como por exemplo a Lei de Alimentos, a qual prevê procedimento especial para o pedido de alimentos. PROCEDIMENTO ESPECIAL • O uso deste também é definido pelo pedido, mas de uma forma ainda mais simples: para todos os pedidos que não tiverem previsão de uso do procedimento especial, será utilizado o procedimento comum. PROCEDIMENTO COMUM 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 8 Da incompetência A incompetência é dividida em absoluta e relativa. A absoluta pode ser reconhecida de ofício e em qualquer grau de jurisdição (art. 64, § 1º, CPC) – a competência absoluta trata dos casos de interesses públicos. Já a competência relativa não pode ser reconhecida de ofício (art. 337, § 5º, CPC e súmula no 33 do STJ) e deve ser alegada em preliminar da contestação (art. 337, II, CPC), sob pena de prorrogação (art. 65, CPC) – a competência relativa disciplina os casos de interesses privados. Já a prevenção visa confirmar e manter a competência de um juiz respectivo quando hou- ver mais de um juízo competente para o julgamento de uma mesma causa. Conforme previsto no art. 59 do CPC, o que torna o juízo prevento é o registro ou a distribuição da petição inicial. *Para todos verem: quadro. COMPETÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA • Interesse Público; • Não há possibilidade de modificação de competência; • Matéria; • A incompetência absoluta pode ser decretada de ofí- cio e em qualquer grau de jurisdição (art. 64, § 1o do CPC); • A incompetência absoluta não preclui; • O reconhecimento da incompetência não gera a ex- tinção do processo (art. 64 do CPC). • Interesse Privado; • Existe possibilidade de alteração de competência; • Territorial (CPC); • A incompetência não pode ser reconhecida de ofício (súmula no 33 do STJ); • Precisa ser requerida em preliminar de contestação; • Na incompetência relativa incide a preclusão; • Prorrogação processual (art. 65 do CPC); • O reconhecimento da incompetência não gera a ex- tinção do processo (art. 64 do CPC). Importante, Cabeçones! O art. 63 do CPC, traz uma exceção. No art. 63 do CPC, temos uma possibilidade do reconhecimento da incompetência relativa pelo juízo, ou seja, de ofício. Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, ele- gendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico. § 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. § 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 9 § 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na con- testação, sob pena de preclusão. As partes escolhem um foro competente para julgar, por exemplo, as cláusulas de um contrato. Os contratantes estão, de forma antecipada, definindo onde será produzida as discus- sões judiciais relacionadas ao contrato. Mas atenção para quando essa cláusula pode ser inter- pretada como abusiva, por exemplo, nos contratos de adesão. O reconhecimento da incompetência (tanto relativa quando absoluta) gera a remessa dos autos para o juízo competente, mas não gera a extinção do processo, conforme o art. 64, § 3º, CPC. Importante! As regras de competência fixadas pelo CPC são territoriais, ou seja, definem o lugar onde deverá ser proposta a ação. A competência do JEC (Lei no 9.099/1995), JEF (Lei no 10.259/2001) e JEFP (Lei no 12.153/2009) é definida, também, pelo valor da causa (no estado causas de valor até 40 salários-mínimos e nos juizados federais causas de até 60 salários-míni- mos). A competência do JEC é relativa – em uma lide de competência Estadual de até 40 salários-mínimos, a parte autora pode optar entre ingressar no JEC ou na justiça comum – e a competência do JEF é absoluta – em uma causa de competência federal de até 60 salários- mínimos, é obrigatório entrar no JEF, a parte autora não pode escolher. O reconhecimento da incompetência no JEC ou JEF acarreta a extinção do processo sem resolução do mérito – art. 51, inciso III, da Lei no 9.099/1995. *Para todos verem: quadro. COMPETÊNCIA Justiça Estadual (Comum) Residual Justiça Federal (Comum) art. 109 da CF Justiça do Trabalho 1o Grau • Juiz de Direito • Relativa • Juiz Federal • Absoluta • Juiz do Trabalho • Absoluta 2o Grau • TJ • Cabe recurso para o STJ quando houver ofensa a lei fe- deral • Cabe recurso para o STF quando houver ofensa à • TRF • Cabe recurso para o STJ quando houver ofensa a lei Federal • Cabe recurso para o STF quando houver ofensa à • TRT • Recurso para o TST 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 10 Constituição Federal Constituição Federal Exceção constitucional: art. 109, § 3º da CF: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: § 3o Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em que forem parte instituição de previdência social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça estadual quando a comarca do domicílio do segurado não for sede de vara federal. A Constituição Federal traz que, em uma ação contra o INSS, se a comarca do domicílio do segurado não for sede de vara federal, é possível entrar com essa ação contra o INSS na justiça estadual. Contudo, de acordo com o § 4º do art. 109 da CF, o recurso cabível nessa hipótese “será sempre para o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau”. 1.3. Conexão, continência, litisconsórcio e litispendência 1.3.1. Conexão e Continência Importante ressaltar que conexão e continência são regras processuais de modifica- ção de competência, conforme o art. 54 do CPC. Faz-se necessário afirmar também que não são causas que geram a extinção do processo. A ideia da conexão e da continência é evitar que aconteçam decisões conflitantes. A conexão está prevista no art. 55 do CPC e determina que duas ou mais ações podem se reunir para julgamento conjunto, quando o pedido e a causa de pedir lhes forem comuns; busca evitar que ações iguais tenham julgamentos diferentes. O critério jurídico processual que se deve usar para reunir ações conexas está prevista no art. 58 e 59 do CPC, ou seja, a preven- ção se dá através da distribuição da petição inicial. As ações conexas serão reunidas perante o juízo onde houve a primeira distribuição da inicial. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. § 2o Aplica-se o disposto no caput: I – à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;Importantes Súmula no 364 do STJ: “O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrangem também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas ou divorciadas e viúvas.” Súmula no 449 do STJ: “A vaga de garagem possui matrícula própria no registro de imó- veis e não constitui bem de família, podendo ser penhorada.” Súmula no 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação se reverta para subsistência ou moradia da família.” Importante, cabeção! Poupança: art. 833, X, do CPC: “A impenhorabilidade dos bens depositados na caderneta de poupança é limitada a 40 salários-mínimos”. Caso o devedor possua diversas cadernetas de poupança, o limite de impenhorabilidade deve considerar a soma de todas elas. Dívida relativa ao próprio bem: lembre-se de que a impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição, na forma do art. 833, § 1º do CPC. Boxe de estacionamento: caso o boxe do estacionamento tenha matrícula individuali- zada, poderá ser objeto de penhora (súmula no 449 do STJ). O art. 833, § 2º é categórico ao afirmar que a impenhorabilidade prevista nos incisos IV e X não se aplica aos casos de penhora para pagamento de prestação alimentícia. A segunda parte do inciso 2º do art. 833 refere-se à possibilidade de penhora dos ganhos excedentes a 50 salários-mínimos mensais, seja qual for a origem da obrigação. Impenhorabilidade do bem de família: previsão na Lei no 8.009/1990. O imóvel residen- cial familiar é impenhorável por dívidas de qualquer natureza. Exceção: pode haver penhora do bem de família nos casos previstos no art. 3o da Lei no 8.009/1990. 2.1.3. Fraude a Execução X Fraude contra Credores 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 65 Tanto a fraude contra execução quanto a fraude contra credores visam atacar o desfazi- mento do patrimônio pelo devedor. A fraude contra credores é um defeito do negócio jurídico previsto nos arts. 158-165 do Código Civil. Ocorre fraude contra credores quando o devedor se desfaz do seu patrimônio antes de iniciado o processo judicial (que não precisa ser necessaria- mente uma ação de execução), ficando totalmente insolvente para adimplir as obrigações assu- midas. Para atacar a fraude contra credores, é possível valer-se da Ação Pauliana ou Ação Revocatória com o objetivo de anular o negócio jurídico viciado pela fraude. Deve-se provar na ação o consilium fraudis, ou seja, que o devedor e o terceiro adquirente de seus bens tinham o objetivo de fraudar o adimplemento do débito. Observa-se, ainda, que a ação deve conter o pedido de nulidade da transferência dos bens. A fraude contra a execução tem previsão processual e atenta contra o credor e contra o Poder Judiciário, já que a alienação dos bens ocorre somente após a ciência da ação de execu- ção. O pedido de reconhecimento de fraude contra a execução poderá ser feito através de peti- ção e seu reconhecimento poderá ocorrer nos próprios autos da ação de execução. Importante, cabeçones! Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 dias, conforme art. 792, § 4º, do CPC. Ainda, o art. 828 do CPC permite que o exequente obtenha certidão comprobatória da admissão da execução a fim de averbar no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens passiveis de penhora. Após a averbação, é considerado fraude à execução à alienação do bem – § 4º do art. 828 do CPC. Como se transforma o bem penhorado em pagamento? A expropriação dos bens é o meio pelo qual o credor alcançará a satisfação de seu cré- dito na execução por quantia certa e consiste na adjudicação, alienação ou apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou estabelecimento e de outros bens. A adjudicação ocorre quando o bem móvel ou imóvel penhorado é transferido para o credor a fim de satisfazer seu crédito e nunca poderá ocorrer por valor inferior ao da avaliação, na forma do art. 876 do CPC. Caso o valor do crédito seja inferior ao valor da avaliação, o credor deve depositar a diferença em juízo, na forma do art. 876, § 4º, I, do CPC. Caso o valor do crédito seja superior ao valor da avaliação do bem, após a adjudicação do bem, o credor poderá seguir com a execução a fim de efetuar a cobrança, na forma do art. 876, § 4º, II do CPC. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 66 A alienação do bem far-se-á por iniciativa particular ou em leilão judicial eletrônico ou presencial (art. 879, CPC). Na alienação por iniciativa particular, o juiz fixará as regras para a venda do bem penhorado, além de fixar a forma de publicidade, preço mínimo, comissão de corretagem (se for o caso), condições de pagamento e as garantias que devem ser prestadas pelo adquirente, em caso de pagamento parcelado. O leilão judicial abrange tanto a expropriação de bens imóveis como os móveis. Será necessária a publicação do edital do leilão com antecedência de, no mínimo, cinco dias da data de sua primeira realização, devendo constar no edital todos os requisitos previstos no art. 886 e 887, do CPC, sob pena de nulidade da arrematação. Além da publicação do edital, também é necessária a intimação das pessoas arroladas no art. 889, do CPC, com antecedência mínima de cinco dias da data do leilão Judicial. O bem poderá ser alienado por valor abaixo do previsto na avaliação, desde que não seja por preço vil (preço inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e ao constante no edital; não cons- tando no edital, considera-se vil o preço inferior a 50% do valor de sua avaliação), conforme art. 891, do CPC. Quando o bem penhorado pertencer a incapaz e não alcançar em leilão pelo menos 80% do valor da avaliação, o juiz o confiará à guarda e à administração de depositário idôneo, adiando a alienação pelo prazo de um ano, conforme art. 896, do CPC. Efetivada a arrematação, será lavrado auto devidamente assinado pelo leiloeiro, arrema- tante e juiz, passando a fluir o prazo de dez dias para que se postule a invalidade, ineficácia ou resolução da arrematação nos casos previstos no art. 903, § 1o, do CPC. Não havendo impugnação no prazo de dez dias, a carta de arrematação será expedida e conforme o caso, a ordem de entrega ou mandado de imissão na posse. Importante, cabeçones! Após a expedição da carta de arrematação, a invalidação somente poderá ser pedida em ação autônoma (e o arrematante figurará como litisconsorte necessário – 903, § 4o do CPC). Será autorizada a desistência da arrematação pelo arrematante nos casos do art. 903, § 5o, do CPC. Exceção de pré-executividade: é apresentada através de simples petição a ser juntada nos autos, alegando a nulidade da execução, conforme art. 803 do CPC. Importante! Não é permitida produção probatória na exceção de pré-executividade. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 67 2.1.4. Execução por Quantia Certa – Título Executivo Extrajudicial A execução por quantia certa tem o objetivo de compelir o devedor a pagar determinada quantia em dinheiro. Ao receber a petição inicial, o juiz fixará honorários advocatícios de 10% (art. 827 do CPC) e determinará a citação do devedor para pagar o débito em três dias, sob pena de penhora (art. 829 do CPC). Não ocorrendo o pagamento em três dias, o oficial de justiça fará a penhora dos bens indicados pelo credor na petição inicial e, caso não haja indicação, fará a penhora sobre os bens que localizar em diligência, observado o rol de bens impenhoráveis pre- visto no art. 833 do CPC e da Lei no n. 8.009/1990. Importante referir, ainda, que a penhora de bens que estão em posse de terceiro é plena- mente possível, sendo cabível, neste caso, o terceiro apresentar embargos de terceiro, conforme art. 674 do CPC. 2.1.5. Embargos à Execução A propositurade embargos à execução é a forma que o executado ataca a ação de exe- cução fundada em título executivo extrajudicial. Trata-se de uma ação autônoma, mas vinculada à execução (deve ser proposta no juízo da execução e a distribuição deve ser por dependência com tramitação em autos apartados). Tem natureza de ação de conhecimento e se presta para desconstituir ou declarar a nulidade ou inexistência do crédito. Importante destacar que o caput do art. 914 do CPC previu a possibilidade da interposição dos embargos independentemente de penhora, depósito ou caução. O prazo para apresentação dos embargos é de 15 dias, conforme preceitua o art. 915 do CPC e observado o art. 231 do CPC, que fixa as regras para a contagem do prazo. Cabeçones! Atenção para o art. 917 do CPC, o qual traz as alegações possíveis do executado nos embargos à execução. Atenção! Quando alegar excesso de execução, demonstrar o valor e como chegou nesse valor, ou seja, é necessário juntar o cálculo atualizado, sob pena de indeferimento liminar dos embargos. Caso o executado reconheça o crédito do exequente no prazo dos embargos e comprove o depósito de 30% do valor da execução (acrescido de custas e honorários), poderá requerer o parcelamento do restante em até seis parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 68 juros de 1 % por mês (art. 916, CPC). Com o deferimento do pedido de parcelamento, a execução ficará suspensa até a quitação integral do débito. Importante destacar que o credor não poderá opor-se ao parcelamento, pois se trata de um direito que a lei confere ao devedor, mas será intimado (art. 916 § 1º do CPC) para manifes- tar-se em cinco dias sobre o preenchimento dos pressupostos. O inadimplemento de qualquer das prestações do parcelamento acarretará o vencimento antecipado das prestações subsequentes e o prosseguimento do processo com o imediato rei- nício dos atos executivos, além de multa de 10 % sobre o valor das prestações não pagas (§ 5º do art. 916 do CPC). Importante! A opção pelo parcelamento acarreta renúncia ao direito de apresentar embargos (art. 916, § 6º do CPC). O parcelamento só é aplicável às execuções de título extrajudicial (não cabe no cumprimento de sentença – § 7º do art. 916 do CPC). Execução contra a Fazenda Pública – Lei nº 6.830/1980 A execução contra Fazenda Pública fundada em título extrajudicial está regulada no art. 910, do CPC, que determina sua citação para opor embargos à execução em 30 dias. Não ha- vendo interposição de embargos ou rejeitados em decisão transitada em julgado, será expedido precatório ou requisição de pequeno valor em favor do exequente, observado o disposto no art. 100 da CF. Não existe expropriação de bens contra a Fazenda Pública. Importante, cabeçones! Efeito suspensivo: o art. 919 do CPC prevê que os embargos à execução não terão efeito suspensivo (ou seja, prossegue a execução). Como forma de exceção, poderá ser conce- dida tal efeito, para suspender a execução, desde que presentes os requisitos do art. 919, § 1º do CPC. Impugnação aos embargos: conforme art. 920, I do CPC, recebidos os embargos, o exe- quente será intimado para o impugnar em 15 dias. Esta impugnação tem natureza de contesta- ção – sua falta leva à revelia. Apresentada a impugnação, o rito será da ação de conhecimento. Da suspensão do processo de execução (arts. 921-923 do CPC) No caso de concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução ou da impugnação, a execução ficará suspensa, no todo ou em parte, até o julgamento dos embargos/impugnação ou revogação do efeito concedido. A hipótese frequente de suspensão da execução é a inexis- tência de bens do devedor. Neste caso, a execução ficará suspensa pelo prazo de um ano, 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 69 consoante art. 921 § 1º do CPC. Decorrido o prazo de um ano sem localização de bens passiveis de penhora, o juiz determinará o arquivamento dos autos (§ 2º), nada impedindo seu posterior desarquivamento se a qualquer tempo forem encontrados bens penhoráveis (§ 3º). Com o par- celamento do débito (previsto no art. 916, CPC), a execução também deve ser suspensa até o adimplemento das parcelas. Extinção da execução Os motivos que levam à extinção da execução estão previstos no art. 924 do CPC; o rol apresentado é exemplificativo, já que existem outras formas que acarretam na extinção da exe- cução, como, por exemplo, o acolhimento dos embargos. O art. 925 do CPC determina a neces- sidade de sentença para que a extinção da execução produza efeitos. Desistência da ação de execução x embargos/impugnação Se a execução for extinta, os embargos serão extintos? Em caso de desistência da ação de execução, serão extintas a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre as ques- tões processuais, devendo o exequente adimplir as custas processuais e honorários advocatícios (art. 775, parágrafo único, I, do CPC). Neste caso (embargos atacando apenas aspectos proces- suais), a extinção da impugnação e dos embargos independe de concordância do embar- gante/impugnante. Nos demais casos, quando houver a extinção da ação de execução e os embargos ver- sarem sobre questões de direito material, a extinção dos embargos dependerá de concordância do embargante/impugnante (art. 775, parágrafo único, II, do CPC). Não se aplica aos embargos à execução o prazo em dobro para litisconsortes com advo- gados distintos, de escritórios diferentes, previsto nos arts. 229 e 915, 3º do CPC. Na contagem do prazo para embargos, havendo litisconsórcio de devedores na execução, tal prazo será indi- vidual e independente (salvo se os devedores forem casados ou estiverem em união estável: nesse caso, o prazo será comum, começando a contar a partir da juntada do último comprovante citatório aos autos) – art. 915, § 1º do CPC. 2.2. Cumprimento de sentença, impugnação, execução de alimentos 2.2.1. Execução de Título Judicial – Cumprimento de Sentença O cumprimento de sentença é utilizado quando o credor tem um título executivo judicial (rol de títulos executivos judiciais no art. 515, CPC). Para que seja iniciado o cumprimento de sentença, é necessária a presença de três requisitos: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 70 1) o título executivo judicial; 2) inadimplemento do devedor; 3) iniciativa do exequente (513, § 1º, do CPC). É possível fazer o cumprimento de sentença de decisões interlocutórias (ex.: fixação limi- nar de alimentos), cumprimento de sentença provisório (quando a decisão exigida ainda pode ser modificada) e, ainda, cumprimento de sentença definitivo (sentença já transitada em julgado). Cumprimento de sentença de quantia certa Para que o cumprimento de sentença seja iniciado, é necessária a manifestação do cre- dor, através de petição nos mesmos autos, requerendo a intimação do devedor para que efetue o pagamento do débito no prazo de 15 (quinze) dias, nos termos do art. 523 do CPC. O devedor será intimado na forma do art. 513, § 2º do CPC. Não ocorrendo o pagamento voluntário, de acordo com o art. 523 § 1º do CPC, “o débito será acrescido de multa de dez por cento e, tam- bém, de honorários de advogado de dez por cento.” Em caso de pagamento parcial do débito, aplica-se o § 2º: “Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os hono- rários previstos no § 1º incidirão sobre o restante”. Penhora de bens Todas as regras de penhora que se aplicam à execução de título extrajudicial aplicar-se- ão também ao cumprimento de sentença. Protesto da decisão judicial A possibilidade de protesto da decisão judicial transitada em julgado está prevista no art. 517 do CPC: A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523 do CPC. A possibilidade de negativação do nomedo devedor Além do protesto, o CPC prevê a possibilidade da negativação do nome do executado no cadastro dos inadimplentes até que efetive o pagamento do valor devido, garanta o cumprimento de sentença ou até que o processo seja extinto por outro motivo, conforme art. 782, § 3º, do CPC. O exequente poderá requerer, na petição inicial, a inclusão do executado no cadastro de inadimplentes, conforme previsão do art. 782, § 3º, do CPC. A inscrição no cadastro será imedi- atamente cancelada no caso do pagamento da dívida, se garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo, na forma do art. 782, § 4º do CPC. 2.2.2. Impugnação ao Cumprimento de Sentença 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 71 A impugnação é o meio adequado de defesa do devedor no cumprimento de sentença (título executivo judicial), tratando-se de incidente da fase de cumprimento de sentença, julgado por intermédio de decisão interlocutória. O prazo para apresentação de impugnação ao cumpri- mento de sentença é de 15 dias após o decurso do prazo para pagamento voluntário, indepen- dentemente de penhora ou nova intimação, conforme art. 525 do CPC. Prazo em dobro: diferentemente dos embargos, aplica-se, na impugnação, o prazo em dobro previsto no art. 229 do CPC. A impugnação ao cumprimento de sentença ocorre por intermédio de petição direcionada ao juízo da execução, nos próprios autos, devendo seu mérito basear-se de acordo com os fun- damentos do art. 525, § 1o, do CPC. Além disso, caso o impugnante deseje, deverá formular o pedido do efeito suspensivo. Caso a impugnação esteja de acordo com os requisitos legais, o juiz a receberá e determinará a intimação do impugnado (exequente) para apresentar sua res- posta no prazo de 15 dias. Cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública Constituído o título judicial contra a Fazenda Pública, no cumprimento de sentença deve constar cálculo discriminado do valor do débito, de acordo com os requisitos previstos no art. 534, do CPC. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir as matérias elencadas nos incisos do art. 535, do CPC. Se a Fazenda Pública não apresentar impugnação, será expedido o precatório ou requisição de pequeno valor. Os precatórios referentes à créditos alimentares terão preferência sobre os demais, con- forme súmula no 144 do STJ: “Os créditos de natureza alimentícia gozam de preferência, des- vinculados os precatórios da ordem cronológica dos créditos de natureza diversa”. 2.2.3. Execução de Alimentos A execução de alimentos pode, como toda e qualquer execução, ter como fundamento título executivo judicial ou extrajudicial. Todavia, a grande diferença está no fato de que, numa execução de alimentos, poderá o credor optar pelo procedimento no qual, caso não exista o pagamento voluntário por parte do devedor (no prazo legal), a consequência não será a penhora, mas a prisão do devedor. Assim, a execução de alimentos tem a seguinte divisão: a) Fundamentada em título executivo extrajudicial 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 72 Com pedido de penhora, usará o rito previsto nos arts. 827 e 829 do CPC: apresentada a petição inicial, o juiz fixará honorários de 10 % e mandará citar o devedor para pagar em três dias. Feito o pagamento neste prazo, terá desconto de 50 % nos honorário. Não efetuado o pagamento, a execução prossegue com a penhora e expropriação de bens. Com pedido de prisão, será usado o rito previsto no art. 911 do CPC, no qual o devedor será citado para, no prazo de três dias, pagar, provar que já pagou ou justificar a falta de paga- mento. Não efetuado o pagamento (ou não provado ou afastada a justificativa), será decretada a prisão civil do devedor. b) Fundamentada em título executivo judicial/cumprimento de sentença de obriga- ção alimentar Com pedido de penhora, usar-se-á o rito previsto no art. 523 e seguintes do CPC – apre- sentada a petição, o juiz mandará intimar o devedor para pagá-la em 15 dias. Feito o pagamento neste prazo, não haverá incidência de honorários. Não efetuado o pagamento, a execução/cum- primento de sentença prossegue (incidindo multa de 10 % e honorários advocatícios de 10 % – art. 523, § 1º do CPC) com a penhora e expropriação de bens. c) Quanto à execução de alimentos com pedido de prisão (tanto fundamentada em título judicial quanto extrajudicial) Conforme previsão do art. 528, § 7º do CPC, somente podem ser cobrados com pedido de prisão o atraso de até três últimas prestações anteriores ao ajuizamento. O cumprimento da pena não gera o pagamento da dívida alimentar (uma vez cumprida a pena, a dívida ainda existe). A prisão por débito alimentar deve ser cumprida em regime fechado. Paga a dívida, a ordem de prisão deve ser imediatamente suspensa, com a soltura do devedor. Com pedido de prisão, será usado o rito previsto no art. 528 do CPC, no qual o devedor será intimado pessoalmente para, no prazo de três dias, pagar, provar que já pagou ou justificar a falta de pagamento. Não efetuado o pagamento (ou não provado ou afastada a justificativa), será decretada a prisão civil do devedor (bem como determinado o protesto judicial da decisão). 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 73 3. Procedimentos Especiais Prof.ª Tatiane Kipper @profetatiane_kipper Os procedimentos especiais são algumas ações específicas que possuem uma sequência de atos processuais determinada e diferenciada. O CPC estabelece os procedimentos especiais a partir do artigo 539 até o 770 do CPC, podendo ser citados como exemplos: ação de consignação em pagamento (art. 539-549 do CPC); ação de exigir contas (art. 550-553 do CPC); oposição (arts. 682-686 do CPC); embargos de ter- ceiros (arts. 674-681 do CPC); entre outros. Ainda, a partir do art. 719, o CPC trouxe procedimentos especiais de jurisdição voluntária, como exemplo: o do divórcio e da separação consensuais, da extinção consensual de união estável e da alteração do regime de bens do matrimônio. 3.1. Da ação de consignação em pagamento Previsão legal A previsão legal da ação de consignação em pagamento está nos art. 539 a 549 do Novo CPC e 334-345 do Código Civil. A consignação em pagamento pode se dar de forma judicial ou extrajudicial. Ressalta-se, de início, que, se for consignação de coisa, somente se admite a mesma na via judicial. A consignação de quantia em dinheiro pode ser tanto judicial quanto extrajudicial: *Para todos verem: esquema. Consignação de pagamento Extrajudicial Somente em dinheiro Judicial Dinheiro ou coisa 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 74 Além da previsão de cabimento da consignação no Código Civil, pode haver leis prevendo a mesma, como por exemplo art. 67 da Lei no 8.245/1991 e o art. 164 do Código Tributário Na- cional. O objetivo da consignação em pagamento é justamente extinguir a obrigação: por exem- plo, porque ocorreu uma situação prevista no art. 335 do Código Civil, e o devedor precisa se liberar da obrigação, então, ele poderá consignar a coisa ou quantia devida. Da consignação em pagamento extrajudicial Os parágrafos do art. 539 do CPC estabelecem o procedimento da consignação extraju- dicial, quando se tratar de obrigação de pagar quantia em dinheiro. Como ocorre o procedimento da consignação na via extrajudicial? Conforme o § 1o do art. 539 do CPC, sendo a obrigação a ser cumprida obrigação em dinheiro, poderá o valor ser depo- sitado em estabelecimento bancário oficial, onde houver, no local do pagamento, devendo o cre- dor ser cientificado por carta com aviso de recebimento, assinado o prazo de 10 dias para a manifestação de recusa, caso não concorde com o depósito. De acordo com o § 2o do art.539 do CPC, uma vez decorrido o prazo do § 1o (ou seja, 10 dias) a contar do retorno do aviso de recebimento, sem a manifestação de recusa, considerar- se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do credor a quantia que foi depositada no estabelecimento bancário. Porém, se o credor recusar o depósito dentro do prazo de forma expressa, ou seja, de forma escrita ao estabelecimento bancário, poderá ser proposta, dentro de 1 mês, a ação de consignação, instruindo-se a petição inicial com a prova do depósito e da recusa. Agora, por mais que tenha havido a recusa do credor no procedimento extrajudicial e o devedor não ingres- sar com a ação no prazo de 1 mês, ficará sem efeito o depósito, podendo levantá-lo o deposi- tante. Isto é, passado 1 mês, o devedor poderá ingressar com a ação, mas deverá requerer novo depósito. Art. 539. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. § 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o valor ser depositado em estabeleci- mento bancário, oficial onde houver, situado no lugar do pagamento, cientificando-se o credor por carta com aviso de recebimento, assinado o prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa. § 2o Decorrido o prazo do § 1º, contado do retorno do aviso de recebimento, sem a mani- festação de recusa, considerar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do credor a quantia depositada. § 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito ao estabelecimento bancário, poderá ser proposta, dentro de 1 (um) mês, a ação de consignação, instruindo-se a inicial com a prova do depósito e da recusa. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 75 § 4o Não proposta a ação no prazo do § 3º, ficará sem efeito o depósito, podendo levantá- lo o depositante. Frisa-se que o procedimento extrajudicial não é requisito quando se tratar de dinheiro, de forma que o devedor pode ingressar direto com a ação de consignação. Ação de consignação em pagamento na via judicial a) Competência: prevista no art. 540 do CPC/15: Art. 540. Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se a demanda for julgada improcedente. b) No caso de se tratar de obrigações sucessivas: quando a obrigação envolver pres- tações sucessivas (há quem denomine de periódicas), ou seja, aquelas que se decompõem em mais de uma prestação, é de se observar a previsão do art. 541 do CPC: Art. 541. Tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo venci- mento. De acordo com o art. 541 do CPC, pode o devedor, consignando uma delas, continuar a depositar no mesmo processo (sem necessidade, então, de uma ação para cada prestação) as que forem vencendo, desde que deposite em até 5 dias a contar da data do vencimento de cada prestação. c) Da petição inicial: a petição inicial da ação de consignação em pagamento observará o art. 319 do CPC com as adaptações em razão da previsão específica do procedimento espe- cial. Nesse caso, o art. 542 do CPC estabelece os requisitos da petição inicial da ação de con- signação em pagamento, conforme houve ou não o procedimento extrajudicial quando se tratar de obrigação em dinheiro: *Para todos verem: tabela. REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO AMBAS DEVEM CUMPRIR OS ARTS. 319 + 320 DO CPC Direto na via judicial (ou depois da recusa expressa do credor na via extrajudicial, se o devedor não in- gressou com a ação no prazo de 1 mês) Se primeiro fez o procedimento extrajudicial – houve re- cusa do credor no prazo –, mas o devedor ingressou com a ação no prazo de 1 mês 1. Requerer o depósito da coisa ou quantia devida 1. Juntar o comprovante do depósito e da recusa (art. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 76 (art. 542, I do CPC) – deve ser realizado no prazo de 5 dias a contar do deferimento do juiz, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito (Pará- grafo único do art. 542 do CPC); 2. Requerer a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação (art. 542, II do CPC). 542, I e 539, § 3o do CPC); 2. Requerer a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação (art. 542, II do CPC). Ainda, de acordo com o art. 542 do CPC/2015, o autor deve realizar o depósito no prazo de 5 dias, contados do deferimento, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito. Deve-se cuidar para que, se a ação de consignação for oriunda do depósito extrajudicial e houve recusa do credor, não será requerido o depósito, porque este já foi realizado. Então, vai ser juntado com a inicial o comprovante do depósito e da recusa, conforme art. 542, II e 539, § 3o do CPC, desde que o devedor ingresse com a ação no prazo de 1 mês, porque se passar o prazo, por mais que se possa ingressar com a ação, o depósito feito na via extrajudicial fica sem efeito. d) Quando se tratar de obrigação de coisa indeterminada e escolha pelo credor: previsão no art. 543 do CPC/15. Art. 543. Se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao credor, será este citado para exercer o direito dentro de 5 (cinco) dias, se outro prazo não constar de lei ou do contrato, ou para aceitar que o devedor a faça, devendo o juiz, ao despachar a petição inicial, fixar lugar, dia e hora em que se fará a entrega, sob pena de depósito. e) Contestação pelo réu: em se tratando de procedimento especial, deve ser seguido o procedimento específico previsto. No caso da ação de consignação em pagamento, conforme previsão do inciso II do art. 542, o réu será citado para levantar o depósito ou oferecer contesta- ção. Se oferecer contestação, poderá alegar, conforme o art. 544 do CPC: Art. 544. Na contestação, o réu poderá alegar que: I - Não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida; II - Foi justa a recusa; III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento; IV - O depósito não é integral. Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação somente será admissível se o réu indicar o montante que entende devido. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 77 f) Do depósito insuficiente: caso o réu alegue em sua contestação a hipótese do inciso IV, essa alegação somente será admitida se o réu alegar qual é o montante devido. Além disso, conforme o art. 545 do CPC, caso o réu alegue em sede de contestação que o depósito feito pelo autor (devedor) não é integral, será permitido a este complementar o depó- sito no prazo de 10 dias. Art. 545. Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-lo, em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do con- trato. § 1o No caso do caput, poderá o réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa depositada, com a consequente liberação parcial do autor, prosseguindo o processo quanto à parcela controvertida. § 2o A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre que pos- sível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária. Assim, se o credor alegar em contestação que o depósito não foi integral deverá indicar o valor que entende devido e o devedor poderá completá-lo no prazo de 10 dias. g) Do julgamento procedente: Previsão do art. 546 do CPC/2015: conforme visto, o réu será citado na ação de consignação em pagamento para levantar o depósito ou oferecer contestação. Se julgada procedente a ação, será declarada extinta a obrigação e o réu é conde- nado a pagar custas e honorários.Será procedido da mesma forma se o credor receber e der quitação. Art. 546. Julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios. Parágrafo único. Proceder-se-á do mesmo modo se o credor receber e der quitação. h) Dúvida de quem deve receber o pagamento: previsão do art. 547 do CPC/2015: Art. 547. Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamento, o autor requererá o depósito e a citação dos possíveis titulares do crédito para provarem o seu direito. Art. 548. No caso do art. 547: I – não comparecendo pretendente algum, converter-se-á o depósito em arrecadação de coisas vagas; II – comparecendo apenas um, o juiz decidirá de plano; III – comparecendo mais de um, o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação, continuando o processo a correr unicamente entre os presuntivos credores, observado o procedimento comum. De acordo com o art. 547 do CPC, se houver dúvida sobre quem deve receber a quantia ou a coisa devida, deverá o autor requerer a citação de todos os possíveis titulares, formando- se um litisconsórcio passivo. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 78 Além disso, o art. 548 do CPC estabelece a consequência caso não compareça nenhum possível credor, compareça somente um dos credores ou compareça mais de um. 3.2. Ação monitória Previsão legal; Arts. 700 a 702 do CPC. Conceito e cabimento: O cabimento da ação monitória está previsto no art. 700 do CPC, e é a ação que pode ser ajuizada pelo credor que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter o direito de exigir do devedor capaz, o cumprimento da obri- gação de pagar quantia em dinheiro, a entrega de coisa fungível ou infungível, bem móvel ou imóvel, assim como o adimplemento da obrigação de fazer ou não fazer. Nesse sentido é a previsão do art. 700, caput e incisos I, II e III do CPC. Importante! Quando cabe ação monitória? A ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: • pagamento de quantia em dinheiro; • entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel; • adimplemento de obrigação de fazer ou não fazer. Da prova escrita Como exemplos de prova escrita, podem ser citados o cheque prescrito, como prevê a súmula no 299 do STJ: “É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito”. Além disso, o contrato de abertura de crédito em conta corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, é prova escrita admitida para ação monitória, inclusive conforme previsão da súmula no 247 do STJ: “O contrato de abertura de crédito em conta corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória”. Verifica-se que é possível que a prova escrita seja proveniente de prova oral que foi pro- duzida antecipadamente. Ou seja, se produz a prova escrita mediante produção antecipada de prova, se se tinha a prova oral, com a finalidade de propor a monitória, conforme o § 1o do art. 700 do CPC: “§ 1o A prova escrita pode consistir em prova oral documentada, produzida anteci- padamente nos termos do art. 381”. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 79 Da monitória em face da Fazenda Pública O novo CPC consagrou a possibilidade de a ação monitória ser proposta em face da Fa- zenda Pública, conforme previsão do § 6o do art. 700 do CPC: “§ 6o É admissível ação moni- tória em face da Fazenda Pública”. Inclusive, é esse o entendimento da súmula no 339 do STJ: “É cabível ação monitória contra a Fazenda Pública”. Da petição inicial O art. 700, § 2o do Novo CPC estabelece que a petição inicial da ação monitória deve explicitar os valores, conforme o tipo de obrigação que está sendo buscada: § 2o Na petição inicial, incumbe ao autor explicitar, conforme o caso: I – a importância devida, instruindo-a com memória de cálculo; II – o valor atual da coisa reclamada; III – o conteúdo patrimonial em discussão ou o proveito econômico perseguido. Ainda, conforme o § 3o do art. 700 do CPC, o valor da causa que deve constar na petição inicial deve estar de acordo com um dos valores dos incisos do § 2o do art. 700 do CPC: “O valor da causa deverá corresponder à importância prevista no § 2o, incisos I a III”. Do indeferimento da petição inicial Conforme previsão do § 4o do art. 700 do CPC, a petição inicial da ação monitória será indeferida nas hipóteses do art. 330 do CPC, bem como se não for atendido o disposto no § 2o do art. 700 do CPC, ou seja, se o autor não explicitar na petição inicial da ação monitória os referidos valores: “§ 4o Além das hipóteses do art. 330, a petição inicial será indeferida quando não atendido o disposto no § 2o deste artigo” (CPC/2015). Emenda da petição inicial Por sua vez, o § 5o do art. 700 do CPC prevê situação de emenda da petição inicial, quando houver dúvida quanto à idoneidade da prova documental que instrui a petição inicial da ação monitória, de forma que o juiz deve intimar o autor para, querendo-o, emendar a petição inicial e adaptá-la ao procedimento comum. Ex: se for obrigação de pagar, a uma ação de co- brança. § 5o Havendo dúvida quanto à idoneidade de prova documental apresentada pelo autor, o juiz intimá-lo-á para, querendo, emendar a petição inicial, adaptando-a ao procedimento comum. Meios de citação na ação monitória http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 80 O § 7o do art. 700 do CPC admite a citação do réu na ação monitória por qualquer um dos meios admitidos ao procedimento comum: “§ 7o Na ação monitória, admite-se citação por qualquer dos meios permitidos para o procedimento comum”. Inclusive, no que tange à citação por edital, tem-se a súmula no 282 do STJ, que diz: “Cabe a citação por edital em ação monitória”. Procedimento na ação monitória De acordo com o art. 701 do CPC, ao receber a inicial da monitória, sendo evidente o direito do autor, o juiz expede mandado de pagamento ou para entrega de coisa, ou para execu- ção de obrigação de fazer ou não fazer, concedendo o prazo ao réu de 15 dias para cumprir. Caso haja o cumprimento no prazo, o réu estará isento do pagamento de custas (§ 1o do art. 701 do CPC) e os honorários de advogado são fixados em 5 % do valor da causa: Art. 701. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de ho- norários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. § 1o O réu será isento do pagamento de custas processuais se cumprir o mandado no prazo. As consequências e andamento da ação monitória vão depender de uma das condutas tomadas pelo réu. No que tange à constituição de pleno direito do título executivo judicial, caso o réu fique inerte, prevê o § 2o do art. 701 do CPC: § 2o Constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, independentemente de qual- quer formalidade, se não realizado o pagamento e não apresentados os embargos previs- tos no art. 702, observando-se, no que couber, o Título II do Livro I da Parte Especial. Porém, se a ré for a Fazenda Pública, o § 4o do art. 701 do CPC prevê que, caso não apresentados os embargos previstos no art. 702, aplicar-se-á o disposto no art. 496, observando- se, a seguir, no que couber, o Título II do Livro I da Parte Especial. Do parcelamento De acordo com a previsão do § 5o do art. 701 do CPC, “aplica-se à ação monitória, no que couber, o art. 916”. Dos embargos à ação monitória http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 81 O meio de defesa do réu na ação monitória dar-se-á por meio de embargos à ação moni- tória, também chamados de embargos monitórios. O oferecimento dos embargos independe de prévia segurança do juízo, consoante disposição do art. 702 do CPC: Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu poderá opor, nos pró- prios autos, no prazo previsto no art. 701, embargos à ação monitória. Quanto à matéria de defesa que pode ser alegada nos embargos à ação monitória, o § 1o do art. 702 permite que: “Os embargos podem se fundar em matéria passível de alegação como defesa no procedimento comum”. Porém, se o réu alegar que o autor pleiteia quantia superior à devida, o réu tem que indicar então o valor que entenda correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado do débito, porque se fizer tal alegação e não indicar o valor correto e nem juntar o demonstrativo, e for o único argumento de defesa, os embargos vão ser rejeitados liminarmente. Agora, se o réu alegar excesso de cobrança e não indicar o valor correto e nem juntar o demonstrativo, mas cumular com outro argumento de defesa, o juiz recebe os embargos, mas deixa de examinar a alegação de excesso, consoante disposição dos §§ 2o e 3o do art. 702 do CPC. Oferecidos os embargos à ação monitória, o autor será intimado para oferecer resposta aos embargos no prazo de 15 dias, conforme previsto no § 5o do art. 702 do CPC: “§ 5o O autor será intimado para responder aos embargos no prazo de 15 (quinze) dias”. A defesa na ação monitória não é contestação, e sim embargo à ação monitória. Da reconvenção O § 6o do art. 702 do CPC permite o oferecimento da reconvenção, vendando, porém, o oferecimento da reconvenção à reconvenção: “§ 6o Na ação monitória admite-se a reconven- ção, sendo vedado o oferecimento de reconvenção à reconvenção”. Da sentença Uma vez rejeitados os embargos à ação monitória, será constituído o título executivo ju- dicial, conforme previsão do § 8o do art. 702 do CPC: § 8o Rejeitados os embargos, constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, prosseguindo-se o processo em observância ao disposto no Título II do Livro I da Parte Especial, no que for cabível. Ainda, conforme o § 9o do art. 702 do CPC, cabe o recurso de APELAÇÃO contra a sen- tença, seja a que acolhe ou a que rejeita os embargos monitórios: “§ 9o Cabe apelação contra a sentença que acolhe ou rejeita os embargos”. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 82 E mais, de acordo com o que prevê o § 10o do art. 702 do CPC, o juiz condenará o autor em favor do réu a multa de até 10 % do valor da causa se proposta de forma indevida e de má- fé a ação monitória. Da mesma forma, o juiz condenará o RÉU ao pagamento de multa de até 10 % do valor da causa em favor do autor, se opuser embargos à ação monitória de má-fé: § 10. O juiz condenará o autor de ação monitória proposta indevidamente e de má-fé ao pagamento, em favor do réu, de multa de até dez por cento sobre o valor da causa. § 11. O juiz condenará o réu que de má-fé opuser embargos à ação monitória ao paga- mento de multa de até dez por cento sobre o valor atribuído à causa, em favor do autor. 3.3. Dissolução parcial da sociedade Conceito O procedimento especial da dissolução parcial da sociedade encontra-se previsto no Có- digo de Processo Civil, nos arts. 599 a 609 do CPC, sendo utilizado quando ocorre apenas a dissolução parcial da sociedade, como por exemplo um sócio falece, pede para sair ou é exclu- ído, mas a sociedade continua. Assim, com a dissolução parcial, ocorre apenas a resolução da sociedade em relação a um ou alguns sócios, desfazendo-se os respectivos vínculos. Do objeto da ação de dissolução parcial da sociedade Previsão do art. 599 do CPC: Art. 599. A ação de dissolução parcial de sociedade pode ter por objeto: I – a resolução da sociedade empresária contratual ou simples em relação ao sócio fale- cido, excluído ou que exerceu o direito de retirada ou recesso; e II – a apuração dos haveres do sócio falecido, excluído ou que exerceu o direito de retirada ou recesso; ou III – somente a resolução ou a apuração de haveres. O CPC ainda prevê, no § 2o do art. 599 do CPC: § 2o. A ação de dissolução parcial de sociedade pode ter também por objeto a sociedade anônima de capital fechado quando demonstrado, por acionista ou acionistas que repre- sentem cinco por cento ou mais do capital social, que não pode preencher o seu fim. Legitimados para propor a ação de dissolução parcial Previsão no art. 600 do CPC/15: Art. 600. A ação pode ser proposta: I – pelo espólio do sócio falecido, quando a totalidade dos sucessores não ingressar na sociedade; II – pelos sucessores, após concluída a partilha do sócio falecido; III – pela sociedade, se os sócios sobreviventes não admitirem o ingresso do espólio ou dos sucessores do falecido na sociedade, quando esse direito decorrer do contrato social; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 83 IV – pelo sócio que exerceu o direito de retirada ou recesso, se não tiver sido providenci- ada, pelos demais sócios, a alteração contratual consensual formalizando o desligamento, depois de transcorridos 10 (dez) dias do exercício do direito; V – pela sociedade, nos casos em que a lei não autoriza a exclusão extrajudicial; ou VI – pelo sócio excluído. Parágrafo único. O cônjuge ou companheiro do sócio cujo casamento, união estável ou convivência terminou poderá requerer a apuração de seus haveres na sociedade, que serão pagos à conta da quota social titulada por este sócio. O cônjuge ou companheiro do sócio cujo casamento, união estável ou convivência termi- nou serão legitimados para requerer a apuração de seus haveres na sociedade, que serão pagos à conta da quota social titulada por este sócio. Do procedimento Observar de início a previsão do § 1o do art. 599 do CPC/2015: “§ 1o A petição inicial será necessariamente instruída com o contrato social consolidado”. Os réus terão direito a contestar, conforme preceitua o art. 601 do Novo CPC: Art. 601. Os sócios e a sociedade serão citados para, no prazo de 15 (quinze) dias, con- cordar com o pedido ou apresentar contestação. Parágrafo único. A sociedade não será citada se todos os seus sócios o forem, mas ficará sujeita aos efeitos da decisão e à coisa julgada. Citados, os réus possuem o prazo de 15 dias para concordar com o pedido ou contestar a ação. Se houver concordância, não haverá condenação em honorários advocatícios e as cus- tas do processo vão ser divididas de acordo com a participação das partes no capital social. Se houver contestação, segue-se o procedimento comum: Art. 603. Havendo manifestação expressa e unânime pela concordância da dissolução, o juiz a decretará, passando-se imediatamente à fase de liquidação. § 1o Na hipótese prevista no caput, não haverá condenação em honorários advocatícios de nenhuma das partes, e as custas serão rateadas segundo a participação das partes no capital social. § 2o Havendo contestação, observar-se-á o procedimento comum, mas a liquidação da sentença seguirá o disposto neste Capítulo. Da apuração dos haveres Previsão no art. 604 do CPC/2015. O art. 604 estabelece os elementos para a apuração dos haveres. Ou seja, deverá o juiz: I –fixará a data da resolução da sociedade; II – definirá o critério de apuração doshaveres à vista do disposto no disposto no contrato social; e III – nomeará o perito. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 84 Da data da resolução da sociedade Conforme se verificou no art. 604 do CPC/2015, o juiz deve fixar a data de resolução da sociedade, cujos critérios estão definidos no art. 605 do CPC: *Para todos verem: esquema. Observar sempre em primeiro lugar a previsão do contrato social – art. 606 do CPC/2015: Art. 606. Em caso de omissão do contrato social, o juiz definirá, como critério de apuração de haveres, o valor patrimonial apurado em balanço de determinação, tomando-se por referência a data da resolução e avaliando-se bens e direitos do ativo, tangíveis e intangí- veis, a preço de saída, além do passivo também a ser apurado de igual forma. Parágrafo único. Em todos os casos em que seja necessária a realização de perícia, a nomeação do perito recairá preferencialmente sobre especialista em avaliação de socie- dades. Atenção! Conforme o art. 607 do CPC, os critérios podem ser revisados pelo juiz a pedido da parte, a qualquer tempo antes do início da perícia. O momento de se revisar os critérios é antes do início da perícia. O juiz não pode de ofício, e sim a pedido de qualquer das partes. Pode ser revista a data da resolução e o critério de apuração. Do pagamento dos haveres – previsão do artigo 609 do CPC: Art. 609. Uma vez apurados, os haveres do sócio retirante serão pagos conforme discipli- nar o contrato social e, no silêncio deste, nos termos do § 2o do art. 1.031 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). A DATA DE RESOLUÇÃO DA SOCIEDADE SERÁ: No caso de falecimento do sócio e não aceitação de ingresso do espólio ou dos sucessores, a do óbito. No caso de retirada imotivada, o sexagésimo dia do recebimento da notificação pela sociedade. No caso de recesso, o dia do recebimento da notificação pela sociedade. No caso da exclusão extrajudicial, a data da assembleia ou reunião que tiver liberado. No caso de retirada por justa causa de sociedade por prazo determinado e na exclusão judicial de sócio, a do trânsito em julgado da decisão que dissolver a sociedade. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 85 3.4. Embargos de terceiro Previsão legal: Arts. 674 a 681 do CPC. Conceito Conforme o artigo 674 do CPC, os embargos de terceiro são utilizados pelo terceiro (quem não é parte no processo) no caso de haver constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo. Logo, por meio desse procedimento especial, o terceiro poderá requerer o desfazimento ou a inibição dessa constrição. Partes nos embargos de terceiro: *Para todos verem: esquema. Chama-se embargante: quem promove a ação. Chama-se embargado: quem sofre a ação. Chamam-se embargos de terceiro porque justamente são opostos por quem não faz parte do processo principal no qual há a ameaça ou há a constrição indevida do bem. O § 1o do art. 674 do Novo CPC elenca quem são os legitimados: “§ 1o Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário, ou possuidor”. Vide súmula no 84 do STJ. No que tange à legitimidade ativa para ajuizamento dos embargos de terceiro, é de se observar, ainda, a previsão do § 2o do art. 674 do CPC: I – o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua mea- ção, ressalvado o disposto no art. 843; [Vide súmula no 134 do STJ.] II – o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução; Embargante: quem promove a ação Embargado: quem sofre a ação Partes dos embargos de terceiros http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 86 III – quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração da perso- nalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte; IV – o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos expropriatórios res- pectivos. Prazo Previsão do art. 675 do CPC: Art. 675. Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conheci- mento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por ini- ciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. Parágrafo único. Caso identifique a existência de terceiro titular de interesse em embargar o ato, o juiz mandará intimá-lo pessoalmente. Então, via de regra, verifica-se não o termo inicial, mas até quando podem ser opostos os embargos de terceiro, a depender se é processo de conhecimento ou execução ou, ainda, fase de cumprimento de sentença: Até o trânsito em julgado da sentença – quando o processo for de conhecimento. No cumprimento de sentença ou no processo de execução – até 5 dias depois da adjudi- cação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. Competência Conforme o caput do art. 676 do CPC, os embargos de terceiros vão ser distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a constrição e autuados em apartado. Porém, nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos de terceiro devem ser oferecidos no JUÍZO DEPRECADO – salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito, ou se já devolvida a carta (previsão do art. 676, parágrafo único do CPC): Art. 676. Os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a cons- trição e autuados em apartado. Parágrafo único. Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a carta. Da petição inicial Quanto à petição inicial, observa-se o art. 677 do Novo CPC: Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua posse ou de seu domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas. § 1o É facultada a prova da posse em audiência preliminar designada pelo juiz. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 87 § 2o O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio alheio. § 3o A citação será pessoal, se o embargado não tiver procurador constituído nos autos da ação principal. § 4o Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição aproveita, assim como o será seu adversário no processo principal quando for sua a indicação do bem para a constrição judicial. Assim, já na petição inicial dos embargos de terceiro, o embargante deve trazer os docu- mentos para comprovar a sua legitimidade para opor os embargos, sendo que, pode ocorrer, conforme a previsão do § 1o, a designação de audiência preliminar, ou seja, de justificação a fim de demonstrar o seu direito na hipótese de não ter conseguido comprová-lo por meio de docu- mentos. Consoante o § 2o do art. 677 do CPC: “O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio alheio”. Liminar Sobre a liminar nos embargos de terceiro, estabelece o art. 678 do CPC que pode ocorrer a manutenção ou reintegração provisória da posse se o embargante a requerer: Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o domínio ou a posse deter- minará a suspensão das medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos embar- gos, bem como a manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante a houver requerido. Parágrafo único. O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção ou de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo requerente, ressalvadaa impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. Citação do embargado De início, é de se verificar se o embargado possui ou não procurador constituído nos autos. Se não o possuir, a citação do embargado deve ser pessoal. Contestação Os embargos de terceiro poderão ser contestados no prazo de 15 dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum. O art. 680 do CPC, trata, por sua vez, da contestação no caso dos embargos do credor com garantia real: Art. 680. Contra os embargos do credor com garantia real, o embargado somente poderá alegar que: I – o devedor comum é insolvente; II – o título é nulo ou não obriga a terceiro; III – outra é a coisa dada em garantia. O art. 680 trata da defesa no caso dos embargos opostos pelo credor com garantia real. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 88 Do julgamento dos embargos de terceiro Se os embargos forem julgados procedentes, a constrição judicial estará cancelada, com o consequente reconhecimento do domínio, a manutenção da posse ou a reintegração definitiva do bem ao embargante. 3.5. Ações possessórias a) Cabimento das ações possessórias: *Para todos verem: esquema. b) Fungibilidade das ações possessórias Previsão do art. 554 do CPC: Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. c) Possibilidade de cumular outros pedidos Consoante previsão do art. 555 do CPC, é permitido ao autor da ação possessória cumu- lar ao pedido possessório o pedido de condenação em perdas e danos e indenização dos frutos. O parágrafo único do art. 555 estabelece que, além disso, o autor pode requerer imposição de medida necessária e adequada para evitar nova turbação ou esbulho e cumprir-se a tutela pro- visória ou final. d) Caráter dúplice O art. 556 do CPC estabelece que é permitido ao réu na contestação da ação possessória alegar que foi ele o ofendido em sua posse, e então demandar a proteção possessória e a inde- nização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. e) Discussão sobre domínio na ação possessória Reintegração de Posse Utilizada quando ocorrer o ESBULHO, sendo que o possuidor fica privado da posse. Interdito Proibitório Utilizada quando ocorrer AMEAÇA de esbulho ou turbação. Manutenção da Posse Utilizada quando ocorrer TURBAÇÃO, sendo que o possuidor é molestado, mas continua com a posse. É efetivado um incômodo no exercício da posse. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 89 Previsão do art. 557 do CPC: Art. 557. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, pro- por ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa. Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração de posse a alegação de pro- priedade ou de outro direito sobre a coisa. f) Ação possessória por força nova e por força velha A ação possessória será regida pelo procedimento especial se a ação for proposta dentro de ano e dia a contar da turbação ou do esbulho afirmado na inicial, tendo nesse caso a possi- bilidade de liminar específica do art. 562 do CPC. Decorrido esse prazo, o procedimento será o comum, não perdendo o caráter possessório. g) Da ação de manutenção e da reintegração de posse Previsão a partir do art. 560 do CPC: “Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho”. Requisitos da petição inicial: arts. 319 e 561 do CPC. Nas ações possessórias, além do art. 319, que traz os requisitos da petição inicial, esta deve ser adaptada às exigências do art. 561 do CPC, o qual traz os requisitos específicos da petição inicial das possessórias: Art. 561. Incumbe ao autor provar: I – a sua posse; II – a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; III – a data da turbação ou do esbulho; IV – a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração. Da medida liminar: previsão do art. 562 do CPC: Se a ação possessória, seguir o procedimento especial, tem a liminar específica do art. 562 do CPC. Se for ação por força velha, poderá ser requerida a tutela provisória nos termos do art. 294 e seguintes do CPC: Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário, de- terminará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a manu- tenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes ju- diciais. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 90 Ainda, poderá ser necessária a audiência de justificação para que o autor possa produzir provas necessárias a fim de obter a medida liminar, ocorrendo essa audiência após a citação. Previsão do art. 563 do CPC: “Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração”. Citação do réu: Previsão do art. 564 do CPC: Art. 564. Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 (quinze) dias. Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar. h) Do interdito proibitório O interdito proibitório é a medida pertinente quando o possuidor direto ou indireto tem o justo receio de ser molestado na posse, requerendo ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente: Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso transgrida o pre- ceito. 3.6. Ação de exigir contas a) Previsão legal: Arts. 550 a 553 do CPC. b) Cabimento e legitimidade A ação de exigir contas encontra previsão legal no art. 550 do CPC: Art. 550. Aquele que afirmar ser titular do direito de exigir contas requererá a citação do réu para que as preste ou ofereça contestação no prazo de 15 (quinze) dias. Conforme o Novo CPC, tem legitimidade para propor a ação de exigir contas pelo proce- dimento especial aquele que possui legitimidade para exigi-las, ou seja, aquele que afirma ser titular do direito de exigir as contas em face de outra pessoa. c) Procedimento Conforme o caput do art. 550, o autor deve requerer a citação do réu para que este: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 91 *Para todos verem: esquema. E se o réu não prestar contas nem contestar? Observa-se o disposto no art. 355 do CPC, ou seja, haverá julgamento antecipado do mérito: Se o pedido for julgado improcedente – o réu fica desobrigado a prestar contas exigidas pelo autor, que responderá pelo ônus da sucumbência. Se o pedido for julgado procedente – previsão do § 5o do art. 550 do CPC/2015. Deci- são vai condenar o réu a prestar as contas no prazo de 15 dias, se não o fizer, não poderá impugnar as contas apresentadas pelo autor. § 5o A decisão que julgar procedente o pedido condenará o réu a prestar as contas no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de não lhe ser lícito impugnar as que o autor apre- sentar. § 6o Se o réu apresentar ascontas no prazo previsto no § 5o, seguir-se-á o procedimento do § 2o, caso contrário, o autor apresentá-las-á no prazo de 15 (quinze) dias, podendo o juiz determinar a realização de exame pericial, se necessário. Ou seja, o autor poderá se manifestar no prazo de 15 dias se o réu prestar as contas por determinação do juiz, e se o réu não o fizer, o autor poderá apresentá-las no prazo de 15 dias, não podendo o réu impugnar neste caso. d) Da apresentação das contas De acordo com o que prevê o art. 551, as contas prestadas pelo réu deverão ter as recei- tas especificadas, inclusive as despesas e os investimentos, caso tenham ocorrido. Por sua vez, o § 1o estabelece que, se houver impugnação específica e fundamentada pelo autor, deverá ser fixado um prazo razoável pelo juiz para que o réu apresente os documen- tos justificativos dos lançamentos que foram individualmente impugnados. Da mesma forma, o CPC prevê que as contas quando prestadas pelo autor se darão de forma adequada, com especificação das receitas, despesas e investimentos: § 2o As contas do autor, para os fins do art. 550, § 5o, serão apresentadas na forma ade- quada, já instruídas com os documentos justificativos, especificando-se as receitas, a apli- cação das despesas e os investimentos, se houver, bem como o respectivo saldo. O réu será citado para Prestar contas Oferecer contestação http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 92 e) Sentença De acordo com a previsão do art. 552 do CPC: “A sentença apurará o saldo e constituirá título executivo judicial”. Ou seja, se for apurado eventual saldo, será constituído título executivo judicial”. f) Das contas pelo inventariante, curador, tutor, depositário O art. 553 estabelece previsão sobre as contas de determinadas pessoas nomeada em processo, como tutor, curador ou depositário, por exemplo: Art. 553. As contas do inventariante, do tutor, do curador, do depositário e de qualquer outro administrador serão prestadas em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeado. Parágrafo único. Se qualquer dos referidos no caput for condenado a pagar o saldo e não o fizer no prazo legal, o juiz poderá destituí-lo, sequestrar os bens sob sua guarda, glosar o prêmio ou a gratificação a que teria direito e determinar as medidas executivas neces- sárias à recomposição do prejuízo. 3.7. Oposição a) Previsão legal; Arts. 682 a 686 do CPC. b) Cabimento Hoje, pelo Novo CPC, a oposição não é mais forma de intervenção de terceiros, mas sim, procedimento especial, na forma do 682 do CPC: Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controver- tem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos. Procedimento especial: proposta por terceiro (quem não é parte de um processo principal em curso). Quando? Quando o terceiro pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre o que controvertem autor e réu, ele poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição con- tra ambos. Terceiro que propõe a oposição é chamado de opoente. Autor e réu do processo principal são os opostos na oposição. Essa ação é, portanto, proposta contra o autor e réu do processo principal. c) Prazo Além dos demais requisitos, a ação de oposição deve ser ajuizada dentro de determinado prazo, ou seja, até a sentença do processo já instaurado. d) Petição inicial 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 93 A oposição deve ser feita observando os requisitos para propositura da ação, nos termos do art. 683 do CPC: “O opoente deduzirá o pedido em observação aos requisitos exigidos para propositura da ação”. e) Partes e procedimento da oposição As partes na ação de oposição são: Opoente: terceiro que ajuiza a ação de oposição. Opostos: polo passivo da ação de oposição, sendo o autor e réu do processo prin- cipal. A oposição passa a ser distribuída por dependência, sendo as partes citadas para con- testar no prazo COMUM de 15 dias. Previsão do parágrafo único do art. 683: Parágrafo único. Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias. E se uma das partes reconhecer a procedência do pedido? A oposição continua contra a outra. A oposição ficará em apenso à ação originária, sendo julgada juntamente a esta, conforme previsão do art. 685 do Novo CPC: Art. 685. Admitido o processamento, a oposição será apensada aos autos e tramitará si- multaneamente à ação originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença. Além disso, se a oposição for proposta após o início da audiência de instrução, o juiz suspenderá o curso do processo ao fim da produção das provas, salvo se concluir que a unidade da instrução atenda melhor ao princípio da duração razoável do processo; Previsão do parágrafo único do art. 685: Art. 685, Parágrafo único. Se a oposição for proposta após o início da audiência de ins- trução, o juiz suspenderá o curso do processo ao fim da produção das provas, salvo se concluir que a unidade da instrução atende melhor ao princípio da duração razoável do processo. Ainda, é de se observar, quanto ao julgamento da oposição, a previsão do art. 686 do CPC: “Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação originária e a oposição, desta conhecerá em primeiro lugar”. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 94 Como a ação originária e a oposição devem ser julgadas de forma conjunta (mesma sen- tença), deverá o juiz conhecer a oposição em primeiro lugar, tendo em vista que a sua solução interfere no resultado que terá a primeira ação. 3.8. Homologação do penhor legal a) Previsão legal: A previsão legal da homologação do penhor legal está nos arts. 1.467- 1.472 do Código Civil e arts. 703-706 do Código de Processo Civil. b) Cabimento e do procedimento especial de homologação do penhor legal O procedimento para homologar o penhor legal encontra-se previsto a partir do art. 703 do CPC. c) Da homologação do penhor legal e petição inicial De acordo com o art. 703 do CPC, tomado o penhor legal nas hipóteses previstas em lei requererá o credor, em ato contínuo sua homologação. São requisitos da homologação do pe- nhor legal – Previsão do § 1o do art. 703 do CPC: § 1o Na petição inicial, instruída com o contrato de locação ou a conta pormenorizada das despesas, a tabela dos preços e a relação dos objetos retidos, o credor pedirá a citação do devedor para pagar ou contestar na audiência preliminar que for designada. Veja o esquema na página a seguir... 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 95 *Para todos verem: esquema. d) Homologação do penhor legal extrajudicial Previsão do § 2o ao 4o do art. 703 do CPC. Há a possibilidade de a homologação ocorrer de forma extrajudicial perante notário, pre- enchendo os requisitos do § 1o. Uma vez recebido o requerimento pelo notário, este deverá pro- mover a notificação extrajudicial do devedor. O devedor terá o prazo de cinco dias para pagar o débito ou impugnar a cobrança. Na impugnação, que deverá ser por escrito, poderá alegar uma das causas previstas no art. 704 do CPC/2015. Caso ocorra a impugnação na via extrajudicial, o procedimento será encaminhado ao juiz competente para este decidir. E se não houver manifestação do devedor neste prazo de 05 dias? O notário deverá homologar o penhor legal por escritura pública, na forma do art. 703, § 4o do CPC. e) Da defesa do devedor O art. 704 enumera as alegações de defesa do réu: Veja o esquema na páginaa seguir... A p e ti ç ã o i n ic ia l d e v e rá s e r in s ti tu íd a a s s im : Contrato de locação ou a conta pormenorizada das despesas; A tabela dos preços; A relação dos objetos retidos; Citação: para pagar ou contestar na audiência preliminar que for designada. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 96 *Para todos verem: esquema. Na via judicial, o § 1o do art. 703 do CPC estabelece que o devedor será citado para pagar ou oferecer contestação na audiência preliminar a ser designada. E de acordo com o art. 705 do CPC: “A partir da audiência preliminar, observar-se-á o procedimento comum”. Ou seja, recebida a Inicial, o requerido será citado para comparecer na audiência preliminar. Após esta audiência, será observado o procedimento comum. E se for homologado o penhor legal? Previsão do art. 706 do CPC/2015: Art. 706. Homologado judicialmente o penhor legal, consolidar-se-á a posse do autor so- bre o objeto. § 1o Negada a homologação, o objeto será entregue ao réu, ressalvado ao autor o direito de cobrar a dívida pelo procedimento comum, salvo se acolhida a alegação de extinção da obrigação. § 2o Contra a sentença caberá apelação, e, na pendência de recurso, poderá o relator ordenar que a coisa permaneça depositada ou em poder do autor. Uma vez homologado o penhor legal, a posse dos bens será consolidada em favor do autor. Reconhece-se a legitimidade dos bens que foram tomados. E se for negada a homologação? § 1o Negada a homologação, o objeto será entregue ao réu, ressalvado ao autor o direito de cobrar a dívida pelo procedimento comum, salvo se acolhida a alegação de extinção da obrigação. O bem objeto de penhor será devolvido ao réu, podendo o autor cobrar a dívida ainda pelo procedimento comum, salvo se for acolhida a alegação de extinção da obrigação do réu. Contra a sentença de penhor legal, o recurso cabível é a apelação. As causas seriam: a) Nulidade do penhor; b) Excesso do que foi penhorado uma vez que ultrapassou o valor da dívida; c) Pode impugnar em relação às dívidas por não estarem compreendidas dentre as hipóteses que a lei autoriza o penhor legal, ou mesmo os bens não estarem sujeitos ao penhor; d) Os bens sujeitos a penhor são aqueles enumerados no Art. 1.467 do CC. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 97 3.9. Divisão e demarcação de terras particulares a) Previsão legal A previsão legal da divisão e demarcação de terras particulares está nos arts. 569 a 598 do Código de Processo Civil. b) Disposições gerais previstas nos arts. 569-573 do CPC Consoante disposição do art. 569 do CPC: DEMARCAÇÃO – ao proprietário, cabe a ação de demarcação, para obrigar o seu confi- nante a estremar os respectivos prédios, fixando-se novos limites entre eles ou aviventando-se os já apagados; DIVISÃO – ao condômino, cabe a ação de divisão, para obrigar os demais consortes a estremar os quinhões. c) Da possibilidade de Cumulação das ações de demarcação e divisão: previsão do art. 570 do CPC: Art. 570. É lícita a cumulação dessas ações, caso em que deverá processar-se primeira- mente a demarcação total ou parcial da coisa comum, citando-se os confinantes e os con- dôminos. Realização via escritura pública: previsão do art. 571 do CPC: Art. 571. A demarcação e a divisão poderão ser realizadas por escritura pública, desde que maiores, capazes e concordes todos os interessados, observando-se, no que couber, os dispositivos deste Capítulo. Então, poderão serem realizadas por meio de escritura pública, desde que preenchidos estes requisitos: As partes são maiores e capazes. Há acordo entre as partes, ou seja, entre os confitentes ou condôminos. d) Petição inicial da ação de demarcação de terras – vide art. 574 do CPC: Art. 574. Na petição inicial, instruída com os títulos da propriedade, designar-se-á o imóvel pela situação e pela denominação, descrever-se-ão os limites por constituir, aviventar ou renovar e nomear-se-ão todos os confinantes da linha demarcada. Ainda, sobre a possibilidade de se requerer a demarcação, o art. 575 do CPC prevê: “Art. 575. Qualquer condômino é parte legítima para promover a demarcação do imóvel comum, re- querendo a intimação dos demais para, querendo, intervir no processo”. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 98 e) Petição inicial da ação de divisão – sobre a petição inicial da ação de divisão, o art. 578 do CPC exige: Art. 588. A petição inicial será instruída com os títulos de domínio do promovente e con- terá: I – a indicação da origem da comunhão e a denominação, a situação, os limites e as ca- racterísticas do imóvel; II – o nome, o estado civil, a profissão e a residência de todos os condôminos, especifi- cando-se os estabelecidos no imóvel com benfeitorias e culturas; III – as benfeitorias comuns. 3.10. Restauração de autos a) Previsão legal e cabimento Procedimento previsto a partir do art. 712 do CPC, quando houver o desaparecimento dos autos eletrônicos ou não, podendo ser promovida pelo Juiz, de ofício, pelo Ministério Público e por uma qualquer das partes. b) Da petição inicial e do procedimento O art. 713 do CPC dispõe sobre a petição inicial da ação e restauração e autos, trazendo exigências específicas: Art. 713. Na petição inicial, declarará a parte o estado do processo ao tempo do desapa- recimento dos autos, oferecendo: I – certidões dos atos constantes do protocolo de audiências do cartório por onde haja corrido o processo; II – cópia das peças que tenha em seu poder; III – qualquer outro documento que facilite a restauração. Na restauração de autos, a parte contrária será citada para oferecer contestação no prazo de cinco dias, trazendo também as peças e cópias que dispuser: Art. 714. A parte contrária será citada para contestar o pedido no prazo de 5 (cinco) dias, cabendo-lhe exibir as cópias, as contrafés e as reproduções dos atos e dos documentos que estiverem em seu poder. § 1o Se a parte concordar com a restauração, lavrar-se-á o auto que, assinado pelas partes e homologado pelo juiz, suprirá o processo desaparecido. § 2o Se a parte não contestar ou se a concordância for parcial, observar-se-á o procedi- mento comum. c) Sobre as provas Consoante previsão do art. 715 do CPC, as provas que foram produzidas no processo que desapareceu/extraviou somente serão repetidas, caso houver necessidade: § 1o Serão reinquiridas as mesmas testemunhas: salvo, em caso de impossibilidade, po- derão ser substituídas de ofício ou a requerimento. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 99 § 2o Se não houver certidão ou cópia do laudo, far-se-á nova perícia, sempre que possível pelo mesmo perito; § 3o Não havendo certidão de documentos, esses serão reconstituídos mediante cópias ou, na falta dessas, pelos meios ordinários de prova. § 4o Os serventuários e os auxiliares da justiça não podem eximir-se de depor como tes- temunhas a respeito de atos que tenham praticado ou assistido. § 5o Se o juiz houver proferido sentença da qual ele próprio ou o escrivão possua cópia, esta será juntada aos autos e terá a mesma autoridade da original. Julgada a restauração, seguirá o processo os seus termos. E, de acordo com o artigo 716 e parágrafo único do CPC, caso apareçam os autos originais, neles o processo terá prossegui- mento, sendo-lhes apensados os autos da restauração. É de se destacar que, caso o desaparecimento ou extravio ocorrer no Tribunal, quem será competente para a restauração será o relator do processo, sempre que possível, de acordo com o Código de Processo Civil no seu art. 717. E no caso de atos que dependem de instrução, deverão acarretar a remessa do procedimento ao juízo de origem para a coleta das provas. De- pois de realizadas as diligências necessárias, ocorre a remessa doII – às execuções fundadas no mesmo título executivo. § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 11 Atenção para o § 3º do art. 55 do CPC: ainda que não haja relação com o pedido ou com a causa de pedir, mas existindo qualquer risco de decisão conflitante, devem ser reunidos os processos para decisão em conjunto. Ainda, é importante prestar atenção à parte final do § 1º do art. 55 do CPC: quando um processo já houver sido sentenciado, não haverá conexão. A continência está disciplinada no art. 56 do CPC e determina que, para haver a modifi- cação de competência, é necessário que duas ou mais ações tenham identidade quanto às par- tes e a causa de pedir, e que o pedido de uma, por ser mais amplo, abranja o das demais. Aqui também ocorre a reunião de duas ou mais ações, visando evitar decisões divergentes. As regras aplicadas à conexão aplicam-se também à continência. Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. *Para todos verem: esquema. Litisconsórcio O litisconsórcio ocorre quando duas ou mais pessoas são partes em um mesmo processo: Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: I – entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; II – entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; III – ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito. § 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. § 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. Há algumas classificações importantes quanto ao litisconsórcio, vejamos: a) Quanto ao polo • Quando for comum o pedido ou a causa de pedir em 2 ou mais ações. CONEXÃO • Quando em 2 ou mais ações houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. CONTINÊNCIA 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 12 No caso de haver mais de um autor, o litisconsórcio será chamado de ativo; havendo mais de um réu, litisconsórcio passivo; e se houver pluralidade de autores e réus, será chamado de misto. b) Quanto à obrigatoriedade O litisconsórcio também pode ser obrigatório ou facultativo, ou seja, a presença de duas ou mais pessoas é obrigatória, sob pena da ação não prosseguir. Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes. Será necessário ou obrigatório quando decorrer de expressa previsão legal, como, por exemplo, no caso do art. 73 do CPC, que exige que ambos os cônjuges ou companheiros figurem conjuntamente em ações que versem sobre direito real imobiliário ou, ainda, devido à natureza da relação entre as partes. Será facultativo quando derivar apenas da vontade da parte autora, que pode optar por propor uma única ação contra todos os réus que tenham ligação na demanda (ex: obrigação solidária). c) Quanto a uniformidade da decisão Ainda, o litisconsórcio poderá ser simples, quando a sentença não tiver que ser igual para todos os litisconsortes, ou unitário, quando necessariamente precisar ser igual para todos. Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. d) Quanto à limitação na formação do litisconsórcio Por fim, o litisconsórcio será multitudinário quando ocorrer um número elevado de partes integrantes em um dos polos da ação, e o juiz, ao se deparar com isto, poderá limitar a quanti- dade de participantes. Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: § 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. § 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 13 Atenção para o art. 229 do CPC. A possibilidade da incidência do prazo em dobro requer mais do que litisconsórcio, é necessário também partes com advogados diferentes; esses advo- gados devem ser de diferentes escritórios e os autos precisam ser autos físicos. Se não houver presente os quatro critérios, não haverá a incidência do prazo em dobro. Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advoca- cia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qual- quer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento. § 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um deles. § 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos. Litispendência Existe uma grande confusão entre litisconsórcio e litispendência. Uma coisa não se rela- ciona com a outra. O conceito de litispendência está nos §§ 1º e 2º do art. 337 do CPC. Atenção, a litispen- dência se difere de conexão: a conexão trata do mesmo pedido ou da mesma causa de pedir, não das mesmas partes, e a litispendência trata de duas ações iguais, mesmo pedido, mesma partes e mesma causa de pedir. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: § 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. A litispendência é causa de extinção sem resolução do mérito de um processo, conforme o art. 485, V do CPC. Qual das ações será extinta? De acordo com o art. 240 do CPC, a primeira ação, se houve citação, permanecerá e a outra será extinta. 1.4. Princípios, atos do juiz, suspeição e impedimento 1.4.1. Princípios Constitucionais e Processuais Princípio do devido processo legal O direito ao processo é uma das garantias constitucionais, direito fundamental previsto no art. 5º, inciso XXXV, portanto, é um princípio constitucional e processual. O devido processo legal está relacionado com os outros princípios, como contraditório, ampla defesa. Princípio do contraditório 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 14 É uma ideia de reação: sempre que houver a possibilidade de uma decisão judicial contra uma das partes, essa parte tem que ser ouvida, tem que ser dada a oportunidade de a parte se manifestar. Objetivamente, é o direito de reação – garante às partes a oportunidade de se mani- festar em todos os atos do processo, e tratamento paritário para dialogar com o juiz, sob pena de nulidade, não podendo, assim, o juiz julgar qualquer ação sem que os litigantes tenham tido a oportunidade de se defender. Veja o art. 9º do CPC: “Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida”. Exceção: o juiz pode decidir sem dar a oportunidade de uma das partes se manifestar, conforme o parágrafo único do art. 9º do CPC. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I – à tutela provisória de urgência; II – às hipóteses de tutelaprocedimento ao Tribunal para que continue com o procedimento de restauração. d) Culpa e responsabilidade O art. 718 do CPC estabelece que quem houver dado causa ao desaparecimento dos autos responderá pelas custas da restauração e pelos honorários de advogado, sem prejuízo da responsabilidade civil ou penal em que incorrer. 3.11. Habilitação a) Previsão legal e cabimento Prevista nos arts. 687-692 do CPC, a habilitação tem cabimento quando houver o faleci- mento de qualquer das partes no processo tal qual previsão do art. 687 do CPC: “Artigo 687. A habilitação ocorre quando, por falecimento de qualquer das partes, os interessados houverem de suceder-lhe no processo”. b) Legitimidade e procedimento Os legitimados, ou seja, quem pode requerer a habilitação estão previstos no art. 688 do CPC/2015: Art. 688. A habilitação pode ser requerida: I – Pela parte, em relação aos sucessores do falecido; II – Pelos sucessores do falecido, em relação à parte. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 100 O procedimento está previsto no art. 689 do CPC/2015: art. 689. “Proceder-se-á à habili- tação nos autos do processo principal, na instância em que estiver suspendendo-se, a partir de então, o processo”. Consoante a previsão do art. 690 do CPC, a parte ré na habilitação será citada para se pronunciar no prazo de cinco dias acerca da habilitação. E, caso ainda não tenha procurador constituído, a citação deve ocorrer de forma pessoal: Art. 690. Recebida a petição, o juiz ordenará a citação dos requeridos para se pronuncia- rem no prazo de 5 (cinco) dias. Parágrafo único. A citação será pessoal, se a parte não tiver procurador constituído nos autos. Sobre o julgamento da habilitação prevê o art. 691 do CPC: Art. 691. O juiz decidirá o pedido de habilitação imediatamente, salvo se este for impug- nado e houver necessidade de dilação probatória diversa da documental, caso em que determinará que o pedido seja autuado em apartado e disporá sobre a instrução. Ainda, conforme o art. 692 do CPC, uma vez transitada em julgado a sentença de habili- tação, o processo principal toma o seu curso: “Transitada em julgado a sentença de habilitação, o processo principal retomará o seu curso, e cópia da sentença será juntada aos autos respecti- vos”. 3.12. Divórcio, separação, extinção da união estável, alteração de re- gime de bens de forma consensual a) Previsão legal: Arts. 731 a 734 do CPC. b) Cabimento Tais regras se aplicam quando houver o divórcio ou a separação de forma consensual, ou ainda a extinção consensual de união estável, bem como a alteração do regime de bens do matri- mônio de forma consensual. O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, em 08/11/2023, que as normas do Código Civil que tratam da separação judicial perderam a validade com a entrada em vigor da Emenda Cons- titucional (EC) 66/2010. Segundo a decisão, depois que essa exigência foi retirada da Constitui- ção Federal, a efetivação do divórcio deixou de ter qualquer requisito, a não ser a vontade dos cônjuges. (https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=518572&ori=1). 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 101 A tese de repercussão geral fixada para o Tema 1.053 é a seguinte: “Após a promulgação da Emenda Constitucional 66/2010, a separação judicial não é mais requisito para o divórcio, nem subsiste como figura autônoma no ordenamento jurídico. Sem prejuízo, preserva-se o es- tado civil das pessoas que já estão separadas por decisão judicial ou escritura pública, por se tratar de um ato jurídico perfeito”. (https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idCon- teudo=518572&ori=1). c) Requisitos da petição inicial O art. 731 do CPC determina que a homologação do divórcio ou da separação consensu- ais, observados os requisitos legais, poderá ser requerida em petição assinada por ambos os cônjuges, da qual constarão: I – as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; II – as disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; III – o acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e IV – o valor da contribuição para criar e educar os filhos. d) Previsão expressa de aplicação das regras à extinção consensual da união está- vel O CPC estabelece que se aplicam as regras contidas referentes ao divórcio e separação consensuais também à extinção consensual de união estável. e) Possibilidade de realização do divórcio, separação e extinção da união estável por meio de escritura pública O divórcio, a separação e a extinção da união estável poderão ser realizados por meio de ESCRITURA PÚBLICA, da qual constarão as disposições do art. 731, desde que preenchidos os seguintes requisitos: • que a mulher não esteja grávida, isto é, não pode haver nascituro; • que não tenham filhos incapazes; • que seja consensual. Na forma do § 1o do art. 733 do CPC, a escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância depositada em instituições financeiras. Além disso, haverá necessidade de as partes estarem assistidas por advogado ou defen- sor públicos, pois, conforme disposição do § 2o do art. 733 do CPC, o tabelião somente lavrará 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 102 a escritura se os interessados estiverem assistidos por esses profissionais, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. f) Partilha de bens após o divórcio: possibilidade de acordo com a previsão do pa- rágrafo único do art. 731 Art. 731, Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far‑se‑á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos arts. 647 a 658. g) Alteração do regime de bens do casamento A alteração do regime de bens do casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros, tal qual preceitua o artigo 734 do CPC. Conforme determina o Código de Processo Civil, o juiz, ao receber a petição inicial, de- terminará a intimação do Ministério Público e a publicação de edital que divulgue a pretendida alteração de bens, somente podendo decidir depois de decorrido o prazo de 30 dias da publica- ção do edital. Ainda, os cônjuges, na petição inicial ou em petição avulsa, podem propor ao juiz meio alternativo de divulgação da alteração do regime de bens, a fim de resguardar direitos de tercei- ros. Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de averbação aos cartórios de registro civil e de imóveis e, caso qualquer dos cônjuges seja empresário, ao Regis- tro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. 3.13. Ações de família a) Previsão legal e cabimento As regras contidas a partir do art. 693 do CPC são aplicadas quando houver litígio, ou seja, aos processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. No que tange à ação de alimentos e ao que versar sobre interesse de criança ou de adolescente, observar-se-á o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no que couber, as disposições do procedimento especial previsto no CPC. b) Objetivo de obter a solução consensual da controvérsia 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 103 Nas ações de família, conforme o art. 694 do CPC, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. Ainda, a requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar.c) Petição e procedimento Recebida a petição inicial e tomadas providências referentes à tutela provisória o juiz or- dena a citação do réu para comparecer à audiência de mediação ou conciliação. O mandado de citação deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, asse- gurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo. A citação do réu ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada para a audiência. A citação será feita na pessoa do réu. Na audiência, as partes deverão estar acompanhadas de seus advogados ou de defen- sores públicos. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas se- jam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito. Se não for realizado o acordo, passam a incidir as normas do procedimento comum – prazo para o réu em testar observado o art. 335. Isso conforme previsão do artigo 697 do CPC. d) Intervenção do Ministério Público A intervenção do Ministério Público vai ocorrer em duas situações nas ações de família: 1) Envolver interesse de incapaz (art. 698, caput) –sendo necessária a oitiva do MP antes de homologar acordo; 2) A ação de família envolver parte que é vítima de violência doméstica e familiar. O artigo 699 do CPC foi alterado pela Lei 14.713 de 2023, passando a ter a letra A, nos seguintes termos: Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista. Art. 699-A. Nas ações de guarda, antes de iniciada a audiência de mediação e conciliação de que trata o art. 695 deste Código, o juiz indagará às partes e ao Ministério Público se há risco de violência doméstica ou familiar, fixando o prazo de 5 (cinco) dias para a apre- sentação de prova ou de indícios pertinentes. (Incluído pela Lei nº 14.713, de 2023). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14713.htm#art2 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 104 Ou seja, consoante alteração, nas ações de guarda, antes de iniciada a audiência de me- diação e conciliação de que trata o art. 695 deste procedimento especial, o juiz indagará às partes e ao Ministério Público se há risco de violência doméstica ou familiar, fixando o prazo de 5 (cinco) dias para a apresentação de prova ou de indícios pertinentes. 4. Recursos Prof.ª Tatiane Kipper @profetatiane_kipper 4.1. Cabimento Os recursos atacam decisões judiciais, sejam elas: sentença, decisão interlocutória, deci- são monocrática ou acórdão, com objetivo, em regra, de reformar/invalidar ou suprir algum vício dessa decisão. 4.2. Das decisões recorríveis As decisões recorríveis são aquelas com conteúdo decisório, por isso, se excluem os des- pachos e os atos meramente ordinatórios. Os despachos são irrecorríveis conforme previsão do art. 1.001 do CPC: “Art. 1.001. Dos despachos não cabe recurso”. O art. 203, § 1o define sentença e no § 2o tem-se a definição de decisão interlocutória: Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. § 1o Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. § 2o Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1o. § 3o São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte. § 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando ne- cessário. Portanto, a sentença hoje possui esse conceito no CPC, em seu art. 203, § 1o, de que, ressalvadas as previsões expressas dos procedimentos especiais, a sentença é o ato do juiz de primeiro grau que, com ou sem resolução de mérito, coloca fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 105 Já as decisões interlocutórias estão definidas no § 2o do art. 203 do CPC como um con- ceito por exclusão, ou seja, não se enquadra no § 1o, não colocando fim ao processo. No âmbito dos Tribunais, tem-se as decisões unipessoais (monocráticas) e o acórdão. O art. 204 do CPC traz o conceito de acórdão: Art. 204. Acórdão é o julgamento colegiado proferido pelos tribunais. *Para todos verem: esquema. 4.3. Dos requisitos de admissibilidade dos recursos Os recursos devem preencher alguns requisitos/exigências para que sejam conheci- dos/admitidos e possam assim ser julgados. Há alguns requisitos que são genéricos, ou seja, aplicáveis a todos os recursos, e há alguns requisitos que são específicos, somente atingindo determinado recurso. Não há na dou- trina uma unanimidade sobre quais seriam tais requisitos. *Para todos verem: tabela. PRESSUPOSTOS OBJETIVOS (EXTRÍNSECOS) PRESSUPOSTOS SUBJETIVOS (INTRÍNSECOS) Recorribilidade da decisão Adequação do recurso Tempestividade Preparo Legitimidade Interesse Inexistência de fato impeditivo Decisões recorríveis Sentença Decisão interlocutória Decisão monocrática Acórdão 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 106 Forma Motivação a) Legitimidade para recorrer De acordo com o art. 996 do CPC/2015, possuem legitimidade para recorrer: as partes (vencido, mesmo que parcial), o terceiro prejudicado e o Ministério Público. Então, possuem legitimidade para recorrer: *Para todos verem: esquema. b) Interesse recursal Tem interesse recursal a pessoa legitimada que precisa alterar/invalidar a decisão impug- nada. Por isso é que o terceiro prejudicado deve demonstrar que seu direito foi atingido ou que pode recorrer como substituto processual, conforme o parágrafo único do art. 996 do CPC. c) Inexistência de fato impeditivo A inexistência de fato impeditivo significa que a parte não pode renunciar, desistir ou acei- tar a decisão para que o recurso seja admitido/julgado. O interessado em recorrer não pode praticar qualquer ato incompatível com a vontade de recorrer, tal como a renúncia ao direito de recorrer, a aceitação da decisão ou a desistência. Podem recorrer Parte vencida Ministério Público Parte Fiscal da ordem jurídica Terceiro prejudicado 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 107 *Para todos verem: tabela. Há existência de fato impeditivo em três situações Renúncia do direito de recorrer Desistência do recurso Concordância com a decisão Para renunciar ao direito de recorrer, conforme o art. 999 do CPC, não é preciso concor- dância da parte contrária: Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. A desistência ocorre quando a parte recorreu, mas posteriormente decide desistir, ou seja, não continuar mais com o recurso interposto. Para desistir do recurso, não há necessidade de concordância da parte contrária nem dos litisconsortes, conforme previsão do art. 998 do CPC/2015: Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Observe-se ainda, que a desistência do recurso não impede a análise de questão, cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida, bem como daquele objeto de julgamento de recur- sos (extraordinário ou especial) repetitivos, consoante prevê o parágrafo único do art. 998 do CPC. A concordância com a decisão significa que a parte aceitou a decisão, sendo que essa aceitação pode ser expressa. ou tácita. A concordância tácita se daria por meio de ato incompa- tívelcom a vontade de recorrer. Neste caso, cabe verificar a previsão do art. 1.000 do CPC/15: Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer. Observe-se, no entanto, a previsão do art. 520, § 3o do CPC: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 108 § 3o Se o executado comparecer tempestivamente e depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, o ato não será havido como incompatível com o recurso por ele inter- posto. d) Recorribilidade da decisão Como dito anteriormente, nem todo pronunciamento judicial vai ser passível de recurso. Consoante previsão do CPC, em seu art. 1.001, dos despachos não cabe recurso. Além disso, a decisão tem que ser recorrível para que o recurso seja admitido. e) Adequação O recurso interposto deve ser o adequado. A adequação significa que o recurso interposto deve ser aquele previsto na lei para a decisão atacada. Exemplo: da sentença cabe apelação e não agravo de instrumento. f) Tempestividade A tempestividade significa que o recorrente deve interpor o recurso no prazo. O recurso interposto fora do prazo é considerado intempestivo, não sendo admitido. No CPC/2015, quase todos os recursos possuem prazo de 15 dias para serem interpostos, conforme previsão do § 5o do art. 1.003 do CPC: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. § 1o Os sujeitos previstos no caput considerar-se-ão intimados em audiência quando nesta for proferida a decisão. § 2o Aplica-se o disposto no art. 231, incisos I a VI, ao prazo de interposição de recurso pelo réu contra decisão proferida anteriormente à citação. § 3o No prazo para interposição de recurso, a petição será protocolada em cartório ou conforme as normas de organização judiciária, ressalvado o disposto em regra especial. § 4o Para aferição da tempestividade do recurso remetido pelo correio, será considerada como data de interposição a data de postagem. § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. § 6o O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do re- curso. Ou seja, a exceção é no caso dos embargos de declaração, cujo prazo para o recurso é de 5 (cinco) dias. Cuidar também o prazo do recurso inominado no JEC, que é 10 (dez) dias. Tratando- se de prazos fixados em dias, contam-se apenas os dias úteis, de acordo com o art. 219 do CPC/2015. Prazo dos recursos: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 109 *Para todos verem: esquema. Caso haja hipótese de feriado local, o recorrente deve demonstrar a ocorrência do mesmo no ato de interposição do recurso. De acordo com o caput do art. 1.003 do CPC/2015, o início do prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pú- blica, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. O § 1o do art. 1.003, por sua vez, estabelece que os sujeitos acima referidos se conside- ram intimados quando a decisão for proferida em audiência. Além disso, o § 2o do art. 1.003 do CPC diz que: “Aplica-se o disposto no art. 231 , incisos I a VI, ao prazo de interposição de recurso pelo réu contra decisão proferida anteriormente à citação”. Neste caso, o prazo para interposição do recurso pelo réu contra uma decisão que foi proferida antes mesmo da sua citação deve observar a previsão do art. 231 do CPC, que prevê quando se considera o dia do começo do prazo. g) Custas (preparo e porte de remessa e de retorno) O preparo recursal significa o recolhimento das custas e despesas processuais referentes ao processamento do recurso. No caso do porte de remessa e de retorno, é o pagamento refe- rente à despesa de encaminhamento do recurso aos órgãos julgadores, e se o processo for eletrônico, é dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno, conforme previsão do § 3o do art. 1.007 do CPC/2015. Assim, cabe ao recorrente, quando da interposição do recurso, comprovar o recolhimento do preparo recursal, juntado as guias de recolhimento. Caso haja o recolhimento insuficiente do preparo, bem como do porte de remessa e de retorno, o recorrente deve ser intimado na pessoa do seu advogado para completá-lo no prazo de 5 (cinco) dias. Caso não tenha recolhido nada, a parte será intimada, também na pessoa do seu advo- gado, para o recolhimento em dobro. Regra 15 (quinze) dias Exceção Embargos de Declaração: 05 (cinco) dias 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 110 Observe-se que existem aqueles que estão dispensados do recolhimento do preparo, in- clusive de porte de remessa de retorno, como no caso dos recursos interpostos pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios, e respectivas autarquias, Ministério Público e por aqueles que gozam de isenção legal, tais como os beneficiários da Justiça Gratuita, consoante previsão do art. 1.007 do CPC/2015: Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. § 1o São dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal. (...) *Para todos verem: tabela. h) Forma Os recursos devem ser interpostos de acordo com a forma prevista em lei. Exemplo: no caso da apelação, deve haver a petição de interposição ao juiz de primeiro grau que proferiu a sentença já acompanhada com as razões dirigida ao Tribunal. Outro exemplo é no que se refere ao agravo de instrumento, que exige a juntada de certas cópias obrigatórias. i) Motivação A motivação é a exposição das razões pelas quais o recorrente impugna a decisão judicial. 4.4. Dos efeitos dos recursos a) Efeito devolutivo Significa a devolução da matéria impugnada ao outro órgão julgador. Assim, via de regra, os recursos consistem no encaminhamento do conhecimento da matéria impugnada ao Tribunal ad quem. b) Efeito suspensivo No ato de interposição Comprovar o preparo, inclusive de porte de re- messa e retorno Insuficiência do valor do preparo, inclusive de porte de remessa e retorno Deserção: se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não suprir no prazo de 5 dias Se não houver a comprovação do recolhimento do preparo, inclusive de porte de remessa e re- torno Será intimado, na pessoa de seu advogado, para recolher em dobro sob pena de deserção – caso não recolha em dobro, NÃO poderá su- prir 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 111 O efeito suspensivo acarreta que a decisão não seja cumprida enquanto o recurso não for julgado, já que a decisão recorrida estaria suspensa, ou seja, sem surtir efeitos. No novo CPC, com exceção da apelação, os demais recursos como regra NÃO POSSUEM O EFEITO SUS- PENSIVO. Verificar a previsão do art. 987, § 1o quando o recurso especial e o extraordinário terão efeito suspensivo do julgamento do incidente de resolução de demandas repetitivas. Porém, quando os recursos não tiverem efeito suspensivo automático, poderá ser reque- rido o efeito suspensivo com base no parágrafo único do art. 995 do CPC. Portanto, alteração em relação ao CPC antigo, pois no Novo CPC, a regra é que os recur- sos não impedem a eficácia da decisão, de acordo com o art. 995: Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal oudeci- são judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do re- lator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Quais os requisitos para ser atribuído o efeito suspensivo aos recursos, conforme o pará- grafo único do art. 995 do CPC? *Para todos verem: esquema. c) Efeito translativo Significa a possibilidade do Tribunal ad quem reavaliar questões de ordem pública, de ofício. d) Efeito regressivo Significa a possibilidade de o próprio juízo que proferiu a decisão reconsiderar a decisão impugnada. Exemplo: a apelação de regra não terá o efeito regressivo, salvo nas hipóteses legais. Pelo CPC: indeferimento da petição inicial (art. 331 CPC), improcedência liminar do Requisitos para ser requerido o efeito suspensivo (parágrafo único do art. 995 do CPC) Risco de Dano Grave, de difícil ou impossível reparação Ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 112 pedido (art. 332, §3° CPC) e quando houver extinção do processo sem resolução de mérito (art. 485, § 7o CPC). e) Efeito substitutivo O efeito substitutivo está previsto no art. 1.008 do CPC, quando refere que o julgamento proferido pelo Tribunal substituirá a decisão impugnada no que tiver sido objeto de recurso. 4.5. Dos recursos cabíveis no Novo CPC Os recursos cabíveis no CPC/2015 estão elencados no art. 994: Art. 994. São cabíveis os seguintes recursos: I – apelação; II – agravo de instrumento; III – agravo interno; IV – embargos de declaração; V – recurso ordinário; VI – recurso especial; VII – recurso extraordinário; VIII – agravo em recurso especial ou extraordinário; IX – embargos de divergência. Isso não inibe que haja recurso previsto em lei específica. Ex: recurso inominado do jui- zado especial. 4.6. Do Recurso Adesivo Conforme o art. 997 do CPC, o recurso pode ser interposto de forma independente ou adesiva. Interpor de forma independente é quando cada parte interpõe o seu recurso dentro do prazo legal a contar da intimação da decisão a ser recorrida. Já o recurso adesivo ocorre quando houver sucumbência recíproca, ou seja, ambas as partes são vencedoras e vencidas, sendo que apenas uma delas interpôs o recurso dentro do prazo legal a contar da intimação da decisão, sendo a outra intimada para oferecer contrarrazões. Então, esta última poderá no prazo que tem para oferecer contrarrazões aderir ao recurso da outra. Art. 997. Cada parte interporá o recurso independentemente, no prazo e com observância das exigências legais. § 1o Sendo vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir o outro. Entende-se que o Recurso Adesivo não constitui nova espécie de recurso, mas, sim, forma de interposição. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 113 Ainda, é de se destacar que nem todos os recursos permitem a interposição de forma adesiva. É permitido o recurso adesivo nos seguintes recursos, conforme o art. 997, § 2o, II do CPC: no recurso de apelação, no recurso especial e no recurso extraordinário. *Para todos verem: tabela. É admissível o recurso adesivo (art. 997, §2o, cpc) Apelação Recurso Especial Recurso Extraordinário O recurso adesivo deve observar o seguinte: O recurso adesivo fica subordinado ao recurso interposto de forma independente, sendo aplicáveis ao recurso adesivo as mesmas regras do recurso independente quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no Tribunal, salvo disposição diversa. O recurso adesivo vai ser dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente foi in- terposto. O recurso adesivo deve ser interposto no prazo das contrarrazões, ou seja, no prazo que a parte tem para responder ao recurso interposto de forma independente. O recurso adesivo não será conhecido se houver desistência do recorrente quanto ao recurso principal ou se o recurso principal for inadmitido: Art. 997. (...). § 2o O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo- lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julga- mento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: I – será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder; II – será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial; III – não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele conside- rado inadmissível. 4.7. Apelação Previsão legal: A apelação tem previsão legal no art. 994, I e arts. 1.009 a 1.014 do CPC/2015. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 114 Cabimento Cabe recurso de apelação da sentença de primeiro grau, seja sentença terminativa ou definitiva, conforme previsão do caput do art. 1.009 do CPC/2015: “Da sentença cabe apelação”. O CPC define sentença no art. 203, § 1o do CPC como: § 1o: Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronun- ciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. O objetivo do recurso de apelação é devolver o reexame da decisão judicial ao órgão superior, com o objetivo de sua reforma, total ou parcial ou sua invalidação. Salienta-se que, conforme o art. 1.002 do CPC, a decisão pode ser impugnada no todo ou em parte: “decisão pode ser impugnada no todo ou em parte”. Preliminares de apelação: § 1o do art. 1.009 do CPC – servem para atacar decisão in- terlocutória proferida na fase de conhecimento que não coube agravo de instrumento. Como não foi possível interpor o agravo de instrumento, não precluem, podendo tal decisão ser impugnada em preliminar de apelação ou nas contrarrazões. Ver art. 1.009: § 1o: As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscita- das em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. § 2o Se as questões referidas no § 1o forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. Matérias do art. 1015 decididas na sentença: art. 1.009, § 3o do CPC. Ainda, conforme previsão do § 3o do art. 1.009 do CPC, se na sentença o juiz se manifes- tar sobre alguma matéria do art. 1.015 do CPC, será impugnado no recurso de apelação: “O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem capítulo da sentença”. Se na sentença o juiz confirma, concede ou revoga a tutela provisória: art. 1.013, § 5o do CPC – se na sentença o juiz confirmar, conceder ou revogar a tutela provisória, isso será impugnável na apelação. Então, se a decisão da tutela provisória for através de decisão interlo- cutória (antes da sentença), caberá agravo de instrumento, conforme art. 1.015, I do CPC, mas se na sentença o juiz se manifestar sobre tutela provisória, impugna-se na apelação, conforme o § 5o do art. 1.013 do CPC: “O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação”. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 115 *Para todos verem: esquema. Estrutura da petição da apelação A apelação será interposta por meio de duas petições: *Para todos verem: esquema. De acordo com o art. 1.010 do CPC/2015, a apelação terá os seguintes elementos: Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I – os nomes e a qualificação das partes;II – a exposição do fato e do direito; III – as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV – o pedido de nova decisão. (...) Portanto, a apelação será interposta por meio de petição dirigida ao juiz da causa, e a peça vai ter duas partes: uma chamada de petição de interposição, que vai conter o endereça- mento ao juiz da causa, seguida da petição com as razões do recurso de apelação, que é dirigida ao tribunal, na qual estão os fundamentos de fato e de direito e o pedido de reforma da decisão. Efeitos do recurso de apelação Como regra, a apelação é recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, ou seja, no duplo efeito, consoante previsão do art. 1.012 do CPC/2015. Petição de interposição Dirigida ao juiz de primeiro grau Petição de razões Dirigida ao Tribunal A p e la ç ã o Cabe da sentença Preliminar de apelação: decisão interlocutória que não coube agravo de instrumento Matérias do rol do art. 1.015 desde que decididas na sentença Capítulo da sentença que concede, confirma ou revoga tutela provisória é impugnável na apelação 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 116 Efeito devolutivo O efeito devolutivo (Araújo Junior, 2016) consiste na transferência para o Tribunal do co- nhecimento de toda a matéria impugnada pelo recorrente e no limite da impugnação (tantum devolutum quantum apellatum). Segundo o autor Araújo Junior (2016), o efeito devolutivo permite que o Tribunal possa conhecer de todas as questões suscitadas no processo, mesmo que a sentença de primeiro grau não as tenha apreciado por inteiro. O efeito devolutivo é estudado sob duas vertentes: profundidade e extensão. A extensão liga-se à ideia daquilo que é ou não impugnado pelo apelante. Assim, a ma- téria impugnada, e apenas esta, é devolvida ao conhecimento do Tribunal, cabendo ressaltar que o órgão ad quem fica adstrito a examinar somente a matéria que foi objeto do recurso (tantum devolutum quantum apellatum). É o apelante que definirá qual o capítulo da sentença apelada que pretende que seja reexaminada pelo Tribunal, até porque nada impede que o recurso seja parcial, conforme previsão do art. 1002 do CPC. (DONOSO; SERAU JUNIOR, 2017, p. 162) No que tange à profundidade do efeito devolutivo, esta se refere aos fatos e fundamentos que serão analisados na apelação, ainda que não considerados pela decisão recorrida. Assim, o Tribunal, ao julgar a apelação, apreciará todas as questões suscitadas e discutidas no pro- cesso, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado (DONOSO; SERAU JUNIOR, 2017, p. 163). Conforme previsão do art. 1.013, § 1o do CPC: § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. Segundo os autores, também pegam carona no efeito devolutivo todos os fundamentos do pedido ou da defesa, embora o juiz tenha acolhido apenas um deles (art. 1.013, § 2o). É o caso da multiplicidade de fundamentos para o pedido ou para a defesa (DONOSO; SERAU JU- NIOR, 2017, p. 163). § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. Efeito suspensivo: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 117 Via de regra, a apelação terá efeito suspensivo, conforme previsão do art. 1.012, caput do CPC. Ou seja, a apelação tem de regra o efeito suspensivo automático, não dependendo de requerimento do apelante. Exceções: a apelação não terá efeito suspensivo pelo CPC nas hipóteses do § 1o do art. 1.012 do CPC ou quando uma lei especial prever que não terá efeito suspensivo: Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. § 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que: I – homologa divisão ou demarcação de terras; II – condena a pagar alimentos; III – extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado; IV – julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; V – confirma, concede ou revoga tutela provisória; VI – decreta a interdição. Se não tiver efeito suspensivo, a consequência é de que o apelado, uma vez publicada a sentença, poderá promover o pedido de cumprimento provisório, conforme § 2o do art. 1.012 do CPC: “§ 2o Nos casos do § 1o, o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório depois de publicada a sentença”. Possibilidade de ser requerido o efeito suspensivo – nas situações em que a apelação não terá efeito suspensivo automático, poderá ser requerido, nos termos dos §§ 3o e 4o do art. 1.012 do CPC: § 3o O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1o poderá ser formu- lado por requerimento dirigido ao: I – tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la; II – relator, se já distribuída a apelação. § 4o Nas hipóteses do § 1o, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Efeito regressivo - possibilidade de retratação pelo juiz de primeiro grau: É de se apontar ainda que o juiz ao receber a apelação não pode se retratar. No entanto, há três exceções, pelo CPC: 1) Nos casos em que o juiz indefere a inicial – art. 331 do CPC: Art. 331. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco) dias, retratar-se. 2) No caso de extinção do processo sem resolução de mérito – art. 485, § 7o do CPC: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 118 Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) § 7o Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. 3) No caso de improcedência liminar do pedido – art. 332, § 3o do CPC: Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da ci- tação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: (...) § 3o Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. Procedimento da apelação Uma vez interposta a apelação perante o juiz de primeiro grau, este intimará o apelado para, querendo, oferecer contrarrazões no prazo de 15 dias, conforme art. 1.010, § 1o do CPC. É de se destacar que, conforme o § 3o do art. 1.010 do CPC, no Novo CPC, o juiz de primeiro grau não faz mais o exame de admissibilidade do recurso de apelação, remetendo os autos ao tribunal independente do juízo de admissibilidade. § 1o O apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias. § 2o Se o apelado interpuser apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apresentar contrarrazões. § 3o Após as formalidades previstas nos §§ 1o e 2o, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, independentemente de juízo de admissibilidade. Uma vez recebido o recurso de apelação no Tribunal, e distribuído imediatamente, o rela- tor deverá de acordo com a previsão do art. 1.011 do CPC: I – decidi-lo-á monocraticamente apenas nas hipóteses do art. 932, incisos III a V; II – se não for o caso de decisão monocrática, elaborará seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado. (Hipótese do inciso II do art. 1.011 do CPC); Outro tema a ser abordado no recurso de apelação é a chamada Teoria da causa ma- dura, de acordo com a previsão do art. 1.013, §§ 3o e 4o do CPC/2015: § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I – reformar sentença fundada no art. 485; II – decretar a nulidade da sentença por não ser elacongruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III – constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo; IV – decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 119 Tal dispositivo refere que, em tais situações, se o processo estiver apto para julgamento, o Tribunal deverá desde logo decidir o mérito, sem devolver o processo à origem. Ou seja, em tais situações, haverá o julgamento de mérito pelo próprio Tribunal. Das alegações de novas matérias Não pode haver inovação na apelação, via de regra. No entanto, o art. 1.014 do CPC/2015 permite que a parte faça alegações sobre matéria ainda não deduzidas no primeiro grau, desde que comprove que deixou de fazer oportunamente por motivo de força maior. Art. 1.014. As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. Assim, caso o apelante deseje manifestar questão nova deverá comprovar o motivo de força maior. 4.8. Agravo de Instrumento Previsão legal: Art. 994, II e arts. 1.015 a 1.020 do CPC/2015. Cabimento Tem cabimento contra as decisões interlocutórias, conforme disposição do caput do art. 1.015 do CPC. Porém, é de se ressaltar que nem de toda decisão interlocutória seria possível recorrer via agravo de instrumento. A decisão interlocutória está definida no art. 203, § 2o do CPC, e é justamente um conceito por exclusão, ou seja, que não se enquadra em sentença. As decisões interlocutórias que não são recorríveis por agravo de instrumento deverão ser impugnadas em sede de preliminar do recurso de apelação ou nas contrarrazões, conforme preceitua o art. 1.009, § 1o, do CPC/2015. Segundo o art. 1.015 cabe Agravo de Instrumento das seguintes decisões: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I – tutelas provisórias; II – mérito do processo; III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem; IV – incidente de desconsideração da personalidade jurídica; V – rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revoga- ção; VI – exibição ou posse de documento ou coisa; VII – exclusão de litisconsorte; VIII – rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; IX – admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 120 X – concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; XI – redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o; XII – (VETADO); XIII – outros casos expressamente referidos em lei. Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. a) Tutela provisória: qualquer decisão interlocutória acerca de tutela provisória de urgên- cia ou evidência, seja ela concedendo, negando, revogando ou modificando. b) Mérito do processo: caso ocorra decisão interlocutória do mérito do processo. Ainda, de acordo com o art. 356 do CPC, o juiz poderá julgar de forma antecipada parcial- mente o mérito do processo. Os requisitos para o julgamento parcial do mérito estão estabeleci- dos no art. 356 do CPC: Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I – mostrar-se incontroverso; II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. (...) § 5o A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instru- mento. Conforme a previsão do § 5o do art. 356, quando houver essa decisão PARCIAL acerca do mérito, o recurso cabível é o de agravo de instrumento. O art. 354, parágrafo único, também estabelece que naquelas situações será cabível agravo de instrumento. Vide art. 354, parágrafo único do CPC: Art. 354. Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o juiz proferirá sentença. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento. c) Rejeição da alegação de convenção de arbitragem: se as partes estipularem a con- venção de arbitragem e uma delas ingressar com a ação perante o Poder Judiciário, deve o réu alegar em contestação a preliminar de convenção de arbitragem: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) X – convenção de arbitragem; Então, podem ocorrer duas situações: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 121 1) Se o juiz aceitar a alegação de existência da convenção de arbitragem e proferir sentença extinguindo o processo sem resolução de mérito, com base no art. 485, VII do CPC – o recurso é apelação. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) VII – acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; § 7o Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. 2) Se o juiz não acatar a alegação de convenção de arbitragem – o processo continua, então essa decisão é atacada por meio de agravo de instrumento. *Para todos verem: esquema. d) Incidente de desconsideração da personalidade jurídica O incidente de desconsideração da personalidade jurídica é previsto no art. 134 do CPC/2015: “O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhe- cimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial”. Conforme o art. 136, concluída a instrução do incidente, este será resolvido mediante decisão interlocutória, o que enseja agravo de instrumento. Porém, caso a decisão seja do relator, caberá agravo interno, conforme o parágrafo único do art. 136 do CPC: Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão in- terlocutória. Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno. e) Rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação: o pedido de gratuidade da justiça está regulado a partir do art. 98 do CPC, sendo Alegação de convenção de arbitragem feita pelo réu em preliminar na contestação Se o juiz acolher Processo extinto sem resolução de mérito Recurso de Apelação Se o juiz rejeitar a alegação Processo continua Agravo de Instrumento 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 122 que o art. 99 do CPC refere onde o benefício pode ser requerido e o art. 100 do CPC, onde deve ser impugnado. Por sua vez, o art. 101 reafirma que somente cabe agravo de instrumento da decisão que rejeita ou que revoga o benefício, não cabendo da decisão que concede. *Para todos verem: tabela. O recurso quanto à decisão que rejeita ou que revoga o benefício é o agravo de instru- mento, conforme previsão do art. 101 do CPC/2015: Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na sen- tença, contra a qual caberá apelação. *Para todos verem: esquema. ONDE REQUERER? ART. 99 DO CPC ONDE IMPUGNAR? ART. 100 DO CPC Petição inicial Contestação Petição para ingresso de tercei- ros Simplespetição (superveniente) Razões de recurso Contestação Réplica Simples petição - 15 dias Simples petição - 15 dias Contrarrazões Rejeição ou revogação do benefício da gratuidade de justiça Agravo de Instrumento Se for decisão interlocutória Apelação Se for decidido na sentença 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 123 f) Exibição ou posse de documento ou coisa De acordo com o art. 396 do CPC, o juiz pode determinar que a outra parte do processo exiba documento ou coisa que esteja sob sua posse: “O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se encontre em seu poder”. g) Exclusão de litisconsorte Ocorre litisconsórcio quando houver pluralidade de sujeitos em um ou em ambos os polos da relação jurídica. Quando houver decisão acerca de exclusão de litisconsórcio, caberá agravo de instrumento, pois o processo continua em relação ao outro ou aos demais litisconsortes. h) Rejeição do pedido de limitação de litisconsórcio Previsão nos §§ 1o e 2o do art. 113 do CPC/2015: § 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. § 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. Portanto, é cabível agravo de instrumento contra a decisão que nega o pedido de limitação do número de litisconsortes. i) Admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros No Código de Processo Civil de 2015, cinco são as formas de intervenção de terceiros. *Para todos verem: esquema. F o rm a s d e i n te rv e n ç ã o d e t e rc e ir o s Assistência Denunciação a lide Chamamento ao processo Amicus Curiae Incidente de desconsideração da personalidade jurídica 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 124 Observe-se, no entanto, a exceção prevista no art. 138 do CPC: Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especi- alizada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. j) Concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à exe- cução Os embargos à execução são o meio pelos quais o executado impugna o processo de execução de título executivo extrajudicial e, via de regra, não possuem efeito suspensivo, con- forme o caput do art. 919 do CPC. Porém, conforme o § 1o do art. 919 pode ser concedido o efeito suspensivo, se estiverem presentes os requisitos da tutela provisória e a execução esteja garantida por penhora, caução ou depósito. Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. § 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a exe- cução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. § 2o Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos efeitos dos em- bargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. (...) Nesse sentido, a decisão que conceder, negar ou revogar o efeito suspensivo aos embar- gos à execução enseja agravo de instrumento. k) Redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o do CPC O art. 373 estabelece o ônus da prova. No § 1o do art. 373, há a previsão de que o juiz inverta o ônus da prova. l) Parágrafo único do art. 1.015 do CPC Conforme o parágrafo único do art. 1.015 do CPC, o recurso de agravo de instrumento também terá cabimento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sen- tença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. m) Outros casos expressamente referidos em lei O CPC ainda estabelece que cabe agravo de instrumento em razão de outras hipóteses previstas em lei. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 125 O CPC em seu art. 1.037, §13o, inciso I, prevê o cabimento do agravo de instrumento sobre a decisão que resolver o requerimento de distinção no caso de processo sobrestado em razão do julgamento de recursos repetitivos: Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior, constatando a pre- sença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: § 13. Da decisão que resolver o requerimento a que se refere o § 9o caberá: I – agravo de instrumento, se o processo estiver em primeiro grau; II – agravo interno, se a decisão for de relator. Além disso, conforme o CPC, outras leis podem prever o cabimento do agravo de instru- mento. Exemplos: art. 19, § 2o da Lei no 5.478/1968 (Lei de Alimentos); art. 7o, § 1o da Lei no 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). n) Da taxatividade mitigada: em 2018 o STJ entendeu pela taxatividade mitigada do rol do art. 1.015 do CPC no sentido de ser possível o cabimento do agravo de instrumento no pro- cesso de conhecimento em outras situações que não previstas no rol desde que urgentes, ou seja, desde que seja inútil esperar até a sentença para impugnar eventual decisão interlocutória que não esteja no rol do art. 1.015 em preliminar de apelação. Efeitos do agravo de instrumento De acordo com a regra contida no art. 995 do CPC/2015, o agravo de instrumento não possui o efeito suspensivo. Porém, o agravante poderá, com base no art. 1.019, I do CPC, requerer que o relator, ao receber o agravo de instrumento, atribua efeito suspensivo ou defira, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal: Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o relator, no prazo de 5 (cinco) dias: I – poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão; Da petição de agravo de instrumento Previsão no art. 1.016 e 1.017 do CPC/2015: Art. 1.016. O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente, por meio de petição com os seguintes requisitos: I – os nomes das partes; II – a exposição do fato e do direito; III – as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido; IV – o nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 126 Conforme o art. 1.016 do CPC/2015, o recurso deverá ser dirigido ao tribunal compe- tente. E ainda, conforme o inciso IV do art. 1.016 do CPC, deve o agravante informar na petição do agravo o nome e endereço completo dos advogados constantes do processo. Além do art. 1.016 do CPC/2015, o agravante deve cumprir os requisitos do art. 1.017 do CPC, no sentido de juntar com o recurso peças obrigatórias e facultativas. Art. 1.017. A petição de agravo de instrumento será instruída: I – obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição que ensejou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da respectiva intimação ou outro documento oficial que comprove a tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado; II – com declaração de inexistência de qualquer dos documentos referidos no inciso I, feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidadepessoal; III – facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis. § 1o Acompanhará a petição o comprovante do pagamento das respectivas custas e do porte de retorno, quando devidos, conforme tabela publicada pelos tribunais. Ainda, conforme o § 5o do art. 1.017 do CPC/2015, sendo eletrônico o processo, não pre- cisarão ser juntadas as peças referidas nos incisos I e II do art. 1.017: § 5o Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças referidas nos incisos I e II do caput, facultando-se ao agravante anexar outros documentos que entender úteis para a compreensão da controvérsia. Do preparo no agravo de instrumento No agravo de instrumento, deve haver o preparo, inclusive porte de retorno, sob pena de deserção, salvo as exceções previstas no art. 1.007, do CPC. É a exigência constante no § 1o do art. 1.017 do CPC/2015: § 1o Acompanhará a petição o comprovante do pagamento das respectivas custas e do porte de retorno, quando devidos, conforme tabela publicada pelos tribunais. Procedimento do agravo de instrumento Interposto o agravo de instrumento diretamente no Tribunal, o art. 1.018 do CPC estabe- lece que o agravante poderá, no prazo de 3 dias, requerer a juntada da cópia do agravo no processo de primeiro grau, conforme prevê o art. 1.018 do CPC. Art. 1.018. O agravante poderá requerer a juntada, aos autos do processo, de cópia da petição do agravo de instrumento, do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos que instruíram o recurso. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 127 A referida previsão visa possibilitar o juízo de retratação pelo juiz de primeiro grau, bem como possibilitar a ciência do agravado sobre o recurso interposto. Caso não seja atendida essa previsão e forem autos físicos de acordo com a redação do Código de Processo Civil, isso acarretará a inadmissibilidade do recurso pelo Tribunal, desde que seja arguido pelo agravado e provado por este. § 2o Não sendo eletrônicos os autos, o agravante tomará a providência prevista no caput, no prazo de 3 (três) dias a contar da interposição do agravo de instrumento. § 3o O descumprimento da exigência de que trata o § 2o, desde que arguido e provado pelo agravado, importa inadmissibilidade do agravo de instrumento. Recebido o agravo de instrumento, o relator e distribuído imediatamente, se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o relator, no prazo de 5 dias, conforme o art. 1.019 do CPC: 1. O relator poderá conceder o efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão. 2. Deverá ordenar a intimação do agravado para contrarrazões, na forma do inciso II do art. 1.019 do CPC: “ordenará a intimação do agravado pessoalmente, por carta com aviso de recebimento, quando não tiver procurador constituído, ou pelo Diário da Justiça ou por carta com aviso de recebimento dirigida ao seu advogado, para que responda no prazo de 15 (quinze) dias, facultando-lhe juntar a documentação que entender necessária ao julgamento do recurso”. 3. Determinará, quando for o caso de intervenção, a intimação do Ministério Público, pre- ferencialmente por meio eletrônico, para que se manifeste no prazo de 15 dias. 4.9. Agravo Interno Previsão legal O agravo interno tem previsão legal no art. 994, III e art. 1.021 do Código de Processo Civil. Ainda, conforme o próprio caput do art. 1.021 do CPC, devem ser observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do Tribunal. Cabimento O recurso de agravo interno ataca decisão monocrática no âmbito dos Tribunais, conforme art. 1.021 do Código de Processo Civil, que dispõe: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 128 órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. Em tese, o objetivo do agravo interno é fazer com que o órgão colegiado reexamine a decisão que foi proferida de forma monocrática pelo relator. Cabe, portanto, de decisões singulares do relator. Observe-se, no entanto, outras hipóte- ses de cabimento do agravo interno e que estão estabelecidas no próprio CPC: a) Previsão do parágrafo único do art. 136 do CPC Caso a decisão sobre a desconsideração da personalidade jurídica seja do relator, caberá o agravo interno: Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão in- terlocutória. Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno. b) Previsão do art. 1.037, § 13, II do CPC Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior, constatando a pre- sença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: § 9o Demonstrando distinção entre a questão a ser decidida no processo e aquela a ser julgada no recurso especial ou extraordinário afetado, a parte poderá requerer o prosse- guimento do seu processo. § 13. Da decisão que resolver o requerimento a que se refere o § 9o caberá: I – agravo de instrumento, se o processo estiver em primeiro grau; II – agravo interno, se a decisão for de relator. Ou seja, a decisão de distinção é recorrível. Estando o processo em primeiro grau, a de- cisão é impugnável por meio de agravo de instrumento; se a decisão for de relator, cabe recurso de agravo interno. c) Previsão do art. 1.030, I e III c/c § 2o do CPC: No caso de inadmissão de recurso especial ou extraordinário pelo presidente ou vice do Tribunal Recorrido, via de regra o recurso é o agravo em recurso especial ou extraordinário (art. 1.042 do CPC). Porém, se a decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal Recorrido que inadmitir o recurso especial ou extraordinário estiver fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recurso repetitivo, será cabível o agravo interno e não mais o agravo em recurso especial ou extraordinário (art. 1.030, I e III C/C § 2o do CPC): Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 129 I – negar seguimento: a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral ou a recurso extraordi- nário interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Su- premo Tribunal Federal exarado no regime de repercussão geral; b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; III – sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não de- cidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; § 2o Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. d) Previsão do art. 1.035, § 7o do CPC Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do re- curso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 6o O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de ori- gem, que exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido interposto intempestivamente,tendo o recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse requerimento. § 7o Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 6o ou que aplicar entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos caberá agravo interno. e) Previsão do art. 1.036, § 3o do CPC: Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. § 1o O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia, que serão encami- nhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça para fins de afe- tação, determinando a suspensão do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região, conforme o caso. § 2o O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente, que exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso especial ou o recurso extraordinário que tenha sido interposto intempestivamente, tendo o recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse requerimento. § 3o Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 2o caberá apenas agravo in- terno. Estrutura e processamento do recurso de agravo interno O agravo interno segue as regras previstas no regimento interno de cada tribunal. O recorrente, no agravo interno, deve impugnar especificamente os fundamentos da de- cisão agravada, ou seja, da decisão monocrática do relator, consoante previsão do § 1o do art. 1.021 do CPC: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 130 § 1o Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os funda- mentos da decisão agravada. A petição do recurso de agravo interno deverá ser dirigida ao relator que proferiu a deci- são, indicando o ponto com que não concorda e os motivos que ensejam a reforma da decisão, consoante previsão do § 2o do art. 1.021 do CPC. É admissível a retratação pelo relator e, caso não haja, ele deverá encaminhar a julga- mento pelo órgão colegiado. Reprodução dos fundamentos É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. Essa é a previsão do § 3o do art. 1.021 do CPC: § 3o É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. Multa Consoante previsão do § 4o do art. 1.021 do CPC, caso o agravo interno seja declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em votação unânime, o órgão colegiado poderá condenar o agravado a pagar multa fixada entre 1 e 5 % do valor atualizado da causa; e mais: qualquer interposição de outro recurso está condicionada ao pagamento da multa. 4.10. Embargos de Declaração Previsão Legal: Art. 994, IV, arts. 1.022 a 1.026 do CPC. Cabimento Conforme o art. 1.022 do CPC, os embargos de declaração atacam qualquer decisão ju- dicial quando esta for obscura, omissa ou contraditória ou quando contiver erro material. As hipóteses de cabimento estão no art. 1.022 do CPC: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I – esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II – suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III – corrigir erro material. O parágrafo único do art. 1.022 do CPC refere que se considera omissa a decisão que: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 131 I – deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II – incorra em qualquer das condutas descritas no 1º. Prazo para interposição dos embargos: 5 dias. Conforme o art. 1.023 do CPC, os embargos de declaração devem ser opostos no prazo de cinco dias e não estão sujeitos ao recolhimento do preparo recursal: Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. § 1o Aplica-se aos embargos de declaração o art. 229 . § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Efeitos Quanto ao efeito suspensivo Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo, conforme previsão do caput do art. 1.026 do CPC. Porém, tal efeito suspensivo poderá ser concedido, de acordo com a pre- visão do § 1o do art. 1.026 do CPC. Ou seja, a decisão recorrida poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Quanto ao efeito interruptivo Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição do recurso. A inter- rupção se constitui em ter novamente todo o prazo para a interposição de outro recurso da deci- são embargada, que só começará a correr depois da intimação da decisão dos embargos. Caso os embargos de declaração sejam considerados manifestamente protelatórios, há previsão de multa de 2 %, consoante o art. 1.026, § 2o do CPC: § 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. Observar a Súmula 98 do STJ: Embargos de declaração manifestados com notório pro- pósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. Quanto ao efeito infringente (modificativo) Fala-se em efeitos infringentes, nos embargos de declaração, quando o acolhimento dos mesmos acarretar a modificação da decisão embargada. Neste caso, quando os embargos http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 132 puderem alterar a decisão embargada, necessário se faz observar o contraditório, intimando-se a parte embargada para oferecer contrarrazões, conforme previsão do § 2o do art. 1.023 do CPC. Processamento Os embargos devem ser opostos perante o próprio órgão que proferiu a decisão, na forma do art. 1.023 do CPC. Poderão ser admitidos ou não, conforme forem preenchidos os seus requi- sitos de admissibilidade. Ademais, nem sempre vai haver a intimação da parte contrária para oferecer resposta aos embargos de declaração. Ou seja, somente vai haver essa intimação se os embargos tiverem efeitos infringentes, conforme previsão do art. 1.023, § 2o do CPC: § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Dos recursos interpostos antes do julgamento dos embargos de declaração Previsão dos §§ 4o e 5o do art. 1.024 do CPC: § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declara- ção. § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julga- mento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Da referida previsão decorre:Recurso interposto pela parte contrária antes da intimação do julgamento dos embargos de declaração: Não precisam ser ratificados caso os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior. O recorrente vai ter direito a complementar ou alterar suas razões nos exatos limites do que foi modificado, caso os embargos de declaração sejam acolhidos e isso implique na modifi- cação da decisão embargada. O prazo é de 15 (quinze) dias a contar da intimação da decisão dos embargos de declaração. Por isso, a súmula no 418 do STJ, que dizia: “É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação”, foi can- celada, valendo agora a súmula no 579 do STJ: “Não é necessário ratificar o recurso especial 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 133 interposto na pendência do julgamento dos embargos de declaração, quando inalterado o resul- tado anterior”. Dos embargos para fins de pré-questionamento De acordo com a previsão do art. 1.025 do CPC os embargos de declaração podem ser opostos para fins de pré-questionamento (cumprindo assim, requisito específico do recurso es- pecial e extraordinário): Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. 4.11. Recurso Ordinário Previsão legal O recurso ordinário encontra respaldo nos arts. 994, V e 1.027 e 1.028 do Código de Processo Civil. Encontra previsão também nos arts. 102, II e 105, II da Constituição Federal. O recurso ordinário é julgado pelo STF ou pelo STJ, conforme for situação do inciso I ou II do art. 1.027 do CPC. Cabimento As hipóteses de cabimento do recurso ordinário estão previstas no art. 1.027, incisos I e II do Código de Processo Civil e arts. 102, II e 105, II, ambos da Constituição Federal, permitindo, em regra, o reexame de algumas decisões que foram proferidas em competência originária pelos tribunais. O recurso ordinário é cabível contra determinadas decisões proferidas em ações cuja competência originária seja dos Tribunais e contempla também a situação do art. 1.027, inciso II, alínea b do CPC. É julgado pelo STJ ou pelo STF e tem previsão constitucional nos arts. 102, II e 105, II da CF: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constitui- ção, cabendo-lhe: II – julgar, em recurso ordinário: a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; b) o crime político; Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: II – julgar, em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a deci- são for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 134 denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; Recurso ordinário a ser julgado pelo STF: No art. 1.027, inciso I do CPC está estabelecido o cabimento do recurso ordinário a ser julgado pelo STF: Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: I – pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de segurança, os habeas data e os man- dados de injunção decididos em única instância pelos tribunais superiores, quando dene- gatória a decisão; Recurso ordinário a ser julgado pelo STJ: O recurso ordinário também poderá ser julgado pelo STJ, caso ocorra uma das situações previstas no art. 1.027, II, alíneas a e b do CPC, e do art. 105, II, alíneas a, b e c da Constituição Federal. Conforme previsão do Código de Processo Civil: Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: (...) II – pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais fe- derais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; b) os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo inter- nacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. Interposição Interposição no caso do art. 1.027, II, alínea b do CPC: Na hipótese da alínea b do inciso II do art. 1.027 do CPC, a interposição do recurso ordi- nário vai seguir os requisitos de admissibilidade e o procedimento, os relativos à APELAÇÃO e o regimento interno do STJ, conforme previsão do art. 1.028 do CPC: Art. 1.028. Ao recurso mencionado no art. 1.027, inciso II, alínea b, aplicam-se, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento, as disposições relativas à apelação e o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Ainda, é de se destacar a previsão do § 1o do art. 1.027 do CPC quando menciona que, nos processos referidos na alínea b do inciso II do mesmo artigo, contra as decisões interlocutó- rias, caberá agravo de instrumento dirigido ao STJ: § 1o Nos processos referidos no inciso II, alínea b, contra as decisões interlocutórias http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 135 caberá agravo de instrumento dirigido ao Superior Tribunal de Justiça, nas hipóteses do art. 1015. Interposição no caso do art. 1.027, I e inciso II, alínea a do CPC: Nestes casos, quando o recurso ordinário for interposto em razão do art. 1.027, incisos I e II, alínea a do CPC, deverá ser interposto perante o Presidente ou Vice do Tribunal, com a folha das razões dirigida ao STF ou STJ, conforme o caso: § 2o O recurso previsto no art. 1.027, incisos I e II, alínea a, deve ser interposto perante o tribunal de origem, cabendo ao seu presidente ou vice-presidente determinar a intimação do recorrido para, em 15 (quinze) dias, apresentar as contrarrazões. § 3o Findo o prazo referido no § 2o, os autos serão remetidos ao respectivo tribunal supe- rior, independentemente de juízo de admissibilidade. Ou seja, em tais situações, o recurso ordinário vai ser interposto perante o tribunal de origem, devendo o presidente ou vice-presidente determinar a intimação do recorrido para apre- sentar as contrarrazões no prazo de 15 dias. Findo o prazo das contrarrazões, os autos serão remetidos ao tribunal (STJ ou STF, conforme o caso) independentemente do juízo de admissibi- lidade. Por fim, conforme previsão do § 2o do art. 1.027 do CPC, aplicam-se ao recurso ordinário o disposto nos arts. 1.013, § 3o, e 1.029, § 5o. 4.12. Recurso Especial Previsão legal: Art. 994, VI do CPC; art. 105, III da CF; e art. 1.029 a 1.035 do CPC. O Código de Processo Civil não traz as hipóteses de cabimento do recurso especial, e sim, a Constituição Federal, em seu art. 105, inciso III. Cabimento O recurso especial é julgado pelo STJ nas causas decididas em única ou última instância pelos tribunais regionais ou pelos tribunais de justiça e do distrito federal, quando a decisão recorrida: III – julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Terri- tórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;(Redação dada pela Emenda Constitucional no 45, de 2004) c) der a lei federal interpretação divergente da queda evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III – à decisão prevista no art. 701. Importante, Cabeçones! O juiz não pode proferir nenhuma decisão sem antes ter ouvido todas as partes. É vedada a decisão-surpresa, até mesmo quando se tratar de matéria que deva ser decidida de ofício. Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. O art. 10 do CPC traz que todas as decisões devem ser fundamentadas, ou seja, juiz deve apresentar para as partes o motivo pelo qual ele chegou à determinada decisão. Quanto a esses fundamentos, é obrigatório ter sido oportunizado o debate nos autos. Princípio da publicidade dos atos processuais Está previsto nos arts. 5º, LX, e 93, IX, ambos da CF e arts. 11, caput, e 368, ambos do CPC. Impõe que sejam públicos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, e justifica-se no fato de haver interesse público maior que somente das partes, pois visa a garantia da paz e harmonia social. Importante recordar a exceção deste princípio: processos que tramitam com segredo de justiça (art. 189 do CPC). Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I – em que o exija o interesse público ou social; II – que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união está- vel, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 15 III – em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV – que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. § 1o O direito de consultar os autos de processo que tramite em segredo de justiça e de pedir certidões de seus atos é restrito às partes e aos seus procuradores. § 2o O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz certidão do dispo- sitivo da sentença, bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou sepa- ração. Princípio da isonomia Trata-se de um princípio que visa dar tratamento igual às partes, objetivando um processo justo e equilibrado. Encontra-se presente no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como no art. 7º do CPC: “É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. Princípio da imparcialidade O princípio do juiz natural determina que as partes têm direito a um julgamento realizado por um juiz competente e imparcial (art. 5º, LIII e XXXVII, da CF). O primeiro inciso desse artigo dispõe que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente, e o segundo, dispõe que não haverá juízo ou tribunal de exceção. Requisitos para caracterização do juiz natural: a) o julgamento deve ser proferido por al- guém investido de jurisdição; b) o órgão deve ser preexistente; c) a causa deve ser submetida ao juiz competente, de acordo com as regras postas pela CF e por lei. Princípio da motivação das decisões judiciais Este princípio disciplina que todas as decisões judiciais devem obrigatoriamente ser fun- damentadas, de acordo com o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal e art. 11 do CPC: Art. 93, CF: (...) IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamenta- das todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em deter- minados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o inte- resse público à informação. Art. 11, CPC. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Princípio da boa-fé processual Este princípio visa o bom comportamento das partes: com boa-fé, lealdade e urbanidade (art. 5º do CPC); está ligado ao princípio da dignidade da pessoa humana. A parte que agir com 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 16 má-fé pode ser penalizada com multa – art. 81 do CPC. Além disso, as práticas consideradas de má-fé estão previstas no art. 80 do CPC, vejamos: Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que: I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II – alterar a verdade dos fatos; III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI – provocar incidente manifestamente infundado; VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. Princípio da duração razoável do processo O princípio da duração razoável do processo é também conhecido como princípio da ce- leridade processual. Não há na lei uma predeterminação de duração do processo, todavia não se pode tolerar a procrastinação injustificável do Judiciário e seus serviços. Está previsto no art. 5º, inciso LXXVIII, da CF, “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” e nos arts. 4º e 6º do CPC. Princípio do duplo grau de jurisdição Este princípio não se encontra expresso na Constituição Federal, mas diante de terem sido criados juízos e tribunais cuja competência é julgar os recursos contra as decisões de pri- meiro grau, automaticamente estabeleceu-se o duplo grau de jurisdição, que busca reanalisar os atos judiciais que geram inconformismo na parte e estão substanciados por falhas, ilegalidades, provas, através do julgamento de um órgão superior. Princípio da proporcionalidade e razoabilidade De acordo com o art. 8º do CPC o juiz, ao aplicar as normas, deverá atender aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a efi- ciência. O exemplo clássico de aplicação dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade emerge com a fixação do quantum (valor) devido na obrigação alimentar. 1.4.2. Atos Processuais do Juiz O pronunciamento do juiz poderá ser feito através de sentenças, decisões interlocutó- rias e despachos. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 17 De acordo com art. 203, § 1º do CPC, sentença é o meio pelo qual o juiz extingue a ação (art. 316 do CPC), com ou sem resolução do mérito (arts. 487 e 485 do CPC). Decisão interlocutória é toda decisão judicial que não se enquadra no conceito de sen- tença (§ 2º), que não gera a extinção do processo. E despacho são os demais procedimentos do juiz realizados no processo, de ofício ou a requerimento da parte (§ 3º): são manifestações do juiz, não atingem as partes, e dessa forma, são manifestações irrecorríveis, na forma do art. 1.001 do CPC. Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. § 1o Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. § 2o Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1o. § 3o São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte. § 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistoslhe haja atribuído outro tribunal. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 136 *Para todos verem: esquema. Fica assim evidente que, para interpor o recurso especial, é necessária a existência de questão federal. O art. 105, inciso III, alínea c da CF prevê também a divergência quanto à inter- pretação ou aplicação de tratado ou lei federal. Não cabe, no recurso especial, impugnação de questões de fato ou de direito local. Veja- se a súmula no 7 do STJ, no sentido de que o recurso especial só pode veicular matéria de direito: “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Verificar súmula no 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. Requisitos de admissibilidade Deve preencher os requisitos gerais de admissibilidade de qualquer recurso. Porém, há ainda requisitos específicos, tais como o prequestionamento e, com a Emenda Constitucional 125/2022, de 14 de julho de 2022, o requisito da relevância das questões de direito federal infra- constitucional. Destacam-se entre os requisitos para o recurso especial: Esgotamento das instâncias recursais ordinárias. Contrariar tratado ou lei federal OU lhes negar vigência Dar a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal DECISÃO RECORRIDA Julgar válido ato do governo local contestado em face de lei federal 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 137 Proibição do reexame de matéria fática: súmula no 7 DO STJ: “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”; súmula 05 DO STJ: “A simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial”. Relevância das questões de direito infraconstitucional A Emenda Constitucional no 125/2022, de 14 de julho de 2022, acarretou a alteração no art. 105 da Constituição Federal para instituir, no recurso especial, o requisito da relevância das questões de direito federal infraconstitucional. Com isso, o art. 105, da Constituição Federal passou a ter os § 2o e o § 3o com a seguinte redação, consoante segue o texto da Emenda Constitucional: § 2o No recurso especial, o recorrente deve demonstrar a relevância das questões de di- reito federal infraconstitucional discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que a ad- missão do recurso seja examinada pelo Tribunal, o qual somente pode dele não conhecer com base nesse motivo pela manifestação de 2/3 (dois terços) dos membros do órgão competente para o julgamento. § 3o Haverá a relevância de que trata o § 2o deste artigo nos seguintes casos: I – ações penais; II – ações de improbidade administrativa; III – ações cujo valor da causa ultrapasse 500 (quinhentos) salários mínimos; IV – ações que possam gerar inelegibilidade; V – hipóteses em que o acórdão recorrido contrariar jurisprudência dominante o Superior Tribunal de Justiça; VI – outras hipóteses previstas em lei. Além disso, conforme previsão da Emenda Constitucional no 125/2022, a relevância de que trata o § 2o do art. 105 da Constituição Federal será exigida nos recursos especiais interpos- tos após a entrada em vigor da Emenda Constitucional, ocasião em que a parte poderá atualizar o valor da causa para os fins de que trata o inciso III do § 3o do referido art. 105 da CF. Ainda consoante a EC 125/2022, a mesma entrou em vigor na data de sua publicação. Isso, conforme previsão dos arts. 2o e 3o da EC 125/2022: Art. 2o A relevância de que trata o § 2o do art. 105 da Constituição Federal será exigida nos recursos especiais interpostos após a entrada em vigor desta Emenda Constitucional, ocasião em que a parte poderá atualizar o valor da causa para os fins de que trata o inciso III do § 3o do referido artigo. Art. 3o Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. Prequestionamento: É requisito do recurso especial o pré-questionamento. Ou seja, que a matéria de direito infraconstitucional federal já tenha sido objeto de análise pelas instâncias inferiores. É de se 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 138 observar que os embargos de declaração podem ser opostos para fins de prequestionamento, conforme previsão do art. 1.025 do CPC: Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Dissídio de jurisprudência entre tribunais: Para que seja admitido o recurso especial fundado no dissídio jurisprudencial deve ser demonstrada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão tido como pa- radigma, conforme determina o art. 1.029, § 1o do CPC: § 1o Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão di- vergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computa- dores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados Destaca-se, como referido anteriormente, que a súmula no 418 do STJ está superada e foi editada nova súmula no 579 do STJ (DONOSO; SERAU JUNIOR, 2017, p. 305): Súmula no 418 do STJ: É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação. (A Corte Especial, na sessão de 1o de julho de 2016, determinou o CANCELAMENTO da súmula no 418-STJ. Súmula no 579 do STJ: “Não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pen- dência do julgamento dos embargos de declaração, quando inalterado o resultado ante- rior”. VIGORANDO! Isso, em razão da previsão do art. 1.024, §§ 4o e 5o do Novo CPC, sobre o recurso inter- posto antes do julgamento dos embargos de declaração. Efeito devolutivo e suspensivo do recurso especial Via de regra, o recurso especial não possui efeito suspensivo. Não tendo efeito suspen- sivo automático, pode ser requerido, conforme previsão do parágrafo único do art. 995 do CPC. Além disso, no caso específico do recurso especial e extraordinário, havendo necessidade de se requerer o efeito suspensivo, aplica-se o disposto no art. 1.029, §5 o do CPC: Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Consti- tuição Federal, serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão: § 5o O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 139 de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo; II – ao relator, se já distribuído o recurso; III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. Observe-se que o recurso especial e extraordinário possui efeito suspensivo na hipótese do art. 987, § 1o do CPC. Petição O recurso especial deve ser interposto por petição endereçada ao presidente ou vice- presidente do tribunal que proferiu a decisão. *Para todos verem: esquema. Interposto o recurso especial perante o presidenteou vice-presidente do Tribunal recor- rido, deverá ser determinada a intimação do recorrido para que apresente as contrarrazões no prazo de 15 dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou vice-presidente do Tribunal Recorrido que deverá tomar uma das condutas do art. 1.030 do CPC. 4.13. Recurso Extraordinário Previsão legal: Art. 102, III da CF; 994, VII e 1.029 e seguintes do CPC. Cabimento O Código de Processo Civil não especifica as situações de cabimento do recurso extraor- dinário, e sim, a Constituição Federal, em seu art. 102, inciso III: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constitui- ção, cabendo-lhe: [...] III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última ins- tância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição ; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; Petição de Interposição Dirigida ao Presidente ou Vice-presidente do Tribunal que proferiu a decisão Petição de Razões: Dirigida ao Superior Tribunal de Justiça Recurso Especial 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 140 c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda Consti- tucional no 45, de 2004) Entende-se que, como não fala em Tribunais, cabe recurso extraordinário também das decisões proferidas pelas Turmas Recursais do JEC. Verificar súmula no 281 do STF: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na Justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada”. Da mesma forma, é de se observar que, assim como no recurso especial, no recurso extraordinário também não se pode discutir matéria de fato – súmula no 279 do STF: “Para sim- ples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Da admissibilidade do recurso extraordinário Além dos requisitos de admissibilidade gerais dos recursos, o recurso extraordinário ainda apresenta requisitos específicos. Assim, como requisitos específicos de admissibilidade do re- curso extraordinário podem ser apontados os seguintes: *Para todos verem: esquema. Prequestionamento Deve haver o prequestionamento, ou seja, é preciso que a matéria objeto do recurso ex- traordinário tenha sido objeto de análise pelas instâncias inferiores. Súmula no 282 do STF: “É inadmissível Recurso Extraordinário quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada”. Súmula no 356 do STF: “O ponto omisso da decisão sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requi- sito do prequestionamento”. Assim, como já referido no recurso especial, os embargos de declaração podem ser opos- tos para fins de prequestionamento, na forma do art. 1.025 do CPC. Requisitos de admissibilidade do Recurso Extraordinário Pré-questionamento. Esgotamento das vias recursis - não se discute matéria de fato. A decisão deve ser prolatada em única ou última instância. Repercussão geral. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 141 Repercussão geral Como requisito de admissibilidade específico do recurso extraordinário, de acordo com o § 3o do art. 102 da CF, ainda deve haver a repercussão geral das questões constitucionais, isto é, que a questão constitucional tem que ter importância política, jurídica, econômica ou social: § 3o No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros. A necessidade de repercussão geral foi regulamentada no art. 1.035 do CPC: Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do re- curso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 1o Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. § 2o O recorrente deverá demonstrar a existência de repercussão geral para apreciação exclusiva pelo Supremo Tribunal Federal. O § 3o do art. 1.035 refere que haverá repercussão geral sempre que o recurso extraordi- nário impugnar acórdão que: I – contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal; II – (Revogado); III – tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, nos termos do art. 97 da Constituição Federal. Efeito devolutivo e suspensivo do recurso extraordinário Via de regra, o recurso extraordinário não possui efeito suspensivo, mas poderá ser re- querido conforme previsão do parágrafo único do art. 995 do CPC. Além disso, no caso especí- fico do recurso especial e extraordinário, havendo necessidade de se requerer o efeito suspen- sivo, aplica-se o disposto no art. 1.029, § 5o do CPC. Processamento do recurso extraordinário Conforme o art. 1.029 do CPC, tanto o recurso especial, quanto o recurso extraordinário serão interpostos perante o presidente ou vice-presidente do Tribunal de origem: Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Consti- tuição Federal , serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 142 Após o prazo das contrarrazões, oferecidas ou não, e admitido o recurso extraordinário, este será encaminhado ao STF. Caso admitido o recurso extraordinário – os autos serão remitidos ao STF. Petição de interposição e petição das razões A petição de interposição é dirigida ao Presidente do Tribunal de origem. Já a petição das razões é dirigida ao STF. *Para todos verem: esquema. 4.14. Agravo em Recurso Especial e Extraordinário Previsão legal: Arts. 994, VIII e 1.042 do CPC/2015. Cabimento O agravo em recurso especial e extraordinário cabe, portanto, quando o Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de origem não admitir o recurso especial ou extraordinário, conforme previsão do art. 1.042 do CPC/2015: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. É utilizado quando o recurso especial ou extraordinário forem inadmitidos na forma do art. 1.042 do CPC. Ocorre que, uma vez interposto o recurso especial ou extraordinário, e findo o prazo para contrarrazões, os autos vão ser conclusos ao presidente ou vice-presidente do tribunal recorrido, o qual poderá tomar uma das condutas do art. 1.030 do CPC. Observe-se, portanto, que cabe agravo em recurso especial ou extraordinário contra de- cisão do presidente ou vice-presidente do Tribunal recorrido que inadmitir recurso especial ou Petição de Interposição Dirigida ao Presidente do Tribunal de origem Petição de Razões: Dirigida ao Superior Tribunal Federal Recurso 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 143 extraordinário, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de re- percussão geral ou em julgamento de recurso repetitivo, situação que cabe agravo interno (art. 1.030, § 2o). Processamento Não há recolhimento de preparo recursal, nem porte de remessa ou de retorno, conforme art. 1.042, § 2o, do CPC/2015, e a petição do agravo em recurso especial ou extraordinárioserá dirigida ao presidente ou vice do tribunal de origem: § 2o A petição de agravo será dirigida ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem e independe do pagamento de custas e despesas postais, aplicando-se a ela o regime de repercussão geral e de recursos repetitivos, inclusive quanto à possibilidade de sobrestamento e do juízo de retratação. O agravado será intimado para oferecer contrarrazões no prazo de 15 dias, conforme previsto no art. 1.042, § 3o, do CPC/2015. Poderá haver retratação. Se não houver, após o prazo de resposta, o agravo será remetido ao Tribunal competente, ou seja, STJ ou STF. E na hipótese de a parte interpor recurso especial e recurso extraordinário ao mesmo tempo e nenhum deles ser admitido? Deverá interpor dois recursos de agravo, conforme previsão do § 6o do art. 1.042 do CPC. Diante da interposição de dois recursos de agravo, primeiro os autos serão remetidos ao STJ e depois ao STF: § 7o Havendo apenas um agravo, o recurso será remetido ao tribunal competente, e, ha- vendo interposição conjunta, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça. § 8o Concluído o julgamento do agravo pelo Superior Tribunal de Justiça e, se for o caso, do recurso especial, independentemente de pedido, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do agravo a ele dirigido, salvo se estiver prejudicado. 4.15. Embargos de Divergência Previsão legal Os embargos de divergência encontram respaldo legal nos arts. 994, IX, 1.043 e 1.044 do Código de Processo Civil. Ainda, importante observar o regimento interno do Tribunal para qual o recurso é direcionado. Cabimento Ensina Medina (2016, p. 1.402-1.403) que os embargos de divergência possuem por fun- ção uniformizar a jurisprudência dos próprios tribunais superiores, não se tratando de recurso que tenha por finalidade corrigir erro de acórdão proferido em julgamento do STJ ou STF. No CPC/2015, o cabimento tem previsão no art. 1.043: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 144 Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: I – em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito; III – em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha co- nhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia; Nesse sentido, Medina (2016, p. 1403) explica que “o recurso de embargos de divergência é cabível contra acórdãos de órgãos fracionários que divirjam, em se tratando de decisão de mérito ou, ainda, que o outro acórdão não tenha conhecido o recurso, tenha apreciado a contro- vérsia (cf. inc. III do art. 1.043 do CPC/2015)”. Observe-se que não cabem embargos de divergência com fundamento em acórdão para- digma de outra turma que, no passado, detinha competência para julgar aquela matéria, mas atualmente não tem, estando válida a súmula no 158 do STJ (DONOSO; SERAU JUNIOR, 2017, p. 375). Ainda, conforme o § 3o do art. 1.043, cabem embargos de divergência de decisão (julgado) da mesma turma, se houver tido mudança de composição em mais da metade dos membros: § 3o Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros. O § 2o do art. 1.043 estabelece que a divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar-se na aplicação do direito material ou do direito processual. Comprovação da divergência Quanto aos requisitos dos embargos de divergência, destaca-se o art. 1.043, § 4o, que traz a necessidade de comprovação da divergência, devendo o embargante juntar cópia do acór- dão paradigma com declaração de autenticidade. § 4o O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acór- dão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computa- dores, indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados. Ainda, conforme o art. 1.043, § 4o, o embargante deve fazer uma comparação entre o acórdão embargado e o acórdão paradigma, justamente demonstrando que se trata de situações semelhantes, mas que foi dado o entendimento diverso. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 145 Observe-se a súmula no 168 do STJ, no sentido de que o recurso deve trazer dissidio atual: “Não cabem embargos de divergência quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado”. Processamento dos embargos De acordo com o art. 1.044 do CPC, os embargos de divergência seguem o previsto nos regimentos internos dos tribunais: Art. 1.044. No recurso de embargos de divergência, será observado o procedimento es- tabelecido no regimento interno do respectivo tribunal superior. Efeito interruptivo dos embargos de divergência Previsão do art. 1.044, § 1o, do CPC/2015: § 1o A interposição de embargos de divergência no Superior Tribunal de Justiça interrompe o prazo para interposição de recurso extraordinário por qualquer das partes. Por fim, a previsão do § 2o do art. 1.044 do CPC diz que não precisa o embargante reiterar o recurso extraordinário interposto antes do julgamento dos embargos de divergência se não hou- ver alteração na decisão: § 2o Se os embargos de divergência forem desprovidos ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso extraordinário interposto pela outra parte antes da publica- ção do julgamento dos embargos de divergência será processado e julgado independen- temente de ratificação. 5. Juizado Especial Cível Prof.ª Tatiane Kipper @profetatiane_kipper Previsão legal Lei no 9.099/1995; Lei no 10.259/2001; Lei no 12.153/2009; Juizado Especial Cível Estadual – Lei no 9.099/1995; Juizado Especial Cível Federal – Lei no 10.259/2001; Juizado Especial da Fazenda Pública – Lei no 12.153/2009; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 146 5.1. Competência e partes do Juizado Especial da Fazenda Pública Competência definida no art. 2o da Lei no 12.153/2009. Importante! Causas até 60 salários-mínimos. INTERESSE DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS. Quem pode ser parte no juizado especial da Fazenda Pública? Previsão do art. 5o da Lei no 12.153/2009. Art. 5o Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública: I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; II – como réus, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, bem como autarquias, fundações e empresas públicas a eles vinculadas. 5.2. Competência e partes do Juizado Especial Cível Federal Competência definida no art. 3o da Lei no 10.259/2001: Importante! Causas até 60 salários-mínimos. Interesse da União, Autarquias, Fundações e Empre- sas Públicas Federais. Quem pode ser parte nos juizados especiais cíveis federais? Previsão do art. 6o da Lei no 10.259/2001. Art. 6o Podem ser partes no Juizado Especial Federal Cível: I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II – como rés, a União, autarquias, fundações e empresas públicas federais. 5.3. Competência e partes nos Juizados Especiais Cíveis Estaduais a) Competência definida no art. 3o da Lei no 9.099/1995: Art. 3o O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I – as causas cujo valor não exceda a quarenta vezeso salário mínimo; II – as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil; III – a ação de despejo para uso próprio; IV – as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao fixado no inciso I deste artigo. O § 1o do art. 3o da Lei no 9.099/1995 prevê ainda a execução no âmbito dos juizados, referindo que pode haver a execução dos próprios julgados (cumprimento de sentença) ou de execução de título executivo extrajudicial, desde que fique no valor de 40 salários-mínimos: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9317.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 147 Além disso, no art. 4o da Lei no 9.099/1995, está definida a competência territorial, ou seja, onde a ação deve ser proposta, sendo de regra, o domicílio do réu Art. 4o É competente, para as causas previstas nesta Lei, o Juizado do foro: I – do domicílio do réu ou, a critério do autor, do local onde aquele exerça atividades pro- fissionais ou econômicas ou mantenha estabelecimento, filial, agência, sucursal ou escri- tório; II – do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita; III – do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de qualquer natureza. Parágrafo único. Em qualquer hipótese, poderá a ação ser proposta no foro previsto no inciso I deste artigo. E quem pode ser parte no âmbito dos juizados especiais? O art. 8o da Lei no 9.099/1995 deixa expresso que não podem ser partes nos juizados (seja no polo passivo ou ativo) o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito público, as empresas públicas da União, a massa falida e o insolvente civil. Apenas cuide-se que, quanto às pessoas jurídicas de direito público e empresas públicas da União, tem-se os demais juizados. A regra está definida no art. 8o da Lei no 9.099/1995: Art. 8o Não poderão ser partes, no processo instituído por esta Lei, o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito público, as empresas públicas da União, a massa falida e o insol- vente civil. Ainda, no que tange às partes, o § 1º do art. 8º da Lei nº 9.099/1995 estabelece que podem ser autoras no juizado: § 1o Somente serão admitidas a propor ação perante o Juizado Especial: I – as pessoas físicas capazes, excluídos os cessionários de direito de pessoas jurídicas; (Incluído pela Lei no 12.126, de 2009) II – as pessoas enquadradas como microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte na forma da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; III – as pessoas jurídicas qualificadas como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, nos termos da Lei no 9.790, de 23 de março de 1999; IV – as sociedades de crédito ao microempreendedor, nos termos do art. 1o da Lei no 10.194, de 14 de fevereiro de 2001. b) Critérios orientadores dos Juizados Chamados por alguns de princípios, orientam os juizados os seguintes critérios: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9790.htm 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 148 *Para todos verem: esquema. c) Da intervenção do Ministério Público O art. 11 da Lei no 9.099/1995 permite a intervenção do Ministério Público no âmbito dos juizados, nos casos previstos em lei: “Art. 11. O Ministério Público intervirá nos casos previstos em lei”. d) Da possibilidade de não ter advogado no âmbito dos juizados O art. 9o da Lei no 9.099/1995 refere que, nas causas até 20 salários-mínimos, no primeiro grau de jurisdição, não há necessidade de advogado. Porém, se o valor da causa ultrapassar 20 salários-mínimos, a assistência por advogado é obrigatória. Ademais, mesmo sendo facultativa, a assistência de advogado, conforme previsão dos parágrafos do artigo 9o da lei 9.099/95, deve se observar o seguinte: se uma das partes com- parecer assistida por advogado, ou se o réu for pessoa jurídica ou firma individual, terá a parte contrária, se quiser, a assistência judiciária por advogado. E, mesmo sendo facultativa a assistência por advogado nas causas até 20 salários-míni- mos, o juiz alertará as partes sobre a conveniência de ter advogado quando a causa assim re- comendar. e) Dos atos processuais Nos atos processuais no âmbito dos juizados computam-se somente os dias úteis, tal qual previsão do art. 12-A da lei 9.099/1995. f) Da petição inicial O art. 14 da Lei no 9.099/1995 estabelece os requisitos para a petição inicial no âmbito dos juizados. Além disso, a petição inicial no âmbito dos juizados pode ser apresentada de forma oral, inclusive em respeito aos critérios que a orientam o juizado. Conforme o art. 15 da Lei no 9.099/1995, pode haver pedidos cumulados ou alternati- vos desde que não ultrapasse o valor de 40 salários-mínimos. E, caso haja pedido genérico na petição inicial, a sentença deve ser líquida. eleridade C conomia processual E nformalida de I ralidade O implicida de S 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 149 g) Da audiência de conciliação: O art. 21 da Lei no 9.099/1995 estabelece que, aberta a audiência de conciliação, as partes presentes serão esclarecidas sobre as vantagens da conciliação, mostrando-lhes os riscos e as consequências do litígio, especialmente quanto ao disposto no § 3o do art. 3o desta Lei, pois o referido art. 3o, § 3o prevê que, se ultrapassar 40 salários-mínimos, a opção pelo procedimento previsto na Lei no 9.099/1995 importará em renúncia ao crédito excedente ao limite estabelecido neste artigo, excetuada a hipótese de conciliação. Ainda, referente à conciliação, é de se ressaltar que houve alteração legislativa em 2020, passando os arts. 22 e 23 da Lei no 9.099/1995 a ter a seguinte redação: Art. 22. A conciliação será conduzida pelo Juiz togado ou leigo ou por conciliador sob sua orientação. § 1o Obtida a conciliação, esta será reduzida a escrito e homologada pelo Juiz togado mediante sentença com eficácia de título executivo. § 2o É cabível a conciliação não presencial conduzida pelo Juizado mediante o emprego dos recursos tecnológicos disponíveis de transmissão de sons e imagens em tempo real, devendo o resultado da tentativa de conciliação ser reduzido a escrito com os anexos pertinentes. Art. 23. Se o demandado não comparecer ou recusar-se a participar da tentativa de con- ciliação não presencial, o Juiz togado proferirá sentença. h) Da contestação A contestação poderá ser oral ou escrita. Não se admite a reconvenção no âmbito dos juizados, mas sim, o pedido contraposto. i) Das provas no âmbito dos juizados Todas as provas são produzidas na audiência de instrução e julgamento. Testemunhas: no máximo três para cada parte. j) Da sentença e do recurso inominado A sentença no âmbito dos juizados dispensa o relatório. Além disso, por mais que o pedido seja genérico, não se admite sentença condenatória por quantia ilíquida. O parecer do juiz leigo deve ser submetido ao juiz togado. O juiz tomado pode homologar o parecer, proferir outra decisão em substituição ao parecer ou, ainda, determinar a reali- zação de atos probatórios indispensáveis. Conforme o art. 41 da Lei no 9.099/1995: Art. 41. Da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo arbitral, caberá recurso para o próprio Juizado”. Ou seja, não cabe recurso contra a sentença que homo- loga a conciliação ou o laudo arbitral. O recurso contra a sentença é O RECURSO INO- MINADO E NÃO APELAÇÃO. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 150 O recurso inominado será interposto no prazo de dez dias, contados da ciência da sen- tença, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente. O preparo será feito, independentemente de intimação, nas quarenta e oito horas seguintes à interposição, sob pena de deserção. Após o preparo, a Secretaria intimará o recorrido para oferecer respostaes- crita no prazo de dez dias. O recurso terá somente efeito devolutivo, podendo o Juiz dar-lhe efeito suspensivo, para evitar dano irreparável para a parte. k) Dos embargos de declaração Cabem embargos de declaração no âmbito dos juizados, devendo os embargos de decla- ração ser opostos no prazo de 5 dias e interrompendo o prazo para qualquer recurso. Os embar- gos de declaração podem ser opostos de forma ORAL OU ESCRITA. O recurso inominado, so- mente escrito. l) Das hipóteses de extinção do processo sem resolução de mérito O art. 51 da Lei no 9.099/1995 estabelece situações em que o processo no âmbito dos juizados vai ser extinto sem resolução de mérito. Art. 51. Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: I – quando o autor deixar de comparecer a qualquer das audiências do processo; II – quando inadmissível o procedimento instituído por esta Lei ou seu prosseguimento, após a conciliação; III – quando for reconhecida a incompetência territorial; IV – quando sobrevier qualquer dos impedimentos previstos no art. 8o desta Lei; V – quando, falecido o autor, a habilitação depender de sentença ou não se der no prazo de trinta dias; VI – quando, falecido o réu, o autor não promover a citação dos sucessores no prazo de trinta dias da ciência do fato. Os §§ 1º e 2º do art. 51 da Lei no 9.099/1995 ainda estabelecem: § 1o A extinção do processo independerá, em qualquer hipótese, de prévia intimação pes- soal das partes. § 2o No caso do inciso I deste artigo, quando comprovar que a ausência decorre de força maior, a parte poderá ser isentada, pelo Juiz, do pagamento das custas. m) Execução no âmbito dos juizados O art. 52 da Lei no 9.099/1995 estabelece a execução no âmbito dos juizados especiais. Por fim, o art. 53 da Lei no 9.099/1995 trata da execução de título executivo extrajudicial no limite de até 40 salários-mínimos: Art. 53. A execução de título executivo extrajudicial, no valor de até quarenta salários- mínimos, obedecerá ao disposto no Código de Processo Civil, com as modificações intro- duzidas por esta Lei. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 151 § 1o Efetuada a penhora, o devedor será intimado a comparecer à audiência de concilia- ção, quando poderá oferecer embargos (art. 52, IX), por escrito ou verbalmente. § 2o Na audiência, será buscado o meio mais rápido e eficaz para a solução do litígio, se possível com dispensa da alienação judicial, devendo o conciliador propor, entre outras medidas cabíveis, o pagamento do débito a prazo ou a prestação, a dação em pagamento ou a imediata adjudicação do bem penhorado. § 3o Não apresentados os embargos em audiência, ou julgados improcedentes, qualquer das partes poderá requerer ao Juiz a adoção de uma das alternativas do parágrafo ante- rior. § 4o Não encontrado o devedor ou inexistindo bens penhoráveis, o processo será imedia- tamente extinto, devolvendo-se os documentos ao autor. n) Da rescisória Não é admitida ação rescisória no âmbito dos juizados especiais cíveis: Art. 59. Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta Lei. o) Das despesas Não há condenação de custas e honorários de advogado no primeiro grau de jurisdição, salvo se reconhecida litigância de má-fé. No recurso inominado, precisa haver o recolhimento do preparo. O recorrente no segundo grau vai ser condenado em custas e honorários se for sucum- bente, consoante os artigos 54 a 55 da Lei no 9099/1995. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 152pelo juiz quando neces- sário. Existem outros atos do juiz nos Tribunais. Os juízes se manifestam nos outros tribunais por decisão monocrática ou por acórdão. Veja o esquema na página a seguir... *Para todos verem: esquema. 1.4.3. Suspeição e Impedimento Faz-se necessário recordar o princípio da imparcialidade. O magistrado, como órgão do Poder Judiciário, deve atuar com imparcialidade. Atenção, ele não tem que ser neutro, ele tem • Trata-se da decisão do relator (art. 932 do CPC). Decisão monocrática (exceção): • Decisão proferida por um colegiado, ou seja, por um grupo de juízes. Essa decisão pode ser unânime ou por maioria. Acórdão (regra): 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 18 que ser imparcial. No entanto, existem circunstâncias que acarretam a sua parcialidade, as quais são definidas como suspeição e impedimento. As causas que fundamentam o impedimento estão inseridas no art. 144, e as de suspei- ção, no art. 145 do CPC. Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo: I – em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como mem- bro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; II – de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III – quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; IV – quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; V – quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI – quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; VII – em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII – em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, compa- nheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX – quando promover ação contra a parte ou seu advogado. § 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. § 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz. § 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que individu- almente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no pro- cesso. Art. 145. Há suspeição do juiz: I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II – que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio; III – quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou compa- nheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive; IV – interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes. § 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões. § 2o Será ilegítima a alegação de suspeição quando: I – houver sido provocada por quem a alega; II – a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do arguido. Verificada a parcialidade do juiz, através dessas duas hipóteses, não será declarada a extinção do processo – deverá o magistrado ser afastado do processo, e os autos, encaminhados ao seu substituto legal (sendo invalidados os atos decisórios praticados até a substituição). Importante, Cabeçones! 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 19 O magistrado pode reconhecer de ofício a sua parcialidade e remeter os autos para o seu substituto legal. O juiz poderá declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões (§ 1º, art. 145, CPC), protegendo a sua intimidade. Se o magistrado não reconhecer de ofício a sua parcialidade, no prazo de 15 dias, a contar do conhecimento do fato, a parte deverá alegar o impedimento ou suspeição, em petição específica, dirigida ao juiz do processo, na qual deverá ser indicado o fundamento da recusa, podendo instrui-la com docu- mentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas (art. 146, CPC). Se reconhecer o impedimento ou a suspeição, o juiz ordenará imediatamente remessa dos autos a seu substituto legal. Caso contrário (não reconhecendo sua parcialidade), determi- nará a autuação em apartado e, no prazo de 15 dias, deverá apresentar suas razões, acompa- nhadas de documentos e de rol de testemunhas, se houver, ordenando remessa ao tribunal para que julgue o incidente (§ 1º, art. 146, CPC). Caberá ao relator, quando ordenada a remessa do incidente ao tribunal, decidir o efeito suspensivo do incidente. *Para todos verem: quadro. IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO • Causa de parcialidade absoluta. • Pode ser requerida em qualquer momento e qualquer grau de jurisdição. • O prazo do art. 146 do CPC não é absoluto para o im- pedimento. • O impedimento pode ser alegado até em Ação Resci- sória, ou seja, após o trânsito em julgado. • Causa de parcialidade relativa. • Tem que respeitar o prazo do art. 146 do CPC. Atenção para o art. 148 do CPC. Os mesmos motivos de impedimento e suspeição vão ser aplicados ao Ministério Público, aos auxiliares da justiça e aos demais sujeitos imparciais do processo. Art. 148. Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição: I – ao membro do Ministério Público; II – aos auxiliares da justiça; III – aos demais sujeitos imparciais do processo. § 1o A parte interessada deverá arguir o impedimento ou a suspeição, em petição funda- mentada e devidamente instruída, na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. § 2o O juiz mandará processar o incidente em separado e sem suspensão do processo, ouvindo o arguido no prazo de 15 (quinze) dias e facultando a produção de prova, quando necessária. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 20 § 3o Nos tribunais, a arguição a que se refere o § 1o será disciplinada pelo regimento interno. § 4o O disposto nos §§ 1o e 2o não se aplica à arguição de impedimento ou de suspeição de testemunha. Quanto à testemunha, impedimento e suspeição serão alegados através da contradita (art. 457 do CPC): impedimento na forma do art. 447, § 2º do CPC e suspeição na forma do art. 447, § 3º do CPC. 1.5. Custas e despesas processuais, honorários advocatícios e honorá- rios de sucumbência, justiça gratuita e procuração 1.5.1. Custas e Despesas Processuais Foi definido, no art. 82 do CPC, que o autor, ao propor uma ação, deverá fazer o adianta- mento das custas processuais (ou seja, a parte autora deverá fazer o recolhimento das custas para ter sua ação distribuída). Objetivamente, o Estado cobra para prestar jurisdição. De acordo com o art. 82, § 2º do CPC, o juiz, ao sentenciar o processo, condenará a parte vencida ao pagamento ou ressarcimento das custas e despesas que a parte vencedora anteci- pou. Essa circunstância decorre da sucumbência, a qual pode ser definida pela consequência da derrota na ação. A parte vencida será condenada aos ônus de sucumbência. 1.5.2. Honorários Advocatícios e dos Honorários de Sucumbência Os honorários advocatícios são a remuneração do advogado, pois o advogado atua no processo como um prestador de serviço, assim, é possível convencionar com o cliente os honorários advocatícios.Trata-se da contraprestação pelo serviço prestado. Os honorários de sucumbências são oriundos de um processo judicial, trata-se de ho- norários fixados pelo juiz para pagamento pela parte vencida para o advogado da parte vencedora. A parte vencida no processo é denominada sucumbente – e deverá arcar com os ônus desta derrota (da sucumbência). Dentre os ônus da parte vencida, está o pagamento das custas (art. 82, § 2º do CPC) para a parte vencedora (como já referido anteriormente). E, por segundo, será também a parte ven- cida condenada a pagar os honorários advocatícios ao ADVOGADO da parte vencedora, con- forme previsão expressa do art. 85 do CPC. Tal condenação deverá ser fixada na forma estabe- lecida no art. 85, § 2º do CPC. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 21 Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 1o São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumu- lativamente. § 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível men- surá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I – o grau de zelo do profissional; II – o lugar de prestação do serviço; III – a natureza e a importância da causa; IV – o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. De acordo com o art. 85, § 2º do CPC, os honorários serão fixados entre o mínimo de 10 e o máximo de 20%. Não existe qualquer possibilidade de termos honorários fixados em percen- tual superior a 20%; contudo, existem circunstâncias legais em que é possível a fixação de ho- norários em percentual inferior a 10%, como por exemplo, o caso do art. 90, § 4º e art. 85, § 3º, ambos do CPC. Art. 90. Proferida sentença com fundamento em desistência, em renúncia ou em reconhe- cimento do pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu, re- nunciou ou reconheceu. § 4o Se o réu reconhecer a procedência do pedido e, simultaneamente, cumprir integral- mente a prestação reconhecida, os honorários serão reduzidos pela metade. Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I – mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos; II – mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários- mínimos; III–- mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mínimos; IV – mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários-mínimos; V – mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos. Ainda, importante ressaltar o § 11 do art. 85 do CPC, pois poderá haver majoração dos honorários em 2º grau, contudo, o juiz deverá observar o limite de 20 %. § 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2o a 6o, sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de ho- norários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os respectivos limites estabeleci- dos nos §§ 2o e 3o para a fase de conhecimento. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 22 1.5.3. Justiça Gratuita O art. 82 do CPC prevê que, no caso de justiça gratuita, restará a parte isenta do paga- mento de custas e despesas processuais. Nesse sentido, o art. 98 do CPC garante à pessoa natural ou jurídica, tanto brasileira, quanto estrangeira, que tenha insuficiência de recursos para o pagamento das custas, das despesas processuais e dos honorários advocatícios, o direito à justiça gratuita. O direito à justiça gratuita é concedido a qualquer das partes, podendo ser, inclusive, a um terceiro que interveio no processo, desde que cumpra os requisitos impostos na lei. O pedido ao benefício poderá ser feito em várias fases do processo: na inicial, contestação, em recursos ou até mesmo na petição que traz um terceiro ao processo. No caso da pessoa natural, basta a alegação de ser hipossuficiente, não podendo o juiz indeferir o benefício sem que esteja evidenciado no processo o contrário. Nesse caso, ainda, antes do indeferimento, a parte tem a oportunidade de provar o contrário, conforme o art. 99, § 2º e 3º do CPC). Diferentemente é a situação da pessoa jurídica, que, para fazer jus à justiça gratuita, deve provar ser financeiramente hipossuficiente. Importante, Cabeção! Caso a parte vencida seja beneficiária da justiça gratuita, ela poderá ser condenada ao pagamento das custas e dos honorários, conforme o § 2º do art. 98 do CPC. Contudo, de acordo com o § 3º do art. 98 do CPC, referida condenação é suspensa, por consequência do benefício da justiça gratuita, pelo prazo de até cinco anos. 1.5.4. Procuração A parte para litigar em juízo precisar estar representada por advogado. O advogado, para atuar em nome da parte, precisa ter poderes, os quais serão fixados por procuração, documento indispensável. Contudo, a segunda parte do art. 104 do CPC traz uma exceção: Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente. § 1o Nas hipóteses previstas no caput , o advogado deverá, independentemente de cau- ção, exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz. § 2o O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos. Atenção: A procuração não se faz necessária quando o advogado atua em causa própria. Direitos do advogado – acesso aos autos 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 23 O advogado pode ter vista de qualquer processo judicial em tramitação, mesmo sem pro- curação, desde que não esteja sob a proteção do segredo de justiça, caso em que é necessária procuração (art. 107, I do CPC). Importante lembrar que este mesmo direito é assegurado aos processos eletrônicos, con- forme previsão do art. 107, § 5º do CPC. Tem o advogado direito à carga (levar consigo) dos autos do processo em tramitação, situação em que será necessário apresentar procuração (art. 107, II e III do CPC). Importante! Para que o advogado faça carga dos processos que estão arquivados, não é necessária procuração (art. 7º, XVI, da Lei no 8.906/1994 – Estatuto da Advocacia e da OAB). 1.6. Tutelas provisórias O cidadão busca do Poder Judiciário a solução de um conflito de interesses, a solução de uma lide. O Poder Judiciário possui jurisdição, ou seja, possui poder-dever de solucionar um litígio. Contudo, o que o cidadão quer do Poder Judiciário é definido como tutela jurisdicional – decisão do conflito levado a juízo. A tutela jurisdicional possui uma classificação, sendo ela: *Para todos verem: esquema. O pedido da tutela provisória de evidência deverá estar fundamentado em um direito claro e objetivo, em um direito evidente. Essa tutela somente poderá ser pedida e concedida/de- ferida nos casos previstos no art. 311 do CPC e sua análise será incidental.Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I – ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; • Tutela que põe fim ao conflito de interesses levado a juízo. Tutela definitiva: • É uma decisão provisória, ainda não definitiva. Pretende-se uma decisão provisória no decorrer do processo, ainda não definitiva, pois ela ainda pode ser modificada. As tutelas provisórias são divididas em: tutela de evidência e tutela de urgência. Tutela provisória: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 24 II – as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; III – se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do con- trato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; IV – a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente. Por outro lado, a tutela de urgência exige, para sua concessão, a presença dos requisitos do art. 300 do CPC, podendo ser requerida e analisada de forma incidente ou antecedente. Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. § 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. § 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. § 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver pe- rigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. A tutela de urgência necessita de probabilidade do direito, ou seja, é um direito provável, ainda não é concreto. É necessário indicar ao Judiciário indícios de que exista esse direito. Faz- se necessário, ainda, demonstrar que exista perigo de dano – não é possível esperar até a con- cessão da tutela definitiva, é preciso uma decisão judicial naquele momento para se evitar que o direito pretendido sofra dano irreparável – ou demonstrar que exista risco de o processo não alcançar resultado útil – diante de uma atitude da outra parte: isso é, corre-se o risco de a ação proposta não alcançar o resultado útil, necessitando-se de uma decisão que garanta que essa ação possa alcançar resultado útil, por exemplo, quando o devedor começa a se desfazer de seu patrimônio. A tutela de urgência ainda se subdivide em: *Para todos verem: esquema. • Quando a urgência incidir sobre direitos materiais. Tutela de urgência antecipada: • Quando a urgência incidir sobre direitos processuais. Tutela de urgência cautelar: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 25 Importante Cabeção! A tutela provisória poderá ser pedida e concedida tanto ao autor, quanto ao réu, em qual- quer momento do processo. Inclusive, é possível requerer a tutela provisória em 2º grau (art. 932, II do CPC). As decisões interlocutórias que dizem respeito às tutelas provisórias são passíveis de re- curso, ou seja, são decisões recorríveis. O art. 1.015, inciso I do CPC menciona que: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I – tutelas provisórias; O pedido de tutela provisório pode ser feito de duas maneiras, de forma incidental e de forma antecedente, vejamos: *Para todos verem: esquema. Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. § 1o Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: I – o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar; II – o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma do art. 334; III – não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 335. § 2o Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo, o processo será extinto sem resolução do mérito. § 3o O aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. § 4o Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final. § 5o O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício previsto • É o pedido normal, dentro do processo. Pode ser tanto de tutela provisória de urgência como de evidência. De forma incidental: • É o pedido antes de se entrar com a ação. Existe uma grande necessidade de uma decisão judicial. Esse pedido só ocorre na tutela provisória de urgência e é baseado nos arts. 303 ou 305 do CPC. De forma antecedente: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 26 no caput deste artigo. § 6o Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito. Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter an- tecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza anteci- pada, o juiz observará o disposto no art. 303. Importante! O instituto da estabilização da tutela provisória somente será aplicável nos pedidos de tutela provisória de urgência antecipada antecedente (art. 304 do CPC). Esse pedido precisa ser deferido e que não haja recurso. Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso. § 1o No caso previsto no caput, o processo será extinto. § 2o Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada estabilizada nos termos do caput. § 3o A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou inva- lidada por decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2o. § 4o Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi con- cedida a medida, para instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2o, prevento o juízo em que a tutela antecipada foi concedida. § 5o O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2o deste artigo, extingue-se após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo, nos termos do § 1o. § 6o A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos res- pectivos efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar, proferida em ação ajuizada por uma das partes, nos termos do § 2o deste artigo. 1.7. Partes, Capacidade e Intervenção de Terceiros 1.7.1. Partes Em uma ação, é necessário identificar o autor, aquele que figura no polo ativo da de- manda, ou seja, quem propôs a ação, e o réu,aquele que figura no polo passivo da demanda, ou seja, contra quem foi proposta a ação. Ao se falar em pessoa, seja pessoa natural, seja pessoa jurídica, necessita-se compreen- der como elas adquirem personalidade, como elas exercem os diretos decorrentes dessa perso- nalidade. Juridicamente falando, ter personalidade é ser titular de direitos e obrigações. A pes- soa natural, quando nasce com vida, adquire personalidade e, por consequência, é titular de direitos e obrigações. A pessoa jurídica adquire personalidade quando os seus atos constitutivos, seu contrato social, é registrado no local competente. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 27 O exercício desses direitos e dessas obrigações pode ter que acontecer por representante ou a pessoa deve estar assistida. Há uma diferença entre ter personalidade e poder exercer esses direitos e essas obrigações sozinho, e para isso devemos avaliar a capacidade. 1.7.2. Capacidade Legalmente, o menor de 16 anos é absolutamente incapaz; a pessoa de 16 a 18 anos é denominada relativamente incapaz e a pessoa maior de 18 anos é plenamente capaz. O absolutamente incapaz possui direitos e obrigações, contudo, ele não pode exercer os direitos e obrigações sozinho, precisa estar representado. O relativamente capaz precisa ser assistido. A pessoa plenamente capaz exerce sozinha os seus direitos e obrigações. O menor de 16 anos pode ser autor ou réu de uma ação, todavia, deve exercer os seus direitos e obrigações por um representante. Ex.: ação de alimentos. Uma criança de seis meses precisa receber alimentos do pai, então ela será a autora da ação, representada por sua mãe. 1.7.3. Intervenção de Terceiros A intervenção de terceiros é a possibilidade de uma pessoa que não é parte – ou seja, não figura no polo ativo ou passivo – intervir no processo. A intervenção de terceiros pode se dar através das seguintes formas: *Para todos verem: esquema a) Assistência Trata-se de uma intervenção voluntária, em que um terceiro interessado no conteúdo da sentença intervém no processo a fim de assistir e ajudar a parte com a qual tenha relação jurí- dica. Ex.: uma relação de locação. O proprietário de um imóvel entra com ação de despejo contra o inquilino, porém, o inquilino havia sublocado o imóvel para um terceiro. O terceiro, nesse caso, será prejudicado se a decisão for procedente para o proprietário: assim, ele tem interesse jurídico nesse processo, podendo se habilitar para defesa de seus direitos. Art. 119. Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente inte- ressado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para ASSISTÊNCIA DENUNCIAÇÃO DA LIDE CHAMAMENTO AO PROCESSO INCIDENTE DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA AMICUS CURIAE 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 28 assisti-la. Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre. Art. 120. Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze) dias, o pedido do assistente será deferido, salvo se for caso de rejeição liminar. Parágrafo único. Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o incidente, sem suspensão do processo. b) Denunciação da lide Aqui, a intervenção é originada pela iniciativa de uma das partes, que será chamada de denunciante, cujo objetivo é garantir o direito de regresso no caso de improcedência do processo. Somente acontece nos casos do art. 125, do CPC. Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes: I – ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao de- nunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam; II – àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo. § 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida. § 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma. Importante! Se, por exemplo, a pessoa não fez a denunciação da lide, de acordo com o § 1º do art. 125 do CPC, ela não perde o direito de regresso, pode exercer o direito de regresso através de ação autônoma. Art. 129 do CPC – esse direito de regresso somente será julgado pelo juiz se o denunciante perder a ação principal. c) Chamamento ao processo Será possível o chamamento ao processo nos casos de fiança e nos casos de responsa- bilidade solidária. Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu: I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu; II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles; III – dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o paga- mento da dívida comum. d) Incidente da desconsideração da personalidade jurídica 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 29 O incidente de desconsideração da personalidade jurídica vem regulado nos art. 133 a 137 do CPC. Sua finalidade é a responsabilização das pessoas físicas, sócias de empresas, pelos atos da pessoa jurídica. Os requisitos para as relações civis são: abuso de poder, confusão patrimonial ou desvio de finalidade, conforme art. 50 do Código Civil, bem como aqueles inseridos no Código de Defesa ao Consumidor (art. 28). e) Amicus curiae O amicus curiae está previsto no art. 138 do CPC e sua finalidade é auxiliar na formação de convencimento do juiz. Para que seja admitido o amicus curiae, deverá ser observada a rele- vância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda e a repercussão social da con- trovérsia. Ainda, deve haver representatividade: aquele que se habilita como amicus curiae deve ter representatividade, ou seja, deve falar em nome de um grupo. Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especi- alizada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. § 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipó- tese do § 3o. § 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae § 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. 1.8. Petição Inicial, Emenda, Indeferimento, Improcedência Liminar 1.8.1. Petição Inicial Quando existe um conflito de interesses e a pessoa não consegue solucionar de forma consensual com a outra parte, é necessário buscar no Poder Judiciário essa solução. O juiz não age por ofício nos processos, isto é, faz-se necessária a iniciativa da parte através da petição inicial. A petição inicial deve obedecer aos requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC. Art. 319. A petição inicial indicará: I – o juízo a que é dirigida; II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV – opedido com as suas especificações; 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 30 V – o valor da causa; VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. § 1o Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. § 2o A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. § 3o A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente one- roso o acesso à justiça. Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. Importante, Cabeção! A petição inicial deverá indicar se o autor deseja ou não que seja designada audiência de conciliação ou mediação (art. 334 do CPC). Conforme o exposto nos arts. 322 e 324 do CPC, os pedidos da petição inicial devem ser certos e determinados; em outras palavras, o pedido não pode ser presumido – o que o autor não pediu o juiz não pode julgar – e não pode ser genérico. Excepcionalmente, o pedido poderá ser genérico, conforme o § 1º do art. 324 do CPC. Art. 322. O pedido deve ser certo. § 1o Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios. § 2o A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princí- pio da boa-fé. Art. 324. O pedido deve ser determinado. § 1o É lícito, porém, formular pedido genérico: I – nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados; II – quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato; III – quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu. § 2o O disposto neste artigo aplica-se à reconvenção. Importante! Há possibilidade de alteração dos pedidos, de acordo com o art. 329 do CPC. Art. 329. O autor poderá: I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II – até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifes- tação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 31 1.8.2. Valor da Causa Toda petição inicial deverá ter, obrigatoriamente, valor da causa. O valor da causa, como regra, corresponde ao valor do pedido ou dos pedidos, caso ocorra a cumulação, ou seja, mais de um pedido, conforme o art. 292 do CPC. Contudo, importante observar o inciso III do art. 292 do CPC: “na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações mensais pedidas pelo autor”. O § 3º do art. 292 do CPC traz uma importante informação, qual seja: “O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se pro- cederá ao recolhimento das custas correspondentes”. Importante! A parte deverá juntar a procuração contendo nome do advogado, OAB, endereço com- pleto (art. 105, § 2º do CPC). A não juntada será admitida somente, para evitar preclusão, deca- dência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente (art. 287, I c/c art. 104, ambos do CPC). Importa destacar ainda que, se o autor for absolutamente ou relativamente incapaz, de- verá ser indicado a pessoa que o representa ou assiste. 1.8.3. Emenda da Petição Inicial Se a petição inicial estiver irregular, por faltar algum dos requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC, ou apresentar defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz determinará que o autor emende ou a complete, no prazo de 15 dias (informando, com precisão, o que deve ser corrigido ou completado – art. 321, do CPC). Não cumprida tal diligência, a petição inicial será indeferida (art. 321, parágrafo único, do CPC) – restando a ação extinta sem resolução do mérito, na forma do art. 485, I do CPC. 1.8.4. Indeferimento da Petição Inicial As hipóteses de indeferimento são aquelas previstas no art. 330, CPC. Identificada pelo magistrado alguma das situações do art. 330 do CPC, deverá intimar o autor para emendar/com- pletar a inicial (art. 321, c/c o art. 317 do CPC). Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I –for inepta; II – a parte for manifestamente ilegítima; III – o autor carecer de interesse processual; IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. § 1o Considera-se inepta a petição inicial quando: 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 32 I – lhe faltar pedido ou causa de pedir; II – o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pe- dido genérico; III – da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; IV – contiver pedidos incompatíveis entre si. § 2o Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discrimi- nar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito. § 3o Na hipótese do § 2o, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo contratados. A decisão que indefere a inicial, por gerar a extinção sem resolução do mérito (art. 485, I do CPC), é uma sentença (art. 316 do CPC) recorrível via recurso de apelação. No caso de apelação, segundo o art. 331, do CPC, o juiz poderá retratar-se de sua decisão de indeferimento, no prazo de cinco dias; se não se retratar, o réu será citado para responder ao recurso. 1.8.5. Improcedência Liminar do Pedido Quando o juiz verificar que a inicial preenche os requisitos, determinará a citação do réu para que possa ser integrado ao processo, mas se verificar uma das hipóteses do art. 332, do CPC, estará autorizado a proferir decisão liminar de total improcedência, sentença essa com resolução do mérito, conforme o art. 487, I do CPC. Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da ci- tação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de as- sunção de competência; IV – enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. § 1o O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. § 2o Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241 . § 3o Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. § 4o Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrar- razões, no prazo de 15 (quinze) dias. Importante, Cabeção! Também pode configurar causa/fundamento para a improcedência liminar dos pedidos a identificação de prescrição ou decadência (art. 332, § 1o do CPC) – neste caso, haverá extinção com resolução de mérito conforme o art. 487, II do CPC. 1ª Fase | 40° Exame da OAB Processo Civil 33 Para que não viole