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E-BOOK
150 DICAS
DIREITO CONSTITUCIONAL
PARA A 1ª FASE DO 43
1ª FASE DO EXAME 43
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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
1. O Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não fica vinculado às decisões
definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no controle de
constitucionalidade, de modo que eventual projeto de lei apresentado em data posterior
ao julgamento poderá ser regularmente votado e, se aprovado, implicará a superação ou
reação legislativa da jurisprudência.
2.Podem ser objeto de ADI: leis ou atos normativos federais ou estaduais. A ADC admite
a análise de leis ou atos normativos federais e a ADPF cuida, principalmente, das
normas pré-constitucionais, das leis municipais e dos atos normativos secundários.
3.Segundo orientação jurisprudencial, não há necessidade de que as ações do controle
concentrado estadual sigam o paralelismo do art. 103, I a IX quanto aos legitimados
ativos, sendo, entretanto, vedado, estabelecer a legitimidade ativa a apenas uma
autoridade.
4.O princípio da reserva de plenário do art. 97, da CRFB/88, que visa defender o
princípio da presunção de constitucionalidade das leis, indica que somente pelo voto da
maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial
poderão os 2 tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público. O princípio deve ser respeitado tanto no controle difuso quanto no concentrado.
5.A orientação jurisprudencial recente do STF entende que é possível a análise judicial,
ainda que excepcional, dos critérios de relevância e urgência para a edição de uma
medida provisória. Como ato normativo primário, a MP pode ser objeto tanto do controle
difuso quanto do concentrado.
6.A jurisprudência do STF é firme no sentido de reconhecer a possibilidade de controle
jurisdicional da PEC em tramitação, reconhecendo a legitimidade dos deputados e
senadores para a impetração de mandado de segurança por violação ao direito líquido e
certo de observância do devido processo legislativo.
7.De acordo com o STF, a perda superveniente de representação do Partido Político não
repercute sobre o julgamento da ADI, pois se entende que a aferição da legitimidade
ativa do Partido Político deve ser realizada quando do ajuizamento da ação. O Partido
Político, para ajuizar ADI, deve estar representado por seu Diretório Nacional, ainda que
o ato impugnado tenha sua amplitude normativa limitada ao Estado ou Município do qual
se originou.
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8.A concessão de medida liminar é permitida em todas as ações do controle concentrado
abstrato federal, quais sejam: Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), Ação
Declaratória de Constitucionalidade (ADC), Ação Direta de Inconstitucionalidade por
Omissão (ADO) e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
9.A ambivalência (ou, ainda, a natureza fungível ou dúplice) traduz-se na possibilidade
de, em sede de ADI ou de ADC, o STF declarar a constitucionalidade ou a
inconstitucionalidade de uma determinada lei como medida de economia processual.
10. Em regra geral, a decisão de inconstitucionalidade da lei gera efeitos ex tunc (teoria
da nulidade), mas o STF pode adotar a modulação temporal dos efeitos, segundo art. 27,
da Lei 9868/99, que assim dispõe: "Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse
social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros,
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de
seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado".
11. Na ADI Interventiva Federal há um controle concentrado de constitucionalidade
concreto, pois é realizado pelo STF, sendo baseado em uma ocorrência fática. Há,
verdadeiramente, um conflito entre as partes, quais sejam: a União e o Estado-membro
violador da Constituição Federal.
12. A decisão do Tribunal de Justiça que declara a inconstitucionalidade de lei local em
face da Constituição Estadual pode ser objeto de Recurso Extraordinário de competência
do STF, na forma do art. 102, III, a, da CRFB/88. Já as decisões de mérito do STF no
controle concentrado de constitucionalidade são irrecorríveis.
13. O parâmetro de proteção da ADPF, ao contrário das demais ações do controle
concentrado, é mais restrito, afinal é uma arguição de descumprimento de uma porção
constitucional limitada: os preceitos fundamentais. De acordo com o STF configuraria o
rol não exaustivo de preceitos fundamentais: os princípios fundamentais (arts. 1º a 4º) os
direitos e garantias fundamentais (art. 5º a 17), os princípios constitucionais sensíveis
(art. 34, VII) as cláusulas pétreas (art. 60, § 4º) e os princípios que regem a
Administração Pública (art. 37, caput).
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DIREITOS FUNDAMENTAIS 
14.De acordo com o art. 5º, XI, da CRFB/88, a casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial.
15.As penas de prestação de serviços não podem transcender a pessoa do condenado,
sob pena de ofensa ao princípio da pessoalidade ou intransmissibilidade da pena,
elencado no art. 5°, XLV, da CRFB/88.
16.Em havendo uma colisão entre direitos fundamentais, deve-se buscar a conciliação
entre eles, aplicando-se cada um em extensão variável, conforme a relevância que
apresentem no caso concreto específico.
17.Não há direito fundamental de natureza absoluta. 
18.O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos
Policiais Militares, pois sua atividade é essencial à segurança da sociedade, aplicando-
se o art. 142, § 3º, IV, da CRFB/88.
19.Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade
competente, conforme art. 5°, XVI, da CRFB/88.
20.A Constituição da República de 1988 dispõe que, nos termos da lei, é assegurada
assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.
21.A obtenção de certidões em repartições públicas, contendo informações de interesse
particular ou de interesse coletivo ou geral, é direito de todos, sem o pagamento de taxa,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado, de acordo com o art. 5°, XXXIII e XXXIV, “b”, da CRFB/88.
22.O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o ‘direito à incitação
ao racismo’, dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de
condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra.
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23. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
24. A liberdade de comunicação deve ser interpretada em coerência com a proteção
constitucional à privacidade, e os excessos devem ser coibidos, sob pena de
responsabilização do agente divulgador por todos os prejuízos causados (danos
materiais e morais).
25. O sigilo da fonte visa a proteger a pessoa do informante ou a fonte das informações
dos jornalistas, em nome da próprialiberdade de imprensa e não se confunde com o
anonimato, vedado, pois quem divulga as informações recebidas precisará se
apresentar, assumindo a responsabilidade pelos excessos cometidos.
26. O estado laico (leigo ou não confessional) é aquele que adota uma posição neutra no
que tange ao campo religioso, defendendo a liberdade religiosa a todos os cidadãos,
enquanto o estado confessional reconhece uma religião oficialmente.
27. A teoria da eficácia horizontal dos Direitos Fundamentais surgiu na Alemanha pós-
guerra, mas já encontrava vasta jurisprudência e posição consolidada na doutrina. Sobre
o assunto, é possível se observar nas decisões do STF que quanto mais desigualdade
existir entre as partes, maior será a possibilidade de intervenção judiciária para evitar o
predomínio dos arbítrios, como nas relações trabalhistas e do consumidor, pois a
autonomia privada não pode ser exercida em detrimento ou com desrespeito aos direitos
e garantias de terceiros, especialmente aqueles positivados em sede constitucional.
DIREITOS POLÍTICOS E PARTIDOS POLÍTICOS 
28.São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República,
de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os
haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição, conforme art. 14, § 7º, da CRFB/88.
29.O português equiparado é um estrangeiro diferenciado, pois ao adquirir sua
equiparação em direitos e deveres civis perante o Ministério da Justiça – órgão
competente para cuidar do processo de equiparação – poderá, se cumprir outros
requisitos, alistar-se perante a Justiça Eleitoral e nesse caso será o único cidadão
estrangeiro no Brasil.
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30.O STF, numa reinterpretação do art. 14, § 5° da CRFB/88, decidiu que um Prefeito
não pode concorrer ao cargo para um terceiro mandato consecutivo, seja no mesmo
município, ou até mesmo em outro município, impedindo a perpetuação de uma mesma
pessoa no Poder em nome do Princípio Republicano. Trata-se da vedação do
denominado “Prefeito itinerante”.
31.O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze
dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso de poder
econômico, corrupção ou fraude. 
32.São condições de elegibilidade, segundo o art. art. 14, § 3° da CRFB/88: a
nacionalidade brasileira; o pleno exercício dos direitos políticos; o alistamento eleitoral; o
domicílio eleitoral na circunscrição; a filiação partidária; a idade mínima de: a) trinta e
cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos
para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos
para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
paz; d) dezoito anos para Vereador.
33. Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de
Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos
até seis meses antes do pleito. Trata-se da chamada desincompatibilização.
 
34. A renúncia é o mecanismo utilizado para afastar a inelegibilidade reflexa. Se o titular
do Poder Executivo estiver no primeiro mandato e renunciar até seis meses antes do
pleito eleitoral, ficará afastada a inelegibilidade e seus familiares podem concorrer a
qualquer pleito eleitoral, inclusive ao cargo antes ocupado pelo renunciante. Se estiver
no segundo mandato e renunciar até seis meses antes do pleito, ficará afastada a
inelegibilidade reflexa para os demais cargos. Entretanto, seus familiares não podem
concorrer ao cargo antes por ele ocupado.
35. A regra da fidelidade partidária, segundo entendimento do STF, cinge-se às
hipóteses nas quais os cargos eletivos foram obtidos por meio do sistema proporcional
(Deputados Federais, Estaduais, Distritais e Vereadores). Quando se tratar de cargo
eletivo de natureza majoritária (Prefeito, Senador, Governador e Presidente da
República), não será aplicável a regra de perda do mandato por infidelidade partidária.
36. O STF decidiu que o reconhecimento da justa causa para transferência de partido
político afasta a perda do mandato eletivo por infidelidade partidária. Entretanto, ela não
transfere ao novo partido o direito de sucessão na vaga, tendo em vista que o voto do
eleitor foi manifestado ao partido de origem do parlamentar e não ao partido final.
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ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIO
37.Só há estado de defesa e estado de sítio no plano federal, segundo art. 21, V, da
CRFB/88, portanto, estados, Distrito Federal e municípios não podem decretar as
referidas medidas. 
38.Durante o estado de defesa, podem ser estabelecidas restrições aos direitos de
reunião e ao sigilo de correspondência e comunicação telefônica.
39. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de
Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de
sítio nos casos de: I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos
que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa; II -
declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. Não há
necessidade de autorização do Congresso Nacional em caso de estado de defesa. 
MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL 
40. A mudança formal da Constituição só é feita por meio das emendas constitucionais
com base no art. 60. Já a mutação constitucional é o fenômeno de mudança informal da
Constituição com alteração de sentido e não do texto da lei, permitindo que a lei maior
esteja sempre afinada com a realidade do país.
41. Além de respeitar à própria essência da Constituição, a mutação não poderá
contrariar as cláusulas pétreas do art. 60, § 4º da CRFB/88, sob pena de se transformar
numa verdadeira “quebra da Constituição”.
NACIONALIDADE 
42. Conforme orientação do STF, o brasileiro nato que possui dupla nacionalidade
também não poderá ser extraditado.
43. As hipóteses de perda da nacionalidade brasileira estão taxativamente definidas na
Constituição da República, não sendo lícito ao Estado brasileiro, mediante tratados ou
convenções internacionais, inovar nesse tema para ampliar ou modificar os casos que
autorizam a privação da condição político-jurídica de nacional do Brasil.
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44. São cargos privativos de brasileiro nato: de Presidente e Vice-Presidente da
República; de Presidente da Câmara dos Deputados; de Presidente do Senado Federal;
de Ministro do Supremo Tribunal Federal; da carreira diplomática; de oficial das Forças
Armadas e de Ministro de Estado da Defesa.
45. No Brasil, o critério de atribuição de nacionalidade originária predominante é o da
origem territorial, ainda que se reconheça em algumas situações a origem sanguínea.
Pode-se dizer que temos um sistema de ius soli relativo ou misto.
46. Não se revela possível, em nosso sistema jurídico-constitucional, a aquisição da
nacionalidade brasileira jure matrimonii, vale dizer, como efeito direto e imediato
resultante do casamento civil.
47. As hipóteses de aquisição de nacionalidade secundária não se esgotam
completamente na Constituição Federal. Como a naturalização no Brasil decorre de uma
manifestação da vontade, podemos dizer que hoje não há naturalização tácita ou por
decurso de prazo.
48. A ação de cancelamento de naturalização é ajuizada pelo Ministério PúblicoFederal
perante a Justiça Federal, na forma do art. 109, X, da CRFB/88, garantidas a ampla
defesa e o contraditório. Após declarada a perda, o ex-brasileiro não poderá enfrentar
novo processo administrativo para aquisição de nacionalidade brasileira. É possível,
entretanto, que o cancelamento da naturalização seja desfeito via ação rescisória.
ORDEM SOCIAL 
49. O Sistema Único de Saúde rege-se pelo princípio da universalidade da tutela à saúde,
direito fundamental do ser humano.
50. A participação complementar de entidades privadas com fins lucrativos no Sistema
Único de Saúde é admitida, sendo apenas vedada a destinação de recursos públicos
para fins de auxílio ou subvenção às atividades que desempenhem.
51. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão
financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão. 
52. É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros,
na forma da lei.
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ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 
53. A forma federativa de Estado é uma das cláusulas pétreas que norteiam a ordem
constitucional brasileira, o que conduz à conclusão de que se revela inviável o exercício
do direito de secessão por parte de qualquer dos entes federados, o que pode motivar a
intervenção federal.
54.Os Municípios possuem competência para dispor sobre a proteção do meio ambiente
e o controle da poluição, no limite de seu interesse local e em harmonia com a disciplina
estabelecida pelos demais entes federados.
55.A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por
lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e
publicados na forma da lei.
56.A Constituição de 1988 atribuiu ao Distrito Federal o status de pessoa política,
integrante da Federação, possuindo competências próprias, que serão desempenhadas
pela Câmara Legislativa, a quem caberá votar, inclusive, a própria Lei Orgânica do
Distrito Federal (art. 32 da CRFB/88).
57.O STF, em jurisprudência, já entendeu que os Municípios detêm competência para
legislar sobre o tempo máximo de espera por atendimento nas agências bancárias, pois
tal questão é de interesse local e diz respeito às normas de proteção das relações de
consumo.
58.A intervenção ocorre da entidade federativa “maior” para a “menor”, pois não existe
intervenção de baixo para cima. Com isso, a União pode intervir no DF e nos Estados, e
esses nos seus Municípios. A União só poderá intervir em Municípios de Território. Ou
seja, não há intervenção federal em Município de Estado-membro.
59.A intervenção da União em estado, para assegurar a observância dos chamados
princípios constitucionais sensíveis, depende de provimento, pelo STF, de representação
de inconstitucionalidade interventiva ajuizada pelo PGR.
60.A autonomia política dos Estados-membros não alcança a competência legislativa
para instituir comissão estadual voltada a autorizar, monitorar e fiscalizar a pesquisa, e
demais atividades relacionadas ao setor nuclear, de modo a assegurar que suas
aplicações garantam a saúde, o bem-estar e a segurança da população, bem como, a
preservação do meio ambiente.
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61.É inconstitucional lei estadual que institua depósito prévio como requisito de
admissibilidade de recurso nos Juizados Especiais, por violar competência privativa
da união para legislar sobre direito processual.
62.Lei estadual não pode dispor sobre a instituição de cadastro com os números das
linhas telefônicas dos assinantes do serviço de telefonia interessados no sistema de
venda por via telefônica, pois compete à União explorar os serviços de
telecomunicações, bem como legislar privativamente sobre essa matéria.
63.Embora não exista território federal na atual configuração da República Federativa
do Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê, expressamente, a possibilidade de
sua criação por meio de lei complementar federal.
PODER EXECUTIVO
64.O Presidente da República pode dispor, mediante decreto, sobre a extinção de
funções ou cargos públicos, quando vagos, sendo permitida a delegação dessa
competência aos Ministros de Estado.
65.Em razão de crime de responsabilidade, quem efetua o impeachment do
Presidente da República é o Senado Federal, na forma do art. 52, I e parágrafo único,
da CRFB/88. Em razão de crime comum, o julgamento será realizado pelo STF, com
base no art. 102, I, b da CRFB/88. Vale ressaltar que nem o Senado e nem o STF têm
autorização para iniciar o julgamento contra o Presidente se não houver o juízo de
admissibilidade da Câmara dos Deputados favorável ao referido julgamento.
66.Em caso de impedimento do Presidente serão sucessivamente chamados ao
exercício da Presidência: o Vice-Presidente, o Presidente Câmara dos Deputados, o
Presidente do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal. Importante frisar que
somente o Vice pode ser sucessor do Presidente e os demais podem apenas
substituí-los.
67.O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do
Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob
pena de perda do cargo. Já, se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o
Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o
cargo, este será declarado vago.
68.Compete privativamente ao Presidente da República propor ao Congresso
Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbito nacional.
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69. Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o
Presidente da República não estará sujeito a prisão (art. 86, § 3º, da CRFB/88). Não
se trata de qualquer prisão, mas apenas da prisão penal. Então, podemos extrair
deste artigo a seguinte regra geral: não haverá prisão criminal (cautelar) do Presidente
da República.
70. Compete à Câmara a realização de juízo de admissibilidade das acusações
criminais e políticas contra o Presidente da República, considerando-se aprovadas por
pelo menos 2/3 dos votos favoráveis dos Deputados.
71. O STF só poderá julgar o Presidente da República por crime relacionado ao
exercício das funções presidenciais. Com isso, não haverá processo criminal contra o
Presidente durante o seu mandato por crime ocorrido antes da diplomação ou durante
o mandato, mas sem relação com as funções presidenciais.
72. Se entre o primeiro e o segundo turno das eleições ocorrer morte, desistência ou
impedimento legal de candidato ao cargo de Presidente da República, convocar-se-á,
entre os remanescentes, o de maior votação. Em caso de empate, a idade será o
critério de desempate, privilegiando-se o mais “experiente”.
73. Graça é medida de clemência que o condenado solicita com base em
características pessoais, enquanto o indulto é medida de caráter coletivo. Ambos são
concedidos pelo Presidente da República por meio de Decreto Presidencial,
extinguindo a punibilidade. Pressupõem o trânsito em julgado da sentença
condenatória. 
PODER LEGISLATIVO 
74. O STF firmou entendimento no sentido de que o foro por prerrogativa de função
dos parlamentares federais aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (AP 937 QO, STF).
 
75. É possível a criação de CPI´s Estaduais, Distritais e Municipais, desde que haja
previsãonas respectivas Constituições Estaduais e Leis Orgânicas Municipais.
Imperioso destacar que as referidas Comissões devem obedecer ao princípio da
simetria e devem ser abertas para apurar fatos direcionados ao Estado ou ao
Município, conforme o caso, em nome da preservação do Pacto Federativo. 
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76. Segundo entendimento do STF, a CPI não pode determinar a constrição de bens do
investigado, tendo em vista os princípios da reserva de jurisdição e da separação de
poderes. Em contrapartida, pode determinar a quebra do sigilo telefônico, ou seja, dos
dados telefônicos dos investigados.
 
77. A imunidade parlamentar material abrange quaisquer opiniões, palavras e votos
produzidos no recinto da respectiva casa legislativa, e as manifestações produzidas fora
dali, desde que guardada a relação com o exercício do mandato parlamentar. E ainda se
estende à divulgação pela imprensa, por iniciativa do congressista ou de terceiros, do
fato coberto pela inviolabilidade.
78. Segundo orientação do STF, a imunidade material não se estende ao congressista
quando, na condição de candidato a qualquer cargo eletivo, vem a ofender, moralmente,
a honra de terceira pessoa, inclusive a de outros candidatos, em pronunciamento
motivado por finalidade exclusivamente eleitoral, que não guarda qualquer conexão com
o exercício das funções congressuais.
 
79. A CPI não pode determinar, por ato próprio, a condução coercitiva de testemunha.
Em caso de não comparecimento da testemunha sem motivo justificado, a sua intimação
será solicitada ao juiz criminal da localidade em que resida ou se encontre.
 
80. O STF decidiu que as assinaturas para a abertura da CPI não se submetem à
votação dos plenários das Casas em nome do direito das minorias Parlamentares.
81. São requisitos para a criação de CPIs: (i) requerimento de um terço dos membros da
Câmara e/ou um terço das assinaturas de Senadores, podendo ser a CPI instaurada em
uma das Casas ou nas duas; (ii) apuração de fato determinado, ou seja, direcionado
para alguma situação específica (nada impede que os fatos surgidos no decorrer das
investigações que tenham pertinência com o fato principal também sejam apurados); e
(iii) prazo certo, mas segundo orientação do STF são admissíveis prorrogações
sucessivas do prazo inicialmente fixado para uma CPI, desde que dentro do período
correspondente à legislatura em que se iniciou.
82. O Presidente da CPI pode, por deliberação desta, solicitar, em qualquer fase da
investigação, ao juízo criminal competente, medida cautelar necessária quando se
verificar a existência de indícios veementes da proveniência ilícita de bens.
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PROCESSO LEGISLATIVO
83. Os cidadãos, por força do art. 61, § 2º, da CRFB/88, também poderão deflagrar o
processo legislativo brasileiro apresentando projetos de lei complementar e ordinária,
desde que satisfaçam os seguintes requisitos constitucionais: o projeto deve ser 3
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional + esses eleitores devem
estar distribuídos pelo menos por cinco Estados brasileiros + e em cada um desses
Estados, o número de eleitores não pode ser inferior a três décimos por cento dos
eleitores locais.
84.Segundo orientação majoritária na doutrina não há hierarquia entre leis
complementares e ordinárias, pois ambas encontram fundamento jurídico de validade
diretamente na Constituição Federal. As normas, entretanto, se diferenciam com relação
à matéria e ao quórum para a sua aprovação. Leis Complementares são aprovadas por
maioria absoluta (art. 69) e leis ordinárias por maioria simples ou relativa (art. 47).
85. Lei ordinária pode revogar ou alterar lei complementar anterior, desde que esta seja
materialmente ordinária (ou seja, verse sobre assunto que não é reservado á lei
complementar), ainda que formalmente complementar. 
86.Além dos limites materiais expressos enfrentados pela Medida Provisória (art. 62,
δ1º), em nome da separação e harmonia entre os poderes, também não se permite a
edição de medidas provisórias acerca de matéria de competência exclusiva do
Congresso Nacional (art. 49), privativa da Câmara dos Deputados (art. 51), nem
tampouco privativa do Senado Federal (art. 52).
87.A sanção e o veto são atos exclusivos do chefe do Executivo (no prazo de 15 dias
úteis). A sanção pode ser tácita ou expressa, mas o veto é sempre expresso! Não há
sanção ou veto no processo de elaboração das emendas constitucionais, que após
aprovadas, serão promulgadas pelas respectivas Mesas do Congresso Nacional (art.
60, δ3º). 
88.A sanção do chefe do executivo não convalida o vício de iniciativa na apresentação
do projeto.
89.São características constitucionais do veto na forma do art. 66 da CRFB/88: I) total,
se recair sobre todo o projeto, ou parcial, se atingir apenas parte do projeto e neste caso
somente pode abranger o texto total de artigo, inciso, alínea ou parágrafo, não havendo 
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mais veto de palavra ou de expressão; II) é irretratável; III) superável, pela possibilidade
de sua derrubada pelo Congresso Nacional; IV) pode ser formal ou jurídico, quando
ocorrer em razão da inconstitucionalidade do projeto; ou ainda, material ou político, se o
veto for motivado em razão do projeto ser contrário ao interesse público.
90.A proposta de emenda constitucional exige um quórum qualificado para sua
aprovação. Será considerada aprovada após discussão e votação em dois turnos nas
duas casas do Congresso Nacional, devendo obter três quintos dos votos dos seus
membros em cada turno de votação.
91.As regras do processo legislativo, em especial as que tratam da iniciativa legislativa,
por força da simetria, são de observância obrigatória para os Estados, Distrito Federal e
municípios.
92.A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realiza controle preventivo político de
constitucionalidade, pois tem por função verificar a compatibilidade do projeto de lei para
com a Constituição.
93.Não há iniciativa popular para apresentação de propostas de emendas à Constituição
da República, pois o rol do art. 60, I, II e III, da CRFB/88 é taxativo.
94.As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá
solicitar a delegação ao Congresso Nacional.
95. De acordo com o art.67, da CRFB/88, a matéria constante de projeto de lei rejeitado
somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa,
mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional.
96. O princípio da simetria norteia o processo legislativo estadual, distrital e municipal,
por isso, se no plano federal o projeto for de iniciativa privativa do Presidente da
República, no âmbito dos Estados e Distrito Federal será do Governador e nos
Municípios do Prefeito.
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS 
97.Em razão da natureza personalíssima da ação, somente o titular do dado pode ajuizar
o habeas data, seja pessoa natural ou jurídica, nacional ou estrangeira. Ressalta-se que,
para fins de preservação da memória do de cujus, a jurisprudência admite a impetração
da ação pelos seus herdeiros.
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98.Não cabe habeas corpus em relação às punições disciplinares militares, conforme art.
142, § 2º, da CRFB/88, exceto para análise de pressupostos de legalidade, excluída a
apreciação de questões referentes ao mérito.
99.A ação popularé ajuizada exclusivamente pelo cidadão (ELEITOR) na defesa do
patrimônio público estatal, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do
patrimônio histórico e cultural. Se proposta de boa fé, a ação será gratuita, caso
contrário, onerosa.
100.Caso determinado cidadão desista da Ação Popular, o Ministério Público ou
qualquer cidadão que esteja no gozo de seus direitos políticos poderá prosseguir com a
demanda.
101.O mandado de segurança visa à tutela de direito individual e coletivo, líquido e certo,
não amparável por nenhum dos demais remédios constitucionais, diante de sua natureza
residual, que esteja sendo ameaçado ou lesado em decorrência de ato de autoridade
pública ou agente delegado, eivado de ilegalidade ou abuso de poder.
102.O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com
representação no Congresso Nacional, organização sindical, entidade de classe ou
associação (legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano) e
podem defender em juízo interesse de toda ou de parte da categoria. Como atuam na
qualidade de substitutos processuais não precisam de autorização expressa dos seus
membros ou associados.
103.Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
104. De acordo com a súmula 266, do STF: “Não cabe mandado de segurança contra lei
em tese”.
105. Conforme a súmula 625, do STF: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede
concessão de mandado de segurança”.
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SÚMULAS VINCULANTES 
106.Somente o STF tem competência para editar súmulas vinculantes que devem
respeitar aos seguintes requisitos cumulativos para a sua edição, revisão ou
cancelamento: decisão de dois terços dos membros do STF, reiteradas decisões sobre
matéria constitucional e a existência de controvérsia atual entre órgãos judiciários ou
entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e
relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.
107.De acordo com a súmula vinculante 49, ofende o princípio da livre concorrência lei
municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.
108.A remuneração inferior ao salário-mínimo para as praças prestadoras de serviço
militar inicial não viola a Constituição de 1988, de acordo com a súmula vinculante 6.
109.Os Estados-membros não dispõem de competência para instituir, mesmo em sua
própria Constituição, cláusulas tipificadoras de crimes de responsabilidade, já que tal
competência pertence exclusivamente à União Federal, pois conforme preceitua a
súmula vinculante 46, “a definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento
das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa
privativa da União”.
110. Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula
vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao
Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de
impugnação.
111. Como os bingos são considerados modalidades de sorteio, o STF decidiu, com
base no art. 22, XX, da CRFB/88, que é inconstitucional a lei ou ato normativo estadual
ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e
loterias, pois a matéria deve ser tratada por lei federal (Súmula Vinculante 2).
 
112. Em direitos políticos, é sempre importante lembrar-se da Súmula Vinculante 18, que
afirma: “A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não
afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do art. 14 da CF.”
113. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de Tribunal que embora não declare expressamente a inconstitucionalidade
de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. (SV
10)
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114. A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art.
206, IV, da Constituição Federal. (SV 12)
115. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou
bens para admissibilidade de recurso administrativo. (SV 21)
 
116. Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. (SV 37)
 
117. É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento
comercial. (SV 38)
118. A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda
Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias,
mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. (SV 54)
119. O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos. (SV 55)
120. A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, a partir de sua publicação em
imprensa oficial, em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
121. O STF pode, por decisão de 2/3 dos seus membros, restringir os efeitos vinculantes
das súmulas vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de outro momento,
tendo em vista razões de segurança pública ou de excepcional interesse público.
TEORIA GERAL DA CONSTITUIÇÃO
122. Não há hierarquia entre o corpo fixo da Constituição e as normas do ADCT. Se
houver conflito entre elas, aplica-se a norma mais específica. Todas as normas
constitucionais podem, em regra, servir como parâmetro do controle de
constitucionalidade das leis.
 
123. O preâmbulo da Constituição Federal, segundo orientação jurisprudencial, está
situado no domínio da política, como reflexo da posição ideológica do constituinte no
momento de sua elaboração, não sendo inclusive norma de reprodução obrigatória para
as Constituições Estaduais, tampouco paradigma valorativo para a declaração de
inconstitucionalidade das leis, ainda que seja fonte de interpretação constitucional. 
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124. As normas constitucionais de eficácia plena são autoaplicáveis e têm incidência
direta, imediata e integral (arts. 1° e 2°, 5°, III). À semelhança das normas plenas, as
contidas também estão plenamente aptas a realizar todos os seus efeitos jurídicos
essenciais desde a sua entrada em vigor, produzindo, igualmente, incidência direta,
imediata, mas não integral, pois podem sofrer restrições ou ampliações futuras por parte
do Poder Público (arts. 5°, XIII e XV e art. 93, IX).
125. As normas constitucionais limitadas produzem efeitos jurídicos reduzidos, tendo em
vista que dependem da atuação futura por parte do Poder Público. Dividem-se em:
Programáticas ou Institutivas (ou organizatórias). As primeiras traçam objetivos, metas
ou ideais que deverão ser delineados pelo Poder Público para que produzam seus
efeitos jurídicos essenciais (arts. 196, 205 e 211). As últimas criam institutos, serviços,
órgãos ou entidades que precisam de legislação futura para que ganhem vida real (art.
134, § 1º e art. 93, caput).
126. A desconstitucionalização ocorre quando a nova Constituição dispõe que alguns, ou
até mesmo todos os dispositivos da ordem constitucional anterior serão mantidos válidos
perante o novo ordenamento, mas não sob a forma de Constituição, e sim sob a forma
de norma infraconstitucional. Não é um fenômeno automático e, para acontecer, deverá
vir expresso nonovo texto da Constituição.
127. A vacatio constitutionis é o período entre a publicação de uma nova Constituição e
a sua entrada em vigor. Não é, em regra, adotado no país.
 
128. A recepção é um fenômeno de natureza material porque não analisa o processo
legislativo que fundamentou a elaboração da norma, fixando-se na verificação de seu
conteúdo. A recepção vai analisar o conteúdo da lei, se este for compatível com os
princípios e as regras da nova Constituição, vai ser mantida, não sendo compatível, será
afastada, deixando de produzir seus efeitos jurídicos. Trata-se de fenômeno automático.
129. De acordo com o art. 2º, § 3º, da Lei de Introdução às normas do Direito brasileiro,
uma lei validamente revogada não volta a produzir efeitos jurídicos com a revogação da
lei que a revogou. Esse é um fenômeno salutar de sucessão legislativa no país.
 
130. Não há hierarquia entre as normas de eficácia plena, contida e limitada. Todas elas
produzem efeitos jurídicos (eficácia negativa), tais como: servem como parâmetro do
controle de constitucionalidade das leis, para recepção ou não recepção das normas
anteriores e, também, servem como fonte de interpretação.
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TRIBUNAL DE CONTAS
131. O Tribunal de Contas da União (TCU) é órgão auxiliar do Congresso Nacional no
que toca ao controle externo e pode fiscalizar as contas de pessoa jurídica de direito
privado que receba recursos financeiros da União.
132. O art. 71 da Constituição não insere na competência do TCU a aptidão para
examinar, previamente, a validade de contratos administrativos celebrados pelo poder
público. Atividade que se insere no acervo de competência da função executiva. É
inconstitucional norma local que estabeleça a competência do tribunal de contas para
realizar exame prévio de validade de contratos firmados com o poder público. (STF,
ADI 916)
 
133. O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito
deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos
membros da Câmara Municipal.
 
134. Quanto à composição do Tribunal de Contas dos Estados, a Súmula no 653 do
STF determina: No Tribunal de Contas estadual, composto por sete Conselheiros,
quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo chefe do Poder
Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre
membros do Ministério Público, e um terceiro à sua livre escolha.
 
135. Compete ao TCU aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou
irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras
cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário.
 
136. Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos: I - um terço pelo
Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois
alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal,
indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e
merecimento; II - dois terços pelo Congresso Nacional.
 
137. Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para,
na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas
da União.
 
138. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada,
sistema de controle interno com a finalidade de, dentre outras atribuições: avaliar o
cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;
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139. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios
de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não
programados ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade
governamental responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos
necessários.
140. O Tribunal de Contas encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e
anualmente, relatório de suas atividades.
 
141. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da
União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será
exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
controle interno de cada Poder.
PODER CONSTITUINTE
142. O poder constituinte originário é o responsável pela criação da nova Constituição e
é inicial e incondicionado.
 
143. O poder constituinte derivado é dividido entre reformador e decorrente. O primeiro
realiza as alterações formais na Constituição, o segundo, nas federações, estabelece a
criação e a reforma das Constituições estaduais.
 
144. O Poder Constituinte Derivado Decorrente é o que permite, nos estados
federativos, a auto-organização dos estados-membros na forma dos arts. 25 da
CRFB/88 e 11 do ADCT. Essa manifestação de poder é peculiar aos Estados
federativos diante da autonomia dos entes que os compõem, não existindo, em regra
geral, nos Estados unitários, que não possuem Constituições Estaduais.
145. A Lei Orgânica do Município é uma manifestação constituída do Poder Legislativo
municipal e não é considerada fruto de poder constituinte derivado decorrente.
146. A Lei Orgânica distrital pode ser apontada como manifestação de poder
constituinte derivado decorrente, tendo em vista que retira fundamento jurídico de
validade diretamente da Constituição da República e que tem força normativa
equivalente a da Constituição Estadual (servindo, inclusive, como parâmetro de
constitucionalidade estadual).
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147. As hipóteses de limitação circunstancial, ainda que em certa medida sejam
limitações temporais (haja vista que enquanto perdurarem impedirão a emenda do texto
constitucional) devem ser entendidas como determinados eventos que, quando em
curso, impedem que seja promovida qualquer reforma à Constituição Federal.
Intervenção federal (arts. 34 e 35), estado de defesa e estado de sítio (arts. 136 a 141)
configuram a proteção constitucional às situações de crise.
148. Em nome da rigidez constitucional, o constituinte estabeleceu um processo mais
rigoroso para a votação das PECs no Congresso Nacional, consagrando a sua
aprovação apenas após dois turnos positivos de votação em cada Casa do Congresso
Nacional e ainda pelo voto de 3/5 dos respectivos membros.
149. O STF entendeu que o processo de reforma das Constituições estaduais deve
seguir o modelo federal, com a exceção da legitimidade ativa, já que o Tribunal
reconheceu a possibilidade de que a iniciativa popular para apresentação da PEC seja
instituída no modelo estadual.
150. Após a sua votação positiva, as emendas constitucionais serão promulgadas pelas
duas mesas do Congresso que trabalharam na sua elaboração, sendo possível se
concluir que não há sanção ou veto do Presidente da República no processo legislativo
reformador, restando a sua única participação configurada na faculdade de apresentar
uma PEC.
“Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo, que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será”
(Semente do amanhã, Gonzaguinha)
1ª FASE DO EXAME 43
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