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Direito Processual Penal II - Prof. Carlos Eduardo Oliveira Conti

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Ministério Público ou querelante e o defensor para arrolarem as testemunhas que deseja serem ouvidas em plenário, podendo juntar documentos e requerer diligências.
Antes da Lei nº 11.689/90, as partes eram intimadas nesta fase para juntarem em cinco dias o libelo e a contrariedade ao libelo. Entendia-se que o libelo era a peça de acusação para a segunda fase do julgamento, pois era do libelo que o acusado iria se defender no julgamento plenário do Tribunal do Júri. Portanto, antigamente entendia-se que deveria haver uma correlação progressiva no procedimento do júri entre pronúncia e denúncia, entre libelo e pronúncia e entre questionário e o libelo. Com a abolição do libelo, a correlação permanece sendo entre pronúncia e denúncia, e entre questionário e pronúncia.
O acusado não se defenderá em Plenário do libelo, mas se defenderá diretamente da denúncia, nos limites que foi admitida pela pronúncia.
Nesta fase há oportunidade de acusação e defesa juntarem documentos, requererem diligências e arrolarem testemunhas a serem ouvidas em plenário, até o máximo de cinco testemunhas.
Ao arrolar a testemunha, a parte deve esclarecer se o faz com a cláusula de imprescindibilidade e se requer sua intimação por mandado (ou se responsabiliza pelo comparecimento da testemunha independentemente de intimação). Caso a parte arrole a testemunha com a cláusula de imprescindibilidade, requeira sua intimação por mandado e esta, devidamente intimada, não compareça à sessão de julgamento plenário, o juiz poderá determinar a condução coercitiva da testemunha ou deverá adiar o julgamento plenário (art. 461, caput e § 1º). Caso a testemunha não seja encontrada no endereço declinado ou não tenha sido arrolada com imprescindibilidade, sua ausência não adiará o julgamento plenário.
Dentre as diligências que a acusação pode requerer nesta fase está a realização de reconhecimento pessoal do réu em plenário. Atualmente, a presença pessoal do réu à sessão plenária não é mais obrigatória. Assim, caso a acusação entenda relevante que o réu esteja presente ao plenário para ser submetido a reconhecimento pessoal, deverá requerer ao juízo que o réu esteja obrigatoriamente presente (se preso) ou sua conduta coercitiva.
A ausência de manifestação da defesa nesta fase processual não gera nulidade, pois se presume tão somente que esta não possui testemunhas a arrolar nem documentos a juntar ou diligências a requerer.
Caso uma das partes junte qualquer documento, a parte contrária deverá ser intimada em respeito ao princípio do contraditório. Esta necessidade de intimação do documento juntado pela parte contrária, para possibilitar sua utilização em plenário, vem agora prevista expressamente no art. 479. Caso a parte não junte documento nesta fase, poderá juntá-los posteriormente, com a antecedência mínima de 03 dias úteis, dando-se ciência à outra parte.
Após a manifestação das partes nesta fase, há o despacho saneador, no qual o juiz analisará se há qualquer nulidade que necessite ser sanada, fará relatório sucinto do processo e designará data para o julgamento plenário (art. 423). Após, as partes devem ser intimadas da sessão de julgamento (art. 431).
Para designação de data para julgamento, o art. 429 estabelece a prioridade de marcação entre os diversos processos. Conferir:
Art. 429. Salvo motivo relevante que autorize alteração na ordem dos julgamentos, terão preferência:
I – os acusados presos;
II – dentre os acusados presos, aqueles que estiverem há mais tempo na prisão;
III – em igualdade de condições, os precedentes pronunciados.
DESAFORAMENTO
Os arts. 427 e 428 preveem a figura do desaforamento.
Desaforamento é a decisão jurisdicional que altera a competência inicialmente fixada pelos critérios constantes do art. 69 do CPP. Será competente para decidir sobre o desaforamento a Instância Superior. A provocação pelo desaforamento pode ser feita tanto pelo magistrado Presidente do Júri quanto pelas partes.
Não há ofensa ao princípio do juiz natural em razão de ser uma medida excepcional, prevista em lei. O desaforamento destina-se justamente a sustentar a imparcialidade do juiz, integridade física do réu e a celeridade do julgamento.
O desaforamento pode ocorrer por questões de segurança, ausência de imparcialidade do júri, local ou demora na realização do julgamento plenário. Nessa situação, o processo será encaminhado para a comarca mais próxima na qual haja condições de se realizar o julgamento.
Interesse na ordem pública: se houver motivos comprovados que o julgamento provocará distúrbios na sociedade local o julgamento poderá ser desaforado.
Dúvida sobre a imparcialidade do júri: não há possibilidade de haver um julgamento justo com um corpo de jurados parcial. Pode ocorrer a dúvida quando se tratar de uma comarca pequena e o crime ter sido gravíssimo, ocasionando uma grande comoção geral na sociedade.
TJSP: “Crime envolvendo ex-Presidente da Câmara Municipal e candidato a Prefeito, que recebeu votação – Fato que causou grande repercussão na comunidade local – Existência, ademais, de opiniões prévias lançadas através da imprensa – Possibilidade de induzir aqueles que participarão do Conselho de Sentença” (Desaforamento 390.699-3/0, Franco da Rocha, 3ª C. Extraordinária, rel. Vito Guglielme, 10.4.2003, JUBI 83/03).
TJSP: “A mera legação de parcialidade dos jurados, desacompanhada de qualquer comprovação idônea e eficaz não basta para justificar o desaforamento” (Processo 321.411-3, Capão Bonito, 2ª C., rel. Canguçu de Almeida, 05.02.2001, JUB 57/01).
TJSP: “A notoriedade da vítima e respectiva família na comarca constitui motivo insuficiente para que haja desaforamento, somente admissível em casos excepcionalíssimos” (Desaforamento 409.061-3/0, Mogi das Cruzes, 6ª C., rel. Haroldo Luz, 29.05.2003, JUBI 84/03).
Outras hipóteses de desaforamento: art. 428.
JULGAMENTO PLENÁRIO
O julgamento plenário é composto por três fases: sessão pública, sala secreta e publicação da sentença.
A fase da sessão pública pode ser dividida em: abertura da sessão, instrução e debates.
Abertura da Sessão
Antes da abertura dos trabalhos o juiz decidirá os casos de isenção ou pedido de dispensa de jurado (formulado pelo próprio jurado) e ainda os pedidos de adiantamento do ato (art. 454 e ss. do CPP).
Apenas haverá participação do assistente da acusação no julgamento plenário se este houver requerido sua habilitação até 5 dias antes do julgamento (art. 430). Antes da reforma da Lei nº 11.689/08, este prazo era de três dias (art. 477, PU). Sua ausência não impede a realização do julgamento.
Antes da reforma, a presença do acusado era essencial para a realização da sessão plenária, na hipótese de crime inafiançável (art. 451, § 1º, a contrario sensu). Atualmente, dispõe o art. 457, caput, que no caso de réu solto, seu não comparecimento não impedirá a realização do julgamento. Isso porque a oportunidade de exercício da autodefesa é obrigatória, mas seu efetivo exercício é facultativo. Assim, o réu deve ser intimado do dia de seu julgamento, mas se não tiver interesse em comparecer para ser interrogado em plenário, esta ausência sua não ensejará qualquer nulidade e o julgamento prosseguirá à sua revelia. Todavia, no caso de réu preso que não foi apresentado a julgamento pela falta de escolta policial, considerando que o Estado possui a obrigação de fazer o réu sob sua custódia estar presente, caso este queira, o § 2º do dispositivo determina que a sessão deverá ser necessariamente adiada. A exceção a esta regra é se o réu preso e seu defensor houverem subscrito requerimentos de dispensa de comparecimento. Alguns doutrinadores argumentam que o réu possui o direito de ser intimado e escolher não estar presente, para evitar a influência de seu status social e aparência (v.g., cor) nos jurados.
A ausência injustificada de testemunha acarreta na imposição de multa de um a dez salários mínimos, da mesma forma que ocorre para o jurado que faltar injustificadamente (art. 458 c/c 436, § 2º).
Caso a parte tenha arrolado a